Prévia do material em texto
W BA 11 75 _V 1. 0 TRANSFORMAÇÃO ORGANIZACIONAL ATRAVÉS DA GESTÃO POR PROCESSOS DE NEGÓCIOS (BPM) 2 Renato Cividini Matthiesen São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2022 TRANSFORMAÇÃO ORGANIZACIONAL ATRAVÉS DA GESTÃO POR PROCESSOS DE NEGÓCIOS (BPM) 1ª edição 3 2022 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Head de Platos Soluções Educacionais S.A Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Ana Carolina Gulelmo Staut Camila Turchetti Bacan Gabiatti Camila Braga de Oliveira Higa Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Coordenador Ana Carolina Gulelmo Staut Revisor Luiz Ricardo Brito Ribeiro Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Matthiesen, Renato Cividini Transformação organizacional através da gestão por processos de negócios (BPM) / Renato Cividini Matthiesen. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2022. 44 p. ISBN 978-65-5356-246-2 1. Business Process Management. 2. Ciclo de vida de processos. 3. PDCA. I. Título. CDD 658 _____________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB: 010289/O M443t © 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 Princípios da gestão por processos de negócio ______________ 07 Elementos da governança de processos _____________________ 23 O ciclo de vida Business Process Management (BPM) ________ 36 Estratégia organizacional através da gestão de processos de negócio ______________________________________________________ 49 TRANSFORMAÇÃO ORGANIZACIONAL ATRAVÉS DA GES- TÃO POR PROCESSOS DE NEGÓCIOS (BPM) 5 Apresentação da disciplina Bem-vindo à disciplina de Transformação Organizacional Através da Gestão por Processos de Negócios (BPM). Será um enorme prazer poder contribuir com seu aprendizado neste módulo de seu curso. Nosso estudo será direcionado para compreender as bases da Gestão por Processos de Negócio, chamada de Business Process Management (BPM), e saber como aplicá-la às organizações de maneira prática e agregar valor. Desejamos também incentivá-lo a conhecer o ciclo de vida de processos e investigar algumas ferramentas para integração entre estratégia, processos, projetos e experiência do cliente. Iniciamos fazendo uma breve introdução à gestão de processos de negócio, abordando o BPM e sua relação com o ciclo Plan, Do, Check, Act (PDCA). Observamos os princípios do BPM e sua relação com EPM e BPMS, passando pela estrutura de processos de negócio. Finalizamos a primeira abordagem refletindo sobre ferramentas, tecnologias da informação e o BPM. Continuamos nossos estudos conhecendo os elementos da gestão de processos de negócios e a estrutura de processos de negócio com o BPMN, notação utilizada para desenhar os processos de forma padronizada. Com isso, também será possível empregar o potencial da notação para mapear as versões AS IS e TO BE dos processos organizacionais e promover assim um bom diagnóstico do fluxo de trabalho. Outro assunto pertinente ao contexto é a governança de gestão de processos de negócio, que também será abordada para que possamos 6 compreender o ciclo de vida de TPM, formado por estratégia, plano, monitoramento e atuação, de forma alinhada com o ciclo PDCA e estendida com seis elementos. São eles: planejamento, análise, desenho, implementação, monitoramento & controle e refinamento. Veremos também os propósitos da disciplina de BPM quando no desdobramento da estratégia em operação e na entrega e cocriação de valor com os clientes. Para finalizar, vamos conhecer algumas das estratégias de negócios pela gestão de processo, a fim de levar a organização a uma mudança na cultura na gestão de processos e à então transformação organizacional possível com a abordagem BPM. Faremos, ainda, uma breve reflexão sobre sua relação com a transformação digital das empresas. Seja mais uma vez muito bem-vindo à disciplina de Transformação Organizacional Através da Gestão por Processos de Negócio (BPM). 7 Princípios da gestão por processos de negócio Autoria: Renato Cividini Matthiesen Leitura crítica: Luiz Ricardo Brito Ribeiro Objetivos • Compreender os principais conceitos sobre Business Process Management (BPM) ou Gestão por Processos e Negócio. • Identificar as aplicações dos sistemas de Business Process Management (BPM). • Avaliar a relação entre a gestão de processos de negócio e a gestão do conhecimento. 8 1. Introdução à gestão de processos de negócio As tecnologias e os sistemas de informação oportunizam uma forma automatizada de levar a gestão de processos de negócios a níveis mais interessantes, quando em comparação com um passado recente. Estamos vivenciando uma nova era da humanidade, intitulada era da informação, era do conhecimento ou mesmo era dos dados. Neste novo momento da gestão de negócios, há forte suporte de Sistemas de Informação (SI), presentes em praticamente todas as empresas, de operação dos softwares, igualmente presente na grande maioria dos dispositivos eletrônicos, e de um formato de trabalho e socialização distribuído e interconectado pelas redes de computadores e pela Internet. Essa nova forma de realizar atividades de produção e gestão faz também uso intenso dos já experimentados modelos de gestão de processos de negócio. O pensamento estratégico, a inovação e a busca por gestão são os diferenciais competitivos das empresas, especialmente nesta nova era. Burgelman (2012) nos ensina que as ações estratégicas de empresas, principalmente as que remetem às criações tecnológicas, são direcionadas pelo desenvolvimento de produtos e serviços e são conduzidas por três elementos: estratégia de negócios, desenvolvimento de produtos e desenvolvimento tecnológico. Ao observar os três elementos, pode-se perceber que a gestão de processos se torna um diferencial importante para que empresas tenham sucesso em seus negócios e sustentabilidade em um mercado altamente competitivo e dinâmico. Veja na Figura 1 uma breve diagramação dessas estratégias. 9 Figura 1 – Ações estratégicas de empresas Fonte: elaborada pelo autor. Se por um lado a automação e a informatização das empresas e de seus processos parecem estar avançadas, apenas o uso de tecnologias da informação em formato de computadores e dispositivos microprocessados não se faz suficiente para a gestão de seus processos produtivos. Conhecer e aplicar técnicas para gestão de processos de negócios, assim como gestão voltada para resultados, continua tão importante hoje quanto no início do século XX, quando a eletrônica e os sistemas computacionais ainda não faziam parte da sociedade. Ademais, a competitividade dos negócios da atualidade exige ainda mais presteza e desempenho dos processos de negócio para diferenciação de uma organização. 1.1 Business Process Management (BPM) A Gestão de Processos de Negócio, chamada de Business Process Management (BPM), tem origem com o trabalho dos entusiastas da gestão da qualidade Shewhard e Deming, nos primórdios da gestão de sistemas de qualidade e através de controle estatístico de processos, resultados em metodologias e normas que regulamentamna atualidade os sistemas de gestão da qualidade. O BPM pode ser considerado como um arcabouço mais recente que desdobra abordagens evolutivas de 10 gestão, como o Lean Six-Sigma, a Total Quality Management (TQM) e o Business Processing Reengineering (BPM), e busca oferecer uma estrutura completa e tecnologicamente suportada por sistemas de informação para a gestão de processos de negócios. Em linha com o pensamento de Brocke e Rosemann (2013), o objetivo principal era minimizar a variabilidade na execução do trabalho através da mensuração de resultados e do uso de técnicas estatísticas para isolar as causas de problemas de produção e desempenho. Além das questões relacionadas à qualidade e à reengenharia de processos de negócio, a necessidade de implementar sistemas de monitoramento de processos e gestão foi importante para a busca de melhoria contínua, regra primordial para a gestão, a fim de garantir a eficiência dos processos de negócio e o crescimento das empresas. As abordagens sobre melhoria de desempenho dos processos deram então origem à moderna Gestão de Processos de Negócio ou Business Process Management (BPM), definida por Brocke e Rosemann (2013, p. 19) como “um sistema integrado de gestão de desempenho de negócios voltado para a gestão de processos de negócio ponta a ponta”. Segundo os autores citados, o BPM é deduzido de um ciclo da gestão de processos, que se inicia com a criação de um processo formal, seu desenvolvimento, sua homologação e sua implantação em um sistema de gestão, em conformidade com o modelo estabelecido mais recentemente pela Norma ISO 9001, por exemplo, e definido por Deming, chamado de PDCA (Plan, Do, Check, Act), ou seja, Planejar, Fazer, Checar e Agir, acrescido da atenção ao desenho do processo. Perceba que não há obrigatoriedade de se implantar um sistema de gestão de qualidade para promover o BPM. São processos independentes, mas que se completam nas organizações. Veja na Figura 2 a representação do Ciclo PDCA. 11 Figura 2 – Ciclo PDCA Fonte: Ananaline/iStock.com. Importante se faz lembrar que o BPM é uma abordagem de gestão organizacional centrada no cliente. O BPM oportuniza que uma organização crie processos de alto desempenho que funcionam com custos mais baixos, maior velocidade, maior acurácia, melhor uso de ativos e maior flexibilidade, relatam Brocke e Rosemann (2013). Veja que estes princípios se alinham fielmente aos preceitos do Lean, sistema de gestão da produção enxuta criada pela Toyota na primeira década do século XX e bem referenciada por Ries (2019) nos relativamente novos preceitos da startup enxuta, aplicada a empresas voltadas para desenvolvimento de produtos tecnológicos e de gestão de conhecimento. 12 1.2 Princípios do BPM A seguir, são apresentados princípios de gestão de processos de negócios que formalizam o BPM, definidos por Brocke e Rosemann (2013): 1. Todo trabalho é processual: tanto processos transacionais (operacionais) como processos de desenvolvimento são considerados centrais, pois criam valor para clientes externos e são essenciais para o negócio. Processos precisam ser definidos, implantados e gerenciados. 2. Qualquer processo é melhor que nenhum processo: a definição e gestão de processos é indispensável para a formatação de um modelo de gestão. 3. Um bom processo é melhor que um processo ruim: ter processos formalizados é importante, assim como a sua melhoria contínua. 4. Uma versão de processo é melhor que várias: a padronização de processos permite que a empresa se apresente como uma organização bem gerenciada. 5. Mesmo um bom processo deve ser executado eficazmente: desenvolver um desenho de processo é pré-requisito para manter um sistema de gestão, mas considere que o processo precisa ser associado a uma execução adequada na organização. 6. Bons processos podem ser aprimorados: a melhoria contínua é fator essencial para se obter e manter uma certificação de gestão de processos. 7. Todo bom processo com o tempo torna-se um processo ruim: mais uma vez, a melhoria contínua e a atualização dos sistemas de gestão são primordiais e enaltecidas. 13 1.3 EPM e BPMS A gestão de processos de negócio representada pelos Business Process Management Systems (BPMS) tem como base o chamado Enterprise Process Model (EPM) como modelo de processo empresarial. O EPM oferece a visão geral do sistema de gestão de processos com uma perspectiva operacional sobre a empresa, conforme defendem Brocke e Rosemann (2013). Considere que o BPM faz uso de tecnologias e software, porém não é especificamente um sistema de software, e sim uma abordagem de gestão por processos, com princípios de gestão, foco no cliente e visão ponta a ponta dos processos na organização. Trata-se de um modelo gráfico definido preferencialmente em uma página, formado por cinco a dez processos centrais, demonstrando o escopo de todo o sistema de gestão. Perceba que um sistema de gestão da qualidade formatado pela família de normas ISO 9000, por exemplo, solicita que seja desenhado esse modelo como escopo do projeto. Tal modelo relaciona-se a uma representação gráfica dos processos da empresa que demonstra suas interconexões e entradas e saídas. Nesse contexto, podemos relembrar que as organizações se mantêm como sistemas abertos, conforme a Teoria Geral da Administração defendida por Chiavenato (2021) quanto à abordagem sistêmica da administração, com um ambiente formado por entradas, processamento e saídas. A Figura 3 apresenta um exemplo de EPM de uma empresa. 14 Figura 3 – Exemplo de EPM de uma empresa Fonte: adaptada de Brocke e Rosemann (2013). A gestão de processos e negócios é amplamente adotada pelas empresas e produz resultados importantes quanto à eficiência das suas operações, quando bem gerenciadas. Porém, há questões que precisam ser consideradas para que todo o processo realmente tenha eficiência. São elas: 1. Estrutura e responsabilidade gerencial; 2. Suporte de Tecnologia da Informação; 3. Processos interempresas (interorganizacionais); 4. Padrões; 5. Processos e estratégias; 6. Estruturas do setor. 15 2. Gestão de processos e gestão do conhecimento Métodos e modelos de gestão são sempre interessantes para executar melhorias nos processos industriais. Porém, perceba que os trabalhadores do conhecimento ainda são os principais recursos para prover inovação e crescimento nas organizações modernas. A administração moderna tem por finalidade transformar as organizações em entidades bem-sucedidas, competitivas e com sustentabilidade, define Chiavenato (2021). O trabalho exercido pelo administrador (ou gestor de negócios) busca alcançar resultados definidos pela empresa em que ele atua, utilizando-se de cooperação e aplicação de técnicas para garantir eficiência e competitividade. Brocke e Rosemann (2013) sustentam que, no século XXI, 25% a 50% dos trabalhadores das empresas em países de economia avançada dedicam- se à gestão do conhecimento em suas atividades. Os mesmos autores destacam que uma maneira eficiente de melhorar qualquer forma de trabalho é tratá-lo como um processo, pois assim sempre haverá como melhorar o modus operandi. Os novos postos de trabalho prezam a gestão do conhecimento, mediante uma nova indústria em que os dados e a informação são importantes ativos. Representam um desafio para os gestores que adotam uma orientação por processo, considerando que esses trabalhadores têm normalmente uma abordagem de trabalho iterativa e colaborativa, não seguem necessariamente processos bem definidos e apresentam maior dificuldade de padronização. Neste novo cenário corporativo, no qual a gestão por processos se mistura com os modelos de gestão ágil, distribuídos, colaborativos e iterativos, novos perfis de profissionais podem ser percebidos. Vejamos alguns deles: 16 Trabalhadores transacionais: precisam compreender o fluxo de seu trabalho e ter conhecimento necessário para executá-lo. Estes profissionaisseguem os chamados workflows estruturados ou roteiros definidos em manuais e procedimentos. Trabalhadores do modelo de integração: cumprem um processo definido por documentos e possuem liberdade de ação para consultá- los. Eles seguem procedimentos estruturados para marketing e vendas, por exemplo. Trabalhadores especialistas: colaboradores com certa autonomia e liberdade de atuação em suas funções. Normalmente, direcionam menos atenção a fluxos de processos detalhados. Trabalhadores colaborativos: categoria de difícil alinhamento com atividades definidas em processos de negócio. Podem ser gerenciados por entregas de resultados. No trabalho do conhecimento, há vários tipos de intervenção em processos, como melhoria, mensuração e terceirização, utilização de metodologias ágeis e desvios positivos. Vamos conhecer um pouco de cada uma dessas intervenções: Abordagem de melhoria de processo para o trabalho do conhecimento: trabalhadores do conhecimento são mais propensos a concordar com processos definidos e adotar mudanças de processo quando estão participando de sua estruturação, definem Brocke e Rosemann (2013). Uso de metodologias ágeis de gestão: estes métodos de gestão são menos centrados em passos específicos e procedimentos detalhados e buscam enfatizar o trabalho em equipe, a iteração e a cultura de urgência. A mudança em processos é bem-vinda em modelos de gestão ágil. Algumas de suas características são: 1. Adaptativos e não preditivos; 17 2. Direcionados a pessoas, e não a processos. Vemos aqui um paradoxo entre a gestão de processos de negócio e a gestão ágil, porém sua convivência pode ser adequada para a gestão de empresas de grande porte e com processos bem definidos. Mensuração e indicadores: mensurar o desempenho de trabalhadores através de indicadores de desempenho é fundamental para promover a gestão de processos de negócio. Ferramentas como o Balanced Scorecard (BSC), com indicadores e metas, são utilizadas para acompanhamento da performance dos processos. Desvio positivo: relaciona-se a uma abordagem para a mudança pessoal, organizacional e cultural, em que a comunidade ou o grupo de pessoas envolvidas com uma função semelhante pode ter desempenhos diferentes. Terceirização do trabalho do conhecimento: estratégia de buscar profissionais em outros ambientes, além da organização para realização do trabalho. É exemplo a contratação de profissionais para trabalhos temporários especializados como pessoas jurídicas. 3. Estrutura para gestão de processos de negócio A gestão de processos de negócio, que chamamos de Business Process Management (BPM), já vem sendo utilizada nas organizações há mais de 60 anos. Seu objetivo é melhorar a maneira com os empresários e líderes empresariais pensam e gerenciam seus negócios. Gerenciar processos relaciona-se com princípios específicos organizados que compilaram no termo BPM conceitos mais recentes e evolutivos de métodos e abordagens de outrora. 18 3.1 Evolução da gestão de processos de negócio Existem três principais tradições na gestão de processos de negócios, de acordo com Brocke e Rosemann (2013). As tradições estão descritas a seguir e representadas na Figura 4. Tradição da gestão: originária dos precursores das teorias da administração, como Taylor e Ford, traz preocupações em estruturar a gestão das empresas através do aprendizado realizado nas escolas de negócios por meio das linhas de conhecimento de marketing, estratégia, finanças e operações. Possui também forte influência do pensamento relacionado aos sistemas de gestão de qualidade. Um dos grandes nomes da gestão é Michael Porter, que propõe que as empresas recorram a métodos para organizar e melhorar suas atividades ou seus processos de negócio. Lembremos que o Balanced Scorecard (BSC) é mais uma vez apresentado como uma metodologia voltada em grande parte para a tradição de gestão de processos de negócio. Tradição de controle da qualidade: dando continuidade à simplificação do trabalho, retomemos o pensamento de Frederick Taylor, de 1911, considerado um dos grandes nomes da formalização das teorias da administração, que nos ensinou a simplificação do trabalho e do tempo através da aplicação da melhor maneira de executar uma atividade com controles que medissem o resultado da tarefa. Esta teoria inicial evoluiu para os sistemas de gestão de qualidade total na segunda metade do século XX, com o Manual sobre Controle da Qualidade, de Joseph Juran, publicado de forma a abranger todo um sistema de gestão da qualidade. Mais tarde, foram criados o Total Quality Management (TQM), o Lean e o Seis Sigma como programas ou metodologias de garantia da qualidade para indústrias. Tradição da Tecnologia da Informação (TI): a utilização de computadores e dispositivos de tecnologia da informação com aplicativos de software já é realizada há mais de 40 anos de forma 19 sistematizada nas empresas. Atualmente, a administração e a tecnologia da informação são áreas que operam em conjunto para a gestão de negócios. Os computadores pessoais e os sistemas distribuídos que operam sob as redes de computadores e a Internet são os meios informacionais que suportam praticamente todos os processos de negócios deste novo século. Figura 4 – As três tradições da gestão de processos de negócios Fonte: adaptada de Brocke e Rosemann (2013). 3.2 Definir e projetar a estrutura para gestão de processos de negócio A definição e o projeto dos sistemas de processamento de uma organização são realizados através dos chamados Frameworks de Arquitetura de Processos de Negócio (APN), conforme definem Brocke e Rosemann (2013). Trata-se de um diagrama que apresenta todos os processos de negócio significativos para a organização e suas inter-relações sistemáticas. Em outras palavras, o framework APN demostra aos executivos e colaboradores da empresa uma visão comum de todos os principais processos da organização, de forma customizada. É um documento conciso do trabalho que precisa ser executado e gerenciado para oferecer valor aos clientes, demonstrado através de um diagrama detalhado de arquitetura de processos de negócio. 20 São três os componentes que precisam estar projetados em uma APN: Desempenho planejado: com metas e planos de ação estabelecidos e direcionados ao responsável pela execução dos processos. Desempenho executado: o responsável pela execução dos processos gera o desempenho e os resultados desejados definidos nas metas e nos planos de ação. Desempenho gerenciado: relaciona-se ao desempenho real monitorado através de mensuração de indicadores e suas metas definidas com sinalizadores de performance. De acordo com Baldam et al. (2009, p. 11), desenvolver o pensamento, a infraestrutura e a cultura do BPM na organização apresentam benefícios como: 1. Implementar metas de melhoria. 2. Eliminar retrabalho, burocracia e custos desnecessários. 3. Alinhar as atividades da organização à estratégia. 4. Padronizar atividades nas unidades organizacionais. 5. Melhorar informações para sistemas de gerenciamento. 6. Servir de base de conhecimento para treinamento e discussão sobre as atividades realizadas. 7. Permitir a troca de experiências entre setores correlatos. 8. Facilitar a implantação das diversas iniciativas de gerenciamento. 3.3 Ferramentas, tecnologias da informação e o BPM Diversas são as ferramentas e metodologias para gestão de processos de negócio. O Business Process Management (BPM) é uma delas e contempla um conjunto de atividades que buscam apoiar a gestão empresarial com processos bem definidos e mensurados. Vale considerar também que, de acordo com Sharda, Delen e Turban 21 (2019), o BPM pode possuir diferentes nomenclaturas, como Corporate Performance Management (CPM), Enterprise Performance Management (EPM) e Strategic Enterprise Management (SEM). Os autores nos lembram que o CPM foi cunhado pelo Gartner Group; o EPM, pela Oracle (empresa de sistemas de banco de dadose gestão empresarial); e o SEM, pela SAP (empresa de sistemas integrados de gestão empresarial). Essas metodologias de gestão de processos de negócio são atualmente operacionalizadas em sistemas de informação distribuídos que fazem uso das redes de computadores e da Internet como infraestrutura de comunicação, assim como dos softwares integrados de gestão empresarial, ou Enterprise Resource Planning (ERP), para oferecer suporte em toda a operação e gestão de negócios para a administração. Fazem uso também dos Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados (SGBD) e data warehouses, para gestão de dados, e dos mais recentes sistemas de Analytics e Business Intelligence (BI), para tratamento e apresentação de dados em formatos gerenciais para tomada de decisão. A administração é uma ciência social aplicada e tem como objetivo disponibilizar conhecimento para que um negócio seja gerenciado e se mantenha sustentável, oferecendo aos proprietários de empresas e clientes produtos e serviços que satisfaçam suas necessidades. Gestão é a palavra que define o sucesso ou o fracasso de uma organização, seja ela de qualquer finalidade. A necessidade de conhecer e praticar técnicas adequadas para gerenciar empresas passa pela gestão de processos de negócio, tema de nosso estudo nesta disciplina, que busca desde seu princípio dar suporte a gestores para desenvolverem suas atividades administrativas de forma estruturada e voltada para resultados eficientes. Conforme Ries (2019, p. 20), “estamos no alvorecer do século II da administração. Nosso desafio é fazer algo grande com a oportunidade que recebemos”. 22 Referências BALDAM, R. et al. Gerenciamento de Processos de Negócios: BPM – Business Process Management. São Paulo: Editora Érica, 2009. BROCKE, J. V.; ROSEMANN, M. Manual de BPM: Gestão de processos de negócio. Porto Alegre: Bookman, 2013. BURGELMAN, R. A. Gestão estratégica da tecnologia e da inovação. 5. ed. Porto Alegre: MGH, 2012. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração nas organizações. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2021. RIES, E. A startup enxuta. Rio de Janeiro: Sextante, 2019. SHARDA, R.; DELEN, D.; TURBAN, E. Business Intelligence e Análise de Dados para gestão do negócio. 4. ed. Poro Alegre: Bookman, 2019. 23 Elementos da governança de processos Autoria: Renato Cividini Matthiesen Leitura crítica: Luiz Ricardo Brito Ribeiro Objetivos • Conhecer a estrutura de processos de negócio utilizando-se de Business Process Model and Notation (BPMN). • Identificar os componentes elementares da governança de processos. • Compreender o contexto organizacional e o contexto de negócios para a governança de processos através do BPM. 24 1. Os elementos da gestão de processos de negócio 1.1 Passado, presente e futuro na gestão de processos de negócio A transformação do ambiente de negócios com a utilização de Gestão de Processos de Negócio ou Business Process Management (BPM) leva estruturação e padronização do trabalho para as organizações, o que é indispensável para a realização de uma gestão empresarial em um ambiente complexo, globalizado e altamente competitivo. Eric Ries, autor do livro A Startup Enxuta (RIES, 2019), nos ensina que: O pensamento enxuto (lean) tem alterado radicalmente as cadeias de suprimentos e os sistemas de produção. Entre seus princípios estão aproveitamento do conhecimento e da criatividade dos trabalhadores, redução do tamanho dos lotes, produção e controle de estoque just-in-time e aceleração dos tempos e ciclo. (RIES, 2019, p. 26) Pode-se observar que a metodologia da startup enxuta é uma adaptação evolutiva dos preceitos gerados por Taiichi Ohno na Toyota, criador do conceito Lean (Enxuto), que muda o processo das cadeias de suprimentos e dos sistemas de produção utilizando-se do aproveitamento do conhecimento para gestão de processos e buscando o que se denomina de qualidade. Veja que, mais recentemente, a startup enxuta busca aplicar essa metodologia aos novos negócios em ambientes de empreendedorismo (seja para startup ou intraempreendedorismo). Essa abordagem é alinhada com a aprendizagem validada (método científico) defendida por Frederich Taylor na sua Administração Científica, que remonta aos preceitos da organização da administração no início do século XX. Temos então a base teórica da administração evoluída, na metade do século 25 XX, para o conceito de Produção Enxuta (Lean) e reformatada mais recentemente para abarcar e ampliar o empreendedorismo. E o que há de bem defendido nessas abordagens volta-se novamente à gestão de processos de negócios. Conhecer os elementos da gestão de processos de negócio é um passo importante para buscar a implantação desse modelo. Observar e envolver-se com os novos modelos de gestão baseados em uso de tecnologias da informação em uma era pós-transformação digital, de modo alinhado com metodologias consolidadas, deverá contribuir sobremaneira para manter processos de negócios eficientes e ágeis, conforme rezam as operações nas novas empresas digitais consideradas por Rogers (2021). O Business Process Management (BPM) é um bom exemplo de modelo de gestão que faz uso intenso de softwares e infraestrutura tecnológica e que une esses dois cenários de gestão estruturada por processos e os ambientes digitais de apoio à administração de negócios. 1.2 Os seis elementos da gestão de processos de negócio Os elementos centrais (fundamentais) do BPM devem estar bem definidos em um framework que atenda a algumas necessidades de gestão nas empresas. Brocke e Rosemann (2013) apresentamum estudo realizado pela Gartner Group sobre os desafios enfrentados por diretores de Tecnologia da Informação confirma a importância do BPM ao identificar a necessidade da melhoria contínua de processos de negócio. Uma estrutura (chamada de framework) de gestão de processos de negócio deve considerar atender a algumas finalidades, conforme é estruturado na Figura 1. 26 Figura 1 – Finalidades a serem atendidas por um framework de BPM Fonte: elaborada pelo autor. A seguir, conheceremos com alguns detalhes os seis elementos centrais de BPM que fazem parte de uma estrutura de gestão por processos, definidos por Brocke e Rosemann (2013): 1. Alinhamento estratégico: processos de negócio devem ser alinhados com a estratégia da organização, oferecendo uma interligação estreita entre as prioridades organizacionais e os processos empresariais e oferecendo recursos para a gestão de melhorias contínuas e eficazes. Considere que processos precisam ser projetados, executados, gerenciados e medidos de acordo com prioridades estratégicas. 2. Governança: voltada para a responsabilização apropriada e transparente de papéis e funções dentro da organização e nos níveis do BPM (portfólios, programas, projetos e operações), com maior ênfase na estruturação dos processos de tomada de decisões e recompensa para orientar ações processuais. 3. Métodos: referem-se ao conjunto de ferramentas e técnicas que apoiam e possibilitam atividades no ciclo de vida do processo e atividades de BPM na empresa. O Lean e o Six Sigma são exemplos de abordagens de métodos de BPM. 27 4. Tecnologia da Informação: tecnologias e sistemas de informação são essenciais para operacionalização e gestão dos atuais sistemas de BPM. Nos dias de hoje, o mundo da administração é suportado por softwares, naturalmente executados em hardwares, que oferecem aos gestores dispositivos e programas que abarcam todas as atividades dentro de uma organização, de forma a automatizar e informatizar a gestão de processos de negócio. O uso adequado e consciente desses recursos é fundamental para comunicação e processamento de dados nas organizações. 5. Pessoas: são indivíduos ou grupos de indivíduos que aprimoram e operacionalizam continuamente seus conhecimentos e suas habilidades de processo e de gestão de processos, buscando sempre melhoraro desempenho dos negócios. Trata-se de elemento central, pois as organizações são formadas por pessoas, para produzir benefícios para pessoas. 6. Cultura: elemento relacionado à criação de um ambiente facilitador que complemente as iniciativas do BPM e que incorpore valores e crenças coletivos com relação à organização centrada em processos de negócio. O Quadro 1 apresenta uma sinopse das características necessárias em cada um dos seis elementos centrais do BPM. Quadro 1 – Os seis elementos centrais do BPM Alinhamento Estratégico Governança Métodos TI Pessoas Cultura Planejamento de melhoria Tomada de decisões em gestão Desejo e modelagem Desenho e modelagem Habilidades e especialidades Receptividade a mudança Vínculo entre capacidade estratégica e de processo Papéis e responsabilidades Implementação e execução Implementação e execução Conhecimento sobre gestão Valores e crenças Arquitetura de processo empresarial Vínculo entre medidas e desempenho Monitoramento e controle Monitoramento e controle Formação Atitudes e comportamentos Medidas Padrões Inovação e melhoria Inovação e melhoria Colaboração Atenção da liderança 28 Clientes e partes interessadas Conformidade da gestão Gestão de programas e projetos Gestão de programas e projetos Líderes de gestão Redes sociais de gestão Fonte: adaptado de Brocke e Rosemann (2013). É interessante ressaltar que Sharda, Delen e Turban (2019) definem a sigla BPM para Business Performance Management e levam o termo a referir-se a processos, metodologias, parâmetros e tecnologias de negócios usados por empresas para mensurar, monitorar e gerir o desempenho dos negócios. Veja que, na visão desses autores, mais do que estruturar, operacionalizar e gerenciar processos, o BPM é uma abordagem de gestão que faz uso intenso de ferramentas tecnológicas da atualidade para manter o foco estratégico na organização, junto com as atuais ferramentas de Business Intelligence (BI). Baldan, Belic e Gudelj (2011) trazem o termo Business Performance Process Management no contexto do BPM moderno. 2. Estrutura de processos de negócio com BPMN O termo Business Process Model and Notation (BPMN) refere-se a uma notação de modelagem de processos de negócio, criada em 2004 como uma linguagem de modelagem padronizada e utilizada universalmente. O seu principal objetivo é oferecer uma notação que possa ser compreendida de imediato por todos os usuários de um sistema de BPM. Essa notação possibilita a criação de processos de negócio ponta a ponta e é desenvolvida para abranger atividades de modelagem de processos de negócio. De acordo com Brocke e Rosemann (2013), a modelagem de processos não é realizada com objetivo específico, o que pode explicar haver uma diversidade de versões de BPMN com uso de metodologias adicionais, como o UML (Unified Modeling Language), para modelar processos. 29 citam Krogstie et al. (2008) citado em Brocke e Rosemann (2013) sobre apresenta cinco categorias principais de utilização da modelagem de processos. São elas: 1. A criação de sentido e a comunicação humana para compreender as características de uma empresa e apoiar a comunicação entre os stakeholders. 2. A análise assistida por computador, utilizando ferramentas de software para a elaboração de processos e simulações. 3. A gestão da qualidade, com acompanhamento do processo de trabalho e uso de padrões e regulamentos. 4. A implementação e ativação do modelo, para integrá-lo em um sistema de informação. 5. A utilização do modelo como contexto para um projeto de desenvolvimento de sistemas. A modelagem BPM é possível de ser utilizada em todas as áreas de aplicação da modelagem de processos de modo geral. Observe uma visão sobre o tema: A gestão de processos de negócios Business Process Management (BPM) é uma forma estruturada, coerente e consistente de compreender, documentar, modelar, analisar, simular, executar e continuamente mudar processos de negócio ponta a ponta, assim como os recursos envolvidos, com base em sua contribuição para o desempenho dos negócios. (BROCKE; REOSEMANN, 2013, p. 126) O diagrama de processos de negócio é a representação gráfica do BPMN, e seus construtos de linguagem estão classificados em quatro categorias: 1. Objetos de fluxo: eventos, atividades e gateways. Eventos são iniciais, intermediários e finais. Atividades são processo, subprocessos e tarefas e representam o trabalho realizado na 30 empresa. Gateways são elementos para determinar ramificações, bifurcações, fusões ou junções de caminhos dentro do processo. 2. Objetos de conexão: utilizados para conectar objetos de fluxo. Fluxo de sequência define a ordem de execução de atividades em um processo de negócios, fluxo de mensagens indica um fluxo de mensagens entre entidades de negócio ou funções e fluxo de associação é um elemento usado para associar objetos gráficos e de texto, além do fluxo com objetos de fluxo. 3. Pool e raias: raias são utilizadas para representar participantes do processo e podem ser consideradas como containers gráficos, para alocar um conjunto de atividades de um participante. Um pool pode ser dividido em diferentes raias, para melhor organização das tarefas. 4. Artefatos: objetos de dados, grupos e anotações com comentários. Objetos de dados oferecem informações sobre os recursos das atividades. Grupo é um apoio visual para documentar ou analisar, e anotação de texto é um bloco utilizado para incluir informações adicionais sobre o modelo. Vejamos na Figura 2 estes construtos (elementos gráficos). Por sua vez, a Figura 3 apresenta um exemplo de BPMN com uma convocação de workshop, conforme exemplificam Brocke e Rosemann (2013). 31 Figura 2 – Construtos para modelagem BPMN Fonte: adaptada de Brocke e Rosemann (2013). Figura 3 – Exemplo de diagrama de processos BPMN Fonte: Brocke e Rosemann (2013, p. 130). Esta modelagem contempla algumas das boas práticas de mapeamento de processos. Por exemplo: 32 • Cliente na raia superior, orquestrando o processo. • As setas representantes de fluxos correm sempre da esquerda para a direita, evitando modelos macarrônicos com vai e volta de setas para cima e para baixo. • Não há redação dentro dos gateways (sanar esse problema foi um dos principais objetivos do BPMN 2.0). • Não há “sim” ou “não” para representar caminhos do processo. O BPMN 2.0 tem a prerrogativa justamente de caminho (sem interesse ou com interesse, o que difere de sim ou não). • O foco da modelagem é o conceito de “caminho feliz”. Logo, o objetivo primário é evitar as diversas oportunidades de erros que poderiam ocorrer em cada tarefa. 3. Gestão de processos de negócios com gestão de processos por serviços A Gestão de Processos de Negócio (BPM) recebeu nos últimos 30 anos uma atenção especial de desenvolvedores de sistemas de software que buscaram fazer uso dos recursos de tecnologia e sistemas de informação para automatizar e informatizar ferramentas de modelagem, operações e monitoramento de processos de negócio. Conforme nos ensinam Brocke e Rosemann (2013), as soluções de software que demonstram explicitamente uma preocupação com a execução de processos de negócio foram chamadas de Sistemas de Informação Orientados por Processos, ou Process-Aware Information Systems (PAIS). Estes sistemas têm como base os sistemas de gestão de fluxo de trabalho, ou workflow, que se dedicam à concepção, à execução e ao controle de processos de negócios semiautomatizados. Pense em 33 um processo como um procedimento formalizado de como executar e gerenciar tarefas em uma organização. Neste contexto, são desenvolvidas as Arquiteturas Orientadas a Serviços, originalmente chamadas de Service-Oriented Architectures (SOA), que, na atualidade, possuem uma estreita relação com os sistemas de BPM. Conforme definição de Brocke e Rosemann (2013, p. 151), Service- Oriented Architecture (SOA) é um paradigma para estruturarsistemas de informação e software que se baseia em capacidades dos processos definidos que podem ser acessados e reutilizados nas organizações. Esse modelo, originalmente para desenvolvimento de softwares, fundamenta-se em cinco princípios, ainda segundo os mesmos autores: 1. Serviços baseados em contrato: princípio que permite que serviços interajam entre si e sejam disponibilizados a consumidores. 2. Coesão: característica de operações agrupadas com base em funcionalidade e reaproveitamento. 3. Acoplamento: relaciona-se ao grau de interdependência entre múltiplos serviços. 4. Reutilização: o serviço deve ser útil em vários contextos, perfazendo a principal característica e que explica a importância do SOA. 5. Autonomia: nível de independência de um serviço. A Arquitetura Baseada em Serviços, ou Service-Oriented Architecture (SOA), e a Gestão de Processos de Negócio, ou Business Process Management (BPM), são modelos de gestão que se complementam e que, associados, buscam gerar sinergia e vantagem competitiva no desenho de processos de negócio das organizações, bem como sua gestão com reutilização e orientação bem estruturada dos processos. Enquanto a SOA oferece recursos para estruturar a arquitetura 34 empresarial sobre o que é feito (operações e gestão), o BPM oferece um modelo de desenho sobre como isso é realizado (formalização dos processos). O processamento de dados realizado por sistemas de informação resultou na institucionalização de estruturas organizacionais e processos de negócio que buscam maior rapidez na operação das atividades empresariais e confiabilidade dos processos. Considerando que atualmente vivemos em um ambiente de negócios com mudanças rápidas e significativas, um bom desenho empresarial e sua gestão devem ser alinhados a um constante redesenho do planejamento empresarial, sempre que necessário. Conforme defendem Ismail, Malone e Van Geest (2019), o planejamento estratégico antes realizado a cada cinco anos não é mais adequado. Empresas de tecnologia, por exemplo, buscam reformatar seus planejamentos estratégicos a cada dois anos. Algumas os formatam anualmente. Utilizar modelos de gestão de processos e negócios e uma arquitetura baseada em serviços pode auxiliar as organizações a terem melhores oportunidades de gestão da mudança, considerando que possuem processos bem definidos. Adentramos há cerca de 30 anos em uma nova era da sociedade, na qual a tecnologia e os sistemas de informação, junto com a infraestrutura da Internet, remodelam a forma como as empresas operacionalizam e gerenciam seus negócios. A eficiência nunca foi tão importante em nossa história. Conforme defende Rogers (2021, p. 11): “As regras de negócios mudaram. Em todos os setores de atividade, a difusão de novas tecnologias digitais e o surgimento de novas ameaças disruptivas estão transformando modelos e processos de negócio”. 35 Referências BALDAN, N.; BELIC, K.; GUDELJ, M. Business Process Performance Management: theoretical and methodological approach and implementation. Management Information Systems, Servia, v. 6, n. 4, p. 3-9, 2011. Disponível em: https://www. ef.uns.ac.rs/mis/archive-pdf/2011%20-%20No4/MIS2011_4_1.pdf. Acesso em: 2 maio 2022. BROCKE, J. V.; ROSEMANN, M. Manual de BPM: Gestão de processos de negócio. Porto Alegre: Bookman, 2013. ISMAIL, S.; MALONE, M. S.; VAN GEEST, Y. Organizações exponenciais. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019. RIES, E. A Startup Enxuta. Rio de Janeiro: Sextante, 2019. ROGERS, D. L. Transformação Digital: Repensando o seu negócio para a Era Digital. São Paulo: Autêntica Business, 2017. SHARDA, R.; DELEN, D.; TURBAN, E. Business Intelligence e Análise de Dados para gestão do negócio. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. 36 O ciclo de vida Business Process Management (BPM) Autoria: Renato Cividini Matthiesen Leitura crítica: Luiz Ricardo Brito Ribeiro Objetivos • Compreender como o Business Process Management (BPM) leva uma estrutura de governança a uma organização. • Reconhecer o processo e os elementos necessários para estabelecer uma abordagem holística de BPM em uma empresa. • Identificar um escritório de processos como ferramenta para promoção de um ambiente organizacional com foco em inovação e mudança. 37 1. Governança de gestão de processos de negócios Empresas que tiveram sua constituição antes do surgimento e da disseminação da Internet e, consequentemente, de sistemas distribuídos, conectividade e disponibilização de informações, hoje enfrentam um grande desafio, conforme nos relata Rogers (2017). Muitas regras e pressupostos fundamentais que orientavam e auxiliavam na governança dos negócios não mais se aplicam. A estruturação das organizações precisa mais do que programar e desenvolver processos. Precisa da chamada governança de BPM. Perceba que as tecnologias e os sistemas de informação junto com a administração de negócios acabaram se integrando de forma que as organizações passaram a poder fazer uso de recursos computacionais e de comunicação para modificar suas operações, sua gestão e, ainda, suas estratégias de posicionamento de mercado. O pensamento estratégico, a inovação e a percepção, bem como a rápida adaptação às mudanças impostas pelas novas necessidades da sociedade, levam as empresas a buscarem formatos de negócio que sejam estruturados por processos bem definidos, conforme rezam Brocke e Rosemann (2013) ou, ainda, sustenta Ries (2019), na percepção da modelagem de negócios baseados no pensamento Lean e nas estratégias das grandes corporações, desde a década de 1950, de realizarem sua estruturação, estando esse pensamento adaptado às novas organizações focadas em soluções de tecnologia para o mundo moderno. Visão de mercado, inovação e adaptação de processos devem estar presentes nas organizações. O elo entre a gestão de processos de negócio e a gestão ágil com adaptação às necessidades depende muito dos preceitos da governança de BPM. 38 No mercado atual, as organizações e seus dirigentes precisam manter- se atentos e treinados para lidar com o novo ambiente organizacional. Caravantes, Panno e Kloeckner (2004, p. 13) relembram as palavras de Jack Welch: “Quando o ritmo da mudança dentro da empresa for ultrapassado pelo ritmo da mudança fora dela, o fim está próximo”. 1.1 Práticas de governança de BPM A governança pode ser percebida como o desenvolvimento e a manutenção de práticas de processos organizacionais que envolvam concepção de regras, normas, definição de procedimentos e atitudes a fim de atender aos objetivos da organização. Brocke e Rosemann (2013) nos ensinam que, para otimizar e manter melhorias no desempenho dos processos operacionais da empresa, torna-se necessário implementar alguma forma de governança que desenvolva estruturas, medidas, papéis e responsabilidades adequados para avaliar e gerenciar esse desempenho, em toda a amplitude de operações do negócio. A descrição apresentada justifica o que se intitula de Governança de BPM. Para a implantação e o gerenciamento de projetos que levem a empresa a uma mudança constante e adaptação ao mercado, há uma necessidade perene de esforços na execução de projetos de melhoria operacional mais amplos, considerando três principais razões. São elas: 1. Falta de um framework completo: falta de informações sobre as operações na organização disponíveis em uma estrutura (framework de suporte). 2. Falta de sistematização nas práticas de gestão: apenas métodos de melhoria de processo não são suficientes para a gestão eficiente. 3. Resistência à mudança: ainda há dificuldade de praticar a mudança constante sem o desenvolvimento de um mindset voltado à inovação contínua nas organizações. 39 A liderança nas organizações tem como tarefas fundamentais promover a elaboração de um framework para estruturar e gerenciar processos, buscar sistematizar as práticas de gestão e levar as pessoas a desenvolverem um mindset de mudança. 1.2 Práticaspara melhoria no desempenho operacional com governança de BPM Modelos, medidas de desempenho e responsabilização da gestão de negócios através de seu desempenho nos processos ponta a ponta são fatores críticos de sucesso para uma organização que busca manter uma governança de BPM. Considerando que a organização possui uma liderança disposta a desenvolver um sistema de governança de BPM, Brocke e Rosemann (2016) sustentam que se torna necessário observar alguns princípios fundamentais dessa gestão: 1. O modelo de processo de nível mais alto na empresa deve abarcar a necessidade de colaboração interfuncional e a responsabilidade da administração pela gestão de processos de negócio em toda a operação (o que chamamos de ponta a ponta). 2. O desempenho operacional deve ser avaliado e mensurado do ponto de vista do cliente, mas também do ponto de vista da organização. 3. A organização empresarial necessita de um plano em execução que norteie as principais prioridades, para que se tenha uma melhoria de desempenho operacional. 4. A capacitação da tecnologia da informação potencializa o negócio. Para desenvolver as práticas de governança de BPM, lembremo-nos de que se faz importante promover sistemas que estruturem a maturidade dos processos, ou seja, sua evolução dentro de um sistema de gestão. Michael Hammer apresentado em Brocke e Rosemann (2013), como 40 pensador da orientação por processos, desenvolveu um modelo de maturidade chamado de Process and Enterprise Maturity Model (PEMM), para auxiliar as organizações a entenderem, planejarem e avaliarem a divisão de esforços referentes aos modelos de processos de negócio. Vejamos seus componentes no Quadro 1. Quadro 1 – Componentes do PEMM de Hammer Nível de amadurecimento Empresa Nível de amadurecimento Processos Liderança Consistência Alinhamento Comportamento Estilo Desenho Propósito Contexto Documentação Cultura Trabalho em equipe Foco no cliente Responsabilidade Atitude perante mudanças Executores Conhecimento Habilidade Comportamento Especialidade Pessoas Metodologia Proprietários Identidade Atividades Confiabilidade Governança Modelo de processo Responsabilização Integração Infraestrutura Sistemas de TI Sistemas de RH Medidas Definição Usos Fonte: adaptado de Brocke e Rosemann (2013). Brocke e Rosemann (2013) reiteram que grande parte dos gestores considera que o desempenho operacional precisa ser avaliado do ponto de vista do cliente na mesma proporção que é avaliado sob o ponto de vista da organização que o mantém. Monitorar o que é importante para os clientes e para a empresa é, na realidade, o primeiro passo para a governança de BPM. Considerando que o nosso foco é avaliar uma organização orientada por processos de negócios, o time de gestão deverá ter a responsabilidade de identificar medidas de desempenho para cada subprocesso na empresa. 41 2. Processo de gestão de processos de negócio 2.1 Ciclo de vida de BPM No que se refere a avaliar um ciclo BPM para gerenciar os processos operacionais de uma organização empresarial, Brocke e Rosemann (2013) definem quatro etapas principais de gestão de processo de negócio. Vejamo-las: 1. Estratégia de processo de negócio (estratégia). 2. Desenho de processos de negócio (plano). 3. Implementação do processo de negócio (monitoramento). 4. Controle de processo de negócio (atuação). Sharda, Delen e Turban (2019) fazem uma análise importante sobre o uso de gestão de projeto, monitoramento e gestão de processos de negócio. Os renomados autores da área de Business Intelligence (BI) buscam nos apresentar a integração da gestão de processos com o novo cenário de gestão baseada em dados, coletados, tratados e monitorados através dos chamados sistemas de inteligência de negócios ou Business Intelligence (BI). Neste cenário, podemos fazer uma interconexão entre os modelos de gestão por processos de negócios, que no passado eram mais robustos e menos flexíveis, mas se modificaram para corresponder a uma gestão mais moderna, baseada em reflexão de estratégias baseadas na gestão de dados, que busca no BPM uma solução moderna e mais flexível para definir e gerenciar processos de negócio. O diferenciador mais significativo do BPM, na visão de Sharda, Delen e Turban (2019) em relação a outras ferramentas e práticas de BI, é o fato de que o BPM tem um profundo foco estratégico. Os autores definem que o BPM chamado de BPM de circuito fechado liga a estratégia à execução, buscando otimizar o desempenho dos negócios. 42 Um circuito fechado implica que o desempenho ideal de processos é alcançado com o estabelecimento de metas e objetivos na etapa estratégica de planejamento empresarial, a busca por planos de ação para alcançar as metas definidas no planejamento e o monitoramento e desempenho mediante as metas e os objetivos estabelecidos na etapa de monitoramento de processos. Temos, então, um ciclo repetitivo de gestão baseado em quatro fases, as quais são definidas na Figura 1. Figura 1 – Ciclo BPM em circuito fechado Fonte: adaptada de Sharda, Delen e Turban (2019). A seguir, as etapas apresentadas na Figura 1 serão detalhadas: 1. Estratégia de processo de negócio (estratégia): para onde queremos ir? Refere-se a um plano de ação de alto nível (estratégico), elaborado para desenvolvimento em longo prazo. 43 Diz respeito a “o que” a organização pretende realizar. Relaciona- se ao processo de identificar e estipular a missão, a visão e os objetivos da organização e desenvolver planos de ação para alcançar os objetivos almejados. Uma importante ferramenta defendida por Brocke e Rosemann (2013) para o desenvolvimento desta fase é o mapa de processos empresariais, que oferece um ponto de prática à arquitetura e aos processos da organização. Algumas questões importantes para a elaboração de um mapa de processos empresariais são descritas a seguir: Quais produtos/serviços são oferecidos ao mercado? Em que medida os diferentes segmentos de negócio são importantes? Quais são os fatores críticos de sucesso? Quais são a estrutura e os recursos necessários para o desenvolvimento do negócio? Quais são os indicadores de performance? Quais atividades são indispensáveis para concretizar os objetivos empresariais? Qual é a estratégia geral de BPM na organização? 2. Desenho do processo de negócio (plano): como fazemos para chegar lá? Refere-se a “como” a empresa deve atuar para desenvolver seus negócios. Neste elemento temos os planos operacionais que traduzem os objetivos e as metas estratégicas de uma organização em um conjunto bem definido de táticas, recursos e resultados esperados durante determinado período. Nesta fase, o objetivo é desenhar os processos com alinhamento às necessidades e exigências de mercado com o desenho, a análise e otimização, para oferecer transparência ao fluxo de processos, analisar o fluxo e otimizá-lo por meio de melhorias futuras. Fluxogramas e modelo de processo podem ser utilizados para o projeto e desenho dos processos, bem como para sua documentação. Nesta fase, as principais questões a serem respondidas são: Qual é a arquitetura detalhada dos processos principais? Qual é o fluxo de processos? Quais são os pontos fracos dos processos? Quais áreas de processos podem 44 ser otimizadas por meio de novas tecnologias (Service-Oriented Architecture – SOA, por exemplo)? 3. Implementação do processo de negócio (monitoramento): como estamos indo? Esta etapa é fundamental para monitorar o desempenho dos processos de negócio da organização através de ferramentas de análise de dados, os quais são normalmente informatizados no contexto moderno das empresas. São utilizadas estruturas de gestão como o Balanced Scorecard (BPM) formatado por indicadores de desempenho (Key Performance Indicators – KPIs) ou ainda os mais recentes formatos de gestão de indicadores com os Objective Key Results (OKR). Nesta fase, há importantes questionamentos: Quem será afetado pelas mudançasnos processos e mudanças organizacionais? Quais papéis e responsabilidades mudarão na organização? Como deve ser feita a comunicação? Como as mudanças de processos devem ser divulgadas? Quais ferramentas devem ser utilizadas? 4. Controle de processo de negócio (atuação): o que precisa ser feito de diferente? Lembremo-nos de que a gestão de processos de negócios busca a melhoria contínua, através de aprendizado e adaptação à qualidade e maior produtividade. Neste momento, o objetivo é aprender com o processo de gestão e buscar adaptação e inovação para a melhor performance em negócios. Algumas questões desta fase são: Qual tem sido o desempenho da organização? O desempenho dos processos está de acordo com o programado? Qual é o desempenho das aplicações e dos sistemas relampejados? Os processos estão de acordo com o framework definido? Importa esclarecer também que uma iniciativa BPM pode ser apresentada em seis fases no composto de seu ciclo de vida, segundo ABPMP (2013). São elas: planejamento, análise, desenho, implementação, monitoramento & controle e refinamento. Veja na Figura 2 as seis fases e suas atividades. 45 Figura 2 – As seis fases do BPM descritas no BPM CBOK V3.0 Fonte: adaptada de ABPMP (2013, p. 64). 2.2 Definindo os processos de gestão de processos de negócio O processo de BPM é defendido por Brocke e Rosemann (2013) de acordo com a prática de gestão de implantação em diferentes estágios. São eles: 1. Conscientização sobre os benefícios e as metodologias BPM: desenvolver o conhecimento aprofundado das metodologias e dos benefícios da gestão de processos de negócio. 2. Conversão da consciência em desejo de adotar a gestão de processos de negócio: desenvolvimento de mindset voltado à 46 gestão de processos de negócio, bem como abertura a mudanças e inovação constantes. 3. Estruturação, execução e monitoramento de projetos de BPM individuais: projetos BPM devem ser executados para obterem implantação e promoção de novos processos rapidamente. 4. Transformação de vários projetos BPM em um programa BPM abrangente e centralizado: gestão e integração de projetos incialmente separados em um grande programa de gestão de processos de negócio. 5. Disseminação da gestão de processos de negócio por meio de um escritório de negócios: formação de um grupo de BPM na organização, com definição e entendimento sobre o processo BPM, estabelecimento de objetivos claros, reconhecimento de papéis e responsabilidades dos envolvidos, definição de metodologia de BPM específica e abrangente e identificação de tecnologias e ferramentas de BPM. 3. Escritório de processos de negócio A implantação de um escritório de processos de negócio em uma organização deve ser focada em apoiar uma abordagem completa de BPM, além de buscar especificar ofertas de serviços de gestão de processos para todos os envolvidos e as partes interessadas na organização, definindo papéis e responsabilidades dentro da empresa. A liderança dos gestores é primordial para o sucesso da implantação dos escritórios de processos e sobretudo da filosofia BPM. Lembremos que, em cenários marcados por desafios e competitividade, cresce a importância do autoconhecimento. Ser líder ou liderado é uma opção, e há espaço para ambas as alocações. A escolha pela liderança deverá trazer desafios em inspirar, influenciar e conduzir pessoas para entrega de resultados. Conforme apresenta Maxwell (2015), bons líderes 47 raramente pensam em termos de limites, e sim em termos de oportunidades. Este é um momento de estruturar os recursos e as equipes, com suas responsabilidades e entregas, em uma reformatação de processos organizacionais no contexto da gestão de processos de negócio. Um escritório de processos de negócio é uma instituição física, a qual utiliza recursos de tecnologia e sistemas de informação para expandir o ambiente físico para o mundo digital (virtual), assim como para desenvolver a mentalidade de transformação organizacional por meio da gestão de processos de negócio. De acordo com Brocke e Rosemann (2013), há cinco áreas principais na organização de um escritório de processos centralizados em uma empresa. São elas: 1. Liderança em BPM: abarca as atividades de identificação das partes interessadas de BPM, a avaliação de maturidade de BPM, a comunicação interna do valor e da necessidade de mentalidade de BPM e a definição de visão de estratégia de BPM. 2. Estrutura regulamentar: estrutura que busca garantir uma abordagem de BPM adequada, reutilizável e eficiente em toda a empresa. A criação e a gestão de políticas e normas no desenvolvimento de BPM devem cobrir a definição das funções da organização e um framework de processo com os processos organizacionais e as convecções sobre todo o programa de implantação do BPM. 3. Apoio aos projetos: trata-se de um dos principais serviços do escritório de processos. Busca apoiar todas as fases do BPM através do uso de metodologia e especialistas para dar suporte aos envolvidos nas tarefas de planejamento e operacionalização dos processos de negócio. 48 4. Treinamento e comunicação: relaciona-se às atividades de instalação, gerenciamento de licenças e suporte a usuários com relação aos softwares e às ferramentas de BPM. 5. Controle de processos: controle de todos os processos planejados, implantados e mantidos na organização. Podemos refletir que as organizações necessitam estruturar seus processos de negócio para que tenham maior eficiência operacional e gerencial. Consequentemente, elas terão também maior produtividade e diferencial competitivo, ou mesmo sustentabilidade no mercado. Por meio da implementação de processos de BPM, da definição de papéis e responsabilidades adequados e do desenvolvimento de uma unidade organizacional responsável pela disseminação da mentalidade de gestão baseada em processos com BPM, existe maior probabilidade de que a gestão de processos de negócios se torne mais visível para toda a organização e leve o negócio à maior eficiência operacional. Referências ABPMP. BMP CBOK: guia para o gerenciamento de processos de negócio – corpo comum de conhecimento ABPMP BPM CBOK V3.0. Brasília: ABPMP, 2013. BROCKE, J. V.; ROSEMANN, M. Manual de BPM: Gestão de processos de negócio. Porto Alegre: Bookman, 2013. CAVAVANTES, G.; PANNO, C. C.; KLOECKNER, M. C. Gestão estratégica de resultados: construindo o futuro. Porto Alegre: AGE Editora, 2004. MAXWELL, J. C. Líder 360º: como desenvolver seu poder de influência a partir de qualquer ponto da estrutura corporativa. 2. ed. Rio de Janeiro: Vida Melhor, 2015. RIES, E. A Startup Enxuta. Rio de Janeiro: Sextante, 2019. ROGERS, D. L. Transformação Digital: Repensando o seu negócio para a Era Digital. São Paulo: Autêntica Business, 2017. SHARDA, R.; DELEN, D.; TURBAN, E. Business Intelligence e Análise de Dados para gestão do negócio. 4. ed. Poro Alegre: Bookman, 2019. 49 Estratégia organizacional através da gestão de processos de negócio Autoria: Renato Cividini Matthiesen Leitura crítica: Luiz Ricardo Brito Ribeiro Objetivos • Identificar estratégias de negócios pela gestão de processos. • Observar questões relacionadas à liderança e fatores que influenciam a mudança de gestão para uma abordagem de Business Process Management (BPM). • Compreender alguns preceitos da transformação digital. 50 1. Estratégia de negócios pela gestão de processos Vivemos em um mundo Pós-Revolução Industrial, pós-moderno e pós- transformação digital, que vem sendo caracterizado como a era da informação, era do conhecimento ou era dos dados. Neste novo cenário, as organizações empresariais buscam estruturar suas operações e sua gestão de forma que o cliente seja satisfeito, pois, além de toda a automação industrial, a modernidade e a digitalização de produtos e serviços trazem opções diversas e acessíveis aos clientes. Os mercados são globais, os produtos precisam ser atualizados e as mudanças são rápidas e inevitáveis.A gestão nas empresas se torna cada vez mais importante. Levar inovação aos produtos e serviços depende, mais do que no passado, de constante gestão de processos de negócios, de forma ágil, o que requer estratégia para alinhar o que a empresa deseja e a forma como ela executa suas atividades, ou seja, como gerencia seus processos de negócio. Conforme defendem Brocke e Rosemann (2013, p. 203), “a gestão de processos de negócio (Business Process Management – BPM) precisa estar alinhada com a estratégia organizacional”. Lemos et al. (2012) nos ensinam que a estratégia é o posicionamento da organização, uma mudança de direção, o que pode vir a ser. Isso significa reinventar a organização no médio prazo e no longo prazo. Tem como objetivos construir o futuro da organização de modo que o presente seja alterado e fazer negócios de forma diferente dos concorrentes, através das melhores escolhas em seus negócios. O planejamento estratégico se torna um instrumento de grande importância para que as organizações continuem a operar com êxito, em um ambiente de extrema turbulência. Já o planejamento tático é o processo de detalhamento dos meios necessários à implementação das metas das unidades funcionais, em um prazo 51 determinado. Ele está mais vinculado à operacionalização das metas. Veja que, quando estudamos o BPM, estamos buscando desdobrar o planejamento estratégico (ponta superior da pirâmide organizacional) até o planejamento e a gestão operacional (ponta inferior da pirâmide organizacional), passando pelo planejamento tático, ou seja, gerencial. Esta é a gestão ponta a ponta defendida por Brocke e Rosemann (2013). Uma abordagem integrativa entre os três níveis empresariais (estratégico, tático e operacional) precisa ser desenhada para que uma abordagem BPM possa ser implantada com sucesso em uma organização. Os métodos de implantação de BPM da atualidade consideram a necessidade de os gestores trabalharem em diversos níveis organizacionais e diversos domínios de forma interconectada. Uma abordagem de toda a estrutura de um projeto de alinhamento do BPM com a estratégia empresarial pode ser percebida na Figura 1, através da pirâmide da BPTrends. Nessa pirâmide, o nível empresarial relaciona-se com um alinhamento estratégico geral, e a gestão do ativo do processo, com a governança BPM, a priorização e a alocação de recursos para a transformação dos processos de negócio. O nível de processo de negócio considera processos individuais ou atividades e escopos e busca analisar e projetar novas maneiras de se trabalhar com um volume adequado de projetos em execução. Já no nível de implementação há o desenvolvimento de recursos tecnológicos, humanos e de infraestrutura que são necessários para os processos poderem funcionar e os seus objetivos serem concretizados. 52 Figura 1 – A pirâmide da BPTrends Associates Fonte: adaptada de Brocke e Rosemann (2013). Importa observar que, em todos os níveis apresentados da pirâmide da BPTrends, o alinhamento entre os componentes deve ser estabelecido e mantido, assim como é preciso manter os processos gerenciados como ativos corporativos no nível empresarial, com rastreabilidade de componentes em relação aos objetivos estratégicos da organização. Um modelo integrativo dos direcionadores por meio de capacidade alinhada é recomendado para realizar o alinhamento estratégico com o BPM. Nesse modelo, Brocke e Rosemann (2013) relatam que os processos e outras necessidades futuras são comparados com capacidades atuais de diferentes tipos, e as lacunas (necessidades operacionais) são identificadas, alinhadas e recebem prioridades para que os programas de mudanças sejam estabelecidos e estruturados. Observe na Figura 2 o hexágono de processo de Burlton, que utiliza processos de negócio como alinhadores de capacidades. 53 Figura 2 – Hexágono de processos de Burlton Fonte: adaptada de Brocke e Rosemann (2013). No processo de concretização da estratégia de negócio pela gestão de processos, devem ser consideradas fases com atividades definidas para realizar essa integração. A seguir, são apresentadas as fases e atividades que necessitam ser desenvolvidas: 1. Validar o direcionamento estratégico. 1.1 Conceitos estratégicos. 1.2 Escopo dos modelos estratégicos. 1.3 Avaliações externas. 1.4 Análise estratégica de avaliações. 1.4.1 Análise de cenários de negócio. 1.4.2 Proposta de valor. 1.4.3 Balanced Scorecard (BSC). 1.5 Documento do objetivo estratégico. 2. Determinar o relacionamento com as partes interessadas. 54 3. Contexto de negócio das partes interessadas. 3.1 Análise sobre o relacionamento com as partes interessadas. 3.2 Expectativas e metas das partes interessadas. 3.3 Mensuração do desempenho do relacionamento. 3.4 Fatores Críticos de Sucesso (FCS). 4. Consolidar os critérios estratégicos. 5. Projetar os processos de negócio. 5.1 Abordagem de ciclo de vida para desenvolver a arquitetura. 5.2 Abordagem de frameworks de referência para desenvolver a arquitetura. 5.3 Consolidação da arquitetura. 6. Identificar medidas de desempenho. 7. Alinhar a governança do processo. 7.1 Alinhamento da motivação e apoio à intendência. 8. Priorizar processos. 8.1 Abordagem de alinhamento matricial. 9. Alinhar as capacidades de processo. 10. Criar um portfólio de transformação empresarial. 2. Mudança na cultura na gestão de processos A mudança na cultura na gestão de processos deve buscar utilizar sistemas completos, que permitam planejar, analisar, desenhar, implementar, monitorar & controlar e refinar processos de negócio, conforme defendido por Brocke e Rosemann (2013), de ponta a ponta. Ries (2019, p. 257) nos relembra que, em 1911, Taylor escreveu: “no passado, o homem estava em primeiro lugar; no futuro, os sistemas devem estar em primeiro lugar”. O autor nos comunica que estamos vivenciando a previsão de um dos mais importantes pensadores da administração moderna. 55 Além do conhecimento desenvolvido em relação à gestão de processos de negócio e suas técnicas e tecnologias auxiliares, a cultura é outro elemento que está fundamentalmente relacionado ao fator humano em Business Process Management (BPM). Brocke e Rosemann (2013, p. 331) defendem que “a gestão de mudanças organizacionais, uma atribuição importante no contexto da gestão de processos de negócio, abrange uma variedade de tópicos, como estratégia, cultura corporativa e gestão de desempenho”. O sucesso da iniciativa de mudança cultural busca fazer uso da engenharia de processos de negócio, o que normalmente traz a necessidade de envolvimento de todo o time, de todos os departamentos para abrirem o pensamento para uma gestão centrada no cliente, que preconize o desenvolvimento e a gestão de processos para levar a empresa a uma maior eficiência operacional. Diversos fatores influenciam a mudança organizacional. Alguns deles levam projetos de mudança do pensamento com base na abordagem BPM ao sucesso, enquanto outros levam ao insucesso. Vejamos alguns desses fatores, na visão de Brocke e Rosemann (2013), no Quadro 1. Quadro 1 – Fatores de insucesso e sucesso dos projetos de mudança Fatores de insucesso Fatores de sucesso Comprometimento insuficiente da alta direção Apoio da alta administração Metas e visão não transparentes Comunicação honesta e atualizada Falta de experiência em liderança Envolvimento dos funcionários Conflitos na alta administração Cultura corporativa motivada e favorável à mudança Falta de apoio da alta administração Existência de precursores de mudança Informações insuficientes Estrutura organizacional suficiente Falta de espaço para lidar com medos e resistências Apoio ao processo de mudança, por meio do alinhamento da cultura corporativa 56 Desatenção quanto aos fatores psicológicos do planejamento do projeto Programas de treinamento eficientes Insuficiência de recursos humanos para o projeto Remuneração e incentivos Falta de confiança no processode comunicação Apoio às novas estruturas, por meio de uma mensuração de desempenho adequada Fonte: adaptado de Brocke e Rosemann (2013). Alguns temas (áreas) são considerados importantes na influência de sucesso quando é feita a implantação de uma abordagem BPM. Segundo Brocke e Rosemann (2013), são eles: 1. Estratégia; 2. Liderança; 3. Sustentabilidade; 4. Mensuração de desempenho; 5. Tecnologia da Informação. Observe a seguir, na Figura 3, características desses fatores. Figura 3 – Fatores principais de influência sobre mudança bem- sucedida relativa à abordagem BPM Fonte: adaptada de Brocke e Rosemann (2013). 57 A mudança na cultura na gestão de processos necessita de gestores que exerçam forte liderança diante de seus times e em toda a organização. Lembre-se de que liderança é uma área empolgante, desafiadora e que dá aos profissionais das empresas oportunidades de transcender as atividades técnicas, levando equipes e empresas para a diferenciação de negócios no mercado. Conforme afirma Maxwell (2015, p. 27), na liderança, independentemente de onde você esteja em uma organização, “o importante sempre será a influência”. 3. Transformação organizacional e transformação digital A dinâmica competitiva de negócios da atualidade traz um cenário de necessidade de desenvolvimento de estratégias diferentes em relação às praticadas em um breve passado. No século XXI, pode-se perceber um grande volume de empresas sendo criadas e outras sendo desativadas rapidamente. As empresas atuais vivenciam diferentes ciclos de negócio, em que o processo de aceleração em desenvolvimento e o ciclo de produtos e serviços se refletem em transformações e alta exponencialidade nos negócios, fazendo com que as empresas reavaliem a criação de valor de seus negócios em tempos de mudanças constantes. Na revolução tecnológica que resultou na chamada Transformação Digital de Rogers (2021), há uma combinação de tecnologias da informação nos novos negócios. Algumas delas são: inteligência artificial, Internet das Coisas, energias renováveis, gestão baseada em dados e novas plataformas, como o blockchain, que impactam os novos negócios. As inovações baseadas em tecnologias e sistemas de informação vêm apresentando uma evolução mais rápida nos últimos anos. A Figura 4 demostra o tempo que uma tecnologia (ferramenta) necessitou para 58 chegar a um público consumidor de 50 milhões de pessoas no mundo. Note que a diminuição do tempo é exponencial. Figura 4 – Anos que uma nova tecnologia precisou par alcançar 50 milhões de usuários Fonte: elaborada pelo autor. Por consequência retórica da inovação tecnológica, as disrupções, os novos dispositivos, os novos softwares e as novas plataformas de negócio são desenvolvidos e disseminados na sociedade de forma cada vez mais rápida. Este momento tecnológico exige soluções de conectividade para os negócios, criação de redes de relacionamento e maior velocidade de desenvolvimento e lançamento de produtos. Em um cenário pós-era digital, com modelos de negócios tecnológicos e globalizados, existe uma preocupação em utilizar estratégias administrativas que ofereçam uma gestão adequada para realização de negócios na contemporaneidade. Fazer uso de Business Process Management (BPM) e tecnologias da informação aderentes e que automatizem a gestão é primordial neste cenário. Diamandis e Kotler (2018) sustentam que os negócios da atualidade, contextualizados pelas organizações exponenciais e sua gestão, necessitam considerar características como a digitalização, a decepção inicial, as disrupções, a desmonetização, a desmaterialização e a democratização em sua constituição. 59 Explicando: Digitalização: busca levar para o ambiente computacional informações, serviços e relacionamentos que podem ser disseminados e disponibilizados muito rapidamente. Decepção: termo que traz a visão de futuro para entender que inovações aguardam o crescimento do negócio projetado em níveis computacionais e globalmente distribuídos e podem se tornar reais. Disrupção: refere-se à inovação que cria um mercado e abala outros mercados existentes com produtos diferenciados. Desmonetização: refere-se à retirada do dinheiro do negócio no início de suas operações e a prover rentabilidade futura após o negócio ter rentabilidade. Desmaterialização: apresenta novos produtos e serviços via oferta de soluções não materiais, utilizando-se da Internet como ambiente para oferta de produtos intangíveis baseada em relacionamentos virtuais. Democratização: busca desenvolver soluções distribuídas de forma democrática para comunidades encarecidas. Veja na Figura 5 a representação das estratégias modernas para a administração de empresas tecnológicas. 60 Figura 5 – Estratégias para administração moderna Fonte: adaptada de Diamandis e Kotler (2018). Diamandis e Kotler (2019, p. 51) refletem que, no mundo global e exponencial que vivenciamos, há importantes diferenças no que diz respeito ao ambiente que nosso cérebro conheceu no passado e em relação ao qual precisou evoluir para entender as chamadas organizações exponenciais. Os autores citam que a adaptação para o pensamento inovador é necessária e possível, além da necessidade de fazer uso de novas abordagens de gestão e operação de negócios. Os autores mencionados apresentam também um conjunto de oito princípios de inovação (DIAMANDIS; KOTLER, 2019) praticados pela Google na governança de suas estratégias corporativas baseadas em tecnologia. São eles: foco no cliente; compartilhamento; busca por ideias em toda parte; pensamento grande, mas com atividades iniciais pequenas; fracasso como aprendizado; imaginação para desencadear ideias alimentadas com dados; negócios baseados em plataformas digitais e uma missão significativa, para levar todas as outras para a 61 operação dos negócios inovadores mediante os cenários de utilização da inteligência artificial em sistemas e o elevado volume de informações que estarão disponíveis com o Big Data. As atitudes de liderança e gestão de negócios, neste novo século, exigem novas formas de se pensar em gestão. Ismail, Malone e Geest (2019, p. 237-238) relatam que o gestor exponencial (em alusão aos gestores de empresas de grande representatividade no mercado e com crescimentos superiores a seus concorrentes) deve possuir habilidades para realizar operações e gestão em um mundo imprevisível, lidando com o aumento da eficiência como estratégia em um ambiente no qual a adaptabilidade e as mudanças disruptivas representam as verdadeiras vantagens competitivas. Os autores expõem que 80% dos executivos listados na revista Fortune 500 entendem que seus setores de atuação experimentarão mudanças profundas em um período de dois anos. O gestor moderno deve ainda pensar grande, pensar diferente, buscar novos negócios e ter coragem para implementá-los. No contexto de organizações que buscam sustentabilidade nesse mercado e escalabilidade (crescimento) superior à dos seus concorrentes, Diamandis e Kotler (2018) apresentam atitudes mentais que auxiliam na gestão da mudança. Elas são: 1. A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo. 2. Quando não tiver nenhum desafio à frente, crie um. 3. “Não” simplesmente significa começar de novo um nível acima. 4. Se algo pode dar errado, conserte. 5. Quando houver duas opções, escolha ambas. 6. A relação entre algo e nada é infinita. 7. Um expert é alguém capaz de lhe informar exatamente como algo não pode ser feito. 62 As tecnologias da informação deverão continuar a guiar os negócios no futuro. Na realidade, deverão ser ampliadas a uma velocidade ainda maior nos próximos anos. Vivenciaremos o uso mais intensivo do 5G, o rápido desenvolvimento da Internet das Coisas, as impressões 3D, a computação em nuvem, as realidades virtual e aumentada, a inteligência artificial, o blockchain e o Big Data. Todas estas tecnologias fazem parte do presente e forjarão os negócios do futuro. Para finalizarnossos estudos sobre a breve trajetória em conhecer e desenvolver uma cultura e estratégias para gestão de processos de negócio, a fim de transformar uma organização em uma empresa de sucesso, competitiva e aberta a um novo mundo tecnológico e baseado em inovações constantes, considere a seguinte reflexão de Maxwell (2016, p. 151): “Cerca de 95% das decisões de um diretor- executivo podem ser tomadas por um estudante do ensino médio razoavelmente inteligente... Mas os diretores-executivos não são pagos para tomar estas decisões; eles recebem seu salário por causa dos outros 5%”. Referências BROCKE, J. V.; ROSEMANN, M. Manual de BPM: Gestão de processos de negócio. Porto Alegre: Bookman, 2013. DIAMANDIS, P. H.; KOTLER, S. Bold: Oportunidades Exponenciais. Um manual prático para transformar os maiores problemas do mundo nas maiores oportunidades de negócio. Rio de Janeiro: Alta Books, 2018. DIAMANDIS, P.; KOTLER, S. Abundância o futuro é melhor do que você imagina. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019. ISMAIL, S.; MALONE, M. S; GEEST, Y. V. Organizações Exponenciais: porque elas são 10 vezes melhores, mais rápidas e mais baratas que a sua. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019. LEMOS, P. M. de et al. Gestão estratégica de empresas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2012. 63 MAXWELL, J. C. Líder 360º: como desenvolver seu poder de influência a partir de qualquer ponto da estrutura corporativa. 2. ed. Rio de Janeiro: Vida Melhor, 2015. MAXWELL, J. C. O livro de outro da liderança. 3. ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2016. RIES, E. A Startup Enxuta. Rio de Janeiro: Sextante, 2019. ROGERS, D. L. Transformação Digital: Repensando o seu negócio para a Era Digital. São Paulo: Autêntica Business, 2021. 64 Sumário Apresentação da disciplina Princípios da gestão por processos de negócio Objetivos 1. Introdução à gestão de processos de negócio 2. Gestão de processos e gestão do conhecimento 3. Estrutura para gestão de processos de negócio Referências Elementos da governança de processos Objetivos 1. Os elementos da gestão de processos de negócio 2. Estrutura de processos de negócio com BPMN 3. Gestão de processos de negócios com gestão de processos por serviços Referências O ciclo de vida Business Process Management (BPM) Objetivos 1. Governança de gestão de processos de negócios 2. Processo de gestão de processos de negócio 3. Escritório de processos de negócio Referências Estratégia organizacional através da gestão de processos de negócio Objetivos 1. Estratégia de negócios pela gestão de processos 2. Mudança na cultura na gestão de processos 3. Transformação organizacional e transformação digital Referências