Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

BIOMECÂNICA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Rafael Luciano de Mello 
 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A cinética é a área da biomecânica responsável por estudar como as 
forças atuam sobre o organismo e como nós somos capazes de produzir forças. 
O estudo da cinética permite que compreendamos melhor o trabalho dos 
músculos e a relação com o movimento produzido. É uma área pautada por 
diferentes conceitos da física, que se utiliza de diversas técnicas e dispositivos 
capazes de mensurar essas grandezas e, assim, fazer inferências sobre seus 
efeitos na interação com o ambiente. 
A análise das forças musculares nos dá a capacidade, por exemplo, de 
investigar ganhos e perdas ocorridos pela prática de exercícios sistematizados 
ou da inatividade física, respectivamente. Permite também observar a 
importância das ações musculares na manutenção do equilíbrio e como o 
exercício pode reduzir a perda dessa capacidade em razão do envelhecimento. 
Ao final desta aula, esperamos que você compreenda algumas leis e 
conceitos da física aplicados à biomecânica, as técnicas de mensuração da força 
e a interrelação destes com os aspectos relacionados ao equilíbrio. 
Os temas abordados nesta aula são: 
• cinética básica; 
• dinamometria – avaliação das forças musculares; 
• equilíbrio dinâmico e forças de reação do solo; 
• avaliação qualitativa e quantitativa do equilíbrio; e 
• postura, equilíbrio, treinamento e envelhecimento. 
TEMA 1 – CINÉTICA BÁSICA 
Por definição, força muscular é a capacidade que o músculo tem de 
produzir tensão. Cada músculo tem uma força máxima distinta, que é 
dependente de seu volume, área de secção transversa, ângulo de penação das 
fibras, ângulo articular específico, entre outros aspectos. Para entendermos 
como a força muscular gera movimento, é preciso compreender algumas leis e 
conceitos da física bastante importantes, como as três leis de Newton: inércia, 
aceleração e ação e reação, além dos conceitos de atrito, momento, impulso e 
impacto. 
 
 
3 
1.1 Lei da inércia 
Isaac Newton (1642 – 1727) descobriu muitas das relações fundamentais 
que formam a base para o campo da biomecânica e do movimento humano. A 
primeira lei do movimento de Newton é conhecida como a lei da inércia, a qual 
declara que um corpo manterá o seu estado de repouso ou velocidade constante, 
a menos que a ação de uma força externa haja sobre ele. 
Em outras palavras, um objeto imóvel permanecerá imóvel a menos que 
uma força resultante esteja agindo sobre ele. Do mesmo modo, um corpo se 
deslocando em um caminho reto com uma velocidade constante permanecerá 
em movimento, a menos que haja a ação de uma força resultante que altere a 
sua velocidade ou direção. 
Parece intuitivamente óbvio que um objeto em uma situação estática 
(imóvel) permanecerá imóvel a menos que haja alguma força agindo sobre ele. 
Por exemplo, um carrinho de supermercado manterá sua posição fixa a menos 
que seja empurrado ou puxado por uma pessoa, o que causaria movimento 
(figura 1). 
Quando um corpo está viajando a uma velocidade constante, no entanto, 
a aplicação da lei da inércia é menos óbvia, porque na maioria das situações as 
forças externas agem para reduzir a velocidade (movimento), e não ao contrário, 
como observado com objetos estáticos. Um exemplo pode ser visto ao verificar 
que um patinador deslizando sobre o gelo continuaria a deslizar com a mesma 
velocidade e direção, se não fosse a ação das forças de atrito e da resistência 
do ar que freiam o movimento e podem alterar a sua direção (Hall, 2021). 
Figura 1 – Exemplo de aplicação da lei da inércia 
 
Crédito: Vectormine/Shutterstock. 
 
 
4 
1.2 Lei da aceleração 
A segunda lei do movimento de Newton é uma expressão das 
interrelações entre força, massa e aceleração. Essa lei é conhecida como a lei 
da aceleração, que pode ser conceituada da seguinte maneira: 
Uma força aplicada a um determinado corpo causará a aceleração deste, 
com uma magnitude proporcional à força, na direção da força e inversamente 
proporcional à massa do corpo. 
Quando uma bola é lançada, chutada ou atingida com um instrumento, 
ela tende a viajar na direção da linha de ação da força aplicada. Ainda, quanto 
maior for a quantidade de força aplicada, maior será a velocidade da bola. O 
mesmo pode ser observado ao arremessar uma maça de massa idêntica, 
aplicando mais ou menos força no momento do lançamento (figura 2). 
Figura 2 – Exemplo de aplicação da lei da aceleração 
 
Crédito: Nasky/Shutterstock. 
A fórmula da lei da aceleração expressa as relações quantitativas entre 
uma força aplicada (F), a massa de um corpo (m) e a aceleração (a) resultante 
do corpo: 
F = m.a 
Assim, se uma bola de 1 kg for atingida com uma força de 10 N, a 
aceleração será de 10 m/s². Se a bola tiver massa de 2 kg e a mesma força for 
aplicada (10 N), resultará em uma aceleração de 5 m/s² (Hall, 2021). 
 
 
5 
Essa mesma lei pode ser aplicada a um corpo em movimento. Por 
exemplo, quando um jogador de futebol americano está correndo em direção à 
end zone (linha de marcação do ponto) e sofre um bloqueio do defensor, terá a 
sua velocidade e direção alteradas em função da magnitude da força exercida 
pelo jogador de defesa que realizou o bloqueio. 
1.3 Lei da ação e reação 
A terceira lei do movimento de Newton afirma que toda força aplicada é 
acompanhada por uma força de reação, ou seja, para cada ação haverá uma 
reação. Em termos de forças, pode-se dizer que quando um corpo exerce uma 
força sobre outro, este exercerá uma reação de força que é igual em magnitude, 
mas em direção oposta ao primeiro corpo. 
Quando uma pessoa exerce uma força contra uma parede rígida, a parede 
empurrará de volta a mão com uma força que é igual e oposta à exercida pela 
pessoa sobre a parede. Quanto mais forte a mão empurrar a parede, maior será 
a quantidade de pressão sentida na superfície da mão (figura 3). 
Figura 3 – Exemplo de aplicação da lei da ação e reação 
 
Crédito: Nasky/Shutterstock. 
 
 
6 
Durante a marcha, o contato entre o pé com o chão gera uma força de 
reação ascendente. Pesquisadores estudam as forças de reação do solo ao 
analisar as diferenças nos padrões de marcha ao longo da vida e entre os 
indivíduos com condições de deficiência. Baseado nesta lei, sabe-se que a 
magnitude do componente vertical da força de reação do solo, durante uma 
corrida em uma superfície nivelada, é cerca de duas a três vezes o valor do peso 
corporal do corredor (Hall, 2021). 
1.4 Atrito, momento, impulso e impacto 
O atrito é uma força que atua na interface das superfícies, na direção 
oposta ao movimento. Por ser considerado uma força, o atrito é quantificado em 
newton (N). A magnitude da força de atrito determina a facilidade ou dificuldade 
de movimentar os objetos em contato com a superfície (Hall, 2021; Hamill; 
Knutzen; Derrick, 2016). 
Considere o exemplo de uma caixa no solo. As duas forças que atuam 
sobre a caixa são o seu próprio peso e a força de reação aplicada pelo solo. 
Nesta situação, a força de reação é igual em magnitude e na direção oposta ao 
peso da caixa. 
Quando uma força horizontal extremamente pequena é aplicada à caixa, 
ela permanecerá imóvel porque a força aplicada ocasionará uma força de atrito 
na superfície, que é igual em magnitude e oposta em direção à força aplicada. 
Conforme a magnitude da força aplicada se torna maior, a magnitude da força 
de atrito também aumenta até um ponto crítico, denominado atrito estático 
máximo. Caso a magnitude da força aplicada atinja esse ponto, o movimento 
ocorrerá e a caixa deslizará (Hall, 2021). 
A força de atrito é bastante relevante nas diferentes tarefas e esportes. 
Por exemplo, um indivíduo com dificuldade na marcha poderá ter mais 
dificuldade em se locomover em um piso liso, utilizando uma meia, do que com 
um calçado de solado emborrachado. Da mesma forma que as chuteirasou 
sapatilhas com travas, no futebol e algumas provas de atletismo, 
respectivamente. 
Outro fator que afeta o resultado das interações entre dois corpos é o 
momento, que pode ser definido como a quantidade de movimento que um 
objeto possui. Mais especificamente, momento (M) é o produto da massa (m) de 
um objeto pela sua velocidade (v): 
 
 
7 
M = m.v 
Um objeto estático (com velocidade zero) não tem momento; isto é, seu 
momento é igual a zero. Uma mudança no momento de um corpo pode ser 
causada por qualquer alteração na massa do corpo ou em sua velocidade. Na 
maioria dos movimentos humanos, as mudanças no momento resultam de 
mudanças na velocidade. A unidade de medida é expressa em kg m/s. 
Quando ocorre uma colisão frontal entre duas pessoas ou objetos, há uma 
tendência de estes continuarem a se mover na direção da pessoa (objeto) com 
o maior momento. Por exemplo, se um jogador de hóquei com 90 kg viajando a 
6 m/s para a direita, colidisse de frente com um jogador de 80 kg viajando a 7 
m/s para a esquerda, o momento do segundo jogador seria maior (560 kg.m/s) 
do que o do primeiro (540 kg.m/s). Logo, ambos os jogadores tenderiam a se 
deslocar na direção em que o segundo jogador estava indo, ou seja, à esquerda. 
Quando as forças externas agem, elas mudam o momento presente em 
um sistema. Essas mudanças não dependem apenas da magnitude das forças 
externas, mas também no período de tempo sobre o qual cada força atua. O 
produto da força e do tempo é conhecido como impulso. Quando um impulso 
atua em um sistema, o resultado é uma mudança no momento total (Hall, 2021). 
Pensemos em uma situação na qual um salto vertical é realizado sobre 
uma plataforma de força. Uma vez que o impulso é o produto da força e do tempo 
de aplicação dessa força, quanto maior o impulso gerado contra o chão, maior 
será a mudança no momento e na altura do salto. 
Por fim, o tipo de colisão que ocorre entre uma bola de beisebol e um taco 
é conhecido como impacto. Um impacto envolve a colisão de dois corpos em um 
intervalo de tempo extremamente pequeno, no qual esses corpos exercem 
grandes forças uns sobre os outros. O comportamento de dois objetos seguindo 
um impacto depende não apenas de seu ímpeto coletivo, mas também da 
natureza do impacto (Hall, 2021). 
TEMA 2 – DINAMOMETRIA: AVALIAÇÃO DAS FORÇAS MUSCULARES 
Para entendermos como geramos as forças e como elas agem sobre os 
corpos, é preciso mensurá-las. Para isso, foi desenvolvida uma série de 
dispositivos que funcionam de maneiras bem distintas, mas que têm uma função 
básica: medir força. Esses aparelhos recebem o nome de dinamômetros (Hall, 
 
 
8 
2021). Os equipamentos mais simples são os uniaxiais (medem força em apenas 
um eixo) de compressão e tensão, como dinamômetros de preensão manual, 
que medem a força estática (figura 4). 
As medidas de força estática são específicas do grupo muscular e do 
ângulo articular avaliado e, portanto, podem ser limitadas na descrição da força 
muscular geral. Apesar disso, medidas estáticas como a força de preensão 
manual são importantes preditoras da mortalidade e estado funcional de idosos. 
Neste tipo de teste, o sujeito segura o dinamômetro alinhado ao antebraço 
na altura da coxa, longe do corpo. Em seguida, é realizada uma preensão 
manual com a maior força possível. Nem a mão nem o dinamômetro de punho 
devem tocar o corpo ou qualquer outro objeto durante a avaliação (ACSM, 2018). 
Figura 4 – Dinamômetro de preensão manual 
 
Crédito: Rumruay/Shutterstock. 
Outros equipamentos, como as células de carga, podem ser utilizados de 
forma isolada para medir forças uni, bi ou triaxiais, ou ainda em conjunto, como 
componente de um equipamento chamado de plataforma de força, fundamental 
na mensuração das forças de reação do solo. Esses sistemas têm sido 
empregados principalmente na pesquisa de marcha, mas também são utilizados 
 
 
9 
para estudar fenômenos como saltos, aterrisagens, a fase de swing no beisebol 
e o equilíbrio. 
As plataformas de força, em geral, são construídas rigidamente sobre um 
piso nivelado com a superfície conectada a um computador que calcula as 
quantidades cinéticas de interesse. Esses equipamentos são projetados para 
traduzir forças de reação do solo nas direções vertical, lateral e anteroposterior 
no que diz respeito à própria plataforma, fornecendo ao avaliador gráficos que 
mostram a força produzida (figura 5). 
Embora sejam precisas, as plataformas de força são relativamente 
sofisticadas e estão restritas ao ambiente laboratorial, além das dificuldades 
associadas ao direcionamento da força aplicada pelo avaliado ser exatamente 
sobre a plataforma, o que pode não refletir a realidade em um ambiente externo 
(Hall, 2021). 
Figura 5 – Sequência de aterrisagem e salto sobre uma plataforma de força 
 
 
Crédito: Smile Ilustras. 
Existem, ainda, equipamentos específicos para avaliação da força 
muscular no movimento uniarticular. O mais popular deles é o dinamômetro 
isocinético cuja aplicação se dá principalmente no desempenho esportivo e na 
 
 
10 
reabilitação. Com esse tipo de equipamento, a ação muscular é gerada para 
movimentar um membro contra um dispositivo, o qual é controlado pela 
velocidade angular. 
O teste isocinético envolve a avaliação da tensão muscular máxima ao 
longo de uma amplitude do movimento pré-definida, sob uma velocidade angular 
constante (por exemplo, 60°∙s). Esse equipamento permite o controle da 
velocidade de rotação articular (graus por segundo), bem como a capacidade de 
testar o movimento em diferentes articulações (por exemplo, joelho, quadril, 
ombro, cotovelo). 
Esses dispositivos medem o pico de força rotacional ou torque, 
apresentam uma excelente comparabilidade entre os testes e uma boa validade 
interna, mas uma desvantagem importante é que são substancialmente caros e, 
por isso, são mais comuns em ambientes esportivos de alta rendimento e pouco 
utilizados no cotidiano da maioria dos profissionais de educação física (ACSM, 
2018; Hamill; Knutzen; Derrick, 2016). 
TEMA 3 – EQUILIÍBRIO DINÂMICO E FORÇAS DE REAÇÃO DO SOLO 
Estamos muito acostumados em relacionar a produção de força muscular 
com a geração clara de movimentos de grande amplitude. Entretanto, em 
atividades funcionais do dia a dia, geramos grande volume de ações musculares 
apenas para nos mantermos parados em pé ou sentados. Apesar de ser uma 
tarefa simples, a manutenção da postura requer que utilizemos uma série de 
informações provenientes de vários sistemas sensoriais (visual, vestibular e 
somatossensitivo) que, combinadas, nos permitem avaliar a nossa condição em 
relação ao meio. 
Essas informações são processadas e uma resposta ao sistema muscular 
esquelético é enviada para que correções na posição de nosso tronco e 
membros sejam efetuadas e nossa postura mantida. Qualquer tipo de alteração 
na capacidade de avaliar o posicionamento do corpo em relação ao meio, ou em 
responder com um estímulo motor, causará grandes dificuldades na manutenção 
tanto do equilíbrio estático quanto do dinâmico. 
O equilíbrio é um estado caracterizado por forças e torques equilibrados 
(sem forças líquidas e torques). De acordo com a primeira Lei de Newton, um 
corpo em equilíbrio está imóvel ou movendo-se com velocidade constante. Ou 
 
 
11 
seja, sempre que um corpo está completamente imóvel, em equilíbrio estático, 
três condições devem ser encontradas (Hall, 2021): 
• a soma de todas as forças verticais atuando no corpo deve ser zero; 
• a soma de todas as forças horizontais agindo sobre o corpo devem ser 
zero; e 
• a soma de todos os torques deve ser zero. 
Mesmo em uma posição estável ou equilibrada, um corpo pode estar 
sujeito a forças externas. Neste caso, se o corpo for deslocado por uma força 
externa e retornar à posição original, diz-se que está em um estado de equilíbrio 
estável. Vários fatores determinam aestabilidade de um objeto, entre eles, a sua 
massa e a forma. 
Todo objeto possui um ponto único em torno do qual a sua massa é 
igualmente distribuída em todas as direções. Esse ponto é conhecido como 
centro de massa, é o ponto sobre o qual o peso está igualmente equilibrado em 
todas as direções, ou o ponto sobre o qual a soma dos torques é igual a zero. 
Essa definição implica não em dizer que os pesos posicionados em lados 
opostos ao centro de massa sejam iguais, mas que os torques criados pelos 
pesos nos lados opostos do centro de massa são iguais. 
Desse modo, o centro de massa de um objeto perfeitamente simétrico, 
como uma bola de beisebol, está em seu centro geométrico, o que difere 
substancialmente do centro de massa de uma pá, por exemplo (figura 6). Em 
ambos os casos, para que haja equilíbrio desses objetos sobre uma superfície 
pontiaguda, deve-se apoiá-los exatamente sobre o centro de massa (Hall, 2021; 
Hamill; Knutzen; Derrick, 2016). 
Figura 6 – Localização do centro de massa de diferentes objetos 
 
Crédito: Eliane Ramos. 
 
 
12 
Localizar o centro de massa do corpo humano é mais difícil porque toda 
vez que há mudança na direção de algum segmento, como um braço ou uma 
perna, a distribuição do peso e a localização do centro de massa são alteradas. 
No entanto, de modo geral, o centro de massa do corpo humano está localizado 
no centro da região pélvica (ponto vermelho) (figura 7). 
 
Figura 7 – Localização do centro de massa de um sujeito na posição ortostática 
 
Crédito: Smile Ilustras. 
Para nos mantermos em equilíbrio na posição ortostática, uma série de 
músculos contraem sincronamente, de modo a reagir às forças externas 
aplicadas. Com isso, as forças geradas pelos músculos são transferidas aos pés, 
que são os pontos de contato com solo. Para a maioria das pessoas, essa tarefa 
é consideravelmente fácil e imperceptível, mas pode ser bastante complexa e 
desafiadora para idosos frágeis, que têm uma menor capacidade de gerar força, 
ou obesos e grávidas, que têm o seu centro de massa alterado, por exemplo. 
É possível obter informações da força aplicada pelos pés, por meio de 
uma medida chamada de centro de pressão, que indica o caminho da força de 
reação do solo e nos permite inferir sobre a força gerada pelo sistema muscular 
para a manutenção do equilíbrio, bem como a localização do centro de pressão 
(Hamill; Knutzen; Derrick, 2016). Por exemplo, é possível observar se um sujeito 
está aplicando força de maneira bem distribuída do calcanhar aos dedos (figura 
 
 
13 
8A) ou a força está localizada em um ponto específico, como na porção média 
do pé (figura 8B), o que pode indicar um desequilíbrio musculoesquelético. 
Isso nos faz compreender que a avalição e análise do equilíbrio vai muito 
além das atividades esportivas, trazendo dados da funcionalidade das pessoas 
em tarefas básicas da vida diária, como o simples fato de permanecer em 
equilíbrio ortostático sem sobrecarregar uma ou outra estrutura do corpo. 
 
Figura 8 – Mensuração do centro de pressão sobre uma plataforma de força 
 
Fonte: elaborado com base em Hamill, Knutzen e Derrick, 2016, p. 393. 
TEMA 4 – AVALIAÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA DO EQUILÍBRIO 
Como observado anteriormente, avaliar o equilíbrio vai muito além de 
verificar o desempenho esportivo, sendo fundamental na análise da 
funcionalidade dos indivíduos em diferentes condições de saúde. Para isso, é 
importante compreender qual teste será utilizado com base no contexto. 
Os testes de equilíbrio, assim como das demais capacidades físicas, 
podem ser divididos em qualitativos e quantitativos. Os testes qualitativos 
atribuem uma qualidade à tarefa, como “bom”, “suficiente” e “ótimo”. Já os testes 
quantitativos fornecem um dado numérico, que pode ser a força mensurada em 
newtons, ou o tempo medido em segundos, por exemplo. Não existe um teste 
melhor ou pior, o fato é que cada teste possui características que irão atender 
da maneira mais adequada à demanda do avaliador. 
Boa parte desses testes foram desenvolvidos para avaliar a capacidade 
de manutenção do equilíbrio e a perda desta capacidade, em decorrência de 
processos degenerativos relacionados ao envelhecimento ou alguma limitação 
sensorial. Esses instrumentos avaliam diferentes situações, as quais variam 
desde executar tarefas relativamente simples, como se sentar e se levantar de 
uma cadeira, até testes com tarefas múltiplas que gerarão um escore total. 
 
 
14 
Um exemplo de teste de campo, aplicado em diferentes populações, 
inclusive idosos, é o teste de levantar-se e caminhar cronometrado (TUGT), que 
consiste em se levantar de uma cadeira, percorrer uma distância pré-
estabelecida e retornar à cadeira no menor tempo possível. Esse tipo de teste é 
válido e bastante utilizado, capaz de distinguir o equilíbrio de sujeitos com 
condições extremas, como jovens saudáveis e idosos frágeis, por exemplo. No 
entanto, não possuem precisão suficiente para comparar indivíduos com 
capacidades muito próximas. 
Nessas condições, quando há a necessidade de obter resultados muito 
precisos entre sujeitos em condições similares, que se justifica a utilização da 
plataforma de força, que serve para mensurar a força de reação do solo, 
conforme apontado nos temas anteriores. No entanto, esse tipo de instrumento 
tem um custo elevado, o que inviabiliza a sua utilização na maior parte das 
avaliações. Desse modo, independentemente do teste, sempre haverá alguma 
limitação, cabendo ao avaliador, com base no problema a ser resolvido, no 
tempo e recursos disponíveis, escolher e aplicar o instrumento mais adequado 
ao seu contexto. 
TEMA 5 – POSTURA, EQUILÍBRIO, TREINAMENTO E ENVELHECIMENTO 
Conhecer e saber utilizar testes para a avaliação do equilíbrio, seja ele 
estático ou dinâmico, é fundamental quando abordamos o tema saúde e 
qualidade de vida. Um correto funcionamento de todos os sistemas envolvidos 
nesse tipo de tarefa garante ao indivíduo a independência e a funcionalidade 
necessárias para uma vida longa, segura e saudável. 
De maneira geral, todos os sistemas são deteriorados com o 
envelhecimento. Pensando na capacidade de manutenção do equilíbrio, 
podemos apontar três sistemas principais. 
• Sistema vestibular – identifica a posição da cabeça em relação ao espaço. 
• Sistema visual – o sistema mais importante na manutenção do equilíbrio. 
Nos dá a noção do horizonte, da verticalização e da distância entre os 
objetos. 
• Sistema proprioceptivo – responsável em fornecer informações a respeito 
do posicionamento dos membros e articulações perante o espaço. 
 
 
15 
Todos esses sistemas têm o funcionamento prejudicado, o que afeta 
diretamente o tempo de reação perante um obstáculo, como uma mudança de 
nível na calçada ou uma alteração repentina na posição corporal após o tropeço 
em uma pedra. Além do estímulo externo ser processado com menor eficiência 
com o avançar da idade, a resposta mecânica também é menos eficaz. Embora 
seja impossível impedir a perda gradativa na capacidade desses sistemas 
envolvidos no processo de envelhecimento, é possível minimizar a velocidade 
dessa redução com a adoção de uma vida ativa, especialmente com a inclusão 
de exercícios físicos capazes de manter tais capacidades. 
Durante a prescrição do exercício físico para idosos, é muito importante 
incluir movimentos que gerem uma certa instabilidade no indivíduo e estimulem 
a melhora dos sistemas anteriormente descritos. Por exemplo, o exercício de 
agachamento, que, além de proporcionar o aumento da força muscular, gera 
certa instabilidade e um leve desequilíbrio. Dependendo do nível funcional do 
idoso, é possível dificultar o movimento por meio da execução sobre um 
equipamento chamado bosu (equipamento em formato de meia lua com 
superfície instável). 
No indivíduo sexagenário, isso garante, além da funcionalidade, a 
redução do número de acidentes,como quedas causadas durante a locomoção, 
que se apresentam como uma das maiores causas de perda de independência 
e morte nessa população. 
NA PRÁTICA 
Considere o seguinte exemplo: na clínica onde você estagia, é comum ter 
pacientes idosos que buscam acompanhamento do profissional de educação 
física para a prescrição do exercício. Nesse caso, além dos componentes 
comuns da aptidão física (aptidão cardiorrespiratória, força e resistência 
muscular, flexibilidade e composição corporal), quais são as outras capacidades 
físicas essenciais de serem desenvolvidas em idosos e quais estratégias para 
desenvolvê-las dentro da sala de musculação ou no ambiente ao ar livre? 
Para essa faixa etária, é essencial prescrever exercícios que 
desenvolvam a potência muscular e desafiem os demais sistemas do corpo, 
como o sistema proprioceptivo, de modo a estimular o equilíbrio estático e 
dinâmico. Na sala de musculação, poderiam ser prescritos exercícios, como 
agachamento, desenvolvimento e afundo, que, além de estimularem a potência, 
 
 
16 
são realizados em diferentes planos anatômicos, o que favoreceria o sistema 
proprioceptivo e o equilíbrio. 
Uma outra estratégia é a de utilizar equipamentos que gerem 
instabilidade, como o bosu. Deve ser feito em ambientes ao ar livre, com a 
inclusão de saltos, exercícios em diferentes superfícies, como areia. 
Independentemente do local, é preciso que os exercícios contenham 
movimentos em diversas direções, posições, com alterações na velocidade de 
contração e na força muscular. 
FINALIZANDO 
A força muscular é um dos principais fatores associados ao movimento 
humano, além de afetar os diferentes aspectos relacionados à saúde e qualidade 
de vida. Desse modo, é essencial avaliarmos e controlarmos as mudanças nessa 
capacidade ao longo da vida. Os dinamômetros são os equipamentos que 
possuem tal função, sendo utilizados, principalmente, no ambiente esportivo. 
Além do movimento, as contrações musculares permitem a manutenção 
da postura, seja em pé, sentado ou qualquer outra posição desempenhada 
durante as atividades diárias e laborais. Tanto a postura quanto o equilíbrio 
precisam ser constantemente ajustados em razão das modificações ambientais. 
Nesta perspectiva, observar a posição do centro de massa e centro de pressão 
pode ser relevante na análise de tais contextos e nos trazer dados úteis para a 
prescrição do exercício. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
ACSM. ACSM’s guidelines for exercise testing and prescription. 10. ed. 
Philadelphia: Wolters Kluwer Health, 2018. 
HALL, S. J. Biomecânica básica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2021. 
HAMILL, J.; KNUTZEN, K. M.; DERRICK, T. R. Biomecânica básica do 
movimento humano. 4. ed. Barueri: Manole, 2016.

Mais conteúdos dessa disciplina