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Patologia Oral e Maxilofacial - 3 ed NEVILLE

Livro (tradução da 3ª edição) de Patologia Oral e Maxilofacial por Neville et al., sobre doenças da boca, dentes e maxilares; traz apêndices, bibliografia e índice, com revisão científica assinada por especialistas citados.

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Patologia
Oral e Maxilofacial
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NEVILLE I DAMM I ALLEN I BOUQUOT
Patologia
Oral e Maxilofacial
B R A D W. N E V I L L E , D D S
 Distinguished University Professor
 Director, Division of Oral and Maxillofacial Pathology
 Department of Stomatology
 College of Dental Medicine
 Medical University of South Carolina
 Charleston, South Carolina
D O U G L A S D. D A M M , D D S
 Professor
 Division of Oral and Maxillofacial Pathology
 College of Dentistry
 University of Kentucky
 Lexington, Kentucky
C A R L M . A L L E N, D D S , M S D
 Professor and Director
 Oral and Maxillofacial Pathology
 College of Dentistry
 The Ohio State University
 Columbus, Ohio
Professor
Department of Pathology
College of Medicine and Public Health
The Ohio State University
Columbus, Ohio
J E R R Y E . B O U Q U O T, D D S , M S D
 Professor and Chair
 Department of Diagnostic Sciences
 University of Texas
 Dental Branch at Houston
 Houston, Texas
 Consultant in Pediatric Oral Pathology
 Division of Dentistry
 Pittsburgh Children’s Hospital
 Pittsburgh, Pennsylvania
Consultant in Oral Pathology
Department of Pathology
New York Eye and Ear Infirmary
New York, New York
Adjunct Professor
Department of Rural Health and Community 
Dentistry
School of Dentistry
West Virginia University
Morgantown, West Virginia
TRADUÇÃO DA 3ª EDIÇÃO
Do original: Oral and Maxillofacial Pathology, 3th edition
� 2009 e 2002 por Saunders, um selo editorial Elsevier, Inc.
Tradução autorizada do idioma inglês da edição publicada por Saunders – um selo editorial Elsevier
ISBN: 978-1-4160-3435-3
� 2009 Elsevier Editora Ltda.
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998.
Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida sejam 
quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros.
ISBN: 978-85-352-3089-5
Capa
Folio Design
Editoração Eletrônica
Arte e Idéia Identidade Visual
Elsevier Editora Ltda.
Conhecimento sem Fronteiras
Rua Sete de Setembro, nº 111 – 16º andar
20050-006 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Rua Quintana, nº 753 – 8º andar
04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP
Serviço de Atendimento ao Cliente
0800 026 53 40
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NOTA
O conhecimento médico está em permanente mudança. Os cuidados normais de segurança devem ser seguidos, 
mas, como as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso conhecimento, alterações no tratamento 
e terapia à base de fármacos podem ser necessárias ou apropriadas. Os leitores são aconselhados a checar 
informações mais atuais dos produtos, fornecidas pelos fabricantes de cada fármaco a ser administrado, para 
verificar a dose recomendada, o método e a duração da administração e as contraindicações. É responsabilidade do 
médico, com base na experiência e contando com o conhecimento do paciente, determinar as dosagens e o melhor 
tratamento para cada um individualmente. Nem o editor nem o autor assumem qualquer responsabilidade por 
eventual dano ou perda a pessoas ou a propriedade originada por esta publicação.
O Editor
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
P338
Patologia oral & maxilofacial / Brad Neville... [et al.] ; [tradução Danielle Resende Camisasca 
Barroso... et al.]. — Rio de Janeiro : Elsevier, 2009. 
 il.
Tradução de: Oral & maxillofacial pathology, 3rd ed
Apêndices
Inclui bibliografia e índice
ISBN 978-85-352-3089-5
1. Boca - Doenças. 2. Dentes - Doenças. 3. Maxilares - Doenças. I. Neville, Brad W.
09-2606. CDD: 617.522 
 CDU: 616.31
01.06.09 05.06.09 012996
Revisão Científica
ADRIANA TEREZINHA NEVES NOVELLINO ALVES (Caps. 1 a 3, Apêndice e Índice)
Professora de Patologia Bucodental e Diagnóstico Bucal e Estomatologia do Curso de Odontologia da Faculdade Pestalozzi 
do Estado do Rio de Janeiro
Professora de Patologia Oral e Estomatologia do Curso de Odontologia da Universidade Gama Filho (UGF)
Mestre em Patologia Oral pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Especialista em Patologia Oral pela Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
ARLEY SILVA JÚNIOR (Caps. 7 a 11)
Pós-Doutor em Medicina Oral pela Faculdade de Odontologia da Universidade da Califórnia – São Francisco – EUA
Doutor em Ciências Diagnósticas pela Faculdade de Odontologia da Universidade de Maryland – Baltimore – EUA
Mestre em Patologia Bucodental pela Universidade Federal Fluminense (UFF)
Especialista em Patologia Oral pela Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Professor de Propedêutica e Estomatologia do Curso de Odontologia da Universidade Gama Filho (UGF)
Odontólogo do Departamento de Patologia e Diagnóstico Oral da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal 
do Rio de Janeiro (UFRJ)
Professor do Curso de Especialização em Pacientes com Necessidades Especiais da Faculdade de Odontologia 
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
FÁBIO RAMÔA PIRES (Caps. 4 a 6)
Professor Adjunto de Patologia Bucal - FO/UERJ
Professor de Patologia e Estomatologia - Universidade Estácio de Sá
Doutor em Estomatopatologia - FOP/UNICAMP
Mestre em Biologia e Patologia Bucodental, área de Patologia – FOP/UNICAMP
Especialista em Estomatologia - FO/UFRJ
ROSEANA DE ALMEIDA FREITAS (Caps. 12 a 15)
Professora do Programa de Pós-graduação em Patologia Oral da UFRN
Professora de Patologia Oral e Patologia Geral do Curso de Odontologia da UFRN 
Doutora em Patologia Bucal pela FO-USP
Mestre em Patologia Oral pela UFRN
SONIA MARIA SOARES FERREIRA (Caps. 16 a 19)
Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da UFRJ
Mestre em Cirurgia Oral e Maxilofacial pela FO-UFRJ
Mestre em Ciências pela Faculdade de Odontologia da Universidade de Maryland, Baltimore, EUA
Especialista em Estomatologia pela FO-UFRJ
Professora da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde do Curso de Odontologia do Centro de Estudos Superiores de Maceió
v
Tradução
ALINE CORRÊA ABRAHÃO (Caps. 11, 12 e Índice)
Professora Substituta de Patologia Oral da Faculdade de Odontologia da UFRJ
Doutoranda em Patologia Bucal pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP)
Mestre em Patologia Bucal pela UFF
Especialista em Estomatologia pela Faculdade de Odontologia da UFRJ
ANA FLÁVIA SCHUELER DE ASSUMPÇÃO LEITE (Cap. 7)
Odontóloga e Mestre em Patologia pela UFF
DANIEL COHEN GOLDEMBERG (Caps. 18 e Apêndice)
Doutorando em Patologia Oral pela University College London – University of London - Londres - Reino Unido
Especialista em Estomatologia pela Faculdade de Odontologia da UFRJ
Graduação em Odontologia pela Faculdade de Odontologia da UFRJ
DANIELA AMORIM MARCO PERES (Cap. 3)
Especialista em Radiologia Oral pela Faculdade de Odontologia da UFRJ
DANIELLE RESENDE CAMISASCA BARROSO (Caps. 15 e 17)
Professora da Especialização em Estomatologia da Odontoclínica Central do Exército (OCEX)
Doutoranda e Mestre em Patologia pela UFF
Especialista em Estomatologia pela UFRJ
Cirurgiã-Dentista pela UFES
HUGO CÉSAR PINTO MARQUES CARACAS (Cap. 14)
Doutor e Mestre em Ortodontia pela UFRJ
JOSÉ DE ASSIS SILVA JÚNIOR (Cap. 16)
Doutorando e Mestre em Patologia pela UFF
Especialista em Estomatologia pela UFRJ
MICHELLE SCALERCIO (Cap. 2 – Parte)
Cirurgiã-Dentista pela UERJ
MÔNICA SIMÕES ISRAEL (Caps. 1, 2 – Parte, 5, 6 e 8)
Professora do Curso de Atualização em Estomatologia - PUC-RJ
Professora do Curso de Atualização em Odontologia Oncológica - ABORJ
Professora Substituta de Estomatologia da FOUERJ
Mestre e Doutora em Patologia Bucodental pela UFF
Especialista em Estomatologia pela UFRJ
SARAH APARECIDA FERREIRA ANTERO (Caps. 9 e 13)
Especialista em Cirurgia eTraumatologia Buco-Maxilo-Faciais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Especialista em Estomatologia pela UFRJ
Integrante da equipe do Hospital Geral de Bonsucesso e Hospital Estadual Getúlio Vargas, RJ
TATIANE VALENTE (Cap. 2 – Parte)
Cirurgiã-Dentista pela UERJ
VAGNER GONÇALVES BERNARDO (Cap. 10)
Doutorando em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca)
Mestre em Patologia pela UFF
VINÍCIUS FARIAS FERREIRA (Caps. 4 e 19)
Mestrando em Odontologia (Periodontia) pela UFF
Especialista em Prótese Dentária pela PUC-RJ
vi
Colaboradores
ANGELA C. CHI, DMD
Assistant Professor
Division of Oral and Maxillofacial Pathology
Department of Stomatology
College of Dental Medicine
Medical University of South Carolina
Charleston, South Carolina
THERESA S. GONZALES, DMD, MS, MS
Consultant in Orofacial Pain
Consultant in Oral and Maxillofacial Pathology
Consultant in Forensic Odontology
Carl R. Darnall Army Medical Center
Fort Hood, Texas
Diplomate, American Board of Orofacial Pain
Diplomate, American Board of Oral and Maxillofacial 
Pathology
EDWARD E. HERSCHAFT, DDS, MA, FACD, 
FICD
Professor
Department of Biomedical Sciences
University of Nevada–Las Vegas
School of Dental Medicine
Las Vegas, Nevada
Professor Emeritus
Department of Stomatology
College of Dental Medicine
Medical University of South Carolina
Charleston, South Carolina
Diplomate, American Board of Forensic Odontology and 
Oral Medicine
Fellow, American Academy of Forensic Sciences
Consulting Forensic Odontologist
Office of the Coroner/Medical Examiner, Clark County
Las Vegas, Nevada
vii
Este livro é dedicado a três dos nossos mentores:
CHARLES A. WALDRON
WILLIAM G. SHAFER
ROBERT J. GORLIN
Em gratidão por tudo que eles nos ensinaram 
e em reconhecimento a suas contribuições no campo 
da patologia bucal e maxilofacial.
Prefácio
A patologia bucal e maxilofacial é uma especialidade da 
odontologia e uma disciplina da patologia destinada ao 
reconhecimento da natureza, identificação, e tratamento 
das doenças que acometem a região bucal e maxilofacial. 
Desta forma, ela ocupa uma posição única nos cuidados 
com a saúde comunitária, tanto na odontologia quanto 
na medicina. Naturalmente, profissionais da odontolo-
gia (incluindo clínicos gerais, especialistas e técnicos em 
higiene dental) devem ter um bom conhecimento sobre 
patogênese, aspectos clínicos, tratamento e prognóstico 
para as doenças bucais e periorais. E este conhecimento 
também é importante para os médicos, especialmente para 
aqueles que se especializam em áreas como otorrinolarin-
gologia, dermatologia e patologia.
ORGANIZAÇÃO
O objetivo da 3ª edição desta obra permanece o mesmo: 
proporcionar uma leitura com discussão abrangente da 
extensa variedade de doenças que podem acometer a 
região bucal e maxilofacial. O livro Patologia Oral e Maxi-
lofacial foi organizado para ajudar no aprendizado inicial, 
embora ele também deva ser uma fonte de referência 
valiosa para o clínico geral. Os capítulos incluem as doenças 
cujos processos têm origens semelhantes (por exemplo, 
“Infecções Bacterianas”, “Patologia das Glândulas Saliva-
res”, “Patologia Óssea”, “Doenças Dermatológicas”), pois 
o entendimento básico da patologia é facilitado pela dis-
cussão concomitante de doenças de natureza semelhante. 
Somente após adquirir esse entendimento básico, o pro-
fissional poderá enfrentar a difícil tarefa do diagnóstico 
clínico e tratamento. Com este pensamento, um apêndice 
abrangente está incluído no final do livro para ajudar o 
clínico no diagnóstico diferencial dos processos patológi-
cos da região bucal e maxilofacial.
É impossível escrever um livro que atenda perfeita-
mente às exigências de todos os leitores. Como todos os 
autores estão envolvidos com ensino, os assuntos selecio-
nados para inclusão neste texto refletem principalmente o 
que é ensinado nos cursos de patologia bucal e maxilofa-
cial. Embora a cárie seja sem dúvida uma doença comum 
e importante que afeta a cavidade bucal, em geral não é 
abordada na disciplina de patologia bucal e maxilofacial 
e sim em outro segmento do currículo da maioria das 
escolas de odontologia. Assim, não incluímos um capítulo 
específico sobre cárie. Da mesma forma, nossa discussão 
sobre gengivite e periodontite comuns tem propósito res-
trito, embora uma discussão mais profunda seja realizada 
em outras condições que afetam o periodonto. Em outras 
áreas, a obra fornece mais detalhes do que o necessário 
para alguns cursos de iniciação em patologia bucal e maxi-
lofacial. Entretanto, como este livro também pretende ser 
uma fonte de referência para o clínico, este material adicio-
nal foi nele incluído.
NOVIDADES PARA ESTA EDIÇÃO
Já se passaram sete anos desde a publicação da 2ª edição 
deste livro. Embora isto pareça ser pouco tempo, muitos 
avanços importantes na compreensão de várias doenças 
bucais foram realizados durante este período. Acrescenta-
mos novos tópicos, incluindo:
Osteonecrose associada aos bifosfonatos
Hemangiopericitoma – tumor fibroso solitário
Papilite lingual transitória
Língua partida e agulhas talimãs (susuk)
Displasia mucoepitelial hereditária
Estomatite ulcerativa crônica
Deficiência de plasminogênio
Manifestações bucais do abuso de metanfetamina
Incluímos também mais de 200 novas ilustrações nesta 
edição.
AGRADECIMENTOS
Este livro não poderia ter sido concluído sem a ajuda de 
algumas pessoas. Gostaríamos de agradecer ao Dr. Edward 
E. Herschaft que atualizou seu excelente capítulo sobre 
odontologia legal. Nesta 3ª edição, somos profundamente 
gratos à Dra. Angela C. Chi, que revisou os capítulos de 
Patologia Epitelial e Patologia Óssea. Somos também muito 
gratos à Dra. Theresa S. Gonzales, que atualizou o capítulo 
de Dor Facial e Doenças Neuromusculares. Gostaríamos de 
agradecer aos nossos vários colegas que partilharam casos 
conosco e cujos créditos estão nas legendas das ilustrações. 
Apesar de a lista ser muito extensa para ser citada aqui, 
uma pessoa em particular, o Dr. George Blozis, merece 
especial reconhecimento pela sua generosidade em parti-
lhar conosco seu excelente material didático. Tentamos ser 
o mais zelosos possível ao listar créditos para todos aqueles 
que partilharam casos conosco. Entretanto, se algum nome 
tiver sido inadvertidamente omitido, pedimos desculpas 
antecipadamente.
Desde o início, este livro foi dedicado a três dos nossos 
mentores: Dr. Charles Waldron, Dr. William Shafer e Dr. 
Robert Gorlin. Na 1ª edição desta obra, contamos com a 
!
!
!
!
!
!
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!
ix
grata colaboração do Dr. Waldron, que escreveu dois capí-
tulos importantes nas áreas de seu especial interesse e 
domínio, “Patologia Óssea” e “Cistos e Tumores Odonto-
gênicos”. Nós e todos da comunidade da patologia bucal 
ficamos profundamente tristes pela sua morte que ocorreu 
em 1995. Sua experiência única fez muita falta durante 
a revisão destes capítulos, mas o conteúdo ainda reflete 
muito da sua filosofia. Também lamentamos a morte do 
Dr. Shafer ocorrida em 2000. O Dr. Shafer foi o autor 
principal do famoso e respeitado livro, Textbook of Oral 
Pathology, uma fonte valiosa que todos nós usamos por 
vários anos como uma “bíblia” para aprender e ensinar a 
nossa especialidade. Lamentamos também a morte do Dr. 
Robert Gorlin, ocorrida em 2006, um dos grandes gênios 
no campo da patologia bucal e genética. Dr. Gorlin, que 
ainda estava atuando no atendimento a pacientes e na 
pesquisa aos 83 anos de idade quando faleceu, nos forne-
ceu várias sugestões excelentes na preparação da 2ª e 3ª 
edições do nosso livro. Nos fundamentamos no conheci-
mento de gigantes.
Gostaríamos de agradecer a equipe da Elsevier Health 
Sciences pelos esforços para tornar este livro um sucesso. 
Agradecemos a Courtney Sprehe e John Dolan, que nos 
ajudaram em cada passo e fizeram um excelente trabalho 
na coordenação de vários aspectos do processo de publi-
cação. Tripp Narup forneceu inestimável orientação na 
digitalização das ilustrações. Muitos agradecimentos aoJonathan Taylor, responsável pela edição inicial do manus-
crito e corrigiu nossos vários erros. Temos que reconhecer 
que Penny Rudolph, que atualmente tem responsabilida-
des mais importantes, nos auxiliou na confecção das duas 
primeiras edições do livro.
Finalmente, nossos profundos agradecimentos às nossas 
famílias pelo apoio durante a elaboração deste livro. Todos 
souberam suportar nossas ausências durante longas horas 
de trabalho e este projeto jamais poderia ter sido comple-
tado sem o seu amor e incentivo.
BRAD W. NEVILLE
 DOUGLAS D. DAMM
 CARL M. ALLEN
 JERRY E. BOUQUOT
x PREFÁCIO
CAPÍTULO 1
Defeitos do Desenvolvimento da Região 
Bucal e Maxilofacial, 1
Fendas Orofaciais, 1
Fossetas da Comissura Labial, 5
Fossetas Labiais Paramedianas, 5
Lábio Duplo, 6
Grânulos de Fordyce, 7
Leucoedema, 8
Microglossia, 9
Macroglossia, 10
Anquiloglossia, 11
Tireoide Lingual, 12
Língua Fissurada, 13
Língua Pilosa, 13
Varicosidades, 15
Artéria de Calibre Persistente, 16
Fístulas Laterais do Palato Mole, 16
Hiperplasia Coronoide, 17
Hiperplasia Condilar, 17
Hipoplasia Condilar, 18
Côndilo Bífido, 19
Exostoses, 19
Tórus Palatino, 21
Tórus Mandibular, 22
Síndrome de Eagle, 23
Defeito de Stafne, 24
Cistos do Desenvolvimento, 25
Cistos Palatinos do Recém-nascido, 26
Cisto Nasolabial, 27
“Cisto Globulomaxilar”, 28
Cisto do Ducto Nasopalatino, 28
Cisto Palatino (Palatal) Mediano, 31
“Cisto Mandibular Mediano”, 32
Cistos Foliculares da Pele, 32
Cisto Dermoide, 33
Cisto do Ducto Tireoglosso, 35
Cisto da Fenda Branquial, 36
Cisto Linfoepitelial Oral, 37
Outras Anomalias de Desenvolvimento Raras, 38
Hemi-hiperplasia, 38
Atrofia Hemifacial Progressiva, 40
Conteúdo
Displasia Odontomaxilar Segmentar, 41
Síndrome de Crouzon, 42
Síndrome de Apert, 43
Disostose Mandibulofacial, 45
CAPÍTULO 2
Anormalidades Dentárias, 53
Alterações Dentárias por Fatores Ambientais, 53
Efeitos ambientais no Desenvolvimento das Estruturas Dentárias, 54
Perda de Estrutura Dentária Pós-desenvolvimento, 59
Pigmentação Dentária por Fatores Ambientais, 69
Distúrbios Localizados na Erupção, 73
Alterações Dentárias de Desenvolvimento, 76
Alterações de Desenvolvimento no Número de Dentes, 76
Alterações do Desenvolvimento Referente ao Tamanho dos Dentes, 82
Alterações de Desenvolvimento Referente à Forma dos Dentes, 83
Alterações de Desenvolvimento na Estrutura dos Dentes, 98
CAPÍTULO 3
Doença da Polpa e do Periápice, 119
Pulpite, 119
Dentina Secundária e Terciária, 122
Calcificações Pulpares, 125
Granuloma Periapical, 126
Cisto Periapical, 129
Abscesso Periapical, 134
Celulite, 137
Osteomielite, 140
Osteomielite Esclerosante Difusa, 143
Osteíte Condensante, 146
Osteomielite com Periostite Proliferativa, 147
Osteíte Alveolar, 149
CAPÍTULO 4
Doenças Periodontais, 153
Gengivite, 153
Gengivite Ulcerativa Necrosante, 156
Gengivite Plasmocitária, 158
Gengivite Granulomatosa, 159
Gengivite Descamativa, 161
Hiperplasia Gengival Associada a Medicamentos, 162
xi
Fibromatose Gengival, 165se Gengival, 165
Periodontite, 167
Periodontite Agressiva, 172
Síndrome de Papillon-Lefèvre, 175
CAPÍTULO 5
Infecções Bacterianas, 181
Impetigo, 181
Erisipela, 182
Faringite e Tonsilite Estreptocócica, 183
Febre Escarlate, 184
Concreções Amigdalianas e Tonsilolitíase, 185
Difteria, 186
Sífilis, 188
Gonorreia, 193
Tuberculose, 195
Hanseníase, 198
Noma, 201
Actinomicose, 203
Doença da Arranhadura de Gato, 205
Sinusite, 207
CAPÍTULO 6
Infecções Fúngicas e Protozoárias, 213
Candidíase, 213
Histoplasmose, 224
Blastomicose, 226
Paracoccidioidomicose, 229
Coccidioidomicose, 230
Criptococose, 231
Zigomicose, 232
Aspergilose, 234
Toxoplasmose, 236
CAPÍTULO 7
Infecções Virais, 241
Herpesvírus Humano, 241
Herpesvírus Simples, 242
Varicela, 249
Herpes-Zoster, 251
Mononucleose Infecciosa, 254
Citomegalovírus, 256
Enteroviroses, 257
Sarampo, 260
Rubéola, 262
Caxumba, 264
Vírus da Imunodeficiência Humana e Síndrome da Imunodeficiência 
Adquirida, 265
CAPÍTULO 8
Lesões Físicas e Químicas, 287
Linha Alba, 287
Morsicatio Buccarum, 288
Ulcerações Traumáticas, 289
Queimaduras Elétricas e Térmicas, 291
Lesões Químicas da Mucosa Oral, 293
Complicações Orais Não Infecciosas da Terapia Antineoplásica, 296
Osteonecrose Associada aos Bifosfonatos, 301
Complicações Orofaciais pelo Uso de Metanfetamina, 305
Necrose Anestésica, 305
Queilite Exfoliativa, 306
Hemorragia Submucosa, 307
Trauma Oral por Práticas Sexuais, 309
Tatuagem por Amálgama e Outras Pigmentações Exógenas 
Localizadas, 310
Piercings Orais e Outras Modificações do Corpo, 313
Intoxicação Metálica Sistêmica, 315
Melanose do Tabagista, 318
Pigmentações da Mucosa Oral Relacionadas às Drogas, 319
Metaplasia Reacional Condromatosa e Óssea, 320
Ulceração Oral com Sequestro Ósseo, 321
Pseudocistos e Cistos do Seio Maxilar, 322
Enfisema Cervicofacial, 325
Mioesferulose, 326
CAPÍTULO 9
Doenças Alérgicas e Imunológicas, 331
Papilite Lingual Transitória, 331
Estomatite Aftosa Recorrente, 332
Síndrome de Behçet, 337
Sarcoidose, 339
Granulomatose Orofacial, 342
Granulomatose de Wegener, 346
Reações Alérgicas da Mucosa à Administração Sistêmica de 
Drogas, 348
Estomatite Alérgica de Contato, 351
Dermatite Perioral, 353
Estomatite de Contato por Aromatizante Artificial de Canela, 353
Estomatite de Contato Liquenoide por Materiais Dentários 
Restauradores, 355
Angioedema, 357
CAPÍTULO 10
Patologia Epitelial, 363
Revisado por ANGELA C. CHI
Papiloma Escamoso, 363
Verruga Vulgar, 365
Condiloma Acuminado, 367
Hiperplasia Epitelial Multifocal, 368
xii CONTEÚDO
Papilomas Sinonasais, 369
Molusco Contagioso, 372
Xantoma Verruciforme, 373
Ceratose Seborreica, 375
Hiperplasia Sebácea, 376
Efélide, 377
Lentigo Actínico, 378
Lentigo Simples, 379
Melasma, 380
Mácula Melanótica Oral, 380
Melanoacantoma Oral, 382
Nevo Melanocítico Adquirido, 383
Variantes do Nevo Melanocítico, 386
Leucoplasia, 388
Eritroplasia, 398
Uso de Tabaco sem Fumaça e Ceratose do Tabaco sem Fumaça, 399
Fibrose Submucosa Oral, 403
Estomatite Nicotínica, 404
Ceratose Actínica, 405
Queilose Actínica, 406
Ceratoacantoma, 408
Carcinoma de Células Escamosas, 410
Carcinoma Verrucoso, 424
Carcinoma de Células Fusiformes, 425
Carcinoma Adenoescamoso, 427
Carcinoma Escamoso Basaloide, 427
Carcinoma de Seio Maxilar, 428
Carcinoma Sinonasal Indiferenciado, 429
Carcinoma Nasofaríngeo, 430
Carcinoma de Células Basais, 432
Carcinoma de Células de Merkel, 434
Melanoma, 435
CAPÍTULO 11
Patologia das Glândulas Salivares, 455
Aplasia de Glândula Salivar, 455
Mucocele, 456
Rânula, 458
Cisto do Ducto Salivar, 459
Sialolitíase, 461
Sialoadenite, 463
Queilite Glandular, 464
Sialorreia, 465
Xerostomia, 466
Lesão Linfoepitelial Benigna, 467
Síndrome de Sjögren, 469
Sialoadenose, 472
Hiperplasia Adenomatoide das Glândulas Salivares Menores, 473
Sialometaplasia Necrosante, 473
Tumores de Glândulas Salivares, 475
Considerações Gerais, 475
Adenoma Pleomórfico, 479
Oncocitoma, 482
Oncocitose, 483
Tumor de Warthin, 484
Adenoma Monomórfico, 485
Adenoma Canalicular, 486
Adenoma de Células Basais, 486
Papilomas Ductais, 487
Carcinoma Mucoepidermoide, 489
Carcinoma Mucoepidermoide Intraósseo, 492
Adenocarcinoma de Células Acinares, 493
Tumores Malignos Mistos, 494
Carcinoma Adenoide Cístico, 497
Adenocarcinoma Polimorfo de Baixo Grau, 499
Adenocarcinoma Salivar Sem Outra Especificação, 500
CAPÍTULO 12
Tumores dos Tecidos Moles, 509
Fibroma, 509
Fibroma de Células Gigantes, 511
Epílide Fissurada, 512
Hiperplasia Papilar Inflamatória, 514
Histiocitoma Fibroso, 516
Fibromatose, 517
Miofibroma, 517
Mucinose Oral Focal, 518
Granuloma Piogênico, 519
Granuloma Periférico de Células Gigantes, 522
Fibroma Ossificante Periférico, 523
Lipoma, 525
Neuroma Traumático, 526
Neuroma Encapsulado em Paliçada, 527
Neurilemoma, 529
Neurofibroma, 530
Neurofibromatose Tipo I, 531
Neoplasia Endócrina Múltipla Tipo 2B, 534
Tumor Neuroectodérmico Melanótico da Infância, 535
Paraganglioma, 537
Tumor de Células Granulares, 538
Epílide Congênita, 539
Hemangioma e Malformações Vasculares, 540
Angiomatosede Sturge-Weber, 545
Angiofibroma Nasofaríngeo, 546
Hemangiopericitoma-Tumor Fibroso Solitário, 548
Linfangioma, 549
Leiomioma, 551
Rabdomioma, 552
Coristomas Ósseos e Cartilaginosos, 554
Sarcomas de Tecidos Moles, 555
Fibrossarcoma, 555
Histiocitoma Fibroso Maligno, 555
Lipossarcoma, 556
Tumor Maligno da Bainha do Nervo Periférico, 557
Neuroblastoma Olfatório, 557
Angiossarcoma, 558
Conteúdo xiii
Sarcoma de Kaposi, 559
Leiomiossarcoma, 561
Rabdomiossarcoma, 562
Sarcoma Sinovial, 563
Sarcoma Alveolar de Partes Moles, 564
Metástases para os Tecidos Orais, 565
CAPÍTULO 13
Distúrbios Hematológicos, 573
Hiperplasia Linfoide, 573
Hemofilia, 575
Deficiência de Plasminogênio, 577
Anemia, 578
Anemia de Células Falciformes, 578
Talassemia, 580
Anemia Aplásica, 582
Neutropenia, 583
Agranulocitose, 584
Neutropenia Cíclica, 585
Trombocitopenia, 586
Policitemia Vera, 588
Leucemia, 589
Histiocitose das Células de Langerhans, 592
Linfoma de Hodgkin, 594
Linfoma Não-Hodgkin, 597
Micose Fungoide, 601
Linfoma de Burkitt, 602
Linfoma de Células NK/T Extranodal Tipo Nasal, 604
Mieloma Múltiplo, 606
Plasmocitoma, 608
CAPÍTULO 14
Patologia Óssea, 615
Revisado por ANGELA C. CHI
Osteogênese Imperfeita, 615
Osteopetrose, 617
Displasia Cleidocraniana, 620
Defeito Osteoporótico Focal da Medula, 622
Osteoesclerose Idiopática, 622
Osteólise Maciça, 624
Doença de Paget do Osso, 625
Granuloma Central de Células Gigantes, 628
Querubismo, 631
Cisto Ósseo Simples, 633
Cisto Ósseo Aneurismático, 636
Lesões Fibro-Ósseas dos Ossos Gnáticos, 637
Displasia Fibrosa, 637
Displasias Cemento-Ósseas, 642
Cementoma Gigantiforme Familiar, 647
Fibroma Ossificante, 648
Fibroma Ossificante Juvenil, 650
Osteoma, 652
Síndrome de Gardner, 653
Osteoblastoma e Osteoma Osteoide, 655
Cementoblastoma, 657
Condroma, 658
Fibroma Condromixoide, 658
Condromatose Sinovial, 659
Fibroma Desmoplásico, 660
Osteossarcoma, 661
Condrossarcoma, 666
Sarcoma de Ewing, 669
Tumores Metastáticos dos Ossos Gnáticos, 671
CAPÍTULO 15
Cistos e Tumores Odontogênicos, 679
Cistos Odontogênicos, 679
Cisto Dentígero, 680
Cisto de Erupção, 683
Cisto Primordial, 684
Ceratocisto Odontogênico, 684
Cisto Odontogênico Ortoceratinizado, 688
Síndrome do Carcinoma Nevoide Basocelular, 689
Cisto Gengival (Alveolar) do Recém-nascido, 692
Cisto Gengival do Adulto, 693
Cisto Periodontal Lateral, 694
Cisto Odontogênico Calcificante, 696
Cisto Odontogênico Glandular, 698
Cisto da Bifurcação Vestibular, 700
Carcinoma Que se Origina a partir de Cistos Odontogênicos, 701
Tumores Odontogênicos, 702
Tumores de Epitélio Odontogênico, 703
Ameloblastoma, 703
Ameloblastoma Maligno e Carcinoma Ameloblástico, 712
Carcinoma Odontogênico de Células Claras, 713
Tumor Odontogênico Adenomatoide, 714
Tumor Odontogênico Epitelial Calcificante, 716
Tumor Odontogênico Escamoso, 719
Tumores Odontogênicos Mistos, 720
Fibroma Ameloblástico, 720
Fibro-odontoma Ameloblástico, 721
Fibrossarcoma Ameloblástico, 723
Odontoameloblastoma, 724
Odontoma, 725
Tumores de Ectomesênquima 
Odontogênicos, 727
Fibroma Odontogênico Central, 727
Fibroma Odontogênico Periférico, 728
xiv CONTEÚDO
Tumor Odontogênico de Células Granulares, 730
Mixoma Odontogênico, 730
Cementoblastoma, 732
CAPÍTULO 16
Doenças Dermatológicas, 743
Displasia Ectodérmica, 743
Nevo Branco Esponjoso, 745
Disceratose Intraepitelial Benigna Hereditária, 746
Paquioníquia Congênita, 747
Disceratose Congênita, 748
Xeroderma Pigmentoso, 749
Displasia Mucoepitelial Hereditária, 750
Incontinência Pigmentar, 752
Doença de Darier, 753
Disceratoma Verrucoso, 754
Síndrome de Peutz-Jeghers, 755
Telangiectasia Hemorrágica Hereditária, 756
Síndromes de Ehlers-Danlos, 757
Esclerose Tuberosa, 759
Síndrome dos Hamartomas Múltiplos, 762
Epidermólise Bolhosa, 763
Doenças Mediadas Imunologicamente e 
Suas Avaliações, 766
Pênfigo, 767
Pênfigo Paraneoplásico, 771
Penfigoide das Membranas Mucosas, 773
Penfigoide Bolhoso, 777
Eritema Multiforme, 778
Eritema Migratório, 781
Artrite Reativa, 783
Líquen Plano, 784
Estomatite Ulcerativa Crônica, 790
Doença Enxerto-versus-Hospedeiro, 792
Psoríase, 794
Lúpus Eritematoso, 796
Esclerose Sistêmica, 800
Síndrome CREST, 803
Acantose Nigricans, 805
CAPÍTULO 17
Manifestações Orais de Doenças 
Sistêmicas, 819
Mucopolissacaridoses, 819
Reticuloendotelioses Lipídicas, 821
Lipoiodoproteinase, 823
Icterícia, 824
Amiloidose, 825
Deficiência Vitamínica, 828
Anemia Ferropriva, 830
Síndrome de Plummer-Vinson, 831
Anemia Perniciosa, 832
Nanismo Hipofissário, 834
Gigantismo, 835
Acromegalia, 835
Hipotireoidismo, 837
Hipertireoidismo, 838
Hipoparatireoidismo, 840
Pseudo-hipoparatireoidismo, 840
Hiperparatireoidismo, 841
Hipercortisolismo, 843
Doença de Addison, 844
Diabetes Melito, 845
Hipofosfatasia, 848
Raquitismo Resistente à Vitamina D, 850
Doença de Crohn, 851
Pioestomatite Vegetante, 853
Estomatite Urêmica, 854
CAPÍTULO 18
Dor Facial e Doenças Neuromusculares, 863
Revisado por ANGELA C. CHI
Paralisia de Bell, 863
Neuralgia do Trigêmeo, 865
Neuralgia Glossofaríngea, 867
Neuralgia Pós-Herpética, 868
Dor Facial Atípica, 869
Osteonecrose Cavitacional Indutora de Neuralgia, 870
Cefaleia em Salvas, 872
Hemicrânia Paroxística, 873
Enxaqueca, 874
Arterite Temporal, 875
Miastenia Grave, 876
Doença do Neurônio Motor, 877
Síndrome da Ardência Bucal, 878
Disgeusia e Hipogeusia, 879
Síndrome de Frey, 880
Osteoartrite, 881
Artrite Reumatoide, 883
Disfunção da Articulação Temporomandibular, 885
Anquilose da Articulação Temporomandibular, 886
CAPÍTULO 19
Odontologia Legal, 891
EDWARD E. HERSCHAFT
Administração dos Registros, 891
Identificação, 893
Evidência do Padrão de Mordida, 907
Conteúdo xv
Abuso Humano, 915
Cirurgiões-dentistas como Testemunhas Periciais, 918
Sumário, 919
APÊNDICE
Diagnóstico Diferencial das Doenças Orais 
e Maxilofaciais, 921
Parte 1: Patologia da Mucosa e Tecidos Moles: Alterações de 
Coloração, 924
Parte 2: Patologia da Mucosa e Tecidos Moles: Alterações 
de Superfície, 928
Parte 3: Patologia da Mucosa e Tecidos Moles: Aumento 
de Volume e Crescimentos, 930
Parte 4: Condições Patológicas com Imagens Radiográficas, 933
Parte 5: Patologia Dentária, 938
Índice Alfabético, 941
xvi CONTEÚDO
1
1
Defeitos do Desenvolvimento 
da Região Bucal e Maxilofacial
SUMÁRIO DO CAPÍTULO
O desenvolvimento da porção central da face tem início 
por volta do final da quarta semana de desenvolvimento 
humano, com o aparecimento dos placoides nasais (olfa-
tórios) de cada lado da parte inferior do processo fronto-
nasal. A proliferação de ectomesênquima em ambos os 
lados de cada placoide resulta na formação dos processos 
nasal mediano e nasal lateral. Entre cada par dos proces-
FENDAS OROFACIAIS
A formação da face e da cavidade oral é de natureza com-
plexa e envolve o desenvolvimento de múltiplos processos 
teciduais que devem se unir e fusionar de modo muito 
ordenado. Distúrbios no crescimento destes processos teci-
duais ou nas suas fusões podem resultar na formação de 
fendas orofaciais.
Fendas Orofaciais
Fossetas da Comissura Labial
Fossetas Labiais Paramedianas
Lábio Duplo
Grânulos de Fordyce
Leucoedema
Microglossia
Macroglossia
Anquiloglossia
Tireoide Lingual
Língua Fissurada
Língua Pilosa
Varicosidades
Artéria de Calibre Persistente
Fístulas Laterais do Palato Mole
Hiperplasia Coronoide
Hiperplasia Condilar
Hipoplasia Condilar
Côndilo Bífido
Exostoses
Tórus Palatino
Tórus Mandibular
Síndrome de Eagle
Defeito de Stafne
CISTOS DO DESENVOLVIMENTO
Cistos Palatinos do Recém-nascido
Cisto Nasolabial
“Cisto Globulomaxilar”
Cisto do Ducto Nasopalatino
Cisto Palatino (Palatal) Mediano
“Cisto Mandibular Mediano”
Cistos Foliculares da Pele
Cisto Dermoide
Cisto do Ducto Tireoglosso
Cisto da Fenda Branquial
Cisto Linfoepitelial Oral
OUTRAS ANOMALIAS DE 
DESENVOLVIMENTO RARAS
Hemi-hiperplasia
Atrofia Hemifacial Progressiva
Displasia Odontomaxilar Segmentar
Síndrome de Crouzon
Síndrome de Apert
Disostose Mandibulofacial
2 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
sos existe uma depressão ou fossa nasal,que corresponde 
à narina primitiva.
Durante a sexta e sétima semanas de desenvolvimento, 
o lábio superior é formado pela união dos processos nasais 
medianos com os processos maxilares do primeiro arco 
branquial. Logo, a parte média do lábio superior é derivada 
dos processos nasais medianos, e as partes laterais são deri-
vadas dos processos maxilares. Os processos nasais laterais 
não estão envolvidos na formação do lábio superior, porém 
dão origem à asa do nariz.
O palato primário também é formado pela união dos 
processos nasais medianos para formar o segmento inter-
maxilar. Tal segmento dá origem à pré-maxila, uma estru-
tura óssea com formato triangular que abrigará os quatro 
incisivos superiores. O palato secundário, que constitui 
mais de 90% do palato duro e palato mole, é formado pelos 
processos maxilares do primeiro arco branquial.
Durante a sexta semana, projeções bilaterais emergem 
das porções medianas dos processos maxilares para formar 
as cristas palatinas. Inicialmente, estas cristas são orien-
tadas em uma posição vertical de cada lado da língua em 
desenvolvimento. Conforme a mandíbula cresce, a língua 
assume uma posição mais inferior, permitindo que as 
cristas palatinas sofram rotação para uma posição horizon-
tal e cresçam uma em direção à outra. Por volta da oitava 
semana, já ocorreu crescimento suficiente para permitir que 
as porções anteriores de tais cristas iniciem a fusão entre 
si. As cristas palatinas também se fusionam com o palato 
primário e com o septo nasal. Tal fusão inicia-se na porção 
anterior do palato e progride posteriormente, estando com-
pleta por volta da décima segunda semana de vida.
A fusão defeituosa do processo nasal mediano com o 
processo maxilar resulta na fenda labial (FL). Assim como, 
a falha na fusão das cristas palatinas resulta na fenda pala-
tina (FP). Frequentemente, a FL e a FP ocorrem juntas. 
Aproximadamente 45% dos casos são representados por FL 
+ FP, sendo 30% casos isolados de FP e 25% casos isolados 
de FL. Tanto a FL isolada como a FL associada à FP são 
condições relacionadas etiologicamente e podem ser con-
sideradas como um grupo: FL com ou sem FP (FL ± FP). A 
FP isolada parece representar uma entidade separada da 
FL ± FP.
A causa da FL ± FP e da FP isolada ainda está sendo 
discutida. Inicialmente, é importante distinguir fendas 
isoladas dos casos associados a síndromes específicas. 
Apesar de muitas fendas serem anomalias isoladas, foram 
identificadas mais de 350 síndromes do desenvolvimento 
que podem estar associadas à FL ± FP. Estudos recentes 
sugerem que mais de 30% dos pacientes com FL ± FP e 
50% daqueles com FP isolada têm anomalias associadas. 
Algumas destas síndromes são condições genéticas que 
podem ser autossômicas dominantes, autossômicas reces-
sivas ou de padrão hereditário ligado ao cromossomo X. 
Outras síndromes resultam de anomalias cromossomiais 
ou são idiopáticas.
A causa das fendas não sindrômicas não segue nenhum 
padrão simples mendeliano de herança, mas parece ser 
heterogênea (Quadro 1-1). Então, a propensão para o desen-
volvimento de fendas pode estar relacionada a um número 
de genes maiores, genes menores e fatores ambientais que 
podem estar combinados para ultrapassar um limiar de 
desenvolvimento. Vários genes candidatos para fenda e de 
loci foram identificados em diferentes regiões cromossômi-
cas, como a 1q, 2p, 4q, 6p, 14q, 17q e 19q. O consumo 
materno de álcool foi associado ao aumento no risco de 
desenvolvimento tanto para fendas sindrômicas como para 
as não sindrômicas. O hábito de tabagismo materno, no 
mínimo, dobra a chance de desenvolvimento de fendas em 
comparação com mães não tabagistas. Vários estudos têm 
demonstrado que a deficiência de ácido fólico aumenta o 
risco para a FL e FP. O uso materno de corticoesteroides 
está associado ao aumento do risco em 3,4 vezes para o 
desenvolvimento de fendas orofaciais. Um aumento na 
frequência também foi relacionado ao uso de anticonvul-
sivantes, especialmente a fenitoína, que aumenta cerca de 
10 vezes a chance para a formação de fendas.
A FL ± FP e a FP isolada representam a vasta maioria das 
fendas orofaciais. Entretanto, outras fendas raras também 
podem ocorrer.
A fenda facial lateral é causada pela falta de fusão dos 
processos maxilar e mandibular e representa 0,3% de todas 
as fendas faciais. Tal fenda pode ser unilateral ou bilateral, 
Quadro 1-1
Causas Genéticas e Ambientais para 
Fendas Orofaciais Não Sindrômicas
FATORES GENÉTICOS
Gene Lócus
SKI/MTHFR 1p36
TGFB2 1q41
TGFA 2p13
MSX1 4p16, 4q31, 6p23
PVRL1 11q23
TGFB3 14q24
GABRB3 15q11
RARA 17q21
BCL3 19q13
FATORES AMBIENTAIS
Etilismo materno !
Tabagismo materno!
Deficiência de ácido fólico!
Uso de corticoesteroides!
Terapia com anticonvulsivante!
Adaptado de Murray JC: Gene/environment causes of cleft lip and/or palate. 
Clin Genet 61:248-256, 2002; Eppley BL van AaIst JA, Robey A et al: The 
spectrum of orofacial clefting, Plast Reconstr Surg 115:101e-114e, 2005.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 3
se entendendo da comissura labial até a orelha, resultando 
em macrostomia. A fenda facial lateral pode ocorrer como 
um defeito isolado, mas geralmente está associada a outras 
desordens, tais como:
Disostose mandibulofacial (ver adiante).
Espectro óculo-aurículo-vertebral (microssomia he-
mifacial).
Disostose acrofacial de Nager.
Sequência de ruptura amniótica.
A fenda facial oblíqua estende-se do lábio superior ao 
olho. Tal fenda está quase sempre associada à FL, e muitas 
vezes, as formas graves são incompatíveis com a vida. A 
fenda facial oblíqua pode envolver a narina, assim como 
na FL, ou pode passar lateralmente pelo nariz e se esten-
der para o olho. Esta fenda é rara, representando apenas 
um em cada 1.300 casos de fendas faciais. Algumas destas 
fendas podem resultar da falha na fusão do processo nasal 
lateral com o processo maxilar; outras podem ser causadas 
por bandas amnióticas.
A fenda mediana do lábio superior é uma anoma-
lia raríssima que resulta da falha na fusão dos processos 
nasais medianos. Ela pode estar associada a várias síndro-
mes, incluindo a síndrome oro-digito-facial e a síndrome 
de Ellis-van Creveld. As fendas medianas do lábio supe-
rior mais aparentes representam, na verdade, agenesia do 
palato primário associada a holoprosencefalia.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
A formação de fendas é um dos defeitos congênitos mais 
frequentes em humanos. Uma considerável variação racial 
em relação à prevalência é observada. Nos indivíduos 
brancos, a FL ± FP ocorre em um a cada 700 a 1.000 nasci-
mentos. A frequência da FL ± FP nas populações asiáticas 
é aproximadamente 1,5 vez maior do que nos indivíduos 
brancos. Em contraste, a frequência da FL ± FP em indi-
víduos negros é muito inferior, ocorrendo 0,4 caso a cada 
1.000 nascimentos. Entre os norte-americanos, parece que 
a frequência é a mais elevada, com cerca de 3,6 casos a 
cada 1.000 nascimentos. Os casos de FP isolada são menos 
comuns que os de FL ± FP, com frequência de 0,4 caso por 
1.000 nascimentos em indivíduos brancos e negros.
A FL ± FP é mais comum em homens. Quanto mais grave 
o defeito, maior a predileção por homens; a relação homem-
mulher para a FL isolada é de 1,5:1, e a relação da FL + 
FP é de 2:1. Em contrapartida, os casos de FP isolada são 
mais comuns em mulheres. Da mesma forma, quanto mais 
grave a fenda, maior a predileção por mulheres. Fendas que 
envolvem o palato mole e palato duro são duas vezes mais 
frequentes em mulheres, porém a relação é quase igual para 
as fendas que acometem apenas o palato mole.
Aproximadamente 80% dos casos de FL são unilate-
rais, sendo 20% bilaterais (Fig. 1-1). Cerca de 70% das 
!
!
!
!
fendas labiais unilaterais ocorrem no lado esquerdo. Além 
disso, quase 70% das FL unilaterais estão associadas à FP, 
enquanto que a frequência da concomitância com a FP 
aumenta para 85% nos pacientes com FL bilateral. Uma 
FL completa estende-seatravés da narina, porém uma FL 
incompleta não envolve o nariz. As fendas completas que 
envolvem o alvéolo geralmente ocorrem entre o incisivo 
lateral e o canino. Não é incomum os dentes, especial-
mente o incisivo lateral, estarem ausentes na área da fenda. 
Porém, dentes supranumerários podem ser observados. O 
defeito ósseo pode ser observado em radiografias.
A FP mostra considerável variação em relação à gravi-
dade (Fig. 1-2). O defeito pode envolver os palatos duro 
e mole ou apenas o palato mole. A menor manifestação 
da FP é a úvula fendida ou úvula bífida (Fig. 1-3). A 
prevalência da úvula fendida é muito maior que a da FP, 
com frequência de um em cada 80 indivíduos brancos. A 
frequência em asiáticos e norte-americanos é elevada: um 
em cada 10 indivíduos. A úvula fendida é menos comum 
em indivíduos negros, ocorrendo um caso a cada 250 
pessoas.
Fig. 1-1 Fenda labial (FL). Recém-nascido com fenda bilateral do 
lábio superior. (Cortesia do Dr. William Bruce.)
Fig. 1-2 Fenda palatina (FP). Defeito palatino resultando na co-
municação com a cavidade nasal.
4 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
Em alguns casos, uma fenda palatina submucosa 
desenvolve-se. A superfície mucosa apresenta-se intacta, 
porém existe um defeito na musculatura subjacente do 
palato mole (Fig. 1-4). Frequentemente ocorre uma chan-
fradura no osso ao longo da região posterior marginal do 
palato duro. Esta fenda incompleta às vezes manifesta-se 
como uma área de coloração azulada, porém é mais bem-
identificada pela palpação realizada com um instrumento 
rômbico. Em geral ela também pode estar associada à 
úvula fendida.
A sequência de Pierre Robin (anomalia de Pierre 
Robin) (Fig. 1-5) é uma condição bem-reconhecida carac-
terizada por FP, micrognatia mandibular e glossoptose 
(obstrução das vias aéreas causada pelo deslocamento pos-
terior e inferior da língua). A sequência de Pierre Robin 
pode ocorrer como um fenômeno isolado, ou pode estar 
associada a uma variedade de síndromes ou outras anoma-
lias. A síndrome de Stickler e a síndrome velocardiofacial 
são as duas desordens genéticas mais frequentemente asso-
ciadas. Acredita-se que o crescimento reduzido da mandí-
bula no útero resulte na falha do deslocamento inferior da 
língua, impedindo assim a fusão das cristas palatinas. A 
mandíbula retraída resulta em:
Deslocamento posterior da língua.
Falta de suporte para a musculatura da língua.
Obstrução das vias aéreas.
A dificuldade respiratória, especialmente quando a 
criança está em posição supina, é frequentemente obser-
vada ao nascimento e pode causar asfixia. A fenda palatina 
em geral tem a forma de U e apresenta-se mais larga do 
que a FP isolada.
O paciente portador de uma fenda é afetado por vários 
problemas, alguns muito óbvios e outros nem tanto. O pro-
blema mais evidente é a aparência clínica, que pode levar 
a dificuldades psicossociais. As dificuldades na fala e na 
alimentação são inerentes à condição, especialmente nos 
casos de FP. A má oclusão é causada pelo colapso do arco 
maxilar, possivelmente com ausência de dentes, dentes 
supranumerários ou ambos.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O tratamento do paciente com uma fenda orofacial é desa-
fiador. O tratamento ideal deveria envolver uma aborda-
gem multidisciplinar, incluindo (porém não limitado a 
isso) pediatra, cirurgião buco-maxilofacial, otorrinolarin-
gologista, cirurgião plástico, odontopediatra, ortodontista, 
protesista, fonoaudiólogo e geneticista.
A cirurgia reparadora geralmente envolve múltiplos 
procedimentos primários e secundários durante a infân-
cia. Os tipos específicos de procedimentos cirúrgicos e a 
época em que são realizados variam de acordo com a gra-
vidade do defeito e da filosofia seguida pela equipe. Uma 
discussão detalhada destes procedimentos foge ao objetivo 
deste texto. Entretanto, o fechamento primário do lábio é 
geralmente realizado durante os primeiros meses de vida, 
seguido, posteriormente, pela correção do palato. Apare-
lhos protéticos e ortopédicos são com frequência utilizados 
!
!
!
Fig. 1-3 Úvula Bífida.
Fig. 1-4 Fenda palatina submucosa. Presença de uma fenda na 
linha média do osso palatino, porém a mucosa de revestimento está 
intacta. Uma úvula bífida também está presente.
Fig. 1-5 Sequência de Pierre Robin. Micrognatia mandibu-
lar em um recém-nascido com fenda palatina (FP). (Cortesia do 
Dr. Robert Gorlin.)
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 5
para moldar ou expandir os segmentos da maxila antes do 
fechamento do defeito do palato. Na fase mais tardia da 
infância, enxertos ósseos autógenos podem ser colocados 
na região defeituosa do osso alveolar. Posteriormente, pro-
cedimentos ortognáticos e enxertos de tecido mole podem 
ser usados para melhorar a função e a estética. A distração 
osteogênica da maxila pode ser útil em pacientes cuja cica-
triz do palato limita a quantidade de avanço possível no 
momento da osteotomia.
O aconselhamento genético é importante para o paciente 
e sua família. Nos casos não sindrômicos o risco de desen-
volver fenda em um descendente ou irmão de uma pessoa 
afetada é de 3% a 5% no caso de nenhum outro parente de 
primeiro grau também ser afetado. O risco aumenta para 
10% a 20% se outros parentes de primeiro grau são afeta-
dos. O risco pode ser maior para aqueles com fendas que 
estão associadas a síndromes, de acordo com um possível 
padrão hereditário.
FOSSETAS DA COMISSURA LABIAL
As fossetas da comissura labial são pequenas invagina-
ções da mucosa que ocorrem no limite do vermelhão dos 
lábios, nos ângulos da boca. Tal localização sugere que 
elas ocorram devido à falha na fusão normal do processo 
embrionário maxilar e do processo mandibular.
Aparentemente, as fossetas da comissura labial são mais 
frequentes em adultos, tendo sido relatadas em 12% a 20% 
da população. Em crianças, a sua prevalência é menor, 
variando de 0,2% a 0,7% dos pacientes examinados.
Embora as fossetas da comissura labial sejam em 
geral consideradas alterações congênitas, tais percentuais 
sugerem que estas invaginações frequentemente desen-
volvem-se tardiamente na vida. As fossetas da comissura 
labial são observadas com maior frequência em homens. 
Em alguns casos, o histórico familiar sugere a transmissão 
autossômica dominante.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
As fossetas da comissura labial são geralmente identifica-
das durante o exame clínico de rotina, e, na maioria das 
vezes, os pacientes relatam nunca ter notado a sua pre-
sença. Tais fossetas podem ser unilaterais ou bilaterais. 
Apresentam-se como fístulas cegas que podem se estender 
de 1 a 4 mm de profundidade (Fig. 1-6). Em alguns casos, 
uma pequena quantidade de líquido pode ser eliminada 
da fosseta quando ela é pressionada, sendo, provavelmente, 
saliva proveniente de glândulas salivares menores que 
drenam do fundo da invaginação.
Diferentemente das fossetas labiais paramedianas 
(descritas na seção seguinte), as fossetas da comissura 
labial não estão associadas à fenda palatina ou às fendas 
faciais. Entretanto, parece que existe uma prevalência bas-
tante maior de fossetas pré-auriculares (seios auriculares) 
nestes pacientes.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
Embora a biópsia raramente seja realizada nos pacientes 
com fossetas da comissura labial, o exame microscópico 
revela uma invaginação estreita revestida por epitélio esca-
moso estratificado. Ductos de glândulas salivares menores 
podem drenar para esta invaginação.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Por serem quase sempre assintomáticas e inócuas, em 
geral não há necessidade de tratamento para as fossetas da 
comissura labial. Em casos raríssimos, as secreções saliva-
res podem ser excessivas ou pode ocorrer infecção secun-
dária, sendo necessária a remoção cirúrgica da fosseta.
FOSSETAS LABIAIS PARAMEDIANAS 
(FÍSTULAS CONGÊNITAS DO LÁBIO 
INFERIOR; FOSSETAS LABIAIS 
CONGÊNITAS)
As fossetas labiais paramedianas são invaginações con-
gênitas raras do lábio inferior. Acredita-se que elasorigi-
nem-se de sulcos laterais persistentes no arco mandibular 
embrionário. Estes sulcos normalmente desaparecem por 
volta da sexta semana de vida embrionária.
CARACTERÍTICAS CLÍNICAS
As fossetas labiais paramedianas apresentam-se como 
fístulas bilaterais e simétricas em relação à linha média 
do vermelhão de lábio inferior (Fig. 1-7). A apresentação 
clínica pode variar de depressões sutis a fossas proeminen-
tes. Estas fístulas cegas podem estender-se inferiormente 
a uma profundidade de 1,5 cm e drenar saliva. Às vezes, 
uma fosseta única pode estar presente central ou lateral-
mente à linha média.
Fig. 1-6 Fosseta da comissura labial. Depressão da comissura 
labial.
6 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
O maior significado das fossetas labiais paramedianas 
é que, geralmente, são herdadas como um traço autos-
sômico dominante em combinação com a fenda labial 
(FL) e/ou a fenda palatina (FP) (síndrome de van der 
Woude). A síndrome de van der Woude é a forma mais 
comum de fendas sindrômicas e representa 2% de todos os 
casos de FL e FP. A hipodontia também pode ocorrer em 
associação. Estudos genéticos demonstraram que a sín-
drome de van der Woude é causada por mutações no gene 
que codifica o fator 6 de regulação do interferon, o qual 
foi mapeado na banda cromossômica 1q32-q41. Algumas 
pessoas que carregam o traço podem não apresentar as 
fendas ou ter uma fenda palatina submucosa; entretanto, 
elas podem passar todas as características da síndrome 
para seus herdeiros.
As fossetas labiais paramedianas podem ser também 
componentes da síndrome do pterígio poplíteo e da 
síndrome de Kabuki. A síndrome do pterígio poplíteo, 
que está intimamente relacionada à síndrome de van der 
Woude, caracteriza-se por união poplítea (pterígio), fenda 
labial e ou fenda palatina, anormalidades genitais e bandas 
congênitas que unem a maxila à mandíbula (singnatia). A 
síndrome de Kabuki recebe este nome porque os pacientes 
afetados exibem eversão das pálpebras inferiores laterais, o 
que faz lembrar a maquiagem utilizada pelos atores do tra-
dicional teatro japonês de Kabuki. Outros achados comuns 
incluem: retardo mental, orelhas grandes, fenda labial e/ou 
fenda palatina, frouxidão das articulações e várias anorma-
lidades esqueléticas.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame microscópico das fossetas labiais paramedianas 
revela um trajeto revestido por epitélio escamoso estrati-
ficado. As glândulas salivares menores podem comunicar-
se com as fístulas. Frequentemente, nota-se um infiltrado 
inflamatório crônico no tecido conjuntivo circundante.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Se necessário, as fossetas labiais podem ser excisadas por 
razões estéticas. Os problemas mais significantes estão rela-
cionados às anormalidades congênitas associadas, como a 
fenda labial e/ou fenda palatina, e o potencial de transmis-
são do traço para as gerações subsequentes.
LÁBIO DUPLO
O lábio duplo é uma anomalia oral rara, caracterizada 
pelo crescimento exuberante de tecido na mucosa labial. A 
sua maior frequência é de natureza congênita, porém pode 
ser adquirido tardiamente durante a vida. Acredita-se que 
os casos congênitos desenvolvam-se durante o segundo ou 
terceiro mês da gestação como resultado da persistência 
do sulco entre a parte vilosa e a parte glaba do lábio. O 
lábio duplo adquirido pode ser um componente da sín-
drome de Ascher, ou pode ser causado por traumatismo 
ou hábitos orais, como sugar o lábio.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Em um paciente com lábio duplo, o lábio superior é 
afetado com frequência bem maior que o inferior e, ocasio-
nalmente, ambos podem estar envolvidos. Com os lábios 
em repouso, a condição em geral não é percebida, porém 
quando o paciente sorri ou quando os lábios são tensiona-
dos, o excesso de tecido se torna visível (Fig. 1-8).
A síndrome de Ascher é caracterizada pela seguinte 
tríade:
Lábio duplo
Blefarocalásia
Aumento atóxico da tireoide
Em um paciente com blefarocalásia, o edema recorrente 
da pálpebra superior leva à flacidez da pálpebra no canto 
externo do olho (Fig. 1-9). Esta queda pode ser grave o sufi-
ciente para interferir na visão. Tanto o lábio duplo como a 
!
!
!
Fig. 1-7 Fossetas labiais paramedianas. Fossetas bilaterais (setas) 
no lábio inferior em um paciente com síndrome de van der Woude.
Fig. 1-8 Lábio duplo. Dobra exuberante de tecido no lábio superior 
em um paciente com síndrome de Ascher. (Cortesia do Dr. R. C. Zeigler.)
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 7
blefarocalásia ocorrem de maneira abrupta e simultânea, 
porém em alguns casos eles desenvolvem-se mais gradual-
mente.
O aumento atóxico da tireoide ocorre em quase 50% dos 
pacientes com síndrome de Ascher e pode ser discreto. A 
causa da síndrome de Ascher é incerta; a herança autossô-
mica dominante foi sugerida em alguns casos.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
No exame microscópico, o lábio duplo exibe essencialmente 
estruturas normais. Muitas vezes, inúmeras glândulas sali-
vares menores são observadas. Em geral, a blefarocalásia 
da síndrome de Ascher revela hiperplasia das glândulas 
lacrimais e prolapso do tecido adiposo palpebral.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Nos casos discretos de lábio duplo, pode não haver necessi-
dade de tratamento. Nos casos mais graves, a excisão cirúr-
gica simples do tecido em excesso pode ser realizada com 
finalidade estética.
GRÂNULOS DE FORDYCE
Os grânulos de Fordyce são glândulas sebáceas que 
ocorrem na mucosa oral. Lesões semelhantes já foram rela-
tadas também na mucosa genital. As glândulas sebáceas são 
consideradas estruturas dérmicas anexas, por isso, quando 
encontradas na cavidade oral, são muitas vezes considera-
das “ectópicas”. Entretanto, como os grânulos de Fordyce 
são relatados em mais de 80% da população, sua presença 
deve ser considerada uma variação anatômica normal.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Os grânulos de Fordyce apresentam-se como múltiplas 
pápulas amareladas ou branco-amareladas, mais frequen-
temente encontradas na mucosa jugal e na porção lateral 
do vermelhão do lábio superior (Figs. 1-10 e 1-11). Às vezes, 
tais glândulas aparecem também na região retromolar e no 
pilar amigdaliano anterior. Os grânulos de Fordyce são mais 
comuns em adultos do que em crianças, provavelmente 
devido a fatores hormonais; a puberdade parece estimular 
o seu desenvolvimento. As lesões são tipicamente assinto-
máticas, embora os pacientes sejam capazes de sentir uma 
leve rugosidade na mucosa. Podem ocorrer variações clíni-
cas consideráveis; em alguns casos, os pacientes podem ter 
uma quantidade pequena de lesões, enquanto que outros 
podem ter literalmente centenas destes “grânulos”.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
Exceto pela ausência de folículos pilosos, os grânulos de 
Fordyce são semelhantes às glândulas sebáceas normais 
encontradas na pele. Lóbulos acinares podem ser observa-
dos logo abaixo da superfície epitelial, muitas vezes comu-
nicando-se com a superfície através de um ducto central 
(Fig. 1-12). As células sebáceas nestes lóbulos possuem 
Fig. 1-9 Síndrome de Ascher. Edema das pálpebras superiores 
(blefarocalásia).
Fig. 1-10 Grânulos de Fordyce. Pápulas amarelas no vermelhão 
do lábio superior.
Fig. 1-11 Grânulos de Fordyce. Lesões na comissura labial.
8 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
forma poligonal, contendo núcleo centralmente localizado 
e abundante citoplasma.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Como os grânulos de Fordyce consistem em uma variação 
anatômica normal e são assintomáticos, nenhum trata-
mento é indicado. Em geral, o aspecto clínico é caracterís-
tico e a biópsia não é necessária para o diagnóstico.
Em alguns casos, os grânulos de Fordyce podem tornar-
se hiperplasiados ou podem formar pseudocistos preenchi-
dos por ceratina. Os tumores que se desenvolvem dessas 
glândulas são raros.
LEUCOEDEMA
O leucoedema é uma condição comum da mucosa oral 
de etiologia desconhecida. Ocorre mais frequentemente 
em indivíduos negros do que em brancos,sustentando a 
probabilidade de predisposição genética para o seu desen-
volvimento. O leucoedema tem sido relatado em 70% a 
90% dos adultos negros e em 50% das crianças negras. A 
prevalência em indivíduos brancos é consideravelmente 
inferior, embora algumas publicações tenham mostrado 
prevalência que varia de menos de 10% a mais de 90%. Tal 
variação pode refletir diferenças nos grupos populacio-
nais, condições de exame e rigor do critério utilizado para 
a obtenção do diagnóstico. Independente disto, o leucoe-
dema apresenta-se de forma muito mais sutil em brancos 
e muitas vezes, é de difícil percepção. A diferença da pre-
dileção pela raça pode ser explicada pela presença de uma 
pigmentação na mucosa em indivíduos negros que torna 
mais visível a alteração edematosa.
Como o leucoedema é muito comum, parece ser razoável 
argumentar que o leucoedema representa mais uma variação 
da normalidade do que uma doença. Esse argumento pode 
ser sustentado pelo achado semelhante de mucosa edema-
ciada na vagina e na laringe. Embora o leucoedema pareça 
ser uma alteração do desenvolvimento, alguns estudos mos-
traram que o leucoedema é mais comum e mais acentuado 
em pacientes tabagistas e se torna menos pronunciado 
quando o paciente abandona o hábito do tabagismo.
CARACTERÍTISTICAS CLÍNICAS
O leucoedema caracteriza-se pela aparência difusa, opa-
lescente e branco-acinzentada cremosa da mucosa (Fig. 
1-13). A superfície apresenta-se frequentemente pregue-
ada, resultando em estrias esbranquiçadas ou rugosida-
des. As lesões não são destacáveis. Em geral, o leucoedema 
acomete a mucosa jugal bilateralmente e pode estender-se 
até a mucosa labial. Em raras ocasiões, pode haver envol-
vimento do soalho bucal e dos tecidos palato-faringeanos. 
O leucoedema pode ser facilmente diagnosticado clinica-
mente, porque o aspecto esbranquiçado diminui muito ou 
até mesmo desaparece quando a mucosa é evertida e dis-
tendida (Fig. 1-14).
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
Os espécimes de biópsia do leucoedema exibem um 
aumento da espessura epitelial, com edema intracelular 
proeminente na camada espinhosa (Fig. 1-15). Estas células 
vacuoladas aparecem aumentadas e possuem núcleo pic-
nótico. A superfície epitelial é frequentemente paracerati-
nizada e as cristas epiteliais são amplas e alongadas.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O leucoedema é uma condição benigna e nenhum tra-
tamento é necessário. O aspecto clínico característico de 
lesão branco-acinzentada opalescente na mucosa jugal, 
que desaparece após o estiramento, auxilia a distingui-
lo de outras lesões brancas comuns, como a leucoplasia, 
Fig. 1-12 Grânulos de Fordyce. Múltiplas glândulas sebáceas abai-
xo da superfície epitelial.
Fig. 1-13 Leucoedema. Aspecto de estrias brancas na mucosa 
jugal.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 9
a candidíase e o líquen plano. A mucosa afetada sempre 
deve ser distendida durante o exame clínico para excluir 
lesões subjacentes que podem estar encobertas pela alte-
ração edematosa.
MICROGLOSSIA (HIPOGLOSSIA)
CARACTERÍTISTICAS CLÍNICAS
A microglossia é uma alteração de desenvolvimento 
incomum, de etiologia desconhecida, caracterizada por 
uma língua anormalmente pequena. Em casos raros, a 
língua pode estar ausente (aglossia). A microglossia isolada 
pode ocorrer e um grau pequeno de microglossia pode 
ser difícil de diagnosticar, podendo não ser notado. No 
entanto, a maioria dos casos relatados tem sido associada a 
um grupo de condições sobrepostas conhecidas como sín-
dromes de hipogênese oro-mandibular-membros. Tais 
síndromes são caracteristicamente associadas a anomalias 
dos membros, como hipodactilia (ausência de dedos) e 
hipomelia (hipoplasia de parte ou de todo o membro). 
Outros pacientes têm anormalidades simultâneas, como 
fenda palatina, bandas intraorais e transposição das vísce-
ras. A microglossia está frequentemente associada a hipo-
plasia da mandíbula e os incisivos inferiores podem estar 
ausentes (Fig. 1-16).
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O tratamento do paciente com microglossia varia de acordo 
com a natureza e gravidade da condição. Procedimentos 
Fig. 1-14 Leucoedema. A, Aspecto esbranquiçado difuso da mu-
cosa jugal. B, Desaparecimento do aspecto esbranquiçado quando 
a mucosa é estendida.
Fig. 1-15 Leucodema. Paraceratose e edema intracelular da ca-
mada espinhosa.
Fig. 1-16 Microglossia. A, Língua anormalmente pequena asso-
ciada ao estreitamento da arcada inferior. B, O mesmo paciente 
exibindo estreitamento da arcada superior.
10 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
cirúrgicos e ortodônticos podem melhorar a função oral. 
Surpreendentemente, muitas vezes o desenvolvimento 
da fala é bom, porém varia de acordo com o tamanho da 
língua.
MACROGLOSSIA
A macroglossia é uma condição incomum caracterizada 
pelo aumento da língua. Este aumento pode ser causado 
por diversas condições, incluindo malformações congêni-
tas e doenças adquiridas. As causas mais frequentes são 
as malformações vasculares e a hipertrofia muscular. O 
Quadro 1-2 relaciona as causas mais comuns e importan-
tes da macroglossia. Muitas dessas doenças são discutidas 
com mais detalhes nos capítulos subsequentes.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
A macroglossia ocorre mais em crianças e sua apresen-
tação pode variar de leve a grave (Fig. 1-17). Nos recém-
nascidos, a macroglossia pode se manifestar inicialmente 
pela respiração ruidosa, incontinência salivar (“baba”) e 
dificuldade na alimentação. O aumento da língua pode 
causar gagueira. A pressão da língua contra a mandíbula 
e os dentes pode produzir endentações na margem lateral 
da língua (Fig. 1-18), mordida aberta e prognatismo man-
dibular. Se a língua se projeta constantemente para fora da 
boca, ela pode apresentar ulcerações, infectar-se secunda-
riamente, ou até sofrer necrose. Nos casos de macroglossia 
acentuada pode ocorrer obstrução das vias aéreas.
A macroglossia é um achado característico da síndrome 
de Beckwith-Wiedemann, uma condição rara que inclui 
outros possíveis defeitos, tais como:
Onfalocele (protrusão de parte do intestino através de 
um defeito na parede abdominal na altura do umbigo)
Visceromegalia
Gigantismo
Hipoglicemia neonatal
Os pacientes portadores da síndrome de Beckwith-Wie-
demann apresentam risco aumentado para o desenvolvi-
mento de vários tumores viscerais na infância, incluindo 
o tumor de Wilms, carcinoma adrenal, hepatoblastoma, 
rabdomiossarcoma e neuroblastoma. As características 
faciais podem incluir o nevo vascular da fronte e pálpebras, 
endentações lineares dos lóbulos das orelhas e hipoplasia 
de maxila (resultando em prognatismo mandibular rela-
tivo). A maioria dos casos de síndrome de Beckwith-Wie-
demann é esporádica, mas 10% a 15% dos casos mostram 
herança autossômica dominante, com transmissão preferen-
cialmente materna. A base genética é complexa, envolvendo 
!
!
!
!
Quadro 1-2
Causas da Macroglossia
HEREDITÁRIAS E CONGÊNITAS
Malformações vasculares!
Linfangioma!
Hemangioma!
Hemi-hiperplasia!
Cretinismo!
Síndrome de Beckwith-Wiedemann!
Síndrome de Down!
Mucopolissacaridoses!
Neurofibromatose tipo 1!
Neoplasia endócrina múltipla, tipo 2B!
ADQUIRIDAS
Pacientes edêntulos!
Amiloidose!
Mixedema!
Acromegalia!
Angioedema!
Carcinoma e outros tumores!
Fig. 1-17 Macroglossia. Língua aumentada em um paciente com 
síndrome de Down. (Cortesia do Dr. Sanford Fenton.)
Fig. 1-18 Macroglossia. O aumento da língua resultou na margem 
crenada que corresponde ao espaço entre os dentes.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 11
uma variedade de alterações dentro de dois domínios de 
genes reguladores do crescimento no cromossomo 11p15.
Nos pacientes com hipotireoidismo (Capítulo 17), ou 
com síndrome de Beckwith-Wiedemann, a língua exibe 
um aumento difuso, liso e generalizado. Nos pacientes 
acometidos por outras formas de macroglossia, a língua 
apresenta-se multinodular. Exemplos deste tipo nodular 
incluem: amiloidose(Capítulo 17) e condições neoplási-
cas, como a neurofibromatose (Capítulo 12) e a neopla-
sia endócrina múltipla, tipo 2B (Capítulo 12).
Nos pacientes com linfangiomas (Capítulo 12), a super-
fície lingual é caracteristicamente de aspecto papular ou 
granular, exibindo múltiplas elevações semelhantes a vesí-
culas que consistem em vasos linfáticos superficiais dilata-
dos. O aumento da língua nos pacientes com síndrome de 
Down exibe uma superfície fissurada e papilar.
Nos pacientes com hiperplasia hemifacial (ver adiante), 
o aumento da língua é unilateral. Alguns pacientes com 
neurofibromatose também podem apresentar aumento 
unilateral da língua.
Nos pacientes edêntulos, a língua apresenta-se muitas 
vezes elevada e tende a se espalhar lateralmente devido à 
perda dos dentes, podendo trazer dificuldades no uso de 
próteses.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O aspecto microscópico da macroglossia varia de acordo 
com a causa específica. Em alguns casos, como na síndrome 
de Down e nos pacientes edêntulos, o aumento da língua 
pode não exibir anormalidades histológicas. Quando a 
macroglossia é devido a um tumor, uma proliferação neo-
plásica de um tecido em particular pode ser observada 
(p. ex., vasos linfáticos, vasos sanguíneos, tecido nervoso). O 
aumento muscular ocorre nos casos de hemi-hiperplasia e 
na síndrome de Beckwith-Wiedemann. Nos pacientes com 
amiloidose, um material proteináceo anormal deposita-se 
na língua.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O tratamento e prognóstico da macroglossia dependem 
da causa e da gravidade da condição. Nos casos brandos, 
o tratamento cirúrgico pode não ser necessário, embora a 
fonoaudiologia possa ser útil quando a fala é afetada. Nos 
pacientes sintomáticos, pode haver necessidade de redução 
da língua através da glossectomia.
ANQUILOGLOSSIA (LÍNGUA PRESA)
A anquiloglossia é uma anomalia de desenvolvimento da 
língua, caracterizada pelo freio lingual curto, resultando na 
limitação dos movimentos da língua. É observada em 1,7% 
a 4,4% dos recém-nascidos e é quatro vezes mais comum 
Fig. 1-19 Anquiloglossia. Inserção anormal do freio lingual, limi-
tando o movimento da língua.
em meninos. Nos adultos, não é incomum observar casos 
leves de anquiloglossia, mas a anquiloglossia grave é rela-
tivamente rara, sendo estimada em dois a três casos a cada 
10.000 indivíduos.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
A anquiloglossia pode apresentar manifestações clínicas 
variadas, desde casos leves e com pouco significado clínico, 
até casos raros de anquiloglossia completa, onde a língua é 
totalmente fusionada ao soalho bucal (Fig. 1-19). Ocasio-
nalmente o freio estende-se anteriormente e insere-se no 
ápice lingual, podendo ser observada uma discreta fenda 
nesta região.
Alguns pesquisadores especulam que a anquiloglossia 
possa contribuir para o desenvolvimento da mordida aberta 
anterior porque a incapacidade da língua de elevar-se até o 
palato impede a deglutição normal. Entretanto, outros têm 
questionado esta teoria. É possível também que uma inser-
ção mucogengival alta do freio lingual possa desencadear 
problemas periodontais.
Foi sugerido que a anquiloglossia pode resultar em pro-
blemas de fonação. Entretanto, em geral, o freio encurtado 
resulta apenas em dificuldades menores, porque a maioria 
das pessoas pode compensar as limitações dos movimentos 
da língua. Até o momento existem raros casos de pacientes 
que experimentaram uma melhora notável na fala imedia-
tamente após a correção cirúrgica da anquiloglossia. Com 
o aumento da popularidade do aleitamento materno ao 
longo das últimas décadas, alguns clínicos relacionaram 
a anquiloglossia com problemas na amamentação, tais 
como dor no mamilo ou dificuldade do bebê de se acoplar 
ao seio. Em relatos recentes do Japão especulou-se que 
alguns casos de anquiloglossia podem estar associados a 
um deslocamento ântero-superior da epliglote e laringe, 
resultando em graus variados de dispneia.
12 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Como a maioria dos casos de anquiloglossia causa pouco 
ou nenhum problema clínico, não há necessidade de tra-
tamento. Para recém-nascidos com problemas específicos 
de amamentação, uma frenotomia (um “corte” ou apenas 
a liberação do freio) pode ser realizada. Em crianças ou 
adultos com dificuldades funcionais ou periodontais, a 
frenectomia (liberação do freio com reparo plástico) pode 
permitir maior facilidade aos movimentos da língua. Fre-
quentemente, em crianças pequenas, recomenda-se que a 
cirurgia seja adiada até os quatro ou cinco anos de idade. 
Como a língua é sempre curta no nascimento, é difícil 
avaliar o grau de limitação da língua causada pela anquilo-
glossia. Conforme a criança cresce, a língua torna-se mais 
alongada e fina no ápice, muitas vezes diminuindo a exten-
são da anquiloglossia. Provavelmente, a condição é corri-
gida espontaneamente em muitos casos, por isso, é menos 
comum nos adultos.
TIREOIDE LINGUAL
Entre a terceira e quarta semana de vida intrauterina, a 
tireoide começa a se desenvolver pela proliferação epitelial 
no soalho do cordão faringiano. Por volta da sétima semana 
de vida embrionária, o botão tireoidiano migra inferiormente 
para o pescoço e, finalmente, posiciona-se anteriormente à 
traqueia e à laringe. Posteriormente, o local de onde o botão 
migrou invagina-se e torna-se o forame cego, localizado na 
junção dos dois terços anteriores e terço posterior da língua, 
na linha média. Se a glândula primitiva não migrar normal-
mente, um tecido tireoidiano ectópico pode ser encontrado 
entre o forame cego e a epiglote. De todas as tireoides ectó-
picas, 90% são encontradas nesta região.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Com base nos estudos de necrópsia, pequenos remanes-
centes assintomáticos de tecido tireoidiano podem ser 
encontrados na porção posterior do dorso lingual em cerca 
de 10% tanto dos homens quanto das mulheres. Entretanto, 
as tireoides linguais evidentes clinicamente ou sintomáti-
cas são muito menos comuns e são quatro a sete vezes mais 
comuns em mulheres, talvez por causa das influências hor-
monais. Os sintomas geralmente surgem durante a puber-
dade, adolescência, gestação ou menopausa. Em 70% dos 
casos, essa glândula ectópica é o único tecido tireoidiano 
do paciente.
A tireoide lingual pode variar de lesão nodular pequena 
e assintomática a grandes massas, que podem bloquear as 
vias aéreas (Fig. 1-20). Os sintomas clínicos mais comuns 
são a disfagia, a disfonia e a dispneia. Muitas vezes, o 
aumento de volume é vascular, porém a aparência clínica 
é variável e não existem aspectos confiáveis para diferen-
ciá-la de outras massas que também podem se desenvolver 
nesta área. O hipotireoidismo foi relatado em mais de 33% 
dos pacientes. Vários autores afirmam que o aumento da 
tireoide lingual é um fenômeno secundário compensador 
da hipofunção da tireoide. É interessante notar que aproxi-
madamente 75% dos pacientes com hipotireoidismo infan-
til possuem algum tecido tireoidiano ectópico.
O seu diagnóstico é mais bem-estabelecido pela cintilo-
grafia da tireoide utilizando-se isótopos de iodo ou tecnécio 
99. A tomografia computadorizada (TC) e a imagem por 
ressonância magnética (IRM) podem ser úteis na avaliação 
do tamanho e da extensão da lesão. A biópsia geralmente é 
evitada devido ao risco de hemorragia e porque o aumento 
de volume pode ser o único tecido tireoidiano funcional 
do paciente. Em alguns casos, a biópsia incisional pode ser 
necessária para confirmar o diagnóstico ou excluir altera-
ções malignas.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Nenhum tratamento é necessário para a tireoide lingual 
assintomática, a não ser um acompanhamento periódico. 
Nos pacientes sintomáticos, a terapia supressiva com suple-
Fig. 1-20 Tireoide lingual. A, Massa nodular na linha média na 
porção posterior do dorso da língua em uma menina com quatro 
anos de idade. B, Cintilografia da mesma paciente. A cintilografia 
mostra a localização (zona escura central) do isótopo do iodo na mas-
sa linguale captação mínima no pescoço.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 13
mento de hormônio tireoidiano pode, frequentemente, 
reduzir o tamanho da lesão. Alguns autores aconselham a 
realização deste tratamento também em pacientes assin-
tomáticos, para prevenir um possível aumento posterior 
do tamanho. Quando a terapia hormonal não elimina os 
sintomas, a remoção cirúrgica ou ablação com iodo radio-
ativo-131 são indicadas. Se o aumento de volume for exci-
sado cirurgicamente, pode-se tentar o autotransplante para 
outra parte do corpo, a fim de manter o tecido tireoidiano 
funcional e prevenir o hipotireoidismo.
Casos raros de carcinomas originados em tireoides lin-
guais foram relatados; a transformação maligna ocorre em 
cerca de 1% dos casos identificados. Apesar de as tireoides 
linguais serem mais comuns em mulheres, tal predileção 
é menos acentuada em relação aos carcinomas da tireoide 
lingual. Devido ao número mais acentuado de carcinomas 
em homens, alguns autores recomendam a excisão cirúr-
gica profilática das tireoides linguais em homens com mais 
de 30 anos.
LÍNGUA FISSURADA (LÍNGUA ESCROTAL)
A língua fissurada é uma condição relativamente comum 
caracterizada pela presença de várias fissuras ou sulcos na 
superfície dorsal da língua. A sua causa é incerta, mas a 
hereditariedade parece ter um papel significante. Evidên-
cias indicam que esta condição pode ter tanto caráter poli-
gênico, como autossômico dominante com penetrância 
incompleta. Fatores ambientais e idade também podem 
contribuir para o seu desenvolvimento.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Os pacientes com língua fissurada exibem múltiplos sulcos 
ou fissuras, na superfície da língua, variando de 2 a 6 mm de 
profundidade (Fig. 1-21). Variações consideráveis podem 
ser observadas no aspecto clínico da língua fissurada. Nos 
casos mais graves, fissuras numerosas cobrem completa-
mente a superfície dorsal e dividem as papilas linguais 
em múltiplas “ilhas”. Alguns pacientes apresentam fissu-
ras localizadas preferencialmente na porção dorsolateral 
da língua. Outros exibem uma fissura central ampla, com 
fissuras menores ramificando-se perpendicularmente. Em 
geral, tal condição é assintomática, embora alguns pacien-
tes queixem-se de uma ardência discreta ou dor.
A maioria dos estudos mostra que a prevalência da 
língua fissurada varia de 2% a 5% da população. Tal con-
dição pode ser encontrada em crianças e adultos, porém a 
prevalência e a gravidade parecem aumentar com a idade, 
com alguns estudos revelando a presença da língua fissu-
rada em aproximadamente 30% dos adultos mais velhos. 
Em algumas pesquisas, observou-se uma predileção pelo 
gênero masculino.
Uma forte associação entre a língua fissurada e a língua 
geográfica (Capítulo 16) foi encontrada, com vários 
Fig. 1-21 Língua fissurada. Fissuras extensas envolvendo toda a 
superfície dorsal da língua.
pacientes apresentando ambas as condições. A base here-
ditária também foi sugerida para a língua geográfica, e o(s) 
mesmo(s) gene(s) pode(m) estar relacionado(s) com as 
duas condições. Inclusive, foi sugerido que a língua geo-
gráfica pode causar a língua fissurada. A língua fissurada 
pode ser um componente da síndrome de Melkersson-
Rosenthal (Capítulo 9).
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame microscópico da língua fissurada revela hiperpla-
sia das projeções epiteliais e perda dos “pelos” de ceratina 
na superfície das papilas filiformes. As papilas variam de 
tamanho e muitas vezes estão separadas por fendas profun-
das. Leucócitos polimorfonucleares podem ser observados 
migrando para o epitélio, formando muitas vezes micro-
abscessos nas camadas epiteliais superiores. Um infiltrado 
inflamatório misto está presente na lâmina própria.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
A língua fissurada é uma condição benigna, e nenhum tra-
tamento específico é indicado. O paciente deve ser orien-
tado a escovar a língua, pois restos alimentares retidos 
podem atuar como fonte de irritação.
LÍNGUA PILOSA (LÍNGUA PILOSA NEGRA; 
LÍNGUA SABURROSA)
A língua pilosa caracteriza-se por acúmulo acentuado de 
ceratina nas papilas filiformes do dorso lingual, resultando 
em uma aparência semelhante a pelos. Aparentemente, 
essa condição ocorre por um aumento na produção de 
ceratina ou por um decréscimo na descamação da ceratina 
normal. A língua pilosa é observada em aproximadamente 
0,5% dos adultos. Embora a sua causa seja incerta, muitos 
pacientes afetados são tabagistas crônicos. Outros fatores 
14 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
possivelmente associados são: debilitação geral, higiene 
oral deficiente e um histórico de radioterapia na região de 
cabeça e pescoço.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
A língua pilosa é mais comum na linha média anterior 
às papilas circunvaladas, espalhando-se para as margens 
lateral e anterior (Fig. 1-22). As papilas alongadas geral-
mente são acastanhadas, amareladas ou enegrecidas, como 
resultado do crescimento de bactérias cromogênicas, pig-
mentos do tabaco e alimentos. Algumas vezes, a maior 
parte do dorso da língua pode estar envolvida, resultando 
em uma aparência espessada (Fig. 1-23). As múltiplas 
papilas filiformes individualmente aumentadas podem 
ser elevadas utilizando-se uma gaze ou um instrumental. 
A condição é em geral assintomática, embora, às vezes, 
alguns pacientes queixem-se de uma sensação de náusea 
ou de um gosto desagradável na boca. Como o diagnóstico 
pode ser obtido devido ao aspecto clínico, a biópsia é des-
necessária na maioria dos casos.
Devido à semelhança nas denominações, deve-se tomar 
cuidado para evitar a confusão entre a língua pilosa e a leu-
coplasia pilosa (Capítulo 7), que ocorre classicamente na 
margem lateral da língua. A leucoplasia pilosa é causada 
pelo vírus Epstein-Barr e geralmente está associada à 
infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) ou 
outras condições imunossupressoras.
Em alguns pacientes, células epiteliais descamadas e 
numerosas bactérias acumulam-se no dorso da língua, 
porém sem as projeções filiformes semelhantes a pelos 
(Fig. 1-24). Estes casos, que são frequentemente denomi-
nados língua saburrosa, também podem ser a fonte de 
halitose.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
No exame histopatológico, a língua pilosa caracteriza-se 
por alongamento pronunciado e hiperparaceratose das 
papilas filiformes (Fig. 1-25). Frequentemente, observa-se 
o crescimento de várias bactérias na superfície epitelial.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
A língua pilosa e a língua saburrosa são condições benig-
nas que não trazem sequelas relevantes. Muitas vezes, a 
Fig. 1-22 Língua pilosa. Papilas filiformes marrom-amareladas, 
aumentadas, na parte posterior do dorso da língua.
Fig. 1-23 Língua pilosa. Papilas filiformes acastanhadas muito 
alongadas, resultando na aparência semelhante a pelos.
Fig. 1-24 Língua saburrosa. Dorso lingual com aparência branca e 
espessada devido ao acúmulo de ceratina e bactérias na superfície.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 15
Fig. 1-25 Língua pilosa. Alongamento e hiperceratose acentuada 
das papilas filiformes, com acúmulo de bactérias na superfície.
Fig. 1-26 Varicosidades. Múltiplas veias purpúreas dilatadas na 
superfície lateral e ventral da língua.
Fig. 1-27 Varicosidade. Variz trombosada firme no lábio infe-
rior.
preocupação principal é a aparência estética da língua, 
possivelmente associada à halitose. Quaisquer fatores pre-
disponentes, como tabaco, antibióticos, ou antissépticos 
bucais, devem ser eliminados, e uma excelente higiene 
oral deve ser efetuada. A descamação das papilas hiper-
ceratóticas pode ser realizada com a raspagem periódica 
ou limpeza com escova de dentes ou raspador de língua. 
Agentes ceratolíticos, como a podofilina, também têm sido 
utilizados, porém por medidas de segurança a sua utiliza-
ção não deve ser recomendada.
VARICOSIDADES (VARIZES)
As varicosidades, ou varizes, consistem em veias anor-
malmente dilatadas e tortuosas.A idade parece ser um 
fator etiológico importante, uma vez que as varizes são 
raras em crianças, mas comuns em adultos. Tal fato sugere 
que o seu desenvolvimento possa ser uma degeneração 
relacionada à idade, ocorrendo perda do tônus do tecido 
conjuntivo que suporta os vasos. As varizes orais não têm 
sido associadas à hipertensão sistêmica ou outras doenças 
cardiopulmonares, embora um estudo tenha observado 
que pacientes com varizes nas pernas eram mais propen-
sos a ter varizes na língua.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
O tipo mais comum de varicosidade oral é variz sublin-
gual, a qual ocorre em dois terços das pessoas com mais 
de 60 anos de idade. As varicosidades sublinguais apresen-
tam-se classicamente como vesículas papulares ou elevadas 
múltiplas, azul-purpúreas, na margem lateral e no ventre 
da língua (Fig. 1-26). As lesões em geral são assintomáticas, 
exceto em circunstâncias raras quando ocorre trombose 
secundária.
Com menos frequência, varizes solitárias ocorrem em 
outras regiões da boca, especialmente nos lábios e na 
mucosa jugal. Essas varicosidades solitárias apenas são 
notadas após sofrerem trombose (Fig. 1-27). Clinicamente, 
uma variz trombosada apresenta-se como um aumento de 
volume azul-purpúreo, firme, indolor, que pode ser seme-
lhante a um fragmento de projétil de chumbo abaixo da 
superfície mucosa.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame microscópico de uma variz revela uma veia dila-
tada, cuja parede exibe pouco músculo liso e tecido elás-
tico pouco desenvolvido. Se a trombose secundária tiver 
ocorrido, a luz do vaso pode conter camadas concêntricas 
de plaquetas e hemácias (linhas de Zahn). O coágulo pode 
sofrer organização com tecido de granulação, e subse-
quente recanalização. Trombos mais antigos podem apre-
sentar calcificação distrófica, resultando na formação de 
flebólitos (phlebo = veia; litho = pedra).
16 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
As varicosidades sublinguais são tipicamente assintomáti-
cas, e não há indicação de tratamento. Nas varicosidades 
solitárias dos lábios e da mucosa jugal pode haver necessi-
dade de remoção cirúrgica para confirmação do diagnós-
tico, por causa da formação de trombo secundário ou por 
razões estéticas.
ARTÉRIA DE CALIBRE PERSISTENTE
Uma artéria de calibre persistente é uma alteração vas-
cular comum, na qual um ramo arterial principal estende-
se para a superfície do tecido mucoso sem redução no 
seu diâmetro. Assim como as varizes orais, as artérias de 
calibre persistente são observadas com maior frequência 
nos idosos. Isto sugere que o seu desenvolvimento pode ser 
um fenômeno degenerativo relacionado com a idade, no 
qual ocorre perda do tônus do tecido conjuntivo circunja-
cente de suporte.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
A artéria de calibre persistente ocorre quase que exclusi-
vamente na mucosa labial. Tanto o lábio superior, como o 
inferior podem ser afetados, e alguns pacientes apresentam 
lesões bilaterais ou em ambos os lábios. A média de idade 
dos pacientes é de 58 anos, e a distribuição por gênero é 
praticamente a mesma. A lesão apresenta-se como uma 
elevação linear, papular ou arqueada, de coloração pálida, 
normal ou azulada (Fig. 1-28). Em geral, quando se estica o 
lábio, a artéria torna-se imperceptível. O achado caracterís-
tico é a pulsação – não só verticalmente como também na 
direção lateral. Entretanto, quando se utilizam luvas, geral-
mente não é possível sentir a pulsação em uma artéria de 
calibre persistente por meio da palpação digital.
A lesão em geral é assintomática, sendo identificada inci-
dentalmente durante o exame clínico de rotina; raramente 
um paciente pode notar um aumento de volume pulsátil 
no lábio. Alguns poucos casos têm sido associados à ulcera-
ção da mucosa de revestimento. Além disso, foram relata-
dos alguns casos escassos de artéria de calibre persistente 
ao lado de um carcinoma de células escamosas do lábio, 
embora isso provavelmente seja uma coincidência.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame microscópico revela uma artéria com parede 
espessa localizada logo abaixo superfície mucosa (Fig. 
1-29).
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Se a verdadeira natureza da artéria de calibre persistente 
pode ser reconhecida clinicamente, nenhum tratamento é 
necessário. Muitas vezes uma biópsia é realizada quando a 
lesão é confundida com mucocele ou outra lesão vascular, 
como uma variz ou hemangioma. Comumente, se a lesão é 
removida cirurgicamente ocorre sangramento abundante.
FÍSTULAS LATERAIS DO PALATO MOLE
As fístulas laterais do palato mole são alterações raras 
de patogênese incerta. Muitos casos parecem ser congêni-
tos, possivelmente relacionados com um defeito do desen-
volvimento da segunda bolsa faringiana. Algumas fístulas 
podem ser resultantes de infecção ou cirurgia na região 
amigdaliana.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
As fístulas laterais do palato mole são geralmente bilaterais, 
mas podem ocorrer em apenas um lado. São mais comuns 
no pilar amigdaliano anterior (Fig. 1-30), mas também 
podem envolver o pilar posterior. As perfurações são comu-
Fig. 1-28 Artéria de calibre persistente. Lesão linear arqueada 
na mucosa labial superior (seta). (Cortesia do Dr. John Lovas.)
Fig. 1-29 Artéria de calibre persistente. Artéria com parede es-
pessa localizada abaixo da superfície mucosa.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 17
mente assintomáticas, variando de poucos milímetros a 
mais de 1 cm. Poucos casos têm sido associados a outras 
anomalias, como a ausência ou hipoplasia das amígdalas 
palatinas, perda de audição e fístulas pré-auriculares.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
As lesões são inócuas e não há necessidade de tratamento.
HIPERPLASIA CORONOIDE
A hiperplasia do processo coronoide da mandíbula é 
uma alteração de desenvolvimento rara que pode resul-
tar na limitação dos movimentos mandibulares. A causa 
da hiperplasia coronoide é desconhecida, mas a razão 
de incidência entre homens e mulheres é de 5:1. Como a 
maioria dos casos é observada em homens na puberdade, 
uma influência hormonal tem sido sugerida. A heredita-
riedade também possui um papel significante, uma vez 
que alguns casos foram identificados em membros de uma 
mesma família.
A hiperplasia coronoide pode ser uni ou bilateral, embora 
casos bilaterais sejam quase cinco vezes mais comuns do 
que os unilaterais. O aumento unilateral do processo coro-
noide também pode ser resultante de um tumor verdadeiro, 
como um osteoma ou osteocondroma, e tais casos devem 
ser distinguidos daqueles de uma hiperplasia coronoide 
simples. Entretanto, alguns casos relatados como tumores 
do processo coronoide são, mais provavelmente, processos 
coronoides hiperplasiados do que tumores verdadeiros.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
Em um paciente com hiperplasia coronoide unilateral, o 
aumento do processo coronoide toca a superfície posterior 
do zigoma, restringindo a abertura da mandíbula. Além 
Fig. 1-30 Fístula lateral palatina. A, “Cavidade” assintomática no pilar amigdaliano anterior. B, Sonda periodontal sendo utilizada para 
demonstrar a comunicação da lesão com a fossa amigdaliana.
disso, a mandíbula pode desviar-se para o lado afetado. Em 
geral, não há dor ou anormalidades na oclusão. As radio-
grafias podem revelar um crescimento nodular e irregular 
da ponta do processo coronoide.
Na hiperplasia coronoide bilateral, a limitação da aber-
tura mandibular pode piorar progressivamente durante 
anos, desde a infância, até atingir a gravidade máxima no 
final da adolescência. O aspecto radiográfico caracteriza-
se por aumento regular de ambos os processos. Como o 
processo coronoide muitas vezes apresenta-se superposto 
ao zigoma em radiografias convencionais, tomogramas ou 
tomografias computadorizadas geralmente são mais efi-
cazes na demonstração da hiperplasia.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O tratamento da hiperplasia coronoide consiste na remoção 
cirúrgica do(s) processo(s) alongado(s) para permitir a 
movimentaçãolivre da mandíbula. A coronoidectomia ou 
a coronoidotomia são geralmente realizadas pelo acesso 
intraoral. Embora possa ocorrer uma melhora inicial na 
abertura de boca, os resultados em longo prazo podem ser 
desapontadores uma vez que o procedimento cirúrgico 
pode causar a fibrose e pela tendência do novo cresci-
mento do processo coronoide. A fisioterapia pós-operatória 
é importante no restabelecimento da função normal.
HIPERPLASIA CONDILAR
A hiperplasia condilar é uma malformação rara da man-
díbula, causada pelo crescimento excessivo de um dos 
côndilos. A causa desta hiperplasia é desconhecida, porém 
alterações circulatórias locais, distúrbios endócrinos e 
trauma foram sugeridos como possíveis fatores etiológicos.
A hiperplasia condilar pode ser difícil de distinguir 
da hiperplasia hemifacial (ver adiante); entretanto, na 
18 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
hiperplasia hemifacial os tecidos moles e dentes associa-
dos também podem estar aumentados.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
A hiperplasia condilar pode se manifestar de formas dis-
tintas, incluindo assimetria facial, prognatismo, mordida 
cruzada e mordida aberta (Fig. 1-31). Algumas vezes, 
ocorrem um crescimento maxilar compensatório e inclina-
ção do plano oclusal. Esta condição é mais identificada em 
adolescentes e adultos jovens.
As características radiográficas são bastante variadas. 
Alguns pacientes têm um alongamento da cabeça do 
côndilo, e outros exibem alongamento do colo do côndilo 
(Fig. 1-32). Muitos casos também apresentam hiperplasia 
de todo o ramo, sugerindo que a condição algumas vezes 
afeta mais do que o côndilo. A cintilografia usando 99mTc-
MDP tem sido indicada como um método útil na avaliação 
do grau de atividade óssea na hiperplasia condilar.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
Durante o crescimento ativo, nota-se a proliferação da 
cartilagem condilar. Uma vez que o crescimento condilar 
tenha cessado, o côndilo apresenta um aspecto histológico 
normal.
TRAMENTO E PROGNÓSTICO
A hiperplasia condilar é uma condição autolimitante e o 
seu tratamento é baseado no grau de dificuldade funcio-
nal e comprometimento estético. Alguns pacientes podem 
ser tratados pela condilectomia unilateral, enquanto outros 
necessitam de osteotomia mandibular uni ou bilateral. Em 
pacientes com crescimento maxilar compensatório, uma 
osteotomia maxilar também pode ser necessária. O trata-
mento ortodôntico concomitante é geralmente necessário.
HIPOPLASIA CONDILAR
A hipoplasia condilar, ou o crescimento deficiente do 
côndilo mandibular, pode ser congênita ou adquirida. 
Muitas vezes, a hipoplasia condilar congênita está 
associada am síndromes da cabeça e pescoço, incluindo 
a disostose mandibulofacial (ver adiante), a síndrome 
oculoauriculovertebral (síndrome de Goldenhar) e a 
microssomia hemifacial. Nos casos mais graves, agene-
Fig. 1-31 Hiperplasia condilar. O aumento do côndilo esquerdo 
do paciente deslocou a mandíbula para a direita e resultou em as-
simetria facial.
Fig. 1-32 Hiperplasia condilar. Aumento do côndilo mandibular esquerdo (seta). (Cortesia do Dr. Gary Reinhart.)
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 19
sia de todo o côndilo ou ramo pode ser observada (aplasia 
condilar).
A hipoplasia condilar adquirida ocorre por distúr-
bios do centro de crescimento do côndilo em desenvolvi-
mento. A causa mais comum é o trauma na região condilar 
durante a primeira e segunda décadas de vida. Outras 
causas incluem infecções, radioterapia e artrite reuma-
toide ou degenerativa.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
A hipoplasia condilar pode ser uni ou bilateral, resultando 
em uma mandíbula pequena, com má oclusão do tipo 
Classe II. A hipoplasia unilateral resulta em distorção e 
depressão da face no lado afetado. A linha média da mandí-
bula é desviada para o lado afetado quando o paciente abre 
a boca, acentuando a deformidade. Nos casos relacionados 
a trauma pode ocorrer anquilose da articulação temporo-
mandibular (ATM).
A deformidade é facilmente observada em radiografias 
panorâmicas e a gravidade pode variar. Nos casos graves, o 
côndilo ou o ramo podem estar completamente ausentes. Os 
casos mais brandos exibem um processo condilar pequeno, 
chanfradura sigmoide rasa e cabeça do côndilo malformada. 
Uma chanfradura antegonial proeminente pode estar pre-
sente. A TC pode ser útil na avaliação dos côndilos.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O tratamento do paciente com hipoplasia condilar varia 
de acordo com a causa e gravidade do defeito, porém, 
muitas vezes, a cirurgia é necessária. Quando o côndilo 
está ausente, um enxerto costocondral (da costela) pode 
ser colocado para ajudar a estabelecer um centro de cres-
cimento ativo. Além disso, as osteotomias, algumas vezes, 
promovem uma aparência estética aceitável. Em alguns 
casos, a distração osteogênica pode ser usada para estimu-
lar uma neoformação óssea.
CÔNDILO BÍFIDO
O côndilo bífido é uma alteração de desenvolvimento 
rara caracterizada por um côndilo mandibular com duas 
cabeças. A maioria dos côndilos bífidos possui uma cabeça 
medial e uma lateral divididas por um sulco central. Alguns 
côndilos podem ter a cabeça dividida em anterior e pos-
terior.
A causa do côndilo bífido é desconhecida. Os côndilos 
bífidos ântero-posteriores podem ter uma origem trau-
mática, como uma fratura durante a infância. Os côndilos 
divididos médio-lateralmente podem resultar de trauma, 
inserção muscular anormal, agentes teratogênicos, ou per-
sistência de um septo fibroso dentro da cartilagem 
condilar.
Fig. 1-33 Côndilo bífido. Radiografia do côndilo mandibular mos-
trando cabeça dupla (seta).
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
Frequentemente, o côndilo bífido é unilateral, mas eventu-
almente ambos os lados podem ser afetados. A malforma-
ção é usualmente assintomática e pode ser identificada em 
radiografias de rotina, embora alguns pacientes tenham 
um “clique” ou “estalo” da ATM durante a abertura de 
boca. Radiografias panorâmicas ou tomografias computa-
dorizadas exibem o aspecto bilobular da cabeça do côndilo 
(Fig. 1-33).
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Por ser usualmente assintomático, o côndilo bífido, na 
maioria das vezes, não requer tratamento. Quando o 
paciente tem queixas na ATM, o tratamento temporoman-
dibular pode ser necessário.
EXOSTOSES
Exostoses são protuberâncias ósseas localizadas que 
surgem da cortical óssea. Estes crescimentos benignos 
afetam frequentemente a maxila e a mandíbula. As exos-
toses orais mais conhecidas são o tórus palatino e o tórus 
mandibular, que serão descritas posteriormente ainda 
neste capítulo. Outros tipos de exostoses também podem 
acometer os maxilares e são descritos aqui.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
As exostoses são identificadas preferencialmente em 
adultos. As exostoses vestibulares ocorrem como aumen-
tos de volume ósseos bilaterais ao longo da face vestibular 
dos rebordos alveolares da maxila e/ou mandíbula (Fig. 
20 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
1-34). Geralmente, as exostoses vestibulares são assintomá-
ticas, a menos que a fina mucosa de revestimento se torne 
ulcerada por trauma. Um estudo mostrou que as exostoses 
vestibulares foram encontradas em aproximadamente 1 a 
cada 1.000 adultos (0,09%); entretanto, um estudo mais 
recente encontrou uma prevalência muito maior, de quase 
19%. Esta variação pode ser devido a populações estuda-
das distintas ou devido ao critério clínico utilizado para o 
diagnóstico.
As exostoses palatinas (tubérculos palatinos) são 
protuberâncias ósseas semelhantes que se desenvolvem no 
lado lingual das tuberosidades palatinas. Estas lesões são 
geralmente bilaterais, mas podem acometer apenas um 
lado (Fig. 1-35). Elas são mais comuns em homens e os 
relatos variam de 8% a 69% em várias populações. Muitos 
pacientes que possuem exostoses palatinas ou vestibulares 
apresentam também tórus mandibular ou palatino.
Com menos frequência, as exostoses solitárias podem 
ocorrer,possivelmente em resposta à irritação local. Estas 
lesões podem se desenvolver no osso alveolar por baixo de 
enxertos gengivais livres ou enxertos cutâneos. Provavel-
mente, a colocação do enxerto age como um estímulo para 
o periósteo formar novo osso.
Outra variante rara e interessante é a exostose subpôn-
tica reacional (proliferação óssea subpôntica, hiper-
plasia óssea subpôntica), a qual pode se desenvolver da 
crista óssea alveolar, abaixo do pôntico de uma prótese fixa 
na região posterior (Fig. 1-36).
Se uma quantidade excessiva de osso está presente, as 
exostoses podem mostrar uma relativa radiopacidade nas 
radiografias dentárias (ver Fig. 1-35, B). Em casos raros, 
uma exostose pode se tornar tão grande que é difícil dife-
renciá-la de um tumor, como o osteoma (Capítulo 14).
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame histopatológico revela uma massa densa de osso 
cortical lamelar com uma pequena quantidade de medula 
óssea fibroadiposa. Em alguns casos uma zona mais interna 
de osso trabecular também está presente.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Na maioria das exostoses, o aspecto clínico é suficiente para 
o diagnóstico, tornando a biópsia desnecessária. Quando 
Fig. 1-34 Exostoses. Exostoses vestibulares múltiplas do rebordo 
alveolar da mandíbula e maxila.
Fig. 1-35 Exostoses. A, Exostose palatina secundariamente ul-
cerada. B, Radiografia mostrando uma radiopacidade oval distal ao 
molar.
Fig. 1-36 Exostose subpôntica reacional. Crescimento ósseo no-
dular por baixo do pôntico de uma prótese fixa na região posterior.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 21
existem dúvidas no diagnóstico, a biópsia deve ser reali-
zada para excluir outras lesões ósseas. Quando as exostoses 
estão expostas a traumatismo constante ou quando existe 
ulceração e dor, há indicação de remoção. Além disso, a 
remoção cirúrgica também pode ser necessária para aco-
modar uma prótese dentária ou para permitir a adaptação 
apropriada de um retalho durante uma cirurgia periodon-
tal. Pode ser necessária a remoção cirúrgica da exostose 
subpôntica reacional quando ela interferir na higienização 
bucal ou quando estiver associada à doença periodontal 
adjacente.
TÓRUS PALATINO
O tórus palatino é uma exostose comum que ocorre na 
linha média do palato duro. A sua patogênese tem sido 
questionada, discutindo-se uma origem genética ou fato-
res ambientais, como o estresse mastigatório. Algumas au-
toridades sugerem que o tórus palatino é herdado como 
um traço autossômico dominante. Entretanto, outros acre-
ditam que o seu desenvolvimento seja multifatorial, in-
cluindo tanto influências genéticas como ambientais. Neste 
modelo, os pacientes são afetados por uma variedade de 
fatores ambientais e hereditários. Se uma quantidade su-
ficiente destes fatores está presente, então um “limiar” é 
ultrapassado e o tórus palatino se manifesta.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
O tórus palatino apresenta-se como uma massa dura de 
osso que surge na linha média do palato duro (Figs. 1-37 
a 1-39). Às vezes, os tórus palatinos são classificados de 
acordo com a sua aparência morfológica:
O tórus plano tem uma base ampla e uma superfície 
lisa, ligeiramente convexa. Ele se estende simetrica-
mente para os dois lados da rafe palatina.
!
Fig. 1-37 Tórus palatino. Nódulo ósseo na linha média do pala-
to duro.
Fig. 1-38 Tórus palatino. Grande massa palatina lobulada.
Fig. 1-39 Tórus palatino. Massa óssea lobulada assimétrica.
O tórus alongado apresenta-se como uma crista na 
linha média ao longo da rafe palatina. Algumas vezes 
um sulco central está presente.
O tórus nodular apresenta-se como protuberâncias 
múltiplas, cada uma com sua base. Estas protuberân-
cias podem coalescer formando sulcos entre si.
O tórus lobular também é uma massa lobulada, po-
rém origina-se de uma base única. O tórus lobular 
pode ser séssil ou pedunculado.
A maioria dos tórus palatinos é pequena, medindo 
menos de 2 cm de diâmetro; entretanto, podem aumen-
tar lentamente de tamanho ao longo da vida, às vezes ocu-
pando toda a extensão da abóbada palatina. A maioria dos 
tórus é assintomática, mas em alguns casos, a mucosa de 
revestimento fina pode ulcerar-se devido a um trauma.
Usualmente o tórus palatino não aparece em radiogra-
fias dentárias de rotina. Eventualmente, ele pode ser obser-
vado como uma radiopacidade em radiografias periapicais 
quando o filme é colocado por detrás do tórus durante a 
tomada radiográfica.
A prevalência de tórus palatino varia bastante em 
estudos populacionais, oscilando de 9% a 60%. Esta varia-
!
!
!
22 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
ção pode ser devido ao critério utilizado para o diagnós-
tico e também se a pesquisa foi realizada em pacientes 
vivos ou em ossos de cadáveres. Parecem existir diferenças 
significativas na distribuição racial, com prevalência maior 
em populações asiáticas e inuítas (esquimós). Nos Estados 
Unidos, a maioria dos estudos mostra prevalência de 20% 
a 35%, com pequena diferença entre brancos e negros. 
Quase todos os estudos mundiais revelam uma relação 
mulher-homem de 2:1. Os picos de prevalência ocorrem 
durante o início da vida adulta, diminuindo ao longo dos 
últimos anos. Tal achado reforça a teoria de que os tórus 
são lesões dinâmicas, em parte relacionadas a fatores 
ambientais; no decorrer da vida, alguns podem sofrer 
reabsorção remodeladora em resposta ao decréscimo do 
estresse funcional.
CARACTERÍTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame microscópico do tórus mostra uma massa de osso 
cortical lamelar denso. Às vezes, uma zona mais interna de 
osso trabecular é observada.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
A maioria dos tórus palatinos pode ser diagnosticada cli-
nicamente com base no seu aspecto clínico característico; 
logo, a biópsia é raramente necessária. Em pacientes edên-
tulos, a remoção cirúrgica pode ser necessária para acomo-
dar a prótese. A cirurgia também pode ser indicada para 
os tórus palatinos que apresentem ulceração recorrente ou 
que interfiram na função oral.
TÓRUS MANDIBULAR
O tórus mandibular é uma exostose comum que se desen-
volve ao longo da superfície lingual da mandíbula. Assim 
como no tórus palatino, a causa do tórus mandibular é pro-
vavelmente multifatorial, incluindo influências ambientais 
e genéticas.
CARACATERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
O tórus mandibular apresenta-se como uma protuberância 
óssea ao longo da superfície lingual da mandíbula acima da 
linha milo-hioidea, na região de pré-molares (Fig. 1-40). O 
envolvimento bilateral ocorre em mais de 90% dos casos. A 
maioria dos casos de tórus mandibular apresenta-se como 
aumentos de volume únicos, ainda que múltiplos lóbulos 
paralelos aos dentes não sejam incomuns. Geralmente, os 
pacientes não sabem que apresentam tórus mandibular, a 
menos que a mucosa de revestimento se torne secundaria-
mente ulcerada por trauma. Em raros casos, os tórus bilate-
rais podem se tornar tão grandes que quase se encontram 
na linha média (Fig. 1-41). Um tórus mandibular grande 
pode aparecer em radiografias periapicais como uma 
radiopacidade superposta às raízes dentárias (Fig. 1-42), 
especialmente em radiografias da região anterior. Os tórus 
mandibulares são facilmente visualizados nas radiografias 
oclusais (Fig. 1-43).
A maioria dos estudos indica que o tórus mandibular 
não é tão comum quanto o tórus palatino, com prevalência 
variando de 5% a 40%. Assim como o tórus palatino, o tórus 
mandibular parece ser mais comum nos asiáticos e inuítas. 
A prevalência nos Estados Unidos varia de 7% a 10%, com 
pequena diferença entre brancos e negros. Uma pequena 
predileção pelo gênero masculino tem sido notada.
O pico de prevalência do tórus mandibular ocorre no 
início da vida adulta, diminuindo ligeiramente nos últimos 
anos. Além disso, a sua prevalência tem sido correlacionada 
tanto com o bruxismo, como com o número de dentes pre-
sentes. Tais achados reforçam a teoria de que o tórus man-
Fig. 1-40 Tórus mandibular. Protuberânciasósseas lobuladas bi-
laterais no rebordo alveolar lingual da mandíbula.
Fig. 1-41 Tórus mandibular. Tórus acentuados “beijando-se” na 
linha média.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 23
dibular é de origem multifatorial e responde ao estresse 
funcional.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O aspecto histopatológico do tórus mandibular é seme-
lhante ao das outras exostoses, consistindo principalmente 
em uma densa massa lamelar de osso cortical (Fig. 1-44). 
Algumas vezes observa-se uma zona mais interna de osso 
trabecular associada à medula gordurosa.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
A maioria dos tórus mandibulares é facilmente diagnos-
ticada clinicamente, e não há necessidade de tratamento. 
Entretanto, a remoção cirúrgica pode ser necessária para 
acomodar uma prótese total ou parcial. Ocasionalmente, o 
tórus mandibular pode recidivar se os dentes permanece-
rem no local.
Fig. 1-42 Tórus mandibular. O tórus está causando uma radiopa-
cidade superposta às raízes dos dentes inferiores.
Fig. 1-43 Tórus mandibular. Radiografia oclusal mostrando tórus 
mandibular bilateral.
Fig. 1-44 Tórus mandibular. Massa nodular de osso cortical den-
so. Alguma medula gordurosa é visível na base do espécime.
SÍNDROME DE EAGLE (SÍNDROME 
ESTILOIDE; SÍNDROME DA ARTÉRIA 
CAROTÍDEA; ESTILALGIA)
O processo estiloide é uma projeção óssea fina que se 
origina da superfície inferior do osso temporal, medial e 
anteriormente ao forame estilomastoideo. Ele está conec-
tado ao corno inferior do osso hioide pelo ligamento estilo-
hioideo. A artéria carotídea externa e a carotídea interna 
localizam-se de cada lado do processo. O alongamento do 
processo estiloide ou a mineralização do complexo liga-
mentar estilo-hioideo não é incomum, sendo relatado em 
18% a 40% da população em algumas revisões de radio-
grafias. Essa mineralização geralmente é bilateral, porém 
pode afetar apenas um lado. A maioria dos casos é assin-
tomática; entretanto, um número reduzido destes pacien-
tes apresenta os sintomas da síndrome de Eagle, causada 
por colisão ou compressão dos vasos sanguíneos ou nervos 
adjacentes.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
A síndrome de Eagle afeta preferencialmente adultos. O 
paciente apresenta dor facial vaga, principalmente quando 
deglute, quando vira a cabeça ou abre a boca. Outros sin-
tomas que podem estar presentes são disfagia, disfonia, 
otalgia, cefaleia, tontura e síncope transitória.
O alongamento do processo estiloide ou a mineralização 
do complexo ligamentar estilo-hioideo pode ser observado 
na radiografia panorâmica ou radiografia lateral da mandí-
bula (Fig. 1-45). A mineralização do complexo ligamentar 
estilo-hioideo pode ser palpada na região de fossa amigda-
liana, promovendo muitas vezes a dor.
A síndrome de Eagle ocorre classicamente após uma 
amigdalectomia. O desenvolvimento de tecido cicatricial 
na área da mineralização do complexo ligamentar estilo-
24 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
hioideo resulta em dor cervicofaringeana na região dos 
nervos cranianos V, VII, IX e X, principalmente durante 
a deglutição. Alguns autores reservam o termo síndrome 
de Eagle apenas para os casos onde a ossificação da cadeia 
estilo-hioidea tenha ocorrido pela amigdalectomia ou por 
outro trauma no pescoço.
Uma segunda forma desta condição que não está rela-
cionada à amigdalectomia é chamada algumas vezes de 
síndrome da artéria carótida ou síndrome estiloide. 
O complexo mineralizado alongado é atritado na artéria 
carótida interna ou externa e fibras nervosas simpáticas 
associadas. O paciente pode se queixar de dor no pescoço 
quando vira a cabeça, e essa dor pode se irradiar para 
outras regiões da cabeça ou pescoço.
A síndrome de Eagle traumática também tem sido rela-
tada, na qual os sintomas desenvolvem-se após fratura do 
ligamento estilo-hioideo mineralizado.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O tratamento da síndrome de Eagle depende da gravi-
dade dos sintomas. Nos casos leves, geralmente nenhum 
tratamento é necessário (exceto tranquilizar o paciente). 
Algumas vezes, injeções locais de corticosteroides causam 
alívio. Nos casos mais graves, a excisão cirúrgica parcial do 
processo estiloide alongado ou do ligamento estilo-hioideo 
mineralizado é necessária. Geralmente, o acesso para essa 
cirurgia é intraoral, embora um acesso extraoral também 
possa ser utilizado. O prognóstico é bom.
DEFEITO DE STAFNE (CISTO ÓSSEO DE 
STAFNE; DEPRESSÃO MANDIBULAR 
LINGUAL DA GLÂNDULA SALIVAR; CISTO 
ÓSSEO LATENTE; CISTO ÓSSEO ESTÁTICO; 
DEFEITO ÓSSEO ESTÁTICO; DEFEITO DA 
CORTICAL LINGUAL MANDIBULAR)
Em 1942, Stafne descreveu uma série de lesões radiolú-
cidas assintomáticas, localizadas próximo ao ângulo da 
mandíbula. Relatos subsequentes de lesões semelhantes 
mostraram que esta condição representa uma concavidade 
focal do osso cortical na superfície lingual da mandíbula. 
Na maioria dos casos, a biópsia revela tecido de glândula 
salivar histologicamente normal, sugerindo que estas lesões 
representem defeitos do desenvolvimento que contêm 
uma porção da glândula submandibular. Entretanto, há 
relatos de alguns poucos casos de defeitos desprovidos de 
conteúdo ou contendo músculo, tecido conjuntivo fibroso, 
vasos sanguíneos, gordura ou tecido linfoide.
Defeitos semelhantes da cortical lingual também já 
foram observados mais anteriormente na mandíbula, na 
região dos incisivos, caninos e pré-molares. Estes defeitos 
raros foram relacionados à glândula sublingual ou tecido de 
glândula salivar aberrante. Além disso, um relato apontou 
a glândula parótida como a causa de um defeito cortical 
aparente no ramo ascendente da mandíbula. Portanto, 
todas as glândulas salivares maiores parecem ser capazes 
de causar essas concavidades corticais.
Em raros exemplos, foi relatado o defeito radiolúcido 
cercado totalmente por osso intacto. Estes casos talvez 
possam ser explicados pelo aprisionamento de tecido 
embrionário de glândula salivar nos ossos maxilares.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
O defeito de Stafne clássico apresenta-se como uma 
lesão radiolúcida assintomática, abaixo do canal mandibu-
lar, na região posterior da mandíbula, entre os molares e 
o ângulo da mandíbula (Fig. 1-46). A lesão é tipicamente 
bem-circunscrita e apresenta uma margem esclerótica. 
Algumas vezes, o defeito pode interromper a continuidade 
da margem inferior da mandíbula, com uma depressão 
clinicamente palpável nesta área. A maioria dos defeitos 
de Stafne é unilateral, embora casos bilaterais possam ser 
observados. Os defeitos linguais anteriores associados à 
glândula sublingual apresentam-se como uma lesão radio-
lúcida bem-definida que pode aparecer superposta aos 
ápices dos dentes anteriores (Figs. 1-47 e 1-48).
Os defeitos de Stafne posteriores não são incomuns, 
sendo encontrados em 0,3% das radiografias panorâmicas. 
Uma acentuada predileção pelo gênero masculino é obser-
vada, com 80% a 90% de todos os casos sendo representa-
dos pelos homens.
Embora se acredite que o defeito de Stafne seja uma 
alteração do desenvolvimento, ele não parece estar pre-
Fig. 1-45 Síndrome de Eagle. A mineralização do ligamento esti-
loioideo é visível posteriormente ao ramo ascendente.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 25
sente desde o nascimento. A maioria dos casos tem sido 
relatada em pacientes de meia-idade e idosos, sendo as 
crianças raramente afetadas; isto sugere que a lesão em 
geral “se desenvolve” em uma idade mais avançada. Tipi-
camente, os defeitos de Stafne permanecem estáveis no 
tamanho; daí o nome cisto ósseo estático. Contudo, em 
alguns poucos casos, a lesão aumenta de tamanho com o 
passar do tempo (Fig. 1-49). Isto também indica que tais 
lesões não são congênitas.
Fig. 1-46 Defeito de Stafne. Lesão radiolúcida na região posterior 
da mandíbula, abaixo do canal mandibular.
Fig. 1-47 Defeito de Stafne. Lesão radiolúcida anterior no corpo 
da mandíbula associada à glândula sublingual.
Fig.1-48 Defeito de Stafne. Superfície lingual da mandíbula exi-
bindo defeito cortical anterior causado pela glândula sublingual.
Em geral, o diagnóstico é alcançado com base na clínica, 
pela localização radiográfica característica e ausência de 
sintomas. Quando existem dúvidas no diagnóstico clínico, 
este pode ser confirmado pela tomografia computadori-
zada (TC), imagem por ressonância magnética (IRM) ou 
sialografia. A TC e a IRM mostram uma concavidade bem-
definida na superfície lingual da mandíbula. A sialografia 
pode demonstrar a presença de tecido de glândula salivar 
na área do defeito.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
Devido ao aspecto radiográfico característico, a biópsia 
geralmente não é necessária para o diagnóstico dos defei-
tos de Stafne na região posterior de mandíbula. Quando a 
biópsia é realizada, observa-se geralmente tecido de glân-
dula submandibular normal. Entretanto, alguns defeitos 
não apresentam tecidos e/ou outros contêm músculo, vasos 
sanguíneos, gordura, tecido conjuntivo ou tecido linfoide. 
Nos casos relatados de ausência de conteúdo, existe a pos-
sibilidade de que a glândula apenas tenha se deslocado no 
momento da biópsia.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Para os defeitos de Stafne localizados na região posterior 
de mandíbula, não há necessidade de tratamento, e o prog-
nóstico é excelente. Como o defeito lingual anterior da 
glândula salivar pode ser difícil de reconhecer, a biópsia 
pode ser necessária para exclusão de outras lesões.
Cistos do Desenvolvimento
Por definição, um cisto é uma cavidade patológica (muitas 
vezes preenchida por líquido) que é revestida por epitélio. 
Uma variedade de cistos do desenvolvimento da cabeça e 
26 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
pescoço foi descrita. Alguns deles foram historicamente 
considerados cistos “fissurais”, porque se acreditava que 
se originavam do epitélio aprisionado ao longo das linhas 
de fusão dos processos embrionários. Porém, o conceito 
de uma origem fissural para muitos destes cistos tem sido 
questionado nos últimos anos. Em vários casos, a patogê-
nese exata destas lesões é ainda incerta. Independente-
mente da sua origem, os cistos se desenvolvem na região 
oral e maxilofacial, tendem a aumentar lentamente de 
tamanho, possivelmente em resposta a um ligeiro aumento 
da pressão hidrostática luminal.
CISTOS PALATINOS DO RECÉM-NASCIDO 
(PÉROLAS DE EPSTEIN; NÓDULOS 
DE BOHN)
Pequenos cistos de desenvolvimento são comuns no palato 
de crianças recém-nascidas. Pesquisadores especulam 
que estes cistos de “inclusão” podem originar-se de duas 
maneiras. Na primeira, quando os processos palatinos se 
encontram e se fusionam na linha média, durante a vida 
embrionária para formar o palato secundário, peque-
nas ilhas epiteliais podem ficar aprisionadas por baixo 
da superfície tecidual ao longo da rafe palatina e formar 
cistos. Na segunda, estes cistos poderiam surgir de rema-
nescentes epiteliais oriundos do desenvolvimento de glân-
dulas salivares menores do palato.
Como descritas originalmente, as pérolas de Epstein 
ocorrem ao longo da rafe palatina mediana e provavel-
mente surgem de epitélio aprisionado ao longo da linha de 
fusão. Os nódulos de Bohn estão espalhados pelo palato 
duro, muitas vezes próximo à junção entre os palatos, e 
acredita-se que sejam derivados de glândulas salivares 
menores. Entretanto, estes dois termos têm sido confundi-
dos na literatura e também, muitas vezes, têm sido utili-
zados para descrever os cistos gengivais do recém-nascido 
(Capítulo 15), lesões com aparência semelhante que se ori-
ginam da lâmina dentária. Portanto, o termo cistos pala-
tinos do recém-nascido deve ser preferido para ajudar a 
distingui-los dos cistos gengivais do recém-nascido. Além 
disso, como estes cistos são mais comuns próximos a linha 
média da junção entre o palato duro e o palato mole, é 
difícil afirmar clinicamente se eles se originam do epitélio 
aprisionado pela fusão dos processos palatinos ou de restos 
epiteliais de glândulas salivares menores.
CARACTERÍSITCAS CLÍNICAS
Os cistos palatinos do recém-nascido são muito comuns e 
têm sido relatados em 65% a 85% dos neonatos. Os cistos 
são pequenos, variando de 1 a 3 mm, apresentando-se 
na forma de pápulas brancas ou branco-amareladas que 
aparecem preferencialmente ao longo da linha média, na 
junção do palato duro e mole (Fig. 1-50). Às vezes, podem 
ocorrer em uma localização mais anterior ao longo da rafe 
ou posteriormente, lateral à linha média. É observado em 
um grupo de dois a seis cistos, embora as lesões também 
possam ocorrer isoladamente.
Fig. 1-49 Defeito de Stafne. A, Lesão radiolúcida maldefinida próximo ao ângulo da mandíbula. B, Aparência do mesmo defeito vários 
anos depois, mostrando aumento da lesão. C, Imagem da tomografia computadorizada (TC) da mesma lesão mostrando o defeito na cortical 
lingual esquerda (seta). (Cortesia do Dr. Carroll Gallagher.)
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 27
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame microscópico revela cistos preenchidos por 
ceratina, revestidos por epitélio escamoso estratificado. 
Algumas vezes, estes cistos mostram uma comunicação 
com a superfície mucosa.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Os cistos palatinos do recém-nascido são lesões inócuas, 
e nenhum tratamento é necessário. Eles sofrem regressão 
espontânea e raramente são observados quando a criança 
apresenta várias semanas de vida. Provavelmente, o epité-
lio degenera, ou o cisto se rompe para a superfície mucosa 
e elimina a ceratina contida.
CISTO NASOLABIAL (CISTO 
NASOALVEOLAR; CISTO DE KLESTADT)
O cisto nasolabial é um cisto do desenvolvimento raro 
que ocorre no lábio superior, lateral à linha média. A sua 
 Fig. 1-50 Pérolas de Epstein. Pequenos cistos preenchidos por 
ceratina na junção entre o palato duro e o palato mole. (Cortesia do 
Dr. Tristan Neville.)
FIG. 1-51 Cisto nasolabial. A, Aumento no lado esquerdo do lábio superior com elevação da asa do nariz. B, Tumefação intraoral apagan-
do o fundo de vestíbulo. (Cortesia do Dr. Jim Weir.)
patogênese é desconhecida, embora existam duas teorias 
principais. Uma teoria considera o cisto nasolabial um cisto 
“fissural” originado de remanescentes epiteliais aprisiona-
dos ao longo da linha de fusão do processo maxilar, pro-
cesso nasal mediano e processo nasal lateral. Uma segunda 
teoria sugere que estes cistos desenvolvam-se pela deposi-
ção ectópica do epitélio do ducto nasolacrimal, devido à 
sua localização e aspecto histológico semelhantes.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
O cisto nasolabial apresenta-se como um aumento de 
volume do lábio superior lateral à linha média, resultando 
na elevação da asa do nariz. Muitas vezes, o aumento eleva 
a mucosa do vestíbulo nasal e causa apagamento do fundo 
de vestíbulo (Fig. 1-51). Ocasionalmente, esta expansão 
pode resultar em obstrução nasal ou interferir na utiliza-
ção de uma prótese. A dor é rara, exceto quando a lesão 
está infectada secundariamente. O cisto pode se romper 
espontaneamente e drenar para a cavidade oral ou nasal.
Os cistos nasolabiais são observados com maior fre-
quência em adultos, com pico de prevalência na quarta e 
quinta décadas de vida. Existe uma predileção significa-
tiva pelo gênero feminino, com relação mulheres-homens 
de 3:1. Aproximadamente 10% dos casos relatados são 
bilaterais.
Como o cisto nasolabial origina-se nos tecidos moles, 
na maioria dos casos não há alterações radiográficas. Oca-
sionalmente, pode ocorrer reabsorção do osso subjacente 
pela pressão exercida pelo cisto.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O cisto nasolabial é caracteristicamente revestido por epi-
télio colunar pseudoestratificado, exibindo muitas vezes 
células caliciformes e ciliadas (Fig. 1-52). Áreas de epité-
28 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
lio cúbico e metaplasia escamosa não são raras. Alterações 
apócrinas também foram relatadas. A parede do cisto é 
composta de tecido conjuntivo fibroso com tecido muscu-lar esquelético adjacente. A inflamação pode ser observada 
quando a lesão está infectada secundariamente.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O tratamento de eleição consiste na remoção cirúrgica 
total por acesso intraoral. Como a lesão geralmente está 
próxima ao soalho nasal, muitas vezes é necessário retirar 
uma parte da mucosa nasal para garantir a remoção com-
pleta da lesão. A recidiva é rara. Recentemente foi sugerida 
uma abordagem alternativa via cavidade nasal que permite 
a marsupialização endoscópica da lesão.
“CISTO GLOBULOMAXILAR”
Como descrito originalmente, o “cisto globulomaxilar” 
foi considerado um cisto fissural que se originava de epité-
lio aprisionado durante a fusão da porção globular do pro-
cesso nasal mediano com o processo maxilar. Entretanto, 
este conceito tem sido questionado, porque a porção globu-
lar do processo nasal mediano está primariamente unida 
ao processo maxilar, e não ocorre fusão. Por conseguinte, 
não ocorre aprisionamento epitelial durante o desenvolvi-
mento embrionário desta região.
Praticamente todos os cistos que ocorrem na região glo-
bulomaxilar (entre o incisivo lateral e o canino) podem ser 
explicados com uma base odontogênica. Muitos são reves-
tidos por epitélio escamoso estratificado com inflamação e 
são considerados cistos periapicais (Capítulo 3). Alguns 
exibem características histopatológicas específicas de um 
ceratocisto odontogênico (Capítulo 15) ou de um cisto 
periodontal lateral (Capítulo 15). Também foi sugerido 
que algumas destas lesões podem surgir de uma infla-
mação do epitélio reduzido do esmalte no momento de 
erupção dos dentes.
Em raras ocasiões, os cistos da região globulomaxilar 
podem ser revestidos por epitélio colunar, pseudoestrati-
ficado, ciliado. Tais casos sustentam a crença na teoria de 
origem fissural. Entretanto, este epitélio pode ser expli-
cado pela grande proximidade com o revestimento do seio 
maxilar. Além disso, epitélio respiratório também tem sido 
relatado nos cistos periapicais, cistos dentígeros, e cistos 
odontogênicos glandulares encontrados em outras locali-
zações.
Como um cisto fissural nessa região provavelmente não 
existe, o termo cisto globulomaxilar não deve mais ser utili-
zado. Quando uma lesão radiolúcida for encontrada entre 
o incisivo lateral e canino superior, o clínico deve conside-
rar primeiro uma origem odontogênica para a lesão.
CISTO DO DUCTO NASOPALATINO 
(CISTO DO CANAL INCISIVO)
O cisto do ducto nasopalatino é o cisto não odontogê-
nico mais comum da cavidade oral, ocorrendo em cerca de 
1% da população. Acredita-se que ele se origine de rema-
nescentes do ducto nasopalatino, uma estrutura embrio-
nária que liga a cavidade nasal e oral na região do canal 
incisivo.
Na sétima semana de vida intrauterina, o palato em 
desenvolvimento consiste no palato primário, o qual é 
formado pela fusão dos processos nasais medianos. Atrás 
do palato primário, o crescimento descendente do septo 
nasal produz duas comunicações entre a cavidade nasal 
e oral, as coanas nasais primitivas. A formação do palato 
secundário começa por volta da oitava semana de vida 
intrauterina, com o crescimento descendente das partes 
médias dos processos maxilares (processos palatinos) loca-
lizando-se de cada lado da língua.
Conforme a mandíbula se desenvolve e a língua desce, 
os processos palatinos crescem horizontalmente, fusio-
nando-se com o septo nasal na linha média e com o palato 
primário ao longo da sua superfície anterior. Dois traje-
tos persistem na linha média entre o palato primário e o 
secundário (os canais incisivos). Os ductos nasopalati-
nos são estruturas epiteliais que também se formam por 
essa fusão e encontram-se dentro dos canais incisivos. Nor-
malmente, tais ductos regridem nos humanos, mas podem 
deixar remanescentes epiteliais nos canais incisivos.
Os canais incisivos começam no soalho da cavidade 
nasal em cada lado do septo nasal, dirigindo-se para baixo 
e para frente, saindo no osso palatino através de um forame 
comum na região da papila incisiva. Além dos ductos naso-
palatinos, estes canais contêm o nervo nasopalatino e os 
ramos anastomosados da artéria palatina descendente e 
artéria esfenopalatina. Ocasionalmente, dois pequenos 
forames, levando os nervos nasopalatinos – os canais de 
Scarpa – são encontrados dentro do forame incisivo.
Em alguns mamíferos, remanescentes dos ductos naso-
palatinos permanecem visíveis e promovem a comunica-
Fig. 1-52 Cisto nasolabial. Revestimento epitelial pseudoestra-
tificado colunar.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 29
ção entre a cavidade nasal e oral. Em raras ocasiões, ductos 
nasopalatinos visíveis ou parcialmente visíveis podem 
ser encontrados em humanos. Nos mamíferos, os ductos 
nasopalatinos podem se comunicar com os órgãos de 
Jacobson vômer-nasais, atuando como um órgão olfativo 
acessório. Entretanto, em humanos, o órgão de Jacobson 
geralmente regride na vida intrauterina e se torna um 
órgão vestigial.
Foi sugerido que o cisto do ducto nasopalatino possa 
surgir do epitélio do órgão de Jacobson, porém isso parece 
pouco provável. Outros possíveis fatores etiológicos sugeri-
dos são: o trauma, infecção do ducto e retenção de muco 
das glândulas salivares menores adjacentes. Embora a 
patogênese desta lesão ainda seja desconhecida, provavel-
mente ela representa uma degeneração cística espontânea 
de remanescentes do ducto nasopalatino.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
O cisto do ducto nasopalatino pode se desenvolver prati-
camente em qualquer idade, porém ele é mais comum na 
quarta a sexta décadas de vida. Apesar de ser um cisto do 
“desenvolvimento”, o cisto do ducto nasopalatino é rara-
mente observado durante a primeira década de vida. A 
maioria dos estudos mostra uma preferência pelo gênero 
masculino.
Os sinais e sintomas mais comuns incluem tumefação 
da região anterior do palato, drenagem e dor (Fig. 1-53). Às 
vezes, os pacientes relatam uma história longa destes sin-
tomas, provavelmente devido à sua natureza intermitente. 
Contudo, muitas lesões são assintomáticas, sendo identi-
ficadas em radiografias de rotina. Raramente, um cisto 
grande pode produzir uma expansão “completamente” flu-
tuante, envolvendo a região anterior do palato e a mucosa 
alveolar.
Fig. 1-53 Cisto do ducto nasopalatino. Tumefação flutuante na 
região anterior do palato.
Fig. 1-54 Cisto do ducto nasopalatino. Lesão radiolúcida bem-
circunscrita entre os ápices dos incisivos centrais superiores.
As radiografias geralmente demonstram uma lesão 
radiolúcida bem-circunscrita próxima ou na linha média 
da região anterior de maxila, entre os ápices dos incisivos 
centrais (Figs. 1-54 e 1-55). A reabsorção radicular é rara-
mente notada. A lesão em geral é redonda ou oval, com uma 
margem esclerótica. Alguns cistos podem ter um formato 
de pera invertida, possivelmente devido à resistência das 
raízes dos dentes adjacentes. Outros casos podem exibir o 
formato clássico de coração, como resultado da sobreposi-
ção da espinha nasal ou pelo chanframento causado pelo 
septo nasal.
O diâmetro radiográfico do cisto do ducto nasopalatino 
pode variar de lesões pequenas, menores que 6 mm, a 
lesões grandes destrutivas com mais de 6 cm. Entretanto, 
a maioria dos cistos varia de 1 a 2,5 cm, com diâmetro 
médio de 1,5 a 1,7 cm. Pode ser difícil distinguir um cisto 
do ducto nasopalatino pequeno de um forame incisivo 
grande. Geralmente, considera-se que 6 mm é o limite 
máximo para o tamanho de um forame incisivo normal. 
Logo, uma imagem radiolúcida com 6 mm ou menos nesta 
área é considerada um forame normal, exceto quando 
outros sinais e sintomas estejam presentes.
Em raras ocasiões, um cisto do ducto nasopalatino pode 
se desenvolver nos tecidos moles da papila incisiva sem 
qualquer envolvimento ósseo. Estas lesões são frequente-
mente chamadas de cistos da papila incisiva. Estes cistos 
usualmente exibem uma coloração azulada devido ao con-
teúdo líquido na luz do cisto(Fig. 1-56).
30 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O epitélio de revestimento dos cistos do ducto nasopala-
tino é variável (Figs. 1-57 e 1-58). Pode ser constituído de:
Epitélio escamoso estratificado
Epitélio colunar pseudoestratificado
Epitélio colunar simples
Epitélio cúbico simples
Frequentemente, mais de um tipo de epitélio é encon-
trado no mesmo cisto. O epitélio escamoso estratificado é 
o mais comum, estando presente em três quartos de todos 
os cistos. O epitélio colunar pseudoestratificado tem sido 
relatado desde um terço até três quartos de todos os casos. 
!
!
!
!
O epitélio cúbico simples e o epitélio colunar são observa-
dos mais raramente.
Células caliciformes e cílios podem ser encontrados 
em associação do epitélio colunar. O tipo de epitélio pode 
estar relacionado com a posição vertical do cisto dentro 
do canal incisivo. Cistos que se desenvolvem mais supe-
riormente no canal, próximos à cavidade nasal, tendem 
a apresentar epitélio respiratório, enquanto que aqueles 
localizados próximos à cavidade oral geralmente exibem 
epitélio escamoso.
Os componentes da parede do cisto podem auxiliar 
no diagnóstico. Em virtude de o cisto do ducto nasopa-
latino se originar do canal incisivo, nervos de tamanho 
moderado, artérias musculares pequenas e veias são fre-
quentemente encontrados na parede do cisto (Fig. 1-59). 
Pequenas glândulas mucosas têm sido observadas em um 
terço dos casos. Às vezes, podem ser encontradas peque-
nas ilhas de cartilagem hialina. Frequentemente, uma res-
Fig. 1-55 Cisto do ducto nasopalatino. Grande cisto destrutivo 
do palato.
Fig. 1-56 Cisto da papila incisiva. Tumefação da papila incisiva.
Fig. 1-57 Cisto do ducto nasopalatino. Revestimento cístico mos-
trando a transição entre o epitélio colunar pseudoestratificado para 
epitélio escamoso estratificado.
Fig. 1-58 Cisto do ducto nasopalatino. Revestimento epitelial 
cuboidal achatado.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 31
posta inflamatória é notada na parede cística e pode variar 
de suave a intensa. Tal inflamação é de natureza crônica e 
composta por linfócitos, plasmócitos e histiócitos. Algumas 
vezes, células inflamatórias agudas (neutrófilos) podem 
ser observadas.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Os cistos do ducto nasopalatino são tratados por enucle-
ação cirúrgica. A biópsia é recomendada, porque a lesão 
não é diagnosticada por radiográfia e existem outras lesões 
benignas e malignas semelhantes ao cisto do ducto naso-
palatino. O melhor acesso cirúrgico é realizado com um 
retalho palatino rebatido após uma incisão ao longo da 
margem gengival lingual dos dentes anteriores superiores. 
A recidiva é rara. A transformação maligna tem sido rela-
tada em alguns casos escassos, mas esta é uma complica-
ção rara.
CISTO PALATINO (PALATAL) MEDIANO
O cisto palatino mediano é um cisto fissural raro, que teori-
camente se desenvolve do epitélio retido ao longo da linha 
de fusão embrionária dos processos palatinos laterais da 
maxila. Este cisto pode ser difícil de ser diferenciado de 
um cisto do ducto nasopalatino. Na verdade, a maioria 
dos “cistos palatinos medianos” pode representar cistos 
do ducto nasopalatino localizados posteriormente. Em 
decorrência de os ductos nasopalatinos terem um trajeto 
superior e posterior, conforme se estendem do canal inci-
sivo para a cavidade nasal, um cisto do ducto nasopalatino 
que se origine de remanescentes posteriores deste ducto 
próximo à cavidade nasal pode ser confundido com um 
cisto palatino mediano. Por sua vez, se um cisto palatino 
mediano verdadeiro se desenvolver na porção anterior do 
palato, ele será facilmente confundido com um cisto do 
ducto nasopalatino.
Fig. 1-59 Cisto do ducto nasopalatino. Parede cística exibindo 
vasos sanguíneos, feixes nervosos e glândulas salivares menores.
Fig. 1-60 Cisto palatino mediano. Lesão radiolúcida bem-circuns-
crita na linha média, apicalmente aos incisivos centrais superiores. 
Durante a cirurgia a lesão não estava relacionada com o canal inci-
sivo. (Cortesia do Dr. Timothy Armanini.)
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
O cisto palatino mediano apresenta-se como uma tume-
fação firme ou flutuante na linha média do palato duro, 
posterior à papila incisiva. A lesão aparece mais em adultos 
jovens. Muitas vezes, a lesão é assintomática, porém alguns 
pacientes queixam-se de dor ou expansão. O tamanho 
médio deste cisto é de 2 � 2 cm, porém algumas vezes 
pode se tornar maior. As radiografias oclusais revelam uma 
lesão radiolúcida na linha média do palato duro (Fig. 1-
60). Ocasionalmente, alguns relatos têm mostrado a diver-
gência dos incisivos centrais, apesar de ser difícil, nestes 
casos, excluir o cisto do ducto nasopalatino.
Para diferenciar o cisto palatal mediano de outras lesões 
císticas da maxila, Gingell e colaboradores sugeriram os 
seguintes critérios diagnósticos:
Aparência grosseiramente simétrica ao longo da linha 
média do palato duro
Localização posterior à papila palatina
Formato circular ou ovoide na radiografia
Ausência de associação íntima de um dente não vital
Ausência de comunicação com o canal incisivo
Ausência de evidências microscópicas de feixes neu-
rovasculares, cartilagem hialina, ou glândulas saliva-
res menores na parede cística
!
!
!
!
!
!
32 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
Deve-se ressaltar que um cisto palatal mediano ver-
dadeiro deve apresentar clinicamente um aumento de 
volume no palato. Uma área radiolúcida na linha média 
sem evidência clínica de expansão é provavelmente um 
cisto do ducto nasopalatino.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame microscópico mostra um cisto que é usualmente 
revestido por epitélio escamoso estratificado. Em alguns 
casos, áreas de epitélio colunar pseudoestratificado podem 
ser observadas. Uma inflamação crônica pode estar pre-
sente na parede do cisto.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O cisto palatal mediano é tratado por remoção cirúrgica. A 
recidiva não ocorre.
“CISTO MANDIBULAR MEDIANO”
O “cisto mandibular mediano” é uma lesão controversa 
de existência questionável. Teoricamente, ele representa 
um cisto fissural na linha média anterior da mandíbula, que 
se desenvolve de epitélio aprisionado durante a fusão das 
metades da mandíbula, na vida intrauterina. Entretanto, na 
realidade, a mandíbula se desenvolve como uma prolifera-
ção mesenquimal bilobulada única com um istmo central 
na linha média. Conforme a mandíbula cresce, o istmo é 
eliminado. Portanto, como não acontece fusão de proces-
sos limitados por epitélio, não é possível ocorrer retenção 
epitelial.
Como a metaplasia pode ocorrer eventualmente em 
cistos odontogênicos, parece que a maioria (se não todos) 
dos cistos da linha média da mandíbula é de origem 
odontogênica. Vários casos suspeitos de cisto mandibular 
mediano seriam classificados atualmente como exemplos 
do cisto odontogênico glandular (Capítulo 15), o qual tem 
uma propensão para ocorrer na região de linha média da 
mandíbula. Outros poderiam ser classificados como cistos 
periapicais, ceratocistos odontogênicos ou cistos periodontais 
laterais. Pelo fato de um cisto fissural nesta região prova-
velmente não existir, o termo cisto mandibular mediano não 
deve mais ser utilizado.
CISTOS FOLICULARES DA PELE
Os cistos foliculares da pele são lesões comuns com cera-
tina no seu interior, que surgem de uma ou mais porções 
do folículo piloso. O tipo mais frequente é derivado do 
infundíbulo folicular, sendo chamado de cisto epider-
moide ou cisto infundibular. Tais cistos desenvolvem-se 
após uma inflamação localizada do folículo piloso e prova-
velmente representam uma proliferação não neoplásica do 
epitélio infundibular resultante do processo de cicatriza-
ção. O termo cisto sebáceo algumas vezes é usado errone-
amente como sinônimo tanto do cisto epidermoide como 
de outros cistos do couro cabeludo, conhecidos como cisto 
triquilemal, cisto pilar ou cisto do istmo catagênico. No 
entanto,como o cisto epidermoide e o cisto pilar são deri-
vados do folículo piloso e não da glândula sebácea, o termo 
cisto sebáceo deve ser evitado.
Às vezes, os cistos cutâneos preenchidos por ceratina 
podem surgir após a implantação traumática de epitélio, 
embora tais lesões sejam difíceis de diferenciar de um 
cisto infundibular. Raramente, tais cistos epidérmicos de 
inclusão (cistos de implantações epidérmicas) também 
podem se desenvolver na boca. Estes pequenos cistos de 
inclusão devem ser diferenciados dos cistos epidermoides 
que ocorrem na linha média do soalho bucal e representam 
a menor manifestação do espectro cisto epidermoide–cisto 
dermoide–teratoma (ver adiante).
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Os cistos epidermoides (infundibulares) representam quase 
80% dos cistos foliculares cutâneos e são mais comuns em 
áreas propensas ao desenvolvimento de acne na cabeça, 
pescoço e costas. Eles são raros antes da puberdade, exceto 
quando estão associados à síndrome de Gardner (Capí-
tulo 14). Os adultos jovens tendem a apresentar cistos na 
face, enquanto que os mais velhos têm maior propensão 
para cistos nas costas. Os homens são mais afetados.
Os cistos epidermoides apresentam-se como lesões 
nodulares subcutâneas, flutuantes, que podem estar ou não 
associados à inflamação (Figs. 1-61 e 1-62). Se uma lesão 
não inflamada se localiza em uma área de pele delgada, 
como o lóbulo da orelha, ela pode ser branca ou amarela.
Os cistos triquilemais (pilares) representam cerca de 
10% a 15% dos cistos cutâneos, ocorrendo preferencial-
Fig. 1-61 Cisto epidermoide. Nódulo flutuante na parte lateral 
da sobrancelha.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 33
mente no couro cabeludo (Fig. 1-63). Eles são duas vezes 
mais comuns em mulheres. Em geral, a lesão é móvel e se 
destaca facilmente.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame microscópico do cisto epidermoide revela uma 
cavidade revestida por epitélio escamoso estratificado lem-
brando a epiderme (Fig. 1-64). Observa-se uma camada 
granulosa bem-desenvolvida e a luz é preenchida por orto-
ceratina degenerada. Não é incomum que o revestimento 
epitelial esteja rompido. Quando isso ocorre, pode estar 
presente na parede do cisto uma proeminente reação infla-
matória granulomatosa, incluindo células gigantes multi-
nucleadas, uma vez que a ceratina exposta é reconhecida 
como um corpo estranho.
O cisto pilar também é revestido por epitélio escamoso 
estratificado, mas a camada granulosa está muito diminu-
ída ou ausente (Fig. 1-65). Os ceratinócitos permanecem 
Fig. 1-62 Cisto epidermoide. Recém-nascido com uma massa 
no lábio superior.
Fig. 1-63 Cisto pilar. Massa nodular no couro cabeludo.
Fig. 1-64 Cisto epidermoide. A, A visão em menor aumento mostra uma cavidade cística preenchida por ceratina. B, A visão em maior 
aumento mostra revestimento de epitélio escamoso estratificado com produção de ortoceratina.
grandes nas camadas superiores do epitélio com uma tran-
sição abrupta para a ceratina densa e compacta que preen-
che a luz do cisto.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O cisto epidermoide e o cisto pilar geralmente são tratados 
por excisão cirúrgica conservadora e a recidiva é incomum. 
A transformação maligna já foi relatada, porém é rarís-
sima.
CISTO DERMOIDE
O cisto dermoide é uma malformação cística do desen-
volvimento incomum. Tal cisto é revestido por epitélio 
semelhante à epiderme, e na parede contém anexos cutâ-
neos. Geralmente, o cisto epidermoide é considerado uma 
forma cística benigna do teratoma.
34 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
Por definição, um teratoma verdadeiro é um tumor do 
desenvolvimento composto por tecidos derivados dos três 
folhetos germinativos: (1) ectoderma, (2) mesoderma e (3) 
endoderma. Acredita-se que tais tumores originem-se de 
células germinativas ou blastômeros totipotentes retidos, que 
podem produzir derivados das três camadas germinativas.
As malformações teratomatosas apresentam um espectro 
de complexidade. Na sua forma mais complexa, tais lesões 
produzem vários tipos de tecido, dispostos de maneira 
desorganizada. Estes teratomas “complexos” são mais fre-
quentes nos ovários ou testículos, e podem ser benignos ou 
malignos. Ocasionalmente, teratomas ovarianos (ou “der-
moides”) produzem dentes bem-formados, ou até, maxi-
lares parcialmente formados. Os teratomas complexos da 
cavidade oral são raros e em geral de natureza congênita. 
Quando ocorrem, geralmente se estendem através de uma 
fenda palatina até a glândula hipófise através da bolsa de 
Rathke. Teratomas cervicais também foram relatados.
O termo cisto teratoide é utilizado para descrever uma 
forma cística de teratoma que contém uma variedade de 
derivados dos folhetos germinativos:
1. Anexos cutâneos, incluindo folículos pilosos, glându-
las sebáceas e glândulas sudoríparas.
2. Elementos do tecido conjuntivo, tais como músculo, 
vasos sanguíneos e osso.
3. Estruturas endodérmicas, como o revestimento 
gastrointestinal.
Raramente, os cistos orais podem ser revestidos comple-
tamente pelo epitélio gastrointestinal. Tais cistos gastroin-
testinais orais heterotópicos (enterocistomas, cistos de 
duplicação entérica) são geralmente considerados coris-
tomas ou tecido histologicamente normal encontrado em 
uma localização ectópica. Entretanto, tais lesões provavel-
mente podem ser incluídas no grupo de lesões teratoma-
tosas, especialmente porque são às vezes encontradas em 
associação com os cistos dermoides.
Os cistos dermoides são mais simples na estrutura que 
os teratomas complexos ou cistos teratoides. Embora não 
contenham tecido dos três folhetos germinativos, prova-
velmente representam uma forma frustra de um teratoma. 
Na cavidade oral podem ser observados cistos semelhantes 
revestidos por epitélio idêntico à epiderme, porém anexos 
cutâneos não são observados na parede do cisto. Tais lesões 
foram chamadas de cistos epidermoides e representam 
a menor expressão do espectro do teratoma. Estes cistos 
epidermoides intraorais não devem ser confundidos com a 
forma mais comum, cisto epidermoide da pele (ver ante-
riormente), uma lesão não teratomatosa que se origina do 
folículo piloso.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
Os cistos dermoides ocorrem mais na linha média do 
soalho bucal (Fig. 1-66), ainda que ocasionalmente se 
localizem lateralmente do soalho bucal ou em outras loca-
lizações. Quando o cisto desenvolve-se abaixo do músculo 
gênio-hioideo, uma tumefação sublingual pode deslocar a 
língua superiormente e causar dificuldades na alimenta-
ção, na fonação ou até na respiração. Os cistos que surgem 
acima do músculo gênio-hioideo produzem, muitas vezes, 
uma tumefação submentoniana, com aparência de “queixo 
duplo”.
Os cistos dermoides da cavidade oral podem variar de 
poucos milímetros até 12 cm de diâmetro. Eles são mais 
frequentes em crianças e adultos jovens; 15% dos casos 
relatados são de origem congênita. Em geral, a lesão cresce 
lentamente sem provocar dor, apresentando-se como uma 
massa borrachoide ou pastosa, que frequentemente retém 
a marca dos dedos sob pressão digital. Infecção secundária 
pode acontecer, e a lesão pode drenar para o interior da 
cavidade oral ou para a pele. Para delinear a extensão da 
Fig. 1-65 Cisto pilar. Aumento médio mostrando uma transição 
abrupta entre o revestimento de epitélio escamoso estratificado e ce-
ratina compacta, sem a presença da camada granular de transição.
Fig. 1-66 Cisto dermoide. Tumefação flutuante na linha média do 
soalho bucal. (De Budnick SD; Handbook of pediatric oral pathology. Chigaco, 
1981, Year Book Medical.)
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 35
lesão, a IRM, a TC ou radiografias com utilização de con-
traste podem ser úteis.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
Os cistos dermoides são revestidos por epitélio escamoso 
estratificado ortoceratinizado, com uma camada granulosa 
proeminente. É comum encontrar ceratina abundante no 
interior daluz do cisto. Em raras ocasiões, áreas de epité-
lio respiratório podem ser observadas. A parede cística é 
composta por tecido conjuntivo fibroso que contém um ou 
mais anexos cutâneos, tais como glândulas sebáceas, folí-
culos pilosos ou glândulas sudoríparas (Fig. 1-67).
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Os cistos dermoides são tratados por remoção cirúrgica. 
Aqueles localizados acima do músculo gênio-hioideo 
podem ser removidos por incisão intraoral, e os situados 
abaixo do músculo gênio-hioideo podem necessitar de um 
acesso extraoral. A recidiva é incomum. São raros os relatos 
de transformação maligna em carcinoma de células esca-
mosas.
CISTO DO DUCTO TIREOGLOSSO 
(CISTO DO TRATO TIREOGLOSSO)
O desenvolvimento da glândula tireoide começa no final da 
terceira semana de vida embrionária, como uma prolifera-
ção das células endodérmicas do soalho ventral da faringe, 
Fig. 1-67 Cisto dermoide. Limitante epitelial escamoso (topo), 
com folículo piloso (F) e glândulas sebáceas (S) na parede cística.
entre o tubérculo ímpar e a cópula da língua em desenvol-
vimento – um ponto que posteriormente se torna o forame 
cego. Este primórdio da tireoide migra para o pescoço 
como um divertículo bilobulado anterior ao osso hioide em 
desenvolvimento, atingindo sua posição final abaixo da car-
tilagem tireoide, por volta da sétima semana de vida intra-
uterina. Ao longo deste trajeto descendente, forma-se um 
ducto ou trato epitelial, mantendo uma união com a base 
da língua. Este ducto tireoglosso torna-se intimamente asso-
ciado ao osso hioide. Conforme o osso hioide sofre matura-
ção e gira para a sua posição final, o ducto tireoglosso passa 
na frente e por baixo do hioide, girando para cima e para 
trás dele antes de se curvar inferiormente de novo abaixo 
do pescoço. Muitas vezes, o segmento caudal deste ducto 
persiste, formando o lobo piramidal da glândula tireoide.
Normalmente, o epitélio do ducto tireoglosso sofre 
atrofia e o ducto é obliterado. Entretanto, remanescentes 
deste epitélio podem persistir e dar origem a cistos ao longo 
deste trato, conhecidos como cistos do ducto tireoglosso. 
A causa para a degeneração cística é incerta. A inflamação 
é o estímulo mais sugerido, principalmente do tecido lin-
foide adjacente, que pode reagir à drenagem de infecções 
da cabeça e pescoço. A retenção de secreções dentro do 
ducto é um outro possível fator. Além disso, existem vários 
relatos de ocorrência familial destes cistos.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Classicamente, os cistos do ducto tireoglosso desenvolvem-
se na linha média e podem ocorrer em qualquer local, 
desde o forame cego na língua até a chanfradura supra-
esternal. Os cistos supra-hioides podem apresentar loca-
lização submentoniana. Em 60% a 80% dos casos, o cisto 
desenvolve-se abaixo do osso hioide. Os cistos intralinguais 
são raros. Os cistos que se desenvolvem na área da carti-
lagem tireoide estão, muitas vezes, desviados lateralmente 
da linha média devido à margem anterior pronunciada da 
cartilagem tireoide.
Os cistos do ducto tireoglosso podem se desenvolver 
em qualquer idade, porém são mais diagnosticados nas 
duas primeiras décadas de vida; cerca de 50% dos casos 
ocorrem antes dos 20 anos de idade. Não há predileção 
por gênero. Geralmente, o cisto apresenta-se como uma 
tumefação móvel, flutuante e indolor, a menos que se com-
plique por uma infecção secundária (Fig. 1-68). As lesões 
que se desenvolvem na base da língua podem causar obs-
trução laríngea. A maioria dos cistos do ducto tireoglosso é 
menor que 3 cm de diâmetro, porém alguns cistos ocasio-
nais podem alcançar 10 cm. Se o cisto mantém uma união 
com o osso hioide ou com a língua, ele pode se mover verti-
calmente durante a deglutição ou protrusão da língua. Em 
quase um terço dos casos, observa-se a presença de fístulas 
caminhando em direção à pele ou à mucosa oral, geral-
mente por rompimento de um cisto infectado ou como 
uma sequela da cirurgia.
36 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
Usualmente, os cistos do ducto tireoglosso são revestidos 
por epitélio escamoso estratificado ou colunar, embora 
epitélio cúbico ou até epitélio do intestino delgado possa 
ser às vezes observado (Fig. 1-69). Algumas vezes, vários 
tipos de epitélio estão presentes. Tecido tireoidiano pode 
ocorrer na parede do cisto, porém este não é um achado 
constante.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Os cistos do ducto tireoglosso são mais bem-tratados pela 
técnica de Sistrunk. Nesta cirurgia, o cisto é removido junto 
com o segmento central do osso hioide e uma ampla porção 
do tecido muscular ao longo de todo o trato tireoglosso. A 
taxa de recidiva associada a este procedimento é menor 
que 10%. Um índice de recidiva muito mais alto pode ser 
esperado com uma cirurgia menos agressiva.
O carcinoma que se origina do cisto do ducto tireoglosso 
é uma complicação rara que ocorre em aproximadamente 
1% de todos os casos. Na maioria dos casos, são adenocar-
cinomas tireoideos papilares. Felizmente, as metástases do 
carcinoma do ducto tireoglosso são raras e o prognóstico 
para os pacientes com estes tumores é bom.
CISTO DA FENDA BRANQUIAL 
(CISTO LINFOEPITELIAL CERVICAL)
O cisto da fenda branquial é um cisto do desenvolvi-
mento da região lateral do pescoço, cuja patogênese é 
incerta. A teoria clássica sustenta que o cisto desenvolve-
se de remanescentes das fendas branquiais, pelo fato de 
ocorrer na região de aparatos dos arcos embrionários. Uma 
segunda teoria considera que esta lesão origine-se de dege-
nerações císticas do epitélio da glândula parótida que ficou 
aprisionado nos linfonodos cervicais superiores, durante a 
vida embrionária. Entretanto, análises imuno-histoquími-
cas suportam a teoria clássica da fenda branquial para a 
patogênese desta lesão. Acredita-se que 95% destes cistos 
originem-se do segundo arco branquial, com os 5% rema-
nescentes originando-se do primeiro, terceiro e quarto 
arcos branquiais.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Os cistos da fenda branquial ocorrem mais na região 
lateral superior do pescoço, ao longo da margem anterior 
do músculo esternocleidomastoideo (Figs. 1-70 e 1-71). É 
mais comum em adultos jovens entre 20 e 40 anos. Clini-
camente, o cisto apresenta-se como uma massa mole, flutu-
ante, que pode variar de 1 a 10 cm de diâmetro. Algumas 
vezes, pode ocorrer dor ou sensibilidade devido à infecção 
secundária. Ocasionalmente, a lesão pode se tornar evi-
dente após um trauma ou infecção das vias aéreas superio-
res. Algumas lesões apresentam-se como canais ou fístulas 
que podem drenar muco para a pele. Dois terços dos cistos 
da fenda branquial ocorrem no lado esquerdo do pescoço, 
e um terço é encontrado no lado direito. Raramente, cistos 
bilaterais podem se desenvolver.
Ainda que uma teoria sugira que tais cistos sejam deri-
vados do epitélio da glândula parótida aprisionado dentro 
de um linfonodo, os cistos linfoepiteliais são raros dentro 
da glândula parótida propriamente dita. Contudo, nos 
últimos anos, um aumento do número de cistos linfoepite-
Fig. 1-68 Cisto do ducto tireoglosso. Tumefação (seta) na linha 
média da região anterior do pescoço. (Cortesia do Dr. Philip Sprinkle.)
Fig. 1-69 Cisto do ducto tireoglosso. Cisto (topo) revestido por 
epitélio escamoso estratificado. Folículos de tireoide podem ser ob-
servados na parede cística (abaixo).
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 37
liais na parótida foi relatado em pacientes infectados pelo 
HIV. Tais lesões, provavelmente, estão relacionadas com a 
linfadenopatia na parótida associada à infecção pelo HIV.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
Mais de 90% dos cistos da fenda branquial são revestidos 
por epitélio escamoso estratificado que pode ou não estar 
ceratinizado (Fig. 1-72). Alguns cistos exibem epitélio res-
piratório. Tipicamente, a parede do cisto contém tecido 
linfoide, demonstrando muitas vezes formação de centros 
Fig. 1-70 Cisto linfoepitelial cervical. Tumefação flutuante na 
regiãolateral do pescoço.
Fig. 1-71 Cisto linfoepitelial cervical. Imagem do mesmo cisto 
observado na Fig. 1-70, mostrando uma lesão bem-circunscrita, na 
região lateral do pescoço (setas).
Fig. 1-72 Cisto linfoepitelial cervical. Aumento médio demons-
trando um cisto revestido por epitélio escamoso estratificado. Note 
o tecido linfoide na parede cística.
germinativos. Entretanto, ocasionalmente, foram relatados 
cistos sem tecido linfoide.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O cisto da fenda branquial é tratado por remoção cirúrgica. 
A lesão quase nunca recidiva.
Raros exemplos de transformação maligna foram relata-
dos nestes cistos. Ainda que a ocorrência de malignidade 
seja teoricamente possível, a maioria destes casos repre-
senta metástases císticas de carcinomas não identificados 
previamente na região de cabeça e pescoço, especialmente 
da base da língua, amígdala lingual ou amígdala palatina. 
Durante a avaliação de pacientes com massas císticas no 
pescoço, a biópsia por aspiração com agulha fina pode ser 
útil para exclusão de malignidade antes da cirurgia.
CISTO LINFOEPITELIAL ORAL
O cisto linfoepitelial oral é uma lesão rara da cavidade 
oral, que se desenvolve dentro do tecido linfoide oral. É 
microscopicamente semelhante ao cisto da fenda bran-
quial (cisto linfoepitelial cervical), porém de tamanho 
muito menor.
O tecido linfoide é normalmente encontrado na cavi-
dade oral e faringe, consistindo, principalmente, no anel 
de Waldeyer, o qual inclui as amígdalas linguais e pala-
tinas e as adenoides faringianas. Além disso, amígdalas 
orais acessórias e agregados linfoides podem ocorrer no 
soalho bucal, superfície ventral de língua e palato mole.
O tecido linfoide oral tem uma estreita relação com o 
epitélio de revestimento da mucosa. Este epitélio apre-
senta invaginações para o tecido amigdaliano, resultando 
em bolsas cegas ou criptas amigdalianas que podem estar 
preenchidas com restos de ceratina. As criptas amigdalia-
nas podem se tornar obstruídas ou estreitadas na superfí-
38 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
cie, produzindo um cisto preenchido por ceratina dentro 
do tecido linfoide, logo abaixo da superfície mucosa. 
Também é possível que os cistos linfoepiteliais orais 
possam se desenvolver de epitélio da mucosa de super-
fície ou do epitélio de glândula salivar que ficou retido 
no tecido linfoide durante a embriogênese. Foi sugerido 
ainda que estes cistos possam surgir de ductos excretores 
da glândula sublingual ou de glândulas salivares menores, 
e que o tecido linfoide associado representa uma resposta 
imunológica secundária.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
O cisto linfoepitelial oral apresenta-se como uma massa 
submucosa pequena, geralmente menor que 1 cm de 
diâmetro; raramente a lesão pode ser maior que 1,5 cm 
(Figs. 1-73 e 1-74). O cisto pode ser firme ou mole à pal-
pação, e a mucosa de revestimento é macia e não ulcerada. 
Caracteristicamente, a lesão é branca ou amarela e muitas 
vezes contém em sua luz ceratina com aspecto caseoso ou 
cremoso. O cisto geralmente é assintomático, embora, oca-
sionalmente, alguns pacientes queixem-se de tumefação 
ou drenagem. A dor é rara, porém pode ocorrer secunda-
riamente a um traumatismo.
Os cistos linfoepiteliais orais podem se desenvolver em 
qualquer idade, porém são mais frequentes em adultos 
jovens. A localização mais comum é o soalho bucal, com 
pelo menos metade dos casos ocorrendo nesta região. 
A superfície ventral e a margem lateral da língua são as 
outras localizações comuns. Tais cistos também podem se 
desenvolver na amígdala palatina ou no palato mole. Todas 
estas localizações representam áreas de tecido linfoide oral 
normal ou acessório.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame microscópico do cisto linfoepitelial oral demons-
tra uma cavidade cística revestida por epitélio escamoso 
estratificado sem projeções para o conjuntivo (Fig. 1-75). 
Este epitélio é classicamente paraceratinizado com células 
epiteliais descamadas preenchendo a luz do cisto. Em raras 
ocasiões, o revestimento epitelial pode, também, conter 
células mucosas. Ocasionalmente, os cistos podem comu-
nicar-se com a mucosa de revestimento.
O achado mais notável é a presença de tecido linfoide 
na parede cística. Na maioria dos casos, este tecido linfoide 
circunda o cisto, porém, algumas vezes, ocorre em apenas 
uma parte da parede do cisto. Usualmente, mas nem 
sempre, os centros germinativos podem estar presentes.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O cisto linfoepitelial oral é em geral tratado pela excisão 
cirúrgica e a recidiva geralmente não ocorre. Pelo fato de 
a lesão ser assintomática e inócua, a biópsia nem sempre é 
necessária, desde que a lesão seja característica o bastante 
para o diagnóstico ser feito com base na clínica.
Outras Anomalias de 
Desenvolvimento Raras
HEMI-HIPERPLASIA (HEMI-HIPERTROFIA)
A hemi-hiperplasia é uma alteração do desenvolvimento 
rara, caracterizada por crescimento acentuado e assimé-
trico de uma ou mais partes do corpo. Embora esta con-
dição seja conhecida mais como hemi-hipertrofia, ela 
representa, na verdade, muito mais uma hiperplasia dos 
tecidos do que uma hipertrofia. A hemi-hiperplasia pode 
ocorrer de forma isolada, porém ela também pode estar 
associada a uma variedade de síndromes da malformação 
(Quadro 1-3).
Fig. 1-73 Cisto linfoepitelial oral. Pequeno nódulo branco-ama-
relado na fossa amigdaliana.
Fig. 1-74 Cisto linfoepitelial oral. Pequeno nódulo branco na 
margem póstero-lateral da língua.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 39
Quase todos os casos de hemi-hiperplasia isolada são 
esporádicos. Foi sugerido um número variável de possíveis 
fatores etiológicos, porém a causa permanece obscura. As 
diversas teorias incluem anormalidades linfáticas ou san-
guíneas, distúrbios no sistema nervoso central, disfunções 
endócrinas e mecanismos aberrantes de divisão. Ocasio-
nalmente, anomalias cromossômicas foram detectadas.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
Em uma pessoa com hemi-hiperplasia, um lado inteiro do 
corpo (hemi-hiperplasia complexa) pode ser afetado, ou 
o aumento pode ser limitado a um único membro (hemi-
hiperplasia simples). Quando o aumento é confinado a 
um lado da face, o termo apropriado é hiperplasia-hemi-
Fig. 1-75 Cisto linfoepitelial oral. A, No menor aumento observa-se um cisto preenchido por ceratina abaixo da superfície mucosa. Tecido 
linfoide está presente na parede do cisto. B, No maior aumento, observa-se tecido linfoide adjacente ao revestimento cístico.
Quadro 1-3
Síndromes de Malformação Associadas a 
Hemi-hiperplasia
Síndrome de Beckwith-Wiedemann!
Neurofibromatose!
Síndrome de Klippel-Trénaunay-Weber!
Síndrome de Proteus!
Síndrome de McCune-Albright!
Síndrome do nevo epidérmico!
Mixoploide diploide/triploide!
Síndrome de Langer-Giedion!
Síndrome de exostoses múltiplas!
Síndrome de Maffucci!
Síndrome de Ollier!
Displasia odontomaxilar segmentar!
facial (ou hipertrofia hemifacial). Ocasionalmente, a 
condição pode ser cruzada, envolvendo diferentes áreas de 
ambos os lados do corpo. A hemi-hiperplasia mostra uma 
predileção por mulheres em relação a homens, com taxa 
de 2:1, respectivamente. Esta condição ocorre na maioria 
das vezes no lado direito do corpo.
Muitas vezes, a assimetria pode ser notada ao nasci-
mento, ainda que, em alguns casos, a condição só se torne 
evidente na infância (Fig. 1-76). O aumento fica mais 
acentuado com a idade, especialmente na puberdade. 
Este crescimento desproporcional continua até que cesse 
o crescimento do paciente, resultando em assimetria defi-
nitiva.
As alterações podem envolver todos os tecidos no lado 
afetado, incluindo o osso subjacente. A pele encontra-se 
muitas vezes espessada e pode apresentar aumento da pig-
mentação, hipertricose, telangiectasias ou nevo vascular. 
Cerca de 20% dos pacientes afetados apresentam retardo 
mental. Uma das características mais significativas é um 
aumento na prevalência de tumores abdominais,especial-
mente o tumor de Wilms, o carcinoma cortical adrenal e 
o hepatoblastoma. Estes tumores têm sido relatados em 
5,9% dos pacientes com hemi-hiperplasia e não necessa-
riamente eles ocorrem no mesmo lado do aumento somá-
tico.
A macroglossia unilateral, exibindo papilas linguais 
proeminentes, é comum. Pode haver aumento de outros 
tecidos moles da boca e do osso. O canal mandibular pode 
estar aumentado de tamanho nas radiografias. No lado 
afetado, as coroas dentárias podem estar aumentadas, espe-
cialmente nos dentes permanentes caninos, pré-molares e 
primeiros molares. O desenvolvimento prematuro destes 
dentes aliado à erupção precoce é muito frequente. As 
raízes dentárias também podem ser maiores, ainda que 
alguns estudos tenham relatado a reabsorção radicular. A 
má oclusão com mordida aberta não é rara.
40 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame microscópico mostra um aumento da espessura 
epitelial, com hiperplasia do tecido conjuntivo subja-
cente.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Um estudo completo deve ser realizado para eliminar 
outras possíveis causas do crescimento unilateral, como 
a síndrome de Beckwith-Wiedemann, a síndrome de 
Proteus e a neurofibromatose tipo 1 (Capítulo 12), as quais 
podem exibir hemi-hiperplasia. Durante a infância, ultras-
sonografias periódicas devem ser realizadas para afastar a 
possibilidade de desenvolvimento de tumores abdominais. 
Quando o crescimento do paciente tiver cessado, a cirur-
gia cosmética pode ser realizada, incluindo a remoção de 
tecido mole, plástica da face e cirurgia ortognática. Fre-
quentemente, também é necessário o tratamento orto-
dôntico.
ATROFIA HEMIFACIAL PROGRESSIVA 
(HEMIATROFIA FACIAL PROGRESSIVA; 
SÍNDROME DE ROMBERG; SÍNDROME 
DE PARRY-ROMBERG)
A atrofia hemifacial progressiva é uma condição dege-
nerativa rara e pouco compreendida, caracterizada pelas 
alterações atróficas que afetam um lado da face. A causa 
destas alterações permanece obscura. Tem-se especulado 
um mau funcionamento trófico do sistema nervoso simpá-
tico cervical. Um histórico de trauma foi documentado em 
alguns casos, embora um grande número de relatos recen-
tes tenha considerado como causa a infecção por espécies 
de Borrelia (doença de Lyme). Usualmente, a condição é 
esporádica, porém alguns poucos casos familiares foram 
relatados, sugerindo uma possível influência hereditária. A 
atrofia hemifacial progressiva exibe vários achados seme-
lhantes a uma forma localizada de esclerodermia (Capí-
tulo 16), indicando uma estreita relação entre estas duas 
desordens.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
A síndrome manifesta-se durante as duas primeiras 
décadas de vida. A condição começa como uma atrofia da 
pele e das estruturas subcutâneas em uma área localizada 
da face (Fig. 1-77). Esta atrofia progride em um ritmo vari-
ável e afeta o dermátomo de um ou mais ramos do nervo 
trigêmeo. Também pode ocorrer a hipoplasia do osso sub-
jacente. A hipoplasia óssea é mais comum quando a con-
dição surge durante a primeira década. Ocasionalmente, a 
atrofia hemifacial progressiva bilateral pode ocorrer, ou a 
condição pode afetar apenas um lado de todo o corpo. As 
mulheres são acometidas com maior frequência.
Fig. 1-76 Hemi-hiperplasia. A, Aumento do lado direito da face. B, O mesmo paciente com aumento da metade direita da língua. C, Ra-
diografia panorâmica do mesmo paciente exibindo aumento da mandíbula e dos dentes do lado direito. (Cortesia do Dr. George Blozis.)
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 41
A pele sobrejacente exibe muitas vezes uma pigmentação 
escura. Alguns pacientes apresentam uma linha de demar-
cação, entre a pele normal e a pele afetada, próximo à linha 
média da fronte, conhecida como esclerodermia linear 
“en coup de sabre” (“golpe de espada”). O envolvimento 
ocular é comum, sendo a manifestação mais frequente a 
enoftalmia devido à perda de tecido adiposo periorbitário. 
Alopécia local pode ocorrer. Ocasionalmente, podem estar 
presentes: neuralgia do trigêmeo, parestesia facial, enxa-
queca ou epilepsia. Imagens por ressonância magnética 
podem revelar uma variedade de anomalias no sistema 
nervoso central.
A boca e o nariz são desviados para o lado afetado. A 
atrofia do lábio superior pode expor os dentes superiores. 
Também pode ocorrer atrofia unilateral da língua. Muitas 
vezes, a mordida aberta posterior unilateral se desenvolve 
como um resultado da hipoplasia mandibular e erupção 
retardada dos dentes. Os dentes no lado afetado podem 
exibir deficiência no desenvolvimento radicular ou reab-
sorção radicular.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
O exame microscópico da pele afetada revela atrofia da 
epiderme e um infiltrado perivascular variável de linfóci-
tos e monócitos. Nos casos com características clínicas de 
esclerodermia linear, a fibrose dérmica pode ser observada. 
Alterações degenerativas no endotélio vascular podem ser 
identificadas por microscopia eletrônica.
Fig. 1-77 Atrofia hemifacial progressiva. Menina com atrofia fa-
cial do lado direito da face.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Em geral, a atrofia progride lentamente por vários anos e se 
estabiliza. A cirurgia plástica pode ser tentada para corre-
ção cosmética da deformidade e o tratamento ortodôntico 
pode ser útil no tratamento da má oclusão associada.
DISPLASIA ODONTOMAXILAR 
SEGMENTAR (DISPLASIA 
HEMIMAXILOFACIAL)
A displasia odontomaxilar segmentar é uma desordem 
do desenvolvimento recentemente reconhecida, que afeta 
os maxilares e (algumas vezes) os tecidos faciais de reves-
timento. A causa é desconhecida. Em geral, esta condição 
é confundida clinicamente com a displasia fibrosa cranio-
facial ou com a hiperplasia hemifacial, porém ela é uma 
entidade distinta e separada.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
A displasia odontomaxilar segmentar é geralmente desco-
berta durante a infância e caracteriza-se por aumento uni-
lateral e indolor do osso maxilar, com hiperplasia fibrosa 
dos tecidos gengivais (Fig. 1-78). Um ou ambos os pré-
molares superiores em desenvolvimento estão ausentes, e 
os dentes decíduos na área afetada podem ser hipoplásicos 
ou apresentar defeitos do esmalte. O exame radiográfico 
revela trabéculas espessadas, que muitas vezes são orienta-
das verticalmente, resultando em uma aparência granular 
relativamente radiopaca. O seio maxilar pode ser menor 
no lado afetado. Muitos casos foram associados à hipertri-
cose ou eritema áspero da pele sobrejacente. Um paciente 
foi descrito com um nevo de Becker (hipertricose e hiper-
pigmentação) ipsilateral da face e do pescoço.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
Os tecidos moles gengivais podem apresentar fibrose ines-
pecífica. O osso maxilar afetado consiste em trabéculas 
ósseas irregulares com aspecto entrelaçado. Tal osso exibe 
diversas linhas de reversão e de repouso, porém sem signi-
ficado de atividade osteoblástica e osteoclástica. Os dentes 
decíduos na área envolvida podem exibir túbulos dentiná-
rios irregulares, uma camada odontoblástica focalmente 
deficiente e reabsorção externa.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Devido ao fato de a displasia odontomaxilar segmentar ter 
sido reconhecida recentemente como uma entidade dis-
tinta, não se sabe muito sobre a sua evolução natural. Uma 
vez diagnosticada, a condição parece permanecer estável 
e a intervenção cirúrgica pode não ser necessária. Entre-
42 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
tanto, em alguns casos, o tratamento ortodôntico e a cirur-
gia ortognática podem ser considerados.
SÍNDROME DE CROUZON 
(DISOSTOSE CRANIOFACIAL)
A síndrome de Crouzon é uma condição de um grupo 
raro de síndromes, caracterizadas pela craniossinostose, ou 
fechamento prematuro de suturas cranianas. Acredita-se 
que ela seja causada por diversas mutações do gene recep-
tor 2 do fator de crescimento fibroblástico (FGFR2) no 
cromossomo 10q26. Esta condição ocorre em aproxima-
damente 1 a cada 65.000 nascimentos, sendo de herança 
autossômicadominante. Contudo, um número significa-
tivo de casos representa novas mutações, muitas vezes apa-
rentemente relacionadas à idade avançada do pai.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
A síndrome de Crouzon apresenta expressão muito variável. 
O fechamento prematuro das suturas leva às malformações 
cranianas, como a braquicefalia (cabeça curta), escafo-
cefalia (cabeça em forma de navio), ou trigonocefalia 
(cabeça de forma triangular). Os pacientes afetados mais 
gravemente podem exibir um crânio em forma de “trevo” 
(deformidade kleeblattschädel). As órbitas são rasas, resul-
tando na proptose ocular característica (Fig. 1-79). Podem 
Fig. 1-78 Displasia odontomaxilar segmentar. A, Aumento unilateral da maxila e dos tecidos gengivais sobrejacentes. B, Radiografia pe-
riapical mostrando um padrão trabecular grosseiro e ausência do primeiro pré-molar. C, Radiografia panorâmica mostrando um padrão ósseo 
irregular da maxila esquerda com expansão para o seio maxilar.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 43
ocorrer deficiência visual ou cegueira total, bem como defi-
ciência auditiva. Alguns pacientes relatam cefaleia, atri-
buída ao aumento da pressão intracraniana. Deficiência 
mental acentuada é raramente observada. Caracteristica-
mente, as radiografias de crânio mostram um aumento das 
marcas digitais (aspecto de “metal martelado”).
A maxila é pouco desenvolvida, resultando em hipopla-
sia do terço médio da face. Muitas vezes, os dentes supe-
riores são apinhados e frequentemente há má oclusão. A 
fenda labial e a fenda palatina são raras, porém o aumento 
palatino lateral pode causar uma pseudofenda na linha 
média de maxila.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Os defeitos clínicos da síndrome de Crouzon podem ser 
tratados cirurgicamente, porém podem ser necessários 
múltiplos procedimentos. A craniectomia precoce costuma 
ser necessária para aliviar o aumento da pressão intracra-
niana. O avanço fronto-orbital pode ser realizado para cor-
rigir os defeitos oculares, e o avanço do terço médio da face 
para corrigir a hipoplasia de maxila.
SÍNDROME DE APERT 
(ACROCEFALOSSINDACTILIA)
Assim como a síndrome de Crouzon, a síndrome de Apert 
é uma condição rara caracterizada pela craniossinostose. 
Ocorre em aproximadamente 1 a cada 65.000 nascimen-
tos e é causada por um dos dois pontos de mutação no gene 
receptor 2 do fator de crescimento fibroblástico (FGFR2), 
Fig. 1-79 Síndrome de Crouzon. Proptose ocular e hipoplasia do terço médio de face. (Cortesia do Dr. Robert Gorlin.)
o qual está localizado no cromossomo 10q26. Embora esta 
condição seja herdada de forma autossômica dominante, 
a maioria dos casos representa novas mutações esporádi-
cas, as quais se acreditam que ocorram exclusivamente por 
origem paterna e muitas vezes, associada à idade avançada 
do pai.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
Caracteristicamente, a craniossinostose produz acrobra-
quicefalia (crânio em forma de torre); vários casos podem 
mostrar a deformidade kleeblattschädel (crânio em forma de 
trevo). O osso occipital é achatado e a fronte apresenta uma 
aparência alta. A proptose ocular é um achado caracterís-
tico, associado a hipertelorismo e inclinação para baixo 
das fissuras palpebrais laterais (Fig. 1-80). A perda da visão 
pode resultar de:
Exposição crônica dos olhos desprotegidos
Aumento na pressão intracraniana
Compressão dos nervos ópticos
As radiografias de crânio demonstram impressões digi-
tais semelhantes à síndrome de Crouzon (Fig. 1-81).
O terço médio de face mostra-se acentuadamente retra-
ído e hipoplásico, resultando em um prognatismo mandi-
bular relativo. A redução no tamanho da nasofaringe e o 
estreitamento da coana posterior podem levar à dificul-
dade respiratória na criança. Para compensar esta dificul-
dade, a maioria dos recém-nascidos torna-se respirador 
bucal, contribuindo para a aparência de “boca aberta”. 
!
!
!
44 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
Pode ocorrer apneia durante o sono. Infecções do ouvido 
médio são comuns, bem como a perda da audição.
Caracteristicamente, os defeitos nos membros auxiliam 
a diferenciar a síndrome de Apert de outras síndromes com 
craniossinostose. A sindactilia do segundo, terceiro e quarto 
dedos das mãos e dos pés é sempre observada (Fig. 1-82). 
A sinoníquia associada também pode estar presente. O pri-
meiro e o quinto dedos podem estar separados ou unidos 
aos dedos do meio. Nas radiografias é possível observar 
a sinostose das falanges adjacentes. A altura média dos 
pacientes afetados é menor do que a população em geral.
É comum o retardo mental em um grande número de 
pacientes com síndrome de Apert. Uma erupção seme-
lhante à acne desenvolve-se na maioria dos pacientes e 
envolve os antebraços.
As manifestações orais específicas incluem um aspecto 
trapezoidal dos lábios quando eles estão em repouso, 
como consequência da hipoplasia da maxila e da respira-
ção bucal. Três quartos dos pacientes apresentam fenda 
do palato mole ou úvula bífida. A hipoplasia da maxila 
produz uma forma em V do arco superior e apinhamento 
dentário. Tipicamente, a má oclusão tipo classe III ocorre e 
pode estar associada à mordida aberta anterior e mordida 
cruzada posterior. São observadas tumefações ao longo da 
parte lateral do palato duro, devido ao acúmulo de glicosa-
minoglicanos, especialmente ácido hialurônico (Fig. 1-83). 
Estas tumefações costumam aumentar com a idade, produ-
zindo uma pseudofenda do palato duro. O espessamento 
da gengiva pode estar associado à erupção retardada dos 
dentes. Incisivos em forma de pá têm sido descritos em um 
terço dos pacientes.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Os defeitos estéticos e funcionais da síndrome de Apert 
podem ser tratados por uma abordagem interdisciplinar, 
utilizando-se múltiplos procedimentos cirúrgicos. Muitas 
vezes, a craniectomia é realizada durante o primeiro ano 
de vida, para tratar a craniossinostose. O avanço fronto-
facial e do terço médio de face pode ser realizado para 
Fig. 1-80 Síndrome de Apert. Hipoplasia do terço médio de face 
e proptose ocular.
Fig. 1-81 Síndrome de Apert. Radiografia exibindo “crânio em 
forma de torre”, hipoplasia do terço médio de face e marcas digitais. 
Impressões digitais semelhantes estão presentes nos pacientes com 
síndrome de Crouzon. (Cortesia do Dr. Robert Gorlin.)
Fig. 1-82 Síndrome de Apert. Sindactilia na mão.
Capítulo 1 DEFEITOS DO DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO BUCAL E MAXILOFACIAL 45
corrigir a proptose e a hipoplasia do terço médio. O trata-
mento ortodôntico costuma ser necessário para trazer os 
dentes não erupcionados ao seu local e para melhorar a 
oclusão. A cirurgia também pode ser utilizada para separar 
os dedos fusionados.
DISOSTOSE MANDIBULOFACIAL 
(SÍNDROME DE TREACHER-COLLINS; 
SÍNDROME DE FRANCESCHETTI-
ZWAHLEN-KLEIN)
A disostose mandibulofacial é uma síndrome rara, que 
se caracteriza principalmente por defeitos nas estruturas 
Fig. 1-83 Síndrome de Apert. Formato anormal da maxila, com 
tumefação da região posterior lateral do palato duro, resultando na 
formação de pseudofenda.
Fig. 1-84 Disostose mandibulofacial. O paciente apresenta mandíbula hipoplásica, fissuras palpebrais com inclinação oblíqua e deformi-
dade da orelha. (Cortesia do Dr. Tom Brock.)
derivadas do primeiro e segundo arcos branquiais. É here-
ditária autossômica dominante e ocorre em aproximada-
mente 1 a cada 25.000 a 50.000 nascimentos. A condição 
tem expressividade variável, e a gravidade dos seus achados 
clínicos tende a ser maior nas gerações subsequentes de 
uma mesma família. Cerca de 60% dos casos representam 
novas mutações, e estas muitas vezes estão associadas à 
idade avançada do pai. O gene para a disostose mandibulo-
facial (TCOF1) foi mapeado no cromossomo 5q32-q33.1.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
Os pacientes com disostose mandibulofacial exibem fácies 
característica (Fig. 1-84). Os zigomas são hipoplásicos, 
resultando em uma face estreita com depressão dasboche-
chas e inclinação oblíqua das fissuras palpebrais. Em 75% 
dos pacientes podem ocorrer um coloboma ou uma chan-
fradura na parte externa da pálpebra inferior. Aproxima-
damente metade dos pacientes não tem cílios próximos ao 
coloboma. Muitas vezes, o cabelo mostra uma extensão em 
forma de língua na direção das bochechas.
As orelhas podem demonstrar algumas anomalias. Os 
pavilhões mostram-se frequentemente deformados ou 
deslocados e orelhas rudimentares acessórias podem ser 
observadas. Defeitos ósseos ou ausência do conduto audi-
tivo externo podem causar perda de audição.
A mandíbula é hipoplásica, resultando em um queixo 
acentuadamente retraído. Muitas vezes, as radiografias 
demonstram hipoplasia dos côndilos e dos processos coro-
46 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
noides, com acentuada chanfradura antegonial. A boca 
é voltada para baixo, e cerca de 15% dos pacientes têm 
fenda facial lateral (ver no início deste capítulo) que causa 
macrostomia. A fenda palatina é observada em cerca de 
um terço dos casos. As glândulas parótidas podem estar 
hipoplásicas ou totalmente ausentes (Capítulo 11).
Alguns recém-nascidos podem apresentar dificuldades 
respiratórias e na alimentação, devido à hipoplasia da naso-
faringe, orofaringe ou hipofaringe. A atresia das coanas 
é um achado comum, e a laringe e a traqueia costumam 
estar estreitadas. A combinação da mandíbula hipoplásica, 
que resulta em posição inadequada da língua, pode levar 
o recém-nascido à morte devido a complicações respira-
tórias.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Os pacientes com formas sutis de disostose mandibulofa-
cial não precisam de tratamento. Nos casos mais graves, a 
aparência clínica pode ser melhorada pela cirurgia plás-
tica. Devido à extensão da reconstrução facial, frequente-
mente múltiplos procedimentos cirúrgicos são indicados. 
Podem ser necessárias cirurgias individualizadas para os 
olhos, zigomas, maxilares, orelhas e nariz. É necessário o 
tratamento ortodôntico associado à cirurgia ortognática.
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53
2
Anormalidades Dentárias
SUMÁRIO DO CAPÍTULO
que são idiopáticas ou, ainda, as de natureza hereditária. 
Posteriormente, ainda neste capítulo, serão delineadas 
as causas idiopáticas e as hereditárias de alterações dos 
dentes. O Quadro 2-1 lista as principais alterações den-
tárias que podem ser causadas por influência ambiental. 
Em muitos casos, a causa e o efeito são óbvios; em outros, 
Alterações Dentárias 
por Fatores Ambientais
As anormalidades dentárias podem ser divididas entre 
aquelas que são influenciadas por fatores ambientais, as 
ALTERAÇÕES DENTÁRIAS 
POR FATORES AMBIENTAIS
Efeitos Ambientais no Desenvolvimento das Estruturas 
Dentárias
Hipoplasia de Turner
Hipomineralização das Cúspides dos Molares
Hipoplasia Causada por Terapia Antineoplásica
Fluorose Dentária
Hipoplasia Sifilítica
Perda de Estrutura Dentária Pós-desenvolvimento
Desgaste Dentário
Atrição
Abrasão
Erosão
Abfração
Reabsorção Interna e Externa
Pigmentação Dentária por Fatores Ambientais
Pigmentações Extrínsecas
Pigmentações Intrínsecas
Distúrbios Localizados na Erupção
Impacção
Anquilose
ALTERAÇÕES DENTÁRIAS 
DE DESENVOLVIMENTO
Alterações de Desenvolvimento no Número de Dentes
Hipodontia
Hiperdontia
Alterações de Desenvolvimento Referentes ao 
Tamanho dos Dentes
Microdontia
Macrodontia
Alterações de Desenvolvimento Referentes à 
Forma dos Dentes
Geminação, Fusão e Concrescência
Cúspides Acessórias
Cúspide de Carabelli
Cúspide em Garra
Dente Evaginado
Dente Invaginado
Esmalte Ectópico
Pérolas de Esmalte
Extensões Cervicais de Esmalte
Taurodontia
Hipercementose
Dilaceração
Raízes Supranumerárias
Alterações de Desenvolvimento na Estrutura 
dos Dentes
Amelogênese Imperfeita
Amelogênese Imperfeita Hipoplásica
Amelogênese Imperfeita Hipomaturada
Amelogênese Imperfeita Hipocalcificada
Amelogênese Imperfeita com Taurodontia
Dentinogênese Imperfeita
Displasia Dentinária
Displasia Dentinária Tipo I
Displasia Dentinária Tipo II
Odontodisplasia Regional
54 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
Quadro 2-1
Alterações dos Dentes por Fatores 
Ambientais
Defeitos de desenvolvimento dos dentes!
Perda da estrutura pós-desenvolvimento!Pigmentação dos dentes!
Distúrbios localizados da erupção!
a natureza primária do problema não é facilmente iden-
tificável.
EFEITOS AMBIENTAIS 
NO DESENVOLVIMENTO DAS 
ESTRUTURAS DENTÁRIAS
Os ameloblastos dos germes dentários em desenvolvi-
mento são muito sensíveis a estímulos externos, e muitos 
fatores podem levar a anormalidades no desenvolvimento 
do esmalte (Quadro 2-2). As anormalidades hereditárias 
primárias do esmalte que não estão relacionadas com 
outras alterações são designadas amelogênese imper-
feita (ver adiante).
O esmalte dentário é o único tecido em que não ocorre 
remodelação após o início da sua formação. Portanto, 
anormalidades na formação do esmalte ficam marcadas 
permanentemente na superfície dos dentes. O esmalte 
passa por três estágios principais: (1) formação de matriz, 
(2) mineralização e (3) maturação. Durante a formação 
da matriz, as proteínas do esmalte são depositadas. Na fase 
seguinte, o mesmo ocorre com os minerais, e a maior parte 
das proteínas originais é removida. Durante a finalização 
da maturação, o esmalte sofre a mineralização final e os 
remanescentes das proteínas originais são removidos. No 
estágio inicial da mineralização, o esmalte é grosseiro, 
branco e relativamente mole. No estágio posterior da matu-
ração, o esmalte difuso e opaco é substituído pelo esmalte 
definitivo, duro e translúcido.
O período em que ocorre a agressão aos ameloblastos 
tem grande importância na localização e aparência do 
defeito do esmalte. A causa do dano não parece ser de 
maior importância porque os estímulos locais e sistêmicos 
podem resultar em defeitos que têm aspectos clínicos 
semelhantes. O esmalte final representa um registro de 
todas as agressões recebidas durante o desenvolvimento 
dos dentes. O esmalte dos dentes decíduos contém o 
anel neonatal, e a velocidade de aposição é estimada 
em 0,023 mm/dia. Usando este conhecimento, o clínico 
pode calcular a época do dano aos dentes decíduos com 
precisão de até uma semana. Na dentição permanente, 
a posição dos defeitos do esmalte nos dá uma estimativa 
grosseira da época do dano; mas dados disponíveis sobre 
a cronologia do desenvolvimento dos dentes são oriundos 
de uma amostra relativamente pequena e há grande varia-
ção nas tabelas de valores considerados normais. Além 
disso, as variações raciais e de gênero não estão completa-
mente estabelecidas.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
Quase todos os defeitos visíveis de esmalte causados por 
fatores ambientais podem ser classificados em três grupos:
1. Hipoplasia
2. Opacidades difusas
3. Opacidades demarcadas
Defeitos sutis do esmalte podem ser mascarados por 
saliva, placa, ou iluminação deficiente. No exame para 
detecção de alterações do esmalte, os dentes deverão ser 
completamente limpos; em seguida, secos com gaze. A 
fonte ideal de iluminação é a do equipamento (luz solar 
direta deve ser evitada). Uma solução evidenciadora deverá 
ser usada para melhor identificação de pequenos defeitos. 
Quadro 2-2
Fatores Associados a Defeitos do Esmalte
SISTÊMICOS
Traumas relacionados com o nascimento: Apresentações 
caudais, hipóxia, nascimentos múltiplos, nascimento 
prematuro, trabalho de parto prolongado
!
Químicos: Quimioterapia antineoplásica, flúor, chumbo, 
tetraciclina, talidomida, vitamina D
!
Anormalidades cromossômicas: Trissomia do 21!
Infecções: Varicela, citomegalovirose (CMV), infecções 
gastrointestinais, sarampo, pneumonia, infecções 
respiratórias, rubéola, sífilis, tétano
!
Doenças hereditárias: Síndrome amelocerebroipoidrótica, 
síndrome ameloonicoipoidrótica, epidermólise bolhosa, 
galactosemia, mucopolissacaridose IV, síndrome de 
Nance-Horan, displasia oculodentoóssea, fenilcetonúria, 
pseudo-hipoparatireoidismo, síndrome trico-dento-óssea, 
esclerose tuberosa, raquitismo dependente de vitamina D
!
Má nutrição: Desnutrição generalizada, hipovitaminose 
A, hipovitaminose D
!
Alterações metabólicas: Cardiopatias, doença celíaca, má 
absorção gastrointestinal, doença hepatobiliar, 
hiperbilirrubinemia, hipocalcemia, hipotireoidismo, 
hipoparatireoidismo, diabete maternal, doença renal, 
toxemia da gravidez
!
Alterações neurológicas: Paralisia cerebral, retardo 
mental, defeitos de audição sensorioneurais
!
LOCAIS
Trauma mecânico agudo local: Quedas, arma de fogo, 
ventilação mecânica neonatal, ritual com mutilação, 
cirurgias e acidentes veiculares
!
Queimadura elétrica!
Irradiação!
Infecção local: osteomielite maxilar neonatal aguda, 
doenças inflamatórias periapicais
!
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 55
A alteração do esmalte pode estar localizada ou presente 
em vários dentes, e a superfície dentária pode ter sido 
atingida parcial ou totalmente. A hipoplasia de esmalte 
ocorre em forma de fossetas, ranhuras, ou em grandes 
áreas com ausências de esmalte. As opacificações difusas 
do esmalte aparecem como variações da translucidez do 
esmalte. A espessura do esmalte afetado é normal; entre-
tanto, ela apresenta um aumento da opacificação branca, 
sem que haja uma delimitação clara com o esmalte normal 
subjacente. As opacificações demarcadas do esmalte 
mostram áreas de menor translucidez, aumento da opaci-
dade e um limite demarcado com o espaço adjacente. O 
esmalte tem espessura normal, e as opacidades podem ser 
brancas, castanhas, amarelas ou marrons.
As coroas de dentes decíduos começam seu desen-
volvimento quase na décima quarta semana de gestação 
e continuam até a criança atingir 12 meses de idade. O 
desenvolvimento das coroas da dentição permanente ocorre 
aproximadamente dos 6 meses aos 15 anos de idade. A 
região da coroa prejudicada está correlacionada com a área 
de atividades ameloblásticas na época do trauma; o esmalte 
afetado é restrito a áreas nas quais havia atividade secretora 
ou maturação ativa da matriz do esmalte.
Anormalidades do esmalte causadas por fatores ambien-
tais são muito comuns. Em pesquisa entre mais de 1.500 
crianças com idades entre 12 e 15 anos de uma nação 
industrializada, a prevalência de esmalte defeituoso na 
dentição permanente foi de 68,4%. Neste grupo, 67,2% 
apresentaram opacidades, 14,6% revelaram hipoplasia, 
e ambas apareceram em 13,4% das crianças. A média de 
dentes afetados por indivíduo foi de 3,6 com mais de 10% 
das crianças tendo 10 ou mais dentes envolvidos.
A grande incidência é vista como resultado de influ-
ências sistêmicas, como a febre exantematosa, que ocorre 
durante os primeiros dois anos de vida. Fileiras de fossetas 
horizontais ou a diminuição do esmalte estão presentes nos 
dentes anteriores e primeiros molares (Figs. 2-1 e 2-2). A 
perda de esmalte é bilateral e simétrica, e a localização dos 
defeitos está bem-correlacionada com o estágio de desen-
volvimento dos dentes afetados. A semelhança de defeitos 
do esmalte pode ser observada em caninos, pré-molares, e 
segundos molares quando o evento que os provoca ocorre 
por volta dos 4 aos 5 anos de idade (Fig. 2-3).
HIPOPLASIA DE TURNER
Outro defeito do esmalte encontrado em dentes perma-
nentes é o causado por doença inflamatória periapical dos 
dentes decíduos sobrejacentes. O dente alterado é chamado 
de dente de Turner (referência ao dentista clínico cujas 
publicações fizeram com que este problema fosse ampla-
mente reconhecido). O aspecto da área afetada varia de 
Fig. 2-1 Hipoplasia de esmalte por fatores ambientais. Padrão 
biliteral e simétrico de hipoplasia horizontal do esmalte nos den-
tes anteriores. Os incisivos centrais superiores foram anteriormente 
restaurados. (De Neville BW, Damm DD, White DK: Color atlas of clinical oral 
pathology, ed 2,1999, BC Decker.)
Fig. 2-2 Hipoplasia de esmalte por fatores ambientais. O mesmo 
paciente descrito na Figura 2-1. Note a ausência de dano no esmalte 
nos pré-molares. (De Neville BW, Damm DD, White DK: Color atlas of clinical 
oral pathology, ed 2,1999, BC Decker.)
Fig. 2-3 Hipoplasia de esmalte por fatores ambientais. Hi-
poplasia horizontal do esmalte de pré-molares e segundos mo-
lares. Observea ausência dos primeiros molares. (De Neville BW, 
Damm DD, White DK: Color atlas of clinical oral pathology, ed 2,1999, 
BC Decker.)
56 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
acordo com a época e a gravidade do trauma. Os defeitos do 
esmalte variam de áreas focais de coloração branca, amarela 
ou marrom até extensa hipoplasia que pode atingir total-
mente a coroa. O processo é mais notado em pré-molares 
em decorrência das suas relações com as raízes dos molares 
decíduos (Figs. 2-4 e 2-5). Nos dentes anteriores, há menor 
incidência, porque, normalmente, a formação da coroa per-
manente está frequentemente completa antes do desenvol-
vimento de quaisquer doenças inflamatórias apicais que 
possam ocorrer nos dentes anteriores da dentição decídua, 
que são relativamente resistentes à cárie. Os fatores que 
determinam o grau de dano aos dentes permanentes pela 
infecção subjacente incluem o estágio de desenvolvimento 
dentário, o período de tempo em que a infecção permanece 
sem tratamento, a virulência dos organismos infecciosos e a 
resistência do hospedeiro à infecção.
Além dos clássicos dentes de Turner, um aumento da 
prevalência de opacidades demarcadas tem sido relatado 
nos sucessores permanentes de dentes decíduos caria-
dos. Um estudo relatou que se o dente decíduo apresen-
tava cárie, o seu sucessor era duas vezes mais suscetível a 
demonstrar um defeito circunscrito do esmalte. Ao mesmo 
tempo, quando o dente decíduo é extraído, por qualquer 
razão diferente do trauma, a prevalência de um defeito do 
esmalte demarcado aumenta cinco vezes.
O trauma aos dentes decíduos pode causar alteração 
importante na dentição subjacente e a formação de dentes 
de Turner. Não é uma ocorrência rara; acima de 45% de 
todas as crianças apresentam traumas em seus dentes decí-
duos. Em um estudo prospectivo de 114 crianças com 255 
dentes decíduos traumatizados, 23% dos dentes permanen-
tes correspondentes apresentaram distúrbios de desenvol-
vimento. Os incisivos centrais superiores são acometidos 
na maioria dos casos; os incisivos laterais superiores são 
envolvidos com menor frequência (Fig. 2-6). Em diversas 
e abrangentes revisões, a prevalência de envolvimento de 
dentes posteriores ou incisivos inferiores foi menor que 
10% de todos os casos.
A frequência da lesão traumática dos dentes anteriores 
superiores não é surpreendente, considerando a ocorrên-
cia comum de trauma nos dentes decíduos localizados na 
região anterior da maxila e a relação anatômica próxima 
entre o gérmen do dente em desenvolvimento e os ápices 
dos incisivos decíduos. Como esperado, o aspecto clínico 
Fig. 2-4 Hipoplasia de Turner. Extensa hipoplasia do esmalte do 
primeiro pré-molar inferior, decorrente de um processo inflamató-
rio associado ao primeiro molar decíduo antecessor. (De Halstead CL. 
Blozis GG, Drinnan AJ et al: Physical evaluation of the dental patient, St Lou-
is,1982, Mosby.)
Fig. 2-6 Hipoplasia de Turner. Hipoplasia coronária extensa do 
incisivo central superior esquerdo permanente, decorrente de um 
trauma anterior no incisivo central decíduo.
Fig. 2-5 Hipoplasia de Turner. Radiografia dos mesmos dentes 
exibidos na Figura 2-4. Note a falta significativa de esmalte e irre-
gularidade na superfície de esmalte e irregularidade na superfície 
dentinária. (De Halstead CL., Blozis GG, Drinnan AJ et al: Physical evaluation of 
the dental patient, St Louis,1982, Mosby.)
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 57
das alterações varia em função da época e da gravidade da 
lesão.
Em decorrência da posição dos ápices dos decíduos 
relativamente ao germe dentário, a superfície vestibular 
dos incisivos superiores é a localização mais atingida. Em 
geral, a área afetada apresenta-se como uma zona de pig-
mentação branca ou marrom-amarelada, com ou sem área 
de hipoplasia horizontal. O trauma também pode causar 
deslocamento da substância dentária dura já formada, 
com relação ao tecido mole do restante do dente em 
desenvolvimento. Isto resulta em uma curvatura do dente 
conhecida como dilaceração e pode afetar tanto a coroa 
quanto a raiz do dente (ver adiante). Quando o trauma 
grave ocorre na fase inicial do desenvolvimento do dente, 
pode levar à desorganização do germe assemelhando-se a 
um odontoma complexo (Capítulo 15). Níveis idênticos de 
dano que ocorrem tardiamente no processo de formação 
podem levar à interrupção total ou parcial da formação 
radicular.
HIPOMINERALIZAÇÃO DAS 
CÚSPIDES DOS MOLARES
Ao longo das últimas duas ou três décadas, uma série de 
publicações descreveu um único padrão de esmalte defei-
tuoso que foi identificado em maior frequência no norte 
Europeu, embora tal condição não esteja limitada a uma 
localização geográfica. No passado, esse distúrbio não era 
diagnosticado, muito provavelmente pela alta incidência 
de cárie, mas com a drástica redução deste índice, tais 
modificações dentárias se tornaram mais aparentes.
Os pacientes afetados com hipomineralização das cús-
pides dos molares possuem defeitos no esmalte de um ou 
mais primeiros molares permanentes. O esmalte alterado 
pode assumir coloração branca, amarela ou marrom, com 
nítida demarcação entre o defeito e o esmalte normal circun-
dante. Muitas vezes, o esmalte envolvido é macio e poroso, 
semelhante a giz ou a um queijo holandês velho (‘’molares 
em queijo’’). Frequentemente, os incisivos também são afe-
tados, mas os defeitos, em geral, são muito menos graves.
O esmalte dos molares afetados é muito frágil e pode 
fraturar com facilidade. Muitas vezes, são sensíveis a frio, 
calor ou trauma mecânico. A escovação é frequentemente 
dolorosa, fazendo com que a criança a evite. Como o espe-
rado, a falta de esmalte normal e a higiene deficiente levam 
a um rápido desenvolvimento de cárie. Durante a tentativa 
de tratamento odontológico, muitas vezes esses dentes alte-
rados são muito sensíveis e difíceis de anestesiar.
A causa da hipomineralização das cúspides dos molares 
é desconhecida, porém muitos pesquisadores acreditam 
que a condição resulte de uma influência sistêmica durante 
os primeiros anos de vida, coincidindo com o período de 
mineralização dos dentes afetados. Alguns estudos foram 
realizados com resultados que vão de 3,6% a 25% de pre-
valência.
HIPOPLASIA CAUSADA 
POR TERAPIA ANTINEOPLÁSICA
Enquanto a medicina moderna aumenta a prevalência 
de terapias bem-sucedidas contra o câncer na infância, 
torna-se evidente que o número de alterações de desen-
volvimento aumente secundariamente ao uso da radiote-
rapia ou quimioterapia. Como o esperado, os dentes em 
desenvolvimentos são mais gravemente afetados com estas 
terapias, produzindo óbvias alterações clínicas, mais em 
pacientes abaixo de 12 anos e, mais extensamente, naque-
les abaixo de cinco anos de idade. O grau e a gravidade 
das alterações de desenvolvimento estão relacionados com 
a idade do paciente durante o tratamento, o tipo de trata-
mento, a dose e o campo de radiação, se utilizada.
Ainda que quimioterapia e radioterapia possam ser 
responsáveis pelo desenvolvimento de anormalidades, as 
alterações mais graves estão associadas à radiação. Doses 
tão baixas quanto 0,72 Gy estão associadas a leves defeitos 
de desenvolvimento no esmalte e na dentina. O aumento 
da dose é diretamente proporcional aos defeitos sobre o 
desenvolvimento da dentição e dos ossos gnáticos. Fre-
quentemente, as alterações notadas incluem hipodontia, 
microdontia, hipoplasia radicular e hipoplasia do esmalte 
(Fig. 2-7). Além disso, não é raro encontrar hipoplasia 
mandibular e redução vertical do terço inferior da face. 
A hipoplasia mandibular pode ocorrer como um efeito 
direto da radiação, por redução do crescimento ósseo alve-
olar devido ao desenvolvimento radicular deficiente, ou, 
possivelmente, por falha no crescimento relacionada com 
a função hipofisária alterada pela radiação craniana. A qui-
mioterapia isoladamente resulta em alterações mais sutis, 
mas pode produzir um aumento na quantidade de hipo-
plasia do esmalte e pigmentações, microdontiadiscreta e, 
ocasionalmente, hipoplasia radicular, que é menos grave 
que a causada pela radiação.
Fig. 2-7 Hipoplasia causada por terapia antineoplásica. De-
senvolvimento radicular hipoplásico e microdontia causada por ra-
dioterapia. (De Neville BW, Damm DD, White DK: Color atlas of clinical oral 
pathology, ed 2,1999, BC Decker.)
58 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
FLUOROSE DENTÁRIA
A ingestão de quantidades excessivas de flúor pode resultar 
em significativos defeitos do esmalte conhecidos como flu-
orose dentária. Em 1901, o Dr. Frederick S. McKay sugeriu 
a associação entre esmalte manchado e um elemento da 
água de abastecimento de Colorado Springs, Colorado, 
Estados Unidos, durante investigação da mancha marrom do 
Colorado encontrada nos dentes de muitos dos seus pacien-
tes. Em 1909, o Dr. F. L. Robertson também notou uma 
associação semelhante em muitos dos seus pacientes em 
Bauxite, Arkansas (o centro das minas de bauxita para alu-
mínio). Em 1930, H. V. Churchill, um químico de Bauxite 
que foi contratado pela Aluminium Company of America, 
descobriu altas concentrações de fluoreto (13,7 ppm) na 
água e contactou McKay para coletar amostras de água em 
áreas afetadas do Colorado. As amostras de McKay também 
demonstraram níveis elevados de flúor, e a parte final do 
quebra-cabeça foi resolvida.
Ainda que o flúor produzisse uma estranha mancha 
dentária permanente, a resistência à cárie também foi 
notada. Em 1931, o Instituto Nacional de Saúde contra-
tou o Dr. H. Trendley Dean para investigar a associação 
entre flúor, a presença de fluorose dental e a prevalência de 
cáries entre as crianças. Finalmente, isto levou à primeira 
tentativa de fluoretação da água em Grand Rapids, Michi-
gan. Em consequência dos esforços destes pioneiros e do 
trabalho simultâneo de muitos outros, foi descoberto que o 
flúor na água em até 1,0 ppm reduz cáries em índices entre 
50% a 70%. Desde 1962, a fluoretação da água de abaste-
cimento é recomendada, sendo a proporção considerada 
ideal a estabelecida entre 0,7 e 1,2 ppm. A baixa concen-
tração é recomendada para climas mais quentes, quando 
o consumo de água é aumentado, mas essa diferença tem 
sido questionada por conta da evolução do estilo de vida 
dentro das residências e da utilização de modernos siste-
mas de ar condicionado. Em 1999, o Centro de Prevenção 
e Controle de Doenças dos Estados Unidos considerou a 
fluoretação da água potável como uma das 10 grandes con-
quistas da saúde pública no século XX, naquele país.
Inicialmente, acreditava-se que a capacidade do flúor 
na redução da cárie fosse secundária à sua incorporação 
no desenvolvimento do esmalte, resultando em um cristal 
de fluorapatita mais forte e resistente a ácido. Estudos mais 
recentes sugerem que os efeitos pós-eruptivos do flúor 
podem ser iguais, ou mesmo de maior importância. Pesqui-
sadores acreditam que a exposição contínua ao flúor tópico, 
contido em produtos como dentifrícios ou na água fluore-
tada, inibe a desmineralização e apresenta efeitos antibac-
terianos. Além disso, eles sugerem que a exposição ao flúor 
na fase pré-eruptiva é mais eficaz contra cáries em fóssulas 
e fissuras, enquanto que a exposição na fase pós-eruptiva é 
mais significativa para cáries em superfícies lisas.
O consumo de água fluoretada ideal tem sido associado 
a uma baixa prevalência de alterações no esmalte, que cos-
tumam ser leves. No entanto, um aumento da prevalência 
de fluorose dentária tem sido notado nos últimos anos. 
Além disso, a relativa redução de cáries em comunidades 
com água fluoretada aumentou entre 8% e 37%. Isto pode 
ser atribuído à difusão de flúor para áreas não fluoretadas 
por meio de envasilhamento e processamento de alimentos 
e bebidas com água fluoretada e uso disseminado de den-
tifrício fluoretado. Os dentifrícios fluoretados para adultos, 
suplementos fluoretados, alimentos infantis, refrigerantes, 
sucos de frutas e emissões industriais no meio ambiente 
representam potenciais fontes de flúor para crianças. 
Quantidades significativas de flúor também são utilizadas 
em fórmulas infantis; no entanto, em 1979, nos Estados 
Unidos, os fabricantes, de maneira voluntária, concordaram 
em limitar drasticamente a concentração de flúor oriunda 
desta fonte. Apesar disso, alguns pesquisadores têm regis-
trado que o aumento da prevalência de fluorose continu-
ada após 1979 se deve a indivíduos que consumiam uma 
fórmula concentrada de flúor em pó dissolvido em água. 
Para minimizar a possibilidade de fluorose, foi recomen-
dado o uso de fórmulas prontas para o uso ou a fluoretação 
da água com baixa concentração de fluoreto.
Devido a esta disseminação do flúor, a necessidade de 
suplementos em áreas não fluoretadas está diminuindo. 
Em pacientes que usam dentifrícios fluoretados, o bene-
fício anticariogênico dos suplementos é muito pequeno 
ou inexistente e o risco de fluorose na comunidade torna-
se uma certeza. Vários pesquisadores têm recomendado 
seriamente que crianças com menos de sete anos de idade 
usem dentifrício fluoretado na escova dental apenas na 
quantidade equivalente ao tamanho de um amendoim 
e desaconselham a sua deglutição. Crianças pequenas 
tendem a engolir quase todo o dentifrício colocado em suas 
escovas, portanto, os pais devem ser alertados para evitar o 
uso de dentifrício fluoretado em crianças menores de dois 
anos de idade e realizar a higiene oral apenas com escova 
de dentes e água. Além disso, suplementos fluoretados são 
recomendados apenas em áreas não fluoretadas em crian-
ças com alto risco de cárie rampante. Enfim, atualmente, 
há um esforço para alterar a recomendação de 1962 e 
diminuir o nível considerado ideal de fluoreto na água de 
abastecimento para 0,7 ppm.
Os defeitos do esmalte causados pelo flúor parecem 
ser originários da retenção de proteínas amelogeninas na 
estrutura do esmalte, levando à formação de esmalte hipo-
mineralizado. Estas alterações criam uma hipomaturação 
permanente do esmalte na qual há um aumento da poro-
sidade em sua superfície externa e também na camada 
subjacente. A estrutura do esmalte altera a reflexão da luz 
e cria áreas com aparência branco-giz. A maioria dos pro-
blemas associados à fluorose dentária é estética e dizem 
respeito à aparência dos dentes anteriores. Entretanto, o 
ponto crítico para fluorose dentária clinicamente significa-
tiva é durante o segundo e o terceiro anos de vida, quando 
os dentes são formados.
A gravidade da fluorose dentária é dependente de dose, 
com consumo elevado de flúor durante períodos críticos 
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 59
do desenvolvimento dentário sendo associadas à fluorose 
mais grave. Os dentes afetados são resistentes à cárie, e a 
superfície dentária alterada aparece como áreas com es-
malte branco, opaco e sem brilho, que apresentam zonas de 
pigmentação amarela ou marrom-escura (Figs. 2-8 e 2-9). 
No passado, áreas de fluorose de moderada a grave foram 
denominadas áreas de esmalte mosqueado. A verdadeira 
hipoplasia do esmalte é incomum, mas pode ocorrer como 
fossetas profundas, irregulares e acastanhadas. Em razão 
de outros fatores resultarem em um quadro semelhante de 
dano clínico ao esmalte, um diagnóstico definitivo requer 
que os defeitos sejam bilaterais e simetricamente distribuí-
dos, e deve ser encontrada evidência de consumo excessivo 
de flúor ou níveis elevados de flúor no esmalte ou outros 
tecidos.
Recentemente, um aumento na prevalência de altera-
ções dentárias semelhantes à fluorose dental foi associado 
ao uso da amoxicilina no início infância. Os dentes mais 
comumente afetados são os primeiros molares permanen-
tes e os incisivos centrais superiores. O número de dentes 
afetados parece correlacionar-se com a duração da utiliza-
ção do medicamento. Embora o mecanismo desta alteração 
não seja claro, os antibióticos podem reduzir a expressão 
gênica de proteínas da matriz ou reduzir a atividade de 
proteases que hidrolisam essas proteínas da matriz. Deve-
se salientar, também, queuma das teorias etiológicas suge-
ridas para a hipomineralização das cúspides dos molares 
(ver texto anterior) é a teoria antibiótica.
HIPOPLASIA SIFILÍTICA
A sífilis congênita (Capítulo 5) resulta em um quadro de 
hipoplasia de esmalte que é bem-conhecido, mas que, 
atualmente, é tão raro que não justifica uma discussão. 
Dentes anteriores modificados pela sífilis são chamados de 
incisivos de Hutchinson e apresentam coroas cuja forma 
se assemelha à ponta de uma chave de fenda, com maior 
diâmetro no terço médio da coroa e margem incisal cons-
tricta. A porção média da margem incisal geralmente apre-
senta um entalhe central hipoplásico. Os dentes posteriores 
afetados são chamados molares em amora e apresentam 
a superfície oclusal constricta com uma desorganização 
da superfície anatômica que lembra a forma irregular da 
amora.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Muitos defeitos no esmalte são problemas dentários mais 
estéticos do que funcionais. Os dentes afetados por fluo-
rose dentária frequentemente podem beneficiar-se da 
microabrasão, que produz aumento significativo e perma-
nente na correção da pigmentação marrom ou amarela da 
superfície. A melhoria das marcas brancas da superfície do 
esmalte comumente requer posterior procedimento res-
taurador. Outros tipos de hipoplasias causadas por fatores 
ambientais levam a uma perda da superfície de proteção 
contínua do esmalte e podem predispor estas regiões a 
cáries, como foi relatado em um estudo onde mais que 
o dobro dos pacientes apresentava o esmalte com tais 
defeitos. A diminuição da resistência à cárie é tida como 
secundária à perda focal ou a imperfeições do esmalte. As 
áreas mais associadas ao aumento da prevalência de cáries 
demonstram falta completa na espessura do esmalte em 
toda a sua superfície. Estética ou funcionalmente, dentes 
defeituosos podem ser restaurados por meio de várias téc-
nicas, como:
Restaurações de resina composta com ataque ácido
Coroas Veneers
Coroas totais
PERDA DE ESTRUTURA DENTÁRIA 
PÓS-DESENVOLVIMENTO
A estrutura dentária pode ser perdida após sua formação 
por vários fatores além dos casos óbvios relacionados com 
!
!
!
Fig. 2-8 Fluorose dentária. Dentes exibindo esmalte branco, opa-
co e sem brilho.
Fig. 2-9 Fluorose dentária. Alteração branca e opaca dos pré-mo-
lares e segundos molares em paciente que também apresenta pig-
mentação dos dentes causada por tetraciclina. O paciente passou a 
residir em área de fluorose endêmica a partir dos 3 anos de idade.
60 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
cáries ou fraturas traumáticas. A destruição pode iniciar na 
superfície do esmalte por meio de abrasão, atrição, erosão 
ou abfração. Além disso, a perda da estrutura dentária 
pode começar nas superfícies da dentina, ou cemento por 
reabsorção interna ou externa.
DESGASTE DENTÁRIO
O desgaste dentário, também chamado de perda da super-
fície dos dentes, é um processo fisiológico que ocorre com 
o decorrer do envelhecimento, mas pode ser considerado 
patológico quando o grau de destruição cria problemas fun-
cionais, estéticos ou de sensibilidade dentária. Apesar de 
os casos de desgaste (atrição, abrasão, erosão, abfração) 
frequentemente serem discutidos como alterações inde-
pendentes, a maioria dos casos de perda dentária é o resul-
tado da combinação de fatores. Muitos casos de atrição são 
acelerados pela presença de materiais abrasivos na boca. 
Áreas de dentina exposta por atrição ou abfração são mais 
atingidas pelos efeitos da erosão ou da abrasão. Áreas amo-
lecidas pela erosão são mais suscetíveis a abrasão, atrição e 
abfração. É importante para o clínico observar que a perda 
da estrutura dentária adquirida por fatores ambientais 
quase sempre é multifatorial.
A maioria dos pesquisadores acredita que a prevalência 
do desgaste dentário relatada está aumentando. Isto é, em 
parte, explicado pela grande conscientização entre os clíni-
cos e, também, porque a população adulta está mantendo 
mais dentes naturais ao longo da vida. Além disso, indiví-
duos jovens parecem demostrar um aumento na perda de 
superfície dentárias, que muitos acreditam ser causado por 
uma dieta com maior quantidade de ácidos (p. ex., refrige-
rantes, alimentos dietéticos, frutas frescas).
Atrição é a perda da estrutura dentária causada pelo 
contato entre os dentes antagonistas durante a oclusão e 
a mastigação. O termo vem do latim attritum que significa 
ação do atrito contra outra superfície. Certo grau de atrição 
é fisiológico, e o processo torna-se mais perceptível com o 
aumento da idade. Quando a quantidade de perda dentá-
ria é extensa e começa a afetar a estética e a função, o pro-
cesso pode ser considerado patológico.
Os fatores a seguir podem acelerar a destruição den-
tária:
Qualidade inferior ou ausência de esmalte (p. ex., flu-
orose, hipoplasia do esmalte ou causada por fatores 
ambientais, ou dentinogênese imperfeita).
Contatos prematuros (oclusão topo a topo)
Abrasivos intraorais, erosão e hábito de ranger os 
 dentes
Abrasão é a perda patológica da estrutura dentária ou 
restauração pela ação mecânica de um agente externo. O 
termo surge do latim abrasum, que significa, literalmente, 
raspar, e implica a remoção por meio de processo mecâ-
nico. A causa mais comum da abrasão é a escovação den-
!
!
!
tária com pasta abrasiva e escovação horizontal intensa. 
Outros itens associados à abrasão dentária incluem hábitos 
de colocar entre os dentes lápis, palitos, cabos de cachimbo 
e grampos para cabelo. Mascar fumo, quebrar nozes, roer 
unha, cortar linha e o uso impróprio do fio dental também 
podem causar abrasão clinicamente significativa. Quando 
o desgaste dentário é acelerado por mascar substâncias 
abrasivas entre os dentes antagonistas, o processo tem sido 
chamado de demastigação e apresenta características 
tanto de atrição como de abrasão.
Erosão é a perda da estrutura dentária causada por pro-
cesso químico somado à interação bacteriana com o dente. 
O termo deriva do latim erosum, que significa corrosão, e 
implica a destruição progressiva de uma superfície por um 
processo eletrolítico ou químico. Alguns pesquisadores su-
geriram que o termo corrosão dentária seja uma designação 
mais adequada para esse processo, mas uma revisão nos di-
cionários atuais revela que ambos os termos são aceitáveis, 
não justificando a mudança na nomenclatura utilizada ao 
longo do tempo para desgaste dentário. Caracteristica-
mente, a erosão é causada por exposição aos ácidos, mas 
agentes quelantes são, geralmente, a sua causa primária. 
Embora a saliva contenha bicarbonato e ajude na remine-
ralização com significativa capacidade tampão, esse efeito 
pode ser subjugado pela hipossalivação ou pelo excesso 
de ácido. Podendo estas alterações ter causas em hipofun-
ção de glândula salivar, incluindo aplasia, desidratação, ra-
diação terapêutica, medicamentos e condições sistêmicas 
como a síndrome de Sjögren, bulimia nervosa e diabetes. 
A fonte de ácidos geralmente está em alimentos e bebidas, 
mas outras fontes incluem algumas medicações (p. ex., vi-
tamina C mastigável, tabletes de aspirina), piscinas sem 
monitoramento de pH, regurgitação involuntária (p. ex., 
hérnia de hiato, esofagite, alcoolismo crônico, gestação), 
regurgitação voluntária (p. ex., distúrbios psicológicos, 
bulimia, ocupações que requerem baixo peso corporal) 
e exposição a dejetos industriais no ambiente. A erosão 
proveniente da exposição dentária a secreções gástricas 
é chamada de perimólise. A saliva tem a capacidade de 
remineralizar superfícies do dente expostas ao ácido, isso 
pode ser verificado em áreas onde há dano por erosões, 
porque o componente abrasivo da saliva remove o esmalte 
amolecido antes da ocorrência da remineralização.
Não há consenso sobre a prevalência da erosão dentária. 
Alguns pesquisadores acreditam que a erosão raramente 
é a única responsável pela perda da estrutura dentária, 
apesar de outros referirem a erosão como a principal causa 
de desgaste dentário acelerado.
Abfração se refereà perda de estrutura dentária devido 
a um estresse oclusal, que por flexão repetida provoca falha 
no esmalte e na dentina distante do ponto de pressão. O 
termo deriva de palavras do latim ab e fractio que signifi-
cam, respectivamente, distante e rompimento. A dentina é 
capaz de suportar uma quantidade maior de estresse que 
o esmalte. Quando as forças oclusais são aplicadas excen-
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 61
tricamente ao dente, a tensão é concentrada no fulcro cer-
vical, levando à inclinação que pode produzir rompimento 
nas ligações químicas dos cristais do esmalte nas zonas 
cervicais. Uma vez danificado, o esmalte partido pode ser 
perdido ou ser mais facilmente removido por erosão ou 
abrasão. Alguns pesquisadores sugeriram que as restaura-
ções oclusais enfraquecem a capacidade do dente de resis-
tir ao estresse da oclusão e que predispõem a futuras lesões 
abfrativas.
Assim como para a erosão, não existe consenso sobre a 
prevalência da abfração. Alguns propõem que a abfração é 
a causadora da maior parte da perda cervical dos dentes; 
outros acreditam que há poucas evidências de que esta 
sequência de eventos ocorra na boca. Foi sugerido que os 
modelos utilizados para justificar o mecanismo da abfração 
não levam em consideração o suporte fornecido pelo osso 
circundante e o periodonto, que podem atuar dissipando 
as forças oclusais aplicadas sobre os dentes. O padrão da 
perda cervical dos dentes tende a ocorrer em regiões com 
fluxo salivar seroso diminuído, e pode ser explicado pela 
perda inicial da proteção salivar, em vez de excesso de 
forças oclusais. O envolvimento, pela abfração, das regiões 
cervicais vestibulares dos dentes anteriores superiores é 
muito intrigante, porque a flexão ocorreria na superfície 
palatina do dente, e não na superfície vestibular. Durante 
a função, os pesquisadores encontraram poucas evidências 
de que a tensão exercida sobre a face lingual, em esmalte 
e dentina, seja totalmente diferente daquelas que ocorrem 
quase que exclusivamente sobre a face vestibular. Final-
mente, o estudo de esqueletos de aborígenes australianos 
revelou um avançado desgaste dentário tanto na oclusal 
quanto na interproximal; e apesar das evidências de cargas 
pesadas sobre a oclusal, os defeitos na região cervical eram 
raros.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
ATRIÇÃO
A atrição pode ocorrer tanto na dentição decídua como 
na permanente. Como esperado, as superfícies mais pre-
dominantemente afetadas são aquelas que fazem contato 
com o dente antagonista. Mais frequentemente, encontra-
mos as superfícies oclusais e incisais comprometidas, além 
das superfícies linguais dos dentes anteriores superiores e 
as vestibulares dos dentes inferiores anteriores. As facetas 
são grandes, planas, lisas, brilhantes e são encontradas em 
uma relação correspondente ao tipo de oclusão. Os pontos 
de contato interproximais também são afetados pelo movi-
mento vertical dos dentes durante a função mastigatória. 
Com o tempo, esta perda interproximal resulta em uma 
perda do comprimento do arco. A exposição pulpar e a sen-
sibilidade dentinária são raras devido à lentidão da perda 
de estrutura dentária e à aposição de dentina secundária e 
reparadora no interior da câmara pulpar (Fig. 2-10).
ABRASÃO
A abrasão é encontrada de várias formas, dependendo da 
causa. A abrasão por escovação dentária aparece caracte-
risticamente como entalhes cervicais horizontais na super-
fície vestibular com cemento e dentina radicular expostos 
(Fig. 2-11). Os defeitos comumente têm margens defini-
das e superfície dura e lisa. Quando ocorre a presença de 
ácidos, lesões mais arredondadas e superficiais são vistas. 
O grau de perda é maior em dentes proeminentes (caninos, 
pré-molares e dentes adjacentes a áreas edêntulas) e no 
lado do arco oposto à mão dominante que sustenta a escova 
dentária. Cortar linha, usar cachimbo e abrir grampos para 
cabelo comumente produzem entalhes com formas arre-
dondadas ou em V na superfície incisal dos dentes anterio-
res (Figs. 2-12 e 2-13). O uso inadequado do fio dental e de 
palitos resulta na perda de cemento radicular e de dentina 
interproximal.
Fig. 2-10 Atrição. Extensa perda da altura coronária dos den-
tes, sem exposição pulpar em paciente com oclusão anterior topo 
a topo.
Fig. 2-11 Abrasão. Desgastes cervicais horizontais nos dentes an-
teriores inferiores. Notam-se canais pulpares visíveis que foram con-
servados com dentina terciária.
62 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
EROSÃO
Em pacientes com erosão, a perda dos dentes não está 
correlacionada com padrões funcionais de desgaste ou 
àqueles em geral associados a abrasivos conhecidos. Os 
locais predominantes dessas perdas são áreas que não 
estão protegidas pela secreção serosa das glândulas paróti-
das e submandibulares. As superfícies vestibulares e pala-
tinas dos dentes superiores e as superfícies vestibulares e 
oclusais dos dentes posteriores inferiores são as mais afe-
tadas. O envolvimento das superfícies linguais de toda a 
dentição inferior é incomum, possivelmente em decorrên-
cia da capacidade protetora da saliva serosa proveniente da 
glândula submandibular.
O clássico modelo de erosão dentária é constituído 
de uma lesão com depressão côncava central na dentina, 
cercada por margem elevada de esmalte. As áreas côncavas 
podem ser vistas nas pontas das cúspides oclusais, arestas 
incisais e cristas marginais (Fig. 2-14). Em contraste com 
a abrasão, a erosão comumente afeta as superfícies vesti-
bulares dos dentes superiores anteriores e aparecem como 
depressões em forma de colher rasa na porção cervical 
da coroa. Os dentes posteriores exibem perda extensa da 
superfície oclusal, e as margems de restaurações metálicas 
podem, portanto, estar acima do nível da estrutura dentá-
ria (Fig. 2-15). Após uma porção do esmalte da cúspide ter 
sido perdida, a dentina é destruída mais rapidamente que 
o esmalte remanescente, resultando, com frequência, em 
uma depressão côncava de dentina circundada por uma 
margem elevada de esmalte (Fig. 2-16). Quanto mais rápida 
a dissolução da dentina, maior é chance de ocorrer perda 
de esmalte por fratura. Às vezes, todas as cúspides vestibu-
lares são perdidas e substituídas por depressões semelhan-
tes a rampas de esqui que se estendem da cúpide lingual à 
junção cemento-esmalte vestibular (Fig. 2-17). Quando as 
superfícies palatinas são atingidas, a dentina exposta apre-
senta uma superfície côncava e mostra uma linha branca e 
periférica de esmalte (Fig. 2-18). A erosão ativa revela uma 
superfície limpa, sem manchas, enquanto que as regiões 
inativas apresentam-se manchadas e pigmentadas.
Fig. 2-12 Abrasão. Desgaste no incisivo central (21), causado por 
uso impróprio de grampos para cabelo. O paciente também apre-
senta hipoplasia de esmalte, de natureza ambiental dos dentes an-
teriores. (Cortesia do Dr. Robert J. Gorlin.)
Fig. 2-13 Abrasão. Desgastes nos dentes anteriores do lado direi-
to causado por uso prolongado de cachimbo.
Fig. 2-14 Erosão. Múltiplas depressões em forma de cálice em 
áreas correspondentes às pontas de cúspides.
Fig. 2-15 Erosão. Perda extensa de estrutura dentária oclusal e 
vestibular. Observe que as margens de amálgama estão acima da 
superfície da dentina.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 63
O desgaste focal da porção gengival da face vestibular 
foi denominado pelo termo inespecífico lesão cervical 
não cariosa, em uma tentativa de enfatizar a natureza 
multifatorial do processo. Estes defeitos cervicais são vistos 
em associação da perda de estrutura dentária oclusal, que 
tem características de erosão, abrasão ou ambos.
As erosões limitadas às superfícies vestibulares dos 
dentes superiores anteriores, muitas vezes, estão associa-
das a fontes dietéticas ácidas. Quando a perda dentária 
mostra-se limitada às porções incisais da dentição anterior 
de ambos os arcos, isto indica uma fonte ambiental externa. 
Se a erosão está localizada nas superfícies palatinas dos 
dentes anteriores superiorese nas superfícies oclusais 
dos dentes posteriores de ambas as dentições, é provável 
haver a regurgitação de secreções gástricas. A localização 
da perda dentária pode sugerir a causa da perda, mas não 
é totalmente confiável.
ABFRAÇÃO
A abfração tem a aparência de cunhas limitadas à região 
cervical dos dentes e pode, com facilidade, assemelhar-se 
à abrasão cervical ou à erosão. Os sinais para o diagnóstico 
incluem defeitos que são profundos, estreitos e em forma 
de V (o que não permite o contato da escova dentária com 
a base do defeito) e, em geral, afetam um único dente, não 
sendo os adjacentes atingidos (Fig. 2-19). Além disso, as 
lesões ocasionais são subgengivais, uma região caracte-
risticamente protegida de abrasão e erosão. As lesões são 
vistas quase que exclusivamente na superfície vestibular e 
apresentam-se com maior prevalência em pacientes com 
bruxismo.
Em todas as formas de desgaste dentário, o processo 
ocorre normalmente de forma lenta, o que permite a 
deposição de dentina terciária, impedindo a exposição da 
polpa, mesmo quando presente extensa perda de estrutura 
dentária (Fig. 2-11). Em muitos casos, e especialmente na 
Fig. 2-16 Erosão. Vista oclusal dos dentes superiores, exibindo de-
pressões em dentina cercada por elevação de margens de esmalte.
Fig. 2-17 Erosão. Extensa perda de esmalte e dentina na superfí-
cie vestibular dos pré-molares inferiores. O paciente apresentava o 
hábito de chupar tamarindos (uma fruta ácida).
Fig. 2-18 Erosão. Superfícies palatinas, nas quais a dentina ex-
posta exibe uma superfície côncava e uma linha branca periférica 
de esmalte. O paciente sofria de bulimia.
Fig. 2-19 Abfração. Defeitos profundos e estreitos na re-
gião cervical da superfície vestibular dos dentes inferiores. 
(De Neville BW, Damm DD, White DK: Color atlas of clinical oral pathology, 
ed 2,1999, BC Decker.)
64 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
dentição decídua, a perda dentária pode ocorrer de forma 
mais acelerada, que resulta em uma exposição franca e 
próxima da polpa. Em um grande estudo com 448 pacien-
tes sobre desgaste dentário, 11,6% correspondia a uma 
exposição pulpar direta ou lesão próxima à polpa. Além 
disso, a hipersensibilidade foi observada em um terço dos 
pacientes que apresentavam desgaste dentário.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Níveis normais de desgaste não necessitam de tratamento, 
com a intervenção reservada para aqueles casos patológi-
cos que podem gerar perda dentária. A presença de um 
avançado desgaste dentário na dentição decídua parece 
relacionar-se, de forma subsequente, com o desgaste den-
tário na idade adulta, o que sugere uma continuação das 
influências causais. O diagnóstico precoce e a intervenção 
podem ajudar na preservação da dentição permanente. 
Antes de qualquer ação definitiva, o clínico deve lembrar-
se que, quase invariavelmente, desgaste dentário possui 
causa multifatorial. A falha em reconhecer a inter-relação 
destas alterações patológicas pode levar a tratamentos ina-
propriados e ao fracasso de qualquer tentativa de reparo. 
A intervenção deve enfatizar um diagnóstico detalhado, 
medidas preventivas e monitoramento a longo prazo. O 
tratamento imediato deve ser direcionado para a resolução 
da sensibilidade e da dor, mas identificação das causas da 
perda de estrutura dentária e a proteção da dentina rema-
nescente também são objetivos importantes.
Nos pacientes afetados pela erosão dentária, interven-
ções preventivas podem apresentar-se como uma tentativa 
não só para reduzir a exposição ácida, mas também para 
melhorar a capacidade da cavidade oral em resistir aos 
efeitos dos ácidos. Após a exposição a um ácido, a saliva 
tem a capacidade de alcançar a remineralização com o 
tempo, mas os dentes são vulneráveis à abrasão antes do 
término dessa ação. Pesquisadores têm recomendado um 
intervalo mínimo de uma hora entre a exposição ácida e 
a escovação, em uma tentativa de minimizar o atrito do 
esmalte enfraquecido. Pacientes com erosão devem limitar 
a escovação dentária a uma vez ao dia, pela manhã, por 
causa do aumento da vulnerabilidade do esmalte atacado 
por ácido à abrasão e atrição. A utilização de um dentifrício 
minimamente abrasivo e a orientação profissional previne 
e pode auxiliar na redução da escovação inadequada asso-
ciada à abrasão. O consumo de substâncias-tampão, como 
o leite e o queijo, também é tido como benéfico. A hidra-
tação adequada é de extrema importância para manter o 
fluxo salivar adequado. Uma causa comum suspeitada é 
a diminuição do fluxo salivar secundária à desidratação, 
muitas vezes associada ao trabalho extenuante ou a prá-
ticas esportivas, e complicada, possivelmente, pelo uso de 
ácidos de refrigerantes ou por bebidas isotônicas, em lugar 
da água. Mascar chiclete foi sugerido como método para 
diminuir a erosão dentária, porque aumenta o fluxo salivar 
após a exposição ácida; mas outros estudos demonstraram 
que o esmalte ácido pode ser atenuado por danos causados 
pelos tecidos adjacentes durante os movimentos de mascar, 
neste momento de vulnerabilidade. Os pacientes devem 
ser informados do potencial de perda da estrutura dentária 
associada ao excesso de alimentos e bebidas ácidas (p. ex., 
vinhos, refrigerantes, conservas em ácido acético e frutas 
cítricas, sucos de fruta e doces), pacientes com regurgita-
ção crônica e técnicas impróprias de higiene oral. Placas 
de mordida podem ser usadas para diminuir a atrição 
noturna e proteger os dentes da exposição frequente aos 
ácidos oriundos da regurgitação ou de fontes industriais. 
A sensibilidade dentária pode ser reduzida com o uso de 
vernizes, bochechos ou dentifrícios contendo cloreto de 
estrôncio, fluoreto estanhoso ou monofluorofosfato. Se 
não houver sucesso inicialmente, estes agentes podem ser 
combinados com iontoforese.
O tratamento restaurador ativo é prematuro na presença 
de desgaste continuado e deve ser adiado até que o paciente 
expresse forte interesse estético, apresente sensibilidade 
dentária que não responde a técnicas conservadoras, ou 
demonstre incontrolável e progressivo desgaste. Uma vez 
indicado, o tratamento mínimo necessário para resolver o 
problema deve ser implementado. Em lesões consideradas 
abfração, ionômero de vidro é recomendado por sua grande 
resiliência, que permite que o material flexione como o 
dente. Em áreas de abrasão, deverá ser escolhido um mate-
rial com ótima resistência ao processo abrasivo. Em dentes 
isolados que, continuamente, perdem restaurações classe 
V, provavelmente, trata-se de abfração contínua, e o trauma 
oclusal deve ser eliminado. A reposição de dentes posterio-
res perdidos e a correção da oclusão topo a topo limitam 
os efeitos da atrição. A estrutura dentária perdida pode ser 
restaurada com resinas compostas, coroas veneers, restau-
rações metálicas ou coroas totais. Procedimentos restaura-
dores que não envolvam significativa remoção da estrutura 
dentária remanescente são preferíveis em pacientes que 
apresentam extenso desgaste dentário.
O corpo pode adaptar-se à perda de estrutura dentária 
por erupção continuada, deposição de osso alveolar por 
aposição e crescimento compensatório do esqueleto. Se o 
processo da perda do dente é lento, geralmente há manu-
tenção de dimensão vertical; em pacientes com destruição 
rápida, ocorre perda da dimensão vertical. A restauração 
da perda extensa da estrutura dentária é complicada e 
deve ser realizada apenas após avaliação total do complexo 
dentoalveolar.
REABSORÇÃO INTERNA E EXTERNA
Além da perda da estrutura dentária que tem início nas su-
perfícies coronárias expostas, a destruição dos dentes tam-
bém pode ocorrer por reabsorção, que é realizada por célu-
las localizadas na polpa dentária (reabsorção interna) ou 
no ligamento periodontal (LP) (reabsorção externa). A re-
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 65
absorção interna é relativamente rara, e, em muitos casos, 
sucede a trauma aos tecidos pulpares, como o trauma físico 
ou pulpite por cárie. A reabsorção podecontinuar por tan-
to tempo quanto a polpa permanecer vital e pode resultar 
em comunicação da polpa com o ligamento periodontal.
Por sua vez, a reabsorção externa é muito comum; com 
exame minucioso, todos os pacientes são prováveis por-
tadores de reabsorção radicular em um ou mais dentes. 
Em uma revisão radiográfica de 13.263 dentes, todos os 
pacientes mostraram evidências de reabsorção radicular, 
e 86,4% dos dentes examinados apresentaram reabsorção 
externa, com média de 16 dentes afetados por paciente. 
Muitas áreas de reabsorção são moderadas e sem impor-
tância clínica, mas 10% dos pacientes apresentam quanti-
dades incomuns de reabsorção externa.
O potencial para reabsorção é inerente ao tecido 
periodontal de cada paciente, e esta suscetibilidade indi-
vidual é o fator mais importante no grau dessa alteração, 
que ocorrerá depois do estímulo. Os fatores relacionados 
para o aumento da gravidade da reabsorção externa estão 
no Quadro 2-3. Muitos casos foram chamados de idiopáti-
cos porque nenhuma razão foi encontrada para explicar a 
rápida reabsorção. Quando os exames radiográficos iniciais 
de um paciente demonstram um grau de reabsorção além 
daquele que é normalmente encontrado, o cirurgião-den-
tista deve avaliar os riscos potenciais envolvidos nos procedi-
mentos iniciais (como os ortodônticos) que são conhecidos 
por serem associados ao aumento de risco de reabsorção 
externa.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
A reabsorção de dentina ou de cemento pode ocorrer em 
qualquer região que entre em contato com o tecido mole 
vital. A reabsorção interna é geralmente assintomática e 
descoberta em radiografias de rotina. A dor pode ser rela-
tada quando o processo é associado à significativa infla-
mação pulpar. São observados dois padrões principais: (1) 
reabsorção inflamatória e (2) reabsorção por substitui-
ção ou reabsorção metaplásica (Fig. 2-20). Na reabsor-
ção inflamatória, a dentina reabsorvida é substituída por 
tecido de granulação inflamatório. Apesar de este quadro 
poder ocorrer em qualquer região do canal, a zona cervi-
cal é afetada mais frequentemente (e a inflamação pulpar 
é, em geral, causada por invasão bacteriana). A reabsorção 
continua enquanto a polpa permanecer vital; caracteristica-
mente, a polpa coronária é necrótica, com a porção apical 
permanecendo vital. Os resultados dos testes pulpares são 
variáveis. Neste quadro, a área de destruição comumente 
apresenta-se uniforme, com o aumento bem-circunscrito, 
simétrico e radiotransparente da câmara pulpar ou do 
canal. Quando a polpa coronária é afetada, a coroa pode 
mostrar uma coloração rosa (dente róseo de Mummery) 
assim que o processo reabsortivo vascular aproxima-se da 
superfície (Fig. 2-21). Quando isto ocorre na raiz, o con-
torno do canal é perdido e é vista radiograficamente uma 
dilatação em forma de ampola (Fig. 2-22). Se o processo 
continua, a destruição eventual pode perfurar a superfície 
lateral da raiz, o que pode dificultar a distinção para a rea-
bsorção radicular externa (Fig. 2-23). Ainda que muitos 
casos sejam progressivos, alguns são transitórios e comu-
mente surgem em dentes traumatizados ou aqueles que 
tenham sofrido, recentemente, tratamento ortodôntico ou 
periodontal.
O padrão remanescente da reabsorção interna deno-
mina-se substituição ou reabsorção metaplásica. Desta forma, 
Quadro 2-3
Fatores Associados à Reabsorção Externa
Cistos!
Clareamento intracoronário de dentes despolpados!
Desequilíbrio hormonal!
Doença óssea de Paget!
Envolvimento pelo herpes zoster!
Enxerto de fenda alveolar!
Forças mecânicas excessivas (p. ex., tratamento 
ortodôntico)
!
Forças oclusais excessivas!
Inflamação perirradicular!
Pressão por dentes impactados!
Reimplante dentário!
Tratamento periodontal!
Trauma dentário!
Tumores!
Fig. 2-20 Reabsorção dentária. Ilustração comparativa entre os 
padrões comuns de reabsorção dentária interna e externa. A reab-
sorção interna resulta em um alargamento radiolúcido da câmara 
pulpar ou do canal radicular. Na reabsorção externa, a radiolucidez 
é sobreposta à polpa radicular, que não é alargada.
66 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
porções de parede dentinária pulpar são reabsorvidas e 
substituídas por osso ou osso cementoide (Fig. 2-20). Radio-
graficamente, a reabsorção por substituição apresenta-se 
como um alargamento do canal que é preenchido com 
material menos radiodenso do que a dentina circundante. 
Em razão de a zona central da polpa ser substituída por 
osso, o aspecto radiográfico com frequência demonstra 
um canal parcialmente obliterado. A linha de destruição 
é menos definida do que aquela vista na reabsorção infla-
matória.
A reabsorção externa, ao contrário, apresenta-se carac-
teristicamente como uma perda de estrutura dentária com 
aspecto semelhante a ’’roída por traça’’, na qual a radioluci-
dez é bem menos definida e demonstra variações na den-
sidade (Figs. 2-24 a 2-27). Se a lesão estiver sobre o canal 
Fig. 2-21 Reabsorção interna (dente róseo de Mummery). 
A, Pigmentação rósea dos incisivos centrais superiores. B, Radiogra-
fia do mesmo paciente, mostrando extensa reabsorção de ambos os 
incisivos centrais superiores.
Fig. 2-22 Reabsorção interna. Alargamento do canal radicular 
em forma de ampola.
Fig. 2-23 Reabsorção interna. A destruição foi resultado da per-
furação da superfície lateral da raiz.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 67
pulpar, um exame mais acurado demonstra a permanên-
cia de um canal inalterado através da área do defeito. A 
maioria dos casos envolve o ápice ou a porção média da 
raiz. A reabsorção externa pode criar defeitos significati-
vos nas coroas antes da erupção (Fig. 2-26). Este quadro, 
frequentemente, é confundido como cárie pré-eruptiva, e 
é visto por alguns investigadores como sendo causado por 
defeitos no epitélio do esmalte que permitem ao tecido 
conjuntivo entrar em contato direto com o esmalte.
Em dentes avulsionados reimplantados, quando não há 
uma intervenção rápida e apropriada, uma extensa reab-
sorção externa é muito comum (Fig. 2-25). Se o dente per-
Fig. 2-24 Reabsorção externa. Destruição extensa irregular em 
ambas as raízes do segundo molar inferior associada à periodontite 
crônica. (Cortesia do Dr. Tommy Shimer.)
Fig. 2-25 Reabsorção externa. Alteração radiolúcida do tipo “roí-
da por traça” no incisivo central superior esquerdo. O dente havia 
sido reimplantado após avulsão traumática. (Cortesia do Dr. Harry 
Meyers.)
Fig. 2-26 Reabsorção externa. Extensa reabsorção externa de 
coroa do canino superior direito impactado. O exame histopatoló-
gico revelou reabsorção sem a presença de contaminação bacteria-
na ou cárie.
Fig. 2-27 Reabsorção externa. Reabsorção externa difusa de den-
tina radicular na arcada superior. O processo surgiu após início de 
tratamento ortodôntico.
68 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
manece fora da boca, sem ter sido acondicionado em meio 
de armazenamento adequado, as células do ligamento 
periodontal (LP) sofrem necrose. Sem as células do LP do 
osso circundante vitais, o dente é tido como corpo estra-
nho, e inicia-se o processo de reabsorção e substituição por 
tecido ósseo.
Reabsorções externas ocorridas durante tratamento 
ortodôntico não parecem ser afetadas significativamente 
pelo gênero ou idade do paciente, gravidade da má oclusão 
ou pelo tipo de mecânica usada durante a terapia. Embora 
a suscetibilidade individual do paciente exerça forte influ-
ência, o único preditor esqueleto-dental é a distância que o 
dente foi movido durante o tratamento. Os dentes anteriores 
superiores são mais afetados, principalmente em pacientes 
que foram submetidos a extrações de pré-molares. A movi-
mentação de dentes que apresentam alteração de forma 
na raiz, como a dilaceração, também foi associada a um 
aumento da gravidade da reabsorção externa.
Às vezes, a reabsorção externa pode começar na área 
cervical e estender-se de uma pequena abertura até o 
envolvimento de uma grande área de dentina entreo 
cemento e a polpa. A reabsorção pode progredir apical-
mente para o interior da polpa ou coronariamente por 
sob o esmalte e simular o dente róseo visto na reabsorção 
interna. A fase cervical da reabsorção externa é, em geral, 
rápida e foi chamada reabsorção cervical invasiva. Em 
alguns casos, vários dentes podem estar envolvidos e uma 
causa subjacente da acelerada destruição pode não ser 
óbvia (reabsorção radicular idiopática múltipla) (Fig. 
2-28). A causa exata desse padrão de reabsorção é impre-
cisa, e pode resultar de uma variedade de estímulos infla-
matórios, traumáticos ou bacterianos, afetando as células 
clásticas dentro do LP. Tal fenômeno tem sido observado 
após tratamento ortodôntico, cirurgia ortognática, cirurgia 
dentoalveolar, raspagem e alisamento radicular, clarea-
mento intracoronário de um dente tratado endodontica-
mente, trauma local, bruxismo e fratura dentária. Outros 
investigadores acreditam que este padrão de reabsorção 
possa ser desencadeado por patógenos periodontais, com 
boa resposta ao debridamento mecânico local combinado 
com antibióticos sistêmicos.
Além da reabsorção cervical invasiva, a reabsorção 
externa, generalizada e progressiva, também pode afetar a 
porção apical das raízes. Embora esse padrão possa ocorrer 
de forma secundária a distúrbio endócrino, ou parte de um 
pequeno número de condições sistêmicas, muitos desses 
casos têm difícil detecção e causa idiopática.
Se ocorrerem dificuldades em distinguir a reabsorção 
externa e da interna, a técnica de Clark pode ser usada por 
meio de duas exposições radiográficas: uma perpendicular 
e outra mesial (objetos próximos à fonte de radiação serão 
movidos distalmente). Com esta técnica, os locais de reab-
sorção externa parecem afastar-se do canal pulpar quando 
as radiografias são comparadas. Além disso, as radiografias 
podem revelar qual o lado da raiz está afetado em casos de 
reabsorção externa.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
Em pacientes com reabsorção interna inflamatória, o 
tecido pulpar na área de destruição é vascular e apresenta 
aumento de celularidade e colagenização. Junto à parede 
dentinária estão numerosos dentinoclastos multinuclea-
Fig. 2-28 Múltipla reabsorção radicular idiopática. Extensa re-
absorção cervical invasiva, de vários dentes anteriores inferiores. 
(Cortesia do Dr. Keith Lemmerman.)
Fig. 2-29 Reabsorção interna. Reabsorção do interior da pare-
de dentinária da polpa. Note tecido conjuntivo fibroso vascular e 
celular, exibindo um infiltrado inflamatório adjacente, e numerosos 
dentinoclastos dentro das lacunas de reabsorção.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 69
dos, que são histológica e funcionalmente idênticos a 
osteoclastos (Fig. 2-29). É comum observar infiltrado infla-
matório formado por linfócitos, histiócitos e leucócitos 
polimorfonucleados. Na reabsorção por substituição, o 
tecido pulpar normal é reposto por osso trabeculado que 
se funde à dentina subjacente. De forma semelhante, a 
reabsorção externa apresenta numerosos dentinoclastos 
multinucleados localizados em áreas de perda estrutural. 
Áreas de reabsorção frequentemente são substituídas por 
meio de deposição de osteodentina. Em grandes defeitos, 
a reabsorção externa inflamatória resulta em deposição de 
tecido inflamatório de granulação, e áreas de substituição 
com osso trabeculado também podem ser encontradas. 
Áreas extensas de substituição óssea podem levar à anqui-
lose nos casos de reabsorção externa.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O tratamento das reabsorções interna e externa concentra-
se na remoção de todo tecido mole dos locais de destruição 
dentária. A reabsorção interna pode ser efetivamente inter-
rompida se a terapia endodôntica remover com sucesso 
todo o tecido pulpar antes que o processo de reabsorção 
atinja o ligamento periodontal. Quando a perfuração 
ocorre, o tratamento torna-se mais difícil e o prognóstico 
é ruim. Em tais casos, a remineralização pode ser tentada 
com o uso, ainda no início do processo, de pasta de hidró-
xido de cálcio, que poderá resultar em remineralização da 
área de perfuração e controlar o processo de reabsorção. 
Se a remineralização das áreas cervicais da perfuração não 
for bem-sucedida, a exposição cirúrgica e a restauração do 
defeito podem controlar o processo. A exodontia frequen-
temente é necessária nos casos de perfuração radicular 
que não respondem ao tratamento.
O primeiro passo no tratamento da reabsorção externa 
é a identificação e eliminação de qualquer fator desenca-
deante. Regiões localizadas apicalmente não podem ser 
abordadas sem que haja dano significativo causado por 
tentativas de acesso. Nos casos localizados em áreas cervi-
cais, podem ser tratados por exposição cirúrgica, remoção 
de todo tecido mole das áreas afetadas e restauração das 
estruturas dentárias perdidas. Devido às células responsá-
veis pela reabsorção externa estarem localizadas no LP a 
terapia endodôntica não é eficaz para estabilizar o processo. 
Em uma pesquisa sobre reabsorção cervical generalizada, 
a terapia direcionada contra patógenos periodontais locais 
(debridamento, combinado com metronidazol e amoxi-
cilina sistêmicos) cessou a reabsorção e foi associado ao 
aumento da densidade da crista óssea adjacente.
Para dentes avulsionados, a melhor maneira de prevenir 
a reabsorção é mantendo-se a vitalidade do LP, realizando 
o reimplante imediato ou em curto prazo, fazendo uso de 
solução fisiológica para seu armazenamento. Dentes reim-
plantados que possuem o ápice aberto devem ser moni-
torados mensalmente; para dentes com ápice fechado, a 
terapia endodôntica se faz necessária. Dentes avulsionados 
com o ápice aberto e células do LP não vitais não devem 
ser implantados.
PIGMENTAÇÃO DENTÁRIA 
POR FATORES AMBIENTAIS
A cor dos dentes normais varia e depende de matiz, trans-
lucidez e espessura do esmalte. As colorações anormais 
podem ser extrínsecas ou intrínsecas. As manchas extrín-
secas ocorrem pelo acúmulo superficial de um pigmento 
exógeno e, geralmente, podem ser removidas com o trata-
mento da superfície, enquanto que as manchas intrínsecas 
surgem de uma coloração intrínseca de material endógeno 
que é incorporado ao esmalte e à dentina, e não pode ser 
removidas por pasta profilática ou pedra pomes. O Quadro 
2-4 lista as causas mais frequentes documentadas da pig-
mentação dentária.
A fluorose dentária é discutida sob a ótica dos efeitos 
ambientais sobre o desenvolvimento da estrutura dental 
(ver texto). As alterações associadas à amelogênese 
imperfeita (ver texto) e dentinogênese imperfeita (ver 
texto) serão vistas posteriormente neste capítulo, no texto 
referente às alterações primárias de desenvolvimento.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
PIGMENTAÇÕES EXTRÍNSECAS
As manchas causadas por bactérias representam uma 
causa comum de pigmentação da superfície de esmalte, 
dentina e cemento expostos. Bactérias cromogênicas po-
dem produzir uma coloração que varia entre cinza, mar-
Quadro 2-4
Pigmentações Dentárias
EXTRÍNSECAS
Manchas bacterianas!
Ferro!
Tabaco!
Alimentos e bebidas!
Hemorragia gengival!
Materiais restauradores!
Medicações!
INTRÍNSECAS
Amelogênese imperfeita!
Dentinogênese imperfeita!
Fluorose dental!
Porfiria eritropoiética!
Hiperbilirrubinemia!
Ocronose!
Trauma!
Decomposição localizada de hemácias!
Medicações!
70 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
rom-escuro ou laranja. A pigmentação ocorre mais em 
crianças e costumam ser vistas, inicialmente, na superfície 
vestibular, localizadas no terço gengival dos dentes ante-
riores superiores. Em contrapartida com as pigmentações 
causadas por placa, as manchas marrom-escuras mais pro-
vavelmente não são primariamente de origem bacteriana, 
mas sim secundárias à formação de sulfito férrico advindo 
de interação entre sulfito de hidrogênio bacteriano e ferro 
presente na saliva ou no fluido do sulco gengival.
O uso intensivo de produtos derivados de tabaco, chá ou 
café, em geral, resulta em significativa pigmentação marrom 
da superfíciedo esmalte (Fig. 2-30). O alcatrão presente no 
tabaco dissolve-se na saliva e penetra facilmente nas fóssulas 
e fissuras do esmalte. Tabagistas (de tabaco e de maconha) 
apresentam maior envolvimento das superfícies linguais 
dos incisivos inferiores; usuários do fumo de mascar geral-
mente demonstram comprometimento do esmalte na área 
de alojamento de tabaco. Manchas provenientes de bebidas 
também costumam comprometer a superfície lingual dos 
dentes anteriores, mas as manchas são habitualmente 
mais difusas e menos intensas. Além disso, alimentos que 
contêm clorofila em abundância podem produzir pigmen-
tação verde na superfície do esmalte.
A pigmentação esverdeada associada às bactérias cromo-
gênicas ou ao consumo frequente de alimentos que contêm 
clorofila pode assemelhar-se ao quadro de manchas verdes 
secundárias à hemorragia gengival. Como seria esperado, 
este padrão de pigmentação ocorre mais em pacientes com 
higiene bucal deficiente e gengivas hiperplasiadas, erite-
matosas e hemorrágicas. A cor é o resultado da decomposi-
ção da hemoglobina em biliverdina.
Vários medicamentos podem resultar na coloração da 
superfície dos dentes. No passado, a utilização de produtos 
com grandes quantidades de ferro ou iodo foi associada 
à significativa pigmentação negra dos dentes. A exposi-
ção a sulfetos, nitrato de prata ou manganês pode causar 
manchas que variam entre cinza, amarelo, marrom ou 
preto. O cobre e o níquel podem produzir mancha verde; 
cádmio, óleos essenciais e coamoxiclav (amoxicilina e 
ácido clavulânico) podem estar associados à pigmentação, 
que varia do amarelo ao marrom. Muitas pesquisas recen-
tes têm documentado uma pigmentação que oscila entre o 
amarelo e o marrom, associada à doxiciclina, que pode ser 
removida por profilaxia profissional com agentes abrasivos; 
a causa desta pigmentação ainda não está clara.
Recentemente, novos medicamentos foram responsabi-
lizados por pigmentações: o fluoreto estanhoso e a clo-
rexidina. As manchas por flúor podem estar associadas 
ao uso de 8% de fluoreto estanhoso tido como decorrente 
da combinação do íon estanhoso (estanho) com os sulfi-
tos bacterianos. Esta mancha negra ocorre predominante-
mente em pessoas com higiene bucal deficiente, em áreas 
previamente afetadas por cárie. As superfícies vestibulares 
dos dentes anteriores e as oclusais são mais afetadas. A clo-
rexidina é associada a manchas marrom-amareladas que, 
predominantemente, envolvem a superfície interproximal 
junto à margem gengival. A intensidade das manchas varia 
com a concentração de medicação e com a suscetibilidade 
do paciente. Embora um aumento da frequência tenha sido 
associado ao uso de bebidas contendo tanino, como chá e 
vinho, a escovação eficiente, o uso de fio dental ou mascar 
chicletes com frequência pode minimizar as manchas. A 
clorexidina não é a única na associação de manchas dentá-
rias; muitos antissépticos orais, como o Listerine® e sangui-
narina, também produzem manchas semelhantes.
PIGMENTAÇÕES INTRÍNSECAS
A porfiria eritropoiética congênita (doença de Günther) 
é uma alteração autossômica recessiva do metabolismo da 
porfirina, que resulta em um aumento da síntese e excreção 
de porfirinas e seus precursores relacionados. Nota-se pig-
mentação difusa significativa da dentição como resultado 
da deposição de porfirina nos dentes (Fig. 2-31). Os dentes 
afetados apresentam uma coloração marrom-avermelhada 
Fig. 2-30 Pigmentação por tabaco. Manchas extrínsecas marrons 
do esmalte na superfície lingual dos dentes anteriores inferiores, de-
vido ao uso prolongado de tabaco.
Fig. 2-31 Pigmentação dentária relacionada com a porfiria eri-
tropoiética. Pigmentação marrom-avermelhada dos dentes.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 71
que exibe uma fluorescência vermelha quando expostos à 
luz ultravioleta (UV) de Wood. Os dentes decíduos demons-
tram uma coloração mais intensa porque a porfirina está 
presente no esmalte e na dentina; nos dentes permanentes, 
apenas a dentina é afetada. O excesso de porfirinas também 
está presente na urina, o que pode revelar uma fluorescên-
cia semelhante, quando exposta à luz de Wood.
Outra desordem metabólica autossômica recessiva, a 
alcaptonúria, está associada à pigmentação azul-escura 
chamada ocronose que ocorre no tecido conjuntivo, tendões 
e cartilagens. Ocasionalmente, uma pigmentação azul da 
dentição também pode ser vista em pacientes com doença 
de Parkinson.
A bilirrubina é um produto da decomposição das hemá-
cias e níveis elevados podem ser liberados para o sangue 
em várias condições. O aumento da quantidade de bilir-
rubina pode levar ao seu acúmulo no fluido intersticial, 
mucosa e pele, resultando em uma pigmentação amarelo-
esverdeada chamada icterícia (Capítulo 17). Durante o 
período de hiperbilirrubinemia, os dentes em desenvol-
vimento também podem acumular o pigmento e se torna-
rem intrinsecamente manchados. Na maioria dos casos, 
os dentes decíduos são afetados como resultado da ação 
da hiperbilirrubinemia durante o período neonatal. As 
causas mais comuns são a eritroblastose fetal e a atresia 
biliar. Outras doenças que exibem menos frequentemente 
manchas intrínsecas deste tipo são:
Nascimento prematuro
Incompatibilidade ABO
Disfunção respiratória neonatal
Hemorragia interna significativa
Hipotireoidismo congênito
Hipoplasia biliar
Doenças metabólicas (tirosinemia, deficiência de an-
titripsina �1)
Hepatite neonatal
A eritroblastose fetal é uma anemia hemolítica do recém-
nascido, secundária a uma incompatibilidade sanguínea 
(geralmente do fator Rh) entre a mãe e o feto. Em geral, 
essa alteração é relativamente incomum, devido ao uso de 
gamaglobulina antiantígeno no parto de mães Rh negativo.
A atresia biliar é um processo esclerosante da árvore 
biliar, sendo a causa mais importante de morte pela falên-
cia hepática das crianças na América do Norte. Entretanto, 
muitas crianças afetadas vivem após transplante de fígado 
bem-sucedido.
A extensão das alterações dentárias correlaciona-se com 
o período de hiperbilirrubinemia, e a maioria dos pacien-
tes exibe um envolvimento limitado aos dentes decíduos 
Eventualmente, as cúspides dos primeiros molares perma-
nentes podem mostrar-se afetadas. Além de hipoplasia do 
esmalte, os dentes atingidos apresentam uma pigmentação 
esverdeada (clorodontia). A cor é decorrente da deposição 
de biliverdina (o metabólito da bilirrubina que causa icterí-
cia) e pode variar do amarelo a intensas variações de verde 
!
!
!
!
!
!
!
!
(Fig. 2-32). A cor da estrutura do dente formado após a 
resolução da hiperbilirrubinemia parece normal. Os dentes 
mostram, muitas vezes, uma linha distinta de divisão, sepa-
rando as porções esverdeadas (formadas durante a hiperbi-
lirrubinemia) das porções de coloração normal (formadas 
após os níveis de bilirrubina terem sido restabelecidos).
A pigmentação da coroa é uma descoberta frequente 
após trauma, especialmente na dentição decídua. Lesões 
pós-traumáticas podem criar pigmentações róseas, amare-
las ou cinza-escuras. A pigmentação rósea temporária que 
aparece entre 1 e 3 semanas após o trauma pode representar 
dano vascular localizado e, geralmente, retorna ao normal 1 
e 3 semanas. Nestas circunstâncias, as radiografias periapi-
cais garantem a exclusão de possível reabsorção interna que 
pode produzir quadro clínico semelhante. Uma pigmenta-
ção amarela tardia indica obliteração pulpar, chamada de 
metamorfose calcifica, e é discutida mais detalhadamente 
no Capítulo 3. A pigmentação cinza-escura ocorre a longo 
prazo, e acomete dentes com significativa lesão pulpar, por 
meio de produtos de degradação sanguínea que se difun-
dem pelos túbulos dentinários. O tratamento endodôntico 
iniciado antes ou logo após a morte total da polpa muitas 
vezes impede a pigmentação. A necrose pulpar pode ser 
asséptica e não estar associada a significativa sensibilidade 
à percussão, mobilidade, ou doença periapical inflamató-
ria associada. Um processo relacionado secundariamentecom a destruição localizada das hemácias também pode 
resultar em pigmentação dos dentes. Às vezes, durante um 
exame de necropsia (post-mortem), é encontrada uma pig-
mentação rósea nos dentes. As coroas e o colo dos dentes 
são mais afetados, acreditando-se que o processo surja pela 
decomposição da hemoglobina no tecido pulpar necrosado, 
nos pacientes nos quais o sangue se acumulou na cabeça.
Uma pigmentação semelhante rósea ou vermelha dos 
dentes incisivos superiores foi relatada em pacientes vivos 
com hanseníase lepromatosa (Capítulo 5). Ainda que con-
Fig. 2-32 Pigmentação dentária relacionada com a hiperbilir-
rubinemia. Pigmentação da dentição cinza-azulada difusa. As por-
ções cervicais estão manchadas mais intensamente. (Cortesia do Dr 
John Giunta.)
72 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
troverso, alguns pesquisadores acreditam que estes dentes 
estão envolvidos seletivamente por causa da preferência 
dos micro-organismos causadores da doença por tempera-
turas mais baixas. Este processo é visto como decorrente 
da necrose relacionada com a infecção e com a ruptura de 
numerosos e pequenos vasos sanguíneos da polpa, com a 
liberação secundária de hemoglobina nos túbulos dentiná-
rios adjacentes.
Materiais restauradores, especialmente amálgama, po-
dem resultar em pigmentação cinza-escura dos dentes. Isto 
ocorre com mais frequência em pacientes jovens que têm 
maior quantidade de túbulos dentinários abertos. Restau-
rações grandes proximais de classe II podem produzir pig-
mentação significativa da superfície dentinária vestibular 
subjacente. Além disso, restaurações metálicas linguais pro-
fundas nos incisivos podem manchar significativamente a 
dentina subjacente visível e produzir pigmentação acinzen-
tada na superfície vestibular. Para ajudar a reduzir a possi-
bilidade de pigmentação, o cirurgião-dentista não deve res-
taurar dentes anteriores tratados endodonticamente com 
amálgama (Fig. 2-33).
Vários medicamentos diferentes podem ser incorpora-
dos ao dente em desenvolvimento e resultar em pigmen-
tação clinicamente evidente. A intensidade das alterações 
depende da época da administração, da dose e da duração 
do uso da droga. A mais frequentemente relacionada é a 
tetraciclina, com o dente afetado variando do amarelo-
claro ao marrom-escuro e que, à luz ultravioleta, exibe 
uma fluorescência amarelo-brilhante (Fig. 2-34). Após a 
exposição crônica à luz ambiente, a pigmentação amarela 
fluorescente desaparece de meses a um ano e passa a ser 
uma pigmentação marrom não fluorescente. A droga e os 
seus homólogos podem atravessar a barreira placentária; 
portanto, sua administração deve ser evitada desde a ges-
tação até oito anos de idade. Os homólogos da tetraciclina 
que também podem estar associados à pigmentação são a 
clorotetraciclina (pigmentação marrom-acinzentada) e a 
oxitetraciclina (amarela).
Um derivado semissintético da tetraciclina, o cloridrato 
de minociclina, foi considerado causador de significativa 
pigmentação dentária e também pode afetar dentes que já 
estejam completamente desenvolvidos. A minociclina é um 
medicamento largamente usado para tratamento de acne, 
e também é ocasionalmente prescrito para tratamento de 
artrite reumatoide. Sua utilização está aumentando e, pre-
sumivelmente, também aumentará o número de pacientes 
afetados por pigmentação de ossos e dentes.
Embora o mecanismo seja desconhecido, a minociclina 
parece aderir preferencialmente a certos tipos de tecidos 
colagenosos (como à polpa dentária, à dentina, ao osso 
e à derme). Uma vez nestes tecidos, a oxidação ocorre e 
pode produzir pigmentação distinta. Alguns pesquisadores 
acreditam que a suplementação com ácido ascórbico (um 
antioxidante) pode bloquear a pigmentação. Não impor-
tando a causa, uma vez que os tecidos pulpares estejam 
manchados, a coloração pode ser vista através da dentina e 
do esmalte sobrejacente translúcidos. A pigmentação não 
é universal; apenas 3% a 6% dos usuários a longo prazo são 
atingidos. Entre os afetados, o período de tempo antes que 
a pigmentação se torne evidente pode variar de apenas um 
mês a vários anos.
Em indivíduos suscetíveis, a minociclina gera pigmenta-
ções na pele, mucosa oral (Capítulo 8), unhas, esclerótica, 
conjuntiva, tireoide, ossos e dentes. A coloração óssea, even-
tualmente, resulta em aparência cinza-azulada do palato 
ou da mucosa alveolar anterior que representa o osso negro 
aparecendo através da pele fina e transparente da mucosa 
oral (Capítulo 8). Vários padrões de coloração podem ser 
notados na dentição. Dentes completamente erupcionados 
tipicamente revelam pigmentação cinza-azulada em três 
quartos da margem incisal, sendo o terço médio envolvido 
por completo. Raízes expostas de dentes erupcionados 
evidenciam uma pigmentação verde-escura, apesar de as 
raízes dos dentes em desenvolvimento serem negras.
Um outro antibiótico, a ciprofloxacina, é administrado 
por via intravenosa em recém-nascidos para combater 
Fig. 2-33 Pigmentação por amálgama. Pigmentação verde-acin-
zentada do incisivo central inferior, que teve o preparo de acesso 
endodôntico restaurado com amálgama.
Fig. 2-34 Pigmentação dentária relacionada com a tetra-
ciclina. Descoloração castanha difusa dos dentes permanente. 
(Cortesia do Dr. John Fantasia.)
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 73
infecções por Klebsiella spp. Embora menos significativo do 
que a tetraciclina, esse medicamento também foi associado 
à pigmentação dentária intrínseca, geralmente esverdeada.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O polimento cuidadoso com pedra-pomes refinada pode 
remover a maioria dos pigmentos extrínsecos sobre os 
dentes; reconhecidamente, a profilaxia normal com pasta 
profilática é insuficiente. Pigmentos persistentes, geral-
mente, são removidos pela mistura de 3% de peróxido de 
hidrogênio com pedra-pomes ou pelo uso de jatos de bicar-
bonato. O uso de jato profilático com abrasivos suaves é o 
mais eficaz. A recidiva das manchas é comum, a menos que 
a causa seja reduzida ou eliminada. A melhora do padrão de 
higiene bucal geralmente minimiza a chance de recidiva.
Os pigmentos intrínsecos são muito mais difíceis de ser 
resolvidos devido à frequente extensão do envolvimento 
da dentina. Soluções estéticas incluem coroas totais, clare-
amento externo de dentes vitais, clareamento interno para 
dentes desvitalizados, restaurações adesivas, reconstrução 
com resina composta e coroas veneers laminadas. O trata-
mento deve ser individualizado para atender as necessida-
des próprias de cada paciente e do seu quadro específico 
de pigmentação.
DISTÚRBIOS LOCALIZADOS 
NA ERUPÇÃO
IMPACÇÃO
A erupção é o processo contínuo de movimentação de um 
dente do seu local de desenvolvimento para sua posição 
funcional. Os dentes que cessam a erupção antes de emer-
girem estão impactados. Alguns autores subdividem estes 
dentes não erupcionados entre os que são obstruídos por 
uma barreira física (impactados) e aqueles que parecem 
mostrar uma perda da força eruptiva (inclusos). Em muitos 
casos, um dente pode parecer incluso; entretanto, quando 
removido, pode ser descoberto um hamartoma odontogê-
nico subjacente ou um tumor. Portanto, parece apropriado 
classificar todos estes dentes como ‘’impactados’’.
CARACTERÍSCTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
A impactação de dentes decíduos é raríssima; quando 
ocorre, os segundos molares são mais afetados (Fig. 2-35). 
A análise de casos sugere que a anquilose representa o 
papel principal na patogênese. Na dentição permanente, 
os terceiros molares inferiores são os dentes mais impacta-
dos, seguidos pelos terceiros molares e caninos superiores. 
Em ordem decrescente de frequência, a impacção também 
pode ser vista nos pré-molares inferiores, caninos inferio-
res, pré-molares superiores, incisivos centrais superiores, 
incisivos laterais superiores e segundos molares inferiores. 
Primeiro molares e segundos molares superiores são rara-
mente afetados.
A falha na erupção é causada mais vezes por apinha-
mentoe desenvolvimento maxilofacial insuficiente. Pro-
cedimentos que objetivam a criação de espaço, como 
a remoção de pré-molares para fins ortodônticos, estão 
associados à diminuição da prevalência de impacção de 
terceiros molares. Dentes impactados são, com frequência, 
desviados ou angulados e, por fim, perdem seu potencial 
de erupção (após a conclusão do desenvolvimento radicu-
lar). Outros fatores conhecidos por estarem associados à 
impacção incluem:
Cistos e tumores sobrejacentes
Trauma
Cirurgia reconstrutora
Espessamento de osso ou do tecido mole sobrejacente
Desordens sistêmicas, doenças e síndromes
Os dentes podem estar parcialmente erupcionados ou 
completamente impactados (impacção óssea completa). 
Além disso, a impacção pode ser classificada de acordo 
a angulação do dente com relação ao restante da denti-
ção: mesioangular, distoangular, vertical, horizontal ou 
invertido. Às vezes, pequenas espículas ósseas, não vitais, 
podem ser vistas, clínica ou radiograficamente, superiores 
às coroas dos dentes permanentes superiores parcialmente 
irrompidos (Fig. 2-36). O processo é chamado de seques-
tro de erupção e ocorre quando fragmentos ósseos são 
separados do osso contínuo durante a erupção do dente 
associado. Pode ser notada uma ligeira sensibilidade na 
área, principalmente durante a alimentação.
TRATATAMENTO E PROGNÓSTICO
As opções de tratamento para dentes impactados incluem:
Observação continuada
Erupção ortodonticamente assistida
!
!
!
!
!
!
!
Fig. 2-35 Impacção primária dos dentes decíduos. O segundo 
molar decíduo direito mostra erupção retardada e aumento da ra-
diolucidez pericoronária. (Cortesia do Dr. G. Thomas Kluemper.)
74 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
Transplante
Remoção cirúrgica
A presença de infecção, lesões cariosas não restaurá-
veis, cistos, tumores ou destruição de dentes adjacentes e 
osso ordenam a exodontia. A remoção cirúrgica de dentes 
impactados é um procedimento mais realizado por cirur-
giões orais e maxilofaciais. A escolha do tratamento em 
casos assintomáticos é uma área de debate acirrado, e não 
há resolução óbvia e imediata. Os riscos associados à não 
intervenção incluem:
Apinhamento da dentição
Reabsorção e piora da condição periodontal dos den-
tes adjacentes (Fig. 2-37)
Desenvolvimento de condições patológicas, como in-
fecções, cistos e tumores
Os riscos da intervenção incluem:
Perda sensitiva permanente ou transitória
!
!
!
!
!
!
Alveolite
Trismo
Infecção
Fratura
Lesão da articulação temporomandibular (ATM)
Lesão periodontal
Lesão dos dentes adjacentes
Os padrões de referência dentária fornecem uma varie-
dade de perspectivas de diferentes profissionais de odonto-
logia. Muitos especialistas (cirurgiões orais e maxilofaciais, 
patologistas orais e maxilofaciais) veem uma grande por-
centagem de condições patológicas significativas associa-
das a dentes impactados comparados com a experiência 
de outros clínicos. Embora a doença esteja raramente asso-
ciada a dentes impactados em crianças e adultos jovens, 
muitos estudos documentaram um aumento da preva-
lência desse problema em décadas posteriores, portanto, 
qualquer estudo prospectivo significativo deve ser extenso, 
em vez de limitar-se a apenas poucos anos. Uma revisão de 
2.646 lesões pericoronárias submetidas a exames em um 
serviço de patologia oral revelou que 32,9% dos casos apre-
sentaram lesões patologicamente significativas, com forte 
relação entre a idade e a prevalência de lesão pericoroná-
ria. Nesta revisão de seis anos, havia seis carcinomas de 
células escamosas primárias oriundos de cistos dentígeros, 
além de numerosos ceratocistos odontogênicos e tumores 
odontogênicos. Por causa da frequente exposição a tão sig-
nificativas lesões periocoronárias, tais especialistas geral-
mente recomendam a exodontia do dente impactado.
O sequestro de erupção não requer tratamento, em geral 
sofre reabsorção espontânea ou esfoliação.
ANQUILOSE
A erupção continua após o aparecimento do dente para 
compensar o desgaste mastigatório e o crescimento dos os-
sos gnáticos. A interrupção da erupção após o seu começo 
é chamada anquilose e ocorre pela fusão do cemento ou 
dentina com o osso alveolar. Embora as áreas de união 
possam ser muito sutis para serem detectadas clínica e ra-
diograficamente, o exame histopatológico demonstra fusão 
entre o dente afetado e o osso adjacente em quase todos 
os casos. Outros termos na literatura para este processo 
incluem infraoclusão, retenção secundária, submer-
são, reimpactação e reinclusão. Retenção secundária é um 
temo aceitável, mas pode ser confundido com dentes primá-
rios retidos, que mantêm sua erupção. Submersão, reimpac-
tação e reinclusão têm conotação de uma depressão ativa, e 
não é este o caso.
A patogênese da anquilose é desconhecida e pode ser 
secundária a um de muitos fatores. Distúrbios advindos 
de alterações do metabolismo local, trauma, lesão, irrita-
ção química ou térmica, falha no desenvolvimento ósseo 
local e pressão anormal da língua foram sugeridos. O liga-
!
!
!
!
!
!
!
Fig. 2-36 Sequestro de erupção. O fragmento radiopaco de osso 
sobrejacente sequestrado pode ser visto no terceiro molar impac-
tado.
Fig. 2-37 Reabsorção de dentes por impacção. Impacção me-
sioangular do terceiro molar inferior direito, associada à reabsorção 
significativa da raiz distal de segundo molar. (Cortesia do Dr. Richard 
Brock.)
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 75
mento periodontal (LP) talvez atue como uma barreira 
que previne ligações dos osteoblastos diretamente com o 
cemento. A anquilose pode surgir de uma variedade de 
fatores que resultam da deficiência desta barreira natural. 
Tal perda pode surgir por trauma ou por lacuna do LP 
geneticamente diminuído. Outras teorias apontam para 
um distúrbio entre a reabsorção normal da raiz e a repa-
ração de tecido duro. Vários pesquisadores acreditam que 
uma predisposição genética tenha uma significativa influ-
ência e apontam para gêmeos monozigóticos que demons-
tram padrões notavelmente semelhantes de anquilose para 
confirmar suas hipóteses.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
A anquilose pode ocorrer em qualquer idade; entretanto, cli-
nicamente, é mais óbvia se a fusão desenvolver-se durante 
as duas primeiras décadas de vida. A maioria dos pacientes 
relatados com evidentes alterações na oclusão está entre 7 
e 18 anos de idade, com o pico de prevalência ocorrendo 
entre 8 e 9 anos. A prevalência de anquilose clinicamente 
detectável em crianças varia de 1,3% a 8,9%, e da ordem de 
44% nos irmãos dos afetados.
Ainda que qualquer dente possa ser atingido, os dentes 
mais comumente envolvidos, em ordem de frequência, são 
o primeiro molar inferior decíduo, segundo molar infe-
rior decíduo, primeiro molar superior decíduo e segundo 
molar superior decíduo. A anquilose em dentes perma-
nentes é incomum. Na dentição decídua, os dentes infe-
riores são 10 vezes mais afetados que os dentes superiores. 
O plano oclusal dos dentes envolvidos fica abaixo do da 
dentição adjacente (infraoclusão) em pacientes com histó-
rico de prévia oclusão completa (Fig. 2-38). Na percussão, 
pode ser notado um som mais grave quando mais do que 
20% da raiz está fusionada ao osso. Radiograficamente, 
pode ser observada ausência do espaço correspondente ao 
ligamento periodontal; entretanto, a área da fusão está fre-
quentemente na bifurcação e na superfície inter-radicular 
das raízes, fazendo com que seja muito difícil a detecção 
radiográfica (Fig. 2-39).
Dentes anquilosados que são deixados em posição 
podem levar a numerosos problemas dentários. Os dentes 
adjacentes quase sempre se inclinam em direção ao dente 
afetado, frequentemente com o desenvolvimento subse-
quente de problemas oclusais e periodontais. Além disso, o 
dente oposto apresenta extrusão. Às vezes, o dente anqui-
losado provoca uma deficiência localizada no rebordo 
alveolar ou impaccão do dente permanente subjacente. É 
observado, também, um aumento na frequência de mordi-das aberta e cruzada. 
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Por estarem fusionados ao osso adjacente, os dentes 
anquilosados não respondem às forças ortodônticas; com 
as tentativas de se mover o dente anquilosado, ocasional-
mente, se tem como resultado a intrusão do dente anco-
rado. A terapia recomendada para anquilose dos primeiros 
molares decíduos é variável e quase sempre determinada 
pela gravidade e época do processo. Quando um dente 
permanente sucessor está subjacente, a extração do molar 
anquilosado não deve ser realizada até que seja óbvio que 
a esfoliação não está ocorrendo normalmente, ou que as 
forças oclusais adversas estão atuando. Depois da extração 
do molar anquilosado, o dente permanente erupcionará 
normalmente, na maioria dos casos. Em dentes permanen-
tes ou decíduos sem sucessor subjacente, uma reconstru-
ção protética deve ser feita para aumentar a altura oclusal. 
Casos graves de molares decíduos são mais bem tratados 
com extração e mantenedores de espaço. A luxação de um 
dente permanente afetado pode ser tentada com fórceps, 
Fig. 2-38 Anquilose. Molar decíduo bem abaixo do plano oclusal 
dos dentes adjacentes.
Fig. 2-39 Anquilose. Radiografia de molar decíduo anquilosa-
do. Nota-se a perda do espaço correspondente ao ligamento perio-
dontal.
76 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
em um esforço para se interromper a anquilose. Espera-se 
que a reação inflamatória subsequente resulte na forma-
ção de novos ligamentos fibrosos na área de fusão prévia. 
Nestes casos, é obrigatória a reavaliação em seis meses. 
Ultimamente, vários relatos documentaram sucesso no 
reposicionamento de dentes permanentes anquilosados 
com uma combinação de ortodontia, osteotomia segmen-
tar e distração osteogênica.
Alterações Dentárias 
de Desenvolvimento
Numerosas alterações de desenvolvimento dos dentes 
podem ocorrer. O Quadro 2-5 delineia as principais alte-
rações relacionadas, e o texto seguinte descreve estas enti-
dades. Estas alterações podem ser primárias ou surgirem 
secundariamente a influências ambientais (p. ex., concres-
cência, hipercementose, dilaceração). Por conveniência, as 
formas primárias e ambientais serão discutidas em con-
junto.
ALTERAÇÕES DE DESENVOLVIMENTO 
NO NÚMERO DE DENTES
Variações no número de dentes em desenvolvimento são 
comuns. Diversos termos são úteis na discussão das varia-
ções numéricas dos dentes. Anodontia refere-se à total 
falta de desenvolvimento dentário. Hipodontia demons-
tra a falta de desenvolvimento de um ou mais dentes; oli-
godontia (uma subdivisão da hipodontia) indica a falta de 
desenvolvimento de seis ou mais dentes. Hiperdontia é 
o desenvolvimento de um número maior de dentes, e os 
dentes adicionais são chamados de supranumerários. 
Termos como anodontia parcial são incongruentes e devem 
ser evitados. Além disso, estes termos pertencem a dentes 
que falharam em seu desenvolvimento e não devem ser 
aplicados a dentes que passaram pelo desenvolvimento, 
mas estão impactados ou foram extraídos.
O fator genético parece exercer uma forte influência no 
desenvolvimento dos dentes. Numerosas síndromes here-
ditárias foram associadas tanto à hipodontia, como à hiper-
dontia (Quadros 2-6 e 2-7). Em todas estas síndromes, há 
um aumento da prevalência de hipodontia ou hiperdontia, 
mas o grau de associação varia. Além disso, a real contri-
buição genética para o aumento ou decréscimo do número 
de dentes pode ser pouco clara em algumas destas condi-
ções. Além dessas síndromes, um aumento da prevalência 
de hipodontia pode ser notado em pacientes não sindrômi-
cos com fenda labial (FL) ou fenda palatina (FP).
Influências genéticas ainda podem afetar não sindrô-
micos com relação ao fator numérico de alterações dos 
dentes, porque mais de 200 genes são conhecidos por de-
sempenhar um papel na odontogênese. Devido à comple-
xidade do sistema, variações no número de dentes surgem 
com ampla variedade de padrões. Uma grande porcenta-
gem dos casos primários de hipodontia apresenta-se por 
herança autossômica dominante, com penetrância incom-
pleta e expressividade variável; enquanto que minoria de 
exemplos presentes apresenta padrão recessivo ou ligado 
ao gênero. O meio ambiente exerce influência, com exem-
plos ocasionais sugerindo hereditariedade multifatorial. 
Muitos pesquisadores relataram variadas ocorrências de 
hipodontia em gêmeos monozigóticos (confirmado pelo 
perfil de DNA). Essa discordância pontual confirma a na-
tureza multifatorial do processo. Acima de tudo, a hipo-
dontia, mais provavelmente, representa uma variedade de 
distúrbios causados por fatores variáveis genéticos e epige-
néticos.
Os pesquisadores identificaram mutação genética em 
apenas uma pequena porcentagem de casos de hipodontia 
não relacionada com síndromes. Ainda que esta lista conti-
nue a se prolongar ao longo do tempo, os genes implicados 
neste momento incluem os genes PAX9, o MSX1, o AXIN2 
e a deficiência He-Zhao, que está relacionada com um 
gene desconhecido que mapeia o cromossomo 10q11.2. 
Embora a expressividade variável seja comum, a maioria 
Quadro 2-5
Alterações Dentárias do Desenvolvimento
NÚMERO
Hipodontia!
Hiperdontia!
TAMANHO
Microdontia!
Macrodontia!
FORMA
Geminação!
Fusão!
Concrescência!
Cúspides acessórias!
Dente invaginado!
Esmalte ectópico!
Taurodontia!
Hipercementose!
Raízes acessórias!
Dilaceração!
ESTRUTURA
Amelogênese imperfeita!
Dentinogênese imperfeita!
Displasia dentinária tipo I!
Displasia dentinária tipo II!
Odontodisplasia regional!
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 77
desses exemplos representa a oligodontia e numerosas au-
sências dentárias. Curiosamente, o gene afetado exibe cor-
relação com o padrão de ausência dentária. É importante 
ressaltar que estes genes estão envolvidos em apenas um 
número muito pequeno de pacientes acometidos com hi-
podontia, e as bases genéticas para a maioria dos casos de 
hipodontia permanece indefinida.
Menos informações estão disponíveis sobre a genética 
da hiperdontia; no entanto, na hiperdontia, quase todos 
os padrões de herança possível foram sugeridos. Em todas 
as probabilidades, muitos casos são multifatoriais e resul-
tam da combinação de influências genéticas e ambien-
tais. Apesar disso, estudos em grupos étnicos sugerem um 
padrão de herança autossômica dominante com penetrân-
cia incompleta, herança autossômica recessiva com menor 
penetrância no gênero feminino, e hereditariedade ligada 
ao cromossomo X. 
Alguns pesquisadores indicaram que a hipodontia é 
uma variante normal, sugerindo que os humanos estão em 
um estágio intermediário da evolução dentária. Uma pro-
posta de dentição futura é representada por um incisivo, 
um canino, um pré-molar e dois molares por quadrante. 
Por sua vez, outros sugeriram que a hiperdontia representa 
um atavismo, ou seja, o reaparecimento de uma condição 
ancestral. A hipótese anterior é difícil de ser aceita porque 
alguns pacientes apresentaram até quatro pré-molares por 
quadrante, uma situação que nunca foi relatada em outros 
mamíferos. A teoria mais aceita é a que a hiperdontia é 
resultado de uma hiperatividade localizada e indepen-
dente da lâmina dentária.
Em contrapartida, a hipodontia correlaciona-se com a 
ausência de lâmina dentária apropriada. Conforme discu-
tido, a perda de germes dentários em desenvolvimento, em 
muitos momentos, parece ser geneticamente controlada. 
Apesar disso, provavelmente o meio ambiente influencia 
o resultado final ou, em alguns casos, pode ser totalmente 
responsável pela falta de formação do dente. A lâmina 
dentária é muito sensível a estímulos externos, e danos 
antes da formação do dente podem resultar em hipodon-
tia. Trauma, infecção, radiação, quimioterápicos, distúr-
bios endócrinos e intrauterinos graves foram associados à 
ausência dos dentes.
Quadro 2-6
Síndromes Associadas à Hipodontia
Anquiloglossia superior!
Böök!
Ceratose palmoplantar, hipertricose, cistos das pálpebras!
Cockayne!
Coffin-Lowry!
Crânio-óculo-dental!
Crouzon!
Dente eunha!
Displasia ectodérmica!
Displasia ectodérmica, fenda labial, fenda palatina!
Down!
Displasia frontometafiseal!
Displasia otodental!
Ehlers-Danlos!
Ellis-van Creveld!
Freire-Maia!
Goldenhar!
Gorlin!
Gorlin-Chaudhry-Moss!
Hallermann-Streiff!
Hanhart!
Hipoplasia dérmica focal!
Hipoglossia-hipodactilia!
Hurer!
Incontinência pigmentar!
Johnson-Blizzard!
Marshall-White!
Melanoleucoderma!
Monilethrix-anodontia!
Oral-facial-digital, tipo I !
Progeria!
Proteinose lipoide!
Rieger!
Robinson!
Rothmund-Thomson!
Sturge-Weber!
Turner!
Quadro 2-7
Síndromes Associadas à Hiperdontia
Apert!
Ângio-ósteo-hipertrofia!
Displasia cleidocraniana!
Displasia craniometafiseal!
Crouzon!
Curtius!
Down!
Ehlers-Danlos!
Ellis-van Creveld!
Fabry-Anderson!
Fucosidose!
Gardner!
Hallermann-Streiff!
Incontinência pigmentar!
Klippel-Trénaunay-Weber!
Laband!
Leopard!
Nance-Horan!
Oral-facial-digital, tipos I e III!
Sturge-Weber!
Trico-rino-falangeana!
78 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
HIPODONTIA
A falha na formação de dentes é uma das anomalias de 
desenvolvimento dentário mais comuns, com a preva-
lência variando de 1,6% a 9,6% em dentes permanentes, 
quando a ausência dos terceiros molares é excluída. A pre-
valência aumenta para 20% se os terceiros molares forem 
considerados. A predominância em mulheres é de aproxi-
madamente 1,5:1. A anodontia é rara e, em muitos casos, 
ocorre na presença hereditária da displasia ectodérmica 
hipoidrótica (Capítulo 16). De fato, quando o número 
de ausências dentárias é alto ou envolve os dentes mais 
estáveis (p. ex., incisivos centrais superiores, primeiros 
molares), o paciente deve ser avaliado para diagnóstico 
quanto à displasia ectodérmica. A hipodontia é incomum 
na dentição decídua, com prevalência que varia de 0,5% a 
0,9% e, quando presente, envolve mais os incisivos laterais. 
A ausência de um dente decíduo está fortemente associada 
a uma prevalência de ausência do sucessor. A falta de um 
dente na dentição permanente não é rara, sendo os tercei-
ros molares os mais afetados. Depois dos terceiros molares, 
os segundos pré-molares e os incisivos laterais são os mais 
afetados (Fig. 2-40). A hipodontia é positivamente asso-
ciada à microdontia (Capítulo 2), com a redução do desen-
volvimento alveolar, ao aumento do espaço interproximal 
e à retenção de dentes decíduos (Fig. 2-41). Em pacientes 
da raça branca que apresentam ausências dentárias, apro-
ximadamente 80% dos casos demonstram apenas ausência 
de um ou dois dentes.
A mutação do gene PAX9 cria um padrão de oligodontia 
autossômica dominante, que pode envolver vários dentes, 
mas costuma afetar a maioria dos molares permanentes. 
Em casos graves, a perda dos primeiros molares, segundo 
pré-molares e incisivos centrais inferiores permanentes 
também pode ser vista. A mutação do gene MSX1 também 
é herdada como traço autossômico dominante. As pessoas 
afetadas com esta mutação tendem a demonstrar a perda 
do último dente de cada série; sendo que os pacientes mais 
gravemente afetados também apresentam progressão ante-
rior da agenesia. Nesses pacientes, os dentes mais ausen-
tes são os segundos pré-molares e os terceiros molares. Em 
casos mais graves, muitas vezes os primeiros pré-molares 
superiores e os incisivos laterais superiores também estão 
ausentes. Com a mutação do MSX1, o grau de oligodon-
tia é grave, com média de cerca de 12 dentes ausentes por 
paciente. A deficiência de He-Zhao surgiu em um grande 
grupo de familiares no noroeste da China e incluiu um 
padrão altamente variável de dentes ausentes, que ocorre 
apenas na dentição permanente. Os dentes ausentes 
podem afetar toda a dentição, mas essa condição envolve 
mais os terceiros molares, segundo pré-molares e incisivos 
laterais superiores.
Para cirurgiões-dentistas e seus pacientes, a descoberta 
mais fundamental relacionada com a hipodontia envolve 
a mutação do gene AXIN2. Esse padrão de oligodontia 
é herdado como uma doença autossômica dominante e 
envolve mais a ausência do segundo e do terceiro molares, 
Fig. 2-40 Hipodontia. Falta de desenvolvimento dos incisivos la-
terais superiores. As radiografias não revelaram dentes subjacentes 
e não havia histórico de trauma ou extração.
Fig. 2-41 Hipodontia. A, Ausências múltiplas de desenvolvimento 
de dentes permanentes e diversos dentes decíduos retidos em mu-
lher adulta. B, A radiografia panorâmica não exibe dentes inclusos 
nos ossos gnáticos.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 79
segundos pré-molares, incisivos inferiores e incisivos late-
rais superiores. Os incisivos centrais superiores sempre 
estão presentes e, habitualmente, acompanhados pelos 
caninos, primeiros pré-molares e primeiros molares. No 
entanto, o número e o tipo de dentes ausentes são alta-
mente variáveis, um achado típico das oligodontias here-
ditárias. Embora a ausência dos dentes possa produzir 
um problema oral significativo, a presença da mutação do 
AXIN2, nesse grupo de afins, foi associada ao desenvolvi-
mento de pólipos adenomatosos do cólon e do carcinoma 
cólon-retal. Isto sugere que os pacientes com casos seme-
lhantes de oligodontia devem ser questionados quanto a 
seu histórico familiar de câncer de cólon, com avaliação 
médica recomendada para aqueles possivelmente em 
risco.
Mesmo em familiares, o padrão herdado de hipodontia 
ou oligodontia, na maioria dos casos, corresponde a genes 
ainda não descobertos. A mais comum forma de herança 
da hipodontia é o padrão autossômico dominante, no qual 
o número médio de dentes envolvidos é pouco maior que 
dois. Excluindo os terceiros molares, os mais afetados, 
nesses casos, são o segundo pré-molar inferior, segundo 
pré-molar superior, incisivo lateral superior e incisivo 
central inferior.
HIPERDONTIA
A prevalência de supranumerários permanentes em 
brancos está entre 0,1% e 3,8%; com uma taxa ligeiramente 
mais elevada em populações asiáticas. A frequência na 
dentição decídua é muito mais baixa e varia de 0,3% a 
0,8%. Aproximadamente entre 76% a 86% de casos apre-
sentam hiperdontia de um único dente, com dois dentes 
supranumerários presentes em 12% a 23% e três ou mais 
supranumerários vistos em menos de 1% dos casos. A 
hiperdontia unitária ocorre mais na dentição permanente 
e cerca de 95% dos casos na maxila, com forte predileção 
pela região anterior. A região mais comum é a região dos 
incisivos superiores, seguida pelos molares superiores e os 
molares inferiores, pré-molares, caninos e incisivos laterais 
(Fig. 2-42). Incisivos inferiores supranumerários são muito 
raros. Ainda que os dentes supranumerários possam ser 
bilaterais, a maioria ocorre unilateralmente (Figs. 2-43 
e 2-44). Em contrapartida com a hiperdontia unitária, 
supranumerários múltiplos com origem não sindrômica 
ocorrem mais na mandíbula. Estes dentes supranume-
rários múltiplos ocorrem mais na região de pré-molar, 
seguida pelas regiões de molar e região anterior, respecti-
vamente (Fig. 2-45).
Ainda que a maioria de dentes supranumerários ocorra 
em ossos gnáticos, foram descritos exemplos na gengiva, 
tuberosidade maxilar, palato mole, seios maxilares, fissura 
esfenomaxilar, cavidade nasal e entre a órbita e o cérebro. 
A erupção de dentes acessórios é variável e depende do 
espaço disponível; 75% dos dentes supranumerários na 
Fig. 2-42 Hiperdontia (mesiodente). Dente rudimentar supranu-
merário erupcionado na região anterior de maxila.
Fig. 2-43 Hiperdontia (mesiodente). Dente supranumerário na 
região anterior da maxila, que alterou o curso da erupção do incisivo 
central permanente superior direito.
Fig. 2-44 Hiperdontia (mesiodente). Dentes supranumerários 
bilaterais invertidos na região da maxila.
80 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
região anterior da maxila não irrompem. Ao contrário da 
hipodontia, a hiperdontia é positivamente relacionada 
com a macrodontia (Capítulo 2) e demonstra uma predo-
minância masculina de 2:1. Embora possam ser identifica-
dos exemplos em adultosmais velhos, a maioria dos dentes 
supranumerários desenvolve-se durante as primeiras duas 
décadas de vida.
Vários termos têm sido utilizados para descrever dentes 
supranumerários dependendo da sua localização. Um 
dente supranumerário na região de incisivos superiores é 
chamado mesiodente (Fig. 2-42); um quarto molar aces-
sório é frequentemente chamado distomolar ou disto-
dente. Um dente posterior supranumerário situado lingual 
ou vestibularmente a um molar é chamado de paramolar 
(Fig. 2-46).
Os supranumerários são divididos em tipos: suple-
mentar (tamanho e forma normais) e rudimentar (forma 
anormal e tamanho menor). Os dentes supranumerários 
rudimentares são classificados, ainda, em conoides (peque-
nos, cônicos), tuberculados (anterior, em forma de barril 
com mais de uma cúspide) e molariformes (semelhante 
a pré-molares ou a molares). Apesar de alguns odontomas 
serem considerados hamartomas e poderem ser colocados 
dentro desta classificação, essas lesões são tradicional-
mente incluídas na lista de tumores odontogênicos e serão 
discutidas no Capítulo 15. O mesiodente conoide repre-
senta um dos dentes supranumerários mais comuns e pode 
irromper espontaneamente, enquanto que os tuberculados 
são menos frequentes e de erupção rara.
Ocasionalmente, o dente normal pode irromper em uma 
posição inapropriada (p. ex., o canino presente entre os pré-
molares). Esse padrão anormal de erupção é chamado de 
transposição dentária. Tais dentes malposicionados têm 
sido confundidos com dentes supranumerários; mas, na 
realidade, em pacientes que exibem a transposição dentá-
ria, foi relatado um aumento da prevalência de hipodontia, 
e não da hiperdontia. Os dentes envolvidos mais frequen-
temente na transposição são os caninos superiores e os pri-
meiros pré-molares. O apinhamento ou a má oclusão destes 
dentes normais podem indicar a necessidade de reconstru-
ção anatômica, tratamento ortodôntico ou extração.
Dentes acessórios podem estar presentes no momento 
do nascimento ou logo após. Historicamente, dentes pre-
sentes ao nascimento em recém-nascidos têm sido cha-
mados de dentes natais e aqueles que surgem dentro dos 
primeiros 30 dias têm sido chamados de dentes neona-
tais. Essa é uma distinção artificial, e parece apropriado 
chamar todos estes dentes de dentes natais (Fig. 2-47). 
Embora alguns autores tenham sugerido que estes dentes 
podem representar dentes pré-decíduos supranumerários, 
a maioria é de dentes decíduos erupcionados prematu-
ramente (e não supranumerários). Quase 85% dos dentes 
natais são incisivos inferiores, 11% são incisivos superiores 
e 4% são dentes posteriores.
Fig. 2-45 Hiperdontia. Região inferior direita exibindo quatro pré-
molares erupcionados.
Fig. 2-46 Paramolar. A, Dente rudimentar situado palatinamente a um molar em paciente que também apresenta hipodontia. B, Na ra-
diografia do mesmo paciente, observa-se o dente completamente formado, sobrejacente à coroa do molar.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 81
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
As sequelas associadas à hipodontia incluem alteração 
do espaço entre os dentes, retardo na formação dentária, 
retardo na esfoliação de dentes decíduos, erupção tardia 
dos dentes permanentes e dimensão alterada das regiões 
gnáticas associadas. O controle do paciente com hipodon-
tia depende da gravidade do caso. Nem sempre há neces-
sidade de tratamento para a ausência de um único dente; 
a restauração protética é geralmente necessária quando 
há múltiplos dentes ausentes. As opções de tratamento 
incluem próteses fixas tradicionais, pontes em resina ou 
implantes osteointegrados com associação de coroas pro-
téticas. O uso de próteses fixas tradicionais, normalmente, 
não é recomendado para crianças devido ao risco de 
exposição da polpa durante o preparo, e porque o cresci-
mento ósseo futuro pode levar a infraoclusão e anquilose 
dos dentes retidos em conjunto pela prótese. Da mesma 
forma, como os implantes agem mais como dentes anqui-
losados do que como dentes em erupção, seu uso não é 
recomendado antes do completo crescimento ósseo, exceto 
em casos de pacientes com anodontia. Por estas razões, 
um dispositivo removível ou uma ponte em resina muitas 
vezes é adequado em crianças e adultos jovens, enquanto 
aguarda-se a completa maturação dentária e esquelética.
Em muitos casos de hipodontia, o tratamento ortodôn-
tico poderá melhorar ou mesmo evitar a necessidade de 
tratamento restaurador em pacientes selecionados. Pacien-
tes com oligodontia exibem um aumento da prevalência 
de reabsorção radicular externa associada à ortodontia. 
Isto pode ser devido às alterações na anatomia da raiz ou 
a extensa movimentação dentária que é exigida em alguns 
pacientes. O acompanhamento radiográfico é recomen-
dado depois de 6 a 9 meses de terapia, para avaliar a morfo-
logia radicular quanto à evidência de reabsorção excessiva.
Quando há uma significativa demora na erupção dos 
dentes de determinada região da arcada, deve-se investi-
gar a presença de supranumerários. Devido à diminuição 
da visibilidade na porção anterior da radiografia panorâ-
mica, essas imagens devem ser combinadas com radiogra-
fias oclusais e periapicais, para visualização completa da 
área. Além do mais, dentes supranumerários podem desen-
volver-se muito depois da erupção da dentição perma-
nente. Diversas publicações documentaram supranumerá-
rios na região de pré-molares surgindo até 11 anos depois 
do desenvolvimento completo dos dentes. Logo, justifica-se 
o monitoramento a longo prazo em pacientes previamente 
diagnosticados com dentes supranumerários ou naqueles 
predispostos geneticamente.
O diagnóstico e o tratamento precoces em geral são cru-
ciais para minimizar os problemas estéticos e funcionais 
dos dentes adjacentes. Pelo fato de apenas 7% a 20% dos 
dentes supranumerários não apresentarem complicações 
clínicas, a rotina de tratamento é a remoção dos dentes 
acessórios o mais cedo possível, ainda na dentição mista. 
As complicações criadas por supranumerários anteriores 
tendem a ser mais significativas que as associadas a dentes 
extras em regiões posteriores. Relatos documentaram 
erupção espontânea de dentição normal em 75% dos casos 
quando o supranumerário é removido precocemente. Após 
a remoção do dente supranumerário, a erupção ocorre 
caracteristicamente no período entre 18 meses a 3 anos. 
Os dentes permanentes impactados com ápices fecha-
dos ou aqueles associados a um mesiodente tuberculado 
mostram uma tendência reduzida de erupção espontânea. 
Os dentes permanentes que não conseguem entrar em 
erupção são mais bem tratados por exposição cirúrgica 
com erupção ortodôntica. A remoção de dentes decíduos 
não erupcionados não é recomendada, porque a maioria 
erupciona espontaneamente.
Uma consequência do tratamento tardio pode incluir 
a erupção retardada, reabsorção dos dentes adjacentes, 
deslocamento dentário com apinhamento associado, dila-
ceração, má oclusão, formação de diastemas ou erupção 
para a cavidade nasal. Dentes supranumerários também 
predispõem a área para pericoronarite subaguda, gengi-
vite, formação de abscessos e o desenvolvimento de cistos 
e tumores odontogênicos. Em casos selecionados, o julga-
mento clínico pode não indicar a remoção cirúrgica, ou 
pode ocorrer resistência do paciente ao tratamento. Nesses 
casos, o acompanhamento regular é adequado.
Os dentes natais devem ser manipulados individual-
mente, com um julgamento clínico sensato guiando o 
tratamento apropriado. Como foram relatados, os dentes 
erupcionados representam, em muitos casos, a dentição 
decídua, e a sua remoção não deve ser realizada apressa-
damente. A remoção cirúrgica destes dentes é indicada 
quando existe risco de aspiração devido à mobilidade. Se a 
mobilidade não é um problema e os dentes estão estáveis, 
eles devem ser conservados. Ulcerações traumáticas dos 
tecidos moles adjacentes (doença de Riga-Fede) (Capí-
tulo 8) podem ocorrer durante a amamentação, mas geral-
mente podem ser resolvidas commedidas apropriadas.
Fig. 2-47 Dente natal. Incisivos centrais inferiores que estavam 
erupcionados ao nascimento.
82 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
ALTERAÇÕES DO DESENVOLVIMENTO 
REFERENTES AO TAMANHO DOS DENTES
O tamanho dos dentes é variável entre as diferentes raças 
e entre gêneros. A presença de dentes excepcionalmente 
pequenos é chamada de microdontia e a presença de 
dentes maiores que a média é chamada macrodontia. 
Embora a hereditariedade seja o principal fator, as influên-
cias genéticas e ambientais afetam o tamanho dos dentes 
em desenvolvimento. A dentição decídua parece ser mais 
afetada por influências intrauterinas maternas, já os dentes 
permanentes parecem ser mais influenciados pelo meio 
ambiente.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Embora o tamanho dos dentes seja variável, comumente 
há simetria entre os dois lados das arcadas. Apesar disso, 
quando há presença de significativa variação, a dentição 
como um todo raramente é afetada. Em geral, apenas 
poucos dentes são modificados significativamente em 
tamanho. Diferenças no tamanho do dente não podem 
ser consideradas isoladamente. A microdontia está forte-
mente associada à hipodontia (ver texto), já a macrodon-
tia muitas vezes é vista em associação à hiperdontia (ver 
texto). Mulheres demonstram uma frequência maior de 
microdontia e hipodontia, já os homens têm maior preva-
lência de macrodontia e hiperdontia.
MICRODONTIA
O termo microdontia deveria ser usado apenas quando os 
dentes fossem fisicamente menores que o comum. Dentes 
com o tamanho normal podem parecer menores quando 
amplamente espaçados em arcada que são maiores que o 
normal. Esta aparência tem sido historicamente chamada 
de microdontia relativa, mas ela representa macrogna-
tia (não microdontia). A verdadeira microdontia difusa é 
incomum, mas pode ocorrer como uma descoberta isolada 
na síndrome de Down, no nanismo hipofisário, e em asso-
ciação a um número pequeno de distúrbios hereditários 
raros que apresentam múltiplas anormalidades da denti-
ção (Fig. 2-48).
A microdontia isolada em uma dentição normal é 
comum. O incisivo lateral superior é mais afetado e, em 
geral, aparece como uma coroa conoide sobre uma raiz 
que normalmente é de comprimento normal (Fig. 2-49). O 
diâmetro mesiodistal é reduzido, e as superfícies proximais 
convergem para a margem incisal. A prevalência relatada 
varia de 0,8% a 8,4% da população, e a alteração parece ser 
autossômica dominante com penetração incompleta. Além 
disso, a microdontia isolada geralmente afeta os terceiros 
molares. Um fato curioso é que os incisivos laterais supe-
riores e os terceiros molares estão entre os dentes que, com 
maior frequência, estão ausentes congenitamente. Quando 
um dente conoide está presente, os dentes permanentes 
remanescentes geralmente apresentam uma leve diminui-
ção da dimensão mesiodistal.
MACRODONTIA
Análogo à microdontia, o termo macrodontia (megalo-
dontia, megadontia) deve ser usado apenas quando os 
dentes são fisicamente maiores que o normal e não deve 
incluir dentes com dimensão de coroa normal, porém api-
nhados em uma arcada pequena (anteriormente chamada 
de macrodontia relativa). Além disso, o termo macrodon-
tia não deve ser usado para descrever dentes que tenham 
sido alterados por fusão ou geminação. A participação do 
meio ambiente é rara, e caracteristicamente apenas poucos 
dentes são anormalmente grandes. A macrodontia difusa 
tem sido vista em associação a gigantismo hipofisário (Capí-
tulo 17), síndrome otodental, homens XYY e hiperplasia 
pineal com hiperinsulinismo. A macrodontia com erupção 
unilateral prematura não é rara nos casos de hiperplasia 
hemifacial (Capítulo 1). Autores têm postulado que o cres-
cimento ósseo unilateral resultante desta condição pode, 
também, afetar o desenvolvimento dos dentes do lado 
Fig. 2-48 Microdontia difusa. Dentes menores que o normal e 
largamente espaçados nos arcos dentários.
Fig. 2-49 Microdontia isolada (lateral conoide). Incisivo lateral 
superior direito microdente conoide.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 83
atingido. A macrodontia isolada ocorre mais em incisivos 
ou caninos, mas também pode ser observada em segundos 
pré-molares e terceiros molares. Em tais situações, a altera-
ção ocorre frequentemente de modo bilateral.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O tratamento não é necessário, a menos que desejado 
por razões estéticas. Incisivos laterais superiores conoides 
podem ser restaurados com coroas de porcelana. 
ALTERAÇÕES DE DESENVOLVIMENTO 
REFERENTES À FORMA DOS DENTES
GEMINAÇÃO, FUSÃO E CONCRESCÊNCIA
Os dentes duplos (dentes colados, dentes associados) são 
dois dentes separados que exibem união pela dentina e 
(talvez) por suas polpas. A união pode ser resultado da fusão 
de dois germes dentários adjacentes ou da divisão parcial 
de um em dois. O desenvolvimento de dentes grandes 
isolados ou unidos (duplos) não é raro, mas a literatura é 
confusa quando a terminologia apropriada é apresentada. 
Historicamente, a geminação foi definida como uma tenta-
tiva de um único germe dentário dividir-se, com a resultante 
formação de um dente com coroa chanfrada e, geralmente, 
uma raiz e um canal radicular em comum. Inversamente, 
a fusão foi considerada a união de dois germes dentários 
normalmente separados, com a resultante formação de 
um dente unido com confluência de dentina. Finalmente, 
se definia concrescência como a união de dois dentes pelo 
cemento em comum sem confluência da dentina.
Muitos pesquisadores têm considerado estas definições 
confusas, e abriu-se o debate. Um dente duplo encontrado 
no lugar de um incisivo central superior permanente é um 
bom exemplo da controvérsia. Se o dente unificado é con-
siderado como um e a quantidade de dentes está correta, 
a anomalia poderia ser resultado da divisão de um único 
germe dentário ou da fusão de um germe dentário perma-
nente com o germe de um mesiodente adjacente. Alguns 
têm sugerido que os termos geminação, fusão e concrescên-
cia deveriam ser desconsiderados, e todas essas anoma-
lias deveriam ser chamadas gemelaridade. Isto também é 
confuso porque outros investigadores usam gemelaridade 
para referir o desenvolvimento de dois dentes separados 
que surgem da completa separação de um único germe 
dental (isto também é discutível).
Devido a esta confusão na terminologia, o uso do termo 
gemelaridade não pode ser recomendado; dentes extras são 
chamados supranumerários e outro nome não é neces-
sário. Mesmo que a exata patogênese possa ser questio-
nada em alguns casos (se causada por fusão de germes 
adjacentes ou por divisão parcial de um germe), os termos 
geminação, fusão e concrescência servem a um propósito útil 
porque eles são os mais descritivos da apresentação clínica. 
A geminação é definida como um único dente aumentado 
ou unido (duplo) no qual a contagem dentária é normal 
quando o dente anômalo é considerado como um. A fusão 
é definida como o aumento de um único dente ou dente 
unido (duplo), no qual a contagem dentária revela a falta 
de um dente quando o dente anômalo é contado como um. 
Concrescência é a união de dois dentes adjacentes apenas 
por cemento sem confluência da dentina subjacente. Dife-
rentemente da fusão e da geminação, a concrescência 
pode ser resultado do desenvolvimento ou ser pós-infla-
matória. Quando dois dentes desenvolvem-se em grande 
proximidade, é possível o desenvolvimento unificado pelo 
cemento. Além disso, áreas de dano inflamatório às raízes 
dos dentes são reparadas pelo cemento, uma vez que o pro-
cesso incitante cesse. A concrescência de dentes adjacentes 
pode surgir em dentes inicialmente separados nos quais a 
deposição de cemento estende-se entre duas raízes muito 
próximas, em uma área previamente lesionada.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
GEMINAÇÃO E FUSÃO
Dentes duplos (geminação e fusão) ocorrem nas denti-
ções decíduas e permanentes, com maior frequência nas 
regiões anterior e superior (Figs. 2-50 a 2-54). Na denti-
ção permanente, a prevalência de dentes duplosparece ser 
de aproximadamente 0,3% a 0,5%, enquanto a frequência 
na dentição decídua é maior, variando de 0,5% e 2,5%. Na 
população asiática, observa-se uma ocorrência superior a 
5% em alguns estudos. Em ambas as dentições, incisivos e 
caninos são mais comumente acometidos. O envolvimento 
de dentes posteriores decíduos, pré-molares e molares 
permanentes também pode ocorrer. A geminação é muito 
Fig. 2-50 Geminação bilateral. Dois dentes duplos. A contagem 
de dentes é normal quando cada dente anômalo é contado como 
um.
84 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
mais comum na maxila, enquanto que a fusão ocorre com 
maior frequência na mandíbula. Casos bilaterais são inco-
muns (Fig. 2-55).
A geminação e a fusão apresentam-se semelhantes e 
podem ser diferenciadas pela determinação do número de 
dentes. Alguns autores têm sugerido que a geminação apre-
senta um único canal radicular. Canais separados estão pre-
sentes na fusão, mas isto não ocorre em todos os casos (Fig. 
2-56). Uma variedade de apresentações é notada tanto na 
fusão quanto na geminação. Por sua vez, o processo pode 
resultar em um dente anatomicamente correto, porém bas-
tante aumentado. Pode ser encontrada uma coroa bífida 
sobrejacente a duas raízes completamente separadas, ou 
coroas unidas podem fundir-se em uma raiz aumentada e 
com um único canal.
CONCRESCÊNCIA
Concrescência é a união, pelo cemento, de dois dentes 
formados, ligados ao longo das superfícies radiculares. O 
processo é visto mais nas regiões posteriores e superiores. 
O padrão de desenvolvimento em geral envolve um se-
gundo molar cujas raízes apresentam-se intimamente pró-
ximas do terceiro molar adjacente impactado (Fig. 2-57). 
O quadro pós-inflamatório envolve molares cariados nos 
quais os ápices recobrem as raízes de terceiros molares an-
gulados distal ou horizontalmente. Este quadro posterior 
Fig. 2-51 Geminação. Pré-molar inferior exibindo coroa bífida.
Fig. 2-52 Geminação. O mesmo paciente descrito na Fig. 2-51. 
Observe a coroa bífida e o canal radicular compartilhado.
Fig. 2-53 Fusão. Dente duplo no lugar do incisivo lateral inferior 
e do canino.
Fig. 2-54 Fusão. Vista radiográfica de dente duplo na região dos 
incisivos lateral e central. Notam-se os canais radiculares separa-
dos.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 85
surge com mais frequência em um dente cariado que exibe 
grande perda coronária. A grande exposição pulpar resul-
tante permite a drenagem pulpar levando à resolução de 
uma parte da lesão intraóssea. Ocorre, então, a reparação 
do cemento (Figs. 2-58 e 2-59).
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
A presença de dente duplo (geminação ou fusão) na denti-
ção decídua pode resultar em apinhamento, espaçamento 
anormal e erupção ectópica ou retardada dos dentes per-
manentes subjacentes. Quando detectada, a progressão 
da erupção dos dentes permanentes deve ser monitorada 
de perto, por cuidadosa observação clínica e radiográfica. 
Quando indicada, a extração pode ser necessária para pre-
venir uma anormalidade na erupção. Ocasionalmente, a 
fusão na dentição decídua está associada à ausência do 
sucessor permanente subjacente.
Várias abordagens são possíveis para o tratamento de 
dentes unidos na dentição permanente, e o tratamento de 
escolha é determinado pelas necessidades particulares de 
cada paciente. São raros os casos documentados de divisão 
cirúrgica bem-sucedida. Na maioria dos casos de divisão ci-
rúrgica, foi realizado tratamento endodôntico. A reconstru-
ção da forma, independente da colocação de coroas totais, 
é realizada em muitos casos. Outros pacientes apresentam 
características anatômicas pulpares ou coronárias que con-
traindicam a reconstrução e requerem remoção cirúrgica 
com reposição protética. Dentes duplos frequentemente 
apresentam sulcos pronunciados nas faces vestibular ou 
lingual tornando-os mais propensos ao desenvolvimento de 
cáries. Em tais casos, o selamento dos sulcos e das fissuras 
ou a restauração com compósito é apropriado para a con-
servação dos dentes.
Pacientes com concrescência geralmente não necessi-
tam de tratamento, a menos que a união interfira na erup-
ção; neste caso, a remoção cirúrgica pode ser justificada. A 
concrescência pós-inflamatória deve ser observada sempre 
que for planejada a exodontia para dentes desvitalizados 
com ápices que encobrem as raízes dos dentes adjacentes. 
Podem ocorrer situações de extrações significativamente 
difíceis na tentativa de remoção de dentes que estão for-
temente ligados ao dente próximo. A separação cirúrgica 
das raízes geralmente é necessária para completar o proce-
dimento sem perda de significativa porção de osso circun-
dante.
Fig. 2-55 Fusão. Dentes duplos bilaterais no lugar de incisivos 
laterais e caninos inferiores.
Fig. 2-56 Fusão. Radiografia do mesmo paciente descrito na Fig. 
2-55. Note a coroa bífida sobrejacente a um único canal radicular; a 
radiografia contralateral revelou um quadro semelhante.
Fig. 2-57 Concrescência. União pelo cemento de molares supe-
riores adjacentes.
86 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
CÚSPIDES ACESSÓRIAS
A morfologia das cúspides dentárias mostra variações 
menores entre diferentes populações; destas, três modelos 
diferentes merecem discussão adicional: (1) cúspide 
de Carabelli (tubérculo de Carabelli ou tubérculo 
anômalo), (2) cúspide em garra e (3) dente evaginado. 
Quando uma cúspide acessória está presente, geralmente 
o outro dente permanente apresenta um ligeiro aumento 
em seu tamanho.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
CÚSPIDE DE CARABELLI
A cúspide de Carabelli é uma cúspide acessória locali-
zada na superfície palatina da cúspide mesiolingual de um 
molar superior (Fig. 2-60). Tal cúspide pode ser vista nos 
dentes decíduos e permanentes e varia de uma cúspide 
definida a uma fóssula ou fissura pequena e recortada. 
Quando presente, a cúspide é mais pronunciada no pri-
meiro molar e é menos volumosa nos segundos e terceiros 
molares. Quando uma cúspide de Carabelli está presente, 
os dentes permanentes, muitas vezes, são maiores mesiodis-
talmente que o normal, mas uma associação semelhante 
em tamanho nos dentes decíduos não é observada carac-
teristicamente. Há uma variação significativa entre popu-
lações diferentes, com prevalência relatada tão alta quanto 
90% em brancos, sendo rara em asiáticos. Eventualmente, 
uma cúspide acessória análoga é observada na cúspide 
mesiovestibular de molares inferiores decíduos ou perma-
nentes, denominada protoestílide.
CÚSPIDE EM GARRA
Uma cúspide em garra é uma cúspide adicional bem-deli-
mitada localizada na superfície lingual de um dente ante-
rior e que se estende pelo menos da metade da distância da 
junção cemento-esmalte para a margem incisal. A cúspide 
em garra representa a continuação ou a extensão de um cín-
gulo normal, um cíngulo aumentado, uma pequena cúspide 
acessória, ou, finalmente, a formação completa da cúspide 
em garra. Pesquisadores confundem a literatura referente a 
este assunto, categorizando todo cíngulo aumentado como 
cúspides em garra e desenvolveram um sistema de classifi-
cação para o grau de aumento dos cíngulos. Esse sistema de 
classificação dificulta a avaliação da prevalência de casos e 
não deve ser utilizado.
Três quartos de todas as cúspides em garra relatadas são 
localizadas na dentição permanente. As cúspides ocorrem 
Fig. 2-58 Concrescência. União pelo cemento dos segundos e ter-
ceiros molares superiores. Note a grande cárie no segundo molar.
Fig. 2-60 Cúspide de Carabelli. Cúspide acessória na superfície 
mesiolingual do primeiro molar superior.
Fig. 2-59 Concrescência. Fotografia macroscópica dos mesmos 
dentes descritos na Fig. 2-58. O exame histopatológico revelou que 
a união ocorrida na área de reparo do cemento foi previamente atin-
gida por uma lesão inflamatória periapical.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 87
predominantemente nos incisivos laterais superiores per-
manentes (55%) e incisivos centrais (33%), mas têm sido 
vistas com menor frequênciaem incisivos inferiores (6%) 
e caninos superiores (4%) (Fig. 2-61). Sua ocorrência na 
dentição decídua é muito rara, com a maioria ocorrendo 
nos incisivos centrais superiores. Em quase todos os casos, 
a cúspide acessória é projetada da superfície lingual dos 
dentes afetados e forma um aspecto de tridente que lembra 
uma garra de águia. Em raras ocasiões, a cúspide pode pro-
jetar-se da face vestibular ou das duas superfícies de um 
único dente. Um profundo sulco de desenvolvimento pode 
estar presente onde a cúspide funde-se com a superfície 
subjacente do dente afetado. A maioria das cúspides em 
garra, mas não todas, contém uma extensão pulpar. Radio-
graficamente, a cúspide é vista cobrindo a porção central 
da coroa e inclui esmalte e dentina (Fig. 2-62). Apenas 
poucos casos apresentam extensões pulpares visíveis em 
radiografias dentárias.
Não foram realizadas pesquisas extensas sobre a pre-
valência, mas as estimativas sugerem que a frequência 
das cúspides em garra na população seja menor que 1% 
a 8%. Variações dentro de diferentes grupos populacionais 
fazem com que seja difícil um cálculo definitivo. O pro-
cesso ocorre com maior frequência nos asiáticos, nativos 
americanos, esquimós e em descendentes árabes. Ambos 
os gêneros podem ser afetados, e a ocorrência pode ser 
unilateral ou bilateral. A cúspide acessória tem sido asso-
ciada a outras anomalias dentárias (p. ex., dentes supranu-
merários, odontomas, dentes impactados, incisivos laterais 
conoides, dente invaginado e dente evaginado posterior).
Em casos isolados, influências genéticas parecem ter 
efeito, porque cúspides em garra têm sido documentadas 
em gêmeos. A cúspide em garra tem sido encontrada em 
pacientes com síndromes de Rubinstein-Taybi, de Mohr, de 
Ellis-van Creveld, incontinência pigmentar acromiante e 
na angiomatose de Sturge-Weber. Embora exista uma forte 
associação da presença da cúspide em garra com essas 
síndromes, geralmente ela não está clara. Em um estudo 
com 45 indivíduos afetados, demonstrou-se forte correla-
ção com a síndrome de Rubinstein-Taybi, dos quais 92% 
apresentaram cúspides em garra. Outras características 
clínicas desta síndrome incluem retardo mental e retardo 
do crescimento, polegares largos, dedos dos pés grandes, e 
um número de outras alterações clínicas orodentais (lábio 
superior fino, retrognatia, micrognatia, palato ogival, fenda 
palatina submucosa e, mais raramente, fenda palatina). 
DENTE EVAGINADO
O dente evaginado (tubérculo central, cúspide tubercular, 
tubérculo acessório, pérola oclusal, odontoma evaginado, 
pré-molar de Leong, pré-molar tubercular) é uma eleva-
ção semelhante a uma cúspide de esmalte localizada no 
sulco central ou na crista lingual da cúspide vestibular de 
pré-molares ou de molares (Fig. 2-63). Apesar de este qua-
dro de cúspides acessórias ter sido relatado em molares, o 
dente evaginado ocorre caracteristicamente em pré-mola-
res, sendo comumente bilateral e demonstrando marcada 
predominância pela arcada inferior. Molares decíduos são 
raramente afetados. A cúspide acessória normalmente 
consiste em esmalte e dentina, e a polpa está presente em 
quase metade dos casos. Embora a prevalência seja variá-
Fig. 2-61 Cúspide em garra. Cúspide acessória presente na su-
perfície lingual do incisivo lateral inferior.
Fig. 2-62 Cúspide em garra. Radiografia do mesmo paciente mos-
trado na Fig. 2-61. Observam-se as camadas de esmalte e dentina 
da cúspide acessória.
88 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
vel, muitos estudos sugerem uma frequência variando de 
1% e 4%. A anomalia é encontrada com maior frequência 
em asiáticos, esquimós e nativos americanos, mas é rara 
em brancos. Pesquisas revelam que o aumento da preva-
lência desta anomalia nos Estados Unidos é secundário à 
imigração por asiáticos e hispânicos ou herança mestiça 
(mistura de ancestrais europeus e nativos americanos). Ra-
diograficamente, a superfície oclusal exibe uma aparência 
de tubérculo e, com frequência, é vista uma extensão pul-
par da cúspide (Fig. 2-64). As cúspides acessórias geral-
mente causam interferências oclusais que estão associadas 
a significativos problemas clínicos. Em um amplo estudo, 
cerca de 80% dos tubérculos se apresentaram desgastados 
ou fraturados, e foram encontradas patologias pulpares em 
cerca de 25% dos pacientes. Necrose pulpar é comum e 
pode ocorrer por exposição direta ou invasão pelos túbulos 
dentinários imaturos. Além da anormalidade e da patolo-
gia pulpar, a cúspide acessória pode resultar em dilacera-
ção, deslocamento e angulação ou rotação dentária.
Frequentemente, o dente evaginado é visto em associação 
a uma outra variação da anatomia coronária, os incisivos 
em forma de pá. Esta alteração também ocorre predomi-
nantemente em asiáticos, com prevalência de perto de 15% 
em brancos, mas próxima a 100% em nativos americanos 
e esquimós. Os incisivos atingidos exibem margens laterais 
proeminentes, criando uma superfície lingual côncava que 
lembra a parte côncava de uma pá (Fig. 2-65). Em geral, 
as cristas marginais espessadas convergem para o cíngulo; 
não é incomum a presença de fossetas profundas, fissu-
ras ou dente invaginado nessa junção. Incisivos laterais 
superiores e centrais superiores são os mais afetados, com 
incisivos inferiores e caninos sendo relatados com menor 
frequência.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Pacientes com cúspide de Carabelli não requerem trata-
mento, a menos que um sulco profundo esteja presente 
entre a cúspide acessória e a superfície da cúspide mesio-
Fig. 2-63 Dente evaginado. Elevação semelhante a uma cúspide 
localizada no sulco central do primeiro pré-molar inferior.
Fig. 2-64 Dente evaginado. Radiografia dos dentes descritos na 
Fig. 2-63. Note a anatomia oclusal com tubérculos. A atrição na cús-
pide acessória levou a necrose pulpar e doença inflamatória peria-
pical.
Fig. 2-65 Incisivo em forma de pá. Paciente chinês exibindo in-
cisivos superiores com margens laterais proeminentes, que criam 
uma superfície palatina côncava.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 89
lingual do molar. Estes sulcos profundos devem ser selados 
para evitar desenvolvimento de cárie.
Pacientes com cúspide em garra nos dentes inferio-
res geralmente não necessitam de tratamento; cúspides 
em garra presente nos dentes superiores frequentemente 
interferem na oclusão e devem ser removidas. Outras 
complicações incluem comprometimento estético, deslo-
camento de dentes, cáries, problemas periodontais e irrita-
ção dos tecidos moles (p. ex., língua ou mucosa labial). Pelo 
fato de a maioria destas projeções conter um corno pulpar, 
a remoção precitada resulta, com frequência, em exposi-
ção pulpar. A remoção sem que haja perda de vitalidade 
pode ser feita por meio de desgaste periódico da cúspide, 
com tempo suficiente para deposição de dentina terciária 
e retração pulpar. Ao término de cada sessão de desgaste, a 
dentina exposta deverá ser recoberta com um agente des-
sensibilizante, do tipo verniz fluoretado que também pode 
acelerar a retração pulpar. Mesmo com a redução gradual e 
sem exposição pulpar direta, a perda de vitalidade é possí-
vel quando um grande número de túbulos dentinários ima-
turos está exposto. Após a remoção com sucesso, a dentina 
exposta é coberta com hidróxido de cálcio, o esmalte peri-
férico é atacado com ácido e realizada uma restauração 
com resina composta.
Durante a erupção, o dente afetado deverá ser exami-
nado para que seja detectada a presença de uma fissura 
profunda na junção entre a cúspide em garra e a superfície 
do dente. Se a fissura estiver presente, deverá ser restaurada 
para evitar lesão cariosa precoce próxima à polpa dental. 
Relatos também documentam a continuação desta fissura 
abaixo da superfície da raiz, com subsequente desenvolvi-
mento de lesões inflamatórias radiculares laterais, secun-
dariamente ao acesso à flora oral, que foi permitido pela 
profundidade do sulco. Neste último caso, é necessária a 
cirurgia para expor o sulco à limpeza apropriada.O dente evaginado normalmente resulta em problemas 
oclusais e leva, muitas vezes, à necrose pulpar. Em dentes 
afetados, a remoção das cúspides sempre é indicada, mas 
tentativas de manter a vitalidade têm acontecido com 
sucesso apenas parcial. Lentos desgastes periódicos da 
cúspide expõem túbulos dentinários imaturos e pode levar 
à pulpite irreversível sem exposição direta. Para reduzir a 
chance de patologia pulpar, a eliminação de interferências 
oclusais opostas combinada com remoção minimalista de 
dentina e tratamento da superfície com flúor estanhoso 
tem sido recomendada. A remoção da cúspide com capea-
mento direto ou indireto também tem trazido benefícios a 
alguns pacientes. Outros pesquisadores apoiam a elimina-
ção de interferências oclusais, proteção da cúspide contra 
fratura pela colocação de reforço com resina, retardando 
a remoção da cúspide até que haja evidência significativa 
de dentina madura, recessão pulpar e formação completa 
da raiz.
Se há ocorrência de incisivos em forma de pá, os dentes 
afetados devem ser inspecionados para detecção de 
defeitos no ponto de convergência das cristas marginais. 
Quaisquer fissuras ou invaginações profundas devem ser 
restauradas rapidamente após a erupção para proteger a 
polpa adjacente de exposição à cárie.
DENTE INVAGINADO (DENS IN DENT)
O dente invaginado é uma profunda invaginação da 
superfície da coroa ou da raiz que é limitada pelo esmalte. 
Oehlers descreveu esta condição por meio de três artigos 
clássicos publicados de 1957 a 1958. São reconhecidas 
duas formas: coronária e radicular.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
O dente invaginado coronário é visto muito mais fre-
quentemente; a prevalência referida varia de 0,04% a 10% 
dos pacientes. Em ordem de frequência decrescente, os 
dentes afetados quase sempre incluem os incisivos late-
rais, incisivos centrais, pré-molares, caninos e molares. O 
envolvimento dos dentes decíduos tem sido relatado, mas é 
incomum. Nota-se predominância pelos dentes superiores.
A profundidade da invaginação varia de um ligeiro 
aumento da fosseta do cíngulo a um profundo sulco que 
se estende ao ápice. Como seria de se esperar, antes da 
erupção, o lúmen da invaginação é preenchido com tecido 
mole semelhante ao do folículo dental (epitélio reduzido 
do esmalte com uma parede de tecido conjuntivo fibroso). 
Quando da erupção, este tecido mole perde o suporte vas-
cular e necrosa.
Historicamente, o dente invaginado coronário foi clas-
sificado em três tipos principais (Fig. 2-66). O tipo I mostra 
uma invaginação que é limitada à coroa. A invaginação tipo 
II estende-se abaixo da junção cemento-esmalte e termina 
Fig. 2-66 Dente invaginado. Ilustração descrevendo os três tipos 
de dente invaginado coronário.
90 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
em fundo cego que pode ou não ter comunicação com a 
polpa (Figs. 2-67 e 2-68). Invaginações de grandes dimen-
sões podem tornar-se dilatadas e conter esmalte distrófico 
na base da dilatação (Fig. 2-69). O tipo III estende-se 
através da raiz e perfura a área apical ou lateral radicu-
lar, sem que haja qualquer comunicação imediata com a 
polpa. Neste último tipo, o esmalte que delimita a inva-
ginação é frequentemente reposto pelo cemento próximo 
à perfuração radicular. A perfuração leva à comunicação 
direta da cavidade oral com o tecido intraósseo periradi-
cular e, muitas vezes, produz lesões inflamatórias mesmo 
na presença de polpa vital (Figs. 2-70 e 2-71).
Ocasionalmente, a invaginação pode ser bastante ex-
tensa e assemelhar-se a um dente dentro do outro, daí o 
termo dens in dente. Em outros casos, a invaginação pode 
ser dilatada e atrapalhar a formação do dente, resultando 
em um desenvolvimento dentário anômalo denominado 
odontoma dilatado. O envolvimento pode ser único, múl-
tiplo ou bilateral.
O dente invaginado radicular é raro e acredita-se 
que surja secundariamente a uma proliferação da bainha 
de Hertwig radicular com a formação de uma linha de 
esmalte que se estende ao longo da superfície do dente. 
Este quadro de deposição do esmalte é semelhante ao que 
Fig. 2-67 Dente invaginado coronário tipo II. Incisivo lateral su-
perior com invaginação da superfície de esmalte que se estende 
levemente abaixo da junção amelocementária.
Fig. 2-68 Dente invaginado coronário tipo II. Cúspide bulbosa 
superior mostrando a invaginação por uma linha dilatada de es-
malte.
Fig. 2-69 Dente invaginado coronário tipo II. Fotografia macros-
cópica de um dente seccionado. Observe a invaginação dilatada com 
acúmulo apical de esmalte distrófico.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 91
é visto em associação das pérolas de esmalte radicula-
res (ver Esmalte Ectópico). Em vez de protuberâncias na 
superfície (como vistas nas pérolas de esmalte), o esmalte 
alterado forma uma superfície de invaginação em direção 
à papila dental (Fig. 2-72). A invaginação delimitada pelo 
cemento da raiz foi relatada, mas representa uma simples 
variação da morfologia da raiz e não deve se incluída sob o 
termo dente invaginado radicular.
Radiograficamente, os dentes afetados mostram um 
alargamento da raiz. Um exame minucioso sempre revela 
uma invaginação dilatada limitada pelo esmalte, com a 
abertura da invaginação situada ao longo da porção lateral 
da raiz.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Durante a erupção, a invaginação dos dentes afetados co-
munica-se com a cavidade oral, e os tecidos moles dentro 
do lúmen sofrem necrose (propiciando um meio excelente 
para o crescimento de bactérias). Como a invaginação do 
tipo I é de pequenas dimensões, a abertura da invaginação 
deve ser restaurada na época da erupção em uma tentativa 
de prevenir o surgimento de cárie e inflamação pulpar sub-
sequente. Se a invaginação não for detectada rapidamente, 
ocorre, com frequência a necrose pulpar. Nas invaginações 
grandes, o conteúdo do lúmen e qualquer dentina cariada 
devem ser removidos; em seguida, deve-se colocar uma 
base de hidróxido de cálcio para evitar qualquer possível 
microcomunicação com a polpa adjacente. Em casos com 
comunicação pulpar óbvia ou sinais de patologia pulpar, 
tanto a invaginação, como o canal pulpar subjacente 
requerem tratamento endodôntico. Em dentes com ápices 
abertos, a apicificação com hidróxido de cálcio ou agregado 
de trióxido mineral geralmente é bem-sucedida, seguida 
da obturação final.
As invaginações do tipo III associadas a lesões inflama-
tórias perirradiculares requerem tratamento semelhante 
ao endodôntico. Mais uma vez, antes da obturação final 
com guta-percha, a proteção temporária com hidróxido 
de cálcio ajuda a construir pontes dentinárias e a manter 
a vitalidade da polpa subjacente. Se não há vitalidade, o 
tratamento endodôntico de canais radiculares paralelos 
também se torna necessário. Alguns casos não respondem 
ao tratamento endodôntico conservador e requerem cirur-
gia periapical e obturação retrógrada. Invaginações grandes 
e dilatadas geralmente exibem coroas anormais e os dentes 
necessitam ser extraídos.
Se a invaginação não altera significativamente a mor-
fologia dentária, são raras as complicações de dente inva-
ginado radicular, a menos que a abertura radicular esteja 
Fig. 2-70 Dente invaginado coronário tipo III. Parúlide sobreja-
cente a canino vital superior e incisivo lateral. O canino é um dente 
invaginado que perfurou a superfície mesial da raiz.
Fig. 2-71 Dente invaginado coronário tipo III. Canino superior 
mostrando uma invaginação de esmalte paralela ao canal pulpar, 
que perfurou a superfície lateral da raiz. (Cortesia do Dr. Brian Blocher.)
Fig. 2-72 Dente invaginado radicular. Ilustração mostrando a 
forma radicular do dente invaginado.
92 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
exposta à cavidade oral. Após a ocorrência da exposição, a 
presença de cárie geralmente leva à necrose pulpar. Aber-
turas próximas ao colo anatômico do dente devem ser 
expostas e restauradas para minimizar o dano ao dente e às 
estruturas circundantes.
ESMALTE ECTÓPICO
Esmalte ectópicorefere à presença de esmalte em loca-
lizações incomuns, principalmente na raiz dentária. As 
mais conhecidas são as pérolas de esmalte. São estru-
turas hemisféricas que podem consistir inteiramente em 
esmalte ou conter dentina e polpa subjacentes. A maioria é 
projetada da superfície da raiz, acreditando-se que surja de 
uma projeção localizada da camada odontoblástica. Esta 
saliência propicia contato prolongado entre a bainha radi-
cular de Hertwig e a dentina em desenvolvimento, desen-
cadeando a indução da formação de esmalte. Projeções 
internas de esmalte semelhante para a dentina subjacente 
raramente foram relatadas nas coroas dentárias.
Além das pérolas de esmalte, extensões cervicais de 
esmalte também ocorrem ao longo da superfície das raízes 
dentárias. Elas representam um mergulho do esmalte da 
junção cemento-esmalte para a bifurcação do dente molar. 
Este padrão de esmalte ectópico forma uma extensão trian-
gular do esmalte coronário que se desenvolve na superfície 
vestibular dos molares, cobrindo diretamente a bifurcação. 
A base do triângulo é contígua à porção inferior do esmalte 
coronário; o vértice do triângulo estende-se diretamente à 
bifurcação do dente. Estas áreas de esmalte ectópico são 
chamadas projeções cervicais de esmalte, mas esta termino-
logia é confusa porque não são vistas projeções exofíticas 
significativas. 
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
PÉROLAS DE ESMALTE
As pérolas de esmalte são encontradas mais nas raízes dos 
molares superiores (molares inferiores são o segundo local 
mais frequente). Raramente, elas ocorrem nos pré-molares 
superiores ou incisivos. O envolvimento de molares decí-
duos não é raro. A prevalência das pérolas de esmalte varia 
(1,1% a 9,7% de todos os pacientes) em função da popula-
ção estudada, sendo maior em asiáticos. Na maioria dos 
casos, é encontrada apenas uma pérola, mas o máximo 
de quatro pérolas foi documentado em um único dente. 
A maioria ocorre na região de furca das raízes ou próximo 
à junção amelo-cementária (Fig. 2-73) Radiograficamente, 
as pérolas aparecem como nódulos bem-definidos e radio-
pacos, ao longo das superfícies radiculares (Fig. 2-74). As 
pérolas de esmalte maturadas internas aparecem como 
áreas circulares de radiopacidade bem-definida, que se 
estendem da junção amelo-dentinária até a dentina coro-
nária subjacente.
A superfície de esmalte das pérolas impede a aderência 
periodontal normal com o tecido conjuntivo e, provavel-
mente, existe uma junção hemidesmossômica. Esta junção 
é menos resistente à ruptura; uma vez realizada a separa-
ção, é provável a ocorrência de rápida perda de aderência. 
Além disso, a natureza exofítica da pérola induz à retenção 
de placa e à limpeza inadequada.
Fig. 2-73 Pérola de esmalte. Massa de esmalte ectópico localiza-
da na área de furca de um molar. (Cortesia do Dr. Joseph Beard.)
Fig. 2-74 Pérola de esmalte. Nódulo radiopaco sobre a superfície 
mesial da raiz do terceiro molar superior. Outra pérola menos nítida 
está presente na raiz distal do segundo molar.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 93
EXTENSÕES CERVICAIS DE ESMALTE
As extensões cervicais de esmalte mencionadas estão 
localizadas na superfície vestibular das raízes sobrepondo-
se à bifurcação (Fig. 2-75). Os molares inferiores são atin-
gidos com mais frequência que os molares superiores. Em 
um estudo realizado nos Estados Unidos, com 48 dentes 
extraídos, a prevalência foi muito alta, com cerca de 20% 
dos molares afetados. Estudos semelhantes demonstram 
maior prevalência em locais como o Japão, China e Alasca, 
que descobriram extensões cervicais de esmalte em 50% 
a 78% dos molares extraídos. As extensões cervicais de 
esmalte podem ser observadas em qualquer molar, mas são 
vistas com menor frequência nos terceiros molares. Estas 
extensões apicais de esmalte foram correlacionadas positi-
vamente com perdas localizadas de ligamento periodontal 
e envolvimento de furca, uma vez que o tecido conjuntivo 
não pode aderir-se ao esmalte. Em uma extensa revisão 
dentária de pacientes com envolvimento periodontal da 
furca, encontrou-se uma frequência alta e significativa de 
extensões cervicais de esmalte, comparada a dentições sem 
o comprometimento da furca. Além disso, quanto maior o 
grau de extensão cervical, maior a frequência do envolvi-
mento de furca.
Além do envolvimento periodontal da furca, as exten-
sões cervicais de esmalte têm sido associadas (em alguns 
casos) ao desenvolvimento de cistos inflamatórios, que são 
histopatologicamente idênticos aos cistos inflamatórios 
periapicais. Os cistos desenvolvem-se ao longo da superfí-
cie vestibular acima da bifurcação e são chamados mais 
apropriadamente de cistos de bifurcação vestibular 
(Capítulo 15). A associação entre a extensão cervical de 
esmalte e este tipo único de cisto inflamatório é contro-
versa.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Quando as pérolas de esmalte são detectadas radiografica-
mente, a área deve ser vista como um ponto fraco de ade-
rência do ligamento periodontal. Deve-se manter higiene 
bucal meticulosa como esforço para prevenir perda locali-
zada de suporte periodontal. Se for cogitada a possibilidade 
de remoção da lesão, o cirurgião-dentista deve lembrar que 
a pérola de esmalte pode, ocasionalmente, conter tecido 
pulpar vital.
Para dentes com extensões cervicais de esmalte e envol-
vimento periodontal de furca associado, o tratamento é 
direcionado para a tentativa de conseguir um ligamento 
mais durável e prover acesso à área para limpeza mais 
apropriada. Alguns relatos têm sugerido o aplainamento 
ou a excisão de esmalte combinada com plástica da furca 
visando reinserção.
TAURODONTIA
A taurodontia é um aumento do corpo e da câmara pulpar 
de um dente multirradicular com deslocamento apical do 
soalho pulpar e da bifurcação das raízes. Esta forma de 
molares foi encontrada nos antigos homens de Neander-
tal, e o formato do taurodente lembra aquela dos dentes 
molares dos animais ruminantes (tauro = touro, e dont = 
dente). 
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
Os dentes afetados tendem a ser retangulares em sua forma 
e mostram câmaras pulpares aumentadas no sentido ápico-
oclusal e uma bifurcação próxima ao ápice (Fig. 2-76). O 
diagnóstico geralmente é feito subjetivamente da imagem 
radiográfica. O grau de taurodontia pode ser classificado 
Fig. 2-75 Extensão cervical de esmalte. Ilustração de um molar 
normal adjacente e um molar que mostra alongamento em forma 
de V do esmalte estendendo-se em direção à bifurcação.
Fig. 2-76 Taurodontia. Molares inferiores mostrando aumento da 
altura pulpar ápico-oclusal com soalho pulpar e bifurcação posicio-
nada apicalmente. (Cortesia do Dr. Michael Kahn.)
94 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
em leve (hipotaurodontia), moderado (mesotaurodon-
tia) e severo (hipertaurodontia), de acordo com o grau de 
deslocamento apical do soalho pulpar (Fig. 2-77). Crité-
rios biométricos úteis para a determinação da taurodon-
tia foram apresentados por Witkop e colaboradores, e por 
Shifman e Chanannel. Estes relatos contêm informações 
que são úteis aos estudos epidemiológicos do processo.
Alguns pesquisadores incluem exemplos de taurodontia 
nos dentes pré-molares; outros argumentam que a tauro-
dontia não é encontrada em pré-molares. Este argumento 
é acadêmico, porque a presença de taurodontia em um 
pré-molar não pode ser documentada in situ. As pesquisas 
sobre taurodontia em pré-molares requerem o exame de 
dentes extraídos, porque as radiografias necessárias des-
crevem os dentes em uma orientação mesiodistal.
A taurodontia pode ser bilateral ou unilateral e afeta den-
tes permanentes mais frequentemente que os decíduos. 
Não há predileção por gênero. A prevalência relatada é al-
tamente variável (0,5% e 46%) e muito provavelmente está 
relacionada com diferentes critérios diagnósticos e a va-
riações raciais. Nos Estados Unidos, muitos relatos indicam 
uma prevalência de 2,5% a 3,2% na população. Alguns pes-
quisadores acreditam que a alteraçãoé mais uma variação 
da normalidade do que uma anomalia patológica defini-
tiva. O processo geralmente demonstra um efeito de campo 
com o envolvimento de todos os molares. Quando isto 
ocorre, o primeiro molar é menos afetado, com aumento 
da gravidade da lesão notada nos segundos e terceiros mo-
lares, respectivamente.
A taurodontia pode ocorrer como uma característica 
isolada ou como um componente de uma síndrome especí-
fica (Quadro 2-8). Um aumento da frequência de taurodon-
tia foi relatado em pacientes com hipodontia, fenda labial e 
fenda palatina. Pesquisas têm mostrado que a taurodontia 
pode desenvolver-se em conjunto com um grande número 
de alterações genéticas. Estas descobertas sugerem que 
anormalidades cromossomiais podem interromper o desen-
volvimento da forma dos dentes e que a taurodontia não é o 
resultado de uma anormalidade genética específica.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Pacientes com taurodontia não requerem tratamento espe-
cífico. Não é vista extensão coronária da polpa; entretanto, 
o processo não interfere na rotina dos procedimentos 
restauradores. Alguns pesquisadores têm sugerido que a 
forma taurodôntica pode diminuir a estabilidade e força 
Fig. 2-77 Taurodontia. Ilustração exibindo a classificação da taurodontia em função do grau de deslocamento do soalho pulpar.
Quadro 2-8
Síndromes Associadas à Taurodontia
Amelogênese imperfeita hipoplásica, tipo IE!
Amelogênese imperfeita-taurodontia, tipo IV!
Cranioectodérmica!
Displasia ectodérmica!
Hiperfosfatasia-oligofrenia-taurodontia!
Hipofostatasia!
Klinefelter!
Lowe!
Microdontia-taurodontia-dente invaginado!
Nanismo microcefálico-taurodontia!
Displasia óculo-dento-digital!
Oral-facial-digital, tipo II!
Rapp-Hodgkin!
Cabelo raro-oligodontia-taurodontia!
Aberrações cromossômicas sexuais (p. ex., XXX, XXY)!
Down!
Trico-dento-óssea, tipos I, II, III!
Trico-onico-dental!
Wolf-Hirschhorn!
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 95
como um dente de apoio em procedimentos protéticos, 
mas esta hipótese não foi confirmada. Se há necessidade 
de tratamento endodôntico, a forma da câmara pulpar 
frequentemente aumenta a dificuldade de localização, 
instrumentação e obturação dos canais pulpares. Uma 
constatação boa é que os pacientes portadores de tauro-
dontia têm que apresentar destruição periodontal signifi-
cativa antes que ocorra o envolvimento da furca.
HIPERCEMENTOSE
A hipercementose (hiperplasia cementária) é uma 
deposição excessiva de cemento não neoplásico ao longo 
do cemento radicular normal.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
Radiograficamente, os dentes afetados exibem espessa-
mento da raiz ou raiz rômbica, mas a quantidade exata 
do aumento do cemento é de difícil averiguação porque 
o cemento e a dentina apresentam radiopacidade seme-
lhante (Fig. 2-78). A raiz aumentada é circundada pelo 
espaço radiolúcido correspondente ao ligamento perio-
dontal e pela lâmina dura adjacente intacta. Ocasional-
mente, o alargamento pode ser significativo o suficiente 
para sugerir a possibilidade de cementoblastoma (Capítulo 
14). No entanto, o cementoblastoma, em geral, pode ser dis-
tinguido com base na dor associada, expansão cortical e na 
continuidade do aumento.
A hipercementose pode ser encontrada isoladamente, 
envolver múltiplos dentes, ou surgir como um processo 
generalizado. Em um estudo realizado com mais de 22.000 
dentes afetados, os molares inferiores foram afetados com 
mais frequência, seguidos pelos segundos pré-molares 
inferiores e superiores e primeiros pré-molares inferiores. 
Neste estudo, foi notada uma predominância de 2,5:1 na 
mandíbula.
A hipercementose ocorre predominantemente em adul-
tos, e a frequência aumenta com a idade, muito provavel-
mente devido à exposição cumulativa a fatores de influên-
cia. Sua ocorrência tem sido relatada em pacientes jovens, 
e muitos destes casos demonstram um agrupamento fami-
liar, sugerindo uma influência hereditária.
O Quadro 2-9 lista diferentes fatores locais e sistêmi-
cos que foram associados a um aumento da frequência de 
deposição de cemento. Todos os fatores sistêmicos listados 
apresentam uma fraca associação com a hipercementose, 
exceto a doença óssea de Paget (Capítulo 14). Numero-
sos autores têm relatado hipercementose significativa em 
pacientes com doença de Paget, e esse distúrbio deveria 
ser considerado sempre que fosse descoberta hipercemen-
tose generalizada em um paciente com idade compatível 
com a doença. Apesar da associação de vários distúrbios, a 
maioria dos casos localizados de hipercementose não está 
relacionada com qualquer distúrbio sistêmico.
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS
A periferia da raiz exibe deposição de excessiva quantidade 
de cemento sobre a camada original de cemento primário. 
O cemento excessivo pode ser hipocelular ou exibir áreas 
de cemento celular que lembram osso (osteocemento). 
Fig. 2-78 Hipercementose. Pré-molares inferiores exibindo espes-
samento das raízes tornando-as rômbicas.
Quadro 2-9 
Fatores Associados à Hipercementose
FATORES LOCAIS
Trauma oclusal anormal!
Inflamação adjacente (p. ex., pulpar, periapical, 
periodontal)
!
Dente não antagonista (p. ex., impactado, incluso, sem 
antagonista)
!
Reparo de raízes vitais fraturadas!
FATORES SISTÊMICOS
Acromegalia e gigantismo hipofisário!
Artrite!
Calcinose!
Doença óssea de Paget!
Febre reumática!
Bócio da tireoide!
Síndrome de Gardner!
Deficiência de vitamina A (possivelmente)!
96 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
Geralmente, a substância é depositada em camadas con-
cêntricas e pode ser aplicada sobre a raiz inteira ou ser 
limitada à porção apical. No microscópio ótico de rotina, a 
distinção entre dentina e cemento sempre é difícil, mas o 
uso de luz polarizada claramente separa as duas camadas 
diferentes (Fig. 2-79).
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
Não há necessidade de tratamento para a hipercementose. 
Em razão de um espessamento da raiz, problemas ocasio-
nais têm sido relatados durante a exodontia de dentes afe-
tados. A secção dos dentes pode vir a ser necessária em 
alguns casos como auxiliar à remoção cirúrgica.
DILACERAÇÃO
A dilaceração é a angulação anormal ou curvatura na raiz 
ou, menos frequentemente, na coroa do dente (Figs. 2-80 e 
2-81). Embora a maioria dos exemplos seja de causa idio-
pática, parece que um número de dentes com dilaceração 
surge após um trauma que desloca a porção calcificada do 
germe dentário, e o restante do dente continua sua forma-
ção em um ângulo anormal. Após o dano, frequentemente 
segue uma avulsão ou intrusão do dente decíduo, um fato 
que, em geral, ocorre antes dos quatro anos de idade. A dila-
ceração relacionada com o trauma afeta mais frequente-
mente a dentição anterior e, muitas vezes, leva a problemas 
dentários funcionais e estéticos. Menos frequentemente, a 
curvatura desenvolve-se secundariamente à presença de 
um cisto adjacente, tumor ou hamartoma odontogênico 
(odontoma, dente supranumerário) (Fig. 2-82).
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
Em um estudo com 1.166 pacientes selecionados aleato-
riamente, foram identificados 176 dentes com dilaceração. 
Destes dentes, os mais afetados foram os terceiros molares 
inferiores, seguidos pelos segundos pré-molares superiores 
e segundos molares inferiores. Os incisivos superiores e 
inferiores foram afetados com menor frequência, represen-
tando quase 1% da série. Isto contrasta com outros autores 
que relataram alta frequência de dilaceração envolvendo 
um dente anterior. Na realidade, os molares demonstram 
maior prevalência de dilaceração, mas, na maioria dos 
Fig. 2-79 Hipercementose. A, Raiz dental mostrando excessiva 
deposição de cemento celular e acelular. A linha divisória entre den-
tina e cemento é indistinta. B, Luz polarizada demonstrando a nítida 
linha divisória entre a dentina tubular e o osteocemento.
Fig. 2-80 Dilaceração. Curvatura acentuada da raiz do incisivo 
central superior.
Fig. 2-81 Dilaceração. Segundo pré-molar superior exibindo in-
clinação mesial daraiz. Não havia histórico de trauma local na área. 
(Cortesia do Dr. Lawrence Bean.)
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 97
casos, não se destacam devido à falta de problemas clíni-
cos associados. Eventualmente, ocorre o envolvimento de 
dentes decíduos, e alguns têm sido associados a um trauma 
anterior, secundário à laringoscopia neonatal e intubação 
endotraqueal. A idade do paciente, a direção e o grau da 
força parecem determinar a extensão da malformação 
dentária. A angulação anormal pode estar presente em 
qualquer região ao longo do comprimento do dente.
Os dentes superiores anteriores atingidos frequente-
mente apresentam curvatura na coroa ou na metade coro-
nária da raiz; geralmente, há falha na erupção. Incisivos 
inferiores também apresentam envolvimento da coroa 
ou da porção superficial da raiz, mas com maior frequên-
cia erupcionam normalmente. Aqueles que realizam a 
erupção seguem um caminho diferente e apresentam-se 
em posição vestibular ou lingual. Muitos dos dentes atin-
gidos, especialmente dentes anteriores inferiores, são des-
vitalizados e associados a lesões inflamatórias periapicais. 
Via de regra, dentes posteriores alterados demonstram 
envolvimento da metade apical da raiz e frequentemente 
não exibem retardo na erupção. 
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O tratamento e o prognóstico variam de acordo com a gra-
vidade da deformidade. Dentes decíduos alterados sempre 
demonstram reabsorção imprópria resultando em atraso 
na erupção dos dentes permanentes. A extração dos dentes 
decíduos é indicada quando necessária para a erupção 
normal dos dentes permanentes. Pacientes com menor 
grau de dilaceração em dentes permanentes frequente-
mente não requerem tratamento. Aqueles dentes que 
exibem erupção tardia ou anormal podem ser expostos e 
tracionados ortodonticamente para a posição. Em alguns 
casos, por causa de deformações extensas dos dentes afe-
tados pode ocorrer perfuração da crista alveolar vestibu-
lar durante o reposicionamento, pela raiz malposicionada. 
Nesses casos, a amputação do ápice da raiz, com posterior 
tratamento endodôntico pode ser necessário. Deformida-
des dentárias acentuadas requerem remoção cirúrgica. A 
extração de dentes afetados pode ser difícil e resultar em 
fratura radicular durante a remoção. Quando da tentativa 
de realização de procedimentos endodônticos, o clínico 
deve ser cauteloso para evitar a perfuração da raiz dos 
dentes com significativa dilaceração.
A dilaceração radicular concentra forças de estresse se 
o dente afetado é usado como um apoio para a aplicação 
de uma prótese dentária. Este aumento do estresse pode 
afetar a estabilidade e a longevidade dos dentes de apoio. 
A esplintagem do dente dilacerado a um dente adjacente 
resulta em um apoio multirradicular e diminui os proble-
mas relacionados com o estresse.
RAÍZES SUPRANUMERÁRIAS
O termo raízes supranumerárias refere-se ao aumento 
do número de raízes nos dentes, comparado com aquele 
classicamente descrito na anatomia dentária.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
Qualquer dente pode desenvolver raízes acessórias, e o 
envolvimento tem sido relatado nas dentições decídua e 
permanente. Os dados sobre a frequência das raízes supra-
numerárias são esparsos, mas a prevalência parece variar 
significativamente entre raças diferentes. Os dentes mais 
afetados são os molares permanentes (especialmente ter-
ceiros molares) superiores e inferiores, os caninos inferio-
res e pré-molares (Fig. 2-83). Em algumas ocasiões, a raiz 
supranumerária é divergente e vista facilmente em radio-
grafias; em outros casos, a raiz adicional é pequena, sobre-
posta a outras raízes e de difícil identificação.
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO
O tratamento da raiz supranumerária não é necessário, mas 
a detecção de raiz acessória é de importância fundamen-
tal quando é empreendido o tratamento endodôntico ou a 
exodontia. Dentes extraídos sempre devem ser examinados 
cuidadosamente para assegurar que todas as raízes foram 
removidas com sucesso, porque raízes acessórias podem 
não estar evidentes nas radiografias pré-cirúrgicas. Igual-
Fig. 2-82 Dilaceração. Angulação da raiz de um canino inferior. O 
desenvolvimento foi alterado pela presença de um odontoma com-
posto adjacente. (Cortesia do Dr. Brent Bernard.)
98 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
mente importante é a busca por canais acessórios durante 
os procedimentos de acesso endodôntico, porque a não per-
cepção destas aberturas adicionais frequentemente resulta 
na falta de resolução do processo inflamatório associado.
ALTERAÇÕES DE DESENVOLVIMENTO 
NA ESTRUTURA DOS DENTES
AMELOGÊNESE IMPERFEITA
A amelogênese imperfeita compreende um grupo com-
plexo de condições que demonstram alterações de desen-
volvimento na estrutura do esmalte na ausência de uma 
alteração sistêmica. O Quadro 2-2 registra várias doenças 
sistêmicas associadas a alterações do esmalte que não são 
consideradas amelogênese imperfeita isolada.
Há pelo menos 14 subtipos hereditários diferentes de 
amelogênese imperfeita, com numerosos padrões de he-
rança e uma grande variedade de manifestações clínicas. 
Como prova da natureza complexa do processo, existem vá-
rios sistemas de classificação. O mais amplamente aceito foi 
desenvolvido por Witkop (Tabela 2-1), e esta parte do texto 
concorda com esta classificação. A dissertação de Witkop 
e Sauk (e a mais recente revisão de Witkop, de 1988) são 
trabalhos de arte, e devem ser usadas se o clínico desejar 
mais informações.
Ainda não foi estabelecido um sistema de classificação 
ideal para a amelogênese imperfeita. A classificação de Wi-
tkop baseia-se no fenótipo e no genótipo (aparência clínica 
e padrão de hereditariedade aparente). A classificação pela 
aparência clínica é problemática, porque têm sido notados 
fenótipos diferentes dentro de uma única família. Além 
disso, fenótipos semelhantes podem ser vistos em indiví-
duos com padrões moleculares muito diferentes da doença. 
Um exemplo de potencial confusão ocorre em um parente 
afetado com certas variantes da amelogênese imperfeita 
autossômica dominante, na qual homozigotos exibem hipo-
plasia generalizada, enquanto heterozigotos exibem depres-
sões no esmalte localizadas. Utilizando a nomenclatura 
atual, diferentes indivíduos de uma família seriam coloca-
dos em diversas categorias (p. ex., IB, ID, IF).
Embora a base molecular para a maioria das amelogêne-
ses imperfeitas permaneça pouco definida, a genética asso-
ciada a diversas variações de amelogênese imperfeita foi 
Fig. 2-83 Raiz supranumerária. A, Fotografia macroscópica 
 exibindo um molar inferior com uma pequena raiz supranumerária. 
B, Radiografia periapical do dente extraído. 
Tabela 2.1 Classificação de Amelogênese Imperfeita
Tipo Padrão Características Específicas Herança
IA Hipoplásico Depressão generalizada Autossômica dominante
IB Hipoplásico Depressão localizada Autossômica dominante
IC Hipoplásico Depressão localizada Autossômica recessiva
ID Hipoplásico Polido difuso Autossômica dominante
IE Hipoplásico Polido difuso Dominante ligada ao cromossomo X
IF Hipoplásico Rugoso difuso Autossômica dominante
IG Hipoplásico Agenesia do esmalte Autossômica recessiva
IIA Hipomaturado Difusão pigmentada Autossômica recessiva 
IIB Hipomaturado Difusa Recessiva ligada ao cromossomo X
IIC Hipomaturado Coberta por neve Ligada ao cromossomo X
IID Hipomaturado Coberta por neve Autossômica dominante ?
IIIA Hipocalcificado Difuso Autossômica dominante
IIIB Hipocalcificado Difuso Autossômica recessiva
IVA Hipomaturado-hipoplásico Presença de taurodontia Autossômica dominante
IVB Hipoplásico-hipomaturado Presença de taurodontia Autossômica dominante
Modificado de Witkop CJ Jr: Amelogenesis imperfecta, dentinogenesis imperfecta and dentin dysplasia revisited: problems in classification, J Oral Pathol 17:547-
553, 1988.
Capítulo 2 ANORMALIDADES DENTÁRIAS 99
esclarecida. Este fato levou os pesquisadores a sugerir um 
futuro sistema de classificação baseado, em primeiro lugar, 
no modode herança e, em segundo lugar, em discrimi-
nadores que incluem o fenótipo e a base molecular (sítio 
de mutação cromossômica, quando conhecido). Embora 
o avanço para um novo sistema de classificação não seja 
novidade, o progresso definido pela genética molecular da 
amelogênese imperfeita tem sido lento, impedindo a tran-
sição completa para o sistema de classificação dirigido pela 
genética. Conforme a base molecular da doença torna-se 
clara, a mudança para um novo padrão de classificação 
torna-se inevitável.
Pesquisas sobre a genética estão em curso e produzindo 
resultados que não são apenas interessantes, mas também 
diretamente aplicáveis aos cuidados do paciente. Até o 
momento, cinco mutações em genes foram associadas à 
amelogênese imperfeita. Cada gene pode ser mutado em 
uma variedade de sítios, criando, frequentemente, diversos 
e distintos padrões fenotípicos.
O gene AMELX está associado à proteína do esmalte 
amelogenina, que representa mais de 90% da matriz do 
esmalte. Variantes da amelogênese imperfeita associada a 
AMELX são ligados ao cromossomo X com 14 mutações 
diferentes conhecidas atualmente. Devido ao efeito da lio-
nização, os fenótipos masculino e feminino são variáveis, 
mas, muitas vezes, associados ao genótipos. Os fenótipos 
masculinos incluem tanto a amelogênese hipoplásica suave 
e generalizada, quanto as variantes da hipomaturada.
O gene ENAM é associado a outra proteína do esmalte, 
a enamelina, que representa cerca de 1% a 5% da matriz 
de esmalte. Mutações no gene ENAM têm sido correlacio-
nadas com padrões autossômicos dominantes e recessivos 
da amelogênese imperfeita hipoplásica, que vão de peque-
nas fossetas a um esmalte fino difuso generalizado.
O gene MMP-20 codifica uma proteinase chamada 
enamelisina; a mutação deste gene foi associada à herança 
autossômica recessiva, variante pigmentada da amelogê-
nese imperfeita hipomaturada.
A protease, kallikreina-4, está associada ao gene KLK4, 
cuja mutação que foi relacionada com algumas formas de 
amelogênese imperfeita hipomaturada. A enamelisina e 
kallikreina-4 são consideradas necessárias para remoção 
de proteínas da matriz de esmalte durante o estágio de 
maturação de desenvolvimento do esmalte.
O gene DLX3 pertence ao grupo de genes que codifi-
cam um número de proteínas que são fundamentais para 
o desenvolvimento craniofacial, dentes, cabelos, cérebro 
e desenvolvimento neural; a mutação deste gene foi asso-
ciada às variantes hipoplásica e hipomaturada da amelogê-
nese imperfeita com taurodontia.
Outro forte candidato é o gene AMBN que codifica 
a proteína ameloblastina, que constitui cerca de 5% da 
matriz de esmalte. Embora não tenha sido provada asso-
ciação da amelogênese imperfeita, este lócus do gene é um 
forte candidato para um padrão autossômico dominante.
Embora ninguém tenha compilado uma lista dos tipos de 
amelogênese imperfeita utilizando a nova proposta de clas-
sificação, a Tabela 2-2 fornece uma ligeira ideia de como 
isso poderia ser organizado. Apesar destas excitantes des-
cobertas da genética molecular, deve-se ressaltar que pouco 
se sabe e que há muito ainda a ser investigado. Quando se 
observam grandes números de familiares afetados por ame-
logênese imperfeita, somente raras famílias demonstrarão 
mutação em um dos genes que atualmente conhecemos.
A formação do esmalte é um processo de múltiplas 
etapas, e problemas podem surgir em qualquer uma delas. 
Em geral, o desenvolvimento do esmalte pode ser dividido 
em três estágios principais:
1. Elaboração da matriz orgânica
2. Mineralização da matriz
3. Maturação do esmalte
Tabela 2-2 Classificação Modificada da Amelogênese Imperfeita
Herança Fenótipo Genes Relacionados
Autossômico dominante Depressão generalizada
Autossômico dominante Hipoplasia localizada ENAM
Autossômico dominante Generalizada fina ENAM
Autossômico dominante Hipocalcificação
Autossômico dominante Com taurodontia DLX3
Autossômico recessivo Hipoplasia localizada
Autossômico recessivo Generalizada fina
Autossômico recessivo Hipomaturação pigmentada MMP20, KLK4
Autossômico recessivo Hipocalcificação
Ligado ao cromossomo X Generalizada fina AMELX
Ligado ao cromossomo X Hipomaturação difusa AMELX
Ligado ao cromossomo X Hipomaturação coberta por neve 
100 PATOLOGIA ORAL E MAXILOFACIAL
Os defeitos hereditários da formação do esmalte tam-
bém são divididos ao longo dessas linhas: hipoplásico, hi-
pocalcificado, hipomaturado.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS 
E RADIOGRÁFICAS
A amelogênese imperfeita pode ser de herança autossô-
mica dominante, autossômica recessiva ou ligada ao cro-
mossomo X, com uma frequência estimada variando entre 
1:718 a 1:14.000 da população. Como em qualquer dis-
túrbio genético hereditário, pode ocorrer agrupamento 
de pacientes afetados em determinadas áreas geográfi-
cas (resultando no aumento de prevalência do distúrbio 
naquelas áreas). Além disso, existe o rigor dos critérios de 
diagnóstico que podem influenciar a prevalência relatada 
em qualquer pesquisa. Em geral, as dentições decídua e 
permanente estão difusamente envolvidas.
AMELOGÊNESE IMPERFEITA HIPOPLÁSICA
Em pacientes com amelogênese imperfeita hipoplásica, 
a alteração básica concentra-se na deposição inadequada 
da matriz de esmalte. Qualquer matriz presente é apro-
priadamente mineralizada e radiograficamente contrasta 
bem com a dentina subjacente. No padrão generalizado, 
depressões do tamanho de cabeça de alfinete estão espa-
lhadas ao longo da superfície do dente e não se relacionam 
com o padrão de dano ambiental (Fig. 2-84). As superfícies 
vestibulares dos dentes são afetadas mais acentuadamente, 
e as depressões podem ser alinhadas em filas ou colunas. 
Pode ocorrer pigmentação nas fossetas. É encontrada varia-
ção de expressividade em grupos de pacientes afetados. O 
esmalte entre as depressões é de espessura, dureza e colo-
ração normais.
No padrão localizado, os dentes afetados apresentam 
filas horizontais de fossetas, uma depressão linear, ou uma 
grande área de esmalte hipoplásico circundado por uma zo- 
na de hipocalcificação. Em geral, a área atingida é locali-
zada no terço médio da superfície vestibular dos dentes. A 
margem incisal ou a superfície oclusal geralmente não são 
afetadas. Ambas as dentições ou apenas os dentes decíduos 
podem ser atingidos. Todos os dentes podem ser envolvidos, 
ou apenas dentes dispersos podem ser afetados. Quando o 
comprometimento não é difuso, o padrão dos dentes altera-
dos não corresponde a um tempo específico do desenvolvi-
mento. O tipo autossômico recessivo (tipo IC) é mais grave 
e demonstra comprometimento de todos os dentes em am-
bas as dentições.
No padrão polido autossômico dominante, o esmal-
te dentário exibe uma superfície polida, fina, endurecida 
e brilhante (Fig. 2-85). A ausência de espessura apropria-
da de esmalte resulta em um dente com formato de pre-
paro de coroa total e exibe diastemas. A cor dos dentes va-
ria de branco opaco a um marrom translúcido. A mordida 
aberta anterior não é incomum. Radiograficamente, os 
dentes exibem uma fina linha periférica de esmalte radio-
paco. Observa-se, com frequência, dentes inclusos sofren-
do reabsorção.
O padrão polido ligado ao cromossomo X surge de 
uma mutação dominante ligada ao cromossomo X e é uma 
consequência do efeito de lionização. Perto do 16o dia da 
vida embrionária em indivíduos com dois cromossomos X, 
um membro do par é inativado em cada célula. Como resul-
tado deste fato, mulheres são mosaicas, com uma mistura 
de células, algumas com cromossomos maternais X ativos 
e outros com cromossomos paternais X ativos. Em geral, a 
mistura é de proporções quase iguais. Se um X direcionar 
a formação de esmalte defeituoso e o outro X direcionar a 
Fig. 2-84 Amelogênese imperfeita hipoplásica, padrão generalizado com fossetas. A, Observe múltiplas depressões pequenas ao longo 
da superfície dos dentes. O esmalte entre as fossetas é de espessura, dureza e coloração normais. B, Visão oclusal do mesmo paciente mos-
trando