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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP Crônica de uma Morte Anunciada Resumo Talita Bachega de Loiola Osorio RA: B719460 São Paulo/SP 2024 "Crônica de uma Morte Anunciada” Este relatório busca compreender a ilicitude e o concurso de agentes presentes no crime retratado no livro. Primeiramente, é necessário entender o conceito de ilicitude, também conhecido como antijuridicidade, que pode ser definido como uma conduta contrária ao ordenamento jurídico. Ou seja, para que uma ação seja considerada ilícita, é necessário que ela contrarie uma norma positivada. Caso contrário, mesmo que a atitude seja socialmente reprovável, não poderá ser considerada ilícita, pois não estaria contrariando o ordenamento jurídico. A obra “Crônica de uma Morte Anunciada” critica a mentalidade primitiva que permite que um assassinato premeditado tenha uma pena irrisória, independentemente de a sua execução ter ou não sido pressionada pelo costume, e que uma jovem seja violentamente penalizada por não ter o comportamento sexual esperado para a época. No entanto, a intenção é demonstrar a consternação face à incrível quantidade de coincidências funestas acumuladas que deixam no ar a inquietante reflexão de que “a fatalidade nos torna invisíveis”. O livro trata ainda do perdão e do tempo, da brevidade da vida e da eternidade dos sentimentos. O autor recorre aos sonhos premonitórios e aos presságios para reforçar o caráter intuitivo tanto do narrador/autor quanto das demais personagens. O ambiente retratado é mostrado como potencialmente favorável às emoções, sugerindo estados de alma que, associados a uma capacidade de observação e de ligação de detalhes muito superior à média, se manifesta numa capacidade de entendimento que muitos tendem a classificar como algo de sobrenatural ou mediúnico. Deste modo, o autor descreve o dia da morte de Santiago como um dia em que fazia um tempo fúnebre e que não preciso instante da desgraça caía uma chuva miúda como a que Santiago Nasar vira no bosque, no sonho – chuva que era, na realidade, excremento de pássaro (segundo o autor, sonhar com pássaros é sinal aziago). Também a irmã do narrador – Margot – afirma que sentiu passar um anjo quando Santiago falou acerca do seu próprio casamento, fato que não se chegou a realizar. Como se não bastasse, outro sinal de presença do incrível é a forma que García Márquez dá ao remorso como punição para o crime e a negligência. O cheiro de Santiago moribundo impregna-se de tal forma nas narinas daqueles que, de alguma forma, tiveram o mais leve resquício de culpa, direta ou indireta, na sua morte, atacando-lhes as consciências como o mais cruel dos fantasmas. Na sequência, o aguilhão do remorso cai, sobretudo, nos dois assassinos durante o relativamente curto espaço de tempo que passam na cadeia pagando pelo crime, perdendo, inclusive, a faculdade de controlar o próprio corpo, mas sempre sem perder a lucidez. Para reconstruir a história da morte de Santiago Nasar, García Márquez recorreu não só à memória, mas também à entrevista das pessoas envolvidas, aqueles que estavam, na altura, mais próximos não apenas da vítima, mas também dos assassinos, tentando compor o quebra- cabeça constituído pelos estilhaços da memória. A partir da morte do protagonista, são desvendadas as perspectivas e as histórias de algumas pessoas que, de uma forma ou de outra, estiveram ligadas à sua morte. Pois, como já citado, a morte de Santiago foi anunciada por toda a vila de Riohacha, apenas ele permaneceu na ignorância até ao momento em que foi esfaqueado à porta de casa. Assim, conforme exposto, o autor Gabriel García Márquez retrocede e avança no tempo, fazendo do narrador participante o cronista da tal morte anunciada. Desde o talhante à empregada do café. Do padre ao delegado da polícia, todos sabiam muito antes de morrer, que Santiago tinha Pedro e Pablo à sua espera, com as facas afiadas dos porcos. No entanto, por medo, receio, covardia, comodismo, ou mero sadismo, ninguém avisou Santiago, preferindo antes observá-lo, inocente, ingênuo, caminhando impávido e sereno para a própria morte."