Prévia do material em texto
1 FUNDAÇÃO PRESIDENTE ANTONIO CARLOS – FUPAC CONSELHEIRO LAFAIETE CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA IGOR PEREIRA GUIMARÃES ECOSSISTEMA RUMINAL CONSELHEIRO LAFAIETE 2023 2 IGOR PEREIRA GUIMARÃES ECOSSISTEMA RUMINAL Trabalho apresentado à disciplina de Nutrição Animal de Medicina Veterinária da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Conselheiro Lafaiete. Professor: Pedro Silva de Oliveira. CONSELHEIRO LAFAIETE 2023 3 1. INTRODUÇÃO Os animais ruminantes se alimentam basicamente de alimentos fibrosos, isso fez com que, ao longo do seu processo evolutivo, desenvolvesse simbiose com microrganismos os quais digerem a fibra e fornecem a energia necessária para seu crescimento e desenvolvimento. Os microrganismos transformam substâncias indigeríveis (celulose, lignina) em ácidos orgânicos, aminoácidos e vitaminas. As espécies presentes dependem do tipo e frequência da dieta dos hospedeiros, seu estado fisiológico, além da raça desses animais e do pH do rúmen (OLIVEIRA et al., 2007). O presente trabalho tem como objetivo revisar, com base na literatura, os componentes do ecossistema ruminal e seu funcionamento no organismo animal. 2. QUAIS OS FATORES OU CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA O RÚMEN ATUAR COMO CÂMARA DE FERMENTAÇÃO? O processo de fermentação é realizado por enzimas produzidas por microrganismos, estas enzimas ficam aderidas na parede celular. Tanto o rúmen quanto o retículo (e o omaso) fornecem condições para o desenvolvimento e permanência dos microrganismos, como por exemplo: anaerobiose, com ausência total ou quase total de oxigênio; o pH deve estar entre 5,5 a 7,0, com média de 6,8 a 6,9; temperatura entre 39 e 40 °C, o que é ideal para atividade enzimática microbiana; fornecimento contínuo de substratos; movimentos contínuos do retículo-rúmen, os quais apresentam e inoculam os microrganismos nas partículas do alimento; alta humidade e retirada dos produtos finais da fermentação, que se acumulados podem se tornar tóxicos (REHAGRO, 2019). 3. QUAIS OS PRINCIPAIS TIPOS DE MICRORGANISMOS QUE HABITAM O RÚMEN? A microbiota ruminal é composta principalmente por três microrganismos: bactérias, fungos e protozoários. O desenvolvimento da microflora e microfauna permitem o aproveitamento de muitos nutrientes. O rúmen apresenta algumas características que favorecem o desenvolvimento microbiano, por isso podem estar presentes leveduras (REHAGRO, 2019). As bactérias são os microrganismos mais ativos na atividade enzimática, com mais de 20 espécies, sendo classificadas de acordo com a sua atuação no processo fermentativo. A maioria das bactérias são gram-negativas, o número de gram-positivas podem aumentar com a elevação da energia na dieta. A grande maioria 4 são anaeróbias obrigatórias, mas existem algumas anaeróbias facultativas. Toleram níveis altos de ácidos orgânicos sem prejudicar seu metabolismo (KAMRA, 2005). Os protozoários foram os primeiros a serem identificados, eles aumentam diretamente a digestão de celulose e hemicelulose. São organismos unicelulares, anaeróbios, não são patogênicos e de 10 a 100 vezes maiores que as bactérias. Ainda se sabe pouco sobre a importância dos fungos que habitam o rúmen, mas são associados à degradação da fibra e seu número aumenta na presença de dieta rica em forragens. Os fungos agem sobre a parede vegetal diminuindo a rigidez estrutural das forragens, o que favorece a ruptura das partículas e aumenta a superfície acessível para as bactérias (DUQUE, 2015). 4. QUAL A IMPORTÂNCIA DO SINERGISMO E ANTAGONISMO DOS DIFERENTES GRUPOS DE MICROSGANISMOS NO AMBIENTE RUMINAL? As relações de sinergismo e antagonismo são variadas e complexas. Estudos conduzidos em laboratórios mostram que sistemas que contém mais um de microrganismo (bactérias e protozoários, por exemplo) possuem maior atividade enzimática quando comparados a sistemas de monocultura. Cada microrganismo tem sua função dentro do ambiente ruminal, portanto, o aproveitamento é maior quando atuam de maneira conjunta, em sinergismo (MEZZOMO, 2018). 5. CONCLUSÃO A compreensão da população e do funcionamento do rúmen é extremamente importante, pois só assim é possível fornecer condições para o melhor aproveitamento da dieta e do desenvolvimento do animal, assim como sua produção. Sendo assim, tanto o animal quanto os microrganismos ganham em um processo de simbiose. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARCURI, P. B.; MATOS, L. L. Microbiologia do Rúmen. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, MG, v. 16, n. 175, p. 5-8, 1992. DUQUE, A. Estudos dos principais microrganismos do rúmen. Revista Cultivar. Novembro, 2015. KAMRA, D.N. Rumen microbial ecosystem. Current Science, v.89, n.1, p.124-134, 2005. 5 MEZZOMO, M. P. Marcadores e Função dos Microrganismos ruminais aderidos a partículas de forragem. Santa Maria, RS. 2018. OLIVEIRA et al. Diversidade microbiana no ecossistema ruminal (Microbial diversity in the ecossistema ruminal). REDVET. Revista electronica de Veterinaria. Volume VIII. Número 6. 2007. REHAGRO. Sistema Digestivo dos Bovinos: conheça a anatomia e fisiologia. 2019. Disponível em: https://rehagro.com.br/blog/sistema-digestivo-dos-bovinos/. Acesso: 20/02/2023. https://rehagro.com.br/blog/sistema-digestivo-dos-bovinos/