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Foi a descoberta da realimentação como um padrão geral da vida, aplicável a 
organismos e a ciências sociais, que fez com que Gregory Bateson e Margaret Mead 
ficassem tão entusiasmados com a cibernética. Enquanto cientistas sociais, eles tinham 
observado muitos exemplos de causalidade circular implícitos nos fenômenos sociais, e 
nas Conferências Macy, a dinâmica desses fenômenos foi explicitada num padrão 
unificador coerente. 
Ao longo de toda a história das ciências sociais, numerosas metáforas têm sido 
utilizadas para se descrever processos auto-reguladores na vida social. Talvez o mais 
conhecido deles seja a "mão invisível" que regulava o mercado na teoria econômica de 
Adam Smith, os "sistemas de controle mútuo por parte das instituições governamentais" 
na Constituição dos EUA, e a interação entre tese e antítese na dialética de Hegel e de 
Marx. Os fenômenos descritos nesses modelos e nessas metáforas implicam, todos eles, 
padrões circulares de causalidade que podem ser representados por laços de 
realimentação, mas nenhum de seus autores tornou esse fato explícito.18
Se o padrão lógico circular da realimentação de auto-equilibração não foi 
reconhecido antes da cibernética, o da realimentação de auto-reforço já era conhecido 
desde centenas de anos atrás, na linguagem coloquial, como um "círculo vicioso". Esta 
expressiva metáfora descreve urna má situação que é piorada ao longo de uma 
seqüência circular de eventos. Talvez a natureza circular de tais laços de realimentação 
de auto-reforço, que aumentam numa taxa "galopante", fosse explicitamente 
reconhecida muito antes do outro tipo de laço devido ao fato de o seu efeito ser muito 
mais dramático que a auto-equilibração dos laços de realimentação negativos, tão 
difundidos no mundo vivo. 
Há outras metáforas comuns para se descrever fenômenos de realimentação de 
auto-reforço.19 A "profecia que se auto-realiza", na qual temores originalmente 
infundados levam a ações que fazem os temores se tornarem verdadeiros, e o "efeito 
popularidade" — a tendência de uma causa para ganhar apoio simplesmente devido ao 
número crescente dos que aderem a ela — são dois exemplos bem-conhecidos. 
Não obstante o extenso conhecimento da realimentação de auto-reforço na 
sabedoria popular comum, ele mal representou qualquer papel durante a primeira fase 
da cibernética. Os ciberneticistas que cercavam Norbert Wiener reconheceram a 
existência de fenômenos de realimentação galopante, mas não lhes dedicaram estudos 
posteriores. Em vez disso, concentraram-se nos processos auto-reguladores 
homeostáticos presentes nos organismos vivos. De fato, fenômenos de realimentação 
puramente auto-reforçantes são raros na natureza, uma vez que são usualmente 
equilibrados por laços de realimentação negativos, os quais restringem suas tendências 
para o crescimento disparado. 
Num ecossistema, por exemplo, cada espécie tem potencial para experimentar um 
crescimento exponencial de sua população, mas essa tendência é mantida sob contenção 
graças a várias interações equilibradoras que operam dentro do sistema. Crescimentos 
exponenciais só aparecerão quando o ecossistema for seriamente perturbado. Então, 
algumas plantas se converterão em "ervas daninhas", alguns animais se tornarão 
"pestes" e outras espécies serão exterminadas, e dessa maneira o equilíbrio de todo o 
sistema será ameaçado. 
Na década de 60, o antropólogo e ciberneticista Magoroh Maruyama empreendeu