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A historia das crianças e dos adolescentes quanto ao seu lugar na sociedade brasileira e quanto ao tratamento que lhes foi dispensado por essa sociedade, particularmente aqueles em situação de vulnerabilidade, ao aproximar a essa história nos mostram realidades complexas e contraditorias, construidas no contexto das diversas conjunturas criadoras e consolidadoras do Estado brasileiro. Essas diferentes realidades, no entanto, evidenciam que as dificuldades vividas por muitas das crianças e dos adolescentes ocorreram, de um lado, por eles pertencerem a espaços e tempos marcados por desigualdades sociais e economicas e, de outro, por terem sido, ao longo da historia, expresso dessas desigualdades e, em algumas conjunturas, objeto de cuidados aparentes que mascaravam a concretização de outros interesses.
Nos tempos da Colonia há relatos que nos contam como os portugueses formularam um projeto de exploração das novas terras e de aculturação de seus moradores, quando chegaram ao Brasil, no seculo XVI, e depararam com as nações indigenas que ocupavam o territorio. A estratégia incluia a vinda dos jesuitas para catequizar os nativos e facilitar a colonização. Diante da resistencia dos Ìndios a cultura europeia e a formação cristã, os padres resolveram investir na educação e na catequese das crianças indigenas, consideradas '' almas menos dura''.
Muitas dessas crianças eram deliberadamente afastadas de suas tribos. Entre 1550 e 1553, foram criadas as Casas de Muchachos - ''protoforma dos abrigos e internatos educacionais que perduram até hoje'. (Sposati, 2004, p. 1) não, custeadas pela coroa portuguesa. Essas casas abrigavam os curumins ou ''meninos da terra'' e se constituiam, em consonância com o projeto colonial português, em'' um posto avançado de transmissão e inculcação dos valores do invasor aos invadidos (os gentios) no processo de colonização o portuguesa'' (Janice Theodora da Silva, apud Sposati, 1988, p. 62). Esses pequenos indigenas formaram um verdadeiro ''exercito de Jesus'', que colaborava na pregação cristã pelas matas e pelos sertões, servindo de interpretes para os jesuitas. No decorrer dos séculos XVI e XVII, os jesuitas fundaram colégios nas principais vilas e cidades da Època: Salvador, Porto Seguro, Vitoria, São Vicente, São Paulo, Rio de Janeiro,Olinda, Recife, São Luís do Maranhão e Belém do Pará (Marcílio, 1998).
As Casas de Muchachos não eram ocupadas apenas por meninos indígenas; também se recebiam orfão e enjeitados, vindos de Portugal,que aprendiam rapidamente a língua nativa, tornando-se importantes auxiliares no trabalho de conversão (Chamboileyron, 2004). No entanto,segundo Marcílio (1998, p. 130-131), os jesuítas não tinham nenhum interesse na sorte das crianças da Colonia, fossem elas abandonadas, ilegítimas ou escravas, pois ''nenhum pequeno exposto foi admitido colégios jesuítas''.
 Marcílio (1998) relata ainda que a pratica de abandono dos filhos foi introduzida na América pelos europeus, no período da colonização. A situação de miséria, exploração e marginalização, aliada ás dificuldades de apropriação do modelo europeu de família monogâmica e indissolúvel, levou os moradores da terra ''a seguirem o exemplo dos descendentes de espanhóis ou de portugueses, de abandonar seus filhos''. Nos séculos XVI e XVII, já podiam ser encontradas crianças brancas e mestiças perambulando, esmolando, vivendo entocadas nos matos ao redor das vilas. A infra-estrutura destinada aos cuidados dessas crianças não refletia nenhuma preocupação com elas.
Muitas acabavam sendo assumidas ou agregadas como criadas por famílias da terra: ''... a maioria dos bebês que iam sendo largados acabavam por receber a compaixão das famílias que os encontravam.
Elas criavam os expostos por espírito de caridade, mas também, em muitos casos, calculando utilizá-los, quando maiores, como mão de obra suplementar, fiel, reconhecida e gratuita (Marcílio, 2003, p. 55). 
Durante o período colonial, a proteção á criança abandonada no Brasil tinha por referência as determinação de Portugal e era prevista nas três Ordenações do Reino: formalmente, era responsabilidade das câmaras municipais encontrar os meios para criar as crianças sem família, sendo obrigadas a lhes destinar um sexto de seus recursos. Função que frenquentemente era exercida a contragosto, com evidências de omissão relutância, negligência e falta de interesse: limitavam-se a pagar quantias irrisórias a amas-de-leite para amamentar e criar essas crianças ou delegavam serviços especiais de proteção a outras instituições, sobretudo ás Santas Casas de Misericórdia.
MV Batista - Abrigo: Comunidade de acolhida e socioeducação, 2006 - neca.org.br
Abrigo : comunidade de acolhida e socio educação / coordenação Myrian Veras Batista].
-- São Paulo : Instituto Camargo Corrêa, 2006. -- (Coletânea abrigar)
Entretanto o desenvolvimento das políticas sociais de atendimento infanto-juvenil concomitante ao processo de desenvolvimento do sistema de proteção social nacional, focalizando algumas das principais representações atribuídas à infância, de acordo com o período histórico e político de cada época. Busca-se apresentar a noção de infância instituída sob a constituição do aparato do Estado de Bem-Estar brasileiro, de forma a situá-la em um contexto mais amplo de transformações históricas e políticas que envolveram a emergência e consolidação das políticas sociais destinadas ao atendimento à criança e ao adolescente no Brasil ao longo do século XX e início do século XXI.
políticas sociais; crianças; adolescentes; cidadania
 
Os processos de formação de crianças e adolescentes se dão não apenas nos
estabelecimentos de ensino, como também em outras ambiências culturais como, por exemplo, em família, o centro essencial para o desenvolvimento de todo ser humano. De fato, o seio familiar apresenta-se como o local próprio para o desenvolvimento pessoal em todos os sentidos. Assim, influindo em mudanças de ideias, de atitudes, de relacionamentos com as diferenças individuais e com o modo como cada um se constitui a família deve ser protegida. Nada obstante, o aparecimento de novos modelos familiares como a família homoafetiva, dentre outras, suscitou ao Direito, que, enquanto
ciência, tem como escopo regular os comportamentos sociais, a necessidade de nvestigar e proteger essas novas realidades familiares. Deste modo é que conseguiremos a construção de uma sociedade inclusiva, visando o desenvolvimento integral da pessoa humana, em todas as fases do ciclo da vida em igualdade de condições.

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