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História da Mesopotâmia

Caderno U.T.I. (Unidade Técnica de Imersão) — Ciências Humanas. Reúne sínteses e questões dissertativas para revisar conteúdos dos livros 1 e 2; traz capítulos de História Geral e do Brasil, Filosofia, Sociologia, Geografia e seção sobre Mesopotâmia (sumérios, zigurates, escrita cuneiforme).

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1U.T.I.Unidade Técnica de ImersãoCCIÊNCIASHUMANAS
H
© Hexag Sistema de Ensino, 2018
Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2019
Todos os direitos reservados.
Autores
Eduardo Antônio Dimas
Tiago Rozante
Alexandre Rocha Jabur Maluf
Alessandra de Fatima Alves
Diretor geral
Herlan Fellini
Coordenador geral
Raphael de Souza Motta
Responsabilidade editorial, programação visual, revisão e pesquisa iconográfica
Hexag Sistema de Ensino
Diretor editorial
Pedro Tadeu Batista
Editoração eletrônica
Arthur Tahan Miguel Torres
Bruno Alves Oliveira Cruz
Claudio Guilherme da Silva
Eder Carlos Bastos de Lima
Fernando Cruz Botelho de Souza
Matheus Franco da Silveira
Raphael de Souza Motta
Raphael Campos Silva
Projeto gráfico e capa
Raphael Campos Silva
Foto da capa
pixabay (http://pixabay.com)
Impressão e acabamento
Meta Solutions
Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusivo o 
ensino. Caso exista algum texto, a respeito do qual seja necessária a inclusão de informação adicional, ficamos à disposição 
para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre 
as imagens publicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições.
O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra é usado apenas para fins didáticos, não representando qual-
quer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora.
2019
Todos os direitos reservados para Hexag Sistema de Ensino.
Rua Luís Góis, 853 – Mirandópolis – São Paulo – SP
CEP: 04043-300
Telefone: (11) 3259-5005
www.hexag.com.br
contato@hexag.com.br
CARO ALUNO
Você está recebendo o primeiro caderno da U.T.I. (Unidade Técnica de Imersão) do Hexag Vestibulares. Este 
material tem o objetivo de verificar se você aprendeu os conteúdos estudados nos livros 1 e 2, oferecendo-lhe uma 
seleção de questões dissertativas ideais para exercitar suas memória e escrita, já que é fundamental estar sempre 
pronto a realizar as provas de 2ª fase dos vestibulares.
Além disso, este material também traz sínteses do que você observou em sala de aula, ajudando-lhe ainda 
mais a compreender os itens que, eventualmente, não tenham ficado claros e a relembrar os pontos que foram 
esquecidos. 
Aproveite para aprimorar seus conhecimentos.
Bons estudos!
Herlan Fellini
C
HISTÓRIA
H
História Geral0 1
U.T.I.
SUMÁRIO
UTI - CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS 
TECNOLOGIAS 
HISTÓRIA 
História Geral 5
História do Brasil 29
ENTRE PENSAMENTOS E ENTRE SOCIEDADES 
GEOGRAFIA 
Filosofia 43
Sociologia 69
Geografia 1 87
Geografia 2 117
C
HISTÓRIA
H
História Geral0 1
U.T.I.
7
AntiguidAdes OrientAl e ClássiCA
MesOpOtâMiA
Crescente fértil e Mesopotâmia
Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Crescente_F%C3%A9rtil>. Acesso em: 22 
dez. 2015.
A palavra mesopotâmia é um termo grego e significa “terra entre rios”. Essa região localiza-se entre os rios 
Tigre e Eufrates, no Oriente Médio, onde atualmente é o Iraque. 
Muitos povos antigos habitaram essa região entre 4000 e 500 a.C., aproximadamente.
Destacam-se nesse longo período: babilônios, assírios, sumérios, caldeus, amoritas e acádios. 
Eles eram povos politeístas, pois acreditavam em vários deuses e que cada um tinha suas funções específi-
cas na natureza. 
Sua administração política era centralizada, na forma do governo absoluto de uma pessoa (imperador ou 
rei), que era também sumo sacerdote e comandante em chefe das forças militares.
A economia mesopotâmica estava centrada na agricultura e no comércio nômade de caravanas.
Todos os povos da antiguidade, em geral, buscavam regiões férteis, próximas a rios, para se fixarem e se 
desenvolverem. Nesse sentido, a região da Mesopotâmia garantia a sua população água para consumo humano e 
para as criações de animais, pesca e via de transporte.
No entanto, o maior benefício dos rios Tigre e Eufrates aos povos mesopotâmicos foi o seu regime regular 
anual de cheias e vazantes, que garantiam abundante, variada e fértil agricultura. 
8
suMériOs 
Eles criaram e realizaram um complexo sistema de controle da água dos rios. Construíram canais de irriga-
ção, barragens e diques. Uma contribuição marcante dos sumérios foi a criação da escrita cuneiforme a partir de 
4000 a.C.. Usavam placas de barro, onde cunhavam a escrita. 
Os sumérios se notabilizaram pela agricultura e construíram os zigurates (torres com formato de pirâmides 
que serviam como locais de armazenagem de produtos agrícolas e também como templos religiosos). Um dos 
zigurates mais famosos ficou conhecido como a Torre de Babel. Entre as cidades sumérias mais importantes estão 
Ur, Nipur, Lagash e Eridu.
BABilôniOs 
100 2000
Mari
Echnuna
Lagash
Assur
Nínive
Ur
Eridu
Larsa
Nipur
Isin
Kish
Sipar
Babilônia
S
usa
E u f r a t e s
T i g r e
Malgium?
Domínio da Mesopotâmia pelos sumérios
e acádios (3500 - 2000 a.C.)
Primeiro Império Babilônico em sua maior
extensão no tempo de Hamurábi
(1792 - 1750 a.C.)
O Império Babilônico
Adaprado de: <https://pt.wikipedia.org/
wiki/>. Acesso em: 25 dez. 2015.
Os babilônios construíram suas cidades nas margens do rio Eufrates. Criaram e aplicaram um código de leis 
escritas que, até agora, temos conhecimento ser o primeiro de todos os povos.
O imperador e legislador Hamurabi teria criado seu Código, por volta do século XVIII a.C.
A essência de suas leis estava no chamado “conceito legal Talião”, ou “olho por olho, dente por dente”. 
Significa dizer que a pena aplicada ao infrator seria de igual intensidade ao delito cometido. No extremo, um as-
sassino receberia pena capital. 
Esse código de leis escritas tinha por objetivo tornar claras, objetivas e permanentes as ordens imperiais 
que, assim, organizavam as relações entre a sociedade e o império, não só para os babilônios, mas especialmente 
para os povos estrangeiros das cidades vizinhas, que haviam sido recém-conquistadas e, agora, faziam parte do 
Estado babilônico.
Essas leis também procuravam organizar a vida dos súditos entre eles, particularmente reforçando a rígida 
hierarquização social existente. 
Os babilônios também desenvolveram um calendário bem preciso, para principalmente conhecer mais sobre 
as cheias e vazantes do rio Eufrates e, assim, aproveitá-las economicamente melhor, desenvolvendo sua agricultura 
e a criação de animais. 
9
AssíriOs
O Império Assírio
Mar Cáspio
Golfo
Pérsico
Salamis
Pafos
Chipre
Mar
Vermelho
Mar Negro
Mar
Egeu
Mar Mediterrâneo
Rodes
Creta
Esparta
Corinto Atenas
Tasos Bizâncio
Astaco
Calcedônia
Cízico
Abidos
Mileto
Trácios
Macedônia
Épiro
Ilírios Peônios
Celenas
Faselis
Biblos
Sídon
Tiro
Damasco
Jerusalém
Sela
Pelúsio
Bubástis
TânisSaís
On
Mênfis
Heracleópolis
Aquetaton
Siut
Abidos Tebas
Jeb
Ráfia
Samaria
Asquelom
Amônio
Cirene
Arados
Elteque
Qarqar
Tarso
Tieu
Sinope
Trapezo
Ancira
Górdio
Sardis
Reino
Lídio
C i m é r i o sReino
Frígio
Judá
C í t a sCólquida
Hamate
Tadmor
Arpade
Carquemis
Samal
Marqash
Karum
Til Barsip
Guzana
Harrã Nísibis
Assur
Nínive Arbela
Calach
Dur Charrukin
Arrapaca
Ecbátana
Musasir
Susa
Ur
Babilônia
Sipar
NipurBorsipa
Erech
Cuta
Kish
Anato
Ópis
Líbios
Adumatu
Reino de Urartu
(antes de 712 .a.C.)
Península
do SinaiEgito
(antes de 671 a.C.)
Império Assírio - 824 a.C.
Império Assírio - 671 a.C.
Disponível em: <https: https://pt.wikipedia.org/wiki/Assíria>. Acesso em: 25 dez. 2015.
Caracterizaram-se por uma estrita e poderosa cultura militar. A guerra era para os assírios uma fonte de 
aumento do poder político e de riqueza econômica. Eram extremamente cruéis e violentos com os povos que ven-
ciam e conquistavam. Impunham aos vencidos castigos, crueldades e sofrimentos públicos, para assim manterem 
o respeito dos perdedores, por meio do terror, que, aliás, tornava-se logo conhecido por outros povos,que já os 
temiam antecipadamente, mesmo antes de confrontá-los. Por isso, tiveram de enfrentar muitas revoltas nas regiões 
e cidades por eles conquistadas.
CAldeus
Os caldeus, de origem semita, viveram na 
região chamada Baixa Mesopotâmia, no primeiro 
milênio antes de Cristo. Entre 612 e 539 a.C., eles 
formaram um império na Mesopotâmia. O auge do 
império caldeu ocorreu em 587 a.C., sob o governo 
de Nabucodonosor II, quando conquistaram o povo 
hebreu e tomaram a cidade de Jerusalém, submeten-
do grande parte desse povo a um longo período de 
escravidão.
Nabucodonosor II foi o responsável pela cons-
trução dos famosos Jardins Suspensos da Babilônia 
(que fez para agradar a imperatriz) e a reconstrução 
e ampliação da Torre de Babel (um zigurate vertical 
de 90 metros de altura). 
Após sua morte, o império caldeu-babilônico foi conquistado pelos persas, em 539 a.C., sob o comando do 
rei Ciro, e os povos da região mesopotâmica nunca mais seriam verdadeiramente independentes, passando sempre 
a fazer parte como territórios conquistados de algum grande império da antiguidade.
10
Egito
A civilização egípcia antiga existiu no nordeste afri-
cano, em torno do rio Nilo, entre os anos de 3200 a 32 a.C..
Como a região é formada por um deserto (Sa-
ara), o rio Nilo era de importância fundamental para a 
vida dos egípcios.
Ele era utilizado como via de transporte de mer-
cadorias e pessoas. Suas águas serviam para homens e 
animais beberem, preparar alimentos, pescar e, princi-
palmente, fertilizar as suas margens, no seu movimen-
to regular de cheias e vazantes, à semelhança dos rios 
Tigre e Eufrates na Mesopotâmia, que proporcionavam 
uma produção agrícola fértil, abundante e variada, além 
de propiciar a criação de vários tipos de animais.
A sociedade era dividida em vários grupos, sen-
do que o faraó era o supremo líder, visto pela maioria 
como a encarnação da Divindade.
Sua família mais próxima e os nobres de várias 
categorias se situavam logo abaixo de seu poder.
Sacerdotes cuidavam da religião, ritos e cerimô-
nias, que possuíam uma forte carga de simbolismo pe-
rante todos os grupos sociais. 
Wadi El Natrun
Pirâmides
Mênfis
Oásis de Bahariya
Oásis de Dakhla
Oásis de Kharga
Wadi H
ammam
at
Tebas
Primeira Catarata
Oásis de Dunqul
Segunda Catarata
Baixo Egito
Deserto
Arábico
Deserto
Líbio
Alto
Egito
Quseir
M
ar
 M
or
to
Grande Lago
Amargo
Golfo do Suez
G
ol
fo
 d
e 
Aq
ab
a
Mar Mediterrâneo
Mar
Vermelho
Delta do Nilo
Lago
 Moe
ris
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W
SESW
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0 100(km)
60 0(mi)
R
io
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ilo
Rio Ni
lo
Antigo Egito
Adaptado de: <pt.wikipedia.org>. Acesso em: 3 dez. 2014.
Os escribas eram responsáveis por toda a ativi-
dade escrita do Império, desde simples contabilidade 
de negócios, passando pela administração econômica 
governamental, até a produção sagrada, expressando a 
busca de contato, relacionamento e suporte dos deuses.
Por esse motivo, havia basicamente dois tipos de 
escrita – a escrita demótica (mais simplificada e usada 
para assuntos do cotidiano) e a hieroglífica (mais comple-
xa e formada por desenhos e símbolos).
Os militares representavam a força para a defesa 
do território e da vida do faraó, como também para o ata-
que e conquista de novas terras e submissão à escravidão 
de povos estrangeiros.
Havia, finalmente, os trabalhadores, que ocupavam 
várias funções e realizavam diversas atividades; os buro-
cratas, que cuidavam da administração, contabilidade e 
execução das ordens governamentais; os comerciantes, 
comprando e vendendo produtos, dentro e fora do Egito.
Os artesãos eram produtores de quase tudo, como 
móveis, materiais de construção e arquitetônicos, peças e 
máquinas hidráulicas, objetos de arte e decoração, rou-
pas, calçados e todo tipo de adereços; também pratica-
vam a construção civil de residências, locais de comércio, 
locais de diversão, túmulos, palácios, estátuas, praças 
e monumentos, pavimentação de ruas e construção de 
obras hidráulicas.
Camponeses, pastores e criadores trabalhavam di-
retamente na terra, no plantio, cultivo e colheita agrícola, 
pastoreio e criação de animais.
Os escravos eram utilizados em todo tipo de traba-
lho, até mesmo, por vezes, no trabalho intelectual, depen-
dendo de suas qualificações, mas a maioria participava do 
trabalho braçal e manual em todo tipo de construções e 
extração de minerais preciosos nas minas.
Esses escravos eram, em geral, estrangeiros cap-
turados das guerras de conquista territorial empreendidas 
pelo Egito, mas também poderiam ser homens livres mais 
pobres, que, não tendo como pagar suas dívidas, torna-
vam-se escravos de seus credores por tempo determinado.
Esse poderoso e extenso Império era sustentado 
por impostos, cobrados com regularidade e que atin-
giam boa parte de toda população, à exceção dos gru-
pos mais privilegiados.
Assim, a economia egípcia baseava-se na agri-
cultura, criação de animais, comércio interno e exter-
no, artesanato e construção civil, marcada por grandes 
obras de utilidade pública, hidráulicas, diques, represas 
e canais de irrigação, para o aproveitamento e irrigação 
11
das águas do Nilo, ruas, estradas e portos para a circu-
lação das pessoas e mercadorias e as constantes guer-
ras e invasões, pilhando a riqueza de povos vizinhos e 
utilizando-os como mão de obra escrava. 
Como contribuição e herança para os tempos 
futuros, os egípcios se desenvolveram muito na área da 
medicina, química e biologia – por meio dos estudos e 
práticas de mumificação de cadáveres –, conhecimentos 
importantes na matemática e geometria, por meio das 
construções das grandes obras – pirâmides, palácios e 
templos – e de engenharia hidráulica, por meio do apro-
veitamento funcional do rio Nilo e técnicas agrícolas.
Hebreus
DESERTO DA ARABIA
EGITO
Reino de
Israel
Reino de
Judá
Fenicios
Tiro
Jerusálem
Arameus
Gaza
Jafa
Filisteus
Amalequitas
Edomitas
Moabitas
Amonitas
MAR MEDITERRÂNEO
Territórios progressivamente ocupados
pelas tribos de Israel ao fim do II milênio
Territórios mantidos como tributários
pelo rei Davi e perdidos depois por Salomão
Os hebreus
Adaptado de: <http://www.historianet.com.br/conteudo/
default.aspx?codigo=85>. Acesso em: 25 dez. 2015.
Muito do que sabemos sobre o povo hebreu ad-
vém dos textos do Antigo Testamento, a primeira parte da 
Bíblia. O Antigo Testamento contém a visão dos hebreus 
sobre a origem do mundo, da identidade do Deus Único 
(Iaweh) e das normas de conduta ética e moral para a 
vida dos indivíduos e a formação de uma sociedade mais 
justa aos olhos de Iaweh. Além disso, existem, nesses Li-
vros, poemas, orações, profecias, interpelações e questio-
namentos ao comportamento do povo em seu relaciona-
mento entre si e com Deus, além de minunciosos relatos 
de conflitos internos, guerras e acontecimentos marcan-
tes da história desse povo e descrições detalhadas de ri-
tuais, cerimônias e manifestações religiosas, prescritas ao 
povo, para que sua fidelidade a Iaweh não fosse abalada.
Segundo a tradição, Abraão, o patriarca fundador 
da nação hebraica, viveu na cidade de Ur – na Mesopo-
tâmia – e recebeu do próprio Iaweh a revelação de Sua 
existência e seu desejo de ser adorado por aquele povo 
como Deus Único. Consequentemente a isso, Abraão 
deveria com sua família e tribo migrar da Mesopotâmia 
para Cannaã, que, depois, seria chamada Palestina – 
como uma Terra Prometida para aquele povo. É nessa 
região que se localiza atualmente o Estado de Israel. 
Após passarem um período vivendo em Canaã, os 
hebreus migraram novamente para o Egito, onde viveram 
entre 300 e 400 anos, e acabaram sendo transformados em 
escravos. A partir desse momento, os hebreus vão iniciar uma 
história de desenvolvimento da sua singularidade como povo, 
a partir de suas práticas religiosas monoteístas, diferenciando-
-os assim de todos os povos vizinhos e, provavelmente, de 
todos os povos antigos. Além disso, em função da perda de 
liberdade e dispersão individual num país estrangeiro,o Egito, 
a percepção dessa unidade e singularidade vai aumentando.
Surge o líder Moisés, judeu de origem e aciden-
talmente criado e educado na corte do faraó, e que, 
como Abraão, recebe diretamente de seu contato e ins-
piração com Iaweh a missão de retirar seu povo do Egi-
to, pelo mar que hoje conhecemos por mar Vermelho, 
até a chamada Terra Prometida – que seria a Palestina.
Após a morte de Moisés, os hebreus chegaram à 
Palestina e, sob a liderança de Josué – irmão de Moisés 
e seu natural sucessor – cruzam o rio Jordão e se esta-
belecem na Palestina. O povo hebreu se dividiu em 12 
tribos (“os doze filhos de Israel”), que viveram em clãs, 
subdivididos em famílias – compostas pelos patriarcas, 
seus filhos, mulheres e trabalhadores não livres.
O poder e prestígio desses clãs encontravam-se 
diretamente ligados à figura pessoal de cada patriarca, 
mas as ligações entre esses clãs não eram assim tão só-
lidas e permanentes. Devido a todas as dificuldades em 
se chegar e ocupar a Terra Prometida, surgiu a neces-
sidade de poder e comando mais centralizados, ágeis 
e eficientes – particularmente no sentido de combater 
eventuais invasões e organizar as estruturas sociais e 
econômicas de uma forma regular e objetiva.
Assim, os hebreus acabaram, por necessidade, es-
colhendo para essa função de governo chefes militares de 
destaque e competência, que foram chamados de juízes.
12
Com a concentração do poder em suas mãos, os 
juízes procuraram organizar, estruturar e manter a união 
das doze tribos, pois ela possibilitaria a manutenção da 
ocupação da Palestina e a criação de uma vida social, 
econômica e cultural permanentes. 
Os principais líderes desse momento foram os 
juízes Sansão, Otoniel, Gideão e Samuel, e o poder de 
todos passava por várias situações e acontecimentos, 
de acordo com as crenças daquele povo – determina-
dos diretamente por Iaweh, que escolhia e abençoava 
aqueles homens em sua difícil e complexa missão de 
manter aquele povo unido em um território onde todos 
pudessem viver com dignidade.
A união das doze tribos era difícil de ser conseguida 
e mantida, pelas rivalidades internas e desejo de indepen-
dência entre cada um dos patriarcas e suas famílias e clãs.
Os juízes tinham um poder temporário e, mesmo 
com a unidade cultural (língua, costumes e, principalmente, 
religião), aquelas rivalidades e desejo de independência e 
autonomia permaneciam dominantes entre as tribos.
A plena unidade política foi conseguida com a 
monarquia, quando sacerdotes e profetas de destaque 
por sua palavra, ou mesmo a realização de milagres, 
escolhiam iluminados por Iaweh os reis – governantes 
centrais de todo o povo hebreu.
Sua economia era baseada na agricultura, pesca, 
criação de pequenos animais, pastoreio e comércio.
A sociedade se dividia entre os laços de paren-
tesco com os patriarcas, e os sacerdotes e profetas se 
destacavam como intérpretes da Vontade de Deus para 
aquele povo; essas interpretações estavam ligadas às 
leituras do Antigo Testamento, mas também à ilumina-
ção pessoal de cada um deles.
Como realizações arquitetônicas, destacam-se 
muitas muralhas e fortificações militares, a construção 
da capital Jerusalém – sede do Governo Hebreu e cen-
tro religioso principal. Nessa cidade, o famoso e gran-
dioso Templo de Jerusalém ou de Salomão, mandado 
construir pelo rei com o mesmo nome, por volta do sé-
culo IX a.C., no intuito de ser um centro espiritual para o 
povo hebreu e que guardava a famosa Arca da Aliança, 
que continha, entre outros valiosos bens espirituais, as 
Tábuas dos Dez Mandamentos de Moisés.
Na Literatura, sem dúvida alguma, o Antigo Tes-
tamento, contido na Bíblia, e o Talmude foram o grande 
legado cultural dos hebreus, e que traduzem o seu sin-
gular monoteístmo diante de sua época.
gréCiA
A Grécia antiga
Disponível em:< https://commons.wikimedia.org/wiki/
File:Mapa_Grecia_Antigua.svg> Acessado em: 22 Dez.2015
A Grécia na antiguidade não formava um país 
com um governo centralizado, como ocorria no Egito, por 
exemplo. Era uma região localizada notadamente numa 
península a sudeste do continente europeu, hoje conhe-
cida por península Balcânica, coberta por muitas ilhas 
entre o mar Egeu e o mar Jônico, cuja maior era a ilha 
de Creta e alcançava a costa litorânea ocidental do con-
tinente asiático, chamada de Ásia Menor e que hoje faz 
parte da região por nós conhecida como Oriente Médio.
Então, basicamente, a Grécia se encontrava divi-
dida em três regiões: Grécia Continental Europeia, Gré-
cia Insular e Grécia Asiática.
13
De uma forma geral, a topografia de toda essa região se caracterizava por ser montanhosa e com terrenos 
bastante irregulares, pedregosos e fragmentados – o que dificultava as práticas da agricultura e pecuária exten-
sivas, com exceção de pequenas porções de terreno junto às muitas faixas litorâneas existentes em toda região, 
marcadamente marítima.
Essa topografia dificultava também o estabelecimento e concentração de grandes contingentes popula-
cionais em uma mesma área e a comunicação entre as diversas comunidades ali estabelecidas, favorecendo ao 
contrário sua autonomia, isolamento e independência.
Apesar dessa dispersão geográfica, estes vários povos estavam unidos por uma cultura comum, com mes-
mos costumes, mesmas crenças e uma mesma língua. 
Assim sendo, esses povos reconheciam-se como helenos, chamando de bárbaros os estrangeiros que não 
dividiam a mesma cultura, por considerá-los inferiores.
A História da Grécia antiga divide-se em: 
Período Pré-homérico (2000 a 1100 a.C.)
Esse é o período de formação da Grécia, chamada na língua daqueles povos de Hélade.
Povos predominantemente de origem indo-europeia foram ocupando esses territórios e, particularmente, a 
ilha de Creta, tornou-se um centro político, econômico e cultural para toda a região, sofrendo muitas influências 
dos contatos comerciais com o Egito e a Mesopotâmia. Creta foi absorvendo elementos dessas duas culturas e 
fundindo-os com as diversas expressões culturais dos variados povos que viviam em toda Hélade.
Período Homérico (1100 a 800 a.C.)
Iniciou-se com uma invasão generalizada dos povos dórios, provavelmente vindos da Ásia Menor, mergu-
lhando a região em um período de caos, produzido por guerras, conflitos civis e desorganização das estruturas 
sociopolíticas existentes.
Nesse período, os helenos organizaram-se em comunidades fechadas, denominadas genos e que se carac-
terizavam por serem sociedades de base tribal, clânica e familiar, onde todos os seus membros possuíam algum 
tipo de laço de parentesco entre si. A posse da terra era comunitária, predominando o trabalho agrícola, pastoril 
e artesanal e a extratificação social acontecia relacionada com a maior ou menor proximidade sanguínea com o 
pater, em geral uma das pessoas mais velhas da comunidade e com reconhecida sabedoria para aplicar as leis – 
todas baseadas nas tradições e costumes daquela comunidade.
Com o intenso crescimento demográfico desses genos, as terras não eram suficientes para todos, então os mem-
bros das famílias mais próximas do pater, denominados eupátridas, apropriaram-se das melhores terras e os membros 
mais afastados dessas famílias foram expulsos ou abandonavam o genos, forçados pelas necessidades de sobrevivência.
14
Em geral, esses indivíduos marginalizados e empobrecidos dos genos saíram da Grécia pelo mar e indo ao 
oeste pelo mar Mediterrâneo, ocupando as regiões mais meridionais do território europeu, atuais Itália, França e 
Espanha, e ocupando essas regiões, fundavam colônias gregas, que depois se tornariam parte da chamada “Magna 
Grécia” – um território colonial grego.
Cidades como Sicília, Marselha e Barcelona se originaram desse processo de colonização.
Essa população colonial se ocupava principalmente das atividades comerciais e negociavam produtos euro-
peus e africanos, vindo comumente a tornarem-se ricos armadores, comerciantes e proprietários de terras.
Alguns desses novos ricosretornavam a seus locais de origem e nascimento, agora ocupados por inúmeras póleis, 
os quais, em geral, eram discriminados política, social e culturalmente pelos eupátridas – que formavam, por sua vez, uma 
poderosa aristocracia, lutando por manter seus privilégios e estando à frente dos governos das cidades-Estado.
Em meio a esses genos, os eupátridas iam formando territórios exclusivos para preservar seus privilégios e 
interesses políticos e econômicos, mantendo as camadas populares à margem dessa nova sociedade.
Esses novos territórios eram as póleis ou pólis, no singular, – cidades-Estado com total autonomia política, 
sendo na prática pequenos países com centros urbanos que iriam se desenvolver gradativamente em meio a área 
rural dos antigos genos.
Período Arcaico (800 a 500 a.C.)
Esse período correspondeu à formação, crescimento e desenvolvimento das poléis.
Foi uma época marcada por intensos e variados conflitos sociais.
De um lado, lutavam entre si os eupátridas, membros das antigas aristocracias gentílicas, pelo controle das 
póleis, contra a nova classe de comerciantes enriquecidos, que exigiam uma posição social e política compatível 
com sua riqueza econômica.
De outro lado, aquelas populações mais pobres, que continuaram vivendo em suas regiões, lutavam por 
melhores condições materiais de vida e também pela participação na administração da pólis. Muitos, de tão empo-
brecidos e endividados, tornavam-se escravos, o que gerava ainda mais revolta contra os eupátridas.
Desde esse momento, algumas póleis começaram a se destacar no mundo grego, fosse por sua posição 
geográfica privilegiada, principalmente com acesso estratégico às aguas marítimas que levavam para todos os 
continentes, fosse pelo seu poderio militar, ou mesmo, pelo seu tamanho e demografia, como Atenas, Esparta, 
Corinto, Tebas e Olímpia.
Para resolver e pacificar os conflitos em Atenas, no século VII a.C., foram escolhidos legisladores, como 
Dracon e Sólon, que criaram e aplicaram, pela primeira vez, leis escritas, atenuando, diminuindo e reformulando as 
diferenças entre as várias classes e grupos sociais.
Mas foi no século seguinte (VI a.C.), no governo de dois tiranos – Pisístrato e Clistenes –, que enfrentaram 
decisivamente e extinguiram os privilégios aristocráticos, as bases políticas, sociais e econômicas para um nova 
organização das póleis, que seria efetivamente criada.
15
Período Clássico (V a IV a.C.)
Nesse período, a singularidade cultural grega se define perante si mesma e outros povos, pois os laços culturais entre 
a Grécia e suas colônias são estreitados, espalhando-se os valores da cultura grega por todo o ocidente europeu e norte 
da África, pelo mar Mediterrâneo e, assim, de uma forma bastante sólida, os gregos veem a si mesmos como o melhor da 
civilização humana e tratando os muitos povos estrangeiros com os quais mantêm contato, como bárbaros, incivilizados, 
incultos e inferiores aos gregos.
Ao mesmo tempo que isso ocorre, em Atenas e em outras póleis, consolida-se como forma de governo e 
convivência cultural a democracia, tomando a própria pólis como a base da cidadania, pois o demos/povo de cada 
cidade é visto individualmente e em seu todo como essencialmente iguais, ou seja, parte integrante de uma cultura 
superior a todos os outros povos, desfazendo-se, assim, aquelas diferenças internas que marcaram os períodos 
aristocráticos anteriores.
É nessa época também que se definem na Grécia a influência de duas cidades-Estado sobre todas as outras: 
Atenas e Esparta.
Atenas se organiza politicamente em torno da democracia, valoriza a educação e a cultura de seus cidadãos, 
o embelezamento arquitetônico da cidade, desenvolve o pensamento fiosófico e científico especulativo e torna-se 
uma potência colonial marítima rica, influente e poderosa dentro e fora da Grécia.
Esparta se caracteriza pelo domínio de uma elite militar que conforma todos os seus cidadãos aos padrões mili-
tares da existência – rígida hierarquia, frugalidade, simplicidade material, rigidez no trato social e ausência de quaisquer 
atividade culturais ou educacionais que não sejam estritamente parte da formação militar dos indivíduos.
Essa cidade torna-se, de fato, uma verdadeira potência militar terrestre com um poderoso e disciplinado 
exército que se impõe na região do Peloponeso como uma potência grega.
Funcionamento da democracia ateniense
A democracia ateniense era uma democracia direta porque todos os cidadãos participavam diretamente na aprovação das leis e nos órgãos políticos da 
pólis, sem o recurso a representantes.
16
Esse período marca também três tentativas de in-
vasão e ocupação do Império Persa sobre a Grécia durante 
quase um século, nas chamadas Guerras Médicas (os per-
sas eram conhecidos pelos gregos como medos), que uniu 
durante o período toda a Grécia sob o comando naval de 
Atenas e terrestre de Esparta – mantendo a independência 
das cidades gregas e expulsando definitivamente os persas 
de seu território em 479 a.C., na batalha de Plateia.
Essa vitória tornou os gregos inigualáveis e superio-
res aos outros povos, pois a diferença numérica de forças a 
favor dos persas era marcante, devendo os gregos sua vi-
tória não a sua quantidade, mas a sua qualidade enquanto 
povo que lutava pela sua liberdade e independência.
Com a destruição final do inimigo comum – a Pérsia 
–, Atenas e Esparta passaram a procurar exercer e disputar a 
hegemonia política, econômica e militar sobre toda a Grécia.
Assim, foram criadas a Confederação de Delos, 
comandada por Atenas e com muitas outras cidades 
que dela faziam parte, e a Liga do Peloponeso, coman-
dada por Esparta e também com um grande número de 
cidades que dela faziam parte.
Essa disputa entre as duas pólis foi se tornando 
tão acirrada que desembocou em um conflito de gran-
des proporções atingindo toda a Grécia, denominado 
Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.).
No final do conflito, a Grécia se encontrava mate-
rialmente arrasada, com grande diminuição de sua popula-
ção masculina mais jovem e enfraquecendo-a militarmente.
Período Helenístico
Embora a vitória do conflito coubesse a Esparta, 
que conseguiu afinal se impor a toda a Grécia, ou àquilo 
que dela restava, esse domínio foi de curta duração, pois a 
própria Esparta estava profundamente enfraquecida. Após
uma, igualmente breve, hegemonia da cidade de Tebas, a 
Grécia seria invadida pelo império dos bárbaros macedô-
nios, comandados pelo rei Felipe II, vindos do norte da 
península e encerrando definitivamente o período de inde-
pendência das póleis gregas, no ano de 336 a.C.
Seu filho Alexandre Magno continuaria e estende-
ria a obra do pai, criando um imenso império, que abran-
geu todo o norte da África, a península Balcânica e o con-
tinente asiático, desde a Ásia Menor até partes da Índia.
Alexandre havia sido profundamente influencia-
do pela cultura grega e em seu império ele vai levar a 
cultura, costumes e valores gregos a todas essas diver-
sas regiões, que irão ter sua própria cultura regional se 
misturando a vários elementos da cultura grega – a esse 
processo de aculturação chamou-se helenismo.
Com a morte de Alexandre Magno, em 323 a.C., 
seu império se fragmentou em três partes independen-
tes – Macedônia (da qual a antiga Grécia fazia parte), 
Egito e Mesopotâmia. As diversas lutas entre essas re-
giões foram-nas enfraquecendo, facilitando o domínio 
romano, ocorrido a partir de 146 a.C.
rOMA
A história de Roma se divide em três períodos principais:
 § Monarquia – da fundação da cidade de Roma, em 
753 a.C., à implantação da República, em 509 a.C.
 § República – de sua implantação, em 509 a.C. a 
27 a.C., quando Otávio, sobrinho de Júlio Cesar, 
se confere o título de “Augusto” – até então re-
servado aos deuses – e acrescenta “César” como 
adjetivo imperial de poder.
 § Império – de 27 a.C., a partir do governo de 
César Augusto Otávio, até a destruição, saque e 
ocupaçãode Roma e a ocupação dos territórios 
ocidentais do império pelos povos germânicos, 
em 476 da era cristã. Roma é uma cidade que 
inicia sua expansão militar pela península Itálica, 
já a partir do século VI a.C. 
Essa península era ocupada, já há muitos sécu-
los, por povos etruscos e latinos (dos quais faziam parte 
os habitantes de Roma), sabinos e samnitas, e os gregos 
com suas colônias ao sul.
17
A estrutura política e social da monarquia romana 
era semelhante àquela do início das póleis gregas: havia 
um rei – o pater –, o senado – uma numerosa assembleia 
composta por aristocratas proprietários de terras – e os 
patrícios. O restante da população, camponeses, artesãos 
e pequenos comerciantes e proprietários, era composta 
pelos plebeus, que mesmo sendo homens livres, não ti-
nham direito à cidadania. Por fim, a camada mais baixa, 
que eram os escravos, comprados de outros povos, to-
mados em invasões das terras vizinhas ou homens livres 
pobres, que eram escravizados para poderem pagar suas 
dívidas com os grandes senhores.
Roma ocupava uma região denominada Lácio, 
que estava estrategicamente próxima ao mar Mediter-
râneo e no entroncamento de várias rotas terrestres, 
que ligavam o norte ao centro e ao sul da península Itá-
lica – um extenso vale cortado pelo rio Tibre e cercado 
por elevações e colinas.
Todas essas condições geográficas permitiam 
uma melhor defesa da cidade, circulação de pessoas e 
mercadorias por toda a parte terrestre e marítima vi-
zinhas, e suas terras eram extremamente favoráveis à 
agricultura, criação e pastoreio de animais.
Isso fazia de Roma uma cidade rica, populosa e 
desenvolvida com relação a toda a região.
Desejando mais autonomia, a classe aristocrática 
se coloca inicialmente contra o rei, e os plebeus, cada vez 
em maior número e muito enriquecidos pelos negócios, 
começam a exercer pressão no sentido de ser igualmente 
cidadãos e participarem da vida pública de Roma.
Somando-se à expansão territorial, econômica e 
populacional, a monarquia se mostra cada vez mais inca-
paz de sustentar-se e, afinal, é derrubada pelos patrícios, 
que instauram a República em Roma, com o senado con-
trolando a elaboração, julgamento e aplicação das leis.
Iniciam-se então lutas sociais declaradas entre pa-
trícios e plebeus, por igualdade política e social e melhores 
oportunidades econômicas, gerando instabilidade em Roma, 
causando seu enfraquecimento diante de seus vizinhos.
Afinal, o senado concorda em aplicar uma série 
de reformas que vão tornar os plebeus cidadãos plenos 
de Roma, com direitos semelhantes aos dos patrícios.
Isso coincide com uma crescente expansão do 
território romano pela península, até no século III a.C., 
Roma tomá-la como um todo e iniciar seu domínio co-
mercial no mar Mediterrâneo.
Conquistas da plebe
 § Tribunos da Plebe: o tribuno da plebe não 
era considerado um magistrado, mas o re-
presentante, dentro do governo aristocrá-
tico, da classe menos favorecida. Eram es-
colhidos entre os plebeus, e atuavam como 
líderes de sua classe, levando as reivindica-
ções dos plebeus aos escalões superiores 
da hierarquia governamental romana.
 § Lei das Doze Tábuas: primeiro código es-
crito de leis em Roma, evitando arbitrarie-
dades dos poderosos.
 § Lei Canuleia: permissão de casamento en-
tre patrícios e plebeus.
 § Lei Licínia: proibição da escravidão por 
dívidas. 
Esse domínio encontrará em Cartago, uma cida-
de ao norte da África – fundada pelos antigos fenícios 
– uma grande concorrente, provocando entre as duas 
potências, Roma e Cartago, as chamadas Guerras Púni-
cas (264-146 a.C.) – os romanos chamavam os cartagi-
neses de “punos”, que significa fenícios.
18
Essas duras guerras, além de servirem de verda-
deiro preparo, desenvolvimento e aperfeiçoamento das 
forças militares romanas, preparando-as para as futuras 
conquistas, foram vencidas por Roma, que além de li-
teralmente arrasar a cidade rival – passou a dominar 
absolutamente todo o mar Mediterrâneo, o que aumen-
tou vertiginosamente as riquezas, poder e influência de 
Roma, que logo inicia suas conquistas no norte da Áfri-
ca e atravessando o Mediterrâneo em direção ao norte 
–, inicia suas conquistas ao sul daquele continente, que 
mais tarde vai ser conhecido por Europa.
Com essa expansão, a vida urbana em Roma e 
em outras cidades, que vão sendo fundadas nos terri-
tórios ocupados, vai se desenvolver, a riqueza vai au-
mentar e os contatos culturais com povos diversos vão 
provocar intensas trocas de conhecimentos.
Essa ampliação de mercados vai também criar um 
desenvolvimento do artesanato e da manufatura, mas 
também uma entrada em Roma de um grande número 
de escravos vindos das conquistas, o que vai depreciar a 
mão de obra principalmente rural, provocando um êxodo 
urbano, aumentando a população da cidade e de plebeus 
empobrecidos e politicamente descontentes.
As lutas sociais nesse período serão intensas, 
desestruturando o poder do senado e enfraquecendo a 
República, que vai criar a instituição Tribunato da Plebe, 
um espaço representativo para, politicamente, os ple-
beus encaminharem suas solicitações.
Os irmãos Tibério e Caio Graco vão, respectiva-
mente, ocupar esse cargo, tentando realmente pressio-
nar o senado a produzir reformas eficazes para atender 
aos reclamos dos plebeus.
Ambos serão mortos nesse confronto – com o 
senado, aumentando a insatisfação da plebe e fortale-
cendo o exército cada vez mais necessário para garantir 
a ordem na cidade e em torno dela.
Com isso, um de seus generais, Júlio Cesar, aca-
ba assumindo uma certa liderança paralela entre seus 
homens e com a própria plebe sublevada.
Utilizando seu carisma e posição, César tenta 
impor sua autoridade ao senado, quando é assassinado, 
provocando grande comoção na população e em seus 
aliados, que promovem então um conflito aberto com o 
senado e seus aliados aristocratas.
O resultado final desse confronto é a instalação 
do Império na figura de Otávio, sobrinho de César, que 
toma o nome de seu tio como título (que a partir de en-
tão será utilizado por todos os imperadores), acrescen-
tando Augusto – semelhante a divino, tornando a figura 
do imperador verdadeiramente sagrada e centralizadora 
– passando este a comandar os ritos religiosos oficiais, 
chefiar o exército, o poder executivo e influenciar o judi-
ciário e o legislativo.
A expansão do poder de Roma alcançou então 
com o Império toda a Ásia Menor, o norte da África e 
centro-sul ocidental do continente europeu.
Com essa expansão, aliada ao surgimento do 
cristianismo e algumas seitas orientais que não aceita-
vam a divindade do imperador, às revoltas dos escravos 
e ao aumento de impostos, cria-se uma crise no império 
enfraquecendo sua economia, a autoridade política do 
imperador e do senado e as forças militares.
Assim, os povos germânicos ao norte do conti-
nente europeu acabaram pressionando as fronteiras, in-
vadindo e se fixando nas províncias ocidentais, chegan-
do a saquear, destruir e ocupar Roma no ano de 476, 
colocando um fim na parte ocidental do Império, que 
se preservou no Oriente com o nome da cidade em que 
Constantinopla, agora capital, foi construída: a antiga 
Bizâncio daria o nome ao antigo império romano orien-
tal, a partir do século V, denominado Império Bizantino.
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iMpériO BizAntinO e CivilizAçãO MuçulMAnA
iMpériO BizAntinO
O Império Bizantino foi a continuação do Império Romano na Idade Média. Sua capital foi Constantino-
pla (moderna Istambul), originalmente conhecida como Bizâncio. Inicialmente, parte oriental do Império Romano 
(frequentemente chamada de Império Romano do Oriente) sobreviveu à fragmentação e às invasões do Império 
Romano do Ocidente e, no século V, continuou a prosperar, existindo por mais de mil anos até seu fim, diante da 
expansão dos turcos otomanos, em 1453.
As fronteiras do Império mudaram muito ao longo de suaexistência, que passou por vários ciclos de declínio 
e recuperação. Durante o reinado de Justiniano (527-565), alcançou sua maior extensão, após reconquistar muito 
dos territórios mediterrâneos, antes pertencentes à porção ocidental do Império Romano, incluindo o norte da África.
Com as invasões muçulmanas do século VII, muitas partes do Império foram incorporadas pelos califados 
muçulmanos.
Os bizantinos receberam um golpe fatal em 1204, durante a Quarta Cruzada, quando foram dissolvidos e 
divididos em reinos latinos e gregos concorrentes.
Apesar de Constantinopla ter sido reconquistada e o Império restabelecido em 1261, o Império teve que 
enfrentar diversos estados vizinhos rivais por mais 200 anos para sobreviver. 
As muitas guerras civis no século XIV minaram ainda mais a força do já enfraquecido Império, e mais terri-
tórios foram perdidos nas guerras contra os turcos otomanos, que acabaram conquistando os territórios remanes-
centes, pondo fim ao Império Bizantino, no século XV.
Os imperadores bizantinos exerciam o cesaropapismo, isto é, governavam politica e religiosamente – Igreja 
e Estado eram uma coisa só.
O Cisma do Oriente (1054) ocorreu nesse contexto – disputas teológicas entre a sede da Igreja Oriental com 
o patriarca em Constantinopla e a Igreja Ocidental com sede em Roma.
Uma das desavenças determinantes para o cisma foi a Questão Iconoclasta – os orientais, de rito grego 
em uma cultura mais abstrata e especulativa, não aceitavam a representação de figuras sagradas em forma tridimen-
sional, pois diziam ser adoração a ídolos; já no Ocidente, a Igreja teve que se recriar com os valores germânicos mais 
ligados à natureza concreta das coisas, inseridos em seus ritos, não viam mal algum na representação tridimensional. 
A partir dessa questão, os orientais passaram a se chamar católicos ortodoxos e os ocidentais, católicos 
romanos, seguindo cada grupo o seu respectivo chefe espiritual.
20
Foi a crença na exclusividade da representação bidimensional, especialmente os afrescos, que desenvolveu 
muito a arte iconográfica bizantina, desenvolvendo-se até a criação dos mosaicos, figuras compostas pela junção 
de inúmeras pedras de variadas cores.
O Império desenvolveu uma estrutura burocrática e militar, baseada administrativamente no direito romano 
e utilizava predominantemente a língua grega, deixando-se influenciar diretamente por essa cultura, em sua moral, 
costumes crenças e valores.
Sua sociedade era profundamente hierarquizada, com uma noção do “Corpus Christi” na Sociedade, onde 
cada indivíduo ocupava uma função designada por Deus em sua própria natureza.
Assim, o imperador, a família real, a nobreza, os burocratas, os militares, comerciantes, camponeses, cons-
trutores, artesãos e artistas desempenhavam suas funções como parte dos Desígnios Divinos, formando na Terra o 
Corpo do qual Jesus Cristo no Céu era a Cabeça.
O islAMisMO e suA expAnsãO
O islamismo teve início quando Maomé, um comerciante da cidade de Meca, na península Arábica, se 
retirou para uma caverna nos arredores da cidade para meditar, no ano 610. Na caverna, situada no monte Hira, 
Maomé recebeu a visita do anjo Gabriel, que lhe mandou recitar versos que lhe teriam sido enviados por Deus e 
lhe comunicou que ele, Maomé, fora escolhido para ser o último profeta enviado por Deus à humanidade. Os versos 
foram posteriormente redigidos, formando o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.
Maomé começou, então, a pregar, em sua cidade, os ensinamentos que recebera na caverna. As pessoas 
que aceitaram esses ensinamentos passaram a ser conhecidos como “muçulmanos”, ou seja, “aqueles que se sub-
metem à vontade de Deus, aqueles que estão em paz, aqueles que são puros, aqueles que obedecem à vontade de 
Deus”, a partir da raiz etimológica árabe salam, que significa “paz, pureza, submissão, obediência”. Esta mesma 
raiz etimológica originou o nome da comunidade de seguidores de Maomé, o islã. Porém, os adeptos da nova re-
ligião foram hostilizados pela população e Maomé teve de fugir para a cidade próxima de Iatribe, a atual Medina, 
no ano 622. Essa fuga recebeu o nome de Hégira (Hijra) e deu início ao atual calendário muçulmano.
Em Medina, a pregação de Maomé foi melhor recebida. Formou-se uma comunidade muçulmana na cidade 
sob a liderança de Maomé. Medina começou então a ser atacada por Meca, que temia o crescimento da nova 
religião fundada por Maomé, a qual condenava o politeísmo praticado em Meca e que gerava grandes lucros para 
a elite local. Os confrontos se intensificaram até a vitória final de Medina.
21
Em Meca, Maomé destruiu os ídolos que ficavam no templo da Caaba, preservando somente a Pedra Negra, 
um meteorito negro de 50 centímetros de diâmetro. Maomé decretou que a Caaba, daí em diante, seria o centro 
da nova religião. Os muçulmanos não se deram satisfeitos com a conquista de Meca e continuaram sua expansão 
conquistando militarmente toda a península Arábica, o Oriente Médio, o norte da África e a Pérsia.
Em 632, morreu Maomé, desencadeando uma disputa pela sua sucessão como líder dos muçulmanos, ou 
califa. Abu Bakr foi declarado oficialmente como seu sucessor, porém muitos muçulmanos preferiram apoiar Ali ibn 
Abu Talib, primo e genro de Maomé. Os que apoiaram Ali passaram a ser chamados de “xiitas”, de shiat Ali (“Par-
tido de Ali”). Os demais muçulmanos passaram a ser conhecidos como “sunitas”, de suna (“caminho trilhado”), 
pois eles seguem apenas aquilo que Maomé determinou ao longo de sua vida.
Em 680, morreu Hussein, filho de Ali, em Carbala, transformando esta atual cidade iraquiana em centro de 
peregrinação para os xiitas, durante a festa chamada axura.
Com o apoio dos berberes do norte da África, o islamismo alcançou a península Ibérica no século VIII. No 
mesmo século, surgiu uma dissidência dos xiitas: o ismaelismo. Os comerciantes árabes propagaram a religião 
muçulmana pela África Ocidental, África Oriental e os atuais territórios da Indonésia e Malásia, a partir do século II. 
Nesse século, surgiu uma dissidência do ismaelismo: os chamados drusos. Em 1058, nasceu Al-Ghazali, na 
Pérsia. Al-Ghazali viria a desenvolver uma interpretação mais mística do islamismo, chamada sufismo, que dava 
mais valor à postura interior do que aos rituais exteriores da religião. Em 1207, nasceu, na então província persa 
de Balkh, atualmente no Tadjiquistão, o poeta Rumi, que também viria a se destacar dentro do sufismo. Após sua 
morte, seus seguidores fundaram, na cidade de Konya, na atual Turquia, a ordem sufi Mevlevi, conhecida pela 
prática de uma dança peculiar em que os seus praticantes, os dervixes, giram em torno de si com a finalidade de 
obter o êxtase e a comunhão com Deus.
Os mongóis afegãos conquistaram a Índia e disseminaram o islamismo nesse país e em toda a Ásia Central 
no século XIII. Sob a liderança dos turcos otomanos, o islamismo destruiu o Império Bizantino e invadiu a atual Tur-
quia, a Grécia e todo o sudeste da Europa, no século XV. Em 1517, o imperador otomano passou a deter também 
o título de califa.
22
idAde MédiA
Com o tempo e a desagregação do Império Romano do Ocidente, essas ocupações iniciais dariam início a 
reinos independentes. No interior deles, estariam presentes tanto costumes romanos quanto dos povos invasores.
Formado na Gália (atual França), o reino Franco foi o mais duradouro desses reinos. Ao estudá-lo, poderemos 
perceber esse processo de formação da sociedade feudal, assim como a consolidação ao longo dos séculos VI ao IX.
Os francos tiveram de enfrentar diversas batalhas para se estabelecer na Gália. Eles lutavam com lanças e 
combates corpo a corpo, utilizando espadas de lâminas largas.
Por um longo período, a região dominada pelos romanos ficou protegida contra invasões. Entretanto, no 
princípio do século V, um povo de origem germânica atravessou o rio Reno e entrou na Gália: eram os francos. Eles 
conquistaram grande parte do território, estabelecendo-se no norte e, sobretudo, nonordeste.
Os primeiros reis francos descendiam de Meroveu. Por isso, os reis dessa dinastia chamam-se merovíngios. 
Meroveu, na metade do século V, lutou ao lado dos romanos contra os invasores hunos.
Clóvis, neto de Meroveu, venceu os alamanos, os burgúndios e os visigodos, ampliando fronteiras do reino. 
Com isso, no final do século V, os francos já dominavam grande parte da Europa central.
A importância de Clóvis aumentou quando ele se converteu ao cristianismo, em 496, depois de derrotar os 
alamanos. Com a conversão, conquistou total apoio de condes cristãos e bispos da Gália.
Com a morte de Clóvis, em 511, o reino Franco foi dividido entre seus quatro filhos, ocasionando rivalidades 
e disputas entre eles. Por fim, em 628, Dagoberto subiu ao trono e estabeleceu que, daí por diante, os reis francos 
teriam um único sucessor.
Após o reinado de Dagoberto, vieram os reis indolentes, assim chamados por não cumprirem as funções ad-
ministrativas. O prefeito do palácio, uma espécie de primeiro-ministro, era quem efetivamente administrava o reino.
Um desses prefeitos, Pepino de Heristal, tornou o cargo hereditário e passou-o a seu filho Carlos Martel. 
Carlos Martel notabilizou-se por vencer os árabes, em 732, na batalha de Poitiers, detendo a invasão muçulma-
na na região central da Europa.
Em 743, foi coroado o último rei merovíngio, Childerico III.
23
O filho de Carlos Martel, Pepino, o Breve, incentivado pelo papa Zacarias, depôs Childerico III, assumiu o 
trono e fez-se aclamar rei. Com isso, iniciou-se uma nova dinastia, a dos carolíngios, nome derivado de Carolus 
(Carlos, em latim). O sucessor de Pepino, o Breve, foi seu filho Carlos Magno. 
A obra levada a cabo pelos carolíngios, durante o império iniciado por Pepino, o Breve, quando eliminou os 
merovíngios, em 751, e foi eleito rei pelos francos. Esse momento ficou conhecido como “Renascimento Carolín-
gio”, sendo este período caracterizado pela confluência do purismo anglo-saxão, da tradição romana e das técnicas 
bizantinas. Seria Carlos Magno o obreiro da união de todo o Ocidente cristão, tendo sido sagrado imperador no 
ano 800. O império duraria até 843, quando aplicaram as disposições do tratado de Verdun, que o divide em 
três partes.
A organização do império, tanto por Pepino, o Breve, como por Carlos Magno, teve como consequência um 
enorme desenvolvimento artístico, cujos aspetos mais interessantes se encontram na arquitetura e na pintura, por 
meio de afrescos e de iluminuras. As artes suntuárias e a escultura em marfim atingem a máxima expressão. As balizas 
cronológicas apontadas para esta renovação cultural vão de 780 até as invasões dos normandos, em 887. 
No entanto, o seu reflexo vai muito além daquela data, manifestando-se ainda nas reformas monásticas do 
século X. 
Notou-se, então, uma verdadeira preocupação em elevar o nível intelectual e moral dos francos. Naturalmente que 
o clero teve um grande peso na construção da nova face cultural, com a criação de novas escolas catedralícias, monásticas 
e presbiteriais nas áreas rurais. Apesar de vocacionadas para a formação do clero, estas escolas eram igualmente abertas 
aos laicos que as quisessem frequentar. As escolas elementares dedicaram-se ao ensino das artes liberais, etapa funda-
mental de preparação para estudos mais aprofundados. Para atender às necessidades impostas pela reforma do ensino, 
Carlos Magno promoveu a vinda de professores estrangeiros, que passaram a fazer parte daquilo a que se chamou “a 
academia do palácio”, composta por italianos, irlandeses e anglo-saxões.
24
A cultura palaciana atingia o seu auge e as suas 
figuras mais representativas, para além de Alcuíno, fo-
ram Eginhard (conselheiro de Carlos Magno) com a sua 
obra Vida de Carlos Magno, e Rábano Mauro, discípulo 
de Alcuíno. Este, juntamente com Paulo Diacro (ou Di-
ácono), impulsionaria a gramática e a métrica, dando 
origem a um tipo de literatura enfática. Naturalmente, 
as querelas dogmáticas recrudesceram, com destaque 
para as posições de Jean Scott (ou Scott Erígena) acer-
ca da questão dos conceitos, colocando o problema da 
religião face à fé. 
Foi principalmente na arquitetura que se mani-
festaram os objetivos mais elevados dos protagonistas 
da organização do império, ilustrando bem as transfor-
mações ocorridas no âmbito da religiosidade, nomeada-
mente em relação à liturgia. Aproveitam-se influências 
de Bizâncio, em Aix e Germigny. Constituiu, de fato, uma 
síntese das diferentes correntes artísticas do Ocidente, 
que se concatenam durante o reinado de Carlos Magno: 
influências da antiguidade trazidas via Itália e Bizâncio 
e influências provenientes da Inglaterra e da Irlanda.
 
sisteMA feudAl
O feudalismo era a estrutura econômica social, 
política e cultural baseada na posse da terra, predomi-
nou na Europa ocidental durante a Idade Média. Foi 
marcado pelo predomínio da vida rural e pela ausência 
ou redução do comércio no continente europeu.
A sociedade feudal baseava-se na existência de 
dois grupos sociais – senhores e servos. O trabalho na 
sociedade feudal estava fundado na servidão, nela os 
trabalhadores viviam presos à terra e subordinados a 
uma série de obrigações em impostos e serviços.
Obrigações dos servos
 § Corveia: trabalho sem remuneração para 
o senhor feudal, seja na agricultura ou em 
construções.
 § Banalidades: imposto cobrado pelo uso da 
infraestrutura do feudo (moinhos, fornos etc.).
 § Talha: porcentagem da produção agrícola 
destinada ao senhor.
 § Mão-morta: na eventualidade da morte de 
um servo, a família deveria pagar um im-
posto ao senhor para que continuasse usu-
fruindo da posse da terra.
 § Capitação: imposto anual pago por 
membro da família.
O feudalismo variou de região para região e de 
época para época, ao longo da Idade Média.
A influência da religião em todos os aspectos da 
vida medieval era imensa, a fé inspirava e determinava 
os mínimos atos da vida cotidiana.
O homem medieval foi condicionado a crer que 
a Igreja era a intermediária entre o indivíduo e Deus, e 
que a graça divina só seria alcançada através dos sa-
cramentos.
A vida monástica e as ordens religiosas come-
çaram a surgir na Europa a partir de 529, quando São 
Bento de Núrcia fundou o mosteiro no monte Cassino, 
na Itália, e criou a ordem dos beneditinos.
O sistema feudal estava completo nos séculos IX 
e X, com a invasão dos árabes no sul da Europa, dos 
vikings (normandos) no norte e dos húngaros no leste.
A partir do século XI, quando se iniciaram di-
versas mudanças significativas na economia feudal, é 
que as atividades baseadas no comércio e na vida em 
cidades, pouco a pouco, ganhavam impulso.
25
BAixA idAde MédiA 
A crise do sistema feudal deu origem a um processo de marginalização social, quer pela fuga dos servos, quer 
pelos deserdamentos ocorridos na camada senhorial. Essa marginalização trouxe como consequência o aumento da 
belicosidade, assaltos e sequestros de ricos cavaleiros. A Igreja católica, na tentativa de conter a crise, criou uma série 
de medidas para proteger os cultivadores, viajantes e mulheres; além disso, limitou os períodos de guerras para o 
máximo de noventa dias. Porém, essa intervenção da Igreja não foi capaz de conter a crise do período. 
A saída encontrada pela Igreja foram as Cruzadas. Diante do controle material e espiritual que possuía 
sobre seus fiéis, propôs resgatar o Santo Sepulcro (Jerusalém) e combater os infiéis (muçulmanos). Em 1095, no 
concílio de Clermont, Urbano II convoca a cristandade para uma guerra santa contra o islã. Ao todo, realizaram-se 
oito cruzadas, entre 1095 e 1270. 
Contudo, apesar de toda a mobilização, as Cruzadas são consideradas um fracasso. As razões desse insu-
cesso se devem em primeiro lugar ao caráter superficial da ocupação. A presença cristã no Oriente Médio não criou 
raízes entre as populações locais. Outra razão foi a anarquia feudal, que enfraquecia colônias militaresinstaladas 
em território inimigo. Em resumo, as Cruzadas fracassaram em razão das rivalidades nacionais entre as potências 
ocidentais e da falta de capacidade da Igreja em organizar uma força que soubesse superar essas dissensões. 
Por outro lado, as Cruzadas trouxerem transformações sociais e econômicas em seu bojo. A vitória das cidades 
italianas sobre os muçulmanos no norte da África lançou sementes do comércio. As relações entre Ocidente e Oriente 
foram redinamizadas depois de séculos de bloqueio, e as mercadorias orientais se espalhavam para a Europa. 
Nesse contexto, Veneza e Gênova, através da rota de Champagne, abasteciam o mercado europeu, promo-
vendo a interligação entre três centros de comércio: Constantinopla, cidades italianas e Flandres. Esta, possuidora 
de importante feira, constituía ponto estratégico de comércio na Europa. Dentro dela e de tantas outras, desen-
volveram-se técnicas de comércio exterior, como troca de moedas e letras de câmbio. Há, assim, uma mudança na 
composição econômica e social europeia, denominada de Renascimento Urbano e Comercial. 
26
U.T.I. - Sala
 1. O filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) definiu 
a cidadania em Atenas da seguinte forma:
A cidadania não resulta do fato de alguém 
ter o domicílio em certo lugar, pois os es-
trangeiros residentes e os escravos também 
são domiciliados nesse lugar e não são cida-
dãos. Nem são cidadãos todos aqueles que 
participam de um mesmo sistema judiciário. 
Um cidadão integral pode ser definido pelo 
direito de administrar justiça e exercer fun-
ções públicas.
Adaptado de Aristóteles, Política. 
Brasília: Editora UnB, 1985, p. 77-78.
Relacionando aquilo que você aprendeu sobre 
o tema com o texto acima, quais as duas prin-
cipais condições para que um ateniense fosse 
considerado cidadão na Grécia clássica?
 2. Num antigo documento egípcio, um pai dá o 
seguinte conselho ao filho:
Decide-te pela escrita, e estarás protegido do 
trabalho árduo de qualquer tipo; poderás ser 
um magistrado de elevada reputação. O es-
criba está livre dos trabalhos manuais [...] 
é ele quem dá ordens [...]. Não tens na mão 
a palheta do escriba? É ela que estabelece 
a diferença entre o que és e o homem que 
segura o remo.
Apud Luiz Koshiba. História – origens, estrutura e processos.
Lendo o texto e lembrando o que você apren-
deu sobre o tema, argumente sobre a seguin-
te afirmação:
Nas Civilizações do Antigo Oriente, a Escrita 
é um dos fundamentos da própria ideia de 
“Civilização”.
 3. Alguns povos da Antiguidade foram merca-
dores e praticavam intensamente o comércio 
marítimo.
a) Qual a relação entre a localização geográfica 
da Fenícia e as características econômicas de 
seu povo?
b) Cite o nome de suas três principais cidades.
c) Cite e comente um legado importante que os 
fenícios deixaram na História.
 4. Vivemos numa forma de governo que não se 
baseia nas instituições de nossos vizinhos; ao 
contrário, servimos de modelo a alguns, ao 
invés de imitar outros. [...] Nela, enquanto 
no tocante às leis todos são iguais para a so-
lução de suas divergências privadas, quando 
se trata de escolher (se é preciso distinguir 
em algum setor), não é o fato de pertencer a 
uma classe, mas o mérito, que dá acesso aos 
postos mais honrosos; inversamente, a pobre-
za não é razão para que alguém, sendo capaz 
de prestar serviços à cidade, seja impedido 
de fazê-lo pela obscuridade de sua condição. 
Conduzimo-nos liberalmente em nossa vida 
pública, e não observamos com uma curiosi-
dade suspicaz [desconfiada] a vida privada 
de nossos concidadãos, pois não nos ressen-
timos com nosso vizinho se ele age como lhe 
apraz, nem o olhamos com ares de reprovação 
que, embora inócuos, lhe causariam desgos-
to. Ao mesmo tempo que evitamos ofender os 
outros em nosso convívio privado, em nossa 
vida pública nos afastamos da ilegalidade 
principalmente por causa de um temor reve-
rente, pois somos submissos às autoridades 
e às leis, especialmente àquelas promulgadas 
para socorrer os oprimidos e às que, embora 
não escritas, trazem aos agressores uma de-
sonra visível a todos.
Oração fúnebre de Péricles, 430 a.C. In: Tucídides. 
História da Guerra do Peloponeso. Brasília: 
Editora UnB, 2001, p. 109. Adaptado.
a) Quais as principais características do regime 
político de Atenas?
b) Qual a cidade que foi a principal adversária 
de Atenas na Guerra do Peloponeso? 
c) Cite e comente as principais diferenças en-
tre elas.
 5. Cite o nome e a principal característica de 
cada um dos três Períodos da História de 
Roma.
 6. O historiador grego Heródoto (484-420 a.C.) 
viajou muito e deixou vivas descrições com 
reflexões sobre os povos e as terras que co-
nheceu. Deve-se a ele a seguinte afirmação: 
“o Egito, para onde se dirigem os navios gre-
gos, é uma dádiva do rio Nilo“.
“No Antigo Egito, existia uma profunda li-
gação entre o meio natural e a vida daquele 
povo.”
Explique a afirmação acima, relacionando 
seus conhecimentos sobre o tema com o texto.
 7. “Com relação ao ornamento, Roma não cor-
respondia, absolutamente, à majestade do 
Império e, além disso, estava exposta às 
inundações, como também aos incêndios. 
Porém, Augusto fez dela uma cidade tão bela 
que pode se envaidecer, principalmente por 
ter deixado uma cidade de mármore no lugar 
onde encontrara uma de tijolos”.
Adaptado de: Suetônio. A vida dos doze Césares. 
São Paulo: Martin Claret, 2006, p. 91.
27
Considerando o texto e o período de Otávio Augusto no governo de Roma, responda:
a) Qual a relação da reurbanização de Roma durante o Governo de Otávio Augusto, com aquilo que sim-
bolizava a PAX ROMANA? 
b) Identifique uma medida social e uma medida política estabelecidas por Augusto para adaptar as tra-
dições romanas àquele momento histórico.
U.T.I. - E.O.
Nascida nos quadros do Império Romano, 
a Igreja ia aos poucos preenchendo os va-
zios deixados por ele até, em fins do século 
IV, identificar-se com o Estado, quando o 
cristianismo foi reconhecido como religião 
oficial. (...) Estreitavam-se, portanto, as re-
lações Estado-Igreja. (...) No Império Caro-
língio, a aliança entre os reis e a Igreja foi 
fundamental para a consolidação de ambos 
os poderes e, por vezes, a Igreja assumia 
funções que hoje consideramos ser do Esta-
do e este por sua vez interferia nos assun-
tos religiosos.
FRANCO JÚNIOR, Hilário. A Idade Média. Nascimento do 
Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2001. p. 67 e 71.
Sobre as relações entre Estado e Igreja, no 
período medieval, responda:
a) Qual o papel administrativo desempenhado 
pela Igreja católica durante o Período Me-
dieval?
b) Como o Poder Real dos francos – merovíngios 
e carolíngios – contribuiu para a expansão 
do cristianismo na Europa ocidental?
 6. Qual a importância do ponto de vista geopo-
lítico daquele período, o surgimento, esta-
belecimento e expansão do Islão a partir do 
século VII?
 1. A palavra árabe iman significa ‘ter certeza’ e 
designa fé, no sentido da certeza. A fé, por 
conseguinte, não contradiz o conhecimento 
nem a compreensão. Pelo contrário, o dese-
jo de saber é uma obrigação religiosa, e os 
tempos pré-islâmicos (século VI) na Arábia 
são chamados pelos islâmicos de jahiliya, 
ignorância.
Adaptado de: Burkhard Scherer (Org.). As grandes religiões: 
temas centrais comparados. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 77.
Como a fé e o conhecimento científico esta-
vam relacionados entre si no mundo islâmi-
co na Alta Idade Média?
 2. “O desenvolvimento da arte bizantina da 
produção de ícones em mosaicos não con-
tradiz as razões que originaram o Cisma do 
Oriente, em 1054.”
Explique essa afirmação justificando-a.
 3. A famosa “Batalha de Poitiers”, ocorrida no 
ano de 732, teve em Carlos Martel, líder dos 
francos e avô de Carlos Magno uma figura 
central.
a) Do ponto de vista religioso e cultural, qual 
o significado dessa batalha para as regiões 
ocidentais do continente europeu?
b) Qual a nova força militar que desempenhou 
um papel fundamental nessa batalha e que 
depois setornaria durante todo o período 
medieval uma das instituições de sustento 
ao feudalismo?
 4. Qual o significado simultaneamente políti-
co e religioso da coroação de Carlos Magno, 
ocorrida no Natal do ano 800?
 5. Observe a ilustração e leia a citação a seguir. 
Em seguida, responda ao que se pede.
28
 7. O Imperador Justiniano (527-565) entre 
outras realizações, consolidou o conceito e 
as práticas do Cesaropapismo, que iriam ter 
muitas consequências ao longo do tempo na-
quela região, particularmente no Leste euro-
peu e na Rússia.
O que é Cesaropapismo?
 8. “O aparecimento da polis constitui, na histó-
ria do pensamento grego, um acontecimen-
to decisivo (...). O que implica o sistema da 
polis é primeiramente uma extraordinária 
preeminência da palavra sobre todos os ou-
tros instrumentos do poder. Torna-se o ins-
trumento político por excelência, a chave de 
toda a autoridade no Estado, o meio de co-
mando e de domínio sobre outrem (...). Uma 
segunda característica da polis é o cunho de 
plena publicidade dada às manifestações 
mais importantes da vida social. Pode-se 
mesmo dizer que a polis existe apenas na 
medida em que se distinguiu um domínio 
público, nos dois sentidos diferentes mas 
solidários do termo: um setor de interesse 
comum, opondo-se aos assuntos privados; 
práticas abertas, estabelecidas em pleno dia, 
opondo-se a processos secretos. Essa exigên-
cia de publicidade leva a apreender progres-
sivamente em proveito do grupo e a colocar 
sob o olhar de todos o conjunto de condutas, 
dos processos, dos conhecimentos que cons-
tituíam na origem o privilégio exclusivo.”
(Jean-Pierre Vernant. As origens do 
pensamento grego. 1984.)
a) O que era a polis?
b) Por que a PALAVRA é tão importante nesse 
contexto ao qual o autor se refere?
 9. O que significa o termo “Mesopotâmia” e 
qual a relação entre esse significado e as ci-
vilizações que surgiram nas várias cidades-
-Estado daquela região?
 10. As perseguições aos cristãos no Império Ro-
mano estavam ligadas especialmente a uma 
atitude dos cristãos com relação à figura do 
Imperador e que era ao mesmo tempo políti-
ca e religiosa.
a) Qual era essa questão?
b) Por que ela era simultaneamente política e 
religiosa?
C
HISTÓRIA
H
História do Brasil0 1
U.T.I.
31
Período Pré-colonial (1500-1530)
A chegada dos portugueses ao Brasil ocorreu em 22 de abril de 1500 e se insere no contexto mercantil ibé-
rico e europeu dos séculos XV e XVI, quando os portugueses e os espanhóis procuravam encontrar rotas marítimas 
alternativas ao mar Mediterrâneo (fechado aos europeus pelos árabes) e continuar o valioso comércio asiático de 
produtos de luxo como seda, especiarias, caros objetos decorativos, e particularmente, o mais rentável de todos: o 
açúcar.
Nessa busca, os espanhóis se depararam com o continente americano em 1492, na atual região do mar do 
Caribe – América Central – e no seu rastro, bem mais ao sul, os portugueses, em 1500.
Entretanto, para o governo português, essas novas terras (naquele momento desconhecidas em toda sua 
imensidão) foram tratados como uma posse de reserva, para se manterem em condições de competição econômica 
com a rival Espanha, que já iniciava, nos inícios do século XVI, o reconhecimento geográfico e a exploração econô-
mica de suas descobertas.
Portugal – que havia precocemente descoberto, percorrido e explorado a rota africana para a Ásia e, por 
enquanto, dominava com quase exclusividade essa rota – estava totalmente focado no muito rentável comércio 
com as Índias, como se denominava entre os europeus, genericamente, o continente asiático.
Assim sendo, o Brasil, nesse período, permaneceu para Portugal uma fonte econômica secundária, fornecen-
do, a partir de seu vasto litoral (progressivamente conhecido pelos portugueses), o valioso pau-brasil – mediante 
escambo com os nativos da terra, montando, ao longo do litoral, as feitorias, pequenas fortalezas litorâneas que 
serviam de base de apoio aos navios e depósito para o pau-brasil, o qual era oportunamente levado a Portugal 
pela próxima expedição que viesse.
Além disso, essas estratégicas fortalezas serviam também como marco da presença portuguesa e locais de 
defesa e vigilância do litoral contra eventuais estrangeiros que viessem por aqui.
Esse produto era comercializado também pelos espanhóis, franceses, ingleses e holandeses, que o vinham 
buscar regularmente, em pequenas expedições clandestinas, particulares ou financiadas pelos seus governos; por 
esse motivo, Portugal organizava regularmente as chamadas expedições guarda-costas – para reconhecer, patru-
lhar e manter a posse do litoral brasileiro, tentando coibir o comércio do pau-brasil feito por outros.
Nesse momento, também, o Brasil servia como local de envio dos chamados “degredados”, criminosos ou 
marginais sociais dos quais Portugal queria se livrar.
Esses indivíduos eram periodicamente lançados dos navios em grupos na costa brasileira, tendo que nadar 
um longo percurso até as praias, muitos morriam afogados ou devorados por tubarões, mas outros, entretanto, que 
chegavam vivos em terra firme,foram estabelecendo contato e convívio com os nativos, sendo que alguns deles, anos 
mais tarde, bem estabelecidos na terra, vieram a prestar valiosa ajuda aos primeiros colonizadores portugueses.
32
início da colonização
Logo após o descobrimento, o Brasil permane-
ceu relativamente abandonado pelos portugueses, que 
continuavam a buscar as riquezas do comércio com as 
Índias. Para Portugal, um Estado, acima de tudo, voltado 
para o máximo desenvolvimento mercantilista, o Brasil 
nada ou quase nada poderia oferecer de imediato, em 
confronto com o rico mercado de especiarias. Assim foi 
que, por não atender aos interesses imediatos do Esta-
do nem da classe mercantil portuguesa, de acordo com 
as exigências de sua prática mercantilista, conduzida 
ainda apenas no setor de distribuição de mercadorias, 
o Brasil permaneceu ligado à sua metrópole por umas 
poucas expedições ocasionais, que aqui chegavam com 
o objetivo de reconhecer mais amplamente o litoral ou 
de explorar o pau-brasil, madeira com possibilidade de 
comercialização, ou ainda, de afugentar os franceses, 
atraídos pela mesma mercadoria e contestadores da di-
visão da América entre Portugal e Espanha (Tratado de 
Tordesilhas,1494).
Gaspar Lemos, em 1501, e Gonçalo Coelho, em 
1503, comandaram, respectivamente, as primeiras ex-
pedições de reconhecimento e exploração. Desta últi-
ma, organizada pelo comerciante Fernão de Noronha, a 
quem o rei arrendara a “colônia” para a exploração do 
pau-brasil em troca da defesa da costa, participou Amé-
rico Vespúcio. O crescimento da presença de franceses, 
principalmente junto ao litoral, exigiu um esquema de 
policiamento mais ostensivo. Para isso, foram enviadas 
duas expedições guarda-costas comandadas por Cris-
tóvão Jacques, em 1516 e 1526, para combater os cor-
sários franceses. Entretanto, esse recurso não chegou a 
bons resultados. O litoral continuou ameaçado, o que 
exigiu muito mais esforço para garantir a segurança. Por 
fim, exigiu a ocupação do litoral, sua colonização, o que 
mudou radicalmente a política oficial do Estado portu-
guês, bem como o montante de investimentos por parte 
da burguesia lusitana.
a exPloração do Pau-brasil
O único produto brasileiro com algum valor co-
mercial, embora inferior às mercadorias orientais, era 
o vegetal do qual se extraía uma tinta muito usada 
em tinturaria: o pau-brasil. A extração dessa madeira 
ocorria no litoral da colônia, em uma área que ia do 
Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro. Os portugueses 
foram os primeiros a explorá-la. Depois de algumas via-
gens, os espanhóis afastaram-se em respeito ao Tratado 
de Tordesilhas. Os franceses, sem compromisso com o 
tratado e sem poder comercializar diretamente com o 
Oriente, lançaram-se ao contrabando.
No ano de 1530, o rei de Portugal organizou a 
primeira expedição com objetivos de colonização, co-
mandada por Martin Afonsode Souza. Seus objetivos 
eram povoar o território brasileiro, expulsar os invasores 
e iniciar o cultivo de cana-de-açúcar no Brasil.
Como já sabemos, açúcar era um produto larga-
mente consumido na Europa por nobres e burgueses, 
como um alimento de luxo, e seu comércio produzia 
grandes margens de lucro. Após as experiências positi-
vas de cultivo no Nordeste, já que a cana-de-açúcar se 
adaptou bem ao clima e ao solo nordestino, começou o 
plantio em larga escala. 
O povoamento do território brasileiro estava en-
tão vinculado diretamente à produção do açúcar, plan-
tado em larga escala em grandes extensões territoriais, 
trabalhado em todo seu processo – plantio, colheita, 
beneficiamento, produção, embalamento, armazena-
mento e transporte – executado por mão de obra es-
crava – inicialmente nativa e, em seguida, dos africanos, 
trazidos de seu continente nativo ao Brasil, cada vez em 
maiores quantidades, através de uma atividade especí-
fica e muito rentável em si mesma: o comércio negreiro.
Inicialmente, o rei de Portugal D. João III, em 
1534, dividiu administrativamente o território, nas cha-
madas Capitanias Hereditárias, procurando se utilizar 
de um modelo feudal de ocupação, povoamento e ad-
ministração territorial baseada na iniciativa privada de 
alguns nobres enriquecidos que teriam larga autonomia 
sobre seus territórios, arcando, no entanto, com todos 
os custos relativos a essa ocupação.
Esse sistema fracassou pelo quase absoluto de-
sinteresse de todos os eventuais “donatários”, à exce-
ção de Duarte Coelho, em Pernambuco, e de Martim 
Afonso de Sousa, em São Vicente.
Então, em 1548, o rei criou o sistema de governo-
-geral, enviando ao Brasil uma espécie de vice-rei, que 
centralizaria todas as principais funções administrativas 
das capitanias – dividindo-as em sesmarias e auxiliando 
seus proprietários em sua ocupação, desenvolvimento e 
manutenção.
33
Também existiam as câmaras municipais, que eram órgãos políticos compostos pelos “homens-bons”: ricos 
proprietários que definiam os rumos políticos das vilas e cidades. 
Foi construída a cidade de Salvador, uma vez que a região Nordeste tornou-se o centro econômico da colô-
nia, em virtude da produção açucareira. A cidade serviria de base para o controle administrativo, bem como porto 
para o envio do açúcar para Portugal e Europa. 
o açúcar
A produção açucareira ocorria no sistema de plantation, ou seja, eram grandes extensões de terra desen-
volvendo a monocultura extensiva através do trabalho escravo utilizado em larga escala com o objetivo de realizar 
a exportação do produto. O pacto colonial imposto por Portugal estabelecia que o Brasil só podia fazer comércio 
com a metrópole portuguesa, no sistema de “exclusivo colonial”. 
senhores e escravos
A sociedade no período do açúcar era marcada pela nítida diferenciação social. No alto da sociedade, com 
poderes políticos e econômicos quase absolutos, limitados apenas pelo governador-geral, estavam os senhores de en-
genho. Abaixo, aparecia uma camada média formada por trabalhadores livres – artesãos, construtores, pequenos pro-
prietários de terra e funcionários públicos. E na base da sociedade, estavam os escravos de origem indígena e africana.
Era uma sociedade patriarcal, pois o senhor de engenho exercia um grande poder social. As mulheres ti-
nham poucos ou quase nenhum direito e nenhuma participação política, viviam em função de seus pais ou maridos.
A casa-grande era a residência da família do senhor de engenho. Nela moravam, além da família, alguns agregados. 
O conforto da casa-grande contrastava com a miséria e péssimas condições de higiene das senzalas (habitações dos escravos).
Principais rotas do tráfico
34
Jesuítas
Paralelamente a essa estruturação de modelo 
colonial, a Companhia de Jesus – uma ordem religiosa 
recém-fundada na Espanha e com muita penetração em 
Portugal – envia, juntamente com os burocratas portu-
gueses e colonos civis, padres jesuítas em grupos para 
levarem a cabo um projeto de colonização alternativo 
e que vão procurar catequizar e converter os nativos, 
tanto nas colônias espanholas como no Brasil, ao cato-
licismo romano. Assim, fundam colégios, que originam 
vilas, como no caso de São Paulo (1554) , mas agem, 
principalmente, criando as Missões – aldeamentos de 
indígenas convertidos administrados pelos padres, que 
vão procurar preservar alguns elementos da cultura na-
tiva e fundi-los com a cultura europeia cristã, tornando 
o indígena um igual aos brancos em sua educação, co-
nhecimentos e cultura.
Esse projeto de colonização irá permanentemen-
te se chocar com o projeto oficial governamental e dos 
colonos, que veem no indígena somente um instrumen-
to de trabalho escravo, motivando invasões constantes 
dessas missões, principalmente pelos bandeirantes, e o 
confronto, muitas vezes armados, com os índios missio-
nados e com os próprios jesuítas.
união ibérica
A partir de 1580, ocorreu a chamada União Ibé-
rica, pois o rei de Portugal D. Sebastião, morto em uma 
batalha na África, não deixou descendentes portugue-
ses diretos, sendo seu parente mais próximo o próprio 
Felipe II, rei de Espanha, e pelas leis e costumes absolu-
tistas possuía, a partir de então, plenos direitos políticos 
sobre Portugal e suas colônias, incluindo o Brasil.
Dessa forma, Portugal, Espanha, Brasil, partes da 
Índia e África tornaram-se um único reino.
os holandeses no brasil
Justamente em função dessa união entre Espanha 
e Portugal, os holandeses, que antes eram contratados 
pelo governo português para transportar o açúcar brasi-
leiro à Europa e vendiam-lhe escravos, foram afastados 
dessas lucrativas atividades pelo governo da Espanha, 
visto que a Holanda era historicamente possessão espa-
nhola e, posteriormente, tornou-se sua rival econômica.
Os holandeses responderam a esse ato invadin-
do formalmente parte do território nordestino – primei-
ro a Bahia, entre 1624 e 1625, e depois Pernambuco, 
entre 1630 e 1654, procurando, nessas regiões, esta-
belecerem colônias, administrando seu território e con-
trolando todo o processo produtivo do açúcar – de seu 
plantio ao transporte final.
Um destaque importante dessas ocupações foi o 
governo do conde Maurício de Nassau, em Pernambu-
co, entre 1637 e 1644. Nassau procedeu a pacificação 
da região, estabeleceu boas relações com os senhores 
de engenho e moradores em geral, através da conces-
são de crédito bancário, estabelecimento da tolerância 
religiosa e desenvolvimento de importantes obras urba-
nas, além de fomentar a cultura e a educação, trazendo 
da Holanda cientistas e artistas.
Com o fim da União Ibérica e o restabelecimento 
da independência de Portugal e suas colônias, o governo 
português se organiza militarmente com parte dos colo-
nos para promover a expulsão dos holandeses do territó-
rio brasileiro, que ocorre definitivamente em 1645.
Entretanto, os holandeses, ao deixarem o Brasil, 
levaram grande quantidade de mudas de cana-de-açú-
car, know-how tecnológico de sua produção, muitos co-
merciantes especializados no produto, particularmente 
judeus e até alguns escravos e brancos construtores das 
máquinas do engenho açucareiro.
Esses holandeses acabaram por se estabelecer 
ao norte da América do Sul e em algumas regiões da 
América Central, particularmente nas ilhas do mar do 
Caribe, chegando até a costa leste do atual EUA.
Em alguns desses locais, iniciaram a produção 
do açúcar, reduzindo e racionalizando os custos, melho-
rando a sua qualidade e reduzindo os preços no merca-
do internacional.
O resultado para o Brasil e Portugal foi a pro-
gressiva perda de mercados consumidores e a conse-
quente diminuição do comércio e dos lucros do açúcar, 
provocando um lento, mas profundo, declínio econômi-
co de toda a região Nordeste do Brasil como um todo.
35
bandeirantes
As expedições militares particulares de apresa-
mento indígena, busca de metais e pedras preciosas e 
reconhecimento territorialque partiam sistematicamen-
te da Vila de São Paulo tiveram, durante a União Ibérica, 
grande expansão, pois, agora, os paulistas tinham plena 
liberdade de se aventurar por largas faixas do território 
colonial, antes controladas exclusivamente pelos espa-
nhóis, e, assim, o território brasileiro, propriamente dito, 
foi sendo expandido para muito além da linha imaginá-
ria das Tordesilhas (antigo tratado de divisão do mundo 
recém-descoberto entre espanhóis e portugueses e san-
cionado pelo papa), integrando com a abertura de ca-
minhos e rotas fluviais, percorridas e mapeadas grande 
parte do cada vez mais imenso território colonial.
Como já sabemos, foram os bandeirantes os res-
ponsáveis pela ampliação do território brasileiro, além 
do Tratado de Tordesilhas. Os bandeirantes penetraram 
no território brasileiro, procurando índios para aprisio-
nar e jazidas de ouro e diamantes. E, assim, eles acaba-
ram encontrando as primeiras minas de ouro, diamantes 
e pedras preciosas, nas regiões de Minas Gerais, Goiás 
e Mato Grosso.
Após a descoberta dessas primeiras minas de 
ouro, o rei de Portugal tratou de organizar sua extração 
e comercialização. Interessado nesta nova fonte de lu-
cros, pois o comércio de açúcar estava em franco declí-
nio, ele começou a cobrar o quinto.
O quinto era um imposto cobrado pela coroa 
portuguesa e correspondia a 20% de todo ouro en-
contrado por todos mineradores. O imposto era cobra-
do nas Casas de Fundição, que transformavam todo o 
ouro coletado em lingotes padronizados e identificados 
com o selo real. O quinto de cada quantidade de ouro 
fundido era transformado em lingotes e separados para 
serem enviados ao Tesouro Real. 
Somente esses lingotes poderiam depois serem 
legalmente comercializados por seus proprietários, pois 
já haviam sido “quintados”. Qualquer outra forma de 
ouro – pó, pepitas e mesmo lingotes não oficialmente 
selados –, se comercializados e descobertos pelas au-
toridades coloniais, eram tratados como contrabando, 
confiscados e os envolvidos presos, processados, multa-
dos e até mesmo encarcerados ou executados, depen-
dendo de quem fosse e das circunstâncias do contra-
bando ou mesmo da quantidade envolvida.
Essa descoberta de ouro, pedras preciosas e dia-
mantes e o início de sua exploração nas regiões aurífe-
ras e diamantinas (Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás) 
provocou uma verdadeira “corrida do ouro” para estas 
regiões. Procurando trabalho na região, desempregados 
de várias regiões da colônia e de Portugal partiram em 
busca do sonho de riqueza.
O trabalho dos tropeiros foi de fundamental im-
portância neste período, pois eram eles que buscavam, 
nas regiões mais ao sul das Minas Gerais, os animais de 
carga, carne seca e outros alimentos e provisões, que 
não eram produzidos nas regiões mineradoras.
36
Seu trabalho possibilitou o reconhecimento, me-
lhoria e desenvolvimento das estradas e comunicações 
entre as regiões da colônia envolvidas nesse processo, 
particularmente as atuais regiões Sul e Sudeste.
Cidades começaram a surgir e o desenvolvimen-
to urbano e cultural aumentou muito nestas regiões. 
Muitos novos trabalhos complementares à mine-
ração surgiram nestas regiões, diversificando o mercado 
de trabalho na região. Igrejas foram erguidas em cidades 
como Vila Rica (atual Ouro Preto), Diamantina e Mariana, 
casas suntuosas, locais de administração pública, as vilas 
cresceram e foram urbanizadas com ruas pavimentadas, 
iluminação noturna, locais de diversão e difusão cultural.
Assim, a arte da pintura e da escultura, assim 
como a literatura, a música e a poesia, encontrou es-
paço de criação, difusão e consumo, diferenciando em 
muito essa região do restante da colônia.
Para acompanhar administrativamente todo esse 
crescimento e desenvolvimento na região, a capital da 
colônia foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro, 
no ano de 1763.
MoviMentos nativistas 
e seParatistas
Em função da crise açucareira no Nordeste, algu-
mas profundas desavenças regionais entre os próprios 
colonos, disputas territoriais sobre as minas e regiões 
auríferas ou aumento significativo do controle, vigilân-
cia e exploração econômica da metrópole ocorreram de 
fins do século XVII e durante todo o século XVIII, cau-
sando rebeliões, revoltas e conflitos nativistas.
 § Revolta de Beckman – Maranhão (1684): ori-
ginou-se da divergência entre os colonos locais, 
representados pelos irmãos Manuel e Tomás Be-
ckman, e a Companhia Geral de Comércio do Es-
tado do Maranhão, que detinha o monopólio do 
comércio e da introdução de escravos africanos. 
A rebelião ocorreu contra os abusos da Compa-
nhia de Comércio, que não cumpriu os acordos 
feitos com os colonos, e contra a Companhia de 
Jesus, que se opunha à escravidão indígena.
 § Guerra dos Emboabas – Minas Gerais (1708-
1709): conflito entre paulistas e “emboabas” 
forasteiros, principalmente portugueses, que 
detinham privilégios do governo colonial para o 
comércio de diversas mercadorias.
 § Guerra dos Mascates – Olinda e Recife (1710-
1711): conflito causado pela rivalidade entre os 
senhores de engenho de Olinda e os comercian-
tes portugueses do Recife, apelidados de “mas-
cates”. O conflito eclodiu quando Recife foi ele-
vado à categoria de vila, o que favorecia o grupo 
português. Ao terminar o movimento, em 1712, 
Recife passava a ser capital de Pernambuco, o que 
acentuou ainda mais a rivalidade da aristocracia 
pernambucana contra os portugueses.
 § Revolta de Felipe dos Santos – Minas Gerais 
(1720): rebelião contra os abusos do fiscalismo 
português nas minas, caracterizado pela eleva-
ção dos impostos decretada pelo governador de 
Assumar. A revolta dos mineradores reivindicava 
a redução dos impostos, a abolição dos monopó-
lios exercidos pelos portugueses e a extinção das 
casas de fundição.
E na crescente crise mercantil entre metrópole e 
colônia, causando a progressiva falência econômica de 
Portugal e sua crescente dependência da Inglaterra, as 
tensões na colônia, particularmente nas regiões aurífe-
ras e diamantinas foram aumentando, no progressivo 
desinteresse da manutenção do pacto colonial por par-
te dos grupos coloniais participantes do poder político 
local e das riquezas e na sensação por parte das popu-
lações brancas, mestiças e de libertos – trabalhadores 
braçais ou intelectuais em algumas áreas mais urbani-
zadas – da exploração econômica e da submissão polí-
tica exercida por Portugal.
Nesse contexto, surgem dois movimentos de ca-
ráter nitidamente separatista:
 § Inconfidência Mineira – Vila Rica, Rio de 
Janeiro e arredores (1789): inspirados pela in-
dependência dos Estados Unidos e pelos ideais 
iluministas, os conjurados evidenciavam-se com 
propostas republicanas e separatistas, embora 
não desejassem o fim da escravidão. Seus líderes 
pertenciam aos letrados da sociedade, aos pa-
dres e aos militares. Maria I, rainha de Portugal, 
ordenou pena capital aos inconfidentes, sendo, 
no entanto, Tiradentes o único para qual a sen-
tença foi mantida.
37
 § Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaia-
tes – Salvador e arredores (1798): encabeçada 
por intelectuais da Loja Maçônica, como Cipria-
no Barata e Francisco Muniz Barreto, contou com 
ampla participação popular, algo então inédito no 
Brasil. Propunham a igualdade racial e a constitui-
ção de uma república popular. Contudo, em 1799, 
os populares foram brutalmente enforcados, en-
quanto a camada intelectual manteve-se ilesa.
Esses movimentos foram duramente reprimidos e 
seus participantes punidos de acordo com o grupo social 
ao qual pertenciam, além da iniciativa governamental de 
impedir quaisquer tipos de pretensões de autonomia eco-
nômica da colônia, proibindo o surgimento e destruindo 
todas as manufaturas existentes naquele momento.
a vinda da faMília real
A crise econômica mercantil e a falência de Por-
tugal ocorrem juntamente com a Independência dos 
EUA (primeira colônia americana a se libertar de sua 
metrópole), com aascensão política da França (por 
meio da Revolução Francesa) e, finalmente, com a as-
censão econômica da Inglaterra através da Revolução 
Industrial, que recriou os princípios de riqueza econô-
mica, anteriormente baseados no comercio mercantil, 
partindo então para a produção industrial.
Dessa forma, o rei de Portugal D. João VI, em 
1807, pressionado conjuntamente por suas dívidas com 
a Inglaterra e com a iminente invasão das tropas de Na-
poleão Bonaparte, herdeiro político direto da Revolução 
Francesa, e conduzido por seus temores quanto a sua 
própria segurança pessoal e de sua família, abandona 
Portugal e se refugia em sua colônia, Brasil, especifica-
mente na capital Rio de Janeiro, onde vai permanecer 
de 1808 a 1821, procedendo inúmeras reformas econô-
micas e administrativas liberalizantes, o que vai aproxi-
mar cada vez mais o Brasil da ruptura política definitiva 
com Portugal, em 1822.
Processo de indePendência
Em 1820, a burguesia lusa deu início à Revolu-
ção Liberal do Porto e convocou as cortes constituintes 
de Lisboa para a elaboração da primeira Constituição de 
Portugal. Exigiram o regresso do soberano à Metrópole, 
seu juramento à futura constituição e a recolonização 
do Brasil em favor dos interesses maiores do comércio 
português.
O caráter recolonizador das cortes gerou a reação 
anticolonialista dos brasileiros. Crescia o sentimento eman-
cipacionista. A presença da corte de D. João VI no Brasil 
havia solapado os alicerces do sistema colonial, já inade-
quado à nova realidade econômica e política da Europa e 
da América do Norte. Os grupos anticolonialistas haviam se 
fortalecido e seus ideais propagados e popularizados.
Os novos agrupamentos políticos:
 § Partido Português: defensores da política re-
colonizadora das cortes.
 § Partido Brasileiro: força mais importante no 
processo de independência e caracterizava-se 
pelo conservadorismo. Seus componentes te-
miam que a luta pela independência se fizesse 
acompanhar por mudanças na estrutura econô-
mico-social do país.
 § Radicais Liberais: defendiam que a indepen-
dência fosse acompanhada por reformas – abo-
lição da escravatura, estabelecimento de um 
sufrágio amplo e mais autonomia das províncias.
A decisão de D. Pedro de permanecer no Brasil 
(Dia do Fico), atendendo às pressões do Partido Brasi-
leiro e dos Liberais Radicais, teve reflexos internos e ex-
ternos. As cortes acirraram os decretos recolonizadores 
e as tropas metropolitanas sediadas no Brasil movimen-
taram-se contra o regente D. Pedro.
A crise institucional chegava a um limite que 
apontava para a separação final. No dia 7 de setembro 
de 1822, às margens plácidas do riacho do Ipiranga, D. 
Pedro proclamou a Independência do Brasil. 
O projeto político da independência do Brasil foi 
resultado, em primeiro lugar, dessa situação particular 
e das contradições entre os interesses da elite agrária 
brasileira e do projeto português de recolonização do 
Brasil, expresso na Revolução Liberal do Porto.
A independência brasileira foi sui generis no 
contexto americano. O Brasil foi o único país a adotar 
a monarquia ao longo do século XIX como forma de 
governo. O processo de rompimento com a metrópole, 
além de ter sido liderado por quem era herdeiro dos do-
minadores coloniais, foi liderado por um representante 
das elites dominantes; portanto, por um defensor dos 
seus interesses e os de outros países, como os da Ingla-
terra, que não precisava nem desejava o apoio popular.
38
U.T.I. - Sala
 1. O triunfo holandês seria coroado com a chegada do conde Maurício de Nassau-Siegen, que de-
sembarcou como governador em janeiro de 1637. Transformado em mito de nossa história seis-
centista, Nassau ficaria também celebrizado pela missão de pintores e naturalistas que financiou 
no seu governo. Frans Post (1612-1680) foi o mais renomado componente da missão nassoviana, 
dedicando-se à pintura de paisagens, retratando a natureza tropical e as construções humanas.
Adaptado de: VAINFAS, R. “Tempo dos Flamengos: a experiência colonial holandesa”. 
In: FRAGOSO, J.L.R.; GOUVEA, M. de F. (Org.). O Brasil colonial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014.
a) Quais as principais realizações do Governo Maurício de Nassau?
b) Do ponto de vista colonial, quais as principais diferenças entre a administração holandesa e a admi-
nistração portuguesa no Brasil?
 2. No Brasil, costumam dizer que para o escravo são necessários PPP, a saber, pau, pão e pano. E, 
posto que comecem mal, principiando pelo castigo que é o pau, contudo, prouvera a Deus que tão 
abundante fosse o comer e o vestir como muitas vezes é o castigo, dado por qualquer causa pouco 
provada, ou levantada; e com instrumentos de muito rigor, ainda quando os crimes são certos, de 
que se não usa nem com os brutos animais...
Adaptado de: ANTONIL, A.J. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. 3. ed. Belo 
Horizonte: Itatiaia/Edusp, 1982. p. 89. Coleção Reconquista do Brasil. Disponível em: <www.
dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000026.pdf>. Acesso em: 1 ago. 2012.
De acordo com o texto, como o padre Antonil se posiciona perante a questão da escravidão?
 3. Durante o processo de independência do Brasil, não haviam ideias claras sobre o federalismo. 
Empregava-se “federação” como sinônimo de “república” e de “democracia. Mas a historiografia 
oficial da independência procurou ocultar a existência do projeto federalista, encarando-o apenas 
como resultado de impulsos anárquicos e de ambições personalistas e antipatrióticas.
a) Identifique no texto os dois significados opostos para o federalismo.
b) Qual o projeto político que dominou a conclusão do nossa independência? 
 4. “A sede insaciável do ouro estimulou a tantos a deixarem suas terras e a meterem-se por caminhos 
tão ásperos como são os das minas, que dificultosamente poderá dar-se conta do número das pes-
soas que atualmente lá estão.“
(ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas.)
De acordo com o texto, quais as principais consequências da corrida do ouro no Brasil?
 5. No início do século XIX, iniciaram-se as revoltas coloniais na América hispânica, acompanhando 
os movimentos separatistas ocorridos no Brasil.
Qual a principal característica do processo de independência das colônias hispânicas e as diferen-
ças marcantes entre sua emancipação política e a emancipação ocorrida no Brasil?
39
 6. As expedições destinadas ao apresamento dos nativos, como se pode observar no mapa abaixo,eram 
a principal atividade econômica dos bandeirantes paulistas entre os séculos XVI e XVIII.
 
a) Qual a relação existente entre as expedições de apresamento e as atividades econômicas realizadas 
pelos moradores da Capitania de São Vicente?
b) Cite um efeito dessas expedições para a colônia portuguesa na América nesse período.
 7. 
a) Identifique e analise dois elementos representados na imagem, ligados ao contexto histórico de Por-
tugal na segunda metade do século XVIII.
b) Cite e explique duas medidas tomadas pelo governo português com relação ao Brasil, nesse período.
 8. A transformação do Rio de Janeiro em corte real começou apenas dois meses antes da chegada do 
príncipe regente, quando notícias do exílio real – tão “agradáveis” quanto “chocantes”, cheias de 
“sustos e alegrias” – foram recebidas. Entretanto, como descobriram os residentes da cidade, os 
preparativos iniciais para acomodar Dom João e os exilados marcaram apenas o começo da trans-
formação do Rio de Janeiro em corte real, pois o projeto de construir uma “nova cidade” e capital 
imperial perdurou por todo o reinado brasileiro do príncipe regente. Construir uma corte real 
significava construir uma cidade ideal; uma cidade na qual tanto a arquitetura mundana como a 
monumental, juntamente com as práticas sociais e culturais dos seus residentes, projetassem uma 
imagem inequivocamente poderosa e virtuosa da autoridade e do governo reais.
Adaptado de: Kirsten Schultz. Versalhes tropical. 2008.
a)Qual o principal motivo que trouxe a corte portuguesa para o Brasil?
b) Cite duas transformações ocorridas na cidade do Rio de Janeiro com a chegada e presença da corte 
portuguesa.
40
U.T.I. - E.O.
 1. Frans Post chegou ao Brasil em 1637 e fazia parte do grupo de artistas ligados ao governo holandês 
sob o comando de Maurício de Nassau. Paisagens, cenas cotidianas e personagens foram os temas 
principais representados por Post durante essa época. Observe atentamente a imagem abaixo, de 
sua autoria, e depois responda às questões.
Identifique na pintura: a instalação representada; a força motriz utilizada; a mão de obra predo-
minante e o produto processado.
 2. “Por mais de um século, o Brasil foi o principal exportador mundial de açúcar. De 1600 a 1650, o 
açúcar respondia por 90% a 95% dos ganhos brasileiros com exportações. Mesmo no período em 
torno de 1700, quando o setor açucareiro declinou, ele continuava a representar 15% dos ganhos 
do Brasil com exportações.”
SKIDMORE, Thomas E. Uma história do Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 1998, p. 36.
Qual o principal acontecimento, ocorrido ainda no século XVII, que iniciou esse vertiginoso 
declínio?
 3. “A primeira coisa que os moradores desta costa do Brasil pretendem são índios escravizados para 
trabalharem nas suas fazendas, pois sem eles não se podem sustentar na terra”.
Adaptado de: GANDAVO, Pero Magalhães. Tratado descritivo da terra do Brasil. São Paulo: Itatiaia e Edusp, 1982, p. 42 [1576]
Nesse trecho, percebe-se que o autor compactua com sua afirmação sobre o Brasil do final do século 
XVI. Com base no texto e considerando que Portugal era governado por uma hierarquia social aris-
tocrática e católica, explique por que, quando desembarcavam na América portuguesa da época, os 
colonos imediatamente procuravam se utilizar da mão de obra escrava.
 4. “O ser senhor de engenho, diz o cronista, é título a que muitos aspiram porque traz consigo o ser 
servido, obedecido e respeitado de muitos.”
ANTONIL, A.J. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas
Relacionando esse texto acima com seus conhecimentos sobre o período colonial no Brasil, faça 
um comentário a respeito.
 5. No Brasil, em finais do século XVIII, havia grande descontentamento e revolta contra o governo 
metropolitano e isso deu origem a rebeliões que questionavam o domínio político português. As 
rebeliões, que tiveram caráter claramente separatistas, foram as Conjurações Mineira (1789) e 
Baiana (1798).
“Aviso ao Povo Bahiense
Ó vós, Povo, que nascestes para ser livres e para gozar dos bons efeitos da Liberdade, ó vós, Povos, 
que viveis flagelados com o pleno poder do indigno coroado, esse mesmo rei que vós criastes; esse 
mesmo rei tirano é quem se firma no trono para vos vexar, para vos roubar e para vos maltratar. 
Homens, o tempo é chegado para a vossa ressurreição, sim, para vós ressuscitardes do abismo da 
41
escravidão, para levantardes a sagrada Bandeira da Liberdade. As nações do mundo todas têm 
seus olhos fixos na França, a liberdade é agradável para todos. O dia da nossa revolução, da nossa 
Liberdade e da nossa felicidade está para chegar. Animai-vos que sereis felizes.”
Trecho do panfleto revolucionário afixado nas ruas de Salvador na manhã de 12 de agosto de 1798. Adaptado de 
PRIORE, M. del e outros. Documentos de história do Brasil: de Cabral aos anos 90. São Paulo: Scipione, 1997.
a) Qual a diferença essencial entre as duas conjurações?
b) Relacione cada uma delas com os respectivos movimentos que as inspiraram.
 6. Analise a imagem a seguir.
Pintada em 1822, esta obra era uma alegoria do Estado brasileiro na época da independência. Com 
ela se construiu uma imagem positiva do Império e da figura política do monarca, chamado de 
“Defensor Perpétuo do Brasil”.
Mas durante o Primeiro Reinado, entretanto, a imagem de D. Pedro foi se modificando.
Diante disso e analisando a pintura, cite e explique:
a) uma característica do projeto político monárquico do Primeiro Reinado;
b) um dos motivos que levaram à mudança da imagem de D. Pedro I durante seu governo.
 7. Os historiadores são quase unânimes em reconhecer que a atividade mineradora do século XVIII 
resultou numa forma específica de colonização que a diferenciava do resto do Brasil.
FARIA, Sheila de Castro. Dicionário do Brasil colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000, p. 397.
Considere o contexto histórico da América portuguesa, no que se refere à sociedade e à economia 
colonial do século XVIII, e diferencie esta forma de colonização daquela realizada no Nordeste 
açucareiro, dos séculos XVI e XVII. 
 8. Alguns historiadores afirmam que a história econômica do Brasil se divide em ciclos econômicos 
desde o período colonial até a época atual.
Defina no contexto histórico brasileiro o conceito de “ciclo econômico”.
 9. A solução dada à questão dinástica portuguesa, após o desaparecimento do rei D. Sebastião em 
Alcácer-Quibir (1578), teve consequências na Europa e nas colônias. 
No contexto da produção açucareira no Brasil, qual foi a consequência imediata?
 10. Os tratados de 1810 trouxeram consequências econômicas para o Brasil bastante prejudiciais.
Quais foram elas?
 
C
HISTÓRIA
H
Filosofia0 1
U.T.I.
45
Período Pré-socrático ou cosmológico
Os principais filósofos pré-socráticos foram filósofos da Escola Jônica: Tales de Mileto, Anaxímenes de Mile-
to, Anaximandro de Mileto e Heráclito de Éfeso; filósofos da Escola Itálica: Pitágoras de Samos, Filolau de Crotona 
e Árquitas de Tarento; filósofos da Escola Eleata: Parmênides de Eleia e Zenão de Eleia; filósofos da Escola da Plu-
ralidade: Empédocles de Agrigento, Anaxágoras de Clazômena, Leucipo de Abdera e Demócrito de Abdera. 
A cosmologia é uma explicação racional e sistemática sobre a origem, a ordem e a transformação da Natu-
reza da qual os seres humanos fazem parte. Ela tem como objetivo, ao explicar a Natureza, refletir sobre a origem 
e as mudanças da vida humana. Afirma que não existe criação do mundo, isto é, nega que o mundo tenha surgido 
de um vazio, de um nada. Por isso, diz: “Nada vem do nada e nada volta ao nada”. 
Contudo, mesmo que a physis seja não perecível, ela dá origem a todos os seres infinitamente variados e 
diferentes do mundo; seres que, ao contrário do princípio gerador, são perecíveis ou mortais. 
É evidente que diferentes filósofos escolheram diferentes noções de physis, isto é, cada filósofo encontrou 
motivos e razões para dizer qual era o princípio eterno e imutável que está na origem da Natureza e de suas trans-
formações. Assim, Tales dizia que o princípio era a água ou o úmido; Anaximandro considerava que era o ilimitado 
sem qualidades definidas; Anaxímenes, que era o ar ou o frio; Heráclito afirmou que era o fogo; Leucipo e Demó-
crito disseram que eram os átomos.
Parmênides de eleia (530–460 a.C.)
Efígie de Parmênides
Nascido na cidade de Eleia, ao sul da Magna Grécia, o filósofo Parmênides é considerado o grande pensador 
do imobilismo universal. O filósofo eleata se preocupou em entender a questão da transformação. Ele dizia que 
tudo aquilo que existe sempre existiu e continuará a existir.
Partindo dessa ideia, Parmênides afirma que nada pode surgir do nada. Da mesma maneira, dizia que tudo 
aquilo que já existe não pode simplesmente se transformar em nada. O filósofo desenvolve ainda mais seu raciocí-
nio: para ele, nenhuma transformação substancial pode realmente ocorrer na natureza.
Para Parmênides, o ser, ou a via da verdade, era uno, indivisível, pleno e eterno (imutável, portanto). Não há 
espaço para o não ser. Este não ser, ou aquilo que não é, não pode nunca existir, nem mesmo ser dito ou pensado. 
Para haver algo como o não ser, dizia o filósofo, ele teria que se originar do nada, ou de algo que já é – o que 
reafirmaria sua crença de que tudo que existe, necessariamente sempre existiu.
Parmênides acreditava que nossos sentidos têm a propriedade de distorcer a realidade, impedindo-nos de 
alcançar a verdade. Para o filósofo, qualquerpercepção sensorial não passava de ilusão – e somente a razão hu-
mana poderia ser uma fonte satisfatória de conhecimento sobre o universo.
46
HeráClito de Éfeso 
(535–475 a.C.)
Efígie de Heráclito de Éfeso
Radicalmente oposta à ideia do imobilismo uni-
versal de Parmênides estava a filosofia de Heráclito. 
Para o filósofo, tudo na natureza se encontra em cons-
tante movimento, e nada poderia ser para sempre. Se 
nos banhamos em um rio, dizia, não podemos fazê-lo 
duas vezes; “quando me banho pela segunda vez“, as 
águas do rio já não são as mesmas, assim como nós 
também não somos”.
Tudo está em permanente mudança ou transfor-
mação, afirmava Heráclito. Sua frase mais emblemática 
é “tudo flui”. Em sua visão, o mundo era um fluxo cons-
tante, onde nada permanece idêntico, e tudo é mutá-
vel. A este incessante processo de mudança, Heráclito 
deu o nome de devir. E é neste devir, o qual Heráclito 
entendia como uma eterna batalha entre os contrários, 
que o mundo encontra sua unidade harmoniosa. A essa 
unidade Heráclito dá o nome de logos.
emPÉdoCles (490–430 a.C.)
Efígie de Empédocles
Para Empédocles, tanto Parmênides quanto He-
ráclito possuíam seus méritos, e estavam certos em ao 
menos um dos seus argumentos. O filósofo dizia que a 
culpa da enorme divergência entre seus colegas residia 
nas premissas de que partiam – a crença na existência 
de uma única substância fundamental, que comporia 
tudo o que conhecemos no universo.
Empédocles dizia que, se fosse verdade que tudo 
aquilo que conhecemos é composto por apenas uma 
substância elementar, jamais poderíamos conciliar aqui-
lo que nos diz a razão (que algo não pode simplesmen-
te se transformar em outra coisa) com aquilo que nos 
dizem nossos sentidos (todos os processos observados 
na natureza). O filósofo pensava que, de fato, uma subs-
tância pura jamais poderia simplesmente se transformar 
em outra substância pura. A água não se transforma em 
pedra, por exemplo. Isso era o que lhe dizia sua razão. 
Por meio de seus sentidos, porém, Empédocles podia 
perceber a natureza em um processo de constante mu-
dança. 
Assim, o filósofo formula que a natureza deveria 
ter mais substâncias primordiais (e não apenas uma) 
que, combinadas, dariam origem a tudo que conhece-
mos.
Quais seriam, então, estas substâncias que, com-
binadas de diferentes maneiras, dariam origem a tudo 
aquilo que conhecemos – e que, de quebra, colocariam 
fim no impasse de Parmênides e Heráclito?
47
Para Empédocles, esses elementos seriam qua-
tro: o fogo, a água, o ar e a terra. Combinados em dife-
rentes proporções, eles originariam tudo o que conhe-
cemos, dos seres vivos aos objetos. As transformações 
observadas na natureza seriam decorrentes da mistura 
ou da separação destes elementos. Ocorridos os pro-
cessos, os elementos permaneceriam intocados. Assim, 
nada se transforma de fato – os elementos permane-
cem os mesmos, inalterados, apenas combinados de 
maneira diferente.
Mesmo considerando os quatro elementos fun-
damentais que permeiam todas as transformações, para 
Empédocles uma dúvida permanecia: por qual motivo 
estes processos aconteciam? 
Para o filósofo, as transformações eram motivadas 
por duas forças que atuavam nos processos da natureza: 
o Amor e o Ódio. Estas duas forças seriam a verdadeira 
causa do movimento de reunião e separação das subs-
tâncias.
A diferenciação entre forças e elementos proposta 
por Empédocles, vale notar, é utilizada pela ciência até os 
dias atuais. A ciência moderna acredita que todos os fe-
nômenos naturais podem ser explicados como um equi-
líbrio entre forças naturais e substâncias fundamentais.
demóCrito (460–370 a.C.)
Efígie de Demócrito
Para Demócrito, todos os processos naturais se 
davam de acordo com as leis da natureza. Essas leis, di-
zia, eram inquebrantáveis. Não havia nenhuma intenção 
por trás dos átomos – apenas a ação mecânica regida por 
leis naturais. Não há, na visão deste pensador, um espí-
rito ou força sobrenatural que rege os processos ou seu 
comportamento. Por isso, diz-se deste filósofo que é um 
filósofo materialista, isto é, que atribui todos os processos 
a causas materiais.
Quando se trata da consciência humana, porém, 
qualquer explicação não pode ser de origem material. O 
filósofo diz, então, que quando se trata do assunto, há 
um tipo especial de átomo – o átomo da alma. Assim, 
quando um ser humano morre, seus átomos se dividem 
novamente e ficam livres para dar origem a um novo 
homem. Podemos afirmar, portanto, que para Demócrito 
o ser humano não possuiria uma alma imortal.
sócrates
Se reunirmos o que Platão escreveu sobre os so-
fistas e sobre Sócrates, além da exposição de suas pró-
prias ideias, poderemos apresentar como características 
gerais do período socrático:
 § A Filosofia se volta para as questões humanas no 
plano da ação, dos comportamentos, das ideias, 
das crenças, dos valores e, portanto, se preocupa 
com as questões morais e políticas. 
 § O ponto de partida da Filosofia é a confiança no 
pensamento ou no homem como um ser racio-
nal, capaz de conhecer a si mesmo e, portanto, 
capaz de reflexão. Reflexão é a volta que o pen-
samento faz sobre si mesmo para conhecer-se; 
é a consciência conhecendo a si mesma como 
capacidade de conhecer as coisas, alcançando o 
conceito ou a essência delas. 
 § Como se trata de conhecer a capacidade de co-
nhecimento do homem, a preocupação se volta 
para o estabelecimento de procedimentos que 
nos garantam que encontramos a verdade, isto 
é, o pensamento deve oferecer a si mesmo cami-
nhos próprios, critérios próprios e meios próprios 
para saber o que é o verdadeiro e como alcançá-
-lo em tudo o que investiguemos.
 § A Filosofia está voltada para a definição das vir-
tudes morais e das virtudes políticas, tendo como 
objeto central de suas investigações a moral e a 
política, isto é, as ideias e práticas que norteiam 
os comportamentos dos seres humanos tanto 
como indivíduos quanto como cidadãos. 
48
Cabe à Filosofia, portanto, encontrar a definição, 
o conceito ou a essência dessas virtudes, para além da 
variedade das opiniões, para além da multiplicidade das 
opiniões contrárias e diferentes. As perguntas filosóficas 
se referem, assim, a valores como a justiça, a coragem, 
a amizade, a piedade, o amor, a beleza, a temperança, a 
prudência etc., que constituem os ideais do sábio e do 
verdadeiro cidadão.
É feita, pela primeira vez, uma separação radical 
entre, de um lado, a opinião e as imagens das coisas, 
trazidas pelos nossos órgãos dos sentidos, nossos hábi-
tos, pelas tradições, pelos interesses, e, de outro lado, as 
ideias. As ideias se referem à essência íntima, invisível, 
verdadeira das coisas, e só podem ser alcançadas pelo 
pensamento puro, que afasta os dados sensoriais, os 
hábitos recebidos, os preconceitos, as opiniões.
A reflexão e o trabalho do pensamento são to-
mados como uma purificação intelectual, que permite 
ao espírito humano conhecer a verdade invisível, imutá-
vel, universal e necessária.
A opinião, as percepções e imagens sensoriais são 
consideradas falsas, mentirosas, mutáveis, inconsisten-
tes, contraditórias, devendo ser abandonadas para que o 
pensamento siga seu caminho próprio no conhecimento 
verdadeiro.
A diferença entre os sofistas, de um lado, e a 
filosofia socrática e platônica, de outro, é dada pelo fato 
de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e 
das percepções sensoriais e trabalham com elas para 
produzir argumentos de persuasão, enquanto Sócrates 
e Platão consideram as opiniões e as percepções senso-
riais, ou imagens das coisas, como fonte de erro, menti-
ra e falsidade, formas imperfeitas do conhecimento que 
nunca alcançam a verdade plena da realidade.
Platão
o mito da Caverna
“Este famoso mito, extraído do livro VII de "A 
República", exprime o dualismo fundamental no pen-
samento de Platão. As sombras projetadas na parede 
da caverna representamnossa experiência sensível, o 
mundo das aparências e do vir-a-ser. Os objetos ver-
dadeiros, situados no exterior da caverna e iluminados 
pelo sol, simbolizam o mundo das verdades eternas, isto 
é, o mundo das ideias governadas pelo sol que é a ideia 
do bem. O prisioneiro, libertado da caverna e trazido 
para a luz do sol, representa a dialética ascendente. 
Note-se que ao retornar à caverna, ofuscado pelo sol, 
seus antigos camaradas o consideram cego. É o filósofo 
confundido no mundo da vida cotidiana ou o Albatroz 
de Baudelaire, caído no convés do navio: “Suas asas de 
gigante impedem-no de andar”.
VERGEZ, A.;HUISMAN, D. História dos Filósofos ilustrada 
pe los textos. 6. ed. Rio de Janeiro: Freiitas Bastos, 1984.
49
Como se pode perceber com o mito da caverna, 
Platão afirma que os moradores da caverna são como 
nós, na vida cotidiana. Tomando as sombras como se 
fossem os próprios objetos, são incapazes de distinguir 
entre mera projeção de luz e aquilo que é real. Quando 
um dos moradores se convence da necessidade da bus-
ca pelo conhecimento e inicia o processo de libertação, 
chegando finalmente ao exterior da caverna, é ofuscado 
pelo sol (o conhecimento). Com o tempo, ele se acostu-
ma à claridade e pode compreender a verdade que esta 
proporciona. Quando retorna, porém, é tido como louco 
e passa a ser odiado – afinal de contas, ele dizia aos 
demais que tudo aquilo que conheciam (seus valores, 
crenças e verdades) não passava de mera reprodução 
de algo muito superior.
a teoria das ideias
Platão parte do entendimento de que o homem, 
anteriormente à vida na Terra, viveu em um mundo es-
piritual (o mundo ideal) e que seu corpo material é algo 
como uma prisão deste espírito. O ato de refletir, de 
pensar, é uma reprodução daquilo que experienciamos 
antes da vida, uma herança deste mundo espiritual.
Estátua de Platão, em Atenas.
Quando olhamos para um objeto ou um ser 
vivo, por exemplo, na verdade estamos reconhecendo a 
ideia do objeto ou ser em questão. Esta ideia já estava 
gravada em nossa mente. Assim, Platão afirma que há 
ideias inatas. Já nascemos sabendo que um cachorro 
é um cachorro, pois tivemos contato com o “cachorro 
ideal”, perfeito e não degenerado no mundo espiritual. 
Quando vemos um cachorro neste plano, colocamos o 
animal nesta categoria, pois o reconhecemos como tal 
– ainda que o cachorro visto aqui seja muito inferior ao 
cachorro ideal, pois é mera representação.
Para Platão, as ideias não são formas abstratas 
do pensamento; são realidades objetivas, modelos eter-
nos dos objetos e seres que podemos enxergar – e que 
não passam de meras cópias imperfeitas destes mode-
los. As ideias são como as formas de um biscoito, e o 
que vemos neste mundo são os biscoitos já assados. 
Os biscoitos prontos podem estar quebrados ou quei-
mados, e, posteriormente, podem ser comidos, deixando 
de existir – mas a forma está perfeita e intacta, eterna 
e imutável.
o mÉtodo
Como se pode inferir do mito da caverna, no 
entendimento de Platão, todo homem deve buscar o 
conhecimento (no mito, sair do mundo das ideias – a 
caverna – e alcançar o mundo ideal, exterior). Essa 
busca pelo desconhecido seria, na visão do filósofo, um 
processo, um caminho que deve ser percorrido com o 
auxílio de descobertas até o momento em que se esti-
vesse preparado para compreender a verdade, aproxi-
mando-se do mundo ideal. Este processo, afirma Platão, 
seria dado pelo diálogo – sendo, portanto, um método 
dialético.
a PolítiCa
A visão que Platão tem da política de sua época 
tem estreita relação com sua posição filosófica. 
Por entender que o homem deve buscar a verda-
de ao longo da vida, Platão também afirma que o ho-
mem deve buscar a educação política e da alma, e que 
o filósofo, por estar próximo da verdade, deve participar 
ativamente da vida política da pólis.
Em sua obra, Platão nota que há diferentes for-
mas de regimes políticos, categorizando-as. São elas a 
aristocracia, ou o governo dos melhores; a monarquia, 
que Platão entende como o governo de um só; e a de-
mocracia, ou governo cujo poder emana do povo. Pla-
tão afirma que, para cada uma destas formas de go-
verno, há uma forma degenerada. Deve-se lembrar que, 
para Platão, tudo aquilo presente no mundo sensível já 
é degenerado por si só. Assim sendo, a degeneração dos 
sistemas políticos seria igualmente inevitável.
50
A aristocracia tende à oligarquia, um governo 
em que a elite governa de acordo com os próprios inte-
resses. A monarquia se corromperia até se transformar 
em uma tirania. A democracia, por sua vez, tenderia à 
anarquia. Perceba que em todos os casos, o que define 
a forma degenerada é o fato de que aqueles que go-
vernam o fazem em causa própria – e não em prol da 
coletividade, como Platão julga ideal.
Em sua obra, Platão divide o povo em classes 
sociais. Para o filósofo, há a classe econômica, forma-
da por agricultores, comerciantes e outros profissionais 
liberais; a classe militar, formada pelos guerreiros; e a 
classe legislativa. Cada classe tem interesses e atribui-
ções muito próprias, segundo ele. É quando os interes-
ses de uma classe se sobrepõem aos de outra que a 
injustiça se origina, afirma Platão. O filósofo defende 
ainda que a classe legislativa deve, necessariamente, ser 
composta por homens que tenham alcançado a ciência 
política por meio do saber filosófico (sempre a partir 
da ideia de processo do conhecimento desenvolvida no 
mito da caverna). Somente assim a política seria enten-
dida como uma atividade que visa o bem coletivo, e não 
a busca por poder.
Em seu pensamento político, Platão defende 
que a escravidão é um mal. Coloca-se ainda a favor da 
igualdade política entre homens e mulheres – um pen-
samento bastante avançado para a época.
aristóteles
Partindo como Platão, do mesmo problema acer-
ca do valor objetivo dos conceitos, mas abandonando a 
solução do mestre, Aristóteles constrói um sistema in-
teiramente original. Os caracteres desta grande síntese 
são: 
1. Observação fiel da natureza – Platão, ide-
alista, rejeitara a experiência como fonte de 
conhecimento certo. Aristóteles, mais positivo, 
toma sempre o fato como ponto de partida de 
suas teorias, buscando na realidade um apoio 
sólido às suas mais elevadas especulações me-
tafísicas.
2. Rigor no método – Depois de estudar as leis 
do pensamento, o processo dedutivo e indutivo, 
Aristóteles os aplica, com rara habilidade, em 
todas as suas obras, substituindo a linguagem 
imaginosa e figurada de Platão, em estilo primo-
roso e conciso, e criando uma terminologia filo-
sófica de precisão admirável. Pode considerar-se 
como o autor da metodologia e tecnologia cien-
tíficas. Geralmente, no estudo de uma questão, 
Aristóteles procede por partes: 
a) começa a definir-lhe o objeto; 
b) passa a enumerar-lhes as soluções históricas; 
c) propõe depois as dúvidas; 
d) indica, em seguida, a própria solução; e refu-
ta, por último, as sentenças contrárias.
3. Unidade do conjunto – Sua vasta obra filo-
sófica constitui um verdadeiro sistema, uma ver-
dadeira síntese. Todas as partes se compõem, se 
correspondem, se confirmam. 
“Mestre dos que sabem”, assim Dante se refere 
a ele na Divina comédia. Com Platão, Aristóte-
les criou o núcleo inspirador de toda a filosofia 
posterior. Mais realista do que o seu professor, 
Aristóteles percorre todos os caminhos do saber: 
da biologia à metafísica, da psicologia à retórica, 
da lógica à política, da ética à poesia. Impossível 
resumir a fecundidade do seu pensamento em 
todas as áreas. A obra aristotélica só se integra 
na cultura filosófica europeia da Idade Média, 
através dos árabes, no século XIII, quando é co-
nhecida a versão (orientalizada) de Averróis, o 
seu mais importante comentarista. Depois, São 
Tomás de Aquino vai incorporar muitos passos 
das suas teses no pensamento cristão, a teoria 
das causas. O conhecimento é o conhecimento 
das causas:
1. Causa material (aquilode que uma coisa é 
feita);
2. Causa formal (aquilo que faz com que uma 
coisa seja o que é);
3. Causa eficiente (a que transforma a matéria);
4. Causa final (o objetivo com que a coisa é fei-
ta). 
Todas pressupõem uma causa primeira, uma 
causa sem causa, o motor imóvel do cosmos, a divinda-
de que é a realidade suprema, a substância plena que 
determina o movimento e a unidade do universo. Mas 
para Aristóteles a divindade não tem a faculdade da 
criação do mundo, este existe desde sempre. É a filoso-
51
fia cristã que vai dar à divindade o poder da Criação. Aristóteles opõe-se, frequentemente, a Platão e a sua teoria 
das ideias. Para o estagirita, não é possível pensar uma coisa sem lhe atribuir uma substância, uma quantidade, 
uma qualidade, uma atividade, uma passividade, uma posição no tempo e no espaço, etc. Há duas espécies de ser: 
os verdadeiros, que subsistem por si, e os acidentes. Quando se morre, a matéria fica; a forma, o que caracteriza 
as qualidades particulares das coisas, desaparece. Os objetos sensíveis são constituídos pelo princípio da perfeição 
(o ato), são enquanto são e pelo princípio da imperfeição (a potência), através do qual lhes permite a aquisição de 
novas perfeições. O ato explica a unidade do ser, a potência, a multiplicidade e a mudança. 
a ÉtiCa
No campo da ética, segundo Aristóteles, todos nós queremos ser felizes no sentido mais pleno dessa pa-
lavra. Para obter a felicidade, devemos desenvolver e exercer nossas capacidades no interior do convívio social. 
Aristóteles acredita que a autoindulgência e a autoconfiança exageradas criam conflitos com os outros e prejudi-
cam nosso caráter. Contudo, inibir esses sentimentos também seria prejudicial. Vem daí sua célebre doutrina do 
justo meio, pela qual a virtude é um ponto intermediário entre dois extremos, os quais, por sua vez, constituem 
vícios ou defeitos de caráter. Por exemplo, a generosidade é uma virtude que se situa entre o esbanjamento e a 
mesquinharia. A coragem fica entre a imprudência e a covardia; o amor-próprio, entre a vaidade e a falta de auto-
estima; o desprezo, por si mesmo. Nesse sentido, a ética aristotélica é uma ética do comedimento, da moderação, 
do afastamento de todo e qualquer excesso. Em outras palavras:
“[A ética] é uma disposição interior constante que pertence ao gêne-
ro das ações voluntárias feitas por escolha deliberada sobre os meios possí-
veis para alcançar um fim que está ao alcance ou no poder do agente e que 
é um bem para ele. Sua causa material é o ethos do agente, sua causa for-
mal, a natureza racional do agente, sua causa final, o bem do agente, sua 
causa eficiente, a educação do desejo do agente. É a disposição voluntária e 
refletida para a ação excelente, tal como praticada pelo homem prudente.”
CHAUÍ, M. Introdução à história da filosofia, vol. I - Dos pré-socráticos a Aristóteles. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 455.
a PolítiCa
Aristóteles estudou centenas de constituições políticas de seu tempo. Concluiu que havia tantas formas de go-
verno quanto tipos de cidadão. Aquele cidadão da democracia, por exemplo, não é o mesmo da oligarquia. Após longa 
reflexão, definiu cidadania como a possibilidade de direito de voto nas assembleias e de participação no exercício do 
poder público. A extensão da cidadania estaria circunscrita a cada forma de governo, sendo alguns mais abertos à 
participação do que outros.
Quanto às formas de governo, haveria dois critérios distintivos: número e justiça. O governo pode ser exer-
cido por uma, poucas ou muitas pessoas; pode governar para si ou para o bem comum. A tabela abaixo resume a 
sistematização das formas de governo feita por Aristóteles.
Formas de governo para Aristóteles
BONS REGIMES POLÍTICOS REGIMES POLÍTICOS DEGENERADOS
Monarquia Governo de um só, que considera o bem comum Tirania Governo de um, que só considera o bem do go-vernante
Aristocracia Governo de alguns, que considera o bem comum Oligarquia Governo de alguns, que só considera o bem dos ricos
Politeia Governo de muitos, que considera o bem comum Democracia Governo de muitos, que só considera o bem dos pobres
(Disponível em: <http://pt.slideshare.net/edivaldopinheironegrao/o-que-poltica-em-aristteles>, Acessado em: 25/01/2017)
52
o início da filosofia 
Patrística
as CaraCterístiCas 
filosófiCas do Cristianismo
Não há propriamente uma história da filosofia 
cristã, assim como há uma história da filosofia grega 
ou da filosofia moderna, pois, no pensamento cristão, 
o máximo valor, o interesse central não é a filosofia, 
e sim a religião. Entretanto, se o Cristianismo não se 
apresenta, de fato, como uma filosofia, uma doutrina, 
mas como uma religião, uma sabedoria, pressupõe-se 
uma específica concepção do mundo e da vida, uma 
precisa solução do problema filosófico. É o teísmo e o 
Cristianismo. O Cristianismo fornece ainda uma impres-
cindível integração à filosofia, no tocante à solução do 
problema do mal, mediante os dogmas do pecado origi-
nal e da redenção pela cruz. E, enfim, além de uma justi-
ficação histórica e doutrinal da revelação judaico-cristã 
em geral, o Cristianismo implica uma determinação, 
elucidação, sistematização racional do próprio conteú-
do sobrenatural da Revelação, mediante uma disciplina 
específica, que será a teologia dogmática.
No que diz respeito ao teísmo, salientamos que o 
Cristianismo o deve, historicamente, a Israel. Mas, entre 
os hebreus, o teísmo não tem uma justificação, uma de-
monstração racional, como, em Aristóteles, de sorte que, 
em definitivo, o pensamento cristão tomará, na grande 
tradição especulativa grega, esta justificação e a filosofia 
em geral. Isso realiza-se á graças, especialmente, à Esco-
lástica e, sobretudo, a Tomás de Aquino. No que se refere 
à solução do problema do mal, solução que constitui a 
integração filosófica proporcionada pelo cristianismo ao 
pensamento antigo que sentiu profundamente, drama-
ticamente, esse problema sem o poder solucionar, frisa-
mos que esta representa a grande originalidade teórica 
e prática, filosófica e moral, do Cristianismo. Soluciona 
este o problema do mal precisamente mediante os dog-
mas fundamentais do pecado original e da redenção da 
cruz. Finalmente, a justificação da Revelação, em geral, 
e a determinação, dilucidação, sistematização racional 
do conteúdo da mesma têm uma importância indireta 
com respeito à filosofia, porquanto implicam sempre 
numa intervenção da razão. Foi esta, especialmente, a 
obra da Patrística e, sobretudo, de Agostinho. Essa parte, 
dedicada à história do pensamento cristão, será, portan-
to, dividida do seguinte modo: o Cristianismo, isto é, o 
pensamento do Novo Testamento, enquanto soluciona o 
problema filosófico do mal; a Patrística, a saber, o pen-
samento cristão, desde o século II ao VIII, a que é devida, 
particularmente, a construção da teologia, da dogmática 
católica; e a Escolástica, a saber, o pensamento cristão, 
desde o século IX ao XV, criadora da filosofia cristã, ver-
dadeira e própria.
Características gerais do 
pensamento cristão 
"Foi conquistada a cidade que conquistou o 
universo". Assim definiu São Jerônimo o momento que 
marcaria a virada de uma época. Era a invasão de Roma 
pelos germanos e a consequentemente queda do Impé-
rio Romano. A avalanche dos bárbaros arrasou também 
grande parte das conquistas culturais do mundo antigo. 
A Idade Média inicia-se com a desorganização da vida 
política, econômica e social do Ocidente, agora transfor-
mado num mosaico de reinos bárbaros. Depois, vieram 
as guerras, a fome e as grandes epidemias. O cristia-
nismo propaga-se por diversos povos. A diminuição da 
atividade cultural transforma o homem comum num ser 
dominado por crenças e superstições.
53
O período medieval não foi, porém, a "Idade das 
Trevas", como se acreditava. A filosofia clássica sobrevi-
veu, confinada nos mosteiros religiosos. O aristotelismo 
dissemina-se pelo Oriente bizantino,fazendo florescer 
os estudos filosóficos e as realizações científicas. No 
Ocidente, fundam-se as primeiras universidades, ocorre 
a fusão de elementos culturais greco-romanos, cristãos e 
germânicos e as obras de Aristóteles são traduzidas para 
o latim. Sob a influência da Igreja, as especulações se 
concentram em questões filosófico-teológicas, tentando 
conciliar a fé e a razão. E é nesse esforço que Santo Agos-
tinho e São Tomás de Aquino trazem à luz reflexões fun-
damentais para a história do pensamento cristão.
a filosofia medieval 
e o Cristianismo
Ao longo do século V d.C., o Império Romano 
do Ocidente sofreu ataques constantes dos povos bár-
baros. Do confronto desses povos invasores com a ci-
vilização romana decadente, desenvolveu-se uma nova 
estruturação europeia de vida social, política e econô-
mica, que corresponde ao período medieval. Em meio 
ao esfacelamento do Império Romano, decorrente, em 
grande parte, das invasões germânicas, a Igreja Católica 
conseguiu manter-se como instituição social mais orga-
nizada. Ela consolidou sua estrutura religiosa e difundiu 
o Cristianismo entre os povos bárbaros, preservando 
muitos elementos da cultura pagã greco-romana.
Apoiada em sua crescente influência religiosa, 
a Igreja passou a exercer importante papel político na 
sociedade medieval. Desempenhou, por exemplo, a fun-
ção de órgão supranacional, conciliador das elites do-
minantes, contornando os problemas da fragmentação 
política e das rivalidades internas da nobreza feudal. 
Conquistou, também, vasta riqueza material: tornou-se 
dona de, aproximadamente, um terço das áreas cultivá-
veis da Europa ocidental, numa época em que a terra 
era a principal base de riqueza. Assim, pôde estender 
seu manto de poder "universalista" sobre diferentes 
regiões europeias.
Conflitos e conciliação 
entre a fé e o saber
No plano cultural, a Igreja exerceu amplo do-
mínio, trançando um quadro intelectual em que a fé 
cristã era o pressuposto fundamental de toda sabedoria 
humana. Mas em que consistia essa fé? Consistia na 
crença irrestrita ou na adesão incondicional às verdades 
reveladas por Deus aos homens, verdades expressas nas 
Sagradas Escrituras (Bíblia) e devidamente interpreta-
das, segundo a autoridade da Igreja.
"A Bíblia era tão preciosa 
que recebia as mais ricas encader-
nações."
De acordo com a doutrina católica, a fé repre-
sentava a fonte mais elevada das verdades reveladas 
especialmente aquelas verdades essenciais ao homem 
e que dizem respeito à sua salvação. Nesse sentido, 
afirmava Santo Ambrósio (340-397, aproximadamen-
te): "Toda verdade, dita por quem quer que seja, é do 
Espírito Santo".
Assim, toda investigação filosófica ou científica 
não poderia, de modo algum, contrariar as verdades es-
tabelecidas pela fé católica. Segundo essa orientação, 
os filósofos não precisavam se dedicar à busca da ver-
dade, pois ela já havia sido revelada por Deus aos ho-
mens. Restava-lhes, apenas, demonstrar racionalmente 
as verdades da fé. 
Não foram poucos, porém, aqueles que dispen-
saram até mesmo essa comprovação racional da fé. 
Eram os religiosos que desprezavam a filosofia grega, 
sobretudo porque viam nessa forma pagã de pensa-
mento uma porta aberta para o pecado, a dúvida, o des-
caminho e a heresia (doutrina contrária ao estabelecido 
pela Igreja, em termos de fé).
Por outro lado, surgiram pensadores cristãos 
que defendiam o conhecimento da filosofia grega, na 
medida que sentiam a possibilidade de utilizá-la como 
instrumento a serviço do Cristianismo. Conciliado com a 
fé cristã, o estudo da filosofia grega permitiria à Igreja 
enfrentar os descrentes e demolir os hereges com as 
armas racionais da argumentação lógica. O objetivo 
era convencer os descrentes, tanto quanto possível, 
pela razão, para, depois, fazê-los aceitar a imensidão 
dos mistérios divinos, somente acessíveis pela fé. Entre 
54
os grandes nomes da filosofia católica medieval, des-
tacam-se Agostinho e Tomás de Aquino, responsáveis 
pelo resgate cristão das filosofias de Platão e de Aristó-
teles, respectivamente.
"Tomai cuidado para que nin-
guém vos escravize por vãs e enga-
nadoras especulações da 'filosofia', 
segundo a tradição dos homens, 
segundo os elementos do mundo, 
e não segundo Cristo."
(São Paulo)
Patrística
"A fé é a busca de argumen-
tos racionais a partir de uma matriz 
platônica."
Desde que surgiu o cristianismo, tornou-se neces-
sário explicar seus ensinamentos às autoridades romanas 
e ao povo em geral. Mesmo com o estabelecimento e a 
consolidação da doutrina cristã, a Igreja Católica sabia que 
esses preceitos não podiam simplesmente ser impostos 
pela força. Eles tinham de ser apresentados de maneira 
convincente, mediante um trabalho de conquista espiritual.
Foi assim que os primeiros padres da Igreja se 
empenharam na elaboração de inúmeros textos sobre a 
fé e a revelação cristãs. O conjunto desses textos ficou 
conhecido como patrística, por terem sido escritos, prin-
cipalmente, pelos grandes padres da Igreja.
Uma das principais correntes da filosofia patrísti-
ca, inspirada na filosofia greco-romana, tentou munir a 
fé de argumentos racionais. Esse projeto de conciliação 
entre o Cristianismo e o pensamento pagão teve como 
principal expoente o padre Agostinho.
"Compreender para crer, crer 
para compreender."
(Santo Agostinho)
Escolástica
"Os caminhos de inspiração 
aristotélica levam até Deus."
No século VIII, Carlos Magno resolveu organizar 
o ensino por todo o seu império e fundar escolas ligadas 
às instituições católicas. A cultura greco-romana, guar-
dada nos mosteiros até então, voltou a ser divulgada, 
passando a ter uma influência mais marcante nas refle-
xões da época. Era a renascença carolíngia. 
Tendo a educação romana como modelo, come-
çaram a ser ensinadas as seguintes matérias: gramática, 
retórica e dialética (o trivium); e geometria, aritmética, 
astronomia e música (o quadrivium). Todas elas esta-
vam, no entanto, submetidas à teologia. 
A fundação dessas escolas e das primeiras uni-
versidades do século XI fez surgir uma produção filosó-
fico-teológica denominada escolástica (de escola).
A partir do século XIII, o aristotelismo penetrou de 
forma profunda no pensamento escolástico, marcando-o 
definitivamente. Isso se deve-se à descoberta de muitas 
obras de Aristóteles, desconhecidas até então, e à tradu-
ção para o latim de algumas delas, diretamente do grego.
A busca da harmonização entre a fé cristã e a 
razão manteve-se, no entanto, como problema básico 
de especulação filosófica. Nesse sentido, o período es-
colástico pode ser dividido em três fases:
 § Primeira fase (do século IX ao fim do século 
XII): caracterizada pela confiança na perfeita 
harmonia entre fé e razão.
 § Segunda fase (do século XIII ao princípio do 
século XIV): caracterizada pela elaboração de 
grandes sistemas filosóficos, merecendo desta-
que nas obras de Tomás de Aquino. Nesta fase, 
considera-se que a harmonização entre fé e ra-
zão pôde ser parcialmente obtida.
 § Terceira fase (do século XIV até o século XVI): 
decadência da escolástica, caracterizada pela 
afirmação das diferenças fundamentais entre fé 
e razão.
A questão dos universais: O que 
há entre as palavras e as coisas
O método escolástico de investigação, segundo 
o historiador francês Jacques Le Goff, privilegiava o es-
tudo da linguagem (o trivium) para, depois, passar para 
o exame das coisas (o quadrivium). Desse modo, surgiu 
a seguinte pergunta: qual a relação entre as palavras 
e as coisas? Rosa, por exemplo, é o nome de uma flor. 
Quando a flor morre, a palavra rosa continua existindo. 
Nesse caso, a palavra fala de uma coisa inexistente, de 
uma ideia geral. Mas como isso acontece? O grande ins-
55
pirador da questão foi o neoplatônico Porfírio, em sua 
obra Isagoge: "Não tentarei enunciar se os gêneros e as 
espécies existem por si mesmos ou na pura inteligência, 
nem, no caso de subsistirem, se são corpóreosou incor-
póreos, nem se existem separados dos objetos sensíveis 
ou nestes objetos, formando parte dos mesmos".
Esse problema filosófico gerou muitas disputas. Era 
a grande discussão sobre a existência ou não das ideias 
gerais, isto é, os chamados "universais de Aristóteles".
Características gerais
Com o nome de Patrística, entende-se o período 
do pensamento cristão que se seguiu à época neotesta-
mentária, e chega até o começo da Escolástica, isto é, os 
séculos II-VIII da era vulgar. Este período da cultura cristã 
é designado com o nome de Patrística, porquanto repre-
senta o pensamento dos padres da Igreja, que são os 
construtores da teologia católica, guias, mestres da dou-
trina cristã. Portanto, se a Patrística interessa sumamente 
à história do dogma, interessa assaz menos à história, 
em que terá importância fundamental a Escolástica.
A Patrística é contemporânea do último perío-
do do pensamento grego, o período religioso, com o 
qual tem fecundo contato. Entretanto, diferenciando 
profundamente, sobretudo como o teísmo se diferencia 
do panteísmo. E é também contemporânea do Império 
Romano, com o qual também polemiza, e que termi-
nará por se cristianizar depois de Constantino. Dada 
a culminante grandeza de Agostinho, a Patrística será 
dividida em três períodos: antes de Agostinho, período 
em que, filosoficamente, interessam, especialmente, os 
chamados apologistas e os padres alexandrinos; Agos-
tinho, que merece um desenvolvimento à parte, visto 
ser o maior dos padres; e depois de Agostinho, vem o 
período que, logo após a sistematização, representa a 
decadência da Patrística.
santo agostinho e são tomás de aquino
filosofia medieval
Na Filosofia Medieval discute-se a relação entre a fé cristã e a filosofia grega, a partir da concepção da 
patrística e da escolástica, com ênfase nas propostas de Agostinho de Hipona e de Tomás de Aquino. Assim, é 
abordado o papel da filosofia grega como instrumento da teologia (fé cristã), apresentando sempre a ideia central 
da superioridade da fé sobre a razão.
Santo Agostinho
Patrística é a filosofia dos primeiros padres da Igreja, da qual, Santo Agostinho é um dos principais represen-
tantes. Santo Agostinho é influenciado pela corrente dos chamados “neoplatônicos”, que era uma escola filosófica 
que utilizava a doutrina platônica na defesa da religião como forma de revelação da verdade.
56
Ele foi influenciado por Platão, mas não concor-
dou em todos os pontos com sua filosofia. Agostinho 
propõe a conciliação entre fé e razão. Assim, o filósofo 
considera a filosofia grega um instrumento útil para a fé 
cristã, pois a primeira ajuda a compreender melhor as 
verdades da fé.
Para ter acesso às verdades eternas, é necessário 
que o indivíduo tenha fé. As verdades eternas encon-
tram-se no interior do homem, em sua alma. Deus está 
na alma de cada um de nós, e o conhecimento está na 
mente de Deus, que habita o interior do homem. “Creio 
em tudo o que entendo, mas nem tudo que creio tam-
bém entendo”, ou seja, existem alguns mistérios da fé 
que não são acessíveis aos homens, mas eles devem 
acreditar, pois são verdades de Deus, e, assim, a fé ilu-
mina os caminhos da razão. Para o filósofo, a fé revela 
verdades ao homem de forma direta e intuitiva, vem de-
pois a razão esclarecendo aquilo que a fé já antecipou.
Para Agostinho, as verdades eternas e imutáveis 
têm sua sede em Deus. Assim sendo, as mesmas só po-
dem ser alcançadas pela iluminação divina: Deus, que 
é uma realidade exterior, habita o interior do homem, 
revelando o conhecimento verdadeiro. 
A teoria agostiniana
A teoria agostiniana estabelece que todo conhecimento verdadeiro é o resultado de um processo de ilumi-
nação divina, que possibilita ao homem contemplar as ideias, arquétipos eternos de toda realidade. Assim, pode 
ser compreendida a principal diferença entre a teoria de Agostinho e a teoria de Platão. 
Nenhum conhecimento verdadeiro pode ser in-
troduzido na mente das pessoas vindo de fora, por meio 
do ensino. O saber se encontra na alma, porque ela se 
origina da substância divina. Com isso, Agostinho de-
monstra que a verdade não pode ser ensinada pelos 
homens, mas somente pelo mestre interior (o mestre 
interior é Deus, que habita o interior do homem).
Deus cria as coisas a partir de modelos imutáveis 
e eternos, que são as ideias divinas. Essas ideias ou ra-
zões não existem em um mundo à parte, como afirmava 
Platão, mas na própria mente ou sabedoria divina, con-
forme o testemunho da Bíblia. 
Agostinho entende a percepção do inteligível na 
alma como irradiação divina no presente. Assim como 
os objetos exteriores só podem ser vistos quando ilu-
minados pela luz do sol, também as verdades da sabe-
doria precisam ser iluminadas pela luz divina, para se 
tornarem conhecidas pelo intelecto. 
Deus não substitui o intelecto quando o homem 
pensa o verdadeiro, a iluminação teria apenas a função 
de tornar o intelecto capaz de pensar corretamente em 
virtude de uma ordem natural estabelecida por Deus. 
Assim, tem-se a influência e participação de uma cente-
lha do intelecto divino que se irradia na mente humana.
57
A luz divina, segundo Agostinho, torna inteligí-
vel a verdade eterna na mente falível. Agostinho rejeita 
a teoria da reminiscência de Platão e cria a chamada 
Teoria da Iluminação Divina. Assim, o conhecimento 
não vem da recordação de uma passagem anterior pelo 
mundo das ideias, mas sim da iluminação divina, no 
momento presente, em que Deus ilumina o indivíduo 
para ter acesso às verdades.
 Deus se espelha na alma. E "alma" e "Deus" 
são os pilares da "filosofia cristã" agostiniana. Não é 
indagando o mundo, mas escavando a alma que se en-
contra Deus.
Para o filósofo, o homem que trilha a via do pe-
cado só consegue retomar aos caminhos de Deus e da 
salvação mediante a combinação de seu esforço pesso-
al de vontade e a concessão, imprescindível, da graça 
divina. Sem a graça de Deus, o homem nada pode con-
seguir. E nem todas as pessoas são dignas de receber 
essa graça, mas, somente, alguns eleitos, predestinados 
à salvação.
Segundo Agostinho, o mal seria a perversão da 
vontade desviada da substância suprema. Assim, para o 
filósofo, “ama e faze o que quiseres” diz respeito a: se o 
homem ama verdadeiramente, isto é, como Deus ama, 
com gratuidade fazendo o bem aos outros, sua vontade 
será guiada corretamente; por isso, ser e agir conforme 
a própria vontade, iluminada pelo amor de Deus, é a 
garantia de que a liberdade de ação será justa, ou seja, 
ética.
Desse modo, para Agostinho, a liberdade huma-
na é própria da vontade, e não da razão. E é nisso que 
reside a fonte do pecado. O indivíduo peca porque usa 
de sua vontade para satisfazer a sua própria vontade, 
mesmo sabendo que tal atitude é pecaminosa.
São Tomás de Aquino
Tomás de Aquino, ao formular sua doutrina, foi 
influenciado pela teoria de Aristóteles. O filósofo é con-
siderado um dos principais representantes da filosofia 
escolástica: filosofia nas escolas medievais, surgimento 
do debate da conciliação entre fé e razão.
O conhecimento é resultado da conciliação entre 
fé e razão. Desse modo, o trabalho da razão humana 
é compatível com a crença nos dogmas de fé: filosofia 
e teologia são ciências distintas, porém, não excluden-
tes. Assim, fé e razão não se contradizem. A fé, portanto, 
melhora a razão, assim como a teologia melhora a filo-
sofia. Fé e razão são conciliáveis, estando em um mesmo 
patamar. Em alguns casos, a fé pode ultrapassar a razão, 
pois Tomás de Aquino trabalha para conciliar a filosofia 
de Aristóteles com a religião cristã, embora mantenha a 
supremacia da fé em relação à razão. O conhecimento 
está na experiência, mas a razão recebe os dados da ex-
periência e registra-os. 
Assim, nota-se o caráter abstrativo do conhe-
cimento tomista, que consiste em abstrair do objeto a 
espécie inteligível: abstrair o universal do particular, a 
espécieinteligível das imagens singulares. Nota-se a in-
fluência da teoria da abstração aristotélica na doutrina 
de Tomás de Aquino: a razão tem como ponto de partida 
a realidade sensível, pois cada ente (substância individu-
al) traz a sua forma inteligível, que é a forma da espécie.
Desse modo, o conhecimento começa pela 
experiência sensível até a apreensão de formas 
abstratas pelo intelecto.
O conhecimento humano parte sempre dos sen-
tidos, que revelam objetos concretos e singulares: mas, 
através da abstração, é capaz de finalmente forjar con-
ceitos universais. Exemplo: deste gato concreto e singu-
lar que inicio conhecendo pelos sentidos, sou capaz de 
abstrair e forjar o seu conceito universal: felino.
58
Intelecto agente é a faculdade que anima o 
conhecimento sensível para captar a essência que está 
no objeto (abstração).
Intelecto passivo recebe esse conhecimento e 
o apreende pelos conceitos, fixa o conhecimento ativado 
pela intelecção ativa que entende a essência, e o faz pelo 
raciocínio, pelo julgamento, pela elaboração do saber fi-
losófico.
Tomás de Aquino formula as chamadas “provas” 
da existência de Deus, partindo dos dados sensíveis e 
procurando ultrapassá-los pelo esforço de abstração, 
culminando na metafísica.
As cinco provas da existência de Deus
 § Pelo movimento/Primeiro Motor Imóvel: 
tudo aquilo que se move é movido por outro ser. 
Por sua vez, este outro ser necessita também 
que seja movido por outro ser, e assim, sucessi-
vamente. Se não houvesse um primeiro ser mo-
vente, cairíamos num processo indefinido. Assim, 
é necessário chegar a um primeiro ser movente 
que não seja movido por nenhum outro. Esse ser 
é Deus.
 § Causa eficiente: todas as coisas existentes no 
mundo não possuem em si próprias as causas 
eficientes de sua existência. Assim, é necessá-
rio admitir a existência de uma primeira causa 
eficiente, responsável pela sucessão dos efeitos. 
Essa causa primeira é Deus.
 § Ser necessário, ser contingente: todo ser 
contingente, do mesmo modo que existe, pode 
deixar de existir (nós, humanos). É preciso admi-
tir um ser que sempre existiu e sempre irá existir, 
um ser absolutamente necessário, que não tenha 
fora de si a causa de sua existência, mas ao con-
trário, seja a causa da necessidade de todos os 
seres contingentes. O ser necessário é Deus, que 
é onisciente, onipotente e onipresente.
 § Graus de Perfeição: em relação à qualidade 
de todas as coisas existentes, pode-se afirmar 
a existência de graus diversos de perfeição. De-
vemos, então, admitir que existe um ser com o 
máximo de bondade, de beleza, de poder, de ver-
dade, sendo, portanto, um ser máximo e pleno. 
Esse ser é Deus.
 § Finalidade do ser/Pela finalidade, pela or-
dem e governo do mundo: todas as coisas 
brutas, que não possuem inteligência própria, 
existem na natureza cumprindo uma função, um 
objetivo, uma finalidade, semelhante à flecha di-
rigida pelo arqueiro. Devemos admitir então que 
existe algum ser inteligente que dirige todas as 
coisas da natureza para que cumpram seu obje-
tivo. Esse ser é Deus.
Segundo Aquino, Deus cria e regula a ordem do 
mundo. Essa ordem divina é chamada de providência, 
e todas as coisas e seres estão sujeitos a ela. Deus, ao 
estabelecer essa ordem, encaminha todas as coisas a si, 
o bem supremo.
Assim, em virtude da providência, o homem é 
encaminhado para a beatitude, porém, escolhe seus 
próprios caminhos. A faculdade de escolha é o livre ar-
bítrio, e os homens dele se utilizam para as decisões que 
tomam em suas vidas.
nicolau maquiavel
Maquiavel é um marco na história da filosofia política 
moderna, por desvincular o Estado dos imperativos da 
religião (propõe assim um Estado laico) e também dos 
imperativos da metafísica. Assim, a filosofia de Ma-
quiavel é considerada amoral no sentido de que não se 
vincula à ideia de moral posta pela Igreja, visto que o 
príncipe não está vinculado à ideia de bem ou mal. Isso 
não significa que não possa haver uma moral própria da 
ação política. Maquiavel é um teórico da política, sendo 
sua obra mais importante O Príncipe, de 1513.
59
O Príncipe, enquanto obra, tinha uma motivação 
evidente para o florentino: unir a região que hoje co-
nhecemos como Itália e, por meio disso, garantir a paz. 
Paz esta constantemente arruinada por pequenos prin-
cipados e repúblicas, que conflitavam incessantemente 
em busca de autoafirmação. Maquiavel, funcionário pú-
blico por quase toda sua vida e ávido leitor da teoria 
política greco-romana, viu-se na necessidade de redigir 
um manual para com o qual Lourenzo de Médici pudes-
se executar a unificação política italiana.
Maquiavel não possuíra outros recursos para pen-
sar a política senão sua experiência empírica, além dos 
livros de história de teoria política clássica e medieval: 
Platão, Aristóteles, Ciro, Santo Agostinho e Tomás de 
Aquino. A influência destes autores é patente em sua 
obra e jamais deve ser ignorada. Embebido destas te-
orias, tinha em mente que a ciência política é a ciência 
dos grandes, a ciência que busca compreender a arte 
de governar. Maquiavel expõe claramente que suas 
prescrições advinham do “... conhecimento das ações 
das grandes personalidades, que conheci de longa ex-
periência das coisas modernas e da leitura contínua dos 
antigos.” 
Assim, o filósofo se preocupa em saber como os 
governantes governam de fato, quais os limites do uso 
da força e da violência para conquistar e conservar o 
poder, como se ter um governo estável. Assim, para Ma-
quiavel, o que importa para o príncipe é manter-se no 
governo.
Um aspecto inovador na política de Maquiavel é 
que ele ressalta o aspecto agonístico (luta, conflito) da 
realidade. Para o filósofo, o conflito é inerente à ativida-
de humana. Assim, trata-se do reconhecimento de que 
a política se faz com base em interesses divergentes, 
em contínuo movimento. Daí a necessidade de ordem, 
única condição capaz de trazer o bem comum.
O príncipe deve ter ao mesmo tempo o amor e o 
temor de seus súditos, pois, para o filósofo, é importante 
ser amado e temido. Porém, se tiver que escolher en-
tre um dos dois, “é melhor ser temido do que amado”, 
visto que o temor faz com que o príncipe tenha ações 
imprevisíveis, garantindo respeito. Já se for amado, seus 
súditos conhecerão seus pontos fracos e poderão retirá-
-lo do poder. Para que o príncipe se mantenha no go-
verno, ele deve saber se adaptar às situações, ou seja, 
à realidade concreta. Assim, ele não precisa ser bom 
sempre, mas os súditos devem devotar-lhe confiança. A 
virtù do príncipe não deve ser a mesma do Cristianismo, 
a qual prega a resignação, a humildade, o perdão aos 
inimigos. Porém, o príncipe deve parecer ter tais virtu-
des, mas de modo algum, deve, de fato, empregá-las. 
Desse modo, o que Maquiavel defende não é um go-
verno ideal, ou ainda governantes ideais, mas sim um 
governo que saiba se adequar à realidade concreta, 
um governo real, sem qualquer concepção idealizada 
de política, como propunham a religião e a política, os 
teóricos políticos clássicos. Assim, a política tem como 
objetivo a manutenção do poder por meio do bom trato 
das contingências.
60
O governante deve lutar com todas as armas para manter-se no poder. A qualidade exigida do príncipe que 
deseja se manter no poder é sobretudo a sabedoria de agir conforme as circunstâncias. Sendo capaz de aparentar 
possuir as qualidades valorizadas pelos governados. Assim, a ação política boa consistirá naquela que consiga 
atingir, não importa como, os resultados almejados na busca do bem comum.
“De modo geral, os homens julgam mais com 
os olhos do que com o tato: todos podem ver, mas 
poucos são capazes de sentir. Todos veem nossa 
aparência, poucos sentem o que realmente somos, 
e estes poucos não ousarão opor-se à maioria que 
tenha a majestade do Estado a defendê-la. Na con-
duta dos homens, especialmente dos príncipes, em 
que não existe tribunalde apelação, espera-se o 
êxito final.”
Virtú e Fortuna
Virtù significa virtude, na expressão grega de força, valor, qualidade de lutador e guerreiro viril.
Vale lembrar que não se refere ao príncipe bom e justo no sentido empregado pelos cristãos. Os homens de virtù 
são aqueles que têm a capacidade de perceber o jogo de forças que lhe impõe a política e agir com energia para conquis-
tar e manter o poder. Assim, a virtude maquiavélica se mostrará contundente e revela a prudência do observador atento.
Para o pensamento antigo clássico, a fortuna é uma deusa mulher. Como se trata de uma deusa e mulher, para 
atrair suas graças era necessário mostrar-se “vil”, um homem de verdadeira virilidade, inquestionável coragem.
Assim o príncipe deve sempre estar atento ao curso da história, aguardando a ocasião propícia e aproveitando 
o acaso ou as circunstâncias.
 Maquiavel procurará demonstrar a possibilidade da virtù para conquistar a fortuna. O príncipe de virtude é 
aquele que aproveita a ocasião que a fortuna lhe põe ao alcance, mas que sabe esperar quando a situação lhe é 
desfavorável, ou ainda converte a situação desfavorável ao seu favor para manter o seu poder.
Cuidado: a fortuna é chamada de sorte, mas é necessário que o príncipe saiba quando agir, não se deixando 
levar pelo mero oportunismo. Assim, a virtù não deve existir sem a fortuna para aquele príncipe que visa manter-se 
no poder. Por isso, o mais importante para o príncipe é que ele saiba se adaptar às condições impostas pela fortuna.
61
“Sendo a fortuna inconstante, e estando os 
homens obstinados em seus modos, serão felizes 
quando a fortuna e os modos estiverem de acor-
do; e, quando discordarem, serão infelizes. Não 
obstante, a fortuna é mulher, e, para mantê-la 
submissa, será preciso bater nela e contrariá-la”
Desse modo, o governante deve fazer o que for mais conveniente para que se mantenha no poder, a cada 
momento em que seja importante para que ele o mantenha. O príncipe é um homem de virtù que deve voltar seu 
ânimo para a direção que a fortuna o impelir, mesmo que a conquista e a conservação do poder impliquem ações 
más. Assim, não se tem uma decisão moral, mas sim decisões que atendem a lógica do poder.
thomas hobbes (1588-1679)
“Nem artes; nem letras; nem sociedade; mas o 
que é de pior: medo contínuo e perigo de morte vio-
lenta; e para o homem, resta uma vida solitária, pobre, 
desagradável, brutal e curta”
(Hobbes)
Thomas Hobbes era um pensador jusnaturalista, ou seja, comungava com outros pensadores a hipóte-
se de que a sociabilidade é artificial, uma criação humana por meio de um contrato. Para ele, anteriormente à 
constituição das comunidades políticas, existiria uma vida sem Estado e sem leis. Em tal Estado de Natureza, os 
seres humanos seriam naturalmente iguais em suas faculdades corporais e mentais (mais nas mentais do que nas 
corporais). A partir de seus predicados, herdados da Natureza, os indivíduos são capazes de emitir juízo sobre suas 
realidades, além de se relacionarem apaixonadamente com quaisquer fins que lhes aprouverem. Daí emerge um 
traço empirista em seu pensamento, ancorado no fato de que as concepções morais – sobre o que é o bem ou o 
mal, certo ou errado – estão circunscritas à subjetividade. Portanto, valores e ações humanas não teriam um senti-
do comum, compartilhado por todos.
Nesse cenário, o homem é opaco aos olhos de seu semelhante – ele não sabe o que o outro deseja, e por 
isso tem que fazer uma suposição de qual será a sua atitude mais prudente, mais razoável. Como o outro também 
não sabe o que ele quer, também é forçado a supor o que fará. Dessa suposição recíproca, o mais razoável para 
ambos é atacar o outro, o quanto antes, para vencê-lo. Significar dizer que, se não há um Estado controlando ou 
reprimindo, a atitude mais racional a se adotar é fazer a guerra: instaura-se uma “guerra de todos contra todos”. 
Assim, de modo geral, haveria três causas principais de discórdia na natureza dos homens: a competição, 
a desconfiança e a glória. Nas palavras de Hobbes, 
“A primeira leva os homens a atacar os outros 
tendo em vista o lucro; a segunda, a segurança; a 
terceira, a reputação. Os primeiros usam a violên-
cia para se tornarem senhores das pessoas, mulhe-
res, filhos e rebanhos de outros homens; os segun-
dos, para defendê-los; e o terceiro por ninharias, 
como uma palavra, um sorriso, uma diferença de 
opinião, e qualquer outro sinal de desprezo, quer 
seja diretamente dirigido a suas pessoas, quer 
indiretamente a seus parentes, seus amigos, sua 
nação sua profissão ou seu nome.
62
Com isto se torna manifesto que, durante o 
tempo em que os homens vivem sem um poder 
comum capaz de os manter a todos em respeito, 
eles se encontram naquela condição a que se cha-
ma de guerra; e uma guerra que é de todos os 
homens contra todos os homens” 
(Hobbes, O Leviatã)
Onde residiria então a vantagem do Estado de Natureza? 
Somente nele o homem gozaria de seu direito natural (jus naturale), isto é: a liberdade que cada um possui 
de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua própria natureza, ou seja, de sua 
vida; e, consequentemente, “de fazer tudo aquilo que seu próprio julgamento e razão lhe indiquem como meios 
adequados a esse fim”. É evidente que tal liberdade é volátil. O ser humano é movido por desejos e sempre 
tentará impô-los aos demais. 
A tragédia da ausência de Estado é a guerra generalizada.
Um pacto para a Paz
“Cedo e transfiro o direito de governar a mim 
mesmo, desde que você também o faça, dando o 
direito ao governante, em nome da paz e da segu-
rança.”
A superação da guerra, da incerteza e do caos somente será atingida, paradoxalmente, por uma perda. A 
fórmula da pacificação, para Hobbes, consiste na abdicação da liberdade natural de cada um para um ou poucos 
homens que definirão as leis e a aplicação de pena de morte aos cidadãos. Como bem aponta o filósofo Althusser: 
“A morte é a verdade-limite de todo temor: o temor da morte funda o contrato social”. Portanto, a lex na-
turalis (Lei Natural) de preservação da vida e busca da paz deve ser racionalmente contratada pelos agentes, que 
deverão aliená-la ao Soberano.
(Capa do livro “O Leviatã”, de 1651)
Segue-se que a adesão ao contrato deve ser unânime. Se um indivíduo se opusesse, abriria margem a que 
outros também o fizesse. E o soberano designado pelos indivíduos seria o único a conservar todas as suas liberda-
des naturais e, portanto, agir livremente em busca da paz e do bem comum. Somente ele teria o Direito e o Dever de 
impor a violência sobre os demais. Hobbes conclui, também, que não seria racional os indivíduos se rebelarem con-
tra o Soberano, posto que a soberania foi pelo povo conferida. O soberano, assim sendo, não deve ser destronado. 
63
Por outro lado, a manutenção do poder deve ser feita por legislação sábia, mas o filósofo deixa claro que 
“Sem a espada, os pactos não são senão palavras e carecem de força para garantir plenamente a segurança do 
homem". Contudo, nesse estado de dominação quase que absoluta, donde subsistiria a liberdade do súdito? A 
resposta está no momento em que o soberano se volta contra o povo, gerando novamente estado de guerra e 
medo. Nesse caso em específico, desapareceria a razão que leva o súdito a obedecer.
O plano de Hobbes ambicionava afirmar o Estado Absolutista – visto por ele como a única forma de 
governo capaz de gerir conflitos e garantir a paz dentro contexto belicoso no qual o império inglês se inseria. 
 (Rei Luís XIV, exemplo clássico de monarca absoluto)
64
u.t.i. - sala
 1. (UEL) Leia o diálogo a seguir.
Glauco: — Que queres dizer com isso? 
Sócrates: — O seguinte: que me parece que 
há muito estamos a falar e a ouvir falar so-
bre o assunto, sem nos apercebermos de que 
era da justiça que de algum modo estávamos 
a tratar. 
Glauco: — Longo proémio – exclamou ele – 
para quem deseja escutar! 
Sócrates: — Mas escuta, a ver se eu digobem. O princípio que de entrada estabele-
cemos que devia observar-se em todas as 
circunstâncias, quando fundamos a cidade, 
esse princípio é, segundo me parece, ou ele 
ou uma das suas formas, a justiça.
PLATÃO. A República. 7. ed. Lisboa: Fundação 
Calouste Gulbenkian, 1993. p. 185-186.
Com base nesse fragmento, que aponta para 
o debate em torno do conceito de justiça na 
obra A República, de Platão, explique como 
Platão compreende esse conceito. 
Leia o texto a seguir para responder às ques-
tões 2 e 3.
“... não é fácil determinar de que maneira, e 
com quem e por que motivos, e por quanto 
tempo devemos encolerizar-nos; às vezes nós 
mesmos louvamos as pessoas que cedem e as 
chamamos de amáveis, mas às vezes louvamos 
aquelas que se encolerizam e as chamamos de 
viris. Entretanto, as pessoas que se desviam 
um pouco da excelência não são censuradas, 
quer o façam no sentido do mais, quer o fa-
çam no sentido do menos; censuramos apenas 
as pessoas que se desviam consideravelmen-
te, pois estas não passarão despercebidas. Mas 
não é fácil determinar racionalmente até onde 
e em que medida uma pessoa pode desviar-se 
antes de tornar-se censurável (de fato, nada 
que é percebido pelos sentidos é fácil de de-
finir); tais coisas dependem de circunstâncias 
específicas, e a decisão depende da percepção. 
Isto é bastante para determinar que a situa-
ção intermediária deve ser louvada em todas 
as circunstâncias, mas que às vezes devemos 
inclinar-nos no sentido do excesso, e às vezes 
no sentido da falta, pois assim atingiremos 
mais facilmente o meio-termo e o que é certo.”
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Livro II. São Paulo: 
Nova Cultural, 1996, p. 150 (Col. Os Pensadores). 
 2. (UFPR) Agir de modo virtuoso é, segundo 
Aristóteles, agir sempre do mesmo modo? 
Por quê?
 3. (UFPR) Uma vez que Aristóteles antes define 
as virtudes como disposições de caráter e, na 
passagem acima, acrescenta que as virtudes 
situam-se num “meio-termo”, de que modo 
devem ser definidos os vícios? Por quê?
 4. (UFU) Os fragmentos abaixo representam 
três temas fundamentais que configuram o 
pensamento de Heráclito de Éfeso.
“O deus é dia noite, inverno verão, guerra 
paz, saciedade fome; mas se alterna como 
fogo, quando se mistura a incensos, e se de-
nomina segundo o gosto de cada.” (Fr. 67)
“Por fogo se trocam todas (as coisas) e fogo 
por todas, tal como por ouro mercadorias e 
por mercadorias ouro.” (Fr. 90)
Os pré-socráticos. São Paulo: Abril Cultural, 
1973, p. 85 e 87. Col. Os pensadores.
A partir das citações acima:
a) explicite quais são esses temas.
b) comente cada um deles de modo a caracteri-
zar a Filosofia de Heráclito. 
 5. (UFU) Há um abismo imenso que separa esta 
escala de valores que Sócrates proclama com 
tanta evidência e a escala popular vigente 
entre os gregos e expressa na famosa canção 
báquica antiga:
O bem supremo do mortal é a saúde; 
O segundo, a formosura do corpo; 
O terceiro, uma fortuna adquirida sem má-
cula; 
O quarto, desfrutar entre amigos o esplendor 
da juventude. 
JAEGER, W. Paideia. São Paulo: Martins 
Fontes, 1995, p. 528-529. 
a) O que é o homem para Sócrates? 
b) Qual é a relação entre o que define o homem 
e a máxima délfica “Conhece-te a ti mesmo”?
 6. (UFU) A respeito da fortuna, Maquiavel es-
creveu: 
[...] penso poder ser verdade que a fortu-
na seja árbitra de metade de nossas ações, 
mas que, ainda assim, ela nos deixe governar 
quase a outra metade. 
MAQUIAVEL, N. O príncipe. Tradução de: Lívio Xavier. São 
Paulo: Nova Cultural, 1987. Coleção “Os Pensadores”. p. 103. 
Com base na citação, responda: 
a) O que é a fortuna para Maquiavel? 
b) Como deve agir o príncipe em relação à 
fortuna? 
65
 7. (Unesp)
TEXTO 1
Para santo Tomás de Aquino, o poder políti-
co, por ser uma instituição divina, além dos 
fins temporais que justificam a ação política, 
visa outros fins superiores, de natureza es-
piritual. O Estado deve dar condições para a 
realização eterna e sobrenatural do homem. 
Ao discutir a relação Estado-Igreja, admite a 
supremacia desta sobre aquele. Considera a 
Monarquia a melhor forma de governo, por 
ser o governo de um só, escolhido pela sua 
virtude, desde que seja bloqueado o caminho 
da tirania.
TEXTO 2
Maquiavel rejeita a política normativa dos 
gregos, a qual, ao explicar “como o homem 
deve agir”, cria sistemas utópicos. A nova po-
lítica, ao contrário, deve procurar a verdade 
efetiva, ou seja, “como o homem age de fato”. 
O método de Maquiavel estipula a observação 
dos fatos, o que denota uma tendência co-
mum aos pensadores do Renascimento, pre-
ocupados em superar, através da experiência, 
os esquemas meramente dedutivos da Idade 
Média. Seus estudos levam à constatação de 
que os homens sempre agiram pelas formas 
da corrupção e da violência.
Adaptado de: ARANHA, Maria Lúcia; MARTINS, 
Maria Helena. Filosofando. 1986.
Explique as diferentes concepções de políti-
ca expressadas nos dois textos. 
 8. (UFU) Leia a afirmação a seguir e responda.
A função que Hobbes atribui ao pacto de 
união é a de fazer passar a humanidade do 
estado de guerra para o estado de paz, insti-
tuindo o poder soberano.
BOBBIO, Norberto. Thomas Hobbes. Rio 
de Janeiro: Campus, 1991. p. 43.
a) Por que, sem o pacto, não há paz entre os 
homens?
b) Por que a instituição do poder soberano é 
resultado de uma passagem? 
 9. (UFU) Segundo Agostinho de Hipona (354-
430), as ideias ou formas originárias de todas 
as coisas, razões estáveis e imutáveis das coisas 
de nosso mundo, estão contidas na mente divi-
na e não nascem nem morrem, e tudo o que, em 
nosso mundo, nasce e morre é formado a partir 
delas. Essas ideias eternas não são criaturas, 
antes, participam da Sabedoria eterna, median-
te a qual Deus criou todas as coisas e são idênti-
cas a Ele. Assim, conhecemos verdadeiramente 
quando nos voltamos para tais ideias; sendo o 
fundamento da natureza das coisas são tam-
bém o fundamento para o conhecimento dessas 
mesmas coisas; assim, por meio delas podemos 
formar juízos verdadeiros sobre elas. 
INÁCIO, Inês. C.; LUCA, Tânia R. de. O pensamento 
medieval. São Paulo: Ática, 1988, p. 26. 
Levando em consideração o texto acima e a 
teoria da iluminação de Agostinho, responda:
a) O que são as ideias eternas?
b) Qual o seu papel ou função em nosso conheci-
mento do mundo? 
 10. (UEL) Leia o texto e o quadrinho a seguir.
Aqueles que somente por fortuna se tornam príncipes pouco trabalho têm para isso, é claro, mas 
se mantêm muito penosamente. Não têm nenhuma dificuldade em alcançar o posto, porque por 
aí voam; surge, porém, toda sorte de dificuldades depois da chegada. Tais príncipes estão na de-
pendência exclusiva da vontade e boa fortuna de quem lhes concedeu o Estado, isto é, duas coisas 
extremamente volúveis e instáveis.
Adaptado de: MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Nova Cultural, 1996, p. 55.
a) Desenvolva os conceitos de fortuna e de virtù, em conformidade com Maquiavel.
b) O que diferencia o pensamento político de Maquiavel daquele concebido pela tradição cristã? 
66
u.t.i. - e.o. 
 1. O que significa dizermos que os primeiros 
filósofos tinham uma “preocupação cosmo-
lógica”?
 2. Platão considera as opiniões e as percepções 
sensoriais, ou conhecimento das imagens 
das coisas, como fonte de erro, pois nunca 
alcançam a verdade plena. 
 3. Em 399 a.C., o filósofo Sócrates é acusado 
de graves crimes por alguns cidadãos ate-
nienses. (...) Em seu julgamento, segundo 
as práticas da época, diante de um júri de 
501 cidadãos, o filósofo apresenta um longo 
discurso, sua apologia ou defesa, em que, no 
entanto, longe de se defender objetivamente 
das acusações, ironiza seus acusadores, assu-
me as acusações, dizendo-se coerente com o 
que ensinava, e recusa a declarar-se inocen-
te ou pedir uma pena. Com isso, ao júri, ten-
do que optar pela acusação ou pela defesa, 
só restou como alternativa a condenação do 
filósofo à morte. 
(Danilo Marcondes). 
Com base no texto apresentado, explique 
quais foramos motivos da condenação de 
Sócrates à morte.
 4. (UFPR) Se há, então, para as ações que pra-
ticamos, alguma finalidade que desejamos 
por si mesma, sendo tudo mais desejado 
por causa dela, e se não escolhemos tudo 
por causa de algo mais (se fosse assim, o 
processo prosseguiria até o infinito, de tal 
forma que nosso desejo seria vazio e vão), 
evidentemente tal finalidade deve ser o bem 
e o melhor dos bens. Não terá então uma 
grande influência sobre a vida o conheci-
mento deste bem? Não deveremos, como ar-
queiros que visam a um alvo, ter maiores 
probabilidades de atingir assim o que nos 
é mais conveniente? Sendo assim, cumpre-
-nos tentar determinar, mesmo sumaria-
mente, o que é este bem, e de que ciências 
ou atividades ele é o objeto. Aparentemente 
ele é o objeto da ciência mais imperativa e 
predominante sobre tudo. Parece que ela é 
a ciência política.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco, 1094a, p. 18-28. 
Que razões Aristóteles alega para justificar a 
afirmação de que a ciência mais imperativa 
e predominante sobre tudo parece ser a ci-
ência política? 
 5. (UFMG) Na Ética a Nicômaco, Aristóteles pro-
põe uma compreensão da amizade em que a 
semelhança entre os homens é importante, 
embora não a caracterize completamente, 
como se comprova neste trecho:
A amizade perfeita é a dos homens que são 
bons e afins na virtude, pois esses desejam 
igualmente bem um ao outro enquanto bons, 
e são bons em si mesmos. Ora, os que dese-
jam bem aos seus amigos por eles mesmos 
são os mais verdadeiramente amigos, porque 
o fazem em razão da sua própria natureza 
e não acidentalmente. Por isso sua amizade 
dura enquanto são bons – e a bondade é uma 
coisa muito durável. E cada um é bom em si 
mesmo e para o seu amigo, pois os bons são 
bons em absoluto e úteis um ao outro. […] 
Uma tal amizade é, como seria de esperar, 
permanente, já que eles encontram um no 
outro todas as qualidades que os amigos de-
vem possuir.
Com efeito, toda a amizade tem em vista o 
bem ou o prazer – bem ou prazer, quer em 
abstrato, quer tais que possam ser desfru-
tados por aquele que sente a amizade –, e 
baseia-se numa certa semelhança. E à ami-
zade entre homens bons pertencem todas 
as qualidades que mencionamos, devido à 
natureza dos próprios amigos, pois numa 
amizade desta espécie as outras qualidades 
também são semelhantes em ambos; e o que 
é irrestritamente bom também é agradável 
no sentido absoluto do termo, e essas são as 
qualidades mais estimáveis que existem.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução de: 
VALLANDRO, L.; BORNHEIM, G. In: Os pensadores. 
São Paulo: Abril, 1979, VIII, 3, 1156b.
Com base na leitura desse trecho e em outras 
informações presentes na obra em referên-
cia, explique por que não é toda e qualquer 
semelhança entre os homens que motiva 
uma amizade verdadeira. 
 6. (Unesp) “O homem é o lobo do homem” é 
uma das frases mais repetidas por aque-
les que se referem a Hobbes. Essa máxima 
aparece coroada por uma outra, menos ci-
tada, mas igualmente importante: “guerra 
de todos contra todos”. Ambas são funda-
mentais como síntese do que Hobbes pensa 
a respeito do estado natural em que vivem 
os homens. O estado de natureza é o modo 
de ser que caracterizaria o homem antes de 
seu ingresso no estado social. O altruísmo 
não seria, portanto, natural. No estado de 
67
natureza o recurso à violência generaliza-
-se, cada qual elaborando novos meios de 
destruição do próximo, com o que a vida se 
torna “solitária, pobre, sórdida, embrute-
cida e curta, na qual cada um é lobo para 
o outro, em guerra de todos contra todos”. 
Os homens não vivem em cooperação natu-
ral, como fazem as abelhas e as formigas. 
O acordo entre elas é natural; entre os ho-
mens, só pode ser artificial. Nesse sentido, 
os homens são levados a estabelecer con-
tratos entre si. Para o autor do Leviatã, o 
contrato é estabelecido unicamente entre 
os membros do grupo, que, entre si, concor-
dam em renunciar a seu direito a tudo para 
entregá-lo a um soberano capaz de promo-
ver a paz. Não submetido a nenhuma lei, o 
soberano absoluto é a própria fonte legisla-
dora. A obediência a ele deve ser total.
João Paulo Monteiro. Os pensadores. 2000.
Caracterize a diferença entre estado de na-
tureza e vida social, segundo o texto, e 
explique por que a é atribuída a Hobbes a 
concepção política de um “absolutismo sem 
teologia”. 
 7. (UFMG) Leia este trecho:
Ouvi dizer a um homem instruído que o tem-
po não é mais que o movimento do sol, da 
lua e dos astros. Não concordei. Por que não 
seria antes o movimento de todos os cor-
pos? Se os astros parassem e continuasse a 
mover-se a roda do oleiro, deixaria de haver 
tempo para medirmos suas voltas? [...] Ou, 
ao dizermos isto, não falamos nós no tempo, 
e não há nas nossas palavras sílabas longas 
e sílabas breves, assim chamadas, porque 
umas ressoam durante mais tempo e outras 
durante menos tempo?
SANTO AGOSTINHO. Confissões (Livro XI: o Homem 
e o Tempo). Tradução de: SANTOS, J. Oliveira; PINA, 
Ambrósio de. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 286.
Nesse trecho, o autor argumenta contra a 
identificação do tempo ao movimento dos 
astros. Apresente o argumento proposto por 
Santo Agostinho. 
 8. (Unesp) “Três maneiras há de preservar a 
posse de Estados acostumados a serem go-
vernados por leis próprias; primeiro, de-
vastá-los; segundo, morar neles; terceiro, 
permitir que vivam com suas leis, arrancan-
do um tributo e formando um governo de 
poucas pessoas, que permaneçam amigas. 
Sucede que, na verdade, a garantia mais se-
gura da posse é a ruína. Os que se tornam 
senhores de cidades livres por tradição, e 
não as destroem, serão destruídos por elas. 
Essas cidades costumam ter por bandeira, 
em suas rebeliões, tanto a liberdade quan-
to suas antigas leis, jamais esquecidas, nem 
com o passar do tempo, nem por influência 
dos favores que receberam.
Por mais que se faça, e sejam quais forem 
os cuidados, sem promover desavença e de-
sagregação entre os habitantes, continuarão 
eles a recordar aqueles princípios e a estes 
irão recorrer em quaisquer oportunidades e 
situações”.
Adaptado de: Nicolau Maquiavel. Publicado 
originalmente em 1513. 
Partindo de uma definição de moralidade 
como conjunto de regras de conduta hu-
mana que se pretendem válidas em termos 
absolutos, responda se o pensamento de 
Maquiavel é compatível com a moralidade 
cristã. Justifique sua resposta, comentando 
o teor prático ou pragmático do pensamen-
to desse filósofo. 
 9. (UFU) Ser vítima de bala perdida é o maior 
medo atual dos cariocas e moradores da re-
gião metropolitana do Rio. Foi o que res-
ponderam 57% dos 4500 entrevistados em 
levantamento do ISP (Instituto de Segu-
rança Pública), órgão ligado à Secretaria de 
Segurança do Rio, divulgado na tarde desta 
terça-feira. [...] um quinto dos entrevista-
dos (21,7%) foi vítima de um dos 21 tipos 
de crimes elencados na pesquisa (agressão, 
furto...).
BELCHIOR, L. Mais da metade dos moradores do RJ 
não confia na PM. In: Folha Online, 19/08/2008.
Estatísticas como essas retratam a situação 
de medo e de insegurança geral vivenciada 
nas metrópoles brasileiras e conferem atu-
alidade a teorias como a do filósofo Tho-
mas Hobbes. Para ele, a função do Estado e 
do corpo político é a de garantir a paz e o 
direito de cada um à vida, impedindo o de-
sencadeamento natural da guerra de todos 
contra todos.
A partir da leitura das informações acima, 
responda às seguintes perguntas.
a) De acordo com Hobbes, os seres humanos 
são naturalmente sociáveis? Justifique sua 
resposta.
b) Quais seriam, para esse filósofo, as princi-
pais características do homem em estado de 
natureza?
c) Tendo em vista o fragmento da reportagem 
publicada pelo jornal Folha Online, é correto 
dizer que o Estado, hoje, do ponto de vista 
hobbesiano, cumpre sua obrigação em rela-
ção aos cidadãos? 
68
 10. (UFU) Leia com atenção o texto abaixo em 
que o autor comenta e cita Santo Agostinho, 
e, em seguida, responda as questões apre-
sentadas.“Deus cria as coisas a partir de modelos imu-
táveis e eternos, que são as ideias divinas. 
Essas ideias ou razões não existem em um 
mundo à parte, como afirmava Platão, mas 
na própria mente ou sabedoria divina, con-
forme o testemunho da Bíblia.”
“Que a mesma sabedoria divina, por quem 
foram criadas todas as coisas, conhecia aque-
las primeiras, divinas, imutáveis e eternas 
razões de todas as coisas antes de serem cria-
das, a Sagrada Escritura dá este testemunho: 
No princípio era o Verbo e o Verbo estava 
junto de Deus e o Verbo era Deus. Todas as 
coisas foram feitas pelo Verbo e sem Ele nada 
foi feito. Quem seria tão néscio a ponto de 
afirmar que Deus criou as coisas sem conhe-
cê-las? E se as conheceu, onde as conheceu 
senão em si mesmo, junto a quem estava o 
Verbo pelo qual tudo foi feito?"
(Santo Agostinho, Sobre o Gênese, V, 29). COSTA, 
José Silveira da. A Filosofia Cristã. In: RESENDE, 
Antônio. Curso de Filosofia. Rio de Janeiro: 
Jorge Zahar/SEAF, 1986, p. 78, capítulo 4.
a) Explique a relação, sugerida neste texto, en-
tre a teoria das Ideias de Platão e o pensa-
mento de Agostinho.
b) Explique como Agostinho usa essa teoria para 
explicar o conhecimento humano, na sua co-
nhecida Doutrina da Iluminação Divina.
 
C
HISTÓRIA
H
Sociologia0 1
U.T.I.
71
Auguste Comte (1798-1857)
Para dar uma resposta à revolução científica, política e industrial de seu tempo, Comte ofereceu uma reor-
ganização intelectual, moral e política da ordem social. Adotar uma atitude científica era a chave, assim pensou, 
de qualquer reconstrução da sociedade. Afirmava que pelo estudo empírico dos processos históricos – em especial 
do progresso das diversas ciências e formas de explicação da realidade – seria possível perceber uma lei histórica, 
que ele denominou de “os três estágios”. O pensador analisou tais três estágios em sua volumosa obra Curso de 
Filosofia Positiva, escrita entre 1830 e 1842. Dizia que dada a natureza da mente humana, cada uma das ciências 
ou ramificações do saber deveria passar necessariamente por estes três estágios teóricos distintos: teológico (ou 
estado fictício), metafísico (ou estado abstrato) e positivo (ou estado científico). 
Auguste Comte
Para Comte, fundador da Sociologia, o espírito positivo teria de fundar uma ordem social. A constituição 
de um saber positivo – leia-se científico – é fundamental para apagar, ou pelo menos subjugar, todas as outras 
formas de pensamento. O positivismo de Comte, com isso, tem um caráter essencialmente histórico, pois visa 
a ser um fator organizador da política e da sociedade. Diante disso, a educação foi um dos temas sobre o qual 
Comte se debruçou, pois ela carregaria esse papel transformador. Após anos de estudos, viu que as sociedades 
eram regidas por leis que, quando descobertas, poderiam ser manipuladas pelos agentes políticos. Concluiu 
que havia dois princípios vitais na sociedade: o princípio dinâmico, representante das formas mais complexas da 
existência de uma estrutura social (urbanização e industrialização), e o princípio estático, correspondente às formas 
elementares de organização (religião, família, propriedade, linguagem). Para Comte, esses dois princípios comple-
tam-se, devendo ser dado privilégio ao estático como garantia de preservação da ordem e do bom funcionamento 
de uma sociedade. Assim, para o pensador, justifica-se a intervenção em uma estrutura social desajustada e desequi-
librada por conflitos e revoltas, se a intenção for a de dar-lhe equilíbrio e bom funcionamento. Com a resolução dos 
embates, a harmonia passaria a vigorar na área de intervenção – por meio do incentivo à coesão e ao bem-estar –, 
possibilitando condições para a sua evolução.
Por fim, a influência do positivismo no desenvolvimento da Sociologia é inegável. É possível afirmar que 
ela nasceu com Comte, criador do nome da disciplina. Os sociólogos, estejam contra ou a favor, consideram que o 
pensamento científico foi disseminado a partir de suas ideias. Graças a ele, sem dúvida, a ciência ganhou o estatuto 
de fonte de conhecimento mais segura à população, embora outras formas de conhecimento ainda subsistam. 
72
Émile Durkheim (1858–1917)
O fatO sOcial
Os fatos sociais são maneiras de pensar, agir e sentir que existem independentemente das manifestações in-
dividuais, ou seja, são exteriores ao indivíduo e são generalizados na sociedade. Ademais, são dotados de uma força 
imperativa e coercitiva sobre os indivíduos. Esses fenômenos nascem no seio da sociedade e nela residem, a despeito 
do arbítrio de um sujeito isolado.
Nas Regras do Método Sociológico, Durkheim estabelece as diferenças entre os fatos que pertencem à psico-
logia, que são internos ao homem, e os que são estudados pela sociologia, que são externos e coercitivos. Os fatos 
sociais são impostos por meio de normas oriundas da consciência coletiva e das regras do direito, isto é, estão tanto 
nos costumes como nas leis escritas. Funcionam, portanto, como reguladoras de conduta, dentro, é claro, dos limites 
da moralidade.
Quando dissemos que os fatos sociais existem a despeito das consciências individuais, afirmamos que existe 
uma cronologia subjacente: os fatos sociais antecedem a existência de um indivíduo isolado. Significa dizer que já 
nascemos em uma sociedade organizada, com regras e valores preestabelecidos. Tais normas nos são impostas tanto 
pela educação escolar como pelo hábito coletivo, fazendo com que o indivíduo socializado as considere como naturais. 
Embebidos nesses valores, os sujeitos não percebem que os fatos sociais provêm deles mesmos. As instituições 
são criadas pelos indivíduos, mas com o passar do tempo, elas se consolidam e ganham certa autonomia. Assim, para 
Durkheim, se forma a consciência coletiva, que estaria longe de ser a soma das consciências individuais, mas algo 
exterior a cada um. A consciência coletiva seria a síntese de crenças e sentimentos comuns a uma sociedade. Sabemos 
que a força imperativa da consciência coletiva é sempre presente, uma vez que o indivíduo que resistir a ela é quase 
sempre coagido pela sociedade. Quem foge das crenças e sentimentos comuns é moralmente ou legalmente penali-
zado. Assim, desde cedo, aprende-se a respeitar o conjunto de normas da sociedade.
 
FATO SOCIAL
(características)
composta de
regras, leis,
costumes, rituais
realidade do
indivíduo
força que 
os fatos exercem
sobre os indivíduos
sob formas
de SANÇÕES
regras e leis
sociais
adotamos
um idioma
ou uma forma de
família
generalidade
exterioridadecoerção
social
é exterior
ao indivíduo
tudo aquilo
que é
repetido em
todos os
indivíduos
como
seria caracteriza-se
por
ou seja
ou seja
assim
como
manifesta-se
quando
apresenta-se
Durkheim defende que os fatos sociais devem ser vistos como coisas, uma vez que são realidades concretas 
e com grau de existência exterior ao homem. Todo objeto científico seria uma coisa. Para ele, devemos observar os 
fatos sociais como um físico observa a natureza. A sociologia, portanto, é uma ciência empírica e pouco introspec-
tiva. O oposto da matemática, portanto.
É necessário ao sociólogo suprimir seus juízos e valores pessoais para não chegar a conclusões precipitadas. 
O maior erro do pesquisador seria o de conduzir suas pré-concepções sobre o fato social durante a pesquisa. Por 
73
isso, o pesquisador deve ser neutro ao objeto analisado. 
Trata-se de uma concepção científica chamada de neu-
tralidade axiológica, na qual o pesquisador prescinde de 
suas paixões e trata o objeto de pesquisa rigorosamente 
como coisa.
É evidente a afinidade de Durkheim com o po-
sitivismo. Ele herdou toda a base empirista de Comte e, 
como tal, defendeu que a Sociologia deveria realizar um 
retrato fiel da realidade, baseando-se nos fatos que a 
compõem. Tal seria a condição necessária para se criar 
um conhecimento objetivo e plausível sobre as relações 
sociais. Por conta dessa preocupação formal e tendo 
como base tais premissas, a Sociologiase consolidou 
como disciplina autônoma.
kArl mArx 
(1818-1883)
Para Hegel, a evolução do processo histórico 
seria decorrente da tensão entre pares de pensamen-
tos opostos (tese e antítese), que posteriormente seria 
solucionada por uma terceira tese, a síntese. Segundo 
o filósofo, haveria uma força que movimenta o curso 
da história. A essa força, Hegel dá o nome de “espírito 
do mundo” – uma espécie de somatório de todas as 
manifestações humanas que está em constante marcha 
rumo a uma autoconsciência e a um autodesenvolvi-
mento cada vez maiores.
Para Marx, entretanto, Hegel estaria equivocado: 
além de criticar o caráter transcendental da filosofia he-
geliana, Marx afirmou que não seriam a cultura ou os 
pensamentos humanos – os pressupostos espirituais de 
Hegel – os responsáveis por criar condições suficientes 
para uma transformação nas condições materiais de 
uma determinada sociedade. Para ele, essa relação se 
daria de maneira contrária: são fundamentalmente as 
transformações de natureza material que possibilitam 
o surgimento de novos pressupostos espirituais. Em úl-
tima instância, são as forças econômicas os principais 
determinantes do avanço da história; são as relações e 
as condições materiais que apontam seus rumos. Cada 
etapa histórica, afirma Marx, é marcada por um modo 
de produção e suas peculiaridades.
Às relações materiais de uma sociedade, Marx de-
nomina infraestrutura. As instituições políticas, religiosas e 
morais, a reflexão filosófica e até a produção artística de 
uma sociedade, Marx chama de superestrutura. Na análise 
social marxista, a infraestrutura, isto é, as relações mate-
riais, são como os pilares fundamentais de todas as ideias 
e pensamentos existentes em uma sociedade. A superes-
trutura não passa, portanto, de mero reflexo de sua base 
(a infraestrutura).
Marx escreve que a infraestrutura é composta 
por três níveis distintos: 
 § As condições de produção, isto é, as matérias-
-primas ou recursos naturais disponíveis em 
uma sociedade – que por si só já seriam res-
ponsáveis por determinar o tipo de produção 
empregada por um país. Um país com terras 
férteis pode produzir itens agrícolas que um 
país sem essas condições teria dificuldades 
para produzir, por exemplo.
 § As forças produtivas, ou seja, os tipos de fer-
ramentas e máquinas disponíveis em uma so-
ciedade (ou, em outras palavras, a tecnologia 
disponível). Como exemplo, podemos pensar 
que sociedades que dispõem de energia elétri-
ca para sua produção tendem a ser bem dife-
rentes de sociedades que ainda não a desco-
briram.
 § Por fim, as relações de produção, isto é, quem 
detêm os meios de produção (máquinas, fábri-
cas etc.) de uma sociedade e como o trabalho é 
dividido na mesma. Uma sociedade feudal, em 
que o senhor detinha todo o capital produtivo, 
por exemplo, tem características diferentes de 
uma sociedade capitalista moderna.
Como vimos, Marx afirma que é o modo de 
produção de uma sociedade (a combinação entre suas 
condições de produção, forças produtivas e relações 
de produção) que determina as suas relações ideoló-
gicas e políticas. A moral e os costumes de uma deter-
minada sociedade são produtos da infraestrutura; por 
este motivo, é inconcebível, por exemplo, que hoje um 
pai determine com quem sua filha irá se casar – como 
se fazia na Idade Média, marcada pelo modo de pro-
dução feudal. 
74
a luta de classes
A afirmação de que toda a infraestrutura de 
uma sociedade é determinada por sua classe domi-
nante evidencia outro importante elemento da análise 
social marxista: a luta de classes. Para Marx, toda a 
história da humanidade pode ser contada pela pers-
pectiva da luta de classes, isto é, pelas tensões e rela-
ções conflituosas entre classes dominantes e classes 
dominadas. Somente mudanças na infraestrutura so-
cial poderiam girar a roda da história; e estas mudan-
ças, afirma, foram sempre conquistadas pelo choque 
entre estas duas classes. 
No feudalismo, por exemplo, a luta de classes 
teria se dado entre nobreza e campesinato. O cho-
que decorrente daí teria possibilitado a superação do 
modo de produção feudal. Na sociedade capitalista, 
contexto em que se insere Marx, ela se daria entre 
burgueses (ou capitalistas) e proletariado. Em suma, é 
essa a visão marxista da história humana: trata-se do 
choque e da relação conflituosa entre os detentores 
dos meios de produção e aqueles que não os detêm.
a alienaçãO dO trabalhadOr
Pela maneira desigual que se dão suas relações 
de produção (dadas as vantagens dos capitalistas em 
relação ao proletariado, pelo fato de deterem os meios 
de produção), Marx analisa que o capitalismo teria 
uma terrível consequência: a alienação do trabalhador.
Seguindo a tradição hegeliana, Marx identifica o 
trabalho como uma atividade extremamente positiva, a 
origem da condição humana. Ele alerta, entretanto, de 
que no modo de produção capitalista o trabalhador não 
trabalha para si mesmo; trabalha, sim, para o capitalista 
– o detentor dos meios de produção. Assim, o trabalho, 
tão intimamente ligado à condição humana, torna-se 
externo ao trabalhador. Ao alienar-se em relação ao seu 
próprio trabalho, o trabalhador aliena-se também em 
relação à sua própria humanidade.
explOraçãO e mais-valia 
A partir do conceito de alienação do trabalhador, 
fica claro que, na visão de Marx, o modo de produção 
capitalista se apresenta como um grande inimigo da 
condição humana. Mas a alienação traria ainda mais 
consequências, segundo o autor.
Uma vez alienado – e, portanto, incapaz de perce-
ber sua condição humana –, o trabalhador perde a capa-
cidade de se enxergar como parte essencial da produção 
capitalista (veremos, mais à frente, que na visão marxista 
é o trabalho o grande responsável por qualquer geração 
de valor). Sem essa consciência, a percepção do papel 
fundamental que desempenha no processo produtivo, o 
trabalhador se torna ainda mais vulnerável à exploração 
pela classe detentora dos meios de produção.
Marx chama esta exploração de mais-valia – a 
diferença entre o valor gerado pelo trabalhador e a re-
muneração que este recebe por seu trabalho. Em outras 
palavras, a mais-valia nada mais é do que o lucro aufe-
rido pelo detentor dos meios de produção. É, também, a 
confirmação da exploração sofrida pela classe trabalha-
dora; a consumação de um processo destrutivo causado 
pelo modo de produção capitalista.
A reificação e o fetichismo 
da mercadoria de Marx
Marx considerava que o valor real de uma mercado-
ria poderia ser expresso pela quantidade de trabalho social 
despendido em sua produção. O modo de produção capi-
talista, contudo, possuiria a terrível tendência a degenerar 
a relação identitária entre trabalho social e valor; ao alienar 
o trabalhador, roubando-lhe a própria condição humana, 
o capitalismo reduziria todas as formas de sociabilidade a 
meras relações de troca comercial, provocando a reificação 
(“coisificação”) das relações humanas.
Se no capitalismo as relações sociais entre pes-
soas se transformam em relações sociais entre merca-
dorias (desumanizando-se, em uma economia de mer-
cado o homem se relaciona apenas por meio de trocas 
comerciais), o papel que estas assumem na sociedade 
passa a ser de destaque. Já não se observa mais o valor 
de uso das mesmas, mas tão somente o valor de troca; 
é o triunfo do valor de troca sobre o valor de uso, con-
sequência do modo de produção preconizada por Marx 
em sua obra. 
75
Com esta inversão, o trabalho despendido na 
produção destas mercadorias fica em segundo plano, 
obscurecido pelos preços de mercado a que se sujeita 
o processo de troca comercial. Elimina-se a percepção 
do esforço social que se faz necessário para produzir 
um bem, e assume-se que este esforço se resume ao 
valor monetário pelo qual é trocado. De tal forma que as 
mercadorias, antes percebidas como mera produção hu-
mana, são agora objetos com existência própria, inde-
pendentes de qualquer esforçohumano. Personificam-
-se, assumindo posteriormente caráter divino. Passam, 
em última instância, a determinar as relações sociais. 
Este é o conceito marxista de fetichismo da mercadoria, 
consequência final do capitalismo.
A relação entre os conceitos de alienação, ex-
ploração e mais-valia, reificação das relações 
sociais e fetichismo da mercadoria é intrínseca e 
fundamental para se entender a obra marxista. De ma-
neira geral, pode-se dizer que a forma como o autor 
enxerga as relações sociais no sistema produtivo capi-
talista é explicada, em grade parte, pela maneira como 
estes conceitos se relacionam entre si e os demais ele-
mentos presentes em sua obra.
mAx Weber 
(1864-1920)
Como observador estudioso das sociedades, 
Weber analisa não as particularidades individuais, mas 
as estruturas de uma sociedade, utilizando para isso o 
método compreensivo. Assim o faz, por exemplo, quan-
do procura nas transformações da sociedade romana as 
bases para a edificação da sociedade feudal ocidental 
europeia, em um esforço interpretativo do passado para 
o entendimento das mudanças posteriores. Sempre de-
fendeu, sobremaneira, a utilização de uma visão parti-
cularista do cientista social sobre a formação de uma 
sociedade, não deixando de lado os elementos mais 
gerais de tal formação, mas respeitando a história do 
processo.
 
Max Weber
Para Weber, a Sociologia é uma ciência que 
pretende entender a ação social. Esta é aquela que se 
realiza em um sentido pensado pelos indivíduos e que 
se refere à conduta de outros. Toda ação social tem cer-
tos requisitos: I) o ator lhe dá um sentido; II) tal sentido 
se remete a outro. A inação também deve ser considera-
da uma ação social, mesmo quando o indivíduo não es-
teja dando-lhe sentido consciente. Mesmo diante dessa 
situação, o sociólogo pode interpretá-la. 
A realidade social, tomada em sua totalidade, 
para o sociólogo alemão, é incognoscível. Isso porque 
o investigador nunca consegue apreendê-la completa-
mente, recorrendo a tipos ideais ao analisar um pro-
cesso e compará-lo a outros. Os tipos ideais localizam 
o objeto de estudo e são meios de pensamento com o 
objetivo de dominá-lo teoricamente e empiricamente. 
Significa dizer que um conceito nunca pode refletir exa-
tamente a realidade, sendo concebível apenas represen-
tá-la a partir de alguns pontos de vista. 
A ação social pode tipificar-se em quatro tipos 
ideais:
 § ação afetiva: determinada por sentimentos, 
sendo essencialmente irracional;
 § ação tradicional: determinada por costumes 
arraigados que se reproduzem irracionalmente 
pelo hábito;
 § ação racional com relação a valores: a ação 
está determinada por um valor e se realiza pelo 
mesmo, independentemente de seus resultados;
 § ação racional com relação a fins: determi-
nada pelos fins que perseguem, sendo predomi-
nante na vida econômica.
Para Weber, uma explicação que só detenha cau-
sas materiais de seu surgimento é tão insuficiente e uni-
lateral como uma que só aponte para as causas ideais. A 
realidade é multicausal e complexa. Nela, as diferentes 
ações sociais, por exemplo, encontram-se misturadas e 
não muito bem definidas.
76
A questão da dominação
O autor define as dominações legítimas em três tipos ideais:
 § Dominação tradicional
Devota-se a um patriarca ou senhor, que é colocado no governo segundo um costume ou tradição da 
população. É o caso, por exemplo, de monarquias hereditárias. Por ser pautada pelos costumes, a domi-
nação tradicional tende a ser altamente estável.
 § Dominação carismática
Apoia-se no caráter supostamente extraordinário do governante, sendo seu carisma o fundamento da 
legitimidade da dominação. Governantes carismáticos tendem a promover muitas inovações sociais 
políticas, mas contêm um caráter instável e provisório. Em caso de vacância ou morte do líder, esse tipo 
de dominação tende a ruir. 
 § Dominação legal-racional
É um fenômeno essencialmente da modernidade e se baseia em normas e regras racionalmente defini-
das. Os direitos e deveres dos que mandam e obedecem estão sistematizados em leis escritas. Tendem 
a ser muito estáveis, mas pouco flexíveis diante de situações extraordinárias. 
É o caso das democracias modernas, por exemplo. 
Weber e a religião
No livro A ética protestante e o espírito do capitalismo, Max Weber investiga sobre as “origens” do 
capitalismo, verifica qual a influência da religião na origem do moderno sistema econômico capitalista-industrial 
e mostra como se dá o progresso da racionalização no Ocidente, visando responder essas questões numa pers-
pectiva específica da ética protestante.
No capítulo III, “A concepção de vocação de Lutero”, Weber inicia discorrendo sobre como essa concep-
ção se desenvolveu em Lutero; o mesmo vai afirmar que para se obter a salvação, não era necessário se retirar 
do mundo para rezar, mas o contrário, o indivíduo deveria permanecer na sua posição social, valorizando o cum-
primento do dever dentro de sua profissão, pois era a única maneira de se agradar a Deus. É com Lutero que se 
difusa a ideia de que quanto mais as pessoas aceitassem as suas tarefas profissionais, mais aptas estariam para 
serem salvas, é nisso que se baseia a sua vocação. O conceito de vocação permaneceu em seu caráter tradiciona-
lista, onde era aceito como uma ordem divina, em que cada um deveria se adaptar.
É com as seitas protestantes que esse processo irá mais longe; são organizadas no capítulo IV, “Fundamen-
to religioso do ascetismo laico”, onde Weber destaca quatro doutrinas como as mais importantes, sendo elas: 
calvinismo, pietismo, metodismo e as seitas batistas.
77
Segundo Max Weber “o calvinismo foi a fé em torno da qual giraram os países capitalisticamente desenvol-
vidos – Países Baixos, Inglaterra e França –, onde moveram-se lutas políticas e culturais dos séculos XVI e XVII 
[...]” (p. 67). O dogma mais característico do calvinismo é a doutrina da predestinação: somente Deus, na sua 
sabedoria e bondade eterna, sabe e escolhe quem será salvo ou não. Nada do que o homem fizer por esforço 
próprio faz diferença: tudo depende de Deus.
 
João Calvino
A ética do trabalho influenciada pela religião acabou dando suporte nas origens do capitalismo. Com o 
passar do tempo, a busca inconstante pelo lucro se desligou da religião e se tornou independente.
O problema da racionalização foi outra questão apontada por Weber, pois além do protestantismo ascético 
favorecer a origem do capitalismo, também favoreceu na racionalização da vida, em que as pessoas passaram a 
ser guiadas pelo sistema econômico.
Os puritanos levaram mais adiante a racionalização do mundo do que os católicos, eles queriam tornar-se 
um profissional e todos tiveram que segui-lo. O ascetismo foi levado para fora dos mosteiros e transferido para a 
vida profissional, o que contribuiu fortemente para a formação da moderna ordem econômica, que determina de 
maneira violenta o estilo de vida de todo indivíduo nascido sob esse sistema.
O ser humano, no puritanismo, é apenas guardador dos bens que lhe foram emprestados pela graça divina. 
Nesse caso, o indivíduo não pode se conformar com a pobreza, pois quanto maior a posse, maior é a manifestação 
da Glória de Deus; isso vem a demonstrar a racionalização no acúmulo de capital.
Um dos componentes fundamentais do espírito do moderno capitalismo está na conduta racional baseada 
na ideia da vocação. Desde que o ascetismo começou a remodelar o mundo, os bens materiais assumiram uma 
enorme força sobre os homens, como nunca antes na História. “Hoje em dia – ou definitivamente, quem sabe – 
seu espírito religioso safou-se da prisão.” (WEBER, 2000, p. 131)
Ao fim de sua obra, Weber destaca que ninguém sabe a quem caberá no futuro viver essa prisão de ferro 
capitalista. Da mesma forma, lança a pergunta se surgirão novos profetas para anunciar tais desenvolvimentos 
análogos entre religião e economia.
Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/resenha-a-etica-protestante-e-o-espirito-do-capitalismo/140191/>
78
theoDor ADorno (1903-1969) e 
mAx horkheimer (1895-1973)
Max Horkheimer, Felix Weil e Friedrich Pollock foram os fundadores, junto à Universidade de Frankfurt, do 
Institut für Sozialforschung.
Horkheimer assumiu a direção do Instituto 
de Pesquisa Social em 1930[1] [...] instalando-a na 
Filosofia e dando-lhe o nome de “Filosofia Social”. 
Propôs um ambicioso programa de pesquisa inter-
disciplinar que tinha como referência teórica funda-
mental a obra de Marx e o marxismo, inaugurando, 
assim, a vertente intelectual da “Teoria Crítica” 
NOBRE, Marcos. A Teoria Crítica. 3. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004.
Quando assumiu a direção do Instituto, Horkheimer propôs um programa de trabalho que enfatizasse, so-
bretudo, a interdisciplinaridade e por isso reuniu em torno de si, no Instituto de Pesquisas Sociais, especialistas das 
mais diversas áreas, como a psicanálise, representado na primeira geração por Erich Fromm; em filosofia, além de 
Horkheimer, Herbert Marcuse; havia também especialistas em artes: os dois principais foram Leo Lowenthal, que 
escreveu sobre cultura popular, cultura erudita e sobre a relação entre elas e Theodor Adorno; havia também espe-
cialistas em Ciência Política e direito, teóricos como Franz Neumann e Otto Kirchheimer; e em Economia, teóricos 
como Henryk Grossmann e Friedrich Pollock, sendo a maior parte da concepção econômica da Escola de Frankfurt 
desenvolvida por este último. No campo intelectual, a sua maior contribuição foi ao estudo do Capitalismo de 
Estado, decorrente em parte de seus trabalhos sobre a Economia da URSS.
É o que podemos chamar de materialismo interdisciplinar da Escola de Frankfurt: pesquisadores trabalhan-
do em diferentes áreas do conhecimento (economistas, filósofos, cientistas políticas, psicólogos etc), tendo como 
horizonte comum a teoria marxista.
Em seu texto “Teoria tradicional e teoria críti-
ca”, provavelmente um dos mais importantes de todo 
o período da década de 1930, Horkheimer apresenta 
uma alternativa para se pensar criticamente a relação 
entre teoria e prática (Horkheimer, 1975). Essa alterna-
tiva ficou conhecida como o materialismo interdiscipli-
nar, um trabalho exercido em conjunto por diferentes 
perspectivas teóricas – filosofia, sociologia, psicanáli-
se, economia, direito etc. – que se voltavam para as 
investigações sobre a sociedade, adotando aquela ati-
tude da teoria com interesses práticos [...] 
MELO, Rúrion. Teoria Crítica e os sentidos da emancipação. 
Caderno CRH, Salvador, v. 24, n. 62, p. 249-262, maio/ago., 2011. Acessado em: 02/10/2015.
O primeiro objetivo do Instituto e da Teoria Crítica foi, portanto, reunir pesquisadores de diferentes 
especialidades de forma interdisciplinar, tendo como referência comum o marxismo. Vale lembrar que com a toma-
da do poder na Rússia com Lenin e Trotski à frente, foi fundada a União Soviética e esses acontecimentos demanda-
vam uma explicação: a Guerra e a Revolução só podiam ser explicadas por essa teoria. Para compreender o mundo, 
Horkheimer julgava que se deveria partir do marxismo, mas, eis aí a novidade, refundindo-o com a incorporação 
de outros saberes.
79
Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer
A questão do Capitalismo veio à tona com bas-
tante ênfase, justificando a necessidade, para além dos 
aspectos econômicos, de compreender os demais fato-
res atuantes na permanência de um regime que bene-
ficia apenas uma minoria. E o marxismo é certamente 
a crítica mais contundente da sociedade capitalista. É 
preciso considerar que muitos desses teóricos perce-
beram que a tradicional teoria marxista não poderia 
explicar adequadamente o turbulento e inesperado de-
senvolvimento de sociedades capitalistas no século XX, 
colocando, por exemplo, em questão, a capacidade das 
classes trabalhadoras em levar a cabo transformações 
sociais importantes. Esta desconfiança os afasta pro-
gressivamente do marxismo operário.
Ao fazer a análise da Teoria Tradicional e for-
mulando um novo modelo de Teoria Crítica orientada 
para a emancipação social, Horkheimer critica a teoria 
positivista e cientificista. Baseando-se em Max Weber, 
Horkheimer argumentou que as ciências sociais são di-
ferentes das ciências naturais e, portanto, é necessário 
levar em consideração alguns aspectos para um melhor 
entendimento da realidade social, como por exemplo, 
o fato de que o pesquisador faz parte de um contex-
to histórico cujas ideologias moldam o pensamento, 
fazendo com que uma teoria esteja muito mais em 
conformidade com as ideias na mente do pesquisador 
do que na própria realidade. Por isso, para Horkheimer, 
diferentemente do positivismo, as abordagens para o 
entendimento nas ciências sociais não podem simples-
mente imitar aquelas das ciências naturais e a resposta 
apropriada para este dilema se daria a partir do desen-
volvimento de uma “Teoria Crítica”.
Na obra Dialética do Esclarecimento, Horkheimer 
e Adorno pretenderam lograr a realização de um diag-
nóstico possível da sociedade contemporânea embora 
não se trate de um tratado filosófico, mas de reflexões 
em torno de algumas ideias estruturantes da sociedade 
industrial. Uma investigação que foi desenvolvida ex-
plorando a relação dialética entre Mito e Razão, Na-
tureza e Cultura, Civilização e Barbárie, que estrutura 
a dialética entre esclarecimento e obscurantismo. Vale 
ressaltar que a Dialética do Esclarecimento inicia com 
a questão do por que a humanidade “em vez de entrar 
em um estado verdadeiramente humano, está afundan-
do em uma nova espécie de barbárie”.
 (HORKHEIMER, Max; ADORNO, Theodor. Dialética do 
Esclarecimento: fragmentos filosóficos. Tradução Guido Antônio 
de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1983.).
Theodor Adorno
 Nesta obra, os autores denunciam as estrutu-
ras ideológicas da dominação política – referindo-se à 
crise da democracia e à ascensão dos regimes totalitá-
rios na Europa, à corrida armamentista, o desenvolvi-
mento da indústria bélica, além das injustiças sociais 
geradas pelo desenvolvimento do capitalismo. Todos 
esses problemas são interpretados como resultado da 
“crise da razão” e dos princípios Iluministas. Conforme 
registram os autores, o Iluminismo inaugurou a moder-
nidade, ao colocar a razão e a ciência como elementos 
potencializadores do desenvolvimento e do progresso 
social; e, por conseguinte, da emancipação humana.
80
Ambos os filósofos, como o restante dos inte-
lectuais frankfurtianos, não renegam o projeto da mo-
dernidade – cujo núcleo é formado pela racionalidade 
e pela crença nos princípios do progresso científico –, 
mas argumentam que tanto a racionalidade quanto a 
ciência se transformaram em instrumentos de domina-
ção política e econômica. A crítica da razão instrumental 
(Ação Racional com Relação a fins, nas palavras de We-
ber) é justamente a crítica dirigida aos obstáculos e os 
impedimentos à concretização do projeto emancipador 
do homem, preconizados séculos atrás pelos filósofos 
iluministas.
Além disso, notam os autores que, no mundo 
moderno, o avanço da ciência e da técnica é um pro-
cesso inexorável. O progresso científico representou o 
domínio do homem sobre a natureza, mas se desvirtuou 
por completo ao ser utilizado para ampliar a dominação 
do homem pelo próprio homem.
Theodor Adorno também é autor de importante 
estudo sobre a chamada Indústria Cultural a partir 
da análise crítica da obra de Walter Benjamin. Partindo 
da utilização da técnica (ciência e tecnologia) na produ-
ção e reprodução das artes, em particular aquelas asso-
ciadas à comunicação social (cinema, rádio, televisão, 
etc.), Adorno demonstrou que na sociedade industrial 
capitalista, a produção da arte é explorada como um 
“bem cultural”.
A mercantilização da cultura, transformada em 
um empreendimento empresarial, tolhe a consciência 
dos indivíduos e ostransforma em meros consumidores 
de bens culturais. As consequências são muitas, dentre 
elas a homogeneização ou massificação dos gostos a 
partir da imposição de um estilo de consumo. Nesse as-
pecto, não existe cultura de massa, pois é a indústria 
cultural que determina e impõe à sociedade o consumo 
de bens culturais.
Como um empreendimento capitalista que per-
segue o lucro, a indústria cultural também cria necessi-
dades de consumo de bens culturais. Assim, o suposto 
potencial revolucionário ou emancipador de algumas 
artes, como o cinema, é flagrantemente criticado nos 
estudos de Adorno. 
Estes são alguns dos temas mais importantes da 
chamada primeira geração da Escola. A partir da década 
de 1960, com a morte de Adorno, inicia o que alguns 
chamam de segunda geração da Escola de Frankfurt, 
tendo como principal articulador o antes assistente de 
Adorno e, depois, seu crítico mais ferrenho: Jürgen Ha-
bermas, com a sua teoria do agir comunicativo.
81
u.t.i. - sAlA
 1. (UFU) Segundo Aron, para Marx, “o tempo 
de trabalho necessário para o operário pro-
duzir um valor igual ao que recebe sob forma 
de salário é inferior à duração efetiva do seu 
salário”.
ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. 
São Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 148. 
Com base no trecho, faça o que se pede. 
a) A proposição apresentada por Aron está li-
gada a qual conceito dentro da teoria mar-
xista? Explique esse conceito. 
b) Como este conceito, dentro da teoria mar-
xista, pode ser desdobrado como absoluto 
e relativo? Explique esses desdobramentos, 
caracterizando-os e definindo-os. 
 2. (UFPR) O fragmento abaixo foi retirado do 
livro O que é Sociologia? e refere-se ao pen-
samento do sociólogo Max Weber. 
A Sociologia por ele [Max Weber] desenvol-
vida considerava o indivíduo e a sua ação 
como ponto-chave da investigação. Com isso, 
ele queria salientar que o verdadeiro ponto 
de partida da Sociologia era a compreensão 
da ação dos indivíduos e não a análise das 
“instituições sociais” ou do “grupo social”, 
tão enfatizadas pelo pensamento conserva-
dor. Com essa posição, não tinha a intenção 
de negar a existência ou a importância dos 
fenômenos sociais, como o Estado, a empre-
sa capitalista, a sociedade anônima, mas tão 
somente a de ressaltar a necessidade de com-
preender as intenções e motivações dos indi-
víduos que vivenciam estas situações sociais. 
A sua insistência em compreender as moti-
vações das ações humanas levou-o a rejeitar 
a proposta do positivismo de transferir para 
a Sociologia a metodologia de investigação 
utilizada pelas ciências naturais. Não havia, 
para ele, fundamento para essa proposta, 
uma vez que o sociólogo não trabalha sobre 
uma matéria inerte, como acontece com os 
cientistas naturais [...]. Vivendo em uma na-
ção retardatária quanto ao desenvolvimento 
capitalista, Weber procurou conhecer a fundo 
a essência do capitalismo moderno. Ao con-
trário de Marx, não considerava o capitalismo 
um sistema injusto, irracional e anárquico. 
Para ele, as instituições produzidas pelo capi-
talismo, como a grande empresa, constituíam 
clara demonstração de uma organização ra-
cional que desenvolvia suas atividades dentro 
de um padrão de precisão e eficiência. 
(MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia? São Paulo: 
Brasiliense, 2011, p. 69 e 72. Coleção Primeiros Passos.)
Com base nos conhecimentos sociológicos, 
caracterize a Sociologia na perspectiva we-
beriana, discorrendo sobre os aspectos re-
levantes dessa perspectiva apontados no 
texto-base. 
 3. (Uema) Émile Durkheim (1858-1917) é 
considerado um dos teóricos fundadores da 
Sociologia e definiu como objeto de estudo 
dessa nova ciência os fatos sociais, compre-
endidos como “coisa”. O texto adaptado re-
trata as características dos fatos sociais. 
Não somos obrigados a falar a língua do nos-
so país, usar a moeda vigente ou adaptar-
-nos à tecnologia moderna; mas se assim não 
o fizermos, nossas vidas serão um fracasso, 
portanto, não temos escolha, todos nós so-
mos coagidos a acatá-las. Estas decisões não 
são determinadas individualmente, são exte-
riores à nossa vontade, elas já estão prontas 
na sociedade. 
BOELTER, C.; PLUMER, E. Sobre o pensamento de Durkheim 
e Weber. In: TESKE, Ottmar (Coord.). Sociologia: textos e 
contextos. Canoas: Ed. Ulbra, 1999, p. 41. Adaptado. 
Explique as características dos fatos sociais, 
na visão de Émile Durkheim, contidas no 
texto acima.
 4. (UEL) Leia o texto a seguir.
O homem faz a religião, a religião não faz o 
homem. E a religião é de fato a autoconsci-
ência e o sentimento de si do homem, que 
ou não se encontrou ou voltou a se perder. 
Mas o homem não é um ser abstrato, acoco-
rado fora do mundo. O homem é o mundo do 
homem, o Estado, a sociedade. Este Estado 
e esta sociedade produzem a religião, uma 
consciência invertida do mundo, porque eles 
são um mundo invertido.
MARX, Karl. Crítica à Filosofia do Direito de 
Hegel. São Paulo: Boitempo, 2005. p. 145.
Na teoria do pensador Karl Marx, há um con-
ceito que explica essa inversão da realida-
de (por conseguinte, da consciência) e, em 
razão dela, da relação do sujeito (seres hu-
manos) com aquilo que, objetiva e subjetiva-
mente, ele produz.
Com referência às ideias de Marx, responda 
aos itens a seguir.
a) Qual é esse conceito?
b) O que significa inverter a relação sujeito-
-objeto? Explique como isso se manifesta na 
religião.
82
 5. (UEL 2017) Max Weber é considerado pio-
neiro em definir o Estado por duas caracte-
rísticas fundamentais. A primeira é o mo-
nopólio legítimo do uso da força física. A 
segunda reside no fato de que tal monopólio 
é restrito a determinado território. O contro-
le das fronteiras, incluindo a permissão de 
quem pode adentrar e permanecer em seu 
território segundo aquelas características, 
seria prerrogativa do Estado. É necessário 
lembrar, entretanto, que o conceito de Esta-
do elaborado por Weber é um tipo ideal.
Com base nessas informações e nos aconte-
cimentos da recente “crise migratória na Eu-
ropa”, cujo fluxo de refugiados exemplifica 
alterações significativas dos papéis atribuí-
dos ao Estado moderno, cite e explique um 
fato que se afasta do tipo ideal de Estado 
definido por Weber, apontando para algumas 
configurações recentes das ações ou reações 
dos Estados nacionais. 
 6. (UEL) Émile Durkheim considera o fato so-
cial o objeto de estudo da Sociologia e pro-
põe regras para explicá-lo. Duas dessas re-
gras são formuladas da seguinte maneira:
I. A causa determinante de um fato social 
deve ser buscada entre os fatos sociais 
anteriores, e não entre os estados de 
consciência individual.
II. A função de um fato social deve ser sem-
pre buscada na relação que mantém com 
algum fim social. 
DURKHEIM, E. As regras do método sociológico. 
5. ed. São Paulo: Editora Nacional, 1968. p. 102.
Com base nas regras I e II e nos conhecimen-
tos sobre o fato social, explique como se dá 
a relação entre indivíduo e sociedade para 
Durkheim. Exemplifique essa relação. 
 7. Cada um desses estágios do desenvolvimento 
da burguesia se fez acompanhar do correspon-
dente progresso político. Estamento oprimido 
sob a dominação dos senhores feudais, asso-
ciação armada e autogovernante na comuna, 
ora república municipal independente, ora 
terceiro estamento tributável da monarquia; 
depois, à época da manufatura, contrapeso 
para a nobreza na monarquia estamental ou 
na absoluta, fundamento central de todas as 
grandes monarquias – a burguesia por fim 
conquistou para si, desde o estabelecimento 
da grande indústria e do mercado mundial, 
a exclusiva dominação política no moderno 
Estado representativo. O moderno poder esta-
tal é apenas uma comissão que administra os 
negócios comuns de toda a classe burguesa. 
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. O manifesto do 
Partido Comunista. São Paulo: Penguin Classics/ 
Companhia das Letras, 2012, p. 46.
A partir do texto, responda: Para Marx, qual 
a relação entre sistema político e sistemaeconômico? 
 8. (UEL) Considere os trechos a seguir.
A classe operária não pode apossar-se sim-
plesmente da maquinaria de Estado já pron-
ta e fazê-la funcionar para os seus próprios 
objetivos.
MARX, Karl. A revolução antes da revolução. São 
Paulo: Expressão Popular, 2008, p. 399.
Também do ponto de vista histórico, contudo, 
o “progresso” a caminho do Estado regido e 
administrado segundo um direito burocrático 
e racional e regras pensadas racionalmente, 
atualmente, está intimamente ligado ao mo-
derno desenvolvimento capitalista.
WEBER, Max. Parlamento e governo na Alemanha 
reordenada: crítica política do funcionalismo e da 
natureza dos partidos. Petrópolis: Vozes, 1993, p. 43.
Com base nos trechos, compare as concep-
ções clássicas de Estado formuladas nas 
obras de Karl Marx e Max Weber. 
 9. (UFPR) Descreva dois dos principais aconte-
cimentos históricos que favoreceram o surgi-
mento da sociologia na Europa do século XIX.
 10. (Unesp) Leia os textos.
TEXTO 1
Ora, a propriedade privada atual, a proprie-
dade burguesa, é a última e mais perfeita 
expressão do modo de produção e de apro-
priação baseado nos antagonismos de clas-
ses, na exploração de uns pelos outros. Neste 
sentido, os comunistas podem resumir sua 
teoria nesta fórmula única: a abolição da 
propriedade privada. (…)
A ação comum do proletariado, pelo menos 
nos países civilizados, é uma das primeiras 
condições para sua emancipação. Suprimi a 
exploração do homem pelo homem e tereis 
suprimido a exploração de uma nação por 
outra. Quando os antagonismos de classes, 
no interior das nações, tiverem desapareci-
do, desaparecerá a hostilidade entre as pró-
prias nações.
Marx e Engels. Manifesto comunista. 1848.
Texto 2
Os comunistas acreditam ter descoberto o ca-
minho para nos livrar de nossos males. Se-
gundo eles, o homem é inteiramente bom e 
bem disposto para com seu próximo, mas a 
instituição da propriedade privada corrom-
peu-lhe a natureza. (…) Se a propriedade 
privada fosse abolida, possuída em comum 
toda a riqueza e permitida a todos a partilha 
83
de sua fruição, a má vontade e a hostilidade desapareceriam entre os homens. (…) Mas sou capaz de 
reconhecer que as premissas psicológicas em que o sistema se baseia são uma ilusão insustentável. 
(…) A agressividade não foi criada pela propriedade. (…) Certamente (…) existirá uma objeção 
muito óbvia a ser feita: a de que a natureza, por dotar os indivíduos com atributos físicos e capaci-
dades mentais extremamente desiguais, introduziu injustiças contra as quais não há remédio.
Sigmund Freud. Mal-estar na civilização. 1930. Adaptado.
Qual a diferença que os dois textos estabelecem sobre a relação entre a propriedade privada e 
as tendências de hostilidade e agressividade entre os homens e as nações? Explicite, também, a 
diferença entre os métodos ou pontos de vista empregados pelos autores dos textos para analisar 
a realidade. 
u.t.i. - e.o.
 1. Em seu estudo sobre o suicídio, Émile 
Durkheim procurou chamar a atenção para a 
dimensão sociológica deste fato. Assim, “con-
siderando que o suicídio é um ato da pessoa e 
que só a ela atinge, tudo indica que deva de-
pender exclusivamente de fatores individuais 
e que sua explicação, por conseguinte, caiba 
tão somente à psicologia. De fato, não é pelo 
temperamento do suicida, por seu caráter, 
por seus antecedentes, pelos fatores de sua 
história privada que em geral se explica a sua 
decisão.[...]”. E complementa: “o suicídio va-
ria na razão inversa do grau de integração dos 
grupos sociais de que faz parte o indivíduo.” 
O suicídio. Estudo de Sociologia. 
São Paulo: Martins Fontes, 2000. 
a) Explique os tipos de suicídio definidos por 
Durkheim.
b) Discorra a respeito da relação estabelecida 
por Durkheim entre os tipos de suicídio e os 
tipos de solidariedade por ele definidos.
 2. Qual o princípio da lei dos três Estados na 
teoria de Auguste Comte?
 3. Segundo Augusto Comte, a sociedade huma-
na deve passar por três estados: o teológico, 
o metafísico e, por último, o positivo. É nes-
se último estado que, para Comte, a Sociolo-
gia se torna tão importante.
a) Qual a razão dessa importância? 
b) Esse tipo de argumento continua sendo vá-
lido? 
 4. Explique qual a importância do conceito de 
coerção segundo Émile Durkheim e o concei-
to de fato social.
 5. (UEL) A análise do tema modernidade, por 
pensadores clássicos da Sociologia, está pre-
sente também em autores contemporâneos, 
atentos às condições da sociedade atual. No 
século XIX, Karl Marx, em seu livro O mani-
festo comunista, de 1848, refere-se à socie-
dade burguesa de seu tempo como formação 
social em que tudo o que era sólido desman-
cha no ar, tudo que era sagrado é profanado, 
e as pessoas são finalmente forçadas a enca-
rar com serenidade sua posição social e suas 
relações recíprocas.
MARX, K.; ENGELS, F. O Manifesto Comunista. In: 
COUTINHO, C.N. et al. O Manifesto Comunista: 150 anos 
depois. Rio de Janeiro: Contraponto, 1998. p. 11.
Zigmunt Bauman, em Confiança e medo na 
cidade, afirma que se, entre as condições da 
modernidade sólida, a desventura mais te-
mida era a incapacidade de se conformar, 
agora – depois da reviravolta da moderni-
dade “líquida” – o espectro mais assustador 
é o da inadequação. Temor bem justificado 
quando consideramos a enorme despropor-
ção entre a quantidade e a qualidade de re-
cursos exigidos por uma produção efetiva de 
segurança do tipo “faça você mesmo”.
Adaptado de: BAUMAN, Z. Confiança e medo na cidade. 
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009. p. 21-22.
Com base nesses trechos e nos conhecimen-
tos sobre modernidade, apresente:
a) uma característica particular para Marx e 
uma para Bauman;
b) duas características comuns para ambos os 
autores. 
 6. (UFU) Para Weber, a Sociologia é uma ciên-
cia que procura compreender a ação social; a 
compreensão implica a percepção do sentido 
que o ator atribui à sua conduta. 
ARON, R. As etapas do pensamento sociológico. 
São Paulo: Martins Fontes, 1993. p. 465. 
84
Em vista do exposto, faça o que se pede.
a) Defina o que é ação social para Weber. 
b) Caracterize os quatro tipos puros de ação so-
cial para Weber. 
 7. (UFF) Escrito em 1880, o livro de Friederich 
Engels, Do Socialismo Utópico ao Socialismo 
Científico, buscou discutir os limites do cha-
mado Socialismo Utópico. Os filósofos do So-
cialismo Utópico acreditavam que a partir da 
compreensão e da boa vontade da burguesia 
se poderia transformar a sociedade capita-
lista, eliminando o individualismo, a com-
petição, a propriedade individual e os lucros 
excessivos, todos responsáveis pela miséria 
dos trabalhadores. Como alternativa àquela 
corrente, Engels e Marx propunham o Socia-
lismo Científico.
Com base nessa informação:
a) caracterize a alternativa proposta por Engels 
e Marx – o Socialismo Científico – em relação 
ao papel dos trabalhadores na transformação 
da sociedade.
b) mencione uma proposta levada a efeito pe-
los socialistas utópicos.
 8. (Unesp) TEXTO 1
O positivismo representa amplo movimento 
de pensamento que dominou grande parte 
da cultura europeia, no período de 1840 
até às vésperas da Primeira Guerra Mun-
dial. Nesse contexto, a Europa consumou sua 
transformação industrial, e os efeitos dessa 
revolução sobre a vida social foram maciços: 
o emprego das descobertas científicas trans-
formou todo o modo de produção. Em pou-
cas palavras, a Revolução Industrial mudou 
radicalmente o modo de vida na Europa. E 
os entusiasmos se cristalizaram em torno da 
ideia de progresso humano e social irrefre-
ável, já que, de agora em diante, possuíam-
-se os instrumentos para a solução de todos 
os problemas. A ciência pelos positivistas 
apresentava-se como a garantia absoluta do 
destino progressista da humanidade.
Giovanni Reale; Dario Antiseri. 
História da filosofia. 1991. Adaptado.
TEXTO 2
O “progresso” não é nem necessário nem con-
tínuo. A humanidade em progresso nunca se 
assemelha a uma pessoa que sobe uma esca-
da, acrescentandopara cada um dos seus mo-
vimentos um novo degrau a todos aqueles já 
anteriormente conquistados. Nenhuma fração 
da humanidade dispõe de fórmulas aplicáveis 
ao conjunto. Uma humanidade confundida 
num gênero de vida único é inconcebível, 
pois seria uma humanidade petrificada.
Claude Lévi-Strauss. A noção de estrutura 
em etnologia. 1985. Adaptado.
a) Considerando o texto 1, explique o que sig-
nifica “eurocentrismo” e por que o conceito 
de progresso pressuposto pelo positivismo é 
eurocêntrico.
b) Por que o método empregado pelo autor do 
texto 2 é considerado relativista? Como sua 
concepção de progresso se opõe ao conceito 
de progresso positivista?
 9. (UFPR) Leia com atenção o fragmento abaixo.
Segundo a citação de Maia e Pereira (2009, 
p. 7-8), retirada do livro Pensando com a 
Sociologia, “em seu famoso livro sobre as 
formas de fazer sociologia, Wright Mills uti-
lizou a expressão ‘imaginação sociológica’. 
[...] essa imaginação poderia ser aprendida 
e exercida por qualquer pessoa educada que 
se mostrasse curiosa a respeito das relações 
entre biografia e história. Ou seja, a sociolo-
gia não seria simplesmente uma disciplina 
acadêmica ou uma ciência ultrassofisticada, 
mas uma forma de argumento público capaz 
de revelar as conexões entre as transforma-
ções na vida cotidiana e os processos mais 
amplos de mudança histórica”. Nas palavras 
de Wright Mills: “A ‘imaginação sociológica’ 
é um ato que permite ir além das experiên-
cias e das observações pessoais para compre-
ender temas públicos de maior amplitude. 
O divórcio, por exemplo, é um fato pessoal 
inquestionavelmente difícil para o marido 
e para a esposa que se separam, bem como 
para os filhos. Entretanto, o uso da ‘imagi-
nação sociológica’ permite compreender o 
divórcio não apenas como problema pessoal 
individual, mas também como uma preocu-
pação social. O aumento da taxa de divórcio 
redefine uma instituição fundamental – a 
família”. Cabe salientar que a ‘imaginação 
sociológica’ não consistiria simplesmente 
em aumentar o grau de informação das pes-
soas, mas numa “[...] qualidade de espíri-
to que lhes ajude a usar a informação e a 
desenvolver a razão, a fim de perceber, com 
lucidez, o que está ocorrendo no mundo e 
o que pode estar acontecendo dentro deles 
mesmos” (MILLS, 1969, p. 11). A imagina-
ção sociológica é uma forma crítica de pen-
sar em sociologia, que nos permite conectar 
a nossa experiência vivida (e a experiência 
vivida dos outros) no contexto mais amplo 
das instituições sociológicas em que ocor-
re. A utilização da ‘imaginação sociológica’ 
se fundamenta na necessidade de conhecer 
o sentido social e histórico do indivíduo na 
sociedade e no período no qual sua situação 
e seu ser se manifestam. Mills também su-
gere que “por meio da ‘imaginação socioló-
gica’ os homens podem perceber o que está 
acontecendo no mundo e compreender o que 
85
acontece com eles, como minúsculos pontos 
de cruzamento da biografia e da história, na 
sociedade” (MILLS, 1969, p. 14).
MAIA, João Marcelo Ehlert; PEREIRA, Luís 
Fernando Almeida. Pensando com a Sociologia. 
Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009.
No fragmento de texto acima, o autor usa o 
divórcio para exemplificar de que forma as 
experiências individuais se conectam com 
as transformações sociais mais amplas. Com 
base nos conhecimentos sociológicos, carac-
terize a “imaginação sociológica”, discorren-
do sobre os aspectos relevantes dessa pers-
pectiva apontados no texto-base, e mencione 
e explique outro fato social para exemplifi-
car o raciocínio da “imaginação sociológica”. 
 10. (UFU) Considere a seguinte citação.
É evidente que, tecnicamente, o grande Es-
tado moderno é absolutamente dependente 
de uma base burocrática. Quanto maior é o 
Estado e principalmente quanto mais é, ou 
tende a ser, uma grande potência, tanto 
mais incondicionalmente isso ocorre.
WEBER, Max. Ensaios de Sociologia. 5. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 1982, p. 246.
a) De acordo com a Sociologia de Max Weber, ex-
plique a diferença entre poder e dominação.
b) Cite os três tipos puros de dominação legíti-
ma e explique cada um deles.
C
GEOGRAFIA
H
Geografia 10 1
U.T.I.
MoviMentos da terra e coordenadas 
geográficas
MoviMentos do Planeta
Rotação
Rotação é o movimento em que a Terra gira em torno de seu próprio eixo. Esse movimento acontece no 
sentido anti-horário e dura exatamente 23 horas 56 minutos 4 segundos, para ser concluído, sendo o responsável 
pelos dia e noites, pelas correntes marinhas e pela circulação atmosférica.
Sem o movimento da rotação não haveria vida na Terra, já que este movimento desempenha um papel 
fundamental no equilíbrio de temperatura e composição química da atmosfera.
O movimento de rotação da Terra ocorre de oeste para leste, ou seja, a porção Leste vê o nascer do sol 
primeiro que o Oeste. Como exemplo podemos citar o Brasil e o Japão, entre esses países a diferença de fusos 
horários é exatamente 12 horas. 
Translação
O movimento de translação é aquele que o planeta Terra realiza ao redor do Sol junto com os outros plane-
tas. O tempo necessário para completar uma volta ao redor do Sol é de 365 dias, 5 horas e cerca de 48 minutos e 
ocorre numa velocidade média de 107.000 km por hora.
O tempo que a planeta leva para dar uma volta completa ao redor do Sol é chamado "ano". O ano civil, 
aceito por convenção, tem 365 dias. Como o ano sideral, ou o tempo concreto do movimento de translação, é de 
365 dias e 6 horas, a cada quatro anos temos um ano de 366 dias, dia este que é acrescido ao nosso calendário 
no mês de fevereiro e que recebe o nome de ano bissexto.
 O movimento de translação é o responsável pelas quatro estações do ano: verão, outono, inverno e prima-
vera, que ocorrem em razão das diferentes localizações da Terra no espaço.
Afélio e periélio
 § Afélio: momento em que a Terra está mais afastada do sol.
 § Periélio: momento em que a Terra está mais perto do sol.
influência das estações do ano
1. Solstício: período do ano em que os raios solares incidem perpendicularmente nos trópicos.
Desenvolve as estações de verão e inverno, quando ocorre maior diferença em relação à duração da 
luminosidade do dia e da noite.
2. Equinócio: período em que os raios do Sol incidem perpendicularmente sobre o Equador. 
Nessa fase, podemos ter as estações intermediárias, outono e inverno, nas quais o dia e a noite apresen-
tam a mesma duração.
89
coordenadas geográficas
Linhas imaginárias (paralelos e meridianos) que dividem o Planeta com o objetivo de melhor precisar a 
localização.
1. Meridianos: linhas verticais que ligam o norte e o sul do Planeta.
O meridiano principal chama-se Greenwich, que divide a Terra em leste e oeste.
Com o espaço do meridiano principal, em relação a outro qualquer, temos a longitude.
2. Paralelos: linhas horizontais que circundam o Planeta.
O paralelo principal se chama Equador, que divide a Terra em norte e sul.
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Ed
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Equador
Latitudes
norte
Latitudes
sul
Polo norte 90º N
0º
G
re
en
w
ic
h
180º
Longitudes
oeste
Longitudes
leste
antimeridiano
de Greenwich
0º
MERIDIANOS PARALELOS
Zonas de iluminação
Para regionalizar as áreas similares quanto ao recebimento de luz solar, o globo terrestre foi classificado em 
três principais zonas de iluminação: zona tropical ou intertropical, zona temperada, dividido em norte-sul e zona 
polar, também com divisão Norte -Sul.
 § Zonas Polares: os raios solares atingem a superfície terrestre de maneira bastante inclinada, portanto, as 
temperaturas são as mais baixas da Terra.
 § Zonas temperadas: os raios incidem à superfície de forma relativamente inclinada em relação à zona 
intertropical, desse modo as temperaturas são mais amenas.
 § Zona tropical: áreas que recebem luz solar de forma praticamente vertical em sua superfície, o fato produz 
regiões com temperaturas elevadas, conhecida como zona tórrida do planeta.
0º
23º27'
4. Zona polar do
Norte
5. Zonapolar do
Sul
3. Zona temperada do Sul
Círculo polar
 Ártico
Círculo polar
Antártico
Trópico de
Câncer
Trópico de
Capricórnio
Equador
2. Zona temperada do Norte
1. Zona tropical
23º27'
66º33'
66º33'
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90
fuso horário e noções de cartografia
fuso horário 
Os fusos horários geralmente estão centrados nos meridianos das longitudes que são múltiplos de 15°; 
no entanto, as formas dos fusos horários podem ser bastante irregulares devido às fronteiras nacionais dos vários 
países ou devido à questões políticas (caso da China, que poderia abranger algo como 4 fusos horários, mas obriga 
todo o país a utilizar o horário de Pequim com evidentes distorções no oeste chinês, onde quando não é inverno o 
sol nasce por volta das nove horas da manhã).
Todos os fusos horários são definidos em relação ao Tempo Universal Coordenado (UTC), o fuso horário que 
contém Londres quando esta cidade não está no horário de verão, onde se localiza o meridiano de Greenwich, o 
qual divide o fuso horário.
PROJEÇÃO DE ROBINSON
70 140km0
0-1 +1 +2 +3 +4 +5 +6 +7 +8 +9 +10 +11 +12-2-3-4-5-6-7-8-9-10-11-12
0° 60° °021°06120° 180°180°
0°0°
30°
30°
30°
30°
60°
60°
60°
60°
90°90°
90°
M
er
id
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no
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 G
re
en
w
ic
h 
(G
M
T)
Equador
Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
Círculo Polar Antártico
Círculo Polar Ártico
Brasília
Buenos Aires
Cidade do
México
Lima
Washington 
Los Angeles
Ottawa Paris
Madrid
Londres
Trípole
Moscou
Argel
Reykjavik
Adis Abeba
Riad
Cairo
Luanda
Nairóbi
Niamei
Cidade
do Cabo
Maputo
Dacar
Melbourne
Jacarta
Teerã
Manila
Bucareste
Astana
Nova
Délhi
Vancouver 
Bogotá
Georgetown
Seul
Tóquio
BeijingNova Iorque
Sydney
Hong Kong
Berlim
Cabo Verde 
Açores 
Is. Madeira
Is. Canárias 
Is.Maldivas
Is.Aleutas
Is.Tonga
Is. Malvinas
Is.Havaí
Is.Galápagos 
Is.Pitcairn
Is.Fiji
atad ed lanoicanretni ahniLodanoicarf oirároH
Fonte: Atlas Geográfico. 3. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1986. Adaptado.
Fuso horário no Brasil
 § Primeiro fuso (UTC−2): Atol das Rocas, Fernando de Noronha, São Pedro e São Paulo, Trindade e Martim 
Vaz.
 § Segundo fuso – horário de Brasília (UTC−3): regiões Sul, Sudeste e Nordeste; estados de Goiás, To-
cantins, Pará e Amapá; e o Distrito Federal.
 § Terceiro fuso (UTC−4): estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima, e a parte do 
Amazonas que fica a leste da linha que interliga Tabatinga e Porto Acre.
 § Quarto fuso (UTC−5): estado do Acre e a porção do Amazonas que fica a oeste da linha.
91
Brasil: fuso horário
O
CE
AN
O
AT
LÂ
NT
IC
O
OCEANO
ATLÂNTICO
O
C
E
A
N
O
PA
C
ÍF
IC
O
- 4:30
 horas
30° O
30° O
40° O
40° O
50° O
50° O
60° O
60° O
70° O
70° O
Linha do Equador 0°
10° S 10° S
20° S 20° S
30° S
30° S
Trópico de C
apricórnio
PERU
BOLIVIA
ARGENTINA
CHILE
PARAGUAI
VENEZUELA
COLÔMBIA
URUGUAI
GUIANA
FRANCESA
SURINAME
GUIANA
PAAM
BAMT
GO
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PB
SC
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RJ
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RN
DF
N
S
LO
0200 mk 004004
Escala 1:40 000 000
Projeção Policônica
- 4 horas saroh 2-saroh 3 -saroh 5 -
Fonte : IBGE. Disponível em: <http://mapas.ibge.gov.br/politico-administrativo>. Acesso em: Nov. 2014 
cartografia 
Ciência que tem por objetivo a representação gráfica da superfície terrestre, confeccionando um mapa.
1. Definições de mapas e cartas
Cadastrais: de 1:5.000 a 1:10.000;
Topográficos: de 1:25.000 a 1:250.000;
Geográficos: de 1:500.000 a 1:1.000.000.
2. Ferramentas importantes:
Orientação e rosa dos ventos;
Legenda: interpretação de símbolos.
3. Sensoriamento remoto: a técnica que se realiza através da separação física do sensor (câmera ou saté-
lite) e a área de estudo, com objetivo de mapeá-lo posteriormente. 
92
Projeções
Arte ou efeito de representar as formas esféricas da Terra em um plano. 
1. Projeção cilíndrica: paralelos e meridianos retos, formando ângulos de 90°.
©
 Pearson Prentice Hall, Inc.
Projeção cilíndrica de Mercator: conformante – mantém a forma dos continentes, mas distorce a área.
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Projeção cilíndrica de Peters: equivalente – mantém a área, porém modifica a forma.
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93
2. Projeção cônica: paralelos círculos concêntricos; os meridianos são retas convergentes.
©
 César da Mata/Schäffer Editorial
3. Projeção azimutal (plana ou polar): plano tangente sobre qualquer plano da esfera terrestre; se locali-
zada em um dos polos, os meridianos serão retas convergentes no centro e os meridianos círculos concên-
tricos.
Equador
Equador
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Escalas
Relação do tamanho real de uma área e sua diminuição para que possa ser representada em um plano. 
 § Escala gráfica: é uma linha reta graduada, na qual se indica a relação da distância real com as distâncias 
representadas no mapa. Por exemplo: 1 cm = 100 km.
 § Escala numérica: representada por uma fração, na qual o numerador indica a distância no mapa, e o 
denominador indica a distância na superfície real. 
Uma escala 1:100 000 (um por cem mil) significa que a superfície representada foi reduzida 100 mil vezes. 
Nesse caso, 1 cm no mapa = 100 000 cm = 1 000 m = 1 km na realidade.
94
eleMentos do cliMa e fatores cliMáticos
Diferença entre clima e tempo
 § Tempo: é o estado da atmosfera em determinado momento e lugar;
 § Clima: é a sucessão habitual de estados de tempos.
atMosfera
A atmosfera é formada por camadas gasosas sobrepostas com, aproximadamente, 1000 km de altitude.
Aquecimento terrestre
Apenas 51% do total dos raios solares emitidos chegam à superfície terrestre, o restante é absorvido pela 
atmosfera ou refletido pelas nuvens.
95
eleMentos do cliMa
Radiação solar
É a energia radiante emitida pelo Sol, em particular aquela que é transmitida sob a forma de radiação 
eletromagnética. 
Temperatura
A temperatura atmosférica da Terra é resultado das ondas electromagnéticas que vêm do Sol. A variação de 
temperatura dependem de vários fatores, como o vento, a umidade do ar, a latitude, o ângulo de incidência do raio 
solar na superfície terrestre, etc. A temperatura revelada em registros meteorológicos é medida por termômetros 
que não estão expostos diretamente aos raios solares. Essa é conhecida como temperatura na sombra.
Umidade
É a presença de vapor d’água existente no ar (umidade absoluta). Umidade relativa é a relação entre a 
quantidade de vapor d’água presente no ar e a quantidade máxima que poderia haver numa mesma temperatura 
(saturação).
Pressão atmosférica
É a força exercida pelo ar em um determinado ponto da superfície. Está intimamente ligada à umidade do 
ar, temperatura, altitude e latitude.
Velocidade e direção do vento
Consiste na circulação atmosférica.
Precipitação
Fenômeno relacionado à queda de água do céu, em forma de chuva, neve ou granizo.
Tipos de chuva
 § Chuvas convectivas
Fonte: Jean-François Beaux. L'environnement; repêres pratiques. Paris. Nathan, 1998
96
 § Chuvas frontais
 § Chuvas orográficas
Fonte: Jean-François Beaux. L'environnement; repêres pratiques. Paris. Nathan, 1998
fatores cliMáticos
 § Latitude
 § Continentalidade/Maritimidade
 § Relevo
 § Vegetação
 § Correntes marítimas
 § Altitudes
Massas de ar
São partes da atmosfera (grandes bolsões de ar) que se formam em regiões de relativa homogeneidade e 
estão em constante movimento, carregando as características de temperatura e umidade de sua região de origem.
Deslocam-se de regiões de alta pressão para regiões de baixa pressão.
 § Frentes frias: encontro de duas massas de ar, ambas frias, ou uma fria e uma quente.
 § Frentes quentes: encontro de duas massas de ar, ambas quentes, ou uma quente e outra fria.
97
Ventos alísios
É o resultado da ascensão de massas de ar que con-
vergem de zonas de alta pressão (anticiclônicas), nos 
trópicos, para zonas de baixa pressão (ciclônicas),no 
Equador, a chamada ZCIT (Zona de Convergência Inter-
tropical), formando um ciclo.
Fenômenos atmosféricos 
devastadores
 § Ciclones
São fortes ventos carregados de umidade, com 
velocidade superior a 200 km/h. Ciclones tropi-
cais ocorrem em regiões de baixa latitude e ci-
clones extratropicais formam-se em regiões de 
elevadas latitudes. Quando acontece no oceano 
Pacífico ou no Índico, recebe o nome de tufão; 
quando se formam no oceano Atlântico, recebem 
o nome de furacão.
 § Tornados
Provocados pelo forte deslocamento de vento 
em forma circular, com velocidade superior a 
500 km/h.
El Niño
É o aquecimento superficial das águas do ocea-
no Pacífico, como consequência do enfraqueci-
mentos dos ventos alísios.
La Niña
É o resfriamento maior que o normal das águas 
do Pacífico, ocorre ao fim do fenômeno El Niño.
Climas do Planeta
 § Clima equatorial
 § Clima tropical
98
 § Clima desértico
 § Clima mediterrâneo
 § Clima temperado continental
 § Clima temperado oceânico
 § Clima subpolar
 § Clima polar
99
cliMas do Brasil
Massas de ar que atuaM no Brasil
Fonte: educação.globo.com/geografia
Atuação das massas de ar no Brasil – Inverno e verão 
 § Massa Equatorial Continental (mEc): quente e úmida;
 § Massa Equatorial Atlântica (mEa): quente e úmida;
 § Massa Tropical Continental (mTc): quente e seca;
 § Massa Tropical Atlântica (mTa): quente e úmida;
 § Massa Polar Atlântica (mPa): fria e úmida.
cliMas Brasileiros
Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/
mapas-Brasil-clima.html>. (Adaptado)
Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/
mapas-Brasil-clima.html>. (Adaptado)
100
Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/
mapas-Brasil-clima.html>. (Adaptado)
Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/
mapas-Brasil-clima.html>. (Adaptado)
Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/mapas-Brasil-cli-
ma.html>. (Adaptado)
Fonte: <profwladimir.blogspot.com.br/2012/09/
mapas-Brasil-clima.html>. (Adaptado)
101
geoMorfologia do Brasil
As variadas formas de relevo encontradas na superfície resultam da ação de forças endógenas (internas), 
como o vulcanismo, o tectonismo e os abalos sísmicos, responsáveis pela gênese do relevo, e/ou de forças exóge-
nas (externas), como a ação da temperatura, chuva, vento, águas correntes, geleiras, seres vivos e antropogênicas, 
responsáveis pela esculturação do relevo.
Classificações do Relevo
 § Aroldo de Azevedo: critério altimétrico
 § Aziz Ab'Saber: critério altimétrico e geomorfológico (erosão/sedimentação)
102
 § Jurandyr Ross: critério altimétrico, geológico e estrutural
Planaltos em:
Bacias sedimentares 
1 - Planalto da Amazônia Oriental
2 - Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba
3 - Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná 
Intrusões e coberturas residuais de plataforma
4 - Planalto e Chapada dos Perecis 
5 - Planaltos Residuais Norte-Amazônicos
6 - Planaltos Residuais Sul-Amazônicos
Cinturões orogênicos
7 - Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste
8 - Planaltos e Serras de Goiás-Minas
9 - Planaltos residuais do Alto Paraguai
Núcleos cristalinos arqueados
10 - Planalto da Borborema
11 - Planalto Sul-Rio-Grandense
Depressões
12 - Depressão da Amazônia Ocidental
13 - Depressão Marginal Norte-Amazônia
14 - Depressão Marginal Sul-Amazônia
15 - Depressão do Araguaia
16 - Depressão Cuiabana
17 - Depressão do Alto Paraguai-Guaporé
18 - Depressão do Miranda
19 - Depressão Sertaneja e do São Francisco
20 - Depressão do Tocantins
21 - Depressão Periférica da Borda Leste da
Bacia do Paraná
22 - Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense
Planícies
23 - Planície do Rio Amazonas
24 - Planície do Rio Araguaia
25 - Planície e Pantanal do Rio Guaporé
26 - Planície e Pantanal Mato-Grossense
27 - Planície da Lagoa dos Patos e Mirim
28 - Planícies e Tabuleiros Litorâneos
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ATLÂNTICO
0
N
450 km
Formas de relevo
Planaltos
Relevo acima de 300 metros, onde o processo erosivo é predominante. Subdividem-se em:
1. Planaltos em bacias sedimentares
2. Planaltos em intrusões e coberturas residuais de plataformas
3. Planaltos em núcleos cristalinos arqueados
4. Planaltos em cinturões orogênicos
Planícies
Relevos abaixo de 100 metros, onde o processo sedimentar é predominante. Algumas delas:
1. Planície litorânea
2. Planície fluvial
3. Planície lacustre
Depressões
Superfície mais plana que os planaltos e mais baixas do que as áreas do entorno, onde o processo erosivo é 
predominante. Essas formas de relevo se apresentam no território brasileiro da seguinte forma:
1. Depressão periférica
2. Depressão marginal
3. Depressão interplanáltica
Todas as depressões no Brasil são relativas (acima do nível do mar)
103
hidrologia e Bacias hidrográficas
ciclo hidrológico
 § evaporação;
 § precipitação;
 § infiltração; 
 § escoamento.
Percolação
Evaporação
Precipitação
Transpiração
Fluxo subterrâneo
Evaporação
Precipitação
Vapor transportado para
 terra �rme
Oceano
Rio
Terra
Lago
Mares e oceanos
 § 71% do planeta é composto por águas oceânicas;
 § Oceano Pacífico, Atlântico, Índico e Glacial Ártico;
 § Oceanos regulam o mecanismo climático;
 § Mares abertos: ligados diretamente aos oceanos;
 § Mares continentais ou interiores: ligados restritamente;
 § Mares fechados: sem ligação com o oceano.
104
ondas e Marés
 § Ondas são movimentos de massas de água provocados pelo vento;
 § Maré é o movimento diário das águas que avançam e recuam, resultado de forças gravitacionais que o Sol 
e a Lua exercem sobre a Terra.
LUA NOVA
maré lunar
maré solar
LUA
 Maré Viva
 Lua em sigízia
(Sol e Lua em conjunção)
SO
L
QUARTO
CRESCENTE
LUA
maré lunar
maré sonar
 Maré Morta
Lua em quadratura
LUA CHEIA
LUA
maré sonar
maré lunar
 Maré Viva
 Lua em sigízia
(Sol e Lua em oposição)
QUARTO
MINGUANTE
SO
L
SO
L
SO
L
maré lunar
maré solar
 Maré Morta
Lua em quadratura LUA
correntes MarítiMas
 § Massas menores de água que se deslocam em várias direções, mantendo suas características de cor, salini-
dade e temperatura;
 § Proveniente dos ventos e do movimento de rotação da Terra;
 § HN: seguem no sentido horário; 
 § HS: seguem no sentido anti-horário.
Correntes marítimas – temperatura e direção
105
degradação e Poluição Marinha
Causas
 § Poluição dos rios;
 § Esgotos domésticos e industriais;
 § Deposição de resíduos radioativos;
 § Vazamento de óleo (maré negra);
 § Descarga de lama de drenagem.
Prejuízos
 § Desequilíbrio ecológico que causa a mortandade 
de organismos e animais marinhos;
 § Contaminação de peixes e outros animais que 
serão consumidos por pessoas;
 § Morte de pássaros que se alimentam de peixes;
 § Litorais impróprios para o banho;
 § Degradação de regiões de mangues.
águas continentais
Origem dos rios
 § Pluvial;
 § Glacial;
 § Lacustre;
Tipos de Foz
1. estuário
2. delta
3. mista
Foz em estuário e foz em delta
Lugares referenciais de um rio
 § Jusante: para onde a água corre (dependendo do 
ponto de referência);
 § Montante: de onde a água vem (dependendo do 
ponto de referência);
Diferencia entra rede e 
bacia hidrofitográfica
 § Rede hidrográfica: é o conjunto formado por um 
rio principal e seus afluentes e subafluentes, mas 
não abrangem a área territorial por onde os rios 
correm;
 § Bacia hidrográfica ou de drenagem :corresponde 
à rede hidrográfica e sua área de capitação de 
água.
Tipos de drenagem
 § Exorreica;
 § Endorreica;
 § Arreica;
 § Criptorreica;
Modelagem do relevo
 § Ciclo de erosão fluvial: erosão, transporte e se-
dimentação.
Lagos
 § Formados por depressões ou falhas preenchidas 
por água de origem glacial.
Poluição das águas
 § Expansão das atividades industriais;
 § Crescimento das cidades;
 § Diminuição das fontes de água potável;
 § Atividades mineradoras.
106
Bacias hidrográficas Brasileiras
Bacia aMazônica
 § O rio principal nasce nos Andes (terrenos cristalinos);
 § 20 mil km de rios navegáveis, propícios ao desenvolvimento do transporte hidroviário,como o rio Madeira, 
Xingu, Tapajós, Negro, Trombetas e Jari;
 § A hidrovia rio Madeira opera de Porto Velho a Itacoatiara e transporta a maior parte da produção de grãos 
e de minérios da região;
 § Principais hidrelétricas: Belo Monte, Jirau e Santo Antonio.
Bacia do são francisco
 § Nasce na Serra da Canastra (MG), corta o Sertão da Bahia e deságua no Oceano Atlântico;
 § Plenamente navegável até Petrolina;
 § Usinas hidrelétricas de grande porte: Paulo Afonso, Sobradinho, e Itaparica;
 § Transposição do São Francisco.
Bacia do tocantins-araguaia
 § O rio Tocantins nasce em Goiás e desemboca na foz do rio Amazonas. Seu potencial hidrelétrico é aprovei-
tado pela usina de Tucuruí (PA);
 § O rio Araguaia nasce na Serra das Araras (MT) e desemboca no rio Tocantins;
 § A construção da hidrovia Tocantins-Araguaia foi bastante questionada em razão dos impactos ambientais.
Bacia do Prata
 § O rio do Prata é formado pelas bacias dos rios Paraguai, Paraná e Uruguai.
1. Bacia do Paraná: maior potencial hidrelétrico instalado do país, que garante o abastecimento de ener-
gia para a região Sudeste;
2. Bacia do Paraguai: amplamente navegável;
3. Bacia do Uruguai: pouco aproveitada para navegação e geração de energia pois exige muitos acordos 
internacionais para a realização de projetos.
107
Bacias secundárias
 § Paranaíba;
 § Paraíba do Sul;
 § Atlântico Sul;
 § Atlântico Leste.
As 12 Regiões
Hidrográ�cas Brasileiras
Amazonas
Tocantins-Araguaia
Atlântico NE Ocidental
Parnaíba
Atlântico NE Oriental
São Francisco
Atlântico Leste
Atlântico Sudeste
Paraná
Paraguai
Uruguai
Atlântico Sul
Fonte: ANA - Agência Nacional das Águas, 2005
Bacias hidrográficas do Mundo
Rios da África
 § Rio Nilo;
 § Rio Congo.
Rios da Europa
 § Rio Reno;
 § Rio Pó;
 § Rio Volga;
 § Rio Ródano.
Rios da América do Norte
 § Rio São Lourenço;
 § Rio Colorado;
 § Rio Mackenzie;
 § Rio Yukon;
 § Rio Mississipi;
 § Rio Missouri.
doMínios 
MorfocliMáticos 
forMações florestais
1. Domínio das terras baixas florestadas da 
Amazônia (Floresta Amazônica)
 § clima quente e úmido;
 § relevo com predomínio de planícies;
 § floresta latifoliada (folhas largas);
 § ombrófila;
 § higrófila;
 § perene (sempre verde);
 § densa (de difícil penetração);
 § heterogênea;
 § biodiversa;
 § solos pouco férteis (pouco húmus e muito lixi-
viado);
 § acelerado processo de devastação;
 § políticas de integração intensificaram os fluxos 
migratórios.
108
2. Domínio dos mares de morros florestados
 § clima quente e úmido;
 § relevo com predomínio de planaltos;
 § floresta latifoliada (folhas largas);
 § ombrófila;
 § higrófila;
 § perene (sempre verde);
 § densa (de difícil penetração);
 § heterogênea;
 § biodiversa;
 § ficou reduzida a menos de 7% da cobertura original.
3. Domínio do planalto das araucárias
 § clima frio e úmido;
 § relevo planáltico;
 § floresta subtropical aciculifoliada;
 § aberta (de fácil penetração);
 § homogênea;
 § restam apenas pouco mais de 10% da mata original;
 § solos férteis (terra roxa).
forMações arBustivas
1. Domínio das depressões interplanálticas do semi-árido do nordeste
 § clima quente e seco;
 § relevo com predomínio de depressões;
 § vegetação xerófila e caducifólia;
 § solos ricos em sais minerais e pobre em húmus;
 § ocorrência de brejos em regiões mais úmidas;
 § produção de frutas;
 § rios intermitentes em sua maioria.
2. Domínio dos chapadões recobertos por cerrados e penetrados por mata galeria
 § clima tropical (chuvas no verão e estiagem no inverno);
 § relevo planáltico com chapadas;
 § solos com baixa fertilidade (alta concentração de alumínio);
 § 45% devastado em função da expansão agropecuária;
 § nascentes de rios importantes como o São Francisco.
109
forMação herBácea
Domínio das Pradarias mistas do Rio Grande do Sul
 § clima frio e úmido;
 § terras baixas com colinas (cochilias)
 § vegetação de gramíneas;
 § imensa pastagem (favoreceu a pecuária de corte);
 § rizicultura.
Formações complexas
 § Pantanal.
 § Mata dos Cocais.
 § Manguezais.
Brasil: domínios morfoclimáticos
Amazônico
Cerrado
Mares de Morros
Caatinga
Araucárias
Pradarias
Faixas de transição
 OCEANO
ATLÂNTICO
0 280 km
Fo
nt
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re
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m
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r/g
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gr
af
ia
110
BioMas
Formações florestais: vegetação com árvores de 
grande porte.
 § Floresta Amazônica.
 § Mata Atlântica.
 § Floresta de araucárias.
Formações arbustivas e herbáceas: constituída por 
arbustos dispersos e isolados por vegetação rasteira
 § Cerrado.
 § Caatinga.
 § Campos.
Formações complexas: ocorrem em áreas de tran-
sição entre formações e apresentam características de 
duas ou mais dessas formações
 § Mata dos cocais.
 § Pantanal. 
 § Mangue.
Áreas protegidas no Brasil
Unidades de conservação
São espaços destinados à conservação de paisagens 
naturais. Existem unidades de uso indireto, onde os re-
cursos não podem ser explorados. São elas: estação 
ecológica, monumento natural, parque nacional, 
refúgio de vida silvestre e reserva biológica.
Outra categoria é a unidade de uso sustentá-
vel (como a reservas extrativista), onde é permitido o 
uso racional dos recursos naturais. São elas: área de 
proteção ambiental, área de relevante interesse 
ecológico, floresta nacional, reserva de desen-
volvimento sustentável, reserva de fauna, reser-
va extrativista e reserva particular do patrimô-
nio natural.
ProBleMas 
aMBientais no Brasil
ProBleMas urBanos
 § Poluição atmosférica;
 § Efeito estufa;
 § Inversão térmica;
 § Chuva ácida;
 § Ilha de calor;
 § Carência de áreas verdes;
 § Problemas no abastecimento de água e poluição 
dos rios.
ProBleMas no esPaço agrário
 § Agrotóxicos;
 § Poluição do solo;
 § Perda de nutrientes;
 § Desertificação
111
u.t.i. – sala
 1. Defina solstício e equinócio? Como esses fenômenos relacionam-se na dinâmica climática?
 2. Compare as projeções cilíndricas de Mercator e de Peters com o contexto histórico que foram cria-
das e destaque as suas respectivas distorções.
 3. Explique qual a diferença entre tempo e clima e quais são os principais fatores modificadores do 
clima.
 4. Defina o que são domínios morfoclimáticos e bioma. Cite três domínios existentes no Brasil, bem 
como suas particularidades, definindo também as áreas de transição entra um domínio e outro.
 5. Explique como se dá a origem dos rios e como acontece o trabalho de modelagem do relevo à partir 
deles.
 6. (UFRJ) As “ilhas de calor”
As imagens de satélite constituem hoje um instrumento essencial ao conhecimento das mudanças 
ambientais que ocorrem na superfície da Terra.
As figuras a seguir são da cidade de Atlanta (EUA) e foram feitas pela NASA em 2000.
A partir da observação das figuras, aponte dois fatores responsáveis pela formação de “ilhas de 
calor” em áreas urbanas. 
 7. (UEG) Historicamente, os rios tiveram um papel importante na formação de centros urbanos, tanto 
pelo abastecimento de água como por ser um meio de transporte que favorecia as trocas de merca-
dorias, sobretudo de produtos agrícolas.
Entretanto, ao longo do tempo, os rios passaram a ser utilizados como rede de esgoto. Discorra 
sobre dois problemas socioambientais decorrentes do uso inadequado dos recursos hídricos em 
áreas urbanas no Brasil.
112
 8. Cerca de 95% do mercado nacional de gesso é abastecido pelos depósitos de gipsita existentes na 
bacia do Araripe, no sertão nordestino. No Brasil, o processo de produção de gesso consome grande 
quantidade de energia proveniente da queima da lenha e do carvão vegetal, extraído do bioma 
caatinga. 
a) Apresente uma característica da caatinga que a diferencia das demais formações vegetais brasileiras. 
b) Aponte uma consequência ambiental do desmatamento da caatinga. 
 9. Diferencia as 3 principais classificações do relevo brasileiro e quais foram os critérios utilizados 
por cada autor.
 10. Explique as formas de relevos brasileiros, suas definições com enfase na hipsometria e nos proces-so exógenos predominantes.
113
u.t.i. – e.o
 1. Mapa de fuso horário
Fonte: <www.estudopratico.com.br/wp-content/uploads/2013/01/fuso-horario-mapa-conceito-em-geografia.jpg>
Um fotógrafo sai do Rio de Janeiro às 18:00 hs do dia 1º (sábado), em direção à Hong Kong. A 
duração do voo foi de 12 horas. Que horas será no Rio de Janeiro quando essa pessoa chegar no 
seu destino?
 2. Os climogramas abaixo representam dois tipos climáticos que ocorrem no Brasil. Observe-os e 
responda:
a) Quais são os tipos de clima nas localidades A e B?
b) Discorra sobre as características dos dois climas e quais são as massas de ar que atuam nessas loca-
lidades.
 3. O sabiá no sertão
Quando canta me comove
Passa três meses cantando
E sem cantar passa nove
Porque tem a obrigação
de só cantar quando chove
“Chover, ou invocação para um dia líquido”
Mas o povo que sente na pele os efeitos diretos desse calor – extensivos à economia regional, pela 
ausência de perenidade dos rios e de água nos solos – não tem dúvida em designá-lo simbolicamen-
te por “verão”. Em contrapartida, chama o verão chuvoso de “inverno”. Tudo porque os conceitos 
tradicionais para as quatro estações somente são válidos para as regiões que vão dos subtrópicos 
até a faixa dos climas temperados, tendo validade muito pequena ou quase nenhuma para as regi-
ões equatoriais, subequatoriais e tropicais.
AB’SÁBER, Aziz Nacib. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003, p. 85.
114
Como bem exemplificou o professor Aziz Ab’Saber, os sertanejos costumam chamar o verão de in-
verno porque, irregularmente, a Massa Equatorial Continental traz chuvas esporádicas à região. A 
partir do texto e da música do grupo “Cordel do Fogo Encantado“, explique a origem da mancha se-
miárida no Nordeste brasileiro e o por quê desse deficit hídrico, já que a mEc é uma massa úmida.
 4. Os homens que vivem ao longo dos igarapés foram fadados a conviver com as sombras e a solidão. 
Trabalharam ou trabalham para alguém que mal conhecem. Na qualidade de serem gregários, para 
garantir um tributo básico da condição humana, transformaram os igarapés em caminhos vicinais. 
O “caminho da canoa” do índio tornou-se a via vicinal dos amazônides, oriundos de muitas pro-
cedências étnicas e subculturas em contato. Ninguém melhor do que Euclides da Cunha conseguiu 
fixar o drama dos habitantes da beira dos igarapés, tal como está gravado em seus escritos, como 
o Judas Asverus, de “A Margem da História”.
 AB’SÁBER, Aziz Nacib. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003, p. 73.
Com base no texto, responda:
A qual domínio morfoclimático o texto se refere? Explique suas principais características, levando 
em consideração os três patamares de vegetação existentes.
 5. A partir do perfil topográfico e geológico abaixo e de seus conhecimentos, responda:
a) Quais compartimentos regionais de relevos são indicados pelos números 1 e 2?
b) Explique a formação desses compartimentos.
 6. Observe a figura que mostra o esquema de circulação geral da atmosfera e responda:
a) O que são ventos alísios e contra alísios?
b) Qual é a relação dos ventos alísios com o fenômeno El Niño?
 7. Dentre as estratégias de aproveitamento dos recursos hídricos superficiais do Nordeste Brasileiro, 
admite-se a transposição de águas entre bacias hidrográficas. Sobre este tema, resolva os itens a 
seguir.
a) Indique dois possíveis projetos de transposição de águas entre bacias hidrográficas, que são discutidos 
na mídia.
b) Descreva dois prováveis impactos ambientais negativos resultantes desses projetos.
115
 8. (Unesp) No mapa estão indicadas as principais correntes marítimas.
Explique a influência da corrente do golfo no Atlântico Norte sobre a Europa ocidental, e desta-
que os motivos das cidades de Londres e Paris terem invernos mais amenos do que Montreal e 
Nova Iorque.
 9. (UFPR) A bacia hidrográfica como unidade de análise ambiental tem ganhado destaque, o que 
pode ser exemplificado com o caso do Brasil, onde, nas últimas décadas, ela tem sido considerada 
um importante recorte espacial para o planejamento e para diagnósticos ambientais. Explique o 
que é uma bacia hidrográfica, apresentando os elementos que a compõem, e justifique por que ela 
é utilizada como recorte espacial para diagnósticos ambientais.
 10. (Uerj) O potencial de produção de energia hidrelétrica está relacionado a um grupo de fatores na-
turais que interferem na construção de barragens em bacias hidrográficas. Observe no mapa abaixo 
a localização das dez principais bacias hidrográficas brasileiras:
Considerando as características socioambientais da bacia I, cite duas consequências negativas oca-
sionadas pela construção de hidrelétricas nessa área.
Indique, ainda, dois fatores que favorecem a geração de energia elétrica nas usinas instaladas na 
bacia V.
116
C
GEOGRAFIA
H
Geografia 20 1
U.T.I.
Correntes do pensamento geográfiCo
CiênCia e geografia
Espaço como objeto de estudo.
PrinCíPios da geografia
1. Princípio da extensão: refere-se a uma área em que se estuda o fato geográfico (importância da carto-
grafia);
2. Princípio da analogia: comparação de uma área com outras (buscando semelhanças ou diferenças);
3. Princípio da conexão ou interação: relação dos fatos físicos e humanos;
4. Princípio da atividade: dinamismo da paisagem.
esPaço geográfiCo
1. Relação da sociedade com a natureza.
2. Importância do Estado e a conjuntura técnico-científico-informacional na configuração do espaço contem-
porâneo.
Correntes de pensamento da Geografia
1. Determinismo geográfico (final do século XIX)
O homem é visto como resultado da ação do meio.
2. Possibilismo geográfico (começo do século XX)
Influência recíproca entre o homem e o meio habitado;
3. Método regional (1940)
Diferenciação de áreas.
4. Nova geografia/ geografia quantitativa (1950)
Análise por meio de métodos matemáticos e análises estatísticas.
5. Geografia crítica (1960-1970)
Orientação marxista e oriunda do processo de descolonização da África e da Ásia. 
Conceitos geográficos
 § Paisagem
 § Lugar
 § Território
 § Região
 § Espaço
119
geologia
as Camadas da estrutura interna da terra
Quanto à composição química:
 § Crosta
 § Manto superior
 § Núcleo externo
 § Núcleo interno
Quanto à rigidez dos materiais:
 § Litosfera ou crosta terrestre
 § Astenosfera
 § Manto inferior
 § Endosfera
A estrutura interna da Terra é representada em modelos baseados em dois critérios
Litosfera
Camada sólida da Terra, formada por minerais e rochas. É dividida em:
 § Crosta oceânica ou inferior
SIMA (silicato de magnésio)
de 30 a 70 km de espessura
 § Crosta continental ou superior
SIAL (silicato de alumínio)
de 4 a 8 km de espessura
120
Rochas
São agregados naturais de minerais e formam a parte essencial da crosta terrestre. De acordo com sua 
origem, podem ser classificadas em:
 § Rochas ígneas ou magmáticas
São formadas pela solidificação do magma. 
Exemplos: granito (plutônica ou intrusiva), que se solidificou lentamente, e o basalto (vulcânica ou extru-
siva), que se solidificou rapidamente.
 § Rochas sedimentares
São formadas pela deposição de sedimentos de origem mineral e orgânico.
Exemplos: arenito, calcário e varvito.
 § Rochas metamórficas
São formadas pela transformação de rochas preexistentes em consequência de alterações de pressão e 
temperatura, que reajustam a composição química e a textura das rochas.
Exemplo:
Calcário P+T Mármore
(rocha sedimentar) → (rocha metamórfica)
geologia do Brasil e exploração mineral
Províncias geológicas
São macroestruturas definidas pela idade geológica e pelos diferentes tipos de rocha, segundo seu processo de 
formação. São elas:
 § Escudo cristalino ou blocos cratônicos 
Formaram-se na Era Pré-cambriana, portanto, são antigos e bastante desgastados pela erosão.
 § Bacia sedimentar
Inicialmente, formaram-se a partir da Era Paleozoica.
 § Dobramento modernoDatam da Era Cenozoica do período Terciário e sua origem se relaciona com movimentos tectônicos. São os 
terrenos de maiores altitudes do Planeta. 
121
As macroestruturas no território brasileiro
Escudos cristalinos
 § São formados por rochas cristalinas (magmáticas e metamórficas) muito resistentes à erosão;
 § Correspondem a 36% do território brasileiro;
 § Possuem importantes jazidas minerais, como ferro, ouro, manganês, alumínio, zinco e estanho, distribuídos 
pelos estados do Pará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Amapá e Rondônia.
Exemplos: Serra dos Carajás (PA), Quadrilátero Ferrífero (MG), Maciço de Urucum (MS).
Bacias sedimentares
 § São formadas por rochas sedimentares, que são menos resistentes à erosão do que as cristalinas;
 § Correspondem a 64% do território brasileiro;
 § Encontram-se importantes combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural.
geomorfologia: 
forças estruturais e esCulturais
Teorias que explicam os movimentos da Terra
 § Deriva continental
 § Tectônica de placas
122
dinâmiCa do relevo
Os agentes modificadores do relevo são:
Agentes estruturais (internos)
 § Tectonismo (orogênese e epirogênese)
 § Vulcanismo
 § Abalo sísmico
Agentes esculturais (externos)
 § Intemperismo (desgaste)
 § Erosão (transporte)
Tipos de intemperismo
 § Químico 
 § Físico
 § Biologico
Tipos de Erosão
 § Eólica
 § Pluvial
 § Fluvial
 § Glacial
 § Marinha
 § Erosão antrópica
formas de relevo
 § Planície
Todo relevo abaixo de 200 metros onde o pro-
cesso sedimentar é predominante.
 § Planalto
Todo relevo acima de 300 metros onde o proces-
so erosivo é predominante.
 § Depressão
Relevo mais plano que os planaltos e mais baixo 
do que as áreas do entrono.
relevo marinho
 § Plataforma continental
 § Talude continental
 § Região pelágica
 § Região abissal
solos
Solo ou rigolito é a parte mais externa e não 
consolidada da litosfera, que recobre as formas de rele-
vo e as estruturas geológicas. Sua origem está ligada ao 
processo de intemperização das rochas pelos agentes 
climáticos e biológicos e ao transporte desses fragmen-
tos pela ação da gravidade.
123
solos e seus horizontes
HORIZONTES DO SOLOS
São as camadas paralelas à superfície do solo.
O Camada de restos de plantas e animais na superfície
 do solo
A Primeiro horizonte mineral do solo, mais escuro, por
 conter mais húmus que os horizontes B e C.
B Horizonte formado por partes bastante desagregadas
 da rocha-mãe, estando abaixo do horizonte A.
C Horizonte formado por partes pouco desagregadas
 da rocha-mãe, com presença de materiais que ainda
 estão se transformando em solo.
R Rocha-mãe que, submetida ao intemperismo, se
 desagraga e se decompõe, dando origem ao solo.
Fonte: slideplayer.com.br
gruPos de solo
 § Latossolos
 § Litossolos
 § Podzólicos
 § Aluviões
solos do Brasil
 § Terra roxa
 § Massapê
 § Salmorão
 § Solos aluviais
Problemas no uso dos solos
 § Lixiviação
 § Laterização
 § Compactação
 § Salinização
 § Erosão
proBlemas 
amBientais mundiais
osCilação deCadal do PaCífiCo
 § É um fenômeno cíclico que consiste na variação 
de temperatura das águas do oceano Pacífico, 
sendo um dos fatores mais decisivos na dinâmi-
ca climática em várias partes do mundo.
Oscilação decadal do pacífico e linha de temperatura
ciclo da ODP: 50 a 60 anos
124
El Niño
 § É um fenômeno climático que tem como consequência o aquecimento anormal das águas do oceano Pa-
cífico tropical, que influencia a distribuição da temperatura da superfície da água e, consequentemente, o 
clima de várias regiões do mundo.
El Niño
La Niña
 § Provoca o resfriamento irregular das águas do Pacífico em virtude do aumento da força dos ventos alísios.
125
aqueCimento gloBal
É o processo de aumento da temperatura mé-
dia dos oceanos e da atmosfera da Terra causados por 
massivas emissões de gases que intensificam o efeito 
estufa, originados da ação antrópica.
No meio científico, debate-se muito a respeito 
da existência e das possíveis causas do aquecimento 
global.
grandes 
Biomas do mundo
floresta troPiCal
 § Desenvolvem-se em baixas latitudes e próximas 
ao Equador;
 § Cobre 6% da Terra e abriga mais da metade das 
espécies de plantas e animais;
 § A grande produtividade biológica é resultado 
da alta radiação solar, temperaturas entre 18 e 
30ºC e alto índice pluviométrico;
 § Dossel;
 § Estratificação;
 § Presença de sombra.
Savanas
 § Regiões quentes da Austrália, América do Sul e 
África;
 § Chuvas mal distribuídas durante o ano;
 § Vegetação arbustiva, herbácea e espaçadas en-
tre si.
Floresta temperada
 § É encontrada entre os polos e os trópicos;
 § Floresta decídua caducifoliada;
 § Clima temperado com médias anuais moderadas 
e estações bem definidas;
 § O índice pluviométrico é bem uniforme durante 
o ano;
 § Solos abundantes em matéria orgânica;
 § Animais migratórios.
126
Campos
 § Ocorrem em todos os continentes, como as 
pradarias na América do Norte e os Pampas na 
América do Sul;
 § Vegetação herbácea;
 § É o bioma mais utilizado e transformado pelas 
ações antrópicas.
Desertos
 § Reduzida precipitação em decorrência da loca-
lização:
a) áreas de alta pressão atmosféricas; 
b) atrás de altas cadeias de montanhas;
c) região de influência de correntes marítimas 
frias;
 § Clima quente;
 § Grande amplitude térmica;
 § Vegetação rara e espaçada, com plantas que ar-
mazenam água, como as cactáceas.
Tundra
 § Localiza-se no Círculo Polar Ártico;
 § Inverno longo e rigoroso e verões curtos com 
temperaturas amenas;
 § Permafrost;
 § Vegetação gramínea, plantas lenhosas e liquens.
Taiga
 § Constitui-se como um cinturão abaixo do Circulo 
Polar Ártico, que limita o domínio da tundra;
 § Possui duas estações bem distintas, com predo-
mínio do inverno sobre o verão;
 § Floresta de coníferas;
 § Homogênea;
 § Alelopática.
Chaparral
 § Distribuem-se em regiões com clima temperado 
ameno, como a Califórnia, México, litoral do mar 
Mediterrâneo, Chile e costa meridional da Aus-
trália;
 § Vegetação arbustiva e árvores de pequeno e mé-
dio porte, com folhas duras e grossas;
 § Micorrizas: associação entre fungos e raízes, que 
aumenta a chance de sobrevivência em condi-
ções adversas;
 § Ocorrência de fogo.
127
Caatinga
 § Encontram-se na América do Sul, no sudeste africano e em algumas partes do sudoeste asiático;
 § Condições de umidade intermediária entre o deserto e a savana;
 § Vegetação herbácea e cactácea.
Hotspots ambientais
 § São pontos ou manchas de extrema biodiversidade.
 § Dois fatores são críticos na escolha de um hotspot:
1. a existência de espécies endêmicas;
2. grandes taxas de destruição do habitat;
3. grande biodiversidade.
Hotspots globais
128
antiga ordem mundial
reordenação geoPolítiCa mundial
1. Fim da Segunda Guerra Mundial (1945)
2. Guerra Fria:
Comunismo – União Soviética e China;
Capitalismo – EUA, Europa ocidental e Japão;
3. Organizações militares:
OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte: fundada em 1949 pelos países capitalistas;
Pacto de Varsóvia: formado pela URSS, em 1955.
4. Momentos de tensão na Guerra Fria:
Divisão da Alemanha; 
Construção do muro de Berlim – 1961;
Espionagem: CIA e KGB;
Crise dos mísseis em Cuba – 1961;
Guerra da Coreia;
Revolução Sandinista;
Corrida espacial;
Corrida armamentista.
5. Fim da Guerra Fria:
Crise econômica e política na URSS;
Revoltas em repúblicas socialistas (Ex.: Hungria e Polônia);
Queda do muro de Berlim;
Capitalismo mundializado;
Crescimento da influência da ONU como poder mundial.
O mundo bipolar: 1948-1991
129
nova ordem mundial
A expansão do capitalismo gerou duas concepções do poder:
 § Ordem unipolar: poder centralizado nos EUA, devido, principalmente, a seu grande poder bélico;
 § Ordem multipolar: poder dos EUA estaria sendo dividido com a Europa (sobretudo a Alemanha) e o 
Japão.
Nova Ordem Mundial tripolar 
PROJEÇÃO DE ROBINSON
70 140km0
0-1 +1 +2 +3 +4 +5+6 +7 +8 +9 +10 +11 +12-2-3-4-5-6-7-8-9-10-11-12
0° 60° °021°06120° 180°180°
0°0°
30°
30°
30°
30°
60°
60°
60°
60°
90°90°
90°
M
er
id
ia
no
 d
e 
 G
re
en
w
ic
h 
(G
M
T)
Equador
Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
Círculo Polar Antártico
Círculo Polar Ártico
Brasília
Buenos Aires
Cidade do
México
Lima
Washington 
Los Angeles
Ottawa Paris
Madrid
Londres
Trípole
Moscou
Argel
Reykjavik
Adis Abeba
Riad
Cairo
Luanda
Nairóbi
Niamei
Cidade
do Cabo
Maputo
Dacar
Melbourne
Jacarta
Teerã
Manila
Bucareste
Astana
Nova
Délhi
Vancouver 
Bogotá
Georgetown
Seul
Tóquio
BeijingNova Iorque
Sydney
Hong Kong
Berlim
Cabo Verde 
Açores 
Is. Madeira
Is. Canárias 
Is.Maldivas
Is.Aleutas
Is.Tonga
Is. Malvinas
Is.Havaí
Is.Galápagos 
Is.Pitcairn
Is.Fiji
atad ed lanoicanretni ahniLodanoicarf oirároH
Fonte: Atlas Geográfico. 3. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1986. Adaptado.
Descolonização da Ásia e da África: Divisão norte-sul – desenvolvidos e subdesenvolvidos.
1. Países Centrais: países que concentram as sedes de grandes empresas globais, indústrias e bancos;
Exemplos: EUA, grande parte dos países da Europa e Japão.
2. Países periféricos: baseados em economia agroexportadora / latifúndio; concentração de renda.
Exemplos: parte dos países africanos, da América latina e Ásia. 
3. Países semiperiféricos: possuem grandes concentrações de renda, mas em menor proporção, compara-
dos aos países periféricos; patamar intermediário de bem-estar; conseguiram constituir uma densidade de 
industrialização significativa.
Exemplos: Brasil, México, Argentina, Chile e Tigres Asiáticos.
Índice de desenvolvimento humano (IDH): índice proposto pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o 
Desenvolvimento). 
 § Função – comparação da qualidade de vida entre os países.
 § Três dimensões:
1. Riqueza (ou renda per capita);
2. Educação;
3. Esperança média de vida (ou saúde).
130
u.t.i. – sala
 1. Diferencie os processos geradores das for-
mas de relevo (endógenos e exógenos).
 2. Explique sucintamente como se dá o proces-
so de formação dos três tipos de rocha exis-
tentes, citando pelo menos um exemplo para 
cada uma delas.
 3. Sobre a dinâmica interna da Terra, explique:
a) Como se deu o processo de dobramento do 
Himalaia e quais as placas tectônicas envol-
vidas?
b) Quais são os tipos de placas existentes na 
litosfera? Explique-as.
 4. Explique os processos exógenos na escultu-
ração das seguintes feições de planaltos:
a) Chapadas
b) Cuestas
c) Inselbergues
 5. Cite e explique três problemas no manejo 
dos solos.
 6. Disserte sobre a crise dos mísseis de Cuba, 
no contexto da Guerra Fria.
 7. Sobre os eventos El Niño e La Niña, indique a 
área de ocorrência desses eventos, as carac-
terísticas que os diferenciam e seus impac-
tos sobre as regiões Nordeste e Sul do Brasil.
 8. Descreva a principal área de ocorrência, as 
características climáticas, as características 
fisionômicas da vegetação e o tipo de explo-
ração que se faz do bioma taiga.
u.t.i. – e.o.
 1. 
EROSÃO
 
TRANSPORTE
 
DEPOSIÇÃO
 
SEDIMENTAÇÃO
 
COMPACTAÇÃO
 
ROCHA SEDIMENTAR
O esquema acima é chamado de diagênese, 
que descreve o processo de formação das 
rochas sedimentares. Discorra sobre esse 
processo.
 2. As bacias sedimentares se formaram a par-
tir da era Paleozoica, entrando também pela 
Mesozoica e pela Cenozoica. Nesses terrenos, 
encontramos recursos combustíveis fósseis, 
como o petróleo, o gás natural e o carvão 
mineral. A partir dos seus conhecimentos, 
explique a formação do petróleo em áreas 
oceânicas.
 3. A chuva é um dos agentes erosivos mais ati-
vos, pois provoca enchentes e enxurradas. 
Dependendo do grau de intensidade das 
chuvas, ocorre erosão pluvial do tipo super-
ficial, laminar, de sulcos e de ravinamento.
A figura anterior representa um processo de 
erosão. Defina esse processo e explique por 
que ele ocorre.
132
 4. Analise a charge e responda à questão a se-
guir.
Fonte: <http://3.bp.blogspot.com/-
uMjY1GOwDic/TwM9u81ySLI/AAAAAAAADUE/
BxkMN-hoCYc/s400/image040.gif>
O cartunista satiriza a ordem mundial do 
pós-Guerra Fria, cuja principal característica 
é a hegemonia do capitalismo mundializado.
Descreva as diferenças dos países centrais e 
periféricos.
 5. (UFU) Terceiro El Niño mais intenso da histó-
ria vai durar até 2016
O fenômeno climático El Niño, que reapa-
receu em março, deve durar até o segundo 
trimestre de 2016 e pode ser um dos mais 
intensos da história, segundo as projeções 
anunciadas nesta quinta-feira pelo Centro 
de Previsão do Clima (CPC) dos Estados 
Unidos.
Disponível em: <www.correiodoestado.com.br/ciencia-
e-saude/terceiro-el-nino-mais-intenso-da-historia-
vai-ate-2016/257442/>. Acesso em: 20 fev. 2016.
A partir do texto e de seus conhecimentos 
sobre o assunto, responda:
a) Explique o fenômeno climático exposto e 
sua relação com os ventos alísios.
b) Durante sua atuação, quais são as principais 
consequências ambientais e econômicas que 
o fenômeno apresentado desencadeia nas re-
giões Nordeste e Sul do Brasil?
 6. (Unesp) Analise o gráfico.
Considerando as relações existentes entre 
condições climáticas, dinâmica hidrológica 
e distribuição dos biomas no planeta, faça 
uma comparação do nível médio dos ocea-
nos e da distribuição das florestas tropicais e 
equatoriais nos momentos em que a tempe-
ratura média do planeta alcançou um ponto 
de mínimo e de máximo no período destaca-
do pelo gráfico.
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