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CÂNCER DE TIREOIDE 
 
 
1 
 
 
CÂNCER 
DE TIREOIDE 
 
ENDROCINOLOGIA 
 
CÂNCER DE TIREOIDE 
 
 
2 
 
 
 
CÂNCER 
DE TIREOIDE 
 
CÂNCER DE TIREOIDE 
 
 
3 
 
SUMÁRIO 
VISÃO GERAL ................................................................................................................ 4 
SUBTIPOS ....................................................................................................................... 4 
CARCINOMA PAPILÍFERO ........................................................................................ 5 
CARCINOMA FOLICULAR ......................................................................................... 5 
SEGUIMENTO DE NEOPLASIAS DIFERENCIADOS DA TIREOIDE .............. 6 
CARCINOMA MEDULAR (CMT) ............................................................................... 6 
CARCINOMA ANAPLÁSICO ..................................................................................... 7 
LINFOMA DE TIREOIDE .............................................................................................. 7 
COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS DA TIREOIDECTOMIA ................................... 8 
 
 
CÂNCER DE TIREOIDE 
 
 
4 
 
VISÃO GERAL 
Representam 5 a 10% dos nódulos tireoi-
dianos. Podem ser (1) diferenciados (90-
95%), subdivididos em papilífero e folicu-
lar; ou (2) indiferenciados, que, por sua vez, 
são medular ou anaplásico. Há ainda, lin-
foma primário de tireoide e outros, bem 
como metástase (3%). 
SUBTIPOS 
Os subtipos são: (1) Carcinoma papilífero e 
(2) carcinoma folicular são bem diferencia-
dos, mais comum, mais frequente em mu-
lher jovem, acometem células foliculares 
tireoidianas e apresenta bom prognóstico. 
(3) carcinoma medular (CMT) e (4) carci-
noma anaplásico (mais raro), são pouco di-
ferenciado e indiferenciado, respectiva-
mente, e apresenta pior prognóstico. 
Subtipos de Câncer de Tireoide 
 Carcinoma Papilífero Carcinoma Folicular 
Origem Células foliculares Células foliculares 
Características Mais frequente 
Mais comum em mulher, de 20-40 
anos 
Disseminação linfática 
Irradiação como fator de risco 
Presença de corpos psamomato-
sos 
2º carcinoma da tireoide mais comum 
Mais comum em mulher, de 40-60 anos 
Disseminação hematogênica 
Carência de iodo como fator de risco 
Aumento de células foliculares 
Diagnóstico PAAF (análise citológica) Análise histopatológico* 
Tratamento Se <1cm: tireoidectomia parcial 
Se ≥1cm: tireoidectomia total 
Se <15 anos: tireoidectomia total 
Se irradiação: tireoidectomia total 
Se ≤2cm: tireoidectomia parcial e histopatológico 
 Se adenoma: sem necessidade de totalizar 
 Se câncer: totalizar o procedimento 
Se >2cm: tireoidectomia total 
Segmento Supressão do TSH, com reposição 
de T4L 
USG a cada 6 meses 
Dosagem de tireoglobulina; 
se >1-2ng/dl: ablação 131I 
Cintilografia; se positivo: ablação 
131I 
Supressão do TSH, com reposição de T4L 
USG a cada 6 meses 
Dosagem de tireoglobulina; 
se >1-2ng/dl: ablação 131I 
Cintilografia; se positivo: ablação 131I 
 Carcinoma Medular da Tireoide 
(CMT) 
Anaplásico ou Indiferenciado 
Origem Células C ou parafoliculares - 
Características Calcitonina como marcador tumo-
ral 
Tem 2 apresentações: esporádico 
(80%) ou familiar (20%; associa 
com NEM 2)** 
Mais frequente em idosos 
Associa-se à deficiência de Iodo 
Raro e agressivo; pior prognóstico 
CÂNCER DE TIREOIDE 
 
 
5 
 
Diagnóstico PAAF (análise citopatológico) 
Importante pesquisar parentes 1º 
grau*** 
PAAF 
Tratamento Tireoidectomia total + linfadenec-
tomia das cadeias centrais 
Traqueostomia + Quimioterapia + Radioterapia 
Segmento Calcitonina - 
Carcinoma papilífero 
É a neoplasia tireoidiana mais frequente, 
acometendo frequentemente sexo femi-
nino, e entre 20-40 anos de idade. Tem 
bom prognóstico. Pode ocorrer metásta-
ses para linfonodos cervicais. Os principais 
fatores de risco são radiação cervical ioni-
zante (maior chance de multicentricidade) 
e mutação do BRAF. Uma das característi-
cas morfológicas para diagnóstico citopa-
tológico, por meio da PAAF, é o aspecto 
exclusivo do seu núcleo: a presença de 
cromatina fina e não condensada (fenda 
nuclear), dando um caráter “transparente”, 
conhecido como “olhos da órfã Annie”; 
além disso, é marcada por corpos psamo-
matosos (citoplasma em “vidro-fosco”). 
Apresenta bom prognóstico, em especial 
tumor <2cm. Tratamento consiste em tire-
oidectomia (total), e linfadenectomia em 
caso de adenomegalia cervical ao USG ou 
tumor grande. Além disso, indica-se, iodo, 
a depender do risco de persistência e re-
corrência, exceto em tumor <1cm, único e 
sem extensão extratireoidiana; o principal 
efeito colateral é sialodenite. Considera-se 
também supressão com uso de levotiro-
xina (LT4), visto que reduz 25% de recor-
rência e 50% de mortalidade. 
 
Carcinoma folicular 
Representa 2º tipo mais comum de câncer 
de tireoide. Acomete, em geral, em >40 
anos e em mulheres (3:1). Relação com al-
teração do gene PAX-8/PPAR-γ. Diferen-
temente do carcinoma papilífero, costuma 
ser encapsulado, o diagnóstico é apenas 
histopatológico (PAAF não) e a dissemina-
ção é por via hematogênica. Principal fator 
de risco é deficiência de iodo. Quanto ao 
tratamento, realiza-se cirurgia lobectomia 
+ istmectomia (tumor ≤2cm; podendo ser 
reabordado na confirmação de câncer foli-
cular) ou tireoidectomia total (>2cm), as-
sociado ao iodoterapia e supressão com 
LT4. Dentre as variantes importantes, cita-
CÂNCER DE TIREOIDE 
 
 
6 
 
se células de Hurthle (oxifílicas ou oncóti-
cas), compostos por grande número de mi-
tocôndrias, e com maior acometimento em 
pacientes mais velho (55 anos), além de 
ser mais agressivos que outros bem dife-
renciados; se benigno (não captante de 
iodo), indica-se lobectomia + istmectomia, 
e se maligno, tireoidectomia total e dissec-
ção dos linfonodos ipsilateral. 
Seguimento de neoplasias diferenciados 
da tireoide 
Adotado para carcinoma papilífero e foli-
cular. Consiste em cirurgia; cintilografia do 
corpo todo (exame de base); iodoterapia 
(TSH >30), colher tireoglobulina (TG) e 
anti-TG (pesquisar recidiva); terapia su-
pressiva com LT4; em 6 meses, USG de re-
gião cervical (identificar doença residual) e 
cintilografia do corpo todo (verificar resí-
duo, área de hipercaptação e metástase); 
após 1 ano, nova cintilografia; e, anual-
mente checar TSH, TG e anti-TG. 
 
 
 
Para avaliar o prognóstico dos tumores 
bem diferenciados da tireoide, utilizamos 
as variáveis dos escores de AMES e AGES. 
De acordo com esses escores, um tumor 
tem pior prognóstico quando: idade >40 
anos; sexo masculino; extensão 
extratireoidiana ou invasão capsular; 
metástase regional (linfonodal) ou à 
distância; tumor >2cm; e, pouco 
diferenciado. 
 
Carcinoma medular (CMT) 
Representa 5% das neoplasias malignas 
de tireoide. Trata-se geralmente de um tu-
mor neuroendócrino, que surge nas célu-
las C parafoliculares. As formas de apre-
sentação são: esporádica (75-80%) (tende 
a ser menor, unilateral e isolado; ocorre em 
40-60 anos) ou familiar (20-25%) (associ-
ados a síndromes com alta penetrância; 
tende a ser precoce, bilateral e multicên-
trico; em <20 anos). Outros sintomas in-
cluem cólicas e diarreia (decorre do ex-
cesso de calcitonina e hiperestimulação do 
tubo digestivo), flushing facial ou relacio-
nados a excesso de glicocorticoides. Em 
todos os casos de CMT, é essencial o ras-
treio para outras endocrinopatias, por meio 
de dosagem de catecolaminas urinárias 
(pesquisa de feocromocitoma) e cálcio sé-
rico (hiperparatireoidismo primário), por 
exemplo, e investigação dos familiares de 
1º grau com pesquisa de gene RET. O 
achado de mutação do RET em parente de 
paciente acometido por CMT ou por NEM-
2 deve motivar tireoidectomia total pre-
coce. Tratamento consiste em tireoidecto-
mia total e linfadenectomia do comparti-
mento central do pescoço. Em casos avan-
CÂNCER DE TIREOIDE 
 
 
7 
 
çado, sintomático ou metastático,pres-
creve-se inibidores da tireosinoquinase. 
Para acompanhamento, dosar CEA e calci-
tonina (produzida pelo tumor). 
 
 
 
 
 
 
 
Síndromes e manifestações clínicas 
NEM-2A: CMT (100%), feocromocitoma (40-50%) e hiperparatireoidismo primário (10-25%) 
NEM-2B: CMT (100%), feocromocitoma (50%), ganglioneuromas mucosos e hábito marfanoide 
CMT familiar isolado: CMT 
Outros CMT familiar: CMT e outras patologias 
Neoplasias Endócrinas Múltiplas 
NEM 1 ou Síndrome de Werner: 
Hiperparatireoidismo primário (paratireoide), gastrinoma (pâncreas) e prolactinoma (pituitária) 
NEM 2A ou Síndrome de Sipple: 
CMT* (100%), feocromocitoma (40-50%) e hiperparatireoidismo primário (10-25%) 
NEM 2B ou Síndrome de Gorlin: 
CMT* (100%), feocromocitoma (50%), ganglioneuromas mucosos e hábito marfanoide 
*CMT: Carcinoma medular da tireoide 
Macete: No NEM 1, a gente guarda PPP; no NEM 1, o mais comum é CMT, mas metade tem o FEO, HIPERPARA 
só no A, NEUROMAS e MARFAN só no B. 
 
Carcinoma anaplásico 
Representa 1 a 3% das neoplasias malig-
nas da tireoide. Associado a antecedentes 
de neoplasia tireoidiana e perda do p53; 
com prognóstico reservado (6 meses de 
sobrevida). Caracteriza-se por massa tire-
oidiana volumosa, endurecida, de cresci-
mento rápido, com sintomas compressivos 
locais importantes. Apresenta metástases 
linfáticas cervicais presentes (em sua mai-
oria) e à distância (50%), principalmente 
nos pulmões, pleura, ossos e cérebro, ao 
diagnóstico. Tratamento é paliativo (tra-
queostomia), visando evitar complicações 
(asfixia é principal causa de morte). Rea-
liza-se a redução cirúrgica do tumor para 
descompressão das vias aéreas, traqueos-
tomia, e quimio- e radioterapia adjuvantes 
com doxorrubicina. 
Linfoma de tireoide 
Em mulheres idosas com histórico de tire-
oidite de Hashimoto. Apresenta prognós-
tico ruim. 
CÂNCER DE TIREOIDE 
 
 
8 
 
@jalekoacademicos Jaleko Acadêmicos @grupoJaleko 
Complicações cirúrgicas da tireoidectomia 
Sabe-se que a hipocalcemia é a complica-
ção precoce mais comum da tireoidecto-
mia, seguida de lesões nervosas e hema-
tomas de ferida operatória. 
• Hipotireoidismo. 
 
• Hipoparatireoidismo e consequente hi-
pocalcemia (aguda): Devido à ressec-
ção inadvertida das glândulas paratire-
oides (hipoparatireoidismo perma-
nente), ou pela sua lesão inflamatória 
(transitória). 
 
• Aumento do intervalo QT. 
 
• Lesão de nervo laríngeo recorrente: 
Quando unilateral provoca disfonia ou 
rouquidão; e, quando bilateral provoca 
insuficiência respiratória aguda, pela 
adução (fechamento) das cordas vo-
cais. 
 
• Lesão do ramo externo do nervo larín-
geo superior: Manifesta-se por dificul-
dade em se elevar o tom da voz. 
 
• Sangramento: Caracteriza-se por “san-
gue que baba” no leito de ressecção da 
glândula tireoide, podendo levar ao he-
matoma compressivo da via aérea 
(emergência pós-operatória, com ame-
aça à patência da traqueia). 
 
 
 
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