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“SER O QUE SE É.” 
 
Lia Pinheiro 
Rogers aposta que o que o ser humano procura, 
quano tem a liberdade de escolher, é justamente 
“ser o que realmente se é”. 
CARL RANSOM ROGERS 
Nasceu em 08.01.1902 em Oak Park, Chicago; 
 
Formado em Teologia, História e Psicologia; 
 
Foi o mais influente psicólogo na história 
Americana; 
 
Seus pais eram protestantes, universitários e 
conservadores; cinco irmãos. 
 
Faleceu em 4 de fevereiro do 1987, em La 
Jolla, na Califórnia, na sequência de uma 
fratura do colo do fêmur. De acordo com as 
instruções que deixara, as máquinas que 
mantinham "artificialmente" a sua vida foram 
desligadas após três dias de coma. 
 
 
A psicologia humanista de Carl Rogers causou tanta 
admiração que foi definida como a revolução 
silenciosa. Rogers trouxe o otimismo mais vital para a 
psicoterapia para nos convencer de que todos nós 
merecemos nos transformar na pessoa que sonhamos 
ser. 
 
Enfatizou nossa capacidade de avançar e criar um 
mundo melhor, nos encorajou a sermos responsáveis 
por nós mesmos, a nos abrir para as experiências 
através de uma terapia não diretiva, com a qual o 
autoconhecimento é o favorecido. 
O que é necessário é antes de mais nada, de assumir 
a liberdade humana – a possibilidade de tomar 
decisões e ser responsável por elas. Rogers não nega 
a existência de toda a sorte de forças exteriores que 
constringem o homem, mas vê que, em todas as 
situações nas quais ele se encontra, sempre há, por 
menor que seja, um âmbito de decisão. 
Noção do Eu 
(self ou autoconceito) 
 
Forma-se em conseqüência da interação do 
organismo com o meio, é uma organização da 
consciência de existir, a partir das relações do eu com 
o outro e que é permeada por um conjunto de valores 
que o indivíduo atribui às percepções de si. 
 
Então o self é a visão que a pessoa tem de si própria, 
baseada em:experiências passadas, estimulações 
presentes e expectativas do futuro 
 
 
 
O eu ligado à autoimagem é chamado de self ideal, 
ao passo que o self real é aquele 
que a pessoa realmente é e 
o experiencia. 
Quando há uma concordância entre self ideal e self 
real, há um estado de congruência, mas, quando há 
uma discrepância entre self ideal e self real, há um 
estado de incongruência (um estado- 
desassossegado, em que existe uma discrepância 
entre o eu, tal como é percebido, e a experiência 
presente no organismo total). 
 
 
A congruência é bem descrita por um Zen-budista ao 
dizer: "Quando tenho fome, como; quando estou 
cansado, sento-me; quando estou com sono, durmo". 
 
 
Caso este estado de incongruência seja percebido, 
ocorre um estado de tensão e ansiedade. E é nesse 
momento que o cliente geralmente chega à terapia. 
Ele não consegue se reconhecer, comumente tem 
atitudes e reações 
que não entende por que 
as teve, sente-se perdido 
e dividido. 
O homem tende à autorrealização e o faz 
acrescentando sempre novas vivências e 
experiências. 
 
É um processo de tornar-se livre, à medida que a 
pessoa usufrui de sua liberdade de escolha no sentido 
de decidir por uma vida plena, pode tomar rumo de 
sua vida, de modo a escolher as novas decisões que 
aparecerão de modo ainda mais livre. 
Assim, todas as experiências por que anseia o homem 
para sua autorrealização têm como centro o eu. Toda 
motivação de autorrealização é motivação para que o 
eu se realize. Contudo, nesse afã de autorrealização, 
a imagem que a pessoa tem do seu eu é distinta do 
eu real. 
 
A pessoa tem um eu ideal que não é o mesmo que o 
eu real. 
Se a pessoa aceita o seu self real e se desenvolve, 
ela passa a ter menos medo de acontecimentos que 
venham a desmascarar o self ideal e, portanto, a 
se defender menos dos outros, aumentando a sua 
confiança. 
 
Aceitar-se como se é na realidade e não como 
se quer ser é sinal de saúde mental. 
 
Foco do processo 
 
É ativo, porém, em situações mais complexas 
precisa da mediação de um adulto; 
 
Deve estar motivado para a 
aprendizagem; 
 
Ser humano imperfeito, dotado 
de muitos sentimentos e 
 potencialidades. 
 
CLIENTE 
A respeito do processo de tornar-se pessoa, vivido 
durante a psicoterapia, Carl Rogers fala de sua 
admiração pela maneira como o filósofo Soren 
Kierkegaard ilustrou o dilema do indivíduo há mais de 
um século: 
Ele destaca que “o desespero mais comum é estar 
desesperado por não escolher, ou não estar disposto 
a ser ele mesmo; porém, a forma mais profunda de 
desespero é escolher “ser outra pessoa que não ele 
mesmo”. 
Ser o que realmente se é seria o oposto do desespero 
e a maior responsabilidade do homem. Apesar de 
dolorosa e inquietante, a exploração da realidade do 
eu é necessária, pois não ser quem se é é o que gera 
desespero. 
CLIENTE X PACIENTE 
Termo “cliente” ao invés de “paciente” porque assim enfatiza a 
participação responsável voluntária e ativa da pessoa. também 
sugere igualdade entre o terapeuta e a pessoa buscando ajuda, 
evitando a implicação de que o indivíduo esteja doente ou 
participando de alguma experiência. 
 
Um cliente é alguém que deseja um serviço e que pensa não 
poder realizá-lo sozinho. Embora possa ter muitos problemas, é 
ainda visto como uma pessoa inerentemente capaz de entender 
 sua própria situação. Há uma igualdade e espontaneidade 
implícita no modelo do cliente, que não está presente no 
relacionamento médico-paciente. 
 
TERAPEUTA 
O terapeuta centrado no cliente mantém uma certeza 
de que a personalidade interior, e talvez não 
desenvolvida do cliente, é capaz de entender a si 
mesma. 
 
Para Rogers, um bom terapeuta deve possuir a 
habilidade para comunicar esta compreensão ao 
cliente. O cliente precisa saber que o terapeuta é 
autêntico, preocupa-se, ouve e o compreende de fato. 
Função do Terapeuta 
Ajudar a mobilizar tendências inerentes no sentido de 
uma compreensão e crescimento pessoal, fornecendo 
uma aceitação e compreensão em busca de mais 
conscientização. 
Autenticidade do facilitador 
 
 
Capacidade de o facilitador ser real, sem máscara 
nem fachada na relação com o cliente. 
TRÊS CONCEITOS 
 
- congruência (ser o que se sente, sem mentir para si 
e para os outros) 
 
- empatia (capacidade de sentir o que o outro quer 
dizer, e de entender seu sentimento) 
 
- aceitação incondicional (aceitar o outro como este é, 
em seus defeitos, angústias, etc.). 
 
Quando o indivíduo, durante o processo de terapia, 
experimenta um ambiente de aceitação incondicional, 
segurança e empatia, ele tende a se afastar do que 
ele não é. Segundo Rogers durante a terapia, o 
indivíduo se afasta de suas fachadas e de tudo o que 
ele deveria ser. 
 
A terapia consiste em um processo de aprendizagem, no 
qual o cliente descobre novos aspectos sobre si mesmo. 
 
O cliente passa a falar mais de si mesmo, no lugar de falar 
de sintomas, do ambiente externo e dos outros. Rogers 
relata que comumente seus clientes sentiam que não 
estavam sendo seu verdadeiro self e ficavam contentes 
quando se tornavam verdadeiramente eles mesmos.. 
...“o que realmente se é” não significa fechar- 
se em si mesmo. Ao contrário de acarretar 
egoísmo, é um processo que envolve a 
responsabilidade do sujeito por ele mesmo e por 
suas ações. É uma liberdade responsável, pois 
estando livre para “ser”, o sujeito deve também 
assumir a responsabilidade por seus próprios 
desejos e ações. 
Ser o que se é, é abertura, é mergulhar num processo 
de constantes mudanças. É aceitação da experiência 
vivida pelo organismo. 
 
“Ser o que se é” é um processo que envolve 
sabedoria, coragem e responsabilidade, sendo o que 
se está sendo. 
Há muitas incertezas sobre o futuro e apenas 
 uma certeza: nada será como antes. 
 
Como seráquando abrirmos a porta? 
 
 
Que mundo encontraremos?... 
 
Que tipo de mundo habitaremos quando a 
tempestade passar? 
Sim, a tempestade passará, a humanidade 
sobreviverá, a maioria de nós ainda estará viva – 
mas habitaremos um mundo diferente. 
(Harari, Y., Financial Times, 2020)

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