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RESUMO DO TEXTO 4 
MICROPOLÍTICA E PEDAGOGIA MENOR: DESDOBRAMENTOS CONCEITUAIS
PARA SE PENSAR A EDUCAÇÃO PELAS VIAS DA EXPERIMENTAÇÃO
Daniela da Cruz Schneider
	Uma educação maior é assim significada pela sua extensão, sua área de cobertura Ela é a educação oficializada e legitimada pelos documentos, engendrada em um nível macropolítico. É aquela dos Parâmetros Curriculares Nacionais, das Diretrizes Curriculares Nacionais, das Políticas Públicas de Educação, da Lei de Diretrizes e Bases, ela é “aquela instituída e que quer instituir-se, fazer-se presente, fazer-se acontecer” (GALLO, 2008, p. 64). 
	 A educação menor acontece todos dias, toda vez que se subverte os modos instituídos de fazer, toda vez que se procura experimentar, em vez de instruir. . O campo micropolítico é onde se engendram afectos, onde ocorrem as pequenas sub-versões. O pressuposto mais geral deste artigo é de que uma educação menor se dá no nível da micropolítica. 
	O texto argumenta que uma "educação menor" não é necessariamente inferior, mas sim diferente em sua abordagem. Ela se destaca por focar em ações cotidianas dentro do contexto específico de uma escola, sala de aula ou turma, em vez de se preocupar com grandes mudanças ou movimentos globais na educação. Essa abordagem é vista como uma forma de "microrevolução educacional", desafiando as normas estabelecidas e enfatizando a singularidade e a ação dentro do ambiente escolar. Portanto, uma "microrevolução educacional" é uma mudança gradual e localizada que desafia as normas educacionais estabelecidas, promovendo uma abordagem mais personalizada, inovadora e contextualizada para a aprendizagem e o ensino.
	Foi partindo desta concepção, que Sílvio Gallo elaborou a noção de educação menor. Para isso, deslocou os coeficientes que compõem o conceito de literatura menor, propostos por Deleuze e Guattari, para pensar a educação. Os três coeficientes, presentes em ambos os conceitos, são: a desterritorialização, a ramificação política e o valor coletivo. u seja, não é a renúncia ao uso da língua maior/oficial e, conseqüentemente, a adoção da língua das minorias, que seriam estrangeiras à língua maior/padrão. Antes, é o que estas minorias fazem com a língua oficial, a criação de uma sub-versão na língua maior promovida por elas. Trata-se, assim, de diferenciar a língua maior, fazendo dela um uso menor. E isso é desterritorializar a língua maior, fugir, escapar do território oficializado, promovendo distorções dentro do código/norma. Criando torções, deslizamentos, ruídos, fazer com que uma língua seja veículo da sua própria desagregação (GALLO, 2002). Desagregar é abrir o território, abandoná-lo via desterritorialização. Em resumo, o texto argumenta que as minorias não estão simplesmente abandonando a língua oficial, mas sim subvertendo-a e desterritorializando-a, introduzindo distorções e ruídos que desafiam suas normas estabelecidas, e, ao fazer isso, abrindo espaço para novas possibilidades linguísticas e expressivas.
	Mas o que é a língua em educação? são os procedimentos padrões, as práticas pedagógicas receituárias, aparatos, métodos e rotinas que garantem um processo instrumental de aprendizagem.
	Em resumo, a pedagogia menor busca abrir espaço para a inovação e a criatividade na educação, explorando as possibilidades de fuga das estruturas institucionais e transformando essas possibilidades em experimentações práticas que desafiam as normas estabelecidas. Um exemplo prático de pedagogia menor poderia ser uma abordagem educacional que incorpora arte urbana e grafite como ferramentas de aprendizagem. Em vez de se limitar aos métodos tradicionais de ensino, como aulas expositivas ou exercícios escritos, os professores podem introduzir a prática do grafite como uma forma de expressão artística e social. Os alunos poderiam explorar questões relacionadas à história da arte urbana, à cultura local e à identidade pessoal por meio da criação de murais ou intervenções artísticas em espaços públicos. Essa abordagem não apenas promoveria a criatividade e a inovação dos alunos, mas também desafiaria as normas estabelecidas sobre o que é considerado válido ou aceitável no contexto educacional. Ao transformar o ambiente escolar em um espaço de experimentação e expressão artística, essa pedagogia menor abriria novas possibilidades de aprendizagem e engajamento para os alunos, além de desafiar as estruturas institucionais tradicionais.
	
	Ramificação Política e Valor Coletivo: O autor sugere que a resistência pode ser vista como um princípio unificador que permeia diferentes aspectos da vida política e coletiva. Em vez de abordar questões políticas e sociais separadamente, ele propõe que a resistência seja entendida como um coeficiente comum que pode fundamentar tanto a ramificação política quanto o valor coletivo.
	Atos de Resistência: A resistência é caracterizada como a prática de criar e experimentar novos modos de expressão, pensamento e experiência que escapam aos grandes modelos instituídos. Isso pode incluir modos de escrever, falar, ver, sentir e experienciar que desafiam as normas e convenções estabelecidas.
	Experimentações e Produção de Diferenças: A resistência envolve a produção de diferenças através de atos de resistência. Em vez de simplesmente reagir ou negar as estruturas existentes, a resistência se manifesta através de experimentações que desafiam e subvertem essas estruturas, criando novas possibilidades e formas de ser e de viver.
	Forças Afirmativas e Movimento à Vida: A resistência não é vista como passiva ou reativa, mas sim como uma afirmação das forças que dão movimento à vida. Ela não apenas questiona as normas estabelecidas, mas também promove a criação de novas formas de sensibilidade e experiência que podem provocar diferenças nos regimes sensíveis instituídos.
		A educação menor, operada em meio e por uma micropolítica, inventa-se pela
experimentação e procura abrir a educação para a criação de mundos possíveis. Rasgando toda a
polaridade aprender-transmitir-informar de uma educação maior, a educação menor aposta nos
microgestos, nas afecções, descomprometendo-se com as experiências pragmáticas e
instrumentais, indo ao encontro de experiências singulares, daquilo que não pode ser
homogeneizado em volume de conhecimento-verdade.
	Esse trecho discute a predominância dos consensos no campo educacional e como esses consensos são internalizados nas práticas de ensino. Aqui está uma explicação:
	Consensos como Reis: Os "consensos" referem-se a ideias ou práticas amplamente aceitas e institucionalizadas no campo educacional. Esses consensos exercem uma autoridade dominante e influenciam a macropolítica educacional, bem como são incorporados às práticas de ensino cotidianas.
	Internalização nas Práticas de Educação Maior: Os consensos permeiam as práticas de "educação maior", que se referem aos métodos e abordagens convencionais de ensino. Isso inclui aspectos como a organização da sala de aula, estratégias de disciplina, e até mesmo detalhes triviais como o uso de materiais didáticos padronizados (como desenhos mimeografados ou enfeites de Papai Noel feitos com rolinhos de papel higiênico).
	Padronização e Uniformização: As práticas educacionais são caracterizadas pela padronização e uniformização, como evidenciado pelas filas, regras de conduta na sala de aula, e até mesmo na distribuição de materiais de ensino. Essas práticas refletem uma abordagem "mais do mesmo", onde a diversidade e a individualidade são suprimidas em favor da conformidade com os consensos estabelecidos.
	Crítica à Homogeneização: O texto sugere uma crítica à tendência de homogeneização e conformidade no campo educacional, implicando que essa abordagem padronizada pode limitar a criatividade, a diversidade e a inovação no ensino e na aprendizagem.
Em resumo, o trecho destaca como os consensos prevalecentes no campo educacional moldam e influenciam as práticas de ensino, levando à padronização e uniformização das experiências educacionais, e questiona os efeitos disso na promoçãode uma educação mais dinâmica e inclusiva.
	Micro e macro são ao mesmo tempo, se dão pela simultaneidade. Não há tomada de
poder pelo maior, depois uma retomada pelo menor.

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