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Crédito de ICMS sobre Produto Intermediário
Conceito de ICMS:
O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é um imposto estadual no Brasil, que incide sobre a circulação de mercadorias, a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, e a comunicação. Ele é regulamentado pela Constituição Federal e por leis estaduais.
O ICMS é um imposto indireto, o que significa que, embora seja cobrado dos contribuintes (empresas e consumidores), quem arca com o ônus econômico final do tributo é o consumidor, pois o imposto é incluído no preço dos produtos e serviços.
A alíquota do ICMS e a forma de cobrança podem variar de estado para estado no Brasil. Cada estado tem autonomia para definir suas alíquotas e regras, dentro dos limites estabelecidos pela legislação federal.
Esse imposto é fundamental para o financiamento dos estados, pois a arrecadação do ICMS fica no estado onde a operação é realizada, contribuindo para custear serviços públicos locais. A gestão e fiscalização do ICMS são feitas por órgãos estaduais, como as Secretarias da Fazenda.
Conceito de Crédito de ICMS:
O Crédito de ICMS refere-se à possibilidade de uma empresa deduzir ou abater o valor do ICMS que pagou na compra de mercadorias e serviços do montante que deve recolher ao estado em decorrência de suas operações de venda. Em outras palavras, quando uma empresa adquire insumos ou realiza despesas que geram incidência de ICMS, ela acumula créditos que podem ser utilizados para compensar o imposto a ser pago nas operações subsequentes.
Por exemplo, imagine uma empresa que compra matéria-prima para produzir seus produtos, o ICMS pago na compra dessa matéria-prima pode ser utilizado como crédito, que será abatido do valor total do ICMS devido quando ela vender seus produtos. 
Esse mecanismo visa evitar a bitributação e garantir que o imposto incida apenas sobre o valor adicionado em cada etapa da cadeia produtiva. O direito ao crédito de ICMS está sujeito a diversas regras e condições, e a legislação pode variar entre os estados brasileiros. 
Conceito de Produto Intermediário:
Produto intermediário refere-se a um item ou material que é utilizado no processo de fabricação ou produção de outro produto, mas não faz parte do produto final que será comercializado.
Os produtos intermediários são essenciais para a cadeia de produção, pois representam uma etapa no caminho para a criação de um produto acabado, e eles são distintos dos produtos finais que serão vendidos aos consumidores. Muitas vezes, esses produtos intermediários são utilizados como matéria-prima ou componentes na fabricação de bens mais complexos.
Por exemplo, na indústria automotiva, certos componentes como motores, pneus, ou peças de metal podem ser considerados produtos intermediários, pois são utilizados na montagem dos carros, mas não são os produtos finais que os consumidores compram.
Nesse sentido, grosso modo, é possível traçar uma correlação entre a matéria-prima como proveniente da natureza e o produto intermediário, como o próprio nome sugere, como já resultante de etapa produtiva prévia.
Assim, resumidamente, produtos intermediários são partes integrantes da cadeia de produção, desempenhando um papel fundamental na fabricação de bens finais.
EAREsp nº 1.775.781/SP – Superior Tribunal de Justiça (STJ):[footnoteRef:1] [1: https://www.machadomeyer.com.br/images/ebooks/Tribunais_superiores_2023/STJ/EAREsp_n_1775781_-_Acordao.pdf ] 
Em 11 de outubro de 2023, a 1ª Seção do STJ (Superior Tribunal de Justiça) reconheceu de forma unânime o direito dos contribuintes de usufruírem dos créditos de ICMS relacionados à aquisição de produtos intermediários, inclusive aqueles consumidos ou desgastados progressivamente:
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGÁVEL O ACÓRDÃO QUE NÃO TENHA CONHECIDO DO RECURSO, EMBORA TENHA APRECIADO A CONTROVÉRSIA (ART. 1.043, III, DO CPC/2015). ICMS. LEI COMPLEMENTAR N. 87/1996. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE MATERIAIS (PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS). ITENS ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO E DESGASTADOS OU CONSUMIDOS GRADATIVAMENTE. CABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte, na sessão realizada em 9.3.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Aplica-se, in casu, o Código de Processo Civil de 2015.II - Conquanto se trate de Recurso Especial não conhecido pela 2ª Turma, a apreciação da controvérsia tributária (premissa jurídica) atrai a disciplina radicada no art. 1.043, III, do CPC/2015, a qual autoriza a interposição de embargos de divergência contra o acórdão de órgão fracionário que "divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia".III - A luz das normas plasmadas nos arts. 20, 21 e 33 da Lei Complementar n. 87/1996, revela-se cabível o creditamento referente à aquisição de materiais (produtos intermediários) empregados no processo produtivo, inclusive os consumidos ou desgastados gradativamente, desde que comprovada a necessidade de sua utilização para a realização do objeto social da empresa - essencialidade em relação à atividade-fim.IV - Tais materiais não se sujeitam à limitação temporal prevista no art. 33, I, do apontado diploma normativo, porquanto a postergação em tela restringe-se aos itens de uso e consumo.V - Embargos de Divergência providos.(STJ - EAREsp: 1775781 SP 2020/0269739-9, Relator: Ministra REGINA HELENA COSTA, Data de Julgamento: 11/10/2023, S1 - PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 01/12/2023)
A decisão do STJ em pauta foi emitida como resposta a embargos de divergência - EAREsp nº 1.775.781/SP - apresentados por uma empresa atuante na produção de etanol, açúcar e energia elétrica a partir da cana-de-açúcar.
Nessa disputa, a empresa buscava o reconhecimento do direito ao crédito de ICMS em operações que englobam a entrada de mercadorias, incluindo aquelas destinadas ao uso ou consumo interno. O fundamento para tal pleito encontra-se no artigo 20 da Lei Complementar 87/96.
Entretanto, a interpretação desse dispositivo tem sido alvo de controvérsias entre o Fisco e os contribuintes, ganhando relevância tal que 22 estados e o Distrito Federal solicitaram ingresso na ação como " amicus curiae" (amigos da corte), evidenciando a importância e complexidade do tema.
No caso específico da empresa produtora de etanol, açúcar e energia elétrica, os produtos intermediários pleiteados para fins de creditamento incluíam pneus, facas, martelos, correntes, rotores de bomba, válvulas, tela para filtragem, lâminas raspadoras, óleos, graxas e outros equipamentos utilizados no processo de corte da cana-de-açúcar.
A Fazenda de São Paulo negou o creditamento de ICMS, argumentando que esses bens são utilizados no processo de industrialização, não sendo consumidos, mas sim desgastados gradualmente pelo uso constante, e, portanto, não se incorporam aos bens produzidos pela empresa.
Essa posição foi mantida pelas instâncias ordinárias e pela 2ª Turma do STJ em novembro de 2022. No entanto, havia uma discrepância de interpretação em relação à forma como a 1ª Turma vinha decidindo, permitindo o aproveitamento de créditos de ICMS para produtos intermediários, inclusive os que se desgastam gradualmente.
Ao analisar o caso, a empresa argumentou que tinha direito ao crédito, pois esses produtos não se enquadravam como bens de uso ou consumo do estabelecimento, sendo efetivamente utilizados e desgastados em sua atividade-fim, que consiste na produção de etanol, açúcar e energia elétrica.
A relatora do caso, ministra Regina Helena Costa, propôs a pacificação da questão adotando a posição da 1ª Turma, que reconhece o direito ao creditamento quando comprovada a necessidade do uso de produtos intermediários para a atividade-fim do contribuinte. Confira-se:
“(...) revela-se cabível o creditamento referente à aquisição de materiais empregados no processo produtivo (produtosintermediários), inclusive os consumidos ou desgastados gradativamente, desde que comprovada a necessidade de sua utilização para a realização do objeto social da empresa, é dizer, a essencialidade em relação à atividade-fim”.
A ministra ainda ressaltou que o crédito de ICMS de mercadorias destinadas ao uso ou consumo do estabelecimento, previsto no artigo 33, inciso I da LC 87/96, não se aplica a esse tipo de creditamento, o qual pode ser aproveitado sem a limitação temporal estabelecida. 
Embasamento Jurisprudencial:
Embora o julgamento do REsp nº 1.775.781/SP tenha ocorrido somente em outubro de 2023, é importante ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia proferido decisões anteriores alinhadas ao mesmo entendimento:
TRIBUTÁRIO. ICMS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS ESSENCIAIS PARA A FABRICAÇÃO DO PRODUTO FINAL. ACÓRDÃO RECORRIDO. HARMONIA COM O POSICIONAMENTO DO STJ. 1. O aresto recorrido, ao entender pela possibilidade de a contribuinte, no caso, creditar-se do ICMS pago na aquisição de produtos intermediários, essenciais para a fabricação de seu produto final, encontra-se alinhado à jurisprudência do STJ sobre o tema.Precedentes: AgInt no REsp n. 2.056.381/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 19/5/2023; REsp n. 2.054.083/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 18/4/2023, DJe de 20/4/2023; AgInt no AREsp n. 1.891.332/MG, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022; AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.394.400/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 25/10/2021, DJe de 8/11/2021.2. Agravo interno não provido.(STJ - AgInt no REsp: 1971647 PR 2021/0351991-0, Relator: Ministro SÉRGIO KUKINA, Data de Julgamento: 14/08/2023, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 16/08/2023)
TRIBUTÁRIO. ICMS. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO QUÍMICO. FINALIDADE INDUSTRIAL. ATIVIDADE FIM. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. LC N. 87/1966. I - O Tribunal a quo, com fundamento no conjunto probatório dos autos, consignou que o produto químico utilizado pelo contribuinte é utilizado diretamente no processo produtivo, tratando-se de insumo essencial para a obtenção do produto final disponibilizado pela empresa. II - O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacificado de que, a partir da vigência da Lei Complementar n. 87/1996, é legal o aproveitamento dos créditos de ICMS na compra de produtos intermediários utilizados nas atividades fins da sociedade empresária, ainda que consumidos ou desgastados gradativamente.Precedentes: AgInt no AREsp n. 986.861/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 25/4/2017, DJe de 2/5/2017, AgInt no AREsp n. 1.505.188/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 12/11/2019, DJe de 19/11/2019 e AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.394.400/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 25/10/2021, DJe de 8/11/2021.III - Recurso especial improvido. (STJ - REsp: 2054083 RJ 2022/0297758-0, Relator: Ministro FRANCISCO FALCÃO, Data de Julgamento: 18/04/2023, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 20/04/2023)
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EN RECURSO ESPECIAL. ICMS. CREDITAMENTO. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA DETERMINAR O RETORNO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. PRECEDENTES. 1. Tendo sido o recurso interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado n. 3/2016/STJ. 2. Segundo entendimento pacífico desta Corte, após o advento da LC 87/96, é possível o aproveitamento dos créditos referentes à aquisição de quaisquer produtos intermediários, desde que comprovada a necessidade de sua utilização para a realização do objeto social da empresa. Precedentes. 3. Os autos devem retornar à origem para que o TJ-MG analise as provas e verifique se os insumos suscitados pela contribuinte são, efetivamente, aplicados e consumidos na atividade-fim da empresa. Em caso positivo, deverá reconhecer o direito ao creditamento, nos termos do art. 20 da LC 87/1996, ainda que esses bens não integrem o produto final. 4. Agravo interno não provido. (STJ - AgInt no AREsp: 1891332 MG 2021/0140659-2, Relator: BENEDITO GONÇALVES, Data de Julgamento: 28/11/2022, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 30/11/2022)
TRIBUTÁRIO. ICMS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE GRADATIVO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. 1. A revisão da interpretação dada pelo Tribunal a quo sobre o conceito jurídico de bens intermediários para fins de creditamento de ICMS dispensa reexame de prova, o que afasta a aplicação do óbice de conhecimento estampado na Súmula 7 do STJ. 2. A Lei Complementar n. 87/1996 permite o aproveitamento dos créditos de ICMS referentes à aquisição de quaisquer produtos intermediários, ainda que consumidos ou desgastados gradativamente, desde que comprovada a necessidade de utilização dos mesmos para a realização do objeto social (atividade-fim) do estabelecimento empresarial. Precedentes. 3. Agravo interno não provido. (STJ - AgInt no REsp: 1800817 SP 2019/0057305-4, Relator: Ministro GURGEL DE FARIA, Data de Julgamento: 16/08/2021, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 20/08/2021)

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