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Manual Apoio Formacao III Procedimentos Cautelares
Solicitadoria (Instituto Politécnico de Leiria)
Verifica para abrir em Studocu
A Studocu não é patrocinada ou endossada por alguma faculdade ou universidade
Manual Apoio Formacao III Procedimentos Cautelares
Solicitadoria (Instituto Politécnico de Leiria)
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Manual de Apoio 
PROCESSO CIVIL - III
 Procedimentos Cautelares 
o Atualizado até à Lei n.º 117/2019, de 13 de setembro 
 
Direção-Geral da Administração da Justiça 
DGAJ 
Centro de Formação 
Descarregado por Fernanda Matos (nanda_mac@yahoo.com.br)
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2 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
Índice 
NOTA PRÉVIA ................................................................................................................................. 4 
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 5 
1.1 Características dos procedimentos cautelares ............................................................. 7 
• Carácter urgente ....................................................................................................................... 8 
 Possibilidade de Inversão do contencioso ........................................................................ 9 
 Natureza provisória .............................................................................................................. 9 
 Natureza preventiva ............................................................................................................ 9 
 Sigilo processual ................................................................................................................... 9 
1.2 Procedimentos cautelares comuns e procedimentos cautelares especificados ... 10 
1.3 Patrocínio judiciário ....................................................................................................... 11 
2. O PROCEDIMENTO CAUTELAR COMUM ............................................................................. 12 
2.1 Início do procedimento ................................................................................................... 12 
2.2 Tramitação ........................................................................................................................ 13 
2.2.1 Citação do requerido antes de decretada a providência .................................. 13 
2.2.2 Notificação do requerido após o decretamento da providência (quando o 
contraditório não preceda o decretamento da providência) ..................................... 19 
2.3 O incidente de prestação espontânea de caução ...................................................... 26 
3. OS PROCEDIMENTOS CAUTELARES ESPECIFICADOS ....................................................... 27 
3.1 Restituição provisória de posse – art.º 377º do CPC ................................................ 27 
3.1.1 Âmbito ........................................................................................................................ 27 
3.1.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 27 
3.1.3 Tramitação ................................................................................................................ 27 
3.2 Suspensão de deliberações sociais – art.º 380º do CPC ............................................ 30 
3.2.1 Âmbito ........................................................................................................................ 30 
3.2.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 30 
3.2.3 Tramitação ................................................................................................................ 30 
3.3 Alimentos Provisórios – art.º 384º do CPC.................................................................. 35 
3.3.1 Âmbito ........................................................................................................................ 35 
3.3.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 36 
3.3.3 Tramitação ................................................................................................................ 36 
3.4 Arbitramento de reparação provisória – art.º 388.ºdo CPC .................................... 39 
3.4.1 Âmbito ........................................................................................................................ 39 
3.4.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 39 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
3.4.3 Tramitação ................................................................................................................ 39 
3.5 Arresto – art.º 391º do CPC ........................................................................................... 43 
3.5.1 Âmbito ........................................................................................................................ 43 
3.5.2 Competência para executar a diligência de arresto .......................................... 44 
3.5.3 Valor do procedimento ........................................................................................... 45 
3.5.4 Tramitação ................................................................................................................ 45 
3.6 Embargo de obra nova – art.º 397º do CPC. ............................................................... 51 
3.6.1 Âmbito ........................................................................................................................ 51 
3.6.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 52 
3.6.3 Tramitação ................................................................................................................52 
3.7 Arrolamento – art.º 403.º do CPC ................................................................................ 56 
3.7.1 Âmbito ........................................................................................................................ 56 
3.7.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 56 
3.7.3 Tramitação ................................................................................................................ 56 
3.8 Apreensão de veículo automóvel .................................................................................. 60 
3.8.1 Âmbito ........................................................................................................................ 60 
3.8.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 61 
3.8.3 Patrocínio judiciário ................................................................................................ 62 
3.8.4 Tramitação ................................................................................................................ 62 
3.9 Entrega judicial (após pedido de cancelamento do registo de bens objeto de 
locação financeira na conservatória) ................................................................................. 65 
3.9.1 Valor do procedimento ........................................................................................... 66 
3.9.2 Tramitação ................................................................................................................ 67 
4. CADUCIDADE ........................................................................................................................ 71 
5. RECURSOS ............................................................................................................................ 72 
6. CUSTAS ................................................................................................................................. 73 
 
 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 
NOTA PRÉVIA 
 
Este trabalho pretende dar uma perspetiva essencialmente prática e um 
contributo para uma mais fácil compreensão da tramitação dos procedimentos 
cautelares. 
 
Não tem a pretensão de substituir a indispensável consulta do Código de Processo 
Civil ou o mérito da interpretação da lei diariamente efetuada pelos Senhores 
Juízes. 
 
Visa, isso sim, constituir um instrumento de apoio ao trabalho para a cada vez 
mais exigente função do Oficial de Justiça. 
 
Se como tal for encarado por todos e se, consequentemente, o presente texto 
contribuir para um mais fácil exercício dessa função, estará alcançado mais um 
dos objetivos da Divisão de Formação de Oficiais de Justiça. 
 
 
 
 
 
 
 
___________ 
Obs. – As disposições referidas neste texto sem menção da fonte legal, foram recolhidas no 
Código de Processo Civil. 
 
 
 
 
 
 
 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
PROCEDIMENTOS CAUTELARES 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
À luz do direito fundamental consagrado no art.º 20.º da Constituição da 
República Portuguesa, o art.º 2.º do Código de Processo Civil garante o direito de ação 
judicial através do qual é dado início ao processo como plataforma do exercício da 
função jurisdicional. 
 
Os procedimentos cautelares que se encontram regulados nos art.ºs 362.º a 409.º 
fundam-se numa justificação de ordem temporal: a possível demora no proferimento 
de uma decisão final na ação põe em perigo a reparação do direito violado, por 
entretanto se poder alterar a situação de facto que permitiria a reparação. 
 
É por isso que a lei, com o fim de evitar esse periculum in mora, permite que, 
através de uma summaria cognitio, o tribunal possa decretar uma tutela provisória, o 
n.º 2 do art.º 2.º prevê a existência de “procedimentos necessários para acautelar o 
efeito útil da ação”. O preceito refere-se aos procedimentos cautelares, que afinal 
consubstanciam os meios instrumentais destinados a obter concretamente a tutela 
jurisdicional para o direito ameaçado (n.º 1 do art.º 362.º).1 
 
Para António Santos Abrantes Geraldes, “a principal função da tutela cautelar 
consiste, pois, em neutralizar os prejuízos a suportar pelo interessado que tem razão, 
derivados da duração do processo declarativo ou executivo e que não sejam absorvidos 
por outros institutos de direito substantivo ou processual com semelhante finalidade”.2 
 
Compreende-se, pois, que a lei rotule os procedimentos cautelares como meios 
processuais urgentes (art.º 363.º). É esta característica que se encontra consagrada no 
regime dos procedimentos cautelares ao denominá-los como procedimentos de cognição 
sumária e restrita. 
 
Uma das grandes inovações do NCPC foi a possibilidade da inversão do 
contencioso nas providências cautelares, figura através da qual o juiz pode, na decisão 
 
1 “O processo cautelar não visa a correção de situações, mas tão-somente prevenir lesão que venha a ser grave e 
dificilmente reparável” – Ac. TRPorto n.º JTRP00037273, de 21/10/2004, in www.dgsi.pt. 
2 Temas da Reforma de Processo Civil – III volume, pág. 41. 
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6 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
sobre a providência requerida, dispensar o requerente da propositura da ação principal 
mediante o preenchimento de determinados requisitos. 
 
A nova figura da inversão do contencioso – isto é, da possibilidade de a tutela 
cautelar se transformar em tutela definitiva (cfr. n.º 1 do art.º 369.º) - introduzida com 
entrada em vigor da Lei 41/2013, de 26 de junho de 2013 – NCPC - e aplicável aos 
procedimentos cautelares instaurados a partir de 1 de setembro de 2013 (n.º 2 do art.º 
7.º das disposições transitórias da mesma Lei) – significa uma rutura com uma longa 
tradição histórica, pondo termo ao princípio consagrado no n.º 1 do art.º 383.º do CPC 
de 1961, segundo o qual o procedimento cautelar é sempre dependência de causa que 
tenha por fundamento o direito acautelado. Com a entrada em vigor do NCPC altera-
se esta lógica, deixando de existir interdependência nos casos em que seja admissível 
a inversão do contencioso (cfr. o atual n.º 1 do art.º 364.º). 
 
O regime da inversão do contencioso, assenta no que dispõe o n.º 1 do art.º 369.º 
- “mediante requerimento, o juiz, na decisão que decrete a providência, pode 
dispensar o requerente do ónus de propositura da ação principal se a matéria adquirida 
no procedimento lhe permitir formar convicção segura acerca da existência do direito 
acautelado e se a natureza da providência decretada for adequada a realizar a 
composição definitiva do litígio”. Este regime apresenta as seguintes características: 
 
1 – Pressupõe o requerimento da parte interessada; o n.º 2 do art.º 369.º define 
o momento em que esse requerimento pode ser feito e em que o requerido a ele se 
pode opor: “a dispensa (…) pode ser requerida até ao encerramento da audiência final; 
tratando-se de procedimento sem contraditório prévio, podeo requerido opor-se à 
inversão do contencioso conjuntamente com a impugnação da providência decretada”; 
 
2 – Define as condições em que a inversão do contencioso pode ser decretada 
pelo tribunal, concretamente: 
a) - Tem de formar a convicção segura sobre o direito acautelado; e 
b) - A natureza da providência decretada tem de ser adequada a realizar a 
composição definitiva do litígio. 
 
Isto significa que a decisão sobre a inversão do contencioso não é uma decisão 
tomada no uso de um poder discricionário: o tribunal não inverte o contencioso segundo 
um critério de oportunidade e de conveniência, mas de acordo com os referidos critérios 
legais. 
 
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7 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
É da conjugação destas duas condições - e não da consideração isolada de cada 
uma delas - que decorrem as circunstâncias em que o tribunal pode decretar a inversão 
do contencioso: 
 
O juiz tem de formar a convicção segura da existência do direito acautelado 
e a providência decretada tem de ser, pela sua própria natureza, adequada a 
realizar a composição definitiva do litígio. 
 
Se o pedido de inversão do contencioso for indeferido, a decisão não é recorrível. 
Já se este for consentido, a decisão só é impugnável com a da decisão da providência 
cautelar. Importa notar que o pedido de inversão do contencioso interrompe o prazo de 
caducidade a que estiver sujeito o direito acautelado, reiniciando-se a sua contagem 
com o trânsito em julgado da decisão que negue o pedido de inversão do contencioso. 
Decidida a providência cautelar com inversão do contencioso, pode o requerido 
impugnar – sem prejuízo das regras sobre a distribuição do ónus da prova – a existência 
do direito acautelado através de ação a instaurar nos 30 dias subsequentes à notificação 
do trânsito em julgado daquela decisão, sendo que, caso não o faça, a providência 
consolida-se como composição definitiva do litígio, podendo ser executada. Caso a ação 
revogatória da inversão do contencioso proceda e a respetiva decisão transite em 
julgado, a providência cautelar caduca. 
 
Caso não seja decretada a inversão do contencioso ou esta não seja admissível, 
os procedimentos cautelares são sempre instaurados previamente à ação ou na 
pendência dela. Diz-se preliminar quando instaurado antes da ação principal e 
incidental quando instaurado já na pendência desta. Há, agora, que ter em conta se 
foi requerida a inversão do contencioso, dependendo da decisão, a necessidade de 
interposição da ação, pelo requerente ou pelo requerido - cfr. n.º 1 do art.º 364.º. 
 
Se o procedimento cautelar tiver cariz preliminar, logo que instaurada a ação, é 
o procedimento apensado a esta. Se a ação principal correr em tribunal diferente, para 
aí é remetido o apenso, ficando o Juiz da ação com competência exclusiva para os 
termos subsequentes à remessa – cfr. n.º 2 do art.º 364.º. 
 
1.1 Características dos procedimentos cautelares 
 
Os procedimentos cautelares têm as seguintes características: 
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8 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
• Carácter urgente 
 
De acordo com o disposto no art.º 363.º, os procedimentos cautelares têm 
carácter urgente devendo, por essa razão, os seus atos precederem qualquer outro 
serviço não urgente. 
 
As marcas de urgência do processo atingem igualmente a oposição e o recurso.3 
 
Desta forma, quaisquer atos praticados em procedimentos cautelares podem (e 
devem) sê-lo mesmo em férias judiciais (n.ºs 1 e 2 do art.º 137.º), não se suspendendo 
nestes períodos os prazos processuais - cfr. n.º 1 do art.º 138.º. 
 
A urgência das medidas traduz-se ainda na obtenção duma decisão em primeira 
instância no prazo máximo de 15 dias, nos casos em que não haja lugar ao contraditório 
prévio, ou no prazo de dois meses quando o requerido seja ouvido previamente à decisão 
– cfr. n.º 2 do art.º 363.º. 
 
A celeridade e a urgência do procedimento cautelar exigem uma tramitação 
simplificada e nesse sentido a estrutura do processo limita-se a dois articulados apenas 
(petição e oposição ou contestação) e não admite a citação edital do requerido – cfr. 
n.º 4 do art.º 366.º. 
 
Ainda no mesmo sentido, os elementos de prova são oferecidos com os próprios 
articulados. 
 
3 “Tanta proteção merece a posição do requerente que, com invocação e prova sumária dos requisitos legais, obtém 
uma providência com efeitos imediatos, como o requerido que, discordando dos fundamentos de facto e de direito 
em que se baseou a anterior decisão, procura afastar os prejuízos que a execução imediata causa na sua esfera de 
interesses” – António Santos Abrantes Geraldes, Temas da Reforma do Processo Civil, III volume, 5-Procedimento 
Cautelar Comum, edição 1998, pág. 117. 
“Os procedimentos cautelares revestem sempre carácter urgente mesmo na fase de recurso.” Ac. STJ, de 31/3/2009, 
n.º 07B4716 
http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/18aea6e971f8ae0a802577d0005e8092?OpenDocu
ment. 
“O carácter urgente dos procedimentos cautelares acompanha todo o processo, incluindo a fase de recurso. Corre em 
férias judiciais o prazo para a apresentação das alegações de recurso interposto da decisão que decrete ou indefira a 
providência.” Ac. TRCoimbra, de 23/1/2007,Proc.N.º2352/06.0TJCBR.C1 
http://www.dgsi.pt/jtrc.nsf/c3fb530030ea1c61802568d9005cd5bb/545d6a49df3f9d9f8025727900538310?OpenDocu
ment. 
 
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http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/18aea6e971f8ae0a802577d0005e8092?OpenDocument
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http://www.dgsi.pt/jtrc.nsf/c3fb530030ea1c61802568d9005cd5bb/545d6a49df3f9d9f8025727900538310?OpenDocument
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9 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 Possibilidade de Inversão do contencioso 
 
O novo regime da inversão do contencioso, isto é, a possibilidade de a tutela 
cautelar se transformar em tutela definitiva – O juiz, na decisão que decreta a 
providência cautelar, pode dispensar o requerente do ónus da propositura da ação 
principal. (Não se aplica ao Arresto, ao Arrolamento e ao Arbitramento de Reparação 
Provisória – n.º 4 do art.º 376.º). 
 Natureza provisória 
 
Exceto se for decretada a inversão do contencioso, outra característica que reveste 
o procedimento cautelar é a sua natureza provisória, ou seja, termina com uma decisão 
de carácter provisório que prevalece até à decisão definitiva da ação principal, 
garantindo assim o efeito útil dessa mesma ação no pressuposto de que ela foi proposta 
ou venha a sê-lo, pois caso tal não aconteça a providência caduca – cfr. art.º 373.º. 
 Natureza preventiva 
 
Como já foi referido, uma das finalidades dos procedimentos cautelares é, 
precisamente, evitar a lesão de um direito ou interesse protegido, independentemente 
de os receios que lhe subjazem precederem a própria ação ou surgirem durante a 
pendência desta. 
 Sigilo processual 
 
O art.º 163.º consagra o princípio da publicidade do processo civil, que, em termos 
genéricos, se traduz no direito de acesso ao processo para efeito de exame, consulta,obtenção de cópias ou certidões das peças que o integrem, e ainda no direito à obtenção 
de informações prestadas pela secretaria sobre o processo. 
 
No entanto, o art.º 164.º do estabelece algumas restrições a este princípio, 
nomeadamente quando o seu conhecimento possa comprometer a eficácia da decisão a 
proferir no processo, como é o caso dos procedimentos cautelares, aos quais só o 
requerente e o seu mandatário têm acesso irrestrito. 
 
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10 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
O requerido e o seu mandatário só têm acesso ao procedimento cautelar após a 
citação ou notificação para o contraditório. 
 
1.2 Procedimentos cautelares comuns e procedimentos cautelares 
especificados 
 
A lei processual civil prevê diversos procedimentos cautelares especificados. 
Mas, perante a impossibilidade de cobrir todas as situações que possam estar na sua 
origem, a lei prevê ainda o procedimento cautelar comum, com a particularidade de 
que este instrumento só pode ser usado quando para a providência requerida inexista o 
adequado procedimento cautelar especificado – cfr. n.º 3 do art.º 362.º. 
Os art.ºs 362.º a 375.º ditam as regras gerais aplicáveis ao procedimento 
cautelar comum. 
Para além daquele, a lei prevê alguns procedimentos cautelares especificados, 
cuja tramitação é regulada pelas disposições próprias constantes dos art.ºs 377.º e 
seguintes, aplicando-se-lhes subsidiariamente as disposições relativas ao 
procedimento cautelar comum nos termos previstos do n.º 1 do art.º 376.º – bem 
como por legislação avulsa. 
Assim, como se referiu, os procedimentos cautelares comuns aplicam-se em 
todas as situações em que os interesses que as pessoas pretendem acautelar não estão 
previstos nos procedimentos cautelares especificados na lei. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Restituição provisória de posse 
– art.º 377.º 
Suspensão de deliberações sociais 
– art.º 380.º 
Alimentos Provisórios – art.º 384.º 
Arbitramento de reparação provisória 
– art.º 388.º 
Embargo de obra nova – art.º 397.º 
 
Arresto – art.º 391.º 
Arrolamento – art.º 403.º 
Procedimentos 
Cautelares 
Especificados 
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11 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
Apreensão de veículo automóvel – art.ºs 15.º 
e seguintes do Dec. Lei n.º 54/75, de 24 de 
fevereiro; 
 
 Entrega judicial e cancelamento do registo 
de bens objeto de locação financeira – art.º 
21.º do Dec. Lei 149/95, de 24 de junho 
(alterado pelo Dec. Lei n.º 265/97 de 2 de 
outubro). 
 
Arresto e outras providências sobre navios 
e outras embarcações – art.ºs 12.º a 15.º da 
Lei n.º 35/86, de 4 de setembro. 
 
 
 
1.3 Patrocínio judiciário 
 
Os procedimentos cautelares não estão sujeitos a qualquer regime especial, pelo 
que a obrigatoriedade do patrocínio judiciário obedece ao regime regra do art.º 40.º 
(em razão do valor processual – cfr. também n.º 3 do art.º 304.º),4 significando isto que 
as partes não estão obrigadas à constituição de mandatário judicial nos procedimentos 
de valor não superior à alçada do tribunal de 1.ª instância. 
 
 
 
 
4 Em matéria cível, a alçada dos Tribunais da Relação é de € 30.000,00 e a dos Tribunais de 1.ª instância é de € 5.000,00 
– cfr. n.º 1 do art.º 44.º da Lei n.º 62/2013, de 26 de agosto (LOSJ). 
 
Procedimentos 
Cautelares 
Inominados 
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2. O PROCEDIMENTO CAUTELAR COMUM 
 
2.1 Início do procedimento 
 
O procedimento cautelar comum inicia-se com a petição inicial, à qual são 
aplicáveis as disposições dos art.ºs 144.º, 145.º, 552.º e 558.º todos do CPC e da Portaria 
n.º 280/2013, de 26 de agosto. 
 
Quando requerido antes de proposta a ação principal e, verificados todos os 
requisitos exigidos por Lei, o procedimento cautelar é distribuído eletronicamente 
na espécie 10.ª - art.ºs 207.º e 212.º, conjugados com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria 
280/2013, de 26 de agosto, e art.ºs 206.º a 211.º do CPC 
 
Quando requerido no decurso da ação principal, o requerimento é autuado por 
apenso à ação da qual depende (vem mencionada no próprio requerimento), ainda que 
ela tenha subido em recurso, sendo que, nesta hipótese, a apensação física só se efetua 
logo que a ação baixe à primeira instância. 
 
Como já foi referido, o procedimento pode ser instaurado antes ou após ser 
proposta a ação relativamente à qual se estabelece uma relação de dependência 
sistemática e, quando a preceda, deve ser imediatamente apensado à ação logo que 
esta seja proposta, mesmo que se encontrem em tribunais diferentes – cfr. n.º 2 do 
art.º 78.º, e n.ºs 1 e 2 do art.º 364.º. 
 
Sendo requerido na pendência da ação principal, o procedimento cautelar é logo 
autuado por apenso àquela – cfr. n.º 3 do art.º 364.º. 
 
A decisão proferida no procedimento cautelar não tem qualquer influência 
na decisão da causa principal – n.º 4 do art.º 364.º. 
 
Aos procedimentos cautelares aplicam-se subsidiariamente as normas 
referentes aos incidentes da instância – cfr. n.º 3 do art.º 365.º e 292.º a 295.º. 
 
 
 
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2.2 Tramitação 
 
2.2.1 Citação do requerido antes de decretada a providência 
Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria 280/2013, a 
secretaria imediatamente após a autuação, não havendo motivo de recusa – art.ºs 552.º 
e 558.º – conclui o procedimento cautelar ao juiz para que este profira despacho liminar. 
 
. 
 
O despacho liminar poderá ser de: 
 
 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal da 
Relação – cfr. art.ºs 186.º, 569.º, 590.º do n.º 1 e 629.º n.º 3, al. c); 
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º, 411.º e 560.º; 
 Dispensa de audição do requerido – cfr. n.º 1 do art.º 366.º; 
 Despacho de citação versus notificação – quando o juiz entenda observar o 
contraditório, ouvindo o requerido – cfr. n.º 1 do art.º 366.º. 
 
Na última hipótese o requerido é citado para, no prazo de 10 dias (n.º 2 do art.º 
366.º, conjugado com o n.º 2 do art.º 293.º), acrescido da dilação a que houver lugar 
nos termos do art.º 245.º, mas nunca superior a 10 dias5 (n.º 3 do art.º 366.º), deduzir, 
querendo, oposição à providência, devendo, com a oposição, oferecer logo os meios de 
prova - cfr. art.º 367.º. 
No caso de o requerido já ter sido citado para os termos da ação principal, a 
citação referida no parágrafo anterior dá lugar a uma notificação não pessoal, nos 
termos dos art.ºs 247.º a 249.º, consoante tenha ou não mandatário judicial constituído 
- cfr. n.º 2 do art.º 366.º. 
 
No ato de citação ou notificação, o requerido deve ser advertido de que a falta de 
oposição importa a confissão dos factos articulados pelo requerente. 
 
A citação do requerido é pessoal (art.º 225.º, n.ºs 1 a 5) e em regra efetua-se 
através de carta registada com aviso de receção(Pessoas Singulares - art.ºs 228.º; 
 
5 O limite máximo estabelecido para os prazos dilatórios não afeta os que tenham duração inferior. Se, contudo a 
dilação aplicável for superior (ex. n.ºs 2 e 3 do art.º 245.ºCPC) é reduzida para os dez dias fixados pelo n.º 3 do art.º 
366.º. 
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Pessoas Coletivas – art.º 246.º6) e frustrando-se a via postal, a citação é efetuada 
mediante contato pessoal do agente de execução com o citando, salvo se o requerente 
solicitar a citação por oficial de justiça – cfr. art.ºs 228.º e 231.º, n.ºs 1, 8 e 9. 
 
Frustrando-se a citação pessoal, o processo deve ir concluso ao juiz, uma vez 
que, de acordo com o estipulado no n.º 4 do art.º 366.º nos procedimentos cautelares 
não há lugar à citação edital, havendo, assim, lugar a despacho que dispense a citação 
do requerido, se assim for entendido pelo juiz. 
2.2.1.1 Oposição (na sequência da citação inicial do requerido) 
 
O prazo para deduzir oposição é, como já vimos, de 10 dias, acrescido da 
dilação, se a ela houver lugar nos termos do art.º 245.º do CPC - mas nunca superior a 
10 dias conforme também já referido. 
A oposição nos procedimentos cautelares obedece às mesmas regras da 
contestação do processo comum declarativo, ou seja, deve ser acompanhada do 
documento comprovativo do pré-pagamento da taxa de justiça inicial ou, em 
alternativa, do documento comprovativo da concessão do benefício do apoio judiciário, 
ou ainda, se estiver a aguardar decisão sobre a concessão do benefício de apoio 
judiciário, comprovar apenas a apresentação do respetivo requerimento – cfr. Portaria 
280/2013, de 26 de agosto, art.ºs 145.º, n.º 1 e 570.º, ambos do CPC, 7.º, 13.º, 14.º e 
Tabela II do RCP e 22.º, n.º 6 da Lei n.º 34/2004, de 29 de Julho. 
 
Perante a não comprovação do pagamento da taxa de justiça inicial, a secretaria, após 
o termo do prazo ou logo que se aperceba da sua falta, notifica oficiosamente o requerido para 
efetuar o seu pagamento, acrescido duma multa de igual montante mas nunca inferior a 1 UC 
(€ 102,00), nem superior a 5 UC (€ 510,00) – n.ºs 3 e 4 do art.º 570.º. 
 
Se, findos os articulados, o requerido persistir na falta do pagamento, será 
notificado, novamente, para no prazo de 10 dias efetuar o pagamento da taxa de justiça 
e da multa omitida, acrescida de outra multa de montante igual ao da taxa de justiça 
mas não inferior a 5 UC nem superior a 15 UC. 
Nesta última hipótese, a secretaria avisará o requerido de que o não pagamento das 
sobreditas quantias implica o desentranhamento da oposição que tiver sido apresentada e que 
não sendo efetuado o pagamento omitido, não é devida qualquer multa (n.ºs 5 a 7 do art.º 
570.º). 
 
 
6 Portaria n.º 953/2003, de 9 de setembro, que aprovou o modelo do sobrescrito e aviso de receção); 
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A oposição é oficiosamente notificada ao requerente, não havendo lugar a mais 
articulados – cfr. art.ºs 220.º, 293.º, 365, n.º 3 e 367.º, n.º 1. 
 
2.2.1.2 Audiência final 
 
De acordo com o n.º 1 do art.º 367.º, findo o prazo de oposição, quando o 
requerido haja sido ouvido (citado), o processo é concluso ao juiz para decisão final, 
eventualmente precedida da realização de diligências probatórias em sede de audiência 
de julgamento, por sua própria iniciativa ou a requerimento das partes. A falta de 
alguma pessoa convocada, cujo depoimento não seja prescindido, bem como a 
necessidade da realização de diligências probatórias no decurso da audiência, apenas 
determinam a suspensão desta, designando-se logo data para a sua continuação – n.º 2 
do art.º 367.º. 
 
Sendo designada data para realização da audiência, a secretaria, após observar 
o que vem disposto no art.º 151.º do CPC (“marcação e inicio pontual das diligências”), 
notifica o despacho aos mandatários judiciais (art.ºs 21.º e 25.º da Portaria 280/2013, 
de 26 de agosto e art.ºs 247.º e 248.º, ambos do CPC). As testemunhas são apresentadas 
pelas partes, à exceção daquelas que as partes tenham requerido a sua notificação para 
comparência7. Se nada for requerido, e as testemunhas residirem fora do município, 
são ouvidas por meio tecnológico a partir do tribunal ou juízo da área da sua residência8 
- cfr. art.º s 251.º, 502.º e 507.º. 
 
É oportuno referir que a notificação das testemunhas pode ser feita por qualquer 
um dos meios de comunicação referidos no n.º 5 do art.º 172.º do CPC9, carecendo de 
imediata confirmação escrita as que se realizem por via não escrita. 
 
Independentemente do requerido ter sido ou não ouvido (citado ou notificado) 
previamente ao decretamento da providência, os depoimentos prestados em 
audiência são sempre registados em gravação (som ou imagem e som) – cfr. n.º 1 do 
art.º 155.º do CPC. 
 
7 Independentemente do requerido ter sido ou não ouvido (citado ou notificado) previamente ao decretamento da 
providência, os depoimentos prestados em audiência são sempre registados em gravação (som ou imagem e som) – n.º 
1 do art.º 155.º do CPC. 
8 Não tem lugar a inquirição por meio tecnológico nos processos pendentes em tribunais ou juízos sediados nas áreas 
metropolitanas de Lisboa e Porto quando a testemunha a inquirir resida na respetiva circunscrição – n.º 5 do art.º 502.º 
9 Portaria 953/2003, de 9 de setembro – aprova os modelos oficiais de carta registada (…) bem como os modelos a 
adotar nas notificações via postal; 
Dec. Lei 28/92, de 27 de fevereiro – disciplina o regime do uso da telecópia na transmissão de documentos (…) 
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A decisão é oficiosamente notificada às partes (art.ºs 21.º e 25.º da Portaria 
280/2013, de 26 de agosto e art.ºs 247.º a 249.º do CPC), devendo a notificação ser 
acompanhada de cópia legível da decisão proferida – cfr. art.ºs 219.º, n.º 2 e 253.º, 
sendo o requerido informado que incorre na pena do crime de desobediência 
qualificada, p. p. no n.º 2 do art.º 348.º do Código Penal, no caso de infringir a 
providência cautelar decretada. 
 
Se a decisão for passível de recurso – ver art.º 629.º, pode este, ser interposto 
no prazo 15 dias – cfr. n.º 1 do art.º 638.º. 
 
Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao 
referido prazo de interposição, acrescem 10 dias – cfr. n.º 7 do art.º 638.º. 
 
Não sendo a decisão objeto de recurso, notificam-se as partes do trânsito em 
julgado, sendo ainda o requerente advertido que é de 30 dias o prazo para a interpor a 
ação respetiva, sob pena de não o fazendo a providência caducar – art.º 373.º, n.º 1, al 
a). 
Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e 30.º 
do Regulamento das Custas Processuais). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Indeferimento 
SIM 
 NÃO 
 SIM 
NÂO 
NÃO 
 SIM 
PROCEDIMENTO CAUTELAR COMUM 
[CONTRADITÓRIO PRÉVIO] 
REQUERIMENTO 
Citação pessoal 
do requerido (ou 
notificação) 
Conclusão 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento Findo o prazo da 
oposição 
Notificação do 
requerente 
Audiência 
e/ou decisão 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Notificações 
requerente e 
requerido
Providência 
decretada 
Realização da 
providência 
Há recurso? 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Admite recurso 
NÃO
NÃO 
Há Reclamação -
643.º 
NÃO 
Reclamação 
SIM 
SIM 
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2.2.1.3 Com pedido de inversão do contencioso 
 
 Tramitação 
A distribuição, autuação e processamento da providência cautelar com pedido 
de inversão do contencioso, iniciada com a citação prévia do requerido, segue os 
trâmites já referidos em 2.2, com as seguintes adaptações: 
A inversão do contencioso – pode ser requerida, pelo requerente da providência 
cautelar, até ao encerramento da audiência final – na decisão que decrete a 
providência, o Juiz decide também o pedido de inversão do contencioso, podendo 
dispensar o requerente do ónus de prepositura da ação principal - cfr. n.º 1 do art.º 
369.º. 
A decisão sobre a providência requerida e sobre o pedido de inversão do 
contencioso é notificada às partes – cfr. art.ºs 21.º e 25.º da Portaria 280/2013, de 26 
de agosto e art.ºs 219.º, n.º 2, 247.º a 249.º e 253.º, todos do CPC. 
A decisão que decrete a inversão do contencioso só é recorrível em conjunto 
com o recurso da decisão sobre a providência requerida – cfr. n.º 1 do art.º 370.º e 
2.ª parte do art.º 638.º. 
Logo que transite em julgado a decisão que haja decretado a providência 
cautelar e invertido o contencioso, as partes são notificadas da data do trânsito, sendo 
o requerido notificado com a advertência de que, querendo, deve intentar a ação 
destinada a impugnar a existência do direito acautelado, nos 30 dias subsequentes à 
notificação. 
Se o requerido não interpuser a ação no prazo mencionado, a providência 
decretada consolida-se como composição definitiva do litígio – cfr. art.º 371.º. 
No caso de indeferimento da inversão do contencioso, a decisão é irrecorrível – 
cfr. 2.ª parte do art.º 370.º. 
Assim, com a notificação do trânsito da decisão que haja ordenado a providência 
e indeferido o pedido de inversão do contencioso, deve o requerente ser advertido 
que é de 30 dias o prazo concedido para a propositura da ação. 
Se o requerente não propuser a ação no mencionado prazo, o procedimento 
cautelar extingue-se – cfr. art.º 373.º, n.º 1, al. a). 
 
A final, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e 
30.º, do Regulamento das Custas Processuais). 
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2.2.2 Notificação do requerido após o decretamento da providência (quando 
o contraditório não preceda o decretamento da providência) 
 
Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria 280/2013, a 
secretaria, imediatamente após a autuação, não havendo motivo de recusa – art.ºs 552.º 
e 558.º, ambos do CPC – conclui o procedimento cautelar ao juiz para que este profira 
despacho liminar. 
 
O despacho liminar poderá ser de: 
 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal da 
Relação –cfr. art.ºs 186.º, 569.º, 590.º do n.º 1 e 629.º n.º 3, al. c); 
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º e 411.º e 560.º; 
 Dispensa de audição do requerido – cfr. n.º 1 do art.º 366.º. 
Na última hipótese, entendendo o juiz que a audição prévia do requerido põe 
em risco sério o fim ou a eficácia da diligência requerida, só após a realização da 
providência decretada é que tem lugar a notificação do requerido segundo as regras da 
citação pessoal - cfr. n.º 6 do art.º 366.º. 
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A notificação do requerido é pessoal (art.º 225.º, n.ºs 1 a 5 do CPC) e em regra 
efetua-se através de carta registada com aviso de receção (art.ºs 228.º - Pessoas 
Singulares ou art.º 246.º - Pessoas Coletivas, ambos do CPC e frustrando-se a via postal, 
a notificação é efetuada mediante contacto pessoal do agente de execução com o 
citando, salvo se o requerente solicitar a citação por oficial de justiça – cfr. art.ºs 228.º 
e 231.º, n.ºs 1, 8 e 9 do CPC. 
Frustrando-se a notificação pessoal, por o requerido estar ausente em parte 
incerta, a secretaria diligência, junto de quaisquer entidades, obter informação sobre 
a última residência do citando, designadamente, mediante despacho prévio, nas bases 
de dados e, se o juiz entender indispensável, junto das autoridades policiais – cfr. art.ºs 
236.º do CPC. 
A notificação edital segue os procedimentos referidos nos art.ºs 240.º a 242.º e 
art.º 24.º da Portaria 280/2013 de 26 de agosto de 201310, tendo-se em conta a dilação 
a que se refere o n.º 3 do art.º 245.º. 
Independentemente da modalidade da citação/notificação, a dilação, se a ela 
houver lugar, não pode ser superior a 10 dias – cfr. n.º 3 do art.º 366.º. 
O requerido é notificado para, querendo: 
 
-No prazo de 10 dias (n.º 2 do art.º 293.º), acrescido da dilação, se a ela houver 
lugar, deduzir oposição à providência, devendo com a oposição oferecer logo os meios 
de prova - cfr. n.º 2 do art.º 366.º e art.º 367.º; 
Ou, em alternativa: 
- No prazo de 15 dias, interpor recurso do despacho que houver decretado a 
providência - cfr. art.º 372.º. 
2.2.2.1 Oposição (na sequência do decretamento da providência) 
 
Como referido supra, a oposição deve ser apresentada no prazo de 10 dias a 
partir da notificação do requerido, podendo este, em alternativa, no prazo de 15 dias, 
interpor recurso da decisão que deferiu a providência – cfr. art.ºs 372.º n.º 1, 293.º n.º 
2 e 644.º n.º 3. 
 
10 O anúncio relativo à citação edital previsto no artigo 240.º do Código de Processo Civil é publicado no sítio da 
Internet de acesso público com o endereço eletrónico http://www.citius.mi.pt. 
 
 
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A oposição nos procedimentos cautelares obedece às mesmas regras da 
contestação do processo comum declarativo, ou seja, deve ser acompanhada do 
documento comprovativo do pré-pagamento da taxa de justiça inicial ou, em 
alternativa, do documento comprovativo da concessão do benefício do apoio judiciário, 
ou, se estiver a aguardar decisão sobre a concessão do benefício de apoio judiciário, 
comprovar apenas a apresentação do respetivo requerimento – cfr. Portaria 280/2013, 
de 26 de agosto, art.ºs 145.º, n.º 1 e 570.º, ambos do CPC, 7.º, 13.º, 14.º e Tabela II do 
RCP e 22.º, n.º 6 da Lei n.º 34/2004, de 29 de Julho.Perante a não comprovação do pagamento da taxa de justiça inicial, a secretaria, após 
o termo do prazo ou logo que se aperceba da sua falta, notifica oficiosamente o requerido para 
efetuar o seu pagamento, acrescido duma multa de igual montante mas nunca inferior a 1 UC (€ 
102,00), nem superior a 5 UC (€ 510,00) – cfr. n.ºs 3 e 4 do art.º 570.º. 
Se, findos os articulados, o requerido persistir na falta do pagamento, será 
notificado, novamente, para no prazo de 10 dias efetuar o pagamento da taxa de justiça 
e da multa omitida, acrescida de outra multa de montante igual ao da taxa de justiça 
mas não inferior a 5 UC nem superior a 15 UC. 
Nesta última hipótese, a secretaria avisa o requerido de que o não pagamento das 
sobreditas quantias implica o desentranhamento da oposição que tiver sido apresentada e, bem 
assim, que não sendo efetuado o pagamento omitido não é devida qualquer multa – cfr. n.ºs 5 a 
7 do art.º 570.º. 
A oposição é oficiosamente notificada ao requerente, não havendo lugar a 
mais articulados. 
2.2.2.2 Audiência final 
 
Em seguida, o processo é concluso e aqui o juiz decide o procedimento ou 
designa dia para a audiência final para produção de provas – cfr. art.º 386.º. 
Se designar dia para audiência de provas11, a secretaria, após observar o que 
vem disposto no art.º 151.º (“marcação e inicio pontual das diligências”), notifica o 
despacho aos mandatários judiciais (art.ºs 21.º e 25.º da Portaria 280/2013, de 26 de 
agosto e art.ºs 247.º e 248.º). As testemunhas do requerido (as do requerente já terão 
sido ouvidas), são apresentadas pela parte, à exceção daquelas que a parte tenha 
requerido a sua notificação para comparência. Se nada for requerido, e as testemunhas 
 
11 Independentemente do requerido ter sido ou não ouvido (citado ou notificado) previamente ao decretamento da 
providência, os depoimentos prestados em audiência são sempre registados em gravação (som ou imagem e som) – n.º 1 
do art.º 155.º do CPC. 
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residirem fora do município, são ouvidas por meio tecnológico a partir do tribunal ou 
juízo da área da sua residência12 - cfr. art.º s 251.º, 502.º e 507.º. 
 
É oportuno referir que a notificação das testemunhas pode ser feita por qualquer 
um dos meios de comunicação referidos no n.º 5 do art.º 172.º do CPC13, carecendo de 
imediata confirmação escrita as que se realizem por via não escrita. 
 
Produzidas as provas, o juiz profere a decisão final, decretando a providência, 
reduzindo -a ou mesmo recusando-a - cfr. art.º 368.º. 
 
A decisão é oficiosamente notificada às partes (art.ºs 21.º e 25.º da Portaria 
280/2013, de 26 de agosto e art.ºs 247.º a 249.º do CPC), devendo a notificação ser 
acompanhada de cópia legível da decisão proferida – cfr. art.ºs 219.º n.º 2 e 253.º, 
ambos do CPC, sendo o requerido informado que incorre na pena do crime de 
desobediência qualificada, p. p. no n.º 2 do art.º 348.º do Código Penal, no caso de 
infringir a providência cautelar decretada. 
 
A providência decretada pode ser substituída por caução, que, a ter lugar, 
correrá por apenso - cfr. art.ºs 368.º n.º 3 e 915.º. 
 
Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º - pode este, ser interposto no 
prazo de 15 dias - cfr. n.º 1 do art.º 638.º. 
 
Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao 
referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º. 
Não sendo a decisão objeto de recurso, notificam-se as partes do trânsito em julgado, 
sendo ainda o requerente advertido que é de 30 dias o prazo para interpor a ação 
respetiva, sob pena de não o fazendo a providência caducar – art.º 370.º, n.º 1, al a). 
Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e 30.º, do 
Regulamento das Custas Processuais. 
 
 
 
 
 
12 Não tem lugar a inquirição por meio tecnológico nos processos pendentes em tribunais ou juízos sediados nas áreas 
metropolitanas de Lisboa e Porto quando a testemunha a inquirir resida na respetiva circunscrição – n.º 5 do art.º 502.º 
13 Portaria 953/2003, de 9 de setembro – aprova os modelos oficiais de carta registada (…) bem como os modelos a 
adotar nas notificações via postal; 
Dec. Lei 28/92, de 27 de fevereiro – disciplina o regime do uso da telecópia na transmissão de documentos (…) 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Indeferimento 
 SIM 
NÃO 
PROCEDIMENTO CAUTELAR COMUM 
[SEM CONTRADITÓRIO PRÉVIO] 
REQUERIMENTO 
Audiência e 
decisão 
 
Conclusão 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento Providência 
decretada 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Notificação 
do 
requerente e 
requerido 
Há 
oposição 
Conclusão 
Audiência e 
decisão 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Admite recurso 
Recurso De 
apelação 
NÃO
SIM 
NÃO 
 SIM 
 SIM 
Notificações 
do requerente 
e requerido 
Há recurso 
NÃO 
SIM 
NÃO
Há recurso 
(requerido) 
 SIM 
Há Reclamação 
643.º 
Reclamação 
O
SIM 
SIM 
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24 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
2.2.2.3 Com pedido de Inversão do Contencioso 
 
 Tramitação 
 
A distribuição, autuação e processamento da providência cautelar com pedido 
de inversão do contencioso, iniciada sem audição prévia do requerido, segue os trâmites 
já referidos em 2.2.2, com as seguintes adaptações: 
A inversão do contencioso – pode ser requerida, pelo requerente da providência 
cautelar, até ao encerramento da audiência final – na decisão que decrete a 
providência, o Juiz decide também o pedido de inversão do contencioso, podendo 
dispensar o requerente do ónus de prepositura da ação principal - cfr. n.º 1 do art.º 
369.º. 
Depois de decretada a providência e deferida a inversão do contencioso, o 
requerido é notificado para, querendo: 
 
 Interpor recurso (prazo 15 dias) da decisão, nos termos gerais – cfr. art.º 372.º, n.º 1, 
al. a) e n.º 3 do art.º 644.º; ou 
 em alternativa: 
 Deduzir oposição (prazo 10 dias) – cfr. art.º 372.º, n.º 1, al. b). 
 
 
Com a advertência que pode, este, impugnar, por qualquer dos meios supra 
referidos, a decisão que tenha invertido o contencioso. 
No caso de ser deduzida oposição, na decisão final, o juiz, para além de decidir 
da manutenção, redução ou revogação da providência anteriormente decretada decide 
da manutenção ou revogação da inversão do contencioso. 
A decisão final é notificada às partes (art.ºs 21.º e 25.º da Portaria 280/2013, 
de 26 de agosto e art.ºs 247.º a 249.º do CPC), devendo a notificação ser acompanhada 
de cópia legível da decisão proferida – cfr. art.ºs 219.º n.º 2 e 253.º - sendo estas 
informadas sobre a possibilidade de interposição de recurso ordinário no prazo de 15 
dias - cfr. art.ºs 644.º, n.º 1 e 638.º, n.º 1. 
Logo que transite em julgado a decisão que haja decretado a providência 
cautelare invertido o contencioso, as partes são notificadas do trânsito em julgado, 
sendo o requerido notificado com a advertência de que, querendo, deve intentar a 
ação destinada a impugnar a existência do direito acautelado nos 30 dias subsequentes 
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25 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
à notificação, sob pena de a providência decretada se consolidar como composição 
definitiva do litígio -cfr. art.º 371.º. 
Se o requerido não interpuser a ação no prazo mencionado, a providência 
decretada consolida-se como composição definitiva do litígio – cfr. art.º 371.º. 
No caso de indeferimento da inversão do contencioso, a decisão é irrecorrível – 
cfr. 2.ª parte do art.º 370.º. 
Assim, com a notificação do trânsito da decisão que haja ordenado a providência 
e indeferido o pedido de inversão do contencioso, deve o requerente ser advertido 
que é de 30 dias o prazo concedido para a propositura da ação. 
Se o requerente não propuser a ação no mencionado prazo, o procedimento 
cautelar extingue-se – cfr. art.º 373.º, n.º 1, al. a). 
A final, se for caso disso, elabora-se a conta - cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e 
30.º do Regulamento das Custas Processuais. 
 
 
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26 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
2.3 O incidente de prestação espontânea de caução 
 
 Decretada a providência cautelar, independentemente da atitude que tome, o 
requerido pode, no mesmo prazo, concedido para oposição ou recurso, requerer a 
substituição da providência decretada pela prestação duma caução – cfr. n.º 3 do art.º 
368.º. 
 
 
A urgência que caracteriza a providência envolve necessariamente este 
incidente de prestação espontânea de caução, cujos trâmites estão traçados pelo 
art.º 915.º do CPC, havendo lugar ao pagamento de taxa de justiça inicial já que este 
incidente se enquadra no art.º 7.º e Tabela II do RCP (Outros Incidentes). 
 
No requerimento, o interessado indica o motivo pelo qual oferece a caução, o 
valor a caucionar e o modo de a prestar, além de oferecer as provas necessárias. 
 
Autuado por apenso, o incidente é concluso ao juiz, o qual, se não indeferir o 
pedido, ordena a notificação da parte contrária para se pronunciar no prazo de 15 dias, 
com a advertência de que a caução será julgada idónea caso não conteste – cfr. art.º 
913.º, n.º 2 do CPC. 
 
Com a oposição, são também indicados os meios de prova necessários – cfr. art.º 
293.º do CPC, aplicável por força do art.º 292.º. 
 
Não havendo contestação, o incidente é concluso para decidir o pedido. 
 
Havendo contestação, o processo vai igualmente ao juiz para ordenar a 
realização de quaisquer diligências probatórias necessárias e por fim decidir a 
procedência ou improcedência do pedido e na primeira hipótese fixar o valor da caução 
e o modo de a prestar – cfr. art.º 908.º. 
 
A produção das provas rege-se pelo disposto no art.º 294.º, também por força do 
disposto no art.º 292.º. 
 
 
 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
3. OS PROCEDIMENTOS CAUTELARES ESPECIFICADOS 
 
3.1 Restituição provisória de posse – art.º 377º do CPC 
 
3.1.1 Âmbito 
 
A ação de restituição de posse tem como finalidade a recuperação da posse por 
quem dela foi esbulhado com violência – cfr. art.º 377.º. 
Há esbulho quando alguém é privado do exercício da retenção ou da fruição 
do objeto possuído e consequentemente impedido de exercer o seu direito de posse. 
Nestas situações, o fator que determina se deve ou não haver lugar ao 
procedimento cautelar especificado de restituição provisória de posse é a existência ou 
não de violência. 
Se o esbulho não for praticado com violência o meio instrumental adequado é o 
procedimento cautelar comum; caso contrário, se o requerente for esbulhado da sua 
posse através de recurso à violência, os mecanismos de proteção do direito violado 
enquadram-se no procedimento cautelar especificado de restituição provisória de posse 
-cfr. art.ºs 377.º a 379.º. 
Neste procedimento, se o juiz reconhecer que o requerente tinha a posse e dela 
foi esbulhado violentamente, a restituição é determinada sem audiência prévia do 
requerido, nos termos das disposições combinadas dos art.ºs 1279.º do Código Civil e 
378.º do CPC. 
3.1.2 Valor do procedimento 
 
O valor processual deste procedimento está previsto no art.º 304.º n.º 3 al. b): 
é o valor da coisa esbulhada. 
3.1.3 Tramitação 
 
• Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria 280/2013, 
a secretaria Imediatamente após a autuação, não havendo motivo de recusa – art.ºs 
552.º e 558.º, ambos do CPC – conclui o procedimento cautelar ao juiz para que este 
profira despacho liminar. 
 
 
O despacho liminar poderá ser de: 
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28 
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 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal da 
Relação –cfr. art.ºs 186.º, 569.º, 590.º do n.º 1 e 629.º n.º 3, al. c), todos do CPC); 
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º e 411.º e 560.º do CPC; 
 Designação de dia para inquirição das testemunhas do Requerente – art.º 378.º 
CPC 
• Neste último caso, se for decretada a providência, o oficial de justiça desloca-se ao 
local com o fim de restituir o bem, solicitando a intervenção policial sempre que se 
deparar com quaisquer obstáculos que dificultem a realização do ato14. 
 
• Da realização da diligência o oficial de justiça elabora o auto em que descreve não só 
a efetivação da providência, como também quaisquer factos que se devam fazer 
constar, como é o caso da notificação do requerido quando esteja presente no local. 
 
• Não estando presente, o requerido é notificado por via postal segundo as formalidades 
da citação (já referidas anteriormente), enviando-se-lhe os duplicados da petição 
inicial, juntamente com cópia da decisão que decretou a providência e bem assim do 
auto elaborado. 
A oposição deve ser apresentada no prazo de 10 dias a partir da notificação do 
requerido, podendo este, em alternativa, no prazo de 15 dias, interpor recurso da 
decisão que deferiu a providência – cfr. art.ºs 372.º n.º 1, 293.º n.º 2 e 644.º n.º 3. 
É aplicável à Restituição Provisória de Posse o regime da inversão do contencioso 
conforme vimos anteriormente – cfr. n.º 4 do art.º 376.º. 
Transitada em julgado a decisão que decretou a providência e inverteu o 
contencioso, o requerido é notificado de que deve intentar a ação destinada a impugnar 
a existência do direito acautelado no prazo de 30 dias, contados da notificação, sob 
pena de a providência decretada se consolidar como composição definitiva do litígio – 
n.º 1 do art.º 371.º. 
Não havendo inversão do contencioso, logo que transitada em julgado a decisão 
que ordenou a providência, é o requerente notificado para, no prazo de 30 dias, propor 
a ação da qual a providência depende, sob pena de a providência decretada caducar – 
n.º 1, al. a) do art.º 373.º.14 Art.º 52.º do Dec. Lei n.º 49/2014, de 27 de março 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e 30.º, 
do Regulamento das Custas Processuais). 
 
OU 
RESTITUIÇÃO PROVISÓRIA DE POSSE 
[SEMPRE SEM CONTRADITÓRIO PRÉVIO] 
REQUERIMENTO INICIAL 
Audiência e 
decisão 
 
Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento Providência 
decretada 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Notificação do 
requerente + 
RESTITUIÇÃO + 
Notificação do 
requerido 
Há oposição 
(requerido) 
Conclusão 
Audiência e 
decisão 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Recurso de 
apelação 
NÃO
SIM 
NÃO 
 SIM 
 SIM 
Notificações 
do requerente 
e requerido 
Há recurso NÃO 
SIM 
Há recurso 
(requerido) 
Há 
Reclamação 
– 643.º 
Reclamação 
Admite recurso 
NÃO 
SIM 
SIM 
 SIM 
 SIM 
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3.2 Suspensão de deliberações sociais – art.º 380º do CPC 
 
3.2.1 Âmbito 
 
É um procedimento cautelar que tem como finalidade a suspensão das 
deliberações das associações, das sociedades e das assembleias de condóminos de 
prédios sujeitos ao regime de propriedade horizontal, se o requerente justificar perante 
o tribunal que essa deliberação lhe poderá causar danos ou prejuízos – cfr. art.ºs 380.º 
a 383.º. 
 
A diligência deve ser requerida no prazo de 10 dias a partir do dia em que foi 
realizada a assembleia em que as deliberações foram tomadas ou da data em que o 
requerente delas teve conhecimento – cfr. art.º 380.º. 
 
Se o requerente alegar que não lhe foi fornecida cópia da ata ou o documento 
correspondente, então a requerida é citada com a cominação de que a contestação não 
será recebida sem vir acompanhada da cópia ou do documento em falta – cfr. n.º 1 do 
art.º 381.º. 
 
3.2.2 Valor do procedimento 
 
O valor processual deste procedimento está previsto no art.º 304.º, n.º 3, al.ª 
c): é o valor que corresponde à importância do dano. 
 
3.2.3 Tramitação 
 
3.2.3.1 Citação do requerido antes de decretada a providência 
 
• Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria 280/2013, 
a secretaria imediatamente após a autuação, não havendo motivo de recusa – art.ºs 
552.º e 558.º – conclui o procedimento cautelar ao juiz para que este profira despacho 
liminar. 
 
O despacho liminar poderá ser de: 
 
 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal da 
Relação - cfr. art.º 186.º, 569.º, 590.º, n.º 1 e 629.º, n.º 3, al. c); 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º e 411.º e 560.º; 
 Dispensa de audição do requerido - cfr. n.º 1 do art.º 366.º; 
 Despacho de citação versus notificação – quando o juiz entenda observar o 
contraditório, ouvindo o requerido - cfr. n.º 1 do art.º 366.º. 
 
Na última hipótese o requerido é citado para (ou notificado no caso de já ter 
sido citado na ação principal – n.º 2 do art.º 366.º), no prazo de 10 dias, finda a dilação 
aplicável nos termos do art.º 245.º, mas nunca superior 10 dias, como já foi referido 
anteriormente (cfr. n.º 3 do art.º 366.º), deduzir oposição – cfr. art.ºs 365.º, n.º 3 e 
293.º. 
 
• Se o requerente não tiver apresentado a cópia da ata da assembleia em que tenha 
sido tomada a deliberação objeto da providência, o requerido é citado com a expressa 
advertência de que deve juntá-la com a oposição/contestação, sob pena de, não o 
fazendo, ela não ser recebida (pelo juiz) – cfr. n.º 1 do art.º 381.º. 
 
• Na falta de contestação ou se esta não for atendida, o juiz decreta logo a suspensão 
da deliberação. 
 
Quando estejam em questão sociedades matriculadas na conservatória do registo 
comercial, após trânsito da decisão, a secção extrai certidão e entrega-a ao requerente 
depois de pago o respetivo custo, a fim de que este proceda ao respetivo registo – cfr. 
art.º 3.º, n.º 1, al. f) e 70.º, n.º 1, do Código do Registo Comercial. 
 
• A decisão está, ainda, sujeita a publicação no sítio da Internet a que se refere a 
Portaria 590-A/2005, de 14 de julho (com as alterações introduzidas pelas Portaria n.º 
621/2008, de 18 de julho, portaria 358/2015, de 14 de outubro, Portaria n.º 811/2005, 
de 12 de setembro - e Portaria n.º 3/2009, de 30 de dezembro) – 
www.mj.gov.pt/publicações mantido pela Direção-Geral dos Registos e Notariados, nos 
termos do art.º 70.º do Código do Registo Comercial – Dec. Lei 403/86, (Republicado 
pelo art.º 62.º do Dec. Lei n.º 76-A/2006, de 29 de março), com última atualização 
operada pelo Dec. Lei 250/2012, de 23 de novembro - publicação essa que é igualmente 
promovida pelo requerente. 
 
É aplicável à Suspensão de Deliberações Sociais o regime da inversão do 
contencioso conforme vimos anteriormente – cfr. n.º 4 do art.º 376.º. 
 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
Transitada em julgado a decisão que decretou a providência e inverteu o 
contencioso, o requerido é notificado de que deve intentar a ação destinada a impugnar 
a existência do direito acautelado no prazo de 30 dias, sob pena de a providência 
decretada se consolidar como composição definitiva do litígio – n.º 1 do art.º 371.º. 
 
Quando estejam em questão sociedades matriculadas na conservatória do registo 
comercial, há que ter-se em consideração o que dispõe o art.º 382 n.º1, al. b) no que 
respeita ao início dos prazos para interposição da ação – O prazo só se inicia após 
registo da decisão judicial. 
 
Não havendo inversão do contencioso, logo que transitada em julgado, a decisão 
que ordenou a providência, é notificada ao requerente, para, no prazo de 30 dias, 
propor a ação da qual a providência depende, sob pena de a providência decretada 
caducar – n.º 1, al. a) do art.º 373.º. 
 
Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e 30.º, 
do Regulamento das Custas Processuais). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 SIM 
SIM 
SUSPENSÃO DE DELIBERAÇÕES SOCIAIS 
[CONTRADITÓRIO PRÉVIO] 
REQUERIMENTO INICIAL 
Citação pessoal 
do requerido (ou 
notificação) Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento Findo o prazo da 
oposição 
Notificação do 
requerente 
Audiência 
e/ou decisão 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Notificações 
requerentes e 
requerido 
Providência 
decretada 
Realização da 
providência 
Há recurso? 
Conta 
FimConclusão 
Admite recurso 
Recurso de 
apelação 
NÃO
SIM 
 NÃO 
 SIM 
NÃO 
Há Reclamação -
643.º 
NÃO 
NÃO Reclamação 
Não 
 SIM 
SIM 
NÃO 
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SUSPENSÃO DE DELIBERAÇÕES SOCIAS 
[SEM CONTRADITÓRIO PRÉVIO] 
REQUERIMENTO INICIAL 
Audiência e 
decisão 
 
Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento 
Providência 
decretada 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Notificação do 
requerente e 
requerido 
Há oposição 
(requerido) 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Recurso de 
apelação 
NÃO
SIM 
NÃO 
 SIM 
 SIM 
NÃO 
SIM 
NÃO
Há recurso 
(requerido) 
Conclusão 
Admite recurso 
 SIM 
Audiência e 
decisão 
Notificações 
do requerente 
e requerido 
Há recurso 
 SIM 
OU 
Há 
Reclamação 
643.º 
NÃO 
SIM 
Reclamação 
SIM 
Há recurso? 
(requerente) 
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3.3 Alimentos Provisórios – art.º 384º do CPC 
 
3.3.1 Âmbito 
 
Por alimentos entende-se tudo o que é indispensável ao sustento, habitação e 
vestuário – cfr. art.º 2007.º do Código Civil. 
 
Enquanto não se fixarem definitivamente os alimentos, pode o tribunal, a 
requerimento do alimentando, conceder alimentos provisórios, os quais são fixados 
segundo o seu prudente arbítrio para fazer face ao sustento, habitação e vestuário do 
mesmo bem como as despesas da ação, caso o requerente não beneficie de apoio 
judiciário – cfr. art.ºs 2007.º do Código Civil, 384.º do CPC e 16.º da Lei n.º 34/2004, de 
29 de . 
 
O meio instrumental próprio para o alimentando requerer a fixação duma 
quantia mensal, a título de alimentos provisórios como dependência duma causa 
principal já proposta ou a propor é precisamente o procedimento cautelar especificado 
de alimentos provisórios regulado pelos art.ºs 384.º a 387.º. 
 
Este procedimento caracteriza-se pela audição do requerido previamente à 
decisão final – cfr. n.ºs 1 e 2 do art.º 385.º. 
 
Trata-se, em suma, de um procedimento cautelar que pode ser requerido na 
dependência da ação de alimentos e que visa a fixação provisória de uma determinada 
quantia mensal ao requerente, até que este obtenha, através da respetiva ação 
principal, uma sentença a fixar-lhe esse valor em definitivo. 
 
Se o requerido deixar de cumprir a obrigação, cabe ao requerente a iniciativa 
de promover a respetiva execução especial por alimentos, titulada na decisão que 
haja decretado a providência, execução essa que segue por apenso ao procedimento 
cautelar onde existir juízos de execução ou autonomamente e com base em traslado da 
decisão onde não houver juízos de execução - cfr. art.ºs 85.º e 935.º. 
 
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36 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
3.3.2 Valor do procedimento 
 
O valor processual do procedimento está previsto no art.º 304.º n.º 3 al. a) do 
CPC: é o valor da mensalidade pedida multiplicada por doze. 
 
3.3.3 Tramitação 
 
Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria 280/2013, a 
secretaria imediatamente após a autuação e não havendo motivo de recusa – art.ºs 552.º 
e 558.º, ambos do CPC – conclui o procedimento cautelar ao juiz para que este profira 
despacho liminar. 
 
O despacho liminar poderá ser de: 
 
 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal da 
Relação - cfr. art.º 186.º, 569.º, 590.º, n.º 1 e 629.º, n.º 3, al. c); 
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º e 411.º e 560.º; 
 Despacho a designar dia para julgamento – cfr. n.º 1 do art.º 385.º 
 
Neste último caso, as partes são notificadas da data designada e advertidas que 
devem comparecer pessoalmente ou fazerem-se representar por mandatário judicial 
com poderes especiais para transigir – cfr. n.º1 do art.º 385.º. 
 
• Quando o requerente esteja representado por mandatário, serão ambos notificados 
nos termos do n.º 2 do art.º 247.º, salvo se na procuração junta aos autos o requerente 
tiver conferido poderes especiais para transigir, caso em que somente o mandatário é 
notificado. 
 
• O requerido é citado pessoalmente (de acordo com as regras da citação, já referidas 
anteriormente, ou, notificado se já tiver sido citado na ação principal) para comparecer 
e para, querendo, apresentar a contestação na audiência de julgamento, sendo que a 
falta de contestação importa a confissão dos factos articulados na petição. 
 
• A audiência começa por uma tentativa de conciliação com vista à obtenção dum 
acordo entre as partes na fixação das prestações alimentícias, acordo esse que ficará a 
constar da ata, tal como a sentença homologatória – cfr. n.º 3 do art.º 385.º. 
 
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37 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
• No caso de se frustrar a tentativa de conciliação, seja por falta de acordo ou por 
ausência de uma ou de ambas as partes, segue-se a produção da prova, que pode ser 
apenas documental ou testemunhal, após o que o juiz profere sentença oral, a qual fica 
a constar da ata – cfr. art.ºs 385.º, n.º 3 e 153.º, n.º 3. 
 
• Se a decisão for favorável ao requerente, os alimentos provisórios são devidos a partir 
do primeiro dia subsequente à data do respetivo pedido - cfr. art.º 386.º. 
 
• Se mais tarde vier a ser requerida a alteração ou cessação da prestação fixada, o 
requerimento é junto aos autos e neles se tramitarão os atos subsequentes – cfr. n.º 2 
do art.º 401.º. 
 
Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º, pode este, ser interposto no 
prazo de 15 dias -cfr. n.º 1 do art.º 638.º. 
 
Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao 
referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º do CPC. 
 
É aplicável aos Alimentos Provisórios o regime da inversão do contencioso 
conforme vimos anteriormente – cfr. n.º 4 do art.º 376.º. 
 
Transitada em julgado a decisão que decretou a providência e inverteu o 
contencioso, o requerido é notificado de que deve intentar a ação destinada a impugnar 
a existência do direito acautelado no prazo de 30 dias, contados da notificação, sob 
pena de a providência decretada se consolidar como composição definitiva do litígio – 
n.º 1 do art.º 371.º. 
 
Não havendo inversão do contencioso, logo que transitada em julgado a decisão 
que ordenou a providência, é o requerente notificado para, no prazo de 30 dias, propor 
a ação da qual a providência depende, sob pena de a providência decretada caducar – 
n.º 1, al. a) do art.º 373.º. 
 
Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e 30.º, 
do Regulamento das Custas Processuais). 
 
 
 
 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Conta 
Conclusão 
Admite recurso 
NÃO
SIM 
NÃO 
 SIM 
 
Designação de 
dia para 
julgamento 
Audiência 
 
 
Há recurso? 
Fim 
NÃO 
Notificação do requerente + 
citação ou notificação do 
requerido 
Sentença 
homologatória 
+ Notificação 
da decisão em 
ata 
Produção de 
prova + 
decisão e 
notificação 
Há acordo 
SIM NÃO 
 SIM 
 
ALIMENTOS PROVISÓRIOS 
[SEMPRE COM CONTRADITÓRIO PRÉVIO] 
REQUERIMENTO INICIAL 
Designação de 
dia para 
julgamento 
Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento 
Notificação do 
requerente Audiência 
 
 Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Há recurso? 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Admite recurso 
Recurso de 
apelação 
NÃO
SIM 
NÃO 
 SIM 
NÃO 
Notificação do requerente + 
citação ou notificação do 
requerido 
Sentença 
homologatória 
+ Notificação 
da decisão em 
ata 
Produção de 
prova + 
decisão e 
notificação 
Há acordo 
SIM NÃO 
 SIM 
NÃO 
Há reclamação 
643.º NÃO SIM Reclamação 
SIM 
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39 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
3.4 Arbitramento de reparação provisória – art.º 388.ºdo CPC 
 
3.4.1 Âmbito 
 
Este procedimento cautelar especificado tem como finalidade a fixação de uma 
indemnização provisória com fundamento na morte de alguém ou na sua lesão corporal. 
 
O requerente pretende o arbitramento de uma determinada quantia, sob a forma 
de renda mensal, como reparação provisória do dano sofrido - cfr. n.º 1 do art.º 388.º. 
 
Também se inclui neste tipo de procedimento cautelar o pedido de uma 
indemnização por um dano que seja suscetível de pôr seriamente em causa o sustento 
ou a habitação do lesado (requerente) – cfr. n.º 4 do art.º 388.º. 
 
O pagamento da indemnização provisória será feito em forma de renda mensal 
e se o tribunal, posteriormente, em sede de ação definitiva, decidir que afinal não 
existia o direito à indemnização, então, quem a recebeu terá de restituir todas as 
prestações pagas provisoriamente – cfr. art.º 390.º. 
 
Ao nível da tramitação, este procedimento aproveita a matriz dos alimentos 
provisórios, com as necessárias adaptações – cfr. n.º 1 do art.º 389.º. 
 
Também aqui, o requerido é sempre ouvido antes da decisão – cfr. art.ºs 389.º, 
n.º 1 e 385.º, n.ºs 1 e 2. 
 
3.4.2 Valor do procedimento 
 
O valor processual do procedimento vem previsto no art.º 304.º n.º 3 al. a)do 
CPC: é o valor da renda pedida multiplicada por doze. 
 
3.4.3 Tramitação 
 
• Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria 280/2013, 
a secretaria Imediatamente após a autuação, não havendo motivo de recusa – art.ºs 
552.º e 558.º, ambos do CPC – conclui o procedimento cautelar ao juiz para que este 
profira despacho liminar. 
 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
O despacho liminar poderá ser de: 
 
 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal da 
Relação - cfr. art.º 186.º, 569.º, 590.º, n.º 1 e 629.º, n.º 3, al. c); 
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º e 411.º e 560.º; 
 Despacho a designar dia para julgamento – cfr. n.º 1 do Art.º 389.º. 
 
 
• Neste último caso, o requerido é citado para comparecer pessoalmente (de acordo 
com as regras da citação anteriormente referidas) na audiência ou fazer-se representar 
por procurador com poderes especiais para transigir, devendo ser advertido, no ato da 
citação, das consequências da sua falta. 
 
• No dia do julgamento é apresentada a contestação, sendo o requerente dela 
notificada neste ato. O juiz tentará obter a fixação da renda mensal mediante acordo 
das partes. 
 
• Se houver acordo, o juiz homologa-o, por sentença; caso contrário, segue-se a 
produção de prova, após o que o juiz profere sentença oral, a qual fica a constar da ata 
– cfr. art.ºs 389.º n.º 1, 385.º n.º 3 e 153.º n.º 3. 
 
• Se a decisão for favorável ao requerente, a renda a fixar é devida a partir do primeiro 
dia subsequente à data do respetivo pedido - cfr. n.º 1 do art.º 389.º. 
 
• Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º - pode este, ser interposto no prazo 
de 15 dias -cfr. n.º 1 do art.º 638.º. 
 
Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao 
referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º. 
 
 
Logo que transitada em julgado a decisão que ordenou a providência, é o 
requerente notificado para, no prazo de 30 dias, propor a ação da qual a providência 
depende, sob pena de a providência decretada caducar – n.º 1, al. a) do art.º 373.º. 
 
De notar que não há lugar à inversão do contencioso na providência cautelar 
de arbitramento de reparação provisória – cfr. n.º 4 do art.º 376, à contrario. 
 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e 30.º, 
do Regulamento das Custas Processuais). 
 
• Como já foi referido, se o requerido deixar de cumprir a obrigação, cabe ao 
requerente a iniciativa de promover a respetiva execução (que segue as regras da 
execução especial por alimentos) titulada na decisão que haja decretado a providência 
nos termos do n.º 2 do art.º 389.º do CPC, execução essa que corre nos próprios autos, 
sendo tramitada de forma autónoma, onde não houver secção especializada de 
execução, ou autonomamente e com base em traslado da decisão onde houver secção 
especializada -cfr. art.ºs 85.º e 935.º. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARBITRAMENTO DE REPARAÇÃO PROVISÓRIA 
[CONTRADITÓRIO PRÉVIO] 
REQUERIMENTO INICIAL 
Designação de 
dia para 
julgamento 
Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento 
Notificação do 
requerente 
Audiência 
 
 Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Há recurso? 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Admite recurso Recurso de 
apelação 
NÃO
SIM 
NÃO 
 SIM 
NÃO 
Notificação do requerente + 
citação ou notificação do 
requerido 
Sentença 
homologatória 
+ Notificação 
da decisão em 
ata 
Produção de 
prova + 
decisão e 
notificação 
Há acordo 
SIM NÃO 
 SIM 
Há reclamação 
 643.º SIM Reclamação NÃO 
NÃO 
SIM 
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43Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 
3.5 Arresto – art.º 391º do CPC 
 
3.5.1 Âmbito 
 
O credor que tenha justo receio de perder a garantia patrimonial do seu crédito 
pode requerer o arresto de bens do devedor, nos termos da lei de processo - cfr. n.º 1 
do art.º 619.º, do Código Civil. 
 
O arresto é um procedimento cautelar em que o credor que tenha justificado 
receio de perder a garantia patrimonial do seu crédito requer o arresto em bens do 
devedor. 
 
Quer isto dizer que o procedimento cautelar de arresto depende da verificação 
cumulativa de dois requisitos: a probabilidade da existência do crédito e o justo receio 
da perda da garantia patrimonial - cfr. n.º 1 do art.º 391.º. 
 
O requerente tem assim de convencer o tribunal da existência do seu crédito e 
do justificado receio em perder a respetiva garantia patrimonial, nomeadamente devido 
aos sinais de dissipação dos bens do devedor. 
 
Contudo, quando estiver ainda em dívida, no todo ou em parte, o preço da 
aquisição de um bem e este venha a ser transmitido pelo seu adquirente a terceiro 
mediante negócio jurídico, o vendedor originário que optar pela instauração de 
procedimento cautelar de arresto contra o comprador fica dispensado de fazer prova 
do justo receio de perda da garantia patrimonial – cfr. n.º 3 do art.º 396.º. 
 
O arresto, que consiste numa apreensão de bens do devedor, segundo o Prof. 
Antunes Varela e outros, (cfr. Manual de Processo Civil, 2.ª ed., pág. 23) “visa impedir 
que, durante a pendência de qualquer ação declarativa ou executiva, a situação de 
facto se altere, de modo a que a sentença nela proferida, sendo favorável, perca toda 
a eficácia ou parte dela. Pretende-se deste modo combater o periculum in mora (o 
prejuízo da demora inevitável do processo), a fim de que a sentença se não torne numa 
decisão puramente platónica”. 
 
Ao arresto aplicam-se as disposições relativas à penhora que não contrariem o 
disposto nos art.ºs 391.º a 396.º. 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 
O arresto, como qualquer outra providência cautelar, pode ser requerido na 
dependência, não só da ação declarativa, mas também da ação executiva (art.ºs 364.º, 
n.º 1 e 370.º, n.º 1) e caracteriza-se pelo sacrifício do contraditório prévio à decisão, 
já que o requerido é ouvido somente após o decretamento e a consequente 
realização das diligências em que consiste o arresto – cfr. art.ºs 366.º, n.º 5, 376.º, 
n.º 1 e 397.º, n.º 1. 
 
Na ação executiva de que o arresto dependa, a penhora dos bens arrestados 
opera-se por conversão automática nos termos do art.º 762.º. 
 
O juiz pode fazer depender o decretamento do arresto da prestação duma 
caução pelo requerente – art.ºs 620.º do Código Civil, 374.º, n.º 2 e 376.º, n.º 2 do CPC 
- caução essa, que será processada por apenso ao procedimento especificado de arresto 
nos termos do art.º 915.º. 
 
O arresto pode incidir sobre: 
 
 Bens imóveis; 
 Bens móveis sujeitos ou não a registo; 
 Direitos: 
 Bens indivisos e quotas em sociedade; 
 Estabelecimento comercial; 
 Depósitos bancários; 
 Títulos de crédito. 
 
 
No procedimento especificado de arresto a decisão é sempre proferida sem 
audição da parte contrária (citação ou notificação prévia à tomada de decisão da 
providência) o que veda o acesso do processo ao requerido e seu mandatário enquanto 
ele não for citado ou notificado para exercer o contraditório - cfr. art.ºs 164.º e 393.º. 
 
De notar que não há lugar à inversão do contencioso na providência cautelar 
de arresto – cfr. n.º 4 do art.º 376, à contrario. 
 
3.5.2 Competência para executar a diligência de arresto 
 
Nos termos do n.º 2 do art.º 391.º o arresto consiste numa apreensão de bens, à 
qual são aplicáveis as disposições relativas à penhora. 
 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
Ora, a lei refere-se às regras relativas à penhora e não às regras do processo 
executivo. 
 
No mesmo sentido, o 
 
 
CPC é claro no que respeita á repartição de competências, limitando a atividade 
do agente de execução à intervenção na ação executiva - cfr. n.ºs 1 e 3 do art.º 719.º. 
 
Assim, parece resultar claramente da lei que o agente de execução não intervém 
na execução da diligência do procedimento cautelar, seja ela de arresto ou de qualquer 
outra providência, sempre, salvo entendimento diferente do Magistrado. 
 
Exceciona-se, nos termos gerais, a citação do requerido, quando é frustrada a 
citação por carta registada com AR, que a lei permite que seja efetuada por agente de 
execução, de acordo com o estipulado no n.º 1 do art.º 231.º. 
 
3.5.3 Valor do procedimento 
 
O valor processual do procedimento vem regulado no art.º 304.º n.º 3 al. e): é o 
valor do montante do crédito que se pretende garantir. 
 
3.5.4 Tramitação 
3.5.4.1 Arresto de bem imóvel 
 
• Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria 
280/2013, a secretaria imediatamente após a autuação, não havendo motivo de 
recusa – art.ºs 552.º e 558.º, ambos do CPC – conclui o procedimento cautelar ao juiz 
para que este profira despacho liminar. 
 
O despacho liminar poderá ser de: 
 
 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal da 
Relação - cfr. art.º 186.º, 569.º, 590.º, n.º 1 e 629.º, n.º 3, al. c); 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 Despacho a designar dia para inquirição das testemunhas do requerente – cfr. n.º 
1 do Art.º 393.º. 
 
• Ordenado o arresto, este está sujeito a registo – cfr. art.º 3.º do Código de Registo 
Predial. 
 
• Os tribunais, por força do disposto na al. a) do n.º 3 do art.º 8.º-B do Código do Registo 
Predial, são considerados sujeitos com obrigação de registar relativamente às ações, 
decisões e outros procedimentos e providências judiciais, que, ressalvados os casos 
previstos na al. b) do n.º 1 do art.º 8.º-A do C. R. Predial, estão sujeitos a registo 
obrigatório. 
 
Assim, compete à secretaria, após prévio despacho judicial, proceder ao 
registo nos termos do art.º 3.º do C. R. Predial. 
 
O n.º 1 do art.º 755.º do CPC estabelece que a penhora de imóveis (tal como a 
de bens móveis sujeitos a registo – art.º 768.º, n.º 1) se efetua por comunicação 
eletrónica à respetiva Conservatória, sem prejuízo de tal registo poder efetuar-se nos 
termos gerais – cfr. art.ºs 41.º-B, 41.º D e 42.º A, do C. R. Predial. 
 
Enquanto não se estabelecerem canais de comunicação entre as conservatórias 
e os tribunais que permitam a reciprocidade destas comunicações eletrónicas, é forçoso 
que o registo se opere nos referidos “termos gerais”, ou seja, por apresentação ou envio 
da certidão demonstrativa do arresto, acompanhada dos documentos necessários ao 
registo, encontrando-se tal pedido dispensado do pagamento prévio dos emolumentos 
e taxas, devendo, no entanto, tais quantias entrar em regra de custas - cfr. art.ºs 42.º-
A e 151.º-n.º 4, do C. R. Predial. 
 
• Junta a certidão comprovativa do registo enviada pela respetiva Conservatória,a 
secretaria elabora o auto de arresto e afixa o edital, de modo semelhante à da penhora 
(os modelos de impressos deverão ser adaptados) – cfr. art.ºs 391.º, n.º 2 e 755.º, n.º 3. 
 
• De seguida, é o requerido notificado da decisão que ordenou o arresto (aplica-se à 
notificação o preceituado quanto à citação pessoal (segundo as regras já referidas 
anteriormente) – art.ºs 366.º, nº 6, 376.º, n.º 1 e 393.º, n.º 1), a menos que ele já tenha 
sido citado na ação principal, caso em que a notificação deixará de obedecer às regras 
da citação – cfr. n.º 2 do art.º 366.º - e que tem o prazo de 10 dias e 15 dias, 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
respetivamente, para, querendo, deduzir oposição ou em alternativa interpor recurso, 
nos termos gerais - cfr. art.º 372.º do CPC. 
 
A notificação é acompanhada do duplicado do requerimento inicial, cópias dos 
documentos com ele apresentados, da decisão que decretar o arresto e do auto de 
arresto - cfr. art.º 227.º do CPC. 
 
• Quanto ao depositário: 
- Quando o depositário seja o requerido, aquando da notificação (citação) pode logo ser 
notificado de que fica depositário; 
 
- Se o depositário não for o requerido, nada obsta a que seja notificado mediante carta 
registada da sua nomeação, com cópia do auto de arresto já elaborado. 
3.5.4.2 Arresto de bens móveis 
 O arresto de bens móveis efetua-se através da apreensão dos bens indicados, 
que serão entregues a um depositário, seguindo-se as regras relativas à penhora de bens 
móveis sujeitos ou não a registo – cfr. art.ºs 391.º, n.º 2 e 764.º a 772.º. 
 Se o requerido se encontrar presente no momento da diligência deve ser 
notificado, ou logo após a efetivação da mesma, devendo ser-lhe entregue duplicado 
da petição inicial, bem como do despacho que decretou o arresto. 
Segue-se, depois, a notificação do requerido, nos termos do art.º 372.º de modo 
semelhante ao descrito em 3.5.4.1. 
3.5.4.3 Arresto de veículo automóvel 
 
O arresto de veículo automóvel segue as regras da penhora e esta rege-se pelas 
disposições combinadas dos art.º s 768.º, n.ºs 1 a 3 e 17.º e 22.º do Decreto - Lei n.º 
54/75, de 12 de fevereiro alterado pelos Decretos-Leis n.ºs 242/82, de 22 de junho, 
461/82, de 26 de novembro, 54/85, de 4 de março, 403/88, de 9 de novembro, 
282/2002, de 20 de agosto e 178/A/2005, de 28 de outubro, 85/2006, de 23 de maio, 
20/2008, de 31 de janeiro, 111/2019, de 16 de agosto e das Leis 39/2008, de 11 de 
agosto e 30/2017, de 30 de maio e dos art.ºs 3.º, 8.ºA, 8.ºB, 42.º A, ~ 
, 53.º, 53.ºA e 58.º do Código de Registo Predial, por força do art.º 29.º do Dec. 
Lei 54/75 de 12 de fevereiro. 
 
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48 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
O arresto pode ser precedido de imobilização do veículo, nos termos do n.º 2 do 
art.º 768.º do CPC, o que permite, antes de proceder ao arresto (através de registo na 
Conservatória), conhecer se o veículo existe, caso o requerente assim o entenda. 
 
Segue-se, depois, a notificação do requerido, nos termos do art.º 388.º do CPC, 
de modo semelhante ao descrito em 3.5.4.1 (Arresto de bem imóvel). 
3.5.4.4 Arresto de direitos 
 
O arresto de direitos consiste na notificação do devedor de que o crédito 
arrestado fica à ordem do tribunal, devendo a notificação fazer-se com as formalidades 
da citação - cfr. art.º 773.º do CPC. 
 
Efetuado o arresto através de notificação, o devedor deve, no prazo de dez dias, 
declarar se o crédito existe e quais as garantias que o acompanham bem como a data 
do vencimento. 
3.5.4.5 Arresto de bens indivisos e de quotas em sociedade 
 
O arresto de bens indivisos efetua-se através de notificação do facto ao 
administrador dos bens, se o houver, e aos contitulares, seguindo-se o disposto no art.º 
781.º do CPC, com as devidas adaptações. 
 
O arresto de quota em sociedade envolve o imediato registo na Conservatória do 
Registo Comercial com base em certidão para o efeito entregue ao requerente (art.º 
3.º, n.º 1, al. f) do Código do Registo Comercial), bem como na notificação da sociedade 
– cfr. art.ºs 391.º n.º 2 e 781.º n.º 6 do CPC e 239.º do Código das Sociedades Comerciais. 
 
Comprovado o registo no processo, segue-se a notificação do requerido, nos 
termos do art.º 372.º do CPC de modo semelhante ao descrito em 3.5.4.1. 
 
3.5.4.6 Arresto de estabelecimento comercial 
 
O arresto de estabelecimento comercial é efetuado nos termos do art.º 782.º, 
ou seja, o oficial de justiça elabora um auto onde relaciona os bens que integram o 
estabelecimento, após o que notifica o requerido nos termos e para os efeitos do 
disposto no art.º 372.º, de modo semelhante ao descrito em 3.5.4.1. 
 
3.5.4.7 Arresto de depósitos bancários 
 
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49 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
O arresto de depósitos bancários é efetuado mediante comunicação à entidade 
bancária de que o saldo fica arrestado à ordem do tribunal, devendo aquela entidade 
comunicar ao tribunal, no prazo de dois dias, o montante arrestado – cfr. art.ºs 391.º 
n.º 2 e 780.º-A e art.ºs 17.º e 18.º da Portaria 282/2013, de 29 de agosto. (A 
comunicação eletrónica ainda não se mostra disponível, pela que a notificação é feita 
por carta registada com AR) 
 
Segue-se, depois, a notificação do requerido, nos termos do art.º 372.º do CPC, 
de modo semelhante ao descrito em 3.5.4.1. 
3.5.4.8 Arresto de títulos de crédito 
 
O arresto de títulos de crédito é efetuado de acordo com o disposto no art.º 
774.º, com as necessárias adaptações, ou seja, através da apreensão do título, devendo 
ser averbado a este o ónus resultante do arresto. 
 
Se o arresto tiver por objeto títulos de crédito depositados numa instituição de 
crédito, então o arresto efetua-se através de comunicação à entidade bancária de que 
os títulos ficam à ordem do tribunal. 
 
Segue-se, depois, a notificação do requerido, nos termos do art.º 372.º CPC, de 
modo semelhante ao descrito em 3.5.4.1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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50 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARRESTO 
[SEM CONTRADITÓRIO PRÉVIO] 
REQUERIMENTO INICIAL 
Audiência e 
decisão 
Conclusão 
Indeferimento Providência 
decretada 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Notificação do 
requerente + ARRESTO + 
Notificação do requerido 
Há oposição 
(requerido) 
Conclusão 
Decisão ou 
Audiência e 
decisão 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Admite recurso Recurso de 
apelação 
NÃO
SIM 
NÃO 
 SIM 
Notificações 
do requerente 
e requerido 
Há recurso 
NÃO 
SIM 
NÃO
Há recurso 
(requerido) 
 SIM 
Há Reclamação 
643.º 
NÃO 
Reclamação 
Aperfeiçoamento 
Notificação do 
requerente 
 SIM 
SIM 
SIM 
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51Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 
3.6 Embargo de obra nova – art.º 397º do CPC. 
 
3.6.1 Âmbito 
 
Com este procedimento cautelar o requerente pretende que o tribunal decrete 
a suspensão da execução de uma obra que, de alguma forma, lhe cause ou ameace 
causar prejuízo, e deve ser requerido no prazo de 30 dias após o conhecimento do facto, 
sob pena de caducar o direito de o interessado o requerer a adoção das medidas 
cautelares. 
 
O interessado pode fazer diretamente o embargo por via extrajudicial, 
notificando verbalmente, na presença de duas testemunhas, o dono da obra ou, na falta 
deste, o encarregado, para não continuar a referida obra. Nesta situação, o embargo 
só se manterá se a ratificação do embargo for pedida ao tribunal no prazo de 5 dias – 
cfr. art.º 397.º. 
 
Embargada a obra, pode ser autorizada a sua continuação a requerimento do 
embargado, nos termos do art.º 401.º ou destruída a parte inovada, nos termos do art.º 
402.º. 
 
Há, assim, duas modalidades previstas na lei podendo o requerente optar por 
qualquer delas para obter a suspensão imediata duma obra: 
 
a) O embargo judicial – efetuado através deste procedimento cautelar – cfr. n.º 
1 do art.º 397.º; 
 
b) O embargo extrajudicial – efetuado sem necessidade de intervenção do 
tribunal, mediante notificação do dono da obra pelo interessado, na presença de duas 
testemunhas; neste caso, como já referimos, o requerente tem de requerer a 
“ratificação judicial de embargo”, através de procedimento cautelar, no prazo de 5 
dias – cfr. n.ºs 2 e 3 do art.º 397.º. 
 
De acordo com o art.º 400.º o embargo é feito ou ratificado por meio de auto, 
no qual se descreverá, minuciosamente, o estado da obra, devendo o oficial de justiça 
encarregue da diligência notificar, no ato, o dono da obra ou quem o substitua, para 
suspender a execução dos trabalhos. 
 
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52 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
À semelhança do previsto para o arresto, também neste procedimento cautelar 
o juiz pode fazer depender o decretamento da previdência da prestação duma caução 
pelo requerente – cfr. art.ºs 620.º do Código Civil e 374.º n.º 2 e 376.º, n.º 2 - caução 
essa que será processada por apenso ao procedimento especificado de embargo de obra 
nova nos termos do art.º 915.º. 
3.6.2 Valor do procedimento 
 
O valor processual do procedimento está previsto no art.º 304.º n.º 3 al. d) do 
CPC: o valor é o do prejuízo que se pretende evitar. 
3.6.3 Tramitação 
 
• Este procedimento, independentemente de se tratar de embargo judicial ou de 
ratificação judicial de embargo extrajudicial, segue os trâmites gerais dos art.ºs 365.º 
a 367.º, 368.º n.ºs 1, 3 e 4, 372.º, 374.º n.º 2, este por força do n.º 2 do art.º 376.º, e 
375.º. 
 
• Se não houver motivo para indeferimento liminar, nem para aperfeiçoamento, o juiz 
ordena a citação prévia do requerido - ver tramitação já referida no ponto 2.2; ou 
 
• Se entender diversamente em razão da especial urgência do embargo (cfr. art.ºs 
366.º, n.º 1, e 376.º, n.º 1), designa dia para inquirição das testemunhas arroladas pelo 
requerente – ver tramitação já referida no ponto 2.2.2. 
 
• Se for decretada a providência (realização do embargo ou ratificação do embargo 
extrajudicial), o oficial de justiça desloca-se ao local e elabora auto do estado da 
obra, do qual fará constar, por exemplo, algumas medições que faça. 
 
• O auto deve ser assinado pelo oficial de justiça, pelo dono da obra ou seu substituto 
e, no caso de haver recusa de assinatura, far-se-ão intervir, se possível, duas 
testemunhas. 
 
• Se o requerido não tiver sido ouvido previamente (citado ou notificado, consoante o 
caso), ele terá de ser notificado segundo as regras da citação nos termos gerais do 
procedimento cautelar comum (2.2.2), tudo aconselhando que o seja aquando da 
efetivação do embargo ou da ratificação. 
 
Além da advertência que lhe é feita para respeitar a providência nos termos do 
art.º 375.º, o requerido dever ser especialmente advertido para não continuar a obra, 
salvo se para tal obtiver autorização nos termos do art.º 401.º, e que prosseguindo a 
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53 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
obra sem esta autorização, o embargante pode requerer a destruição da parte inovada, 
conquanto o faça enquanto se mantiver o embargo – cfr. art.ºs. 401.º e 402.º. 
 
Quer o pedido de autorização para continuação da obra, formulado pelo 
embargado, quer o de destruição da parte inovada, formulado pelo embargante, são 
juntos ao procedimento cautelar no âmbito do qual são apreciados. 
 
• Há obras cuja descrição detalhada sobre o seu estado constitui tarefa difícil. Quando 
tal aconteça, é boa solução descrevê-la o melhor possível e recorrer ao suporte 
complementar de fotografias, as quais são juntas ao processo, antes do auto. 
 
Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º do CPC, pode este, ser 
interposto no prazo de 15 dias -cfr. n.º 1 do art.º 638.º. 
 
Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao 
referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º. 
 
É aplicável ao Embargo de Obra Nova o regime da inversão do contencioso 
conforme vimos anteriormente – cfr. n.º 4 do art.º 376.º. 
 
Transitada em julgado a decisão que decretou a providência e inverteu o 
contencioso, o requerido é notificado de que deve intentar a ação destinada a impugnar 
a existência do direito acautelado no prazo de 30 dias, contados da notificação, sob 
pena de a providência decretada se consolidar como composição definitiva do litígio – 
n.º 1 do art.º 371.º. 
 
Não havendo inversão do contencioso, logo que transitada em julgado a decisão 
que ordenou a providência, é o requerente notificado para, no prazo de 30 dias, propor 
a ação da qual a providência depende, sob pena de a providência decretada caducar – 
n.º 1, al. a) do art.º 373.º. 
Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e 30.º, 
do Regulamento das Custas Processuais). 
 
 
 
 
 
 
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54 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SIM 
NÃO 
 SIM 
DILIGÊNCIA DE 
EMBARGO 
SIM 
SIM 
EMBARGO DE OBRA NOVA 
 [CONTRADITÓRIO PRÉVIO] 
REQUERIMENTO INICIAL 
Citação pessoal 
do requerido (ou 
notificação) 
Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento 
Findo o prazo da 
oposição 
Notificação do 
requerente 
Audiência e/ou 
decisão 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Notificação do 
requerente 
Providência 
decretada 
Notificação do 
requerido 
Há recurso? 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Admite recurso 
NÃO
 OU 
 SIM 
NÃO 
 SIM 
Há Reclamação – 
643.º 
Reclamação 
Recurso de 
Apelação 
NÃO 
 SIM 
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 Manual de apoio / Procedimentos CautelaresEMBARGO DE OBRA NOVA 
 SEM CONTRADITÓRIO PRÉVIO] 
REQUERIMENTO INICIAL 
Audiência e 
decisão 
Conclusão 
Indeferimento Providência 
decretada 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso 
(requerente) 
Há oposição 
(requerido) 
Conclusão 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Admite recurso 
Recurso de 
apelação 
NÃO
NÃO 
Notificações 
do requerente 
e requerido 
Há recurso 
NÃO 
SIM 
NÃO
Há recurso 
(requerido) 
 SIM 
Há Reclamação 
643.º 
NÃO 
Reclamação 
SIM 
Notificação do 
requerente 
Notificação do 
requerente e 
do requerido 
SIM 
 SIM 
Decisão ou 
Audiência e 
decisão 
Aperfeiçoamento 
SIM 
SIM 
SIM 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
3.7 Arrolamento – art.º 403.º do CPC 
 
3.7.1 Âmbito 
 
O arrolamento é um procedimento cautelar que pode ser requerido sempre que 
haja justo receio da perda de bens, móveis ou imóveis e, bem assim, de documentos, 
devendo o requerente da providência produzir prova sumária do direito que detém em 
relação aos bens e as razões que justificam o seu receio na dissipação ou extravio dos 
mesmos – cfr. art.ºs 403.º e 405.º. 
 
No procedimento cautelar de arrolamento o requerido é ouvido antes de este 
ser decretado; contudo, se a audição prévia do mesmo comprometer a finalidade do 
arrolamento, o requerido só é ouvido após a realização da providência – cfr. art.ºs 366.º, 
n.º 1 e 376.º, n.º 1. 
3.7.2 Valor do procedimento 
 
O valor processual do procedimento está previsto no art.º 304.º n.º 3 al. f): é o 
valor dos bens a arrolar. 
3.7.3 Tramitação 
 
• Este procedimento segue os trâmites gerais dos art.ºs 365.º a 367.º, 368.º n.ºs 1, 3 e 
4, 372.º e 375.º. 
 
• Se não houver motivo para indeferimento liminar, nem para aperfeiçoamento, o juiz 
ordena a citação prévia do requerido - ver tramitação já referida no ponto 2.2; ou 
 
• Se entender diversamente em razão da especial urgência do arrolamento (cfr. art.ºs 
366.º, n.º 1, e 376.º, n.º 1), designa dia para inquirição das testemunhas arroladas pelo 
requerente – ver tramitação já referida no ponto 2.2.2. 
 
Na decisão que decretar o arrolamento são nomeados o depositário15 dos bens e o 
avaliador, estando este dispensado de juramento – cfr. art.ºs 405.º, n.º 3 e 408.º, n.ºs 
1 e 2. 
 
• Sendo decretado o arrolamento, o oficial de justiça desloca-se ao local e procede ao 
arrolamento dos bens o qual consiste na descrição, avaliação e depósito dos bens (art.º 
 
15 Se o arrolamento estiver relacionado com um processo de inventário, o depositário deverá ser a pessoa a quem caiba 
desempenhar as funções de cabeça de casal. Nos demais casos, será o detentor ou possuidor dos bens, salvo se houver 
algum inconveniente – art.º 408.º 
 
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57 
 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
406.º, n.º 1), lavrando um auto no qual descreve os bens em verbas numeradas 
sequencialmente, com observância adaptada das disposições relativas à penhora na 
ação executiva – cfr. art.º 406.º. 
 
• Se a diligência não puder ser concluída no dia em que foi iniciada, diz-nos a lei que 
devem ser seladas as portas das casas ou os móveis em que se encontrem os bens a 
arrolar – cfr. art.º 407.º, n.º 1. 
 
• Os objetos, papéis ou valores arrolados e de que não seja necessário fazer uso e que 
não se deteriorem por serem fechados são, depois de arrolados, encerrados em caixas 
cintadas com fita de nastro e lacradas com o selo do tribunal (usando-se o sinete), com 
rótulos descritivos sumários dos respetivos conteúdos assinados pelo oficial de justiça 
encarregado de efetuar o arrolamento, para serem depositados na Caixa Geral de 
Depósitos – art.º 407.º, n.º 2. 
 
• Realizado o arrolamento e caso o requerido não tenha sido ouvido previamente (citado 
ou notificado, consoante o caso) ele terá de ser notificado segundo as regras da citação 
nos termos gerais do procedimento cautelar comum, tudo aconselhando que o seja 
aquando da efetivação do arrolamento. 
Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º, pode este, ser interposto no prazo de 
15 dias -cfr. n.º 1 do art.º 638.º. 
 
Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao 
referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º. 
 
Não sendo a decisão objeto de recurso, notificam-se as partes do trânsito em 
julgado, sendo ainda o requerente advertido que é de 30 dias o prazo para interpor a 
ação respetiva, sob pena de não o fazendo a providência caducar – art.º 370.º, n.º 1, al 
a). 
 
De notar que ao arrolamento não é aplicável a inversão do contencioso – cfr. 
art.º 376.º, n.º 4, à contrario. 
 
Após o trânsito em julgado da decisão, sendo caso disso, elabora-se a conta – 
cfr. art.º 539.º do CPC e 29.º e 30.º, do Regulamento das Custas Processuais. 
 
 
 
 
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NÃO
SIM 
NÃO 
 SIM 
Citação pessoal 
do requerido (ou 
notificação) 
Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento 
Findo o prazo da 
oposição 
Notificação do 
requerente 
Audiência 
e/ou decisão 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Realização do 
ARROLAMENTO + 
notificações do 
requerente e requerido 
Providência 
decretada 
Há recurso? 
(requerido) 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Admite recurso 
SIM 
 
NÃO 
NÃO 
 SIM 
 SIM 
ARROLAMENTO 
 [CONTRADITÓRIO PRÉVIO] 
REQUERIMENTO INICIAL 
NÃO 
Há reclamação 
643.º 
NÃO 
Recurso de 
apelação 
Reclamação 
SIM 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARROLAMENTO 
(Sem contraditório prévio) 
REQUERIMENTO INICIAL 
Audiência e 
decisão 
Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento Providência 
decretada 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Notificação do requerente 
+ realização do 
ARROLAMENTO + 
notificação do requerido 
Há oposição 
(requerido) 
Conclusão 
Audiência e 
decisão 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Admite recurso 
Recurso de 
apelação 
NÃO
SIM 
NÃO 
 SIM 
 SIM 
 SIM 
Audiência e 
decisão 
Notificações 
do requerente 
e requerido 
Há recurso NÃO 
SIM 
NÃO
Há recurso 
(requerido) 
 SIM 
SIM 
Há reclamação 
643.º 
Reclamação 
SIM
 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
3.8 Apreensãode veículo automóvel 
 
[Art.ºs 15.º a 22.º do Decreto - Lei n.º 54/75, de 12 de fevereiro, alterado pelos Dec. 
Lei n.ºs 242/82, de 22 de junho, 461/82, de 26 de novembro, 54/85, de 4 de março e 403/88, 
de 9 de novembro, 282/2002, de 20 de agosto e 178/A/2005, de 28 de outubro, 85/2006, de 23 
de maio, 20/2008, de 31 de janeiro, 39/2008, de 11 de agosto, 30/2017, de 30 de maio e 
111/2019, de 16 de agosto – este diploma estabelece o regime jurídico do registo de propriedade 
automóvel] 
 
3.8.1 Âmbito 
 
Este procedimento visa acautelar os interesses do credor sobre o comprador de 
veículo automóvel que deixa de cumprir atempadamente as suas obrigações contratuais 
nos casos em que exista reserva de propriedade convencionada no contrato de alienação 
do veículo ou quando um crédito esteja garantido pela hipoteca do veículo automóvel. 
 
A apreensão de veículos automóveis encontra-se regulada pelos art.ºs 15.º a 22.º 
do Dec. Lei n.º 54/75, de 12 de fevereiro. 
 
O art.º 105.º do Código da Estrada define veículo automóvel como sendo o 
veículo com motor de propulsão, dotado de pelo menos quatro rodas, com tara superior 
a 550 kg, cuja velocidade máxima é, por construção, superior a 25 km/h, e que se 
destina, pela sua função, a transitar na via pública, sem sujeição a carris (cfr. art.º 2.º 
do Dec. Lei n.º 54/75). 
 
Dec. Lei n.º 54/75, de 12 de Fevereiro 
[Extrato] 
 
Art.º 15º 16 
1. Vencido e não pago o crédito hipotecário ou não cumpridas as obrigações que originaram a reserva de 
propriedade, o titular dos respetivos registos pode requerer em juízo a apreensão do veículo e do certificado 
de matrícula. 
2. O requerente expõe na petição o fundamento do pedido e indica a providência requerida. 
3. A prova é oferecida com a petição referida no número anterior. 
 
Art.º 16º 17 
1. Provados os registos e o vencimento do crédito ou, quando se trate de reserva de propriedade, o não 
cumprimento do contrato por parte do adquirente, o juiz ordenará a imediata apreensão do veículo. 
2. Se no ato da apreensão não for encontrado o certificado de matrícula, deve o requerido ser notificado para 
apresentar em juízo no prazo que lhe for designado, sob a sanção cominada para o crime de desobediência 
qualificada. 
 
 
 
 
 
 
16 Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10. 
17 Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10. 
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Art.º 17º 18 
1. A apreensão do veículo e do certificado de matrícula pode ser realizada diretamente pelo tribunal ou, a 
requisição deste, por qualquer autoridade administrativa ou policial. 
2. A autoridade que efetuar a apreensão fará recolher a viatura a uma garagem ou a outro local apropriado, 
onde ficará depositada à ordem do tribunal, e nomeará fiel depositário, lavrando -se auto da ocorrência. 
3. A secretaria deve extrair certidão do auto de apreensão, logo após a sua junção ao processo e 
independentemente de despacho, e entregá-la ao requerente para fins de registo. 
 
Art.º 18º 19 
1. Dentro de quinze dias a contar da data da apreensão, o credor deve promover a venda do veículo apreendido, 
pelo processo de execução ou de venda de penhor, regulado na lei de processo civil, conforme haja ou não 
lugar a concurso de credores; dentro do mesmo prazo, o titular do registo de reserva de propriedade deve 
propor ação de resolução do contrato de alienação. 
2. O processo e a ação a que se refere o número anterior não poderão prosseguir seus termos sem que lhes seja 
apenso o processo de apreensão, devidamente instruído com certidão comprovativa do respetivo registo ou 
documento equivalente. 
3. Vendido o veículo ou transitada em julgado a decisão que declare a resolução do contrato de alienação com 
reserva de propriedade, o certificado de matrícula apreendido é entregue pelo tribunal ao adquirente do 
veículo ou ao autor da ação que toma posse do veículo, independentemente de qualquer outro ato ou 
formalidade. 
 
Art.º 19º 20 
1. A apreensão fica sem efeito nos seguintes casos: 
a) Se o requerente não propuser a ação dentro do prazo legal ou se, tendo -a proposto, o processo estiver parado 
durante mais de trinta dias, por negligência sua em promover os respetivos termos; 
b) Se a ação vier a ser julgada improcedente ou se o réu for absolvido da instância por decisão passada em 
julgado; 
c) Se o requerido provar o pagamento da dívida ou o cumprimento das obrigações a que estava vinculado pelo 
contrato de alienação com reserva de propriedade. 
2. Nos casos a que se referem as alíneas b) e c) do número anterior, a apreensão é levantada sem audiência do 
requerente; no caso da alínea a), a apreensão só será levantada se, depois de ouvido, o requerente não 
mostrar que é inexata a afirmação do requerido. 
3. O levantamento da apreensão é imediatamente comunicado pela secretaria à conservatória para que seja 
oficiosamente efetuado o respetivo registo. 
 
Art.º 20º 
O requerente da apreensão responde pelos danos a que der causa, se a apreensão vier a ser julgada 
injustificada ou caducar, no caso de se verificar não ter agido com a prudência normal. 
Art.º 21º 
O processo de apreensão e as ações relativas aos veículos apreendidos são da competência do tribunal da 
comarca em cuja área se situa a residência habitual ou sede do proprietário. 
Art.º 22º 
1. A apreensão, a penhora e o arresto envolvem a proibição de o veículo circular. 
2. A circulação do veículo com infração da proibição legal sujeita o depositário às sanções aplicáveis ao crime 
de desobediência qualificada. 
 
Art.º 23º 21 
1. É aplicável à penhora e ao arresto de veículos o disposto nos n.ºs 2 e 3 do art.º 18º. 
2. Aos registos de penhora e arresto a favor do Estado ou de outras entidades públicas, bem como aos de 
levantamento destas diligências, o disposto no n.º 3 do art.º 19º. 
 
 
O procedimento cautelar de apreensão de veículo tem como finalidade a apreensão 
do próprio veículo e da respetiva documentação, implicando a proibição de circulação 
– cfr. art.ºs 15.º e 22.º do Dec. Lei n.º 54/75, de 12 de Fevereiro. 
3.8.2 Valor do procedimento 
 
Por falta de norma própria para a fixação de valor neste procedimento cautelar 
deverá atender-se ao estipulado no art.º 305.º do CPC, significando isto que o valor 
 
18 Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10. 
19 Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10. 
20 Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10. 
21 Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10. 
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62 
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processual do procedimento é o indicado no requerimento inicial como 
representando a utilidade económica imediata do pedido. 
 
3.8.3 Patrocínio judiciário 
 
O n.º 2 do art.º 15.º do Dec. Lei n.º 54/75, de 12 de dezembro, introduz uma 
exceção ao regime geral do patrocínio obrigatório, ao conceder expressamente ao 
requerente a possibilidade de assinar a petição, exigindo contudo o reconhecimento 
notarial da assinatura. 
 
Não fazendo o preceito qualquer referência ao valor processual ter-se-á de 
admitir que a intenção do legislador vai no sentido de permitir, neste quadro legal em 
concreto, que o requerente aja por si próprio, qualquer que seja o valor do pedido. 
 
Já quanto ao reconhecimento da assinatura, ter-se-á em consideração a abolição 
dessa obrigação resultante do art.º 2.º do Dec.Lei n.º 250/96, de 24 de dezembro. 
3.8.4 Tramitação 
 
• A distribuição, autuação e processamento da providência cautelar segue os trâmites 
já referidos em 2.2.2, após o processo é concluso ao juiz. 
 
• Não havendo motivo para indeferimento liminar ou para aperfeiçoamento, o juiz, 
apreciadas as provas que julgar convenientes, ordena a imediata apreensão do veículo 
e dos respetivos documentos. 
 
• Esta decisão é logo notificada ao requerente. 
 
• Por outro lado, a secretaria enceta as diligências com vista à imediata apreensão do 
veículo e dos respetivos documentos, podendo solicitá-las a quaisquer entidades 
policiais ou administrativas (GNR, PSP, Polícias Municipais, Delegações Alfandegárias ou 
Postos Aduaneiros – (art.º 17.º do Dec. Lei n.º 54/75), bem como a remoção do veículo 
para uma garagem ou outro local apropriado, onde fica depositada à ordem do tribunal 
e confiado à guarda de um depositário, lavrando o respetivo auto de ocorrência e 
enviando-o imediatamente ao tribunal. 
 
• Junto o auto ao processo, a secretaria: 
 
- Notifica ao requerido a decisão proferida, entregando-lhe duplicado do 
requerimento inicial, cópias dos documentos acompanhantes, cópia da decisão e cópia 
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do auto de apreensão, informando-o sobre a possibilidade de nos 10 dias seguintes 
deduzir oposição ou em alternativa, no prazo de 15 dias interpor recurso nos termos do 
art.º 372.º, aplicável a este procedimento, pese embora o facto de o n.º 1 do art.º 376.º 
tornar as disposições do procedimento cautelar comum aplicáveis aos procedimentos 
“regulados na secção subsequente”, há que ter em conta o art.º 11.º do Código Civil. 
 
- Notifica a apreensão ao requerente, entregando-lhe oficiosamente uma 
certidão da decisão que decretou a apreensão e do próprio auto de apreensão para 
efeitos de registo na competente conservatória do registo automóvel. 
 
Esta certidão é isenta de custas por dever ser extraída oficiosamente – cfr. art.ºs 
17.º, n.º 3 do Dec. Lei n.º 54/75 e parte final da al. d) do n.º 1 do art.º 16.º do 
Regulamento das Custas Processuais. 
 
Aqui, o prazo para propositura da ação é de 2022 a contar da notificação ao 
requerente da decisão que decretar a medida cautelar. 
 
Sendo aplicado ao procedimento o regime da inversão do contencioso, transitada 
em julgado a decisão que decretou a providência e inverteu o contencioso, o requerido 
é notificado de que deve intentar a ação destinada a impugnar a existência do direito 
acautelado no prazo de 30 dias, contados da notificação, sob pena de a providência 
decretada se consolidar como composição definitiva do litígio – n.º 1 do art.º 371.º. 
 
Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e 30.º, 
do Regulamento das Custas Processuais). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 Os prazos para a propositura das ações estão sujeitos à regra da continuidade dos prazos – art.º 138.º CPC. O prazo 
de 15 dias a que se refere o texto legal passou para 20 dias por força da adaptação ao regime operada pelo n.º 1 do 
art.º 6.º, al. d) – (disposições transitórias) do Dec. Lei 329-A/95, de 12 de Dezembro “Passam a ser de 20 dias os prazos 
cuja duração seja igual ou superior a 13 dias e inferior a 18 dias”. 
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APREENSÃO VEÍCULO AUTOMÓVEL 
(Dec. Lei n.º 54/75, 12 de fevereiro 
PETIÇÃO INICIAL 
Apreciação das 
provas Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento Decisão e notificação ao 
requerente 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Indeferimento 
Decreta 
Apreensão 
Apreensão + 
Auto 
Notificação 
do requerido 
(regras da 
citação) 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Recurso de 
apelação 
NÃO
SIM 
NÃO 
 SIM 
Há recurso ou 
oposição? 
Registo pelo 
requerente 
SIM 
 SIM 
Certidão 
Oposição 
NÃO 
OU 
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3.9 Entrega judicial (após pedido de cancelamento do registo de bens 
objeto de locação financeira na conservatória) 
 
[Art.º 21.º do Dec. Lei n.º 149/95, de 24 de junho, alterado pelos Dec. Lei n.º 265/97, 
de 2 de outubro e 30/2008, de 25 de fevereiro - este diploma instituiu o regime jurídico da 
locação financeira] 
 
Art.º 21.º 
 
1 - Se, findo o contrato por resolução ou pelo decurso do prazo sem ter sido exercido o direito de compra, 
o locatário não proceder à restituição do bem ao locador, pode este, após o pedido de cancelamento do 
registo da locação financeira, a efetuar por via eletrónica sempre que as condições técnicas o permitam, 
requerer ao tribunal providência cautelar consistente na sua entrega imediata ao requerente. 
 
2 - Com o requerimento, o locador oferece prova sumária dos requisitos previstos no número anterior, 
exceto a do pedido de cancelamento do registo, ficando o tribunal obrigado à consulta do registo, a 
efetuar, sempre que as condições técnicas o permitam, por via eletrónica. 
 
3 - O tribunal ouvirá o requerido sempre que a audiência não puser em risco sério o fim ou a eficácia da 
providência. 
 
4 - O tribunal ordenará a providência requerida se a prova produzida revelar a probabilidade séria da 
verificação dos requisitos referidos no n.º 1, podendo, no entanto, exigir que o locador preste caução 
adequada. [redação dada pelo Dec. Lei n.º 265/97, de 2.10] 
 
5 - A caução pode consistir em depósito bancário à ordem do tribunal ou em qualquer outro meio 
legalmente admissível. 
 
6 - Decretada a providência e independentemente da interposição de recurso pelo locatário, o locador 
pode dispor do bem, nos termos previstos no n.º 1 do art.º 21.º. 
 
7 – Decretada a providência cautelar, o tribunal ouve as partes e antecipa o juízo sobre a causa principal, 
exceto quando não tenham sido trazidos ao procedimento, nos termos do n.º 2, os elementos necessários 
à resolução definitiva do caso. 
 
8 - São subsidiariamente aplicável a esta providência as disposições gerais sobre providências cautelares, 
previstas no Código de Processo Civil, em tudo o que não estiver especialmente regulado no presente 
diploma. 
 
9 - O disposto nos números anteriores é aplicável a todos os contratos de locação financeira, qualquer que 
seja o seu objeto. 
 
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 Manual de apoio / Procedimentos Cautelares 
 
 
Locação financeira constitui um misto dos contratos de locação e de compra e 
venda. Segundo o art.º 1.º do Dec. Lei n.º 149/95 é o contrato pelo qual uma das partes 
se obriga, mediante retribuição, a ceder à outra o gozo temporário de uma coisa, móvel 
ou imóvel, adquirida ou construída por indicação desta, e que o locatário poderá 
comprar, decorrido o período acordado, por um preço nele determinadoou 
determinável mediante simples aplicação dos critérios neles fixados – art.º 1.º do Dec. 
Lei n.º 149/95. 
 
Este contrato pode extinguir-se por resolução com fundamento no 
incumprimento das prestações (art.ºs 17.º e 18.º) ou por caducidade fundada na não 
restituição do bem pelo locatário ao locador depois de terminado o prazo do contrato 
e de não ter sido exercida a opção de compra do bem – cfr. art.º 10.º. 
 
Assim, por força do regime constante deste diploma, uma vez resolvido o 
contrato, deve o locatário restituir o bem locado ao locador, uma vez que este mantém 
o direito de propriedade sobre aquele bem durante o prazo do contrato de locação 
financeira. Caso o não faça, pode o locador requerer ao tribunal a sobredita 
providência cautelar especificada para a entrega imediata do bem e para cancelamento 
do respectivo registo, caso se trate de bem a ele sujeito. E o tribunal deverá ordenar 
a providência requerida se a prova produzida revelar probabilidade séria da verificação 
dos requisitos enunciados no preceito mencionado, isto é, ter o contrato de locação 
financeira sido extinto por resolução ou pelo decurso do prazo sem ter sido exercido, 
pelo locatário, o direito de compra e não ter o locatário procedido à restituição do 
bem ao locador e/ou ainda não se mostrar cancelado o respectivo registo de locação 
financeira. – Ac. TRLisboa, de 11/11/2004, proc.º 8854/2004-6 in www.dgsi.pt. 
 
3.9.1 Valor do procedimento 
 
Por falta de norma própria para a fixação de valor neste procedimento cautelar 
deverá atender-se ao estipulado no art.º 296.º, significando isto que o valor processual 
do procedimento é o indicado no requerimento inicial como representando a 
utilidade económica imediata do pedido. 
 
 
 
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3.9.2 Tramitação 
 
• Autuado o requerimento inicial (ter em conta o já referido nos 2 primeiros § do ponto 
2.2.1), o processo é concluso ao juiz. 
 
• O despacho liminar poderá ser de: 
- Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal da 
Relação – cfr. art.ºs 629.º, n.º 3 al. c), 638.º e 641.º. 
- Aperfeiçoamento - cfr. art.º 6.º e 411.º; 
- Dispensa de audição do requerido – cfr. n.º 3 do art.º 21.º do Dec. Lei 149/95; 
- Despacho de citação versus notificação – cfr. n.º 3 do art.º 21.º do Dec. Lei 149/95. 
 
• Não havendo motivo para indeferimento liminar ou para aperfeiçoamento, o juiz 
ordena a citação do requerido, salvo se o contraditório puser em risco a providência, 
pois em tal caso, o requerido só é notificado (segundo as regras da citação) após a 
decisão e a consequente realização da providência – cfr. art.ºs 21.º, n.ºs 3 e 7 do Dec. 
Lei n.º 149/95, 366.º e 372.º do CPC. 
 
 A citação do requerido processa-se nos termos gerais. 
 
• Produzidas as provas julgadas necessárias, é proferida a decisão que, se não for de 
indeferimento do pedido, decreta a providência ordenando: 
 
- A entrega imediata do bem objeto da locação financeira, juntamente com os 
respetivos documentos, quando se trate de bem sujeito a registo; 
- Podendo, ainda, sujeitar o locador à prestação de caução – cfr. n.º 4 do art.º 
21.º. 
 
• Nos termos do n.º 6 do citado art.º 21.º, o locador pode dispor livremente do bem, 
independentemente de recurso do locatário. 
 
• Proferida a decisão, a secretaria: 
 
- Apreende e entrega ao requerente o bem e os documentos respetivos, se for o 
caso, podendo solicitar a colaboração das autoridades policiais – cfr. art.º 52.º do Dec. 
Lei n.º 47/2014 de, 27 de março. 
 
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• Da entrega é lavrado o respetivo auto por quem a efetuar – oficial de justiça ou 
autoridade policial (ex. – veículo automóvel). 
 
• Consumada a diligência, se o requerido não tiver sido previamente citado, é agora 
notificado segundo as regras da citação em termos análogos aos restantes 
procedimentos. 
 
Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º - pode este, ser interposto no 
prazo de 15 dias -cfr. n.º 1 do art.º 638.º. 
 
Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao 
referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º. 
 
Não sendo a decisão objeto de recurso, o Requerente fica dispensado de intentar 
a ação principal se, de acordo com disposto no n.º 7 do art.º 21.º, na decisão o Juiz 
antecipar o juízo sobre a causa principal. 
 
Se na decisão o Juiz não antecipar o juízo sobre a causa principal, notificam-se 
as partes do trânsito em julgado, sendo ainda o requerente advertido que é de 30 dias 
o prazo para interpor a ação respetiva, sob pena de não o fazendo a providência caducar 
– art.º 373.º, n.º 1, al. a). 
 
Após o trânsito em julgado da decisão, sendo caso disso, elabora-se a conta – 
cfr. art.º 539.º do CPC e 29.º e 30.º, do Regulamento das Custas Processuais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ENTREGA JUDICIAL-BEM OBJETO DE LOCAÇÃO FINANCEIRA 
(com contraditório prévio) 
REQUERIMENTO INICIAL – Após pedido de 
cancelamento do registo da locação 
financeira 
Citação pessoal 
do requerido (ou 
notificação) 
Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento 
Findo o prazo da 
oposição 
Notificação do 
requerente 
Decisão ou 
Audiência e 
decisão 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Notificações 
requerente e 
requerido 
Providência 
decretada 
Realização da providência – 
Apreensão e entrega do 
bem ao requerente 
Há recurso? 
(requerido ) 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Admite recurso Recurso de 
apelação 
NÃO
SIM 
 NÃO 
NÃO 
 SIM 
NÃO 
 SIM 
Há Reclamação -
643.º 
NÃO Reclamação 
Não 
SIM 
 SIM 
SIM 
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ENTREGA JUDICIAL-BEM OBJETO DE LOCAÇÃO FINANCEIRA 
 (sem contraditório prévio) 
REQUERIMENTO INICIAL - Após pedido 
de cancelamento do registo da locação 
financeira 
Audiência e 
decisão 
 
Conclusão 
Indeferimento 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoamento Providência 
decretada 
oposição 
Notificação do 
requerente 
Aperfeiçoa ou findo 
o prazo 
Há recurso? 
(requerente) 
Notificação do requerente + 
Apreensão e entrega do bem 
locado + notificação do 
requerido (regras da citação) 
Há oposição 
(requerido) 
Conclusão 
Audiência e 
decisão 
Conta 
Fim 
Conclusão 
Admite recurso 
Recurso de 
apelação 
NÃO
SIM 
NÃO 
 SIM 
 SIM 
 SIM 
Notificações 
do 
requerente 
e requerido 
Há recurso NÃO 
SIM 
NÃO
Há recurso 
(requerido) 
 SIM 
Há Reclamação 
643.º Reclamação 
NÃO 
 
SIM 
NÃO 
 
SIM 
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4. CADUCIDADE 
 
Sem prejuízo do requerente ser dispensado do ónus de propositura da ação, o 
procedimento cautelar extingue-se e, quando decretada, a providência caduca (art.º 
373.º): 
 
a) Se o requerente não propuser a ação da qual a providência depende dentro 
de 30 dias, contados da data em que lhe tiver sido notificado o trânsito em julgado da 
decisão que a haja ordenado; 
 
b) Se, proposta a ação, o processo estiver parado mais de 30 dias, por negligência 
do requerente; 
 
c) Se a ação vier a ser julgada improcedente, por decisão transitada em julgado; 
 
d) Se o réu for absolvido da instância e o requerente não propuser nova ação em 
tempo de aproveitar os efeitos da proposição da anterior 
 
e) Se o direito que o requerente pretende acautelar se tiver extinguido. 
 
Sem prejuízo das regras sobre a distribuição do ónus da prova, logo que transite 
em julgado a decisão que haja decretado a providência cautelar e invertido o 
contencioso, é o requerido notificado, com a advertência de que, querendo, deve 
intentar a ação destinada a impugnar a existência do direito acautelado nos 30 dias 
subsequentes à notificação, sob pena de a providência decretada se consolidar como 
composição definitiva do litígio. 
 
Tal pena verifica -se igualmente quando, proposta a ação, o processo estiver 
parado mais de 30 dias por negligência do autor ou o réu for absolvido da instância e o 
autor não propuser nova ação em tempo de aproveitar os efeitos da propositura da 
anterior. 
 
A procedência, por decisão transitada em julgado, da ação proposta pelo requerido 
determina a caducidade da providência decretada. 
 
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5. RECURSOS 
 
As decisões judiciais podem ser impugnadas por meio de recurso. Os recursos 
são ordinários ou extraordinários, sendo ordinários os recursos de apelação e de revista 
e extraordinários o recurso para uniformização de jurisprudência e a revisão – cfr. art.º 
627.º do CPC. 
 
O recurso ordinário é admissível quando a providência tenha valor superior à 
alçada do tribunal de que se recorre e a decisão impugnada seja desfavorável ao 
recorrente em valor superior a metade da alçada desse tribunal, admitindo sempre 
recurso as decisões respeitantes ao valor da causa nos procedimentos cautelares, com 
o fundamento de que o seu valor excede a alçada do tribunal de que se recorre e as 
decisões de indeferimento liminar do requerimento inicial de procedimento cautelar- 
cfr. art.º 629.º, n.º 7 do art.º 641.º, 644.º e 853.º. 
 
A decisão que decrete a inversão do contencioso só é recorrível em conjunto 
com o recurso da decisão sobre a providência requerida; a decisão que indefira a 
inversão é irrecorrível – cfr. n.º 1 do art.º 370.º. 
 
Das decisões proferidas nos procedimentos cautelares, incluindo a que 
determine a inversão do contencioso, não cabe recurso para o Supremo tribunal de 
Justiça, sem prejuízo dos casos em que o recurso é sempre admissível – cfr. n.º 2 do 
art.º 370.º. 
 
Pode impugnar a decisão cautelar quem, sendo parte no procedimento, nele 
tenha ficado vencido, bem como as pessoas que, apesar de não serem partes, tenham 
sido por ela direta e efetivamente prejudicadas – cfr. art.ºs 631.º e 632.º. 
 
O tribunal competente para apreciar o recurso é o tribunal de 2.ª Instância com 
competência para o conjunto de comarcas inseridas no distrito administrativo em que 
se situe o órgão jurisdicional que tenha proferido a decisão que se pretenda impugnar 
– cfr. art.º 67.º, da Lei 62/2013, de 26 de agosto. 
 
Atento o caráter urgente das providências cautelares, o prazo de interposição 
do recurso é de 15 dias, contados da notificação da decisão. Tendo o recurso por objeto 
também a reapreciação da prova gravada, ao referido prazo de interposição acrescem 
10 dias – cfr. n.ºs 1 e 7 do art.º 638.º. 
 
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O recurso interposto do despacho que indefira liminarmente ou que não ordene 
a providência tem efeito suspensivo. Nos demais casos tem efeito meramente 
devolutivo – cfr. art.º 647.º. 
 
Do despacho que não admita o recurso pode o recorrente reclamar para o 
tribunal que seria competente para dele conhecer, no prazo de 10 dias contados da 
notificação da decisão – cfr. art.º 643.º. 
6. CUSTAS 
 
Nos processos cautelares, o valor da taxa de justiça é o resultante da Tabela II, 
atendendo-se ao valor da base tributária, conforme decorre do n.º 2 do art.º 529.º e n.º 
1 do art.º 530.º, ambos do CPC, e n.º 1 do art.º 6.º, dos n.ºs 1 e 3 do art.º 13.º, do n.º 
1 do art.º 14.º, todos do RCP. Nos termos do n.º 1 do art.º 539.º do CPC e n.º 4 do art.º 
7.º do RCP, a taxa de justiça é paga pelo requerente e, havendo oposição, pelo 
requerido. 
 
O valor da taxa de justiça é de 3 UC, nos casos em que a base tributária é igual 
ou inferior a 300.000,00€ ou de 8 UC, quando superior. 
 
O valor da base tributária é regra geral, nos termos do art.º 11.º do RCP, o 
correspondente ao valor processual constante do n.º 3 do art.º 304.º. 
 
Quando o procedimento se revista de especial complexidade, nos termos do n.º 
7 do art.º 530.º do CPC e n.º 7 do art.º 7.º do RCP, o juiz, a final, poderá fixar um valor 
superior, dentro dos limites constantes da tabela II. 
 
Tanto o requerimento inicial do procedimento, como a oposição deduzida à 
providência sujeitam a parte respetiva à obrigação de comprovar, através da 
apresentação, por transmissão eletrónica de dados, o pré-pagamento da taxa de justiça, 
sob pena de, não o fazendo, ficar sujeita às sanções previstas na lei processual – cfr. 
art.ºs 144.º, 145.º, 558.º e 570.º, todos do Código de Processo Civil e art.º 9.º da Portaria 
280/2013. 
 
O valor da taxa de justiça é calculado com base na tabela II do RCP, pagando as 
sociedades comerciais consideradas “grandes litigantes” nos termos do n.º 3 do art.º 
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13.º do RCP, ou seja, de acordo com a tabela II-B e as restantes conforme o disposto na 
tabela II-A. 
 
Responsabilidade pelas custas 
Segundo o n.º 2 do art.º 539.º do CPC, a taxa de justiça paga nos procedimentos 
cautelares é atendida, a final, na ação respetiva, ou seja, caso venha a ser intentada 
ação principal, a taxa de justiça paga no procedimento cautelar é atendida, a final, em 
sede de custas de parte. 
 
Havendo oposição, a responsabilidade pelas custas é fixada na decisão final, 
segundo as regras estabelecidas nos art.ºs 527.º, 534.º, 535.º a 537 e 539.º. 
 
 
Extrato da tabela II que corresponde à área das providências cautelares: 
 
 
Incidente / procedimento / execução 
A 
Taxa de 
Justiça 
Normal 
B 
Taxa de 
Justiça 
Agravada 
Procedimentos Cautelares: 
Até €300.000,00 ................................................................ 3 3,5 
Procedimentos de valor superior a €300.000,01 ........................... 8 9 
Procedimentosde especial complexidade .................................. 9 a 20 10 a 22 
 
 
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Coleção “PROCESSO CIVIL” 
Autor: 
Direção-Geral da Administração da Justiça - Centro de Formação 
Titulo: 
“Manual de Apoio à Formação- Procedimentos Cautelares” 
Coordenação técnico-pedagógica: 
Jorge Ribeiro; José Oliveira; José Póvoas; ; Miguel Vara. 
Coleção pedagógica: 
Centro de Formação 
Atualizado até à Lei n.º 117/2019, de 13 de setembro 
 
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