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Arte e Educação TROL Arte e Educação Lucia Lyra de Serpa Pinto 1ª e d iç ão Arte e Educação DIREÇÃO SUPERIOR Chancele r Joaqu im de Oliveira Reitora Marlene Salg ado de Oliveir a Pres idente da Mantene dora Wellington Salg ado de Oliveira Pró- Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salg ado de Oliveira Pró- Reitor de Organizaçã o e Desenvolv imento Jefferson Salgado de Oliveira Pró- Reitor Adm inistrativo Wallace Salgado de Oliveira Pró- Reitora Acadêm ica Jain a dos Santos Mello Ferreir a Pró- Reitor de Exte nsão Manuel de Souza Esteves DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA Diretor Charlston José de Sousa Assis Assessora Andrea Jar dim Coorde nadora Ge ral de Pós-Gra dua ção Maria Alice Correa Ribeiro FICHA TÉCNICA Texto: Lucia Lyr a de Serpa Pinto Revisão Ortográf ica : Walter P. V alverde Jú nior e Tatiane Rodrigues de So uza Projeto Gráf ico e E ditoração: Andreza Nacif, Anto nia Machado, Eduar do Bor doni, Fabrício Ramos, Marcos Antonio Lima da Silva e Ruan Carlos Vieira Fausto Supe rvisão de Materiais Instruc ionais : Janaina Gon çalves de Jesus Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício R amos Capa: Edu ardo B ordoni e Fabr ício R amos COORDENAÇÃO GERAL: Departamento de Ensino a Dis tânc ia Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, R J, CEP 24020-420 www.universo.edu.br Fich a cat alogr áfic a elabor ada pela B ibliotec a Universo – Campus Niterói P659a Pinto, Lucia Lyra de Serpa. Arte e educação / Lucia Lyra de Serpa Pinto ; revisão de Walter P. Valverde Junior. 1. ed. – Niterói, RJ: EAD/UNIVERSO, 2011. 150 p. : il. 1. Arte e educação. 2. Arte - Estudo e ensino. 3. Educação. 4. Dança. 5. Música. 6. Teatro. I. Valverde Junior, Walter P. II. Título. CDD 372.5 Bibliotec ária: ELIZABETH FRANCO MAR TIN S – CRB 7/4990 © Departamento de Ensino a Distância - U niversidade Salgado de Oliveira Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publica ção pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhu ma forma ou por nenhum meio se m permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educa ção e Cultura, mantenedora da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). Arte e Educação Palav ra da Reitora Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo, exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO Virtual, que reúne os diferentes segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero bem-sucedidas mundialmente. São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se responsável pela própria aprendizagem. O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo momento ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de nossa plataforma. Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos. A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem- sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização, graduação ou pós-graduação. Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona. Seja bem-vindo à UNIVERSO Virtual! Professora Marlene Salgado de Oliveira Reitora Arte e Educação Arte e Educação Sumário 1. Apresentação da disciplina.................................................................................................................... 07 2. Plano da disciplina ....................................................................................................................................... 11 3. Unidade 1 – Qual o seu significado?................................................................................................ 13 4. Unidade 2 – O desenvolvi mento expressivo da criança .................................................... 35 5. Unidade 3 – Educação para a compreensão da cultura visual ...................................... 69 6. Unidade 4 – Linguagens da Arte........................................................................................................ 93 7. Considerações finais ................................................................................................................................... 141 8. Conhecendo a autora ............................................................................................................................... 143 9. Referências........................................................................................................................................................ 145 10. Anexos..................................................................................................................................................................147 Arte e Educação 6 Arte e Educação 7 Apresentação da Disciplina Prezado aluno, É com grande satisfação que apresentamos a disciplina Arte e Educação. Bem vindo ao nosso ambiente de aprendizagem. O estudo dos conhecimentos de arte é de grande importância para os profissionais que desejam atuar em escolas e espaços de ensino e aprendizagem com crianças, jovens e adultos. A arte-educação é uma disciplina que, como as demais, possui características próprias e é interessante que seja necessário enfatizar esse aspecto. Quando nos damos conta da evolução da pedagogia artística no Brasil, constatamos que o tratamento dado não foi coerente com a dinâmica de novas estratégias que as outras disciplinas mereceram. O ensino de arte atual ainda guarda resquícios de metodologias antigas, tradicionais e equivocadas. Nesse sentido, a realidade que encontramos nas salas de aula permite que, currículos e programas, apresentem objetivos e conteúdos divergentes dos conhecimentos de arte. Por esse motivo, em muitas escolas professores de arte são “direcionados” para uma prática de “distrair ou ocupar o tempo dos alunos”, “pintar desenhos reproduzidos”, “decorar murais e salas”, “preparar festinhas”, apresentar “teatrinhos pedagógicos”, “dancinha para o dia das mães”. A proposta apresentada nessa disciplina pretende esclarecer essas questões e promover reflexões sobre o papel da arte para o indivíduo e a sociedade. Com isso, o professor de arte estará apto a entender o seu papel de arte-educador dentro e fora da escola. Outro ponto importante é ressaltar que cabe à escola conhecer os objetivos e métodos necessários para desenvolver o ensino de arte coerente com as propostas atuais, exigindo que os conhecimentos teóricos e práticos sejam cumpridos pelos profissionais. Assim, é possível desenvolver um trabalho com arte na escola que exige e ao mesmo tempo media os instrumentos de aquisição do conhecimento; que contribua para a formação de cidadãos conscientes, críticos e capacitados, que saibam respeitar e valorizar a cultura e a realidade social em que vivem. Arte e Educação 8 Considerando os desafios apresentados e a necessidade de contribuir para um efetivotrabalho com arte na escola, o presente estudo apresenta os pontos principais que embasam o ensino dos conhecimentos de arte. Os conceitos são apresentados de forma contextualizada e dialógica, facilitando o acesso, a compreensão dos conteúdos e das atividades. Vamos iniciar nosso estudo? Desejo que esteja receptivo e que possamos estabelecer troca de idéias que enriqueçam nosso diálogo. Sempre que desejar, tire suas dúvidas, estamos juntos nessa jornada. Estude com prazer! Arte e Educação 9 Plano da Discip lina A disciplina Arte e Educação tem como objetivo principal desenvolver a percepção sobre a importância da arte para o desenvolvimento integral do aluno e também levá-los a despertar um olhar observador para os seus diferentes tipos. A partir de uma reflexão sobre o significado da arte, descrevemos o caminho percorrido pelos educadores de arte no Brasil desde o período Imperial até os dias atuais. Apresentamos as linguagens da arte, suas especificidades e técnicas. Encaminhamos o estudo para o conhecimento de procedimentos de leituras de imagem e alfabetização visual. Faz parte também do estudo, textos sobre avaliação e projetos em arte. Nesse contexto, foi possível apresentar argumentação que dê embasamento para os profissionais que estarão de forma direta ou indireta, atuando junto aos arte-educadores, para saberem entender, valorizar e respeitar esse profissional em seu espaço de atuação. Para facilitar a compreensão dos conteúdos, a disciplina foi organizada em quatro unidades e cada uma delas em subunidades, que permitem entender como foi desenvolvido o programa. A seguir, apresentamos o resumo das unidades da disciplina e seus respectivos objetivos. Desejamos que tenha um estudo proveitoso e que possamos compartilhar ideias ao longo dessa jornada. Unidade 1 – Arte – qual o seu significado? Em nossa primeira unidade estudaremos o significado e a evolução histórica do ensino de arte no Brasil. Estes aspectos são muito importantes para os que desejam trabalhar com arte-educação. Objetivos: Compreender o significado da arte e a sua importância na educação brasileira. Conhecer o cenário da evolução do ensino de arte no Brasil, Compreender os aspectos que fizeram parte da trajetória histórica do ensino e aprendizagem de arte trazendo reflexões para a atualidade. Arte e Educação 10 Unidade 2 – O desenvolvimento expressivo da criança Na segunda unidade veremos que através do desenho é possível acompanhar o processo de formação do conhecimento da arte que pode se desenvolver desde a infância até os primórdios da adolescência. Objetivos: Compreender o processo de desenvolvimento expressivo da criança. Caracterizar as diversas etapas evolutivas do grafismo infantil. Conhecer os aspectos que envolvem o processo de desenvolvimento da atividade imaginativa. Unidade 3 – Educação para a compreensão da cultura visual Na penúltima unidade veremos os elementos da cultura visual que estão presentes nas representações que o homem é capaz de produzir e que necessitam de um estudo cuidadoso, para que os professores se habilitem e trabalhem com os “códigos” da linguagem visual. Objetivos: Compreender que a cultura visual, é o resultado das representações visuais que o homem é capaz de construir e necessita ser explorada e levada para a sala de aula, tornando-a parte das experiências práticas e cotidianas dos estudantes. Desenvolver estratégias que possibilitem o exercício efetivo da “arte- educação” como fonte facilitadora da compreensão da cultura visual no espaço educacional. Unidade 4 – As linguagens da Arte Na última unidade estudaremos a interação com as linguagens da arte que permite compreender que, através da percepção das cores, dos sons, dos gestos, do movimento corporal, somos capazes de inventar e ler o mundo. Para a avaliação em arte, apresentamos sugestões que podem nortear esse importante momento da aprendizagem. Propostas desafiadoras, como ensino de arte por projetos, facilitam a construção dos conhecimentos de Arte. Arte e Educação 11 Objetivos: Identificar e interagir com as quatro linguagens da arte como exercício da cidadania. Compreender que a aprendizagem em arte só é significativa quando o objeto de conhecimento é a própria arte. Compreender que é através do conhecimento de cada linguagem que o aprendiz revela suas ideias e sentimentos. Propor ações desafiadoras de aprendizagem em arte através de projetos. Bons estudos. Arte e Educação 12 Arte e Educação 13 Qual o seu significado? A arte e seu significado. Por que arte na escola? O ensino de arte no Brasil. As pedagogias no ensino de arte. 1 Arte e Educação 14 A partir de agora você está convidado a descobrir os principais caminhos que apontam o aprender e ensinar arte. Durante nosso estudo, na articulação teoria- prática, estaremos dialogando e aprendendo juntos. Assim, desejamos que nossos objetivos sejam atingidos e que contribuam para ampliar seus conhecimentos. Objetivos da unidade: Compreender o significado da arte e a sua importância na educação brasileira. Conhecer o cenário da evolução do ensino de arte no Brasil. Compreender os aspectos que fizeram parte da trajetória histórica do ensino e aprendizagem de arte trazendo reflexões para a atualidade. Plano da unidade: A arte e seu significado. Por que arte na escola? O ensino de arte no Brasil. As pedagogias no ensino de arte. Bons estudos. Arte e Educação 15 Para iniciarmos esse importante estudo sobre Arte e Educação, começaremos por entender o significado da Arte. Vamos caminhar juntos? A arte e seu significado A história do homem está diretamente ligada à arte. A arte antecipa a construção do seu próprio conceito, pois desde tempos remotos, quando o homem habitava a escuridão das cavernas, sentiu necessidade de externalizar seus anseios, desejos e medos frente aos fenômenos da natureza. Através de representações expressas em linhas, contornos e manchas, o homem rupestre pinta e risca nas paredes imagens impressionantes, utilizando elementos naturais como pigmentos animais, vegetais e minerais. Dentre todos os seres que habitam nosso planeta, o homem foi capaz de fazer a diferença: pensar, perguntar, inventar, produzir. Da necessidade de comunicação entre mundo interno e externo, o homem desenvolve uma grande capacidade imaginativa. Essa ação permeia pensamentos e produções cada vez mais complexos de imagens e objetos, proporcionando então, o surgimento das linguagens. Através da música, da escultura, da pintura, da dança, do teatro e do cinema, o homem expressa seus sentimentos, suas emoções, sua maneira de estar e viver no mundo. O conceito de arte é produto da comunicação e acompanha o pensamento e as experiências humanas. A cada momento é contextualizado nos acontecimentos e valores de sua própria época, pois a arte de nosso passado possui valores diferentes para os da atualidade. Para tanto, é importante observar como os artistas, críticos e historiadores conceituam a arte: Arte e Educação 16 No século XV: Leonardo da Vinci integrava em sua visão de mundo a Ciência e a Arte. Ele mesmo era Cientista e Artista a um só tempo, e estas duas dimensões se completavam intimamente na sua maneira de apreender o mundo. A arte era concebida por ele como uma ‘Ciência da representação da Natureza’, e é isto o que o habilita falar mais autorizadamente em uma “imitação científica da Natureza” por oposição à “imitação mecânica”. Outro aspecto fundamental da concepção de Arte exposta por Leonardo da Vinci em seus escritos, e que com muita freqüência faz com que ele seja apontado como um precursor de uma forma mais moderna de conceber a arte é asua afirmação de que a “arte é coisa mental”. Ele tinha clareza de que a maioria das pessoas via mais freqüentemente com o intelecto do que com os olhos, propriamente ditos. Assim, para o pintor italiano, a pintura é “cosa mentale”: objeto da inteligência elaborado com “hostinato rigore”. (Disponível em: http://www.poiesis.uff/pdf/poiesis11/Poesis_11_arte coisamental.pdf.Acesso em :05 set 2011) No século XIX: “A arte é a missão mais sublime do homem já que é o exercício do pensamento tentando compreender o mundo e torná-lo compreensível.” (RODIN, 1990, p.8) Cosa mentale: coisa mental. Hostinato rigore: obstinado rigor. Arte e Educação 17 No século XX: A arte nos dá a possibilidade de comunicar a concepção que temos das coisas através de procedimentos que não podem ser expressos de outra forma. Na verdade, uma imagem vale por mil palavras não apenas pelo seu valor descritivo, mas também por sua significação simbólica. Na arte, assim como na linguagem, o homem é sobretudo um inventor de símbolos que transmitem ideias complexas sob novas formas. Temos de pensar na arte não em termos de prosa do cotidiano, mas como poesia, que é livre para reestruturar o vocabulário e a sintaxe convencionais, a fim de expressar significados e estados mentais novos, muitas vezes múltiplos. (H.W.JANSON, 1996, p.7) No século XXI: Todos concordam que é muito difícil definir o que é arte. Não obstante, se refletimos sobre o que conhecemos e consideramos expressão artística, verificamos que, em que pese a enorme variedade de estilos e concepções, há ali um traço comum que nos permite englobá-la numa mesma definição: é arte. Houve épocas em que era quase impossível fazê-lo de modo amplo, uma vez que a conceituação estreita reduzia a expressão artística a princípios e normas, fora das quais a arte seria impossível. (GULLAR, F. Instituição e Rebeldia. Folha de S. Paulo, São Paulo 12 jun de 2011 – Disponível em http://www.magaweb.com.br – Acesso em 27 ago 2011). Pode-se observar então, que definir arte como conceito único é tarefa extremamente difícil; podemos perceber que são muitas as respostas. A arte pode ser compreendida na atualidade de uma maneira bem ampla, que engloba diferentes manifestações culturais, sociais, políticas, bem como linguagens, materiais, meios e técnicas. Pode, ainda, ser vista como um produto da inteligência humana, uma experiência de alta complexidade que exige o delicado equilíbrio de todas as potencialidades tanto no campo prático quanto teórico: criação, experimentação, apreciação, associação, análise, contextualização, releitura, entre outras importantes ações. Arte e Educação 18 Sendo assim, a arte está presente em todas as culturas de diferentes épocas. Questionar sua importância seria o mesmo que negar a existência do ar, do sol, da luz. Qual seria então a importância da arte na escola? Por que arte na escola? A arte, em suas diferentes linguagens, é uma forma de expressão criada pelo homem a partir de sua necessidade de estabelecer um diálogo com o mundo. Incluí-la na formação de crianças, jovens e adultos torna-se tão necessário quanto o ensino de matemática, línguas ou ciências. A arte constitui-se como experiência estética e humana, como área de conhecimento que tem seus próprios conteúdos. O papel da arte na educação é grandemente afetado pelo modo como o professor e o aluno vêem o papel da arte fora da escola. (...) A arte não tem importância para o homem somente como instrumento para desenvolver sua criatividade, sua percepção etc., mas tem importância em si mesma, como assunto, como objeto de estudos. (BARBOSA, 1975, p.90). A compreensão sobre a arte e o estudo de sua história está diretamente ligada ao conhecimento das práticas artísticas, e de como as mesmas foram desenvolvidas no cenário histórico-social da humanidade. Elemento presente nas práticas culturais cotidianas, em expressões visuais, sonoras, coloquiais, gestuais e corporais, a arte favorece o reconhecimento de um repertório de representações estéticas presentes em nossas vidas. O homem, que vive em contato, desde a mais tenra idade com os elementos plásticos e manifestações culturais, presentes na sociedade, poderá identificar as formas como são percebidas e analisadas essas vivências. As preferências musicais, a escolha das cores, o gosto por espetáculos artísticos e por seus produtores, podem ser fatores determinantes no surgimento de novas poéticas e expressões artísticas. A prática contínua de uma educação em arte se faz importante para o acesso às estéticas existentes na atualidade, garantindo assim melhor compreensão desses valores. Arte e Educação 19 As práticas educativas surgem de mobilizações sociais, pedagógicas, filosóficas, e, no caso de arte, também artísticas e estéticas. Quando caracterizadas em seus diferentes momentos históricos, ajudam a compreender melhor a questão do processo educacional e sua relação com a própria vida. (FERRAZ, 1993, p.27). Para entendermos mais ainda o papel da educação no desenvolvimento das pessoas e das sociedades, o PCN – ARTE nos aponta para a necessidade de se construir uma escola voltada para a formação de cidadãos, que não pode se distanciar do compromisso por atender às necessidades desse novo milênio que se inicia, marcado pela competição e pela excelência. Progressos científicos e avanços tecnológicos definem exigências novas para os jovens que ingressarão no mundo do trabalho; tal demanda impõe uma revisão dos currículos, que orientam o trabalho cotidianamente realizado pelos professores e especialistas em educação do nosso país. (PCN-Temas Transversais, 1998, p.5) No texto de apresentação do PCN, temos: Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram elaborados procurando, de um lado, respeitar diversidades regionais, culturais, políticas existentes no país e, de outro, considerar a necessidade de construir referências nacionais comuns ao processo educativo em todas as regiões brasileiras. Com isso, pretende-se criar condições, nas escolas, que permitam aos nossos jovens ter acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e reconhecidos como necessários ao exercício da cidadania.(Idem). Arte e Educação 20 O ensino de arte no Brasil O ensino de arte no Brasil, teve início em 1800 no seminário de Olinda em Pernambuco. Voltado para os homens, foi marcado por preconceito contra o trabalho manual. Sendo assim, o ensino de arte centrava-se no desenho geométrico e principalmente em cópias de modelos. Como o trabalho manual era reservado aos escravos e nessa época não havia indústrias, essas tentativas de ensino técnico frustraram. As pedagogias no ensino de arte Em 1816, D. João VI trouxe a missão francesa para o Brasil. Composta por artistas europeus de renome foi fundada a Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Iniciava-se um período muito importante, que concebia a arte como base moral de toda educação e no culto à beleza. Os estudantes deviam ter dom artístico e por isso foram levados a prática de excessivos e árduos exercícios de cópia. O ensino de arte no Brasil seguiu o modelo das academias europeias, e baseava-se no desenvolvimento de habilidades e técnicas gráficas. O desenho era matéria obrigatória e considerado a base de todas as artes, ensinado nas séries iniciais da Academia Imperial. Nas escolas primárias o desenho também seguia esses objetivos, porém, as meninas não tinham acesso ao estudo, e em suas casas eram preparadas para as habilidades manuais como o bordado e música. Pedagogia tradicional no ensino de arte No início de século XX, o ensino de arte no Brasil apresentava características utilitárias de preparação técnica para o trabalho. Nas escolas valorizava-se o traço, o contorno, a repetição e cópiade modelos e o desenho geométrico. Essas atividades visavam preparar o estudante para a vida profissional. Nas escolas normais, as futuras professoras aprendiam também “desenho pedagógico” e esquemas gráficos para ilustrar aulas. Arte e Educação 21 Essa “metodologia tradicional” que permanece até os dias atuais, era desenvolvida pelos professores através de aulas de fixação, pela repetição dos conteúdos, e por uma conduta autoritária. As matérias Música, Canto Orfeônico e Trabalhos Manuais foram inseridas no currículo escolar a partir de 1950. A partir dos anos 50, o ensino e a aprendizagem de arte, (...) concentram-se apenas na transmissão de conteúdos reprodutivistas, desvinculando-se da realidade social e das diferenças individuais. O conhecimento continua centrado no professor, que procura desenvolver em seus alunos também habilidades manuais e hábitos de precisão, organização e limpeza. (FERRAZ, 1993, p.32 ) Pedagogia nova no ensino de arte Com a Semana de Arte Moderna de 1922, o surgimento da bienal de São Paulo a partir de 1951 e a combinação de novas ideias surgidas em várias áreas, abriram portas para uma proposta renovadora e a descoberta de novas maneiras de se entender a expressão artística. A “Pedagogia Nova”, também conhecida por movimento “Escola Nova”, surgiu na Europa e Estados Unidos, no século XX. No Brasil, nas décadas de 50 e 60, começam as primeiras experiências. Essa pedagogia experimental caracterizava-se pela ênfase no desenvolvimento da criatividade e da autoexpressão da criança. As atividades centravam-se no fazer artístico, encorajando a criança a experimentar, improvisar e criar. O foco do processo educativo se deslocou da transmissão de conteúdos para as necessidades e interesses do educando. Ferraz (1993) nos esclarece que vários autores influenciaram os trabalhos de professores de arte no século XX originando a “Escola Nova”: os americanos John Dewey, (1900) e Viktor Lowenfeld (1930) e o inglês Herbert Read (1943). Com a publicação de seu livro Educação pela Arte (traduzido em vários países), Read contribuiu para a formação de um dos movimentos mais significativos do ensino artístico no Brasil. Influenciado por esse movimento, Augusto Rodrigues liderou a criação de uma "Escolinha de Arte", no Rio de Janeiro (em 1948), estruturada nos moldes e princípios da "educação através da arte". Arte e Educação 22 Para melhor entendermos esse movimento, Os princípios da Escola Nova, na prática escolar, refletiam muitas vezes uma concepção espontaneísta, centrada, na valorização extrema do processo sem preocupação com os seus resultados. Como todo processo artístico deveria “brotar” do aluno, o conteúdo dessas aulas era quase exclusivamente um “deixar fazer” que muito pouco acrescentava ao aluno em termos de aprendizagem de arte. (MARTINS, 1998, p.12) A pedagogia tecnicista no ensino de arte A concepção tecnicista de ensino da arte, presente até os dias atuais, originou- se no Brasil, a partir das décadas de 60/70, com o objetivo de formar profissionais para atender as carências de mão de obra para o processo de industrialização em expansão. Para atingir esses objetivos, nas aulas de arte os professores utilizavam recursos tecnológicos e audiovisuais, enfatizando o “saber construir”, materiais diversificados (sucatas, etc) e o “saber exprimir-se” através de atitudes espontâneas expressas de forma descompromissada com o conhecimento de linguagens artísticas. Essas ações ficam claras porque ao contrário das concepções anteriores. Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no. 5692/71, a Educação Artística é incluída no currículo escolar. Nessa época, os professores de Desenho, Música, Trabalhos Manuais, Canto Coral e Artes Aplicadas, viram suas atividades educacionais transformadas em “meras atividades artísticas”. Não havia cursos de nível superior para formação de professores em Arte. Os cursos de Educação Artística foram implementados às pressas para suprir essa necessidade. Os professores, inseguros e com formação insuficiente, apoiavam-se em livros didáticos de “Educação Artística”, para conseguirem aplicar seus planejamentos, pois não dispunham de tempo suficiente para aprofundar seus conhecimentos. Arte e Educação 23 Desde a implementação da Lei 5692/71, o tratamento dado à Educação Artística fica bastante comprometido, como se pode analisar no texto: “não é uma matéria, mas uma área bastante generosa e sem contornos fixos, flutuando ao sabor das tendências e dos interesses" (FERRAZ, 1992, p. 37-38). A partir da Lei nº 5692/71, só as pessoas habilitadas pelos Cursos de Licenciatura Curta (mais tarde Plena), poderiam ser contratadas ou prestar concurso para assumir a área de Educação Artística. Esses cursos, que visavam à polivalência em arte, colocavam no mercado de trabalho profissionais totalmente distanciados da arte e da prática educacional. Pedagogias libertadoras no ensino de arte A Pedagogia Libertadora é também denominada de crítico social dos conteúdos. É importante observar que o ensino de arte no Brasil atualmente apresenta características das três pedagogias estudadas: tradicional, escola-novista e tecnicista. (...) o conhecimento dos aspectos pedagógicos, ideológicos e filosóficos que marcam o ensino e a aprendizagem de Arte, pode auxiliar o professor a entender as raízes de suas ações, bem como seu próprio processo de formação. (Id., 1993, p. 43) E ainda: (...) ao lado das tendências pedagógicas tradicional, escola-novista e tecnicista, surge no Brasil, entre 1961/1964, um importante trabalho desenvolvido por Paulo Freire, que repercutiu politicamente pelo seu método revolucionário de alfabetização de adultos. (Ibid., p.32). Polivalente – aquele que pode exercer diversas funções. Arte e Educação 24 As ideias de Freire estavam voltadas para uma relação dialógica entre professor e aluno, com vistas ao desenvolvimento da consciência crítica e configuram o que chamamos de pedagogia libertadora. A partir dos anos 80, os professores de arte brasileiros, conscientizados da necessidade de melhorar e valorizar sua profissão discutem sobre práticas e teorias de educação escolar. Acreditando no papel da escola como responsável pelas mudanças nas ações sociais e culturais da sociedade, novas ideias juntam-se às experiências do passado. Novos rumos são traçados com referências das pedagogias tradicional, nova, tecnicista e libertadora. Configura-se a Pedagogia Histórico-Crítica, (SAVIANI,1980), baseada no pensamento de que “a escola deve assumir, através do ensino e da aprendizagem do conhecimento acumulado pela humanidade, a responsabilidade de dar ao educando o instrumental para que ele exerça uma cidadania mais consciente, crítica e participante”(FERRAZ, 1993, p.34). A Pedagogia Histórico-crítica propõe uma escola com métodos de ensino eficazes para que esta funcione bem. A proposta consiste em que o professor estimule seus alunos através de atividades e iniciativas próprias; favoreça o diálogo entre alunos e professores; valorize o conhecimento da cultura acumulada historicamente e os interesses dos alunos; observe e considere os ritmos de aprendizagem e o desenvolvimento psicológico. É importante também que os conhecimentos dos conteúdos cognitivos sejam transmitidos e assimilados de forma sistematizada e lógica. A prática social é problematizada, através de ações mediadas pelo professor: são questionamentos que se desdobram em conhecimentos e, a partir daí, serão complementados com suportes teóricos e culturais. Arte e Educação 25 Nesse contexto, uma relevante contribuição nos é dada por Ana Mae Barbosa. Suas preocupações com o processo histórico do ensino de arte no Brasil são analisadas em suas obras: Arte-Educação no Brasil (1978),Recorte e Colagem: Influências de John Dewey no Ensino de Arte no Brasil, Arte-Educação: Conflitos e Acertos (1984), História da Arte-Educação (1986) e O Ensi no da Arte e sua História (1990). A autora, através de relatos e reflexões, ressalta o papel do professor de arte como articulador dos conhecimentos e dos conteúdos de arte, e propõe um posicionamento teórico metodológico, conhecido por “Metodologia Triangular”. Ana Mae, que contribui de forma qualitativa para o processo de crescimento do profissional de arte, apresenta uma proposta metodológica que integra três aspectos do conhecimento de arte: o “fazer artístico”, a “análise de obras” e a “história da arte”. Acreditamos que ao finalizar esta unidade você: Tenha compreendido o significado da arte - conhecimento que permeia diferentes manifestações culturais, sociais, políticas, bem como linguagens, materiais, meios e técnicas. Pode ser vista como um produto da inteligência humana, uma experiência de alta complexidade que exige o delicado equilíbrio de todas as potencialidades tanto no campo prático quanto teórico: criação, experimentação, apreciação, associação, análise, contextualização, releitura, entre outras importantes ações. Arte e Educação 26 Conheça o papel da arte para a educação e se conscientize da necessidade de incluí-la nos currículos escolares. Seja capaz de compreender melhor as propostas de arte na atualidade e o papel do professor de arte como articulador dos conhecimentos. Leitura Complementar Veja a seguir as leituras complementares sugeridas. Não deixe de lê- las, porque são as fontes de informação para entendimento do conteúdo apresentado nessa unidade. BARBOSA, Ana Mae. Teoria e prática da educação artística. São Paulo:Cultrix, 1975. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF, 1998. Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1998. FERRAZ, Maria Heloisa & FUSARI, Maria F. Metodologia do ensino de arte. São Paulo, Cortez, 1993. MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE Gisa; GUERRA M. Terezinha Telles. Didática do ensino de arte: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo. FTD, 1998. JANSON, Anthony F. Iniciação á História da arte. São Paulo: Martins Fontes, 1996. RODIN, Auguste - A arte/Auguste Rodin, [em] conversas com Paul Gsell. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990. Arte e Educação 27 É hora de se avaliar Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! Na próxima unidade analisaremos o processo de desenvolvimento expressivo, desde a infância até a adolescência. Entraremos em contato com as representações gráficas e com o desenvolvimento do processo criativo presentes na vida do homem. Arte e Educação 28 Arte e Educação 29 Exercícios –Unidade 1 1 – Leia as frases e assinale a alternativa que corresponde ao significado de Arte segundo a visão de Leonardo da Vinci. a) Segundo o artista renascentista, arte é a obra pronta, é o produto da comunicação humana. b) No século XV, a arte possuía significados ocultos, e era destinada apenas às classes mais abastadas. c) A arte era concebida por Leonardo da Vinci como uma “Ciência da representação da Natureza”. d) Os artistas, críticos e historiadores do século XV conceituavam a arte como “algo sem importância”. e) Leonardo da Vinci não registrou estudos que comprovassem sua visão da arte. Nessa época, não havia estudos relevantes sobre o tema. 2 – Analise as frases e responda: I – O trabalho manual e as atividades livres caracterizam o início do ensino de arte no Brasil. II – No ano de 1800, em Pernambuco, teve início o ensino de arte e sua metodologia centrava-se no desenho geométrico e principalmente em cópias de modelos. III - Em 1800, deu-se início ao ensino de arte no Brasil. Nessa época os escravos tinham acesso aos estudos e realizavam trabalhos manuais e cópias de originais. Arte e Educação 30 Marque a alternativa correta: a) estão erradas a I e II. b) está correta a III. c) está correta a I. d) está errada a II. e) está correta a II. 3 – Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase apresentada: Segundo o PCN-Arte, o papel da educação no desenvolvimento das ___________________, nos aponta para a necessidade de se construir uma __________voltada para a formação de cidadãos, que não pode se distanciar do compromisso por atender às necessidades desse novo milênio que se inicia, marcado pela __________________________. a) escolas – sociedade - violência b) pessoas e das sociedades - escola - competição e pela excelência c) competências e habilidades – escola – competência do estado d) crianças – sociedade – carência alimentar e) universidades – profissão – globalização Arte e Educação 31 4 – A “metodologia tradicional” no ensino de arte no Brasil se caracteriza por: a) Ministrar aulas de fixação e repetição de conteúdos, por uma conduta autoritária. Nas aulas de arte valoriza-se o traço, o contorno, a repetição, cópia de modelos e o desenho geométrico. Essas atividades visam preparar o estudante para a vida profissional. b) Essa metodologia é praticada nos dias atuais e os conteúdos são passados através de livros didáticos e desenho livre. c) Nessa metodologia há grande liberdade de expressão criadora, considerada a base de todas as artes, Nas escolas as crianças têm acesso a materiais diferenciados e a relação professor-aluno transcorre de forma dialógica. d) Apresentar propostas inovadoras, articulando conteúdos de todas as disciplinas transdisciplinarmente. e) Exercer uma prática social problematizada, com atividades realizadas através de ações mediadas pelo professor: são questionamentos que se desdobram em conhecimentos e, a partir daí, serão complementados com suportes teóricos e culturais. 5 – A metodologia de ensino em arte que se caracteriza pela ênfase no desenvolvimento da criatividade e da auto-expressão da criança; realização de atividades centradas no fazer artístico; fortalecimento de experimentações, improvisos e criações espontâneas é denominada: a) Pedagogia tecnicista b) Pedagogia livre c) Pedagogia da arte espontânea d) Pedagogia liberal e) Pedagogia nova Arte e Educação 32 6 - Assinale a opção que identifica a importância e/ou necessidade do conhecimento das metodologias pedagógicas para o ensino de arte. a) A importância é irrelevante porque o professor tem liberdade para fazer o que desejar, e atualmente com a globalização, o que vale é realizar trabalhos livres, sem compromisso com regras ou técnicas. b) Não é necessário conhecer as propostas pedagógicas de arte, o importante é o professor ter formação específica na área. c) É importante para que o professor tenha referências e possa seguir uma metodologia baseada em exercícios, revisão de conteúdos e atividades manuais. d) É importante para a compreensão da arte e o estudo de sua história que está diretamente ligada ao conhecimento das práticas artísticas, e de como as mesmas foram desenvolvidas no cenário histórico-social da humanidade. e) As propostas pedagógicas não fizeram parte da evolução do ensino de arte no Brasil; todas as referências vieram da Europa através da missão artística francesa. 7 - Assinale a alternativa mais adequada: O PCN – Arte foi elaborado:I – com o propósito de respeitar as diversidades regionais, culturais, políticas existentes no país e, também, considerar a necessidade de construir referências nacionais comuns ao processo educativo em todas as regiões brasileiras. II – porque a arte tem importância para o homem somente como instrumento para desenvolver sua criatividade, sua percepção. III - porque se pretende criar condições, nas escolas, que permitam aos nossos jovens ter acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e reconhecidos como necessários ao exercício da cidadania. Arte e Educação 33 a) está correta a II b) estão corretas a I e III c) estão erradas I e III d) está errada a III e) estão erradas II e II 8 – Leia com atenção as frases abaixo e classifique-as como (C) certas ou (E) erradas, em seguida, escolha a alternativa adequada. I - A arte pode ser compreendida na atualidade como um produto da inteligência humana. ( ) II - A arte é uma experiência de alta complexidade que exige o delicado equilíbrio de todas as potencialidades tanto no campo prático quanto teórico: criação, experimentação, apreciação, associação, análise, contextualização, releitura, entre outras importantes ações. ( ) III - A arte só pode ser compreendida na atualidade pelos progressos científicos e avanços tecnológicos. ( ) IV - A compreensão sobre a arte e o estudo de sua história está diretamente ligada ao conhecimento das práticas artísticas, e de como as mesmas foram desenvolvidas no cenário histórico-social da humanidade. ( ) V - A arte, em suas diferentes linguagens, é uma forma de expressão criada pelo homem a partir de sua necessidade de estabelecer um diálogo com o mundo. ( ) a) C – C – C – C – E b) E – E – C – C – C c) C – C – C – E – C d) C – C – E – C – C e) E – C – C – C – C Arte e Educação 34 9 – Até hoje encontramos características dessa pedagogia de ensino: professores planejando suas aulas com recursos tecnológicos e audiovisuais. Orientados por uma concepção mecanicista, as aulas são planejadas a partir de objetivos operacionais, passando uma ideia de “modernidade”. Essas concepções de ensino iniciaram no Brasil entre as décadas de 60 e 70. Descreva os aspectos que caracterizam o ensino de arte oriundo dessa pedagogia, identificando-a. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 10 – Leia o texto abaixo : (...) “os cursos escolares de Arte não são os únicos lugares nem os únicos tempos disponíveis para as pessoas aprenderem saberes em arte.”. A que aspectos do ensino de arte podem-se relacionar as ideias do texto? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Arte e Educação 35 O Desenvolvimento expressivo da criança Expressão gráfica infantil. O significado da arte para a criança A evolução do desenho infantil. Fases do grafismo. Por que desenhar é importante? A imaginação criadora. 2 Arte e Educação 36 Nesta unidade vamos compreender como o processo de formação do conhecimento da arte pode se desenvolver desde a infância até os primórdios da adolescência. Através do desenho, a primeira forma de expressão gráfica, é possível compreender o significado da expressividade infantil. Você está convidado a participar dessas descobertas. Objetivos da unidade: Compreender o processo de desenvolvimento expressivo da criança. Caracterizar as diversas etapas evolutivas do grafismo infantil. Conhecer os aspectos que envolvem o processo de desenvolvimento da atividade imaginativa. Plano da unidade: Expressão gráfica infantil. O significado da arte para a criança A evolução do desenho infantil. Fases do grafismo. Por que desenhar é importante? A imaginação criadora. Bons estudos. Arte e Educação 37 Expressão gráfica infantil Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo, e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo... Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva e se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva... Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel, num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu... Aquarela. Toquinho, Vinicius de Moraes, M. Fabrizio e G. Morra. Ariola 1983 A expressão infantil ocorre naturalmente, tanto de forma verbal como corporal ou plástica. Ao observar o desenvolvimento expressivo de uma criança, percebemos que suas brincadeiras, seus desenhos e pinturas, seus gestos, seu contato e descoberta do mundo exterior vão acontecendo de forma contínua. Sensações e percepções vão sendo vivenciadas através do pensamento, da criatividade, da imaginação e dos sonhos. A vivência e o contato com outras crianças e adultos permite que a expressividade infantil se revele através de articulações internas e externas que vão dando forma ao repertório criativo constituído de elementos cognitivos e afetivos. elementos cognitivos: elementos relativos à aquisição do conhecimento Arte e Educação 38 É através do desenho, a primeira forma de expressão gráfica infantil, que a criança desenvolve uma linguagem própria, impregnada de significados. Essa linguagem universal presente em todas as culturas é revelada em pequenos gestos representados a partir de um elemento capaz de imprimir um registro gráfico; seja através de um lápis, caneta, ou até mesmo com os dedos sobre uma superfície (papel, ou outro material). Surgem linhas, rabiscos e mais tarde formas compreensíveis. Assim, a criança registra seus pensamentos e sentimentos, representa objetos significativos, reais ou imaginários. Expressando-se a criança amadurece a percepção motora e cerebral, além de desenvolver mecanismos biológicos e sensoriais. O desenho infantil estabelece uma relação entre a criança e sua expressividade, que possui seu próprio estilo de representação gráfica bem como sua própria maneira de expressão. É o que podemos perceber no texto abaixo: A criança se exprime naturalmente, tanto do ponto de vista verbal, como plástico ou corporal, e sempre motivada pelo desejo da descoberta e por suas fantasias. Ao acompanhar o desenvolvimento expressivo da criança percebe-se que ele resulta das elaborações das sensações, sentimentos e percepções vivenciadas intensamente. Por isso, quando ela desenha, pinta, dança e canta, o faz com vivacidade e muita emoção (FERRAZ, 1993, p. 55). A produção gráfica é para a criança um dos meios mais significativos de comunicação. De acordo com Read (2001) o desenho é uma atividade espontânea, é expressão e comunicação. O que não é dito verbalmente aparece nas situações concretas indicadas nos traços Arte e Educação 39 O significado da arte para a criança Lowenfeld e Brittain, na obra Desenvolvimento da capacidade criador a (1970), apresenta os motivos e a importância da expressão artística para o desenvolvimento das capacidades intelectuais das crianças e jovens. Sobre o significado da arte para as crianças, o autor considera que “a criança é um ser dinâmico; para ela, arte é uma comunicação de pensamento. Vê o mundo de forma diferente daquela como o representa e, enquanto desenvolve, sua expressão muda.” Segundo Lowenfeld e Brittain, a importância do grafismo da criança está no processo,ou seja, no seu pensamento, nos seus sentimentos, nas suas percepções, em suma, nas suas reações ao ambiente em que vive. Por isso, os professores muitas vezes empolgados com a produção infantil, são capazes de impor seus esquemas de cores, proporções e até a maneira de pintar. Ao professor cabe o papel de criar situações estimulantes para um desenvolvimento criativo, tendo em conta que cada criança desenvolve sua capacidade criadora, seus interesses e seus progressos nas linguagens da arte, individualmente, independente da relação com o “belo”. A evolução do desenho infantil O desenho como possibilidade de brincar, de falar e de registrar, marca o desenvolvimento cognitivo e intelectual da infância. Foi observando essas pequenas diferenças que psicólogos e pedagogos distinguiram algumas etapas da evolução gráfica, que são muito próximas em todas as crianças, podendo apresentar diferenças individuais devidas ao meio físico e social em que vivem. A partir dessas análises, observou-se que em todo o mundo, as crianças desenham as mesmas coisas, da mesma forma e na mesma idade. Em cada estágio o desenho assume características próprias. Arte e Educação 40 O surgimento do grafismo varia de criança para criança. Há um ritmo pessoal para a evolução do grafismo, porém características comuns nas representações gráficas de todas as crianças determinam fases regulares que podem ser estudadas. Segundo Lowenfeld e Brittain (1970), o estudo do grafismo é melhor compreendido através da análise de uma sequência de etapas porém, não se pode garantir que essas etapas ocorram em uma sequência estática, rígida, porque cada criança tem seu próprio ritmo, e assim, observamos que algumas se detêm mais em algumas fases, podendo também apresentar características de várias. É também possível encontrar grafismos que não apresentem características de nenhuma das fases estudadas; isso pode ocorrer devido ás influências sofridas pelo meio e até devido à personalidade da criança. Outro aspecto importante é não estabelecer uma relação imediata entre as diferentes fases e a idade cronológica, porque, assim como a idade mental não é igual para crianças com a mesma idade cronológica, a etapa individual de desenvolvimento gráfico só pode ser revelada pelos desenhos. O estudo do desenho ou grafismo infantil permite realizar testes mentais como o teste da árvore, da figura humana, da casa e de animais. Esses testes só devem ser aplicados ou analisados por psicólogos ou especialistas para atender a um objetivo específico. O professor, por meio dessas representações gráficas, pode situar a fase do desenvolvimento mental da criança com o objetivo de desenvolver sua criatividade. Sendo assim, os desenhos das crianças não devem ser associados a estados afetivos como tristeza, raiva, medo, alegria ou agressividade. O conhecimento do processo evolutivo do grafismo infantil é muito importante para o professor por que: - poderá saber o que cada criança é capaz de produzir em cada fase do desenvolvimento gráfico; - poderá situar a fase do desenvolvimento mental da criança; - terá condições para planejar as atividades artísticas adequadas á criança. Arte e Educação 41 Fases do grafismo Fase da Rabiscação O homem, desde a época das cavernas, ao manipular materiais e expressar-se graficamente através de gestos, cores, formas, espaços ou superfícies, teve a intenção de dar sentido a algo, de comunicar-se com os outros homens e até com animais deixando suas marcas nos espaços que ocupou. O estudo das fases da evolução gráfica infantil é uma atividade que deve ser realizada com cuidado, e para isso, é necessário a observação de vários desenhos de uma criança para que se possa concluir sobre a fase em que se encontra. Arte e Educação 42 - Fase da rabiscação: Arte e Educação 43 - Início da figuração Rabiscação É a primeira fase do desenvolvimento gráfico da criança. Pode iniciar entre um ano e meio e vai até os quatro anos aproximadamente. A criança demonstra extremo prazer nesta fase. A figura humana é inexistente ou pode aparecer da maneira imaginária. A cor tem um papel secundário, aparecendo o interesse pelo contraste, mas não há intenção consciente. A fase da rabiscação pode ser dividida em: • Rabiscação desordenada: São os primeiros traços da criança; o resultado de movimentos amplos e desordenados. É uma atividade instintiva que pode não ter significado para os adultos, porém a criança está desenvolvendo o tato, a musculatura ao segurar o lápis. São traços feitos em todas as direções e cada criança tem seu próprio ritmo ao manusear os materiais. Arte e Educação 44 • Rabiscação longitudinal: Quando a criança consegue estabelecer um controle sobre o que vê e o que faz. Os movimentos longitudinais são firmes e intencionais e a atividade é feita com prazer porque a criança percebe que está havendo uma relação entre os movimentos da mão e os resultados que surgem no papel. • Rabiscação celular ou circular: Nesse momento, a criança já tem maior controle sobre o que faz e inicia um novo processo: linhas circulares surgem e são incorporados aos outros rabiscos longitudinais e desordenados. O traçado toma mais vigor e formas circulares e enoveladas vão fazer parte desse universo. São avanços que comprovam a capacidade motora e visual de representação gráfica. • Rabiscação acompanhada de fabulação: Nessa fase a criança se comunica e fala sobre o que faz. Pode surgir aproximadamente entre os três e quatro anos e, ao mesmo tempo em que desenha, fala e conta histórias. Suas representações gráficas ainda não são reconhecíveis para os adultos. Aqui a expressão é o jogo simbólico: "eu represento sozinho". O símbolo já existe. A figura humana pode aparecer de maneira imaginária, a criança representa o pai, a mãe etc, de forma simbólica: um círculo para a cabeça e dois traços mais ou menos retilíneos para as pernas. A criança sente um grande prazer no que faz, porque percebe que seus traços têm alguma relação com o que está ao seu redor. Ela quer mostrar aos adultos e essa alegria é o resultado de suas conquistas e experiências. Seus rabiscos, seus símbolos são o nascimento da linguagem plástica, porque resultam do pensamento, da imaginação e dos desejos que vão tomando forma e significado. É importante observar: O espaço de representação gráfica da criança apresenta características que podem ser identificadas nas três primeiras etapas da rabiscação. Nessas etapas a representação do espaço é cinestésica, ou seja, motora. Na rabiscação acompanhada de fabulação o espaço é puramente imaginativo. Não há ordenação do espaço nessas etapas. Arte e Educação 45 . O uso da cor é feito sem uma intenção consciente, a criança pinta apenas por prazer, sem admitir significado às cores. Na rabiscação acompanhada de fabulação a criança emprega a cor para distinguir o significado dos rabiscos, porém não há relação com o objeto real que ela imagina representar. – Fase de início da figuração: Arte e Educação 46 – Fase de início da figuração: – Fase da figuração esquemática: Arte e Educação 47 Arte e Educação 48 . Início da figuração : Essa fase pode acontecer entre os quatro e sete anos aproximadamente. A criança dá continuidade a seus rabiscos, porém os traços vão se tornando identificáveis. Em sua evolução gráfica, constantes experimentações são feitas e seus signos vão alcançando um conceito definido de forma, como os que usa para representar a figura humana. São traços pessoais que a criança repete e vai enriquecendo com novas formas de representação. Nesta fase a criança desenha repetindo a mesma forma com poucas variações entre si, como se estivessem enfileiradas em uma linha imaginária.A cor, a forma e a proporção têm valor emocional. Por isso, determinadas representações são feitas em escalas diferentes: o que mais gosta, admira ou teme pode ser representado em dimensões maiores do que os outros elementos do desenho. O espaço é desordenado e a criança costuma falar sobre suas representações, relacionando-as com seu mundo real. Arte e Educação 49 . Figuração esquemática: Entre os sete e nove anos, nos desenhos das crianças surgem representações dos aspectos da realidade, do meio social do qual a criança faz parte: a família, a cidade, os transportes, os brinquedos, o espaço circundante. O espaço é representado de forma ordenada: uma linha para o chão, sobre a qual todos os elementos estarão desenhados; é a linha de base. Os desenhos da casa, árvore, veículos e pessoas estarão apoiados nessa linha. Na parte superior do papel a criança desenha o sol, nuvens, elementos que caracterizam o céu. Essa forma de representação é denominada oposição céu/solo onde todos os elementos do solo estão na parte inferior do papel – linha de base e os elementos do céu,na parte superior do papel. A representação humana apresenta um conceito definido de forma e os aspectos narrativos são registrados sob a forma de legendas em balões, como nas histórias em quadrinhos. Há também a necessidade de representar o interior dos objetos e para isso desenham as partes internas das casas, os móveis, as pessoas, o quarto – é a transparência. Nesse momento, a criança quer representar suas experiências com clareza e usa o recurso do rebatimento; podem surgir desenhos de pessoas, casas e árvores como se estivessem deitadas no plano. Quanto ao emprego da cor, seu uso está relacionado com a realidade. Podemos observar que: Há um esquema de espaço – uso do espaço ordenado com a presença da linha de base; oposição céu-solo. Há um esquema de cor - emprego da cor relacionada à realidade exterior: o céu é azul, as árvores são verdes. Porém podem ser atribuídos significados afetivos aos objetos e seres. Há um esquema de forma – geralmente a forma é representada geometrizada, com esquemas definidos que se repetem. A figura humana, de preferência, é representada de frente. O desenho de perfil inicialmente com cabeça de perfil e corpo de frente e depois, os pés e mãos, por último o tronco gira e assim a figura evolui para uma representação total de perfil, indicando o movimento e a direção. Arte e Educação 50 Todos esses esquemas indicam a evolução e amadurecimento da percepção da criança, tanto visual como motora, que vão sendo expressos em sua linguagem plástica. Também podemos perceber que a criança representa através de um esquema lógico, ou seja, ela representa o que sabe dos objetos – é um realismo lógico. . Figuração realista: Nessa fase, que pode iniciar aos 10 anos, a criança desenha o que vê, com detalhes; é denominada também de realismo visual. A linha de contorno dos objetos ganha detalhes que se aproximam do natural, tanto na forma, como na cor. A proporção entre os elementos é ajustada e a criança consegue até representar a profundidade da cena. A linha de base da fase esquemática desaparece, e os elementos são representados sobre um espaço que indica os planos do solo e do céu. Utiliza o recurso de desenhar o que está na frente em dimensão maior, daquele que se distancia, buscando a profundidade. Algumas partes são encobertas, não utilizando o recurso da transparência. O uso da cor adquire características mais refinadas, com uso de tonalidades, claro-escuro. Representa as texturas dos objetos dos animais, o relevo das montanhas, enfim, alcança um amadurecimento em sua expressão gráfica. Na figura humana as características sexuais são exageradas, com a presença das articulações e proporções e representação acentuada da expressão: tristeza, alegria, raiva. Realismo lógico: entender como raciocínio encadeado, com ligação de ideias coerentes com a realidade. Arte e Educação 51 - Figuração realista Arte e Educação 52 Arte e Educação 53 - Fase da figuração realista Na adolescência, que pode ter início entre os 12 e 14 anos, o jovem vive um momento de questionamento e construção de sua própria identidade. As opiniões dos adultos, as pressões externas o olhar crítico e pessoal sobre as suas produções vão desencadear um processo conflituoso. As produções podem sofrer alternâncias entre o prazer de manejar e explorar as linguagens artísticas e o medo de se expor. Arte e Educação 54 Podemos observar que: Na procura por uma forma de expressão pessoal, há uma predominância pelas representações abstratas, denominadas de doodles, rabiscos sem sentido. Essas representações gráficas vão aparecer nas paredes, nos cadernos, nas carteiras, nas ruas, enfim, em todos os espaços de convivência entre os jovens. A partir dessa fase, as crianças que são estimuladas podem evoluir e alcançar uma forma de representação gráfica que as satisfaça, sentindo-se orgulhosas de seus trabalhos. Porém, pode ocorrer que, com a falta de contato constante com materiais e pessoas que lhe estimule, o jovem se sinta inseguro e pare de desenhar. Essa fase é reconhecida por alguns estudiosos como “Fase da repressão” – o desenho pode regredir à fase da figuração esquemática; o jovem sente vergonha de suas produções e quando é necessário representar algo, recorre às cópias de figuras e elementos estereotipados . (desenhos realizados através de cópias, reproduzidos com o auxílio de papel transparente ou outros métodos). Nessa última etapa, mais próxima da adolescência, aparecem as construções tendendo para as formas ilusórias e naturalistas, com proporcionalidade, utilizando métodos de representação espacial e perspectiva. É neste momento também que o jovem começa a demonstrar um desinteresse pelo desenho, e a se voltar para outras manifestações artísticas. (FERRAZ e FUSARI , 1993, p. 78). Arte e Educação 55 É importante que o jovem se reencontre em seu processo expressivo. Para tanto, é necessário que haja uma conscientização por parte dos professores e um esforço no sentido de oferecer um ensino de arte instigante e voltado para o aprendiz. Encerramos assim as considerações sobre o estudo da evolução gráfica, conscientes de não termos esgotado esse assunto, porém o esboço apresentado pode servir como referência para a compreensão e valorização do grafismo infantil como elemento de suporte às ações pedagógicas realizadas em sala de aula. Por que desenhar é importante? O que pode valorizar a atividade criadora é um constante trabalho com o desenvolvimento da observação, percepção e imaginação. A ação de desenhar na infância reúne vários elementos que podem ser sintetizados nos aspectos motor, perceptivo e de representação. Os estímulos adequados e a prática do grafismo impulsionam a sua evolução. Cada criança tem seu próprio ritmo e algumas podem se detêm mais em outras fases. Ao desenhar, a criança expressa sentimentos, emoções que, nem sempre conseguiria através da linguagem oral. Visto assim, como uma linguagem de expressão, o grafismo permite que o professor analise e observe a criança de forma natural, através dos gestos, traços, formas e cores. Motivar a criança para que se expresse graficamente com frequência, é incentivar a multiplicidade de expressões. O professor que atua junto à criança, precisa estar atento ao desenvolvimento da sensibilidade e da imaginação, o que contribuirá não apenas para o desenvolvimento do grafismo, mas para a educação integral do seu aluno. Arte e Educação 56 O melhor procedimento para o desenvolvimento da sensibilidade, da observação, da percepção, da imaginação, do senso de análise e crítica da criança ou do jovem, é levá-los a interagir em um ambientenatural, ou seja, em contato direto com a natureza. Essa ação permite enriquecer todos os campos de experiências sensoriais, afetivas e sociais e também prepara para futuras representações gráficas. A imaginação criadora “A criação do novo não é conquista do intelecto, mas do instinto de prazer agindo por uma necessidade interior. A mente criativa brinca com os objetos que ama.”. (NACHMANIVICTH, 1993, p.49) Arte e Educação 57 A improvisação, a composição, a literatura, a pintura, o teatro, a invenção, todos os atos criativos são formas de divertimento, o ponto de partida da criatividade no ciclo de desenvolvimento humano é uma das funções básicas. Sem o divertimento, o aprendizado e a evolução são impossíveis. O trabalho criativo é divertimento; é a livre expressão dos materiais que cada um escolheu. A mente criativa brinca com os objetos que ama. O pintor brinca com a cor e o espaço. O músico brinca com o som e o silêncio. As crianças brincam com qualquer coisa em que possam pôr as mãos. A expressão criadora é a expressão natural da singularidade individual. É a maneira pessoal do indivíduo devolver ao exterior as impressões que capta do meio. A criação infantil não é o resultado da influência do professor com seus sentimentos, pensamentos e emoções. O importante no trabalho com crianças é estimular os sentidos e a imaginação, porque eles conduzem à aprendizagem. A atividade imaginativa necessita ser entendida como uma atividade criadora por excelência pois é o resultado das experiências vivenciadas no mundo real. A imaginação é constituída da relação entre novas ideias, imagens e conceitos que vão sendo formados na relação entre fantasia e mundo real. A compreensão do sentido de “imaginação criadora” não pode deixar de considerar os aspectos que interferem diretamente nessa ação: as diferenças bio- psiquico-social (biológicas, psíquicas e sociais) da criança e do jovem. O estudo das fases do desenvolvimento da criança e sua evolução na representação gráfica, nos dão a dimensão da complexidade desse estudo. Conhecer os aspectos que envolvem o processo de desenvolvimento da atividade imaginativa nos leva a questionar porque a criança, em seus primeiro anos de vida, demonstra com mais evidência sua expontaneidade expressiva do que na fase da adolescência. O que acontece com o processo educativo dessas crianças, que, aos poucos vai perdendo o interesse em expressar-se criativamente? É importante refletir sobre como a escola está valorizando o desenvolvimento da criatividade, como é o processo de construção do conhecimento. Uma educação que prioriza a transmissão de informações através de atividades mecanicistas, pouco reflexivas e questionadoras, certamente estará contribuindo para que as crianças e jovens tenham um potencial criativo muito limitado. Arte e Educação 58 Para as crianças e jovens desenvolverem-se com liberdade para expressar-se, é necessário que nas escolas a arte também seja importante. Mais do que isso, é preciso compreender que todo ser humano tem direito ao acesso a essa área do conhecimento. Para melhor entender isso, vamos recorrer aos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN de Arte: São características desse novo marco curricular as reinvindicações de identificar a área por arte (e não mais por educação artística) e de incluí-la na estrutura curricular como área de conteúdos próprios ligados á cultura artística, e não apenas como atividade(1998,p.20). O trabalho de estimular e valorizar a atividade criadora não pode ser confundido com atividades de lazer, terapia, decoração de murais, pintura de desenhos mimeografados, trabalhinhos para atividades comemorativas como Dia das Mães, Páscoa, Natal. Essas atividades não são capazes de tratar o ensino de arte como conhecimento. O conhecimento artístico, como experiência estética direta com a obra de arte, pode ser progressivamente enriquecido e transformado pela ação de outra modalidade de conhecimento, gerado quando se pesquisa e contextualiza o campo artístico como atividade humana. Para tanto, é necessário que seja desenvolvido por profissionais formados em arte, capacitados para realizar um trabalho comprometido com os três campos conceituais descritos nos PCN – Arte. Tal conhecimento delimita o fenômeno artístico conforme descrito no PCN: Como produto e agente de culturas e tempos históricos; Como construção formal, material e técnica na qual podem ser identificados os elementos que compõem os trabalhos artísticos e os princípios que regem sua combinação; Como construção poética. (Ibid., p.36) Arte e Educação 59 Em síntese, considerando-se a arte como conhecimento, é função da escola introduzir os alunos na compreensão dessas questões, em cada nível de desenvolvimento, para que sua produção artística possa se enriquecer. A aprendizagem da arte envolve distintos campos de experiência para abranger o conhecimento artístico: A experiência de fazer formas artísticas incluindo tudo que entra em jogo nessa ação criadora: recursos pessoais, habilidades, pesquisa de materiais e técnicas, a relação entre perceber, imaginar e realizar um trabalho de arte. (idem). Assim é a arte em todo seu contexto. Pensar o ensino de arte é também pensar o processo de poetizar, fruir e conhecer arte. Poetizar - no sentido de se encantar com tudo que nos rodeia ser capaz de se emocionar, criar, imaginar, fantasiar. Fruir - é deleitar-se; envolver-se com o momento da descoberta como se fosse único e todo seu, a única possibilidade de prazer e encantamento. Conhecer - é vislumbrar, dar sentido e significado a tudo. Saber e conhecer o porquê das descobertas, das vivências, das experiências, da evolução, do progresso, da transcendência (das coisas que estão acima das ideias e conhecimentos racionais). O ensino de arte pode então ser visto como uma forma de pensar na leitura e produção da linguagem da arte, isto é, um modo único de despertar a consciência e novos modos de sensibilidade, emoção, medos, conhecimentos e descobertas. Nessa unidade você aprendeu que: A compreensão do processo de desenvolvimento expressivo da criança está diretamente ligada à forma, a observação, a percepção e a imaginação que são estimuladas e trabalhadas no ambiente de aprendizagem. Arte e Educação 60 O conhecimento e estudo das etapas evolutivas do grafismo infantil podem auxiliar o professor a enriquecer todos os campos de experiências sensoriais, afetivas e sociais das crianças, e também prepará-las para uma efetiva educação integral. O ensino de arte na escola é fundamental para o processo de amadurecimento da criatividade infantil e não pode ser desvinculado de atividades com caráter lúdico e de jogos. É importante estimular os sentidos e a imaginação porque eles conduzem à aprendizagem. A articulação com as áreas próprias dos conteúdos de arte é fundamental para que o professor possa intermediar os conhecimentos capazes de incentivar a construção de habilidades de ver, ouvir, observar, sentir, imaginar e fazer. Conhecer arte é um direito de todos. LEITURA COMPLEMENTAR Faça leituras complementares. Ler obras originais enriquece o repertório cultural e amplia o conhecimento sobre o estudo que estamos realizando. Veja as leituras sugeridas para essa unidade: BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo. Perspectiva, 1999. _________________. Teoria e prática da educação artística. São Paulo, Cultrix, 1975. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF, 1998. FERRAZ Maria Heloisa & FUSARI, Maria F. Metodologia do ensino de arte. São Paulo, Cortez, 1993. HÉRNANDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho . Porto Alegre: ArtesMédicas Sul, 2000. Arte e Educação 61 MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE Gisa; GUERRA M. Terezinha Telles. Didática do ensino de arte: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo. FTD, 1998. NACHMANOVITCH, Stephen. Ser criativo – o poder da improvisação na vida e na arte. São Paulo. Summus,1993. É hora de se avaliar Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! Agora, acreditamos que você está melhor preparado para compreender que a arte é um conhecimento que permite a aproximação entre indivíduos, que a cultura visual, é o resultado das representações visuais que o homem é capaz de construir. Esse é o tema da nossa próxima unidade: cultura visual. Arte e Educação 62 Arte e Educação 63 Exercícios –Unidade 2 1- Leia as frases abaixo e assinale a alternativa mais adequada: A primeira forma de expressão gráfica infantil é realizada através do desenho.Este por sua vez: I – desenvolve os esquemas naturais de representação geometrizada. II – desenvolve uma linguagem própria, impregnada de significados. III - registra seus pensamentos e sentimentos ao representar objetos significativos, reais ou imaginários. IV – registram todas as suas emoções, suas tristezas e alegrias, dando condições ao professor de realizar uma análise precisa de sua personalidade. a) estão corretas: I, II e III. b) estão corretas: II e III. c) estão corretas: III e IV. d) estão erradas: II e IV. e) estão erradas: II, III e IV. 2- O surgimento do grafismo varia de criança para criança. Há um ritmo pessoal para a evolução do grafismo, porém características comuns nas representações gráficas de todas as crianças determinam fases regulares. Assinale a alternativa que identifica corretamente as fases estudadas. a) rabiscação, figuração esquemática e figuração realista. b) figuração infantil, figuração realista e representação gráfica na adolescência. c) rabiscação desordenada, figuração esquemática e realista. d) rabiscação, figuração e representação gráfica na adolescência. e) rabiscação desordenada, celular e localizada, figuração natural. Arte e Educação 64 3- Leia o texto a seguir: O espaço é representado de forma ordenada: uma linha para o chão, sobre a qual todos os elementos estarão desenhados; é a linha de base. Os desenhos da casa, árvore, veículos e pessoas estão apoiados nessa linha. Na parte superior do papel a criança desenha o sol, nuvens, elementos que caracterizam o céu. A fase do grafismo que apresenta essas características é denominada: a) Figuração esquemática. b) Figuração realista. c) Estilo figurativo. d) Desenho esquemático. e) Fase dos rabiscos ordenados. 4- Leia as sentenças a seguir e classifique-as como (V) verdadeiras ou (F) falsas. I - Na fase inicial da rabiscação a forma é representada geometrizada, com esquemas definidos que se repetem. A figura humana, de preferência, é representada de frente. ( ) II–Nas três primeiras etapas da rabiscação a representação do espaço é cinestésica, ou seja, motora. ( ) III–Na rabiscação ,acompanhada de fabulação ,a criança emprega a cor para distinguir o significado dos rabiscos, porém não há relação com o objeto real que ela imagina representar. ( ) IV–O uso da cor na fase da rabiscação adquire características mais refinadas, com uso de tonalidades, claro-escuro. Representa as texturas dos objetos, dos animais, o relevo das montanhas, enfim, alcança um amadurecimento em sua expressão gráfica. ( ) Arte e Educação 65 Marque a alternativa com a sequência correta: a) V, V, F, F b) F, V, F, F c) F, V, V, F d) V, V, V, F e) V, V, F, V 5 – Marque a alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase abaixo : Alguns estudiosos denominam a última etapa do desenvolvimento do grafismo como __________________ nesse momento, nas construções predominam as formas ilusórias e naturalistas, com proporcionalidade, utilizam métodos de representação ________________. O grafismo pode regredir à fase da figuração esquemática; o jovem sente vergonha de suas produções e quando é necessário representar algo, recorre às cópias de figuras e _______________ a) fase realista – imaginária – imagens criativas. b) fase da repressão – cartográfico – objetos tridimensionais c) fase da interpretação – do mundo real - elementos estereotipados. d) fase do pré-realismo - espacial e perspectiva – elementos repressivos. e) fase da repressão - espacial e perspectiva - elementos estereotipados. 6- Leia e assinale a afirmativa correta que dá sentido ao texto a seguir: O trabalho de estimular e valorizar a atividade criadora não pode ser confundido com atividades de lazer, terapia, decoração de murais, pintura de desenhos mimeografados e trabalhinhos para atividades comemorativas. Arte e Educação 66 a) Essas atividades não são capazes de tratar o ensino de arte como conhecimento. b) Essas atividades permitem que o ensino de arte seja tratado como objeto do conhecimento. c) Os trabalhos realizados na escola nunca estão relacionados à construção do conhecimento em arte. d) Os trabalhos realizados como valorizações da atividade criadora devem estar relacionados ao lazer e à terapia, porque este é o objetivo principal do ensino de arte na escola. e) Não se devem realizar propostas nas escolas que estejam voltadas ao desenvolvimento da capacidade criadora, porque os alunos devem ser orientados através de regras para formação de atitudes. 7- Identifique as opções corretas e escolha a alternativa adequada à questão: Segundo o PCN-Arte, para que as crianças e jovens se desenvolvam com liberdade para se expressar, é necessário: I - que nas escolas a arte também seja importante. II - é preciso compreender que todo ser humano tem direito ao acesso a essa área do conhecimento. III – identificar a área por arte (e não mais por educação artística) IV- incluí-la na estrutura curricular como área de conteúdos próprios ligados á cultura artística, e não apenas como atividade. V- priorizar a transmissão de informações através de atividades mecanicistas, pouco reflexivas e questionadoras. Arte e Educação 67 a) todas as alternativas estão corretas b) I, II, III e IV c) II, III e V d) I, II, e IV e) I, II, IV e V 8- A ação de desenhar na infância pode valorizar a atividade criadora: a) Porque os desenhos e pinturas de formas impressas permitem o desenvolvimento dos aspectos cognitivos e lógicos, necessários à expressão dos conhecimentos de arte. b) Com o sentido de realizar testes mentais como o teste da árvore, da figura humana, da casa, de animais. c) A atividade criadora na infância não é iniciada pela produção de desenhos, mas sim através de um constante trabalho de exercícios de “cobrir e pintar desenhos”. d) Através de um constante trabalho com o desenvolvimento da observação, percepção e imaginação. e) Não se pode incentivar a atividade criadora em crianças, isso só acontece com os que nascem com “dom” artístico. 9 - Considerando a arte como conhecimento, é função da escola introduzir os alunos na compreensão das questões de poetizar, fruir e conhecer arte. Descreva esses processos. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________Arte e Educação 68 10 – O que se entende por expressão criadora? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Arte e Educação 69 Educação para a compreensão da cultura visual 3 Ensino de arte: do tradicional ao contemporâneo. Conhecimento artístico: articulação de sentidos. Arte e temas transversais. Cultura visual Currículo e cultura visual. O que vem a ser arte-educação? O arte-educador ensina? Arte e Educação 70 Os elementos da cultura visual, que estão presentes nas representações que o homem é capaz de produzir, necessitam de um estudo cuidadoso para que os professores se habilitem e trabalhem com os “códigos” da linguagem visual. Objetivos da unidade: Compreender que a cultura visual é o resultado das representações visuais que o homem é capaz de construir e necessita ser explorado e levado para a sala de aula, tornando-a parte das experiências e práticas cotidianas dos estudantes. Desenvolver estratégias que possibilitem o exercício efetivo da “arte- educação” como fonte facilitadora da compreensão da cultura visual no espaço educacional. Plano da unidade: Ensino de arte: do tradicional ao contemporâneo. Conhecimento artístico: articulação de sentidos. Arte e temas transversais. Cultura visual Currículo e cultura visual. O que vem a ser arte-educação? O arte-educador ensina? Bons estudos. Arte e Educação 71 Ensino de arte: do tradicional ao contemporâneo Até o século XIX, o ensino de arte baseava-se na imitação e cópia. Isso acontecia porque acreditava-se que todo ser humano, ao nascer, era como uma tábua rasa e ao longo de seu desenvolvimento os conhecimentos e informações eram transmitidos pela educação e instrução. Assim, os estudantes de arte não questionavam o uso da imagem e também não se importavam com a apreciação e compreensão delas sendo utilizadas como mera ilustração dos textos, geralmente com conteúdo moral ou patriota. Com a Escola Nova, corrente educacional que direcionou a metodologia de ensino-aprendizagem no Brasil nos anos 30, começou-se a questionar alguns aspectos do ensino de arte. Nessa época, o uso de imagens não era considerado benéfico para o ensino de arte e assim, o uso de modelos e cópias foi banido dando lugar às ideias de livre-expressão; a arte não podia ser ensinada, mas sim expressada. Após o período do Modernismo durante a década de 60, severas críticas foram feitas à livre-expressão, pois não preparava as crianças para a compreensão do universo visual à sua volta e nem para a compreensão do objeto artístico. Importante O Modernismo no Brasil, movimento que iniciou em 1922, do qual participaram vários artistas plásticos e da literatura. Na década de 60, sua influência começa a diminuir sobre a produção de arte brasileira. Assim, durante o período do tecnicismo, a imagem continuou fora das aulas de arte. Nas escolas brasileiras predominava o ensino de desenho geométrico e não havia ligação com o universo dos conhecimentos de arte. Arte e Educação 72 Com a formação das escolinhas de Arte, por volta de 1980, começa-se a questionar a situação da educação artística como disciplina. Os professores, agora arte-educadores, retornam com a imagem para suas aulas, explorando a apreciação estética. Assim com embasamento no construtivismo estabelece-se uma inter-relação entre arte, educação e sociedade. Em 1990, o objetivo do ensino de arte passa a ser a formação estética. A Lei de Diretrizes e Bases (no. 9394/96) e os Parâmetros Curriculares Nacionais, permitem aos professores maior credibilidade para implementar em suas aulas as atuais discussões sobre arte-educação. Mesmo assim, após um tempo considerável de livre expressão em arte, muitos professores ainda continuam adotando estas práticas, sentindo-se inseguros para trabalharem com uma abordagem de desenvolvimento da análise crítica da arte. É necessário que os professores se habilitem e trabalhem com os “códigos” da linguagem visual. Conhecimento artístico: articulação de sentidos A arte é um conhecimento que permite a aproximação entre indivíduos, mesmo os de culturas distintas, pois favorece a percepção de semelhanças e diferenças entre as culturas expressas nos produtos artísticos e concepções estéticas, em um plano diferenciado da informação discursiva. Ao observar uma dança indígena, um estudante morador da cidade estabelece um contato com o índio que pode revelar mais sobre o valor e a extensão de seu universo do que apenas uma explanação sobre os ritos nas comunidades indígenas. E vice-versa. (PCN-ARTE, 1998, p.35) Apreciação estética: ação de criticar e analisar as formas artísticas Arte e Educação 73 Nessa perspectiva, a arte na escola tem uma função importante a cumprir. Ela situa o fazer artístico dos alunos como fato humanizador, cultural e histórico, no qual as características da arte podem ser percebidas nos pontos de interação entre o fazer artístico dos alunos e o fazer dos artistas de todos os tempos, que sempre inauguram formas de tornar presente o inexistente. Não se trata de copiar a realidade ou a obra de arte, mas sim de gerar e construir sentidos. Cada obra de arte é, ao mesmo tempo, produto cultural de uma determinada época e criação singular da imaginação humana, cujo sentido é construído pelos indivíduos a partir de sua experiência. No convívio com o universo da arte, os alunos podem enfim conhecer: o fazer artístico como experiência poética (a técnica e o fazer como articulação de significados e experimentação de materiais, suportes e instrumentações variados); o fazer artístico como desenvolvimento de potencialidades: percepção, intuição, reflexão, investigação, sensibilidade, imaginação, curiosidade e flexibilidade; o fazer artístico como experiência de comunicação humana e de interações no grupo, na comunidade, na localidade e nas culturas; a obra artística como forma sígnica (sua estrutura e organização); a obra de arte como produção cultural (documento do imaginário humano, sua historicidade e sua diversidade). Sígnica :simbólico, arte entendida através da significação das formas, dos vários significados que podem ser atribuídos a uma obra, objeto, etc Arte e Educação 74 Arte e temas transversais Os temas transversais propostos pelo PCN – Arte (1998) permitem que professores, e alunos através dos conhecimentos de arte, exercitem a construção de uma cidadania ativa, na medida em que a escola abrace e reconheça a importância do trabalho realizado com esse objetivo e com esse esforço. As manifestações artísticas são exemplos vivos da diversidade cultural dos povos e expressam a riqueza criadora dos artistas de todos os tempos e lugares. Em contato com essas produções, o estudante pode exercitar suas capacidades cognitivas, sensitivas, afetivas e imaginativas, organizadas em torno da aprendizagem artística e estética. Ao mesmo tempo, seu corpo se movimenta, suas mãos e olhos adquirem habilidades, o ouvido e a palavra se aprimoram, quando desenvolve atividades em que relações interpessoais perpassam o convívio social o tempo todo. Muitos trabalhos de arte expressam questões humanas fundamentais:falam de problemas sociais e políticos, de relações humanas, de sonhos, medos, perguntas e inquietações de artistas,documentam fatos históricos, manifestações culturais particulares e assim por diante. Nesse sentido, podem contribuir para a contextualização dos Temas Transversais, propiciando uma aprendizagem alicerçada pelo testemunho vivo de seres humanos que transformaram tais questões em produtos de arte. (Ibid.,p.37) A área de arte contribui, portanto, para ampliar o entendimento e a atuação dos alunos ante os problemas vitais que estão presentes na sociedade de nossos dias. Arte e Educação 75 Tais problemas referem-se às ações de todas as pessoas para garantir a efetivação de uma cidadania ativa e participante na complexa construção de uma sociedade democrática que envolve, entre outras, as práticas artísticas. “A arte na escola constitui uma possibilidade para os alunos exercitarem suas corresponsabilidades pelos destinos de uma vida cultural individual e coletiva mais digna, sem exclusão de pessoas por preconceitos de qualquer ordem”. (Ibid.,p.38) Cultura visual O ensino de arte se torna mais abrangente quando utiliza representações visuais, pois elas permitem a aprendizagem de tudo o que os textos escritos não conseguem revelar. Com base nisso, alguns pesquisadores norte-americanos, nos anos 1990, passaram a estudar a ligação da Arte com a Antropologia. Esses estudos ganharam o nome de cultura visual e hoje envolvem também arquitetura, sociologia, psicologia, filosofia, estética, semiótica, religião e história. Fernando Hernandez é hoje um dos principais pesquisadores desse assunto. Ele destaca que estamos imersos numa avalanche de imagens e que é preciso aprender a lê-las e interpretá-las para compreender e dar sentido ao mundo em que vivemos. Assim, crianças e adolescentes serão capazes de analisar os significados da imagem, os motivos que levaram à sua realização, como se insere na cultura da época, como é consumida pela sociedade e as técnicas utilizadas pelo autor. Na escola, isso significa que o ensino de arte ganha uma perspectiva mais profunda. De conhecedor de artistas e estilos, o aluno passa a ser leitor, intérprete e crítico de todas as imagens presentes em seu cotidiano. (PAOLA. Revista Nova Escola, Abril 2003.p.45). Arte e Educação 76 IMPORTANTE Fernando Hernandez é doutor em Psicologia e professor de História da Educação Artística e Psicologia da Arte na Universidade de Barcelona. Nasceu em 1952. Despertar o olhar curioso dos alunos para desvendar, questionar e produzir sentido frente à avalanche de imagens que fazem parte do universo visual é o grande desafio do momento. Imagine que, ao sair de casa, seu olhar é provocado por diversos elementos: da natureza: árvores, flores, pássaros, mar, rio, de propaganda, outdoors, televisão, internet, video-clips, revistas, jornais, pichações, modelos diversos de veículos, construções urbanas. Não tem como ficar alheio a tudo isso. São registros visuais que vão ficando em nossa mente, desde o modo de se vestir, pentear o cabelo, usar acessórios no corpo, marcá-lo com tatuagens, enfim, todos esses elementos fazem parte do que chamamos de cultura visual. Esse novo campo de estudo – a cultura visual, é o resultado das representações visuais que o homem é capaz de construir. Necessita ser explorado e levado para a sala de aula, tornando-o parte das experiências e práticas cotidianas dos estudantes. Ao tomar consciência desse modo de interpretar a cultura de sua época, de tomar contato com a de outros povos, de conhecer melhor a sociedade em que vive, o aluno terá condições para descobrir as próprias concepções e emoções ao apreciar uma imagem. Para tanto, cabe ao professor desenvolver um trabalho constante de “alfabetização visual”, uma prática que tem muito a ensinar a abrir possibilidades às crianças e jovens para compreender, saber criticar e saber fazer escolhas conscientes. Em muitas universidades, os departamentos de história da arte foram rebatizados como de “cultura visual” com o objetivo de atender as mudanças do mundo. Arte e Educação 77 (...) aborda-se como objeto de estudo e pesquisa “artefatos” como os anúncios, os objetos de desenho, a moda, os filmes, os grafitti, as fotografias, as apresentações de rock/pop, a televisão, a realidade virtual, as redes, as imagens digitais, além das artes tradicionais como a pintura, a arquitetura ou a escultura (HERNANDEZ 2000, p. 136). O autor, em relação a essa multiplicidade e variedade de artefatos, ressalta que não devemos deixar de nos colocar “de sobreaviso diante da tentação de homogeneidade e do vale-tudo (...) cada manifestação cultural, cada arte e cada meio tem algumas características e uma história, e, atualmente a cultura é cada vez mais híbrida” (HERNANDEZ, 2000, loc. cit.).No sentido de uma cultura mestiça, que sofre muitas influências o que permite uma imprecisão na identificação dos novos “objetos” da cultura visual. Considerando o que foi dito até aqui sobre educação para compreensão da cultura visual, o mais importante é garantir que esse estudo esteja presente em todas as áreas do currículo. Que se possa explorar como o quanto cada indivíduo constrói da realidade, respeitando suas características sociais, culturais e históricas. Pensando assim, é possível entender que, diante da cultura visual, não há receptores nem leitores, mas construtores e intérpretes na medida em que a apropriação não é passiva nem dependente, mas interativa e de acordo com as experiências que cada indivíduo tenha vivenciado fora da escola. Nesse sentido, a cultura visual tem uma importância expressiva: ser uma ponte entre os campos de saberes ao permitir conectar e relacionar para compreender e aprender. Assim, transferir o universo visual de fora da escola (do aparelho de vídeo, dos videoclipes, das capas de CD, da publicidade, até a moda e o ciberespaço, etc) através da aprendizagem e de estratégias para decodificá-lo, reinterpretá-lo e transformá-lo na escola. Arte e Educação 78 Currículo e cultura visual Para a organização de um currículo, devemos considerar que não se pode propor uma maneira única de organização do conhecimento, visto que não há uma regra universal que dê conta dessa ordenação. Então, precisamos levar em consideração as mudanças da sociedade atual e também mudanças que permeiam as decisões sobre o quê ensinar e como ensinar. Diante disso, enumeramos algumas dessas mudanças que afetam a vida das pessoas na atualidade: A expansão cada vez mais global, da informação e das fontes de conhecimento; As mudanças crescentes no mundo e nas formas de entendê-lo, devido à compreensão das tecnologias do espaço e do tempo, o que supõe uma ameaça á estabilidade e permanência de nosso conhecimento, tornando-os frágeis e provisórios. O contato crescente entre indivíduos, crenças e culturas devido às migrações e às facilidades para as viagens. A relação mais forte e interativa entre pesquisa e desenvolvimento social devido à rapidez das comunicações e à reorientação e desenvolvimento constante do conhecimento (Ibid., p. 137) Sabemos que essas mudanças têm afetado sobremaneira a forma de ensinar e aprender nas escolas. Um desafio que os professores têm que enfrentar em sala de aula é comprometerem-se com as imagens e com a tecnologia do mundo pós- modernos sem rejeitar a análise cultural, o juízo moral e a reflexão que essas imagens ameaçam implantar na atualidade. Arte e Educação 79 Com intenção de dar conta desses desafios, apresentamos algumas estratégias para compreensão dos elementos da cultura visual, que podem ser trabalhados pelos professores com seus alunos.Segundo Hernandez (2000) essas estratégias podem ser: - Descritivas – o que vemos,o que representa e o que representamos. - Analíticas – que componentes ou elementos configuram o processo de representação? - Interpretativas – dizem respeito à produção de significados relacionados com outras imagens e disciplinas vinculadas à cultura visual. - Críticas – são estratégias formuladas a partir da valorização fundamentada pelas próprias produções e pela dos outros. Essas críticas são baseadas em argumentos fundamentados com a finalidade de formular novos problemas e possibilidades de representação e interpretação. A partir do que foi explicado, é possível elaborar um currículo de educação para a compreensão da cultura visual respondendo às seguintes perguntas: Que tipo de relações podem ser estabelecidas entre essas manifestações, seus significados e a cultura? Como os significados culturais podem ser mediados através de diferentes representações gráficas? (desde as ilustrações dos denominados livros infantis às páginas da Web) Arte e Educação 80 Para tentar responder a essas questões segundo Hernandez (2000, p.14) - currículo de educação para a compreensão da cultura visual aborde as imagens como representações sociais: - Transdisciplinar mente. - Baseando-se nas características evolutivas, sociais e culturais dos estudantes; - estabelecendo conexões interculturais; - partindo de uma posição social crítica. Sendo assim, apresentamos algumas características que podem ajudar o professor na escolha dessas representações: 1 - Ser inquietantes. 2 - Estar relacionadas com valores compartilhados em diferentes culturas. 3 - Refletir as vozes da comunidade. 4 - Estar abertas a múltiplas interpretações. 5 - Referir-se às vidas das pessoas. 6 - Expressar valores estéticos. 7 - Fazer com que o expectador pense. 8 - Não ser herméticas. 9 - Não ser apenas a expressão do narcisismo do artista. 10 - Olhar para o futuro. 11-Não estar obcecadas pela ideia de novidade. (Idib.p.138). Arte e Educação 81 Com essa proposta, é possível desenvolver um trabalho com os estudantes através de obras de arte contemporânea, imagens publicitárias, representações virtuais e outras representações da cultura popular. São estratégias que permitem ao professor agir em sala de aula valorizando os elementos da cultura visual da comunidade com a qual está atuando sem deixar de lado o conhecimento dos conteúdos de arte necessários à formação integral do aluno. O que vem a ser Arte-Educação? O conhecimento nas artes visuais se organiza inter-relacionando o fazer artístico, a apreciação da arte e sua história. Nenhuma das três áreas sozinha corresponde à epistemologia da arte. O conhecimento em arte se dá na interseção da experimentação, da decodificação e da informação. Epistemologia – é o ramo da filosofia que estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento, também designada por filosofia do conhecimento. Arte e Educação 82 Para entender o significado dessa expressão que vem sendo apresentada desde o início de nosso estudo recorreremos a seguinte definição: “Arte-educação é uma certa epistemologia da arte como pressuposto e como meio são os modos de inter-relacionamento entre a arte e o público, ou melhor, a intermediação entre o objeto de arte e o apreciador.” (BARBOSA,1999, p. 31) A autora nos apresenta uma distinção entre: - arte-educação como investigação dos modos pelos quais se aprende arte – que se refere aos procedimentos de aprendizagem em arte; - arte-educação como facilitadora entre a arte e o público – que pode ser entendida como elemento de mediação entre o objeto de estudo da arte e o apreciador. Arte e Educação 83 Ressalta a autora que os dois aspectos não podem ser separados, que deve haver uma inter-relação entre história da arte, leitura da obra de arte e fazer artístico. A aprendizagem em arte está assim diretamente vinculada ao fazer consciente e informado. Toda proposta que pretende estar dentro dos parâmetros da arte- educação deve estar assim estruturada. Como já foi dito, o ensino de arte na escola, não tem como objetivo formar artistas, mas principalmente formar o conhecedor, fruidor, decodificador da obra de arte. Para que uma sociedade seja capaz de compreender uma produção de arte de qualidade, é necessário que o público seja capaz de entender essa produção. Em nosso país encontramos uma disparidade ao constatar que só uma pequena minoria de nossa população tem acesso à cultura, e, portanto, capacidade para apreciar e usufruir da experiência estética. Sendo assim, é na escola que vamos encontrar o espaço ideal para oferecer acesso à arte. Considerando que o desenvolvimento cultural de um país está diretamente ligado ao desenvolvimento artístico, e que: (...) sem conhecimento de arte e história não é possível a consciência de identidade nacional. A escola seria o lugar em que se poderia exercer o princípio democrático de acesso à informação e formação estética de todas as classes sociais, propiciando-se na multiculturalidade brasileira uma aproximação de códigos culturais de diferentes grupos. (Ibid, p.33) Entendendo assim, a arte-educação pode ser exercida nos diferentes espaços de interlocução dos conhecimentos de arte. Os currículos e conteúdos da escola necessitam estar em sintonia com a magia do fazer, com a leitura desse fazer e dos fazeres de artistas populares e eruditos, e da contextualização destes artistas no seu tempo e no seu espaço. Interlocução: conversação, diálogo entre os conhecimentos. Arte e Educação 84 O Arte-Educador ensina? Como vimos em nosso estudo sobre a evolução do ensino de arte no Brasil, copiar formas, decorar textos, fazer trabalhos de arte, têm apresentado resultados desvinculados dos conhecimentos dos conteúdos da arte. Essas ações não estabelecem uma ponte com o pensar, refletir e conhecer arte. São conteúdos momentâneos, muitas vezes mecânicos, que são esquecidos facilmente, porque não estão baseados em experiências vividas, espontâneas, ricas de significado. O arte-educador é aquele que, capacitado, consciente de seu papel e da importância de suas ações pedagógicas, se torna um grande pesquisador e provocador de ideias. É através de uma espécie de magia, de energia interior que transborda a necessidade de compartilhar o saber e o conhecimento adquirido, de sentar junto, de falar e ouvir o outro, que o diálogo da arte-educação pode acontecer. É esse professor que fará a grande diferença: despertar crianças, jovens e adultos para serem sensíveis, observadores, fruidores, conhecedores de arte e também capazes de compartilhar a alegria e o prazer de realizar produções artísticas de qualidade. O conhecimento do professor não pode ser confinado ao espaço de uma sala de aula, não pode estar contido nas dimensões de um quadro de giz, nem limitado ao lápis e ao papel. Por outro lado, os alunos também não podem ser tratados como seres vazios, desprovidos de emoções, de discernimento sobre tudo o que os rodeia; não podem ser tratados como uma tábua rasa – sem conhecimento. Cada um traz suas experiências, suas riquezas pessoais. A articulação entre os diferentes conhecimentos trazidos pelos alunos, da cultura local, das experiências vividas, permite que o professor possa ser o grande mediador, entrelaçando esses conhecimentos com os conteúdos de arte e realizando uma grande transformação: a aprendizagem significativa. Pensando assim, como poderemos responder à pergunta inicial? O arte - educador ensina? Arte e Educação 85 O estudo dessa unidade nos levou a refletir sobre: Considerar a cultura visual como o resultado das representações visuais que o homem é capaz de construir; A necessidade de realizar produções em a sala de aula, tornando-as parte das experiênciase práticas cotidianas dos estudantes. Inclusão dos Temas Transversais propostos pelo PCN – Arte para que os alunos, através dos conhecimentos dessa área exercitem a construção de uma cidadania ativa. Desenvolver estratégias que possibilitem o exercício efetivo da “arte- educação” como fonte facilitadora da compreensão da cultura visual no espaço educacional. LEITURA COMPLEMENTAR Faça leituras complementares. Ler obras originais enriquecem o repertório cultural e ampliam o conhecimento sobre o estudo que estamos realizando. Veja as leituras sugeridas para essa unidade: BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo. Perspectiva, 1999. _________________. Teoria e prática da educação artística. São Paulo, Cultrix, 1975. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF, 1998. HERNANDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho . Porto Alegre. Artes Médicas Sul, 2000. MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE Gisa; GUERRA M. Terezinha Telles. Didática do ensino de arte: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo. FTD, 1998. Arte e Educação 86 É HORA DE SE AVALIAR Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! Você sabe que o homem é capaz de se comunicar através de suas ideias, palavras, cores, texturas, sons, gestos, movimentos e cheiros? É o que vamos descobrir em nossa próxima unidade. E como trabalhar com essas linguagens expressivas na escola. Arte e Educação 87 Exercícios – Unidade 3 1 - A partir da formação das Escolinhas de Arte nos anos 80, a disciplina “Educação Artística” começou a ser questionada nas aulas de arte. Assinale a alternativa que identifica as mudanças ocorridas nesse momento: a) o ensino de arte passou a ser realizado através da cópia de imagens. b) os arte-educadores retornam com as imagens para as aulas de arte, utilizando-as para “apreciação estética”. c) nessa época, o uso de imagens não era considerado benéfico para o ensino de arte por isso, o uso de modelos e cópias foi banido, dando lugar às ideias e a livre-expressão. d) a apreciação e compreensão de imagens serviam como mera ilustração dos textos, geralmente com conteúdo moral ou patriota. e) nas escolas brasileiras predominava o ensino de desenho geométrico e não havia ligação com o universo dos conhecimentos de arte. 2 – Leia o trecho abaixo. “A arte é um conhecimento que permite a aproximação entre indivíduos, mesmo os de culturas distintas, pois favorece a percepção de semelhanças e diferenças entre as culturas, expressas nos produtos artísticos e concepções estéticas, em um plano diferenciado da informação discursiva”. (PCN Arte, 2008) Com base do trecho acima, responda qual é o papel da Arte na escola? a) Despertar o olhar curioso dos alunos para desvendar, questionar e produzir imagens que fazem parte da sua imaginação. b) Situar o fazer artístico como elemento direcionador das atividades lúdicas, recreativas sem deixar de contemplar os aspectos lógicos. c) Situar o fazer artístico dos alunos como fato humanizador, cultural e histórico, no qual as características da arte podem ser percebidas nos pontos de Arte e Educação 88 interação entre o fazer artístico dos alunos e o fazer dos artistas de todos os tempos, que sempre inauguram formas de tornar presente o inexistente. Não se trata de copiar a realidade ou a obra de arte, mas sim de gerar e construir sentidos. d) Exercitar o aluno para o desenvolvimento de suas capacidades culturais e históricas, com o objetivo que ele seja capaz de reproduzir imagens, textos, gestos com referencial próprio, ou seja, com identidade. e) Acompanhar o desenvolvimento do grafismo desde a infância à adolescência, através de um minucioso estudo de suas produções artísticas. Ao copiar a realidade, o aluno poderá gerar e construir conhecimentos em arte. 3 - Identifique as opções corretas e escolha a alternativa adequada à questão: “Segundo Fernando Hernández, estamos imersos numa avalanche de imagens e que é preciso aprender a lê-las e interpretá-las para compreender e dar sentido ao mundo em que vivemos.” (PAOLA. Revista Nova Escola, Abril 2003. p.45). Assim, crianças e adolescentes serão capazes de: I - Analisar os significados da imagem, os motivos que levaram à sua realização, como se insere na cultura da época, como é consumida pela sociedade e as técnicas utilizadas pelo autor. II - Aprender a realizar pesquisas com a finalidade de identificar o nome e a biografia do autor das imagens e realizar uma profunda investigação nos modos de pensar e agir desse artista. III - Encontrar ferramentas e meios diversos, sejam eles digitais ou pictóricos, de utilizar as imagens para reproduzir e ilustrar seus espaços e ambientes de convivência social. IV - Despertar o olhar curioso para desvendar, questionar e produzir sentido frente à avalanche de imagens que fazem parte do universo visual. V - Passar de conhecedor de artistas e estilos, a leitor, intérprete e crítico de todas as imagens presentes em seu cotidiano. Arte e Educação 89 a) I, II e IV b) I, II e III c) II e IV d) II e III e) I, IV e V 4 - Leia com atenção o texto a seguir e assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas: Os Temas Transversais propostos pelo PCN – Arte (1998) permitem que professorese alunos através ______________________, exercitem a construção de uma _______________, na medida em que a escola _________________ importância do trabalho realizado com esse objetivo, com esse esforço. a) do desenvolvimento de habilidades - capacitação motora – reconheça a b) do estudo de desenho geométrico – cidadania ativa – estabeleça a c) dos conhecimentos de arte – da capacitação ativa – exija essas medidas pela d) dos conhecimentos de arte - cidadania ativa - abrace e reconheça a e) dos objetivos operacionais – aprendizagem motora – se identifique com 5 – Identifique com V (verdadeiras) ou F (falsas) as sentenças a seguir. I - Diante da cultura visual, não há receptores nem leitores, mas construtores e intérpretes na medida em que a apropriação não é passiva nem dependente, mas interativa e de acordo com as experiências que cada indivíduo tenha vivenciado fora da escola. ( ) Arte e Educação 90 II - A cultura visual tem uma importância expressiva por ser uma ponte entre os campos de saberes ao permitir conectar e relacionar para compreender e aprender. ( ) III - A cultura visual é percebida através dos receptores e leitores, que estabelecem a medida da apropriação visual de acordo com as experiências que cada indivíduo tenha vivenciado dentro da escola. ( ) Marque a alternativa correta: a) V – V - F b) F – V - V c) V – V - V d) V – F - V e) F – F - V 6 - O objetivo principal do ensino de arte na escola é: a) Formar artistas capazes de conhecer, fruir e decodificador a obra de arte dentro e fora da escola. b) Ativar o potencial perceptivo do aluno para se transformar em crítico de obras de arte em museus, galerias, teatros e centros culturais. c) Formar principalmente o conhecedor, fruidor, decodificador da obra de arte, não um artista, mas que o aluno seja capaz de entender uma produção de arte de qualidade. d) Descobrir o “dom artístico” presente em todas as pessoas desde a infância, potencializando suas capacidades para torná-los artistas no futuro. e) Que o aluno possa experimentar e produzir obras de arte que tenham reconhecimento na sociedade contemporânea.Arte e Educação 91 7- O conhecimento nas artes visuais se organiza inter-relacionando: a) a magia, a energia interior e a necessidade de compartilhar o saber. b) as atividades artísticas realizadas na escola com os elementos compartilhados na mídia. c) o fazer artístico, a apreciação da arte e a história da arte. d) o diálogo da arte-educação com o improvável, ou seja, com a incerteza do que pode acontecer. e) o conhecimento adquirido e o conhecimento construído. 8 – Assinale o que se pede. Como a arte-educadora Ana Mae Barbosa distingue: I - “arte-educação como investigação dos modos pelos quais se aprende arte.” II-“arte-educação como facilitadora entre a arte e o público?” Marque a alternativa correta: a) A afirmação I - se refere aos procedimentos de aprendizagem em arte e, a afirmação II – como elemento de conhecimento cognitivo. b) A afirmação I - se refere aos procedimentos de aprendizagem em arte e, a afirmação II - como elemento de mediação entre o objeto de estudo da arte e o apreciador. c) A afirmação I - – trata a arte como objeto e, a afirmação II - trata a arte como estudo científico. d) A afirmação I - como elemento de mediação entre o objeto de estudo da arte e o apreciador e, a afirmação II - se refere aos procedimentos materiais tais como suportes, tintas, recorte e colagem entre outros. e) A afirmação I - trata a arte como estudo científico e, a afirmação II - trata a arte como objeto. Arte e Educação 92 9 – Com base nos estudos realizados nessa unidade, apresente os aspectos importantes que devem fazer parte dos currículos de educação para a compreensão da cultura visual que abordem as imagens como representações sociais. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 10 – Como a arte-educação é entendida sobre o ponto de vista de Ana Mae Barbosa? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Arte e Educação 93 As Linguagens da Arte 4 A magia das linguagens. Conhecendo a linguagem do teatro. Conhecendo a linguagem da música. Conhecendo a linguagem visual. Linguagens da arte – espaço de entrelaçamento. Avaliação nas aulas de arte. Arte-educação e projetos. Arte e Educação 94 Nessa unidade, vamos interagir com as linguagens da arte. Compreender como através da percepção das cores, dos sons, dos gestos e do movimento corporal, somos capazes de inventar e ler o mundo. Entraremos em contato com propostas desafiadoras que facilitam a construção dos conhecimentos de Arte. Objetivos da unidade: Identificar e interagir com as quatro linguagens da arte como exercício da cidadania. Compreender que a aprendizagem em arte só é significativa quando o objeto de conhecimento é a própria arte. Entender que o conhecimento de cada linguagem do aprendiz revela suas ideias e sentimentos. Propor ações desafiadoras de aprendizagem em arte através de projetos. Plano da unidade: A magia das linguagens. Conhecendo a linguagem do teatro. Conhecendo a linguagem da música. Conhecendo a linguagem visual. Linguagens da arte – espaço de entrelaçamento. Avaliação nas aulas de arte. Arte-educação e projetos. Bons estudos. Arte e Educação 95 A magia das linguagens A capacidade de inventar do homem, suas experiências, descobertas, intuições e sua imaginação refletem em suas produções. Quando o homem externaliza suas ideias, cria-se uma forma de comunicação com o mundo que denominam-se em linguagens expressivas – as linguagens da arte. Essas linguagens, interpretadas através de diferentes códigos, estão classificadas nas seguintes categorias: visual, musical, cênica, da dança, cinematográfica entre outras. Simplificando: “A arte é uma forma de criação de linguagens.” (Martins, 1998). É através dessa magia das linguagens que se desenvolvem as capacidades de interagir com cores, sons, gestos, movimentos corporais, percepção da textura dos materiais e os cheiros, assim, expressar uma forma de perceber o mundo. As linguagens da arte permitem uma infinidade de modos de inventar e ler o mundo. As aulas de Arte devem contemplar atividades das quatro linguagens: artes visuais, teatro, música e dança, na produção de arte e no contato com o patrimônio artístico, exercitando a cidadania cultural com qualidade. Segundo o PCN, encontramos: O aluno poderá desenvolver seu conhecimento estético e competência artística nas diversas linguagens da área de Arte (Artes Visuais, Dança, Música, Teatro), tanto para produzir trabalhos pessoais e grupais como para que possa, progressivamente, apreciar, desfrutar, valorizar e emitir juízo sobre os bens artísticos de distintos povos e culturas produzidos ao longo da história e na contemporaneidade. (PCN -Artes 1998, p.48) Para a aprendizagem do conhecimento de arte no ensino fundamental, o PCN- Arte (1998) propõe os seguintes objetivos: Arte e Educação 96 Experimentar e explorar as possibilidades de cada linguagem artística; Compreender e utilizar a arte como linguagem, mantendo uma atitude de busca pessoal e/ou coletiva, articulando a percepção, a imaginação, a emoção, a investigação, a sensibilidade e a reflexão ao realizar e fruir produções artísticas; Experimentar e conhecer materiais, instrumentos e procedimentos artísticos diversos em arte (Artes Visuais, Dança, Música, Teatro), de modo que os utilize nos trabalhos pessoais, identifique-os e interprete-os na apreciação e contextualize-os culturalmente; Construir uma relação de autoconfiança com a produção artística pessoal e conhecimento estético, respeitando a própria produção e a dos colegas, sabendo receber e elaborar críticas; Identificar, relacionar e compreender a arte como fato histórico contextualizado nas diversas culturas, conhecendo, respeitando e podendo observar as produções presentes no entorno, assim como as demais do patrimônio cultural e do universo natural, identificando a existência de diferenças nos padrões artísticos e estéticos de diferentes grupos culturais; Observar as relações entre a arte e a realidade, refletindo, investigando, indagando, com interesse e curiosidade, exercitando a discussão, a sensibilidade, argumentando e apreciando arte de modo sensível; Identificar, relacionar e compreender diferentes funções da arte, do trabalho e da produção dos artistas; Identificar, investigar e organizar informações sobre a arte, reconhecendo e compreendendo a variedade dos produtos artísticos e concepções estéticas presentes na história das diferentes culturas e etnias; Pesquisar e saber organizar informações sobre a arte em contato com artistas, obras de arte, fontes de comunicação e informação. Arte e Educação 97 Considerando os objetivos apresentados, o ensino de arte se torna uma proposta extremamente complexa para o professor. Mas, é importante ressaltar que, mesmo assim, a arte na escola não tem como objetivo formar artistas. O quese pretende “é formar o conhecedor, fruidor, decodificador da obra de arte. Uma sociedade só é artísticamente desenvolvida quando ao lado de uma produção artística de alta qualidade há também uma alta capacidade de entendimento desta produção.” (BARBOSA, 1999, p.32). Ensino de Arte – Experiência significativa As verdadeiras experiências com arte na escola são aquelas que vão levar o aprendiz a revelar suas ideias, seus pensamentos, ampliando sua percepção para receber as informações externas e a leitura de mundo. Para isso, o fazer artístico necessita ser impregnado de propostas e desafios estéticos que proporcionem experiências sensíveis e cognitivas capazes de evocar formas expressivas percebidas como imagem sonora, gestual ou visual concretizando-as. (...) uma aprendizagem em arte só é significativa quando o objeto de conhecimento é a própria arte, levando o aprendiz a saber manejar e conhecer a gramática específica de cada linguagem que adquire corporalidade por meio de diferentes recursos, técnicas e instrumentos que lhe são peculiares. (MARTINS, 1998, p.131) A gramática da linguagem da arte é a ferramenta reveladora do fazer artístico. Através do conhecimento de cada linguagem o aprendiz revela suas ideias e sentimentos. Nosso próximo passo é conhecer essa gramática expressas nas linguagens artísticas para saber despertar o potencial criador que cada aprendiz possui. Arte e Educação 98 Conhecendo a linguagem da dança “A linguagem da dança é um pensamento cinestésico, ou seja, um pensar em termos de movimento, que se executa como emoção física, impulsionado pelas sensações musculares e articulações do corpo.” (Ibid. p.138). A construção do conhecimento em dança precisa ser encarada como uma oportunidade para a apropriação crítica, consciente e transformadora dos seus conteúdos específicos. Com isso, esses conteúdos tornam-se elementos essenciais para a educação do ser social que vive em uma cultura plural e multifacetada como a nossa. A escola pode desempenhar papel importante na educação da expressão corporal e do processo interpretativo e criativo de dança, pois dará aos alunos subsídios para melhor compreender, desvelar, desconstruir, revelar e, se for o caso, transformar as relações que se estabelecem entre corpo, dança e sociedade. (PCN-Artes, 1998.p.70) A linguagem da dança, como as demais linguagens da arte, não pode estar associada à reprodução e à imitação. Muitas vezes é encarada como puro divertimento, desprovida de conteúdos e de mensagens culturais, assim a dança fica relegada, na grande maioria dos casos a festas e comemorações, ou à imitação de modelos televisivos. Não é qualquer conteúdo na área de Dança que se presta a estabelecer relações com os conteúdos específicos dessa linguagem. Tem-se necessidade também estabelecer direcionamentos didáticos compromissados com a realidade social e cultural nacional que contribuam para a formação ética e cidadã do aprendiz. Arte e Educação 99 Realizar danças folclóricas sem conexão com os conteúdos de dança, pode ser tão alienante e opressor como os ensaios repetitivos de um balé clássico. Do mesmo modo, a dança chamada “criativa” ou “educativa” pode frequentemente ignorar os conteúdos socioafetivos e culturais presentes tanto nos corpos como nas escolhas de movimentos, coreografias e/ou repertórios. Nesses casos, eximem os professores de qualquer intervenção para que a dança possa ser dançada, vista e compreendida de maneira crítica e construtiva. Nas escolas a aprendizagem da linguagem da dança permite: Construir uma relação de cooperação, respeito, diálogo e valorização das diversas escolhas e possibilidades de interpretação e de criação em dança que ocorrem em sala de aula e na sociedade; Aperfeiçoar a capacidade de discriminação verbal, visual e cinestésica e de preparo corporal adequado em relação às danças criadas, interpretadas e assistidas; Situar e compreender as relações entre corpo, dança e sociedade, principalmente no que diz respeito ao diálogo entre a tradição e a sociedade contemporânea; Buscar e saber organizar, registrar e documentar informações sobre dança em contato com artistas, documentos, livros etc., relacionando-os a suas próprias experiências pessoais como criadores, intérpretes e apreciadores de dança. Desenvolver a improvisação, a composição coreográfica, a interpretação de repertórios de diferentes épocas, localidades e estilos. (Ibid., p.74) Para que o desenvolvimento da linguagem da dança possa contemplar os aspectos citados, é importante que os estudantes tenham acesso a espetáculos, além de contar com o apoio de profissionais especializados nesse campo do conhecimento. A escola também deve se conscientizar da importância e da necessidade de oferecer em seu currículo a arte do movimento – a dança. Arte e Educação 100 Dança: arte-expressão do corpo Dançar é falar com o corpo, uma linguagem que se expressa através de gestos, movimentos, ritmos, pensamento corporal. Um conjunto de ideias, uma composição cinestésica que comunica imagens, sensações, sentimentos e emoções. A dança, como as demais linguagens da arte, também explora o aspecto sensível, por isso está diretamente ligada à expressão estética e plástica. Ao assistirmos a espetáculos de dança nos emocionamos, sejam de danças populares, de rua, clássicas e como não lembrar do samba e seu grande espetáculo o carnaval brasileiro? A dança estimula a percepção sensorial através de ritmo, sonoridade, visão e movimento. Mas, afinal, como a dança pode ser inserida nos conteúdos de arte? É importante ressaltar que a linguagem da dança inserida adequadamente no conteúdo escolar não pretende formar bailarinos; antes disso, consiste em proporcionar ao aluno um contato mais efetivo e intimista com a possibilidade de se expressar criativamente através do movimento. Nesse contexto, necessita estar voltada para os conteúdos específicos dessa área do conhecimento. A dança na escola não deve ser vista como a arte do espetáculo, e sim como educação através da arte, para tanto, é importante: Cinestésica : composição com dança, movimento do corpo. Arte e Educação 101 A (re) descoberta do movimento como expressão criativa e participativa nos momentos da vida (construção da auto-estima, da consciência e harmonia corporais), vivendo o corpo de uma maneira mais satisfatória e gostando de se expressar através dele. A defesa a favor da Dança –e da arte – já a partir da infância, como uma forma de despertar a responsabilidade dos seres em relação ao próprio corpo, à procura de um melhor modo de viver. Dançar brincando, com liberdade e prazer, sem o aprisionamento a códigos formais, mas através da prática de um ensino diferenciado: um aprendizado com fundamentação técnica e criativa dos conteúdos de uma aula de dança. (Disponível em: <http://silvio.marina.sites.uol.com.br/pessoal/abrace.html> .Acesso 23 ago 2011). Pensando assim, consideramos fundamental que o ensino de arte com dança na escola se realize através de um professor que não focalize apenas as técnicas e conceitos, mas que seja o provocador de experiências, o guia que orienta os alunos para uma descoberta pessoal de suas habilidades. A Dança na escola contempla uma nova proposta de ensino que abrange fundamentos da Dança-Educação e da Dança Educativa Moderna. Diferentemente das tradicionais e já conhecidas técnicas, a Dança aplicada ao conteúdo escolar não pretende formar bailarinos; antes disso, consiste em proporcionar ao aluno um contato mais efetivo e intimista com a possibilidade de se expressar criativamente através do movimento. (Ibid.) Arte e Educação 102 Contribuições da dança para a educação Ainda são poucas as pesquisas nesta área, porém suficientespara fornecer bases para uma proposta educacional em Dança que seja significativa para os jovens que vivem no mundo contemporâneo. Ressaltamos algumas propostas que constam do PCN - Arte (texto adaptado): - Ouvir atentamente o que os alunos têm a dizer sobre seus corpos, sobre o que dançam e/ou gostariam de dançar; - Observar como os alunos escolhem os movimentos e como eles são articulados em suas criações de dança, para que se possa selecionar conteúdos e procedimentos não somente adequados, mas também problematizadores das realidades em que esses corpo/danças estão inseridos. - É importante que o corpo não seja tratado como “instrumento” ou “veículo” da dança, como comumente se pensa. O corpo é conhecimento, emoção, comunicação, expressão. - Reconhecimento da contribuição para o processo educacional: a possibilidade de conhecer, reconhecer, articular e imaginar a dança em diferentes corpos, e, portanto, com diferentes maneiras de viver em sociedade. Laban e Freinet apresentam uma proposta pedagógica para o ensino de dança: Laban (1879-1958) e Freinet (1896-1966) foram contemporâneos, mas não se conheceram. Suas experiências de vida são completamente diferentes. Laban, filho de militar, viveu em ambientes luxuosos, viajou por vários países e estudou na Escola de Belas Artes de Paris. Freinet, filho de camponeses, levou uma vida simples e humilde e não completou seus estudos. Ambos apresentavam, no início do século XX, idéias avançadas demais para a época, até hoje não incorporadas na prática da educação brasileira, como a proposta de dança de Laban e as Técnicas de ensino de Freinet. Para Laban, a sala de aula é espaço constrangedor e incômodo, com mesas e cadeiras unidas, que restringem a inclinação natural do corpo. Para Freinet, as carteiras dão a impressão de aprisionamento, imobilidade. Arte e Educação 103 Os autores consideram o homem como um ser integrado: corpo-mente, salientando a necessidade de respeitar o ritmo interno de cada um. Os atos e atividades espontâneas são uma forma de exteriorizar ideias e sentimentos. A educação não deve partir só de explicações teóricas, mas também do tateamento experimental. Laban e Freinet têm consciência de que o meio interfere na vida e na formação do ser humano, questionando os avanços da tecnologia por gerarem a imobilidade, o sedentarismo, prejudicial ao desenvolvimento. As propostas de Laban e Freinet podem integrar-se numa proposta de ensino de Dança Educativa nas escolas, por contribuírem para o desenvolvimento do educando nos aspectos: Tal proposta de dança procura levar o aluno à ação- sensação-reflexão, contribuindo para aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a viver juntos, que constituem os quatro pilares da educação. A Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI recomenda que a arte deve ter um espaço maior do que lhe é dado na escola. (Disponível em:<http://www.scie lo.br/scie lo.php?script=sci_arttext&pid=S0101 32622001000100004>.Acesso em 21/9/11) Arte e Educação 104 Conhecendo a linguagem do Teatro O pintor, utilizando os elementos de sua arte, como os pincéis e a tela, elabora a sua obra que é a pintura. O músico, trabalhando com os sons musicais, é responsável pela criação da música. Mas, afinal, qual é a obra que o ator realiza artisticamente? O ator, utilizando as suas emoções e os seus recursos corporais, é responsável pelo desempenho da personagem. Todas as pessoas são capazes de atuar no palco. Todas as pessoas são capazes de improvisar. As pessoas que desejarem são capazes de jogar e aprender a ter valor no palco. (SPOLIN, 1998, p.3) IMPORTANTE A palavra personagem vem de persona, palavra latina que significa pessoa. O ator dá vida ao personagem imaginada pelo dramaturgo para representá-lo diante do público. Segundo Viola Spolin, “ninguém ensina nada a ninguém”, o aprendizado acontece através da experiência. Assim, tudo que aprendemos está diretamente ligado às vivências e ao ambiente. Quando crianças, engatinhamos para aprender a andar, o cientista aprende com suas experiências em seu laboratório. Então, será que o ator aprende representando? Sendo assim, a aprendizagem pode ser vista como um ato intuitivo, uma espécie de mágica?“Experienciar é penetrar no ambiente, é envolver-se total e organicamente com ele. Isto significa envolvimento em todos os níveis: intelectual, físico e intuitivo.” (Ibid.) A necessidade de narrar fatos e representar por meio da ação dramática está presente em rituais de diversas culturas e tempos, e provavelmente diz respeito à necessidade humana de recriar a realidade em que vive e de transcender seus limites. Arte e Educação 105 Pode-se relacionar a base desse processo de investigação próprio ao teatro com os processos de imitação, simbolização e jogos na infância. A criança observa gestos e atitudes no meio ambiente, joga com as possibilidades do espaço, realiza brincadeiras de faz-de-conta e vive personagens como um herói. O jogo pode ser entendido também como um “jogo de construção”. O jogo de construção não é uma fase da evolução genética, mas sim um instrumento de aprendizagem com o qual a criança opera, promovendo o desenvolvimento da criatividade, em direção à educação estética e praxis artística. O jogo teatral é um jogo de construção em que a consciência do “como se” é gradativamente trabalhada, em direção à articulação de uma linguagem artística — o teatro. A linguagem do teatro pode ser entendida como uma forma de promover experiências, focando o envolvimento total com o ambiente, exercitando o pensamento “como se”, simbolizando e agindo como alguém ou algo além de si próprio, através do jogo. O desenvolvimento da linguagem teatral na escola necessita que os professores promovam o fazer artístico de forma significativa que possibilitem (adaptado do PCN-Arte, 1998): •Criar oportunidades para que os jovens conheçam, observem e confrontem diferentes culturas em diferentes momentos históricos, operando com um modo coletivo de produção de arte. ••Buscar soluções criativas e imaginativas na construção de cenas, apurando a percepção sobre eles mesmos e sobre situações do cotidiano. ••Atuar na ação improvisada utilizando-se de diferentes recursos cênicos – máscaras, figurinos, maquiagem, iluminação, sons, objetos. Produzir textos de diferentes gêneros: dramáticos, narrativos, poéticos, jornalísticos, entre outros. Favorecer as possibilidades de compartilhar descobertas, ideias, sentimentos, atitudes, ao permitir a observação de diversos pontos de vista, estabelecendo a relação do indivíduo com o coletivo e desenvolvendo a socialização. Práxis:– o que se pratica habitualmente. Arte e Educação 106 A experiência do teatro na escola amplia a capacidade de dialogar, a negociação, a tolerância, a convivência com a ambiguidade. No processo de construção dessa linguagem, o jovem estabelece com os seus pares uma relação de trabalho combinando sua imaginação criadora com a prática e a consciência na observação de regras. O teatro como diálogo entre palco e platéia pode se tornar um dos parâmetros de orientação educacional nas aulas de teatro; para tanto, deverá integrar-se aos objetivos, conteúdos, métodos e avaliação da área. (PCN-Arte, 1998, p.88) Na escola, por meio dos jogos, o arte-educador pode criar contextos significativos para a aprendizagem da linguagem teatral. (...) o aluno se familiariza com a linguagem do palco e com os desafios da presença em cena.Ao observar jogos teatrais, ao assistir a cenas e espetáculos, o aluno aprende a distinguir concepções de direção, estilos de interpretações, cenografia, figurinos, sonoplastia e iluminação. Aprecia o conjunto da encenação e desenvolve, enfim, a atitude crítica. Disponível:<http://www.projetosaindodasruas.com.br/sp/oprojeto_teatro.asp>.Acesso 05 set 2011. O teatro no espaço escolar deve considerar a cultura dos jovens, propiciando informações que lhes dêem melhores condições nas opções culturais e na interpretação dos fatos e das situações da realidade com a qual interagem. O jovem encontra no teatro um espaço de liberdade para se confrontar por meio do diálogo e da representação com questões éticas como justiça e solidariedade. (PCN-Arte, op.cit.,p.89) Arte e Educação 107 Jogo: Brincadeira que educa A importância dos jogos para a educação de crianças e jovens, é revelada através de ações bem planejadas. Nessas ações, os objetivos devem estar centrados: (...) apreensão dos conhecimentos artísticos e estéticos, pois possibilitam o desenvolvimento da percepção, da imaginação, das fantasias e de sentimentos. O brincar nas aulas de arte pode ser uma maneira prazerosa de a criança experienciar novas situações e ajudá-la a compreender e assimilar mais facilmente o mundo cultural e estético. (FERRAZ, 1993, p.84) Nas atividades com jogos nas aulas de arte, o professor precisa ter conhecimento das funções e de como esses jogos podem ser desenvolvidos. Os jogos e brincadeiras na vida infantil podem revelar as carências, sentimentos e pensamentos a respeito da realidade, das coisas e das pessoas com quem convivem. Assim, os jogos e brincadeiras devem ter uma abordagem diversificada; oferecer elementos que despertem a curiosidade, o lúdico, “o fazer” se identifica com “o brincar”, o imaginar com a experiência da linguagem ou da representação. Arte e Educação 108 “O jogo é uma forma natural de grupo que propicia o envolvimento e a liberdade pessoal necessários para a experiência.” (Ibid.p. 4) Assim, a participação em jogos teatrais ou exercícios de atuação, permitem a capacidade de criar uma situação imaginativa, na qual a representação de um papel é vista como uma experiência maravilhosa, uma espécie de descanso do cotidiano que é dado ao “eu”, uma espécie de férias da rotina de todo o dia. É através das brincadeiras que as crianças vivenciam situações imaginárias, buscam realizar desejos e sonhos. Assim, podem se colocar em situações fora da realidade, como por exemplo, estar na lua, nadando sob a água como um peixe, voando como um pássaro. Essa brincadeira do “faz de conta”, desenvolve sua imaginação ao romper o limite da realidade, e promovendo o amadurecimento do pensamento abstrato; são os jogos simbólicos. Essas brincadeiras, com o tempo, vão dando lugar aos jogos em que as regras fazem parte da ação. Nesse sentido, cumprir as regras do jogo faz parte da nova brincadeira. São situações imaginárias nas quais as regras são previamente combinadas com o grupo e todos devem segui-las. Quando a criança faz a passagem dos jogos simbólicos para os jogos com regras, é o momento de iniciar as atividades das práticas teatrais na escola. Considerar o quanto é importante para crianças e jovens participar de brincadeiras e jogos; mais ainda, participar e assistir espetáculos teatrais, pode ser uma oportunidade significativa para o desenvolvimento das várias linguagens artísticas. (...) considera importante a inclusão do brinquedo e da brincadeira como parte integrante dos métodos e procedimentos educativos de um programa de arte e em atividades infantis, principalmente quando envolver a construção, a manifestação expressiva e lúdica de imagens, sons, falas, gestos e movimentos. (Ibid., p. 89) Arte e Educação 109 Conhecendo a linguagem da Música A criança, desde os primeiros momentos de sua vida, ouve a voz da mãe, os sons da natureza, ruídos diversos e outras vozes que vão se tornando reconhecíveis com o tempo. Resumindo: ela já entra em contato com a linguagem musical desde a mais tenra idade. Pesquisas realizadas na Alemanha revelaram que as pessoas que convivem e praticam música, apresentam a área do cérebro 25% maior em comparação aos indivíduos que não desenvolvem este tipo de trabalho. Essas e outras pesquisas evidenciaram que as crianças expostas ao trabalho constante com a música, têm o melhor desempenho na escola e na vida como um todo e geralmente apresentam notas mais elevadas no currículo escolar. Entendemos assim a importância de inserir a música no planejamento educacional, criando estratégias voltadas para essa área do conhecimento e incentivar a criança a estudar música, seja através do canto ou da prática com um instrumento musical. O desenvolvimento da linguagem musical, como as demais linguagens, não tem o propósito de formar músicos profissionais ou especialistas na área, mas sim auxiliar no desenvolvimento cultural e psicomotor. A música permite o contato com diferentes linguagens e promove a socialização entre os participantes, facilitando o acesso à arte. Arte e Educação 110 Ao prestar atenção ao som, observando as características rítmicas, os silêncios, os instrumentos e o uso da voz, o aluno é capaz de experimentar e desenvolver-se na linguagem musical. Para tanto, é importante que o aprendiz se envolva com (adaptado do PCN-Arte): Aprendizagem e exploração das diferentes estruturas sonoras, que permitem contrastar e modificar ideias musicais, praticando o pensamento musical, imaginando, relacionando e organizando, a partir de suas condições de interpretação musical. Exploração de diversas possibilidades, meios e materiais sonoros, utilizando conhecimentos da linguagem musical, comunicando-se e expressando-se musicalmente. •O conhecimento dos parâmetros do som: altura, duração, intensidade e timbre, através da utilização de materiais e recursos que promovam a expressividade e o domínio técnico básico, para improvisar, compor e interpretar, •••conhecimento e apreciação de músicas de seu meio sociocultural e do conhecimento musical construído pela humanidade em diferentes períodos históricos e espaços geográficos. A valorização dessa diversidade sem preconceitos estéticos, étnicos, culturais e de gênero. Arte e Educação 111 A linguagem musical necessita ser vivenciada e experimentada significativamente, no contato com instrumentos, gravações, audições e apresentações musicais de diferentes grupos e estilos. “A consciência estética de jovens e adultos é elaborada no cotidiano, nas suas vivências, daí a necessidade de propiciar, no contexto escolar, oportunidades de criação e apreciação musicais significativas.” (PCN-Arte, 1998, p.80). Construindo sua competência artística nessa linguagem, sabendo comunicar- se e expressar-se musicalmente, “o aluno poderá conectar o imaginário e a fantasia aos processos de criação, interpretação e fruição, desenvolver o poético, a dimensão sensível que a música traz ao ser humano.” (Íbid) Música: sensibilidade e transformação social Os sons, como já foi dito, transmitem significações e mensagens distintas para cada pessoa. Segundo o PCN – Artes (1998) os ritmos musicais, de pulsação excitante e envolvente são responsáveis pela formação de vários grupos que podem ser identificados pelas roupas que vestem, pelo comportamento e pelos estilos musicais de sua preferência: rock, tecno, dance, reggae, pagode, rap, entre tantos outros. É necessário procurar e repensar caminhos que nos ajudem a desenvolver uma educação musical que considere o mundo contemporâneo em suas características e possibilidades culturais. Uma educação musical que parta do conhecimento e das experiências que o jovem traz de seu cotidiano, de seu meio sociocultural e que possa contribuir para a humanização de seus alunos. (Ibid.p.79) Para realizar um trabalho musical com crianças nas primeiras séries do ensino fundamental, sugerimos que inicie pela percepção de fontes sonoras distintas. Para tanto é necessário obter uma gravação em CD ou outro dispositivode armazenamento de arquivos, baixados da internet, que contenham os sons descritos nas atividades que se seguem. Arte e Educação 112 Proposta: Percepção de fontes sonoras. Faixa etária sugerida: crianças entre 5 a 8 anos Antes de iniciar as atividades, peça às crianças para ficarem em silêncio, com os olhos fechados, se possível, bem relaxadas. Permita que fiquem como desejarem: sentadas ou recostadas e com a cabeça baixa. Atividade 1 - Sons de: pingo d’água batendo em uma lata, batidas de martelo ou pisadas em folhas secas (inicie com três sons e depois aumente esse número). Faça as crianças ouvirem os sons, depois peça que relatem o que ouviram e quais sensações perceberam. Certamente serão ouvidos relatos e respostas diferentes. O trabalho pode ser concluído com desenhos e/ou produção textual. A riqueza desse trabalho está na possibilidade de instigação imaginativa. Atividade 2 - Sons de: miado de gato, porta batendo ou um som estridente como arranhar de metais. Após a audição, os alunos relatarão as suas sensações. Poderão surgir histórias tristes, de sensação de medo, irritação, entre outros. Aqui também se pode concluir o trabalho como na atividade anterior ou pedir que as crianças representem com gestos e sons o que sentiram. Se tiver instrumentos musicais disponíveis, confeccionados pelos alunos ou não, peça para que representem os sons que ouviram. Outros materiais poderão dar “asas” à imaginação, por exemplo: saco de papel cheio para estourar – pode ser um trovão; continhas dentro de um recipiente – pode ser a chuva; e também as próprias crianças poderão sugerir outros materiais disponíveis. Atividade 3 - Para crianças com idade mais avançada, sugerimos um trabalho mais complexo: a turma assiste a um filme previamente escolhido. A seguir, observam atentamente a trilha musical e os efeitos sonoros utilizados fazendo anotações. Depois, cada grupo se reúne e cria uma história, definindo os personagens, a época, local, figurino, por fim, descrevem as cenas em poucas palavras produzindo um texto. A música, de preferência sem letra (para facilitar o “encaixe” no enredo da história), pode ser obtida através de pesquisas, CDs ou produzida pelos próprios alunos. A reprodução ocorre durante a apresentação ou em alguns momentos para realçar a ação cômica ou dramática, por exemplo. Esse Arte e Educação 113 trabalho pode ter a duração de quinze dias ou mais, dependendo do entusiasmo dos alunos e da mediação do professor. É importante observar que as atividades sugeridas são apenas para ilustrar as múltiplas possibilidades de trabalho com música. Outro aspecto importante é que, essas sugestões fazem o que chamamos de “entrelaçamento” das linguagens artísticas. Assim, estão sendo ativadas inicialmente a linguagem musical, que não deixa de explorar a parte visual (na composição do cenário, do figurino) e teatral (na encenação), que se amplia para representações corporais (como a dança) já que a música está presente. Portanto, as linguagens artísticas podem ser exploradas de forma integradora e transdisciplinar. Conhecendo a linguagem visual As experiências com o desenho, linhas, cores, modelagem (massa ou argila), recorte, colagem, entre outros, permitem que o aprendiz se expresse pela linguagem visual. Arte e Educação 114 De acordo com o PCN – Artes (1998) apreciação, o conhecimento e a produção em arte podem ser expressos pela linguagem visual, se o professor desenvolver: •A prática do pensamento visual, capaz de formar imagens mentais, criando possibilidades para construção de formas e ideias; A percepção e criação de formas visuais, com elementos específicos da linguagem e suas relações no espaço (bi e tridimensional), expressos por seus elementos fundamentais: ponto, linha, forma, cor, textura, dimensão, equilíbrio, movimento, espaços, ritmo e profundidade. Propostas com os diferentes modos da linguagem visual: pintura, desenho, gravura, escultura, modelagem, caricatura, histórias em quadrinhos, colagem, fotografia, moda, cinema, instalação, vídeo, TV, uso do computador, entre outros. •Um fazer artístico que contemple o manuseio e seleção de materiais, instrumentos, suportes, técnicas, procedimentos, informações sobre história da arte, artistas e sobre as relações culturais e sociais envolvidas na experiência de fazer e apreciar arte. Assim, o aprendiz poderá construir suas próprias representações ou ideias, que serão transformadas à medida que avança no processo educacional. A ação do professor, seu modo de instigar o aluno a ver mais, a olhar profundamente para perceber os detalhes, a se sensibilizar com o inusitado, a buscar novidades, despertar os sentidos potencializando a curiosidade, pode ser determinante no desenvolvimento da linguagem visual. Para tanto, o trabalho com diversas imagens, de diferentes épocas e culturas permitirão enriquecer o repertório expressivo das crianças. É importante que as salas de aula sejam espaços de exposição das produções dos alunos, não apenas dos trabalhos considerados “bonitos” ou “bem feitos”, muito menos “retocados pelo professor”, mas que todos os trabalhos realizados possam ser vistos. Bidimensional: que possui duas dimensões, altura e largura; ex: um desenho, quadrado, uma foto. Tridimensional – que possui três dimensões, altura, largura e profundidade; exemplo: um cubo, uma cadeira, um animal) Arte e Educação 115 O uso de imagens extraídas do repertório das histórias em quadrinhos ou heróis na decoração das salas e corredores da escola, não auxilia em nada o trabalho de educar o olhar; ao contrário, empobrece a cultura visual do aluno ao observar constantemente imagens estereotipadas (copiadas) distantes de sua cultura, portanto, sem significado. O enriquecimento da percepção da linguagem visual está diretamente ligado às experiências vivenciadas pelas crianças e jovens. Tanto o trabalho desenvolvido na escola quanto os passeios, visitas a museus, exposições e ateliês são oportunidades que devem fazer parte da metodologia e estratégia para aqueles que optam por uma educação integral e de qualidade. A valorização dos profissionais e de suas produções também é importante para o conhecimento dos diferentes ofícios dos artistas visuais. Leitura de imagens na sala de aula A partir da compreensão de que os arte-educadores necessitam se atualizar nas práticas contemporâneas, é possível buscar uma proposta que desenvolva no aluno a capacidade de saber criticar a obra de arte. É importante que esses professores possam também propor procedimentos com base na descrição e análise das obras de arte, na interpretação e julgamento da obra, na investigação de seus significados, com base em dados coletados anteriormente através de pesquisas. Assim, o aluno poderá discutir questões estéticas que tratam diretamente da qualidade expressiva da obra, sem emitir juízos de valor como conceitos de belo ou feio (BARBOSA, 1991). Não é possível, nos dias atuais aceitar professores dando aulas de arte que nunca leram nenhum livro de arte-educação e pensam que arte na escola é dar folhas impressas para colorir, com corações para o Dia das Mães, coelho para a Páscoa, soldados no Dia da Independência, entre outras coisas. Muitos professores ainda acreditam que “arte-educadores não precisam pensar”, “arte é só para fazer”, assim excluem a possibilidade de observação e compreensão da arte (Ibid.). Arte e Educação 116 Ana Mae Barbosa, em sua obra A imagem no ensino de arte, apresenta uma proposta para leitura da obra de arte e fazer artístico, denominada Metodologia Triangular. E ressalta para a necessidade de alfabetização para a leitura da imagem: Através da leitura das obras de artes plásticas estaremos preparando as crianças para a decodificação da gramáticavisual, da imagem fixa e, através da leitura do cinema e da televisão, a prepararemos para aprender a gramática da imagem em movimento. (Ibid.,p.34-35) Preparando-se para o entendimento das artes visuais se prepara a criança para o entendimento da imagem quer seja arte ou não. Um currículo que interligasse o fazer artístico, a história da arte e a análise da obra de arte estaria se organizando de maneira que a criança, suas necessidades, seus interesses e seu desenvolvimento estariam sendo respeitados e, ao mesmo tempo, estaria sendo respeitada a matéria a ser aprendida, seus valores, sua estrutura e sua contribuição específica para a cultura.” (Id.,1999, p.35, grifo nosso) Metodologia Triangular nas aulas de arte Com base na metodologia ou prática triangular, apresentamos um roteiro simplificado que pode auxiliar o professor a compreender o processo de leitura da obra de arte. Essa proposta pode ser compreendida através da leitura dos relatos apresentados pela autora Ana Mae Barbosa, em sua visita com estudantes, à exposição As bienais do acervo do MAC (1987-88), que propõe: “leitura da obra de arte, informação histórica e fazer artístico.” (BARBOSA,1991 p.105-107). Arte e Educação 117 O esquema abaixo ilustra os três momentos que representam os pilares propostos pela autora: olhar - fruir; conhecer – contextualizar (informação histórica); produzir arte – fazer artístico . 1º momento – olhar e analisar a obra – FRUIR Os alunos devem olhar atentamente e percorrer a obra com cuidado (pode ser uma pintura, desenho ou objeto) para dar tempo de assimilá-la mentalmente. Em sala de aula, o professor pode conduzir essa ação com perguntas: o que você vê? Nesse momento, deve-se dar atenção aos detalhes. O professor estimula os alunos para a percepção dos elementos da linguagem visual: dimensão, traços e linhas, texturas, materiais, suportes e técnicas. Em seguida, a descrição textual das observações através da listagem dos elementos percebidos. Arte e Educação 118 2º momento – conhecer a obra – CONTEXTUALIZAR (informação histórica) É o momento em que cada aluno expressa suas ideias sobre o que observa. É importante considerar todas as interpretações, emoções e sentimentos percebidos. Nesse momento podem-se apresentar outras imagens que tenham tema similar e propor comparações (linhas, cores, formas, organização espacial). É importante contextualizar a obra fazendo um levantamento sobre o autor, sua época, outras obras que possam estar relacionadas ao tema ou ao autor e sobre o processo de criação e a técnica empregada. Aqui as pesquisas são bem vindas e podem ser realizadas em livros, revistas ou sites. 3º momento – produzir arte – FAZER ARTÍSTICO Após todos os levantamentos feitos, a turma deve estar pronta para produzir. Nesse momento, o professor como mediador, poderá ouvir sugestões e ideias e conduzir a criação artística propondo soluções, técnicas e suportes. Então, desenhos, textos, dramatizações, pinturas, colagens, esculturas, improvisações, performances, instalações, sons, ritmos, apresentações musicais e outras expressões artísticas poderão acontecer. Linguagens da Arte – Espaço de entrelaçamento As quatro linguagens artísticas não podem ser entendidas de forma isolada. Cada uma delas apresenta qualidades e características próprias que permitem compreender suas especificidades. Porém, o ser humano em suas vivências, elabora inventividades que permitem combinar, misturar e entrelaçar essas manifestações estéticas. A multimídia, a performance, o videoclipe e o museu virtual são alguns exemplos em que a imagem integra-se ao texto, som e espaço. É possível compreender esse universo entrelaçado das linguagens artísticas: Arte e Educação 119 O fenômeno artístico está presente em diferentes manifestações que compõem os acervos da cultura popular, erudita, modernos meios de comunicação e novas tecnologias. Além disso, a arte nem sempre se apresenta no cotidiano como obra de arte. Mas pode ser observada na forma dos objetos, no arranjo de vitrines, na música dos puxadores de rede, nas ladainhas entoadas por tapeceiras tradicionais, na dança de rua executada por meninos e meninas, nos pregões de vendedores, nos jardins, na vestimenta etc. O incentivo à curiosidade pela manifestação artística de diferentes culturas, por suas crenças, usos e costumes, pode despertar no aluno o interesse por valores diferentes dos seus, promovendo o respeito e o reconhecimento dessas distinções. Ressalta-se, assim, a pertinência intrínseca de cada grupo e de seu conjunto de valores, possibilitando ao aluno reconhecer em si e valorizar no outro a capacidade artística de manifestar-se na diversidade. (PCN – Arte. 1998, p.62) Cabe aos professores conhecer as possibilidades de interseção entre as linguagens artísticas no seu trabalho em sala de aula. É através da exploração, da pesquisa na combinação dos diferentes recursos tecnológicos, materiais e de novos suportes, que, ao propor novas formas de elaboração do fazer artístico, o professor ultrapasse os limites do convencional e assim construa dialogicamente, novas formas estéticas de produção artística. Nessa articulação não se pode esquecer de fortalecer a formação de valores e atitudes para a construção da cidadania. Avaliação nas aulas de Arte As produções artísticas realizadas na escola são os resultados das ideias, pensamentos, jogos, invenções, intuições, das experiências e diálogos poéticos produzidos pelos aprendizes. Como se pode avaliar esse complexo de ações sem cair no julgamento de valores: “o mais bonito”, “o certo”, “o mais caprichado”? Arte e Educação 120 Avaliar é uma ação pedagógica guiada pela atribuição de valor apurada e responsável que o professor realiza das atividades dos alunos. Avaliar é também considerar o modo de ensinar os conteúdos que estão em jogo nas situações de aprendizagem. Avaliar implica conhecer como os conteúdos de Arte são assimilados pelos estudantes a cada momento da escolaridade e reconhecer os limites e a flexibilidade necessários para dar oportunidade à coexistência de distintos níveis de aprendizagem em um mesmo grupo de alunos. Para isso, o professor deve saber o que é adequado dentro de um campo largo de aprendizagem para cada nível escolar, ou seja, o que é relevante o aluno praticar e saber nessa área. (Ibid., p.53 et seq.) Considerando que, nas aulas de arte, o aluno irá realizar produções utilizando as diferentes linguagens artísticas, a avaliação deve seguir esses aspectos. Propõe- se para o processo de avaliação: A avaliação no processo de ensino e aprendizagem de arte precisa ser realizada com base nos conteúdos, objetivos e orientação do projeto educativo na área e tem três momentos para sua concretização: diagnosticar o nível de conhecimento artístico e estético dos alunos, nesse caso costuma ser prévia a uma atividade;realizada durante a própria situação de aprendizagem, quando o professor identifica como o aluno interage com os conteúdos e transforma seus conhecimentos e ao término de um conjunto de atividades que compõem uma unidade didática para analisar como a aprendizagem ocorreu. (...) Nesse contexto, é proposto que o professor discuta seus instrumentos, métodos e procedimentos de avaliação com a equipe da escola. O professor precisa ser avaliado sobre as avaliações que realiza, pois a prática pedagógica é social, de equipe de trabalho da escola e da rede educacional como um todo. (Ibid., p. 56 et seq.). Arte e Educação 121 Intuição, percepção, criação. Vivemos em um mundo rodeado por sons, silêncio, luzes, cores, formas, imagens, movimentos, seres, pessoas, minerais e vegetais. Mesmo sem perceber, construímos e atribuímos significados a esses elementos. Em nosso espaçode vivência e convivência, lidamos e elaboramos diálogos que permeiam todas as possibilidades de criação de ideias, pensamentos, sentimentos, ações e reações. Na verdade, tudo que está a nossa disposição, pode ser utilizado como matéria prima para a criação de formas artísticas. Através dos sentidos (visão, tato, audição, paladar e olfato), da intuição, da imaginação, do intelecto e das sensações, é possível perceber uma criação artística. Perceber envolve apreender o mundo interno e o externo ao mesmo tempo. Ostrower (1987, p.57) nos descreve sobre a intuição e a percepção e que ambas são modos de conhecimento e canais que nos conduzem ao significado que damos às coisas. A percepção nos leva ao conhecimento: “Tudo se passa ao mesmo tempo. Assim, no que se percebe, se interpreta; no que se apreende, se compreende.”. O ato de criar requer o conhecimento dos processos vivenciados, das ações que permeiam a atividade criadora. O ato criador, sempre ato de integração, adquire seu significado pleno só quando entendido globalmente (...). Assim como o próprio viver, o criar é um processo existencial. Não abrange apenas pensamentos nem emoções. Nossa experiência e nossa capacidade de configurar formas e de discernir símbolos e significados se originam nas regiões mais fundas de nosso mundo interior, do sensório e da atividade, onde a emoção permeia os pensamentos ao mesmo tempo em que o intelecto estrutura as emoções. (Ibid., p.56) Arte e Educação 122 Portanto, podemos afirmar que criar é, antes de mais nada, existir, viver e dar vida a algo. Uma experiência sensível na qual nosso sistema perceptivo, todo o nosso corpo, entra em sintonia para dar existência a alguma coisa. Arte no espaço educacional A escola é considerada como o primeiro espaço formal para o desenvolvimento de cidadãos. Assim, o melhor é que se exercite o universo artístico e suas linguagens: artes visuais, teatro, dança, música e literatura. A partir dos estudos realizados até o momento, é possível reconhecer a necessidade da arte e sua capacidade transformadora. Assim, os educadores poderão contribuir para que o acesso a ela seja um direito do aprendiz. Com essa postura, pode-se desenvolver uma prática pedagógica coerente com os conhecimentos de arte que possibilitem ao educando conhecer o seu repertório cultural e entrar em contato com outras referências, sem que haja a imposição de uma forma de conhecimento sobre outra, com sintonia entre reflexão e prática. Arte e Educação 123 Arte-Educação e projetos Os projetos na escola são os reflexos da atitude pedagógica da escola, ou seja, como se dá a construção do conhecimento. A realização de projetos nas aulas de arte permite transformar as atividades artísticas isoladas em ações pedagógicas ativas, bem articuladas, significativas, em constante processo de avaliação e com possibilidade de replanejamento. “Na palavra projeto está contida uma intencionalidade, que ainda é um vir-a-ser.” (...) “A palavra projeto designa igualmente tanto o que é proposto para ser realizado quanto o que será feito para atingi-lo.” (MARTINS, 1998, p.158). Os projetos de trabalho que na verdade não são novidades como modalidade de ensino, mas sim uma proposta para reinterpretar, readaptar o olhar diferente, com o propósito de renovação da educação escolar. Sendo assim, no quadro abaixo estão elencados os aspectos comuns entre os projetos de trabalho e outras estratégias de ensino: -Vão além dos limites curriculares (tanto das áreas como dos conteúdos). -Os temas selecionados são apropriados aos interesses e ao estágio de desenvolvimento dos alunos. -Realizam-se experiências de primeira mão, como visitas, presença de convidados na escola, etc. -É necessário trabalhar estratégias de busca, organização e estudo de diferentes fontes de informação. -Implicam atividades individuais, grupais e de classe, em relação às diferentes habilidades e conceitos que são aprendidos. (HERNANDEZ. 2000, p.181) Arte e Educação 124 Então, como é possível identificar as diferenças existentes entre os projetos e outras modalidades de ensino? -Parte-se de um tema ou de um problema negociado com a turma. -Inicia-se um processo de pesquisa. -Busca-se e seleciona-se fontes de informação. -São estabelecidos critérios de organização e interpretação das fontes. -São recolhidas novas dúvidas e perguntas. -São estabelecidas relações com outros problemas. -Representa-se o processo de elaboração do conhecimento vivido. -Recapitula-se (avalia-se) o que se aprendeu. -Conecta-se com um novo tema ou problema. (Ibid.p.182) O Projeto é uma metodologia didática? O projeto não é encarado como uma metodologia didática, mas sim “uma forma de entender o sentido da escolaridade baseado no ensino para a compreensão”. (...) Nessa forma de compreender a educação, propõe as seguintes finalidades do projeto: (Ibid.) -Que os estudantes participem de um processo de pesquisa que faça sentido para eles ao utilizarem diferentes estratégias de pesquisa; -Que possam participar do processo de planejamento da própria aprendizagem; Que lhes auxilie a serem flexíveis, reconhecer o “outro” e compreender seu próprio meio pessoal e cultural. (Ibid. p.183) Arte e Educação 125 Com esse pensamento, Hernandez (2000) nos leva a entender: que a finalidade do ensino “é promover nos alunos a compreensão dos problemas que pesquisam” ; que compreender, é ser capaz de ir além da informação dada, é poder reconhecer as diferentes versões de um fato e buscar explicações, formulando hipóteses sobre as conseqüências dessa pluralidade de pontos de vista. Que Direção Tomar Para Trabalhar com Projetos em Arte? O ensino por projetos possui uma dinâmica própria que pode seguir algumas orientações já apresentadas na abordagem das linguagens artísticas: artes visuais,dança, teatro e música. Planejar um projeto é uma tarefa que pode demandar uma série de ações. A seguir apresentamos os pontos importantes de um projeto, tendo como objeto de estudo a análise de obras de arte: (HERNANDEZ, 2000). 1 - O que os alunos podem aprender: Que informação o título de uma obra nos oferece? Dinstinguir entre título e tema de uma obra. Quais foram as fontes de inspiração? Relacionar a vida do artista com sua obra. Compreender o conteúdo do movimento artístico referente à obra. Ampliar o conhecimento-base para fazer interpretações sobre as obras de arte e desenvolver estratégias para executá-las. Arte e Educação 126 2 – Conexões com outras disciplinas e saberes: Leitura e produção textual – a partir dos textos e pesquisas realizadas. Conhecimento histórico e temporal com referência às obras. 3 – Estratégias a serem desenvolvidas: Estabelecer relações e comparações entre várias obras de arte de distintos tempos e estilos. Relacionar diferentes fontes de informação para obter respostas para os problemas propostos. Aprender a verbalizar as relações sobre o que vemos e lemos. Tomar consciência sobre o que aprendeu. Conhecer diferentes materiais e saber utilizá-los nas suas produções artísticas. 4 – Início do projeto – aquisição de conhecimentos e experiências: Iniciar o projeto a partir do conhecimento adquirido em outros projetos semelhantes. Estabelecer uma relação dialógica comparativa dos conhecimentos e conteúdos adquiridos anteriormente. Identificar o eixo do projeto: o que se pode aprender de uma obra de arte? Arte e Educação 127 5 – Tema do projeto: O que se pode aprender de uma obra? (como sugestão, pode-se iniciar com o estudo de uma obra e no decorrer do projeto, outras obras desse mesmo autor podem ser estudadas ou, obras de outro artista são inseridas para efeito de comparação entreanálise de estilo, técnica, tempo, etc.). 6 - Ideias-Chave – Problematização Como se constrói o conhecimento? Os indivíduos aprendem com os outros? De onde vem a inspiração para a criação? Os artistas se inspiram nas obras de outros artistas? O professor deve listar previamente uma série de questões para estimular os alunos a encontrarem ideias-chave do projeto. 7 – Atividades com toda a turma: Conversas para identificar o que se pode aprender de uma obra de arte (sondagem). Diálogos sobre o título dado à(s) obra(s)de estudo. Caracterizar os aspectos formais da(s) obra(s). Estabelecer trocas dialógicas com o grupo que permitam identificar o estágio inicial do projeto e o que foi aprendido, em relação a “o que se pode aprender de uma obra?”. 8 – Atividades em grupo: Busca de fontes de informação para respostas aos conteúdos referentes à(s) obra(s) – título e tema. Busca de fontes de informação sobre o(s) artista(s) e suas obras. Arte e Educação 128 9 – Atividades individuais: Anotações sobre os significados dos termos do título da(s) obra(s). Descrição das características biográficas do(s) autor(es). Estabelecer semelhanças e diferenças entre as obras e artistas estudados. Produção gráfica sobre o tema da(s) obra(s). Produção de texto sobre as fontes de inspiração da(s) obra(s). Apresentar um comentário sobre: o que se pode aprender de um quadro? 10 - Recursos, materiais, textos, livros e visitas: Arte e Educação 129 Disponibilizar reproduções das obras a serem estudadas: em vídeos, imagens digitalizadas, livros, folhetos. Disponibilizar textos extraídos de diferentes fontes sobre as obras em estudo. Se possível, visitar exposições, museus, galerias e locais no qual se possa observar as obras em análise. 11 – Apresentação do portifólio: Organização cronológica de toda a trajetória percorrida durante a realização do projeto, incorporando: textos, desenhos, transcrição das conversas em grupo, registros fotográficos, registros das visitas a exposições, desenhos, colagens. O portifólio é um excelente recurso no trabalho com projetos. Deve conter todas as produções individuais e registros das atividades em grupo realizadas durante o projeto. Essa reconstrução é realizada, geralmente, em folhas A3, e cada aluno organiza seu trabalho seguindo orientações dos professores. É importante que haja “liberdade” para compor esteticamente o portifólio, que ao final, apresentará características pessoais do aluno. 12 – Avaliação: o que compreenderam. A avaliação identifica o ponto de partida do projeto, o levantamento das dúvidas e da pergunta inicial: o que se pode aprender de um quadro? E também deve conter as respostas alcançadas no momento final. Identificar os novos conceitos, as relações com o tempo histórico, a biografia do(s) artista(s), sua influências e as estratégias desenvolvidas para aquisição do conhecimento pretendido. Arte e Educação 130 Revendo o que foi apresentado acima, o que é importante considerar nos projetos em arte? (MARTINS, 2000). A escolha do tema qual o objeto de estudo? A partir de um conjunto de ideias e perguntas, identifica-se a necessidade, o interesse e importância que justifique o estudo do tema. Como desenvolver a aprendizagem? Através da seleção de situações de aprendizagem que instiguem o aprendiz de arte na solução dos problemas levantados. As ações são definidas e desenvolvidas durante o projeto, na observação dos resultados e na reconstrução de novas situações de aprendizagem. A utilização das linguagens artísticas e seus códigos - permitem ao aprendiz se expressar e se comunicar a partir da leitura e conhecimento dos objetos de arte estudados. Revelação e ampliação dos conhecimentos de arte – os textos, as ideias, as produções, as conclusões devem servir como “centelhas” para iluminar novos conhecimentos, novas idéias, novas possibilidades. Desse modo, o trabalho com projetos possibilita sintonizar os conteúdos que queremos ensinar com aqueles trazidos pelos aprendizes. È na sua inter-relação que poderemos problematizar e provocar o que já se sabe e aquilo que se deseja saber, ampliando e aprofundando o conhecimento arte, alimentando o questionamento, a dúvida, as possíveis soluções e o prazer de estar vivo no processo de aprender e ensinar. (MARTINS, 2000, p.167,grifo nosso). Essa unidade apresenta a síntese das propostas para o ensino de Arte na atualidade. Então, procure rever o conteúdo e avalie se conseguiu entender: Arte e Educação 131 - As aulas de Arte devem contemplar atividades das quatro linguagens: artes visuais, teatro, música e dança, na produção de arte e no contato com o patrimônio artístico, exercitando a cidadania cultural com qualidade. - Não é objetivo do ensino de arte da escola, formar artistas, mas sim fruidores, decodificadores das obras de arte. - As verdadeiras experiências com arte na escola são aquelas que vão levar o aprendiz a revelar suas ideias, seu pensamento, ampliando sua percepção para receber as informações externas e a leitura de mundo. - Sobre a linguagem da dança: a escola pode desempenhar papel importante na educação da expressão corporal e do processo interpretativo e criativo de dança, ao transformar as relações que se estabelecem entre corpo, dança e sociedade. - Para o bom desenvolvimento da linguagem da dança é importante que os estudantes tenham acesso a espetáculos de dança, que possam contar com o apoio de profissionais especializados nesse campo do conhecimento e que a escola se conscientize da importância e necessidade de oferecer em seu currículo a arte do movimento – a dança. - A linguagem do teatro pode ser entendida como uma forma de promover experiências, focando o envolvimento total com o ambiente, exercitando o pensamento “como se”, simbolizando e agindo como alguém ou algo além de si próprio, através do jogo. - Na escola, por meio dos jogos, o arte-educador pode criar contextos significativos para a aprendizagem da linguagem teatral. Assim, o aluno se familiariza com a linguagem do palco e com os desafios da presença em cena. Ao observar jogos teatrais, ao assistir a cenas e espetáculos, o aluno aprende a distinguir concepções de direção, estilos de interpretações, cenografia, figurinos, sonoplastia e iluminação. Aprecia o conjunto da encenação e desenvolve, enfim, a atitude crítica. Arte e Educação 132 - A linguagem musical é desenvolvida através de experiências como: prestar atenção ao som, observar as características rítmicas, os silêncios, os instrumentos e o uso da voz. - A linguagem musical necessita ser vivenciada e experienciada significativamente, no contato com instrumentos, gravações, audições e apresentações musicais de diferentes grupos e estilos. - A expressão pela linguagem visual requer experiências com o desenho, linhas, cores, modelagem em massa ou argila, recorte, colagem, fotos, filmagem. - A ação do professor, seu modo de instigar o aluno a ver mais, a olhar profundamente para perceber os detalhes, a se sensibilizar com o inusitado, a buscar novidades, despertar os sentidos potencializando a curiosidade, pode ser determinante no desenvolvimento da linguagem visual. - Criar é, antes de mais nada, existir, viver e dar vida a algo. Uma experiência sensível na qual nosso sistema perceptivo, todo o nosso corpo entra em sintonia para dar existência a alguma coisa. - Aceitar que o fazer artístico e a fruição estética contribuem para o desenvolvimento de crianças e de jovens é ter a certeza da capacidade que a arte tem de ampliar o seu potencial cognitivo e assim conceber e olhar o mundo de modos diferentes. - A realização de projetos nas aulas de arte permite transformar as atividades artísticasisoladas em ações pedagógicas ativas, bem articuladas, significativas, em constante processo de avaliação e com possibilidade de replanejamento. LEITURA COMPLEMENTAR Veja a seguir, as leituras complementares sugeridas. Não deixe de lê- las, porque são as fontes de informação para entendimento do conteúdo apresentado nessa unidade. Arte e Educação 133 ARNHEIM, Rudolf. Arte e percepção visual: uma psicologia da visão criadora. São Paulo. Pioneira Thomson Learning, 2004. BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo. Perspectiva, 1999. _________________. Teoria e prática da educação artística. São Paulo, Cultrix, 1975. Brasil (Ministério da Educação e do Desporto). Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF, 1998. DELORS, J. Educação: Um tesouro a descobrir. Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI. Rio Tinto: Asa, 1996. FREINET, C. Pedagogia do bom senso. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. __________. Conselho aos pais. 2ª ed. Lisboa: Estampa 1974. LABAN, R. Domínio do movimento . São Paulo: Summus, 1978. ________ . Dança educativa moderna. São Paulo: Ícone, 1990. ________ . Dance in general. In: The Laban Art of Movement Guild nº 26, London, 1961. HERNANDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho . Porto Alegre. Artes Médicas Sul, 2000. MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE Gisa; GUERRA M. Terezinha Telles. Didática do ensino de arte: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo. FTD, 1998. OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis, Vozes, 1987. SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo. Perspectiva, 1998. É HORA DE SE AVALIAR Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! Arte e Educação 134 Arte e Educação 135 Exercício-Unidade 4 1- As verdadeiras experiências com arte na escola são aquelas que vão levar o aprendiz a revelar suas ideias, seu pensamento, ampliando sua percepção para receber as informações externas e a leitura de mundo. Nesse sentido é correto afirmar que o fazer artístico: a) necessita ser realizado em ambiente externo, natural, para que o aluno incorpore novas ideias e experiências sensíveis na sua produção. b) necessita ser impregnado de propostas e desafios estéticos, provocador de ideias, que proporcionem experiências sensíveis e cognitivas capazes de evocar formas expressivas percebidas como imagem sonora, gestual ou visual. c) consiste na elaboração de objetos de arte, na produção de espetáculos artísticos em música, teatro e dança. d) seja acompanhado por profissionais especializados, através de ações direcionadas pela escola e comunidade. e) possa revelar os artistas existentes na escola, para orientá-los em suas futuras profissões. 2 - Segundo (MARTINS, 1998) “Através do conhecimento de cada linguagem o aprendiz revela suas ideias e sentimentos”. A ferramenta reveladora do fazer artístico é denominada por essa autora como: a) ciência da arte-educação. b) estudo da cognição sensório-motora. c) metodologia sócio – interacionista. d) gramática da linguagem da arte. e) ciência artística e poética. Arte e Educação 136 3 - Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto apresentado: “A linguagem da dança é um _____________________, ou seja, um pensar em termos de _________, que se executa como __________________, impulsionado pelas sensações musculares e articulações do corpo.” (MARTINS, 1998 p.138) a) pensamento cinestésico – movimento - emoção física b) jogo interpretativo – linhas e formas – experiência real c) pensamento cinestésico – linhas e cores – ação corporal d) ato coletivo – exercícios físicos - ação corporal e) jogo criativo – expressão visual - emoção física 4 - Segundo o PCN-Arte, as aulas de arte devem contemplar as quatro linguagens artísticas: a) artes musicais, teatro, folclore e escultura. b) jogos teatrais, aulas de música, pintura e desenho. c) danças folclóricas, teatro livre, pintura e modelagem. d) artes visuais, teatro, desenho e pintura. e) artes visuais, teatro, música e dança. 5 – Leia o texto abaixo : “Todas as pessoas são capazes de atuar no palco. Todas as pessoas são capazes de improvisar. As pessoas que desejarem são capazes de jogar e aprender a ter valor no palco.” Essas palavras são retiradas do importante trabalho de pesquisa com o sistema de jogos teatrais realizado por: Arte e Educação 137 a) Célestin Freinet b) Fernando Hérnandez c) Ana Mae Barbosa d) Viola Spolin e) Gisa Picosque 6- Leia com atenção o texto a seguir e classifique-os com (C) certo ou (E) errado e selecione a alternativa adequada. O aluno é capaz de experienciar e desenvolver-se na linguagem musical quando se envolve com: I- ( ) a exploração de diversas possibilidades, meios e materiais sonoros, utilizando conhecimentos da linguagem musical, comunicando-se e expressando-se. II– ( ) a prática do pensamento visual, capaz de formar imagens mentais, criando possibilidades para construção de formas e ideias. III - ( ) o•conhecimento e apreciação de músicas de seu meio sociocultural e do conhecimento musical construído pela humanidade em diferentes períodos históricos e espaços geográficos. IV - ( ) experimentação e apreciação de diversas possibilidades do conhecimento científico construído pela humanidade em diferentes períodos históricos e espaços geográficos. a) Estão erradas: I, II e IV. b) Está certa a I e erradas II, III e IV. c) Estão certas; I e III. d) Estão erradas: II, III e IV. e) Todas as alternativas estão corretas. Arte e Educação 138 7- Os três momentos que representam os pilares propostos por Ana Mae Barbosa para a denominada Metodologia Triangular são: a) saber produzir arte nas áreas visuais, musicais e teatrais. b) conhecer as linguagens musicais, visuais e corporais. c) saber olhar, saber produzir conhecimentos sociais e fruir conhecimentos artísticos. d) olhar – “fruir”; conhecer – “contextualizar” e produzir arte - “fazer artístico”. e) “fruir” – contextualizar/ produzir linguagens / e dar significado ao “fazer artístico” 8- O fazer artístico que contemple o manuseio e seleção de materiais, instrumentos, suportes, técnicas, procedimentos, informações sobre história da arte, artistas e sobre as relações culturais e sociais envolvidas na experiência de fazer e apreciar arte está relacionado à: a) linguagem corporal b) linguagem visual c) prática da técnica manual d) linguagem da estética musical e) expressão social 9 - Considerando que, nas aulas de arte, o aluno irá realizar produções utilizando as diferentes linguagens artísticas, apresente os aspectos que devem fazer parte do processo de avaliação: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Arte e Educação 139 ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 10 - A realização de projetos nas aulas de arte permite transformaras atividades artísticas isoladas em ações pedagógicas ativas, bem articuladas, significativas, em constante processo de avaliação e com possibilidade de replanejamento. Caracterize os projetos de trabalho na escola: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Arte e Educação 140 Arte e Educação 141 Considerações Finais Chegamos ao final da disciplina Arte e Educação. Mas a aprendizagem não para por aqui, pois a arte, em suas quatro linguagens de expressão, não pode ser compreendida em um simples começo e fim. Para os que entenderam que conhecer, fazer e fruir arte são experiências que contribuem para ampliar o potencial cognitivo, e mais ainda, ampliam o modo de olhar o mundo, fica a certeza de que a principal lição foi aprendida. Agora, é com você. Continue essa caminhada e estude, pesquise e siga buscando uma atitude sempre ativa, tornando seus sentidos mais aguçados, sabendo que a arte é uma linguagem natural e todos têm potencial para se expressar. Sucesso! Arte e Educação 142 Arte e Educação 143 Conhecendo a Autora Lucia Lyra de Serpa Pinto É licenciada em Educação Artística pela UFRJ, Mestre em Educação e Pós graduada em Administração Escolar pela UNIVERSO - Universidade Salgado de Oliveira - RJ. Especializou-se em Estilo e Criação de Moda, através de convênio entre a UNIVERSO e Universidade Anhembi Morumbi - SP. Na UNIVERSO, atua como gestora e professora do Curso de Licenciatura em Educação Artística, onde ministra desde 1996 disciplinas como Composição e Cor, Projeto Comunitário, Prática de Ensino, entre outras. Nessa instituição, também é professora do Curso de graduação em Design de Moda ministrando as disciplinas: Laboratório de Criação, Oficina de Produção, Desenvolvimento de Produto e Estágio Supervisionado. Atua no Ensino à Distância - EAD da UNIVERSO como tutora da disciplina Técnicas de Estudo e Pesquisa. Lecionou a disciplina Educação Artística no curso Normal do Instituto de Educação Clélia Nanci de 1985 a 2011, na rede estadual de ensino do Estado do Rio de Janeiro, atualmente está aposentada dessa função. Lecionou no curso de Tecnólogo de Moda da Universidade Cândido Mendes – Niterói, RJ ministrando a disciplina Laboratório de Criação e no curso de graduação em Artes Visuais na ESEHA, Escola Superior de Ensino Helena Antipoff – Niterói, RJ, as disciplinas Desenho Geométrico e Percepção Visual. Durante o período de 1993 a 2001, atuou como facilitadora em Informática Educacional na empresa TREND - Tecnologia Educacional, RJ no colégio Centro Educacional de Niterói, RJ. Arte e Educação 144 Como coordenadora do Projeto Escola 24 Horas, atuou na Associação Educacional Miraflores, Colégio Monsenhor Raeder, Colégio Joan Miró, todos em Niterói, e nos colégios Jean Piaget e Odete São Paio em São Gonçalo, RJ, com Informática Educacional. Na área de moda, administrou a microempresa Belluan Confecções M/E, responsável pelos processos de desenvolvimento de coleção, modelagem, compras e marketing de 1985 a 1991. Desde 1998 participa de diversos eventos e projetos nas áreas de Educação, Arte e Moda, trabalhando em projetos comunitários e em cursos de extensão. Arte e Educação 145 Referências ARNHEIM, Rudolf. Arte e percepção visual: uma psicologia da visão criadora. São Paulo. Pioneira Thomson Learning, 2004. BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo. Perspectiva, 1999. _________________. Teoria e prática da educação artística. São Paulo, Cultrix, 1975. Brasil (Ministério da Educação e do Desporto). Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF, 1998. DELORS, J. Educação: Um tesouro a descobrir. Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI. Rio Tinto: Asa, 1996. FREINET, C. Pedagogia do bom senso. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. __________. Conselho aos pais. 2ª ed. Lisboa: Estampa 1974. LABAN, R. Domínio do movimento . São Paulo: Summus, 1978. ________ . Dança educativa moderna. São Paulo: Ícone, 1990. ________ . Dance in general. In: The Laban Art of Movement Guild nº 26, London, 1961. FERRAZ e FUSARI, Maria Heloisa Corrêa de Toledo. Metodologia do ensino de arte. São Paulo. Cortez, 1993. HERNANDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho . Porto Alegre. Artes Médicas Sul, 2000. MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE Gisa; GUERRA M. Terezinha Telles. Didática do ensino de arte: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo. FTD, 1998. OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis. Vozes, 1987. SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo. Perspectiva, 1998. Arte e Educação 146 Arte e Educação 147 nexos A Arte e Educação 148 Gabaritos Exercícios – Unidade 1 1-c 2-e 3-b 4-a 5-e 6-d 7-b 8-d 9-Pedagogia tecnicista – nas aulas de arte os professores valorizam os aspectos técnicos, o uso de materiais diversificados (sucatas) e os livros didáticos. Dão pouca importância ao conhecimento das linguagens artísticas e maior ênfase à livre expressão. 10- A arte pode ser ensinada e aprendida em diversos lugares: na família, nos centros culturais, igrejas, museus, teatros, cinemas. À escola cabe oportunizar que crianças e jovens possam compreender e vivenciar o processo artístico e sua história. Exercícios – Unidade 2 1-b 2- c 3- a 4- c 5- e 6- a 7- b 8- d 9- Poetizar - no sentido de se encantar com tudo que nos rodeia ser capaz de se emocionar, criar, imaginar, fantasiar. Fruir - é deleitar-se; envolver-se com o momento da descoberta como se fosse único e todo seu, a única possibilidade de prazer e encantamento. Arte e Educação 149 Conhecer - é vislumbrar, dar sentido e significado a tudo. Saber e conhecer o porquê das descobertas, das vivências, das experiências, da evolução, do progresso e da transcendência. 10- A expressão criadora é a expressão natural da singularidade individual. É a maneira pessoal do indivíduo devolver ao exterior as impressões que capta do meio. A criação infantil não é o resultado da influência do professor com seus sentimentos, pensamentos e emoções. O importante no trabalho com crianças é estimular os sentidos e a imaginação, porque eles conduzem à aprendizagem. Exercícios – Unidade 3 1- b 2- c 3- e 4- d 5- a 6- c 7- c 8- b 9- O currículo deve apresentar os conhecimentos de arte transdisciplinarmente; baseando-se nas características evolutivas, sociais e culturais dos estudantes; estabelecendo conexões interculturais e partindo de uma posição social crítica. 10- Para Ana Mae, “Arte-educação é uma certa epistemologia da arte como pressuposto e como meio; são os modos de inter-relacionamento entre a arte e o público, ou melhor, a intermediação entre o objeto de arte e o apreciador.” Exercícios – Unidade 4 1- b 2- d 3- a 4- e 5- d 6- c 7- d 8- b Arte e Educação 150 9- A avaliação no processo de ensino e aprendizagem de arte precisa ser realizada com base nos conteúdos, objetivos e orientação do projeto educativo na área. Para se concretizar esta avaliação, são necessários três momentos: Diagnosticar o nível de conhecimento artístico e estético dos alunos, nesse caso costuma ser prévia a uma atividade; Durante a própria situação de aprendizagem, quando o professor identificacomo o aluno interage com os conteúdos e transforma seus conhecimentos; O término de um conjunto de atividades que compõem uma unidade didática para analisar como a aprendizagem ocorreu. 10- Segundo Fernando Hernandez, as características dos projetos na escola são; “Partir de um tema ou de um problema negociado com a turma; Iniciar um processo de pesquisa. Buscar e selecionar fontes de informação; estabelecer critérios de organização e interpretação das fontes; recolher novas dúvidas e perguntas; estabelecer relações com outros problemas; representar o processo de elaboração do conhecimento vivido; recapitular (avaliar) o que se aprendeu; conectar-se com um novo tema ou problema.”.