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ANÁLISE ECONÔMICA DO DIREITO
ANÁLISE ECONÔMICA 
DO DIREITO 
ANÁLISE ECONÔMICA 
DO DIREITO 
Copyright © UVA 2020
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer 
meio sem a prévia autorização desta instituição.
Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico 
da Língua Portuguesa.
AUTORIA DO CONTEÚDO
June Maria Emeline Mesquita do Barreiro Rothstein
REVISÃO
Janaina Vieira
Lydianna Lima
PROJETO GRÁFICO
UVA
DIAGRAMAÇÃO
UVA
R847 Rothstein, June Maria Emeline Mesquita do Barreiro.
 Análise econômica do direito [recurso eletrônico] / June Maria Emeline 
 Mesquita do Barreiro Rothstein. – Rio de Janeiro: UVA, 2021. 
 
 1 recurso digital (11709 KB)
 Formato: PDF
 ISBN 978-65-5700-096-0
 
 1. Direito e economia. 2. Direito econômico. 3. Política econômica - Brasil. I. 
 Universidade Veiga de Almeida. II. Título. 
 
 
 CDD – 341.378
Bibliotecária Adriana R. C. de Sá CRB 7 – 4049.
Ficha Catalográfica elaborada pelo Sistema de Bibliotecas da UVA.
SUMÁRIO
Apresentação
Autor
6
8
Estruturas de mercado e o papel do CADE: defesa do 
consumidor e da concorrência
40
• Estruturas de mercado: concorrência perfeita, monopólio e oligopólio
• O papel do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em 
defesa do consumidor e da concorrência
• Teorema de Coase e as externalidades
UNIDADE 2
9
• Conceito de economia
• Divisão do estudo da microeconomia
• Objetivos de política macroeconômica
Introdução ao estudo da Ciência Econômica
UNIDADE 1
SUMÁRIO
Hiato entre legislação e inovação: normas jurídicas e a 
dinâmica econômica
105
• Inovação disruptiva e os impactos na produção e no consumo
• A nova economia: compartilhada, solidária e circular
• Concepção individualista em transformação: reinvenção contínua, 
mudança instantânea, velocidade e episodicidade
UNIDADE 4
74
• Funções do Estado: normativa e reguladora
• Instrumentos de política macroeconômica
• Princípios constitucionais: interface entre direito e economia
Funções do Estado na economia. Constituição Federal 
Brasileira de 1988: interface entre direito e economia 
UNIDADE 3
6
Ouvimos por aí que educação e saúde são direitos constitucionais, mas, ao mesmo tem-
po, também ouvimos que há carência de medicamentos, médicos, escolas, professores, 
acesso aos serviços básicos, entre outros infortúnios. 
Em um primeiro momento parece haver confronto entre a redação constitucional e a 
política governamental. A carta magna congrega cinco fundamentos: 
1. Soberania.
2. Cidadania. 
3. Dignidade da pessoa humana.
4. Valores sociais do trabalho. 
5. Livre iniciativa e pluralismo político.
A política macroeconômica, por sua vez, abarca os seguintes objetivos: 
1. Alto nível de emprego.
2. Distribuição de renda socialmente justa.
3. Estabilidade de preços. 
4. Crescimento econômico. 
Dessa forma, existe convergência e não confronto, pois a fundamentação jurídica define 
as competências econômicas das esferas de governo e regula as atividades econômicas. 
Vamos fazer uma analogia? Pense em uma moeda: o lado “cara” simboliza a identidade de 
uma nação em seus princípios norteadores; no lado “coroa” é expresso o valor monetário. 
Podemos separar os dois lados de uma mesma moeda? Certamente que não! Na prática, 
pode existir desarranjo na dinâmica do mercado, pois o exercício da plena cidadania tem 
relação direta com o bem-estar da sociedade. 
APRESENTAÇÃO
7
As novas formas de se pensar a economia impõem ressignificar a contribuição dos 
diversos atores e rever o papel do indivíduo.
Esta disciplina visa propor uma análise sobre a dinâmica do mercado e os desdobramen-
tos para a sociedade. Em particular, destacar a importância do arcabouço jurídico como 
norteador dos instrumentos de política econômica. Ao concluir a disciplina você saberá 
identificar a complexidade dos desafios contemporâneos correlacionando várias áreas 
do conhecimento com olhar crítico e reflexivo, percorrendo seu próprio caminho. Afinal, 
estamos no século XXI, impactados por uma nova economia: digital, flexível, conectiva, 
integrada e sem fronteiras. 
8
JUNE MARIA EMELINE MESQUITA 
DO BARREIRO ROTHSTEIN
Economista, graduada pela Universidade Gama Filho – UGF; mestra em Sistema de Ges-
tão pelo Laboratório de Tecnologia e Gestão de Negócios da Escola de Engenharia da 
Universidade Federal Fluminense – LATEC-UFF; especialista em Planejamento, Imple-
mentação e Gestão do Ensino na Modalidade a Distância (EAD) pela UFF. É professora 
na Universidade Veiga de Almeida – UVA, lecionando as seguintes disciplinas: Relações 
Internacionais, Comércio Exterior, Gestão do Conhecimento, Desenvolvimento Sustentá-
vel, Macroeconomia, Avaliação de Projetos, Cultura Organizacional, Economia, Economia 
Compartilhada e Economia Social. Estrutura projetos, com o intuito de atrelar o ensino 
da Economia às vivências, ilustrando para os futuros profissionais as possibilidades de 
um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico e holístico, voltado para a dimensão so-
cioambiental. Dessa forma, a teoria deve estar alinhada à prática, corroborando para uma 
formação integrada às vertentes política, econômica, social, ambiental e ética. O objeto 
de pesquisa está pautado em Economia Social, especificamente em negócios sociais, 
em que a aferição dos resultados não visa diretamente ao lucro, mas as externalidades 
geradas para a comunidade.
AUTOR
Introdução ao estudo 
da Ciência Econômica
UNIDADE 1
10
Já ouviu a máxima: “De médico e louco todo mundo tem um pouco”? 
Podemos acrescentar de economista também, concorda?
O ditado popular ilustra o contexto atual, quando todos opinam sobre tudo. Por que te-
mos a impressão de deter o conhecimento sobre diversos assuntos? Porque sentimos! 
Nossas emoções nos sintonizam com o mundo. Consequentemente, as ideias borbu-
lham e, de forma apaixonada, nos posicionamos. Mas, atenção: ter embasamento teórico 
é fundamental! Precisamos saber o conceito para formular as ideias. Neste caso, diferen-
temente da matemática, a ordem dos fatores altera o produto. 
Vamos iniciar o estudo da disciplina a partir de conceitos basilares da ciência econômica, 
pois conceitos são palavras identificadoras específicas de cada área. Existe muita teoria 
na impressão que temos sobre o cotidiano. Então, sistematizar o “senso comum” levará 
ao conhecimento. 
INTRODUÇÃO
Nesta unidade você será capaz de:
• Reconhecer os aspectos jurídicos inerentes ao estudo da microeconomia.
OBJETIVO
11
Conceito de economia
Para iniciarmos o assunto, economia é uma ciência social! Apesar de tanta métrica, seu 
estudo está relacionado ao comportamento dos indivíduos em sociedade. Por definição, 
economia é: 
A ciência da escassez! 
Escassez representa um pouquinho de bens em relação à sua procura. “Escassez”, “bens” 
e “procura” são palavras importantes para a compreensão do arcabouço teórico do es-
tudo da ciência econômica. A partir da definição do termo, abordaremos o conceito por 
trás de cada palavra e a apropriação para a economia. Cada palavra contém um signifi-
cado próprio para análise.
Preste atenção!
Segundo o Dicionário Aurélio, escassez significa: “1. Qualidade de escasso. 2. Falta, ca-
rência.” Definição simples que explica a palavra, mas não revela a importância conceitual 
para o estudoda ciência econômica. Em economia, escassez está relacionada a uma re-
lação desmedida ou a falta de equivalência entre necessidades e recursos. Necessidade 
é o desejo de suprir a ausência de algo ou de alguma coisa. 
Os tipos de necessidades satisfazem os indivíduos e a sociedade, como mostra a figura 
a seguir.
Necessidade do indivíduo Necessidade da sociedade
Comer é uma necessidade primária, 
vital para a sobrevivência do indiví-
duo. Porém, jantar em um restaurante 
premiado com cinco estrelas consis-
te em uma necessidade secundária, 
decorrente da posição social. 
O transporte é uma necessidade coletiva, 
pois parte de uma necessidade individual 
em prol da coletividade. A necessidade 
pública surge da própria sociedade e 
está vinculada a segurança e bem-estar. 
Natural Social Coletiva Pública
12
A palavra “recurso” remete-nos a dinheiro, mas, em análise econômica, recurso é um 
conceito que vai além da perspectiva monetária. Recurso está associado aos compo-
nentes inseridos no processo de produção e engloba, além de capital, terra, trabalho e 
tecnologia, ou seja, está associado ao nível de produtividade e de competitividade de 
uma economia.
NECESSIDADES ILIMITADAS X RECURSOS LIMITADOS
Em função da limitação de recursos e das necessidades constantes das pessoas, em 
particular, e da sociedade em seu conjunto, três questões são fundamentais para minimi-
zar os efeitos advindos dos problemas econômicos fundamentais. São elas:
O que e quanto produzir?
Como produzir?
Para que produzir?
Em suma:
Necessidade pode apresentar aspectos de caráter subjetivo, enquanto recur-
so apresenta caráter objetivo, pois integra aspectos inerentes à capacidade 
produtiva. 
Satisfazer necessidades acarreta decisões que venham a favorecer o processo de 
produção e consumo. Nessa análise embasa-se o propósito do estudo de economia 
e sua definição. 
De acordo com Samuelson (2015), “A Economia é o estudo da forma como as socieda-
des utilizam recursos escassos para produzir bens e serviços que possuem valor para 
distribuí‐los entre indivíduos diferentes” e, por definição, economia é uma ciência social! 
Apesar de toda métrica matemática e estatística para definir modelos e variáveis eco-
nômicas, de exata a economia não tem nada. A ciência econômica está relacionada ao 
comportamento do homem e à sua relação com o mundo. Afinal de contas, a racionali-
dade do homem econômico não é linear. Consequentemente, fatores filosóficos, éticos, 
psicológicos e sociais adicionam ingredientes importantes para a análise econômica. Na 
prática, o homem econômico é inconstante! 
13
A partir da imagem verificamos as mudanças na organização do espaço, tanto estruturais 
quanto de costumes. Observe, na figura acima, os carros estacionados no meio do Largo 
da Carioca, os prédios, o metrô Estação Carioca, concluído em janeiro de 1981, entre outras 
transformações. Detalhes que evidenciam, indiretamente, a necessidade como propulsora 
das transformações das empresas, do mercado e da sociedade. Interessante, concordam?
Agora, vamos pensar na correlação entre trabalho x bens. 
O fator trabalho, um dos recursos de produção, consiste em uma condição específica do 
homem associada a certo nível de desenvolvimento dos instrumentos de trabalho. Des-
sa forma, qualificação para o trabalho requer acesso à educação para a criação de novas 
competências e habilidades, princípio fundamental para a mudança da realidade social de 
determinada pessoa, em conformidade com as exigências do mercado. Em uma análise 
expandida, significa ampliar a capacidade produtiva da própria economia, pois melhoria na 
Em uma análise etimológica, “economia” deriva do grego oikonomía: oikos 
(casa) e nomos (lei). No início da sistematização do estudo esteve vinculada a 
“administração da casa”, posteriormente, passou a estar associada a “adminis-
tração da coisa pública”. 
Importante
Necessidade é uma engrenagem importante para a economia, ilustra um dos 
conceitos basilares da ciência econômica. Observe as imagens do Rio de Janei-
ro, especificamente do Largo da Carioca, no Centro da Cidade Maravilhosa: 
Ampliando o foco
Karol Kozlowski / Shutterstock.com
14
qualificação da mão de obra implica melhoria no ambiente de negócios, nível de competiti-
vidade e inserção do país no âmbito internacional. O nível de escolaridade consiste em um 
dos principais indicadores para medir o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). 
Agora, a análise recairá sobre a explicação de bens. Em economia, bens são produtos que 
resultam do processo de produção. São classificados em bens econômicos e bens livres. 
• Bens livres: não são apropriáveis, consequentemente, existem em abundância e não 
são precificáveis. 
• Bens econômicos: são relativamente escassos ou incorporam trabalho humano; são apro-
priáveis, consequentemente, precificados e comercializados. Existem vários tipos de bens 
econômicos categorizados por sua natureza, função de produção, relação com outros bens 
e peculiaridades. 
O esquema a seguir apresenta a especificidade de cada tipo de bens. Observe: 
Especificidade dos tipos de bens.
Fonte: Elaborado pela autora (2020).
Bens de capital 
(ou de produção) - 
Máquina e 
equipamentos.
Bens 
intermediários 
Matéria-prima, 
insumos e 
componentes.
Bens finais 
Vendidos para 
consumo ou 
utilização final.
BENS
Bens de consumo 
Duráveis 
(geladeira, fogão...)
Não duráveis 
(comida...)
Segundo sua natureza
Segundo sua função
Em relação ao Estudo da Demanda, os bens são descritos como:
→ Bem Normal: tipo de bem em que, independentemente do nível de renda, será consumido.
→ Bem Inferior (ou Bem de Giffen): tipo de bem em que a melhoria de renda reduzirá o consumo.
→ Bem Superior (ou Bem de Luxo): tipo de bem em que a melhoria de renda tenderá a aumentar o conumo.
→ Bens Complementares: tipos de bens consumidos conjuntamente, como camisa social e gravata.
→ Bens Substitutos (ou concorrentes, ou sucedâneos): tipo de bem em que o aumento de preço tende a 
reduzir a compra e aumentar o consumo de outro bem. Por exemplo: margarina em relação à manteiga.
15
Por fim, podemos entender que procura ou demanda está relacionada ao comporta-
mento do consumidor, significando a quantidade de determinado bem ou serviço que o 
indivíduo deseja adquirir por determinado preço, em determinado momento. O compor-
tamento da demanda consiste em um dos conceitos estudados em microeconomia, 
assunto que trataremos no próximo tópico. 
Para conhecer mais sobre a história da icônica bolsa Birkin, leia a matéria Co-
nheça a história icônica da bolsa Birkin, disponível no site https://www.etique-
taunica.com.br/blog/conheca-a-historia-da-iconica-bolsa-birkin/ Acesso em: 
30 jul. 2020.
Ampliando o foco
A imagem integra uma das cenas do filme 
Blue Jasmine (EUA, 2013). Cate Blanchett, 
vencedora do Oscar de Melhor Atriz, atua 
como a protagonista Jasmine, uma mulher 
de bom gosto, refinada, que se encontra sem 
dinheiro. O exemplo não é sobre o filme, mas 
sim sobre a bolsa que a personagem carrega 
elegantemente, o famoso modelo Birkin, da 
Hermès. Em um encontro casual entre Jane 
Birkin e Jean-Louis Dumas, executivo da Her-
mès, a atriz explica como deveria ser o mode-
lo de bolsa ideal para sua rotina de viagens. 
Três anos mais tarde, em 1984, a bolsa foi lançada, tornando-se um ícone da 
moda feminina. Atualmente, segundo o site Etiqueta Única, o modelo básico 
custa em torno de US$ 11.900,00. O exemplo ilustra um bem de luxo e o fator 
preponderante para o consumo é a renda. 
Exemplo
https://www.etiquetaunica.com.br/blog/conheca-a-historia-da-iconica-bolsa-birkin/
https://www.etiquetaunica.com.br/blog/conheca-a-historia-da-iconica-bolsa-birkin/
16
Divisão do estudo da microeconomia
Em seus primórdios a economia esteve ligada à filosofia moral e política. Existia uma 
vida econômica primitiva dividida entre desejável e essencial e outra não desejável, vin-
culada ao enriquecimento individual em detrimento do coletivo. As ideias econômicas,de forma orgânica, germinavam com base em interesses políticos, individuais, comer-
ciais, intercambiáveis entre as nações e na necessidade de se estabelecerem padrões de 
produção e consumo. Em síntese, compreender os fenômenos da natureza e a ação do 
homem como agente transformador. 
A história das doutrinas econômicas permite:
 
• Analisar o processo evolutivo do pensamento econômico. 
• Verificar a contribuição dos teóricos de diversas áreas do conhecimento; como as re-
lações entre governo, mercado e sociedade foram tecidas ao longo dos séculos e como 
se constituem na atualidade. 
De prática intuitiva a arcabouço teórico robusto, a sistematização da economia como 
ciência foi consolidada no século XVIII a partir de duas escolas: Escola Fisiocrata e 
Escola Clássica.
A Escola Fisiocrata surgiu na França a partir de uma crítica severa às práticas mercanti-
listas. Para François Quesnay, principal representante dos fisiocratas, o comércio é uma 
classe estéril, pois sua prática consiste em transportar produtos; portanto, situa-se na 
esfera da circulação e não da produção. Em sua formação de médico, Quesnay coloca 
a terra como o coração do sistema econômico, capaz de gerar algo novo, e introduz a 
noção de produto líquido. Pela primeira vez, de forma sistemática e lógica, as bases do 
liberalismo econômico são descritas, amparadas na máxima laissez-faire, laissez-passer 
(“deixar fazer, deixar passar”), em contraposição à intervenção do Estado na economia, 
defendida pela doutrina mercantilista. 
A Escola Clássica inglesa, concebida no berço da Revolução Industrial, sorveu a eferves-
cência tecnológica e vislumbrou o potencial da técnica aliada ao trabalho. Adam Smith, 
precursor da Escola Clássica, coloca em relevo o papel do homem econômico como 
agente transformador do processo de produção, com ênfase em especialização e divisão 
do trabalho. Ressalta que os interesses individuais tendem a ser harmonizados no coleti-
vo. Em sua célebre análise, evidencia a convergência de interesses: “Não é da benevolên-
17
cia do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos o nosso almoço, mas do 
interesse que têm no próprio lucro pessoal”. Parece uma simplificação, mas o fragmento 
descrito evidencia o caráter integrador do interesse entre ofertantes e demandantes, que, 
apesar de interesses antagônicos, tendem ao equilíbrio.
O prefixo “micro”, da palavra microeconomia, origina-se do grego micros e significa “pe-
queno”. Talvez a explicação não tenha sido nenhuma novidade, mas adicionando-lhe a 
perspectiva econômica, a palavra ganha outra dimensão. O estudo da microeconomia 
não está relacionado ao tamanho ou importância reduzida em uma comparação com o 
estudo da macroeconomia. A distinção consiste na abordagem. Ou melhor,
A microeconomia estuda o comportamento individual das unidades familiares e 
das empresas, enquanto a macroeconomia estuda o comportamento agregado dos 
agentes econômicos.
O quadro a seguir apresenta, de forma esquemática, os tópicos abordados em microeco-
nomia e permite verificar a divisão do estudo:
Figura: Divisão dos tópicos de microeconomia.
Fonte: Vasconcellos (2009, p. 30).
I - Teoria da Demanda (procura) Teoria do Consumidor (demanda indivudal)
Demanda de Mercado{
II - Teoria da Oferta
Oferta individual
Mercado de bens e serviços
Concorrência perfeita
Concorrência monopolística
Monopólio
Oligopólio
Concorrência perfeita
Monopólio
Oligopólio
Mercado de insumos e
 fatores de produção
Teoria da Produção
Oferta de Mercado
Teoria dos Custos de Produção
III - Análise das estruturas de mercado
IV - Teoria do equilibrio geral e do bem-estar
V - Imperfeições de mercado: externalidades, bem públicos, informação assimétrica
18
Considerando:
• O tópico I - Teoria da Demanda (procura) e II - Teoria da Oferta, estão relacionados 
ao estudo do comportamento dos produtores e dos consumidores, ou seja, o papel 
desempenhado baseado em escolhas individuais, como reagem ao nível de preço e 
à tendência ao equilíbrio de mercado. 
• O tópico III - Análise das estruturas de mercado aborda como compradores e ven-
dedores estão organizados, a interação no mercado e determinação do preço e da 
quantidade de equilíbrio. 
• O tópico IV - Teoria do equilíbrio geral e do bem-estar relaciona a dinâmica do 
mercado e os resultados para a sociedade. 
• O tópico V - Imperfeições de mercado: externalidades, bem públicos e informa-
ções assimétricas aferem a alocação dos recursos produtivos. 
Cada tópico apresenta uma análise específica, com preposições teóricas fundamentais, 
para explicar as variações e combinações na alocação dos fatores de produção. Para 
resolver a complexidade da análise, a teoria microeconômica parte de pressupostos teó-
ricos e estabelece modelos e hipóteses, ou seja, cria o método. São eles:
1. Método Dedutivo - Parte da abstração.
Com base em uma situação real, as variáveis são selecionadas segundo o grau de rele-
vância, formulando leis gerais que serão comprovadas nos casos concretos.
2. Método Indutivo - Parte de aspectos particulares de um fenômeno. 
Por exemplo, medir o grau de satisfação do consumir em relação a um bem ou 
serviço implica interpretar variáveis de caráter subjetivo e, consequentemente, 
de difícil mensuração. 
Exemplo
Por exemplo, medir a resposta em relação ao aumento de preço com base no 
preço inicial, ou seja, confrontar situações de equilíbrio para determinar o com-
portamento geral. 
Exemplo
19
O método atua como instrumental teórico para a análise dos fenômenos econômicos. É 
imprescindível reconhecer que o estudo de economia abrange diversas escolas ampa-
radas em proposições metodológicas conflitantes, pois a economia não é uma ciência 
exata. Consequentemente, a concepção de mundo, somada a interesses, implica uma 
análise por vezes particularizada. 
Economistas discordam em suas análises? A resposta tende a ser afirmativa, pois a vi-
são do economista está integrada ao seu campo de trabalho e estudo científico. Porém, 
todos os economistas são unânimes em concordar que, diferentemente da matemática, 
em economia, 1 + 1 dificilmente será igual a 2.
A microeconomia estuda o comportamento individual das unidades familia-
res (demanda), das empresas (oferta) e a tendência ao equilíbrio de mercado. 
Em síntese, analisa a formação dos preços em mercados específicos com 
base em decisões de produção e consumo. 
Então, quais são os fatores que determinam a demanda e a oferta de mercado?
A demanda (ou procura), por definição, consiste na quantidade de um bem ou serviço 
que um consumidor deseja e está disposto a adquirir por determinado preço e em de-
terminado momento. 
As palavras destacadas acima em negrito, de forma implícita, descrevem os principais 
fatores que determinam a demanda. Vamos entender melhor cada um.
Preço
Variável mais importante para estimular ou retrair a demanda. 
A relação entre o preço e a quantidade demandada é inversa-
mente proporcional. Quanto menor o preço, maior será a quan-
tidade demandada; ao contrário, quanto maior o preço, menor 
será a quantidade demandada.
Renda
Variável preponderante para o consumo. Define a cesta de con-
sumo e condiciona a decisão de compra.
20
Preço de outros bens Variável vinculada aos bens substitutos e bens complementares.
Hábitos, gosto e 
preferência
variável dependente do grau de importância atribuída pelo con-
sumidor a determinado bens ou serviços.
A oferta, por definição, consiste na quantidade de um bem ou serviço que se produz/
oferece no mercado, por determinado preço e em determinado período de tempo. As pa-
lavras destacadas anteriormente em negrito, de forma implícita, descrevem os principais 
fatores que determinam a oferta.
Preço
Variável mais importante para estimular ou retrair a oferta. A 
relação entre o preço e a quantidade ofertada é diretamente 
proporcional. Quanto maior o preço, mais estimulado estará 
o ofertante; ao contrário, quanto menor o preço, menor será a 
quantidade ofertada. 
Tecnologia
Inovaçõestecnológicas tendem a ampliar a eficiência, incre-
mentar a produção, reduzir custos, aumentar a competitividade 
e a oferta.
Preço de outros bens
No setor agrícola, diversificar a plantação. No setor industrial, di-
versificar a produção. 
Insumos
Alterações nos custos embutidos na produção: matéria-prima, 
energia, combustível. 
Dos fatores que determinam a demanda e a oferta, o preço aparece como a variável mais 
importante para estimular tanto o consumidor quanto o produtor. Por isso, a microecono-
mia pode ser considerada como a teoria dos preços. Na relação entre oferta e procura, 
ocorre a seguinte relação: quanto menor o preço, maior será a demanda e menor a ofer-
ta; quanto maior o preço, menor será a demanda e maior será a oferta. 
E como conseguimos resolver esse impasse? 
21
Os pressupostos teóricos que estimulam a demanda e a oferta estão no campo da in-
tencionalidade, ou seja, os demandantes querem o menor preço para ampliar a capaci-
dade de consumo; já os ofertantes querem o maior o preço, para aumentar os ganhos. 
Então, a grande arena será o mercado, local em que os interesses divergentes tendem 
ao equilíbrio. 
O gráfico a seguir explica a interação entre o preço e as quantidades ofertadas e de-
mandadas: 
Tendência ao equilíbrio de mercado.
Fonte: videolivraria.com.br.
Considerando que:
• No eixo vertical, P0 representa o preço inicial, P1 aumento do preço e P2, redução 
do preço.
• No eixo horizontal Q0 representa a quantidade inicial, Q1
S quantidade ofertada e Q2
d 
quantidade demandada. 
• O preço de equilíbrio ocorre quando Q0
s = Q0
d, ou seja, quando as quantidades 
ofertadas e demandadas se igualam. 
Qd
2 Qd
2Q0 Q0
P0 P0
P2
P1
Qs
1 Qs
1Quantidade Quantidade
Preço
S S
D
Excesso 
de oferta
Preço
Excesso de 
demanda
http://www2.videolivraria.com.br/pdfs/14632.pdf
22
A tabela a seguir mostra um resumo da análise gráfica com base na situação de merca-
do. Observe: 
Pontos Oferta Demanda Situação do mercado
P0 Q0 Estimula a oferta Estimula a demanda Equilíbrio
P1 Q1
S Estimula a oferta Retrai a demanda Excesso de oferta
P2 Q2
d Retrai a oferta Estimula a demanda Excesso de demanda
Conclusão: o equilíbrio do mercado ocorre quando o preço estimula tanto os ofertantes 
quanto os demandantes. Dessa forma, o preço é o fator determinante, tanto do consumo 
quanto da produção. 
A economia congrega em sua análise as demais áreas do conhecimento, pois produção 
e consumo são pautados nas ações dos agentes econômicos, que decidem a alocação 
eficiente dos recursos produtivos e a escolha em relação à cesta de consumo. 
Uma equação simples pode favorecer a abordagem: 
A soma das duas metades revela como são tecidos os arranjos na grande arena deno-
minada mercado. Na prática, o economista precisa desenvolver uma visão pluralista do 
estudo da ciência econômica. 
O quadro a seguir apresenta a contribuição das demais áreas do conhecimento para o 
estudo da ciência econômica. Não por acaso, as áreas foram organizadas em ordem al-
Metade do estudo 
está pautado em 
cálculo para definir os 
modelos econômicos. 
Outra metade está 
pautada na análise de 
fatores comportamentais. 
23
fabética, pois a ideia é registrar tacitamente a máxima: nenhuma ciência se sobrepõe às 
demais! Cada ciência adiciona um ingrediente importante para a análise, de acordo com 
a especificidade teórica, e formas de pensar o mundo em sua diversidade e complexida-
de. Vale observar a interface da economia com demais áreas.
Inter-relação da economia com as demais ciências.
Área do 
conhecimento Contribuição para a ciência econômica
Administração
• Planejamento de marketing, análise de mercado; compra e ven-
da estão na base das fontes de pesquisa econômica.
• Identificação de segmentos, nichos de mercado, de “clusters” (ti-
pos/características/particularidades) dos consumidores tiveram 
início na área de administração, nas disciplinas de marketing. 
• Estudos de preços, análise de produtos, concorrência, proces-
sos, de organização dos mercados, entre os muitos aspectos dos 
denominados 7Ps.
Ciência 
Política
• Tradicionalmente descrita como o estudo das relações entre a 
Nação e o Estado, formas de governo.
• A forma de organização da República Federativa do Brasil pressu-
põe três Poderes Independentes: Legislativo, Executivo e Judiciário.
• As decisões de economia devem respeitar as normas especi-
ficadas na Constituição Federal vigente, questões inerentes às 
relações da economia com a ciência do Direito.
• O Ordenamento Jurídico define as instituições sobre as quais 
desenvolvem-se as atividades econômicas.
Direito
• A Constituição do País define as atribuições, responsabilidades 
e limites de atuação do governo.
• Evitar o domínio de monopólios e oligopólios, assim como evitar 
práticas comerciais e econômicas desleais, como: cartel, dum-
ping, corporativismo.
• A aplicabilidade, o alcance, os limites das políticas econômicas 
estão definidos e são objeto de vasto alcance jurídico, para prote-
ção de minorias, dos cidadãos, dos vulneráveis, da aplicação de 
recursos públicos em áreas estratégicas (tecnologia, desenvol-
vimento, competitividade) e socialmente justificáveis (educação, 
moradia, saúde, habitação, alimentação).
24
Estatística
• Recorre à estatística para definir e acompanhar números-índi-
ces, medidas de tendência, quocientes ou coeficientes que rela-
cionam as variáveis econômicas.
• A econometria associa matemática e estatística, e permite in-
vestigar a formação dos indicadores-chave de performance, 
como: INPC, ICC, IGP-M, IPCA, IGP-DI, entre outros.
• Determinar as séries históricas de tais índices assegura confia-
bilidade e facilita a adoção de políticas econômicas.
Ética
• Inicialmente a economia esteve vinculada à ética, à moral, ao 
sentido de justiça e à filosofia, orientada por princípios morais e 
de justiça.
• Os agentes econômicos devem reger suas ações, respeitando 
os limites da ética em todas as suas relações.
• Não são toleráveis dispositivos para beneficiar grupos ou atitu-
des de manipulação de informações, índices ou qualquer outro 
tipo de postura imoral, amoral ou ilícita.
• Não devem as autoridades submeter-se às pressões de setores 
econômicos de qualquer natureza para beneficiar quem quer que 
seja, pessoa física, pessoa jurídica ou grupos.
Física e 
Biologia
• O núcleo científico inicial da economia começou a partir das 
concepções organicistas (biológicas) e mecanicistas (físicas).
• Similaridade da economia como um órgão vivo: funções, organis-
mo, circulação no estudo da teoria econômica.
• Leis econômicas comportam-se como determinadas leis da fí-
sica: equilíbrio, fluxos, estoques, estática, dinâmica, aceleração, 
velocidade, forças, entre outros aspectos. 
História e
Geografia
• Analisar a evolução histórica dos países e o comportamento dos 
diversos agentes econômicos impactados por situações sócio-
-político-religiosos de diversas épocas.
• Aspectos de guerras com o propósito de expandir fronteiras, ex-
pansão comercial a partir de ciclos de navegação ou de viagens 
pelo território fronteiriço estão muitas vezes apoiadas em obje-
tivos econômicos e políticos (aumento de riqueza, da influência 
junto aos vizinhos, para conter ameaças etc.).
• Vantagens ou desvantagens do espaço físico ocupado pelos 
países em determinados momentos estão atrás de justificativas 
para beligerância declarada ou não, motivando ações e estratégi-
cas econômicas e militares.
25
Matemática
• Fornece métodos, fórmulas e relações entre diversas variáveis.
• Medir resultados, estabelecer relações entre os fatores de pro-
dução, avaliar os efeitos das políticas monetárias, cambiais, fis-
cais ou de rendas.
• Junto com a estatística, disponibiliza as ferramentas para se es-
tabelecerem as relações entre as variáveis econômicas: servem 
para ajudar a se entender os padrões, as inter-relações, as propo-
sições teóricas e a aferição de resultados alcançados.
Meio Ambiente
• Relações modernas e impactantes sobreas externalidades gera-
das pelo processo de produção, distribuição, repartição e consumo, 
refletindo sobre licenças e procedimentos para assegurar que os 
projetos dos governos e das empresas preservem o meio ambiente.
• Integrar as agendas de cooperação internacional para a recupera-
ção de biodiversidade como condições para a sobrevivência da hu-
manidade: ar, clima, água e espaços físicos ocupados e degradados 
estão a cada dia ameaçando a sobrevivência de diferentes espécies.
• Estabelecer estratégias de cooperação e compromisso com 
as metas do Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – 
Agenda 2030.
Psicologia
• Na mesma direção, a economia busca também entender o com-
portamento das pessoas e famílias, de grupos sociais em relação 
às suas motivações, valores e estímulos. 
• Aspectos de consumo são relevantes para entendermos o al-
cance das políticas econômicas.
Sociologia
• Como uma Ciência Social, a economia preocupa-se em compreen-
der e tratar das relações sociais e da organização da sociedade.
• Estudar o comportamento das pessoas e das famílias, dos gru-
pos sociais e das organizações, tendo em vista antecipar tendên-
cias de comportamento e de consumo.
Fonte: Adaptado de Vasconcellos (2009, p. 12-16).
Qual é a relação do direito com a economia?
Apesar de a ciência econômica estudar diversos modelos teóricos e métodos de análise, 
caberá à ciência do Direito, com base no arcabouço jurídico, favorecer a interação dos 
26
agentes econômicos nos diversos papéis que desempenham no mercado e na socieda-
de: empresário, gestor, mão de obra, consumidor; enfim, cidadão. Apesar de caminhos 
distintos de análise, as duas ciências convergem para o bem-estar da sociedade.
Preste atenção! Por meio de três questões norteadoras e, com base nas respectivas res-
postas, vamos perceber a distinção entre economia e direito. O objetivo é adicionar cará-
ter pedagógico à complexidade da análise. 
A resposta com a letra “E” e cor azul corresponde à perspectiva econômica e a 
resposta com a letra “D” e cor vermelha corresponde à perspectiva do Direito.
1. Quem é o ofertante?
E- É o produtor de bens e serviços, ou seja, o agente que exerce a oferta de 
mercado. 
D- É a pessoa jurídica que une o sujeito ao objeto da atividade econômica. 
2. Quem é o consumidor?
E- É quem exerce a procura ou a demanda de mercado. O consumidor é o ter-
mômetro da economia, pois orienta o que produzir com base em suas necessi-
dades, gosto e preferência.
D- Destinatário final de um produto ou serviço. 
3. O que é o mercado?
E- É a arena em que compradores e vendedores interagem em busca de sa-
tisfazer seus interesses de consumo e produção. Designa a maneira como as 
trocas são organizadas e como os preços são formados.
D- É uma relação jurídica entre consumidor e fornecedor de bens e serviços. 
Repararam na cor de cada ciência? Sabem o que significam? 
Significam as pedras que as representam, ou seja:
• Cor azul remete a água marinha: economia. 
• Cor vermelha remete ao rubi: direito.
Com base nas respostas chegamos à seguinte conclusão: os aspectos jurídi-
cos determinam a organização do sistema econômico, não a serviço da eco-
nomia, mas como parâmetro de organização econômica e social, ou seja, em 
favor do ambiente de negócios. 
27
Para refletir
Observe a reportagem:
Veja qual a tendência para os preços das 
carnes bovina...
A tendência é de alta nos preços do boi e da carne bovi-
na negociada no atacado, de acordo com a consultoria 
Cogo – Inteligência em Agronegócio. Em São Paulo, por 
exemplo, o preço médio do boi gordo acumula alta de 
5,3% nos últimos 30 dias e forte alta nominal de 44,3% 
nos últimos 12 meses.
“A sustentação dos preços, mesmo com consumo inter-
no enfraquecido, é justificada pela baixa oferta de bovi-
nos e pela demanda aquecida da carne brasileira no mer-
cado internacional”, diz.
No curto prazo, a oferta restrita de bovinos em todo o 
país se manterá como principal fator de sustentação do 
preço, com viés altista em alguns estados do Centro-Sul, 
onde os frigoríficos estão adquirindo bovinos, preferen-
cialmente lotes que atendem à demanda internacional.
Disponível em: https://www.canalrural.com.br/noticias/pecuaria/tendencia-precos-
-carnes-bovina-suina-e-de-frango/ Acesso 31 jul. 2020.
Com certeza, se você não gosta de carne e prefere uma alimentação vegeta-
riana, a matéria apresentada anteriormente não terá sua atenção. Talvez, você 
pense: o preço da carne não me afeta, pois não é um item que consumo! Imagi-
ne se o estudo da microeconomia tivesse que considerar uma série de variáveis 
alinhadas às preferências de diversos perfis de consumidores! 
https://www.canalrural.com.br/noticias/pecuaria/tendencia-precos-carnes-bovina-suina-e-de-frango/ 
https://www.canalrural.com.br/noticias/pecuaria/tendencia-precos-carnes-bovina-suina-e-de-frango/ 
28
Os economistas observam a realidade e criam teorias. Consequentemente, sua opinião 
ou juízo de valor não corrobora a elaboração das hipóteses. A economia é o que é e não 
o que deveria ser. Confuso? Nem tanto. 
Argumentos positivos X Argumentos normativos
O economista parte da impressão sobre o mundo real para compreender as inter-rela-
ções dos fenômenos econômicos, amparado em argumentos positivos e não em argu-
mentos normativos. 
Seu propósito é identificar o instrumento de política econômica mais adequado. Por 
exemplo, o aumento do salário mínimo é calculado com base na inflação do período (ar-
gumento positivo) e não no desejo do trabalhador em receber mais dinheiro (argumento 
normativo). Seria o ideal, mas esbarra no orçamento e na capacidade de pagamento. 
Argumentos positivos Argumentos normativos
São isentos de juízo de valor, ou seja, 
a análise deve evidenciar a relação 
entre os fenômenos econômicos e 
a previsão do ambiente econômico 
real, de forma neutra, desprovida de 
valores morais.
Contêm, de forma explícita ou implícita, 
juízo de valor sobre determinada medida, 
ou seja, a análise recai sobre uma avalia-
ção subjetiva e pessoal, sem o devido las-
tro com a realidade econômica.
Complicado, concorda? Para resolver a situação a hipótese coeteris paribus, ter-
mo em latim que significa “tudo o mais constante”, é incorporada à análise. 
Adotando tal hipótese a análise recai sobre uma variável específica, isolando-a 
das demais variáveis que possam afetar o modelo. Voltando à reportagem, in-
dependentemente do gosto ou preferência do consumidor, o aumento no preço 
da carne, coeteris paribus, reduzirá seu consumo. 
29
O Prêmio Nobel de Economia teve sua primeira edição no ano de 1969. Desde 
então, anualmente prestigia os responsáveis pela contribuição mais significati-
va para as Ciências Econômicas. Além de reconhecimento pelo estudo, o lau-
reado recebe a importância de US$ 1 milhão. Na edição de 2002, quem melhor 
contribuiu para a Ciência Econômica não foi um economista, mas o psicólogo 
Daniel Kahneman. Seu estudo buscou esclarecer os aspectos psicológicos e 
os processos cognitivos subjacentes ao julgamento inferencial humano. Kah-
neman ganhou a premiação e a ciência econômica uma nova área de estudo, 
chamada de Economia Comportamental. 
Ampliando o foco
Em maio de 2018 foi deflagrada a greve dos caminhoneiros. O estopim da greve 
consistiu em sucessivos aumentos do preço dos combustíveis, contaminando 
os demais setores. A situação ilustra o desequilíbrio entre oferta e procura: os 
produtos não chegaram ao mercado, o consumidor manteve a demanda aque-
cida e os preços dispararam. 
Acesse o link para verificar o efeito dominó da greve dos caminhoneiros na 
economia.
Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-07/
efeito-da-greve-dos-caminhoneiros-nos-precos-deve-se-dissipar-este-mes. 
Acesso em: 22 Ago. 2020.
Exemplo
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-07/efeito-da-greve-dos-caminhoneiros-nos-precos-deve-se-dissipar-este-mes
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-07/efeito-da-greve-dos-caminhoneiros-nos-precos-deve-se-dissipar-este-mes30
Objetivos de política macroeconômica
Em macroeconomia, as palavras “conjuntural” e “agregada” sintetizam a dimensão do 
escopo do estudo. Podemos, resumidamente, dizer que: 
• Conjuntural está associada a uma análise de curto prazo, com ênfase em desem-
prego e inflação. 
• Agregada consiste em analisar o mercado de bens e serviços em seu conjunto, 
contemplando todos os setores e o mercado de trabalho. 
Por definição, a macroeconomia estuda a economia em seu conjunto, analisando a com-
posição da renda nacional, nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de 
moeda e taxa de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio. 
A estrutura de análise da macroeconomia, de acordo com Vasconcellos (2014), é com-
posta pela parte real e parte monetária da economia, de forma esquemática: 
• Mercado de bens e serviços.
• Mercado de trabalho.
• Mercado monetário.
• Mercado de títulos.
• Mercado de divisas.
O lado real da economia consiste em uma relação entre bens e serviços e uma contra-
partida financeira, recebida como forma de pagamento. A parte monetária da economia 
consiste em uma relação financeira, pois equivale à remuneração do próprio capital, de 
acordo com o segmento específico. Os agregados macroeconômicos são determinados 
pela relação de igualdade entre oferta e demanda em cada mercado e composto pelas 
variáveis que afetam o modelo. 
Parte REAL da economia
Parte MONETÁRIA da economia
31
O quadro a seguir apresenta a relação entre o mercado, as variáveis e a condição de 
equilíbrio: 
Estrutura de análise macroeconômica.
MERCADO VARIÁVEIS CONDIÇÃO 
DE EQUILÍBRIO
De Bens e Serviços
Consumidores
Empresas
Governo
Setor Externo
Nível de renda e produto nacional
Nível de preços
Consumo agregado
Poupança agregada
Investimentos agregados
Exportações totais
Importações totais
Oferta agregada 
de bens e serviços
=
Demanda agregada 
de bens e serviços
De Trabalho
Nível de emprego
Taxa de salários monetários
Oferta de mão de obra 
= 
Demanda de 
Mão de obra
Monetário
Taxa de juros
Estoque de moedas (meios de 
pagamento)
Oferta de títulos 
= 
Demanda de títulos
De Títulos Preço dos títulos
Oferta de títulos 
= 
Demanda de títulos
De Divisas Taxa de câmbio
Oferta de divisas
= 
Demanda de divisas
Fonte: Adaptado de Vasconcellos (2009, p. 114-117).
A condição de equilíbrio consiste em uma relação de igualdade entre oferta e demanda 
eliminando outros fatores, isso porque trabalha sobre relações estatísticas estáveis 
entre as diversas variáveis agregadas, eliminando os fatores que afetam o comporta-
mento individual.
32
Os objetivos de política macroeconômica estão vinculados aos seguintes fatores: 
• Alto de nível de emprego.
• Distribuição de renda socialmente justa.
• Estabilidade de preços.
• Crescimento econômico.
Esses objetivos estão alinhados aos instrumentos de política macroeconômica, pois a 
atuação do governo sobre a capacidade produtiva e despesas planejadas permite condu-
zir a economia com vistas ao pleno emprego dos recursos produtivos, controle das taxas 
de inflação e, consequentemente, de preservação do poder de compra e distribuição de 
renda de forma justa e igualitária. Esses resultados favorecem o crescimento econômico 
de forma contínua e sustentável. 
Os principais instrumentos para atingir os objetivos são: 
• Política fiscal.
• Política monetária. 
• Política cambial. 
• Política comercial. 
• Política de rendas. 
A macroeconomia tornou-se um ramo da ciência econômica em 1936, com 
a publicação do livro A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, de 
Keynes. O livro marca a ruptura com os pressupostos teóricos dos clássicos, 
principalmente em relação ao papel do Estado na economia, o princípio da de-
manda efetiva e análise dos ciclos econômicos. Contudo, apesar da publicação 
do livro ser o marco da nova abordagem de sistematização do método de aná-
lise, a Revolução keynesiana ocorre três anos antes, em 1933, com as medida 
adotadas pelo presidente americano Franklin Delano Roosevelt, em resposta ao 
período da Grande Depressão. As medidas viabilizaram a retomada do cresci-
mento e a mudança do paradigma econômico. 
Ampliando o foco
33
Dos quatro objetivos de política macroeconômica que vimos anteriormente, a estabili-
dade de preços consiste em uma das principais metas, pois a estabilidade leva ao pla-
nejamento, tanto de produção quanto de consumo. Do lado da produção, sai de cena a 
percepção de incerteza; consequentemente, favorece o ambiente de negócios, estimu-
lando o setor produtivo. Do lado do consumo, a demanda aquece e o consumidor pode 
diversificar sua cesta de preferências baseado em planejamento de gastos e acesso a 
novos bens e serviços. Em uma economia com altas taxas de inflação o dinheiro perde 
valor e o consumidor perde o poder aquisitivo de seu salário, ou seja, o salário sofre um 
processo de deterioração e reduz a capacidade de consumo. 
Antes dos anos de 1990, o slogan do Sebrae, “pequenas empresas grandes negócios”, 
não apresentava conformidade com a dinâmica da economia brasileira, pois, entre 1980 
e 1993, o Brasil teve cinco moedas diferentes: cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro 
e cruzeiro real. 
Para refletir
Em uma conta simples, cinco moedas em um período de 13 anos. Observe: o 
Plano Cruzado foi lançado em fevereiro de 1986, aí a conta muda para outro 
patamar, beira a perplexidade. Vamos voltar ao passado e verificar dois planos 
de estabilização implementados nos anos de 1980. Aliás, na historiografia eco-
nômica, a Década Perdida. Como se perdem 10 anos? 
Disponível em: https://www.opopular.com.br/noticias/magazine/super-bra-
ga-1.281749. Acesso em: 22 Ago. 2020.
https://www.opopular.com.br/noticias/magazine/super-braga-1.281749
https://www.opopular.com.br/noticias/magazine/super-braga-1.281749
34
A charge ilustra dois momentos da política de estabilização econômica do governo Sar-
ney, sob o comando do Ministro da Fazenda Dilson Funaro. O cruzado I, lançado em feve-
reiro de 1986, adotou uma política de combate à inflação com base no congelamento de 
preços e salários e mudança da moeda — sai o cruzeiro, entra o cruzado. O plano contou 
com a participação e ânimo dos fiscais do Sarney, embalados pela redemocratização do 
país. Já em novembro do mesmo ano foi lançado o Plano Cruzado II, na tentativa de mi-
nimizar a pressão inflacionária advinda da falta de controle fiscal e fragilidade da política 
monetária. O pacote fiscal, além de ser incapaz de reverter a situação, não teve o apoio 
dos “brasileiros e brasileiras”, culminando na saída do ministro. 
A instabilidade na econômica gera incertezas e consiste em um dos fatores mais per-
versos de concentração de riquezas, pois a perda do poder aquisitivo da moeda impõe 
ônus elevado a quem tem menor nível de renda. Para esse grupo, a proteção do dinheiro 
consiste em estocar feijão, pois, como os preços são majorados diariamente, o estoque 
reduz o custo. Por outro lado, quem tem acesso a um nível de renda elevada se resguarda 
da inflação diversificando suas aplicações. 
Ampliando a análise, no objetivo alto nível de emprego a análise deve ser expandida, pois 
não consiste apenas em geração de emprego, mas em criação de empregos com maior 
grau de complexidade. O efeito de maior nível de qualificação favorece o acesso à renda 
por meio da capacidade de inserção em novos modelos de negócios e mercados. Por 
fim, estabilidade, melhores níveis de emprego, distribuição socialmente justa de renda 
desembocam em crescimento econômico estrutural, consecutivo e sustentável. 
Em relação aos objetivos de política macroeconômica, a abordagem evidencia 
os fatores de curto e de longo prazo. As questões relacionadas ao emprego e 
à inflação são de caráter conjuntural, de curto prazo, e consistem na preocupa-
ção central das políticas de estabilização econômica. Já as questões relativas 
ao crescimento econômico e à distribuição de renda estão direcionadas aos 
aspectos estruturais, de longo prazo, que alicerçam a economia emtermos 
de capacidade produtiva e competitividade. As imagens a seguir apresentam 
uma análise das economias com base na capacidade de produção, ou seja, no 
grau de complexidade produtiva. O Brasil é, eminentemente, um país agrícola; 
consequentemente, apresenta um índice de complexidade em torno de 0.24. 
Na Alemanha o índice de complexidade é 2.02.
Ampliando o foco
35
Fonte: https://atlas.cid.harvard.edu/explore.
Em momento de incertezas a pressão sobre a moeda nacional frente à moeda interna-
cional adiciona maior grau de vulnerabilidade. 
Como minimizar o efeito contágio de uma crise? 
• Encontrar meios de inclusão social com oportunidade para todos.
• Fazer planejamento econômico contemplando todos os setores da sociedade.
A pobreza é fruto da desigualdade social e perpetua-se como um ciclo que se retroali-
menta: níveis reduzidos de acesso à renda impedem investimentos em educação/qualifi-
cação; consequentemente, não muda a realidade social por conta da baixa produtividade. 
https://atlas.cid.harvard.edu/explore
36
A tabela a seguir descreve os fatores que favorecem o crescimento econômico.
Fonte: Samuelson (2015). 
Em novembro de 2019 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE divulgou 
a Síntese de Indicadores Sociais (SIS), revelando a perversa manutenção da pobreza no 
Brasil. O estudo, coordenado por André Simões, ressaltou a importância do enfrentamen-
to do combate à pobreza e redução da vulnerabilidade, como demonstrado no registro 
da pesquisa:
37
Na análise dos dados, com base na métrica adotada pelo Banco Mundial, um quarto 
da população brasileira vive, em média, com aproximadamente 42% do valor do salário 
mínimo. A estabilidade conquistada a partir dos anos de 1994 perdeu impulso no que 
concerne ao componente social.
Para ampliar seu conhecimento veja o material complementar da Unidade 1, 
disponível na midiateca.
MIDIATECA
Em 2011, o economista Marcelo Neri lançou o livro intitulado A nova classe 
média: o lado brilhante da base da pirâmide, em referência à mudança no per-
fil de consumo da sociedade brasileira. Em síntese, o autor evidencia o acesso 
ao emprego e a renda como um dos fatores da redução da desigualdade. Des-
sa forma, a nova classe média impacta tanto o comportamento dos ofertantes 
quanto dos demandantes. 
Como você avalia os efeitos sobre a dinâmica do mercado em relação a:
• Demanda
Você deve elencar um dos fatores que determinam a demanda, principalmente, 
em relação ao fator renda, pois a nova classe média tende a ampliar sua cesta 
de consumo por conta da melhoria de renda.
• Oferta
Você deve elencar um dos fatores que determinam a oferta, principalmente em 
relação à oferta de produtos mais “sofisticados”, voltados para o comporta-
mento/tendências do mercado. 
NA PRÁTICA
38
Resumo da Unidade 1
Nesta unidade vimos uma breve introdução sobre a ciência econômica a partir de 
questões cotidianas, para explicar como elas estão inseridas no método de análise. 
No Tópico 1 a economia é apresentada como parte integrante do ramo das ciências 
sociais, pois estuda o indivíduo em sua relação de produção e consumo. No Tópico 
2 a abordagem recai sobre a divisão do estudo da microeconomia e os aspectos ju-
rídicos inerentes à produção e consumo. O Tópico 3 descreve os objetivos de política 
macroeconômica, com ênfase no papel da estabilidade como um dos requisitos para 
o crescimento econômico. 
39
Referências 
FERREIRA, A. B. H. et al. Miniaurélio Século XXI Escolar: O minidicionário da língua por-
tuguesa. 4. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
GARCIA-MARQUES, L. FERREIRA, M. A. B. Daniel Kahneman: A economia mental e o 
Nobel de economia. Psicologia, v.17, n. 2. Lisboa jul.2003. Faculdade de Psicologia e de 
Ciências da Educação, Universidade de Lisboa. Disponível em: http://www.scielo.mec.
pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-20492003000200016#:~:text=Em%20Outu-
bro%20de%202002%20Daniel,decis%C3%A3o%20em%20condi%C3%A7%C3%B5es%20
de%20incerteza. Acesso em: 2 ago. 2020.
HUGON, Paul. História das doutrinas econômicas. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
OFERTA, demanda e preço de equilíbrio. Videolivraria. Disponível em: http://www2.video-
livraria.com.br/pdfs/14632.pdf. Acesso em: 1º ago. 2020.
SMITH, A. A Riqueza das Nações. Vol. I. São Paulo: Nova Cultural, 1988. (Coleção Os 
Economistas.)
VASCONCELLOS, M. A. S. Economia: micro e macro. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 
VASCONCELLOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 5. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2014.
SAMUELSON, P. A. Economia. 19. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. São Paulo: Atlas, 2015. 
ISBN 978-85-8055-105-1. Minha Biblioteca.
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-20492003000200016#:~:text=Em%20Outubro%20de%202002%20Daniel,decis%C3%A3o%20em%20condi%C3%A7%C3%B5es%20de%20incerteza
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-20492003000200016#:~:text=Em%20Outubro%20de%202002%20Daniel,decis%C3%A3o%20em%20condi%C3%A7%C3%B5es%20de%20incerteza
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-20492003000200016#:~:text=Em%20Outubro%20de%202002%20Daniel,decis%C3%A3o%20em%20condi%C3%A7%C3%B5es%20de%20incerteza
http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-20492003000200016#:~:text=Em%20Outubro%20de%202002%20Daniel,decis%C3%A3o%20em%20condi%C3%A7%C3%B5es%20de%20incerteza
http://www2.videolivraria.com.br/pdfs/14632.pdf
http://www2.videolivraria.com.br/pdfs/14632.pdf
Estruturas de mercado e o papel 
do CADE: defesa do consumidor
e da concorrência
UNIDADE 2
41
A palavra “mercado” nos remete a um local de compras, correto? O local pode ser de pe-
queno porte, como um mercadinho de bairro, comumente chamado de mercearia, ou um 
mercado de grande porte com variedade e diversidade de produtos, caracterizado como 
supermercado e, se acrescentarmos-lhe a seção magazine, venda de roupas e acessó-
rios, passa a ser um hipermercado. 
Contudo, na perspectiva econômica, mercado vai além da designação de lugar. Toman-
do emprestadas duas categorias estudadas em geografia, lugar e território, podemos 
verificar a dimensão da análise proposta, pois temos: 
• Lugar: espaço percebido. 
• Território: espaço delimitado. 
A relação descrita pretende evidenciar que o conhecimento do preço ocorre em um es-
paço percebido, ou seja, no ato de consumir, momento em que o preço de determina-
do produto será confrontado com os demais preços, isto é, em um espaço delimitado 
pela oferta do bem ou serviço. Retornando a visão econômica, mercado significa, em 
sentido amplo, um grupo de compradores e vendedores que estão em contato para 
efetivar trocas. 
Da interação entre indivíduos e empresas surge um sistema de preços que atua como 
norteador da decisão de produção. Porém, algumas perguntas devem ser formuladas: 
Será que o preço de determinado produto está de acordo
com a dinâmica do mercado?
O preço está relacionado ao poder de mercado?
O governo deve influenciar a formação dos preços?
INTRODUÇÃO
42
Nesta unidade você será capaz de:
• Verificar o papel do empresário sob a perspectiva jurídica e econômica em rela-
ção a livre concorrência e defesa do consumidor. 
OBJETIVO
O governo deve determinar o preço de mercado?
Essas questões são essenciais e serão respondidas nesta unidade com o propósito de 
explicar como os preços são formados, além de revelar a importância da concorrência e 
do arcabouço jurídico para eliminar as distorções do mercado. 
Observe que até agora falamos somente de preço e não foram citadas qualidade do 
produto, diferenciação, promoção, entre outros aspectos que determinam o preço. Existe 
uma razão fundamental para isso: os aspectos citados são fatores que influenciam a 
demanda alinhada ao marketing, consequentemente, fora do escopo do estudo proposto 
na análise sobre estruturas de mercado.
43
Estruturas de mercado: concorrência 
perfeita, monopólio e oligopólio 
Para início de conversa, vamos imaginar a tela de um pintor famoso, que,de acordo com 
seu talento, pode valer milhões. Para pintar a tela são indispensáveis alguns itens, como 
pincel, tintas, cavalete entre outros materiais que possibilitam a confecção do quadro, ou 
melhor, da obra do artista. 
A abstração proposta evidencia os setores que são acionados para a criação de uma 
obra, além dos atributos inerentes à pessoa, claro. Então, com o propósito de simplificar 
a análise, o comportamento das empresas independe do setor em que atuam, ou seja, 
recai sobre a capacidade de a empresa interferir na formação dos preços de mercado. 
Dessa forma, o número de empresas concorrentes, o tipo de produto (idênticos ou 
diferenciados) e as barreiras ao acesso de novas empresas são características funda-
mentais para estudarmos as estruturas de mercado. 
Podemos considerar três estruturas representativas, que descrevem o extremo de tipos 
de empresas encontradas no mercado. São elas:
1. Concorrência perfeita: consiste em uma estrutura ideal e está associada a uma 
dinâmica de mercado em que todos os agentes possuem informações sobre os 
concorrentes e não há barreiras à entrada e/ou saída, seja de compradores ou de 
vendedores. Logo, nenhum vendedor ou comprador, isoladamente, tem o poder de 
interferir sobre os preços. 
2. Monopólio: uma única empresa atua sobre o mercado; consequentemente, tem 
poder de determinar o preço, mas, por tratar-se de um único ofertante, o controle 
é direto. Isso significa que as empresas obedecem a critérios definidos por lei para 
atuarem em determinado setor. O monopólio é proibido por lei!
3. Oligopólio: a situação é diferente, pois a estrutura é formada por um pequeno 
grupo de grandes empresas que representam uma fatia significativa do mercado e 
que, por conta de sua estrutura, podem firmar acordos para combinar preços com 
o propósito de aumentar a margem de lucro, consequentemente, em desfavor do 
consumidor e da concorrência. 
As estruturas monopólio e oligopólio caracterizam os mercados imperfeitos.
44
A imagem a seguir ilustra como cada estrutura de mercado influencia a formação 
de preço. 
Observou as cores? Vermelho, amarelo e verde são as cores de um semáforo e signifi-
cam “pare”, “atenção” e “siga”, respectivamente. Por analogia, podemos fazer a mesma 
identificação dos tipos de mercado como uma referência de sinalização. 
O oligopólio representa a cor vermelha, pois no mercado em que empresas têm o po-
der de definir o preço, elas tendem a reduzir a competitividade e o bem-estar da socie-
dade. A cor amarela representa o monopólio, pois uma única empresa domina a ofer-
ta de determinado produto ou serviço, tendo o poder de influenciar o preço. Já a cor 
verde refere-se à estrutura concorrência perfeita e significa a inexistência de barreiras 
à livre circulação de vendedores e compradores, sendo consequentemente incapaz de 
afetar o preço. 
Conseguiu observar que o impacto que cada estrutura de mercado exerce 
sobre o preço consiste no parâmetro de análise? 
PREÇO
PREÇO
PREÇO
PREÇO
PREÇO
Poder sobre o preço.
45
Então, em síntese, temos:
Para finalizar a abordagem, pergunto: e a concorrência monopolista, o que representa?
Representa a situação de mercado em que duas ou mais empresas, cujos produtos 
são semelhantes, mas não substitutos perfeitos, podem manter certo grau de con-
trole sobre os preços. Essa estrutura apresenta uma peculiaridade importante, pois 
contém elementos tanto da concorrência quanto do monopólio, caracterizando uma 
concorrência imperfeita. 
O quadro a seguir apresenta as principais variáveis que caracterizam cada estrutura. 
MONOPÓLIO
Poder de
inflenciar
o preço
CONCORRÊNCIA
Incapaz de
afetar
o preço
OLIGOPÓLIO
Poder de
definir
o preço
46
MERCADO
DE BENS
E SERVIÇOS 
(onde se formam
os preços dos bens)
MERCADO
DE FATORES 
DE PRODUÇÃO
(onde se formam os
preços dos fatores)
PRINCIPAIS VARIÁVEIS
Número
de
Empresas
Diferenciação Barreiras
Concorrência
perfeita
Concorrência
perfeita
Muitas Homogênios Não
Monopólio
Concorrência
imperfeita
Uma
Sem substitutos 
próximos
Sim
Concorrência
monopolista
Monopsônio Muitas
Produto
diferenciado
Não
Oligopólio Oligopsônio Pequeno
Homogênios ou 
diferenciados
Sim
Fonte: elaborado a partir de VASCONCELLOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 5. ed. 
São Paulo: Saraiva, 2014. (capítulo 6)
Até agora vimos que o estudo evidenciou o mercado de bens e serviços, mas, de acordo 
com o quadro anterior, podemos verificar que existe distinção entre o mercado de bens e 
serviços (oferta de bens e serviços) e o mercado de fatores de produção (demanda dos 
recursos de produção). Mas, o que significa mercado de fatores de produção? Na prática, 
a análise recai sobre os fatores inerentes a produção: terra, mão de obra, capital e tecno-
logia. São esses os fatores que definem a capacidade produtiva das firmas, associada à 
demanda por insumos.
No mercado de fatores de produção podemos considerar que: 
• A concorrência perfeita corresponde à abundância na oferta do fator de produ-
ção; consequentemente, não pressiona a formação do preço.
• A concorrência imperfeita está próxima a uma situação real de mercado, pois 
corresponde à capacidade de os vendedores determinarem os preços por meio da 
diferenciação de produtos, publicidade, entre outros que impulsionam a demanda,
• No monopsônio existe apenas um comprador de determinada mercadoria (ge-
ralmente matéria-prima), ou seja, vários produtores ofertam o produto, mas quem 
determina o preço é o único comprador.
• O oligopsônio corresponde a uma estrutura em que poucas empresas, de grande 
porte, são as compradoras de determinado insumo/matéria-prima e podem atuar de 
duas formas: como compradores de pequenos produtores — prática comum entre as 
Características de estrutura de mercado.
47
indústrias alimentícias e seus fornecedores — e como consumidores, em um mercado 
concentrado com poucos e grandes produtores; ocorre quando indústrias vendem a 
indústrias. Por exemplo: a indústria siderúrgica vende para a indústria automobilística. 
A definição de cada estrutura de mercado focaliza o grau de complexidade econômica 
na interação entre ofertantes e demandantes, destacando o porte da empresa como 
fator determinante do grau de concentração, de atuação em segmentos específicos e 
do poder de impactar o preço. Dessa forma, a estrutura concorrência perfeita adiciona 
para o estudo o tipo de mercado ideal, pois cada produtor atuaria com a mais alta taxa 
de eficiência, menor custo e o lucro seria o mínimo necessário. Perfeito, concorda? 
A perfeição, contudo, não existe tanto para a vida cotidiana quanto para a vida econômica. 
O conceito de concorrência perfeita possui valor analítico para o estudo com o propósito 
de sinalizar a melhor estrutura de mercado em favor do consumidor e da concorrência. 
Na prática, os mercados são imperfeitos, caracterizados pelo grau de concentração, 
forças díspares e exercício de poder sobre a determinação do preço. 
“Maquiagem de produto” foi o termo cunhado para designar a estratégia de 
fornecedores em adulterar o peso e o volume do produto, porém mantendo o 
mesmo preço. A manobra surgiu no ano 2000, tendo como caso emblemático 
o papel higiênico, redução na metragem do rolo, depois expandida para outros 
produtos. A medida adotada pelas empresas consistiu em prática ilegal, pois 
prejudica o consumidor em sua decisão de compra por conta da desinforma-
ção. O exemplo evidencia como as empresas criam mecanismos para ampliar 
ganhos em desfavor do consumidor.
Fonte: https://tissueonline.com.br/medida-certa-tamanho-do-papel-higienico-
-e-alvo-de-fiscalizacoes-do-ipem-sp/. Acesso em: 25 Ago. 2020.
Exemplo
https://tissueonline.com.br/medida-certa-tamanho-do-papel-higienico-e-alvo-de-fiscalizacoes-do-ipem-sp/
https://tissueonline.com.br/medida-certa-tamanho-do-papel-higienico-e-alvo-de-fiscalizacoes-do-ipem-sp/
48
O oligopólio constitui uma estrutura em que poucas empresas detêm o controle de par-
cela significativa do mercado.Essa característica reflete a concentração da propriedade 
em poucas companhias de grande porte que ampliam a participação a partir de fusões, 
incorporações ou mesmo eliminando a concorrência. Por conta do pequeno número de 
empresas, pode haver conluio com o intuito de dividir a área de atuação, limitando o cus-
to da concorrência e fixando preços com o propósito de ampliar a margem de lucro. Veja 
algumas delas: 
Cartel
Tipo de acordo com os seguintes objetivos: controle do nível de 
produção e das condições de venda; fixação e controle de preços; 
controle das fontes de insumos; fixação de margem de lucros; e 
divisão de operações por territórios. 
Truste
Tipo de estrutura em que empresas detentoras da maior parte de 
um mercado estabelecem acordos com o propósito de elevar os 
preços para garantir altas margens de lucro.
Dumping
Venda de produtos abaixo do preço de custo com o propósito de 
eliminar a concorrência e ampliar a participação no mercado.
As empresas oligopolistas ajustam seus interesses de forma a exercer domínio sobre o 
mercado e, dessa forma, utilizar práticas desleais de comércio.
No próximo tópico será destacado o papel do CADE, autarquia federal responsável por 
coibir condutas ou práticas anticoncorrenciais, tendo como missão: “zelar pela manu-
tenção de um ambiente concorrencial saudável no Brasil”, ou seja, minimizar os efeitos 
adversos de práticas desleais de comércio.
O oligopólio configura uma das estruturas que apresenta maior grau de com-
plexidade. Por conta do pequeno grupo de grandes empresas, acordos são fir-
mados com base no interesse do grupo. Como consequência, ocorre desfavor 
da concorrência, limitando o bem-estar do consumidor.
Importante
49
Para refletir
Você já ouviu a máxima “a internet não é terra de ninguém”? O cerne dessa dis-
cussão tem como cenário a frase que se popularizou por conta da pulverização 
de conteúdos. 
A internet possibilitou a criação de novos formatos de comunicação para a di-
vulgação de produtos e serviços. As mídias sociais dialogam diretamente com 
os consumidores, facilitando a relação entre as partes. As marcas encontraram 
um mecanismo de divulgação mais barato, segmentado, direcionado e eficien-
te a partir da análise do perfil de consumo. Em contraponto aos benefícios elen-
cados, estão surgindo problemas de responsabilização e fiscalização sobre o 
teor do patrocínio vinculado. 
Os novos hábitos de consumo contam com a publicidade de influenciadoras 
digitais, que atestam a qualidade do produto, chancelando seus benefícios. 
Ocorre que, às vezes, a divulgação sobre os benefícios dos produtos e serviços 
não corresponde à realidade. Então, questionamentos a responsabilidade das 
marcas e divulgadoras começam a surgir. 
A matéria indicada para leitura apresenta uma decisão inédita do Tribunal do 
Rio de Janeiro, que imputou responsabilidade a uma influenciadora digital por 
garantir a qualidade de uma loja de eletrônicos. No caso em questão, a consu-
midora, acreditando nas palavras da profissional, adquiriu um celular que nunca 
chegou, ou seja, foi induzida a erro. 
Para conferir a matéria na íntegra consulte o endereço eletrônico disponível em: 
https://www.migalhas.com.br/quentes/332367/influenciadora-digital-resti-
tuira-seguidora-que-nao-recebeu-compra-de-terceiro#:~:text=A%20Justi%-
C3%A7a%20do%20RJ%20condenou,comprou%20produto%20por%20ela%20
indicado.&text=Assim%2C%20reconheceu%2Dse%20o%20pleito,de%20
R%24%202.639%2C90. Acesso em: 23 Ago. 2020 
https://www.migalhas.com.br/quentes/332367/influenciadora-digital-restituira-seguidora-que-nao-recebeu-compra-de-terceiro#:~:text=A%20Justi%C3%A7a%20do%20RJ%20condenou,comprou%20produto%20por%20ela%20indicado.&text=Assim%2C%20reconheceu%2Dse%20o%20pleito,de%20R%24%202.639%2C90
https://www.migalhas.com.br/quentes/332367/influenciadora-digital-restituira-seguidora-que-nao-recebeu-compra-de-terceiro#:~:text=A%20Justi%C3%A7a%20do%20RJ%20condenou,comprou%20produto%20por%20ela%20indicado.&text=Assim%2C%20reconheceu%2Dse%20o%20pleito,de%20R%24%202.639%2C90
https://www.migalhas.com.br/quentes/332367/influenciadora-digital-restituira-seguidora-que-nao-recebeu-compra-de-terceiro#:~:text=A%20Justi%C3%A7a%20do%20RJ%20condenou,comprou%20produto%20por%20ela%20indicado.&text=Assim%2C%20reconheceu%2Dse%20o%20pleito,de%20R%24%202.639%2C90
https://www.migalhas.com.br/quentes/332367/influenciadora-digital-restituira-seguidora-que-nao-recebeu-compra-de-terceiro#:~:text=A%20Justi%C3%A7a%20do%20RJ%20condenou,comprou%20produto%20por%20ela%20indicado.&text=Assim%2C%20reconheceu%2Dse%20o%20pleito,de%20R%24%202.639%2C90
https://www.migalhas.com.br/quentes/332367/influenciadora-digital-restituira-seguidora-que-nao-recebeu-compra-de-terceiro#:~:text=A%20Justi%C3%A7a%20do%20RJ%20condenou,comprou%20produto%20por%20ela%20indicado.&text=Assim%2C%20reconheceu%2Dse%20o%20pleito,de%20R%24%202.639%2C90
50
O papel do Conselho Administrativo de 
Defesa Econômica (CADE) em defesa do 
consumidor e da concorrência 
A relação entre oferta e demanda parte do princípio basilar de equilíbrio, pois, apesar de 
interesses divergentes, o objetivo fim de cada agente econômico consiste em maximizar 
escolhas individuais, com o propósito de:
Então, da interação entre ofertantes e demandantes o preço de equilíbrio é formado! A 
análise descrita evidencia como empresas e consumidores decidem o preço e a quanti-
dade com base na interação no mercado. 
A perspectiva do estudo do mercado em seu conjunto, aspecto inerente à microecono-
mia, deixa de ser o pressuposto teórico quando a ênfase da análise recai sobre o com-
portamento da empresa, ou seja, o escopo da análise passa para o preço de venda e não 
mais sobre o preço de mercado. Dessa forma, o preço será determinado pelos custos 
de produção em uma abordagem contábil-financeira. 
A partir do comportamento da empresa, com base nos custos de produção, a tendência 
natural ao equilíbrio se desfaz.
Satisfazer as
necessidades da
sociedade.
Suprir sua própria
necessidade.
D
EM
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N
D
A
M
 B
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S 
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SE
R
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IÇ
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A
 B
EN
S 
E 
SE
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IÇ
O
S 
51
Até agora observamos que o estudo colocou em relevo o interesse das empresas em 
ofertar produtos e serviços, mas outro aspecto será adicionado à análise, pois as organi-
zações visam maximizar também seus lucros. 
Como fica a dinâmica do mercado quando o interesse das empresas vai 
além de suprir a demanda?
Para início de conversa, precisamos estabelecer o significado de empresa na perspecti-
va econômica, contábil e jurídica, principalmente, definir a especificidade do estudo em 
cada área e a contribuição para a ciência econômica. 
Perspectiva 
econômica
Empresa (ou 
estabelecimento 
comercial) consiste 
na combinação 
realizada pelo 
empresário dos 
fatores de produção 
(terra, trabalho, 
capital e tecnologia), 
organizados com o 
propósito de obter 
o maior volume 
de produção ou 
de serviços e com 
menor custo. 
Perspectiva 
Jurídica
O empresário 
representa o 
sujeito da atividade 
econômica e a 
empresa consiste em 
uma relação jurídica 
que une o sujeito ao 
objeto da atividade 
econômica.
Perspectiva 
Contábil
Empresa consiste 
em toda entidade 
resultante de 
uma organização 
humana, com vida e 
patrimônio próprios, 
a qual, de forma 
semelhante às 
pessoas físicas, está 
sujeita a direitos e 
obrigações.
QUAL O SIGNIFICADO
DE EMPRESA?
52
Retornando à análise estritamente econômica, o empresário busca a maximização do lu-
cro total, otimizando a utilização dos recursos produtivos disponíveis (teoria tradicional), 
ou ainda com o propósito de ampliar sua participação no mercado por meio de aumento 
nas vendas e maximização da margem sobre os custos de produção, independentemen-
te da demanda do mercado (teoria da organização industrial). 
Podemos concluir que a empresa exerce papel preponderante na atividade econômica, 
pois direta ou indiretamente está a serviço da sociedade. 
Na prática, a empresa atua em prol do bem-estar da sociedade?
A empresaenfatiza a coletividade ou o próprio interesse?
Qual é a “vocação” das empresas?
O principal objetivo de uma empresa é obter lucro para seus proprietários. Com 
certeza, ninguém irá discordar dessa afirmativa! Todas as decisões importan-
tes de produção (o que, quanto e como produzir) partem do critério do retorno 
do capital investido; portanto, do lucro.
No entanto, a margem de lucro de uma empresa não deve estar apenas as-
sociada à diferença entre a receita das vendas e as despesas da produção. 
Em um mercado competitivo, a redução de custos por meio de eficiência na 
alocação de recursos de produção consiste em uma estratégia voltada para 
obter/ampliar o lucro. Nesse caso, a taxa de lucro mede também o desempe-
nho ou eficiência da empresa, tanto do ponto de vista técnico quanto do ponto 
de vista econômico. 
Importante
53
As respostas serão apresentadas na tabela a seguir, de acordo com as intencionalidades. 
Observe:
PECADOS E VIRTUDES DA EMPRESA
PECADO VIRTUDE INTENCIONALIDADE
Orgulho Humildade
Orgulho é o princípio dos demais pecados, pois 
caracteriza a vaidade e a soberba, quando a em-
presa busca assumir o papel de toda poderosa do 
mercado. Em contraposição, humildade evidencia 
a importância de todos os atores e capacita a em-
presa a compreender as inter-relações entre indi-
víduos, de forma ética e com base nos desafios 
atuais, em especial às questões ambientais.
Avareza Generosidade
Avareza consiste no desejo desordenado de a em-
presa dominar o mercado, reter o lucro e acumu-
lar capital em detrimento de geração de emprego 
e renda. Decerto a empresa não exerce papel ca-
ridoso, mas, ao amparar seus ganhos na concen-
tração de mercado e retenção dos lucros, tende 
a reduzir o bem-estar da sociedade. Atuar com 
generosidade significa que a empresa incorpora 
a dimensão social e ambiental em seu negócio.
Inveja Caridade
Inveja adiciona nas decisões da empresa estraté-
gias que visam canibalizar o mercado, ou seja, a 
empresa busca eliminar a concorrência por meio 
de práticas desleais. O invejoso não compreende 
empresas que atuam a partir das demandas da 
sociedade, incorporando aspectos inerentes a 
qualidade de vida, voluntariado e responsabilida-
de socioambiental, pois são empresas caridosas 
no sentido ético: todos importam! A inveja cega 
decisões em prol da comunidade.
54
Ira Mansidão
Ira encontra formas de culpar terceiros por suas 
decisões. A empresa raivosa utiliza à máxima 
“quem planta colhe” de forma avessa, ou seja, as 
decisões são reativas. A mansidão reveste a em-
presa de cautela na análise do mercado. Dessa 
forma, a empresa tende a reorganizar estratégias 
de acordo com a expansão e a retração do ciclo 
de crescimento, conquistando e mantendo seu 
posicionamento no mercado.
Luxúria Castidade
Luxúria representa o mau uso da missão, visão e 
valores da empresa, ou seja, palavras descritas 
de forma sedutora, mas sem lastro em ações. A 
castidade representa as empresas que respeitam 
o compromisso tácito firmado com a sociedade.
Gula Temperança
Gula representa a voracidade das empresas em 
querer engolir a concorrência e abocanhar mais 
fatias do mercado sem investimentos em inova-
ção e na capacidade produtiva. Já as empresas 
que atuam com temperança maximizam o lucro 
por meio de equilíbrio entre inovação e eficiência.
Preguiça Diligência
Preguiça consiste na negação do esforço, estan-
do associada à empresa ancorada em sua zona 
de conforto, ou seja, são companhias com anos 
de atuação, porém incapazes de perceber as 
transformações do mercado. A empresa diligente 
valoriza as partes envolvidas no negócio, é visio-
nária e projeta cenários futuros, em especial assu-
mindo protagonismo para as mudanças de rumo.
Se as empresas oscilam entre pecado e virtude, particularmente sobre sua identidade 
em relação ao bem-estar da sociedade, cabe ao órgão regulador resgatar a sanidade das 
empresas com vistas a um ambiente concorrencial saudável, adicionando visão integra-
da entre suas ações e o resultado para a sociedade e o meio ambiente, papel desempe-
nhado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE.
55
O CADE foi criado pela Lei nº 4.137/1962, como um órgão do Ministério da Justiça, com 
as atribuições de fiscalizar a gestão econômica e o regime contábil das empresas. Em 
junho de 1994, de acordo com a Lei nº 8.884, o órgão passou a ser vinculado ao Minis-
tério da Justiça, transformado em uma autarquia em regime especial com jurisdição em 
todo território nacional. 
O CADE atua em duas linhas:
No controle das estruturas de mercado 
Verificar atos que resultem em concentração econômica.
Coibindo condutas ou práticas anticoncorrenciais 
Fiscalizar a fixação de preços, vendas casadas, acordos de exclusividade, cartelização 
de mercados e preços predatórios. 
Por suas atribuições, o CADE exerce papel preponderante contra o abuso do poder eco-
nômico em favor da livre concorrência e do consumidor, em prol do desenvolvimento 
econômico e social do país. As palavras do ex-presidente do CADE, Vinicius Marques de 
Carvalho (2013), expressam o compromisso com a inclusão, por meio de um ambiente 
concorrencial saudável, isento de distorções: 
Foi com o objetivo de assegurar a todos existência digna, conforme os 
ditames da justiça social, que o constituinte de 1988 legou à sociedade e 
ao Estado brasileiro, nos termos do artigo 170 da Constituição Federal, 
a missão de construir uma ordem econômica fundada na valorização 
do trabalho humano e na livre iniciativa, observados os princípios da 
livre concorrência e da defesa do consumidor. Um dos principais desa-
fios rumo à efetivação de tais princípios reside, certamente, na eficiente 
repressão ao abuso do poder econômico e seus efeitos negativos à so-
ciedade. A dominação de mercados gera ineficiência, produtos e servi-
ços de baixa qualidade, pouca inovação tecnológica, preços abusivos 
e aumento da concentração da renda. (CADE, 2013, p. 13)
56
Palavras vigorosas que evidenciam a importância da regulação para consolidar os prin-
cípios constitucionais inerentes a uma sociedade justa e igualitária. A desmedida relação 
entre as forças de mercado e a sociedade, consolida o papel do CADE na aplicação admi-
nistrativa da legislação contra o abuso de poder econômico, exercendo relevante função 
na ordem econômica. 
Com a missão de zelar por um ambiente concorrencial saudável e ser reconhecido como 
instituição essencial para o funcionamento da economia brasileira, o CADE pauta suas 
ações em três perspectivas: resultados à sociedade; objetivos habilitadores e funda-
mentos. A imagem a seguir apresenta o mapa estratégico do CADE, triênio 2017-2020: 
No âmbito de suas competências, o CADE atua em funções essenciais de caráter pre-
ventivo, repressivo e educativo. No relatório de gestão 2018, Capítulo 2 - Governança do 
CADE, a direção estratégica e o alinhamento com as partes interessadas evidenciam a 
integração com as boas práticas de gestão. A figura a seguir apresenta de forma esque-
mática o modelo de governança do CADE:
57
A formação de uma cultura de transparência incorporada às ações e decisões do CADE, 
está alinhada ao objetivo de responder demandas de diversos atores, com adoção de 
práticas sintonizadas aos requisitos globais de governança.
Na esteira dos anos de 1960, o conceito de responsabilidade socioambiental 
começa a ser debatido a partir de iniciativas globais sobre o esgotamento dos 
recursos naturais e direitos do consumidor. No epicentro dos debates estão as 
empresas e sua relação com a sociedade e o meio ambiente. Para fundamentar 
a análise vamos destacar o direito do consumidor, pois o acesso à informação 
passa a ser parâmetro para as decisões de consumo: segurança, escolha, re-
clamação, indenização, educação e ambiente saudável constituem o conjunto 
de medidas que devem ser consideradas na relação entre empresas e consu-
midores. Especificamente, os produtos ofertados no mercado devem apresen-
tar em seus rótulos uma série de informaçõesatinentes às propriedades dos 
produtos, mas nem sempre foi assim. Anteriormente, a preocupação era exclu-
sivamente estética para a identificação da marca junto aos consumidores e os 
rótulos apresentavam informações genéricas sobre o produto. No Brasil, desde 
1960 há legislação em defesa da concorrência, mas, por conta da proteção à 
indústria nacional e dos elevados índices de inflação foi pouco efetiva. Em 11 
de setembro de 1990 o Código de Defesa do Consumidor foi sancionado, Lei nº 
8.078, dispondo sobre a proteção do consumidor.
Exemplo
58
Vamos fazer uma pausa para uma xícara de chocolate. Aceita?
Agora, se Nescau é a energia que dá gosto... a resposta dependerá da preferência 
do consumidor!
Em síntese, o poder de mercado consiste em uma anomalia para a dinâmica econô-
mica, pois além de imputar danos a sociedade interfere na competitividade e na for-
mação dos preços. Assim, a livre concorrência permite extrair a máxima eficiência na 
alocação de recursos produtivos, conduzindo o mercado ao maior nível de inovação e 
complexidade econômica.
59
Para refletir
Cada área apresenta uma linguagem específica, um jargão da profissão ou ain-
da uma palavra-chave, que ao ouvirmos nos remete a determinado conheci-
mento. Por exemplo, a palavra CUSTOS tende a direcionar nossa atenção ao 
profissional de contabilidade. O contador, anteriormente chamado de guarda-li-
vros, é responsável pelo setor que cuida das contas da empresa por meio do re-
gistro e do controle das receitas, das despesas e dos lucros. Porém, em ciência 
econômica CUSTOS tem sua importância e, diferentemente da contabilidade, 
em economia, custos não estão associados apenas à despesas. Como assim? 
Calma! Segue a explicação sobre cada abordagem:
Visão
contábil 
Custos explícitos. Representa os valores apurados 
na coleta, classificação e registro de dados operacio-
nais das diversas atividades da empresa. Os dados 
coletados podem ser tanto monetários como físicos 
e, a partir da classificação, são acumulados, organi-
zados, interpretados e registrados para fornecer in-
formações operacionais, dando suporte a diversas 
atividades do negócio.
Visão
econômica 
Custos implícitos. Representa os custos decorrentes 
das oportunidades sacrificadas, ou seja, os custos de 
oportunidade. Na economia, os custos não são ape-
nas considerados como desembolsos financeiros in-
corridos pela empresa, mas incluem também na aná-
lise quanto as empresas gastariam se tivessem de 
alugar ou comprar no mercado os insumos que são 
de sua propriedade. Dessa forma, a análise recai so-
bre o melhor uso alternativo dos recursos produtivos.
Então, em contabilidade custos são mensurados de forma objetiva, ou seja, de 
acordo com os gastos associados ao processo produtivo. Já em economia, 
a análise ganha dinamismo, pois fatores como oportunidade, relação custo/
benefício e externalidades agregam o “estado da arte” nas decisões sobre a 
análise de custos.
60
Teorema de Coase e as externalidades
Para iniciarmos o assunto proponho pensarmos em uma determinada situação. Vamos en-
trar de férias e começamos a pesquisar um lugar paradisíaco para viajar. Fizemos buscas 
em sites para escolha do local ideal, comparamos preços com o propósito de avaliar a rela-
ção custo- benefício, e visualizamos as imagens com a paisagem e acomodação. Por fim, 
nos encantamos com uma fotografia que “descreve” o lugar ideal. Pronto, decisão tomada! 
Ao chegar, ficamos encantados e felizes pela assertividade da escolha. Porém, o en-
cantamento é interrompido quando um ruído ensurdecedor começa a tomar conta do 
ambiente. Então, ao perguntar ao atendente de onde vem o barulho somos informados 
de que na parte dos fundos do hotel funciona uma oficina mecânica e, entre os serviços 
ofertados, turbinar motor de moto é o principal. Logo, a conta começa a pesar no bolso, 
pois ao adicionar um custo não contabilizado e de difícil mensuração repensamos a es-
colha feita. A natureza é linda, mas a poluição sonora reduz o bem-estar. 
A breve narrativa ilustra de forma simplificada o custo de transação observado por Ro-
nald Coase, em uma análise sobre os impactos econômicos, positivos ou negativos, do 
consumo ou da produção de um indivíduo sobre outro. Mas, quem é Ronald Coase? Qual 
sua contribuição para a ciência econômica? 
Podemos nos deparar com a informação de que Ronald Coase foi um brilhante advogado. 
Sim, Coase foi mesmo brilhante, mas como economista.
A confusão em relação à sua formação está baseada na carreira docente exercida na 
Faculdade de Direito da Universidade de Chicago. O contato com as questões jurídicas 
das empresas e os efeitos sobre o mercado passou a ser objeto de seus estudos. 
Coase era economista de formação e de nacionalidade 
britânica. Em 1937, com a publicação do livro A natureza 
da firma, a preocupação central de Coase ficou eviden-
ciada. Ao buscar explicar a natureza e os limites de uma 
empresa, lançou luz sobre novas abordagens a respeito 
de externalidades e relação jurídica integrada a efeitos 
sociais gerados por empresas. Em 1991 recebeu o Prê-
mio Nobel de Economia pela contribuição ao estudo da 
microeconomia por incorporar os custos de transação e 
explicar seus efeitos sociais.Ronald Harry Coase
61
No livro A firma, o mercado e o Direito em sua primeira edição, em 1988, Coase apro-
xima ainda mais o direito da economia ao revelar os desdobramentos das atividades 
empresariais e os impactos sobre o mercado com base nos custos de transação. Dessa 
forma, o economista observa que, para haver harmonia de interesses, deve existir segu-
rança jurídica como substrato da estabilidade entre mercado, sociedade e meio ambien-
te. Ao limitar o poder e o alcance das corporações, em termos de externalidades geradas, 
adiciona aspectos endógenos inerentes à produção, consumo e investimento.
O movimento antivacina teve como marco a publicação do estudo do médico 
britânico Andrew Wakefieldem, em 1998, pela revista Lancet, referência de es-
tudos na área científica. A pesquisa relacionava a vacina tríplice viral (contra 
caxumba, sarampo e rubéola) ao autismo. Para chegar a essa conclusão, das 
12 crianças citadas no artigo, oito manifestaram a doença duas semanas após 
receberem a aplicação da vacina. Para o pesquisador, o sistema imunológico 
sofreu uma sobrecarga. 
Anos depois, a comunidade científica refutou os dados do estudo e, posterior-
mente, a verdadeira intencionalidade da pesquisa foi revelada: as informações 
sobre os pacientes foram alteradas e o médico estava envolvido com advoga-
dos para lucrar em processos contra os fabricantes de vacina.
Após o episódio a revista Lancet se retratou e retirou o estudo de seu acervo de 
artigos científicos. Apesar da publicidade sobre a farsa e os interesses escusos 
revelados sobre o estudo, a publicação da pesquisa dividiu a opinião pública. 
Atualmente, um grupo significativo de pais e responsáveis questionam a vaci-
nação como forma de preservar a saúde. 
Ampliando o foco
Na perspectiva econômica, a vacinação gera externalidades positivas de caráter pre-
ventivo, pois, além de erradicar doenças, reduz gastos com o setor de saúde (remédios 
e internações). Na perspectiva do direito, questões religiosas e/ou filosóficas, inerentes 
à liberdade individual, não devem sobrepor-se à dimensão objetiva do direito à saúde e 
em prol do coletivo — garantias constitucionais. Irônico é que no ano de 2020, por con-
ta da crise viral advinda da pandemia do Covid-19, os países uniram forças para criar 
uma nova vacina! 
62
Em uma visão alicerçada na tradicional teoria da firma a empresa é estudada com cer-
to grau de abstração, pois seu objetivo consiste em maximizar lucros, com ênfase nos 
processos de produção: 
• Função.
• Custos.
• Objetivos da empresa. 
O argumento, ainda que amparado em uma simplificação, evidencia que a empresa ma-
ximiza seus lucros com toda a informação e certeza disponíveis, sem afetar sua estrutu-
ra orgânica. Outras áreas de conhecimento foram adicionandoingredientes importantes 
para o estudo da teoria da firma, concentrando esforços nos processos de decisão e no 
modo como afeta a dinâmica das empresas. 
Retornado a Coase, no núcleo de sua análise está a empresa, em duas dimensões:
• Na dimensão da ciência do direito: consiste em uma propriedade privada repre-
sentada pela pessoa jurídica.
• Na dimensão da ciência econômica: está inserida na dinâmica do mercado por 
meio do papel exercido pelo ofertante de bens e serviços. 
Em comum, as duas ciências têm como escopo de análise a função social da empresa 
e o papel articulador desempenhado ao integrar o Estado, o mercado, a sociedade e o 
meio ambiente como resultado de suas ações. 
De acordo com Mackaay (2020, p. 519): 
[...] a empresa constitui uma forma de organização dos recursos que 
pode superar o mercado minimizando os custos de transação. A redu-
ção de custos se dá mediante atribuição ao empresário de autoridade no 
que concerne à realização da operação- fora da empresa, os movimen-
tos dos preços direcionam a produção que é coordenada por uma série 
de trocas no mercado. Dentro da empresa, essas trocas são eliminadas 
e o mercado, estrutura complexa caracterizada pelas trocas, é substituí-
do pelo empresário coordenador que dirige a produção. 
Partindo das particularidades da empresa sob a ótica econômica e jurídica emerge a 
contribuição de Coase. 
63
Ao adicionar os custos de transação advindos das decisões dos empresários, são con-
frontados fatores endógenos aos resultados inerentes ao mercado. Como conclusão, 
há custos implícitos, mas que não são neutros, pois causam efeitos adversos à dinâmi-
ca do mercado. O ponto de ancoragem para discutir as inter-relações entre as diversas 
empresas atuantes em um mesmo tipo de negócio, independentemente do segmento, 
corrobora a tese de existirem preços desconhecidos em uma decisão de produção/ne-
gociação que afeta os demais agentes econômicos. 
A crise viral e sanitária que assolou o Brasil e o mundo no ano de 2020, por 
seu alcance, passou a ser categorizada como uma pandemia. Para minimizar 
o efeito-contágio da Covid-19, além do isolamento social, medidas de caráter 
preventivo foram adotadas. A imagem a seguir apresenta informações sobre 
sintomas, contágio e prevenção da Covid-19: 
Disponível em: https://www.drakeillafreitas.com.br/novo-coronavirus. Acesso em: 07 
Set. 2020.
O exemplo ilustra como a vida em sociedade depende da ação conjunta de 
cada cidadão. Dessa forma, o comportamento de cada indivíduo será direta-
mente proporcional à redução de internação, óbitos e controle do contágio.
Exemplo
https://www.drakeillafreitas.com.br/novo-coronavirus
64
O economista George Stigler, lau-
reado com o Nobel de Economia em 
1982, foi o responsável por associar a 
abordagem de Coase a um teorema 
por conta da proposição e processo 
lógico na sistematização do estudo. O 
Teorema de Coase deu sentido práti-
co à teoria da firma, principalmente, ao 
relacionar economia e direito na regu-
lação dos mercados. 
George Joseph Stigler
O Teorema de Coase evidencia O problema do custo social, dando ênfase ao binômio 
empresa-sociedade, baseado no resultado econômico com lastro na realidade dos mer-
cados e no comportamento humano. A relação custo-benefício de uma atividade econô-
mica passa a ser determinante para expor custos que, em uma primeira análise parecem 
inexistentes, mas que, a partir dos resultados obtidos, embutem ônus e impactam nega-
tivamente os demais agentes econômicos, reduzindo o bem-estar da sociedade.
Portanto, as externalidades geradas pelas ações das empresas acarretam 
efeitos sobre indivíduos e companhias e, esses custos/benefícios não se re-
fletem nos preços, mas sim na dinâmica do próprio mercado. 
Para refletir
O Diário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro publicou nesta quarta-feira, 
25/09/2020, a promulgação da lei de autoria do vereador Luiz Carlos Ramos 
Filho (Podemos), que permite cães na praia. O Projeto de Lei nº 980/2019 foi 
aprovado pela Câmara no final do mês de agosto. Nas palavras do vereador 
(LUCENA, 2019, adaptado): 
65
“A promulgação desta lei é uma grande vitória da causa animal. Agora 
vamos batalhar para que a prefeitura regulamente o mais rapidamente 
possível. [...] Eu sugiro que seja feito um plano-piloto. Poderíamos co-
meçar com um espaço na praia de Copacabana, por exemplo, para tes-
tar. Tenho certeza de que a população vai respeitar as regras e teremos 
menos incidentes nas praias, vou pedir uma agenda com o prefeito 
para tratar da regulamentação da lei”. E finaliza: “O projeto cria regras 
que deverão ser respeitadas. É muito injusto atribuir aos animais a su-
jeira nas praias da cidade. Quem suja é o ser humano”, afirmou o verea-
dor, que é presidente da Comissão de Defesa dos Animais da Câmara. 
Expectativa do Projeto de Lei 
Projeto de Lei nº 980/2019:
“Segundo o texto, a liberação é 
válida em todas as praias cario-
cas, sob algumas condições. Só 
poderão circular cães com coleira, 
vermifugados e vacinados. Além 
disso, os donos deverão portar os 
comprovantes da saúde do ani-
mal, retirar as fezes do animal e 
descartá-las em local apropriado, 
como lixeiras”...
Realidade do Projeto de Lei 
66
“Tenho dois cachorros da raça Staffordshire Bull terrier, Buddy e Bella, 
são lindos e amores da minha vida. Mas, por terem a boca tão grande, 
assustam as criancinhas” (Palavras da autora, 2020)
Se o legislador considerasse as externalidades, como o espaço de convívio em 
todas as faixas de idade, ter medo ou não de animais, horário de maior fluxo e 
entre outras, certamente teria avaliado outras variáveis em sua decisão. Mais 
senso, sem favor! 
Para fazer a leitura da reportagem Cachorros derrubam criança na areia da 
Praia dos Ingleses na íntegra, visite a página http://g1.globo.com/sc/santa-
-catarina/videos/v/cachorros-derrubam-crianca-na-areia-da-praia-dos-ingle-
ses/3046305/.
Ampliando o foco
http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/videos/v/cachorros-derrubam-crianca-na-areia-da-praia-dos-ingleses/3046305/
http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/videos/v/cachorros-derrubam-crianca-na-areia-da-praia-dos-ingleses/3046305/
http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/videos/v/cachorros-derrubam-crianca-na-areia-da-praia-dos-ingleses/3046305/
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Para ampliar seu conhecimento veja o material complementar da Unidade 2, 
disponível na midiateca.
MIDIATECA
A “nova economia”, foi o termo cunhado pelo economista e jornalista Michael 
J. Mandel, em artigo publicado pela revista BusinessWeek, edição de dezembro 
de 1996. Mendel registrou as tendências advindas das possibilidades tecnoló-
gicas e, de certa forma, registrou o esboço de outra concepção na relação de 
produção e consumo. O estouro da bolha da internet entre março de 2000 e 
início do ano 2001, vinculado às empresas ponto.com, provocou um choque de 
realidade no mercado, mas não uma mudança de rumo, pois os serviços via 
rede ganharam/ganham cada vez mais relevância. 
A reportagem a seguir corrobora com os contornos dessa “nova economia”, 
colocando em relevo os desafios da relação entre empresa e consumidor. Leia 
a matéria e veja as questões envolvidas.
NA PRÁTICA
Por um consumidor cada vez mais poderoso
Quando começamos nossa jornada empreendedora na inter-
net, há mais de 15 anos, eu e meus sócios, na ocasião quatro 
jovens universitários, tínhamos um sonho: inverter a lógica do 
mercado, dando maior poder ao consumidor para pesquisar 
e comparar preços com uma ferramenta de busca capaz de 
promover a livre concorrência e de deixar mais transparente 
quais as melhores ofertas disponíveis no comércio eletrônico.
68
Imaginávamos que, com o crescimento do varejo on-line, che-
garia o dia em que não somente os grandes players teriam 
condições de disputar a atenção do consumidor, mas também 
os pequenos lojistas estariam aptos a concorrer e crescer den-
tro de um ambiente consideravelmente mais acessível e de-
mocrático do que o varejo tradicional.
Nosso sonho foi realizado. Hoje, o Buscapéreúne um universo 
de mais de 30 mil lojas em seu mecanismo de busca, que ofe-
recem mais de 15 milhões de itens diferentes e atraem cerca 
de 60 milhões de visitantes únicos todos os meses, interes-
sados em encontrar e fechar o melhor negócio. Seguindo a 
premissa da economia de mercado, construímos um busca-
dor que naturalmente forçou o varejo a ser mais competitivo e 
a evoluir para um atendimento cada vez mais customizado e 
alinhado com os desejos dos consumidores.
Há alguns dias recebemos uma notícia que renovou nossas 
esperanças de garantirmos um futuro para o e-commerce 
dentro de um ambiente saudável e propício para estimular a 
competitividade em benefício dos consumidores. A Comis-
sária de Competição da União Europeia, Margrethe Vestager, 
reconheceu que o Google usa sua posição dominante para 
promover seus próprios serviços e tornar mercados viáveis, 
especialmente o Google Shopping. A acusação formal pode 
resultar em uma multa de 6 bilhões de euros contra a empresa 
americana, que tem algumas semanas para responder à acu-
sação antes do veredicto da UE.
Para que o leitor possa entender o que significa esta ameaça 
monopolista, imagine que, antes de sair às compras, o con-
sumidor faça uma pesquisa na internet para encontrar a me-
lhor oferta. Mas, em vez de contar com um buscador neutro, 
que lista resultados mais baratos e adequados ao que busca o 
consumidor, receberá em destaque somente as sugestões de 
ofertas que atendam aos interesses comerciais do próprio bus-
69
cador, no caso o Google Shopping. Não é difícil imaginar como 
esta concentração será nociva aos próprios consumidores, 
que aos poucos se tornam reféns de todo e qualquer serviço 
oferecido pelo Google.
Indiscutível a importância dos sites de busca para uma me-
lhor experiência na internet. Eles sempre foram e continuarão 
sendo a porta de entrada da web, inclusive para quem está 
pesquisando e comparando produtos e serviços. Mas a forte 
predominância internacional de um único player no mercado 
de buscas vem se apresentando como uma barreira à livre 
concorrência. No Brasil, o Google responde por quase 100% 
das buscas feitas na rede. Além disso, tem as chaves de ou-
tras duas portas de entrada na internet: o navegador Chrome 
e o sistema operacional Android, reforçando ainda mais seu 
monopólio e a possibilidade de manipular os resultados de 
busca, confundindo os consumidores, que, ao acessarem os 
primeiros links listados, estarão certos de que aquelas seriam, 
de fato, as melhores ofertas disponíveis na rede.
Ledo engano. Como a maioria dos usuários sempre clica em 
um dos três primeiros links dos resultados de busca, fica mar-
cada a deslealdade com concorrentes e consumidores, trazen-
do a urgência de defender a isonomia com regulamentação 
que venha garantir neutralidade nas buscas.
Esta prática anticompetitiva foi representada em 2011 pelo 
Buscapé e o Bonfdaro ao CADE em nome dos comparadores 
de preços brasileiros. Em 2013, o órgão instaurou três proces-
sos administrativos contra o Google e estamos confiantes de 
que a decisão no Brasil seguirá a tomada pela UE a fim de im-
pedir o abuso de poder econômico e para dar poder a quem 
realmente importa: o consumidor.
Fonte: http://www.romerorodrigues.com/por-um-consumidor-
--cada-vez-mais-poderoso. Acesso em: 5 Set. 2020.
http://www.romerorodrigues.com/por-um-consumidor--cada-vez-mais-poderoso
http://www.romerorodrigues.com/por-um-consumidor--cada-vez-mais-poderoso
70
Com base na reportagem podemos responder às questões:
1. Qual é o segmento da empresa? Mercado eletrônico. 
2. Qual estrutura de mercado a empresa representa? Oligopólio.
3. “Seguindo a premissa da economia de mercado, construímos um buscador 
que naturalmente forçou o varejo a ser mais competitivo e a evoluir para um 
atendimento cada vez mais customizado e alinhado com os desejos dos con-
sumidores”. De acordo com o trecho destacado, o que significa a afirmativa 
destacada em negrito? Que o consumidor terá acesso aos preços praticados 
pelas empresas de forma rápida; consequentemente, terá mais informações 
para decidir sua cesta de consumo. 
4. Qual o papel do CADE diante da representação formalizada pela empresa 
Buscapé? O órgão instaurou três processos administrativos contra o Google.
71
Resumo da Unidade 2
Nesta unidade apresentamos as principais estruturas de mercado, o papel do CADE em 
defesa do consumidor e da concorrência e o Teorema de Coase. No Tópico 1 as estru-
turas de mercado são descritas nos mercados de bens e serviços e mercado de fatores 
de produção, evidenciando como os preços são formados do ponto de vista da empre-
sa, ou seja, com ênfase no custo de produção. No Tópico 2 o papel e a importância do 
CADE são discutidos com base em suas ações de caráter preventivo, repressivo e edu-
cativo, e o alinhamento do órgão com os requisitos globais de governança. Por fim, o 
Tópico 3 destaca o Teorema de Coase e as externalidades geradas a partir da produção 
ou do consumo. 
72
Referências 
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contra a ordem econômica e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da Repú-
blica, 11 jun. 1994. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8884.htm. 
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73
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Funções do Estado na economia. 
Constituição Federal Brasileira 
de 1988: interface entre direito 
e economia 
UNIDADE 3
75
O diálogo entre diversas áreas propicia incorporar abordagens a partir da especificidade 
de cada estrutura do conhecimento. Compreender a contribuição de cada análise tende 
a ampliar o alcance social de medidas adotadas na política governamental, norteadora 
da dinâmica econômica, e verificar os efeitos sobre o mercado como resultados para a 
sociedade e o meio ambiente. 
A Constituição Federal zela pelo ordenamento jurídico do país, já a economia como 
ciência social, operacionaliza a produção, distribuição e consumo de bens e serviços. A 
contraposição entre autonomia e heteronomia, empresa e mercado, indivíduo e socie-
dade, coloca em relevo regras instituídas em preceitos, particularmente pautadas em 
medida de valor. 
O ganho tem que ter valor superior ao que é perdido. Porém, como mensurar? Difícil 
equação, concorda? São muitas icógnitas, pois escolhas devem ter como resultado o 
efeito agregado, ou seja, contemplar os diferentes arranjos e atores sociais. É com esse 
espírito que a Constituição de 1988 foi redigida e, por ter a alcunha de cidadã, desenha os 
desafios de uma redação voltada para a universalição de direitos e corresponsabilidade 
do indivíduo. O ponto de convergência entre os princípios constitucionais e os objetivos 
macroeconômicos consiste no bem-estar da sociedade, traduzido por meio da sintonia 
entre direito e economia, pois uma sociedade justa e igualitária pressupõe harmonia de 
interesses em prol da inclusão e redução de desigualdades.
Com o propósito de exemplificar a abordagem da presente unidade, destaco a palavra 
JUSTIÇA, pois, inerente às duas ciências, justiça representa a simbiose entre direito e 
INTRODUÇÃO
76
economia. Na ciência do direito a palavra “ justiça” está em consonância com os princí-
pios de respeito à vida, à liberdade, entre vários outros. Em economia, “ justiça” pode ser 
resumida com base na igualdade de capacidades e oportunidades. 
Em tese: vida, liberdade, capacidade e oportunidades são forjadas por meio de conexões 
entre o mercado e a sociedade, apresentando como condão ações que favoreçam e pre-
servem a dignidade humana, seja no exercício da cidadania, como recurso de produção 
ou ainda como consumidor. 
Nesta unidade você será capaz de:
• Analisar a ordem econômica constitucional com ênfase no arcabouço jurídico 
implícito nos instrumentos de política macroeconômica.
OBJETIVO
77
Funções do Estado: normativa e reguladora
O debate sobre o Estado na economia deriva de diversas acepções, dentre elas a de 
viés ideológico, designando o papel reservado ao Estado por sua essencialidade; outras 
vezes com participação mínima; ou, ainda, como pivô de desigualdades. Com base nas 
principais ideologias, temos:
Perspectiva 
nacionalista
Perspectiva 
liberal
Perspectiva 
marxista
A economia deve estar 
a serviço do Estado, em 
uma contrapartida de 
benefício mútuo.
Cabe ao Estado não 
intervir na dinâmica do 
mercado, pois a efi-
ciência levará à melhor 
alocação dos recursos 
de produção, com base 
na interação entre ofer-
tantes e demandantes. 
O Estado representa os 
interesses das classes 
dominantes e, como 
consequência, aflora as 
contradições inerentes 
ao próprio sistema capi-
talista. 
Independente de viés ideológico, a concepção de Estado consiste na articulação, direta 
ou indireta, da economia de mercado.
A historiografia mundial, em sintonia com os avanços científicos e tecnológicos, teceu o 
intercâmbio entre as nações ao sorver a especialização produtiva advinda da Revolução 
Industrial. No século XIX, a euforia do incremento tecnológico passou a dar espaço ao 
debate sobre a esfera distributiva das riquezas ao confrontar a dimensão humana do 
resultado econômico com ênfase nos desdobramentos para a sociedade. O século XX 
iniciou-se em descompasso, tanto político — a diplomacia internacional foi confrontada 
por duas grandes guerras — quanto econômico — queda da Bolsa de Valores de Nova 
York, seguida da grande depressão dos anos 1930. 
A breve narrativa tem por propósito apresentar como cada período imprimiu mudan-
ças e, a reboque das transformações, houve prevalência de determinado paradigma. 
A cada episódio seguiu-se a ruptura do modelo vigente e uma nova ordem mundial 
foi estabelecida com o propósito de minimizar as adversidades, apontar caminhos e 
avaliar seus efeitos. 
78
Na perspectiva da Economia Política, as relações sociais de produção, a circulação e 
a distribuição de bens materiais, partem da reflexão de conexões mais gerais dos pro-
blemas econômicos. Dessa forma, os métodos de análise para a formulação de teorias 
econômicas buscam definir a posição de indivíduos e/ou grupos sociais frente aos fenô-
menos e fatos econômicos. A partir dos anos 1870, a concepção ampla de Economia Po-
lítica foi sendo substituída por uma visão mais restrita do processo produtivo, passando 
a ser designada como Economia, ciência que estuda a atividade produtiva. 
Economia política
Como cada país chegou ao 
seu estágio de desenvolvimento.
Ciência econômica
Relação entre os agentes 
econômicos e as interações na 
dinâmica dos mercados.
Para ilustrar a afirmativa descrita anteriormente, duas publicações podem ser 
destacadas como divisores do método de análise do estudo da ciência econô-
mica. A primeira obra data do ano de 1776, escrita por Adam Smith, intitulada Ri-
queza das Nações; a segunda, publicada em 1936, Teoria Geral do Emprego, do 
Juro e da Moeda, de autoria de John Maynard Keynes. Apesar da distância cro-
nológica de cada publicação e de diferentes contextos existe similaridade, pois 
ambas partem do registro da efervescência de uma época para explicar as crises 
e as contradições experimentadas/vivenciadas, buscando hipóteses para a for-
mulação de teorias a partir de estudos e debates suscitados. Diante do exposto, a 
explicação cientifica dos fenômenos econômicos constituem, entre outras abor-
dagens, em analisar a dinâmica do trabalho e o papel do Estado na economia. 
Ampliando o foco
79
Adam Smith, precursor da Escola Clássica, vislumbrou a indústria como eixo dinamiza-
dor da produção e atribuiu a divisão do trabalho ao fator de bem-estar para o indivíduo 
e de riqueza para cada nação. O problema econômico central passou a ser o trabalho, 
compreendido como trabalho auxiliado pelo capital, ou seja, pela atividade produtiva. Em 
relação ao Estado, Smith destacou três atribuições: paz, impostos módicos e adminis-
tração da justiça, considerando que o Estado, ao atuar sobre esses pontos, teria êxito no 
decurso natural da atividade econômica. A harmonia entre o interesse geral e o individual 
consiste no propósito das leis econômicas substanciadas na lei da oferta e da procura. 
Portanto, a eficiência do mercado está associada a uma mão invisível que orquestra o 
interesse entre ofertantes e demandantes, favorecendo a distribuição das riquezas por 
toda a coletividade, constituindoassim a base do liberalismo econômico. 
Um dos princípios teóricos fundantes da Escola Clássica consiste na lei das saídas de 
Say, conhecida também como a lei dos mercados, estabelecendo que “a oferta cria sua 
própria demanda”. Partindo desse pressuposto, o equilíbrio econômico, soma dos valo-
res de todas as mercadorias produzidas, seria sempre equivalente à soma dos valores 
de todas as mercadorias adquiridas, significando que, ao ser criado um produto, abre-se 
um mercado para outro do mesmo valor, concomitantemente resultando na autorregu-
lação, sem exigir a intervenção estatal. Dessa forma, o equilíbrio do ajustamento auto-
mático da oferta e da procura, dos produtos e dos rendimentos, dos fluxos reais e dos 
fluxos monetários, do emprego e da população seguem uma ordem natural e orgânica 
na economia capitalista. 
A racionalidade econômica pressupõe que as escolhas são pautadas no má-
ximo de ganho/benefício que o sujeito possa auferir na tomada de decisão, ou 
seja, escolhas individuais estão submetidas à avaliação do próprio interesse. 
No artigo intitulado: Pressuposição da Racionalidade dos Agentes Econômicos: 
Autoestima do animal humano, publicado em maio de 2019, o economista Fer-
nando Nogueira analisa o homem econômico a partir de um formigueiro. A 
analogia consiste em confrontar as escolhas individuais e a contribuição para 
a atividade econômica, chegando à conclusão de que “não bastar olhar para 
algum “agente representativo”, a fim de entender o que vai acontecer no nível 
agregado. Você não imaginaria olhar para o comportamento de uma formiga 
representativa se quisesse prever a evolução da atividade do seu ninho”. No-
Ampliando o foco
80
gueira assevera que a atividade agregada não é uma versão ampliada do com-
portamento individual, mas uma sistematização das interações obtidas a partir 
de uma análise padronizada, ou seja, “modelos oferecem uma maneira útil de 
ver como o mercado, a estrutura e a organização emergem”, como mostra a 
imagem a seguir.
FORMIGA REPRESENTATIVA
VOCÊ SABIA?
O formigueiro possui 
várias câmaras com 
funções específicas e 
túneis que as interligam. 
A disposição desses lo-
cais depende de vários 
fatores, como a espé-
cie da formiga (há mais 
de 10 mil!), sua dieta, 
o lugar onde o ninho é 
construído e o número 
de habitantes. Em geral, 
quanto mais espaço dis-
ponível, mais câmaras e 
túneis (os de formigas 
urbanas, por exemplo, 
têm apenas uma sala). 
Os formigueiros costumam surgir em épocas úmidas e quentes (entre os 
meses de agosto e setembro no Brasil), quando ocorre o acasalamento e as 
rainhas procuram um lugar para pôr seus ovos. A colônia vive por até 15 anos, 
que é a expectativa de vida de sua líder.
Disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-o-interior-de-um-
-formigueiro. 
Acesso em: 4 set. 2020.
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-o-interior-de-um-formigueiro
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-o-interior-de-um-formigueiro
81
Apesar dos embates travados sobre a supremacia dos mercados, será a partir da que-
da da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, a ruptura do paradigma econômico 
centrado na eficiência dos mercados. A depressão que se seguiu após a crise colocou 
em relevo o papel do Estado em momentos de retração do ciclo de crescimento e re-
direcionou suas atribuições. 
É no contexto de crise que os pressupostos teóricos clássicos serão confrontados com 
ênfase nos arranjos econômicos do mundo moderno, particularmente sobre as decisões 
de compra e o papel exercido pela demanda na dinâmica dos mercados. O epicentro da 
crise ocorreu no sistema financeiro norte-americano sendo ramificado para outros se-
tores, extrapolando fronteiras e contaminando as demais economias. Ao atingir propor-
ções internacionais, o comércio mundial se retraiu, aumentando o desemprego e, como 
consequência, abalou a estrutura da sociedade, em especial as relações do Estado com 
o processo produtivo. 
Em todas as economias capitalistas coube ao Estado papel preponderante para instituir 
mecanismos de controle e reativar a produção, consequentemente, uma ruptura com os 
princípios do liberalismo econômico. Em 1933, o presidente Frank Delano Roosevelt, im-
plementou o New Deal (Novo Acordo), amparado na intervenção do Estado na economia 
como forma de superar a crise, em oposição à política liberal. 
A política adotada teve forte influência dos estudos de Keynes contrários à teoria clássica, 
suscitados como teoria parcial da atividade econômica por conta das seguintes evidências: 
• Alicerçou a análise na ideia de pleno emprego.
• Considerou a moeda como elemento neutro.
• Apresentou o problema econômico com base nos interesses individuais do pro-
dutor e do consumidor. 
A particularidade de cada evidência elencada será confrontada em função da realidade 
dos fatos — trabalhadores não encontram trabalho, consequentemente existe desem-
prego, implicando em graves consequências econômicas e sociais. O esforço teórico de 
Keynes passou a considerar a necessidade de se estudar:
• As causas do desemprego.
• As condições de equilíbrio em momentos de desaceleração do ciclo de cresci-
mento.
• As forças que determinam essa posição de equilíbrio. 
82
Dando ênfase ao funcionamento do sistema econômico em seu conjunto, adicionou 
os fatores que atuam sobre o volume do emprego, mostrando que a cada momento o 
nível de emprego em uma economia capitalista depende da demanda efetiva, ou seja, 
da proporção da renda gasta em consumo e investimento. Concluiu que o desemprego 
resulta de uma demanda insuficiente de bens e serviços, que poderá ser resolvida por 
investimentos, reconhecendo que estes atuam como fator dinâmico capaz de assegurar 
o pleno emprego e influenciar a demanda. A partir da concepção keynesiana, o pleno em-
prego passou a ser objetivo explícito de análise e os instrumentos de política econômica 
pontos de ação governamental. 
A Revolução Keynesiana atribuiu ao Estado papel central na economia sob a forma de 
uma política intervencionista, implicando as seguintes atribuições: 
• Controle da moeda e do crédito.
• Aplicação de uma política tributária e de seguro social com fins econômicos (fo-
mento da propensão a consumir).
• Realização da política de grandes obras públicas (estímulo ao investimento privado).
Em suma, Keynes marca um novo paradigma para a ciência econômica, adicionando 
uma preocupação com a realidade fundamentada na análise macroeconômica e, sobre-
tudo, na dinâmica dos mercados, apresentando uma nova visão do problema do desem-
prego, dos juros e da crise econômica. 
Em consonância com o debate sobre o papel do Estado na economia, o art. 174 da Cons-
tituição Federal de 1988 assevera: 
“Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na 
forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este deter-
minante para o setor público e indicativo para o setor privado.”
A redação outorga ao Estado, como agente normativo e regulador da atividade econômi-
ca, o poder de exercer, em conformidade com a lei, as funções de fiscalização, incentivo e 
planejamento influenciando o nível de atividade econômica, visando ao bem-estar social. 
83
Instrumentos de política macroeconômica
Tendo como base o final dos anos de 1980 governo do presidente Sarney, a economia 
brasileira apresentava índices elevados de inflação. Para conter a deterioração do poder 
de compra e a consequente perda do poder aquisitivo da moeda, foram lançados planos 
econômicos, culminando na mudança da moeda cruzeiro para cruzado (1986) e, poste-
riormente, cruzado novo (1989), com corte de zeros e um conjunto de medidas com o 
objetivo de conter o processo inflacionário. Dormir com uma moeda e acordar com outra 
pode dar a impressão de que a economia é manipulada. 
Você já julgou dessa forma? Como manipular algo ou alguma coisa se 
não existe poder sobre todas as variáveis?
Vamos simplificar a análise para compreender uma situaçãoteórica que fundamenta a 
especificidade do estudo. 
Imagine a seguinte situação: você é um empresário e, no início do ano projetou uma taxa 
de crescimento da sua empresa em torno de 10%. Para chegar a esse percentual consi-
derou os investimentos feitos nos anos anteriores, principalmente em tecnologia e quali-
ficação da mão de obra. No primeiro triênio, a projeção correspondeu ao esperado, mas, 
ao analisar os três meses subsequentes, verificou uma redução drástica em relação ao 
planejamento. O que você irá fazer? Replanejar, correto? Certamente, irá avaliar o motivo 
ou o setor que comprometeu a projeção de crescimento, ou seja, vai verificar qual setor 
não contribuiu para a efetividade da meta. Significa manipular? Ou reavaliar? 
Na economia não é diferente. O planejamento orçamentário apresentado no início do ano 
está em conformidade com o potencial de crescimento econômico estimado. Porém, o 
resultado dependerá do comportamento agregado dos agentes econômicos com base 
nas decisões de produção e consumo. 
No economês, significa utilizar os instrumentos de política macroeconômica com o pro-
pósito de reconduzir a economia ao resultado esperado: crescer quantitativamente e dis-
tribuir qualitativamente!
Os objetivos de política macroeconômica consistem em: alto nível de emprego, distri-
buição de renda socialmente justa, estabilidade de preços e crescimento econômico. 
Esses objetivos estão vinculados a um conjunto de medidas implementadas pelo gover-
no com o propósito de atuar e influir sobre os mecanismos de produção, distribuição e 
84
consumo de bens e serviços. Observe que, embora dirigidos ao campo da economia, as 
medidas obedecem a critérios de ordem política e social, pois definem quais setores da 
sociedade serão beneficiados pelas diretrizes econômicas emanadas do Estado. 
A árvore, com sua natureza viva e integradora, representa o alcance da política 
econômica adotada pelo governo como determinante para a dinâmica do mer-
cado e os desdobramentos para a sociedade e o meio ambiente. 
Fonte: Elaborada pela autora (2020).
Sabemos que as raízes sustentam a árvore e a fertilidade do solo determinará 
o resultado de cada colheita, mas observe: cada estação do ano terá influencia 
direta sobre a natureza! Por analogia, a parte visível da árvore representa a dimen-
são econômica, pois a eficiência na alocação dos recursos de produção fortale-
cerá a raiz social. Dessa forma, a raiz representa a base social, parte entranhada 
no solo, que dará vigor à dinâmica do mercado. Em relação às estações do ano, 
cabe a ciência do direito, em sua fundamentação jurídica, definir as competên-
cias econômicas à luz da Constituição Federal. Assim, a economia não ficará à 
mercê das estações, pois as normas jurídicas regulam as políticas no sentido de 
preservar a melhor alternativa para a atividade econômica, em prol da qualidade 
de vida e preservação do meio ambiente. Em síntese, para contemplar as de-
mandas sociais, necessariamente, a economia precisa apresentar crescimento 
sustentável em favor da metamorfose estrutural da sociedade brasileira. 
Ampliando o foco
85
A macroeconomia focaliza o comportamento do sistema econômico de forma agregada, 
fornecendo parâmetros para a mensuração da atividade econômica: renda nacional, ní-
vel de emprego e dos preços; consumo, poupança e investimentos totais. Como méto-
do de análise, parte do pressuposto de que a demanda agregada de algum bem deve ser 
igual à oferta agregada desse mesmo bem, tornando possível estabelecer as forças de 
“ajuste” ou “equilíbrio” que explicam o comportamento econômico de forma mecânica, 
como um sistema de igualdade de equilíbrio.
 
A análise agregada do comportamento da economia parte de uma perspectiva conjun-
tural, análise de curto prazo, relacionadas ao desemprego e inflação. Em outras palavras: 
Uma economia com pleno emprego de recursos e estabilidade de preços tende a 
apresentar menor nível de incertezas, consequentemente, menor grau de distorção 
no acesso a renda.
A política econômica adotada pelo governo pode ser classificada em três tipos: 
1. Estruturais.
2. De estabilização conjuntural. 
3. De expansão. 
Cada classificação corresponde às metas específicas de política visando, respectivamente: 
• Favorecer o ambiente concorrencial.
• Ajustar/superar os desequilíbrios.
• Acelerar o desenvolvimento econômico. 
Para atingir as metas descritas, os instrumentos de política macroeconômica, fiscal, mo-
netária, cambial, comercial e de rendas, serão adotados com o propósito de promover, 
controlar e orientar o mercado.
A política fiscal consiste na relação entre a base de arrecadação do governo, em forma 
de impostos ou taxas (política tributária) e controle das despesas governamentais (políti-
ca de gastos). As receitas e os gastos compõem o orçamento do setor público, que atua 
como orientador dos financiamentos e planos de gasto, como mostra a tabela a seguir. 
86
Orçamento do Setor Público = Receitas Públicas – Gastos Públicos
Superavit Orçamentário
→ Receita maior do que gasto.
Deficit Orçamentário
→ Gasto maior do que receita.
A política fiscal atua em sintonia com as decisões de política econômica governamental, 
ou seja, a forma como o governo atua sobre a dinâmica do mercado, como apresenta o 
esquema a seguir. 
Disponível em: Troster e Morcillo (2002, p. 220).
Na política fiscal expansionista a medida governamental consiste em reduzir impostos 
e aumentar os gastos públicos com o propósito de estimular o consumo privado e a de-
manda agregada (DA); o resultado esperado com a medida consiste em aumento da pro-
dução e do emprego. Já na política fiscal restritiva (recessiva), o governo aumenta os 
impostos e reduz seus gastos, tendo como resultado a retração do consumo privado e a 
demanda agregada (DA), consequentemente, a produção e o emprego também retraem. 
A política fiscal atua como instrumento estabilizador da atividade econômica empregada 
em programas de obras públicas e outros gastos, projetos públicos de emprego, progra-
mas de transferências e alteração de impostos visando financiar os gastos públicos em 
momentos de retração do ciclo de crescimento. 
87
A obrigatoriedade do pagamento de impostos pode ser entendida em termos de uma 
relação contratual entre os cidadãos e o Estado para financiar o setor público. Vale res-
saltar que toda a política tributária obedece a um princípio constitucional, como mostra 
a imagem seguir:
TÍTULO VI
DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO
CAPÍTULO I
DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL
SEÇÃO I
DOS PRINCÍPIOS GERAIS
 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão 
instituir os seguintes tributos:
I - impostos;
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efeti-
va ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao con-
tribuinte ou postos a sua disposição;
III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.
§ 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão gra-
duados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à admi-
nistração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, 
identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, 
os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.
SEÇÃO II
DAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR
 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em 
situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profis-
sional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídi-
ca dos rendimentos, títulos ou direitos;
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei 
que os houver instituído ou aumentado;
88
A políticamonetária consiste em um conjunto de medidas adotadas pelo governo visan-
do adequar os meios de pagamentos disponíveis às necessidades da economia do país. 
O tipo de política monetária adotada dependerá da dinâmica do mercado em termos de 
expansão e retração do ciclo de crescimento e por pressão inflacionária causada por 
desequilíbrios entre a oferta agregada e a demanda agregada. Dessa forma, o governo 
adota uma política monetária expansiva quando o objetivo consiste em estimular a pro-
dução e o consumo e implementa uma política monetária restritiva quando o objetivo 
for controlar a inflação. Para efeito das medidas o ministro da Fazenda, por meio das 
reuniões realizadas pelo Comitê de Política Monetária – COPOM, define a taxa básica de 
juros e as condições de crédito com que a economia irá operar, definindo a quantidade 
de dinheiro em circulação (base monetária).
Vejamos como a política monetária é apresentada de forma esquematizada:
Disponível em: Troster e Morcillo (2002, p. 262).
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os 
instituiu ou aumentou; 
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a 
lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b;
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
89
A determinação da taxa de juros e das condições de crédito terá efeito sobre o nível de 
demanda agregada com base na sensibilidade dos gastos em consumo e investimento 
em resposta ao aumento ou redução da taxa de juros. O resultado será refletido no com-
portamento da produção, na capacidade de gerar emprego e da dinâmica dos preços, 
entre outros fatores da situação da economia.
O Conselho Monetário Nacional é o órgão normativo do sistema financeiro na-
cional. O órgão executor da política monetária é o Banco Central do Brasil – 
Bacen, encarregado da emissão de moeda, da regulação do crédito, da manu-
tenção do padrão monetário e do controle de câmbio. 
Importante
A taxa Selic surgiu em 15 de junho de 1986, por meio da Resolução n.º 1.124, 
passando a traduzir um referencial aos rendimentos do Sistema Especial de Li-
quidação e Custódia. Tem como finalidade analisar as variações das operações 
do sistema, e, ao mesmo tempo, impor aos títulos um rendimento pelo investi-
mento feito pelos tomadores das letras da dívida pública. A taxa básica de juros 
atua em duas direções: define os juros no mercado doméstico e remunera os 
investidores. Na determinação da Selic, a equipe econômica examina expecta-
tivas de inflação, taxas de juros dos países desenvolvidos, preços de commo-
dities, entre outras variáveis com o objetivo de cumprir a meta de inflação e de 
crescimento definidas na política econômica. 
Ampliando o foco
90
O Bacen atua sobre a oferta monetária a partir dos seguintes instrumentos:
• Emissões.
• Reservas compulsórias.
• Compra e vendas de títulos públicos (open market).
• Operação de redescontos.
• Regulamentação sobre crédito e taxa de juros. 
As competências do Bacen estão em conformidade com a Constituição Federal, ampa-
rada na redação do art. 164:
Série histórica da Taxa Selic - out/2019-out/2020.
Fonte: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/1986/pdf/res_1124_v2_l.pdf. 
Acesso em: 5 out. 2020.
Na última reunião do COPOM realizada em setembro de 2020, manteve-se a 
taxa Selic no patamar de 2% a.a. A manutenção da taxa básica de juros teve 
como referência a projeção de inflação para o ano de 2020 em torno de 2,1%.
https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/1986/pdf/res_1124_v2_l.pdf
91
A política comercial e cambial integra conjuntamente as variáveis relacionadas ao setor 
externo da economia, ou seja, constitui a política externa da economia brasileira com os 
demais países. A política comercial consiste no intercâmbio de bens e serviços entre paí-
ses. Cada país estrutura sua economia com base na vantagem comparativa, ou seja, por 
meio da especialização de determinado setor e, após suprir a demanda doméstica, gera 
excedentes para a exportação. Por outro lado, quando o produtor doméstico não supre a 
demanda interna, para ajustar a oferta o governo aciona as importações a fim de evitar 
a pressão sobre os preços. A partir da política comercial o governo pode adotar medidas 
de estímulo às exportações (fiscais e creditícios) e desestimular as importações (tarifas 
e barreiras quantitativas). 
No comércio internacional cada país tem a sua própria moeda, que será trocada por 
outra no mercado de divisas ou de câmbio. A taxa de câmbio expressa o número de 
unidades da moeda nacional que será “trocada” por unidade de moeda estrangeira. O 
patamar cambial, ou seja, a referência da moeda nacional frente à moeda internacional 
será determinada de acordo com a política cambial adotada pelo país. 
CAPÍTULO II
DAS FINANÇAS PÚBLICAS
SEÇÃO I
NORMAS GERAIS
Art. 164. A competência da União para emitir moeda será exercida exclusiva-
mente pelo banco central.
§ 1º É vedado ao banco central conceder, direta ou indiretamente, empréstimos 
ao Tesouro Nacional e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição 
financeira.
§ 2º O banco central poderá comprar e vender títulos de emissão do Tesouro 
Nacional, com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de juros.
§ 3º As disponibilidades de caixa da União serão depositadas no banco central; 
as dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou entidades 
do Poder Público e das empresas por ele controladas, em instituições financei-
ras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
92
Um sistema de taxas de câmbio consiste em um conjunto de regras de atuação do Ba-
cen junto ao mercado de divisas:
• Câmbio Fixo – A taxa cambial será determinada pelo Bacen.
• Câmbio Flutuante – A taxa cambial será determinada pela oferta e demanda por 
divisas, ou seja, sem a intervenção do Bacen.
Na prática, dependendo da pressão exercida sobre o câmbio em função de crises e incer-
tezas desencadeando evasão de divisas e desequilíbrio das contas externas, o Bacen atua 
para evitar desvalorização acentuada da moeda nacional frente à moeda internacional.
Os instrumentos de política macroeconômica darão suporte à política de rendas, por-
tanto a política de rendas está associada à intervenção direta do governo na formação 
de renda (na forma de salários, aluguéis) e controle de preços. As medidas tomadas no 
âmbito das políticas monetária, fiscal ou cambial podem vir a preservar a renda, ou seja, 
reduzir a deterioração da base monetária, mantendo a capacidade de consumo e o poder 
aquisitivo dos salários. 
Os instrumentos de política macroeconômica constituem o estreitamento das normas 
constitucionais com a dinâmica econômica, amparada na redação do art. 170:
TÍTULO VII
DA ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA
CAPÍTULO I
DOS PRINCÍPIOS GERAIS DA ATIVIDADE ECONÔMICA
Art. 170 A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre 
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da 
justiça social, observados os seguintes princípios:
I - soberania nacional;
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
IV - livre concorrência;
V - defesa do consumidor;
93
Por fim, o mercado é a grande arena em que os indivíduos buscam satisfazer suas ne-
cessidades e ter liberdade de escolha e, com certeza, essa possibilidade não é expandida 
igualmente para toda a sociedade. Em síntese, os direitos legitimados na Constituição 
Federal esbarram no resultado econômico, dificultando conciliar estabilidade e cresci-
mento com justiça social. 
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado con-
forme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elabo-
ração e prestação;
VII - reduçãodas desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas 
sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. 
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade eco-
nômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos 
previstos em lei.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
94
Princípios constitucionais: interface entre 
direito e economia
Vamos iniciar a abordagem voltando ao ano de 1964, ano em que os ânimos estavam 
exaltados e o mundo dividido em três partes. 
• Países de Primeiro Mundo: representando os países de sistema capitalista. 
• Países de Segundo Mundo: representando o sistema socialista. 
• Países de Terceiro Mundo: não se integravam a nenhuma das duas partes, pois 
não apresentavam maturidade industrial nem distribuição igualitária de riquezas. 
A divisão do mundo em países capitalistas e socialistas foi o contexto da Guerra Fria, um 
mundo bipolar, com ideologias arraigadas na condução das economias e pautadas em 
poder bélico. O desdobramento do contexto mundial no Brasil corrobora a polarização na 
condução política dos demais países. 
Os antecedentes do golpe de 1964, em uma crono-
logia de expansão e retração do ciclo de crescimen-
to econômico, deve ser narrado a partir do plano 
desenvolvimentista implementado no governo do 
presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961): Plano 
de Metas, alicerçado na ação “50 anos em 5”. 
Longe de ser pretensioso o slogan revelava, de for-
ma implícita, o atraso industrial brasileiro e o grau 
de dependência externa da economia. Portanto, 
consolidar a indústria nacional e projetar o Brasil 
no cenário mundial consistiu-se em uma das me-
tas relacionadas à inserção internacional da eco-
nomia brasileira. 
Internamente, 31 objetivos foram projetados e dis-
tribuídos em seis grupos: energia, transporte, ali-
mentação, indústria de base, educação e cons-
trução de Brasília. A transferência da capital do Rio de Janeiro, da região Sudeste para a 
região Centro-oeste, foi a meta síntese do plano com o propósito de integralizar o país e 
minimizar as discrepâncias regionais. A transformação estrutural produtiva da economia 
Fonte da imagem: cpdoc.fgv.br
https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Economia/PlanodeMetas
95
brasileira foi um dos resultados positivos do plano, pois impulsionou o mercado de traba-
lho, atraindo e estimulando a especialização de mão de obra, culminando na geração de 
emprego e melhorias no nível de renda. 
O expressivo crescimento econômico do governo JK, fortemente financiado pelo capi-
tal internacional, pelas empresas multinacionais, importação de bens de capital (máqui-
nas e equipamentos) e emissão monetária resultou em inegáveis benefícios, mas, em 
contrapartida, gerou igualmente inegáveis malefícios, devido à herança deixada para o 
próximo período: ampliação da dívida externa, aumento da dependência tecnológica 
e pressão inflacionária. 
Com a inauguração da nova capital brasileira, todos os caminhos passaram a levar a 
Brasília e foi de lá que Jânio Quadros assumiu a presidência. A campanha presidencial 
de Jânio Quadros contou com um dos jingles mais emblemáticos de comunicação direta 
com o eleitorado: 
Varre, varre, varre, varre vassourinha!
Varre, varre a bandalheira!
O processo de substituição de importações surge como resposta às restrições 
externas desencadeadas pela crise de 1929. O objetivo foi dinamizar o cresci-
mento e diversificar a produção industrial a partir de uma política protecionista 
de caráter nacionalista. Desenvolver a indústria doméstica para suprir as im-
portações passa a ser uma necessidade política para o país. Dessa forma, os 
investimentos migraram do setor agrícola para o industrial, impulsionando a 
industrialização brasileira. Uma das características do modelo consiste na pro-
teção da indústria nacional dos concorrentes externos, permitindo o incremen-
to da indústria local, mesmo que com ineficiência na alocação dos recursos 
produtivos. Outra característica é produzir para o mercado doméstico com o 
objetivo de suprir a demanda interna, sem gerar excedentes para exportação. 
A principal questão norteadora do processo de substituição de importações foi 
o princípio da “construção nacional”, favorecendo o setor privado do país a par-
ticipar do projeto de construção dessa nova realidade da economia brasileira. 
Entre os anos de 1956 e 1961, a substituição de importações foi intensificada 
com base na política desenvolvimentista adotada por JK. 
Ampliando o foco
96
Que o povo já ‘tá cansado
De sofrer dessa maneira
Jânio Quadros é a esperança desse povo abandonado!
Jânio Quadros é a certeza de um Brasil, moralizado!
Alerta, meu irmão!
Vassoura, conterrâneo!
Vamos vencer com Jânio!
Disponível em: https://www.letras.mus.br/jingles/1540660 Acesso em: 19 Set. 2020.
O sucesso da campanha deu a Jânio Quadros a faixa presidencial. Ele foi empossado no 
dia 31 de janeiro de 1961, tendo ao seu lado João Goulart, que assumia pela segunda vez 
a vice-presidência (foi vice do presidente JK). Jânio Quadros assumiu o poder com uma 
bancada minoritária junto ao Congresso Nacional e, em pouco tempo, o conflito entre o 
Executivo e o Legislativo ganhou força, culminando na saída do presidente no dia 25 de 
agosto do mesmo ano. 
Fonte da imagem: www.jws.com.br.
A frágil situação ganhou outra dimensão com o veto dos militares à posse do vice-presi-
dente, ampliando ainda mais a instabilidade política do país. A crise instaurada pelo ine-
ditismo da renúncia, injetou um embrião de disputa pelo poder traduzido em uma crise 
político-militar. O argumento uníssono das forças armadas contra a posse do vice- presi-
dente partia da acusação de vínculos com o Partido Comunista Brasileiro – PCB e com 
o Partido Socialista Brasileiro – PSB, motivo de desconfiança sobre o posicionamento 
ideológico de Jango, considerado como “ameaça comunista”. 
https://www.letras.mus.br/jingles/1540660
https://www.jws.com.br/2020/07/a-renuncia-que-jogou-o-brasil-na-crise-em-1961/
97
A solução para o impasse entre militares, Congresso e a opinião pública inflamada pela 
campanha de legalidade constitucional junto às emissoras de rádio, levou a uma propos-
ta conciliatória por parte do Congresso Nacional: o presidente assumiria a presidência, 
de acordo com a ordem constitucional, mas seria “fiscalizado” pelo primeiro-ministro, ou 
seja, teria poder restrito. Depois de oito dias de tensões entre a renúncia do presidente 
e a posse do seu vice o impasse foi resolvido e, em 2 de setembro de 1961, o sistema 
parlamentarista foi aprovado e instituído: João Goulart assumiu a presidência e Tancredo 
Neves, o cargo de Primeiro-Ministro. 
Presidente João Goulart na Sudene, 
em Recife (sentado); à sua esquerda Celso 
Furtado, Ministro do Planejamento, idealizador
do Plano Trienal.
João Goulart (à direita) em visita ao líder chinês 
Chou en Lai (à esquerda), em Pequim, 
em 15 de agosto de 1961. 
Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/album. Acesso em: 19 set 2020.
O Plano Trienal de desenvolvimento econômico e social (período 1963-1965), adotado 
pelo presidente João Goulart sinalizou, segundo os militares, uma inclinação com o co-
munismo. O plano foi dividido em duas frentes:
• A primeira parte concentrou esforços para estabilizar os preços, com as seguintes 
medidas: elevação da carga fiscal, redução dos gastos públicos, captação de recur-
sos do setor privado e mobilização de recursos monetários. 
• A segunda direcionou investimentos para a área de educação, redução das dispa-
ridades regionais de níveis de vida e buscou mecanismos jurídicos para promover 
as chamadas “reformas de base”, entre outras estratégias. 
A desconfiança em relação ao Plano Trienal partiu da incapacidade político-administra-tiva do governo em executar as diretrizes de combate à inflação e pela retração dos 
https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/album
98
investimentos. Dessa forma, o Brasil passa da euforia do crescimento acelerado para 
uma profunda retração econômica. A insatisfação com a condução política do país foi 
ramificada para demais setores e, com o agravamento da crise, posições radicais e con-
servadoras passaram a imputar ao governo a fatura por conta da paralisia econômica, 
perda do poder de compra e fragilidade institucional. 
O vocabulário nacional passou a incorporar palavras de ordem como: “radicais”, “subver-
sivos” e “comunistas”, juntamente com manifestações vigorosas de apelo nacionalista 
contra as reformas de base, como a Marcha da Família com Deus pela liberdade realiza-
da em 19 de março de 1964, que contou com o apoio maciço da imprensa. As manifes-
tações partiam do entendimento de que o país precisava de um choque de ordem para 
a reorganização da política que fosse capaz de reconduzir o Brasil à estabilidade e ao 
crescimento econômico. 
Do confronto entre a união dos conservadores de direita e dos radicais de esquerda re-
sultou o impasse político-institucional que culminou no golpe militar de 1964, no dia 31 
de março. Em 2 de abril as “marchas da vitória” articuladas por diversas entidades e rea-
lizadas nas principais capitais, celebrou a saída de João Goulart. 
Antecedentes da ditadura militar
Fonte: Elaborado pela autora (2020).
Governo JK
(1956-1961)
Plano de Metas.
Jânio Quadros
(31 de janeiro à 25 
de agosto de 1961).
Ranieri Mazzilli
Presidente da Câmara, 
assume Presidência 
(de 25 de agosto a 7 de 
setembro de 1961).
Marechal Castelo Branco
(15 de abril de 1964 a 15 
de março de 1967)
PAEG - Plano de Ação 
Econômica do Governo.
João Goulart - Jango
(7 de setembro de 1961 
a 2 de abril de 1964)
Plano Trienal 
Ranieri Mazzilli, Presidente 
da Câmara, assume a 
Presidência (de 2 a 15 
de abril de 1964).
99
A narrativa teve por propósito descrever a atmosfera que antecedeu a ditadura militar 
apresentando movimentos, articulações e oscilações em conformidade com um mundo 
polarizado e interligado pela pretensão de exercer poder hegemônico. Se por um lado 
havia motivações em prol de um Brasil justo e igualitário, por outro as intencionalidades 
ficaram ocultas. Decerto, o golpe militar de 1964 esvaziou a condução política do país e 
mudou o rumo da história. A ideologia por trás do golpe eliminou a liberdade de expres-
são e silenciou uma nação por mais de 20 anos. 
Após o golpe o regime autoritário foi sendo sistematizada por meio de atos institucio-
nais, imprimindo a necessidade de uma nova ordem para dar conformidade à realidade 
política do país. É nesse contexto que a Constituição Federal foi promulgada no ano de 
1967, eliminando direitos, chancelando o autoritarismo e revelando a face de uma nação 
voltada para o cerceamento de liberdades individuais. 
No final dos anos de 1970 e durante a década de 1980 o mundo passou por transforma-
ções, tanto ideológicas quanto estruturais. Em 1989, a queda do Muro de Berlim trouxe 
a prevalência do capitalismo e deu o tom para novos arranjos mundiais, um tempo com 
viés democrático e cooperativo. No Brasil, a redemocratização foi sendo implementada 
a partir do presidente Geisel e, em suas palavras, de forma “lenta, gradual e segura”. Se 
em 1967 a Constituição deu a uma nação o toque de recolher, a promulgada em 1988 
imprimiu esperança e direitos a toda à sociedade. Em sua redação contemplou diversos 
setores, universalizou direitos e legitimou a sociedade civil organizada inovando a relação 
entre Estado e sociedade. 
Podemos analisar a construção social a partir dos textos constitucionais, ou 
seja, o diploma legal reflete os anseios, a proteção e o foco do Estado em deter-
minado momento. A partir dessa premissa é importante referenciar o contexto 
histórico das promulgações constitucionais e, consequentemente, as transi-
ções inerentes ao Estado, mercado e sociedade. Em breve síntese, os direitos e 
garantias fundamentais já existiam nas constituições que antecederam a atual. 
Porém, a prioridade era dada à organização do Estado. Os direitos fundamen-
tais estavam elencados no art. 153. A disposição evidência que o indivíduo não 
era visto como um cidadão detentor do protagonismo das políticas adotadas. 
Na transição constitucional, os valores inerentes a cada cidadão ganham maior 
relevância e a prioridade está em garantir direitos básicos para o exercício de 
Importante
100
No discurso da promulgação da Constituição, no dia 5 de outubro de 1988, as palavras 
do presidente da Assembleia Constituinte, o Dr. Ulysses Guimarães, sintetizaram os ru-
mos da mudança ao mesmo tempo em que revelaram as dicotomias perpetuadas na 
economia brasileira: 
“A Constituição mudou na sua elaboração, mudou na definição dos Poderes. Mudou 
restaurando a federação, mudou quando quer mudar o homem cidadão. E é só cida-
dão quem ganha justo e suficiente salário, lê e escreve, mora, tem hospital e remé-
dio, lazer quando descansa. Num país de 30 milhões, 401 mil analfabetos, afronto-
sos 25 por cento da população, cabe advertir a cidadania começa com o alfabeto.”
A afirmativa: “cidadania começa com o alfabeto” elencou a educação como um dos pila-
res para uma sociedade pretensa à igualdade de oportunidades.
Ulysses Guimarães com a Constituição de 1988; momento era de grande otimismo e envolvimento 
popular com a promulgação do texto, que trouxe leque de direitos civis.
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45750071. Acesso em: 26 set. 2020.
uma vida plena e com acessos. Dessa forma, os direitos fundamentais foram 
deslocados para o art. 5º. Logo, a Constituição de 1988 passou a dar importân-
cia aos princípios fundamentais como norteadores de uma redação compro-
metida com a harmonia social amparada nos seguintes aspectos: paz, segu-
rança, justiça e bem-estar. 
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45750071
101
Corroborando os valores expostos no trecho destacado, o art. 205 trata a educação 
como instrumento norteador para a conquista dos demais direitos constitucionais. Se-
gue redação: 
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promo-
vida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e 
sua qualificação para o trabalho. 
Por meio do exposto acima, podemos dizer que, por meio da educação realidades são 
modificadas, como o filho de um pintor de parede sonhar em ser um arquiteto e poder 
realizar seu sonho a partir de uma educação inclusiva, igualitária e acessível, assumindo 
o protagonismo de sua própria vida. 
A Constituição de 1988 instituiu o retorno à democracia fortemente amparada em direi-
tos sociais e individuais, fundamentada e comprometida com a harmonia social, ciente 
que uma nação que mantém a desigualdade como traço característico tende a não pros-
perar, pois justiça social pressupõe segurança jurídica e estabilidade econômica. 
Para ampliar seu conhecimento veja o material complementar da Unidade 3, 
disponível na midiateca.
MIDIATECA
102
A imagem a seguir representa a campanha do Partido da Causa Operária – 
PCO, eleições municipais 2008.
 
Disponível em: https://pco.org.br/category/campanhas. Acesso em: 19 set. 2020.
O slogan sintetiza a mobilização do partido: “População explorada contra os ex-
ploradores.” Entre as questões fundamentais do programa do partido, o salário 
mínimo está sempre em pauta. Atualmente, a reivindicação consiste em: 
“O PCO defende um salário mínimo vital de pelo menos R$ 4.000,00. Confor-
me diz a própria Constituição, um salário que atenda de fato às necessidades 
do trabalhador e de sua família.”
Agora, proponho que reflitam.
O salário mínimo reflete a capacidade produtiva de um país? O valor atribuído 
ao salário mínimo pelo PCO está pautado em qual parâmetro?
Capacidade produtiva está associada ao nívelde competência técnica e habi-
lidades para a resolução de problema, ou seja, produtividade refere-se a me-
lhorias de processo com foco na inovação. Dessa forma, o salário mínimo é 
instituído como parâmetro de referência para a remuneração dos diversos se-
tores da economia, principalmente aposentadoria, pensão e piso mínimo de 
remuneração para trabalhadores com menor grau de conhecimento. 
O PCO corrige o salário mínimo com base na deterioração do poder aquisitivo do 
trabalhador, ou seja, calcula a inflação do período, que corroeu o poder de compra.
NA PRÁTICA
https://pco.org.br/category/campanhas
103
Resumo da Unidade 3
Nesta unidade apresentamos o papel do Estado na economia com base nas diretrizes 
e concepções de pensamento econômico, notadamente liberalismo e keynesianismo, 
com ênfase no contexto histórico de cada abordagem. No Tópico 1 as funções do Estado 
são apresentadas a partir de duas obras que imprimiram fundamentos basilares para o 
estudo da ciência econômica: eficiência dos mercados e intervenção estatal, finalizando 
com as funções do Estado descritas na redação constitucional. No Tópico 2 vimos que 
os instrumentos de política macroeconômica são explicitados e vinculados às normas 
constitucionais. Por fim, o Tópico 3 iniciou com uma breve historiografia econômica bra-
sileira com o propósito de analisar as circunstâncias da promulgação das Constituições 
de 1967 e de 1988, lançando luz à interface entre direito e economia. 
104
Referências 
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 
Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm. Acesso em: 26 set. 2020.
COSTA, C. M. L. A campanha presidencial de 1960. FGV- CPDOC. Disponível em: 
https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/artigos/Campanha1960/A_campanha_
presidencial_de_1960. Acesso em: 19 set. 2020.
 
COSTA, F. N. Métodos de análise econômica. São Paulo: Contexto, 2018. 
COSTA, F. N. Pressuposição da Racionalidade dos Agentes Econômicos: Autoestima 
do animal humano. Blog Cidadania & Cultura, maio/2019. Disponível em: https://fernan-
donogueiracosta.wordpress.com/2019/05/23/pressuposicao-da-racionalidade-dos-a-
gentes-economicos-autoestima-do-animal-humano. Acesso em: 17 out.2020.
CÚRIA, L. R.; CÉSPEDE, L.; NICOLETTI, J. (orgs.) Constituição da República Federativa 
do Brasil. Coleção Saraiva de Legislação. Obra coletiva. São Paulo: Saraiva, 2013.
HUGON, P. História das doutrinas econômicas. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 
SAMUELSON, P. A. Economia. 19. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. São Paulo: Atlas, 2015. 
SMITH, A. A Riqueza das Nações. Volume I. São Paulo: Nova Cultural, 1988. (Coleção Os 
Economistas).
SOUZA, N. A. Economia Brasileira Contemporânea de Getúlio a Lula. São Paulo: Atlas, 2008.
TROSTER, R. L.; MORCILLO, F. M. Introdução à Economia. São Paulo: Makron Books, 2002. 
VASCONCELLOS, M. A. S. Economia: micro e macro. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 
WAPSHOTT, N. Keynes x Hayek: a origem e a herança do maior duelo da história. Rio de 
Janeiro: Record, 2016. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm
https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/artigos/Campanha1960/A_campanha_presidencial_de_1960
https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/artigos/Campanha1960/A_campanha_presidencial_de_1960
https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2019/05/23/pressuposicao-da-racionalidade-dos-agentes-economicos-autoestima-do-animal-humano
https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2019/05/23/pressuposicao-da-racionalidade-dos-agentes-economicos-autoestima-do-animal-humano
https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2019/05/23/pressuposicao-da-racionalidade-dos-agentes-economicos-autoestima-do-animal-humano
Hiato entre legislação e inovação: 
normas jurídicas e a dinâmica
econômica
UNIDADE 4
106
Vamos entrar em um túnel do tempo e dar o seguinte comando: ano 1500; dia 22 de abril; 
chegada da frota do almirante português Pedro Álvares Cabral ao território denominado 
Ilha de Vera Cruz. Portanto, data do descobrimento do Brasil! Um dos tripulantes, Pero 
Vaz de Caminha registrou em carta, enviada ao rei de Portugal, sua impressão sobre o 
“Novo Mundo”, ressaltando os grandes arvoredos que circundavam a praia de ponta a 
ponta. Em um dos trechos descreveu: 
Todos andam rapados até cima das orelhas; e assim as sobrancelhas e pestanas. Tra-
zem todos as testas, de fonte a fonte, tintas da tintura preta, que parece uma fita preta, 
da largura de dois dedos. 
Retornando para o ano de 2020, observamos que o transporte consome menos dias de 
viagem, a Terra não tem tantos arvoredos ao redor. O trecho destacado, provavelmente, 
seria redigido da seguinte forma: “A nova tendência será raspar a nuca, as sobrancelhas 
e os cílios, compondo um estilo andrógino. Na testa, maquiar uma tarja preta em sinal de 
algum protesto.” Ah, outra informação importante consiste na palavra “descobrimento”! 
Atualmente, o termo “descobrimento” não é politicamente correto, pois, para alguns estu-
diosos brasileiros, deixa à margem os povos indígenas. 
A situação inusitada visa colocar em relevo as transformações imprimidas pela dinâmica 
do tempo, evidenciada pelas características de cada época, seja em termos de compor-
tamento, hábitos, linguagem ou outros fatores, como também pelo tipo de atividade labo-
ral e conhecimento científico. Transpassados pelas transformações advindas do aparato 
tecnológico percebemos a mutação nas relações entre Estado, mercado, sociedade e 
meio ambiente, anteriormente definidos em papéis e estruturas sistematizadas, e atual-
mente transmutados em novos arranjos, imprimindo maior grau de complexidade. 
INTRODUÇÃO
107
Nesta unidade você será capaz de:
• Compreender os desafios contemporâneos: reinvenção contínua, mudança 
instantânea, velocidade e episodicidade.
OBJETIVO
Em uma perspectiva temporal: passado, presente e futuro são integrados como pontos 
convergentes que se apoiam/projetam de forma simultânea com base em simples inda-
gações: como era? Como será? Ou seja, consolidar no tempo presente os alicerces for-
jados no passado e indicar os contornos para o futuro. Será sobre a dinâmica do tempo 
que discutiremos o hiato entre legislação e inovação. 
108
Inovação disruptiva e os impactos na 
produção e no consumo
Vamos iniciar a abordagem do presente tópico a partir da definição de duas palavras: 
invenção e inovação.
Você considera que sejam sinônimos? À primeira vista pode parecer que sim, mas não 
são! Por isso, é importante a definição de cada termo. Segundo o Dicionário Aurélio, 
temos:
• Invenção: ato ou efeito de inventar; coisa inventada.
• Inovação: ato ou efeito de inovar; renovar.
As invenções resultam da resolução de problemas concretos, seja em termos de prati-
cidade e conforto ou de aspectos inerentes à melhoria do bem-estar para a sociedade, 
tendo como motor a criação de “engenhocas” que favoreçam e potencializem os proces-
sos produtivos. Já a inovação parte da intuição da observação dos fatos, redesenhando 
comportamentos, modelos de negócios, criando tendências.
O ato de inovar, diferentemente de uma invenção, consiste em “reconfigurar” o que já exis-
te, ressignificando de forma simples, conveniente e acessível um mercado/setor. Logo, a 
inovação cria alguma coisa nova a partir de uma releitura de algo que ficou obsoleto ou 
perdeu sua finalidade, repensando novas formas de usabilidade para conciliar as deman-
das sociais e ambientais. E, por que não dizer, do planeta Terra?
Falar sobre inovação não é tarefa fácil, pois vai além de descrever um modelo de negócio 
ou de se pensarem métodos de produção e formas de consumo. A inovação adiciona 
fatores psicológicos e comportamentais que determinam potencialidades ou condicio-
namentos a uma sociedade, particularmente, em termos de estágio de desenvolvimento. 
Então, para colocarem pauta a inovação disruptiva e compreender o debate contempo-
râneo, o setor de telecomunicações será elencado como escopo da análise com ênfase 
nas categorias emprego e renda, confrontando o papel do Estado como agente regulador.
“Alô, telefonista?” A pergunta remete ao início das ligações telefônicas, quando para que 
duas pessoas conversassem era necessária a intermediação de uma terceira pessoa — a 
telefonista —, profissional que trabalhava em uma central telefônica. A profissão surgiu 
em 1878, em Connecticut, nos Estados Unidos, com o propósito de popularizar o uso do 
telefone. A atividade consistia em uma operação manual ligando um assinante a outro, 
109
a partir da solicitação do usuário e de comutação entre dois terminais. Com a ligação 
recebida para a solicitação de chamada, a telefonista acionava a tomada, por meio de 
um pino, conectando o telefone e transferindo a ligação. Boa dicção e locução eram as 
habilidades mais importantes para o exercício profissional. 
O papel desempenhado pelas telefonistas foi de grande relevância, ao ponto de ser reco-
nhecido pela empresa americana Bell System, que determinou o dia 29 de junho como 
o dia das telefonistas, em homenagem às profissionais responsáveis pela popularização 
do telefone. 
É interessante observar as exigências para o cargo de telefonista. Vejamos o anúncio a 
seguir como exemplo:
110
Disponível em: http://www.dmtemdebate.com.br/alo-telefonista. Acesso em: 19 Out. 2020. 
No Brasil, as telefonistas, funcionárias da central telefônica, exerceram sua profissão até 
o final da década de 1980, pois além do preço elevado para comprar o aparelho, havia lista 
de espera para a aquisição de uma linha. Nesse contexto, o telefone era considerado um 
bem de luxo para as pessoas de baixa renda e um bom investimento para os mais abas-
tados, movimentando um mercado de aluguel de linhas fixas, gerando emprego e renda.
A criação do telefone possibilitou falar com uma pessoa de forma não presencial. O te-
lefone imprimiu, por conta do potencial identificado, a criação de um setor dinâmico e 
revolucionário ao integrar o mundo, independentemente do espaço geográfico, materiali-
zando a relação do homem com o meio. 
http://www.dmtemdebate.com.br/alo-telefonista
111
Você sabe quando o telefone chegou ao Brasil? Chegou pelas mãos do imperador D. Pe-
dro II, após ter visto uma exposição em 1876, na Filadélfia, Pensilvânia (EUA). A primeira 
concessão para estabelecer uma rede telefônica no Brasil foi dada ao americano Charles 
Paul Mackie, criando a empresa Telephone Company of Brazil. No ano de 1881 foi lan-
çada a primeira lista telefônica, com os números das pessoas que tinham o aparelho e 
instruções sobre como deveriam utilizar o telefone. Esses foram os primeiros passos de 
um setor com alto grau tecnológico e em constante inovação. 
O gráfico a seguir apresenta a expansão do setor em termos do total de telefones, portan-
to não compila a diversidade de opções e serviços de telecomunicações.
Fonte: Elaborado pela autora (2020).
Adaptado de: https://dados.gov.br/dataset/historico-acessos-telecomunicacoes
A partir do gráfico apresentado anteriormente é possível observar os anos de expressiva 
expansão e consolidação da telefonia. Vamos, porém, nos ater às décadas de 1970 e de 
1990, especificamente no período em que a economia brasileira ganhou a alcunha de 
“Brasil potência” e começou a iniciar sua estruturação produtiva, consolidando-se como 
“potência emergente”, respectivamente. 
1972 1979 1989 1995 1998 2000 2010 2017
Expansão do setor total de telefones (fixo e móvel).
https://dados.gov.br/dataset/historico-acessos-telecomunicacoes
112
Qual a relação com a inovação disruptiva? Calma, você vai entender! 
A vitória na Copa do Mundo em 1970 — primeiro país a conquistar um tricampeonato 
mundial — deu à nação uma postura ufanista. A euforia nos gramados contagiou a eco-
nomia, pois o Brasil, alicerçado pelo Milagre Econômico Brasileiro (1969-1974), passou a 
ser a 8ª economia mundial.
Entre as transformações do referido período, amparado em uma política voltada para se-
gurança e desenvolvimento, o governo Médici implementou medidas direcionadas ao se-
tor de telecomunicação criando a Telecomunicações Brasileiras S/A – Telebrás, editando 
a Lei nº 5.792 no ano 1972, com a finalidade de planejar, promover e unificar os serviços 
de telecomunicações no Brasil. Em síntese, contribuir para a estruturação de uma rede de 
comunicações mais eficiente e adequada às necessidades de desenvolvimento nacional.
LEI Nº 5.792, DE 11 DE JULHO DE 1972
Institui política de exploração de serviços de telecomu-
nicações, autoriza o Poder Executivo a constituir a em-
presa Telecomunicações Brasileiras S/A. - TELEBRÁS, 
e dá outras providências
Art. 1o Os serviços de telecomunicações serão explorados pela União, diretamente 
ou mediante autorização ou concessão, conforme estabelece o artigo 8º, item xv, 
alínea “a”, da Constituição.
Parágrafo único. Cabe à União garantir e controlar o permanente funcionamento 
dos serviços de telecomunicações.
Art. 2o As atuais empresas concessionárias de serviços de telecomunicações con-
tinuarão a explorá-los durante o respectivo prazo de concessão.
§ 1o As empresas de que trata este artigo poderão passar a situação de subsidiá-
rias ou associadas de empresa do Governo Federal.
§ 2o As concessionárias de serviços de radiodifusão sonora e de televisão ficam 
excluídas das disposições desta lei, aplicando-se-lhes, quanto às concessões e ex-
ploração dos seus serviços, a legislação em vigor. 
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5792.htm 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%205.792-1972?OpenDocument
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao67.htm#art8xva
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao67.htm#art8xva
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5792.htm
113
A Telebrás passou a ser a holding do setor de telecomunicações, abarcando as empresas 
estaduais (teles) e a Empresa Brasileira de Telecomunicações – Embratel, acrescida do 
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento – CPqD, voltado para a inovação e investimentos 
no setor. Com a criação da Telebrás, o quadro institucional das telecomunicações pas-
sou a ter uma estrutura, como mostra a figura a seguir.
Quadro institucional das telecomunicações. 
Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-44782002000100004#org
No final do ano de 1989 o debate sobre as causas do endividamento externo dos países 
em desenvolvimento, principalmente da América Latina, passou a fazer parte da pauta 
das reuniões junto a instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional 
– FMI, Banco Mundial, Departamento de Tesouro dos Estados Unidos e acadêmicos. A 
conversa resultou em um conjunto de 10 medidas consideradas necessárias para rom-
per o grau de dependência externa, reduzir a dívida e reorganizar a economia. 
O papel do Estado voltou a ser o cerne da questão, por conta de sua excessiva interven-
ção no mercado. Portanto, uma das metas consistiu em redefinir as atribuições do Esta-
do na economia. Para alcançar tal propósito, a privatização passou a ser o ponto central 
para a reestruturação produtiva, vinculada às reformas macroeconômicas, adotadas na 
esteira dos anos de 1990.
TELEBRÁS
EMBRATELTELES CPqD
Implementado pelo governo Collor a partir da Lei nº 8.031/1990, de 12 de abril 
de 1990, o Programa Nacional de Desestatização – PND deu início à reestru-
turação produtiva da economia brasileira em conformidade com a nova ordem 
mundial, alinhada a medidas neoliberais. O PND teve como objetivos: redefinir 
o papel do Estado na economia, repassando a gestão de algumas empresas 
Ampliando o foco
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-44782002000100004#org
114
A criação do telefone foi o ponto de partida para possibilidades até então inimagináveis 
da inventividadehumana. A partir de sua invenção, o setor de telecomunicações foi sen-
do estruturado no mundo e no Brasil, adicionando um conjunto de transformações tanto 
estruturais quanto de qualificação profissional, gerando arranjos produtivos, novas for-
mas de consumo e, principalmente, relações de trabalho. 
O quadro a seguir apresenta uma síntese da abordagem que foi apresentada. Vejamos:
Setor de telecomunicação: legislação e transformação.
Referência Ano Mercado Desdobramentos
1876
Em 1877, Graham Bell 
fundou a Companhia 
Telefônica Bell Telepho-
ne Company e em 1875 
foi rebatizada como 
American Telephone & 
Telegraph (AT&T). Ha-
bilidade inventiva. Bell 
estava tentando inven-
tar um telégrafo falante 
– um telefone.
Apesar do potencial 
tecnológico incorpora-
do a partir da criação 
do telefone, o século 
XIX foi marcado pela 
transição do trabalho 
escravo para o traba-
lho assalariado e pelos 
debates suscitados a 
respeito da exploração 
do trabalhador em ter-
mos de quantidades de 
horas trabalhadas, con-
sequentemente, pela 
relação entre jornada 
de trabalho e remune-
ração do fator trabalho.
públicas para a iniciativa privada; contribuir para a redução da dívida pública; 
ampliar os investimentos nas empresas; estimular a modernização da indústria 
nacional para ampliar e favorecer a competitividade; focar a atuação estatal 
em atividades típicas do setor público e fortalecer o mercado de capitais com 
a injeção de novos recursos financeiros por meio da “democratização” da pro-
priedade do capital das empresas privatizadas.
115
1878
Com a criação das 
Centrais Telefônicas, 
em Connecticut (EUA), 
surgiu a profissão de 
telefonista, profissional 
responsável pela comu-
tação e, indiretamente, 
pela popularização do 
telefone. As primeiras 
centrais telefônicas 
funcionavam à bateria 
central, em um sistema 
semiautomático acio-
nado pela telefonista.
A preferência para ocu-
pação do cargo era 
para mulheres, pois 
tinham o tom de voz 
compreensível e ami-
gável. Boa dicção, for-
mação escolar (saber 
ler escrever e conhecer 
as quatro operações), 
ser solteira e, se pos-
sível, ter conhecimento 
de idiomas. A remu-
neração era o salário 
mínimo.
1922
Em 1922 foi inaugurada 
a primeira central auto-
mática telefônica do 
Brasil, na cidade de Por-
to Alegre, sendo a ter-
ceira na América (após 
Chicago e Nova York). 
Posteriormente, os fios 
de ferro foram sendo 
substituídos por um 
circuito metálico e de 
cobre, exigindo prepa-
ração técnica, impulsio-
nando a criação de uma 
disciplina voltada para 
as telecomunicações.
Paralelamente ao im-
pulso do setor, ques-
tões inerentes à remu-
neração e habilidades 
técnicas para o exer-
cício profissional fo-
ram sendo colocadas 
em pauta.
1972
A Telebrás, fundada em 
1972, nasceu da fusão 
das operadoras esta-
duais com o propósito 
de gerir o serviço de 
telecomunicações do 
país e centralizar a ex-
pansão do setor para 
os anos seguintes, 
atuando como mono-
pólio telefônico estatal.
A Telebrás foi criada 
pela Lei nº 5.792, de 
11 de julho de 1972: 
“Institui política de ex-
ploração de serviços 
de telecomunicações, 
autoriza o Poder Exe-
cutivo a constituir a 
empresa de Telecomu-
nicações Brasileiras 
S/A – TELEBRAS.”
116
1998
Em 1995, o governo fe-
deral deu início a uma 
reforma abrangente no 
setor de telecomunica-
ções. Em 1997, passou 
a vigorar a Lei Geral de 
Telecomunicações, Lei 
nº 9.472, instituindo 
um novo modelo regu-
lamentador – Agência 
Nacional de Teleco-
municações (Anatel). 
Em 1998, a Telebrás 
foi privatizada, acarre-
tando a segmentação 
do mercado de telefo-
nia, consequentemen-
te, dos trabalhadores 
em telecomunicações; 
fragmentação regional 
do mercado e dissemi-
nação da terceirização 
dos serviços; significa-
tiva heterogeneidade 
do setor, acompanhada 
de um aprofundamen-
to da segmentação 
dos trabalhadores em 
telecomunicações.
A privatização mudou 
o regime de trabalho, 
pois, como empresa 
pública, havia estabi-
lidade de emprego. 
Dessa forma, as rela-
ções de trabalho fica-
ram mais instáveis e 
vulneráveis, havendo 
maior rotatividade; re-
muneração vinculada à 
produtividade e ao de-
sempenho individual; 
redução dos salários 
reais; intensificação do 
ritmo de trabalho.
Fonte: Elaborado pela autora (2020).
Em 1998 a Telebrás deixou de ser um monopólio estatal, ou seja, foi privatizada em um 
sistema de concessões para a iniciativa privada, com o objetivo de universalizar os servi-
ços por meio da competição.
117
A expansão do setor de telefonia, iniciada a partir da invenção do telefone, demonstrou 
o dinamismo que surgiu com o incremento de uma nova tecnologia, impactando as de-
mais áreas, criando um conjunto de geração de conhecimento, competências, diversifi-
cação de emprego e acesso à renda.
É interessante observar que os mercados se movem em sintonia com as transforma-
ções tecnológicas traduzidas em novos arranjos de produção e consumo. Portanto, a 
inovação disruptiva consiste em um processo em que a tecnologia, produto e/ou servi-
ço é transformado ou substituído por uma solução inovadora. 
No ano de 2010 a Telebrás foi reativada, voltando a pertencer majoritariamente 
à União, com o propósito de conectar o serviço público de telefonia ao cidadão. 
Sua função consiste em oferecer acesso e conexão de internet banda larga a 
usuários que vivem em regiões não atendidas pelas concessionárias privadas 
de telecomunicações, desempenhando três funções distintas: função social, 
função de segurança de dados para a soberania nacional e função estratégica.
Disponível em: https://www.telebras.com.br/acesso-a-informacao/institucional
Importante
Evolução dos telefones
https://www.telebras.com.br/acesso-a-informacao/institucional
118
Em síntese, o telefone criado no século XIX foi o ponto central da análise para explicar as 
inovações disruptivas vivenciadas no presente século. Criado para possibilitar a comuni-
cação entre pessoas a partir da audição e da fala, atualmente descortina empreendimen-
tos voltados para ressignificar modelos de negócios e soluções inovadores em resposta 
às demandas contemporâneas.
119
A nova economia: compartilhada, solidária 
e circular
A música pode traduzir a efervescência política, econômica, social e cultural de deter-
minado período com base em ritmos, estilos, sentimentos, melodias, críticas e questio-
namentos, revelando o desenho de cada época. Podemos inferir que a música permite 
dialogar com o tempo, a partir de interações com o passado, compreendendo como foi 
registrado o diálogo daquele momento. 
Então, vamos iniciar a abordagem sobre a nova economia tendo a música como referên-
cia para explicar seus contornos e conexões. Cantar, em essência, é compartilhar!
A música Pelo telefone, de autoria de Donga e Mauro de Almeida, lançada em 1916, foi o 
primeiro samba gravado no Brasil segundo registro da Biblioteca Nacional. A letra original 
fazia uma alusão ao carnaval carioca: 
O chefe da folia
Pelo telefone
Mandou me avisar
Que com alegria
Não se questione
Para se brincar [...]
Sua popularidade, porém, deu-se por conta de uma paródia jornalística que criticava a 
tolerância da política com a jogatina: 
O chefe da polícia
Pelo telefone
Manda me avisar
Que na Carioca
Tem uma roleta
Para se jogar. 
120
No ano de 1996, Gilberto Gil lançou a música Pela internet em um show ao vivo transmi-
tido pela rede mundial de computadores. O título fez referência à música Pelo Telefone, 
citada em um dos versos: 
Que o chefe da polícia carioca
avisa pelo celular
Que lá na Praça Onze
tem um videopôquer para se jogar.
Na parte inicial da letra, Gil aponta uma tendência da indústria fonográfica: o impacto e as 
facilidades advindas da internet em uma apologia às possibilidades anunciadas:
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes...
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque, para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via internet
Um grupo de tietesde Connecticut....
Em 2018, foi lançada a nova versão da música com o título Pela internet 2, como uma 
releitura da primeira canção. Dessa vez, no entanto, a euforia pelas possibilidades da 
internet cedeu lugar a uma letra que propõe uma reflexão sobre o lado obscuro da exces-
siva exposição:
Estou preso na rede
Que nem peixe pescado
É zapzap, é like
É Instagram, é tudo muito bem bolado
O pensamento é nuvem
O movimento é drone.
121
A referência às canções buscou evidenciar os contornos da inovação sobre o mercado e 
a sociedade traduzida em uma economia compartilhada, solidária e circular. Essas ino-
vações são incorporadas ao mercado em novos formatos de interação entre ofertantes 
e demandantes, transformando as inter-relações. 
A imagem a seguir ilustra a abordagem inerente à nova economia. Vejamos:
Elaborado pela autora (2020) 
Vamos analisar a nova economia a partir das setas traçadas na imagem anterior. Pode-
mos observar que a seta parte da palavra CRIATIVA, em referência à economia criativa, 
e aponta em duas direções: solidária e compartilhada; circular e sustentável, indicando a 
forma de se pensar a economia integrada ao conhecimento gerador de inovação para os 
negócios sociais e preservação ambiental, valorizando os arranjos locais e resgatando 
a comunidade.
Economia
Criat iva
Circular
Compar t i lhada
Sustentável
Sol idária
122
O prêmio Nobel de Economia em 2014 foi para o economista francês Jean 
Tirole, por sua análise sobre o poder e regulação dos mercados. A análise está 
pautada no estudo sobre a quebra dos mercados a partir dos anos de 1980, 
com ênfase no poder de poucas empresas e em como os governos deveriam 
intervir para regular os monopólios. O economista destaca-se também em ou-
tras abordagens igualmente importantes para estudar a economia do século 
XXI, estabelecendo uma nova agenda alinhada às demandas da sociedade. 
Publicado em 2020, o livro Economia do bem comum, lança luz sobre os de-
safios contemporâneos: resgatar o “laço” social, a dignidade humana, o meio 
ambiente e, principalmente, lembrar: “o mundo não é uma mercadoria”. Dessa 
forma, “A Economia está a serviço do bem comum. Tem como objetivo tornar o 
mundo melhor”. Tirole tem por ambição compartilhar suas preocupações com 
os demais atores sociais.
Ampliando o foco
123
A internet passou a ser o espaço de contato entre as pessoas, seja no papel de consu-
midor ou ofertante. Aplicativos favorecem contatos e criam acessos para todo o tipo de 
serviços/trocas, ligando pessoas com interesses comuns, alinhando negócios, gerando 
informações sobre a dinâmica do mercado e os níveis de preços. 
O caráter da economia compartilhada é colaborativo e está vinculado a uma rede inter-
cambiável baseada em relações sociais, reduzindo os custos de transação e ampliando 
acessos a bens e serviços. Impulsionada pelas plataformas digitais, o modelo de negó-
cios resgata a harmonia de interesses entre os agentes econômicos. 
Os elementos constitutivos da economia compartilhada estão baseados em confiança e 
colaboração, responsáveis pela concretização de negócios, vinculados a suprir deman-
das por meio da redistribuição, comunidade de compartilhamento colaborativo e acesso 
a produtos e serviços integrados, dando um novo sentido ao consumo a partir da usabi-
lidade de bens e serviços. 
Quem nunca esteve diante de um guarda-roupa abarrotado de peças e excla-
mou: “Não tenho roupa para sair! Na realidade, a exclamação não está associa-
da à falta de roupa, mas ao cansaço de deparar-se com as mesmas peças. Foi 
a partir dessa situação cotidiana que surgiu a ideia do site Enjoei.
 
O negócio iniciou-se em 2009 como um blog para venda de roupas usadas en-
tre amigos e foi ganhando volume por meio do amigo do amigo, multiplicando 
os itens e os acessos. Em 2012, o blog expandiu o negócio e passou a interme-
diar a venda de roupas de usuários para todo o Brasil, chamando a atenção de 
investidores. Hoje, o Enjoei é uma loja consolidada (ampliou a venda de outros 
itens: sapatos, eletrônicos, decoração e outros), considerada um dos maiores 
mercados de moda do Brasil. Outra grande sacada do negócio foi o programa 
“desengaveta”, com celebridades desapegando-se de itens de seus guarda-rou-
pas em prol de causas sociais. 
Exemplo
124
Na vertente da economia circular e sustentável, a base do debate está associada a um 
mundo cada vez mais habitado em termos populacionais. O planeta, no entanto, tem limi-
tes em termos de expansão, ou seja, a Terra não tem como ser expandida para acomodar 
o aumento populacional e, em consequência, de produção e de consumo, consubstan-
ciados em extração e descarte. 
No ano de 2020, a crise viral e sanitária colocou na balança duas partes para verificar que 
medida comportaria a melhor decisão de política econômica para o mercado e para a 
sociedade. De um lado a ciência, do outro a economia, mas como converter essas duas 
dimensões em uma mesma métrica? 
De qual peso/medida deve resultar o “fiel da balança”? Como precificar? Como valorar? 
Faltou coerência ao confronto, pois ciência e economia não podem ser convertidas em 
uma mesma equivalência. Na mesma vertente de análise, não existe coerência em con-
frontar economia e meio ambiente, pois ambos devem ser vistos de forma complemen-
tar e não excludente. 
O livro Primavera Silenciosa, publicado em 
1962, lançou luz sobre os efeitos nocivos do 
uso indiscriminado de pesticidas. Escrito 
pela bióloga marinho, Rachel Carson, a obra 
foi duramente criticada e combatida por des-
toar das facilidades advindas do uso de pro-
dutos químicos nas lavouras. O título do livro 
representou uma metáfora sobre as pesqui-
sas de Carson relacionadas à ausência do 
canto dos pássaros na primavera, por conta 
da redução de sua população, representando um alerta ambiental, colocando em pauta 
um assunto até então pouco debatido, inspirando pesquisas importantes para abordar a 
relação do homem com a natureza. 
O desejo do homem de controlar totalmente a natureza é concebido 
como arrogância e o desequilíbrio dos processos metodológicos e muta-
-ções preços altos a serem pagos para não se ter pernilongos.
(Em Primavera Silenciosa, Rachel Carson, 1962.)
125
O livro sinalizou os fundamentos do debate contemporâneo sobre a necessidade de um 
novo paradigma de desenvolvimento, baseado na convergência entre economia, ecolo-
gia, cultura e política, evidenciando que o mundo precisa implementar políticas voltadas 
para as questões ambientais e sociais, fortemente amparadas na preservação do plane-
ta e das gerações futuras. 
A sensibilidade para as questões ambientais está amparada na Constituição Federal em 
seu artigo 225, como mostrado a seguir.
CAPÍTULO IV
DO MEIO AMBIENTE
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de 
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder 
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e 
futuras gerações.
§ Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo eco-
lógico das espécies e ecossistemas; 
II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscali-
zar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; 
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus compo-
nentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permi-
tidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integri-
dade dos atributos que justifiquem sua proteção; 
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente cau-
sadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto 
ambiental, a que se dará publicidade; 
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e 
substâncias que comportem risco paraa vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientiza-
ção pública para a preservação do meio ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem 
em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam 
os animais a crueldade. 
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5792.htm 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5792.htm
126
A legislação tem por propósito orientar a atividade econômica quanto ao controle, pro-
moção e proteção ao meio ambiente. Assim, para a concretização dos princípios cons-
titucionais, a inovação entra como um dos requisitos. Partindo desse pressuposto, a 
economia circular pode ser compreendida como uma resposta inovadora para opera-
cionalizar modelos de produção inseridos na máxima da natureza para a natureza, tendo 
como inspiração o ecossistema. 
O conceito de economia circular congrega as demandas contemporâneas no que tange 
acomodar o aumento populacional e seus impactos sobre produção, consumo e meio 
ambiente. Se na Revolução Industrial o viés tecnológico esteve centrado na criação de 
novos produtos com o objetivo de alinhar técnica e trabalho, atualmente, a “revolução” 
consiste em reduzir extração, transformando resíduos em insumos para novos proces-
sos de produção. Existe uma mudança em curso, não apenas conceitual, mas também 
estrutural e comportamental para compor a relação entre produção e consumo. Observe 
as palavras-chave na ilustração a seguir.
Em síntese, a tecnologia, a princípio, esteve direcionada às necessidades de conforto, 
praticidade e utilidade proporcionadas pelos bens e serviços. No contexto atual, neces-
sidade passou a estar associada à propósito de vida, alinhando qualidade, consciência e 
resiliência como ingredientes voltados para a inovação. Logo, a inovação deve ter caráter 
responsivo, combinando arranjos produtivos que minimizem os impactos negativos do 
modelo de produção (extração) e consumo (desperdício).
Os desafios e objetivos inerentes à economia circular estão amparados em três princípios 
orientadores: 
1. Eliminar resíduos e poluição.
2. Manter a usabilidade de produtos e materiais.
3. Regenerar sistemas naturais. 
A imagem a seguir ilustra de forma esquemática esse conceito. Vejamos: 
Necessidade
Conforto
Praticidade
Utilidade
Propósito
Qualidade
Consciência
Resiliência
127
A imagem representa o “diagrama borboleta”, desenvolvido pela velejadora Ellen Ma-
cArthur, em uma analogia à organicidade da natureza em seu constante processo de 
transformação. O Diagrama Borboleta consiste em uma ferramenta facilitadora para a 
transição de uma economia vista de forma integrada e eficaz, contemplando grandes e 
pequenas empresas, organizações e indivíduos, visão global e local voltadas para a cons-
trução de uma economia “restauradora”, responsável e ética.
A velejadora britânica, Ellen MacArthur, ficou famosa por sua travessia ao redor 
do globo, quebrando o recorde mundial em 2005. Ao velejar sozinha e com o 
mínimo necessário para sua subsistência, MacArthur, passou a compreender a 
limitação dos recursos e os excessos na apropriação e utilização inconsciente 
Ampliando o foco
Disponível em: https://cineticacircular.wordpress.com/2019/10/30/ellen-macarthur-foundation-e-o-dia-
grama-borboleta. Acesso em: 22 Out. 2020.
https://cineticacircular.wordpress.com/2019/10/30/ellen-macarthur-foundation-e-o-diagrama-borboleta
https://cineticacircular.wordpress.com/2019/10/30/ellen-macarthur-foundation-e-o-diagrama-borboleta
128
do ser humano sobre a natureza. Em 2009, deixou as regatas para navegar em 
outros mares. Em 2010, criou a Ellen MacArthur Foundation, com o objetivo de 
acelerar a transição para a economia circular: 
Disponível em:
https://plasticoresponsavel.continente.pt/a-longa-expedicao-de-ellen-macarthur 
A articulação entre ciência econômica e ciência do direito é essencial para a incorpo-
ração de concepções para uma economia aberta, compartilhada e socialmente justa, 
alinhada às inúmeras possibilidades de inovações tecnológicas. A dinâmica do merca-
do, ao imprimir formatos cada vez mais sofisticados, precisa estar acompanhada de 
legislação criando parâmetros para a composição, organização e funcionamento das 
relações econômicas. 
A nova economia tem como princípio basilar inspirar uma geração a repensar, rede-
senhar e construir um futuro positivo para pessoas, territórios e o planeta.
Vale ressaltar que os vícios da velha economia são arraigados no poder de mercado e na 
apropriação de recursos como lógica dominante do sistema capitalista, condicionando 
benefícios a uma pequena parcela da sociedade, assim perpetuando desigualdades. Não 
se pode decretar o fim de um vício, concorda? 
https://plasticoresponsavel.continente.pt/a-longa-expedicao-de-ellen-macarthur
129
Concepção individualista em transformação: 
reinvenção contínua, mudança instantânea, 
velocidade e episodicidade
“Cenário” é o conjunto de elementos que ambienta uma peça teatral ou filme. Por analo-
gia, na perspectiva econômica, significa o “pano de fundo” que molda ações dos agen-
tes econômicos. Por meio da leitura do macroambiente de negócios é possível traçar o 
comportamento do mercado, apontar as incertezas e projetar ações para o futuro. Em 
cada época da existência humana, ideias e ações impulsionaram os ventos da mudança. 
Os avanços no campo científico estão no centro dessas transformações, principalmente 
na relação do homem com sua trajetória existencial. Somos pessoas do nosso tempo, 
forjados a partir da vida em sociedade.
A abordagem do presente tópico propõe uma reflexão sobre o capitalismo no século XXI, 
particularmente, em relação à concepção individualista. O individualismo consiste em 
uma doutrina na qual o centro da vida humana encontra-se na ação do indivíduo, natu-
ralmente livre, e não na coletividade ou no Estado. O individualismo serviu de base para o 
liberalismo econômico clássico, amparado na livre concorrência como mola propulsora 
do sistema econômico e do trabalho como força motriz.
Em uma perspectiva histórica, a geração de riqueza de uma nação foi sendo tecida 
com base no contexto de cada época. Para os mercantilistas a riqueza vinculava-se 
ao ouro, para os fisiocratas provinha da produtividade da terra e, para Adam Smith, ori-
gina-se do trabalho do homem. Portanto, a concepção metalista dos mercantilistas e 
agrária dos fisiocratas, vai sendo confrontada pela noção de trabalho relacionado à sua 
produtividade e divisão.
Adam Smith foi professor de Lógica e Filosofia Moral, dedicando sua vida ao 
magistério e aos estudos sobre ética. Ao assumir a Cadeira de Filosofia Mo-
ral, na Universidade de Glasgow, iniciou os estudos sobre a análise estrutural 
da ciência econômica. A disciplina contemplava a abordagem dos seguintes 
assuntos: Teologia, Ética, Jurisprudência, Direito Político e Economia Política, 
ciências percebidas por Smith como diversas e complementares. O estudo 
Importante
130
O homem econômico assume o papel de agente transformador e a produtividade do 
trabalho servirá de base para explicar a riqueza das nações. O trabalho passa a ser o pro-
blema econômico central, sendo entendido como “trabalho ajudado pelo capital”, ou seja, 
atividade produtiva. O traço do individualismo no arcabouço teórico clássico alicerçou no 
interesse privado o meio de assegurar ao homem o progresso geral de riqueza. Portanto, 
o interesse individual explica o resultado coletivo.
sintético dessas ciências passou a integrar o fundamento principal em suas 
obras, em especial, Riqueza das Nações. Influenciado por seu amigo David 
Hume e crítico da moral utilitarista de Jeremy Benthan, adicionou ao pensa-
mento da Escola Fisiocrata uma base científica sistematizada sobre os fenô-
menos econômicos e suas relações. 
O artigo Sobre o Individualismo e o Liberalismo, escrito pelo economista Fer-
nando Nogueira em seublog Cidadania & Cultura, traz à luz a fundamentação 
teórica a respeito do individualismo. Leia o fragmento a seguir e, se possível, a 
íntegra do artigo. Vale dar uma conferida! 
“Uma primeira dificuldade do in-
dividualismo seria, portanto, a de 
definir o indivíduo, destacando-o 
da esfera do coletivo. Esta, de 
certa forma, o constitui e lhe dá 
sentido.
Na Idade Média, o indivíduo era 
visto somente como parte do co-
letivo, não destacável do todo social. Considerava-se a sociedade como o me-
lhor instrumento para a perfeição do indivíduo.
É possível identificar as questões da liberdade e da autonomia, fundamentais 
para a emergência do individualismo, já no humanismo renascentista e, mais 
claramente, no racionalismo e no iluminismo. É quando se estabelece a diferen-
ciação entre o indivíduo pré-moderno, orientado por uma ordem transcendente, 
religiosa, e o indivíduo moderno, orientado sobretudo pela razão e pela vontade.
Ampliando o foco
131
A teoria da produtividade do trabalho, fundamentada em sua divisão, ganhou na concepção 
smithiana relevante importância e perenidade ao longo dos séculos. A divisão do traba-
lho é percebida por Smith tanto no plano nacional — bem-estar para o indivíduo e para 
a nação —, quanto internacional, entendendo o mundo como uma grande oficina com 
atividades diferentes e complementares alicerçadas na capacidade produtiva (menor dis-
ponibilidade de tempo e de esforço) e favorecidas pela natureza e aptidões humanas.
O individualismo discutido na perspectiva clássica amparou no “interesse pessoal” e 
“egoísta” do homem aspectos inerentes à satisfação particular do indivíduo, resultan-
do no interesse da sociedade, aqui entendido como traço de união entre o interesse 
privado e o geral.
A circunstância da Inglaterra no século XVIII, “palco” da Revolução Industrial, combinou 
a evolução técnica com a possibilidade de novos mercados e disponibilidade de mão de 
obra, tendo no desenvolvimento da indústria a expansão do comércio entre as nações, 
resultando no modo de produção capitalista. Apesar de profundas transformações 
econômico-sociais, o capitalismo apresentou-se, e ainda se constitui como um sistema 
contraditório e autofágico, pois no mesmo momento em que favoreceu a elevação da 
produtividade e do desenvolvimento da divisão social do trabalho, reduziu o trabalhador 
a uma única variável dentro de um sistema robusto de interconexões. 
O século XIX foi marcado pela contestação a respeito da inferência de que o interesse 
pessoal tende ao interesse da coletividade. Tal concepção foi confrontada pelos fatos, 
pois o dinamismo econômico e social resultou na miséria de milhares de trabalhadores 
desempregados, privados de direitos políticos e sociais. No início do século XX o resulta-
do é incontroverso, as tensões vivenciadas nas primeiras décadas cederam espaço para 
novas configurações na relação entre trabalho e capital, agora entendido como traço de 
exclusão entre o interesse privado e o geral.
A ideia do homem como centro do universo, que usufrui de autonomia do espí-
rito, liberdade da razão e exercício da vontade, é central na passagem do mundo 
medieval ao mundo moderno. Seu marco histórico é a Revolução Francesa. 
A partir de então se torna possível a afirmação do indivíduo como princípio e 
como valor.”
Fonte:
https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/08/04/sobre-o-
-individualismo-e-o-liberalismo
https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/08/04/sobre-o-individualismo-e-o-liberalismo
https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/08/04/sobre-o-individualismo-e-o-liberalismo
132
A explanação buscou amparo no reducionismo teórico como método de análise, pois as 
teorias sofrem sistemáticas atualizações, advindas de arranjos e correlações, integradas 
a novas formas de relacionar produção, repartição e consumo, consequentemente, aces-
so a bens e serviços e distribuição de riquezas. 
Chegamos ao século XXI em uma estranha bifurcação. O potencial inovador, experi-
mentado em novos arranjos/composições de produção e consumo, esbarrou no esgar-
çamento do tecido social. Zygmunt Bauman, sensível às transformações, publicou em 
2001 o livro Modernidade Líquida, apontando algumas tendências e, entre elas o con-
ceito de universo social propagado pela nternet, com “tribos” sociais formando padro-
nização de consumo e comportamento, observando que o sujeito passou a ser aquilo 
que consome.
A teoria do Novo Individualismo, título do artigo publicado em 2018 pelo professor pes-
quisador de sociologia e reitor de engajamento externo da University of South Australia 
(Austrália Meridional), Anthony Elliott, é resultado dos estudos sobre a globalização e 
seus efeitos. A análise está alicerçada em dois objetivos: 
Você
é aquilo
que consome!
133
O ponto conceitual para fundamentar a exposição de argumentos a respeito do Novo 
Individualismo está na “modelagem” dos processos em resposta às transformações 
sociais globais, no que tange aos seguintes elementos:
1. Reinvenção contínua: em um mundo de possibilidades/acesso é necessário 
aproveitá-las em uma autorreinvenção contínua.
2. Mudança instantânea: urgência para encerrar ciclos e recriar novos em resposta 
à mudança.
3. Velocidade: está associada ao dinamismo das relações urgentes e multifacetadas.
4. Episodicidade (ou curto prazo): preocupação exacerbada com o curto prazo, ou 
seja, com o aqui e agora.
Os quatro elementos conceituais integrados às transformações sociais globais resulta-
ram em um “frenesi” que, segundo Elliott (2018), exerceu a seguinte pressão: 
A tecnologia se torna obsoleta quase tão logo é lançada. Corporações 
multinacionais movem suas operações de país para país em busca de 
maior margem de lucro. Mulheres e homens empenham-se numa esca-
lada frenética para obter novas habilidades ou serem descartados na 
sucata. Nesta nova economia dos contratos de curto prazo, downsizings 
sem fim, entregas just in time e carreiras múltiplas, uma razão para a 
nova autorreinvenção individualista através da nossa cultura de transfor-
mação generalizada é a demonstração de prontidão pessoal para mu-
dança, flexibilidade e adaptabilidade. 
Examinar e 
reiterar
a teoria do Novo
Individualismo. Discutir suas 
ramificações.
134
E finaliza: “Concluo tecendo considerações sobre as prováveis consequências sociológi-
cas futuras do viver-se a vida na via expressa do individualismo” (SOCIEDADE E ESTADO, 
2018, v. 33, n. 2, p. 483).
O novo individualismo adicionou efeitos desorientadores à relação entre capital e traba-
lho, esbarrando na falácia de ganhos de liberdade associados aos ganhos de produtivida-
de, ou seja, oportunidade de “negociar” com o capital. A flexibilização do trabalho, alinha-
da à ilusão empreendedora, maculou a intencionalidade de uma economia integradora e 
potencializada pela inovação.
O homem econômico de Smith constituído no século XVIII difere do homem econômico 
no atual século. A grande oficina representada em uma visão cosmopolita de mundo em 
seus arranjos produtivos, criadora de riquezas a preço mínimo e símbolo de solidarie-
dade por uma relação “ganha-ganha”, baseada na divisão e especialização do trabalho, 
perdeu espaço para as “oficinas” financeiras, amparadas na remuneração do próprio ca-
pital descolado da produção e do trabalho. O que podemos observar foi a sofisticação da 
exclusão e concentração de riquezas.
A relação entre Estado, mercado, sociedade e natureza deve ser pensada em seus vín-
culos. Dessa forma, compreender as transformações em curso coloca em relevo a sim-
biose entre a ciência econômica e a ciência do direito — questão apresentada no texto 
escrito pelo professor e Juiz Federal Silvio Wanderley, em colaboração à abordagem pro-
posta na presente unidade. 
135
Breves linhas sobre a inovação
Silvio Wanderley do Nascimento Lima*
O sistema capitalista (economia de mercado) caracteriza-se por ser re-
gido pelas forças de mercado, aqui entendidas como sendo o espaço 
geográfico ou virtual no qual osagentes econômicos realizam transa-
ções envolvendo bens e serviços. O mercado atua como uma instituição 
facilitadora das operações de troca, visando reduzir os custos a elas ine-
rentes. Uma economia de mercado reclama, então, a existência de ele-
mentos que possibilitem essas operações de troca, tais como a proprie-
dade privada, a livre iniciativa e a livre concorrência, propriedade privada, 
a liberdade de iniciativa etc. A Constituição Brasileira de 1988 contempla 
um sistema econômico do qual se observa a concreta opção pelo siste-
ma de produção capitalista, pois confere especial relevo aos institutos 
inerentes à economia de mercado1. 
O sistema capitalista influencia as alterações tecnológicas ao definir mé-
todos de produção, logística e financiamento que tornem mais eficientes 
os processos de troca, reduzindo-lhes os custos e adaptando a oferta à 
demanda. 
1 Vale aqui destacar a observação de Adriana Maurano, para quem: “A Constituição de 
1988 adotou os institutos básicos do modo de produção capitalista: a propriedade pri-
vada (arts. 5°, XXII e 170, lI), a liberdade de contratar, a livre iniciativa (art. 170, “caput”) 
e a livre concorrência (art. 170, IV), com a preferência da exploração econômica pela 
empresa privada (art. 173).
Ao mesmo tempo em que reconhece uma estrutura de mercado, a Constituição Fe-
deral prevê formas de intervenção direta (art. 177) e indireta (art. 177) do Estado na 
economia. Tal fato não descaracteriza o sistema capitalista, ao contrário, atende aos 
seus interesses, na medida em que objetiva sanar as falhas do mercado (formação de 
monopólios, cartéis, concorrência desleal etc.), mantendo o equilíbrio entre livre inicia-
tiva e livre concorrência.” (MAURANO, A. Sistema e Modelo Econômico na Constituição 
de 1988. Revista de Direito e Política. v. 8, jan./mar. 2006. São Paulo: IBAP, p. 135/136). 
136
Todavia, as mudanças tecnológicas também impõem desafios ao sis-
tema. Como exemplo desses desafios podemos citar a observação de 
Domenico De Masi2, no sentido de que o desenvolvimento tecnológico 
na geração de bens e serviços proporciona, em muitos casos, o desloca-
mento do interesse do consumidor, o qual migra do campo da funciona-
lidade para o da estética. Adaptações, portanto, se tornam necessárias 
para a manutenção da atividade econômica.
No referido sistema, o influxo tecnológico reacende os problemas eco-
nômicos fundamentais. O que e quanto, como e para quem continuam 
sendo questionamentos associados à produção de bens e serviços na 
economia de mercado. Além disso, a mudança do perfil dos consumido-
res, desde a Revolução Industrial até a pós-modernidade, implica novos 
questionamentos, principalmente na área de logística e pós-venda.
Assim, a busca por soluções eficientes faz emergir a necessidade da ino-
vação. Capitalismo e inovação guardam entre si uma vinculação estreita, 
que remonta aos primórdios do sistema. A Revolução Industrial, por cer-
to, decorreu de uma ação inovadora na forma de organizar os meios e 
instrumentos de produção, na qual a utilização das máquinas veio a ser 
o ponto de inflexão.
Entendemos ser possível conceber a inovação como uma nova ideia que, 
aplicada a situações concretas, se demonstrou exitosa, proporcionando 
melhoria no retorno do investimento (aumento de faturamento, redução 
2 À medida que o aperfeiçoamento tecnológico dos produtos supera as exigências prá-
ticas dos consumidores (relógios mais precisos, automóveis mais velozes que o neces-
sário etc.), homogeneizando o valor intrínseco dos bens no que se refere à sua funciona-
lidade, reduz-se a atenção dos consumidores a esses aspectos previsíveis, e aumenta o 
apreço pela sua dimensão estética. Assim, a estética expropria a prática como elemen-
to distintivo dos produtos e serviços, a forma torna-se conteúdo e eleva-se a principal 
critério de escolha e valoração também econômica. (DE MASI, D. O futuro chegou. Rio 
de Janeiro: Casa da Palavra, 2014, p. 544-545).
137
3 Critérios adotados pela equipe do Valor Econômico e da Strategy& para estabelecerem 
o ranking das empresas mais inovadoras do país no ano de 2020. (Inovação Brasil, se-
tembro 2020, ano 6, n. 6, p. 39).
de custos etc.) ou no ambiente em que as operações de mercado são 
desenvolvidas (condições de trabalho, relação com consumidores, forne-
cedores e parceiros). As inovações podem ter como objeto as qualidades 
e características dos produtos e serviços, a forma como estes são ofe-
recidos ao mercado, os processos de produção, de comercialização ou 
de deliberação etc.
 
Inovar é uma busca contínua por um fazer melhor, mas não um fazer 
melhor que apenas amplie a margem de retorno, mas sim que consista 
em novas práticas em estreita conexão com as exigências da responsa-
bilidade social, da ética e da transparência.
No ambiente empresarial, a capacidade de inovação pode ser observada 
a partir de diversos critérios, tais como criatividade, disrupção, timing de 
execução, qualidade da entrega, protagonismo e capacidade de inspirar 
o mercado, o mundo dos negócios, seus pares e o setor3.
E quanto ao segmento público, a inovação seria aplicável?
Segundo nossa matriz constitucional a ordem econômica nacional é fun-
dada na valorização do trabalho e na livre iniciativa, sendo assegurado a 
todos o exercício de qualquer atividade econômica, independentemente 
de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei (art. 
170 e parágrafo único da CRFB). A Carta Magna, a toda evidência, confe-
re à iniciativa privada ampla atuação nos diversos ramos da economia, 
porém reserva ao Estado poderes para normatizar e regular a atividade 
econômica (art. 174 da CRFB), ou seja, poderes para intervir no domínio 
econômico.
138
Adotando uma classificação simples, menos detalhada, e que toma 
como referencial o efetivo exercício de uma atividade produtiva, pode ser 
afirmado que a atuação interventiva do Estado no domínio econômico 
pode se dar de forma direta, isto é, quando há atuação na qualidade de 
empreendedor (Estado Empresário), seja esta atuação monopolística4 
ou não. Por outro lado, esta atuação poderá se dar de modo indireto, ou 
seja, quando se processa por intermédio das atividades normativa, regu-
ladora e fiscalizadora do adequado exercício da liberdade empresarial5 
ou, ainda, pela via do fomento6.
Determina a Carta Magna que a exploração direta de uma atividade eco-
nômica, por parte do Estado, somente se dará nas hipóteses expres-
samente por ela definidas, ou para atender imperativos de segurança 
nacional ou a relevante interesse coletivo7. Nesta modalidade de inter-
venção é que a atuação do Estado mais se identifica com aquele ineren-
te aos agentes econômicos privados.
4 A teor do art. 177 da Constituição de 1988 constituem monopólio da União Federal as 
atividades elencadas pelo referido preceptivo relacionados à indústria do petróleo, gás 
natural, outros hidrocarbonetos fluidos e, ainda, de minérios e minerais nucleares e seus 
derivados. 
5 Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exer-
cerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este 
determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 1º - A lei estabele-
cerá as diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento nacional equilibrado, o 
qual incorporará e compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento.
6 Sobre o fomento, Roberto Barroso leciona que: “De outra parte, o Estado interfere no 
domínio econômico por via do fomento, isto é, apoiando a iniciativa privada e estimu-
lando (ou desestimulando) determinados comportamentos, por meio, por exemplo, de 
incentivos fiscais ou financiamentos públicos. Esta é a modalidade própria de que se 
utiliza o Estado para atingir os princípios-fins da ordem econômica”. Como registram 
DIOGO DE FIGUEIREDO MOREIRA NETO e NEY PRADO: “Através do fomento público, o 
Estado deverá desenvolver uma atuação sua¬sória, não cogente, destinada aestimular 
as iniciativas privadas que concorram para restabelecer a igualdade de oportunidades 
econômicas e sociais ou suprir deficiências da livre empresa no atendimento de certos 
aspectos de maior interesse coletivo”. (BARROSO, L. R. A Ordem Econômica Consti-
tucional e os Limites à Atuação Estatal no Controle de preços. Revista de Direito da 
Associação dos Procuradores do Novo Estado do Rio de Janeiro. v. 11. Rio de Janeiro: 
Lumen Juris, 2002. p. 59).
7 É o que dispõe o artigo 173 da CF.
139
A atividade direta se dá, como regra, por intermédio de empresas esta-
tais, tais como a Petrobras, o Banco do Brasil, a Empresa de Correios e 
Telégrafos ou a Caixa Econômica Federal. Ditas empresas sujeitam-se 
ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos 
direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários, não po-
dendo gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado 
(art. 173, § 1º, I e § 2º da CF). 
Neste caso, a exigência de boas práticas e inovação é relevante para 
que as empresas estatais produzam resultados econômicos satisfató-
rios, permitindo a geração de resultado positivo a ser reinvestido nas 
atividades que desenvolvem e, em alguma medida, viabilizando o ingres-
so de novos recursos para o ente político a que estejam vinculadas (no 
caso das estatais acima mencionadas, para a União), ingressos estes 
que poderão ser aplicados em outras áreas que demandem a atuação 
estatal. Além disso, boas práticas e inovação demonstram-se relevantes 
para que as empresas estatais realizem as adaptações necessárias à 
contínua satisfação dos sempre renovados interesses públicos que es-
tão sob seus cuidados.
Por outro lado, por imposição constitucional, o Estado deve prestar ser-
viços, em caráter obrigatório, que também podem ser empreendidos fa-
cultativamente pelo setor privado, tais como os serviços nas áreas de 
saúde (arts. 196 e 197 da CF), de educação (arts. 208 e 209 da CF) e 
de previdência (arts. 201 e 202 da CF). O fato de, diversamente do que 
ocorre quando desenvolvidos pela iniciativa privada, tais serviços serem 
prestados pelo Estado de forma gratuita (gratuito no sentido de que fruí-
dos sem que se faça necessária uma contraprestação imediata por par-
te do usuário), não justificaria a obsolescência, a inadequação ou a má 
qualidade de sua prestação.
Assim, resta evidenciado que não só as empresas estatais, mas todos 
os integrantes da estrutura do Estado, têm um dever de bem prestar 
140
8 MARINELA, F. Direito Administrativo. 9. ed. São Paulo: Saraiva. 2015, p. 78. 
9Antes mesmo da edição da Emenda Constitucional n. 19/1998, a eficiência já era exi-
gida na prestação dos serviços públicos mediante concessão ou permissão deferida 
aos particulares, tal como impõe a Lei n. 8.987/1995, em seu artigo 6º, § 1º, bem como 
quando tais serviços possam estar disponibilizados no mercado de consumo (art. 22 
da Lei n. 8.078/1999)
10Exemplificativamente, veja-se a Portaria n. 172/2019 do Conselho Nacional de Justiça 
que instituiu o Laboratório de Inovação, Inteligência e Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável do CNJ, dispondo que: “Art. 2º O Laboratório de Inovação, Inteligência e 
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do CNJ, programa que une o conhecimento 
institucional, a inovação e a cooperação com o objetivo de se alcançar a paz, a justiça 
e a eficiência institucional, dentro das competências fixadas nesta Portaria, funcionará 
com o apoio do gabinete do Conselheiro Coordenador e da Secretaria Especial de Pro-
gramas, Pesquisas e Gestão Estratégica (SEP)”.
O decreto nº 9.745/2019, que aprova a Estrutura do Ministério da Economia, dispõe so-
bre a Diretoria de Gestão Estratégica, a qual compete desenvolver ações com vistas à 
inovação e à melhoria contínua do planejamento governamental, da governança pública 
e da gestão estratégica, no âmbito do Ministério (art. 19). 
suas atividades. Nesta senda, convém ressaltar que, desde o advento da 
Emenda Constitucional 19 de 1998, um novo princípio foi incluído dentre 
os fundantes de toda a atuação administrativa do Estado: o princípio da 
eficiência.
Sobre o mencionado princípio, Fernanda Marinela8 comenta que: “A eficiên-
cia exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza, perfei-
ção e rendimento funcional. Consiste na busca de resultados práticos de 
produtividade, de economicidade, com a consequente redução de desper-
dício do dinheiro público e rendimentos típicos da iniciativa privada [...].”
Portanto, o desempenho de atividades públicas com maior proveito e 
menor dispêndio de recursos materiais e humanos, sem se afastar da 
incontornável submissão à legalidade, deve ser a tônica do agir estatal9.
Eficiência e inovação guardam pontos de contato, sendo possível afirmar 
que, da busca pela realização concreta do princípio da eficiência, diver-
sas iniciativas foram tomadas e que, ao final, primaram por incentivar a 
inovação como praxe no desempenho das atividades públicas.10
141
11 CARVALHO FILHO, J. S. Manual de Direito Administrativo. 11. ed. Rio de Janeiro: 
Lumen Juris, 2001. p. 14.
Por outro lado, parece correto afirmar que o Estado Brasileiro, ainda que 
com as críticas que possam ser feitas, vem evoluindo de um modelo de 
gestão burocrática, no qual sobressai a formalidade e a hierarquia, para o 
modelo gerencial que se esteia na desburocratização, descentralização, 
transparência, meritocracia entre outros referenciais.
 
Neste eito, releva observar que o Projeto de Emenda Constitucional nº 
32/2020, ora em tramitação no Congresso Nacional, propõe a inclusão 
da inovação como um dos princípios constitucionais administrativos ex-
pressos, ou seja, na lição de Carvalho Filho11, dentre aqueles que reve-
lam “as diretrizes fundamentais da Administração, de modo que só se 
poderá considerar válida a conduta administrativa se estiver compatível 
com eles.” Assim, a inovação restaria consolidada no mais elevado grau 
normativo, passando a pautar a ação dos gestores públicos, com o fim 
de permitir que se alce à tão ansiada boa administração. Tudo em prol 
da coletividade.
A proposta é bem-vinda. Que seja aprovada e, principalmente, implemen-
tada concretamente no cotidiano das ações estatais.
*Silvio Wanderley do Nascimento Lima é mestre em Direito, professor da Univer-
sidade Veiga de Almeida – UVA e Juiz Federal no Rio de Janeiro. 
142
Para ampliar seu conhecimento veja o material complementar da Unidade 4, 
disponível na midiateca.
MIDIATECA
A edição da Lei Federal nº 13.979/2020 e outros atos normativos estaduais, 
municipais e distritais, os quais determinam o isolamento social por conta da 
Covid-19, impôs uma série de restrições de caráter preventivo com o fechamen-
to de comércios locais, escolas, entre outras, para o enfrentamento do contágio 
do vírus. 
Para alguns analistas, a crise antecipou uma década em termos de inovação 
tecnológica, apresentando novos formatos de produzir, consumir e de se re-
lacionar. O trabalho remoto passou a ser a alternativa encontrada pelas em-
presas/setores para possibilitar a continuidade dos negócios e as ferramentas 
digitais o aparato técnico para viabilizar a manutenção do emprego e da renda. 
Podemos refletir: A crise possibilitou a criação de novas competências? 
A questão propõe uma reflexão a respeito de como atuar em um ambiente de 
incertezas. O ponto central da análise consiste em avaliar a disponibilidade para 
incorporar novas habilidades e competências, principalmente, capacidade de 
“aprender a aprender” de forma contínua.
NA PRÁTICA
143
Resumo da Unidade 4
A presente unidade buscou discutir o hiato entre legislação e inovação evidenciado na 
relação entre as normas jurídicas e a dinâmica econômica, que caminham em descom-
passo, ou seja, não estão no mesmo ritmo. 
O primeiro tópico iniciou-se com a definição dos termos “invenção” e “inovação”, com o 
propósito de esclarecer a diferença entre eles: invenção está associada a criar algo novo, 
enquanto inovaçãoconsiste em “reconfigurar” algo já criado. Para fundamentar a com-
plexidade do assunto, a invenção do telefone foi o ponto estruturante da análise, expondo 
as transformações e os impactos na produção e no consumo. 
No segundo tópico, a nova economia — compartilhada, solidária e circular —, possibilita-
da pelas inovações disruptivas, trouxe à tona o confronto entre o seu reconhecido poten-
cial e as diferenças em relação aos aspectos negativos gerados. 
Por fim, no terceiro tópico, a concepção individualista apresentou uma reflexão sobre 
as distorções inerentes ao sistema capitalista que, após séculos de existência, ressurge 
sempre com maior voracidade e fôlego, pois velocidade resulta da relação entre espaço 
e tempo e, de acordo com a física, a grandeza vetorial: módulo, direção e sentido mede 
a distância percorrida em certo espaço de tempo. Em economia, a regra não está cons-
tituída com tanta exatidão, o que significa dizer que a grandeza vetorial terá a regra no 
módulo legislação; a direção será dada pela economia em seus arranjos produtivos a 
partir da inventividade do homem econômico e o sentido ficará sobre a responsabilidade 
da sociedade. 
144
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http://recursos.bertrand.pt/recurso?id=10935813
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https://medium.com/@carlatog92/economia-circular-e-seus-princ%C3%ADpios-6bc3c39509c3
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https://books.google.com.br/books/about/Economia_Circular.html?id=efSJDwAAQBAJ&printsec=frontcover&source=kp_read_button&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false
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