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ebbok preparando adolescentes para a vida

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Prévia do material em texto

ENCORAJANDO PAIS
Preparando crianças e adolescentes para
a vida
Aline Cestaroli e Coautores
Parentalidade Encorajadora .........................................................................
por Aline Cestaroli
Afinal, o que é ser pai e mãe conscientes? .................................................. 8
por Cacilda Peixinho
Encorajando pais diante dos conflitos familiares ........................................ 12
por Iolanda do Nascimento
Conflitos conjugais e o desenvolvimento emocional da criança ................. 18
por Sonia Pinheiro
Como ajudar meu filho a desenvolver autoestima? ................................... 23
Como liderar e encorajar os filhos? ............................................................ 30
Educação sem punição ............................................................................... 36 
Desemparedamento da infância e cultivo afetivo da vida ........................ 40 
O adolescer: como lidar com as mudanças nesse ciclo da vida ................45
Brigas entre irmãos: aprenda estratégias para resolver conflitos .............. 50
Encorajando os filhos: como conseguir cooperação nos combinados ...... 54
Focar na solução e não no problema ......................................................... 59
A batalha contra o excesso do uso de eletrônicos .................................... 64
Como encorajar o meu filho a lidar com suas emoções ............................. 67
Melhorando a conexão entre pais e filhos adolescentes ........................... 72
Vamos falar de rebeldia da adolescência? ................................................ 76
por Itiene Soares
por Geisa da Silva
por Rejane Reis
por Soraya Sousa
por Regina Barreto
por Elen Santos
por Jéssica Bueno
por Rozinir Chappuis
por Adriane Ramiro
por Léia dos Santos
por Keiko Okawa
por Fabiana Benedetti
SUMÁRIO
04
08
12
18
23
30
36
40
45
50
54
59
64
67
72
76
Comunicação encorajadora: Uma forma de lidar com os medos infantis .. 81 
Como lidar com a mentira .......................................................................... 86
Como lidar com criança perfeccionista e insegura .................................... 90 
Importância do tempo de qualidade com adolescentes ............................ 94
A interferência dos pais nas amizades dos filhos adolescentes ............... 100
Lidando com o crescimento e as emoções dos adolescentes ................... 105 
Ansiedade na infância: como lidar? .......................................................... 109
Filhos adolescentes: como lidar? ............................................................... 114
Os três segredos de uma reunião familiar de sucesso .............................. 119
Adolescência sim, “aborrecência” não ...................................................... 123
Como lidar com a ansiedade do meu filho? ............................................. 128
Compreender para comunicar .................................................................. 132
O poder dos combinados .......................................................................... 136
A importância das emoções na arte de educar ........................................ 139
Minha filha não me obedece, e agora? .................................................... 144
Referências Bibliográficas ......................................................................... 150
por Fernanda Vebber
por Silmara Franzese
por Zuleide Nóbrega
por Ana Luísa Serra
por Maria Islândia Moreira
por Juliana Evangelista
por Monique Mioralli
por Carolina Huguett
por Thainara Cordeiro
por Adriana Silva
por Fernanda Guerra
por Raquel Fontes
por Francíele do Prado
por Ana Casanova
por Caroline Santana
81
86
90
94
100
105
109
114
119
123
128
132
136
139
144
150
SUMÁRIO
Os pais são os líderes da vida dos filhos e um bom líder é
aquele que tem a coragem e assume a responsabilidade de
despertar todo o potencial das pessoas. De modo geral, os
pais podem exercer essa liderança de duas formas:
manipulando ou encorajando.
Pais que exercem uma liderança com base na manipulação,
adotam ferramentas com base em punições e recompensas
para que o filho faça o que é preciso. Ou seja, se a criança ou
o adolescente teve um comportamento que esse pai ou essa
mãe acharam adequado, recebe uma recompensa com
elogios, prêmios, carinha feliz, adesivos, dentre outras. Aqui as
barganhas também são bastante utilizadas: 
Se lavar a louça a
semana toda, te
dou mesada.
Parentalidade Encorajadora
ALINE CESTAROLI - CRP: 06/107500
Se você organizar
seu quarto, eu deixo
ir na festa!
Se você tirar boas
notas na escola,
compro o jogo que
queria.
4
Por outro lado, se a criança/adolescente teve um
comportamento inadequado, se não obedeceu ou se fez
algo que os pais não gostaram, recebe uma punição
através de castigos, retiradas de privilégio, sermões,
palmadas, etc. Uma liderança com base na manipulação
pode até funcionar em curto prazo. 
Sabemos que as punições e recompensas têm um efeito
imediato, porém logo a criança/adolescente volta a
apresentar os mesmos comportamentos, já que ela não
desenvolveu habilidades que a ajudasse a agir diferente.
Um outro problema da liderança pela manipulação é que
os pais acabam assumindo a responsabilidade pelo
comportamento do filho e precisam estar sempre vigilantes
para flagrá-los fazendo algo errado para punir ou fazendo
o que é certo para dar um reforço positivo. 
5
Diversos estudos apontam que os efeitos disso em longo
prazo são adultos inseguros, com baixa autoestima,
viciados em aprovação, sem proatividade, dependentes e
que acham que o mundo está aqui para servi-los, pois não
se sentem capazes de contribuir.
Pais que exercem a liderança através do encorajamento,
são pais que têm uma visão de longo prazo, que não estão
preocupados apenas com a obediência dos filhos, mas que
se preocupam em formá-los para a vida, desenvolvendo
todo o seu potencial para que se tornem quem nasceram
para ser.
Eu adoro a definição de encorajar. Encorajar vem de
coragem, que é formada por COR - coração e AGEM - agir. 
Portanto, ter coragem é agir com o coração. E encorajar é
incentivar o outro a agir com o coração. Encorajar é o
movimento que fazemos para que o outro se torne a melhor
versão dele mesmo.
ENCORAJAR
6
Neste livro você encontrará diversos exemplos práticos
para lidar com os desafios de comportamento das crianças
e dos adolescentes de uma maneira encorajadora.
Todos os coautores são psicólogos e facilitadores do
programa Encorajando Pais, um programa de educação
que tem por objetivo encorajar pais e educadores a se
conectarem com as crianças e os adolescentes através de
uma educação gentil e firme.
Boa leitura! 
Com carinho, Aline Cestaroli.
E-mail: contato@alinecestaroli.com.br
Instagram: @encorajando_pais/@aline.cestaroli
YouTube: Aline Cestaroli
Canal Telegram: https://t.me/encorajando_pais
Pais e mães que exercem uma
parentalidade encorajadora, portanto,
são pais e mães que desenvolvem todo
o potencial dos filhos e que os ajudam
a se tornar adultos confiantes, capazes
e que contribuam para a construção
de um mundo melhor.
7
Crescemos, tornamo-nos pais e mães e, nesse novo papel,
decidimos fazer diferente. Buscamos informações sobre
educação de filhos, lemos bastante e encontramos
alternativas mais respeitosas para educá-los. Entretanto,
na prática, muitas vezes emperramos e repetimos aquilo
que dissemos que não faríamos. Sentimentos de culpa e
raiva tomam conta de nós:
E prometemos a nós mesmos que, da próxima vez, será
diferente...
Muitos de nós fomos educados com base em uma
educação tradicional, recebendo punições pelo nosso mau
comportamento, e recompensas, caso nos comportássemos
bem. Castigos, palmadas, gritos e ameaças por um lado.
Presentes e elogios por outro.
Afinal, o que é ser pai e mãe
conscientes?
Cacilda Peixinho - CRP: 03/2139
Já sei o que
devo fazer, por
que não
consigo?
Estou fazendo com
meu filho
exatamente o que
disse que nãofaria...
8
Recebo muitos pais assim no meu consultório: dedicados,
bem-intencionados, comprometidos a darem o melhor na
educação de seus filhos, buscando ajuda para
conseguirem sair desse ciclo de repetição.
O que acontece? Se já sabemos o que fazer, por que não
conseguimos? Como sair desse ciclo?
Para fazermos escolhas mais efetivas na criação dos filhos,
precisamos entender e assimilar as experiências negativas
da nossa infância, dando um novo significado a elas.
À medida que vamos entendendo a nós mesmos, podemos
estabelecer uma melhor conexão com nossos filhos. Vamos
adquirindo um novo olhar sobre as experiências negativas
que vivemos na relação com nossos pais, quando éramos
crianças. Elaboramos as frustrações e expectativas e,
assim, deixamos de projetá-las sobre os filhos.
O que muitos pais não sabem é que o sentido que damos
às experiências de nossa infância têm efeito profundo na
nossa forma de criar os filhos, que padrões negativos de
interações familiares são transmitidos através de gerações
e que, sem autoconhecimento, há muito mais chance de a
história se repetir.
9
Educar filhos é uma grande oportunidade para o
autoconhecimento. Como espelhos, eles trazem as
situações que precisamos trabalhar em nós, mesmo
aquelas mais dolorosas e que preferíamos esquecer.
Considero de grande ajuda termos um olhar amoroso para
nós mesmos, pais e mães. Não ficarmos focados apenas
nas nossas faltas e imperfeições. Enxergar o que temos
oferecido de bom, o que tem sido positivo e construtivo na
relação com os filhos, a partir dos passos que já demos em
direção ao nosso crescimento.
É importante nos percebermos
como seres em desenvolvimento
e em constante aprendizado. 
E estender esse olhar também
para os nossos filhos. Há coisas
que eles não fazem, não porque
não querem, mas porque não
podem. 
Estão se desenvolvendo, adquirindo maturidade, seja de
ordem física ou emocional, e assim que estiverem prontos,
poderão apresentar o comportamento esperado para
aquela idade.
Outros comportamentos dependerão de darmos
oportunidades para eles fazerem (ao invés de fazermos
10
por eles), ou de investirmos nosso tempo, mostrando-lhes
como fazer (ensinando-lhes habilidades de vida),
encorajando-os a descobrirem suas próprias capacidades.
Também é valioso reconhecermos suas individualidades,
não os comparando a ninguém. Isso inclusive nos serve
como pais: não nos compararmos a outros pais. 
Somos únicos, com nossa história e nossos filhos, e faremos
o melhor que pudermos, com o que dispomos, agora.
Ser pai e mãe conscientes é saber que estaremos sempre
nos desenvolvendo. Nossa busca não será a perfeição, mas
a melhoria contínua. Nascemos, como pais e mães, quando
nascem nossos filhos e vamos crescendo e nos
desenvolvendo juntamente com eles. É um processo tão
enriquecedor e maravilhoso a ser vivido que, talvez por isso,
os filhos não venham com manual de instrução.
E-mail: cacipeixinho@yahoo.com.br
Instagram: @cacipeixinho / @paisencorajados
WhatsApp: (75) 99120-5517
11
Eu vivi momentos de muitos sofrimentos e grandes desafios
e, através da minha mudança, surgiram questões que
impactaram minha vida e a vida da minha família de forma
positiva, possibilitando grandes aprendizados e muitas
conquistas, momentos de rever conceitos, valores e trilhar
diferentes caminhos. 
Eu tive uma educação rígida. Aos vinte e dois anos de
idade, era mãe de dois filhos, pensava em educá-los de
forma diferente, com mais liberdade, carinho e muito amor,
acreditava que assim eles seriam mais felizes.
Encorajando pais diante dos
conflitos familiares
Iolanda do Nascimento Pessotti - CRP: 06/134064
Atualmente, observamos que muitas
famílias vivem situações semelhantes e
convivem com crianças e adolescentes
que apresentam sérios
comprometimentos de ordem psíquica
e emocional, geradoras de transtornos 
de ansiedade, depressão, dificuldade para lidar com as
frustrações, uso de álcool e outras drogas, e isso evidencia
que os pais precisam de um suporte psicológico, voltado à
formação educacional dos seus filhos.
12
Estudos afirmam que o esti lo de vida é formado
desde a infância, com base na hereditariedade,
nas impressões e percepções de como o ser
humano luta pela superação em busca do
sucesso. 
psiquiatra vienense, acreditava
que não iriamos nos esforçar
para superar e ser bem-
sucedidos, se não sentíssemos
uma certa deficiência em nossa
condição atual.
Ele considerava que esse movimento contribui
para o desenvolvimento da personalidade, no
entanto, o esti lo de vida, representa as ideias
globais consciente e inconsciente, sobre como nos
movimentamos, a partir dos nossos pensamentos,
sentimentos e comportamentos. A família é uma
organização social ativa, que ao longo do tempo
sofre impacto do ambiente que a cerca. 
ALFREDALFREDALFRED
ADLERADLERADLER
Você já parou para pensar que
passamos boa parte da nossa vida
estudando, aprendendo a ler, a
escrever, para fazer uma faculdade e
ter uma profissão?
13
Quando nascem nossos fi lhos, acreditamos que
sabemos ser pais, e mesmo diante das
dificuldades, não procuramos ajuda, enfrentamos
muitos desafios, passamos a acreditar que somos
super-heróis, temos que ser fortes, não podemos
mostrar nossas fraquezas, em algumas situações
nos sentimos perdidos, sem saber o que fazer. 
Educar fi lhos não é uma tarefa fácil. Acreditamos
que as dificuldades vividas nas diferentes fases
vão se resolver naturalmente, como se diz "elas
vão passar, e vai ficar tudo bem".
Aldred Adler considerava que
todo comportamento humano,
bom ou mau, tem um objetivo.
Rudolf Dreikurs afirmava que
uma criança precisa de
encorajamento, tanto quanto
uma planta precisa de água. 
Dreikurs compreendia que uma
criança mal comportada é uma
criança desencorajada. Aqui cabe
uma reflexão: como encorajar nossos
fi lhos? 
14
Educá-los e tirar deles o que há de melhor, isso
não é uma tarefa fácil , é preciso ensiná-los a
desenvolver competências físicas, intelectuais e
emocionais, ao mesmo tempo, valores e princípios
éticos, ajudando-os a desenvolver autonomia,
independência, para tornarem-se pessoas
realizadas, felizes e integradas à família e a
sociedade.
Alfred Adler chamava a atenção da atitude de
cada um, dentro do sistema familiar, e convidava
cada membro da família a refletir sobre qual era
a sua contribuição no problema em si.
Este é um aspecto
relevante na Disciplina
Positiva, pois cada membro
da família tem a sua
função e deve buscar a
mudança de si mesmo,
contribuindo para o
equil íbrio do sistema
relacional, e indiretamente, 
para que o outro mude seu comportamento. Diante
do sofrimento podemos fazer escolhas, conhecer o
problema e buscar soluções, assim, muitas vezes
saímos do lugar comum e passamos por grandes
transformações.
15
Fui em busca de entender o que estava
acontecendo, conhecer o problema, tive que rever
alguns valores, estabelecer l imites, assumir a
posição de mãe. O que fiz foi mudar o meu
comportamento diante destas dificuldades.
Quando os pais têm coragem de buscar o
autoconhecimento, desenvolvem novas
habilidades em suas relações pessoais, os vínculos
familiares se tornam mais fortalecidos, e assim,
sentem-se mais preparados para educar seus
fi lhos. 
Vivenciando esse momento
difícil , descobri que só poderia
ajudar meu fi lho através da
minha mudança, precisei
compreender quais eram as
minhas dificuldades, aprender a
lidar com minhas emoções e
também perceber as emoções
que os outros experimentavam. 
Isso possibil itou o desenvolvimento de novas
habilidades, passei a identificar os meus
sentimentos e pensamentos, e assim, desenvolvi o
autocontrole, para l idar com mais tranquil idade
com as questões que se apresentavam. 
16
Assumi a responsabil idade de estabelecer
padrões mais saudáveis na minha relação familiar,
essas mudanças tornaram os vínculos mais
fortalecidos. Foram momentos difíceis que
vivemos, mas agradeço cada momento, saímos
mais fortalecidos e hoje posso dizer que tenho
uma família saudável, meus fi lhos se casaram,
tenho dois netos, estáchegando o terceiro. 
Acredito que não podemos nos acomodar diante
dos problemas, primeiro precisamos conhecê-lo e
agir com gentileza e firmeza, respeitando a
individualidade de cada integrante da família e
assumindo posições firmes.
"Quando nos esforçamos para encorajar o
outro, na verdade, estamos desenvolvendo
coragem para enfrentar os nossos desafios da
vida. Uma conexão saudável com os fi lhos
envolve mudanças nos nossos comportamentos,
passamos a agir mais, e nossa comunicação se
baseiam em frases curtas". (Jane Nelsen). 
E-mail: iolanda.pessotti@gmail.com
Instagram: @psi.iolanda.pessotti
WhatsApp: (19) 99865-1060
Iolanda Pessotti Clínica de Psicologia
17
A família é o primeiro meio social que vai atuar
diretamente no desenvolvimento emocional da
criança. Os cônjuges são os construtores da
família e se vivem em uma relação de conflitos
constantes podem gerar funções parentais
disfuncionais.
Os conflitos são inerentes a todos os
relacionamentos, inclusive ao relacionamento
conjugal. O conflito conjugal é definido como
uma situação de discordância entre o casal, que
os cônjuges selecionam como fontes de
desavenças, diferenças de ideias, sejam elas
negativas ou positivas.
Sendo assim, crianças que vivem
em um ambiente familiar
conflituoso são inclinadas a
manifestar vários problemas
emocionais e comportamentais,
como baixa autoestima,
dificuldade de interagir com os 
Conflitos conjugais e o desenvolvimento
emocional da criança
Tereza Sonia de Souza Pinheiro - CRP: 11/15484
outros, depressão, saúde vulnerável, sono
perturbado e problemas de comportamento.
18
Segundo Rudolf Dreikurs, as crianças são ótimas
observadoras, mas péssimas intérpretes. Se
queremos que as crianças aprendam a se
controlar, nós adultos precisamos ser esse
exemplo para elas.
Na minha experiência de dar cursos para casais,
os conflitos que não são resolvidos entre os
cônjuges de maneira saudável através do diálogo,
de dar um tempo na hora das discussões
acaloradas para os cônjuges se acalmarem, e
depois conversarem para entrar em um acordo,
geralmente culminam para agressões verbais
intensas, podendo até gerar agressões físicas e
muitas vezes na frente dos fi lhos, afetando as
suas emoções.
Segundo Fil l iozat, é
incoerente gritar com a
criança pedindo para ela se
tranquil izar, além de não
ser um modelo exemplar,
não a auxil ia a ficar calma.
A criança precisa de
atenção, amor e
compreensão, pois
aprende por
imitação e se ela
convive em um
ambiente de brigas
e gritos de seus
pais, é isso que possivelmente vai reproduzir.
19
Nossos fi lhos nos observam e a imitação tem um
papel importante na educação e os benefícios do
autocontrole são valiosos no momento dos
conflitos.
O que fazer na hora dos conflitos? Seguem
algumas dicas de como cultivar um
relacionamento feliz, segundo Jane Nelsen e Mary
Tamborski:
Você age melhor quando se sente melhor, quando
acessa o lado racional do cérebro. 
Crie o seu próprio local ou maneira para se
acalmar (caminhar, ler, cuidar do jardim, cozinhar
ou meditar). Reúnam-se novamente e conversem
quando os dois estiverem se sentindo melhor.
Pausa PositivaPausa PositivaPausa Positiva
Uma comunicação gentil não acontece quando
estamos chateados.  É muito úti l conhecer o que
está acontecendo com o seu cérebro, pois
durante o estresse, você não consegue acessar a
parte racional, mas apenas a parte de luta/fuga,
por isso, não tente ter uma conversa racional
neste momento, mas quando estiver tranquilo.
Compreenda o cérebroCompreenda o cérebroCompreenda o cérebro
20
Lembre-se de quem o seu parceiro realmente é.
Na situação de mágoa, observe a intenção e não
a ação em si. Escute sem defesa ou justificativa,
expresse seu amor e que a solução será conjunta.
As pessoas irão te escutar quando elas se
sentirem ouvidas. Não interrompa o seu parceiro,
mas escute. Vocês podem chegar a um acordo,
simplesmente porque se sentiram ouvidos.
Tenha confiançaTenha confiançaTenha confiança
Saiba escutarSaiba escutarSaiba escutar
Reserve um tempo para realizar reunião de casal
regularmente. Priorize o dia do encontro. Coloque
a pauta na porta da geladeira ou em um lugar
visível para ambos. Inicie a reunião com gratidão.
Pensem em soluções para as questões da pauta e
entrem em acordo nas soluções. Terminem fazendo
algo divertido juntos.
Reuniões de casalReuniões de casalReuniões de casal
21
Meu esposo e eu temos 35 anos de casados, 2
filhas casadas e uma neta de 11 meses. Durante os
conflitos que surgem no nosso relacionamento
conjugal ou parental praticamos 3 frases:
O perdão deve estar sempre presente no
relacionamento conjugal e parental, pois não
somos perfeitos e nossos fi lhos também não.
Quando erramos é uma oportunidade de aprender
e recomeçar.
É essencial que o casal e os pais decidam
resolver seus conflitos de maneira saudável para
não gerar marcas na criança, que poderá ter
dificuldades em lidar com suas emoções ou
desafios adversos na vida adulta.
 Eu reconheço que errei .
Por favor, me perdoe.
Eu amo você.
E-mail: terezasonia@hotmail.com
Instagram: @soniapinheiropsi / @clinicaluzeiros
WhatsApp: (85) 98124-6895
22
A construção da autoestima começa logo na
infância. Nascemos suficientemente bons, no
entanto, a medida que crescemos passamos por
experiências, observamos as pessoas e o que
acontece a nossa volta e tomamos determinadas
decisões que vão afetar nossa autoestima.
Qualquer coisa que valide, aceite e reconheça
quem somos pode contribuir para elevar a
autoestima.
À medida que crescemos, começamos a nos
comparar e a não nos acharmos bons o suficiente.
A comparação passa a ser uma companheira
constante e, inconscientemente, passamos a
tomar decisões sobre nós, sobre as outras pessoas
e também sobre esse mundo.
Como ajudar meu filho a
desenvolver autoestima?
Itiene Soares Pereira - CRP: 12/15356
Seguindo esse raciocínio:
julgamentos, comparações,
“deveria” e “tem que” não fazem
parte deste repertório que você
pai/mãe pode uti l izar para
encorajar seu fi lho.
23
Nossa percepção de tudo isso, fez com que, na
tentativa de compensar o fato de que não somos
bons o suficiente, acreditássemos que era
necessário fazer mais para supercompensar aquilo
que achávamos que deveríamos ter e não temos.
E passamos a nos “escravizar” na tentativa de,
quem sabe um dia, voltarmos a ser
suficientemente bons. Podemos passar a vida toda
nessa busca de sermos “completos” e buscando
essa tão almejada “perfeição” que acreditamos
existir. 
Nós adultos também passamos por esta
construção da lógica pessoal. E é com esta
“bagagem” que assumimos a nossa jornada como
pai e mãe.
Todas essas decisões são muito influenciadas
pelos pais, por esta razão, a forma como você se
comunica com seu fi lho e também como se
comporta terá grande impacto na construção da
lógica pessoal dele.
24
O que quero que você saiba é que
por pior que sejam os pensamentos
do seu fi lho sobre ele mesmo, você
pode sim ajudá-lo a tomar muitas
decisões saudáveis a respeito de si
mesmo, mesmo que você e/ou ele
não tenham tido boas experiências.
É comum os pais banalizarem os sentimentos e os
pensamentos de seus fi lhos, na tentativa de fazer
com que estes sejam mais fortes e resil ientes e se
comportem como eles acreditam ser o certo. Falas
do tipo:
Ajudar seu fi lho a desenvolver autoestima também
passa por você compreender a sua lógica pessoal
para que possa fazer a escolha de agir e não
reagir aos desafios parentais.
Deixa de 
mimimi!
Isso não 
é nada!
Vai chorar só
 por causa 
disso?
Vou te bater pra
você criar
vergonha na
cara!
25
Estas frases e críticas minam a autoestima de qualquer
pessoa, inclusive do seu filho que ainda está tentando
descobrir quem ele é e qual o seu lugar no mundo.
Sentimentos de inadequação podem reforçar a crença de
que realmente ele não é bom o suficiente. Não tente
convencer seu filho de que é errado ele se sentir de
determinada maneira, ao invés disso, ouça com atenção
sem julgá-lo e valide os sentimentos do seu filho. Às vezes
um abraço ouuma frase como
 Se você precisar, estou aqui...
... Basta.
É muito importante que você que é pai acredite que seu
filho pode sim, vencer suas dificuldades. Crie um ambiente
de oportunidades para que ele experimente e desenvolva
habilidades. 
O que acontece muitas vezes é que os pais, na
tentativa de ‘poupar’ ou proteger os fi lhos, acabam
não dando este espaço tão importante para que o
filho tenha experiências que podem contribuir para
que ele acredite em sua capacidade.
26
Não tenha medo de deixar seu filho tentar algo e se
frustrar, pois isto também faz parte do aprendizado.
Quando você faz pelo seu filho coisas que ele mesmo
poderia fazer, a única coisa que ele aprende é que todo
mundo é mais habilidoso que ele, então é melhor deixar
que você ou outra pessoa o faça. Permita-se ser um
exemplo positivo para o seu filho.
Permita que seu filho experimente as consequências de
suas escolhas num ambiente onde prevaleça o respeito
mútuo, validando os sentimentos do mesmo e fazendo
perguntas curiosas ao invés de entregar respostas prontas
dizendo o que ele deve fazer. Agindo assim, você permite
que ele reflita  a respeito de suas escolhas ou possíveis
escolhas e isso é bastante encorajador!
Quando você tiver dúvida se está no caminho certo a
respeito da maneira como lida com os desafios da
parentalidade, basta se perguntar se o que você está
querendo fazer irá permitir e preparar seu filho para a vida.
Quando você pai/mãe tem coragem de
reconhecer que não é perfeito e se enche de
coragem para desenvolver suas habil idades como
pessoa e pai, torna o “solo mais férti l” para que
seu fi lho experimente tentar e neste processo
desenvolva habil idades.
27
Se sua resposta for sim, mantenha sua decisão, caso
contrário, “recalcule a rota” e escolha um outro caminho.
Se você não conhece outra forma de lidar com os desafios
parentais que está enfrentando, não precisa sentir-se
culpado, pois saiba que você não é o único pai/mãe com
esta dificuldade e peça ajuda.
É preciso estudar para educar, muitos pais tem percebido
isso, e mesmo se não perceberam, o fato de não saber
como lidar com os problemas com os filhos é um sinal de
que algo precisa ser modificado.
Você pode estar ao lado do seu filho nos momentos em
que ele está desenvolvendo sua autoestima e aprendendo
a resolver problemas, lidando com os altos e baixos da
vida. Pode fazer isso dando certa autonomia para que ele
desenvolva as habilidades necessárias para lidar com os
desafios da vida equilibrando firmeza e gentileza ou pode
fazer de maneira desencorajadora utilizando somente
punições ou recompensas.
Ao contrário do que muitos de nós sempre ouviu dizer,
os estudos científicos comprovam que as habil idades
parentais não são herdadas, mas sim aprendidas.
28
Sem querer você está transmitindo muitas informações
distorcidas para o seu filho, que podem deixar marcas
muitas vezes profundas e que podem se fazer presente por
toda a vida.
As decisões que você tomar hoje em relação a como se
relaciona com seu filho contribuirá para você se sentir mais
tranquilo(a) em saber que ele pode ficar bem, mesmo que
você não esteja por perto. Estamos a todo momento
fazendo escolhas e tomando decisões. Quais serão as
suas?
E-mail: contatoitienesoares@gmail.com
Instagram: @itienesoarespsicologa
Site: www.itienesoares.com.br
29
Você, querido pai e querida mãe, já se perguntou
sobre o seu jeito de ser? Sobre a sua forma de
liderança? Sobre como o seu fi lho ou fi lha se
sentem quanto a sua maneira de l iderar? E se
seus fi lhos pudessem avaliar a sua liderança, o
que eles diriam? Será que ela tem sido assertiva?
Quando falo de assertividade, não é no sentido
de sempre ter que acertar, pais bem-
intencionados também erram. Falo da capacidade
de defender os seus posicionamentos e os da
outra pessoa de forma calma e positiva. 
A assertividade é baseada no equil íbrio. É
considerar os direitos e as necessidades do outro.
Ser assertivo é ser seguro si de mesmo, o que
levará a entender o outro com firmeza, igualdade
e empatia.
Como liderar e encorajar os filhos?
GeYSa Cabral Santiago Torres da Silva - CRP: 17/3679
30
Liderança é uma habil idade extremamente
importante que todos os pais precisam
desenvolver, ela é fundamental para se alcançar o
respeito mútuo e a cooperação dos fi lhos.
Historicamente somos fruto de uma educação
baseada em um sistema social autocrático, no
qual os fi lhos tinham que obedecer cegamente
aos seus pais, um esti lo que se mostrou ao longo
dos tempos desencorajador. 
Os teóricos da Disciplina Positiva respeitam o
esti lo democrático, ou seja, uma relação de
igualdade entre pais e fi lhos, no qual todos têm o
direito de ser tratados com igualdade, respeito e
dignidade, dessa forma, os pais continuam
exercendo sua liderança sobre os fi lhos, mas não
esperam mais uma obediência cega. 
Igualdade
Respeito
Dignidade
31
A forma como os pais se comunicam com os fi lhos
e como reagem as suas emoções influenciam na
formação do autoconhecimento da criança e do
adolescente. 
A comunicação é como uma ponte que liga os
pais aos fi lhos, ela não pode ser nem tão baixa
nem tão alta, é necessário buscar uma liderança
gentil e firme.
Ao longo dos anos, os pais se uti l izaram de
ferramentas para disciplinar os seus fi lhos como
castigos e punições, com a tentativa de moldar o
comportamento deles. 
Alguns pais acabam usando a punição como fonte
de ensinamentos, quando na verdade é
importante perceber os erros como uma
oportunidade de aprendizagem e não de punição.
32
Segundo a Disciplina Positiva, esse tipo de
liderança pode ser desencorajadora, e isso
acontece quando os pais adotam uma postura a
curto prazo, ou seja, tem como objetivo apenas
punir a desobediência. 
Já a l iderança encorajadora, é aquela que
possibil ita crianças e adolescentes a se tornarem
adultos mais confiantes, firmes, com inteligência
e competências socioemocionais.
É importante pensar que estamos no século XXI e
dentre tantas mudanças ao longo dos séculos, o
nosso conceito de l iderança também precisa
mudar. A palavra encorajar significa “incentivar
a agir com o coração”, onde você coloca o seu
coração algo acontece porque ali existe amor.
E N C O
R A J A R
33
Aqui em casa tenho uma adolescente, mas lembro
que na pré-adolescência ela começou a
demonstrar medo e um complexo de inferioridade,
se achava incapaz de realizar alguns desafios, o
que a fez demonstrar um comportamento
irritadiço, agressivo e também a querer se isolar
no quarto. 
Fiz uma proposta: todos os dias antes de dormir,
conversaríamos sobre o seu dia. Então, eu pedia
que ela me relatasse algo de bom e ruim que
havia acontecido durante o dia e percebi que a
comunicação foi ficando cada vez mais assertiva,
propiciando para ela o tempo de qualidade que
precisava para falar dos seus medos, emoções e
sentimentos.
Util izar palavras encorajadoras a focar em
seus pontos fortes a cada avanço foi
fundamental. Mostrar não só a capacidade
dela, como também todo o seu esforço e
coragem diante dos desafios, valorizando
todas as tentativas positivas, o que a fez se
sentir capaz e encorajada para vencer os
desafios da vida.
34
Ouça com atenção plena, dê a eles o
tempo que precisam para falarem sem ser
julgados.
Ajude-os a encontrar soluções para seus
problemas.
Se o comportamento do seu fi lho ou fi lha
mudou, observe e abra espaço para que
eles falem das suas emoções, todo
comportamento quer nos dizer algo.
Reconheça e ajude-os a nomear as
emoções que estão sentindo, se para os
adultos muitas vezes é difícil nomear,
imagine para as crianças e os
adolescentes.
E-mail: geysactorres@hotmail.com
Instagram: @Psi.geisacabral
WhatsApp: (84) 98801-6339
Aqui abaixo deixarei algumas dicas importantes:
35
Desde que ouvi essa frase pela primeira vez, ela ecoa no
meu pensamento me trazendo uma inquietação. Quantas
vezes, pensando em mostrar as consequências da
desobediência para os nossos filhos, acabamos
repreendendo, ameaçando, colocando de castigo ou
sendo agressivos com eles?
Quandoos filhos desobedecem seus pais não é de se
estranhar que muitos deles ainda usam ameaças do tipo:
 “Se você fizer isso, eu vou te mandar para um colégio
interno”
“Se você continuar assim, eu vou te entregar para o
conselho tutelar” 
“Se você continuar assim, eu vou te entregar para seu
pai/mãe” 
(no caso de pais separados)  
O que a criança está aprendendo com isso é que se ela
não agradar a seus pais, eles a mandam embora. Sentem o
amor dos pais como algo condicional e isso por si só já é
muito triste.
Educação sem punição
Rejane Reis Ferreira Santos Silva - CRP: 04/38626
"De onde tiramos a absurda ideia de que,
para levar uma criança a agir melhor,
precisamos antes fazê-la se sentir pior?”
Jane Nelsen (2016)".
36
Para muitos pais, principalmente aqueles que apanharam
na infância, parece inaceitável que os filhos emitam um
mau comportamento e esses não recebam uma punição
física ou verbal como consequência. Comparam a
educação que tiveram e usam os mesmos recursos da sua
época, seja por não conseguirem se livrar do modelo ou
por não conhecerem outras alternativas.
Existe uma ampla variedade de estratégias da Disciplina
Positiva que podem ajudar os pais na educação de seus
filhos sem precisar usar métodos punitivos. 
Aqui seguem algumas delas:
1) Nem passividade nem permissividade, seja gentil e
firme. Ex: A regra da casa é: o café será servido entre 8h e
9h. Quem não tomar café nesse horário, deverá esperar o
almoço. O filho chega atrasado e a mãe diz: “eu sinto
muito que você perdeu o café meu filho, e tenho certeza
que você consegue esperar até o almoço”.
A punição não ensina um novo comportamento, ela
inibe o mau comportamento ao mesmo tempo em que
gera humilhação, revolta, manipulação e medo em
quem é punido. Pode deixar nos fi lhos sequelas
emocionais que irão influenciar o resto de suas vidas. 
Mas, quais são as alternativas para os pais l idarem
com a educação dos fi lhos sem punição?
37
2) Expresse os seus sentimentos e fale sobre suas
expectativas sem atacar o caráter do filho. 
Por exemplo, o pai diz: “filho, quando eu converso com você e
você não olha nos meus olhos, eu me sinto invisível. Então, eu
preciso que você me olhe nos olhos para eu saber que você está
me ouvindo”.
3) Considere aplicar consequências lógicas respeitando os
critérios dos quatro R’s das consequências lógicas:
Relacionada (ligada ao comportamento), Respeitosa (deve ser
gentil e firme, não pode envolver culpa ou vergonha), Razoável
(não inclui tirar vantagens) e Revelada com antecedência. 
Ex: Todos poderão colocar suas roupas sujas no cesto, para que
as mesmas sejam lavadas na quarta-feira. Caso alguém
esqueça, poderá aguardar a próxima lavagem ou lavar sua
própria roupa. A filha esquece de juntar suas roupas no cesto,
que fica sem lavar. Filha: “mãe, minha calça vermelha está suja”.
Mãe: “sinto muito filha, acredito que você saberá resolver o
problema”. Filha: “você pode lavar pra mim?” Mãe: “Desculpa
filha, qual é o nosso combinado?”. Obs: Se um dos 4 R’s faltar já
não se trata de consequência lógica e sim de punição.
4) Envolva o seu filho na resolução do problema e faça
perguntas que estimulem a curiosidade.
Ex: “O que aconteceu? Como você se sentiu a respeito disso? O
que você aprendeu com isso? Quais ideias você tem para
resolver o problema?
38
5) Use a fórmula: Privilégio = Responsabilidade. Falta
de responsabilidade = Perda de privilégio. 
Ex: Mãe: “você pode pegar as minhas canetas e guardá-
las ou abrir mão do privilégio de usá-las”. Criança: "Por
que você guardou as canetas?" Mãe: "Diga-me porque..."
Muitas crianças ainda são educadas pelo domínio do
medo, mas essas estratégias são totalmente inadequadas
para ensinar um filho o que é certo ou errado. 
A verdadeira disciplina não é sinônimo de punir, mas de
instruir e educar, de ensinar os filhos a desenvolver
autodisciplina, cooperação e responsabilidade.
E-mail: rejanereispsi@gmail.com
WhatsApp: (34) 99891-4024
39
Sabe-se que ao longo das décadas, vários fatores
contribuíram para o distanciamento entre indivíduo e
natureza. Podemos citar a urbanização, a industrialização
de alimentos, o conceito de assepsia arquitetônica, o
crescimento desordenado das cidades, a verticalidade das
moradias, e aumento do número de veículos automotores,
com substituição dos bucólicos e coloridos jardins das
casas, por garagens cimentadas e cobertas.
Desemparedamento da infância e
Cultivo Afetivo da Vida
Soraya Sousa - CRP: 06/65009
No artigo “Mas de que te serve saber botânica?”
de Antonio Salatino e Marcos Buckeridge (2016)
notamos que um dos aspectos que contribui para
a desconexão com a natureza, é a “cegueira
botânica”, termo uti l izado em Biologia e
Neurofisiologia para explicar, entre outros
conceitos, a incapacidade de reconhecermos a
importância das plantas em nosso cotidiano, na
biosfera e na vida humana. Os impactos desta
“cegueira” mostram-se drasticamente maiores a
cada ano, com resultados indesejados ao planeta
e a cada um de nós.
40
Como Psicóloga, Jardineira e Agente de Sustentabilidade
de um município da grande São Paulo, com extensa área
verde de Mata Atlântica preservada, além de parques e
muitas praças, pude observar nas visitas técnicas e
diálogos com profissionais e moradores da cidade, o
descaso aos espaços públicos, através de acúmulos de
resíduos sólidos, degradação de patrimônio, vandalismo,
abandono de animais e desleixo com plantas, sendo estas
as maiores queixas.
Manter estes espaços bem cuidados, valorizados como
territórios facilitadores do bem-estar físico e emocional,
mostra-se um desafio a cada gestão. 
Apresentar o cultivo afetivo de plantas, em oficinas
práticas nestas áreas verdes e fazer do meu espaço
terapêutico, um ambiente educador, tornou-se meu grande
desafio. 
41
Instintivamente vi-me inserida em projetos e soluções
verdes, e assim, as problemáticas relacionadas ao
distanciamento da natureza, tornaram-se urgentes, entre
elas, o desemparedamento da infância e adolescência.
Em 2019, a Sociedade Brasileira de Pediatria em parceria
com o Instituto Alana, desenvolveu o Manual de
Orientação “Benefícios da Natureza no
Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes”
ressaltando o direito de cada um, à natureza e ao brincar,
e importantes premissas de saúde, como autonomia, bem-
estar e desenvolvimento, fortalecidos na interação com os
ambientes naturais. 
No dia a dia, são muitos os desafios das famílias, com
sobrecargas de trabalhos, acúmulo de funções domésticas,
violência urbana e condições desfavoráveis dos espaços
públicos. Assim, tornam-se mais distantes os vínculos
afetivos com os ambientes naturais. 
Uma afirmação é certa, nossas crianças necessitam tanto
da natureza como a natureza necessita de nossas
crianças. Esta inter-relação se faz necessária à saúde
humana e do planeta. Cabe a cada um de nós encorajar
famílias, profissionais de saúde, educadores, pastores,
padres, líderes em todas as instâncias a prescreverem
natureza como ponto de partida para uma vida saudável e
bem vivida.
42
https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/manual_orientacao_sbp_cen_.pdf
Reconhecer a importância, entender o funcionamento e
enxergar as plantas como seres vivos, é o começo de uma
relação harmoniosa e próspera com o meio em que
vivemos, refletindo positivamente nas relações ambientais,
familiares e sociais. 
Pequenos espaços podem ser transformados em jardins de
afeto. Escolas, clínicas, hospitais, consultórios, casas e
apartamentos, todos em qualquer lugar, podem oferecer
aproximação e contato com o verde.
Novos olhares sobre as tradicionais formas de atuação,
podem trazer um conceito diferenciado de educação e
assistência à saúde. 
Escolas com espaços ao ar livre, hospitais com jardins de
cura, clínicas com hortas terapêuticas, consultórios com
pequenos e floridos jardins, todos encorajados a oferecer
um cuidado global à vida, entregando valores profundos de
conexão humana e consciência ambiental.
E por onde começar? O escritor Rubem Alves, em poucas
linhas, orientoumuito bem:
43
“Todo jardim começa com um sonho de amor.
Antes que qualquer árvore seja plantada
ou qualquer lago seja construído,
é preciso que as árvores e os lagos
tenham nascido dentro da alma.
Quem não tem jardins por dentro,
não planta jardins por fora
e nem passeia por eles...”
Deixe a natureza brotar em seu coração! Permita-se a
construção deste afeto! Convide a família a criar uma
pequena horta, um berçário de suculentas, um pomar em
vasos, um jardim sensorial de ervas aromáticas. Visitem
hortas comunitárias, participem de grupos de plantios
coletivos, agendem expedições botânicas nos parques das
cidades, criem parcerias para trocas de sementes!
São muitas as possibilidades. Deixem os sentidos
aflorarem, sintam a natureza ao compasso das batidas do
coração. Encorajem-se a uma vida verde e feliz!
Instagram: @ruralpsi
WhatsApp: (11) 97284-0303
Facebook: @ruralpsi
44
As tensões familiares provocam nos adolescentes o desejo
de migração para grupos em busca de apoio, muitas vezes
quando não encontra respeito e confiança em família. No
processo do adolescer, a flexibilidade é fundamental.
Os filhos precisam de pais seguros e encorajadores, que
despertem a responsabilidade e autonomia, mantendo uma
conexão emocional e reconhecendo que eles estão em
crescimento e que ainda não atingiram a fase adulta. Erros
acontecerão, mas eles serão necessários para o
aprendizado, crescimento e amadurecimento. Os jovens
precisam de seus pais.
Nesse momento, eles
necessitam se apropriar da
particularidade dessa nova fase
em sua vida e é extremamente
necessário que os pais não
desistam de sua função. É
nessa fase que os jovens
buscam se aliar como forma de
se sentir pertencentes a um
grupo e valorizados.
O ADOLESCER: Como lidar com as
mudanças nesse ciclo da vida
Regina Célia Marques Rocha Maia Barreto - CRP: 11/08479
45
A exigência dos filhos por maior autonomia e
independência desperta muitas vezes nos pais o medo da
perda e da rejeição, pois acreditam que o fortalecimento
de laços afetivos fora da família provocará um
afastamento entre eles. 
Pais se sentem confusos, zangados, descontrolados e
apresentam problemas relacionados aos filhos, com um
sentimento de impotência, paralisam e muitos optam por
adotar uma educação mais autoritária nessa fase, ou
desistem do controle por completo, o que não é positivo
para a construção e manutenção de uma conexão
parental.
A vaidade, a necessidade de
afirmação, a insegurança e a
timidez são sentimentos que
instigam os comportamentos
dos adolescentes. 
O medo ou a vergonha podem também provocar a
participar de vivências às quais ainda não estão
preparados emocionalmente. A educação deve ser regida
por uma orientação segura e coerente, uma autoridade
firme e confiável, porém, é nesse momento que os pais
precisam diminuir gradualmente o controle sobre seus
filhos, tornando-os orientados e investindo em formas
carinhosas e apegos íntimos a fim de obter jovens
ajustados psicologicamente e autônomos.
46
A melhor forma de atuação dos pais nesse ciclo de vida é
construir relações de gentileza e firmeza. 
Pais, no momento de irritação, evitem o confronto e
aceitem que vocês precisam de um tempo.
Seus filhos não mudarão se vocês também não se
empenharem na mudança.
Busquem entender a situação e somente depois
voltem junto aos seus filhos para buscarem um
entendimento da situação e levantarem possíveis
soluções juntos.
Regras estabelecidas juntas são bem mais
prováveis de serem cumpridas.
Busquem realizar uma escuta ativa, não julgando
previamente, não agredindo, não acusando, mas
sempre buscando entender os sentimentos dos seus
filhos e escutando as propostas de solução listadas
por eles.
A empatia é fundamental no processo de conexão!
Invistam em reuniões familiares onde todos possam
se expressar e discutir soluções para os problemas
que emergirem.
47
Nesse ciclo da vida, muitas demandas são desencadeadas.
A incapacidade de negociação gera um bloqueio no
crescimento dos adolescentes e cria um distanciamento
emocional entre pais e filhos, gerando assim um ambiente
familiar hostil, decorrente da desconfiança e do sentimento
de incompreensão dos adolescentes, os quais podem
apresentar comportamentos indesejáveis, resistentes e
confrontadores.
Pais precisam envolver seus filhos na solução de problemas
a fim de que desenvolvam habilidades de vida, e
necessitam compreender que a adolescência faz parte de
um processo de desenvolvimento para a fase adulta. O
foco em perfeição e resultados diz indiretamente para seus
filhos que vocês os amam de maneira condicional.
Os adolescentes precisam sentir respeito, valor e o amor
incondicional de seus pais.
R E S P E I T O
V A L O R
A M O R
48
Eles precisam de apoio e não de questionamentos
excessivos. Controles externos como recompensa e
punições só aumentam a rebeldia. 
Pais, se concentrem na educação a longo prazo. Sejam
guias e facilitadores de seus filhos em quem eles podem
confiar. Menos ansiedade, mais proximidade. Menos
julgamentos e expectativas, mais apoio e confiança.
Mantenham-se sempre atentos a seus filhos, pratiquem
uma escuta ativa, sejam empáticos, se coloquem no lugar
de seus filhos, façam parte do universo deles e se
despreocupem com o que os outros pensam. Certifiquem-
se de que seu amor é incondicional e expressem essa
mensagem a eles, encorajando-os e sendo sempre
respeitosos, buscando soluções juntos, equilibrando o
tempo de privacidade deles com momentos juntos com
vocês, onde será investido apoio e estabelecida conexão.
A conexão leva a autocorreção. Reservem um tempo de
qualidade ao menos uma vez ao mês com seus filhos e
façam algo juntos que os agradem. 
Conectem-se! Conheçam mais seus filhos!
Instagram: @psireginabarreto
WhatsApp: (85)98878.6518/ (85)98165.6518
Facebook: Psireginabarreto
E-mail:maia-barreto@uol.com.br
49
A relação entre irmãos é um vínculo para vida toda, e esse
vínculo pode apresentar diversos desafios de
comportamento. Para que a criança aprenda a lidar com
discussões, competições, rivalidade, raiva, dentre outros
desafios, os pais precisam aprender a intervir de forma
adequada.
Leia as dicas a seguir, respire fundo e parta para a
ação:
Brigas entre irmãos: aprenda
estratégias para resolver conflitos
Não sejam pais críticos: Apontar os
erros entre eles, provoca uma ansiedade
e gera uma sensação de que não são
valorizados.
Elen Pereira de Oliveira Santos - CRP:06/156282
Respeite a individualidade de cada
filho: Isso ajuda a construir relações
saudáveis.
50
Não proteja sempre o menor: Ação de
exigir deve ser proporcional à idade.
Procurando ouvir os dois lados.
Não compare: Isso estende a rivalidade
entre eles e até um sentimento de
disputa, que pode gerar frustração e
insegurança.
Imponha limites sem ofender: Dar
limites é ajudá-los a se preparar para a
vida adulta. O correto é desaprovar o
mau comportamento entre eles, de
preferência usando exemplos positivos.
Converse, insista e não desista: É
preciso insistir com paciência, só por
meio do diálogo que se resolve as brigas
e conflitos.
51
Tenha um tempo com cada filho:
Combine algo que possam fazer
juntos. Interagir com os fi lhos também
é algo fundamental e diminui a
competição entre irmãos por atenção.
Não use o filho mais velho para
cuidar do mais novo: Essa
responsabil idade não é dele e provoca
distanciamento no vínculo.
Flexibilize as regras: Produz uma
maior autonomia e negociação entre
eles.
Encoraje demonstrações de afeto: De
quando eles estão juntos são ainda
melhores e parceiros.
52
Instagram: @psi_elensantos
WhatsApp: (11) 97018-5089
E-mail: psicologaelensantos@yahoo.com
É fundamental que a família promova
comportamentos que impulsionem o respeito,
a empatia, união e a estima entre os irmãos.
Use uma comunicação não violenta:
Proporciona uma relação baseada na
cooperação, na confiança que cria
uma maneira mais desarmada de se
entender entre eles.
53
Direcionar os filhos para uma vida adulta de sucesso e
felicidade é o objetivo de todos os pais,os conduzindo
para o desenvolvimento da boa moral e positivas
habilidades de vida.
É necessário que os pais sejam líderes na vida das
crianças, e criem pessoas que possam fazer o que é certo
pelo seu senso de responsabilidade e não por esperarem
recompensas ou por medo das punições, proporcionando
julgamento crítico diante das situações, escolhas éticas e
autoconfiança.
Desde cedo é possível inserir conceitos de respeito,
cooperação e responsabilidades no cotidiano das crianças,
para que elas compreendam que vivemos em um sistema
social e familiar com regras e leis, organizando nossa
convivência com as pessoas, visando o bem estar de todos.
Encorajando os filhos:
como conseguir cooperação nos combinados
Jessica F. de Aguiar Bueno - CRP: 06/101622
54
Para que eles pratiquem as suas
responsabil idades frente às regras e aos
combinados, é sugerido aos pais que organizem
uma rotina para os fi lhos, considerando a idade
da criança, as tarefas comparti lhadas, as
atividades individuais e os horários e o tempo
para cada atividade.
Sabemos que nem todas as crianças cooperam
todo o tempo com a rotina planejada, muitas
vezes reagem com resistência, disputa de poder,
barganhas e choros, seja na hora da tarefa
escolar ou das refeições, não querem cumprir os
combinados, evitam interromper uma brincadeira,
não estudam para provas. Tais comportamentos
são desafiadores e geram situações de estresse
para todos.
Quando somente os pais estipulam e
impõem a rotina da garotada, sem a
participação delas, não promovem o
senso de pertencimento, possibil itando
reações desagradáveis nos fi lhos que
buscam reconhecimento e aceitação.
55
Os filhos se sentem motivados a colaborar quando
participam do planejamento das atividades. Muitos podem
achar que isso é deixar a criança fazer o que quer,
perdendo o respeito e controle, e é exatamente o
contrário, estão validando sentimentos, praticando a
escuta ativa, estreitando vínculos afetivos e estimulando a
participação na resolução de conflitos.
Elaborem JUNTOS um quadro de rotinas,
conversem e l istem as tarefas diárias, demonstre
interesse por todas as ideias que surgirem;
E como fazer meu filho cooperar
com os combinados familiares?
Com as tarefas e horários l istados, incentive que
o fi lho escreva, desenhe ou confeccione o próprio
quadro, colocando a “mão na massa”. Mais um
ponto positivo para o senso de pertencimento e
conexão com a rotina;
56
Faça acordos, ofereça escolhas limitadas sobre o
momento e tempo de duração para cada atividade: 
“Você quer primeiro assistir TV e depois fazer a lição, ou fazer a
lição primeiro para depois assistir?”; “Você pode usar o celular por
20 minutos e o videogame por 10 minutos, ou prefere usar por 15
minutos cada?”
Fale sobre os objetivos e/ou benefícios de cada atividade;
Os pais também devem agir conforme os combinados,
lembrem se que crianças buscam modelos de
comportamento;
Supervisione e acompanhe as tarefas e não faça por eles
o que eles podem fazer sozinhos;
Explique sobre a possibilidade de surgirem imprevistos,
afinal podem acontecer mudanças no meio do caminho;
Não os recompense com presentes ou dinheiro, já que o
objetivo é que os filhos cooperem com os combinados por
eles mesmos e por suas escolhas éticas.
57
Quando o combinado não for respeitado mostre que notou
e permita que a criança pense sozinha em como resolver.
Pergunte: “Qual foi nosso combinado?”. Afirme: “Vi que sua
cama está molhada, pois há uma toalha nela”; “Percebi
que há roupas sujas fora do cesto”; “Notei que há trabalhos
escolares a fazer”
Valide os sentimentos: “Eu sei que está bravo e não quer
desligar o computador agora e qual foi nosso combinado
sobre isso?”; “O que você pode fazer para ir ao banho na
hora certa?”.
"Crianças são muito mais dispostas a
respeitar os l imites que elas ajudaram a
criar com base em seu entendimento
sobre porque eles são necessários e
como ser responsável por eles.”
(NELSEN, 2015,p.15)
Instagram: @jessica.psicoeinfancia
WhatsApp: (11) 97693-9483
E-mail: psicologiaclinica.jessica@gmail.com
Telefone: (11) 4107-0875
58
Atualmente, através das redes sociais e outros meios de
comunicação, nos deparamos frequentemente com
problemas relacionados às crianças e adolescentes por
indisciplina e desrespeito a pais e professores, o que faz
com que ambos sintam-se muitas vezes desencorajados de
prosseguir nesta missão que é de suma importância para a
construção de um mundo melhor. 
Pensando em auxiliar neste processo, a Disciplina Positiva
nos traz técnicas e ferramentas que de uma forma
encorajadora e amorosa possam auxiliar os pais e
professores desenvolver nas crianças e adolescentes
valores e habilidades de vida.
Na disciplina tradicional o foco é ensinar às crianças o
que não fazer ou o que fazer porque alguém disse que é
assim que deve ser feito. 
Na Disciplina Positiva o foco está em ensinar às crianças
o que fazer convidando-as a refletir sobre a situação e a
usar algumas orientações básicas tais como respeito e
disposição para achar soluções.
Focar na solução e não no problema
Rozinir Aparecida Trombeta Chappuis - CRP: 12/04049
59
Elas deixam de ser apenas receptoras passivas e
passam a ser participantes ativas no processo.
Fazendo com que sintam-se motivadas e comecem
a fazer melhores escolhas de comportamento
porque sentem-se respeitadas e aprendem a
respeitar os outros também.
Quando pais e professores  focam  na solução e
não no problema isso faz com que o clima familiar
e escolar sejam muito mais harmoniosos e as
crianças e adolescentes aprendam a se relacionar
de forma positiva e adquiram habil idades e
estratégias para trabalhar novos desafios.
Identificar o problema.
Pensar no maior número de soluções
possíveis.
Escolher uma solução que todos aceitem.
Testar a solução por uma semana.
Avaliar. Se não funcionou, iniciar o
processo novamente.
O tema do foco em soluções é : Qual é o
problema e qual é a solução?
60
As crianças são muito criativas e podem auxil iar
na resolução de problemas, mas precisam que os
adultos invistam tempo em treinamento e criem
oportunidades para que elas possam usar estas
habil idades. 
Uma das ferramentas da disciplina positiva é a
reunião de classe/família, que pode ser uti l izada
não apenas para resolver problemas, mas também
para ensinar valiosas habil idades de vida dando
oportunidade para as crianças melhorarem sua
autoestima e seu desempenho.
Nestas reuniões pode ser utilizado o método 3
R´s e 1 U (relacionadas, respeitosas, razoáveis
e úteis).
a consequência deve estar l igada ao
comportamento..
a consequência não deve envolver culpa,
vergonha ou dor e sim ser aplicada de forma
gentil e firme.
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RespeitosasRespeitosasRespeitosas
61
Formar uma roda.
Praticar reconhecimento e apreciação.
Criar uma pauta. Desenvolver habil idades de
comunicação.
Aprender sobre realidades diferentes.
Dramatizações e discussões.
Reconhecer os quatro motivos pelos quais as
pessoas fazem o que fazem.
Focar em soluções não punitivas.
Existem alguns aspectos fundamentais para que
as reuniões de classe/família sejam eficazes:
a consequência não inclui tirar vantagem , sendo
razoável do ponto de vista da criança e do
adulto.
escolher a solução mais adequada para situação.
RazoáveisRazoáveisRazoáveis
ÚteisÚteisÚteis
62
Os pais e professores devem ser objetivos e não
expressar julgamentos , mas isto não significa que
não podem ter voz durante as reuniões, pode-se
colocar itens na pauta e dar sua opinião.
Para que o foco na resolução do problema na
abordagem da Disciplina Positiva obtenha
eficácia não depende apenas das atitudes das
crianças e adolescentes, mas também das
atitudes dos adultos de respeito mútuo,
perseverança, calma e preocupação com os
efeitos em longo prazo, pois não é possível que o
resultado seja imediato.
Assim como em outras ferramentas exige-se por
parte do adulto (pais e professores) paciência e
persistência para que a cooperação,
autodisciplina, responsabil idade, resil iência,habil idades de resolução de problemas e
habilidades de vida possam ser alcançadas pelas
crianças e adolescentes e os comportamentos
desafiadores sejam trabalhados.
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63
Você tem encontrado dificuldades para tirar
as crianças da tela para fazer as principais
refeições? Pararam ou diminuíram as
conversas olho no olho? Não conseguem
interagir com seu filho(a)? Não conseguem
conversar no carro porque estão conectados
ao tablet ou celular?
A sociedade mudou nos últimos anos e vimos uma
crescente influência do mundo digital nas nossas vidas e
de nossos filhos. Não temos como mudar essa realidade,
mas podemos controlar o uso excessivo de eletrônicos no
dia a dia, já que pesquisas apontam inúmeros malefícios
desse uso abusivo em nossa saúde.
Dentre os efeitos negativos do uso excessivo da TV, dos
jogos eletrônicos, do computador e da internet em crianças
e adolescentes podemos mencionar: 
A batalha contra o excesso do uso
de eletrônicos
Adriane Ramiro - CRP: 04/14211
condiciona o cérebro a um estado superexcitado,
dificultando a concentração;
64
estimula o vício, diminui o rendimento escolar; traz
prejuízos para a criatividade; 
traz alguns problemas de saúde como aumento de
peso, tendinite e dores na coluna. 
Outro aspecto importante é que propicia o
isolamento e comportamento antissocial.
Abaixo 10 sugestões de como podemos agir utilizando
princípios da Disciplina Positiva.
 
1- Elimine a batalha decidindo o que você fará, sendo
gentil e firme.
2- Envolva as crianças na criação de acordos sobre quanto
tempo é razoável para o uso de equipamentos eletrônicos.
3- Ofereça escolhas limitadas. Ex: “Você pode jogar meia
hora no videogame ou ficar meia hora no tablet”; “Você
pode assistir à TV por trinta minutos antes do jantar ou
depois do jantar”.
4- Não coloque TV nos quartos e não permita o uso de
computadores, tablets ou celulares nesse ambiente. O
quarto deve ser o lugar de descanso.
5- Converse com seus filhos sobre o que eles estão
assistindo e regule conteúdos inadequados.
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6- Desligue a TV ou tire o eletrônico quando houver brigas
entre irmãos.
7- Não faça o que você proíbe, como por exemplo, usar o
celular durante as refeições.
8- Use a reunião de família para discutir o uso de
eletrônicos e explique porque a limitação.
9- Ajude a criança fazer uma lista das atividades de que
gosta e que poderá consultá-la quando estiver entediada.
10- Evite utilizar eletrônicos para seu filho se acalmar. Ele
precisa desenvolver outros recursos para regular as
emoções desagradáveis.
Limitar o tempo de uso de tela não é uma tarefa fácil, mas
temos que pensar em longo prazo. Precisamos deixar que a
criança tenha mais tempo livre, que descanse o cérebro,
que utilize sua inteligência natural para desenvolver a
criatividade. Assim ajudaremos nossas crianças e
adolescentes a desenvolverem habilidades de vida como:
planejamento, hábitos não abusivos e discernimento para
filtrar informações desencorajadoras.
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66
Será que isso é efetivo? Como você tem ajudado as
crianças a lidarem com suas emoções?
As crianças também tem as suas próprias emoções e
sentimentos como: raiva, tristeza, amor, nojo, alegria e
medo; e, como ainda estão em fase de desenvolvimento, é
função dos pais ajudá-las a reconhecer qual emoção
estão sentindo, nomear essas emoções e dar suporte para
que elas possam expressar o que estão sentindo.
Isso contribui de maneira significativa para que, aos
poucos, tenha mais autonomia para autorregular, ou seja,
para lidar com essas emoções de maneira assertiva e que
não traga prejuízos para si ou para outras pessoas ao
redor. Por exemplo: a criança pode sentir raiva e isso é
normal, mas não pode bater ou machucar as pessoas à sua
volta em função dessa emoção (SCHWARTZ; LOPES, 2015).
Como encorajar o meu filho a lidar
com as suas emoções?
Léia da Rosa dos Santos - CRP: 08/22524
Quem nunca ouviu a frase “engula o choro”
ou até mesmo falou isso para uma criança
em um momento em que as emoções
estavam mais intensas, e que ela estava
chorando ou muito descontrolada? 
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Ao validar os sentimentos e emoções, estamos
encorajando a criança a conhecer, expressar e
autorregular as suas emoções e lhe dando espaço
para que desenvolva habil idades sociais que
acompanharão sua vida. Essa validação pode ser
feita através de frases simples, como por
exemplo:
Essas simples perguntas ajudam a criança a sentir que é
aceita, que é importante e que está segura. E ainda damos
um tempo para que ela organize os pensamentos e as
emoções.
Sentir certas emoções podem causar desconforto muito
grande, e como não podemos evitar sentir uma emoção,
podemos aprender a identificá-la, nos acalmar primeiro e
depois tomando decisões.
Como você está se sentindo?
Percebi que você está brava. É
isso mesmo?Como fica o nosso rosto
quando sentimos raiva,
alegria, tristeza, amor e nojo?
O que você acha que te
ajudaria a se sentir melhor
nesse momento?
Em qual parte do corpo você
está sentindo essa emoção?
O que você acha de se acalmar
primeiro e depois procuramos
soluções pra resolver isso?
Eu entendo que você esteja
muito frustrada agora e por isso
está chorando.
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Isso ajuda a desenvolver autocontrole e diminui também o
comportamento impulsivo, de agir primeiro e só pensar
depois que já teve aquele comportamento de bater, xingar
ou morder, além disso ajuda a criança a perceber que as
vezes ela está alegre, mas que em algum momento pode
sentir raiva ou tristeza e que sentir as emoções não é o
problema, mas que é necessário prestar atenção como
reagimos em função daquela emoção. 
Com a ajuda da criança, podemos criar um
espaço da pausa positiva e o objetivo é que ele
seja usado quando a criança precisa se acalmar e
se sentir melhor. Esse espaço pode ter um tapete,
uma caixa com canetinhas, lápis de cor e folhas
de papel, bichos de pelúcia para serem
abraçados, travesseiro, bolinha para a criança
apertar quando sentir raiva, bolhas de sabão, etc.
Então, quando a criança apresenta um mau comportamento
é uma excelente oportunidade para ensiná-la a lidar com as
suas emoções: acolhendo, validando e encorajando a
expressar o que está sentindo. E quando a criança estiver
mais calma, conversar e construir junto com ela alternativas
do que fazer quando sentir novamente tais emoções, para
que ela possa se sentir melhor para agir melhor.
69
Neste espaço podemos também colocar figuras ou
imagens com dicas para ajudar a se acalmar, como por
exemplo: contar até dez, cheirar a flor e assoprar a vela
(que consiste em puxar o ar pelo nariz e soltar bem
devagar pela boca), apenas respirar mais devagar,
carinhas com as expressões das emoções para que ela
possa identificar qual emoção está sentindo naquele
momento, como se fosse um termômetro (FRIEDBERG;
HILLWIG McCLURE; 2011).
Criar uma caixa de ideias, para acessar quando a criança
se sentir entediada ou quando não souber o que fazer,
também é bacana. Essa caixa de ideias pode ser feita com
figuras recortadas que lembre aquela atividade ou
situação, ou pode-se escrever em pequenos pedaços de
papel, por exemplo: pular corda, fazer a respiração da flor
e da vela, escolher um jogo, brincar com o animal de
estimação, etc. Todas as situações é importante que
tenham sido pensando em conjunto com a criança. 
Um outro recurso que pode ser feito é a caixa da raiva,
nessa caixa é importante que tenha folhas de papel, lápis
de cor, giz de cera, canetinhas e outros materiais que a
criança possa usar. Então, explicar para a criança que
quando ela sentir raiva, poderá desenhar sua emoção no
papel e expressar ali tudo o que está sentindo.
70
Isso ajuda ela a expressar a sua emoção e validar
os seus sentimentos mesmo aqueles que causam
desconforto ao sentir.
Ajudar uma criança a expressar suas emoções,
também contribui paraque ela desenvolva sua
autoestima e autoconfiança, sua capacidade de
adaptação e resil iência e com isso tenha suporte
para l idar e enfrentar os desafios da vida.
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Facebook: Psicóloga Léia da Rosa dos
Santos
71
Ao longo dos tempos tem-se verificado mudanças
significativas na forma de educar os filhos e, neste
processo, alguns genitores aprenderam uma forma de se
comportar com os adolescentes acreditando que os
estavam encorajando. Contudo, observou-se dificuldades
em uma conexão assertiva, prejudicando as relações. 
Esta questão é uma constante em minha atuação junto aos
adolescentes e seus genitores e a comunicação é um dos
fatores que fica comprometido, já que o jovem tenta
construir sua identidade testando limites, partilhando mais
seus afetos e as suas preocupações com amigos do que
com os pais. Este capítulo tem como objetivo incentivar
pais e filhos adolescentes a melhorarem a conexão, para
que possam construir uma comunicação assertiva e
encorajadora.
Desenvolvendo uma comunicação de qualidade entre
pais e filhos adolescentes:
Vamos refletir juntos: Em algum momento você e seu filho
realmente escutam um ao outro? O que prejudica a
comunicação entre vocês? Será que seu filho conversaria mais
com você, caso ele se sentisse realmente ouvido, compreendido
e levado a sério?
Melhorando a conexão entre pais e
filhos adolescentes
Keiko da Costa Oikawa - CRP: 10/02467
72
Durante a atuação com genitores e seus filhos adolescentes,
nota-se que muitas questões precisam ser cuidadas e
reformuladas, pois na maioria das vezes os pais levam tudo o
que escutam para o lado pessoal ou acreditam que falar é a
melhor forma de educar, mesmo percebendo que este
comportamento não funciona.
Ao tentar estabelecer uma conversa com o adolescente, eis
algumas questões que dificultam esta conexão:
Exemplo 1: Filho: “consegui arrumar a gaveta do meu armário”; Pais
respondem: “não foi assim que te ensinei, você não faz nada certo”.
Exemplo 2: Filho: “Estou tendo dificuldade em física, tirei nota
baixa...”; Pais interrompem filho: “Nossa, você só me decepciona,
aposto que aquele seu amigo se saiu bem”.
Por não terem aprendido outra forma de agir, estes são
alguns comportamentos que muitos pais acreditam que
estão motivando o adolescente a melhorar, contudo eles
acabam desencorajando os filhos, que passam a acreditar
que realmente não são capazes de fazer algo bom, se
acham péssimos filhos(as), e isto reflete de forma negativa
em como se percebem. 
Logo, preferem ficar com os amigos ou no mundo dos
eletrônicos, pois nestes contextos acreditam que são aceitos,
aumentando, assim, a distância entre os pais e seus filhos
adolescentes.
73
Diante destes exemplos e de outras questões que são
observadas, é importante que os pais desenvolvam
uma postura que demonstre que se importam com o
que o adolescente quer passar: procure ficar em
silêncio ao ouvi-lo, já que ouvir e falar ao mesmo
tempo impede uma conexão verdadeira e as
dificuldades tendem a aumentar.
Valorize o engajamento do seu fi lho (a) em tentar
lidar melhor com as dificuldades, por exemplo: “Que
bom ver o seu empenho em arrumar suas coisas”, ou
“Entendo que você esteja com dificuldade em física,
o que posso fazer para te ajudar?”
Ter uma escuta ativa e uma postura empática,
demonstrando interesse no que o adolescente quer
dizer, não significa que você concorda com tudo com
o que o jovem faz ou pensa, mas sim que você está
tentando entender o mundo do seu adolescente, para
poder encorajá-lo. Além disso, evite compará-lo a
outros jovens, isso deixa seu fi lho(a) desestimulado.
Reserve um tempo de qualidade para conversar ou
fazer alguma programação só com o(a) adolescente.
Então, o que os adolescentes pedem aos pais para
melhorarem na forma de se comunicar?
74
Demonstrar interesse em compreender o
adolescente é estar disposto a respeitar a sua
realidade. E com isso, a probabilidade dos jovens
escutarem o que você tem a dizer e a verem
sentido no que estão pedindo tende a aumentar,
melhorando a conexão entre vocês.
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E-mail: keikooikawa@hotmail.com
75
Vamos falar de rebeldia 
na adolescência?
Quando se fala em adolescente, uma das coisas que se
passa pela cabeça do adulto é a rebeldia. E por que será?
Adolescência é a passagem da fase de criança para a
vida adulta e isso gera uma confusão na cabeça do
adolescente, pois não é nem um e nem outro. Uma mistura
de emoções, mudanças no corpo, no comportamento se
manifestam nele, se questionando quem ele realmente é. É
uma fase em que o auxílio dos pais é muito importante.
Um erro dos adultos é pensar que o adolescente
já é um adulto, que deve ter responsabilidade e
saber bem as consequências dos seus atos, mas
não é bem assim. O adolescente ainda está
instável, procurando por equilíbrio e tentando se
adaptar a essa nova fase de sua vida. Por isso,
ele vai em busca de novas experiências de vida,
buscando grupos para se sentir pertencente e
aceito, buscando sua identidade.
Outro erro é acharem que, por já terem
experienciado essa passagem, já sabem o que
é certo e o que é errado e assim tentam impedir
seus filhos de fazerem o mesmo, querendo livrá-
los das dores, do sofrimento.
Fabiana Benedetti - CRP: 06/144821
76
Os pais não sabem que ao proibi-los fazem com que seus
filhos não aprendam as habilidades de vida,
superprotegendo-os não ganham experiências, não geram
independência para buscarem soluções e, quando são
impedidos de realizarem o que desejam fazer, se rebelam
e os adultos não entendem o porquê.
O mundo hoje é outro, tudo está diferente do seu tempo. E
você, pai, mãe, professor, enfim, busque avaliar seus
próprios sentimentos e se coloque no lugar do outro.
Antigamente não tinha uma educação emocional e a partir
do momento que você compreende os sentimentos do
adolescente, que você compreende seu mundo interno, as
coisas ficam mais fáceis de lidar.
Os adultos costumam achar que
estão ajudando os filhos agindo
desta forma, para que não errem,
para que não passem pelo que
passaram, mas pense comigo: se
eles não passarem por essas
experiências agora, como isso será
em longo prazo? Como vão
aprender a resolver seus problemas
no futuro? Como vão ganhar
independência e autoconfiança?
77
Abram espaço para ele
falar, discussão que um não
deixa o outro falar, que um
sobrepõe a voz do outro
não leva a nada. Gera uma
briga de poderes, os pais
ficam irritados pensando
que estão perdendo a
autoridade, o adolescente
não se sente aceito, amado
e compreendido, alguém
pode falar algo que vai se
arrepender depois, e isso
pra quê? No fim nada se
resolve, tudo sai pior que
antes e cada vez mais vai
aumentando a distância
entre vocês.
Então, vamos supor que seu filho fez algo que não lhe
agradou, você inicia o assunto e ele logo responde de uma
forma desagradável, acostumado com essa situação. 
JANEJANEJANE 
NELSENNELSENNELSEN
De acordo com Jane Nelsen, a melhor
maneira de você lidar com isto de uma forma
gentil e firme é sair do local. Assim que
ambos estiverem mais calmos, poderão agir
melhor. 
78
É importante dizer que respeita os sentimentos
dele e que a forma que está l idando com isso não
é uma boa maneira, então avise que em momentos
como este você sairá do ambiente caso se sinta
desrespeitado. Mostre que ele é amado e que
assim que te tratar com respeito, receberá com
prazer sua ajuda para l idar com seus problemas,
suas frustrações e buscarão soluções juntos para
as mesmas.
Desta forma, aproveite
esse momento para falar
sobre emoções, ajudá-lo
a lidar com seus
sentimentos, busquem
formas dele poder
enfrentar isso sem
machucar os outros e a
si mesmo. 
Vale ressaltar que seu tom de voz também deve
ser gentil , pois o jeito como falamos transparece
nossos sentimentos. Então, não adianta jogar as
palavras para fora sendo que seu tom de voz não
está congruente com aquilo.
79
Apalavra chave para uma boa conexão é a
empatia, o que os adolescentes mais precisam
nesses momentos é serem ouvidos e saberem que
podem contar com seus pais, sem medo de serem
julgados ou humilhados. A partir disso, eles se
sentem mais relaxados para comparti lhar o que
quiserem com os pais.
Então, para finalizar, lembre-se de se controlar
para não gritar na primeira oportunidade, quando
você se controla e se acalma você ensina o outro
a fazer o mesmo.
Deixe claro ao seu fi lho que ele é amado e
aceito, lhe dê ouvidos, ouça com empatia e
acolha os sentimentos sem julgá-los.
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E M P A T I A
80
Comunicação Encorajadora: Uma forma
de lidar com os medos infantis
Fernanda Cañete Vebber - CRP: 07/11734
A todo instante as crianças estão diante de possibilidades
de aprendizagem e de ampliar seu repertório de
habilidades. Situações estas que fazem com que elas se
deparem com o desconhecido, sendo importante encontrar
no adulto o reconhecimento de seus movimentos de
constante crescimento.
Toda vez que enxergamos uma conquista da criança e
mostramos a ela seu feito, estamos encorajando-a. “Você
percebeu que já consegue realizar isto!”. Encorajamento
diz respeito a inspirar com coragem e direciona-se ao
feito, à tarefa. Considerando o desenvolvimento
socioemocional, o encorajamento possibilita que as
crianças desenvolvam o senso de ser capaz, de poder
contribuir com os outros, o autocontrole e, sobretudo,
fortalece a autoconfiança. Vamos ver isto numa situação
prática, de vida real. Minha filha está vivendo a transição
para a segunda dentição, e, certo dia, no café da manhã,
veio até meu ouvido: “Mãe, meu dente está me
incomodando!”
“Crianças precisam de encorajamento, assim como as
plantas precisam de água”. Essa frase de Rudolf Dreikurs
se aplica a todos nós e revela o potencial do
encorajamento para o desenvolvimento humano.
81
Mesmo com medo, ela estava certa de que queria terminar
com isto, mas eu sabia que ela precisava de certo tempo
para calibrar a coragem já que há dias essa situação
estava presente. Fui apresentando possibilidades a ela,
lançando perguntas que a fizessem pensar sobre como
seria possível resolver o problema: quer tentar arrancar seu
dente sozinha, como você já fez antes? Quer me deixar
verificar como o dente está, e decidimos juntas sobre o que
fazer? 
O medo veio com tudo, tornou-se grandioso, quis tomar
conta, com choro e desespero. Diálogo intenso. Hora de
um caloroso abraço.
Tem horas que um abraço é tudo e o melhor a fazer, cria
uma atmosfera de encorajamento. 
Viajei em mim: o que faço quando sinto medo? Além de
reconhecer que havia o medo, na situação dela, foi
importante ela perceber que ela era maior que o medo,
que o medo a habitava neste momento, mas que, em seu
diálogo interno, ela é quem daria o comando, não seu
medo. 
Abracei-a, disse que eu estava com ela e
que me dissesse de que forma ela achava
que eu poderia ajudá-la. Ela não sabia.
Questionei, então, se gostaria de tentar
resolver naquele momento ou mais tarde.
82
Encorajador. Inspirar com coragem. Desde o início eu dizia
para ela confiar em mim. Ao me questionar se sentiria dor,
não disse que não, mas lhe afirmei que o que quer que
acontecesse, eu poderia ajuda-la a resolver. Isso eu podia
garantir a ela. 
O tempo foi passando, e, por vezes, gentil e firme, retomei
a pergunta: quer resolver agora ou mais tarde? Acolhia-a,
encorajava-a, percebia que me mantinha conectada com
ela e que, o que quer que lhe acontecesse, estávamos
juntas. 
Aproximando-me do ponto de vista dela, de criança, voltei
a minha infância, sentindo a importância de não estar só
diante de um desafio. E, de repente, encorajada ela
estava, e me solicitou que arrancasse seu dente. Sentimos
alívio juntas. 
Ao final, seu olhar amoroso, os abraços de
uma cumplicidade vivida, conexão,
proximidade, confiança ampliadas. Percebi
que o reconhecimento de sua melhora foi
encorajador e lhe motivou a continuar com
seus esforços.
Seu choro foi se acalmando e foi possível conversar.
Reconheci nela esta conquista: “Você está indo muito bem,
viste que agora estamos conseguindo conversar!”.
83
As intervenções em educação parental embasadas
na validação, aceitação e reconhecimento de
quem é a criança, l ivre de comparações,
julgamentos e expectativas sobre seu
comportamento, são encorajadoras.
Algumas atitudes do adulto encorajadoras são:
aceitar e respeitar a criança como ela é, ser
paciente e acolhedor com o desenvolvimento da
criança, focar a atenção nos comportamentos
positivos da criança, oferecer oportunidades para
a criança desenvolver habil idades de vida que
levem-na a ter sucesso, ser um apoio
incondicional. 
Pense por um momento, se você estivesse diante
de uma situação que lhe deixa assustado e lhe
desperta medo.
Registre o que seria encorajador para você. E se
você fosse a criança que foi um dia, passando por
uma experiência de vida que lhe desperta medo,
como, por exemplo, seu primeiro dia de aula na
nova escola, você diria a essa criança a sua
frase?
Que frase você sente que se a ouvisse
faria você se sentir melhor e te
fortaleceria?
84
Estar consciente das vivências de infância que
nos habitam possibil ita-nos agir com maior
consciência e coerência para uti l izar práticas
encorajadoras na educação dos fi lhos. 
Instagram: @fernandacanetevebber
WhatsApp: (54) 99105-2841
E-mail: fernandavebber@gmail.com
E lembre-se que uma criança encorajada aprende
a acreditar em si mesma, ser autoconfiante, o que
a auxil iará a enfrentar os desafios da vida.
85
Você já reparou como esse tema pode ser visto através de
diversos olhares? A mentira apresenta a não verdade sobre
algo, que por algum motivo está sendo ocultada pelo
contador da história. A pergunta é: por que mentir? 
A criança ou o adolescente apreende o ambiente em que
está. Vai captando aquilo que o cerca, observa a
comunicação verbal e não verbal, as expressões, as
reações e as atitudes. Se o ambiente é seguro, a confiança
se instala e é possível se expressar de maneira verdadeira
em sua essência. Se o meio é hostil, é provável que a
verdade interna seja preservada e o medo se instale.
Ocorre que todos temos a necessidade de sentir que
somos pertencentes ao grupo que estamos.
A mentira tanto pode ser um equívoco de interpretação de
quem escuta a história, como pode ser intencional. Ambas
situações demonstram a falta de uma comunicação mais
assertiva entre as partes envolvidas.
A mentira fantasiosa pode ocultar a necessidade de
aprovação e aceitação pelo meio em que está.
Como lidar com a mentira
Silmara A.Z. Mostaço Franzese - CRP:06/43304
86
Quando não sentimos que somos escutados, ou temos
dúvidas sobre nossa aceitação no grupo, surgem sentimentos
de medo e desaprovação. Reforçando sentimentos de
autoestima rebaixada, a falta de confiança em si mesmo e
favorecendo que a verdade seja preservada. Surge então a
mentira, como uma forma de não ser rejeitado pelo grupo e
de fazer o que quer sem interferência do outro.
O problema ocorre quando esse comportamento se
transforma em um hábito, e pior ainda, quando isso é
reforçado pelo adulto como um rótulo. Exemplo: "Você é um
mentiroso, ninguém nunca vai acreditar em você!". Pronto,
este é um convite a um reforço negativo e, assim como o
medo da rejeição ativa o instinto de preservação, surge a
tensão, o estresse e a verdade fica cada vez mais
escondida.
O que fazer?
Primeiro, precisamos entender que toda mentira precisa ser
compreendida, dialogada, necessitando de um ambiente
que encoraje e facilite para que a verdade venha à tona.
Observe o quanto o mistério é algo que nos gera curiosidade
e também cria fantasias. Um exemplo disso são os segredos
em família.
87
Dicas importantes para lidar com a mentira:
- Encontre um diálogo acolhedor, uma abordagem que
permita a abertura e a confiança.
- Observe seus sentimentos e como vocêreage ao
comportamento da criança ou jovem ao mentir.
- Perceba e observe o que tem por trás do comportamento
de quem está mentindo.
- Procure fazer reuniões em família onde a opinião do
jovem seja reconhecida e aprecie os comportamentos que
deseja que sejam expressos como verdade.
O segundo ponto importante são os exemplos que damos:
como o filho ouvir o pai contanto uma mentira para não
falar com alguém ao telefone, ou contanto uma história
mentirosa para se livrar de um cliente que quer vender
algo; enfim, tudo isso é ensinado.
A mentira no jovem pode ser uma grande oportunidade
para pais e educadores reconhecerem a necessidade de
auxiliar e encorajar a pessoa a ser ela mesma. Ser mais
confiante de sua opinião e saber que não irá agradar a
todos sempre e tudo bem.
O reforço de rótulos, julgamento, só desencoraja que a
verdadeira essência da pessoa se revele.
88
- Mostre a importância e liberdade da verdade e encoraje
sempre a virtude da criança ou adolescente em ser
verdadeiro, ajudando-o a encarar os propósitos, objetivos,
apesar de qualquer contrariedade e desafio que se
apresente no caminho.
Lembre-se que atividades em família são muito
fortalecedoras para a construção dos laços de confiança,
principalmente quando se permite que os sentimentos
sejam compartilhados e as habilidades reconhecidas.
Crie conexão com seu filho/cliente/aluno, o encoraje-o a
ser verdadeiro, essas ações favorecem a construção do
caráter, auxiliam no desenvolvimento de habilidades
sociais, ajudando o jovem a se sentir capaz e verdadeiro
na vida.
A educação pautada em valores humanos, baseada em
respeito, na valorização do outro e de si mesmo, com uma
comunicação assertiva e encorajadora, transmite
segurança, respeito e reciprocidade. Com isso, tenha
certeza que os resultados serão muito mais efetivos.
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silmarafranzese70@gmail.com
89
A criança é um ser biopsicossocial, que se desenvolve
mediante diversos fatores, dentre eles, o biológico, social e
afetivo. Sendo assim, a relação que se estabelece no meio
familiar é de fundamental importância para a constituição
da personalidade, haja vista que as figuras materna e
paterna são extremamente relevantes para a sua saúde
psíquica. 
Entretanto, a criança imita as posturas que os pais
transmitem, seja com o olhar, a fala ou mímica, por conta
dos neurônios espelhos, os quais ela se conecta para se
expressar.
As crianças perfeccionistas imitam a forma perfeccionista
de seus pais. Elas têm um alto padrão de exigências para
consigo e para com os outros. A exatidão de detalhes tem
para elas um significado muito grande. Muitas vezes, elas
definem sua autoestima de acordo com o resultado do seu
esforço e do resultado de suas atividades. Quando não
conseguem realizar uma tarefa de acordo com o seu
desejo, a auto exigência leva à um sentimento de fracasso,
manifestando crises de raiva, de pânico, ansiedade e
insegurança, somatizando no corpo através de vômitos,
dores de cabeça, tensão muscular, gagueira, problemas
digestivos.
Como lidar com criança 
perfeccionista e insegura
Zuleide Soares da Nóbrega - CRP: 02/10510
90
Veja, todas as vezes que a criança produz um bom
trabalho, ela é extremamente elogiada e coberta de
carinho e amor. Quando seu trabalho não está à altura da
expectativa de seus pais, ela é privada de amor. Como
para a criança o amor e a atenção dos pais são absoluta
prioridade, ela aprende que precisa ser perfeccionista e
não errar.
Muitas vezes os pais não reconhecem que têm esses traços
de comportamento, porque foram pais que receberam dos
seus pais a perfeição das notas e da melhor colocação em
seus esportes, ou seja, sempre havia um “mas” ou um “você
pode melhorar”. Como este foi o ambiente em que eles
foram educados, consideram que é a forma como devem
educar seus filhos. No entanto, esta decisão tem graves
consequências.
Esses pais nunca admitem que rejeitam seus filhos, se
percebem bons pais no desejo de educar para a felicidade
deles no mundo, e não percebem que humilham,
desvalorizam e cobram de seus filhos muito mais do que
eles podem oferecer. Quando a criança chega na escola,
já formou uma imagem dela mesma e dali por diante essa
imagem será afetada por suas experiências com
professores e colegas. Por serem exigentes com suas
tarefas escolares tentam eliminar qualquer possível
fracasso, pois errar significa correr o risco de obter
desaprovação dos pais e professores.
91
Não podemos esquecer de falar aqui da criança
superdotada, onde o perfeccionismo é apenas uma
consequência da sua alta capacidade de pensamento
abstrato, já que a perfeição é um ideal abstrato. Ou seja,
a perfeição é um ideal abstrato que nasce da nossa
capacidade de pensar, então quanto maior a capacidade
de abstração, maior o perfeccionismo.
O perfeccionismo pode apresentar-se de maneira positiva
ou negativa, dependendo do grau, da intensidade e do
contexto onde ele aparece. Deve-se mostrar para a
criança que também é possível divertir-se e sentir prazer
com atividades que não requerem esforço ou com
atividades que não há nem competitividade, nem certo ou
errado.
Como ajudar a criança a ser menos exigente com
ela mesma:
O ambiente é determinante para promover uma maior
segurança quando os pais sugerem alternativas para que
decidam entre duas coisas, mostrando à criança as
possibilidades em acessar suas habilidades e encontrar a
solução;
Motivar a criança transmitindo a segurança que lhe falta;
92
Sempre que a criança manifestar um comportamento
perfeccionista, converse com ela. Pergunte o que a
incomodou tanto, ensine-lhe outras maneiras de fazer as
coisas, ajude-a na sua tarefa. 
Preste atenção na sua reação aos erros dela explicando
que ninguém é perfeito e ninguém é bom em tudo. Fale
para a criança que fazer as coisas de forma perfeita não
faz dela uma pessoa de sucesso. Há muitas outras coisas
que influenciam no sucesso de alguém.
@zuleidenobrega_psi
WhatsApp: (81)99172-4923
E-mail:
zuleidesoaresdanobrega@gmail.com
Fazer uma autoanálise facilita na tentativa de ajudar a
criança a reduzir os excessos de perfeccionismo.
93
A adolescência traz muitas mudanças nos relacionamentos
entre jovens e adultos. Uma dessas mudanças é o
distanciamento do adolescente em relação aos adultos, esse
distanciamento faz parte do processo natural de
individuação e busca pela autonomia. 
A busca pela resposta de “quem sou eu” é o que move o
adolescente a iniciar o processo de distanciamento de sua
família e aproximação de seus pares, ou seja, aproximação
de outros adolescentes, com os quais eles se sente
pertencente, acolhido, respeitado e onde tem a
possibilidade de ter a sua voz ecoada.
O processo de individuação não é fácil, nem para o
adolescente e nem para a família, pois provoca
transformações no modo de funcionar da família, no qual o
adolescente passa a ser visto como rebelde, pois vai de
encontro com algumas questões que os pais esperam dele. E
aí é que vem a importância de mudarmos o nosso foco e
canalizar a energia para o processo de mudança natural da
adolescência e ver o que está escondido por de trás do
comportamento “rebelde” e, com sensibilidade e respeito, é
possível ver que não se trata apenas de rebeldia e sim de
individuação.
Importância do tempo de
qualidade com adolescentes
Ana Luísa Lemos Serra - CRP: 01/10957
94
Na grande maioria das vezes os pais interpretam a busca
pelos pares, a importância que a turma passa a ter para o
adolescente, como rejeição ou rebeldia, levando para o
lado pessoal. Mas tenha paciência, é apenas um período
da vida, e quando os adultos lidam com esse momento de
forma natural, com paciência e aceitação, desenvolverão
uma relação saudável com seus adolescentes,
possibilitando uma linda amizade e aproximação quando
eles chegarem na fase adulta.
Em resposta à esse distanciamento natural, os pais tendem
a acharque os adolescentes não os querem ao seu lado,
mas não é bem assim. Quando você consegue passar para
o adolescente que gosta de sua companhia, que se
interessa pelo seu mundo e que um momento com eles é de
extrema importância, eles tendem a curtir a sua
companhia.
95
E é aí que entra a energia do envolvente tempo de
qualidade. Esse tempo de qualidade permite reestabelecer
ou fortalecer a conexão com o adolescente de uma maneira
que realmente vale a pena. Quantas vezes você já observou
que estamos juntos fisicamente, mas não em nossa
totalidade?
O tempo de qualidade tem como objetivo permitir essa
conexão e aproximação com o adolescente em sua
totalidade e para isso não é necessário um dia inteiro! Dez
minutos já fazem toda a diferença, pois serão 10 minutos que
você estará ali, inteiramente com ele, de corpo, alma,
coração e ouvidos abertos, sem julgamentos ou críticas.
Vivemos em um momento de vida, corrido, com
transformações rápidas em função da tecnologia, grande
carga de trabalho no qual nos distancia de quem é mais
importante para nós. Mas pense comigo, se conseguimos
cumprir com nossos compromissos de trabalho, conseguimos
cumprir com os compromissos com nossos adolescentes. E
agendar um momento de qualidade com seu adolescente,
fará toda a diferença no desenvolvimento de seu filho.
No tempo de qualidade, é extremamente importante que
você se concentre no relacionamento e esqueça do
comportamento, criar confiança em vez de distanciamento é
quando conseguimos nos conectar com nossos adolescentes
e fazer chegar a mensagem do amor e aceitação.
96
O tempo de qualidade pode ser curto, e sabia que apenas
o ato de se sentar perto do adolescente e ficar ali, calado,
disponível para ele, mesmo que ele não queira conversar,
já promove aproximação? 
Para que o tempo de qualidade seja efetivo é necessário
que você:
Afinal de contas, foi um tempo que você destinou a ele,
passando a mensagem de que ele importa para você, que
sua presença te faz bem e que você quer estar com ele.
Esse tempo de qualidade nos relembra de que precisamos
entrar no mundo deles, e não apenas cobrar para que eles
entrem em nosso mundo.
Mantenha a boca fechada,
apenas ouça;
Mantenha seu senso de humor
intacto, olhe para o adolescente
como um adolescente;
Mantenha seus ouvidos aberto,
demonstrando curiosidade;
97
Cozinhem juntos;
Ouça as músicas preferidas dele, procure
entender o que a letra ou a batida da música
significa para ele;
Veja um vídeo do youtuber que ele mais gosta;
Jogue um jogo com ele;
Vejam fotos da infância do adolescente;
Conte algo engraçado que você fez na sua
adolescência, e suas experiências;
Façam exercícios juntos;
Gargalhem juntos;
Peça para ele escolher a atividade do final de
semana;
Com essas dicas, adultos e adolescentes podem
decidir juntos o que fazer, criando assim, os
momentos que fazem sentido para vocês e que
ficaram guardados na memória. 
Veja como pode ser simples ter um tempo de
qualidade com seu adolescente:
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
Mantenha seu coração emanando
calor e gratidão, demonstrando o
seu amor por ele;
Foque no desejo de compreender
o mundo adolescente, seja curioso
e não crítico.
98
10. Façam uma maratona da série preferida do
adolescente;
11. Pergunte o que teve de melhor na escola, em
seu dia, o que fez ele sorrir;
12. Façam as l istas de vocês sobre o que podem
fazer juntos;
13. Apenas esteja junto, 5 minutos, no qual você
deixe claro: "estou com saudades de você e esse
tempo é importante para mim".
Instagram: @analuisa_neuropsi
WhatsApp: (61)981663609
contato@analuisaserra.com.br
E X P E R I M E N T E A
M A G I A D O T E M P O
D E Q U A L I D A D E !
99
Certamente você deve conhecer dona
Florinda personagem da série
“Chaves”, e seu famoso bordão,
“Vamos tesouro, não se misture com
essa gentalha”, fazendo referência aos
pares do seu filho Kiko.
Então, é sobre esse comportamento dos pais que vamos
discorrer para buscar uma melhor compreensão sobre
nossa relação com nossos filhos e filhas e suas amizades.
Devem ou não os pais interferir nas escolhas dos amigos
dos filhos? Sim. Porém, respeitando as diferenças e agindo
com sensatez. É fato, todas as pessoas precisam de
amigos e, precisamos deles porque somos seres sociáveis.
Voltando ao nosso personagem o Kiko, vejamos que ele
tem amigos e, amigos esses que tem vidas diferentes e
seus conflitos, mas, quando estão juntos compartilham os
desafios que a fase da pré-adolescência e adolescência
traz. É nesse meio, que eles constroem suas identidades.
A interferência dos pais nas
amizades dos filhos adolescentes
Maria Islândia Rodrigues Moreira - CRP: 11/15541
100
Nessa dinâmica de construção da própria identidade que
entra o papel dos pais como orientadores, para que, junto
com os filhos, avaliem os pontos positivos e negativos das
relações de amizades e como estas são construídas. 
É preciso pontuar que uma amizade positiva é marcada por
atributos como lealdade, confiança, reciprocidade, suporte
emocional, companheirismo, e, por outro lado, a amizade
negativa se apresenta com rivalidades, conflitos e críticas,
causando prejuízos emocionais. 
Vale lembrar a frase que “quem encontra um amigo
encontra um tesouro”, mas, que o inverso também pode
acontecer. Dizer que ‘não se misture’ poderá ter efeito
contrário. Jane Nelsen, diz que, “as pessoas se saem melhor
quando se sentem melhor", ou seja, sendo reconhecidas, e
apreciadas por quem são, sendo motivadas e encorajadas.
Sendo assim, é preciso ter uma boa conexão com os
adolescentes.
"A adolescência é uma fase importante do
processo de crescimento. Durante essa fase, os
adolescentes tentam descobrir quem são e
tentam separar-se dos pais [...] O problema é
que durante esse período a maioria dos pais
usam muitos métodos parentais que tornam as
situações piores em vez de melhores".
(Jane Nelsen)
101
Há também os pais que costumam dizer “filho, eu sou seu melhor
amigo”, mas o fato é que nem sempre é bom ser amigo dos
filhos, pois cada pessoa que faz parte da vida desse
adolescente tem o seu papel: pai é pai, mãe é mãe, irmão é
irmãos e amigo é amigo. 
O problema acontece quando os papeis se invertem – pais
fazendo o papel de irmão e irmão fazendo o papel de pais – o
que causa uma grande confusão de inversão de papéis. Isso
poderá acontecer devido ao cenário atual ligado à rotina diária
de trabalho de alguns pais, que buscam compensar sua ausência
física se aproximando de forma amigável de seus filhos,
tornando-se amigos e acabam esquecendo do seu real objetivo.
Nesse momento esquecem que os filhos precisam dos amigos
para se desenvolverem socialmente.
A relação entre pais e filhos é mais profunda que uma amizade,
pois o seu papel é imutável representando uma figura de apoio e
inspiração. Por isso é importante lembrarmos do papel dos pais
na vida dos filhos e saber que nem sempre acertamos e, quando
isso acontece, poderá gerar prejuízos futuros, tais como: adultos
frustrados, pessoas incapazes de lidar com problemas, que não
aceitam ser contrariados, imaturos emocionalmente, que não
possuem autonomia e não sabem avaliar situações sem o aval de
alguém.
102
Muitos pais sentem medo de que o filho se envolva com
pessoas de má influência e esse medo é válido,
principalmente nessa fase da adolescência, por ser
considerada uma fase desafiadora por suas mudanças
psicológicas, sociais e físicas, onde acontecem os conflitos
internos e externos e que envolve comportamentos
imaturos e autocobrança. Mas tudo isso não é uma regra,
há casos e casos, pois cada pessoa é única com suas
experiencias de vida.
Dessa forma é importante
ensinarmos habilidades de vida para
os filhos através do diálogo,
intimidade, carinho, confiança,
gentileza com firmeza para que
tenham um adolescer mais leve e
feliz, num ambiente de acolhimento
e compreensão. 
“O desafio da criação os fi lhos consiste em
encontrar um equil íbrio entre nutrir,
proteger e guiar, por um lado, e permitir
que seu fi lho explore, experimente e se
torne uma pessoa independentee única, por
outro”. (Jane Nelsen)
103
Quando seu filho era ainda um bebê você preparou todo o
ambiente para recebê-lo. Para que ele desse os primeiros
passos, provavelmente você o encorajou: “você consegue!”;
“tente novamente!” e você fazia as escolhas por ele
(comidas, roupas e amigos). 
Embora o controle traga uma ilusão de sucesso e
segurança, isso tem curto prazo. Por isso é preciso ensiná-
los a fazer escolhos, ter responsabilidades, essas lhes
ajudaram a desenvolver habilidades sociais para a vida.
@islandiarodrigues.psi
islandiarodriguespsicologa@gmail.com
Se o adolescente está numa fase ruim, não
jogue a toalha, não desista. Desistir do seu
filho ou filha é desistir de si mesmo.
104
Muitos pais encontram dificuldades em lidar com o seu
filho adolescente, isso por que não conseguem aceitar ou
entender a individualidade e a forma desse filho expressar
as suas emoções. E essas dificuldades, quase sempre, não
são formadas de maneira consciente.
Esses pais vieram de uma educação, muitas vezes, rígida e
pouco aberta ao diálogo e a expressão de suas próprias
características, resultando numa forma de ser que reprime
e considera inadequada a individualidade, a expressão de
opiniões e emoções. Assim, ao lidar com um filho
adolescente, seja menino ou menina, esses pais não
conseguem elaborar de maneira simples que esse filho está
crescendo, possui sua própria personalidade e está
buscando sua forma de ser e estar no mundo.
Sendo assim, a Disciplina Positiva nos possibilita entender
que habilidades parentais podem ser desenvolvidas através
da busca por conhecimento e apoio, afinal, ninguém nasce
sabendo ser pai e mãe. Essa busca envolve também um
processo de autoconhecimento, de revisitar suas histórias e
identificarem suas próprias emoções, limitações e padrões
de funcionamento. 
Lidando com o crescimento e as
emoções dos adolescentes
Juliana Souza Evangelista - CRP: 03/17364
105
E é fundamental que pai e mãe tenham paciência consigo
mesmos durante esse processo pessoal, no intuito de
ressignificarem suas histórias, facilitando assim, a
compreensão do processo pelo qual seu filho adolescente
está passando.
Partindo desse ponto, e com base na Disciplina Positiva,
veremos três estratégias que os pais podem seguir para
que se inicie o processo de conexão com esse filho
adolescente, criando um vínculo saudável e respeitoso:
É essencial que os pais reconheçam a individualidade
desse adolescente, aceitando que ele cresceu e está
começando a se posicionar no seu meio social, possui seus
próprios gostos, vontades, sua forma única de se expressar
e agir. 
É claro que este adolescente ainda não tem maturidade e
conhecimentos para ser totalmente independente, mas o
fato de ser valorizado e respeitado pelos pais enquanto
indivíduo poderá tornar mais fácil o vínculo entre eles, uma
vez que ele se sentirá seguro de ser quem é na presença
dos pais.
Não é efetivo apenas impor regras ao adolescente e
esperar que ele obedeça e aceite a tudo calado.
Reconhecer a individualidade:
Desenvolver a comunicação efetiva
106
É preciso desenvolver uma relação de diálogo,
promover espaços de escuta, explicar e
esclarecer determinados assuntos, pensar junto
com ele em soluções que melhor se adeque a uma
situação que precisa ser estabelecida, e evitar
grandes discursos, ser mais objetivo, simples e
claro.
Para isso, os pais precisam assumir uma atitude
gentil , que valide os sentimentos desse
adolescente e crie uma conexão com ele,
possibil itando um estreitamento dos laços entre a
família, ao mesmo tempo em que são firmes e
deixam claro que é preciso haver l imites a serem
validados e respeitados, mas que estes podem ser
construídos de maneira conjunta.
A partir dessa conexão mais saudável, os pais
precisam confiar que esse adolescente é capaz
de pensar e agir por si mesmo, demonstrando isso
através de palavras e atitudes, estando presentes
para encorajar quando esse adolescente errar,
para que ele possa aprender a l idar com os erros
e as frustrações que surgirem, com as
consequências das suas escolhas, e não que
Confiar e encorajar:
107
paralise e se sinta incapaz diante das dificuldades que
enfrentar. Os pais devem ser o elo encorajador entre o
adolescente e suas experiências de vida.
Esse despertar dos pais sobre suas próprias questões e
emoções irá ampliar suas percepções para um educar mais
 consciente gentil firme respeitoso encorajador 
Dessa maneira, a partir do momento que o adolescente
começa a ser acolhido sem julgamentos e respeitado no seu
processo de individuação, os pais conseguirão estabelecer um
vínculo mais forte e de confiança com esse adolescente,
contribuindo para que seja desenvolvido nele um processo de
autoconhecimento e autoestima necessários para construir
habilidades de vida valiosas para terem um bom caráter,
autoconfiança, inteligência emocional, resiliência e empatia.
@julianasouza.psi
jse.ped@gmail.com
108
A ansiedade é um estado mental e corporal, que todos nós
sentimos. Ela atua como uma espécie de alerta e proteção
frente a situações que podem apresentar risco ou perigo.
Quem nunca se sentiu ansioso frente a uma apresentação
na escola, em um primeiro encontro ou situações de
mudanças? 
Ela se torna um problema quando seus sintomas aparecem
de forma intensa e excessiva, interferindo na vida cotidiana
e funcionalidade da criança.
Quais podem ser as causas da ansiedade infantil?
Muitas podem ser as causas, mas trarei aqui algumas
situações que podem te ajudar nesta compreensão.
Mudanças de escola, casa, cidade... Imagine você,
deixando seus amigos ou aquele ambiente que te fornecia
segurança e aconchego, se deparando com algo novo e
até então desconhecido. Quantas dúvidas, aflições, medos
e inseguranças surgem frente a esta situação? E muitas
delas podem ser desencadeantes da ansiedade infantil,
assim como perdas e acidentes traumáticos.
Ansiedade na infância: como
lidar?
Monique Mioralli - CRP: 06/133272
109
O excesso de tecnologia (tempo em frente a TV, celular,
computador, videogame) também é um fator importante a
ser considerado. Atualmente vivenciamos muito no mundo
digital e imediatista. Precisamos nos atentar ao excesso
que pode trazer importantes prejuízos na vida da criança.
Alguns comportamentos dos pais também podem contribuir
negativamente para a ansiedade nas crianças, como por
exemplo, cobranças para que a criança exerça e faça tudo
da melhor forma possível, a nível de excelência, sendo
difícil reconhecer seus esforços se a mesma não atingir
suas expectativas. 
Pois é, o excesso de cobranças para o alto desempenho
pode ser um fator ansiogênico. E, já parou para pensar
sobre seu próprio comportamento? Pais ansiosos podem
gerar crianças ansiosas! 
As crianças aprendem por imitação e observação, então,
se você age com constante medo, insegurança e
preocupação, a criança provavelmente terá o mesmo
comportamento perante situações difíceis.
Quais sintomas é importante observar?
110
Sintomas Emocionais: constante tensão, nervosismo,
sensação de que algo ruim possa acontecer, problemas
com a concentração, medo constante, dificuldade para
dormir e irritabilidade excessiva. 
Sintomas Físicos/corporais: respiração ofegante, falta
de ar, sudorese, tremores, dor de cabeça, agitação,
mudança de apetite.
Como posso ajudar meu filho?
Não existe uma receita de bolo, mas quero trazer algumas
informações que podem auxiliar na prevenção e
minimização da ansiedade infantil.
Primeiro é preciso entender que as crianças necessitam de
ajuda para compreender o que sentem. Elas não sabem
nomear seus sentimentos e muitas vezes não compreendem
o porquê estão sentindo ou agindo de determinada forma.
Precisamos emprestar nosso cérebro maduro para ajudar a
criança na regulação de suas emoções. Para isso,
precisamos estar conectados a elas, às suas necessidades.
Disponíveis para ouvir, acolher e orientar. 
Por mais que pareça algo bobo para você, para a criança
não é, então não desvalorize ou minimize seus medos e
preocupações.
111Seja um modelo de regulação e calma! Para isso, você
pode construir, junto com seu filho um “cantinho da calma”!
Este cantinho é um espaço onde a criança e toda a família
pode utilizar em momentos de inquietação, irritabilidade,
estresse, ansiedade. 
Organize a rotina! Junto com toda a família, pensem nos
horários e atividades (inclua as obrigações, assim como
tempo livre e de qualidade). É importante que a criança
seja inserida e se sinta participante deste momento.
No livro “O espaço mágico que acalma” (Jane
Nelsen, 2019) você poderá encontrar maiores
informações sobre este espaço que contribui
significativamente para a regulação
emocional da criança.
Você escuta e acolhe as opiniões,
direciona e estabelece os limites
necessários (com gentileza e respeito).
A organização da rotina gera o
sentimento de segurança na criança,
contribuindo para a minimização da
ansiedade.
112
Valorize as competências! Saiba reconhecer o processo
que está ligado às situações, atividades e conquistas.
Reconhecendo  e estimulando a dedicação, o empenho e
as superações. Desta forma você estará contribuindo para
autoconfiança e gerando maior segurança nas ações da
criança.
Em caso de persistência e excessos dos sintomas lembre-
se sempre de procurar por ajuda profissional!
E-mail: moniquemioralli.psi@gmail.com
@psi.moniquemioralli
WhatsApp: (19)99324-7851
113
Adolescência é um período da vida marcada por grandes
desafios, tanto para os adolescentes quanto para os
adultos que os rodeiam. Muitos mitos permeiam esse
período que vai dos doze aos vinte e quatro anos de
idade. 
Pode ser que os pais acreditem que depois de terem se
dedicado tanto durante a infância, os adolescentes já
deveriam ter aprendido como se comportar e parem de
investir tempo e relacionamento com seus filhos. Na
realidade, o adolescente aprendeu muitas coisas com os
pais, porém continua a se desenvolver.
Nessa nova fase o adolescente busca novas experiências
de vida, novas maneiras de fazer as coisas, novas ideias,
novos vínculos e relacionamentos, que poderão ser vividos
de forma mais intensa e criativa, e algumas vezes bem
diferente do “padrão rotineiro” de sua família. 
Frente a estes comportamentos, você pode achar que
errou com seu filho e comece a acreditar que a maneira
mais eficaz é adotar fortes princípios de controle.
Filhos adolescentes: como lidar?
Carolina Huguett Batista - CRP: 16/2101
114
Entretanto, ao longo do tempo, os pais percebem que
controle em excesso para os adolescentes realmente não
funciona.
A adolescência é uma época de intensidade emocional,
social e criatividade e cabe aos pais se conectarem aos
filhos para encoraja-los nesse processo. Para isso é
necessário que você se conecte primeiro ao adolescente
que está dentro de você.
À medida que nos envolvemos no “mundo dos adultos”
vamos perdendo a vitalidade, o anseio por novidades,
diminuímos os relacionamentos sociais em detrimento das
obrigações e responsabilidades e seguimos numa vida
monótona e rotineira. Ou seja, a vida que levamos é
exatamente o oposto dos anseios adolescentes.
Se os adultos (que já foram adolescentes) tentarem
bloquear o fluxo da adolescência é provável que a
comunicação, tão importante para os relacionamentos,
seja corrompida pela tensão e pelo desrespeito.
Você consegue se lembrar de como foi a sua
adolescência? Você se lembra se teve um
ambiente seguro para buscar quem você é?
115
Dessa forma, os adolescentes podem se envolver em
comportamentos de riscos em busca de sensações
intensas, sem o apoio de adultos e cercados apenas de
outros adolescentes tornando-se impulsivos e não
refletindo sobre as consequências; ou se afastar
totalmente dos adultos e também de outros adolescentes,
podendo levar a depressão e ao isolamento, o que vai
impactar diretamente na construção de sua identidade.
Quando os pais conseguem mostrar para seus filhos que
estão juntos, passando pelas várias fases da vida, fica
mais fácil lidar com os adolescentes, ao invés de ir contra
eles.
A Disciplina Positiva mostra que os adolescentes criados
dentro de um ambiente de escolhas e responsabilidades
estão mais confortáveis dentro do seu processo de
desenvolvimento, sob as vistas dos pais, ao invés de
precisarem fugir para longe deles para crescerem. 
Nós queremos que nossos filhos continuem por perto, para
aproveitarem ao máximo o apoio e o vínculo nesta
importante fase de aprendizado. Ter o adolescente por
perto, mesmo fazendo erros, pode ser uma oportunidade
grande de aprender ou reaprender o significado do
respeito mútuo e das diferenças entre os seus pontos de
vista e os dele.
116
Quando os pais aprendem a ser firmes com carinho, ao
invés de simplesmente controlar, terão a chance de ver
quão fascinante o adolescente pode se tornar.
Se você, como pai, educou o seu filho com pulso firme e
excesso de controle, saiba que ele irá agradecer se você
conseguir dar mais liberdade neste momento. Entretanto
ele precisaria treinar o que significa liberdade com
responsabilidade, de acordo com as suas escolhas. Não é
um caminho fácil, mas os pais precisam abrir mão do
controle para conseguirem os melhores resultados no longo
prazo.
Se você protegeu e cuidou demais do seu filho, saiba que
ele pode não estar entusiasmado com tanta
responsabilidade. Ele pode ter acostumado com você
fazendo tudo para ele, e pode achar que a
responsabilidade deve continuar sendo sua. Seu filho pode
não ter desenvolvido habilidades de enfrentamento e
tenha até eventualmente um pouco de medo. Não se
assuste se o seu filho lhe provar que é seu papel como pai
continuar a fazer as coisas para ele.
117
Não se assuste com a raiva que pode ter de você, quando
pedir que ele se responsabilize pelas suas próprias
atitudes. Quando as crises de revolta passarem, pode ser
que o seu filho consiga se tornar mais responsável e
colaborativo.
Um dos grandes desafios com adolescentes é fazer com
que os pais consigam acertar na dose de disciplina e de
generosidade, oferecendo um ambiente de apoio e
segurança para desenvolverem a sua autoestima e a
individualidade.
WhatsApp: (27) 99964-3059
Instagram: @huguett.psi
Facebook: @huguett.psi
118
De todas as ferramentas propostas pela Disciplina Positiva
desconheço outra que tenha mais resultados positivos no
ambiente familiar e seja tão encorajadora para as crianças e
adolescentes como as reuniões familiares.
Na sociedade atual em que as crianças tem poucas
oportunidades para desenvolver fortes habilidades de vida, já
que suas responsabilidades se restringem aos estudos, as
reuniões familiares tem como plano de fundo o
desenvolvimento de habilidades significativas como a
percepção sobre sua importância nas relações familiares,
habilidades de cooperação, habilidade de lidar com os limites
e as consequências de seus comportamentos e habilidade de
usar a sabedoria para avaliar as situações de acordo com
valores apropriados.
O destaque é que seu sucesso depende muito mais das
atitudes e habilidades do adulto que do comportamento das
crianças e o quanto antes você introduzir essa prática na sua
casa, menos aborrecimento terá que encarar no seu dia a dia.
Como educação de filhos não é nada fácil, até as reuniões
familiares têm alguns segredos para ter êxito e resultados
positivos.
Os três segredos de uma reunião
familiar de sucesso
Thainara Braga Cordeiro - CRP: 22/01192
119
Compartilho nesse capitulo os três principais segredos para
você colocar em prática e correr para o abraço
(literalmente).
1. Frequência
As reuniões familiares necessitam ser encaradas assim
como as reuniões de trabalho são vistas na nossa
sociedade, já que nessa instituição os colaboradores
necessitam, verdadeiramente, do senso de pertencimento
para que o produto final seja seres humanos realizados,
felizes e com habilidades de vida.
Para tanto, ao ser definido o dia e o horário das reuniões
nada mais deve ser marcado nesse período e tão pouco
atrapalhar esse momento. Demonstre a sua família o valor
dado a eles e as reuniões familiares. Desliguem todos os
aparelhoscelulares, a televisão e não leve nada que possa
distraí-los para o local da reunião.
A dica é definir o dia e o horário que seja melhor para
todos e sempre lembrar que o adulto é o exemplo a ser
seguido, portanto se você desmarca, adia ou se ausenta no
meio das reuniões, seus filhos irão perceber que aquilo não
terá tanta importância e poderão fazer o mesmo.
120
2. Reconhecimento/ Gratidão
É proveitoso se iniciar sempre pelo reconhecimento ou
agradecimento e apreciação, momento no qual deve-se
valorizar realizações, ajuda ao próximo ou qualquer outra
coisa que faça alguém se sentir bem. Esse momento ajuda
a fortalecer as relações familiares, demonstrar a
importância de todos ali presente e apreciar as coisas que
geralmente não valorizamos.
Lembre-se: quando nos sentimos valorizados aumentamos
nossa possibilidade de contribuição e cooperação no
ambiente, dessa forma, treine seus filhos usando os
seguintes modelos: “Eu gostaria de reconhecer ou
agradecer (nome da pessoa) por (alguma coisa especifica
que a pessoa tenha feito na semana)”.
121
 3. Escuta ativa
Tenha sempre em mente que reuniões familiares são
momentos de escuta e busca de soluções, por tanto, todos
ao sentar a mesa devem suspender os julgamentos, fazer
do momento acolhedor para que os familiares se sintam à
vontade para expor seus sentimentos e sugestões, o adulto
deve abrir mão do controle, incentivar a cooperação de
todos, não usar do momento para dar sermões ou moralizar
e auxiliar na busca de soluções que devem ser tomadas em
consenso. 
Caso determinada pauta não chegue ao consenso,
prorrogue mais uma semana na busca de outras soluções.
e-mail: Psithainarabraga@gmail.com
Instagram:@psithainarabraga
122
Ao propor escrever sobre o tema lembrei-me do Xote das
Meninas, de José Dantas e Luiz Gonzaga, que poeticamente
retrata a adolescência como o mal da idade. Realmente é
um período desafiador, mas não é somente para pais,
educadores ou pessoas que convivem diretamente com os
adolescentes, eles também vivem esse período de transição
com angustias, conflitos, medos, dúvidas e expectativas. 
É um período de mudanças nas capacidades cognitivas,
físicas, emocionais e sociais que permitem que o indivíduo se
torne um membro adulto da sociedade. 
A neurociência contribui com vários estudos sobre as
transformações no cérebro do adolescente, um tema amplo
e interessante, mas não é o objetivo deste capítulo discorrer
sobre o assunto, porém considero necessário o
conhecimento sobre as mudanças cerebrais nessa fase, de
forma a compreender melhor os comportamentos
manifestados.
Adolescência sim, “aborrecência” não. Mais respeito
por favor! – Encorajando pais e adolescentes para uma
relação emocionalmente saudável.
Adriana Pereira Rosa Silva – CRP 06-76446
...Mas o doutor nem examina
Chamando o pai de lado, lhe diz logo em
surdina:
“o mal é da idade, e pra tal menina 
Não há um só remédio em toda medicina"
123
As experiências vividas, o ambiente como um todo e os
pais em particular, podem exercer grande influência sobre
os caminhos que os adolescentes escolherão. 
Ufa, isso significa que os pais podem ainda contribuir
significativamente na formação e na qualidade do
relacionamento com seus filhos adolescentes. Mas, de que
forma?
De acordo com Nelsen (2016) Alfred Adler e Rudolf Dreikurs,
atráves da filosofia que embasou teoricamente a Disciplina
Positiva, ressaltaram em seus estudos a importância de
encorajar pais e filhos para um relacionamento de respeito
mútuo, cooperação, amor e conexão. O primeiro passo é
reconhecer que somos imperfeitos, mas com capacidades,
inclusive que podem ser aprendidas, para nos superarmos
como pais e ajudarmos nossos filhos a passar pela
adolescência de forma mais tranquila.
Na minha experiência como terapeuta, identifico muitos
pais desencorajados e inseguros em relação a educação
de seus filhos, e reconheço que muitas vezes estão fazendo
o melhor com as ferramentas que possuem, afinal
habilidades parentais não são herdadas e a forma de
educar mudou.
124
Dreikurs enfatizava que o encorajamento é uma das
habilidades que os adultos precisam aprender a
desenvolver para ajudar seus filhos, ressalta a importância
dessa atitude, quando escreve que “crianças precisam de
encorajamento, assim como as plantas precisam de água”.
Porém, não é uma tarefa fácil, principalmente com
adolescentes, mas é preciso compreender que atrás de
maus comportamentos há sempre uma mensagem que
precisa ser decifrada, talvez um pedido de ajuda. E nossa
tendência é reagir apenas punindo, não dando a
oportunidade da escuta e da compreensão.
Muitas vezes, os adultos podem se retirar da situação
conflituosa dizendo que no momento, por estarem
chateados e/ou com raiva, não é possível um bom diálogo,
reconhecer a necessidade de adiar a conversa pode
aumentar as chances de sucesso ao resolver a
problemática.
Durante um momento de conflito, tendemos a
agir irracionalmente e indevidamente, afinal
não é uma boa hora para uma conversa ou
atitude construtiva, é necessário dar tempo
para todos se acalmarem, reconhecerem e
nomearem os sentimentos, os motivos e como
agir a partir de uma atitude racional e coerente
para se sentirem melhor.
125
Outra dica é realizar reuniões familiares para que todos
possam colocar suas questões e opiniões a serem
analisadas, focando sempre nas possíveis soluções, criar no
ambiente familiar um espaço acolhedor, de escuta e troca.
Como destaca Nelsen (2016) um ambiente de respeito
mútuo é constituído de fé nas suas habilidades e nas do
outro, é importante que haja interesse no ponto de vista
dos outros tanto quanto em seu próprio, levar a
compreensão de que todos possam assumir a
responsabilidade e consciência de sua própria
contribuição para o problema e a solução. E a melhor
forma para ensinar isso aos nossos adolescentes é sendo
um exemplo para eles.
Fazer reparações, como disse Nelsen (2016), é encorajador
porque ensina responsabilidade social.
Um outro aspecto importante é dar ênfase
aos pontos fortes e não aos fracos,
quando se consegue fazer isso é mais fácil
redirecionar os comportamentos para
atitudes mais colaborativas, assim como a
possibilidade de fazer reparações, dando-
lhes a oportunidade de fazer o outro se
sentir melhor, assim como a si mesmo. 
126
Bom, poderia escrever mais sobre outras possibilidades de
encorajamento para pais e filhos adolescentes, porém
destaco as atitudes acima citadas como os primeiros
passos e a necessidade de um olhar mais cuidadoso e
menos crítico para essa fase tão desafiadora.
Desejo que pais e filhos possam encontrar formas de
conexão e afeto para uma relação emocionalmente mais
saudável.
WhatsApp: (19) 991569265
Instagram: @adrianapereirarosasilva
Facebook: Adriana Pereira Rosa Silva
127
A adolescência é uma fase temida por muitos pais, por ser
um momento em que o filho passa por diversas mudanças,
sendo elas no físico, emocional, em suas posturas e
opiniões e isso sem dúvidas gera novos desafios.
Os pais muitas vezes sentem que estão perdendo o
controle da situação, não conseguem mais saber o que se
passa com seus filhos com a mesma transparência de
quando eram apenas crianças, que podiam ser envolvidos
por seus braços...
Já para o adolescente esta fase é um momento em que é
importante a sensação de ser aceito e pertencente aos
grupos, e isso nem sempre condiz com os ensinamentos
passados por sua família. É como se houvesse um turbilhão
de sentimentos, emoções, inquietações, medos,
preocupações, são uma série de mudanças e cobranças
que se passam interna e externamente.
Vamos falar sobre Raquel, com seus 13 anos, teve que ir
para uma nova escola, onde não tem amigos. Sente-se
ansiosa com relação ao que irão pensar sobre ela, e se
conseguirá fazer amizades. 
Como lidar com a ansiedade do
meu filho?
Fernanda de Jesus Pereira Guerra - CRP: 06/143341
128
Por ser muito tímida, está ainda em seu processo de
adaptação, passou a roer unhas e ter mais dificuldade de se
concentrar nas aulas, o que afetou seu desempenho escolare tem gerado sentimentos de incapacidade e insegurança.
Estas tem sido suas companhias na maior parte do tempo.
Como lidar quando se nota que há 
algo diferente acontecendo?
Os pais precisam compreender o quanto é importante se
avaliar em sua forma de se comunicar, notar a forma como
fala, o tom de voz utilizado, esses detalhes podem fazer
toda a diferença. Por meio desta expressão o adolescente
pode se sentir compreendido ou acusado, pode se construir
um campo de proximidade ou de hostilidade.
Se os pais de Raquel agirem de maneira controladora e
rígida, impondo sobre ela o que deve ser feito com
hostilidade, este comportamento não contribuirá de forma
positiva em longo prazo.
A medida que estes pais aprendem a demonstrar sua
empatia e interesse pelo que Raquel está pensando e
sentindo, conseguem de forma gentil e firme alcançar sua
confiança para, assim a compreenderem sem julgar.
129
É comum ouvirmos as pessoas dizerem que os
adolescentes têm muitas “frescuras”, que é uma fase de
“aborrecência”, isto não é muito motivador, não é mesmo?
Por muitos anos, as pessoas foram ensinadas a não
demonstrar emoções e sentimentos que sejam
desagradáveis, porém estes aspectos não devem ser
desconsiderados, invalidados, pois todos são importantes
e legítimos, cada qual com seu papel.
Auxilie seus filhos a se sentirem encorajados, e para que
esse encorajamento possa alcançá-lo, que tal começar
por você, mãe e pai, aprendendo como agir desta forma?
Busque tratá-lo com respeito mútuo, lembre-se que, por
trás de cada comportamento, há um desejo de sentir-se
aceito e importante. Expresse sua compreensão pelas
emoções e sentimentos de seu filho. 
E N C O
R A J A R
130
Evite ser o crítico no que ele tem errado, busque
encontrar uma solução de melhoria juntos,
proporcionando a ele oportunidade de se expressar e
desenvolver, assim, habilidades de resolução de
problemas. 
Promova reuniões de família e elimine expectativas de
perfeição, assim como você está adquirindo novas
ferramentas para lidar com seu filho, ele também está se
desenvolvendo e aprendendo com você no processo.
Desejo a vocês, pais, que possam se encorajar para uma
orientação baseada na firmeza, gentileza, no estímulo e
incentivo aos seus filhos. Não desanimem, persistam. 
Que a inspiração e o encorajamento inicie em vocês! 
WhatsApp: (11) 93269-9646
Instagram: @Desafio.Ser.Pais
131
Já parou para pensar o quanto o adolescente é cobrado?
O quanto seus “maus” comportamentos são mencionados
pelos adultos? E será que já perguntamos ao adolescente
como ele se sente nessa nova fase da vida?
Geralmente os pais ou responsáveis criam seu filho na
expectativa de que se tornem um adulto responsável e bem
sucedido em todas as áreas. Ao entrar na fase da
adolescência, começa o período de grandes estresses e
adaptações, para eles e também para os pais.
Os pais se veem muitas vezes sem a habilidade de
compreender os comportamentos desafiadores dos
adolescentes. Quem nunca pediu para o adolescente algo
e ele retrucou, achando que a opinião dele, assim como a
última palavra, tem que ser a deles?
E as roupas compradas pelos pais, os filhos já não querem
mas usar, pois querem escolher seu próprio estilo.
Compreender para comunicar
Raquel M.A Fontes - CRP: 05/59685
“É na educação dos filhos que se
revelam as virtudes dos pais”. 
(Coelho Neto)
132
Os eventos nos quais antes eles iam acompanhando os
pais, agora eles já não querem mais ir, alguns preferem
ficar em casa, ou se vão ao evento, procuram ficar
enturmado com seus amigos, ou até no seu canto mais
afastado, concentrado no seu universo de pensamentos ou
conectados ao celular.
Esses novos comportamentos fazem parte do processo de
individuação, ou seja, de se autoconhecer e se perceber
como um indivíduo único. Porém, às vezes, são
interpretados como rebeldes e desafiadores.
Quanto tempo pode durar esse tempo de rebeldia? Pode
levar de 1 ano até 5 anos, segundo a autora Jane Nelsen
em seu livro Disciplina Positiva para adolescentes.
Mas você sabia que se não entendermos essa rebeldia
como parte da individuação do adolescente, essa rebeldia
poderá se estender até a vida adulta? Então, o momento é
de agir com empatia e lembrar que um dia fomos
adolescentes e passamos por diversas transformações.
Se tem algo que devemos entender é que a
rebeldia adolescente é passageira e isso faz
parte desse processo do desenvolvimento, do
próprio momento do adolescente se conectar
consigo mesmo e valores aprendidos.
133
Ouço de alguns adolescentes que não dá para conversar
com os pais, eles só escutam para dar lição de moral. Por
outro lado ao conversar com esses pais eles se queixam de
que não são ouvidos pelos filhos.
A Disciplina Positiva aborda que interromper para dar lição
de moral e valores são atitudes que se tornam uma barreira
na escuta do filho adolescente.
Então a dica é: respire fundo, ouça-o e tente compreender
que o adolescente ainda não tem a mesma maturidade que
você. Escute-o mesmo que o assunto não seja relevante para
você, pois costumamos dar mais atenção ao comportamento
que não nos agrada do que às coisas simples como o
comentário dele falando de um jogo, uma piada ou narrando
uma situação, que não nos envolve enquanto pais. Se é
importante para ele, por mais simples que seja, dê atenção,
ele se sentirá valorizado.
Procure conhecer atividades que seu filho gosta de fazer, e
tire um tempo para fazer algo que envolva a família, e assim
estreitar os vínculos também através do lazer.
Pais, não se desesperem ao errar. Lembre-se que você não
nasceu pronto como mãe ou pai, mas você está na escola do
aperfeiçoamento.
134
Mesmo que eles não digam em palavras, você na
qualidade de pai ou mãe, seu lugar sempre será
importante, com erros e acertos, procurando sempre
compreender para se comunicar.
Você é um líder que o ajuda a construir uma história de
vida. Você está ali não para controlar, mas para guiá-lo.
A Dra. Jane Nelsen dá quatro passos para reparar o erro:
WhatsApp: (21) 98743-9418
Instagram: @psi.raquelfontes
Reconhecer o erro;
Responsabilizar por esse erro;
Reconciliar;
Resolver.
135
Você passa boa parte do seu dia chamando seus filhos?
Solicitando colaboração? Repetindo mil vez a mesma
coisa... "vem arrumar seu quarto", "vem secar a louça",
"coloca sua roupa no cesto de lavar"!?
Como lidar com tudo isso? Mais regras? Mais castigos?
Retirar videogame, o celular, a mesada?
Com certeza, você já utilizou alguma dessas alternativas e
percebeu que elas funcionam sim, porém, por pouco
tempo. Logo você volta a repetir as mesmas coisas de
novo. Mas porque isso acontece?
Muitas vezes as situações dentro de casa saem do controle
e não sabemos mais o que fazer com nossos filhos, então,
para evitar discussões, estresses, gritos, ou por cansaço
mesmo, acabamos fazendo por eles e assumindo
responsabilidades que não são nossas, ficando
sobrecarregados fisicamente e emocionalmente.
Nesse processo, não nos damos conta que estamos
somente impondo regras a eles, não perguntamos como
poderiam executar tal tarefa de maneira mais eficaz para
que fosse cumprida.
O poder dos combinados
FrancÍele do Prado - CRP: 07/1845-9
136
Mas, ao incluirmos nossos filhos nas decisões e
combinados, a tendência é que eles sigam com muito mais
responsabilidade as tarefas que foram estabelecidas em
conjunto, pois sentem-se parte do processo, pensaram
junto, deram suas opiniões, ouviram e foram ouvidos,
fizeram acordos. Ambas as partes trabalharam para que
esses combinados acontecessem e funcionassem. 
Temos então os combinados, que como a palavra já diz, é
algo que deve ser feito entre duas ou mais pessoas. Os
combinados podem ser realizados em uma reunião de
família ou num momento mais tranquilo entre você̂ e seus
filhos, através de uma conversa que possibilite que todos
os envolvidos sejam ouvidos e que seja justo para todas as
partes, que cada um possa expressar seus sentimentos e
pensamentos sobre determinado problema, elaborando
soluções e definindo acordos. Mas, e se depoisdessa
conversa os combinados não forem cumpridos?
Use sinais não verbais ou comentários simples:
"Qual foi o nosso combinado?", "Vejo que
você não realizou a sua tarefa, poderia fazer
isso agora, por favor?"
Em resposta às objeções, pergunte: “Qual foi
NOSSO combinado?”. Em resposta a mais
objeções, silencie e use a comunicação não-
verbal a seu favor. Sinalize para o relógio
depois de cada reclamação.
137
Quanto menos você falar, mais eficiente será, e quanto
mais você falar, mais armas dará aos seus filhos para suas
reclamações.
E caso mesmo assim seus filhos não cumpram, é hora de
aplicar a consequência desse não cumprimento, que
deverá já ter sido estabelecido previamente, ele precisa
saber das consequências. Seu filho poderá reclamar, usar
argumentos, chorar, te chamar de chato. Será sua forma
de mostrar sua raiva e sua frustração, mas lembre-se:
vocês fizeram combinados juntos, ele aceitou aquele
combinado, então responsabilize-o.
A firmeza e permanência no cumprimento dessas poucas
regras é importante, mas sem chegar à rigidez.
Combinados podem ser experimentados, testados e
aprimorados. Vocês podem observar se aquele combinado
está funcionando ou se precisa de ajustes. Juntos vocês
podem conversar e buscar novas soluções.
WhatsApp: (54) 99951-7793
Instagram: @psico.francieledoprado
Site: www.francieledoprado.com.br
138
Você percebe que seu filho e/ou aluno só te respeita se
você chantagear, gritar ou castigar e ainda vive criticando,
julgando, controlando esses adolescentes e impedindo que
eles se expressem emocionalmente, por acreditar que são
sentimentos irracionais e não devem ser considerados?
No dia a dia, ao agir dessa maneira, sente um grande mal-
estar carregado de culpa, frustração e impotência diante
das brigas, gritos, desordem, agressividade, desrespeito e
indisciplina que continuam apesar das incontáveis
tentativas para obter a cooperação?
Acredita que os adolescentes tentam expressar seus
sentimentos porque são emocionalmente frágeis, e por isso,
devem ignorá-los e mostrar que são fortes e corajosos?
Você já agiu com firmeza e autoritarismo para mostrar a
eles que é você quem está no comando, mas diante de
tanta contrariedade, se desanima e desencorajada acaba
indo a outro extremo e fazendo a vontade dele? 
A importância das emoções na
arte de educar
Ana Lúcia Ponce Ribeiro Casanova - CRP: 06/134763
139
Ao longo de nossa história as punições e recompensas foram e,
ainda tem sido largamente aplicadas como ferramentas para
disciplinar, e embora ainda muito utilizadas, se mostram
ineficazes em longo prazo e são desencorajadoras para a
educação dos adolescentes nos dias atuais. 
Nós aprendemos que, diante do comportamento inadequado, o
filho e/ou aluno deve ser severamente punido para que aprenda
que isso é um erro e não deve ser repetido, gerando assim uma
sensação de poder e controle dos adultos sobre eles. Nesse
momento surgem chantagens, castigos, sermões, retirada de
privilégios e outras atitudes que geram dor, medo, vergonha e
humilhação. 
Mas se a criança e/ou adolescente teve um bom
comportamento, o adulto, ao expressar sua aprovação, tende a
oferecer um reforço positivo, então utilizam prêmios e outros
privilégios para recompensá-los e, assim, brotam sentimentos de
alegria, satisfação e gratidão. 
A ciência revela o importante papel das emoções em nossas
vidas e mostra que a percepção emocional e a capacidade de
lidar com os sentimentos determinam o sucesso e a felicidade de
uma pessoa em todos os âmbitos da vida. 
140
Portanto, cabe aos responsáveis, rever sua própria história,
quebrar paradigmas, estudar, fazer mudanças, exercer o
autocontrole, abolir as punições e recompensas e
compreender o significado dos comportamentos
desafiadores. 
Assim, ajudar o adolescente a identificar, nomear e lidar
com as próprias emoções, especialmente as desagradáveis
como (raiva, medo, vergonha) e aprender com essas
experiências. 
Os pais e educadores precisam saber que isso não
significa vulnerabilidade, deficiência de caráter ou disputa
de poder. Todas as emoções são válidas e importantes,
portanto, acolha amorosamente seus filhos e/ou alunos,
ouça ativamente com respeito e empatia o que eles têm a
dizer, ofereça o “colo” que nunca tiveram e valide suas
emoções. 
Seja um preparador emocional e, ao agir com gentileza e
firmeza ao mesmo tempo, todos se sentirão respeitados e
encorajados! Este processo é restaurador e curativo,
mesmo que traga “dor”.
Encare seus sentimentos e dos adolescentes como
oportunidades para se aproximar e gerar conexão para
que eles percebam que são compreendidos, respeitados e
amados.
141
Em uma experiência vivida, diante de comportamentos
desafiadores em um grupo de adolescentes rotulados como
os mais indisciplinados da escola, no primeiro dia de aula, de
repente fui surpreendida.
Após longo tempo tentando em vão, obter a atenção e o
respeito deles, decidi somente observá-los, até que todos os
alunos da classe silenciaram. 
Nesse momento, com respeito e humildade, pedi licença aos
jovens e comecei uma conversa tranquila, amorosa,
enquanto falava da importância de respeitarem os seus
próprios sentimentos, da necessidade de estudarem para
adquirir habilidades para a vida e do direito da liberdade de
escolha. 
Nas aulas seguintes fui surpreendida com a sala organizada,
os alunos sentados em suas carteiras com seus respectivos
materiais, aguardando as orientações. Confesso que me
emocionei, ao perceber o engajamento, o interesse e a
atenção de todos durante a explicação e elaboração das
atividades. 
Na semana seguinte, ao assinar o livro ponto, fui elogiada
pela coordenadora por ter sido a única professora que havia
conseguido transformar os adolescentes, tão temidos por
todos, e disse que soube do ocorrido por intermédio de seu
filho que também estudava nessa classe. 
142
E-mail: anacasanovapsicologa@gmail.com
Instagram: @psicoanacasanova
WhatsApp: (15) 98130-2490
A dificuldade em perceber suas próprias emoções e as
emoções dos outros, pode ter levado os adolescentes a
rebeldia, por acreditarem que seus sentimentos são
errados e inadequados, por não serem tratados com
dignidade e não se sentirem pertencentes, apresentam
baixa autoestima, baixo rendimento escolar e outros
problemas.
143
Caroline Andrade Santana - CRP: 06/147323
Caro leitor, sabemos que a tarefa de educar os filhos nunca
foi fácil, não é mesmo?! Eles não são como
eletrodomésticos, que vêm com manual de instrução, logo, se
faz necessário um processo de construção diária e
aprendizados mútuos. Para tal, permita-me trazer uma
situação desafiadora que vem preocupando a mãe de uma
criança com 10 anos de idade, a qual, tem apresentado
comportamentos, como desobediência e dificuldade em
cumprir combinados.
Para tentar diminuir os maus comportamentos da filha, ela
utiliza-se de punições, como tirar o celular, restringir doces,
além de cometer agressões verbais e físicas, porém, a
criança sabota o castigo e vai até a casa da tia para mexer
no celular, quebrando as regras e permanecendo com os
mesmos comportamentos.
Para compreensão de forma mais assertiva do real motivo da
desobediência da filha, é necessário que a mãe se pergunte:
O que está por trás do seu mau comportamento? A
desobediência é somente "a ponta do iceberg". Para Nelsen
(2015), uma criança mal comportada, é uma criança
desencorajada e quando ela se sente assim, usa tentativas
inúteis para alcançar seus objetivos e utilizam mecanismos
para chamar atenção.
Minha filha não me obedece, e
agora?
144
A mãe relata que, por muitas vezes, a filha responde de
forma hostil, o que por sua vez, acaba fazendo com que
perca a paciência, se irritando e gritando. 
Muitos pais acham que devem enfrentar o problema no
momento da irritação. Essa é a pior hora para lidar com um
problema. A primeira coisa que deve ser feita é agir com
gentileza e firmeza, saindo do ambiente e retomando o
assunto mais tarde, quando todos tiverem a chance de se
acalmar, para então, agir de forma mais adequada.
Uma maneiraencorajadora de lidar com a situação é a
mãe dizer à filha que sente muito por ela ter ficado tão
brava e que respeita seus sentimentos, porém, não a
maneira como está lidando com eles. Deixar claro que,
sempre que ela a tratar com desrespeito, sua atitude será
simplesmente sair por algum tempo. É importante deixar
claro que a ama e que deseja estar com ela e quando
estiver pronta para a tratar com respeito, ela pode avisar.
A mãe pode enfatizar que ficará muito feliz em ajudar a
filha a descobrir outras formas de enfrentar sua raiva.
145
Ao decidir parar de punir, essa mãe terá que praticar novas
habilidades e precisará de um tempo de treino para ajudar
a filha a aprender respeito mútuo e habilidades de
resolução de problemas. A Disciplina Positiva nos
disponibiliza alternativas mais eficazes, respeitosas e
encorajadoras.
Existem quatro objetivos e crenças equivocadas de
comportamento, adotados por muitas crianças e adultos. 
Para identificar a crença é necessário que o pais observem
quais os sentimentos primários que experimentam quando
confrontados com o comportamento dos filhos.
146
Dentre esses objetivos e crenças, a mãe relata que sente-
se desafiada, culpada, aborrecida, ressentida e
decepcionada. Essas crenças se enquadram na maioria
dos objetivos, mas, quero citar dois, que estão mais
presentes nos comportamentos da filha, que são "atenção
indevida" e "vingança", o que gera uma competição entre
pais e filhos e a criança se vinga por não acreditar que é
amada e aceita, então, irá magoar os pais, da mesma
maneira que sente-se magoada.
Os pais sentem a necessidade de "ajustar as contas"
humilhando a criança. Logo, a criança agrava os
comportamentos escolhendo outro pior.
A mãe relata não ter muito tempo para ficar com a filha,
pois chega muito tarde do trabalho, sentindo-se culpada
por isso.
Em relação a atenção indevida, uma dica valiosa é se
programar e estabelecer um horário para passar um
tempo especial com a filha, desligar o celular e criar
uma lista de atividades que possam realizar juntas,
revezando quem irá escolher a atividade. É importante
dizer que está ansiosa para que chegue esse horário. 
147
Dessa forma, a filha sentirá que é amada e que a mãe tem
prazer em estar com ela. A mãe afirma não ter o costume
de agir carinhosamente com a filha, já que foi educada de
forma rígida, entretanto, é de suma importância que seja
realizado algo inesperado, como demonstrar carinho e
abraçar a filha, contribuindo assim para uma relação mais
afetuosa.
Em relação à vingança é necessário, sair desse ciclo,
evitando retaliação.
É essencial que a mãe seja honesta acerca de suas
emoções para falar sobre os seus sentimentos e dizer como
se sente, porque sente e o que espera dela e da filha. O
uso da escuta ativa é muito importante.
148
"Entre no mundo da criança ao refletir sobre
o que você está ouvindo: “Você parece
muito magoado.” A escuta ativa pode incluir
perguntas que estimulem a curiosidade:
“Você pode me contar mais? O que
aconteceu? Como você se sentiu?” A ideia é
evitar comparti lhar o seu ponto de vista e
compreender o ponto de vista da criança"
(NELSEN, 2015).
A mãe também relata que sente dificuldades em se
desculpar, pois acredita que o ato de pedir desculpas aos
filhos é sinal de fraqueza, porém, Nelsen (2015) classifica
três "R" da recuperação dos erros. O primeiro é "R" é
Reconhecer que cometeu um erro. O segundo é
Reconciliar e reconhecer que precisa se desculpar com o
filho e o terceiro é Resolver e propor ao filho encontrem
juntos uma solução para resolver o problema.
Essas são apenas algumas, dentre tantas ferramentas que
a Disciplina Positiva nos disponibiliza para promoção de
autodisciplina, responsabilidade, cooperação e
habilidades de resolução de problemas, além do resgate
do amor e empatia entre pais e filhos.
Educar exige tempo, disposição, empatia, paciência e
resiliência, portanto, não desista!
WhatsApp: (11) 98783-4508
E-mail: carolineandradepsi@outlook.com
149
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOAS, A. C. V. B. V.; DESSEN, M. A.; MELCHIORI, L. E. Conflitos
conjugais e seus efeitos sobre o comportamento de crianças: uma
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FILLIOZAT, I. Meu filho me enlouquece! Rio de Janeiro: GMT Editores
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FRANCO, M.G.S; SANTOS, N.N. Desenvolvimento da Compreensão
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37722015000300339&lng=en&nrm=iso&tlng=pt Acesso em:
20/06/2020
 
FRIEDBERG, R.D.; HILLWIG, J.; MCCLURE, J.; Técnicas de terapia
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GOULART, V. R.. Conflitos conjugais: A perspectiva dos filhos. Porto
Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2012.
NELSEN, J. Disciplina Positiva: O guia clássico para pais e professores
que desejam ajudar as crianças a desenvolver autodisciplina,
responsabilidade, cooperação e habilidades para resolver problemas
- Barueri: Manole, 2015.
150
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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abordagem gentil e firme na educação dos filhos - Barueri: Manole,
2019.
NELSEN, J.; LOTT, L.; GLENN, S. Disciplina positiva de A a Z. 1001
soluções para os desafios da parentalidade. - Barueri: Manole, 2020.
ROSSET, S. M. O casal nosso de cada dia. Editora Artesã, 2017.
 
SCHWARTZ, F. T; LOPES, G. P; VERONEZ, L. F. A importância de
nomear as emoções na infância: relato de experiência. Psicol. Esc.
Educ., Maringá , v. 20,n. 3,p. 637-639, Dec. 2016. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-
85572016000300637&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 20/06/2020.
SIEGEL, D. (2016). Cérebro Adolescente: O grande potencial, a
coragem e a criatividade da mente dos 12 aos 24 anos. (A. C.
Hamati, Trad.) São Paulo: nVersos.
151
Uma obra desenvolvida com os alunos do curso
Encorajando Pais: práticas clinicas para atendimento
parental.
Coordenação editorial: Aline Cestaroli
Diagramação e capa: Equipe Encorajando Pais
Ano 2020
152

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