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Revista Contemporânea, v. 3, n. 8, 2023. ISSN 2447-0961 
 
 
Contemporânea 
Contemporary Journal 
3(8): 10754-10769, 2023 
ISSN: 2447-0961 
 
Artigo 
 
A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO DOS 
FAMILIARES DE PESSOAS COM TEA NA 
INTERVENÇÃO ABA 
 
THE IMPORTANCE OF THE PARTICIPATION OF FAMILY 
MEMBERS OF PEOPLE WITH ASD IN THE ABA 
INTERVENTION 
 
DOI: 10.56083/RCV3N8-045 
Recebimento do original: 10/07/2023 
Aceitação para publicação: 08/08/2023 
 
Karen Adriana Ribeiro 
Graduanda em Psicologia 
Instituição: Centro Universitário Unigran Capital 
Endereço: Rua Abrão Júlio Rahe, 325, Centro, Campo Grande – MS, CEP: 79010-010 
E-mail: luizaffavero@gmail.com 
 
Luiza Favero França 
Graduanda em Psicologia 
Instituição: Centro Universitário Unigran Capital 
Endereço: Rua Abrão Júlio Rahe, 325, Centro, Campo Grande – MS, CEP: 79010-010 
E-mail: karenribeiro1426@gmail.com 
 
Maria Elisa de Lacerda Faria 
Mestra em Psicologia 
Instituição: Centro Universitário Unigran Capital 
Endereço: Rua Abrão Júlio Rahe, 325, Centro, Campo Grande – MS, CEP: 79010-010 
E-mail: melisalacerda@gmail.com 
 
RESUMO: Esse estudo analisa a influência e a importância da participação 
dos pais no programa de intervenção em Análise do Comportamento Aplicada 
(ABA, em inglês) com crianças dentro do Transtorno do Espectro Autista 
(TEA). Estudos apontam que uma relação harmônica entre os pais de 
crianças com transtornos de aprendizagem são essenciais para o 
desenvolvimento, pois resultará em um bom relacionamento no âmbito 
familiar, reuniões familiares frequentes e diminuição da necessidade que os 
pais apresentam quanto ao apoio eleva o nível de satisfação e a qualidade 
 
 
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de vida dos indivíduos. Assim, visa aprofundar sobre o assunto e contribuir 
com uma discussão retratada através da ótica de duas Acompanhantes 
Terapêuticas (AT), favorecendo assim o entendimento da necessidade que 
esses familiares precisam para participar do processo de desenvolvimento 
de seus filhos. Com o suporte familiar, é possível haver um processo de 
ampliação de diversas habilidades com melhores resultados. Para melhor 
entendimento e contextualização deste estudo, foi realizada uma pesquisa 
bibliográfica, de aspecto exploratório, onde empregamos uma revisão 
integrativa de fatos. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Análise do Comportamento Aplicada, ABA, TEA, 
Acompanhante Terapêutica. 
 
ABSTRACT: This study analyzes the influence and importance of parental 
participation in the intervention program in Applied Behavior Analysis (ABA) 
with children within the Autism Spectrum Disorder (ASD). Studies indicate 
that a harmonious relationship between the parents of children with learning 
disorders is essential for development, as it will result in a good relationship 
within the family, frequent family meetings and a decrease in the need that 
parents have for support, a high level of satisfaction and the quality of life of 
individuals. Thus, it aims to go deeper into the subject and contribute to a 
discussion portrayed through the perspective of two Therapeutic Companions 
(TA), thus favoring the understanding of the need that these family members 
need to participate in the development process of their children.With family 
support, it is possible to have a process of broadening several skills with 
better results. For a better understanding and contextualization of this study, 
a bibliographical research was carried out, with an exploratory aspect, where 
we used an integrative review of facts. 
 
KEYWORDS: Applied Behavior Analysis, ABA, ASD, Therapeutic Companion. 
 
 
 
 
 
1. Introdução 
 
Esse estudo analisa a influência e a importância da participação dos 
pais no programa de intervenção em Análise do Comportamento Aplicada 
 
 
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(Applied Behavior Analysis ou ABA, em inglês) com crianças dentro do 
Transtorno do Espectro Autista (TEA). 
Sabe-se que há muitos desafios a serem enfrentados por profissionais 
que trabalham diretamente com terapias e intervenções com pacientes TEA. 
Porém, apesar do aumento do número de casos de autismo e o aumento no 
número de pesquisas a respeito do assunto, até o momento somente os 
estudos que descreveram Intervenções Comportamentais Intensivas 
indicaram efeitos significativos no desenvolvimento de muitas crianças com 
autismo (Gomes; Silveira, 2016). 
ABA (Applied Behavior Analysis, em inglês) ou Análise do 
Comportamento Aplicada é uma intervenção baseada em evidências que ao 
ser considerada ciência e se basear na teoria da Análise do Comportamento, 
tem o foco de trabalhar buscando melhorias em diversas habilidades que 
facilitem e auxiliem o paciente a ter uma vida funcional e independente, 
dentro de suas capacidades. 
Apesar de muitos pais adotarem e manterem seus filhos em uma 
intervenção ABA, ainda se vê a necessidade de falar sobre a importância 
desses pais se comprometerem com o conhecimento da intervenção e aplicar 
(de forma naturalística) em outros contextos em que o AT não estará 
presente. 
Os pais são ferramentas fundamentais para o sucesso da terapia 
comportamental. Por isso, é de grande indispensabilidade que os mesmos 
possam saber o que está sendo aplicado no plano de intervenção da criança, 
que escutem e apliquem as orientações da equipe da intervenção e também 
atuem como co-terapeutas, enxergando que a rotina diária e os outros 
lugares são extensões dos ambientes de intervenção da criança. 
Dessa forma, esse estudo aborda o quão importante é a participação e 
dedicação da família para o tratamento de crianças autistas em casa e em 
outros contextos objetivando avanços no tratamento e não substituindo o 
AT, mas fazendo com que os pais interajam de forma mais participativa e 
 
 
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vantajosa, pois com isso é possível que a família aprenda a lidar mais 
facilmente com comportamentos disruptivos e aversivos. 
Este trabalho tem o intuito de orientar, através de pesquisa 
bibliográfica, pais de crianças com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) 
para que eles encontrem sucesso no desenvolvimento de seus filhos através 
da compreensão da importância das participações nas terapias que forem 
designadas a eles. 
Há o interesse de gerar um impacto na vida dos pais de filhos com o 
transtorno do espectro autista (TEA), considerando que é possível observar 
as diferenças no desenvolvimento ao longo do processo de terapia, entre os 
pais que colaboram e participam o máximo que podem e os pais que não são 
participativos e que não colaboram nas terapias de seus filhos. 
Entende-se que existe uma importância em estar ali para a criança, 
conhecer e aplicar manejos que são necessários no dia a dia em algumas 
situações, aprender processos básicos da análise do comportamento de 
forma teórica e prática para aplicar quando se deseja aumentar frequências 
de comportamentos que são considerados adequados, da mesma forma, 
saber como colocar em extinção aqueles que não são adequados. 
É de extrema importância que os pais estejam atentos e busquem cada 
vez mais conhecimento para que obtenham em seus filhos um excelente 
desenvolvimento, visando a ele um futuro em que seus filhos tenham 
competência e autonomia para viver. Por meio dessa pesquisa busca-se 
influenciar os pais para que eles se envolvam ao máximo nos processos por 
onde seus filhos passarão, afinal, os pais são parte destes processos. 
 
 
 
 
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2. Metodologia 
 
Para melhor entendimento e contextualização deste estudo, foi 
realizada uma pesquisa bibliográfica, de aspecto exploratório, onde 
empregou-se uma revisão integrativa de fatos. 
A revisão integrativa de literatura é um dos métodos mais utilizados 
nas práticas baseadasem evidências que permite a incorporação dos 
resultados desse tipo de estudo na prática clínica (Mendes; Silveira; Galvão, 
2008). 
Tem como finalidade reunir e sintetizar resultados de pesquisa sobre 
um delimitado tema ou questão, de maneira sistemática e ordenada, com o 
objetivo de obter um profundo entendimento de um determinado fenômeno 
baseando-se em estudos anteriores (Broome, 2000). 
 Pode-se considerar que o método escolhido de revisão integrativa é 
amplo, pois, permite a inclusão simultânea de uma pesquisa experimental, 
obtemos uma melhor compreensão do tema. 
O método apresenta um processo de seis passos que foram realizados, 
sendo eles: elaboração da pergunta norteadora, busca ou amostragem na 
literatura, coleta de dados, análise crítica dos estudos incluídos, discussão 
dos resultados e apresentação da revisão integrativa. 
 
3. Resultados e Discussão 
 
O transtorno do espectro autista (TEA) é considerado um transtorno 
complexo do desenvolvimento, envolve atrasos e comprometimentos nas 
áreas de interação social e linguagem incluindo gama de sintomas 
emocionais, cognitivos motores e sensoriais (Greenspan; Wieder, 2006). 
O termo autismo foi utilizado para designar perda de contato com a 
realidade com dificuldade ou impossibilidade de comunicação. O autismo é 
considerado um transtorno global do desenvolvimento caracterizado por um 
 
 
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desenvolvimento anormal ou alterado, manifestado antes da idade dos três 
anos. Apresenta uma dificuldade característica do funcionamento em cada 
um dos três domínios seguintes: intervenções sociais, comunicação, 
comportamento focalizado e repetitivo. 
O TEA é visto como uma condição que afeta indivíduos de todas as 
raças e culturas. Condição permanente que pode se manifestar de diversas 
formas ao longo dos anos. 
Em relação a caracterização da gravidade dos quadros clínicos, 
considera-se três níveis, sendo eles: nível 1, leve, requer suporte, nível 2, 
moderado, requer suporte grande, nível 3, severo, requer suporte grande 
intenso. 
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 
(DSM-5), os critérios de diagnóstico para o TEA são: déficits persistentes na 
comunicação e interação social em múltiplos contextos que podem ser 
representados como déficits na reciprocidade sócio emocional como 
estabelecer uma conversa normal a compartilhamento reduzido de 
interesses, emoções ou afeto, a dificuldade para iniciar ou responder a 
interações sociais. 
Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para 
interação social, como o contato visual, utilização e compreensão de gestos, 
ausência de expressões faciais e comunicação não verbal. Déficits para 
desenvolver, manter e compreender relacionamentos como fazer amigos e a 
dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas. 
No DSM-5 ainda podemos identificar outros sintomas como: padrões 
restritos e repetitivos no comportamento como movimentos motores, uso de 
objetos ou fala estereotipadas, insistência nas mesmas coisas e adesão 
inflexível a rotinas e padrões ritualizados de comportamento verbal ou não 
verbal. Mudanças no ambiente podem gerar sofrimento extremo e 
dificuldade em transições, havendo padrões rígidos de pensamento. 
 
 
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Interesses fixos e altamente restritos com intensidade e foco, hiper-
reatividade ou hipo-reatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum 
por aspectos sensoriais do ambiente. 
Tais sintomas devem estar presentes desde o período precoce do 
desenvolvimento, causando prejuízo no funcionamento social, profissional ou 
outras áreas importantes na vida do sujeito, que tiram a sua funcionalidade 
e independência. 
A prevalência de crianças diagnosticadas com TEA vêm crescendo em 
todo o mundo. Estatísticas recentes estimam que 1 em cada 50 crianças em 
idade escolar (6-12 anos) são diagnosticadas com autismo nos Estados 
Unidos (Blumberg et al., 2013; Center of Disease Control and Prevention, 
2013). Porém, métodos e intervenções baseados na teoria comportamental 
têm demonstrado bastante efetividade quanto ao sucesso do 
desenvolvimento em várias habilidades de sujeitos com TEA. 
A ABA possui intervenções que surgem dos princípios do 
comportamento e possui como objetivo aprimorar comportamentos 
socialmente relevantes. A ABA consiste sendo a aplicação prática da ciência 
comportamental, que através dos estudos e trabalho do psicólogo 
behaviorista B. F. Skinner, temos uma abordagem da Psicologia que 
compreende como os comportamentos acontecem através da análise 
funcional de como esse comportamento aconteceu e a sua consequência, se 
é reforçadora ou não. 
Mas foi na década de 1960 que os estudos sobre o ABA começaram a 
surgir. Alguns pesquisadores da área Ferster e DeMyer (1961) pesquisavam 
sobre como os princípios gerais dos comportamentos descobertos em 
contexto laboratorial com animais se aplicavam aos humanos. Assim, nessa 
fase foi estabelecida a eficácia da intervenção comportamental, e Ferster e 
DeMyer (1961) demonstraram ser possível aplicar esses princípios de 
aprendizagem em crianças com distúrbios do desenvolvimento, uma vez que 
o comportamento delas seria modificado. 
 
 
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Através dos estudos realizados nessas crianças, foi possível observar 
que os resultados obtidos aumentavam significativamente o repertório 
comportamental, da mesma forma que os comportamentos inadequados 
socialmente eram reduzidos. 
Nesta continuidade, em 1987 um estudo que mostra ganhos e avanços 
no repertório comportamental de crianças com autismo. Esse estudo foi 
realizado pelo psicólogo norueguês Ivar Lovaas que entre as 19 às crianças 
que foram introduzidas ao tratamento e intervenção com ABA, 47% foram 
integradas em escolas regulares com sucesso. 
As características gerais de uma intervenção baseada na ABA 
tipicamente envolvem identificação de comportamentos e habilidades que 
precisam ser melhorados (por exemplo, comunicação com pais e 
professores, interação social com pares etc.), seguido por métodos 
sistemáticos de selecionar e escrever objetivos para, explicitamente, delinear 
uma intervenção envolvendo estratégias comportamentais exaustivamente 
estudadas e comprovadamente efetivas. Além disso, ABA é caracterizada 
pela coleta de dados antes, durante e depois da intervenção para analisar o 
progresso individual da criança e auxiliar na tomada de decisões em relação 
ao programa de intervenção e às estratégias que melhor promovem a 
aquisição de habilidades especificamente necessárias para cada criança 
(Baer; Wolf; Risley, 1968, 1987; Hundert, 2009). 
Nas práticas baseadas em evidências, o profissional possui a 
responsabilidade ética de tomar decisões que aumentem as chances de os 
resultados serem efetivos para seus clientes (Bacb, 2014; Detrich, 2015). 
Assim, é importante que esse mesmo profissional possa informar o cliente, 
a família e todos os envolvidos no caso sobre os procedimentos realizados 
que devem ter base científica, e que para ter fundamento nas suas decisões 
no processo, é necessário utilizar das evidências científicas acerca da 
efetividade das intervenções e discuti-las com os envolvidos (a equipe 
terapêutica) sobre essas decisões. 
 
 
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A intervenção em ABA no tratamento do TEA consiste no ensino 
intensivo das habilidades necessárias para que o indivíduo diagnosticado com 
autismo se torne independente e tenha melhor qualidade de vida possível. 
Diversos comportamentos alvos podem ser ensinados: a imitação, a 
compreensão auditiva, a vocalização entre muitos outros. Inclusive 
habilidades refinadas. O ensino ocorre através de dicas físicas, visuais, vocais 
e gestuaise logo após um acerto espontâneo da criança entregamos a ela 
algo que seja reforçador, algo do seu interesse que já tenha sido rastreado 
durante o atendimento para assim aumentar a probabilidade de acertos 
contínuos. 
Considerando o conceito de TEA e ABA, há uma necessidade de um 
trabalho integrado de forma multiprofissional, e dependendo do caso cada 
criança se faz necessário o suporte de vários especialistas, e assim 
considerar a necessidade de os pais participarem da intervenção. Dessa 
forma aumenta a probabilidade de adquirir comportamentos desejados e 
necessários, e estimula diariamente o repertório aprendido nas terapias. A 
participação dos pais será mais um suporte para que a criança se desenvolva 
nas áreas de habilidades que ainda têm maiores dificuldades. 
É normal que após o diagnóstico, o primeiro problema enfrentado pelos 
familiares seja de ordem emocional, onde ele compara a criança atípica com 
outras crianças típicas, o seu desenvolvimento comprometido, a ausência da 
fala, dificuldades na interação social, entre outros fatores. 
Assim, é de extrema importância que os pais busquem conhecer de 
fato o TEA, buscar o contato com outras famílias que enfrentam a mesma 
circunstância para compartilharem experiências e adquirirem conhecimentos 
que vão auxiliar no processo com seu filho. Para obterem sucesso no 
tratamento de seus filhos, os pais devem trabalhar com prioridade através 
do comprometimento, da afetividade, da dedicação, persistência e muitos 
sacrifícios. 
 
 
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O objetivo é que os pais possam enfrentar essa nova realidade pós-
diagnóstico de maneira participativa. Para isso, a família precisa ser 
capacitada para lidar com as limitações de seus filhos através de 
treinamentos, cursos referentes a estimulação cognitiva e comportamental, 
além dos grupos de apoio, por exemplo, que podem ser de extrema 
importância para que esses pais não se sintam sozinhos e encontrem 
identificação com outras famílias que vivem uma realidade parecida. 
Para os pais, é imprescindível integrar a criança na sociedade e ajudá-
la a compreender contextos sociais. É necessário ser presente para esse 
filho, incentivá-lo, ensiná-lo a perseverar, acompanhar nas terapias e 
comemorar desde as pequenas conquistas. Cada passo de evolução é motivo 
para se alegrarem juntos, ao observar a alegria dos pais quando há pequenas 
evoluções, as probabilidades de maiores evoluções aumentam, pois, para o 
filho estes são estímulos reforçadores. 
Os pais participam quando ajudam os seus filhos a adquirirem 
habilidades, como, calçar os sapatos, organizar os brinquedos, arrumar a 
mesa; São diferentes estímulos que auxiliam e agregam as terapias. 
Parecem habilidades simples, mas, através dessas estimulações os pais 
permitem grandes evoluções no quadro. 
Os ensinos de habilidades no ABA abrangem técnicas aplicadas de 
forma individualizada, de acordo com a necessidade e dificuldade específica 
de cada sujeito com autismo. Entretanto, a Análise do Comportamento 
Aplicada dispõe de algumas habilidades básicas a serem trabalhadas através 
das técnicas necessárias em contextos diferentes. 
Habilidades de atenção, imitação, linguagem receptiva e expressiva, e 
habilidades pré acadêmicas são as que devem ser desenvolvidas através das 
técnicas de DTT (Treinamento por tentativa discreta), Ensino incidental e 
Ensino em ambiente natural ou naturalístico. Nesse caso, destacando-se o 
ensino em ambiente naturalístico, que consiste ser um método instrucional 
em ambientes que já são conhecidos e reforçadores para o indivíduo, através 
 
 
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de brincadeiras ou situações do dia a dia que facilite a generalização do 
comportamento, fazendo com que ele realize as habilidades em demais 
contextos. 
O que é pedido para os pais e/ou responsáveis familiares, é que o que 
for trabalhado durante a terapia ABA, seja replicado em outros contextos. 
Com isso, é importante que a família saiba o que está sendo aplicado e 
semanalmente ou mensalmente recebam orientações de como está o 
processo evolutivo, seja por feedbacks do próprio AT (Aplicador Terapêutico) 
ou de supervisões com o supervisor ou coordenador do aplicador. 
Em caso de comportamentos aversivos, de fuga ou de birra, a equipe 
ABA pode realizar análises funcionais do caso e avaliar o que deve ser feito 
para diminuir o comportamento aversivo e não desejado. Com isso, após o 
AT compreender o que aconteceu e como lidar com essa situação, a família 
precisa receber orientações para não reforçar esse comportamento para ele 
não voltar a acontecer, caso ele aconteça em ambientes que o aplicador não 
se encontra. 
Dessa forma, com a orientação correta e a colaboração familiar, é 
possível que o paciente tenha maior adaptação e obtenção das habilidades 
esperadas em todo o processo, podendo ter um desenvolvimento avançado 
e socialmente aceito mais rapidamente. 
Contudo, alguns pais não assumem a responsabilidade de trabalhar em 
conjunto com toda a equipe terapêutica do filho. Se eles esperam que o filho 
tenha uma aquisição de habilidades apenas com o que é ensinado e treinado 
com os profissionais, mas não se adequam com uma rotina que facilite à 
obtenção ou não mudam a maneira de lidar com o sujeito, pode ser que o 
processo seja mais longo e difícil. 
Então, todas as habilidades trabalhadas devem ser reforçadas e 
relembradas em outros contextos sociais e naturais do paciente, para que 
ele consiga replicar ações funcionais onde ele estiver. O nome desse conceito 
é generalização. 
 
 
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A generalização é importante na Análise do Comportamento para o 
aumento do repertório comportamental. Através dela, é possível que a 
pessoa demonstre comportamentos aprendidos em terapia no seu convívio 
social do dia a dia, realizando pedidos e/ou tarefas que não necessariamente 
precisem de alguém auxiliando, gerando assim independência e expressão 
dos desejos do paciente. 
Os pais têm a responsabilidade de reproduzir as orientações dadas 
pelos profissionais da equipe ABA ou de outras terapias, como de 
fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicomotricidade etc., nos ambientes 
que nenhum profissional terapêutico esteja participando para que com a 
família o paciente também consiga realizar os pedidos e comportamentos 
esperados. E assim, realizando os treinos de forma natural em outros 
ambientes, incentiva que o sujeito realize essas habilidades em diversos ou 
todos os contextos que estiver. 
Generalizar os comportamentos é imprescindível para que o paciente 
se desenvolva e tenha evolução. Só assim é possível que ele consiga ter 
funcionalidade em sua vida, para que no futuro, ele consiga ter uma vida 
comum, funcional e com independência dentro de sua individualidade. 
Segundo Penna (2006), a percepção das diferenças do filho e o próprio 
diagnóstico de autismo, mobiliza na família a necessidade de ajustamentos 
e de reorganização, a experiência oscila entre a aceitação e a rejeição, a 
esperança e a angústia. 
 
4. Considerações Finais 
 
 Considerando o fato de que no âmbito familiar, é comum os pais e/ou 
responsáveis idealizarem o filho criando expectativas sobre seu futuro e ao 
se depararem com o diagnóstico de TEA que pode ser inesperado, é 
inevitável que a angústia apareça. Porém, após o diagnóstico e o início das 
intervenções que são essenciais para um bom desenvolvimento e 
 
 
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crescimento desse sujeito, o amparo e incentivo familiar é necessário. 
Observa-se que há uma necessidade desses pais e familiares serem 
acolhidos não apenas no início do processo após o diagnóstico, mas também 
em todo o processo terapêutico. Eles precisam de auxílio paraessa nova fase 
e reorganização de suas vidas. Alguns podem se sentir perdidos e sozinhos, 
o que pode refletir na forma de educar e conviver com a criança. 
Por isso, é fundamental que a família do paciente seja acolhida e bem 
orientada, para que toda frustração não seja refletida na criança autista, a 
fim de procurar sempre um ambiente acolhedor, facilitador e com estímulos 
corretos para que facilite não apenas o desenvolvimento do sujeito, mas 
também o ambiente e convívio familiar. 
Sendo assim, é possível compreender que depois da fase dos pais 
acolhidos e reorganizados, com a psicoeducação sobre o diagnóstico e ensino 
de como ensinar e desenvolver habilidades que já são trabalhadas nas 
terapias do filho, há uma grande probabilidade do surgimento de uma família 
cujo ambiente é seguro para a criança e propício para evoluções. 
Estudos apontam que uma relação harmônica entre os pais de crianças 
com transtornos de aprendizagem são essenciais para o desenvolvimento, 
pois resultará em um bom relacionamento no âmbito familiar, reuniões 
familiares frequentes, diminuição da necessidade que os pais apresentam 
quanto ao apoio eleva o nível de satisfação e a qualidade de vida dos 
indivíduos. 
O bom relacionamento conjugal gera fatores protetivos para o 
desenvolvimento infantil, segundo Bolsoni-Silva e Marturano (2010), baixos 
níveis de suporte social com alta incidência de estressores ambientais 
configuram uma condição de vulnerabilidade familiar. 
Assim, consideramos que lares onde existem sobrecarga no 
relacionamento conjugal, afetam o suporte ou rede de apoio que a criança 
necessita para o enfrentamento de problemas. Dessa forma, além das 
terapias e tratamentos essenciais para a criança, é fundamental salientar 
 
 
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sobre a psicoterapia individual para esses familiares, para que eles consigam 
ter um ambiente confortável e com uma escuta qualificada para falarem 
sobre suas frustrações e enfrentarem suas dificuldades, a fim de que suas 
emoções não sejam reprimidas e passadas para a criança com TEA de forma 
inapropriada. 
Considera-se que o afeto, a atenção e o cuidado constante é 
indispensável na relação pais e filhos. O lar harmônico é de suma importância 
para o bom desenvolvimento, pois, será o lugar onde a criança se sentirá 
segura e terá sua rede de apoio presente e disposta a ajudá-la. 
 
 
 
 
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