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Psicanálise em Lacan I
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PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL, SEM AUTORIZAÇÃO.
Lei nº 9610/98 – Lei de Direitos Autorais
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A Psicanálise em Lacan I
Jacques Lacan nasceu em Paris, França, em 1901. Ele estudou medicina e psiquiatria e se
tornou um psicanalista influente no século XX. Ele foi fortemente influenciado pelas teorias
de Sigmund Freud, mas também incorporou ideias de filósofos como Hegel e Saussure em
sua abordagem psicanalítica.
Lacan conheceu a obra de Freud quando ainda era estudante de medicina e se interessou
profundamente por suas teorias psicanalíticas, começando a estudar a obra do
psicanalista de forma intensiva, de modo que se tornou um grande defensor de suas
ideias. Em 1926, Lacan se tornou membro da Sociedade Psicanalítica de Paris e começou
a praticar a psicanálise.
Embora Lacan tenha se encontrado com Freud em algumas ocasiões, ele nunca trabalhou
diretamente com o pai da Psicanálise, no entanto, a teoria e as ideias dele tiveram um
impacto significativo em suas pesquisas sobre o individuo e serviram de grande
conquistas para a sua própria abordagem psicanalítica.
A Psicanálise em Lacan é uma abordagem complexa e multifacetada, que influenciou
profundamente a teoria e a prática da psicologia clínica. Ele se tornou um psicanalista que
desenvolveu sua propria abordagem, conforme os seus conhecimentos durante seus
atendimentos.
Além disso, os seminários proferidos por Lacan também foram importantes para divulgar o
seu conhecimento e popularizá-lo. Eles se referem às palestras e discussões que foram
conduzidas por ele entre os anos de 1953 e 1981, sendo um dos principais meios pelos
quais Lacan apresentou suas ideias e desenvolveu sua teoria psicanalítica.
Os seminários de Lacan foram realizados principalmente em Paris e contaram com a
participação de muitos estudantes de psicanálise, psicologia e filosofia. O formato dos
seminários era geralmente uma palestra inicial seguida de discussão e debate entre ele e
os participantes.
Os temas dos seminários de Lacan eram diversos e abrangentes, incluindo a linguagem, a
psicanálise, a cultura e a filosofia. Ele enfatizava a importância da linguagem e da
simbolização na formação da subjetividade humana, e sua teoria psicanalítica se baseava
em uma leitura radicalmente diferente dos escritos de Sigmund Freud.
Teoria dos Três Registros
Uma das principais contribuições de Lacan à Psicanálise foi sua teoria dos três
registros: o registro simbólico, o imaginário e o real.
O registro simbólico é o domínio da linguagem e do significado, em que as palavras e
símbolos são usados ​​para expressar ideias e conceitos abstratos. Vanier (2005, p. 18)
observa que "o símbolo remete simultaneamente à linguagem e à função compreendida
por Lévi-Strauss como aquela que organiza a troca no interior dos grupos sociais".
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Já o imaginário é o domínio das imagens e representações visuais, que incluem como
registro que temos de nós mesmos e dos outros, ou seja, designando ainda, a relação com
a imagem do semelhante e com o corpo próprio (VANIER, 2005).
O real é o domínio da realidade que não pode ser simbolizado ou representado, como a
dor física ou a morte e conforme explica Vanier (2005), ele não deve ser confundido com a
realidade, visto que ele retorna sempre ao mesmo lugar e se relaciona fundamentalmente
ao simbólico.
Lacan também enfatizou a importância do conceito de desejo na Psicanálise,
argumentando que este é fundamental para a compreensão da subjetividade humana e
que o desejo é sempre mediado pelo registro simbólico. Ele também desenvolveu o
conceito de "objeto a", que se refere a um objeto que é imaginado como sendo capaz de
vivenciar completamente o desejo humano, mas que na realidade é inatingível.
Outro aspecto importante da teoria lacaniana é sua compreensão da psicopatologia, que
surge da incapacidade do sujeito de lidar com a falta no registro simbólico, podendo levar
a uma busca desesperada por satisfação no registro imaginário ou a uma negação do
registro real.
Esse conhecimento é importante pois, para Lacan, o inconsciente é a parte mais
profunda e fundamental da psique humana. Ele acreditava que essa "estrutura" não é
simplesmente uma reserva de pensamentos ou emoções reprimidas, mas sim responsável
por governar nossa percepção e experiência do mundo.
O psicanalista entendia o inconsciente como um sistema simbólico, composto de signos e
significados que moldam nossa subjetividade e nos afetam de forma inconsciente. Ele
argumentava que ele é estruturado como uma linguagem, e que a nossa percepção e
compreensão da realidade são mediadas por essa linguagem.
Lacan também desenvolveu uma técnica de psicoterapia que enfatizava a importância da
linguagem na terapia. Ele argumentou que a linguagem é a ferramenta mais poderosa
para lidar com os conflitos psicológicos e que a interpretação das palavras e símbolos é
fundamental para a compreensão do inconsciente.
Além disso, o conceito do "Outro" também foi algo caro à teoria lacaniana, postulando que
formação da subjetividade humana não é um processo individual, mas sim um processo
que ocorre em relação a um "outro".
Segundo Lacan, o "outro" não é simplesmente uma outra pessoa, mas sim uma figura
simbólica que representa a ordem social e cultural em que estamos inseridos. Este é uma
fonte de significado e autoridade que nos molda e nos influencia desde o momento em
que nascemos.
É fundamental destacar também que o "outro" e a linguagem estão intimamente
relacionados em sua teoria psicanalítica. Lacan argumenta que a linguagem é a forma
como a subjetividade humana é construída, e que essa construção ocorre em relação ao
"outro".
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Em resumo, Lacan se aprofundou nas teorias de Freud para se aperfeiçoar cada vez mais
em suas teorias. Ele continuou a trabalhar como psicanalista e professor de psicanálise na
Universidade de Paris até sua morte em 1981 e sua obra e abordagem psicanalítica teve
um impacto significativo na psicologia clínica e continua a ser experimentada até hoje.
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Referências
BRUDER, Maria Cristina Ricotta; BRAUER, Jussara Falek. A constituição do sujeito na
psicanálise lacaniana: impasses na separação. Psicologia em Estudo, [S.L.], v. 12, n. 3,
p. 513-521, dez. 2007.
CALLIGARIS, Contardo. O inconsciente em Lacan. Arquivo Charles Lang, [S.I], v. 1, n. 1,
p. 1-8, dez. 2004.
DOR, Joel. Introdução à Leitura de Lacan: o inconsciente estruturado como linguagem.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1989. 203 p.
FINK, Bruce. Fundamentos da técnica psicanalítica: uma abordagem lacaniana para
praticantes. São Paulo: Blucher, 2017. 504 p. Tradução de Carolina Luchetta e Beatriz
Aratangy Berger.
JORGE, Marco Antonio Coutinho. Freud com Lacan: a psicanálise hoje. Reverso, Belo
Horizonte, v. 73, n. 39, p. 15-26, jun. 2017.
Lacan, Jacques. O Eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Editor, 1992.
VANIER, Alain. Lacan. [S.I]: Estação Liberdade, 2005. Tradução de Nícia Adan.

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