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1 
 
Disciplina: Altas Habilidades ou Superdotação 
Autores: M.e Paula Maria Ferreira de Faria 
Revisão de Conteúdos: Esp. Marcelo Alvino da Silva / D.ra Maria Tereza Costa 
/ Esp. Raphael Pereira Nunes de Souza 
Revisão Ortográfica: Esp. Lucimara Ota Eshima 
Ano: 2020 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas 
páginas em qualquer meio de comunicação sem autorização escrita da equipe da Assessoria de 
Marketing da Faculdade São Braz (FSB). O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em 
cobrança de direitos autorais. 
 
 
2 
 
Paula Maria Ferreira de Faria 
 
 
 
Altas Habilidades ou 
Superdotação 
1ª Edição 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2016 
Curitiba, PR 
Faculdade UNINA 
 
 
 
3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
 
 
 
FARIA, Paula Maria Ferreira de. 
Altas Habilidades ou Superdotação / Paula Maria Ferreira de Faria. – 
Curitiba, 2016. 
61 p. 
Revisão de Conteúdos: Marcelo Alvino da Silva / Maria Tereza Costa. 
Revisão Ortográfica: Lucimara Ota Eshima. 
Material didático da disciplina de Altas Habilidades ou Superdotação – 
Faculdade São Braz (FSB), 2016. 
 ISBN: 978-85-94439-13-0 
 
 
4 
 
PALAVRA DA INSTITUIÇÃO 
 
Caro(a) aluno(a), 
Seja bem-vindo(a) à Faculdade UNINA! 
 
 Nossa faculdade está localizada em Curitiba, na Rua Cláudio Chatagnier, 
nº 112, no Bairro Bacacheri, criada e credenciada pela Portaria nº 299 de 27 de 
dezembro 2012, oferece cursos de Graduação, Pós-Graduação e Extensão 
Universitária. 
 A Faculdade assume o compromisso com seus alunos, professores e 
comunidade de estar sempre sintonizada no objetivo de participar do 
desenvolvimento do País e de formar não somente bons profissionais, mas 
também brasileiros conscientes de sua cidadania. 
 Nossos cursos são desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar 
comprometida com a qualidade do conteúdo oferecido, assim como com as 
ferramentas de aprendizagem: interatividades pedagógicas, avaliações, plantão 
de dúvidas via telefone, atendimento via internet, emprego de redes sociais e 
grupos de estudos o que proporciona excelente integração entre professores e 
estudantes. 
 
 
 Bons estudos e conte sempre conosco! 
 Faculdade UNINA 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
Apresentação da disciplina 
Esta disciplina é parte componente do Curso de Especialização em 
Educação Especial. Visa apresentar fundamentos e características das Altas 
Habilidades ou Superdotação (AHSD) que permitam ao profissional da 
Educação identificar, atuar e contribuir com o processo de aprendizagem 
significativa desse alunado e fornecer importantes subsídios para a identificação 
e o atendimento a alunos com AHSD. Por isso seu entendimento é fundamental 
ao profissional da área da Educação, para que possa atuar de forma 
comprometida e efetiva junto a essa clientela diferenciada que se insere no 
contexto das instituições escolares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
Aula 1 – Altas Habilidades ou Superdotação: Conceito e Características 
Apresentação da Aula 1 
 Nesta aula, será abordado o entendimento das Altas Habilidades ou 
Superdotação (AHSD) conforme a Legislação Brasileira. Serão estudados o 
conceito de AHSD, bem como as características cognitivas, afetivas e sociais do 
estudante com AHSD. 
 
1. Altas Habilidades ou Superdotação: Conceito e Características 
Quando se fala sobre Altas Habilidades ou Superdotação (AHSD), muitas 
questões emergem: para alguns, o superdotado é um gênio, com desempenho 
fantástico em uma área específica. Para outros, é um inventor que revoluciona 
o mundo com suas criações. Pode ser tido como o aluno “perfeito”, destacando-
se em tudo, ou uma criança precoce, autodidata, que surpreende agindo como 
um adulto. Em todas essas definições, utilizadas pelo senso comum, percebe-
se a presença de um desempenho ou talento que se destaca da média. No 
entanto, a superdotação ainda é vista como um fenômeno raro e desconhecido 
da maioria, mantendo estereótipos que prejudicam o atendimento e o pleno 
desenvolvimento da pessoa com Altas Habilidades ou Superdotação no país. 
 
1.1 Conceito e Características 
O Ministério da Educação (1995) define como portadores de altas 
habilidades ou superdotação os educandos que apresentam notável 
desempenho e elevada potencialidade em qualquer um dos seguintes 
aspectos, isolados ou combinados: 
➢ Capacidade intelectual geral; 
➢ Aptidão acadêmica específica; 
➢ Pensamento criativo ou produtivo; 
➢ Capacidade de liderança; 
➢ Talento especial para artes; 
➢ Capacidade psicomotora. 
 
 
7 
 
 
Dessa forma, nota-se que Superdotados ou pessoas com Altas 
Habilidades são as pessoas que apresentam um grau de habilidade 
significativamente maior do que a maioria da população. Em geral, pessoas com 
Altas Habilidades ou Superdotação (AHSD) apresentam muita facilidade e 
rapidez para aprender, possuem um elevado grau de criatividade, são muito 
curiosos, possuem grande capacidade para analisar e resolver problemas, além 
de possuírem um senso crítico bastante elevado. 
Para Refletir 
A terminologia “superdotado” muitas vezes dificulta a inserção 
da pessoa com AHSD na sociedade, pois o prefixo “super” 
pode gerar a falsa ideia de que a pessoa possui um padrão de 
habilidades excepcionais inato. Além disso, gera a 
comparação com seu oposto, o “não dotado”, o que estimula 
ainda mais a segregação. Qual o conceito implícito que o 
senso comum percebe na expressão “superdotado”? 
 
 
 Muitos especialistas têm preferido a utilização de outros termos, sem o 
termo “superdotados”, evitando assim toda a carga que o prefixo “super” pode 
impor, definindo-os como pessoas com: 
➢ Altas habilidades; 
➢ Aptidões superiores; 
➢ Alto potencial; 
➢ Talentos especiais. 
 
O aluno com AHSD pode apresentar alto potencial em algumas disciplinas 
e dificuldade em outras. Atualmente, o Ministério da Educação afirma que os 
“educandos com Altas Habilidades ou Superdotação são aqueles que 
apresentam grande facilidade de aprendizagem, que os auxilia ao domínio 
rápido de conceitos, procedimentos e atitudes” (BRASIL, 2001, S/p.). 
 
 
 
8 
 
 
 
As altas habilidades podem se apresentar predominantemente 
em diversas áreas diferentes, considerando as diferentes 
inteligências do ser humano. De forma ampla afirma-se que a 
superdotação implica em ser diferente. 
 
 
 
Segundo Virgolim (1997), a superdotação pode ocorrer em diversas áreas 
do conhecimento humano em pessoas com diferentes graus de talento, 
motivação e conhecimento. Algumas pessoas demonstram potencial muito 
superior em relação à média da população geral em algum campo do 
conhecimento. Outras demonstram um talento menor, mas o suficiente para 
destacá-las ao serem comparadas com a população geral. Por isso pode-se 
dizer que há uma heterogeneidade dentro da área das AHSD, o que muitas 
vezes dificulta a sua correta identificação (sobretudo ao que se refere às pessoas 
que não têm conhecimento específico sobre o tema). 
Sendo assim, pode-se afirmar que AHSD não é apenas aquele indivíduo 
que acerta todas as atividades na escola; pode ser também o aluno que nem 
sempre tira a nota máxima, mas que apresenta muita facilidade para desenvolver 
atividades específicas com qualidade e facilidade acima da maioria das pessoas, 
em qualquer área. 
 
Amplie Seus Estudos 
SUGESTÃO DE LEITURA 
Leia o artigo A Criança Superdotada e a Questão da Diferença: 
um Olhar Sobre Suas Necessidades Emocionais, Sociais e 
Cognitivas, de autoria de Ângela Magda Rodrigues Virgolim. 
Disponível no acesso: 
Fonte: 
periodicos.unb.br/index.php/linhascriticas/article/download/64
41/5213 
 
 
 
9 
 
Dentre as característicasgerais mais comumente encontradas em 
pessoas superdotadas (ALENCAR e FLEITH, 2001, apud BRASIL, 2006, p. 14-
15), destacam-se: 
➢ Grande curiosidade a respeito de objetos, situações ou eventos, 
com envolvimento em muitos tipos de atividades exploratórias; 
➢ Autoiniciativa (tendência a começar sozinho as atividades, a 
perseguir interesses individuais e a procurar direção própria); 
➢ Originalidade de expressão oral e escrita, com produção constante 
de respostas diferentes e ideias não estereotipadas; 
➢ Talento incomum para expressão em artes, como música, dança, 
teatro, desenho e outras; 
➢ Habilidade para apresentar alternativas de soluções, com 
flexibilidade de pensamento; 
➢ Abertura para realidade, busca se manter a par do que o cerca, 
sagacidade e capacidade de observação; 
➢ Capacidade de enriquecimento com situações-problema, de 
seleção de respostas, de busca de soluções para problemas 
difíceis ou complexos; capacidade para usar o conhecimento e as 
informações na busca de novas associações, combinando 
elementos, ideias e experiências de forma peculiar; 
➢ Capacidade de julgamento e avaliação superiores, ponderação e 
busca de respostas lógicas, percepção de implicações e 
consequências, facilidade de decisão; 
➢ Produção de ideias e respostas variadas, gosto pelo 
aperfeiçoamento das soluções encontradas; 
➢ Riqueza de expressão verbal (elaboração e fluência de ideias); 
➢ Habilidade em ver relações entre fatos, informações ou conceitos 
aparentemente não relacionados; 
➢ Aprendizado rápido, fácil e eficiente, especialmente no campo de 
sua habilidade e interesse. 
 
 
 
10 
 
Entre as características comportamentais dos alunos com altas 
habilidades ou superdotação, pode-se ainda ser notado, em alguns casos 
(ALENCAR e FLEITH, 2001, apud BRASIL, 2006, p. 14-15): 
➢ Necessidade de definição própria; 
➢ Capacidade de desenvolver interesses ou habilidades específicas; 
➢ Interesse no convívio com pessoas de nível intelectual similar; 
➢ Resolução rápida de dificuldades pessoais; 
➢ Aborrecimento fácil com a rotina; 
➢ Busca de originalidade e autenticidade; 
➢ Capacidade de redefinição e de extrapolação; 
➢ Espírito crítico, capacidade de análise e síntese; 
➢ Desejo pelo aperfeiçoamento pessoal, não aceitação de imperfeição 
no trabalho; 
➢ Interesse constante por temáticas específicas, com obstinação pela 
pesquisa; 
➢ Baixa necessidade de motivação externa para realizar trabalhos que 
considere estimulantes; 
➢ Responsabilidade; 
➢ Fraco interesse por regulamentos e normas; 
➢ Senso de humor altamente desenvolvido; 
➢ Alto grau de exigência consigo mesmo; 
➢ Persistência em satisfazer seus interesses e questões; 
➢ Sensibilidade às injustiças, tanto em nível pessoal como social; 
➢ Gosto pela investigação e pela proposição de muitas perguntas; 
➢ Descuido na escrita, deficiência na ortografia; 
➢ Impaciência com detalhes e com aprendizagem que requer 
treinamento; 
➢ Descuido no completar ou entregar tarefas quando desinteressado. 
 
A análise das características das pessoas com AHSD permite afirmar que 
se trata de um grupo heterogêneo, sendo importante levar em consideração que 
nem todos os alunos vão apresentar as características listadas anteriormente, 
sendo algumas mais típicas de uma área do que de outras. 
 
 
11 
 
1.2 Definições Legais 
 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) atual, Lei nº 
9.394 de 20 de dezembro de 1996, apresenta diretrizes acerca do atendimento 
a crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, em especial os 
alunos com Altas Habilidades ou Superdotação. 
 Apresenta-se, a seguir, uma seleção dos principais trechos em que a 
LDB se refere à educação de alunos com AHSD. 
 
 
 
LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996 
 
 
Estabelece as Diretrizes e Bases da educação nacional. 
 
 
 
 Art. 4. O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia 
de: 
[...] 
 III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, 
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal 
a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino; 
 IV - acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e médio para todos os que não os 
concluíram na idade própria (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013). 
[...] 
 Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com 
as seguintes regras comuns: [...] 
 V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: [...] 
c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do 
aprendizado. 
[...] 
 Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, independente do ano civil, tem, no mínimo, 
duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, excluído o tempo reservado aos exames finais, 
quando houver. [...] 
§ 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos, demonstrado 
por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos, aplicados por banca 
examinadora especial, poderão ter abreviada a duração dos seus cursos, de acordo com 
as normas dos sistemas de ensino. 
[...] 
 Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de 
educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com 
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. 
[...] 
 Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos 
globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: 
 I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para 
atender às suas necessidades; 
 
 
12 
 
 II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a 
conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir 
em menor tempo o programa escolar para os superdotados; 
 III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para 
atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a 
integração desses educandos nas classes comuns; 
 IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em 
sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção 
no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para 
aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou 
psicomotora; 
 V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para 
o respectivo nível do ensino regular. 
[...] 
Disponível na integra no acesso: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/leis/L9394.htm 
 
 
 
 
A Lei nº 9394/96 evidencia o dever do Estado de ofertar educação 
escolar pública para o atendimento aos educandos com Altas Habilidades ou 
Superdotação, preferencialmente na rede regular de ensino. Refere-se também 
à possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do 
aprendizado, ou seja, após a verificação da aprendizagem do conteúdo proposto 
e avaliação por uma banca especial, o aluno que apresente extraordinário 
aproveitamento nos estudos pode avançar etapas e séries de ensino. 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional determina que a 
educação especial deve ser oferecida preferencialmente na rede regular de 
ensino inclusive quando se tratar de alunos com AHSD. Indica o apoio 
especializado para atender as necessidades específicas dos alunos 
A Lei n.º 12.796, promulgada em 04 de abril de 2013, trouxe importantes 
alterações à LDB. Os artigos 4, 58 e 59 referem-se às AHSD. 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
 
LEI Nº 12.796, DE 04 DE ABRIL DE 2013 
 
 
Altera a Lei no 9.394, de20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes 
e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais 
da educação e dá outras providências. 
 
A PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu 
sanciono a seguinte Lei: 
 
[...] 
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a 
garantia de: 
[...] 
III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, 
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a 
todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino; 
 
CAPÍTULO I 
 Do Ensino de 1º e 2º graus 
Art. 9º Os alunos que apresentem deficiências físicas ou mentais, os que se encontrem 
em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados deverão receber 
tratamento especial, de acordo com as normas fixadas pelos competentes Conselhos de 
Educação. 
 
Disponível na integra no acesso: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/leis/L5692.htm 
 
 
Importante 
 
Uma das alterações evidenciada é a nomenclatura, que passa a 
incluir o termo “ou”, e os profissionais que atuam na área devem 
ficar atentos à nova grafia: Altas Habilidades ou Superdotação. 
 
 
 
 Grande parte dos profissionais de educação ainda acredita que a 
superdotação só pode ser identificada quando o aluno se destaca em uma ou 
em várias áreas e tem desempenho muito elevado em atividades curriculares; 
quando apresenta adequação e ajustamento socioemocional, habilidade 
psicomotora especialmente desenvolvida e um estilo de grande realizador. No 
entanto, embora possa ser encontrado, esse perfil não representa todo o 
universo da superdotação. Frequentemente são encontrados alunos curiosos, 
 
 
14 
 
ativos em procurar respostas para suas dúvidas e questionamentos, que 
apresentam expressões originais, que evidenciam um desempenho superior em 
uma ou em algumas áreas de conhecimento e possivelmente um 
desenvolvimento atípico para sua faixa etária. 
Saiba Mais 
Para ser considerada superdotada, a criança deve passar por 
uma avaliação multidisciplinar, que identifica se ela tem 
habilidade acima do considerado “normal” em uma ou em mais 
áreas de conhecimento (acadêmica, corporal ou 
criativa/artística). A superdotação deveria ser identificada 
primeiramente na escola, no entanto, muitas vezes isso não 
acontece. Não é tão fácil quanto parece identificar uma criança 
com altas habilidades, pois ela normalmente tem problemas 
na escola, como falta de interesse, agressividade, arrogância, 
impaciência, hiperatividade e excesso de autocrítica, explica. 
Justamente por isso, a capacitação de professores é tão 
essencial, pois permite quebrar o mito de que o aluno 
superdotado é aquele que presta atenção em todas as aulas e 
que só tem notas altas (RIBEIRO, 2006, S/p.). 
 
 
 No contexto da sala de aula, o professor tem condições de conviver com 
muitos alunos em um ambiente que permite a observação sistemática, 
prolongada e qualitativa das expressões de habilidades, desempenhos e 
aptidões. Assim, a partir desse contato cotidiano com os alunos, o olhar do 
professor deve ser capaz de notar as diferenças, que muitas vezes são sutis. 
 Winner (1998), afirma que: 
 
Estudantes com uma combinação de dons e dificuldades sofrem na 
escola, porque são mantidos fora dos programas para superdotados, 
mas considerados demasiado inteligentes para frequentarem aulas de 
apoio. Por vezes os professores julgam-nos desmotivados, visto que 
se distinguem em determinadas aptidões. Este gênero de estudante é, 
também, suficientemente inteligente, de modo a conseguir que os seus 
problemas passem frequentemente despercebidos (WINNER, 1998, 
p.61). 
 
 
 
 
 
15 
 
Importante 
 
Embora essas pessoas possuam grandes vantagens nos 
processos que abrangem o lado intelectual, como no 
desempenho em provas escolares, vestibulares e na capacidade 
criativa, os superdotados podem encontrar algumas dificuldades 
sociais e de convivência. Muitas crianças superdotadas 
procuram a companhia de pessoas mais velhas, na tentativa de 
encontrar parceiros com o mesmo nível intelectual. Além disso, 
pode ocorrer, nestas pessoas, o desencadeamento do medo da 
não aceitação social, sintomas de ansiedade, solidão e até 
mesmo de depressão (DANTAS, 2016, S/p.). 
 
 
Assim, pode-se perceber que muitas vezes os alunos com AHSD passam 
despercebidos pelos professores, sob uma gama diversa de rótulos 
(desinteressado, alheio, disperso, etc.), quadro gerado pelo despreparo dos 
profissionais da educação em reconhecer e atender as reais necessidades 
desses alunos na escola, que poderiam posteriormente ser aproveitados no 
mercado de trabalho. 
Cabe destacar que o potencial dos alunos com AHSD deve ser 
estimulado, pois são capazes de trazer importantes contribuições não somente 
ao mundo do trabalho, mas à sociedade como um todo, através de seu notável 
potencial nas diferentes áreas. 
 
Amplie Seus Estudos 
SUGESTÃO DE LEITUTA 
Amplie seus conhecimentos lendo Saberes e 
práticas da inclusão: desenvolvendo 
competências para o atendimento às 
necessidades educacionais especiais de 
alunos com Altas Habilidades/Superdotação, 
material elaborado pelo MEC, Secretaria de 
Educação Especial, 2006. Disponível no 
acesso: 
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/altashabilidades.pdf
. 
 
 
 
16 
 
 
1.3 Identificação e Avaliação 
Existem vários tipos de habilidades que classificam as pessoas com Altas 
Habilidades ou Superdotação. As habilidades podem estar relacionadas com: 
➢ a área acadêmica (o aluno tira notas altas e possui enorme 
facilidade em assimilar o conteúdo); 
➢ a área artística (apresenta grande talento em expressar suas 
emoções através da música, pintura ou teatro, por exemplo); 
➢ a área psicomotora (revela alto desempenho em esportes e 
atividades que requeiram coordenação corporal). 
Importante 
 
Para afirmar que o aluno apresenta AHSD e não é apenas um 
estudante inteligente e dedicado, é necessário realizar uma 
avaliação específica de potencial, preferencialmente 
desenvolvida por uma equipe multidisciplinar, para que se possa 
ter um panorama abrangente e completo de suas habilidades. 
 
É importante destacar que a avaliação realizada não pode mais se 
restringir aos testes de QI (Quociente de Inteligência), pois somente pessoas 
com características predominantemente acadêmicas podem ser identificadas 
através desses instrumentos específicos. Dessa forma, as pessoas que 
possuem habilidades excepcionais em outas áreas (arte, expressão corporal, 
musical, etc.), não são identificadas. Por isso, o ideal é que a avaliação seja mais 
abrangente e envolva não apenas os testes formais, mas também avaliações 
informais que proporcionem a observação individualizada e específica das 
diferentes formas de inteligências, em uma avaliação multidisciplinar, que 
abranja: 
➢ entrevista inicial com pais ou responsáveis; 
➢ inventário de interesses; 
➢ fichas escolares; 
➢ pesquisa familiar; 
 
 
17 
 
➢ observação de estilos de aprendizagem e do 
desenvolvimento demonstrado nos encontros; 
➢ testes psicológicos (somente pelo psicólogo). 
 
Para realizar a avaliação, é necessário inicialmente a identificação, na 
maioria das vezes realizada na escola, que consiste em perceber nos alunos 
características específicas condizentes com as AHSD. É fundamental que o 
professor esteja atento e sensível para que possa reconhecer boas ideias, boa 
produção, comentários aprofundados e interessantes e complementações ao 
tema tratado com coerência e conhecimento, elementos que podem revelar um 
aluno com Altas Habilidades ou Superdotação. 
 Cabe ressaltar que o aluno com AHSD apresenta características 
funcionais particulares. Não se trata de saber tudo ou aprender sem qualquer 
mediação, mas sim de uma aprendizagem diferenciada e muitas vezes em 
menor tempo.Segundo Sabatella (2012), a superdotação não implica em ser 
melhor ou pior que as demais pessoas; significa apenas ser diferente. 
Ví deo 
Assista ao filme Lances Inocentes (Searching for Bob Fischer), 
dirigido por Steven Zaillian, no qual o protagonista do filme 
revela algumas características de alguns superdotados como: 
aprender com grande facilidade e apenas com a observação, 
apresentar um comportamento intenso (brinca e joga ao mesmo 
tempo), facilidade em relacionar-se com pessoas de diferentes 
idades. Pode-se notar que, apesar da pouca idade, ele 
apresenta uma grande integridade e um olhar profundo e 
diferenciado da realidade. 
Link do trailler: https://www.youtube.com/watch?v=M3euqlXooDU 
 
 Ao perceber características específicas nos alunos, o professor deve 
observar com atenção e, em caso de suspeita de AHSD, é essencial que seja 
realizado o encaminhamento para uma avaliação de potencial com equipe 
multidisciplinar para que possa receber primeiro um diagnóstico adequado e, 
 
 
18 
 
posteriormente, possa ter atendimento específico dentro de suas 
potencialidades e área(s) de habilidade. 
 Após o encaminhamento e o diagnóstico, os profissionais que atuam junto 
às AHSD devem compreender que esses alunos são reconhecidos pela 
legislação brasileira (LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - 
9394/96 revisada pela Lei nº12.796, de 2013) como pessoas com 
necessidades educacionais especiais e, apesar de muitos apresentarem um 
excelente desempenho escolar, transmitindo a ideia errônea de que “já têm tudo 
de que precisam”, eles precisam e têm o direito de serem assistidos em suas 
necessidades específicas. 
 
Resumo da Aula 1 
 Nesta aula definiram-se os conceitos de Altas Habilidades ou 
Superdotação conforme determinado pela legislação brasileira. Também foram 
apresentadas e discutidas as características mais comumente encontradas em 
pessoas com AHSD, tanto no contexto geral como no ambiente escolar. 
 
Atividade de Aprendizagem 
Cite e explique três características das Altas Habilidades ou 
Superdotação (AHSD). 
 
 
Aula 2 – Conceito de Inteligência Conforme as Teorias de Sternberg, 
Gardner e Renzulli 
Apresentação Aula 2 
Nesta aula serão vistas as concepções dos teóricos mais relevantes da 
área das Altas Habilidades ou Superdotação, estudando as teorias de dois 
psicólogos que questionaram a conceituação de inteligência e sua forma de 
medição, trazendo importantes contribuições à definição atual do conceito de 
inteligência (Howard Gardner, em Harvard, com a Teoria das Inteligências 
 
 
19 
 
Múltiplas no ano de 1983, e Robert Sternberg, em Yale, autor da Teoria 
Triárquica da Inteligência no ano de 1984). Posteriormente serão analisadas as 
teorias propostas pelo psicólogo norte-americano Joseph Renzulli, cuja 
contribuição é mundialmente reconhecida na área das Altas Habilidades ou 
Superdotação. 
 
2. Conceito de Inteligência Conforme as Teorias de Sternberg, Gardner e 
Renzulli 
 Para iniciar a aula, é importante conhecer o conceito de inteligência 
conforme definição do psicólogo Robert Sternberg. 
 
2.1 Conceito de Inteligência Conforme a Teoria de Robert Sternberg 
Para Sternberg, as teorias sobre a inteligência não eram capazes de 
explicar satisfatoriamente a interação entre o indivíduo e o mundo real. Assim 
como Gardner, ele condena a classificação da inteligência através unicamente 
de testes de QI, desvinculados da realidade vivenciada pelo sujeito examinado. 
Sternberg desenvolveu a Teoria Triárquica da Inteligência, que é 
composta por três processos: criativo, analítico e prático. 
O pensamento analítico é a capacidade de pensamento convergente, 
necessária para analisar e avaliar soluções possíveis; ou seja, refere-se ao uso 
do raciocínio e da lógica na avaliação de problemas e em sua resolução. O 
pensamento analítico permite à pessoa encontrar a melhor solução após analisar 
diversas possibilidades. 
O pensamento analítico pode ser exemplificado através de um aluno que 
se destaca nos aspectos acadêmicos e muitas vezes aprende sozinho ou com 
pouca instrução, porém com alguma dificuldade para lidar com situações que 
abalem sua rotina, exigindo respostas diferentes de seu cotidiano. 
O pensamento criativo é a habilidade de utilizar ideias diferenciadas 
para solucionar problemas. Essas ideias surgem a partir de uma reflexão sobre 
o problema e suas possibilidades sob diferentes ângulos, chegando assim a uma 
solução viável. 
 
 
20 
 
O pensamento criativo pode ser notado em uma pessoa que apresente 
muita imaginação e criatividade, porém que nem sempre tem as melhores notas 
escolares, não se destacando no contexto acadêmico. 
O pensamento prático permite que as ideias sejam analisadas e 
utilizadas eficazmente no cotidiano, através da adaptação e da aplicação do 
conhecimento prévio à realidade atual para solucionar os problemas. 
O pensamento prático evidencia pessoas que facilmente se destacam no 
ambiente profissional, adaptando-se facilmente devido à sua habilidade de 
identificar as necessidades e executar tarefas com agilidade e precisão. 
Dessa forma, um comportamento inteligente envolve o processamento da 
informação (pensamento analítico), a experiência com uma situação ou tarefa 
(pensamento criativo) e a habilidade de modificar o comportamento de modo a 
adaptar-se ao ambiente e atender suas demandas eficazmente (pensamento 
prático). 
Sternberg defende a importância da habilidade em lidar com resolução de 
problemas e situações originais; segundo ele, pessoas mais inteligentes obtêm 
maior sucesso nas tarefas através de soluções originais e criativas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado pelo autor (2016). 
CRIATIVO 
“criar” 
“inventar” 
“planejar” 
 
TEORIA 
TRIÁRQUICA DA 
INTELIGÊNCIA 
(TTI) 
PRÁTICO 
“aplicar” 
“usar” 
“utilizar” 
 
ANALÍTICO 
“analisar” 
“comparar” 
“avaliar” 
 
 
 
21 
 
 
 
A Teoria Triárquica da Inteligência demonstra como os três tipos de 
pensamento (ou três inteligências diferenciadas) devem ser integrados através 
das experiências (internas e externas) vivenciadas pelo indivíduo. O equilíbrio 
na utilização das três modalidades de pensamento permite que a pessoa se 
adapte a seu meio. 
Sternberg compreende a inteligência de forma integrada, discordando de 
Gardner que postula a existência de diversas inteligências que, segundo 
Sternberg, na verdade são talentos individuais. 
 
Saiba Mais 
 
Robert Sternberg (nascido em 08 de 
dezembro de 1949), formou-se em 
Psicologia pela Yale University e PhD da 
Stanford University. Possui nove títulos 
de doutor honoris causa, sendo um de 
uma universidade sul-americana e oito 
de universidades europeias. É professor 
honorário da Universidade de Heidelberg na Alemanha. 
Robert Sternberg iniciou sua carreira movido por situações 
extremamente pessoais e negativas. Ele fracassou em 
testes de QI, sendo considerado “embotado” e de baixo 
rendimento nos primeiros anos na escola. Obteve baixas 
notas na universidade de Psicologia que o fizeram desistir 
do curso e optar por realizar Matemática. Sua trajetória 
mudou quando uma nova professora demonstrou grandes 
expectativas a seu respeito e ele respondeu positivamente. 
Com o encorajamento da professora ele desistiu da 
Matemática e retornou à Psicologia, terminando a 
Universidade de Yale com louvor. 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
2.2 Conceito de Inteligência Conforme a Teoria de Howard Gardner 
Gardner questionou a tradicional visão de inteligência medida pelos testes 
de QI, demonstrando que a inteligência humana não pode ser adequadamente 
medida apenas por respostas curtas contidas em testes convencionais. 
Depois de muitos anos de pesquisas com a inteligência humana, o 
psicólogo concluiu que o cérebro humano possui 8 tipos de inteligência, 
desenvolvendo assim, a Teoria das Inteligências Múltiplas, apresentadas a 
seguir (GARDNER, 2000):➢ Inteligência Linguística: Envolve sensibilidade para a língua falada 
e escrita, a habilidade de aprender línguas e a capacidade de usar a 
língua para atingir certos objetivos. 
➢ Inteligência Lógico-Matemática: Envolve a capacidade de analisar 
problemas com lógica, de realizar operações matemáticas e investigar 
questões cientificamente. 
➢ Inteligência Espacial: Tem o potencial de reconhecer e manipular os 
padrões do espaço, bem como os padrões de áreas mais confinadas 
(como os que são importantes para escultores, cirurgiões, jogadores 
de xadrez, artistas gráficos e arquitetos). 
➢ Inteligência Corporal Cinestésica: Acarreta o potencial de se usar 
o corpo para resolver problemas ou fabricar produtos. 
➢ Inteligência Musical: Acarreta habilidade na atuação, na composição 
e na apreciação de padrões musicais. 
➢ Inteligência Naturalista: Envolve a capacidade de observar padrões 
na natureza, identificando e classificando objetos e compreendendo 
os sistemas naturais e aqueles criados pelo homem. 
➢ Inteligência Interpessoal: Denota a capacidade de entender as 
intenções, as motivações e os desejos do próximo e, 
consequentemente, de trabalhar de modo eficiente com terceiros. 
➢ Inteligência Intrapessoal: Facilidade em compreender e identificar e 
lidar com as próprias emoções para atingir seus objetivos pessoais. 
 
Segundo Gardner (2000), as oito inteligências são independentes, têm 
sua origem e processos cognitivos próprios, mas é raro que funcionem 
 
 
23 
 
isoladamente, apresentando-se geralmente através de uma combinação de 
diversas inteligências. Para ele a maior parte das pessoas apresenta destaque 
somente em uma ou duas inteligências, o que justifica o fato de que mesmo 
pessoas que se destaquem em uma área apresentem dificuldades em outras 
áreas. 
É importante ressaltar que essa teoria permanece em construção, e 
atualmente estão sendo aventadas outras inteligências, como a Espiritual 
(conjunto de inteligências relacionadas ao espírito) e a Existencial (significado 
da vida e da morte). 
Gardner (2000) ainda afirma que estas inteligências se apresentam de 
duas formas. Algumas pessoas já nascem com determinadas inteligências, ou 
seja, a genética contribui. Porém, as experiências vividas também contribuem 
para o desenvolvimento de determinadas inteligências. Para Gardner as 
crianças com AHSD “prometem”, ou seja, apresentam uma promessa de 
desenvolvimento superior (por isso seu potencial deve ser trabalhado e 
desenvolvido). 
Dessa forma, pode-se concluir que a grande contribuição de Gardner foi 
a compreensão de que a inteligência não é uma estrutura única, estanque, e sim 
modular. Assim, diferentes inteligências podem ser estimuladas e trabalhadas 
através de atividades específicas. 
A identificação das Altas Habilidades ou Superdotação, sob a perspectiva 
das Inteligências Múltiplas, considera todas as áreas do conhecimento e 
capacidades, diferenciando-se dessa forma da maioria das identificações 
propostas que se baseiam em testes de inteligência e listas de comportamentos 
indicativos. 
 As informações provenientes da identificação das diversas inteligências 
apresentadas pelo aluno com AHSD auxiliam na escolha de estratégias 
pedagógicas mais efetivas para o aluno, podendo atuar como um guia para os 
tipos de atividades que podem favorecer e fomentar o desenvolvimento de seu 
potencial. 
 
 
 
 
24 
 
Saiba Mais 
 
Howard Gardner (nascido em 11 de 
julho de 1943), formou-se em 
Psicologia pela Universidade de 
Harvard. Trabalha como professor de 
cognição e educação na Universidade 
de Harvard e também como professor 
adjunto de neurologia na universidade 
de Boston. 
 
Importante 
 
A Teoria Triárquica de Sternberg, assim como a Teoria das 
Inteligências Múltiplas de Gardner, pressupõe a correlação direta 
entre os processos emocionais e cognitivos. Conforme visto, para 
Gardner as inteligências correspondem a diferentes conteúdos 
da cognição (linguística, musical, espacial, etc.), enquanto 
Sternberg define que o comportamento inteligente se baseia em 
três diferentes processos (analítico, criativo e prático). Dessa 
forma, os princípios de pensamento de Sternberg podem ser 
aplicados a cada uma das inteligências de Gardner, permitindo 
não somente a identificação de potenciais diferenciados, como 
também a criação de estratégias que permitam e estimulem seu 
desenvolvimento. 
 
 
 
2.3 Conceito de Inteligência Conforme a Teoria dos Três Anéis de Renzulli 
A teoria de Renzulli, denominada Teoria dos Três Anéis, descreve que 
o superdotado funciona na intersecção de três variáveis, representadas por três 
anéis que se entrelaçam, dispostos em uma base, que representa a interação 
entre fatores ambientais e de personalidade que favorecem o aparecimento da 
superdotação. A área exterior aos três anéis são os aspectos ambientais 
(família, escola, amigos, colegas) e de personalidade que servem de suporte à 
manifestação da superdotação. 
 
 
25 
 
 Na representação gráfica, as AHSD revelam-se na intersecção dos três 
anéis, que apresentam o tripé da superdotação: capacidade acima da média, 
criatividade e comprometimento com a tarefa. Dessa forma, ressalta-se a 
importância da presença dos três aspectos, de forma combinada, para que haja 
as AHSD. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Renzulli & Reis (1986). 
 
 
A habilidade acima da média refere-se ao potencial de desempenho 
representativamente superior em qualquer campo do saber ou do fazer. 
 A capacidade acima da média pode ser geral ou específica. A habilidade 
geral é a capacidade de processar as informações, integrando-as às 
experiências anteriores, de modo a encontrar uma resposta satisfatória à 
situação-problema atual através do pensamento abstrato. Em geral é a 
habilidade mais valorizada nas escolas (exemplo: raciocínio verbal, relações 
espaciais e memória). A habilidade específica é a capacidade de adquirir e 
aplicar as habilidades gerais em atividades específicas (exemplo: composição 
musical, escultura, fotografia, atletismo, liderança). 
O envolvimento com a tarefa consiste na aplicação da energia na 
realização de uma atividade específica. Pode ser compreendida como 
autoconfiança, paciência, perseverança, etc., através das quais a pessoa 
desenvolve um padrão de excelência e qualidade em relação ao trabalho 
desenvolvido por si e pelos demais. 
 
 
26 
 
 A criatividade pode ser entendida como a capacidade de pensar em algo 
diferente, vislumbrando novos significados e implicações. Ela se evidencia 
através de diferentes linguagens (exemplo: gestual, plástica, teatral, matemática, 
falada, etc.). A criatividade se relaciona diretamente à flexibilidade e à 
originalidade de pensamento, denotando uma imaginação produtiva. 
Para Renzulli não basta apenas a presença de uma habilidade, é 
necessário que a pessoa se envolva com ela para que as AHSD sejam validadas. 
No entanto é preciso cuidado, pois muitas pessoas com AHSD, por diversas 
razões (físicas, emocionais ou sociais), não estão empenhadas em demonstrar 
suas potencialidades e podem ser prejudicadas por esse molde de avaliação. 
Por isso, não se pode considerar somente esse aspecto, sob o risco de descartar 
um número grande de pessoas talentosas que não se destacam tanto na área 
cognitiva (ou seja, acadêmica ou escolar). Apesar disso, esse sistema é eficiente 
e muito utilizado para a identificação de superdotados, ressaltando o 
desempenho demonstrado nas salas de aula por muitos superdotados. 
Saiba Mais 
Joseph S. Renzulli (nascido em 07 
de julho de 1936), é um psicólogo 
norteamericano, o qual tem 
desenvolvido as mais relevantes 
pesquisas teóricas acerca das Altas 
Habilidades ou Superdotação. A sua 
investigação tem-se centrado na 
identificação e no desenvolvimento da criatividade e 
talento em novos e modelos organizacionais e estratégias 
curriculares para melhoria global da escola. Umfoco de 
seu trabalho tem vindo a implementar estratégias 
educacionais para alunos com altas habilidades. 
 
 
Renzulli afirma que nem sempre a criança apresenta esse conjunto de 
traços igualmente desenvolvido, mas poderá desenvolver todo seu potencial se 
lhe forem dadas oportunidades. Para o autor nenhum traço é mais importante 
que o outro, todos merecem a mesma atenção, e as características das Altas 
 
 
27 
 
Habilidades ou Superdotação podem aparecer de forma isolada ou combinada 
(duas ou mais características simultaneamente). 
 
Saiba Mais 
Renzulli discute a importância de se entender a superdotação 
como um comportamento que pode ser desenvolvido em 
algumas pessoas (naquelas que apresentam alguma 
habilidade superior à média da população), em certas 
ocasiões e sob certas circunstâncias (e não em todas as 
circunstâncias da vida de uma pessoa) [Renzulli & Reis, 
1997]. 
Esta diferenciação é importante, pois este autor, ao considerar 
a superdotação como um comportamento a ser desenvolvido, 
retira a discussão da questão, muitas vezes estéril, de se 
rotular uma criança como superdotada ou não, para enfocá-la 
na necessidade de se oferecer oportunidades educacionais 
fundamentais e variadas para que um número maior de 
crianças possa desenvolver e apresentar comportamentos de 
superdotação. 
Desse ponto de vista, segue-se que tais comportamentos 
podem e devem ser desenvolvidos naquelas pessoas que não 
são, necessariamente, as que tiram as melhores notas ou 
apresentam maiores resultados em testes de QI. 
 
Disponível na integra no acesso: 
http://conbrasd.org/wp/?page_id=4188 
 
2.4 Tipos de Superdotação: Renzulli 
Renzulli propôs duas categorias que permitiriam a identificação das Altas 
Habilidades ou Superdotação: o tipo acadêmico e o tipo produtivo-criativo. 
 O Tipo Acadêmico relaciona-se aos conteúdos de currículo escolares. É 
identificado quantitativamente através de testes, notas escolares e da 
classificação dos professores. 
 O Tipo Produtivo-Criativo refere-se ao desenvolvimento de ideias, 
produtos, expressões artísticas originais e áreas do conhecimento. É identificado 
subjetivamente, sendo necessária uma contextualização espaço-temporal. 
 Para Renzulli, ambos os tipos são importantes e em geral se 
correlacionam. 
 
 
28 
 
 
Pesquise 
A análise da biografia de grandes cientistas, pesquisadores e 
inventores que mudaram a história do mundo demonstra que 
essas pessoas apresentaram indicadores e características 
dos dois tipos de superdotação constantes na teoria dos Três 
Anéis do Renzulli. Entre os expoentes, exemplifica-se a 
personalidade de Leonardo da Vinci. 
Pesquise a vida e a obra de Leonardo da Vinci e identifique 
em quais áreas de inteligência ele se destacou. 
 
 
2.5 Tipos de Superdotação: MEC 
 A classificação atual utilizada para descrever os tipos de superdotados no 
Brasil considera os seguintes tipos de superdotação (BRASIL, 2006, p. 14-15): 
- Tipo Intelectual: apresentam flexibilidade, fluência, agilidade de 
raciocínio e associações, compreensão e memória elevadas, produção 
ideativa, capacidade de encontrar soluções com criatividade e 
facilidade para os problemas. 
- Tipo Acadêmico: aquele que geralmente é identificado com muita 
facilidade nos ambientes escolares, por apresentarem atenção e 
concentração e rapidez na aprendizagem de conceitos desenvolvidos 
na escola. Com boa memória, gosto e empenho na execução e 
desenvolvimento das tarefas escolares, apresenta habilidade para 
avaliar, sintetizar, organizar e produzir o conhecimento acadêmico. 
- Tipo Criativo: desempenha as atividades com muita criatividade, 
originalidade, imaginação e encontra soluções inusitadas para resolver 
situações e problemas de seu cotidiano. Sensível e muito flexível, 
podendo reagir de maneira extravagante. 
- Tipo Social: demonstra capacidade de interagir e liderar com muita 
facilidade por possuir atitude cooperativa e interpessoal. Apresenta 
habilidade no trato com pessoas e coordenação de grupos e trabalhos. 
- Tipo Talento Especial: destaca-se na área das artes plásticas, 
dramática, musical, literária ou cênica, deixando muito evidente seu 
talento. 
- Tipo Psicomotor: seu desempenho e extrema habilidade em utilizar 
a força, velocidade, agilidade e destreza no controle de sua 
coordenação corporal evidenciam sua capacidade diferenciada. 
 
 
 
29 
 
As pessoas com AHSD são um grupo bastante heterogêneo, 
apresentando muitas particularidades nas diferentes formas de manifestação do 
quadro de Altas Habilidades ou Superdotação. 
É importante ressaltar que os diferentes tipos de Superdotação podem 
aparecer de forma combinada no mesmo indivíduo. Mesmo que um dos tipos 
prevaleça, outros podem ser revelados em situações emocionais e sociais 
distintas. 
 
 
 
A Lei nº 12.796, de 04 de abril de 2013, fez alterações na Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996). Uma das alterações refere-se à nomenclatura 
das Altas habilidades. 
A terminologia definida é Altas Habilidades ou Superdotação, e 
a sigla correta passa a ser AHSD. 
 
 
 
Uma educação para todos, sob a perspectiva inclusiva, precisa considerar 
as diferenças individuais, ofertando oportunidades de aprendizagem 
particularizadas conforme as habilidades, os interesses, estilos de aprendizagem 
e potencialidades dos alunos. Alunos com Altas Habilidades ou Superdotação 
têm o direito legal e merecem ter acesso e ser beneficiados por práticas 
pedagógicas capazes de atender suas necessidades, possibilitando o pleno 
desenvolvimento de seu potencial. 
 A escola deve estimular todos os alunos, não só aqueles que possuem 
um alto QI ou que tiram as melhores notas no contexto acadêmico. É preciso 
que as instituições escolares desenvolvam atividades e práticas diferenciadas 
que atender às demandas de todos os estudantes. Dessa forma toda sala de 
aula (regular ou não) é responsável por desenvolver um currículo adequado e 
inclusivo (ou seja, concepções, práticas, conteúdos e avaliações), atendendo 
todos os alunos, inclusive os que apresentam Altas Habilidades ou 
Superdotação. 
 
 
30 
 
Para Refletir 
As pessoas que marcaram a história por suas contribuições ao 
conhecimento e à cultura não são lembradas pelas notas que 
obtiveram na escola ou pela quantidade de informações que 
conseguiram memorizar, mas sim pela qualidade de suas 
produções criativas expressas em concertos, ensaios, filmes, 
descobertas científicas, etc. 
Reflita: 
Será que esse é o único ou o principal critério que devemos 
levar em conta em nossas salas de aula? Por que é tão 
valorizado assim? 
 
 
Uma educação democrática deve levar em consideração as diferenças 
individuais e, portanto, oferecer oportunidades de aprendizagem conforme as 
habilidades, interesses, estilos de aprendizagem e potencialidades dos alunos. 
Nesse sentido, alunos com altas habilidades ou superdotados merecem ter 
acesso a práticas educacionais que atendam às suas necessidades, 
possibilitando um melhor desenvolvimento de suas habilidades. 
Segundo Renzulli (1986), o propósito da educação dos indivíduos 
superdotados é “fornecer aos jovens, oportunidades máximas de autorrealização 
por meio do desenvolvimento e expressão de uma ou mais áreas de 
desempenho onde o potencial superior esteja presente” (p. 5). Várias são as 
razões para justificar a necessidade de uma atenção diferenciada ao 
superdotado. Uma delas é por ser o potencial superior um dos recursos naturais 
mais preciosos, responsável pelas contribuições mais significativas ao 
desenvolvimento de uma civilização. 
 
 
 
 
31 
 
Ví deo 
Assista ao filme Mentes que brilham (Little Man Tate), dirigido por 
Jodie Foster, que narra a história de Fred Tate, que aos sete anos 
demonstra ter talentos extremamente precoces, destacando-se 
em áreas distintas como matemática e artes, e o seu maior medo 
é que seja visto como alguém anormaldevido aos seus talentos. 
 
Link do trailer: https://www.youtube.com/watch?v=IqxDqUaUkaY 
 
Resumo da Aula 2 
 Nesta aula evidenciaram-se as definições de inteligência segundo 
Renzulli, Sternberg e Gardner, compreendendo as intersecções entre as três 
teorias. Estudou-se ainda os tipos de Altas Habilidades ou Superdotação para 
Renzulli e para o Ministério da Educação, percebendo-se a importância do 
trabalho educativo direcionado ao desenvolvimento do potencial dos alunos com 
AHSD, conforme a prevalência das características de inteligência de cada aluno. 
 
 
Atividade de Aprendizagem 
Com base no conteúdo estudado nessa aula, discorra sobre 
uma das inteligências descritas por Gardner, desenvolvendo 
uma proposta de estimulação dessa área para alunos com Altas 
Habilidades ou Superdotação. 
 
Aula 3 – AHSD: Atendimento e Intervenção Pedagógica 
Apresentação da Aula 3 
 Nesta aula serão apresentadas as metodologias e estratégias para o 
atendimento pedagógico de alunos com Altas Habilidades ou Superdotação, 
evidenciando a atuação do professor e o processo avaliativo. 
 
 
 
32 
 
3. AHSD: Atendimento e Intervenção Pedagógica 
3.1 Metodologia e Estratégias de Atendimento Pedagógico 
Os alunos com AHSD (Altas Habilidades ou Superdotação) necessitam de 
serviços educacionais diferenciados, através dos quais possam desenvolver seu 
potencial acadêmico, artístico, psicomotor e social. Para isso, seu potencial 
precisa ser identificado, acompanhado e enriquecido através de adequações 
curriculares no contexto escolar, bem como métodos e estratégias de ensino 
diferenciadas. Os alunos devem ser preparados para se tornarem produtores 
de conhecimento, e não somente consumidores, contribuindo assim com seus 
potenciais e habilidades para o progresso e desenvolvimento da sociedade 
(RENZULLI e REIS, 1997). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: GUBBINS, 2005, apud VIRGOLIM, 2010, p.6 
 
 Nesse sentido, a atuação do professor é fundamental, através de um olhar 
sensível e diferenciado, que permita identificar e também integrar os alunos com 
AHSD ao ambiente escolar. Por isso é importante, dentre outros fatores, que o 
profissional da educação não somente tenha conhecimento, mas também se 
mantenha sempre atualizado através de formação continuada. 
 
 
 
33 
 
Ví deo 
Assista à entrevista na qual se aborda a temática AHSD e as 
ações do Núcleo de Atendimento de Altas Habilidades ou 
Superdotação (NAAHS), o qual fica sediado em Londrina no 
Estado do Paraná. 
 
Link: http://tvg.globo.com/programas/encontro-com-fatima-
bernardes/videos/t/programa/v/nucleos-de-altas-
habilidades-e-superdotacao-desenvolve-potencial-de-
alunos/2604817/ 
 
 
 A legislação brasileira assegura os direitos das pessoas com 
necessidades educacionais, o que inclui as pessoas com Altas Habilidades ou 
Superdotação. A Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional, bem como os decretos e legislações específicas de cada estado, 
asseguram esses direitos. 
 No Brasil, o Ministério da Educação elucida que educandos com Altas 
Habilidades ou Superdotação podem ser definidos como aqueles que 
“apresentam grande facilidade de aprendizagem que os levem a dominar 
rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes”. 
 Sendo assim, destaca-se que as AHSD nem sempre são acadêmicas, 
gerando notas excelentes ao aluno, mas se referem à grande facilidade em 
desenvolver atividades específicas com qualidade e facilidade superior à maioria 
da população. 
Para identificar os interesses do aluno, o professor pode usar inventários 
de interesse, realizar atividades exploratórias (como as de enriquecimento), 
desafios, entre outras. Essas atividades são úteis, pois quando o aluno nota a 
relevância de suas descobertas sua motivação aumenta, fazendo com que se 
envolva mais no processo de aprendizagem. 
 
 
 
 
 
34 
 
Importante 
 
A participação da família também é fundamental na identificação 
das AHSD. Muitas vezes os pais notam os sinais, mas não os 
consideram, por já estarem habituados a esse padrão de 
desempenho e o considerarem normal. A família deve ser 
incentivadora do desenvolvimento do potencial da criança com 
AHSD, proporcionando também um ambiente acolhedor e 
confortável. 
 
 
 
A partir dos indícios levantados pela família e pela escola, deve-se partir 
para o diagnóstico, a ser realizado por profissional especializado, 
preferencialmente em equipe multidisciplinar. Porém esse processo deve ser 
realizado com critério, evitando o levantamento de falsas expectativas. 
 
 
 
O professor não faz diagnóstico, mas encaminha o aluno para 
avaliação pelo profissional especialista, em equipe multidisciplinar 
(psicólogo, pedagogo, psicopedagogo, especialista em AHSD). 
Devido à necessidade da aplicação de testes específicos, o 
psicólogo é o profissional habilitado para elaborar o laudo. 
 
 
 Após o encaminhamento e o diagnóstico, os profissionais que atuam com 
alunos AHSD devem compreender que esses educandos são reconhecidos pela 
legislação brasileira (LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - 
9394/96 revisado pela Lei nº12.796, de 2013) como pessoas com 
necessidades educacionais especiais e, apesar de muitos apresentarem um 
excelente desempenho escolar e primor ao cumprir com suas obrigações 
escolares, precisam ser assistidos em suas necessidades específicas. 
 
 
 
 
35 
 
Amplie Seus Estudos 
 
SUGESTÃO DE LEITURA 
Leia a reportagem, Escolas oferecem espaço para alunos 
superdotados, de autoria de Mariana Lioto. Disponível no 
acesso: 
 
http://cgn.uol.com.br/noticia/145083/escolas-oferecem-
espaco-para-alunos-superdotados 
 
 
 
Muitas vezes, há necessidade de adotar adequações significativas do 
currículo para atender às necessidades especiais dos alunos. As estratégias 
adotadas devem considerar as necessidades do aluno com AHSD e a 
necessidade de maior complexidade curricular. 
O professor do ensino regular deve estar em constante contato com os 
coordenadores dos programas de enriquecimento ou salas de recursos, e 
proporcionar também registros de avaliações diferenciadas podendo assim 
realizar as adaptações necessárias para o aprimoramento curricular de cada 
aluno com AHSD. 
Alguns autores, como Virgolim (2016), indicam que o professor utilize um 
portfólio como instrumento de levantamento de dados e sistematização do nível 
de desempenho e áreas de aptidão dos educandos com AHSD. A autora explica 
a função e as características do modelo de Portfólio do Talento Total: 
Os autores recomendam que cada escola ou programa personalize o 
Portfólio, de forma que ele reflita, da melhor forma possível, as 
melhores informações que queremos saber de nossos alunos, tais 
como: Quais são seus interesses? Quais ideias os motivam? Quais são 
seus estilos preferenciais de aprender? Com quem eles trabalham 
melhor? Quais são seus objetivos? Duas questões guiam o uso deste 
instrumento: Quais são as melhores coisas que podemos saber sobre 
cada aluno de nossas escolas? O que os professores podem fazer para 
capitalizar os recursos do aluno a partir destas informações? 
O Portfólio do Talento Total (PTT) objetiva ajudar os alunos, pais e 
educadores a: 
(1) Coletar diferentes tipos de informação que sejam ilustrativas das 
áreas fortes do estudante e manter essas informações atualizadas com 
regularidade [...]; 
(2) Classificar a informação em categorias gerais incluindo 
habilidades, interesses, estilos preferenciais de aprender, produtos 
altamente ilustrativos e outros indicadores de talento relacionados; 
 
 
36 
 
(3) Revisar a informação contida no Portfólio regularmente; 
(4) Analisar o perfil de talento particular de cada aluno, assim como 
suas metas educacionais, pessoais e profissionais, e 
(5) Decidir as opções de enriquecimento e aceleração que mais 
provavelmente ajudarão no desenvolvimento dos talentose 
habilidades de cada pessoa. Tais decisões devem emergir após um 
processo compartilhado entre pais, alunos e professores (PURCELL & 
RENZULLI, 1998, apud VIRGOLIM, 2014, p.596). 
 
 O Portfólio do Talento Total trabalha com as habilidades, os interesses 
e os estilos de aprendizagem dos alunos com AHSD. 
 Outro instrumento é o Inventário de Interesses, que pode inclusive 
fornecer subsídios para a construção do portfólio individual do aluno. 
 
Saiba Mais 
Segundo Virgolim (2010): 
 
O Levantamento de Interesses (Renzulli, 1997) para crianças 
do Ensino Fundamental consiste em um questionário de 30 
itens, com o propósito de ajudar o aluno a explorar suas áreas 
individuais de interesse. Exemplo de algumas atividades 
deste instrumento: 
- Imagine que uma máquina do tempo tenha sido inventada 
para permitir que pessoas famosas do passado viajassem 
através do tempo. Se você pudesse convidar algumas dessas 
pessoas para visitar sua escola, quem você convidaria? 
- Imagine que você será levado para uma estação espacial no 
seu próximo ano escolar. Você terá permissão para levar 
algumas coisas pessoais para ajudá-lo a passar seu tempo 
livre (por exemplo, livros, jogos, filmes, passatempos, 
projetos). Faça uma lista das coisas que você levaria. 
- Imagine que você pudesse passar uma semana 
acompanhando qualquer pessoa da sua escolha para 
investigar um pouco mais a profissão que você gostaria de ter 
no futuro. Liste as profissões das pessoas que você 
selecionaria (VIRGOLIM, 2010, p. 19-20). 
 
 
 É importante que o Inventário seja revisto periodicamente, pois os 
interesses dos alunos podem se modificar no decorrer do tempo. 
 O Inventário de Interesses permite identificar nove estratégias, segundo 
Virgolim (2010, p.21), “preferidas pelos alunos ao entrar em contato com o 
 
 
37 
 
currículo ou demonstrar seus interesses em sala de aula”. As estratégias, que 
podem ser utilizadas para facilitar e estimular a aprendizagem de alunos com 
Altas Habilidades ou Superdotação, são: 
➢ Palestra: é a apresentação oral de informação a um grande número 
de alunos. Atividades em grupo podem ser valorizadas com a 
apresentação realizada para o grupo. Nem sempre “palestras” devem 
ser destinadas ao aluno, mas ele próprio pode se expressar oralmente 
ao grupo, colocando suas ideias de forma adequada e oportuna. 
➢ Discussão: é a interação entre professor e alunos, que visa promover 
o desenvolvimento do pensamento lógico através da discussão de 
fatos, por meio da criação de espaços para debate mediado em 
classe. 
➢ Ensino pelos colegas: ocorre por meio da interação entre um aluno 
que domina uma área do conhecimento e um ou mais colegas com 
dificuldades em compreender um determinado conceito ou tópico, 
pois alguns alunos compreendem com mais facilidade a linguagem 
dos colegas. 
➢ Jogos pedagógicos: atividades de cunho lúdico facilitam a 
apresentação e a sistematização dos conteúdos, além de tornar a 
aula mais dinâmica e agradável. Cabe destacar que alunos mais 
competitivos se sentirão mais estimulados com a utilização dessa 
modalidade de aprendizagem. 
➢ Dramatização: vivências reais e simuladas oferecem condições para 
a compreensão dos conteúdos de forma prática e correlacionada com 
sua aplicação real, sobretudo para os alunos com alta habilidade 
interpessoal e intrapessoal. 
➢ Estudos independentes: alunos que estudam sozinhos ou em 
pequenos grupos, de forma autônoma, para aprofundar seus 
conhecimentos. 
➢ Projetos: desenvolver um projeto de trabalho estimula a autonomia 
dos alunos e envolve não somente os conteúdos escolares, mas a 
busca de soluções para situações corriqueiras do cotidiano. 
➢ Atividades de decorar e recitar: são atividades em que o estudante 
demonstra a capacidade de reter e memorizar informações para 
 
 
38 
 
responder a questões colocadas pelo professor (exemplo: gincana de 
tabuada). É importante criar espaços para que o aluno demonstre 
seus conhecimentos e compartilhe com seus colegas. 
➢ Instrução programada: refere-se a tarefas nas quais o aluno possa 
trabalhar de forma autônoma, respondendo a questões 
preestabelecidas pelo professor, cujas respostas são reveladas ao 
final de cada questão. 
 
É importante que não somente o aluno responda ao Inventário de 
Interesses, mas também seu professor. 
Conforme explica Virgolim (2010): 
Da mesma forma, o professor é solicitado a responder ao mesmo 
instrumento, mas apontando a frequência com que as atividades 
ocorrem em sala de aula, e suas respostas são comparadas às dos 
alunos. Assim, o perfil que resulta deste procedimento permite 
comparar as preferências de aprendizagem dos alunos com o estilo de 
ensinar do professor, dando uma visão mais acurada do que ocorre na 
sala de aula. Pesquisas têm demonstrado que a combinação entre os 
estilos de aprender dos alunos e os de ensinar do professor não 
apenas produzem uma melhoria da aprendizagem do aluno, mas 
também uma atitude mais positiva com relação à escola [Renzulli & 
Reis, 1986 apud Renzulli & Smith, 1978] (VIRGOLIN, 2010, p. 22). 
 
A partir do levantamento das estratégias de aprendizagem, o professor 
poderá desenvolver atividades que venham ao encontro de seus interesses, 
facilitando assim sua aprendizagem e o aumento do vínculo com os colegas, a 
instituição escolar e o processo educativo como um todo. 
Importante 
 
“Se quiséssemos reduzir em uma única palavra a estratégia 
pedagógica específica para o atendimento ao aluno superdotado, 
poderíamos apresentar a palavra DESAFIO” (LIMA, 2008, p.22). 
 
 
Dessa forma, traçando um paralelo com a teoria das múltiplas 
inteligências de Gardner, o currículo escolar deve prever atividades que 
estimulem todas as inteligências, através da diversificação metodológica e da 
observação do professor nos resultados obtidos a cada conteúdo trabalhado. 
 
 
39 
 
 
 Amplie Seus Estudos 
SUGESTÃO DE LEITURA 
Acesse o site do Núcleo de Atividades de Altas 
Habilidades/Superdotação, da Secretaria da Educação do 
Estado do Paraná. Disponível no acesso: 
 
http://www.ldanaahs.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteud
o.php?conteudo=1 
 
 
3.2 A Atuação do Professor junto aos Alunos com AHSD 
É fundamental que o professor desenvolva um planejamento modular, que 
privilegie o desenvolvimento de todas as inteligências do aluno. 
 Apresenta-se, a seguir, um exemplo de atividade que explora as múltiplas 
inteligências, para o segundo ciclo do Ensino Fundamental (terceiro e quarto 
anos). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: http://footage.framepool.com/shotimg/qf/255551204-primary-school-pupil-chalk-
blackboard-classroom.jpg 
 
 
 
http://footage.framepool.com/shotimg/qf/255551204-primary-school-pupil-chalk-blackboard-classroom.jpg
http://footage.framepool.com/shotimg/qf/255551204-primary-school-pupil-chalk-blackboard-classroom.jpg
 
 
40 
 
Saiba Mais 
 
EXEMPLO 
Tema: Estudo do Estado (exemplo: Paraná) 
Centro Linguístico: ler textos sobre a história do Paraná, 
respondendo na sequência a questões orais e escritas. 
Centro Lógico-Matemático: comparar a população das cinco 
maiores cidades do Paraná, identificando qual é a mais 
populosa, qual a diferença da população entre a 1.ª e a 2.ª, 
etc. 
Centro Musical: trabalhar com o Hino do Estado do Paraná. 
Centro Espacial: criar uma maquete do Estado do Paraná. 
Centro Corporal Cinestésico: trabalhar danças típicas das 
principais culturas que formaram a população paranaense. 
Centro Interpessoal: identificar diferenças culturais regionais 
(alimentos, vestimentas, vocabulário, etc.) dentro do Paraná. 
Centro Intrapessoal: discutir como os diferentes povos e 
culturas se manifestam nos hábitos cotidianos familiares do 
aluno. 
Centro Naturalista: estudar a fauna e a flora típicas do 
Paraná, destacando áreas críticas (risco de extinção). 
 
Percebe-se, assim, que há múltiplas formas de abordar o mesmo 
conteúdo, e é necessário que o professor explore as potencialidadesde cada 
aluno, incentivando-o no processo de ensino-aprendizagem. 
O exemplo ilustra uma possibilidade de trabalho, que deve ser adequada 
à realidade da escola, à faixa etária e aos interesses dos alunos. 
A Educação Infantil é a fase da definição de regras, contratos, rotinas e 
atividades. O aluno com AHSD é bastante questionador, e o professor deve 
estar preparado para que o aluno compreenda e se sinta seguro diante das 
mudanças que passará a vivenciar no ambiente escolar (e também para 
flexibilizar algumas regras, quando necessário). 
Importante 
O trabalho em conjunto feito pela escola, família e demais 
profissionais é o que garante bons resultados. 
 
 
 
 
41 
 
 
É preciso também intercalar atividades físicas com as acadêmicas e 
artísticas, considerando o desenvolvimento global da criança. 
Logo que o indivíduo com AHSD inicia o Ensino Fundamental, 
evidenciam-se as diferenças quanto ao ritmo de produção. Pode-se então 
perceber dois extremos: alunos que rapidamente finalizam as tarefas e ficam 
ociosos, e alunos minuciosos que demandam tempo adicional nas atividades. 
Nessa etapa, além das adaptações de conteúdo e estratégias 
pedagógicas, é importante que o professor valorize o aluno com AHSD e o auxilie 
na integração ao ambiente escolar (pois muitas vezes é discriminado ou 
rejeitado). Podem ser desenvolvidas estratégias que o permitam auxiliar os 
demais colegas, por exemplo, ou ainda momentos individuais com o professor, 
nos quais ele perceba que seu potencial é reconhecido e valorizado. 
 
Amplie Seus Estudos 
SUGESTÃO DE LEITURA 
Leia o livro Ser ou não ser? Eis 
Itamar de autoria de Adriane 
Zahreddine Wieser. A obra narra a 
trajetória real de um menino que 
possui Superdotação e só recebe o 
diagnóstico depois de ter enfrentado 
uma infância incerta e uma 
juventude repleta de questionamentos. 
 
 É preciso ficar alerta para o subdesempenho que pode ser apresentado 
por alunos AHSD. O rendimento abaixo do esperado, nesse caso, deve-se a 
questões emocionais e baixa autoestima, e pode ser revelado, dentre outras 
características, através da falta de planejamento e projetos para o futuro, 
excesso de autocrítica, ansiedade e fraco desempenho em testagens (embora 
apresente respostas criativas). 
 Nesses casos, o professor deve auxiliar o aluno no processo de 
autovalorização, ajudando-o a estabelecer metas de aprendizagem e a avaliar o 
 
 
42 
 
próprio trabalho. Porém, acima de tudo, deve aceitar e respeitar a criança, sem 
impor condições emocionais. 
 No Ensino Médio, a fase da adolescência tem grande influência sobre 
diversos fatores que integram o vínculo do aluno com AHSD com a escola. 
Alterações hormonais e até cerebrais podem afetar seu rendimento. Pesquisas 
já relataram que o quociente de inteligência (QI) sofre alterações durante a 
adolescência, o que confirma que esse é um período que requer atenção 
especial. 
Nesse período, o acolhimento por parte do professor e da escola são 
fundamentais. Muitas vezes o aluno pode não gostar da obrigação de frequentar 
a escola, porém deve entender que esse passo é necessário em seu 
desenvolvimento intelectual e acadêmico para que, posteriormente, possa optar 
por um curso que se direcione de forma específica a seus interesses. 
Durante o Ensino Superior, as altas expectativas e nível de exigência que 
o estudante com AHSD cria para si podem acompanhá-lo na escolha 
profissional, levando-o à desilusão na universidade. É preciso que professores e 
familiares entrem como apoio, nesse momento, estimulando-o a escolher um 
curso criteriosamente e também o conscientizando de que, mesmo dentro do 
Ensino Superior, haverá assuntos que não considerará relevantes, mas que 
devem ser igualmente cumpridos, levando-o ao entendimento de que o 
importante é que o aluno faça o seu melhor, mesmo que não seja o melhor de 
toda a faculdade. 
 
3.3 Avaliação da Aprendizagem de Alunos com AHSD 
A avaliação da aprendizagem de alunos com Altas Habilidades ou 
Superdotação deve considerar diversos aspectos, como a diversidade de estilos 
de aprendizagem, estilos de expressão e habilidades dos alunos. 
Diferentes estratégias de avaliação da aprendizagem devem ser 
utilizadas, garantindo assim o pleno desenvolvimento das potencialidades 
desses educandos. 
 
 
43 
 
Além das alternativas tradicionais de avaliação, outras poderão ser 
utilizadas como autoavaliação, relatório de atividades e avaliação de produtos 
elaborados pelos alunos. 
Importante 
 
A estratégia ideal de avaliação para as AHSD é aquela em que o 
progresso do aluno é ressaltado. Isso permite que o aluno 
desenvolva um senso de realização acadêmica, o que leva ao 
sentimento interno de motivação em relação ao seu processo de 
aprendizagem. 
 
 
 
É importante que o professor incentive múltiplas formas de produto final, 
ou seja, o aluno pode demonstrar sua proficiência através de um produto escrito 
(história, poesia, carta etc.), oral (dramatização, música, contar histórias, etc.), 
visual (desenho, colagem, mural, etc.) e/ou concreto (móbile, máscara, 
brinquedos, jogos, etc.), contemplando assim os diferentes estilos de expressão 
(e as múltiplas inteligências) dos alunos. 
Toda informação sobre o aluno e suas produções deve ser documentada 
e arquivada em um portfólio. Esse registro permite que as habilidades, interesses 
e estilos de aprendizagem do aluno sejam evidenciados, facilitando seu 
atendimento por parte do professor e da equipe escolar. 
A autoavaliação, uma importante estratégia avaliativa, é fundamental no 
contexto das AHSD, para que o aluno se sinta seguro e confiante, 
(re)conhecendo e valorizando seu próprio potencial. 
Dessa forma, a avaliação do aluno com AHSD deve permitir identificar: 
➢ O progresso do aluno em relação às suas aptidões e interesses; 
➢ O desenvolvimento de suas habilidades no decorrer do programa; 
➢ O alcance (parcial ou total) das metas propostas para o período ou 
etapa. 
 
 
 
 
44 
 
 
 
 
 
 
Fonte: https://s3.yimg.com/bt/api/res/1.2/z8IU2QWNUFIEllnd1sdJBA--
/YXBwaWQ9eW5ld3M7Zmk9aW5zZXQ7aD0zNDI7cT03NTt3PTUxMg--
/http://l.yimg.com/os/publish-images/lifestyles/2014-04-10/534db4f0-c0d7-11e3-9628-
db18311c167c_nerd.jpg 
 
 
Como todo processo de avaliação escolar, os resultados permitirão 
descobrir se as estratégias utilizadas estão surtindo o efeito desejado (e em que 
medida o fazem). 
Saiba Mais 
CRIANÇAS SUPERDOTADAS DESAFIAM ESCOLAS NA 
BUSCA POR MAIS ESTÍMULOS 
por Vanessa Fajardo 
Sinais podem ser confundidos com transtornos de aprendizagem. 
Diagnóstico final só é possível a partir de testes feitos por psicólogos 
Crianças com altas habilidades precisam ser estimuladas e 
desafiadas para que o potencial seja desenvolvido. Propor atividades 
ligadas ao campo de interesse no contraturno escolar é uma das 
maneiras. Acelerar a série é outra opção. No entanto, neste caso, 
especialistas alertam que é importante avaliar a maturidade do 
estudante. 
"É preciso desenvolver o potencial para a energia não ficar represada, 
mas não dá para exigir postura de adulto. A questão emocional tem 
de ser cuidada, não dá para a criança virar um mini-adulto porque tem 
facilidade em uma determinada área", afirma Paula Virgínia Viana 
Cantos, orientadora educacional do Colégio Graphein, em São Paulo. 
"Pular série acarreta uma dificuldade emocional, o aluno tem de ter 
oportunidade de viver as fases da vida. Ele é uma criança, acima de 
tudo, tem de ter contato com as pessoas da mesma idade." 
Reportagem disponível na integra no acesso: 
http://g1.globo.com/dia-das-
criancas/2013/noticia/2013/10/criancas-superdotadas-
desafiam-escolas-na-busca-por-mais-estimulos.html 
 
 
45 
 
 
3.4 Efetivação das Adaptações Curriculares 
Para que o sistema educacional possa atender aos alunos com AHSD de 
forma eficaz, é necessário desenvolver um trabalho diferenciado, que se adeque 
às suas reais necessidades.Ví deo 
Assista à reportagem Escolas se ajustam para atender alunos 
com altas habilidades, que aborda a preparação das escolas para 
o atendimento aos alunos com Altas Habilidades ou 
Superdotação. 
Link: https://www.youtube.com/watch?v=dug3P5wc2YM 
 
Ocorrem casos em que o professor percebe que o aluno conclui com 
rapidez uma tarefa com poucos ou nenhum erro; pode revelar insatisfação ou 
tédio com o ambiente escolar; ou ainda, não alcança um nível de satisfação com 
os conteúdos trabalhados, demonstrando indiferença e importunando os colegas 
na sala de aula. 
Por isso, são utilizadas estratégias como a aceleração escolar, prevista 
no artigo 59 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: 
 
II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o 
nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de 
suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o 
programa escolar para os superdotados (BRASIL, 1996, S/p.). 
 
 
A aceleração de estudos consiste em uma compactação do currículo que 
possibilita que os alunos com Altas Habilidades ou Superdotação progridam com 
o conteúdo já dominado, eliminando a necessidade de exercícios repetitivos. 
 
 
 
46 
 
Curiosidade 
Conforme a legislação brasileira, a aceleração de estudos 
poderá ser feita em alunos de qualquer idade com as 
seguintes exceções: 
➢ Não se pode acelerar o aluno antes do primeiro ano do 
Ensino Fundamental; 
➢ Não é possível abreviar a conclusão do Ensino 
Fundamental nem do Ensino Médio. 
Em outras palavras, não se pode acelerar alunos no 9º ano do 
Ensino Fundamental nem no 3º ano do Ensino Médio. 
 
Segundo Alencar (2001), a aceleração abrevia o estudo de conteúdos 
que o aluno já domina, valorizando suas necessidades educativas. A autora 
apresenta um roteiro para a realização da aceleração escolar: 
 
1º Seleção de objetivos de aprendizagem relevantes em uma disciplina 
ou área acadêmica; 
2º Seleção ou desenvolvimento de instrumentos e /ou procedimentos 
de avaliação prévia dos objetivos de aprendizagem; 
3º Identificação dos alunos que vão se beneficiar da estratégia de 
compactação do currículo e que devem, portanto, ser pré testados; 
4º Avaliação destes alunos com relação ao nível de domínio dos 
objetivos de aprendizagem selecionados anteriormente; 
5º Redução de atividades, repetição curricular ou tempo instrucional 
para aqueles alunos que demonstrem domínio do conteúdo a ser 
trabalhado; 
6º Instrução reduzida dos objetivos aos alunos que, apesar de ainda 
não dominarem totalmente os objetivos de aprendizagem, são capazes 
de fazê-lo mais rapidamente que seus colegas de turma; 
7º Desenvolvimento de atividades de enriquecimento ou 
procedimentos de aceleração para aqueles alunos que tiveram o 
currículo compactado; 
8º Registro do processo de compactação e opções instrucionais de 
cada aluno cujo currículo foi compactado (ALENCAR, 2001, p.132). 
 
Embora alguns profissionais aleguem que a aceleração cause 
fragmentação dos conteúdos e desconsidere sua maturidade emocional, a 
estratégia pode ser muito benéfica, facilitando inclusive a adesão ao ambiente 
escolar e a continuidade do desenvolvimento acadêmico do aluno. Por isso, é 
necessário um estudo particularizado para cada caso, o que não dispensa o 
acompanhamento especializado (sobretudo psicológico e psicopedagógico) 
como suporte de apoio ao aluno, após a realização da aceleração. 
 
 
47 
 
É perceptível que a área das Altas Habilidades ou Superdotação requer 
um olhar cuidadoso e atento por parte dos profissionais, para que as estratégias 
e adaptações curriculares atinjam seu objetivo, atendendo às necessidades do 
aluno com AHSD no contexto escolar. 
Há também o trabalho desenvolvido no período de contraturno, na 
modalidade de Atendimento Educacional Especializado para os alunos com 
Altas Habilidades ou Superdotação, cujas especificidades serão estudadas na 
próxima aula. 
 
Resumo da Aula 3 
 Nesta aula, estudou-se que diferentes metodologias podem ser 
adaptadas e contextualizadas para o atendimento pedagógico de alunos com 
Altas Habilidades ou Superdotação, garantindo o acesso ao conhecimento e a 
promoção de uma aprendizagem significativa a esses alunos. 
 
Atividade de Aprendizagem 
Quais as possibilidades e maneiras do professor evitar o 
subdesempenho de alunos com AHSD? Discorra sobre o 
assunto. 
 
 
 
Aula 4 – O AEE e Altas Habilidades ou Superdotação 
Apresentação Aula 4 
 Nesta aula estudaremos como o Atendimento Educacional Especializado 
(AEE) pode contribuir para o desenvolvimento das habilidades e para a 
promoção da aprendizagem de alunos com AHSD. Veremos também como a 
família pode estimular e auxiliar o desenvolvimento de seus membros com Altas 
Habilidades ou Superdotação. 
 
 
 
 
48 
 
4. O AEE e Altas Habilidades ou Superdotação 
4.1 O Atendimento Educacional Especializado (AEE) 
Muitas pessoas se perguntam o porquê de um aluno com Altas 
Habilidades ou Superdotação precisa de Atendimento Educacional 
Especializado, uma vez que aparentemente está em um nível intelectual superior 
aos demais alunos. Cabe lembrar que, apesar do elevado potencial acadêmico, 
alunos com AHSD podem apresentar dificuldades específicas nas demais áreas, 
além de possíveis dificuldades emocionais e relacionais. 
É importante destacar que o Atendimento Educacional Especializado 
(AEE) não dispensa e tampouco substitui o desenvolvimento de atividades 
escolares direcionadas às particularidades do aluno com AHSD, conforme visto 
na aula anterior. 
 
Saiba Mais 
O que é o AEE (Atendimento Educacional Especializado) 
Um serviço da educação especial desenvolvido na rede regular de 
ensino que organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que 
eliminem barreiras para a plena participação dos alunos, 
considerando as suas necessidades específicas. 
O AEE complementa e/ou suplementa a formação do aluno com 
vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. 
 
O que faz o AEE 
• apoia o desenvolvimento do aluno com deficiência, transtornos 
globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação; 
• disponibiliza o ensino de linguagens e códigos específicos de 
comunicação e sinalização; 
• oferece Tecnologia Assistiva (TA); 
• adequa e produz materiais didáticos e pedagógicos, tendo em 
vista as necessidades especificas dos alunos; 
• oportuniza ampliação e suplementação curricular (para alunos 
com altas habilidades ou superdotação). 
O AEE deve se articular com a proposta da escola comum, embora 
suas atividades se diferenciem das realizadas em salas de aula de 
ensino comum. 
[...] 
Para alunos com Altas Habilidades ou Superdotação, o AEE oferece 
programa de ampliação e suplementação curricular, 
desenvolvimento de processos mentais superiores e outros. 
Disponível na integra no acesso: 
http://www.educacao.saobernardo.sp.gov.br/index.php/secretaria/e
ducacao-especial/1668-atendimento-educacional-especializado 
 
 
49 
 
 
O Atendimento Educacional Especializado fundamenta-se na legislação 
atual, através de documentos como: 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9394/96: no 
Capítulo V. Art. 58, caracteriza o público alvo da modalidade de 
Educação Especial: Educandos com deficiência, transtornos globais do 
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação (BRASIL, 1996). 
Parecer 17/2001 do Conselho Nacional de Educação: define Altas 
Habilidades ou Superdotação como “grande facilidade de 
aprendizagem que os leve a dominar rapidamente os conceitos, os 
procedimentos e as atitudes e que, por terem condições de aprofundar 
e enriquecer esses conteúdos, devem receber desafios suplementares 
em classe comum, em sala de recursos ou em outros espaços 
definidos pelos Sistemas de Ensino, inclusive para concluir, em menor 
tempo, a série ou etapa escolar” (BRASIL, 2001, p. 18). 
Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da 
Educação Inclusiva: reafirma queos alunos com Altas Habilidades ou 
Superdotação compõem o público alvo da Educação Especial, 
definindo-os como aqueles que “demonstram potencial elevado em 
qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas; 
intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de 
apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e 
realização de tarefas em áreas de seu interesse” (BRASIL, 2008, p. 9). 
 
 O Ministério da Educação instituiu a Resolução nº 4, de 2 outubro de 2009, 
que trata sobre as diretrizes operacionais para o Atendimento Educacional 
Especializado na Educação Básica. De acordo com essa resolução, em seu 
artigo 13, compete ao professor do AEE: 
 
 
LEI Nº 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984 
 
RESOLUÇÃO Nº 4, DE 02 DE OUTUBRO DE 2009. 
Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na 
Educação Básica, modalidade Educação Especial. 
 [...] 
 
 Art. 13. São atribuições do professor do Atendimento Educacional Especializado: 
 I – identificar, elaborar, produzir e organizar serviços, recursos pedagógicos, de 
acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos público-
alvo da Educação Especial; 
 II – elaborar e executar plano de Atendimento Educacional Especializado, avaliando a 
funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade; 
 III – organizar o tipo e o número de atendimentos aos alunos na sala de recursos 
multifuncionais; 
 
 
50 
 
 IV – acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de 
acessibilidade na sala de aula comum do ensino regular, bem como em outros ambientes da 
escola; 
 V – estabelecer parcerias com as áreas intersetoriais na elaboração de estratégias e na 
disponibilização de recursos de acessibilidade; 
 VI – orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade 
utilizados pelo aluno; 
 VII – ensinar e usar a tecnologia assistiva de forma a ampliar habilidades funcionais dos 
alunos, promovendo autonomia e participação; 
 VIII – estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum, visando à 
disponibilização dos serviços, dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias 
que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares. 
[...] 
 
Disponível na integra no acesso: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf 
 
 
Incluindo as práticas de AEE para as AHSD, há o Núcleo de 
Atendimento de Altas Habilidades ou Superdotação (NAAHS), que tem por 
objetivo: 
➢ Promover a formação e capacitação dos professores e profissionais da 
educação para identificar e atender os alunos com AHSD; 
➢ Oferecer acompanhamento aos pais dessas crianças e à comunidade 
escolar em geral, produzindo conhecimentos sobre o tema; 
➢ Propagar informações e colaborar para a construção de uma educação 
inclusiva e de qualidade. 
O NAAHS foi homologado pelo Governo Federal em 2006 e, embora não 
esteja presente em todas as cidades brasileiras, muitas Secretarias de Educação 
são a eles conveniadas, subsidiando os atendimentos por meio do fornecimento 
de recursos, treinamentos e assessorias. 
No contexto paranaense, o Departamento de Educação Especial da 
Secretaria de Estado da Educação do Paraná disponibiliza, aos alunos do ensino 
regular, os seguintes atendimentos: 
➢ Classe Comum: além do currículo previsto para série de frequência do 
aluno, poderá ser realizado enriquecimento e ou aprofundamento 
curricular e, quando necessário, a aceleração para conclusão de 
escolaridade em menor tempo; 
➢ Sala de Recursos: dirigida aos alunos do Ensino Fundamental e Médio 
e mantidas pela própria escola, ofertam apoio pedagógico, 
 
 
51 
 
complementando no contraturno o atendimento educacional realizado nas 
classes comuns; 
➢ Sala de Recursos Multifuncional para Altas Habilidades ou 
Superdotação do Tipo I: A Sala de Recursos Multifuncional - Tipo I para 
Altas Habilidades ou Superdotação é mantida pelo governo federal e é um 
espaço organizado com materiais didático-pedagógicos, equipamentos e 
profissionais especializados; 
➢ NAAH/S – Núcleo de Atividades de Altas Habilidades ou 
Superdotação: é um serviço de apoio especializado, realizado em 
parceria entre a Secretaria de Educação Especial do MEC e a Secretaria 
de Estado da Educação/Departamento de Educação Especial e Inclusão 
Educacional, destinado a oferecer suporte aos sistemas de ensino no 
atendimento às necessidades educacionais especiais, visando 
implementar as políticas públicas de inclusão. 
 
Nas Salas de Recursos são desenvolvidas atividades específicas para o 
desenvolvimento dos alunos com Altas Habilidades ou Superdotação. 
 
A diferença essencial entre Sala de Recursos e Sala de Recursos 
Multifuncionais se dá no que se refere ao alunado, estrutura da sala e 
formação do professor. A Sala de Recursos Multifuncionais atende 
alunos: Cegos, Surdos, com Deficiência Mental/Intelectual, enquanto a 
Sala de Recursos “comum”, não atende alunos cegos e surdos, pois 
estes são atendidos em outros programas específicos para suas 
necessidades especiais como CAS9, CAP10, CAEDV11 e CAEDA12. 
A Sala de Recursos “comum” atende alunos com Deficiência 
Mental/Intelectual e também os que apresentam Transtornos 
Funcionais Específicos (Transtorno de Déficit de Atenção, TDHA - 
Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e com Distúrbios de 
Aprendizagem). No que se refere a essa Sala de Recursos “comum”, 
a escola onde ela está implantada é quem deve prover os materiais 
necessários; assim, geralmente, eles se resumem em materiais 
pedagógicos muito simples, sendo que muitos deles são 
confeccionados pelas próprias professoras dessas salas ou 
comprados pela própria escola. Já as Salas de Recursos 
Multifuncionais recebem muitos materiais, inclusive computadores e 
mobiliário adaptado, do governo federal (BERTUOL, 2010, p.28). 
 
A atividade de enriquecimento escolar, conforme site do Instituto Nacional 
de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), consiste na 
organização das práticas pedagógicas exploratórias suplementares ao currículo 
comum, objetivando o aprofundamento em diversas áreas do conhecimento, 
 
 
52 
 
através do desenvolvimento das habilidades, oriundas das articulações das 
atividades realizadas no ambiente escolar e na comunidade (através das 
práticas de pesquisas e projetos diversos os quais incluem temáticas distintas, 
como ciência, esporte, artes e outras). 
 
Essa articulação para a elaboração de estratégias de intervenção 
pedagógica, coerente com a proposta de desenvolver as habilidades e 
atender as necessidades educacionais específicas apresentadas pelos 
alunos, promove a oferta de serviços e recursos auxiliares para a 
identificação das habilidades e a disponibilização de atividades que 
desafiam a criatividade e estimulam a construção do conhecimento nas 
diferentes áreas curriculares. Neste sentido, o professor do AEE, em 
interação com o professor da sala de aula comum, define o plano de 
atendimento, contemplando a seleção e a organização de recursos e 
serviços para a estimulação e o desenvolvimento das altas habilidades 
ou superdotação, bem como a articulação de redes de colaboração, 
informação e conhecimento, em diversas áreas que suplementam a 
proposta curricular. Em diferentes etapas e em virtude dos interesses 
e habilidades dos alunos com altas habilidades ou superdotação, os 
objetivos do atendimento educacional especializado – AEE definem-se 
por: 
- Maximizar a participação do aluno na classe comum do ensino 
regular, beneficiando-se da interação no contexto escolar; 
- Potencializar a(s) habilidade(s) demonstrada(s) pelo aluno, por meio 
do enriquecimento curricular previsto no plano de atendimento 
individual; 
- Expandir o acesso do aluno a recursos de tecnologia, materiais 
pedagógicos e bibliográficosde sua área de interesse; 
- Promover a participação do aluno em atividades voltadas à prática da 
pesquisa e desenvolvimento de produtos; e 
- Estimular a proposição e o desenvolvimento de projetos de trabalho 
no âmbito da escola, com temáticas diversificadas, como artes, 
esporte, ciências e outras (DELPRETTO, 2010, p. 23). 
 
O programa de enriquecimento curricular destina-se a aprofundar os 
conteúdos de diversas áreas do conhecimento. Para alunos com AHSD é 
desenvolvido através de parcerias das escolas públicas de ensino regular com 
outras instituições, como instituições de ensino superior e institutos voltados ao 
desenvolvimento e promoção da pesquisa, artes e esportes. 
Em Duk (2005) encontra-se afirmação que confirma o exposto e vai além: 
 
 [...] o professor da sala de recursos multifuncionais deverá participar 
das reuniões pedagógicas, do planejamento, dos conselhos de classe, 
de elaboração do projeto pedagógico, desenvolvendo ação conjunta 
com os professores das classes comuns e demais profissionais da 
escola para a promoção da inclusão escolar (DUK, 2005, p.18). 
 
 
 
 
53 
 
Ressalta-se que o professor tem papel fundamental para o sucesso das 
salas de recursos. No atendimento pedagógico, é imprescindível que o professor 
considere as diferentes áreas do conhecimento, os aspectos relacionados ao 
estágio de desenvolvimento cognitivo dos alunos, o nível de escolaridade, os 
recursos específicos para sua aprendizagem e as atividades de 
complementação e suplementação curricular (ARAÚJO e LOPES, 2013, p. 850). 
O Atendimento Educacional Especializado se efetiva através de 
adaptações pedagógicas que ofereçam programas de enriquecimento escolar e 
de aprofundamento de estudos, capazes de adequar o ensino ao nível do 
desenvolvimento real do aluno. 
Nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs), os alunos desenvolvem 
projetos extracurriculares para enriquecimento curricular, conforme a área de 
interesse dos estudantes. 
Uma das estratégias utilizadas para promover o desenvolvimento dos 
alunos com AHSD é o enriquecimento escolar, proposto por Renzulli (1996). 
Esse modelo abrange a identificação, o aprimoramento dos profissionais da 
educação e o atendimento proporcionados aos alunos. 
Renzulli estabelece três diferentes tipos de enriquecimento escolar. 
O enriquecimento escolar tipo I inclui atividades que estimulam o 
contato do aluno com temas ou áreas de conhecimento que geralmente não 
fazem parte do currículo regular. Ele é aplicado na sala de aula regular e pode 
ser destinado a todos os alunos. Além de enriquecer o currículo, proporciona a 
possibilidade de aprofundar os conhecimentos por meio de atividades de 
produção e criação atraentes aos alunos. 
O enriquecimento escolar tipo II se destina à sala de aula regular e 
envolve técnicas que desenvolvem níveis superiores de pensamento (análise, 
síntese e avaliação), habilidades criativas e críticas. Desenvolve ainda 
habilidades de pesquisa e processos relacionados ao desenvolvimento pessoal 
e social (habilidades afetivas, morais e sociais, como capacidade de liderança, 
comunicação e desenvolvimento de um autoconceito positivo). 
 
 
 
54 
 
Amplie Seus Estudos 
SUGESTÃO DE LEITURA 
Aprofunde seus conhecimentos sobre o tema lendo o artigo 
Proposta De Enriquecimento Curricular Para Professores Do 
Ensino Regular: um Caminho para Inclusão do Aluno com 
Altas Habilidades/Superdotação, de autoria de Denise Maria 
de Matos Pereira Lima e Laura Ceretta Moreira. Disponível no 
acesso: 
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1
075-4.pdf 
 
As atividades do enriquecimento escolar tipo III são realizadas de 
forma específica para os alunos com AHSD, pois envolvem um nível 
aprofundado de pesquisa, desenvolvendo habilidades de planejamento, 
gerenciamento do tempo, avaliação e habilidades sociais de interação com 
especialistas, professores e colegas. Dessa forma, estimula-se o envolvimento 
com a tarefa, a autoconfiança e o interesse acadêmico do aluno com AHSD. 
 Vale destacar que, no decorrer de todo o processo, a contribuição do 
professor é fundamental para que o aluno possa desenvolver seu potencial 
intelectual e suas habilidades criativas e interpessoais. A escola como um todo 
deve participar do desenvolvimento do processo de enriquecimento escolar, 
oferecendo o suporte necessário a alunos e professores. 
Importante 
Não é necessário um laudo ou diagnóstico clínico para 
encaminhar um aluno com AHSD ao Atendimento Educacional 
Especializado (AEE). Conforme a NOTA TÉCNICA Nº 04 / 2014 
/ MEC / SECADI / DPEE: "A exigência de diagnóstico clínico dos 
estudantes com deficiência, transtornos globais do 
desenvolvimento, altas habilidades ou superdotação, para 
declará-lo, no Censo Escolar, público alvo da educação especial 
e, por conseguinte, garantir-lhes o atendimento de suas 
especificidades educacionais, denotaria imposição de barreiras 
ao seu acesso aos sistemas de ensino, configurando-se em 
discriminação e cerceamento de direito". 
Fonte: www.conbrasd.org 
 
 
55 
 
 
Para o aluno com AHSD, frequentar as atividades propostas é 
estimulante, pois permite a troca de experiências com outros alunos com 
características e interesses em comum. 
 
4.2 O Papel da Família e as AHSD 
A família é um sistema complexo, responsável pela socialização inicial do 
ser humano. É inegável a importância do sistema familiar sobre o 
desenvolvimento da criança (proteção do funcionamento biológico e 
sobrevivência, manutenção e transmissão de valores, tradições e significados 
culturais), e é preciso considerar que o conceito de família inclui, atualmente, 
composições diversas que extrapolam o padrão estereotipado tradicional. 
 É comum que pais de crianças com características de AHSD tenham eles 
mesmos vivenciado essas percepções quando crianças, e muitas vezes devido 
à falta de estimulação adequada esse potencial permaneceu embotado. Mesmo 
nos casos em que isso não ocorre, é no ambiente familiar que as características 
das AHSD primeiramente se manifestam. Dessa forma, a despeito da possível 
herança genética, as famílias dessas crianças geralmente se habituam com seu 
elevado potencial, aumentando a oferta de estímulos e muitas vezes até mesmo 
deixam de perceber que o padrão de funcionamento de seus filhos está acima 
da média da maioria das crianças. 
 Em relação às famílias com crianças com AHSD, Winner (1998), descreve 
seis perfis principais: 
 
(1) O superdotado ocupa uma posição especial entre os membros da 
família, sendo, geralmente, primogênito ou filho único; 
(2) As crianças com altas habilidades/superdotação crescem em 
ambientes “enriquecidos”; 
(3) As famílias são centradas nos filhos, sendo o foco da família voltado 
para assegurar que seus filhos recebam treinamento, desde tenra 
idade, no domínio o qual tenha manifestado talento; 
(4) Os pais definem como modelo, para os filhos, padrões altos de 
desempenho, além de expressarem alta expectativa em relação ao 
rendimento ou à produção dos filhos; 
(5) Os pais sabem conceder independência aos filhos, ao mesmo 
tempo em que monitoram seu desenvolvimento; 
(6) O ambiente familiar de crianças com altas 
habilidades/superdotação que mais conduzem o desenvolvimento dos 
 
 
56 
 
talentos dos filhos é aquele que combina alta expectativa e estímulos, 
ao mesmo tempo em que oferece suporte e apoio aos filhos (WINNER, 
1998, apud FLEITH, 2007, p. 34). 
 
 Em qualquer perfil ou padrão de funcionamento, fica claro que o papel da 
família é primordial, estimulando a criança e propiciando meios para que seu 
potencial possa ser desenvolvido. Evidencia-se assim a correlação entre o 
comprometimento familiar e o alto desenvolvimento das habilidades da criança. 
A família deve promover tanto as habilidades acadêmicas como o 
potencial criativo e produtivo da criança com AHSD. A seguir, apresentam-se 
algumas atividades que podem ser desenvolvidaspela família, extraídas do 
volume 3 da cartilha A Construção de Práticas Educacionais para Alunos com 
AHSD, do Ministério da Educação, elaborada por Fleith (2007). 
 
Exemplos de atividades acadêmicas conforme Fleith (2007): 
 
- Deixar o filho sentir-se à vontade para expressar suas ideias; 
- Dar explicações claras e com termos adequados quando o filho faz 
um questionamento, no momento em que ele expõe curiosidade sobre 
um tema; 
- LINGUAGEM: Valorizar os veículos de expressão da linguagem 
oferecendo dicionários, livros de literatura, revistas, jornais, 
escrevendo cartas ao filho, enviando cartões postais em ocasiões de 
viagem, deixando bilhetes pela casa, etc.; 
- MATEMÁTICA: Criar problemas a serem resolvidos a partir de 
situações da vida real, partindo de objetos concretos e manipuláveis 
para, então, utilizar os números (raciocínio abstrato); 
- MATEMÁTICA: Jogar baralho, dominó, bingo e outros jogos que 
envolvam números e contagem. Permitir que o filho desmonte ou utilize 
peças de eletrodomésticos que estão quebrados ou fora de uso; 
- PENSAMENTO CIENTÍFICO: Montar um pequeno laboratório em 
algum cômodo da casa, onde a criança possa fazer experiências com 
elementos ou materiais simples encontrados na natureza. Os utensílios 
do laboratório podem ser sucatas, ferramentas de jardim, utensílios de 
cozinha que não ofereçam perigo em sua manipulação, etc.; 
- HABILIDADES ARTÍSTICAS: Disponibilizar uma “caixa de artes” 
com diversos materiais de artes plásticas, tais como papéis, tintas, 
lápis coloridos, tesoura, massa de modelagem, argila, sucata, areia 
colorida, etc.; 
- HABILIDADES ARTÍSTICAS: Guardar as produções do filho, para 
que seja feito um portfólio e o filho tenha um histórico de seu 
desenvolvimento artístico; 
- PENSAMENTO CRIATIVO: Praticar a “tempestade de ideias” com o 
filho, sugerindo que o filho pense no maior número de ideias possíveis, 
sem nenhum tipo de censura ou crítica, sobre os impasses cotidianos 
da vida em família. Por exemplo: “O que faremos nesse domingo 
chuvoso? ”; 
- PENSAMENTO CRIATIVO: Incentivar o filho a construir histórias a 
partir da percepção dos objetos da casa. Por exemplo: “O que será que 
 
 
57 
 
o forno falaria se colocassem um par de meias molhadas dentro dele? 
” (FLEITH, 2007, p. 37- 40). 
 
De modo geral, é importante que a família encoraje o desenvolvimento do 
potencial da criança e a estimule, acompanhando de forma próxima e 
interessada todo o seu processo de desenvolvimento. 
Sabe-se que é um desafio para as famílias acompanhar as crianças com 
AHSD, com a presença de sentimentos como negação, confusão, sobrecarga e 
desconhecimento do quadro apresentado pelo filho. Assim seria adequado um 
acompanhamento terapêutico também para seus cuidadores (os responsáveis 
pela criança), pois se trata de um processo emocionalmente desgastante, não 
somente para a criança como também para toda a família. 
 
Resumo da Aula 4 
 Nesta aula, compreendeu-se a importância do Atendimento Educacional 
Especializado como ferramenta auxiliar ao desenvolvimento dos alunos com 
Altas Habilidades ou Superdotação. Estudou-se diferentes estratégias de 
enriquecimento escolar, conforme proposto por Renzulli, e também a 
possibilidade de aceleração de estudos. 
 Viu-se, ainda, que a família possui função primordial junto às pessoas com 
AHSD, pois pode estimular seu potencial e dar suporte emocional às suas 
necessidades, favorecendo assim a criação de um ambiente no qual a pessoa 
se sinta segura de seu potencial e confiante em si mesma desenvolvendo, dessa 
maneira suas habilidades de forma plena. 
Atividade de Aprendizagem 
Cite três atitudes que a família de uma criança com AHSD pode 
assumir para favorecer o desenvolvimento de seu potencial e 
discorra sobre as mesmas. 
 
 
 
 
 
58 
 
Resumo da disciplina 
Nesta disciplina foram evidenciados os fundamentos e as características 
(cognitivas, afetivas e sociais) das AHSD, fornecendo importantes subsídios 
para o atendimento desses alunos. Foram reforçadas também as leis que 
respaldam os indivíduos com Altas Habilidades ou Superdotação no contexto 
das instituições escolares. 
Foram evidenciadas as concepções teóricas relevantes de dois 
psicólogos que questionaram a conceituação de inteligência e sua forma de 
medição, (Howard Gardner, com a Teoria das Inteligências Múltiplas e Robert 
Sternberg, autor da Teoria Triárquica da Inteligência), com posterior abordagem 
nas propostas de Joseph Renzulli. 
Evidenciou-se ainda o Inventário de Interesses, o qual é uma técnica que 
identifica as 9 diferentes estratégias de aprendizagem para alunos com AHSD, 
sendo elas: a palestra, a discussão, o ensino pelos colegas, os jogos 
pedagógicos, a dramatização, os estudos independentes, os projetos, as 
atividades de decorar e recitar e a instrução programada, reforçando a estratégia 
de ensino de grande eficácia junto a alunos com AHSD, sendo a de 
aplicabilidade dos trabalhos através de projetos. 
Finalizando, evidenciou-se a importância do Atendimento Educacional 
Especializado como ferramenta auxiliar ao desenvolvimento dos alunos com 
AHSD, estudando diferentes estratégias de enriquecimento escolar, enfatizando 
a importância da família na estimulação dos indivíduos com AHSD no 
desenvolvimento de suas habilidades de forma plena. 
 
 
 
 
 
 
 
 
59 
 
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