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As artérias transportam o sangue para fora do coração. A parede de uma artéria consiste em uma túnica íntima, uma túnica
média (que mantém a elasticidade e a contratilidade) e uma túnica externa. As grandes artérias são denominadas artérias
elásticas (condutoras), e as artérias de médio porte são chamadas artérias musculares (distributivas).
Muitas artérias anastomosam­se (união das extremidades distais de dois ou mais vasos). Uma via alternativa para o sangue
de uma anastomose é chamada circulação colateral. As artérias que não se anastomosam são chamadas artérias terminais.
As  arteríolas  são pequenas  artérias  que  levam  sangue para  os  capilares.  Por meio de  vasoconstrição  e  vasodilatação,  as
arteríolas são essenciais na regulação do fluxo sanguíneo das artérias para os capilares e na alteração da pressão arterial.
Os capilares são vasos sanguíneos microscópicos por meio dos quais se trocam materiais entre as células do sangue e os
tecidos; alguns capilares são contínuos, e outros são fenestrados. Os capilares ramificam­se para formar uma extensa rede
em um tecido. Esta rede aumenta a área de superfície, possibilitando a troca rápida de grandes quantidades de substâncias.
Os esfíncteres pré­capilares regulam o fluxo sanguíneo nos capilares.
Os vasos sanguíneos microscópicos do fígado são chamados vasos sinusoides.
As vênulas são pequenos vasos que continuam a partir dos capilares e se fundem para formar as veias.
As veias são constituídas pelas mesmas três  túnicas que as artérias, mas  têm uma túnica  íntima mais fina e uma túnica
média mais fina. O lúmen de uma veia também é maior do que o de uma artéria comparável. As veias contêm válvulas para
impedir o refluxo de sangue. Válvulas enfraquecidas resultam em veias varicosas.
Os seios vasculares (venosos) são veias com paredes muito finas.
As veias sistêmicas são coletivamente chamadas reservatórios de sangue, porque contêm um grande volume de sangue. Se
houver necessidade, esse sangue pode ser deslocado para outros vasos sanguíneos por meio da vasoconstrição das veias. Os
principais reservatórios de sangue são as veias dos órgãos abdominais (fígado e baço) e pele.
Troca capilar
As substâncias entram e saem dos capilares por difusão, transcitose ou fluxo de massa.
O  movimento  de  água  e  solutos  (exceto  proteínas)  através  das  paredes  capilares  depende  das  pressões  hidrostática  e
osmótica.
O quase equilíbrio entre a filtração e a reabsorção nos capilares é chamado lei de Starling dos capilares.
Edema é o aumento anormal do líquido intersticial.
Hemodinâmica | Fatores que afetam o fluxo sanguíneo
A velocidade do fluxo sanguíneo está inversamente relacionada com a área de seção transversa dos vasos sanguíneos; o fluxo
sanguíneo é mais lento onde a área de seção transversa é maior. A velocidade do fluxo sanguíneo diminui da aorta para as
artérias para os capilares e aumenta nas vênulas e veias.
A pressão e resistência arterial determinam o fluxo sanguíneo.
O  sangue  flui  das  regiões  de  maior  para  as  de  menor  pressão.  No  entanto,  quanto  maior  a  resistência,  menor  o  fluxo
sanguíneo.
O débito cardíaco é igual à pressão arterial média dividida pela resistência total (DC = PAM/R).
A pressão arterial é a pressão exercida sobre as paredes de um vaso sanguíneo.
Os  fatores  que  afetam  a  pressão  arterial  são  o  débito  cardíaco,  o  volume  de  sangue,  a  viscosidade,  a  resistência  e  a
elasticidade das artérias.
Conforme o sangue sai da aorta e  flui ao  longo da circulação sistêmica, sua pressão cai progressivamente a 0 mmHg no
momento em que alcança o ventrículo direito.
A  resistência  depende  do  diâmetro  dos  vasos  sanguíneos,  da  viscosidade  do  sangue  e  do  comprimento  total  dos  vasos
sanguíneos.
O retorno venoso depende das diferenças de pressão entre as vênulas e o ventrículo direito.
O retorno do sangue ao coração é mantido por vários fatores, incluindo as contrações do músculo esquelético, as válvulas das
veias (especialmente nos membros) e as alterações de pressão associadas à respiração.
Controle da pressão arterial e do fluxo sanguíneo
O centro cardiovascular  (CV) é um grupo de neurônios no bulbo que regula a  frequência e a contratilidade cardíacas e o
diâmetro dos vasos sanguíneos.
O  centro  CV  recebe  informações  das  regiões  superiores  do  encéfalo  e  dos  receptores  sensitivos  (barorreceptores  e
quimiorreceptores).
Os estímulos do centro CV fluem ao longo de axônios simpáticos e parassimpáticos. Os impulsos simpáticos propagados ao
longo  dos  nervos  cardioaceleradores  aumentam  a  frequência  e  a  contratilidade  cardíacas;  os  impulsos  parassimpáticos
propagados ao longo do nervo vago diminuem a frequência cardíaca.
Os barorreceptores monitoram a pressão arterial, e os quimiorreceptores monitoram os níveis sanguíneos de íons O2, CO2 e
hidrogênio. O reflexo do seio carótico ajuda a regular a pressão sanguínea no encéfalo. O reflexo aórtico regula a pressão
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sanguínea sistêmica geral.
Os hormônios que ajudam a regular a pressão sanguínea são a epinefrina, a norepinefrina, o HAD (hormônio antidiurético), a
angiotensina II e o PNA (peptídio natriurético atrial).
A autorregulação  refere­se a ajustes  locais e automáticos no  fluxo sanguíneo em uma determinada  região para atender à
necessidade de um tecido específico.
O nível de O2 é o principal estímulo para a autorregulação.
Verificação da circulação
O pulso é a expansão e a retração alternadas de uma parede arterial a cada contração cardíaca. Pode ser sentido em qualquer
artéria que se situe próximo da superfície ou sobre um tecido rígido.
A frequência de pulso (cardíaca) normal em repouso é de 70 a 80 bpm.
A pressão arterial é a pressão exercida pelo sangue na parede de uma artéria quando o ventrículo esquerdo passa pela sístole
e então pela diástole. É medida com o uso de um esfigmomanômetro.
A pressão arterial sistólica (PAS) é a pressão arterial durante a contração ventricular. A pressão arterial diastólica (PAD) é a
pressão arterial durante o relaxamento ventricular. A pressão arterial normal é inferior a 120/80.
A pressão diferencial é a diferença entre a pressão arterial sistólica e a diastólica. Normalmente é de cerca de 40 mmHg.
Choque e homeostasia
O  choque  é  uma  falha  do  sistema  circulatório  em  fornecer  O2  e  nutrientes  suficientes  para  satisfazer  as  necessidades
metabólicas das células.
Os tipos de choque incluem o hipovolêmico, o cardiogênico, o vascular e o obstrutivo.
Os  sinais  e  sintomas  de  choque  incluem  pressão  arterial  sistólica  inferior  a  90 mmHg;  frequência  cardíaca  de  repouso
rápida; pulso rápido e fraco; pele úmida, fria e pálida; sudorese; hipotensão; estado mental alterado; diminuição do débito
urinário; sede e acidose.
Vias circulatórias
As duas principais vias circulatórias são as circulações sistêmica e pulmonar.
Entre as subdivisões da circulação sistêmica estão a circulação coronariana (cardíaca) e a circulação porta hepática.
A  circulação  sistêmica  transporta  o  sangue  oxigenado  do  ventrículo  esquerdo  para  a  aorta  a  todas  as  partes  do  corpo,
incluindo parte do tecido pulmonar, menos os alvéolos dos pulmões, e devolve o sangue desoxigenado para o átrio direito.
A aorta é dividida em parte ascendente da aorta, arco da aorta e parte descendente da aorta. Cada parte desprende artérias
que se ramificam para irrigar o corpo todo.
O sangue retorna ao coração pelas veias sistêmicas. Todas as veias da circulação sistêmica drenam para a veia cava superior
ou para a veia cava inferior ou para o seio coronário, que por sua vez drena para o átrio direito.
Os principais vasos sanguíneos do sistema circulatório podem ser vistos nas Expos 21.A a 21.L.A circulação porta hepática conduz o sangue venoso do sistema digestório e do baço para a veia porta do fígado no fígado
antes de retorná­lo ao coração. Ela possibilita que o fígado utilize nutrientes e remova substâncias tóxicas prejudiciais do
sangue.
A  circulação  pulmonar  leva  sangue  desoxigenado  do  ventrículo  direito  aos  alvéolos  nos  pulmões  e  retorna  o  sangue
oxigenado dos alvéolos para o átrio esquerdo.
A circulação fetal só existe no feto. Ela envolve a troca de materiais entre feto e a mãe por meio da placenta.
O feto deriva O2 e nutrientes e elimina CO2 e escórias metabólicas no sangue materno. No momento do nascimento, quando
as funções pulmonares, digestórias e hepáticas começarem a funcionar, as estruturas especiais da circulação fetal  já não
serão mais necessárias.
Desenvolvimento dos vasos sanguíneos e do sangue
Os vasos sanguíneos se desenvolvem do mesênquima (hemangioblastos → angioblastos → ilhas sanguíneas) na mesoderme
nas chamadas ilhas sanguíneas.
As células sanguíneas também se desenvolvem a partir do mesênquima (hemangioblastos → células­tronco pluripotentes).
O desenvolvimento das células sanguíneas a partir das células­tronco pluripotentes derivadas dos angioblastos ocorre nas
paredes dos vasos sanguíneos no saco vitelino, cório e alantoide em cerca de 3 semanas após a fertilização. No embrião, o
sangue é produzido pelo fígado aproximadamente na 5a semana e no baço, medula óssea e timo por volta da 12a semana após
a fertilização.
Envelhecimento e sistema circulatório
As  alterações  gerais  associadas  ao  envelhecimento  incluem  a  redução  na  complacência  (distensibilidade)  dos  vasos
sanguíneos, redução do tamanho do músculo cardíaco, redução no débito cardíaco e aumento da pressão arterial sistólica.
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A incidência de doença da artéria coronária (DAC), insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e aterosclerose aumenta com a
idade.
QUESTÕES PARA AVALIAÇÃO CRÍTICA
Kim Sung foi  informada de que seu filho nasceu com um orifício nas câmaras superiores de seu coração. Isto é
algo que deve preocupar Kim Sung?
Michael  foi  levado  para  o  pronto­socorro  por  causa  de  um  ferimento  por  projetil  de  arma  de  fogo.  Ele  está
sangrando muito e apresenta pressão arterial  sistólica de 40 mmHg; pulso  fraco de 200 bpm; pele  fria, pálida e
úmida.  O  débito  urinário  é  nulo,  mas  ele  está  pedindo  água.  Ele  está  confuso  e  desorientado.  Qual  é  o  seu
diagnóstico e o que, especificamente, está causando esses sinais/sintomas?
O trabalho de Maria implica ficar em pé sobre um piso de concreto por 10 h por dia em uma linha de montagem.
Ultimamente ela tem notado edema maleolar no final do dia e discreta dor à palpação das panturrilhas. O que você
suspeita que seja o problema de Maria e como ela poderia aliviar esse problema?
 RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS FIGURAS
A artéria femoral tem a parede mais espessa; a veia femoral tem o lúmen mais amplo.
Por  causa  da  aterosclerose,  menos  energia  é  armazenada  nas  artérias  elásticas  menos  complacentes  durante  a
sístole; assim, o coração precisa bombear mais arduamente para manter a mesma velocidade de fluxo sanguíneo.
Os tecidos metabolicamente ativos usam O2 e produzem escórias metabólicas mais rapidamente do que os tecidos
inativos, de modo que requerem redes capilares mais extensas.
Os materiais atravessam as paredes dos capilares através das fendas intercelulares e fenestrações, via transcitose
nas vesículas pinocíticas, e através das membranas plasmáticas das células endoteliais.
As válvulas são mais importantes nas veias do braço e da perna do que nas veias do pescoço, porque quando você
está  em  pé,  a  gravidade  leva  a  um  acúmulo  de  sangue  nas  veias  dos  membros  livres,  mas  auxilia  no  fluxo
sanguíneo nas veias do pescoço de volta ao coração.
O volume de sangue nas vênulas e veias é de aproximadamente 64% de 5 ℓ, ou 3,2 ℓ; o volume de  sangue nos
capilares é de cerca de 7% de 5 ℓ, ou 350 mℓ.
A pressão coloidosmótica do sangue é menor do que a normal em uma pessoa com um baixo nível de proteínas
plasmáticas e, por conseguinte, a reabsorção capilar é baixa. O resultado é o edema.
A pressão arterial média na aorta é mais próxima da pressão arterial diastólica do que da sistólica.
A bomba de músculo esquelético e a bomba respiratória também ajudam no retorno venoso.
A vasodilatação e a vasoconstrição das arteríolas são os principais reguladores da resistência vascular sistêmica.
A velocidade do fluxo sanguíneo é maior na aorta e nas artérias.
Os tecidos efetores regulados pelo centro cardiovascular são o músculo cardíaco no coração e o músculo liso nas
paredes dos vasos sanguíneos.
Os  impulsos  para  o  centro  cardiovascular  passam  dos  barorreceptores  nos  seios  caróticos  via  nervo
glossofaríngeo (IX) e dos barorreceptores no arco da aorta via nervo vago (X).
Representa uma mudança que ocorre quando você  se  levanta, porque a gravidade  leva a um acúmulo de  sangue
nas veias das pernas quando você está na posição vertical, diminuindo a pressão sanguínea na parte superior de
seu corpo.
Pressão arterial diastólica = 95 mmHg; pressão arterial sistólica = 142 mmHg; pressão diferencial = 47 mmHg.
Esta  pessoa  tem  hipertensão  estágio  I,  porque  a  PAS  é maior  que  140 mmHg  e  a  pressão  arterial  diastólica  é
maior que 90 mmHg.
A pressão arterial  quase normal  em uma pessoa que perdeu  sangue não  indica, necessariamente,  que os  tecidos
estejam recebendo o fluxo sanguíneo adequado; se a resistência vascular sistêmica aumentou consideravelmente, a
perfusão tecidual pode ser inadequada.
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As duas principais vias circulatórias são a circulação sistêmica e a circulação pulmonar.
As  subdivisões  da  aorta  são  a  parte  ascendente  da  aorta,  o  arco  da  aorta,  a  parte  torácica  da  aorta  e  a  parte
abdominal da aorta.
Os ramos do arco da aorta (em ordem de origem) são o tronco braquiocefálico, a artéria carótida comum esquerda
e a artéria subclávia esquerda.
A parte torácica da aorta começa ao nível no disco intervertebral entre T IV e T V.
A parte abdominal da aorta inicia­se no hiato aórtico no diafragma.
A parte abdominal da aorta se divide em artérias ilíacas comuns aproximadamente no nível da vértebra L IV.
A veia cava superior drena regiões acima do diafragma (supradiafragmáticas), enquanto a veia cava inferior drena
regiões abaixo do diafragma (infradiafragmáticas).
Todo o sangue venoso do encéfalo drena para as veias jugulares internas.
A veia intermédia do cotovelo do membro superior muitas vezes é usada para a retirada de sangue.
A veia cava inferior retorna o sangue das vísceras abdominopélvicas ao coração.
As  veias  superficiais  dos  membros  inferiores  são  os  arcos  venosos  dorsais  e  as  veias  safena  magna  e  safena
parva.
As veias hepáticas levam o sangue do fígado.
Após o nascimento, as artérias pulmonares são as únicas artérias que transportam sangue desoxigenado.
A troca de substâncias entre a mãe e o feto ocorre por meio da placenta.
Os vasos sanguíneos e o sangue são derivados da mesoderme.
____________
1N.T: Na Terminologia Anatômica não há separação em comum e própria.
2N.T: Na Terminologia Anatômica consta apenas “Arco venoso palmar”.
Sistema linfático, resistência a doenças e homeostasia
O sistema linfático contribui para a homeostasia ao drenar o líquido intersticial, bem como ao fornecer os mecanismos de defesa
contra doenças.
A manutenção  da  homeostasia  do  corpo  exige  constante  combate  contra  os  agentes  nocivos  em  nossos meios  interno  e
externo. Apesar da  constante  exposição  a uma variedade de patógenos  – microrganismos produtores  de  doença  como as
bactérias  e  os  vírus  –  a maior  parte  das  pessoas  se mantém  saudável. Asuperfície  do  corpo  também  resiste  a  cortes  e
impactos, exposição a raios ultravioleta, toxinas químicas e queimaduras leves com uma série de manobras defensivas.
          A  imunidade  ou  resistência  é  a  capacidade  de  afastar  uma  lesão  ou  doença  utilizando  nossas  defesas.  A
vulnerabilidade ou falta de resistência é denominada suscetibilidade. Os dois tipos gerais de imunidade são (1) a inata e
(2)  a  adaptativa.  A  imunidade  inata  (inespecífica)  se  refere  às  defesas  que  já  existem  por  ocasião  do  nascimento.  A
imunidade inata não envolve o reconhecimento específico de um microrganismo e atua contra todos os microrganismos da
mesma maneira. Entre os componentes da imunidade inata estão a primeira linha de defesa (as barreiras físicas e químicas
da  pele  e  das  túnicas mucosas)  e  a  segunda  linha  de  defesa  (as  substâncias  antimicrobianas,  as  células  exterminadoras
naturais [NK, natural killer], os fagócitos, a inflamação e a febre). A resposta imune inata representa o sistema de alerta
inicial da imunidade e é projetada para evitar que os microrganismos entrem no corpo e para ajudar a eliminar aqueles que
conseguem entrar.
A  imunidade  adaptativa  (específica)  se  refere  às  defesas  que  envolvem  o  reconhecimento  específico  de  um
microrganismo  uma  vez  que  ele  passou  pelas  defesas  da  imunidade  inata.  A  imunidade  adaptativa  se  baseia  em  uma
resposta específica a um microrganismo específico; ou seja, ela se adapta ou se ajusta para  lidar com um microrganismo
específico. A imunidade adaptativa envolve os linfócitos (um tipo de leucócito) T e B.
O  sistema  do  corpo  responsável  pela  imunidade  adaptativa  (e  alguns  aspectos  da  imunidade  inata)  é  o  sistema  linfático.
Este  sistema  está  intimamente  ligado  ao  sistema  circulatório,  e  também  atua  com  o  sistema  digestório  na  absorção  de
alimentos gordurosos. Neste capítulo, vamos explorar os mecanismos que fornecem a defesa contra invasores e promovem
o reparo dos tecidos danificados do corpo.
22.1
•
•
•
•
1.
2.
3.
Estrutura e função do sistema linfático
 OBJETIVOS
Listar os componentes e funções principais do sistema linfático
Descrever a organização dos vasos linfáticos
Explicar como se dá a formação e o fluxo da linfa
Comparar a estrutura e as funções dos órgãos e tecidos linfáticos primários e secundários.
O sistema linfático consiste em um líquido chamado linfa, em vasos chamados vasos  linfáticos que  transportam a  linfa,
em  diversas  estruturas  e  órgãos  que  contêm  tecido  linfático  (linfócitos  dentro  de  um  tecido  de  filtragem),  e  em medula
óssea (Figura 22.1). O sistema  linfático auxilia na circulação dos  líquidos corporais e ajuda a proteger o corpo contra os
agentes causadores de doenças. Como você verá em breve, a maior parte dos componentes do plasma sanguíneo é filtrada
pelas  paredes  dos  capilares  sanguíneos  para  formar  o  líquido  intersticial. Depois  de  o  líquido  intersticial  passar  para  os
vasos linfáticos, é chamado de linfa. A principal diferença entre o líquido intersticial e a linfa é a sua localização: o líquido
intersticial é encontrado entre as células, e a linfa está localizada nos vasos linfáticos e no tecido linfático.
O  tecido  linfático  é  um  tipo  especializado  de  tecido  conjuntivo  reticular  (ver  Tabela  4.4)  que  contém  numerosos
linfócitos.  Lembre­se  do Capítulo 19  de  que  os  linfócitos  são  leucócitos  agranulócitos  (ver  Seção  19.4).  Dois  tipos  de
linfócitos participam das respostas imunes adaptativas: os linfócitos B e os linfócitos T.
Funções do sistema linfático
O sistema linfático tem três funções principais:
Drenar o  excesso de  líquido  intersticial. Os  vasos  linfáticos  drenam  o  excesso  de  líquido  intersticial  dos  espaços
teciduais  e o devolvem ao  sangue. Esta  função conecta­o  intimamente com o  sistema circulatório. Na verdade,  sem
esta função, a manutenção do volume de sangue circulante não seria possível.
Transportar lipídios oriundos da dieta. Os vasos linfáticos transportam lipídios e vitaminas lipossolúveis (A, D, E e
K) absorvidas pelo sistema digestório.
Desempenhar  respostas  imunes.  O  tecido  linfático  inicia  respostas  altamente  específicas  dirigidas  contra
microrganismos ou células anormais específicos.
Vasos linfáticos e circulação da linfa
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter19.html
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter19.html#ch19-4
1.
2.
3.
Os vasos linfáticos começam como capilares linfáticos. Estes capilares, que estão localizados nos espaços entre as células,
são fechados em uma das extremidades (Figura 22.2). Assim como os capilares sanguíneos convergem para formar vênulas
e então veias, os capilares linfáticos se unem para formar vasos linfáticos maiores (ver Figura 22.1), que se assemelham
em estrutura a pequenas veias, mas têm paredes mais finas e mais válvulas. Em intervalos ao longo dos vasos linfáticos, a
linfa flui pelos linfonodos, órgãos encapsulados em forma de feijão que consistem em massas de linfócitos B e linfócitos
T. Na pele, os vasos linfáticos se encontram no tecido subcutâneo e geralmente acompanham as veias; os vasos linfáticos
das vísceras geralmente acompanham as artérias, formando plexos em torno delas. Os tecidos que não apresentam capilares
linfáticos  incluem os  tecidos  avasculares  (como a  cartilagem,  a  epiderme e  a  córnea do olho),  a parte  central  do  sistema
nervoso, partes do baço e a medula óssea.
Capilares linfáticos
Os capilares linfáticos têm maior permeabilidade do que os capilares sanguíneos e, assim, conseguem absorver moléculas
grandes  como  as  proteínas  e  os  lipídios.  Os  capilares  linfáticos  também  têm  um  diâmetro  um  pouco  maior  do  que  os
capilares sanguíneos e têm uma estrutura unidirecional que possibilita que o líquido intersticial flua para dentro, mas não
para  fora.  As  extremidades  das  células  endoteliais  que  formam  a  parede  de  um  capilar  linfático  se  sobrepõem  (Figura
22.2B). Quando  a  pressão  é maior  no  líquido  intersticial  do  que  na  linfa,  as  células  se  separam  discretamente,  como  a
abertura de uma porta de mola de sentido único, e o líquido intersticial entra no capilar linfático. Quando a pressão é maior
no  interior  do  capilar  linfático,  as  células  aderem mais  entre  si  e  a  linfa  não  consegue  retornar  ao  líquido  intersticial. A
pressão  é  aliviada  conforme  a  linfa  se  move  adiante  pelo  capilar  linfático.  Ligado  aos  capilares  linfáticos  estão  os
filamentos de ancoragem, que contêm fibras elásticas. Eles se estendem para fora do capilar linfático, anexando as células
endoteliais  linfáticas  aos  tecidos  circundantes.  Quando  o  excesso  de  líquido  intersticial  se  acumula  e  causa  edema  do
tecido, os filamentos de ancoragem são puxados, tornando ainda maiores as aberturas entre as células para que mais líquido
possa fluir para o capilar linfático.
No intestino delgado, capilares linfáticos especializados chamados lactíferos carregam lipídios oriundos da dieta para
os vasos linfáticos e, por fim, para o sangue (ver Figura 24.19). Esses lipídios confere à linfa drenada do intestino delgado
uma  aparência  branca  cremosa;  essa  linfa  é  chamada  de quilo.  Em  outros  lugares,  a  linfa  é  um  líquido  claro,  amarelo­
pálido.
Troncos e ductos linfáticos
Como você já viu, a linfa passa dos capilares linfáticos para os vasos linfáticos e, em seguida, pelos linfonodos. Quando
os vasos  linfáticos saem dos  linfonodos em uma dada  região do corpo, eles se unem para  formar  troncos  linfáticos.  Os
principais troncos são os troncos lombar,  intestinal, broncomediastinal, subclávio e jugular (ver Figura 22.3). Os troncos
lombares  drenam  linfa dos membros  inferiores, da parede e víscerasda pelve, dos  rins, das glândulas  suprarrenais e da
parede abdominal. O tronco intestinal drena a linfa do estômago, intestinos, pâncreas, baço e parte do fígado. Os troncos
broncomediastinais  drenam  a  linfa  da  parede  torácica,  pulmão  e  coração.  Os  troncos  subclávios  drenam  os membros
superiores. Os troncos jugulares drenam a cabeça e o pescoço.
FUNÇÕES
Drenar o excesso de líquido intersticial.
Transportar lipídios da dieta do sistema digestório para o sangue.
Proteger contra a invasão por meio das respostas imunes.
Figura 22.1 Componentes do sistema linfático.
O sistema linfático é composto por linfa, vasos linfáticos, tecidos linfáticos e medula óssea.
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Qual tecido contém células­tronco que se desenvolvem em linfócitos?
Figura 22.2 Capilares linfáticos.
Os capilares linfáticos são encontrados em todo o corpo, exceto nos tecidos avasculares, na parte central do
sistema nervoso, em partes do baço e na medula óssea.
1.
2.
A linfa é mais semelhante ao plasma sanguíneo ou ao líquido intersticial? Por quê?
A  linfa  passa  dos  troncos  linfáticos  para  dois  canais  principais,  o  ducto  torácico  e  o  ducto  linfático direito,  e  então
drena para o  sangue venoso. O ducto torácico  (linfático  esquerdo)  tem aproximadamente 38  a 45  cm de  comprimento  e
começa como uma dilatação chamada de cisterna do quilo  anterior  à vértebra L  II. O ducto  torácico é o principal ducto
para o  retorno da  linfa  ao  sangue. A cisterna do quilo  recebe  a  linfa dos  troncos  lombar direito  e  lombar  esquerdo  e do
tronco intestinal. No pescoço, o ducto  torácico também recebe a  linfa dos  troncos  jugular esquerdo, subclávio esquerdo e
broncomediastinal esquerdo. Portanto, o ducto torácico recebe a linfa do lado esquerdo da cabeça, do pescoço, do tórax, do
membro superior esquerdo e de todo o corpo abaixo das costelas (ver Figura 22.1B). O ducto torácico por sua vez drena a
linfa para o sangue venoso na junção das veias jugular interna esquerda e subclávia esquerda.
O ducto  linfático direito  (Figura 22.3)  tem  aproximadamente  1,2  cm  de  comprimento  e  recebe  a  linfa  dos  troncos
jugular  direito,  subclávio  direito  e  broncomediastinal  direito.  Assim,  o  ducto  linfático  direito  recebe  a  linfa  do  lado
superior  direito  do  corpo  (ver  Figura 22.1B). A  partir  do  ducto  linfático  direito,  a  linfa  drena  para  o  sangue  venoso  na
junção entre as veias jugular interna direita e subclávia direita.
Formação e fluxo da linfa
A  maior  parte  dos  componentes  do  plasma  sanguíneo,  como  nutrientes,  gases  e  hormônios,  atravessam  livremente  as
paredes dos capilares para formar o líquido intersticial, mas um volume maior de líquido sai dos capilares sanguíneos do
que retorna a eles por reabsorção (ver Figura 21.7). O excesso de líquido filtrado – aproximadamente 3 ℓ/dia – drena para
os vasos  linfáticos  e  se  torna  a  linfa. Como a maior parte das proteínas plasmáticas  é muito grande para  sair  dos vasos
sanguíneos,  o  líquido  intersticial  contém  apenas  uma pequena  quantidade  de  proteína. As  proteínas  que  saem do  plasma
sanguíneo não conseguem retornar ao sangue por difusão, porque o gradiente de concentração  (alto nível de proteínas no
interior  dos  capilares  sanguíneos,  baixo  nível  fora)  se  opõe  a  este movimento.  As  proteínas  conseguem,  no  entanto,  se
mover  facilmente  através  dos  capilares  linfáticos,  que  são mais  permeáveis  à  linfa.  Assim,  uma  importante  função  dos
vasos linfáticos é devolver as proteínas plasmáticas perdidas e o plasma à corrente sanguínea.
Como  as  veias,  os  vasos  linfáticos  contêm  válvulas,  que  asseguram  a  circulação  linfática  unidirecional.  Como  já
mencionado, a linfa drena para o sangue venoso pelo ducto linfático direito e pelo ducto torácico na junção entre as veias
jugular  interna e subclávia (Figura 22.3). Assim, a  sequência de  fluxo de  líquido é dos capilares  sanguíneos  (sangue) →
espaços  intersticiais  (líquido  intersticial)  →  capilares  linfáticos  (linfa)  →  vasos  linfáticos  (linfa)  →  ductos  linfáticos
(linfa) → junção entre as veias jugular interna e subclávia (sangue). A Figura 22.4 ilustra esta sequência, juntamente com a
relação entre os sistemas linfático e circulatório. Ambos os sistemas formam um sistema circulatório muito eficiente.
As mesmas duas “bombas” que ajudam no retorno do sangue venoso ao coração mantêm o fluxo de linfa.
Bomba  de  músculo  esquelético.  A  “ação  de  ordenha”  das  contrações  do  músculo  esquelético  (ver  Figura  21.9)
comprime os vasos linfáticos (assim como as veias) e força a linfa em direção à junção entre as veias jugular interna
e subclávia.
Bomba  respiratória.  O  fluxo  de  linfa  é  também  mantido  pelas  alterações  de  pressão  que  ocorrem  durante  a
inspiração. A  linfa  flui da  região abdominal, onde a pressão é maior, para a  região  torácica, onde ela é mais baixa.
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Quando as pressões se invertem durante a expiração, as válvulas nos vasos linfáticos evitam o refluxo da linfa. Além
disso, quando um vaso linfático se distende, o músculo liso de suas paredes se contrai, o que ajuda a mover linfa de
um segmento do vaso para o seguinte.
Figura 22.3 Vias de drenagem da linfa dos troncos linfáticos para o ducto torácico e ducto linfático direito.
Toda a linfa retorna à corrente sanguínea por meio do ducto torácico e ducto linfático direito.
Quais vasos linfáticos drenam na cisterna do quilo, e qual ducto recebe a linfa da cisterna do quilo?
Figura 22.4 Diagrama esquemático mostrando a relação entre o sistema linfático e o sistema circulatório. As setas indicam o
sentido do fluxo de linfa e sangue.
A sequência do fluxo de líquido é dos capilares sanguíneos (sangue) → espaços intersticiais (líquido intersticial) →
capilares linfáticos (linfa) → vasos linfáticos (linfa) → ductos linfáticos (linfa) → junção entre as veias jugular
interna e subclávia (sangue).
A inspiração pode favorecer ou dificultar o fluxo de linfa?
Órgãos e tecidos linfáticos
Os órgãos e tecidos linfáticos amplamente distribuídos são classificados em dois grupos, de acordo com suas funções. Os
órgãos  linfáticos primários  são os  locais  em que  as  células­tronco  se dividem e  se  tornam  imunocompetentes,  isto  é,
capazes de elaborar uma resposta imune. Os órgãos linfáticos primários são a medula óssea (dos ossos chatos e epífises de
ossos longos nos adultos) e o timo. As células­tronco pluripotentes da medula óssea dão origem a linfócitos B maduros e
imunocompetentes, e a células pré­T. As células pré­T por sua vez migram para o timo, onde se transformam em linfócitos
T imunocompetentes. Os órgãos e tecidos linfáticos secundários são os locais em que ocorre a maior parte das respostas
imunes.  Eles  incluem  os  linfonodos,  o  baço  e  os  nódulos  linfáticos  (folículos).  O  timo,  os  linfonodos  e  o  baço  são
considerados órgãos porque são circundados por uma cápsula de  tecido conjuntivo; os nódulos  linfáticos, por outro  lado,
não são considerados órgãos, porque carecem de uma cápsula.
Timo
O timo é um órgão bilobado localizado no mediastino entre o esterno e a aorta (Figura 22.5). Uma camada envolvente de
tecido  conjuntivo  mantém  os  dois  lobos  unidos,  mas  separados  por  uma  cápsula  de  tecido  conjuntivo.  Extensões  da
cápsula, chamadas trabéculas, penetram internamente e dividem cada lobo em lobos do timo (Figura 22.5B).
Cada lobo do timo consiste em um córtex externo de coloração escura e uma medula central de coloração mais clara
(Figura 22.5B). O córtex do timo é composto por uma grande quantidade de  linfócitos T e células dendríticas dispersas,
células epiteliais e macrófagos. Os  linfócitosT  imaturos  (células pré­T) migram da medula óssea para o córtex do  timo,
onde  se  proliferam  e  começam  a maturar. As  células dendríticas,  que  são  derivadas  dos monócitos  (e  assim  chamadas
porque  eles  têm  longas  projeções  ramificadas  que  lembram  os  dendritos  de  um  neurônio),  auxiliam  no  processo  de
maturação.  Como  você  verá  em  breve,  as  células  dendríticas  em  outras  partes  do  corpo,  como  nos  linfonodos,
desempenham outro papel fundamental na resposta imunológica. Cada uma das células epiteliais especializadas no córtex
tem  vários  processos  longos  que  cercam  e  servem  como  estrutura  para  aproximadamente  50  linfócitos  T.  Estas  células
epiteliais ajudam a “educar” as células pré­T em um processo conhecido como seleção positiva (ver Figura 22.22). Além
disso,  produzem hormônios  do  timo  que,  acredita­se,  auxiliem  na maturação  dos  linfócitos T. Apenas  aproximadamente
2%  dos  linfócitos  T  em  desenvolvimento  sobrevivem  no  córtex.  Os  linfócitos  restantes  morrem  por  apoptose  (morte
celular programada). Os macrófagos do timo ajudam a remover os detritos de células mortas e morrendo. Os linfócitos T
sobreviventes entram na medula.
Figura 22.5 Timo.
O timo bilobado é maior na puberdade e então a parte funcional atrofia com a idade.
Que tipo de linfócitos amadurece no timo?
A medula  do  timo  consiste  em  linfócitos  T  mais  maduros  e  amplamente  dispersos,  células  epiteliais,  células
dendríticas e macrófagos (Figura 22.5C). Algumas das  células  epiteliais  se dispõem em camadas  concêntricas de  células
planas  que  degeneram  e  ficam  cheias  de  grânulos  de  querato­hialina  e  queratina.  Estes  agrupamentos  são  chamados
corpúsculos tímicos. Embora seu papel seja incerto, eles podem servir como locais de linfócitos T mortos na medula. Os
linfócitos T que  saem do  timo pelo  sangue migram para os  linfonodos, baço e outros  tecidos  linfáticos, onde colonizam
partes destes órgãos e tecidos.
Em  razão  do  seu  elevado  conteúdo  de  tecido  linfático  e  do  rico  suprimento  sanguíneo,  o  timo  tem  um  aspecto
avermelhado em um organismo vivo. Com a idade, no entanto, infiltrações de tecido adiposo substituem o tecido linfático e
o  timo  assume  cada  vez  mais  uma  cor  amarelada  pela  invasão  de  gordura,  dando  a  falsa  impressão  de  um  tamanho
reduzido.  Contudo,  o  tamanho  real  do  timo,  definido  pela  sua  cápsula  de  tecido  conjuntivo,  não  se  altera.  Em  recém­
nascidos, o  timo  tem massa de aproximadamente 70 g. É depois da puberdade que o  tecido adiposo e conjuntivo areolar
começa a substituir o tecido do timo. No momento em que a pessoa alcança a maturidade, a parte funcional da glândula está
consideravelmente reduzida; na terceira idade, a parte funcional pode pesar apenas 3 g. Antes de o timo atrofiar, ele povoa
os órgãos e tecidos linfáticos secundários com linfócitos T. No entanto, alguns linfócitos T continuam proliferando no timo
ao longo da vida do indivíduo, mas esta quantidade diminui com a idade.
Linfonodos
Localizados  ao  longo  dos  vasos  linfáticos  estão  aproximadamente  600  linfonodos  em  forma  de  feijão.  Eles  estão
espalhados por todo o corpo,  tanto superficial quanto profundamente, e geralmente ocorrem em grupos (ver Figura 22.1).
Grandes grupos de linfonodos estão presentes perto das glândulas mamárias e nas axilas e virilha.
Os  linfonodos  medem  de  1  a  25  mm  de  comprimento.  Como  o  timo,  são  cobertos  por  uma  cápsula  de  tecido
conjuntivo denso que se estende até o linfonodo (Figura 22.6). As extensões capsulares, chamadas trabéculas, dividem o
linfonodo em compartimentos,  fornecem suporte  e proporcionam uma via para os vasos  sanguíneos  até o  interior de um
linfonodo. Internamente à cápsula está uma rede de apoio de fibras reticulares e fibroblastos. A cápsula, as trabéculas, as
fibras reticulares e os fibroblastos constituem o estroma (estrutura de apoio do tecido conjuntivo) de um linfonodo.
Figura 22.6 Estrutura de um linfonodo. As setas indicam a direção do fluxo da linfa através do linfonodo.
Os linfonodos estão presentes em todo o corpo, geralmente em grupos.
O que acontece com as substâncias estranhas da linfa que entram em um linfonodo?
O parênquima  (parte funcional) de um linfonodo é dividido em um córtex superficial e em uma medula profunda. O
córtex é constituído por um córtex externo e um córtex interno. Dentro do córtex externo estão agregados de linfócitos B
em  forma  de  ovo  chamados  de  nódulos  linfáticos  (folículos).  Um  nódulo  linfático  que  consiste  principalmente  em
linfócitos B é chamado de nódulo linfático primário. A maior parte dos nódulos  linfáticos no córtex externo são nódulos
linfáticos secundários (Figura 22.6), que se formam em resposta a um antígeno (uma substância estranha) e são locais de
formação  de  plasmócitos  e  linfócitos  B  de  memória.  Depois  que  os  linfócitos  B  em  um  nódulo  linfático  primário
reconhecem um antígeno, o nódulo  linfático primário  se desenvolve em um nódulo  linfático  secundário. O centro de um
nódulo  linfático  secundário  contém  uma  região  de  células  de  coloração  clara  chamada  centro  germinativo.  No  centro
germinativo estão linfócitos B, células dendríticas foliculares (um tipo especial de célula dendrítica) e macrófagos. Quando
as  células  dendríticas  foliculares  “apresentam”  um  antígeno  (descrito  posteriormente  neste  capítulo),  os  linfócitos  B
proliferam  e  se  tornam  plasmócitos  produtores  de  anticorpos  ou  linfócitos  B  de memória.  Os  linfócitos  B  de memória
persistem após uma resposta imune inicial e se “lembram” de ter encontrado um antígeno específico. Os linfócitos B que
não se desenvolvem corretamente sofrem apoptose (morte celular programada) e são destruídos por macrófagos. A região
de um nódulo linfático secundário em torno do centro germinativo é constituída por densos acúmulos de linfócitos B que
migraram de seus locais de origem no interior do nódulo.
O córtex interno não contém linfonodos. Ele consiste principalmente em linfócitos T e células dendríticas que entram
no  linfonodo  a  partir  de  outros  tecidos.  As  células  dendríticas  apresentam  os  antígenos  aos  linfócitos  T,  levando  à  sua
proliferação. Os linfócitos T recentemente formados então migram do linfonodo para áreas do corpo em que há atividade
antigênica.
A medula de um linfonodo contém linfócitos B, plasmócitos produtores de anticorpos que migraram do córtex para a
medula, e macrófagos. As várias células são incorporadas em uma rede de fibras reticulares e células reticulares.
Como  você  já  viu,  a  linfa  flui  por  um  linfonodo  unidirecionalmente  (Figura 22.6A).  Ela  entra  por  meio  de  vários
vasos  linfáticos  aferentes  que  penetram  na  face  convexa  do  linfonodo  em  diversos  pontos.  Os  vasos  aferentes  contêm
válvulas que  se abrem em direção ao centro do  linfonodo, direcionando a  linfa para dentro. Dentro do  linfonodo,  a  linfa
entra nos seios, uma série de canais irregulares que contêm ramificações de fibras reticulares, linfócitos e macrófagos. Dos
vasos linfáticos aferentes, a linfa flui para dentro do seio subcapsular, imediatamente abaixo da cápsula. Daqui a linfa flui
para os seios trabeculares, que  se estendem ao  longo do córtex paralelamente às  trabéculas,  e para os seios medulares,
que se estendem ao longo da medula. Os seios medulares drenam para um ou dois vasos linfáticos eferentes, que são mais
largos  e  em menor  quantidade  do  que  os  vasos  aferentes.  Eles  contêm  válvulas  que  se  abrem  para  longe  do  centro  do
linfonodo para transportar a linfa, anticorpos secretados por plasmócitos e linfócitos T ativados para fora do linfonodo. Os
vasos linfáticos eferentes emergem de um lado do linfonodo em uma leve depressão chamada de hilo. Os vasos sanguíneos
também entram e saem do linfonodo pelo hilo.
Os  linfonodos  funcionam como uma espéciede  filtro. Conforme a  linfa entra uma extremidade de um linfonodo, as
substâncias  estranhas  são  “capturadas”  pelas  fibras  reticulares  nos  seios  do  linfonodo.  Em  seguida,  os  macrófagos
destroem  algumas  substâncias  estranhas  por  fagocitose,  enquanto  os  linfócitos  destroem  outras  por  meio  da  resposta
imune.  A  linfa  filtrada  então  sai  pela  outra  extremidade  do  linfonodo.  Como  há  muitos  vasos  linfáticos  aferentes  que
trazem linfa para o linfonodo e apenas um ou dois vasos linfáticos eferentes que transportam a linfa do linfonodo, o fluxo
lento da  linfa dentro dos  linfonodos possibilita  tempo adicional para a  linfa ser filtrada. Além disso,  toda a  linfa flui por
múltiplos  linfonodos  em  seu  trajeto  pelos  vasos  linfáticos.  Isto  a  expõe  a múltiplos  eventos  de  filtragem  antes  que  ela
retorne ao sangue.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Metástase por meio dos vasos linfáticos
A metástase, a disseminação de uma doença de uma parte do corpo para outra, pode ocorrer por meio dos vasos linfáticos. Todos os tumores malignos acabam
produzindo metástases. As células cancerígenas podem deslocar-se pelo sangue ou linfa e estabelecer novos tumores no local em que se alojarem. Quando a
metástase ocorre por meio dos vasos linfáticos, os locais dos tumores secundários podem ser previstos de acordo com a direção do uxo da linfa a partir do local do
tumor primário. Os linfonodos cancerosos têm aparência aumentada, rme, indolor e xa às estruturas subjacentes. Em contrapartida, a maior parte dos linfonodos
que estão aumentados em decorrência de uma infecção são mais moles, dolorosos e móveis.
Baço
O  baço,  uma  estrutura  oval,  é  a  maior  massa  única  de  tecido  linfático  do  corpo,  tendo  aproximadamente  12  cm  de
comprimento (Figura 22.7A). Está  localizado na região do hipocôndrio esquerdo, entre o estômago e o diafragma. A face
superior do baço é lisa e convexa e se adapta à face côncava do diafragma. Os órgãos vizinhos fazem endentações na face
visceral  do  baço  –  a  impressão  gástrica  (estômago),  a  impressão  renal  (rim  esquerdo)  e  a  impressão  cólica  (flexura
esquerda do colo). Como os linfonodos, o baço tem um hilo. Através dele passam a artéria esplênica, a veia esplênica e os
vasos linfáticos eferentes.
Uma cápsula de tecido conjuntivo denso envolve o baço e por sua vez é recoberta por uma túnica serosa, o peritônio
visceral.  Trabéculas  se  estendem  internamente  a  partir  da  cápsula.  A  cápsula  mais  as  trabéculas,  fibras  reticulares  e
fibroblastos constituem o estroma do baço; o parênquima do baço é composto por dois tipos diferentes de tecido chamados
de  polpa  branca  e  polpa  vermelha  (Figura  22.7B,  C).  A  polpa  branca  é  composta  por  tecido  linfático,  que  consiste
principalmente  em  linfócitos  e  macrófagos  dispostos  em  torno  de  ramos  da  artéria  esplênica  chamados  de  artérias
centrais.  A polpa  vermelha  é  constituída  por  seios  venosos  cheios  de  sangue  e  cordões  de  tecido  esplênico  chamado
cordões esplênicos ou cordões de Billroth. Os cordões esplênicos são constituídos por eritrócitos, macrófagos, linfócitos,
plasmócitos e granulócitos. As veias estão intimamente associadas à polpa vermelha.
O sangue que flui para o baço através da artéria esplênica entra nas artérias centrais da polpa branca. Na polpa branca,
os  linfócitos  B  e  os  linfócitos  T  desempenham  funções  imunológicas,  semelhantemente  ao  que  ocorre  nos  linfonodos,
enquanto  os  macrófagos  do  baço  destroem  agentes  patogênicos  que  estão  no  sangue  por  fagocitose.  Dentro  da  polpa
vermelha,  o  baço  desempenha  três  funções  relacionadas  com  as  células  de  sangue:  (1)  remoção  de  células  do  sangue  e
plaquetas  que  estejam  rompidas,  desgastadas  ou  defeituosas  pelos  macrófagos;  (2)  armazenamento  de  até  um  terço  do
suprimento de plaquetas do organismo; e (3) produção de células sanguíneas (hematopoese) durante a vida fetal.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Ruptura do baço
O baço é o órgão mais frequentemente dani cado em casos de trauma abdominal. Golpes fortes sobre o tórax inferior esquerdo ou abdome superior podem fraturar
as costelas de proteção. Esta lesão por esmagamento pode resultar em uma ruptura do baço, que provoca uma hemorragia grave e choque. A remoção imediata do
baço, chamada de esplenectomia, é necessária para prevenir a morte por hemorragia. Outras estruturas, sobretudo a medula óssea e o fígado, podem assumir
algumas funções normalmente desempenhadas pelo baço. As funções do sistema imune, no entanto, diminuem na ausência de um baço. A ausência do baço
também coloca o paciente em maior risco de sepse, decorrente da perda das funções de ltragem e fagocíticas do baço. Para reduzir o risco de sepse, os pacientes
submetidos a uma esplenectomia utilizam antibióticos pro láticos antes de quaisquer procedimentos invasivos.
Nódulos linfáticos
Os nódulos  linfáticos (folículos)  são massas  ovaladas  de  tecido  linfático  que não  são  cercadas  por  uma  cápsula. Como
estão espalhados por  toda a  lâmina própria  (tecido conjuntivo) das  túnicas mucosas que revestem os sistemas digestório,
urinário  e  genital  e  as  vias  respiratórias,  os  nódulos  linfáticos  nessas  áreas  são  também  chamados  de  tecido  linfoide
associado à mucosa (MALT).
Embora muitos  linfonodos  sejam pequenos  e  solitários,  alguns  ocorrem  em múltiplos  grandes  agregados  em partes
específicas  do  corpo.  Entre  estes  estão  as  tonsilas  na  região  da  faringe  e  os  nódulos  linfáticos  agregados  do  íleo  do
intestino  delgado.  Os  nódulos  linfáticos  agregados  também  ocorrem  no  apêndice  vermiforme.  Normalmente  há  cinco
tonsilas, que formam um anel na junção entre a cavidade oral e a parte oral da faringe e na junção entre a cavidade nasal e
a  parte  nasal  da  faringe  (ver  Figura  23.2b).  As  tonsilas  estão  estrategicamente  posicionadas  de  modo  a  participar  das
respostas  imunes  contra  substâncias  estranhas  inaladas  ou  ingeridas. A  ímpar  tonsila faríngea  está  embutida  na  parede
posterior da parte nasal da faringe. As duas tonsilas palatinas se situam na região posterior da cavidade oral, uma de cada
lado; estas são as tonsilas que costumam ser removidas em uma tonsilectomia. O par de tonsilas linguais,  localizadas na
base da língua, também podem precisar ser removidas durante uma tonsilectomia.
Figura 22.7 Estrutura do baço.
O baço é a maior massa isolada de tecido linfático do corpo.
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter23.html#ch23fig2
1.
2.
3.
4.
5.
Após o nascimento, quais são as principais funções do baço?
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Tonsilite
A tonsilite é uma infecção ou in amação das tonsilas. Na maior parte das vezes, é causada por um vírus, mas também pode ser causada pelas mesmas bactérias que
causam a in amação de garganta. O principal sintoma da tonsilite é dor de garganta. Além disso, também podem ocorrer febre, aumento das dimensões dos
linfonodos, congestão nasal, di culdade para deglutir e cefaleia. A tonsilite de origem viral geralmente melhora espontaneamente. A tonsilite bacteriana geralmente
é tratada com antibióticos. A tonsilectomia, a remoção de uma tonsila, pode ser indicada para indivíduos que não respondem a outros tratamentos. Essas pessoas
normalmente têm tonsilite com duração de mais de 3 meses (apesar de medicação), vias respiratórias obstruídas e di culdade para deglutir e falar. Parece que a
tonsilectomia não interfere na resposta de uma pessoa a infecções subsequentes.
 TESTE RÁPIDO
Quais são as semelhanças entre o líquido intersticial e a linfa? E quais são suas diferenças?
Como os vasos linfáticos diferem em estrutura das veias?
Diagrame a via de circulação da linfa.
Qual é o papel do timo na imunidade?
Quais são as funções dos linfonodos, do baço e das tonsilas?
22.2
•
6.
Desenvolvimento dos tecidos linfáticos
 OBJETIVO
Descrever o desenvolvimento dostecidos linfáticos.
Os  tecidos  linfáticos  começam  a  se  desenvolver  até  ao  final  da  5a  semana  de  vida  embrionária.  Os  vasos  linfáticos  se
desenvolvem a partir dos sacos linfáticos que emergem das veias em desenvolvimento, que são derivadas da mesoderme.
Os primeiros sacos linfáticos a aparecer são os sacos linfáticos jugulares, na junção entre as veias jugular  interna e
subclávia (Figura 22.8). Dos sacos  linfáticos  jugulares, os plexos capilares  linfáticos se espalham para o  tórax, membros
superiores, pescoço e cabeça. Alguns dos plexos se ampliam e formam vasos linfáticos em suas respectivas regiões. Cada
saco  linfático  jugular  mantém  pelo  menos  uma  conexão  com  a  sua  veia  jugular,  a  esquerda  se  desenvolvendo  na  parte
superior do ducto torácico (ducto linfático esquerdo).
O próximo saco linfático a aparecer é o ímpar saco linfático retroperitoneal, na raiz do mesentério do intestino. Ele
se  desenvolve  a  partir  da  veia  cava  primitiva  e  das  veias  mesonéfricas  (rim  primitivo).  Os  plexos  capilares  e  vasos
linfáticos  se  espalham  do  saco  linfático  retroperitoneal  para  as  vísceras  abdominais  e  diafragma.  O  saco  estabelece
conexões com a cisterna do quilo, mas perde suas conexões com as veias vizinhas.
Próximo do momento em que o saco  linfático  retroperitoneal está se desenvolvendo, outro saco  linfático, a cisterna
do quilo, se desenvolve inferiormente ao diafragma na parede abdominal posterior. Ela dá origem à parte inferior do ducto
torácico e à cisterna do quilo do ducto  torácico. Como o saco  linfático retroperitoneal, a cisterna do quilo  também perde
suas conexões com as veias vizinhas.
O último dos sacos linfáticos, o par de sacos linfáticos posteriores, se desenvolve a partir das veias ilíacas. Os sacos
linfáticos  posteriores  produzem  os  plexos  capilares  e  vasos  linfáticos  da  parede  abdominal,  região  pélvica  e  membros
inferiores. Os sacos linfáticos posteriores aderem à cisterna do quilo e perdem suas conexões com as veias adjacentes.
Com exceção da parte anterior do saco a partir do qual a cisterna do quilo se desenvolve, todos os sacos linfáticos são
invadidos por células mesenquimais e se convertem em grupos de linfonodos.
O baço se desenvolve a partir das células mesenquimais entre as camadas do mesentério dorsal do estômago. O timo
emerge como uma protuberância da terceira bolsa faríngea (ver Figura 18.21A).
Figura 22.8 Desenvolvimento dos tecidos linfáticos.
Os tecidos linfoides são derivados da mesoderme.
Quando os tecidos linfáticos começam a se desenvolver?
 TESTE RÁPIDO
Quais são os nomes dos quatro sacos linfáticos a partir dos quais os vasos linfáticos se desenvolvem?
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter18.html#ch18fig21
22.3
•
Imunidade inata
 OBJETIVO
Descrever os componentes da imunidade inata.
A  imunidade  inata  (inespecífica)  inclui  as  barreiras  físicas  e  químicas  externas  fornecidas  pela  pele  e  pelas  túnicas
mucosas.  Inclui  também  várias  defesas  internas,  como  as  substâncias  antimicrobianas,  as  células  NK,  os  fagócitos,  a
inflamação e a febre.
Primeira linha de defesa | Pele e túnicas mucosas
A pele  e  as  túnicas mucosas  do  corpo  são  a  primeira  linha  de  defesa  contra  patógenos. Essas  estruturas  fornecem  tanto
barreiras físicas quanto químicas que dissuadem patógenos e substâncias estranhas de penetrar no corpo e causar doenças.
Com suas muitas  camadas de  células queratinizadas bem unidas,  a  camada  epitelial  externa da pele –  a epiderme –
fornece  uma  extraordinária  barreira  física  à  entrada  de  microrganismos  (ver  Figura  5.1).  Além  disso,  a  disseminação
periódica de células epidérmicas ajuda a remover os microrganismos da superfície da pele. As bactérias raramente penetram
na  superfície  intacta  da  epiderme  saudável.  Contudo,  se  esta  superfície  for  rompida  por  cortes,  queimaduras  ou
perfurações, agentes patogênicos podem penetrar na epiderme e invadir tecidos adjacentes ou circular no sangue até outras
partes do corpo.
A camada epitelial das túnicas mucosas, que reveste as cavidades do corpo, secreta um líquido chamado de muco que
lubrifica  e  umedece  a  superfície  da  cavidade.  Como  o  muco  é  um  pouco  viscoso,  retém  muitos  microrganismos  e
substâncias estranhas. A túnica mucosa do nariz tem pelos  revestidos de muco que aprisionam e filtram microrganismos,
poeira e poluentes do ar inalado. A túnica mucosa das vias respiratórias superiores contém cílios, projeções microscópicas
piliformes  na  superfície  das  células  epiteliais.  A  ação  de  ondulação  dos  cílios  impulsiona  a  poeira  inalada  e  os
microrganismos que ficam presos no muco em direção à garganta. A tosse e os espirros aceleram a expulsão do muco e de
seus patógenos aprisionados do corpo. A deglutição do muco envia os agentes patogênicos para o estômago, onde o suco
gástrico os destrói.
Outros  líquidos  produzidos  por  vários  órgãos  também  ajudam  a  proteger  as  superfícies  epiteliais  da  pele  e  túnicas
mucosas. O aparelho lacrimal dos olhos (ver Figura 17.6) produz e drena as lágrimas em resposta a substâncias irritantes.
O piscar espalha as lágrimas sobre a superfície do bulbo do olho e a ação contínua de lavagem das lágrimas ajuda a diluir
microrganismos  e  a  impedir  que  eles  se  fixem à  superfície  do olho. As  lágrimas  também contêm  lisozima,  uma  enzima
capaz  de  quebrar  as  paredes  celulares  das  bactérias. Além das  lágrimas,  a  lisozima  é  encontrada  na  saliva,  no  suor,  nas
secreções  nasais  e  nos  líquidos  teciduais.  A  saliva,  produzida  pelas  glândulas  salivares,  “lava”  os  microrganismos  das
superfícies dos dentes e da  túnica mucosa da boca, de modo semelhante a como as  lágrimas  lavam os olhos. O  fluxo de
saliva reduz a colonização da boca por microrganismos.
A limpeza da uretra pelo fluxo de urina retarda a colonização microbiana do sistema urinário. As secreções vaginais
igualmente  movem  os  microrganismos  para  fora  do  corpo  nas  mulheres.  A  defecação  e  o  vômito  também  expulsam
microrganismos. Por  exemplo,  em  resposta  a  algumas  toxinas microbianas,  a musculatura  lisa da parte baixa do  sistema
digestório se contrai vigorosamente; a diarreia resultante expele rapidamente muitos dos microrganismos.
Determinados produtos químicos também contribuem para o elevado grau de resistência da pele e das túnicas mucosas
à  invasão  microbiana.  As  glândulas  sebáceas  da  pele  secretam  uma  substância  oleosa  chamada  sebo,  que  forma  uma
película  de  proteção  sobre  a  superfície  da  pele.  Os  ácidos  graxos  insaturados  do  sebo  inibem  o  crescimento  de
determinadas bactérias e  fungos patogênicos. A acidez da pele  (pH de 3 a 5) é causada em parte pela  secreção de ácidos
graxos  e  ácido  láctico.  A  transpiração  ajuda  a  eliminar  os  microrganismos  da  superfície  da  pele.  O  suco  gástrico,
produzido pelas glândulas gástricas, é uma mistura de ácido clorídrico, enzimas e muco. A  forte acidez do suco gástrico
(pH  1,2  a  3,0)  destrói  muitas  bactérias  e  a  maior  parte  das  toxinas  bacterianas.  As  secreções  vaginais  também  são
discretamente ácidas, o que inibe o crescimento bacteriano.
Segunda linha de defesa | Defesas internas
Quando os patógenos penetram as barreiras  físicas  e químicas da pele  e  túnicas mucosas,  se deparam com uma segunda
linha de defesa: as substâncias antimicrobianas internas, os fagócitos, as células NK, a inflamação e a febre.
Substâncias antimicrobianas
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter17.html#ch17fig6
1.
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3.
4.
Existem  quatro  tipos  principais  de  substâncias  antimicrobianas  que  inibem  o  crescimento  microbiano:  interferonas,
complemento, proteínas de ligação ao ferro e proteínasantimicrobianas.
Os  linfócitos,  macrófagos  e  fibroblastos  infectados  com  vírus  produzem  proteínas  chamadas  interferonas  (IFN).
Uma vez liberadas por células infectadas por vírus, as IFN se difundem para as células vizinhas não infectadas, onde
induzem à síntese de proteínas antivirais que interferem na replicação viral. Embora a IFN não impeça que os vírus se
fixem  e  penetrem  nas  células  hospedeiras,  eles  interrompem  sua  replicação.  Os  vírus  só  causam  doença  se
conseguirem  se  replicar  dentro  das  células  do  corpo. A  IFN é  uma  importante  defesa  contra  a  infecção por muitos
vírus diferentes. Os três tipos de interferonas são IFN alfa, IFN beta e IFN gama.
Um grupo de proteínas normalmente  inativas no plasma sanguíneo e nas membranas plasmáticas compõe o sistema
complemento. Quando  ativadas,  essas  proteínas  “complementam”  ou melhoram  determinadas  reações  imunológicas
(ver seção 22.6). O sistema complemento provoca citólise de microrganismos, promove a fagocitose e contribui para
a inflamação.
As proteínas de  ligação ao ferro  inibem o crescimento de determinadas bactérias,  reduzindo a quantidade de  ferro
disponível.  Exemplos  incluem  a  transferrina  (encontrada  no  sangue  e  nos  líquidos  teciduais),  a  lactoferrina
(encontrada  no  leite,  na  saliva  e  no  muco),  a  ferritina  (encontrada  no  fígado,  no  baço  e  na  medula  óssea)  e  a
hemoglobina (encontrada nos eritrócitos).
As proteínas antimicrobianas  (PAM) são peptídios curtos que  têm um largo espectro de atividade antimicrobiana.
Exemplos  de  PAM  são  a  dermicidina  (produzida  pelas  glândulas  sudoríferas),  as  defensinas  e  catelicidinas
(produzidas  por  neutrófilos, macrófagos  e  epitélios)  e  a  trombocidina  (produzida  pelas  plaquetas).  Além  de matar
uma  vasta  gama  de  microrganismos,  as  PAM  podem  atrair  células  dendríticas  e  mastócitos,  que  participam  das
respostas  imunes.  Curiosamente,  os  microrganismos  expostos  à  PAM  não  parecem  desenvolver  resistência,  como
muitas vezes acontece com os antibióticos.
Células NK e fagócitos
Quando microrganismos penetram na pele e nas túnicas mucosas ou passam pelas substâncias antimicrobianas do sangue, a
próxima defesa inespecífica consiste nas células NK e fagócitos. Aproximadamente 5 a 10% dos linfócitos do sangue são
células NK (natural killer). Elas também são encontradas no baço, nos linfonodos e na medula óssea. As células NK não
apresentam  moléculas  de  membrana  que  identificam  os  linfócitos  B  e  T,  mas  têm  a  capacidade  de  matar  uma  vasta
variedade  de  células  infectadas  do  corpo  e  algumas  células  tumorais.  As  células  NK  atacam  as  células  do  corpo  que
apresentam proteínas de membrana plasmática anormais ou incomuns.
A ligação das células NK a uma célula­alvo, como uma célula humana infectada, provoca a liberação de grânulos que
contêm  substâncias  tóxicas  das  células NK. Alguns  grânulos  contêm uma proteína  chamada perforina,  que  se  insere  na
membrana plasmática da célula­alvo e cria canais na membrana. Como resultado, o líquido extracelular flui para a célula­
alvo e a célula explode, em um processo chamado de citólise. Outros grânulos de células NK liberam granzimas, que são
enzimas que digerem as proteínas que  induzem as célula­alvo à apoptose, ou autodestruição. Este  tipo de ataque mata as
células  infectadas, mas não os microrganismos  intracelulares; os microrganismos  liberados, os quais podem ou não estar
intactos, podem ser destruídos pelos fagócitos.
Os fagócitos são células especializadas que realizam a fagocitose, a  ingestão de microrganismos ou outras partículas
como  os  restos  celulares  (ver  Figura 3.13).  Os  dois  tipos  principais  de  fagócitos  são  os neutrófilos  e  os macrófagos.
Quando  ocorre  uma  infecção,  os  neutrófilos  e  monócitos  migram  para  a  área  infectada.  Durante  essa  migração,  os
monócitos  aumentam  de  tamanho  e  se  desenvolvem  em  macrófagos  ativamente  fagocíticos  chamados  macrófagos
errantes.  Outros  macrófagos,  chamados  de  macrófagos  fixos,  montam  guarda  em  tecidos  específicos.  Entre  os
macrófagos  fixos  estão  os  histiócitos  (macrófagos  do  tecido  conjuntivo),  as  células  reticuloendoteliais  estreladas  no
fígado, macrófagos alveolares nos pulmões, células microgliais no sistema nervoso e macrófagos  teciduais no baço, nos
linfonodos  e  na medula  óssea. Além  de  ser  um mecanismo  da  defesa  inata,  a  fagocitose  desempenha  um  papel  vital  na
imunidade adaptativa, como discutido mais adiante neste capítulo.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Evasão microbiana da fagocitose
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter03.html#ch3fig13
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Alguns microrganismos, como as bactérias que causam pneumonia, têm estruturas extracelulares chamadas de cápsulas, que impedem a aderência. Isso di culta
sicamente que os fagócitos engolfem estes microrganismos. Outros microrganismos, como as bactérias produtoras de toxinas que causam um tipo de intoxicação
alimentar, podem ser ingeridos, mas não mortos; em vez disso, as toxinas que eles produzem (leucocidinas) podem matar os fagócitos, causando a liberação de
enzimas lisossomais do próprio fagócito em seu citoplasma. Outros microrganismos ainda – como Mycobacterium tuberculosis – inibem a fusão entre os fagossomos
e lisossomos e, assim, evitam a exposição dos microrganismos às enzimas lisossômicas. Estas bactérias, aparentemente, também podem usar produtos químicos de
suas paredes celulares para combater os efeitos dos oxidantes letais produzidos pelos fagócitos. A subsequente multiplicação dos microrganismos no interior dos
fagossomos acaba destruindo o fagócito.
A fagocitose ocorre em cinco fases: quimiotaxia, aderência, ingestão, digestão e morte (Figura 22.9):
Quimiotaxia. A fagocitose começa com a quimiotaxia, um movimento estimulado quimicamente dos fagócitos para
um  local  de  dano.  Os  produtos  químicos  que  atraem  os  fagócitos  poderiam  vir  de  microrganismos  invasores,
leucócitos, células teciduais danificadas ou proteínas do complemento ativadas.
Aderência. A fixação do fagócito ao microrganismo ou outro material estranho é denominada aderência. A  ligação
de proteínas do complemento ao agente patogênico invasor aumenta a aderência.
Ingestão.  A  membrana  plasmática  do  fagócito  estende  projeções,  chamadas  pseudópodos,  que  engolfam  o
microrganismo  em  um  processo  chamado  de  fagocitose.  Quando  os  pseudópodos  se  encontram,  eles  se  fundem,
envolvendo o microrganismo em uma bolsa chamada de fagossomo.
Digestão.  O  fagossomo  entra  no  citoplasma  e  se  funde  aos  lisossomos  para  formar  uma  estrutura  única  e  maior
chamada  fagolisossomo.  O  lisossomo  auxilia  a  lisozima,  que  quebra  as  paredes  celulares  microbianas,  e  outras
enzimas  digestivas  que  degradam  carboidratos,  proteínas,  lipídios  e  ácidos  nucleicos.  O  fagócito  também  forma
oxidantes  letais,  como  ânion  superóxido  (O2
–),  ânion  hipoclorito  (OCl–)  e  peróxido  de  hidrogênio  (H2O2),  em  um
processo chamado de explosão oxidativa.
Morte.  O  ataque  químico  fornecido  pela  lisozima,  pelas  enzimas  digestivas  e  pelos  oxidantes  dentro  de  um
fagolisossomo  mata  rapidamente  muitos  tipos  de  microrganismos.  Qualquer  material  que  não  pode  ser  degradado
permanece em estruturas chamadas corpos residuais.
Inflamação
A  inflamação  é  uma  resposta  de  defesa  não  específica  do  organismo  à  lesão  tecidual.  Entre  as  condições  que  podem
provocar  inflamação  estão  patógenos,  abrasões,  irritações  químicas,  distorções  ou  distúrbios  celulares,  e  temperaturas
extremas. Os  quatro  sinais  e  sintomas  característicos  da  inflamação  são vermelhidão, dor, calor  e edema.  A  inflamação
também pode causar uma perda  funcional no  local da  lesão (p. ex., a  incapacidade de detectar sensações), dependendo da
localização eextensão da lesão. A inflamação é uma tentativa de eliminar microrganismos, toxinas ou material estranho do
local  da  lesão,  evitar  sua  propagação  para  outros  tecidos,  e  preparar  o  local  para  o  reparo  tecidual  em  uma  tentativa  de
restaurar a homeostasia do tecido.
Como  a  inflamação  é  um  dos mecanismos  de  defesa  inespecíficos  do  corpo,  a  resposta  de  um  tecido  a  um  corte  é
semelhante  à  resposta  aos  danos  causados  por  queimaduras,  radiação  ou  invasão  bacteriana  ou  viral.  Em  cada  caso,  a
resposta  inflamatória  tem  três  fases  básicas:  (1)  vasodilatação  e  aumento  da  permeabilidade  dos  vasos  sanguíneos,  (2)
migração dos fagócitos do sangue para o líquido intersticial e, por fim, (3) reparo tecidual.
VASODILATAÇÃO E AUMENTO DA PERMEABILIDADE DOS VASOS SANGUÍNEOS. Duas  alterações  imediatas  ocorrem nos
vasos  sanguíneos  em  uma  região  de  lesão  tecidual: dilatação  das  arteríolas  e  aumento  da  permeabilidade  dos  capilares
(Figura 22.10). O aumento da permeabilidade significa que as substâncias normalmente retidas no sangue são autorizadas a
sair  dos  vasos  sanguíneos.  A  vasodilatação  possibilita  maior  fluxo  sanguíneo  na  área  danificada,  e  o  aumento  da
permeabilidade possibilita que as proteínas de defesa, como os anticorpos e fatores de coagulação, entrem na área da lesão
provenientes do sangue. O aumento do fluxo sanguíneo também ajuda a eliminar toxinas microbianas e células mortas.
Entre  as  substâncias que  contribuem para  a vasodilatação,  aumento da permeabilidade  e outros  aspectos da  resposta
inflamatória estão:
Histamina. Em resposta a uma lesão, os mastócitos no tecido conjuntivo e os basófilos e plaquetas no sangue liberam
histamina. Os  neutrófilos  e macrófagos  atraídos  ao  local  da  lesão  também  estimulam  a  liberação  de  histamina,  que
causa vasodilatação e aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos
Cininas. Polipeptídios formados no sangue a partir de precursores inativos chamados cininogênios (cininas)  induzem
vasodilatação  e  aumento  da  permeabilidade  e  servem  como  agentes  quimiotáticos  para  os  fagócitos. Um  exemplo  de
cinina é a bradicinina
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Prostaglandinas. As prostaglandinas (PG), especialmente aquelas da série E, são liberadas por células danificadas e
intensificam os efeitos da histamina e das cininas. As PG também podem estimular a migração de fagócitos através das
paredes dos capilares
Leucotrienos.  Produzidos  por  basófilos  e  mastócitos,  os  leucotrienos  (LT)  causam  aumento  da  permeabilidade;
também atuam na adesão dos fagócitos aos patógenos e como agentes quimiotáticos que atraem os fagócitos
Figura 22.9 Fagocitose de um microrganismo.
Os principais tipos de fagócitos são os neutrófilos e os macrófagos.
Quais produtos químicos são responsáveis por matar microrganismos ingeridos?
Complemento.  Diferentes  componentes  do  sistema  complemento  estimulam  a  liberação  de  histamina,  atraem
neutrófilos por quimiotaxia e promovem a fagocitose; alguns componentes também podem destruir bactérias.
A  dilatação  das  arteríolas  e  o  aumento  da  permeabilidade  dos  capilares  produzem  três  dos  sinais  e  sintomas  da
inflamação: calor, vermelhidão (eritema) e  tumefação (edema). O calor e a vermelhidão resultam da grande quantidade de
sangue que  se  acumula na área danificada. À medida que a  temperatura  local  sobe discretamente,  as  reações metabólicas
decorrem  mais  rapidamente  e  liberam  calor  adicional.  O  edema  resulta  do  aumento  da  permeabilidade  dos  vasos
sanguíneos, que possibilita que mais líquido se mova do plasma sanguíneo para os espaços teciduais.
A  dor  é  o  principal  sintoma  da  inflamação.  É  decorrente  da  lesão  dos  neurônios  e  de  produtos  químicos  tóxicos
liberados por microrganismos. As cininas afetam algumas terminações nervosas, causando grande parte da dor associada à
inflamação. As prostaglandinas intensificam e prolongam a dor associada à inflamação. A dor também pode ser decorrente
do aumento da pressão pelo edema.
O  aumento  da  permeabilidade  dos  capilares  possibilita  o  vazamento  de  fatores  de  coagulação  do  sangue  para  os
tecidos. A cascata de coagulação é colocada em movimento, e o fibrinogênio é por fim convertido em uma malha espessa
insolúvel de fios de fibrina que localiza e aprisiona microrganismos invasores e bloqueia sua propagação.
MIGRAÇÃO DOS FAGÓCITOS. Dentro  de  1  h  do  início  do  processo  inflamatório,  os  fagócitos  aparecem  em  cena. Como
grandes quantidades de sangue se acumulam, os neutrófilos começam a aderir à superfície interna do endotélio dos vasos
sanguíneos (Figura 22.10). Em seguida, os neutrófilos começam a se espremer através da parede do vaso sanguíneo para
alcançar a área danificada. Este processo, chamado de migração, depende da quimiotaxia. Os neutrófilos tentam destruir os
microrganismos  invasores  por  fagocitose.  Um  fluxo  constante  de  neutrófilos  é  assegurado  pela  produção  e  liberação  de
células adicionais pela medula óssea. Esse aumento de leucócitos no sangue é chamado de leucocitose.
Figura 22.10 Inflamação.
As três fases da inflamação são as seguintes: (1) vasodilatação e aumento da permeabilidade dos vasos
sanguíneos, (2) migração do fagócito e (3) reparo tecidual.
O que causa cada um dos sinais e sintomas de inflamação a seguir: vermelhidão, dor, calor e inchaço?
Embora  os  neutrófilos  predominem  nas  fases  iniciais  da  infecção,  eles  morrem  rapidamente.  Conforme  a  resposta
inflamatória continua, os monócitos seguem os neutrófilos em direção à área infectada. Uma vez no tecido, os monócitos
se  transformam em macrófagos  errantes,  que  contribuem para  a  atividade  fagocitária  dos macrófagos  fixos  já  presentes.
Fiéis ao seu nome, os macrófagos são fagócitos muito mais potentes do que os neutrófilos. Eles são grandes o suficiente
para engolfar o tecido danificado, os neutrófilos rompidos e os microrganismos invasores.
Por fim, os macrófagos também morrem. Dentro de alguns dias, forma­se um bolsão de células fagocíticas mortas e
tecidos danificados; esta coleção de células mortas e líquido é chamada de pus. A formação de pus ocorre na maior parte
das  respostas  inflamatórias e geralmente continua até que a  infecção desapareça. Às vezes, o pus alcança a  superfície do
corpo ou drena para dentro de uma cavidade interna e é dispersado; em outras ocasiões, o pus permanece mesmo depois de
a infecção ter terminado. Neste caso, o pus é destruído gradualmente ao longo de um período de dias e é absorvido.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Abscessos e úlceras
Se o pus não for capaz de drenar para fora de uma região in amada, resulta em um abscesso – acúmulo substancial de pus em um espaço con nado. Exemplos
comuns são as espinhas e os furúnculos. Quando tecidos super ciais in amados esfacelam a superfície de um órgão ou tecido, isso resulta em uma ferida aberta
chamada de úlcera. As pessoas com má circulação – por exemplo, diabéticos com aterosclerose avançada – são suscetíveis de ter úlceras nos tecidos de suas pernas.
Estas úlceras, que são chamadas de úlceras de estase, se desenvolvem por causa do dé cit no suprimento de oxigênio e nutrientes aos tecidos, que então se tornam
muito suscetíveis a uma lesão ou infecção muito leve.
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Febre
A  febre  consiste  em  uma  temperatura  anormalmente  elevada  do  corpo  que  ocorre  porque  o  termostato  hipotalâmico  é
reconfigurado.  Geralmente  ocorre  durante  uma  infecção  e  inflamação. Muitas  toxinas  bacterianas  elevam  a  temperatura
corporal,  às  vezes  ao  desencadear  a  liberação  de  citocinas  que  causam  febre,  como  a  interleucina­1  dos macrófagos.  A
temperatura corporal elevada intensifica os efeitos das interferonas, inibe o crescimento de alguns microrganismos e acelera
a reação do corpo que auxilia no reparo.
A Tabela 22.1 resume os componentes da imunidade inata.
 TESTE RÁPIDO
Quais fatores físicose químicos proporcionam proteção contra doenças na pele e nas túnicas mucosas?
Quais defesas internas fornecem proteção contra microrganismos que penetram na pele e túnicas mucosas?
Quais são as semelhanças e diferenças entre as atividades das células NK e dos fagócitos?
Quais são os principais sinais, sintomas e fases da inflamação?
TABELA 22.1 Resumo das defesas inatas.
COMPONENTE FUNÇÕES
PRIMEIRA LINHA DE DEFESA: PELE E TÚNICAS MUCOSAS
Fatores físicos  
Epiderme da
pele
Forma uma barreira física à entrada de microrganismos.
Túnicas mucosas Inibem a entrada de muitos microrganismos, mas não são tão efetivas quanto a pele intacta.
Muco Retém microrganismos nos sistemas respiratório e digestório.
Pelos Filtram microrganismos e poeira no nariz.
Cílios Juntamente com o muco, interceptam e removem microrganismos e poeira das vias respiratórias superiores.
Aparelho
lacrimal
As lágrimas diluem e “lavam” substâncias irritantes e microrganismos.
Saliva Lava microrganismos das superfícies dos dentes e túnicas mucosas da boca.
Urina Expulsa microrganismos da uretra.
Defecação e
vômitos
Expulsam microrganismos do corpo.
Fatores
químicos
 
Sebo Forma uma película ácida protetora sobre a superfície da pele que inibe o crescimento de muitos microrganismos.
Lisozima Intensi ca os efeitos das interferonas; inibe o crescimento de alguns microrganismos; acelera a reação do corpo que auxilia no reparo.
Suco gástrico Destrói as bactérias e a maior parte das toxinas no estômago.
Secreções
vaginais
A leve acidez desestimula o crescimento bacteriano; expulsa microrganismos da vagina.
22.4
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SEGUNDA LINHA DE DEFESA: DEFESAS INTERNAS
Substâncias
antimicrobianas
 
Interferonas
(IFN)
Protegem as células hospedeiras não infectadas da infecção viral.
Sistema
complemento
Provoca a citólise dos microrganismos; promove a fagocitose; contribui para a in amação.
Proteínas de
ligação ao ferro
Inibem o crescimento de determinadas bactérias, reduzindo a quantidade de ferro disponível.
Proteínas
antimicrobianas
(PAM)
Têm atividade antimicrobiana de largo espectro e atraem células dendríticas e mastócitos.
Células NK Matam células-alvo infectadas pela liberação de grânulos contendo perforina e granzimas; os fagócitos então matam os
microrganismos liberados.
Fagócitos “Ingerem” partículas estranhas.
In amação Con na e destrói micróbios; inicia o reparo tecidual.
Febre Intensi ca os efeitos das interferonas; inibe o crescimento de alguns microrganismos; acelera a reação do corpo que auxilia no reparo.
Imunidade adaptativa
 OBJETIVOS
Descrever como surgem os linfócitos T e linfócitos B e sua função na imunidade adaptativa
Explicar a relação entre um antígeno e um anticorpo
Comparar as funções da imunidade celular e da imunidade humoral.
A  capacidade  do  corpo  de  se  defender  contra  agentes  invasores  específicos,  como  bactérias,  toxinas,  vírus  e  tecidos
estranhos,  é  chamada  de  imunidade  adaptativa  (específica).  As  substâncias  que  são  reconhecidas  como  estranhas  e
provocam  respostas  imunes  são  chamadas  antígenos  (Ag).  Duas  propriedades  distinguem  a  imunidade  adaptativa  da
imunidade  inata:  (1)  especificidade  para  determinadas moléculas  estranhas  (antígenos),  que  também  envolve  a  distinção
entre moléculas suas e não suas, e  (2) memória para a maior parte dos antígenos encontrados previamente, de modo que
um segundo contato pede uma resposta ainda mais rápida e vigorosa. O ramo da ciência que lida com as respostas do corpo
quando  desafiado  por  antígenos  é  chamado  imunologia.  O  sistema  imune  inclui  as  células  e  tecidos  que  realizam
respostas imunes.
Figura 22.11 Os linfócitos B e células pré­T surgem de células­tronco pluripotentes na medula óssea. Os linfócitos B e os
linfócitos T se desenvolvem nos tecidos linfoides primários (medula óssea e timo) e são ativados nos órgãos e tecidos linfáticos
secundários (linfonodos, baço e nódulos linfáticos). Uma vez ativados, cada tipo de linfócito constitui um clone de células que é capaz de
reconhecer um antígeno específico. Para simplificar, os receptores de antígenos, proteínas CD4 e proteínas CD8 não são mostrados nas
membranas plasmáticas das células dos clones de linfócitos.
Os dois tipos de imunidade adaptativa são a imunidade celular e a imunidade humoral.
Que tipo de linfócito T participa das respostas imunes celular e humoral?
Maturação dos linfócitos T e linfócitos B
A  imunidade  adaptativa  envolve  linfócitos  chamados  linfócitos  B  e  linfócitos  T.  Ambos  se  desenvolvem  nos  órgãos
linfáticos primários (medula óssea e timo) a partir das células­tronco pluripotentes que se originam na medula óssea (ver
Figura 19.3). Os linfócitos B completam o seu desenvolvimento na medula óssea, um processo que continua ao longo da
vida.  Os  linfócitos  T  se  desenvolvem  a  partir  das  células  pré­T  que  migram  da  medula  óssea  para  o  timo,  onde
amadurecem (Figura 22.11). A maior parte dos linfócitos T surge antes da puberdade, mas continua a amadurecer e deixa o
timo ao longo da vida. Os linfócitos B e linfócitos T são nomeados de acordo com o local em que amadurecem. Nas aves,
os  linfócitos  B  se  maturam  em  um  órgão  chamado  de  bolsa  cloacal.  Embora  este  órgão  não  esteja  presente  em  seres
humanos, o termo linfócito B ainda é utilizado, mas a  letra B  significa bolsa­equivalente, que é a medula óssea, uma vez
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter19.html#ch19fig3
que  este  é  o  local  nos  seres  humanos  em  que  os  linfócitos B  se maturam. Os  linfócitos T  são  assim  chamados  porque
amadurecem no timo.
Antes  de  os  linfócitos  T  deixarem  o  timo  ou  de  os  linfócitos  B  saírem  da  medula  óssea,  eles  desenvolvem
imunocompetência, a capacidade de realizar respostas imunes adaptativas. Isto significa que os linfócitos B e os linfócitos
T  começam  a  produzir  várias  proteínas  distintas  que  são  inseridas  em  suas  membranas  plasmáticas.  Algumas  destas
proteínas  funcionam  como  receptores  de  antígeno  –  moléculas  capazes  de  reconhecer  antígenos  específicos  (Figura
22.11).
Existem dois tipos principais de linfócitos T maduros que saem do timo: os linfócitos T auxiliares e os linfócitos T
citotóxicos  (Figura 22.11). Os  linfócitos  T  auxiliares  são  também  conhecidos  como  linfócitos T CD4 positivos,  o  que
significa  que,  além  dos  receptores  de  antígeno,  suas  membranas  plasmáticas  incluem  uma  proteína  chamada  CD4.  Os
linfócitos  T  citotóxicos  são  também  chamados  de  linfócitos  T  CD8  positivos,  pois  suas  membranas  plasmáticas  não
contêm apenas os  receptores de  antígeno, mas  também uma proteína  conhecida  como CD8. Como veremos mais  adiante
neste capítulo, estes dois tipos de linfócitos T têm funções muito diferentes.
Tipos de imunidade adaptativa
Existem  dois  tipos  de  imunidade  adaptativa:  a  imunidade  celular  e  a  imunidade  humoral.  Ambos  os  tipos  são
desencadeados  por  antígenos.  Na  imunidade  celular,  os  linfócitos  T  citotóxicos  atacam  diretamente  os  antígenos
invasores. Na imunidade humoral, os  linfócitos B se  transformam em plasmócitos, que sintetizam e secretam proteínas
específicas chamadas anticorpos (Ac) ou imunoglobulinas (Ig). Um dado anticorpo pode se ligar a um antígeno específico
e inativá­lo. Os linfócitos T auxiliares ajudam nas respostas imunes, tanto celular quanto humoral.
A  imunidade  celular  é  particularmente  efetiva  contra  (1)  agentes  patogênicos  intracelulares,  que  incluem  quaisquer
tipos  de  vírus,  bactérias  ou  fungos  que  estejam  no  interior  das  células;  (2)  algumas  células  cancerígenas  e  (3)  tecidos
transplantados.  Assim,  a  imunidade  celular  sempre  envolve  células  que  atacam  células.  A  imunidade  humoral  atua
principalmente contra microrganismos patogênicos extracelulares, os quais incluem vírus, bactérias ou fungos que estejam
nos líquidoscorporais fora das células. Uma vez que a imunidade humoral envolve anticorpos que se ligam a antígenos em
humores ou líquidos corporais (como sangue e linfa), ela recebe este nome.
Na maior parte dos casos, quando um antígeno específico entra pela primeira vez no corpo, existe apenas um pequeno
grupo de linfócitos com os receptores de antígenos corretos para responder a esse antígeno; este pequeno grupo de células
inclui  alguns  linfócitos  T  auxiliares,  linfócitos  T  citotóxicos  e  linfócitos  B.  Dependendo  da  sua  localização,  um  dado
antígeno pode provocar ambos os  tipos de respostas  imunes adaptativas.  Isto se deve ao fato de que quando um antígeno
específico  invade  o  corpo,  geralmente  há  muitas  cópias  desse  antígeno  espalhadas  pelos  tecidos  e  líquidos  do  corpo.
Algumas cópias do antígeno podem ser encontradas no interior de células (o que provoca uma resposta imune celular dos
linfócitos T citotóxicos), enquanto outras cópias do antígeno podem estar presentes no líquido extracelular (o que provoca
uma  resposta  imune humoral dos  linfócitos B). Assim, as  respostas  imunes celular  e humoral  frequentemente atuam em
conjunto para eliminar do corpo a grande quantidade de cópias de um antígeno específico.
Seleção clonal | O princípio
Como  você  acabou  de  ver,  quando  um  antígeno  específico  está  presente  no  corpo,  geralmente  há  muitas  cópias  desse
antígeno  localizadas  nos  tecidos  e  líquidos  do  corpo.  As  inúmeras  cópias  do  antígeno  inicialmente  superam  o  pequeno
grupo  de  linfócitos  T  auxiliares,  linfócitos  T  citotóxicos  e  linfócitos  B  com  os  receptores  de  antígenos  corretos  para
responder  a  esse  antígeno.  Por  conseguinte,  quando  cada  um  destes  linfócitos  encontra  uma  cópia  do  antígeno  e  recebe
sinais  estimulatórios,  ele  subsequentemente  sofre  seleção  clonal.  A  seleção  clonal  é  o  processo  pelo  qual  um  linfócito
prolifera  e  se  diferencia  em  resposta  a  um  antígeno  específico.  O  resultado  da  seleção  clonal  é  a  formação  de  uma
população  de  células  idênticas,  chamada  clone,  que  é  capaz  de  reconhecer  o mesmo  antígeno  específico  que  o  linfócito
original  (Figura 22.11). Antes da primeira exposição a um determinado antígeno, apenas alguns  linfócitos são capazes de
reconhecê­lo,  mas  uma  vez  que  a  seleção  clonal  ocorre,  existem  milhares  de  linfócitos  que  podem  responder  a  esse
antígeno. A  seleção  clonal  dos  linfócitos  ocorre  nos  órgãos  e  tecidos  linfáticos  secundários. O  aumento  de  tamanho  das
tonsilas ou dos linfonodos em seu pescoço que você apresentou da última vez que esteve doente provavelmente foi causado
pela seleção clonal dos linfócitos que participam de uma resposta imune.
Um  linfócito que  sofre  seleção clonal dá origem a dois  tipos principais de células no clone:  as  células efetoras e  as
células  de memória.  Os milhares  de  células  efetoras  de  um  clone  de  linfócito  realizam  respostas  imunes  que  por  fim
resultam na destruição ou inativação do antígeno. As células efetoras incluem os linfócitos T auxiliares ativos, que fazem
parte de um clone de linfócito T auxiliar; os linfócitos T citotóxicos ativos, que fazem parte de um clone de linfócitos T
citotóxicos; e os plasmócitos, que são parte de um clone de linfócitos B. A maior parte das células efetoras por fim morre,
depois de a resposta imune ter sido concluída.
As células de memória  não  participam  ativamente  da  resposta  imune  inicial  ao  antígeno. No  entanto,  se  o mesmo
antígeno  entrar  no  corpo  novamente  no  futuro,  os  milhares  de  células  de  memória  de  um  clone  de  linfócitos  estão
disponíveis  para  iniciar  uma  reação muito mais  rápida  do  que  a  que  ocorreu  durante  a  primeira  invasão.  As  células  de
memória  respondem  ao  antígeno  proliferando  e  diferenciando­se  em  mais  células  efetoras  e  mais  células  de  memória.
Consequentemente, a segunda resposta ao antígeno normalmente é  tão rápida e vigorosa que o antígeno é destruído antes
que quaisquer sinais ou sintomas de doença possam surgir. As células de memória incluem os linfócitos T auxiliares de
memória, que são parte de um clone de linfócito T auxiliar; os linfócitos T citotóxicos de memória, que são parte de um
clone de linfócitos T citotóxicos; e os linfócitos B de memória, que são parte de um clone de linfócitos B. A maior parte
das células de memória não morre ao término de uma resposta imune. Em vez disso, têm expectativa de vida longa (muitas
vezes com duração de décadas). As funções das células efetoras e células de memória são descritas em mais detalhes mais
adiante neste capítulo.
Antígenos e receptores de antígenos
Os antígenos  têm duas características  importantes:  imunogenicidade e  reatividade. A  imunogenicidade é a capacidade de
provocar uma resposta imune, estimulando a produção de anticorpos específicos, a proliferação de linfócitos T específicos,
ou  ambos.  O  termo  antígeno  deriva  de  sua  função  como  um  gerador  de  anticorpo.  A  reatividade  é  a  capacidade  do
antígeno  de  reagir  especificamente  aos  anticorpos  ou  células  que  o  provocaram.  Estritamente  falando,  os  imunologistas
definem  os  antígenos  como  substâncias  que  têm  reatividade;  as  substâncias  que  têm  tanto  imunogenicidade  quanto
reatividade  são  consideradas  antígenos  completos.  Vulgarmente,  no  entanto,  o  termo  antígeno  implica  tanto  a
imunogenicidade quanto a reatividade, e nós utilizamos a palavra deste modo.
Microrganismos  inteiros  ou  partes  de  microrganismos  podem  atuar  como  antígenos.  Componentes  químicos  de
estruturas  bacterianas,  como  flagelos,  cápsulas  e  paredes  celulares,  são  antigênicos,  como  o  são  as  toxinas  bacterianas.
Exemplos  não  microbianos  de  antígenos  incluem  os  componentes  químicos  do  pólen,  clara  de  ovo,  células  sanguíneas
incompatíveis  e  tecidos  e  órgãos  transplantados.  A  enorme  variedade  de  antígenos  no  ambiente  proporciona  inúmeras
oportunidades  para  provocar  respostas  imunológicas.  Normalmente,  apenas  partes  pequenas  específicas  de  uma  grande
molécula de antígeno atuam como gatilhos para as respostas imunes. Estas pequenas partes são chamadas de epítopos, ou
determinantes antigênicos  (Figura 22.12). A maior  parte  dos  antígenos  tem muitos  epítopos,  cada um dos  quais  induz  à
produção de um anticorpo específico ou ativa um linfócito T específico.
Os  antígenos  que  ultrapassaram  as  defesas  inatas  geralmente  seguem  uma  de  três  vias  até  o  tecido  linfático:  (1)  a
maior parte dos antígenos que entra na corrente sanguínea (p. ex., por meio de um vaso sanguíneo lesionado) é aprisionada
enquanto  flui  através  do  baço.  (2)  Os  antígenos  que  penetram  na  pele  entram  nos  vasos  linfáticos  e  se  alojam  nos
linfonodos. (3) Os antígenos que penetram nas túnicas mucosas são aprisionados pelo tecido linfoide associado à mucosa
(MALT).
Natureza química de antígenos
Os antígenos são moléculas grandes e complexas. Na maior parte das vezes, são proteínas. No entanto, ácidos nucleicos,
lipoproteínas,  glicoproteínas  e  determinados  polissacarídios  grandes  também podem  atuar  como  antígenos. Os  antígenos
completos  geralmente  têm  grandes  pesos  moleculares,  de  10.000  dáltons  ou  mais;  porém,  moléculas  grandes  que  têm
subunidades  simples  e  repetitivas  –  como  por  exemplo  a  celulose  e  a  maior  parte  dos  plásticos  –  geralmente  não  são
antigênicas. É por isso que materiais de plástico podem ser usados em valvas cardíacas protéticas ou próteses articulares.
Figura 22.12 Epítopos (determinantes antigênicos).
A maior parte dos antígenos têm vários epítopos, que induzem à produção de diferentes anticorpos ou ativam
linfócitos T distintos.
Qual a diferença entre um epítopo e um hapteno?
Uma substância que tem menor reatividade, mas sem imunogenicidade, é denominadaum hapteno. Um hapteno pode
estimular uma resposta imune apenas se estiver acoplado a uma molécula transportadora maior. Um exemplo é a pequena
toxina  lipídica da hera venenosa, que desencadeia uma  resposta  imune após combinação com uma proteína do corpo. Do
mesmo modo, alguns medicamentos, como a penicilina, podem se combinar a proteínas do corpo para formar complexos
imunogênicos.  Estas  respostas  imunológicas  estimuladas  pelo  hapteno  são  responsáveis  por  algumas  reações  alérgicas  a
medicamentos e outras substâncias do ambiente (ver Distúrbios | Desequilíbrios homeostáticos no final do capítulo).
Como regra geral, os antígenos são substâncias estranhas; eles geralmente não fazem parte dos tecidos do corpo. No
entanto,  às  vezes,  o  sistema  imunológico  não  é  capaz  de  distinguir  o  “self”  (próprio)  do  “não  self”  (não  próprio).  O
resultado é uma doença autoimune (ver Distúrbios | Desequilíbrios homeostáticos no final do capítulo), em que moléculas
ou células do indivíduo são atacadas como se fossem estranhas.
Diversidade dos receptores de antígeno
Uma característica surpreendente do sistema imunológico humano é a sua capacidade de reconhecer e se ligar a pelo menos
um bilhão (109) de epítopos diferentes. Antes de um antígeno específico entrar no corpo,  linfócitos T e  linfócitos B que
podem reconhecer e responder ao  intruso estão prontos e à espera. As células do sistema imunológico podem até mesmo
reconhecer  moléculas  produzidas  artificialmente  que  não  existem  na  natureza.  A  base  para  a  capacidade  de  reconhecer
tantos  epítopos  é  uma  diversidade  igualmente  grande  de  receptores  de  antígeno.  Dado  que  as  células  humanas  contêm
apenas  aproximadamente  35  mil  genes,  como  1  bilhão  ou  mais  de  receptores  de  antígeno  diferentes  podem  enfim  ser
produzidos?
A  resposta  a  este  enigma  acabou  se  revelando  simples  por  conceito.  A  diversidade  de  receptores  de  antígeno  nos
linfócitos B e nos linfócitos T é decorrente do embaralhar e rearranjar de algumas centenas de versões de vários segmentos
de pequenos genes. Este processo é chamado de recombinação genética. Os segmentos de genes são unidos em diferentes
combinações  conforme  os  linfócitos  estão  se  desenvolvendo  a  partir  das  células­tronco  da  medula  óssea  e  do  timo.  A
situação é semelhante a quando se embaralha um baralho de 52 cartas e, em seguida, distribui três cartas. Se você fizer isso
repetidamente,  pode  produzir  muito  mais  do  que  52  conjuntos  diferentes  de  três  cartas.  Por  causa  da  recombinação
genética,  cada  linfócito B ou  linfócito T  tem um conjunto único de  segmentos de gene que codifica para um  receptor de
antígeno único. Após a transcrição e a tradução, as moléculas receptoras são inseridas na membrana plasmática.
Antígenos do complexo principal de histocompatibilidade
Localizados na membrana plasmática das células do corpo estão os “autoantígenos”, os antígenos do complexo principal
de histocompatibilidade (MHC). Estas glicoproteínas  transmembrana são  também chamadas de antígenos  leucocitários
humanos  (HLA),  porque  foram  primeiramente  identificadas  em  leucócitos.  A  menos  que  você  tenha  um  irmão  gêmeo
idêntico, seus antígenos do MHC são únicos. Milhares de moléculas de MHC marcam a superfície de cada uma das células
do seu corpo, exceto os eritrócitos. Embora os antígenos do MHC sejam o motivo de os tecidos serem rejeitados quando
são  transplantados de uma pessoa para outra, sua função normal é ajudar os  linfócitos T a reconhecer que um antígeno é
estranho, não próprio. Este reconhecimento é um primeiro passo importante em qualquer resposta imune adaptativa.
Os dois tipos de antígenos do complexo principal de histocompatibilidade são os de classe I e classe II. As moléculas
do  MHC  de  classe  I  (MHC­I)  são  construídas  nas  membranas  plasmáticas  de  todas  as  células  do  corpo,  exceto  os
eritrócitos. As moléculas do MHC de classe  II  (MHC­II)  aparecem na  superfície das células apresentadoras de antígeno
(descritas na seção seguinte).
Vias do processamento de antígenos
Para que uma  resposta  imune ocorra,  os  linfócitos B  e os  linfócitos T devem  reconhecer que um antígeno  estranho  está
presente. Os  linfócitos B podem  reconhecer  e  se  ligar  a  antígenos  na  linfa,  líquido  intersticial  ou  plasma  sanguíneo. Os
linfócitos  T  reconhecem  apenas  fragmentos  de  proteínas  antigênicas  que  são  processados  e  apresentados  de  uma
determinada maneira. No processamento do  antígeno,  as  proteínas  antigênicas  são  divididas  em  fragmentos  peptídicos
que,  em  seguida,  se  associam  a moléculas  do MHC.  Em  seguida,  o  complexo  antígeno­MHC  é  inserido  na membrana
plasmática  de  uma  célula  do  corpo.  A  inserção  do  complexo  na  membrana  plasmática  é  chamada  de  apresentação  do
antígeno.  Quando  um  fragmento  de  peptídio  vem  de  uma  autoproteína,  os  linfócitos  T  ignoram  o  complexo  antígeno­
MHC. No  entanto,  se  o  fragmento  de  peptídio  vem  de  uma proteína estranha,  os  linfócitos  T  reconhecem  o  complexo
antígeno­MHC como um intruso, e ocorre uma resposta imune. O processamento e apresentação de antígenos ocorrem de
duas maneiras, dependendo de o antígeno estar localizado no exterior ou no interior das células.
Processamento de antígenos exógenos
Antígenos estranhos existentes nos líquidos corporais fora das células são denominados antígenos exógenos. Eles incluem
invasores como bactérias e  toxinas bacterianas, helmintos, pólen e poeira  inalados e vírus que ainda não  infectaram uma
célula  do  corpo.  Uma  classe  especial  de  células  chamadas  células  apresentadoras  de  antígeno  (CAA)  processam  e
apresentam os  antígenos exógenos. As CAA  incluem as  células dendríticas, os macrófagos e os  linfócitos B. Elas  estão
estrategicamente posicionadas em lugares onde os antígenos são suscetíveis de penetrar as defesas inatas e entrar no corpo,
como a epiderme e a derme da pele (os macrófagos intraepidérmicos são um tipo de célula dendrítica); as túnicas mucosas
que revestem os sistemas respiratório, digestório, urinário e genital; e os linfonodos. Após o processamento e apresentação
de um antígeno, as CAA migram dos tecidos para os linfonodos por meio dos vasos linfáticos.
As etapas do processamento e apresentação de um antígeno exógeno por uma célula apresentadora de antígeno ocorrem
do seguinte modo (Figura 22.13):
Ingestão  do  antígeno.  As  células  apresentadoras  de  antígenos  ingerem  os  antígenos  exógenos  por  fagocitose  ou
endocitose. A ingestão pode ocorrer em qualquer lugar do corpo em que invasores, como os microrganismos, tenham
penetrado as defesas inatas.
Digestão  do  antígeno  em  fragmentos  peptídicos.  Dentro  do  endossoma  ou  fagossomo,  enzimas  que  digerem
proteínas dividem grandes antígenos em fragmentos peptídicos curtos.
Síntese  de  moléculas  de  MHC­II.  Ao  mesmo  tempo,  a  CAA  sintetiza  moléculas  de  MHC­II  no  retículo
endoplasmático (RE).
Envolvimento  das  moléculas  de  MHC­II.  Uma  vez  sintetizadas,  as  moléculas  de  MHC­II  são  envolvidas  em
vesículas.
Fusão de vesículas. As vesículas contendo fragmentos peptídicos de antígenos e moléculas MHC­II são misturadas e
fundidas.
Ligação  de  fragmentos  peptídicos  a  moléculas  de  MHC­II.  Depois  da  fusão  dos  dois  tipos  de  vesículas,
fragmentos peptídicos de antígeno se ligam a moléculas de MHC­II.
Inserção  dos  complexos  antígeno­MHC­II  na  membrana  plasmática.  A  vesícula  combinada  que  contém
complexos  antígeno­MHC­II  sofre  exocitose.  Como  resultado,  os  complexos  antígeno­MHC­II  são  inseridos  na
membrana plasmática.
Figura 22.13 Processamento e apresentação de um antígeno exógeno por uma célula apresentadora de antígeno (CAA).
Fragmentos de antígenos exógenos são processados e depois apresentados com moléculas do MHC­II na
superfície de uma célula apresentadora de antígeno(CAA).
Que tipo de células são as CAA, e onde são encontradas no corpo?
Depois de processar um antígeno,  a  célula  apresentadora de antígeno migra para o  tecido  linfático para  apresentar o
antígeno  aos  linfócitos  T. Dentro  do  tecido  linfático,  uma  pequena  quantidade  de  linfócitos  T  que  tenha  receptores  com
forma  compatível  reconhece  e  se  liga  ao  complexo  fragmento  de  antígeno­MHC­II,  desencadeando  uma  resposta  imune
adaptativa. A apresentação do antígeno exógeno em conjunto com as moléculas de MHC­II pelas células apresentadoras de
antígenos informa os linfócitos T que invasores estão presentes no corpo e que uma ação combativa deve ser iniciada.
Processamento de antígenos endógenos
Antígenos estranhos no interior das células do corpo são denominados antígenos endógenos. Estes antígenos podem ser
proteínas virais produzidas depois que um vírus infecta a célula e assume seu aparato metabólico,  toxinas produzidas por
bactérias intracelulares, ou proteínas anormais sintetizadas por uma célula cancerígena.
As etapas do processamento e apresentação de um antígeno endógeno por uma célula do corpo  infectada ocorrem do
seguinte modo (Figura 22.14):
Digestão  de  um  antígeno  em  fragmentos  peptídicos.  Dentro  da  célula  infectada,  enzimas  que  digerem  proteínas
clivam o antígeno endógeno em fragmentos peptídicos curtos.
Síntese  de  moléculas  MHC­I.  Ao  mesmo  tempo,  a  célula  infectada  sintetiza  moléculas  do  MHC­I  no  retículo
endoplasmático (RE).
Ligação dos fragmentos peptídicos às moléculas do MHC­I. Os fragmentos peptídicos de antígeno entram no RE
e, em seguida, se ligam às moléculas do MHC­I.
Envolvimento  das  moléculas  de  antígeno­MHC­I.  A  partir  do  RE,  as  moléculas  de  antígeno­MHC­I  são
envolvidas em vesículas.
Inserção  de  complexos  antígeno­MHC­I  na  membrana  plasmática.  As  vesículas  que  contêm  complexos  de
antígeno­MHC­I  sofrem exocitose. Como  resultado,  os  complexos de  antígeno­MHC­I  são  inseridos  na membrana
plasmática.
A maior parte das células do corpo é capaz de processar e apresentar antígenos endógenos. A exibição de um antígeno
endógeno ligado a uma molécula de MHC­I sinaliza que uma célula foi infectada e precisa de ajuda.
Citocinas
As  citocinas  são  pequenos  hormônios  proteicos  que  estimulam  ou  inibem  muitas  funções  celulares  normais,  como  o
crescimento e a diferenciação celular. Os linfócitos e as células apresentadoras de antígeno secretam citocinas, assim como
os  fibroblastos,  as  células  endoteliais,  os monócitos,  os  hepatócitos  e  as  células  renais. Algumas  citocinas  estimulam  a
proliferação de células progenitoras do sangue na medula óssea. Outras  regulam as atividades das células envolvidas nas
defesas inatas ou respostas imunes adaptativas, como descrito na Tabela 22.2.
Figura 22.14 Processamento e apresentação de antígeno endógeno por uma célula do corpo infectada.
Fragmentos de antígenos endógenos são processados e, em seguida, apresentados com proteínas de MHC­I na
superfície de uma célula infectada do corpo.
Quais são alguns exemplos de antígenos endógenos?
TABELA 22.2 Resumo das citocinas que participam das respostas imunes.
CITOCINA ORIGENS E FUNÇÕES
Interleucina-1 (IL-1) Produzida pelos macrófagos; promove a proliferação de linfócitos T auxiliares; atua no hipotálamo causando a febre.
Interleucina-2 (IL-2) Secretada pelos linfócitos T auxiliares; coestimula a proliferação de linfócitos T auxiliares, linfócitos T citotóxicos e linfócitos B; ativa
as células NK.
Interleucina-4 (IL-4)
(fator estimulante de
linfócitos B)
Produzida pelos linfócitos T auxiliares; coestimuladora de linfócitos B; faz com que os plasmócitos secretem anticorpos IgE (ver
Tabela 22.3); promove o crescimento dos linfócitos T.
Interleucina-5 (IL-5) Produzida por alguns linfócitos T auxiliares e mastócitos; coestimuladora de linfócitos B; faz com que os plasmócitos secretem
anticorpos IgA.
Interleucina-6 (IL-6) Produzida pelos linfócitos T auxiliares; aumenta a proliferação de linfócitos B, a diferenciação de linfócitos B em plasmócitos, e a
secreção de anticorpos pelos plasmócitos.
11.
12.
13.
14.
15.
22.5
•
•
•
Fator de necrose tumoral
(TNF)
Produzido principalmente pelos macrófagos; estimula o acúmulo de neutró los e macrófagos nos locais de in amação e estimula-
os a exterminarem os microrganismos.
Interferonas (IFN) Produzidas por células infectadas por vírus para inibir a replicação viral em células não infectadas; ativam linfócitos T citotóxicos e
células NK, inibem a divisão celular e suprimem a formação de tumores.
Fator inibidor da
migração de macrófagos
Produzido pelos linfócitos T citotóxicos; impede que os macrófagos deixem o local da infecção.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Terapia com citocinas
A terapia com citocinas consiste na utilização de citocinas no tratamento de condições médicas. As interferonas foram as primeiras citocinas que mostraram ter
efeitos limitados contra alguns cânceres humanos. A interferona alfa é aprovada nos EUA para o tratamento do sarcoma de Kaposi, um câncer que geralmente ocorre
em pacientes infectados com o HIV, o agente causal da AIDS. Outros usos aprovados pela FDA para a interferona alfa incluem o tratamento do herpes genital causado
por herpes-vírus; o tratamento das hepatites B e C, as hepatites causadas pelo vírus B e C; e o tratamento da tricoleucemia. A interferona beta retarda a progressão da
esclerose múltipla (EM) e diminui a frequência e a gravidade das crises de EM. Das interleucinas, a mais utilizada para combater o câncer é a interleucina-2. Embora
este tratamento seja e caz em causar a regressão do tumor em alguns pacientes, pode também ser muito tóxico. Entre os efeitos adversos estão febre alta, fraqueza
intensa, dispneia em decorrência de edema pulmonar e hipotensão que leva ao choque.
 TESTE RÁPIDO
O que é imunocompetência e quais células do corpo a apresentam?
Como os autoantígenos de histocompatibilidade classe I e classe II atuam?
Como os antígenos chegam aos tecidos linfáticos?
Como as células apresentadoras de antígeno processam antígenos exógenos?
O que são citocinas, de onde elas se originam e como funcionam?
Imunidade celular
 OBJETIVOS
Delinear as etapas de uma resposta imune celular
Distinguir entre a ação das células NK e a dos linfócitos T citotóxicos
Definir vigilância imunológica.
Uma resposta imune celular começa com a ativação de uma pequena quantidade de linfócitos T por um antígeno específico.
Uma  vez  que  o  linfócito  T  tenha  sido  ativado,  é  submetido  à  seleção  clonal.  Recorde­se  de  que  a  seleção  clonal  é  o
processo  pelo  qual  um  linfócito  prolifera  e  se  diferencia  em  resposta  a  um  antígeno  específico.  O  resultado  da  seleção
clonal  é  a  formação  de  um  clone  de  célula  que  pode  reconhecer  o mesmo  antígeno  como  o  linfócito  inicial  (ver  Figura
22.11). Algumas das células de um clone de  linfócitos T se  tornam efetoras, enquanto outros clones de célula  se  tornam
células  de memória. As  células  efetoras  de  um clone de  linfócitos T  efetuam  respostas  imunes  que por  fim  resultam na
eliminação do invasor.
Ativação dos linfócitos T
Em um determinado momento, a maior parte dos linfócitos T está inativa. Conforme visto na última seção, os receptores
de  antígeno  da  superfície  dos  linfócitos  T,  chamados  de  receptores  de  linfócitos  T  (TCR),  reconhecem  e  se  ligam  a
fragmentos  de  antígeno  estranhos  específicos  que  são  apresentados  nos  complexos  antígeno­MHC.  Há  milhões  de
linfócitos  T  diferentes;  cada  um  tem  TCR  únicos,  que  conseguem  reconhecer  um  complexo  antígeno­MHC  específico.
Quando  um  antígeno  entra  no  corpo,  apenas  alguns  linfócitos  T  têm  TCR  que  são  capazes  de  reconhecer  e  se  ligar  ao
antígeno. O reconhecimento do antígeno envolve também outras proteínas de superfície nos linfócitos T, as proteínas CD4
ou CD8. Estas proteínas interagem com os antígenosdo MHC e ajudam a manter o acoplamento TCR­MHC. Por isso são
chamados de correceptores. O reconhecimento do antígeno por um TCR com proteínas CD4 ou CD8 é o primeiro sinal de
ativação de um linfócito T.
Um  linfócito T  se  torna ativado apenas  se ele  se  ligar  ao antígeno estranho e ao mesmo  tempo  receber um segundo
sinal, um processo conhecido como coestimulação. Dos mais do que 20 coestimuladores conhecidos, alguns são citocinas,
como a  interleucina­2 (IL­2). Outros  coestimuladores  incluem pares  de moléculas  localizadas na membrana plasmática,
uma  sobre  a  superfície  do  linfócito T  e  uma  segunda  sobre  a  superfície  de  uma  célula  apresentadora  de  antígeno,  o  que
possibilita que as duas células adiram uma à outra por um período de tempo.
A necessidade de dois sinais para ativar um linfócito T é um pouco como ligar e dirigir um carro: quando você insere
a chave correta (antígeno) na ignição (TCR) e gira­a, o carro liga (reconhecimento de antígeno específico), mas não começa
a andar até que você pise no acelerador (coestimulação). A necessidade de coestimulação pode evitar que respostas imunes
ocorram acidentalmente. Diferentes coestimuladores afetam o linfócito T ativado de diferentes maneiras, assim como andar
em um carro em marcha a ré tem um efeito diferente do que andar para a frente. Além disso, o reconhecimento (ligação a
um  receptor  de  antígeno)  sem  coestimulação  leva  a  um  estado  de  inatividade  prolongada denominado anergia  tanto  nos
linfócitos T quanto nos linfócitos B. A anergia é um pouco como deixar um carro em ponto morto com o motor ligado até
que acabe a gasolina!
Uma vez que o  linfócito T  tenha recebido estes dois sinais  (reconhecimento de antígeno e coestimulação), é ativado.
Um linfócito T ativado subsequentemente sofre seleção clonal.
Ativação e seleção clonal de linfócitos T auxiliares
A  maior  parte  dos  linfócitos  T  que  exibe  CD4  se  desenvolve  em  linfócitos  T  auxiliares,  também  conhecidos  como
linfócitos T CD4 positivos. Os linfócitos T auxiliares inativos reconhecem fragmentos de antígenos exógenos associados
a  moléculas  de  complexo  principal  de  histocompatibilidade  de  classe  II  (MHC­II)  na  superfície  de  uma  CAA  (Figura
22.15). Com o  auxílio  da proteína CD4,  o  linfócito T  auxiliar  e  a CAA  interagem entre  si  (reconhecimento  antigênico),
ocorre a coestimulação, e o linfócito T auxiliar torna­se ativado.
Uma vez ativado, o linfócito T auxiliar é submetido à seleção clonal (Figura 22.15). O resultado é a formação de um
clone  de  linfócitos T  auxiliares  que  consiste  em  linfócitos T  auxiliares  ativos  e  linfócitos T  auxiliares  de memória. Em
poucas horas depois da coestimulação, os linfócitos T auxiliares ativos começam a secretar diversas citocinas (ver Tabela
22.2).  Uma  citocina  importante  produzida  pelos  linfócitos  T  auxiliares  é  a  interleucina­2  (IL­2),  que  é  necessária  para
virtualmente todas as respostas imunes e é o principal gatilho da proliferação de linfócitos T. A IL­2 pode atuar como um
coestimulador para os linfócitos T auxiliares em repouso ou linfócitos T citotóxicos, e aumenta a ativação e proliferação de
linfócitos T, linfócitos B e células NK. Algumas ações da interleucina­2 são um bom exemplo de um benéfico sistema de
feedback positivo. Como  já mencionado, a ativação de um  linfócito T auxiliar o estimula a começar a  secretar  IL­2, que
então atua de modo autócrino pela ligação a receptores IL­2 na membrana plasmática da célula que a secreta. Um efeito é a
estimulação da divisão celular. À medida que os linfócitos T auxiliares proliferam, ocorre um efeito de feedback positivo,
porque eles secretam mais IL­2, que causa mais divisão celular. A IL­2 pode também atuar de modo parácrino ao se ligar a
receptores de IL­2 nos linfócitos T auxiliares,  linfócitos T citotóxicos ou linfócitos B vizinhos. Se alguma destas células
vizinhas já se ligou a uma cópia do mesmo antígeno, a IL­2 funciona como um coestimulador.
Os  linfócitos T auxiliares de memória de um clone de  linfócito T auxiliar não são células ativas. No entanto, se o
mesmo  antígeno  entrar  no  corpo  novamente  no  futuro,  os  linfócitos  T  auxiliares  de  memória  podem  proliferar  e  se
diferenciar rapidamente em mais linfócitos T auxiliares ativos e mais linfócitos T auxiliares de memória.
Figura 22.15 Ativação e seleção clonal de um linfócito T auxiliar.
Uma vez que um linfócito T auxiliar é ativado, ele forma um clone de linfócitos T auxiliares ativos e linfócitos T
auxiliares de memória.
Quais são o primeiro e o segundo sinais de ativação de um linfócito T?
Figura 22.16 Ativação e seleção clonal de um linfócito T citotóxico.
Quando um linfócito T citotóxico é ativado, ele forma um clone de linfócitos T citotóxicos ativos e linfócitos T
citotóxicos de memória.
Qual é a função da proteína CD8 de um linfócito T citotóxico?
Ativação e seleção clonal de linfócitos T citotóxicos
A maior parte dos linfócitos T que exibe CD8 se desenvolve em linfócitos T citotóxicos, também chamados de linfócitos
T CD8 positivos. Os  linfócitos T  citotóxicos  reconhecem  antígenos  estranhos  combinados  a moléculas  de  complexo  de
histocompatibilidade de classe  I  (MHC­I) sobre a superfície de  (1) células do organismo  infectadas por microrganismos,
(2) algumas células tumorais e (3) células de um tecido transplantado (Figura 22.16). O reconhecimento exige que o TCR e
a proteína CD8 mantenham o acoplamento com o MHC­I. Depois do reconhecimento antigênico, ocorre a coestimulação. A
fim de  se  tornarem ativados,  os  linfócitos T citotóxicos demandam coestimulação pela  interleucina­2 ou outras  citocinas
produzidas  pelos  linfócitos  T  auxiliares  ativos  que  já  aderiram  às  cópias  do  mesmo  antígeno.  (Recorde­se  de  que  os
linfócitos  T  auxiliares  são  ativados  por  antígenos  associados  a moléculas  do MHC­II.)  Assim,  a  ativação  máxima  dos
linfócitos T citotóxicos requer a apresentação de antígenos associados tanto a moléculas de MHC­I quanto MHC­II.
Uma  vez  ativado,  o  linfócito  T  citotóxico  é  submetido  à  seleção  clonal.  O  resultado  é  a  formação  de  um  clone  de
linfócitos  T  citotóxicos,  que  consiste  em  linfócitos  T  citotóxicos  ativos  e  linfócitos  T  citotóxicos  de  memória.  Os
linfócitos T citotóxicos ativos atacam outras células do corpo que tenham sido infectadas com o antígeno. Os linfócitos T
citotóxicos  de  memória  não  atacam  as  células  do  corpo  infectadas.  Em  vez  disso,  podem  proliferar  e  se  diferenciar
rapidamente em mais linfócitos T citotóxicos ativos e mais linfócitos T citotóxicos de memória se o mesmo antígeno entrar
no corpo no futuro.
Eliminação de invasores
Os  linfócitos  T  citotóxicos  são  os  soldados  que marcham  para  frente  para  lutar  com  invasores  estranhos  nas  respostas
imunes  celulares.  Eles  deixam os  órgãos  e  tecidos  linfáticos  secundários  e migram para  procurar  e  destruir  células­alvo
infectadas, células cancerígenas e células transplantadas (Figura 22.17). Os linfócitos T citotóxicos reconhecem e se ligam
às células­alvo. Em seguida, os linfócitos T citotóxicos destroem as células­alvo.
Figura 22.17 Atividade dos linfócitos T citotóxicos. Depois de destruir uma célula­alvo, um linfócito T citotóxico pode se separar e
atacar outra célula­alvo infectada que exiba o mesmo antígeno.
Os linfócitos T citotóxicos liberam granzimas que desencadeiam a apoptose e a perforina que desencadeia a lise
de células­alvo infectadas.
Além das células infectadas por microrganismos, que outros tipos de células­alvo são atacadas pelos
linfócitos T citotóxicos?
1.
2.
16.
17.
18.
Os linfócitos T citotóxicos matam as células­alvo infectadas do corpo de modo muito parecido com o utilizado pelas
células NK. A diferença principal é que os linfócitos T citotóxicos têm receptores específicos para um microrganismo em
particular  e,  portanto,  só matam  células­alvo  infectadaspor  um  tipo  específico  de microrganismo;  as  células NK podem
destruir  uma  grande  variedade  de  células  do  corpo  infectadas  por microrganismos. Os  linfócitos  T  citotóxicos  têm  dois
principais mecanismos para matar células­alvo infectadas.
Os linfócitos T citotóxicos, utilizando receptores de sua superfície, reconhecem e se ligam às células­alvo infectadas
que têm antígenos microbianos exibidos em sua superfície. O linfócito T citotóxico então libera granzimas, enzimas
que digerem proteínas que desencadeiam a apoptose (Figura 22.17A). Uma vez que a célula infectada é destruída, os
microrganismos liberados são mortos pelos fagócitos.
Alternativamente, os linfócitos T citotóxicos se ligam às células corporais infectadas e liberam duas proteínas de seus
grânulos: a perforina e a granulisina. A perforina  se  insere na membrana plasmática da célula­alvo e cria canais na
membrana (Figura 22.17B). Como resultado, o líquido extracelular flui para a célula­alvo e ocorre a citólise. Outros
grânulos dos linfócitos T citotóxicos liberam granulisina, que entra através dos canais e destrói os microrganismos
criando  orifícios  em  suas membranas  plasmáticas. Os  linfócitos T  citotóxicos  podem  também destruir  células­alvo
pela  liberação de uma molécula  tóxica chamada  linfotoxina, que ativa enzimas na célula­alvo. Estas enzimas  fazem
com  que  o DNA  da  célula­alvo  se  fragmente  e  a  célula morra. Além  disso,  os  linfócitos  T  citotóxicos  secretam  a
interferona gama, que atrai e ativa as células fagocíticas, e o fator inibidor da migração de macrófagos, que impede a
migração dos fagócitos do local de infecção. Depois de se separar de uma célula­alvo, um linfócito T citotóxico pode
procurar e destruir outra célula­alvo.
Vigilância imunológica
Quando uma célula normal se transforma em uma célula cancerígena, muitas vezes exibe os componentes de superfície das
novas células chamadas de antígenos tumorais. Estas moléculas raramente são – se é que o são – exibidas na superfície
de células normais. Se o sistema imune reconhece um antígeno  tumoral como não próprio, pode destruir  todas as células
cancerígenas que transportem o antígeno. Estas respostas imunes, chamadas de vigilância imunológica, são realizadas por
linfócitos  T  citotóxicos,  macrófagos  e  células  NK.  A  vigilância  imunológica  é  mais  efetiva  na  eliminação  de  células
tumorais  decorrentes  de  vírus  causadores  de  câncer.  Por  este motivo,  pacientes  transplantados  em  uso  de medicamentos
imunossupressores para evitar a  rejeição do  transplante apresentam  incidência aumentada de cânceres associados a vírus.
Seu risco para outros tipos de câncer não é aumentado.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Rejeição do enxerto e tipagem do tecido
O transplante de órgãos envolve a substituição de um órgão lesionado ou doente, como o coração, fígado, rim, pulmões ou pâncreas, por um órgão doado por
outro indivíduo. Normalmente, o sistema imune reconhece as proteínas do órgão transplantado como estranhas e elabora respostas imunes tanto celular quanto
humoral contra elas. Este fenômeno é conhecido como rejeição do enxerto.
O sucesso de um transplante de órgão ou tecido depende da histocompatibilidade, ou seja, da compatibilidade tecidual entre o doador e o receptor. Quanto
mais semelhantes forem os antígenos do MHC, maior é a histocompatibilidade e, portanto, maior é a probabilidade de que o transplante não seja rejeitado. A
tipagem de tecidos (teste de histocompatibilidade) é feita antes de qualquer transplante de órgão. Nos EUA, um registro nacional informatizado ajuda os
médicos a selecionar os receptores de órgãos transplantados com maior histocompatibilidade e maior necessidade sempre que há doadores de órgãos disponíveis.
Quanto maior a combinação entre as proteínas do complexo principal de histocompatibilidade do doador e do receptor, mais fraca é a resposta de rejeição do enxerto.
Para reduzir o risco de rejeição do enxerto, receptores de órgãos transplantados recebem fármacos imunossupressores. Um destes fármacos é a ciclosporina,
derivada de um fungo, que inibe a secreção de interleucina-2 pelos linfócitos T auxiliares, mas tem apenas um efeito mínimo sobre os linfócitos B. Assim, o risco de
rejeição diminui enquanto a resistência a algumas doenças é mantida.
 TESTE RÁPIDO
Quais são as funções dos linfócitos T auxiliares, citotóxicos e de memória?
Como os linfócitos T citotóxicos matam as célulasalvo infectadas?
Qual é a utilidade da vigilância imunológica?
22.6
•
•
•
•
Imunidade humoral
 OBJETIVOS
Descrever as etapas de uma resposta imune humoral
Listar as características químicas e ações dos anticorpos
Explicar como o sistema complemento opera
Distinguir entre uma resposta primária e uma resposta secundária a uma infecção.
O corpo  contém não  apenas milhões  de  linfócitos T diferentes, mas  também milhões  de  linfócitos B distintos,  cada  um
capaz  de  responder  a  um  antígeno  específico.  Os  linfócitos  T  citotóxicos  deixam  os  tecidos  linfáticos  para  procurar  e
destruir um antígeno estranho, mas os linfócitos B ficam estacionários. Na presença de um antígeno estranho, um linfócito
B específico em um linfonodo, baço ou tecido linfoide associado à mucosa torna­se ativo. Em seguida, ele é submetido à
seleção clonal, a  formação de um clone de plasmócitos e células de memória. Os plasmócitos são células efetoras de um
clone de linfócitos B; eles secretam anticorpos específicos, os quais por sua vez circulam no sangue e linfa para chegar ao
local de invasão.
Ativação e seleção clonal dos linfócitos B
Durante  a  ativação  de  um  linfócito B,  um  antígeno  se  liga  aos  receptores  de  linfócitos B  (BCR)  (Figura 22.18).  Essas
proteínas  transmembrana  integrais  são  quimicamente  semelhantes  aos  anticorpos  que  acabam  sendo  secretados  pelos
plasmócitos.  Embora  os  linfócitos  B  possam  responder  a  um  antígeno  não  processado  presente  na  linfa  ou  no  líquido
intersticial,  sua  resposta  é muito mais  intensa  quando  eles  processam  o  antígeno. O  processamento  do  antígeno  em  um
linfócito B ocorre da seguinte maneira: o antígeno é levado para dentro do linfócito B, reduzido a fragmentos peptídicos e
combinado a autoantígenos de MHC­II, e transferido para a membrana plasmática do linfócito B. Os linfócitos T auxiliares
reconhecem  o  complexo  antígeno­MHC­II  e  entregam  a  coestimulação  necessária  para  a  proliferação  e  diferenciação  do
linfócito B. O linfócito T auxiliar produz interleucina­2 e outras citocinas que funcionam como coestimuladores para ativar
os linfócitos B.
Figura 22.18 Ativação e seleção clonal de linfócitos B. Os plasmócitos são, na verdade, muito maiores do que os linfócitos B.
Os plasmócitos secretam anticorpos.
Quantos tipos diferentes de anticorpos serão secretados pelos plasmócitos no clone mostrado aqui?
Uma  vez  ativado,  um  linfócito  B  sofre  seleção  clonal  (Figura  22.18).  O  resultado  é  a  formação  de  um  clone  de
linfócitos B, que  consiste  em plasmócitos  e  linfócitos B de memória. Os plasmócitos  secretam anticorpos. Alguns dias
após  a  exposição  a  um  antígeno,  um  plasmócito  secreta  centenas  de  milhões  de  anticorpos  diariamente  durante
aproximadamente 4 ou 5 dias, até que o plasmócito morre. A maior parte dos anticorpos viaja pela linfa e pelo sangue até o
local  de  invasão.  A  interleucina­4  (IL­4)  e  a  interleucina­6  (IL­6),  também  produzidas  pelos  linfócitos  T  auxiliares,
aumentam a proliferação de linfócitos B, a diferenciação de linfócitos B em plasmócitos, e a secreção de anticorpos pelos
plasmócitos.  Os  linfócitos  B  de  memória  não  secretam  anticorpos.  Em  vez  disso,  podem  proliferar  e  se  diferenciar
rapidamente em mais plasmócitos e mais linfócitos B de memória se o mesmo antígeno reaparecer em um momento futuro.
Antígenos diferentes estimulam linfócitos B distintos a se desenvolver em plasmócitos e seus linfócitos B de memória
acompanhantes. Todosos linfócitos B de um clone específico são capazes de secretar um único tipo de anticorpo, o qual é
idêntico  ao  receptor  do  antígeno  apresentado  pelo  linfócito  B  que  primeiro  respondeu.  Cada  antígeno  específico  ativa
apenas  aqueles  linfócitos  B  que  são  predestinados  (pela  combinação  de  segmentos  de  genes  que  carreiam)  a  secretar
anticorpos  específicos  a  esse  antígeno.  Os  anticorpos  produzidos  por  um  clone  de  plasmócitos  entram  na  circulação  e
formam complexos com o antígeno que desencadeou a sua produção.
Anticorpos
Um anticorpo  (Ac)  consegue  se  combinar  especificamente  ao  epítopo  do  antígeno  que  desencadeou  a  sua  produção.  A
estrutura  do  anticorpo  combina  com  seu  antígeno  de modo muito  parecido  com  o  que  uma  fechadura  aceita  uma  chave
específica. Em teoria, os plasmócitos poderiam secretar muitos anticorpos diferentes, já que existem diferentes receptores
de linfócitos B, porque os mesmos segmentos de gene recombinado codificam tanto para os BCR quanto para anticorpos
secretados pelos plasmócitos.
Estrutura do anticorpo
Os  anticorpos  pertencem  a  um  grupo  de  glicoproteínas  chamadas  globulinas  e,  por  esta  razão,  são  também  conhecidas
como  imunoglobulinas  (Ig).  A  maior  parte  dos  anticorpos  contêm  quatro  cadeias  polipeptídicas  (Figura  22.19).  Duas
dessas cadeias são idênticas entre si e são chamadas de cadeias pesadas (P); cada uma consiste em aproximadamente 450
aminoácidos.  Cadeias  de  carboidratos  curtos  estão  ligadas  a  cada  cadeia  polipeptídica  pesada.  As  outras  duas  cadeias
polipeptídicas, também idênticas entre si, são chamadas de cadeias leves (L); cada uma consiste em aproximadamente 220
aminoácidos.  Uma  ligação  dissulfureto  (S­S)  prende  cada  cadeia  leve  a  uma  cadeia  pesada.  Duas  ligações  dissulfureto
ligam também a região intermediária das duas cadeias pesadas; esta parte do anticorpo exibe uma flexibilidade considerável
e é chamada de região de dobradiça. Uma vez que os “braços” do anticorpo podem se mover um pouco conforme a região
de  dobradiça  se  dobra,  um  anticorpo  pode  assumir  tanto  uma  forma  de T  quanto  uma  forma  de Y  (Figura  22.19A, B).
Além da região de dobradiça, as partes das duas cadeias pesadas formam a região do tronco.
Dentro de cada cadeia P e L estão duas  regiões distintas. As pontas das cadeias P e L,  chamadas regiões variáveis
(V), constituem o local de ligação ao antígeno. A região variável, que é diferente para cada tipo de anticorpo, é a parte do
anticorpo que  reconhece e  se  liga especificamente a um antígeno particular. Como a maior parte dos anticorpos  tem dois
locais  de  ligação  ao  antígeno,  são  ditos  bivalentes.  A  flexibilidade  na  dobradiça  possibilita  que  o  anticorpo  se  ligue
simultaneamente a dois epítopos que estão a alguma distância entre si – por exemplo, na superfície de um microrganismo.
Figura 22.19 Estrutura química da classe de anticorpo imunoglobulina G (IgG). Cada molécula é composta por quatro cadeias
polipeptídicas (duas pesadas e duas leves) mais uma cadeia curta de carboidratos ligada à cada cadeia pesada. Em (A), cada um dos
círculos representa um aminoácido. Em (B), VL = região variável da cadeia leve, CL = região constante da cadeia leve, VP = região
variável da cadeia pesada e CP = região constante da cadeia pesada.
Um anticorpo se combina apenas ao epítopo do antígeno que desencadeou a sua produção.
Qual a função das regiões variáveis em uma molécula de anticorpo?
O restante de cada cadeia P e L, a chamada região constante (C), é quase a mesma em todos os anticorpos da mesma
classe, e é responsável pelo tipo de reação antígeno­anticorpo que ocorre. No entanto, a região constante da cadeia P difere
de uma classe de anticorpos para outra, e sua estrutura serve como base para distinguir cinco classes diferentes, designadas
•
•
•
IgG,  IgA,  IgM,  IgD  e  IgE.  Cada  classe  tem  uma  estrutura  química  diferente  e  um  papel  biológico  específico.  Como
aparecem primeiro e são de duração relativamente curta, os anticorpos IgM indicam uma invasão recente. Em um paciente
doente, o patógeno responsável pode ser sugerido pelo achado de níveis elevados de IgM específicos para um determinado
organismo.  A  resistência  do  feto  e  do  recém­nascido  à  infecção  resulta  principalmente  de  anticorpos  IgG maternos  que
cruzam a placenta antes do nascimento e de anticorpos IgA do leite materno após o nascimento. A Tabela 22.3 resume as
estruturas e funções das cinco classes de anticorpos.
Ações dos anticorpos
As  ações  das  cinco  classes  de  imunoglobulinas  são  um  pouco  diferentes,  mas  todas  desativam  antígenos  de  alguma
maneira. As ações dos anticorpos incluem as seguintes:
Neutralização de antígenos. A reação do anticorpo com o antígeno bloqueia ou neutraliza algumas toxinas bacterianas
e impede a ligação de alguns vírus às células do corpo
Imobilização  de  bactérias.  Em  caso  de  formação  de  anticorpos  contra  antígenos  nos  cílios  ou  flagelos  de  bactérias
móveis,  a  reação  antígeno­anticorpo  pode  fazer  com  que  as  bactérias  percam  a  sua  mobilidade,  o  que  limita  a  sua
disseminação para os tecidos vizinhos
Aglutinação  e  precipitação  de  antígenos.  Como  os  anticorpos  apresentam  dois  ou  mais  locais  para  a  ligação  ao
antígeno,  a  reação antígeno­anticorpo pode  fazer uma  ligação cruzada entre os patógenos,  causando a aglutinação. As
células  fagocíticas  englobam  mais  facilmente  os  microrganismos  aglutinados.  Do  mesmo  modo,  antígenos  solúveis
podem sair da solução e formar um precipitado mais facilmente fagocitado quando submetido à  ligação cruzada pelos
anticorpos
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Anticorpos monoclonais
Os anticorpos produzidos pelos plasmócitos contra um determinado antígeno podem ser coletados do sangue de um indivíduo. No entanto, como um antígeno
normalmente tem muitos epítopos, vários clones diferentes de plasmócitos produzem anticorpos diferentes contra o antígeno. Se um único plasmócito pudesse ser
isolado e induzido a se proliferar em um clone de plasmócitos idênticos, então poderiam ser produzidos muitos anticorpos idênticos. Infelizmente, os linfócitos e os
plasmócitos são difíceis de cultivar em cultura, de modo que os cientistas contornam esta di culdade por meio da fusão de linfócitos B a células tumorais que crescem
facilmente e proliferam inde nidamente. A célula híbrida resultante é chamada de hibridoma. Os hibridomas são fontes a longo prazo de grandes quantidades de
anticorpos idênticos, chamados anticorpos monoclonais (AcM), porque vêm de um único clone de células idênticas. Uma utilização clínica dos anticorpos
monoclonais é para mensurar os níveis de um fármaco no sangue de um paciente. Outras utilizações incluem o diagnóstico de infecções de garganta, gravidez,
alergias e doenças como a hepatite, raiva e algumas doenças sexualmente transmissíveis (DST). Os AcM também têm sido usados para detectar o câncer em um
estágio inicial e veri car a extensão da metástase. Também podem ser úteis na preparação de vacinas para se contrapor à rejeição associada ao transplante, para o
tratamento de doenças autoimunes, e talvez para o tratamento da AIDS.
TABELA 22.3 Classes de imunoglobulinas (Ig).
NOME E ESTRUTURA CARACTERÍSTICAS E FUNÇÕES
Mais abundante, aproximadamente 80% de todos os anticorpos do sangue; encontrada no sangue, linfa e intestinos; estrutura de
monômero. Protege contra bactérias e vírus aprimorando a fagocitose, neutralizando toxinas e desencadeando o sistema
complemento. É a única classe de anticorpos que cruza a placenta da mãe para o feto, conferindo proteção imunológica
considerável ao recém-nascido.
Encontrada principalmente no suor, nas lágrimas, na saliva, no muco, no leite materno e nas secreções do sistema digestório.
Pequenas quantidades estão presentes no sangue e na linfa. Compõe de 10 a 15% de todos os anticorpos do sangue; ocorre como
monômerose dímeros. Seus níveis diminuem durante o estresse, abaixando a resistência à infecção. Fornece proteção localizada
das túnicas mucosas contra bactérias e vírus.
Aproximadamente 5 a 10% de todos os anticorpos do sangue; também encontrada na linfa. Ocorre como pentâmeros; primeira
classe de anticorpos a ser secretada pelos plasmócitos após a exposição inicial a qualquer antígeno. Ativa o complemento e provoca
a aglutinação e lise de microrganismos. Também é encontrada na forma de monômeros na superfície dos linfócitos B, onde atua
•
•
como receptores de antígeno. No plasma sanguíneo, os anticorpos anti-A e anti-B do grupo sanguíneo ABO, que se liga aos
antígenos A e B durante a transfusão de sangue incompatível, são também anticorpos IgM (ver Figura 19.12).
Encontrada principalmente na superfície dos linfócitos B como receptores de antígenos, onde ocorre como monômeros; envolvida
na ativação dos linfócitos B. Aproximadamente 0,2% de todos os anticorpos do sangue.
Menos de 0,1% de todos os anticorpos do sangue; ocorre como monômeros; localizada nos mastócitos e basó los. Envolvida nas
reações alérgicas e de hipersensibilidade; fornece proteção contra vermes parasitas.
Ativação do complemento. Complexos antígeno­anticorpo iniciam a via clássica do sistema complemento (discutido em
breve)
Reforço da fagocitose. A região do tronco de um anticorpo atua como uma bandeira que atrai fagócitos uma vez que os
antígenos tiverem se ligado à região variável do anticorpo. Os anticorpos aumentam a atividade dos fagócitos, ao causar
a aglutinação e a precipitação, ao ativar o complemento e ao revestir microrganismos de modo que eles se tornem mais
suscetíveis à fagocitose.
Papel do sistema complemento na imunidade
O  sistema  complemento  é  um  sistema  defensivo  constituído  por  mais  de  30  proteínas  produzidas  pelo  fígado  e
encontradas circulando no plasma sanguíneo e nos tecidos por todo o corpo. Coletivamente, as proteínas do complemento
destroem microrganismos por fagocitose, citólise e inflamação; também evitam danos excessivos aos tecidos do corpo.
A maior parte das proteínas do complemento é designada por uma letra C maiúscula, numeradas de C1 a C9, segundo
a ordem de descoberta. As proteínas do complemento C1 a C9 estão inativas e são ativadas somente quando quebradas por
enzimas em fragmentos ativos, que são indicados pelas letras minúsculas a e b. Por exemplo, a proteína do complemento
inativa C3 é dividida nos fragmentos ativados C3a e C3b. Os fragmentos ativos realizam as ações destrutivas das proteínas
do complemento C1 a C9. Outras proteínas do complemento são chamadas de fatores B, D e P (properdina).
As proteínas do complemento agem em cascata – uma reação desencadeia outra reação, que por sua vez desencadeia
uma  terceira  reação, e assim por diante. A cada  reação sucessiva, mais e mais produto é  formado, de modo que o efeito
final muitas vezes é amplificado.
A ativação do complemento pode começar por três vias diferentes (descritas em breve), todas elas ativando o C3. Uma
vez ativado, o C3 começa uma cascata de reações que provoca fagocitose, citólise e inflamação do seguinte modo (Figura
22.20):
O C3 inativo se divide em C3a e C3b ativado.
C3b se liga à superfície de um microrganismo e receptores nos fagócitos se conectam a C3b. Assim, C3b aprimora a
fagocitose  ao  revestir  um  microrganismo,  em  um  processo  chamado  de  opsonização.  A  opsonização  promove  a
ligação de um fagócito a um microrganismo.
C3b também inicia uma série de reações que provocam citólise. Em primeiro lugar, C3b divide C5. O fragmento C5b
então se liga a C6 e C7, que se ligam à membrana plasmática de um microrganismo invasor. Em seguida, C8 e várias
moléculas  de  C9  se  unem  a  outras  proteínas  do  complemento  e,  juntas,  formam  um  complexo  de  ataque  à
membrana de formato cilíndrico, que se insere na membrana plasmática.
O complexo de ataque à membrana cria canais na membrana plasmática que resultam em citólise (ruptura das células
microbianas decorrente do influxo de líquido extracelular através dos canais).
C3a e C5a se ligam aos mastócitos e fazem com que eles liberem histamina, que aumenta a permeabilidade dos vasos
sanguíneos durante a inflamação. C5a também atrai fagócitos ao local da inflamação (quimiotaxia).
Figura 22.20 Ativação do complemento e resultados da ativação. (Adaptada de Tortora, Funke, and Case, Microbiology: An
Introduction, Eleventh Edition, Figure 16.9, Pearson Benjamin­Cummings, 2013.)
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter19.html#ch19fig12
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter16.html#ch16fig9
Quando ativadas, as proteínas do complemento aprimoram a fagocitose, a citólise e a inflamação.
Qual via para a ativação do complemento envolve anticorpos? Explique por quê.
C3  pode  ser  ativado  em  três  vias:  (1)  A  via  clássica  é  iniciada  quando  os  anticorpos  se  ligam  a  antígenos
(microrganismos). O complexo antígeno­anticorpo se liga e ativa C1. Por fim, C3 é ativado e fragmentos de C3 iniciam a
fagocitose,  a  citólise  e  a  inflamação.  (2)  A  via  alternativa  não  envolve  anticorpos.  É  iniciada  por  uma  interação  de
complexos  lipídio­carboidrato  na  superfície  dos microrganismos  e  fatores  de  proteínas  do  complemento  B, D  e  P.  Esta
interação  ativa  C3.  (3)  Na  via  da  lectina,  macrófagos  que  digerem  microrganismos  liberam  substâncias  químicas  que
fazem com que o fígado produza proteínas denominadas  lectinas. As lectinas ligam­se aos carboidratos na superfície dos
microrganismos, por fim causando a ativação de C3.
Uma  vez  que  o  complemento  é  ativado,  proteínas  no  sangue  e  nas  células  do  corpo,  como  as  células  sanguíneas,
clivam  o  C3  ativado.  Deste  modo,  suas  capacidades  destrutivas  cessam  muito  rapidamente,  de  modo  que  os  danos  às
células do corpo são minimizados.
Memória imunológica
Uma característica das  respostas  imunes é a memória para antígenos específicos que desencadearam respostas  imunes no
passado. A memória  imunológica  é  decorrente  da  presença  de  anticorpos  de  longa  duração  e  linfócitos  de muito  longa
duração que surgem durante a seleção clonal de linfócitos B e linfócitos T estimulados por antígenos.
As  respostas  imunes,  quer  celular  ou  humoral,  são  muito  mais  rápidas  e  mais  intensas  após  uma  segunda  ou
subsequente  exposição  a  um  antígeno  que  após  a  primeira  exposição.  Inicialmente,  apenas  algumas  células  têm  a
especificidade correta para responder, e pode levar vários dias até que a resposta imune chegue à sua intensidade máxima.
Como  existem milhares  de  células  de memória  após  um  contato  inicial  com  um  antígeno,  a  próxima  vez  que  o mesmo
antígeno aparecer, elas podem proliferar e se diferenciar em linfócitos T auxiliares, linfócitos T citotóxicos ou plasmócitos
em algumas horas.
Figura 22.21 Produção de anticorpos nas respostas primária e secundária a um determinado antígeno.
19.
20.
21.
22.
22.7
•
A memória imunológica é a base para o sucesso da imunização por vacinação.
De acordo com esse gráfico, quanto mais IgG está circulando no sangue na resposta secundária em
comparação com a resposta primária? (Dica: observe que cada marca no título de anticorpos representa
um aumento de 10 vezes.)
Uma medida da memória  imunológica  é  o  título  de  anticorpos,  a  concentração de  anticorpo no  soro. Depois  de  um
contato inicial com um antígeno, não há anticorpos presentes por um período de vários dias. Em seguida, ocorre um lento
aumento no título de anticorpos, primeiro de IgM e então de IgG, seguido por um declínio gradual no título de anticorpos
(Figura 22.21). Esta é a resposta primária.
As  células  de memória  podem permanecer  por  décadas. Cada  novo  contato  com o mesmo  antígeno  resulta  em uma
rápida proliferação das células de memória. Depois de contatos subsequentes, o título de anticorposé muito maior do que
durante  uma  resposta  primária  e  consiste  principalmente  em  anticorpos  IgG.  Esta  resposta  acelerada,  mais  intensa,  é
chamada de resposta secundária. Os anticorpos produzidos durante a  resposta  secundária  tem uma afinidade ainda mais
elevada  ao  antígeno  do  que  aqueles  produzidos  durante  a  resposta  primária  e,  portanto,  são  mais  bem­sucedidos  na
eliminação do mesmo.
As  respostas  primárias  e  secundárias  ocorrem  durante  a  infecção  microbiana.  Quando  você  se  recupera  de  uma
infecção  sem  tomar  medicamentos  antimicrobianos,  geralmente  é  por  causa  da  resposta  primária.  Se  o  mesmo
microrganismo o infecta mais tarde, a resposta secundária pode ser tão rápida que os microrganismos são destruídos antes
que você manifeste quaisquer sinais ou sintomas de infecção.
A memória imunológica fornece a base para a imunização da vacinação contra determinadas doenças (p. ex., contra a
poliomielite). Quando você recebe a vacina, que pode conter microrganismos atenuados ou microrganismos inteiros mortos
ou  parte  deles,  os  linfócitos B  e  linfócitos T  são  ativados.  Se  você  posteriormente  encontrar  o  patógeno  vivo  como um
microrganismo infectante, seu corpo inicia uma resposta secundária.
A Tabela 22.4 resume as várias maneiras de adquirir a imunidade adaptativa.
 TESTE RÁPIDO
Qual a diferença entre as cinco classes de anticorpos em relação a estrutura e função?
Quais são as semelhanças e diferenças entre as respostas imunes celular e humoral?
De que modo o sistema complemento aprimora a resposta imune humoral?
Qual é a diferença entre a resposta secundária e a resposta primária a um antígeno?
Autorreconhecimento e autotolerância
 OBJETIVO
Descrever como desenvolver o autorreconhecimento e a autotolerância.
Para  funcionar  adequadamente,  os  linfócitos T  devem  ter  duas  características:  (1)  eles  devem  ser  capazes  de  reconhecer
suas  próprias  proteínas  do  complexo  principal  de  histocompatibilidade  (MHC),  um  processo  conhecido  como
autorreconhecimento,  e  (2)  devem  não  reagir  a  fragmentos  peptídicos  de  suas  próprias  proteínas,  uma  condição
conhecida como autotolerância (Figura 22.22). Os  linfócitos B também exibem autotolerância. A perda da autotolerância
leva ao desenvolvimento de doenças autoimunes (ver Distúrbios | Desequilíbrios homeostáticos no final do capítulo).
TABELA 22.4 Maneiras de adquirir a imunidade adaptativa.
MÉTODO DESCRIÇÃO
Imunidade ativa
adquirida naturalmente
Depois da exposição a um microrganismo, o reconhecimento do antígeno pelos linfócitos B e linfócitos T e a coestimulação levam à
formação de plasmócitos secretores de anticorpos, linfócitos T citotóxicos e linfócitos T e B de memória.
Imunidade passiva
adquirida naturalmente
Anticorpos IgG são transferidos da mãe para o feto por meio da placenta, ou anticorpos IgA são transferidos da mãe para o lactente
por meio do leite materno durante a amamentação.
Imunidade ativa
adquirida arti cialmente
Antígenos introduzidos durante a vacinação estimulam as respostas imunes humoral e celular, levando à produção de células de
memória. Os antígenos são pré-tratados para serem imunogênicos, mas não patogênicos (desencadearão resposta imune, mas não
causarão doença grave).
Imunidade passiva
adquirida arti cialmente
Injeção intravenosa de imunoglobulinas (anticorpos).
Figura 22.22 Desenvolvimento do autorreconhecimento e da autotolerância. MHC = complexo principal de histocompatibilidade;
TCR = receptor dos linfócitos T.
A seleção positiva possibilita o reconhecimento das proteínas de seu próprio MHC; a seleção negativa fornece a
autotolerância de seus próprios peptídios e outros autoantígenos.
Como a deleção difere da anergia?
Os linfócitos pré­T no  timo desenvolvem a capacidade de autoreconhecimento via seleção positiva  (Figura 22.22A).
Neste processo, algumas células pré­T expressam receptores de linfócitos T (TCR) que interagem com as proteínas de seu
próprio MHC nas células epiteliais no córtex do timo. Por causa desta interação, os linfócitos T podem reconhecer a parte
MHC de um complexo antígeno­MHC. Estes  linfócitos T sobrevivem. Outros  linfócitos T  imaturos que não conseguem
interagir com as células epiteliais do timo não são capazes de reconhecer as proteínas de seu próprio MHC. Estas células
sofrem apoptose.
O desenvolvimento da autotolerância ocorre por um processo de erradicação chamado de seleção negativa, em que os
linfócitos T interagem com células dendríticas localizadas na junção entre o córtex e a medula no timo. Neste processo, os
linfócitos  T  com  receptores  que  reconhecem  fragmentos  de  seus  próprios  peptídios  ou  outros  antígenos  próprios  são
eliminados ou  inativados  (Figura 22.22A). Os  linfócitos  T  selecionados  para  sobreviver  não  respondem  a  seus  próprios
antígenos,  os  fragmentos de moléculas que  existem normalmente no  corpo. A  seleção negativa ocorre  tanto por meio da
deleção  quanto  da  anergia.  Na  deleção,  os  linfócitos  T  autorreativos  sofrem  apoptose  e  morrem;  na  anergia,  eles
permanecem  vivos,  mas  não  respondem  à  estimulação  antigênica.  Apenas  1  a  5%  dos  linfócitos  T  imaturos  do  timo
recebem os sinais adequados para sobreviver à apoptose durante as seleções positiva e negativa e emergem como linfócitos
T imunocompetentes, maduros.
Quando os linfócitos T emergem do timo, podem ainda encontrar uma autoproteína desconhecida; nestes casos, podem
também  se  tornar­se  anérgicos  se  não  houver  coestimulador  (Figura  22.22B).  A  deleção  dos  linfócitos  T  autorreativos
também pode ocorrer depois de eles deixarem o timo.
Os  linfócitos  B  também  desenvolvem  tolerância  por  meio  da  deleção  e  anergia  (Figura  22.22C).  Enquanto  os
linfócitos B estão se desenvolvendo na medula óssea, estas células que apresentam receptores de antígeno que reconhecem
autoantígenos comuns (como proteínas do MHC ou antígenos dos grupos sanguíneos) são deletadas. Quando os linfócitos
B  são  liberados  no  sangue,  no  entanto,  a  anergia  parece  ser  o  principal  mecanismo  para  evitar  que  respondam  às  suas
próprias proteínas. Quando os linfócitos B encontram um antígeno não associado a uma célula apresentadora de antígeno, o
23.
22.8
•
sinal de coestimulação necessário muitas vezes está ausente. Neste caso, é provável que o linfócito B se torne anérgico, em
vez de ativado.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Imunologia do câncer
Embora o sistema imunológico responda às células cancerígenas, frequentemente a imunidade fornece proteção inadequada, como evidenciado pelo número de
pessoas que morre de câncer a cada ano. Uma quantidade considerável de pesquisas foca na imunologia do câncer, o estudo de modos de usar as respostas imunes
para a detecção, monitoramento e tratamento do câncer. Por exemplo, alguns tumores do colo liberam o antígeno carcinoembrionário (ACE) no sangue, e as células do
câncer de próstata liberam o antígeno prostático especí co (PSA). Detectar esses antígenos no sangue não fornece o diagnóstico de nitivo de câncer, porque ambos os
antígenos são também liberados em determinadas condições não cancerosas. No entanto, níveis séricos elevados de antígenos relacionados com o câncer muitas
vezes indicam a existência de um tumor maligno.
Encontrar maneiras de induzir nosso sistema imunológico a elaborar ataques potentes contra células cancerígenas tem sido uma meta distante. Muitas técnicas
diferentes foram tentadas, com sucesso apenas modesto. Em um método, removem-se linfócitos inativos de uma amostra de sangue, que são cultivados com IL-2. As
células exterminadoras ativadas por linfocina (LAK) resultantes são então transfundidas de volta para o sangue do paciente. Embora as células LAK tenham produzido
uma melhora drástica em alguns casos, a maioria dos pacientes apresenta complicações graves. Em outro método, os linfócitos coletados de uma pequena amostra
de biopsia de um tumor são cultivados com interleucina-2.Após a sua proliferação em cultura, estes linfócitos in ltrantes de tumor (TIL) são reinjetados.
Aproximadamente um quarto dos pacientes com melanoma maligno e carcinoma de célula renal que receberam tratamento com TIL apresentaram melhora
signi cativa. Os muitos estudos atualmente em andamento justi cam a esperança de que os métodos de base imunológica acabarão por levar à cura para o câncer.
A Tabela 22.5 resume as atividades das células envolvidas nas respostas imunes adaptativas.
 TESTE RÁPIDO
O que a seleção positiva, a seleção negativa e a anergia realizam?
Estresse e imunidade
 OBJETIVO
Descrever os efeitos do estresse sobre a imunidade.
A área da psiconeuroimunologia (PNI)  lida com as vias de comunicação que conectam os sistemas nervoso, endócrino e
imunológico.  As  pesquisas  em  PNI  parecem  justificar  o  que  as  pessoas  têm  observado:  os  pensamentos,  sentimentos,
humor e crenças influenciam o nível de saúde e a evolução da doença. Por exemplo, o cortisol, um hormônio secretado pelo
córtex da glândula suprarrenal em associação à resposta ao estresse, inibe a atividade do sistema imune.
TABELA 22.5 Resumo das funções das células envolvidas nas respostas imunes adaptativas.
CÉLULA FUNÇÕES
CÉLULAS APRESENTADORAS DE ANTÍGENO (CAA)
Macrófago Processar e apresentar antígenos estranhos aos linfócitos T; secretar interleucina-1, que estimula a liberação de interleucina-2 pelos
linfócitos T auxiliares e induz à proliferação de linfócitos B; secretar interferonas que estimulam o crescimento de linfócitos T.
Células dendríticas Processar e apresentar antígenos aos linfócitos T e linfócitos B; encontradas nas túnicas mucosas, na pele, nos linfonodos.
Linfócito B Processar e apresentar antígenos aos linfócitos T auxiliares.
LINFÓCITOS
Linfócito T citotóxico Matar as células-alvo do hospedeiro ao liberar granzimas que induzem apoptose, perforina que forma canais para causar citólise,
24.
22.9
•
granulisina que destrói microrganismos, linfotoxina que destrói o DNA da célula-alvo, interferona gama que atrai macrófagos e
aumenta sua atividade fagocitária, e fator inibidor da migração de macrófagos que impede a migração de macrófagos do local da
infecção.
Linfócito T auxiliar Cooperar com os linfócitos B para aumentar a produção de anticorpos pelos plasmócitos e secretar IL-2, que estimula a proliferação
de linfócitos T e linfócitos B. É capaz de secretar IFN gama e fator de necrose tumoral (TNF), que estimulam a resposta in amatória.
Linfócito T de memória Permanecer no tecido linfático e reconhecer os antígenos invasores originais, mesmo depois de anos após o primeiro contato.
Linfócito B Diferenciar-se em plasmócitos produtores de anticorpos.
Plasmócito Origina-se do linfócito B, que produz e secreta anticorpos.
Linfócito B de memória Origina-se do linfócito B, que permanece após a resposta imune e está pronto para responder rapidamente e com força se o mesmo
antígeno entrar no corpo no futuro.
Se  você  quiser  observar  a  relação  entre  o  estilo  de  vida  e  a  função  imunológica,  visite  um  campus  universitário.
Conforme  transcorre  o  semestre  e  a  carga  de  trabalho  se  acumula,  um  número  cada  vez  maior  de  estudantes  pode  ser
encontrada nas salas de espera dos serviços de atendimento à saúde do aluno. Quando o trabalho e o estresse se acumulam,
os  hábitos  de  saúde  podem  mudar.  Muitas  pessoas  fumam  ou  consomem  mais  etanol  quando  estão  estressadas,  dois
hábitos  prejudiciais  à  função  imune  ideal.  Sob  estresse,  as  pessoas  são menos  propensas  a  comer  bem  e  a  se  exercitar
regularmente, dois hábitos que melhoram a imunidade.
Pessoas resistentes aos efeitos negativos do estresse sobre a saúde são mais propensas a experimentar uma sensação
de controle sobre o futuro, um comprometimento com o seu trabalho, expectativas de desfechos globalmente positivos para
si mesmos, e sentimentos de apoio social. Para aumentar a sua resistência ao estresse, cultive uma visão otimista, envolva­
se em seu trabalho e construa boas relações com os outros.
O sono adequado e o relaxamento são especialmente importantes para um sistema imunológico saudável. Mas quando
não há horas suficientes no dia, você pode ser  tentado a  roubar um pouco da noite. Embora dormir menos possa  lhe dar
algumas horas a mais de tempo produtivo a curto prazo, a longo prazo você acaba andando para trás, especialmente se ficar
doente o mantiver fora do jogo por vários dias, atrapalhar a sua concentração e bloquear a sua criatividade.
Mesmo  que  você  tire  um  tempo  para  dormir  8  h  por  noite,  o  estresse  pode  causar  insônia.  Se  você  se  pegar  se
remexendo  e  virando  na  cama  à  noite,  é  hora  de  melhorar  as  suas  habilidades  de  manejo  do  estresse  e  relaxamento!
Certifique­se de relaxar das atividades do dia antes de ir para a cama.
 TESTE RÁPIDO
Alguma vez você já observou uma ligação entre o estresse e a doença em sua vida?
Envelhecimento e sistema imunológico
 OBJETIVO
Descrever os efeitos do envelhecimento sobre o sistema imunológico.
Com  o  avanço  da  idade,  a  maior  parte  das  pessoas  se  torna  mais  suscetível  a  todos  os  tipos  de  infecções  e  doenças
malignas.  Sua  resposta  a  vacinas  é  reduzida,  e  o  indivíduo  tende  a  produzir  mais  autoanticorpos  (anticorpos  contra
moléculas  de  seu  próprio  organismo). Além  disso,  o  sistema  imune  exibe  níveis  reduzidos  de  função.  Por  exemplo,  os
linfócitos T se tornam menos responsivos aos antígenos, e poucos linfócitos T respondem a infecções. Isto pode resultar
da atrofia do timo relacionada com a idade ou da diminuição da produção de hormônios pelo timo. Como a população de
linfócitos T diminui com a idade, os linfócitos B também são menos responsivos. Por conseguinte, os níveis de anticorpos
não  aumentam  mais  rapidamente  quando  desafiados  por  um  antígeno,  resultando  em  um  aumento  na  suscetibilidade  a
infecções  diversas.  É  por  esta  razão  fundamental  que  os  idosos  são  incentivados  a  vacinar­se  contra  a  influenza  (gripe)
anualmente.
25.
 TESTE RÁPIDO
Como os linfócitos T são afetados pelo envelhecimento?
• • •
Para  analisar  as muitas maneiras  que  o  sistema  linfático  contribui  para  a  homeostasia  de  outros  sistemas  do  corpo,
veja Foco na homeostasia | Contribuições do sistema linfático e da imunidade.
Em  seguida,  no  Capítulo  23,  iremos  explorar  a  estrutura  e  função  do  sistema  respiratório  e  ver  como  o  seu
funcionamento é regulado pelo sistema nervoso. Mais  importante ainda, o sistema respiratório fornece a  troca de gases –
inspira  oxigênio  e  expira  dióxido  de  carbono. O  sistema  circulatório  auxilia  nas  trocas  gasosas  ao  transportar  o  sangue
contendo esses gases entre os pulmões e as células teciduais.
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter23.html
 DISTÚRBIOS | DESEQUILÍBRIOS HOMEOSTÁTICOS
AIDS | Síndrome da imunodeficiência adquirida
A  síndrome  da  imunodeficiência  adquirida  (AIDS)  é  uma  condição  na  qual  uma  pessoa  apresenta  infecções
decorrentes da destruição progressiva das células do sistema imune pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).
A  AIDS  representa  o  estágio  final  da  infecção  pelo  HIV.  Uma  pessoa  infectada  pelo  HIV  pode  permanecer
assintomática durante muitos anos, mesmo enquanto o vírus está ativamente atacando o sistema  imune. Nas duas
décadas após a notificação dos primeiros cinco casos em 1981, 22 milhões de pessoas morreram de AIDS. Em todo
o mundo, 35 a 40 milhões de pessoas estão atualmente infectadas pelo HIV.
Transmissão do HIV
Como o HIV é encontrado no sangue e em alguns  líquidos corporais, é mais eficazmente  transmitido por ações ou
práticas que envolvem a troca de sangue ou líquidos corporais entre as pessoas. O HIV é transmitido pelo sêmen ou
líquido  vaginal  durante  a  relação  sexual  anal,  vaginal  ou  oral  desprotegida  (sem  preservativo).O  HIV  também  é
transmitido  pelo  contato  direto  de  sangue  com  sangue,  como  ocorre  entre  os  usuários  de  drogas  intravenosas  que
compartilham  agulhas  hipodérmicas  ou  profissionais  de  saúde  que  são  feridos  por  agulhas  hipodérmicas
contaminadas  pelo  HIV.  Além  disso,  o  HIV  pode  ser  transmitido  de  uma mãe  infectada  com  o  HIV  para  seu  feto
durante o parto ou durante a amamentação.
A chance de  transmitir ou ser  infectado pelo HIV durante uma relação sexual vaginal ou anal pode ser bastante
reduzida,  embora  não  totalmente  eliminada,  pela  utilização  de  preservativos  de  látex.  Programas  de  saúde  pública
que  visam  incentivar  os  usuários  de  drogas  a  não  compartilhar  agulhas  têm  se  revelado  efetivos  no  controle  do
aumento  de  novas  infecções  pelo  HIV  nessa  população.  Além  disso,  administrar  determinados  medicamentos  a
gestantes infectadas pelo HIV reduz muito o risco de transmissão do vírus.
O  HIV  é  muito  frágil;  não  consegue  sobreviver  durante  muito  tempo  fora  do  corpo  humano.  O  vírus  não  é
transmitido por picadas de  insetos. Uma pessoa não pode ser  infectada pelo contato  físico casual com uma pessoa
infectada pelo HIV, como ao abraçar ou compartilhar objetos de uso doméstico. O vírus pode ser eliminado dos itens
de  higiene  pessoal  e  de  equipamentos  médicos  expondo­os  ao  calor  (57°C  por  10  min)  ou  ao  limpá­los  com
desinfetantes  comuns,  como  peróxido  de  hidrogênio,  álcool,  água  sanitária  doméstica  ou  produtos  de  limpeza
germicidas, como iodo­povidona ou clorexidina. As lava­louças e lavadoras de roupa convencionais também matam o
HIV.
Figura 22.23 Vírus da imunodeficiência humana (HIV), o agente causal da AIDS.
O HIV é transmitido mais efetivamente por práticas que envolvam a troca de líquidos corporais.
Quais células do sistema imune são atacadas pelo HIV?
HIV | Estrutura e infecção
O HIV consiste em um cerne interno de ácido ribonucleico (RNA) coberto por um revestimento proteico (capsídio). O
HIV é classificado como retrovírus, porque suas informações genéticas são transportadas pelo RNA em vez de pelo
DNA. Em  torno  do  capsídio  do HIV  existe  um envelope  composto  por  uma  bicamada  lipídica  que  é  penetrada  por
glicoproteínas (Figura 22.23).
Fora de uma célula de um hospedeiro vivo, o vírus não consegue se replicar. No entanto, quando o HIV infecta e
entra em uma célula hospedeira, utiliza as enzimas e os ribossomos dessa célula hospedeira para  fazer milhares de
1.
2.
3.
cópias  do  vírus. Os  novos  vírus  por  fim  saem e  então  infectam outras  células.  A  infecção  pelo HIV  de  uma  célula
hospedeira  começa  com  a  ligação  de  glicoproteínas  de  HIV  a  receptores  na  membrana  plasmática  da  célula
hospedeira.  Isto  faz  com  que  a  célula  transporte  o  vírus  em  seu  citoplasma  por  meio  da  endocitose  mediada  por
receptor.  Uma  vez  dentro  da  célula  hospedeira,  o  HIV  descarta  seu  revestimento  proteico,  e  uma  enzima  viral
chamada  transcriptase reversa  lê a cadeia de RNA viral e  faz uma cópia de DNA. A cópia do DNA viral então se
integra ao DNA da célula hospedeira. Assim, o DNA viral é duplicado  juntamente com o DNA da célula hospedeira
durante a divisão celular normal. Além disso, o DNA viral  faz com que a célula  infectada comece a produzir milhões
de cópias de RNA viral e “monte” novos revestimentos proteicos para cada cópia. As novas cópias de HIV brotam da
membrana plasmática da célula e circulam no sangue para infectar outras células.
O HIV danifica principalmente linfócitos T auxiliares, e o faz de diversas maneiras. Mais de 10 milhões de cópias
virais  podem  ser  produzidas  a  cada  dia. Os  vírus  brotam  tão  rapidamente  da membrana  plasmática  de  uma  célula
infectada que por fim ocorre a lise celular. Além disso, as defesas do corpo atacam as células infectadas matando­as,
mas não matam todos os vírus que elas abrigam. Na maior parte dos  indivíduos  infectados pelo HIV, os  linfócitos T
auxiliares são inicialmente substituídos tão rapidamente quanto são destruídos. Depois de vários anos, no entanto, a
capacidade do organismo de substituir os linfócitos T auxiliares é lentamente esgotada, e a contagem de linfócitos T
auxiliares em circulação diminui progressivamente.
Sinais, sintomas e diagnóstico da infecção pelo HIV
Logo depois  de  ser  infectada pelo HIV,  a maior  parte das pessoas apresenta uma breve doença gripal. Os  sinais  e
sintomas mais  comuns  são  febre,  fadiga,  erupções  cutâneas,  cefaleia,  artralgia,  dor  de  garganta  e  linfadenopatia.
Aproximadamente 50% das pessoas infectadas também apresentam sudorese noturna. Tão precocemente quanto 3 a
4 semanas após a  infecção pelo HIV, os plasmócitos começam a secretar anticorpos contra o HIV. Estes anticorpos
são detectáveis  no plasma sanguíneo e  formam a base para alguns dos  testes de  rastreamento do HIV. Quando o
indivíduo é “HIV­positivo”,  isso geralmente significa que ele tem anticorpos contra antígenos do HIV em sua corrente
sanguínea.
Progressão para AIDS
Depois  de  um  período  de  2  a  10  anos,  o  HIV  destrói  tantos  linfócitos  T  auxiliares  que  a maior  parte  das  pessoas
infectadas  comece  a  apresentar  sinais/sintomas  da  imunodeficiência.  Pessoas  infectadas  pelo HIV  geralmente  têm
linfadenopatia  e  apresentam  fadiga  persistente,  perda  ponderal  involuntária,  sudorese  noturna,  erupções  cutâneas,
diarreia e várias lesões na boca e gengivas. Além disso, o vírus pode começar a infectar neurônios no encéfalo, o que
afeta a memória da pessoa e leva a distúrbios visuais.
Dado que o sistema  imune entra em colapso  lentamente, uma pessoa  infectada com HIV se  torna suscetível a
várias  infecções  oportunistas.  Estas  são  doenças  provocadas  por  microrganismos  que  normalmente  são  mantidos
controlados,  mas  que  agora  proliferam  por  causa  do  sistema  imune  deficiente.  A  AIDS  é  diagnosticada  quando  a
contagem de  linfócitos T auxiliares cai abaixo de 200 por microlitro (= mm3) de sangue ou quando surgem infecções
oportunistas, o que ocorrer primeiro. Com o tempo, as infecções oportunistas costumam ser a causa da morte.
Tratamento da infecção pelo HIV
Atualmente, a infecção pelo HIV não pode ser curada. As vacinas concebidas para bloquear novas infecções pelo HIV
e para  reduzir a carga viral  (o número de cópias de RNA de HIV em 1 microlitro de plasma sanguíneo) naqueles  já
infectados  estão  em  fase  de  ensaios  clínicos.  Enquanto  isso,  três  classes  de  medicamentos  têm  tido  êxito  em
prolongar a vida de muitas pessoas infectadas pelo HIV:
Os inibidores da transcriptase reversa interferem na ação da transcriptase reversa, a enzima que o vírus utiliza
para  converter  o  seu  RNA  em  cópia  de  DNA.  Entre  os  fármacos  nesta  categoria  estão  a  zidovudina  (ZDV,
anteriormente  chamada  de AZT),  a  didanosina  (DDI)  e  a  estavudina. O  Trizivir®,  aprovado  pela  FDA  em  2000
para o  tratamento da  infecção pelo HIV, combina  três  inibidores da  transcriptase reversa (abacavir,  lamivudina e
zidovudina) em um único comprimido.
Os inibidores da integrase bloqueiam a enzima integrase, que insere a cópia de DNA do HIV no DNA da célula
hospedeira. O fármaco raltegravir é um exemplo de um inibidor da integrase.
Os inibidores da protease  interferem na ação da protease, uma enzima viral que  fragmenta as proteínas para
“montar”  o  revestimento  proteico  de  partículas  de  HIV  recentemente  produzidas.  Os  fármacos  nesta  categoria
incluem o nelfinavir, o saquinavir, o ritonavir e o indinavir.
Para  os  pacientes  infectados  pelo  HIV  é  preconizada  a  terapia  antirretroviral  altamente  ativa  (HAART)  –  uma
combinação de três ou mais agentes antirretrovirais de pelo menos duas classes de fármacos inibidores que agem de
modos  diferentes.  A  maior  parte  dos  indivíduos  infectados  pelo  HIV  que  recebeu  HAART  apresenta  umaredução
drástica  na  carga  viral  e  aumento  da  contagem  de  linfócitos  T  auxiliares  no  sangue.  A  HAART  não  só  retarda  a
progressão  da  infecção  pelo  HIV  para  AIDS  como  muitos  indivíduos  com  AIDS  têm  visto  a  remissão  ou  o
desaparecimento  de  infecções  oportunistas  e  um  aparente  regresso  à  saúde.  Infelizmente,  a  HAART  é muito  cara
(mais  de US$10 mil  por  ano),*  o  esquema de  administração  é  cansativo,  e  nem  todas  as  pessoas  são  capazes  de
tolerar os tóxicos efeitos colaterais destes fármacos. Embora o HIV possa virtualmente desaparecer do sangue com o
tratamento  farmacológico  (e,  portanto,  um  teste  de  sangue  pode  ser  “negativo”  para  HIV),  o  vírus  tipicamente  se
“esconde”  em  vários  tecidos  linfáticos.  Nestes  casos,  a  pessoa  infectada  ainda  pode  transmitir  o  vírus  para  outra
pessoa.
Reações alérgicas
Uma pessoa que é excessivamente  reativa a uma substância que é  tolerada pela maior parte das outras pessoas é
dita alérgica ou hipersensível. Sempre que uma reação alérgica ocorre, há alguma lesão tecidual. Os antígenos que
induzem a  uma  reação  alérgica  são  chamados alergênios. Os  alergênios  comuns  incluem determinados  alimentos
(leite,  amendoim,  mariscos,  ovos),  antibióticos  (penicilina,  tetraciclina),  vacinas  (coqueluche,  febre  tifoide),  toxinas
(abelha,  vespa,  cobra),  cosméticos,  produtos  químicos  em  plantas  como  hera  venenosa,  pólens,  poeira,  mofo,
corantes contendo iodo utilizados em determinados processos radiográficos e até mesmo microrganismos.
Existem quatro  tipos básicos de reações de hipersensibilidade:  tipo  I  (anafiláticas),  tipo  II  (citotóxicas),  tipo  III
(complexo  imune) e do  tipo  IV  (celular). Os  três primeiros são  respostas  imunes humorais; o último é uma  resposta
imune celular.
As  reações  do  tipo  I  (anafiláticas)  são  as  mais  comuns  e  ocorrem  alguns  minutos  depois  que  uma  pessoa
sensível  a  um alergênio  é  novamente  exposta  a  ele. Em  resposta  à  primeira  exposição a  determinados alergênios,
algumas pessoas produzem anticorpos IgE que se ligam à superfície de mastócitos e basófilos. A próxima vez que o
mesmo alergênio entra no corpo, conecta­se aos anticorpos IgE já presentes. Em resposta, os mastócitos e basófilos
liberam histamina,  prostaglandinas,  leucotrienos  e  cininas. Coletivamente,  estes mediadores  causam  vasodilatação,
aumento  da  permeabilidade  capilar,  aumento  da  contração  do  músculo  liso  das  vias  respiratórias  pulmonares  e
aumento da secreção de muco. Como resultado, a pessoa apresenta respostas inflamatórias, dificuldade para respirar
pelas  vias  respiratórias  contraídas  e  coriza  pelo  excesso  de  secreção  de muco.  No  choque anafilático,  que  pode
ocorrer em um indivíduo suscetível que acaba de receber um fármaco desencadeante ou ser picado por uma vespa,
os  sibilos  e  a  dispneia  conforme  as  vias  respiratórias  se  contraem  geralmente  são  acompanhados  por  choque
decorrente  da  vasodilatação  e  perda  de  líquido  do  sangue.  Esta  emergência  potencialmente  fatal  geralmente  é
tratada pela injeção de epinefrina para dilatar as vias respiratórias e fortalecer a contração cardíaca.
As  reações  do  tipo  II  (citotóxicas)  são  causadas  por  anticorpos  (IgG  ou  IgM)  dirigidos  contra  antígenos  nas
células do sangue de uma pessoa (eritrócitos,  linfócitos ou plaquetas) ou células  teciduais. A reação de anticorpos e
antígenos normalmente  leva à ativação do  complemento. As  reações do  tipo  II,  que podem ocorrer  em  reações de
transfusão de sangue incompatível, danificam as células, causando sua lise.
As  reações  do  tipo  III  (complexos  imunes)  envolvem  antígenos,  anticorpos  (IgA  ou  IgM)  e  complemento.
Quando  ocorrem  determinadas  proporções  de  antígenos/anticorpos,  os  complexos  imunes  são  suficientemente
pequenos  para  escapar  da  fagocitose, mas  são  retidos  na membrana  basal  sob  o  endotélio  dos  vasos  sanguíneos,
onde  ativam  o  complemento  e  causam  inflamação.  A  glomerulonefrite  e  a  artrite  reumatoide  (AR)  surgem  deste
modo.
As reações do tipo IV  (celular) ou  reações de hipersensibilidade  tardia geralmente aparecem 12 a 72 h após a
exposição  a  um  alergênio.  As  reações  do  tipo  IV  ocorrem  quando  alergênios  são  captados  pelas  células
apresentadoras  de  antígeno  (como  macrófagos  intraepidérmicos  na  pele)  que  migram  para  os  linfonodos  e
apresentam o alergênio aos linfócitos T, que então proliferam. Alguns dos novos linfócitos T retornam para o sítio de
entrada do alergênio no corpo, onde produzem  interferona gama, que ativa macrófagos, e  fator de necrose  tumoral,
que estimula uma resposta inflamatória. Bactérias intracelulares como Mycobaterium tuberculosis desencadeiam este
tipo  de  resposta  imune  celular,  como  o  fazem  determinados  haptenos,  como  a  toxina  da  hera  venenosa.  O  teste
cutâneo para a tuberculose também é uma reação de hipersensibilidade tardia.
Doenças autoimunes
Em uma doença autoimune ou autoimunidade, o sistema imunológico não é capaz de exibir autotolerância e ataca
os próprios  tecidos da pessoa. As doenças autoimunes geralmente surgem no  início da  idade adulta e são comuns,
acometendo  aproximadamente  5%  dos  adultos  na  América  do  Norte  e  Europa.  As  mulheres  sofrem  de  doenças
autoimunes  em  frequência  duas  vezes maior  que  os  homens.  Lembre­se  de  que  os  linfócitos  B  autorreativos  e  os
linfócitos  T  normalmente  são  excluídos  ou  submetidos  a  anergia  durante  a  seleção  negativa  (ver  Figura  22.22).
Aparentemente,  este  processo  não  é  100%  efetivo.  Sob  a  influência  de  gatilhos  ambientais  desconhecidos  e
determinados  genes  que  tornam  algumas  pessoas  mais  suscetíveis,  a  autotolerância  falha,  levando  à  ativação  de
clones  autorreativos  dos  linfócitos  T  e  linfócitos  B.  Essas  células  então  produzem  respostas  imunes  celulares  ou
humorais contra seus próprios antígenos.
Vários  mecanismos  provocam  diferentes  doenças  autoimunes.  Algumas  envolvem  a  produção  de
autoanticorpos,  anticorpos  que  se  ligam  e  estimulam  ou  bloqueiam  seus  próprios  antígenos.  Por  exemplo,
autoanticorpos  que  mimetizam  a  tireotropina  são  encontrados  na  doença  de  Graves  e  estimulam  a  secreção  de
hormônios da  tireoide (produzindo assim o hipertireoidismo); autoanticorpos que se  ligam e bloqueiam os receptores
de acetilcolina causam a fraqueza muscular característica da miastenia gravis. Outras doenças autoimunes envolvem
a  ativação  de  linfócitos  T  citotóxicos  que  destroem  determinadas  células  do  corpo.  Exemplos  incluem  o  diabetes
melito  do  tipo  1,  em  que  linfócitos  T  atacam  as  células  beta  do  pâncreas  produtoras  de  insulina,  e  a  esclerose
múltipla (EM), em que os linfócitos T atacam as bainhas de mielina em torno dos axônios dos neurônios. A ativação
inapropriada dos linfócitos T auxiliares ou a produção excessiva de interferona gama também ocorre em determinadas
doenças autoimunes. Outras doenças autoimunes incluem artrite reumatoide (AR), lúpus eritematoso sistêmico (LES),
febre reumática, anemias hemolíticas e perniciosas, doença de Addison, tireoidite de Hashimoto e colite ulcerativa.
Os tratamentos para as várias doenças autoimunes incluem a remoção da glândula timo (timectomia), injeções de
interferona beta, fármacos imunossupressores e plasmaférese, em que o plasma sanguíneo da pessoa é filtrado para
remover os anticorpos e complexos antígeno­anticorpo.
Mononucleose infecciosa
A  mononucleose  infecciosa  é  uma  doença  contagiosa  causada  pelo  vírus  Epstein­Barr  (EBV).  Ocorre
principalmente em crianças e adultos jovens, e mais frequentemente em mulheres do que em homens. O vírus mais
comumente  entra  no  corpo  por meio  do  contato  oral  íntimo,  como  durante  o  beijo,  o  que  lhe  confere  o  seu  nome
popular:“doença do beijo”. O EBV então se multiplica nos tecidos linfáticos e é filtrado para o sangue, onde infecta e
se multiplica em linfócitos B, as células hospedeiras primárias. Por causa desta infecção, os linfócitos B tornam­se tão
aumentados  e  de  aspecto  anormal  que  se  assemelham  aos  monócitos,  a  principal  razão  para  o  termo
mononucleose.  Além  de  uma  contagem  de  leucócitos  elevada  com  uma  porcentagem  anormalmente  alta  de
linfócitos, os sinais e sintomas incluem fadiga, cefaleia, tontura, dor de garganta, linfadenopatia dolorosa e febre. Não
há cura para a mononucleose infecciosa, mas a doença geralmente cumpre o seu curso em algumas semanas.
Linfomas
Os  linfomas  são  cânceres  dos  órgãos  linfáticos,  especialmente  dos  linfonodos.  A  maior  parte  não  tem  causa
conhecida. Os dois tipos principais de linfomas são a doença de Hodgkin e o linfoma não Hodgkin.
A  doença  de  Hodgkin  (DH)  é  caracterizada  por  aumento  indolor  e  não  sensível  à  palpação  de  um  ou  mais
linfonodos, mais comumente no pescoço, tórax e axila. Se a doença é uma metástase destes locais, também podem
ocorrer febre, sudorese noturna, perda de peso e dor nos ossos. A DH afeta principalmente  indivíduos entre 15 e 35
anos e pessoas com mais de 60 anos, e é mais comum no sexo masculino. Se diagnosticada precocemente, a DH
tem uma taxa de cura de 90 a 95%.
O linfoma não Hodgkin (LNH), que é mais comum do que a DH, ocorre em todas as faixas etárias. A incidência
aumenta com a idade, a um máximo entre os 45 e 70 anos de idade. O LNH pode começar da mesma maneira que a
DH, mas  pode  incluir  também  esplenomegalia,  anemia  e mal­estar  geral.  Até metade  de  todos  os  indivíduos  com
LNH  são  curados  ou  sobrevivem  por  um  período  prolongado.  As  opções  para  a  DH  e  o  LNH  incluem  radioterapia,
quimioterapia e transplante de medula óssea.
Lúpus eritematoso sistêmico
O  lúpus eritematoso sistêmico (LES)  é uma doença crônica  inflamatória autoimune que afeta vários sistemas do
corpo. A doença é caracterizada por períodos de atividade e remissão da doença; os sinais/sintomas variam de leve a
potencialmente  fatais. O LES ocorre com mais  frequência entre os 15 e 44 anos de  idade e é 10 a 15 vezes mais
comum  em  mulheres  do  que  em  homens.  Também  é  2  a  3  vezes  mais  comum  em  afro­americanos,  hispânicos,
americanos de origem asiática e ameríndios do que em americanos de origem europeia. Embora a causa do LES não
seja  conhecida,  tanto uma predisposição genética para a doença quanto  fatores ambientais  (infecções,  antibióticos,
luz  ultravioleta,  estresse  e  hormônios)  podem  provocá­la.  Os  hormônios  sexuais  parecem  influenciar  o
desenvolvimento do LES. A doença frequentemente ocorre em mulheres que exibem níveis extremamente baixos de
androgênios.
Os sinais e sintomas do LES incluem artralgia, dor muscular, dor torácica à respiração profunda, cefaleia, dedos
das mãos ou dos pés pálidos ou roxos, disfunção renal, baixa contagem de células do sangue, disfunção de nervos ou
do encéfalo, febre baixa, fadiga, úlceras orais, perda de peso, inchaço nas pernas ou ao redor dos olhos, linfonodos e
baço aumentados,  fotossensibilidade, perda  rápida de grandes quantidades de cabelo e, às vezes, erupção cutânea
na ponte do nariz e bochechas “em asa de borboleta”. Acreditava­se que a natureza erosiva de algumas das lesões de
pele do LES se assemelhasse ao dano causado pela mordedura de um lobo – por isso o termo lúpus.
Duas características  imunológicas do LES são a ativação excessiva de  linfócitos B e a produção  inadequada de
autoanticorpos contra o DNA  (anticorpos anti­DNA) e outros componentes dos núcleos celulares, como as proteínas
histona. Acredita­se que os gatilhos de ativação dos  linfócitos B  incluam vários produtos químicos e medicamentos,
antígenos virais e bacterianos, e a exposição à luz solar. Os complexos de autoanticorpos anormais circulantes e seus
“antígenos” causam danos aos tecidos em todo o corpo. Danos aos rins ocorrem conforme os complexos ficam presos
na  membrana  basal  dos  capilares  renais,  obstruindo  a  filtragem  do  sangue.  A  insuficiência  renal  é  a  causa  mais
comum de morte.
Não há cura para o LES, mas o tratamento medicamentoso pode minimizar os sintomas, reduzir a  inflamação e
prevenir crises. Os medicamentos mais utilizados para o  lúpus são os analgésicos (anti­inflamatórios não esteroides,
como o ácido acetilsalicílico e o  ibuprofeno),  os antimaláricos  (hidroxicloroquina) e os  corticosteroides  (prednisona e
hidrocortisona).
Imunodeficiência combinada grave
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22.1
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A  imunodeficiência  combinada  grave  (ICG)  é  uma  doença  rara,  hereditária,  na  qual  tanto  linfócitos  B  quanto
linfócitos  T  estão  faltando  ou  inativos.  Os  cientistas  identificaram  agora  mutações  em  vários  genes  que  são
responsáveis por determinados tipos de ICG. Em alguns casos, uma infusão de células da medula óssea de um irmão
que tem antígenos MHC muito semelhantes (HLA) pode fornecer células­tronco normais que dão origem a linfócitos B
e T normais. O resultado pode ser uma cura completa. Menos de 30% dos pacientes acometidos, no entanto, têm um
irmão compatível que poderia servir como um doador. A doença, que ocorre com maior frequência no sexo masculino,
também é conhecida como doença do menino bolha, nome dado por David Vetter, que nasceu com a condição e vivia
atrás de barreiras de plástico para protegê­lo dos microrganismos. Ele morreu aos 12 anos em 1984. As chances de
uma  criança  nascer  com  ICG são de  aproximadamente  1  em 500 mil  e,  até  os  últimos  anos,  era  sempre  fatal. As
crianças  com  ICG  praticamente  não  têm  defesas  contra  microrganismos.  O  tratamento  consiste  em  controlar
quaisquer  infecções atuais,  reforçar a nutrição, o  transplante de medula óssea  (fornecer células­tronco para produzir
novos  linfócitos  B  e  T),  a  terapia  de  substituição  enzimática  (injeções  de  adenosina  desaminase  ligadas  ao
polietilenoglicol, ou PE­ADA), e  terapia gênica. Nesta  técnica, a abordagem mais comum é  inserir um gene normal
em um genoma para substituir um gene não funcional. O gene normal geralmente é carreado por um vírus. O gene
normal produziria então linfócitos B e T para fornecer imunidade suficiente.
TERMINOLOGIA TÉCNICA
Adenite. Linfonodos aumentados, dolorosos à palpação e inflamados em decorrência de uma infecção.
Autotransplante.  Transplante  em  que  o  próprio  tecido  do  indivíduo  é  enxertado  em  outra  parte  do  corpo  (como
enxertos de pele para tratamento de queimaduras ou cirurgia plástica).
Esplenomegalia. Aumento do baço.
Gamaglobulina. Suspensão de  imunoglobulinas do sangue que consiste em anticorpos que reagem a um patógeno
específico. É preparada pela  injeção do agente patogênico em animais,  remoção do sangue dos animais depois
de os anticorpos terem sido produzidos, isolamento dos anticorpos e injeção dos anticorpos em um humano para
fornecer imunidade a curto prazo.
Hiperesplenismo.  Atividade  anormal  do  baço  decorrente  da  esplenomegalia,  associada  a  aumento  da  taxa  de
destruição de células sanguíneas normais.
Linfadenopatia. Linfonodos aumentados e, às vezes dolorosos à palpação, em resposta a uma infecção.
Linfangite. Inflamação dos vasos linfáticos.
Linfedema. Acúmulo de linfa nos vasos linfáticos, causando tumefação indolor de um membro.
Síndrome  da  fadiga  crônica  (SFC).  O  distúrbio,  que  geralmente  ocorre  em  adultos  jovens  e  principalmente  em
mulheres,  é  caracterizado  por  (1)  fadiga  extrema  que  prejudica  as  atividades  normais  durante  pelo  menos  6
meses  e  (2)  ausência  de  outras  doenças  conhecidas  (câncer,  infecções,  uso  abusivo  de  drogas,  toxicidade  ou
transtornos psiquiátricos) que poderiam provocar sinais/sintomas semelhantes.
Transplante  autólogo.  Transplante  entre  indivíduos  geneticamente  distintos  de  uma  mesma  espécie.  Os
transplantesde pele de outras pessoas e as transfusões de sangue são autólogos.
Xenoenxerto. Transplante entre animais de espécies diferentes. Os xenoenxertos de tecido porcino ou tecido bovino
podem  ser  usados  em  seres  humanos  como  um  curativo  fisiológico  para  queimaduras  graves.  Outros
xenoenxertos incluem valvas cardíacas de suínos e babuínos.
REVISÃO DO CAPÍTULO
Conceitos essenciais
Introdução
A capacidade de evitar doenças é chamada de imunidade (resistência). A falta de resistência é chamada de suscetibilidade.
Os dois tipos gerais de imunidade são a (a) inata e a (b) adaptativa.
A imunidade inata se refere a uma ampla variedade de respostas do corpo a uma vasta gama de agentes patogênicos.
A imunidade adaptativa envolve a ativação de linfócitos específicos para combater uma dada substância estranha.
Estrutura e função do sistema linfático
O sistema linfático realiza respostas imunes e é composto por linfa, vasos linfáticos e estruturas e órgãos que contêm tecido
linfático  (tecido  especializado  contendo  muitos  linfócitos).  O  sistema  linfático  drena  o  líquido  intersticial,  transporta
lipídios da dieta e protege contra a invasão por meio das respostas imunes.
Os vasos linfáticos começam como capilares linfáticos de extremidades fechadas nos espaços teciduais entre as células. O
líquido intersticial drena para os capilares linfáticos, formando assim a linfa. Os capilares linfáticos se fundem para formar
vasos maiores, chamados vasos linfáticos, que transportam a linfa para dentro e para fora dos linfonodos.
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A via do fluxo da linfa é dos capilares linfáticos para os vasos linfáticos, para os troncos linfáticos, para o ducto torácico
(ducto linfático esquerdo) e ducto linfático direito, para as veias subclávias.
A linfa flui por causa das contrações musculares esqueléticas e movimentos respiratórios. As válvulas dos vasos linfáticos
também ajudam no fluxo da linfa.
Os órgãos  linfoides primários são medula óssea e o  timo. Os órgãos  linfáticos secundários são os  linfonodos, o baço e os
nódulos linfáticos.
O timo se situa entre o esterno e os grandes vasos sanguíneos acima do coração. É o local de maturação dos linfócitos T.
Os linfonodos são estruturas ovaladas encapsuladas localizadas ao longo dos vasos linfáticos. A linfa entra nos linfonodos
via vasos linfáticos aferentes, é filtrada e sai pelos vasos linfáticos aferentes. Os linfonodos são o local de proliferação dos
linfócitos B e T.
O baço é a maior massa única de tecido linfático do corpo. No baço, os linfócitos B e linfócitos T desempenham funções
imunes e os macrófagos destroem patógenos transportados pelo sangue e eritrócitos envelhecidos por fagocitose.
Os linfonodos estão espalhados por toda a túnica mucosa dos sistemas digestório, respiratório, urinário e genital. Este tecido
linfático é denominado tecido linfoide associado à mucosa (MALT).
Desenvolvimento dos tecidos linfáticos
Os  vasos  linfáticos  se  desenvolvem  a  partir  dos  sacos  linfáticos,  que  surgem  de  veias  em  desenvolvimento. Assim,  são
derivados da mesoderme.
Os linfonodos se desenvolvem a partir dos sacos linfáticos, que são invadidos por células mesenquimais.
Imunidade inata
A imunidade inata inclui fatores físicos, fatores químicos, proteínas antimicrobianas, células NK, fagócitos, inflamação e
febre.
A pele e as túnicas mucosas são a primeira linha de defesa contra a entrada de agentes patogênicos.
As  substâncias  antimicrobianas  incluem  as  interferonas,  o  sistema  complemento,  as  proteínas  de  ligação  ao  ferro  e  as
proteínas antimicrobianas.
As células NK e os fagócitos atacam e matam patógenos e células defeituosas do corpo.
A inflamação ajuda na eliminação de microrganismos, toxinas ou material estranho no local de uma lesão, e prepara o local
para a reparação tecidual.
A febre intensifica os efeitos antivirais das interferonas, inibe o crescimento de alguns microrganismos e acelera a reação do
corpo que auxilia no reparo.
A Tabela 22.1 resume as defesas inatas.
Imunidade adaptativa
A imunidade adaptativa envolve linfócitos chamados linfócitos B e linfócitos T. Os linfócitos B e T surgem das células­
tronco na medula óssea. Os linfócitos B amadurecem na medula óssea; os linfócitos T amadurecem na glândula timo.
Antes  de  os  linfócitos  B  deixarem  a  medula  óssea  ou  de  os  linfócitos  T  deixarem  o  timo,  eles  desenvolvem
imunocompetência,  a  capacidade  de  desempenhar  respostas  imunes  adaptativas.  Este  processo  envolve  a  inserção  de
receptores  de  antígeno  em  suas  membranas  plasmáticas.  Os  receptores  de  antígeno  são  moléculas  que  são  capazes  de
reconhecer antígenos específicos.
Dois tipos principais de linfócitos T maduros saem do timo: os linfócitos T auxiliares (também conhecidos como linfócitos
T CD4 positivos) e os linfócitos T citotóxicos (também chamados de linfócitos T CD8 positivos).
Existem dois  tipos de  imunidade adaptativa:  a  imunidade celular  e a  imunidade humoral. Na  resposta  imune celular, os
linfócitos  T  citotóxicos  atacam  diretamente  os  antígenos  invasores;  na  resposta  imune  humoral,  os  linfócitos  B
transformam­se em plasmócitos que secretam anticorpos.
A  seleção  clonal  é  o  processo pelo qual  um  linfócito  prolifera  e  se  diferencia  em  resposta  a  um antígeno  específico. O
resultado da seleção clonal é a formação de um clone de células que consegue reconhecer o mesmo antígeno específico que
o linfócito original.
Um linfócito que sofre seleção clonal dá origem a dois tipos principais de células no clone: as células efetoras e as células
de  memória.  As  células  efetoras  de  um  clone  de  linfócito  desempenham  respostas  imunes  que  acabam  destruindo  ou
inativando o antígeno. As células efetoras incluem os linfócitos T auxiliares ativos, os quais fazem parte de um clone de
linfócito  T  auxiliar;  os  linfócitos  T  citotóxicos  ativos,  que  fazem  parte  de  um  clone  de  linfócitos  T  citotóxicos;  e  os
plasmócitos, que são parte de um clone de linfócitos B. As células de memória de um clone de linfócitos não participam
ativamente da resposta imune inicial. No entanto, se o antígeno reaparece no corpo no futuro, as células de memória podem
responder rapidamente ao antígeno pela proliferação e diferenciação em mais células efetoras e mais células de memória.
As células de memória incluem os linfócitos T auxiliares de memória, que são parte de um clone de linfócito T auxiliar; os
linfócitos T citotóxicos de memória, que são parte de um clone de linfócitos T citotóxicos; e os linfócitos B de memória,
que são parte de um clone de linfócitos B.
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Os antígenos  (Ag)  são  substâncias químicas que  são  reconhecidas como estranhas pelo  sistema  imune. Os  receptores de
antígeno exibem grande diversidade, em decorrência da recombinação genética.
Os  “autoantígenos”,  chamados  de  antígenos  do  complexo  principal  de  histocompatibilidade  (MHC),  são  exclusivos  das
células  do  corpo  de  uma  determinada  pessoa.  Todas  as  células,  exceto  os  eritrócitos,  exibem moléculas  de MHC­I. As
células apresentadoras de antígeno (CAA) exibem moléculas de MHC­II. As CAA incluem os macrófagos, os linfócitos B e
as células dendríticas.
Os  antígenos  exógenos  (formados  fora  das  células  corporais)  são  apresentados  com moléculas  de MHC­II;  os  antígenos
endógenos (formados nas células do corpo) são apresentados com moléculas de MHC­I.
As citocinas são pequenos hormônios proteicos que podem estimular ou  inibir muitas  funções celulares normais, como o
crescimento e a diferenciação. Outras citocinas regulam as respostas imunes (ver Tabela 22.2).
Imunidade celular
Uma resposta imune celular começa com a ativação de uma pequena quantidade de linfócitos T por um antígenoespecífico.
Durante  o  processo  de  ativação,  os  receptores  de  linfócitos  T  (TCR)  reconhecem  fragmentos  de  antígeno  associados  a
moléculas de MHC na superfície de uma célula do corpo.
A ativação de linfócitos T também exige coestimulação, quer por citocinas como a interleucina­2 ou por pares de moléculas
da membrana plasmática.
Uma vez que o linfócito T tenha sido ativado, é submetido à seleção clonal. O resultado da seleção clonal é a formação de
um  clone  de  células  efetoras  e  células  de memória. As  células  efetoras  de  um  clone  de  linfócitos T  efetuam  respostas
imunes que acabam eliminando o antígeno.
Os linfócitos T auxiliares exibem proteínas CD4, reconhecem fragmentos de antígenos associados a moléculas do MHC­II e
secretam  várias  citocinas,  sendo  a  mais  importante  a  interleucina­2,  que  atua  como  uma  coestimuladora  para  outros
linfócitos T auxiliares, linfócitos T citotóxicos e linfócitos B.
Os linfócitos T citotóxicos exibem a proteína CD8 e reconhecem fragmentos de antígenos associados a moléculas MHC­I.
Os linfócitos T citotóxicos ativos eliminam invasores pela (1) liberação de granzimas que causam a apoptose das células­
alvo (os fagócitos então matam os microrganismos) e (2) liberação de perforina, que causa citólise, e granulisina, que destrói
os microrganismos.
Os linfócitos T citotóxicos, macrófagos e células NK efetuam a vigilância imunológica, reconhecendo e destruindo células
cancerígenas que exibem antígenos tumorais.
Imunidade humoral
Uma resposta imune humoral começa com a ativação de um linfócito B por um antígeno específico.
Os linfócitos B podem responder a antígenos não processados, mas sua resposta é mais intensa quando processam o antígeno.
A  interleucina­2  e  outras  citocinas  secretadas  por  linfócitos T  auxiliares  fornecem a  coestimulação para  a  ativação dos
linfócitos B.
Uma  vez  ativado,  um  linfócito  B  é  submetido  à  seleção  clonal,  a  formação  de  um  clone  de  plasmócitos  e  células  de
memória. Os plasmócitos são células efetoras de um clone de linfócito B; elas secretam anticorpos.
Um anticorpo (Ac) é uma proteína que se combina especificamente ao antígeno que desencadeou a sua produção.
Os anticorpos consistem em cadeias pesadas e leves e regiões variáveis e constantes.
De acordo com sua química e estrutura, os anticorpos são agrupados em cinco classes principais (IgG, IgA, IgM, IgD e IgE),
cada uma com funções biológicas específicas.
As ações dos anticorpos incluem a neutralização do antígeno, a imobilização de bactérias, a aglutinação e a precipitação do
antígeno, a ativação do complemento e o reforço da fagocitose.
O complemento é um grupo de proteínas que complementam as respostas imunes e ajudam a remover antígenos do corpo.
A imunização contra determinados microrganismos é possível porque os linfócitos B de memória e linfócitos T de memória
permanecem após uma resposta primária a um antígeno. A resposta secundária fornece proteção se o mesmo microrganismo
entrar no corpo novamente.
Autorreconhecimento e autotolerância
Os  linfócitos  T  sofrem  seleção  positiva  para  assegurar  que  são  capazes  reconhecer  as  proteínas  de  seu  próprio  MHC
(autorreconhecimento)  e  seleção  negativa  para  garantir  que  não  reajam  a  outras  proteínas  próprias  (autotolerância).  A
seleção negativa envolve tanto a deleção quanto a anergia.
Os linfócitos B desenvolvem tolerância por meio da deleção e anergia.
Estresse e imunidade
A psiconeuroimunologia (PNI) lida com as vias de comunicação que ligam os sistemas nervoso, endócrino e imunológico.
Pensamentos, sentimentos, estados de espírito e crenças influenciam a saúde e a evolução da doença.
Sob estresse,  as pessoas  são menos propensas a  comer bem e a  se  exercitar  regularmente, dois hábitos que aumentam a
	22 Sistema Linfático e Imunidade

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