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ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA AULA xx - RODRIGO NUNES 06/04/2022 FIXADORES EXTERNOS CASO CLÍNICO 1 Paciente de sexo feminino, 42 anos, vítima de colisão de motocicleta e carro ocorrida há 30 minutos da admissão hospitalar. Hemodinamicamente estável, apresenta grave deformidade do membro inferior direito. Nega comorbidades. • Sinal de trauma de alta energia – intrusão. o Lembrar que o trauma de baixa energia é até 32Km/h. O motoqueiro não anda nessa velocidade (sempre mais). Abordagem inicial: primeiro se faz o balizamento, ABCDE, estabilização cervical, busca por sinais de trauma pélvico, Glasgow, hemorragia, ISS, RX. • Suspeita diagnóstica: hemorragia, fratura no terço distal da perna a nível do tornozelo. • Tratamento provisório: curativo estéril, estabilizar o membro (talas). O alinhamento ou redução, pode permitir a retomada do pulso do membro. o Alinhamento: é feito dentro de parâmetros anatômicos, nem sempre os fragmentos ósseos serão interpostos. Coloca o membro em seu eixo anatômico. o Redução: colocar os membros no lugar, osso com osso. Ø Em caso de fratura exposta → NÃO reduzir. Ø Faz alinhamento. o Imobilização? § Faz a imobilização nesse momento e por quê? Faz a imobilização, para evitar que agrave mais a lesão e para reduzir a cascata inflamatória, pois muda o prognóstico do paciente. o Então tem que fazer a limpeza da fratura, cobrir esse membro com ataduras embebidas com soro e imobilizar. o Quais os riscos envolvidos? Infecção, síndrome compartimental (colapso vascular), piora do padrão fraturário. E contaminação. APÓS ENCAMINHAMENTO DO HOSPITAL: • Planos das imagens: o Incidência: AP e perfil e seguimento coronal e sagital. o Deve se pedir RX do segmento todo: tornozelo, pé, perna e joelho. o Mortis e faz para a rotação interna de 15° para afastar a tíbia da fíbula. Não é muito utilizada no momento da chegada pelo trauma.??? • Descrição das imagens: esqueleto maduro, com fratura no seguimento distal da fíbula e tíbia, abrangendo maléolo (trimaleolar) e pilão tibial (quadro de heim). • É uma fratura de maior complexidade, e de pior prognostico. o Fratura articular: envolve pilão tibial e pinça maleolar. o Envolvendo o maléolo medial, o maléolo lateral e o maléolo posterior → temos uma fratura de tornozelo. o Quando se envolver o quadro de heim, há um prognóstico mais reservado do que se envolve a pinça maleolar. Essa fratura terá complexidade maior e maiores complicações. • Impressão diagnóstica: IIIA: Padrão fraturário complexo, cominutiva. • Tratamento provisório: em termos gerais controle de danos – primeiro feito através de fixador transarticular. § Tratamento ser minimamente invasivo. § Fratura complexa, com lesão de partes moles, exposta e em um seguimento cuja vascularização já é prejudicada – pode aumentar o risco de síndrome de compartimento. § A parte metafisária poderia ser abordada de uma forma não definitiva por meio de um fixador externo. É uma forma de redução indireta do fragmento (sem abertura cirúrgica) e também é feita a síntese percutânea do segmento da articulação, dentro da possibilidade de aparato disponível. o Cuidado total imediato: § Toda vez em que há uma fratura articular, se o paciente tiver condições, deve-se reduzir e até fixar em definitivo a parte articular. § Em fraturas articulares deve-se fazer uma síntese absoluta para não formar calo; § Síntese minimamente invasiva para ter uma redução e o restante faz controle de danos – uso do fixador externo. § Se o paciente não tiver condição de fixar, pode se fazer um provisório com alinhamento da articulação/ uma redução dos fragmentos articular. • Uma fratura articular é sempre uma urgência. • Temos 02 princípios em ortopedia: estabilidade relativa e estabilidade absoluta. • TRATAMENTO DEFINITIVO: É feito um corte cirúrgico com segurança, com ATB profilaxia, em que se faz a síntese do maléolo e depois faz síntese da tíbia junto. o Pode fazer esse tratamento definitivo seguindo o princípio de estabilidade absoluta (não haverá formação de calo ósseo); o Método: parafuso interfragmentar, parafuso de evert e placa de neutralização; o Implante: placas para neutralizar as forças deformantes dos segmentos e manter com os parafusos. ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA AULA xx - RODRIGO NUNES 06/04/2022 O princípio usado nesse caso foi o de estabilidade absoluta – abriu o osso, fixou fragmento com fragmento e estabilizou com dispositivo: parafuso e a placa. Método utilizado foi síntese interna com fixação direta utilizando parafusos interfragmentários, ou seja, parafusos que se ligam aos fragmentos e placa de compressão. Método = placas de compressão e parafusos de tração e compressão. • Tratamento definitivo (segunda opção): o Princípio: absoluta articular e relativa na metafisaria; o Método: parafuso interfragmentar e fixador híbrido. Fixação externa hibrida (componente do fixador externo linear e circular) • Após a melhora de partes moles faz o tratamento definitivo com fixador externo, porém estável suficiente para poder manter o osso numa condição de possibilidade de consolidação. Lembrar: quando há muito movimento – não consolida; quando há estabilidade absoluta – não tem calo ósseo; com esse fixador – existe a formação de algum grau de calo que é desejável. • Método – fixação externa. • Implante – fixador externo hibrida – tem componente do fixador externo circular e componente do fixador externo linear. • O princípio usado agora – estabilidade relativa. FIXAÇÃO EXTERNA TRANSARTICULAR Função: controle de danos, sendo uma síntese rápida, mínima e eficiente na estabilização provisória do segmento ósseo para que seja possível o tratamento definitivo em segundo momento. • Usado para controle de danos. • Linear e transarticular; • Fazemos a opção pelo fixador externo transarticular – by pass a articulação. • Fez uma síntese na fíbula, uma síntese inter-fragmentar na tíbia e uma fixação híbrida. Isso após a estabilização das partes moles. OPÇÕES DE TRATAMENTO DEFINITIVO o Parafuso transindesmal: é aquele que estabiliza e já a manter a redução da pinça maleolar. o Parafuso interfragmentar; o Parafuso de evert. o Placas neutralizantes; o Fixador externo híbrido: apresenta componentes do fixador circular e tem componentes do fixador linear. Ele é indicado em lesões mais graves, pois ele é minimamente invasivo, permite que o paciente possa pisar, se ficar bem estabilizado. FIXADORES EXTERNOS USO Podem ser utilizados na colocação provisória e no definitivo para casos específicos (principalmente envolvendo graves lesões de partes moles e grau de contaminação elevada). Além disso, ele também serve para reconstrução óssea. • A tendencia dos dispositivos, principalmente para síntese diafisária é que eles sejam de estabilidade relativa → Haste intramedular. • Regra da síntese absoluta: em conjuntos articulares e tratamento de fraturas mais simples em diáfises. Mesmo fazendo o controle de danos, a regra geral da ortopedia é sempre tentar reduzir o foco da articulação, pois se sabe que quanto mais rápido após o trauma se reduz e fixa, melhor o prognóstico no médio a longo prazo, evitando que essa lesão articular seja agravada (gera artrose mais rápida). PERSPECTIVA HISTÓRICA ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA AULA xx - RODRIGO NUNES 06/04/2022 PRINCÍPIO MECÂNICO O fixador deve ser rígido o suficiente para suportar as cargas do trauma e para diminuir a movimentação da fratura. **Para diminuir a movimentação – não é anular! Para anular só tem 02 formas: estabilidade absoluta com o parafuso de tração e placa de compressão; estabilidade relativa com o fixador externo, onde tem uma redução na movimentação da fratura suficiente para ajudar na consolidação óssea. FIXADORES LINEARES • Apresentam hastes, barras ou tubos. FIXADORESCIRCULARES • Apresentam os anéis, ajudam no tratamento definitivo e na reconstrução óssea. FIXADORES HÍBRIDOS ESTABILIDADE X CONSOLIDAÇÃO ÓSSEA Quando é que não queremos que haja a formação de calo ósseo? • Na articulação / na região justa articular; • Quando uma fratura é complexa na região metafisária ou diafisária (multifragmentada); • Quando há um envelope de partes moles ruim. APLICAÇÃO DOS FIXADORES EXTERNOS ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA AULA xx - RODRIGO NUNES 06/04/2022 • Quando não há estabilidade, com movimento excessivo, há pseudoarticulação ou pseudoartrose. • O osso apresenta a possibilidade de responder a distração, e se regenerar. FIXADORES MONOLATERAIS “SIMPLES” TIPOS DE MONTAGENS MONOLATERAIS • Estruturas monolaterais (vantagens): o Possibilidade grande amplitude e flexibilidade; o Capacidade de montagem e desmontagem; o Aplicação de pinos individuais em diferentes ângulos e em obliquiadades variáveis. FIXADORES MONOTUBULARES ORIENTAÇÃO DOS PINOS E ESTABILIDADE DA MONTAGEM FIXAÇÃO COM FIOS FINOS DIÂMETRO DO ANEL • Com o aumento do diâmetro do anel, diminui o efeito da maior tensão dos fios na rigidez e no deslocamento da fenda. • Orientação dos fios metálicos: A configuração amis estável ocorre quando dois fios intersectam em um ângulo mais próximo possível de 90°. FIXADORES HÍBRIDOS APLICAÇÃO DOS FIXADORES EXTERNOS • Podem ser utilizados para tratamento definitivo; • Na pelve para fraturas em livro aberto; • A aplicação dos fixadores externos é bem ampla. • Segue alguns exemplos. • Uso nesse caso de fixador externo monolateral em barra. Esse fixador apresenta uma geometria estável cônica, e ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA AULA xx - RODRIGO NUNES 06/04/2022 uma vez implantado ele não promove arrancamento → não saem, são muito estáveis. • Permite a compressão. FIXAÇÃO EXTERNA COMO CONTROLE DE DANO ORTOPÉDICO TRATAMENTO DEFINITIVO DAS FRATURAS Esse paciente se acidentou com uma espingarda e fez uma lesão horrível – o osso esfarelo – uma fratura extremamente cominutiva. Optou-se por esse fixador externo para reconstruir. Quando não é possível tratar com a síntese interna o fixador externo pode ser usado. Caso de fixador externo da pelve supra-acetabular como tratamento definitivo. Coloca o fixador externo e o paciente fica de 03 a 04 meses com esse fixador. Senta-se, só não anda. Após a consolidação da fratura retira o fixador. Também utiliza esse fixador para reconstrução. Nesse caso abaixo, temos perda de tecido importante em torno do tornozelo. Ficou com o pé em equino (pé de bailarina). Esse motorzinho vai paulatinamente tornando esse pé platino. REMOÇÃO DOS FIXADORES Fixador externo supracetabular. ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA AULA xx - RODRIGO NUNES 06/04/2022