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ENCORAJANDO PAIS Preparando crianças e adolescentes para a vida Aline Cestaroli e Coautores Parentalidade Encorajadora ......................................................................... por Aline Cestaroli Afinal, o que é ser pai e mãe conscientes? .................................................. 8 por Cacilda Peixinho Encorajando pais diante dos conflitos familiares ........................................ 12 por Iolanda do Nascimento Conflitos conjugais e o desenvolvimento emocional da criança ................. 18 por Sonia Pinheiro Como ajudar meu filho a desenvolver autoestima? ................................... 23 Como liderar e encorajar os filhos? ............................................................ 30 Educação sem punição ............................................................................... 36 Desemparedamento da infância e cultivo afetivo da vida ........................ 40 O adolescer: como lidar com as mudanças nesse ciclo da vida ................45 Brigas entre irmãos: aprenda estratégias para resolver conflitos .............. 50 Encorajando os filhos: como conseguir cooperação nos combinados ...... 54 Focar na solução e não no problema ......................................................... 59 A batalha contra o excesso do uso de eletrônicos .................................... 64 Como encorajar o meu filho a lidar com suas emoções ............................. 67 Melhorando a conexão entre pais e filhos adolescentes ........................... 72 Vamos falar de rebeldia da adolescência? ................................................ 76 por Itiene Soares por Geisa da Silva por Rejane Reis por Soraya Sousa por Regina Barreto por Elen Santos por Jéssica Bueno por Rozinir Chappuis por Adriane Ramiro por Léia dos Santos por Keiko Okawa por Fabiana Benedetti SUMÁRIO 04 08 12 18 23 30 36 40 45 50 54 59 64 67 72 76 Comunicação encorajadora: Uma forma de lidar com os medos infantis .. 81 Como lidar com a mentira .......................................................................... 86 Como lidar com criança perfeccionista e insegura .................................... 90 Importância do tempo de qualidade com adolescentes ............................ 94 A interferência dos pais nas amizades dos filhos adolescentes ............... 100 Lidando com o crescimento e as emoções dos adolescentes ................... 105 Ansiedade na infância: como lidar? .......................................................... 109 Filhos adolescentes: como lidar? ............................................................... 114 Os três segredos de uma reunião familiar de sucesso .............................. 119 Adolescência sim, “aborrecência” não ...................................................... 123 Como lidar com a ansiedade do meu filho? ............................................. 128 Compreender para comunicar .................................................................. 132 O poder dos combinados .......................................................................... 136 A importância das emoções na arte de educar ........................................ 139 Minha filha não me obedece, e agora? .................................................... 144 Referências Bibliográficas ......................................................................... 150 por Fernanda Vebber por Silmara Franzese por Zuleide Nóbrega por Ana Luísa Serra por Maria Islândia Moreira por Juliana Evangelista por Monique Mioralli por Carolina Huguett por Thainara Cordeiro por Adriana Silva por Fernanda Guerra por Raquel Fontes por Francíele do Prado por Ana Casanova por Caroline Santana 81 86 90 94 100 105 109 114 119 123 128 132 136 139 144 150 SUMÁRIO Os pais são os líderes da vida dos filhos e um bom líder é aquele que tem a coragem e assume a responsabilidade de despertar todo o potencial das pessoas. De modo geral, os pais podem exercer essa liderança de duas formas: manipulando ou encorajando. Pais que exercem uma liderança com base na manipulação, adotam ferramentas com base em punições e recompensas para que o filho faça o que é preciso. Ou seja, se a criança ou o adolescente teve um comportamento que esse pai ou essa mãe acharam adequado, recebe uma recompensa com elogios, prêmios, carinha feliz, adesivos, dentre outras. Aqui as barganhas também são bastante utilizadas: Se lavar a louça a semana toda, te dou mesada. Parentalidade Encorajadora ALINE CESTAROLI - CRP: 06/107500 Se você organizar seu quarto, eu deixo ir na festa! Se você tirar boas notas na escola, compro o jogo que queria. 4 Por outro lado, se a criança/adolescente teve um comportamento inadequado, se não obedeceu ou se fez algo que os pais não gostaram, recebe uma punição através de castigos, retiradas de privilégio, sermões, palmadas, etc. Uma liderança com base na manipulação pode até funcionar em curto prazo. Sabemos que as punições e recompensas têm um efeito imediato, porém logo a criança/adolescente volta a apresentar os mesmos comportamentos, já que ela não desenvolveu habilidades que a ajudasse a agir diferente. Um outro problema da liderança pela manipulação é que os pais acabam assumindo a responsabilidade pelo comportamento do filho e precisam estar sempre vigilantes para flagrá-los fazendo algo errado para punir ou fazendo o que é certo para dar um reforço positivo. 5 Diversos estudos apontam que os efeitos disso em longo prazo são adultos inseguros, com baixa autoestima, viciados em aprovação, sem proatividade, dependentes e que acham que o mundo está aqui para servi-los, pois não se sentem capazes de contribuir. Pais que exercem a liderança através do encorajamento, são pais que têm uma visão de longo prazo, que não estão preocupados apenas com a obediência dos filhos, mas que se preocupam em formá-los para a vida, desenvolvendo todo o seu potencial para que se tornem quem nasceram para ser. Eu adoro a definição de encorajar. Encorajar vem de coragem, que é formada por COR - coração e AGEM - agir. Portanto, ter coragem é agir com o coração. E encorajar é incentivar o outro a agir com o coração. Encorajar é o movimento que fazemos para que o outro se torne a melhor versão dele mesmo. ENCORAJAR 6 Neste livro você encontrará diversos exemplos práticos para lidar com os desafios de comportamento das crianças e dos adolescentes de uma maneira encorajadora. Todos os coautores são psicólogos e facilitadores do programa Encorajando Pais, um programa de educação que tem por objetivo encorajar pais e educadores a se conectarem com as crianças e os adolescentes através de uma educação gentil e firme. Boa leitura! Com carinho, Aline Cestaroli. E-mail: contato@alinecestaroli.com.br Instagram: @encorajando_pais/@aline.cestaroli YouTube: Aline Cestaroli Canal Telegram: https://t.me/encorajando_pais Pais e mães que exercem uma parentalidade encorajadora, portanto, são pais e mães que desenvolvem todo o potencial dos filhos e que os ajudam a se tornar adultos confiantes, capazes e que contribuam para a construção de um mundo melhor. 7 Crescemos, tornamo-nos pais e mães e, nesse novo papel, decidimos fazer diferente. Buscamos informações sobre educação de filhos, lemos bastante e encontramos alternativas mais respeitosas para educá-los. Entretanto, na prática, muitas vezes emperramos e repetimos aquilo que dissemos que não faríamos. Sentimentos de culpa e raiva tomam conta de nós: E prometemos a nós mesmos que, da próxima vez, será diferente... Muitos de nós fomos educados com base em uma educação tradicional, recebendo punições pelo nosso mau comportamento, e recompensas, caso nos comportássemos bem. Castigos, palmadas, gritos e ameaças por um lado. Presentes e elogios por outro. Afinal, o que é ser pai e mãe conscientes? Cacilda Peixinho - CRP: 03/2139 Já sei o que devo fazer, por que não consigo? Estou fazendo com meu filho exatamente o que disse que nãofaria... 8 Recebo muitos pais assim no meu consultório: dedicados, bem-intencionados, comprometidos a darem o melhor na educação de seus filhos, buscando ajuda para conseguirem sair desse ciclo de repetição. O que acontece? Se já sabemos o que fazer, por que não conseguimos? Como sair desse ciclo? Para fazermos escolhas mais efetivas na criação dos filhos, precisamos entender e assimilar as experiências negativas da nossa infância, dando um novo significado a elas. À medida que vamos entendendo a nós mesmos, podemos estabelecer uma melhor conexão com nossos filhos. Vamos adquirindo um novo olhar sobre as experiências negativas que vivemos na relação com nossos pais, quando éramos crianças. Elaboramos as frustrações e expectativas e, assim, deixamos de projetá-las sobre os filhos. O que muitos pais não sabem é que o sentido que damos às experiências de nossa infância têm efeito profundo na nossa forma de criar os filhos, que padrões negativos de interações familiares são transmitidos através de gerações e que, sem autoconhecimento, há muito mais chance de a história se repetir. 9 Educar filhos é uma grande oportunidade para o autoconhecimento. Como espelhos, eles trazem as situações que precisamos trabalhar em nós, mesmo aquelas mais dolorosas e que preferíamos esquecer. Considero de grande ajuda termos um olhar amoroso para nós mesmos, pais e mães. Não ficarmos focados apenas nas nossas faltas e imperfeições. Enxergar o que temos oferecido de bom, o que tem sido positivo e construtivo na relação com os filhos, a partir dos passos que já demos em direção ao nosso crescimento. É importante nos percebermos como seres em desenvolvimento e em constante aprendizado. E estender esse olhar também para os nossos filhos. Há coisas que eles não fazem, não porque não querem, mas porque não podem. Estão se desenvolvendo, adquirindo maturidade, seja de ordem física ou emocional, e assim que estiverem prontos, poderão apresentar o comportamento esperado para aquela idade. Outros comportamentos dependerão de darmos oportunidades para eles fazerem (ao invés de fazermos 10 por eles), ou de investirmos nosso tempo, mostrando-lhes como fazer (ensinando-lhes habilidades de vida), encorajando-os a descobrirem suas próprias capacidades. Também é valioso reconhecermos suas individualidades, não os comparando a ninguém. Isso inclusive nos serve como pais: não nos compararmos a outros pais. Somos únicos, com nossa história e nossos filhos, e faremos o melhor que pudermos, com o que dispomos, agora. Ser pai e mãe conscientes é saber que estaremos sempre nos desenvolvendo. Nossa busca não será a perfeição, mas a melhoria contínua. Nascemos, como pais e mães, quando nascem nossos filhos e vamos crescendo e nos desenvolvendo juntamente com eles. É um processo tão enriquecedor e maravilhoso a ser vivido que, talvez por isso, os filhos não venham com manual de instrução. E-mail: cacipeixinho@yahoo.com.br Instagram: @cacipeixinho / @paisencorajados WhatsApp: (75) 99120-5517 11 Eu vivi momentos de muitos sofrimentos e grandes desafios e, através da minha mudança, surgiram questões que impactaram minha vida e a vida da minha família de forma positiva, possibilitando grandes aprendizados e muitas conquistas, momentos de rever conceitos, valores e trilhar diferentes caminhos. Eu tive uma educação rígida. Aos vinte e dois anos de idade, era mãe de dois filhos, pensava em educá-los de forma diferente, com mais liberdade, carinho e muito amor, acreditava que assim eles seriam mais felizes. Encorajando pais diante dos conflitos familiares Iolanda do Nascimento Pessotti - CRP: 06/134064 Atualmente, observamos que muitas famílias vivem situações semelhantes e convivem com crianças e adolescentes que apresentam sérios comprometimentos de ordem psíquica e emocional, geradoras de transtornos de ansiedade, depressão, dificuldade para lidar com as frustrações, uso de álcool e outras drogas, e isso evidencia que os pais precisam de um suporte psicológico, voltado à formação educacional dos seus filhos. 12 Estudos afirmam que o esti lo de vida é formado desde a infância, com base na hereditariedade, nas impressões e percepções de como o ser humano luta pela superação em busca do sucesso. psiquiatra vienense, acreditava que não iriamos nos esforçar para superar e ser bem- sucedidos, se não sentíssemos uma certa deficiência em nossa condição atual. Ele considerava que esse movimento contribui para o desenvolvimento da personalidade, no entanto, o esti lo de vida, representa as ideias globais consciente e inconsciente, sobre como nos movimentamos, a partir dos nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos. A família é uma organização social ativa, que ao longo do tempo sofre impacto do ambiente que a cerca. ALFREDALFREDALFRED ADLERADLERADLER Você já parou para pensar que passamos boa parte da nossa vida estudando, aprendendo a ler, a escrever, para fazer uma faculdade e ter uma profissão? 13 Quando nascem nossos fi lhos, acreditamos que sabemos ser pais, e mesmo diante das dificuldades, não procuramos ajuda, enfrentamos muitos desafios, passamos a acreditar que somos super-heróis, temos que ser fortes, não podemos mostrar nossas fraquezas, em algumas situações nos sentimos perdidos, sem saber o que fazer. Educar fi lhos não é uma tarefa fácil. Acreditamos que as dificuldades vividas nas diferentes fases vão se resolver naturalmente, como se diz "elas vão passar, e vai ficar tudo bem". Aldred Adler considerava que todo comportamento humano, bom ou mau, tem um objetivo. Rudolf Dreikurs afirmava que uma criança precisa de encorajamento, tanto quanto uma planta precisa de água. Dreikurs compreendia que uma criança mal comportada é uma criança desencorajada. Aqui cabe uma reflexão: como encorajar nossos fi lhos? 14 Educá-los e tirar deles o que há de melhor, isso não é uma tarefa fácil , é preciso ensiná-los a desenvolver competências físicas, intelectuais e emocionais, ao mesmo tempo, valores e princípios éticos, ajudando-os a desenvolver autonomia, independência, para tornarem-se pessoas realizadas, felizes e integradas à família e a sociedade. Alfred Adler chamava a atenção da atitude de cada um, dentro do sistema familiar, e convidava cada membro da família a refletir sobre qual era a sua contribuição no problema em si. Este é um aspecto relevante na Disciplina Positiva, pois cada membro da família tem a sua função e deve buscar a mudança de si mesmo, contribuindo para o equil íbrio do sistema relacional, e indiretamente, para que o outro mude seu comportamento. Diante do sofrimento podemos fazer escolhas, conhecer o problema e buscar soluções, assim, muitas vezes saímos do lugar comum e passamos por grandes transformações. 15 Fui em busca de entender o que estava acontecendo, conhecer o problema, tive que rever alguns valores, estabelecer l imites, assumir a posição de mãe. O que fiz foi mudar o meu comportamento diante destas dificuldades. Quando os pais têm coragem de buscar o autoconhecimento, desenvolvem novas habilidades em suas relações pessoais, os vínculos familiares se tornam mais fortalecidos, e assim, sentem-se mais preparados para educar seus fi lhos. Vivenciando esse momento difícil , descobri que só poderia ajudar meu fi lho através da minha mudança, precisei compreender quais eram as minhas dificuldades, aprender a lidar com minhas emoções e também perceber as emoções que os outros experimentavam. Isso possibil itou o desenvolvimento de novas habilidades, passei a identificar os meus sentimentos e pensamentos, e assim, desenvolvi o autocontrole, para l idar com mais tranquil idade com as questões que se apresentavam. 16 Assumi a responsabil idade de estabelecer padrões mais saudáveis na minha relação familiar, essas mudanças tornaram os vínculos mais fortalecidos. Foram momentos difíceis que vivemos, mas agradeço cada momento, saímos mais fortalecidos e hoje posso dizer que tenho uma família saudável, meus fi lhos se casaram, tenho dois netos, estáchegando o terceiro. Acredito que não podemos nos acomodar diante dos problemas, primeiro precisamos conhecê-lo e agir com gentileza e firmeza, respeitando a individualidade de cada integrante da família e assumindo posições firmes. "Quando nos esforçamos para encorajar o outro, na verdade, estamos desenvolvendo coragem para enfrentar os nossos desafios da vida. Uma conexão saudável com os fi lhos envolve mudanças nos nossos comportamentos, passamos a agir mais, e nossa comunicação se baseiam em frases curtas". (Jane Nelsen). E-mail: iolanda.pessotti@gmail.com Instagram: @psi.iolanda.pessotti WhatsApp: (19) 99865-1060 Iolanda Pessotti Clínica de Psicologia 17 A família é o primeiro meio social que vai atuar diretamente no desenvolvimento emocional da criança. Os cônjuges são os construtores da família e se vivem em uma relação de conflitos constantes podem gerar funções parentais disfuncionais. Os conflitos são inerentes a todos os relacionamentos, inclusive ao relacionamento conjugal. O conflito conjugal é definido como uma situação de discordância entre o casal, que os cônjuges selecionam como fontes de desavenças, diferenças de ideias, sejam elas negativas ou positivas. Sendo assim, crianças que vivem em um ambiente familiar conflituoso são inclinadas a manifestar vários problemas emocionais e comportamentais, como baixa autoestima, dificuldade de interagir com os Conflitos conjugais e o desenvolvimento emocional da criança Tereza Sonia de Souza Pinheiro - CRP: 11/15484 outros, depressão, saúde vulnerável, sono perturbado e problemas de comportamento. 18 Segundo Rudolf Dreikurs, as crianças são ótimas observadoras, mas péssimas intérpretes. Se queremos que as crianças aprendam a se controlar, nós adultos precisamos ser esse exemplo para elas. Na minha experiência de dar cursos para casais, os conflitos que não são resolvidos entre os cônjuges de maneira saudável através do diálogo, de dar um tempo na hora das discussões acaloradas para os cônjuges se acalmarem, e depois conversarem para entrar em um acordo, geralmente culminam para agressões verbais intensas, podendo até gerar agressões físicas e muitas vezes na frente dos fi lhos, afetando as suas emoções. Segundo Fil l iozat, é incoerente gritar com a criança pedindo para ela se tranquil izar, além de não ser um modelo exemplar, não a auxil ia a ficar calma. A criança precisa de atenção, amor e compreensão, pois aprende por imitação e se ela convive em um ambiente de brigas e gritos de seus pais, é isso que possivelmente vai reproduzir. 19 Nossos fi lhos nos observam e a imitação tem um papel importante na educação e os benefícios do autocontrole são valiosos no momento dos conflitos. O que fazer na hora dos conflitos? Seguem algumas dicas de como cultivar um relacionamento feliz, segundo Jane Nelsen e Mary Tamborski: Você age melhor quando se sente melhor, quando acessa o lado racional do cérebro. Crie o seu próprio local ou maneira para se acalmar (caminhar, ler, cuidar do jardim, cozinhar ou meditar). Reúnam-se novamente e conversem quando os dois estiverem se sentindo melhor. Pausa PositivaPausa PositivaPausa Positiva Uma comunicação gentil não acontece quando estamos chateados. É muito úti l conhecer o que está acontecendo com o seu cérebro, pois durante o estresse, você não consegue acessar a parte racional, mas apenas a parte de luta/fuga, por isso, não tente ter uma conversa racional neste momento, mas quando estiver tranquilo. Compreenda o cérebroCompreenda o cérebroCompreenda o cérebro 20 Lembre-se de quem o seu parceiro realmente é. Na situação de mágoa, observe a intenção e não a ação em si. Escute sem defesa ou justificativa, expresse seu amor e que a solução será conjunta. As pessoas irão te escutar quando elas se sentirem ouvidas. Não interrompa o seu parceiro, mas escute. Vocês podem chegar a um acordo, simplesmente porque se sentiram ouvidos. Tenha confiançaTenha confiançaTenha confiança Saiba escutarSaiba escutarSaiba escutar Reserve um tempo para realizar reunião de casal regularmente. Priorize o dia do encontro. Coloque a pauta na porta da geladeira ou em um lugar visível para ambos. Inicie a reunião com gratidão. Pensem em soluções para as questões da pauta e entrem em acordo nas soluções. Terminem fazendo algo divertido juntos. Reuniões de casalReuniões de casalReuniões de casal 21 Meu esposo e eu temos 35 anos de casados, 2 filhas casadas e uma neta de 11 meses. Durante os conflitos que surgem no nosso relacionamento conjugal ou parental praticamos 3 frases: O perdão deve estar sempre presente no relacionamento conjugal e parental, pois não somos perfeitos e nossos fi lhos também não. Quando erramos é uma oportunidade de aprender e recomeçar. É essencial que o casal e os pais decidam resolver seus conflitos de maneira saudável para não gerar marcas na criança, que poderá ter dificuldades em lidar com suas emoções ou desafios adversos na vida adulta. Eu reconheço que errei . Por favor, me perdoe. Eu amo você. E-mail: terezasonia@hotmail.com Instagram: @soniapinheiropsi / @clinicaluzeiros WhatsApp: (85) 98124-6895 22 A construção da autoestima começa logo na infância. Nascemos suficientemente bons, no entanto, a medida que crescemos passamos por experiências, observamos as pessoas e o que acontece a nossa volta e tomamos determinadas decisões que vão afetar nossa autoestima. Qualquer coisa que valide, aceite e reconheça quem somos pode contribuir para elevar a autoestima. À medida que crescemos, começamos a nos comparar e a não nos acharmos bons o suficiente. A comparação passa a ser uma companheira constante e, inconscientemente, passamos a tomar decisões sobre nós, sobre as outras pessoas e também sobre esse mundo. Como ajudar meu filho a desenvolver autoestima? Itiene Soares Pereira - CRP: 12/15356 Seguindo esse raciocínio: julgamentos, comparações, “deveria” e “tem que” não fazem parte deste repertório que você pai/mãe pode uti l izar para encorajar seu fi lho. 23 Nossa percepção de tudo isso, fez com que, na tentativa de compensar o fato de que não somos bons o suficiente, acreditássemos que era necessário fazer mais para supercompensar aquilo que achávamos que deveríamos ter e não temos. E passamos a nos “escravizar” na tentativa de, quem sabe um dia, voltarmos a ser suficientemente bons. Podemos passar a vida toda nessa busca de sermos “completos” e buscando essa tão almejada “perfeição” que acreditamos existir. Nós adultos também passamos por esta construção da lógica pessoal. E é com esta “bagagem” que assumimos a nossa jornada como pai e mãe. Todas essas decisões são muito influenciadas pelos pais, por esta razão, a forma como você se comunica com seu fi lho e também como se comporta terá grande impacto na construção da lógica pessoal dele. 24 O que quero que você saiba é que por pior que sejam os pensamentos do seu fi lho sobre ele mesmo, você pode sim ajudá-lo a tomar muitas decisões saudáveis a respeito de si mesmo, mesmo que você e/ou ele não tenham tido boas experiências. É comum os pais banalizarem os sentimentos e os pensamentos de seus fi lhos, na tentativa de fazer com que estes sejam mais fortes e resil ientes e se comportem como eles acreditam ser o certo. Falas do tipo: Ajudar seu fi lho a desenvolver autoestima também passa por você compreender a sua lógica pessoal para que possa fazer a escolha de agir e não reagir aos desafios parentais. Deixa de mimimi! Isso não é nada! Vai chorar só por causa disso? Vou te bater pra você criar vergonha na cara! 25 Estas frases e críticas minam a autoestima de qualquer pessoa, inclusive do seu filho que ainda está tentando descobrir quem ele é e qual o seu lugar no mundo. Sentimentos de inadequação podem reforçar a crença de que realmente ele não é bom o suficiente. Não tente convencer seu filho de que é errado ele se sentir de determinada maneira, ao invés disso, ouça com atenção sem julgá-lo e valide os sentimentos do seu filho. Às vezes um abraço ouuma frase como Se você precisar, estou aqui... ... Basta. É muito importante que você que é pai acredite que seu filho pode sim, vencer suas dificuldades. Crie um ambiente de oportunidades para que ele experimente e desenvolva habilidades. O que acontece muitas vezes é que os pais, na tentativa de ‘poupar’ ou proteger os fi lhos, acabam não dando este espaço tão importante para que o filho tenha experiências que podem contribuir para que ele acredite em sua capacidade. 26 Não tenha medo de deixar seu filho tentar algo e se frustrar, pois isto também faz parte do aprendizado. Quando você faz pelo seu filho coisas que ele mesmo poderia fazer, a única coisa que ele aprende é que todo mundo é mais habilidoso que ele, então é melhor deixar que você ou outra pessoa o faça. Permita-se ser um exemplo positivo para o seu filho. Permita que seu filho experimente as consequências de suas escolhas num ambiente onde prevaleça o respeito mútuo, validando os sentimentos do mesmo e fazendo perguntas curiosas ao invés de entregar respostas prontas dizendo o que ele deve fazer. Agindo assim, você permite que ele reflita a respeito de suas escolhas ou possíveis escolhas e isso é bastante encorajador! Quando você tiver dúvida se está no caminho certo a respeito da maneira como lida com os desafios da parentalidade, basta se perguntar se o que você está querendo fazer irá permitir e preparar seu filho para a vida. Quando você pai/mãe tem coragem de reconhecer que não é perfeito e se enche de coragem para desenvolver suas habil idades como pessoa e pai, torna o “solo mais férti l” para que seu fi lho experimente tentar e neste processo desenvolva habil idades. 27 Se sua resposta for sim, mantenha sua decisão, caso contrário, “recalcule a rota” e escolha um outro caminho. Se você não conhece outra forma de lidar com os desafios parentais que está enfrentando, não precisa sentir-se culpado, pois saiba que você não é o único pai/mãe com esta dificuldade e peça ajuda. É preciso estudar para educar, muitos pais tem percebido isso, e mesmo se não perceberam, o fato de não saber como lidar com os problemas com os filhos é um sinal de que algo precisa ser modificado. Você pode estar ao lado do seu filho nos momentos em que ele está desenvolvendo sua autoestima e aprendendo a resolver problemas, lidando com os altos e baixos da vida. Pode fazer isso dando certa autonomia para que ele desenvolva as habilidades necessárias para lidar com os desafios da vida equilibrando firmeza e gentileza ou pode fazer de maneira desencorajadora utilizando somente punições ou recompensas. Ao contrário do que muitos de nós sempre ouviu dizer, os estudos científicos comprovam que as habil idades parentais não são herdadas, mas sim aprendidas. 28 Sem querer você está transmitindo muitas informações distorcidas para o seu filho, que podem deixar marcas muitas vezes profundas e que podem se fazer presente por toda a vida. As decisões que você tomar hoje em relação a como se relaciona com seu filho contribuirá para você se sentir mais tranquilo(a) em saber que ele pode ficar bem, mesmo que você não esteja por perto. Estamos a todo momento fazendo escolhas e tomando decisões. Quais serão as suas? E-mail: contatoitienesoares@gmail.com Instagram: @itienesoarespsicologa Site: www.itienesoares.com.br 29 Você, querido pai e querida mãe, já se perguntou sobre o seu jeito de ser? Sobre a sua forma de liderança? Sobre como o seu fi lho ou fi lha se sentem quanto a sua maneira de l iderar? E se seus fi lhos pudessem avaliar a sua liderança, o que eles diriam? Será que ela tem sido assertiva? Quando falo de assertividade, não é no sentido de sempre ter que acertar, pais bem- intencionados também erram. Falo da capacidade de defender os seus posicionamentos e os da outra pessoa de forma calma e positiva. A assertividade é baseada no equil íbrio. É considerar os direitos e as necessidades do outro. Ser assertivo é ser seguro si de mesmo, o que levará a entender o outro com firmeza, igualdade e empatia. Como liderar e encorajar os filhos? GeYSa Cabral Santiago Torres da Silva - CRP: 17/3679 30 Liderança é uma habil idade extremamente importante que todos os pais precisam desenvolver, ela é fundamental para se alcançar o respeito mútuo e a cooperação dos fi lhos. Historicamente somos fruto de uma educação baseada em um sistema social autocrático, no qual os fi lhos tinham que obedecer cegamente aos seus pais, um esti lo que se mostrou ao longo dos tempos desencorajador. Os teóricos da Disciplina Positiva respeitam o esti lo democrático, ou seja, uma relação de igualdade entre pais e fi lhos, no qual todos têm o direito de ser tratados com igualdade, respeito e dignidade, dessa forma, os pais continuam exercendo sua liderança sobre os fi lhos, mas não esperam mais uma obediência cega. Igualdade Respeito Dignidade 31 A forma como os pais se comunicam com os fi lhos e como reagem as suas emoções influenciam na formação do autoconhecimento da criança e do adolescente. A comunicação é como uma ponte que liga os pais aos fi lhos, ela não pode ser nem tão baixa nem tão alta, é necessário buscar uma liderança gentil e firme. Ao longo dos anos, os pais se uti l izaram de ferramentas para disciplinar os seus fi lhos como castigos e punições, com a tentativa de moldar o comportamento deles. Alguns pais acabam usando a punição como fonte de ensinamentos, quando na verdade é importante perceber os erros como uma oportunidade de aprendizagem e não de punição. 32 Segundo a Disciplina Positiva, esse tipo de liderança pode ser desencorajadora, e isso acontece quando os pais adotam uma postura a curto prazo, ou seja, tem como objetivo apenas punir a desobediência. Já a l iderança encorajadora, é aquela que possibil ita crianças e adolescentes a se tornarem adultos mais confiantes, firmes, com inteligência e competências socioemocionais. É importante pensar que estamos no século XXI e dentre tantas mudanças ao longo dos séculos, o nosso conceito de l iderança também precisa mudar. A palavra encorajar significa “incentivar a agir com o coração”, onde você coloca o seu coração algo acontece porque ali existe amor. E N C O R A J A R 33 Aqui em casa tenho uma adolescente, mas lembro que na pré-adolescência ela começou a demonstrar medo e um complexo de inferioridade, se achava incapaz de realizar alguns desafios, o que a fez demonstrar um comportamento irritadiço, agressivo e também a querer se isolar no quarto. Fiz uma proposta: todos os dias antes de dormir, conversaríamos sobre o seu dia. Então, eu pedia que ela me relatasse algo de bom e ruim que havia acontecido durante o dia e percebi que a comunicação foi ficando cada vez mais assertiva, propiciando para ela o tempo de qualidade que precisava para falar dos seus medos, emoções e sentimentos. Util izar palavras encorajadoras a focar em seus pontos fortes a cada avanço foi fundamental. Mostrar não só a capacidade dela, como também todo o seu esforço e coragem diante dos desafios, valorizando todas as tentativas positivas, o que a fez se sentir capaz e encorajada para vencer os desafios da vida. 34 Ouça com atenção plena, dê a eles o tempo que precisam para falarem sem ser julgados. Ajude-os a encontrar soluções para seus problemas. Se o comportamento do seu fi lho ou fi lha mudou, observe e abra espaço para que eles falem das suas emoções, todo comportamento quer nos dizer algo. Reconheça e ajude-os a nomear as emoções que estão sentindo, se para os adultos muitas vezes é difícil nomear, imagine para as crianças e os adolescentes. E-mail: geysactorres@hotmail.com Instagram: @Psi.geisacabral WhatsApp: (84) 98801-6339 Aqui abaixo deixarei algumas dicas importantes: 35 Desde que ouvi essa frase pela primeira vez, ela ecoa no meu pensamento me trazendo uma inquietação. Quantas vezes, pensando em mostrar as consequências da desobediência para os nossos filhos, acabamos repreendendo, ameaçando, colocando de castigo ou sendo agressivos com eles? Quandoos filhos desobedecem seus pais não é de se estranhar que muitos deles ainda usam ameaças do tipo: “Se você fizer isso, eu vou te mandar para um colégio interno” “Se você continuar assim, eu vou te entregar para o conselho tutelar” “Se você continuar assim, eu vou te entregar para seu pai/mãe” (no caso de pais separados) O que a criança está aprendendo com isso é que se ela não agradar a seus pais, eles a mandam embora. Sentem o amor dos pais como algo condicional e isso por si só já é muito triste. Educação sem punição Rejane Reis Ferreira Santos Silva - CRP: 04/38626 "De onde tiramos a absurda ideia de que, para levar uma criança a agir melhor, precisamos antes fazê-la se sentir pior?” Jane Nelsen (2016)". 36 Para muitos pais, principalmente aqueles que apanharam na infância, parece inaceitável que os filhos emitam um mau comportamento e esses não recebam uma punição física ou verbal como consequência. Comparam a educação que tiveram e usam os mesmos recursos da sua época, seja por não conseguirem se livrar do modelo ou por não conhecerem outras alternativas. Existe uma ampla variedade de estratégias da Disciplina Positiva que podem ajudar os pais na educação de seus filhos sem precisar usar métodos punitivos. Aqui seguem algumas delas: 1) Nem passividade nem permissividade, seja gentil e firme. Ex: A regra da casa é: o café será servido entre 8h e 9h. Quem não tomar café nesse horário, deverá esperar o almoço. O filho chega atrasado e a mãe diz: “eu sinto muito que você perdeu o café meu filho, e tenho certeza que você consegue esperar até o almoço”. A punição não ensina um novo comportamento, ela inibe o mau comportamento ao mesmo tempo em que gera humilhação, revolta, manipulação e medo em quem é punido. Pode deixar nos fi lhos sequelas emocionais que irão influenciar o resto de suas vidas. Mas, quais são as alternativas para os pais l idarem com a educação dos fi lhos sem punição? 37 2) Expresse os seus sentimentos e fale sobre suas expectativas sem atacar o caráter do filho. Por exemplo, o pai diz: “filho, quando eu converso com você e você não olha nos meus olhos, eu me sinto invisível. Então, eu preciso que você me olhe nos olhos para eu saber que você está me ouvindo”. 3) Considere aplicar consequências lógicas respeitando os critérios dos quatro R’s das consequências lógicas: Relacionada (ligada ao comportamento), Respeitosa (deve ser gentil e firme, não pode envolver culpa ou vergonha), Razoável (não inclui tirar vantagens) e Revelada com antecedência. Ex: Todos poderão colocar suas roupas sujas no cesto, para que as mesmas sejam lavadas na quarta-feira. Caso alguém esqueça, poderá aguardar a próxima lavagem ou lavar sua própria roupa. A filha esquece de juntar suas roupas no cesto, que fica sem lavar. Filha: “mãe, minha calça vermelha está suja”. Mãe: “sinto muito filha, acredito que você saberá resolver o problema”. Filha: “você pode lavar pra mim?” Mãe: “Desculpa filha, qual é o nosso combinado?”. Obs: Se um dos 4 R’s faltar já não se trata de consequência lógica e sim de punição. 4) Envolva o seu filho na resolução do problema e faça perguntas que estimulem a curiosidade. Ex: “O que aconteceu? Como você se sentiu a respeito disso? O que você aprendeu com isso? Quais ideias você tem para resolver o problema? 38 5) Use a fórmula: Privilégio = Responsabilidade. Falta de responsabilidade = Perda de privilégio. Ex: Mãe: “você pode pegar as minhas canetas e guardá- las ou abrir mão do privilégio de usá-las”. Criança: "Por que você guardou as canetas?" Mãe: "Diga-me porque..." Muitas crianças ainda são educadas pelo domínio do medo, mas essas estratégias são totalmente inadequadas para ensinar um filho o que é certo ou errado. A verdadeira disciplina não é sinônimo de punir, mas de instruir e educar, de ensinar os filhos a desenvolver autodisciplina, cooperação e responsabilidade. E-mail: rejanereispsi@gmail.com WhatsApp: (34) 99891-4024 39 Sabe-se que ao longo das décadas, vários fatores contribuíram para o distanciamento entre indivíduo e natureza. Podemos citar a urbanização, a industrialização de alimentos, o conceito de assepsia arquitetônica, o crescimento desordenado das cidades, a verticalidade das moradias, e aumento do número de veículos automotores, com substituição dos bucólicos e coloridos jardins das casas, por garagens cimentadas e cobertas. Desemparedamento da infância e Cultivo Afetivo da Vida Soraya Sousa - CRP: 06/65009 No artigo “Mas de que te serve saber botânica?” de Antonio Salatino e Marcos Buckeridge (2016) notamos que um dos aspectos que contribui para a desconexão com a natureza, é a “cegueira botânica”, termo uti l izado em Biologia e Neurofisiologia para explicar, entre outros conceitos, a incapacidade de reconhecermos a importância das plantas em nosso cotidiano, na biosfera e na vida humana. Os impactos desta “cegueira” mostram-se drasticamente maiores a cada ano, com resultados indesejados ao planeta e a cada um de nós. 40 Como Psicóloga, Jardineira e Agente de Sustentabilidade de um município da grande São Paulo, com extensa área verde de Mata Atlântica preservada, além de parques e muitas praças, pude observar nas visitas técnicas e diálogos com profissionais e moradores da cidade, o descaso aos espaços públicos, através de acúmulos de resíduos sólidos, degradação de patrimônio, vandalismo, abandono de animais e desleixo com plantas, sendo estas as maiores queixas. Manter estes espaços bem cuidados, valorizados como territórios facilitadores do bem-estar físico e emocional, mostra-se um desafio a cada gestão. Apresentar o cultivo afetivo de plantas, em oficinas práticas nestas áreas verdes e fazer do meu espaço terapêutico, um ambiente educador, tornou-se meu grande desafio. 41 Instintivamente vi-me inserida em projetos e soluções verdes, e assim, as problemáticas relacionadas ao distanciamento da natureza, tornaram-se urgentes, entre elas, o desemparedamento da infância e adolescência. Em 2019, a Sociedade Brasileira de Pediatria em parceria com o Instituto Alana, desenvolveu o Manual de Orientação “Benefícios da Natureza no Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes” ressaltando o direito de cada um, à natureza e ao brincar, e importantes premissas de saúde, como autonomia, bem- estar e desenvolvimento, fortalecidos na interação com os ambientes naturais. No dia a dia, são muitos os desafios das famílias, com sobrecargas de trabalhos, acúmulo de funções domésticas, violência urbana e condições desfavoráveis dos espaços públicos. Assim, tornam-se mais distantes os vínculos afetivos com os ambientes naturais. Uma afirmação é certa, nossas crianças necessitam tanto da natureza como a natureza necessita de nossas crianças. Esta inter-relação se faz necessária à saúde humana e do planeta. Cabe a cada um de nós encorajar famílias, profissionais de saúde, educadores, pastores, padres, líderes em todas as instâncias a prescreverem natureza como ponto de partida para uma vida saudável e bem vivida. 42 https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/manual_orientacao_sbp_cen_.pdf Reconhecer a importância, entender o funcionamento e enxergar as plantas como seres vivos, é o começo de uma relação harmoniosa e próspera com o meio em que vivemos, refletindo positivamente nas relações ambientais, familiares e sociais. Pequenos espaços podem ser transformados em jardins de afeto. Escolas, clínicas, hospitais, consultórios, casas e apartamentos, todos em qualquer lugar, podem oferecer aproximação e contato com o verde. Novos olhares sobre as tradicionais formas de atuação, podem trazer um conceito diferenciado de educação e assistência à saúde. Escolas com espaços ao ar livre, hospitais com jardins de cura, clínicas com hortas terapêuticas, consultórios com pequenos e floridos jardins, todos encorajados a oferecer um cuidado global à vida, entregando valores profundos de conexão humana e consciência ambiental. E por onde começar? O escritor Rubem Alves, em poucas linhas, orientoumuito bem: 43 “Todo jardim começa com um sonho de amor. Antes que qualquer árvore seja plantada ou qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardins por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles...” Deixe a natureza brotar em seu coração! Permita-se a construção deste afeto! Convide a família a criar uma pequena horta, um berçário de suculentas, um pomar em vasos, um jardim sensorial de ervas aromáticas. Visitem hortas comunitárias, participem de grupos de plantios coletivos, agendem expedições botânicas nos parques das cidades, criem parcerias para trocas de sementes! São muitas as possibilidades. Deixem os sentidos aflorarem, sintam a natureza ao compasso das batidas do coração. Encorajem-se a uma vida verde e feliz! Instagram: @ruralpsi WhatsApp: (11) 97284-0303 Facebook: @ruralpsi 44 As tensões familiares provocam nos adolescentes o desejo de migração para grupos em busca de apoio, muitas vezes quando não encontra respeito e confiança em família. No processo do adolescer, a flexibilidade é fundamental. Os filhos precisam de pais seguros e encorajadores, que despertem a responsabilidade e autonomia, mantendo uma conexão emocional e reconhecendo que eles estão em crescimento e que ainda não atingiram a fase adulta. Erros acontecerão, mas eles serão necessários para o aprendizado, crescimento e amadurecimento. Os jovens precisam de seus pais. Nesse momento, eles necessitam se apropriar da particularidade dessa nova fase em sua vida e é extremamente necessário que os pais não desistam de sua função. É nessa fase que os jovens buscam se aliar como forma de se sentir pertencentes a um grupo e valorizados. O ADOLESCER: Como lidar com as mudanças nesse ciclo da vida Regina Célia Marques Rocha Maia Barreto - CRP: 11/08479 45 A exigência dos filhos por maior autonomia e independência desperta muitas vezes nos pais o medo da perda e da rejeição, pois acreditam que o fortalecimento de laços afetivos fora da família provocará um afastamento entre eles. Pais se sentem confusos, zangados, descontrolados e apresentam problemas relacionados aos filhos, com um sentimento de impotência, paralisam e muitos optam por adotar uma educação mais autoritária nessa fase, ou desistem do controle por completo, o que não é positivo para a construção e manutenção de uma conexão parental. A vaidade, a necessidade de afirmação, a insegurança e a timidez são sentimentos que instigam os comportamentos dos adolescentes. O medo ou a vergonha podem também provocar a participar de vivências às quais ainda não estão preparados emocionalmente. A educação deve ser regida por uma orientação segura e coerente, uma autoridade firme e confiável, porém, é nesse momento que os pais precisam diminuir gradualmente o controle sobre seus filhos, tornando-os orientados e investindo em formas carinhosas e apegos íntimos a fim de obter jovens ajustados psicologicamente e autônomos. 46 A melhor forma de atuação dos pais nesse ciclo de vida é construir relações de gentileza e firmeza. Pais, no momento de irritação, evitem o confronto e aceitem que vocês precisam de um tempo. Seus filhos não mudarão se vocês também não se empenharem na mudança. Busquem entender a situação e somente depois voltem junto aos seus filhos para buscarem um entendimento da situação e levantarem possíveis soluções juntos. Regras estabelecidas juntas são bem mais prováveis de serem cumpridas. Busquem realizar uma escuta ativa, não julgando previamente, não agredindo, não acusando, mas sempre buscando entender os sentimentos dos seus filhos e escutando as propostas de solução listadas por eles. A empatia é fundamental no processo de conexão! Invistam em reuniões familiares onde todos possam se expressar e discutir soluções para os problemas que emergirem. 47 Nesse ciclo da vida, muitas demandas são desencadeadas. A incapacidade de negociação gera um bloqueio no crescimento dos adolescentes e cria um distanciamento emocional entre pais e filhos, gerando assim um ambiente familiar hostil, decorrente da desconfiança e do sentimento de incompreensão dos adolescentes, os quais podem apresentar comportamentos indesejáveis, resistentes e confrontadores. Pais precisam envolver seus filhos na solução de problemas a fim de que desenvolvam habilidades de vida, e necessitam compreender que a adolescência faz parte de um processo de desenvolvimento para a fase adulta. O foco em perfeição e resultados diz indiretamente para seus filhos que vocês os amam de maneira condicional. Os adolescentes precisam sentir respeito, valor e o amor incondicional de seus pais. R E S P E I T O V A L O R A M O R 48 Eles precisam de apoio e não de questionamentos excessivos. Controles externos como recompensa e punições só aumentam a rebeldia. Pais, se concentrem na educação a longo prazo. Sejam guias e facilitadores de seus filhos em quem eles podem confiar. Menos ansiedade, mais proximidade. Menos julgamentos e expectativas, mais apoio e confiança. Mantenham-se sempre atentos a seus filhos, pratiquem uma escuta ativa, sejam empáticos, se coloquem no lugar de seus filhos, façam parte do universo deles e se despreocupem com o que os outros pensam. Certifiquem- se de que seu amor é incondicional e expressem essa mensagem a eles, encorajando-os e sendo sempre respeitosos, buscando soluções juntos, equilibrando o tempo de privacidade deles com momentos juntos com vocês, onde será investido apoio e estabelecida conexão. A conexão leva a autocorreção. Reservem um tempo de qualidade ao menos uma vez ao mês com seus filhos e façam algo juntos que os agradem. Conectem-se! Conheçam mais seus filhos! Instagram: @psireginabarreto WhatsApp: (85)98878.6518/ (85)98165.6518 Facebook: Psireginabarreto E-mail:maia-barreto@uol.com.br 49 A relação entre irmãos é um vínculo para vida toda, e esse vínculo pode apresentar diversos desafios de comportamento. Para que a criança aprenda a lidar com discussões, competições, rivalidade, raiva, dentre outros desafios, os pais precisam aprender a intervir de forma adequada. Leia as dicas a seguir, respire fundo e parta para a ação: Brigas entre irmãos: aprenda estratégias para resolver conflitos Não sejam pais críticos: Apontar os erros entre eles, provoca uma ansiedade e gera uma sensação de que não são valorizados. Elen Pereira de Oliveira Santos - CRP:06/156282 Respeite a individualidade de cada filho: Isso ajuda a construir relações saudáveis. 50 Não proteja sempre o menor: Ação de exigir deve ser proporcional à idade. Procurando ouvir os dois lados. Não compare: Isso estende a rivalidade entre eles e até um sentimento de disputa, que pode gerar frustração e insegurança. Imponha limites sem ofender: Dar limites é ajudá-los a se preparar para a vida adulta. O correto é desaprovar o mau comportamento entre eles, de preferência usando exemplos positivos. Converse, insista e não desista: É preciso insistir com paciência, só por meio do diálogo que se resolve as brigas e conflitos. 51 Tenha um tempo com cada filho: Combine algo que possam fazer juntos. Interagir com os fi lhos também é algo fundamental e diminui a competição entre irmãos por atenção. Não use o filho mais velho para cuidar do mais novo: Essa responsabil idade não é dele e provoca distanciamento no vínculo. Flexibilize as regras: Produz uma maior autonomia e negociação entre eles. Encoraje demonstrações de afeto: De quando eles estão juntos são ainda melhores e parceiros. 52 Instagram: @psi_elensantos WhatsApp: (11) 97018-5089 E-mail: psicologaelensantos@yahoo.com É fundamental que a família promova comportamentos que impulsionem o respeito, a empatia, união e a estima entre os irmãos. Use uma comunicação não violenta: Proporciona uma relação baseada na cooperação, na confiança que cria uma maneira mais desarmada de se entender entre eles. 53 Direcionar os filhos para uma vida adulta de sucesso e felicidade é o objetivo de todos os pais,os conduzindo para o desenvolvimento da boa moral e positivas habilidades de vida. É necessário que os pais sejam líderes na vida das crianças, e criem pessoas que possam fazer o que é certo pelo seu senso de responsabilidade e não por esperarem recompensas ou por medo das punições, proporcionando julgamento crítico diante das situações, escolhas éticas e autoconfiança. Desde cedo é possível inserir conceitos de respeito, cooperação e responsabilidades no cotidiano das crianças, para que elas compreendam que vivemos em um sistema social e familiar com regras e leis, organizando nossa convivência com as pessoas, visando o bem estar de todos. Encorajando os filhos: como conseguir cooperação nos combinados Jessica F. de Aguiar Bueno - CRP: 06/101622 54 Para que eles pratiquem as suas responsabil idades frente às regras e aos combinados, é sugerido aos pais que organizem uma rotina para os fi lhos, considerando a idade da criança, as tarefas comparti lhadas, as atividades individuais e os horários e o tempo para cada atividade. Sabemos que nem todas as crianças cooperam todo o tempo com a rotina planejada, muitas vezes reagem com resistência, disputa de poder, barganhas e choros, seja na hora da tarefa escolar ou das refeições, não querem cumprir os combinados, evitam interromper uma brincadeira, não estudam para provas. Tais comportamentos são desafiadores e geram situações de estresse para todos. Quando somente os pais estipulam e impõem a rotina da garotada, sem a participação delas, não promovem o senso de pertencimento, possibil itando reações desagradáveis nos fi lhos que buscam reconhecimento e aceitação. 55 Os filhos se sentem motivados a colaborar quando participam do planejamento das atividades. Muitos podem achar que isso é deixar a criança fazer o que quer, perdendo o respeito e controle, e é exatamente o contrário, estão validando sentimentos, praticando a escuta ativa, estreitando vínculos afetivos e estimulando a participação na resolução de conflitos. Elaborem JUNTOS um quadro de rotinas, conversem e l istem as tarefas diárias, demonstre interesse por todas as ideias que surgirem; E como fazer meu filho cooperar com os combinados familiares? Com as tarefas e horários l istados, incentive que o fi lho escreva, desenhe ou confeccione o próprio quadro, colocando a “mão na massa”. Mais um ponto positivo para o senso de pertencimento e conexão com a rotina; 56 Faça acordos, ofereça escolhas limitadas sobre o momento e tempo de duração para cada atividade: “Você quer primeiro assistir TV e depois fazer a lição, ou fazer a lição primeiro para depois assistir?”; “Você pode usar o celular por 20 minutos e o videogame por 10 minutos, ou prefere usar por 15 minutos cada?” Fale sobre os objetivos e/ou benefícios de cada atividade; Os pais também devem agir conforme os combinados, lembrem se que crianças buscam modelos de comportamento; Supervisione e acompanhe as tarefas e não faça por eles o que eles podem fazer sozinhos; Explique sobre a possibilidade de surgirem imprevistos, afinal podem acontecer mudanças no meio do caminho; Não os recompense com presentes ou dinheiro, já que o objetivo é que os filhos cooperem com os combinados por eles mesmos e por suas escolhas éticas. 57 Quando o combinado não for respeitado mostre que notou e permita que a criança pense sozinha em como resolver. Pergunte: “Qual foi nosso combinado?”. Afirme: “Vi que sua cama está molhada, pois há uma toalha nela”; “Percebi que há roupas sujas fora do cesto”; “Notei que há trabalhos escolares a fazer” Valide os sentimentos: “Eu sei que está bravo e não quer desligar o computador agora e qual foi nosso combinado sobre isso?”; “O que você pode fazer para ir ao banho na hora certa?”. "Crianças são muito mais dispostas a respeitar os l imites que elas ajudaram a criar com base em seu entendimento sobre porque eles são necessários e como ser responsável por eles.” (NELSEN, 2015,p.15) Instagram: @jessica.psicoeinfancia WhatsApp: (11) 97693-9483 E-mail: psicologiaclinica.jessica@gmail.com Telefone: (11) 4107-0875 58 Atualmente, através das redes sociais e outros meios de comunicação, nos deparamos frequentemente com problemas relacionados às crianças e adolescentes por indisciplina e desrespeito a pais e professores, o que faz com que ambos sintam-se muitas vezes desencorajados de prosseguir nesta missão que é de suma importância para a construção de um mundo melhor. Pensando em auxiliar neste processo, a Disciplina Positiva nos traz técnicas e ferramentas que de uma forma encorajadora e amorosa possam auxiliar os pais e professores desenvolver nas crianças e adolescentes valores e habilidades de vida. Na disciplina tradicional o foco é ensinar às crianças o que não fazer ou o que fazer porque alguém disse que é assim que deve ser feito. Na Disciplina Positiva o foco está em ensinar às crianças o que fazer convidando-as a refletir sobre a situação e a usar algumas orientações básicas tais como respeito e disposição para achar soluções. Focar na solução e não no problema Rozinir Aparecida Trombeta Chappuis - CRP: 12/04049 59 Elas deixam de ser apenas receptoras passivas e passam a ser participantes ativas no processo. Fazendo com que sintam-se motivadas e comecem a fazer melhores escolhas de comportamento porque sentem-se respeitadas e aprendem a respeitar os outros também. Quando pais e professores focam na solução e não no problema isso faz com que o clima familiar e escolar sejam muito mais harmoniosos e as crianças e adolescentes aprendam a se relacionar de forma positiva e adquiram habil idades e estratégias para trabalhar novos desafios. Identificar o problema. Pensar no maior número de soluções possíveis. Escolher uma solução que todos aceitem. Testar a solução por uma semana. Avaliar. Se não funcionou, iniciar o processo novamente. O tema do foco em soluções é : Qual é o problema e qual é a solução? 60 As crianças são muito criativas e podem auxil iar na resolução de problemas, mas precisam que os adultos invistam tempo em treinamento e criem oportunidades para que elas possam usar estas habil idades. Uma das ferramentas da disciplina positiva é a reunião de classe/família, que pode ser uti l izada não apenas para resolver problemas, mas também para ensinar valiosas habil idades de vida dando oportunidade para as crianças melhorarem sua autoestima e seu desempenho. Nestas reuniões pode ser utilizado o método 3 R´s e 1 U (relacionadas, respeitosas, razoáveis e úteis). a consequência deve estar l igada ao comportamento.. a consequência não deve envolver culpa, vergonha ou dor e sim ser aplicada de forma gentil e firme. RelacionadasRelacionadasRelacionadas RespeitosasRespeitosasRespeitosas 61 Formar uma roda. Praticar reconhecimento e apreciação. Criar uma pauta. Desenvolver habil idades de comunicação. Aprender sobre realidades diferentes. Dramatizações e discussões. Reconhecer os quatro motivos pelos quais as pessoas fazem o que fazem. Focar em soluções não punitivas. Existem alguns aspectos fundamentais para que as reuniões de classe/família sejam eficazes: a consequência não inclui tirar vantagem , sendo razoável do ponto de vista da criança e do adulto. escolher a solução mais adequada para situação. RazoáveisRazoáveisRazoáveis ÚteisÚteisÚteis 62 Os pais e professores devem ser objetivos e não expressar julgamentos , mas isto não significa que não podem ter voz durante as reuniões, pode-se colocar itens na pauta e dar sua opinião. Para que o foco na resolução do problema na abordagem da Disciplina Positiva obtenha eficácia não depende apenas das atitudes das crianças e adolescentes, mas também das atitudes dos adultos de respeito mútuo, perseverança, calma e preocupação com os efeitos em longo prazo, pois não é possível que o resultado seja imediato. Assim como em outras ferramentas exige-se por parte do adulto (pais e professores) paciência e persistência para que a cooperação, autodisciplina, responsabil idade, resil iência,habil idades de resolução de problemas e habilidades de vida possam ser alcançadas pelas crianças e adolescentes e os comportamentos desafiadores sejam trabalhados. Instagram: @psirozinirtrombetachappuis WhatsApp: (49) 991186744 E-mail: rtchappuis@gmail.com 63 Você tem encontrado dificuldades para tirar as crianças da tela para fazer as principais refeições? Pararam ou diminuíram as conversas olho no olho? Não conseguem interagir com seu filho(a)? Não conseguem conversar no carro porque estão conectados ao tablet ou celular? A sociedade mudou nos últimos anos e vimos uma crescente influência do mundo digital nas nossas vidas e de nossos filhos. Não temos como mudar essa realidade, mas podemos controlar o uso excessivo de eletrônicos no dia a dia, já que pesquisas apontam inúmeros malefícios desse uso abusivo em nossa saúde. Dentre os efeitos negativos do uso excessivo da TV, dos jogos eletrônicos, do computador e da internet em crianças e adolescentes podemos mencionar: A batalha contra o excesso do uso de eletrônicos Adriane Ramiro - CRP: 04/14211 condiciona o cérebro a um estado superexcitado, dificultando a concentração; 64 estimula o vício, diminui o rendimento escolar; traz prejuízos para a criatividade; traz alguns problemas de saúde como aumento de peso, tendinite e dores na coluna. Outro aspecto importante é que propicia o isolamento e comportamento antissocial. Abaixo 10 sugestões de como podemos agir utilizando princípios da Disciplina Positiva. 1- Elimine a batalha decidindo o que você fará, sendo gentil e firme. 2- Envolva as crianças na criação de acordos sobre quanto tempo é razoável para o uso de equipamentos eletrônicos. 3- Ofereça escolhas limitadas. Ex: “Você pode jogar meia hora no videogame ou ficar meia hora no tablet”; “Você pode assistir à TV por trinta minutos antes do jantar ou depois do jantar”. 4- Não coloque TV nos quartos e não permita o uso de computadores, tablets ou celulares nesse ambiente. O quarto deve ser o lugar de descanso. 5- Converse com seus filhos sobre o que eles estão assistindo e regule conteúdos inadequados. 65 6- Desligue a TV ou tire o eletrônico quando houver brigas entre irmãos. 7- Não faça o que você proíbe, como por exemplo, usar o celular durante as refeições. 8- Use a reunião de família para discutir o uso de eletrônicos e explique porque a limitação. 9- Ajude a criança fazer uma lista das atividades de que gosta e que poderá consultá-la quando estiver entediada. 10- Evite utilizar eletrônicos para seu filho se acalmar. Ele precisa desenvolver outros recursos para regular as emoções desagradáveis. Limitar o tempo de uso de tela não é uma tarefa fácil, mas temos que pensar em longo prazo. Precisamos deixar que a criança tenha mais tempo livre, que descanse o cérebro, que utilize sua inteligência natural para desenvolver a criatividade. Assim ajudaremos nossas crianças e adolescentes a desenvolverem habilidades de vida como: planejamento, hábitos não abusivos e discernimento para filtrar informações desencorajadoras. Instagram: @adrianeramiropsi WhatsApp: (31) 98477-2614 E-mail: adrianeramiropsi@gmail.com Facebook: adrianeramiropsicologa Site: www.adrianeramiro.com.br 66 Será que isso é efetivo? Como você tem ajudado as crianças a lidarem com suas emoções? As crianças também tem as suas próprias emoções e sentimentos como: raiva, tristeza, amor, nojo, alegria e medo; e, como ainda estão em fase de desenvolvimento, é função dos pais ajudá-las a reconhecer qual emoção estão sentindo, nomear essas emoções e dar suporte para que elas possam expressar o que estão sentindo. Isso contribui de maneira significativa para que, aos poucos, tenha mais autonomia para autorregular, ou seja, para lidar com essas emoções de maneira assertiva e que não traga prejuízos para si ou para outras pessoas ao redor. Por exemplo: a criança pode sentir raiva e isso é normal, mas não pode bater ou machucar as pessoas à sua volta em função dessa emoção (SCHWARTZ; LOPES, 2015). Como encorajar o meu filho a lidar com as suas emoções? Léia da Rosa dos Santos - CRP: 08/22524 Quem nunca ouviu a frase “engula o choro” ou até mesmo falou isso para uma criança em um momento em que as emoções estavam mais intensas, e que ela estava chorando ou muito descontrolada? 67 Ao validar os sentimentos e emoções, estamos encorajando a criança a conhecer, expressar e autorregular as suas emoções e lhe dando espaço para que desenvolva habil idades sociais que acompanharão sua vida. Essa validação pode ser feita através de frases simples, como por exemplo: Essas simples perguntas ajudam a criança a sentir que é aceita, que é importante e que está segura. E ainda damos um tempo para que ela organize os pensamentos e as emoções. Sentir certas emoções podem causar desconforto muito grande, e como não podemos evitar sentir uma emoção, podemos aprender a identificá-la, nos acalmar primeiro e depois tomando decisões. Como você está se sentindo? Percebi que você está brava. É isso mesmo?Como fica o nosso rosto quando sentimos raiva, alegria, tristeza, amor e nojo? O que você acha que te ajudaria a se sentir melhor nesse momento? Em qual parte do corpo você está sentindo essa emoção? O que você acha de se acalmar primeiro e depois procuramos soluções pra resolver isso? Eu entendo que você esteja muito frustrada agora e por isso está chorando. 68 Isso ajuda a desenvolver autocontrole e diminui também o comportamento impulsivo, de agir primeiro e só pensar depois que já teve aquele comportamento de bater, xingar ou morder, além disso ajuda a criança a perceber que as vezes ela está alegre, mas que em algum momento pode sentir raiva ou tristeza e que sentir as emoções não é o problema, mas que é necessário prestar atenção como reagimos em função daquela emoção. Com a ajuda da criança, podemos criar um espaço da pausa positiva e o objetivo é que ele seja usado quando a criança precisa se acalmar e se sentir melhor. Esse espaço pode ter um tapete, uma caixa com canetinhas, lápis de cor e folhas de papel, bichos de pelúcia para serem abraçados, travesseiro, bolinha para a criança apertar quando sentir raiva, bolhas de sabão, etc. Então, quando a criança apresenta um mau comportamento é uma excelente oportunidade para ensiná-la a lidar com as suas emoções: acolhendo, validando e encorajando a expressar o que está sentindo. E quando a criança estiver mais calma, conversar e construir junto com ela alternativas do que fazer quando sentir novamente tais emoções, para que ela possa se sentir melhor para agir melhor. 69 Neste espaço podemos também colocar figuras ou imagens com dicas para ajudar a se acalmar, como por exemplo: contar até dez, cheirar a flor e assoprar a vela (que consiste em puxar o ar pelo nariz e soltar bem devagar pela boca), apenas respirar mais devagar, carinhas com as expressões das emoções para que ela possa identificar qual emoção está sentindo naquele momento, como se fosse um termômetro (FRIEDBERG; HILLWIG McCLURE; 2011). Criar uma caixa de ideias, para acessar quando a criança se sentir entediada ou quando não souber o que fazer, também é bacana. Essa caixa de ideias pode ser feita com figuras recortadas que lembre aquela atividade ou situação, ou pode-se escrever em pequenos pedaços de papel, por exemplo: pular corda, fazer a respiração da flor e da vela, escolher um jogo, brincar com o animal de estimação, etc. Todas as situações é importante que tenham sido pensando em conjunto com a criança. Um outro recurso que pode ser feito é a caixa da raiva, nessa caixa é importante que tenha folhas de papel, lápis de cor, giz de cera, canetinhas e outros materiais que a criança possa usar. Então, explicar para a criança que quando ela sentir raiva, poderá desenhar sua emoção no papel e expressar ali tudo o que está sentindo. 70 Isso ajuda ela a expressar a sua emoção e validar os seus sentimentos mesmo aqueles que causam desconforto ao sentir. Ajudar uma criança a expressar suas emoções, também contribui paraque ela desenvolva sua autoestima e autoconfiança, sua capacidade de adaptação e resil iência e com isso tenha suporte para l idar e enfrentar os desafios da vida. Instagram: @psicoleiarosa WhatsApp: (42) 99843-1639 E-mail: leiacorreasilva@gmail.com Facebook: Psicóloga Léia da Rosa dos Santos 71 Ao longo dos tempos tem-se verificado mudanças significativas na forma de educar os filhos e, neste processo, alguns genitores aprenderam uma forma de se comportar com os adolescentes acreditando que os estavam encorajando. Contudo, observou-se dificuldades em uma conexão assertiva, prejudicando as relações. Esta questão é uma constante em minha atuação junto aos adolescentes e seus genitores e a comunicação é um dos fatores que fica comprometido, já que o jovem tenta construir sua identidade testando limites, partilhando mais seus afetos e as suas preocupações com amigos do que com os pais. Este capítulo tem como objetivo incentivar pais e filhos adolescentes a melhorarem a conexão, para que possam construir uma comunicação assertiva e encorajadora. Desenvolvendo uma comunicação de qualidade entre pais e filhos adolescentes: Vamos refletir juntos: Em algum momento você e seu filho realmente escutam um ao outro? O que prejudica a comunicação entre vocês? Será que seu filho conversaria mais com você, caso ele se sentisse realmente ouvido, compreendido e levado a sério? Melhorando a conexão entre pais e filhos adolescentes Keiko da Costa Oikawa - CRP: 10/02467 72 Durante a atuação com genitores e seus filhos adolescentes, nota-se que muitas questões precisam ser cuidadas e reformuladas, pois na maioria das vezes os pais levam tudo o que escutam para o lado pessoal ou acreditam que falar é a melhor forma de educar, mesmo percebendo que este comportamento não funciona. Ao tentar estabelecer uma conversa com o adolescente, eis algumas questões que dificultam esta conexão: Exemplo 1: Filho: “consegui arrumar a gaveta do meu armário”; Pais respondem: “não foi assim que te ensinei, você não faz nada certo”. Exemplo 2: Filho: “Estou tendo dificuldade em física, tirei nota baixa...”; Pais interrompem filho: “Nossa, você só me decepciona, aposto que aquele seu amigo se saiu bem”. Por não terem aprendido outra forma de agir, estes são alguns comportamentos que muitos pais acreditam que estão motivando o adolescente a melhorar, contudo eles acabam desencorajando os filhos, que passam a acreditar que realmente não são capazes de fazer algo bom, se acham péssimos filhos(as), e isto reflete de forma negativa em como se percebem. Logo, preferem ficar com os amigos ou no mundo dos eletrônicos, pois nestes contextos acreditam que são aceitos, aumentando, assim, a distância entre os pais e seus filhos adolescentes. 73 Diante destes exemplos e de outras questões que são observadas, é importante que os pais desenvolvam uma postura que demonstre que se importam com o que o adolescente quer passar: procure ficar em silêncio ao ouvi-lo, já que ouvir e falar ao mesmo tempo impede uma conexão verdadeira e as dificuldades tendem a aumentar. Valorize o engajamento do seu fi lho (a) em tentar lidar melhor com as dificuldades, por exemplo: “Que bom ver o seu empenho em arrumar suas coisas”, ou “Entendo que você esteja com dificuldade em física, o que posso fazer para te ajudar?” Ter uma escuta ativa e uma postura empática, demonstrando interesse no que o adolescente quer dizer, não significa que você concorda com tudo com o que o jovem faz ou pensa, mas sim que você está tentando entender o mundo do seu adolescente, para poder encorajá-lo. Além disso, evite compará-lo a outros jovens, isso deixa seu fi lho(a) desestimulado. Reserve um tempo de qualidade para conversar ou fazer alguma programação só com o(a) adolescente. Então, o que os adolescentes pedem aos pais para melhorarem na forma de se comunicar? 74 Demonstrar interesse em compreender o adolescente é estar disposto a respeitar a sua realidade. E com isso, a probabilidade dos jovens escutarem o que você tem a dizer e a verem sentido no que estão pedindo tende a aumentar, melhorando a conexão entre vocês. Instagram: @psicologa_keiko_oikawa / amadurecer_com_leveza WhatsApp: (91) 98058-6107 E-mail: keikooikawa@hotmail.com 75 Vamos falar de rebeldia na adolescência? Quando se fala em adolescente, uma das coisas que se passa pela cabeça do adulto é a rebeldia. E por que será? Adolescência é a passagem da fase de criança para a vida adulta e isso gera uma confusão na cabeça do adolescente, pois não é nem um e nem outro. Uma mistura de emoções, mudanças no corpo, no comportamento se manifestam nele, se questionando quem ele realmente é. É uma fase em que o auxílio dos pais é muito importante. Um erro dos adultos é pensar que o adolescente já é um adulto, que deve ter responsabilidade e saber bem as consequências dos seus atos, mas não é bem assim. O adolescente ainda está instável, procurando por equilíbrio e tentando se adaptar a essa nova fase de sua vida. Por isso, ele vai em busca de novas experiências de vida, buscando grupos para se sentir pertencente e aceito, buscando sua identidade. Outro erro é acharem que, por já terem experienciado essa passagem, já sabem o que é certo e o que é errado e assim tentam impedir seus filhos de fazerem o mesmo, querendo livrá- los das dores, do sofrimento. Fabiana Benedetti - CRP: 06/144821 76 Os pais não sabem que ao proibi-los fazem com que seus filhos não aprendam as habilidades de vida, superprotegendo-os não ganham experiências, não geram independência para buscarem soluções e, quando são impedidos de realizarem o que desejam fazer, se rebelam e os adultos não entendem o porquê. O mundo hoje é outro, tudo está diferente do seu tempo. E você, pai, mãe, professor, enfim, busque avaliar seus próprios sentimentos e se coloque no lugar do outro. Antigamente não tinha uma educação emocional e a partir do momento que você compreende os sentimentos do adolescente, que você compreende seu mundo interno, as coisas ficam mais fáceis de lidar. Os adultos costumam achar que estão ajudando os filhos agindo desta forma, para que não errem, para que não passem pelo que passaram, mas pense comigo: se eles não passarem por essas experiências agora, como isso será em longo prazo? Como vão aprender a resolver seus problemas no futuro? Como vão ganhar independência e autoconfiança? 77 Abram espaço para ele falar, discussão que um não deixa o outro falar, que um sobrepõe a voz do outro não leva a nada. Gera uma briga de poderes, os pais ficam irritados pensando que estão perdendo a autoridade, o adolescente não se sente aceito, amado e compreendido, alguém pode falar algo que vai se arrepender depois, e isso pra quê? No fim nada se resolve, tudo sai pior que antes e cada vez mais vai aumentando a distância entre vocês. Então, vamos supor que seu filho fez algo que não lhe agradou, você inicia o assunto e ele logo responde de uma forma desagradável, acostumado com essa situação. JANEJANEJANE NELSENNELSENNELSEN De acordo com Jane Nelsen, a melhor maneira de você lidar com isto de uma forma gentil e firme é sair do local. Assim que ambos estiverem mais calmos, poderão agir melhor. 78 É importante dizer que respeita os sentimentos dele e que a forma que está l idando com isso não é uma boa maneira, então avise que em momentos como este você sairá do ambiente caso se sinta desrespeitado. Mostre que ele é amado e que assim que te tratar com respeito, receberá com prazer sua ajuda para l idar com seus problemas, suas frustrações e buscarão soluções juntos para as mesmas. Desta forma, aproveite esse momento para falar sobre emoções, ajudá-lo a lidar com seus sentimentos, busquem formas dele poder enfrentar isso sem machucar os outros e a si mesmo. Vale ressaltar que seu tom de voz também deve ser gentil , pois o jeito como falamos transparece nossos sentimentos. Então, não adianta jogar as palavras para fora sendo que seu tom de voz não está congruente com aquilo. 79 Apalavra chave para uma boa conexão é a empatia, o que os adolescentes mais precisam nesses momentos é serem ouvidos e saberem que podem contar com seus pais, sem medo de serem julgados ou humilhados. A partir disso, eles se sentem mais relaxados para comparti lhar o que quiserem com os pais. Então, para finalizar, lembre-se de se controlar para não gritar na primeira oportunidade, quando você se controla e se acalma você ensina o outro a fazer o mesmo. Deixe claro ao seu fi lho que ele é amado e aceito, lhe dê ouvidos, ouça com empatia e acolha os sentimentos sem julgá-los. Instagram: @psico_fabibp WhatsApp: (11) 94820-7985 E-mail: fabiana.bpereira@hotmail.com Site: https://fabianabenedettipsi.com.br/ E M P A T I A 80 Comunicação Encorajadora: Uma forma de lidar com os medos infantis Fernanda Cañete Vebber - CRP: 07/11734 A todo instante as crianças estão diante de possibilidades de aprendizagem e de ampliar seu repertório de habilidades. Situações estas que fazem com que elas se deparem com o desconhecido, sendo importante encontrar no adulto o reconhecimento de seus movimentos de constante crescimento. Toda vez que enxergamos uma conquista da criança e mostramos a ela seu feito, estamos encorajando-a. “Você percebeu que já consegue realizar isto!”. Encorajamento diz respeito a inspirar com coragem e direciona-se ao feito, à tarefa. Considerando o desenvolvimento socioemocional, o encorajamento possibilita que as crianças desenvolvam o senso de ser capaz, de poder contribuir com os outros, o autocontrole e, sobretudo, fortalece a autoconfiança. Vamos ver isto numa situação prática, de vida real. Minha filha está vivendo a transição para a segunda dentição, e, certo dia, no café da manhã, veio até meu ouvido: “Mãe, meu dente está me incomodando!” “Crianças precisam de encorajamento, assim como as plantas precisam de água”. Essa frase de Rudolf Dreikurs se aplica a todos nós e revela o potencial do encorajamento para o desenvolvimento humano. 81 Mesmo com medo, ela estava certa de que queria terminar com isto, mas eu sabia que ela precisava de certo tempo para calibrar a coragem já que há dias essa situação estava presente. Fui apresentando possibilidades a ela, lançando perguntas que a fizessem pensar sobre como seria possível resolver o problema: quer tentar arrancar seu dente sozinha, como você já fez antes? Quer me deixar verificar como o dente está, e decidimos juntas sobre o que fazer? O medo veio com tudo, tornou-se grandioso, quis tomar conta, com choro e desespero. Diálogo intenso. Hora de um caloroso abraço. Tem horas que um abraço é tudo e o melhor a fazer, cria uma atmosfera de encorajamento. Viajei em mim: o que faço quando sinto medo? Além de reconhecer que havia o medo, na situação dela, foi importante ela perceber que ela era maior que o medo, que o medo a habitava neste momento, mas que, em seu diálogo interno, ela é quem daria o comando, não seu medo. Abracei-a, disse que eu estava com ela e que me dissesse de que forma ela achava que eu poderia ajudá-la. Ela não sabia. Questionei, então, se gostaria de tentar resolver naquele momento ou mais tarde. 82 Encorajador. Inspirar com coragem. Desde o início eu dizia para ela confiar em mim. Ao me questionar se sentiria dor, não disse que não, mas lhe afirmei que o que quer que acontecesse, eu poderia ajuda-la a resolver. Isso eu podia garantir a ela. O tempo foi passando, e, por vezes, gentil e firme, retomei a pergunta: quer resolver agora ou mais tarde? Acolhia-a, encorajava-a, percebia que me mantinha conectada com ela e que, o que quer que lhe acontecesse, estávamos juntas. Aproximando-me do ponto de vista dela, de criança, voltei a minha infância, sentindo a importância de não estar só diante de um desafio. E, de repente, encorajada ela estava, e me solicitou que arrancasse seu dente. Sentimos alívio juntas. Ao final, seu olhar amoroso, os abraços de uma cumplicidade vivida, conexão, proximidade, confiança ampliadas. Percebi que o reconhecimento de sua melhora foi encorajador e lhe motivou a continuar com seus esforços. Seu choro foi se acalmando e foi possível conversar. Reconheci nela esta conquista: “Você está indo muito bem, viste que agora estamos conseguindo conversar!”. 83 As intervenções em educação parental embasadas na validação, aceitação e reconhecimento de quem é a criança, l ivre de comparações, julgamentos e expectativas sobre seu comportamento, são encorajadoras. Algumas atitudes do adulto encorajadoras são: aceitar e respeitar a criança como ela é, ser paciente e acolhedor com o desenvolvimento da criança, focar a atenção nos comportamentos positivos da criança, oferecer oportunidades para a criança desenvolver habil idades de vida que levem-na a ter sucesso, ser um apoio incondicional. Pense por um momento, se você estivesse diante de uma situação que lhe deixa assustado e lhe desperta medo. Registre o que seria encorajador para você. E se você fosse a criança que foi um dia, passando por uma experiência de vida que lhe desperta medo, como, por exemplo, seu primeiro dia de aula na nova escola, você diria a essa criança a sua frase? Que frase você sente que se a ouvisse faria você se sentir melhor e te fortaleceria? 84 Estar consciente das vivências de infância que nos habitam possibil ita-nos agir com maior consciência e coerência para uti l izar práticas encorajadoras na educação dos fi lhos. Instagram: @fernandacanetevebber WhatsApp: (54) 99105-2841 E-mail: fernandavebber@gmail.com E lembre-se que uma criança encorajada aprende a acreditar em si mesma, ser autoconfiante, o que a auxil iará a enfrentar os desafios da vida. 85 Você já reparou como esse tema pode ser visto através de diversos olhares? A mentira apresenta a não verdade sobre algo, que por algum motivo está sendo ocultada pelo contador da história. A pergunta é: por que mentir? A criança ou o adolescente apreende o ambiente em que está. Vai captando aquilo que o cerca, observa a comunicação verbal e não verbal, as expressões, as reações e as atitudes. Se o ambiente é seguro, a confiança se instala e é possível se expressar de maneira verdadeira em sua essência. Se o meio é hostil, é provável que a verdade interna seja preservada e o medo se instale. Ocorre que todos temos a necessidade de sentir que somos pertencentes ao grupo que estamos. A mentira tanto pode ser um equívoco de interpretação de quem escuta a história, como pode ser intencional. Ambas situações demonstram a falta de uma comunicação mais assertiva entre as partes envolvidas. A mentira fantasiosa pode ocultar a necessidade de aprovação e aceitação pelo meio em que está. Como lidar com a mentira Silmara A.Z. Mostaço Franzese - CRP:06/43304 86 Quando não sentimos que somos escutados, ou temos dúvidas sobre nossa aceitação no grupo, surgem sentimentos de medo e desaprovação. Reforçando sentimentos de autoestima rebaixada, a falta de confiança em si mesmo e favorecendo que a verdade seja preservada. Surge então a mentira, como uma forma de não ser rejeitado pelo grupo e de fazer o que quer sem interferência do outro. O problema ocorre quando esse comportamento se transforma em um hábito, e pior ainda, quando isso é reforçado pelo adulto como um rótulo. Exemplo: "Você é um mentiroso, ninguém nunca vai acreditar em você!". Pronto, este é um convite a um reforço negativo e, assim como o medo da rejeição ativa o instinto de preservação, surge a tensão, o estresse e a verdade fica cada vez mais escondida. O que fazer? Primeiro, precisamos entender que toda mentira precisa ser compreendida, dialogada, necessitando de um ambiente que encoraje e facilite para que a verdade venha à tona. Observe o quanto o mistério é algo que nos gera curiosidade e também cria fantasias. Um exemplo disso são os segredos em família. 87 Dicas importantes para lidar com a mentira: - Encontre um diálogo acolhedor, uma abordagem que permita a abertura e a confiança. - Observe seus sentimentos e como vocêreage ao comportamento da criança ou jovem ao mentir. - Perceba e observe o que tem por trás do comportamento de quem está mentindo. - Procure fazer reuniões em família onde a opinião do jovem seja reconhecida e aprecie os comportamentos que deseja que sejam expressos como verdade. O segundo ponto importante são os exemplos que damos: como o filho ouvir o pai contanto uma mentira para não falar com alguém ao telefone, ou contanto uma história mentirosa para se livrar de um cliente que quer vender algo; enfim, tudo isso é ensinado. A mentira no jovem pode ser uma grande oportunidade para pais e educadores reconhecerem a necessidade de auxiliar e encorajar a pessoa a ser ela mesma. Ser mais confiante de sua opinião e saber que não irá agradar a todos sempre e tudo bem. O reforço de rótulos, julgamento, só desencoraja que a verdadeira essência da pessoa se revele. 88 - Mostre a importância e liberdade da verdade e encoraje sempre a virtude da criança ou adolescente em ser verdadeiro, ajudando-o a encarar os propósitos, objetivos, apesar de qualquer contrariedade e desafio que se apresente no caminho. Lembre-se que atividades em família são muito fortalecedoras para a construção dos laços de confiança, principalmente quando se permite que os sentimentos sejam compartilhados e as habilidades reconhecidas. Crie conexão com seu filho/cliente/aluno, o encoraje-o a ser verdadeiro, essas ações favorecem a construção do caráter, auxiliam no desenvolvimento de habilidades sociais, ajudando o jovem a se sentir capaz e verdadeiro na vida. A educação pautada em valores humanos, baseada em respeito, na valorização do outro e de si mesmo, com uma comunicação assertiva e encorajadora, transmite segurança, respeito e reciprocidade. Com isso, tenha certeza que os resultados serão muito mais efetivos. Instagram: http://bit.ly/instagramSilmaraFranzese WhatsApp: (11) 99235-4754 silmarafranzese70@gmail.com 89 A criança é um ser biopsicossocial, que se desenvolve mediante diversos fatores, dentre eles, o biológico, social e afetivo. Sendo assim, a relação que se estabelece no meio familiar é de fundamental importância para a constituição da personalidade, haja vista que as figuras materna e paterna são extremamente relevantes para a sua saúde psíquica. Entretanto, a criança imita as posturas que os pais transmitem, seja com o olhar, a fala ou mímica, por conta dos neurônios espelhos, os quais ela se conecta para se expressar. As crianças perfeccionistas imitam a forma perfeccionista de seus pais. Elas têm um alto padrão de exigências para consigo e para com os outros. A exatidão de detalhes tem para elas um significado muito grande. Muitas vezes, elas definem sua autoestima de acordo com o resultado do seu esforço e do resultado de suas atividades. Quando não conseguem realizar uma tarefa de acordo com o seu desejo, a auto exigência leva à um sentimento de fracasso, manifestando crises de raiva, de pânico, ansiedade e insegurança, somatizando no corpo através de vômitos, dores de cabeça, tensão muscular, gagueira, problemas digestivos. Como lidar com criança perfeccionista e insegura Zuleide Soares da Nóbrega - CRP: 02/10510 90 Veja, todas as vezes que a criança produz um bom trabalho, ela é extremamente elogiada e coberta de carinho e amor. Quando seu trabalho não está à altura da expectativa de seus pais, ela é privada de amor. Como para a criança o amor e a atenção dos pais são absoluta prioridade, ela aprende que precisa ser perfeccionista e não errar. Muitas vezes os pais não reconhecem que têm esses traços de comportamento, porque foram pais que receberam dos seus pais a perfeição das notas e da melhor colocação em seus esportes, ou seja, sempre havia um “mas” ou um “você pode melhorar”. Como este foi o ambiente em que eles foram educados, consideram que é a forma como devem educar seus filhos. No entanto, esta decisão tem graves consequências. Esses pais nunca admitem que rejeitam seus filhos, se percebem bons pais no desejo de educar para a felicidade deles no mundo, e não percebem que humilham, desvalorizam e cobram de seus filhos muito mais do que eles podem oferecer. Quando a criança chega na escola, já formou uma imagem dela mesma e dali por diante essa imagem será afetada por suas experiências com professores e colegas. Por serem exigentes com suas tarefas escolares tentam eliminar qualquer possível fracasso, pois errar significa correr o risco de obter desaprovação dos pais e professores. 91 Não podemos esquecer de falar aqui da criança superdotada, onde o perfeccionismo é apenas uma consequência da sua alta capacidade de pensamento abstrato, já que a perfeição é um ideal abstrato. Ou seja, a perfeição é um ideal abstrato que nasce da nossa capacidade de pensar, então quanto maior a capacidade de abstração, maior o perfeccionismo. O perfeccionismo pode apresentar-se de maneira positiva ou negativa, dependendo do grau, da intensidade e do contexto onde ele aparece. Deve-se mostrar para a criança que também é possível divertir-se e sentir prazer com atividades que não requerem esforço ou com atividades que não há nem competitividade, nem certo ou errado. Como ajudar a criança a ser menos exigente com ela mesma: O ambiente é determinante para promover uma maior segurança quando os pais sugerem alternativas para que decidam entre duas coisas, mostrando à criança as possibilidades em acessar suas habilidades e encontrar a solução; Motivar a criança transmitindo a segurança que lhe falta; 92 Sempre que a criança manifestar um comportamento perfeccionista, converse com ela. Pergunte o que a incomodou tanto, ensine-lhe outras maneiras de fazer as coisas, ajude-a na sua tarefa. Preste atenção na sua reação aos erros dela explicando que ninguém é perfeito e ninguém é bom em tudo. Fale para a criança que fazer as coisas de forma perfeita não faz dela uma pessoa de sucesso. Há muitas outras coisas que influenciam no sucesso de alguém. @zuleidenobrega_psi WhatsApp: (81)99172-4923 E-mail: zuleidesoaresdanobrega@gmail.com Fazer uma autoanálise facilita na tentativa de ajudar a criança a reduzir os excessos de perfeccionismo. 93 A adolescência traz muitas mudanças nos relacionamentos entre jovens e adultos. Uma dessas mudanças é o distanciamento do adolescente em relação aos adultos, esse distanciamento faz parte do processo natural de individuação e busca pela autonomia. A busca pela resposta de “quem sou eu” é o que move o adolescente a iniciar o processo de distanciamento de sua família e aproximação de seus pares, ou seja, aproximação de outros adolescentes, com os quais eles se sente pertencente, acolhido, respeitado e onde tem a possibilidade de ter a sua voz ecoada. O processo de individuação não é fácil, nem para o adolescente e nem para a família, pois provoca transformações no modo de funcionar da família, no qual o adolescente passa a ser visto como rebelde, pois vai de encontro com algumas questões que os pais esperam dele. E aí é que vem a importância de mudarmos o nosso foco e canalizar a energia para o processo de mudança natural da adolescência e ver o que está escondido por de trás do comportamento “rebelde” e, com sensibilidade e respeito, é possível ver que não se trata apenas de rebeldia e sim de individuação. Importância do tempo de qualidade com adolescentes Ana Luísa Lemos Serra - CRP: 01/10957 94 Na grande maioria das vezes os pais interpretam a busca pelos pares, a importância que a turma passa a ter para o adolescente, como rejeição ou rebeldia, levando para o lado pessoal. Mas tenha paciência, é apenas um período da vida, e quando os adultos lidam com esse momento de forma natural, com paciência e aceitação, desenvolverão uma relação saudável com seus adolescentes, possibilitando uma linda amizade e aproximação quando eles chegarem na fase adulta. Em resposta à esse distanciamento natural, os pais tendem a acharque os adolescentes não os querem ao seu lado, mas não é bem assim. Quando você consegue passar para o adolescente que gosta de sua companhia, que se interessa pelo seu mundo e que um momento com eles é de extrema importância, eles tendem a curtir a sua companhia. 95 E é aí que entra a energia do envolvente tempo de qualidade. Esse tempo de qualidade permite reestabelecer ou fortalecer a conexão com o adolescente de uma maneira que realmente vale a pena. Quantas vezes você já observou que estamos juntos fisicamente, mas não em nossa totalidade? O tempo de qualidade tem como objetivo permitir essa conexão e aproximação com o adolescente em sua totalidade e para isso não é necessário um dia inteiro! Dez minutos já fazem toda a diferença, pois serão 10 minutos que você estará ali, inteiramente com ele, de corpo, alma, coração e ouvidos abertos, sem julgamentos ou críticas. Vivemos em um momento de vida, corrido, com transformações rápidas em função da tecnologia, grande carga de trabalho no qual nos distancia de quem é mais importante para nós. Mas pense comigo, se conseguimos cumprir com nossos compromissos de trabalho, conseguimos cumprir com os compromissos com nossos adolescentes. E agendar um momento de qualidade com seu adolescente, fará toda a diferença no desenvolvimento de seu filho. No tempo de qualidade, é extremamente importante que você se concentre no relacionamento e esqueça do comportamento, criar confiança em vez de distanciamento é quando conseguimos nos conectar com nossos adolescentes e fazer chegar a mensagem do amor e aceitação. 96 O tempo de qualidade pode ser curto, e sabia que apenas o ato de se sentar perto do adolescente e ficar ali, calado, disponível para ele, mesmo que ele não queira conversar, já promove aproximação? Para que o tempo de qualidade seja efetivo é necessário que você: Afinal de contas, foi um tempo que você destinou a ele, passando a mensagem de que ele importa para você, que sua presença te faz bem e que você quer estar com ele. Esse tempo de qualidade nos relembra de que precisamos entrar no mundo deles, e não apenas cobrar para que eles entrem em nosso mundo. Mantenha a boca fechada, apenas ouça; Mantenha seu senso de humor intacto, olhe para o adolescente como um adolescente; Mantenha seus ouvidos aberto, demonstrando curiosidade; 97 Cozinhem juntos; Ouça as músicas preferidas dele, procure entender o que a letra ou a batida da música significa para ele; Veja um vídeo do youtuber que ele mais gosta; Jogue um jogo com ele; Vejam fotos da infância do adolescente; Conte algo engraçado que você fez na sua adolescência, e suas experiências; Façam exercícios juntos; Gargalhem juntos; Peça para ele escolher a atividade do final de semana; Com essas dicas, adultos e adolescentes podem decidir juntos o que fazer, criando assim, os momentos que fazem sentido para vocês e que ficaram guardados na memória. Veja como pode ser simples ter um tempo de qualidade com seu adolescente: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Mantenha seu coração emanando calor e gratidão, demonstrando o seu amor por ele; Foque no desejo de compreender o mundo adolescente, seja curioso e não crítico. 98 10. Façam uma maratona da série preferida do adolescente; 11. Pergunte o que teve de melhor na escola, em seu dia, o que fez ele sorrir; 12. Façam as l istas de vocês sobre o que podem fazer juntos; 13. Apenas esteja junto, 5 minutos, no qual você deixe claro: "estou com saudades de você e esse tempo é importante para mim". Instagram: @analuisa_neuropsi WhatsApp: (61)981663609 contato@analuisaserra.com.br E X P E R I M E N T E A M A G I A D O T E M P O D E Q U A L I D A D E ! 99 Certamente você deve conhecer dona Florinda personagem da série “Chaves”, e seu famoso bordão, “Vamos tesouro, não se misture com essa gentalha”, fazendo referência aos pares do seu filho Kiko. Então, é sobre esse comportamento dos pais que vamos discorrer para buscar uma melhor compreensão sobre nossa relação com nossos filhos e filhas e suas amizades. Devem ou não os pais interferir nas escolhas dos amigos dos filhos? Sim. Porém, respeitando as diferenças e agindo com sensatez. É fato, todas as pessoas precisam de amigos e, precisamos deles porque somos seres sociáveis. Voltando ao nosso personagem o Kiko, vejamos que ele tem amigos e, amigos esses que tem vidas diferentes e seus conflitos, mas, quando estão juntos compartilham os desafios que a fase da pré-adolescência e adolescência traz. É nesse meio, que eles constroem suas identidades. A interferência dos pais nas amizades dos filhos adolescentes Maria Islândia Rodrigues Moreira - CRP: 11/15541 100 Nessa dinâmica de construção da própria identidade que entra o papel dos pais como orientadores, para que, junto com os filhos, avaliem os pontos positivos e negativos das relações de amizades e como estas são construídas. É preciso pontuar que uma amizade positiva é marcada por atributos como lealdade, confiança, reciprocidade, suporte emocional, companheirismo, e, por outro lado, a amizade negativa se apresenta com rivalidades, conflitos e críticas, causando prejuízos emocionais. Vale lembrar a frase que “quem encontra um amigo encontra um tesouro”, mas, que o inverso também pode acontecer. Dizer que ‘não se misture’ poderá ter efeito contrário. Jane Nelsen, diz que, “as pessoas se saem melhor quando se sentem melhor", ou seja, sendo reconhecidas, e apreciadas por quem são, sendo motivadas e encorajadas. Sendo assim, é preciso ter uma boa conexão com os adolescentes. "A adolescência é uma fase importante do processo de crescimento. Durante essa fase, os adolescentes tentam descobrir quem são e tentam separar-se dos pais [...] O problema é que durante esse período a maioria dos pais usam muitos métodos parentais que tornam as situações piores em vez de melhores". (Jane Nelsen) 101 Há também os pais que costumam dizer “filho, eu sou seu melhor amigo”, mas o fato é que nem sempre é bom ser amigo dos filhos, pois cada pessoa que faz parte da vida desse adolescente tem o seu papel: pai é pai, mãe é mãe, irmão é irmãos e amigo é amigo. O problema acontece quando os papeis se invertem – pais fazendo o papel de irmão e irmão fazendo o papel de pais – o que causa uma grande confusão de inversão de papéis. Isso poderá acontecer devido ao cenário atual ligado à rotina diária de trabalho de alguns pais, que buscam compensar sua ausência física se aproximando de forma amigável de seus filhos, tornando-se amigos e acabam esquecendo do seu real objetivo. Nesse momento esquecem que os filhos precisam dos amigos para se desenvolverem socialmente. A relação entre pais e filhos é mais profunda que uma amizade, pois o seu papel é imutável representando uma figura de apoio e inspiração. Por isso é importante lembrarmos do papel dos pais na vida dos filhos e saber que nem sempre acertamos e, quando isso acontece, poderá gerar prejuízos futuros, tais como: adultos frustrados, pessoas incapazes de lidar com problemas, que não aceitam ser contrariados, imaturos emocionalmente, que não possuem autonomia e não sabem avaliar situações sem o aval de alguém. 102 Muitos pais sentem medo de que o filho se envolva com pessoas de má influência e esse medo é válido, principalmente nessa fase da adolescência, por ser considerada uma fase desafiadora por suas mudanças psicológicas, sociais e físicas, onde acontecem os conflitos internos e externos e que envolve comportamentos imaturos e autocobrança. Mas tudo isso não é uma regra, há casos e casos, pois cada pessoa é única com suas experiencias de vida. Dessa forma é importante ensinarmos habilidades de vida para os filhos através do diálogo, intimidade, carinho, confiança, gentileza com firmeza para que tenham um adolescer mais leve e feliz, num ambiente de acolhimento e compreensão. “O desafio da criação os fi lhos consiste em encontrar um equil íbrio entre nutrir, proteger e guiar, por um lado, e permitir que seu fi lho explore, experimente e se torne uma pessoa independentee única, por outro”. (Jane Nelsen) 103 Quando seu filho era ainda um bebê você preparou todo o ambiente para recebê-lo. Para que ele desse os primeiros passos, provavelmente você o encorajou: “você consegue!”; “tente novamente!” e você fazia as escolhas por ele (comidas, roupas e amigos). Embora o controle traga uma ilusão de sucesso e segurança, isso tem curto prazo. Por isso é preciso ensiná- los a fazer escolhos, ter responsabilidades, essas lhes ajudaram a desenvolver habilidades sociais para a vida. @islandiarodrigues.psi islandiarodriguespsicologa@gmail.com Se o adolescente está numa fase ruim, não jogue a toalha, não desista. Desistir do seu filho ou filha é desistir de si mesmo. 104 Muitos pais encontram dificuldades em lidar com o seu filho adolescente, isso por que não conseguem aceitar ou entender a individualidade e a forma desse filho expressar as suas emoções. E essas dificuldades, quase sempre, não são formadas de maneira consciente. Esses pais vieram de uma educação, muitas vezes, rígida e pouco aberta ao diálogo e a expressão de suas próprias características, resultando numa forma de ser que reprime e considera inadequada a individualidade, a expressão de opiniões e emoções. Assim, ao lidar com um filho adolescente, seja menino ou menina, esses pais não conseguem elaborar de maneira simples que esse filho está crescendo, possui sua própria personalidade e está buscando sua forma de ser e estar no mundo. Sendo assim, a Disciplina Positiva nos possibilita entender que habilidades parentais podem ser desenvolvidas através da busca por conhecimento e apoio, afinal, ninguém nasce sabendo ser pai e mãe. Essa busca envolve também um processo de autoconhecimento, de revisitar suas histórias e identificarem suas próprias emoções, limitações e padrões de funcionamento. Lidando com o crescimento e as emoções dos adolescentes Juliana Souza Evangelista - CRP: 03/17364 105 E é fundamental que pai e mãe tenham paciência consigo mesmos durante esse processo pessoal, no intuito de ressignificarem suas histórias, facilitando assim, a compreensão do processo pelo qual seu filho adolescente está passando. Partindo desse ponto, e com base na Disciplina Positiva, veremos três estratégias que os pais podem seguir para que se inicie o processo de conexão com esse filho adolescente, criando um vínculo saudável e respeitoso: É essencial que os pais reconheçam a individualidade desse adolescente, aceitando que ele cresceu e está começando a se posicionar no seu meio social, possui seus próprios gostos, vontades, sua forma única de se expressar e agir. É claro que este adolescente ainda não tem maturidade e conhecimentos para ser totalmente independente, mas o fato de ser valorizado e respeitado pelos pais enquanto indivíduo poderá tornar mais fácil o vínculo entre eles, uma vez que ele se sentirá seguro de ser quem é na presença dos pais. Não é efetivo apenas impor regras ao adolescente e esperar que ele obedeça e aceite a tudo calado. Reconhecer a individualidade: Desenvolver a comunicação efetiva 106 É preciso desenvolver uma relação de diálogo, promover espaços de escuta, explicar e esclarecer determinados assuntos, pensar junto com ele em soluções que melhor se adeque a uma situação que precisa ser estabelecida, e evitar grandes discursos, ser mais objetivo, simples e claro. Para isso, os pais precisam assumir uma atitude gentil , que valide os sentimentos desse adolescente e crie uma conexão com ele, possibil itando um estreitamento dos laços entre a família, ao mesmo tempo em que são firmes e deixam claro que é preciso haver l imites a serem validados e respeitados, mas que estes podem ser construídos de maneira conjunta. A partir dessa conexão mais saudável, os pais precisam confiar que esse adolescente é capaz de pensar e agir por si mesmo, demonstrando isso através de palavras e atitudes, estando presentes para encorajar quando esse adolescente errar, para que ele possa aprender a l idar com os erros e as frustrações que surgirem, com as consequências das suas escolhas, e não que Confiar e encorajar: 107 paralise e se sinta incapaz diante das dificuldades que enfrentar. Os pais devem ser o elo encorajador entre o adolescente e suas experiências de vida. Esse despertar dos pais sobre suas próprias questões e emoções irá ampliar suas percepções para um educar mais consciente gentil firme respeitoso encorajador Dessa maneira, a partir do momento que o adolescente começa a ser acolhido sem julgamentos e respeitado no seu processo de individuação, os pais conseguirão estabelecer um vínculo mais forte e de confiança com esse adolescente, contribuindo para que seja desenvolvido nele um processo de autoconhecimento e autoestima necessários para construir habilidades de vida valiosas para terem um bom caráter, autoconfiança, inteligência emocional, resiliência e empatia. @julianasouza.psi jse.ped@gmail.com 108 A ansiedade é um estado mental e corporal, que todos nós sentimos. Ela atua como uma espécie de alerta e proteção frente a situações que podem apresentar risco ou perigo. Quem nunca se sentiu ansioso frente a uma apresentação na escola, em um primeiro encontro ou situações de mudanças? Ela se torna um problema quando seus sintomas aparecem de forma intensa e excessiva, interferindo na vida cotidiana e funcionalidade da criança. Quais podem ser as causas da ansiedade infantil? Muitas podem ser as causas, mas trarei aqui algumas situações que podem te ajudar nesta compreensão. Mudanças de escola, casa, cidade... Imagine você, deixando seus amigos ou aquele ambiente que te fornecia segurança e aconchego, se deparando com algo novo e até então desconhecido. Quantas dúvidas, aflições, medos e inseguranças surgem frente a esta situação? E muitas delas podem ser desencadeantes da ansiedade infantil, assim como perdas e acidentes traumáticos. Ansiedade na infância: como lidar? Monique Mioralli - CRP: 06/133272 109 O excesso de tecnologia (tempo em frente a TV, celular, computador, videogame) também é um fator importante a ser considerado. Atualmente vivenciamos muito no mundo digital e imediatista. Precisamos nos atentar ao excesso que pode trazer importantes prejuízos na vida da criança. Alguns comportamentos dos pais também podem contribuir negativamente para a ansiedade nas crianças, como por exemplo, cobranças para que a criança exerça e faça tudo da melhor forma possível, a nível de excelência, sendo difícil reconhecer seus esforços se a mesma não atingir suas expectativas. Pois é, o excesso de cobranças para o alto desempenho pode ser um fator ansiogênico. E, já parou para pensar sobre seu próprio comportamento? Pais ansiosos podem gerar crianças ansiosas! As crianças aprendem por imitação e observação, então, se você age com constante medo, insegurança e preocupação, a criança provavelmente terá o mesmo comportamento perante situações difíceis. Quais sintomas é importante observar? 110 Sintomas Emocionais: constante tensão, nervosismo, sensação de que algo ruim possa acontecer, problemas com a concentração, medo constante, dificuldade para dormir e irritabilidade excessiva. Sintomas Físicos/corporais: respiração ofegante, falta de ar, sudorese, tremores, dor de cabeça, agitação, mudança de apetite. Como posso ajudar meu filho? Não existe uma receita de bolo, mas quero trazer algumas informações que podem auxiliar na prevenção e minimização da ansiedade infantil. Primeiro é preciso entender que as crianças necessitam de ajuda para compreender o que sentem. Elas não sabem nomear seus sentimentos e muitas vezes não compreendem o porquê estão sentindo ou agindo de determinada forma. Precisamos emprestar nosso cérebro maduro para ajudar a criança na regulação de suas emoções. Para isso, precisamos estar conectados a elas, às suas necessidades. Disponíveis para ouvir, acolher e orientar. Por mais que pareça algo bobo para você, para a criança não é, então não desvalorize ou minimize seus medos e preocupações. 111Seja um modelo de regulação e calma! Para isso, você pode construir, junto com seu filho um “cantinho da calma”! Este cantinho é um espaço onde a criança e toda a família pode utilizar em momentos de inquietação, irritabilidade, estresse, ansiedade. Organize a rotina! Junto com toda a família, pensem nos horários e atividades (inclua as obrigações, assim como tempo livre e de qualidade). É importante que a criança seja inserida e se sinta participante deste momento. No livro “O espaço mágico que acalma” (Jane Nelsen, 2019) você poderá encontrar maiores informações sobre este espaço que contribui significativamente para a regulação emocional da criança. Você escuta e acolhe as opiniões, direciona e estabelece os limites necessários (com gentileza e respeito). A organização da rotina gera o sentimento de segurança na criança, contribuindo para a minimização da ansiedade. 112 Valorize as competências! Saiba reconhecer o processo que está ligado às situações, atividades e conquistas. Reconhecendo e estimulando a dedicação, o empenho e as superações. Desta forma você estará contribuindo para autoconfiança e gerando maior segurança nas ações da criança. Em caso de persistência e excessos dos sintomas lembre- se sempre de procurar por ajuda profissional! E-mail: moniquemioralli.psi@gmail.com @psi.moniquemioralli WhatsApp: (19)99324-7851 113 Adolescência é um período da vida marcada por grandes desafios, tanto para os adolescentes quanto para os adultos que os rodeiam. Muitos mitos permeiam esse período que vai dos doze aos vinte e quatro anos de idade. Pode ser que os pais acreditem que depois de terem se dedicado tanto durante a infância, os adolescentes já deveriam ter aprendido como se comportar e parem de investir tempo e relacionamento com seus filhos. Na realidade, o adolescente aprendeu muitas coisas com os pais, porém continua a se desenvolver. Nessa nova fase o adolescente busca novas experiências de vida, novas maneiras de fazer as coisas, novas ideias, novos vínculos e relacionamentos, que poderão ser vividos de forma mais intensa e criativa, e algumas vezes bem diferente do “padrão rotineiro” de sua família. Frente a estes comportamentos, você pode achar que errou com seu filho e comece a acreditar que a maneira mais eficaz é adotar fortes princípios de controle. Filhos adolescentes: como lidar? Carolina Huguett Batista - CRP: 16/2101 114 Entretanto, ao longo do tempo, os pais percebem que controle em excesso para os adolescentes realmente não funciona. A adolescência é uma época de intensidade emocional, social e criatividade e cabe aos pais se conectarem aos filhos para encoraja-los nesse processo. Para isso é necessário que você se conecte primeiro ao adolescente que está dentro de você. À medida que nos envolvemos no “mundo dos adultos” vamos perdendo a vitalidade, o anseio por novidades, diminuímos os relacionamentos sociais em detrimento das obrigações e responsabilidades e seguimos numa vida monótona e rotineira. Ou seja, a vida que levamos é exatamente o oposto dos anseios adolescentes. Se os adultos (que já foram adolescentes) tentarem bloquear o fluxo da adolescência é provável que a comunicação, tão importante para os relacionamentos, seja corrompida pela tensão e pelo desrespeito. Você consegue se lembrar de como foi a sua adolescência? Você se lembra se teve um ambiente seguro para buscar quem você é? 115 Dessa forma, os adolescentes podem se envolver em comportamentos de riscos em busca de sensações intensas, sem o apoio de adultos e cercados apenas de outros adolescentes tornando-se impulsivos e não refletindo sobre as consequências; ou se afastar totalmente dos adultos e também de outros adolescentes, podendo levar a depressão e ao isolamento, o que vai impactar diretamente na construção de sua identidade. Quando os pais conseguem mostrar para seus filhos que estão juntos, passando pelas várias fases da vida, fica mais fácil lidar com os adolescentes, ao invés de ir contra eles. A Disciplina Positiva mostra que os adolescentes criados dentro de um ambiente de escolhas e responsabilidades estão mais confortáveis dentro do seu processo de desenvolvimento, sob as vistas dos pais, ao invés de precisarem fugir para longe deles para crescerem. Nós queremos que nossos filhos continuem por perto, para aproveitarem ao máximo o apoio e o vínculo nesta importante fase de aprendizado. Ter o adolescente por perto, mesmo fazendo erros, pode ser uma oportunidade grande de aprender ou reaprender o significado do respeito mútuo e das diferenças entre os seus pontos de vista e os dele. 116 Quando os pais aprendem a ser firmes com carinho, ao invés de simplesmente controlar, terão a chance de ver quão fascinante o adolescente pode se tornar. Se você, como pai, educou o seu filho com pulso firme e excesso de controle, saiba que ele irá agradecer se você conseguir dar mais liberdade neste momento. Entretanto ele precisaria treinar o que significa liberdade com responsabilidade, de acordo com as suas escolhas. Não é um caminho fácil, mas os pais precisam abrir mão do controle para conseguirem os melhores resultados no longo prazo. Se você protegeu e cuidou demais do seu filho, saiba que ele pode não estar entusiasmado com tanta responsabilidade. Ele pode ter acostumado com você fazendo tudo para ele, e pode achar que a responsabilidade deve continuar sendo sua. Seu filho pode não ter desenvolvido habilidades de enfrentamento e tenha até eventualmente um pouco de medo. Não se assuste se o seu filho lhe provar que é seu papel como pai continuar a fazer as coisas para ele. 117 Não se assuste com a raiva que pode ter de você, quando pedir que ele se responsabilize pelas suas próprias atitudes. Quando as crises de revolta passarem, pode ser que o seu filho consiga se tornar mais responsável e colaborativo. Um dos grandes desafios com adolescentes é fazer com que os pais consigam acertar na dose de disciplina e de generosidade, oferecendo um ambiente de apoio e segurança para desenvolverem a sua autoestima e a individualidade. WhatsApp: (27) 99964-3059 Instagram: @huguett.psi Facebook: @huguett.psi 118 De todas as ferramentas propostas pela Disciplina Positiva desconheço outra que tenha mais resultados positivos no ambiente familiar e seja tão encorajadora para as crianças e adolescentes como as reuniões familiares. Na sociedade atual em que as crianças tem poucas oportunidades para desenvolver fortes habilidades de vida, já que suas responsabilidades se restringem aos estudos, as reuniões familiares tem como plano de fundo o desenvolvimento de habilidades significativas como a percepção sobre sua importância nas relações familiares, habilidades de cooperação, habilidade de lidar com os limites e as consequências de seus comportamentos e habilidade de usar a sabedoria para avaliar as situações de acordo com valores apropriados. O destaque é que seu sucesso depende muito mais das atitudes e habilidades do adulto que do comportamento das crianças e o quanto antes você introduzir essa prática na sua casa, menos aborrecimento terá que encarar no seu dia a dia. Como educação de filhos não é nada fácil, até as reuniões familiares têm alguns segredos para ter êxito e resultados positivos. Os três segredos de uma reunião familiar de sucesso Thainara Braga Cordeiro - CRP: 22/01192 119 Compartilho nesse capitulo os três principais segredos para você colocar em prática e correr para o abraço (literalmente). 1. Frequência As reuniões familiares necessitam ser encaradas assim como as reuniões de trabalho são vistas na nossa sociedade, já que nessa instituição os colaboradores necessitam, verdadeiramente, do senso de pertencimento para que o produto final seja seres humanos realizados, felizes e com habilidades de vida. Para tanto, ao ser definido o dia e o horário das reuniões nada mais deve ser marcado nesse período e tão pouco atrapalhar esse momento. Demonstre a sua família o valor dado a eles e as reuniões familiares. Desliguem todos os aparelhoscelulares, a televisão e não leve nada que possa distraí-los para o local da reunião. A dica é definir o dia e o horário que seja melhor para todos e sempre lembrar que o adulto é o exemplo a ser seguido, portanto se você desmarca, adia ou se ausenta no meio das reuniões, seus filhos irão perceber que aquilo não terá tanta importância e poderão fazer o mesmo. 120 2. Reconhecimento/ Gratidão É proveitoso se iniciar sempre pelo reconhecimento ou agradecimento e apreciação, momento no qual deve-se valorizar realizações, ajuda ao próximo ou qualquer outra coisa que faça alguém se sentir bem. Esse momento ajuda a fortalecer as relações familiares, demonstrar a importância de todos ali presente e apreciar as coisas que geralmente não valorizamos. Lembre-se: quando nos sentimos valorizados aumentamos nossa possibilidade de contribuição e cooperação no ambiente, dessa forma, treine seus filhos usando os seguintes modelos: “Eu gostaria de reconhecer ou agradecer (nome da pessoa) por (alguma coisa especifica que a pessoa tenha feito na semana)”. 121 3. Escuta ativa Tenha sempre em mente que reuniões familiares são momentos de escuta e busca de soluções, por tanto, todos ao sentar a mesa devem suspender os julgamentos, fazer do momento acolhedor para que os familiares se sintam à vontade para expor seus sentimentos e sugestões, o adulto deve abrir mão do controle, incentivar a cooperação de todos, não usar do momento para dar sermões ou moralizar e auxiliar na busca de soluções que devem ser tomadas em consenso. Caso determinada pauta não chegue ao consenso, prorrogue mais uma semana na busca de outras soluções. e-mail: Psithainarabraga@gmail.com Instagram:@psithainarabraga 122 Ao propor escrever sobre o tema lembrei-me do Xote das Meninas, de José Dantas e Luiz Gonzaga, que poeticamente retrata a adolescência como o mal da idade. Realmente é um período desafiador, mas não é somente para pais, educadores ou pessoas que convivem diretamente com os adolescentes, eles também vivem esse período de transição com angustias, conflitos, medos, dúvidas e expectativas. É um período de mudanças nas capacidades cognitivas, físicas, emocionais e sociais que permitem que o indivíduo se torne um membro adulto da sociedade. A neurociência contribui com vários estudos sobre as transformações no cérebro do adolescente, um tema amplo e interessante, mas não é o objetivo deste capítulo discorrer sobre o assunto, porém considero necessário o conhecimento sobre as mudanças cerebrais nessa fase, de forma a compreender melhor os comportamentos manifestados. Adolescência sim, “aborrecência” não. Mais respeito por favor! – Encorajando pais e adolescentes para uma relação emocionalmente saudável. Adriana Pereira Rosa Silva – CRP 06-76446 ...Mas o doutor nem examina Chamando o pai de lado, lhe diz logo em surdina: “o mal é da idade, e pra tal menina Não há um só remédio em toda medicina" 123 As experiências vividas, o ambiente como um todo e os pais em particular, podem exercer grande influência sobre os caminhos que os adolescentes escolherão. Ufa, isso significa que os pais podem ainda contribuir significativamente na formação e na qualidade do relacionamento com seus filhos adolescentes. Mas, de que forma? De acordo com Nelsen (2016) Alfred Adler e Rudolf Dreikurs, atráves da filosofia que embasou teoricamente a Disciplina Positiva, ressaltaram em seus estudos a importância de encorajar pais e filhos para um relacionamento de respeito mútuo, cooperação, amor e conexão. O primeiro passo é reconhecer que somos imperfeitos, mas com capacidades, inclusive que podem ser aprendidas, para nos superarmos como pais e ajudarmos nossos filhos a passar pela adolescência de forma mais tranquila. Na minha experiência como terapeuta, identifico muitos pais desencorajados e inseguros em relação a educação de seus filhos, e reconheço que muitas vezes estão fazendo o melhor com as ferramentas que possuem, afinal habilidades parentais não são herdadas e a forma de educar mudou. 124 Dreikurs enfatizava que o encorajamento é uma das habilidades que os adultos precisam aprender a desenvolver para ajudar seus filhos, ressalta a importância dessa atitude, quando escreve que “crianças precisam de encorajamento, assim como as plantas precisam de água”. Porém, não é uma tarefa fácil, principalmente com adolescentes, mas é preciso compreender que atrás de maus comportamentos há sempre uma mensagem que precisa ser decifrada, talvez um pedido de ajuda. E nossa tendência é reagir apenas punindo, não dando a oportunidade da escuta e da compreensão. Muitas vezes, os adultos podem se retirar da situação conflituosa dizendo que no momento, por estarem chateados e/ou com raiva, não é possível um bom diálogo, reconhecer a necessidade de adiar a conversa pode aumentar as chances de sucesso ao resolver a problemática. Durante um momento de conflito, tendemos a agir irracionalmente e indevidamente, afinal não é uma boa hora para uma conversa ou atitude construtiva, é necessário dar tempo para todos se acalmarem, reconhecerem e nomearem os sentimentos, os motivos e como agir a partir de uma atitude racional e coerente para se sentirem melhor. 125 Outra dica é realizar reuniões familiares para que todos possam colocar suas questões e opiniões a serem analisadas, focando sempre nas possíveis soluções, criar no ambiente familiar um espaço acolhedor, de escuta e troca. Como destaca Nelsen (2016) um ambiente de respeito mútuo é constituído de fé nas suas habilidades e nas do outro, é importante que haja interesse no ponto de vista dos outros tanto quanto em seu próprio, levar a compreensão de que todos possam assumir a responsabilidade e consciência de sua própria contribuição para o problema e a solução. E a melhor forma para ensinar isso aos nossos adolescentes é sendo um exemplo para eles. Fazer reparações, como disse Nelsen (2016), é encorajador porque ensina responsabilidade social. Um outro aspecto importante é dar ênfase aos pontos fortes e não aos fracos, quando se consegue fazer isso é mais fácil redirecionar os comportamentos para atitudes mais colaborativas, assim como a possibilidade de fazer reparações, dando- lhes a oportunidade de fazer o outro se sentir melhor, assim como a si mesmo. 126 Bom, poderia escrever mais sobre outras possibilidades de encorajamento para pais e filhos adolescentes, porém destaco as atitudes acima citadas como os primeiros passos e a necessidade de um olhar mais cuidadoso e menos crítico para essa fase tão desafiadora. Desejo que pais e filhos possam encontrar formas de conexão e afeto para uma relação emocionalmente mais saudável. WhatsApp: (19) 991569265 Instagram: @adrianapereirarosasilva Facebook: Adriana Pereira Rosa Silva 127 A adolescência é uma fase temida por muitos pais, por ser um momento em que o filho passa por diversas mudanças, sendo elas no físico, emocional, em suas posturas e opiniões e isso sem dúvidas gera novos desafios. Os pais muitas vezes sentem que estão perdendo o controle da situação, não conseguem mais saber o que se passa com seus filhos com a mesma transparência de quando eram apenas crianças, que podiam ser envolvidos por seus braços... Já para o adolescente esta fase é um momento em que é importante a sensação de ser aceito e pertencente aos grupos, e isso nem sempre condiz com os ensinamentos passados por sua família. É como se houvesse um turbilhão de sentimentos, emoções, inquietações, medos, preocupações, são uma série de mudanças e cobranças que se passam interna e externamente. Vamos falar sobre Raquel, com seus 13 anos, teve que ir para uma nova escola, onde não tem amigos. Sente-se ansiosa com relação ao que irão pensar sobre ela, e se conseguirá fazer amizades. Como lidar com a ansiedade do meu filho? Fernanda de Jesus Pereira Guerra - CRP: 06/143341 128 Por ser muito tímida, está ainda em seu processo de adaptação, passou a roer unhas e ter mais dificuldade de se concentrar nas aulas, o que afetou seu desempenho escolare tem gerado sentimentos de incapacidade e insegurança. Estas tem sido suas companhias na maior parte do tempo. Como lidar quando se nota que há algo diferente acontecendo? Os pais precisam compreender o quanto é importante se avaliar em sua forma de se comunicar, notar a forma como fala, o tom de voz utilizado, esses detalhes podem fazer toda a diferença. Por meio desta expressão o adolescente pode se sentir compreendido ou acusado, pode se construir um campo de proximidade ou de hostilidade. Se os pais de Raquel agirem de maneira controladora e rígida, impondo sobre ela o que deve ser feito com hostilidade, este comportamento não contribuirá de forma positiva em longo prazo. A medida que estes pais aprendem a demonstrar sua empatia e interesse pelo que Raquel está pensando e sentindo, conseguem de forma gentil e firme alcançar sua confiança para, assim a compreenderem sem julgar. 129 É comum ouvirmos as pessoas dizerem que os adolescentes têm muitas “frescuras”, que é uma fase de “aborrecência”, isto não é muito motivador, não é mesmo? Por muitos anos, as pessoas foram ensinadas a não demonstrar emoções e sentimentos que sejam desagradáveis, porém estes aspectos não devem ser desconsiderados, invalidados, pois todos são importantes e legítimos, cada qual com seu papel. Auxilie seus filhos a se sentirem encorajados, e para que esse encorajamento possa alcançá-lo, que tal começar por você, mãe e pai, aprendendo como agir desta forma? Busque tratá-lo com respeito mútuo, lembre-se que, por trás de cada comportamento, há um desejo de sentir-se aceito e importante. Expresse sua compreensão pelas emoções e sentimentos de seu filho. E N C O R A J A R 130 Evite ser o crítico no que ele tem errado, busque encontrar uma solução de melhoria juntos, proporcionando a ele oportunidade de se expressar e desenvolver, assim, habilidades de resolução de problemas. Promova reuniões de família e elimine expectativas de perfeição, assim como você está adquirindo novas ferramentas para lidar com seu filho, ele também está se desenvolvendo e aprendendo com você no processo. Desejo a vocês, pais, que possam se encorajar para uma orientação baseada na firmeza, gentileza, no estímulo e incentivo aos seus filhos. Não desanimem, persistam. Que a inspiração e o encorajamento inicie em vocês! WhatsApp: (11) 93269-9646 Instagram: @Desafio.Ser.Pais 131 Já parou para pensar o quanto o adolescente é cobrado? O quanto seus “maus” comportamentos são mencionados pelos adultos? E será que já perguntamos ao adolescente como ele se sente nessa nova fase da vida? Geralmente os pais ou responsáveis criam seu filho na expectativa de que se tornem um adulto responsável e bem sucedido em todas as áreas. Ao entrar na fase da adolescência, começa o período de grandes estresses e adaptações, para eles e também para os pais. Os pais se veem muitas vezes sem a habilidade de compreender os comportamentos desafiadores dos adolescentes. Quem nunca pediu para o adolescente algo e ele retrucou, achando que a opinião dele, assim como a última palavra, tem que ser a deles? E as roupas compradas pelos pais, os filhos já não querem mas usar, pois querem escolher seu próprio estilo. Compreender para comunicar Raquel M.A Fontes - CRP: 05/59685 “É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais”. (Coelho Neto) 132 Os eventos nos quais antes eles iam acompanhando os pais, agora eles já não querem mais ir, alguns preferem ficar em casa, ou se vão ao evento, procuram ficar enturmado com seus amigos, ou até no seu canto mais afastado, concentrado no seu universo de pensamentos ou conectados ao celular. Esses novos comportamentos fazem parte do processo de individuação, ou seja, de se autoconhecer e se perceber como um indivíduo único. Porém, às vezes, são interpretados como rebeldes e desafiadores. Quanto tempo pode durar esse tempo de rebeldia? Pode levar de 1 ano até 5 anos, segundo a autora Jane Nelsen em seu livro Disciplina Positiva para adolescentes. Mas você sabia que se não entendermos essa rebeldia como parte da individuação do adolescente, essa rebeldia poderá se estender até a vida adulta? Então, o momento é de agir com empatia e lembrar que um dia fomos adolescentes e passamos por diversas transformações. Se tem algo que devemos entender é que a rebeldia adolescente é passageira e isso faz parte desse processo do desenvolvimento, do próprio momento do adolescente se conectar consigo mesmo e valores aprendidos. 133 Ouço de alguns adolescentes que não dá para conversar com os pais, eles só escutam para dar lição de moral. Por outro lado ao conversar com esses pais eles se queixam de que não são ouvidos pelos filhos. A Disciplina Positiva aborda que interromper para dar lição de moral e valores são atitudes que se tornam uma barreira na escuta do filho adolescente. Então a dica é: respire fundo, ouça-o e tente compreender que o adolescente ainda não tem a mesma maturidade que você. Escute-o mesmo que o assunto não seja relevante para você, pois costumamos dar mais atenção ao comportamento que não nos agrada do que às coisas simples como o comentário dele falando de um jogo, uma piada ou narrando uma situação, que não nos envolve enquanto pais. Se é importante para ele, por mais simples que seja, dê atenção, ele se sentirá valorizado. Procure conhecer atividades que seu filho gosta de fazer, e tire um tempo para fazer algo que envolva a família, e assim estreitar os vínculos também através do lazer. Pais, não se desesperem ao errar. Lembre-se que você não nasceu pronto como mãe ou pai, mas você está na escola do aperfeiçoamento. 134 Mesmo que eles não digam em palavras, você na qualidade de pai ou mãe, seu lugar sempre será importante, com erros e acertos, procurando sempre compreender para se comunicar. Você é um líder que o ajuda a construir uma história de vida. Você está ali não para controlar, mas para guiá-lo. A Dra. Jane Nelsen dá quatro passos para reparar o erro: WhatsApp: (21) 98743-9418 Instagram: @psi.raquelfontes Reconhecer o erro; Responsabilizar por esse erro; Reconciliar; Resolver. 135 Você passa boa parte do seu dia chamando seus filhos? Solicitando colaboração? Repetindo mil vez a mesma coisa... "vem arrumar seu quarto", "vem secar a louça", "coloca sua roupa no cesto de lavar"!? Como lidar com tudo isso? Mais regras? Mais castigos? Retirar videogame, o celular, a mesada? Com certeza, você já utilizou alguma dessas alternativas e percebeu que elas funcionam sim, porém, por pouco tempo. Logo você volta a repetir as mesmas coisas de novo. Mas porque isso acontece? Muitas vezes as situações dentro de casa saem do controle e não sabemos mais o que fazer com nossos filhos, então, para evitar discussões, estresses, gritos, ou por cansaço mesmo, acabamos fazendo por eles e assumindo responsabilidades que não são nossas, ficando sobrecarregados fisicamente e emocionalmente. Nesse processo, não nos damos conta que estamos somente impondo regras a eles, não perguntamos como poderiam executar tal tarefa de maneira mais eficaz para que fosse cumprida. O poder dos combinados FrancÍele do Prado - CRP: 07/1845-9 136 Mas, ao incluirmos nossos filhos nas decisões e combinados, a tendência é que eles sigam com muito mais responsabilidade as tarefas que foram estabelecidas em conjunto, pois sentem-se parte do processo, pensaram junto, deram suas opiniões, ouviram e foram ouvidos, fizeram acordos. Ambas as partes trabalharam para que esses combinados acontecessem e funcionassem. Temos então os combinados, que como a palavra já diz, é algo que deve ser feito entre duas ou mais pessoas. Os combinados podem ser realizados em uma reunião de família ou num momento mais tranquilo entre você̂ e seus filhos, através de uma conversa que possibilite que todos os envolvidos sejam ouvidos e que seja justo para todas as partes, que cada um possa expressar seus sentimentos e pensamentos sobre determinado problema, elaborando soluções e definindo acordos. Mas, e se depoisdessa conversa os combinados não forem cumpridos? Use sinais não verbais ou comentários simples: "Qual foi o nosso combinado?", "Vejo que você não realizou a sua tarefa, poderia fazer isso agora, por favor?" Em resposta às objeções, pergunte: “Qual foi NOSSO combinado?”. Em resposta a mais objeções, silencie e use a comunicação não- verbal a seu favor. Sinalize para o relógio depois de cada reclamação. 137 Quanto menos você falar, mais eficiente será, e quanto mais você falar, mais armas dará aos seus filhos para suas reclamações. E caso mesmo assim seus filhos não cumpram, é hora de aplicar a consequência desse não cumprimento, que deverá já ter sido estabelecido previamente, ele precisa saber das consequências. Seu filho poderá reclamar, usar argumentos, chorar, te chamar de chato. Será sua forma de mostrar sua raiva e sua frustração, mas lembre-se: vocês fizeram combinados juntos, ele aceitou aquele combinado, então responsabilize-o. A firmeza e permanência no cumprimento dessas poucas regras é importante, mas sem chegar à rigidez. Combinados podem ser experimentados, testados e aprimorados. Vocês podem observar se aquele combinado está funcionando ou se precisa de ajustes. Juntos vocês podem conversar e buscar novas soluções. WhatsApp: (54) 99951-7793 Instagram: @psico.francieledoprado Site: www.francieledoprado.com.br 138 Você percebe que seu filho e/ou aluno só te respeita se você chantagear, gritar ou castigar e ainda vive criticando, julgando, controlando esses adolescentes e impedindo que eles se expressem emocionalmente, por acreditar que são sentimentos irracionais e não devem ser considerados? No dia a dia, ao agir dessa maneira, sente um grande mal- estar carregado de culpa, frustração e impotência diante das brigas, gritos, desordem, agressividade, desrespeito e indisciplina que continuam apesar das incontáveis tentativas para obter a cooperação? Acredita que os adolescentes tentam expressar seus sentimentos porque são emocionalmente frágeis, e por isso, devem ignorá-los e mostrar que são fortes e corajosos? Você já agiu com firmeza e autoritarismo para mostrar a eles que é você quem está no comando, mas diante de tanta contrariedade, se desanima e desencorajada acaba indo a outro extremo e fazendo a vontade dele? A importância das emoções na arte de educar Ana Lúcia Ponce Ribeiro Casanova - CRP: 06/134763 139 Ao longo de nossa história as punições e recompensas foram e, ainda tem sido largamente aplicadas como ferramentas para disciplinar, e embora ainda muito utilizadas, se mostram ineficazes em longo prazo e são desencorajadoras para a educação dos adolescentes nos dias atuais. Nós aprendemos que, diante do comportamento inadequado, o filho e/ou aluno deve ser severamente punido para que aprenda que isso é um erro e não deve ser repetido, gerando assim uma sensação de poder e controle dos adultos sobre eles. Nesse momento surgem chantagens, castigos, sermões, retirada de privilégios e outras atitudes que geram dor, medo, vergonha e humilhação. Mas se a criança e/ou adolescente teve um bom comportamento, o adulto, ao expressar sua aprovação, tende a oferecer um reforço positivo, então utilizam prêmios e outros privilégios para recompensá-los e, assim, brotam sentimentos de alegria, satisfação e gratidão. A ciência revela o importante papel das emoções em nossas vidas e mostra que a percepção emocional e a capacidade de lidar com os sentimentos determinam o sucesso e a felicidade de uma pessoa em todos os âmbitos da vida. 140 Portanto, cabe aos responsáveis, rever sua própria história, quebrar paradigmas, estudar, fazer mudanças, exercer o autocontrole, abolir as punições e recompensas e compreender o significado dos comportamentos desafiadores. Assim, ajudar o adolescente a identificar, nomear e lidar com as próprias emoções, especialmente as desagradáveis como (raiva, medo, vergonha) e aprender com essas experiências. Os pais e educadores precisam saber que isso não significa vulnerabilidade, deficiência de caráter ou disputa de poder. Todas as emoções são válidas e importantes, portanto, acolha amorosamente seus filhos e/ou alunos, ouça ativamente com respeito e empatia o que eles têm a dizer, ofereça o “colo” que nunca tiveram e valide suas emoções. Seja um preparador emocional e, ao agir com gentileza e firmeza ao mesmo tempo, todos se sentirão respeitados e encorajados! Este processo é restaurador e curativo, mesmo que traga “dor”. Encare seus sentimentos e dos adolescentes como oportunidades para se aproximar e gerar conexão para que eles percebam que são compreendidos, respeitados e amados. 141 Em uma experiência vivida, diante de comportamentos desafiadores em um grupo de adolescentes rotulados como os mais indisciplinados da escola, no primeiro dia de aula, de repente fui surpreendida. Após longo tempo tentando em vão, obter a atenção e o respeito deles, decidi somente observá-los, até que todos os alunos da classe silenciaram. Nesse momento, com respeito e humildade, pedi licença aos jovens e comecei uma conversa tranquila, amorosa, enquanto falava da importância de respeitarem os seus próprios sentimentos, da necessidade de estudarem para adquirir habilidades para a vida e do direito da liberdade de escolha. Nas aulas seguintes fui surpreendida com a sala organizada, os alunos sentados em suas carteiras com seus respectivos materiais, aguardando as orientações. Confesso que me emocionei, ao perceber o engajamento, o interesse e a atenção de todos durante a explicação e elaboração das atividades. Na semana seguinte, ao assinar o livro ponto, fui elogiada pela coordenadora por ter sido a única professora que havia conseguido transformar os adolescentes, tão temidos por todos, e disse que soube do ocorrido por intermédio de seu filho que também estudava nessa classe. 142 E-mail: anacasanovapsicologa@gmail.com Instagram: @psicoanacasanova WhatsApp: (15) 98130-2490 A dificuldade em perceber suas próprias emoções e as emoções dos outros, pode ter levado os adolescentes a rebeldia, por acreditarem que seus sentimentos são errados e inadequados, por não serem tratados com dignidade e não se sentirem pertencentes, apresentam baixa autoestima, baixo rendimento escolar e outros problemas. 143 Caroline Andrade Santana - CRP: 06/147323 Caro leitor, sabemos que a tarefa de educar os filhos nunca foi fácil, não é mesmo?! Eles não são como eletrodomésticos, que vêm com manual de instrução, logo, se faz necessário um processo de construção diária e aprendizados mútuos. Para tal, permita-me trazer uma situação desafiadora que vem preocupando a mãe de uma criança com 10 anos de idade, a qual, tem apresentado comportamentos, como desobediência e dificuldade em cumprir combinados. Para tentar diminuir os maus comportamentos da filha, ela utiliza-se de punições, como tirar o celular, restringir doces, além de cometer agressões verbais e físicas, porém, a criança sabota o castigo e vai até a casa da tia para mexer no celular, quebrando as regras e permanecendo com os mesmos comportamentos. Para compreensão de forma mais assertiva do real motivo da desobediência da filha, é necessário que a mãe se pergunte: O que está por trás do seu mau comportamento? A desobediência é somente "a ponta do iceberg". Para Nelsen (2015), uma criança mal comportada, é uma criança desencorajada e quando ela se sente assim, usa tentativas inúteis para alcançar seus objetivos e utilizam mecanismos para chamar atenção. Minha filha não me obedece, e agora? 144 A mãe relata que, por muitas vezes, a filha responde de forma hostil, o que por sua vez, acaba fazendo com que perca a paciência, se irritando e gritando. Muitos pais acham que devem enfrentar o problema no momento da irritação. Essa é a pior hora para lidar com um problema. A primeira coisa que deve ser feita é agir com gentileza e firmeza, saindo do ambiente e retomando o assunto mais tarde, quando todos tiverem a chance de se acalmar, para então, agir de forma mais adequada. Uma maneiraencorajadora de lidar com a situação é a mãe dizer à filha que sente muito por ela ter ficado tão brava e que respeita seus sentimentos, porém, não a maneira como está lidando com eles. Deixar claro que, sempre que ela a tratar com desrespeito, sua atitude será simplesmente sair por algum tempo. É importante deixar claro que a ama e que deseja estar com ela e quando estiver pronta para a tratar com respeito, ela pode avisar. A mãe pode enfatizar que ficará muito feliz em ajudar a filha a descobrir outras formas de enfrentar sua raiva. 145 Ao decidir parar de punir, essa mãe terá que praticar novas habilidades e precisará de um tempo de treino para ajudar a filha a aprender respeito mútuo e habilidades de resolução de problemas. A Disciplina Positiva nos disponibiliza alternativas mais eficazes, respeitosas e encorajadoras. Existem quatro objetivos e crenças equivocadas de comportamento, adotados por muitas crianças e adultos. Para identificar a crença é necessário que o pais observem quais os sentimentos primários que experimentam quando confrontados com o comportamento dos filhos. 146 Dentre esses objetivos e crenças, a mãe relata que sente- se desafiada, culpada, aborrecida, ressentida e decepcionada. Essas crenças se enquadram na maioria dos objetivos, mas, quero citar dois, que estão mais presentes nos comportamentos da filha, que são "atenção indevida" e "vingança", o que gera uma competição entre pais e filhos e a criança se vinga por não acreditar que é amada e aceita, então, irá magoar os pais, da mesma maneira que sente-se magoada. Os pais sentem a necessidade de "ajustar as contas" humilhando a criança. Logo, a criança agrava os comportamentos escolhendo outro pior. A mãe relata não ter muito tempo para ficar com a filha, pois chega muito tarde do trabalho, sentindo-se culpada por isso. Em relação a atenção indevida, uma dica valiosa é se programar e estabelecer um horário para passar um tempo especial com a filha, desligar o celular e criar uma lista de atividades que possam realizar juntas, revezando quem irá escolher a atividade. É importante dizer que está ansiosa para que chegue esse horário. 147 Dessa forma, a filha sentirá que é amada e que a mãe tem prazer em estar com ela. A mãe afirma não ter o costume de agir carinhosamente com a filha, já que foi educada de forma rígida, entretanto, é de suma importância que seja realizado algo inesperado, como demonstrar carinho e abraçar a filha, contribuindo assim para uma relação mais afetuosa. Em relação à vingança é necessário, sair desse ciclo, evitando retaliação. É essencial que a mãe seja honesta acerca de suas emoções para falar sobre os seus sentimentos e dizer como se sente, porque sente e o que espera dela e da filha. O uso da escuta ativa é muito importante. 148 "Entre no mundo da criança ao refletir sobre o que você está ouvindo: “Você parece muito magoado.” A escuta ativa pode incluir perguntas que estimulem a curiosidade: “Você pode me contar mais? O que aconteceu? Como você se sentiu?” A ideia é evitar comparti lhar o seu ponto de vista e compreender o ponto de vista da criança" (NELSEN, 2015). A mãe também relata que sente dificuldades em se desculpar, pois acredita que o ato de pedir desculpas aos filhos é sinal de fraqueza, porém, Nelsen (2015) classifica três "R" da recuperação dos erros. O primeiro é "R" é Reconhecer que cometeu um erro. O segundo é Reconciliar e reconhecer que precisa se desculpar com o filho e o terceiro é Resolver e propor ao filho encontrem juntos uma solução para resolver o problema. Essas são apenas algumas, dentre tantas ferramentas que a Disciplina Positiva nos disponibiliza para promoção de autodisciplina, responsabilidade, cooperação e habilidades de resolução de problemas, além do resgate do amor e empatia entre pais e filhos. Educar exige tempo, disposição, empatia, paciência e resiliência, portanto, não desista! WhatsApp: (11) 98783-4508 E-mail: carolineandradepsi@outlook.com 149 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOAS, A. C. V. B. V.; DESSEN, M. A.; MELCHIORI, L. E. Conflitos conjugais e seus efeitos sobre o comportamento de crianças: uma revisão teórica. Arq. bras.psicol., Rio de Janeiro,v. 62, n. 2, p. 91-102, 2010. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/arbp/v62n2/v62n2a09.pdf>. Acesso em: 22 jun. 2020. FILLIOZAT, I. Meu filho me enlouquece! Rio de Janeiro: GMT Editores Ltda, 2018. FRANCO, M.G.S; SANTOS, N.N. Desenvolvimento da Compreensão Emocional. Psic.: Teor. e Pesq.[online]. 2015, vol.31, n.3, pp.339-348. ISSN 1806-3446. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_abstract&pid=S0102- 37722015000300339&lng=en&nrm=iso&tlng=pt Acesso em: 20/06/2020 FRIEDBERG, R.D.; HILLWIG, J.; MCCLURE, J.; Técnicas de terapia cognitiva para crianças e adolescentes - Porto Alegre: Artmed, 2011. GOULART, V. R.. Conflitos conjugais: A perspectiva dos filhos. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2012. NELSEN, J. Disciplina Positiva: O guia clássico para pais e professores que desejam ajudar as crianças a desenvolver autodisciplina, responsabilidade, cooperação e habilidades para resolver problemas - Barueri: Manole, 2015. 150 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS NELSEN, J.; LOTT, L. Disciplina Positiva para adolescentes: Uma abordagem gentil e firme na educação dos filhos - Barueri: Manole, 2019. NELSEN, J.; LOTT, L.; GLENN, S. Disciplina positiva de A a Z. 1001 soluções para os desafios da parentalidade. - Barueri: Manole, 2020. ROSSET, S. M. O casal nosso de cada dia. Editora Artesã, 2017. 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