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interações. No final, uma vez que o todo seja constituído, teremos, de ma-
neira contraditória, um sistema maior e, simultaneamente, menor que as 
suas partes constituintes. 
Seguindo esse mesmo viés, a mente humana equivaleria a um nó 
de processos recorrentes e reentrantes centrados no organismo, uma 
“singularidade dinâmica” que emerge do encontro de três modos de ativi-
dade estendidos para além da caixa craniana: a auto-regulação orgânica, 
o acoplamento sensório-motor e a interação intersubjetiva (ibid., p. 243); 
sendo todos eles processos recursivos, ou seja, dinâmicas circulares onde 
os efeitos da atividade se tornam em seguida causas da continuidade do 
processo.
Finalmente, vale recordar que a metáfora enativista pretende acomo-
dar os mais variados casos de cognição ao endossar a tese geral de que a 
mente é incorporada ao seu organismo e ao seu ambiente. Ademais, o ena-
tivismo compreende que os processos cognitivos são construídos através 
da dinâmica de engajamento entre o organismo e seu mundo. Graças aos 
atributos peculiares da cognição, o enativismo rejeita as demais metáforas 
ao passo que toma os agentes causal e constitutivamente conectados ao 
seu ambiente como a sua metáfora por excelência.
Conclusão
Ao longo deste trabalho, vimos que as metáforas, essas ferramentas ex-
ternas de que fala Atsushi Shimojima, que “pensam por nós”, e nos ajudam 
a orientar ideias e ações no mundo, estão cada vez mais incorporadas às 
nossas atividades cognitivas cotidianas. Cada uma das metáforas apresen-
tadas, as do cognitivismo, conexionismo e enativismo, elaboram um mode-
lo teórico-conceitual da cognição a fim de dar a melhor resposta para o que 
é a mente e como ela funciona. 
Como apontamos anteriormente, as metáforas do computador digi-
tal e das redes neurais são mais simples, objetivas e não-circulares e, por 
isso, soam mais consistentes e mais palatáveis. No entanto, tais metáforas 
não levam em consideração a dinâmica própria da vida e da construção 
intersubjetiva do conhecimento. No nosso ponto de vista, a vertente ena-
tivista das ciências cognitivas possui um maior poder de explicação e 
potencial de geração de novas hipóteses e pesquisas. Além disso, utiliza

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