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CURSO DE
QUÍMICA
Química Geral - 1º Semestre
PROF. ALEXANDRE OLIVEIRA
MEDICINA
EXTENSIVO
Química Geral
1° Semestre
Curso de Química
Medicina - Extensivo
Prof. Alexandre Oliveira
Sumário
MÓDULO 01 - MODELOS ATÔMICOS .................................................................................................... 3
MÓDULO 02 - CONFIGURAÇÃO ELETRÔNICA E PERIODICIDADE QUÍMICA ............................ 50
MÓDULO 03 - LIGAÇÕES QUÍMICAS ................................................................................................. 100
MÓDULO 04 - LIGAÇÕES INTERMOLECULARES ........................................................................... 139
MÓDULO 05 - GEOMETRIA MOLECULAR E TEORIAS DE LIGAÇÃO ......................................... 164
MÓDULO 06 - FUNÇÕES INORGÂNICAS ........................................................................................... 192
MÓDULO 07 - REAÇÕES INORGÂNICAS ........................................................................................... 239
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MÓDULO 01 - MODELOS ATÔMICOS
1. Teoria Atômica
1.1. A Origem da Teoria Atômica
Na Grécia antiga o conceito fundamental de átomo já existia, sendo tal partícula considerada a unidade
fundamental da matéria.
A ideia de átomo foi proposta por Leucipo e desenvolvida pelo filósofo grego Demócrito (460-370 a.C.).
Demócrito usou a palavra “átomo” para designar a partícula indivisível da matéria.
PIatão (428-348 a.c.) e Aristóteles (384-322 a.C.) foram contra a ideia da existência do átomo e esse
pensamento prevaleceu durante séculos.
1.2. O Modelo Atômico de Dalton
Em 1803, o químico inglês John Dalton (1766-1844) deu a teoria atômica uma sólida base experimental,
através de estudos dos gases e reações químicas. Assim é atribuída a Dalton a primeira ideia científica do átomo.
No ano de 1803, Dalton elaborou os postulados básicos da sua teoria atômica. Esses postulados são os
seguintes:
1) Toda matéria é constituída de átomos, indivisíveis e indestrutíveis;
2) Os átomos de um mesmo elemento químico são idênticos em massa e em todas as outras propriedades.
Átomos de elementos diferentes têm massas diferentes e propriedades diferentes;
3) Os compostos se formam pela combinação de duas ou mais espécies diferentes de átomos. Esta combinação
ocorre na razão de números inteiros e pequenos.
4) Os átomos são as unidades das transformações químicas. Uma reação química envolve apenas combinação,
separação e rearranjo de átomos. Assim, os átomos não podem ser criados nem destruídos, nem divididos ou
convertidos em outras espécies de átomos durante uma reação química.
O modelo atômico proposto por Dalton ficou
conhecido como “bola de bilhar”.
Para Dalton o átomo seria uma esfera maciça,
indivisível e neutra.
1.3. Os Experimentos nas Ampolas de Crookes
O físico inglês William Crookes (1832-1919) adaptou um condutor metálico às duas extremidades de uma
ampola de vidro. Na extremidade da ampola, onde era aplicada uma corrente elétrica, originava-se um “pólo
negativo” e na outra extremidade, onde a corrente elétrica era recolhida, originava-se um “pólo positivo”. Crookes
denominou esses pólos de eletrodos.
gás sob baixa pressão
pólo negativo
cátodo
bomba de vácuo
pólo positivo
ânodo
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Experimentos realizados com as ampolas de Crookes, utilizando-se gases sob baixíssima pressão, cerca de
0,01 atm e provocando uma diferença de potencial da ordem de 20.000 volts, observava-se que o gás sofria uma
descarga elétrica.
Nestas condições foi observado um fluxo luminoso que partia do pólo negativo da ampola de vidro (cátodo)
em direção ao pólo positivo da ampola (ânodo). Este fluxo luminoso foi denominado de raios catódicos.
Os raios catódicos possuem as seguintes propriedades principais:
1) Possuem massa, pois eram capazes de mover uma pequena hélice colocada dentro da ampola de Crookes;
2) Propagam-se em linha reta, pois projetavam uma sombra na parede oposta da ampola de Crookes quando um
anteparo era colocado em sua trajetória;
3) Possuem carga elétrica negativa, pois quando o fluxo era submetido a um campo elétrico, este sofria um
desvio em direção ao pólo positivo do campo magnético. Essa demonstração foi realizada em 1887, pelo físico
inglês Thomson.
campo elétrico
ânodo
bomba de vácuo
cátodo
1.4. O Modelo Atômico de Thomson
Em 1897 Joseph John Thomson (1856-1940) realizou experimentos com ampolas de Crookes aplicando,
simultaneamente, campos elétricos e magnéticos aos raios catódicos. Equilibrando o efeito destes dois campos e
usando as leis básicas da eletricidade e do magnetismo, Thomson calculou a razão entre a carga e a massa da
partícula do raio catódico.
11 1e
1,758805 10 C kg
m
−=
Observe a experiência realizada por Thomson para medir a razão entre a carga e a massa do elétron.
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Thomson repetiu esta experiência várias vezes utilizando metais
diferentes como cátodos e gases diferentes. Assim ele concluiu que essas
partículas estavam presentes em todos os tipos de matéria.
As experiências de Thomson levaram a descoberta da primeira
partícula atômica, o elétron e a um novo modelo atômico, conhecido como
“pudim de passas”, onde o átomo seria uma esfera maciça, homogênea e
positiva com elétrons encravados nela.
1.4. A Descoberta da Carga e da Massa de um Elétron
O físico americano Robert A. Millikan (1868-1953) conseguiu medir a carga de um elétron e consequente-
mente a massa deste, através da seguinte experiência.
Neste experimento Millikan colocava pequeninas gotas de óleo numa câmara através de um nebulizador.
Ao caírem lentamente através do ar, eram expostas a raios X, o que provocavam a transferência de moléculas do
ar para elas, umas ficavam com um elétron, outras com dois ou três e assim por diante. As gotículas de óleo eram
observadas individualmente através de um pequeno telescópio.
Millikan ajustava a carga elétrica nas placas que ficavam acima e abaixo das gotas até que a atração
eletrostática, que impelia a gota para cima, equilibrava a força da gravidade que as puxava para baixo. Pelas
equações que traduziam essas forças Millikan calculou a carga em cada gota.
As cargas encontradas em cada gota variavam, mas essas cargas eram múltiplos inteiros do menor valor
encontrado em determinada gota. A menor carga encontrada foi 1,6.10–19 C. Millikan concluiu que essa era a
carga elétrica fundamental, a carga de um elétron.
Como Thomson já havia determinado a relação entre a carga e a massa de um elétron, Millikan determinou
também a massa do elétron. (O valor aceito atualmente para a massa do elétron é 9,109389.10–28 g e o da sua
carga é 1,60217733.10–19 C).
Observe o experimento da gota de óleo de Millikan.
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1.5. A Descoberta do Próton
Em 1886, o físico alemão Eugen Goldstein (1850-1930) realizando experiências numa ampola de crookes
com o cátodo perfurado, descobriu um novo tipo de raio. Estes raios foram denominados de raios canais ou raios
anódicos.
Goldstein observou que quando se aplicava uma voltagem alta ao tubo, observavam-se os raios catódicos
se dirigindo para o ânodo e um novo tipo de raio, que saia do cátodo perfurado em direção oposta aos raios
catódicos.
Esses novos raios eram atraídos por uma placa carregada negativamente e por isso deveriam possuir carga
elétrica positiva.
O estudo dos raios canais levou a descoberta das suas seguintes características:
1) Possuem carga positiva, pois são atraídos pela placa negativa quando submetidos a um campo magnético
externo à ampola.
2) A razão entre a carga e a massa dessas partículas depende do gás presente no tubo (quando se usava o gás
hidrogênio, a razão entre a carga e a massa era maior de todas, assim o hidrogênio originava partículas
positivas com a menor massa. Quando se utilizava o gás hidrogênio determinava-se que a massa dessa
partícula era 1836 vezes maior que a massa de um elétron).
3) Essas partículas possuem uma intensidade de carga igual à de um elétron, porém de sinal oposto. Essas
partículas foram consideradas como partículas fundamentais da matéria e foram denominadas “prótons”
(palavra grega que significa o “primário”) por Ernest Rutherford.
Atualmente considera-se que a massa de um próton é 1,672623.10–24g.
Nesse experimento os elétrons colidem com as moléculas de gás e produzem fragmentos positivos destas
moléculas, que são atraídos pelo cátodo perfurado carregado negativamente. Alguns destes fragmentos positivos
passam através dos orifícios do cátodo e formam um feixe de partículas carregadas positivamente.
Os raios canais também são desviados por campos elétricos e magnéticos, mas esses desvios são muito
menores que os desvios sofridos pelos elétrons, para uma mesma intensidade dos campos. Isso ocorre pelo fato
da massa dos prótons ser muito maior que a massa dos elétrons.
Como um átomo não possui carga elétrica líquida, o número de elétrons é igual ao número de prótons.
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Do cátodo são emitidos elétrons dotados
de grande energia. Esses elétrons colidem com
as moléculas do gás residual, arrancam elétrons
dessas moléculas, transformando-as em íons
gasosos positivos. A migração dos elétrons para
o ânodo e dos íons gasosos positivos para o
cátodo fecha o circuito e o gás torna-se condutor,
isto é, ocorre descarga.
Por outro lado, os elétrons colidindo com os átomos do gás residual excitam esses átomos provocando
saltos de seus elétrons para camadas de maior energia; na volta desses elétrons para as camadas originarias há
emissão de ondas eletromagnéticas sob forma de luz. Se o gás residual é o hidrogênio, os raios canais são
constituídos pelos íons gasosos H+ resultantes da colisão de elétrons (raios catódicos) com as moléculas de H2 do
gás residual.
H••H + e- → [H•H]+ + 2e-
[H•H]+ + e- → 2 [H]+ + 2e-
1.6. O Modelo Atômico de Rutherford
Em 1910, Ernest Rutherford (1871-1937), juntamente com seus colaboradores Hans Geiger e Ernst
Marsden, montaram o aparelho observado a seguir onde um feixe de partículas , dotadas de carga positiva,
incidiram sobre uma fina folha de ouro. Para verificar a passagem de tais partículas pela folha de ouro foi colocado
um anteparo luminescente, revestido por sulfeto de zinco (ZnS). O que se pôde observar foi que a maior parte das
partículas atravessavam a fina folha de ouro, sem sofrer desvios, algumas sofriam desvios variáveis e um número
muito menor de partículas era refletido para trás.
Rutherford interpretou estes resultados concluindo que a carga positiva do átomo estava concentrada em
uma região infinitamente pequena, comparada ao volume do átomo, extremamente densa e que concentra
praticamente toda a massa do átomo denominada de núcleo.
Para Rutherford os elétrons ocupavam uma região fora do núcleo denominada de eletrosfera. Essa
eletrosfera constituía a maior parte do átomo e era formada por imensos espaços vazios, por isso a maior parte
das partículas atravessavam a folha de ouro. Os prótons se encontram no núcleo, uma região muito densa e
infinitamente pequena em relação ao volume ocupado pelo átomo. Isso explica o fato de que algumas partículas
eram desviadas ao passarem próximas a esse núcleo também positivo. As partículas que colidiam frontalmente
com o núcleo eram refletidas na direção da fonte de emissão.
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Assim Rutherford propôs um novo modelo atômico constituído pela
eletrosfera onde circulavam os elétrons e núcleo onde estavam os prótons.
O modelo atômico proposto por Rutherford ficou conhecido como “modelo
do sistema solar”. Nesta analogia o núcleo seria representado pelo sol e os
elétrons pelos planetas que giram ao redor do sol.
O modelo do “pudim de passas” de Thomson teve uma vida muito curta. Com o modelo do átomo de
Thomson as partículas atravessariam o átomo sem sofrer desvios, sendo que algumas delas sofreriam
pequenos desvios (a). Com o átomo nucleado de Rutherford (b) algumas partículas sofreriam grandes desvios e
até retomariam na direção oposta das partículas emitidas.
1.7. A Descoberta do Nêutron
Com os avanços tecnológicos do início do século XX, foi inventado o espectrômetro de massas, um
instrumento que permite a determinação da massa de um átomo. A espectroscopia de massas foi usada para
determinar a massa de todos os elementos conhecidos.
Através da espectroscopia de massas os cientistas descobriram que nem todos os átomos de um elemento
químico possuem a mesma massa e descobriram, ainda, que quando o número de prótons aumenta a massa de
um átomo aumenta numa proporção ainda maior.
Assim os cientistas começaram a propor a existência de partículas eletricamente neutras no núcleo dos
átomos, juntamente com os prótons, tais partículas foram denominadas de nêutrons. Os nêutrons não possuem
carga elétrica, mas possuem massa e por isso contribuem substancialmente para o aumento da massa dos
átomos.
Essa partícula que não possui carga elétrica e tem massa igual a 1,6749286.10–24 g, hoje é denominada
de nêutron. Observe que a massa do nêutron é aproximadamente igual à massa de um próton. Os prótons e
nêutrons são denominados de nucléons.
Em 1932, o físico inglês James Chadwick (1891-1974) comprovou a existência dos nêutrons quando
realizou uma reação de transmutação nuclear artificial, bombardeando o berílio com partículas :
9
Be
4 +
4
2
→
12
C
6
+
1
n
0
(nêutron)
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1.8. Número Atômico e Número de Massa de um Átomo
Elemento químico é um conjunto de átomos que possuem o mesmo número de prótons no núcleo. Portanto,
o que caracteriza um elemento químico é a quantidade de prótons. O hidrogênio possui um próton, o hélio possui
dois, o lítio três e assim por diante.
O número atômico de um átomo é representado pela letra Z.
O número de massa de um átomo (A) é a soma do seu número de prótons (Z) com o seu número de
nêutrons (n). Assim temos que (A = Z + n). Um outro nome para o número de massa é o número de núcleons.
1.9. Isótopos, Isóbaros, Isótonos e Isodiaferos
Isótopos são átomos quepossuem o mesmo número atômico, mas que apresentam diferentes números de
massa. Essa diferença nos números de massa se deve a diferença no número de nêutrons. Como os isótopos
apresentam o mesmo número de prótons, eles pertencem a um mesmo elemento químico.
Alguns átomos possuem um único isótopo estável (alumínio, flúor, fósforo), porém a maioria dos elementos
químicos apresenta dois ou mais isótopos estáveis.
Observe os exemplos abaixo para os elementos químicos hidrogênio e carbono:
prótio deutério trítio
A = 12 A =13 A = 14
Z = 6 Z = 6 Z = 6
n = 6 n = 7 n = 8
Geralmente se refere a um isótopo utilizando-se o seu número de massa.
Exemplo: carbono, 12, carbono 13, carbono 14.
Os isótopos apresentam propriedades químicas semelhantes e propriedades físicas diferentes.
Os isótopos apresentam ainda uma composição natural praticamente fixa. Para o hidrogênio (prótio =
99,98%; deutério = 0,02%; trítio = 10–7%), para o carbono (C12 = 99,89%; C13 = 1,11%, C14 = traços).
Isóbaros são átomos que apresentam o mesmo número de massa, porém apresentam números de prótons
diferentes e, por conseguinte, pertencem a elementos químicos diferentes.
A = 40 A = 40
Z = 20 Z = 18
A = 14 A = 14
Z = 6 Z = 7
H1
1
H2
1
H3
1
C
12
6
C
13
6
C
14
6
Ca
40
20
Ar
40
18
C
14
6
N
14
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Isótonos ou isoneutrônicos são átomos que possuem o mesmo número de nêutrons (n) e diferentes
números atômicos (Z) e de massa (A), consequentemente pertencem a elementos químicos diferentes.
A = 26 A = 28
Z = 12 Z = 14
n = 26 – 12 = 14 n = 28 – 14 = 14
A = 232 A = 234
Z = 90 Z = 92
n = 232 – 90 = 142 n = 234 – 92 = 142
Isodiáferos são átomos que apresentam a mesma diferença entre o número de nêutrons (n) e o número de
prótons (Z).
A = 71 A = 73
Z = 35 Z = 36
n = 71 – 35 = 36 n = 73 – 36 = 37
n – Z = 36 – 35 = 1 n – Z = 37 – 36 = 1
2. Teoria Atômica Moderna
Os elementos químicos que têm propriedades semelhantes estão na mesma coluna da tabela periódica.
Mas qual a razão disto? As descobertas do elétron, do próton e do nêutron levaram os cientistas a procurar qual
era a relação entre a estrutura atômica e o comportamento químico. Já em 1902 Gilbert N. Lewis (1875-1946)
sugeria a ideia de os elétrons, num determinado elemento, estarem dispostos em camadas, que se distribuem
sucessivamente a partir do núcleo do átomo. Lewis explicava a semelhança das propriedades químicas dos
elementos de um certo grupo pela hipótese de todos os elementos do grupo terem o mesmo número de elétrons
na camada mais externa. Estes elétrons são os elétrons de valência.
O modelo do átomo proposto por Lewis levanta muitas questões. Onde se localizam os elétrons? Têm
energias diferentes? Há provas experimentais para este modelo? Estas perguntas motivaram muitos estudos
experimentais e teóricos, que principiaram por volta de 1900 e continuam até os dias e hoje.
2.1. Radiação Eletromagnética
Algumas propriedades da radiação; como a luz, podem ser descritas em termos de movimento ondulatório.
Estas ideias surgiram de experiências feitas pelos físicos do século XIX, entre eles o escocês James Clerk
Maxwell (1831-1879). Em 1864, Maxwell desenvolveu uma elegante teoria matemática para descrever todas as
formas de radiação em termos de campos elétricos e magnéticos oscilantes, ou ondulatórios, no espaço (Fig. 1). A
radiação, como a luz, as microondas, os sinais de televisão e de rádio, os raios x, é denominada coletivamente
radiação eletromagnética.
O comprimento de onda de uma onda é a distância entre duas cristas ou máximos sucessivos (ou entre
dois mínimos sucessivos). Esta distância pode ser dada em metros, em nanômetros ou em qualquer unidade de
comprimento que seja conveniente. O símbolo para comprimento de onda é a letra grega (lambda).
As ondas também podem ser caracterizadas por sua frequência, simbolizada pela letra grega (nu). Dada
uma onda que passa por um ponto fixo no espaço, a frequência é igual ao número de ondas completas que
passam pelo ponto na unidade de tempo. A frequência por isso é, em geral, definida pelo número de ciclos que
passam pelo ponto em cada segundo (Fig. 2). A unidade de frequência é normalmente escrita como S–1 (isto é,
por segundo, 1/s ou S–1), e atualmente é denominada hertz.
Em termos científicos, a altura máxima de uma onda, medida a partir do seu eixo de propagação, é
denominada amplitude. Na Figura 2 Observe que a onda tem amplitude nula em pontos intervalados ao longo do
eixo. Os pontos de amplitude nula são os nodos, que ocorrem sempre em intervalos de comprimento /2 nas
ondas estacionárias, como as da (Fig. 2).
Mg
26
12
Si
28
14
Th
232
90
U
234
92
Br
71
35
Kr
73
36
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Finalmente, a velocidade da onda que se propaga é um importante fator.
Fonte
Vetor
elétrico
Vetor
magnético Duração de
propagação
Figura 1. Radiação eletromagnética. Na década de 1860, James Clerck Maxwell desenvolveu a teoria, que hoje
se aceita, de todas as formas de radiação se propagarem no espaço como campos elétrico e magnético
oscilatórios, um perpendicular ao outro. Cada campo é descrito por uma onda senoidal (pois a função seno
descreve a onda). Estes campos oscilantes provêm de cargas que vibram na fonte da onda, como um lâmpada ou
uma antena de rádio.
Esta multiplicação do comprimento pela frequência para dar a velocidade é válida para qualquer movimento
periódico, inclusive para as ondas:
Comprimento
de onda(m)
X frequência(s–1) = velocidade(m.s –1)
Esta mesma equação se aplica à radiação eletromagnética, para a qual o produto do comprimento de onda
pela frequência é igual à velocidade da luz, c:
= c = 2,99792458 x 108 m . s –1 [1]
A velocidade da luz visível e de todas as outras formas de radiação eletromagnética no vácuo é constante, c
(igual a 2,99792458 X 108 m/s ou, aproximadamente, 300.000 km/s). Isto quer dizer que, se o comprimento de
uma onda de luz for conhecido, pode-se calcular com facilidade a frequência, e vice-versa. Por exemplo, qual é a
frequência da luz de cor laranja que tem o comprimento de onda de 625 nm? Como a velocidade da luz é
expressa em metros por segundo, e o comprimento de onda está em nanômetros, é preciso passar de
nanômetros para metros.
9
71x10 m
625 nm. 6,25x10 m
1nm
−
−=
8 1
14 1
7
2,998 x 10 m . s
4,80 x 10 s
6,25 x 10 m
−
−
−
= = =
c
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Estamos imersos
constantemente em radiação
eletromagnética, inclusive na
radiação que podemos ver, a luz
visível. Como se sabe, a luz
visível é composta por um
espectro de cores que vai do
vermelho, na extremidade dos
comprimentos de onda maiores,
até a luz violeta, na extremidade
dos comprimentos de onda
curtos (Figura 3).
Figura 3. Espectro eletromagnético
A luz visível, porém, é uma parcela muito pequena do espectro eletromagnético. A radiação ultravioleta
(UV), que provoca as queimaduras pela luz solar, tem comprimentos de onda menores que os da luz visível.Os
raios X e os raios (gama) têm comprimentos de onda ainda menores. Nos comprimentos de onda maiores que os
da luz visível, encontramos primeiramentea radiação infravermelha (IV), que percebemos como calor. Maiores
ainda são os comprimentos de onda da radiação de um forno de microondas ou das ondas usadas nas
transmissões de televisão ou de rádio.
O movimento ondulatório que até agora analisamos é o de ondas que se propagam, ondas progressivas.
Outro tipo de movimento ondulatório, denominado ondas estacionárias, também é importante para a teoria
atômica moderna. Quando uma corda está fixa nas duas extremidades, como é o caso da corda de uma guitarra,
e é dedilhada, ela vibra como uma onda estacionária (Fig. 4). Diversos pontos importantes podem ser
mencionados a propósito das ondas estacionárias:
Uma onda estacionária caracteriza-se por ter dois ou mais pontos sem movimento; isto é, pontos
denominados nodos em que a amplitude é nula. Como no caso das ondas progressivas, a distância entre nodos
consecutivos é sempre igual a /2.
Na primeira das vibrações ilustradas na (Fig. 4), a
distância entre as extremidades da corda, a, é /2. Na
segunda vibração, o comprimento da corda é igual a
um comprimento de onda completo, ou 2(/2). Na
terceira, o comprimento da corda é (3/2) ou 3(/2). A
distância entre as extremidades da vibração da onda
estacionária pode ser, por exemplo, (3/4) ou
(3/2)(/2)? No caso de ondas estacionárias, somente
são possíveis certos comprimentos de onda. Como as
extremidades da onda estacionária devem ser nodos,
as únicas vibrações permitidas são aquelas em que
= n(/2) [onde é a distância entre uma extremidade,
ou “fronteira”, e a outra, e n é um número inteiro (1, 2,
3, .. .)]. Este é um exemplo da quantização na
natureza, um conceito que passaremos a investigar.
Fig. 4. Ondas estacionárias. Na primeira onda a
distância ponta a ponta é(1/2) (ou /2), na
segunda é (2/2) (ou ) e na terceira (3/2) (ou
3/2).
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2.2. Equação de Planck
A radiação emitida por um metal aquecido é percebida pelos nossos olhos somente na região visível do
espectro eletromagnético. Entretanto, não são apenas esses os comprimentos de onda da luz emitidos pelo metal.
Há emissão também de radiação com comprimentos de onda mais curtos (no ultravioleta) e mais longos (no
infravermelho) do que os da luz visível.
No final do século XIX, os cientistas tentavam explicar a relação entre a intensidade e o comprimento de
onda para a radiação emitida pelos corpos quentes.
Em 1900, o físico alemão Max Planck (1858-1947) ofereceu uma explicação para o espectro dos corpos
aquecidos. Seguindo a teoria clássica, Planck considerou que os átomos vibrando em um objeto aquecido emitiam
radiação eletromagnética. Entretanto, Planck fez uma nova e importante hipótese, considerando que as vibrações
eram quantizadas; isto é, somente existiam vibrações com determinadas energias. Como veremos no decorrer do
estudo da teoria atômica, a quantização é o conceito-chave na teoria moderna.
Para relacionar a energia e a frequência da radiação, Planck também introduziu uma nova e muito
importante equação, chamada equação de Planck, que relaciona a energia e a frequência da radiação.
E = h . [2]
Energia de
radiação
= constante de Planck . frequência da radiação
A constante de proporcionalidade h é hoje denominada constante de Planck, numa homenagem ao
cientista. Ela tem o valor 6,6260755 x 10–34 J.s.
2.3. Efeitos Eletrônicos
Quando um fóton incide sobre um átomo, uma série de fenômenos quânticos podem ocorrer,
dependendo da energia do fóton incidente e dos níveis de energia disponíveis para esse átomo. Observe a
seguir um descrição dos principais fenômenos:
2.3.1. Espalhamento elástico: ocorre quando a energia do fóton incidente é insuficiente para levar o átomo
para um de seus estados excitados. Nesse caso, o átomo permanece no seu estado fundamental e o fóton, ao
invés de ser absorvido, será simplesmente espalhado. Uma vez que o fóton incidente e o fóton espalhado têm
a mesma energia, o espalhamento é denominado elástico. Observe a figura:
2.3.2. Espalhamento inelástico: ocorre quando a energia do fóton incidente é mais do que suficiente para levar
o átomo para um de seus estados excitados. Nesse caso, o fóton incidente é absorvido; o átomo passa do estado
E1 para o estado excitado E2 espalhando um fóton hf' cuja energia está relacionada com a energia hf do fóton
incidente pela conservação de energia no processo:
Hf’’ = hf - E onde E = E2 – E1
Assim, percebe-se que o fóton hf incidente foi absorvido pelo átomo e a energia que sobrou na transição
do átomo para o estado excitado foi liberada na forma de um fóton menos energético hf ’. Observe a figura:
Espalhamento elástico
hf hf
E1
E2
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2.3.3. Fluorescência: Na figura seguinte, a energia do fóton incidente é suficientemente grande para excitar
o átomo até um de seus estados excitados de energia mais elevada. Em seguida, devido à instabilidades
desses estados excitados, o átomo naturalmente decai e perde o excesso de energia por emissão
espontânea, à medida que faz uma ou mais transições para estados de energia mais baixa rumo ao estado
fundamental.
Um exemplo comum desse efeito é a fluorescência, que ocorre quando o átomo é excitado por
radiação ultravioleta (alta frequência e alta energia (E = h.f) é elevado a níveis de energia mais
energéticos. No retorno desses átomos, que se dá por etapas, os fótons emitidos são de luz visível, já
que a frequência da radiação associada a eles têm frequência menor que a do ultravioleta.
Esse fenômeno é utilizado na fabricação das conhecidas "lâmpadas fluorescentes". Nesses dispositivos,
os terminais elétricos contêm um filamento de tungstênio, metal de altíssimo ponto de fusão, que é aquecido
devido a passagem de corrente elétrica. Estando a alta temperatura, os átomos do metal ficam em elevado grau
de agitação e colidem com átomos vizinhos, fornecendo energia aos seus elétrons. Com isso, os átomos podem
emitir radiações eletromagnéticas ou até mesmo emitir elétrons. No caso da emissão de elétrons, o fenômeno
recebe o nome de efeito termiônico.
Os elétrons liberados nos filamentos quentes são acelerados por uma diferença de potencial aplicada
entre os terminais elétricos e se movem de um eletrodo em direção ao outro, colidindo com átomos de mercúrio
no estado de vapor e moléculas de um gás rarefeito encontrados pelo caminho, levando esses átomos a níveis
mais elevados de energia, excitando-os. Ao executarem as transições de volta para estados de mais baixa
energia, esses átomos de vapor de mercúrio emitem radiação eletromagnética (fótons) predominantemente na
frequência do ultravioleta. Essa radiação ainda não é a luz emitida pela lâmpada fluorescente, afinal radiação
ultravioleta não é visível por ser uma frequência alta demais.
A parede interna da lâmpada é revestida por uma tinta fluorescente, tipicamente a base de sulfeto de
zinco ZnS. Ao receber essa radiação ultravioleta emitida pelo vapor de mercúrio excitado, os elétrons dos
átomos da tinta, por sua vez são excitados e executam as transições eletrônicas mostradas na figura seguinte.
No retomo dessas transições, ocorrem emissões de fótons de luz visível, já que as frequências associadas e
eles são menores que as da radiação ultravioleta incidente. A emissão de luz visível a partir da radiação
ultravioleta é denominada fluorescência. As lâmpadas de "luz negras", muito comuns em danceterias, também
emitem radiação ultra violeta, que produzem fluorescência principalmenteem roupas brancas e nos dentes
das pessoas.
Não confunda fluorescência com fosforescência. Na fluorescência, o material só emite luz visível
enquanto está sendo excitado. Cessada a excitação, o material fluorescente logo deixa de emitir luz
visível, visto que o tempo de vida de um átomo num estado excitado é da ordem de 10 -8 s. Na
Espalhamento inelástico
hf hf ’
E1
E2
Fluorescência
hf
hf ’’’
E1
E2
hf ’’
hf ’
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fosforescência, a emissão de lu:z perdura mesmo após cessado o processo de excitação. Veja a seguir como
isso acontece.
2.3.4. Fosforescência: Alguns estados excitados podem ter uma vida mais longa - da ordem de
milisegundos e até, às vezes, da ordem do segundo ou mesmo do minuto. São os chamados estados
metaestáveis. Para lembrar o significado de metaestabilidade, recorde-se da sobrefusão da água, uma
situação em que a água encontra-se abaixo do ponto de fusão, apesar de ainda estar no estado líquido.
Qualquer leve perturbação e esse estado metaestável é rompido, e a água logo congela. Metaestabilidade é uma
estabilidade apenas passageira, que logo é rompida com um mínimo de perturbação externa. Um outro
exemplo são as soluções supersaturadas, que por perturbação externa se tornam saturadas (com corpo de
fundo).
Assim, observando a figura anterior, admita que quando os átomos estão retornando ao estado
fundamental, eles encontrem níveis de energia metaestáveis. Nesse caso, as transições de um nível para
outro não ocorrem de uma vez. Os átomos permanecem metaestavelmente em cada um desses níveis
energéticos intermediários durante algum tempo até decair para o nível seguinte. 0 material pode emitir
luz por bastante tempo, mesmo após cessar a excitação original, enquanto os átomos ainda estiverem em
transição para níveis de energia mais baixos. A duração da fosforescência pode ser relativamente longa já
que, na prática, a quantidade de átomos é muito grande e o processo pode ser demorado.
A fosforescência ocorre, por exemplo, em teclas de interruptores e em tintas depositadas em
ponteiros de relógios: esses materiais recebem luz durante todo o dia e continuam brilhando durante a
noite.
A luminescência pode ocorrer através de fluorescência ou de fosoforescência.
2.3.5. O Efeito Fotoelétrico
Como quase sempre ocorre, a explicação de um fenômeno fundamental – tal como o espectro da luz que é
emitida por um objeto aquecido – conduz a outra descoberta fundamental. Uns poucos anos depois do trabalho de
Planck, Albert Einstein (1879-1955) adotou as ideias de Planck para explicar o efeito fotoelétrico.
O efeito fotoelétrico ocorre quando a luz atinge a superfície de um metal e há ejeção de elétrons pela
superfície (Figura 5). Os elétrons ejetados do fotocatodo pela luz incidente deslocam-se para o anodo carregado
positivamente, e há passagem de corrente elétrica na célula. Como a luz provoca a corrente, uma célula
fotoelétrica pode operar como um interruptor sensível à luz. Muitos dispositivos automáticos de abertura de portas
de lojas e de elevadores operam com tais células.
Figura 5. Efeito fotoelétrico. (a) Uma fotocélula opera pelo efeito fotoelétrico. A parte principal da célula é o
catodo fotossensível. Este é de um material, usualmente um metal, que ejeta elétrons quando atingido por fótons
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de luz com energia suficiente. Os elétrons ejetados se deslocam para o anodo e há uma corrente elétrica na
célula. Este dispositivo pode ser usado como interruptor num circuito elétrico. (b) Quando a frequência da luz
incidente aumenta, não se observa corrente até ser atingida uma frequência crítica. Se a luz tiver intensidade
maior, isto é, se a luz tiver densidade de fótons mais elevada, o único efeito é o de provocar maior emissão de
elétrons pela superfície; o início da emissão de elétrons se observa na mesma frequência em que há emissão com
luz de intensidade mais baixa. Quando se usa luz com frequência maior que a do mínimo, o excesso de energia
do fóton faz com que o elétron escape do átomo com mais velocidade.
A energia necessária para remover um elétron
da superfície de um metal é chamada de função de
trabalho do metal e é representada por (fi
minúsculo).
Assim temos:
.Ec h v = −
Onde: Ec é a energia cinética do elétron ejetado;
hv é a energia fornecida pelo fóton
é a energia necessária para ejetar o elétron
As experiências com as células fotoelétricas mostravam que só havia ejeção de elétrons pela superfície
quando a luz incidente tinha um mínimo de frequência. Se a frequência fosse menor que o mínimo, nenhum efeito
era observado, independente da intensidade da luz. Entretanto, se a frequência fosse maior do que este mínimo, o
aumento da intensidade da luz provocava uma corrente elétrica maior, porque ocorria a ejeção de maior
quantidade de elétrons...
Einstein mostrou que todas essas observações experimentais podiam ser explicadas pela combinação da
relação de Planck, entre a energia e a frequência da radiação, com a ideia de que a luz podia ser descrita não
somente como tendo apenas propriedades ondulatórias mas também como tendo propriedades corpusculares
quantizadas. Einstein admitiu que as partículas de luz sem massa, que hoje chamamos fótons, eram pacotes de
energia. A energia de cada fóton é proporcional à frequência da radiação, de acordo com a lei de Planck (Equação
2).
O efeito fotoelétrico pode ser explicado sem dificuldade com a proposta de Einstein. É fácil imaginar que
uma partícula com alta energia tenha que colidir com um átomo para provocar a liberação de um elétron pelo
átomo. Também é razoável aceitar a ideia de que um elétron só possa ser arrancado do átomo se houver um
mínimo de energia. Se a radiação eletromagnética puder ser imaginada como uma corrente de fótons, como
propunha Einstein, então quanto maior for a intensidade da luz, mais fótons estarão na corrente. Logo, os átomos
da superfície do metal não perdem elétrons quando o metal é bombardeado por milhões de fótons, caso nenhum
dos fótons tenha energia suficiente para remover um elétron de um átomo. Uma vez excedida a energia mínima
crítica (isto é, a frequência mínima da luz), a energia de cada fóton é suficiente para liberar um elétron de um
átomo do metal. Tendo este mínimo de energia, quanto mais fótons colidirem com a superfície, mais elétrons
serão liberados. Daí decorre a relação entre a intensidade da luz e o número de elétrons ejetados.
2.4. Espectros Atômicos de Raias
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O espectro de luz branca, como o de um filamento de uma lâmpada incandescente ou o da luz solar, tem
uma estrutura semelhante a um arco-íris, conforme se vê na Figura 6. Este espectro,com luz de todos os
comprimentos de onda, é denominado espectro contínuo.
Quando um elemento gasoso em
pressão baixa é sujeito a um campo elétrico
intenso (imposto por uma alta voltagem), os
átomos absorvem energia e se diz que estão
“excitados”. Estes átomos excitados emitem
luz. Entretanto, esta luz é diferente da que é
emitida pelos objetos aquecidos. Ao contrário
de um espectro contínuo de comprimentos de
onda, os átomos excitados na fase gasosa
emitem somente certos comprimentos de
onda da luz. Sabemos disto porque quando
esta luz passa através de um prisma, somente
vemos umas poucas “linhas” coloridas. Este
espectro é denominado espectrode emissão
de raias (ou de linhas).
Os espectros de raias da luz visível
emitidos pelos átomos excitados de
hidrogênio, mercúrio e neônio aparecem na
(Figura 7). Observe que cada elemento tem
um espectro de raias próprio.
Figura 6. Espectros da luz branca, formado pela refração num prisma.
Uma das questões que no final do século XIX os cientistas tentavam resolver era a razão de os átomos
gasosos emitirem radiações com somente determinadas frequências. Fizeram-se muitas tentativas de encontrar
relações matemáticas entre as frequências observadas.
O primeiro passo nesta direção foi dado por Johann Balmer (1825-1898) e depois por Johannes Rydberg
(1854-1919). Eles desenvolveram uma equação – conhecida como equação de Rydberg – a partir da qual era
possível calcular o comprimento de onda das raias vermelha, verde e azul na região visível do espectro de
emissão dos átomos de hidrogênio (Figura 7).
λ 2 2
1 1 1
R
2 n
= −
n > 2 [3]
Nesta fórmula, n é um inteiro associado a cada raia, e R é uma constante, denominada hoje constante de
Rydberg, cujo valor é 1,0974 X 107 m–1. Se n = 3, tem-se o comprimento de onda da raia vermelha do espectro
do hidrogênio (6,563 X 10–7 m ou 656,3 nm). Se n = 4, tem-se o comprimento de onda da raia verde, e se n = 5, o
da raia azul. Esse grupo de raias visíveis (juntamente com outras, dadas por n = 6, 7, 8 etc.) é conhecido como
série de Balmer do hidrogênio.
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Figura 7. Espectros de emissão de raias do hidrogênio, mercúrio e neônio. Os elementos gasosos excitados
emitem espectros característicos que podem ser usados para identificar os elementos e também para determinar
os teores dos elementos numa amostra.
2.5. Modelo de Bohr do Átomo de Hidrogênio
Foi Niels Bohr, um físico dinamarquês, quem ofereceu a primeira explicação sobre os espectros dos átomos
excitados relacionando-os com as ideias quânticas de Planck e de Einstein. Para Bohr, o modelo mais simples de
um átomo de hidrogênio era o de um modelo planetário, isto é, o elétron se deslocava numa órbita circular em
torno do núcleo, do mesmo modo que os planetas se movem ao redor do Sol. O problema deste modelo, porém,
era que a física clássica determinava que o átomo não poderia existir com esta organização. Conforme as teorias
da época, o elétron carregado em movimento no campo elétrico positivo do núcleo iria perder energia. Ao final, o
elétron cairia no núcleo, de maneira semelhante à queda de um satélite artificial na superfície da Terra, provocada
pelo atrito na atmosfera terrestre. Este evidentemente não é o caso, pois se isso ocorresse a matéria
eventualmente seria destruída.
Para resolver a contradição com as leis da física clássica, o problema da estabilidade dos átomos, Bohr
adotou a ideia de que o elétron do átomo de hidrogênio só poderia ocupar certas órbitas ou níveis de energia nos
quais ele era estável. A energia do elétron no átomo estaria então “quantizada”. Combinando este postulado de
quantização com as leis do movimento da física clássica, Bohr mostrou que a energia possuída pelo elétron na n-
ésima órbita do átomo de H é dada pela equação simples
Energia do n-ésimo nível = En =
2
−
Rhc
n
[4]
onde R é uma constante de proporcionalidade (a constante de Rydberg), h é a constante de Planck e c é a
velocidade da luz. A cada órbita permitida está associado um número adimensional n, inteiro, com os valores 1, 2,
3 etc. (sem valores fracionários). Este inteiro é o que se denomina hoje número quântico principal do elétron.
No modelo de Bohr, o raio das órbitas circulares aumenta quando n aumenta. A órbita de energia mais
baixa ou mais negativa, com n = 1, é a mais próxima do núcleo, e o elétron do átomo de hidrogênio está,
normalmente, neste nível de energia. Quando um átomo está com seus elétrons nos níveis de energia mais baixos
possíveis se diz que está no estado fundamental.
É necessário dar energia ao átomo para afastar o elétron do núcleo, pois o núcleo positivo e o elétron
negativo atraem-se mutuamente. Quando o elétron do átomo de hidrogênio ocupa uma órbita com n maior do que
1, o átomo tem mais energia do que no estado fundamental (a sua energia é menos negativa) e se diz que está
num estado excitado.
Pode-se imaginar que os níveis de energia no modelo de Bohr assemelham-se aos degraus de uma escada
que sobe das fundações do “edifício atômico” Cada degrau representa um nível de energia quantizado; ao subir a
escada você pode parar em qualquer degrau, mas não entre os degraus. Observe que a diferença entre esta
analogia e as escadas reais é a de que a “distância” entre os degraus na escada de Bohr fica cada vez menor à
medida que n aumenta.
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Uma hipótese importante da teoria de Bohr é a de que um elétron, num átomo, permanece no seu nível de
energia mais baixo a menos que seja perturbado.
Quando
o elétron do átomo de H tem n = 1, e, portanto, está no seu estado
fundamental, a energia tem um grande valor negativo. Quando se sobe “um
degrau”, de modo que se alcança o nível n = 2, o elétron está menos atraído
pelo núcleo e a energia do elétron com n = 2 é menos negativa. Então, para
deslocar o elétron do estado com n = 1 para o estado com n = 2, o átomo
deve absorver energia, tal e qual é necessário dispor de energia para subir
uma escada. Dizemos então que o elétron está excitado (Figura 9)
Com a equação de Bohr, podemos calcular a quantidade de energia
necessária para levar o átomo de H do estado fundamental até o primeiro
estado excitado (n = 2).
E = Eestado final – Eestado inicial
Como Efinal tem n = 2 e Einicial tem n = 1, E é
E = E2 – E1 =
2 2
Rhc Rhc
2 1
− − −
=
3
4
Rhc = 0,75 Rhc
= 0,75 (1312 kJ/mol)
= 984 kJ/mol de átomos de H
A quantidade de energia que deve ser absorvida pelo átomo, de modo
que o elétron possa passar do primeiro para o segundo estado de energia, é
0,75Rhc, nem mais nem menos. Se o átomo receber 0,7Rhc ou 0,8Rhc, não
será possível a transição entre os estados. Os níveis de energia do átomo de
H são quantizados, e, por isso, somente certas quantidades de energia
podem ser absorvidas ou emitidas.
O movimento de um elétron de um estado de baixo n para outro de alto
n é um processo endotérmico; há absorção de energia e o valor de E é
positivo. O processo oposto, de um elétron “caindo” do nível de n alto para
outro de n mais baixo, é um processo em que há emissão de energia. Por
exemplo, numa transição de n = 2 para n = 1.
Figura 8. Níveis de energia no
modelo atômico de Bohr. As
energias do elétron num átomo
de hidrogênio dependem do
valor do número quântico
principal n(E
n
= – Rhc/n2). As
energias estão em joules por
átomo. Observe que a diferença
entre os estados de energia
sucessivos fica cada vez menor
à medida que fica n maior.
Dependendo da energia injetada numa população de átomos de H, alguns átomos terão os respectivos
elétrons excitados de n = 1 para n = 2 ou 3 ou para estados mais altos. Depois de absorver a energia, os elétrons
retomam naturalmente a níveis mais baixos (ou diretamente, ou através de uma série de etapas, para o estado n =
1) e emitem a energia que o átomo absorveu inicialmente. Isto é, há emissão de energia no processo, e esta
energia aparece como luz. Esta é a origem das raias observadas no espectro de emissão dos átomos de H, e a
mesma explicação vale, em princípio, para os átomos de outros elementos.
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A equação de Bohr pode ser escrita das seguintes formas:
18
2
2,18.10
/E J partícula
n
−
= − ou
2
13,6
E eV
n
= −
1eV 1,6.10-19 Joules, por isso - 2,179.10-18 J -13,6 eV.
Elétron-volt é a energia cinética adquirida por um elétron, no vácuo, quando submetido a uma diferença de
potencial de 1 volt.
Observe a figura seguinte que mostra as raias dos espectros do hidrogênio nas regiões visível (série de
Balmer), ultravioleta (série de Lyman) e infravermelho (séries de Paschen, Brackett e Pfund) e os saltos de
elétrons associados às raias.
Para o hidrogênio, a série das raias de emissão na região do ultravioleta (a chamada série de Lyman,
Figura 10), provém dos elétrons que passam de estados com n maior do que 1 para o estado com n = 1. A série
de raias com energias na região do visível – a série de Balmer – provém de elétrons que passam de estados com
n = 3 ou mais para o estado com n = 2.
Em resumo, compreendemos agora que a origem dos espectros atômicos é o movimento dos elétrons entre
estados de energia quantizados. A energia de uma dada raia (linha de emissão) nos átomos de hidrogênio
excitados é
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E = Efinal – Einicial
= – Rhc
2 2
final inicial
1 1
n n
−
onde Rhc é 1.312 kJ/mol
Figura 10. Algumas transições do elétron que podem ocorrer num átomo de H excitado. As raias na região do
ultravioleta provêm de transições para o nível n = 1. (Esta série de raias é a série de Lyman.) As transições de níveis com
valores de n maiores que 2 para o nível n = 2 ocorrem na região do visível (série de Balmer). As raias na região do
infravermelho provêm das transições dos níveis com n maior que 3 ou 4 para o nível com n = 3 ou 4. (Só está ilustrada a
série que termina em n = 3.)
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Quando um átomo sofre uma transição de um estado
de energia mais alta para um estado de energia mais
baixa, ele perde energia que é emitida como um
fóton. Quanto maior for a energia perdida, maior será
a frequência e menor será o comprimento de onda da
radiação emitida. O inverso é verdadeiro.
2.6. Modelo Atômico de Sommerfeld
Com a utilização de espectroscópios de melhor resolução e de técnicas mais avançadas na análise dos
espectros de emissão dos elementos cujos átomos possuem mais de 1 elétron, foi possível observar que as raias
consideradas anteriormente constituídas por uma única linha eram, na verdade, um conjunto de linhas distintas
muito próximas umas das outras.
Estava descoberta a chamada estrutura fina dos espectros de emissão
O desdobramento das linhas do espectro indica que os níveis energéticos (n) são constituídos por subníveis
de energia (l) bastante próximos.
O esquema a seguir mostra o desdobramento de níveis energéticos e a correspondente emissão de
radiações de frequências próximas, f’ e f’’.
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Para explicar esta multiplicidade das raias espectrais verificadas experimentalmente, em 1915 o físico
alemão Arnold Sommerfeld (1868-1951) deduziu algumas equações semelhantes às de Bohr, que indicavam o
seguinte:
Cada nível de energia n está dividido em n subníveis, correspondentes a uma órbita circular e a n-1 órbitas
elípticas de diferentes excentricidades. O núcleo do átomo ocupa um dos focos da elipse.
O primeiro nível (n = 1) possui apenas 1 órbita circular.
O segundo nível (n = 2) possui 1 órbita circular e 1 órbita elíptica.
O terceiro nível (n = 3) possui 1 órbita circular e 2 órbitas elípticas.
O quarto nível (n = 4) possui 1 órbita circular e 3 órbitas elípticas.
Assim para o quinto nível (n = 5) existe 1 órbita
circular e 4 órbitas elípticas. Veja a figura ao lado.
Número quântico azimutal ou número quântico do
momento angular (l)
s (l=0); p (l=1); d (l=2); f (l=3); g (l=4); h (l=5);
2.7. As propriedades ondulatórias do elétron
Einstein usou o efeito fotoelétrico para demonstrar que a luz, a que se atribui comumente propriedades
ondulatórias, também pode ser imaginada em termos de partículas ou de fótons sem massa.
Em 1925, de Broglie propôs que a um elétron livre, de massa m, movendo-se com a velocidade v, fosse
associado um comprimento de onda dado pela equação
.h c
E
= ;
2.E m c= ;
2.
.
h c
m c
= ;
.
h
m c
= ou
.
h
m v
= [5]
Esta ideia, era revolucionária, pois ligava as propriedades corpusculares do elétron (m e ) a uma
propriedade ondulatória (). Logo depois foi obtida prova experimental dessa hipótese.
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A equação de de Broglie sugere que a qualquer partícula em movimento está associado um comprimento
de onda. Porém, para ser suficientemente grande para ser medido, o produto de m e deve ser muito pequeno,
pois h é muito pequeno.
2.8. O átomo na mecânica ondulatória
O objetivo de construir uma teoria abrangente do comportamento dos elétrons nos átomos a partir da ideia
de o elétron ser um corpúsculo. Erwin Schrödinger (1887-1961), um físico austríaco, trabalhava
independentemente mas usava a hipótese de de Broglie de que o elétron num átomo poderia ser descrito por
equações do movimento ondulatório.
A abordagem de Schrödinger deu resultados corretos para algumas propriedades. Por esta razão, a
abordagem de Schrödinger prevalece até os dias de hoje. De forma geral, o tratamento teórico do comportamento
atômico desenvolvido por Bohr, Schrödinger e seus seguidores é denominado mecânica quântica, ou mecânica
ondulatória.
2.9. O Princípio da Incerteza
Antes de apreciar o modelo de Schrödinger para o comportamento dos elétrons no átomo, é conveniente
comentar o grande debate que incendiou a física no início do século XX. A sugestão de de Broglie de o elétron ser
descrito mediante uma onda foi confirmada pela experiência. Por outro lado, a experiência de J. J. Thomson para
medir a razão entre a carga e a massa do elétron mostrara que o elétron exibia propriedades de uma partícula.
O que tem a ver com os elétrons nos átomos essa dualidade onda-partícula? Werner Heisenberg (1901-
1976) e Max Born (1882-1970) proporcionaram a resposta. Para explicar o comportamento dos elétrons nos
átomos, parece mais razoável admitir que os elétrons têm propriedades ondulatórias. Se for este o caso,
Heisenberg concluiu que era impossível conhecer simultaneamente e com exatidão a posição e o momento de
uma pequena partícula, tal como um elétron. Momento é o produto da massa vezes a velocidade.
Com base na ideia de Heisenberg, que é chamada hoje princípio da incerteza de Heisenberg.
2.10. O Modelo de Schrödinger para o Átomo de Hidrogênio e as Funções de Onda
O modelo de Schrödinger para o átomo de hidrogênio
baseia-se na hipótese de o elétron ser descrito como uma onda
de matéria e não como uma pequenina partícula orbitando o
núcleo.
As funções de onda, que simbolizamos pela letra grega
(psi), caracterizam o elétron como uma onda de matéria. Os
seguintes pontos são relevantes:
1. Somente certas vibrações, asdas ondas estacionárias
(veja Figura 4) podem ser observadas numa corda
vibrante. Analogamente, o comportamento do elétron num
átomo se descreve apropriadamente por uma onda
estacionária.
2. Cada função de onda corresponde a um valor de energia
permitido para o elétron.
3. Os pontos 1 e 2 correspondem a dizer que a energia do
elétron é quantizada.
4. Cada função de onda pode ser interpretada em termos de probabilidade. O quadrado de dá a
probabilidade de se encontrar o elétron numa certa região do espaço. Cientistas se referem a isto como sendo
a densidade de elétrons numa dada região do espaço.
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5. As ondas de matéria dos estados de energia permitidos são os orbitais.
6. Para resolver a equação de Schrödinger de um elétron no espaço tridimensional, é necessário introduzir três
números inteiros –– os números quânticos n, e m. Estes números quânticos só podem assumir certas
combinações de valores. Usaremos estas combinações para definir os estados de energia e os orbitais
disponíveis para o elétron.
3. Números Quânticos
Num espaço tridimensional são necessários três números para descrever a localização de um objeto no
espaço. Para a descrição ondulatória do elétron num átomo, esta exigência leva aos três números quânticos n,
e m. Antes de interpretar estes três números quânticos, é importante dizer que:
• Os números quânticos n, e m são todos inteiros, mas seus valores não podem ser escolhidos
aleatoriamente.
• Os três números quânticos (e os valores que podem assumir) não são parâmetros criados “voluntariamente”
pelos cientistas.
3.1. Número Quântico Principal, n = 1, 2, 3, ...
O número quântico principal n pode ter qualquer valor inteiro de 1 até infinito. Como o nome implica, é o
número quântico mais importante, pois o valor de n é o fator principal na determinação da energia de um elétron.
Para o átomo de hidrogênio (com seu único elétron) a energia do elétron varia somente com o valor de n e é dada
pela mesma equação obtida por Bohr para o átomo de H: En = – Rhc/n2. O valor de n também é uma medida do
tamanho do orbital que corresponde a este valor de n: quanto maior o valor de n, maior o orbital do elétron.
Cada elétron é identificado pelo seu valor de n. Em átomos com mais de um elétron, dois ou mais elétrons
podem ter o mesmo valor de n. Estes elétrons ocupam, então, uma mesma camada eletrônica.
3.2. Número Quântico do Momento Angular = 0, 1, 2, 3, ..., n – 1
Os elétrons de uma dada camada agrupam-se em subcamadas, cada qual caracterizada por um valor do
número quântico e por uma forma característica. Para a camada n, são possíveis n sub-camadas diferentes,
cada qual correspondente a um dos n diferentes valores de . Cada valor de corresponde a uma forma diferente
do orbital ou a um tipo diferente de orbital.
O valor de n limita o número de subcamadas possíveis, pois a n-ésima camada não pode ter maior que n
– 1. Assim, para n = 1, a regra nos diz que é igual a 0 e somente a 0. Como só pode ter um valor quando n = 1,
só é possível uma subcamada para um elétron com n = 1. Quando n = 2, pode ser ou 0 ou 1. Como são
possíveis dois valores de , existem duas subcamadas na camada eletrônica com n = 2.
Os valores de são usualmente simbolizados por letras, conforme o seguinte esquema:
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26
Valor de Símbolo da Subcamada Correspondente
0 s
1 p
2 d
3 f
3.3. Número Quântico Magnético, m = 0, ± 1, ± 2, ± 3, ..., ±
O número quântico magnético, m, especifica a que orbital, dentro de uma subcamada, o elétron pertence.
Os orbitais numa dada subcamada diferem somente pela orientação no espaço, não pela sua forma.
O valor de limita os valores inteiros atribuídos a m: m pode ir de + até –, com o 0 incluído. Por
exemplo, quando = 2, m tem cinco valores: + 2, + 1, 0, –1, –2. O número de valores de m para uma dada
subcamada (= 2 + 1) especifica o número de orientações que existem para os orbitais desta subcamada e,
portanto, o número de orbitais na subcamada.
3.4. Informação Útil dos Números Quânticos
Os três números quânticos que mencionamos constituem uma espécie de “código postal” dos elétrons.
Dizem-nos em que camada o elétron está (n), em que subcamada na camada () e em que orbital na subcamada
(m).
Tabela 2. Relação entre os valores de n, e m, até n = 4.
3.5. As formas dos orbitais atômicos
Vamos analisar agora a questão da forma e orientação dos orbitais.
3.5.1. Orbitais s
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27
3.5.2 Orbitais p
3.5.3. Orbitais d
3.5.4. Orbitais f
Os sete orbitais f têm todos = 3, o que significa que em cada um existem 3 superfícies nodais. Isto faz com
que a visualização destes orbitais seja mais complicada.
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28
3.6. O Spin do Elétron
Três números quânticos (n, e m) nos permitem definir o orbital de um elétron. Para descrever de forma
completa o estado dos elétrons num átomo multieletrônico, é necessário um outro número quântico, o número
quântico magnético do spin do elétron, ms.
Nos anos 1920, os químicos teóricos perceberam que, por causa de os elétrons interagirem com um campo
magnético, deveria haver uma propriedade particular para caracterizar a estrutura eletrônica dos átomos. Logo se
verificou experimentalmente que o elétron se comportava como se tivesse rotação (spin) própria, tal e qual a Terra
em torno do seu eixo. Para entender esta propriedade e a sua relação com a estrutura atômica, devemos
compreender o fenômeno geral do magnetismo.
3.6.1. Magnetismo
A agulha de uma bússola, em um certo local da Terra, sempre aponta para uma dada direção. A agulha é
um ímã, como uma barra de ferro imantada. Em 1600, William Gilbert (1544-1603) concluiu que a Terra era um
grande ímã esférico, envolto por um campo magnético (Figura 14). A agulha da bússola era “atraída” pelo campo,
e uma das suas extremidades apontava, aproximadamente, para o pólo norte geográfico. Assim, dizemos que a
ponta da agulha que aponta para o norte é o “pólo norte magnético”, ou simplesmente o “pólo norte”, identificado
pela letra N. A outra extremidade da agulha é o “pólo sul” e é identificada por S.
Pólos magnéticos de mesma identificação (N-N ou S-S) se repelem, e pólos opostos (N-S) se atraem. Como
o pólo norte magnético da agulha da bússola aponta para o pólo norte geográfico, isto quer dizer que este pólo, na
realidade, é o pólo sul da Terra.
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29
Figura 14. O campo magnético da Terra e o de uma barra imantada. As linhas do campo
saem, convencionalmente, de uma extremidade denominada “pólo norte magnético”, N, e se
encurvam para o “pólo sul magnético”, S. O pólo norte geográfico da Terra, denominado assim
antes da introdução do termo “pólo magnético”, é o pólo sul magnético da Terra.
3.6.2. Paramagnetismo e Elétrons Desemparelhados
A maioria das substâncias –– por exemplo, giz,
sal de cozinha, tecidos –– é ligeiramente repelidapor
um ímã forte. São substâncias diamagnéticas.
Outras substâncias, ao contrário, como muitos metais
e certos compostos, são atraídas pelo campo
magnético. São denominadas paramagnéticas, e a
grandeza do efeito pode ser determinada num
aparelho como o ilustrado na (Figura 15).
O magnetismo da maior parte dos materiais
paramagnéticos é tão pequeno que só pode ser
observado na presença de campos magnéticos
intensos. Por exemplo, o oxigênio que respiramos é
paramagnético e fica preso nos pólos de um ímã
forte. Não se aglomera, porém, nos ímãs fracos,
como os que servem para fixar avisos e enfeites na
porta da geladeira. Outros materiais são muito
magnéticos, e é fácil observar os efeitos que
provocam. Entre os exemplos citam-se o mineral
magnetita, Fe2O3, e a liga com o nome comercial
Alnico (de AI, Ni, Co). Estes materiais são chamados
ferromagnéticos e são deles os pequenos
dispositivos magnéticos de uso doméstico.
O paramagnetismo e o ferromagnetismo provêm dos spins dos elétrons. Um elétron num átomo tem as
propriedades magnéticas que se esperam de uma partícula com carga elétrica que gira em torno de um eixo. O
que nos interessa aqui é a relação entre o spin e a organização dos elétrons no átomo. As experiências mostram
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30
que, se um átomo com um só elétron desemparelhado for colocado num campo magnético, existem
exclusivamente duas orientações possíveis para o spin do elétron. Isto é, o spin do elétron é quantizado. A uma
orientação se associa o número quântico do spin ms = +1/2 e a outra o valor ms = -1/2.
O spin do elétron foi primeiro detectado
experimentalmente por dois cientistas alemães,
Otto Stern e Walter Gerlach, em 1920. Eles
aproveitaram o fato de que uma carga elétrica
em movimento gera um campo magnético e, por
isto, um elétron com spin deveria se comportar
como um pequeno ímã.
Para executar seu experimento (veja a
ilustração), Stern e Gerlach removeram todo o
ar de um vaso e fizeram passar por ele um
campo magnético muito pouco homogêneo.
Eles, então, injetaram um feixe fino de átomos
de prata pelo vaso na direção de um detector.
Os átomos de prata têm 46 elétrons
emparelhados e um elétron desemparelhado, o
que faz com que o átomo comporte-se como um
elétron desemparelhado que se desloca sobre
uma plataforma pesada, o resto do átomo.
Se o elétron tem spin e se comporta como uma bola que gira, o eixo de giro poderia apontar em qualquer
direção. O elétron, então, deveria comportar-se como um ímã que poderia adotar qualquer orientação em relação
ao campo magnético aplicado. Neste caso, uma faixa larga de átomos de prata deveria aparecer no detectar,
porque o campo atrairia os átomos de prata diferentemente, de acordo com a orientação do spin. Foi exatamente
isso que Stern e Gerlach observaram quando fizeram o experimento pela primeira vez.
Esse resultado inicial era enganador. O experimento é difícil porque os átomos colidem um com o outro no
feixe. Um átomo que se move em uma direção pode ser facilmente empurrado pelos vizinhos em outra direção.
Quando Stern e Gerlach refizeram o experimento, eles usaram um feixe de átomos muito menos denso, reduzindo
assim o número de colisões entre os átomos. Nessas condições, eles viram duas bandas estreitas. Uma banda
era formada pelos átomos que passavam pelo campo magnético com uma orientação de spin e a outra, pelos
átomos de spin contrário. As duas bandas estreitas confirmaram que um elétron tem spin e também que ele pode
adotar somente duas orientações.
O spin do elétron é a base da técnica experimental chamada de ressonância paramagnética do elétron
(EPR), que é usada para estudar as estruturas e movimentos de moléculas e íons que têm elétrons
desemparelhados. A técnica baseia-se na detecção da energia necessária para fazer passar um elétron de uma
das orientações de spin para a outra. Como o experimento de Stern e Gerlach, ela só funciona com íons ou
moléculas que têm elétrons desemparelhados.
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31
Figura 16. Quantização do spin do elétron. Como o elétron se comporta como se fosse um “microímã” em relação
ao campo magnético, somente são possíveis duas orientações do spin. Qualquer outra é proibida. Então,
podemos dizer que o spin do elétron é quantizado.
Quando um elétron está num orbital do átomo, a orientação do spin do elétron pode assumir qualquer um
dos dois valores de ms. Observamos, experimental-mente, que os átomos de hidrogênio, cada qual com um só
elétron, são paramagnéticos; num campo magnético externo, os ímãs dos elétrons se alinham com o campo ––
como a agulha de uma bússola –– e sofrem uma força atrativa. No hélio, dois elétrons ocupam o mesmo orbital
1s, e podemos confirmar experimental-mente esta ocupação verificando que o hélio é diamagnético. Para explicar
esta observação, admitimos que os elétrons que estão num mesmo orbital têm orientações de spin opostas;
dizemos que os respectivos spins estão emparelhados. Isto significa que o campo magnético de um elétron é
“cancelado” pelo campo magnético do outro elétron.
Resumindo, o paramagnetismo ocorre em substâncias constituídas por íons ou átomos com elétrons
desemparelhados. Os átomos em que todos os elétrons estão emparelhados com elétrons de spins opostos são
diamagnéticos. Esta explicação abre o caminho para o entendimento da configuração dos átomos multieletrônicos.
3.6.3. Propriedades Magnéticas - complemento
As propriedades magnéticas das espécies químicas (átomos, íons ou moléculas) estão diretamente
relacionadas com as configurações eletrônicas e decorrem da interação do spin dos elétrons com o campo
magnético ao qual está submetido.
Nas espécies com elétrons emparelhados (orbitais cheios), as substâncias são “diamagnéticas” e não se
magnetizam sob a ação do campo magnético.
A condição necessária para o “paramagnetismo” (interação com o campo magnético) é a presença de
orbitais com elétrons desemparelhados, ou seja, com pelo menos um orbital semipreenchido. Portanto é de se
esperar que todo átomo de número atômico ímpar seja paramagnético.
Num conjunto de átomos paramagnéticos, de acordo com a experiência de Stern-Gerlanch, 50% dos
elétrons têm spin – ½ e os outros 50% têm spin + ½ e esta mistura de átomos se desdobra em dois feixes.
Quando o paramagnetismo é muito forte e, como consequência, os átomos se mantêm magnetizados
mesmo na ausência do campo, diz-se que ocorre “ferromagnetismo”; casos particulares dos metais ferro, níquel
e cobalto (metais de transição externa) e os metais gadolínio e disprósio (metais de transição interna).
Embora em sua grande maioria os elementos químicos sejam paramagnéticos, os compostos formados
por estes, normalmente não o são, visto que muitas vezes se formam cátions isoeletrônicos de gases nobres, ou
moléculas que apresentam compartilhamento (covalência) de elétrons.
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32
Elemento Químico Configuração do átomo Configuração do íon
Sódio 11Na 1s2; 2s2; 2p6; 3s1 11Na+ 1s2; 2s2; 2p6; 3s0
Alumínio 13Al 1s2; 2s2; 2p6; 3s2; 3p1 13Al+3 1s2; 2s2; 2p6; 3s0; 3p0
Oxigênio 8O 1s2; 2s2; 2p4 8O2– 1s2; 2s2; 2p6
Observação:
As moléculas são quase sempre diamagnéticas, porque em suas ligações covalentes ocorre
emparelhamento dos elétrons, porém, em alguns casos, podem-se formar moléculas paramagnéticas com um
número ímpar de elétrons.
Exemplo:
2NO 15 elétrons [7 8]
Nitrogênio Z 7 e Oxigênio Z 8
NO 23 elétrons [7 (2x8)]
= +
= =
= +
3.7. O Princípio da exclusão de Pauli
Para tornar a mecânica quântica coerente com os resultados experimentais, o físico austríaco Wolfgang
Pauli (1900-1958) enunciou, em 1925, o princípio da exclusão: Em um átomo, dois elétrons quaisquer não
podem ter o mesmo conjunto dos quatro números quânticos (n, , m e ms). Este princípio leva a outra conclusão
importante: nenhum orbital atômico pode conter mais do que dois elétrons.
O orbital 1s do átomo de H tem o conjunto de números quânticos n = 1, = 0, m = 0. Não é possível outro
conjunto. Se um elétron estiver neste orbital, é necessário, também, caracterizar o seu spin. Imaginemos que o
orbital seja representado por uma “caixa” e o elétron, por uma seta. Uma representação da configuração eletrônica
do átomo de H seria então a seguinte, onde a “seta do spin do elétron” foi arbitrariamente orientada para cima.
Elétron no orbital 1s = Conjunto de números quânticos
1s n = 1, = 0, m= 0, ms=
1
2
+
Se num dado orbital estiver apenas um elétron, a seta do spin do elétron pode apontar para cima ou para
baixo. Então, uma representação equivalente à anterior seria
Elétron no orbital 1s = Conjunto de números quânticos
1s n = 1, = 0, m= 0, ms=
1
2
−
Os diagramas com as “caixas de orbitais” são igualmente convenientes para o átomo de H no seu estado
fundamental (sem campo magnético): um elétron está no orbital 1s. Para um átomo de hélio, que tem dois
elétrons, ambos os elétrons ocupam o orbital 1s. Pelo princípio de Pauli, sabemos que cada elétron deve ter um
conjunto diferente de números quânticos, e então o diagrama com as caixas de orbitais é:
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33
Cada um dos dois elétrons no orbital 1s do
átomo de He tem um conjunto diferente dos quatro
números quânticos. Os primeiros três números do
conjunto nos dizem que se trata de um orbital 1s.
Para o quarto número só há duas escolhas, ms =
1
2
+
ou ms = −
1
2
. Assim, o orbital 1s, e qualquer outro
orbital atômico, pode ser ocupado, no máximo, por
dois elétrons, e estes dois elétrons devem ter os spins
com direções opostas. A consequência
experimentalmente observada é o diamagnetismo do
átomo de hélio.
A camada de elétrons com n = 1, em qualquer
átomo, pode acomodar no máximo dois elétrons. E a
camada com n = 2? São n2 = 4 os orbitais na camada
n = 2: um orbital s e três orbitais p (Tabela 1). Como
cada orbital pode ser ocupado por dois elétrons, e
não mais, o orbital 2s pode ter no máximo dois
elétrons, e os três orbitais 2p acomodam até seis
elétrons, o que dá oito como o número máximo de
elétrons com n = 2. Esta análise estende-se às outras
camadas normalmente observadas nos elementos
conhecidos na Tabela 1.
Tabela 1 • Número de Elétrons colocados nas
Camadas e Subcamadas do átomo, com n = 1 até 6.
*Estes orbitais não são ocupados no estado fundamental de qualquer elemento conhecido.
Na n-ésima camada eletrônica existem n2 orbitais. Como em cada orbitaI podem existir dois elétrons, o
número máximo de elétrons nessa camada é 2n2.
Observe as seguintes relações:
Número máximo de orbitais por nível: n2
Número máximo de elétrons por nível: 2n2
Número máximo de orbitais por subnível: (2l + 1)
Número máximo de elétrons por subnível: 2.(2l + 1) = (4l + 2)
A tabela a seguir mostra os quatro números quânticos e os seus significados:
Camada de
Elétrons (n)
Subcamadas
Disponíveis
Orbitais
Disponíveis
(2 + 1)
Número
Possível de
Elétrons na
Subcamada
[2(2 + 1)]
Número
Máximo de
Elétrons na
Camada
n (2n2)
1 s 1 2 2
2 s 1 2 8
p 3 6
3 s 1 2 18
p 3 6
d 5 10
4 s 1 2 32
p 3 6
d 5 10
f 7 14
5 s 1 2 50
p 3 6
d 5 10
f 7 14
g* 9 18
6 s 1 2 72
p 3 6
d 5 10
f 7 14
g* 9 18
h* 11 22
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35
ESTRUTURA ATÔMICA
Exercícios de Aprendizagem
1. (uece) A primitiva noção de átomo surge na Grécia
antiga, a partir de Demócrito, Leucipo e Epicuro;
avança até o século XX enriquecida com outras ideias
que ajudaram a desenhar o modelo atômico atual. Na
Coluna I, a seguir, estão listadas algumas
contribuições para que se chegasse ao modelo atual
de átomo e na Coluna II, os nomes de seus autores.
Numere a Coluna II de acordo com a Coluna I,
associando cada contribuição a seu autor.
Coluna I
1. Descoberta do elétron
2. Descoberta do núcleo e da eletrosfera
3. Descoberta dos níveis de energia dos átomos
4. Princípio da incerteza
5. Regra da máxima multiplicidade
Coluna II
( ) Rutherford
( ) Thomson
( ) Hund
( ) Bohr
( ) Heisenberg
Assinale a opção contendo a sequência correta, de
cima para baixo.
(A) 1, 5, 2, 4, 3
(B) 2, 4, 1, 3, 5
(C) 2, 1, 5, 4, 3
(D) 2, 1, 5, 3, 4
2. (uece) Coube aos filósofos gregos atomistas
Leucipo, Demócrito (séc. III a.C.) e, depois, Epicuro
(séc. II a.C.), sugerir a existência do átomo e propor,
até, uma teoria atômica. Os estudos específicos sobre
o tema só foram retomados por Dalton, no século XIX.
Sobre propostas de modelos atômicos, assinale o
correto.
(A) Rutherford propôs o primeiro modelo que
descreve a estrutura quântica do átomo de hidrogênio.
(B) O modelo de Thomson reduziu o átomo a um
sistema solar em miniatura, considerando o núcleo
como se fosse o sol e os elétrons como se fossem os
planetas.
(C) Segundo Planck, o átomo só emite ou absorve
energia quando o elétron passa de um nível de
energia para outro.
(D) A dualidade onda-partícula, que é uma
propriedade fundamental das partículas subatômicas,
foi enunciada pelo físico Louis De Broglie.
3. (Ita) Em 1803, John Dalton propôs um modelo de
teoria atômica. Considere que sobre a base conceitual
desse modelo sejam feitas as seguintes afirmações:
I - O átomo apresenta a configuração de uma esfera
rígida.
II - Os átomos caracterizam os elementos químicos e
somente os átomos de um mesmo elemento são
idênticos em todos os aspectos.
III - As transformações químicas consistem de
combinação, separação e/ou rearranjo de átomos.
IV - Compostos químicos são formados de átomos de
dois ou mais elementos unidos em uma razão fixa.
Qual das opções a seguir se refere a todas afirmações
CORRETAS?
a) I e IV.
b) II e III.
c) II e IV
d) II, III e IV.
e) I, II, III e IV.
4. (Ufpe) Ao longo da história da ciência, diversos
modelos atômicos foram propostos até chegarmos ao
modelo atual. Com relação ao modelo atômico de
Rutherford, podemos afirmar que:
( ) foi baseado em experimentos com eletrólise de
soluções de sais de ouro.
( ) é um modelo nuclear que mostra o fato de a
matéria ter sua massa concentrada em um pequeno
núcleo.
( ) é um modelo que apresenta a matéria como
sendo constituída por elétrons (partículas de carga
negativa) em contato direto com prótons (partículas de
carga positiva).
( ) não dá qualquer informação sobre a existência
de nêutrons.
( ) foi deduzido a partir de experimentos de
bombardeio de finas lâminas de um metal por
partículas ‘.
5. (Ufsc) Uma das principais partículas atômicas é o
elétron. Sua descoberta foi efetuada por J. J.
Thomson em uma sala do Laboratório Cavendish, na
Inglaterra, ao provocar descargas de elevada
voltagem em gases bastante rarefeitos, contidos no
interior de um tubo de vidro.Curso de Química – Prof. Alexandre Oliveirarso de Química – Pr of.
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36
No tubo de vidro "A", observa-se que o fluxo de
elétrons (raios catódicos) colide com um anteparo e
projeta sua sombra na parede oposta do tubo.
No tubo de vidro "B", observa-se que o fluxo de
elétrons (raios catódicos) movimenta um catavento de
mica.
No tubo de vidro "C", observa-se que o fluxo de
elétrons (raios catódicos) sofre uma deflexão para o
lado onde foi colocada uma placa carregada
positivamente.
Observando os fenômenos que ocorrem nos tubos,
podemos afirmar CORRETAMENTE que:
(01) gases são bons condutores da corrente elétrica.
(02) os elétrons possuem massa - são corpusculares.
(04) os elétrons possuem carga elétrica negativa.
(08) os elétrons partem do cátodo.
(16) os elétrons se propagam em linha reta.
(32) o catavento entrou em rotação devido ao impacto
dos elétrons na sua superfície.
Soma ( )
6. (Ufsc) Rutherford bombardeou uma fina lâmina de
ouro (0,0001 mm de espessura) com partículas "alfa",
emitidas pelo Polônio (Po) contido no interior de um
bloco de chumbo (Pb), provido de uma abertura
estreita, para dar passagem às partículas por ele
emitidas.
Envolvendo a lâmina de ouro (Au), foi colocada uma
tela protetora revestida de sulfeto de zinco.
Observando as cintilações na tela revestida de sulfeto
de zinco, Rutherford verificou que muitas partículas
atravessavam a lâmina de ouro sem sofrerem desvio
(x), e que poucas partículas sofriam desvio (y).
Assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).
(01) Partículas possuem carga elétrica negativa.
(02) Partículas sofrem desvio ao colidirem com
elétrons nas eletrosferas dos átomos de Au.
(04) O sulfeto de zinco é um sal.
(08) Partículas sofrem desvio ao colidirem com o
núcleo dos átomos de Au.
(16) O tamanho do átomo é cerca de 10000 a 100000
vezes maior que o seu núcleo.
(32) O Polônio de Z = 84 apresenta 4 elétrons no
último nível de energia.
7. (Unb) O entendimento da estrutura dos átomos não
é importante apenas para satisfazer à curiosidade dos
cientistas; possibilita a produção de novas tecnologias.
Um exemplo disso é a descoberta dos raios catódicos,
feita pelo físico William Crookes, enquanto estudava
as propriedades da eletricidade. Tal descoberta, além
de ter contribuído para um melhor entendimento a
respeito da constituição da matéria, deu origem aos
tubos de imagem dos televisores e dos monitores dos
computadores. Alguns grandes cientistas que
contribuíram para o entendimento da estrutura do
átomo foram: Dalton (1766-1844), Rutherford (1871-
1937), Bohr (1885-1962) e Linus Pauling (1901-1994).
Com relação à estrutura da matéria, julgue os itens
seguintes.
(0) Ao passar entre duas placas eletricamente
carregadas, uma positivamente e outra
negativamente, as partículas alfa desviam-se para o
lado da placa negativa.
(1) O átomo é a menor partícula que constitui a
matéria.
(2) Cada tipo de elemento químico é caracterizado por
um determinado número de massa.
(3) O modelo atômico que representa exatamente o
comportamento do elétron é o modelo de Rutherford-
Bohr.
8. (Unb) Uma das perguntas que estudantes de
Química do ensino médio fazem com frequência é:
"Qual o modelo de átomo que devo estudar?" Uma
boa resposta poderia ser. "Depende para que os
átomos modelados vão ser usados depois..."
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37
Construímos modelos na busca de facilitar nossas
interações com os entes modelados. É por meio de
modelos, nas mais diferentes situações, que podemos
fazer inferências e previsões de propriedades.
Prováveis modelos de átomos In: Química Nova na
Escola, n° 3, maio 1996 (com adaptações).
Julgue os itens a seguir, a respeito de modelos
atômicos.
(1) O modelo atômico que explica a dilatação de uma
barra metálica revela que ela ocorre porque há
aumento do volume dos átomos.
(2) Segundo modelo atômico atualmente aceito, o
número atômico de um elemento químico representa o
número de prótons que seus átomos possuem.
(3) O fato de os átomos dos elementos químicos de
uma mesma família da tabela periódica apresentarem
propriedades químicas semelhantes associa-se à
similaridade de suas configurações eletrônicas.
(4) O modelo atômico de Rutherford descreve o átomo
de forma exata.
(5) A formação das substâncias simples e compostas
pode ser explicada pelo modelo atômico de Dalton.
9. (Fuvest) Há exatos 100 anos, J.J. Thomson
determinou, pela primeiro vez, a relação entre a
massa e a carga do elétron, o que pode ser
considerado como a descoberta do elétron. É
reconhecida como uma contribuição de Thomson ao
modelo atômico,
a) o átomo ser indivisível.
b) a existência de partículas sub-atômicas
c) os elétrons ocuparem níveis discretos de energia.
d) os elétrons girarem em órbitas circulares ao redor
do núcleo.
e) o átomo possuir um núcleo com carga positiva e
uma eletrosfera.
10. (Ufpi) Um elétron no estado excitado pode retornar
ao estado fundamental de duas formas diferentes
emitindo fotóns de comprimento de onda (—) de
acordo com as figuras a seguir:
Assinale entre as opções a equação que relaciona
corretamente —1, —‚ e —ƒ:
a) —1 = —‚ + —ƒ
b) 1/—1 = 1/—‚ + 1/—ƒ
c) —1 = —‚ . —ƒ
d) 1/—1 = 1/(—‚ . —ƒ)
e) 1/—1 = 1/(—‚ + —ƒ)
ESTRUTURA ATÔMICA
Exercícios de Fixação
1. (cftmg) São dadas as seguintes informações
relativas aos átomos hipotéticos X, Y e W:
- o átomo Y tem número atômico 46, número de
massa 127 e é isótono de W;
- o átomo X é isótopo de W e possui número de
massa igual a 130;
- o número de massa de W é 128.
Com essas informações é correto concluir que o
número atômico de X é igual a
a) 47.
b) 49.
c) 81.
d) 83.
2. (cftmg) A tabela indica a composição de algumas
espécies químicas.
Com relação a esses dados, é correto afirmar que
a) I e IV são isótopos.
b) II e III são isótonos.
c) I e II são eletricamente neutros.
d) III e IV pertencem ao mesmo elemento químico.
3. (Pucmg) Assinale a afirmativa que descreve
ADEQUADAMENTE a teoria atômica de Dalton.
Toda matéria é constituída de átomos:
a) os quais são formados por partículas positivas e
negativas.
b) os quais são formados por um núcleo positivo e por
elétrons que gravitam livremente em torno desse
núcleo.
c) os quais são formados por um núcleo positivo e por
elétrons que gravitam em diferentes camadas
eletrônicas.
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d) e todos os átomos de um mesmo elemento são
idênticos.
4. (Pucrj) Analise as frases abaixo e assinale a
alternativa que contém uma afirmação incorreta.
a) Os nuclídeos ¢£C† e ¢¤C† são isótopos.
b) Os isóbaros são nuclídeos com mesmo número de
massa.
c) O número de massa de um nuclídeo é a soma do
número de elétrons com o número de nêutrons.
d) A massa atômica de um elemento químico é dada
pela média ponderada dos números de massa de
seus isótopos.
e) Os isótonos são nuclídeos que possuem o mesmo
número de nêutrons.
5. (Pucrs) Um experimento conduzido pela equipe de
Rutherford consistiu no bombardeamento de finas
lâminas de ouro, para estudo de desvios de partículas
alfa. Rutherford pôde observar que a maioria das
partículas alfa atravessava a fina lâmina de ouro, uma
pequena parcela era desviada de sua trajetória e uma
outra pequena parcela era refletida. Rutherford então
idealizou um outro modelo atômico, que explicava os
resultados obtidosno experimento.
Em relação ao modelo de Rutherford, afirma-se que
I. o átomo é constituído por duas regiões distintas: o
núcleo e a eletrosfera.
II. o núcleo atômico é extremamente pequeno em
relação ao tamanho do átomo.
III. os elétrons estão situados na superfície de uma
esfera de carga positiva.
IV. os elétrons movimentam-se ao redor do núcleo em
trajetórias circulares, denominados níveis, com valores
determinados de energia.
As afirmativas corretas são, apenas,
a) I e II
b) I e III
c) II e IV
d) III e IV
e) I, II e III
6. (Uece) Dissolva NaCØ em água. Em seguida,
mergulhe um pedaço de madeira na solução, retire-o e
deixe secar. Ao queimá-lo, aparece uma chama
amarela. Este fenômeno ocorre porque:
a) o calor transfere energia aos elétrons desta
substância, fazendo com que eles se desloquem para
níveis energéticos mais altos, emitindo luz
b) o calor transfere energia aos elétrons desta
substância , fazendo com que eles se desloquem para
níveis energéticos mais baixos, emitindo luz
c) o calor transfere energia aos elétrons desta
substância fazendo com que eles se desloquem para
níveis energéticos mais altos. Quando estes elétrons
"excitados" voltam a níveis energéticos inferiores, eles
devolvem a energia absorvida sob forma de luz
d) os elétrons para não se deslocarem do seu nível
energético, ao receberem calor, emitem luz
7. (Uece) Cada elemento químico apresenta um
espectro característico, e não há dois espectros
iguais. O espectro é o retrato interno do átomo e
assim é usado para identificá-lo, conforme ilustração
dos espectros dos átomos dos elementos hidrogênio,
hélio e mercúrio.
Bohr utilizou o espectro de linhas para representar seu
modelo atômico, assentado em postulados, cujo
verdadeiro é:
a) ao mudar de órbita ou nível, o elétron emite ou
absorve energia superior a diferença de energia entre
as órbitas ou níveis onde ocorreu esta mudança
b) todo átomo possui um certo número de órbitas, com
energia constante, chamadas estados estacionários,
nos quais o elétron pode movimentar-se sem perder
nem ganhar energia
c) os elétrons descrevem, ao redor do núcleo, órbitas
elípticas com energia variada
d) o átomo é uma esfera positiva que, para tornar-se
neutra, apresenta elétrons (partículas negativas)
incrustados em sua superfície
8. (Pucpr) Com o passar do tempo, os modelos
atômicos sofreram várias mudanças, pois novas ideias
surgiam sobre o átomo. Considerando os modelos
atômicos existentes, assinale a alternativa CORRETA.
a) Para Dalton, átomos iguais possuem massas iguais
e átomos diferentes possuem massas diferentes,
teoria aceita nos dias atuais.
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b) No modelo de Rutherford, temos no átomo duas
regiões bem definidas: núcleo e eletrosfera, a qual é
dividida em níveis e subníveis.
c) O modelo atômico de Thomson chamava-se
“modelo do pudim de passas”, no qual os prótons
seriam as passas e os elétrons, o pudim.
d) Para Sommerfeld, se um elétron está na camada L,
este possui uma órbita circular e três órbitas
elípticas.
e) Para Bohr, quando um elétron recebe energia, este
passa para uma camada mais afastada do núcleo;
cessada a energia recebida, o elétron retorna a sua
camada inicial, emitindo essa energia na forma de
onda eletromagnética.
9. (Uerj) Observe os esquemas abaixo, que
representam experimentos envolvendo raios
catódicos.
(Adaptado de HARTWIG, D. R. e outros. "Química
geral e inorgânica." São Paulo: Scipione. 1999.)
Desses experimentos resultou a descoberta de uma
partícula subatômica.
As propriedades massa e carga elétrica dessa
partícula apresentam, respectivamente, a seguinte
caracterização:
a) igual a zero; igual a zero
b) igual a zero; maior que zero
c) diferente de zero; igual a zero
d) diferente de zero; menor que zero
10. (Ufal) As considerações a seguir são referentes
aos isótopos do ferro representados na tabela a
seguir.
I. A massa atômica do ferro a ser representada na
tabela periódica deve se aproximar de 58.
II. Nesses isótopos o número de prótons é constante.
III. Esses isótopos são caracterizados por diferentes
números de camadas eletrônicas nos átomos, no
estado fundamental.
Está correto o que se afirma em
a) I, somente.
b) II, somente.
c) III, somente.
d) II e III, somente.
e) I, II e III.
11. (Uff) Alguns estudantes de Química, avaliando
seus conhecimentos relativos a conceitos básicos
para o estudo do átomo, analisam as seguintes
afirmativas:
I) Átomos isótopos são aqueles que possuem mesmo
número atômico e números de massa diferentes.
II) O número atômico de um elemento corresponde à
soma do número de prótons com o de nêutrons.
III) O número de massa de um átomo, em particular, é
a soma do número de prótons com o de elétrons.
IV) Átomos isóbaros são aqueles que possuem
números atômicos diferentes e mesmo número de
massa.
V) Átomos isótonos são aqueles que apresentam
números atômicos diferentes, números de massa
diferentes e mesmo número de nêutrons.
Esses estudantes concluem, corretamente,
que as afirmativas verdadeiras são as indicadas por:
a) I, III e V
b) I, IV e V
c) II e III
d) II, III e V
e) II e V
12. (Ufmg) Considere os níveis de energia e as
excitações que podem ocorrer com o elétron mais
externo do átomo de lítio.
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O número máximo de linhas de absorção é
a) 5.
b) 6.
c) 9.
d) 10.
e) 14.
13. (Ufmg) Ao resumir as características de cada um
dos sucessivos modelos do átomo de hidrogênio, um
estudante elaborou o seguinte resumo:
MODELO ATÔMICO: Dalton
CARACTERÍSTICAS: átomos maciços e indivisíveis.
MODELO ATÔMICO: Thomson
CARACTERÍSTICAS: elétron, de carga negativa,
incrustado em uma esfera de carga positiva. A carga
positiva está distribuída, homogeneamente, por toda a
esfera.
MODELO ATÔMICO: Rutherford
CARACTERÍSTICAS: elétron, de carga negativa, em
órbita em torno de um núcleo central, de carga
positiva. Não há restrição quanto aos valores dos raios
das órbitas e das energias do elétron.
MODELO ATÔMICO: Bohr
CARACTERÍSTICAS: elétron, de carga negativa, em
órbita em torno de um núcleo central, de carga
positiva. Apenas certos valores dos raios das órbitas e
das energias do elétron são possíveis.
O número de ERROS cometidos pelo estudante é:
a) 0
b) 1
c) 2
d) 3
14. (Ufmg) Na experiência de espalhamento de
partículas alfa, conhecida como "experiência de
Rutherford", um feixe de partículas alfa foi dirigido
contra uma lâmina finíssima de ouro, e os
experimentadores (Geiger e Marsden) observaram
que um grande número dessas partículas atravessava
a lâmina sem sofrer desvios, mas que um pequeno
número sofria desvios muito acentuados.
Esse resultado levou Rutherford a modificar o modelo
atômico de Thomson, propondo a existência de um
núcleo de carga positiva, de tamanho reduzido e com,
praticamente, toda a massa do átomo.
Assinale a alternativa que apresenta o resultado que
era previsto para o experimento de acordo com o
modelo de Thomson.
a) A maioria das partículas atravessaria a lâmina de
ouro sem sofrer desvios e um pequeno número
sofreria desvios muito pequenos.
b) A maioria das partículas sofreria grandes desvios
ao atravessar a lâmina.
c) A totalidade das partículas atravessaria a lâmina de
ouro sem sofrer nenhum desvio.
d) A totalidade das partículas ricochetearia ao se
chocar contra a lâmina de ouro, sem conseguir
atravessá-la.
15. (Ufmg) Os diversos modelospara o átomo diferem
quanto às suas potencialidades para explicar
fenômenos e resultados experimentais.
Em todas as alternativas, o modelo atômico está
corretamente associado a um resultado experimental
que ele pode explicar, EXCETO em
a) O modelo de Rutherford explica por que algumas
partículas alfa não conseguem atravessar uma lâmina
metálica fina e sofrem fortes desvios.
b) O modelo de Thomson explica por que a dissolução
de cloreto de sódio em água produz uma solução que
conduz eletricidade.
c) O modelo de Dalton explica por que um gás,
submetido a uma grande diferença de potencial
elétrico, se torna condutor de eletricidade.
d) O modelo de Dalton explica por que a proporção
em massa dos elementos de um composto é definida.
16. (Ufmg) No fim do século XIX, Thomson realizou
experimentos em tubos de vidro que continham gases
a baixas pressões, em que aplicava uma grande
diferença de potencial. Isso provocava a emissão de
raios catódicos. Esses raios, produzidos num cátodo
metálico, deslocavam-se em direção à extremidade do
tubo (E).
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(Na figura, essa trajetória é representada pela linha
tracejada X.)
Nesses experimentos, Thomson observou que
I) a razão entre a carga e a massa dos raios catódicos
era independente da natureza do metal constituinte do
cátodo ou do gás existente no tubo; e
II) os raios catódicos, ao passarem entre duas placas
carregadas, com cargas de sinal contrário, se
desviavam na direção da placa positiva.
(Na figura, esse desvio é representado pela linha
tracejada Y.)
Considerando-se essas observações, é CORRETO
afirmar que os raios catódicos são constituídos de
a) elétrons.
b) ânions.
c) prótons.
d) cátions.
17. (Ufmg) Analise o quadro, em que se apresenta o
número de prótons, de nêutrons e de elétrons de
quatro espécies químicas:
Considerando-se as quatro espécies apresentadas, é
INCORRETO afirmar que
a) I é o cátion H®.
b) II é o ânion F.
c) III tem massa molar de 23 g/mol.
d) IV é um átomo neutro.
18. (Ufpi) O íon Cu®£ tem grande importância em
alguns sistemas biológicos. O transporte de oxigênio
em muitos invertebrados é realizado por compostos
contendo cobre. Indique a afirmativa verdadeira para o
estado fundamental do íon Cu®£.
a) O número de elétrons desemparelhados é zero (0)
e o íon Cu®£ é diamagnético.
b) O número de elétrons desemparelhados é três (3) e
o íon é paramagnético.
c) O número de elétrons desemparelhados é um (1) e
o íon é paramagnético.
d) O número de elétrons desemparelhados é três (3) e
o íon é diamagnético.
e) O número de elétrons desemparelhados é dois (2) e
o íon é paramagnético.
19. (Ufpi) O sulfeto de zinco-ZnS tem a propriedade
denominada de fosforescência, capaz de emitir um
brilho amarelo-esverdeado depois de exposto à luz.
Analise as afirmativas a seguir, todas relativas ao ZnS,
e marque a opção correta:
a) salto de núcleos provoca fosforescência.
b) salto de nêutrons provoca fosforescência.
c) salto de elétrons provoca fosforescência.
d) elétrons que absorvem fótons aproximam-se do
núcleo.
e) ao apagar a luz, os elétrons adquirem maior
conteúdo energético.
20. (Ufrn) As cores de luz exibidas na queima de fogos
de artifício dependem de certas substâncias utilizadas
na sua fabricação.
Sabe-se que a frequência da luz emitida pela
combustão do níquel é 6,0×10¢¥ Hz e que a velocidade
da luz é 3×10© m.s-¢.
Com base nesses dados e no espectro visível
fornecido pela figura a seguir, assinale a opção
correspondente à cor da luz dos fogos de artifício que
contêm compostos de níquel.
a) vermelha
b) violeta
c) laranja
d) verde
21. (Ufrn) As fotocélulas (ver esquema abaixo),
utilizadas em circuitos elétricos, são dispositivos que
geram e permitem a passagem da corrente elétrica
apenas quando recebem iluminação. Funcionam,
portanto, como interruptores de corrente acionados
pela luz, sendo usadas em máquinas fotográficas,
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alarmes antifurto, torneiras automáticas e portas de
supermercados.
No pólo negativo da fotocélula, existe uma camada
metálica que facilmente libera elétrons pela ação da
luz.
O metal mais indicado para a construção dessa
camada é:
a) bário
b) sódio
c) estrôncio
d) potássio
22. (Ufrs) Associe as contribuições relacionadas na
coluna I com o nome dos pesquisadores listados na
coluna II.
Coluna I - Contribuições
1 - Energia da luz é proporcional à sua frequência.
2 - Modelo pudim de ameixa.
3 - Princípio da incerteza.
4 - Elétron apresenta comportamento ondulatório.
5 - Carga positiva e massa concentrada em núcleo
pequeno.
6 - Órbita eletrônica quantizada.
7 - Em uma reação química, átomos de um elemento
não desaparecem nem podem ser transformados em
átomos de outro elemento.
Coluna II - Pesquisadores
( ) Dalton
( ) Thomson
( ) Rutherford
( ) Bohr
A relação numérica, de cima para baixo, da coluna II,
que estabelece a sequência de associações corretas é
a) 7 - 3 - 5 - 4
b) 7 - 2 - 5 - 6
c) 1 - 2 - 4 - 6
d) 1 - 7 - 2 - 4
e) 2 - 7 - 1 - 4
23. (Ufrs) Entre as espécies químicas a seguir,
assinale aquela em que o número de elétrons é igual
ao número de nêutrons.
a) £H®
b) ¢¤C
c) ¢§O-£
d) £¢Ne
e) ¤¦CØ-
24. (Ufsc) Considerando as relações entre os átomos,
indicadas no esquema,
pode-se afirmar que o(s) número(s)
01. de massa de Y é 40.
02. de massa de Z é 20.
04. de prótons de Y é 22.
08. de nêutrons de X é 20.
16. de nêutrons de Z é 20.
32. de nêutrons de Y é 20.
64. de prótons de Z é 22.
25. (Uece) A revista eletrônica mexicana Muy
Interesante (http://www.muyinteresante.com.mx)
revela a criação de um sorvete que brilha no escuro.
Ele é produzido com uma proteína encontrada na
água viva que reage com o cálcio em pH neutro
quando o sorvete é degustado. O brilho do sorvete é
ocasionado por um fenômeno conhecido como
a) luminescência.
b) deliquescência.
c) fluorescência.
d) incandescência.
26. (Ueg) Para termos ideia sobre as dimensões
atômicas em escala macroscópica podemos
considerar que se o prédio central da Universidade
Estadual de Goiás, em Anápolis, fosse o núcleo do
átomo de hidrogênio, a sua eletrosfera pode estar a
aproximadamente 1000 km. Dessa forma, o modelo
atômico para matéria é uma imensidão de vácuo com
altas forças de interação.
Considerando-se a comparação apresentada no
enunciado, a presença de eletrosfera é coerente com
os modelos atômicos de
a) Dalton e Bohr.
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b) Bohr e Sommerfeld.
c) Thompson e Dalton.
d) Rutherford e Thompson.
27. (Uel) Gaarder discute a questão da existência de
uma “substância básica”, a partir da qual tudo é feito.
Considerando o átomo como “substância básica”,
atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a
seguir.
( ) De acordo com o modelo atômico de Rutherford,
o átomo é constituído por duas regiões distintas:
o núcleo e a eletrosfera.
( ) Thomson propôs um modelo que descrevia o
átomo como uma esfera carregada
positivamente, na qual estariam incrustados os
elétrons, com carga negativa.
( ) No experimento orientado por Rutherford, o
desvio das partículas alfa era resultado da sua
aproximação com cargas negativas presentes no
núcleo do átomo.
( ) Ao considerar a cargadas partículas básicas
(prótons, elétrons e nêutrons), em um átomo
neutro, o número de prótons deve ser superior
ao de elétrons.
( ) Os átomos de um mesmo elemento químico
devem apresentar o mesmo número atômico.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo,
a sequência correta.
a) V – V – F – F – V.
b) V – F – V – F – V.
c) V – F – F – V – F.
d) F – V – V – V – F.
e) F – F – F – V – V.
28. (cftmg) Os modelos atômicos são teorias
elaboradas pelos cientistas numa tentativa de explicar
o átomo baseadas na experimentação. Apesar de
existirem hoje modelos abrangentes, a proposta de
Rutherford apresenta uma particularidade que NÃO foi
alterada naqueles que o sucederam. Tal característica
é a(o)
a) existência de orbitais atômicos.
b) presença do núcleo denso e positivo.
c) distribuição dos elétrons em níveis e subníveis.
d) confinamento dos elétrons em camadas
quantizadas.
29. (Udesc) Os fundamentos da estrutura da matéria
e da atomística baseados em resultados
experimentais tiveram sua origem com John Dalton,
no início do século XIX. Desde então, no transcorrer
de aproximadamente 100 anos, outros cientistas, tais
como J. J. Thomson, E. Rutherford e N. Bohr, deram
contribuições marcantes de como possivelmente o
átomo estaria estruturado. Com base nas ideias
propostas por esses cientistas, marque (V) para
verdadeira e (F) para falsa.
( ) Rutherford foi o primeiro cientista a propor a ideia
de que os átomos eram, na verdade, grandes
espaços vazios constituídos por um centro
pequeno, positivo e denso com elétrons girando
ao seu redor.
( ) Thomson utilizou uma analogia inusitada ao
comparar um átomo com um “pudim de passas”,
em que estas seriam prótons incrustados em
uma massa uniforme de elétrons dando origem à
atual eletrosfera.
( ) Dalton comparou os átomos a esferas maciças,
perfeitas e indivisíveis, tais como “bolas de
bilhar”. A partir deste estudo surgiu o termo
“átomo” que significa “sem partes” ou
“indivisível”.
( ) O modelo atômico de Bohr foi o primeiro a
envolver conceitos de mecânica quântica, em
que a eletrosfera possuía apenas algumas
regiões acessíveis denominadas níveis de
energia, sendo ao elétron proibido a
movimentação entre estas regiões.
( ) Rutherford utilizou em seu famoso experimento
uma fonte radioativa que emitia descargas
elétricas em uma fina folha de ouro, além de um
anteparo para detectar a direção tomada pelos
elétrons.
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
a) F - V - V - V - F
b) V - V - F - V - F
c) F - V - V - F - V
d) V - F - F - F - F
e) V - F - F - F - V
30. (Udesc) Há 130 anos nascia, em Copenhague, o
cientista dinamarquês Niels Henrick Davis Bohr cujos
trabalhos contribuíram decisivamente para a
compreensão da estrutura atômica e da física
quântica. A respeito do modelo atômico de Bohr,
assinale a alternativa correta.
a) Os átomos são, na verdade, grandes espaços
vazios constituídos por duas regiões distintas: uma
com núcleo pequeno, positivo e denso e outra com
elétrons se movimentando ao redor do núcleo.
b) Os elétrons que circundam o núcleo atômico
possuem energia quantizada, podendo assumir
quaisquer valores.
c) É considerado o modelo atômico vigente e o mais
aceito pela comunidade científica.
d) Os saltos quânticos decorrentes da interação fóton-
núcleo são previstos nesta teoria, explicando a
emissão de cores quando certos íons metálicos são
postos em uma chama (excitação térmica).
e) Os átomos são estruturas compostas por um núcleo
pequeno e carregado positivamente, cercado por
elétrons girando em órbitas circulares.
31. (Enem 2017) Um fato corriqueiro ao se cozinhar
arroz é o derramamento de parte da água de
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cozimento sobre a chama azul do fogo, mudando-a
para uma chama amarela. Essa mudança de cor pode
suscitar interpretações diversas, relacionadas às
substâncias presentes na água de cozimento. Além do
sal de cozinha (NaC ), nela se encontram
carboidratos, proteínas e sais minerais.
Cientificamente, sabe-se que essa mudança de cor da
chama ocorre pela
a) reação do gás de cozinha com o sal, volatilizando
gás cloro.
b) emissão de fótons pelo sódio, excitado por causa
da chama.
c) produção de derivado amarelo, pela reação com o
carboidrato.
d) reação do gás de cozinha com a água, formando
gás hidrogênio.
e) excitação das moléculas de proteínas, com
formação de luz amarela.
32. (Enem 2019) Em 1808, Dalton publicou o seu
famoso livro o intitulado Um novo sistema de
filosofia química (do original A New System of
Chemical Philosophy), no qual continha os cinco
postulados que serviam como alicerce da primeira
teoria atômica da matéria fundamentada no método
científico. Esses postulados são numerados a seguir:
1. A matéria é constituída de átomos indivisíveis.
2. Todos os átomos de um dado elemento químico
são idênticos em massa e em todas as outras
propriedades.
3. Diferentes elementos químicos têm diferentes tipos
de átomos; em particular, seus átomos têm
diferentes massas.
4. Os átomos são indestrutíveis e nas reações
químicas mantêm suas identidades.
5. Átomos de elementos combinam com átomos de
outros elementos em proporções de números
inteiros pequenos para formar compostos.
Após o modelo de Dalton, outros modelos baseados
em outros dados experimentais evidenciaram, entre
outras coisas, a natureza elétrica da matéria, a
composição e organização do átomo e a quantização
da energia no modelo atômico.
OXTOBY, D.W.; GILLIS, H. P.; BUTLER, L. J.
Principles of Modern Chemistry. Boston: Cengage
Learning, 2012 (adaptado).
Com base no modelo atual que descreve o átomo,
qual dos postulados de Dalton ainda é considerado
correto?
a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5
33. (Enem 2019) Um teste de laboratório permite
identificar alguns cátions metálicos ao introduzir uma
pequena quantidade do material de interesse em uma
chama de bico de Bunsen para, em seguida, observar
a cor da luz emitida.
A cor observada é proveniente da emissão de
radiação eletromagnética ao ocorrer a
a) mudança da fase sólida para a fase líquida do
elemento metálico.
b) combustão dos cátions metálicos provocada pelas
moléculas de oxigênio da atmosfera.
c) diminuição da energia cinética dos elétrons em uma
mesma órbita na eletrosfera atômica.
d) transição eletrônica de um nível mais externo para
outro mais interno na eletrosfera atômica.
e) promoção dos elétrons que se encontram no estado
fundamental de energia para níveis mais
energéticos.
MÓDULO 01 - MODELOS ATÔMICOS
GABARITOS E RESOLUÇÕES COMENTADAS
1. [A]
Resposta da questão 2. [C]
I) Z = 6; n = 6; A = z + n = 12; 6 prótons e 6
elétrons: eletricamente neutro
II) Z = 6; n = 8; A = z + n = 14; 6 prótons e 6
elétrons: eletricamente neutro
III) Z = 17; n = 18; A = z + n = 35; 17 prótons e 18
elétrons: é um ânion
IV Z = 19; n = 21; A = z + n = 40; 19 prótons e 18
elétrons: é um cátion
I e II são isótopos, pois possuem o mesmo
número de prótons.
I e II pertencem ao mesmo elemento químico,
pois possuem o mesmo número de prótons.
I e II são eletricamente neutros
O item C é verdadeiro
3. [D]
4. [C] 5. [A] 6. [C]
Resposta da questão 7. [B]
A) falso.
Os elétrons ao saltarem de uma órbita para outra
emitem ou absorvem energia IGUAL e não
superior à diferença de energia entre as
camadas.
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45
B) verdadeiro
O item b diz que o elétronpossui energia
constante quando está em uma determinada
camada.
Se ele absorver energia suficiente ele saltará de
uma camada para outra.
C) falso. O modelo de Bohr só possui órbitas
circulares. O modelo de Sommerfeld é que
possui órbitas circulares e elípticas.
Resposta da questão 8. [E]
[A] Incorreta. Os átomos de um mesmo elemento
têm massas iguais e os átomos de elementos
diferentes têm massas diferentes, que não são
aceitas nos dias atuais, devido à existência de
isótopos, onde todos os átomos de um mesmo
elemento não apresenta a mesma massa.
[B] Incorreta. A subdivisão da eletrosfera em
subníveis foi sugerida por Sommerfield.
[C] Incorreta. No modelo “pudim de passas”
proposto por J.J. Thomson o pudim seriam os
prótons e os elétrons estariam incrustados no
pudim, representando as passas.
[D] Incorreta. Para Sommerfield, para cada
camada eletrônica (n) haveria uma órbita
circular e (n 1)− órbitas elípticas com
diferentes excentricidades. Assim para a
camada L (n 2),= tem-se 1 órbita circular e 1
órbita elíptica.
[E] Correta. Em um de seus postulados Bohr
afirma que quando um elétron absorve energia,
ele salta para uma camada mais afastada no
núcleo, ao cessar a energia, ele retorna a sua
camada fundamental e emite essa energia em
forma de luz.
Resposta da questão 9. [D]
Esses foram os experimentos dos raios católicos
de Thompson, na descoberta do elétron
A primeira imagem prova que o elétron é
negativo, pois seu feixe de elétrons foi atraído
para o pólo positivo do campo
A segunda imagem prova que o elétron possui
massa, pois girou o pequeno catavento quando
os elétrons colidiram com ele
Essa partícula é um elétron
Um elétron tem massa diferente de zero e como
sua carga é negativa, a sua carga é menor que
zero.
Resposta da questão 10. [B]
I) Falso
o isótopo do ferro de maior abundância é o ferro
de número de massa 56, assim, pela média
ponderada, a massa atômica do elemento
químico ferro deverá ser próxima de 56 u.
Assunto estudado em detalhes no módulo de
cálculos químicos
II) Verdadeiro
Isótopos possuem o mesmo número de prótons,
mesmo número atômico.
III) Falso
Os isótopos do ferro possuem o mesmo número
de prótons e portanto, o mesmo número de
elétrons, logo possuem o mesmo número de
camadas eletrônicas. As diferenças entre os
isótopos é a diferença do número de nêutrons e
consequentemente diferentes números de massa
11. [B]
Resposta da questão 12. [B]
As linhas de absorção ocorrem quando o elétron
está retornando para órbitas mais internas, o que
só pode ocorrer, após a excitação do elétron para
camadas mais externas. O elétron mais externo
do átomo de Lítio (Z=3): 1s2, 2s1, está na camada
2. Este elétron poderá ser excitado para as
camadas, 3, 4 e 5, que são as camadas
destacadas na questão. Agora podemos verificar
as possibilidades de retorno até a camada 2, a
partir de cada uma dessas camadas em que ele
poderia ter sido excitado.
Camada 5 para a camada 4
Camada 5 para a camada 3
Camada 5 para a camada 2
Camada 4 para a camada 3
Camada 4 para a camada 2
Camada 3 para a camada 2
Ou seja, poderá ocorrer no máximo 6 tipos
diferentes de linhas de absorção.
13. [A]
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46
Resposta da questão 14. [A]
O modelo atômico de Thomson considera o
átomo como uma partícula homogênea, positiva,
com elétrons encrustados em sua superfície,
porém o átomo não teria densidade suficiente
para ricochetear as partículas alfa.
Se o átomo fosse como Thomson previu todas as
partículas alfa teriam atravessado o átomo
sofrendo apenas pequenos desvios.
No modelo de Rutherford o núcleo é infinitamente
pequeno e muito denso, neste caso as partículas
alfa são ricocheteadas. Mas no caso do átomo de
Thomson, a maioria das partículas atravessariam
o átomo, pois não se pode confundir o fato do
átomo de Thomson ser homogênea e maciça,
com o fato de ter densidade suficiente para
ricochetear as partículas alfa. O átomo de
Thomson é maciço, mas não possui densidade
suficiente para não se deixar atravessar pelas
partículas alfa. Não seria tão denso quanto o
núcleo do átomo de Rutherford.
Partículas alfa com velocidade próxima da
velocidade da luz atravessando uma esfera que
não tem densidade suficiente para ricochetear as
partículas alfa. Essa carga positiva que compõe a
esfera não faz nenhuma diferença considerável
nessa travessia, pois a velocidade do "projétil" é
muito alta, assim as partículas alfa sofreriam
apenas pequenos desvios.
A repulsão de cargas do mesmo sinal não é
suficiente para fazer essas partículas
ricochetearem.
No módelo de Rutherford, núcleo tem densidade
suficiente para não se deixar atravessar pelas
partículas alfa. O fator predominante agora é a
grande densidade do núcleo.
Resposta da questão 15. [C]
a) Correto, o modelo de Rutherford possui um
núcleo muito denso e com raio cerca de 100 mil
vezes menor que o raio do átomo. Assim a
maioria das partículas alfa atravessariam o
átomo, pois passariam através da eletrosfera.
Uma pequena parte das partículas alfa colidiriam
diretamente com o núcleo, retornando na direção
da fonte emissora.
b) Correto, NaCl é um composto iônico, sofre
dissociação iônica: NaCl(s) → Na+(aq) + Cl-(aq).
O modelo de Thomson explica satisfatoriamente
este fenômeno, pois neste modelo atômico,
existem elétrons. Na dissociação iônica, formam-
se íon, espécies formadas a partir da perda ou
ganho de elétrons.
c) Incorreto, O modelo de Dalton não previa a
existência de elétrons. A condução de
eletricidade em gases rarefeitos nas ampolas de
Crooks foi uma das evidências para o
estabelecimento do modelo de Thomson.
d) Correto, segundo o modelo de Dalton átomos
podem se combinar e recombinar entre si para a
formação de estruturas mais estáveis, chamadas
de moléculas.
As leis ponderais da matéria, como a lei da
conservação da massa (Lei de Lavoisier), a lei
das proporções constantes (Lei de Proust),
serviram como base para a lei das proporções
múltiplas (Lei de Dalton), podem ser explicadas
através dar reações químicas que eram vistas
por Dalton, como reorganizações dos átomos, na
formação de novas substâncias.
16. [A] 17 [D]
Resposta da questão 18. [C]
29Cu: 1s2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 4s1, 3d10
(Configuração real)
Observe a configuração eletrônica do Cu+:
29Cu: 1s2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 3d10 (o elétron foi
retirado do subnível mais externo do átomo
neutro: 4s1)
Observe a configuração eletrônica do Cu2+:
29Cu: 1s2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 3d9 (o elétron foi
retirado do subnível mais externo, que também é
mais energético do Cu+: 3d10)
O Cu2+ possui um elétron desemparelhado no
subnível 3d9, por isso é uma espécie
paramagnética. Caso a espécie química possua
todos os elétrons emparelhados será classificada
como diamagnética.
Paramagnetismo e diamagnetismo é um
conteúdo que será explicado em detalhes no
módulo de distribuição eletrônica.
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47
19. [C]
Resposta da questão 20. [D]
v = 6,0.1014 Hz = 6,0.1014 s-1 (frequência)
c = 3,0.108 m/s (velocidade do fóton)
λ . v = c
λ = c / v
λ = 3,0.108 m/s / 6,0.1014 s-1
λ = 0,5.10-6 m
λ = 5,0.10-7 m
Consultando o espectro da luz visível, observa-se
que a luz com comprimento de onda igual a
5,0.10-7 m é a de cor verde.
Resposta da questão 21. [D]
O melhor metal para o efeito fotoelétrico é aquele
que tenha mais facilidade de perder elétrons.
Para isso fazemos uma associação com a energia
de ionização. Queremos um metal quetenha a
menor energia de ionização.
O ideal é um metal da família 1 (1A), pois são os
que perdem elétron mais facilmente. Quanto mais
abaixo da família 1A, menor será a energia de
ionização, pois esta cresce de baixo para cima
nas famílias.
Entre os metais da família 1ª, presentes nos
itens, o potássio (K) é o que tem a menor energia
de ionização, por isso é o item correto.
Incluindo outros metais da família 1 (1A), o Césio
é um dos metais mais utilizados no efeito
fotoelétrico, por apresentar uma energia de
ionização pequena. Em muitas questões de efeito
fotoelétrico, o césio acaba sendo a resposta.
22. [B]
Resposta da questão 23. [E]
a) Z = 1 (consultar tabela periódica); 1 próton; n =
1 nêutron; número de massa: 2 (A = A + n); n° de
elétrons: zero, pois perdeu um elétron; FALSO (
O NÚMERO DE NÊUTRONS (1) E DE
ELÉTRONS (ZERO) SÃO DIFERENTES)
...
C) Z = 8 (consultar tabela periódica); 8 próton; n
= 8 nêutron; número de massa: 16 (A = A + n); n°
de elétrons: 10, pois ganhou dois elétron; FALSO
( O NÚMERO DE NÊUTRONS (8) E DE
ELÉTRONS (10) SÃO DIFERENTES)
e) Z = 17 (consultar tabela periódica); 17 próton;
n = 18 nêutron; número de massa: 35 (A = A + n);
n° de elétrons: 18, pois ganhou um elétron;
VERDADEIRO ( O NÚMERO DE NÊUTRONS
(18) E DE ELÉTRONS (18) SÃO IGUAIS)
24. 01 + 04 + 16 = 21
Resposta da questão 25: [A]
O fenômeno observado é explicado pela luminescência
que consiste na emissão de luz de uma substancia
quando submetida a um estímulo como a luz ou uma
reação química, no caso entre a proteína e o cálcio em
pH neutro.
Resposta da questão 26: [B]
Para Thompson e Dalton o átomo não tinha eletrosfera.
Somente a partir do modelo de Rutherford foi
constatado que o átomo possuía um núcleo denso e
pequeno e os elétrons ficariam girando ao redor desse
núcleo na eletrosfera.
Este modelo foi aperfeiçoado por Niels Bohr que
afirmou que os elétrons giravam em níveis definidos
de energia.
Para Sommerfield a energia do elétron poderia ser
determinada pela distância em que se encontrava do
núcleo e pelo tipo de órbita que descreve.
Resposta da questão 27: [A]
Verdadeiro. Rutherford através de seus experimentos,
onde bombardeou partículas alfa em uma lâmina de
ouro, pode constatar que o átomo possuía um núcleo
denso e positivo e os elétrons giravam ao redor do
núcleo, em uma região chamada de eletrosfera.
Verdadeiro. Esse modelo ficou conhecido como
“pudim de passas”, onde o átomo seria positivo com
cargas negativas incrustadas.
Falso. O desvio das partículas alfa (positivas) ocorreu
derivado do fato da sua aproximação com o núcleo,
carregado positivamente.
Falso. Em um átomo neutro o número de prótons é
igual ao de elétrons.
Verdadeiro. O número atômico seria a “identidade do
átomo”, ou seja, átomos de um mesmo elemento
possuem o mesmo número atômico.
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Resposta da questão 28: [B]
Ernest Rutherford ao propor seu modelo, concluiu que
o átomo era constituído por 2 regiões distintas: o
núcleo – denso e positivo, onde se concentrava toda a
massa do átomo e uma região vazia onde estariam os
elétrons.
Portanto, a única informação que não foi alterada pelos
cientistas que sucederam Rutherford, é que o átomo
possui um núcleo denso e positivo.
Resposta da questão 29: [D]
Verdadeira. Em seu experimento, Rutherford e
seus alunos bombardearam uma fina lâmina de
ouro, conseguindo demonstrar que o átomo era
constituído por um centro pequeno e denso que
chamou de núcleo, e os elétrons giravam ao seu
redor.
Falsa. O modelo de Thomson, comparava o
átomo a um “pudim de passas”, nesse modelo a
massa seria positiva e as passas seriam as
cargas negativas incrustadas;
Falsa. A palavra átomo surgiu na Grécia antiga,
com os filósofos Leucipo e Demócrito, que
acreditavam, que a matéria ao ser dividida,
chegaria em sua menor parte, chamada então de
átomo (a = não; tomos = parte).
Falsa. Segundo Bohr, os elétrons estariam em
níveis estacionários de energia, e para que o
elétron saltasse de nível de energia para outro,
seria necessário, ganhar energia.
Falsa. A fonte radioativa emitia partículas alfa
(positiva) em direção a uma fina lâmina de ouro.
Resposta da questão 30: [E]
A partir das suas descobertas científicas, Niels
Böhr propôs cinco postulados:
1º) Um átomo é formado por um núcleo e por
elétrons extranucleares, cujas interações
elétricas seguem a lei de Coulomb.
2º) Os elétrons se movem ao redor do núcleo em
órbitas circulares.
3º) Quando um elétron está em uma órbita ele
não ganha e nem perde energia, dizemos que
ele está em uma órbita discreta ou
estacionária ou num estado estacionário.
4º) Os elétrons só podem apresentar variações
de energia quando saltam de uma órbita para
outra.
5º) Um átomo só pode ganhar ou perder energia
em quantidades equivalentes a um múltiplo
inteiro (quanta).
o item (a) é falso, pois não fala de camadas, mas
sim apenas de elétrons circulando ao redor do
núcleo: esse modelo é o de Rutherford
o item (b) está errado, pois a energia é
quantizada, os elétrons não podem assumir
quaisquer valores de energia, só podem assumir
valores de energia referentes às camadas
eletrônicas;
o item (c) está errado, o modelo de Bohr não é o
modelo atômico atual;
o item (d) está errado por causa do termo: "Os
saltos quânticos decorrentes da interação fóton-
núcleo". Os saltos quânticos ocorrem quando o
elétron absorve energia suficiente para saltar
para um nível (camada) mais externo. Ao
retornar para os níveis anteriores ocorre liberação
de energia na forma de luz. Essa luz poderá ter
um comprimento de onda que decai sobre a luz
visível ou não, depende das camadas envolvidas.
O item (e) está correto, pois retrata os dois
primeiros postulados de Niels Böhr: 1º) Um
átomo é formado por um núcleo e por elétrons
extranucleares, cujas interações elétricas seguem
a lei de Coulomb. 2º) Os elétrons se movem ao
redor do núcleo em órbitas circulares.
Resposta da questão 31: [B]
No caso da abordagem da questão, para chegar-se a
uma alternativa deve-se fazer a associação com o
único metal citado no enunciado, ou seja, o sódio, pois
outras possibilidades para a mudança da cor da
chama, como a ocorrência de uma combustão
incompleta do gás utilizado devido ao derramamento
da água de cozimento, não são citadas.
Pressupõe-se, então, que na água de cozimento
estejam presentes cátions Na+
dissociados a partir do
NaC .
O elemento metálico sódio, mesmo na forma iônica,
libera fótons quando sofre excitação por uma fonte de
energia externa e a cor visualizada é o amarelo.
Resposta da questão 32: [E]
[1] Incorreto. A matéria é constituída de átomos
divisíveis (existem subpartículas).
[2] Incorreto. Os átomos de um dado elemento
químico não são idênticos em massa e em todas
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as outras propriedades, pois a quantidade de
nêutrons pode variar nos isótopos.
[3] Incorreto. As massas atômicas de elementos
diferentes podem coincidir devido à existência dos
isóbaros.
[4] Incorreto. Os átomos são destrutíveis (existe a
possibilidade de fissão nuclear), além disso, o
número de oxidação de um elemento químico pode
variar em uma reação química.
[5] Correto. Átomos de elementos combinam com
átomos de outros elementos em proporções de
números inteiros pequenos para formar compostos
(vide o cálculo estequiométrico).
Resposta da questão 33: [D]
De acordo com o modelo de Böhr, a cor observada é
proveniente da emissãode radiação eletromagnética
ao ocorrer a transição eletrônica de um nível mais
externo (mais energético) para outro mais interno
(menos energético) na eletrosfera atômica.
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MÓDULO 02 - CONFIGURAÇÃO ELETRÔNICA E PERIODICIDADE
QUÍMICA
1. Configurações Eletrônicas
Regra de Hund: os elétrons de um mesmo subnível tendem a permanecer desemparelhados (em orbitais
separados), com spins paralelos (iguais).
Ou ainda, para orbitais degenerados, a menor energia será obtida quando o número de elétrons com o
mesmo spin for maximizado.
A distribuição dos elétrons em um subnível
segue a regra do aufbau (em alemão “construção”).
Os elétrons preenchem sucessivamente os
subníveis de energia em ordem crescente de energia,
com o número máximo de elétrons permitido em cada
subnível.
Para facilitar a identificação da ordem
crescente de energia nos subníveis, o cientista
americano, Linus Pauling, propôs o seguinte
diagrama:
Observe as configurações eletrônicas seguintes:
H (Z=1): 1s1
He (Z=2): 1s2
Li (Z=3): 1s2 2s1
Be (Z=4): 1s2 2s2
B (Z=5): 1s2 2s2 2p1
C (Z=6): 1s2 2s2 2p2
N (Z=7): 1s2 2s2 2p3
O (Z=8): 1s2 2s2 2p4
F (Z=9): 1s2 2s2 2p5
Ne (Z=10): 1s2 2s2 2p6
Uma simplificação frequentemente usada na representação das configurações eletrônicas é a convenção
cerne do gás nobre.
Observe as configurações eletrônicas seguintes:
Li (Z=3): [He] 2s1
Be (Z=4): [He] 2s2
B (Z=5): [He] 2s2 2p1
C (Z=6): [He] 2s2 2p2
N (Z=7): [He] 2s2 2p3
O (Z=8): [He] 2s2 2p4
F (Z=9): [He] 2s2 2p5
Na (Z=11): [Ne] 3s1
Mg (Z=12): [Ne] 3s2
Al (Z=13): [Ne] 3s2 3p1
1.1. Energia de um nível
A energia de um subnível pode ser avaliada pela soma dos números quânticos principal (n) e secundário
(l). (E = n + l). Quando dois subníveis possuem a mesma soma (n + l) , o de maior energia será aquele que possui
o maior valor de n.
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Para o átomo de hidrogênio e para os hidrogenóides (átomos que possuem apenas 1 elétron, 2He1+, 3Li2+),
os subníveis de um mesmo nível são degenerados, ou seja, possuem a mesma energia. Assim: 1s < 2s = 2p < 3s
= 3p = 3d < ...
Níveis de energia dos orbitais para o átomo de
hidrogênio. Observe que todos os orbitais com o
mesmo valor para o número quântico principal, n,
têm a mesma energia. Isso se aplica apenas a
sistemas de um elétron.
Disposição de níveis de energia do orbital em átomos
polieletrônicos.
1.2. Configurações Eletrônicas de íons
Quando for necessário fazer a distribuição eletrônica de um íon, deve-se sempre partir do átomo neutro,
no estado fundamental, para depois retirar ou acrescentar os elétrons que foram perdidos ou ganhos.
Para fazer a distribuição eletrônica de um cátion, deve-se fazer a distribuição eletrônica para o átomo do
elemento no estado fundamental e em seguida retirar os elétrons que foram perdidos a partir do nível e do
subnível mais externos.
Veja o exemplo:
26Fe: 1s2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 4s2, 3d6 (átomo neutro)
26Fe2+: 1s2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 3d6 (cátion ferroso)
26Fe3+: 1s2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 3d5 (cátion férrico)
Para fazer a distribuição eletrônica de um ânion, deve-se primeiro distribuir os elétrons para o átomo
fundamental e em seguida adicionar os elétrons no nível e no subnível mais externos que estiverem incompletos.
Veja o exemplo:
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35Br: 1s2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 4s2, 3d10, 4p5 (átomo neutro)
35Br1-: 1s2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 4s2, 3d10, 4p6 (ânion brometo)
2. Configurações Especiais
As configurações eletrônicas obtidas pelo princípio de “aufbau” (ou diagrama de Pauli) são compatíveis
com as propriedades experimentais da grande maioria dos átomos. No entanto, por se tratar de uma “teoria”, não
é universalizada para os átomos de todos os elementos químicos, que em alguns casos, a configuração proposta
não corresponde às propriedades observadas experimentalmente.
Um aumento de elétrons nos subníveis d provoca repulsão entre orbitais de maior carga, que são atraídos
mais fortemente pelo núcleo, provocando uma inversão de energia com o subníveis s do último nível.
1º caso
Ocorre no 4º período da tabela periódica com a inversão de energia nos subníveis 3d e 4s.
3d
4s
28 Z
3d
4s
energia
Quando Z = 24, as energias dos subníveis 4s e 3d são tão próximas que os elétrons vão ocupando os
orbitais como se estes pertencessem a um mesmo subnível, obedecendo à regra de Hund.
4s1 3d524Cr
Para os elementos de números atômicos de Z = 25 a Z = 28, mesmo com a maior proximidade dos dois
subníveis, a ordem de preenchimento não influi na distribuição eletrônica pelo princípio de “aufbau”.
4s2 3d525Mn ;
4s2 3d626Fe ;
4s2 3d727Co ;
4s2 3d828Ni ;
Quando Z > 28, a energia do subnível 4s torna-se maior que a energia do subnível 3d e o preenchimento
obedece à regra de Hund.
3d10 4s129Cu
3d10 4s230Zn
O gráfico ao lado representa, de uma maneira aproximada,
a variação da energia dos subníveis 4s e 3d em função de
Z.
À medida que o número de prótons vai crescendo o efeito
de atração do núcleo sobre o subnível 3d torna-se mais
significativo e a energia deste vai gradativamente
diminuindo, até ser menor que a energia do subnível 4s.
No diagrama de Pauli, a configuração deveria
ser:
2 4
24 Cr [Ar] ; 4s ; 3d
As configurações, pelo diagrama de Pauli, não
são alteradas na ordem de preenchimento.
No diagrama de Pauli, as configurações deveriam ser:
2 9
29
2 10
30
Cu [Ar] ; 4s ; 3d
Zn [Ar] ; 4s ; 3d
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Observação:
O cobre se apresenta nas formas de cátions Cu+ e Cu2+, o que se justifica pela proximidade dos subníveis
4s e 3d. O zinco forma somente cátion Zn2+, visto que o subnível 4s se encontra bastante distanciado do 3d.
2º Caso
Ocorre no 5º período da tabela periódica com a inversão de energia nos subníveis 4d e 5s.
4d
5s
45 Z
4d
5s
energia
Quando o número aumenta de Z = 41 a Z = 43, as energias dos subníveis 5s e 4d tornam-se muito
próximas e os elétrons vão ocupando os orbitais como se estes pertencessem a um mesmo subnível, obedecendo
à regra de Hund, de modo semelhante ao do período anterior.
4d45s141Nb
4d55s142Mo
4d55s243Tc
Quando Z = 44 e Z = 45, as energias dos subníveis 4d e 5s ainda estão muito próximas, porém já ocorre a
inversão e o preenchimento continua a ser feito pela regra de Hund.
4d7 5s144Ru
4d8 5s145Rh
Quando Z > 45, a energia do subnível 5s é muito maior que a do subnível 4d e, por isto, se encontra muito
afastado, devendo ser preenchido independentemente.
O gráfico ao lado assemelha-se ao que ocorre no quarto
período e representa, de uma maneira aproximada, a
variação da energia dos subníveis 5s e 4d em função de
Z.
Quando o número atômico vai crescendo o subnível 4d
diminui gradativamente, até a sua energia ser menor que
a do subnível 5s.
No diagrama de Pauli, as configurações deveriam ser:
2 3
41
2 4
42
2 5
43
Nb [Kr] ; 5s ; 4d
Mo [Kr] ; 5s ; 4d
Tc [Kr] ; 5s ; 4d
“mesma ordem obtida pelo Diagrama de Pauli!
No diagrama de Pauli, as configurações deveriam ser:
2 6
44
2 7
45
Ru [Kr] ; 5s ; 4d
RH [Kr] ; 5s ; 4d
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4d10 5s046Pb
4d10 5s147Ag
4d10 5s248Cd
3. Conceito de periodicidade
Dizemos que um evento é periódico quando ele se repete regularmente em função de determinado
parâmetro.
Cada intervalo entre uma repetição e outra é denominado período e cada período corresponde a uma
variação que vai de um mínimo a um máximo ou, ao contrário, de um máximo a um mínimo.
Se colocarmos em um gráfico os valores que determinado evento periódico assume em função do
parâmetro segundo o qual ele se repete, obteremos uma curva periódica como a esquematizada a seguir.
Como exemplo de eventos periódicos podemos citar as batidas do nosso coração (os gráficos dos exames
de eletrocardiograma apresentam curvas periódicas semelhantes às do gráfico acima), as oscilações de um
pêndulo de relógio, as estações do ano, os picos de vendas de determinados produtos (bronzeadores no verão,
chocolates na Páscoa, panetones no Natal).
Por outro lado, dizemos que um evento é aperiódico (ou não-periódico) em função de um parâmetro
quando os dados desse evento apenas crescem ou decrescem em relação a esse parâmetro.
Se colocarmos em um gráfico os valores que determinado evento aperiódico assume em função do
parâmetro em estudo, obteremos uma curva ascendente ou descendente como mostramos a seguir.
Como exemplo de eventos aperiódicos podemos citar o tempo de vida de uma pessoa, a construção de
uma casa, o consumo do petróleo, a exploração de uma mina de ouro etc.
3.1. Periodicidade e elementos químicos
E
v
e
n
to
p
e
ri
ó
d
ic
o
período (linhas contínuas)
Parâmetro de repetição
E
v
e
n
to
a
p
e
ri
ó
d
ic
o
Parâmetro de estudo
E
v
e
n
to
a
p
e
ri
ó
d
ic
o
Parâmetro de estudo
Pelo diagrama de Pauli, o paládio seria paramagnético,
com uma configuração:
2 8
46Pd [Kr] ; 5s ; 4d . Os
fatos experimentais demonstram que ele é diamagnético.
O estado de oxidação da prata é unicamente Ag+, o que
confirma o afastamento do subnível 5s e o
paramagnetismo. Uma configuração
2 9
47 Ag [Kr] ; 5s ; 4d é inviável, pois o cátion Ag+ é
diamagnético.
No cádmio (diamagnético), a configuração, pelo diagrama
de Pauli, não é alterada pela orem do preenchimento.
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No século XVII eram conhecidos apenas 14 elementos químicos e não se cogitava a possibilidade de se
encontrar alguma relação entre suas propriedades.
Mas tarde, no século XVIII já eram conhecidos 33 elementos e Berzelius fez a primeira classificação dos
elementos em metais e não-metais.
No início do século XIX já se conheciam 63 elementos químicos e o conhecimento das propriedades desses
elementos tinha evoluído de tal maneira que a ideia de encontrar um parâmetro que permitisse classificá-los de
um modo mais detalhado e que indicasse uma possível relação entre suas propriedades se tornou uma constante
entre os cientistas.
Várias tentativas foram feitas nesse sentido até que finalmente os cientistas tiveram êxito e desvendaram
uma das leis mais importantes da natureza, que transformou uma série de elementos e dados, aparentemente
desconexos, num sistema incrivelmente harmonioso e integrado.
O maior crédito da descoberta da chamada “Lei Grandiosa” cabe ao químico russo Dimitri Ivanovich
Mendeleyev, embora o enunciado atua dessa lei e o parâmetro de periodicidade no qual ela se baseia tenha sido
determinado pelo físico inglês Henry Gwyn Jefferys Moseley através do estudo de espectros de raios X dos
elementos.
Muitas propriedades químicas e físicas dos elementos e das substâncias simples que eles formam variam
periodicamente em função de seu números atômicos.
A descoberta de Moseley não alterou a estrutura de tabela proposta por Mendeleyev, que usara a massa
atômica como critério de periodicidade das propriedades dos elementos, por isso, merecidamente, o crédito da
descoberta dessa lei, que é uma das leis mais importantes da Química, permaneceu com Mendeleyev.
É devido à existência de periodicidade em várias propriedades dos elementos (e até em propriedades de
substâncias simples) que a tabela que contém a relação completa de todos os elementos químicos conhecidos é
denominada tabela periódica.
Nessa tabela os elementos estão dispostos em ordem crescente de números atômico, Z, de modo a
formar:
• Sete períodos ou sete linhas horizontais.
Geralmente os elementos que ocupam um mesmo período possuem o valor de várias propriedades
químicas e físicas variando de um mínimo a um máximo ou vice-versa.
• Dezoito famílias ou grupos, isto é, dezoito colunas verticais.
Os elementos que ocupam uma mesma coluna normalmente possuem propriedades químicas semelhantes
e propriedades físicas que variam gradualmente.
As propriedades físicas dos elementos dependem da massa e do tamanho dos átomos. E do que
dependem as propriedades químicas?
O que define um elemento químico é seu número atômico (ou número de prótons) e esse número é
invariável. Qualquer que seja a reação química da qual um elemento participe, sue número atômico permanecerá
sempre constante.
O que pode variar durante uma transformação química, em que grupos de átomos de elementos químicos
iguais ou diferentes (que juntos formam uma substância específica) se rearranjam para formar outra substância
diferente, é o número de elétrons mais externos (ou os mais energéticos) desses átomos.
Isso nos leva à seguinte conclusão:
As propriedades químicas dos átomos podem ser previstas com base na distribuição eletrônica do átomo no
estado fundamental.
Como o diagrama de energia de Linus Pauling fornece a distribuição eletrônica dos átomos dos elementos
no estado fundamental, concluímos que esse diagrama fornece também indicações claras sobre as propriedades
químicas dos elementos e portanto sobre a posição que eles ocupam na tabela periódica. A primeira relação entre
tabela periódica e eletrosfera é a seguinte:
O número de níveis de energia preenchido com os elétrons do átomo no estado fundamental indica o
período ocupado pelo elemento.
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Por exemplo, considere distribuições eletrônicas no estado fundamental em ordem geométrica – para os
elementos: carbono, 12
6C , magnésio, 24
12Mg , titânio, 48
22Ti , e tungstênio, 184
74W , e a determinação do período da
tabela ocupado por esses elementos (verifique posteriormente o resultado na tabela periódica no início deste
livro).
• 12 2 2 2
6C : 1s / 2s 2p
Dois níveis de energia preenchidos por elétrons, portanto o carbono ocupa a 2a linha ou o 2o período da
tabela.
•
24 2 2 6 2
12Mg: 1s / 2s 2p / 3s
Três níveis de energia preenchidos por elétrons, portanto o magnésio ocupa a 3a linha ou o 3o período da
tabela.
•
48 2 2 6 2 6 2 2
22Ti : 1s / 2s 2p / 3s 3p 3d / 4s
Quatro níveis de energia preenchidas por elétrons, portanto o titânio ocupa a 4a linha ou o 4o período da
tabela.
• 184 2 2 6 2 6 10
74W : 1s / 2s 2p / 3s 3p 3d / 2 10 14 2 6 4 24s 4d 4f / 5s 5p 5d / 6s
Seis níveis de energia preenchidos por elétrons, portanto o tungstênio ocupa a 6a linha ou o 6o período da
tabela.
Em relação ao subnível ocupado pelo elétron mais energético do átomo no estado fundamental,
classificamos os elementos nos seguintes grupos:
Elementos representativos: são aqueles que possuem o elétron mais energético num subnível s ou p.
Exemplos: potássio, 39 35,5
19 17
K, e cloro, C ,
Localização na tabela periódica: nos elementos das famílias 1 e 2, o númeroda família corresponde ao
número de elétrons da camada de valência. Nos eelementos das famílias 13 a 18 o número da família é igual à
soma do número de elétrons da camada de valência com o número 10, que indica um subnível d totalmente
preenchido no nível (n-1). O período sempre corresponde ao maior número quântico principal n. Veja os exemplos
que seguem:
Li (Z=3): [He] 2s1 Família 1 (IA)
Be (Z=4): [He] 2s2 Família 2 (IIA)
B (Z=5): [He] 2s2 2p1 Família 3+10 =13 (IIIA)
C (Z=6): [He] 2s2 2p2 Família 4+10 =14 (IVA)
N (Z=7): [He] 2s2 2p3 Família 5+10 =15 (VA)
O (Z=8): [He] 2s2 2p4 Família 6+10 =16 (VIA)
F (Z=9): [He] 2s2 2p5 Família 7+10 =17 (VIIA)
Ne (Z=10): [He] 2s2 2p6 Família 8+10 =18 (VIIIA)
Mg (Z=12): [Ne] 3s2 Família 2 (IIA)
Al (Z=13): [Ne] 3s2 3p1 Família 3+10 =13 (IIIA)
Elementos de transição ou de transição externa: são aqueles que possuem o elétron mais energético
num subnível d.
Exemplo: ferro
56 108
26 47Fe, e prata, Ag.
Localização na tabela periódica: o número da família é igual à soma dos elétrons do subnível mais
energético com os elétrons da camada de valência. O período sempre corresponde ao maior número quântico
principal n. Veja os exemplos que seguem:
Sc (Z=21): [Ar] 4s2 3d1 Família 3 (IIIB)
Ti (Z=22): [Ar] 4s2 3d2 Família 4 (IVB)
V (Z=23): [Ar] 4s2 3d3 Família 5 (VB)
Fe (Z=26): [Ar] 4s2 3d6 Família 8 (VIIIB) 1ª Coluna
Co (Z=27): [Ar] 4s2 3d7 Família 9 (VIIIB) 2ª Coluna
Ni (Z=28): [Ar] 4s2 3d8 Família 10 (VIIIB) 3ª Coluna
1s2
2s2
3s2
4s2
2p6
3p6
K :
39
19 1s2
2s2
3s2
2p6
3p5
C :
35,5
17
1s2
2s2
3s2
4s2
2p6
3p6
Fe :
56
26 1s2
2s2
3s2
4s2
5s2
2p6
3p6
3p6
Ag :
108
47
3d6 3d10
4d9
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Cr (Z=24): [Ar] 4s1 3d5 Família 6 (VIB)
Mn (Z=25): [Ar] 4s2 3d5 Família 7 (VIIB)
Cu (Z=29): [Ar] 4s1 3d10 Família 11 (IB)
Zn (Z=30): [Ar] 4s2 3d10 Família 12 (IIB)
Elementos de transição interna: são aqueles que possuem o elétron mais energético num subnível f.
Exemplos:
140 238
58 92Ce, eurânio, U.
Há 20 dos 118 elementos químicos conhecidos que não seguem a distribuição eletrônica regular indicada
pelo diagrama de Linus Pauling. Apesar disso, a posição que os elementos ocupam na tabela periódica é
fornecida pela distribuição eletrônica de Linus Pauling, independentemente da distribuição eletrônica real desses
20 elementos.
Com base nessas conclusões, podemos construir a tabela periódica que pode ter o formato compacto, com
18 colunas verticais (mais comum), mostrado no início do livro, ou o formato longo, com 32 colunas verticais,
esquematizado na próxima página.
Localização na tabela periódica: os elementos de transição interna possuem como subnível mais energético
o subnível f. todos os elementos de transição interna pertencem a família 3 (IIIB), podendo ser um lantanídeo (6º
período) ou um actnídeo (7º período).
3.2. Histórico da tabela periódica
Todo o conhecimento acumulado no século XVIII sobre o comportamento dos elementos químicos acabou
chamando a atenção de vários cientistas para a semelhança de propriedades de certos grupos de elementos.
Essa constatação gerou várias tentativas de classificar os elementos em função dessa semelhança de
propriedades. Por fim, essas tentativas culminaram na descoberta de uma das leis mais importantes da natureza:
a Lei Periódica.
O primeiro passo em 1829 pelo químico alemão Johann Wolfgang Döbereiner (1780-1849), que agrupou de
três em três os elementos com propriedades químicas semelhantes. Döbereiner denominou esses grupos de
tríades.
Mais tarde as tríades de Döbereiner, esquematizadas na tabela abaixo, passaram a ser chamadas de
grupos naturais.
Note que as tríades de Döbereiner não englobam todos os elementos que já eram conhecidos em 1829. Ele
apenas selecionou alguns elementos que tinham propriedades semelhantes os dispondo em 6 grupos de 3
elementos cada. O mesmo foi feito por Hess ao classificar 4 grupos de elementos com propriedades químicas
semelhantes.
Outra tentativa foi feita em 1849 pelo cientista sueco naturalizado russo Germain Herny Ivanovitch Hess
(1802–1850), que publicou no seu manual Fundamentos da Química Pura uma classificação de quatro grupos de
elementos (não-metais) com propriedades químicas semelhantes:
1s2
2s2
3s2
4s2
5s2
6s2
2p6
3p6
4p6
5p6
Ce :
140
58
3d10
4d10 4f2
1s2
2s2
3s2
4s2
5s2
6s2
7s2
2p6
3p6
4p6
5p6
6p6
U :
238
92
3d10
4d10
5d10
4f14
5f4
Tríades 1 2 3 4 5 6
Elementos
Lítio Cálcio Fósforo Enxofre Cloro Ferro
Sódio Estrôncio Arsênio Silênio Bromo Cobalto
Potássio Bário Antimônio Telúrio Iodo Níquel
Iodo Telúrio Carbono Nitrogênio
Bromo Selênio Boro Fósforo
Cloro Enxofre Silício Arsênio
Flúor Oxigênio
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Hess escreveu: “Esta classificação está muito longe de ser natural. No entanto ela reúne elementos em
grupos muito semelhantes e pode ir aperfeiçoando-se à medida que aumentarem os nossos conhecimentos.”
Mais tarde, em 1862, o químico e geólogo francês Alexandre Segyyer de Chancourtoir (1820-1896) propôs
um interessante sistema para classificar os elementos conhecidos, denominado “parafuso telúrico”.
Chancourtoir distribuiu os elementos na forma de uma espiral de 45° que se desenvolvia na superfície de
um cilindro.
Em cada volta da espiral ele colocou 16 elementos em ordem crescente de massa atômica, de modo a
posicionar os elementos com propriedades semelhantes um por baixo do outro na geratriz do cilindro. No entanto
ninguém prestou muita atenção ao seu trabalho.
Por volta de 1864 o químico inglês John Alexandre Reina Newlands (1837-1898) colocou os elementos em
ordem crescente de suas massas atômicas em colunas verticais de 7 elementos e verificou que as propriedades
dos elementos se repetiam se repetiam periodicamente (com exceção do hidrogênio) e propôs a chamada “Lei
das Oitavas”.
Para Newlands, tudo no mundo estaria subordinado a uma harmonia geral, que seria a mesma tanto para a
Química como para a Música.
Por isso, as propriedades dos elementos
químicos deviam se repetir de 7 em 7, tal como na
escala musical, sempre que aqueles se dispusessem
por ordem crescente de suas massas atômicas.
A classificação de Newlands “funcionava” bem
até o cálcio, mas, a partir desse elemento,
apresentava sérias contradições, muitas vezes não
obedecia à ordem crescente de massa atômica e
admitia dois elementos numa mesma posição, além
de apresentar alguns absurdos como o carbono e o
mercúrio numa mesma coluna, levando à conclusão
de que esses elementos tinham propriedades
semelhantes.
Tanto o sistema de Chancourtoir como o de Newlands se baseavam na verificação de que, dispondo-se os
elementos conhecidos em ordem crescente das suas massas atômicas, as propriedades do primeiro elemento
tinham semelhanças com as do oitavo, as do segundo elemento com as do nono etc.
Assim, embora a “Lei das Oitavas” fosse um passo importante em direção à classificação periódica
moderna, ela não foi levada a sério inicialmente pelos cientistas.
A tabela a seguir mostra como Newlands classificou os elementos (os valores das massas atômicas –
arredondados – são os atuais e foram colocados para destacar as contribuições e contradições desse sistema).
O trabalho de Newlands chegou a ser ridicularizado.
O relatório da conferência da Sociedade Química de Londres, onde ele comunicou os resultados de seu
trabalho, produziu a seguinte nota:
Grupos Elementos
1º grupo 1H 7Li 9Be 10,8B 12C 14N 16O
2º grupo 19F 23Na 24Mg 27A 28Si 31P 32S
3º grupo 35,5C 38K 40Ca 48Ti 52Cr55Mn 56Fe
4º grupo 59Co e 59Ni 63,5Cu 51V 65Zn 115In 75As 79Se
5º grupo 80Br 85Rb 88Sr 140Ce e 139La 91Zr 163Dy e 96Mo 103Rh e 101Ru
6º grupo 105Pb 107Ag 112Cd 238U 119Sn 122Sb 128Te
7º grupo 127I 133Cs 137Ba 181Ta 184W 93Nb 197Au
8º grupo 195 e 192Ir 204T
207Pb 232Th 201Hg 209Bi 190Os
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“O Sr. John A. R. Newlands apresentou uma comunicação intitulada ‘A Lei das Oitavas e as causas das
relações entre as massas atômicas’. O autor diz ter descoberto uma lei segundo a qual os elementos com
propriedades semelhantes apresentam relações especiais, análogas às que existem na música, entre uma nota e
a sua oitava. [...]. O Dr. Gladstone levantou na base de que no quadro não há mais lugar para elementos a
descobrir. [...]. O Prof. G. F. F. Foster, humoristicamente, perguntou se o Sr. Newlands não havia tentado dispor
os elementos por ordem alfabética e se teria descoberto, nesse caso, alguma regularidade [...].”
Apesar de todos os defeitos, a ideia básica de Newlands foi retomada poucos anos mais tarde, em 1866,
pelo químico alemão Julius Lothar Meyer (1830-1895), que publicou uma tabela na qual os elementos apareciam
distribuídos em seis grupos, de acordo com suas valências, ou seja, a fórmula molecular das substâncias simples
e compostas que cada elemento era capaz de formar.
Notando que a diferença entre as massas atômicas de elementos consecutivos do mesmo grupo era
constante, Meyer concluiu: “Não pode haver dúvida de que existe certa relação entre os valores numéricos das
massas atômicas e as propriedades dos elementos químicos”. Porém, o químico alemão não chegou a nenhuma
conclusão significativa quanto à importância desse fato.
A preocupação, tanto de Newlands como de Meyer, era classificar elementos formando grupos com
semelhanças nas propriedades químicas. Mas para eles não existia relação alguma entre as diversas classes de
elementos.
O que difere o trabalho iniciado em 1868 pelo químico russo Dimitri Ivanovitch Mendeleyev (1834-1907) dos
anteriores é que ele foi o único que procurou relacionar todos os elementos em uma única classificação.
Mendeleyev chegou à conclusão de que o critério utilizado deveria realmente ser a massa atômica dos elementos.
Em seu livro Princípios de Química, escreveu:”A massa de uma substância é precisamente a propriedade
da qual todas as outras dependem...” e concluiu: “Por isso, é muito natural esperar que exista uma relação entre
as propriedades e semelhanças dos elementos, de um lado, e suas massas atômicas, de outro”.
Mendeleyev tornou conhecida sua primeira tabela periódica em 1869.
Na tabela de Mendeleyev os elementos eram distribuídos em linhas, de tal modo que elementos
quimicamente semelhantes era encontrados sob uma mesma coluna vertical (atualmente, as colunas são
chamadas de família ou grupos).
No verão de 1870 Mendeleyev verificou que as massas atômicas dos elementos índio, cério, ítrio, tório e
urânio estavam erradas e que era necessário mudá-las, e assim mudar também a disposição desses elementos
no sistema periódico. Assim, o urânio passou a ser o último elemento da série natural tendo também a maior
massa atômica.
Mendeleyev foi mais além: deslocou de uma coluna para outra todo elemento cujas propriedades não
fossem semelhantes com as dos outros membros do grupo, contrariando a ordem crescente de massa atômica.
Surgiram então algumas lacunas que Mendeleyev destinou a elementos ainda não descobertos,
prevendo inclusive suas propriedades.
Os espaços vazios que estavam sob os elementos boro, alumínio e silício foram denominados
respectivamente eka-boro, eka-alumínio (o prefixo eka significa abaixo de).
A 11 de dezembro de 1870, Mendeleyev terminou o seu artigo “O sistema natural dos elementos e a sua
aplicação na determinação das propriedades dos elementos desconhecidos”.
Nesse artigo ele descreve pela primeira vez a sua classificação utilizando a expressão “Lei periódica”.
Em julho de 1871 Mendeleyev termina o seu principal artigo dedicado à “Lei Grandiosa” e que se intitula “A
lei periódica dos elementos químicos”.
De fato, dispondo segundo massas atômicas crescentes os 63 elementos então conhecidos, verificou que
aqueles quimicamente semelhantes se colocavam em série, a intervalos regulares. Desse modo, propriedades
idênticas repetiam-se periodicamente ao longo dessa ordenação. Essa relação ele exprimiu no que chamou lei
periódica:
As propriedades dos elementos, assim como as fórmulas e propriedades das substâncias simples e
compostas que eles formam, são funções periódicas das massas atômicas dos elementos.
Nesse ano Mendeleyev deu uma nova disposição aos elementos na tabela, que lembra em muitos aspectos
a que utilizamos atualmente, observe:
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*Eka-boro (escândio) **Eka-alumínio (gálio) ***Eka-silício (germânio)
Para “prever as propriedades dos elementos ainda não descobertos”, Mendeleyev raciocinou da seguinte
maneira: o lugar que deveria ser ocupado pelo eka-boro (elemento que hoje é denominado escândio), por
exemplo, se encontra entre o cálcio (massa atômica 40) e o titânio (massa atômica 48). Desse modo, a massa
atômica do eka-boro deve ser aproximadamente igual ao valor médio:
40 48
44
2
+
=
Além disso, ele deve formar com o oxigênio um análogo dos óxidos de boro e de alumínio, X
2
O
3
. O eka-boro
tem de ser um metal leve, já que se encontra entre eles o cálcio e o titânio, e a sua densidade relativa pode ser
aproximadamente determinada através da dos seus vizinhos. Assim, sendo a densidade relativa do cálcio de 1,5 e
a do titânio de 4,5, a do eka-boro deve ser:
1,5 4,5
3,0
2
+
=
Os sais de eka-boro devem ser incolores, tal como os dos seus vizinhos; e não deve ser volátil, e as
propriedades funcionais do seu óxido devem ser básicas, como as do óxido de titânio.
Procedendo desse modo, Mendeleyev “previa” as propriedades químicas de elementos que ainda não
haviam sido descobertos.
Seis anos mais tarde, as previsões de Mendeleyev começaram a ser confirmadas: em 1875, o químico e
especialista francês Paul Émile Lecoq de Boisbaudran (1838-1912) isolara um novo elemento a partir de um
mineral encontrado nos Pireneus. O espectro de emissão do mineral apresentava uma linha tênue violeta que não
se podia atribuir a nenhum dos elementos químicos conhecidos.
Lecoq designou o novo elemento por gálio em homenagem a sua pátria – a França – cujo antigo nome era
Gália.
O gálio era um metal muito raro e o cinema teve bastante trabalho para extrair uma quantidade pouco maior
que a cabeça de um alfinete, porém teve habilidade suficiente para fazer uma série de experiências que o levou a
uma descrição pormenorizada das propriedades desse elemento e que incluía a densidade, a temperatura de
fusão, os seus compostos oxigenados e os sais que formava.
Pouco tempo depois de comunicar sua descoberta à Academia de Ciências de Paris, recebeu uma carta,
com um carimbo russo, onde Mendeleyev lhe comunicava que todas as propriedades do gálio estavam corretas,
exceto sua densidade, que era 5,9 vezes maior que a da água e não 4,7 como ele havia determinado.
O cientista francês, entre surpreso e intrigado, resolveu verificar novamente a densidade do seu elemento,
submetendo-o a uma purificação ainda mais rigorosa e observou que realmente havia se enganado e que
Mendeleyev, mesmo sem nunca ter visto o metal, determinou com precisão a sua densidade: 5,9 vezes maior que
a da água.
Em 1879, o químico sueco Lars Ferdrik Nilson (1840-1899) descobriu o escândio, que apresentava as
propriedades previstas para o eka-boro e finalmente, em 1886,o alemão Clemens Alexander Winkler (1838-1904)
anunciou o isolamento do germânio, que corresponde ao eka-silício.
A tabela a seguir mostra algumas propriedades previstas por Mendeleyev em 1871 para o eka-silício
(germânio) em comparação com as propriedades desse elemento determinadas experimentalmente em 1886
quando ele foi descoberto.
Períodos Série Grupo I Grupo II Grupo III Grupo IV Grupo V Grupo VI Grupo VII Grupo VIII (transição ao I)
Hidrogênio 1 H = 1
Elemento típicos 2 Li = 7 Be = 9,4 B = 11 C = 12 N = 14 O = 16 F = 19
1º período
3 Na = 23 Mg = 24 A = 27 Si = 28 P = 31 S = 32 C = 35,5
4 K = 39 Ca = 40 ? = 44* Ti = 48 V = 51 Cr = 52 Mn = 55
Fe = 56
Ni = 59
Co = 59
Cu = 63
2º periodo
5 (Cu = 63) Zn = 65 ? = 68** ? = 72*** As = 75 Se = 78 Br = 80
6 Rb = 85 Sr = 87 Y = 887 Zr = 90 Nb = 94 Mo = 96 ? = 100
Ru = 104
Pb = 104
Rh = 104
Ag = 108
3º período
7 (Ag = 108) Cd = 112 In = 113 Sn = 118 Sb = 122 Te = 128? I = 127
8 Cs = 133 Ba = 137 ? = 137 Ce = 138? – – –
4º período
9
10 Ta = 182 W = 184
Os = 190
Pt = 195
Ir = 192
Au = 197
5º período
11 (Au = 197) Hg = 200 T= 204 Pb = 207 Bi = 208
12 Th = 231 U = 240
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As dúvidas e críticas que ainda restavam em relação à periodicidade das propriedades dos elementos foram
totalmente dispersas. Estava definitivamente confirmadas a exatidão das previsões de Mendeleyev.
Embora mais tarde ficasse provado que a periodicidade das propriedades dos elementos químicos é função
do número atômico, e não da massa atômica, a tabela de Mendeleyev não perdeu a validade.
Tal comprovação apenas explicou algumas das discrepâncias que o sistema periódico criado por
Mendeleyev gerava: por exemplo, a colocação do argônio (massa atômica 39, 95) antes do potássio (massa
atômica 39,10) ou a do telúrio (massa atômica 127,6) antes do iodo (massa atômica 126,9).
Acontecimento marcante na história da química, a descoberta da lei periódica foi, sem dúvida, o trabalho
mais importante de Mendeleyev, que também se dedicou ao estudo da natureza e à origem do petróleo, tendo
lutado incansavelmente pelo desenvolvimento da indústria petrolífera na Rússia. É ainda considerado o fundador
da agroquímica em seu país.
Apesar da consagração mundial, a Academia Russa recusou-se a admiti-lo entre seus membros em virtude
de sua posição política ser considerada liberal.
3.3. O desenvolvimento da tabela periódica
A descoberta de novos elementos químicos tem sido um processo de avanços desde os tempos da
Antiguidade. Determinados elementos, como o ouro, aparecem na natureza na forma elementar e foram
descobertos milhares de anos atrás. Em contraste, alguns elementos são radioativos e intrinsecamente instáveis.
Viemos conhecê-Ias apenas com a tecnologia do sécuIo XX.
A maioria dos elementos, apesar de estáveis, está vastamente dispersa na natureza e está incorporada em
grande número de compostos. Por séculos os cientistas não tinham conhecimento de sua existência. No início do
século XIX, os avanços na química fizeram com que ficasse mais fácil isolá-Ias a partir de seus compostos. Como
resultado, o número de elementos conhecidos mais que dobrou, de 31 em 1800 para 63 por volta de 1865.
À medida que o número de elementos conhecidos aumenta, os cientistas começam a investigar as
possibilidades de classificá-Ios de maneira útil. Em 1869 Dmitri Mendeleev, na Rússia, e Lothar Meyer, na
Alemanha, publicaram esquemas de classificação praticamente idênticos. Os dois cientistas observaram que as
similaridades das propriedades físicas e químicas tornam a se repetir periodicamente quando os elementos são
distribuídos em ordem crescente de massa atômica. Os cientistas daquela época não tinham conhecimento dos
números atômicos. As massas atômicas, entretanto, geralmente cresciam com o aumento do número atômico,
logo tanto Mendeleev quanto Meyer casualmente distribuíram os elementos em ordem apropriada. As tabelas dos
elementos desenvolvidas por Mendeleev e Meyer foram as precursoras da tabela periódica moderna.
Apesar de Mendeleev e Meyer terem chegado basicamente à mesma conclusão sobre a periodicidade das
propriedades dos elementos, a Mendeleev são dados os créditos por desenvolver suas ideias mais eficazmente e
estimular mais trabalhos novos na química. Sua insistência em listar os elementos com características similares
nas mesmas famílias forçou-o a deixar vários espaços em branco na tabela. Por exemplo, tanto o gálio (Ga)
quanto o germânio (Ge) eram desconhecidos naquela época. Mendeleev corajosamente previu sua existência e
suas propriedades, referindo-se a eles como eka-alumínio e eka-silício, termos criados por ele mesmo para indicar
abaixo de quais elementos eles aparecem na tabela periódica. Quando esses elementos foram descobertos,
soube-se que suas propriedades eram muito parecidas com as previstas por Mendeleev.
Em 1913, dois anos após Rutherford propor o modelo atômico do átomo, um físico inglês chamado Henry
Moseley (1887-1915) desenvolveu o conceito de números atômicos. Moseley determinou as frequências de raios
X emitidas à medida que diferentes elementos eram bombardeados com elétrons de alta energia. Ele descobriu
que cada elemento produz raios X de frequência única; além disso, ele descobriu que a frequência geralmente
Propriedade Eka-silício Germânio
Massa atômica 72 73,32
Densidade 5,5 5,47
Cor Cinzento Cinzento-claro
Calor específico 0,073 0,076
Composto com oxigênio XO2 GeO2
Composto com o cloro XC4 GeC4
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aumenta quando a massa atômica aumenta. Ele distribui as frequências de raios X em ordem atribuindo um
número inteiro exclusivo para cada elemento, chamado número atômico. Moseley identificou corretamente o
número atômico como o número de prótons no núcleo do átomo e o número de elétrons no átomo.
O conceito de número atômico esclareceu alguns problemas nas versões anteriores da tabela periódica,
que eram baseadas na massa atômica. Por exemplo, a massa atômica do Ar (número atômico 18) é maior que a
do potássio (número atômico 19). Entretanto, quando os elementos são arranjados em ordem crescente de
número atômico, em vez de ordem crescente de massa atômica, Ar e K aparecem em seus lugares corretos na
tabela. Os estudos de Moseley tornaram possível também identificar os ‘buracos’ na tabela periódica, que levaram
à descoberta de novos elementos.
3.4. Classificação dos elementos na tabela periódica
Você pode notar variações muito pequenas nas tabelas periódicas de um livro para outro ou entre as das
salas de aula e as dos livros. Essas diferenças são apenas uma questão de estilo, ou com relação à informação
em particular incluída na tabela; não existem, portanto, diferenças fundamentais.
Os elementos em uma coluna da tabela periódica são conhecidos como um grupo ou família. A maneira
como os grupos são chamados é de certa forma arbitrário, e três diferentes esquemas de nomes são comumente
utilizados, dois dos quais são mostrados na Figura 2.16. O grupo de nomes superior, que têm designações A e B,
é amplamente utilizado na América do Norte. Números romanos em vez de arábicos são em geral adotados nesse
sistema.
Grupo 7A, por exemplo, é normalmente chamado de VIlA. Os europeus usam uma convenção similar que numera
as colunas de IA até 8A e então de lB até 8B; assim, o grupo encabeçado pelo flúor (F) recebe o nome de 7B (ou
VIlB) em vez de 7A. No esforço de eliminar essa confusão, a União Internacional de Química Pura e Aplicada
(Iupac) propôs uma convenção na qual osgrupos são numerados de 1 até 18 sem as designações de A e B, como
mostrado no grupo inferior de nomes no alto da tabela, na Figura 2.16.Aqui, ainda usaremos a convenção norte-
americana tradicional.
Elementos que pertencem ao mesmo grupo geralmente apresentam algumas similaridades em suas
propriedades físicas e químicas. Por exemplo, os 'metais de cunhagem' - cobre (Cu), prata (Ag) e ouro (Au) –
pertencem ao grupo lB. Como o próprio nome sugere, os metais de cunhagem são usados no mundo inteiro para
a fabricação de moedas. Vários outros grupos na tabela periódica também têm nomes, como mostrado na Tabela
2.3.
Os elementos em um grupo da tabela periódica têm propriedades similares porque apresentam o mesmo tipo de
organização dos elétrons na periferia dos átomos.
Todos os elementos do lado esquerdo e do meio da tabela (com exceção do hidrogênio) são elementos
metálicos, ou metais. A maioria dos elementos é metálica. Os metais compartilham várias propriedades
características, como brilho e altas condutividades elétricas e térmicas. Todos os metais, com exceção do
mercúrio (Hg), são sólidos à temperatura ambiente. Os metais estão separados dos elementos não-metálicos por
uma linha diagonal semelhante a uma escada que vai do boro (B) ao astatino (At), como mostrado na Figura 2.16.
O hidrogênio, apesar de estar do lado esquerdo da tabela periódica, é um não-metal. À temperatura ambiente
alguns dos não-metais são gasosos, outros são líquidos e outros, sólidos. Eles geralmente diferem dos metais na
aparência (Figura 2.17) e em outras propriedades físicas. Muitos dos elementos que estão na borda que separa os
metais dos não-metais, como o antimônio (Sb), têm propriedades que estão entre as dos metais e as dos não-
metais. Esses elementos são em geral chamados de metalóides.
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4. Tamanhos de átomos e íons
Uma das propriedades mais importantes de um átomo
ou íon é o tamanho. Geralmente pensamos em átomos e
íons como objetos esféricos e duros. Entretanto, de acordo
com o modelo da mecânica quântica, os átomos e os íons
não têm limites pontuais definidos nos quais a distribuição
eletrônica torna-se zero. As bordas dos átomos e íons são,
portanto, bastante ‘vagas’. Não obstante, podemos definir
seus respectivos tamanhos de várias maneiras com base nas
distâncias entre os átomos em várias situações.
Imagine um conjunto de átomos de argônio na fase gasosa. Quando os átomos colidem uns com os outros
durante os movimentos, eles ricocheteiam, separando-se — como bolas de bilhar. Isso acontece porque as
nuvens eletrônicas dos átomos que estão colidindo não podem penetrar umas nas outras até certa quantidade
significativa. As distâncias mais próximas separando os núcleos durante tais colisões determinam o raio aparente
dos átomos de argônio. Podemos chamar esses raios de raios não-ligantes de um átomo.
Quando dois átomos estão quimicamente ligados, como na molécula de Cl
2
, existe uma interação atrativa
entre eles, que os leva a uma ligação química. Para o momento, precisamos apenas compreender que essa
interação atrativa coloca os dois átomos mais próximos do que eles estariam em uma colisão não-ligante.
Podemos definir um raio atômico com base na distância que separa os núcleos dos átomos quando eles estão
quimicamente ligados. Essa distância, chamada raio ligante, é menor que o raio não-ligante, como ilustrado na
Figura 5. Os modelos de preenchimento de espaço, usam o raio não-ligante (também chamado raio de Van der
Waals) para determinar o tamanho dos átomos. Os raios atômicos ligantes (também chamados raios covalentes)
são usados para determinar as distâncias entre seus centros.
Os cientistas têm desenvolvido uma variedade de métodos para medir as distâncias separando núcleos em
moléculas. A partir de observações dessas distâncias em muitas moléculas, a cada elemento pode ser atribuído
um raio covalente. Por exemplo, na molécula de I
2
, observou-se que a distância separando os núcleos de iodo é
2,66 Å. Com base nisso, podemos definir o raio covalente do iodo como 1,33 Å. Similarmente, a distância
separando dois núcleos de carbono adjacentes no diamante, que é uma rede sólida tridimensional, é 1,54 Å;
assim, ao raio covalente do carbono é atribuído o valor de 0,77 Å. Os raios de outros elementos podem ser
definidos de maneira similar (Figura 6). (Para o hélio e o neônio, os raios ligantes devem ser estimados porque
não existem combinações químicas conhecidas.)
Os raios atômicos permitem-nos estimar os comprimentos de ligação entre diferentes elementos em
moléculas. Por exemplo, o comprimento da ligação Cl — Cl no Cl
2
é 1,99 Å, logo se atribui um raio de 0,99 Å para
o Cl. No composto CCl4, o comprimento da ligação C — Cl é 1,77 Å, muito próximo da soma (0,77 + 0,99 Å) dos
raios atômicos para C e Cl.
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4.1. Tendências periódicas nos raios atômicos
Se examinarmos o ‘mapa de ajuda’ de raios atômicos na Figura 6, observaremos duas tendências
interessantes nos dados:
1. Em cada coluna (grupo) o número atômico tende a crescer à medida que descemos. Essa tendência resulta
basicamente do aumento do número quântico principal (n) dos elétrons mais externos. Conforme descemos
em um grupo, os elétrons mais externos passam mais tempo afastados do núcleo, fazendo com que o átomo
aumente de tamanho.
2. Em cada período o raio atômico tende a diminuir quando vamos da esquerda para a direita. O principal fator
influenciando essa tendência é o aumento na carga nuclear efetiva (Zef) à medida que nos movemos ao longo
do período. O aumento da carga nuclear efetiva atrai continuamente os elétrons, inclusive os mais externos,
para perto do núcleo, fazendo com que o raio diminua.
3. Observe a figura seguinte e perceba que nos perídos 4, 5 e 6, o decréscimo nos raios atômicos ao longo do
período é moderado pela intervenção da série dos elementos de transição. Por quê? A estruturação de
configurações eletrônicas da série dos elementos de transição é caracterizada por um aumento gradual do
número de elétrons na segunda camada externa (n-1), e não na camada de valência, n. Uma vez que os
elétrons são colocados em (n-1)d, entre o núcleo e a camada de valência, eles protegem parcialmente os
elétrons da camada de valência da força de atração exercida pelo núcleo. Este efeito protetor reduz a carga
nuclear efetiva mantendo os elétrons de valência do átomo. Portanto, ao longo da série dos elementos de
transição, o raio atômico não decresce tão rapidamente como nas série dos elementos representativos. No
final da série dos elementos de transição, a subcamada (n-1)d, se aproxima de sua população máxima, 10
elétrons, aumentando o efeito de blindagem; consequentemente as repulsões inter-eletrônicas entre a camada
(n-1) e a camada de valência acarretam um menor aumento de tamanho. Somente após o preenchimento
completo da subcamada (n-1)d, no término da série dos elementos de transição, os elétrons serão novamente
adicionados à camada de valência. A partir daí, o aumento na carga nuclear efetiva reassume uma
pronunciada contração para o resto do período.
4. Os lantanóides mostram ainda um maior efeito de blindagem pelos elétrons internos. Percorrendo esta série
os elétrons são adicionados à subcamada (n-2)f, enquanto aumenta simultaneamente a carga nuclear. O
aumento do efeito de blindagem da subcamadaf compensa quase completamente o aumento da carga
nuclear, resultando numa pequena contração através da série. De um lantanóide para o próximo, o aumento
do efeito de blindagem exercido pelos elétrons da camada interna resulta num aumento da carga nuclear.
Assim, a contração do raio é de 0,001 nm de um átomo para o outro, mas como eles são 14 elementos na
série, a contração total é de 0,013 nm. Esta contração total é significativa e é denominada contração
lantanódica.
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4.2. Tendências nos tamanhos dos íons
Os tamanhos dos íons são baseados nas distâncias um do outro em compostos iônicos. Como o tamanho
de um átomo, o tamanho de um íon depende de sua carga nuclear, do número de elétrons que ele possui e dos
orbitais nos quais os elétrons de nível mais externo localizam-se. A formação de um cátion desocupa os orbitais
mais extensos em relação ao espaço e também diminui as repulsões totais elétron-elétron. Como consequência,
os cátions são menores que os átomos que lhes dão origem, como ilustrado na Figura 7. O oposto é verdade para
íons negativos (ânions). Quando elétrons são adicionados a um átomo neutro para formar um ânion, o aumento
das repulsões elétron-elétron faz com que os elétrons se espalhem mais no espaço. Assim, os ânions são maiores
que os átomos que lhes dão origem.
Para íons de mesma carga, o tamanho aumenta à medida que descemos um grupo na tabela periódica.
Essa tendência é também vista na Figura 7. À medida que o número quântico principal do orbital mais externo
ocupado de um íon aumenta, o tamanho dele próprio aumenta.
O efeito da variação da carga nuclear nos raios iônicos é visto na variação dos raios em uma série
isoeletrônica de íons. O termo isoeletrônico significa que os íons possuem o mesmo número de elétrons. Por
exemplo, cada íon na série O2–, F–, Na+, Mg2+ e Al3+ tem dez elétrons. A carga nuclear nessa série aumenta
continuamente na ordem listada. (Lembre-se de que a carga no núcleo de um átomo ou íon monoatômico é dada
pelo número atômico do elemento.) Uma vez que o número de elétrons permanece constante, o raio do íon
diminui com o aumento da carga nuclear, à medida que os elétrons estão mais fortemente presos ao núcleo:
––– Aumentando a carga nuclear →
O2– F– Na+ Mg2+ Al3+
1,40 Å 1,33Å 0,97 Å 0,66 Å 0,51Å
––– Diminuindo o raio iônico →
Observe as posições desses elementos na tabela periódica e também seus números atômicos. Os ânions
não-metálicos antecedem o gás nobre Ne na tabela. Os cátions metálicos estão logo após o Ne. O oxigênio, o
maior íon nessa série isoeletrônica, tem o menor número atômico, 8. O alumínio, o menor desses íons, tem o
maior número atômico, 13.
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5. Energias das Subcamadas Atômicas e Colocação dos Elétrons
Nosso objetivo é a compreensão da distribuição dos elétrons nos átomos com muitos elétrons. Estes
átomos podem ser “construídos” colocando-se os elétrons nas camadas (caracterizadas pelo número quântico n)
com as energias crescentes. Dentro de cada camada, os elétrons são colocados nos orbitais da subcamada
(caracterizados pelo número quântico ), na ordem das energias crescentes. Em geral, os elétrons são colocados
de tal maneira que a energia total do átomo seja a menor possível.
5.1. Prova Experimental das Configurações dos Elétrons
Antes de entrar nos detalhes das configurações dos elétrons, é importante ter em mente que a visão da
configuração dos elétrons nos átomos provém da experiência. O modelo ondulatório do átomo é uma tentativa que
tem êxito apreciável na racionalização das observações experimentais.
Vimos que se formam íons positivos pela remoção de um ou de mais de um elétron de um átomo. A energia
necessária neste processo é a energia de ionização.
Primeira energia de ionização Be(g) → Be+(g) + e– (899,4 kJ/mol)
Segunda energia de ionização Be+(g) → Be2+(g) + e– (1757,1 kJ/mol)
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A segunda energia de ionização é
sempre maior que a primeira pois o elétron
é removido de um íon com carga positiva,
enquanto o primeiro elétron é removido de
um átomo neutro.
É possível determinar as energias de
ionização, como as do berílio,
experimentalmente. Podemos plotar estes
dados como a razão entre a segunda e a
primeira energias de ionização de um
elemento em função do número atômico
(Figura 1). (Para o berílio, por exemplo, a
razão é 1.757,1/899,4 = 1,95.) Este gráfico
proporciona excelente demonstração da
configuração dos elétrons em camadas e
subcamadas de diferentes energias.
Também mostra a periodicidade de
propriedades que caracterizam os
elementos químicos.
• O lítio, o sódio e o potássio principiam, cada qual, uma nova fila da tabela periódica e têm as razões das
energias de ionização muito mais elevadas que as dos outros elementos. Podemos concluir desta observação
experimental que um elétron (removido na primeira ionização) ocupa uma nova camada eletrônica, n, cuja
energia é muito mais elevada do que a da camada usada pelos elétrons dos elementos na fila anterior. A
segunda energia de ionização é muito maior, principalmente porque o segundo elétron deve ser removido da
camada n – 1, e esta camada tem energia muito mais baixa que a camada n.
Primeira energia de ionização (513,3 kJ/moI)
Li(g) → Li+(g) + e–
da camada n = 2
Segunda energia de ionização (7298,0 kJ/mol)
Li+(g) → Li2+(g)+ e–
da camada n = 1
• Exceto no caso dos metais alcalinos, a maioria dos elementos tem aproximadamente a mesma razão entre as
energias de ionização (os valores desta razão ficam entre 1, 7 e 3). Podemos interpretar este resultado
admitindo que os dois elétrons removidos, dos elementos berílio até neônio, por exemplo, estão na mesma
camada eletrônica.
• As razões para o boro e o alumínio são ligeiramente maiores que as dos outros elementos da mesma fila da
tabela periódica (excetuando-se, é claro, os metais alcalinos pertinentes). Isto indica que uma subcamada se
completa no Be e no Mg. O boro e o alumínio são os elementos nos quais os elétrons estão numa nova
subcamada que têm energias ligeiramente maiores que as das subcamadas ocupadas pelos elétrons do Be e
do Mg. Então, o primeiro elétron no boro, por exemplo, é removido de uma subcamada da camada n = 2, e o
segundo elétron provém de uma subcamada de energia mais baixa, porém ainda na camada n = 2.
Vamos ver agora como o modelo aceito para a estrutura atômica concorda com as observações
experimentais e suas explicações.
5.2. Ordem das Energias das Subcamadas e Colocação dos Elétrons
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A teoria quântica prevê que a energia do átomo de
H, monoeletrônico, depende somente do valor de n (E =
– Rhc/n2). Para os átomos mais pesados, no entanto, a
situação é mais complexa. O gráfico da energia de
ionização na Figura 1 e a ordem das energias das
subcamadas, determinada experimentalmente na Figura
2, mostram que as energias nos átomos multieletrônicos
dependem de n e de . As subcamadas com n = 3, por
exemplo, têm energias diferentes que estão na ordem 3s
< 3p < 3d.A ordem das energias das subcamadas na Figura
2 e a configuração real dos elétrons dos elementos
levam a duas regras gerais para se determinar a
configuração eletrônica dos elementos em fase gasosa:
• Os elétrons são associados a subcamadas na ordem
dos valores crescentes de “n + ”.
• Dadas duas subcamadas com o mesmo valor de “n +
”, os elétrons entram primeiro na subcamada de
menor n.
Estas regras dizem, por exemplo, que os
elétrons vão para a subcamada 2s (n + = 2 + 0 = 2)
antes de ocuparem a subcamada 2p (n + = 2 + 1 =
3), ou que eles obedecem à ordem de ocupação 3s (n
+ = 3 + 0 = 3) antes de 3p (n + = 3 + 1 = 4) antes
de 3d (n + = 3 + 2 = 5). Significa, também, que os
elétrons enchem a subcamada 4s (n + = 4) antes da
subcamada 3d (n + = 5). Esta ordem de
preenchimento, resumida na Figura 3, é verificada
amplamente pela experiência.
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6. Carga nuclear efetiva
Para entender as propriedades dos átomos,
devemos estar familiarizados não apenas com as
configurações eletrônicas, mas também com a
intensidade da força de atração entre o núcleo e os
elétrons mais externos. A lei de Coulomb de atração
indica que a força da atração entre as duas cargas
elétricas depende da magnitude das cargas e da
distância entre elas. Portanto, a força de atração
entre um elétron e o núcleo depende da magnitude
da carga nuclear líquida agindo no elétron e da
distância média entre o núcleo e o elétron. A força de
atração aumenta na mesma proporção que a carga
nuclear, e diminui à medida que o elétron se afasta
do núcleo.
Em um átomo polieletrônico, cada elétron é simultaneamente atraído pelo núcleo e repelido pelos outros
elétrons. Em geral, existem tantas repulsões elétron-elétron que não podemos analisar exatamente a situação.
Entretanto, podemos estimar a energia de cada elétron considerando como ele interage com o ambiente médio
criado pelo núcleo e os outros elétrons no átomo. Essa abordagem permite-nos tratar cada elétron individualmente
como se ele estivesse se movendo no campo elétrico criado pelo núcleo e pela densidade eletrônica vizinha dos
outros elétrons. Esse campo elétrico é equivalente ao campo gerado por uma carga localizada no núcleo,
chamada carga nuclear efetiva. A carga nuclear efetiva, Z
ef
agindo em um elétron é igual ao número de prótons
no núcleo, Z, menos o número médio de elétrons, S, que está entre o núcleo e o elétron em questão:
Z
ef
= Z – S
Como S representa uma média, não é necessário que ele seja um número inteiro.
Muitas das propriedades dos átomos são determinadas pela carga nuclear efetiva sofrida por seus elétrons
mais externos, ou de valência. Qualquer densidade eletrônica entre o núcleo e um elétron mais externo diminui a
carga nuclear efetiva agindo em um elétron mais externo. Diz-se que a densidade eletrônica relativa aos elétrons
mais internos blinda ou protege os elétrons mais externos da carga total do núcleo. Uma vez que os elétrons mais
internos estão localizados basicamente entre o núcleo e os elétrons mais externos, eles são mais eficientes em
blindar os elétrons mais externos. Por outro lado, os elétrons de mesmo nível dificilmente blindam uns aos outros
da carga do núcleo. Como resultado, a carga nuclear efetiva sofrida pelos elétrons mais externos é determinada
basicamente pela diferença entre a carga do núcleo e a carga dos elétrons internos.
Podemos estimar aproximadamente a carga nuclear efetiva usando a carga nuclear e o número de elétrons
internos. O magnésio (número atômico 12), por exemplo, tem configuração eletrônica [Ne]3s2. A carga nuclear do
átomo é 12+, e a camada mais interna de Ne consiste em dez elétrons. Grosso modo, esperaríamos que cada
elétron mais externo sofresse uma carga nuclear efetiva de aproximadamente 12 –10 = 2+, como mostrado de
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modo simplificado na Figura 4 (a). Entretanto, esse cálculo subestima a carga nuclear efetiva porque os elétrons
mais externos de um átomo têm muitas probabilidades de estar no cerne, como mostrado na Figura 4 (b). De fato,
cálculos mais detalhados indicam que a carga nuclear efetiva agindo nos elétrons mais externos do Mg é na
realidade 3,3+.
A carga nuclear efetiva sofrida pelos elétrons mais externos aumenta quando passamos de elemento para
elemento por um período da tabela. Apesar de o número de elétrons internos permanecerem o mesmo à medida
que nos movemos no período, a carga nuclear real aumenta. Os elétrons de nível mais externo adicionados para
contrabalançar o aumento da carga nuclear blindam uns aos outros com muito pouca eficiência. Logo, a carga
nuclear efetiva aumenta progressivamente. Por exemplo, os elétrons mais internos 1s2 do lítio (1s22s1) blindam os
elétrons mais externos 2s do núcleo carregado 3+ com eficiência satisfatória. Consequentemente, os elétrons
mais externos sofrem carga nuclear efetiva de aproximadamente 3 – 2 = 1 +. Para o berílio (1s2 2s2), a carga
nuclear efetiva sofrida pelos elétrons 2s mais externos é maior; nesse caso, os elétrons mais externos blindam
apenas parcialmente o outro. Dessa forma, a carga nuclear efetiva sofrida por cada elétron 2s é em torno de 4 – 2
= 2+.
Descendo em uma família, a carga nuclear efetiva sofrida pelos elétrons dos níveis mais externos varia
muito menos do que varia ao longo do período. Por exemplo, esperaríamos que a carga nuclear efetiva para os
elétrons mais externos no lítio e no sódio fosse aproximadamente a mesma, em torno de 3 – 2 = 1 + para o lítio e
11–10 = 1+ para o sódio. Entretanto, na realidade, a carga nuclear efetiva aumenta ligeiramente à medida que
descemos na família, porque cernes de elétrons maiores são mais eficientes em blindar da carga nuclear os
elétrons mais externos. Nem por isso a pequena variação na carga nuclear efetiva ocorrida ao se descer na
família é menos relevante que o aumento ocorrido ao longo do período.
7. Energia de ionização
A facilidade com que os elétrons podem ser removidos de um átomo é um indicador importante do
comportamento químico dele. A energia de ionização de um átomo ou íon é a mínima necessária para remover
um elétron de um átomo ou íon gasoso isolado em seu estado fundamental. A primeira energia de ionização, I
1
, é
a energia necessária para remover o primeiro elétron de um átomo neutro. Por exemplo, a primeira energia de
ionização para o átomo de sódio é a energia necessária para o seguinte processo:
Na(g) → Na+(g) + e–
A segunda energia de ionização, I
2
, é a energia necessária para remover o segundo elétron, e assim por
diante, para remoções de elétrons adicionais. Portanto, I
2
, para o átomo de sódio, é a energia associada com o
seguinte processo:
Na+(g) → Na2+(g) + e–
Quanto maior a energia de ionização, mais difícil a remoção de um elétron.
7.1. Variações nas energias de ionização sucessivas
As energias de ionização para os elementos do sódio até o argônio estão relacionadas na Tabela 2.
Observe que elas aumentam de magnitude à medida que os elétrons são removidos: I
1
< I
2
< I
3
etc. Essa
tendência ocorre porque, com cada remoção sucessiva, um elétron é afastado de um íon cada vez mais positivo,
necessitando, por isso, de cada vez mais energia.
A segunda característica importante da Tabela 2 é o aumento brusco na energia de ionização, que ocorre
quando um elétron do nível mais interno é removido. Por exemplo, considere o silício, cuja configuração eletrônica
é 1s2 2s2 2p6 3s2 3p2 ou [Ne] 3s2 3p2.
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As energias de ionização aumentam continuamente de 786 para 4.360 kJ/moI para a perda de quatro
elétrons nos subníveis. A remoção do quinto elétron, que vem do subnível 2p, requer uma quantidade muito maior
de energia: 16.100 kJ/mol. O grande aumento da energia ocorre porque os elétrons 2p do nível mais interno estão
muito mais próximos do núcleo e sofrem carga nuclear efetiva maior que os elétrons 3s e 3p do nível de valência.
Cada elemento exibe um aumento maior na energia de ionização quando os elétrons são removidos de seu
cerne de gás nobre. Essa observação ampara a ideia de que apenas os elétrons mais externos, aqueles além do
cerne de gás nobre, estão envolvidos no compartilhamento e transferência de elétrons que dão origem às ligações
e reações químicas. Os elétrons mais internos estão ligados muito fortemente ao núcleo para serem perdidos pelo
átomo ou até compartilhados com outro átomo.
7.2. Tendências periódicas nas primeiras energias de ionização
Temos visto que a energia de ionização para certo elemento aumenta à medida que removemos elétrons
sucessivamente. Quais as tendências que observamos nas energias de ionização conforme passamos de um
elemento para outro na tabela periódica? A Figura 8 mostra um gráfico de I
1
versus número atômico para os
primeiros 54 elementos. As importantes tendências são como se seguem:
1. Em cada período, I1 geralmente aumenta com o aumento do número atômico. Os metais alcalinos têm a
menor energia de ionização em cada período e os gases nobres, as maiores. Existem pequenas
irregularidades nessa tendência que abordaremos em breve.
2. Em cada grupo a energia de ionização geralmente diminui com o aumento do número atômico. Por exemplo,
as energias de ionização dos gases nobres seguem a seguinte ordem He > Ne > Ar > Kr > Xe.
Tabela 2: Valores das energias de ionização sucessivas, I, para os elementos do sódio até o argônio (kJ/mol)
Elemento I
1
I
2
I
3
I
4
I
5
I
6
I
7
Na 496 4.560 elétrons dos níveis mais internos
Mg 738 1.450 7.730
Al 578 1.820 2.750 11.600
Si 786 1.580 3.230 4.360 16.100
P 1.012 1.900 2.910 4.960 6.270 22.200
S 1.000 2.250 3.360 4.560 7.010 8.500 27.100
Cl 1.251 2.300 3.820 5.160 6.540 9.460 11.000
Ar 1.521 2.670 3.930 5.770 7.240 8.780 12.000
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3. Os elementos representativos
apresentam uma maior faixa de
valores de I1 que os elementos
metálicos de transição. Em geral, as
energias de ionização dos elementos
de transição aumentam
vagarosamente na medida em que
vamos da esquerda para a direita em
um período. Os metais do bloco f, os
quais não estão mostrados na Figura
8 também apresentam apenas uma
pequena variação nos valores de l1.
Informações adicionais sobre as tendências periódicas nas primeiras energias de ionização dos elementos
representativos são ilustradas na Figura 9.
Normalmente, os menores átomos têm energias de ionização maiores. Os fatores que influenciam o
tamanho atômico também influenciam as energias de ionização. A energia necessária para remover um elétron de
um nível mais externo depende tanto da carga nuclear efetiva quanto da distância média do elétron ao núcleo. À
medida que essa atração aumenta, torna-se mais difícil remover o elétron e, assim, a energia de ionização
aumenta.
Conforme nos movemos por um período, existe tanto aumento na carga nuclear efetiva quanto diminuição
no raio atômico, fazendo com que a energia de ionização aumente. Entretanto, à proporção que descemos em
uma coluna, o raio atômico aumenta, enquanto a carga nuclear efetiva varia pouco. Portanto, a atração entre o
núcleo e os elétrons diminui, provocando diminuição na energia de ionização.
As irregularidades dentro de um dado período são um pouco sutis, mas são explicadas facilmente. Por
exemplo, a diminuição na energia de ionização do berílio ([He]2s2) ao boro ([He]2s22p1) ocorre porque os elétrons
no orbital preenchido 2s são mais eficientes em blindar os elétrons no subnível 2p do que são em se blindarem.
Essa é essencialmente a mesma razão pela qual os orbitais 2p de átomos polieletrônicos apresentam energia
mais alta que o 2s. A diminuição na energia de ionização quando passamos do nitrogênio ([He]2s2 2p3) para o
oxigênio ([He]2s2 2p4) é relativa à repulsão dos elétrons emparelhados na configuração p4. (Lembre-se de que, de
acordo com a regra de Hund, cada elétron na configuração p3 localiza-se em diferentes orbitais p.)
8. Afinidades eletrônicas
A energia de ionização mede a energia associada com a remoção de elétrons de um átomo para formar
íons carregados positivamente. Por exemplo, a primeira energia de ionização do Cl(g), 1.251 kJ/mol, é a variação
de energia associada com o seguinte processo:
Energia de ionização: Cl(g) → Cl+(g) + e– ∆E = 1.251 kJ/mol
[Ne]3s23p5 [Ne]3s23p4
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O valor positivo da energia de ionização significa que a energia deve ser fornecida ao átomo para que o
elétron seja removido.
Além disso, muitos átomos podem ganhar elétrons para formar íons carregados negativamente. A variação
de energia que ocorre quando um elétron é adicionado a um átomo gasoso chama-se afinidade eletrônica
porque ela mede a atração, ou afinidade, de um átomo pelo elétron adicionado. Para muitos átomos, a energia é
liberada quando um elétron é adicionado. Por exemplo, a adição de um elétron ao átomo de cloro é acompanhada
por uma variação de energia de – 349 kJ / moI, o sinal negativo indicando que a energia é liberada durante o
processo.
Consequentemente, dizemos que a afinidade eletrônica do Cl é – 349 kJ/mol:2
Afinidade eletrônica: Cl(g) + e– → Cl–(g) ∆E = – 349 kJ/mol
[Ne]3s23p6 [Ne]3s23p64s1
É importante entender as diferenças entre energia de ionização e afinidade eletrônica: a energia de
ionização mede a facilidade com que um átomo perde um elétron, enquanto a afinidade eletrônica mede a
facilidade com que um átomo ganha um elétron.
Quanto maior a atração entre determinado átomo e um elétron adicionado, mais negativa será a afinidade
eletrônica do átomo. Para alguns elementos, como os gases nobres, a afinidade eletrônica tem valor positivo,
significando que o ânion tem energia mais alta do que os átomos e elétrons separados:
Ar(g) + e– → Ar–(g) ∆E > 0
[Ne]3s23p6 [Ne]3s23p64s1
Como ∆E > 0, o íon Ar– é instável e não se forma.
A Figura 10 mostra as afinidades eletrônicas para os elementos representativos dos primeiros cinco
períodos da tabela periódica. A afinidade eletrônica, geralmente, torna-se cada vez mais negativa à proporção que
caminhamos em direção aos halogênios. Os halogênios, que têm um elétron a menos para preencher
completamente o subnível p, apresentam as afinidades eletrônicas mais negativas. Ao ganhar um elétron, um
átomo de halogênio forma um íon negativo estável que tem a configuração de um gás nobre (Equação 2).
Entretanto, a adição de um elétron a umgás nobre necessitaria que esse elétron fosse colocado em um
subnível de mais alta energia (Equação 3). Ocupar um subnível de mais alta energia é energeticamente muito
desfavorável; assim, a afinidade eletrônica é altamente positiva. As afinidades eletrônicas do Be e do Mg são
positivas pela mesma razão; o elétron adicionado estaria localizado em um subnível p anteriormente vazio que é
de mais alta energia.
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As afinidades eletrônicas dos elementos do grupo 5A (N, P, As, Sb) são também interessantes. Uma vez
que esses elementos têm subníveis p preenchidos pela metade, o elétron adicionado deve entrar em um orbital
que já está ocupado, resultando em repulsões elétron-elétron maiores. Como resultado, esses elementos têm
afinidades eletrônicas que são ou positivas (N) ou menos negativas que as de seus vizinhos à esquerda (P, As,
Sb).
As afinidades eletrônicas não variam muito à medida que descemos um grupo. Por exemplo, considere as
afinidades eletrônicas dos halogênios (Figura 10). Para o F, o elétron adicionado entra em um orbital 2p, para o
cloro em um orbital 3p, para o Br em um orbital 4p, e assim por diante. Conforme passamos do F para o I, dessa
forma reduzindo as repulsões elétron-elétron. Uma atração elétron-núcleo é, portanto, contrabalançada por
menores repulsões elétron-elétron.
9. Eletronegatividade
A eletronegatividade deve ser considerada como uma propriedade resultante da energia de ionização e da
eletroafinidade.
Logo, na Tabela Periódica a eletronegatividade deve variar de maneira semelhante à energia de ionização e
à eletroafinidade.
A eletronegatividade dos gases nobres é desconhecida.
10. Reatividade química
Um elemento químico deve ser considerado
muito reativo quando perde ou ganha elétrons com
facilidade. Isso significa que um átomo reage
facilmente quando possui:
a) energia de ionização baixa, pois perde elétrons
facilmente;
b) ou afinidade eletrônica alta, o que indica que
recebe elétrons facilmente.
É óbvio que os gases nobres, muito estáveis, devem ser excluídos também dessa variação.
11. Caráter metálico (Eletropositividade)
A grande característica de um metal consiste em sua capacidade de perder elétrons, por possuir um
pequeno número de elétrons na camada mais externa.
O caráter metálico mede a capacidade de átomo para perder elétrons, e por isso deve ser associado à
energia de ionização.
Temos, assim, a classificação já bem conhecida: metais, semimetais e não-metais.
Eletronegatividade
REATIVIDADE
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O hidrogênio e os gases nobres comumente não são enquadrados nessa classificação.
12. Volume atômico
Volume atômico é o volume ocupado por um moI de átomos do elemento no estado sólido.
Exemplo:
Massa molar do Fe = 55,85 g/mol
1 mol de átomos de ferro pesa 55,85 g.
Densidade do Fe(s) = 7,87 g/cm3 (25oC)
Volume molar do Fe(s) =
3
M 55,85 g/mol
d 7,87 g/ cm
= =
= 7,10 cm3/mol
1 moI de átomos Fe(s) ocupa um volume de 7,10 cm3.
Logo, o Volume Molar do Fe(s) = 7,10 cm3/mol (25º C)
13. Densidade
Os elementos centrais dos últimos períodos da
Tabela são os que possuem maior densidade. O ósmio
(Os), por exemplo, é o mais denso da natureza.
caráter metálico aumenta
a
u
m
e
n
ta
c
a
rá
te
r
m
e
tá
lic
o
S.M. N.M.
VOLUME ATÔMICO
DENSIDADE
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14. Pontos de fusão e de ebulição
Os pontos de fusão e de ebulição dos
elementos na tabela periódica, crescem segundo
o esquema a seguir.
O tungstênio (W) é o metal de maior
ponto de fusão.
O carbono grafite ou diamante também
apresenta alto ponto de fusão, devido à
existência de cadeias.
15. Condutividade elétrica
Os metais são bons condutores.
Os semimetais são maus condutores em condições ambientes.
Os não-metais chegam a ser isolantes em condições ambientes.
O carbono grafite é um condutor razoável, devido à sua estrutura em camadas facilmente deslocalizáveis.
16. Os elementos, sua química e a tabela periódica
As colunas verticais, ou grupos, da tabela periódica contêm os elementos que têm propriedades químicas e
físicas semelhantes e diversos grupos têm nomes particulares que vale a pena conhecer.
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16.1. Grupo 1A: H e os Metais Alcalinos
Li, Na, K, Rb, Cs, Fr
Os elementos da primeira coluna à esquerda, Grupo 1A, são conhecidos como metais alcalinos. Exceto o
hidrogênio, todos são metais e são sólidos na temperatura ambiente. Ao contrário, o hidrogênio, nas condições
normais, é um gás consistindo em moléculas diatômicas (moléculas em que estão presentes dois átomos).
Os metais do Grupo 1A são muito reativos. Por exemplo, eles reagem com a água para dar hidrogênio e
soluções alcalinas (básicas). Graças à reatividade, esses metais só se encontram na natureza, combinados sob a
forma de compostos, nunca na forma de elementos livres. Um composto de sódio (Na), cloreto de sódio (NaCl),
teve um papel importante na história,pois ele é parte fundamental da dieta dos homens e dos animais. Os
compostos do potássio (K) são importantes nutrientes dos vegetais. Além de reatividades semelhantes, todos
esses elementos metálicos formam compostos com o oxigênio que têm fórmulas como A
2
O, em que A é o metal
alcalino: Li
2
O, Na
2
O, K
2
O, Rb
2
O, Cs
2
O. O hidrogênio também forma um composto com a mesma fórmula geral,
H
2
O, água. Esta semelhança de fórmulas foi importante para Mendeleev ao estabelecer a tabela periódica.
16.2. Grupo 2A, Metais Alcalino-terrosos:
Be, Mg, Ca, Sr, Ba, Ra
O segundo grupo a partir da esquerda, Grupo 2A,
também é constituído inteiramente por metais que só
ocorrem naturalmente na forma de compostos. Exceto o
berílio (Be), esses elementos também reagem com a água
para dar soluções alcalinas, e a maior parte dos seus
óxidos (como a cal, CaO) forma soluções alcalinas; por
isso eles são conhecidos como elementos alcalino-
terrosos. O magnésio (Mg) e o cálcio (Ca) são,
respectivamente, o sexto e o quinto elementos mais
abundantes na crosta terrestre (Tabela 3). O cálcio, em
especial, é bastante conhecido. Ele é um dos elementos
mais importantes na constituição dos dentes e dos ossos, e
ocorre em vastos depósitos calcários. O carbonato de
cálcio (CaCO
3
) é o principal constituinte do calcário, dos
corais, das conchas, do mármore e do giz.
*ppm = g por 1.000 kg
O rádio (Ra), o elemento alcalino-terroso mais pesado, é radioativo e usado na radioterapia de certos
tumores cancerosos. Quando os metais alcalino-terrosos combinam-se com o oxigênio, a fórmula geral do produto
é EO, onde E é um dos elementos alcalino-terrosos; por exemplo, o magnésio forma MgO e o cálcio CaO.
16.3. Os Elementos de Transição
Depois do grupo 2A vêm os elementos de transição que preenchem o quarto, quinto e sexto períodos na
parte central da tabeIa. Todos são metais e 13 deles estão entre os 30 elementos mais abundantes da crosta
terrestre. Alguns, como o ferro (Fe), são muito abundantes na natureza (Tabela 4). A maioria deles ocorre
naturalmente na forma de compostos, mas alguns — como a prata (Ag), o ouro (Au) e a platina (Pt) — são muitomenos reativos e, portanto, podem ser encontrados na forma nativa como elementos puros.
Tabela 3. • Os 10 Elementos mais Abundantes da
Crosta Terrestre
Classificação Elemento
Abundância
(ppm)*
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Oxigênio
Silício
Alumínio
Ferro
Cálcio
Sódio
Magnésio
Potássio
Titânio
Hidrogênio
474,000
277,000
82,000
41,000
41,000
23,000
23,000
21,000
5,600
1,520
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Praticamente todos os elementos de transição têm
uso comercial. Eles são usados como materiais estruturais
(ferro, titânio, cromo e cobre); em tintas (titânio e cromo);
em conversores catalíticos de sistemas de exaustão
automotivos (platina e ródio); em moedas (cobre, níquel e
zinco); e em baterias (manganês, níquel, cádmio e
mercúrio).
Alguns elementos de transição também exercem
importantes papéis biológicos. Por exemplo, o ferro, que é
o quarto elemento mais abundante da crosta terrestre (veja
Tabela 4), é o elemento central na química da
hemoglobina, o componente do sangue responsável pelo
transporte do oxigênio e dos citocromos, os agentes
responsáveis pela transferência de elétrons nos seres
vivos.
*ppm = g por 1.000 kg
As duas filas no final da tabela acomodam os lantanídeos [a série de elementos entre o lantânio (57) e o
háfnio (72)] e os actinídeos [a série de elementos entre o actínio (89) e o rutherfórdio (104)]. Alguns compostos
de lantânio são usados em tubos de televisão a cores, o urânio (U) é o combustível das usinas nucleares e o
amerício (Am) é usado em detectores de fumaça.
16.4. Grupo 3A: B, Al, Ga, ln, Tl
O Grupo 3A contém o alumínio, que é um elemento de grande importância comercial. Este elemento,
juntamente com o gálio (Ga), o índio (ln) e o tálio (TI) são metais, enquanto o boro (B) é um metalóide. O alumínio
(AI) é o metal mais abundante na crosta terrestre, constituindo 8,2% de sua massa (ou 82.000 ppm). A sua
abundância só é superada pela do oxigênio e a do silício, não-metais. Estes três elementos encontram-se
combinados em argilas e outros minerais comuns.
O boro ocorre no mineral bórax, que é explorado, por exemplo, no Vale da Morte, Califórnia, para ser usado
como agente de limpeza, anti-séptico e fundente. Um popular produto de limpeza norte-americano, conhecido
como “20 Mule Team Borax” (Bórax-Tiro de 20 Mulas, tem o nome proveniente da mineração do bórax que se
fazia no Vale da Morte, Califórnia, no final do século XIX, onde os pesados vagões carregados de minério eram
puxados por tiros de 20 mulas. O gálio, o índio e o tálio são menos conhecidos, pois têm menos aplicações
significativas. Todos esses elementos formam compostos com o oxigênio com a formula geral X
2
O
3
, como por
exemplo o Al
2
O
3
.
16.5. Grupo 4A: C, Si, Ge, Sn, Pb
Com exceção do boro, todos os elementos que foram descritos até agora são metais. Entretanto, a partir do
Grupo 4A, cresce nos grupos o número de elementos não-metais. O grupo 4A contém um não-metal, carbono
(C), dois metalóides, silício (Si) e germânio (Ge), e dois metais, estanho (Sn) e chumbo (Pb). Diante da variação
do comportamento, de não-metálico para metálico, existem mais variações nas propriedades dos elementos deste
grupo do que na maioria dos outros. Entretanto, todos os elementos deste grupo formam compostos com o
oxigênio com a fórmula geral XO
2
. Exemplos são o dióxido de carbono, CO
2
, normalmente encontrado na forma de
um gás incolor, e o dióxido de silício, SiO
2
, um sólido cuja forma mais conhecida é o quartzo ou areia comum.
O carbono é a base da grande variedade de compostos químicos que constituem os seres vivos. Na Terra,
ele é encontrado na atmosfera como CO
2
, nos carbonatos como o calcário e no carvão de pedra, no petróleo e no
gás natural — os combustíveis fósseis.
Frequentemente, um elemento não-metal pode existir em muitas formas diferentes denominadas alótropos.
Este é um dos aspectos mais interessantes da química dos não-metais. O carbono tem no mínimo três alótropos
(três formas alotrópicas), sendo as mais conhecidas a grafita e o diamante. Na grafita, os átomos de carbono
estão organizados em camadas planas de anéis hexagonais, interligados, de modo que cada átomo de carbono
Tabela 4. • Abundâncias Relativas dos 10 Elementos de
Transição mais abundantes da Crosta Terrestre
Classificação Elemento
Abundância
(ppm)*
4
9
12
18
19
21
23
24
25
26
Ferro
Titânio
Manganês
Zircônio
Vanádio
Cromo
Níquel
Zinco
Cério
Cobre
41.000
5.600
950
190
160
100
80
75
68
50
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tem ligações com três outros da mesma camada. Estas camadas de anéis ligam-se fracamente umas com as
outras, de modo que podem escorregar facilmente. Esta é a razão de a grafita ser mole, ser bom lubrificante e
operar muito bem nos lápis de escrever. (A grafita de um lápis, ou de uma lapiseira, é um compósito constituído
por argila e grafita, que deixa um rastro negro sobre uma folha de papel quando se escreve.) Além disso, os
químicos e engenheiros foram capazes de modelar em fibras as camadas de grafita, conseguindo materiais
extraordinariamente resistentes, que se usam atualmente na fabricação de raquetes de tênis, varas de pescar,
mastros e vergas de embarcações.
Os átomos de carbono nos diamantes também estão organizados em anéis hexagonais, mas cada átomo
está ligado a quatro outros que envolvem o átomo central nos vértices de um tetraedro. Os átomos ligam-se ao
longo de todo sólido como na camada de grafita, porém os anéis de carbono no diamante não podem ser planos.
Esta estrutura faz com que os diamantes sejam extremamente duros, mais densos do que a grafita (d = 3,51 g/cm3
para o diamante e d = 2,22 g/cm3 para a grafita) e quimicamente menos reativos. Os diamantes são excelentes
condutores de calor. Esta propriedade, combinada com a sua dureza, tornam-nos excelentes componentes de
brocas e (de outras ferramentas de corte. A demanda de diamantes industriais é tão grande que se fabricam cerca
de 60 toneladas de diamantes sintéticos anualmente.
Um dos desenvolvimentos mais notáveis da química na última década foi a descoberta de que é possível
crescer filmes finos de diamante. Estes filmes são muito úteis, pois com eles é possível revestir a superfície de
outros materiais com filmes extraordinariamente duros que conduzem calor, mas não eletricidade. Alguns
cientistas acreditam que o desenvolvimento de filmes finos de diamante tem o potencial para ser o maior avanço
na ciência dos materiais desde a invenção do plástico.
O diamante e a grafita são conhecidos há séculos. No final da década de 80, porém foi identificada outra
forma do carbono como componente da fuligem, o material negro que se recolhe quando se queimam
combustíveis carboníferos em atmosfera pobre em oxigênio. Esta substância é constituída por moléculas com 60
átomos de carbono, organizados numa “gaiola” esférica de átomos de carbono. Examinando-se cuidadosamente,
percebe-se que ela se parece com uma bola de futebol; a superfície é constituída por anéis pentagonais e
hexagonais. A forma dessas bolas também lembra aos seus descobridores uma estrutura denominada domo
geodésico, inventada há anos pelo filósofo e engenheiro americano R. Buckminster Fuller. Por isso, o nome oficial
desta forma alotrópica é buckminsterfulereno, mas é comum os químicos denominarem as moléculas C
60
de
fulerenos.
O silício é a base de muitos minerais, como o quartzo, e de bonitas pedras preciosas, como a ametista. O
estanho e o chumbo são conhecidos há séculos, pois são fáceis de extrair dos respectivos minérios. O estanho,ligado ao cobre, constitui o bronze, usado durante séculos na fabricação de utensílios e de armas. O chumbo é
usado em canos de água e também em tintas, embora o elemento seja tóxico para os homens. Há até a
especulação de que a queda do Império Romano tenha sido provocada pelo envenenamento dos romanos pelo
chumbo dos encanamentos de água. O símbolo do chumbo (Pb) vem do latim plumbum.
16.6. Grupo 5A: N, P, As, Sb, Bi
O nitrogênio, na forma de N
2
, constitui cerca de três quartos da atmosfera terrestre, que responde por quase
todo o nitrogênio existente na superfície da Terra. O elemento é essencial à vida, e por isso durante pelo menos
um século pesquisaram-se meios de fixar o nitrogênio atmosférico (formando-se compostos do elemento). A
natureza consegue essa fixação com facilidade nas plantas, porém métodos mais radicais (temperatura elevada,
por exemplo) têm que ser adotados no laboratório para provocar a reação do N
2
com outros elementos.
O fósforo também é essencial à vida, como constituinte importante dos ossos e dentes. O elemento brilha
no escuro, e seu nome, que vem do grego “portador de luz”, reflete esse comportamento. Este elemento também
tem vários alótropos, sendo os mais importantes o fósforo branco e o fósforo vermelho. O fósforo branco entra em
combustão espontaneamente quando exposto ao ar, de modo que ele é normalmente armazenado sob água. Ele
consiste em quatro átomos de fósforo, P
4
, organizados de modo que os átomos de fósforo estão localizados nos
vértices de um tetraedro. A forma alotrópica vermelha é ligeiramente diferente. Neste caso, as unidades
tetraédricas P
4
estão ligadas umas às outras.
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Ambas as formas do fósforo são usadas comercialmente. O fósforo branco é oxidado para formar P
4
O
10
, que
por sua vez reage com a água dando ácido fosfórico (H
3
PO
4
) puro. Este ácido é então usado em produtos
alimentícios, como por exemplo em refrigerantes. O fósforo vermelho também reage com o oxigênio quando
exposto ao ar e, devido a isso, é usado na indústria de fósforos de segurança.
O bismuto é o elemento mais pesado da tabela periódica que não é radioativo; todos os elementos com
número atômico maior do que o do bismuto (83) emitem raios alfa, beta ou gama. Ao contrário dos outros
elementos do Grupo 5A, o bismuto é um metal. Todos os elementos do Grupo 5A formam compostos contendo
oxigênio ou enxofre com as fórmulas gerais E
2
O
3
ou E
2
S
3
. Entre os exemplos citam-se o mineral amarelo-brilhante,
ouro-pigmento (As
2
S
3
) e a estibinita negra (Sb
2
S
3
); esta era usado como cosmético pelas mulheres da antiguidade.
16.7. Grupo 6A: O, S, Se, Te, Po
O Grupo 6A principia com o oxigênio, que constitui cerca de 20% da atmosfera terrestre e combina-se
facilmente com a maioria dos outros elementos. A maior parte da energia que alimenta a vida na Terra provém de
reações nas quais o oxigênio se combina com outras substâncias.
O enxofre é conhecido na forma elementar desde os tempos antigos como “pedra ardente”. O enxofre, o
selênio e o telúrio são denominados calcogênios (da palavra grega khalkos, cobre), pois aparecem nos minérios
de cobre. Os respectivos compostos têm cheiro desagradável e são venenosos. Porém, o enxofre e o selênio são
componentes essenciais da dieta humana. Sem dúvida, o composto mais importante do enxofre é o ácido
sulfúrico, o composto mais fabricado pela indústria química.
Como no Grupo 5A, os elementos do segundo e do terceiro períodos têm estruturas muito diferentes. Do
mesmo modo que o nitrogênio, o oxigênio também é uma molécula diatômica. Ao contrário do nitrogênio, no
entanto, o oxigênio tem um alótropo, o ozônio, O
3
, que é um composto bem conhecido. Por razões que serão
vistas no Módulo 4, esta molécula tem uma estrutura angular. O enxofre, que pode ser encontrado na natureza
como um pó amarelo ou uma substância cristalina, tem muitas formas alotrópicas. O alótropo mais comum é
constituído por anéis com a forma de coroa, tendo oito átomos de enxofre.
O polônio foi isolado em 1898 por Marie e Pierre Curie, que o separaram de toneladas de minério de urânio
e deram seu nome em homenagem ao país natal de Madame Curie, a Polônia.
16.8. Grupo 7A, Halogênios: F, Cl, Br, I, At
Na extrema direita da tabela periódica estão dois grupos constituídos inteiramente por não-metais. Dentro
de cada grupo os elementos são bastante semelhantes, mas cada um é inteiramente diferente dos elementos dos
outros grupos. Os elementos do Grupo 7A — flúor, cloro, bromo e iodo — todos existem como moléculas
diatômicas. Todos se combinam violentamente com os metais alcalinos formando sais, como o sal de cozinha,
NaCl. O nome deste grupo, halogênios, provém do grego hals, sal, e genes, formar. Os halogênios reagem com
muitos outros metais e formam sais, além de se combinarem com a maior parte dos não-metais. Eles estão entre
os mais reativos de todos os elementos.
16.9. Grupo 8A, Gases Nobres:
He, Ne, Ar, Kr, Xe, Rn
Os elementos do Grupo 8A — hélio, neônio, argônio, criptônio, xenônio e radônio — são os elementos
menos reativos. Todos são gases e nenhum deles é muito abundante na Terra ou na atmosfera terrestre. Por isso,
só foram descobertos a partir do final do século XIX. O hélio é o segundo elemento mais abundante no universo,
vindo depois do hidrogênio. Foi descoberto em 1868 pela análise do espectro do Sol e não foi encontrado na Terra
até 1895. (O nome do elemento provém da palavra grega corresponde a sol, helios.) Até 1962, quando se
preparou pela primeira vez um composto de xenônio, pensava-se que nenhum desses elementos poderia
combinar-se quimicamente com um outro elemento. Esta é a razão da denominação gases nobres atribuída a
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este grupo, para significar a ausência geral de reatividade. Pela mesma razão eles também são denominados
gases inertes ou, devido a sua pequena abundância, gases raros.
Devido a sua baixa densidade o gás hélio é utilizado em balões mais leves que o ar. O neônio e o argônio
são usados em anúncios luminosos. O radônio é radioativo e provoca poluição ambiental em edificações, quando
se difunde nos aposentos através das fundações.
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CONFIGURAÇÃO ELETRÔNICA E TABELA
PERIÓDICA
Exercícios de Aprendizagem
1. (uece) Linus Pauling, prêmio Nobel de Física e de
Química (1901-1994), criou um diagrama que permite
fazer a distribuição eletrônica na ordem crescente de
energia. Utilizando o diagrama de Pauling e seus
conhecimentos sobre o tema, assinale o correto.
(A) A configuração eletrônica do Neodímio, no estado
fundamental, é [Xe] 6s14f5.
(B) A quantidade de elétrons desemparelhados no
antimônio é 3 e ele é paramagnético.
(C) A configuração [Ar]4s13d5 representa o estado
excitado de um átomo.
(D) Entre os elétrons do nível quatro de um átomo
polieletrônico, aqueles submetidos a uma maior carga
nuclear efetiva estão no subnível 4d.
2. (uece) Somente cerca de 1% das baterias usadas
dos telefones celulares vai para a reciclagem. No
Brasil, 180 milhões de baterias são descartadas todos
os anos. O problema de tudo isso parar no lixo comum
é a contaminação por metais pesados.
A composição química das baterias varia muito, mas a
mais nociva é a feita de níquel e cádmio (Ni-Cd) que
são metais tóxicos que têm efeito cumulativo e podem
provocar câncer. Sobre esses metaispode-se afirmar,
corretamente, que:
(A) O Ni possui em sua configuração eletrônica, no
estado fundamental o subnível 3d 9.
(B) Ni e Cd são metais de transição, pertencentesao
mesmo grupo.
(C) Na configuração eletrônica do Cd, no estado
fundamental, o 35° elétron está posicionado nos
números quânticos n = 4 e ml = 0.
(D) Ni e Cd são usados em baterias de telefones
celulares porque são metais isótopos.
3. (uece) O quarteto fantástico - Mg, Fe, Cu e Zn - é
poderoso e indispensável porque ativa os mais
complexos mecanismos do nosso corpo. São
encontrados nas carnes, frutas, legumes, verduras,
carboidratos e laticínios. Com respeito a esse quarteto
assinale o correto.
(A) Três pertencem ao 4o período e somente um
pertence ao 5o período da tabela periódica.
(B) O Zn é o que tem menor potencial de ionização.
(C) O Mg possui alta reatividade com o oxigênio e a
água.
(D) Somente Cu e Zn são elementos de transição do
bloco-d.
4. (uece) As pesquisas sobre novos elementos
químicos prosseguem e os cientistas já aventam a
possibilidade da existência do elemento de número
atômico 117. Sobre tal elemento, assinale o correto.
(A) Apresenta 7 níveis eletrônicos.
(B) Seu elétron diferencial apresenta os seguintes
valores de números quânticos: n = 7; = 1; ml = 0 e
ms = -1/2.
(C) É diamagnético.
(D) Pertence à mesma família do enxofre.
5. (Ufpe) As primeiras energias de ionização de K
(Z=19), Ca (Z=20) e S (Z=16) são, respectivamente,
418,8 kJ mol¢, 589,8 kJ mol¢ e 999,6 kJ mol¢.
Alguns comentários sobre estes números podem ser
feitos.
1 - O enxofre apresenta a menor energia de ionização,
pois é o elemento de menor número atômico entre os
três.
2 - A energia de ionização do potássio é a menor, pois
se trata de um elemento com apenas um elétron na
última camada, o que facilita sua remoção.
3 - A energia de ionização do potássio é menor do que
a de cálcio, pois este último apresenta número
atômico maior e dois elétrons de valência, estando
com o mesmo número de camadas eletrônicas.
4 - As energias de ionização do potássio e do cálcio
são mais próximas, pois são elementos vizinhos na
tabela periódica.
Está(ão) correto(s) apenas:
a) 1
b) 2
c) 3 e 4
d) 2 e 4
e) 2, 3 e 4
6. (Ufpr) O modelo atômico de Bohr, apesar de ter
sido considerado obsoleto em poucos anos, trouxe
como principal contribuição o reconhecimento de que
os elétrons ocupam diferentes níveis de energia nos
átomos. O reconhecimento da existência de diferentes
níveis na eletrosfera permitiu explicar, entre outros
fenômenos, a periodicidade química. Modernamente,
reconhece-se que cada nível, por sua vez, pode ser
subdividido em diferentes subníveis. Levando em
consideração o exposto, assinale a alternativa correta.
a) Os três níveis de mais baixa energia podem
acomodar no máximo, respectivamente, 2, 8 e 8
elétrons.
b) O terceiro nível de energia é composto por quatro
subníveis, denominados s, p, d e f.
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c) O que caracteriza os elementos de números
atômicos 11 a 14 é o preenchimento sucessivo de
elétrons no mesmo nível e no mesmo subnível.
d) Os elementos de números atômicos 10, 18, 36 e 54
têm o elétron mais energético no mesmo nível, mas
em diferentes subníveis.
e) O que caracteriza os elementos de números
atômicos 25 a 28 é o preenchimento sucessivo de
elétrons no mesmo nível e no mesmo subnível.
7. (Ufsc) Considere um átomo representado pelo seu
número atômico Z = 58 e em seu estado normal.
É CORRETO afirmar que:
(01) o mesmo possui um total de 20 elétrons em
subnível f.
(02) o primeiro nível de energia com elétrons em
orbitais d é o n = 4.
(04) se um de seus isótopos tiver número de massa
142, o número de nêutrons desse isótopo é 82.
(08) os subníveis 5s 4d 5p 6s 4f não estão escritos na
sua ordem crescente de energia.
(16) sua última camada contém 2 elétrons no total.
(32) um de seus elétrons pode apresentar o seguinte
conjunto de números quânticos: n=2, Ø=0, m=+1,
s=+1/2.
Soma ( )
8. (Ufpe) A eletronegatividade e o raio atômico dos
elementos são duas propriedades periódicas, e,
portanto importantes para a previsão das
características químicas dos compostos. Os primeiros
cinco elementos do grupo 2 (metais alcalinos terrosos)
são: Be, Mg, Ca, Sr e Ba, em ordem crescente do
número atômico. Com o aumento do número atômico
ao longo do grupo, podemos afirmar que:
a) a eletronegatividade e o raio atômico crescem.
b) a eletronegatividade cresce e o raio atômico
decresce.
c) a eletronegatividade e o raio atômico decrescem.
d) a eletronegatividade decresce e o raio atômico
cresce.
e) a eletronegatividade se mantém, enquanto o raio
atômico cresce.
9. (Unirio) "Quando o relógio soar à meia-noite de
hoje, a explosão de 13.480 bombas espalhadas ao
longo da Praia de Copacabana produzirá um show de
luzes e cores no céu carioca, abrindo as portas para o
novo milênio. (...) Partículas de óxidos de MAGNÉSIO
e ALUMÍNIO, resultantes da queima de fogos,
flutuarão na atmosfera podendo ser aspiradas por
algumas pessoas. A inalação dessas substâncias
poderá desencadear acessos de tosse e espirros,
além de reações alérgicas..."
("Jornal do Brasil" / 2000)
Dados:
Mg: grupo 2 (IIA), 3o período
Aℓ: grupo 13 (IIIA), 3o período
Em relação aos dois elementos químicos assinalados
no texto acima, qual a opção correta:
a) O alumínio possui maior raio atômico
b) O magnésio possui maior eletronegatividade
c) O alumínio é um ametal
d) O magnésio possui menor número de prótons
e) O magnésio e o alumínio, na configuração
eletrônica, pertencem ao bloco d
10. (Ufsm) O duralumínio é uma liga metálica formada
pela mistura de vários metais, principalmente o
alumínio e o cobre.
Por ser leve, mas resistente ao desgaste, é usado na
fabricação de peças de bicicletas, carros e aviões.
Analisando as afirmativas em relação aos elementos
ALUMÍNIO e COBRE, assinale verdadeira (V) ou falsa
(F) em cada uma delas.
( ) Os dois são classificados como metais de
transição.
( ) Os dois são elementos com eletronegatividade
alta.
( ) O alumínio se ioniza facilmente, formando íons
positivos.
( ) O cobre tem alta afinidade eletrônica.
A sequência correta é
a) V - F - F - V.
b) F - V - F - V.
c) V - V - F - F.
d) V - F - V - F.
e) F - F - V - F.
11. (Ufg) Os diagramas, a seguir, representam
distribuições eletrônicas para o átomo de nitrogênio:
Considerando-se essas distribuições eletrônicas.
( ) I e II seguem a regra de Hund.
( ) III e IV obedecem ao princípio de Pauli.
( ) II representa a distribuição do estado
fundamental.
( ) em I, dois elétrons possuem o mesmo conjunto
de números quânticos.
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12. (Ufc) A energia de rede (U) para um composto
iônico MX pode ser definida como a energia
necessária para ocorrer a seguinte reação:
MX (s) ë M®(g) + X(g)
Considere os seguintes compostos: NaF, NaCØ, CaF‚,
CaCØ‚, LiF e LiCØ. Com base nas informações,
assinale a alternativa correta.
a) Todos os compostos apresentados são espécies
apolares.
b) A temperatura de fusão do LiCØ é maior que a
temperatura de fusão do LiF.
c) A temperatura de fusão do NaF é menor que a
temperatura de fusão do NaCØ.
d) O módulo da energia de rede do LiCØ é maior que o
módulo da energia de rede do LiF.
e) O módulo da energia de rede do CaF‚ é maior que
o módulo da energia de rede do CaCØ‚.
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PERIÓDICA
Exercícios de Fixação
1. (uece) “Alguns elementos químicos são bastante
utilizados, quer na sua forma elementar, quer como
compostos ou ligas, na indústria musical. Os pratos de
bateria e percussão levam estanho e cobre em sua
composição; o crômio é usado em fitas de gravação;
o alumínio e o magnésio são usados na fabricação
dos suportes de baterias; o bismuto é muito usado na
confecção de fusíveis, os quais se encontram em
amplificadores e pedais de guitarra” (Monografia
apresentada por Paiva, J.A.R. – UECE).
(Obs. Consulte os números atômicos necessários para
resolver as questões da UECE, pois estes são
fornecidos em uma tabela no final da prova)
Sobre esses elementos químicos, pode-se
afirmar, corretamente, que:
(A) Nem todos são metais.
(B) Em seu estado fundamental, o estanho possui o
subnível 5p2.
(C) O subnível 3p6 está presente nos estados
fundamentais do magnésio, do crômio e do cobre.
(D) Alumínio e bismuto pertencem à mesma família
(grupo).
2. (uece) Quatro internautas, em locais diferentes,
iniciaram trocas de mensagens através de seus
endereços eletrônicos (e-mails). As duas primeiras
letras de seus nomes são símbolos de elementos
químicos. As mensagens trocadas, que auxiliam a
identificar o elemento químico, cujo símbolo, é
formado pelas duas primeiras letras do nome de cada
internauta que a passou, foram:
I. usado em letreiros luminosos para propaganda.
II. combina-se com o sódio e o oxigênio para formar
um sal que, em solução aquosa, possui efeito
bactericida; com o hidrogênio forma um ácido forte.
III. de uso geral na indústria elétrica, principalmente
em fios; também é, amplamente, usado nas ligas
metálicas, como o bronze e o latão.
IV. é muito usado em jóias e tem larga aplicação na
douração de objetos.
Seus nomes, na ordem em que estão apresentadas
suas mensagens, podem ser:
(A) Heliomar, Clotilde, Fernando e Nivardo.
(B) Nestor, Breno, Tiquinho, Creuza
(C) Hermes, Flávio, Alfredo, Aurélio.
(D) Nelia, Clarisse, Custódio e Aucimar.
3. (uece) A erva-mate (Ilex paraguariensis), além da
sua importância química bromatológica, é também
matéria-prima de vários subprodutos como celulose,
gomas, glicose, etc. Na sua composição,
encontramse, dentre outros elementos, o cloro, o
enxofre, o fósforo, o cálcio, o magnésio, o potássio, o
sódio, o ferro, o cobre e o manganês. Sobre os
elementos mencionados, podemos afirmar com
absoluta certeza:
(A) São elementos de transição simples o ferro, o
cobre e o manganês.
(B) Pertencem ao mesmo período da tabela periódica
o cloro, o enxofre, o fósforo, o sódio e o manganês.
(C) Para os elementos seguintes, a ordem crescente
de eletronegatividades é: magnésio, cálcio, fósforo,
enxofre e cloro.
(D) São bons condutores de calor e eletricidade,
maleáveis e dúcteis: o enxofre, o fósforo, o cálcio e o
manganês.
4. (Uema) Pesquisas científicas têm mostrado que
desejar um alimento específico nem sempre significa
fome ou até mesmo gula: o seu corpo pode estar
querendo passar uma mensagem, inclusive de
carência de minerais.
Ter vontade de chupar gelo pode ser sinal de anemia
e carência de ferro (z 26);= querer muito comer
queijo, carência de cálcio (z 20);= desejar carne,
carência de zinco (z 30);= chocolate, carência de
magnésio (z 12),= e, vontade por doces, carência de
cromo (z 24).= Esses minerais apresentam elétrons
mais energéticos em seu estado fundamental que
constituem diferenças em relação à configuração
eletrônica, à classificação e à família a que pertencem.
Fonte: Texto adaptado do Jornal O ESTADO DO
MARANHÃO, caderno vida, publicado em: 30 ago.
2014.
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a) Construa a configuração eletrônica para os
elementos cálcio e cromo, justificando as diferenças
existentes.
b) Explique a que família pertencem esses elementos.
5. (Uepg) O número de elétrons do ânion
2X −
de um
elemento X é igual ao número de elétrons do átomo
neutro de um gás nobre, esse átomo de gás nobre
apresenta distribuição eletrônica igual a
2 2 6 2 61s 2s 2p 3s 3p e número de massa 40. Diante
disso, assinale o que for correto.
01) O número atômico do elemento X é 16.
02) Para os átomos do elemento X, o número
quântico secundário dos elétrons do subnível 2p é
2.
04) A eletrosfera dos átomos do elemento X está
dividida em 3 camadas ou níveis com energias
definidas, onde se localizam os elétrons.
08) Átomos do elemento X perdem 2 elétrons para
adquirir a configuração
2X .−
6. (Ifsul) Considere que os átomos dos elementos X
e Z apresentam, respectivamente, os seguintes
conjuntos de números quânticos para seus elétrons de
diferenciação:
Átomo X : n 4;l 0;m 0;s 1 2= = = = +
Átomo Z : n 5;l 1;m 0;s 1 2= = = = +
(Convenção do spin do 1º elétron 1
2
)= −
Qual é a afirmativa correta?
a) O elemento X é um metal alcalino e o elemento Z
é um gás nobre.
b) Os números atômicos dos elementos X e Z são,
respectivamente, 30 e 51.
c) O elemento X possui 2 elétrons de valência e o
Z possui 5 elétrons.
d) A fórmula do composto formado por átomos de X e
Z é 2XZ .
7. (Uece) O Brasil detém 98% das reservas mundiais
de nióbio, que apresenta numerosas aplicações
industriais como, por exemplo, em fabricação de joias,
implantes hiperalergênicos, eletrocerâmicas, imãs
supercondutores, máquinas de ressonância
magnética, ligas metálicas, moedas especiais e na
produção de aço. Sobre o nióbio, analise as
afirmações abaixo e assinale a única alternativa
verdadeira.
a) Seu elétron diferencial se localiza na penúltima
camada.
b) Trata-se de um elemento representativo.
c) Sua eletronegatividade é inferior à do vanádio.
d) Pertence ao quarto período da tabela periódica.
8. (Ucs) Cardiologistas costumam recomendar a
redução no consumo de “sal de cozinha” para pessoas
hipertensas porque ele é a principal fonte de íons
sódio da alimentação. De acordo com dados da
Organização Mundial da Saúde, a população brasileira
consome duas vezes mais sódio do que o valor
recomendado. Esse íon precisa estar em equilíbrio
com o íon potássio, caso contrário pode desencadear
uma série de doenças cardiovasculares. Além disso, o
consumo excessivo do sal de cozinha pode levar a
uma menor absorção de íons cálcio, podendo gerar
problemas como osteoporose e raquitismo.
Tendo como referência o texto acima, assinale a
alternativa correta.
a) A configuração eletrônica de um átomo de sódio no
estado fundamental é igual à de um átomo de
potássio, uma vez que ambos possuem o mesmo
número de elétrons no terceiro nível de energia.
b) Átomos eletricamente neutros de sódio e potássio,
ao perderem um elétron de suas respectivas
camadas de valência, originam respectivamente
íons Na+
e K
+
que são isoeletrônicos.
c) A configuração eletrônica de um átomo de cálcio no
estado fundamental pode ser representada de
maneira simplificada por
2[Kr]4s .
d) O elétron mais afastado do núcleo de um átomo de
potássio no estado fundamental apresenta número
quântico principal igual a quatro e número quântico
secundário igual a zero.
e) Átomos eletricamente neutros de cálcio são
menores do que os respectivos íons
2Ca ,+
uma
vez que o número de prótons nessas espécies
difere de duas unidades.
9. (Uece) A regra de Hund, como o próprio nome
indica, foi formulada pela primeira vez, em 1927, pelo
físico alemão Friedrich Hund. Ele partiu diretamente
da estrutura nuclear, já conhecida e medida, das
moléculas e tentou calcular as orbitais moleculares
adequadas por via direta, resultando na regra de
Hund. Essa regra afirma que a energia de um orbital
incompleto é menor quando nela existe o maiornúmero possível de elétrons com spins paralelos.
Considerando a distribuição eletrônica do átomo de
enxofre em seu estado fundamental (Z 16),= assinale
a opção que apresenta a aplicação correta da regra de
Hund.
a)
2 2 6 2 2 2 01s 2s 2p 3s 3px 3py 3pz
b)
2 2 6 2 2 1 11s 2s 2p 3s 3px 3py 3pz
c)
2 2 6 2 2 0 21s 2s 2p 3s 3px 3py 3pz
d)
2 2 6 2 1 2 11s 2s 2p 3s 3px 3py 3pz
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10. (Uepg) Com relação à estrutura atômica e à
distribuição eletrônica, assinale o que for correto.
Considere: S 1 2 = + e S 1 2. = −
01) Se um cátion divalente tem a configuração
eletrônica 2 63s 3p para o seu último nível
energético, então o átomo correspondente, no
estado fundamental, tem Z 20.=
02) O isótopo 12 do Carbono (Z 6),= no estado
fundamental, tem seu elétron de diferenciação
com números quânticos: n 2,= 1,= m 0,=
m=0, S 1 2.= +
04) Sendo C (Z 17)= e S (Z 16),= então, o ânion
cloreto e o átomo de enxofre, no estado
fundamental, são espécies isoeletrônicas.
08) Um átomo no estado fundamental, com número
atômico igual a 33, apresenta 5 elétrons no
último nível de sua distribuição eletrônica.
16) Um átomo com 22 elétrons e A 48,= no estado
fundamental, apresenta 26 prótons em seu
núcleo.
11. (Ufsm) Os portugueses introduziram hábitos que
marcaram o paladar brasileiro: valorizaram o consumo
do sal e revelaram o açúcar aos africanos e índios do
Brasil. E de Portugal que nossa cozinha adotou os
doces de ovos, goiabada, marmelada, bananada,
figada e outras “adas” que constituem o arsenal
energético das sobremesas.
Muitos desses doces eram produzidos em tachos de
cobre, possibilitando, assim, um melhor
aproveitamento e armazenamento das frutas.
Atualmente, a produção desses alimentos ocorre em
recipientes de aço inoxidável.
Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DE BRASILIA. A
contribuição dos portugueses. ATAN/DAB/SPS/MS.
Sobre o cobre, é correto afirmar:
a) É um metal alcalino e está no quarto período, pois
sua configuração eletrônica é
2 6 2 8 2 8 11s 1p 2s 2p 3s 3p 4s .
b) É um metal alcalino terroso e está no terceiro
período, pois sua configuração eletrônica é
2 2 6 2 6 21s 2s 2p 3s 3p 4s .
c) É um elemento de transição interna e está no
quarto período, pois sua configuração eletrônica é
2 2 6 2 6 2 91s 2s 2p 3s 3p 4s 3d .
d) É um metal de transição externa e está no quarto
período, pois sua configuração eletrônica é
2 2 6 2 6 2 91s 2s 2p 3s 3p 4s 3d .
e) É um ametal da família dos calcogêneos
(“formadores de cobre”) e está no terceiro período,
pois sua configuração eletrônica é
2 2 6 2 6 2 91s 2s 2p 3s 3p 4s 3d .
12. (Uepg) Abaixo são apresentadas as
configurações eletrônicas de quatro átomos:
2 2 5X 1s 2s 2p−
2 2 6 2Y 1s 2s 2p 3s−
2 2 6 2 3W 1s 2s 2p 3s 3p−
2 2 6 2 5Z 1s 2s 2p 3s 3p−
Sobre os átomos apresentados, assinale o que for
correto.
01) O elemento Y pode adquirir configuração de gás
nobre se ganhar dois elétrons.
02) Não existe diferença de energia entre os subníveis
3s e 3p no átomo W, pois a diferença entre
esses subníveis é de 1 elétron.
04) O raio atômico do elemento W é maior do que o
raio atômico do elemento Z.
08) A energia de ionização do elemento X é maior
que a energia de ionização do elemento Y.
16) O elemento Z tem a maior afinidade eletrônica
entre os átomos apresentados.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
No ano de 2014, o Estado de São Paulo vive uma das
maiores crises hídricas de sua história. A fim de elevar
o nível de água de seus reservatórios, a Companhia
de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
(Sabesp) contratou a empresa ModClima para
promover a indução de chuvas artificiais. A técnica de
indução adotada, chamada de bombardeamento de
nuvens ou semeadura ou, ainda, nucleação artificial,
consiste no lançamento em nuvens de substâncias
aglutinadoras que ajudam a formar gotas de água.
(http://exame.abril.com.br. Adaptado.)
13. (Unesp) Uma das substâncias aglutinadoras que
pode ser utilizada para a nucleação artificial de nuvens
é o sal iodeto de prata, de fórmula AgI. Utilizando os
dados fornecidos na Classificação Periódica dos
Elementos, é correto afirmar que o cátion e o ânion do
iodeto de prata possuem, respectivamente,
a) 46 elétrons e 54 elétrons.
b) 48 elétrons e 53 prótons.
c) 46 prótons e 54 elétrons.
d) 47 elétrons e 53 elétrons.
e) 47 prótons e 52 elétrons.
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14. (Puc-rio) Sobre a estrutura atômica, configuração
eletrônica e periodicidade química, é correto afirmar
que:
a) quando o elétron é excitado e ganha energia, ele
salta de uma órbita mais externa para outra mais
interna.
b) sendo o orbital a região mais provável de se
encontrar o elétron, um orbital do subnível p poderá
conter no máximo seis elétrons.
c) o íon Sr£® possui configuração eletrônica 1s£ 2s£ 2p§
3s£ 3p§ 4s£ 3d¢¡ 4p§.
d) devido à sua carga nuclear, o raio atômico do sódio
é menor do que o do cloro.
e) a energia para remover um elétron do átomo de Mg
(1ò energia de ionização) é maior do que aquela
necessária para remover um elétron do íon de Mg¢®
(2 ò energia de ionização).
15. (Pucmg) A sequência de energia de ionização está
INCORRETA em:
a) K > Na > Li
b) K > Rb > Cs
c) F > O > C
d) V > Ca > K
16. (Pucrs) Sobre os elementos químicos genéricos X
e Y que apresentam as distribuições eletrônicas:
X = 1s£ 2s£ 2p§ 3s£ 3p§ 4s£ 3d§
Y = 1s£ 2s£ 2p¥
é correto afirmar que
a) X forma íon de carga 2- .
b) Y forma íon de carga 4+ .
c) X é um metal do grupo 4 da Tabela Periódica.
d) o composto resultante da reação entre X e Y pode
ter fórmula X‚Y.
e) o composto formado por X e Y, ao reagir com água,
forma uma base.
17. (Pucrs) Comparando o cloro e o sódio, os dois
elementos químicos formadores do sal de cozinha, é
correto afirmar que
a) o cloro tem menor energia de ionização.
b) o sódio tem raio atômico maior.
c) o sódio tem maior afinidade eletrônica.
d) os íons de ambos são isoeletrônicos.
e) ambos pertencem ao mesmo grupo da tabela
periódica.
18. (Uece) Os átomos: E, G, J e M apresentam seus
respectivos subníveis mais energéticos, que são:
E - 3d©
G - 3p¥
J - 4f¤
M - 4s¢
Com relação a estes dados assinale a alternativa
correta:
a) G e M formam composto iônico, cuja fórmula é G‚M
b) o íon J®¤ possui como subnível mais energético o
6s£
c) E e J formam composto covalente de fórmula
química E‚Jƒ
d) o elétron do átomo E, com os números quânticos: n
= 4; Ø = 0; mØ = 0 e ms= -¢/‚, pertence ao subnível 4s
19. (Uel) Por meio da configuração eletrônica dos
átomos dos elementos químicos, é possível
caracterizar algumas de suas propriedades. Considere
as configurações eletrônicas dos átomos, em seu
estado fundamental, dos seguintes elementos
químicos:
Elemento X = 1s£ - 2s£ - 2p§ - 3s£
Elemento Y = 1s£ - 2s£ - 2p§ - 3s£ - 3p¦
Elemento W = 1s£ - 2s£ - 2p§ - 3s£ - 3p§
Elemento Z = 1s£ - 2s£ - 2p§ - 3s£ - 3p§ - 4s¢
Em relação aos dados apresentados, é correto
afirmar:
a) Dentre os átomos apresentados, o átomo X
apresenta a menor energia de ionização.
b) O ganho de um elétron pelo átomo Y ocorre com
absorção de energia.
c) O átomo Y tem maior raio que o átomo X.
d) O íon Z® é isoeletrônico ao íon W.
e) A ligação química entre o átomo X e o átomo Y é do
tipo eletrostática.
20. (Uel) Alunos do ensino médio obtiveram dados
referentes ao raio atômico de alguns elementosrepresentativos e, a partir desses resultados,
construíram o gráfico a seguir mostrando os valores
dos raios atômicos dos cinco elementos
representativos e denominados genericamente por A,
B, C, D e E. Esses elementos estão em ordem
crescente e consecutiva de número atômico.
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Com base nos resultados apresentados e nos
conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar:
a) Os elementos B e D pertencem ao mesmo grupo na
tabela periódica.
b) Os elementos A e C são alótropos.
c) Os elementos A e D contêm igual número de níveis
de energia.
d) Os elementos B e E são isótopos.
e) Os elementos C e E possuem o mesmo número de
elétrons na camada de valência.
21. (Ufc) O gálio, que é utilizado na composição dos
"chips" dos computadores, apresenta-se como um
elemento químico de notáveis propriedades. Dentre
estas, destaca-se a de fundir a 30°C e somente
experimentar ebulição a 2403°C, à pressão
atmosférica.
Com relação a este elemento, é correto afirmar que:
a) sua configuração eletrônica, no estado
fundamental, é [Ne]3d¢¡4s£4p¢ , tendendo a formar
ânions.
b) apresenta, no estado fundamental, três elétrons
desemparelhados, encontrando-se sempre no estado
líquido, independente da temperatura.
c) seu íon mais estável é representado por Ga¢¤®,
resultando na mesma configuração eletrônica do
elemento neônio.
d) apresenta-se no estado sólido, em temperaturas
acima de 30°C e, no estado líquido, em temperaturas
abaixo de 2403°C.
e) experimenta processo de fusão ao ser mantido por
um longo período de tempo em contato com a mão de
um ser humano normal.
22. (Ufc) Uma das estratégias da indústria cosmética
na fabricação de desodorantes baseia-se no uso de
substâncias que obstruem os poros da pele humana,
inibindo a sudorese local. Dentre as substâncias
utilizadas, inclui-se o sulfato de alumínio
hexahidratado, AØ‚(SO„)ƒ.6H‚O. A configuração
eletrônica correta do alumínio, tal como se encontra
nessa espécie química, é:
a) idêntica à do elemento neônio
b) 1s£2s£2p§3s£3p¢
c) idêntica a do íon Ca£®
d) 1s£2s£2p¤
e) (1s£2s£2p§)£
23. (Ufc) Compostos de zinco são largamente
utilizados na indústria cosmética. O óxido de zinco
(ZnO), um adstringente típico, é comumente
adicionado aos cosméticos para contrair tecidos e
reduzir a camada oleosa da pele. O peróxido de zinco
(ZnO‚), utilizado em desodorantes, tem a capacidade
de remover odores, através da oxidação de aminas e
ácidos graxos expelidos na sudorese.
Assinale a alternativa correta.
a) As fórmulas empíricas corretas do óxido de zinco e
do peróxido de zinco são ZnO e ZnOƒ,
respectivamente.
b) O óxido de zinco e o peróxido de zinco são
espécies químicas alotrópicas e isoeletrônicas.
c) Nos compostos ZnO e ZnO‚, os respectivos estados
de oxidação do zinco e do oxigênio são idênticos.
d) O óxido de zinco e o peróxido de zinco constituem
exemplos de isômeros geométricos.
e) A configuração eletrônica do zinco, tal como se
apresenta nos compostos ZnO e ZnO‚, é [Ar]3d¢¡.
24. (Ufc) Quando átomos são ionizados, suas
propriedades são alteradas drasticamente. Como
exemplos, podemos relacionar:
I. um agregado de moléculas de bromo (Br‚) possui
coloração vermelha. Já os íons brometos (Br),
presentes nos cristais de brometo de sódio, NaBr, são
incolores;
II. o sódio metálico (Na) reage violentamente com
água (H‚O), enquanto os íons Na® são estáveis em
meio aquoso [Na®(H‚O)Š];
III. moléculas de cloro (CØ‚) constituem um gás
venenoso de coloração verde claro. Já os íons
cloretos (CØ), presentes no sal de cozinha (NaCØ),
são incolores e de baixíssima toxicidade.
Assinale a alternativa correta.
a) Os raios iônicos dos ânions são menores do que os
dos respectivos átomos neutros que os originam.
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b) As propriedades dos átomos e de seus íons de
origem são fortemente dependentes dos elétrons de
valência.
c) As energias de ionizações dos íons são idênticas às
dos respectivos átomos de origem.
d) Os íons sódio hidratados [Na®(H‚O)Š] constituem
um exemplo típico de interações dipolo-dipolo.
e) A energia de ionização do bromo é maior do que a
do cloro, posto que seu raio atômico é maior.
25. (Ufc) O íon cádmio (Cd£®) apresenta elevado grau
de toxidez. Essa observação é atribuída a sua
capacidade de substituir íons Ca£® nos ossos e
dentes, e íons Zn£® em enzimas que contêm enxofre.
Assinale a alternativa que representa corretamente as
configurações eletrônicas dos íons Cd£®, Zn£® e Ca£®,
respectivamente.
a) [Kr]4d¢¡ - [Ar]3d¢¡ - [Ne]3s£3p§
b) [Kr]4d©5s£ - [Ar]3d¢¡ - [Ar]4s¢
c) [Kr]4dª5s¢ - [Ar]3d¢¡4s¢ - [Ar]4s¢
d) [Kr]4d¢¡5s£ - [Ar]3d¢¡4s£ - [Ar]4s£
e) [Kr]4d¢¡5s£5p£ - [Ar]3d¢¡4s£4p£ - [Ne] 3d£4s£
26. (Ufes) Escolha o conjunto dos quatro números
quânticos que podem descrever o elétron mais
energético de um metal alcalino.
OBS: Considere o metal alcalino no estado
fundamental.
a) n = 1, Ø = 0, m = 0, s = - 1/2
b) n = 2, Ø = 0, m = 1, s = - 1/2
c) n = 2, Ø = 0, m = 0, s = 1/2
d) n = 3, Ø = 1, m = 0, s = 1/2
e) n = 3, Ø = 1, m = 1, s = - 1/2
27. (Ufes) Associando-se cada característica (coluna
1), com um elemento da coluna 2,
Coluna 1
I) é gás quimicamente inerte
II) tem configuração eletrônica 1s£ 2s£ 2p§ 3s£ 3p¦.
III) tem baixo potencial de ionização e reage com água
liberando H‚
IV) tem baixo potencial de ionização e forma óxido de
fórmula M‚O
Coluna 2
1) Na (sódio)
2) Ba (bário)
3) Xe (xenônio)
4) CØ (cloro)
tem-se como resultado:
a) I - 3; II - 4; III - 1; IV - 2
b) I - 3; II - 4; III - 2; IV - 1
c) I - 4; II - 3; III - 2; IV - 1
d) I - 4; II - 3; III - 1; IV - 2
e) I - 2; II - 1; III - 3; IV - 4
28. (Ufes) A configuração eletrônica do átomo de ferro
em ordem crescente de energia é
1s£2s£2p§3s£3p§4s£3d§. Na formação do íon Fe£®, o
átomo neutro perde 2 elétrons. A configuração
eletrônica do íon formado é
a) 1s£2s£2p§3s£3p§3d§
b) 1s£2s£2p§3s£3p§4s£3d¥
c) 1s£2s£2p§3s£3p§4s¢3d¦
d) 1s£2s£2p§3s£3p¥4s¢3d§
e) 1s£2s£2p§3s£3p¥4s£3d¦
29. (Uff) Os elementos químicos prestam-se a
inúmeras aplicações relacionadas ao nosso cotidiano.
Para se montar, por exemplo, uma célula fotoelétrica -
dispositivo capaz de gerar uma corrente ou tensão
elétrica, quando excitado por luz - são utilizados para
constituir o anodo, metais como o Rubídio (Rb) e o
Césio (Cs), sobre os quais a luz incidirá.
A utilização desses elementos está no fato de
apresentarem:
a) pequenos raios atômicos.
b) elevados potenciais de ionização.
c) elevada eletroafinidade.
d) elevada eletronegatividade.
e) baixos potenciais de ionização.
30. (Ufg) Goiás possui uma das maiores bacias
leiteiras do País, sendo o município de Piracanjuba
um dos grandes produtores. Atualmente, em virtude
de aspectos ambientais e toxicológicos, tem se
tornado cada vez mais importante a análise de metais
como zinco, cobre, crômio, cádmio, chumbo e
mercúrio no leite. Sobre esses metais, é correto
afirmar que
( ) Hg possui densidade maior que Zn.
( ) Cu forma o hidrato CuSO„.5H‚O, cuja
nomenclatura é sulfato de cobre II penta-hidratado.
( ) Cd e Hg pertencem ao mesmo período.
( ) o raio atômico do Pb é maior que o do Cr.
31. (Ufla) O potássio não ocorre livremente na
natureza e sim na forma combinada. Alguns minerais
do potássio são:
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carnalita (KMgC؃ . 6H‚O);
langbeinita [K‚Mg‚(SO„)ƒ] e silvita (KCØ).
A respeito do elemento químico potássio, é
CORRETO afirmar que
a) é um metal de transição.
b) os átomos podem apresentar estados de oxidação
+1 e +2.
c) o potássio é isoeletrônico do Ar.
d) os seus átomos possuem um elétron na camada de
valência.
32. (Ufmg) Este gráfico apresenta as quatro primeiras
energias de ionização de átomos de um metal
pertencente ao terceiro período da tabela periódica:
Com base nessas informações, é INCORRETO
afirmar que os átomos desse metal apresentam
a) raio atômico maior que o de qualquer dos não-
metais do mesmo período.
b) afinidade eletrônica menor que a de qualquer dos
não-metais do mesmo período.
c) 2 e 8 elétrons nos dois primeiros níveis de energia.
d) 4 elétrons no último nível de energia.
33. (Ufrn) A luz amarela das lâmpadas de vapor de
sódio usadas na iluminação pública é emitida pelo
decaimento da energia de elétrons excitados no átomo
de sódio. No estado fundamental, um certo elétron
deste elemento se encontra no segundo nível de
energia, num orbital p.
Os valores dos números quânticos que podem
caracterizar esse elétron são:
a) n = 2; Ø = 1; m = 2; s = -1/2
b) n = 2; Ø = 2; m = -2; s = -1/2
c) n = 2; Ø = 1; m = -1; s = +1/2
d) n = 2; Ø = 0; m = 0; s = +1/2
34. (Ufrs) Considere as seguintes espécies químicas.
N¤, O£, F, Ne, Na®, Mg£®, Aؤ®
A respeito da estrutura atômica e das propriedades
dessas espécies, são feitas as seguintes afirmações.
I - As espécies são isoeletrônicas, ou seja, todas
apresentam dez elétrons.
II - O gás nobre é a espécie que apresenta o maior
potencial de ionização.
III - A espécie N¤ apresenta o maior raio atômico.
IV - A espécie Aؤ® apresenta o menor raio atômico.
Quais estão corretas?
a) Apenas II.
b) Apenas I e II.
c) Apenas III e IV.
d) Apenas I, II e IV.
e) Apenas I, III e IV.
35. (Ufsm) Sob o ponto de vista químico, o solo se
torna ácido não somente pela oxidação da matéria
orgânica, mas também pela lavagem seletiva de íons
pela água. Sais formados pelos elementos dos grupos
1 e 2 da Tabela Periódica são mais solúveis que os
formados pelos elementos dos outros grupos.
Sabe-se que um solo contendo íons Ca£®, Mg£®, Fe¤®,
Aؤ® será levemente alcalino. Se houver lavagem
seletiva, haverá, preferencialmente, remoção dos íons
Ca£® e Mg£®, e o solo se tornará ácido porque os íons
Fe¤® e Aؤ® reagem com a água, de acordo com as
equações:
Fe¤® + H‚O ë Fe (OH)£® + H®
Aؤ® + H‚O ë AØ (OH)£® + H®
Assinale verdadeira (V) ou falsa (F) em cada
afirmativa a seguir.
( ) Os elementos Fe e AØ são metais
representativos.
( ) O íon Fe¤® tem 2 elétrons na camada de
valência.
( ) O elemento neutro Ca tem raio atômico maior
que o elemento neutro Mg.
( ) O elemento Mg tem potencial de ionização maior
que o elemento AØ.
A sequência correta é
a) V - V - F - F.
b) V - F - V - F.
c) F - V - F - V.
d) F - F - V - F.
e) V - V - F - V.
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36. (Enem 2018) Na mitologia grega, Nióbia era a
filha de Tântalo, dois personagens conhecidos pelo
sofrimento. O elemento químico de número atômico
(Z) igual a 41 tem propriedades químicas e físicas
tão parecidas com as do elemento de número atômico
73 que chegaram a ser confundidos. Por isso, em
homenagem a esses dois personagens da mitologia
grega, foi conferido a esses elementos os nomes de
nióbio (Z 41)= e tântalo (Z 73).= Esses dois
elementos químicos adquiriram grande importância
econômica na metalurgia, na produção de
supercondutores e em outras aplicações na indústria
de ponta, exatamente pelas propriedades químicas e
físicas comuns aos dois.
KEAN, S. A colher que desaparece: e outras histórias
reais de loucura, amor e morte a partir dos elementos
químicos. Rio de Janeiro: Zahar, 2011 (adaptado).
A importância econômica e tecnológica desses
elementos, pela similaridade de suas propriedades
químicas e físicas, deve-se a
a) terem elétrons no subnível f.
b) serem elementos de transição interna.
c) pertencerem ao mesmo grupo na tabela periódica.
d) terem seus elétrons mais externos nos níveis 4 e
5, respectivamente.
e) estarem localizados na família dos alcalinos
terrosos e alcalinos, respectivamente.
MÓDULO 02 - DISTRIBUIÇÃO ELETRÔNICA E
TABELA PERIÓDICA
GABARITOS E RESOLUÇÕES COMENTADAS
1. [B]
Resposta da questão 2. [D]
I) gás nobre neônio
II) o sal é o hipoclorito de sódio NaClO, assim o
elemento químico é o cloro.
III) Cobre. Bronze = cobre e estanho; latão =
zinco e cobre
IV) ouro. Ouro 18 quilates é muito usado em
jóias.
Resposta da questão 3. [A]
a) Verdadeiro:
2 2 6 2 6 2 6
26Fe :1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d (Família 8, 4°
período)
2 2 6 2 6 1 10
29Cu :1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d (Família 11, 4°
período)
2 2 6 2 6 2 5
25Mn :1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d (Família 7, 4°
período)
Fe, Cu e Mn são metais dos grupos (famílias) 8
(8B), 11 (1B) e 7 (7B), respectivamente, sendo
classificados como metais de transição, ou
transição simples, ou transição externa. Os
números atômicos devem ser consultados na
tabela periódica.
b) Falso:
cloro, enxofre, fósforo e sódio, pertencem ao
terceiro período da tabela periódica, enquanto o
manganês pertence ao quarto período.
c) Falso
A eletronegatividade na tabela periódica aumenta
de baixo para cima e da esquerda para a direita,
assim a ordem crescente de eletronegatividade
para os elementos é: Ca < Mg < P < S < Cl.
d) Falso
Os metais cálcio e manganês são bons
condutores de calor e de eletricidade, além de
serem dúcteis e maleáveis. Já os elementos
enxofre e fósforo são ametais, com
características opostas aos metais.
Resposta da questão 4:
a) Configurações eletrônicas do cálcio e do cromo:
=
2 2 6 2 6 2
20
2 elétrons
na camada
de valência
2 elétrons
mais energéticos
Ca : 1s 2s 2p 3s 3p 4s
n 4
+
=
2 2 6 2 6 2 4
24
2 2 6 2 6 1 5
24
5 elétrons1 elétron
energéticosna camada
de valência
Cr : 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d
Cr : 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d
(configuração mais estável)
n 4
b) O ferro (z 26) : família VIIIB ou grupo 8.=
2 2 6 2 6 2 6
26Fe : 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d
O cálcio (z = 20): família IIA ou grupo 2.
2 2 6 2 6 2
20Ca : 1s 2s 2p 3s 3p 4s
O zinco (z 30) : família IIB ou grupo 12.=
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2 2 6 2 6 2 10
30Zn : 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d
O magnésio (z 12) : família IIA ou grupo 2.=
2 2 6 2Mg : 1s 2s 2p 3s12
O cromo pertence à família VIB ou grupo 6.
2 2 6 2 6 2 4
24
2 2 6 2 6 1 5
24
Cr : 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d
Cr : 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d (mais estável)
Resposta da questão 5: 01 + 04 = 05.
[01] Correta. O ânion
2X −
possui de acordo com a
distribuição eletrônica 18 elétrons, caso ele se
torne neutro ficará com 16 elétrons para 16
prótons.
[02] Incorreta. O número quântico secundário do
subnível p será 1.
[04] Correta. O átomo X possui a configuração
eletrônica: 2 2 6 2 41s 2s 2p 3s 3p , com 3 níveis ou
camadas eletrônicas, com energias definidas, onde
estão distribuídos os elétrons.
[08] Incorreta. Os átomos do elemento X, ganham 2
elétrons para adquirir configuração
2X .−
Resposta da questão 6: [D]
s
n 4 (camada principal
0 (subcamada)
X :
m 0
1m
2
=
=
=
= +
camada principal: 4
subcamada: s (pois, s 0, p 1, d 2, f 3)= = = =
−
0
1 1 elétron
2
Assim, teremos que o átomo X possui o elétron de
diferenciação:
24s . Portanto, sua distribuiçãoeletrônica, será:
2 2 6 2 6 21s 2s 2p 3s 3p 4s
nº atômico: 20
pertence ao 4º período da família 2A (metais alcalinos
terrosos).
s
n 5
1
Y:
m 0
1m
2
=
=
=
= +
camada principal: 5
subcamada: p (pois, s 0, p 1, d 2, f 3)= = = =
1 0 1
1 elétron
2
− +
−
Assim, teremos que o átomo Y possui o elétron de
diferenciação 55p
2 2 6 2 6 2 10 6 2 10 51s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 5s 4d 5p
nº atômico: 53
pertence ao 5º período da família 7A (família do
halogênios).
[A] Incorreta. O elemento X é metal alcalino terroso e
Y um halogênio.
[B] Incorreta. Os números atômicos serão 20 e 53,
respectivamente.
[C] Incorreta. O elemento X possui 2e−
na C.V e Y
possui 7e−
na C.V.
[D] Correta. O elemento X pertence a família 2A pode
doar 2e−
e Y, da família 7A, recebe 1e−
cada,
formando o composto: 2XZ .
Resposta da questão 7: [A]
[A] Correta. A distribuição eletrônica do Nióbio será:
2 2 6 2 6 2 10 6 2 3
4Ni 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 5s 4d=
O elétron de diferenciação se localiza em
34d ,
penúltima camada da distribuição desse elemento
(última camada
25s ).
Elétron diferencial é o elétron mais energético, ou
seja, o elétron pertencente ao subnível mais
energético no diagrama de Linus Pauling.
[B] Incorreta. O elemento químico Nióbio apresenta
seu elétron de diferenciação no subnível d,
portanto, trata-se de um elemento de transição
(transição simples ou transição externa).
Para encontrar a família soma-se os elétrons dos
subníveis mais externo (5s2) e mais energético (4d3)
= fanólia 5B ou 5.
[C] Nióbio (Z=41) e Vanádio (Z=23) São da mesma
família, porém o vanádio é do 4º período e o vanádio
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do 5° período. A eletronegatividade nos períodos
aumenta de baixo para cima, desta forma a
eletronegatividade do Vanádio deveria ser maior que a
do Nióbio; Entretanto, consultando uma tabela de
eletronegatividade percebe-se que a eletronegatividade
de ambos é 1,6. Item mal elaborado, exigindo um
conhecimento que não se espera do aluno;
A eletronegatividade (tendência do elemento em atrair
elétrons) do Nióbio seria menor que a do elemento
Vanádio, pois a eletronegatividade aumenta conforme
o raio atômico diminui, sendo assim, quanto maior o
raio atômico, menor será a atração do núcleo pelos
elétrons mais externos e consequentemente menor a
eletronegatividade.
.
[D] Incorreta. De acordo com a distribuição eletrônica
desse elemento, ele pertence ao 5ºP, pois apresenta 5
camadas eletrônicas.
Muitos cursinhos gabaritaram essa questão como tendo
dois itens corretos: A e C
Realmente, espera-se que os itens A e C, sejam
corretos, só uma pesquisa dos valores de
eletronegatividade para saber que na verdade a
eletronegatividade do Vanádio e do Nióbio são iguais
(1,6), o que torna o ítem falso.
Vale a pena lembrar que a UECE não coloca a Tabela
Periódica na sua prova, mas coloca os números
atômicos e de massa de todos os elementos citados na
prova. Então quando faltar o número atômico para
fazer a distribuição eletrônica, consulte uma Tabela
Periódica.
Avance esse nota de rodapé não tem importância
para a Química.
Resposta da questão 8: [D]
O elétron mais afastado do núcleo de um átomo de
potássio no estado fundamental apresenta número
quântico principal igual a quatro e número quântico
secundário igual a zero:
2 2 6 2 6 1
19
camada
de
valência
1
K : 1s 2s 2p 3s 3p 4s
4s
n 4 (número quântico principal)
0 (número quântico secundário ou azimutal)
=
=
Resposta da questão 9: [B]
Teremos:
2 1 1
x y z
2 2 6 2 4
16
3p 3p 3p
S : 1s 2s 2p 3s 3p
Resposta da questão 10: 01 + 02 + 08 = 11.
[01] Correta. O cátion divalente perdeu 2 elétrons,
assim o átomo neutro, possui a seguinte
configuração eletrônica: 2 2 6 2 6 21s 2s 2p 3s 3p 4s ,
portanto, Z 20.=
[02] Correta. O átomo de carbono, possui a seguinte
configuração eletrônica:
2 2 2
6C 1s 2s 2p=
O elétron de diferenciação será:
1− 0 1+
n 2, 1, m 0, S 1/ 2= = = = +
[04] Incorreta. Átomos isoeletrônicos possuem a
mesma quantidade de elétrons, o íon cloreto
possui 18e−
e o átomo neutro de enxofre, possui
16e .−
17
16
C 17 1 18e
S 16e
− −
−
= + =
=
[08] Correta.
2 2 6 2 6 2 10 3
33X 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p=
O último nível (4) possui 5 elétrons.
[16] Incorreta. Um átomo no estado fundamental
possui o mesmo número de prótons e elétrons,
portanto, se possui 26 prótons deveria possuir 26
elétrons.
Resposta da questão 11: [D]
O cobre está localizado no quarto período da família
1B (transição externa) e sua configuração eletrônica é:
2 2 6 2 6 2 9
29Cu 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d
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Porém, elementos cuja distribuição terminam em
9d ,
como o caso do cobre, sofrem um "rearranjo"
eletrônico. Como subníveis 4s e 3d possuem
quantidades de energia próximas, um elétron do
subnível s salta para o subnível d (salto quântico)
tornando o átomo mais estável. Assim sua
configuração eletrônica final será:
2 2 6 2 6 1 10
29Cu 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d (a alternativa
marcada como correta corresponde à distribuição
eletrônica teórica para o átomo de cobre).
Resposta da questão 12:
2 2 5X 1s 2s 2p− - Família 17 (7A) – 2º Período -
Flúor
2 2 6 2Y 1s 2s 2p 3s− - Família 2 (2A) – 3º Período -
Magnésio
2 2 6 2 3W 1s 2s 2p 3s 3p− - Família 15 (5A) – 3º
Período - Fósforo
2 2 6 2 5Z 1s 2s 2p 3s 3p− - Família 17 (7A) – 3º
Período - Cloro
[01] Incorreta. O elemento Y, está localizado na
família 2A e para adquirir configuração de gás
nobre precisa perder 2e .−
[02] Incorreta. A distribuição eletrônica é
ordenada em forma crescente de energia,
portanto, o subnível 3p é mais energético que o
subnível 3s.
[04] Correta. O elemento W pertence a família
5A e o elemento Z a família 7A, como
pertencem ao mesmo período o elemento W é
maior que o elemento Z, pois no mesmo período
o raio atômico cresce da direita para a esquerda.
[08] Correta. O elemento X pertence a família
7A e o elemento Y pertence a família 2A, os
elementos da família 7A, por apresentarem
tendência a ganhar elétrons, possuem alta
energia de ionização. A energia de ionização
cresce nos períodos da esquerda para a direita e
nas famílias de cima para baixo, por isso a
energia de ionização do elemento X (família 17)
é maior que a energia de ionização do elemento
Y (família 2).
[16] Correta. Os elementos X e Z por serem da
família 7ª (17) apresentam alta afinidade
eletrônica. Como regra geral a afinidade
eletrônica cresce de baixo para cima nos
períodos e por isso esperava-se que o flúor
tivesse afinidade eletrônica maior que o o cloro,
porém é o cloro que possui a maior afinidade
eletrônica. (ambos possuem afinidade eletrônica
negativa, pois liberam energia quando recebem
um elétron, por isso os valores devem ser
considerados em módulo).
Porém, o flúor (elemento X possui afinidade
eletrônica menor que o cloro (elemento Z pois, o
raio atômico do flúor é menor que do cloro, assim
ele possui dificuldade em acomodar o elétron
atraído e acaba não liberando tanta energia como
o cloro em sua afinidade eletrônica.
Soma: 04 + 08 + 16 = 28.
Resposta da questão 13: [A]
+
−
2 2 6 2 6 2 10 6 1 10
47
2 2 6 2 6 2 10 6 10
47
2 2 6 2 6 2 10 6 2 10 5
53
2 2 6 2 6 2 10 6 2 10 6
53
Ag : 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 5s 4d
Ag : 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 4d
46 elétrons
I : 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d4p 5s 4d 5p
I : 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 5s 4d 5p
54 elétrons
Resposta da questão 14 [C]
A) falso
Ao receber energia o elétron salta de uma órbita
mais interna para uma mais externa
B) falso
Um orbital só pode conter no máximo 2 elétrons
Não confunda subnível com orbital
D) falso
Sódio e cloro estão no mesmo período da tabela
periódica
No mesmo período o raio atômico aumenta da
direita para a esquerda
O raio do sódio é maior que o do cloro
O zef do sódio é menor, por isso possui o maior
raio
E) falso
A segunda energia de ionização é sempre menor
que a primeira
A segunda energia de ionização vai retirar elétron
de um cátion, que é menor que o átomo dw
origem, assim a segunda e energia de ionização
é maior que a primeira.
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15. [A]
Resposta da questão 16. [E]
A distribuição eletrônica do elemento X é:
2 2 6 2 6 2 6
26X 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d
Subnível mais energético: 3d6
Subnível mais externo: 4s2
4° Período
Família (2+6=8) 8B
Cátions mais estáveis:
+2 2 2 6 2 6 6
26X : 1s 2s 2p 3s 3p 3d (perdeu os 2 elétrons
do subnível mais energético: 4s2)
+3 2 2 6 2 6 5
26X : 1s 2s 2p 3s 3p 3d (Perdeu 1 elétron do
subnível 3d6, que se converteu em 3d5, de forma
que o subnível d ficou semipreenchido, com 5
elétrons, situação de boa estabilidade).
Assim os cátions mais estáveis deste elemento
são: X2+ e X3+
Consultando a tabela periódica, por curiosidade,
constata-se que este elemento é o Fe (Z=26),
que possui os cátions estáveis: Fe2+ e Fe3+
A distribuição eletrônica do elemento Y é:
2 2 4
8X : 1s 2s 2p
2° Período
Família (2+4=6) 6ª ou 16.
ânion mais estável:
−2 2 2 6
8X : 1s 2s 2p (ganhou 2 elétrons para
completar o octeto)
Consultando a tabela periódica, por curiosidade,
constata-se que este elemento é o O (Z=8), que
possui o ânion estável: O2-.
Formação dos compostos iônicos:
X2+ e Y2- = XO
Que corresponde a: Fe2+ e O2- = FeO
Ou X3+ e Y2- = X2O3
Que corresponde a: Fe3+ e O2- = Fe2O3
Os óxidos básicos reagem com a água para
formar as bases correspondentes:
FeO + H2O → Fe(OH)2
FeO3 + H2O → Fe(OH)3
17. [B]
18. [D]
19. [E]
Resposta da questão 20. [C]
O raio atômico cresce nas famílias de cima para
baixo e nos períodos da direita para a esquerda.
Os elementos estão em ordem crescente e
consecutiva de números atômicos e devem
pertencer ao mesmo período, pois o número
atômico vai aumentando e o raio atômico vai
diminuindo progressivamente.
Elemento A: Número atômico Z
Elemento B: Número atômico Z+1
Elemento C: Número atômico Z+2
Elemento D: Número atômico Z+3
Elemento E: Número atômico Z+4
a) Falso; B e D pertencem a grupo (famílias)
diferentes;
b) Falso; A e C não são alótropos, pois não são o
mesmo elemento químico. (Alotropia é o
fenômeno em que um mesmo elemento químico
forma duas ou mais substâncias simples
diferentes. Exemplos: O2 e O3, Cgrafite e
Cdiamate).
c) Verdadeiro; A e D possuem o mesmo número
de níveis (camadas eletrônicas), logo pertencem
ao mesmo período da tabela periódica.
d) Falso; B e D não possuem o mesmo número
atômico;
e) Falso; C e E não possuem o mesmo número
atômico, nem o mesmo número de elétrons.
21. [E]
Resposta da questão 22. [A]
O alumínio tem número atômico 13
Sua distribuição eletrônica é:
1s2 2s2 2p6 3s2 3p1
Porém, o alumínio no sal desta questão está na
forma de cátion Al3+, ou seja, perdeu os três
elétrons da sua última camada para adquirir a
configuração do gás nobre neônio.
Al3+: 1s2 2s2 2p6
O neônio tem número atômico 10, sua
distribuição eletrônica é:
1s2 2s2 2p6
Nessa e outras questões você deve consultar o
número atômico dos elementos químicos
necessários na tabela periódica.
Resposta da questão 23. [E]
O zinco tem nox fixo Zn2+
Nos óxidos o nox do O é 2-
Nos peróxidos o nox do O é 1-
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Assim ZnO é um óxido enquanto ZnO2 é um
peróxido. Em ambos os compostos o nox do Zn é
2+.
A distribuição eletrônica do Zn (Z=30) é:
2 2 6 2 6 2 10
30Zn: 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d
Para fazer a distribuição eletrônica do Zn2+
retiram-se dois elétrons do subnível mais externo
(4s2):
+2 2 2 6 2 6 10
30Zn : 1s 2s 2p 3s 3p 3d
Esta configuração pode ser representada
usando-se o cerne do gás nobre Argônio (Z=18):
+2 10
30Zn : [Ar] 3d
24. [B]
25. [A]
Resposta da questão 26. [C]
Item A
Ou é 1s1 = hidrogênio
Ou é 1s2 = hélio
Nem um dos dois é metal alcalino
O item C subnível mais energético ou é
2s1 ou é 2s2
2s1 é um metal alcalino
O item d o subnível mais energético ou é 3p2 ou
3p5
Isso não é metal alcalino
O item E o subnível mais energético
Ou é 3p3 ou 3p6 que também não são metais
alcalinos
Resposta da questão 27. [B]
Os metais das familias 1 e 2 reagem com água
produzindo gas hidrogênio
Na + H2O ---- NaOH + 1/2JH2
Ba + 2H2O ----- Ba(OH)2 + H2
Para formar o Óxido M2O tem que ser o Sódio
Na1+ e O2- = Na2O
Com o Ba seria
Ba2+ e O2- = BaO
28. [A]
29. [E]
Resposta da questão 30. V V F V
A distribuição eletrônica do Zn (Z=30) é:
2 2 6 2 6 2 10
30Zn: 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d
Família (2+10=12) ou 2B; 4° Período
Sub. mais externo: 4s2
Sub. mais energético: 3d10
A distribuição eletrônica do Hg (Z=80) é:
80
2 2 6 2 6 2 10 6 2 10 6 2 14 10
Hg
1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 5s 4d 5p 6s 4f 5d
Família (6s2 e 5d10; 2+10=12) ou 2B; 6° Período
Sub. mais externo: 6s2
Sub. mais energético: 5d10
A distribuição eletrônica do Pb (Z=82) é:
82
2 2 6 2 6 2 10 6 2 10 6 2 14 10 2
Pb
1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 5s 4d 5p 6s 4f 5d 6p
Família (6s2 e 6p2; 2+2=4A ou 14 ) ; 6° Período
Sub. mais externo: 6p2
Sub. mais energético: 6p2
A distribuição eletrônica do Cd (Z=48) é:
2 2 6 2 6 2 10 6 2 10
48Cd 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 5s 4d
Família (5s2 e 4d10; 2+10=12) ou 2B; 6° Período
Sub. mais externo: 5s2
Sub. mais energético: 4d10
(1) verdadeiro
Zn, Cd e Hg são da mesma família, família 12,
respectivamente do 4°, 5° e 6° períodos. Como a
densidade cresce nas famílias de cima para
baixo, concluísse que o Hg é mais denso que o
Zn.
(2) verdadeiro
CuSO4.5H2O: sulfato de cobre II pentahidratado
CuSO4.5H2O: sulfato cúprico pentahidratado
(3) falso
Cd e Hg são da mesma família, família 12,
respectivamente do 5° e 6° períodos.
(4) verdadeiro
A distribuição eletrônica do Cr (Z=24) é:
2 2 6 2 6 2 4
24
2 2 6 2 6 1 5
24
Cr 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d (teórica)
Cr 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d (real)
Família (4s1 e 3d5; 1+5=6) ou 6B; 4° Período
Sub. mais externo: 4s1
Sub. mais energético: 3d5
O raio atômico do Pb (6° período) é maior que o
do Cr (4° período).
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31. [D]
Resposta da questão 32. [D]
Esse elemento tem 3 elétrons na camada de
valência, porque a quarta energia de ionização é
muito maior que as anteriores
Esse elemento é o Al, pois pertence ao 3 período
da tabela periódica
Veja a distribuição eletrônica
1s2 2s2 2p6 3s2 3p1
Assim o item C é correto
O item D é falso
O elemento possui 3 elétrons na camada de
valência
Resposta da questão 33. [C]
A distribuição eletrônica do Na (Z=11) é:
2 2 6 1
11Na: 1s 2s 2p 3s
O segundo subnível de energia com orbital p é o
subnível 2p
Convenção para a questão o primeiro elétrons do
orbital () terá número de spin igual a + ½ e o o
segundo elétrons do orbital () terá número de
spin igual a - 1/2
O conjunto de números quânticos para cada um
dos seis elétrons do subnível2p é:
2p1: n = 2; l = 1; m = -1; ms = + ½
2p2: n = 2; l = 1; m = 0; ms = + ½
2p3: n = 2; l = 1; m = +1; ms = + ½
2p4: n = 2; l = 1; m = -1; ms = - ½
2p5: n = 2; l = 1; m = 0; ms = - ½
2p6: n = 2; l = 1; m = +1; ms = - ½
Desses seis comjuntos de números quânticos,
apenas o item C possui uma descrição possível
para um dos elétrons do subnível 2p.
Dependendo da convenção usada para o número
de spin esse elétron tanto poderia ser o 2p1,
como o 2p4.
Resposta da questão 34. [E]
I- Correta, todos os íons possuem a mesma
configuração eletrônica do gás nobre Neônio, ou
seja, todas as espécies têm 10 elétrons.
II- Incorreta, Potencial de ionização ou energia de
ionização, corresponde a energia necessária
para retirar um elétron de um elemento ou íon no
seu estado gasoso. A espécie que possui maior
energia de ionização é o Al3+, pois todas as
espécies descritas possuem o mesmo número de
elétrons, todas possuem a mesma configuração
eletrônica, porém o cátion Alumínio é o que
possui maior número de prótons. Com o maior
número de prótons do Alumínio, a atração sobre
seus elétrons é mais forte, sendo portanto, a
espécie de menor raio atômico e maior energia
de ionização.
III- Correta, as espécies possuem mesmo
número de elétrons, mesma configuração
eletrônica. O fator preponderante que determina
o tamanho relativo entre as espécies, é o número
de prótons. Quanto maior o número de prótons,
maior será a atração sobre seus elétrons e menor
será o raio. A espécie que possui o menor
número de prótons é o nitrogênio, portanto é que
possui o maior raio atômico.
IV- Correta, Quanto maior o número de prótons,
menor será o raio atômico de espécies
isoletrônicas. A espécie que possui o maior
número de prótons é o alumínio, portanto é que
possui o menor raio atômico.
35. [D]
Obs.: essa questão é tradicional que somente leva em
conta como varia, de modo geral, a energia de
ionização: aumenta da esquerda para a direita nos
períodos e debaixo para cima nas camadas. Como o
Mg está na família 2 e o Al na família 13. Assim pela
regra geral, o Al teria maior energia de ionização que
o Mg (ambos estão no segundo período da tabela
periódica). Logo a última afirmação seria verdadeira (o
que foi considerado pela questão), sem essa
consideração não haveria item para marcar, deixando
o aluno contextualizado de que está sendo seguida a
regra geral. (apesar de que em níveis mais
aprofundados, nós mostramos na teoria que essa é
uma das opções).
Resposta da questão 36: [C]
A similaridade das propriedades químicas e físicas
dos elementos químicos deve-se ao fato deles
pertencerem a um mesmo grupo ou família da tabela
periódica.
Observação teórica: tanto o nióbio (Nb; Z 41)= como
o tântalo (Ta; Z 73)= estão localizados no grupo 5
ou, anteriormente denominado, grupo VB da tabela
periódica.
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MÓDULO 03 - LIGAÇÕES QUÍMICAS
A ligação química, o assunto deste módulo, é a junção de dois átomos. Forma-se uma ligação química
entre dois átomos se o arranjo resultante dos dois núcleos e seus elétrons tem menos energia do que a energia
total dos átomos separados. Se o abaixamento de energia pode ser obtido pela transferência completa de um ou
mais elétrons de um átomo para o outro, formam-se íons e o composto mantém-se pela atração eletrostática entre
os íons. Este tipo de arranjo é chamado de ligação iônica. O sódio e o cloro, por exemplo, ligam-se porque os
íons Na+ e Cl– que se formam têm, quando juntos, energia menor do que a dos átomos separados de sódio e
cloro. Se a diminuição de energia pode ser atingida pelo compartilhamento de elétrons, os átomos unem-se por
uma ligação covalente para formar moléculas discretas. Átomos de hidrogênio e nitrogênio ligam-se para formar
amônia, NH
3
, porque um gás formado por moléculas de NH
3
tem energia mais baixa do que um gás formado pelo
mesmo número de átomos de nitrogênio e hidrogênio, muito afastados. Um terceiro tipo de ligação é a ligação
metálica, na qual cátions em grande número são mantidos juntos por um número grande de elétrons. Um pedaço
de cobre, por exemplo, é feito de um conjunto de íons cobre mantidos juntos por um mar de elétrons, cada um dos
quais vem de um átomo da amostra.
As mudanças de energia que respondem pela formação de ligações ocorrem quando os elétrons de
valência dos átomos, isto é, os elétrons da camada mais externa, mudam de posição. Podemos, então, explicar a
formação de ligações usando as estruturas eletrônicas dos átomos.
As nossas teorias atuais da ligação química tiveram origem no trabalho de G. N. Lewis, um dos maiores
químicos de todos os tempos. O mais impressionante é que sua contribuição data dos primeiros anos do século
XX, quando a estrutura eletrônica dos átomos ainda não era entendida.
1. Ligações Iônicas
Uma ligação iônica é consequência da atração eletrostática entre íons com cargas opostas. Isto significa
que é necessário entender as mudanças de energia que acompanham a formação dos íons e as interações entre
eles.
1.1. Formação das Ligações Iônicas
Apesar de a existência de íons ter sido prevista por Faraday em 1832 (em seus trabalhos sobre eletrólise), foi
apenas em 1916 que o químico alemão Walrher Kossel realmente explicou esse fato com sua teoria da ligação
iônica.
Vamos entender os princípios da ligação iônica estudando o cloreto de sódio, que pode ser formado pela
violenta reação entre o metal sódio e o gás cloro.
Vejamos numa análise o que ocorre com o átomo de sódio durante a reação:
Observe alguns fatos importantes nesse caso:
• o elétron sai da última camada, denominada camada de valência;
• o cátion Na+ segue a regra do octeto porque tem configuração eletrônica semelhante à do gás nobre neônio
(Ne - ls2 2s2 2p6).
Apesar de a substância cloro ser formada por moléculas Cl2, vamos analisar agora o que ocorre com um
único átomo de cloro.
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Novamente, observe:
• o elétron entra na última camada (3s2 3p5), ou seja, na camada de valência;
• o ânion c1oreto CI- também segue a regra do octeto, adquirindo uma configuração eletrônica semelhante à do
gás nobre argônio (18Ar - ls2 2s2 2p6 3s2 3p6).
Uma vez formados o cátion [Na+] e o ânion [Cl-] que são partículas de cargas opostas, passa a existir entre
eles uma força de atração eletrostática que caracteriza a ligação entre íons, ou seja, a ligação iônica.
Esquematicamente, temos:
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O resultado final da força de atração entre cátions e ânions é a formação de uma substância sólida, em
condições ambientes (25°C, 1 atm).
Há várias maneiras de representar o sólido iônico que constitui o cloreto de sódio.
Não existem moléculas nos sólidos iônicos. O que eles apresentam é um conjunto de íons bem organizados,
em proporção definida, denominado retículo cristalino.
Vejamos agora a ligação entre o cálcio e o flúor:
Como o átomo de cálcio cedeu dois elétrons e o átomo de flúor precisa receber apenas um elétron para
tornar-se estável, serão necessários dois átomos de flúor para comportar os dois elétrons cedidos.
Como uma fórmula iônica é formada por cátions e ânions, sua montagem deve obedecera duas regras
básicas: O cátion sempre aparecerá à esquerda e o ânion à direita.
A fórmula deverá ser eletricamente neutra, ou seja, o número total de cargas positivas deverá ser igual ao
número total de cargas negativas.
número total de cargas + = número total de cargas –
A maioria dos compostos iônicos é solúvel em água Como as atrações iônicas são muito intensas, todos os
compostos iônicos são sólidos com alto ponto de fusão (PF).
A Tabela Periódica é um instrumento muito útil para a previsão geral de ligações químicas. Observando a
posição de dois átomos na Tabela Periódica, por exemplo, podemos ter boas indicações sobre a tendência de
ganhar ou perder elétrons que eles possuem. Isso permite interessantes previsões sobre o tipo de ligação e a
fórmula formada pelos átomos que estamos analisando.
Baseando-nos no fato de que os metais tendem a perder elétrons, enquanto os ametais mostram clara tendência
de receber elétrons, prevemos que a ligação iônica deve ocorrer, por exemplo, entre um metal e um não-metal.
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Essa previsão se dá principalmente entre os átomos dos elementos químicos representativos (das famílias A).
Como a Tabela Periódica nos permite saber qual a carga da maioria dos íons monoatômicos dos elementos
representativos, é possível prever com facilidade a fórmula de vários compostos iônicos.
Veja como se dá esse processo com algumas famílias:
Hidrogênio
Apesar de estar na família 1A. já vimos que o hidrogênio não é um metal, ou seja, não possui tendência de perder
o seu único elétron.
1H 1s1
Na verdade, o átomo de hidrogênio tende a receber um elétron, ficando assim com configuração eletrônica igual à
do gás nobre hélio.
H + e- → H- (ânion)
Como a perda de um elétron originaria um sistema sem elétrons, o íon H+ não é estável no estado isolado.
1.2. Energia da Rede
Embora a formação de um par iônico seja útil para ilustrar as tendências periódicas, é mais realístico pensar
nos compostos iônicos da maneira como eles existem em condições normais. Os compostos iônicos são sólidos e
suas estruturas contêm íons positivos e negativos distribuídos em uma rede tridimensional. Não existem pares
iônicos nestas estruturas.
Para compostos iônicos, a energia da rede é a medida da energia de ligação quando o composto está na
forma cristalina. A energia da rede, E
rede
, é definida como a energia de formação de um moI de um composto
iônico sólido cristalino quando os íons se combinam em fase gasosa:
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104
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Na+(g) + Cl–(g) → NaCl(s) E
rede
= – 786 kJ/mol
A energia da rede para um composto iônico resulta da atração entre os cátions e os ânions em um cristal.
Não é possível medir a energia da rede diretamente, pois a reação que descreve a formação da rede não pode ser
feita em laboratório. No entanto, é possível calcular a energia da rede. O procedimento matemático é um pouco
tedioso, pois se torna necessário incluir todas as interações possíveis entre os cátions e os ânions em um cristal.
As maiores forças atrativas são aquelas entre íons vizinhos de cargas opostas. As forças atrativas entre íons de
cargas opostas que estão mais afastados, bem como as forças de repulsão entre os íons de mesma carga na
rede, também devem ser incluídas no cálculo.
Felizmente, os valores da energia da rede também podem ser determinados a partir de parâmetros
termodinâmicos mensuráveis. Estes cálculos são feitos, normalmente, usando-se os valores da variação de
entalpia das diferentes etapas, o que permite o cálculo da ∆H
rede
. A energia interna (E
rede
) e a variação de entalpia
(∆H
rede
) estão relacionadas através da primeira lei da termodinâmica. A determinação da variação de entalpia da
rede para o NaCl, utilizando este método, está ilustrada a seguir em: Usando o Ciclo de Born-Haber para Calcular
Energias da Rede.
Do mesmo modo que para a E
par iônico
, os valores da ∆H
rede
variam de maneira previsível em função da carga
dos íons. Por exemplo, o valor da ∆H
rede
para o MgO (– 4.050 kJ/mol) é cerca de quatro vezes mais negativo que o
valor para o NaF (–926 kJ/moI), pois as cargas dos íons Mg2+ e O2– são duas vezes maiores que a dos íons Na+ e
F–. O efeito do tamanho do íon na energia da rede também é previsível: Uma rede constituída por íons menores
normalmente tem um valor mais negativo de energia da rede. Para os halogenetos de metais alcalinos, por
exemplo, a energia da rede para um composto de lítio é, normalmente, mais negativa do que para um composto
de potássio.
1.3. Símbolos de Lewis
Lewis inventou uma forma simples de mostrar os elétrons de valência quando os átomos formam ligações
iônicas. Ele representou cada elétron de valência como um ponto e arranjou-os em torno do símbolo do elemento.
Um ponto representa um único elétron em um orbital e um par de pontos representa dois elétrons emparelhados
partilhando o orbital. Eis alguns exemplos dos símbolos de Lewis para os átomos
O símbolo de Lewis para o nitrogênio, por exemplo, representa a configuração dos elétrons de valência
2s22p
x
12p
y
12p
z
1, com dois elétrons emparelhados no orbital 2s e três elétrons desemparelhados nos diferentes
orbitais 2p. O símbolo de Lewis é um resumo visual da configuração dos elétrons de valência de um átomo que
permite acompanhar os elétrons quando um íon se forma.
Para deduzir a fórmula de um composto iônico usando os símbolos de Lewis, representamos primeiro o
cátion pela remoção de pontos do símbolo do átomo do metal. Depois, representamos o ânion transferindo esses
pontos para o símbolo de Lewis do átomo de não-metal, de modo a completar sua camada de valência. Talvez
seja necessário ajustar o número de íons de cada tipo para poder acomodar todos os pontos removidos do
símbolo do átomo do metal nos símbolos dos átomos do não-metal. Por fim, escrevemos a carga de cada íon
como um sobrescrito, na forma usual. Um exemplo simples é a fórmula do cloreto de cálcio:
Muitos átomos de elementos metálicos, como os dos blocos p e d, podem perder um número variável de
elétrons. Eles podem formar compostos diferentes como, no caso do estanho, o óxido de estanho(II), SnO, e o
óxido de estanho(IV), SnO
2
. A possibilidade de um elemento formar vários íons é chamada de valência variável.
H He N O Cl K Mg
Cl + Ca + Cl [ Cl ] Ca [ ]Cl
– 2+ –
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As fórmulas dos compostos formados por íons monoatômicos dos elementos dos grupos principais podem ser
preditas supondo que os cátions perdem todos os seus elétrons de valência e que os ânions incorporam todos
esses elétrons em sua camada de valência, de modo que cada íon passa a ter um octeto de elétrons ou um
dublete, no caso de H, Li e Be. Os átomos de muitos metais dos blocos d e p podem apresentar valência
variável.
2. Ligações Covalentes
A substância flúor é um gás amarelado, muito tóxico e corrosivo. Alguns de seus compostos, entretanto, são
usados na fluoração da água e em cremes dentais, como agentes no combate às cáries.
A análise do gás flúor mostra a existência de moléculas F2.
Apresentando sete elétrons na camada de valência, sabemos que o átomo de flúor é um halogênio (da família 7A)
e, por isso, precisa receber um elétron para tornar-se estável. Observe sua configuração eletrônica:
Mas como pode haver uma ligação química entre dois átomos que precisamreceber elétrons?
A solução veio com a teoria da ligação covalente, proposta por Lewis em 1916. Por essa teoria, ele propunha a
existência de um par de elétrons que pertenceria a ambos os átomos da ligação.
Lewis propunha também que somente os elétrons da última camada deveriam ser representados ao redor do
símbolo do elemento.
Quando dois átomos isolados estivessem suficientemente próximos, teríamos a formação de um par
eletrônico, que passaria a pertencer a ambos os átomos da ligação, ou seja, haveria entre eles um
compartilhamento de elétrons.
Observe que, após essa ligação, cada átomo de flúor passa a possuir oito elétrons na última camada, como
um gás nobre. A essa união entre dois átomos, por meio de pares eletrônicos, chamamos de ligação covalente.
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Com a teoria de Lewis, as substâncias que possuíssem apenas ligações covalentes passaram a ser
chamadas de substâncias moleculares. Surgiu, assim, um conceito microscópico de molécula.
Molécula é um conjunto de átomos unidos através de ligações covalentes.
A ligação covalente pode ser representada através da sua fórmula eletrônica ou de sua fórmula estrutural
plana.
2.1. Ligações simples
a) A molécula de H2
Em estado fundamental, a configuração eletrônica de um átomo de hidrogênio é 1s1, pois ele precisa receber
um elétron para adquirir a configuração do gás nobre hélio.
1H 1s1
Assim, a ligação covalente entre dois átomos de hidrogênio deverá ser estabelecida com a formação de um
par eletrônico, de modo que cada átomo da molécula H2 possua um total de dois elétrons.
A ligação covalente que ocorre com um único par eletrônico é denominada ligação covalente simples ou
apenas ligação simples.
Na ligação cova lente entre átomos iguais os núcleos não se tocam. Há entre eles uma distância denominada
distância de ligação. A metade do valor dessa distância corresponde ao raio médio do átomo na ligação covalente
b) A molécula H2O
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Como um átomo de oxigênio precisa receber dois elétrons para tornar-se estável, a molécula H2O deverá
apresentar duas ligações simples. Observe:
2.2. Ligações duplas
a) A molécula (CO2)
No caso da molécula CO2, temos um átomo de carbono que precisa receber quatro elétrons para tornar-se
estável, enquanto o oxigênio precisa receber apenas dois elétrons.
Para resolver essa situação aparentemente complicada, é preciso formar dois pares eletrônicos entre o
carbono e o oxigênio, de modo que a molécula CO2 seja constituída a partir de duas ligações duplas.
A ligação covalente que ocorre da união de dois pares eletrônicos é chamada de ligação covalente dupla ou
simplesmente ligação dupla.
2.3. Ligações triplas
a) A molécula N2
Há situações em que a ligação covalente ocorre com formação de três pares eletrônicos.
Veja, por exemplo, o caso da molécula N2.
O átomo de nitrogênio pertence à família 5A e possui, portanto, cinco elétrons de valência. A estabilização
entre dois átomos de nitrogênio exige a formação de três pares eletrônicos.
2.4. Ligação covalente e tabela periódica
Já vimos que átomos com elevada energia de ionização tendem a receber elétrons, formar ânions ou compartilhar
elétrons com outros átomos em ligações covalentes.
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Na Tabela Periódica, os átomos com energia de ionização elevada são os não-metais e os semimetais.
Como o átomo de hidrogênio receberá sempre um único elétron ao ligar-se com qualquer tipo de elemento
químico, temos:
Qualquer composto formado a partir do hidrogênio e um outro elemento químico é chamado de hidreto.
Considerando que um átomo liga-se sempre ao número necessário de hidrogênios para completar o seu octeto,
as fórmulas de alguns hidretos podem ser facilmente previstas, utilizando a classificação periódica. Observe a
tabela.
2.5. Ligação covalente coordenada (ligação dativa)
a) A molécula SO2
O dióxido de enxofre, SO2 é um forte poluente do ar, obtido na queima do enxofre presente em combustíveis
fósseis, como o carvão e o petróleo.
Os átomos de enxofre e oxigênio pertencem à família 6A e possuem seis elétrons na última camada.
Acompanhe a construção da fórmula eletrônica do dióxido de enxofre:
1 ª etapa: ocorre uma ligação dupla entre o átomo de enxofre e um dos átomos de oxigênio, de acordo com a
regra do octeto.
2ª etapa: o outro átomo de oxigênio compartilha um par de elétrons cedido pelo enxofre. Esta será a ligação
dativa:
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De modo geral, a ligação dativa é representada por uma seta orientada do átomo que cede para o átomo que
recebe o par eletrônico
No estudo da ligação dativa, os químicos utilizam as expressões "ceder" e "receber" apenas para indicar a origem
do par eletrônico que origina a ligação. O que existe, na verdade, é um compartilhamento de elétrons.
A ligação covalente coordenada (dativa) ocorre geralmente nas seguintes condições:
b) Os Cátions H3O+ e NH4
+
O íon H+ corresponde a um átomo de hidrogênio sem elétrons, ou seja, ele não possui eletrosfera e, por isso,
pode ser considerado um próton.
Logo, o íon H+ precisa receber dois elétrons para ficar com a configuração eletrônica semelhante à do gás
nobre hélio.
A estabilização do íon H+ pode se dar pela união com outras moléculas, tais como H2O ou NH3.
O Cátion NH4
+
O cátion amônio (NH4
+) é formado quando uma molécula de amônia (NH3) se une a um íon H+. Observe
A ligação dativa ocorre quando o íon H+ passa a compartilhar o par eletrônico isolado do átomo de nitrogênio
O Cátion H3O+
Este cátion é o resultado da união de um íon H+ com uma molécula H2O.
H2O + H+ → H3O+
A ligação entre essas partículas ocorre quando o íon H+ passa a compartilhar um dos pares eletrônicos isolados
da molécula H2O. Veja:
A fórmula estrutural plana é:
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2.6. Estruturas de Lewis
Quando uma ligação iônica se forma, um átomo perde elétrons e outro os recebe até que ambos os átomos
atinjam a configuração de um gás nobre – um dublete para os elementos vizinhos do hélio e um octeto para os
demais. A mesma ideia pode ser estendida às ligações covalentes. Entretanto, quando uma ligação covalente se
forma, os átomos compartilham elétrons até atingir a configuração de um gás nobre. Lewis chamou este princípio
de regra do octeto: na formação de uma ligação covalente, os átomos tendem a completar seus octetos pelo
compartilhamento de elétrons. O nitrogênio, por exemplo, ( ), tem cinco elétrons de valência e utiliza mais três
para completar o octeto. O cloro ( ) tem sete elétrons de valência e usa mais um para completar o octeto. O
argônio ( ) já tem um octeto completo e não compartilha elétrons. O hidrogênio ( ) utiliza mais um elétron
para chegar ao dublete do hélio. Como o hidrogênio completa o dublete pelo compartilhamento de um par de
elétrons, dizemos que ele tem “valência” igual a 1 em todos os seus compostos. Em geral, a valência de um
átomo é igual ao número de ligações que ele pode formar.
Podemos usar os símbolosde Lewis, que vimos acima, para descrever ligações covalentes com uma linha
(—) para representar o par de elétrons compartilhado. Assim, a molécula de hidrogênio, formada por dois átomos
de hidrogênio é representada pelo símbolo H — H. Um átomo de flúor tem sete elétrons de valência e utiliza mais
um para completar o octeto. Isto pode acontecer pelo compartilhamento de um elétron fornecido por outro átomo
como, por exemplo, um outro átomo de flúor:
Os círculos foram desenhados em torno de cada átomo de F para mostrar que cada um adquire um octeto pelo
compartilhamento de um par. A valência do flúor é, então, igual a um, como a do hidrogênio.
A molécula de flúor possui pares isolados de elétrons, isto é, pares de elétrons de valência que não
participam diretamente das ligações. Os três pares isolados de cada átomo de flúor ligado repelem-se, e essa
repulsão é quase suficiente para compensar a atração favorável do par ligante que mantém a molécula de F
2
unida. Essa repulsão é uma das razões da alta reatividade do gás flúor: a ligação entre os átomos das moléculas
de F
2
são muito fracas. Dentre as moléculas diatômicas comuns, somente o H
2
não tem pares isolados.
A estrutura de Lewis de uma molécula representa os átomos por seus símbolos químicos, as ligações
covalentes por linhas e os pares isolados por pares de pontos. Assim, a estrutura de Lewis do HF é . Veremos
que as estruturas de Lewis ajudam muito no entendimento das propriedades das moléculas, incluindo suas formas
e suas possíveis reações.
Os átomos de não-metais compartilham elétrons até que cada um deles complete o octeto (ou dublete). Uma
estrutura de Lewis mostra o arranjo dos elétrons como linhas (pares ligados) e pontos (pares isolados).
2.7. Estruturas de Lewis de Espécies Poliatômicas
Cada átomo em uma molécula poliatômica completa seu octeto (ou dublete, no caso do hidrogênio) pelo
compartilhamento de pares de elétrons com seus vizinhos mais próximos. Cada par compartilhado corresponde a
uma ligação covalente e é representado por uma linha entre os dois átomos. A estrutura de Lewis não retrata a
forma da molécula: ela simplesmente indica que átomos se ligam e quais têm pares isolados.
N
Cl
Ar H
F
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Vamos escrever a estrutura de Lewis da molécula orgânica mais simples, o hidrocarboneto metano, CH
4
.
Comecemos por contar os elétrons de valência disponíveis de todos os átomos na molécula. No caso do metano,
os símbolos de Lewis dos átomos são
logo, existem oito elétrons de valência. O próximo passo é arranjar os pontos, representando os elétrons de forma
a que o átomo de C tenha um octeto e, cada átomo de H, um dublete. Como o carbono forma quatro ligações com
outros átomos, dizemos que o carbono é tetravalente, isto é, tem valência 4. Enfatizamos, novamente, que a
estrutura de Lewis não mostra a forma da molécula, somente o padrão das ligações.
Um par de elétrons emparelhado é chamado de ligação simples. Dois átomos, entretanto, podem
compartilhar dois ou três pares de elétrons. Quando dois pares de elétrons são compartilhados entre dois átomos,
tem-se uma ligação dupla. Três pares de elétrons compartilhados formam uma ligação tripla. Uma ligação dupla,
como , é escrita C=O, em uma estrutura de Lewis. De modo semelhante, uma ligação tripla, como , é
escrita CC. As ligações duplas e triplas são coletivamente chamadas de ligações múltiplas. Como no caso das
ligações simples, cada linha representa um par de elétrons. Assim, uma ligação dupla envolve um total de quatro
elétrons e, uma ligação tripla, seis elétrons. A ordem de ligação é o número de ligações que une um par
específico de átomos. Logo, a ordem de ligação em H
2
é 1, no grupo C=O é 2, e em CC, como no etino, é 3.
Para escrever uma estrutura de Lewis, é necessário saber que átomos estão ligados entre si na molécula.
Um átomo “terminal” liga-se a somente um átomo. Os H do metano são um exemplo. Um átomo “central” é um
átomo que se liga a pelo menos dois outros. Dois exemplos de átomos centrais são o átomo O da molécula da
água, H
2
O, e o átomo C do metano, CH
4
. A estrutura geral da molécula e a identidade do átomo central é
conhecida com frequência de antemão, mas, se houver dúvida, uma boa regra é escolher como átomo central o
elemento com a mais baixa energia de ionização. Este arranjo frequentemente conduz ao mínimo de energia,
porque um átomo central compartilha mais elétrons do que um átomo terminal. Os átomos com maiores energias
de ionização são mais relutantes em compartilhar e mais propensos a manter seus elétrons como pares isolados.
Exceto nos compostos estranhos, chamados de boranos, o hidrogênio nunca é central, porque ele só pode formar
uma ligação.
Uma outra boa regra para predizer a estrutura de uma molécula é arranjar os átomos simetricamente em
torno do átomo central. Por exemplo, SO
2
é OSO, não SOO. Uma exceção comum a essa regra é o monóxido de
dinitrogênio, N
2
O (óxido nitroso), que tem o arranjo assimétrico NNO. Outra pista é que, em fórmulas químicas
simples, o átomo central é frequentemente escrito primeiro, seguindo-se os átomos a ele ligados. Por exemplo, no
composto cuja fórmula química é OF
2
, o arranjo dos átomos é FOF e não OFF; e, no SF
6
, o átomo S está rodeado
por seis átomos F. A água, H
2
O, e o sulfeto de hidrogênio, H
2
S, são duas exceções porque eles são HOH e HSH,
respectivamente. Se o composto é um oxoácido, os átomos de hidrogênio ácidos ligam-se aos átomos de
oxigênio, que, por sua vez, ligam-se ao átomo central. Assim, o ácido sulfúrico, H
2
SO
4
, tem a estrutura (HO)
2
SO
2
e
o ácido hipocloroso, HClO, tem a estrutura HOCl.
Os íons poliatômicos, como o íon amônio, ou o íon sulfato, são mantidos juntos por ligações iônicas.
Usaremos o mesmo procedimento geral para determinar a estrutura de Lewis de íons poliatômicos. Começamos
por contar os pontos disponíveis para as ligações e os pares isolados, depois, arranjamos os átomos na ordem
apropriada e, então, escrevemos a estrutura de Lewis. No caso dos oxoânions, normalmente (exceto para H) o
átomo escrito primeiro na fórmula química é o átomo central. Em
2
4SO −
, por exemplo, o átomo S está rodeado
por quatro átomos O. Cada átomo contribui com um número de pontos (elétrons) igual ao número de elétrons de
sua camada de valência, mas é preciso ajustar o número total de pontos para representar a carga total. No caso
de um cátion, subtraímos um ponto para cada carga positiva. No caso de um ânion, adicionamos um ponto para
cada carga negativa. O cátion e o ânion têm de ser tratados separadamente porque eles são íons separados, isto
é, não se ligam por pares compartilhados. A estrutura de Lewis do sulfato de amônio, (NH
4
)
2
SO
4
, por exemplo, é
escrita como três íons entre colchetes.
C H H H H
C O C C
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Procuramos maneiras de usar todos os elétrons de valência para completar os octetos (ou dubletes).
PROCEDIMENTO:
Etapa 1: Conte o número de elétrons de valência em cada átomo. No caso de íons, ajuste o número de elétrons
para levar em conta a carga. Divida o número total de elétrons da molécula por 2 para obter o número de pares de
elétrons.
Etapa 2: Escreva os arranjos mais prováveis dos átomos usando padrões comuns e as regras dadas no texto.
Etapa 3: Coloque um par de elétrons entre cada par de átomos ligados.
Etapa 4: Complete o octeto (ou dublete, no caso de H) de cada átomo colocando os pares de elétrons
remanescentes em torno dos átomos. Se não existirem pares de elétrons suficientes,forme ligações múltiplas.
Etapa 5: Represente cada par de elétrons ligados por uma linha. Para conferir a validade de uma estrutura de
Lewis, observe se cada átomo tem um octeto ou um dublete.
Obtém-se a estrutura de Lewis de espécies poliatômicas usando-se todos os elétrons de valência para
completar os octetos (ou dubletes) dos átomos presentes, de modo a formar ligações simples ou múltiplas e a
deixar alguns elétrons como pares isolados.
3. Ressonância
Algumas moléculas têm estruturas que não podem ser expressas corretamente por uma única estrutura de
Lewis. Vejamos, por exemplo, o íon nitrato, 3NO− , que é usado, na forma de nitrato de potássio, em fogos de
artifício e em fertilizantes. As três estruturas de Lewis mostradas a seguir diferem somente na posição da ligação
dupla. Elas são igualmente válidas e têm exatamente a mesma energia. Se uma delas fosse correta e as outras
não, deveríamos esperar duas ligações simples, mais longas, e uma ligação dupla, mais curta, porque uma
ligação dupla entre dois átomos é mais curta do que uma ligação simples entre os mesmos tipos de átomos.
Entretanto, a evidência experimental é que as ligações do íon nitrato são todas iguais. A distância é124 pm, o que
as torna mais longas do que uma ligação dupla N = O típica (120 pm), porém mais curtas do que uma ligação
simples N – O típica (140 pm). A ordem de ligação no íon nitrato está entre 1 (uma ligação simples) e 2 (uma
ligação dupla).
Como as três ligações são idênticas, um modelo melhor para o íon nitrato é uma fusão das três estruturas
de Lewis, com cada ligação tendo propriedades intermediárias entre uma simples e uma dupla. Essa fusão de
estruturas é chamada de ressonância e é indicada na figura a seguir por setas de duas pontas. A estrutura
resultante da fusão é um híbrido de ressonância das estruturas de Lewis que contribuem. A molécula não oscila
entre as três estruturas de Lewis diferentes: um híbrido de ressonância é uma fusão de estruturas, da mesma
forma que uma mula é uma fusão entre um cavalo e um burro e não uma criatura que se alterna entre os dois.
Íon nitrato, NO
3
–
Os elétrons que podem ocupar posições diferentes nas estruturas de ressonância são chamados de
elétrons deslocalizados. A deslocalização significa que o par de elétrons compartilhado distribui-se por diversos
pares de átomos e não pode ser relacionado a apenas um par de átomos.
Sulfato de amônio, [NH ) SO4 2 4
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O benzeno, C
6
H
6
, é outra substância cuja molécula é melhor descrita por um híbrido de ressonância. Ela é
um anel hexagonal de seis átomos de carbono, com um átomo de hidrogênio ligado a cada um. Uma das
estruturas de Lewis que contribui para o híbrido de ressonância, mostrada a seguir é conhecida como estrutura
de Kekulé. A estrutura é normalmente escrita com uma estrutura de linhas, um hexágono com linhas simples e
duplas alternadas.
C
C
C
C
C
C
H
H
H
H
H
H
Estrutura de Kekulé Estrutura de Kekulé
O químico alemão Friedrich Kekulé foi o primeiro a propor (em 1865) que o benzeno tem uma
estrutura cíclica com ligações simples e duplas alternadas.
A dificuldade com uma única estrutura de Kekulé é que ela não explica todas as evidências experimentais:
• Reatividade: O benzeno não sofre as reações típicas de compostos com ligações duplas.
Por exemplo, quando uma solução de bromo, marrom-avermelhado, é misturada com um alqueno como o 1-
hexeno, CH
2
=CHCH
2
CH
2
CH
2
CH
3
, a cor do bromo desaparece porque as moléculas de Br
2
atacam as ligações
duplas para produzir CH
2
Br– CHBrCH
2
CH
2
CH
2
CH
3
. O benzeno, entretanto, não descora o bromo.
• Comprimento de ligação: Todas as ligações carbono-carbono têm o mesmo comprimento.
A estrutura de Kekulé sugere que o benzeno deveria ter dois comprimentos de ligação diferentes: três ligações
simples mais longas (154 pm) e três ligações duplas mais curtas (134 pm). Na verdade, as ligações têm,
experimentalmente, o mesmo comprimento, intermediário entre as duas (139 pm).
• Evidência estrutural: Só existe um dicloro-benzeno no qual os dois átomos de cloro estão ligados a carbonos
adjacentes.
Se a estrutura de Kekulé estivesse correta, deveriam existir dois dicloro-benzenos distintos com os átomos de
cloro ligados a carbonos adjacentes, uma com os átomos de carbono unidos por uma ligação simples e uma com
os átomos de carbono unidos por uma ligação dupla. Porém, só se conhece um dicloro-benzeno.
Cl
Cl
Cl
Cl
Diclorobenzeno C6H4Cl2
Podemos usar o conceito de ressonância para explicar essas características da molécula do benzeno.
Existem duas estruturas de Kekulé, exatamente com a mesma energia, que só diferem na posição das ligações
duplas. Como resultado da ressonância entre as duas estruturas, os elétrons partilhados nas ligações duplas C =
C estão deslocalizados por toda a molécula, dando assim a cada ligação um comprimento intermediário entre o de
uma ligação simples e o de uma ligação dupla. A ressonância torna idênticas as seis ligações C – C. Esta
equivalência está implícita na representação do híbrido de ressonância com um círculo. Podemos ver por que
existe somente um dicloro-benzeno com os átomos de Cl em átomos de C adjacentes.
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Uma consequência importante da ressonância é que ela estabiliza a molécula pelo abaixamento da energia
total. Esta estabilização torna o benzeno menos reativo do que o esperado para uma molécula com três ligações
duplas carbono-carbono. A ressonância provoca o abaixamento máximo da energia quando as estruturas que
contribuem têm energias iguais, como no caso das duas estruturas de Kekulé do benzeno. Entretanto, em geral,
uma molécula é uma fusão de todas as estruturas de Lewis razoáveis, incluindo as que têm energias diferentes.
Nesses casos, as estruturas de menor energia contribuem mais fortemente para a estrutura final.
A ressonância ocorre somente entre estruturas que têm o mesmo arranjo de átomos. Por exemplo, embora
pudéssemos escrever duas estruturas hipotéticas para a molécula de óxido de dinitrogênio, NNO e NON, não
existe ressonância entre elas, porque os átomos estão em arranjos diferentes.
A ressonância é uma fusão de estruturas que têm o mesmo arranjo de átomos e arranjos diferentes de
elétrons. Ela distribui o caráter de ligação múltipla sobre uma molécula e diminui sua energia.
4. Carga Formal
As estruturas de Lewis diferentes, em geral, não contribuem igualmente para o híbrido de ressonância. É
possível decidir que estruturas contribuem mais efetivamente pela comparação do número de elétrons de valência
distribuídos por cada átomo da estrutura com o número de elétrons do átomo livre. Quanto menor for essa
diferença, maior é a contribuição da estrutura para o híbrido de ressonância.
A carga formal de um átomo em uma dada estrutura de Lewis é a carga que ele teria se as ligações
fossem perfeitamente covalentes e o átomo tivesse exatamente a metade dos elétrons compartilhados das
ligações. Em outras palavras, a carga formal leva em consideração o número de elétrons que um átomo "possui"
na molécula. Ele “possui” todos os seus pares de elétrons isolados e metade de cada par compartilhado, A
diferença entre esse número e o número de elétrons de valência do átomo livre é a carga formal:
Carga formal = V – (L +
1
2
S)
em que V é o número de elétrons de valência do átomo livre, L é o número de elétrons presentes nos pares
isolados e S é o número de elétrons compartilhados. Se o átomo tem mais elétrons na moléculado que quando é
um átomo neutro e livre, então o átomo tem carga formal negativa, como um ânion monoatômico. Se a atribuição
de elétrons deixa o átomo com menos elétrons do que quando ele está livre, então o átomo tem carga formal
positiva, como se ele fosse um cátion monoatômico. A carga formal pode ser utilizada para predizer o arranjo mais
favorável dos átomos em uma molécula. Uma estrutura de Lewis representa, tipicamente, o arranjo de menor
energia dos átomos e elétrons quando a carga formal de cada átomo está mais próxima de zero. Uma carga
formal baixa indica que um átomo sofreu a menor redistribuição de elétrons possível em relação ao átomo livre.
Assim, a regra da carga formal sugere que a estrutura OCO é mais provável para o dióxido de carbono do que
COO. Ela também sugere que a estrutura NNO é mais provável para o monóxido de dinitrogênio do que NON.
Estrutura de ressonância
do benzeno
Benzeno, C H6 6
1,2-Dicloro-benzeno,
C H Cl6 4 2
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A carga formal exagera o caráter covalente das ligações quando supõe que todos os elétrons são
compartilhados igualmente. De forma recíproca, o número de oxidação exagera o caráter iônico das ligações. Ele
representa os átomos como íons e todos os elétrons de uma ligação são atribuídos ao átomo mais eletronegativo.
Por isso, embora a carga formal de C em CO
2
seja zero, seu número de oxidação é +4, porque todos os elétrons
das ligações são atribuídos aos átomos de oxigênio. As cargas formais dependem da estrutura de Lewis que
escrevemos e os números de oxidação, não.
A carga formal dá uma indicação da extensão da perda ou ganho de elétrons por um átomo no processo da
formação da ligação covalente. As estruturas com as menores cargas formais são as que têm provavelmente
as menores energias.
5. Exceções da Regra do Octeto
A regra do octeto explica as valências dos elementos e as estruturas de muitos compostos. Carbono,
nitrogênio e flúor obedecem rigorosamente à regra do octeto, desde que existam elétrons disponíveis em número
suficiente. Entretanto, átomos como fósforo, enxofre, cloro e outros não-metais do Período 3 e seguintes podem
acomodar mais de oito elétrons na camada de valência. Veremos, nesta seção, como reconhecer as exceções da
regra do octeto.
5.1. Número ímpar de elétrons
Algumas espécies têm número ímpar de elétrons de valência, o que significa que pelo menos um de seus
átomos não pode ter um octeto. As espécies que têm elétrons com spins não-emparelhados são chamadas de
radicais. Eles são, em geral, muito reativos. Um exemplo é o radical metila, • CH
3
, que é tão reativo que não pode
ser armazenado. Ele ocorre na chama durante a queima de hidrocarbonetos combustíveis. O elétron isolado é
indicado por um ponto no átomo C de • CH
3
.
Os radicais têm importância crucial para as reações químicas que ocorrem na atmosfera superior, onde eles
contribuem para a formação e decomposição do ozônio. Os radicais têm também um papel na nossa vida diária,
muitas vezes negativo. Eles são responsáveis pelo ranço da comida e pela degradação de plásticos sob a luz
solar. Os danos causados pelos radicais podem ser retardados por um aditivo chamado de antioxidante, que
reage rapidamente contra os radicais antes que eles possam agir. Acredita-se que o envelhecimento humano é
devido parcialmente à ação de radicais e que antioxidantes, como as vitaminas C e E, podem retardar o processo.
Um birradical é uma molécula com dois elétrons desemparelhados. Os elétrons desemparelhados
encontram-se, usualmente, em átomos diferentes. Nesse birradical, um elétron desemparelhado está em um
átomo de carbono da cadeia e o segundo está em outro átomo de carbono muitas ligações depois. Em alguns
casos, entretanto, ambos os elétrons estão no mesmo átomo. Um dos exemplos mais importantes é o átomo de
oxigênio. Sua configuração eletrônica é [He]2s22p
x
22p
y
12p
z
1 e seu símbolo de Lewis é . O átomo O tem dois
elétrons desemparelhados, logo pode ser considerado um caso especial de birradical.
Embora não seja tão óbvio pelo exame da estrutura de Lewis, a molécula de oxigênio, O
2
, também é um
birradical! De fato, o resultado de experimentos mostrou que a estrutura de Lewis mais plausível, , dá uma
Um birradical
O O
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falsa impressão do arranjo de elétrons. No oxigênio molecular, dois dos elétrons que a estrutura de Lewis mostra
como responsáveis pelas ligações não estão emparelhados. A molécula é, na verdade, um birradical com um
elétron desemparelhado em cada átomo O. O modelo de Lewis das ligações não prevê o caráter de birradical da
molécula O
2
, mas veremos, como as teorias modernas de ligação podem prever e explicar esse fenômeno.
Um radical é a espécie com um elétron desemparelhado. Um birradical tem dois elétrons desemparelhados no
mesmo átomo ou em átomos diferentes.
5.2. Expansão do Octeto
A regra do octeto diz que oito elétrons preenchem a camada externa para atingir a configuração da camada
de valência de um gás nobre ns2 np6. Quando, entretanto, o átomo central de uma molécula tem orbitais d vazios,
ele pode acomodar 10, 12 ou até mais elétrons. Os elétrons nessa camada de valência expandida podem estar
como pares isolados ou podem ser usados pelo átomo central para formar ligações.
Como os elétrons adicionais devem ser acomodados em orbitais de valência, somente os não-metais do
Período 3 ou acima podem ter octetos expandidos. Os átomos desses elementos têm orbitais d vazios na camada
de valência. Outro fator – possivelmente o mais importante – que determina se outros átomos, além dos
permitidos pela regra do octeto, podem se ligar ao átomo central é o tamanho deste último. Um átomo P é grande
o suficiente para que até seis átomos de cloro se acomodem em torno dele. O PCl
5
é um reagente comum de
laboratório. Um átomo N, porém, é muito pequeno e o NCl
5
é desconhecido. Um composto que contém um átomo
com mais átomos ligados a ele do que o permitido pela regra do octeto é chamado de composto hipervalente.
Este nome deixa em aberto a questão se as ligações adicionais são devidas à expansão da camada de valência
ou ao tamanho do átomo central.
Elementos que podem expandir suas camadas de valência comumente mostram covalência variável, isto
é, a capacidade de formar número diferente de ligações covalentes. Os elementos que têm covalência variável
podem formar um composto com um certo número de ligações e outro composto com um número diferente de
ligações. O fósforo é um exemplo. Ele reage diretamente com uma quantidade limitada de cloro para formar um
líquido tóxico incolor, o tricloreto de fósforo:
P
4
(g) + 6 Cl
2
(g) → 4 PCl
3
(l)
A estrutura de Lewis das moléculas de PCl
3
é mostrada a seguir. Pode-se ver que ela obedece à regra do octeto.
Entretanto, quando o tricloreto de fósforo reage com excesso de cloro, produz-se o pentacloreto de fósforo, um
sólido cristalino amarelo-claro:
PC
3
(l) + Cl
2
(g) → PCl
5
(s)
O pentacloreto de fósforo é um sólido iônico formado por cátions PCl
4
+ e ânions PCl
6
– , que sublima em 160°C a
um gás formado por moléculas de PCl
5
. As estruturas de Lewis dos íons poliatômicos e da molécula são
mostrados a seguir. No ânion, o átomo P tem a camada de valência expandida para 12 elétrons, fazendo uso de
dois de seus orbitais 3d. No PCl
5
, o átomo P expande a camada de valência para 10 elétrons usando um de seus
orbitais 3d. O pentacloreto de fósforo é, portanto, um exemplo de composto hipervalente na forma sólida e na
formagasosa.
Dioxigênio, O2
Tricloreto de
fósforo, PCl3
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As estruturas de Lewis que têm as menores cargas formais usualmente contribuem mais para o híbrido de
ressonância, mesmo quando têm camadas de valência expandidas. No caso do íon sulfato, as cargas formais são
menores nas estruturas que têm ligações duplas. As três estruturas contribuem para o híbrido de ressonância,
mas podemos esperar que as propriedades do íon sulfato indiquem a presença de ligações duplas.
A expansão do octeto (expansão da camada de valência para mais de oito elétrons) pode ocorrer em
elementos do Período 3 e seguintes. Esses elementos podem mostrar covalência variável e ser hipervalentes.
5.3. Octeto incompleto
Uma característica incomum da estrutura de Lewis do gás incolor trifluoreto de boro, BF
3
, é que o átomo de
boro tem um octeto incompleto: a camada de valência tem somente seis elétrons. Poderíamos esperar que o
átomo de boro completasse seu octeto compartilhando mais elétrons com o flúor, porém o flúor tem energia de
ionização tão alta que é pouco provável que ele possa existir com uma carga formal positiva. Evidências
experimentais, como os comprimentos de ligação B — F relativamente curtos, sugerem que a verdadeira estrutura
do BF
3
é um híbrido de ressonância dos dois tipos de estruturas de Lewis e que a estrutura com as ligações
simples tem a maior contribuição.
O átomo de boro do BF
3
pode completar seu octeto se outro átomo, ou íon, com um par isolado de elétrons
forma uma ligação doando ambos os elétrons. Uma ligação na qual ambos os elétrons vêm de um dos átomos é
chamada ligação covalente coordenada. O ânion tetrafluoro-borato, BF
4
– , por exemplo, forma-se quando o
trifluoreto de boro passa sobre um fluoreto metálico. Neste ânion, a formação da ligação covalente coordenada dá
um octeto ao átomo B. Outro exemplo de ligação covalente coordenada é a que se forma quando o trifluoreto de
boro reage com amônia:
BF
3
(g) + NH
3
(g) → NH
3
BF
3
(s)
Nesta reação, o par isolado do átomo de nitrogênio da amônia completa o octeto do boro pela formação de uma
ligação covalente coordenada e dá a estrutura de Lewis mostrada a seguir.
Pentacloreto de fósforo, PCl (s)5
Tetrafluoreto de enxofre, PCl5
Trifluoreto de boro, BF3
Tetrafluoro-borato, BF4
–
NH BF3 3
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O tricloreto de boro, um gás incolor e reativo de moléculas BCI
3
, comporta-se quimicamente como o BF
3
.
Entretanto, o tricloreto de alumínio, que está no mesmo grupo do boro, é um sólido branco volátil que sublima em
180°C para dar um gás formado por moléculas AI
2
CI
6
.
Estas moléculas sobrevivem como gás até cerca de 200°C e somente então se separam em moléculas
AICI
3
. As moléculas AI
2
CI
6
existem porque um átomo CI de uma molécula AICI
3
usa um de seus pares isolados
para formar uma ligação covalente coordenada com o átomo AI da molécula AICI
3
. Este arranjo pode ocorrer
porque o raio atômico de AI é maior do que o de B.
Os compostos de boro e alumínio podem ter estruturas de Lewis incomuns, nas quais o boro e o alumínio têm
octetos incompletos ou átomos de halogênio agem como pontes.
6. Polaridade da Ligação e Eletronegatividade
Na década de 1930, Linus Pauling verificou que o comprimento real da ligação entre o hidrogênio e o flúor
era menor que o valor teórico obtido pela soma dos raios atômicos dos dois elementos.
Para explicar esse encurtamento da ligação, ele afirmou que a nuvem eletrônica do par covalente não
estaria distribuída uniformemente pelos dois
núcleos e que o núcleo do flúor estaria atraindo mais intensamente o par eletrônico da ligação.
A consequência imediata desse fenômeno seria a concentração maior de uma nuvem negativa ao redor
do flúor, ou seja, a formação de um pólo negativo. Aqui pólo deve ser entendido como um excesso de carga,
localizado em alguma posição da molécula, e será representado pela letra grega delta [ô].
Evidentemente, haveria uma deficiência de nuvem eletrônica ao redor do núcleo do hidrogênio que o
tornaria mais exposto e, consequentemente, provocaria um excesso de carga positiva ao redor do hidrogênio, ou
seja, um pólo positivo.
Esse tipo de ligação covalente que apresenta pólos ficou conhecido como ligação covalente polar.
Linus Pauling sugeriu que haveria uma atração residual entre os pólos, o que explicaria o encurtamento da
ligação.
O que é um dipolo? Como o próprio nome indica, dipolo é um conjunto de dois pólos - com cargas iguais e
sinais contrários - separados por certa distância.
A intensidade de um dipolo é medida por uma grandeza chamada momento dipolar (µ).
6.1. A eletronegatividade
Linus Pauling observou que os átomos dos diversos elementos químicos apresentavam diferentes
tendências de atração sobre o par eletrônico de uma ligação covalente. Surgiu assim o conceito de
Cloreto de alumínio, Al Cl2 6
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eletronegatividade, enunciado em 1932: Eletronegatividade é a capacidade que um átomo possui de atrair o par
eletrônico de uma ligação covalente.
Não há sentido em se falar de eletronegatividade para átomos isolados.
A tabela a seguir mostra os valores de eletronegatividade previstos pelo químico:
Conclusões:
• O flúor é o elemento químico mais eletronegativo.
• O césio é o elemento químico natural menos eletronegativo.
• Como tendência geral, a eletronegatividade aumenta dos metais para os nãometais.
• Não há valores de eletronegatividade para os gases nobres, porque estes são elementos que não formam
compostos em condições ambientes (25 °C, 1 atm).
• Uma lista útil: F> O > N, Cl > Br > I, S ,C, > P, H > metais (a maioria)
6.2. A eletronegatividade e a polaridade das ligações
o valor absoluto da eletronegatividade de um átomo não é de grande interesse, o importante é a diferença de
eletronegatividade entre os átomos na ligação química.
Quanto maior a diferença de eletronegatividade → maior o deslocamento da nuvem eletrônica →
mais intensos os pólos → mais polar a ligação
Esse raciocínio nos permite chegar a uma conclusão interessante: no caso extremo de átomos com grande
diferença de eletronegatividade, a ligação será iônica.
O pólo negativo sempre estará no átomo mais eletronegativo,
Observe que tudo se passa como se a nuvem eletrônica fosse se aproximar cada vez mais do átomo B, até a
ligação se tornar iônica.
Utilizando valores da tabela de eletronegatividade, vamos analisar alguns casos:
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Observando os casos apresentados, surge uma questão muito importante: qual o limite da diferença de
eletronegatividade a partir do qual uma ligação passa a ser iônica?
Os cientistas calculam que esse limite seja aproximadamente igual a l , 7.
Assim, teríamos:
Note que esse critério não deve ser usado com rigor, pois há muitas exceções na faixa próxima de = 1,7.
Veja:
Tomando a expressão "caráter" como sinônimo de "comportamento", podemos dizer que o
compartilhamento do par eletrônico indica o caráter covalente da ligação, enquanto a atração entre pólos é
responsável pelo caráter iônico da união entre dois átomos.
Assim, torna-se evidente a relação que há entreo caráter iônico da ligação e a diferença de
eletronegatividade entre os átomos participantes:
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6.3. O momento dipolar (µ) da ligação
Já dissemos que dipolo é um conjunto de duas cargas iguais e de sinais contrários. separados por uma distância
d.
A intensidade de um dipolo pode ser medida por uma grandeza denominada momento dipolar (µ).
Momento dipolar (µ) corresponde ao produto da carga em módulo. pela distância que separa as cargas.
µ = Q. d
O momento dipolar geralmente é medido na unidade debye (D).
1,0 debye (D) = 3,33 • 10-
30 coulomb. metro
A expressão matemática do momento dipolar mostra que o dipolo será cada vez mais intenso à medida que a
carga ou a distância aumentarem.
6.4. O vetor momento dipolar
O momento dipolar pode ser representado por um vetor orientado do pólo positivo para o negativo.
Vetor é uma entidade matemática caracterizada por módulo. Direção e sentido.
A seta é a representação gráfica do vetor.
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Uma aplicação imediata do conceito de momento dipolar pode ocorrer nas ligações covalentes polares.
Como a ligação cova lente polar é um dipolo, ela deve apresentar um momento dipolar, dado pela expressão:
. Em que: =valor do pólo em módulo e d = distância que separa os núcleos.
Assim o momento dipolar indica a intensidade do dipolo existente na ligação.
Quanto mais polar a ligação → maior o momento dipolar
É evidente. portanto. que a ligação apolar não tem momento dipolar, pois não possui polos.
7. Ligação Metálica
Ao lado das ligações tipicamente iônicas e das totalmente covalentes, a ligação metálica pode ser
considerada o terceiro caso extremo de ligação química.
7.1) Modelo de mar de elétrons para a ligação metálica
Um modelo muito simples que explica algumas das mais importantes características dos metais é o modelo
de mar de elétrons.
Por esse modelo, os átomos perdem seus elétrons externos e estes passam a formar um "mar" em que
estariam mergulhados os cátions.
Devido às atrações exercidas pelos cátions, o "mar de elétrons" estaria confinado na estrutura metálica. Ao
mesmo tempo, estaria suficientemente livre para fluir em alguma direção, criando assim uma corrente de elétrons.
Dessa forma, estaria explicada a condutividade elétrica dos metais.
Da mesma maneira, a mobilidade do "mar de elétrons" permitiria rápidas trocas de calor no interior da
estrutura, de modo que a grande condutividade térmica dos metais também fosse justificada.
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Além disso, esse modelo também explicaria a ductilidade (a formação de fios) e a maleabilidade (formação de
lâminas) que caracterizam os metais, já que os átomos estariam suficientemente livres para deslizar uns sobre os
outros.
O brilho característico dos metais, conhecido como brilho metálico, também é atribuído à presença dos
elétrons livres no retículo do metal. Muitos cientistas acreditam que a incidência de luz provocaria uma vibração
dos elétrons livres da superfície metálica e que tais elétrons devolveriam a energia recebida na forma de luz,
caracterizando assim o brilho típico dos metais.
7.2. Ligas metálicas
Uma liga é um material que contém mais de um elemento e tem as propriedades características dos metais. A
fusão de metais é de grande importância porque é uma das maneiras primárias de modificar as propriedades dos
elementos metálicos puros. Aproximadamente todos os usos comuns do ferro, por exemplo, envolvem
composições de liga. O ouro puro, além disso, é muito macio para ser usado em jóias, enquanto as ligas de ouro e
cobre são bastante duras. O ouro puro é de 24 quilates; a liga comum usada em jóias é de 14 quilates,
significando que ela é 58% de ouro (14/24 x 100%). Uma liga de ouro dessa composição tem dureza apropriada
para ser usada em jóias. A liga pode ser amarela ou branca, dependendo dos elementos adicionados. Alguns
exemplos adicionais de ligas são dados na Tabela seguinte.
As ligas podem ser classificadas como ligas de solução, ligas heterogêneas e compostos intermetálicos.
As ligas de solução são misturas homogêneas nas quais os componentes estão dispersos aleatória e uniforme-
mente. Os átomos do soluto podem assumir posições normalmente ocupadas pelos átomos do solvente,
consequentemente formando uma liga substitucional, ou eles podem ocupar as posições intersticiais, posições
nos 'buracos' entre os átomos de solvente, formando, portanto, uma liga intersticial. Esses tipos estão
diagramados na Figura seguinte.
As ligas substitucionais são formadas quando os dois componentes metálicos têm raios atômicos similares e
características de ligação química. Por exemplo, a prata e o ouro formam tal liga sobre toda a faixa de compo-
sições possíveis. Quando dois metais diferem de raio de mais de 15%, a solubilidade é mais limitada.
Para uma liga intersticial se formar, o componente presente nas posições intersticiais entre os átomos de
solvente devem ter um raio covalente muito menor que os átomos do solvente. Normalmente, um elemento in-
Figura: Liga (a) substitucional e
(b) intersticial. As esferas
maiores, representam o metal
hospedeiro; as menores, em
ambos os casos, representam os
outros componentes da liga.
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tersticial é um não-metal que se liga aos átomos vizinhos. A presença de ligações extras fornecidas pelo
componente intersticial faz com que a rede metálica torne-se mais dura, mais forte e menos dúctil. O aço, por
exemplo, é uma liga de ferro que contém até 3% de carbono. O aço é muito mais duro e mais forte que o ferro
puro. O aço doce contém menos de 0,2% de carbono; eles são maleáveis e dúcteis e são usados para fazer
cabos, pregos e correntes. O aço médio contém de 0,2 a 0,6% de carbono; eles são mais duros que o aço doce e
são usados para fazer vigas e trilhos. O aço de alto teor de carbono, usado em cutelaria, ferramentas e molas,
contém de 0,6 a 1,5% de carbono. Em todos esses casos, outros elementos podem ser adicionados para formar
ligas de aço. O vanádio e o cromo podem ser adicionados para conceder força e aumentar a resistência à fadiga e
à corrosão. Por exemplo, um trilho de trem de aço usado na Suécia em linhas suportando carregamentos pesados
de minério contém 0,7% de carbono, 1% de cromo e 0,1% de vanádio.
Uma das mais importantes ligas de ferro é o aço inoxidável, que contém aproximadamente 0,4% de carbono,
18% de cromo e 1% de níquel. O cromo é obtido pela redução do carbono do cromito (FeCr2O4) em um forno
elétrico. O produto da redução é o ferrocromo (FeCr2), que é então adicionado na quantidade apropriada de ferro
fundido que vem do conversor para atingir a composição do aço desejada. A razão dos elementos presentes no
aço pode variar em uma faixa grande, concedendo uma variedade de propriedades físicas e químicas específicas
aos materiais.
Na liga heterogênea os componentes não estão dispersos uniformemente. Na forma do aço conhecido como
perlita, por exemplo, duas fases distintas -praticamente ferro puro e o composto Fe3C, conhecido como cementita -
estão presentes em camadas alternadas. Em geral, as propriedades das ligas heterogêneas dependem não ape-
nas da composição mas também da maneira pela qual o sólido é formado a partirda mistura fundida. O
resfriamento rápido leva a propriedades distintas daquelas que são obtidas pelo resfriamento lento.
7.3. Compostos intermetálicos
Os compostos intermetálicos são ligas homogêneas que têm propriedades e composições definidas. Por
exemplo, o cobre e o alumínio formam um composto, CuAl2 conhecido como duralumínio. Os compostos
intermetálicos têm papel muito importante na sociedade moderna. O composto intermetálico Ni3Al é o principal
componente dos motores de aeronaves a jato devido a sua resistência e de sua baixa densidade. As lâminas de
navalhas são geralmente revestidas com Cr3Pt, que adiciona dureza, permitindo que a lâmina permaneça afiada
por mais tempo. O composto Co5Sm é usado nos ímãs permanentes em fones de ouvido mais leves por causa de
seu alto poder magnético por unidade de massa.
Esses exemplos ilustram algumas proporções não usuais de combinação de elementos.
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LIGAÇÕES QUÍMICAS
Exercícios de Aprendizagem
1. (Ufmg) Nas figuras I e II, estão representados dois
sólidos cristalinos, sem defeitos, que exibem dois tipos
diferentes de ligação química:
Considerando-se essas informações, é CORRETO
afirmar que
a) a Figura II corresponde a um sólido condutor de
eletricidade.
b) a Figura I corresponde a um sólido condutor de
eletricidade.
c) a Figura I corresponde a um material que, no
estado líquido, é um isolante elétrico.
d) a Figura II corresponde a um material que, no
estado líquido, é um isolante elétrico.
2. (Ufsc) Assinale as proposições CORRETAS. Em
relação à figura a seguir, podemos afirmar que:
01. representa os orbitais das ligações na molécula de
eteno.
02. representa os orbitais das ligações na molécula de
etino.
04. entre os átomos de carbono existem uma ligação
œ do tipo sp£-sp£ e uma ligação ™ do tipo p-p.
08. entre os átomos de carbono existem uma ligação
œ do tipo sp-sp e duas ligações ™ do tipo p-p.
16. a geometria da molécula é linear.
32. a ligação, entre o carbono e hidrogênio, é œ do tipo
sp£-s.
Soma ( )
3. (Ita) Qual das opções a seguir apresenta o gráfico
que mostra, esquematicamente, a variação da
condutividade elétrica de um metal sólido com a
temperatura?
4. (Ufc) Os comprimentos das ligações BF (1,31
Angstrons), na molécula do trifluoreto de boro, são
consideravelmente menores do que os previstos para
ligações simples entre estes elementos (1,52
Angstrons). Outras evidências experimentais indicam
fortemente a presença do caráter de dupla ligação
(B=F) nesta molécula. Por outro lado, a molécula do
BFƒ reage prontamente com amônia, que possui um
par de elétrons não ligante (base de Lewis),
originando a espécie química FƒBNHƒ, na qual o
átomo de boro apresenta quatro ligações covalentes
simples.
BFƒ(g) + NHƒ(g) ë FƒBNHƒ(g)
Com base nestas informações e sabendo que as
energias das três ligações BF, na molécula do BFƒ,
são idênticas:
a) represente as possíveis estruturas de Lewis para a
molécula de BFƒ.
b) represente as estruturas de Lewis para as demais
moléculas que participam desta reação.
5. (uece) O cobre é um elemento químico muito
importante para nossa saúde – evita a formação de
coágulos, participa na fabricação de colágeno e ajuda
a combater agentes que destroem as membranas e o
DNA das células. Ele é encontrado nos seguintes
alimentos: fígado, mariscos, grão-de-bico, feijão
branco, lentilha e oleaginosas. Com relação a esse
metal, assinale o correto.
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(A) Em seu estado fundamental possui um elétron no
subnível 4p1.
(B) É comum a formação da molécula CuO.
(C) Entra na composição do ouro 18 quilates.
(D) É um mau condutor de calor.
6. (uece) Segundo o jornal Folha de São Paulo
(16/04/2008), novos estudos atribuem o naufrágio do
Titanic ao emprego equivocado de rebites na fixação
das chapas de ferro do casco. Os tais rebites eram
feitos de ferro e não de uma liga apropriada. Sobre
ligas, assinale o correto.
(A) Ligas metálicas são materiais que contêm dois ou
mais elementos químicos, sendo que todos eles são,
obrigatoriamente, metais.
(B) O emprego das ligas é vantajoso porque elas
apresentam propriedades físicas definidas, tendo
pontos de fusão e ebulição constantes.
(C) As ligas obedecem, rigorosamente, à lei de
Proust, por terem uma estrutura cristalina bem
definida o que lhes garante maior resistência à
corrosão.
(D) Amálgama é o nome particular dado a uma liga
de mercúrio e outro metal, ainda hoje usada em
restaurações dentárias.
7. (Ufrrj) As fórmulas dos compostos químicos não são
frutos do acaso. A capacidade de um átomo combinar-
se com outro depende da disponibilidade de receber,
doar ou compartilhar elétrons.
Qual a fórmula química e o tipo de ligação do
composto formado entre:
a) Cálcio e Nitrogênio?
b) Carbono e Oxigênio?
8. (Unesp) "Não se fazem mais nobres como
antigamente - pelo menos na Química."
("Folha de S. Paulo", 17.08.2000.)
As descobertas de compostos como o XePtF†, em
1962, e o HArF, recentemente obtido, contrariam a
crença comum de que elementos do grupo dos gases
nobres da Tabela Periódica não reagem para formar
moléculas.
a) Explique por que os gases nobres têm esta
tendência à baixa reatividade.
b) Sabe-se que os menores elementos deste grupo
(He e Ne) permanecem sendo os únicos gases nobres
que não formam compostos, mesmo com o elemento
mais eletronegativo, o flúor. Justifique este
comportamento.
9. (Unesp) Considere os seguintes compostos, todos
contendo cloro:
BaCØ‚; CHƒCØ; CCØ„ e NaCØ.
Sabendo que o sódio pertence ao grupo 1, o bário ao
grupo 2, o carbono ao grupo 14, o cloro ao grupo 17
da Tabela Periódica e que o hidrogênio tem número
atômico igual a 1:
a) transcreva a fórmula química dos compostos
iônicos para o caderno de respostas e identifique-os,
fornecendo seus nomes.
b) apresente a fórmula estrutural para os compostos
covalentes e identifique a molécula que apresenta
momento dipolar resultante diferente de zero
(molécula polar).
LIGAÇÕES QUÍMICAS
Exercícios de Fixação
1. (Unimontes) O caráter iônico de determinadas
substâncias, em função da diferença de
eletronegatividade, está apresentado a seguir.
Em análise do gráfico, a alternativa CORRETA é:
a) O iodeto de lítio é o sal de maior caráter iônico.
b) O cloreto de césio tem predominante caráter
covalente.
c) O ácido fluorídrico apresenta menor força ácida.
d) A maior diferença de eletronegatividade deve-se ao
HI.
2. (Uem) Tendo como base a reação química entre o
átomo de sódio e o átomo de cloro para formar os íons
Na+ e
–C , assinale a(s) alternativa(s) correta(s).
01) Supondo que o raio atômico do sódio seja X e o
raio atômico do cloro seja Y, a distância da ligação
química entre Na+ e
–C no cloreto de sódio será
obrigatoriamente X+Y.
02) O átomo de sódio é maior do que o átomo de
cloro, no entanto o íon sódio é menor do que o íon
cloro.
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04) A regra do octeto é respeitada nos íons sódio e
cloro do NaC , mas não é respeitada para o boro
no BF3.
08) Sais formados entre metais alcalinos e halogênios
apresentarão, para ambos os íons, uma camada
de valência do tipo s2p6, exceto o Li+.
16) A quantidade de energia envolvida na segunda
ionização do sódio é de valor aproximadamente
igual ao envolvido na primeira ionização.3. (Ufrn) No ano de 2012, completam-se 50 anos da
perda da “nobreza” dos chamados gases nobres, a
qual ocorreu em 1962, quando o químico inglês Neil
Bartlett conseguiu sintetizar o Xe[PtF6] ao fazer reagir
o Xenônio com um poderoso agente oxidante, como o
hexafluoreto de platina PtF6.
Esses gases eram chamados assim, pois, na época
de sua descoberta, foram julgados como sendo não
reativos, ou inertes, permanecendo “imaculados”.
A explicação para a não reatividade dos gases nobres
se fundamentava
a) na regra do dueto, segundo a qual a configuração
de dois elétrons no último nível confere estabilidade
aos átomos.
b) na regra do octeto, segundo a qual a configuração
de oito elétrons no penúltimo nível confere
estabilidade aos átomos.
c) na regra do octeto, segundo a qual a configuração
de oito elétrons no último nível confere estabilidade
aos átomos.
d) na regra do dueto, segundo a qual a configuração
de dois elétrons no penúltimo nível confere
estabilidade aos átomos.
4. (Udesc) Os tipos de ligações químicas dos
compostos: 3 2 2 3 2NH ; CO ; Fe O ; C ; KI são,
respectivamente:
a) covalente polar, covalente polar, iônica, covalente
apolar, iônica.
b) covalente apolar, iônica, covalente polar, covalente
apolar, iônica.
c) covalente apolar, covalente polar, iônica, covalente
apolar, iônica.
d) covalente polar, covalente apolar, iônica, covalente
polar, iônica.
e) covalente polar, covalente apolar, iônica, covalente
apolar, covalente polar.
5. (Ufpe) Foi entregue a um estudante de química um
conjunto de elementos para que ele formasse pelo
menos um sólido iônico, um composto molecular e
uma liga metálica. O conjunto continha: 2,3 g de sódio
sólido (Z=11, massa atômica 23,0 g mol–1); 7,1 g de
cloro molecular (Z=17, massa atômica 35,5 g mol–1);
uma quantia desconhecida de enxofre sólido (Z=16,
massa atômica 32,0 g mol–1). Com base nessas
informações, analise as proposições abaixo.
( ) Um possível composto iônico a ser formado é o
sulfeto de sódio sólido, cuja fórmula é Na2S, uma
vez que o sódio apresenta 1 elétron na camada
de valência, e o enxofre, 6 elétrons na camada
de valência.
( ) A reação de todo o sódio com o cloro deve
produzir 0,1 mol de NaC ,e consumir somente
uma parte do cloro fornecido.
( ) A eletronegatividade do enxofre é maior que a
do cloro, uma vez que o enxofre apresenta
somente 6 elétrons de valência, enquanto o
cloro apresenta 7 elétrons de valência.
( ) Cloro e enxofre podem formar um composto
covalente de fórmula 2SC , com a participação
de elétrons dos orbitais p do cloro e orbitais s e p
do enxofre, com o enxofre apresentando
hibridização do tipo sp2.
( ) Não é possível formar uma liga metálica com o
conjunto de elementos fornecidos ao estudante.
6. (Pucrj) Levando em conta as ligações e interações
que ocorrem entre átomos e moléculas, dentre as
substâncias abaixo, a que possui maior ponto de
fusão é
a) 2H O
b) 2CO
c) 2CaC
d) 6 12 6C H O
e) 12 22 11C H O
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
(Uel ) Algumas substâncias sólidas são caracterizadas
pela repetição organizada de estruturas individuais,
constituindo sólidos com formas geométricas definidas
- os cristais. Por exemplo, o cloreto de sódio e a
sacarose formam cristais cúbicos e hexagonais,
respectivamente.
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128
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7. A imagem a seguir mostra três sólidos cujas formas
são cúbicas. Em (1), (2) e (3) estão representados,
respectivamente, cristais de iodo, brometo de potássio
e ferro.
Sobre as estruturas (1), (2) e (3), é correto afirmar:
a) A molécula individual do cristal (1) apresenta
átomos unidos por ligação covalente polar.
b) O cristal (2) é formado por um número de prótons
maior do que o número de elétrons.
c) A substância representada em (3) é boa condutora
de eletricidade no estado sólido e no líquido.
d) A substância representada em (1) é boa condutora
de eletricidade no estado líquido.
e) A substância representada em (2) é boa condutora
de eletricidade no estado sólido.
8. (Uel) A teoria corpuscular da matéria é fundamental
dentro do pensamento científico; suas origens
remontam à Grécia do século V a.C., quando Leucipo
e Demócrito formularam algumas proposições sobre a
natureza da matéria, resumidas a seguir:
- A matéria é constituída de "átomos", pequenas
partículas (corpúsculos) indivisíveis, não constituídas
de partes.
- Os átomos podem variar quanto à forma.
- Os átomos estão em movimento desordenado,
constante e eterno.
Tais proposições tinham por objetivo fornecer
elementos para uma explicação lógica do
funcionamento do mundo. Por exemplo, de acordo
com os filósofos gregos, a água espalha-se sobre uma
superfície plana porque seus átomos seriam esféricos
e lisos, rolando uns sobre os outros; os átomos dos
corpos sólidos seriam ásperos, ou dotados de pontas
e ganchos que os prenderiam uns aos outros.
Para explicar a associação de átomos, moléculas,
etc., em vez de pontas e ganchos como propunham os
gregos, fala-se hoje em interações de natureza
elétrica. Considere as figuras a seguir.
Sobre as ideias atualmente utilizadas para explicar as
ligações entre as partículas, qual das afirmações é
INCORRETA?
a) Átomos podem se ligar compartilhando elétrons,
como na covalência (figura II).
b) Partículas dotadas de dipólo elétrico podem se
atrair através dos pólos elétricos de sinais contrários
(figura III).
c) Cátions são atraídos por ânions, como ocorre na
ligação iônica (figura I).
d) Na ligação metálica, ânions estão imersos num
"mar" de elétrons móveis ("deslocalizados") que os
mantêm unidos devido às cargas elétricas de sinais
contrários (figura V).
e) As ligações dipólo-dipólo podem ser especialmente
fortes quando envolvem átomos de hidrogênio e
átomos de eletronegatividade elevada (figura IV).
9. (Pucsp) Analise as propriedades físicas na tabela a
seguir:
Segundo os modelos de ligação química, A, B, C e D
podem ser classificados, respectivamente, como,
a) composto iônico, metal, substância molecular,
metal.
b) metal, composto iônico, composto iônico,
substância molecular.
c) composto iônico, substância molecular, metal,
metal.
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d) substância molecular, composto iônico, composto
iônico, metal.
e) composto iônico, substância molecular, metal,
composto iônico.
10. (Uece) Para ocorrer ligação covalente é
necessário que haja interpenetração frontal (linear) de
orbitais e também, em muitos casos, interação lateral
de orbitais dos dois átomos que se ligam. A figura
ilustra, em termos de orbitais, a formação da molécula
de:
Dados:
Massas molares (g/mol): H=1,0; N=7,0; O=16,0;
S=32,0
a) H‚S
b) O‚
c) NO
d) N‚
11. (Uece) Considere quatro elementos químicos
representados por: G, J, X e Z. Sabendo-se que os
elementos J e G pertencem ao mesmo grupo da
tabela periódica, e que os elementos J, X e Z
apresentam números atômicos consecutivos, sendo X
um gás nobre, é correto afirmar-se que
a) os elementos J e G apresentam potenciais de
ionização idênticos por possuírem o mesmo número
de elétrons no último nível.
b) o composto formado por J e Z é iônico e sua
fórmula química é ZJ.
c) o composto formado por G e Z é molecular e sua
fórmula química é ZG2.
d) o composto JX apresenta ligação coordenada.
12. (Uff) Estão representadas por X, Y e Z as
configurações eletrônicas fundamentais de três
átomos neutros:
X1s£ 2s£ 2p§ 3s£ 3p§ 4s£
Y 1s£ 2s£ 2p¤
Z 1s£ 2s£ 2p§ 3s£ 3p¦
Pode-se concluir que:
a) A espécie formada por X e Z é predominantemente
iônica e de fórmula X‚Z.
b) A espécie formada por Y e Z é predominantemente
covalente e de fórmula YZ.
c) A espécie formada por X e Z é predominantemente
iônica e de fórmula XZ‚.
d) A espécie formada por X e Y é predominantemente
covalente e de fórmula X‚Yƒ.
e) A espécie formada por Y e Z é predominantemente
iônica e de fórmula YZƒ.
13. (Uff) Para o estudo das relações entre o tipo de
ligação química e as propriedades físicas das
substâncias X e Y, sólidas à temperatura ambiente, foi
realizado um experimento que permitiu as seguintes
constatações:
I) A substância X, no estado sólido, não conduz a
corrente elétrica, porém, no estado líquido, a conduz.
II) A substância Y não conduz a corrente elétrica no
estado sólido nem no estado líquido.
Pode-se, então, concluir que:
a) As substâncias X e Y são covalentes.
b) As substâncias X e Y são iônicas.
c) A substância X é iônica e a substância Y é
covalente.
d) A substância X é um metal.
e) A substância Y é um metal.
14. (Uff) O leite materno é um alimento rico em
substâncias orgânicas, tais como proteínas, gorduras
e açúcares, e substâncias minerais como, por
exemplo, o fosfato de cálcio. Esses compostos
orgânicos têm como característica principal as
ligações covalentes na formação de suas moléculas,
enquanto o mineral apresenta também ligação iônica.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente os
conceitos de ligações covalente e iônica,
respectivamente.
a) A ligação covalente só ocorre nos compostos
orgânicos.
b) A ligação covalente se faz por transferência de
elétrons e a ligação iônica pelo compartilhamento de
elétrons com spins opostos.
c) A ligação covalente se faz por atração de cargas
entre átomos e a ligação iônica por separação de
cargas.
d) A ligação covalente se faz por união de átomos em
moléculas e a ligação iônica por união de átomos em
complexos químicos.
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e) A ligação covalente se faz pelo compartilhamento
de elétrons e a ligação iônica por transferência de
elétrons.
15. (Ufmg) Este quadro apresenta os valores das
temperaturas de fusão e ebulição dos cloretos de
sódio, magnésio e alumínio, todos a uma pressão de 1
atmosfera:
Considerando-se essas propriedades e os modelos de
ligação química aplicáveis às três substâncias, é
CORRETO afirmar que
a) a ligação iônica no cloreto de alumínio é mais fraca
que as dos demais compostos, pois, nela, o cátion
divide a sua força de atração entre três ânions.
b) as ligações químicas do cloreto de sódio, em
estado sólido, se quebram com maior facilidade que
as dos demais compostos, também em estado sólido.
c) o cloreto de alumínio tem um forte caráter
molecular, não sendo puramente iônico.
d) os três compostos têm fórmulas correspondentes à
estequiometria de um cátion para um ânion.
16. (Ufpe) Faça a associação entre as duas colunas:
(I) H‚O
(II) NaI
(III) C‚H„
(IV) Na
(V) I‚
( ) Ligação metálica
( ) Sólido molecular
( ) Ligação covalente polar
( ) Ligação iônica
( ) Ligação ™
Lendo a segunda coluna de cima para baixo, teremos
a) II, V, I, III, IV
b) I, II, IV, III, V
c) III, IV, II, V, I
d) V, I, III, IV, II
e) IV, V, I, II, III
17. (Ufpe) Considerando os seguintes haletos de
hidrogênio HF, HCØ, e HBr, pode-se afirmar que:
a) a molécula mais polar é HF.
b) a molécula mais polar é HCØ.
c) todos os três são compostos iônicos.
d) somente HF é iônico, pois o flúor é muito
eletronegativo.
e) somente HBr é covalente, pois o Bromo é um
átomo muito grande para formar ligações iônicas.
18. (Ufpi) Em artigo na revista "Nature", pesquisadores
da Universidade de Delaware, noticiam que o enxofre
"aprisiona" metais tóxicos, como o cobre (45%) e o
zinco (20%), em água na forma de ligações dativas,
evitando a entrada destes metais tóxicos na cadeia
alimentar dos seres vivos. Analise as afirmativas a
seguir e marque a opção correta:
a) a relação 45% - Cu e 20% - Zn é uma expressão de
concentração volume/volume.
b) esses metais são "aprisionados" porque as ligações
dativas são estáveis quimicamente.
c) a presença desses metais, em água, aumenta a
basicidade do meio ambiente.
d) a estabilidade da ligação dativa é determinada
pelas forças de van der Waals.
e) aumentando a temperatura, aumenta-se a
estabilidade da ligação dativa.
19. (Uepg) Identifique as alternativas que trazem
respectivamente um exemplo de substância iônica,
molecular e metálica, e assinale o que for correto.
01) Cloreto de lítio, glicose e ouro.
02) Brometo de potássio, naftaleno e latão.
04) Cloreto de cálcio, etanol e bronze.
08) Óxido de alumínio, água e grafite.
20. (Ufsc) Os símbolos X e Y representam elementos
químicos quaisquer, diferenciados por seus números
atômicos (Z). Sobre eles, é CORRETO afirmar que:
01. quando X (Z=19) se combina com Y (Z=17), o
composto resultante tem fórmula molecular XY e a
ligação é covalente apolar.
02. se X e Y estão bem afastados na fila de
reatividade química, e X e Y têm 1 e 6 elétrons,
respectivamente, na última camada eletrônica, o
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composto resultante da combinação entre eles será
molecular e com fórmula XY‚.
04. átomos do elemento X (Z=20) e do elemento Y
(Z=7) unem-se por ligações covalentes e o composto
tem fórmula molecular XƒY„.
08. pela configuração eletrônica da última camada dos
elementos X e Y,
o composto formado entre X e Y tem fórmula X‚Y.
16. se X (Z=1) e Y (Z=11, 37 ou 55), os compostos
formados serão todos hidretos metálicos.
21. (Ufsm ) Quanto aos nutrientes de natureza
química, a disponibilidade do fosfato no solo é
influenciada pelo pH. Em solos com pH entre 5 e 8, os
ânions H‚PO„ e HPO„£ predominam. Em pH muito
alto, todos os prótons são removidos, e o fósforo está
na forma de íon fosfato (PO„¤). Em pH baixo, o
fósforo está na forma de ácido não-ionizado HƒPO„.
Em relação à estrutura do ácido fosfórico (HƒPO„),
analise as seguintes afirmativas:
I. Apresenta 3 ligações iônicas e 4 ligações
covalentes.
II. O átomo de fósforo não obedece à regra do octeto.
III. Tem uma ligação dativa.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas III.
d) apenas I e II.
e) apenas II e III.
22. (Unb) Os polímeros, sintetizados pela primeira vez
em 1862 por Alexander Parkes, são utilizados na
produção de inúmeros materiais, entre eles, os
teclados, as capas dos fios e todos os componentes
plásticos dos computadores. O que permite essa
diversidade de materiais são as ligações existentes
entre o átomos, resultando em diferentes propriedades
das substâncias. Com relação às ligações químicas e
às estruturas das substâncias, julgue os itens a seguir.
(0) Os metais são bons condutores de eletricidade
devido às ligações metálicas, nas quais os elétrons
estão livres, podendo mover-se entre os núcleos.
(1) A substância bromo (Br‚), formada por um
elemento muito eletronegativo, é mais solúvel em
hexano (solvente de baixa polaridade) do que em
água.
(2) Sabendo-se que o HCØ dissolvido em água forma
as espécies iônicas H®(ou HƒO®) e CØ, conclui-se que
suas moléculas são formadas por ligações iônicas.
23. (Unb) O Prêmio Nobel de Química de 1996 foi
outorgado aos três químicos que descobriram mais
uma forma alotrópica de carbono, a primeira
molecular: o buckminsterfulereno(C†³), uma das
substâncias conhecidas como fulerenos. (...)
Experimentos de vaporização de grafite ensopada
com cloreto de lantânio levaram à obtenção do íon
C†³La®.
Os Fulerenos e sua espantosa geometria molecular.
In: Química Nova na Escola, n°4, novembro / 1996
(com adaptação).
Com auxílio do texto, julgue os seguintes itens.
(1) Os fulerenos são formados por ligações
covalentes.
(2) Íons como o C†³La® ligam-se a outros íons por
meio de ligações covalentes.
(3) No cloreto de lantânio, o lantânio está oxidado.
(4) O cloreto de lantânio é um sal.
(5) Assim como o carbono, os gases raros ou nobres
também podem formar compostos.
(6) O grafite e o diamante são substâncias
moleculares.
24. (Unb)
Considerando a representação de Lewis para o
dióxido de enxofre, mostrada acima, julgue os itens
que se seguem.
(1) Pela Teoria da Repulsão dos Pares de Elétrons da
Camada de Valência, a molécula de SO‚ deve ser
linear.
(2) Nessa representação, a ligação entre o oxigênio da
esquerda e o enxofre é tipicamente uma ligação
iônica.
(3) A Teoria do Octeto explica a estabilidade das
ligações do dióxido de enxofre, apesar de não ser
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suficiente para explicar ligações químicas de todas as
substâncias.
25. (Unesp) No metabolismo, ocorre a formação de
espécies denominadas "radicais livres", que são
caracterizadas por apresentarem elétrons
desemparelhados em sua estrutura. Embora sejam
geralmente considerados maléficos ao organismo,
muitos radicais livres são essenciais para o seu
funcionamento adequado. Considere os seguintes
números de elétrons na camada de valência: H = 1; C
= 4; N = 5; O = 6 e responda. Dentre as espécies
químicas NO, OH e CO‚, presentes no organismo,
pode-se dizer que são "radicais livres":
a) NO, apenas.
b) OH, apenas.
c) CO‚, apenas.
d) NO e OH, apenas.
e) OH e CO‚, apenas.
26. (Unifesp) A tabela apresenta algumas
propriedades medidas, sob condições experimentais
adequadas, dos compostos X, Y e Z.
A partir desses resultados, pode-se classificar os
compostos X, Y e Z, respectivamente, como sólidos
a) molecular, covalente e metálico.
b) molecular, covalente e iônico.
c) covalente, molecular e iônico.
d) covalente, metálico e iônico.
e) iônico, covalente e molecular.
27. (Unesp) As substâncias X, Y e Z, sólidas a
temperatura ambiente, apresentam as propriedades
físicas resumidas na tabela adiante.
Com base nestes dados, conclui-se que:
a) X é uma substância iônica; Y e Z são substâncias
covalentes.
b) X é uma substância iônica; Y é um metal e Z é uma
substância covalente.
c) X é uma substância covalente; Y e Z são
substâncias iônicas.
d) X e Y São substância covalente e Z é uma
substância iônica.
e) X, Y e Z são substâncias iônicas.
28. (Pucsp) Cobre e zinco são metais de larga
utilização na sociedade moderna.
O cobre é um metal avermelhado, bastante maleável e
dúctil. É amplamente empregado na fiação elétrica
devido à sua alta condutividade. É também
encontrado em tubulações de água, devido à sua
baixa reatividade (é um metal nobre), além de
diversas ligas metálicas, sendo o bronze a mais
conhecida. Apresenta densidade de 8,96 g/cm¤ a
20°C.
O zinco é um metal cinza bastante reativo. É utilizado
como revestimento de peças de aço e ferro,
protegendo-as da corrosão. Esse metal encontra
grande aplicação na indústria de pilhas secas em que
é utilizado como ânodo (pólo negativo). Sua
densidade é de 7,14 g/cm¤ a 20°C.
Pode-se afirmar que a diferença dos valores de
densidade entre esses dois metais é mais bem
explicada
a) pela maior reatividade do zinco em relação ao
cobre.
b) pela diferença do raio atômico do cobre em relação
ao zinco, com o átomo de cobre apresentando
tamanho muito menor do que o de zinco.
c) pela diferença de massa atômica do cobre em
relação ao zinco, com o zinco apresentando massa
bem maior.
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d) pelo posicionamento do zinco na tabela periódica,
no período imediatamente posterior ao cobre.
e) pelo diferente arranjo cristalino apresentado pelos
dois metais: o cobre tem os seus átomos mais
empacotados, restando menos espaços vazios entre
eles.
29. (Ufc) Nenhuma teoria convencional de ligação
química é capaz de justificar as propriedades dos
compostos metálicos. Investigações indicam que os
sólidos metálicos são compostos de um arranjo
regular de íons positivos, no qual os elétrons das
ligações estão apenas parcialmente localizados. Isto
significa dizer que se tem um arranjo de íons
metálicos distribuídos em um "mar" de elétrons
móveis.
Com base nestas informações, é correto afirmar que
os metais, geralmente:
a) têm elevada condutividade elétrica e baixa
condutividade térmica.
b) são solúveis em solventes apolares e possuem
baixas condutividades térmica e elétrica.
c) são insolúveis em água e possuem baixa
condutividade elétrica.
d) conduzem com facilidade a corrente elétrica e são
solúveis em água.
e) possuem elevadas condutividades elétrica e
térmica.
30. (Ufc) As propriedades físicas e químicas do ouro
justificam a importância comercial histórica deste
mineral. Dentre estas propriedades, relacionam-se as
seguintes:
I. sua coloração e reluzente beleza, que o qualificam
como um metal precioso;
II. é relativamente fácil de ser modelado
mecanicamente para compor objetos artísticos;
III. não é oxidado ao ar e não é facilmente solúvel em
solventes comuns;
IV. é cineticamente inerte em soluções alcalinas e em
quase todas as soluções ácidas
Dentre as características do ouro acima relacionadas,
são propriedades físicas e químicas, respectivamente:
a) (I, III) e (II, IV)
b) (II, III) e (I, IV)
c) (I, II) e (III, IV)
d) (III, IV) e (I, II)
e) (II, IV) e (I, III)
31. (Enem PPL 2018) A radiação na região do
infravermelho interage com a oscilação do campo
elétrico gerada pelo movimento vibracional de átomo
de uma ligação química. Quanto mais fortes forem as
ligações e mais leves os átomos envolvidos, maior
será a energia e, portanto, maior a frequência da
radiação no infravermelho associada à vibração da
ligação química. A estrutura da molécula 2-amino-6-
cianopiridina é mostrada.
A ligação química dessa molécula, envolvendo átomos
diferentes do hidrogênio, que absorve a radiação no
infravermelho com maior frequência é:
a) C C−
b) C N−
c) C C=
d) C N=
e) C N
32. (Enem 2019) Por terem camada de valência
completa, alta energia de ionização e afinidade
eletrônica praticamente nula, considerou-se por muito
tempo que os gases nobres não formariam compostos
químicos. Porém, em 1962, foi realizada com sucesso
a reação entre o xenônio (camada de valência
2 65s 5p ) e o hexafluoreto de platina e, desde então,
mais compostos novos de gases nobres vêm sendo
sintetizados. Tais compostos demonstram que não se
pode aceitar acriticamente a regra do octeto, na qual
se considera que, numa ligação química, os átomos
tendem a adquirir estabilidade assumindo a
configuração eletrônica de gás nobre. Dentre os
compostos conhecidos, um dos mais estáveis é o
difluoreto de xenônio, no qual dois átomos do
halogênio flúor (camada de valência
2 52s 2p ) se
ligam covalentemente ao átomo de gás nobre para
ficarem com oito elétrons de valência.
Ao se escrever a fórmula de Lewis do composto de
xenônio citado, quantos elétrons na camada de
valência haverá no átomo do gás nobre?
a) 6
b) 8
c) 10
d) 12
e) 14
33. (Enem 2017)No ar que respiramos existem os
chamados “gases inertes”. Trazem curiosos nomes
gregos, que significam “o Novo”, “o Oculto”, “o Inativo”.
E de fato são de tal modo inertes, tão satisfeitos em
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134
CURSO DE QUÍMICA – MEDICINA EXTENSIVO
sua condição, que não interferem em nenhuma reação
química, não se combinam com nenhum outro
elemento e justamente por esse motivo ficaram sem
ser observados durante séculos: só em 1962 um
químico, depois de longos e engenhosos esforços,
conseguiu forçar “o Estrangeiro” (o xenônio) a
combinar-se fugazmente com o flúor ávido e vivaz, e a
façanha pareceu tão extraordinária que lhe foi
conferido o Prêmio Nobel.
LEVI, P. A tabela periódica. Rio de Janeiro: Relume-
Dumará,1994 (adaptado).
Qual propriedade do flúor justifica sua escolha como
reagente para o processo mencionado?
a) Densidade.
b) Condutância.
c) Eletronegatividade.
d) Estabilidade nuclear.
e) Temperatura de ebulição.
34. (Enem 2018) Alguns materiais sólidos são
compostos por átomos que interagem entre si
formando ligações que podem ser covalentes, iônicas
ou metálicas. A figura apresenta a energia potencial
de ligação em função da distância interatômica em um
sólido cristalino. Analisando essa figura, observa-se
que, na temperatura de zero kelvin, a distância de
equilíbrio da ligação entre os átomos 0(R )
corresponde ao valor mínimo de energia potencial.
Acima dessa temperatura, a energia térmica fornecida
aos átomos aumenta sua energia cinética e faz com
que eles oscilem em torno de urna posição de
equilíbrio média (círculos cheios), que é diferente para
cada temperatura. A distância de ligação pode variar
sobre toda a extensão das linhas horizontais,
identificadas com o valor da temperatura, de 1T a 4T
(temperaturas crescentes).
O deslocamento observado na distância média revela
o fenômeno da
a) ionização.
b) dilatação.
c) dissociação.
d) quebra de ligações covalentes.
e) formação de ligações metálicas.
MÓDULO 03 - LIGAÇÕES QUÍMICAS
GABARITOS E RESOLUÇÕES COMENTADAS
Resposta da questão 1: [C]
[A] Incorreta. O sal de maior caráter iônico é o
fluoreto de lítio.
[B] Incorreta. O cloreto de césio, de acordo com o
gráfico, possui um alto caráter iônico.
[C] Correta. Entre os ácidos ilustrados no gráfico,
o fluorídrico possui a menor força entre eles.
[D] Incorreta. A maior diferença de
eletronegatividade é aquele que possui o maior
caráter iônico.
Resposta da questão 2: 02 + 04 + 08 = 14.
Análise das proposições:
[01] Incorreta. Supondo que o raio atômico do
sódio seja X e o raio atômico do cloro seja Y,
a distância da ligação química entre Na+ e
–C no cloreto de sódio não será
obrigatoriamente X+Y, pois ocorre uma
ligação entre íons.
[02] Correta. O átomo de sódio é maior do que o
átomo de cloro, o íon sódio é menor do que o
íon cloro.
2 2 6 1
11
2 2 6 2 5
17
2 2 6
11
2 2 6 2 6
17
Na 1s 2s 2p 3s (maior raio; menor c arga nuclear)
C 1s 2s 2p 3s 3p (menor raio; maior c arga nuclear)
Na 1s 2s 2p (menor raio; 2 camadas)
C 1s 2s 2p 3s 3p (maior raio; 3 camadas)
+
−
=
=
=
=
[04] Correta. A regra do octeto é respeitada nos
íons sódio e cloro do NaC , mas não é
respeitada para o boro no BF3, pois nesse
caso o boro estabiliza com seis elétrons de
valência.
[08] Correta. Sais formados entre metais
alcalinos e halogênios apresentarão, para
ambos os íons, uma camada de valência do
tipo s2p6, exceto o Li+.
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2 1
3
2
3
Li 1s 2s
Li 1s+
=
=
[16] Incorreta. A quantidade de energia envolvida
na segunda ionização do sódio é maior em
relação ao envolvido na primeira ionização
devido à diminuição do raio.
Resposta da questão 3: [C]
O modelo do octeto estabelece que a
estabilidade química dos átomos está associada
à configuração eletrônica da camada de valência
com oito elétrons. Dentro desse modelo há
algumas exceções com elementos cuja camada
de valência apresenta 2 elétrons (caso do
hidrogênio e hélio).
Resposta da questão 4: [A]
Teremos:
3NH : ligação covalente polar entre nitrogênio e
hidrogênio.
2CO : ligação covalente polar entre carbono e
oxigênio.
2 3Fe O : ligação iônica entre cátion ferro III e ânion
óxido.
2C : ligação covalente apolar entre os átomos
de cloro.
KI: ligação iônica entre cátion potássio e os ânion
iodeto.
Resposta da questão 5: V – V – F – F – V.
Teremos:
Um possível composto iônico a ser formado é o
sulfeto de sódio:
+ + − 2
2Na Na S Na S
O conjunto continha: 2,3 g de sódio sólido (Z =
11, massa atômica 23,0 g mol–1); 7,1 g de cloro
molecular (Z = 17, massa atômica 35,5 g mol–1):
+ →
22Na(s) C (g) 2NaC
2 23 g 71 g 2 58,5 g
2,3 g
excesso
7,1 g
−
=
=
=
= =
NaC
NaC
NaC 1
m
2 23 7,1 326,6 (excesso)
71 2,3 163,3 (limi tan te)
m 5,85 g
5,85 g
n 0,1mol
58,5 g.mol
A eletronegatividade do cloro (3,0) é maior do
que a do enxofre (2,5). O cloro está à direita do
enxofre no mesmo período.
Cloro e enxofre podem formar um composto
covalente de fórmula 2SC , com a participação
de elétrons dos orbitais p do cloro e orbitais p do
enxofre.
2 2 6 2 4
16
Camada de
valência
2 4
2 2 6 2 5
17
Camada de
valência
2 4
S : 1s 2s 2p 3s 3p
3s 3p
C : 1s 2s 2p 3s 3p
3s 3p
O cloro e o enxofre são ametais, logo não
formam ligações metálicas nestas condições.
Resposta da questão 6: [C]
O composto 2CaC , é o único que é formado por
ligação iônica e os compostos iônicos possuem
interações mais intensas quando comparadas as
covalentes, por ser formadas por íons, sendo
assim seus pontos de fusão e ebulição são mais
intensos.
7. [C]
8. [D]
Resposta da questão 9. [E]
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O composto A é iônico, pois possui elevados
pontos de fusão e ebulição e não conduz
corrente elétrica na fase sólida (25°C), mas
conduz a corrente elétrica quando fundido a 1000
°C.
O composto B é um composto molecular, pois
possui baixos pontos de fusão e ebulição e não
conduz a corrente elétrica na forma pura.
O composto C é um metal, pois conduz a
corrente elétrica mesmo na fase solida.
O composto D é iônico, pois possui elevados
pontos de fusão e ebulição e não conduz
corrente elétrica na fase sólida (25°C e 1000 °C).
Resposta da questão 10. [D]
A imagem representa a formação de uma ligação
tripla. A ligação sigma, que é formada pela
interpenetração frontal de orbitais (eixo Px-Px) e
duas ligações pi (), formadas pela
interpenetração lateral de orbitais. Uma ligação pi
() no eixo (Py-Py) e outra ligação pi () no eixo
(Pz-Pz).
A molécula de H2S só possui ligações simples
A molécula de O2 possui ligação dupla
A molécula de NO possui ligação dupla
A molécula de N2 possui ligação tripla.
Resposta da questão 11: [B]
J e G pertencem ao mesmo grupo da tabela
periódica, logo apresentam o mesmo número de
elétrons de valência.
Os elementos J, X e Z apresentam números
atômicos consecutivos, sendo X um gás nobre:
J z 1 (grupo 17 Halogênio)
X (gás nobre) z (grupo 18)
Z z 1 (grupo 1 Metal alcalino)
= − −
=
= + −
O composto formado por um metal alcalino (Z) e
um halogênio (J) é iônico e sua fórmula pode ser
representada por: [Z ][J ] ou ZJ.+ −
12. [C]
13. [C]
14. [E]
Resposta da questão 15: [C]
A) falso
A energia de rede do cátion Al3+ é maior que as
do Mg2+, Na+
Quanto maior a carga doíon, maior será a
energia de rede.
C) verdadeiro
todo composto tem um certo caráter iônico.
No caso do AlCl3, ele tem um alto caráter
covalente, tanto é que é um dos casos de
exceção ao octeto.
16. [E]
17. [A]
Resposta da questão 18. [B]
O átomo de enxofre pode formar ligações
covalentes coordenadas (dativas) com metais.
O átomo de enxofre doa um par de elétrons e
atua como base de Lewis
O metal recebe um par de elétrons e atua como
ácido de Lewis.
Forma-se uma ligação coordenada.
Esses compostos formados pkr metais ou cátions
metálicos e um grupo doador de par de elétrons
são chamados de compostos de coordenação.
Assim o item b é correto.
Resposta da questão 19: 01 + 02 + 04 = 07.
Substâncias iônicas (apresentam ligação iônica):
cloreto de lítio, brometo de potássio, cloreto de
cálcio.
Substâncias moleculares (formada por
moléculas): glicose, naftaleno, etanol, água.
Substância covalente: grafite.
Substância metálica (apresenta ligação metálica):
ouro.
Ligas metálicas (apresenta ligação metálica):
bronze, latão.
20. 08 + 16 = 24
Resposta da questão 21:. [C]
O H3PO4 pode sim expandir o octeto e ficar com
cargas formais que deixam a estrutura de
ressonância mais estável
Do terceiro período em diante pode expandir o
octeto, quando expande o octeto fica com mais
de oito elétrons na última camada e assim não
obedece ao octeto.
Ele possui as duas estruturas, com a ligação
dativa (obedece ao octeto)
E com a ligação dupla (expansão do octeto
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Com a dupla, expandindo o octeto, ele é mais
estável, pois a carga formal é zero, porém ele
existe também com uma ligação coordenada,
obedecendo o octeto.
Assim as alternativas II e III são excludentes.
Tanto a II, quanto a III pode ser considerada
correta, mas não as duas.
22. V V F
23. V F V V V F
24. F F V
Resposta da questão 25. [A]
Radical livre não possui carga positiva, nem
negativa.
Não pode se um ânion.
Não pode ser um cátion.
Tem que ser uma espécie neutra e que possui
um número ímpar de elétrons, para que um
elétron fique desemparelhado.
Isso ocorre apenas na molécula de NO.
Veja a estrutura de Lewis do NO, o N é uma
exceção ao octeto, está apenas com 7 elétrons
na camada de valência.
26. [B]
27. [B]
28. [E]
29. [E]
30. [C]
Resposta da questão 31:[E]
A ligação química dessa molécula, envolvendo átomos
diferentes do hidrogênio (C e N), que absorve a radiação
no infravermelho com maior frequência é C N, pois se
trata da ligação mais forte (uma ligação sigma e duas
ligações pi entre o carbono e o nitrogênio).
Resposta da questão 32:[C]
Camada de valência do xenônio
2 6(Xe) : 5s 5p (8 elétrons).
Camada de valência do flúor:
2 52s 2p (7 elétrons).
Fórmula de Lewis do difluoreto de xenônio 2(XeF ) :
A camada de valência do gás nobre (Xe) ficará com dez
elétrons.
Resposta da questão 33: [C]
De acordo com o texto só em 1962 um químico, depois de
longos e engenhosos esforços, conseguiu forçar “o
Estrangeiro” (o xenônio) a combinar-se fugazmente com o
flúor ávido e vivaz, e a façanha pareceu tão extraordinária
que lhe foi conferido o Prêmio Nobel.
Este trecho descreve a elevada eletronegatividade do flúor,
capaz de formar 4XeF .
Resposta da questão 34: [B]
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Quanto maior o valor da temperatura, maior o grau de agitação das espécies químicas, ocorrendo, assim, um distanciamento.
Pode-se verificar, a partir das figuras, que as distâncias interatômicas aumentam, ou seja, que ocorre dilatação.
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MÓDULO 04 - LIGAÇÕES INTERMOLECULARES
1. Introdução
Após termos estudado as ligações entre os átomos, estudaremos agora as interações que existem entre
as moléculas, particularmente nas fases sólida e líquida, pois apesar de estarem presentes também na fase
gasosa, tais interações são fundamentais para o entendimento de muitas propriedades das substâncias nas fases
sólida e liquida.
2. Forças intermoleculares
A intensidade das forças intermoleculares em diferentes substâncias varia em uma grande faixa, mas elas
são muito mais fracas que ligações iônicas e covalentes (Figura). Dessa forma, é necessário menos energia para
vaporizar um líquido ou fundir um sólido do que para quebrar ligações covalentes em moléculas. Por exemplo,
necessita-se de apenas 16 kJ/moI para vencer as atrações intermoleculares entre as moléculas de HCl em HCl
líquido para vaporizá-lo. Em contraste, a energia necessária para dissociar HCl em átomos de H e Cl é 431
kJ/mol. Portanto, quando uma substância molecular como HCl passa de sólido para líquido e para gás, as
moléculas em si permanecem intactas.
Muitas propriedades dos líquidos, incluindo os pontos de ebulição, refletem a intensidade das forças
intermoleculares. Por exemplo, uma vez que as forças entre as moléculas de HCI são tão fracas, HCI entra em
ebulição a apenas - 85°C à pressão atmosférica. O líquido entra em ebulição quando se formam bolhas de seu
vapor. As moléculas de um líquido devem vencer as forças de atração para separar-se e formar um vapor. Quanto
mais forte as forças de atração, maior é a temperatura na qual o líquido entra em ebulição. De forma similar, o
ponto de fusão de um sólido aumenta à medida que as forças intermoleculares ficam mais fortes.
Sabe-se que existem três tipos de forças atrativas entre moléculas neutras: forças dipolo-dipolo, de
dispersão de London e de ligação de hidrogênio. Essas forças são também chamadas forças de van der Waals
em homenagem a Johannes van der Waals, que desenvolveu a equação para determinar o desvio de gases do
comportamento ideal. Outro tipo de força atrativa, a força íon-dipolo, é importante em soluções. Todas as quatro
forças são eletrostáticas por natureza, envolvendo atrações entre espécies positivas e negativas. Todas tendem a
ser até 15% menos fortes que as ligações covalentes e iônicas.
2.1. Forças íon-dipolo
Uma força íon-dipolo existe entre um íon e a carga parcial em certo lado de uma molécula polar. As
moléculas polares são dipolos; elas têm um lado positivo e outro negativo. HCl é uma molécula polar, por
exemplo, porque as eletronegatividades dos átomos de H e Cl são diferentes.
Os íons positivos são atraídos pelo lado negativo de um dipolo, enquanto os negativos são atraídos pelo
lado positivo, como mostrado na Figura . A magnitude da atração aumenta conforme a carga do íon ou a
magnitude do dipolo aumenta. As forças íon-dipolo são especialmente importantes em soluções de substâncias
iônicas em líquidos polares, como uma solução de NaCl em água. Abordamos essas soluções com mais detalhes
no módulo específico a este assunto.
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2.2. Forças dipolo-dipolo
Moléculas polares neutras se atraem quando o lado positivo de uma
molécula está próximo do lado negativo de outra, como na Figura l1.4(a).
Essas forças dipolo-dipolo são efetivas tão-somente quando moléculas
polares estão muito próximas, sendo elas geralmente mais fracas que as
forças íon-dipolo.
Em líquidos as moléculas polares estão livres para movimentar-se em
relação às outras. Como mostrado na Figura ll.4(b), elas estarão algumas
vezes em uma orientação que éatrativa e outras em uma orientação que é
repulsiva. Duas moléculas que se atraem passam mais tempo próximas uma
da outra que duas moléculas que se repelem. Portanto, o efeito como um todo
é uma atração líquida. Quando examinamos vários líquidos, descobrimos que
para moléculas de massas e tamanhos aproximadamente iguais, a força das
atrações intermoleculares aumenta com o aumento da polaridade. Podemos
ver essa tendência na Tabela, que relaciona várias substâncias com massas
moleculares similares, mas diferentes momentos de dipolo. Observe que o
ponto de ebulição aumenta porque o momento de dipolo aumenta. Para as
forças dipolo-dipolo, atuarem, as moléculas devem ser capazes de conseguir
se aproximar com a orientação correta.
Para moléculas de polaridade comparável, consequentemente, as
com menores volumes moleculares, geralmente sofrem maiores forças
atrativas dipolo-dipolo.
2.3. Forças de dispersão de London
Não pode haver forças dipolo-dipolo entre átomos e moléculas apolares. Entretanto, deve existir algum
tipo de interação atrativa porque gases apolares podem ser liquefeitos. A origem de suas atrações foi primeiro
proposta em 1930 por Fritz London, um físico germano-americano. London identificou que o movimento de
elétrons em um átomo ou molécula pode criar um momento de dipolo instantâneo.
Em uma coleção de átomos de hélio, por exemplo, a distribuição média de elétrons ao redor de cada
núcleo é esfericamente simétrica. Os átomos são apolares e não possuem momento permanente. Entretanto, a
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distribuição instantânea dos elétrons pode ser diferente da distribuição média. Se pudéssemos congelar o
movimento de elétrons de um átomo de hélio em determinado instante, ambos os elétrons poderiam estar em um
lado do núcleo. Apenas nesse momento então, o átomo teria um momento de dipolo instantâneo.
Como os elétrons se repelem, os movimentos em um átomo influenciam os movimentos dos elétrons em
seus vizinhos. Assim, o dipolo temporário em um átomo pode induzir um dipolo similar em um átomo adjacente,
fazendo com que os átomos sejam atraídos entre si, como mostrado na Figura. Essa interação atrativa é chamada
força de dispersão de London (ou meramente força de dispersão). Tal força, como as dipolo-dipolo, é significativa
tão-somente quando as moléculas estão próximas.
A facilidade com que a distribuição de cargas em uma molécula pode ser distorcida por um campo elétrico
externo é chamada polarizabilidade. Podemos pensar na polarizabilidade de uma molécula como uma medida da
'maciez' de sua nuvem eletrônica; quanto maior a polarizabilidade de uma molécula, mais facilmente sua nuvem
eletrônica será distorcida para dar um dipolo momentâneo. Dessa forma, moléculas mais polarizáveis têm forças
de dispersão de London mais fortes. Em geral, moléculas maiores tendem a ter maiores polarizabilidades porque
elas têm maior número de elétrons, que estão mais afastados do núcleo. A intensidade das forças de dispersão de
London, portanto, tendem a aumentar com o aumento do tamanho molecular. Uma vez que o tamanho molecular
e a massa geralmente assemelham-se, as forças de dispersão tendem a aumentar em intensidade com o
aumento da massa molecular. Assim, os pontos de ebulição dos halogêneos e dos gases nobres aumentam com
o aumento da massa molecular (Tabela).
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As formas espaciais das moléculas também influenciam nas
magnitudes das forças de dispersão. Por exemplo, o n-pentanol e o
neopentano, ilustrados na Figura 11.6, têm a mesma fórmula molecular
(C5H12), no entanto o ponto de ebulição do n-pentano é 27 K mais alto
que o do neopentano. A diferença pode ser explicada pela diferença nas
formas espaciais das duas moléculas. A atração total entre as moléculas
é maior no n-pentano porque as moléculas podem entrar em contato em
toda sua extensão, que é um tanto quanto cilíndrico. Menos contato é
possível entre as moléculas mais compactas e aproximadamente
esféricas do neopentano.
As forças de dispersão ocorrem entre todas as moléculas, não
importa se elas são polares ou apolares. As moléculas polares sofrem
interações dipolo-dipolo, mas elas também sofrem forças de dispersão ao
mesmo tempo. Na realidade, estima-se que as forças de dispersão são
responsáveis por mais de 80% da atração total entre as moléculas; as
atrações dipolo-dipolo respondem pelo resto. Quando comparadas as
forças relativas das atrações intermoleculares, as seguintes
generalizações devem ser consideradas:
1. Quando as moléculas têm massas moleculares e formas
comparáveis, as forças de dispersão são aproximadamente iguais. Nesse
caso, as diferenças em magnitudes das forças atrativas devem-se às
diferenças nas forças de atração dipolo-dipolo, com a maioria das
moléculas polares tendo as atrações mais fortes.
2. Quando as moléculas diferem muito em suas massas
moleculares, as forças de dispersão tendem a ser decisivas. Nesse caso,
as diferenças nas magnitudes das forças atrativas podem geralmente ser
associadas com as diferenças nas massas moleculares, com a molécula
mais massiva tendo as atrações mais fortes.
A ligação de hidrogênio, que abordaremos após o quadro
"Exercício resolvido: 1", é um tipo de interação intermolecular tipicamente
mais forte que as forças de dispersão.
2.4. ligação de hidrogênio
A Figura 11.7 mostra os pontos de ebulição de compostos de hidrogênio simples dos elementos do grupo
4A e 6A. Em geral, o ponto de ebulição aumenta com o aumento da massa molecular, devido ao aumento das
forças de dispersão. A notável exceção a essa tendência é H20, cujo ponto de ebulição é muito mais alto do que
esperaríamos com base em sua massa molecular. Os compostos NH3 e HF também têm pontos de ebulição
anormalmente altos. Na realidade, esses compostos apresentam muitas características que os distingue de outras
substâncias de massa molecular e polaridade análogas. Por exemplo, a água tem alto ponto de fusão, alto calor
específico e alto calor de vaporização. Cada uma dessas propriedades indica que as forças intermoleculares em
H2O são fortes de maneira incomum.
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Essas atrações intermoleculares na água resultam da ligação de hidrogênio. A ligação de hidrogênio é um
tipo especial de atração intermolecular entre o átomo de hidrogênio em uma ligação polar (particularmente uma
ligação H-F, H-O ou H-N) e um par de elétrons não compartilhado em um íon ou átomo pequeno e eletronegativo
que esteja próximo (geralmente um átomo de F, °ou N em outra molécula). Por exemplo, existe uma ligação de
hidrogênio entre o átomo de H em uma molécula de HF e o átomo de F de uma molécula de HF adjacente, F-
H···F-H (onde os pontos representam a ligação de hidrogênio entre as moléculas). Vários exemplos adicionais são
mostrados na Figura 11.8. As ligações de hidrogênio podem ser consideradas atrações dipolo-dipolo ímpares.
Como F, N e O são muito eletronegativos, uma ligação entre o hidrogênio e qualquer um desses três elementos é
bastante polar, com o hidrogênio no lado positivo:
O átomo de hidrogênio não tem elétrons de cerne. Assim, o
lado positivo do dipolo da ligação tem a carga concentrada
parcialmente exposta, quase exibindo o próton do núcleo do
hidrogênio. Essa carga positiva é atraída pela carga negativa de um
átomo eletronegativo em uma molécula próxima. Como o hidrogênio
pobre em elétrons é muito pequeno, ele pode aproximar-se muito de