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ASMA Asthma DEFINIÇÃO É uma doença heterogênea, geralmente caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas. É definida pela história de sintomas respiratórios como sibilância, falta de ar, aperto no peito e tosse, que variam ao longo do tempo e na intensidade, juntamente com a limitação variável do fluxo aéreo. HND -> evolui com remodelamento brônquico · Desnudamento epitelial · Edema de mucosa e acúmulo de muco · Espessamento da membrana basal · Hipertrofia/ hiperplasia das glândulas submucosas e da camada muscular GINA 2024: Estratégia Global para Manejo e Prevenção da Asma- 22/05/2024 EPIDEMIOLOGIA Doença respiratória crônica que afeta 1 – 18% da população mundial No Brasil: - 20 milhões de asmáticos. - Oitavo país em prevalência de asma, ficando em torno de 10% da população geral. - Diminuição da taxa de hospitalização Custo com serviços de saúde e medicações foi o dobro em pacientes não controlados. OMS indica que menos de 5% da renda familiar deve ser gasta com o paciente asmático. Dados brasileiros mostram 56% dos pacientes atingem controle parcial da doença e menos de 10% dos pacientes atingem o controle da doença. FISIOPATOLOGIA · Desencadeante → mastócitos → Linfócitos B · Infiltração das vias aéreas por: mononucleares, eosinófilos, macrófagos e neutrófilos. · inflamação crônica das vias aéreas (parênquima pulmonar não é afetado) com: · Espessamento da mucosa (Edema de mucosa) · Hipersecreção de muco (Tampões de muco) · Exposição de terminações nervosas (Broncoespasmo) · Remodelamento brônquico e produção citocinas: eosinófilo e linfócito Th2 · Predomínio da resposta Th2 com: · Proliferação de mastócitos · Produção de IgE por linfócitos B · Recrutamento de eosinófilos à mucosa respiratória · Componente humoral na inflamação: produção de IgE Quais as substâncias pró-inflamatórias mais importantes na asma? R- Histamina, bradicinina, Prostaglandinas, PAF (fator de ativação plaquetária), Cisteinil-leucotrienos FENÓTIPOS: Asma Alérgica mais comum História de alergias e eczemas Eosinófilos no escarro Asma Não alérgica Sem atopias Pode haver neutrófilos no escarro Menor resposta ao corticóide inalatório Asma de Início tardio Início da vida adulta Mais comum em mulheres Sem sinais de atopia Doses altas de Corticoide inalatório Asma com limitação fixa ao fluxo aéreo provável remodelamento brônquico Baixa resposta ao corticóide inalatório Asma e obesidade Pouco sinal de inflamação eosinofílica Menor resposta ao Corticoide inalatório FATORES DE RISCO: · Genética; · Exposição a alérgenos · Atopia; · Tabagismo/ poluição; · Estrutura familiar (teoria da higiene); · Baixo nível socioeconômico; · Uso crônico de ATB; · Sexo: · Masculino na infância · Feminino a partir da adolescência · Asma ocupacional · Obesidade Asma relacionada ao Trabalho (ART) Exposição ocupacional Asma relacionada ao Trabalho Variantes de asma Sintomas que mimetizam asma Asma relacionada ao Trabalho (ART) Asma ocupacional Asma agravada pelo trabalho Dica: o paciente diz que em vez de os sintomas pioraram à noite, eles pioram de dia, horário do trabalho Asma ocupacional Asma induzida por sensibilidade Asma induzida por irritantes (não sensibilizante) DIAGNÓSTICO Se a história clínica é compatível com asma e o paciente tem sintomas graves→ iniciar o tratamento antes de Provas de Função Pulmonar (GINA, 2024) História de sintomas respiratórios variáveis RECURSO DIAGNÓSTICO CRITÉRIOS PARA FAZER DIAGNÓSTICO DE ASMA - Sibilância - Dispneia - Opressão torácica - Tosse #Silêncio torácico - Geralmente mais de um sintoma respiratório - Sintomas variam no tempo e intensidade - Sintomas são piores à noite ou ao acordar - Sintomas desencadeados por exercício, riso, alérgenos e ar frio - Sintomas aparecem ou são piores com infecções virais Espirometria Confirmação de limitação variável do fluxo aéreo: PROVA DE FUNÇÃO PULMONAR (PFP) RECURSO DIAGNÓSTICO CRITÉRIOS PARA FAZER DIAGNÓSTICO DE ASMA - Documentar variação na função pulmonar E limitação do fluxo aéreo Quanto maior variação mais confiável o diagnóstico VEF1/CVF reduzido (< 0,7) pré BD - Reversibilidade com broncodilatador (BD) Aumento de VEF1 > 12% (porcentagem do basal) E >200ml (absoluto): Prova broncodilatadora positiva Se espirometria não disponível, considerar aumento do PFE ≥ 20% com BD (crianças ≥ 15) - Variação PFE 2x/dia mais de 2 semanas Variabilidade média diurna >10% em adultos > 13% em crianças - Aumento da função pulmonar depois de 4 semanas de CI Aumento de VEF1> 12% E >200ml Variação do PFR > 20% em adultos e > 15% em crianças - Mudança com exercício Queda VEF1> 10% E 200ml - Teste broncoprovocativo positivo Queda VEF1> 20% com metacolina - Variação da função pulmonar entre as consultas Variação VEF1>12% E 200ml #Apesar de ser a principal forma de definir e comprovar obstrução variável ao fluxo expiratório, a PFP (espirometria) NÃO É OBRIGATÓRIA PARA O DIAGNÓSTICO DE ASMA O que a espirometria mostra na asma geralmente? Distúrbio ventilatório obstrutivo (DVO) com resposta broncodilatadora positiva Outros exames complementares · Demonstração da hiperreatividade das vias respiratórias (Teste de broncoprovocação) · Metacolina ou histamina · Tem alta sensibilidade e alto VPP · É específico para hiperresponsividade brônquica, não necessariamente asma · Se negativo: exclui · Se positivo: não significa asma, é bronco reatividade · Pico de Fluxo Expiratório (Peak Flow) · Pode ser utilizado para monitorização ambulatorial e domiciliar; · Pequeno aparelho portátil, contendo um sistema graduado de medidas que avalia a força e a velocidade de saída de ar de dentro dos pulmões em L/min. · Clipe nasal · Higienizar as mãos e calçar as luvas; · Explicar o procedimento ao paciente; · Posicionar o paciente sentado ou em pé, desde que seja confortável e mantenha a coluna ereta e na mesma posição durante todo teste; · Coloque o marcador no ponto zero ou no menor número da escala; · Durante a coleta o profissional ou o paciente segurará o aparelho verticalmente, tomando o cuidado para que seus dedos não bloqueiem a saída de ar; · A seguir, após colocar um clipe nasal no paciente e solicite para que coloque a boca firmemente ao redor do bocal de plástico, tendo-se certeza de que não há escape de ar, o que poderá interferir nas medidas. · Solicitar que após uma inspiração máxima, ao nível da capacidade pulmonar total, o paciente realize uma expiração forçadamente e rápida através do bocal. Cuidado para língua não obstruir a abertura do bocal. Solicitar fechamento da glote durante a manobra de tosse. · Anotar o valor, zerar o marcador, repetir mais duas (02) vezes. · Comparar os resultados, selecionar o maior valor dos três (03) e compará-lo ao índice normal do Peak Flow (considera altura e sexo do paciente). Cálculo segundo a American Thoracic Society (ATS): Sexo masculino PFE (1/min) = 295,79 x altura + (24,96 x idade) – 478,24 Sexo feminino PFE (1/min) = 212,82 x altura + (5,93 x idade) – 131,81 Faixa de normalidade do fluxo de pico expiratório (PEF) Sexo masculino 500-700 litros/minuto. Sexo feminino 380-500 litros/minuto. GRAU DE OBSTRUÇÃO ATRAVÉS DA CURVA DE PEF Ausência de obstrução iguais ou superiores a 80% do valor da tabela (preditivo) Leve 60% ou maior que o valor da tabela (preditivo) Moderada 40 – 60% do valor da tabela (preditivo) Grave 40% ou menor que o valor da tabela (preditivo) · Raio-X tórax · Importante para exclusão de complicações · Diagnósticos diferenciais: Pneumomediastino, pneumotórax, atelectasia, PNM Diagnóstico diferencial - 12 – 39 anos: > 40 anos: Hiperventilação e sd do pânico Disfunção de cordas vocais Bronquiectasias Fibrose Cística Deficiência de alfa 1 antitripsina Inalação de corpo estranho DPOC Hiperventilação e sd do pânico Rinossinusite Insuficiência Cardíaca Disfunção das cordas vocais Bronquiectasias Efeito adverso medicamentoso Infecções respiratórias Fibrose pulmonar Embolia Pulmonar Obstrução de vias aéreas centrais ASMAx DPOC CLASSIFICAÇÃO Controle dos sintomas da Asma: Nas últimas 4 semanas, o paciente teve: SIM NÃO Sintomas diários mais que duas vezes por semana? Teve despertar noturno por asma? Usou medicação de alívio mais que duas vezes por semana? Apresentou limitação física pela Asma? Nenhum: Bem controlado 1 – 2: Parcialmente controlado 3 – 4: Não controlado Controle dos sintomas da Asma: MNEMÔNICO “DELÍCIA” (DEspertares noturnos, LImitação das atividades CIntomas diurnos Alívio com medicação de resgate) Parâmetros Asma controlada (todos a seguir) Parcialmente controlada (1 ou 2 dos parâmetros a seguir) Não controlada Sintomas diurnos Nenhum ou até 2/ sem 3 ou + por semana 3 ou + dos parâmetros da asma parcialmente controlada Limitação das atividades Nenhuma Qualquer Sintomas/despertares noturnos Nenhum Qualquer Necessidade de medicação de alívio Nenhuma ou até 2/sem 3 ou + por semana Função pulmonar Normal < 80% do predito ou do melhor prévio #ATENÇÃO: Medicação de alívio, é de alívio mesmo!. Não conta a medicação de profilaxia (p.ex. SABA antes do exercício) Gab- Letra A Paciente com Asma controlada → Manter a medicação até que esteja controlado por 3 meses antes de descer etapa do tratamento GINA 2024 fala sobre a avaliação do controle da asma: Porém, não nenhuma mudança formal, vamos continuar usando o “DeLiSia” Qual o motivo mais comum para o descontrole da ASMA? R- Má adesão ao tratamento. Qual o motivo mais comum para exacerbação da ASMA? R- Causas infecciosas ATENÇÃO: Descontrole da asma é um paciente muito sintomático ao longo do último mês. Descontrole não é sinônimo de exacerbação! Fatores de risco para exacerbações: Altas doses de SABA (>200 doses/mês aumenta mortalidade) CI: não prescrito, uso inadequado, má adesão Baixo VEF1 (<60% do predito) Alta reversibilidade ao broncodilatador Problemas psicológicos e socioeconômicos Tabagismo, exposição à alérgenos Obesidade, rinossinusite crônica, alergia alimentar confirmada Eosinofilia no escarro ou periférica FENO elevado Gestação IOT ou tratamento em UTI Exacerbação grave nos últimos 12 meses · Fator de risco para limitação fixa ao fluxo aéreo: Prematuridade, baixo peso ao nascer, obesidade infantil Falta de CI no tratamento Exposição: ocupacional, fumaça cigarro, produtos nocivos Baixo VEF1 inicial, eosinofilia, hipersecreção crônica · Fator de risco para efeitos colaterais das medicações: Sistêmicos: CTC oral frequente, altas doses CTC inalatório, uso de inibidores P450 Local: altas doses de CTC inalatório, técnica inadequada · TRATAMENTO Objetivos: - Controle dos sintomas; - Minimizar risco futuro de exacerbações - Evitar progressão da HND=> remodelamento brônquico; - Minimizar limitação fixa do fluxo aéreo; - Minimizar efeitos colaterais; - Manter atividades normais; - Boa relação médico-paciente. Avaliação: - Sintomas nas últimas 4 semanas; - Identificar fator de risco para exacerbações; - Checar técnica do inalador e aderência; - Identificar efeitos colaterais - Plano de ação por escrito Não farmacológico: - Cessar tabagismo e evitar exposição; - Estimular atividade física; - Controle de dieta e peso; - Higiene ambiental (casa e trabalho); - Vacinação: Influenza e Pneumocócica; - Questionar sobre alergias conhecidas. ARSENAL TERAPÊUTICO: Abreviação Significado/ Classe Principais representantes SABA Broncodilatadores Beta-2 agonista de curta ação Short- Acting Beta-2-Agonist Salbutamol Fenoterol LABA Broncodilatadores Beta-2 agonista de longa ação Long-Acting Beta-2-Agonist Formoterol é um LABA com início de ação rápido Dose máxima: > 11 anos: 72 mcg/dia (12 doses de 6 mcg) 6-11 anos: 48 mcg/dia (8 doses de 6mcg) Salmeterol Indacaterol Olodaterol Vilanterol SAMA Agonista muscarínico de curta ação Short- Acting Muscarinic Antagonist Brometo de Ipratrópio (Atrovent®)- secante LAMA Agonista muscarínico de longa ação Long- Acting Muscarinic Antagonist Inibição de receptores M3 nas vias aéreas, promovendo relaxamento da musculatura lisa. Brometo de Tiotrópio (Spiriva®) Glicopirrônio Umeclidínio ICS Corticoide Inalatório Inhaled Corticosteroids - Nebulização (NBZ) - Com ou sem espaçador Budesonida Baixa: 200-400 mcg/dia Moderada > 400-800 mcg/dia Alta: 800 mcg/dia Fluticasona Beclometasona Corticoide sistêmico oral ou EV Prednisona Prednisolona Inibidor do Leucotrieno Montelucast Ac monoclonal anti IgE aprovado para o tratamento da asma grave de fenótipo eosinofílico Omalizumabe Anticorpos monoclonais anti-interleucina-5 aprovados para o tratamento da asma grave de fenótipo eosinofílico Mepolizumab Reslizumab anticorpos monoclonais antirrecetor da IL-5 aprovado para o tratamento da asma grave de fenótipo eosinofílico Benralizumab Dispositivos para administração de medicamentos por via inalatória: A maioria dos pacientes, quando bem orientados, consegue usar eficientemente os aerossóis dosimetrados. Em pacientes com dificuldade de uso dos aerossóis dosimetrados, inclusive quando acoplados a espaçadores, a melhor alternativa são os inaladores de pó. Nebulizadores de jato são reservados para exacerbações graves, crianças com menos de três anos e idosos debilitados. Aerossol dosimetrado - spray • Retirar a tampa. • Agitar o dispositivo. • Posicionar a saída do bocal verticalmente 2 a 3 cm da boca. • Manter a boca aberta. • Expirar normalmente. • Coordenar o acionamento do dispositivo no início da inspiração lenta e profunda. • Fazer pausa pós-inspiratória de no mínimo 10 segundos. • Nova aplicação pode ser repetida após 15 a 30 segundos. Inaladores de pó • Preparo da dose: Aerolizer: retirar a tampa do inalador de pó e colocar uma cápsula. Em seguida, perfurá-la, comprimindo as garras laterais. Turbuhaler: retirar a tampa, manter o IP na vertical, girar a base colorida no sentido anti-horário e depois no sentido horário até escutar um clique. +++ Diskus: abrir o IP rodando o disco no sentido anti-horário. Em seguida, puxar sua alavanca para trás até escutar um clique. Pulvinal: retirar a tampa, manter o IP na vertical, apertar o botão marrom com uma mão, girar o IP no sentido anti-horário com a outra mão (aparecerá marca vermelha). Em seguida, soltar o botão marrom e girar o IP no sentido horário até escutar um clique (aparecerá a marca verde). • Expirar normalmente e colocar o dispositivo na boca. • Inspirar o mais rápido e profundo possível (fluxo mínimo de 30 L/min). • Fazer pausa pós-inspiratória de 10 segundos. • No caso do Aerolizer, após inalação do produto, verificar se há resíduo de pó na cápsula. Em caso positivo, repetir as manobras anteriores. Fluxograma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) TODOS OS ASMÁTICOS Controle ambiental + rever controle de asma regularmente ETAPA 1 Preferencial: CI dose baixa + Formoterol por demanda Opções: CI + SABA por demanda, dose baixa de CI sempre que usar SABA Budesonida + Formoterol (200 + 6 mcg) Budesonida + Formoterol (400 + 12 mcg) Inalar 1 cápsula sob demanda até de 4/4 horas (dose máxima de Formoterol: 72 microgramas/dia); Symbicort®, Alenia® ETAPA 2 Preferencial: CI dose baixa diária + SABA por demanda OU CI dose baixa + Formoterol por demanda Opções: Montelucaste + SABA por demanda OU CI dose baixa sempre que usar SABA ETAPA 3 Preferencial: CI dose baixa + LABA + SABA por demanda OU CI dose baixa + Formoterol de manutenção e resgate (Protocolo MART) Opções: CI dose média + SABA por demanda OU CI dose baixa + Formoterol por demanda ETAPA 4 Preferencial: CI dose média + LABA+ SABA por demanda OU (CI dose média + Formoterol) de manutenção + (CI dose baixa + Formoterol) de resgate Opções: CI dose alta, adicionar tiotrópio ou montelucaste ETAPA 5 Preferencial: CI dose alta + LABA, adicionar tiotrópio Fenotipar anti-IgE ou anti-IL5 ou anti-IL4R Opções: Adicionar corticóide ORAL em baixa dose Protocolo MART (maintenance and reliever therapy): Usar o mesmo dispositivo do corticoide inalatório (CI) e Formoterol comomanutenção e resgate O Formoterol, apesar de ser um beta-2-agonista de longa duração, tem efeito rápido no alívio dos sintomas, por isso usamos ele em resgate. Fluxograma do GINA 2024 → Preferencial: Steps 1-2 CI + Formoterol, se necessário Step 3 CI baixa dose + Formoterol de manutenção Step 4 CI dose média + Formoterol manutenção Step 5 Adicionar tiotrópio Referenciar para fenotipar Anti-IgE, anti-IL5/5R, Anti IL-4R Considerar altas doses de CI+ Formoterol ALÍVIO: CI baixa dose + FORMOTEROL, se necessário →Alternativa: Steps 1-2 Usar CI sempre que usar SABA Step 2 CI baixa dose de manutenção Step 3 CI baixa dose + LABA manutenção exemplo: Fluticasona +Formoterol 250+12 mcg (Lugano®) Step 4 CI dose média/ alta + LABA manutenção Step 5 Adicionar tiotrópio Referenciar para fenotipar Anti-IgE, anti-IL5/5R, Anti IL-4R Considerar altas doses de CI + LABA ALÍVIO: SABA se necessário *Pode usar o CI no mesmo dispositivo ou separado Onde eu começo o tratamento? Em qual etapa? Depende do quadro e sintomatologia do paciente Sintomatologia do paciente Tratamento inicial Sintomas infrequentes < 2x/ mês Ausência de fatores de risco para exacerbações Etapa 1 e 2 Sintomas infrequentes MENOS de 3-5 dias por semana Com função pulmonar normal ou reduzida em grau leve Etapa 1 e 2 Sintomas na maioria dos dias OU despertares noturnos 1 ou mais vezes por semana E redução importante da função pulmonar (VEF1 <60%) Etapa 3 Sintomas DIÁRIOS E despaertares noturnos 1 ou + vezes por semana E redução importante da função pulmonar ou exacerbação no último mês Apresentação inicial em exacerbações ou sintomas graves Etapa 4 Exemplo: Paciente de 15 anos, feminino, sem comorbidades prévias comparece a ESF para consulta médica. Conta que no dia anterior esteve no PS com crise de asma. Diagnóstico de Asma no atendimento. Qual o tratamento a ser estabelecido? R- Apresentação inicial da asma em exacerbação, portanto o tratamento inicial será na etapa 4 Fulaninha de Tal USO INALATÓRIO 1- Budesonida + Formoterol (200 + 6 mcg) suspensão aerossol —------------------------------------ contínuo Opções: Symbicort®, Alenia® Aplicar 2 PUFFS 12/12h GINA 2024- Atualizações: · Evitar usar beclometasona + Formoterol, principalmente de resgate · Preferir outros CI associados ao Formoterol · CI em doses altas (na etapa 5) não deve passar de 3-6 meses · Existe evidência de que a reabilitação pulmonar melhora a capacidade funcional e qualidade de vida na asma GINA antigo Exemplo de Step Down: Gab- Letra B ASMA GRAVE- Terapias adicionais · Seguimento - Sempre revisar técnica inalatória; - PFP no início do tratamento - Reavaliação 3-6 meses inicialmente; - Se estável, PFP a cada 1-2 anos; - Se exacerbação, fazer exames antes. · Exacerbação ambulatorial: - Episódios agudos de piora dos sintomas; - Aumento de medicação; - Seguir plano de ação escrito; - Reavaliação. Controle x Gravidade Determinação da gravidade da asma: · É retroativo · Depois que o paciente está controlado, vc olha pra trás e analisa a gravidade da asma · RESUMO - Sibilância, dispneia, tosse e aperto no peito; - Fazer avaliação funcional; - Classificação do paciente; - Tratamento não farmacológico; - Terapêutica baseada em reavaliações e step up/down Asma e Gestação Tratamento: 1. Devemos evitar o “step down” durante a gestação 2. CI não deve ser interrompido (inalatório é pouco absorvido sistemicamente) 3. Corticoterapia sistêmica deve ser evitada. No entanto avaliar risco benefício, pois as exacerbações respiratórias podem causar hipoxemia fetal Gab- Letra B EXACERBAÇÃO DE ASMA Definição:Alteração no status usual do paciente que requeira uma alteração no seu tratamento e podem ocorrer em pacientes com doença preexistente ou eventualmente como primomanifestação da doença Causas: · Infecções respiratórias virais · Exposição a alérgeno (esporos de fungos, pólen, poeira doméstica) · Alergia alimentar · Poluição do ar externo · Mudanças climáticas sazonais · Baixa adesão terapêutica ao corticóide inalatório Fatores de risco para crise de asma quase fatal ou fatal: · Crise grave prévia com necessidade de VMI ou internação em UTI; · 3 ou + visitas à emergência ou 2 ou + hospitalizações por asma nos últimos 12 meses; · Uso frequente de corticosteróide sistêmico; · Uso de 2 ou + frascos de aerossol dosimetrado de broncodilatador por mês; · Problemas psicossociais (por exemplo, depressão, baixo nível socioeconômico, dificuldade de acesso à assistência, falta de aderência a tratamentos prévios); · Presença de comorbidades (doença cardiovascular ou psiquiátrica); · Asma lábil, com marcadas variações de função pulmonar (> 30% do PFE ou do VEF1 ); · Má percepção do grau de obstrução. Atendimento: Anamnese rápida: · Qual o tratamento de manutenção da asma (posologia prescrita e técnica de inalação)? · Aderência ao tratamento? · Mudanças recentes nas doses e resposta à terapia? Tratamento: O pilar do tratamento é a BRONCODILATAÇÃO · Broncodilatador de meia vida curta · SABA inalatório · 4-10 puffs a cada 20 minutos na 1° hora · Após a 1° hora: a dose varia de 4-10 puffs a cada 3-4h até 6-10 puffs a cada 1-2h E o corticoide oral? Usar se: · Falência ao tratamento inicial com SABA · Exacerbações em pacientes em uso de corticoide oral · Paciente com história de exacerbação prévia com necessidade de corticoide oral · Prednisona 40 mg VO Corticoide inalatório em dose alta · No departamento de emergência, altas doses de CI fornecidas na 1° hora após a admissão reduzem a necessidade de internação em pacientes que não estão recebendo corticoide sistêmico (Evidência A) Sulfato de Magnésio: · Para pacientes mais graves: · VEF1< 25-30% do predito na admissão · FalÊncia ao tratamento inicial, com hipoxemia persistente · Broncodilatador venoso: 2 gramas EV em 20 min Fluxograma Exacerbação de asma- Manejo no departamento de emergência Referências Bibliográficas: · Aula Estratégia Med. Curso Extensivo- ASMA (maio/2024) Aula Curso Extensivo - Asma - Prof. Juan Demolinari (youtube.com) · GINA 2024: Estratégia Global para Manejo e Prevenção da Asma/ Global Initiative for Asthma- publicado em 22/05/2024 · POP Hospital das Clínicas -UFG EBSERH. Pico de Fluxo expiratório (peak Flow) (jan/2021) Questões de treinamento: 1- Gab Letra-A 2- Gab- Letra B 3- SEMPRE revisão adesão image21.png image4.png image12.png image10.png image16.png image1.png image3.png image11.png image6.png image20.png image7.png image17.png image2.png image13.png image22.png image15.png image18.png image9.png image8.png image5.png image14.png image19.png