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1 INTRODUÇÃO À NEUROTEOLOGIA 2 Sumário 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................3 2. DEFININDO E MEDINDO A ESPIRITUALIDADE ..................................................................8 3. NEUROBIOLOGIA DA RELIGIÃO OU NEUROTEOLOGIA ....................................................9 4. O ENDEREÇO DE DEUS NO CÉREBRO HUMANO ........................................................... 10 5. NEUROTEOLOGIA E PSICANÁLISE-OS NERVOS DE DEUS NÃO SÃO NEURÔNIOS .......... 13 6. O PAI E O HOMEM DESNATURALIZADO ........................................................................ 14 7. ALGUNS TEMAS SOBRE A NEUROTEOLOGIA ................................................................. 17 8. ALGUNS DETALHES SOBRE A MEDITAÇÃO E ORAÇÃO .................................................. 23 9. A SOBREVIVÊNCIA DA FÉ ............................................................................................... 25 10. A NEUROTEOLOGIA E A HISTÓRIA DAS EXPERIENCIAS MISTICAS TRANSCENDENTES... 29 11. PSICOLOGIA TRANSPESSOAL ......................................................................................... 35 12. PSICOLOGIA DA RELIGIÃO ............................................................................................. 37 13. HISTÓRIA DE EVENTOS RELACIONADOS A EXPERIÊNCIA RELIGIOSA: ............................ 38 14. TÉCNICAS MEDITAÇÃO .................................................................................................. 41 15. REFERÊNCIAS................................................................................................................. 45 3 1. INTRODUÇÃO O estudo da base neural das emoções e espiritualidade religiosas é conhecido como neuroteologia, também conhecido como neurociência espiritual ou bioteologia. O objetivo da neuroteologia é descobrir os processos cognitivos que geram experiências religiosas e relacionadas com padrões de atividade no cérebro, como elas evoluíram nos humanos e os benefícios dessas experiências para os humanos. 1.1. Áreas de estudo da Neuroteologia Existem várias áreas de estudo dentro da neuroteologia. Algumas delas são: Estudo sobre como o cérebro humano pode ter evoluído para produzir essas experiências (alguns chamam esta área de Neuroteologia evolutiva) Estudo do desenvolvimento espiritual na criança e sentido de Deus, do nascimento até a infância (alguns chamam esta área de Neuroteologia desenvolvimental) Estudo do comportamento espiritual e religioso da raça humana por toda a história, e de ancestrais de humanos como o homo erectus, e outras espécies como o neanderthal (alguns chamam esta área de Neuroteoantropologia) Estudo do comportamento religioso de primatas e outros mamíferos (alguns chamam esta área de Zooneuroteologia) 1.2. História e Metodologia de estudo Há muito tempo, os cientistas especulam que lugares específicos no cérebro podem estar associados a sentimentos religiosos. Um dos escritos mais antigos sobre o assunto é de 1892, quando alguns textos sobre doenças relacionadas mencionaram uma associação entre "emoção religiosa" e epilepsia. O MRIscanner é um instrumento que ajuda a estudar o cérebro em funcionamento. É um instrumento de grande ajuda para a Neuroteologia. 4 Em estudos na década de 1950 e de 1960, foram tentados o uso de EEGs para estudar o comportamento das ondas específicas relacionadas com estados espirituais. Em 1975, a neurologista Norma Geschwidn descreveu pacientes epilépticos com intensa experiência religiosa. Durante a década de 1980, o Dr. Michael Persinger estimulou o lobo temporal de pacientes humanos com um campo magnético fraco usando um equipamento que ele chamava de capacete de Deus. Os pacientes relatam ter a sensação de "uma presença celestial no quarto". Esse trabalho ganhou atenção na época, mas não foi explicado o mecanismo que causava esses efeitos. Em 1987, Michael Persinger publicou um livro sobre o assunto intitulado "Neuropsychological Bases of God Beliefs". Numa tentativa de focalizar o interesse crescente no campo, em 1994, o professor Laurence O. McKinney publicou o primeiro livro com o termo neuroteologia no título: "Neurotheology: Virtual Religion in the 21st Century" (Neuroteologia: Religião Virtual no Século XXI), escrito para uma audiência leiga. O livro conquistou grande interesse de pessoas como o Dalai Lama e o eminente teólogo Harvey Cox. Um livro de 1998 sobre o assunto ganhou muita atenção foi "Zen and the Brain", escrito pelo Neurologista e Praticante de Zen, James H. Austin. No final da década de 90, os neurocientistas Andrew Newberg e Eugene d'Aquili adquiriram diversas técnicas de neuroimagem em budistas experientes em meditação profunda, e nos anos subsequentes fizeram testes em freiras enquanto rezando. Estudos realizados nas décadas de 1950 e 60 pretendiam usar o eletroencefalograma para investigar como as ondas superficiais se relacionavam com estados espirituais, um dispositivo que facilita a pesquisa sobre o cérebro em funcionamento, incluindo um scanner de ressonância magnética. Em 1975, a neurologista Norma Geschwidn contou uma história de um paciente epiléptico que tinha uma forte devoção religiosa. Usando um equipamento que Michael Persinger chamava de capacete de Deus, ou capacete de Deus, ele estimulou o lobo temporal de pacientes humanos com um campo magnético fraco. Os pacientes disseram que sentiram que havia "uma presença celestial no quarto". Embora o trabalho tenha recebido muita atenção na época, ninguém explicou o mecanismo responsável por esses efeitos. O livro "Neuropsychological Bases of God Beliefs" de Michael Persinger foi publicado em 1987. No ano 5 de 1994, o professor Laurence O. McKinney publicou seu primeiro livro usando o termo neuroteologia, "Neurotheology: Virtual Religion in the 21st Century",é uma ferramenta útil para a neuroteologia. Ao longo das décadas de 1980, o Dr. James H. Johnson, um neurologista e praticante de Zen, escreveu "Zen and the Brain" em 1998, que ganhou muita atenção. Pessoas como o Dalai Lama e o renomado teólogo Harvey Cox descobriram grande interesse no livro. Os neurocientistas Andrew Newberg e Eugene d'Aquili adquiriram várias técnicas de neuroimagem em budistas experientes em meditação profunda no final dos anos 90. Eles também testaram freiras enquanto estavam rezando nos anos seguintes. Andrew Newberg e Eugene d’Aquili escreveram vários livros sobre o assunto: • Em 1999, "A mente mística: entendo a biologia da experiência religiosa" • em 2002, "Porque Deus não quer ir embora: Ciência do cérebro e a biologia da crença". • em 2006, "Porque acreditamos no que acreditamos: Descobrindo sobre nossa necessidade biológica por significado, espiritualidade e verdade " • em outubro de 2007, "Nascidos para acreditar: Deus, Ciência, e a origem da crença ordinária e extraordinária". Estudos recentes obtidos de neuroimagem para identificar as regiões específicas ativas durante as experiências científicas dos pacientes. Um psicólogo da Wheaton University de Massachusetts, David Wulf, afirmou que o "estudo de imagens do cérebro com novos e poderosos aparelhos de neuroimagem como o MRIscanner (imagem), junto com a consistência do histórico de experiências espirituais de várias culturas, histórias e religiões , sugerem um ponto em comum e que isso reflete estruturas e processos no cérebro humano". Considere ideias antigas de que sentimentos relacionados a experiências místicas ou religiosas não são uma comunicação direta com Deus ou outras entidades, mas são componentes normais do funcionamento do cérebro em situações extremas. http://pt.wikipedia.org/wiki/1999http://pt.wikipedia.org/wiki/Experi%C3%AAncia_religiosa http://pt.wikipedia.org/wiki/2002 http://pt.wikipedia.org/wiki/2006 http://pt.wikipedia.org/wiki/2007 6 Alguns cientistas dizem que a neuroteologia pode reconciliar religião e ciência, mas se não conseguir, pode desenvolver métodos precisos e seguros de indução a experiências espirituais para pessoas que não conseguem tê-las facilmente. Alguns cientistas acreditam que, devido aos efeitos positivos que essas experiências têm em pessoas que já tiveram , uma habilidade de induzi-las artificialmente pode mudar a vida de algumas pessoas, tornando-as mais felizes, saudáveis e com melhor concentração. 1.3. "Gene Divino" A hipótese do gene divino propõe que algumas pessoas carregam um gene que as predispõe a eventos que alguns interpretam como revelações religiosas. Esta ideia foi proposta e popularizada pelo geneticista Dr. Dean Hamer, Diretor do Grupo de Estrutura e Regulação Genética do Instituto Nacional do Câncer. Hammer escreveu um livro sobre o assunto chamado (O gene de Deus: como a fé está integrada em nossos genes). Segundo esta hipótese, o gene sagrado (VMAT2) não está “codificado” para a crença em Deus, mas está fisiologicamente programado para produzir sentimentos associados à presença de Deus ou a outras experiências místicas, ou mais especificamente à espiritualidade. Um Estado de espírito. As vantagens evolutivas que isto pode conferir e se estes efeitos benéficos são efeitos secundários ainda não foram totalmente exploradas. A teoria do Dr. Harms é que a transcendência torna as pessoas mais otimistas, tornando-as assim mais saudáveis e mais propensas a ter muitos filhos. 1.4. Principais dúvidas dentro da Neuroteologia A oração pode levar a pessoa a ter emoções religiosas, como a sensação de estar em contato com Deus. Evolução - Porque e como as experiências espirituais surgiram? http://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o 7 Idade – Pode-se relacionar o desenvolvimento da crença “religiosa” (crença no sobrenatural e/ou pós-morte ou crença em Deus) com o desenvolvimento do cérebro na criança? Existe alguma relação neurológica com o fato de que a maioria dos líderes religiosos tiveram suas epifanias nos seus 30 anos? Doenças Mentais – Pode se mapear a relação entre comportamento religioso em pessoas com doenças mentais como esquizofrenia, com o comportamento religioso normal nos fatores neurológicos de determinada doença mental? Alucinógenos e Enteógenos – Pode-se relacionar o comportamento religioso que surge sob a influência de alucinógenos com o conhecimento do efeito neuroquímico dessas substâncias? Sexo – Como homens e mulheres diferenciam -se em crença e comportamento religioso, e se podemos estabelecer uma relação entre os dois e como o cérebro se diferencia em estrutura? Sonhos - Qual é a relação entre experiências de Deus ou sobrenatural enquanto a pessoa está dormindo e enquanto a pessoa esta acordada e a diferença nos processos neurológicos nos dois estados? Hipnose – A crença religiosa é uma forma, ou compartilha mecanismos com a hipnose? Música - Cerimônias religiosas quase sempre envolvem música, e música pode gerar sentimentos religiosos, provando que a neurologia da música pode dar insight na neuroteologia. Genética – Em adição aos aspectos Histórico-Cultural, e às ideias transmitidas, que são base para a religião, podem haver fatores genéticos específicos também, como aqueles que podem predispor certas pessoas para o comportamento e crença religiosa? Espécies – Pode-se relacionar a diferença entre o comportamento religioso dos primatas avançados e de humanos primitivos com os dos humanos modernos, com o nosso conhecimento de como nosso cérebro evoluiu em cima dos deles? (neurozoologia) http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_mental http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquizofrenia http://pt.wikipedia.org/wiki/Neurologia http://pt.wikipedia.org/wiki/Alucin%C3%B3genos http://pt.wikipedia.org/wiki/Ente%C3%B3geno http://pt.wikipedia.org/wiki/Sexo http://pt.wikipedia.org/wiki/Sonho http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipnose http://pt.wikipedia.org/wiki/Musica http://pt.wikipedia.org/wiki/Insight http://pt.wikipedia.org/wiki/Gen%C3%A9tica http://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Gen%C3%A9tico http://pt.wikipedia.org/wiki/Esp%C3%A9cie http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9rebro 8 2. DEFININDO E MEDINDO A ESPIRITUALIDADE Neuroteologia tenta explicar a atual base neurológica para aquelas experiências, que são popularmente chamadas de "espirituais" religiosas, ou místicas ou outros termos para formas anormais de cognição, que quase sempre envolvem um ou mais dos seguintes itens: União com o universo A sensação de que o tempo, medo ou consciência do "eu" se dissolveram encontro com Deus ou alguma entidade "superior" Êxtase Iluminação Estados alterados de consciência Essas experiências são vistas como base de diferentes formas de religião e crenças e comportamentos. 2.1. Eventos que podem causar experiências espirituais Meditação Oração Rituais religiosos Experiências de quase morte Exercícios de respiração Música Dança Jejum prolongado Consumo de substâncias psicoativas (Como DMT, Salvia divinorum, Peiote e várias outras). http://pt.wikipedia.org/wiki/Universo http://pt.wikipedia.org/wiki/Deus http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Axtase http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilumina%C3%A7%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Medita%C3%A7%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Ora%C3%A7%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Ritual http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica http://pt.wikipedia.org/wiki/Dan%C3%A7a http://pt.wikipedia.org/wiki/Jejum http://pt.wikipedia.org/wiki/DMT http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvia_divinorum http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvia_divinorum http://pt.wikipedia.org/wiki/Peiote 9 2.2. Partes do cérebro relacionadas a experiências espirituais Lobo frontal em azul; Lobo parietal em amarelo; Várias partes do cérebro estão relacionada com experiências místicas. São elas: *Lobo occipital em vermelho; Lobo temporal em verde. Lobo parietal : diminuição de neuro-sinapses levando a sensação de união como o universo. Lobo frontal : Concentração ampliada (meditação) bloqueia outros impulsos neurais. Lobo temporal : Ativa intensa emoção , como prazer e medo Lobo occipital : Processa imagens que facilitam praticas espirituais (velas, cruzes, etc.) 3. NEUROBIOLOGIA DA RELIGIÃO OU NEUROTEOLOGIA Em Portugal e no mundo, novos avanços estão sendo feitos em uma nova área do conhecimento científico. É provável que seja chamado de "neurobiologia da religião" ou "neurologia". O Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência (CTEC) na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, é responsável pela coordenação científica do título Fátima e a Ciência - investigação multidisciplinar das experiências religiosas, que faz parte da coleção Ciência e Consciência. Os pesquisadores afirmam que "as primeiras regras assinalam que as experiências religiosas dependem de 'cada cultura' e que o cérebro criou a necessidade de experimentar o 'mais além' como parte do processo evolutivo humano". O estudo "Fátima e a Ciência" é de natureza "inovadora, enriquecedora e não dogmática", e seu objetivo principal é descobrir áreas do cérebro que possam desencadear sensações transcendentes de forma proposta. A obra se concentra em tendências e experiências pararreligiosas, especialmente como "aparições marianas". Ele examina os acontecimentos da Cova da Iria em 1917 e outras manifestações semelhantes, como as que ocorreram em Medjugorge, na ex-Jugoslávia. http://pt.wikipedia.org/wiki/Lobo_frontal http://pt.wikipedia.org/wiki/Lobo_parietalhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Lobo_occipital http://pt.wikipedia.org/wiki/Lobo_temporal http://pt.wikipedia.org/wiki/Lobo_frontal http://pt.wikipedia.org/wiki/Medita%C3%A7%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Lobo_temporal http://pt.wikipedia.org/wiki/Emo%C3%A7%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Lobo_occipital 10 O objetivo do volume é desafiar a falta de abordagem científica dessas questões , que foram tradicionalmente "delimitadas ao foro confessional e à crença, no pressuposto de que eram exclusivas e indignos de observação e reflexão racionais". A interpretação oficial da Igreja Católica dos episódios de Fátima não concorda com essas análises. É importante que estas observações sejam treinadas e que sejam encontradas explicações científicas para situações em que o homem, só pela via espiritual ou religiosa - no meu entendimento, não consegue ir além das suas respostas subjetivas. É fundamental estudar essas tendências e encontrar explicações científicas para situações em que as pessoas só podem responder de forma subjetiva por motivos religiosos ou espirituais. 4. O ENDEREÇO DE DEUS NO CÉREBRO HUMANO Neurocirurgião, psiquiatra, professor de neurologia, laureado pela Academia Brasileira de Neurologia, autor do livro "Fisiologia das Emoções" de 1975, da editora Sarvier, que é a base deste novo livro. Publicou mais de 200 artigos científicos e participou de mais de 400 conferências e eventos científicos, trabalhando no MIT (especializado na Harvard Medical School em Boston) e na McGill University em Montreal. Fundador da Neurocirurgia Atua como professor e consultor de teses de mestrado e doutorado em neurologia e neurocirurgia no Centro de Pesquisa em Funcionalismo e Psicofisiologia Humana do Hospital Clínico San Paolo. Ele também atua como teólogo na área de neuroteologia, como este trabalho que acaba de lançar. O tema central da obra são as pesquisas realizadas pelo autor ao longo de sua carreira com o objetivo de compreender racionalmente o que acontece no cérebro durante a oração e a contemplação da transcendência espiritual para poder explicar a interação entre os humanos. Deus. É a crença, e a prova através da neuroanatomia e da neurofisiologia, de que existem áreas no cérebro que facilitam esta comunicação relacional com o Ser Supremo. 11 O trabalho do professor Marino Jr. constrói pontes entre a razão e a fé na área mais complexa da natureza e da criação de Deus: o cérebro humano. A localização central de onde emana todo o controle físico, emocional, sensível, contemplativo e, sem dúvida, espiritual. Desta forma, restabelece a ligação entre consciência e corpo que Descartes perdeu e volta a revelar a integridade entre mente, matéria e espírito. “A Obra” começa com uma profunda reflexão de que a ciência não pode provar que Deus não existe. É neste ponto que a neurociência deve basear-se na neuroteologia e abraçar a fé como uma resposta afirmativa à revelação e como uma ferramenta para o conhecimento da verdade superior à nossa racionalidade ou raciocínio limitado. É uma inteligência revelada pelo Espírito e não pela razão, agindo sobre a matéria, os sentidos e as emoções, fluindo nos sentidos naturais, fisiológicos, endócrinos, carnais e físicos. Enfatiza que todos possuem três tipos básicos de conhecimento: o olho físico, o olho da mente e o olho contemplativo. A visão física investiga o empirismo científico, a visão espiritual opera com base no conhecimento racional e lógico, e a visão contemplativa relaciona-se com a gnose ou conhecimento espiritual. A partir disso também mostra que temos três cérebros em um grupo cerebral onde o cérebro linear está relacionado à preservação e por ser primitivo tem conotações reptilianas (cobra) com agressão e o segundo cérebro lida com animais Distúrbios comportamentais e psicossomáticos, além aos instintos de sobrevivência: alimentação, defesa e reprodução, a última coisa que os mamíferos superiores adquirem é um terceiro cérebro, que MacLean chama de neocórtex. O autor apresenta toda a estrutura física e funcional do cérebro, dissecando-a com precisão neurocirúrgica, demonstrando a estrutura e função de cada região, mapeando milhões de neurônios, e ilustrando isso e as reflexões através de sua A narrativa das relações espirituais envolve o leitor, fornecendo dados sobre a anatomia, a fisiologia e os mecanismos neurais das emoções, bem como o papel das substâncias produzidas pelo cérebro e dos hormônios naturais na meditação e na oração contemplativa, conforme evidenciado pelo contato direto com Deus por meio da oração, da contemplação e do louvor. em que o Deus racional atua nas funções fisiológicas e emocionais do corpo, desde o nível espiritual (diretamente do trono do Pai). Na questão da relação entre o córtex pré-frontal, o giro cingulado e o córtex pré-frontal 12 Lobos temporais, especialmente o lobo temporal direito, os autores mostram toda a geometria cerebral usada na meditação, o louvor e a oração nos levam daqui para o contato externo (relacional superior) com Deus, proporcionando-nos o caminho para essa interação mais elevada, onde o êxtase emocional se reflete na fisiologia do cérebro e pode desencadear processos inteiros no sistema nervoso. Comunica-se com os neurônios, atinge todo o corpo e se manifesta no corpo. É assim que o Espírito Santo opera dentro de nós? Depois de apresentar toda a anatomia e fisiologia do cérebro, mostrando os efeitos das drogas e das drogas neste órgão, mostra também as semelhantes respostas de contemplação e revelação que levam a este tipo de fisiologia, que não faz mal mas, pelo contrário, nos dá segurança natural Sensação de felicidade e alegria. O autor nos leva a compreender que essas áreas são todas operadas pela espiritualidade, sem a necessidade de nenhum medicamento externo, mas simplesmente por acionamento fisiológico por meio dessa relação. O livro é bem organizado com 14 capítulos e glossário dos termos médicos utilizados, além de excelentes referências teóricas como a bibliografia das obras. Capa muito bonita e atraente. A obra levanta também a questão de uma nova visão da teologia, nomeadamente a adopção da ciência como princípios estabelecidos por Deus, onde a ciência e a religião não devem ser incongruentes e antagónicas, mas intrínsecas uma à outra, com leis naturais criadas por Deus através de métodos especiais. , no céu. Dentro desta complexidade da criação do Pai, nem o criacionismo nem a evolução são incongruentes ou incompatíveis, mas sim complementares e explicativos. Destaca novas formas de pesquisa neste campo da medicina através da neuroteologia, levando-nos a comparações com outros campos do conhecimento científico que podem conter esta ligação entre razão e fé e entre ciência e teologia, tais como: cosmologia, teologia quântica, física e teologia, sociobiologia e teologia, bioquímica molecular e teologia, especialmente computação relacional e teologia. Não há dúvida de que o autor abriu as portas para um debate acadêmico sério sobre a conexão entre ciência e religião. Este livro é recomendado por seu conteúdo instigante e orienta os leitores a uma reflexão profunda sobre como se comunicar com Deus. Somos imagem e semelhança de Deus, portanto, pode-se inferir que essa vibração espiritual é gerada por meio de relacionamentos, 13 cujos canais são estabelecidos no sistema computacional desde a mente de Deus até o nosso cérebro. Em outras palavras, se estivermos conectados e ligados ao nosso Pai Celestial, então o contato é feito e os sentimentos são transmitidos através dos nervos, revelando a presença do Espírito Santo de Deus. Como Cristo nos revelou: “Somos templos do Espírito Santo de Deus”. O autor nos leva em direção a essa fé racional, quebrando um grande paradigma e dando um passo gigante na direção de conectar o conhecimento humano com a sabedoriade Deus. 5. NEUROTEOLOGIA E PSICANÁLISE-OS NERVOS DE DEUS NÃO SÃO NEURÔNIOS 5.1. ANTES DO PAI: BIOLOGIA COMO FIGURA DO MATERIALISMO A reportagem de capa da revista "Forbes" celebra a fusão do marketing e da neurociência, criando o neuromarketing. Além disso, a neurofilosofia foi criada por Churchland de um neologismo estranho para uma disciplina respeitável, defendendo a tese de naturalizar conceitos como desejo, intencionalidade e consciência. O prefixo "neuro" tem o significado de fazer referência às disciplinas neurocientíficas. Além disso, como afirma Luc Ferry, denota a biologia como uma nova faceta do materialismo. Francis Fukuyama, que fala sobre os benefícios da revolução da biotecnologia, prevê um controle social que no futuro será regulado pelo controle do comportamento. O método mais recente de investigação do cérebro, após radiografias e tomografias, é a ressonância magnética (MRI). Mais recente é a ressonância magnética funcional (MRI), que mostra mudanças no volume e na oxigenação do sangue e mostra como áreas particulares do funcionamento do cérebro . Pesquisadores estabeleceram as bases para uma biologia da fé ao tentar entender, além disso, existem a neuroética, a neuropsicanálise, e a neuróbica, etc. A passagem da neuropsicofarmacologia, que antes se limitava à alteração de sintomas intensos, para uma atuação sutil no estado anímico, conhecida como farmacologia cosmética por Peter Kramer, tornaria possível este controle social . Seria a hipótese da existência da "Síndrome amidaliana" para explicar as condutas extremas dos serial killers? Os avanços tecnológicos na área das neuroimagens permitiram uma 14 investigação dos neurotransmissores, reintroduzindo o localizacionismo nas neurociências atuais. Existeria uma neurobiologia particular para os homens bomba, Existe algum componente do fanatismo? A tomografia por emissão de pósitrons (PET), que difere da ressonância magnética, mostra como o cérebro está estruturado e funciona, bem como como ele usa a energia bioquímica. Há uma conexão entre a experiência religiosa e o cérebro humano, de acordo com a neuroteologia, um novo campo da neurociência. Um artigo da revista "Newsweek" e o livro "Por que Deus não vai embora: a ciência do cérebro e a biologia da fé" chamaram a atenção para a neuroteologia, que é o estudo da neurobiologia da religião e da espiritualidade. Em suas pesquisas com monges budistas tibetanos e uma comunidade de franciscanos, Andrew Newberg e Eugene Aquili descobriram que atividades religiosas, como meditação e oração, ativam partes do cérebro enquanto outras deixam de funcionar. Uma série de eventos neurológicos que podem ser observados e registrados é descrita pelos autores como "a sensação que os budistas chamam" "unidade com o Universo" e que os franciscanos atribuem à presença real de Deus. As tomografias mostraram que durante os momentos de preces e meditação, o fluxo sanguíneo diminuía significativamente e havia muita atividade elétrica nos lobos temporais durante o êxtase místico. Isso leva a pensar que há uma relação entre o religioso e um ataque epilético , pois há registros de atividade elétrica semelhantes nos lobos. 6. O PAI E O HOMEM DESNATURALIZADO Lacan compara Deus ao Outro, que é o lugar da verdade. Para Lacan, Deus não seria nem uma idealização do pai nem uma sublimação. As religiões foram esforçadas para domesticar Deus, modelando o real com o simbólico das palavras e o imaginário dos corpos. Para Lacan, as religiões são rebaixamentos dos deuses à indignidade do pai, em vez de ser uma sublimação ou idealização do pai, como Freud pensava. Lacan delimita um ponto que a maioria dos pensadores filosóficos contemporâneos não considera: Deus é existir em vez de ser. Os filósofos árabes pensam que o ser é uma essência 15 que não tem razão para existir. A existência não é a mesma coisa que a essência. Para Deus, existência e essência são a mesma coisa. A importância da essência, "Sou o que sou", é reduzida pela existência, de acordo com a leitura de Lacan. O ser é uma essência que só pode existir por causa de sua causa. Yahve é o "tetragramaimpronunciável", ou a existência necessária. Deus é chamado de "eu sou" em vez de "ser" ou "essência". Em "O real da ilusão cristã: notas sobre Lacan e a religião", Zizek destaca dois elementos do Real lacaniano: a Coisa primordial e a letra ou fórmula sem sentido, como no Real da ciência moderna Zizek acrescenta um terceiro Real a esses dois: o " Real da ilusão ", ou o real de um semblante puro . três modalidades do Real porque a tríade do IRS se reflete na ordem do Real: o " Real " , que é o objeto primordial e a Coisa aterradora, que é o significante restrito a uma fórmula insensata , como as fórmulas ; da física quântica e o "Real imaginário", que é o insondável ; A Trindade Cristã pode ser considerada a Trindade do Real de acordo com a afirmação de Lacan de que os Deuses pertencem à ordem do Real: Deus, o Pai, é o "Real real" da violenta Coisa primordial; Deus, o Filho, é o "Real imaginário"; e o Espírito Santo é o "Real simbólico" da comunidade cristã. Freud no estudo de Schreber, mostra a satisfação que o leva a contemplar, vestido de mulher, sua imagem no espelho, que no seu delírio, o leva a copular com Deus fazendo-o digno da fecundação divina. A este gozo sem limite Lacan chamou de “empuxo-à- Mulher”, explicado como um gozo ligado à falta da função fálica, pois este Deus que goza dele, é o gozo do Outro, um gozo não fálico ligado à falta da castração. Escreve Lacan: “Sem dúvida a adivinhação do inconsciente adverte o sujeito, desde muito cedo, de que, na impossibilidade de ser o falo que falta à mãe, resta-lhe a solução de ser a mulher que falta aos homens” ou ser a Mulher de Deus. A orientação para a feminização, o “empuxo-à-Mulher”, é uma obrigação na sexuação do psicótico. 16 No estudo de Schreber, a alegria demonstra o prazer que ele experimenta ao observar sua imagem vestido de mulher no espelho, o que, em seu delírio, o leva a copular com Deus, tornando-o digno da fecundação divina. Lacan chamou esse gozo infinito de "empuxo-à-mulher" e o explicou como um gozo associado à ausência da função fálica, pois este Deus que goza dele é o gozo do Outro, um gozo não fálico associado à ausência de castração. Lacan afirma que "Sem dúvida a adivinhação do inconsciente adverte o sujeito, desde muito cedo, de que, na impossibilidade de ser o falo que falta à mãe, resta-lhe a solução de ser a mulher que falta aos homens". Schreber apresenta um exemplo de feminização no psicótico em seu livro "Memórias...", abordando sua transformação em mulher e sua posição diante de Deus, dizendo: "Só o título de uma possibilidade que há que ter em conta lhe digo: minha emasculação , de qualquer maneira, ainda poderia produzir-se, ao efeito do que uma nova geração saia de meu seio por jogo de uma fecundação divina." Schreber disse: "Por duas vezes já tive órgãos genitais femininos, ainda imperfeitamente desenvolvidos, e experimentei no corpo na sexuação do psicótico, há uma necessidade de feminização, ou "empuxo-à-mulher". Ainda em "Memórias" movimentos de saltos, semelhantes às primeiras agitações de um embrião humano." Por um milagre divino, os nervos de Deus, que correspondiam a um sêmen masculino, foram aprimorados em meu corpo, o que resultaram na fecundação. Schreber se coloca como objeto do prazer do Outro, pois "empuxo-à-mulher" exigência com as critérios de um Deus tirânico, o que justifica outros sintomas como tentativa de suicídio, cadaverização do corpo, prejuízo do sentimento íntimo da vida, perda da identidade viril, tentativa de automutilação e necessidade de cirurgia. Schreber mostra como se transformou em mulher e como se comporta diante de Deus, dizendo: " como seria bom ser uma mulhercopulando e ser a mulher de Deus " .não poder ser o falo que falta à mãe, a única opção é ser a mulher que falta aos homens. A satisfação que leva Schreber a contemplar sua imagem no espelho, vestido de mulher, é demonstrada por Freud e Lacan. É a dimensão do prazer associado à cópula divina que o torna digno da fecundação divina. Esta representação de Deus que se alegra dele representa 17 o prazer do Outro, um prazer que não é de natureza fálica e está associado à ausência de castração. Este é o resultado do chamado do gozo sem limite, conhecido como empuxo-à-Mulher por Lacan - um gozo relacionado à falta da função fálica. Lacan afirma que "Sem dúvida a adivinhação do inconsciente adverte o sujeito, desde muito cedo, de que, na impossibilidade de ser o falo que falta à mãe, resta-lhe a solução de ser a mulher que falta aos homens", ou seja, ser uma "Mulher de Deus". A Mulher surge como resultado da forclusão de Nome-do-Pai. Deus é uma mulher transformada em tudo. “Dito faz da mulher não totalmente o Deus da castração”. “O que, no entanto, não faz de Deus um Todo, não há outro que possa servir como parceiro”. Porque a humanidade precisa de outras pessoas. É aquele que muitas pessoas chamam de Deus, mas uma análise mostra que é apenas uma mulher que representa o prazer infinito, uma mulher completa que não é castrada. 7. ALGUNS TEMAS SOBRE A NEUROTEOLOGIA As discussões sobre a relação entre ciência e fé continuam nos trazendo surpresas e modismos. É claro que muitos de nossos leitores ficarão surpresos com o título do artigo. Nervosismo... por quê? Sim, como o nome sugere, neuroteologia. Dois estudiosos da Universidade da Pensilvânia, Achilles Andrew Newberg e Eugene A., publicaram suas pesquisas sobre os efeitos da meditação no cérebro humano. Aquiles, professor de psiquiatria e antropólogo da religião, morreu em agosto de 1998. Newberg é membro do Programa de Medicina Nuclear de Hospitais Universitários. Os dois colaboram desde 1993 e contribuíram para o livro Mysterious Psychic Explorations in the Biology of Religious Experience (Fortaleza, 1999) e Why God Won't Go Away: Brain Science and the Biology of the Self publicou suas descobertas (Ballantine, 2001 ), este último recebeu o escrutínio mais extensivo. 18 Em seu estudo, Aquiles e Andrew usaram “fantasmas” de criatividade, o que lhes permitiu obter imagens da atividade cerebral. eles A análise de dados de um estudo sobre monges budistas tibetanos e freiras franciscanas levou a uma conclusão chocante: os impulsos religiosos estão enraizados na biologia do cérebro. Em outras palavras, Deus está usando termos eletrônicos que estão “programados” no cérebro humano. Portanto, segundo eles, o cérebro humano é determinado geneticamente e também incentiva a crença religiosa. Esta pesquisa começou em 1970. Demonstra que a meditação e a oração levam a mudanças significativas nos dados fisiológicos, como ondas cerebrais, frequência cardíaca, respiração e consumo de oxigênio. Foi demonstrado que a estrutura do cérebro não é tão estática como se pensava anteriormente. Pesquisas recentes mostram que o cérebro está em constante mudança. Sua estrutura e funções são modificadas de acordo com o comportamento humano, moldando o comportamento humano. A meditação e a oração de monges budistas ou freiras católicas podem ter um efeito físico no cérebro, especialmente nos lobos pré-frontais, causando sentimentos A unidade com o universo que os monges experimentam, ou a proximidade de Deus que as freiras franciscanas sentem. Estas experiências e sentimentos que transcendem o nível pessoal surgem de um fato neurológico: a atividade no lobo pré-frontal do cérebro. Esta parte do cérebro corresponde à capacidade de concentração, perseverança, apreciação, pensamento abstrato, força de vontade e humor e, em última análise, à integração harmoniosa da existência. Usando uma citação de Aldous Huxley, os autores destes estudos referem-se à neuroteologia como uma disciplina emergente dedicada a compreender a complexa relação entre espiritualidade e atividade cerebral com base em mudanças experimentais no cérebro quando se utilizam práticas espirituais. Com base em dados científicos, oferecemos reflexões teológicas a partir de uma perspectiva neuropsicológica. Estude esta nova ciência hoje. D'Aquila e André tentam responder questões como as origens da mitologia, a ligação entre religião, o êxtase sexual e a natureza dos fenómenos espirituais para fornecer dados sobre experiências de quase morte. 19 Onde está a necessidade da humanidade por mitologia mágica? Muitos pensadores secularistas acreditam que a religião é uma invenção nascida da necessidade psicológica de encontrar e aliviar medos e confortos existenciais que servem como âncoras num mundo confuso e perigoso. Idaquili Newberg acreditava que, por sua vez, o impulso religioso estava enraizado nas propriedades biológicas do cérebro humano, e confirmou isso com os dados científicos já mencionados. O sentimento de unidade com o universo ou proximidade com Deus não é apenas uma ilusão ou um fenômeno psicológico puramente subjetivo, mas uma série de eventos neurológicos que podem ser observados, registrados e fotografados hoje. Aparentemente, ambos os pesquisadores disseram que não se tratava de uma imagem de Deus em seu estudo. Use dados e sua reflexão para mostrar que o cérebro humano foi projetado para ter sucesso na vida. Os cientistas dizem que a religião e as experiências religiosas são processos cerebrais que nos mantêm caminhando na mesma direção. Ou mesmo ao contrário, como dizemos, nas palavras dos pesquisadores, Deus é a fiação do cérebro humano. Outros cientistas também apoiam estes dados científicos e respetivas conclusões. Na verdade, o Dr. tradição do Yoga, e escreveu um de seus artigos intitulado “Projetando para a Divindade – O Cérebro”. Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin, mostrou que podemos exercitar os lobos pré-frontais com drogas (como Prozac, Paxil e Zoloft) ou através da meditação. No entanto, uma vez removida a droga, o efeito termina, enquanto os restantes efeitos da meditação permanecem: um investigador na vanguarda da neurociência acredita destemidamente que uma prática consistente de meditação tem um impacto positivo decisivo nesta parte do cérebro e, portanto, Sobre o comportamento humano. Num futuro próximo, poderemos avançar prescrevendo momentos de meditação, melhorando nosso caráter ou comportamento e suprindo eventuais deficiências. Mas desde que Pio XII declarou na Segunda Assembleia Mundial da Saúde, em 27 de junho de 1949, que “longe de considerar a saúde como um objeto biológico único, a Igreja sempre enfatizou a importância e a ordem de manter a saúde, a terra”. . É uma questão de poder moral e religioso”, id'Aquili Newberg procura argumentar contra o fechamento e a proibição da transcendência. No entanto, a interpretação dos dados é bivalente em relação à crença em Deus. ? A religião é apenas um produto da biologia (uma ilusão neurológica), ou o cérebro humano tem uma capacidade misteriosa de 20 conhecer Deus. Além disso, é criada pelo cérebro do Criador? Esta experiência religiosa é uma percepção real do Absoluto? , ou é simplesmente a percepção que o cérebro tem da sua própria atividade. Pode a experiência de admiração religiosa ou mística ser reduzida a um mero fluxo neural?Os neurocientistas reconheceram que nenhuma certeza científica completa pode ser totalmente estabelecida e afirmaram que a dimensão mística da experiência religiosa transcende as suas conclusões, ao mesmo tempo que afirmam a primazia da realidade transcendente. Os resultados de Aquiles e Newberg foram criados como trechos capax Dei de acordo com as pessoas refletidas na teologia católica. “O Catecismo da Igreja Católica diz que o desejo de Deusestá gravado no coração do homem porque o homem foi criado por Deus e para Deus atrai continuamente as pessoas a Ele, e só Deus pode fazer o homem encontrar a verdade e a verdade. felicidade da saudade constante” (CEC 27). Todos estes resultados trazem à mente as famosas palavras de Santo Agostinho: “Tu és o instigador, para que ele encontre alegria no louvor, pois tu nos criaste para ti, e o nosso coração está ansioso até que repouse em ti” (Conf. 1, 1,1). O resultado, dizem eles, não significa que o seu argumento não exija (como veremos mais tarde) um discernimento cuidadoso. Da reflexão filosófica, a prova da existência de Deus, porém, emerge da sua al'anuència objetiva numa consistência completamente livre, sem coerção. A existência do agnosticismo e do ateísmo desempenha um papel decisivo na afirmação deste ponto. A tradição cristã desenvolveu uma série de argumentos para provar a existência de um Criador. Existem duas formas de abordagem: o mundo e as pessoas. O mundo do movimento e do devir, do acaso, da ordem e da beleza vê Deus como a origem e o fim do universo. O homem questiona a existência do seu próprio Deus através da sua abertura à verdade e à beleza, através do seu sentido moral do direito e da liberdade da voz da consciência, e do seu desejo de infinito e felicidade. Através de tudo isso ele via sinais da sua alma espiritual, que trazia em si a semente da eternidade, irredutível ao sujeito (cf. CEC 31-35). A partir de agora, através da pesquisa neurológica, podemos acrescentar outra: a estrutura e função do cérebro humano. No entanto, o facto de existir uma relação comprovada entre meditação e atividade cerebral produtiva não infere cientificamente a existência de Deus. No entanto, esta profunda 21 harmonia da estrutura humana e das suas ambições com a doutrina religiosa abre a porta a mais do que um tipo de pedido de desculpas irracional. Esta interpretação ainda não foi transcendida, mas também foi criticada. A visão materialista da existência baseia-se nos dados científicos fornecidos por Aquiles e Newberg para apoiá-la, uma vez que psicopatas ou pessoas sob a influência de substâncias tóxicas como LSD, cogumelos ou outros produtos químicos têm experiências semelhantes, neste caso, desenvolvem um sentido de unidade com o todo. O tempo gasto em meditação nada mais é do que um produto do cérebro, não é necessariamente uma verdadeira percepção da realidade divina. Por exemplo, J. Allan Hobson (A Química dos Estados Conscientes: Rumo a um Modelo Unificado do Cérebro e da Mente [Little Brown & Co., 1994]) reduz o conhecimento a certas combinações de produtos químicos genéticos e ambientais. Os cientistas que pensam como ele são deterministas. Limitei a quantidade de anatomia humana e suas tendências, a história química da função cerebral ao longo da existência e a influência dos fatores ambientais. Para Hobson, alma, mente e espírito não existiam em si mesmos, mas eram descrições da experiência de reações químicas no cérebro. Outros também reduziram as explicações humanas às perspectivas dos cientistas, fornecendo dados que valem a pena considerar. A pesquisa neurológica confirma - Ph.D. Pesquisadores do Jesus Pujol-CETIR demonstraram que a repetição contínua de uma palavra curta ou frase, palavra ou com conteúdo semântico religioso significa não querer ou praticar a prática comum de pesquisar palavras iniciadas com determinada letra, ou estar exposto a estímulos externos, como o parte magnética do cérebro O instrumento teve um impacto real nos lobos pré-frontais, produzindo efeitos semelhantes aos registrados por Aquiles e Newberg. Olhando para a questão de outra perspectiva, Wayne Proudfoot, professor de religião na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, sem negar a conclusão de que existe uma dimensão religiosa inerente aos seres humanos, mostrou, pelo contrário, que a religião não pode ser sensatamente descrita apenas em termos biológicos. Na verdade, toda a experiência é interpretada pelas pessoas, e é assim que as pessoas religiosas a interpretam. Dois indivíduos diferentes podem interpretar a mesma experiência de maneira diferente ou até oposta, apesar de terem os mesmos parâmetros técnicos detectados em seus cérebros do ponto de vista fenomenológico e biológico. Além disso, tem significado 22 religioso. O estudo da experiência religiosa também requer mais do que dados puramente químicos e fisiológicos. Na verdade, devemos considerar o contexto histórico e cultural da experiência de interpretação interna, bem como a realidade espiritual do ser humano. Portanto, não se pode desistir e tentar ignorar as condições históricas e culturais para fornecer explicações religiosas a todas as pessoas, em todos os tempos e lugares. Afirma-se que graças ao cérebro od'emoció, o operador controla o sentido de unidade, o autor elimina a necessidade de estudar julgamentos e interpretações e a linguagem e os conceitos pelos quais eles são feitos. Portanto, Wayne Proudfoot é fascinante e, de uma simples perspectiva técnica, não consegue dar uma razão experimental para conduzir esta experiência religiosa. A estreita ligação entre as dimensões físicas e espirituais do ser humano é bem conhecida. Algumas pessoas que sofreram acidentes traumáticos experimentam uma perda de autoconsciência, sugerindo que a noção de quem sou e das minhas experiências são inseparáveis dos neurónios e dos produtos químicos do próprio cérebro. Produtos químicos como o LSD ou outras drogas também podem causar alucinações e sensibilidades consideráveis. Além disso, há indicações de que as relações entre os nossos pensamentos, sentimentos e a química cerebral não são inteiramente impulsionadas por dados químicos. Na verdade, mudanças repentinas podem levar à depressão real. Ambos os casos refletem a unidade inerente do corpo humano e do corpo, mente e alma dinâmicos e corporativos, com uma filosofia individualista unificada assumindo maior forma. Os dados obtidos a partir da interação de experimentos químicos e da atividade cerebral revelam o que está acontecendo no cérebro. Mas será que esta atividade eléctrica e química do cérebro causa o resultado final, tal como um programa de computador faz com que o computador programado responda? Se assim fosse, conceitos como liberdade, responsabilidade, bem e mal, amor e arte seriam relegados às categorias da bioquímica e da eletricidade. Se a responsabilidade recair no domínio químico, a criminalização tornar-se-ia a base jurídica para a discriminação baseada em substâncias eletroquímicas no cérebro. É poesia, arte, literatura, cultura ou simplesmente química? Permite apenas certas atividades que levam à capacidade neurológica para a poesia nos humanos? Ou é mais uma atividade da alma que, como todas as atividades humanas, requer apoio orgânico? É uma química de profunda 23 devoção pessoal, devoção ao heroísmo, pureza incondicional, generosidade? É só um amor químico e nada mais:? De forma convincente, penso que a resposta não é negar as reações químicas ou mesmo físicas da responsabilidade e do amor, mas podemos sempre inverter os papéis. Portanto, devemos defender a realidade espiritual que transcende a fisiologia humana, em vez de negá-la. Explicações bivalentes para esses fenômenos neurológicos existem em espelhos e contadores. Hobson argumentou contra Aquiles, enquanto Newberg mostrou que a ingestão de certos produtos químicos pode ter um efeito semelhante, confundindo os limites da verdadeira percepção. Outros observam, mas também apoiam, pesquisas científicas que captam diferenças da vida real sob a influência da droga. Eles disseram que era como se fosse real, mas não perceberam o quão real era a experiência. Stanislav Grof (Beyond the Brain. Birth, Death, and Beyond in Psychotherapy [SUNY Press, 1985]) oferece uma terceira explicação, tentando fornecerevidências clínicas através de: Pacientes sob a influência do LSD forneceram informações que não tinham antes e forneceram dados muito precisos que revelam a existência desta ligação. Da mesma forma, a hipnose tornou-se comum nos limites da realidade vivenciada. Com efeito, o sistema de justiça americano desacredita as testemunhas sob hipnose. Não aceite a impressão de que você não consegue distinguir entre memórias reais e experiências sob hipnose, quando na verdade isso não acontece na realidade. Então será também por razões bioquímicas e eléctricas que o cérebro interpreta os mesmos dados de forma tão diferente? Isso pode ser explicado neurologicamente? Se sim, por quê? Qualquer questão científica, se feita honestamente, tem uma resposta extremamente filosófica, metafísica e, em última análise, religiosa. 8. ALGUNS DETALHES SOBRE A MEDITAÇÃO E ORAÇÃO Como vimos, e Newberg conclusões de Aquiles foram baseadas em dados obtidos a partir da observação de monges budistas tibetanos e religiosos franciscanos enquanto meditava. Nós podemos, do ponto de vista católico, colocar no cesto de meditação budista e mesmo a oração cristã, entendida como um diálogo com Deus? 24 A meditação budista é algo peculiar. De acordo com as escolas, por vezes, é uma técnica de yoga, outros uma espécie de esforço para se preparar para o nirvana, entendida como um estado místico no sentido negativo do caminho dos gnósticos. Oração, no entanto, envolve uma dinâmica diferente. Para Santa Teresa do Menino Jesus é "um impulso do coração, é um simples olhar dirigido para o céu, é um grito de reconhecimento e amor, tanto o teste e na alegria" (Ms. Autobar. C 25R) . São João Damasceno descreveu como "a elevação da alma a Deus ou a submissão a Deus bens desejáveis. "Oração", diz o Catecismo da Igreja Católica, "nós sabemos ou não, é o encontro da sede de Deus e nossa. Deus tem colocado que temos sete Dele" (CCE 2560). E nunca devemos esquecer que Deus é uma Trindade. A oração torna-se uma relação de aliança cristã entre Deus e o homem em Cristo. "É a ação de Deus e do homem nasce do Espírito Santo e que tudo se encaminhava para o Pai, em união com a vontade humana do Filho de Deus feito homem" (CCE 2564). A oração é cristã enquanto é comunhão com Cristo is'escampa na Igreja, que é o seu corpo. " Portanto, precisamos de pontos como a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé sobre alguns aspectos da meditação cristã (15 de Outubro de 1989), a partir de uma premissa essencial: a oração cristã é sempre determinado pelo estrutura da fé cristã, é configurado como um diálogo pessoal, íntimo e profundo entre o homem e Deus Trino, e é o encontro de duas liberdades, a Deus que o homem finito infinito. No entanto, essas advertências não excluem o uso de métodos orientais de meditação como uma preparação psicofísica para um cristão verdadeiramente contemplação. Nivelamento de oração budista de meditação cristã significa o esvaziamento da dimensão dialógica do seu profundo, vivido pelo dom do Espírito Santo. A tentação, porém, não é uma novidade. Desde o Novo Testamento menciona vários erros semelhantes (cf. 1 Jo 4.3, 1 Timóteo 1, 3-7). Mais tarde, os Padres da Igreja teve que lidar com dois desvios: o pseudognosi e messalianisme. A primeira considerou a matéria como algo impuro, negativo, que a alma envolta em uma ignorância do que estava para entregar a oração. O messalianisme, poder carismático do século IV, identificou a graça do Espírito Santo com a experiência psicológica da sua presença na alma. Confrontado com estas reducionista não pode degradar ao nível da psicologia natural que deve ser considerado é a graça de Deus. A união com Deus é o mistério, não só para o ano 25 chegou a uma técnica de meditação. Esta união pode ser feito também através de experiências de sofrimento e até desespero. 9. A SOBREVIVÊNCIA DA FÉ No século XIX, Deus foi assassinado e os assassinos foram identificados. Todos os grandes pensadores, incluindo Karl Marx, Charles Darwin, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud, desenvolveram teorias sobre o mundo e a natureza humana que fugiram das explicações que a religião costumava dar. Mais do que podiam esperar, eles competiam com eles, usando todas as vantagens da lógica e do curso inequívoco da História. Desde o início dos tempos, os humanos são procurados respostas fora da esfera divina. A evolução que vimos foi muito mais incrível do que qualquer lenda bíblica sobre um boneco de barro que foi transformado pelo sopro do Senhor de Barbas Brancas e cara de poucos amigos. E, sem dúvida, estaríamos em um mundo melhor se não houvesse crenças primitivas, a vigilância castradora do Deus judaico- cristão e a ordem social injusta alimentada pelas posições religiosas. Em um mundo onde a ciência e a razão eram predominantes, todas as questões cruciais tinham uma resposta. Impulsos religiosos e crenças em entidades sobrenaturais acabaram no mesmo registro dos tempos em que se pensaram que a Terra era plana e o Sol girava em torno dela devido à ordem natural das coisas. No entanto, é evidente que as coisas não ocorreram exatamente de acordo com o planeado. É verdade que a ciência evoluiu, e de forma tão espantosa que os leigos agora frequentemente se sentem mais intimidados do que oferecem respostas específicas. Quando você ouve explicações cosmogônicas de um cientista, é quase como tentar conversar com uma entidade extraterrestre. O extraordinário avanço material que ocorreu durante o início da Era da Razão é superado pelas dificuldades bem conhecido que afeta a sociedade moderna. Acreditava-se que a ciência fosse capaz de resolver todos os problemas e ser o instrumento para melhorar o mundo. Ela criou uma série de aspirações e expectativas que não conseguiu satisfazer”, resume Lísias Nogueira Negrão, socióloga investigadora da religião da Universidade de São Paulo. 26 A morte de Deus operada por Marx, Freud e companhia, e suas substituições pela ciência, também não foi um espetáculo de alegre lançamento. Na definição do filósofo francês Jean-Paul Sartre, o desaparecimento de "uma das maiores ideias humanas de todos os tempos" deixou na consciência dos homens "um buraco em forma de Deus" (Sartre foi um dos coveiros mais recentes do divino, propondo que , mesmo que Deus existisse, necessário seria rejeitá-lo, pois a ideia dele nega a nossa liberdade). Para a teóloga inglesa Karen Armstrong, autora de Uma História de Deus, o fim do Senhor de Barbas foi "acompanhado de dúvida, temor e, em alguns casos, um conflito agônico". A morte de Deus operada por Marx, Freud e companhia, e suas substituições pela ciência, também não foi um espetáculo de alegre lançamento. Na definição do filósofo francês Jean-Paul Sartre, o desaparecimento de "uma das maiores ideias humanas de todos os tempos" deixou na consciência dos homens "um buraco em forma de Deus" (Sartre foi um dos coveiros mais recentes do divino, propondo que , mesmo que Deus existisse, necessário seria rejeitá-lo, pois a ideia dele nega a nossa liberdade). A conclusão do Senhor de Barbas foi "acompanhada de dúvida, temor e, em alguns casos, um conflito agônico ", de acordo com a teóloga inglesa Karen Armstrong, autora de Uma História de Deus. O sofrimento mental causado pela morte de Deus, combinado com a frustração com as promessas científicas encompridas, ajuda a entender por que a destruição sistemática dos pilares religiosos no Ocidente por quase dois séculos ainda não encontrada em uma maioria generalizada de não-crentes. Em contraste, o que está presente atualmente em muitos países de tradição cristã é uma linha divisória entre uma minoria - composta principalmente por indivíduos de alto nível intelectual - que mantém uma visão do mundo laica e uma maioria que se apega firmemente à fé e a vários concepções religiosas. Isso significaque se Deus morrer, sua sombra não deixará o mundo. Os Estados Unidos da América são uma exceção entre os países industrializados. Na Alemanha, 53% das pessoas disseram acreditar em Deus. As pesquisas sobre opinião e religiosidade mostram números impressionantes, principalmente no continente americano. Aproximadamente 90% das pessoas nos Estados Unidos e no Brasil afirmam acreditar em Deus. Acredita em um Criador. Na Suécia, 36% da população são crentes, o menor número do mundo desenvolvido. É necessário um grande exercício de neutralidade para entender por que a fé e a religião sobrevivem. Quando se trata de fé, aqueles que não se sentem conscientes dos 27 superiores aos que têm. É possível encontrar uma maneira equilibrada de responder à pergunta por que a fé existe e continua existindo? Além da esmagadora maioria que crê em Deus, os americanos também acreditam em milagres (84%) e, mais surpreendentemente, não aceitaram o darwinismo quase 200 anos depois de sua exposição ao mundo: 44% acreditam que o homem foi criado exatamente da maneira descrita na Bíblia há menos de 10 000 anos. Além disso, aqueles que têm acesso observam os que se importam com a tristeza, se não desprezo. As explicações para o sentimento de fé e como ele se transformou em religião têm se dividido em duas correntes ao longo dos anos. uma procura por motivos externos, geralmente de natureza utilitarista. Uma outra coisa é que eles estão dentro da natureza humana - seja nos genes, como alguns cientistas modernos acreditam, ou na alma, de acordo com a tradição. O bom senso mais básico é capaz de reunir facilmente as razões pelas quais a religião e a fé são necessárias. Os humanos precisam de explicações sobre o significado da vida (e os não crentes não podem suportar respostas simples para questões difíceis), nossos corações precisam de conforto e as sociedades não podem prosperar sem um mandato divino. A religião alivia nosso medo da finitude da vida, oferece uma explicação para a origem do mundo e exige que sigamos os valores morais essenciais para a existência humana. Esta é uma necessidade que Dostoiévski expressou brilhantemente em seu Ivan Karamazov, dizendo: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. A outra faceta da explicação da fé se baseia em águas profundas. Rudolf Otto, o autor de O Sagrado, que usou a palavra "Deus" em vez da palavra "Deus", é um dos teólogos modernos mais conhecidos que a adotaram. Otto afirmou que as religiões são respostas à existência do sagrado por si só. Nesse caso, a humanidade não é responsável por nada e as manifestações religiosas, mesmo aquelas que são influenciadas pela cultura, são apenas uma resposta a uma dimensão que já existe. O teólogo que viveu na Alemanha no início do século XX colocou essa dimensão fora, ou mais além, do humano. No entanto, os cientistas que procuram provar a existência do divino agora procuram os circuitos específicos em vez dos mistérios da alma. Todos eles pertencem aos Estados Unidos, onde quatro em cada dez cientistas têm algum tipo de crença religiosa. Isso é um registro na categoria. Por fim, eles afirmam que existe uma área do cérebro dedicada à experiência de emoções religiosas. 28 Essa nova área de estudo já tem um nome: neuroteologia. O radiologista Andrew Newberg e o psiquiatra Eugene d'Aquili são os autores do livro "Por que Deus Não Desaparece". Eles acreditam que os rituais místicos foram essenciais para a sobrevivência e evolução de nossos ancestrais. Afirmei então ter encontrado evidências de "um processo neurológico que evoluiu". Afirmam que a observação da atividade cerebral de dois grupos - um de budistas durante um processo de meditação e outra de freiras durante orações fervorosas - revelou evidências do tal "cérebro religioso". Carol Rausch Albright e James Ashbrook, ambos estudiosos da religião e autores de Where God Lives in the Human Brain (Onde Está Deus no Cérebro Humano), são outros adeptos conhecidos da neuroteologia. Mais estranhos são seus argumentos: os atributos divinos seriam refletidos no circuito cerebral. Cientistas sérios se divertem com essas teorias; alguns até nota de formar e permitir que as pessoas superem a existência material e se conectem com a nossa parte mais profunda e espiritual, que é vista como uma verdade absoluta e universal. A excitação é alimentada por centenas de doações de milionários americanos piedosos que desenvolvem para pesquisas que "comprovam" a existência de Deus. O judeu e médico Jerome Groopman escreveu que os defensores da neuroteologia "misturaram no mesmo saco os termos e os métodos da ciência e da religião na tentativa de conferir a esta a autoridade daquela". A ciência exige precisão precisa de especificações para a elaboração de modelos de causa e efeito. Não há maneira de medir o que chamamos de alma, a centelha divina na vida humana. Além disso, os teólogos mais sofisticados desprezam esses esforços para provar cientificamente a existência de Deus, diminuindo os desejos espirituais e o desejo de transcendência dos seres humanos a simples mecanismos automáticos. Por outro lado, para eles, o Deus histórico e pessoal já se comportou de maneira melhor, e isso representa um avanço. Karen Armstrong, uma ex-freira, escreveu: "Aqueles de nós que tiveram problemas com a religião consideraram um rompimento quando se libertaram de um Deus que eles aterrorizaram a infância." É maravilhoso não ter que se acovardar diante de uma deusa vingativa que nos ameaça com danos eternos se não obedecermos às suas regras. Em vez disso, durante muitos séculos, o Senhor de Barbas andou na mente dos ocidentais, semelhante 29 ao retrato do artista Michelangelo na Capela Sistina. Esse misticismo chique, com uma divindade intelectualizada e rarefeita, é cultivado nesses círculos de crentes intelectuais. Armstrong afirma que o Deus deve ser abordado pela imaginaçãoe pode ser vista como uma espécie de arte, semelhante a outras grandes símbolos artísticas que expressam o mistério inefável, a beleza e o valor da vida . Simples? A palavra "Deus", que tem tanto significado, já foi ultrapassada nesse ponto. Ser-em-si é o termo que mais se aproxima da noção contemporânea de divindade transpessoal. Imagine-se um avião em plena pane com os passageiros crentes rezando: Valha-me, Ser-em-si. Mais delicada ainda seria a situação dos não-crentes, enfrentando a possibilidade do fim apegando-se a quê? Ao Big Bang? À Teoria das Cordas? Ao grande fluxo da vida? Quem não consegue se ver em nenhuma dessas situações entende por que o Senhor de Barbas, o Deus Pai tradicional, ainda estará entre nós por um bom tempo, atestando a extraordinária sobrevivência da fé nos corações humanos. Quem consegue pode rezar simplesmente para que o piloto seja muito, muito bom. 10. A NEUROTEOLOGIA E A HISTÓRIA DAS EXPERIENCIAS MISTICAS TRANSCENDENTES. As discussões sobre a relação entre ciência e fé continuam nos trazendo surpresas e modismos. É claro que muitos de nossos leitores ficarão surpresos com o título do artigo. Nervosismo... por quê? Sim, como o nome sugere, neuroteologia. Dois estudiosos da Universidade da Pensilvânia, Achilles Andrew Newberg e Eugene A., publicaram suas pesquisas sobre os efeitos da meditação no cérebro humano. Aquiles, professor de psiquiatria e antropólogo da religião, morreu em agosto de 1998. Newberg é membro do Programa de Medicina Nuclear de Hospitais Universitários. Os dois colaboram desde 1993 e contribuíram para o livro Mysterious Psychic Explorations in the Biology of Religious Experience (Fortaleza, 1999) e Why God Won't Go Away: Brain Science and the Biology of the Self publicou suas descobertas (Ballantine, 2001 ), este último recebeu o escrutínio mais extensivo. 30 Em seu estudo, Aquiles e Andrew usaram “fantasmas” de criatividade, o que lhes permitiu obter imagensda atividade cerebral. eles A análise de dados de um estudo sobre monges budistas tibetanos e freiras franciscanas levou a uma conclusão chocante: os impulsos religiosos estão enraizados na biologia do cérebro. Em outras palavras, Deus está usando termos eletrônicos que estão “programados” no cérebro humano. Portanto, segundo eles, o cérebro humano é determinado geneticamente e também incentiva a crença religiosa. Esta pesquisa começou em 1970. Demonstra que a meditação e a oração levam a mudanças significativas nos dados fisiológicos, como ondas cerebrais, frequência cardíaca, respiração e consumo de oxigênio. Foi demonstrado que a estrutura do cérebro não é tão estática como se pensava anteriormente. Pesquisas recentes mostram que o cérebro está em constante mudança. Sua estrutura e funções são modificadas de acordo com o comportamento humano, moldando o comportamento humano. A meditação e a oração de monges budistas ou freiras católicas podem ter um efeito físico no cérebro, especialmente nos lobos pré-frontais, causando sentimentos A unidade com o universo que os monges experimentam, ou a proximidade de Deus que as freiras franciscanas sentem. Estas experiências e sentimentos que transcendem o nível pessoal surgem de um fato neurológico: a atividade no lobo pré-frontal do cérebro. Esta parte do cérebro corresponde à capacidade de concentração, perseverança, apreciação, pensamento abstrato, força de vontade e humor e, em última análise, à integração harmoniosa da existência. Usando uma citação de Aldous Huxley, os autores destes estudos referem-se à neuroteologia como uma disciplina emergente dedicada a compreender a complexa relação entre espiritualidade e atividade cerebral com base em mudanças experimentais no cérebro quando se utilizam práticas espirituais. Com base em dados científicos, oferecemos reflexões teológicas a partir de uma perspectiva neuropsicológica. Estude esta nova ciência hoje É uma disciplina acadêmica presente em diversas áreas de especialização em universidades e centros acadêmicos americanos, como The Ohio State University, Harvard Divinity School, Pennsylvania Medical College e Garrett Evangelical Divinity School. 31 D'Aquila e André tentam responder questões como as origens da mitologia, a ligação entre religião, o êxtase sexual e a natureza dos fenómenos espirituais para fornecer dados sobre experiências de quase morte. Onde está a necessidade da humanidade por mitologia mágica? Muitos pensadores secularistas acreditam que a religião é uma invenção nascida da necessidade psicológica de encontrar e aliviar medos e confortos existenciais que servem como âncoras num mundo confuso e perigoso. Idaquili Newberg acreditava que, por sua vez, o impulso religioso estava enraizado nas propriedades biológicas do cérebro humano, e confirmou isso com os dados científicos já mencionados. O sentimento de unidade com o universo ou proximidade com Deus não é apenas uma ilusão ou um fenômeno psicológico puramente subjetivo, mas uma série de eventos neurológicos que podem ser observados, registrados e fotografados hoje. Aparentemente, ambos os pesquisadores disseram que não se tratava de uma imagem de Deus em seu estudo. Use dados e sua reflexão para mostrar que o cérebro humano foi projetado para ter sucesso na vida. Os cientistas dizem que a religião e as experiências religiosas são processos cerebrais que nos mantêm caminhando na mesma direção. Ou mesmo ao contrário, como dizemos, nas palavras dos pesquisadores, Deus é a fiação do cérebro humano. Outros cientistas também apoiam estes dados científicos e respetivas conclusões. Na verdade, o Dr. tradição do Yoga, e escreveu um de seus artigos intitulado “Projetando para a Divindade – O Cérebro”. Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin, mostrou que podemos exercitar os lobos pré-frontais com drogas (como Prozac, Paxil e Zoloft) ou através da meditação. No entanto, uma vez removida a droga, o efeito termina, enquanto os restantes efeitos da meditação permanecem: um investigador na vanguarda da neurociência acredita destemidamente que uma prática consistente de meditação tem um impacto positivo decisivo nesta parte do cérebro e, portanto, Sobre o comportamento humano. Num futuro próximo, poderemos avançar prescrevendo momentos de meditação, melhorando nosso caráter ou comportamento e suprindo eventuais deficiências. Mas desde que Pio XII declarou na Segunda Assembleia Mundial da Saúde, em 27 de junho de 1949, que “longe de considerar a saúde como um objeto biológico único, a Igreja sempre enfatizou a importância e a ordem de manter a saúde, a terra”. . É uma questão de poder moral e religioso”, id'Aquili Newberg procura 32 argumentar contra o fechamento e a proibição da transcendência. No entanto, a interpretação dos dados é bivalente em relação à crença em Deus. ? A religião é apenas um produto da biologia (uma ilusão neurológica), ou o cérebro humano tem uma capacidade misteriosa de conhecer Deus. Além disso, é criada pelo cérebro do Criador? Esta experiência religiosa é uma percepção real do Absoluto? , ou é simplesmente a percepção que o cérebro tem da sua própria atividade. Pode a experiência de admiração religiosa ou mística ser reduzida a um mero fluxo neural? Os neurocientistas reconheceram que nenhuma certeza científica completa pode ser totalmente estabelecida e afirmaram que a dimensão mística da experiência religiosa transcende as suas conclusões, ao mesmo tempo que afirmam a primazia da realidade transcendente. Os resultados de Aquiles e Newberg foram criados como trechos capax Dei de acordo com as pessoas refletidas na teologia católica. “O Catecismo da Igreja Católica diz que o desejo de Deus está gravado no coração do homem porque o homem foi criado por Deus e para Deus Deus atrai continuamente as pessoas a Ele, e só Deus pode fazer o homem encontrar a verdade e a verdade. felicidade da saudade constante” (CEC 27). Todos estes resultados trazem à mente as famosas palavras de Santo Agostinho: “Tu és o instigador, para que ele encontre alegria no louvor, pois tu nos criaste para ti, e o nosso coração está ansioso até que repouse em ti” (Conf. 1, 1,1). O resultado, dizem eles, não significa que o seu argumento não exija (como veremos mais tarde) um discernimento cuidadoso. Da reflexão filosófica, a prova da existência de Deus, porém, emerge da sua al'anuència objetiva numa consistência completamente livre, sem coerção. A existência do agnosticismo e do ateísmo desempenha um papel decisivo na afirmação deste ponto. A tradição cristã desenvolveu uma série de argumentos para provar a existência de um Criador. Existem duas formas de abordagem: o mundo e as pessoas. O mundo do movimento e do devir, do acaso, da ordem e da beleza vê Deus como a origem e o fim do universo. O homem questiona a existência do seu próprio Deus através da sua abertura à verdade e à beleza, através do seu sentido moral do direito e da liberdade da voz da consciência, e do seu desejo de infinito e felicidade. Através de tudo isso ele via sinais da sua alma espiritual, que trazia em si a semente da eternidade, irredutível ao sujeito (cf. CEC 31-35). A partir de agora, através da pesquisa neurológica, podemos acrescentar outra: a estrutura e função do cérebro humano. 33 No entanto, o facto de existir uma relação comprovada entre meditação e atividade cerebral produtiva não infere cientificamente a existência de Deus. No entanto, esta profunda harmonia da estrutura humana e das suas ambições com a doutrina religiosa abre a porta a mais do que um tipo de pedido de desculpas irracional. Esta interpretação ainda não foi transcendida, mas também foi criticada. A visão materialista da existência baseia-se nos dados científicos fornecidos por Aquiles e Newberg para apoiá-la, uma vez que psicopatas ou pessoas sob a influência de substânciastóxicas como LSD, cogumelos ou outros produtos químicos têm experiências semelhantes, neste caso, desenvolvem um sentido de unidade com o todo. O tempo gasto em meditação nada mais é do que um produto do cérebro, não é necessariamente uma verdadeira percepção da realidade divina. Por exemplo, J. Allan Hobson (A Química dos Estados Conscientes: Rumo a um Modelo Unificado do Cérebro e da Mente [Little Brown & Co., 1994]) reduz o conhecimento a certas combinações de produtos químicos genéticos e ambientais. Os cientistas que pensam como ele são deterministas. Limitei a quantidade de anatomia humana e suas tendências, a história química da função cerebral ao longo da existência e a influência dos fatores ambientais. Para Hobson, alma, mente e espírito não existiam em si mesmos, mas eram descrições da experiência de reações químicas no cérebro. Outros também reduziram as explicações humanas às perspectivas dos cientistas, fornecendo dados que valem a pena considerar. A pesquisa neurológica confirma - Ph.D. Pesquisadores do Jesus Pujol-CETIR demonstraram que a repetição contínua de uma palavra curta ou frase, palavra ou com conteúdo semântico religioso significa não querer ou praticar a prática comum de pesquisar palavras iniciadas com determinada letra, ou estar exposto a estímulos externos, como o parte magnética do cérebro O instrumento teve um impacto real nos lobos pré-frontais, produzindo efeitos semelhantes aos registrados por Aquiles e Newberg. Olhando para a questão de outra perspectiva, Wayne Proudfoot, professor de religião na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, sem negar a conclusão de que existe uma dimensão religiosa inerente aos seres humanos, mostrou, pelo contrário, que a religião não pode ser sensatamente descrita apenas em termos biológicos. . Na verdade, toda a experiência é interpretada pelas pessoas, e é assim que as pessoas religiosas a interpretam. Dois indivíduos diferentes podem interpretar a mesma experiência de maneira diferente ou até oposta, apesar 34 de terem os mesmos parâmetros técnicos detectados em seus cérebros do ponto de vista fenomenológico e biológico. Além disso, tem significado religioso. O estudo da experiência religiosa também requer mais do que dados puramente químicos e fisiológicos. Na verdade, devemos considerar o contexto histórico e cultural da experiência de interpretação interna, bem como a realidade espiritual do ser humano. Portanto, não se pode desistir e tentar ignorar as condições históricas e culturais para fornecer explicações religiosas a todas as pessoas, em todos os tempos e lugares. Afirma-se que graças ao cérebro od'emoció, o operador controla o sentido de unidade, o autor elimina a necessidade de estudar julgamentos e interpretações e a linguagem e os conceitos pelos quais eles são feitos. Portanto, Wayne Proudfoot é fascinante e, de uma simples perspectiva técnica, não consegue dar uma razão experimental para conduzir esta experiência religiosa. A estreita ligação entre as dimensões físicas e espirituais do ser humano é bem conhecida. Algumas pessoas que sofreram acidentes traumáticos experimentam uma perda de autoconsciência, sugerindo que a noção de quem sou e das minhas experiências são inseparáveis dos neurónios e dos produtos químicos do próprio cérebro. Produtos químicos como o LSD ou outras drogas também podem causar alucinações e sensibilidades consideráveis. Além disso, há indicações de que as relações entre os nossos pensamentos, sentimentos e a química cerebral não são inteiramente impulsionadas por dados químicos. Na verdade, mudanças repentinas podem levar à depressão real. Ambos os casos refletem a unidade inerente do corpo humano e do corpo, mente e alma dinâmicos e corporativos, com uma filosofia individualista unificada assumindo maior forma. Os dados obtidos a partir da interação de experimentos químicos e da atividade cerebral revelam o que está acontecendo no cérebro. Mas será que esta atividade eléctrica e química do cérebro causa o resultado final, tal como um programa de computador faz com que o computador programado responda? Se assim fosse, conceitos como liberdade, responsabilidade, bem e mal, amor e arte seriam relegados às categorias da bioquímica e da eletricidade. Se a responsabilidade recair no domínio químico, a criminalização tornar-se-ia a base jurídica para a discriminação baseada em substâncias eletroquímicas no cérebro. É poesia, arte, literatura, cultura ou simplesmente química? Permite apenas certas atividades que levam à 35 capacidade neurológica para a poesia nos humanos? Ou é mais uma atividade da alma que, como todas as atividades humanas, requer apoio orgânico? É uma química de profunda devoção pessoal, devoção ao heroísmo, pureza incondicional, generosidade? É só um amor químico e nada mais:? De forma convincente, penso que a resposta não é negar as reações químicas ou mesmo físicas da responsabilidade e do amor, mas podemos sempre inverter os papéis. Portanto, devemos defender a realidade espiritual que transcende a fisiologia humana, em vez de negá-la. Explicações bivalentes para esses fenômenos neurológicos existem em espelhos e contadores. Hobson argumentou contra Aquiles, enquanto Newberg mostrou que a ingestão de certos produtos químicos pode ter um efeito semelhante, confundindo os limites da verdadeira percepção. Outros observam, mas também apoiam, pesquisas científicas que captam diferenças da vida real sob a influência da droga. Eles disseram que era como se fosse real, mas não perceberam o quão real era a experiência. Stanislav Grof (Beyond the Brain. Birth, Death, and Beyond in Psychotherapy [SUNY Press, 1985]) oferece uma terceira explicação, tentando fornecer evidências clínicas através de: Pacientes sob a influência do LSD forneceram informações que não tinham antes e forneceram dados muito precisos que revelam a existência desta ligação. Da mesma forma, a hipnose tornou-se comum nos limites da realidade vivenciada. Com efeito, o sistema de justiça americano desacredita as testemunhas sob hipnose. Não aceite a impressão de que você não consegue distinguir entre memórias reais e experiências sob hipnose, quando na verdade isso não acontece na realidade. Então será também por razões bioquímicas e eléctricas que o cérebro interpreta os mesmos dados de forma tão diferente? Isso pode ser explicado neurologicamente? Se sim, por quê? Qualquer questão científica, se feita honestamente, tem uma resposta extremamente filosófica, metafísica e, em última análise, religiosa. 11. PSICOLOGIA TRANSPESSOAL 36 A psicologia transpessoal é uma área da psicologia que estuda os aspectos transpessoais, transcendentes ou espirituais da experiência humana. Um dos temas treinados em psicologia transpessoal é a experiência religiosa. Os objetos de trabalho e estudo em psicologia transpessoal incluem estados extraordinários de consciência, que vão desde experiências com alucinógenos (Grove, Huxley) até estados místicos das tradições religiosas mundiais. Um de seus principais teóricos, Ken Wilber, propôs em The Spectrum of Consciousness um mapa da existência que vai da matéria ao espírito e da matéria ao espírito. Portanto , a psicologia transpessoal, como outras escolas de psicologia , abrange o self, bem como estados além do self (transpessoal). De acordo com a psicologia transpessoal, existem cinco níveis de consciência, sendo eles: Níveis de consciência de acordo com a psicologia transpessoal a sombra - aqui o homem tem seu self distorcido. A sombra acumula porções da psique que causam incongruências, incompatibilidades. É um nível negativo e patológico. Ego - é o nível superficial da consciência, onde o homem se identifica com uma imagem criada, seu self individual, sem se interessar profundamente em questões sociais ou ecológicas, ou seja, pensando em si próprio.Biossocial - neste nível, o homem tende a ter uma preocupação com o outro, enxergando também o que o rodeia. Ele aceita uma responsabilidade perante os outros e pelo ambiente natural. Existencial - o homem encontra, neste nível, a ligação entre corpo/mente, que tende à auto-organização. É ligado a um alto grau de desenvolvimento e auto-realização. É o grau perfeito para a filosofia e o humanismo. Emoção e razão se unem para o crescimento. Transpessoal - este é o nível que a psicologia transpessoal estuda. É o nível mais profundo a que, atualmente, se consegue chegar. É o nível aproximado das experiências místicas, onde tudo está imerso no todo, o Tao, como uma gota d'água no oceano, mas não de uma forma linear, cartesiana. Os limites do ego são ultrapassados. É possível entrar em contato com o inconsciente coletivo, entre outros fenômenos relacionados. 37 12. PSICOLOGIA DA RELIGIÃO A psicologia da religião é o campo da psicologia que estuda experiências, crenças e atividades religiosas. A psicologia da religião também estuda enteogenia e meditação. Os psicólogos mais famosos que escreveram sobre a psicologia da religião são Sigmund Freud, Carl Jung, William James, Rudolf Otto, Erik Erikson, Erich Fromm et al. Os estudos de Carl Jung sobre si mesmo e seus pacientes o convenceram de que a vida tinha um propósito espiritual além das atividades materiais. Ele acreditava que nossa principal tarefa é descobrir nosso potencial mais profundo e irrestrito, como a capacidade de uma lagarta se transformar em borboleta. Com base no seu estudo do Cristianismo, Hinduísmo, Budismo, Gnosticismo, Taoísmo e outras tradições, Jung percebeu que esta jornada de transformação está no cerne de todas as religiões. É uma jornada para se encontrar e encontrar o divino ao mesmo tempo. Paralelo a Sigmund Freud e Jung acreditavam que as experiências espirituais eram cruciais para o nosso bem-estar. 12.1. BASE GENÉTICA PARA AS EXPERIÊNCIAS RELIGIOSAS A hipótese do gene divino propõe que alguns seres humanos carregam um gene que lhes dão a predisposição para episódios interpretados por algumas pessoas como revelação religiosa. A ideia foi postulada e promovida pelo geneticista Dr. Dean Hamer, diretor da unidade de estrutura e regulação do gene, no instituto nacional do câncer dos Estados Unidos. Hamer escreveu um livro sobre o assunto intitulado: O gene divino: como a fé é pré-programada dentro dos nossos genes (The God Gene: How Faith is Hardwired into our Genes). De acordo com a hipótese, o gene divino (VMAT2) não é “codificado” para a crença em Deus, mas é arranjado fisiologicamente para produzir sensações associadas, por alguns, com a presença de Deus ou outras experiências místicas, ou mais especificamente, espiritualidade como um estado da mente. 38 Que vantagens evolutivas isso pode levar e de que esses efeitos vantajosos são efeitos colaterais são questões que ainda estão para serem totalmente exploradas. Lobo frontal em azul; Lobo parietal em amarelo; Lobo occipital em vermelho; Lobo temporal em verde.Dr. Hames teorizou que a transcendência faz as pessoas ficarem mais otimistas, o que leva elas a ficarem mais saudáveis e com mais probabilidade de terem muitos filhos. 12.2. PARTES DO CÉREBRO RELACIONADAS A EXPERIÊNCIAS RELIGIOSAS Lobo parietal: Diminuição de neuro-sinapses levando a sensação de união como o universo. Lobo frontal: Concentração ampliada (meditação) bloqueia outros impulsos neurais. Lobo temporal: Ativa intensa emoção, como prazer e medo Lobo occipital: Processa imagens que facilitam praticas espirituais (velas, cruzes, etc.) 12.3. ORIGEM EVOLUTIVA DAS EXPERIÊNCIAS RELIGIOSAS As experiências religiosas costumam ser complexas e envolvem emoções, pensamentos, sentimentos e comportamentos. Segundo os cientistas, essas experiências são complexas demais para ocorrer em apenas um local do cérebro. A evolução da capacidade dos humanos (e de outras espécies intimamente relacionadas) de terem experiências religiosas pode ser um subproduto da evolução de várias partes do cérebro. Se isto fosse verdade, poderíamos abandonar a hipótese de que a experiência religiosa evoluiu porque contribuiu para a sobrevivência da espécie. Alguns cientistas especularam que as experiências religiosas estão relacionadas aos orgasmos humanos e sugeriram que os orgasmos e as experiências religiosas evoluíram juntos, com base em estudos do cérebro durante as experiências religiosas e orgásticas e nas áreas do cérebro que são ativadas durante essas experiências. 13. HISTÓRIA DE EVENTOS RELACIONADOS A EXPERIÊNCIA RELIGIOSA: A relação dos humanos com as experiências religiosas durante o curso da história. 39 13.1. PRÉ-HISTÓRIA 130.000 anos atrás - Surgimento do cérebro humano moderno 12.000 anos atrás - Práticas xamânicas são possivelmente as primeiras formas de religião, sendo elas da época paleolítica e Neolítica . Várias práticas xamânicas existentes hoje em dia contém uso de enteógenos e experiências religiosas , e possivelmente seres humanos vêm usando técnicas e substâncias para obter experiências religiosas desde a época paleolítica. 13.2. IDADE ANTIGA Aproximadamente 2500 a. C. - A meditação, que é uma das técnicas para se conseguir obter uma experiência religiosa, existe desde antes da escrita. Arqueólogos dizem que a prática pode ter surgido entre as primeiras civilizações indianas. Várias esculturas descobertas na Civilização do Vale do Indo (3300–1700 a.C.) mostram figuras em posturas de meditação. Nas Upanishads (escrituras sagradas hindus), existe umas das primeiras referências a meditação. Ela é feita no Upanishad Brihadaranyaka.A Civilização do Indo (por volta de 2000 a.C.) pode ter a primeira imagem representando meditação . A imagem representa Shiva. Aproximadamente 2000 a.C. - Abraão recebe uma ordem divina e se muda da Mesopotâmia para a Palestina, dando início ao povo judeu. Aproximadamente 1500 a.C. - Moisés lidera os judeus na saída do Egito e institui os Dez Mandamentos sob inspiração divina. Século VII a.C. - Zoroastro funda uma nova religião na Pérsia, o Zoroastrismo, baseada na luta do bem contra o mal. 599 a.C.(ou 540 a.C.) - 527 a.C.(ou 470 a.C.) - Mahavira propaga a religião jainista na Índia. Uma das características principais do Jainismo é a defesa da não-violência. Por volta de 563 a.C. - 483 a.C. - Siddhartha Gautama cria o Budismo na Índia, tendo como base a extinção dos desejos. 8-4? a.C. – 29-36? - Jesus Cristo cria o Cristianismo, religião que se baseia no amor ao próximo. Após ser perseguido pelo Império Romano, o Cristianismo torna-se a sua religião 40 oficial. O calendário ocidental posteriormente passa a ser contado a partir da suposta data do nascimento de Jesus. 13.3. IDADE MÉDIA 570 - 632 - Maomé, um comerciante da cidade de Meca, na Península Arábica, recebe uma revelação do Arcanjo Gabriel incitando-o a criar uma nova religião, o Islamismo. 788 – 820 - Shânkara foi um reformador do Hinduísmo, filósofo brilhante e autor de muitos milagres. 1207 - 1273 - Rumi, um poeta afegão muçulmano, escreve algumas das melhores poesias místicas de todos os tempos. 13.4. IDADE MODERNA 1515 - 1582 - Teresa de Ávila reforma a ordem das freiras carmelitas, na Espanha, vivencia muitos fenômenos místicos e deixa escritos muitos clássicos da literatura religiosa mundial. 1531 - Aparição de Nossa Senhora de Guadalupe no México a um índio asteca convertido ao catolicismo. 1542 - 1591 - São João da Cruz, com o apoio de Santa Teresa de Ávila, reforma a ordem dos carmelitas na Espanha e escreve também muitos clássicos da literatura mística mundial. 13.5. IDADE CONTEMPORÂNEA 1469 - 1539 - Guru Nanak 1817 - 1892 - Bahá'u'lláh 1836 - 1886 - Ramakrishna 1847 - 1910 - William James 1858 - Aparição deNossa Senhora em Lourdes, na França 1875 - 1941 - Evelyn Underhill 1893 - 1952 - Yogananda 1894 – 1963 - Aldous Huxley 1915 – 1968 - Thomas Merton 1917 - Aparição de Nossa Senhora de Fátima em Portugal 1926 - Satya Sai Baba 41 13.6. COMO SE TER UMA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA? Quais técnicas existem para ser ter uma experiência religiosa? Existem substancias ou equipamentos que causam experiências religiosas? Quais são as causas passivas que causam experiências religiosas? Os processos e técnicas para conseguir uma experiência religiosa têm diferentes nomes dependendo da religião ou filosofia como: Faqr (Sufismo) Dhyana or bhakti (Hinduísmo) Wu-wei (Taoísmo) Fana (Sufismo/Árabe e Persa) Makhafah/Mahabbah/Ma'rifah (Sufismo/Egito) Nobre Caminho Óctuplo(Budismo) O caminho Enteogenia 14. TÉCNICAS MEDITAÇÃO A meditação consiste na prática de focar a atenção, frequentemente formalizada em uma rotina específica. A meditação pode ser utilizada para se ter experiências religiosas. 14.1. ZAZEN Zazen é um tipo de meditação e tambem é a base da prática Zen Budista. O objetivo do zazen é "apenas sentar", com a mente aberta, sem apegar-se aos pensamentos que fluem livremente. Isto é feito tanto através do uso de koans, o principal método Rinzai, ou o sentar- se completamnete alerta (o "apenas sentar", shikantaza), o qual é o método da escola Soto. O princípio do zazen é o de que uma vez que a mente esteja livre de suas diversas camadas, pode- se realizar a natureza búdica, atingindo-se a iluminação (satori). 42 14.2. ORAÇÃO Oração é prática religiosa comum a diversas tradições religiosas. É um ato de reconhecimento e louvor diante de um ser transcendente. A oração assim como a meditação pode ser utilizada para se ter experiências religiosas. 14.3. ORAÇÃO CONTEMPLATIVA No Cristianismo mistico, a oração contemplativa é uma oração em que o praticante controla a respiração, ou repete cantos ou apenas se concentra para acalmar os pensamentos e sentimentos e entra em comunicação com uma entidade q ue muitos acreditam ser Deus. 14.4. ORAÇÃO DE JESUS A Oração de Jesus, também conhecida como Oração Espiritual, é uma oração curta cuja fórmula se repete. Tem sido amplamente praticado, ensinado e discutido ao longo da história cristã oriental. A Oração de Jesus é uma das orações mais profundas e místicas para os católicos ortodoxos e orientais. Muitas vezes é repetido continuamente como parte de práticas ascéticas. Embora a Igreja Católica tenha muitas escrituras sobre a Oração de Jesus, a sua prática nunca foi tão difundida como a da Igreja Ortodoxa. 14.5. RITUAL Exercicios de Respiração Jejum Música Música Sacra (Música Religiosa) 14.6. DANÇA SUFISTA Dança Sufista A order sufista Mevlevi nas suas práticas dhikr atribuem grande importância à música e à dança. O exercício de meditação da ordem, denominado sama, envolve a recitação de orações e hinos, após os quais os participantes realizam voltas à sala, 43 numa dança em que abrem os braços à altura dos ombros, com a palma da mão direita virada para cima e a da mão esquerda para baixo. Os indivíduos pertencentes a este grupo específico são mais comumente reconhecidos na cultura ocidental como os “dervixes rodopiantes”. Os sufistas, como são conhecidos, se esforçaram para alcançar encontros espirituais por meio de transes místicos e estados mentais modificados através da prática desta dança. 14.7. CHACRAS MANDALA. De acordo com os princípios da filosofia do yoga, o corpo humano contém intrincados caminhos conhecidos como nadis, que são responsáveis pela circulação da energia vital, ou prana, que fornece nutrição a vários órgãos e sistemas. Esses caminhos de energia seguem múltiplas rotas distintas e autônomas por todo o corpo. Os chakras, localizados em pontos específicos, representam as áreas onde essas vias energéticas se aproximam mais da superfície do corpo. Terapias como Reiki e cromoterapia utilizam o conceito de chakras para abordar o bem- estar físico e espiritual. Ao focar na área específica do chakra e praticar uma concentração consciente, é possível reativar esses centros de energia. Para criar um ambiente ideal para concentração, encontre um espaço tranquilo e livre de distrações. Posicione uma mão na frente do chakra sem fazer contato com o corpo e mova-a suavemente no sentido horário, imitando um movimento de massagem. Para estimulação adicional do chakra frontal ou do terceiro olho, assuma a posição de lótus com as pernas cruzadas e uma postura ereta, enquanto direciona o olhar para a ponta do nariz. 14.8. KUNDALINÍ A energia cósmica adormecida conhecida como Kundaliní reside no Chakra Múládhára, que está situado na base da coluna e perto dos órgãos genitais. Este poder espiritual primordial serve como canal entre os vários chakras. No seu estado adormecido, a energia Kundalini assume a aparência de uma chama presa no gelo. Para despertar esta energia divina, é necessária a orientação de um professor 44 iluminado para garantir que o processo de ativação e cultivo esteja alinhado com o propósito final do Yoga - alcançar a tranquilidade interior e a iluminação divina. 14.9. MANDALAS Mandala é a palavra sânscrita que significa círculo, uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o cosmo. De fato, toda mandala é a exposição plástica e visual do retorno à unidade pela delimitação de um espaço sagrado e atualização de um tempo divino. Em termos de artes plásticas, a mandala apresenta sempre grande profusão de cores e representa um objeto ou figura que ajuda na concentração para se atingir outros níveis de contemplação. Há toda uma simbologia envolvida e uma grande variedade de desenhos de acordo com a origem. A mandala representa para o homem o seu abrigo interior onde se permite um reencontro com Deus. 14.10. Uso de Enteógenos Algumas substâncias psicoativas, particularmente enteógenos , tem sido utilizado para propósitos religiosos desde tempos pre- históricos. 14.11. DMT O chá de ayahuasca contém DMT, podem induzir a pessoa a ter experiências religiosas Delosperma contém DMT é a abreviação da substância N,N- dimetiltriptamina . DMT é encontrada in natura em vários gêneros de plantas (Acacia, Mimosa, Anadenanthera, Chrysanthemum, Psychotria, Desmanthus, Pilocarpus, Virola, Prestonia, Diplopterys, Arundo, Phalaris, dentre outros), em alguns animais (Bufo alvarius possui 5-Meo-DMT, um alcalóide bastante parecido em estrutura e em propriedades químicas) e também produzida pelo corpo humano. 45 15. REFERÊNCIAS NeuroTheology: Brain, Science, Spirituality, Religious Experience Why God Won't Go Away: Brain Science and the Biology of Belief Why We Believe What We Believe: Uncovering Our Biological Need for Meaning, Spirituality, and Truth Set de 2003, pag. 62 Ferry, L., A sabedoria dos modernos Fukuyama, Francis. Nosso Futuro Pós-Humano Kramer,P., Ouvindo Prozac Zizek S.,O real da ilusão cristã: notas sobre Lacan e a religião, in Um limite tenso: Lacan entre a filosofia e a psicanálise,Wladimir Safatle (Org), Editora Unesp, 2003. RSI in Ornicar? Num 5 pg. 25 RSI in Ornicar num 9 pg. 39