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Toxina Botulinica na Dermatologia - 1_ Ed_

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Questões resolvidas

O uso da TB na dermatologia cosmética tornou-se uma arte, bem como uma ciência. Para ser uma referência nessa área, é preciso combinar o conhecimento da ciência médica e a avaliação meticulosa do paciente com habilidade artística. Deve-se mostrar, para subtrair uma ruga, a mesma sensibilidade artística que um artista tem ao desenhar uma ruga. Este capítulo reflete a interpretação pessoal do que um dermatologista que atua na área da cosmiatria pode ver além da tela. É importante mencionar que esta é uma abordagem subjetiva e não está livre de controvérsias, e nesse sentido, acredita-se que a pele possa expressar a emoção das doenças.

Injeção no músculo zigomático menor. As fibras desse músculo têm origem no lábio superior, mais especificamente na porção média do quadrante superior, entrelaçadas com os músculos adjacentes, entre a porção do levantador do lábio superior e o zigomático maior. Insere­se no osso zigomático abaixo da porção lateral à órbita. Sua contração eleva o quadrante superior do lábio, em conjunto com o levantador do lábio superior, expondo os dentes. Colabora com a acentuação dos sulcos nasolabiais e rugas em torno dos olhos.

Injeção no músculo zigomático maior. O músculo origina­se no lábio superior, porção lateral do quadrante superior, entrelaçado com os músculos adjacentes, medialmente ao ângulo da boca. Insere­se no osso zigomático próximo ao processo temporal do zigomático. Eleva o ângulo da boca para cima e para fora, como em um sorriso, e é adjuvante na mastigação. Também colabora para a formação do sulco nasolabial, das rugas em torno dos olhos e da linha do sorriso. O tratamento desses dois músculos (zigomático menor e maior) é especialmente difícil, pois os efeitos indesejáveis podem superar as impressões positivas.

Injeção no músculo risório. Esse músculo origina­se no ângulo da boca, como continuação da rima bucal. Insere­se na fáscia parotídea, e é inervado pelos ramos bucais do nervo facial. Sua contração puxa o ângulo da boca lateralmente, e assim produz a linha do sorriso. Tanto os músculos zigomáticos como o risório podem ser relaxados com a TB para amenizar o sulco nasolabial e as rugas que se localizam entre o canto externo dos olhos até a região lateral ao canto externo dos lábios. No entanto, ao tratá­los, ocorrerão mudanças no sorriso do paciente e em toda a expressão facial dessa área.

Considerando as informações sobre injeções de toxina botulínica em músculos faciais, analise as afirmativas a seguir:
I- A injeção no músculo orbicular da boca é segura e não oferece maiores riscos.
II- O músculo abaixador do ângulo da boca é inervado pelo ramo marginal mandibular do nervo facial.
III- A injeção no músculo mentual pode produzir elevação e protrusão do lábio inferior, deixando um sulco horizontal entre o lábio e a projeção da mandíbula.
a) Apenas a afirmativa I está correta.
b) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

Na vesícula endocítica, uma reação química causa alteração na estrutura da TB resultando na incorporação de HC na membrana da vesícula endocítica, formando um canal pelo qual a LC penetra no citosol. As pontes dissulfídicas são reduzidas no interior do citosol celular, liberando a cadeia leve que é uma endoprotease zinco-dependente capaz de clivar proteínas receptoras que forma o chamado complexo SNAREs (soluble N-ethylmaleimide-sensitive-factor attachment protein receptors). Essa clivagem impede a formação do complexo SNARE, que na junção neuromuscular resulta na denervação muscular e consequente paralisia flácida. O mecanismo de ação da toxina botulínica será detalhado no Capítulo 10. A relação da TB e sua estrutura e função é influenciada pelo pH. Enquanto o pH ácido dos endossomos favorece a interação da membrana e da HC para formação do canal e translocação da LC, a sua atividade catalítica requer pH neutro para clivagem do complexo SNARE no citosol. O complexo SNARE é formado por três proteínas que precisam fundir-se para ocorrer a liberação de acetilcolina e consequente contração muscular. São elas: SNAP-25, sinaptobrevina 1 e 2 (VAMP) e sintaxina. Cada sorotipo é capaz de clivar um local da SNARE. A TBA e a TB tipo E (TBE) clivam SNAP-25, ligando-se a peptídios diferentes. A TB tipo C (TBC) cliva SNAP-25 e sintaxina. A TB tipo B (TBB), a TB tipo D (TBD), a TBE e a TB tipo F clivam sinaptobrevina 1 e 2.

De TBA refere­se aos efeitos distais da toxina. Os efeitos da TBA podem ser observados a uma distância considerável a partir do ponto de aplicação, cuja difusão ocorre por transporte neuroaxônico ou disseminação hematogênica. A ação da TBA no sistema nervoso periférico tem sido extensivamente documentada, e o conhecimento adquirido nesse domínio lançou as bases para o seu uso além das doenças caracterizadas pela hiperfunção do tecido muscular. Teoricamente, esses efeitos remotos podem ser por ação direta da toxina transportada por via hematogênica ou em transporte axônico retrógrado. Pouco se conhece sobre a ação da TBA no sistema nervoso central. O volume e a diluição também influenciam a distribuição nesse sistema. Considerações finais Devido à proximidade anatômica das estruturas e à complexidade funcional dos músculos faciais, possíveis efeitos adversos secundários aos efeitos de difusão podem levar a consequências substanciais para os pacientes. Para se obterem os resultados previsíveis de tratamento, a difusão deve ser contida. Não há mais dúvida de que a presença de proteínas complexantes não reduz a difusão da toxina. O volume e a diluição influenciam a propagação da TBA, mas como não há uma diluição preestabelecida entre os profissionais que realizam este tratamento, observa­se variação na resposta terapêutica.

Em relação ao uso da toxina botulínica em diferentes condições clínicas, analise as seguintes afirmativas:
A toxina botulínica pode ser uma opção promissora no tratamento da psoríase invertida, atuando na redução da sudorese local e na inibição de neuropeptídios mediadores de inflamação e dor.
Estudos sugerem que a toxina botulínica intradérmica pode ser uma alternativa interessante para pacientes com pele oleosa e poros dilatados, resultando em produção de sebo significativamente menor e redução do tamanho dos poros.
O uso intracutâneo de toxina botulínica é efetivo e bem tolerado na síndrome de Frey, podendo ser repetido em caso de recorrência, com remissão completa dos sintomas em alguns pacientes.

labelar torna possível balancear a altura das sobrancelhas, uma vez que essas musculaturas têm ações opostas. Linhas periorbitárias As rugas periorbitárias ou “pés de galinha” constituem uma indicação muito frequente para a TB. São linhas dinâmicas que aparecem ao sorriso pela contração do músculo orbicular dos olhos. Trata­se de um músculo esfíncter, e o tratamento das linhas periorbitárias envolve o relaxamento da porção lateral do orbicular. Nessa mesma área, costumam estar associadas rugas estáticas secundárias ao fotoenvelhecimento. Aumentar a abertura palpebral é indicação frequente entre asiáticos e consiste no tratamento da porção pré­tarsal do músculo orbicular, dando aos olhos aspecto mais arredondado ao sorriso. Linhas nasais (bunny lines) São as rugas dinâmicas na porção alta do dorso do nariz resultantes da contração do músculo transverso nasal ao sorriso. Essas rugas podem se tornar mais proeminentes após aplicações consecutivas da TB nas regiões periorbitária e da glabela. O tratamento concomitante das linhas nasais nesses casos ajuda a produzir resultados mais naturais. Alguns indivíduos dilatam as narinas repetidamente, principalmente em situações de desconforto social. O relaxamento das fibras inferiores do músculo nasal atenua essa expressão que muitas vezes é involuntária. Sorriso gengival O sorriso gengival é definido pela exposição de mais de 2 mm acima da linha dentária ao sorriso. É mais comum em mulheres e muitas vezes considerado inestético. Alguns autores classificam o sorriso gengival como anterior quando a área de exposição excessiva situa­se entre os caninos, e sorriso gengival posterior quando posteriormente a eles. Trata­se o músculo levantador do lábio superior nas formas anteriores (mais comum) e o músculo zigomático menor nas formas posteriores. Rugas periorais São rugas verticais perpendiculares ao vermelhão dos lábios. A movimentação excessiva do músculo orbicular em tabagistas e naqueles que tocam instrumentos musicais de sopro, e o fotoenvelhecimento aceleram a formação dessas linhas. Trata­se de área delicada em que pequenas doses da TB podem produzir perda funcional indesejada dos lábios. O músculo orbicular da boca é tratado com mais frequência na borda do lábio superior e com menor frequência do lábio inferior, no qual o risco de efeitos indesejáveis é ainda mais comum. É uma região a ser evitada em pacientes cujas atividades dependem de 100% do funcionamento do músculo orbicular (cantores, fonoaudiólogos, músicos de instrumentos de sopro). Rugas do mento As rugas nessa região não são propriamente linhas e sim pequenas depressões na superfície do mento, dando o aspecto de casca de laranja. A alteração é causada pela perda de volume associada à contração do músculo mentual. Além de melhorar o aspecto enrugado do local, quando bem indicado e em casos selecionados o tratamento do músculo mentual pode ajudar a reduzir parcialmente o aspecto inestético do mento em pacientes com queixo retrognato. Linhas de marionete O afundamento da área abaixo dos cantos dos lábios inferiores assim como a inversão dos cantos do lábio para baixo são conhecidos como rugas de marionete. O músculo abaixador do ângulo da boca contribui para esse processo ao puxar os cantos do lábio inferior para baixo. Seu relaxamento melhora o aspecto triste da região por possibilitar que o músculo zigomático eleve os cantos da boca para uma posição mais horizontal. Músculo masseter O aspecto de mandíbula larga causado pela hipertrofia do músculo masseter pode ser esteticamente indesejado para alguns indivíduos, especialmente em países asiáticos. O relaxamento desse músculo e sua hipotrofia tornam o contorno lateral da face mais fino e mais delicado. Além da indicação estética, em alguns casos o tratamento do músculo masseter com a TB pode aliviar os sintomas relacionados com o bruxismo, trazendo, inclusive, melhora da dor. Assimetria facial A assimetria mediofacial pode ter origem óssea, muscular ou nos tecidos moles. O uso da TB para corrigir ou ao menos amenizar essa assimetria requer conhecimento aprofundado da anatomia e função dos músculos da face. No espasmo hemifacial, o relaxamento dos músculos zigomáticos, risório e masseter hiperfuncionantes promove centralização da face ao repouso. Por outro lado, nas assimetrias por hipofunção, como na paralisia de Bell, o tratamento do lado normofuncionante resulta em alívio dos sintomas. Bandas platismais A contração do músculo platisma pode evidenciar as bandas platismais em pacientes magros e também contribui para ressaltar as linhas cervicais horizontais. O tratamento com a TB pode melhorar tanto o aspecto inestético das bandas verticais quando as rugas horizontais. O sucesso depende da seleção correta dos pacientes, uma vez que são fundamentais a boa qualidade e elasticidade da pele para obter bons resultados. Indivíduos com grande flacidez e/ou acúmulo de gordura na região têm resposta insatisfatória. Levy batizou como Nefertiti lift a técnica na qual é feito o tratamento do músculo platisma ao longo da linha mandibular desde o sulco nasogeniano até o ângulo da mandíbula, incluindo a banda platismal posterior e o músculo abaixador do ângulo da boca. Esses músculos têm ação depressora sinérgica no terço inferior da face, e seu relaxamento produz um efeito levantador da região. Colo (décolleté) As rugas do colo resultam de fatores intrínsecos e extr

formação de vesículas e bolhas. Pacientes com disidrose palmar ou plantar tratados com TB também se beneficiam com a diminuição do prurido e do eritema. A dor da aplicação é o seu maior fator limitante. Doença de Hailey-Hailey Também denominada pênfigo familial benigno, essa doença acantolítica autossômica dominante acomete principalmente áreas intertriginosas, como axilas, virilhas, pescoço e regiões inframamárias, nas quais suor, umidade e fricção exercem um papel importante na expressão da doença. Tratamentos não cirúrgicos, como antibióticos tópicos e orais, antifúngicos tópicos, pulsos curtos de corticosteroides tópicos e orais, inibidores da calcineurina, retinoides orais etc. podem promover melhora parcial, temporária ou remissão completa. Outros métodos podem ser eficientes, mas com resultados variáveis, como excisão cirúrgica (com fechamento por segunda intenção, fechamento primário ou enxerto), dermoabrasão, laser de CO2 e laser de erbium. A indicação do uso da TB na indução da remissão da doença de Hailey-Hailey pode ser considerada por se tratar de um tratamento seguro, com pouquíssimos efeitos adversos locais e sistêmicos. A melhora significativa se dá pela diminuição da umidade da transpiração e fricção, que podem levar a irritações nas áreas intertriginosas. Consequentemente, colonizações fúngica e bacteriana secundárias que exercem um papel na doença também são diminuídas. Psoríase inversa Injeções intralesionais de TB têm sido usadas no tratamento da psoríase intertriginosa, por reduzirem a umidade local e a maceração da pele, prevenindo a infecção secundária. Há melhora da extensão, intensidade e infiltração do eritema, além de diminuição do prurido. O tratamento é bem tolerado, e não houve relatos de efeitos adversos. Em função do alto custo, o uso da TB limita-se ao tratamento das áreas intertriginosas. Paquioníquia congênita Trata-se de rara genodermatose que leva a um distúrbio da queratinização, caracterizado por unhas hipertróficas (paquioníquia ou onicogrifose), áreas focais de hiperqueratose, especialmente nas plantas dos pés (queratoderma) e, ocasionalmente, leucoplasia das mucosas orais. Nas áreas hiperqueratóticas aparecem bolhas muito dolorosas que ocorrem principalmente quando há hiperidrose e em ambientes de alta temperatura. Os pacientes acometidos têm sérios problemas para andar, especialmente no verão. Terapias tradicionais para hiperidrose, como sais de alumínio, produzem supressão curta e parcial do suor e dificilmente são absorvidos quando há áreas espessas de hiperqueratose. A simpatectomia lombar é o método mais efetivo para promover anidrose dos pés, porém é pouco recomendada e realizada, pois acarreta graves efeitos colaterais. Nesse contexto, novas opções terapêuticas foram usadas e a aplicação plantar de TB em alguns pacientes trouxe grande redução na formação de bolhas dolorosas, reduzindo drasticamente a necessidade de uso de analgésicos orais e sem efeitos colaterais importantes. Outras doenças e condições associadas à hiperidrose podem ser tratadas ou atenuadas com a aplicação da TB, como a bromidrose, a cromidrose, a queratólise plantar pontuada e o intertrigo candidiásico, em que a promoção da anidrose local leva a menor colonização de fungos e bactérias. Afecções que cursam com hiperidrose focal gerando desconforto, dor ou constrangimento social também podem ser aliviadas com aplicação local de TB. São exemplos dessas afecções a queratodermia palmoplantar aquagênica, o nevo écrino, a granulose rubra nasal e a hidradenite supurativa. Textura cutânea e controle da oleosidade Relatos subjetivos e observações têm descrito melhora da textura da pele, diminuição da aparência dos poros e menor oleosidade da pele após tratamento de rítides com TB. Um estudo foi conduzido para ajudar a elucidar a fisiopatologia da diminuição da oleosidade usando imuno-histoquímica e imunocitofluorescência. Os autores mostraram que as glândulas sebáceas e os sebócitos expressam receptores de acetilcolina, e a estimulação desses receptores levaria ao aumento da síntese de lipídios. Quando sebócitos foram incubados com a-bungarotoxina, um receptor antagonista de acetilcolina, a síntese de lipídios foi inibida. Esses achados sugerem que a TB pode ajudar no tratamento de condições sebo-induzidas, como a acne vulgar. Nível de evidência: 2C. Flushing e rosácea Ainda por mecanismos de ação não totalmente compreendidos, a denervação química causada pela TB pode dar alívio sintomático a pacientes com flushing facial grave. Os resultados clínicos são corroborados pela diminuição correspondente da circulação sanguínea local, mensurada por Doppler-fluxometria. Em função da baixa incidência de efeitos adversos, da segurança no procedimento e dos bons resultados obtidos no controle do flushing, a TB pode ser considerada uma boa opção terapêutica quando os tratamentos clínicos convencionais, tópicos e orais falharem. Cicatrização e queloide Microtraumas repetidos causados por atividade muscular contínua ao redor da ferida cutânea induzem uma resposta inflamatória prolongada e aumento da atividade metabólica durante o processo de cicatrização. Consequentemente, depósitos extracelulares de colágeno e glicosaminoglicanos podem se intensificar e causar cicatrizes hipertróficas e hiperpigmentadas. A injeção de TB tem sido usada para prevenir a formação de queloides durante e após as cirurgias. Os estudos sugerem

que a redução na tensão durante o processo de cicatrização da ferida pode resultar em cicatrizes mais discretas. Mais recentemente, estudos vêm sendo conduzidos para avaliar os resultados da injeção de TB em queloides já estabelecidos. O mecanismo de ação proposto seria a diminuição toxina­induzida na proliferação dos fibroblastos e a redução de fatores fibrogênicos, como o fator transformador de crescimento b­1. No entanto, observações in vitro subsequentes contradizem esta hipótese. A teoria de reduzir a tensão no peri/pós­operatório para preventivamente melhorar a aparência cosmética das cicatrizes é a mais aceita, mas são necessários estudos controlados para caracterizar os efeitos da TB nos queloides. Nível de evidência: 2C.

Toxina botulínica tipo A (TBA) foi isolada em sua forma bruta, não purificada, pelo Dr. Herman Sommer e colaboradores da Universidade da Califórnia. Em 1922, o bacilo recebeu nova denominação, Clostridium botulinum, pois o termo bacillus identifica organismos aeróbios, e clostridium, além de sugerir a natureza anaeróbia, reflete também sua morfologia (kloster, do grego = fio torcido). Durante a Segunda Guerra Mundial, surgiram suspeitas de que os países do Eixo teriam planos para o uso de armas biológicas, incluindo a TB e o Bacillus anthracis. Diante de tais ameaças, foi criado um laboratório em Camp Detrick (mais tarde denominado Fort Detrick), Maryland, subvencionado pelo exército americano, com a finalidade de estudar toxinas e bactérias que pudessem ser utilizadas como armas biológicas. Nesse laboratório, Carl Lamanna e colaboradores, em 1946, isolaram a TBA em sua forma pura, cristalina. Em 1949, o grupo de Arnold Burgen comprovou que o mecanismo de ação da toxina deve-se ao bloqueio do impulso nervoso na junção neuromuscular, mediante inibição da liberação de acetilcolina, levando a paralisia temporária do músculo afetado. Após período de grande interesse pelo estudo da TB, desencadeado pelas ameaças de guerra biológica, seguiu-se um período de esquecimento, que levou Carl Lamanna, em 1959, referindo-se à toxina como o “mais venenoso dos venenos”, a lamentar esse descaso pelo assunto, pois o pesquisador esperava que não fossem necessárias novas ameaças, como a guerra e o risco de colapso da indústria de enlatados, para que as pesquisas prosseguissem. No final da década de 1960, o oftalmologista Alan B. Scott, que buscava alternativas para o tratamento não cirúrgico do estrabismo, obteve de Edward J. Schantz, pesquisador em Fort Detrick, amostras de TBA para a realização de testes em músculos extraoculares de macacos. A experiência foi bem-sucedida e, em 1973, Alan B. Scott publicou o primeiro trabalho confirmando a TB como alternativa eficaz para o tratamento não cirúrgico do estrabismo. Ainda na década de 1970, ele recebeu autorização da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o uso da TBA em seres humanos, conduzindo estudos entre 1977 e 1978. O envolvimento do casal Carruthers remonta a 1982, quando teve início um estudo multicêntrico sobre o uso da TBA em distonias além do estrabismo. A oftalmologista canadense Jean Carruthers, após estudar com Alan B. Scott no Pacific Medical Center em São Francisco por três meses, tornou-se uma das primeiras investigadoras dos estudos que subsequentemente levaram a FDA a aprovar, em 1989, a TBA, chamada inicialmente Oculinum® e posteriormente Botox® para o tratamento de estrabismo, blefarospasmo, espasmo hemifacial e outros distúrbios. Em 1989, FDA aprova o uso da toxina botulínica tipo A (Oculinum®) para o tratamento de estrabismo e blefarospasmo essencial. Em 1983, Jean Carruthers iniciou o seu uso no Canadá para o tratamento de estrabismo e blefarospasmo essencial e, em seguida, foi publicado o primeiro estudo do uso da TB na distonia cervical e em neurologia, o que ampliou o uso da substância para outros distúrbios musculares e de espasticidade. Em 1987 uma observação fortuita levou ao interesse do casal Carruthers ao uso cosmético da TBA. Uma das pacientes tratadas para blefarospasmo mencionou que o uso da toxina na região média da sobrancelha a deixava com uma aparência menos assustada e despreocupada, mudança que era notada pelos familiares. Jean Carruthers observou que seus pacientes apresentavam diminuição das rugas glabelares e aparência mais rejuvenescida. A partir de então, ela e seu marido, o dermatologista Alastair Carruthers, iniciaram a utilização da TBA para o tratamento de rugas faciais, com finalidade unicamente cosmética. Até então a TBA havia sido empregada somente para o tratamento de patologias com funcionamento anormal de determinados grupos musculares e seria aplicada pela primeira vez em músculos sem qualquer alteração funcional, dando nova direção ao uso desta substância. Em 1990, o National Institutes of Health incluiu a TB na lista de medicamentos seguros e eficientes. A primeira paciente tratada era recepcionista do casal Carruthers que, habituada com a TBA, vinha observando a evolução dos pacientes tratados. Em dois ou três dias ela apresentou a resposta que hoje é considerada comum e assim os pesquisadores se convenceram de que suas observações eram promissoras. Eles decidiram realizar um pequeno estudo prospectivo e depois de 2 anos, em 1990, submeteram o primeiro resumo, que não chegou a ser apresentado. No ano seguinte, em 1991, na Flórida, finalmente eles apresentaram os resultados dos seus estudos iniciais no congresso da Sociedade Americana de Dermatologia Cirúrgica, e no ano seguinte publicam o primeiro trabalho científico sobre o uso da TB no tratamento estético das rugas glabelares. Em 1992, o casal Carruthers publica o primeiro trabalho científico sobre o uso da toxina botulínica tipo A para tratamento estético das rugas glabelares. Nesse mesmo período, várias observações a respeito dos resultados da toxina começaram a ser feitas por outros pesquisadores, em diferentes indicações, inclusive cosmética, porém cada um se dedicava mais nas observações dentro de sua especialidade. Após contato com Theodore Tromovich, que dispunha de um número maior de pacientes com indicações cosméticas.

Considerando o texto fornecido sobre o desenvolvimento do uso cosmético da toxina botulínica (TB), qual das seguintes afirmacoes está correta?
A primeira aplicação da TB foi para tratar rugas glabelares.
Em 1994, Khalaf Bushara e David Park publicaram um estudo sobre o efeito anidrótico da toxina botulínica, iniciando seu uso terapêutico para hiperidrose.
Em 2002, a toxina botulínica tipo A (Botox®) foi aprovada pela FDA para tratamento estético de rugas glabelares.
a) Apenas I está correta.
b) Apenas II está correta.
c) Apenas III está correta.
d) I e II estão corretas.
e) II e III estão corretas.

A preocupação não é mais bem explicada em função de gordura corporal ou peso em um indivíduo cujos sintomas fecham os critérios diagnósticos para um transtorno alimentar. É uma doença classificada no espectro do distúrbio obsessivo-compulsivo. Os pacientes com transtorno dismórfico corporal acreditam serem feios, deformados, não atraentes, apesar de terem aparência normal. Como resultado, muitos sofrem de ansiedade, humor depressivo e baixa autoestima. Tornam-se menos sociáveis e podem cometer suicídio. Os critérios para o diagnóstico de transtorno dismórfico corporal foram atualizados na 5a edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DMS-V), publicada pela American Psychiatric Association, e são apresentados na Tabela 2.2. A prevalência desse transtorno na população é de 1 a 2% e entre os pacientes dermatológicos e entre os candidatos à cirurgia cosmética varia entre 2,9 e 16%. Os dermatologistas, muitas vezes, são os primeiros especialistas procurados por esses pacientes para realizar procedimentos cosmiátricos variados. Entretanto, é comum os pacientes continuarem com elevado grau de insatisfação após o procedimento, mesmo que o médico consiga melhorar a sua aparência. Eles continuam a se preocupar exageradamente com o possível defeito, sem qualquer melhora no quadro psicológico. São pacientes difíceis e que podem causar problemas ao médico e sua equipe. Alguns indivíduos podem até tomar medidas legais contra o médico. Por isso é importante estabelecer o diagnóstico correto ou pelo menos suspeitar da presença desse transtorno e encaminhar o paciente a ajuda especializada, antes de realizar qualquer procedimento. As queixas mais frequentemente citadas no consultório do dermatologista são variadas, sendo as mais comuns relacionadas com a pele (acne, rosácea, lesões vasculares benignas, cicatrizes e poros), os cabelos (cabelos finos ou excesso de pelos no corpo) e o nariz (tamanho e/ou formato). Alguns indivíduos importam-se exageradamente com assimetrias corporais. Os índices de ideação suicida e de tentativas de suicídio são altos entre esses pacientes, justificadas pelo fato de eles não conseguirem aceitar sua aparência. O dermatologista cosmiátrico deve encaminhar o paciente a um psiquiatra ou psicodermatologista para receber tratamento especializado, realizado com medicamentos inibidores da recaptação da serotonina e terapia cognitivo-comportamental. Ao longo do tratamento psiquiátrico, muitos pacientes continuam a vir ao consultório do dermatologista cosmiátrico, que deve sempre procurar esclarecer dúvidas e ajudar na melhora da autoestima destes, com boa conversa e suporte emocional. Do contrário, o paciente tende a continuar procurando outros profissionais que realizem os procedimentos solicitados por ele, o que tende a perpetuar o dano. O ideal é que todos os profissionais, o psiquiatra, o psicodermatologista e o dermatologista cosmiátrico, trabalhem em conjunto, troquem ideias e acompanhem a evolução do paciente. Dessa maneira, há uma possibilidade concreta de atingir-se um grau de excelência no tratamento.

O Papel da Toxina na Profilaxia do Envelhecimento

Considerada a “mais tóxica dentre as toxinas”, o “mais venenoso dos venenos” por Lamanna, a toxina botulínica (TB) é produzida pelo Clostridium botulinum, bactéria gram-positiva anaeróbica frequentemente encontrada no solo, e tem distribuição praticamente universal. Em altas doses, a TB causa o botulismo. Porém, na medicina, doses muito menores são usadas no tratamento de inúmeras doenças e também para uso cosmiátrico. O uso da TB no tratamento estético das linhas e rugas de expressão é reconhecido por ser eficaz, seguro e apresentar resultados surpreendentes. Não há dúvidas sobre a sua eficácia no tratamento das rugas dinâmicas, particularmente no terço superior da face, desde os trabalhos iniciais de Carruthers e Carruthers, posteriormente reproduzidos e ampliados por vários outros autores.

Uso da toxina botulínica na prática do consultório atual

O uso cosmético da TB pode ser feito isoladamente (monoterapia) ou em combinação com outras técnicas para rejuvenescimento, pois o envelhecimento e o fotoenvelhecimento são processos complexos e multifatoriais, que requerem abordagem múltipla para obtenção de melhor resultado. Por isso, novas indicações e novos pontos de aplicação têm surgido, e autores destacam o uso cosmético da TB associado a outras técnicas para tratamento do envelhecimento da pele como: preenchimentos cutâneos, peelings químicos, luz intensa pulsada (IPL) e laser. Desses, o preenchimento cutâneo foi um dos procedimentos mais realizados em combinação com a TB. Há pouco tempo, era comum o uso da TB somente para tratamento do terço superior da face e o dos preenchedores na metade inferior da face. Embora esse procedimento mostre resultados satisfatórios, efeitos mais duradouros são obtidos com a combinação dos dois no tratamento de uma mesma área. O uso da TB isoladamente no tratamento das rugas glabelares tem resultado rápido, eficaz, seguro e cosmeticamente satisfatório. No caso de persistência do sulco após o tratamento isolado com a TB, pode-se complementar o tratamento com preenchimento. Essa técnica prolonga a duração do preenchimento no local de aplicação. Apesar dos bons resultados cosméticos, deve-se ter cuidado, pois esse procedimento pode ter efeitos adversos como necrose da região devido ao comprometimento vascular. Uso combinado da TB e dos preenchimentos cutâneos na região perioral apresenta inúmeras vantagens. O uso isolado dos agentes melhora as rugas da região perioral e as “linhas de marionete”, mas o combinado resulta em uma correção mais completa e com maior duração do preenchimento, pois a aplicação de pequenas doses de TB em t

O que a aplicação da toxina botulínica no músculo abaixador do ângulo da boca auxilia?

a) A elevação do ângulo.
b) A diminuição da movimentação.
c) A redução da tensão na cicatriz.
d) A melhoria da acuidade visual.

Quando a toxina botulínica é indicada em procedimentos cosméticos?

a) Em procedimentos que não deixam cicatriz.
b) Em procedimentos que deixam cicatriz em áreas dinâmicas.
c) Em procedimentos que não envolvem movimentação.
d) Em procedimentos que não necessitam de cicatrização.

e agem no bloqueio neuromuscular e, com o desenvolvimento de antimicrobianos menos tóxicos, o seu uso tem sido questionado. O bloqueio neuromuscular causado por esses fármacos é raro e ocorre por competição com o cálcio e, consequentemente, diminuição da liberação de acetilcolina, ou por mecanismos desconhecidos que bloqueiam por estabilizarem a membrana pós-sináptica. Se ocorrer o bloqueio neuromuscular, sais de cálcio podem reverter esse fenômeno. Lincosamidas. Grupo de antibióticos que compreende a lincomicina e a clindamicina. A clindamicina apresenta maior taxa de absorção oral e aumentado espectro antibacteriano (maior atividade e menor taxa de resistência), e por isso é a mais usada, constituindo uma alternativa às penicilinas em pacientes alérgicos a elas. Polimixinas. São antibióticos com mecanismo de ação distinto dos demais antimicrobianos. Duas polimixinas estão disponíveis comercialmente, colistina (polimixina E) e polimixina B. A polimixina inibe a liberação de acetilcolina e reduz a sensibilidade pós-juncional, mesmo mecanismo de ação da TB. O bloqueio neuromuscular causado pela polimixina não pode ser revertido com cálcio. Inibidores da acetilcolinesterase O término da ação da acetilcolina é decorrente da hidrólise enzimática da molécula, realizada pela ação da acetilcolinesterase, presente em altas concentrações nas sinapses colinérgicas. Os inibidores da acetilcolinesterase são: donepezila, galantamina, rivastigmina, edrofônio, neostigmina, piridostigmina e fisostigmina, que agem inibindo a degradação da acetilcolina na junção neuromuscular, potencializando sua ação. São usados, por exemplo, no tratamento da miastenia gravis e em procedimentos anestésicos. Concentrações terapêuticas prolongam moderadamente e intensificam as ações da acetilcolina liberada fisiologicamente, aumentando a força da contração, sobretudo em músculos enfraquecidos por agentes bloqueadores neuromusculares semelhantes ao curare, por miastenia gravis. Acredita-se que eles agiriam como antagonistas da toxina, pois aumentam a quantidade de acetilcolina na junção neuromuscular, restaurando a função de contração muscular à medida que surgem brotos periféricos e a liberação da acetilcolina volta a ocorrer. Succinilcolina O protótipo de bloqueio neuromuscular despolarizante é a succinilcolina, que propicia relaxamento muscular esquelético em cirurgia ou procedimentos hospitalares. Ela tem um início rápido (30 segundos), mas ação muito curta (5 a 10 minutos), devido à hidrólise pelas diversas colinesterases (como a butirilcolinesterase no sangue). Pode provocar atividade bloqueadora neuromuscular aditiva com aminoglicosídios; anestésicos parenterais e locais; capreomicina; sangue citratado; clindamicina; lincomicina; polimixinas; inibidores da colinesterase; exposição a inseticidas neurotóxicos; procainamida; quinidina. Bloqueadores despolarizantes semelhantes ao curare Curare é uma mistura de alcaloides de ocorrência natural da América do Sul, usado pelos índios na caça, com o objetivo de imobilizar e paralisar animais selvagens. Seu componente mais importante é a tubocurarina. Atualmente, a tubocurarina é pouco usada na medicina, em função da disponibilidade de substitutos mais eficazes e com menos efeitos colaterais. Quando o curare se liga aos receptores da acetilcolina, estes não podem ser ativados, causando perda da função muscular e paralisia. A dosagem e os intervalos entre as doses determinam a gravidade dos efeitos do curare, que imobiliza os músculos minutos após a sua injeção. Logo, ele seria um potencializador do bloqueio neuromuscular causado também pela TB. Entretanto, seus efeitos são reversíveis e não causam danos às fibras nervosas. Anticolinesterases, como a fisostigmina e a neostigmina, podem reverter os efeitos do curare. Essas substâncias, por bloquearem a degradação da acetilcolina na junção neuromuscular, tornam possível a existência da acetilcolina em maior número, levando à ativação de receptores musculares desocupados. Sulfato de magnésio É usado como anticonvulsivante também na cardiologia e na obstetrícia. Potencializa os bloqueadores neuromusculares, aumentando consideravelmente a sua duração. O sulfato de magnésio atua diminuindo a liberação de acetilcolina (ação pré-sináptica), diminuindo a excitabilidade da membrana muscular (ação pós-sináptica) e bloqueando o mecanismo contrátil do músculo. A dose de qualquer bloqueador despolarizante deve ser reduzida em pacientes que fizeram uso de sulfato de magnésio. A succinilcolina também tem seu efeito potencializado por esses mecanismos já descritos e também por inibição da colinesterase plasmática. Quinina A quinina oral é aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o tratamento da malária não complicada pelo Plasmodium falciparum. Com o uso da quinina, a excitabilidade da região da placa terminal motora diminui, reduzindo as respostas aos estímulos nervosos repetidos e à acetilcolina. A quinina pode antagonizar as ações da fisostigmina sobre o músculo esquelético tão eficazmente quanto o curare. Também pode levar a desconforto respiratório e disfagia alarmantes em pacientes com miastenia gravis. A ação da quinina nas junções neuromusculares intensifica o efeito dos agentes bloqueadores neuromusculares, como a TB, podendo potencializar o efeito da mesma. Bloqueadores de canal de cálcio São anti-hipertensivos que agem inibindo os canais de cálcio, resultando em relaxamento de músculos lisos vasculares, especial

O que a exposição na mídia de técnicas cirúrgicas, equipamentos de laser e tecnologias correlatas faz com que o procedimento de aplicação de toxina botulínica pareça?

a) Simples e isento de complicações.
b) Complexo e arriscado.
c) Indicado apenas para profissionais habilitados.
d) Necessário apenas para procedimentos invasivos.

Outros medicamentos que também poderiam aumentar esse risco seriam os anti-inflamatórios não hormonais e o alfatocoferol (forma mais ativa da vitamina E). O uso desses dois últimos e de ginkgo biloba deveria ser suspenso dez dias antes da aplicação da toxina, a fim de diminuir a formação de equimoses.

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Questões resolvidas

O uso da TB na dermatologia cosmética tornou-se uma arte, bem como uma ciência. Para ser uma referência nessa área, é preciso combinar o conhecimento da ciência médica e a avaliação meticulosa do paciente com habilidade artística. Deve-se mostrar, para subtrair uma ruga, a mesma sensibilidade artística que um artista tem ao desenhar uma ruga. Este capítulo reflete a interpretação pessoal do que um dermatologista que atua na área da cosmiatria pode ver além da tela. É importante mencionar que esta é uma abordagem subjetiva e não está livre de controvérsias, e nesse sentido, acredita-se que a pele possa expressar a emoção das doenças.

Injeção no músculo zigomático menor. As fibras desse músculo têm origem no lábio superior, mais especificamente na porção média do quadrante superior, entrelaçadas com os músculos adjacentes, entre a porção do levantador do lábio superior e o zigomático maior. Insere­se no osso zigomático abaixo da porção lateral à órbita. Sua contração eleva o quadrante superior do lábio, em conjunto com o levantador do lábio superior, expondo os dentes. Colabora com a acentuação dos sulcos nasolabiais e rugas em torno dos olhos.

Injeção no músculo zigomático maior. O músculo origina­se no lábio superior, porção lateral do quadrante superior, entrelaçado com os músculos adjacentes, medialmente ao ângulo da boca. Insere­se no osso zigomático próximo ao processo temporal do zigomático. Eleva o ângulo da boca para cima e para fora, como em um sorriso, e é adjuvante na mastigação. Também colabora para a formação do sulco nasolabial, das rugas em torno dos olhos e da linha do sorriso. O tratamento desses dois músculos (zigomático menor e maior) é especialmente difícil, pois os efeitos indesejáveis podem superar as impressões positivas.

Injeção no músculo risório. Esse músculo origina­se no ângulo da boca, como continuação da rima bucal. Insere­se na fáscia parotídea, e é inervado pelos ramos bucais do nervo facial. Sua contração puxa o ângulo da boca lateralmente, e assim produz a linha do sorriso. Tanto os músculos zigomáticos como o risório podem ser relaxados com a TB para amenizar o sulco nasolabial e as rugas que se localizam entre o canto externo dos olhos até a região lateral ao canto externo dos lábios. No entanto, ao tratá­los, ocorrerão mudanças no sorriso do paciente e em toda a expressão facial dessa área.

Considerando as informações sobre injeções de toxina botulínica em músculos faciais, analise as afirmativas a seguir:
I- A injeção no músculo orbicular da boca é segura e não oferece maiores riscos.
II- O músculo abaixador do ângulo da boca é inervado pelo ramo marginal mandibular do nervo facial.
III- A injeção no músculo mentual pode produzir elevação e protrusão do lábio inferior, deixando um sulco horizontal entre o lábio e a projeção da mandíbula.
a) Apenas a afirmativa I está correta.
b) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

Na vesícula endocítica, uma reação química causa alteração na estrutura da TB resultando na incorporação de HC na membrana da vesícula endocítica, formando um canal pelo qual a LC penetra no citosol. As pontes dissulfídicas são reduzidas no interior do citosol celular, liberando a cadeia leve que é uma endoprotease zinco-dependente capaz de clivar proteínas receptoras que forma o chamado complexo SNAREs (soluble N-ethylmaleimide-sensitive-factor attachment protein receptors). Essa clivagem impede a formação do complexo SNARE, que na junção neuromuscular resulta na denervação muscular e consequente paralisia flácida. O mecanismo de ação da toxina botulínica será detalhado no Capítulo 10. A relação da TB e sua estrutura e função é influenciada pelo pH. Enquanto o pH ácido dos endossomos favorece a interação da membrana e da HC para formação do canal e translocação da LC, a sua atividade catalítica requer pH neutro para clivagem do complexo SNARE no citosol. O complexo SNARE é formado por três proteínas que precisam fundir-se para ocorrer a liberação de acetilcolina e consequente contração muscular. São elas: SNAP-25, sinaptobrevina 1 e 2 (VAMP) e sintaxina. Cada sorotipo é capaz de clivar um local da SNARE. A TBA e a TB tipo E (TBE) clivam SNAP-25, ligando-se a peptídios diferentes. A TB tipo C (TBC) cliva SNAP-25 e sintaxina. A TB tipo B (TBB), a TB tipo D (TBD), a TBE e a TB tipo F clivam sinaptobrevina 1 e 2.

De TBA refere­se aos efeitos distais da toxina. Os efeitos da TBA podem ser observados a uma distância considerável a partir do ponto de aplicação, cuja difusão ocorre por transporte neuroaxônico ou disseminação hematogênica. A ação da TBA no sistema nervoso periférico tem sido extensivamente documentada, e o conhecimento adquirido nesse domínio lançou as bases para o seu uso além das doenças caracterizadas pela hiperfunção do tecido muscular. Teoricamente, esses efeitos remotos podem ser por ação direta da toxina transportada por via hematogênica ou em transporte axônico retrógrado. Pouco se conhece sobre a ação da TBA no sistema nervoso central. O volume e a diluição também influenciam a distribuição nesse sistema. Considerações finais Devido à proximidade anatômica das estruturas e à complexidade funcional dos músculos faciais, possíveis efeitos adversos secundários aos efeitos de difusão podem levar a consequências substanciais para os pacientes. Para se obterem os resultados previsíveis de tratamento, a difusão deve ser contida. Não há mais dúvida de que a presença de proteínas complexantes não reduz a difusão da toxina. O volume e a diluição influenciam a propagação da TBA, mas como não há uma diluição preestabelecida entre os profissionais que realizam este tratamento, observa­se variação na resposta terapêutica.

Em relação ao uso da toxina botulínica em diferentes condições clínicas, analise as seguintes afirmativas:
A toxina botulínica pode ser uma opção promissora no tratamento da psoríase invertida, atuando na redução da sudorese local e na inibição de neuropeptídios mediadores de inflamação e dor.
Estudos sugerem que a toxina botulínica intradérmica pode ser uma alternativa interessante para pacientes com pele oleosa e poros dilatados, resultando em produção de sebo significativamente menor e redução do tamanho dos poros.
O uso intracutâneo de toxina botulínica é efetivo e bem tolerado na síndrome de Frey, podendo ser repetido em caso de recorrência, com remissão completa dos sintomas em alguns pacientes.

labelar torna possível balancear a altura das sobrancelhas, uma vez que essas musculaturas têm ações opostas. Linhas periorbitárias As rugas periorbitárias ou “pés de galinha” constituem uma indicação muito frequente para a TB. São linhas dinâmicas que aparecem ao sorriso pela contração do músculo orbicular dos olhos. Trata­se de um músculo esfíncter, e o tratamento das linhas periorbitárias envolve o relaxamento da porção lateral do orbicular. Nessa mesma área, costumam estar associadas rugas estáticas secundárias ao fotoenvelhecimento. Aumentar a abertura palpebral é indicação frequente entre asiáticos e consiste no tratamento da porção pré­tarsal do músculo orbicular, dando aos olhos aspecto mais arredondado ao sorriso. Linhas nasais (bunny lines) São as rugas dinâmicas na porção alta do dorso do nariz resultantes da contração do músculo transverso nasal ao sorriso. Essas rugas podem se tornar mais proeminentes após aplicações consecutivas da TB nas regiões periorbitária e da glabela. O tratamento concomitante das linhas nasais nesses casos ajuda a produzir resultados mais naturais. Alguns indivíduos dilatam as narinas repetidamente, principalmente em situações de desconforto social. O relaxamento das fibras inferiores do músculo nasal atenua essa expressão que muitas vezes é involuntária. Sorriso gengival O sorriso gengival é definido pela exposição de mais de 2 mm acima da linha dentária ao sorriso. É mais comum em mulheres e muitas vezes considerado inestético. Alguns autores classificam o sorriso gengival como anterior quando a área de exposição excessiva situa­se entre os caninos, e sorriso gengival posterior quando posteriormente a eles. Trata­se o músculo levantador do lábio superior nas formas anteriores (mais comum) e o músculo zigomático menor nas formas posteriores. Rugas periorais São rugas verticais perpendiculares ao vermelhão dos lábios. A movimentação excessiva do músculo orbicular em tabagistas e naqueles que tocam instrumentos musicais de sopro, e o fotoenvelhecimento aceleram a formação dessas linhas. Trata­se de área delicada em que pequenas doses da TB podem produzir perda funcional indesejada dos lábios. O músculo orbicular da boca é tratado com mais frequência na borda do lábio superior e com menor frequência do lábio inferior, no qual o risco de efeitos indesejáveis é ainda mais comum. É uma região a ser evitada em pacientes cujas atividades dependem de 100% do funcionamento do músculo orbicular (cantores, fonoaudiólogos, músicos de instrumentos de sopro). Rugas do mento As rugas nessa região não são propriamente linhas e sim pequenas depressões na superfície do mento, dando o aspecto de casca de laranja. A alteração é causada pela perda de volume associada à contração do músculo mentual. Além de melhorar o aspecto enrugado do local, quando bem indicado e em casos selecionados o tratamento do músculo mentual pode ajudar a reduzir parcialmente o aspecto inestético do mento em pacientes com queixo retrognato. Linhas de marionete O afundamento da área abaixo dos cantos dos lábios inferiores assim como a inversão dos cantos do lábio para baixo são conhecidos como rugas de marionete. O músculo abaixador do ângulo da boca contribui para esse processo ao puxar os cantos do lábio inferior para baixo. Seu relaxamento melhora o aspecto triste da região por possibilitar que o músculo zigomático eleve os cantos da boca para uma posição mais horizontal. Músculo masseter O aspecto de mandíbula larga causado pela hipertrofia do músculo masseter pode ser esteticamente indesejado para alguns indivíduos, especialmente em países asiáticos. O relaxamento desse músculo e sua hipotrofia tornam o contorno lateral da face mais fino e mais delicado. Além da indicação estética, em alguns casos o tratamento do músculo masseter com a TB pode aliviar os sintomas relacionados com o bruxismo, trazendo, inclusive, melhora da dor. Assimetria facial A assimetria mediofacial pode ter origem óssea, muscular ou nos tecidos moles. O uso da TB para corrigir ou ao menos amenizar essa assimetria requer conhecimento aprofundado da anatomia e função dos músculos da face. No espasmo hemifacial, o relaxamento dos músculos zigomáticos, risório e masseter hiperfuncionantes promove centralização da face ao repouso. Por outro lado, nas assimetrias por hipofunção, como na paralisia de Bell, o tratamento do lado normofuncionante resulta em alívio dos sintomas. Bandas platismais A contração do músculo platisma pode evidenciar as bandas platismais em pacientes magros e também contribui para ressaltar as linhas cervicais horizontais. O tratamento com a TB pode melhorar tanto o aspecto inestético das bandas verticais quando as rugas horizontais. O sucesso depende da seleção correta dos pacientes, uma vez que são fundamentais a boa qualidade e elasticidade da pele para obter bons resultados. Indivíduos com grande flacidez e/ou acúmulo de gordura na região têm resposta insatisfatória. Levy batizou como Nefertiti lift a técnica na qual é feito o tratamento do músculo platisma ao longo da linha mandibular desde o sulco nasogeniano até o ângulo da mandíbula, incluindo a banda platismal posterior e o músculo abaixador do ângulo da boca. Esses músculos têm ação depressora sinérgica no terço inferior da face, e seu relaxamento produz um efeito levantador da região. Colo (décolleté) As rugas do colo resultam de fatores intrínsecos e extr

formação de vesículas e bolhas. Pacientes com disidrose palmar ou plantar tratados com TB também se beneficiam com a diminuição do prurido e do eritema. A dor da aplicação é o seu maior fator limitante. Doença de Hailey-Hailey Também denominada pênfigo familial benigno, essa doença acantolítica autossômica dominante acomete principalmente áreas intertriginosas, como axilas, virilhas, pescoço e regiões inframamárias, nas quais suor, umidade e fricção exercem um papel importante na expressão da doença. Tratamentos não cirúrgicos, como antibióticos tópicos e orais, antifúngicos tópicos, pulsos curtos de corticosteroides tópicos e orais, inibidores da calcineurina, retinoides orais etc. podem promover melhora parcial, temporária ou remissão completa. Outros métodos podem ser eficientes, mas com resultados variáveis, como excisão cirúrgica (com fechamento por segunda intenção, fechamento primário ou enxerto), dermoabrasão, laser de CO2 e laser de erbium. A indicação do uso da TB na indução da remissão da doença de Hailey-Hailey pode ser considerada por se tratar de um tratamento seguro, com pouquíssimos efeitos adversos locais e sistêmicos. A melhora significativa se dá pela diminuição da umidade da transpiração e fricção, que podem levar a irritações nas áreas intertriginosas. Consequentemente, colonizações fúngica e bacteriana secundárias que exercem um papel na doença também são diminuídas. Psoríase inversa Injeções intralesionais de TB têm sido usadas no tratamento da psoríase intertriginosa, por reduzirem a umidade local e a maceração da pele, prevenindo a infecção secundária. Há melhora da extensão, intensidade e infiltração do eritema, além de diminuição do prurido. O tratamento é bem tolerado, e não houve relatos de efeitos adversos. Em função do alto custo, o uso da TB limita-se ao tratamento das áreas intertriginosas. Paquioníquia congênita Trata-se de rara genodermatose que leva a um distúrbio da queratinização, caracterizado por unhas hipertróficas (paquioníquia ou onicogrifose), áreas focais de hiperqueratose, especialmente nas plantas dos pés (queratoderma) e, ocasionalmente, leucoplasia das mucosas orais. Nas áreas hiperqueratóticas aparecem bolhas muito dolorosas que ocorrem principalmente quando há hiperidrose e em ambientes de alta temperatura. Os pacientes acometidos têm sérios problemas para andar, especialmente no verão. Terapias tradicionais para hiperidrose, como sais de alumínio, produzem supressão curta e parcial do suor e dificilmente são absorvidos quando há áreas espessas de hiperqueratose. A simpatectomia lombar é o método mais efetivo para promover anidrose dos pés, porém é pouco recomendada e realizada, pois acarreta graves efeitos colaterais. Nesse contexto, novas opções terapêuticas foram usadas e a aplicação plantar de TB em alguns pacientes trouxe grande redução na formação de bolhas dolorosas, reduzindo drasticamente a necessidade de uso de analgésicos orais e sem efeitos colaterais importantes. Outras doenças e condições associadas à hiperidrose podem ser tratadas ou atenuadas com a aplicação da TB, como a bromidrose, a cromidrose, a queratólise plantar pontuada e o intertrigo candidiásico, em que a promoção da anidrose local leva a menor colonização de fungos e bactérias. Afecções que cursam com hiperidrose focal gerando desconforto, dor ou constrangimento social também podem ser aliviadas com aplicação local de TB. São exemplos dessas afecções a queratodermia palmoplantar aquagênica, o nevo écrino, a granulose rubra nasal e a hidradenite supurativa. Textura cutânea e controle da oleosidade Relatos subjetivos e observações têm descrito melhora da textura da pele, diminuição da aparência dos poros e menor oleosidade da pele após tratamento de rítides com TB. Um estudo foi conduzido para ajudar a elucidar a fisiopatologia da diminuição da oleosidade usando imuno-histoquímica e imunocitofluorescência. Os autores mostraram que as glândulas sebáceas e os sebócitos expressam receptores de acetilcolina, e a estimulação desses receptores levaria ao aumento da síntese de lipídios. Quando sebócitos foram incubados com a-bungarotoxina, um receptor antagonista de acetilcolina, a síntese de lipídios foi inibida. Esses achados sugerem que a TB pode ajudar no tratamento de condições sebo-induzidas, como a acne vulgar. Nível de evidência: 2C. Flushing e rosácea Ainda por mecanismos de ação não totalmente compreendidos, a denervação química causada pela TB pode dar alívio sintomático a pacientes com flushing facial grave. Os resultados clínicos são corroborados pela diminuição correspondente da circulação sanguínea local, mensurada por Doppler-fluxometria. Em função da baixa incidência de efeitos adversos, da segurança no procedimento e dos bons resultados obtidos no controle do flushing, a TB pode ser considerada uma boa opção terapêutica quando os tratamentos clínicos convencionais, tópicos e orais falharem. Cicatrização e queloide Microtraumas repetidos causados por atividade muscular contínua ao redor da ferida cutânea induzem uma resposta inflamatória prolongada e aumento da atividade metabólica durante o processo de cicatrização. Consequentemente, depósitos extracelulares de colágeno e glicosaminoglicanos podem se intensificar e causar cicatrizes hipertróficas e hiperpigmentadas. A injeção de TB tem sido usada para prevenir a formação de queloides durante e após as cirurgias. Os estudos sugerem

que a redução na tensão durante o processo de cicatrização da ferida pode resultar em cicatrizes mais discretas. Mais recentemente, estudos vêm sendo conduzidos para avaliar os resultados da injeção de TB em queloides já estabelecidos. O mecanismo de ação proposto seria a diminuição toxina­induzida na proliferação dos fibroblastos e a redução de fatores fibrogênicos, como o fator transformador de crescimento b­1. No entanto, observações in vitro subsequentes contradizem esta hipótese. A teoria de reduzir a tensão no peri/pós­operatório para preventivamente melhorar a aparência cosmética das cicatrizes é a mais aceita, mas são necessários estudos controlados para caracterizar os efeitos da TB nos queloides. Nível de evidência: 2C.

Toxina botulínica tipo A (TBA) foi isolada em sua forma bruta, não purificada, pelo Dr. Herman Sommer e colaboradores da Universidade da Califórnia. Em 1922, o bacilo recebeu nova denominação, Clostridium botulinum, pois o termo bacillus identifica organismos aeróbios, e clostridium, além de sugerir a natureza anaeróbia, reflete também sua morfologia (kloster, do grego = fio torcido). Durante a Segunda Guerra Mundial, surgiram suspeitas de que os países do Eixo teriam planos para o uso de armas biológicas, incluindo a TB e o Bacillus anthracis. Diante de tais ameaças, foi criado um laboratório em Camp Detrick (mais tarde denominado Fort Detrick), Maryland, subvencionado pelo exército americano, com a finalidade de estudar toxinas e bactérias que pudessem ser utilizadas como armas biológicas. Nesse laboratório, Carl Lamanna e colaboradores, em 1946, isolaram a TBA em sua forma pura, cristalina. Em 1949, o grupo de Arnold Burgen comprovou que o mecanismo de ação da toxina deve-se ao bloqueio do impulso nervoso na junção neuromuscular, mediante inibição da liberação de acetilcolina, levando a paralisia temporária do músculo afetado. Após período de grande interesse pelo estudo da TB, desencadeado pelas ameaças de guerra biológica, seguiu-se um período de esquecimento, que levou Carl Lamanna, em 1959, referindo-se à toxina como o “mais venenoso dos venenos”, a lamentar esse descaso pelo assunto, pois o pesquisador esperava que não fossem necessárias novas ameaças, como a guerra e o risco de colapso da indústria de enlatados, para que as pesquisas prosseguissem. No final da década de 1960, o oftalmologista Alan B. Scott, que buscava alternativas para o tratamento não cirúrgico do estrabismo, obteve de Edward J. Schantz, pesquisador em Fort Detrick, amostras de TBA para a realização de testes em músculos extraoculares de macacos. A experiência foi bem-sucedida e, em 1973, Alan B. Scott publicou o primeiro trabalho confirmando a TB como alternativa eficaz para o tratamento não cirúrgico do estrabismo. Ainda na década de 1970, ele recebeu autorização da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o uso da TBA em seres humanos, conduzindo estudos entre 1977 e 1978. O envolvimento do casal Carruthers remonta a 1982, quando teve início um estudo multicêntrico sobre o uso da TBA em distonias além do estrabismo. A oftalmologista canadense Jean Carruthers, após estudar com Alan B. Scott no Pacific Medical Center em São Francisco por três meses, tornou-se uma das primeiras investigadoras dos estudos que subsequentemente levaram a FDA a aprovar, em 1989, a TBA, chamada inicialmente Oculinum® e posteriormente Botox® para o tratamento de estrabismo, blefarospasmo, espasmo hemifacial e outros distúrbios. Em 1989, FDA aprova o uso da toxina botulínica tipo A (Oculinum®) para o tratamento de estrabismo e blefarospasmo essencial. Em 1983, Jean Carruthers iniciou o seu uso no Canadá para o tratamento de estrabismo e blefarospasmo essencial e, em seguida, foi publicado o primeiro estudo do uso da TB na distonia cervical e em neurologia, o que ampliou o uso da substância para outros distúrbios musculares e de espasticidade. Em 1987 uma observação fortuita levou ao interesse do casal Carruthers ao uso cosmético da TBA. Uma das pacientes tratadas para blefarospasmo mencionou que o uso da toxina na região média da sobrancelha a deixava com uma aparência menos assustada e despreocupada, mudança que era notada pelos familiares. Jean Carruthers observou que seus pacientes apresentavam diminuição das rugas glabelares e aparência mais rejuvenescida. A partir de então, ela e seu marido, o dermatologista Alastair Carruthers, iniciaram a utilização da TBA para o tratamento de rugas faciais, com finalidade unicamente cosmética. Até então a TBA havia sido empregada somente para o tratamento de patologias com funcionamento anormal de determinados grupos musculares e seria aplicada pela primeira vez em músculos sem qualquer alteração funcional, dando nova direção ao uso desta substância. Em 1990, o National Institutes of Health incluiu a TB na lista de medicamentos seguros e eficientes. A primeira paciente tratada era recepcionista do casal Carruthers que, habituada com a TBA, vinha observando a evolução dos pacientes tratados. Em dois ou três dias ela apresentou a resposta que hoje é considerada comum e assim os pesquisadores se convenceram de que suas observações eram promissoras. Eles decidiram realizar um pequeno estudo prospectivo e depois de 2 anos, em 1990, submeteram o primeiro resumo, que não chegou a ser apresentado. No ano seguinte, em 1991, na Flórida, finalmente eles apresentaram os resultados dos seus estudos iniciais no congresso da Sociedade Americana de Dermatologia Cirúrgica, e no ano seguinte publicam o primeiro trabalho científico sobre o uso da TB no tratamento estético das rugas glabelares. Em 1992, o casal Carruthers publica o primeiro trabalho científico sobre o uso da toxina botulínica tipo A para tratamento estético das rugas glabelares. Nesse mesmo período, várias observações a respeito dos resultados da toxina começaram a ser feitas por outros pesquisadores, em diferentes indicações, inclusive cosmética, porém cada um se dedicava mais nas observações dentro de sua especialidade. Após contato com Theodore Tromovich, que dispunha de um número maior de pacientes com indicações cosméticas.

Considerando o texto fornecido sobre o desenvolvimento do uso cosmético da toxina botulínica (TB), qual das seguintes afirmacoes está correta?
A primeira aplicação da TB foi para tratar rugas glabelares.
Em 1994, Khalaf Bushara e David Park publicaram um estudo sobre o efeito anidrótico da toxina botulínica, iniciando seu uso terapêutico para hiperidrose.
Em 2002, a toxina botulínica tipo A (Botox®) foi aprovada pela FDA para tratamento estético de rugas glabelares.
a) Apenas I está correta.
b) Apenas II está correta.
c) Apenas III está correta.
d) I e II estão corretas.
e) II e III estão corretas.

A preocupação não é mais bem explicada em função de gordura corporal ou peso em um indivíduo cujos sintomas fecham os critérios diagnósticos para um transtorno alimentar. É uma doença classificada no espectro do distúrbio obsessivo-compulsivo. Os pacientes com transtorno dismórfico corporal acreditam serem feios, deformados, não atraentes, apesar de terem aparência normal. Como resultado, muitos sofrem de ansiedade, humor depressivo e baixa autoestima. Tornam-se menos sociáveis e podem cometer suicídio. Os critérios para o diagnóstico de transtorno dismórfico corporal foram atualizados na 5a edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DMS-V), publicada pela American Psychiatric Association, e são apresentados na Tabela 2.2. A prevalência desse transtorno na população é de 1 a 2% e entre os pacientes dermatológicos e entre os candidatos à cirurgia cosmética varia entre 2,9 e 16%. Os dermatologistas, muitas vezes, são os primeiros especialistas procurados por esses pacientes para realizar procedimentos cosmiátricos variados. Entretanto, é comum os pacientes continuarem com elevado grau de insatisfação após o procedimento, mesmo que o médico consiga melhorar a sua aparência. Eles continuam a se preocupar exageradamente com o possível defeito, sem qualquer melhora no quadro psicológico. São pacientes difíceis e que podem causar problemas ao médico e sua equipe. Alguns indivíduos podem até tomar medidas legais contra o médico. Por isso é importante estabelecer o diagnóstico correto ou pelo menos suspeitar da presença desse transtorno e encaminhar o paciente a ajuda especializada, antes de realizar qualquer procedimento. As queixas mais frequentemente citadas no consultório do dermatologista são variadas, sendo as mais comuns relacionadas com a pele (acne, rosácea, lesões vasculares benignas, cicatrizes e poros), os cabelos (cabelos finos ou excesso de pelos no corpo) e o nariz (tamanho e/ou formato). Alguns indivíduos importam-se exageradamente com assimetrias corporais. Os índices de ideação suicida e de tentativas de suicídio são altos entre esses pacientes, justificadas pelo fato de eles não conseguirem aceitar sua aparência. O dermatologista cosmiátrico deve encaminhar o paciente a um psiquiatra ou psicodermatologista para receber tratamento especializado, realizado com medicamentos inibidores da recaptação da serotonina e terapia cognitivo-comportamental. Ao longo do tratamento psiquiátrico, muitos pacientes continuam a vir ao consultório do dermatologista cosmiátrico, que deve sempre procurar esclarecer dúvidas e ajudar na melhora da autoestima destes, com boa conversa e suporte emocional. Do contrário, o paciente tende a continuar procurando outros profissionais que realizem os procedimentos solicitados por ele, o que tende a perpetuar o dano. O ideal é que todos os profissionais, o psiquiatra, o psicodermatologista e o dermatologista cosmiátrico, trabalhem em conjunto, troquem ideias e acompanhem a evolução do paciente. Dessa maneira, há uma possibilidade concreta de atingir-se um grau de excelência no tratamento.

O Papel da Toxina na Profilaxia do Envelhecimento

Considerada a “mais tóxica dentre as toxinas”, o “mais venenoso dos venenos” por Lamanna, a toxina botulínica (TB) é produzida pelo Clostridium botulinum, bactéria gram-positiva anaeróbica frequentemente encontrada no solo, e tem distribuição praticamente universal. Em altas doses, a TB causa o botulismo. Porém, na medicina, doses muito menores são usadas no tratamento de inúmeras doenças e também para uso cosmiátrico. O uso da TB no tratamento estético das linhas e rugas de expressão é reconhecido por ser eficaz, seguro e apresentar resultados surpreendentes. Não há dúvidas sobre a sua eficácia no tratamento das rugas dinâmicas, particularmente no terço superior da face, desde os trabalhos iniciais de Carruthers e Carruthers, posteriormente reproduzidos e ampliados por vários outros autores.

Uso da toxina botulínica na prática do consultório atual

O uso cosmético da TB pode ser feito isoladamente (monoterapia) ou em combinação com outras técnicas para rejuvenescimento, pois o envelhecimento e o fotoenvelhecimento são processos complexos e multifatoriais, que requerem abordagem múltipla para obtenção de melhor resultado. Por isso, novas indicações e novos pontos de aplicação têm surgido, e autores destacam o uso cosmético da TB associado a outras técnicas para tratamento do envelhecimento da pele como: preenchimentos cutâneos, peelings químicos, luz intensa pulsada (IPL) e laser. Desses, o preenchimento cutâneo foi um dos procedimentos mais realizados em combinação com a TB. Há pouco tempo, era comum o uso da TB somente para tratamento do terço superior da face e o dos preenchedores na metade inferior da face. Embora esse procedimento mostre resultados satisfatórios, efeitos mais duradouros são obtidos com a combinação dos dois no tratamento de uma mesma área. O uso da TB isoladamente no tratamento das rugas glabelares tem resultado rápido, eficaz, seguro e cosmeticamente satisfatório. No caso de persistência do sulco após o tratamento isolado com a TB, pode-se complementar o tratamento com preenchimento. Essa técnica prolonga a duração do preenchimento no local de aplicação. Apesar dos bons resultados cosméticos, deve-se ter cuidado, pois esse procedimento pode ter efeitos adversos como necrose da região devido ao comprometimento vascular. Uso combinado da TB e dos preenchimentos cutâneos na região perioral apresenta inúmeras vantagens. O uso isolado dos agentes melhora as rugas da região perioral e as “linhas de marionete”, mas o combinado resulta em uma correção mais completa e com maior duração do preenchimento, pois a aplicação de pequenas doses de TB em t

O que a aplicação da toxina botulínica no músculo abaixador do ângulo da boca auxilia?

a) A elevação do ângulo.
b) A diminuição da movimentação.
c) A redução da tensão na cicatriz.
d) A melhoria da acuidade visual.

Quando a toxina botulínica é indicada em procedimentos cosméticos?

a) Em procedimentos que não deixam cicatriz.
b) Em procedimentos que deixam cicatriz em áreas dinâmicas.
c) Em procedimentos que não envolvem movimentação.
d) Em procedimentos que não necessitam de cicatrização.

e agem no bloqueio neuromuscular e, com o desenvolvimento de antimicrobianos menos tóxicos, o seu uso tem sido questionado. O bloqueio neuromuscular causado por esses fármacos é raro e ocorre por competição com o cálcio e, consequentemente, diminuição da liberação de acetilcolina, ou por mecanismos desconhecidos que bloqueiam por estabilizarem a membrana pós-sináptica. Se ocorrer o bloqueio neuromuscular, sais de cálcio podem reverter esse fenômeno. Lincosamidas. Grupo de antibióticos que compreende a lincomicina e a clindamicina. A clindamicina apresenta maior taxa de absorção oral e aumentado espectro antibacteriano (maior atividade e menor taxa de resistência), e por isso é a mais usada, constituindo uma alternativa às penicilinas em pacientes alérgicos a elas. Polimixinas. São antibióticos com mecanismo de ação distinto dos demais antimicrobianos. Duas polimixinas estão disponíveis comercialmente, colistina (polimixina E) e polimixina B. A polimixina inibe a liberação de acetilcolina e reduz a sensibilidade pós-juncional, mesmo mecanismo de ação da TB. O bloqueio neuromuscular causado pela polimixina não pode ser revertido com cálcio. Inibidores da acetilcolinesterase O término da ação da acetilcolina é decorrente da hidrólise enzimática da molécula, realizada pela ação da acetilcolinesterase, presente em altas concentrações nas sinapses colinérgicas. Os inibidores da acetilcolinesterase são: donepezila, galantamina, rivastigmina, edrofônio, neostigmina, piridostigmina e fisostigmina, que agem inibindo a degradação da acetilcolina na junção neuromuscular, potencializando sua ação. São usados, por exemplo, no tratamento da miastenia gravis e em procedimentos anestésicos. Concentrações terapêuticas prolongam moderadamente e intensificam as ações da acetilcolina liberada fisiologicamente, aumentando a força da contração, sobretudo em músculos enfraquecidos por agentes bloqueadores neuromusculares semelhantes ao curare, por miastenia gravis. Acredita-se que eles agiriam como antagonistas da toxina, pois aumentam a quantidade de acetilcolina na junção neuromuscular, restaurando a função de contração muscular à medida que surgem brotos periféricos e a liberação da acetilcolina volta a ocorrer. Succinilcolina O protótipo de bloqueio neuromuscular despolarizante é a succinilcolina, que propicia relaxamento muscular esquelético em cirurgia ou procedimentos hospitalares. Ela tem um início rápido (30 segundos), mas ação muito curta (5 a 10 minutos), devido à hidrólise pelas diversas colinesterases (como a butirilcolinesterase no sangue). Pode provocar atividade bloqueadora neuromuscular aditiva com aminoglicosídios; anestésicos parenterais e locais; capreomicina; sangue citratado; clindamicina; lincomicina; polimixinas; inibidores da colinesterase; exposição a inseticidas neurotóxicos; procainamida; quinidina. Bloqueadores despolarizantes semelhantes ao curare Curare é uma mistura de alcaloides de ocorrência natural da América do Sul, usado pelos índios na caça, com o objetivo de imobilizar e paralisar animais selvagens. Seu componente mais importante é a tubocurarina. Atualmente, a tubocurarina é pouco usada na medicina, em função da disponibilidade de substitutos mais eficazes e com menos efeitos colaterais. Quando o curare se liga aos receptores da acetilcolina, estes não podem ser ativados, causando perda da função muscular e paralisia. A dosagem e os intervalos entre as doses determinam a gravidade dos efeitos do curare, que imobiliza os músculos minutos após a sua injeção. Logo, ele seria um potencializador do bloqueio neuromuscular causado também pela TB. Entretanto, seus efeitos são reversíveis e não causam danos às fibras nervosas. Anticolinesterases, como a fisostigmina e a neostigmina, podem reverter os efeitos do curare. Essas substâncias, por bloquearem a degradação da acetilcolina na junção neuromuscular, tornam possível a existência da acetilcolina em maior número, levando à ativação de receptores musculares desocupados. Sulfato de magnésio É usado como anticonvulsivante também na cardiologia e na obstetrícia. Potencializa os bloqueadores neuromusculares, aumentando consideravelmente a sua duração. O sulfato de magnésio atua diminuindo a liberação de acetilcolina (ação pré-sináptica), diminuindo a excitabilidade da membrana muscular (ação pós-sináptica) e bloqueando o mecanismo contrátil do músculo. A dose de qualquer bloqueador despolarizante deve ser reduzida em pacientes que fizeram uso de sulfato de magnésio. A succinilcolina também tem seu efeito potencializado por esses mecanismos já descritos e também por inibição da colinesterase plasmática. Quinina A quinina oral é aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o tratamento da malária não complicada pelo Plasmodium falciparum. Com o uso da quinina, a excitabilidade da região da placa terminal motora diminui, reduzindo as respostas aos estímulos nervosos repetidos e à acetilcolina. A quinina pode antagonizar as ações da fisostigmina sobre o músculo esquelético tão eficazmente quanto o curare. Também pode levar a desconforto respiratório e disfagia alarmantes em pacientes com miastenia gravis. A ação da quinina nas junções neuromusculares intensifica o efeito dos agentes bloqueadores neuromusculares, como a TB, podendo potencializar o efeito da mesma. Bloqueadores de canal de cálcio São anti-hipertensivos que agem inibindo os canais de cálcio, resultando em relaxamento de músculos lisos vasculares, especial

O que a exposição na mídia de técnicas cirúrgicas, equipamentos de laser e tecnologias correlatas faz com que o procedimento de aplicação de toxina botulínica pareça?

a) Simples e isento de complicações.
b) Complexo e arriscado.
c) Indicado apenas para profissionais habilitados.
d) Necessário apenas para procedimentos invasivos.

Outros medicamentos que também poderiam aumentar esse risco seriam os anti-inflamatórios não hormonais e o alfatocoferol (forma mais ativa da vitamina E). O uso desses dois últimos e de ginkgo biloba deveria ser suspenso dez dias antes da aplicação da toxina, a fim de diminuir a formação de equimoses.

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A98t
Ayres, Eloisa Leis
Toxina botulínica na dermatologia: guia prático de técnicas e produtos / Eloisa
Leis Ayres; Maria Helena Lesqueves Sandoval. ­ 1. ed. ­ Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2016.
il.
ISBN 978­85­277­2943­7
1. Dermatologia. I. Título.
16­30895 CDD: 616.5
CDU: 616.5
Dedicatória
 
 
À toda minha família, presente de Deus e minha maior razão para viver.
Eloisa Leis Ayres
Ao meu marido Lysandro Sandoval, eterno companheiro e incentivador, verdadeiro parceiro em todos os meus projetos.
Um suporte psicológico e espiritual.
Aos meus filhos, Lysandro Filho e Diogo, pela vibração, pelo apoio e pelo estímulo em tudo o que me proponho a fazer.
Eles iluminam e justificam todas as minhas ações nesta vida.
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Agradecimentos
 
 
Aos meus pais, pelo exemplo de retidão e oportunidades.
Ao meu marido Armando Ayres, por crescer comigo e pelo companheirismo de todas as horas.
Aos meus filhos, por me ensinarem coisas novas a cada dia.
Aos verdadeiros amigos, que apesar da minha ausência estão sempre por perto.
Aos meus grandes mestres, que ficarão para sempre na minha memória.
A todos aqueles que colaboraram direta ou indiretamente para mais esta conquista.
À vida, que me permite realizar sonhos e abre portas, traçando um caminho que desperta os melhores sentimentos.
Eloisa Leis Ayres
Aos  colaboradores,  grandes  profissionais  que  trabalham  com  toxina  botulínica  desde  sua  chegada  ao  Brasil,  que
contribuíram  com  sua  experiência  e  seu  conhecimento  científico  nesta  vasta  área  da  Dermatologia.  Obrigada  por  sua
impecável contribuição em mais este desafio.
Aos meus  pacientes,  pela  permanente  confiança  em meus  conhecimentos,  àqueles  que  estão  comigo  desde  a  primeira
toxina que chegou ao Estado e que me acompanham e valorizam meu trabalho.
Aos meus pais, João (in memorian) e Hélia, que me estimularam, desde o primeiro livro que me deram, a ser dedicada
aos estudos, ao conhecimento amplo, a viajar e a aprender outros idiomas, ampliando meu mundo e meus conhecimentos.
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Organizadoras
Eloisa Leis Ayres
Nascida  em  Niterói,  cursou Medicina  na  Fundação  Técnico­Educacional  Souza  Marques,  formando­se  aos  21  anos,  já
apaixonada pela Dermatologia. Especialista e Mestre em Dermatologia pela Universidade Federal Fluminense  (UFF),  foi
aluna  de  grandes  mestres  como  o  Professor  Azulay  e  a  Professora  Neide  Kalil  Gaspar,  grandes  incentivadores  da  sua
carreira.  Participa  de  inúmeros  eventos  científicos  nacionais  e  internacionais  nas  diversas  áreas  da  Dermatologia  como
palestrante. É membro de um grande número de Sociedades Científicas nacionais e estrangeiras: Sociedade Brasileira de
Dermatologia  (SBD),  Sociedade  Brasileira  de  Cirurgia  Dermatológica  (SBCD),  Academia  Americana  de  Dermatologia
(AAD), International Academy of Cosmetic Dermatology (IACD), International Society of Dermatology (ISD) e Colegio
Ibero­Latinoamericano  de  Dermatología  (CILAD).  Foi  Presidente  da  Regional  Fluminense  da  SBD  em  2007/2008.  É
revisora do periódico da SBD  (Anais Brasileiro de Dermatologia),  do qual  faz parte do Conselho Editorial  desde 2009.
Atualmente é coordenadora do Serviço de Dermatologia Professor René Garrido Neves, da Fundação Municipal de Saúde
de Niterói e diretora da Clínica EZskin Dermatologia, onde  trabalha na área clínica e cosmiátrica, com foco especial nos
procedimentos  minimamente  invasivos,  como  preenchimentos  e  toxina  botulínica.  É  coautora  do  livro Preenchedores  |
Guia Prático de Técnicas e Produtos.
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Formada em Medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Especialista em Dermatologia pela Sociedade
Brasileira  de  Dermatologia  (SBD)/Associação Médica  Brasileira  (AMB),  sendo membro  titular  desde  1989,  três  vezes
Presidente da SBD­ES e membro da diretoria estadual desde 1990. Presidente da II Jornada Sudeste de Dermatologia em
2007. Ouvidora da SBD no biênio 2013/2014. Organizou a primeira  Jornada Capixaba de Dermatologia Cosmiátrica  em
2011,  da  qual  foi  coordenadora  científica  em  todas  as  suas  edições  anuais.  Estudou  e  tratou  por  10  anos  a  hanseníase,
participando da implantação da Poliquimioterapia no Estado do Espírito Santo. Coautora dos livros: Preenchedores | Guia
Prático de Técnicas e Produtos (2013), traduzido também para o idioma espanhol, Rellenos (2014), e Doutor, eu  tenho...
Rugas  (2014),  como  projeto  especial.  Autora  de  capítulos  sobre  Cosmiatria  em  seis  livros  médicos,  como  Geriatric
Psychodermatology  (2015),  editado  nos  EUA.  Participa  de  inúmeros  eventos  científicos  nacionais  e  internacionais  nas
diversas áreas da Dermatologia, atuando como palestrante. Preceptora de Cosmiatria dos Residentes de Dermatologia do
Hospital  Universitário  Cassiano  Antonio  Moraes  (HUCAM).  Atualmente  trabalha  na  área  de  Dermatologia  Clínica  e
Cosmiátrica em sua clínica privada, em Vitória, Espírito Santo.
Colaboradores
Ada Regina Trindade de Almeida
Médica Dermatologista  pela  Sociedade Brasileira  de Dermatologia  (SBD). Assistente  e  Preceptora  de  ensino  da Clínica
Dermatológica do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) de São Paulo.
Adilson Costa
Pesquisador  no  Jack Arbiser’s Laboratory  do Departamento  de Dermatologia  da Emory University School  of Medicine,
Atlanta/GA, EUA.
Ana Flávia Nogueira Saliba
Médica Dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Ana Maria Mósca de Cerqueira
Membro  titular  da  Sociedade  Brasileira  de  Dermatologia  (SBD)  e  da  Sociedade  Brasileira  de  Pediatria  (SBP).  Ex­
presidente  SBD­RJ  (2013/2014).  Preceptora  em  pós­graduação  do  serviço  credenciado  da  SBD  em  Dermatologia
Pediátrica. Dermatologista pediátrica do Hospital Municipal Jesus.
Ana Paula Gomes Meski
Residência e Mestrado em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Dermatologia pela SociedadeBrasileira  de  Dermatologia  (SBD).  Associada  da  SBD  e  da  Sociedade  Brasileira  de  Cirurgia  Dermatológica  (SBCD).
Membro da Academia Americana de Dermatologia (AAD).
André Braz
Dermatologista. Coordenador científico do curso de Anatomia Aplicada para Toxina Botulínica e Preenchimento do Miami
Anatomical Research Center (MARC). Professor­Assistente do Setor de Cosmiatria da Policlínica Geral do Rio de Janeiro
(PGRJ).
Andrea Serra
Dermatologista,  com  título  de  especialista  pela  Sociedade  Brasileira  de  Dermatologia  (SBD).  Membro  da  Academia
Americana de Dermatologia (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBDC).
Andréia Mateus Moreira
Mestre  em  Dermatologia  pela  Universidade  Federal  do  Rio  de  Janeiro  (UFRJ).  Chefe  do  Setor  de  Cosmiatria  da
Policlínica Geral do Rio de Janeiro (PGRJ). Professora­Assistente de Dermatologia do Instituto de Pós­graduação Médica
Carlos Chagas (IPGMCC).
Beatrice Martinez Zugaib Abdalla
Estudante de Medicina da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC).
Beatriz Rosmaninho Caldeira Avè
Dermatologista.  Residência  médica  na  Universidade  Federal  do  Rio  de  Janeiro  (UFRJ). Membro  efetivo  da  Sociedade
Brasileira  de  Dermatologia  (SBD),  da  Academia  Americana  de  Dermatologia  (AAD)  e  da  European  Academy  of
Dermatology and Venereology (EADV).
Bhertha Miyuki Tamura
Cirurgia geral e Dermatologia. Mestre e Doutora em Dermatologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Coordenadora dos Ambulatórios Médicos de Especialidades Barradas, Bourroul
e Sorocaba.
Carlos Gustavo Wambier
Especialista em Dermatologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de
São  Paulo  (HCFMRP­USP).  Doutor  em  Ciências  pela  USP.  Professor  Adjunto  da  Disciplina  de  Dermatologia  do
Departamento de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Carlos Roberto Antonio
Professor e Chefe do Serviço de Cirurgia Dermatológica do Hospital de Base (HB) de São José do Rio Preto. Membro da
Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e da Academia
Americana de Dermatologia (AAD).
Carolina Reato Marçon
Especialista  em Dermatologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Médica Colaboradora do Departamento de
Dermatologia  da  Santa  Casa  de  Misericórdia  de  São  Paulo.  Título  de  Especialista  pela  Sociedade  Brasileira  de
Dermatologia (SBD).
Danilo Guerreiro Zeolo Biccigo
Médico Residente do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC­Campinas).
Denise Steiner
Médica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Residência no Hospital das Clínicas da USP.
Título de Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Doutora em Dermatologia pela
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Especialista em Hansenologia pela USP. Especialista em Saúde Pública
pela  Faculdade  de  Saúde  Pública  da  USP  (FSPUSP).  Especialista  em  Medicina  do  Trabalho.  Professora  titular  da
Disciplina  Dermatologia  da  Universidade  de  Mogi  das  Cruzes  (UMC).  Chefe  do  Serviço  de  Dermatologia  da  UMC.
Presidente da SBD no período 2013/2014.
Diogo Lesqueves Sandoval
Médico pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia (EMESCAM). Residência em Cirurgia Geral no Hospital
Santa Casa de Misericórdia (Vitória, ES). Diretor Médico do Instituto Meridional (Vila Velha, ES).
Dóris Maria Hexsel
Dermatologista.  Investigadora  Principal  do  Centro  Brasileiro  de  Estudos  em  Dermatologia  (CBED),  Porto  Alegre.
Diretora Médica da Clínica Hexsel de Dermatologia.
Elisa Raquel Martins da Costa Marques
Dermatologista­assistente da Clínica Dermatológica do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) de São Paulo.
Emerson de Andrade Lima
Pós­doutorado  Pela  Universidade  Federal  de  Pernambuco  (UFPE).  Doutor  em  Dermatologia  pela  Universidade  de  São
Paulo (USP). Coordenador da Cosmiatria e Cirurgia Dermatológica da Santa Casa de Misericórdia do Recife.
Érica de O. Monteiro
Dermatologista  colaboradora  da  Unidade  de  Cosmiatria,  Cirurgia  e  Oncologia  (UNICCO)  do  Departamento  de
Dermatologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/UNIFESP). Editora científica
do suplemento de Dermatologia e Cosmiatria da Revista Brasileira de Medicina (RBM).
Fabiana Braga França Wanick
Mestre  em  Dermatologia  pela  Universidade  Federal  do  Rio  de  Janeiro  (UFRJ).  Preceptora  da  Residência  Médica  e
Dermatologista  do  Hospital  Federal  de  Bonsucesso  (HFB).  Membro  titular  da  Sociedade  Brasileira  de  Dermatologia
(SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).
Fátima Pires de Freitas
Médica  pela  Universidade  Federal  Fluminense  (UFF).  Pós­graduação  em  Dermatologia  e  em  Doença  Sexualmente
Transmissível (DST) pela UFF. Título de especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)
e em Hanseníase pela Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH).
Fernanda Camozzato
Dermatologista. Investigadora do Centro Brasileiro de Estudos em Dermatologia (CBED), Porto Alegre.
Flávia Dutra
Médica  pela  Universidade  Federal  de Minas  Gerais  (UFMG).  Residência  em Dermatologia  pela  UFMG.  Professora  da
pós­graduação em Dermatologia do Hospital Naval Marcílio Dias.
Flávia Ravelli
Dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Chefe do Departamento de Dermatologia do Complexo
Hospitalar  Pro  Matre/Santa  Joana.  Assistente  do  Departamento  de  Dermatologia  da  Universidade  de  Santo  Amaro
(UNISA). Pós­graduação em Medicina Baseada em Evidência pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Humberto Antonio Salomon Ponzio
Professor­Associado aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Clínica Médica pela
UFRGS. Doutor em Ciências Médicas, Dermatologia, pela Universidade de São Paulo (USP).
Izabel Cristina Soligo Kanaan
Dermatologista  pediátrica  do Hospital Municipal  Jesus.  Sócia  titular  Socigers.  Preceptora  em  pós­graduação  de  serviço
credenciado da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em dermatologia pediátrica.
Jayme de Oliveira Filho
Especialista  em  Dermatologia.  Professor  titular  da  Universidade  de  Santo  Amaro  (UNISA).  Mestre  e  Doutor  em
Dermatologia pela Universidade de São Paulo (USP). Professor titular do departamento de Clínica Médica da UNISA.
Jéssica Pini Pereira Bragança
Dermatologista do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) de São Paulo.
João Roberto Antonio
Doutor em Medicina (PhD). Professor Emérito de Dermatologia da Faculdade Estadual de Medicina e Chefe do Serviço de
Dermatologia do Hospital de Base (HB) de São José do Rio Preto, São Paulo. “Maestro de la Dermatologia” pelo Colegio
Ibero­Latinoamericano de Dermatología (CILAD). Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da Sociedade
Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), da Academia Americana de Dermatologia (AAD), da European Academy of
Dermatology  end Venereology  (EADV),  da  International  Academy  of  Cosmetic  Dermatology  (IACD),  do  CILAD  e  do
International Society of Dermatologic Suegery (ISDS). Ex­presidente da SBCD (2005/2006) e da SBD­SP (2009).
Juliana Cunha Sarubi Noviello
Residência  em  Clínica  Médica  pela  Fundação  Hospitalar  do  Estado  de  Minas  Gerais  (FHEMIG).  Residência  em
Dermatologia  pela  FHEMIG.  Mestre  em  Medicina  Tropical  pela  Universidade  Federal  de  Minas  Gerais  (UFMG).
Preceptora  do  Serviço  de  Residência  em  Dermatologia  da  FHEMIG.  Membro  titular  da  Sociedade  Brasileira  de
Dermatologia (SBD).
Karina Bittencourt Medeiros
Graduada  em  Medicina  pela  Universidade  Federal  do  Paraná  (UFPR).  Residente  do  terceiro  ano  de  Dermatologia  da
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Mestranda pela UFES.
Katlein França
Dermatologistae  Psicodermatologista.  Professora­Assistente  do  Departament  of  Dermatology  &  Cutaneous  Surgery  da
University of Miami Miller School of Medicine.
Lívia Arroyo Trídico
Médica pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP). Residência em Dermatologia pela FAMERP.
Luana Vieira Mukamal
Especialista  em  Dermatologia  pela  Sociedade  Brasileira  de  Dermatologia  (SBD).  Pós­graduação  em  Dermatologia  na
Universidade  Federal  do  Rio  de  Janeiro  (UFRJ).  Estágio  em  Dermatologia  na  Universidade  de  Nice,  França.
Dermatologista do Centro de Especialidades de Vitória, ES.
Luciane Scattone
Doutora  em  Medicina  pela  Universidade  Federal  de  São  Paulo  (UNIFESP).  Mestre  em  Medicina  pela  Faculdade  de
Medicina  da  Universidade  de  São  Paulo  (FMUSP).  Especialista  pela  Sociedade  Brasileira  de  Dermatologia  (SBD).
Membro da Academia Americana de Dermatologia (AAD) e da International Society of Dermatologic Surgery (ISDS).
Mabely Araujo Duarte Gouthier
Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia  (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica  (SBCD).
Preceptora de Dermatologia e Cirurgia Dermatológica no Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais.
Manuela Boleira
Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Mestre em Imunologia pela Universidade
Federal  do  Rio  de  Janeiro  (UFRJ).  Professora­Assistente  da  Disciplina  de  Dermatoscopia  da  Pós­graduação  em
Dermatologia na Policlínica Geral do Rio de Janeiro (PGRJ).
Manuela Reis
Especialista  em Dermatologia  pela Universidade  Federal  Fluminense  (UFF). Membro  titular  da  Sociedade Brasileira  de
Dermatologia (SBD).
Marcelo M. Bellini
Residência em Dermatologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São
Paulo  (HCFMRP­USP).  Membro  titular  da  Sociedade  Brasileira  de  Dermatologia  (SBD).  Membro  da  Academia
Americana de Dermatologia (AAD). Diretor da Clínica Corpo em Evidência. Médico Colaborador do setor de Cosmiatria
do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) de São Paulo.
Marcelo Neira Avè
Dermatologista. Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Marcus Henrique de Alvarenga Morais
Médico  pela  Universidade  Federal  de  Minas  Gerais  (UFMG).  Especialista  em  Clínica  Médica.  Especialista  em
Dermatologia. Membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Maria Claudia Almeida Issa
MD.  PhD.  Doutora  em  Dermatologia  pela  Universidade  Federal  do  Rio  de  Janeiro  (UFRJ).  Professora  Adjunta  de
Dermatologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Maria Del Pilar Del Rio Navarrete Biot
Especialista  em  Dermatologia  pela  Sociedade  Brasileira  de  Dermatologia  (SBD).  Mestre  em  Dermatologia  pela
Universidade Federal Fluminense (UFF).
Maria Paulina Villarejo Kede
Doutora  e Mestre  em Dermatologia  pela Universidade Federal  do Rio  de  Janeiro  (UFRJ). Membro  titular  da Sociedade
Brasileira de Dermatologia (SBD).
Mariana Boechat de Souza
Residência Médica em Dermatologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Mariana de Andrade Lima
Médica Dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Preceptora da Especialização em Dermatologia
da Santa Casa de Misericórdia do Recife. Coordenadora do Ambulatório de Doenças dos Cabelos e Couro Cabeludo da
Santa Casa de Misericórdia do Recife. Médica colaboradora do ambulatório de pesquisas de Psoríase e Artrite Psoriásica
do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HCUFPE).
Mariana Soirefmann
Médica especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Mestre em Ciências Médicas pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Mariane Ponzio de Azevedo Galvão
Cirurgiã­dentista  pela Universidade  Federal  do Rio Grande  do  Sul  (UFRGS). Mestre  em Periodontia  pela Universidade
Luterana do Brasil (ULBRA). Especialista em Odontopediatria pela Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO).
Mônica Manela Azulay
Professora­Associada  de  Dermatologia  na  Universidade  Federal  do  Rio  de  Janeiro  (UFRJ)  e  da  Fundação  Técnico­
Educacional  Souza  Marques  (FTESM).  Mestre  e  Doutora  em  Dermatologia  pela  UFRJ.  Membro  titular  da  Sociedade
Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). International Fellow da
Academia Americana de Dermatologia (AAD).
Nathalia Horst Duque Gripp
Especialista em Dermatologia pelo Hospital Federal de Bonsucesso (HFB).
Nelson Wolosker
Professor  Livre­Docente  da  Faculdade  de Medicina  da  Universidade  de  São  Paulo  (USP).  Vice­Presidente  do  Hospital
Israelita Albert Einstein.
Pablo Cirino
Médico  pela  Faculdade  de  Medicina  da  Escola  Bahiana  de  Medicina  e  Saúde  Pública  (EBMSP).  Especialista  em
Dermatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Cursando complementação
em Cirurgia Dermatológica pela Universidade de São Paulo (USP). Título de Especialista em Dermatologia pela Sociedade
Brasileira de Dermatologia (SBD).
Paula Ferrazi Magrin
Especialista  em Dermatologia  pela Universidade  Federal  Fluminense  (UFF). Membro  titular  da  Sociedade Brasileira  de
Dermatologia (SBD).
Raquel Cavalcante
Médica pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Residência Médica em Dermatologia
pela  Universidade  Federal  do  Rio  de  Janeiro  (UFRJ).  Cursando  complementação  em  Dermatologia  Estética  pela
Universidade de São Paulo (USP). Membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Renan Lage
Especialista  em  Dermatologia  pela  Sociedade  Brasileira  de  Dermatologia  (SBD).  Coordenador  dos  Ambulatórios  de
Cosmiatria  e  Colagenoses  e  Preceptor  do  Serviço  de  Dermatologia  da  Pontifícia  Universidade  Católica  de  Campinas
(PUC­Campinas).
Roberta de Andrade Paula
Especialista  em Dermatologia  pela Universidade  Federal  Fluminense  (UFF). Membro  titular  da  Sociedade Brasileira  de
Dermatologia (SBD).
Rodrigo Moraes Ferraz
Dermatologista.  Membro  da  Sociedade  Brasileira  de  Dermatologia  (SBD),  da  Sociedade  Brasileira  de  Cirurgia
Dermatológica (SBCD) e da Academia Americana de Dermatologia (AAD).
Rodrigo Pirmez
Dermatologista. Preceptor de Centro de Estudos dos Cabelos do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay
(IDPRDA), da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.
Roseli Andrade
Médica  pela  Faculdade  de  Medicina  do  ABC  (FMABC).  Especialista  em  Dermatologia  pela  Sociedade  Brasileira  de
Dermatologia  (SBD).  Membro  da  Sociedade  Brasileira  de  Cirurgia  Dermatológica  (SBCD)  e  do  Colegio  Ibero­
Latinoamericano de Dermatología (CILAD).
Samantha Neves
Médica  pela  Faculdade  de  Medicina  do  ABC  (FMABC).  Dermatologista  pela  Sociedade  Brasileira  de  Dermatologia
(SBD). Membro efetivo da Academia Americana de Dermatologia (AAD).
Sarah Lucas
Médica  pela  Universidade  Federal  de  Juiz  de  Fora  (UFJF).  Especialista  em Dermatologia  pela  Sociedade  Brasileira  de
Dermatologia  (SBD).  Especialista  em  Hansenologia  pela  Sociedade  Brasileira  de  Hansenologia  (SBH).  Mestre  em
Dermatologia  pela  Universidade  Federal  do  Rio  de  Janeiro  (UFRJ).  Membro  da  Sociedade  Brasileira  de  Cirurgia
Dermatológica (SBCD) e do Colegio Ibero­Latinoamericano de Dermatología (CILAD).
Vanessa Cocchetto
Especialista  em Dermatologia  pela Universidade  Federal  Fluminense  (UFF). Membro  titular  da  Sociedade Brasileira  de
Dermatologia (SBD).
APRESENTAÇÃO
 
Importantes medicamentos modificaram a evolução da medicina, e em especial da Dermatologia, como a penicilina, os
corticosteroides, os retinoides e também a toxina botulínica.
Utilizada inicialmente para o tratamento de alterações oftalmológicas como o estrabismo, a toxina botulínica rapidamente
demonstrou a sua eficácia no campo da cosmiatria. Há pouco mais de 20 anos ela passou a ser utilizadapara o tratamento
das rugas hipercinéticas da face e logo vários distúrbios dermatológicos foram beneficiados com a sua utilização. Hoje se
firmou  como  um  dos  mais  importantes  medicamentos  para  o  rejuvenescimento,  sendo  capaz  de  modular  de  forma
harmônica  o  processo  do  envelhecimento.  Diante  de  tão  importante  substância,  torna­se  fundamental  conhecê­la
profundamente, além de suas possíveis aplicações práticas na nossa especialidade.
Com esse objetivo e para oferecer  ao  leitor uma vivência prática,  ética  e  completa nesse mundo encantador,  reunimos
nesta obra a experiência dos mais ilustres colegas que trabalham com toxina botulínica desde sua chegada ao Brasil.
Eloisa Leis Ayres
Maria Helena Lesqueves Sandoval
PREFÁCIO
 
Cumprimento  sinceramente  às  autoras  Dras.  Eloisa  Leis  Ayres  e  Maria  Helena  Lesqueves  Sandoval,  colegas
especialistas,  admiradas  pela  profunda  dedicação  à  Dermatologia,  por  mais  esta  importante  contribuição  à  produção
científica brasileira.
Já  na  sua  segunda obra,  escolheram um assunto  que  não poderia  ser mais  apropriado  e  útil  neste momento  em que  a
Medicina e a sociedade em geral se preocupam com a longevidade do ser humano e sua qualidade de vida.
Em meio  às  dezenas  de  novas  técnicas  com  estes  objetivos,  dificilmente  surgirá  outra  tão  útil,  não  invasiva  e  segura
quanto a toxina botulínica.
A obra foi muito bem estruturada didaticamente, e os temas foram abordados por colegas com competência comprovada
em suas áreas específicas, o que certamente justifica a alta qualidade do livro.
Os usos desta toxina, que atualmente se estendem também para outras especialidades, com finalidades cosméticas e não
cosméticas,  vêm  evoluindo  desde  1980,  quando  foi  publicado  o  primeiro  trabalho,  após  os  testes  em  voluntários  do
oftalmologista Alan Scott,  terem  sido  aprovados  pelo FDA. O  leitor  terá  a  oportunidade  de  acompanhar  como o  uso  da
toxina botulínica evoluiu e se modernizou.
É feita uma grande e profunda revisão de todos os assuntos relacionados ao seu uso na Dermatologia. São revisados a
anatomia, a farmacologia e todos os passos do preparo da substância.
Os  conhecimentos  práticos  não  se  restringiram  ao  tratamento  das  rugas  e  expressões  faciais,  embora  o  embasamento
científico dos procedimentos cosmiátricos aprimore a sua indicação, firmada em ética e conhecimento técnico, bem como a
sua prática. Tais conhecimentos  também foram ampliados para condições como hiperidrose,  rosácea, cicatrizes, psoríase,
entre outras.
A partir desta extraordinária publicação, certamente muitos médicos e pacientes serão beneficiados.
Agradeço às autoras pela oportunidade destas palavras.
Bogdana Victoria Kadunc
Professora­Doutora em Dermatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Chefe do
Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC­Campinas). Editora­chefe da revista
Surgical & Cosmetic Dermatology da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
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SUMÁRIO
Parte 1 | Visão Geral
Histórico da Toxina Botulínica
Eloisa Leis Ayres
Aspectos Psicodermatológicos nos Procedimentos Cosmiátricos
Katlein França
A Expressão Facial no Desenvolvimento das Rugas
João Roberto Antonio
Carlos Roberto Antonio
O Papel da Toxina na Profilaxia do Envelhecimento
Érica de O. Monteiro
Anatomia Facial Muscular para Aplicação da Toxina Botulínica
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Áreas de Risco
Flávia Dutra
Sarah Lucas
Parte 2 | A Toxina Botulínica
Tipos de Toxina Botulínica
Carolina Reato Marçon
Denise Steiner
Preparações Comerciais Disponíveis no Brasil
Carolina Reato Marçon
Denise Steiner
Farmacologia
Renan Lage
Danilo Guerreiro Zeolo Biccigo
Mecanismos de Ação
Adilson Costa
Beatrice Martinez Zugaib Abdalla
Imunologia
Marcus Henrique de Alvarenga Morais
Juliana Cunha Sarubi Noviello
Diluição e Armazenamento
Dóris Maria Hexsel
Fernanda Camozzato
Difusão
Ana Paula Gomes Meski
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21
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A.1
A.2
A.3
A.4
A.5
A.6
A.7
Vias de Aplicação/Drug Delivery
Maria Claudia Almeida Issa
Mariana Boechat de Souza
Indicações e Contraindicações
Rodrigo Moraes Ferraz
Mabely Araujo Duarte Gouthier
Interações Medicamentosas
Mônica Manela Azulay
Raquel Cavalcante
Pablo Cirino
Material
Andrea Serra
Parte 3 | O Paciente
Seleção do Paciente
Beatriz Rosmaninho Caldeira Avè
Registro Fotográfico
Beatriz Rosmaninho Caldeira Avè
Marcelo Neira Avè
Manejo da Dor
Andrea Serra
Cuidados Pós­procedimento
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Efeitos Adversos e Complicações
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Possíveis Antídotos
Eloisa Leis Ayres
Parte 4 | Aplicações na Parte Clínica
Aplicações Práticas
Seção A Tratamento da Face e do Pescoço
Glabela
Ada Regina Trindade de Almeida
Elisa Raquel Martins da Costa Marques
Região Frontal
André Braz
Rodrigo Pirmez
Orbicular dos Olhos e Região Infraorbital
Maria Paulina Villarejo Kede
Região Nasal
Bhertha Miyuki Tamura
Região Periorbicular da Boca
Maria Del Pilar Del Rio Navarrete Biot
Ângulo Oral e Mento
Luciane Scattone
Platisma
Maria Del Pilar Del Rio Navarrete Biot
Seção B Lifting Facial e Nefertiti Lift
Eloisa Leis Ayres
Seção C Peculiaridades no Sexo Masculino
E.1
E.2
E.3
E.4
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Marcelo M. Bellini
Ada Regina Trindade de Almeida
Seção D Toxina Botulínica em Microdoses Superficiais
Eloisa Leis Ayres
Seção E Outras Indicações em Cosmiatria
Sorriso Gengival
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Karina Bittencourt Medeiros
Hipertrofia de Masseter e Bruxismo
Humberto Antonio Salomon Ponzio
Mariane Ponzio de Azevedo Galvão
Colo
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Assimetrias e Paralisia Facial
Fátima Pires de Freitas
Hiperidrose
Seção A Palmar
Roberta de Andrade Paula
Eloisa Leis Ayres
Seção B Plantar
Bhertha Miyuki Tamura
Seção C Axilar
Andréia Mateus Moreira
Manuela Boleira
Seção D Inframamária
Ada Regina Trindade de Almeida
Ana Flávia Nogueira Saliba
Seção E Compensatória Pós­simpatectomia
Samantha Neves
Nelson Wolosker
Seção F Facial
Samantha Neves
Beatriz Rosmaninho Caldeira Avè
Seção G Couro Cabeludo
Carlos Roberto Antonio
Lívia Arroyo Trídico
João Roberto Antonio
Seção H Inguinal
Mariana Soirefmann
Seção I Síndrome de Frey
Ada Regina Trindade de Almeida
Jéssica Pini Pereira Bragança
Elisa Raquel Martins da Costa Marques
Dermatoses Associadas à Hiperidrose
Seção A Cromidrose e Bromidrose
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Eloisa Leis Ayres
Seção B Queratólise Plantar Sulcada
Bhertha Miyuki Tamura
Seção C Queratodermia Palmoplantar Aquagênica
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Maria Helena Lesqueves Sandoval
Eloisa Leis Ayres
Seção D Nevo Écrino
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Eloisa Leis Ayres
Seção E Granulose Rubra Nasal
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Luana Vieira Mukamal
Seção F Eczema Disidrótico
Emerson de Andrade Lima
Mariana de Andrade Lima
Seção G Intertrigo e Tinea Pedis Interdigital
Emerson de Andrade Lima
Mariana de Andrade Lima
Outras Indicações Possíveis em Dermatologia
Seção A Textura Cutânea e Controle da Oleosidade
Vanessa Cocchetto
Eloisa Leis Ayres
Seção B Flushing e Rosácea
Eloisa Leis Ayres
Seção C Psoríase
Eloisa Leis Ayres
Seção D Acne e Cicatrizes de Acne
Carlos Gustavo Wambier
Seção E Cicatrização e Queloides
Manuela Reis
Eloisa Leis Ayres
Seção F Doença de Hailey­Hailey
Carlos Roberto Antonio
Lívia Arroyo Trídico
João Roberto Antonio
Seção G Doença de Darier
Roseli Andrade
Seção H Hidradenite Supurativa
Jayme de Oliveira Filho
Flávia Ravelli
Seção I Líquen Simples Crônico
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Eloisa Leis Ayres
Seção J Coto de Amputação e Membro Fantasma
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Eloisa Leis Ayres
Seção K Neuralgia do Trigêmeo
Paula Ferrazi Magrin
Seção L Neuralgia Pós­herpética
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Karina Bittencourt Medeiros
Seção M Enxaqueca
Lívia Arroyo Trídico
Carlos Roberto Antonio
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Seção N Depressão
Katlein França
Seção O Fenômenode Raynaud
Elisa Raquel Martins da Costa Marques
Ada Regina Trindade de Almeida
Seção P Vulvodinia
Fabiana Braga França Wanick
Nathalia Horst Duque Gripp
Seção Q Fissura Anal
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Diogo Lesqueves Sandoval
Seção R Outras Dermatoses
Eloisa Leis Ayres
Parte 5 | Situações Especiais e Perspectivas
Combinação de Toxina Botulínica com Outros Procedimentos
Eloisa Leis Ayres
Toxina Botulínica e Gravidez
Paula Ferrazi Magrin
Eloisa Leis Ayres
Toxina Botulínica Terapêutica na Infância e na Adolescência
Ana Maria Mósca de Cerqueira
Izabel Cristina Soligo Kanaan
Perspectivas Futuras
Eloisa Leis Ayres
Maria Helena Lesqueves Sandoval
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Histórico da Toxina Botulínica
Eloisa Leis Ayres
Introdução
A  toxina  botulínica  (TB)  é  a mais  potente  toxina  de  que  se  tem  conhecimento,  sendo  causa  do  botulismo,  uma  doença
potencialmente  fatal  em  função da paralisia muscular desenvolvida. Há pouco mais de 30 anos  foi demonstrado que  sua
aplicação  intramuscular  localizada em pequenas doses  seria capaz de produzir uma paralisia duradoura, porém reversível
no  músculo  injetado.  Essa  propriedade,  inicialmente  útil  no  estrabismo,  vem  sendo  exaustivamente  estudada  e  o
desenvolvimento de preparações comerciais seguras ampliou seu uso no tratamento de espasmos musculares por produzir
paralisia focal e na cosmiatria, tendo como alvo os músculos faciais. Inúmeras indicações, algumas aprovadas pelos órgãos
regulatórios e outras off­label, foram surgindo e sua história é um marco no desenvolvimento da medicina, modificando a
evolução de doenças e do envelhecimento.
Histórico
Atualmente  empregada  em  diversas  áreas  da  medicina,  seja  com  finalidade  terapêutica  ou  cosmética,  a  TB  traça  uma
história  que  envolve  desde  a  descrição  do  botulismo,  no  final  do  século  XVIII,  a  sua  consagração  como  importante
medicamento na década de 1970. Essa jornada foi marcada por surtos de uma patologia quase sempre letal, por ameaças de
fracassos econômicos, uma grande Guerra Mundial e o espírito de pesquisa associado à enorme capacidade de observação
de alguns poucos cientistas.
1817 | Justinus Knust descreve o botulismo
O relato de envenenamentos alimentares após o consumo de linguiças de sangue e de carne e a ocorrência de várias mortes
no  Reino  de  Württemberg,  na  Alemanha,  despertaram  o  interesse  do  médico  alemão  Justinus  Kerner  que,  em  1817,
descreveu pela primeira vez o botulismo (do  latim botulus =  salsicha). Doença de elevada  letalidade, o botulismo  teve o
seu  agente  etiológico  identificado  somente  em  1986,  quando  da  ocorrência  de  um  surto  na  cidade  de  Ellenselles,  na
Bélgica. Ao estudar 33 pacientes que participaram de uma refeição comum que continha presunto, dentre outros alimentos,
Emile  Pierre  Van  Ermengem  isolou  do  conteúdo  intestinal  de  uma  das  vítimas  um  bacilo  anaeróbio  gram­positivo
encontrado no presunto, que foi denominado Bacillus botulinus. Ao inocular o alimento contaminado em animais, o quadro
clínico se revelou similar ao dos pacientes afetados, comprovando a etiologia da doença.
1897 | Emile Van Ermengem isola o Clostridium botulinum
Em 1920, a ocorrência de alguns surtos de botulismo ameaçou a indústria de enlatados nos EUA, retomando­se o interesse
científico pelo estudo da doença. Então, foram desenvolvidas novas tecnologias para a sua prevenção e a adequação desse
tipo de indústria para o preparo seguro de alimentos. Nesse período, a toxina botulínica tipo A (TBA) foi isolada em sua
forma bruta, não purificada, pelo Dr. Herman Sommer e colaboradores da Universidade da Califórnia.
1920 | Herman Sommer isola a toxina em sua forma bruta
Em  1922,  o  bacilo  recebeu  nova  denominação,  Clostridium  botulinum,  pois  o  termo  bacillus  identifica  organismos
aeróbios,  e  clostridium,  além  de  sugerir  a  natureza  anaeróbia,  reflete  também  sua  morfologia  (kloster,  do  grego  =  fio
torcido).
Durante  a Segunda Guerra Mundial,  surgiram  suspeitas  de  que  os  países  do Eixo  teriam planos  para  o  uso  de  armas
biológicas,  incluindo  a TB  e  o Bacillus anthracis.  Diante  de  tais  ameaças,  foi  criado  um  laboratório  em Camp Detrick
(mais  tarde  denominado  Fort  Detrick),  Maryland,  subvencionado  pelo  exército  americano,  com  a  finalidade  de  estudar
toxinas e bactérias que pudessem ser utilizadas como armas biológicas. Nesse laboratório, Carl Lamanna e colaboradores,
em 1946, isolaram a TBA em sua forma pura, cristalina.
1946 | Carl Lamanna purifica a toxina botulínica tipo A na forma cristalina
Em  1949,  o  grupo  de Arnold  Burgen  comprovou  que  o mecanismo  de  ação  da  toxina  deve­se  ao  bloqueio  do  impulso
nervoso na junção neuromuscular, mediante inibição da liberação de acetilcolina, levando a paralisia temporária do músculo
afetado.
Após  período  de  grande  interesse  pelo  estudo  da TB,  desencadeado  pelas  ameaças  de  guerra  biológica,  seguiu­se  um
período de esquecimento, que levou Carl Lamanna, em 1959, referindo­se à toxina como o “mais venenoso dos venenos”,
a  lamentar  esse  descaso  pelo  assunto,  pois  o  pesquisador  esperava  que  não  fossem  necessárias  novas  ameaças,  como  a
guerra e o risco de colapso da indústria de enlatados, para que as pesquisas prosseguissem.
No final da década de 1960, o oftalmologista Alan B. Scott, que buscava alternativas para o tratamento não cirúrgico do
estrabismo, obteve de Edward J. Schantz, pesquisador em Fort Detrick, amostras de TBA para a realização de  testes em
músculos  extraoculares  de  macacos.  A  experiência  foi  bem­sucedida  e,  em  1973,  Alan  B.  Scott  publicou  o  primeiro
trabalho  confirmando  a  TB  como  alternativa  eficaz  para  o  tratamento  não  cirúrgico  do  estrabismo. Ainda  na  década  de
1970, ele recebeu autorização da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o uso da TBA em seres humanos,
conduzindo estudos entre 1977 e 1978.
1973 | Alan B. Scott publica o primeiro trabalho científico sobre o uso oftalmológico da toxina botulínica
O envolvimento do casal Carruthers remonta a 1982, quando teve início um estudo multicêntrico sobre o uso da TBA em
distonias  além  do  estrabismo. A  oftalmologista  canadense  Jean  Carruthers,  após  estudar  com Alan B.  Scott  no  Pacific
Medical  Center  em  São  Francisco  por  três  meses,  tornou­se  uma  das  primeiras  investigadoras  dos  estudos  que
subsequentemente levaram a FDA a aprovar, em 1989, a TBA, chamada inicialmente Oculinum® e posteriormente Botox®
para o tratamento de estrabismo, blefarospasmo, espasmo hemifacial e outros distúrbios.
1989 | FDA aprova o uso da toxina botulínica tipo A (Oculinum®) para o tratamento de estrabismo e
blefarospasmo essencial
Em 1983, Jean Carruthers iniciou o seu uso no Canadá para o tratamento de estrabismo e blefarospasmo essencial e, em
seguida,  foi  publicado  o  primeiro  estudo  do  uso  da  TB  na  distonia  cervical  e  em  neurologia,  o  que  ampliou  o  uso  da
substância para outros distúrbios musculares e de espasticidade.
Em 1987 uma observação fortuita levou ao interesse do casal Carruthers ao uso cosmético da TBA. Uma das pacientes
tratadas para blefarospasmo mencionou que o uso da toxina na região média da sobrancelha a deixava com uma aparência
menos assustada e despreocupada, mudança que era notada pelos familiares. Jean Carruthers observou que seus pacientes
apresentavam  diminuição  das  rugas  glabelares  e  aparência  mais  rejuvenescida.  A  partir  de  então,  ela  e  seu  marido,  o
dermatologista  Alastair  Carruthers,  iniciaram  a  utilização  da  TBA  para  o  tratamento  de  rugas  faciais,  com  finalidade
unicamente cosmética.
Até  então  a  TBA  havia  sido  empregada  somente  para  o  tratamento  de  patologias  com  funcionamento  anormal  de
determinados grupos musculares e seria aplicada pela primeira vez em músculos sem qualquer alteração funcional, dando
nova  direção  ao  uso  destasubstância.  Em  1990,  o National  Institutes  of Health  incluiu  a  TB  na  lista  de medicamentos
seguros e eficientes.
A  primeira  paciente  tratada  era  recepcionista  do  casal  Carruthers  que,  habituada  com  a  TBA,  vinha  observando  a
evolução dos pacientes tratados. Em dois ou três dias ela apresentou a resposta que hoje é considerada comum e assim os
pesquisadores  se  convenceram  de  que  suas  observações  eram  promissoras.  Eles  decidiram  realizar  um  pequeno  estudo
prospectivo  e  depois  de  2  anos,  em  1990,  submeteram  o  primeiro  resumo,  que  não  chegou  a  ser  apresentado.  No  ano
seguinte,  em  1991,  na  Flórida,  finalmente  eles  apresentaram  os  resultados  dos  seus  estudos  iniciais  no  congresso  da
Sociedade Americana de Dermatologia Cirúrgica, e no ano seguinte publicam o primeiro trabalho científico sobre o uso da
TB no tratamento estético das rugas glabelares.
1992 | O casal Carruthers publica o primeiro trabalho científico sobre o uso da toxina botulínica tipo A para
tratamento estético das rugas glabelares
Nesse  mesmo  período,  várias  observações  a  respeito  dos  resultados  da  toxina  começaram  a  ser  feitas  por  outros
pesquisadores, em diferentes indicações, inclusive cosmética, porém cada um se dedicava mais nas observações dentro de
sua especialidade. Após contato com Theodore Tromovich, que dispunha de um número maior de pacientes com indicações
cosméticas, iniciou­se o desenvolvimento do uso cosmético da TB.
O  primeiro  trabalho  do  casal  Carruthers  tratava  apenas  das  rugas  glabelares  e,  já  naquela  ocasião,  o  casal  vinha
estudando  e  divulgando  sua  aplicação  em  outras  localizações;  as  mais  óbvias  eram  os  “pés  de  galinha”  e  as  rugas
horizontais da fronte. As áreas de foco, depois, passaram a ser o sulco nasolabial (indicação não mais praticada), e áreas
como a região perioral e o platisma. Com os resultados dessas observações, vários profissionais iniciaram o uso cosmético
da TB e, em 1994, foi publicado um trabalho mais abrangente descrevendo­se o tratamento da região periorbicular, mento,
sulco nasogeniano e asas nasais.
1994 | Khalaf Bushara e David Park publicam estudo sobre efeito anidrótico da toxina botulínica, iniciando
seu uso terapêutico para hiperidrose
Em  1994,  após  documentarem  o  efeito  anidrótico  da  toxina  na  face  de  pacientes  tratados  para  espasmo  facial,  Khalaf
Bushara e David Park sugeriram a possibilidade do uso da TBA em casos de hiperidrose localizada, especialmente axilar.
Em  1996,  esses  pesquisadores  atestaram  a  eficácia  desse  tratamento.  Desde  então,  TBA  vem  sendo  empregada  com
sucesso no tratamento da sudorese excessiva.
O tratamento da hipertrofia do masseter foi descrito em 1994 e seu uso foi expandido por médicos coreanos como Park
et al.
Desde a apresentação desses primeiros trabalhos, um sem­número de publicações, não apenas na literatura médica, mas
também nos meios de comunicação, consagrou o uso cosmético da TBA. Além do dedicado trabalho de pesquisa clínica de
inúmeros  estudiosos,  algumas mudanças  referentes  ao  preparo  e manuseio  da  toxina  contribuíram  de maneira  relevante
para viabilizar e popularizar esses tratamentos.
James  Fulton  e  sua  equipe  publicaram  um  importante  artigo  descrevendo  que  a  toxina  havia  sido  armazenada  por
períodos prolongados após a sua diluição sem perder sua potência e também demonstraram diluições maiores, mantendo a
efetividade desde que doses equivalentes  fossem mantidas. Outro  importante avanço ocorreu em 1996 com o  trabalho de
Garcia e Fulton que comprovou a eficácia da TBA até 30 dias após sua reconstituição, o que reduzia o custo do tratamento
em função da possibilidade de aproveitamento da toxina diluída e preservada em refrigerador.
Em 1995, o estudo de Ascher et al.  demonstrou  a  efetividade de outra preparação  comercial  (Dysport®) que  já  vinha
sendo  usada  no  tratamento  da  distonia  cervical  e  a  sua  equivalência  aproximada  vinha  sendo  estudada. A  publicação  de
Ascher et al.  no  uso  cosmético  confirmou  as  observações  iniciais  e,  em  sequência,  estudos  conduzidos  por Lowe  et al.
trouxeram maior evidência científica dessa nova indicação.
A TBA até  então  em uso  ainda  era  a mesma preparada por Edward Schantz  em 1979. Em 1997,  a FDA aprovou um
novo lote de TBA, chamada também Botox®, que era comparada com o Botox® original, mas com menor carga proteica,
resultando em menor produção de anticorpos. Esta modificação na composição  final da  toxina promoveu a  realização de
tratamentos mais frequentes, bem como a administração de doses maiores.
2000 | A toxina botulínica tipo B é aprovada pela FDA para tratamento de distonias cervicais
Em  dezembro  de  2000,  uma  nova  toxina  botulínica  tipo  B  (Myobloc®)  foi  aprovada  pela  FDA  para  o  tratamento  das
distonias cervicais.
2002 | Aprovação da toxina botulínica tipo A (Botox®) pela FDA para tratamento estético de rugas
glabelares
Em 2001, a TBA (Botox®) foi aprovada no Canadá para o tratamento de rugas glabelares moderadas a graves, e no ano
seguinte, em abril de 2002, pela FDA e também União Europeia (UE). Nos anos subsequentes, França, Espanha e Reino
Unido  receberam aprovação  cosmética,  registrando­se  o  uso  da TB  em mais  de  70  países  do mundo. Em 2009,  a TBA
(Dysport®) também foi aprovada para o tratamento cosmético das rugas glabelares.
2009 | FDA estabelece nova nomenclatura para as diferentes toxinas botulínicas
Nesse ano, a FDA estabeleceu os nomes dos medicamentos para ajudar na diferenciação das preparações e evitar efeitos
adversos potencialmente graves. Dessa maneira, as  toxinas passam a se chamar  toxina onabotulínica A (ONA, Botox®),
toxina abobotulínica A (ABO, Dysport®), toxina incobotulínica A (INCO, Xeomim®) e toxina rimabotulínica B (RIMA,
Myobloc®).
Em 2012,  a  toxina  incobutulínica A  (INCO, Xeomin®)  foi  aprovada pela Health Canada para  o  tratamento das  rugas
glabelares, seguida pela UE e pela FDA em 2013.
Segundo dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery, em 2003 o tratamento com TBA (Botox®) tornou­
se o procedimento não invasivo mais realizado nos EUA, com mais de 1,6 milhão de aplicações realizadas. Desde então,
esse  tornou­se o  tratamento mais popular para o  rejuvenescimento  facial,  tanto cirúrgico quanto não cirúrgico, mantendo
um crescimento progressivo no número de tratamentos realizados, chegando a mais de 6,7 milhões de aplicações em 2014.
Considerações finais
Desde a primeira descrição do botulismo, passando pela purificação da TB para uso  terapêutico até os dias de hoje, um
longo caminho vem sendo trilhado e os dados referentes a sua eficácia e segurança são cada vez mais bem documentados.
Essa  toxina,  conhecida  por  seu  poderoso  efeito  tóxico,  demonstrou  em  pequenas  doses  ser  capaz  de  se  tornar  um
importante  medicamento,  tornando­se  um  dos  principais  aliados  dos  dermatologistas  na  cosmiatria  para  o
rejuvenescimento facial isoladamente ou em combinação com outros procedimentos. Paralelamente, um número grande de
dermatoses tem sido tratado com benefícios surpreendentes, ainda havendo espaço para novos estudos com essa molécula.
Diversas  pesquisas  em  andamento  prometem  revelar  em  um  futuro  próximo  conhecimento  sobre  os  aspectos
farmacológicos  e  estruturais  da  TB  bem  como  novos mecanismos  de  ação  e  novas  indicações,  como  será  abordado  no
Capítulo 31.
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2
Aspectos Psicodermatológicos nos Procedimentos
Cosmiátricos
Katlein França
Psicodermatologia e dermatologia cosmiátrica
A interação de pele e mente tem sido assunto de grande interesse na dermatologia moderna. A complexa relação entre pele
e sistema nervoso começa na mesma origem ectodérmica compartilhada por ambos. A psicodermatologia é uma importante
subespecialidade que resulta da junção de duas especialidades médicas: psiquiatria e dermatologia. Enquanto a psiquiatria
estuda  os  processos  mentais,  manifestados  internamente,  a  dermatologia  estuda  as  doenças  da  pele  e  de  seus  anexos,
manifestadas externamente.
O  envelhecimento  da  população  e  o  desenvolvimento  econômico  e  tecnológico  revolucionaram  a  dermatologia  e
contribuíram para a expansão do campo da dermatologia cosmiátrica. Os maiores avanços podem ser constatados no alto
nível  científico  das  técnicas,  da  farmacoterapia  e  dos  procedimentos  minimamente  invasivos  ou  não  invasivos.  Vários
artigos científicos e livros­texto foram lançados nas últimas décadas para disseminar esse novo conhecimento.
À  medida  que  a  dermatologia  e  suas  subespecialidades  desenvolvem­se,  torna­se  inevitável  uma  sobreposição  de
conhecimentos  e  conceitos.  A  psicodermatologia  cosmiátrica  é  uma  nova  ciência  que  resulta  da  combinação  de
psicodermatologia  e  dermatologia  cosmiátrica.  Essas  duas  subespecialidades  convergem  na  necessidade  de  se
compreenderem  os  aspectos  psicológicos,  as  doenças  psiquiátricas  prévias,  emoções  e  expectativas  dos  pacientes  que
realizam procedimentos cosmiátricos. Seu espectro de estudo também engloba os efeitos psicológicos e sociais decorrentes
dos procedimentos cosmiátricos (Figura 2.1).
Figura 2.1 Psicodermatologia cosmiátrica, ciência que surge da combinação da psicodermatologia e da dermatologia cosmiátrica.
Conhecendo o paciente | Perfil demográfico, psicossocial e expectativas
Com o desenvolvimento da ciência dermatológica e cosmiátrica, a busca por procedimentos envolvendo a cosmiatria cresce
cada vez mais. É imprescindível que o médico saiba a importância de individualizar cada paciente, lembrando­se que cada
ser humano é diferente dos demais. Cada um  tem sua história pessoal  e  familiar,  traumas, motivações e expectativas. A
avaliação cuidadosa e  criteriosa por parte do médico e da equipe acentuarão os  resultados e  a  satisfação do paciente que
busca um tratamento para melhorar a sua aparência.
Assim, destaca­se a importância de conhecer o perfil demográfico e o estado psicológico do paciente, além de explorar
as expectativas dos pacientes que irão se submeter aos procedimentos.
Embora os pacientes do sexo feminino ainda constituam a maioria entre os que realizam procedimentos cosmiátricos, na
última  década  houve  um  crescimento  da  procura  por  pacientes  do  sexo  masculino.  A  busca  pela  prevenção  do
envelhecimento  da  pele  também  é  cada  vez mais  frequente  entre  pacientes  jovens  que  optam por  realizar  procedimentos
cosmiátricos, como a aplicação de toxina botulínica (TB), peelings químicos, preenchedores e estimuladores de colágeno.
Entre os itens a serem avaliados no perfil demográfico estão: idade, sexo, estado civil, religião, com quem mora, nível
educacional, estado de emprego atual e profissão.
O médico  também  tem  a  responsabilidade  de  realizar  uma  avaliação  psicológica  breve  para  determinar  se  o  paciente
encontra­se apto a se submeter ao procedimento. Boa empatia desde o primeiro contato facilita a obtenção de informações
mais  íntimas do paciente. Medos,  angústias, dúvidas,  ansiedade, depressão e experiências prévias positivas ou negativas
são algumas características a serem observadas.
Várias escalas podem ser usadas na prática clínica e ajudam o médico a delinear como o paciente se sente com relação à
própria aparência e se tem alguma doença psiquiátrica, incluindo depressão e ansiedade. Suas permissões para uso clínico e
pesquisa  variam  de  autor  para  autor  e  devem  ser  consultadas  pelo  profissional  antes  de  usá­las  em  seu  consultório.  A
preexistência de doença psiquiátrica pode interferir na compreensão do pacience sobre o procedimento. O paciente deve ser
encaminhado, sempre que necessário, a um psiquiatra, psicodermatologista ou psicólogo para uma avaliação especializada.
Na Tabela 2.1 são reproduzidas algumas escalas úteis para a avaliação psicológica do paciente na prática da cosmiatria.
A  maioria  dos  procedimentos  cosmiátricos,  quando  realizados  por  um  médico  capacitado  e  experiente,  é  segura  e
proporciona  resultados  satisfatórios  aos  pacientes.  Entretanto,  grande  parte  dos  problemas  que  podem  surgir  está
relacionada com as expectativas irreais dos pacientes, que sempre esperam melhorar sua aparência, de modo que qualquer
resultado diferente deste ocasionará um sofrimento psicológico. O paciente espera que  lhe seja oferecido o procedimento
mais  adequado,  sem  efeitos  colaterais,  com  tempo  de  recuperação  breve  ou  imediato.  Uma  simples  equimose  pós­
procedimento pode causar grande estresseem razão de desinformação.
Uma  boa  consulta  pré­procedimento  é  fundamental  para  se  desfazerem mitos  e  expectativas  irreais,  para  explorar  as
verdadeiras motivações do paciente e  informá­lo sobre  todos os possíveis efeitos colaterais,  intercorrências, durabilidade
do  procedimento  e  efeitos  reais,  ou  seja,  aquilo  que  pode  ser  realmente  esperarado  do  procedimento,  sem  ilusões  ou
“milagres”. O paciente que, mesmo após as orientações, permanecer com expectativas irreais, muito provavelmente ficará
insatisfeito com o procedimento e poderá causar problemas ao médico. Esses casos devem ser individualizados e avaliados
cuidadosamente, sendo aconselhável a não realização do procedimento.
Tabela 2.1 Escalas para avaliação psicológica do paciente.
Satisfação com a aparência FACE-Q – Escala de satisfação com aparência 
(FACE-Q – Satisfaction with appearance scale)
Instrumento desenvolvido para avaliar a satisfação com a
aparência e a qualidade de vida dos pacientes que se
submetem a procedimentos cosméticos faciais
Saúde mental geral Questionário geral de saúde 
(General health questionnaire)
Esse questionário é usado para identi car distúrbios
psiquiátricos menores. É comumente usado em clínicas de
medicina geral ou atenção primária. Está disponível em
diversas versões, com diferentes números de itens (12, 28, 30
ou 60 itens), sendo a versão com 28 itens a mais usada
Ansiedade Escala de ansiedade de Hamilton 
(Hamilton anxiety rating scale)
Mede a gravidade da ansiedade. Leva em consideração humor
ansioso, medos, tensões, insônia, queixas somáticas e
comportamento
Depressão Escala de depressão de Hamilton 
(Hamilton depression rating scale)
Mede os níveis de depressão. Leva em consideração fatores
como: humor depressivo, sentimentos de culpa, tendência
suicida, distúrbios do sono, níveis de ansiedade e perda de
peso
  Questionário sobre a saúde do paciente 9 
(Patient health questionnaire 9)
Derivado do Patient health questionnaire, esse questionário
contém 9 itens e é mais especí co para os sintomas da
depressão. É um instrumento de screening, monitoramento e
medida da gravidade da depressão
  Escala de depressão de Beck 
(Beck depression inventory scale)
Criada por Aaron Beck, essa escala contém 21 itens de múltipla
escolha. Mede a gravidade da depressão. A versão mais atual
foi projetada para pacientes com mais de 13 anos de idade e
leva em consideração sintomas depressivos como
irritabilidade, culpa, desesperança, perda de peso, fadiga,
diminuição da libido, entre outros
Ansiedade e depressão Escala hospitalar de ansiedade e depressão 
(Hospital anxiety and depression scale)
Desenvolvida por Zigmond e Snaithem em 1983, essa escala é
usada para avaliar os níveis de depressão e ansiedade. É
composta por 14 itens, sendo 7 relacionados com a depressão e
7 com a ansiedade
Sacchidanand  e Bhat  (2012)  enfatizam que  o médico  nunca  deve  se  entusiasmar  e  sucumbir  aos  pedidos  de  pacientes
insistentes  e  com  expectativas  irreais. Os  autores  enfatizam  que  é  sempre  preferível  exercer  uma medicina  segura,  sem
riscos e exageros.
O  uso  do  termo  de  consentimento  informado  também  é  fundamental  para  garantir  uma  prática  médica  segura  para
médico  e  paciente.  É  imprescindível  que,  para  cada  procedimento,  seja  redigido  um  termo  de  consentimento  que  será
explicado  detalhadamente  pelo  médico  e  assinado  pelo  paciente  e  por  testemunhas.  A  elaboração  dos  termos  de
consentimento é de livre escolha do médico. A documentação fotográfica do pré e do pós­procedimento, imediato e tardio,
também  é  importante  para  que  paciente  e  médico  consigam  observar  os  efeitos  da  intervenção  e  esclarecer  eventuais
dúvidas sobre eficácia e possíveis assimetrias.
No  caso  da  aplicação  da  TB,  é  válido  esclarecer,  no  consentimento  informado,  que  as  rugas  serão  atenuadas  com  o
procedimento,  mas  não  desaparecerão  completamente.  Deve­se  esclarecer  que  algumas  pessoas  metabolizam  o  produto
mais  rapidamente  do  que  outras  e,  por  isso,  a  duração  do  procedimento  é  variável,  de  mais  ou  menos  4  meses.  Os
possíveis  efeitos  colaterais  são:  equimoses,  cefaleia,  eritema  e  prurido  no  local  da  aplicação,  queda  de  pálpebras  e
sobrancelhas.
É  fundamental  que  o  médico  sempre  se  coloque  à  disposição  do  paciente  para  esclarecer  dúvidas  antes  e  depois  da
realização  do  procedimento. A  disponibilização  de  uma  via  de  comunicação,  seja  por  telefone  ou  e­mail,  tranquilizará  o
paciente e aumentará a sua satisfação com o atendimento.
Transtorno dismórfico corporal
Trata­se de um distúrbio relativamente comum que se caracteriza por uma preocupação exagerada com um ou mais defeitos
imaginários  na  aparência  física  que  não  são  observados  ou  evidentes  para  outros.  Também  se  caracteriza  por
comportamentos  de  repetição  como:  olhar­se  excessivamente  no  espelho,  dedicar  cuidados  excessivos  com  a  aparência,
apresentar  escoriação  neurótica,  e  demonstrar  necessidade  de  autoafirmação.  Ou,  ainda,  realizar  atos  mentais  (p.  ex.,
comparar a própria aparência com a de outros) em resposta à valorização exacerbada do aspecto estético.
A  preocupação  não  é  mais  bem  explicada  em  função  de  gordura  corporal  ou  peso  em  um  indivíduo  cujos  sintomas
fecham  os  critérios  diagnósticos  para  um  transtorno  alimentar.  É  uma  doença  classificada  no  espectro  do  distúrbio
obsessivo­compulsivo. Os pacientes com transtorno dismórfico corporal acreditam serem feios, deformados, não atraentes,
apesar  de  terem  aparência  normal.  Como  resultado, muitos  sofrem  de  ansiedade,  humor  depressivo  e  baixa  autoestima.
Tornam­se menos sociáveis e podem cometer suicídio.
Os critérios para o diagnóstico de transtorno dismórfico corporal foram atualizados na 5a edição do Manual Diagnóstico
e  Estatístico  de  Doenças  Mentais  (DMS­V),  publicada  pela  American  Psychiatric  Association,  e  são  apresentados  na
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Tabela 2.2.
A prevalência desse  transtorno na população  é de 1  a 2% e  entre os pacientes dermatológicos  e  entre os  candidatos  à
cirurgia cosmética varia entre 2,9 e 16%. Os dermatologistas, muitas vezes, são os primeiros especialistas procurados por
esses  pacientes  para  realizar  procedimentos  cosmiátricos  variados.  Entretanto,  é  comum  os  pacientes  continuarem  com
elevado grau de insatisfação após o procedimento, mesmo que o médico consiga melhorar a sua aparência. Eles continuam
a se preocupar exageradamente com o possível defeito, sem qualquer melhora no quadro psicológico. São pacientes difíceis
e  que  podem  causar  problemas  ao  médico  e  sua  equipe.  Alguns  indivíduos  podem  até  tomar  medidas  legais  contra  o
médico. Por  isso  é  importante  estabelecer  o  diagnóstico  correto  ou pelo menos  suspeitar  da  presença desse  transtorno  e
encaminhar o paciente a ajuda especializada, antes de realizar qualquer procedimento.
As  queixas  mais  frequentemente  citadas  no  consultório  do  dermatologista  são  variadas,  sendo  as  mais  comuns
relacionadas  com  a  pele  (acne,  rosácea,  lesões  vasculares  benignas,  cicatrizes  e  poros),  os  cabelos  (cabelos  finos  ou
excesso  de  pelos  no  corpo)  e  o  nariz  (tamanho  e/ou  formato).  Alguns  indivíduos  importam­se  exageradamente  com
assimetrias corporais.
Tabela 2.2 DSM­V | Critérios diagnósticos do transtorno dismórfico corporal.
A. Preocupação com um ou mais defeitos imaginários na aparência física não observados ou evidentes para outros
B. Em algum momento, durante a evolução da doença, o indivíduo teve comportamentos de repetição (p. ex., olhar-se excessivamente no espelho, cuidados
excessivos com a aparência, escoriação neurótica, necessidade de autoa rmação) ou atos mentais (p. ex., comparar a aparência com a de outros) em resposta à
preocupaçãocom a aparência
C. A preocupação causa sofrimento clinicamente signi cativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do
indivíduo
D. A preocupação não é mais bem explicada em função de gordura corporal ou peso em um indivíduo cujos sintomas fecham os critérios diagnósticos para transtorno
alimentar
Especi car em caso de:
Dismor a muscular: o indivíduo é preocupado com a ideia de que seus músculos são pequenos ou insu cientes. Essa especi cação é usada mesmo quando o
indivíduo é preocupado com outras áreas corporais, o que é frequentemente o caso
Grau de percepção relacionado com o transtorno dismór co corporal (p. ex., “sou feio” ou “pareço deformado”)
Com percepção boa ou moderada: o indivíduo reconhece que as queixas são de nitivamente ou provavelmente não verdadeiras ou que podem ou não ser
verdadeiras
Com percepção ruim: o indivíduo acredita que suas queixas são provavelmente verdadeiras
Com percepção inexistente/crenças delirantes: o indivíduo é completamente convencido de que suas queixas são reais
Os índices de ideação suicida e de tentativas de suicídio são altos entre esses pacientes, justificadas pelo fato de eles não
conseguirem aceitar sua aparência.
O  dermatologista  cosmiátrico  deve  encaminhar  o  paciente  a  um  psiquiatra  ou  psicodermatologista  para  receber
tratamento  especializado,  realizado  com  medicamentos  inibidores  da  recaptação  da  serotonina  e  terapia  cognitivo­
comportamental. Ao longo do tratamento psiquiátrico, muitos pacientes continuam a vir ao consultório do dermatologista
cosmiátrico, que deve sempre procurar esclarecer dúvidas e ajudar na melhora da autoestima destes, com boa conversa e
suporte  emocional.  Do  contrário,  o  paciente  tende  a  continuar  procurando  outros  profissionais  que  realizem  os
procedimentos solicitados por ele, o que tende a perpetuar o dano.
O ideal é que todos os profissionais, o psiquiatra, o psicodermatologista e o dermatologista cosmiátrico, trabalhem em
conjunto, troquem ideias e acompanhem a evolução do paciente. Dessa maneira, há uma possibilidade concreta de atingir­
se um grau de excelência no tratamento.
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Relação médico-paciente na dermatologia cosmiátrica
O principal norteador da prática da medicina e da dermatologia é o relacionamento médico­paciente. Essa interação envolve
confiança e responsabilidade. O bom dermatologista deve apresentar segurança, autoconfiança e proximidade ao paciente.
Já na chegada, deve  ser  cortês  e  cumprimentá­lo. A empatia deve  ser  estabelecida  logo nesse primeiro contato. Após os
cumprimentos e uma conversa amigável, o médico deve realizar uma anamnese detalhada e um exame clínico minucioso,
analisando  detalhadamente  toda  a  pele,  tocando­a  sempre  que  necessário. Desse modo  o  paciente  se  sentirá  amparado  e
bem­atendido. França  (2012)  lembra que o paciente,  ao buscar o dermatologista e expor os  seus problemas, despe­se de
suas vaidades e preconceitos e acredita que encontrará um profissional preparado, competente e atencioso, capaz de buscar
na ciência a melhor solução.
O paciente que busca o dermatologista  cosmiátrico normalmente não o  está buscando por motivo de doença, mas  sim
para  melhorar  sua  aparência  ou  corrigir  alguma  imperfeição  ou  assimetria.  O  médico  deve  ter  em  mente  que  os  bons
resultados  do  procedimento  são  fundamentais  para  o  paciente,  diferente  do  clínico  que, muitas  vezes,  ao  não  conseguir
curar determinada doença, apenas assiste e dá suporte ao paciente. No caso da cosmiatria, o médico deve sempre primar
para  que  o  procedimento  seja  realizado  da maneira mais  correta  e  segura  do  ponto  de  vista  técnico,  visando  ao melhor
resultado  e,  consequentemente,  à  satisfação  do  paciente. A  boa  relação médico­paciente,  fundamentada  na  confiança,  no
esclarecimento e em informações claras sobre o pré, peri e pós­procedimento, garante a prática adequada da dermatologia
cosmiátrica  e  muitas  vezes  poupa  o  médico  de  complicações  legais,  mesmo  que  alguma  intercorrência  aconteça  e  o
resultado não seja o esperado.
Algumas  dicas  importantes  para  o  momento  da  consulta  e  que  melhoram  a  relação  médico­paciente  estão  listadas  a
seguir:
O médico deve manter uma postura amigável, nunca arrogante ou com senso de superioridade
Preste atenção na comunicação verbal e não verbal dos pacientes
Minimize possíveis interrupções durante a consulta (telefone tocando, funcionários da clínica batendo à porta)
Mantenha contato direto com o paciente, olhando­o nos olhos durante a entrevista e tocando a sua pele durante o exame
Nunca cruze os braços ou fique em posição defensiva
De tempos em tempos, ofereça feedback sobre que o paciente está dizendo, resumindo o que ele disse (isso o levará a
constatar que você o está escutando e entendendo).
Pacientes difíceis
Pacientes  difíceis  fazem  parte  do  cotidiano  de  todos  os  médicos.  Estima­se  que  15%  das  interações  clínicas  sejam
consideradas  difíceis  pelos médicos.  O  correto manejo  desses  pacientes  não  é  ensinado  pela maioria  das  faculdades  de
medicina e dos programas de residência médica. Pacientes ansiosos, depressivos, com dismorfia corporal, com tendência a
somatizarem,  poliqueixosos,  negativos,  agressivos  e  defensivos  tendem  a  ser  difíceis  e  desafiadores.  Linguagem  e
diferenças culturais, bem como algumas atitudes do próprio médico, como fadiga e estresse, podem ser um empecilho na
relação  médico­paciente.  Sabe­se  que  médicos  com  mais  habilidade  de  comunicação  experimentam  menos  consultas
difíceis.  Um  pouco  de  conhecimento  de  psicologia  e  o  desenvolvimento  de  algumas  técnicas  podem  ajudar  o médico  a
conduzir  bem  esses  casos  e  a  melhorar  a  relação  médico­paciente  e  os  laços  de  confiança  entre  as  partes.  Algumas
medidas, listadas a seguir, devem ser usadas pelo médico ao se deparar com um paciente difícil:
Mostrar empatia: o médico deve mostrar­se solidário ao problema. Use frases como: “Posso imaginar o que você está
passando”, “Eu o entendo perfeitamente”, “Posso imaginar a sua dor ou frustração”
Proponha  ajuda:  embora  o  paciente  tenha  vindo  ao  seu  consultório  procurando  ajuda,  a  verbalização  disso  faz muita
diferença ao paciente. Frases como: “Estou aqui para ajudar” ou “Vamos  juntos buscar a melhor  solução” serão bem
recebidas pelo paciente
Foque sempre na solução e não no problema: o dermatologista deve focar em possíveis soluções e tentar tirar o foco do
problema. O paciente precisa ser encorajado a superar o problema e o médico deve manter uma atitude positiva
Envolva a família: quando possível, o envolvimento de algum membro da família pode ajudar a melhorar a interação do
médico com o paciente difícil.
Se  o  paciente  permanecer  na  defensiva,  mostrar­se  agressivo  ou  desrespeitoso,  opte  por  algumas  das  alternativas
apresentadas a seguir:
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Verbalize a dificuldade: o dermatologista deve, de maneira calma e segura, verbalizar ao paciente sua opinião sobre o
que  está  ocorrendo. Mesmo que  o  paciente  discorde  da  opinião  do médico,  ele  estará  ciente  do  que  o  outro  pensa  e
passa a compartilhar da responsabilidade do que ocorrerá dali para frente
Foque na responsabilidade do paciente: de maneira calma e firme, explique ao paciente que ele é responsável pela sua
saúde e pelas decisões. Ele tem autonomia para decidir o que é melhor para si. Quando o paciente se sente responsável
pelas suas decisões e pelo tratamento escolhido, aumenta­se a chance de superação das dificuldades
Encaminhe  o  paciente  a  outro  colega:  quando  todos  os  recursos  forem  esgotados,  é  aconselhável  que  o  médico
encaminhe o paciente a um colega.
Considerações finais
A psicodermatologia cosmiátrica é uma subespecialidade que aprimora o exercício da psicodermatologia e da dermatologia
cosmiátrica, resultando em sensívelbenefício para o paciente.
Embora o paciente da dermatologia cosmiátrica não seja um doente na acepção comum da palavra, é alguém insatisfeito,
angustiado com sua aparência ou eventual assimetria.
Diante  desse  quadro,  o  médico  deve  considerar  cuidadosamente  o  perfil  demográfico,  os  aspectos  psicológicos,
incluindo  a  existência  de  doenças  psiquiátricas  prévias  (ou  o  risco  do  surgimento  dessas  em  um  futuro  imediato),  e
explorar  as  expectativas  e  motivações  dos  pacientes.  Cada  paciente  tem  suas  particularidades,  uma  história  de  vida,
expectativas, esperanças e quando busca um procedimento cosmiátrico é porque deseja consertar algo que o incomoda e o
torna infeliz.
O procedimento cosmiátrico deve ser corretamente indicado por um médico capacitado, respeitando todos os protocolos
e  visando  à  satisfação  do  paciente.  Entretanto,  a  satisfação  pode  ser  comprometida  se  o  paciente  apresentar  transtorno
dismórfico  corporal,  que  o  torna  permanentemente  insatisfeito  com  sua  aparência,  ainda  que  seja  palpável  o  resultado
positivo  do  procedimento.  Esses  casos  devem  ser  tratados  com muita  cautela  pelo médico  e  aconselha­se  que  não  seja
realizado o procedimento cosmiátrico a fim de não piorar o transtorno.
Com o aumento do número de pessoas com diagnósticos psiquiátricos, é comum que algumas clínicas de cosmiatria já
contem  com  um  psicólogo  em  sua  equipe,  o  que  certamente  é  um  passo  importante  para  o  sucesso  da  prática  da
dermatologia cosmiátrica.
O responsável pelo exercício da medicina, independentemente de sua área de atuação, não pode jamais esquecer que no
outro  lado  da  mesa  está  um  ser  humano  que  está  em  busca  de  apoio,  não  somente  técnico,  mas,  principalmente,
humanitário. A relação médico­paciente, fundamentada na confiança e no respeito mútuo, é a base para uma prática correta
e segura da medicina.
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3
A Expressão Facial no Desenvolvimento das Rugas
João Roberto Antonio 
Carlos Roberto Antonio
Introdução
Todos desejam viver para sempre, mas ninguém quer ser considerado velho.
As rugas são um dos sinais aparentes do envelhecimento.
A pele constitui um dos mais importantes órgãos de interação do ser humano com o meio em que vive. Sofre alterações
constantes  e,  por  ser  plástica  e  flexível,  altera­se no decorrer  da vida de qualquer  pessoa,  desenvolvendo  rugas  e  outras
mudanças desde a infância até a senilidade.
Na  atualidade  têm­se  cultuado  intensamente  a  prevenção  desse  tipo  de  envelhecimento  e  a  preservação  da  beleza.  São
várias  justificativas  para  esse  fenômeno,  tais  como  os  recursos  oferecidos  pela  medicina  moderna  e,  também,  a
necessidade  de  demonstrar  vitalidade  física  e  mental,  em  função  da  preferência  que,  na  esfera  profissional,  se  dá  à
exigência de perfeição física, de uma aparência mais saudável e atraente. Quem é influenciado por essa  tendência  tende a
considerar  que  a  prevenção  do  envelhecimento  não  se  trata  de  acrescentar  anos  à  vida, mas  sim  vida  aos  anos  que  lhe
restam.
Sob outro ângulo, a pessoa que cuida de sua saúde e de sua  imagem tende a  tornar­semais  jovial, mais consciente da
relação entre seu corpo e seu modo de vida. Quem se gosta está sempre de bem com a vida. A prática ética e consciente da
dermatologia  cosmiátrica  está  relacionada  com a melhoria  da  qualidade  de  vida  das  pessoas,  haja  vista  que  por meio  de
tratamentos  e  procedimentos  estéticos  é  possível  reforçar  a  autoestima,  elevar  o  humor,  resolver  frustrações  e  fortalecer
relações sociais e profissionais. Desse contexto decorre a importância das rugas na atualidade.
A expressão facial
No tratamento da face, é mandatória a conservação das expressões faciais. A maioria dos pacientes rejeita o estereótipo de
lábios volumosos, queixo proeminente ou bochechas destacadas. Por outro lado, com o passar dos anos, o envelhecimento
leva  a  expressão  de  tristeza,  fadiga,  dureza  ou  ressentimento,  impostas  pela  degeneração  e  atrofia  das  estruturas  que
compõem um  rosto. David Le Breton  descreveu  que,  em  função  dessas  alterações  anatômicas,  “o  envelhecimento  faz  o
indivíduo perder sua imagem de referência facial”.
Infelizmente, as pessoas tendem a julgar as outras pelas expressões faciais adquiridas ao longo dos anos. Assim, cria­se
uma  discrepância  entre  a  imagem  e  a  personalidade,  o  que  se  reflete  na  autoestima  do  paciente.  O  médico  tem  à  sua
disposição  muitas  “ferramentas”  para  tratar  o  paciente,  porém  uma  boa  anamnese  é  primordial  para  detectar  todas  as
situações relacionadas com essa melhora.
Vale lembrar que as expressões negativas causam baixa autoestima e os pacientes findam por buscar o rejuvenescimento
com naturalidade.
O que são expressões faciais?
As pessoas, por mais diferentes que sejam uma das outras, identificam­se no modo como expressam suas emoções. Pelas
expressões  faciais,  é  possível  reconhecer  as  expressões  de  medo,  surpresa,  tristeza,  raiva,  angústia,  preocupação,
repressão,  atenção,  surpresa  e  alegria. Apesar  de  esses movimentos musculares  atuarem  na  expressão  de  emoções,  eles
também causam rugas com o passar do tempo, e por isso essas rugas costumam ser chamadas marcas de expressão. Elas
se formam especificamente nas regiões frontais, ao redor dos olhos e da boca. Quando a pessoa é jovem, as rugas vêm e
vão junto com as expressões. À medida que se envelhece, elas se tornam mais permanentemente gravadas na face. Ou seja,
durante a  juventude, as  rugas do sorriso ou os “pés de galinha” aparecem somente ao sorrir ou olhar de  lado; quando se
envelhece, as linhas permanecem mesmo depois de a expressão da face já ter se desfeito (Figura 3.1).
Figura 3.1 Evolução das expressões faciais com o passar do tempo, mostrando como a idade pode afetar a região frontal e o restante da
face. (Papel, 2000.)
É desse modo  que  se  avalia  a  importância  da  expressão  facial,  que  tem  como  um de  seus  principais  componentes  as
rugas, que inicialmente são dinâmicas ou momentâneas, mas se tornam permanentes pela repetição ao longo do tempo.
Para se discutir o papel da expressão facial no desenvolvimento das rugas é importante definir o que são elas e como são
formadas. Por que mais intensas ou menos intensas em algumas pessoas?
Rugas
Rugas são linhas, sulcos ou depressões que se formam na pele principalmente com o envelhecimento. Podem ocorrer em
qualquer parte do corpo, sendo mais frequentes nas regiões em que a espessura da pele é mais fina.
Causas
O sentido das rugas é determinado pela ação muscular, por hábitos (ocupacionais), articulares (dobras como a que separa o
antebraço do braço), ou por contorno (quando separam áreas de junção como a região da bochecha à da boca).
Todas as rugas provocadas pela expressão facial são formadas perpendicularmente à ação muscular subjacente, ou seja,
abaixo  delas.  Os  músculos  da  expressão  facial  contraem­se  em  uma  direção  perpendicular  à  formação  das  rugas
superficiais, médias e profundas da face. A flacidez, decorrente do fotoenvelhecimento, leva a um excesso de pele e pode
ser observada quando os músculos contraem­se, resultando em rugas com profundidades variáveis, porém evidentes.
Considerando que as rugas de expressão são formadas perpendicularmente ao sentido de contração muscular, os sentidos
e as expressões podem ser conhecidos pelos os movimentos musculares (Tabela 3.1), ilustrados na Figura 3.2.
Tabela 3.1 Expressão facial e formação das rugas de acordo com os músculos envolvidos.
Localização das rugas ou linhas | Nome
popular Músculo Expressão
Periorbitárias (“pés de galinha”) Músculo orbicular dos olhos Sorriso, alegria
Testa Frontal Espanto, surpresa, atenção
Entre sobrancelhas Corrugador Repressão, di culdade visual
Linha na porção superior do nariz Prócero Fechamento dos olhos ao direcionar a visão à luz do
sol visível
Linhas periorais (“código de barra”) Orbicular da boca Ato de franzir a boca, tristeza, depressão, tabagismo
Sulco lábio-mentual (“linhas de marionetes”, “bigode
chinês”)
Abaixador do ângulo labial inferior Desdém
Sulco nasolabial Risórios, bucinador, zigomático maior,
zigomático menor
Sorriso
Figura 3.2 A. A direção da contração dos músculos é perpendicular à formação das rugas, constituindo os vincos do sorriso em uma face de
semblante feliz. B. Da mesma maneira, a direção da contração dos músculos é perpendicular à formação de rugas, constituindo os vincos
em uma face com semblante de raiva e carrancuda. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
Na Figura 3.3 é possível observar, em visão anterior, os músculos da face e os sentidos das rugas formadas por eles, e a
Figura 3.4 apresenta a visão lateral.
É importante lembrar, porém, que crianças e adolescentes têm expressões faciais e hábitos, porém não têm rugas. E por
que isso acontece? Porque o envelhecimento é tanto extrínseco quanto intrínseco.
Entretanto,  vários  fatores  contribuem  para  o  desenvolvimento  das  rugas,  sendo  os  principais:  envelhecimento,  ação
muscular,  influência  solar,  genética,  movimentos  repetidos,  tabagismo,  qualidade  de  vida,  atividade  profissional  ou
ocupacional  e  hábitos  de  assoviar.  Associam­se  outros  fatores  como  a  ação  da  gravidade,  linhas  de  expressão  e  rugas
dependentes do hábito de dormir, também chamadas de sleep lines.
As  rugas  podem  ser  provocadas  por  hábitos  como  dormir  ou  profissionais  em  decorrência  da  postura,  de  hábitos  de
vergonha ou de pressionar o rosto.
A  perda  da  elasticidade  da  pele  tende  a  aumentar  a  profundidade  e  a  persistência  dessas  marcas  de  expressão.  Isso
corresponde  à  flacidez  que  contribui  para  o  relaxamento  da  pele  e  enrugamento  decorrente  do  efeito  da  gravidade  e  do
envelhecimento.
Figura 3.3 Sentido das rugas, na dependência dos seguintes músculos envolvidos: orbicular dos olhos, frontal, corrugador, prócero, orbicular
da boca,  abaixador do  ângulo  labial  inferior,  risórios,  bucinador,  zigomático maior  e  zigomático menor.  (Reproduzida de Köpf­Maier,
2006.)
O  aparecimento  das  rugas  inicia­se  pelo  aparecimento  das marcas  do  envelhecimento  cronológico  nas  áreas  de maior
expressão  facial.  Além  do  aparecimento  das  rugas,  com  o  processo  do  envelhecimento  pode  haver  sob  ou  sobre  elas
alterações  da  cor  devido  a  manchas  (melasma,  melanoses,  leucodermias,  nevos),  asperezas  (queratoses  actínicas  ou
seborreicas) e telangiectasias. Exemplos de rugas podem ser visualizados nas Figuras 3.5 a 3.12.
Figura 3.4 Visão lateral dos músculos envolvidos na formação das rugas. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
Figura 3.5 A. Rugas frontais – atenção e surpresa. B. Rugas glabelares – repressão e preocupação.
Figura 3.6 Rugas perilabiais decorrentes do envelhecimento, ação da musculatura com influência solar e genética.
Figura 3.7 Rugas palpebrais decorrentes do envelhecimento e da hereditariedade.
Figura 3.8 Rugas estáticas e permanentes perioculares decorrentes de envelhecimento e exposições solares longas erepetidas (“pés de
galinha”), e rugas malares por sleep lines.
Figura 3.9 Rugas estáticas e permanentes faciais decorrentes de envelhecimento, hábito de dormir de lado e exposições solares longas e
repetidas.
Figura 3.10  Rugas  estáticas  e  permanentes  no  pescoço  e  perilabiais  decorrentes  de  envelhecimento  e  exposições  solares  longas  e
repetidas.
Figura 3.11  Rugas  no  punho  e  na mão  e manchas  de  queratoses  actínicas  e melanoses,  decorrentes  de  envelhecimento  e  exposições
solares.
Figura 3.12 A. Rugas faciais e manchas de queratoses actínicas e melanoses, decorrentes de envelhecimento e exposições solares. B e C.
As imagens fotográficas visualizadas no Reveal®.
Classificação dos tipos de rugas
Existem diversas classificações de rugas, sendo a de Richard Glogau a mais conhecida. Ele divide não somente as rugas,
como o processo de envelhecimento, e as características da pele, em uma escala. O sistema de classificação de Glogau foi
desenvolvido  para medir  o  grau  de  envelhecimento  da  pele  e  profundidade  das  rugas.  Esse  sistema  ajuda  os  cirurgiões
dermatológicos a escolher os melhores procedimentos para tratamento do envelhecimento facial (Tabela 3.2).
Fatores que aceleram a formação das rugas
As rugas são inevitáveis, e o maior fator de risco para seu aparecimento é o envelhecimento. No entanto, alguns fatores de
risco ou hábitos, apresentados a seguir, podem fazer com que elas apareçam mais cedo.
Tabela 3.2 Classificação  do  envelhecimento  da  pele  do  rosto  (Glogau)  para  escolha  do  tratamento  ou  procedimento mais
adequado.
Grupo Classificação
Faixa etária
típica Descrição Característica da pele
I Leve 28 a 35 Sem rugas Alterações pigmentares suaves (manchas de pele), sem
queratose (aquelas manchas mais avermelhadas e ásperas),
sem rugas
II Moderado 35 a 50 Rugas em movimento, ou de
expressão
Manchas marrons visíveis, pele áspera, e palpáveis não visíveis,
linhas paralelas ao sorriso, inclusive o “bigode chinês” e “pés
de galinha” começam a aparecer
III Avançado 50 a 65 Rugas em repouso, mesmo
sem expressão
Manchas escuras, avermelhadas, às vezes algumas
esbranquiçadas e ásperas (queratose) visíveis, telangiectasias
(vasinhos na face, principalmente em torno do nariz); os “pés
de galinha” e as linhas e sulcos aparecem mesmo em repouso,
ou seja, mesmo sem expressão facial as rugas são visíveis
IV Grave 60 a 75 Apenas rugas e extrema
acidez da pele
Manchas escuras, brancas e vermelhas podem coexistir.
Neoplasias cutâneas (câncer de pele) prévias, rugas por todo o
rosto, maior parte da face sem pele normal, acidez pela falta
de colágeno. Não é possível usar maquiagem, porque ela borra
e forma grumos grossos
Exposição solar. A influência solar é muito importante na formação das rugas, o que pode ser constatado ao se comparar a
pele de pessoas que  trabalharam sob o sol e aquelas que não  trabalharam. Na mesma pessoa, na mesma pele, quando se
compara  a  área  exposta  ao  sol  com  a  não  exposta  é  possível  perceber  grande  diferença  no  envelhecimento  cutâneo.  A
radiação  solar  é  um  potente  oxidante  celular,  penetra  na  pele  e  provoca  alterações  diretamente  no  DNA  das  células  e,
indiretamente, provoca  reações químicas que alteram o DNA e as  fibras colágenas e elásticas, promovendo e acentuando
rugas com o avançar da idade.
Genético. Sabidamente peles claras apresentam mais rugas que as negras, pois estas últimas são mais resistentes. O sol e
os  demais  fatores  vão  causando  com o  tempo  rupturas  nas  fibras mais  profundas  da  pele,  especialmente  do  colágeno,  e
com o processo do envelhecimento ainda se soma a redução na formação do colágeno. Além disso, há alterações vasculares
com aumento de capilares com o tempo, levando à formação, às vezes, de vasos visíveis principalmente na pessoa com a
pele clara.
Tabagismo.  Diretamente  intensifica  as  rugas  periorais  e  periorbitárias,  pois  o  tabagista  tende  a  fechar  os  olhos  para
proteger­se  da  fumaça.  Indiretamente,  cada  cigarro  fumado  diminui  a  oxigenação  da  pele,  promovendo  uma  pele  mais
grossa, sem brilho e acinzentada. Além de todos os problemas que causa à saúde, o cigarro também provoca distúrbios no
metabolismo e acelera a perda de colágeno.
Atividades ocupacionais relacionadas com poluição. Diminuem a oxigenação e aumentam as reações de oxidação e formação
de radicais livres.
Ressecamento superficial da pele. Em adolescentes e adultos jovens as glândulas sebáceas estão hipertrofiadas, produzindo
óleo  e  consequente  lubrificação  e  hidratação. Com o  avançar  da  idade,  essas  glândulas  tendem  a  diminuir  ou  atrofiar  e,
dessa maneira, a pele fica mais ressecada. Assim, com o passar da idade a ingestão de água e hidratação com lubrificação
da pele tornam­se fundamentais para evitar o agravamento das rugas.
Considerações finais
A formação e a prevenção das rugas dependem de uma série de cuidados e fatores: condições de vida, tipo de alimentação,
controle das emoções, e outros fatores que se estendem por toda a existência, associados a medicamentos e procedimentos
que,  corretamente  administrados,  podem,  de  modo  lento  e  progressivo,  proporcionar  melhor  qualidade  de  vida  e
possibilitar que a idade biológica fique aquém da idade cronológica.
Assim,  a  descoberta  do  uso  cosmético  da  toxina  botulínica  para  o  tratamento  das  rugas  da  expressão  e  o  melhor
entendimento do papel muscular no envelhecimento promoveram uma abordagem diferenciada no rejuvenescimento facial.
Inicialmente, atribuíam­se os resultados somente à ação da toxina no relaxamento muscular; entretanto, hoje creditam­se os
benefícios  a  fatores  como melhora  da  autoestima  e  autoconfiança,  interferindo  no  processo  de  envelhecimento  global  da
face e na qualidade de vida.
A formação e a prevenção das rugas e, consequentemente, do envelhecimento constituem uma arte de vida que se cultiva
desde a infância até a maturidade.
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4
O Papel da Toxina na Profilaxia do Envelhecimento
Érica de O. Monteiro
Introdução
Considerada a “mais  tóxica dentre as  toxinas”, o “mais venenoso dos venenos” por Lamanna, a  toxina botulínica (TB) é
produzida  pelo  Clostridium  botulinum,  bactéria  gram­positiva  anaeróbica  frequentemente  encontrada  no  solo,  e  tem
distribuição praticamente universal.
Em  altas  doses,  a  TB  causa  o  botulismo.  Porém,  na  medicina,  doses  muito  menores  são  usadas  no  tratamento  de
inúmeras doenças e  também para uso cosmiátrico. O uso da TB no tratamento estético das linhas e rugas de expressão é
reconhecido  por  ser  eficaz,  seguro  e  apresentar  resultados  surpreendentes.  Não  há  dúvidas  sobre  a  sua  eficácia  no
tratamento  das  rugas  dinâmicas,  particularmente  no  terço  superior  da  face,  desdeos  trabalhos  iniciais  de  Carruthers  e
Carruthers, posteriormente reproduzidos e ampliados por vários outros autores.
Uso da toxina botulínica na prática do consultório atual
O  uso  cosmético  da  TB  pode  ser  feito  isoladamente  (monoterapia)  ou  em  combinação  com  outras  técnicas  para
rejuvenescimento, pois o envelhecimento e o fotoenvelhecimento são processos complexos e multifatoriais, que requerem
abordagem  múltipla  para  obtenção  de  melhor  resultado.  Por  isso,  novas  indicações  e  novos  pontos  de  aplicação  têm
surgido, e autores destacam o uso cosmético da TB associado a outras técnicas para tratamento do envelhecimento da pele
como: preenchimentos cutâneos, peelings químicos, luz intensa pulsada (IPL) e laser. Desses, o preenchimento cutâneo foi
um dos procedimentos mais realizados em combinação com a TB.
Há pouco tempo, era comum o uso da TB somente para tratamento do terço superior da face e o dos preenchedores na
metade  inferior da  face. Embora esse procedimento mostre  resultados  satisfatórios,  efeitos mais duradouros  são obtidos
com  a  combinação  dos  dois  no  tratamento  de  uma  mesma  área.  O  uso  da  TB  isoladamente  no  tratamento  das  rugas
glabelares  tem  resultado  rápido,  eficaz,  seguro  e  cosmeticamente  satisfatório.  No  caso  de  persistência  do  sulco  após  o
tratamento isolado com a TB, pode­se complementar o tratamento com preenchimento. Essa técnica prolonga a duração do
preenchimento no local de aplicação. Apesar dos bons resultados cosméticos, deve­se ter cuidado, pois esse procedimento
pode ter efeitos adversos como necrose da região devido ao comprometimento vascular.
Uso combinado da TB e dos preenchimentos cutâneos na  região perioral apresenta  inúmeras vantagens. O uso  isolado
dos  agentes melhora  as  rugas  da  região  perioral  e  as  “linhas  de marionete”, mas  o  combinado  resulta  em uma  correção
mais  completa  e  com maior  duração  do  preenchimento,  pois  a  aplicação  de  pequenas  doses  de TB  em  torno  dos  lábios
diminuirá a movimentação. A aplicação da TB no músculo abaixador do ângulo da boca auxilia na elevação do ângulo.
A  TB  é  usada  de  rotina  em  combinação  com  a  maioria  dos  procedimentos  para  resurfacing.  Os  resultados  são
particularmente melhores  nas  regiões  frontal,  periorbital  e  perioral.  Diminuindo  a movimentação  contínua  nessas  áreas,
obtêm­se resultados melhores e mais duradores. Mesmo que não se faça uso continuado da TB, é extremamente benéfico
usá­la  para  diminuir  a  movimentação  pelo  menos  durante  os  primeiros  meses  de  tratamento  enquanto  a  pele  está  no
período de cicatrização.
A TB  também pode  ser  combinada com  inúmeros procedimentos  cirúrgicos,  cosméticos ou não. A TB é  indicada em
qualquer  procedimento  cosmético  que  possa  deixar  cicatriz  em  uma  área  dinâmica.  Desde  que  o  alargamento  esteja
relacionado  com  a  tensão  instalada  na  cicatriz,  reduzir  a movimentação  da  área  e,  consequentemente,  diminuir  a  tensão
ajuda  a  cicatrização em uma  linha mais  fina. A TB está  sendo  frequentemente usada  seguindo as  incisões  cirúrgicas  em
procedimentos reconstrutivos na região frontal, para melhorar os resultados da cicatrização.
Os melhores resultados são obtidos com o profundo conhecimento da anatomia dos músculos da face, das expectativas
do paciente, de  técnica correta e bom senso estético. Vale  lembrar que os músculos  faciais não só são  responsáveis pelo
aparecimento das rugas dinâmicas, mas também exprimem os sentimentos e as expressões do indivíduo. Deve­se respeitar
esse conceito e evitar “paralisar” todos os músculos faciais, a fim de não eliminar a expressão facial e manter a harmonia
do rosto.
Ciência e arte no uso da toxina botulínica para tratamento cosmético facial
As imagens não apenas estimulam a acuidade visual, como também provocam sensações, representam ideologias, valores,
conceitos e mensagens. A prática médica atual faz do corpo uma máquina e do médico, seu arquiteto. Assim, na saúde tudo
pode  ser  corrigido,  melhorado,  aperfeiçoado;  na  beleza,  o  que  se  considera  feio  pode  ser melhorado,  o  velho  pode  ser
rejuvenescido. A vulgarização do corpo e a banalização dos tratamentos estéticos põem a vida do paciente em risco quando
realizados em locais clandestinos e por profissionais não habilitados.
Em  1900,  uma  pessoa  de  50  anos  de  idade  tinha  pouca  expectativa  de  vida  e  a  morte  era  uma  certeza  próxima.
Atualmente, uma pessoa com essa idade pode ter mais 20, 30 ou 40 anos de vida. A geração dos baby boomers aparenta,
age e sente uma vitalidade sem precedentes. A despeito dessa  longa expectativa de vida, os baby boomers parecem ser a
geração mais “envelhecimentofóbica” da história ocidental. Eles uniformizam o  tom da pele, diminuem as  rugas, usam e
até mesmo  abusam  da  tecnologia  para  procedimentos  clínicos  e  cirúrgicos.  Quem  opta  por  procedimentos  invasivos  ou
cirurgias  deve  evitar  a  sedução de  anúncios milagrosos,  ou de ofertas  de procedimentos  complexos  com preço vil,  e  até
mesmo os  executados por  profissionais  de  formação duvidosa. Atualmente,  a  exposição na mídia  de  técnicas  cirúrgicas,
equipamentos  de  laser  e  tecnologias  correlatas,  procedimentos  invasivos,  como  a  própria  TB,  para  tratamento  de  rugas
dinâmicas faciais faz com que o procedimento pareça ser simples, isento de eventos adversos, complicações e passível de
execução por qualquer profissional com diploma. Mesmo que o procedimento possa ter sido divulgado como “da hora do
almoço”, minimamente invasivo, com rápida recuperação, ainda invade a principal barreira de defesa do organismo, a pele.
O  tratamento  da  cosmética  facial  e  corporal  como  bem  de  consumo  fez  esquecer  que  a  pele  não  é  apenas  uma  barreira
composta por células mortas. Trata­se de órgão responsável pela barreira física contra agressões do meio ambiente, órgão
de defesa imunológica, armazenamento de energia, controle da temperatura corporal, além de sua função de comunicação e
de interação psicossocial.
As  globalizadas  sociedades  de  consumo  parecem  atribuir  aos  indivíduos  a  responsabilidade  pela  plasticidade  do  seu
corpo.  Com  esforço  e  trabalho  físico,  as  pessoas  são  persuadidas  a  alcançar  a  aparência  desejável,  muitas  vezes
representando  uma  imagem  tida  como  ideal,  e  irreal,  nem  mesmo  possível  de  ser  alcançada  com  exercícios  físicos
intensos,  dietas  radicais  e  cirurgias  cosméticas.  Rugas,  flacidez,  discromias  e  alopecia  decorrentes  do  processo  de
envelhecimento  devem  ser  combatidas  com  manutenção  corporal  enérgica  e  a  ajuda  de  cosméticos  e  de  recursos
disponibilizados pela indústria da beleza. O corpo não é pensado de maneira holística, mas como mera aparência física.
Nos  últimos  anos,  a  preocupação  e  a  valorização  da  dimensão  não  material  ou  transcendente  em  saúde  cresce  em
importância. Uma resolução da 101a sessão da Assembleia Mundial de Saúde propôs a modificação do conceito de saúde
da  Organização Mundial  da  Saúde  (OMS)  para  um  estado  dinâmico  de  completo  bem­estar  físico,  mental,  espiritual  e
social. A cartesiana dicotomia entre mente e corpo pode facilmente ser contestada nos casos clínicos em que expressões do
inconsciente manifestam­se de modo primitivo, como no caso da sensação de morte  iminente da síndrome do pânico que
cursa  com  taquicardia,  hipertensão  e  sudorese,  podendo  paralisar  e  incapacitar  o  paciente.  O  estilo  e  o  ritmo  de  vida
impostos  pela  cultura,  a  modalidade  da  organização  do  trabalho,  a  vida  nas  metrópoles,  entre  tantos  outros  fatores,
implicam considerar o  sociopsicossomático. O vínculo afetivo,  imbuído de confiança  recíproca, na dupla que empreende
uma ação de saúde (médico­paciente), a par dos aspectos cognitivos,  técnicos e científicos, é decisivo para a melhora do
estadode saúde (Figura 4.1).
Arte, peças dramáticas, poesia, ensaios narrativos e música empenham­se em facilitar a percepção da arte da medicina,
aumentando a compaixão e a empatia. Para os dermatologistas, especialmente os cosméticos, o conhecimento e o estudo da
arte podem ajudar a desenvolver um olho treinado. Observar uma pintura, ouvir música, assistir a um filme ou ter contato
com qualquer outro tipo de arte são atos relacionados com o estado de ânimo de quem os pratica naquele momento, com a
imaginação,  o  conhecimento  e  com  o  que  o  artista  desejava  expressar.  Linhas  horizontais  na  fronte  expressam
envelhecimento, experiência e reflexibilidade. As linhas periorbitais, bem como as faixas do platisma acentuam a aparência
de envelhecimento (Figuras 4.2 e 4.3). A ausência de rugas também pode demonstrar traços pessoais de uma figura pintada
(Figuras  4.4  e  4.5).  A  aparência  da  pele,  incluindo  rugas  faciais,  perda  de  firmeza,  flacidez  e  discromia,  cria
personalidades e expressa emoções na tela de uma pintura. Tais relações socioculturais devem ser mantidas em mente ao se
pensar, discutir e, eventualmente,  realizar procedimentos dermatológicos estéticos que  interfiram nas  linhas de expressão
facial.  A  remoção  de  rugas  não  pode  ter  somente  o  objetivo  de  fazer  com  que  as  pessoas  pareçam  mais  jovens,  mas
também  libertá­las  de  conotações  negativas.  Por  outro  lado,  deve­se  ter  respeito  e  cuidado  para  preservar  o  equilíbrio
natural das expressões faciais emocionais.
Figura 4.1 Quando parece não haver mais nada a ser feito, o médico assiste – compadecido – a paciente. A menina, pálida e fraca, repousa,
possivelmente vítima de alguma doença infecciosa letal na era pré­antibióticos. Ao fundo, a mãe aflita, preocupada, esperando o pior. A
expressão  do  pai  não  pode  conter  sua  preocupação  com  a  doença  da  filha.  Emocionante  representação  da  profissão médica. Artista:
Samuel Luke Fildes, 1891. Título: “O Doutor”.
Entendendo a experiência da cultura como facilitadora da “experiência do difuso e do indeterminado” e da “ampliação da
esfera  do  Ser”,  a  educação  complementada  pelas  humanidades  é  um  elemento  indispensável  para  a  inovação  da
universidade  no  século  XXI.  Pelo  exercício  das  humanidades  desenvolve­se  o  modelo  de  pensamento  requerido  para
abordar  a  realidade  humana  de  “maneira  não  idealista”,  portanto  livre  das  condicionantes  precisão  e  significado,
características  da  perspectiva  tecnocientificista  moderna.  A  visão  prismática  da  realidade,  propiciada  pela  arte,  pela
literatura, possibilita transcender a interpretação do “mundo e da vida, de acordo com o metro do preciso e do significado,
do certo e do errado, do verdadeiro e do falso” (Coelho T).
Figura 4.2 Nesta tela, “Duas mulheres”, Gauguin recorre a cores e sombreados diferentes que compõem as características de uma mulher
jovem e uma dama idosa. Na mulher à direita, é possível observar um rosto com pele suave, sem rugas, em outras palavras, um rosto
jovem. Na mulher à esquerda, é possível notar sinais de fotoenvelhecimento, tais como desenvolvimento de rugas e linhas glabelares,
pele  flácida, papadas  (queixo duplo), bolsas nos olhos e  atrofia da gordura  levando a  faces encovadas. Artista: Paul Gauguin. Título:
“Duas mulheres”. Estilo: Pós­impressionismo. Ano: 1901­1902. Museu: The Metropolitan Museum of Art, NY. Tipo: Reprodução óleo
sobre tela.
Figura 4.3 Nesta tela, “A velha mulher italiana”, Degas representa uma idosa. O pintor usou muitos sinais para sugerir a faixa etária dela:
cabelos  brancos  e  outros  sinais  de  fotoenvelhecimento  da  pele,  como  “linhas  de  marionete”,  rugas  nasogenianas  profundas,  linhas
frontais, pele flácida, bolsas nos olhos e face encovada. Artista: Edgar Degas. Título: “A velha mulher italiana”. Estilo: Realismo. Ano:
1857. Museu: The Metropolitan Museum of Art, NY. Tipo: Reprodução óleo sobre tela.
Figura 4.4  O  artista  pintou  sinais  e  características  que  mostram  que  este  homem  é  idoso.  Neste  quadro,  as  características  de
envelhecimento ajudam o artista a atribuir uma personalidade forte ao assunto. Artista: Ingres. Título: “Louis Bertin”. Estilo: Realismo.
Ano: 1832. Museu: Louvre, Paris. Tipo: Reprodução óleo sobre painel.
Figura 4.5 Na pintura “A pequena Madona Cowper”, a ausência de  rugas, a pele clara e a  juventude da mulher  intensificam a cena e
sugerem maternidade,  imaculabilidade e pureza. Artista: Raphael Sanzio. Título: A pequena Madona Cowper. Estilo: Clássico. Ano:
1901­1902. Museu: National Gallery of Art, Washington. Tipo: Óleo em madeira.
Ampliar  os  afetos,  o  intelecto  e  a  sensibilidade  do  Ser,  não  apenas  enquanto  ser  pensante, mas  enquanto  ser  afetivo,
volitivo,  difuso  e  indeterminado. As  humanidades  –  a  experiência  da  cultura  por  intermédio  das  artes,  da  literatura,  da
música,  da  filosofia  –  promovem  um  olhar  novo  e  ampliado  da  realidade,  desencadeando  um  processo  de  profunda
transformação no próprio sujeito que olha e que conhece.
Considerações finais
O uso da TB na dermatologia cosmética tornou­se uma arte, bem como uma ciência. Para ser uma referência nessa área, é
preciso combinar o conhecimento da ciência médica e a avaliação meticulosa do paciente com habilidade artística. Deve­se
mostrar, para subtrair uma ruga, a mesma sensibilidade artística que um artista  tem ao desenhar uma ruga. Este capítulo
reflete a interpretação pessoal do que um dermatologista que atua na área da cosmiatria pode ver além da tela. É importante
mencionar que  esta  é uma abordagem subjetiva  e não está  livre de  controvérsias,  e nesse  sentido,  acredita­se que  a pele
possa expressar a emoção das doenças.
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Anatomia Facial Muscular para Aplicação da Toxina
Botulínica
Maria Helena Lesqueves Sandoval
Introdução
É de fundamental  importância o conhecimento da anatomia da face para se  iniciar no vasto campo da aplicação de  toxina
botulínica tipo A (TBA), seja para tratamento cosmiátrico ou terapêutico. Esse conhecimento envolve pormenores de cada
músculo,  sua  origem,  inserção,  força  de  tração  e  sua  função  como  agonista  ou  antagonista  das mímicas  faciais  (Figura
5.1). O aprimoramento  torna­se constante na área médica e nesse caso, deve ser aprofundado principalmente pelo estudo
em cadáveres.
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Figura 5.1 Sentido das linhas de força da musculatura facial. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
A  função motora  da musculatura  esquelética  facial  é  o  alvo  da  ação  química  da TBA,  que  é  indicada  para  atenuar  as
rugas  hipercinéticas  e  promover  harmonia  facial  por meio  do  equilíbrio  entre  os músculos. A  diferenciação  entre  essas
rugas hipercinéticas e as rugas estáticas, causadas também pela fotoexposição ou posturais, é fundamental para o sucesso
do procedimento.
Embriologia da musculatura facial
O  sistema  muscular  da  face  e  do  pescoço  é  desenvolvido  a  partir  do  mesoderma  intraembrionário.  O  tecido  muscular
origina­se de mioblastos derivados do mesênquima. Alguns músculos da face ancoram­se em ossos ou unem­se a tendões
ou  aponeuroses,  produzindo uma  rede  de  união. Esse  conjunto  é  responsável  pelo  contorno  da  face,  compondo  a massa
facial e cranial. Essa musculatura facial representa, aproximadamente, um décimo do peso da cabeça.
Contração muscular
A  contração  muscular  é  um  processo  complexo  e  envolve  a  participação  de  diversas  proteínas  celulares  e  sistema  de
produção de energia. Alguns dos passos que levam a essa contração muscular são apresentados a seguir:
Com o estímulo nervoso ocorre liberação de cálcio
O cálcio liga­se à proteína troponina de filamento fino (actina)
Esse cálcio ligado à troponina possibilita um estado de ligação forte entre actina e miosina
A  contração  muscular  ocorre  por  meio  de  múltiplos  ciclos  de  atividades  de  pontes  cruzadas.  Nesse  caso,  o
encurtamento continua enquanto houver energia disponível e cálcio livre para se ligar à troponina
O relaxamento muscular é retomado quando a tropomiosina move­se e cobre os locais ativos da actina após o cálcio ser
removido do sarcoplasma e bombeado para o interior do retículo sarcoplasmático pela bomba de cálcio.
Assim, é possível entender melhor as sequências de eventos necessários para se promover a contração e o relaxamento
muscular, podendo­se entender como a TBA, após  injetada, é absorvida e dispersa por estruturas  tubulares e plasmáticas
musculares. A difusão da toxina injetada é um processo obrigatório para o produto chegar a atingir as microestruturas das
terminações  das  placas  neuromotoras  e  fendas  sinápticas,  provocando  o  bloqueio  da  ação  da  acetilcolina
(quimiodesnervação).
Face e emoção
Toda  a musculatura  facial  interage,  de maneira  que  podem  ser  feitas  rapidamente  diferentes  expressões  faciais  de modo
sincronizado.  A  expressão  do  rosto  está  diretamente  relacionada  com  o  movimento  muscular.  E,  por  outro  lado,  as
emoções são mostradas por meio da contração ou do relaxamento desses músculos envolvidos na expressão facial. A ação
dos diferentes segmentos da musculatura facial promove expressões faciais como tristeza, insatisfação, alegria, frustração,
euforia, angústia ou profundo descontentamento. Os músculos que se movem revelam muito mais do que rugas ou dobras.
O conhecimento atual das emoções associadas à face torna os profissionais mais sensíveis e atentos para transformar não
só a expressão facial do paciente, mas também interferir na melhora da autoestima e qualidade de vida.
Músculos da face
Músculo frontal
Esse músculo apresenta fibras no sentido vertical que formam pregas transversais traduzidas como rugas da testa (Figura
5.2).
Função. Levantar as  sobrancelhas,  sendo o principal agonista do músculo orbicular do olho; e  junto com o  levantador da
pálpebra, abre a fenda palpebral. Essa ação depende da ação do ventre occipital.
Origem. Occipitofrontal,  ventre  occipital:  dois  terços  laterais  da  parte mais  alta  e  linha  nucal  superior  do  osso  occipital,
processo mastoide  do  osso  temporal. Occipitofrontal,  ventre  frontal:  pele  da  fronte,  em  conjunto  com  o  prócero  (fibras
médias),  corrugador  do  supercílio  e  orbicular  dos  olhos  (fibras  laterais).  Temporoparietal:  pele  das  têmporas,  fáscia
temporal.
Marcação. Quanto mais longe do supercílio, melhor para arqueá­lo. O número de pontos varia de quatro a oito. O local da
injeção varia de acordo com a indicação, seja, por exemplo, para tratar rugas, cefaleias ou blefarospasmos.
Figura 5.2 As rugas faciais aparecem perpendiculares ao sentido das fibras musculares. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
A Figura 5.3 mostra alguns pontos de injeção em rugas transversais da testa.
Técnica de aplicação. Deve­se evitar a injeção no ponto médio da linha do cabelo pela largura entre as duas porções médias
dos  ventres  frontais  de  ambos  os  lados  que  diferem  em  cada  paciente.  Porém,  muitos  homens  apresentam  grande
sobreposição de  fibras na  linha média, que  se comportam como uma única estrutura, mostrando um padrão completo de
rugas  frontais,  conforme  descrito  por  Vieira­Braz  e  Harumi­Sakuma,  em  2010.  Atenção  deve  ser  dada  à  simetria  e  à
redução  parcial  de  sua  função,  procurando  sempre  uma  aparência  natural. Deve­se  atentar  para  os  pacientes  submetidos
anteriormente à cirurgia, tendo­se cuidado redobrado para a aplicação da TBA, atentando para a espessura do músculo e o
sentido das  rugas. É preciso sempre considerar o efeito sobreo supercílio para um efeito arqueado nas mulheres e mais
retificado nos homens.
Dose. Botox®, Xeomin®, Prosigne®: de 1 a 3 U por ponto; Dysport®: 3 a 9 U por ponto. Recomenda­se agulha de 2 cm,
de 27 a 30 G.
Figura 5.3 A marcação pode variar de acordo com a indicação a ser tratada, rugas, cefaleias ou blefarospasmos. (Adaptada de Köpf­Maier,
2006.)
Músculo corrugador do supercílio
Responsável  pela  expressão  de  raiva  e  depressão.  A  descrição  dos  tipos  de  contração  dos  supercílios  em  função  da
contração desse músculo foi publicada e classificada por Almeida et al. em cinco padrões de contração que, didaticamente,
foram  designados  por  um  símbolo:  padrão  U,  V,  ômega,  setas  convergentes  e  ômega  invertido.  Esta  descrição  está  no
Capítulo 24, Seção A (Glabela).
Função. Aproximar a parte do meio dos supercílios juntamente com o prócero, causando linhas de expressão que podem se
tornar  profundas  sobre  a  raiz  do  nariz.  Contrações  do  corrugador  e,  em  menor  grau,  da  porção  medial  do  músculo
orbicular dos olhos e do abaixador do supercílio, produzem linhas verticais entre as sobrancelhas.
Origem. Parte nasal do osso frontal.
Marcação. Este músculo deve ser tratado em conjunto com o prócero. A injeção deve ser feita apalpando­se o músculo em
contração, a fim de verificar sua força e definir o número de unidades a serem aplicadas. Sua ação é sinérgica à do músculo
abaixador  do  supercílio.  Existe  o  risco  de  aplicar  no  músculo  orbicular  do  olho,  que  é  muito  fino  e  superficial.  O
desenvolvimento da ptose palpebral pode acontecer quando houver difusão da toxina para o músculo levantador da pálpebra
superior.
Técnica de aplicação. Número e locais de aplicação por lado devem ser de um a dois pontos de acordo com as indicações e a
dosagem a ser injetada. Geralmente, é realizada a injeção em um só ponto de cada lado, no ventre do músculo (Figura 5.4).
Dose.  Deve  ser  selecionada  de  modo  a  manter  uma  expressão  facial  sem  muito  congelamento,  ou  seja,  garantindo­se
alguma  expressão  facial.  Botox®,  Xeomin®,  Prosigne®:  4  a  10  U  por  ponto  de  aplicação,  dependendo  da  força  e  da
espessura  do  músculo;  Dysport®:  12  a  30  U  por  ponto.  Geralmente  as  doses  diferem  nas  musculaturas  masculina  e
feminina.
Locais de injeção. De um a dois pontos por lado, com agulha de 2 cm, calibre de 27 a 30 G.
Músculo prócero
Este músculo puxa a parte do meio dos supercílios, causando rugas transversais profundas sobre a raiz do nariz ou ponte
nasal. Sua  contração provoca  também uma  ruga  longitudinal,  sempre  em  sinergia  com o músculo  corrugador. O prócero
não está necessariamente presente e nem todas as pessoas são capazes de provocar rugas contraindo­o.
Função. Trabalhar  em conjunto  com o músculo  corrugador  do  supercílio,  contraindo­o  e  sendo  responsável  também pela
expressão  de  raiva  ou  preocupação.  Pode  ser  bastante  espesso  em  algumas  pessoas  e  não  estar  presente  em  outras.  O
perigo  na  aplicação  da  TBA  neste  músculo  é  sua  difusão  para  o  músculo  orbicular  do  olho  ou  pálpebra  superior,  se
administrado muito  lateralmente. A preocupação é produzir ptose ao se aplicar a  injeção profundamente. Se administrado
muito sobre a raiz do nariz, pode difundir­se para a ponta nasal.
Origem. Origina­se na porção inferior do osso nasal e na porção superior da cartilagem nasal.
Marcação. O número de locais de aplicação é de um a três, dependendo do tamanho do músculo. Geralmente é realizada a
injeção  em  um  ponto,  no  centro,  como mostra  a  Figura  5.5.  Mas  também  é  possível  selecionar  um  ou  dois  locais  de
aplicação.
Figura 5.4 O músculo corrugador do supercílio pode receber um ou dois pontos de injeção de cada lado de acordo com as indicações e a
dosagem. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
Técnica de aplicação. A direção pode ser dada tanto de proximal para distal como o contrário, mas é preciso lembrar que a
aplicação deve ser feita no vente do músculo, evitando­se a difusão para o músculo levantador da pálpebra superior, o que
resultaria na indesejável ptose.
Dose. Botox®, Xeomin®, Prosigne®: 4 a 10 U no local, dependendo da força e da espessura deste músculo; Dysport®: 12
a 30 U. Agulha de 2 cm e calibre de 27 a 30 G.
Elevação da cauda do supercílio (brow lift)
A  elevação  da  cauda  do  supercílio  é  criada  quando  se  injeta  toxina  onabotulínica  A  (ONA,  Botox®)  ou  outra  toxina
equivalente nos músculos abaixadores do  supercílio, que  incluem o prócero,  as  fibras mediais do músculo orbicular dos
olhos, o corrugador do supercílio e as fibras laterais do músculo orbicular.
Foram  descritas  duas  maneiras  de  se  elevar  a  cauda  dos  supercílios,  de  acordo  com  dois  diferentes  autores.  Os
Carruthers descreveram a técnica de aplicação de TBA na área da glabela, de 7 a 10 U, e no supercílio até 2,5 U (Figura
5.6 – pontos em azul). Huang et al. relataram um aumento de 2 a 3 cm após injetar 5 U (0,1 ml de toxina onabotulínica A,
ONA, Botox®) na  região da glabela de  cada  supercílio  e 10 U adicionais nos quatro  locais  ao  longo da  linha da órbita,
iniciando  na  linha  mediopupilar  e  estendendo­se  até  o  canto  externo  do  supercílio  (Figura  5.6  –  pontos  em  azul  e
vermelho).
Figura 5.5 O músculo geralmente recebe uma injeção no centro ou em um segundo ponto mais abaixo. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
Alcançar uma elevação nos  cantos dos  supercílios do homem é mais difícil,  pois  a massa muscular pode  ser bastante
espessa, demandando a aplicação de 35 U ou mais.
Essa  técnica  reduz  a  função  do músculo  orbicular,  tornando  possível  que  o  frontal  eleve  o  supercílio  em oposição  às
fibras orbiculares superiores, as quais abaixam o supercílio. Recomenda­se, nessa técnica, não injetar no músculo frontal
para não neutralizar o efeito desejado.
Músculo orbicular do olho
As  rugas  que  formam  os  “pés  de  galinha”  do  canto  lateral  do  olho  são  causadas  pela  contração  das  fibras  laterais  do
orbicular do olho e do músculo zigomático. A contração do músculo orbicular dos olhos pode ser facilmente evitada com
doses  baixas  de  TBA.  As  fibras médias  da  parte  orbital  irradiam  para  a  pálpebra  superior  em  direção  às  sobrancelhas
(abaixador do supercílio).
Figura 5.6 Pontos para a elevação da cauda do supercílio. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
Função.  O  músculo  orbicular  do  olho,  com  seus  dois  componentes,  as  partes  orbital  e  palpebral,  estreita  a  abertura
palpebral e, portanto é um antagonista ao levantador da pálpebra superior e aos músculos tarsal superior e tarsal inferior. O
reflexo de piscar é feito pela parte palpebral; o direcionamento da drenagem do líquido lacrimal, por sua vez, é feito pela
parte orbital.
Origem. A parte orbital tem origem na parte nasal do osso frontal, processo frontal da maxila, lacrimal (margem lateral da
órbita), saco lacrimal, ligamento palpebral medial. A parte palpebral tem origem no ligamento palpebral medial e no saco
lacrimal. A parte profunda da parte palpebral tem origem na crista lacrimal posterior do lacrimal, como descrito no Atlas
ilustrado de injeção de toxina botulínica, de W. Jost.
Marcação.  São  três  a  seis  pontos  de  aplicação,  conforme mostrado na Figura 5.7. A  aplicação nesse  local  deve  levar  em
conta  o  grau  de  envelhecimento  da  pele  dessa  região,  uma  vez  que  o  relaxamento  da  musculatura  pode  produzir  a
exacerbação das bolsas  de gordura  infrapalpebrais  e  da  flacidez. A  injeção deve  ser  superficial,  pois  este  é  um músculo
delgado.
Técnica de aplicação. Deve­se  injetar de  três a  seis pontos. Caso as  rugas  sejam muito  longas, entendendo­se até a  região
temporal,  outros  dois  ou  três  pontos  intercalados  aos  primeiros  podem  ser  aplicados  posicionando­se  em  uma  linha
paralela à primeira. A linha do arco zigomático não deve ser ultrapassada, paranão se correr o risco de injetar no músculo
levantador do lábio superior, provocando uma assimetria labial.
Figura 5.7 Marcam­se geralmente três pontos, mas caso as rugas sejam muito longas, estende­se até a região temporal mais dois ou três
pontos de cada lado, intercalados aos primeiros. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
Dose. Botox®, Xeomin®, Prosigne®: 2 a 4 U por ponto; ou Dysport®: 6 a 12 U, com comprimento da agulha de 2 cm,
calibre de 27 a 30 G, com posição lateralizada a 45° em relação à pele.
Músculo nasal
Esse  músculo  é  tratado  por  motivos  estéticos  (“rugas  do  coelho”,  bunny  lines  ou  sinal  do  Botox).  O  músculo  nasal
consiste em uma parte alar e uma parte transversa.
Função.  A  parte  superior  (parte  alar)  amplia  as  aberturas  nasais  (narinas  externas)  e  narinas,  reduzindo­se  o  esforço
respiratório. A parte inferior e as fibras únicas que vão até o septo (parte transversa) também podem estreitar as narinas e
rebaixar ligeiramente a ponta do nariz.
Origem. Meio  da maxila. A parte  alar  origina­se  no  jugo  alveolar  do  segundo  incisivo. A parte  transversa  origina­se  no
jugo alveolar do canino.
Figura 5.8 Esse músculo pode ser responsável pela formação de várias rugas transversais do nariz e das “rugas de coelho”, precisando de
no mínimo três pontos de injeção para minimizá­las. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
Marcação. Depende do número de rugas que a porção transversa desse músculo apresenta durante o sorriso. Mais detalhes
são descritos no Capítulo 24, Seção A, subseção dedicada às rugas nasais. Geralmente usam­se três pontos (Figura 5.8).
Técnica de aplicação. A injeção deve ser aplicada superficialmente e, se for aplicada profundamente, pode ferir a cartilagem
do nariz. O músculo  levantador do  lábio superior e o  levantador da asa do nariz encontram­se  imediatamente ao  lado do
nariz  e  podem  ser  paralisados  pela  injeção  inadequada. Aplicação  deve  ser  bem  superficial,  fazendo  uma  dobra  de  pele
entre o dedo indicador e o polegar para aplicação da TBA.
Dose. Geralmente um ponto de cada lado do nariz, mas pode ser de um a dois. Botox®, Xeomin®, Prosigne®: 1,25 a 2,25
U por ponto; e Dysport®: 5 a 10 U. Comprimento da agulha: 1 cm a 2 cm, calibre de 30 G.
Músculo orbicular da boca
Esse músculo apresenta uma parte marginal, mais afastada da semimucosa labial, e uma parte  labial, mais próxima desta
semimucosa. O orbicular da boca está frequentemente envolvido na distonia oromandibular. Nesse caso, as duas partes do
músculo  (marginal  e  labial)  estão  contraídas,  franzindo  os  lábios,  bem  como  os  pressionando  contra  os  dentes.  O
tratamento  inadequado  desse  músculo  pode  causar  comprometimento  parético,  com  desvio  fonológico.  A  aplicação  é
dolorosa e demanda o uso de cremes anestésicos na região, precedendo a aplicação da TBA.
Função. A parte marginal, a mais externa da abertura da boca, é responsável por todos os movimentos dos lábios, incluindo
o franzir dos lábios, em movimentos como ao assobiar ou tocar um instrumento. Já a parte labial do músculo orbicular é
responsável pela contração isolada da parte labial, localizada imediatamente na margem interna do lábio. A parte vermelha
do lábio é disposta contra os dentes da frente e, assim, a parte visível do lábio estreita­se.
Origem. A parte marginal e a parte labial do músculo orbicular da boca têm origem na pele periorbital, lateral à linha média
da mandíbula, borda alveolar da maxila.
Marcação. Para as rugas longitudinais, a aplicação deve ser feita na parte marginal deste músculo, e para as rugas invadindo
os lábios, na linha marginal do lábio, ocasionando uma leve eversão do mesmo. Não se devem ultrapassar dois pontos por
quadrante na parte superior e um ponto por quadrante na parte inferior, como mostra a Figura 5.9.
Figura 5.9 Pontos para tratar as rugas periorais, podendo­se tratar mais distalmente ou mais próximo à margem labial. (Adaptada de Köpf­
Maier, 2006.)
Técnica de aplicação. A injeção é aplicada no músculo quando este se encontra relaxado ou ligeiramente tenso. É necessário
definir qual é a função a ser tratada e posicionar a agulha nessa direção (se para parar de franzir os lábios ou para parar de
pressionar os lábios contra os dentes). Para aplicar a injeção na parte labial, a direção da agulha deve ser a parte vermelha
do lábio.
Dose. Botox®, Xeomin®/Prosigne®: 0,5 a 1,0 U por ponto, não ultrapassando 4 U na parte superior; Dysport®: 1 a 2 U
por ponto.
O sucesso é modesto,  reduzindo o  tônus muscular  e, portanto, o  surgimento e o agravamento das  rugas. O  tônus não
pode ser reduzido demais, pois é importante para evitar a perda de saliva.
Todos os músculos  faciais  são antagonistas ao orbicular da boca, movendo­o  lateralmente, para cima ou para baixo e,
assim, abrindo o orifício oral.
Músculo abaixador do ângulo da boca
É um músculo que, quando está mais atuante, mostra sinal de tristeza e/ou envelhecimento. Deve­se ter muito cuidado para
não injetar nos músculos vizinhos, destruindo a expressão facial, causando assimetrias, comprometendo a fala e levando a
dificuldade de comer.
Aos menos experientes nessa aplicação,  é aconselhado  iniciar  com doses menores,  a  fim de  se manter a  segurança no
processo.
Função. O músculo abaixador do ângulo da boca puxa os  cantos da boca para baixo e,  assim,  suaviza o  sulco nasolabial
quando em movimento. Atua sinergicamente com o músculo platisma, rebaixando o canto da boca.
Origem.  Tem  origem  na  linha  oblíqua  da mandíbula,  abaixo  do  forame mentual  com  inserção  no  ângulo  da  boca,  lábio
superior e inferior e pele do queixo.
Marcação. Pontos de aplicação, de um a dois. Para maior segurança, as aplicações devem ser feitas mais próximo ao osso
da mandíbula (Figura 5.10).
Dose. Botox®, Xeomin®, Prosigne®: 2,5 a 3 U por ponto (geralmente um ponto de cada lado da boca); Dysport®: 5 a 10
U por ponto. Com agulha de 2 cm, de 27 a 30 G.
Músculo mentual
É  frequentemente  tratado  por  motivos  estéticos.  Muitas  vezes,  seu  aspecto  é  o  de  casca  de  laranja  ou  bola  de  golfe,
acentuado pela fala ou pelo choro. A musculatura contraída da região é também conhecida como celulite do queixo.
Função. Como é um músculo do queixo, sua função é puxar o lábio inferior para baixo. Os pacientes que são respiradores
bucais e têm dificuldade de manter os lábios ocluídos beneficiam­se com a aplicação pelo relaxamento de sua função.
Origem. Jugo alveolar do segundo incisivo inferior da mandíbula.
Marcação. Pode ser injetado um ponto único com mais unidades ou dois pontos, de acordo com a preferência e experiência
de quem aplica. Aplica­se no ventre do músculo mentual, um ponto ao lado do outro (Figura 5.11). É preciso  ter atenção
para evitar injeções muito laterais pelo risco de atingir o músculo abaixador do ângulo da boca, assim como injeções muito
superiores, que possam atingir as fibras musculares do orbicular da boca.
Figura 5.10 Aplicação  intramuscular, na qual  se  traça uma  linha que se estende desde o sulco nasogeniano até a borda da mandíbula,
quando esse músculo estiver em contração. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
Figura 5.11 Aplicação de dois pontos próximos ao centro da linha que divide esses músculos. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
Técnica de aplicação. O centro do queixo deve ser dividido em dois pontos, um de cada lado. A direção da injeção deve ser
realizada a partir da lateral, ligeiramente tangencial ao músculo, bem afastado do lábio inferior, ou de baixo para cima, com
a agulha inclinada a 45° na direção do mento. Se a injeção for aplicada muito lateralmente, a toxina pode difundir­se para o
músculo abaixador do lábio. Se for injetada muito cranialmente, pode difundir­se para o músculo orbicular da boca.
Dose. Botox®, Xeomin®, Prosigne®: 2,5 a 3 U por ponto; Dysport®: 5 a 10 U por ponto, agulha de 2 cm, de 27 a 30 G.
Músculo masseter
As  indicações  para  tratar  esse  músculo  incluem:  bruxismo,  síndromes  de  cefaleiadiversas,  distonias  e  síndromes
espásticas. Apresenta­se  bastante  espesso  quando  relacionado  com  essas  indicações. A  paralisia  levando  à  hipotrofia  do
músculo também é desejada por motivos estéticos. Sua parte potente é facilmente palpável e visível.
Função.  O  masseter  fecha  a  mandíbula  com  força.  Enquanto  a  parte  superficial  é  capaz  de  protrair  ligeiramente  a
mandíbula, a parte profunda pode retraí­la.
Origem.  A  parte  superficial  tem  origem  na  margem  inferior  e  dois  terços  anteriores  do  arco  zigomático:  no  processo
zigomático da maxila. A parte profunda tem origem no terço posterior e na superfície interna do arco zigomático.
Inserção.  Parte  superficial:  ângulo  da  mandíbula,  na  tuberosidade  massetérica.  A  parte  profunda  insere­se  na  superfície
lateral do ramo da mandíbula e ângulo da mandíbula.
Marcação.  É  preciso  pedir  que  o  paciente  cerre  os  dentes,  evidenciando  o  local  da  hipertrofia  masseteriana.  Devem­se
marcar  dois  a  três  pontos,  distribuídos  na  parte  palpável  do masseter  e marcados  abaixo  da  linha  imaginária  que  liga  o
trágus ao canto da boca, para ter a segurança de não infiltrar no ducto da glândula salivar, como mostra a Figura 5.12.
Técnica de aplicação. A  injeção  não  deve  ser muito  profunda,  uma vez  que  a  região  a  ser  tratada  é  a  parte  superficial  do
músculo,  responsável  pelo  aumento  de  volume  visível.  A  direção  da  injeção  por  via  externa  é  mais  fácil  e  deve  ser
colocada uma quantidade maior do que nos demais músculos faciais. Os pacientes são orientados a contrair o músculo nas
horas subsequentes, por meio da mastigação, a fim de aumentar a captação da TBA injetada. Recomenda­se que o paciente
saia do consultório mascando chiclete.
Dose.  Botox®/Xeomin®/Prosigne®:  5  a  15  U  por  ponto;  Dysport®:  20  a  60  U  para  os  caucasianos  e  120  U  para  os
asiáticos. A agulha não deve ser longa, e deve­se observar o desaparecimento completo de todo o comprimento da agulha
quando esta tiver 7 mm de extensão, em todos os pontos de aplicação.
Outros músculos faciais
O  conhecimento  de  toda  a  musculatura  facial  implicada  na  mímica  e  os  locais  onde  a  TBA  deve  ser  aplicada  são  os
objetivos deste  capítulo. Porém, outros músculos que  fazem parte desse  conjunto não  são  rotineiramente  tratados  com a
aplicação  cosmética  do produto,  exceto  em  situações  patológicas  nas  quais  seu uso  é  necessário,  como para  correção de
assimetrias,  como  no  músculo  levantador  do  lábio  superior,  risório,  bucinador,  zigomático  maior  e  zigomático  menor
(Figura 5.13).
Figura 5.12 Local de aplicação dos pontos no músculo masseter, intramuscular, perpendicular, não muito profundo. (Adaptada de Köpf­
Maier, 2006.)
Figura 5.13 Músculos do terço inferior da face importantes na função facial, mas que geralmente não devem ser atingidos pelo tratamento
com toxina botulínica, nas suas indicações habituais. (Adaptada de Köpf­Maier, 2006.)
Considerações finais
A TB provoca  redução da  contração muscular  e,  quando aplicada nos grupos musculares  responsáveis pela  formação de
rugas ou algumas condições inestéticas, trata a etiologia principal dessas condições. O conhecimento da anatomia e de cada
função muscular possibilita o tratamento de várias condições médicas e estéticas com esse produto.
A maioria dos médicos aprende a técnica de aplicação a partir da observação da prática de outros colegas, porém deve­se
associar também o estudo da substância, suas particularidades, comparações entre as diferentes toxinas, além do concreto
entendimento da anatomia ligado à força muscular para definição das doses corretas nos músculos indicados. Desse modo,
cada profissional desenvolve sua técnica apoiado no conhecimento científico adquirido.
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6
Áreas de Risco
Flávia Dutra 
Sarah Lucas
Introdução
As  rugas  faciais  são  uma  consequência  natural  do  processo  de  envelhecimento.  Resultam  de  fatores  como  idade
(influenciada pela fotoexposição), gravidade e ação dos músculos de expressão facial.
Há mais de 2 décadas, a toxina botulínica (TB) tem sido usada com finalidade estética, com atuação sobre os músculos
da  expressão  facial,  atenuando  as  rítides  decorrentes  do  envelhecimento. Para  a  obtenção de  resultados  satisfatórios,  são
essenciais:  a  indicação  precisa,  a  dose  adequada,  a  técnica  correta  e  o  bom  conhecimento  da  anatomia  e  função  da
musculatura da face.
Este capítulo faz uma breve revisão da anatomia facial, com foco nas áreas de risco potencial durante o uso estético da
TB.  Considerando­se  as  doses  usadas  nesse  contexto  e  os  planos  de  injeção  empregados,  não  é  comum  haver  lesão
permanente de estruturas nobres como vasos, nervos e ductos glandulares. Os riscos são relacionados, principalmente, com
disfunções  miofaciais  e  oculares,  distúrbios  na  drenagem  linfática  local,  assimetrias  e  resultados  inestéticos.  Tais
complicações, embora potencialmente reversíveis, podem cursar com extremo desconforto e prejuízo funcional do paciente,
levando a isolamento social, queda da qualidadede vida e transtornos psicológicos.
Áreas de risco
A  Figura  6.1  e  a  Tabela  6.1  mostram  as  principais  áreas  de  risco  da  face,  nas  quais  nervos  motores  ou  sensitivos
encontram­se mais superficialmente ou das quais emergem raízes nervosas dos forames cranianos. Tais áreas são de grande
importância  nas  cirurgias  faciais,  e  ao  longo  deste  capítulo  será  feita  uma  correlação  entre  elas  e  as  principais  áreas  de
injeção da TB.
Figura 6.1 Zonas de risco na face.
Terço superior da face
Nessa região, são alvos terapêuticos os músculos abaixadores das sobrancelhas (prócero e corrugadores), o músculo frontal
e os músculos orbiculares dos olhos.
Tabela 6.1 Localização das zonas de risco na face.
Zona de risco da face Localização
1 6,5 cm abaixo do canal auditivo externo
2 Inferior a uma linha desenhada de 0,5 cm abaixo do trágus a 2,0 cm acima da lateral da sobrancelha e acima do
zigomático
3 Mediomandibular, 2,0 cm posterior à comissura labial
4 Trígono formado pela união dos pontos feitos na eminência malar, borda posterior do ângulo da mandíbula e
comissura labial
5 Rima orbital superior, acima da linha mediopupilar
6 1,0 cm abaixo da rima orbital inferior, abaixo da linha mediopupilar
7 Mediomandibular, abaixo do segundo pré-molar
Injeção no músculo prócero.  Juntamente com os corrugadores, o prócero puxa a parte do meio das sobrancelhas, causando
rugas transversais sobre a raiz do nariz. É inervado pelos ramos bucais do nervo facial (VII) e origina­se no osso nasal e
cartilagem basal  lateral  e  inserção  na  pele  entre  as  sobrancelhas. Deve  ser  considerado  o  risco  de  difusão  da TB para  o
músculo  orbicular  do  olho  ou  para  o  levantador  da  pálpebra  superior,  causando  ptose  dessa  estrutura.  Isso  ocorre,
sobretudo,  quando  a  agulha  é  introduzida  muito  lateralmente  ou  no  plano  subcutâneo.  A  injeção  no  ventre  do  músculo
minimiza as chances de difusão. Vale lembrar que o prócero não está necessariamente presente e que nem todas as pessoas
são capazes de provocar rugas contraindo­o.
Injeção nos músculos corrugadores.  Atuando  em  sinergia  com  o  prócero,  os  corrugadores  atraem  a  parte  medial  das
sobrancelhas,  causando  linhas de expressão  longitudinais  sobre a  raiz do nariz. Os músculos corrugadores  são  inervados
pelos ramos temporais do nervo facial (VII), têm origem na parte nasal do osso frontal e inserção no terço médio da pele
da  sobrancelha  e  aponeurose  epicrânica.  Há  risco  de  difusão  da  TB  para  o  músculo  levantador  da  pálpebra  superior,
causando ptose palpebral. Essa complicação, no entanto, é mais comumente relacionada com o relaxamento dos músculos
levantadores das sobrancelhas, revelando ptose palpebral preexistente, porém não percebida.
Nessa  região,  os  nervos  supraorbital  e  supratroclear,  emergindo  de  seus  respectivos  forames,  passam  pelo  músculo
corrugador ipsolateral (Figura 6.1 – zona 5). Embora o primeiro passe profundamente pelo músculo, o nervo supratroclear
situa­se  ao  longo  do  corrugador,  e  sua  lesão  resulta  em  dormência  ou  disestesia  da  região  glabelar,  pálpebra  superior  e
dorso nasal. Tal fato tem importância cirúrgica, mas não são descritos relatos de lesão neural permanente quando do uso de
TB.
A técnica de injeção sugerida é solicitar que o paciente tensione o corrugador, tornando­o bem diferenciado dos músculos
que o cercam, e puncionar diretamente o ventre muscular com a ponta da agulha voltada para cima e lateralmente. A injeção
1,0 cm acima da borda orbital, as diluições menores do produto e a orientação ao paciente de não manipular a área tratada,
não se deitar e não praticar atividades físicas após o procedimento minimizam os riscos de migração inadvertida da toxina.
O tratamento excessivo dos músculos da região da glabela pode cursar com acentuação ou aparecimento de linhas nasais
conhecidas como “sinal do botox” ou bunny lines (ver adiante).
Injeção no músculo frontal. Também chamado de ventre frontal do músculo epicrânico, o músculo frontal é  inervado pelos
ramos  temporais  do  nervo  facial.  Tem  origem  na  pele  da  região  frontal,  em  conjunto  com  o  prócero  (fibras médias),  o
corrugador  do  supercílio  e  o  orbicular  dos  olhos  (fibras  laterais),  inserindo­se  na  aponeurose  epicrânica.  Sua  contração
levanta as  sobrancelhas e  forma pregas  transversais na  fronte. É o principal antagonista do músculo orbicular do olho e,
junto com o  levantador da pálpebra, participa da abertura da  fenda palpebral. A  fim de  se  evitar  a difusão da TB para o
músculo levantador da pálpebra, causando ptose palpebral, sugere­se aplicar o produto em pontos que distam ao menos 1,0
cm  da  borda  orbital  superior.  Já  a  ptose  das  sobrancelhas  decorre  do  tratamento  excessivo  dos  ventres  musculares,
deixando­os  sem  ação  residual  suficiente  para  elevá­las.  Por  outro  lado,  o  tratamento  insuficiente  do  músculo  frontal,
associado  ao  tratamento  da  região  da  glabela,  pode  resultar  em  elevação  excessiva  da  cauda  das  sobrancelhas,  levando  a
uma alteração inestética conhecida como sinal de Mefisto.
Injeção nos músculos orbiculares dos olhos.  Inervados  pelos  ramos  temporais  e  zigomáticos  do  nervo  facial,  os músculos
orbiculares  dos  olhos  originam­se  dos  ligamentos  palpebrais  e  orbitais  e  fundem­se  com  as  porções  transversais  dos
músculos nasais. São músculos circulares com função de esfíncter, responsáveis por estreitar a fenda palpebral. A injeção
de TB em um ponto desse músculo não relaxa todo o esfíncter, mas somente a porção tratada, abrangendo uma área com
cerca de 1,0 cm de diâmetro. O músculo tem uma porção palpebral, envolvida no reflexo de piscar, e uma parte  lacrimal,
que  atua  no  direcionamento  da  drenagem  das  glândulas  lacrimais. A  injeção  nessa  região  pode  causar  prejuízo  do  fluxo
lacrimal,  cursando  com  olhos  secos  e  queratite.  A  injeção  próxima  à  borda  inferior  da  pálpebra  pode  causar  ectrópio.
Outras complicações relacionadas com o tratamento dos músculos orbiculares dos olhos são: sorriso assimétrico, no caso
de  difusão  da TB  para  o  zigomático maior;  protrusão  da  gordura  periocular,  acentuando  as  bolsas;  edema  palpebral  por
deficiência  da  drenagem  linfática;  estrabismo  e  diplopia,  quando  a  TB  migra  para  a  musculatura  ocular  extrínseca;  e
também há risco de ptose da pálpebra superior, devido à proximidade com o músculo que eleva essa estrutura.
Os  músculos  orbiculares  podem  ser  extensos  em  alguns  pacientes,  dispondo­se  além  das  sobrancelhas  e  cobrindo  a
região malar, causando rugas longas que alcançam inclusive a região temporal inferior. A injeção visando ao tratamento dos
chamados “pés de galinha” deve ser feita em pontos distando ao menos 1,5 cm da borda orbital lateral.
Injeção no músculo temporal. Trata­se de um músculo com função mastigatória, não envolvido diretamente na formação de
rítides.  No  entanto,  nos  casos  de  tratamento  da  hipertrofia  do  masseter,  visando  à  suavização  do  contorno  facial,  esse
músculo deve ser tratado conjuntamente.
A  região  temporal  é  uma  importante  zona  de  risco  cirúrgico,  por  onde  passam  o  ramo  temporal  do  nervo  facial  e  os
ramos  frontais  da  artéria  temporal  superficial  (Figura  6.1  –  zona  2).  Já  foi  descrito  na  literatura  um  caso  de
pseudoaneurisma de um dos ramos da artéria temporal superficial relacionado com injeção de TB.
Terço médio da face
Os músculos tratados nessa região são: nasal, levantador do lábio superior e da asa do nariz, levantador do lábio superior,
zigomáticos maior e menor, risório, levantador do ângulo da boca, masseter, abaixador do septo nasal e orbicular da boca.
Injeção do músculo nasal.  Inervado  pelos  ramos  bucais  do  nervo  facial,  o  músculo  nasal  tem  origem  no  meio  do  osso
maxilar e divide­se em duas partes: a parte alar,com inserção no jugo alveolar do segundo incisivo; e a parte  transversa,
que  se  insere  no  jugo  alveolar  do  canino. A  parte  alar  dilata  as  narinas,  e  a  parte  transversa  pode  estreitá­las  e  abaixar
levemente  a ponta do nariz. Seu  tratamento visa  à  redução das  chamadas bunny  lines,  linhas oblíquas que  se  formam na
parte  lateral  do  nariz,  evidenciadas  no  sorriso.  Deve­se  ter  cuidado  com  a  aplicação  nesse  local,  sendo  indicado  injetar
medialmente  à  linha  nasofacial,  evitando  o  acometimento  do músculo  levantador  do  lábio  superior  e  da  asa  nasal,  com
consequente ptose labial.
Injeção do músculo levantador do lábio superior e da asa do nariz. Trata­se um feixe de  fibras que  se originam do processo
frontal da maxila e inserem­se no lábio superior. O músculo levantador do lábio superior e da asa do nariz é inervado pelo
ramo zigomático do nervo facial. Sua contração eleva o quadrante superior do lábio e levanta a margem lateral das narinas,
impedindo  seu  colabamento durante  a  inspiração. Dessa maneira,  contribui  para  a  formação de  rugas da  lateral  do nariz,
mas raramente é alvo de tratamento estético.
Injeção do músculo levantador do lábio. Esse músculo tem origem na margem infraorbital e na parte adjacente do processo
zigomático da maxila,  insere­se no lábio superior e é inervado pelo ramo zigomático do nervo facial. Sua contração se dá
durante  o  sorriso  pronunciado,  elevando  o  lábio  superior  e  aprofundando  os  sulcos  nasolabiais. Assim,  expõe  os  dentes
superiores  e  as  gengivas,  sendo  o músculo­alvo  do  tratamento  do  sorriso  gengival. Essa  aplicação  é  considerada  difícil,
pois a posição topográfica varia de acordo com a expressão facial e o formato da face de cada indivíduo. Desse modo, os
efeitos  positivos  devem  ser  contrabalançados  com  os  possíveis  efeitos  indesejáveis,  sendo  os  mais  comuns  queda  ou
flacidez do canto da boca, com disfunção fonética e sialorreia. A  técnica sugerida consiste em injetar pequenas doses em
um  ponto  ligeiramente  lateral  à  asa  nasal,  no  plano  muscular  profundo.  Importante  iniciar  com  doses  menores,  pois  o
resultado inicial, quando excessivo, produz certo desconforto ao paciente.
Injeção no músculo zigomático menor.  As  fibras  desse  músculo  têm  origem  no  lábio  superior,  mais  especificamente  na
porção  média  do  quadrante  superior,  entrelaçadas  com  os  músculos  adjacentes,  entre  a  porção  do  levantador  do  lábio
superior  e  o  zigomático  maior.  Insere­se  no  osso  zigomático  abaixo  da  porção  lateral  à  órbita.  Sua  contração  eleva  o
quadrante  superior  do  lábio,  em  conjunto  com  o  levantador  do  lábio  superior,  expondo  os  dentes.  Colabora  com  a
acentuação dos sulcos nasolabiais e rugas em torno dos olhos.
Injeção no músculo zigomático maior.  O  músculo  origina­se  no  lábio  superior,  porção  lateral  do  quadrante  superior,
entrelaçado  com  os  músculos  adjacentes,  medialmente  ao  ângulo  da  boca.  Insere­se  no  osso  zigomático  próximo  ao
processo  temporal  do  zigomático. Eleva o  ângulo da boca para  cima  e para  fora,  como em um  sorriso,  e  é  adjuvante na
mastigação. Também colabora para a formação do sulco nasolabial, das rugas em torno dos olhos e da linha do sorriso.
O  tratamento  desses  dois  músculos  (zigomático  menor  e  maior)  é  especialmente  difícil,  pois  os  efeitos  indesejáveis
podem superar as impressões positivas.
Injeção no músculo risório. Esse músculo origina­se no ângulo da boca, como continuação da rima bucal. Insere­se na fáscia
parotídea,  e  é  inervado  pelos  ramos  bucais  do  nervo  facial.  Sua  contração  puxa  o  ângulo  da  boca  lateralmente,  e  assim
produz a linha do sorriso. Tanto os músculos zigomáticos como o risório podem ser relaxados com a TB para amenizar o
sulco nasolabial e as rugas que se localizam entre o canto externo dos olhos até a região lateral ao canto externo dos lábios.
No entanto, ao tratá­los, ocorrerão mudanças no sorriso do paciente e em toda a expressão facial dessa área.
Injeção no músculo levantador do ângulo da boca. Suas fibras originam­se na fossa canina da maxila e inserem­se no ângulo
da boca. O músculo é  inervado pelos  ramos zigomáticos do nervo facial e age elevando o ângulo da boca e acentuando a
prega nasolabial.  Juntamente  com o  risório,  é o mais  importante do  sorriso. Seu  tratamento  é  considerado problemático;
dificilmente os efeitos positivos compensam os resultados negativos, como queda do ângulo da boca, sialorreia e distúrbios
fonéticos.
Injeção no músculo masseter. Divide­se o masseter em uma parte superficial, com origem na margem inferior e dois terços
anteriores  do  arco  zigomático,  e  uma  parte  profunda,  que  se  origina  no  terço  superior  e  na  superfície  interna  do  arco
zigomático.  Ambas  as  partes  inserem­se  no  ângulo  da  mandíbula  e  superfície  lateral  do  ramo  da  mandíbula,
respectivamente. O masseter é considerado o músculo mais forte do corpo humano e o  tratamento da sua hipertrofia está
incluído entre os procedimentos dermatológicos, em situações patológicas e para a suavização do contorno facial. Injeções
profundas nessa  região devem levar em consideração o ducto parotídeo  (Figura 6.1 – zona 4), e doses excessivas podem
comprometer a mastigação.
Injeção no músculo abaixador do septo nasal. Sua origem se dá na base do septo nasal, e a inserção no tegumento da ponta do
nariz.  Atua  dirigindo  a  ponta  do  nariz  para  baixo,  principalmente  durante  o  sorriso.  Seu  tratamento  traz  benefícios
limitados, minimizando a ptose da ponta nasal em pacientes com movimentação dinâmica da mesma. No entanto, a injeção
é segura e, em geral, não oferece maiores riscos.
Injeção no músculo orbicular da boca.  O  músculo  consiste  em  várias  camadas  de  fibras  que  rodeiam  o  orifício  bucal,
derivadas em parte do bucinador, do abaixador e do levantador do ângulo da boca. Em sua maior parte insere­se na pele e
na membrana da mucosa externa da boca. É inervado pelos ramos bucal e mandibular do nervo facial. Atua no fechamento
e  protrusão  dos  lábios,  produzindo  linhas  em  torno  da  boca,  conhecidas  como  “código  de  barras”.  Esse  músculo  tem
comportamento  de  esfíncter,  e  a  aplicação  pode  ser  feita  nos  lábios  superior  e  inferior.  É  importante  lembrar  o  quão
superficial é sua  localização, devendo­se evitar a  injeção da TB profundamente, para que não haja  relaxamento excessivo
dos  demais  músculos  dessa  região.  Mesmo  em  doses  pequenas  isso  pode  ocorrer,  com  comprometimento  funcional,
causando desconforto ao paciente. Dificuldade para sugar, assoprar, bochechar e articular alguns fonemas são complicações
esperadas,  que  só  melhoram  após  perda  do  efeito  da  TB.  Assimetrias  podem  ocorrer  e  nem  sempre  são  facilmente
corrigidas.
Terço inferior da face
Os músculos tratados nessa região são os abaixadores do ângulo da boca, do lábio inferior, o mentual e o platisma.
Injeção no músculo abaixador do ângulo da boca. Com origem na base da mandíbula e com inserção no ângulo da boca, esse
músculo é inervado pelo ramo marginal mandibular do nervo facial. Sua contração repuxa para baixo as comissuras labiais,
e  sua  hiperatividade  produz  linhas melomentuais,  conhecidas  como  “linhas  de marionete”. Deve­se  ter  cuidado  para  não
comprometer a  função dos músculos vizinhos e a expressão facial. Além disso, pode ocorrer comprometimento da  fala e
dificuldades para comer, sendo  indicada a  injeção no seu  terço  inferior, mais superficial e mais externamente. Para  tanto,
usa­se uma  linha  reta  imaginária, que vai da  região nasal à mandíbula, passando pelo ângulo da boca, e  injeta­se em um
ponto externamente a essa referência.
Injeção no músculo abaixador do lábio inferior. Sua origem se dá na base da mandíbula, e sua inserção, no lábio inferior. Atua
evertendo  essa  estrutura,colaborando  para  a  formação  das  linhas  melomentuais  e  nasolabiais.  A  técnica  incorreta  de
aplicação pode resultar em assimetria do sorriso, com exposição da arcada dentária inferior no lado não paralisado.
Injeção no músculo mentual.  Origina­se  na  fossa  mentual  e  insere­se  na  pele  do  mento;  é  inervado  pelo  ramo marginal
mandibular  do  nervo  facial.  Sua  contração  produz  elevação  e  protrusão  do  lábio  inferior,  deixando  um  sulco  horizontal
entre o lábio e a projeção da mandíbula. Participa da expressão de sentimentos como tristeza, raiva, desdém ou dúvida. Sua
hipertonicidade,  juntamente com a perda do colágeno e do  tecido subcutâneo nessa  região, produz  rugas com aspecto em
“casca de laranja”. Injeções de TB devem ser feitas na porção mais inferior e medial do músculo, a fim de evitar a difusão
para o músculo abaixador do lábio e abaixador do ângulo da boca.
Injeção no músculo platisma. Suas fibras têm origem abaixo da borda inferior da clavícula, sob a fáscia do peitoral maior e
do deltoide anterior e médio. Sua parte posterior  insere­se nos músculos abaixadores do ângulo da boca, risório e porção
lateral do orbicular da boca. A parte anterior insere­se no perióstio da porção medial da borda mandibular. É inervado pelo
ramo cervical do nervo facial. Como músculo cutâneo do pescoço, o platisma estende a pele que está entre a mandíbula e a
clavícula.  Cordões  de  fibras  individuais  podem  ser  vistos  quando  o músculo  está  tenso.  Sua  contração  deprime  o  lábio
inferior  e  puxa  os  cantos  da  boca  para  baixo,  e  formam­se  as  linhas  do  “colarete”  no  pescoço.  Seu  relaxamento  produz
elevação  do  ângulo  da  boca,  melhora  do  contorno  facial,  da  aparência  do  pescoço  e  efeito  lifting.  As  complicações  do
tratamento, como dificuldade na deglutição e fraqueza do pescoço, podem ser evitadas com doses totais menores que 40 U
de toxina onabotulínica A (ONA, Botox®).
Considerações finais
Quando se  trata de um procedimento minimamente  invasivo, com  injeções que atingem no máximo o plano muscular,  as
áreas  de  risco  a  serem  consideradas  são  aquelas  nas  quais  há  maior  chance  de  se  atingir  a  musculatura  vizinha
inadvertidamente,  causando  efeitos  indesejáveis.  As  clássicas  zonas  de  risco  no  contexto  cirúrgico  apenas  raramente  se
aplicam  ao  tratamento  com  TB.  Embora  o  dano  permanente  a  estruturas  nobres  seja  excepcional,  não  se  devem
menosprezar os efeitos adversos da aplicação incorreta, sendo fundamental o conhecimento anatômico da área a ser tratada
(Figura 6.2 e Tabela 6.2).
Figura 6.2 Áreas que costumam ser tratadas com toxina botulínica.
Tabela 6.2 Possíveis riscos e cuidados nas áreas que costumam ser tratadas com toxina botulínica.
Zona no Músculo-alvo Possíveis riscos Como evitar
1 Frontal Ptose das sobrancelhas Injete ao menos 1,0 cm acima das sobrancelhas
2 Corrugador Ptose palpebral Evite injeções muito profundas 
Direcione a ponta da agulha para cima e para fora
3 Prócero Ptose palpebral Evite injeções muito profundas 
Não lateralize a ponta da agulha
4 Orbicular do olho Ptose palpebral 
Olhos secos 
Diplopia 
Bolsa infraorbital
Injete a 1,5 cm da borda orbital lateral 
Não aprofunde 
Evite a região da pálpebra inferior
5 Nasal Assimetria do sorriso Evite injeções muito laterais
6 Levantador do lábio superior Ptose do canto da boca, disfunção fonética, sialorreia,
alteração importante da sionomia
Começe com doses pequenas
7 Orbicular da boca Di culdade em assoprar, sugar, assobiar, articular
alguns fonemas
Injete no plano super cial
8 Abaixador do ângulo da boca Comprometimento da fala e di culdade para comer Injete na porção inferior, lateral e super cial do
músculo
9 Mentual Disfunções orais e alteração inestética do sorriso Evite injeções muito laterais (M. abaixador dos lábios)
e muito craniais (M. orbicular da boca)
10 Platisma Disfagia, disfonia, dispneia Evite doses totais acima de 40 U
Obs.: Em todos os casos, observe a dose empregada, o halo de difusão entre os pontos e as orientações de repouso, evitando a manipulação
dos locais tratados. Evite combinar o tratamento com outros procedimentos; mesmo um edema mínimo pode alterar a difusão da toxina e
ocasionar resultados inesperados.
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Tipos de Toxina Botulínica
Carolina Reato Marçon 
Denise Steiner
Introdução
A  toxina  botulínica  (TB)  é  produzida  naturalmente  pelo  Clostridium  botulinum,  bactéria  anaeróbia  gram­positiva
identificada  pela  primeira  vez  há  mais  de  um  século.  O  microrganismo  produz  diversas  neurotoxinas  que  têm  sido
estudadas extensivamente desde sua descoberta. Sete sorotipos antigenicamente distintos já foram identificados (A­G), dos
quais  dois  são  usados  clinicamente:  os  sorotipos  A  e  B.  O  sorotipo A  é  o mais  potente  e,  por  esse motivo,  é  o mais
empregado  clinicamente.  A  toxina  age  inibindo  a  exocitose  da  acetilcolina  nos  terminais  nervosos motores,  levando  ao
bloqueio da contração muscular.
Em 1980, Scott  publicou o marco da descoberta  ao descrever o uso  clínico da  toxina botulínica  tipo A  (TBA) para o
tratamento  do  estrabismo.  Em  1987,  o  casal  Carruthers  notou  que  pacientes  tratados  com  TB  para  blefarospasmo
apresentavam  melhora  das  rugas  glabelares.  Desde  então,  a  TBA  vem  sendo  aprovada  mundialmente  pelos  órgãos
regulamentadores  para  uma  variedade  de  aplicações  cosméticas  e  não  cosméticas,  incluindo  estrabismo,  blefarospasmo,
distonia  cervical,  hiperidrose,  melhora  temporária  das  rítides  faciais  dinâmicas,  profilaxia  de  crises  em  adultos  com
enxaqueca crônica e incontinência urinária por hiperatividade do detrusor.
A  TBA  é  um  agente  biológico  obtido  laboratorialmente,  uma  substância  cristalina  estável,  liofilizada  em  albumina
humana e embalada a vácuo em frascoestéril, para ser posteriormente diluída.
Estrutura molecular
A TB é sintetizada por uma variedade de espécies de Clostridium, mais comumente pelo C. botulinum, mas  também pelo
C. baratii e C. butyricum. Essas bactérias sintetizam sete diferentes cepas de neurotoxinas, classificadas como sorotipos
A, B, C, D, E, F e G. Entretanto, mais de 40 subtipos de TB têm sido descritos, sendo designados numericamente após as
letras dos sorotipos  (p. ex., A1, A2, B1, B2 etc.). Recentemente  foi descrito um novo sorotipo chamado H, no entanto,
estudos de sequenciamento genético demonstraram que sua estrutura era semelhante à da TBA1 e do F5 e seu efeito tóxico
eliminado  pela  antitoxina  A,  sugerindo  se  tratar  possivelmente  de mais  uma  variante  da  TBA. Muitas  outras  variantes
parecem existir, porém ainda não classificadas.
Na natureza, um único núcleo da neurotoxina (150 kDa) está contido dentro de um complexo molecular, com tamanho
variável e proteínas de base não tóxica, clinicamente inativas, classificadas em hemaglutininas e não hemaglutininas. Essa
associação de proteínas desempenha ação estabilizante, protegendo a molécula da neurotoxina das variações de pH, estresse
térmico e degradação enzimática.
A TB é constituída por uma neurotoxina propriamente dita, de 150 kDa, e por proteínas de complexação associadas à
neurotoxina (NAP), que juntas formam complexos progenitores de alto peso molecular. Todos os sorotipos de neurotoxina
botulínica são sintetizados como proteínas de cadeia simples (150 kDa), proteoliticamente clivadas em proteínas de cadeia
dupla,  consistindo em uma cadeia  leve de 50 kDa e uma cadeia pesada de 100 kDa, unidas por uma  ligação dissulfídica
(Figura 7.1).
As neurotoxinas do Clostridium são produzidas inicialmente como uma cadeia peptídica simples de 150 kDa composta
por  três  porções  de  50  kDa  cada,  a  saber:  cadeia  leve  (LC)  e  cadeia  pesada  (HC,  dividida  em  HCN  e  HCR),  que
desenvolvem diferentes papéis no processo de intoxicação celular e consequente bloqueio funcional.
A cadeia HC é responsável pela ligação com o motoneurônio e apresenta duas subcadeias: HCN e HCR. A cadeia HCN
é  responsável pela  internalização e  translocação da membrana da célula nervosa. As  três porções da  cadeia molecular da
neurotoxina,  também chamadas de Bontoxilysin,  são conectadas entre  si por pontes protease­sensíveis. A  toxina  torna­se
ativa no momento em que ocorre uma clivagem proteolítica seletiva da cadeia, formando dois braços ativos, um pesado de
100 kDa (HCN + HCR) e um  leve de 50 kDa (LC),  ligados por uma ponte dissulfídica  (Figura 7.2). Essa clivagem em
dois braços é necessária para induzir a neurointoxicação.
Figura 7.1 Estrutura da toxina botulínica: cadeia leve (LC) de 50 kDa em azul ligada à cadeia pesada (HC) de 100 kDa em verde, amarelo
e vermelho.
Figura 7.2 Esquema da estrutura e da atividade ao nível de membrana das toxinas botulínicas.
A cadeia LC das toxinas botulínicas é longa, variando, dependendo do tipo de neurotoxina, entre 422 e 445 segmentos
peptídicos  chamados  resíduos.  Ela  apresenta  vários  segmentos  homólogos  concentrados  nas  porções  central  e
aminoterminal. O segmento mais conservado encontra­se na porção central e contém as principais ligações para as zinco­
endopeptidases. Cada molécula de neurotoxina contém 1 átomo de zinco, com exceção do sorotipo C, que contém 2 átomos
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de zinco. A proporção do número de moléculas com zinco (por isso, potencialmente ativas) e sem zinco (inativas) depende
da temperatura e do tempo de incubação da cultura de bactérias.
Apesar  de  apresentarem  estrutura  semelhante,  os  diferentes  locais  de  ligação  e  receptores  específicos  de  membrana
conferem especificidade a cada subtipo de TB. Assim, as TB tipos A, B, E e F causam botulismo humano, enquanto as
toxinas C e D causam botulismo em animais e o sorotipo G não está associado ao botulismo.
Os  diferentes  eventos  bioquímicos  celulares  que  servem  de  base  para  as  diferentes  durações  de  efeito  das  diferentes
toxinas são desconhecidos, mas muitos fatores podem contribuir, dentre eles:
Tempo de vida da cadeia LC dentro do citosol
Turnover das proteínas­alvo SNARE (soluble N­ethylmaleimide­sensitive­factor attachment protein receptors) que são:
sinaptobrevinas ou VAMP (vesicle­associated membrane protein), SNAP­25 (synaptossomal­associated protein of 25
kD) e sintaxina
Eventos bioquímicos secundários relacionados com a produção das SNARE e/ou com a liberação de peptídios.
Processo de fabricação
A  TBA  na  forma  cristalina,  usada  em  terapêutica,  foi  preparada  pela  primeira  vez  em  novembro  de  1979,  a  partir  de
cultura da cepa Batch 79­11, e aprovada pela Food and Drug Administration dos EUA (FDA) em dezembro de 1989, como
uma substância órfã, que evoluiu para a forma e marca comercial Botox®. A formulação foi inicialmente preparada com a
cepa Hall,  pois  esta  tem  um  alto  índice  de  produtividade. O  processo  de  crescimento  pode  ser  visto  após  25  a  36  h  de
incubação, e para se obterem completa  lise e  limpeza da cultura são necessários 2 a 3 dias. A toxina é  liberada durante a
lise e ativada por proteases presentes na cultura. O processo de purificação e cristalização da toxina é realizado por várias
precipitações em meio ácido.
As pesquisas contínuas, no sentido do aprimoramento do produto, levaram à preparação atual, que apresenta diminuição
da  carga  proteica  total,  sem  alteração  da  potência,  e  consequente  diminuição  da  antigenicidade  em  relação  ao  produto
inicial.  A  preparação  atual  desse  produto,  em  distribuição  desde  1998,  tem  80%  menos  proteína  no  complexo  da
neurotoxina que a preparação original, o que reduziu seu potencial antigênico.
O  processo  de  purificação  é  extremamente  importante,  pois  para  se  evitarem  reações  adversas  e  aumento  da
antigenicidade  é  necessário  retirar  todos  os  resíduos  de modo  a  deixar  a  toxina  livre  dos  ácidos  ribonucleicos  e  outros
materiais contaminantes.
A  produção  contínua  de  uma  toxina  de  alta  qualidade  apresenta  alguns  problemas  que  merecem  ser  analisados.  É
fundamental que uma toxina com finalidade terapêutica seja de alta qualidade. Os critérios que garantem uma produção de
TBA de qualidade com pureza, toxicidade e estabilidade recomendados pela FDA são:
Produção de 12 a 16 ℓ de cultura contendo caseína hidrolisada, extrato de levedura e dextrose (sem alimentos de origem
animal), em pH de 7,3 com cepa hall do C. botulinum tipo A, que tenha um rendimento de 1011 MDL50/mℓ
Purificação  realizada  por método que  não  exponha  a  toxina  a  resinas  sintéticas,  solventes  ou  substâncias  antigênicas
que possam ser carregadas, mesmo que em traços, para a molécula final da toxina cristalina
Deve apresentar máxima absorbância (capacidade de migração) de 278 mm, com uma variação entre 260 e 278/0,6 ou
menos
Deve apresentar toxicidade específica de 3 ± 20% × 1012 MDL50 por mg
Teste analítico do material deve ser feito por eletroforese em gel.
A  solução da  cultura da  toxina onabotulínica A  (ONA, Botox®) é purificada por uma  série de precipitações  em meio
ácido, até a obtenção de um complexo cristalino constituído por uma proteína ativa de alto peso molecular e uma proteína
tipo  hemaglutina  associada.  O  complexo  cristalino  é  preparado  em  uma  solução  salina  contendo  albumina  e  a  seguir  é
filtrado  esterilmente  (0,2  micra)  antes  do  envasamento  e  congelamento  a  vácuo.  Após  quatro  dias  de  incubação,  a
precipitação ácida é usada para concentrar o complexo da neurotoxina a partir da cultura fluida. O complexo da neurotoxina
é, então, solubilizado e precipitado, depois purificado e os ácidos nucleicos removidos por cromatografia em pH ácido. A
neurotoxina é  separada do complexo proteico não  tóxico por cromatografia em pH alcalino,  e os  traços de contaminação
são retirados.
As mudanças  genéticas  contínuasque  ocorrem  nos microrganismos  tornam  imperativa  a  adoção  de  um  programa  de
seleção  e manutenção  das  culturas  que  seja  capaz  de  produzir  1011 MDL50/mℓ   ou mais,  em  preparações  de  12  a  16  ℓ .
Quanto maior o cuidado em relação à expressão genética dos microrganismos, maior a possibilidade de controle da relação
entre as porções tóxica e não tóxica do complexo proteico, o que aumenta o grau de estabilidade do produto.
Outro fator importante é representado pelas condições nutricionais das culturas, afetando quantitativa e qualitativamente
a  toxina  final  obtida.  As  bactérias  devem  crescer  em  um  ambiente  contendo  caseína  hidrolisada,  extrato  de  levedura  e
dextrose,  o  que possibilita  a  obtenção de uma  toxina  livre  de  outros materiais  antigênicos,  que não  sejam os  da  própria
toxina.
A  toxina cristalina  tipo A é composta por moléculas não covalentes,  ligadas a proteínas não  tóxicas, que aumentam o
peso molecular  total  do  complexo neurotóxico  e  desempenham  importante  papel  no  processo  de  estabilidade  do  produto
durante as  fases de diluição,  secagem,  reconstituição e  injeção nos pacientes,  além de contribuírem para a capacidade de
difusão do produto. Assim, cepas que produzam altas taxas dessas proteínas não tóxicas devem ser selecionadas.
A  secagem  da  toxina,  em  preparações  terapêuticas,  sob  um  pH  de  7,3  pode  levar  à  inativação  de  80  a  90%  das
moléculas. Esse  processo deveria  ser  realizado  em pH mais  baixo,  de  6,4  em vez de  7,3,  o  que  aumentaria  em muito  a
estabilidade da toxina. Além disso, a distribuição de um complexo molecular (neurotoxina + proteínas não tóxicas) em pH
mais baixo manteria a porção ativa intacta e diminuiria ainda mais a difusão do produto para os músculos adjacentes aos
tratados. A molécula da toxina em condições de pH de 7,3, aproximadamente igual ao dos tecidos em humanos, apresenta
maior grau de difusão. A capacidade de difusão depende muito do formato da molécula.
Estudos histológicos mostram alterações das fibras musculares nas regiões bloqueadas, mostrando que o raio de ação da
toxina a partir do ponto de injeção é, em média, de 3 cm, variando de 2 a 4 cm.
Assim  como  em  outras  proteínas  biologicamente  ativas,  a  TBA  perde  estabilidade  quando  diluída  na  proporção  de
nanogramas,  necessária  para  ser  disponibilizada  como  agente  terapêutico.  Isso  pode  ser minimizado  por  outra  proteína,
como a albumina, na proporção de 2 g/ℓ, na solução. Por outro lado, o emprego de albumina humana pode levar a riscos,
como o de transmitir doenças provenientes do doador. No entanto, a literatura não descreve nenhum caso de contaminação
por essa via, provavelmente em função do rigoroso processo de seleção dos doadores.
A TBA em preparação  terapêutica para uso médico deve  ter  as  seguintes  características: não apresentar outros  efeitos
conhecidos a não ser a paralisia da musculatura estriada; a difusão, quando existir, deve  ser  feita de modo  lento para os
músculos adjacentes aos injetados; os efeitos devem se prolongar durante várias semanas; a  intensidade da paralisia deve
ser dose­dependente e não apresentar efeitos sistêmicos.
Considerações finais
Nos últimos 20 anos, a TB tem sido útil para tratamento de várias doenças, como blefarospasmo, distonias e nistagmo. O
maior  conhecimento  sobre  os  tipos  de  TB  e  a  disponibilização  da  TBA  tornaram  possível  a  ampliação  da  experiência
clínica  e  a  expansão  das  indicações  para  os  diversos  campos  da  medicina.  As  indicações  na  dermatologia  e,  mais
especificamente, na cosmiatria vêm crescendo potencialmente, o que torna essa substância de extremo valor, evidenciando
a  necessidade  de  estudos  aprofundados  sobre  os  produtos  disponíveis  comercialmente,  sua  farmacologia, mecanismo  de
ação e aplicabilidade prática.
Bibliografia
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dermatológica, cosmiatria e laser da Sociedade Brasileira de Dermatologia. 2 ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2012. pp. 30.
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(Basel). 2015; 7:4519­63.
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8
Preparações Comerciais Disponíveis no Brasil
Carolina Reato Marçon 
Denise Steiner
Introdução
A  toxina botulínica  (TB)  é usada há mais de 25  anos  em várias  áreas da medicina,  particularmente na dermatologia,  no
tratamento das  rugas dinâmicas da  face e hiperidrose,  sendo mais  recentemente estudada  também para outras  indicações,
como cicatrizes, alterações vasculares e doenças inflamatórias.
Estatísticas publicadas recentemente pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (Sociedade Internacional de
Cirurgia  Plástica  Estética)  revelaram  que,  considerando­se  abordagens  cirúrgicas  e  não  cirúrgicas,  a  aplicação  de  toxina
botulínica tipo A (TBA) é hoje o procedimento estético mais popular em todo o mundo.
Com as diferentes preparações comerciais de TBA disponíveis no mercado para uso estético e uma grande e crescente
população de potenciais pacientes com necessidades e preferências individuais, é importante que os profissionais que usam
o produto estejam familiarizados com todos os aspectos das formulações.
Preparações comerciais
Apesar da similaridade dos mecanismos de ação, as várias toxinas disponíveis no mercado diferem na maneira como são
fabricadas,  no  tamanho  do  complexo,  na  presença  ou  não  de  proteínas  associadas  e  nas  próprias  formulações.
Reconhecendo essas particularidades, em 2009, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA estabeleceu nomes para
os medicamentos para ajudar na diferenciação das preparações e evitar efeitos adversos potencialmente graves. No Brasil,
apenas  a  TBA  encontra­se  disponível  para  uso  terapêutico,  com  as  preparações  descritas  a  seguir  disponíveis
comercialmente no mercado e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Toxina onabotulínica A: ONA, Botox® (Allergan, Inc., Irvine, Califórnia)
Toxina abobotulínica A: ABO, Dysport® (Ipsen Ltd., Berkshire, Reino Unido)
TBA: Prosigne® (Lanzhou, China)
Toxina incobotulínica A: INCO, Xeomin® (Merz Pharma, Frankfurt)
TBA: Botulift® (Medy­Tox Inc., Coreia do Sul).
As especificações de cada produto estão resumidas na Tabela 8.1.
Tabela 8.1 Toxina botulínica | Formulações disponíveis no Brasil.
  Toxina
onabotulínica
Toxina
abobotulínica
Toxina
incobotulínica
TBA TBA
Nome comercial Botox® Dysport® Xeomin® Prosigne® Botulift®
Laboratório |
Produção/comercialização
Allergan/Allergan Ipsen/Galderma Merz/Merz-Biolab Lanzhou/Cristália Medy-
Tox/Bergamo
Subtipo A – Cepa hall A – Cepa hall (NCTC A – Cepa hall A A
2916)
Substância ativa (peso
molecular)
Complexo de BTX-
A/900 kDa
Complexo de BTX-
A/500 a 900 kDa
BTX-A sem complexo
proteico/150 kDa
BTX-A/900 kDa BTX-A/940 kDa
Correlação de dose (toxina
onabotulínica)
1:1 1:2-1:4 (1:2,5) 1:1 1:1 1:1
Aprovação pela Agência
Nacional de Vigilância
Sanitária
Hiperidrose/linhas
faciais hipercinéticas –
2000
Hiperidrose – 2001
Linhas faciais
hipercinéticas – 2003
Linhas faciais
hipercinéticas – 2010
Hiperidrose/linhas
faciais hipercinéticas –
2005
Linhas faciais
hipercinéticas –
2013
Mecanismo de ação SNAP-25 SNAP-25 SNAP-25 SNAP-25 SNAP-25
Forma farmacêuticaPó congelado a vácuo
estéril
Pó lio lizado Pó lio lizado Pó lio lizado Pó lio lizado
Unidades/frasco 50/100/200 U 300/500 U 50/100 U 50/100 U 100 U
Excipientes ASH 500 µg/NaCl 0,9
mg
ASH 125 µg/lactose
2,5 mg
ASH 1000 µg/sacarose
4,7 mg
Gelatina 5
mg/dextrana 25
mg/sacarose 25 mg
ASH 500 µg/NaCl
0,9 mg
Armazenamento/validade 2 a 8°C ou < –5°C/2 a
3 anos
2 a 8°C/2 anos Até 25°C/3 a 4 anos 2 a 8°C/2 anos 2 a 8°C/2 anos
Armazenamento após
diluição
2 a 8°C/24 h 2 a 8°C/4 h 2 a 8°C/24 h 2 a 8°C/4 h 2 a 8°C/4 h
TBA: toxina botulínica tipo A; SNAP­25: proteína associada ao sinaptossoma – peso molecular 25 kDa; ASH: albumina sérica humana.
A aplicação da TB é uma modalidade terapêutica segura e atraente para diversas condições clínicas. O efeito clínico da
TB é altamente específico, porém reversível. Ela atua por meio da inibição pré­sináptica da liberação da acetilcolina. A TB
bloqueia  os  mecanismos  exocitóticos  dentro  dos  neurônios,  resultando  em  inibição  temporária  da  liberação  de
neurotransmissores na junção neuromuscular.
As  diferentes  preparações  de  TBA  apresentam  mecanismos  de  ação  semelhantes.  Resumidamente,  a  toxina  age
seletivamente no  terminal nervoso periférico colinérgico,  inibindo a  liberação de acetilcolina. A sequência da ação  inclui:
difusão,  neurotropismo,  ligação,  internalização  e  toxicidade  intracelular,  exercida  pela  alta  afinidade  da  toxina  com  os
receptores específicos da parede intracelular do terminal pré­sináptico.
A TBA é  produzida  a  partir  de  uma  cultura  de Clostridium botulinum,  desenvolvida  em meio  contendo  amina N­Z  e
extrato de levedura, e é comercializada na forma de pó congelado a vácuo e estéril, ou de pó liófilo injetável (Tabela 8.1).
Os detalhes precisos do processo de fabricação são patenteados, mas a purificação do produto costuma ser feita a partir da
precipitação. A ONA (Botox®) é purificada por precipitações e preparações repetidas, enquanto a ABO sofre purificação
por  meio  de  cromatografia  em  coluna.  Durante  a  fabricação  da  INCO  (Xeomim®),  as  proteínas  complexantes  são
removidas.  Isso  é  realizado  em  uma  série  de  etapas  cromatográficas  para  minimizar  o  risco  de  inativação  da  toxina  e
limitar a possibilidade de desnaturação, degradação e perda da atividade biológica do conteúdo.
Peso molecular e proteínas de complexação
As formulações de TBA comercialmente disponíveis contêm diferentes complexos progenitores da neurotoxina botulínica
(NAP)  e,  portanto,  apresentam  diferentes  pesos moleculares  e  estruturas  tridimensionais.  Estudos  demonstraram  que  a
complexa  composição  das  neurotoxinas  botulínicas  é  específica,  resultante  do método  de  crescimento  e  purificação.  Os
complexos dissociam­se quase instantaneamente na reconstituição do produto liofilizado ou seco sob vácuo.
A proteína ativa em todos os produtos comercialmente disponíveis é uma neurotoxina de 150 kDa, sendo a sequência de
aminoácidos  idêntica em ONA e INCO, uma vez que ambas são produzidas a partir da cepa hall do C. botulinum para o
subtipo A. A  sequência  correspondente  para  a ABO não  foi  publicada, mas  é  provavelmente  idêntica,  pois  o  fabricante
também recorre a uma cepa hall.
A INCO difere da ONA e da ABO pelo fato de ser livre de proteínas de complexação, consistindo apenas na neurotoxina
de 150 kDa, responsável pelo efeito terapêutico. Os NAP não são farmacologicamente ativos nos terminais nervosos e são
compostos por várias hemaglutininas  (HA) e uma única não hemaglutinina não  tóxica  (NTNH). Dados suportam o papel
dessas  proteínas  na  proteção  da  neurotoxina  contra  a  degradação  ácida  e  proteolítica  no  sistema  digestório.  As  HA
desempenham um papel­chave na toxicidade oral da neurotoxina botulínica. Por meio da ligação e disrupção com a proteína
de adesão celular E­caderina,  as HA promovem a passagem da  toxina pela barreira  epitelial  intestinal,  para que entre na
circulação sistêmica.
Os NAP isolados a partir de culturas de C. botulinum tipo A apresentam três tamanhos: 900, 500 e 300 kDa. O tamanho
do complexo ONA é 900 kDa  (Tabela 8.1). Não há  informações  sobre o  tamanho exato do  complexo ABO, mas  relatos
sugerem  que  as  proteínas  complexantes  ABO  estão  presentes  tanto  na  forma  completa,  quanto  fragmentada.  Como  a
maioria das NTNH apresenta­se  truncada na ABO, pode­se  inferir  que  existe pouco ou nenhum complexo de 500 e 900
kDa, sendo provavelmente mais abundante o complexo de 300 kDa.
Acredita­se  que  o  peso  molecular,  ou  o  tamanho  do  complexo  proteico,  não  afete  a  atividade  biológica  nem  as
propriedades  farmacológicas  da  TBA,  pois  a  neurotoxina  ativa  rapidamente  dissocia­se  das  proteínas  complexantes  (se
presentes) após a diluição, secagem e reconstituição da preparação, estando mais de 85% da neurotoxina presente na forma
livre de 150 kD antes da injeção nos tecidos­alvo.
Reconstituição | Diluição
As  TBA  disponíveis  no  mercado  apresentam­se  na  forma  de  pó  liofilizado.  Dessa  maneira,  é  necessário  proceder  à
diluição para que se possa usá­la. Os médicos devem ter ciência de que a reconstituição subótima das preparações de TBA
pode diminuir  a  eficácia  do produto. As proteínas  complexantes  dissociam­se  quase  completamente  da  neurotoxina  logo
após  a  reconstituição  com  solução  salina,  antes  da  injeção  no  órgão­alvo.  O  pH  da  solução  salina  usada  para  a
reconstituição pode variar entre 4,5 e 7,0, o que propicia uma solução ligeiramente ácida, uma vez que os produtos não são
tamponados. Um pH mais  baixo,  em  todos os  produtos,  pode  causar  sensação de  ardor,  em especial  nos pacientes mais
sensíveis.
A maioria  dos  fabricantes  recomenda  que  a  reconstituição  seja  realizada  com  solução  salina  sem  conservantes  (soro
fisiológico a 0,9%), assim como recomendado no Consenso Internacional sobre o uso da ABO de 2010.
Alguns estudos avaliaram o efeito da diluição com solução salina com conservantes (álcool benzílico) e, apesar de não
terem sido observadas diferenças nos resultados cosméticos, houve menor queixa de dor. Esse diluente é o recomendado
pelo consenso sobre o uso cosmético da ONA de 2004, que declarou que o álcool benzílico atua como um anestésico local,
ainda que de modo insignificante, em baixos volumes, sendo a escolha de preferência para diluição da ONA. No entanto,
alguns relatos mais recentes revelaram que o uso da solução salina com conservantes pode alterar a potência da TBA por
alteração do pH da solução.
Apesar de manter a eficácia do produto, o uso de água destilada ou de solução salina em concentrações mais altas torna a
injeção muito dolorosa, não sendo, portanto, recomendado.
Trabalhos  realizados  com ONA  e ABO  associados  à  lidocaína  e  à  epinefrina  (EPI) mostraram manutenção  do  efeito
clínico com redução da dor. No entanto, é importante considerar que o uso de lidocaína pode aumentar a possibilidade de
reação  anafilática.  Existe  relato  na  literatura  de  um  caso  fatal  de  anafilaxia  após  a  injeção  de  uma  mistura  de  ONA  e
lidocaína, não sendo possível estabelecer qual fármaco foi o responsável pela reação. Um estudo duplo­cego randomizado
avaliou  a  reconstituição da ONA com bupivacaína  a 0,75%; houve  redução precoce da  força muscular,  sem diferença de
eficácia  e  duração  dos  efeitos,  porém  com menos  dor  ao  procedimento. A  ação mais  rápida  foi  atribuída  a  um possível
efeito sinérgico, induzindo miotoxicidade.
Durante a diluição, deve­se evitar a formação de borbulhas ou a agitação do conteúdo do frasco. O mesmo cuidado deve
ser tomado durante a recuperação do medicamento para a seringa de injeção. Em função do grande tamanho da molécula de
toxina, o aborbulhamento ou a agitação do líquido pode quebrá­la e desativá­la, uma vez que o segmento pesado separa­se
do leve.
Embora ensaios in vitro tenham sugerido desnaturação da toxina após agitação,estudos clínicos avaliaram ONA agitada
vigorosamente após reconstituição e não observaram diferença no efeito esperado em curto ou longo prazo. A associação
de  proteínas  no  complexo  da ONA  pode  servir  para  estabilizar  a molécula  e  protegê­la  da  degradação,  o  que  explica  a
diferença entre os resultados obtidos in vivo e in vitro.
A saturação da área injetada com a toxina é responsável pelos resultados clínicos de bloqueio. Assim, a diluição deve ser
tal  que  propicie  o  controle  da  dose  durante  a  injeção, mas  que  não  tenha  volume  exagerado  favorecendo  a  dispersão  do
medicamento. Pode­se diluir a toxina para qualquer volume, desde que durante a aplicação seja respeitada a relação da dose
a ser  injetada. A diluição fica, então, sujeita à conveniência para o médico, enquanto a dose está sujeita à necessidade do
paciente.
Há uma discussão considerável sobre os efeitos da diluição das formulações em relação a efetividade clínica, duração do
efeito e difusão. A bula da ONA (Botox®) recomenda a diluição de 100 unidades em 0,5 a 10 mℓ de solução salina (1 a 20
U/0,1 mℓ). Trezentas unidades de ABO (Dysport®) podem ser diluídas em 0,6 a 2,5 mℓ de solução salina e 500 unidades,
em 1,66; 2,5 ou 3,3 mℓ  (120 a 500 U/mℓ). Recomenda­se a diluição da TBA (Prosigne®/Botulift®) em 0,5 a 8 mℓ de
solução  salina  estéril  não  preservada  para  o  frasco  de  100  U,  com  1,25  a  10  U/0,1  m ℓ ,  orientações  semelhantes  às
encontradas  na  bula  da  INCO. Muitos  autores  acreditam que,  quanto maior  a  diluição  da TB, maior  a  probabilidade  de
difusão para locais não desejados e menor a duração dos efeitos, levando a resultados subótimos. Porém, não há consenso
sobre o assunto na literatura.
Uma revisão recente avaliou artigos publicados nos quais dose fixa de toxina foi reconstituída em diferentes volumes. A
conclusão  do  estudo  foi  que,  para músculos  pequenos,  como  os  da  face,  não  existe  diferença  de  eficácia  com  diluições
maiores. Para músculos grandes, como os dos membros inferiores, soluções menos concentradas podem ser vantajosas.
Potência por unidade
Por motivos  de  segurança  e  eficácia,  é  importante  que  a  atividade  biológica  da  TBA  seja  determinada  com  precisão. A
definição da potência biológica das preparações de TBA baseia­se na determinação da dose letal média da neurotoxina após
injeção intraperitoneal em ratos – teste do ponto de morte (lethality endpoint). A unidade de toxina mais usada é a mediana
da  dose  letal  (DL50).  Com  base  nisso,  uma  unidade  de  toxina  é  definida  como  uma DL50  do  rato,  ou  seja,  a  dose  de
toxina/neurotoxina capaz de matar 50% do grupo de ratos. A dose do produto  indicada para o  tratamento dos pacientes é
determinada por cada fabricante, com base nos resultados dos ensaios de potência – DL50. Esses ensaios usam diferentes
diluentes  e  padrões,  em  concordância  com  critérios  internos,  de  modo  que  a  unidade  de  medida  para  as  preparações
disponíveis comercialmente seja propriedade de cada fabricante. Isso impede as comparações diretas de potência entre os
produtos e destaca a importância de estudos clínicos desvinculados, com o objetivo de comparar os diferentes produtos e
suas respectivas taxas de conversão. No entanto, a potência determinada para ONA e INCO é idêntica e bem estabelecida
por ensaios clínicos, sendo a relação de conversão entre os produtos de 1:1. A mensuração da ONA e da INCO no mesmo
ensaio  DL50,  com  diluentes  em  condições  similares  ao  ambiente  clínico,  mostrou  potência  equivalente.  Conforme
exigência  das  agências  governamentais,  os  ensaios  DL50  têm  sido  substituídos  por  ensaios  com  células  humanas,  que
devem ser cruzados e validados em concordância aos ensaios DL50, para prover os mesmos resultados relacionados com a
potência. Cada fabricante está desenvolvendo seu próprio ensaio celular.
A TBA é medida em unidades biológicas  (U) definidas pela DL50, ou seja, a dose que mata 50% das  fêmeas de  rato
Swiss­Webster de peso entre 18 e 20 g, quando injetada por via intraperitoneal. Em nanogramas, a unidade de Botox® é de
aproximadamente 0,4 ng. A DL50 de primatas é de 39 U/kg por via intramuscular (IM) e de 40 U/kg por via intravenosa
(IV). A DL50 de humanos é estimada em 3.000 U. As doses terapêuticas variam de acordo com a doença a ser  tratada e
com as necessidades específicas de cada paciente.
Por  ser  um  produto  biológico  apresentado  em  unidades  biológicas,  não  existe  equivalência  formalmente  estabelecida
entre as diferentes apresentações farmacológicas da TBA.
Na análise das duas principais apresentações comerciais da TBA, Botox® e Dysport®, pelos testes da letalidade (DL50)
e  da  paralisia  muscular  (efficient  dosis,  DE)  medida  pelo  teste  DAS  (digital  abduction  score),  foram  encontradas
discrepâncias na atividade das preparações. Nesse estudo, a dose  intramuscular eficiente para um DAS de 2  foi de 6,2 ±
0,6 U/kg para Botox® e de 22,9 ± 3,2 U/kg para Dysport®. Para a DL50 intramuscular os valores obtidos foram de 81,4
± 3,5 U/kg para Botox® e de 106 ± 7,2 U/kg para Dysport®. Consequentemente, os índices terapêuticos foram diferentes,
sendo  de  13,9  ±  1,7  para  Botox®  e  de  7,6  ±  0,9  para  Dysport®.  Essas  diferenças  entre  os  produtos  tornam­se
especialmente  importantes  ao  se  trabalhar  com altas  doses. Por  isso,  deve­se  evitar  a  simples  conversão de unidades  de
uma preparação para outra.
As  respectivas  quantidades  de  neurotoxina  por  100  U,  mensuradas  por  um  ensaio  usando  imunossolvente  ligado  a
enzimas de alta sensibilidade (ELISA), foram 0,73 ng para ONA (Botox®), 0,65 ng para ABO (Dysport®), e 0,44 ng para
INCO (Xeomim®) (Tabela 8.1). A potência específica da neurotoxina, ou a atividade biológica (U) por massa da proteína­
neurotoxina  foi  calculada  com base  na  concentração média  global  da  neurotoxina TBA,  sendo  que  a  INCO  (Xeomim®)
teve a maior atividade biológica específica  (U/ng de neurotoxina) – 227 U/ng,  em comparação com 137 U/ng para ONA
(Botox®) e 154 U/ng para ABO (Dysport®). A INCO (Xeomim®) não contém nenhuma outra proteína de Clostridium, e,
portanto,  a potência biológica  específica  em  relação  ao  total  de proteínas  é o mesmo valor – 227 U/ng. Como o  teor de
proteínas de Clostridium  relatado por  100 U de ONA  (Botox®)  é  de 5 ng  e  de ABO  (Dysport®)  é  4,35 ng,  a  potência
biológica específica equivalente em relação à carga total de proteínas estranhas para a ONA (Botox®) é de 20 U/ng e para a
ABO (Dysport®) é de 115 U/ng.
As unidades da ABO (Dysport®) são diferentes das unidades da ONA (Botox®) e da INCO (Xeomim®). No entanto,
estudos  clínicos  que  compararam ONA  (Botox®)  e  INCO  (Xeomim®)  demonstraram  que  ambas  apresentam  atividade
clínica  semelhante,  com  0,44  ng  de  INCO  (Xeomim®)  apresentando  a mesma  atividade  biológica  de  0,73  ng  de  ONA
(Botox®). A hipótese  sugerida  é que parte das neurotoxinas da ONA  (Botox®) pode  estar  inativada ou desnaturada  em
função do processo de secagem a vácuo usado na  fabricação do produto. Mais estudos, preferencialmente sem conflitos,
são necessários para conclusões mais apuradas.
A  DL50  da  ONA  (Botox®)  para  um  rato  de  20  g  foi  calculada  em  0,043  ng.  A  DL50  da  ABO  foi  calculada  em
aproximadamente 6 picogramas. Algumas vezes  a  letalidade  é  referida  em  termos de mínima dose  letal  (MLD), que  é  a
menor  dose  capaz  de  levar  à morte mais  de  50%  dos  animais  injetados.  A DL50  não  pode  ser  interpolada  e,  para  sua
acurada determinação,  é necessário que o número de diluições  seja aumentado pouco a pouco,  lenta e cuidadosamente,  e
que entre 6 e 10 ratos sejam testados por diluição.
Comparações clínicas
Vários  estudos  clínicos,  envolvendo diferentes  indicações  da TBA  (distonia  cervical,  rugas  faciais,  blefarospasmo  etc.),
demonstraram eficácia clínica comparável da INCO (Xeomim®) emrelação à ONA (Botox®), com relação de conversão
da dose entre os dois produtos de 1:1. Os estudos também revelaram resultados muito semelhantes em termos de início de
ação, início da diminuição do efeito terapêutico, duração dos resultados e perfil de eventos adversos. Algumas publicações
sugerem fatores de conversão aproximados entre as preparações, com vários relatos de que as unidades da ONA (Botox®)
e  da  INCO  (Xeomim®)  são  equivalentes. Um  recente  consenso  baseado  em  evidência,  que  revisou  a  aplicação  da TBA
para fins estéticos, sumarizou as evidências indicando que a relação de dose ONA (Botox®) para INCO (Xeomim®) é de
1:1.
A relação de dose proposta na literatura entre a ABO (Dysport®) e a ONA (Botox®) é de 2 a 3 U de ABO (Dysport®)
para  1  U  de  ONA  (Botox®).  Uma  revisão  consensual  feita  por  Carruthers  et  al.  em  2013  determinou  que,  embora
nenhuma  taxa de proporção de dose ONA:ABO tenha sido estabelecida de modo claro, uma  relação de 1:2,5 poderia  ser
considerada nas indicações estéticas.
A  equivalência  da  dose  entre  ONA  (Botox®)  e  TBA  (Botulift®)  foi  de  1:1,  com  base  nos  estudos  realizados  pelo
fabricante, que mostraram efetividade e segurança similares entre os dois produtos no tratamento das linhas glabelares. A
mesma equivalência de 1:1 é supostamente válida para TBA (Prosigne®).
Duração da ação
Os efeitos da injeção podem ser sentidos entre o terceiro e o décimo dia após a aplicação e duram, em média, 6 semanas a
6 meses. Na aplicação a céu aberto, durante blefaroplastia notou­se que os efeitos têm início mais precocemente, 24 horas
após  a  injeção  e  permanecem por mais  tempo,  9  a  10 meses. Também é  relatada maior  duração  de  efeito  e  aumento  do
tempo entre duas aplicações em pacientes que usam a TBA por tempo mais prolongado.
Estudos eletromiográficos mostram que a amplitude do potencial de ação dos músculos injetados declina após 48 horas
da  injeção,  atingindo  seu  ponto mais  baixo  com 21  dias. Os mesmos  estudos mostraram que  100  dias  após  a  injeção  a
amplitude dos potenciais de ação continuava reduzida em 80%.
A duração  dos  efeitos  clínicos,  por  outro  lado,  depende  de  vários  fatores,  entre  eles:  dose  total,  gravidade  do  quadro
clínico, outros tipos de terapia associados e fatores individuais como capacidade de regeneração neurológica.
A TB  tem efeito por um  tempo significativamente maior  sobre os neurônios autonômicos  (6 a 9 meses),  tal  como na
hiperidrose ou hiperatividade vesical, em comparação aos 3 a 4 meses observados nos músculos estriados (rítides faciais).
Esse  achado  sugere  que  o  brotamento  neuronal  não  ocorre  em  um  mesmo  nível  no  sistema  nervoso  autônomo  e  na
musculatura estriada.
Propagação e difusão
As  discussões  sobre  propagação  e  difusão  da  neurotoxina  são  prejudicadas  pelo  uso  inconsistente  da  terminologia.
Propagação ocorre quando a molécula injetada transita a partir do local original de injeção como resultado, por exemplo, da
técnica,  do  volume  injetado,  ou  do  tamanho  da  agulha.  Em  contrapartida,  difusão  indica  o  movimento  passivo  da
neurotoxina ao longo de um gradiente de concentração no interior do tecido­alvo para além do local de injeção inicial.
A  aplicação  da  neurotoxina  em  localização  específica  e  precisa  é  necessária  para  produzir  os  resultados  clínicos
desejados.  Desfiguração  temporária  ou  prejuízo  funcional  podem  ocorrer  se  a  neurotoxina  difundir­se  para  o  músculo
adjacente. Aoki et al. propuseram que diferentes características de difusão são atribuídas ao tamanho do complexo proteico
e às propriedades farmacológicas, e o alto peso molecular do complexo da ONA (Botox®) limitaria a difusão nos tecidos e
poderia explicar as diferenças relatadas nos eventos adversos, favorecendo a ONA (Botox®) sobre a ABO (Dysport®). No
entanto, estudos mais recentes, que compararam a difusão de diferentes formulações de TBA por meio da mensuração dos
tamanhos dos halos  anidróticos decorrentes da  injeção de volumes  idênticos do produto na  fronte de pacientes,  sugerem
que não é o caso. Uma comparação entre ONA (Botox®) e ABO (Dysport®), usando razões de dose de 1:2,5; 1:3 e 1:4,
mostrou  que  a  área  de  anidrose  foi maior  com ABO  (Dysport®)  em  93% das  comparações  em  todas  as  proporções  de
doses  e  volumes  idênticos  de  injeção.  Em outro  estudo  isolado,  no  qual  foi  usada  proporção  de  dosagem de  1:2,5,  não
foram observadas diferenças significativas entre o  tamanho médio dos halos produzidos pelos dois produtos. Não houve
diferença  na  difusão  dos  produtos  quando  doses  iguais  foram  injetadas  com  a  mesma  técnica.  Uma  comparação  entre
INCO (Xeomim®) e ONA (Botox®) não mostrou diferenças nos  tamanhos das áreas anidróticas após  injeção de 5 U de
INCO (Xeomim®) × ONA (Botox®), em ambos os lados da fronte, depois de 6 semanas e 6 meses. Além disso, o perfil
de eventos adversos nos estudos  fundamentais não se mostrou diferente quando  foram comparadas  INCO (Xeomim®) e
ONA (Botox®). Embora a contenção da difusão seja um objetivo desejável, os dados mostram que proteínas complexantes
nas preparações  farmacêuticas não reduz a migração da neurotoxina. A razão subjacente para a ausência de diferença nas
difusões é o fato de a neurotoxina já estar dissociada das proteínas complexantes após a reconstituição, antes da injeção no
tecido­alvo, migrando sozinha no tecido injetado.
Características dos produtos
As formulações de TB não são idênticas e, portanto, não são permutáveis. Elas têm diferentes características e potências
individuais,  embora  geralmente  apresentem  sobreposição  de  indicações.  O  conhecimento  das  diferentes  preparações  é
necessário  para  garantir  a  adequada  indicação  e  o  uso  seguro.  Para  uma  visão  geral  e  comparação  das  diferentes
preparações disponíveis no mundo, consulte a Tabela 8.1.
Botox®
Trata­se  da  toxina  onabotulínica  A,  produzida  pela  Allergan  Inc.,  representada  no  Brasil  pela  Allergan  Produtos
Farmacêuticos Ltda. O Botox®  está  aprovado  para mais  de  20  indicações  em mais  de  75  países  e  é  comercializado  em
frascos  de  50,  100  e  200  U.  É  o  produto  original  da  TBA,  inicialmente  purificada  por  Shantz  e  posteriormente  usada
clinicamente  por  Scott  em  São  Francisco.  Em  1997,  a  formulação  foi  modificada,  visando  à  redução  dos  componentes
proteicos  imunogênicos.  Está  aprovada  pela  Anvisa  desde  2000  para  os  tratamentos  do  estrabismo  e  blefarospasmo
associado à distonia, incluindo blefarospasmo essencial benigno ou distúrbios do VII par craniano em pacientes com mais
de  12  anos  de  idade;  distonia  cervical;  espasmo  hemifacial;  espasticidade  muscular;  linhas  faciais  hipercinéticas;
hiperidrose  focal,  palmar  e  axilar;  incontinência urinária  causada por hiperatividade neurogênica do músculo detrusor da
bexiga; bexiga hiperativa com sintomas de incontinência, urgência e aumento da frequência urinária; profilaxia em adultos
de  migrânea  crônica  –  enxaquecas  crônicas  e  refratárias  com  comprometimento  importante  da  qualidade  de  vida  e  das
atividades diárias. A ONA também é conhecida como Vistabel® na Europa e como Vistabex® na Itália.
Dysport® | Reloxin® | Azzalure®
São os nomes comerciais da  toxina abobotulínica A (Ipsen Inc., Berkshire, Reino Unido), disponibilizada no Brasil pela
Galderma. Trata­se de uma TBA aprovada pela FDA em 2009 para o tratamento da distonia cervical e melhora temporária
das  rugas  glabelares  moderadas  a  graves.  Foi  aprovada  pela  Anvisa  em  2001  para  o  tratamento  de  distonia
cervical/torcicolo espasmódico; blefarospasmo; espasmo hemifacial; hiperidrose axilar e palmar em adultos; espasticidade
de  membros  superiores  e/ou  inferiores;  deformidade  em  pé  equino  e,  em  2003,  para  o  tratamento  de  linhas  faciais
hiperfuncionais,  incluindo  linhas  glabelares.Disponível  em  frascos  de  300  e  500  UI.  A  diferença  entre  Botox®  e
Dysport®  está  no  processo  de  purificação. O Botox®  é  purificado  por  precipitação  repetida  e  redissolução,  enquanto  o
Dysport®  é  purificado  pelo  método  de  coluna  de  separação.  Após  a  injeção,  o  Dysport®  parece  ter  maior  efeito  de
propagação, clinicamente determinando um efeito terapêutico mais difuso. A relação da dose entre Dysport® e Botox® foi
muito debatida no passado e provavelmente o efeito varia de acordo com a dosagem. No entanto, na prática clínica, uma
razão de dosagem de 2,5:1 costuma ser considerada.
Xeomin®/Bocoture®
São  os  nomes  comercial  da  toxina  incobotulínica  A  (Merz  Pharmaceuticals,  Frankfurt),  disponibilizada  no  Brasil  pela
Merz. Trata­se de uma TBA livre de complexos proteicos. Foi aprovada pela FDA para o tratamento das rugas glabelares
em  2011  e  pela  Anvisa  em  2010  para  o  tratamento  de  blefarospasmo,  distonia  cervical  com  componente  rotacional
predominante (torcicolo espasmódico), espasticidade dos membros superiores em adultos e para a melhora  temporária da
aparência das  linhas faciais hipercinéticas. A INCO (Xeomin®) apresenta relação de dose com a ONA (Botox®) de 1:1,
disponível em frascos de 50 e 100 U. Estudos comparando os dois produtos não evidenciaram diferenças significativas no
que  diz  respeito  à  eficácia  e  à  segurança.  Como  a  INCO  (Xeomin®)  é  livre  de  complexos  proteicos  terapeuticamente
supérfluos, foi sugerido que sua formulação mais pura garantiria maior eficácia, com menor risco de sensibilização ou de
formação  de  anticorpos.  No  entanto,  a  relevância  clínica  dessa  informação  ainda  não  foi  determinada  de  maneira
consistente.
Prosigne® | Lantox®
O Prosigne® (Lanzhou  Institute of Biological Products, China) é uma TBA chinesa,  sendo a única aprovada no país de
origem (China). A formulação contém proteína bovina gelatinosa, que visa prevenir a aderência da neurotoxina na parede
do frasco ou seringa. A maioria das outras preparações usa albumina sérica humana no lugar da gelatina, pois o material
bovino aumenta o risco do desenvolvimento de resposta imunológica e reações alérgicas. A TBA é comercializada com o
nome de Prosigne® no Brasil pela Cristália e não está disponível nos EUA. Apresenta­se na forma de pó liofilizado, em
frasco­ampola com 50 ou 100 U. Está aprovada pela Anvisa desde 2005 para o tratamento do estrabismo, blefarospasmo,
espasmo hemifacial, distonia cervical, espasticidade, paralisia cerebral, reabilitação muscular, linhas faciais hipercinéticas e
hiperidrose  em  adultos.  Um  estudo  duplo­cego,  randomizado,  cruzado,  que  analisou  Prosigne®  versus  Botox®  em
pacientes  com  blefarospasmo  e  espasmo  hemifacial,  mostrou  perfis  de  eficácia  e  segurança  semelhantes  entre  os  dois
produtos.
Neuronox® | Botulift®
São  os  nomes  comerciais  da  TBA  (Medy­Tox  Inc.,  Coreia  do  Sul,  representada  no  Brasil  pelo  laboratório  Bergamo),
disponibilizada  na  forma  de  pó  liofilizado  em  frasco­ampola  com  100  U.  Foi  aprovada  pela  Anvisa  em  2013  para  o
tratamento  de  blefarospasmo,  espasmo  hemifacial,  deformidade  do  pé  equino  devido  à  espasticidade  em  pacientes
pediátricos com paralisia cerebral e linhas faciais hipercinéticas. Estudos comparativos com a ONA, tanto em ratos, quanto
em  seres  humanos,  mostraram  resultados  semelhantes  quanto  à  efetividade,  com  mesmo  perfil  de  possíveis  eventos
adversos.  Um  estudo  prospectivo,  duplo­cego,  randomizado,  controlado,  realizado  em  seis  centros  na  Coreia  do  Sul,
envolvendo 291 pacientes, ao longo de um período de 16 semanas, concluiu que o produto é tão eficaz e seguro quanto o
Botox® no tratamento das linhas glabelares moderadas a graves por um período de pelo menos 16 semanas. Mais estudos
desvinculados e com alto nível de evidência são necessários para melhores conclusões acerca dos benefícios comparativos
nas indicações estéticas. Não está aprovado no Brasil para o tratamento da hiperidrose. A equivalência de dose em relação
a ONA (Botox®) é de 1:1.
Myobloc® | NeuroBloc®
Nomes comerciais da toxina rimabotulínica B (RIMA) (Solstice Neuroscience, Inc., Louisville, Kentucky), única TB tipo
B  comercialmente  disponível  nos  EUA.  Indicada  exclusivamente  para  o  tratamento  da  distonia  cervical  em  adultos,
objetiva  reduzir  a  gravidade  da  posição  cefálica  anormal  e  minimizar  a  dor  cervical  associada  à  condição.  RIMA
(Myobloc®)  foi  o primeiro  tratamento para distonia  cervical  aprovado pela FDA. Atualmente,  é  aprovado nos EUA, no
Canadá  e  na  Europa  para  o  tratamento  da  distonia  cervical.  A  aplicação  de  RIMA  (Myobloc®)  para  uso  cosmético
proporciona início mais rápido da ação e maior halo de difusão. No entanto, as injeções são mais dolorosas e o efeito dura
menos tempo. Apresenta­se em formulação líquida, com pH ácido (5,5 a 6,5), o que explica o maior desconforto associado
com  sua  aplicação. Além  disso,  as  unidades  parecem  ser  significativamente menos  eficazes  quando  comparadas  com  as
unidades da TBA. Na distonia cervical, a proporção aproximada é de 50:1, enquanto no tratamento das rugas glabelares é
de 100:1. A RIMA não requer reconstituição; apresenta­se na forma líquida, pronta para o uso, mas não está disponível no
Brasil, citação feita apenas para conhecimento por se tratar de um diferente subtipo de TB. NeuroBloc® (Eisai Co., Ltd.,
Reino Unido) é o equivalente Europeu do Myobloc®.
A PurTox® (Mentor Worldwide LLC, Santa Barbara, Califórnia) é uma nova neurotoxina botulínica tipo A purificada,
cujos estudos clínicos  recentemente completaram a  fase  III para aprovação pela FDA. A PurTox® assemelha­se à  INCO
(Xeomin®),  sendo  também isenta de complexos proteicos. Destina­se ao  tratamento das  rítides glabelares e  frontais. No
entanto, ainda carece de evidências conclusivas sobre sua real eficácia e segurança.
Considerações finais
As  injeções  de  TB  são  uma  valiosa  modalidade  terapêutica  para  diversas  indicações.  As  aplicações  revolucionaram  o
campo da dermatologia estética,  tendo se consolidado como procedimento cosmiátrico mais realizado no mundo. Estudos
mostram  que  as  três  apresentações  de  TBA  mais  usadas,  a  ONA,  a  ABO,  e  a  INCO  são  comparáveis  em  termos  de
eficácia  clínica.  As  diferenças  entre  os  produtos  encontram­se  nos  complexos  de  neurotoxina  botulínica,  na  potência
biológica específica  e na  imunogenicidade. Essas  características podem  levar  a diferenças nos  resultados  terapêuticos,  e,
dada a generalizada e progressiva aplicação desses três principais produtos de neurotoxinas para fins estéticos, os médicos
devem estar cientes das suas diferenças, a fim de garantir a eficácia e segurança do procedimento.
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Farmacologia
Renan Lage 
Danilo Guerreiro Zeolo Biccigo
Introdução
O uso terapêutico da toxina botulínica (TB), substância extremamente letal ao ser humano, e usada por muito tempo como
arma  biológica,  tem ganhado  aplicabilidade  clínica  crescente  desde  a  década  de  1980. Desde  2002,  quando  foi  aprovada
para uso estético, ganhou força e se tornou o procedimento estético mais praticado no mundo.
Entender,  pois,  os  aspectos  farmacológicos  bem  como  seu mecanismo  de  ação  é  de  extrema  valia,  para  que  se  possa
compreender  qual  o  objetivo  do  tratamento,  sua  latência  e  seu  tempo  de  duração.  Nesse  mesmo  contexto,  também  é
importante  conhecer  suas  fragilidades moleculares,  a  fim  de  se  obter  a melhor  eficácia  possível  com menores  perdas  e
prejuízos.
Neste  capítulo  serão  abordadas  as  principais  características  farmacológicas  das  TB  disponíveis  para  uso  clínico  na
dermatologia.
Toxina botulínica
A  TB  é  uma  exotoxina  produzida  por  várias  cepas  de  bactérias:  Clostridium  botulinum,  Clostridium  butyricum  e
Clostridium  baratii,  que  formam  esporos  anaeróbios,  sendo  considerada  uma  das  proteínas  mais  tóxicas  para  os  seres
humanos. Ela é subdividida sob a perspectiva imunológica em 7 sorotipos, denominados pelas letras A, B, C, D, E, F, G.
Um novo sorotipo denominado H foi descrito recentemente, entretanto estudos de sequenciamento genético demonstraram
que sua estrutura é semelhante à da TBA1 e à da F5 e que seu efeito  tóxico é eliminado pela antitoxina A, sugerindo se
tratar  possivelmente  de mais  uma  variante  da  TBA. Mais  de  40  subtipos  de  TB  têm  sido  descritos,  sendo  designados
numericamente após as letras dos sorotipos (p. ex., A1, A2, B1, B2 etc.). Muitas outras variantes parecem existir, porém
ainda não foram classificadas.
Quando ingerida, a TB age inibindo a liberação de acetilcolina primordialmente na placa motora, o que leva a um quadro
de  paralisia  flácida  generalizada,  configurando  uma  doença  altamente  letal,  o  botulismo,  descrito  em  1817  por  Justinus
Kerner.
Os sorotipos A e B foram estudados mais profundamente e são os mais usados, embora a farmacologia e as aplicações
clínicas  de  outros  tipos  de  toxinas  também  estejam  sendo  estudadas. Mesmo  que  as  sete  toxinas  apresentem  antígenos
diferentes, elas ainda contêm subunidades estruturalmente homólogas.
Os sorotipos A e B são os liberados para uso terapêutico em humanos, sendo a toxina botulínica tipo A (TBA) a única
liberada para uso estético.
Em 1989,  após  vários  trabalhos  clínicos  e  laboratoriais,  a TBA  (Botox®, Allergan  Inc,  Irvine, Califórnia,  EUA)  foi
aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA como um agente terapêutico no tratamento de pacientes com
estrabismo, blefarospasmo e outros distúrbios do nervo facial, incluindo o espasmo hemifacial. Em 2000, a FDA aprovou
a  toxina botulínica  tipo B  (Myobloc®, Elan Pharmaceuticals  Inc, Morristown, Nova  Jersey, EUA) para o  tratamento da
distonia  cervical  e,  em  2002,  o  Botox®  para  tratamento  de  linhas  de  expressão  glabelares.  Embora  a  sua  mais  ampla
aplicação  esteja  no  tratamento  de  doenças  que  levem a  contrações musculares  anormais,  excessivas  ou  inadequadas,  seu
uso  vem  se  ampliando  rapidamente.  Há  vários  estudos  sobre  sua  aplicação  terapêutica  em  distúrbios  oftalmológicos,
gastrintestinais, urinários, ortopédicos, dermatológicos, secretores e no tratamento da dor.
A TB tem sido eficaz também no tratamento de contrações após lesões do plexo braquial relacionadas com parto, e após
escoliose  e  congelação  associados  à  marcha  parkinsoniana.  A  TB  também  é  cada  vez  mais  empregada  para  reduzir  as
contrações musculares indesejáveis durante o período peroperatório e para reduzir artefatos em um eletroencefalograma ao
tentar localizar descarga de apreensão dos músculos frontotemporais.
Farmacologia
Todas os sorotipos de toxinas são proteínas formadas por uma cadeia pesada (HC) de 100 kDa e uma cadeia leve (LC) de
50  kDa  unidas  por  uma  ponte  dissulfídica  (Figura 9.1).  A HC  divide­se  em  um  terminal  C­domínio  receptor  de  fusão
(HCR) e um terminal N­domínio de translocação (HCN).
Na  vesícula  endocítica,  uma  reação  química  causa  alteração  na  estrutura  da TB  resultando  na  incorporação  de HC na
membrana  da  vesícula  endocítica,  formando  um  canal  pelo  qual  a  LC  penetra  no  citosol.  As  pontes  dissulfídicas  são
reduzidas no  interior do citosol celular,  liberando a cadeia  leve que é uma endoprotease zinco­dependente capaz de clivar
proteínas  receptoras  que  forma  o  chamado  complexo  SNAREs  (soluble  N­ethylmaleimide­sensitive­factor  attachment
protein  receptors).  Essa  clivagem  impede  a  formação  do  complexo  SNARE,  que  na  junção  neuromuscular  resulta  na
denervação muscular e consequente paralisia flácida. O mecanismo de ação da toxina botulínica será detalhado no Capítulo
10.
A  relação  da  TB  e  sua  estrutura  e  função  é  influenciada  pelo  pH.  Enquanto  o  pH  ácido  dos  endossomos  favorece  a
interação da membrana e da HC para formação do canal e translocação da LC, a sua atividade catalítica requer pH neutro
para clivagem do complexo SNARE no citosol.
O  complexo  SNARE  é  formado  por  três  proteínas  que  precisam  fundir­se  para  ocorrer  a  liberação  de  acetilcolina  e
consequente contração muscular. São elas: SNAP­25, sinaptobrevina 1 e 2 (VAMP) e sintaxina. Cada sorotipo é capaz de
clivar um local da SNARE. A TBA e a TB tipo E (TBE) clivam SNAP­25, ligando­se a peptídios diferentes. A TB tipo C
(TBC) cliva SNAP­25 e sintaxina. A TB tipo B (TBB), a TB tipo D (TBD), a TBE e a TB tipo F clivam sinaptobrevina
1 e 2.
Figura 9.1 Estrutura farmacológica da toxina botulínica. HCN: domínio de translocação; HCR: domínio receptor de fusão.
Apesar  de  serem  constituídas  por  estruturas  similares,  as  TB  apresentam  especificidade  aos  locais  de  fusão  e
especificidade  de  ligação  na  membrana,  o  que  as  individualiza.  TBA,  TBB,  TBE  e  TBF  causam  botulismo  humano,
enquanto  TBC  e  TBD  causam  botulismo  em  animais  e  TBG  não  está  associada  ao  botulismo.  Os  ratos  apresentam
polimorfismo único de aminoácidos na sequência VAMP 1, tornando­os resistentes a TBB1. Humanos e algumas espécies
de  roedores  apresentam  polimorfismo  na  VAMP  1,  tornando­a  um  substrato  menos  efetivo  para  TBD.  Além  disso,  o
receptor de membrana sinaptotagmina II em humanos e chimpanzés parece ser um receptor fraco para TBB1, TBC, TBD e
TBG,  o  que  poderia  explicar  a  necessidade  de  doses  maiores  da  toxina  rimabotulínica  B  (RIMA,  Myobloc®)  em
comparação aos produtos comerciais de TBA.
A produção da TBA usa principalmente a cepa Hall do C. botulinum, cujo processo de proliferação laboratorial é rápido
e seguro, garantindo boa produção da toxina, com estabilidade e biossegurança aceitáveis.
As diferentes preparações comerciais  têm suas propriedades  individuais que  representam diferentes potências e efeitos
clínicos.  A  primeira  preparação  disponível  comercialmente  foi  a  toxina  onabotulínica  A  (ONA,  Botox®,  Allergan  Inc.,
Irvine,  CA,  EUA).  Posteriormente,  outras  preparações  comerciais  tornaram­se  disponíveis,  incluindo  a  toxina
abobotulínica  A  (ABO,  Dysport®,  Beaufour  –  Ipsen,  Dreux,  França),  a  toxina  rimabotulínica  B  (RIMA,
Myobloc®/NeuroBloc®,  Elan  Pharmaceuticals,  EUA)  e  a  toxina  incobotulínica  A  (INCO,  Xeomim®,  Merz
Pharmaceuticals GmbH, Frankfurt am Main, Alemanha)
Preparações  da  TBA  são  as  mais  usadas  em  todo  o  mundo  e  as  únicas  aprovadas  pela  FDA  para  uso  estético.  Há
controvérsiana  literatura  sobre  fatores  que  interferem  na  equivalência  de  doses,  o  que  reflete  as  diferenças  subjacentes
entre os produtos que,  devido  a  sua natureza biológica,  simplesmente não  se  encaixam em um único pacote permutável,
como pode ocorrer com fármacos quimicamente sintetizados.
Essas diferentes propriedades físico­químicas, juntamente com a falta de padronização para medir a sua potência (p. ex.,
a  atividade  biológica,  expressa  em  proteína  por  U/ng,  em  que  1  U  é  a  dose  letal  em  50%  dos  ratos  testados  [DL50]),
mostram  que  as  unidades  não  podem  simplesmente  ser  tomadas  como  equivalentes  entre  as  marcas,  sem  algumas
ressalvas. Estudos com a conversão efetiva da TBA (p. ex., 1 U do produto X produzindo um efeito clínico semelhante ao
de  1  U  do  produto  Y)  variam  consideravelmente  na  literatura,  revelando  relações  desde  11:1  para  ABO:ONA  até  uma
conversão da dose de 1:1 U entre ONA e INCO.
Recentemente,  Frevert  procurou  comparar  o  conteúdo  de  toxina  de  cada  agente  com  um  novo  e  mais  sensível  via
ELISA, e descobriu que 100 U de ONA, ABO e INCO continham 0,73 ng, 0,65 ng e 0,44 ng de toxina, respectivamente.
Cálculos  efetuados  com  base  nesses  dados mostraram  que  a maior  atividade  toxina­específica  foi  encontrada  em  INCO
(227  U/ng),  seguida  por  ABO  (154  U/ng)  e  ONA  (137  U/ng).  Como  INCO  e  ONA  demonstraram  atividade  clínica
semelhante,  esses  resultados  sugerem que  0,44  ng  da  toxina  da  INCO  tem  a mesma  atividade  biológica  que  0,73  ng  da
toxina  de  ONA.  Portanto,  os  autores  concluíram  que  uma  parte  da  estrutura  dos  150  kDa  em  ONA  seja  inativa  ou
possivelmente desnaturada, aumentando ainda mais a carga de proteínas, além dos complexos proteicos incluídos na dose
injetada.
Apesar da discussão de que as unidades de cada produto não são intermutáveis em função de diferenças nos protocolos
de DL50 que  resultam em diferentes potências, outros estudos clínicos  reportam potências equivalentes, o que demonstra
que ainda não há consenso na questão de equivalência de unidades entre as diferentes formas de TBA.
Há um interesse crescente no uso da TB em aplicações cosméticas e dermatológicas, como a correção de rugas e linhas
de  expressão.  Tratamento  de  sulcos  verticais  glabelares  tem  sido  eficaz  usando  injeções  nos  músculos  prócero  e
corrugadores  bilateralmente.  Rítides  horizontais  na  fronte  podem  ser  eliminadas  com  aplicações  em  vários  pontos  do
músculo  frontal,  enquanto  as  aplicações  nos músculos  orbiculares  laterais  são  eficazes  para  rugas  perioculares  (“pés  de
galinha”).  Já  as  aplicações  no  músculo  platisma  tendem  a  resultar  em  melhora  importante  na  acentuação  das  bandas
musculares  relacionadas  com  o  envelhecimento.  Além  disso,  a  cada  dia  a  aplicação  da  TB  em  outras  áreas  que  não  o
tradicional terço superior da face vem ganhando espaço, como a aplicação nos terços médio e inferior da face, além do já
bastante difundido tratamento de hiperidrose axilar, palmar e plantar com a toxina. A aplicação ou a dosagem inadequada
de TB, no entanto, pode resultar em perda de expressão facial e complicações desfigurantes.
Considerações finais
O conhecimento  da  farmacologia  da TB  e  das  diferentes  preparações  comerciais  disponíveis  é  de  vital  importância  para
entendimento do mecanismo de ação e aplicações práticas desse medicamento, o que requer um amplo entendimento para a
escolha do aplicador e consequente obtenção de resultados previsíveis e satisfatórios tanto para o profissional quanto para
o paciente.
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Mecanismos de Ação
Adilson Costa 
Beatrice Martinez Zugaib Abdalla
Introdução
A toxina botulínica (TB), por ser um produto biológico, entra na categoria de medicamentos produzidos por organismos ou
células vivas, ao contrário da maioria dos outros medicamentos quimicamente sintetizados e produzidos por uma série de
reações químicas bem definidas. Os produtos biológicos são, principalmente, proteínas, como é o caso da toxina botulínica
tipo A (TBA).
Esta  toxina, produzida pelo Clostridium botulinum,  consiste  em uma mistura  complexa de proteínas  contendo  a TB e
várias proteínas não tóxicas. A TB é composta por uma cadeia proteica pesada e uma cadeia proteica leve ligadas por uma
única ponte dissulfídica. É sintetizada como um polipeptídio de cadeia única relativamente inativo com massa molecular de
aproximadamente  150  kD,  sendo  ativado  quando  a  cadeia  polipeptídica  é  clivada  proteoliticamente  pela  tripsina  ou  por
enzimas  bacterianas  originando  uma  cadeia  pesada  (ou  de  domínio  de  ligação,  de  100  kDa)  e  uma  cadeia  leve  (ou  de
domínio catalítico, de 50 kDa). A TB apresenta­se em sete sorotipos diferentes, identificados como A, B, C, D, E, F e G.
Embora todos atuem inibindo a liberação de acetilcolina nos terminais nervosos, promovendo uma paralisia muscular, suas
proteínas­alvo intracelulares, suas características de ação e suas potências variam substancialmente. A TBA foi o sorotipo
mais  amplamente  estudado  para  fins  terapêuticos.  Mais  recentemente,  a  toxina  botulínica  tipo  B  (TBB)  tornou­se
comercialmente  disponível. Atualmente mais  de  40  subtipos  de  toxinas  são  descritas  e muitas  outras  variantes  parecem
existir, porém ainda não foram classificadas.
Embora as normas  internacionais para a atividade de muitos produtos biológicos sejam estabelecidas pela Organização
Mundial  da  Saúde,  não  há  uma  que  regulamente  os  produtos  contendo  a  TB. Como  resultado,  cada  fabricante  emprega
seus  próprios  métodos  de  pesquisa  para  testar  a  unidade  de  potência  que  inclui  um  padrão  de  referência  específico  do
produto. Por esse motivo, as unidades de atividade biológica são específicas para cada tipo de TB e as doses unitárias dos
produtos não são intermutáveis.
Após  o  teste  de  unidade,  os  solventes  são  adicionados  à  TBA  para  proporcionar  volume  e  estabilidade  ao  produto
durante  a  diluição  para  uso  clínico.  Esse  passo  é  necessário  em  função  da  extrema  potência  da  TBA  e  da  quantidade
mínima  de  proteína  necessária  para  produzir  resposta  clínica,  quando  o  produto  é  injetado  no  tecido­alvo.  Essas
preparações formuladas são, então, submetidas a processos de finalização que para todos os tipos de TBA envolvem algum
método de secagem. A toxina abobotulínica A (ABO, Dysport®) é seca por congelação e a toxina incobotulínica A (INCO,
Xeomim®)  é  liofilizada,  processos  em  que  o  líquido  congelado  e  o  gelo  evaporam  sob  baixa  pressão.  A  toxina
onabotulínica A (ONA, Botox®) é seca a vácuo, processo pelo qual o líquido é removido sob pressão reduzida de ar sem
passar  por  congelamento. Os  produtos  da TBA  são  embalados  em  frascos  e  a  potência  do  produto  farmacêutico  final  é
testada  previamente,  por  meio  do  padrão  de  referência  proprietária.  Após  a  determinação  da  potência  e  liberação
associadas, o produto é liberado para uso.
A proteína ativa em  todos os produtos comercialmente disponíveis é a  toxina de 150 kDa, que contém a  sequência de
aminoácidos  idêntica  à  da  ONA  e  à  da  INCO,  todas  produzidas  a  partir  da  cepa  hall  do  C.  botulinum.  A  sequência
correspondente para ABO não foi registrada, mas provavelmente é idêntica, pois os fabricantes também usam a cepa hall.
As toxinas associadas a proteínas complexas não são farmacologicamente ativas em terminais nervosos e consistem em
várias hemaglutininas e um único grupo não hemaglutinina não  tóxico. Os estudos mostram o papel dessas proteínas na
proteção contra a degradação ácida e proteolítica da toxina no trato digestivo. As várias hemaglutininas desempenham um
papel­chave  na  toxicidade  oral  da  TB.  Essas  ligam­se  e  rompem  as  proteínas  de  adesão  celular  E­caderina  e  liberam  a
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passagem da toxina pela barreira epitelial intestinal para a circulação sistêmica.
Mecanismos de ação
Todas  as  toxinas  são  proteínas  formadas  por  uma  cadeia  pesada  (HC)  de  100  kDa  e  uma  cadeia  leve  (LC)  de  50  kDa
unidas por uma ponte dissulfídica. A HC divide­se em um receptor de fusão domínio C­terminal (HCR) e um domínio de
translocação N­terminal  (HCN).  Essa  estrutura molecular  íntegra  é  necessária  para  que  as  etapas  do  seu mecanismo  de
bloqueio colinérgico neuromuscular e autonômico ocorram de maneira a produzir sua ação. A TB atua em quatro diferentes
locais  no  organismo:  na  junção  neuromuscular,  nos  gânglios  autonômicos,  nas  terminações  nervosas  pós­ganglionares
parassimpáticas e nas terminações nervosas pós­ganglionares, onde ocorre liberação de acetilcolina.
Para entender melhor a ação da TB, é preciso entender a transmissão neuromuscular colinérgica que envolve seis etapas:
síntese,  armazenamento,  liberação,  ligação, degradação e  reciclagem da acetilcolina.  Inicialmente,  a  colina  é  transportada
do  meio  extracelularpara  o  citoplasma  do  neurônio  por  um  mecanismo  de  cotransporte  com  sódio.  A  colina  reage
enzimaticamente com acetilcolina CoA para formar a acetilcolina, que é transportada em vesículas sinápticas, nas quais é
armazenada em grânulos. Quando o estímulo chega à terminação nervosa, canais de cálcio voltagem­sensíveis abrem­se na
membrana  pré­sináptica,  aumentando  a  concentração  intracelular  de  cálcio. Níveis  elevados  de  cálcio  promovem a  fusão
das  vesículas  sinápticas  com  a membrana  celular  em  um  complexo mecanismo  que  envolve  proteínas  SNARE  (soluble
nethylmaleimide­sensitive  factor  attachment  protein  receptor),  culminando  na  liberação  de  acetilcolina  que  se  liga  a
receptores nicotínicos na fibra muscular. Essa  ligação ativa um sistema mensageiro que resulta na contração muscular. A
acetilcolina é, então, degradada em colina e acetilcolinesterase. A colina pode ser reciclada por um sistema de transporte de
alta afinidade que leva a molécula de volta para dentro do neurônio.
Após  a  injeção  do  complexo  progenitor  de  alto  peso molecular  no  tecido,  inicia­se  o mecanismo de  ação  da TB,  que
pode ser visualizado na Figura 10.1 e envolve as etapas apresentadas a seguir:
Ligação: a fração HCR da cadeia pesada liga­se irreversivelmente a receptores glicolipídicos específicos na superfície
celular  das  terminações  pré­sinápticas  de  axônios  colinérgicos,  favorecendo  a  endocitose  do  complexo  HC­LC  em
vesículas de conteúdo ácido, cujo pH promove a clivagem entre as duas cadeias moleculares. Estudos demonstram que
existem receptores na membrana distintos para os diferentes sorotipos e que a vesícula sináptica sinaptotagmina liga­se
especificamente a TBA, TBB e TBE
Internalização:  em  seguida,  a  cadeia  leve  é  liberada  para  o  citosol,  onde  atua.  Carbiaux  et  al.  defendem  que  essa
translocação ocorra por alteração da polaridade da membrana vesicular;  já Beise et al.  acreditam que a cadeia pesada
forme um canal transmembrânico, pelo qual a cadeia leve atravessa, e Montecucco et al., que isso ocorra pelo contato
simultâneo da cadeia leve entre a cadeia pesada e a membrana vesicular. A endocitose é um mecanismo independente de
cálcio  e  parcialmente  dependente  do  estímulo  nervoso.  As  pontes  dissulfídicas  são  reduzidas  no  interior  do  citosol
celular, liberando a cadeia leve, que é uma endoprotease zinco­dependente
•
Figura 10.1 Mecanismo de ação: a toxina botulínica é formada por uma cadeia pesada (HC) e uma cadeia leve (LC). A cadeia pesada se
liga  a  receptores  específicos  (1),  ocorrendo  endocitose  (2,3).  No  interior  do  endossomo,  o  pH  ácido  promove  alteração  estrutural  da
molécula e rompimento das pontes dissulfídicas, com translocação da cadeia leve para o citosol (4). A cadeia leve (LC) da TBB, TBD,
TBF  e  TBG  promove  clivagem  da  proteína VAMP  (5);  TBA,  TBC  e  TBE  clivam  SNAP­25  e  TBC  também  promove  clivagem  da
sintaxina (6), levando a inibição da fusão vesicular, liberação de acetilcolina e consequente bloqueio da neurotransmissão com paralisia
muscular ou anidrose.
Bloqueio  neuromuscular:  já  livre  no  citoplasma,  a  cadeia  leve  em  pH  básico  dirige­se  ao  seu  alvo,  uma  proteína
específica  que  faz  parte  do  complexo  proteico  SNARE,  responsável  pela  liberação  da  acetilcolina  e  consequente
contração muscular. O complexo SNARE é formado por 3 proteínas, cuja integridade se faz necessária para que ocorra
a  liberação  da  acetilcolina:  proteína  citoplasmática  ou  synaptosomal­associated  protein  25  (SNAP­25),  proteína
vesicular ou sinaptobrevina 1 e 2  (VAMP) e proteína de membrana ou sintaxina. Cada sorotipo é capaz de clivar um
local  da SNARE. A TBA e  a  toxina botulínica  tipo E  (TBE)  clivam SNAP­25,  ligando­se  a  peptídios  diferentes. A
toxina  botulínica  tipo  C  (TBC)  cliva  SNAP­25  e  sintaxina.  A  TBB,  a  toxina  botulínica  tipo D  (TBD),  a  TBE  e  a
toxina botulínica tipo F clivam VAMP/sinaptobrevina 1 e 2 (Figura 10.2).
No  caso  da  TBA,  o  alvo  é  uma  proteína  de  25  kDa  chamada  SNAP­25.  Essa  cadeia  tem  ação  proteolítica,  logo  a
clivagem da SNAP­25 faz com que essa proteína não desempenhe seu papel na fusão das vesículas cheias de acetilcolina à
membrana  pré­sináptica,  fazendo  com  que  essas  vesículas  acumulem­se  na  porção  terminal  do  axônio  e  que  o
neurotransmissor  não  seja  liberado.  O  bloqueio  colinérgico,  no  músculo  estriado  esquelético  ou  liso,  gera  perda  da
contração; já no tecido glandular exócrino, promove inibição da secreção.
No  tecido­alvo,  entre  2  e  5  dias  após  a  aplicação  da  toxina,  dá­se  início  à  perda  da  contração  ou  secreção,  e  após  2
semanas,  pela  falta  de  estímulo neuromuscular,  nota­se  atrofia  celular,  cujo pico ocorre  entre 4  e  6  semanas,  a  partir  de
quando fatores de crescimento liberados pelo tecido em questão induzem à formação de diversas ramificações originárias
•
•
•
das terminações axonais, restabelecendo progressivamente a atividade neuronal nas terminações pré­sinápticas de axônios
colinérgicos.  Independente  do  número  de  injeções  realizadas  no mesmo  tecido  ao  longo  da  vida,  a  atrofia  causada  pela
toxina é sempre reversível.
Figura 10.2 Proteínas­alvo dos diferentes sorotipos de toxinas botulínicas.
Os diferentes sorotipos e subtipos podem variar em duração de ação, refletindo as diferenças na meia­vida intracelular
da cadeia leve. Em humanos, o tempo de duração é semelhante aos percebidos em estudos in vitro e em ratos; a aplicação
intramuscular de TBA causa paralisia de 3 a 6 meses; TBB, por 3 meses, TBC, de 2 a 4 meses, TBE, de 1 a 3 meses e
TBF, de 1 a 2 meses. A TBD é pouco efetiva em humanos.
Estudos  recentes  comparando  também  os  diferentes  subtipos  de  TBA  (TBA1­5)  demonstraram  diferenças  funcionais
significativas, incluindo diferenças em atividades enzimáticas, sintomas em ratos e início e tempo de ação.
As  mais  de  100  indicações  na  atualidade  têm  despertado  o  interesse  científico  para  estudos  sobre  outros  possíveis
mecanismos de ação da TB.
Perifericamente, outros possíveis mecanismos de ação da TBA1 e TBB1 que têm sido estudados incluem os listados a
seguir:
Na periferia:  (1) No  local  de  injeção ocorre  endocitose da TB nas  fibras  aferentes,  onde  clivam SNARE,  inibindo  a
fusão  vesicular  e  a  exocitose  de  neurotransmissores,  bloqueando  a  vasodilatação,  o  extravasamento  do  plasma  e  a
ativação local de células inflamatórias. (2) A TB poderia regular, na superfície celular, a expressão de vários receptores
ou canais SNARE­mediados que estariam envolvidos na sensibilização periférica, como o TRPV1 (transient receptor
potential vanilloid).  (3)  Outra  hipótese  seria  que  a  TB  poderia  entrar  em  células  residentes  (p.  ex.,  mastócitos)  ou
migratórias  (neutrófilos)  por  lesão  ou  inflamação  e  atuar  diretamente  na  liberação  de  citocinas  ou  moléculas  pró­
inflamatórias. Os produtos dessa liberação poderiam ativar ou sensibilizar fibras terminais aferentes locais
Transporte  em  direção  à  medula  espinal:  (1)  Após  endocitose  nos  terminais  periféricos,  a  TB  parece  transportar
retrogradamente  ao  longo  do  axônio,  atingindo  neurônios  ganglionares  das  raízes  dorsais  nas  quais  clivam  SNARE
bloqueando a liberação de neurotransmissores com consequente ativação e excitação dos neurônios sensoriais. (2) TB
poderia,  ainda,  caminhar  pelo  axônio,  no  interior  da  vesícula,  até  terminações  centrais  nas  quais  atuariam  nas
respectivas SNARE, inibindo a liberação de neurotransmissores, prevenindo a ativação de células neuronais e gliais
Ações  transinápticas:  (1)  TB  poderia  ser  transportada  em  sua  forma  íntegra  em  endossomos  não  ácidos  e
possivelmente  sofreria  transcitose  central  levando  a  neurônios  de  segunda  ordem ou  células  gliais. As  células  gliaisativadas  liberam  variadas  substâncias  pró­algésicas  (citocinas,  lipídios  e  aminoácidos),  iniciando  ou  mantendo  a
sensibilização  central.  (2)  TB  poderia,  por  transcitose,  inibir  a  liberação  de  neurotransmissores  e  assim  excitar
(glutamatérgico)  ou  inibir  (GABA/glicinérgico)  neurônios.  (3)  Especula­se,  ainda,  se  por  transcitose  a  TB  seria
transportada a terminais distais, bloqueando a neurotransmissão em troncos cerebrais.
Considerações finais
Apesar dos diferentes sorotipos e diferentes preparações comerciais, o mecanismo de ação da TB consiste na inibição da
acetilcolina  promovendo  relaxamento  da musculatura  estriada  e  inibição  da  secreção  glandular  écrina,  com entendimento
das suas aplicações práticas na atualidade. É possível que outros mediadores possam estar envolvidos em mecanismos de
ação  ainda  não  esclarecidos,  o  que  justificaria  novas  indicações,  como  sua  aplicação  em  doenças  inflamatórias,  entre
outras.  Os  estudos  sobre  a  atuação  da  toxina  nos  diversos  tecidos  vêm  sendo  exaustivamente  realizados  e  um  melhor
entendimento  futuro  a  respeito  desse medicamento  pode  ampliar  o  campo  de  atuação  e  promover  resultados  ainda mais
promissores.
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11
Imunologia
Marcus Henrique de Alvarenga Morais 
Juliana Cunha Sarubi Noviello
Introdução
A toxina botulínica (TB) é uma substância amplamente usada e de grande interesse na área médica, tanto do ponto de vista
clínico quanto estético, útil para tratar, com grande sucesso, vários distúrbios causados por hiperatividade muscular ou de
glândulas exócrinas.
Nos últimos 10 anos, o rejuvenescimento facial foi revolucionado pelo excelente resultado com a toxina botulínica tipo
A  (TBA),  empregada  principalmente  como  agente  preventivo  do  envelhecimento.  Entretanto,  para  que  se  alcance  esse
objetivo,  o  tratamento  envolve  aplicações  repetidas  por  um  longo  período  de  tempo,  o  que  pode  induzir  à  formação  de
anticorpos e, consequentemente, falência terapêutica secundária.
Como um tratamento de êxito requer aplicações repetidas durante um longo período de tempo, a resistência secundária
às preparações de TB é uma preocupação constante.
A prevalência de pacientes que desenvolvem anticorpos neutralizantes após longo período de tratamento varia de acordo
com  a  condição  tratada,  se  estética  ou  clínica,  e  a  dose  usada,  sabendo­se  que,  quanto  maior  a  dose,  maior  o  risco.
Dependendo da condição a ser tratada, a incidência varia de 0,3 a 6%.
No  campo  estético,  recorre­se  a  doses  menores  de  TB,  entretanto,  a  aplicação  repetida  pode  induzir  resposta
imunológica, com produção de anticorpos neutralizantes e, consequentemente, falência terapêutica secundária. A literatura
científica cita relatos de casos, mas a prevalência dessa não resposta no campo estético ainda é desconhecida.
Este capítulo  tem como objetivo detalhar a composição da TB e seu potencial  imunológico, descrevendo os diferentes
tipos  de  anticorpos  que  podem  ser  gerados  em  resposta  à  TB,  os métodos  usados  para  sua  detecção,  e  os  fatores  que
podem afetar sua formação.
Composição da toxina botulínica
As  bactérias  Clostridium  botulinum,  Clostridium  butyricum  e  Clostridium  baratii,  juntas,  produzem  os  7  diferentes
sorotipos de TB encontrados na natureza, designados pelas letras de A a G.
As  neurotoxinas  botulínicas  são  transcritas  pela  bactéria  como  um  complexo  proteico  constituído  por  um  core  em
associação  a  proteínas  acessórias  não  tóxicas  (NAP).  O  core  é  uma  proteína  de  150  kDa,  que  consiste  em  uma  cadeia
pesada de 100 kDa e uma cadeia leve de 50 kDa ligadas por uma ponte dissulfeto. As NAP são constituídas por proteínas
hemaglutininas  e  não  hemaglutininas,  responsáveis  pela  estabilização  e  proteção  do  core  da  TB  contra  mudanças  de
temperatura, diminuição de pH e degradação enzimática (Figura 11.1).
Somente  dois  tipos  de  neurotoxina  botulínica  são  formulados  comercialmente  e  estão  disponíveis  para  uso  clínico,  as
TB tipo A e tipo B.
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Figura 11.1 Estrutura da toxina botulínica e seu complexo proteico.
As neurotoxinas botulínicas tipo A (TBA) são:
Toxina onabotulínica A (ONA, Botox®; Allergan, Inc., Irvine, CA, EUA)
Toxina abobotulínica A (ABO, Dysport®; Ipsen Biopharm Ltd., Wrexham, Reino Unido)
Toxina incobotulínica A (INCO, Xeomin®; Merz Pharmaceuticals, Frankfurt am Main, Alemanha)
TBA (Prosigne®; Lanzhou Biological Products Institute, China)
TBA (Botulift®; Medy­Tox, Inc., Coreia do Sul).
A  toxina  botulínica  tipo  B  (TBB)  recebe  o  nome  de  toxina  rimabotulínica  B  (RIMA,  Myobloc®;  Solstice
Neurosciences, LLC, South San Francisco, CA, EUA, uma subsidiária da US WorldMeds, LLC, Louisville, KY, EUA).
A  TBB  tem maior  capacidade  de  difusão  e,  além  disso,  evidências  clínicas  sugerem  que  a  TBB  tem menor  atividade
biológica e é mais  imunogênica que a TBA, sendo capaz de  induzir falência  terapêutica secundária após pequeno número
de  aplicações.  Deve­se  levar  em  conta,  entretanto,  que  a  dose  de  TBB  é maior,  o  que  pode  justificar  o maior  risco  de
produção de anticorpos.
Existem outras formulações, incluindo as toxinas chinesas, não incluídas neste capítulo por falta de evidência científica
a respeito de sua imunogenicidade.
Todos esses produtos contêm o core da TB e excipientes  (p.  ex.,  albumina),  e  todas  incluem as NAP, exceto a  toxina
incobotulínica A (INCO, Xeomin®). Nesta última, as NAP são removidas durante o processo de fabricação. Embora não
contendo as NAP, a toxina incobotulínica A (INCO, Xeomim®) é estabilizada em virtude de seus excipientes.
A  composição  de  NAP  é  diferente  nas  várias  TB,  toxina  onabotulínica  A  (ONA,  Botox®),  toxina  abobotulínica  A
(ABO, Dysport®)  e  toxina  rimabotulínica B  (RIMA, Myobloc®)  e,  portanto,  seus  complexos  proteicos  têm  diferentes
pesos moleculares e estruturas tridimensionais.
Os  produtos  de  TB  variam  em  relação  à  sua  composição  farmacológica.  As  diferenças  físico­químicas,  associadas  à
metodologia  específica  da  medida  de  cada  potencial  (atividade  biológica,  medida  em  U/ng  de  proteínas,  na  qual  1  U
corresponde à dose letal em 50% dos camundongos testados), sugerem que a dose de toxina não pode ser alterada entre as
marcas.
Recentemente,  Frevert et al.,  2010a  compararam  o  conteúdo  de  TB  de  cada  produto  pelo  novo  e mais  sensível  teste
ELISA, e encontraram que 100 U de toxina onabotulínica A (ONA, Botox®), toxina abobotulínica A (ABO, Dysport®) e
toxina  incobotulínica  A  (INCO,  Xeomim®)  contêm,  respectivamente,  0,73  ng,  0,65  ng  e  0,44  ng  de  neurotoxina.  Em
relação  à  atividade  biológica,  calculada  como  descrito  anteriormente,  os  autores  encontraram  o  valor  de  227 U/ng  para
toxina  incobotulínica A  (INCO, Xeomim®),  154 U/ng  para  toxina  abobotulínica A  (ABO, Dysport®)  e  137 U/ng  para
toxina onabotulínica A (ONA, Botox®).
Anticorpos contra toxina botulínica
Como qualquer outra proteína,  todas as TB são capazes de  induzir  a  formação de anticorpos em aplicações  repetidas. A
toxina convencional é formada por um complexo de 150 kDa da neurotoxina associado a proteínas que o envolvem. Todas
essas  proteínas  não  humanas  presentes  nas  apresentações  comerciais  das  TB  comportam­se  como  antígenos  e  têm
potencial  para  induzir  resposta  imune.  Estudos  mostram  que  o  complexo  é  mais  imunogênico  que  a  neurotoxina  pura.
Assim,  a  remoção  do  complexo  proteico  que  envolve  a  neurotoxina  reduziria  o  risco  de  formação  de  anticorpos,  sem
alterar o efeito terapêutico.
Dois  tipos de anticorpos podem ser  formados após exposição aos produtos de TB: neutralizantes e não neutralizantes.
Os  anticorpos  são  neutralizantes  quando  bloqueiam os  efeitos  farmacológicos  da  toxina. Esses  anticorpos  são  formados
primariamente contra a cadeia pesada do core da TB. Entretanto, também foram observados anticorpos neutralizantes que
podem se  ligar a epítopos em todas as regiões do core da TB. Quando presentes em  títulos suficientes, esses anticorpos
podem inibir a atividade biológica da toxina, possivelmente bloqueando sua interação com o receptor neuronal.
Em  contrapartida,  os  anticorpos  não  neutralizantes  são  produzidos  contra  as NAP  e,  portanto,  não  afetam  a  atividade
biológica da toxina nem interferem na eficácia clínica do produto. Entretanto, apesar de não alterar o efeito terapêutico da
toxina,  esses  anticorpos  aumentam  a  cargaproteica  estranha  ao  organismo,  podendo  aumentar  o  risco  de  formação  de
anticorpos neutralizantes.
Imunogenicidade versus não resposta
É importante distinguir imunogenicidade e classificações clínicas de não resposta primária e secundária.
Imunogenicidade refere­se à capacidade de um produto proteico induzir a formação de anticorpos. Não resposta pode ser
definida como a insatisfação do paciente ou do profissional diante do resultado do tratamento. Pode ser transitória, na qual
alguma  aplicação  durante  o  tratamento  não  é  eficaz, mas  as  subsequentes  são;  ou  permanente,  quando  a  primeira  ou  as
aplicações subsequentes não produzem o efeito clínico desejado. Essa perda de resposta pode ser parcial ou completa.
As  não  respostas  completas  e  permanentes  (imunorresistência)  podem  ser,  ainda,  classificadas  em  primárias  e
secundárias. Não resposta primária ocorre quando um paciente não responde ao tratamento desde a primeira aplicação. Não
resposta secundária ocorre quando inicialmente há boa resposta ao tratamento, mas essa resposta se perde após tratamentos
repetidos. A não resposta secundária é causada pela formação de anticorpos neutralizantes; entretanto, a simples presença
de  tais  anticorpos  nem  sempre  determina  a  não  resposta,  uma  vez  que  alguns  pacientes  com  anticorpos  neutralizantes
apresentam­se com o mesmo efeito esperado da TB. Essa falência terapêutica secundária dependeria do título de anticorpos
circulantes.  Entretanto,  a  quantidade  de  anticorpos  necessária  para  causar  resistência  à  TB  não  está  definida.  Assim,
anticorpos neutralizantes podem não ter efeito no tratamento, resultar em resposta parcial ou falta completa de resposta.
Ao  contrário  da  situação  descrita  anteriormente,  alguns  pacientes  clinicamente  não  responsivos  não  apresentam
anticorpos neutralizantes detectáveis. Em alguns  casos,  essa  situação ocorre pela  sensibilidade dos métodos usados para
mensuração desses anticorpos.
Um grande estudo de não  respondedores secundários à TB (toxina onabotulínica A e  toxina abobotulínica A) mostrou
que  pouco  menos  da  metade  dos  pacientes  foram  positivos  para  anticorpos  neutralizantes  pelo  método  do  Mouse
Hemidiaphragm  Assay  –  MDA  (44,5%;  224/503),  o  que  indica  que,  na  prática  clínica,  outros  fatores  além  da
imunogenicidade devam contribuir para a não resposta ao tratamento.
Por  sua vez, a  falta de  resposta clínica, muitas vezes classificada como não  resposta  transitória ou  flutuante, pode ser
causada  por  limitações  técnicas,  como  dosagem  inadequada,  erro  na  identificação  do  músculo­alvo,  aplicação  fora  do
músculo pretendido,  administração de  toxina desnaturada por  armazenamento  incorreto,  erro na  reconstituição da  toxina,
mudanças no padrão da doença ao longo do tempo e expectativa irreal do paciente.
Fatores que afetam a imunogenicidade dos produtos com toxina botulínica
Diversos  fatores  podem  influenciar  a  imunogenicidade  da  terapêutica  com  as  toxinas.  Esses  fatores  podem  estar
relacionados com o produto e com o tratamento, sendo os principais a carga proteica e a frequência de aplicação.
Fatores relacionados com os produtos
Processo de produção
Mesmo  pequenas  mudanças  no  processo  de  produção  podem  alterar  a  estrutura  tridimensional  das  proteínas,  podendo
modificar seu desempenho clínico bem como sua imunogenicidade. Como exemplos, o método de isolamento, o método de
finalização  de  secagem,  o  tipo  ou  a  quantidade  de  excipientes  presentes,  ou  o  contato  inadvertido  com  superfícies  não
protegidas podem levar a uma variação na composição e/ou estrutura do produto final, alterando sua imunogenicidade.
Tipo de toxina
O  tipo de  toxina pode causar variação em sua  imunogenicidade. A preparação original da  toxina onabotulínica A  (ONA,
Botox®)  continha  25  ng  de  proteína  por  100  U,  com  taxa  de  imunogenicidade  de  15%.  Em  1997,  essa  toxina  foi
reformulada e, a partir de então, o  lote de  toxina onabotulínica A (ONA, Botox®) produzido contém aproximadamente 5
ng de proteína por 100 U. Essa mudança  foi  responsável por uma diminuição de  seis vezes na  taxa de  imunogenicidade
relatada.
Toxina inativa
Como mencionado anteriormente, o core de 150 kDa dos produtos de TB, produzido pela bactéria na forma inativa, pode
ser  imunogênico. Assim,  a  quantidade  de  toxina  inativa  em um produto  deve  ser  a menor  possível  capaz  de  produzir  o
efeito terapêutico desejado e, dessa maneira, diminuir o potencial antigênico do produto.
Para se  tornar ativa, a TB deve ser dividida enzimaticamente por uma protease em dois  fragmentos de polipeptídios –
cadeia pesada de 100 kDa e cadeia leve de 50 kDa, por meio da quebra da ponte dissulfeto.
Com base em dados de  literatura, a TBA é aproximadamente 95% quebrada – e, portanto, ativada – por uma protease
bacteriana endógena antes de sua liberação celular.
Em  relação à TBB, baixos níveis  são quebrados endogenamente,  sugerindo que a  toxina deva  ser  exposta  a proteases
durante  o  processo de  fabricação para  produzir  sua  ativação. Aproximadamente  25  a  30% do produto  com TBB  (toxina
rimabotulínica B) permanece inativo, o que explica, em parte, as altas taxas de imunogenicidade relatadas com a TBB.
Neurotoxinas  botulínicas  podem  ser  inativadas  durante  o  processo  de  fabricação,  especialmente  se  alguma  condição
causar  agregação  e/ou  oxidação.  Além  disso,  toxinas  podem  ser  degradadas  se  armazenadas  incorretamente  entre  o
momento  da  produção  e  o  uso  clínico,  o  que  pode  aumentar  a  quantidade  de  toxina  inativa  e,  portanto,  sua
imunogenicidade.
Carga proteica antigênica
A  antigenicidade  geralmente  é  proporcional  à  carga  proteica,  portanto,  uma  maior  carga  proteica  por  dose  de  TB  está
relacionada com maior risco de produção de anticorpos.
De acordo com a maioria das evidências, somente o core de 150 kDa da TB é capaz de induzir a formação de anticorpos
neutralizantes. Assim, quando o potencial imunogênico de um produto de TB é calculado, somente a massa do componente
core de 150 kDa, denominada carga proteica antigênica, deve ser considerada. Essa carga difere das demais proteínas da
TB, que incluem o restante do core e as NAP.
A toxina onabotulínica A (ONA, Botox®) consiste em um complexo de 900 kDa, sendo o core de 150 kDa responsável
por  um  sexto  de  sua  massa  total.  Portanto,  o  frasco  de  100  U  de  toxina  onabotulínica  A  (ONA,  Botox®)  contém
aproximadamente 5 ng de proteínas totais, e 0,73 ng de carga proteica antigênica.
A  toxina  incobotulínica  A  (INCO, Xeomim®)  contém  somente  o  core  de  150  kDa,  sem NAP,  com  a  carga  proteica
antigênica representando 0,44 a 0,6 ng/frasco.
Em relação à toxina abobotulínica A (ABO, Dysport®), o peso molecular do core é 500 kDa, sendo a quantidade total
de proteína 4,35 ng/frasco de 500 U Speywood, dos quais 3,24 ng de carga proteica antigênica, portanto, 0,64 ng/100 U
Speywood.
A Figura 11.2 compara a carga proteica total e a carga referente à neurotoxina dos produtos de TBA, onabotulinotoxina
A, abobotulinotoxina A e incobotulinotoxina A.
O frasco de toxina rimabotulínica B (RIMA, Neurobloc®) contém aproximadamente 50 ng de complexo proteico, com
peso de 700 kDa. Isso leva a uma carga proteica total de 10,7 ng/frasco de 5.000 U.
Figura 11.2 Carga proteica  total  e de neurotoxina dos produtos de  toxina botulínica  tipo A  (TBA). Concentrações médias de TBA na
toxina  onabotulínica  A  (ONA,  Botox®),  abobotulínica  A  (ABO,  Dysport®)  e  incobotulínica  A  (INCO,  Xeomin®),  analisadas  pelo
método ELISA. (Adaptada de Benecke, 2012.)
Proteínas acessórias e excipientes
Todas as atuais formulações de TB disponíveis, com exceção da toxina incobotulínica A (INCO, Xeomim®), contêm NAP.
Pacientes podem desenvolver anticorpos contra NAP mas, por definição, são não neutralizantes.
Joshi etal. (2011), em estudo com cobaias imunizadas, demonstraram que os anticorpos contra NAP não interferem na
função do core da neurotoxina.
Embora  alguns  estudos  indiquem  a  possibilidade  de  as  NAP  atuarem  como  adjuvantes  imunológicos,  aumentando  a
antigenicidade  da  TB,  deve­se  ter  cautela  ao  interpretar  esses  resultados,  uma  vez  que  a  metodologia  usada  não  foi
adequada,  como  doses  de  TB  maiores  que  as  usuais,  preparações  não  comerciais  com  métodos  de  purificação
desconhecidos, dentre outros.
Atualmente  não  existem  dados  na  literatura  que  sustentem  a  hipótese  de  que  as  NAP  possam  aumentar  a  resposta
imunológica  aos  produtos  de  neurotoxina  tipo  A.  Pelo  contrário,  é  proposto  que  as  NAP  sejam  capazes  de  cobrir  e,
portanto,  restringir  o  acesso  ao  local  da  TB,  no  qual  a  maioria  dos  anticorpos  neutralizantes  é  formada,  reduzindo  a
imunogenicidade dos produtos de TB que contêm NAP.
Fatores relacionados com o tratamento
O risco de falência terapêutica induzida pela produção de anticorpos aumenta com o uso de altas doses e quando o intervalo
entre as aplicações é curto.
Dose
Evidências  científicas  de  que  a  resposta  imune  a  um  antígeno  é  geralmente  dose­dependente  indicam  que  a
imunogenicidade  à TB esteja  relacionada  com a dose  aplicada. Estudos  sugerem que o desenvolvimento de  anticorpos  à
TB esteja relacionado com a dose média usada por aplicação e com a dose acumulada.
Intervalo entre os tratamentos
A imunogenicidade está relacionada com a frequência das aplicações. Estudos mostram que a prevalência de não resposta
secundária  foi  maior  nos  pacientes  que  receberam  aplicações  mais  frequentes  e  naqueles  que  receberam  mais  retoques
(booster injections), 2 a 3 semanas após o tratamento inicial.
Intervalos  curtos  entre  as  aplicações  de TB,  especialmente  quando menores  que 2 meses,  podem aumentar  o  risco de
formação de anticorpos neutralizantes e não resposta terapêutica.
Exposição prévia ou vacinação
Vacinação  prévia  ou  exposição  à  toxina  podem  influenciar  a  resposta  imune  à  TB.  Pacientes  que  desenvolvem  falência
terapêutica  secundária  a  um  tipo  de  TB  muitas  vezes  são  direcionados  para  o  uso  de  outro  tipo,  mas  alguns  estudos
sugerem que a eficácia terapêutica é transitória e incompleta nesses casos.
Testes laboratoriais e clínicos para a detecção de anticorpos contra a toxina botulínica tipo A
Diante da suspeita de falência terapêutica secundária, testes bioquímicos ou funcionais podem ser empregados para detectar
anticorpos contra a TBA.
Os  testes  de  screening  in  vitro  existentes,  como  ELISA  e  imunoensaio  fluorescente  (FIA),  são  úteis,  entretanto  não
conseguem  distinguir  entre  anticorpos  neutralizantes  e  não  neutralizantes.  Apesar  de  sensíveis,  esses  testes  são  menos
específicos que os ensaios  in vivo,  sendo usados apenas como primeiro passo de um screening, devendo ser seguidos de
um segundo teste para confirmar a presença de anticorpos neutralizantes.
Apenas  os  anticorpos  neutralizantes  podem  inibir  a  atividade  biológica  da  toxina  e,  potencialmente,  induzir  falha
terapêutica, por  isso a  importância de  se utilizarem  testes capazes de  identificar os mesmos. Os  testes  in vivo  incluem o
Mouse  Protection  Assay  (MPA)  e  o  Mouse  Diaphragm  Assay  (MDA),  ambos  capazes  de  distinguir  anticorpos
neutralizantes de não neutralizantes.
O MPA, que  testa a capacidade de o soro do paciente proteger cobaias de doses  letais de TB, é considerado o método
padrão. Apresenta especificidade alta, próxima de 100%, entretanto baixa sensibilidade (47%). Outras limitações são o uso
de  animais  de  laboratório,  custo,  demora  na  liberação  do  resultado  e  o  fato  de  ser  semiquantitativo.  O  MDA  tem
sensibilidade 6 vezes maior que o MPA e  isso pode  resultar na detecção de  anticorpos  subclínicos que não  resultam em
falência terapêutica.
Diante  de  um  caso  de  suspeita  de  falência  terapêutica  por  anticorpos,  devem­se  associar  testes  in  vitro  e  in  vivo.
Primeiramente,  testes  in  vitro,  mais  sensíveis,  mas  que  não  distinguem  neutralizantes  de  não  neutralizantes.
Posteriormente, os resultados positivos são redirecionados para os testes in vivo para detecção de anticorpos neutralizantes.
Vários testes clínicos podem ser realizados para avaliar a sensibilidade do paciente à TB. São testes funcionais aplicados
diretamente nos mesmos, e incluem extensor digitorum brevis (EDB), unilateral brow injection (UBI), frontalis antibody
test (FTAT), e o sudomotor sweat test.
O  único  ensaio  aprovado  pela  Food  and  Drug  Administration  (FDA),  dos  EUA,  para  detecção  de  anticorpos
neutralizantes é o MDA, mas poucos são os laboratórios equipados para sua realização. Além disso, o teste pode detectar
títulos subclínicos de anticorpos, sem significar falência terapêutica.
Perspectivas futuras
De maneira  geral,  as  taxas  de  imunogenicidade  relatadas  na  literatura  para  os  produtos  de TBA  são  baixas.  Entretanto,
existem algumas limitações na análise desses dados, uma vez que os estudos avaliam as taxas de imunogenicidade por um
curto período. A avaliação por períodos mais longos em todas as indicações clínicas ajudaria a obter dados mais precisos
sobre qual paciente seria mais propenso a desenvolver não resposta secundária e/ou produção de anticorpos neutralizantes
ao longo do tempo.
Além  disso,  diferenças  na  sensibilidade  dos  métodos  podem  levar  a  diferença  nas  taxas  de  imunogenicidade  e,
subsequentemente,  essas  taxas  não podem  ser  comparadas  entre  os  produtos. O uso de metodologias  padronizadas  seria
benéfico.
Estudos comparativos de avaliação de imunogenicidade dos diferentes produtos seriam úteis, entretanto, são difíceis de
serem conduzidos em função da necessidade de um grande número de pacientes para demonstrar diferenças significativas.
Outras  limitações  dos  estudos  existentes  dizem  respeito  à  falta  de  informação  sobre  a  incidência  de  anticorpos  e  ao
mecanismo ainda não elucidado da não resposta primária ao tratamento com TB.
No intuito de minimizar o risco de produção de anticorpos, recomenda­se a menor dose possível de acordo com o efeito
desejado,  com  aplicações  espaçadas,  com  intervalo  mínimo  de  12  semanas  entre  as  aplicações,  evitando  os  retoques
(booster injections).
Além  da  imunogenicidade,  outros  fatores  que  podem  contribuir  para  a  não  resposta,  como  problemas  de  técnica  e
mudança na indicação clínica ou comportamento da doença, devem ser considerados.
Finalmente, se a não resposta for persistente e a imunogenicidade for considerada a provável causa, uma toxina diferente
deve ser testada.
Considerações finais
Em  geral,  a  TB  é  empregada  no  tratamento  de  distúrbios  crônicos  e  condições  que  requeiram  aplicação  continuada  por
muitos anos.
A  taxa de  imunogenicidade para  todos  tipos de TBA  tende  a  ser  baixa  e  a  formulação do  sorotipo B parece  ser mais
imunogênica que as do tipo A disponíveis comercialmente.
Os  principais  fatores  relacionados  com  a  indução  de  anticorpos  são  a  carga  proteica  por  dose  efetiva  de  toxina  e  a
frequência de exposição.
Visando diminuir o risco de falha terapêutica secundária, algumas estratégias devem ser adotadas, como o uso da menor
dose possível para o efeito terapêutico desejado, com o maior intervalo possível entre as aplicações.
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40.
12
Diluição e Armazenamento
Dóris Maria Hexsel 
Fernanda Camozzato
Introdução
A toxina botulínica tipo A (TBA) é amplamente usada para fins cosméticos e terapêuticos. Existem diferentes preparações
comercialmente disponíveis,  com  recomendações  específicas descritas  em bula  referentes  à diluição e  ao  armazenamento
dos  produtos.  Além  dessas  recomendações,  há  estudos  recentes  na  literatura  que  sugerem  práticas  sobre  diluição  e
armazenamento,  antes  e  após  a  reconstituição dos mesmos,  além de diferentes  relações de dose­equivalência,  garantindo
eficácia e menor risco de eventos adversos.
A TBA reduz rugas dinâmicas por meio da paralisia muscular transitória e reversível obtida pelo bloqueio da liberação
do neurotransmissor acetilcolina, necessário para transmissão do impulso e consequente contração muscular. Para alcançar
o  efeito  terapêutico  desejado  e  diminuir  os  riscos  de  complicações,  é  importante  que  o  armazenamento  e  a  conservação
desses  produtos  sigam  parâmetros  corretos.  É,  ainda,  de  suma  importância  que  o  profissional  conheça  os  efeitos  das
diferentes doses e diluições de cada produto para alcançar a eficácia esperada nos tratamentos com TBA.
O presente capítulo apresenta evidências e  recomendações clínicas sobre diluição e armazenamento da TBA,  incluindo
os  volumes  e  diluentes  apropriados  na  reconstituição,  dose­equivalência  entre  as  diferentes  toxinas  e  instruções  de
armazenamento desses produtos. Este capítulo aborda também o tempo durante o qual os produtos contendo TBA podem
ser usados com segurança e eficácia, após sua reconstituição e até aplicação clínica. Essas informações são particularmente
importantes, uma vez que um frasco de TBA pode ser suficiente para atender às necessidades e ser usado com segurança e
eficácia  em  mais  de  um  paciente  se  forem  seguidas  as  condições  estéreis  e  demais  recomendações  de  manuseio  e
armazenamento.
Dose-equivalência das preparações de toxina botulínica disponíveis
O Clostridium botulinum  é  uma  bactéria  anaeróbica  que  produz,  pelo menos,  sete  neurotoxinas  distintas,  nomeadas  por
sorotipos  de  A  a  G.  Os  sorotipos  A  e  B  estão  disponíveis  para  uso  cosmético  e  terapêutico,  mas  o  tipo  A  é  o  único
aprovado para fins cosméticos, sendo, também, o mais usado.
As preparações comerciais de TBA mais usadas no mundo são a toxina onabotulínica A (ONA, Botox®; Allergan Inc.,
Irvine,  CA,  EUA),  a  toxina  abobotulínica  A  (ABO,  Dysport®,  Ipsen  Ltd.,  Wrexham,  Reino  Unido),  e  a  toxina
incobotulínica A (INCO, Xeomin®, Merz Pharmaceuticals, Frankfurt, Alemanha). Outras preparações bastante usadas são
Prosigne® (Lanzhou  Institute of Biological Products, Lanzhou, China) e Neuronox® (BoNT Medy­Tox  Inc., Coreia do
Sul). Esses medicamentos  são  semelhantes  em aspectos  fundamentais,  tais  como apresentarem o mesmo  sorotipo A em
sua constituição e o mesmo mecanismo de ação, mas são compostos por diferentes formulações e diferem também quanto
à potência de suas unidades. O sorotipo A é uma macromolécula proteica composta por um núcleo de neurotoxina de 150
kDa ligada a proteínas hemaglutininas e não hemaglutininas. ONA e ABO diferem entre si no tamanho e na composição do
complexo  proteico,  enquanto  a  INCO  é  uma  TBA  livre  de  complexos  proteicos.  A  Tabela  12.1  resume  as  principais
formulações de TBA disponíveis comercialmente e mostra as especificações de cada produto.
A  dose  de  TBA  é  medida  em  unidades  de  atividade  biológica  (U),  verificada  em modelos  animais.  As  unidades  de
diferentes  produtos  não  são  equivalentes,  mas  doses  proporcionais  equivalentes  entre  diferentes  produtos  podem  ser
estabelecidas. Diversos estudos apresentam evidências para dose­equivalência de 1:2 a 2,5 U entre ONA e ABO,  toxinas
cujos resultados são semelhantes quanto aos campos de efeitos clínicos. Com as referidas dose­equivalências, é possível
obter eficácia, segurança, intensidade e duração da paralisia muscular e/ou anidrose similares. Além disso, há estudos que
evidenciam uma  dose­equivalência  de  1:1  entre ONA e  INCO. Um estudo  recente  sugere  a  dose­equivalência  de  1:2  ou
1:2,5 U entre INCO e ABO.
Reconstituição
Todas as TBAs disponíveis comercialmente no Brasil precisam ser reconstituídas antes do uso. A bula dos produtos indica
a solução salina de cloreto de sódio a 0,9% livre de conservantes como diluente, embora alguns especialistas prefiram usar
soluções  salinas  contendo  conservantes.  Soluções  salinas  com  conservante  com  álcool  benzílico  em  sua  composição
apresentam  propriedades  anestésicas  e  parecem  minimizar  o  desconforto  da  aplicação.  Ensaios  clínicos  randomizados
demonstraram a eficácia de soluções salinas com conservantes na redução da dor das  injeções em aproximadamente 60%
dos casos, o que foi verificado por escalas numéricas de detecção de dor. Esse tipo de diluente não parece afetar a potência
da TBA. O uso de ambas as soluções é apoiado por consenso de especialistas e depende da preferência do médico.
Durante  a  reconstituição,  o  diluente  deve  ser  introduzido  suavemente  no  frasco  para  evitar  a  formação  de  bolhas.
Seringas de 1 mℓ   ou mais  e  agulhas  de  21 G  são  usadas  para  a  diluição. A  seringa  deve  ser  inserida  obliquamente  na
entrada do frasco e direcionada para a parede do mesmo. Se for usado álcool para assepsia, deve­se aguardar a completa
evaporação antes da entrada da agulha, já que a TBA pode ser inativada pelo álcool.
O volume de  solução  salina usada no processo de  reconstituição varia  de  acordo  com a  experiência  ou preferência  do
médico, optando­se, em geral, por volumes de 1 a 5 mℓ. Entretanto, a  reconstituição dos produtos em volumes baixos é
preferível,  uma vez que  resulta  em uma concentração do produto  e  injeções de menor volume, promovendo uma  técnica
mais precisa, com diminuição do risco de complicações.
Existem diferentes publicações sobre a possível influência do volume de solução salina usado na reconstituição no que
diz  respeito  aos  efeitos  clínicos,  à  duração  dos  efeitos  e  à  difusão  do  produto.  Um  estudo  avaliou  os  efeitos  de  duas
diferentes diluições de ONA em rítides periorbitais. Apesar de uma diferença de cinco vezes na concentração entre as duas
diluições,  nenhuma  diferença  significativa  foi  demonstrada  na  eficácia  ou  duração  do  efeito.  Outro  estudo  foi  realizado
para avaliar a eficácia e  segurança de quatro diluições de ONA no  tratamento de  linhas glabelares; os pesquisadores não
encontraram relação entre a diluição e a eficácia clínica ou maior incidência de efeitos adversos nos diferentes grupos. Na
avaliação dos efeitos anidróticos da TBA no tratamento de hiperidrose compensatória, não houve diferença significativa no
campo de efeito anidrótico nos diferentes volumes de 2, 4, 6 e 8 mℓ usados para diluição de ABO, aplicada na dose de 5 e
10 U por ponto de injeção.
Tabela 12.1 Especificações das principais preparações comerciais de toxina botulínica tipo A.
  ONA ABO INCO TBA TBA
Laboratório Allergan, Inc. Ipsen Inc. Merz Pharmaceuticals Medy-Tox Inc., Coreia
do Sul
Lanzhou
Nomes comerciais Botox®, Botox
Cosmetic®,Vistabel®, 
Vistabex®
Dysport®, 
Reloxin®, 
Azzalure®
Xeomin®, 
Bocouture®
Neuronox®, 
Meditoxin® 
Botulift®
Prosigne®, 
Lantox®, 
Redux®
Tipo Tipo A – Cepa hall Tipo A – Cepa hall
(NCTC 2916)
Tipo A – Cepa hall Tipo A Tipo A
Substância ativa Complexo de toxina
botulínica tipo A (900
kDa)
Complexo de toxina
botulínica tipo A (400 a
500 kDa)
Toxina botulínica tipo A
sem complexo proteico
(150 kDa)
Toxina botulínica tipo A
(940 kDa)
Toxina botulínica
tipo A (900 kDa)
Forma farmacêutica Pó congelado a vácuo
estéril
Pó lió lo injetável Pó lió lo injetável Pó lió lo injetável Pó lió lo injetável
Excipientes 500 mg de ASH 0,9 mg
de NaCl
125 mg de ASH 2,5 mg
de lactulose
1.000 mg de ASH 4,7
mg de sacarose
500 mg de ASH 0,9 mg
de NaCl
5 mg de gelatina 25
mg de dextrana 25
mg de sacarose
Dose-equivalência
em relação à ONA
1:1 1:2 a 2,5 1:1 1:1 1:1
Reconstituição 0,9% NaCl 0,9% NaCl 0,9% NaCl 0,9% NaCl 0,9% NaCl
Armazenamento
antes da
reconstituição
2° a 8°C 2° a 8°C Refrigerado: 2o a 8°C
Temperatura ambiente:
20° a 25°C Congelado: –
20° a –10°C
2° a 8°C 2° a 8°C
Tempo de
armazenamento
(frasco fechado)
36 meses Não especi cado 36 meses 24 meses 36 meses
Unidades/frasco 50/100/200 300/500 50/100 50/100/200 50/100
ONA: toxina onabotulínica A; ABO: toxina abobotulínica A; INCO: toxina incobotulínica A; TBA: toxina botulínica tipo A; ASH:
albumina sérica humana. (Adaptada de Hexsel D e Hexsel C, 2015.)
Uma revisão bibliográfica sobre diferentes volumes para diferentes indicações de TBA apresentou resultados variados.
Enquanto  alguns  estudos  indicam  maior  difusão  ou  efeito  com  um  volume  maior,  outros  não  demonstraram  nenhuma
diferença  de  eficácia.  Os  autores  concluíram  que  o  efeito  clínico  da  diluição  não  parece  ser  significativo,  embora  um
potencial menor para dor fosse encontrado com soluções mais concentradas.
Mais  estudos  são  necessários  para  avaliar  os  efeitos  clínicos  quando diferentes  volumes  são  usados  na  reconstituição
dos produtos. A escolha do volume de solução salina para  reconstituir um produto deve seguir parâmetros  razoáveis e a
experiência, preferência e/ou conveniência do médico. Para os autores deste capítulo, a dose é o fator mais importante na
determinação dos efeitos clínicos dos produtos de TBA. A Tabela 12.2 mostra diluições regulares de ONA ou INCO para
obtenção de equivalências de dose de 1:2 e 1:2,5 para ABO.
Armazenamento
Os frascos contendo ONA devem ser mantidos refrigerados (2° a 8°C) e por até 36 meses antes do uso, respeitando­se o
prazo de validade do produto. Os  frascos  fechados de ABO  também precisam  ser mantidos  refrigerados  (2°  a  8°C),  no
entanto, não há especificação em bula sobre o  tempo que o  frasco pode ser mantido no  refrigerador. A  INCO difere das
outras toxinas quanto ao seu armazenamento. Frascos fechados de INCO podem ser armazenados a temperatura ambiente
(20° a 25°C), refrigerados (2° a 8°C), ou congelados (–20° a –10°C), durante 36 meses. Estudos têm demonstrado, ainda,
a estabilidade dessa formulação em até 48 meses na temperatura ambiente e em até 6 meses a 60°C.
Tabela 12.2 Volumes de solução salina para reconstituição de ONA ou INCO e volumes para reconstituição de ABO para
obter a equivalência de doses de 1:2 e 1:2,5 entre os produtos.
Se a reconstituição do frasco de
100 U de ONA ou INCO é feita com
Para obter a equivalência de
doses entre ONA ou INCO e ABO
de
A reconstituição do frasco de 500
U de ABO deve ser feita com
A reconstituição do frasco de 300
U de ABO deve ser feita com
0,8 mℓ 1:2 U 2 mℓ 1,2 mℓ
1 mℓ 1:2 U 2,5 mℓ 1,5 mℓ
2 mℓ 1:2 U 5 mℓ 3 mℓ
2,5 mℓ 1:2 U 6,25 mℓ 3,75 mℓ
0,8 mℓ 1:2,5 U 1,6 mℓ 0,96 mℓ
1 mℓ 1:2,5 U 2 mℓ 1,2 mℓ
2 mℓ 1:2,5 U 4 mℓ 2,4 mℓ
2,5 mℓ 1:2,5 U 5 mℓ 3 mℓ
ONA: toxina onabotulínica A; INCO: toxina incobotulínica A; ABO: toxina abobotilínica A. (Adaptada de Hexsel D e Hexsel C, 2015).
Após  a  reconstituição,  todas  as  formulações  devem  ser  mantidas  em  refrigerador,  em  temperatura  de  2°  a  8°C.
Recomendações do fabricante afirmam que ONA e INCO devem ser usadas em até 24 h após a reconstituição e ABO, em
até 8 h. No entanto, estudos demonstraram que a TBA pode ser reconstituída e armazenada antes do uso por períodos mais
longos, sem redução evidente na potência ou aumento de eventos adversos.
Em um ensaio clínico randomizado, 105 participantes receberam tratamento com ABO na glabela com TBA previamente
reconstituída  e  armazenada  por  8  horas,  8  dias  ou  15  dias  antes  das  injeções.  Não  houve  diferença  quanto  à  contração
muscular  na  avaliação  de  5  pesquisadores  cegos  em  28,  56,  84  e  112  dias  após  as  injeções.  Além  disso,  cultivos  para
agentes microbianos nos frascos foram todos negativos no fim do estudo. Outro estudo comparou a eficácia clínica a cada
2 semanas durante 4 meses em 88 indivíduos que receberam ONA no mesmo dia ou em 1, 2, 3, 4, 5, ou 6 semanas após a
reconstituição.  Não  houve  diferença  clínica  entre  os  grupos  e  os  autores  concluíram  que  ONA  pode  ser  aplicada  até  6
semanas após a reconstituição sem perder a eficácia.
Estudos comparativos entre os dois lados da face (split­face) com toxina botulínica (TB) reconstituída e armazenada por
até 2 semanas e toxina aplicada no momento da reconstituição também não mostraram diferenças no perfil de eficácia ou
efeitos  colaterais.  Um  estudo  duplo­cego  randomizado  controlado  com  30  indivíduos  avaliou  a  injeção  de  ONA
reconstituída no momento da injeção no canto lateral do olho de um lado e de toxina reconstituída e armazenada durante 1
semana no outro lado. Os pacientes foram acompanhados no dia 10 e em 6, 12 e 18 semanas após aplicação. A avaliação
incluiu análise da neurocondução do nervo facial e avaliação fotográfica do número de linhas dinâmicas do canto do olho
externo.  Não  houve  diferenças  entre  os  grupos  em  até  18  semanas  após  a  injeção.  Em  outro  estudo  semelhante,  45
pacientes  receberam  ONA  reconstituída  para  tratamento  de  rítides  periorbitais  no  momento  da  aplicação  de  um  lado  e
toxina  reconstituída  2  semanas  antes  no  lado  contralateral.  Não  houve  diferença  na  eficácia  clínica  observada  pelos
avaliadores e pelos pacientes durante os 3 meses de acompanhamento.
Estudos  também  avaliaram  os  parâmetros  clínicos  de  TBA  reconstituída  e  armazenada  sob  congelação.  Um  ensaio
clínico randomizado duplo­cego com 40 indivíduos comparando as duas metades da fronte avaliou o efeito da ONA logo
após a reconstituição em uma metade, e da ONA refrigerada (armazenada a 4°C) por 2 semanas ou toxina congelada por 2
semanas  na  outra metade. Não  houve  diferença  no  tempo  do  início,  intensidade  ou  duração  dos  efeitos  em  até  120  dias
após as injeções. Um estudo de coorte prospectivo com 80 indivíduos comparou ABO reconstituída no prazo de 4 horas e
ABO  congelada  por  até  6  meses  após  reconstituição  no  tratamento  de  rítides  faciais.  Resultados  excelentes  foram
observados em 94,8% das áreas  tratadas com TBA não congelada e em 93,3% das áreas  tratadas com TBA congelada e
descongelada, sem qualquer diferença na eficácia clínica ou na frequência de eventos adversos.
Outros  estudos  avaliaram  o  risco  potencial  de  contaminação  da TB  reconstituída.  Em um deles,  11  frascos  de  toxina
reconstituídos  foram  expostos  à  temperatura  ambiente  durante  4  horas  e,  em  seguida,  refrigerados  durante  3  a  5  dias.
Amostras desses frascos foram colocadas em meio de cultura e nenhuma contaminação microbiana foi detectada. Em outro
estudo, 127 frascos reconstituídos consecutivamente com álcool benzílico e refrigerados por 1 semana foram usados para
tratar  de  1  a  3  pacientes.  Esses  frascos  foram,  em  seguida,  refrigerados  e  manuseados  repetidamente  por  diferentes
pessoas  que  retiraram  pequenas  alíquotas  dos  frascos  com  seringas  diferentes.  Cada  frascopassou  em  média  por  4,5
manuseios  em  7  semanas.  Ao  fim  do  estudo,  todos  os  frascos  foram  submetidos  a  culturas  e  nenhuma  contaminação
microbiana foi encontrada.
Um  consenso  com  25  membros  de  diferentes  especialidades  realizado  em  2004  revelou  que  73%  dos  membros
rotineiramente armazenavam TBA por mais de 4 horas após a reconstituição. Uma pesquisa feita com 322 dermatologistas
demonstrou  que  68,6%  rotineiramente  armazenavam  TBA  por  mais  de  1  semana  após  a  reconstituição  e  usavam  cada
frasco  para  mais  de  um  paciente.  Os  dados  mostraram,  ainda,  que  67%  dos  dermatologistas  acreditavam  que  a  TBA
poderia ser armazenada e reutilizada de modo seguro por até 4 semanas. A maioria dos participantes da pesquisa tinha, em
média, 15 anos de experiência em prática clínica e nenhum deles relatou infeção local associada ao uso cosmético de TBA.
Um consenso promovido pela Sociedade Americana de Cirurgia Dermatológica  junto  a  especialistas  concluiu:  (1)  que
um  frasco  de  TBA  reconstituído  de  modo  apropriado  pode  ser  refrigerado  ou  congelado  durante  pelo  menos  quatro
semanas antes da injeção sem risco de contaminação ou diminuição da eficácia; (2) que um frasco de TBA, reconstituído e
manuseado de modo apropriado, pode ser usado para  tratar vários pacientes; e  (3) que o uso de uma solução salina com
conservantes demonstrou ser efetivo em reduzir o desconforto dos pacientes, sem associação com efeitos adversos.
Considerações finais
Os  resultados  clínicos  da  aplicação  de  TBA  podem  ser  aperfeiçoados  com  o  conhecimento  adequado  do  manejo,  da
conservação, da diluição e do armazenamento dos frascos. Negligenciar certas regras nesse processo e desenvolver práticas
não  recomendadas  ou  estudadas  pode  comprometer  seriamente  a  ação  farmacológica  da  TBA,  resultando  em  efeitos
subclínicos  ou  efeitos  clínicos  não  desejados,  além  de  colocar  em  risco  a  saúde  do  paciente.  É  recomendável  seguir  as
regras aceitas quanto ao uso de TBA.
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13
Difusão
Ana Paula Gomes Meski
Introdução
A aplicação de toxina botulínica tipo A (TBA) é o procedimento estético não invasivo mais realizado no mundo. Estudos
demonstraram  que  as  diferentes  toxinas  botulínicas:  toxina  onabotulínica  A  (ONA,  Botox®),  toxina  abobotulínica  A
(ABO, Dysport®) e toxina incobotulínica A (INCO, Xeomin®) são comparáveis na eficácia clínica.
A estrutura da toxina botulínica consiste em uma porção ativa com 150 kDa associada a proteínas complexantes (NAP),
formando um complexo com maior peso molecular. Em todos os sorotipos de neurotoxinas a porção ativa é composta por
2  cadeias  leves  de 50 kDa  e  uma  cadeia  pesada de 100 kDa unidas  por  uma ponte  dissulfeto. A  cadeia  pesada  liga­se  a
glicolipídios específicos, gangliosídios  (GT1b) e a um receptor específico de  superfície  (SV2) nas  terminações nervosas
colinérgicas,  promovendo  sua  absorção  por  endocitose  e  a  translocação  da  cadeia  leve  através  da membrana  endossomal
para dentro do compartimento citosólico. Simultaneamente, a ponte dissulfeto é quebrada,  tornando possível que a cadeia
leve penetre no citosol, e pela sua atividade proteolítica, após a internalização, liga­se especificamente à proteína SNARE
que varia de acordo com o sorotipo da  toxina botulínica  (TB). TBA quebra a SNAP­25, prevenindo a  fusão da vesícula
sináptica com a membrana pré­sináptica, o que bloqueia a liberação de acetilcolina na fenda sináptica.
Todos  os  preparados  comerciais  apresentam  mecanismos  de  ação  semelhantes,  mas  apresentam  diferentes  NAP,  que
consistem em vários tipos de hemaglutininas, acarretando diferentes pesos moleculares e estruturas tridimensionais. Esses
complexos  dissociam­se  instantaneamente  após  a  reconstituição  (diluição)  do  frasco  e  não  desempenham  ação
farmacológica  ativa  nas  terminações  nervosas.  A  toxina  incobotulínica  A  (INCO)  é  a  única  neurotoxina  pura  que  não
apresenta qualquer outra proteína associada à porção ativa.
Difusão das diferentes toxinas
As  proteínas  complexantes  desempenham  várias  funções  na  natureza.  Inicialmente  foi  sugerido  que  a  principal  seria  a
proteção da TB no tubo gastrintestinal. Posteriormente, isso foi confirmado após análise bioquímica (teste de resistência à
protease)  em  diferentes  tipos  de  toxina.  Também  tem  sido  descrito  que  as  proteínas  complexantes  podem  estabilizar  a
atividade  biológica  da  neurotoxina  in vivo  e  facilitar  a  adesão  ao músculo. Alguns  autores  relataram  que,  em  função  do
grande  peso molecular  do  complexo  da  toxina,  as  proteínas  complexantes  são  capazes  de  limitar  a  difusão  da  TB  para
tecidos não alvo do tratamento. No entanto, estudos posteriores verificaram que não havia diferença na difusão da TB tanto
na sua forma livre ou complexada após injeção no músculo. Embora o produto injetado seja diferente, a dissociação rápida
leva  à  geração  do mesmo  agente  ativo,  isto  é,  a  porção  ativa  da TBA  com  150  kDa,  com  as mesmas  características de
difusão  e  efeitos  terapêuticos.  Estudos  in vivo mostraram  que  diferentes  TBA  com  diferentes  proteínas  complexantes  e
uma preparação contendo  somente a porção ativa de TBA (150 kDa) apresentaram a mesma difusão a partir do  local da
injeção. A  comparação  da  substância  livre  de  proteínas  de  complexação  (INCO)  com  as  outras  toxinas  evidencia  que  a
difusão depende da dose e do volume empregados, e não do peso molecular, como se discutirá a seguir.
As  discussões  sobre  propagação  da  neurotoxina  nos  tecidos  e  difusão  são  prejudicadas  por  uso  de  terminologia
inconsistente. A distribuição  local  e  sistêmica  de TBA depende dos  seguintes  fatores:  (1)  dispersão  física  ou migração,
que se refere ao movimento da toxina de um local para outro e é dependente de variáveis como técnica de injeção, volume,
tamanho da agulha,  e outros  fatores  físicos;  (2) difusão é um fenômeno microscópico, no qual uma molécula  solúvel  se
dispersa por  transporte passivo a partir do seu  local de  injeção original;  (3)  transporte neuroaxônico,  tipo de propagação
que pode ocorrer através dos nervos e transporte hematógeno pelo sangue.
A  difusão,  principal  forma  de  propagação  da  neurotoxina,  representa  o  movimento  passivo  através  do  gradiente  de
concentração  dentro  do  tecido­alvo  a  partir  do  ponto  de  injeção.  A  obtenção  de  resultados  clínicos  adequados  com  o
tratamento  depende  da  localização  precisa  da  neurotoxina,  evitando  sua  difusão  para  os  tecidos  adjacentes  não  alvo  do
tratamento.  Inicialmente acreditava­se que as diferentes características de difusão da  toxina estavam relacionadas com os
diferentes pesos moleculares, de modo que o alto peso molecular da ONA seria capaz de limitar sua difusão. No entanto,
outros  trabalhos  foram  realizados comparando a difusão das neurotoxinas através da medida de halos anidróticos após a
aplicação de volumes idênticos na região frontal e verificou­se que isso não era realidade. Trindade de Almeida et al., em
2007, compararam ONA e ABO usando relações de 1:2,5, 1:3 e 1:4, demonstrando que a área de anidrose foi maior com
ABO em 93% em comparação com as demais toxinas. Hexsel et al., em 2008, usando a relação de 1:2,5 não observaram
diferença  estatisticamente  significante  entre  a  medida  dos  halos  produzidos  pelas  2  neurotoxinas,  e  não  evidenciaram
diferença  na  difusão  injetando  a mesma  dose  com  a mesma  técnica.  A  comparação  entre  INCO  e  ONA mostrou  halos
anidróticos idênticos com 5 U de cada toxina aplicadas em cada lado da fronte como demonstrado por Brodsky et al., em
2012. Recentemente  foi  realizado um estudo duplo­cego,  controlado e  randomizado para avaliar  a difusão de um  tipo de
toxina  botulínica  chinesa  (CBTX­A)  comparada  à ONA. As  toxinas  foram  aplicadas  com mesma  dose, mas  variaram  a
profundidade. Quando aplicada na área intradérmica, o halo de anidrose, tanto a dimensão vertical quanto a horizontal, foi
significativamente maior  com CBTX­A do que ONA. Quando  injetadas  em profundidades diferentes,  a  dimensão média
horizontal  foi  significativamente maior com ONA subcutânea do que  intradérmica. Esse  trabalho, publicado por  Jiang et
al.  (2014),  verificou  que  a ONA difunde menos  que CBTX­A e  que  a  técnica  de  injeção  intradérmica  pode  resultar  em
menor difusão do que a subcutânea.
No entanto,  até o presente momento, não  foi  encontrada uma clara  correlação entre  anidrose  e  atividade muscular que
suporte a equivalência dos resultados entre 2 tipos diferentes de halos (anidrose e falta de função muscular).
Estudos  com  eletroneuromiografia  realizados  após  a  aplicação  de  toxina  botulínica  no  músculo  frontal  mostraram  a
mesma supressão de ação com ONA e ABO.
Existem  discussões  sobre  a  cinética  da  separação  da  neurotoxina  e  proteínas  complexantes  durante  a  injeção. Alguns
estudos mostraram que o complexo não se dissociaria imediatamente após a injeção para liberar a toxina. As diferenças de
cinética  e  de  estabilidade  entre  a  neurotoxina  150  kDa  e  o  complexo  900  kDa  suscitaram  o  questionamento  de  que  a
dissociação  não  seria  instantânea.  Mas  essa  opinião  não  é  compartilhada  por  todos  os  autores.  Outro  artigo  afastou  a
hipótese de que a massa molecular heterogênea da ABO acarretaria maior difusão. Após a injeção, quer seja de ABO, quer
seja de ONA, a neurotoxina  liberta­se rapidamente das proteínas associadas e exerce ação  intracitoplasmática comparável
em qualquer produto. A ocorrência de diferenças de difusão sugere que a razão de conversão entre as neurotoxinas não foi
apropriada.  Wohlfarth  et  al.  (2008)  publicaram  um  estudo  mostrando  que  as  proteínas  complexantes  não  têm  papel
importante na difusão que depende da dose e do volumeda injeção. Outros estudos comparativos mostraram uma tendência
nítida à diminuição da razão de conversão de toxina abobotulínica A (ABO) em relação à toxina onabotulínica A (ONA).
A  expressão  da  molécula  de  adesão  de  células  neurais  (N­CAM)  em  músculos  de  modelos  animais,  medida  após
diferentes  períodos  de  tempo  pela  injeção  de  toxina,  tem  sido  usada  como  índice  de  difusão.  As  N­CAM  podem  ser
detectadas  com  alta  sensibilidade  por  análises  histológica  e Western  blot.  Estão  presentes  na  superfície  de  miotubos
embrionários, e são quase ausentes nos músculos adultos, embora o processo de denervação induza ao reaparecimento de
N­CAM. Assim, a paralisia do músculo esquelético por injeção de TBA é suficiente para ativar a expressão de N­CAM.
Essa possibilidade, no entanto, não havia sido estudada in vivo até Carli et al. (2009) compararem a difusão das diferentes
marcas  de  TBA  em  ratos,  usando  proteínas  isoladas  a  partir  de  músculos  dissecados  do  membro  posterior  denervado
previamente com TBA e incubadas e coradas com anticorpo policlonal anti­N­CAM. Os pesquisadores observaram que a
TBA injetada no músculo tibial anterior de ratos exibiu difusão limitada aos músculos adjacentes ao local de injeção e que
o grau de difusão dos 3 produtos (ONA, ABO e INCO) é praticamente o mesmo. Além disso, as colorações de N­CAM
das  seções  dos músculos  injetados mostraram que  grande  parte  da  neurotoxina manteve­se  próxima  ao  local  de  injeção,
atingindo  os  músculos  adjacentes  em  quantidade  limitada.  Nenhuma  coloração  foi  detectada  em  músculos  do  membro
posterior contralateral, o que corrobora o argumento contra qualquer disseminação sistêmica significativa de qualquer uma
das 3 formulações de neurotoxina.
Vários  estudos  eletrofisiológicos  em animais  inicialmente  sugeriram que os músculos não  alvo poderiam  ser  afetados
por injeções de TB. Yaraskavitch et al.  (2008) mediram as  implicações funcionais de neurotoxina na produção de força e
fraqueza de um possível alvo muscular e em um músculo vizinho não injetado, demonstrando efeito de diminuição da força
máxima  nos  músculos­alvo  e  não  alvo.  Esse  achado  apoiou  a  conclusão  de  que  a  neurotoxina  pode  passar  pela  fáscia
muscular para a musculatura adjacente, causando fraqueza. Outros estudos demonstraram que isso poderia ser evitado por
meio da aplicação de pequenas doses no centro do alvo muscular. A  fraqueza muscular  induzida por TBA foi maior  em
grupos  musculares  com  distâncias  curtas  em  comparação  aos  com  comprimentos  musculares  longos  e  com  baixa
frequência de estimulação, 4 semanas após a intervenção. Essas observações sugerem que os efeitos paralisantes da TBA
não são uniformes e dependem de uma variedade de condições biofísicas e fisiológicas.
A  disseminação  de  TBA  é  causada,  provavelmente,  pela  difusão  da  toxina  não  ligada  pelo  espaço  extracelular,
impulsionado pelo gradiente de concentração e a dinâmica da injeção. A difusão dependente da dose aplicada e os efeitos
nos  músculos  adjacentes  têm  sido  relatados  em  animais  experimentais  testados  com  coloração  acetilcolinesterase  e  em
propriedades  de  contração  do  músculo.  Medindo  as  variações  no  diâmetro  das  fibras  e  usando  coloração  acetilcolina­
esterase como índice de denervação, Borodic et al. (1994) mostraram que TBA difundia­se 45 mm a partir do local de uma
única injeção com 10 U no músculo dorsal longo de coelhos. Em doses mais baixas (1 U) ocorreu queda do gradiente de
difusão de 15 mm a 30 mm no segmento do músculo aplicado.
Outras pesquisas mostraram que o tamanho do campo de denervação é determinado pela dose e pelo volume, de modo
que  tratamentos com múltiplas  injeções ao  longo do músculo afetado com baixas doses, em vez de um único ponto com
dose maior, restringiriam os efeitos biológicos da toxina no músculo­alvo.
Outro  conceito  sobre  a  distribuição  de  TBA  refere­se  aos  efeitos  distais  da  toxina.  Os  efeitos  da  TBA  podem  ser
observados a uma distância considerável a partir do ponto de aplicação, cuja difusão ocorre por transporte neuroaxônico ou
disseminação hematogênica.
A ação da TBA no sistema nervoso periférico tem sido extensivamente documentada, e o conhecimento adquirido nesse
domínio  lançou  as  bases  para  o  seu  uso  além  das  doenças  caracterizadas  pela  hiperfunção  do  tecido  muscular.
Teoricamente, esses efeitos remotos podem ser por ação direta da toxina transportada por via hematógena ou em transporte
axônico  retrógrado. Pouco  se  conhece  sobre  a  ação da TBA no  sistema nervoso  central. O volume  e  a  diluição  também
influenciam a distribuição nesse sistema.
Considerações finais
Devido  à  proximidade  anatômica  das  estruturas  e  à  complexidade  funcional  dos  músculos  faciais,  possíveis  efeitos
adversos secundários aos efeitos de difusão podem levar a consequências substanciais para os pacientes. Para se obterem
os  resultados  previsíveis  de  tratamento,  a  difusão  deve  ser  contida. Não há mais  dúvida  de  que  a  presença  de  proteínas
complexantes não reduz a difusão da toxina. O volume e a diluição influenciam a propagação da TBA, mas como não há
uma  diluição  preestabelecida  entre  os  profissionais  que  realizam  este  tratamento,  observa­se  variação  na  resposta
terapêutica.
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Vias de Aplicação / Drug Delivery
Maria Claudia Almeida Issa 
Mariana Boechat de Souza
Introdução
A toxina botulínica (TB) é uma ferramenta poderosa para o tratamento de problemas comuns em dermatologia e em outras
áreas  médicas,  como  oftalmologia,  neurologia,  urologia  e  proctologia,  apresentando  indicações  diversas.  Além  do
rejuvenescimento  facial,  está  indicada  para  tratamento  de  estrabismo,  blefarospasmo,  espasmo  hemifacial,  distonia
cervical, disfonia espasmódica, hiperidrose, sialorreia, síndrome de Frey, migrânea crônica, disfunção temporomandibular,
neuralgia do  trigêmeo e pós­herpética  e  fissura  anal  crônica. Novas modalidades de  formulação e  aplicação das diversas
variantes da toxina vêm sendo estudadas. Vale lembrar que há relação direta entre as indicações da toxina, seu mecanismo
de ação e sua via de aplicação. Este capítulo expõe as diferentes vias de aplicação da TB empregadas na prática clínica ou
ainda em caráter experimental.
Mecanismo de ação
Os  efeitos  clínicos  da  TB  são  obtidos  por  meio  da  inibição  pré­sináptica,  altamente  específica,  porém  reversível,  da
liberação de acetilcolina na junção neuromuscular e em outros tecidos. Não há evidências na literatura médica que sugiram
qualquer  degeneração  permanente  em  pacientes  tratados  repetidamente  por  longo  período  de  tempo.  A  posterior
recuperação da atividade neuronal normal é atribuível a dois  fenômenos: desenvolvimento do broto axonal em resposta à
secreção  de  fator  de  crescimento  pelo  músculo  denervado,  e  posterior  retorno  da  liberação  de  vesículas  contendo
neurotransmissores. Esse caráter de  reversibilidade  favorece a  resolução de possíveis efeitos não  intencionais após curto
período  de  tempo,  e  tem  como  limitação  principal  a  necessidade  de  repetidas  injeções  para  perpetuação  dos  efeitos  do
tratamento. Algumas evidências sugerem que repetidos tratamentos podem promover uma eficácia sustentada. Estudos em
eczema sugerem uma ação antipruriginosa da  toxina botulínica  tipo A (TBA) via  inibição da  liberação de substância P e
glutamato, além da acetilcolina, o que ajuda a explicar os benefícios da toxina no líquen simples e eczema disidrótico das
mãos. A  denervação  química  de  glândulas  sudoríparas  écrinas  e  salivares,  obtida  por meio  do  bloqueio  da  liberação  de
acetilcolina  e  consequente  bloqueio  da  secreção  de  saliva,  suor  e  muco  explica  a  eficácia  do  seu  uso  recente  para  o
tratamento de doença de Hailey­Hailey, hidrocistoma écrino­facial, fístulas salivares e rinite intrínseca.
Vias de aplicação
Intramuscular
A TB é mais  comumente usada para o  rejuvenescimento  facial,  injetada em grupos musculares específicos, podendo  ser
associada  ao  uso  de  preenchedores  para  melhorar  a  harmonia  da  face.  A  toxina  é  indicada,  principalmente,  para  o
tratamento  do  terço  superior  da  face,  eliminando  ou  reduzindo  as  rugas  glabelares  (músculos  prócero  e  corrugador),  da
fronte (músculo frontal) (Figura 14.1) e perioculares (porções laterais do músculo orbicular dos olhos). No terço inferior,
pode ser usada para tratar rugas periorais (orbicular da boca, abaixador do ângulo da boca e mentual). Deve­se atentar para
o risco de disartria e incompetência oral.
Ainda que o sulco nasolabial seja mais eficazmente tratado com preenchedores, alguns autores têm relatado sucesso no
uso de TB nesses casos, principalmente quando há associação com sorriso gengival ou com lábios superiores curtos. Os
pacientes devem ser alertados da mudança no seu padrão de sorriso.
A “celulite do queixo” pode ser tratada com injeção em dois locais no músculo mentual, em posição paramediana, 5 mm
lateral à linha média, sobrepondo­se à borda inferior da mandíbula; ou em apenas um local na linha média, segundo alguns
autores. Deve­se ter cuidado com injeções muito laterais pelo risco de atingir o músculo abaixador do ângulo da boca, bem
como injeções muito superiorizadas, que possam atingir as fibras musculares do orbicular da boca.
No  pescoço,  a  TBA  pode  ser  usada  para  o  tratamento  de  bandas  platismais,  observando­se,  também,  efeitos  sobre  o
rejuvenescimento  do  contorno mandibular  como  consequência  do  tratamento  das  bandas. A TBA pode  ser  aplicada  para
alterar o contorno da mandíbula por meio de injeções na musculatura masseteriana, procedimento que é bastante popular no
leste da Ásia, sobretudo na Coreia do Sul. Efeitos adversos incluem dor muscular, dificuldades de mastigação, disartria e
estranheza ao sorrir. A hipertrofia masseteriana é uma condição acompanhada de dor e desfiguração cosmética, associada à
distonia oromandibular  e  à disfunção  temporomandibular,  ou  sem etiologia óbvia na maioria dos  casos. O efeito do uso
intramuscular de TBA nesses casos tem sido descrito com resultados promissores e mínimos efeitos colaterais.
A TB  pode  ser  aplicada  em  conjunto  com o  ácido  hialurônico  no manejo  de  deformidades  nasais,  particularmente  de
ponta nasal mergulhante, em que o preenchimento é feito para corrigir os ângulos nasais, enquanto a TBA é aplicada para
tratar a hiperatividade do músculo abaixador do septo nasal e em pacientes relutantes à cirurgia plástica, ou para defeitos
sutis. Os resultados são satisfatórios e duradouros.
A  TBA  pode  ser  usada  para  elevação  das  sobrancelhas,  por meio  de  injeções  na  região  lateral  do  orbicular  do  olho,
abaixo  da  sobrancelha,  associada  ou  não  à  injeção  na musculatura  glabelar  para  elevação medial. As  rugas  perioculares
conhecidas como “pés de galinha” são causadas pela contração das fibras laterais do orbicular do olho e zigomático. Assim
como no tratamento da glabela, as injeções devem ser realizadas prevendo­se a distânciamínima da rima orbitária de 1 cm.
Figura 14.1 Aplicação intramuscular da toxina botulínica tipo A para bloqueio do músculo frontal.
A contração do músculo frontal produz linhas horizontais demarcadas na fronte. A injeção de TBA relaxa a musculatura
frontal  a  ponto  de  atenuar  essas  linhas.  As  injeções  devem  ser  feitas  respeitando  uma  distância  de  2  a  3  cm  da  rima
orbitária superior. Ainda que exista risco de ptose, principalmente da porção inferior da fronte lateral, a correção de rugas
supraciliares  na  porção  lateral  da  fronte  pode  ser  realizada  de  modo  cauteloso.  Um  estudo  clínico  randomizado
recentemente  mostrou  que  a  injeção  intramuscular  de  TBA  na  região  temporal  em  direção  à  linha  de  implantação  dos
cabelos foi capaz de reduzir as rugas supraciliares de maneira segura e efetiva, e nenhum caso de ptose foi relatado entre as
40  participantes.  O  tratamento  das  rugas  glabelares  é  focado  no  bloqueio  do  corrugador  do  supercílio  e  prócero.
Contrações  do  corrugador  (e,  em  menor  grau,  da  porção  medial  do  orbicular  dos  olhos  e  do  abaixador  do  supercílio)
produzem linhas verticais entre as sobrancelhas. A contração do prócero produz linhas horizontais sobre a ponte nasal.
Via intradérmica/intracutânea
A TB pode ser usada pela via intradérmica no tratamento da dermatite disidrótica das mãos, constituindo uma alternativa
válida para pacientes com eczema vesicular das mãos refratário ao tratamento usual, especialmente associado à hiperidrose
e à piora do quadro no período de verão. Swartling et al. obtiveram bons resultados com injeções intradérmicas de 2 U a
cada  15 mm  de  pele  volar  das  palmas  e  dos  dedos,  com  dose  total  de  162 U  de  TBA  por mão  tratada.  Os  resultados
variaram de bons a muito bons na redução da atividade da doença, extensão da dermatite, ocorrência de novas vesículas,
eritema,  infiltração  e  prurido,  e  não  foram  relatados  casos  de  hiperidrose  compensatória  após  o  tratamento. Apenas  um
paciente apresentou remissão completa da dermatite.
A  eficácia  da TBA para  tratamento  da  hiperidrose  axilar  focal  primária  é  amplamente  conhecida,  enquanto  ainda vem
sendo observada, com resultados promissores, na hiperidrose palmar. Yamashita et al. realizaram estudo com 27 pacientes
com  hiperidrose  palmar,  com  a  injeção  de  2  U  de  toxina  onabotulínica  A  (ONA,  Botox®)  por  via  intradérmica  em  30
locais na região palmar. A quantidade de suor nas mãos tratadas foi em média um quinto do aferido nos controles em um
mês,  e  em  seis  meses  ainda  correspondia  a  menos  da  metade  do  início  do  tratamento.  Outro  estudo  realizado  com  17
pacientes  com  hiperidrose  compensatória  do  tronco  pós­simpatectomia  mostrou  que  doses  entre  100  e  500  U  de  TBA
foram efetivas, bem toleradas e seguras na redução da hiperidrose, sendo desvantagens o custo elevado e a necessidade de
repetidas injeções.
Há registro em um relato de caso do uso bem­sucedido de TBA para o tratamento de lesões hiperidróticas associadas ao
hamartoma  angiomatoso  écrino.  Nesse  caso,  foram  realizadas  14  injeções  de  2,5  U  de  TBA  por  via  intradérmica,
espaçadas  por  1,5  cm,  totalizando  35  U  de  TBA  na  área  tratada,  selecionada  previamente  pelo  teste  do  iodo­amido  e
evitando­se atingir o componente vascular da lesão. Houve redução significativa da hiperidrose por 5 meses, quando novo
tratamento foi realizado a pedido do paciente, obtendo­se novamente resultado eficaz e duradouro.
Na maioria dos tumores ou cistos écrinos isolados, uma simples cirurgia ou ablação por laser pode ser suficiente, como
ocorre  no hidrocistoma  écrino,  em que uma  lesão única  pode  ser  facilmente  tratada  com excisão  cirúrgica. Entretanto,  a
eliminação de lesões múltiplas é dificultada quando se consideram localização e quantidade. Nesse contexto, Blugerman et
al. realizaram tratamento de hidrocistomas écrinos múltiplos com injeção intradérmica de 10 U de TBA nas áreas afetadas,
relatando desaparecimento das lesões em 1 semana, com manutenção de resultados em 6 meses de acompanhamento, sem
recorrências.
A TB intradérmica pode ser uma alternativa não cirúrgica segura e eficaz no tratamento adjuvante da doença de Hailey­
Hailey. A redução de sudorese  tende a acarretar menor  irritação  local provocada pelo atrito e  redução da colonização por
microrganismos envolvidos na exacerbação. Essa eficácia foi demonstrada recentemente em estudo com seis pacientes com
pênfigo  familial  benigno  resistente  a  regimes  terapêuticos  convencionais,  confirmado  em  outros  relatos  de  casos
publicados.
O  líquen simples crônico associado ao prurido pode ser  tratado com injeção  intradérmica de TBA, conforme sugerido
em  estudo  realizado  em  três  pacientes  para  determinar  o  efeito  terapêutico  do  bloqueio  da  liberação  da  acetilcolina,
apontada como mediador dominante na mediação do prurido nessa condição. A indicação de injeção intradérmica de TBA
para o tratamento da notalgia parestésica ainda é discutível, entretanto alguns estudos mostram resultados favoráveis, como
o realizado por Weinfeld. Nesse estudo, foram administradas injeções intradérmicas de 4 U de TBA a uma distância de 2
cm  de  cada  ponto,  nas  áreas  acometidas  em  dois  pacientes,  com melhora  sintomática  importante,  redução  do  prurido  e
hiperpigmentação em longo prazo.
Um relato de caso publicado por Grazziotin et al. demonstrou a eficácia da TB na granulose rubra nasal. Após aplicação
de anestésico  tópico na área do nariz previamente demarcada pelo  teste do  iodo­amido,  foram administradas dez  injeções
intradérmicas de 2 U de TBA cada, em cada lado do nariz. Em 1 mês de acompanhamento, houve redução significativa da
hiperidrose e eritema, com persistência de resultados por seis meses, e recorrência gradual dos sintomas após 1 ano.
A epidermólise bolhosa simples, variante Weber­Cockayne, foi tratada com sucesso com TBA, conforme se demonstrou
em um relato de caso. Em um paciente, foram realizadas múltiplas injeções intradérmicas de 1 U de TBA, distando 1 cm
entre  si,  na  região  plantar  do  pé  tratado.  Três meses  depois,  houve  redução  de  65%  no  número  de  bolhas  e  na  área  de
superfície acometida por bolhas em relação ao controle (pé não tratado).
Um  estudo  realizado  com  15  pacientes  com  psoríase  invertida  mostrou  que  o  uso  da  TB  resultou  em  melhora
sintomática  e  redução objetiva do eritema e da maceração nas  áreas  tratadas. Foram  realizadas  injeções  intradérmicas de
2,4 U de TBA,  distando  2,8  cm  entre  si,  com dose  total  por  paciente  variando  de  50  a  100 U de TBA,  dependendo da
extensão e da gravidade das lesões. A TBA representa uma alternativa promissora no tratamento da psoríase invertida, por
sua  provável  ação  inibitória  na  junção  neuroglandular,  reduzindo  a  sudorese  local  e,  consequentemente,  a maceração  e  a
infecção, e também pela inibição de neuropeptídios mediadores de inflamação e dor.
A TB vem sendo estudada no tratamento do fenômeno de Raynaud de diferentes etiologias, como mostrado em recente
revisão,  que  sugere  que  a  TBA  bloqueie  a  transmissão  de  norepinefrina  no  músculo  liso  vascular  e  receptores  alfa­
adrenérgicos, reduzindo a vasoconstrição. Um estudo retrospectivo com 26 pacientes com fenômeno de Raynaud mostrou
melhora da dor e remissão do fenômeno, com injeções  intradérmicas da  toxina no  tecido perineurovascular do punho, na
região distal  palmar  ou  ao  longo dos dedos,  com melhora  sintomática, mas  expressiva  em mulheres  e  tabagistas. Dessa
maneira, a TBA mostrou­se uma opção segura e útil no tratamento da isquemia digital vasospástica.
O uso da TBA nas cicatrizes hipertróficas vem sendo descrito por sua provável ação inibitória da formação de cicatrizes
e  na  atividade  dos  fibroblastos  pela  inibição  de TGF­beta1,  reduzindo  a  expressão  e  a  proporçãode  colágeno  I  e  III  na
lesão,  conforme demonstrado em coelhos. Entretanto, os  efeitos  ainda não  são bem estabelecidos em humanos, havendo
apenas relatos preliminares de melhora clínica de cicatrizes hipertróficas após injeção intralesional de TBA na derme.
Foi publicado recentemente um estudo clínico sobre a eficácia e segurança do uso intradérmico de TB no tratamento da
pele oleosa e poros  faciais dilatados. Foi  realizada a aplicação  intradérmica de 3 a 5 U de  toxina abobotulínica A (ABO,
Dysport®)  em dez  pontos  na  fronte  de  23  pacientes,  resultando  em produção  de  sebo  significativamente menor,  aferida
pelo sebômetro, e em redução do tamanho dos poros, aferida fotograficamente durante todo o acompanhamento, com alto
grau  de  satisfação  dos  pacientes.  Postula­se  que  o  bloqueio  local  de  receptores  de  acetilcolina  na  unidade  pilossebácea
possa resultar na redução das taxas de sebo. Este efeito já havia sido observado em outro estudo retrospectivo com TBA
intradérmica, publicado por Shah. O uso intradérmico da toxina pode ser uma alternativa  interessante para pacientes com
pele  oleosa  e  poros  alargados,  porém  sem  acne  cística,  que  não  tolerem  o  uso  de  retinoides  sistêmicos,  atualmente  o
tratamento  mais  efetivo  para  redução  da  produção  de  sebo.  Além  disso,  o  uso  intradérmico  correto  atinge  a  unidade
pilossebácea  sem  afetar  a  musculatura  esquelética  subjacente.  Portanto,  deve­se  atentar  para  a  técnica  correta  de
posicionamento da toxina na derme, já que sua deposição muito superficial poderia levar à ausência de efeito, enquanto sua
deposição muito profunda ocasionaria paralisia inadvertida, o que afetaria significativamente a função de estruturas nobres
da face. Estudos sugerem que a  inserção da agulha a um ângulo de 75° facilita a deposição adequada da toxina na derme
(Figura 14.2).
Apenas  um  relato  de  caso mostra  o  uso  de  TBA  para  tratamento  de  três  pacientes  com  paquioníquia  congênita,  que
apresentavam problemas para caminhar em função de queratodermia palmoplantar  relacionada. Foram realizadas  injeções
intracutâneas de TBA na região plantar, após anestesia venosa regional do pé com torniquete e 25 mℓ de prilocaína. Após 1
semana, os três pacientes apresentaram ressecamento e alívio notável da dor nos locais de pressão plantares, com duração
variando de 6 semanas a 6 meses.
O uso intracutâneo de TBA é um tratamento efetivo, bem tolerado e de longa duração na síndrome de Frey, e pode ser
repetido  em  caso  de  recorrência.  Em  um  estudo  com  sete  pacientes  com  síndrome  de  Frey  grave,  foi  realizada  injeção
intracutânea  de  80  U  de  toxina  botulínica  tipo  B  (TBB)  por  centímetro  quadrado  nas  áreas  mapeadas  de  sudorese
gustatória.  Seis  pacientes  apresentaram  remissão  completa  após  1 mês,  e  um  paciente  obteve  redução  significativa  dos
sintomas.
Figura 14.2 Aplicação intradérmica na face para tratamento de rugas finas.
Via intraparenquimatosa
Fístula  salivar  é  uma  complicação  comum  de  trauma  ou  cirurgia  da  parótida,  autolimitada  em  sua maioria,  porém  pode
haver descarga salivar crônica em uma minoria de pacientes, e não há tratamento padrão. O uso da TB é justificado nesses
casos,  sendo  as  glândulas  salivares  estimuladas  por  acetilcolina,  de  modo  análogo  às  glândulas  sudoríparas  écrinas.
Também  foi  demonstrado  declínio  da  via  do  óxido  nítrico  nas  glândulas  em  modelos  animais.  As  fístulas  salivares
respondem  à  injeção  intraparenquimatosa  de  TB,  como  demonstrado  em  três  relatos  de  caso,  com  melhora  eficaz  e
duradoura da sialorreia com doses altas e intraparenquimatosas.
Via submucosa
A  rinite  intrínseca,  caracterizada  por  rinorreia  de  origem  obscura,  não  apresenta  resposta  satisfatória  à  maioria  das
modalidades  terapêuticas  disponíveis,  contrariamente  à  rinite  alérgica. Kim et al.  demonstraram  significativa  redução  da
rinorreia  após  injeção  submucosa  de  TBA  nas  conchas  nasais  média  e  inferior.  A  TB  parece  promissora  em  casos
recalcitrantes de rinite intrínseca, entretanto, dados mais precisos ainda são necessários.
Via tópica
Em estudo  recente, Carmichael et al.  relataram outra modalidade de  entrega  com uso de proteínas  facilitadoras,  como o
peptídio sintético TD­1, que auxilia na entrega transdérmica efetiva de TBA aplicada topicamente na pele intacta. O estudo
mostra que a TB pode ser aplicada por via tópica associada ao novo peptídio TD­1, reduzindo a inflamação produzida pela
ativação de nociceptores na pele,  pelo bloqueio da  liberação de peptídios pró­inflamatórios,  como  substância P  e CGRP
(peptídio  relacionado com o gene da calcitonina). A entrega de TBA mediada por peptídios é uma alternativa  fácil e não
invasiva de administração da toxina, que pode se tornar útil na prática clínica.
A  nanotecnologia  tem  proporcionado  avanços  no  desenvolvimento  de  técnicas  para  a  entrega  de moléculas  através  da
pele. Alguns laboratórios têm feito progressos significativos em relação a formulações tópicas de TB, ainda reservadas a
estudos clínicos. Um desses produtos,  já com aprovação pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, baseia­se
na tecnologia de nanopartículas iônicas, que preserva a bioatividade das moléculas sem desnaturá­las, e é comercialmente
viável. O produto foi batizado de “CosmeTox”, e intenciona a melhora de rítides faciais e estados hiperidróticos. O creme
com  a  toxina  estabilizada  é  aplicado  na  pele,  dosado  pela  quantidade  de  creme  aplicada,  e  seus  efeitos  são  alcançados
graças  à  ação  de  nanopartículas  e  otimizadores  de  absorção.  Segundo  estudos,  a  toxina  não  se  apresenta  na  corrente
sanguínea em níveis detectáveis por essa via. De modo geral, ainda são poucos os estudos que demonstram a eficácia de
formulações  tópicas, entretanto eles demonstram estabilidade da  toxina à  temperatura ambiente,  redução de  rugas  finas e
sudorese em pacientes com hiperidrose palmoplantar após sucessivas aplicações. Uma preocupação em potencial é o uso
inadvertido  ou  deliberado  da  substância,  podendo  levar  a  ptose  e  assimetrias  faciais,  aspectos  ainda  a  serem
exaustivamente discutidos.
Via transepidérmica
Os dispositivos de microagulhamento são usados para facilitar a entrega localizada de um agente terapêutico na derme pelo
estrato  córneo,  de  maneira  rápida  e  sem  danos  significativos  aos  vasos  sanguíneos  e  às  fibras  nervosas.  Um  estudo
experimental recente sobre a técnica de microagulhamento para entrega intradérmica rápida de uma formulação líquida de
TB  contendo  betagalactosidade  mostrou  resultados  positivos,  com  deposição  efetiva  da  TB  e  subsequente  difusão
adequada  na  derme.  O  desenvolvimento  de  sistemas  clinicamente  apropriados  de  entrega  de  proteínas  como  TBA  por
microagulhamento pode ter um impacto significativo na área médica, sobretudo na cosmiatria.
A  aplicação  tópica  de  TB  após  tratamento  da  pele  com  laser  fracionado  ablativo  de  CO2  mostrou­se  efetiva  no
tratamento de rugas periorbitárias laterais, como foi relatado em estudo clínico randomizado com dez pacientes com “pés
de galinha”. Após anestesia tópica com lidocaína 30%, foi realizado tratamento com  laser de CO2 em ambos os  lados da
face dos pacientes, seguido de aplicação de solução tópica de TBA de um lado, e solução salina fisiológica do outro lado,
60  segundos  após  a  aplicação  do  laser.  Houve  melhora  clínica  significativamente  maior  no  lado  tratado  com  laser
fracionado  e  TBA  tópica,  em  comparação  ao  lado  usado  como  controle.  O  laser  fracionado  ablativo  remove  o  estrato
córneo, criando colunas microscópicas na epiderme e na derme, que tornam possível que moléculas grandes como a TBA
atinjam  a  derme  inferior,  e  finalmente,  os  receptores­alvo  na  superfície  muscular.  O  estudo  em  questãosugere  que  o
método  de  entrega  transepidérmica  de  fármacos  por  via  tópica  usando  laser  de  CO2  pode  vir  a  ser  aplicável  a  outras
substâncias orais ou injetáveis que tipicamente não penetram a pele em condições normais, com a vantagem da diminuição
de efeitos colaterais  sistêmicos. Essa via de aplicação usando  laser de CO2 para formação de microcanais e subsequente
aplicação tópica de TBA também pode ser uma opção para hiperidrose palmoplantar (Figura 14.3).
Um relato de caso sobre dois pacientes com hiperidrose palmar grave mostra que a TB pode ser administrada também
por iontoforese, com sucesso. Foram administradas 100 U de TBA diluídas em solução salina, em alíquotas de 300 µℓ, em
sete  locais  na  região  palmar,  separados  entre  si  por  3  cm,  e  em  dois  pontos  na  polpa  do  primeiro  e  do  terceiro
quirodáctilos. A quantidade de toxina administrada por iontoforese é proporcional à carga elétrica total aplicada, medida em
miliamperes (mA) por minuto. Os quirodáctilos foram tratados com 7 mA por 5 minutos, e as áreas restantes, com 14 mA
pelo mesmo tempo de iontoforese. Houve melhora subjetiva  importante, com boa correspondência ao teste  iodo­amido, e
redução das taxas de suor sustentada por 3 meses, sem efeitos colaterais relatados.
Considerações finais
A aplicação de TB pode ser considerada uma escolha terapêutica em diversas situações na dermatologia e em outras áreas
da medicina. As vias de aplicação estão diretamente relacionadas com suas  indicações, com seu alvo de  tratamento e seu
mecanismo  de  ação.  As  vias  intramuscular  e  intradérmica  são  amplamente  usadas  atualmente.  As  vias  tópica  e
transepidérmica  vêm  sendo mais  estudadas  nos  últimos  anos. Novas  formulações  e  novas  vias  de  aplicação  vêm  sendo
relatadas,  algumas  ainda  em  caráter  experimental. Estudos  com maior  número  de  pacientes  são  necessários  para melhor
avaliação das novas vias de aplicação da TBA (Tabela 14.1).
Figura 14.3 Aplicação de laser de CO2 na região palmar (A) para aplicação transepidérmica de toxina botulínica tipo A no tratamento da
hiperidrose (B).
Tabela 14.1 Vias de aplicação da toxina botulínica tipo A e suas indicações.
Via de aplicação Indicações
Intramuscular Rejuvenescimento, hipertro a e distonia muscular, assimetria, migrânea crônica
Intracutânea Rejuvenescimento, pele oleosa e poros dilatados, dermatite disidrótica, líquen simples crônico, hamartoma angiomatoso
écrino, epidermólise bolhosa, Hailey-Hailey, cicatriz hipertró ca, hiperidrose, isquemia digital vasospástica
Intraparenquimatosa Sialorreia
Submucosa Rinite
Tópica Rejuvenescimento, hiperidrose
Transepidérmica Rejuvenescimento, hiperidrose
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Indicações e Contraindicações
Rodrigo Moraes Ferraz 
Mabely Araujo Duarte Gouthier
Introdução
A  toxina  botulínica  (TB)  foi  isolada  e  purificada  nos  anos  1940,  e  cerca  de  30  anos  depois  começou  a  ser  testada  no
tratamento do estrabismo, inicialmente em macacos e posteriormente em humanos. Nessa mesma época, os benefícios da
TB foram notados no  tratamento das  rugas glabelares. A partir daí o medicamento recebeu aprovação da Food and Drug
Administration (FDA) dos EUA para indicações cosméticas e terapêuticas, incluindo estrabismo e blefarospasmo em 1989,
distonia cervical em 2000, linhas glabelares em 2002, hiperidrose axilar em 2004, espasticidade de membros superiores e
enxaqueca em 2010, incontinência urinária em 2011 e linhas periorbitárias em 2013.
Indicações estéticas da toxina botulínica
A aplicação da TB é o procedimento cosmético mais realizado no mundo atualmente,  tendo­se mostrado útil em diversas
indicações  estéticas.  Seu  uso  isolado  ou  em  combinação  com  outros  procedimentos  trouxe  alterações  importantes  na
abordagem do envelhecimento facial. Apesar de o tratamento das rugas hipercinéticas da glabela e, mais recentemente, das
rugas periorbitárias serem as únicas indicações cosméticas aprovadas pela FDA, suas indicações off­label são numerosas.
Linhas glabelares
O tratamento da glabela permaneceu até recentemente como a única indicação cosmética aprovada pela FDA. É a aplicação
estética mais frequente da toxina e sua eficácia foi demonstrada em diversos estudos clínicos. Os alvos da aplicação são os
músculos prócero e corrugadores dos supercílios, que  juntos são responsáveis por aproximar e deprimir a porção medial
das sobrancelhas. Além da melhora obtida nas rugas dinâmicas, linhas presentes ao repouso podem ser suavizadas ou até
eliminadas após tratamentos subsequentes.
Elevação da cauda das sobrancelhas (brow lift)
A  aplicação  da  TB  pode  levar  a  uma  elevação  desejável  das  sobrancelhas  em  repouso,  dando  aos  olhos  aparência mais
jovem. Ao se relaxar a porção lateral do músculo orbicular dos olhos e, simultaneamente, os músculos da glabela, torna­se
possível  que  o músculo  frontal  eleve  as  sobrancelhas  sem  a  ação  antagônica  dos músculos  abaixadores.  Na  prática,  na
maioria das vezes, o brow lift é feito juntamente com o tratamento de outras áreas da face.
Linhas frontais
As  linhas  frontais  horizontais  são  causadas  pela  contração  do músculo  frontal  ao  elevar  as  sobrancelhas.  O  tratamento
dessas rugas é feito, portanto, por meio do relaxamento da musculatura frontal. O equilíbrio entre o relaxamento frontal e
glabelar torna possível balancear a altura das sobrancelhas, uma vez que essas musculaturas têm ações opostas.
Linhas periorbitárias
As rugas periorbitárias ou “pés de galinha” constituem uma indicação muito frequente para a TB. São linhas dinâmicas que
aparecem ao sorriso pela contração do músculo orbicular dos olhos. Trata­se de um músculo esfíncter, e o tratamento das
linhas periorbitárias envolve o relaxamento da porção lateral do orbicular. Nessa mesma área, costumam estar associadas
rugas estáticas secundárias ao fotoenvelhecimento.
Aumentar  a  abertura  palpebral  é  indicação  frequente  entre  asiáticos  e  consiste  no  tratamento  da  porção  pré­tarsal  do
músculo orbicular, dando aos olhos aspecto mais arredondado ao sorriso.
Linhas nasais (bunny lines)
São as rugas dinâmicas na porção alta do dorso do nariz resultantes da contração do músculo transverso nasal ao sorriso.
Essas rugas podem se tornar mais proeminentes após aplicações consecutivas da TB nas regiões periorbitária e da glabela.
O tratamento concomitante das linhas nasais nesses casos ajuda a produzir resultados mais naturais.
Alguns indivíduos dilatam as narinas repetidamente, principalmente em situações de desconforto social. O relaxamento
das fibras inferiores do músculo nasal atenua essa expressão que muitas vezes é involuntária.
Sorriso gengival
O  sorriso  gengival  é  definido  pela  exposição  de mais  de  2 mm  acima  da  linha  dentária  ao  sorriso.  É mais  comum  em
mulheres e muitas vezes considerado inestético. Alguns autores classificam o sorriso gengival como anterior quando a área
de  exposição  excessiva  situa­se  entre  os  caninos,  e  sorriso  gengival  posterior  quando  posteriormente  a  eles.  Trata­se  o
músculo  levantador  do  lábio  superior  nas  formas  anteriores  (mais  comum)  e  o  músculo  zigomático menor  nas  formas
posteriores.
Rugas periorais
São  rugas  verticais  perpendiculares  ao  vermelhão  dos  lábios.  A  movimentação  excessiva  do  músculo  orbicular  em
tabagistas  e  naqueles  que  tocam  instrumentos  musicais  de  sopro,  e  o  fotoenvelhecimento  aceleram  a  formação  dessas
linhas. Trata­se de área delicada em que pequenas doses da TB podem produzir perda funcional  indesejada dos lábios. O
músculo  orbicular  da  boca  é  tratado  com mais  frequência  na  borda  do  lábio  superior  e  com menor  frequência  do  lábio
inferior,  no  qual  o  risco  de  efeitos  indesejáveis  é  ainda  mais  comum.  É  uma  região  a  ser  evitada  em  pacientes  cujas
atividades  dependem  de  100%  do  funcionamento  do  músculo  orbicular  (cantores,  fonoaudiólogos,  músicos  de
instrumentos de sopro).
Rugas do mento
As rugas nessa região não são propriamente linhas e sim pequenas depressões na superfície do mento, dando o aspecto de
casca de laranja. A alteração é causada pela perda de volume associada à contração do músculo mentual. Além de melhorar
o aspecto enrugado do local, quando bem indicado e em casos selecionados o tratamento do músculo mentual pode ajudar a
reduzir parcialmente o aspecto inestético do mento em pacientes com queixo retrognato.
Linhas de marionete
O afundamento da área abaixo dos cantos dos lábios inferiores assim como a inversão dos cantos do lábio para baixo são
conhecidos como  rugas de marionete. O músculo abaixador do ângulo da boca contribui para  esse processo ao puxar os
cantos  do  lábio  inferior  para  baixo.  Seu  relaxamento melhora  o  aspecto  triste  da  região  por  possibilitar  que  o músculo
zigomático eleve os cantos da boca para uma posição mais horizontal.
Músculo masseter
O aspecto de mandíbula larga causado pela hipertrofia do músculo masseter pode ser esteticamente indesejado para alguns
indivíduos, especialmente em países asiáticos.O relaxamento desse músculo e sua hipotrofia tornam o contorno lateral da
face mais fino e mais delicado.
Além  da  indicação  estética,  em  alguns  casos  o  tratamento  do músculo masseter  com  a  TB  pode  aliviar  os  sintomas
relacionados com o bruxismo, trazendo, inclusive, melhora da dor.
Assimetria facial
A assimetria mediofacial pode ter origem óssea, muscular ou nos tecidos moles. O uso da TB para corrigir ou ao menos
amenizar  essa  assimetria  requer  conhecimento  aprofundado  da  anatomia  e  função  dos  músculos  da  face.  No  espasmo
hemifacial, o relaxamento dos músculos zigomáticos,  risório e masseter hiperfuncionantes promove centralização da face
ao  repouso.  Por  outro  lado,  nas  assimetrias  por  hipofunção,  como  na  paralisia  de  Bell,  o  tratamento  do  lado
normofuncionante resulta em alívio dos sintomas.
Bandas platismais
A  contração  do  músculo  platisma  pode  evidenciar  as  bandas  platismais  em  pacientes  magros  e  também  contribui  para
ressaltar  as  linhas  cervicais  horizontais.  O  tratamento  com  a  TB  pode  melhorar  tanto  o  aspecto  inestético  das  bandas
verticais quando as rugas horizontais. O sucesso depende da seleção correta dos pacientes, uma vez que são fundamentais a
boa qualidade e elasticidade da pele para obter bons resultados. Indivíduos com grande flacidez e/ou acúmulo de gordura
na região têm resposta insatisfatória.
Levy batizou como Nefertiti lift a técnica na qual é feito o tratamento do músculo platisma ao longo da linha mandibular
desde  o  sulco  nasogeniano  até  o  ângulo  da mandíbula,  incluindo  a  banda  platismal  posterior  e  o músculo  abaixador  do
ângulo  da  boca.  Esses músculos  têm  ação  depressora  sinérgica  no  terço  inferior  da  face,  e  seu  relaxamento  produz  um
efeito levantador da região.
Colo (décolleté)
As rugas do colo resultam de fatores intrínsecos e extrínsecos, tais como a posição durante o sono e fotodano, e também
da ação das fibras do músculo peitoral maior e das porções inferiores do platisma. A TB pode ser usada quando o exame
clínico evidencia a ação de tais músculos na gênese das rugas.
Indicações terapêuticas da toxina botulínica
Desde sua aprovação para o tratamento do estrabismo e blefarospasmo em 1989, a TB vem sendo estudada em múltiplas
indicações  terapêuticas  em  diversas  especialidades  clínicas;  sua  eficácia  sem  causar  efeitos  sistêmicos  tem  levado  a  um
rápido  desenvolvimento  de  aplicações  para  tratamento  de  diversas  doenças,  de  diferentes  áreas  da  medicina,  como:
estrabismo,  bexiga  hiperativa,  distonia  cervical,  cefaleia  tensional,  migrânea,  dores  neuropáticas,  depressão,  síndrome
miofascial, espasticidade de membros na paralisa cerebral e outras.
É  provável  que  ocorra  expansão  no  número  de  indicações  da  TB  em  um  futuro  próximo  e  que  o  manejo  e  o
entendimento  da  ação  do  medicamento  nessas  situações  sejam  aprimorados.  A  seguir  são  discutidas  as  indicações
encontradas na literatura.
Hiperidrose
Ocorre quando o suor é produzido além das necessidades fisiológicas para a termorregulação. É classificada como primária
(idiopática) ou secundária; focal (localizada) ou generalizada.
O  suor  é  produzido  pelas  glândulas  sudoríparas  écrinas,  presentes  em  toda  a  superfície  corpórea  e  em  maior
concentração  em  palmas,  plantas,  axilas  e  face,  que  são  inervadas  pelo  sistema  nervoso  simpático,  tendo  como
neurotransmissor a acetilcolina.
A TB é indicada como opção terapêutica segura nos casos de hiperidroses focais por bloquear a liberação de acetilcolina
em todas as fibras colinérgicas, inclusive as do sistema autônomo.
Hiperidroses focais
Axilar. A TB foi aprovada para essa indicação em 2001 no Canadá e no Reino Unido, e em 2004 pela FDA, nos EUA. É
um  tratamento  seguro,  eficaz,  com  efeitos  colaterais  pouco  significativos  (prurido,  urticária  local  moderada  e  de  curta
duração e infrequente hiperidrose compensatória). Nível de evidência: 2.
Palmar.  O  tratamento  pode  ser  feito  em  ambas  as mãos  ou  apenas  na mão  dominante.  É  bastante  doloroso  e mais  bem
tolerado se feito o bloqueio dos nervos medial, ulnar e radial na altura do punho. Os efeitos colaterais citados são fraqueza
muscular temporária, dor e sangramento local. Indicado quando há falha da terapia tópica convencional e iontoforese. Nível
de evidência: 2.
Plantar.  Podem­se  tratar  somente  as  áreas  afetadas  (áreas  interdigitais,  dorso  dos  dedos,  partes  da  região  plantar)  ou  a
região  plantar  como  um  todo.  A  aplicação  é  dificultada  pela  camada  córnea  espessa  e  é  bastante  dolorosa.  Os  efeitos
colaterais citados são os mesmos da hiperidrose palmar. Nível de evidência: 4.
Craniofacial. É uma opção terapêutica de alta eficácia e segurança. Nos casos moderados ou graves, é considerado método
terapêutico de primeira  escolha. No  entanto,  apresenta níveis  de  evidência mais  baixos  em comparação  ao  tratamento da
hiperidrose axilar e palmar. Nível de evidência: 4.
Síndrome de Frey. Decorre da secção das fibras do nervo auriculotemporal (fibras parassimpáticas) que, ao se regenerarem,
ligam­se  aos  receptores  simpáticos  de  glândulas  sudoríparas  cutâneas. Esta  reinervação  anômala  promove  sudorese  e/ou
rubor  localizado  durante  a mastigação. Ocorre,  em média,  em 50% dos  pacientes  submetidos  à  cirurgia  de  ressecção  da
parótida. A TB inibe a  liberação de acetilcolina de receptores colinérgicos,  tanto nas fibras parassimpáticas (que inervam
as  glândulas  salivares),  como  nas  simpáticas  (que  inervam  as  glândulas  sudoríparas).  Para  a  identificação  da  área
acometida, o  teste de  iodo­amido deve ser  realizado durante a mastigação de alimentos  indutores da  sudorese e/ou  rubor
(alimentos  salgados,  picantes,  amargos  ou  cítricos).  Deve­se  ter  o  cuidado  de  evitar  a  disseminação  da  TB  para  a
musculatura adjacente, que pode levar a dificuldades de mastigação e assimetria facial.
A TB pode,  ainda,  ser usada em outras  formas  localizadas de hiperidrose,  como  inguinal,  inframamária  e hiperidrose
compensatória pós­simpatectomia.
Dermatoses associadas à hiperidrose
Disidrose
Nos dias atuais, o eczema disidrótico ou ponfólix é considerado um tipo especial de eczema, com espongiose pronunciada
e  acúmulo  de  edema  em  regiões  com  epiderme  fina.  É  uma  doença  comum,  de  distribuição  universal,  apesar  de menos
comum em asiáticos e de a maioria dos casos ser esporádica. Pode estar associada a dermatite atópica, dermatite de contato
e reação adversa a fármacos. As vesículas e bolhas são estéreis e sua formação parece ser mediada por reação alérgica ao
patógeno,  em  uma  “ide  reação”. O  curso  geralmente  é  crônico  e  cíclico, mesmo  quando  os  pacientes  evitam  os  fatores
agravantes (irritantes, uso prolongado de luvas, tabagismo, estresse e mesmo a simpatectomia endoscópica torácica).
Os  corticosteroides  constituem  a  base  do  tratamento,  embora  inibidores  da  calcineurina  possam  ser  efetivos.
Fotoquimioterapia  tópica  com  8­metoxipsoraleno  pode  ser  efetiva,  assim  como  a  fotoquimioterapia  sistêmica  ou  altas
doses de radiação UVA­1. A terapia sistêmica geralmente é necessária para o ponfólix bolhoso e os corticosteroides são os
mais usados, podendo ser associados a imunossupressores em casos recalcitrantes.
O uso de TB, por seu alto poder anidrótico, diminui substancialmente a formação de vesículas e bolhas. Pacientes com
disidrose palmar ou plantar tratados com TB também se beneficiam com a diminuição do prurido e do eritema. A dor da
aplicação é o seu maior fator limitante.
Doença de Hailey­Hailey
Também  denominada  pênfigo  familial  benigno,  essa  doença  acantolítica  autossômica  dominante  acomete  principalmente
áreas  intertriginosas,  como axilas, virilhas, pescoço e  regiões  inframamárias, nas quais  suor, umidade e  fricção exercem
umpapel importante na expressão da doença.
Tratamentos  não  cirúrgicos,  como  antibióticos  tópicos  e  orais,  antifúngicos  tópicos,  pulsos  curtos  de  corticosteroides
tópicos e orais, inibidores da calcineurina, retinoides orais etc. podem promover melhora parcial,  temporária ou remissão
completa. Outros métodos podem ser eficientes, mas com resultados variáveis,  como excisão cirúrgica  (com fechamento
por segunda intenção, fechamento primário ou enxerto), dermoabrasão, laser de CO2 e laser de erbium.
A indicação do uso da TB na indução da remissão da doença de Hailey­Hailey pode ser considerada por se tratar de um
tratamento seguro, com pouquíssimos efeitos adversos locais e sistêmicos. A melhora significativa se dá pela diminuição
da  umidade  da  transpiração  e  fricção,  que  podem  levar  a  irritações  nas  áreas  intertriginosas.  Consequentemente,
colonizações fúngica e bacteriana secundárias que exercem um papel na doença também são diminuídas.
Psoríase inversa
Injeções intralesionais de TB têm sido usadas no tratamento da psoríase intertriginosa, por reduzirem a umidade local e a
maceração da pele, prevenindo a infecção secundária. Há melhora da extensão, intensidade e infiltração do eritema, além de
diminuição do prurido. O tratamento é bem tolerado, e não houve relatos de efeitos adversos. Em função do alto custo, o
uso da TB limita­se ao tratamento das áreas intertriginosas.
Paquioníquia congênita
Trata­se  de  rara  genodermatose  que  leva  a  um  distúrbio  da  queratinização,  caracterizado  por  unhas  hipertróficas
(paquioníquia  ou  onicogrifose),  áreas  focais  de  hiperqueratose,  especialmente  nas  plantas  dos  pés  (queratoderma)  e,
ocasionalmente, leucoplasia das mucosas orais. Nas áreas hiperqueratóticas aparecem bolhas muito dolorosas que ocorrem
principalmente quando há hiperidrose e em ambientes de alta temperatura. Os pacientes acometidos têm sérios problemas
para andar, especialmente no verão.
Terapias tradicionais para hiperidrose, como sais de alumínio, produzem supressão curta e parcial do suor e dificilmente
são  absorvidos  quando  há  áreas  espessas  de  hiperqueratose.  A  simpatectomia  lombar  é  o  método  mais  efetivo  para
promover anidrose dos pés, porém é pouco recomendada e realizada, pois acarreta graves efeitos colaterais.
Nesse contexto, novas opções terapêuticas foram usadas e a aplicação plantar de TB em alguns pacientes trouxe grande
redução na formação de bolhas dolorosas, reduzindo drasticamente a necessidade de uso de analgésicos orais e sem efeitos
colaterais importantes.
Outras doenças e condições associadas à hiperidrose podem ser  tratadas ou atenuadas com a aplicação da TB, como a
bromidrose, a cromidrose, a queratólise plantar pontuada e o intertrigo candidiásico, em que a promoção da anidrose local
leva a menor colonização de fungos e bactérias.
Afecções  que  cursam  com  hiperidrose  focal  gerando  desconforto,  dor  ou  constrangimento  social  também  podem  ser
aliviadas  com  aplicação  local  de  TB.  São  exemplos  dessas  afecções  a  queratodermia  palmoplantar  aquagênica,  o  nevo
écrino, a granulose rubra nasal e a hidradenite supurativa.
Textura cutânea e controle da oleosidade
Relatos  subjetivos  e  observações  têm  descrito melhora  da  textura  da  pele,  diminuição  da  aparência  dos  poros  e menor
oleosidade da pele após tratamento de rítides com TB.
Um estudo foi conduzido para ajudar a elucidar a fisiopatologia da diminuição da oleosidade usando imuno­histoquímica
e  imunocitofluorescência.  Os  autores  mostraram  que  as  glândulas  sebáceas  e  os  sebócitos  expressam  receptores  de
acetilcolina,  e  a  estimulação  desses  receptores  levaria  ao  aumento  da  síntese  de  lipídios.  Quando  sebócitos  foram
incubados  com a­bungarotoxina,  um  receptor  antagonista de  acetilcolina,  a  síntese de  lipídios  foi  inibida. Esses  achados
sugerem que a TB pode ajudar no tratamento de condições sebo­induzidas, como a acne vulgar. Nível de evidência: 2C.
Flushing e rosácea
Ainda  por  mecanismos  de  ação  não  totalmente  compreendidos,  a  denervação  química  causada  pela  TB  pode  dar  alívio
sintomático a pacientes com flushing facial grave. Os resultados clínicos são corroborados pela diminuição correspondente
da circulação sanguínea local, mensurada por Doppler­fluxometria.
Em  função  da  baixa  incidência  de  efeitos  adversos,  da  segurança  no  procedimento  e  dos  bons  resultados  obtidos  no
controle do flushing, a TB pode ser considerada uma boa opção terapêutica quando os tratamentos clínicos convencionais,
tópicos e orais falharem.
Cicatrização e queloide
Microtraumas  repetidos  causados  por  atividade  muscular  contínua  ao  redor  da  ferida  cutânea  induzem  uma  resposta
inflamatória  prolongada  e  aumento  da  atividade  metabólica  durante  o  processo  de  cicatrização.  Consequentemente,
depósitos  extracelulares  de  colágeno  e  glicosaminoglicanos  podem  se  intensificar  e  causar  cicatrizes  hipertróficas  e
hiperpigmentadas.
A injeção de TB tem sido usada para prevenir a formação de queloides durante e após as cirurgias. Os estudos sugerem
que  a  redução  na  tensão  durante  o  processo  de  cicatrização  da  ferida  pode  resultar  em  cicatrizes  mais  discretas.  Mais
recentemente, estudos vêm sendo conduzidos para avaliar os resultados da injeção de TB em queloides já estabelecidos. O
mecanismo  de  ação  proposto  seria  a  diminuição  toxina­induzida  na  proliferação  dos  fibroblastos  e  a  redução  de  fatores
fibrogênicos, como o fator transformador de crescimento b­1. No entanto, observações  in vitro  subsequentes contradizem
esta hipótese. A teoria de reduzir a tensão no peri/pós­operatório para preventivamente melhorar a aparência cosmética das
cicatrizes é a mais aceita, mas são necessários estudos controlados para caracterizar os efeitos da TB nos queloides. Nível
de evidência: 2C.
Líquen simples crônico e notalgia parestésica
Por meio da inibição da acetilcolina e de outros neuropeptídios, como a substância P e o glutamato, é possível a aplicação
intradérmica de TB nas áreas acometidas. Séries de casos descrevem diminuição importante do prurido.
Neuralgia do trigêmeo e neuralgia pós-zóster
Injeções intradérmicas ou subcutâneas de TB são aplicadas no trajeto da dor do nervo trigêmeo, o que bloqueia a liberação
de acetilcolina e neurotransmissores como a substância P, o glutamato e o peptídio relacionado com o gene da calcitonina.
Coto de amputação
Injeções intramusculares de TB no coto de amputação podem promover redução da dor fantasma do membro amputado e
maior tolerância e adaptação às próteses. Nível de evidência: 2.
Fenômeno de Raynaud
A aplicação de TB pode ser uma boa opção terapêutica para os casos sintomáticos e refratários ao tratamento convencional.
Acredita­se  que  a  toxina  tenha  duas  ações  principais:  (1)  promoção  de  vasodilatação  pelo  bloqueio  da  liberação  de
norepinefrina; (2) bloqueio do recrutamento de receptores e neurotransmissores estimuladores da dor e da vasoconstrição.
Após  sua  aplicação,  estudos  mostraram  aumento  da  temperatura  das  polpas  digitais  quando  comparadas  aos  controles
(injeção de solução salina). Houve redução da dor, melhora da oxigenação digital e diminuição importante da formação de
úlcera e gangrena. No entanto, faltam protocolos quanto aos  locais de aplicação, diluições e doses, que variam de acordo
com o médico que realiza a aplicação. Nível de evidência: 2B.
Fissura anal
A  aplicação  de  TB  é  um  tratamento  seguro  e  eficaz  em  curto  prazo  que  promove  relaxamento  do  esfíncter  anal,
demonstrando  taxas de cura entre 70 e 98% após dois a quatro meses. É mais efetiva que o uso de nitroglicerina  tópica,
mas menos efetiva que a cirurgia para induzir e manter a fissura cicatrizando. Mais estudos sobre os fatores preditores de
resposta, bem como análise de custos de TB versus terapias convencionais são necessários parafirmar conclusões.
Principais indicações não dermatológicas
A eficácia da TB sem causar efeitos sistêmicos tem levado a um rápido desenvolvimento de aplicações para tratamento de
diversas doenças, nas diferentes áreas da medicina.
Desde suas primeiras indicações na oftalmologia, para tratamento de estrabismo e blefarospasmo, a TB tem se revelado
uma opção eficaz e segura. Mais recentemente a toxina botulínica tipo A (TBA) tem sido usada para correção de entrópio,
alterações oculares produzidas por tireoidopatias e para induzir ptose palpebral em casos, por exemplo, quando se necessita
de proteção da córnea, assim como nos casos de hiperlacrimejamento.
Na neurologia,  já  está  bem difundida  a  indicação nos  casos  de distonias  e  espasticidade  secundária  a  alterações  como
acidente vascular cerebral, paralisia cerebral, traumas medulares e esclerose múltipla. Cefaleia tensional, migrâneas e dores
neuropáticas  têm  ganho  grande  atenção  pelo melhor  entendimento  dos mecanismos  de  ação  da TB  além  de  sua  ação  na
inibição  da  acetilcolina. Outros  distúrbios  do  sistema  nervoso  central  que  cursam  com  hiperatividade muscular  também
têm  sido  bem  tratados  com  a  toxina.  Alterações  como  tremores  e  tiques  também  têm  obtido  resultados  satisfatórios.
Interessantes  são  os  estudos  relacionados  com  a  depressão  tentando  compreender  melhor  o  real  papel  da  toxina  nesta
patologia. Esses estudos são mais bem discutidos no Capítulo 27, Seção N.
Na  otorrinolaringologia,  distonias  da  laringe  com  alterações  vocais,  tremores  essenciais  da  voz,  disfunções
cricofaringianas com dificuldade de deglutição, rinite alérgica e sialorreia têm sido tratados com TB. Indicações orofaciais
têm  ganhado  popularidade,  como  ocorre  com  distonias  oromandibulares,  distúrbios  da  articulação  temporomandibular,
hipersalivação, fraturas maxilofaciais, estabilização de implantes dentários e dores orofaciais.
Na urologia, o tratamento com TBA tem sido empregado em casos de bexiga hiperativa e incontinência urinaria.
Na gastrenterologia, em espasmos esofágicos, acalasia e gastroparesia.
Na  ortopedia,  distúrbios  musculoesqueléticos  têm  sido  tratados  com  TB,  principalmente  para  alívio  de  dores
osteoarticulares,  como  no  hálux  valgo  e  no  joelho.  Tratamento  de  síndrome  do  músculo  piriforme  com  TB  tem  sido
relatado com resultados satisfatórios, sendo a aplicação guiada por tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
Tratamentos de neuropatias e úlceras diabéticas têm sido relatados com benefícios adicionais.
Contraindicações e eventos adversos
Apesar  de  o  tratamento  com  TB  geralmente  ser  seguro,  é  importante  que  se  conheçam  as  contraindicações  e  possíveis
eventos  adversos  no  intuito  de minimizar  riscos. A TB  é  contraindicada  em qualquer  paciente  com hipersensibilidade  à
toxina ou a qualquer componente da  sua  formulação.  Infecção ativa no  local de aplicação  também é uma contraindicação
absoluta.  São  consideradas  contraindicações  relativas  pacientes  gestantes  ou  que  estejam  amamentando,  assim  como
portadores de doença neuromuscular preexistente, como miastenia gravis e síndrome de Eaton­Lambert. Apesar de a TB
ser classificada como fármaco categoria C, não há relatos de teratogenicidade em mulheres inadvertidamente tratadas com
TB durante a gestação.
Eventos  adversos  comuns  incluem  edema,  equimoses,  cefaleia,  dolorimento  local,  fraqueza  muscular  excessiva  e
relaxamento não intencional de músculos adjacentes aos tratados, porém, esses eventos serão detalhados no Capítulo 22.
Considerações finais
Pode­se  considerar  que  TB  revolucionou  a medicina  no  último  século  e  beneficia milhares  de  pacientes  para  os  quais,
anteriormente,  não havia perspectiva  terapêutica. Paralelamente,  no  campo da  cosmiatria,  a TB modificou o processo de
envelhecimento, promovendo uma opção terapêutica única e individualizada. Os avanços tecnológicos e o conhecimento de
novos mecanismos de ação ainda não totalmente esclarecidos têm aberto um vasto campo para promissoras indicações, nas
mais variadas especialidades médicas.
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Interações Medicamentosas
Mônica Manela Azulay 
Raquel Cavalcante 
Pablo Cirino
Introdução
Para a melhor compreensão e estudo sobre as interações de outras substâncias com a toxina

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