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1 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 Educação permanente em saúde no Brasil: contexto histórico aos dias atuais Continuing health education in Brazil: historical context to the present day Educación continua en salud en Brasil: contexto histórico hasta la actualidad DOI: 10.55905/revconv.17n.6-112 Originals received: 05/10/2024 Acceptance for publication: 05/31/2024 Natércia Taveira Carvalhaes Dias Mestre em Enfermagem Instituição: Universidade Federal de Alfenas Endereço: Alfenas – Minas Gerais, Brasil E-mail: natercia.dias@muz.ifsuldeminas.edu.br Orcid: https://orcid.org/0000-0002-0267-3335 Maria Regina Martinez Doutora em Enfermagem Instituição: Universidade Federal de Alfenas Endereço: Alfenas – Minas Gerais, Brasil E-mail: maria.martinez@unifal-mg.edu.br Orcid: https://orcid.org/0000-0001-6300-8980 RESUMO A Política Nacional de Educação Permanente em Saúde foi criada em 2004 para a formação e o aperfeiçoamento dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde. A política visa transformar as práticas de trabalho com base nas experiências dos profissionais de saúde por meio de metodologias pedagógicas voltadas à aprendizagem significativa para o trabalho. Ao longo do tempo a política sofreu grandes mudanças e ainda enfrenta desafios significativos. O estudo tem como objetivo descrever a política em seus contextos históricos, permitindo uma reflexão sobre sua criação e evolução até os dias atuais. A metodologia utilizada é a pesquisa documental descritiva, realizada a partir de documentos oficiais sobre a conjunção histórica da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Ao longo da história da política, percebemos sua evolução e implementação, como a conscientização da relevância da aprendizagem continua e do desenvolvimento profissional. Novas técnicas de ensino e tecnologias estão sendo usadas para a formação e parcerias entre instituições de saúde e ensino foram estabelecidas. Apesar dos avanços, a política ainda enfrenta dificuldades para sua execução, como a capacitação dos profissionais, a gestão que entenda sua relevância para modificar as práticas de trabalho, a mudança do modelo tradicional e tecnicista de aprendizagem, recursos financeiros, valorização e incentivos aos profissionais de saúde. Palavras-chave: Brasil, política, educação, permante, saúde. mailto:natercia.dias@muz.ifsuldeminas.edu.br https://orcid.org/0000-0002-0267-3335 https://orcid.org/0000-0001-6300-8980 2 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 ABSTRACT The National Policy for Permanent Education in Health was created in 2004 for the training and improvement of workers in the Unified Health System. The policy aims to transform work practices based on the experiences of health professionals through pedagogical methodologies focused on learning significant for the work. Over time, the policy has undergone major changes and still faces significant challenges. The study aims to describe the policy in its historical contexts, allowing a reflection on its creation and evolution to the present day. The methodology used is descriptive documentary research, carried out based on official documents about the historical conjunction of the National Policy on Permanent Education in Health. Throughout the history of the policy, we noticed its evolution and implementation, such as awareness of the relevance of continuous learning and of professional development. New teaching techniques and technologies are being used for training and partnerships between health and educational institutions have been established. Despite advances, the policy still faces difficulties in its implementation, such as training professionals, management that understands its relevance to modify work practices, changing the traditional and technical model of learning, financial resources, appreciation and incentives for professionals of health. Keywords: Brazil, politics, education, permanent, health. RESUMEN La Política Nacional de Educación Permanente en Salud fue creada en 2004 para la formación y perfeccionamiento de los trabajadores del Sistema Único de Salud. La política tiene como objetivo transformar las prácticas laborales a partir de las experiencias de los profesionales de la salud a través de metodologías pedagógicas enfocadas en aprendizajes significativos para el trabajo. Con el tiempo, la política ha sufrido cambios importantes y aún enfrenta desafíos importantes. El estudio pretende describir la política en sus contextos históricos, permitiendo una reflexión sobre su creación y evolución hasta la actualidad. La metodología utilizada es la investigación documental descriptiva, realizada con base en documentos oficiales sobre la conjunción histórica de la Política Nacional de Educación Permanente en Salud. A lo largo de la historia de la política, pudimos notar su evolución e implementación, así como la conciencia de la relevancia de su continuidad. aprendizaje y de desarrollo profesional. Se están utilizando nuevas técnicas y tecnologías de enseñanza para la formación y se han establecido asociaciones entre instituciones sanitarias y educativas. De salud. Palabras clave: Brasil, política, educación, permanente, salud. 1 INTRODUÇÃO A proposta da Educação Permanente em Saúde (EPS) para o campo da saúde foi lançada no início dos anos 80 pela organização Pan-Americana da saúde, seu objetivo era reorientar o método educacional em saúde, valorizando o trabalho realizado no cotidiano dos serviços como fonte de conhecimento e aprendizagem, se caracterizando em um processo permanente, 3 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 participativo e multiprofissional, recria a teoria a partir das necessidades, colocando a prática em posição privilegiada (Lemos, 2016). A Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), foi instituída no ano de 2004 através Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) para formação e desenvolvimento dos trabalhadores do SUS, preconiza que para a transformação das práticas profissionais, deve-se valorizar os conhecimentos e as experiências dos sujeitos envolvidos no processo educativo, e que isso esteja baseado na reflexão crítica da realidade (Brasil, 2007). A Educação Permanente em Saúde, assumida pelo Ministério da Saúde (MS) se configura como aprendizagem no trabalho, onde o aprender e o ensinar se incorporam ao cotidiano das organizações e ao trabalho. A EPS se baseia na aprendizagem significativa e na possibilidade de transformar as práticas profissionais e acontece no cotidiano do trabalho (Brasil, 2007). A EPS é a educação no trabalho, pelo trabalho e para o trabalho nos diferentes serviços, cuja finalidade é melhorar a saúde da população, seu processo requer planejamento, elaboração e execução considerando a análise do contexto cultural institucional do serviço de saúde em que se insere (Brasil, 2009). Ressalta que a ação educativa orientada para a transformação das práticas, além dos diversos trabalhadores dos serviços, deve atingir também os gestores técnico-políticos do sistema. De acordo com Ceccim; Feuerwerker; Laura (2004), a qualificação dos profissionais de saúde deve ser concebida a partir da problematização dos processos de trabalho no intuito de ser instigado pela identificação das necessidades de aprendizagem por parte dos educandos, sendo estruturados para solucionar as necessidades dos procedimentos de trabalho. Nessa direção, entende-se que as atividades de qualificação desses profissionais devem ser norteadas pelas demandas identificadas durante o exercício de suas práticas profissionais, “tomando como referência as necessidadesde saúde das pessoas e das populações, da gestão setorial e do controle social em saúde” (Feuerwerker, 2014). A Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) enfatiza que a PNEPS, apesar de ter sofridos avanços na área da educação em saúde, requer esforços de articulação e parcerias institucionais entre serviço e ensino, educação e trabalho para sua implementação, destaca ainda que existem muitos desafios a serem superados, dentre eles o https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/quem-e-quem 4 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 estímulo a maior utilização de novas tecnologias para o ensino na saúde e o estabelecimento do compromisso com as novas demandas de saúde pública (Brasil, 2018). Este artigo tem como objetivo descrever a Política Brasileira de Educação Permanente em Saúde em seus desdobramentos históricos, permitindo uma reflexão sobre sua criação e evolução até os dias atuais. 2 METODOLOGIA Trata-se de um estudo do tipo documental descritivo, realizado por meio de documentos oficiais sobre o contexto histórico da Política Nacional de Educação Permante no Brasil. Segundo Gil (2019), os materiais da pesquisa documental são aqueles que ainda não receberam um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados consoantes os objetivos da pesquisa, como arquivos oficiais de órgãos públicos e instituições privadas. Os documentos selecionados do Ministério da Saúde foram desde a primeira fase da PNEPS (2003-2005) e suas revisões, PNEPS (2009), PNEPS (2018), PNEPS (2022), além de pesquisas na literatura científica existente relacionadas a produções sobre a PNEPS. A leitura dos documentos legais sobre a PNEPS com a literatura científica produzida foi essencial para os objetivos deste estudo, seguindo as etapas metodológicas: 1. busca dos documentos do Ministério da Saúde relativos ao histórico da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde; 2. seleção de artigos científicos de trabalhados envolvidos com a implantação da PNEPS em instituições de saúde; 3. leitura e investigação dos documentos e dos artigos; 4. organização dos dados, construção e análise e interpretação dos documentos. A etapa da análise de documentos, para May (2004), propõe-se a interpretá-los, sintetizar as informações, determinar tendências e fazer a inferência, fornecendo uma interpretação coerente, tendo em conta a temática ou o questionamento inicial. 5 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 3 REFERENCIAL TEÓRICO 3.1 POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE: PERCURSO HISTÓRICO Este segmento visa oferecer uma análise abrangente dos marcos mais relevantes que moldaram a evolução da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), estruturados em uma ordem cronológica que abarca desde sua concepção inicial até sua configuração contemporânea. A linha do tempo, conforme mostra a Figura 1, captura os principais marcos da história da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, desde sua concepção até os desenvolvimentos mais recentes. Figura 1 – Percurso histórico da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Fonte: (Brasil, 2022; Autora 2024). 1. anos 1980: A origem da PNEPS aconteceu neste período, com a redemocratização do país e o processo de criação do Sistema Único de Saúde, começaram a surgir discussões sobre a necessidade de uma formação continuada para os profissionais de saúde. Movimentos sociais e profissionais de saúde começaram a questionar os modelos tradicionais de formação, enfatizando a necessidade de uma abordagem mais dinâmica e contextualizada. Este período marcou o início de discussões e experimentações que culminaram na criação 6 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 de políticas voltadas para a educação permanente em saúde. No entanto, ainda não havia uma política nacional estruturada nesse sentido (Brasil, 2004); 2. anos 1990: Na década de 1990, com a promulgação da Constituição de 1988 e a consolidação do SUS, surgiram iniciativas isoladas de Educação Permanente em Saúde, muitas vezes vinculadas a programas de capacitação desenvolvidos por instituições de saúde e universidades. Essa década foi marcada pela experimentação e pela busca por modelos eficazes de formação continuada (Brasil, 2004); 3. anos 2000: Em 2003, foi instituída a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, por meio da Portaria GM/MS nº 198, que estabeleceu diretrizes e estratégias para a implementação da EPS em todo o país. Essa política reconheceu a importância da formação continuada para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde e para o fortalecimento do SUS (Brasil, 2004). O marco inicial da PNEPS remota ao ano de 2004, com a publicação da Portaria Ministerial nº 198/GM, que oficializou sua instituição no âmbito do Sistema Único de Saúde. Este documento estabeleceu os fundamentos, princípios e diretrizes norteadores para a implementação da educação permanente em saúde no Brasil. Entre os objetivos principais da PNEPS estavam o fortalecimento da capacidade institucional, o desenvolvimento de competências e habilidades dos profissionais de saúde, e a melhoria da qualidade e resolutividade dos serviços (Brasil, 2004). Seguindo os princípios e diretrizes estabelecidos pela Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, foram criados os Polos de Educação Permanente em Saúde (PEPS), como uma importante estratégia de descentralização e fortalecimento das ações de educação permanente no contexto do SUS, implantados em diferentes regiões do país, visando suprir as demandas específicas de formação e qualificação profissional conforme as características e necessidades. Os PEPS, tem por objetivo fortalecer a integração entre os diversos atores do processo de formação em saúde, incluindo instituições de ensino, serviços de saúde e gestores públicos, atuando como espaços de articulação e colaboração, promovendo a troca de experiências e conhecimentos entre os diferentes setores e fomentando o desenvolvimento de práticas inovadoras e contextualizas (Brasil, 2007). 7 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 Apesar dos avanços alcançados, os PEPS ainda enfrentam desafios importantes, como a garantia de recursos financeiros e humanos adequados, a promoção da participação efetiva dos diversos atores envolvidos e a articulação com outras políticas e programas de saúde. Nesse sentido, a avaliação constante e a revisão das estratégias de atuação dos polos são fundamentais para garantir sua relevância e eficácia na promoção da educação permanente em saúde e no fortalecimento do SUS como um sistema público, universal e integral (Brasil, 2004). No ano de 2007 a PNEPS teve suas diretrizes de implementação publicadas na Portaria GM/MS nº 1.996/2007. Essa última normativa se adequou à implantação do Pacto pela Saúde, momento em que a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e com o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), promoveu uma ampla discussão no sentido de fazer reformulações nos marcos regulatórios pelos atores do SUS nos territórios, incluindo os aspectos relacionados ao financiamento das ações de Educação Permanente em Saúde (Brasil, 2004). 4. anos 2010: Durante esta década, houve um esforço para fortalecer e expandir a Educação Permanente em Saúde, com a criação de programas específicos, como o Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde (Pró-Saúde), que visava integrar a educação em saúde com as necessidades do SUS. Ao longo dos anos, a PNEPSpassou por revisões e atualizações para adequar-se às demandas emergentes e às mudanças no cenário da saúde pública (Brasil, 2018). Novas portarias, resoluções e políticas setoriais foram elaboradas com o intuito de aprimorar a implementação e avaliação da PNEPS, bem como promover a integração da educação permanente nos diferentes níveis de atenção à saúde. Diversos instrumentos e estratégias foram desenvolvidos para promover a efetivação da PNEPS. Capacitações, cursos, programas de residência e outras iniciativas foram implantadas visando fortalecer as práticas educativas nos serviços de saúde e garantir a formação continuada dos profissionais (Brasil, 2007). 5. Anos recentes: Nos últimos anos, a PNEPS tem enfrentado desafios, como a necessidade de atualização constante para acompanhar as mudanças no campo da saúde, a garantia de financiamento adequado para as iniciativas de formação continuada, e a ampliação do acesso à educação permanente para profissionais de todas as regiões do país. 8 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 O Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES) da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) convoca diversos atores envolvidos na Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) para discutirem a necessidade de sua atualização. Essa iniciativa teve como objetivo resgatar conceitos, promover debates, demonstrar sua relevância e desafios, reconhecer sua contribuição para o Sistema Único de Saúde (SUS) e apontar caminhos para sua implementação efetiva em todos os espaços onde o SUS está presente (Brasil, 2018). Várias ações foram estabelecidas ao longo desse período, incluindo o incentivo à integração entre ensino, serviço e comunidade por meio dos Contratos Organizativos de Ação Pública Ensino-Saúde (COAPES); o lançamento do Programa para o Fortalecimento das Práticas de Educação Permanente em Saúde no SUS (PRO EPS-SUS), que visa qualificar os profissionais de saúde e transformar as práticas de saúde segundo os princípios do SUS; a criação do 1º Laboratório de Inovação em Educação na Saúde da América Latina, com foco na Educação Permanente em Saúde (EPS), para fortalecer práticas inovadoras; e a inclusão da Educação Interprofissional em Saúde (EIP) na agenda da SGTES como uma forma de reorientar os processos de formação de profissionais de saúde. Essas iniciativas refletem o compromisso em fortalecer a educação permanente em saúde e promover melhorias nos serviços de saúde no Brasil (Brasil, 2018). Em 2018 a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, através do Departamento de Gestão da Educação na Saúde, lançou a publicação: “Política Nacional de Educação Permanente em Saúde: o que se tem produzido para o seu fortalecimento? ”. O documento debate sobre a integração ensino-serviço, ações para o fortalecimento a partir do que se tem produzido sobre a EPS (Brasil, 2018). No ano de 2022, foi publicado o documento “Política Nacional de Educação Permanente em Saúde: monitoramento e avaliação”, em parceria da DEGES/SGTES/MS com o Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, com objetivo de monitorar as ações realizadas da PNEPS e com instrumentos de monitoramento (Pinto; Esperidião, 2022). O documento oficial de 2022 sobre a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) aborda a integração dos campos da educação permanente em saúde e avaliação em saúde, destacando questões teóricas, metodológicas e práticas. Esta abordagem resulta de uma experiência nacional participativa envolvendo diversos atores do Brasil, incluindo gestores, 9 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 trabalhadores da saúde, pesquisadores, instituições de ensino e controle social do Sistema Único de Saúde (SUS). O texto oferece contribuições importantes para a compreensão e o aprimoramento desses campos, promovendo uma discussão embasada em evidências e práticas colaborativas (Pinto; Esperidião, 2022). Para a realização da avaliação, foi realizado o mapeamento dos problemas e a elaboração de um conjunto de propostas para o aperfeiçoamento da implementação da PNEPS, com a participação de várias instâncias governamentais, docentes, pesquisadores e gestores (Brasil, 2022). Dentre os problemas identificados, destacou-se a fragilidade de indicadores para o monitoramento e avaliação da EPS, inexistência de um Sistema Nacional de Gestão da PNEPS que alimentasse um banco de informações sobre as ações desenvolvidas nos estados e municípios, qualificação dos profissionais para realizar a EPS, uso de modelos de capacitações tradicionais, caracterizado por cursos e atividades profissionais isoladas, limitações de financiamento, infraestrutura, gestão do SUS no âmbito estatual e local, como a falta de compreensão por parte da maioria dos gestores sobre a importância das ações de EPS para a qualificação dos profissionais de saúde para a melhoria da atenção à saúde no SUS (Brasil, 2022). Outro ponto de destaque foi a heterogeneidade do grau de avanço da PNEPS nos diferentes Estados, que no geral encontra-se em um nível intermediário de implementação, muitas vezes de forma fragmentada, sem um planejamento integrado que oriente uma ação contínua dirigida ao aperfeiçoamento dos processos de trabalho nos vários níveis do sistema (Brasil, 2022). Dentre os aspectos positivos o documento destaca os Estados que tiveram maior avanço na implementação das ações de EPS, foram os que introduziram inovações pedagógicas, metodologias pedagógicas voltadas à aprendizagem significativa para o trabalho, a exemplo de oficinas voltadas à formação de equipes multiprofissionais e também a programação de atividades de educação à distância com uso de Tecnologias de Informação Comunicação (TICs) (Brasil, 2022). Na pesquisa de doutorado que está sendo conduzida pela autora, investigou a implementação de práticas de EPS em duas Estratégias de Saúde da Família (ESF) rural em um município do Sul de Minas Gerais, sob a perspectiva da saúde do trabalhador rural. 10 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 Os resultados revelaram que nenhuma das duas unidades avaliadas possuem ações estruturadas de EPS. No entanto, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) entrevistados, demonstraram reconhecer a importância da implementação dessas práticas e gostariam que fosse aplicado nas ESF. Diante disso destaca a necessidade de desenvolver e fortalecer estratégias eficazes de EPS nessas unidades de saúde, especialmente para atender às demandas específicas da saúde do trabalhador rural. O estudo de Doutorado em desenvolvimento vem de acordo com o que a PNEPS apresentou na sua última versão Brasil (2022); sobre os Estados onde as práticas de EPS tiveram mais sucesso, como a introdução de práticas pedagógicas inovadoras. Na pesquisa em andamento, foi verificado os desafios de conduzir estratégias de ensino para educação em saúde e repensar o desenho metodológico das atividades educacionais. Para isso, o estudo está sendo conduzido com o uso de Seminários Interacionistas, uma nova metodologia de ensino aprendizagem baseada na teoria sociointeracionista de Vygotsky (1998), que define a aprendizagem como resultado da interação do indivíduo com seus semelhantes em um espaço construído sócio historicamente. As iniciativas de EPS na atenção básica alteram as práticas e aprimoram a postura profissional. Nesse cenário, o enfrentamento do setor de saúde através da aprendizagem significativa desempenha melhores condutas e mudança das práticas de trabalho. O desenvolvimento ético-político dos indivíduos que participam da EPS se destacam pela aprendizagem significativa no ambiente de trabalho e alcançam por meiode métodos de capacitação e formação adaptados às necessidades de saúde métodos que envolvem a problematização do processo de trabalho, visando transformar as práticas profissionais e a organização do trabalho (Ferreira et al., 2019). Ainda segundo Ferreira et al., (2019) essa abordagem nas ESF promove uma melhoria contínua na qualidade dos serviços de saúde, ao mesmo tempo em que fortalece os valores éticos e políticos dos profissionais envolvidos, devolvendo para a comunidade serviços voltados para suas reais necessidades. A PNEPS continua a desempenhar um papel fundamental na qualificação dos profissionais de saúde e na consolidação do SUS como um sistema público, universal e integral. 11 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 A evolução histórica da PNEPS reflete a busca por uma maior eficácia e qualidade nos serviços de saúde, alinhados com as necessidades de uma sociedade em constante transformação em frente a demandas por uma educação aprimorada para a formação dos profissionais de saúde. O modelo conceitual denominado "Quadrilátero da Formação" proposto por Ceccim; Feuerwerker; Laura (2004), visa uma abordagem interdisciplinar e integral para a formação de profissionais da saúde, enfatizando o ensino, gestão, atenção e controle social. Os autores argumentam que uma formação eficaz na área da saúde deve considerar não apenas o desenvolvimento técnico e científico, mas também sua capacidade de atuação em equipe, gestão de recursos e serviços de saúde, atendimento centrado no paciente e integração com a comunidade e seus órgãos de controle. A revisão integrativa conduzida por Santos; Cavalcante; Amaral, (2019) revelou uma lacuna significativa no uso da EPS dentro do contexto do "quadrilátero de formação" em saúde. Embora poucos estudos tenham explorado essa abordagem, pesquisadores argumentam que o "quadrilátero de formação" é crucial para superar o modelo biomédico e fragmentado de saúde, em direção a práticas profissionais que priorizem a integralidade do cuidado e das ações em saúde. No estudo conduzido por Ferreira et al., (2019) observa-se que, muitas dessas iniciativas propostas pelo quadrilátero de formação aos trabalhadores da saúde estão fundamentadas em uma concepção de educação instrumental, caracterizada por ações pontuais, fragmentadas e descontextualizadas em relação ao cotidiano dos serviços, aproximadas mais do conceito de Educação Continuada. O quadrilátero de formação fornece suporte e colabora com a formação, qualificação, capacitação e habilitação dos profissionais de saúde, visando prepará-los para enfrentar os desafios contemporâneos e promover uma abordagem mais abrangente e integrada no campo da saúde. As propostas da PNEPS, visam promover a condução regional da política e a participação interinstitucional através das Comissões Permanentes de Integração Ensino-Serviço (CIES). Essas propostas se manifestam na articulação entre as diferentes instituições que compõem o "quadrilátero" da EPS (França, 2017). Na última revisão da PNEPS foi realizada o monitoramento e avaliação da EPS, foi utilizado como eixo metodológico o quadrilátero, um dos indicadores foi a verificação da 12 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 articulação entre as instituições de ensino-serviço, profissionais de saúde e usuários (Brasil, 2018). Ainda é incipiente a discussão sobre a interação ensino-serviço bem como as práticas interprofissionais no sentido de identificar que modo podem ser operacionalizadas tendo em vista a construção de dimensões e indicadores para sua análise e avaliação (Brasil, 2022). A PNEPS leva em consideração a importância das necessidades do uso de estratégias que promovam a integração entre ensino e serviço, e a inclusão de práticas interprofissionais como foco dos processos educativos. Destaca-se a relevância de considerar o contexto da EPS e a dinâmica das instituições como elementos centrais do modelo, reconhecendo que as transformações necessárias nos serviços de saúde não dependem exclusivamente da atuação dos profissionais sujeitos às ações de EPS (Brasil, 2022, p.73). O estudo conduzido por Silva; Nunes (2022) analisou a atuação das Comissões de Integração Ensino-Serviço no período de 2014 a 2020, focalizando a integração entre as universidades e os serviços de saúde. Os resultados indicaram um progresso e consolidação dessa integração, evidenciando uma maior aproximação entre a academia e as demandas regionais. O estudo de Silva; Nunes (2022) destacou o envolvimento significativo de docentes e discentes, com especial destaque para a área de Enfermagem, que se engajou em atividades de pesquisa e extensão. Esses achados apontam para uma tendência positiva de colaboração entre as instituições de ensino superior e os serviços de saúde, visando atender às necessidades locais e promover uma formação mais alinhada com a realidade prática. A integração entre ensino e serviço na Educação Permanente em Saúde (EPS) proporciona um ambiente propício para o diálogo e o atendimento às necessidades reais da população nos serviços de saúde. Essa integração desempenha um papel importante ao permitir que as instituições de ensino direcionem a formação de recursos humanos, promovam a produção de conhecimento e atendam às demandas externas às universidades. Essa abordagem colaborativa entre academia e serviços de saúde é essencial para garantir uma formação mais alinhada com a prática e para responder de forma eficaz às necessidades da comunidade (Silva; Nunes, 2022). O estudo realizado por Jesus; Rodrigues (2022), aponta que para romper as fragilidades para a execução da PNEPS de forma efetiva são necessários gestores e instituições 13 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 comprometidos com as propostas da PNEPS, sem a confusão que ainda persiste sobre os conceitos de educação permanente e de educação continuada, além de repasses de recursos financeiros. O uso de ferramentas pedagógicas é importante na compreensão da Educação Permanente em Saúde (EPS). Essas ferramentas devem permitir uma análise do cotidiano de trabalho das equipes de saúde, levando em consideração os desafios enfrentados nos diferentes territórios de atuação. Além disso, ressalta-se a importância do protagonismo das equipes de atenção e gestão nesse processo de reflexão e aprendizado contínuo (Jesus; Rodrigues, 2022). O desenvolvimento da PNEPS ao longo dos anos reflete o compromisso do Brasil com a melhoria contínua da formação e práticas profissionais, bem como com a garantia do direito à saúde para toda a população. No entanto, desafios persistem, e a constante avaliação e atualização da política são essenciais para enfrentar as demandas futuras e assegurar a sustentabilidade do sistema de saúde Brasileiro. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao longo desse percurso, foi observado uma progressão notável na abordagem e na implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde no Brasil, refletindo uma crescente compreensão da importância da aprendizagem contínua e do desenvolvimento profissional no contexto da saúde pública. Diretrizes cuidadosamente elaboradas têm sido fundamentais para orientar e direcionar as iniciativas de formação, buscando garantir uma abordagem abrangente e alinhada às necessidades do sistema de saúde Brasileiro. Embora haja uma estruturação tangível dessas políticas por escrito, a realidade prática revela desafios substanciais na aplicação integral de suas recomendações e diretrizes. Este fenômeno não apenas sublinha a complexidade inerente à tradução de conceitos teóricos em práticas, mas também ressalta a necessidade premente de um exame crítico das barreiras que impedema realização plena dos objetivos delineados nas políticas de saúde. Na avaliação abrangente da implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), os estudos evidenciam deficiências e desafios em diversos estabelecimentos de saúde para a efetiva regulamentação das iniciativas de Educação Permanente em Saúde (EPS). Apesar da existência de diretrizes orientadoras, alguns gestores não reconhecem plenamente a 14 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 relevância da abordagem metodológica da PNEPS para analisar práticas e processos de trabalho, além de contribuir para a construção coletiva de conhecimento e o compartilhamento de saberes. Entre os desafios identificados nesta pesquisa para a implementação e continuidade da PNEPS, destaca-se a necessidade premente de atualização constante para acompanhar os avanços no campo da saúde. Além disso, é crucial expandir as incitavas de educação permanente para profissionais de todas as regiões do país, garantindo equidade de acesso à educação em saúde. Outro desafio significativo reside na mudança cultural necessária nas instituições de saúde quanto a prática educativa. É fundamental superar o modelo tradicional de transmissão de conhecimento tecnicista em favor de abordagens mais reflexivas e colaborativas, que integrem teoria e prática de maneira dinâmica e eficaz, praticando a Educação Permanente em Saúde de forma dinâmica e continua no processo de aprendizagem, resultando em transformação das formas como o trabalho é realizado. Destaca-se como ponto importante e facilitador deste processo promover culturas de incentivo para parcerias entre as instituições de saúde e de ensino, por meio de estágios e residências de forma colaborativa alinhadas aos valores e demandas do SUS, preparando os profissionais para enfrentar as necessidades e os desafios do cotidiano assistencial. Em suma, a valorização adequada dos profissionais de saúde e o reconhecimento do seu papel fundamental na promoção e funcionamento do sistema de saúde são fatores cruciais para o êxito da EPS. A literatura científica evidenciou poucos estudos relacionados à prática e à implementação de Educação Permanente em Saúde (EPS) nas instituições públicas e privadas. Com este estudo, espera-se que a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) possa, ao longo do tempo, ser efetivamente implementada e que sua construção histórica seja consolidada. Isso contribuirá para o desenvolvimento de políticas educacionais, planos de carreira atrativos e incentivos financeiros, essenciais para a efetividade e continuidade da EPS, possibilitando, assim, a melhoria e transformação das práticas de trabalho. AGRADECIMENTOS Ao programa de Pós-Graudação em Enfermagem da Universidade Federal de Alfenas - MG e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). 15 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-16, 2024 jan. 2021 REFERÊNCIAS BRASIL. Portaria n. 198 GM/MS, de 13 de fevereiro de 2004. Institui a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde como estratégia do Sistema Único de Saúde para a formação e o desenvolvimento de trabalhadores para o setor e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 13 fev. 2004. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Política de educação e desenvolvimento para o SUS: caminhos para a educação permanente em saúde – polos de educação permanente em saúde. Brasília, DF: MS, 2004. BRASIL. Portaria n. 1.996 GM/MS, de 20 de agosto de 2007. Dispõe sobre as diretrizes para a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 20 ago. 2007. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. 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