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Capítulo VII - O mundo urbano e industrial
Esta nova realidade científica e tecnológica trouxe
inovações a diversos setores da sociedade, não se
restringindo apenas à produção de mercadorias e
ao universo da indústria pesada, como ocorreu na
Revolução Industrial. Os serviços públicos, nas
grandes cidades, por exemplo, melhoraram de
maneira espantosa. A expansão da energia elétrica
por cabos e o surgimento da lâmpada elétrica
(1878) melhoraram significativamente a vida nas
cidades, a tal ponto que a iluminação pública se
tornou referência de modernidade, cujo maior
exemplo foi a “cidade luz”, Paris.
O desenvolvimento do transporte coletivo
também foi evidente com o surgimento das
locomotivas elétricas, dos motores de explosão
movidos à gasolina (1876), depois a diesel (entre
1893-1897) e pneus de borracha (1887), que
viabilizam o surgimento dos primeiros
automóveis e ônibus (1895). Nas cidades, os
bondes elétricos e o metrô tornavam o
deslocamento das pessoas mais eficiente e rápido.
Mas as mudanças não pararam por aí. O sistema
de comunicações também evoluiu muito e
rapidamente, para além das locomotivas, com o
desenvolvimento do telefone, telégrafo, linotipo e
cinema. A higiene, nutrição e medicina se
desenvolveram bastante também.
A noção de bons hábitos de limpeza e de
alimentação, e a descoberta de remédios, vacinas
e curas de doenças endêmicas melhorou muito a
vida das pessoas, que passaram a viver mais
tempo e a morrer menos. Conseqüentemente,
houve destacado crescimento demográfico,
principalmente nas cidades, aonde geralmente
esses progressos chegavam antes.
Para você ter uma noção bastante concreta das
novidades que surgiram entre o final do século
XIX e início do XX, impulsionadas pelas novas
descobertas científicas e a sua imediata aplicação
tecnológica e comercial, preste atenção nessa
grande lista incompleta de bens de consumo que
apareceram nessa época:
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Desenvolvendo competências
Leia atentamente o texto e em seguida classifique que tipos de produtos são apresentados.
“Os veículos automotores, os transatlânticos, os aviões, o telégrafo, o telefone, a iluminação elétrica e
ampla gama de utensílios eletrodomésticos, a fotografia, o cinema, a radiodifusão, a televisão, os
arranha-céus e seus elevadores, as escadas rolantes e os sistemas metroviários, os parques de
diversões elétricas, as rodas-gigantes, as montanhas-russas, a seringa hipodérmica, a anestesia, a
penicilina, o estetoscópio, o medidor de pressão arterial, o processo de pasteurização e esterilização,
os adubos artificiais, os vasos sanitários com descarga automática e o papel higiênico, a escova de
dente e o “dentifrício”, o sabão em pó, os refrigerantes gasosos, o fogão a gás, o aquecedor elétrico, o
refrigerador e os sorvetes, as comidas enlatadas, as cervejas engarrafadas, a Coca-cola, a aspirina, o
Sonrisal e, mencionada por último mas não menos importante, a caixa registradora.“
SEVCENKO, Nicolau. O prelúdio republicano, astúcias da ordem e ilusões do progresso. In:______. (Org.). História da vida
privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. v.3, p.9-10.
Você convive com a maior parte deles ou pelo menos os conhece? Essa lista indica que o
mundo no final do século XIX estava ficando mais próximo daquele que vivemos e
conhecemos?
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Ciências Humanas e suas Tecnologias Ensino Médio
O mundo que se erguia tornava-se cada vez mais
parecido com esse em que vivemos atualmente,
não é mesmo? Lentamente o cotidiano das pessoas
nos grandes centros urbanos começou a sofrer
uma espécie de colonização diária imposta pelos
novos ritmos de vida (como a rapidez, a tensão
diária e a necessidade de deslocamento constante);
por renovados hábitos culturais (como ir ao
cinema, escutar os fonógrafos, falar ao telefone,
participar de manifestações de massa); pelos
novos padrões de consumo (como tomar café ou
chá, usar novo vestuário, adquirir móveis
modernos); por novos hábitos de higiene e saúde
(como ter banheiro interno nas residências, cuidar
na limpeza pessoal, tomar remédios, freqüentar
médicos); pelas diferentes atividades esportivas
(como as “modernas” regatas, o futebol e outros
esportes coletivos). Desse modo, a vida das
pessoas que habitavam as cidades começou a
mudar drasticamente, dando início a uma nova
fase na história da humanidade.
Essa incrível escalada na produção de novidades e
na quantidade de mercadorias desencadeou
permanente necessidade de ampliação de novos
mercados consumidores e busca incessante de
matéria-prima e fontes de energia. Desse modo,
surgiu uma nova divisão econômica internacional
entre poderosos países industriais produtores de
ciência e tecnologia, bens de consumo e os países
consumidores de bens industriais e fornecedores
de matéria-prima. E foi essencialmente essa
divisão que determinou a partilha do mundo
entre os países industrializados e a criação de
novas dependências nas regiões de passado
colonial, o que de certa forma permanece até hoje.
Veja o que disse sobre esse assunto, lá em 1903,
E. Marks e como o mundo sobre o qual ele fala é
semelhante ao que vivemos:
13
Desenvolvendo competências
“O mundo está mais difícil, mais belicoso e mais egoísta; também mais do que nunca, é agora uma
grande unidade em que tudo interage e afeta todas as outras coisas, mas na qual também tudo
colide e entrechoca.”
(E. Marks, Dresden, 1903)
De acordo com o texto, o autor está tratando:
a) Do processo de globalização que vivemos atualmente no século XXI.
b) Do desenvolvimento da Revolução industrial do século XVIII.
c) Da expansão capitalista impulsionada pela Revolução Científico-tecnológica no século
XIX.
d) Da expansão marítima e comercial européia do século XV.
AS CIDADES MODERNAS
Esses exemplos revelam como as mudanças
ocorreram de modo irreversível na vida das
pessoas, alterando definitivamente o cotidiano da
sociedade contemporânea. Na realidade, nas
últimas décadas do século XIX, o mundo começou
a ganhar a face que teria no século XX. O
progresso e o desenvolvimento da Europa
passaram então a ocupar a imaginação de grande
parte do mundo ocidental, servindo de exemplo
civilizatório, ou seja, progresso e civilização
estavam na Europa. E tem mais! Como a maioria
dessas transformações ocorreu e se materializou
nos centros urbanos, as grandes cidades se
tornaram seus maiores símbolos.