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ANATOMIA 2 
ASPECTOS BIOMECÂNICOS DO CRÂNIO 
FORÇAS FUNCIONAIS 
CRÂNIO DE UM NEONATO (RECÉM-
NASCIDO): o neurocrânio é mais 
desenvolvido que o viscerocrânio. A massa 
encefálica exige um crescimento maior do 
neurocrânio. Maxila e mandíbula não estão 
na sua fase de funcionalidade 
(funcionalidade mínima), pois o bebe não 
mastiga, portanto estão bem pequenos e 
pouco desenvolvidos. 
Comparando com um adulto, o crânio estará 
no estado máximo de desenvolvimento, pois 
já teve erupção dentaria e está no seu 
estado de funcionalidade (músculos da 
mastigação e expressão facial). A força 
mastigatória exige muito mais do que as 
expressões. 
A função muscular vai determinar o quanto 
teremos de crescimento ósseo. 
CRÂNIO DE UM IDOSO: ocorre a sinostose 
(desaparecimento das suturas). No caso da 
imagem mostrada houve perda dentaria 
(não é todo idoso que terá perda dentaria) e 
diminuição da mandíbula (ocorre reabsorção 
óssea devido a pouca funcionalidade). Se 
não há estrutura dentaria para a mastigação, 
ocorre perda óssea. 
Maxila e mandíbula se articulam e se 
relacionam. A maxila é uma estrutura fixa e 
mandíbula uma estrutura móvel. 
O crânio é divido em parte fixa (21 ossos) e 
parte móvel (mandíbula). A articulação 
temporomandibular (ATM) faz a articulação 
entre as partes. A fossa mandibular, côndilo 
mandibular e tubérculo articular também 
fazem parte da ATM. A maxila não faz parte 
da ATM. 
ARRANJO DA ESTRUTURA INTERNA DOS 
OSSOS: o osso é adaptado a receber 
(absorção) e transmitir a força (força 
mastigatória). Ele vai ter uma arquitetura 
direcionada a isso, sem que haja perda 
óssea considerável (está adaptada as 
exigências mecânicas de pressão e tração). 
Existem duas substancias ósseas: compacto 
e esponjoso. A constituição não muda, o 
que muda são os arranjos das espiculas 
ósseas. No compacto estão mais unidas e na 
esponjosa estão mais separadas. Se há uma 
área de maior demanda funcional, precisa 
ser mais resistente, portanto, o osso deve 
ser compacto. Se não há tanta demanda o 
osso será esponjoso. A demanda funcional é 
quem dita os arranjos. Sempre terá os dois 
tipos de substancias ósseas, o que muda é a 
proporção de acordo com a demanda. 
Áreas que não são solicitadas 
funcionalmente são reabsorvidas por 
desuso→ áreas que não tem uma função, 
por exemplo mastigatória, não são 
necessárias e por isso são reabsorvidas. Os 
seios paranasais são um exemplo disso, 
classificado como cavidade pneumática. Na 
criança a cavidade é menor, à medida que 
cresce elas passam por um processo de 
expansão até a puberdade quando se 
estabiliza. Essa região que na criança não 
tinha demanda funcional, começa a se 
reabsorver e expandir por uma tendencia 
natural que o corpo tem de reabsorção 
nesses locais. As forças mecânicas 
associadas a elas são mínimas, portanto, 
determina a morfologia da cavidade 
pneumática, a parede é reforçada para 
proteger esse “buraco” dentro do osso, ou 
seja, a cortical óssea será mais espessa 
(subst. compacta) e a esponjosa mais densa 
(buraquinhos menores), tudo isso serve para 
reforçar a parede óssea que tem nessa 
cavidade para que não quebre com 
facilidade. 
BIOMECÂNICA DO ESQUELETO FACIAL 
Toda região óssea depende do trabalho 
funcional para se desenvolver → o osso não 
é estático, é um tecido dinâmico, se adapta 
as funções necessárias e reabsorve quando 
não tem função. 
As forças funcionais que incidem sobre o 
esqueleto craniofacial determinam sua 
arquitetura → o crânio não tem uma 
morfologia aleatória, tem uma morfologia 
adaptada as forças sofridas. 
Maior influência das forças mastigatórias → 
existe os músculos da mimica facial também, 
porem as forças maiores são as 
mastigatórias. 
As forças mastigatórias são transmitidas ao 
esqueleto axial via fibras do ligamento 
periodontal → Temos nossos dentes 
inseridos no osso pelos alvéolos (casinha do 
dente), e o ligamento periodontal os une 
(gonfose é a articulação dente – osso 
alveolar). 
As forças mastigatórias são conduzidas até a 
base do crânio, onde serão anulados, 
percorrendo zonas de maior resistência → 
Ao longo da nossa vida, mastigamos 
diversas vezes, como a demanda é muito 
alta há uma transmissão dessa forca (força 
oclusal) que passa pelo osso alveolar e vai 
para a base do crânio (nesse local essa forca 
é anulada) para que não haja perda óssea. 
ÁREAS DE MAIOR ESPESSAMENTO ÓSSEO 
São áreas de proteção e de resistência maior 
(espessamento maior). 
Glabela: no osso frontal, entre os dois arcos 
superciliares na face externa. 
Processo zigomático do osso frontal: se 
articula com o processo frontal do osso 
zigomático. 
Processo mastoide: área mais elevada do 
osso temporal, esta atras da orelha. Há 
fixação muscular, portanto, possui mais 
espessura óssea. 
Protuberância occipital externa: na região do 
osso occipital na porção escamosa na face 
externa. Ela tem o inio que é um ponto 
craniométrico (divide a calota e base do 
crânio). 
Paciente que teve uma neoplasia em região 
de têmpora: pegou no musculo temporal → 
faz uma biopsia e será necessário retirar 
pelo menos parte do musculo temporal, o 
que vai acontecer com o osso? Vai 
reabsorver na parte da inserção muscular 
(pois é a parte móvel). ATROFIA: PERDA DA 
SUBSTANCIA MUSCULAR. 
MAXILA 
É um osso fixo e duplo, pertence ao 
esqueleto fixo da face e não é um osso 
solto. 
Quando há uma fratura dificilmente atinge 
só a maxila, pois ela está fixa a outros ossos 
do crânio. 
Ela tem forças oclusais → influenciam na sua 
arquitetura. 
É bem complexa pois esta associada a vias 
aéreas e digestivas, a estrutura é frágil pois 
esta associada a outros ossos e possui 
cavidades (orbita, cavidade nasal, cavidade 
oral e seio maxilar). 
Esqueleto fixo da face → presa a outros 
ossos e presa a base do crânio. 
A maxila recebe forças oclusais, portanto, 
precisa ter áreas de resistência para não ter 
perda óssea: 
A maxila tem pilares de sustentação. São 
vigas verticais com maior resistência e 
sustentação para a face. Também tem arcos 
de conexão (horizontais). Esses dois dão o 
reforço ósseo para a mandíbula atuar e 
estão associados as cavidades. 
Ela (maxila) não é muito espessa pois ela 
precisa ter fragilidade, mas também precisa 
ter resistência. 
PILARES E ARCOS: 
É uma base para a mandíbula atuar durante 
a mastigação. 
Todos os pilares estão associados a forças 
oclusais, portanto estão sempre associados 
a um alvéolo (o trajeto começa no alvéolo). 
PILARES: Pilar canino, pilar zigomático e 
pilar pterigoide. 
ARCOS (CONECTAM OS PILARES): supra 
orbital, infraorbital, arco supra nasal, arco 
infra nasal, arco palatino e arco pterigoideo. 
PILAR CANINO: 
É o mais medial. 
Associado ao alvéolo do canino superior, 
contorna a abertura piriforme, passa pelo 
processo frontal da maxila e termina na 
margem supra orbital. 
Entre o seio maxilar e cavidade nasal → o 
pilar canino reforça essas duas áreas. 
Os arcos supra e infra nasal fazem a conexão 
entre os dois pilares caninos (esquerdo e 
direito). 
PILAR ZIGOMÁTICO: 
Está associado ao alvéolo do primeiro molar 
superior (seu trajeto inicia aqui). 
Passa pela crista zigomático-alveolar, 
atravessa o processo zigomático da maxila, 
pelo corpo do osso zigomático, pelo 
processo frontal do zigomático e termina no 
osso frontal. 
A maior parte da forca não chega ao osso 
frontal pois vai passar pelo arco zigomático 
para ir para a base do crânio, por causa da 
necessidade de anulação de força. As 
poucas forças que chegam ao frontal são 
dissipadas. 
O arco supra orbital e infraorbital conecta os 
pilares caninos e zigomáticos. Fazem esse 
elo com a meta de chegar na base do crânio 
para que a forca dos dois pilares seja 
anulada. Fazem conexão com o arco 
zigomático e vão para a base do crânio. 
PILAR PTERIGOIDE 
Inicia peloalvéolo do terceiro molar 
superior. 
Passa pelo processo piramidal do osso 
palatino e depois pelo processo pterigoide 
do osso esfenoide. 
Para chegar à base do crânio ele passa pelo 
arco zigomático-pterigoideo (faz a 
comunicação entre o pilar pterigoideo e o 
arco zigomático), assim a forca é anulada, 
pois o zigomático leva à forca para a base. 
O arco palatino faz conexão entre todos os 
pilares entre si. 
MANDÍBULA 
É um osso único e móvel, além das forças 
oclusais, possui forças mastigatórias. Ela não 
é frágil, pois sua demanda é bem maior do 
que da maxila, devido as forças 
mastigatórias. 
Corticais ósseas mais espessas: suporte 
ósseo. 
Esponjosa trabeculada: distribuição 
adequada de forças. 
ZONAS DE RESISTÊNCIA DA MANDÍBULA 
São as trajetórias de força da mandíbula (4 
trajetórias). 
A anatomia da mandíbula esta adaptada a 
alta função mastigatória. 
Grupos musculares: 
Supra hioides e músculos elevadores da 
mandíbula, eles têm direções opostas em 
relação a função. Supra hioides: superiores 
ao osso zigomático e fazem a subida dele 
(eles elevam o osso hioideo), nesse 
momento de elevação do osso hioide eles 
puxam a mandíbula para baixo. Os 
elevadores sobem a região mandibular. Ou 
seja, são músculos com direções opostas de 
contração. 
Zona de compressão (inferior): atua os 
músculos supra hioides. 
Zona de tensão (superior): são os músculos 
elevadores, são eles que levam os dentes 
inferiores em contato com os superiores. 
Entre as duas zonas possui a zona neutra: 
pois entre as duas outras zonas passam 
nervos e vasos e precisa da zona neutra para 
proteção, para que não chegue nenhum 
outro atrito na área. 
CASO CLINICO: Se chega um paciente com 
fratura mandibular em que há uma secção 
da mandíbula como mostrada na imagem 
será necessário colocar duas placas: placa 
inferior associado a zona de compressão, e 
uma placa superior para reabilitar a zona de 
tensão. Isso ocorre pois são músculos com 
funções opostas. 
 
4 Trajetórias: mentual (mento → região 
correspondente ao queixo), basilar (região 
inferior), alveolares (duas trajetórias → 
associadas aos dentes – interna e externa) e 
temporal. Tem um reforço ósseo → A 
compacta óssea é mais espessa. 
TRAJETÓRIA MENTUAL 
Está associada com a região do mento. 
Área de maior reforço. Se for fazer uma 
anestesia infiltrava é mais difícil de pegar, 
pois a compacta óssea é mais espessa (mais 
difícil de chegar no nervo). O trabeculado 
ósseo é mais denso. 
Área de reforço para anular forças de torsão. 
Essa região na face interna possui músculos 
pterigoideos mediais, portanto há uma 
tendencia de puxar a mandíbula para 
dentro. Por isso a região é reforçada com a 
trajetória mentual para que não haja essa 
torção. 
TRAJETÓRIA BASILAR OU MARGINAL 
Passa pela base da mandíbula (margem 
inferior), contorna o ângulo da mandíbula, 
sobe para margem posterior do ramo e 
chega ao processo condilar, dessa forma 
chega à base do crânio e a força é anulada. 
A trajetória basilar está associada com a 
zona de compressão (inferior): anula a força 
desenvolvida pelos músculos supra hioides. 
TRAJETÓRIAS ALVEOLARES 
Tem duas: obliqua (passa por fora – externa) 
e Milo hioidea (passa de forma interna). 
Está associada com os alvéolos (casinha do 
dente). O ligamento periodontal liga o dente 
com o alvéolo, recebe a força e manda para 
o osso alveolar. Essa trajetória esta 
associada com as forcas oclusais (associadas 
com a mastigação), que serão transmitidas 
ao alvéolo pelo ligamento periodontal, 
anulando a força de tensão. Sai das regiões 
dentarias e vai para o processo condilar da 
mandíbula, que recebe e manda para a base 
do crânio anulando a força. 
Externa: alveolar obliqua → será uma linha 
obliqua. 
Interna: Milo hioidea. 
TRAJETÓRIA TEMPORAL 
É a única que é descendente. Não ocorre 
anulação de forças, é definida pela 
contração muscular. 
Associada ao musculo temporal → ele se 
insere no processo coronoide. 
A trajetória, portanto, começa no processo 
coronoide e vai passar para região mais 
inferior (descendente). 
Espessamento ósseo da margem anterior do 
ramo mandibular. 
Vai ser desenvolvida pela própria tração 
muscular. 
ZONAS DE FRAGILIDADE DO ESQUELETO 
FACIAL 
Perpendiculares aos pilares de resistência 
(mais facilidade para atingir o alvo) → As 
zonas de fragilidade são perpendiculares as 
zonas de resistência. 
Fraturas do esqueleto craniofacial → golpes, 
dentes inclusos (mais profundamente 
localizado), cistos (alteração de 
neoformação de um tecido – crescimento e 
reabsorção), tumores, osteomielite e 
osteoporose. 
FRATURA SIMPLES: apenas um tracinho de 
fatura. 
FRATURA MÚLTIPLA: mais de um tracinho. 
FRATURA COMPOSTA: exposição do tecido 
interno (osso, pele ou mucosa). 
 
ZONAS DE FRAGILIDADE DA MAXILA 
Geralmente Perpendicular a área de 
resistência. 
Fraturas do esqueleto fixo da face. Quando 
há fratura da maxila é mais comum que 
atinge outros ossos da face, além da maxila. 
René Le Fort → analisou os padrões de 
fraturas maxilar jogando crânios no chão e 
dissecando, e foram divididas em três 
padrões de fraturas comum: LE FORT 1, LE 
FORT 2 e LE FORT 3. 
FRATURA DO TIPO LE FORT 1 
(HORIZONTAL OU SUBAPICAL): 
É a mais restrita: 
Passa por cima dos ápices dos dentes 
superiores até a porção inferior do processo 
pterigoideo do osso esfenoide. 
Fratura dos três pilares de sustentação da 
maxila no seu início (pilar pterigoideo, 
zigomático e canino). NENHUM É NA BASE. 
 
FRATURA TIPO LE FORT 2 (PIRAMIDAL): 
O traço de fratura é mais acima do que a Le 
Fort 1, lateralmente não muda muita coisa. 
Fratura a margem infraorbital, separa os 
ossos nasais do frontal, passa pelo processo 
frontal da maxila e chega ao septo nasal. 
A Le Fort 1 fica mais restrita ao nível do 
vômer. A Le Fort 2 chega a lâmina 
perpendicular do osso etmoide. Portanto 
nessa fratura o paciente pode ter linorréia: 
quando o líquor vasa pelo nariz (devido à 
quebra do osso). 
Fratura dos três pilares de sustentação da 
maxila. O canino é fraturado na base (separa 
o frontal do nasal), portanto o problema é 
maior, pois a forca não irá cessar na base. 
Na 2 não há envolvimento do zigomático. 
 
FRATURA DO TIPO LE FORT 3 
(DISJUNÇÃO CRANIOFACIAL): 
Há uma separação de neuro e viscerocrânio 
(disjunção craniofacial). 
Fratura dos três pilares de sustentação da 
maxila na base do crânio → 
Fratura da sutura Fronto zigomático (se 
atingiu o osso zigomático é Le Fort 3) → 
diferencia da Le Fort 2. 
Atinge o osso etmoide na porção do septo 
nasal (lâmina perpendicular). Portanto 
também há chances de ter linorréia em caso 
mais grave, pois o traço é mais superior. 
 
EXEMPLOS: 
 
 Em vermelho é a Le 
Fort 3, em quadriculadinho Le Fort 2 e em setas pretas Le 
Fort 1. 
ZONAS DE FRAGILIDADE DA MANDÍBULA 
Mais incomum do que a maxilar, pois a 
mandíbula é bem mais resistente. 
É mais fácil fraturar: Perpendiculares as 
trajetórias de força → perpendicular a uma 
área de resistência. 
COLO DO CÔNDILO MANDIBULAR: 
Principal zona de fragilidade mandibular → 
região mais fraturada. 
Traumas resultantes de impactos no mento 
→ aplicação de forcas no mento: se empurra 
a mandíbula para trás com força o colo que 
esta atras é fraturado. 
CORPO MANDIBULAR: 
Ocorre, pois, tem duas áreas de fragilidade 
associadas ao corpo da mandíbula: 
Canal mandibular e forame mentual (por 
onde passam vasos e nervos, portanto é 
uma abertura). 
Ptose da língua: acontece comumente 
quando há fratura em corpo mandibular, 
pois nesse local há fixação de músculos da 
língua, se fratura, o musculo solta e a língua 
é empurrada para atras e isso pode tampar a 
via aérea. DEVE SER TRATADO COM 
URGENCIA. 
ÂNGULO MANDIBULAR: 
Fragilidade: É uma área de transição entre o 
corpo mandibular e ramo mandibular. 
OUTRAS LOCALIZAÇÕESMAIS RARAS 
Ramo mandibular. 
Processo coronoide. 
Processo alveolar (conjunto dos álveos).

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