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CCUURRSSOO DDEE PPEEDDAAGGOOGGIIAA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MMÓÓDDUULLOO:: 
 
HHIISSTTÓÓRRIIAA DDAA 
EEDDUUCCAAÇÇÃÃOO II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2021-2024 
 
DIRETORA GERAL 
Suzana Karling 
 
 
 
VICE-DIRETORA GERAL 
Prof.ª Me. Daniela Caldas Acosta 
 
 
 
DIRETOR PEDAGÓGICO 
Prof. Me. Argemiro Aluísio Karling 
 
 
 
COORDENADORA DO CURSO DE PEDAGOGIA 
Profª. Me. Tais Reis Leal Murta 
 
 
 
 
 
 
 
 
ELABORAÇÃO DO CONTEÚDO 
Prof. Me. Argemiro Aluísio Karling 
Profª. Me. Nelci Gonçalves Dorigon 
Profª. Me. Gabriela de Angelis Barros 
Profª. Me. Marisa Morales Penati 
 
 
 
 
 
 
 
REVISÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA 
Prof. Me. Cleide Durante 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nenhuma parte deste fascículo pode ser reproduzida sem autorização expressa do IEC e dos autores. 
 
Direitos reservados para 
 
 
INSTITUTO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO E DA CIDADANIA 
Av. Carlos C. Borges, 1828 – Borba Gato CNPJ – 02.684.150/0001-97 
CEP: 87060-000 - Maringá – PR – Fone: (44) 3225-1197 
e-mail: fainsep@fainsep.edu.br 
 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 3 
Sumário 
APRESENTAÇÃO 4 
PLANO DE ENSINO 5 
INTRODUÇÃO 6 
 UNIDADE 1 7 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: UM BREVE PANORAMA HISTÓRICO 7 
1 A EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA: FORMAÇÃO DA CULTURA GREGA 8 
2 A EDUCAÇÃO NOS TEMPOS HOMÉRICOS 11 
3 A EDUCAÇÃO EM ESPARTA 13 
4 A EDUCAÇÃO EM ATENAS 14 
5 O TEATRO GREGO: A EDUCAÇÃO PELA EMOÇÃO 15 
6 A EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA - ROMA 17 
 
UNIDADE 2 33 
 
A EDUCAÇÃO NA MEDIEVALIDADE 33 
1 A IGREJA: A MAIS IMPORTANTE INSTITUIÇÃO NA MEDIEVALIDADE 34 
2 OS MOSTEIROS 35 
3 A EDUCAÇÃO NO GOVERNO DE CARLOS MAGNO (O IMPÉRIO CAROLÍNGIO) 39 
4 AS ESCOLAS PALACIANAS 40 
UNIDADE 3 49 
A EDUCAÇÃO NA MODERNIDADE 49 
1 UM TEMPO DE MUDANÇAS 49 
2 A EDUCAÇÃO NO SÉCULO XVII 54 
3 OS PEDAGOGISTAS E SEUS PROJETOS 55 
QUESTÕES DE ESTUDOS 58 
REFERÊNCIAS 60 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 4 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Prezados estudantes 
 
Mais um módulo inicia e gostaria de lembrá-los da missão da FAINSEP que é de 
formar profissionais educadores, bacharéis e tecnólogos; ampliar a formação humanística 
de pessoas para o pleno exercício da cidadania e preparo básico para funções técnicas e 
serviços gerais; oferecer educação continuada por meio de cursos de atualização, 
aperfeiçoamento e especialização, inclusive para o exercício de docência na educação 
superior; enfim, promover a educação e a cidadania por todos os meios, utilizando para 
tal o conhecimento, o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias e educação a 
distância. 
Dessa forma, saiba que a formação e profissionalização do educador, com 
apropriação de competências e conhecimentos necessários ao exercício da ação 
docente, serão desenvolvidas durante a Graduação em Pedagogia. Com isso, espera-se 
o desenvolvimento de atitudes de reflexão e análise da atuação pedagógica e de valores 
para bem atuar na sociedade como agente de transformação, em busca de uma 
sociedade mais justa, a partir da identificação e análise das dimensões sociopolíticas e 
culturais de seu meio. 
A Pedagogia abrange o campo teórico e investigativo da educação, do ensino, de 
aprendizagens e do trabalho pedagógico propriamente dito, portanto saibam que, nesta 
Instituição, ao término da graduação, vocês não terão apenas um diploma, mas, sim, uma 
mudança e/ou transformação, tanto nos aspectos pessoais como profissionais, tornando-
se um indivíduo crítico, criativo e participativo na busca de uma sociedade mais justa. 
 
Bons Estudos! 
 
A Direção 
 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 5 
 PLANO DE ENSINO 
PLANO DE ENSINO 
 
Módulo: HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO I 
Carga Horária: 60 horas Código: HE I 
 
1.EMENTA 
 
Contexto histórico, político, econômico e social das mudanças na organização 
educacional: da Idade Antiga à modernidade. Principais concepções do pensamento 
pedagógico. Os ideais e as propostas educacionais de pensadores e pedagogistas, ao 
longo da história. 
 
 
2. OBJETIVO GERAL 
 
Possibilitar a compreensão da educação e de seu processo histórico a partir dos 
condicionantes sociais, culturais, políticos e econômicos que influenciam o processo 
educacional da antiguidade até a idade moderna. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 6 
 
INTRODUÇÃO 
 
Toda educação assenta-se sobre uma concepção de ser humano e de sociedade, 
ou seja, pressupõe uma ideia de humanidade e um tipo de sociedade na e para a qual se 
quer formar os educandos. 
Com o intuito de conhecer a história da educação, nossos estudos estão inseridos 
no tempo. O conhecimento de diferentes civilizações, marcadas por ideais distintos de 
educação, é que nos dará condições de estabelecer relações, participar da herança 
cultural dos nossos antepassados e realizarmos projetos de mudança. 
Você deve estar questionando: para que serve saber do passado? É no passado 
que os seres humanos buscam respostas para suas inquietações atuais. Compreender a 
História da Educação ajuda a deixar de considerar naturais os aspectos do cotidiano, 
como se fossem necessários e imutáveis. 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 7 
 UNIDADE 1 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: 
UM BREVE PANORAMA HISTÓRICO 
 
 
“A história é a interpretação da ação transformadora do homem 
no tempo. A pedagogia é a teoria crítica da educação, isto é, 
da ação do homem quando transmite ou modifica a herança 
cultural” (ARANHA, 1996, p. 15). 
 
Falar em história da educação implica falar em tempo, em cronologia. A contagem 
de tempo da história individual do homem é feita de ano a ano. Para o estudo da história, 
todavia, esta unidade de tempo é muito pequena, insignificante. Os historiadores 
preocuparam-se em demarcar em categorias: 
 Século, quando o período estudado é de cem anos, 
 Milênio, quando é de mil anos, 
 Idade (Idade Média, Idade de Ferro, Idade do Bronze, etc), para definir um 
período ou um espaço de tempo da história da humanidade que apresente determinadas 
características culturais, econômicas e sociais, 
 Período (período arcaico, período clássico), quando se refere a um intervalo de 
tempo entre dois acontecimentos ou duas datas marcantes. 
Neste texto, adotamos os critérios da historiografia francesa, também chamada de 
historiografia tradicional. Nesta divisão adotam-se critérios políticos de periodização, ou 
seja, o que separa um período do outro são os grandes acontecimentos políticos. Assim, 
adotaremos a divisão da história da educação nos seguintes grandes períodos: Idade 
Antiga, Idade Média, Idade Moderna, e Idade Contemporânea. 
 
Estude esta 
unidade 
antes do 
encontro! 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 8 
 
 
1 A educação na Antiguidade Clássica: formação da cultura grega 
 
A cultura grega é o resultado de um longo processo, marcado por invasões e 
miscigenação cultural. Provavelmente, os primeiros habitantes foram os pelasgos ou 
pelágios. De 2000 a.C. a 1200 a.C.: longo período de invasões, de origem indo-européia, 
provenientes da região da Ásia Central, começaram a chegar em pequenos grupos, 
subjugando lentamente os pelasgos. 
Os primeiros invasores foram os aqueus (2000 a. C a 1700 a. C), que ao chegarem 
fundem sua cultura com a da população local, e na ilha de Creta constroem vários 
povoados importantes, como Faísto, Cânia, Mália e Cnosso. Essa civilização ficou 
conhecida como cretense ou minóica. Depois dos aqueus chegaram outros povos como: 
os eólios, os jônios e os dórios. A miscigenação destes povos foi facilitada pela possível 
origem comum, pois todos seriam indo-europeus. 
Não se sabe ao certo as razões, mas a partir de 1400 a. C. a civilização cretense 
entra em declínio. Segundo os arqueólogos, muitas localidades nessa época foram 
destruídas em meio a grandes incêndios. Oscretenses dominavam uma escrita chamada 
de Linear A, ainda hoje não decifrada. Nesse mesmo momento em que a civilização 
cretense entra em declínio, uma nova população, formada pelos aqueus, funda muitas 
localidades e ocupa outras já existentes. Uma nova sociedade começa a se formar, tendo 
como centro a cidade de Micenas, berço da civilização micênica. Os micênios também 
dominavam uma escrita, chamada pelos especialistas de Linear B, que foi decifrada em 
1950. 
O 2º grupo de invasores incluía os eólios e jônios (1700 a.C a 1400 a.C); o 3º. 
grupo de invasores era compostos pelos dórios (1200 a. C) - povos guerreiros. Os 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 9 
registros paleontológicos, as escavações, mostram que nessa mesma época em que os 
dórios chegam à região da Grécia, as sociedades micênicas começam a desaparecer. 
Muitos palácios são incendiados ou destruídos, outros se mantêm erigindo muros 
reforçados, o que sugere a presença de povos invasores. Muitas cidades são destruídas, 
porém a cultura micênica manteve-se forte o suficiente para influenciar a formação da 
cultura grega posterior. 
Após o desaparecimento da civilização micênica, as escavações arqueológicas 
mostram que inúmeros palácios, fortalezas, povoados desapareceram, inclusive a escrita. 
A vida material empobreceu, tornou-se rústica, as tumbas tornaram-se mais simples, os 
mortos passaram a ser sepultados sem os riquíssimos tesouros, e a vida política e 
econômica também regrediu. 
Esse período, do século XII a. C (1200) ao século VIII a.C. (800), é conhecido 
como “A Idade das Trevas”, embora o declínio tenha-se concentrado nos 100 ou 150 anos 
iniciais do período; quando doravante a sociedade vai se reorganizando, dando origem a 
uma nova forma social. 
Ao período de formação do povo grego, dos séculos XX – XII a.C., os historiadores 
denominam de Pré-Homérico. O período homérico (séculos XII-VIII a.C) conhecido 
também como “ idade heroica”: o desaparecimento da escrita por 400 anos não implica 
que os relatos de guerra, os mitos, as poesias, os hinos religiosos tenham deixado de 
existir. Ao contrário, continuaram sendo criados e transmitidos oralmente. Quando a 
escrita ressurgiu, por volta de 800 a. C, essas tradições orais começaram a ser 
compiladas (recolhidas, selecionadas, reunidas) por escrito. 
Esse é ocaso da “Ilíada” e da “Odisséia”, dois longos poemas épicos que 
sobrevivem até hoje. Os gregos antigos, em sua quase totalidade, acreditavam que esses 
poemas fossem obra de um único e genial poeta, chamado Homero. Hoje, sabemos que 
isso não é verdade. Esses poemas são, certamente, fruto de uma longa tradição oral em 
que os poetas (aedos) declamavam os episódios da guerra de Tróia e as aventuras de 
Odisseu. Esses relatos eram cantados acompanhados por música, e passados de 
geração em geração, tendo sofrido muitas alterações e adaptações. Só mais tarde, cerca 
de 550 a.C., os poemas foram escritos pela primeira vez. 
 
1 A educação na Grécia Antiga 
 
A educação é um termo que se origina do latim. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 10 
Educação= tirar (o educando) de um estado e levá-lo a outro (do não-saber ao 
saber); extrair (do educando) o potencial latente, criar o educando ou criar nele a 
condição de aprender, instruí-lo ou passar-lhe informações. 
Entre os gregos, a palavra para designar educação era paidagogia: 
Paid= menino, filho 
Ago= levar, trazer, impelir 
Na Grécia antiga, pedagogo era o escravo que conduzia o adolescente até a 
escola. 
Historiadores afirmam que os gregos desenvolveram, ao longo de seu processo de 
formação cultural, um alto grau de consciência de si mesmos, algo jamais visto na história 
da humanidade até então, dando origem a uma nova concepção cultural que conferiu ao 
indivíduo papel de destaque na sociedade, o que repercutiu na educação ofertada. 
Por isso, de modo geral, a educação grega visava uma formação integral, que 
envolvesse o desenvolvimento do corpo e do espírito, embora alguns povos gregos 
enfatizassem o preparo esportivo e outros, o debate intelectual. Vejamos a descrição feita 
por Aranha (1996, p. 50): 
 
Nos primeiros tempos, quando não existia a escrita, a educação é ministrada pela 
própria família, conforme a tradição religiosa. Com o aparecimento da aristocracia dos 
senhores de terras, de formação guerreira, os jovens da elite são confiados a preceptores. 
Apenas com o advento das póleis começam a aparecer as primeiras escolas, visando 
atender a demanda. No período clássico, sobretudo em Atenas, a instituição escolar já se 
encontra estabelecida. 
Mesmo que essa ampliação represente uma “democratização da cultura, a escola 
ainda permanece elitizada, atendendo principalmente aos jovens de famílias tradicionais 
da antiga nobreza ou dos comerciantes enriquecidos”. Aliás, na sociedade escravagista 
grega, o ócio digno significa a disponibilidade de gozar de tempo livrem privilégio 
daqueles que não precisam se preocupar com a própria subsistência. Não por acaso, a 
palavra grega para escola (scholé) significa inicialmente “o lugar do ócio”. 
A educação física, que antes é predominantemente guerreira, militar, passa a se 
orientar, sobretudo, para os esportes. O hipismo, por exemplo, constitui um esporte 
elegante e restrito a poucos, por ser de manutenção cara. Com o tempo, o atletismo 
ampliou a participação do público frequentador dos ginásios. 
Nessas escolas de formação mais esportiva que intelectual, o ensino das letras e 
cálculos demora um pouco mais para se difundir. Por volta do século VI, mais 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 11 
provavelmente no século V a.C., porém, já se tornou bem mais frequente. A inversão total 
do polo predominante na educação – da formação física para a espiritual – se dará bem 
depois, quando se fizer mais marcante a tendência que caracteriza o ensino superior 
ministrado pelos filósofos. 
Um aspecto comum às cidades gregas é não se transmitir a cultura apenas na 
família ou nas escolas nascentes. As tradições são aprendidas nas inúmeras atividades 
coletivas, como durante os festivais, os banquetes e nas reuniões na ágora. Essa praça 
pública, no coração da cidade, servia ao mesmo tempo para o mercado e para as 
assembleias políticas. 
 
Vejamos, então, as diferentes expressões da educação grega, de acordo com as 
transformações sofridas em diferentes espaços e tempos históricos: 
 
2 A educação nos tempos homéricos 
 
No período da aristocracia guerreira, tão fortemente retratadas nas epopeias de 
Homero, a educação visava formar o nobre cortês e virtuoso, cujas principais 
características era ter força e coragem, principais atributos do bom guerreiro. Além disso, 
os valores aristocráticos gregos, oriundo de linhagens nobres e de origem divina, incluíam 
lealdade, beleza, hospitalidade, honra, glória, desafio à morte etc. 
A criança nobre permanecia em casa até os sete anos, quando era enviada aos 
palácios de outros nobres a fim de aprender, como escudeiro, o ideal cavalheiresco. 
Também eram contratados preceptores, que conferiam uma formação integral baseada 
no afeto e no exemplo. Os nomes que sinalizam os germens das ideias sobre a educação 
entre os gregos são: Homero e Hesíodo. 
Homero é chamado “educador da Grécia”. Na narrativa homérica, encontram-se os 
germens das diversas outras espécies de manifestação literária, ou seja, da lírica, da 
tragédia e da comédia, e isto já é educativo. 
A Ilíada e a Odisséia (Homero) são educativas no sentido de produzir modelos 
comportamentais universais, e, portanto, que extrapolam o tempo e o espaço. Seus 
personagens, ainda que mitológicos (deuses, semi-deuses), apresentam características 
humanas (antropomorfização). 
Hesíodo é a segunda fonte de estudo da cultura grega, até o século VII a.C. Deixou 
dois poemas: “A Teogonia” e “ Os trabalhos e os dias”. Na Teogonia, Hesíodobusca uma 
explicação para o surgimento das inúmeras divindades, colocando assim, uma ordem no 
caos. Ele dá uma sistematização ao cosmos até então desordenado e, em Os Trabalhos 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 12 
e os Dias, Hesíodo dirige-se a seu irmão, Perses, com a finalidade de incentivá-lo ao 
trabalho e à prática da justiça. Todo o poema destina-se a orientá-lo para a melhor época 
do plantio, como fazê-lo, como tratar o vizinho etc. 
 
 
 Trabalhar não envergonha, o que envergonha é a preguiça. 
 A fome é sempre companheira do homem preguiçoso. 
 Não se deve roubar as riquezas. 
 Não procure lucros desonestamente; lucros desonestos trazem desgraças; 
 Não adiar para manhã nem para depois de amanhã. 
 Guarda bem na tua alma o temor dos deuses. 
 
Assim, estes poemas são considerados educativos porque ensinam modelos de 
comportamentos; porque tratam das questões humanas e universais; e porque 
transmitem concepções de vida. Entre Homero e Hesíodo há algumas diferenças que 
podem ser assim compreendidas: 
 
 Homero: representa o mundo e a cultura grega do ponto de vista da aristocracia. 
Por isso, ele fala dos valores da guerra, da importância do guerreiro, da luta, do herói, da 
coragem, da lealdade, da bravura etc. 
 Hesíodo representa o mundo e a cultura do ponto de vista rural. Por isso exalta a 
importância do trabalho, da agricultura, da terra. 
Antes do período homérico, a educação grega é assistemática, ou seja, a 
educação não foi feita de acordo com algum planejamento, nem teve um espaço especial: 
ela acontecia nas ágoras, onde os cantadores ambulantes (aedos), divulgavam os feitos 
dos heróis das diversas cidades gregas e, assim, apresentavam modelos de 
comportamento. 
Todavia, a partir do período homérico, a educação aparece sistematizada e 
acontece em espaços, cujos nomes são variados: 
 Ginásio e palestra são locais destinados à pratica da educação física, os ginásios 
para os adultos, as palestras para os adolescentes e jovens; 
 Academia (ou liceu, ou escola) local onde se ensinam e treinam várias práticas 
desportivas ou recreativas. 
 Como em todos os lugares e em todas as épocas, o aprendizado dos valores 
começava pela educação da adolescência. Como na maioria das sociedades em 
organização, privilegiavam-se, inicialmente, os ensinamentos destinados ao 
fortalecimento do corpo e ao enrijecimento do caráter. Nesses tempos primordiais, a 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 13 
tarefa educativa priorizava a preparação do moço para a defesa ou para a administração 
da polis, no futuro, portanto, o ensino era por princípio, militar. Com este fim é que se 
escolhiam os conteúdos educativos. 
 De um modo geral, eram três as disciplinas de ensino: a gramática, a música e a 
ginástica. A ginástica consistia, principalmente, na prática dos exercícios do pentatlo; a 
saber: luta corporal, corrida, salto (em distância e com obstáculos), arremesso de discos, 
arremesso de lanças. A música era ensinada pelo citarista e o estudante aprendia a tocar 
a cítara, a flauta e a cantar. A gramática era ensinada pelo gramatista: o estudante devia 
se habilitar a ler, escrever e “contar” (isto é, fazer contas: somar, multiplicar, subtrair, 
dividir). O exercício destas três habilidades era praticado sobre placas revestidas com 
uma fina camada de cera; para escrever, o estudante riscava a placa encerada, fazendo 
um sulco, com um estilete de metal ou de osso; fazia parte das lições, decorava trechos 
de poemas, particularmente da Ilíada e da Odisséia ou das obras de Hesíodo. 
 
3 A educação em Esparta 
 
Esparta era uma importante cidade-estado que, mesmo após a fase heroica, em 
que as guerras eram mais intensas, conservou a valorização exacerbada das atividades 
guerreiras, desenvolvendo uma educação militar severa. 
Portanto, em Esparta, o espírito era sacrificado ao corpo; privilegiava-se a força 
física, buscava-se a formação de atletas e de soldados. Nos ginásios, os moços 
exercitavam-se quotidianamente no salto, na corrida, em lutas corporais, no arremesso de 
lanças e dardos. A formação intelectual do espartano era escassa: consistia do 
conhecimento dos poemas homéricos e de uma iniciação musical. O resultado dessa 
formação era o culto da sobriedade e da coragem, em detrimento ao conhecimento. 
Além disso, o culto ao corpo envolvia, primeiramente, uma política de eugenia, 
prática de melhoramento da espécie, que recomendava o abandono de crianças 
deficientes ou frágeis demais, além de propor o fortalecimento das mulheres, a fim de 
gerarem filhos mais robustos e sadios. 
Tal como no período homérico, as crianças permaneciam com a família até os sete 
anos. A partir disso, o Estado oferecia educação pública e obrigatória, marcada pela 
supervisão daqueles que se distinguiam nas tarefas educativas. Desenvolviam o estudo 
de música, canto e dança coletiva, de modo que até os 12 anos, prevaleciam as 
atividades lúdicas. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 14 
Na medida em que a crianças crescia, aumentava o rigor da aprendizagem e a 
educação física se transformava em verdadeiro treino militar, de modo que os jovens 
aprendiam a suportar o frio, a fome, a dormir com total desconforto, a vestir-s 
despojadamente etc. Já, quando à educação moral, valorizava-se a obediência, a 
aceitação de castigos, o respeito aos mais velhos e a vida comunitária. 
Não constituía traço característico da educação espartana, a valorização dos 
debates e discursos, tampouco o refinamento intelectual. Já, as mulheres tinham especial 
atenção em Esparta, podem participar de atividades físicas, como salto, lançamento de 
disco, corrida e dança. Nas festividades, inclusive, podiam exibir sua força e beleza em 
jogos públicos. 
 
4 A educação em Atenas 
 
A educação ateniense é entendida como referência na formação cultural grega, 
pois institui a formação do cidadão da polis, considerada primordial para que o indivíduo 
participe ativamente dos rumos da cidade. Essa concepção está atrelada ao surgimento 
da classe dos comerciantes que, contraposição à antiga aristocracia, exige uma nova 
forma de participação social e exercício do poder, o que requer outra forma de educação, 
que capacite o indivíduo a exercer tal protagonismo social e político. 
Por isso, em Atenas, sem negligenciar o corpo, dava-se ênfase à educação do 
espírito. A formação do jovem não se esgotava com a frequência aos ginásios, mas 
evoluía em escolas de gramática e de música; entretanto, a educação física era vigiada 
de perto pelo Estado, ao passo que a formação intelectual era particular. 
A partir da idade de sete anos, inicia-se o processo educativo. As meninas 
permaneciam no gineceu, ou seja, ficavam numa parte da casa onde se dedicavam aos 
afazeres domésticos. 
Quanto aos meninos, um pedagogo os conduzia alternadamente ao ginásio, à 
escola de gramática ou à escola de música e dança, formação que dependia 
principalmente do nível econômico e social do aluno. A instrução musical sempre 
mereceu dos gregos uma especial atenção. Platão e Aristóteles dirão que o ritmo e 
harmonia dão à alma o amor à disciplina e acalmam as paixões. Por isso, qualquer jovem 
bem-educado deveria aprender a tocar um instrumento (lira, cítara ou flauta); dominar a 
arte do canto, sobretudo em corais; declamar poesias; dançar. 
A partir do séc. V, inicia-se uma época em que o ideal da educação não será mais 
preparar para a glória guerreira. Poetas como Teógnis (545-500 a. C.) e Píndaro (521-541 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 15 
a. C.) chamam a atenção para a efemeridade da vida, a moderação, ao bom uso da 
riqueza e ao espírito de clemência e de justiça. Outros exaltam a disposição de ânimo na 
superação de si mesmo por ações extraordinárias (areté). 
Assim, com o passar do tempo, intensifica-se a exigência de uma melhorformação 
intelectual, dando origem a três níveis de educação: elementar, secundária e superior. 
O ensino elementar completa-se em torno de 13 anos. Tal como em períodos 
anteriores, envolvia o ensino ministrado pelo gramático, que costumava ensinar ao ar 
livre, nas ruas e praças; ensinava a ler e a escrever e, ao mesmo tempo, com base nos 
textos de Homero, colocava o aluno em contato com a mitologia; ou seja, o livro-texto 
consistia em “recortes” da Ilíada ou da Odisseia. Os alunos escreviam em tábuas 
enceradas e faziam cálculos o auxílio dos dedos e do ábaco. 
Ao completar o ensino elementar, os pobres saíam em busca de um ofício, 
enquanto os jovens ricos continuavam os estudos, sendo encaminhados aos ginásios. 
Dos 16 aos 18 anos, a educação assume uma dimensão cívica que engloba a 
preparação militar, conhecida como efebia. Porém, com o tempo, o serviço militar foi 
extinto na Grécia, e a efebia torna-se o ensino de filosofia e literatura. 
A educação superior surge com os sofistas, os quais se dedicavam á 
profissionalização dos mestres e à didática, ampliando as disciplinas de estudo. Filósofos 
como Sócrates, Platão e Aristóteles também ministravam a educação superior, formação 
exclusiva das elites, que podiam se dedicar ao ócio produtivo. 
 
5 O teatro grego: a educação pela emoção 
 
A tragédia 
Não há exagero nenhum em afirmar que o teatro foi (e, aliás, continua sendo até 
hoje) uma grande escola. 
Como já ensinava Píndaro, Ésquilo também ensina que o homem deve buscar a 
moderação; nada em excesso, significa não ultrapassar as medidas pelo orgulho, pela 
arrogância, sob pena de se desencadear daí a lição trágica. 
O trágico Sófocles (495-405 a. C.) usa esta arte para pôr em evidência a noção da 
responsabilidade humana ante os dilemas da escolha, quer religiosa, quer moral, quer 
cívica; 
Eurípides (480-406 a.C.) põe em relevo o viés psicológico dos dramas humanos. 
Eurípides documenta um tempo em que os atos humanos não mais se subordinam à 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 16 
exigência dos deuses (como queria Ésquilo), nem à vontade subjetiva do indivíduo (como 
entendia Sófocles), mas se sujeitam à paixão (pathos). 
 
A comédia 
Tal como a tragédia, a comédia também traz outras tantas lições. Já estamos no 
tempo novo da cultura e da educação grega. O tempo em que desponta a arte de um 
comediógrafo chamado Aristófanes (448-380 a.C.) é regido, sobretudo, pelas ideias do 
filósofo Sócrates (469-399 a. C.) e pelos ensinamentos dos sofistas. 
Dentro do cadinho formidável de ideias em que se constituiu o elástico período dos 
séculos V e IV a.C., entretanto, as novas propostas não mudam a fórmula clássica do 
currículo escolar existente entre os gregos: a gramática, a música e o mestre da 
educação física. Com essas disciplinas, pretendia-se fazer penetrar na alma da criança o 
ritmo e a harmonia e fornecer modelos que lhe despertassem a emulação. 
Ninguém explicitou melhor do que Platão a importância da educação sobre as 
primeiras impressões de uma criança: Numa natureza jovem e tenra, o começo é tudo, 
toda ela se impregna da marca que lhe dá. 
De acordo com Platão, qualquer outra educação fora do padrão tradicional 
produzirá a discórdia social, a pusilanimidade de caráter dos indivíduos, a fraqueza do 
Estado. Aliás, a educação platônica sacrifica todos os direitos da pessoa humana e da 
família à unidade ideal da pátria. Na sociedade ideal, a segurança da coletividade será 
mais importante que a formação do indivíduo e que o aperfeiçoamento do homem. 
Xenofonte (430-355 a. C.) é nome interessante a ser referido, na sequência. 
Historiador, Xenofonte interessa aqui pelo fato de transmitir e interpretar os ensinamentos 
de Sócrates. Na escola de Sócrates, Xenofonte aprendeu e transmitiu a importância da 
vida frugal, da educação física e da exercitação na prática militar; acentuou o protesto 
legítimo contra as tendências emolientes da segunda metade do séc. V a. C e que 
empolgavam a juventude grega, tornando-a simpática aos ensinamentos sofistas e mais 
inclinada ao tirocínio verbal dos retóricos. 
Aristóteles (384-322) expõe um corpo de teorias fundamentadas e coerentes sobre 
o mecanismo da razão humana; as implicações do disciplinamento do ato de pensar 
sobre a educação virão, pois, por consequência lógica. 
A respeito da doutrina aristotélica sobre a educação, cumpre dizer que é vasta e 
variada, mas se condensa particularmente na Política. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 17 
O princípio fundamental da pedagogia de Aristóteles consiste em distinguir, 
necessariamente, três etapas no desenvolvimento do homem: em primeiro lugar, a vida 
física; em segundo, o instinto; e em terceiro, a razão. 
De acordo com estas etapas da vida, então, é que se vai graduar a progressão dos 
exercícios e dos estudos. O nascimento do corpo é anterior ao nascimento da alma; e a 
alma mesma apresenta duas partes: a racional e a irracional; a formação de uma precede 
à da outra. 
O educador deve respeitar esta ordem natural, ocupar-se do corpo antes da alma, 
desenvolver o instinto antes de exercitar a inteligência, se bem que, em definitivo, não se 
forma o corpo a não ser em função da alma, não se excitam os instintos a não ser como 
preparação ao exercício da razão. 
O educador Aristóteles mostra preocupação com os futuros pais dos educandos, 
preanunciando a comprovação “tão moderna” de que uma família mal constituída dará 
origem a crianças problemas; nessa preocupação, chega a detalhes relativos ao 
aleitamento materno. 
Particulariza também cuidados com as crianças mesmas: com os movimentos dos 
membros ainda frágeis das crianças na tenra infância; com a temperatura da água nos 
seus banhos; com a companhia que terão habitualmente; com os espetáculos que podem 
frequentar. 
Aristóteles suscita, porém, questionamentos de outra ordem, como, por exemplo: 
será necessário impor uma regra de disciplina à criança; a educação deve ser pública e 
uniformizada pelo Estado ou particular e livre, de acordo com cada família; quais, enfim, 
os aspectos educacionais a serem priorizados na formação do indivíduo? Bem se vê que 
são questões sempre presentes ainda hoje. 
 
6 A educação na antiguidade clássica - Roma 
 
A educação romana tinha como objetivo formar cidadãos para atuar ativamente na 
vida pública; daí a importância da eloquência. O exercício da cidadania se dava por meio 
da ocupação de cargos públicos e o objetivo deles era formar os jovens para serem fortes 
na guerra. 
O comportamento do cidadão no Império Romano era marcado por questões 
éticas, sob a influência da corrente filosófica Estóica. A Escola Estóica foi fundada em 
Atenas, aproximadamente no ano 315 a.C., por Zenão. É chamada de estoicismo pelo 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 18 
fato de os estóicos se reunirem com seus seguidores e ouvintes debaixo de um pórtico 
(stoa). 
Segundo o estoicismo: 
 o homem para atingir a virtude, a sabedoria e a felicidade, deveria viver em 
harmonia com a natureza, com o cosmos. Deveria viver moderadamente, sem temer os 
homens, os deuses, a morte, o destino. 
 A riqueza, o luxo trazia muitas infelicidades ao homem, por isso este deveria levar 
uma vida simples, regrada, de poucas necessidades. 
 Nada ocorre por acaso; o destino do homem já está traçado ao nascer. Por isso, 
de nada adianta temer o destino. Era preciso aceitá-lo tranquilamente; 
 Pregava a doutrina da fraternidade universal entre os homens, propondo o 
desligamento e a independência em relação ao mundo exterior. 
Na sociedade romana, uma criança recém-nascida somente era recebida na 
sociedade mediante a aprovação do chefe de família. Ao ser retirada do útero materno, 
ela era colocada imediatamente no chão, devendo o pai levantá-la, executando a função 
conhecida como tollere, por meio do qual a criança era reconhecida.A criança que o pai 
não levantava era exposta diante da casa ou simplesmente abandonada em um monturo 
público. Essa prática deixou de acontecer com o Estoicismo. 
Outro exemplo marcante da influência do estoicismo na sociedade romana é o que 
acontecia com os adolescentes, quando a puberdade e a iniciação sexual eram 
sinônimos. Entre a puberdade e o casamento, os meninos gozavam de grande liberdade, 
frequentando, durante quase uma década, os prostíbulos. Sob a influência do estoicismo, 
esta nova ética centrava-se em conter os excessos cometidos pelos rapazes até o 
momento do casamento. Estes passaram a guardar-se puros até o casamento. 
No século I d.C. o verdadeiro meio estóico é a família. A família era a célula da 
sociedade, de onde provinha o futuro cidadão. 
 
A educação dos meninos: 
 começava no lar, com os pais ou com os pedagogos,geralmente escravos de 
origem grega que ensinavam a ler e escrever; 
 a partir dos 7 anos, iam para a escola onde aprendiam: a gramática, o latim, o 
grego e a retórica; 
 com aproximadamente 17/18 anos frequentava por 1 ano o fórum, com um amigo 
da família, notável e idoso; 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 19 
 depois prestava o serviço militar, para adquirir a formação guerreira. As aulas 
ocorriam em locais, como os pórticos, os alpendres das lojas, nos quais eram colocados 
bancos e um assento para o professor. As crianças guardavam seu material em maletas e 
escreviam em tábuas cobertas por uma camada de cera mole. 
 
A educação das meninas: 
 eram educadas em casa pela mãe, que lhes ensinava a tecer a lã e os serviços 
domésticos. 
 Aos doze anos, atingindo a idade núbil, estavam prontas para o casamento. 
 Aos quatorze anos já eram senhoras e podiam aprender música, canto, dança. 
Entre os seis ou dez anos de idade, as filhas de famílias ricas poderiam ser escolhidas 
para se tornar vestais. Nesse caso, não poderiam se casar e deixavam sua casa para 
habitar o templo de Vesta, onde permaneciam durante trinta anos. 
 Havia ainda um 2º. Momento da educação: retórica e declamação. 
 Como forma de preparar os jovens para participar dos longos debates públicos no 
Senado, o sistema educacional romano no fim da República e início do Império era, em 
todos os sentidos, fiel aos gregos, que ensinaram em Roma na sua própria língua: 
ensinava-se a gramática e a retórica. 
Em Roma, o poder público concedia um apoio à educação, tendo como destaque: 
 Criação de bibliotecas públicas por Augusto; 
 Vespasiano subvencionou as disciplinas de retórica grega e latina e inaugurou 
uma política de serviços públicos locais para professores; 
 Marco Aurélio financiou disciplinas de filosofia a serem cursadas em Atenas. 
Essa concepção de educação aos poucos vai se alterando, principalmente com a 
difusão do Cristianismo que se consolidou como uma religião importante num período de 
crise interna (230-260) e de guerras civis. 
Podemos destacar como principais aspectos da doutrina cristã: 
 Proposta de salvação universal, 
 pregava a existência de um Deus único, 
 afirmava a imortalidade da alma; 
 anunciava uma vida futura ( a verdadeira); 
 dizia que a sabedoria seria alcançada por todos aqueles que tivessem fé. 
 propunha a pobreza como meio para se atingir ao céu (desprendimento material). 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 20 
Por meio dessas ideias vemos que o cristianismo traz uma nova concepção de 
mundo, pois haveria um mundo terreno e um espiritual (que era o verdadeiro); o mundo 
surgiu do nada, por um ato da vontade de Deus; o mundo teve um começo e um dia 
chegará ao final, onde os homens serão julgados por todos os seus atos aqui na terra e, o 
mundo é regido exclusivamente pela vontade de Deus. 
Apresenta também, uma nova concepção de homem: caridoso, humilde, 
cooperativo, solidário e com amor no coração. Surge uma nova proposta de sociedade: 
cujos alicerces deveriam centrar-se nos valores do Evangelho; e uma nova concepção de 
família: com laços de amor e fraternidade, respeito mútuo. 
 
TEXTO COMPLEMENTAR 
"EDUCAÇÃO GREGA" 
 
members.tripod.com/pedagogia/grgos.htm 
 
A educação na Grécia teve formas diferentes. No decorrer deste trabalho, veremos 
essas diferenças. Em Esparta ela assume um papel de preparação para a guerra. 
Entretanto, em Atenas assume uma papel mais intelectual. 
Na Grécia foi o local onde fluiu a sofistica, mesmo que, não tenha sido a Grécia o 
local de origem da sofistica. Os sofistas tiveram grande importância na profissionalização 
da educação. Além disso, a Grécia é considerada como o berço da pedagogia. 
 No decorrer deste trabalho veremos todos esses aspectos da educação grega e as 
contribuições que ela trouxe até os dias de hoje. 
 
A ANTIGUIDADE GREGA: A PAIDEIA 
 
Foi devido ao poder econômico de seu império que a Pérsia conseguiu dominar 
todo o oriente. No entanto, vencidos contra os gregos, os persas perderam o predomínio 
sobre os outros Estados da Antiguidade. Dessa forma, a hegemonia econômica se 
deslocou das civilizações do Oriente próximo para a civilização grega. 
Veremos a seguir como a civilização grega conquistou o poderio econômico sobre 
todo o mundo antigo e acabou perdendo-o para o Império Romano. 
* Período Pré-Homérico (2500-1100 a.C.), período que aconteceu a formação do 
povo grego. 
* Período Homérico (1100-800 a.C.), fase retratada pelos poemas de Homero, 
Ilíada e Odisséia. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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 21 
* Período Arcaico (800-500 a.C.), fase da formação das cidades-estado: a escrita, a 
moeda, a lei e a pólis. 
* Período Clássico (500-400a.C), fase correspondente ao apogeu da civilização 
grega. 
* Período Helenístico (336-146 a.C.), fase da decadência da Grécia. 
A Grécia está localizada a leste do mar Mediterrâneo, na Península Balcânica, 
apresentando relevo acidentado e um litoral recortado por golfos e bóias, banhado pelo 
mar Egeu e pelo mar Jônio. 
O território grego é cortado ao meio pelo golfo de Corinto. Ao norte desse golfo 
localiza-se a Grécia continental; ao sul, a Grécia peninsular. 
Devido ao relevo marcadamente montanhoso, a prática da agricultura releva-se 
difícil na Grécia, registrando-se um quinto das terras. Assim, o comércio tornou-se a 
atividade econômica básica. 
 
 FORMAÇÃO DO POVO GREGO 
 
O período anterior à formação do povo grego é denominado pré-Homérico, ou da 
Grécia Primitiva na região ocupada pela população autóctone - isto é, originária da própria 
região -, desenvolveu-se a civilização creto-Micênica, cujos principais centros eram a 
cidade de Micenas e a Ilha de Creta. 
 Os cretenses foram fundadores do primeiro império marítimo de que se tem notícia, 
e os mesmos cultivavam vinhas, cereais e oliveiras que utilizavam para seu próprio 
consumo ou para exportar para outras regiões. Ensinados por outros povos tornaram-se 
hábeis artesãs, trabalhando principalmente com metais e cerâmica. 
 Utilizando as madeiras, construíram navios de até vinte metros de comprimento. 
São famosos seus edifícios públicos, embora não tenham ficado vestígios dessas 
construções. 
 Cnossos, a capital de Creta, era uma cidade de grandes palácios, onde viviam reis 
(chamados Minos) cercados de uma poderosa nobreza, o que refletia sua pujança 
econômica. 
 A partir do século XX a.C., sucessivas invasões de tribos nômades, de origem indo-
européia, abalaram o vigor cultural creto-micênico. Aqueus, Jônios, Eólios e Dórios 
saquearam e destruíram a região e assimilaram parte dos costumes e das instituições 
formando, pela mistura racial e cultural, o povo grego. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 22 
 A civilização Micênica se desenvolve desde o início do segundo milênio, constituída 
por diversos povos, sobretudo os Aqueus, que se estabeleceram com um regime de 
comunidade primitiva. Com o tempo, forma-se uma aristocraciamilitar: a figura do 
guerreiro tem importância cada vez maior, e os chefes mais destacados vivem nos 
castelos de Tirinto e Micenas. No século XII a. C., partem Agaménon, Aquiles e 
 Ulisses para sitiar e conquistar Tróia, no litoral da Ásia Menor. No final desse 
mesmo século ocorre a invasão dos Bárbaros Dórios, que mergulham a Grécia em um 
período obscuro até o século IX. Muitos Aqueus fugiram para a Ásia Menor, onde fundam 
colônias e prosperam pelo comércio. 
 
AS TRANSFORMAÇÕES DA MENTALIDADE: DO MITO À RAZÃO. 
 
 A Concepção mítica do homem nos poemas homéricos 
 
Até o século VI a.C. pode-se dizer que na Grécia ainda predomina uma concepção 
mítica do mundo. Isso significa que as ações humanas se acham explicadas pelo 
sobrenatural, pelo destino, pela interferência divina. Os mitos gregos são escolhidos pela 
tradição e são transmitidos oralmente pelo aedos e rapsodos, cantores ambulantes que 
dão forma poética a esses relatos e os recitam de cor em praça pública. Dentre estes, 
destacamos Homero, provável autor das epopéias Ilíadas, que trata da guerra de Tróia 
(Illion, em grego), e da Odisséia, que relata o retorno de Ulisses (odisseus, em grego) 
a Ítaca, após a guerra de Tróia. 
 
 A Emergência da Consciência Racional 
 
O surgimento da filosofia na Grécia não é na verdade, um salto realizado por um 
povo privilegiado, mas a culminância de um processo que se fez através de milênios e 
para o qual concorreram diversas transformações. 
- A escrita gera uma nova idade mental fixando a palavra, e consequentemente, o mundo 
para além daquele que o profere. 
- E o advento da lei escrita? Drácon, Sólon e Clístenes são os primeiros legisladores que 
marcam uma nova era. 
- A invenção da Moeda desempenha um papel revolucionário. Muito mais do que um 
metal precioso que se troca por qualquer mercadoria, a moeda é um artifício racional, 
uma convenção humana, uma noção abstrata de valor. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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 23 
- A pólis se faz pela autonomia da palavra: não mais a palavra mágica dos mitos, 
concedida pelos deuses e, portanto, comum a todos, mas a palavra humana do conflito, 
do discurso e da argumentação. 
- Decorre disso tudo uma nova concepção de virtude (areté), diferente da virtude do 
guerreiro belo e bom. Se antes a virtude era ética, aristocrática, agora é política, voltada 
para o ideal democrático da igual repartição do poder. 
- A filosofia, "filha da cidade": a filosofia surge como problematização e discurso de uma 
realidade antes não questionada pelo mito. 
 
 
A EDUCAÇÃO ESPARTANA 
 
 Grécia achava-se dividida em Cidades-Estado, das quais as mais conhecidas são 
as antagônicas Esparta e Atenas. Esparta ocupava o fértil vale do rio Eurotas, na região 
da Lacônia, ao sudeste da península do Peloponeso. 
 No oitavo e no sétimo século a.C, Esparta travou uma guerra com Missênia. “Essa 
guerra teve por motivo básico o desejo de Esparta de se apoderar das terras férteis dessa 
região, que eram as melhores de todo o Peloponeso."(PEDRO. Antônio & CÁCERES. 
Florival. História Geral. p. 48). 
 "Por volta do século IX, o legislador Licurgo organiza o Estado e a educação. De 
início os costumes não são tão rudes, e a formação militar é entremeada com a esportiva 
e a musical. Com o tempo e, sobretudo no século IV a.C. quando Esparta derrota Atenas - 
o rigor da educação se assemelha à vida de caserna" (ARANHA. Maria Lúcia de Arruda. 
História da Educação. p. 38). 
 "A visão que os gregos tinham do mundo os distinguia de todos os demais povos 
do mundo antigo, ao contrário destes, os gregos em vez de colocarem a razão humana a 
serviço dos deuses ou dos deuses monarcas, enalteceram a razão como instrumento a 
serviço do próprio homem (...) Recusavam qualquer submissão aos sacerdotes e 
tampouco se humilhavam diante dos seus deuses. Glorificavam o homem como o ser 
mais importante do universo (...) O primeiro povo a enfrentar explicitamente o problema 
da natureza, as ideias, as tarefas e objetivos do processo educativo foi o povo grego. Os 
alicerces institucionais dessa atitude encontram-se na realidade sócio-poética da Grécia, 
processo que se realiza entre 1200 e 800 a.C. Trata-se do período pré-Homérico (GILES. 
Thomas Ranson. História da Educação. p. 11). Esse período recebeu esse nome, devido 
ao conhecimento baseado na interpretação das lendas contidas nos poemas épicos: A 
ILÍADA e A ODISSÉIA, que a tradição atribui ao poeta grego Homero (op. cit. p. 46) “ 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 24 
 "Nessa época as principais ocupações são a agricultura e o pastoreio. Excetuando-
se algumas formas de artesanato, não há especialização, e a estratificação da sociedade 
é mínima". 
 
 EDUCAÇÃO ATENIENSE 
 
Atenas passou pelas mesmas fases de desenvolvimento de Esparta; mas 
enquanto Esparta se deteve na fase guerreira e autoritária, Atenas priorizava a formação 
intelectual sem deixar de lado a educação física que não se reduzia apenas a uma 
simples destreza corporal mas que vinha acompanhada por uma preocupação moral e 
estética. 
 Na primeira parte de sua cultura, aparecem formas simples de escolas e a 
educação deixa de ficar restrita à família e a partir dos 7 anos começava a educação 
propriamente dita, que compreendia a educação física, a música e a alfabetização. O 
pedotriba era o responsável em orientar a educação física na palestra onde os exercícios 
físicos eram praticados. 
 Além da educação física, a educação musical era extremamente valorizada não se 
limitando apenas à música, mas também à poesia, ao canto e à dança. Os locais que 
eram praticados eram geralmente as palestras ou, então, em lugares especiais. O ensino 
elementar como a leitura e a escrita durante muito tempo não teve a sua devida atenção 
como teve as práticas esportivas e musicais tanto que os mestres eram geralmente 
pessoas humildes e mal pagas e não tinham tanto prestigio quanto o instrutor físico. 
 Com o passar do tempo foi se exigindo uma melhor formação intelectual 
delineando-se três níveis de educação: elementar, secundária e superior. O didáscalo era 
o responsável em ensinar a leitura e a escrita em locais não definidos e com métodos que 
dificultam a aprendizagem e por volta dos 13 anos completava-se a educação elementar. 
 Aqueles que tinham maiores condições de continuar os seus estudos entravam 
para a educação secundária ou ginásio onde, inicialmente, eram praticados os exercícios 
físicos e musicais, mas com o tempo deu-se lugar as discussões literárias abrindo espaço 
para o estudo de assuntos gerais como a matemática, geometria e astronomia 
principalmente a partir das influências dos professores. O termo secundário chegou mais 
próximo do seu conceito atual quando foram criadas as bibliotecas e salas de estudos. 
 Dos 16 aos 18 anos, a educação superior só se dá com os sofistas, que mediante 
retribuições elevadas se encarregavam de preparar a juventude para a oratória. Sócrates, 
Platão e Aristóteles também ministravam a educação superior. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 25 
 Neste contexto não havia uma preocupação com o ensino profissional, pois estes 
eram aprendidos no próprio mundo do trabalho com exceção da medicina que era uma 
profissão altamente valorizada entre os gregos e que tomavam como parte integrante da 
cultura grega. 
 
 A EDUCAÇÃO NO PERÍODO HELENÍSTICO 
 
 No final do século IV a. C., inicia-se a decadência das cidades-estados gregos 
assim como a sua autonomia e a força da cultura helênica se funde à das civilizações que 
a dominam se universaliza e converte-se em helenísticas; nesse período a antiga Paideia, 
torna-se enciclopédia ou seja, “educação geral" consistindo na ampla gama de 
conhecimentos exigidos na formação do homem culto diminuindo ainda mais o aspecto 
físico e estético. 
 Nesse período eleva-se o papel do pedagogo coma criação do ensino privado e o 
desenvolvimento da escrita, leitura e o cálculo. O conteúdo abrangente das disciplinas 
humanistas (gramática, retórica e dialética) e quatro científicas (aritmética, música, 
geometria e astronomia). Além do aperfeiçoamento do estudo da filosofia e, 
posteriormente, o de teologia na era cristã. Inúmeras escolas se espalham e da junção de 
algumas delas (Academia e Liceu) é formada a Universidade de Atenas, foco importante 
de fermentação intelectual, que perdura inclusive no período de dominação romana. 
 
 PERÍODO CLÁSSICO 
 
Atenas havia se tornado o centro da vida social, política e cultural da Grécia, em 
virtude do crescimento das cidades, do comércio, do artesanato e das artes militares. 
Atenas viva seu momento de maior florescimento da democracia. "A democracia grega 
possuía duas características de grande importância para o futuro da filosofia. Em primeiro 
lugar, a democracia afirmava a igualdade de todos os homens adultos perante as leis e o 
direito de todos de participar diretamente do governo da cidade, da polis. 
Em segundo lugar, e como consequência, a democracia, sendo direta e não por 
eleição de representantes no governo, garantia a todos a participação no governo e os 
que dele participavam tinham direito de exprimir, discutir e defender em público suas 
opiniões sobre as decisões que a cidade deveria tomar. Surgia assim, a figura do 
cidadão" (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia, p. 36). 
 Contudo, é bom lembrarmos que as opiniões, não eram simplesmente jogadas às 
assembléias e aceitas por elas, era necessário que o cidadão além de opinar, falar, 
deveria também buscar persuadir a assembléia, daí o surgimento de profundas mudanças 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 26 
na educação grega, pois antes da democracia as famílias aristocratas eram donas não só 
da terra como também do poder. A educação possuía um padrão criado por essas 
famílias que era baseado nos dois poetas gregos Homero e Hesíodo que afirmava que o 
homem ideal era o guerreiro belo e bom. 
 Entretanto, com a chegada da democracia, o poder sai das mãos da aristocracia e, 
"esse ideal educativo vai sendo substituído por outro. O ideal de educação do Século de 
Péricles é a formação do cidadão" (IDEM. p. 36). 
 O cidadão somente se faz cidadão a partir do momento em que exerce seus 
direitos de opinar, discutir, deliberar e votar nas assembléias. Dessa forma, o novo ideal 
de educação é a formação do bom orador, ou seja, aquele que saiba falar em público e 
persuadir os outros na política. 
 Para suprir a necessidade de dar esse tipo de educação aos jovens em 
substituição a educação antiga, surgem os sofistas que foram os primeiros filósofos do 
Período Clássico. Em síntese, os sofistas surgem por razões políticas e filosóficas, 
entretanto, mais por funções políticas. 
 Os sofistas foram filósofos que surgiram de várias partes do mundo e não tinham, 
portanto, uma origem bem definida. "Sofista significa "sábio" - "professor de sabedoria". 
Em um sentido pejorativo, passa a significar "homem que emprega sofismas", ou seja, 
homem que usa de raciocínio capcioso, de má-fé com intenção de enganar. 
 Os sofistas contribuíram bastante para a sistematização da educação. Eles se 
julgavam sábios, possuidores da sabedoria e como Atenas passava por uma fase de 
crescimento cultural e econômico e paralelo a isto, o surgimento da democracia, os 
sofistas ensinavam principalmente a retórica, que é a arte da persuasão, instrumento 
principal para o cidadão que vivia a democracia. Contudo, é bom ressaltar que não 
ensinavam de graça, mas cobravam, e bem, por seus ensinamentos. Isso teve grande 
contribuição na profissionalização da educação. 
 Entretanto, por cobrarem e se julgarem sábios e possuidores da sabedoria, foram 
bastante criticados por Sócrates e seus seguidores, haja visto que para Sócrates o 
verdadeiro sábio é aquele que reconhece sua própria ignorância. Para combater os 
sofistas, Sócrates desenvolve dois métodos que são bastante conhecidos até os dias de 
hoje: a ironia e a maiêutica. O primeiro consiste em conduzir, através de 
questionamentos, o ouvinte que até o momento está convencido de que domina 
completamente determinado conteúdo, de que este não sabe realmente tudo. A partir do 
momento em que este se convence disto, Sócrates passa a utilizar o segundo método 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 27 
que é a maiêutica, que significa dar luz às ideias. Nesse momento o ouvinte consciente de 
que não sabe tudo busca saber mais buscando respostas por si próprio. 
 
 A PEDAGOGIA GREGA 
 
O termo pedagogia é de origem grega e deriva da palavra paidagogos, nome dado 
aos escravos que conduziam as crianças à escola. Somente com o tempo, esse termo 
passa a ser utilizado para designar as reflexões feitas em torno da educação. Assim, a 
Grécia clássica pode ser considerada o berço da pedagogia, até porque é justamente na 
Grécia que tem início as primeiras reflexões acerca da ação pedagógica, reflexões que 
vão influenciar por séculos a educação e a cultura ocidental. 
 Os povos orientais acreditavam que a origem da educação era divina. O 
conhecimento que circulava na comunidade resumia-se aos seus próprios costumes e 
crenças. Essa realidade impedia uma reflexão sobre a educação, uma vez que esta era 
rígida e estática, fruto de uma organização social teocrática. A divindade, portanto, era 
autoridade máxima, logo, sua vontade não poderia ser contestada. 
 Na Grécia Clássica, pelo contrário, a razão autônoma se sobrepõe às explicações 
puramente religiosas e místicas. A inteligência crítica, o homem livre para pensar e formar 
os juízos a cerca da sua realidade, preparado não para submeter-se ao destino, mas para 
influenciar e ser agente de transformação como cidadão, eis no que se resume a 
revolucionária concepção grega da educação e seus fins. 
Dentro dessa nova mentalidade, surgem várias questões cuja reflexão visa 
enriquecer os fins da educação. Como por exemplo: 
- O que é melhor ensinar? 
- Como é melhor ensinar? 
 Essas questões enriquecem as reflexões de vários filósofos e dão origem à 
dimensões tendenciosas. Para entendermos melhor é necessário fazermos a divisão 
clássica da filosofia grega, não esquecendo que o eixo central é Sócrates: 
Período pré-socrático (Século VII e VII a.C.); os filósofos das colônias gregas que 
iniciam o processo de separação entre a filosofia e o pensamento mítico. 
Período socrático (Séculos V e IV a.C.) Sócrates, Platão e Aristóteles. Os sofistas 
são contemporâneos de Sócrates e alvos de suas críticas. Isócrates também é desse 
período. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 28 
Período pós-socrático (Séculos III e II a.C.) época helenística, após a morte de 
Alexandre. Fazem parte ainda as correntes filosóficas mais famosas: o estoicismo e o 
epicurismo. 
 
PERÍODO PRÉ-SOCRÁTICO 
 
O período pré-socrático inicia-se por volta do século VI a.C., quando aparecem os 
primeiros filósofos nas colônias gregas da Jônia e na Magna Grécia. Podemos dividi-los 
em várias escolas: 
Escola Jônica: fazem parte os seguintes filósofos: Tales, Anaximandro, 
Anaxímenes, Heráclito, Empídoeles; 
Escola Itálica: Pitágoras; 
Escola Eleática: Xenófones, Parmênides, Zenão; 
Escola Atomista: Gencipo e Demócrito. 
Esse período caracteriza-se como uma nova forma de analisar e ver a realidade. 
Antes esta era analisada e entendida, apenas do ponto de vista mítico, agora é proposto o 
uso da razão, o que não significa dizer que a filosofia vem para romper radicalmente com 
o mito, mas sim para suscitar o uso da razão no esclarecimento, sobretudo da origem do 
mundo. 
 Os antigos relatos míticos da origem, inicialmente transmitidos oralmente e depois 
transformados em poemas por Homero e Hesíodo, são questionados pelos pré-
socráticos, cujo objetivoprincipal é explicar a origem do mundo a partir da "arché" ou seja, 
o elemento originário e constitutivo de todas as coisas. 
Nessa busca de desvendar racionalmente a origem, cada um surge com uma 
explicação diferente, como por exemplo: 
- Tales: a origem é a água; 
- Anaxímenes: a origem é o ar; 
- Anaximandro: a origem está no movimento eterno que resulta na separação dos 
contrários (quente e frio, seco e úmido, etc.) 
- Heráclito: tudo muda, tudo flui. A origem reside num constante “devir". 
- Parmênides: A origem está na essência: o que é, é e não pode ser ao mesmo 
tempo. 
Outra diferença que podemos notar entre a filosofia nascente e as concepções 
míticas é que esta era estática, ou seja, não admitia reflexões ou discordância. A filosofia 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
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nascente por sua vez, deixa o espaço livre para reflexão, daí cada filósofo surgir com uma 
explicação diferente para o "arché", ou seja, a origem. 
Apesar dessas diferenças, vale ressaltar que não há uma ruptura radical com o 
pensamento mítico, permanecendo este, presente em algumas explicações desses 
filósofos frente às divindades, uma vez que este não aceita a interferência dessas nas 
explicações. Assim, a "phisys" (natureza) é dessacralizada e todas as afirmações passam 
a exigir fatos que justifiquem as ideias expostas. 
Toda essa mudança de pensamento é de fundamental importância para o 
enriquecimento das reflexões pedagógicas em busca de uma educação ideal que faça do 
homem grego senhor de si mesmo, combatendo assim, as velhas ideias de submissão às 
explicações puramente mitológicas. 
 
 O PENSAMENTO DE PLATÃO 
 
Se Sócrates foi o primeiro grande educador da história, Platão foi o fundador da 
teoria da educação, da pedagogia, e seu pensamento foi baseado na reflexão 
pedagógica, associada à política. 
 Platão nasceu em Atenas (428 -347 a.C.) de família nobre. Foi discípulo de 
Sócrates, que induziu ao estudo da filosofia. O vigor de seu pensamento nos faz 
questionar sempre o que de fato é socrático e que já é sua criação original. 
 Para que possamos compreender a proposta de Platão, não podemos dissociá-la 
do projeto inicial que é, antes de tudo, político: vejamos algumas características do 
pensamento filosófico de Platão. 
 Platão se preocupou a vida inteira com os problemas políticos. A situação de seu 
país, saído de uma tirania, o impede de participar ativamente da vida política, em 
compensação, dedica a esta, grande parte de seus escritos entre eles as obras mestras, 
A República e As Leis. 
 No livro VII de A República, Platão relata o mito da caverna. A análise deste mito 
pode ser feita pelo menos sob dois pontos de vista: 
1. Epistemológico (relativo ao conhecimento): compara o acorrentado ao homem 
comum que permanece dominado pelos sentidos e só atinge um conhecimento imperfeito 
da realidade. 
2. Político: quando o homem se liberta dos grilhões é o filósofo, ultrapassa o mundo 
sensível e atinge o mudo das ideias, passando da opinião à essência, deve se dirigir aos 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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homens para orientá-los. Cabe ao sábio dirigir, sendo-lhe reservada a elevada função da 
ação política. 
 
 A UTOPIA PLATÔNICA 
 
Platão propõe uma utopia, onde são eliminadas a propriedade e a família, e todas 
as crianças são criadas pelo estado, pois para Platão, as pessoas não são iguais, e por 
isso devem ocupar posições diferentes e serem educadas de acordo com essas 
diferenças. 
 Até os 20 anos, todos merecem a mesma educação. Ocorre o primeiro corte e 
definem-se quem tem "alma de bronze", são os grosseiros, devem se dedicar a 
agricultura, comércio e ao artesanato. 
 Mais dez anos de estudo, se dá o segundo corte. Aqueles que têm "alma de prata". 
É a virtude da coragem. Serão guerreiros que cuidarão da defesa da cidade, e a guarda 
do rei. 
 Os que sobrarem desses cortes por terem "alma de ouro" serão instruídos na arte 
de dialogar e preparados para governar. 
 Quando analisamos o postulado platônico voltado para sua época, é visível uma 
dicotomia na relação corpo e espírito. 
 Na Grécia Antiga, o cuidado com o aspecto físico do corpo merecia uma atenção 
muito especial. No entanto, Platão apesar de reconhecer a importância atribuída aos 
exercícios físicos, acreditava que outra educação merecia relevante atenção ao ponto de 
ser superior às questões corporais. Trata-se da educação espiritual. No desenvolvimento 
de seus argumentos, ao tratar da superioridade da alma sobre o corpo, Platão explicita 
que a alma ao ter que possuir um corpo, torna-se degradante. 
Para Platão o corpo possui uma alma de natureza inferior que dividida em duas 
partes: uma que age irrefletidamente, de maneira impulsiva e outra voltada para os 
desejos e bens materiais. Argumenta ainda que todo problema humano está centrado na 
tentativa de superar a alma inferior através da alma superior. Se esta não controlar a alma 
inferior, o homem será incapaz de possuir um comportamento moral. 
 Nesta concatenação está explícito o ideal pedagógico na concepção platônica. O 
conhecimento para ele é resultado da lembrança do que a alma contemplou no mundo 
das ideias. Nesse sentido a educação consiste no despertar no indivíduo do que ele já 
sabe e não no apropriar de um conhecimento que está fora. Ele enfatiza ainda a 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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 31 
necessidade da educação física no sentido de que esta proporcione ao corpo uma saúde 
perfeita, evitando que a fraqueza se torne um empecilho à vida superior do espírito. 
 Outro aspecto na pedagogia platônica é a crítica que se faz aos poetas. Na época, 
a educação das crianças era baseada em poemas heróicos da época, contudo, ele diz 
que a poesia deveria ser restrita ao gozo artístico e não ser usada na educação. 
Argumenta que ao ser trabalhado uma imitação, como as dos textos das epopéias, o 
conhecimento verdadeiro torna-se cada vez mais distante: "o poeta cria um mundo de 
mera aparência". 
 Em Aristóteles (384-332 a.C.) podemos perceber outro aspecto da pedagogia 
grega. Apesar de ser discípulo de Platão, conseguiu ao longo do tempo, através de 
influências, inclusive a do seu pai, superar o que herdou de seu mestre. Aristóteles 
desenvolveu, ao contrário de Platão, uma teoria voltada para o real, onde procurava 
explicar o movimento das coisas e a imutabilidade dos conceitos. Trabalho totalmente 
divergente à superioridade do mundo das Ideias desenvolvida por Platão. 
 Em seu raciocínio, ao explicar a imutabilidade dos conceitos, Aristóteles afirmava 
que todo ser possui um "suporte aos atributos variáveis", ou melhor, esse ser ou 
substância possui variáveis e que essas variáveis são, em síntese, características que 
geralmente damos a ele e ressalta que algumas dessas características assumem valores 
essenciais no sentido de que se estas faltarem o ser não será o que é. Por outro lado, 
existem outros que são acidentais, uma vez que sua variação necessariamente não irá 
alterar a essência do ser. Ex.: velho, novo. 
 Outros conceitos também são usados por Aristóteles para a explicação do ser. 
Conceitos intimamente ligados como forma e matéria são em seu postulado ricos e, tal 
explicação, uma vez que ele considera a forma como princípio inteligível. Uma essência 
que determina a todos que são o que são. "Numa estátua por exemplo, a matéria é o 
mármore; a forma é a ideia que o escultor realiza". 
Assim como os pré-socráticos Heráclito e Parmênides, Aristóteles, também se 
preocupou com o devir, com o movimento e consequentemente às suas causas. Ainda se 
utilizando dos conceitos de forma e matéria, ele argumenta que tudo tende a atingir a sua 
forma perfeita, assim uma semente de uma árvore, tende a se desenvolver e se 
transformar em uma árvore novamente. Dessa maneira tudo para Aristóteles tem um 
devir, um movimento, uma passagemdo que ele chama de potência para o ato. 
 Aristóteles ao fazer tal abordagem, comenta ainda que o movimento assume 
algumas características: movimento qualitativo onde uma dada qualidade é alternada; 
movimento quantitativo em que se percebe a variação da matéria e por fim o movimento 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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 32 
substancial onde o que se tem é uma existência ou inexistência, o que nasce ou que se 
destrói. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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 33 
 
UNIDADE 2 
 
 
A EDUCAÇÃO NA 
MEDIEVALIDADE 
 
 
É muito difícil precisar quando começou a Idade Média e quando ela acabou. Na 
verdade, não é possível determinar com exatidão quando começaram a ocorrer certos 
fatos históricos e quando eles acabaram, uma vez que tão importantes quanto os 
acontecimentos históricos são os processos que os engendraram. 
Primeiramente, que os fatos a serem estudados neste texto não ocorreram no 
mundo todo. Não faz parte deste universo uma série de povos como: os árabes, os 
bizantinos, os chineses, os hindus e os japoneses. Esse esclarecimento se faz 
importante, pois quando falamos de Educação na Idade Média, tratamos dos aspectos 
que ocorreram basicamente na Europa, aproximadamente entre o século V e o século XV. 
Convém também, antes de tudo, esclarecer alguns equívocos frequentes de 
expressão sobre esse período da história. O mais comum deles é dizer que a Idade Média 
foi a “Idade das Trevas”, onde os homens eram brutos e o conhecimento e a ciência 
pouco se desenvolveram. 
O termo Idade Média foi uma invenção dos pensadores humanistas e 
renascentistas1 (séculos XIV, XV e XVI), a qual se espalhou pelo mundo e foi 
posteriormente retomada pelos filósofos iluministas 2(século XVIII). 
 
Essa ideia equivocada criada, durante os séculos XV e XVI, pelos humanistas 
retorna e ganha força no século XVIII, com os pensadores iluministas. Entre outros 
aspectos, o que caracteriza de certo modo a filosofia iluminista é o seu anticlericalismo. 
Vários pensadores daquele século atribuíram à Igreja o atraso cultural dos povos, pois 
consideravam que sua doutrina não favorecia o esclarecimento (daí o nome iluminista) 
dos homens, a capacidade de bem compreender e pensar com autonomia. Para eles, 
portanto, o período da História dominado pela Igreja foi um período de trevas e escuridão, 
em que o homem esteve preso à doutrina e aos dogmas cristãos. 
 
1 Humanistas e renascentistas foram os pensadores que, principalmente durante os séculos XV e XVI, 
defenderam um ideal de formação do homem não mais calcado nos modos medievais, mas na valorização 
da antiga cultura grega e romana. Esses homens foram chamados de humanistas por defenderem a 
valorização do homem como o centro do universo e de renascentistas por acreditarem que estavam 
provocando um renascimento dos ideais clássicos da civilização greco-romana. 
2 Pensadores do século XVIII que desenvolveram novas teorias filosóficas, que convidavam o homem a 
pensar por si mesmo. Tais filósofos lutavam contra as “trevas” do conhecimento antigo e, por consequência, 
acreditavam estar levando homens às luzes, donde o nome Iluministas, aqueles que iluminam. 
Estude esta 
unidade 
antes do 
encontro! 
 
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Somente no século XIX, em virtude dos estudos de muitos pesquisadores é que se 
rompeu com o preconceito em relação a este período. Mais do que isso, eles descobriram 
um mundo cheio de riquezas culturais desconhecidas e renegadas. 
Segundo Jacques Le Goff, pela fusão do mundo romano com o mundo bárbaro é 
que surge o mundo ocidental medieval e os fatores que contribuíram para a formação 
deste foram: 
 a crise do Império Romano; 
 a aproximação entre o Ocidente e o Oriente; 
 a influência das religiões orientais ( misticismo); 
 as invasões “ bárbaras” (os godos, visigodos, ostrogodos, francos, vândalos, 
anglos, jutos, saxões, hérulos, burgúndios, suevos, quados) 
 o advento do cristianismo 
Não era por maldade que os povos do Norte invadiam outros territórios. Eles 
próprios eram obrigados a buscar novas regiões mais bem situadas, de clima mais 
ameno, de solo fértil, próximo ao mar. Além disso, muitos invasores estavam sendo 
acossados por outros povos mais fortes ou cruéis. As consequências dessas invasões 
foram muitas e podemos destacá-las como: 
 cidades e campos destruídos; 
 instaura-se um clima de medo e insegurança; 
 retração demográfica; 
 desaparecimento paulatino das crenças, instituições, artes, literatura, da 
organização militar e das cidades; 
 ocorre um processo de ruralização; 
 há um vazio moral 
 
1 A Igreja: a mais importante instituição na medievalidade 
 
Falar do mundo medieval e não falar da Igreja é impossível. O papel que ela 
desempenhou foi crucial para a mudança que se estabeleceu entre a cultura do mundo 
greco-romano e a nova cultura cristã. 
Após o fim do governo romano sobre os territórios da Europa – com a queda do 
Império Romano do Ocidente, em 476 – a Igreja passou a ocupar a função de instituição 
detentora e ordenadora da cultura “ocidental”. A disseminação da religião cristã por boa 
parte da Europa, do Norte da África e várias extensões da Ásia e Oriente Médio, fazia 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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dela o centro de irradiação de uma nova cultura, baseada em novos valores morais e 
éticos. 
Na falta de um governo civil minimamente organizado que pudesse disciplinar a 
vida nas cidades, a partir do século V, a Igreja cristã passou a cumprir essa tarefa, tendo 
nos bispos e padres os líderes locais. 
Segundo Le Goff, os bispos e monges agiam como religiosos e políticos, 
negociando com os “bárbaros”, atuando como “embaixadores”; distribuíam víveres e 
esmolas; protegiam os pobres contra os poderosos; organizavam resistência militar; 
lutavam contra a violência; moderavam os costumes. 
Na medievalidade, as instituições educacionais eram: 
1. As escolas dos mosteiros ou escolas abaciais (termo que vem de abadia, 
sinônimo de mosteiro); 
2. as escolas no governo de Carlos Magno ( fins do séc. VIII e início do IX) 
3. as escolas, catedralícias e palacianas 
4. o ensino nas corporações de ofício; 
5. a formação do cavaleiro; 
6. as universidades; 
7. a educação na cidade. 
 
2 Os mosteiros 
 
O surgimento dos mosteiros deve-se a vários fatores, dentre os quais a um hábito 
desenvolvido desde os primeiros momentos do cristianismo: a opção de algumas pessoas 
pela vida solitária, afastada de todos os bens materiais, com a finalidade de se dedicar 
apenas à oração, hábito também conhecido como eremitismo. 
Já nos séculos I e II, sabe-se de histórias de homens que decidiram abandonar o 
que possuíam para viver em lugares afastados, dedicados apenas à oração e ao trabalho, 
chamados eremitas ou anacoretas3. Principalmente a partir dos séculos III e IV, o que era 
uma prática de vida singular torna-se comum, a ponto de já se identificarem pequenos 
grupos de eremitas vivendo em vários lugares da Europa. 
No início do século VI, em 529, Bento de Núrsia fundou uma comunidade de 
monges4, que se tornou a principal ordem monástica e a referência para todas as outras 
que se estabeleceram. 
 
3 Em grego anachoresis, que significa aquele que vive retirado. 
4 Monge vem do latim monacus, que significa aquele que vive sozinho. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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O monge consagra-se a rezar e trabalhar para as obras de Deus, longe do mundo 
das cidades e das coisas “mundanas”: uma vida dedicada aos valores “superiores” da 
religião. Em função dessa nova proposta de vida, entre outros fatores, as comunidades 
monásticas ou mosteiros tornam-se, a partir do início do século VI, um centro de atração 
de várias pessoas, chegando alguns mosteiros a ter mais de 2000 membros.Esse sucesso não se deve somente a fatores religiosos. Há que se levar em conta 
que os mosteiros tornaram-se lugares seguros e estáveis em meio às constantes 
perturbações e turbulências pelas quais passavam as cidades européias, sempre alvos de 
invasões e saques por parte dos povos “bárbaros”5. 
 
Um resultado prático dos mosteiros foi a atenção que deram ao ensino. Desde sua 
criação, os mosteiros foram locais em que as obras herdadas da romanidade ficaram 
guardadas e onde se dava um mínimo de instrução aos seus membros. Em quase todos 
os mosteiros havia algum armário6 com obras para a oração e estudo dos monges. 
 
Serão os mosteiros, por um espaço de quase 300 anos, os lugares privilegiados, 
para não dizer únicos, de ensino e formação intelectual no Ocidente latino, bem como de 
guarda e depósito da cultura latina. 
 
As Escolas dos Mosteiros (ou Abaciais) 
 
As primeiras escolas que surgiram nesse período conturbado foram nos mosteiros, 
conhecidas também como “escolas abaciais” – termo que vem de abadia, outro nome 
para mosteiro. 
Objetivo: formação do clero e instrução básica dos religiosos. Essas escolas 
dependiam totalmente dos mosteiros aos quais estavam ligadas e, portanto, a formação 
que era oferecida também dependia de estes apresentarem ou não os meios adequados 
(livros e bons mestres). 
Conteúdo: ensino religioso, liturgia da Igreja, gramática latina, retórica, cálculo, 
aritmética, geometria, música. Dedicavam-se ainda ao estudo do discurso, de como falar 
corretamente. 
 
5 Uma curiosidade: a palavra bárbaro vem de balbus, aquele que balbucia. Ora, os gregos chamavam de bárbaros todos 
aqueles que balbuciavam ou não falavam corretamente a língua grega, ou seja, aqueles que não tinham a cultura e a 
civilização de um grego. Daí que bárbaro é todo aquele que não sabe falar, que não possui os “modos civilizados” de 
uma determinada cultura. Para os gregos, todos os não-gregos eram bárbaros. Para os romanos todos os povos não-
romanos eram bárbaros. Assim, cada “civilização” rotula a outra como bárbara, quando esta não sabe os seus modos e 
comportamentos. 
6 Era esse o nome dado ao lugar onde ficavam guardados os livros. O termo biblioteca foi adotado posteriormente. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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 37 
À medida que os mosteiros se organizavam melhor e ampliavam seus acervos de 
obras, bem como incorporavam em sua comunidade mestres habilitados, esse programa 
de ensino foi sendo ampliado até receber um formato que durou por quase toda a Idade 
Média, conhecido como Trivium e Quadrivium. 
Com a duração de aproximadamente 7 anos, a formação iniciava-se com o ensino 
do Trivium, ou seja, da gramática, da retórica e da dialética. 
 
a) Gramática. Dada inicialmente por textos de fácil leitura para que os versos 
fossem gravados rapidamente e corretamente pronunciados. Como não havia muitos 
livros para serem copiados, os professores ditavam os textos que deveriam ser 
corretamente escritos, forçando os alunos a apreenderem a forma correta com base na 
pronúncia. Esse exercício era o dictamem, cuja prática era feita à exaustão. Com isso os 
alunos rapidamente gravavam as regras gerais da língua e, por técnicas de memorização. 
 
b) Retórica, também conhecida como a arte de bem falar, ou seja, de fazer 
discursos e pronunciamentos públicos; não era mais praticada, uma vez que não se 
falava mais o latim no cotidiano. Neste período da Idade Média as línguas neolatinas, 
como o francês, o italiano, o português etc., já estavam em formação e eram 
predominantes na comunicação nas comunidades. O latim só era conservado nos textos 
e documentos oficiais. O ensino da retórica era realizado basicamente por meio de 
exercícios escritos, nos quais o aluno desenvolvia a sua capacidade de construir textos 
bem ornamentados. 
 
c) Dialética é a arte do raciocínio ou do debate. O termo “dialética” deriva de 
“diálogo”, duo (dois) logos (razão), ou seja, composição ou confronto de dois logos, de 
duas razões. A dialética era a técnica ou a arte de exercitar a razão, os argumentos, com 
vista à exposição ou explicação de algo. 
 
II - Depois do estudo do trivium, os alunos passavam ao estudo do Quadrivium, 
que consistia na aritmética, geometria, música e astronomia. 
 
a) A Aritmética consistia no aprendizado de cálculos simples. 
 
b) A Geometria consistia no estudo das figuras simples e planas. Esse estudo era 
o “mais filosófico”, já que as formas geométricas, por serem abstratas, levavam os 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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 38 
homens a pensar nas ideias, início da pesquisa filosófica. 
 
c) A Astronomia resumia-se ao estudo das fases da lua, das constelações, das 
estações do ano, enfim, dos fenômenos básicos da natureza conhecidos até então. Esse 
conhecimento também era útil para a agricultura e a navegação. 
 
d) A Música iniciava-se pelas noções de teoria musical, para depois se concentrar 
num instrumento, como a flauta, a cítara, a harpa ou a trompa. Pesquisas mostram que a 
música teve um lugar de destaque durante o período medieval, tendo diversos praticantes 
em quase todos os lugares. 
Lembremo-nos de que neste período da Alta Idade Média o ensino concentrava-se 
no básico, preparando as pessoas para exercer cargos altos na Igreja, na administração e 
conhecer, por seus próprios meios, aquilo que lhes interessasse. Não se estudava para 
conseguir um emprego ou qualquer tipo de vantagem econômica ou social. 
Haviam ainda as escolas catedrais (escolas catedralíciais), que eram mantidas 
pelos bispos, que funcionavam junto à catedral. Essas escolas também tinham a função 
de preparar com um mínimo de instrução os futuros clérigos. Tal como nas escolas 
abaciais, nas escolas catedrais dava-se importância, primeiro, aos estudos eclesiásticos 
(estudo da bíblia, da doutrina cristã e da liturgia), para depois se passar aos estudos 
laicos propriamente ditos. Nessas escolas o ensino se compunha do trivium e do 
quadrivium. 
 
O aprendizado nas corporações de ofícios dava-se por meio das sete artes 
mecânicas, sendo elas: 
 arte da tecelagem, 
 arte do ferreiro, 
 arte da guerra, 
 arte da navegação, 
 arte da agricultura, 
 arte da caça, 
 arte da medicina. 
Essas artes não eram ensinadas nas escolas, por meio de manuais técnicos, mas 
nas corporações de ofício. O conhecimento técnico necessário para a execução desses 
ofícios era adquirido através da instrução de um mestre, no contato direto com o trabalho. 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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Havia ainda as sete artes da cavalaria: 
 equitação, 
 esgrima, 
 torneio, 
 luta, 
 corrida, 
 salto, 
 arremesso da lança. 
O menino escolhido para ser cavaleiro começava como pajem e, aos poucos, era 
introduzido nas outras sete artes: equitação, natação, tiro de flecha, luta, caça, xadrez e 
versificação. 
 
3 A educação no governo de Carlos Magno (o Império carolíngio) 
 
A educação característica da primeira parte da Idade Média sofre uma profunda 
alteração com a instauração do Império Franco, sob o comando de Carlos Magno. 
Com a queda do Império Romano, a Europa ficou dividida em vários reinos, 
controlados por senhores locais, sem a presença de um governo que centralizasse 
politicamente os territórios. A unificação política tem seu início no começo do século VIII, 
com o rei Pepino, o Breve, que realiza uma série de conquistas para o seu reino Franco7. 
O filho de Pepino, Carlos Magno (742-804), prossegue nesse projeto de expansão das 
fronteiras, formando, no final do século VIII, um vasto Império que domina quase toda a 
Europa. 
 
Nos primeiros momentos de seu reinado, Carlos Magno percebe uma grande falta 
de funcionários com um mínimo de instrução para auxiliá-lo na tarefa de administrar o 
reino. O imperador percebe a carência de homens capacitados para arrecadar impostos,administrar a justiça, fazer a comunicação no interior do Império, construir e restaurar as 
estradas e o transporte etc. 
Para suprir essa falta, ele institui as escolas palacianas, mantidas pelo Império, 
para oferecer instrução básica aos jovens, numa clara intenção de formar quadros para a 
administração. 
 
Além desse primeiro passo de institucionalização das escolas, Carlos Magno 
também promove uma reforma nos conteúdos e nos modos do ensino com a renovação 
do império. 
 
 
7 O Império Franco teve como sede os territórios que seriam hoje a França. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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Para realizar essa tarefa, ele chama da Irlanda o monge Alcuíno de York, que 
coordenará sua escola palaciana. Essa época também ficou conhecida como a 
Renascença Carolíngia, 
 
No entanto, é necessário ressaltar que esse estímulo ao ensino não foi fruto 
somente dos desejos do imperador. Com as conquistas e a unificação política dos 
territórios da Europa central interrompeu-se um grande ciclo de invasões bárbaras. A 
segurança dada pelas tropas imperiais fez com que a vida nos castelos, feudos e vilarejos 
transcorresse com mais calma e tranquilidade. Essa segurança também proporcionou um 
maior desenvolvimento econômico, diminuindo a incidência de pestes e epidemias. 
 
Todos esses fatores combinados geraram um ambiente em que os homens podiam 
se dedicar à cultura e à educação, deixando de viver apenas em razão de sua 
sobrevivência. 
 
4 As escolas palacianas 
 
As escolas desempenharam um papel de destaque na retomada da cultura nos 
territórios do Império Franco (ou Carolíngio), transformando-se em centro de difusão 
cultural. Todavia, elas não nasceram com Carlos Magno; na verdade elas já existiam e 
apenas se difundiram pelos territórios imperiais. 
 
As escolas palacianas, apesar de serem mantidas pelo Império e não pela Igreja, 
apresentavam, também, no seu currículo, o caráter religioso das outras modalidades de 
escola. Isso porque os professores e mestres eram recrutados entre os únicos que 
possuíam conhecimento: os religiosos. 
 
Conteúdo: o trivium e o quadrivium; a instrução religiosa cristã estava presente em 
todos os momentos da formação dos alunos. 
Quando as escolas são formadas, seu objetivo era o ensino básico, a instrução 
mínima necessária para que o Império e a Igreja tivessem membros mais aptos para as 
suas funções. No entanto, algumas dessas escolas se desenvolveram, formando 
bibliotecas com várias obras e mestres dedicados somente ao ensino e aos estudos. 
Nessas escolas em que se ampliam e intensificam os estudos, além do objetivo primeiro 
de transmitir os conhecimentos existentes, começa-se, pouco a pouco, uma preocupação 
com o desenvolvimento de novos conhecimentos, com a pesquisa especulativa. 
Dentre essas escolas que se desenvolvem, aquelas ligadas às catedrais 
conseguem uma significativa ampliação entre os séculos X e XII. Esse crescimento deve-
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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 41 
se a dois fatores básicos: o ressurgimento da vida urbana e a constituição das 
corporações de ofício ligadas aos mestres-escolas. 
A partir do século XI tem-se a retomada lenta e gradual da vida nas cidades. 
Pequenos artesãos e mercadores passam a morar do lado de fora dos muros do 
mosteiro, realizando pequenos serviços para os monges. Estes homens são também 
conhecidos como burgueses, já que moram no burgo, vila dependente das comunidades 
religiosas. As cidades podem originar-se também dos castelos episcopais ou 
nobiliárquicos, que têm em seu interior um número restrito de moradores, com um 
pequeno mercado para atender às necessidades cotidianas. 
Há um aumento no número de artesãos e de qualificações. Esses profissionais vão 
se organizar para controlar os mercados e disseminar conhecimentos ou técnicas de cada 
ofício, formando as corporações de ofício. 
Neste novo espaço urbano ocorre também a valorização da cultura. As cidades 
tornam-se, centros de irradiação e recepção de ideias, valores e conhecimentos até então 
restritos a poucas pessoas. O estudo ganha força nesse novo mundo cultural que se 
organiza. 
Nas cidades a liberdade para o estudo e para a investigação intelectual é muito 
maior do que nos mosteiros e castelos. Se nesses lugares a formação escolar ocupa um 
papel secundário e restrito a um grupo social, nas cidades a organização das escolas é 
muito mais livre, permitindo inovações nos currículos e nas disciplinas. 
Ocorre também o aumento do número de escolas e de sua importância. 
Professores e estudantes passam a não se contentar mais com aquilo que era dado no 
trivium e no quadrivium; as trocas na cidade provocavam discussões e debates, que a 
todo o momento questionavam os limites e os alcances das ideias transmitidas na 
formação escolar. 
A escola não tinha sido concebida como lugar de experimentação intelectual, não 
era um espaço destinado à criação e elaboração de novos conceitos e ideias. A escola 
era, tão somente, o lugar de transmissão dos rudimentos da cultura para os jovens. Se 
havia a necessidade de descobrir coisas novas, de investigar ideias, esse lugar não era a 
escola. Era necessário, portanto, inventar um novo espaço para que se realizassem as 
investigações intelectuais: as universidades. 
Surge ainda uma nova “profissão” neste renascimento da cidade do século XII: os 
mestres-escolas ou professores que organizavam cursos ligados às escolas catedrais ou 
livremente, sem nenhuma ligação com as instituições eclesiásticas. 
Quem eram esses “professores”? O padre secular e o clérigo + clérigo goliardo. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 42 
Os padres seculares (em oposição ao padre regular, vive na cidade ou na aldeia, 
ou seja, no espaço secular, espaço laico. O padre secular é o pároco da cidade que cuida 
e vive junto a uma determinada comunidade de fiéis) adquirem autonomia para organizar 
escolas em suas paróquias, ou seja, esses padres fundam escolas que ficam sujeitas a 
todas as influências que chegam nessas cidades. 
Outra figura que vai trabalhar nessas escolas paroquiais e vai desempenhar um 
papel decisivo na formação das universidades é o clérigo. 
O clérigo, ao se inserir na vida secular, vai trabalhar como professores nas 
escolas, recebendo dos bispos ou dos alunos algum salário para o seu sustento. Mais do 
que os padres seculares, os clérigos terão uma ampla liberdade para ensinar, tornado-se 
em geral os professores de maior prestígio. 
Há, ainda, outra figura que contribuirá para a criação das universidades são os 
clérigos goliardos, formado por um grupo de “críticos” ou intelectuais que vagavam 
pelas cidades. Têm eles origem diversa, são camponeses, nobres, gente das cidades, 
mas, antes de tudo, são homens que andam de um lugar ao outro, disseminando críticas 
às estruturas sociais, à ordem estabelecida, à Igreja e aos frades8. 
São esses homens livres que, com instrução, disseminarão a prática do debate 
público e aberto, no qual os temas são escolhidos conforme a necessidade e a crítica é 
feita sem temores, com o único compromisso do “amor à verdade”. 
 
Os professores organizados em torno das corporações de ofício passam a oferecer 
um tipo de formação superior àquele transmitido nas escolas. Esses conhecimentos serão 
divididos em quatro grandes áreas: Medicina, Direito, Teologia e Artes. Nascem, portanto, 
as Universidades, lugares em que esse estudo superior, de caráter investigativo e não 
repetitivo, será feito por meio de debates e disputas dialéticas. Dada a natureza libertária 
de seus idealizadores, as universidades reivindicarão sempre a liberdade para 
estabelecer seus currículos, suas regras, enfim, sua vida. A luta contra qualquer tipo de 
controle externo e a defesa da liberdade será uma característica predominante em quase 
todas as universidades em qualquer tempo e lugar.As várias mudanças ocorridas na vida européia nos séculos XI, XII e XIII, 
especialmente no modo de vida e na cultura, implicam modificações na educação escolar. 
O objetivo fundamental do ensino não era mais a formação religiosa; cresce uma 
tendência à laicização, ou seja, os estudos voltados para as questões terrenas, humanas: 
 o mundo comercial exigia novas habilidades intelectuais, além disso uma nova 
conjuntura política, diferente da monárquica começava a ser formar: a república, 
 
8 Assim é também chamado o frei das ordens religiosas, como os franciscanos, dominicanos, carmelitas, etc. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 43 
descentralizando o poder político para grandes parcelas da sociedade. A ocupação de 
cargos políticos exigia o domínio da linguagem e da retórica; 
 cargos administrativos, burocráticos, como os relacionados à justiça e à 
diplomacia exigiam o conhecimento aprimorado do bem escrever, das regras de 
convencimento, do aprimoramento das técnicas de escrita e composição das cartas. 
Como não havia nenhuma instituição que ofertasse esse conhecimento requerido 
pelos novos tempos, os comerciantes, advogados e funcionários públicos contratavam os 
professores de retórica para. Esses professores ensinavam, para aqueles que já haviam 
recebido a instrução escolar, técnicas mais elaboradas de como escrever uma carta a um 
rei ou nobre, uma carta de exortação a alguém, um pedido a um juiz, entre outras 
necessidades. As técnicas de redação ensinadas pelos ditadores, pois eram assim 
conhecidos esses professores, cria a arte de ditar, de bem escrever. 
Portanto, além da formação básica nas escolas, a nova vida urbana exigia cada 
vez mais o conhecimento das técnicas de bem escrever, de bem se comunicar, pois a 
conversa, o contato, eram a base da sociabilidade. 
Todos esses acontecimentos revelam o declínio do poder de influência seja da 
Igreja seja da religião cristã nos homens. Esse aumento de importância das coisas civis 
implica a diminuição da força do mundo religioso. 
No campo da educação, o que se nota é a crescente laicização9, ou seja, as 
cidades e os homens cultos passam a se encarregar da educação. A tarefa de ensinar 
ainda é desempenhada majoritariamente pela Igreja, mas escolas e institutos organizados 
por leigos começam a aparecer. A educação vai adquirindo um caráter mais laico e 
menos religioso, mais ligado aos valores da cidade, aos valores civis e vai se 
desprendendo dos ideais da religião cristã. 
Os mosteiros, conventos e os claustros, que antes encantavam as populações, não 
as cativam mais. Passa-se a acreditar que se pode ser feliz na cidade, fora dos muros 
seguros das instituições religiosas. 
O que antes era considerado lugar de perdição, de pecado, adquire uma nova 
significação para os homens: passa a ter grande valor e admiração. 
Quando ocorre essa inversão de valores, o ideário medieval começa a desaparecer 
e uma nova etapa se anuncia: o humanismo e o renascimento. 
 
 
 
 
9 Sinônimo de laico ou leigo, aquilo que não é religioso. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 44 
TEXTO COMPLEMENTAR 
 
EDUCAÇÃO MEDIEVAL RELIGIOSA 
 
RESUMO 
 
Quando o leitor anseia pela compreensão do pensamento ocidental deve observar os modelos 
educacionais ao longo da história, em especial os da Idade média e para tanto necessita agregar 
através da pesquisa subsídios para tal análise. A síntese apresentada percorre um período da 
história compreendido entre a queda do Império Romano e surgimento do Renascimento, falamos 
da Idade Média, período de grande influência da Igreja Católica e formação de novos modelos 
educacionais pautados na doutrinação religiosa. Alguns aspectos pertinentes à educação na 
Idade Antiga também são levantados, pois servem de alicerce aos modelos educacionais da Idade 
Média. O controle da educação medieval por parte da Igreja pode se fazer notar pelos principais 
pensadores, a maioria ligada à Igreja. 
 
INTRODUÇÃO 
A educação ocidental apresenta forte influência dos conceitos educacionais greco – 
romanos e, por conseguinte da educação cristã. São justamente estes conceitos inerentes 
ao cristianismo medieval que serão analisados e comentados, bem como os fortes cravos 
deixados e transmitidos para as correntes educacionais hoje defendidas e utilizados como 
modernos processos de aprendizagem. Os mais desavisados acabam ignorando a 
reprodução contida nas teorias pedagógicas apresentadas aos profissionais da educação, 
crendo de fato em mudanças significativas nos modelos educacionais. 
A fase histórica investigada remota a Idade Média principalmente, buscando o final da 
Idade Antiga, mais especificamente o período que antecede a queda do Império Romano 
e suas características declinatórias. Apresenta comentários acerca da influência no 
pensamento ocidental e seus reflexos na atualidade. Lembrando que o norte da referida 
análise é a educação. 
 
SÍNTESE DA EDUCAÇÃO ROMÂNICA 
 
Para uma análise didática e coesa ocorre a necessidade de resumidamente 
descrevermos a educação romana. Esta recebeu forte influência grega, tanto que após as 
conquistas romanas no Mediterrâneo foi absorvida a cultura helênica e adotada como 
principio para a educação dos patrícios, sendo difundida por todo o reino latino. Surge sob 
o império a figura do pedagogo remunerado, mas não nos enganamos a educação 
continua sendo elitista e dominadora. A educação romana segue duas linhas, a virtutes 
(moral, civismo e religiosidade) de base românica e a doctrinae ou cultura (instrução 
escolar técnica em especial as letras) esta quase que totalmente grega. Quando o Império 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 45 
Romano do Ocidente aproxima - se de sua desintegração, nas portas da Idade Média, o 
mesmo ocorre com a educação clássica. De acordo com Manacorda (2000, p. 107): 
Nesta situação de total destruição, em cuja descrição se percebe a mão de um 
funcionário saído das escolas de retórica, num império desolado e invadido por 
populações inteiras de bárbaros armados, é impossível falar de organização da vida civil e 
menos ainda de difusão de uma escola. Para a maioria, já não se tratava de educar os 
filhos, mas de arrancá-los da morte e da fome. O que pode sobreviver da velha escola 
senão ilhas esporádicas de instrução familiar ou privada. 
 
EDUCAÇÃO MEDIEVAL 
 
Após drásticas modificações na geopolítica surgem os feudos, protetorados que 
agregam vários donos de terras que as submetem a proteção de um nobre com total 
apoio da igreja. Igreja esta que sobrevive a desintegração do Império Romano, gênese do 
feudalismo. 
Devemos lembrar que aspectos do modelo romano continuam sendo seguidos 
(influência nas letras, gramática, retórica, organização e logística militar), pois os bárbaros 
sofreram aculturação, exceção feita a Britânia que ignora totalmente a cultura do antigo 
império. O período de instabilidade provocado pela decadência e queda do império, bem 
como a formação dos diferentes feudos gerou um processo de regressão cultural, haja 
vista que a educação passou a ser secundária. 
Na nobreza e no clero a falta de cultura e até mesmo analfabetismo torna – se 
relativamente comum, tal característica é estendida a todos os cantões do antigo império, 
embora uma parcela dos bárbaros, agora no poder de seus feudos, tenha sofrido 
aculturação e conversão ao cristianismo. De acordo com Manacorda (2000, p. 111): 
No que concerne particularmente ao campo da instrução, verificam–se dois 
processos paralelos: o gradual desaparecimento da escola clássica e a 
formação da escola cristã, na sua dupla forma de escola episcopal (do 
clero secular) nas cidades, e de escola cenobítica (do clero regular) nos 
campos. Mas, não obstante as exceções, o nível cultural é muito baixo 
quer entre os bárbaros,quer entre os homens da Igreja, quer ente os 
representantes do império. 
 
 
A nova educação cabe à família e à Igreja que abarca características bíblicas, 
nasce então o modelo de escola cristã. A Igreja passa a ser a controladora e 
mantenedora da educação, formam-se mosteiros e distintas ordens religiosas, onde os 
nobres passam a ser instruídos e doutrinados, juntamente com alguns eleitos que 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 46 
formarão o alto clero, culto e dominador. Devemos destacar a ignorância da maioria dos 
indivíduos do baixo clero, onde até mesmo casos de analfabetismo total era possível ser 
presenciado. 
A escolástica nasce do pensamento cristão europeu da Idade Média. Segundo 
Manacorda (2000, p.122), "Pode-se dizer, considerando as iniciativas educativas do clero 
secular e do clero regular, que mudaram os conteúdos, e que dos clássicos da tradição 
helenístico-romana passou-se para os clássicos da tradição bíblico-evangélica". 
Foi durante o governo Carolíngio que a Europa atinge avanços significativos com a 
construção de vários mosteiros, abadias e conventos, também é criada a escola Palatina 
que mais tarde serve como referência para vários pontos da Europa. É sob o governo de 
Carlos Magno que surge o primeiro programa de educação e são trazidos vários 
religiosos da Europa, educando desta forma a nobreza. 
De acordo com Martins (2006), além de Alcuíno,vão trabalhar na corte imperial, 
Paulo Diacre, um italiano que trabalhou na corte da Lombardia; Teodulfo que traz de 
Espanha a riqueza da cultura moçoárabe, Scoto Eriúgena, o teólogo irlandês e por fim, o 
germano Eginardo. Frequentavam esta escola o próprio imperador, os príncipes e os 
jovens da nobreza. Ao lado desta instrução e educação ministrada aos jovens da nobreza 
por eclesiásticos, a Idade Média oferece-lhes ainda uma educação militar e cortezã, 
educação à qual, desde cedo, a Igreja procurou também imprimir uma orientação religiosa 
e doutrinal. 
O modelo escolástico atinge seu apogeu através de Santo Tomás de Aquino, 
pensador aristotélico que diverge do precursor da escolástica, Santo Agostinho. Para 
Aquino à divergência entre o que chamava de metafísica e a teologia eram claros, porém 
passíveis em determinados pontos de convergência. Embora rígido, o modelo admitia 
espaço para a reflexão e discussão, bem como aplicação da lógica doutrinatória da Igreja. 
A Igreja na Idade média dominava o cenário religioso, detentora do poder espiritual, a 
Igreja influenciava o modo de pensar, a psicologia e o comportamento. 
O poder econômico também era vasto, pois possuía terras em grande quantidade e 
até mesmo servos a seu dispor. Os monges e outros clérigos eram responsáveis pela 
proteção espiritual de toda a sociedade. 
O final da Idade Média apresenta sinais de mudanças que atingirão o 
desenvolvimento intelectual, artístico e científico que florescerão na Idade Moderna, seja 
por inúmeros fatores como; a organização educacional proposta no período Carolíngio e 
de fato posta em prática, pela criação das primeiras universidades que rapidamente se 
espalharão pelo continente, a redescoberta e valorização dos clássicos greco-romanos, 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 47 
surgimento dos mecenatos, cisma da Igreja Católica e advinda do Protestantismo, 
proposto por Lutero 
 
CONCLUSÃO 
 
É forte a influência dos grandes filósofos gregos desde a Grécia Antiga, passando 
pelo vasto Império Romano e impregnando obras de pensadores como Santo Agostinho e 
Santo Tomás de Aquino, talvez o maior expoente da Idade Média. A educação 
apresentada na Idade Média passou por momentos de transição como o fim do Império 
Romano e o início da Idade Moderna. 
Os primeiros quatrocentos anos da Idade Média são marcados pela firmação 
territorial dos novos reinos, pela falta de ênfase no processo educativo da nobreza e até 
mesmo do clero e, pelo rompimento do modelo clássico, com a concentração massiva na 
escola cristã patrística. 
Mais tarde, nasce a educação escolástica de controle exclusivista da Igreja, sendo 
ela a única fomentadora da produção literária e do pensar. Nada mais conveniente para 
Igreja que o esquecimento dos clássicos. Somente no governo de Carlos Magno ocorre 
uma preocupação acentuada com a educação dos nobres e clérigos, surge então um 
incentivo à construção de mosteiros e abadias, bem como a primeira escola livre da 
administração religiosa, a escola Palatina que mais tarde serviria de modelo para várias 
partes da Europa. 
O modelo escolástico apresenta seu apogeu com Santo Tomás de Aquino que 
visualiza a possibilidade clara de aproximação e convívio entre a metafísica e a teologia, 
talvez seja esta sua maior contribuição para o pensamento ocidental. 
São ainda heranças do modelo escolástico, os processos de separação em áreas 
do conhecimento, do sistema de repetição e memorização, a elitização da educação e a 
doutrinação do indivíduo. Fica clara a correlação entre os modelos educacionais 
convergentes nos países periféricos com as características acima descritas, mesmo que a 
educação esteja elencada nos direitos universais do cidadão, a educação padece de 
qualidade e investimento, continuando por este motivo no controle de poucos. 
 
REFERÊNCIAS 
 
MANACORDA, Mario Alighiero. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. 
8ª ed. São Paulo: Cortez, 2000. 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 48 
LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 6ª Ed. São Paulo. Ed 
Nacional.1972. 
 
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. 1ª edição. Ed Moderna, São 
Paulo, 1989. 
 
NUNES, Ruy Afonso da Costa. História da Educação na Idade Média. São Paulo. EPU. 
Edusp, 1979. 
 
 
Para saber mais... 
 
Idade Média: A formação do homem de fé. In História da Educação. Maria Lúcia de 
Arruda Aranha, Ed Moderna, 2ª edição revisada e atualizada, São Paulo, 1996 
 
A Educação na Idade Média. In Fundamentos da Educação. Gilberto Cotrim e Mario 
Parisi. São Paulo, Ed Saraiva, 1979 
 
Sugestão de filme: O nome da rosa 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 49 
 
 
 
 
UNIDADE 3 
 
 
A EDUCAÇÃO NA MODERNIDADE 
 
 
A modernidade abarca um período de aproximadamente 300 anos, “recheado” de 
grandes acontecimentos: Renascimento, Humanismo, Grandes Navegações e as 
revoluções burguesas (Industrial, Americana e Francesa). 
Por isso, o texto fará um recorte: procurará explicitar o núcleo central do embate 
pedagógico entre os pensadores da modernidade e os conservadores e reacionários ao 
redor das questões fundamentais daquele momento, tais como liberdade de pensamento, 
de expressão e de pesquisa, dúvida metódica, metodologia científica, ensino universal, 
público e gratuito. 
Primeiro discute-se as questões gerais das mudanças, particularmente o que se 
refere às propostas humanistas e às transformações no âmbito das ciências e pedagogia, 
com destaque para o pensamento de Francis Bacon e os fundamentos da pedagogia dos 
jesuítas e, posteriormente são apresentados os fundamentos das propostas pedagógicas 
de três dos mais significativos pensadores do tema: Juan Luís Vives, João Amós 
Comenius e Jean-Jacques Rousseau. 
 
1 Um tempo de mudanças 
 
O período histórico que se estende de 1453 a 1789 e que a tradição historiográfica 
ocidental denomina Idade Moderna caracteriza-se por um longo processo de 
transformação, durante o qual o declínio medieval se consumou e a revolução burguesa 
se estruturou, vindo a se realizar cabalmente no século XIX. 
Nos três séculos de sua duração, a Idade Moderna foi o palco da luta entre os 
remanescentes da feudalidade e os que buscam consolidar novas formas de se produzir a 
riqueza: o mercado internacional suplantando a feira do vilarejo e da aldeia; o 
cerceamento das terras, antes comunais, para a criação de carneiros fornecedores de lã 
para a manufaturatêxtil que se consolidava nas cidades, renascidas ou então recém-
criadas; a transformação dos antigos camponeses em assalariados urbanos; a oficina, 
Estude esta 
unidade 
antes do 
encontro! 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 50 
com a divisão do trabalho, eliminando o atelier do mestre artesão. Todo esse conjunto de 
transformações criou os fundamentos para a Revolução Industrial do século XVIII e a 
consolidação do capitalismo industrial e urbano ao longo do século XIX. 
No campo da política, a Idade Moderna foi o tempo da constituição dos Estados 
Nacionais europeus, Portugal e Espanha na vanguarda, encerrando o tempo histórico do 
domínio dos senhores feudais na maior parte da Europa e a consequente concentração 
do poder nas mãos de uma dinastia, ou Casa Real: Bourbon, Bragança, Habsburgo, 
Sabóia etc. O Rei passou a ser o símbolo da unidade nacional da cada Estado Europeu 
(p.108). 
As sucessivas guerras entre famílias poderosas da aristocracia européia, nas 
Guerras dos Cem Anos e na Guerra dos Trinta anos, criaram os modernos Estados 
Nacionais europeus, é certo, mas, além disso, ensejaram também o aparecimento, 
paulatino e tímido, de outras ideias políticas, diferentes das ideias políticas medievais. 
Entre elas, o conceito de liberdade foi, aos poucos, se estruturando e se consolidando 
como o fundamento da sociedade burguesa que então ensaiava seus primeiros passos. 
No terreno das ciências e das especulações filosóficas, tem-se a emergência do 
humanismo (desde o século XIV), o qual forjava um novo conceito de Homem, um novo 
conceito de humanidade que suplantava, ia além do conceito formulado pelo pensamento 
predominante na Idade Média. 
 
O conceito de Homem, cultivado e difundido na Idade Média, calcado em uma 
suposta dualidade corpo-espírito, sendo o corpo considerado a prisão do espírito, foi 
suplantado pela noção de que o homem é um ser dotado de corpo e espírito. Se o espírito 
devia continuar sob a égide da religião católica, o corpo passava a ser objeto da ciência, 
das artes e da política. 
 
As novas ideias influenciam o surgimento de 2 movimentos: o Humanismo e a 
Reforma Protestante. 
 
Esse é o ponto central, a pedra fundamental para o entendimento dos projetos 
pedagógicos elaborados por diversos pensadores ao longo dos três séculos da Idade 
Moderna. Trata-se do avanço da cultura letrada e a busca de comportamentos distintivos 
por parte de camadas cada vez mais largas da sociedade que impulsionam a nova 
instituição. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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 51 
A tarefa pedagógica cabia até a Idade Média às famílias, aos colégios e às escolas 
cristãs. Já, nos tempos modernos, uma das características mais importantes foi a criação 
do sistema escolar de formação/ educação pública. 
A escola moderna surge por volta do séc. XVI com a Reforma Protestante, com 
Lutero, cujo objetivo era incitar as populações para a leitura direta das Sagradas 
Escrituras e preparar os meninos para a administração das cidades. 
Nesse momento já podemos identificar formas históricas e democratização das 
oportunidades escolares para a população civil. Pela primeira vez, com Lutero o mundo 
moderno ouviu falar de ação de Estado na educação. Em 1523, enviou uma “carta aos 
magistrados de todas as cidades alemãs para que construam e mantenham escolas 
cristãs”. 
Portanto suplico a todos, estimados governantes e amigos, pela graça de Deus e 
pela juventude pobre e abandonada, não considerar isto como assunto sem 
importância [isto é, a criação de escolas], como fazem alguns que, em sua 
cegueira, menosprezam os ardis do Inimigo. Pois é um grande e solene dever que 
nos está imposto, um dever de imensa importância para Cristo e o mundo, prestar 
auxílio e conselho à juventude...A prosperidade e bem-estar de uma cidade não 
consistem somente em acumular riquezas, em construir sólidas muralhas e belos 
edifícios ou em fabricar armar e munições. Seu melhor e maior bem, sua fortaleza, 
é contar com muitos cidadãos cultos, polidos, inteligentes, honrados e bem 
educados, que possam depois reunir, conservar e empregar bem tesouros e 
riquezas (LUZURIAGA p. 56). 
 
Calvino, outro reformador da Igreja Cristã, (século XVI) destaca para as 
autoridades municipais que se deveria erguer uma estrutura coletiva de escolarização, 
destinada a oferecer às populações cristãs a articulação entre leitura, escrita e ortodoxia 
cristã. (p.136) 
Calvino remarcava a necessidade de as crianças e os criados aprenderem “a ler e 
ver com os próprios olhos aquilo que Deus ordena e manda”. 
Seu propósito institucional supunha uma estratégia pedagógica calcada na 
preparação do espírito mediante uma estrita disciplina, meticulosamente planejada, com 
divisão de horários e de tarefas de instrução e de catecismo. 
A doutrina da predestinação (para Calvino, a salvação não depende dos fiéis; 
depende de Deus, que escolhe previamente as pessoas que deverão ser salvas).: “Nós 
chamamos predestinação á decisão eterna de Deus pela qual determinou o que queria 
fazer com cada indivíduo. Pois ele cria todos em condições semelhantes, mas ordena uns 
à vida eterna e outros à eterna danação” (ARRUDA, Toda a História, p.165). 
Assim, cabia ao homem procurar os sinais de sua predestinação nas obras e no 
mundo. Era preciso trabalhar e ter responsabilidade individual. 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 52 
Em outras palavras, é necessário que se entenda esse momento como o tempo de 
elaboração da Modernidade, e por modernidade deve-se entender o novo mundo, as 
relações sociais, econômicas, culturais e políticas que se consolidaram com o capitalismo 
e a sociedade burguesa. Ou seja, um mundo novo, fluido, dinâmico, veloz, onde tudo 
parecia se desmanchar no ar. 
 
A ampliação de todas as atividades econômicas (mercantis e comerciais) provocou 
o desenvolvimento de novos grupos e classes sociais. Ao mesmo tempo, o Renascimento 
gerou ideias fora do controle da hierarquia da Igreja Católica Romana: os novos conceitos 
de liberdade, de ciências, de interpretação dos textos sagrados. 
Nesse fervilhar de novas realidades, de novas ideias, ficava evidente para os 
novos pensadores a necessidade de se educar as novas gerações em consonância com 
o mundo moderno. 
Desde o italiano Vitorino da Feltre, nos finais do século XV, até Rousseau ou 
Pestalozzi, nos finais do século XVIII, passando por Juan Luís Vives, João Amós 
Comenius, Locke, Rollin, Bodin e até mesmo os jesuítas, embora estes com um vetor em 
direção contrária, a preocupação dos pedagogistas foi a educação do homem para o 
mundo e não mais para o Céu. 
Educar para a "cidade dos homens" significava colocar o próprio homem no centro 
das preocupações, especulações e investigações e, com isso, abriam-se espaços para os 
avanços científicos. É o que apregoava o Humanismo. 
 
1.1 O Humanismo 
 
A Idade Média (476-1453) marcou uma série de mudanças na sociedade, algumas 
das quais sentimos ainda hoje seus impactos. Conhecido também como Idade das Trevas 
esse período histórico concretizou sistemas políticos e iniciou o processo que suscitou a 
efetivação das bases do capitalismo. Além disso a Idade Média foi marcada também pela 
construção de concepções ideológicas que serviram para introduzir o Homem no contexto 
social e filosófico da humanidade. 
A Igreja Católica, além de possuir o domínio territorial em grande parte da Europa, 
tinha também o poder de estabelecer os critérios e os rumos para a pesquisa científica. 
Praticamente todo pensamento científico da Idade Média estava subordinado aos 
interesses da religião. Para solidificar sua ideologia religiosa a Igreja difundia a teoria 
teocêntrica, onde defendia que Deus seria a explicação para a origem e o destino dos 
seres humanos, por exemplo. 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
Graduação em Pedagogia 
 
 53 
O Homem estava submetido ao poder de Deus,enquanto este guiava o rumo de 
sua vida. Sempre colocado pela religião em segundo plano, o Homem era um agente 
passivo mediante o poder divino que concretizava alianças monárquicas e militares e 
incitava a caça aos hereges. 
Todo esse poder exercido pela Igreja foi, ao longo dos anos, ganhando força, 
enquanto espalhava seus domínios pelo continente europeu. Entretanto, quando as bases 
do sistema feudal começavam a ruir, movimentos revoltosos de camponeses eclodiam em 
alguns pontos da Europa. Começariam a surgir questionamentos sobre o teocentrismo e o 
Homem passava então a pensar o mundo sob o ponto de vista Humanista. 
A teoria Humanista veio surgir somente no início do século XIV quando o italiano 
Francesco Petrarca (1304-1374) colocou o homem como centro de toda ação e como 
agente principal no processo de mudanças sociais. Essa posição de alguns pensadores 
causou impactos na Igreja. No entanto o humanismo em nenhum momento renegou o 
catolicismo. Humanistas como Petrarca eram religiosos, porém não aceitavam apenas 
uma explicação como verdade plena. 
O pensamento Humanista baseou-se no antropocentrismo. Se antes Deus e a 
Igreja guiavam o Homem e seus passos, agora o Homem, por si só, obedecia a reflexão 
mais aprofundada para discernir seus caminhos. O pensamento Humanista fez ressurgir 
na cultura europeia a filosofia greco-romana. Não obstante o grande avanço do 
pensamento Humanista, este se restringiu à filosofia e à literatura, não englobando outros 
setores como as artes plásticas, por exemplo. 
Petrarca, como fundador do Humanismo, é figura central no processo de revolução 
do pensamento europeu que culminou com o movimento conhecido como Iluminismo. Foi 
ele o primeiro humanista do Renascimento. 
O novo, o moderno dessas novas formas de pensar era o Humanismo, a nova ou 
renovada concepção de Homem dentro de um princípio revolucionário: a liberdade. O 
humanismo foi uma violenta reação ao modo de pensar, educar, exprimir-se e, pode-se 
mesmo dizer, uma reação contra a maneira de viver da Idade Média. 
Desde o humanismo renascentista, estabeleceu-se que o saber humano não 
dependia da Revelação Divina – teoria católica do conhecimento – mas era produto 
mesmo da experiência dos homens no seu contato sensório-motor com o mundo natural. 
Portanto, é na Idade Moderna, mais especificamente no Renascimento, que surge 
uma abundância de produção pedagógica de grandes autores, Rabelais, Erasmo, 
Thomas More, Lutero, Vives, Montaigne etc., até publicações de autores caídos no 
esquecimento. 
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Desenvolveu-se, desde então, uma necessidade vigorosa de pesquisa e de estudo 
da "natureza", primeiro pelo conhecimento integral dos Antigos e, mais tarde, com Galileu, 
Bacon e Descartes, pela própria ciência. 
Entre os grandes pensadores daquele momento, o nome de Francis Bacon (1561 
- 1626). é um marco na formulação desse avanço, conhecido como o pai do 
Experimentalismo. 
No seu livro, Nova Atlântida, propõe que a finalidade das instituições de ensino 
deveria ser “[...] o conhecimento das causas e dos segredos do movimento das coisas e a 
ampliação dos limites do império humano na realização de todas as coisas que forem 
possíveis” (BACON, 1973, p. 268) (p.114). 
Indo bem além e demonstrando confiança inabalável na nova ciência que se 
pretendia criar, Bacon fez previsões que a moderna engenharia genética veio confirmar. 
Dando a palavra ao Diretor da hipotética Casa de Salomão, ele faz com que ele descreva 
as experiências que lá se realizavam: 
Conseguimos torná-los (os animais) mais fortes e mais altos do que o normal da 
espécie e também, ao contrário, menores pela interrupção de seu crescimento. 
Fazemo-los mais fecundos e prolíficos que o normal, ou, ao contrário, estéreis e 
infecundos. Podemos mudar-lhes a cor, a forma, a atividade, de muitas maneiras. 
Conseguimos obter numerosas espécies de serpentes, vermes, moscas e peixes, 
de substâncias em putrefação...E o que conseguimos não ocorre por mero acaso, 
já que sabemos com antecedência que espécie de criatura nascerá de cada 
substância ou cruzamento (BACON, 1973, p. 271). 
 
As grandes navegações, embora feitas sob a bandeira da Ordem de Cristo, 
somente foram possíveis com avanços científicos. A descoberta de que a Terra era 
redonda e que girava ao redor do Sol; novo abalo na concepção bíblica da criação. 
 
2 A educação no século XVII 
 
Este é o século que presencia a configuração de uma educação onde: 
 Há o florescimento dos colégios protestantes e católicos por toda a Europa; 
 Configura-se um modelo de escola que marca a modernidade pedagógica. Das 
escolas calvinistas aos colégios jesuíticos procuram-se separar a criança do mundo 
(internatos) e estabelecer uma forte vigilância, para que ela não se desviasse do “caminho 
de Deus”; 
 Subjacente a essa proposta, está a ideia de que a criança tem uma propensão ao 
vício, à corrupção (por causa do pecado original e da inocência infantil). 
O ato pedagógico, a educação, o método de melhor ensinar a mais gente tornam-
se uma questão central nas propostas pedagógicas deste século. 
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Com a Revolução Francesa surge o ideário da igualdade, da liberdade, da 
fraternidade e, uma nova concepção de escola. “Todos nascem livres e têm o mesmo 
direito”. 
Nasce a escola única, universal, laica, obrigatória e gratuita: “escola de Estado”. 
Este tipo de escola surgiu com a Revolução Francesa. Esta, baseada nos ideais 
iluministas de liberdade e igualdade, veio romper com padrões estabelecidos até então. À 
nova forma de governo (a República), advinda com a Revolução, correspondeu outro tipo 
de escola, que desempenharia não mais exclusivamente a função de formar religiosos, 
mas também a de formar o cidadão. 
 
3 Os pedagogistas e seus projetos 
 
JUAN LUÍS VIVES: nasce na Espanha, em 1492 
 O primeiro ponto a nos chamar a atenção é sua defesa de um sistema público de 
ensino, gratuito e que fosse aberto a todos. Começava-se a pensar a necessidade de 
constituir o Estado como bem e patrimônio público. 
 O segundo ponto a ser observado: seu projeto pedagógico sugere a observação 
direta das coisas e a experiência sensório motora. 
O método pedagógico clássico da Idade Média, com forte amparo nas doutrinas de 
Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, recorria à autoridade dos autores mencionados. 
Dizia-se que não era necessário a observação nem a experiência. 
 
JOÃO AMÓS COMENIUS: natural da Morávia, onde nasceu em 1592. 
Comenius propôs-se a construir um método pedagógico ou tratado da arte 
universal de ensinar tudo a todos. Ele se propunha a criar mecanismos apropriados para 
o bem ensinar e o bem aprender. 
 Propôs organizar um sistema de educação: “uma escola maternal por toda parte, 
escolas elementares em cada comuna, povoado ou aldeia, um ginásio em cada cidade, 
uma academia em cada Estado ou, até, em cada grande região “ (p.119). 
 Defendeu a ideia de serem a escolarização e o saber direitos de todos. (p.121): 
ricos, pobres, homens, mulheres, crianças com deficiências físicas e emocionais etc. Ele 
não admitia a ideia de ter alguém fora da escola., 
 O objetivo da educação seria o aperfeiçoamento moral do homem, distinto, 
portanto, de instrução. Eis uma razão a mais para que não houvesse ninguém fora da 
escola: a educação e a regeneração moral. 
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 Propõe uma nova concepção de homem: a de um homem autor de sua própria 
felicidade, de sua própria vida. Estava-se distanciando do dogmatismo medieval que 
entendia o homem como paciente da ação divina. 
 
JEAN JACQUES ROUSSEAU: nasceu na Suíça, em 1712. 
Rigorosamente falando, Rousseau não escreveu manuais pedagógicos nem 
projetos educacionais que pudessem ser convertidos em práticas imediatas. Suas ideias 
educacionais sãomais profundas do que isso: refletem sua complexa concepção de 
mundo, sua visão aguda sobre a sociedade européia às vésperas da Revolução 
Francesa. 
 
Suas premissas no campo especificamente educacional: 
 Primeiro, Rousseau rompe com o tradicionalismo da doutrina católica, e cristã 
em geral, ao negar os fundamentos do Pecado Original, ao afirmar que não existe 
perversidade original nos homens. Para ele a ação humana é responsável pela 
degeneração social. 
 Fundamentalmente, o projeto de Rousseau é a reconstrução de um homem 
social. Porém, essa reconstrução haveria de se fazer segundo as leis da ordem e da 
razão que viriam de Deus, ou seja, segundo a natureza. Não mais uma natureza dada, 
como a do selvagem, mas a verdadeira natureza, construída conforme a vocação 
humana, tal como Deus a teria constituído. Deus, natureza, sociedade, razão até, todos 
esses termos concordam entre si e, se nos esquecermos de um deles, a pedagogia de 
Rousseau perde todo o sentido (CHÂTEAU, 1978, p. 176). 
 Para Rousseau a única possibilidade de se construir, ou reconstruir, o homem em 
sociedade não é a educação familial, a educação individualizada então vigente, mas é a 
educação pública. (p.124) 
 Rousseau centra o seu projeto na criança e, nesse momento, revela um caráter 
profundamente humanista e um tanto deslocado do mundo burguês. Seu humanismo 
aparece na exortação aos homens para que sejam realmente homens e que o sejam por 
meio do amor às crianças: 
Não seria demasiado, afirmar, à guisa de conclusão, que Rousseau não foi um 
pedagogo (ou pedagogista) no sentido estrito do termo. Antes de tudo, ele foi um 
pensador preocupado com a construção do novo homem para viver no novo mundo. 
Esperar dele regras claras e eficientes de como dar aulas ou organizar um curso seria 
perda de tempo. Dele se deve esperar uma leitura, uma interpretação do mundo de então, 
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uma visão de como deveria ser a nova sociedade, organizada pelo conceito de Nação e 
regida por leis eficientes e respeitadas. 
 
 
Para saber mais... 
 
Renascimento:humanismo e reforma in História da Educação. Maria Lúcia de Arruda 
Aranha. Ed Moderna, 2ª edição revisada e atualizada, São Paulo, 1996. 
 
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QUESTÕES DE ESTUDOS 
 
1. Qual a importância de Homero e Hesíodo para a educação, na Idade Antiga? 
2. Como era a educação grega na antiguidade, incluindo o período homérico? 
3. Quais as diferenças entre a educação ministrada nas cidades de Esparta e 
Atenas? 
4. Quais as principais características da educação romana e qual a contribuição do 
estoicismo nessa educação? 
5. Qual a importância do teatro para a educação grega e a contribuição da comédia e 
da tragédia para essa educação? 
6. Quais são os princípios pedagógicos apregoados por Aristóteles? Tais princípios 
são válidos para a sociedade atual? 
7. Quem era o pedagogo na educação grega e qual o seu papel no processo 
formativo? 
8. Qual a contribuição do cristianismo para a educação romana? 
9. Como se deu a formação da cultura grega? 
10. A Odisseia e a Ilíada são obras poéticas, mas também educativas. Quais as 
dessas obras nos modelos educativos gregos? 
11. Qual foi a contribuição dos sofistas para a educação? Por que eram criticados? 
12. Quais as principais contribuições de Platão para a educação? 
13. Como a Igreja angariou tanto poder político, econômico e cultural, na Idade Média? 
14. Qual o papel desempenhando pela Igreja na educação medieval? Quais foram os 
aspectos positivos e negativos? 
15. A educação ministrada na Idade Média ensinava o trivium e o quadrivium. Quais as 
semelhanças e diferenças entre esse ensino e o currículo vigente na educação 
básica, no Brasil, atualmente? 
16. Quais foram principais contribuições dos Mosteiros e das catedrais para a 
educação, na Idade Média? 
17. Quais as instituições educacionais, na Idade Média? 
18. O que foram as escolas palacianas no império de Carlos Magno? Quais foram as 
contribuições dessas escolas para a educação medieval? 
19. Como se configurou a formação das universidades? Qual a importância disso para 
a transição entre a Idade Média e a Idade Moderna? 
20. Quais fatores desencadearam o término da Idade Média? 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
 
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21. Quem eram os professores na Idade Média? 
22. A Idade Média ficou conhecida como a “Idade das trevas”, mas trouxe muitas 
mudanças na sociedade, na cultura e na educação. Quais forarm algumas dessas 
mudanças? 
23. Quais acontecimentos merecem destaque na transição para a Idade Moderna? 
24. O que foi o Humanismo e quais foram as contribuições para a sociedade e para a 
educação, na Idade Moderna? 
25. Quais as principais características da educação no século XVII? 
26. Quem foi Jean Jacques Rousseau e qual a sua contribuição para a educação? 
27. Quem foi Vives e quais as suas contribuições para a educação? 
28. O que significou a mudança do teocentrismo para o antropocentrismo na sociedade 
moderna? 
29. Quais os avanços impetrados pela Reforma Protestante em relação à educação 
ministrada na Idade Média? 
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REFERENCIASREFERÊNCIAS 
REFERÊNCIAS 
 
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HUBERT, René. História da Pedagogia. 3ª edição. São Paulo, Ed Nacional, Brasília, 
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SAVIANI, Dermeval. História das Ideias Pedagógicas. São Paulo: Autores Associados, 
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SETOGUTI, Rute Izumi (org). Fundamentos históricos da Educação. Coleção 
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