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104 interações. No final, uma vez que o todo seja constituído, teremos, de ma- neira contraditória, um sistema maior e, simultaneamente, menor que as suas partes constituintes. Seguindo esse mesmo viés, a mente humana equivaleria a um nó de processos recorrentes e reentrantes centrados no organismo, uma “singularidade dinâmica” que emerge do encontro de três modos de ativi- dade estendidos para além da caixa craniana: a auto-regulação orgânica, o acoplamento sensório-motor e a interação intersubjetiva (ibid., p. 243); sendo todos eles processos recursivos, ou seja, dinâmicas circulares onde os efeitos da atividade se tornam em seguida causas da continuidade do processo. Finalmente, vale recordar que a metáfora enativista pretende acomo- dar os mais variados casos de cognição ao endossar a tese geral de que a mente é incorporada ao seu organismo e ao seu ambiente. Ademais, o ena- tivismo compreende que os processos cognitivos são construídos através da dinâmica de engajamento entre o organismo e seu mundo. Graças aos atributos peculiares da cognição, o enativismo rejeita as demais metáforas ao passo que toma os agentes causal e constitutivamente conectados ao seu ambiente como a sua metáfora por excelência. Conclusão Ao longo deste trabalho, vimos que as metáforas, essas ferramentas ex- ternas de que fala Atsushi Shimojima, que “pensam por nós”, e nos ajudam a orientar ideias e ações no mundo, estão cada vez mais incorporadas às nossas atividades cognitivas cotidianas. Cada uma das metáforas apresen- tadas, as do cognitivismo, conexionismo e enativismo, elaboram um mode- lo teórico-conceitual da cognição a fim de dar a melhor resposta para o que é a mente e como ela funciona. Como apontamos anteriormente, as metáforas do computador digi- tal e das redes neurais são mais simples, objetivas e não-circulares e, por isso, soam mais consistentes e mais palatáveis. No entanto, tais metáforas não levam em consideração a dinâmica própria da vida e da construção intersubjetiva do conhecimento. No nosso ponto de vista, a vertente ena- tivista das ciências cognitivas possui um maior poder de explicação e potencial de geração de novas hipóteses e pesquisas. Além disso, utiliza