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HISTOLOGIA E EMBRIOLOGIA 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Fernanda Eliza Toscani Burigo 
 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O tecido nervoso, constituído por células amplamente especializadas – os 
neurônios – e pelas células da neuroglia ou células da glia, permite a captura de 
sensações, sua interpretação e a resposta rápida a estímulos. Esse tecido é 
responsável pela formação de um dos sistemas mais importantes do organismo: 
o sistema nervoso, dividido anatomicamente em duas partes principais (Figura 
1), o sistema nervoso central (SNC), o qual compreende o encéfalo e a medula 
espinhal e o sistema nervoso periférico (SNP), formado pelos nervos, gânglios e 
terminações nervosas – estas irão compor o sistema nervoso autônomo (SNA), 
sem interferência direta do SNC, que coordena ações involuntárias, como os 
movimentos peristálticos e os batimentos cardíacos. A estrutura anatômica e 
fisiológica do sistema nervoso será abordada posteriormente. 
Figura 1 – Sistema nervoso central (em laranja) e sistema nervoso periférico 
 
Fonte: Vector Mine/Shutterstock. 
 
 
3 
É importante ressaltar que o tecido nervoso e, consequentemente, o 
sistema nervoso, estão intimamente relacionados à atividade de outros sistemas, 
tais como os sistemas sensorial e endócrino, atuando efetivamente na atividade 
destes. 
Nesta aula, vamos destacar a composição do tecido nervoso, seus 
componentes e suas respectivas funções, abordando com profundidade as 
características dos neurônios e de suas células anexas – as células da glia, 
compreendendo como ocorre a propagação do impulso nervoso, destacando 
ainda o papel das meninges e a ação das drogas (lícitas e ilícitas) nesse 
importante tecido. 
Para esta aula, destacam-se os seguintes objetivos: 
Geral: Identificar os componentes do tecido nervoso e sua ação de 
controle sobre tecidos e órgãos. 
Específicos: 
• Caracterizar o tecido nervoso; 
• Identificar as células do tecido nervoso; 
• Descrever o mecanismo de transmissão do impulso nervoso e a ação dos 
neurotransmissores; 
• Caracterizar anatômica e fisiologicamente as meninges; 
• Relacionar a fisiologia do sistema nervoso à ação das drogas lícitas e 
ilícitas. 
TEMA 1 – FUNÇÕES E CARACTERÍSTICAS DO TECIDO NERVOSO 
O tecido nervoso, que se origina da ectoderme embrionária, com a 
formação do tubo neural (SNC) e da crista neural (SNP), é composto por células 
muito especializadas, os neurônios (células permanentes, que não sofrem 
divisão) e as células da glia, com diferentes formas e funções, mas capazes de 
sofrer mitose (Figuras 2 e 3). As características de tais células serão bem 
discutidas e desmembradas na sequência. 
 
 
 
 
 
 
 
4 
Figura 2 – Células do tecido nervoso: neurônios e células da glia 
 
Fonte: Designua/Shutterstock. 
Figura 3 – Neurônios e células da glia vistos por microscopia 
 
Fonte: Kateryna Kon/Shutterstock. 
Para desempenhar bem suas funções, o tecido nervoso depende de uma 
propriedade dos neurônios – a excitabilidade, a qual afeta a permeabilidade na 
membrana plasmática, invertendo a sua polarização, que se espalha ao longo 
do neurônio, provocando a propagação do estímulo nervoso. 
Entre os neurônios, há um espaço, denominado fenda sináptica, no qual 
ocorre a liberação de importantes mediadores químicos, os neurotransmissores, 
que permitem a sensibilização e a continuidade da propagação do impulso 
nervoso aos neurônios adjacentes. A intercomunicação entre neurônios é 
 
 
5 
chamada de sinapse. Os processos de transmissão do impulso nervoso serão 
destacados no tema 3. 
Em relação às suas funções, o tecido nervoso é responsável por captar 
os estímulos, por meio de neurônios especiais, os neurônios sensitivos, 
conduzindo-os até o SNC, local de interpretação das sensações e comando de 
reações, enviando sinais elétricos a partir dos neurônios motores, os quais irão 
propiciar a reação efetiva ao estímulo inicial. Vale destacar que todo esse 
movimento demora milésimos de segundos para ocorrer. Por exemplo, ao apoiar 
a mão em uma superfície quente, os neurônios sensitivos captam o estímulo, 
conduzindo-o ao encéfalo, que o interpreta e envia uma resposta pelos neurônios 
motores, fazendo com que os músculos esqueléticos recebam a informação na 
placa motora, retirando a mão imediatamente da superfície quente. Essa rápida 
reação é fundamental para a preservação do organismo. 
Outra função importante é a atuação do tecido nervoso sobre o sistema 
endócrino, protagonizando a importante função de regulação do organismo, pela 
liberação dos hormônios. Por exemplo, ao observar uma situação apavorante, 
como um assalto, os neurônios sensitivos presentes nos olhos enviam o sinal de 
perigo ao SNC, que, ao interpretá-lo, envia sinais por meio dos nervos até as 
glândulas suprarrenais, as quais secretam adrenalina na corrente sanguínea, 
promovendo diversas reações, como a taquicardia, preparando o indivíduo para 
uma possível fuga, ou seja, para uma reação efetiva. 
Enfim, o tecido nervoso, compreendendo o sistema nervoso, está 
envolvido em praticamente todas as funções de um indivíduo, atuando tanto de 
forma voluntária, como as supracitadas, quanto de forma involuntária, como 
ocorre nos movimentos peristálticos do trato digestório, nas contrações uterinas 
(cólicas menstruais), na condução da urina pelo trato urinário e nos movimentos 
do miocárdio. 
TEMA 2 – COMPONENTES DO TECIDO NERVOSO: NEURÔNIOS E CÉLULAS 
DA GLIA 
Durante o desenvolvimento embrionário, as células que compõem o 
tecido nervoso diferenciam-se pela presença de duas estruturas embrionárias 
principais: o tubo neural, o qual forma os neurônios, e os glioblastos, os quais 
irão se diferenciar em astrócitos e oligodendrócitos, importantes células da glia 
 
 
6 
e também para a diferenciação dos monócitos em micróglias, células fogocíticas, 
capazes de responder às lesões. Já a crista neural dá origem aos neurônios 
sensitivos da raiz dorsal e dos gânglios nervosos cranianos, aos neurônios 
motores dos gânglios do sistema nervoso autônomo e às células de Schwann, 
que formarão a bainha de mielina das fibras nervosas. 
A partir de agora, iremos destacar as características de cada tipo celular, 
abordando suas peculiaridades. 
2.1 Neurônios 
Os neurônios são as unidades funcionais do tecido nervoso, altamente 
especializadas e que, em função de sua excitabilidade, permitem a condução, 
interpretação e resposta aos estímulos. 
São células capazes de grande conexão entre si, constituindo redes 
neuronais, formando uma grande rede de comunicação, a qual irá compor o 
sistema nervoso, conforme demonstra a Figura 4. 
Figura 4 – Rede de conexão entre neurônios 
 
Fonte: Whitehoune/Shutterstock. 
Apesar de possuírem grande variedade de formas e tamanhos, todos os 
neurônios possuem três componentes básicos, conforme demonstra a Figura 5 
e é descrito a seguir: 
• Corpo celular: também denominado de soma ou pericário, é o local onde 
se encontra o núcleo e o citoplasma. Nele ocorre intensa atividade 
metabólica, pois é onde se encontra o material genético e as organelas. 
O núcleo, o nucléolo e o retículo endoplasmático rugoso (também 
 
 
7 
chamado de corpúsculo de Nissl) são bem desenvolvidos, indicando a 
intensa atividade de síntese proteica. A atividade aeróbica também é 
intensa, recrutando uma grande quantidade de mitocôndrias. Geralmente, 
os corpos celulares ficam localizados no SNC; 
• Dendritos: prolongamentos muito ramificados, originados do corpo celular, 
responsáveis pela recepção dos estímulos, tanto do meio quanto de 
outros neurônios, estabelecendo uma ampla conectividade sináptica; 
• Axônio: sempre único no neurônio, essa estrutura é responsável pela 
transmissão do impulso nervoso ao longo deste, possuindo ramificações 
terminais (ou distais), os telodendros, nos quais são percebidas pequenas 
dilatações, denominadas botõessinápticos ou terminações sinápticas, as 
quais se comunicam por meio da liberação dos neurotransmissores na 
fenda sináptica, com os dendritos de outros neurônios ou em órgãos 
motores, como o músculo esquelético. Os axônios também podem ser 
referidos como fibras nervosas. 
Figura 5 – Estrutura do neurônio 
 
Fonte: Shacde Design/Shutterstock. 
É importante ressaltar que a propagação do impulso nervoso sempre 
ocorrerá no seguinte sentido: dendritos > corpo celular > axônio. Ainda, os 
 
 
8 
neurônios caracterizam-se por serem células grandes, cujo axônio pode medir 
até um metro de comprimento. 
Em geral, devido ao fato de possuírem ampla variedade de formas e 
também funções, os neurônios podem ser classificados quanto à sua 
funcionalidade e também quanto ao número e comprimento de processos que 
emergem do pericário, ou seja, de acordo com o arranjo do axônio e dos 
dendritos em relação ao corpo celular. 
Quanto à função, os neurônios podem ser classificados em: 
a. Sensoriais (aferentes): responsáveis por receber os estímulos do meio e 
do organismo. Estão amplamente relacionados aos órgãos sensoriais 
(tato, olfato, paladar, visão e audição), capturando as sensações; 
b. Motores (eferentes): são os neurônios responsáveis pela execução de 
uma reação, atuando sobre órgãos efetores, como as glândulas e fibras 
musculares; 
c. Associativos (interneurônios): são importantes no estabelecimento de 
conexões entre os neurônios, favorecendo a interação entre eles. 
Já, quanto ao número de processos, os neurônios classificam-se em 
(Figura 6): 
a. Multipolares: forma mais comum, apresentam inúmeros dendritos que 
partem do corpo celular e um único axônio. Visíveis no córtex cerebral e 
cerebelar; 
b. Bipolares: possuem único dendrito, localizado opostamente ao axônio, 
também único. São típicos da visão e audição; 
c. Pseudounipolares: único dendrito e axônio, que surgem de um tronco em 
comum do corpo celular. Presentes nos nervos cranianos e espinhais. 
 
 
 
9 
Figura 6 – Classificação dos neurônios quanto ao número de processos: 
pseudounipolares, bipolares e multipolares (da esquerda para a direita) 
 
 
Fonte: Tefi/Shutterstock. 
Em relação à estrutura do corpo celular, que compreende um citoplasma 
complexo e um núcleo organizado, pode-se observar uma organização 
diferenciada, com ribossomos abundantes, livres ou associados ao retículo 
granular, também proeminente, constituindo o corpúsculo de Nissl, que se 
estende para o interior dos dendritos, mas não no axônio. O complexo de Golgi, 
amplo e bem evidente, bem como numerosas mitocôndrias, essenciais à síntese 
de ATP, da mesma forma, compreendem organelas essenciais à atividade 
neuronal. Inúmeros lisossomos e grânulos de lipofucsina (característico de 
células permanentes) também podem ser observados. Além disso, possuem um 
citoesqueleto bem organizado, que atua na manutenção do formato do axônio e 
do corpo celular e permite o transporte de substâncias. Quanto ao núcleo, 
volumoso e de forma ovoide, posicionado centralmente no soma, possui intensa 
atividade metabólica, contendo a cromatina bem dispersa e o nucléolo bem 
evidente, relacionados à síntese dos neurotransmissores, a serem transportados 
ao longo do axônio até o botão sináptico, onde permanecem armazenados em 
vesículas, para posterior liberação por exocitose. 
2.2 Células da glia 
As células da neuróglia, ou células da glia, responsáveis pela 
sustentação, suporte e nutrição dos neurônios, são bem mais numerosas do que 
 
 
10 
estes e bem menores, mantendo sua capacidade mitótica. Devido a essa 
capacidade proliferativa, a maioria dos tumores cerebrais possui origem glial. Da 
mesma forma, quando há alguma lesão no SNC, ocorre mobilização das células 
da glia, as quais removem os fragmentos celulares, isolam a área e originam a 
cicatriz glial ou gliose, que interfere na regeneração neuronal, conforme afirma 
Kierszenbaum (2004). 
Diferentemente dos neurônios, essas células não são capazes de 
propagar o impulso nervoso e seus dendritos e o axônio não recebem nem 
transmitem os sinais elétricos. 
Conforme suas funções, estrutura e localização, podem ser classificadas 
em cinco tipos, observadas na Figura 7 e descritas brevemente: 
Figura 7 – Tipos de células da glia 
 
Fonte: Designua/Shutterstock. 
a. Astrócitos (Figura 8): possuem vários filamentos gliais (tipo de filamento 
intermediário presente no citoesqueleto), com núcleo grande e ovoide. 
Também apresentam inúmeros prolongamentos, relacionados ao 
transporte de substâncias entre o sangue e os neurônios, uma vez que se 
conectam à parede dos vasos sanguíneos. Estão relacionados à 
recuperação de lesões no SNC, promovendo a cicatrização a partir da 
proliferação dos astrócitos; 
 
 
11 
Figura 8 – Astrócitos: imagem ilustrativa e conexões com vasos sanguíneos 
 
 
Fonte: LDarin/Shutterstock; Kateryna Kon/Shutterstock. 
b. Oligodendrócitos (SNC) (Figura 9) e células de Schwann (SNP) (Figura 
10): células menores que os astrócitos, com núcleo irregular, complexo de 
Golgi bem desenvolvido e inúmeras mitocôndrias. A sua função é, com 
base nas dobras em torno do axônio, produzir o estrato mielínico (ou 
bainha mielínica), estrutura lipídica e proteica que envolve o axônio e 
permite acelerar a velocidade de propagação do impulso elétrico – 
processo conhecido como mielinização (Figura 10). O estrato mielínico se 
estende desde o início do axônio até as terminações axônicas, mas não 
são contínuos; os espaços são denominados nódulos de Ranvier e nele 
ocorre a condução saltatória do potencial de ação (propagação do 
impulso), o que torna bem mais rápida a transmissão nervosa; 
Figura 9 – Oligodendrócitos 
 
 
Fonte: Designua/Shutterstock. 
 
 
12 
Figura 10 – Processo de mielinização pelas células de Schwann 
 
Fonte: Tefi/Shutterstock. 
 
c. Micróglia (Figura 11): únicas derivadas da mesoderme resultam da 
diferenciação dos macrófagos, atuando como células fagocíticas, ou seja, 
atuam como protetores imunológicos do SNC. Podem eliminar células 
inviáveis, em especial na histogênese do embrião, por meio da apoptose; 
Figura 11 – Micróglia 
 
Fonte: LDarin/Shutterstock. 
 
d. Ependimárias: células epiteliais que constituem um epitélio simples cúbico 
e revestem as cavidades cerebrais e o canal central da medula espinhal. 
Essas células estão relacionadas à produção e à reabsorção do líquido 
cefalorraquidiano, importante na proteção e sustentação do SNC, contra 
forças externas, amortecendo impactos, além de remover resíduos 
metabólicos; 
 
 
13 
e. Satélites: células com formato cúbico, as quais constituem uma camada 
simples ao redor do corpo celular dos neurônios que formam os gânglios 
periféricos. Têm como função atuar como isolantes elétricos, auxiliar os 
neurônios em seu metabolismo e propiciar um microambiente favorável 
ao seu redor. 
Apesar das inúmeras divergências funcionais e estruturais das células da 
glia, é muito difícil diferenciá-las por meio de técnicas histológicas convencionais. 
Geralmente, as técnicas de imuno-histoquímica são utilizadas para essa 
identificação. 
TEMA 3 – A TRANSMISSÃO DO IMPULSO NERVOSO 
A transmissão do impulso nervoso, iniciada com base em um estímulo, 
caracteriza-se por uma corrente elétrica, que se propaga ao longo de todo 
neurônio. Para iniciar, o neurônio precisa estar em uma condição chamada 
potencial de repouso, que, segundo Junqueira e Carneiro (2018), caracteriza-se 
por uma diferença de voltagem (diferença de potencial), medida no interior e no 
exterior das células, para a qual se observa um valor de cerca de –65 mV 
(dependendo do neurônio, pode ser de –40 a –80 mV), indicando que o interior 
da membrana plasmática é negativo em relação ao seu exterior, o que significa 
que a membrana do neurônio está polarizada. Para que essa diferença de 
potencial ocorra, é necessário um desequilíbrio entreíons sódio e potássio 
dentro e fora da célula, mantido por bomba de sódio e potássio, transporte ativo 
que mantém o transporte contínuo de sódio para o meio extracelular e de 
potássio para o meio intracelular. Com base em um estímulo, ocorre a 
despolarização da membrana plasmática, ou seja, há a inversão das cargas 
elétricas, promovendo uma entrada brusca de sódio, que altera a polaridade do 
neurônio. 
Essa despolarização caracteriza o potencial de ação: é ele que permite 
as reações, pois muda a voltagem de -65 Mv (potencial de repouso) e gera um 
fluxo de corrente elétrica. Quando a despolarização ultrapassar -55 mV, gera 
uma onda de despolarização que se propaga pelo axônio. Como uma onda, logo 
após a passagem do potencial de ação pela membrana do axônio, ocorre a 
reversão do potencial, restabelecendo o potencial de repouso naquele lugar e 
 
 
14 
repolarizando a membrana, conforme demonstra o gráfico a seguir e as Figuras 
13 e 14: 
Figura 12 – Gráfico que ilustra a despolarização (potencial de ação) e 
repolarização do axônio 
 
Fonte: Anya Ku/Shutterstock. 
Figura 13 – Propagação do potencial de ação pela membrana do axônio 
 
Créditos: Magnon Almeida. 
 
 
15 
Figura 14 – Detalhe da propagação do impulso nervoso ao longo do axônio 
 
Fonte: Extender_01/Shutterstock. 
Assim que cessa o estímulo, a bomba de sódio e potássio reequilibra as 
diferenças entre os íons, retornando ao potencial de repouso. Vale destacar que 
nos neurônios cujo axônio contém a bainha de mielina, a propagação se dá aos 
“saltos” nos nódulos de Ranvier, e não de forma linear, como ocorre nos 
neurônios desprovidos da bainha, sendo mais rápida e consumindo menos 
energia. 
Ao chegar ao final das terminações axônicas, ocorre uma série de 
situações que irão culminar na sinapse, ou seja, a transmissão da informação ao 
neurônio seguinte. É importante ressalvar que os neurônios não estão em 
contato direto entre si; entre eles, há um pequeno espaço, denominado fenda 
sináptica, no qual ocorre a liberação dos mediadores químicos – os 
neurotransmissores (Figura 15). 
 
 
 
16 
Figura 15 – Detalhe: fenda sináptica 
 
Fonte: Alex Mit/Shutterstock. 
As sinapses podem ser de dois tipos: elétricas e químicas (mediada pelos 
neurotransmissores). Na sinapse elétrica (Figura 16), ocorre a propagação do 
potencial de ação diretamente de um neurônio a outro, através das conexões 
celulares, promovidas pelas junções comunicantes (do tipo GAP). Esse tipo de 
sinapse é extremamente rápido, comum no SNC, porém não permite o controle. 
Figura 16 – Imagem esquemática da sinapse elétrica 
 
Fonte: Naeblys/Shutterstock. 
Já a sinapse química (Figura 17), predominante sobre a elétrica, ocorre 
quando o potencial de ação não consegue se propagar para o neurônio pós-
sináptico de forma elétrica, necessitando de mediadores químicos para 
promover a sinalização celular. Os neurotransmissores, que podem ser 
 
 
17 
proteínas, aminas e até mesmo compostos inorgânicos, são sintetizados no 
corpo celular e armazenados em vesículas, conduzidas até os telodendros e 
eliminadas na fenda sináptica por exocitose. O neurônio seguinte, pós-sináptico, 
contém receptores para capturar os neurotransmissores, que permitem a 
entrada abrupta de íons sódio, promovendo uma despolarização local, que será 
conduzida ao longo de todo neurônio. Após serem liberados, os 
neurotransmissores serão removidos rapidamente da fenda sináptica, por 
degradação enzimática ou serão capturados por endocitose pela membrana pré-
sináptica, podendo ser reutilizados. Assim, os neurotransmissores realizam uma 
ação muito breve. 
Figura 17 – Imagem esquemática da sinapse química 
 
Fonte: Christoph Burgstedt/shutterstock 
A tabela a seguir resume as funções de alguns neurotransmissores: 
Tabela 1 – Funções de alguns neurotransmissores 
NEUROTRANSMISSOR FUNÇÃO 
Dopamina 
Controla a estimulação e os níveis do controle motor. Quando os 
níveis estão baixos no mal de Parkinson, os pacientes não 
conseguem se mover. 
Serotonina 
Esse neurotransmissor é um dos mais importantes. Possui forte 
efeito no humor, memória e aprendizado. Regula o equilíbrio do 
corpo. 
Acetilcolina (ACh) A acetilcolina controla a atividade de áreas cerebrais 
relacionadas à atenção, aprendizagem e memória. 
Noradrenalina 
Substância química que induz a excitação física e mental e bom 
humor. A noradrenalina é uma mediadora dos batimentos 
cardíacos, pressão sanguínea, a taxa de conversão de glicogênio 
(glucose) para energia, assim como outros benefícios físicos. 
Glutamato O principal neurotransmissor excitatório do sistema nervoso 
Encefalina e endorfina Essas substâncias são opiáceos que, como as drogas heroína e morfina, modulam a dor, reduzem o estresse etc. 
Fonte: Lúcio, 2013. 
https://www.shutterstock.com/pt/g/christophburgstedt
 
 
18 
TEMA 4 – MENINGES 
Pensemos no SNC como uma estrutura altamente delicada, que, dessa 
forma, apresenta um sistema protetor bem especializado e eficiente: crânio, 
meninges, líquido cefalorraquidiano e barreira hematoencefálica. Neste tópico, 
abordaremos as meninges. 
As meninges, membranas protetoras que envolvem o SNC, organizam-se 
em três camadas, dispostas nessa ordem: dura-máter (mais externa), aracnoide 
(intermediária) e pia-máter (mais interna), conforme demonstram as Figuras 18 
e 19. Entre elas, auxiliando na proteção e no amortecimento de impactos, 
encontra-se o líquor ou líquido cefalorraquidiano, sintetizado pelas células 
ependimárias. 
Figura 18 – Visão geral das meninges 
 
Fonte: Sciencepics/Shutterstock. 
Figura 19 – Detalhe das meninges 
 
Fonte: Systemoff/Shutterstock. 
 
 
19 
4.1 Dura-máter 
Essa meninge, sendo a mais externa, é também a mais grossa e com 
maior resistência. Quanto à sua posição, fica contígua ao periósteo no crânio, 
aderindo intimamente aos seus ossos e, na medula espinhal, separa-se do 
periósteo das vértebras por um espaço (epidural), constituído basicamente por 
tecido conjuntivo – frouxo e adiposo. 
É uma membrana ricamente inervada – caracterizando a sensibilidade 
intracraniana (relacionada à maioria dos casos de dores de cabeça), composta 
por tecido conjuntivo denso modelado, repleto de fibras colágenas e irrigação 
sanguínea e por células meningoteliais (células epiteliais pavimentosas). 
Ainda, algumas áreas da dura-máter se destacam, formando pregas, as 
quais dividem a cavidade craniana em compartimentos que se interligam. As 
principais pregas são: foice do cérebro, que separa os dois hemisférios; tenda 
do cerebelo; foice do cerebelo e diafragma da sela, observados na Figura 20, 
Figura 20 – Pregas da dura-máter 
 
Crédito: Jefferson Schnaider 
4.2 Aracnoide 
Essa membrana, muito fina, cujo aspecto se assemelha a uma teia de 
aranha (daí o nome), devido às várias ramificações que possui, encontra-se em 
uma posição intermediária em relação às outras meninges. Separa-se da pia-
máter por espaços contendo líquor, os espaços subaracnóideos. A região que 
entra em contato com a pia-máter forma inúmeras projeções, denominadas de 
trabéculas, que se inserem nos espaços subaracnóideos, por onde permeiam os 
principais vasos sanguíneos cerebrais. Em certos locais, há expansões da 
 
 
20 
aracnoide que perfuram a dura-máter e que culminarão nos seios venosos: são 
as vilosidades aracnóideas. 
É importante ressaltar que o espaço subaracnóideo é variável conforme a 
posição cerebral, que possui inúmeros sulcos, giros e depressões; assim, 
nessas áreas, formam-se dilatações desse espaço, contendo muito líquor, 
constituindo as cisternas aracnóideas. 
4.3 Pia-máter 
A pia-máter é a meninge mais interna, aderindo intimamente ao encéfalo 
e à medula espinhal, envolvendo os sulcos cerebrais até as porções mais 
profundas. Localiza-se sobre os prolongamentos dos astrócitos, sendo uma 
membrana muito delicada. 
É constituída por um tecido conjuntivo frouxo, amplamentevascularizado, 
e por células menigoendotelais. 
Tem por função dar resistência ao tecido nervoso e acompanha vasos que 
o permeiam, formando a parede externa dos espaços perivasculares, 
envolvendo os vasos sanguíneos que adentram no tecido. 
4.4 Meningite 
Caso haja uma infecção – geralmente, viral ou bacteriana – nas meninges, 
com ou sem reação purulenta no líquor, ocorre a inflamação das membranas, 
provocando o quadro conhecido por meningite, doença muito perigosa, que pode 
provocar sequelas severas e até a morte. Dependendo do agente infeccioso, é 
transmitida por gotículas e secreções do trato respiratório, por alimentos 
contaminados, por contato próximo e até por picada de mosquitos. Seu 
diagnóstico é realizado por exames clínicos, que sugerem a doença, indicando, 
assim, a coleta de líquido cefalorraquidiano para análise laboratorial e pesquisa 
do antígeno. O aspecto do líquor, que deve ser incolor, pode ser um indicativo. 
A vacinação ainda é a melhor forma de prevenção contra a meningite, além da 
higienização pessoal e de manter os ambientes ventilados e limpos. 
Infelizmente, no Brasil a meningite é considerada uma doença endêmica, ou 
seja, casos são esperados ao longo do ano, com ocorrência de surtos e 
epidemias, conforme estações do ano (bacterianas: outono/inverno e virais: 
primavera/verão). 
 
 
21 
TEMA 5 – CONTEXTUALIZANDO: A AÇÃO DAS DROGAS NO TECIDO 
NERVOSO 
O uso de drogas e os potenciais problemas relacionados a ele é um 
assunto comum no nosso cotidiano, estando presentes nos meios de 
comunicação, nos diálogos dos pais com filhos, nas ações das autoridades, nas 
escolas, enfim, em diferentes momentos e lugares do nosso dia a dia. Apesar 
dos tabus que ainda permeiam esse tema, é fundamental sua abordagem e 
compreensão, a fim de atuarmos na prevenção e minimização de efeitos 
indesejáveis. 
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), “droga é qualquer 
substância que, introduzida no organismo, interfere no seu funcionamento”. 
Podem ser classificadas de três formas: 
1. Naturais, semissintéticas e sintéticas; 
2. Lícitas e ilícitas; 
3. Atuação no SNC – Depressoras, estimulantes ou alucinógenas – 
Abordadas com maiores detalhes em nosso estudo. 
5.1 Drogas naturais, semissintéticas e sintéticas 
Drogas naturais são aquelas que provocam alguma alteração no 
organismo, mas que não possuem componentes químicos em sua composição, 
ou seja, não estão relacionadas à produção em laboratório, geralmente 
sintetizadas utilizando-se plantas. Comumente, seus efeitos são alucinógenos. 
Como exemplo, pode-se citar a maconha, o ópio, alguns cogumelos específicos, 
a cafeína, a nicotina, entre outras. Já as drogas semissintéticas, apesar de 
utilizarem produtos da natureza, sofreram alguma alteração e/ou processamento 
em laboratório, como é o caso da cocaína, crack, heroína, morfina, codeína, 
álcool e outras. Por fim, as drogas sintéticas são aquelas totalmente produzidas 
em laboratório, sintetizadas com base em uma ou várias substâncias químicas, 
sendo exemplificadas pelo LSD, anfetaminas, ecstasy, anabolizantes, inalantes 
etc. Vale ressaltar que as duas últimas possuem alto poder viciante. 
 
 
 
 
22 
5.2 Drogas lícitas e ilícitas 
Drogas lícitas são aquelas cujo consumo é permitido por lei, além de 
poderem ser produzidas e comercializadas sem haver repressão. Dentre elas, 
destacam-se o álcool, a nicotina, a cafeína e medicamentos sem prescrição 
médica. Infelizmente, são as mais consumidas e, hoje, o álcool lidera o ranking 
de consumo e dependência. Consequentemente, as drogas ilícitas são o 
contrário, ou seja, são aquelas proibidas de serem consumidas, produzidas e 
comercializadas e, devido à sua proibição, relacionam-se diretamente ao tráfico 
de drogas. É o caso da maconha, cocaína, heroína, LSD, inalantes, ópio, dentre 
outras. é importante destacar que a legislação que regulamenta a produção, 
consumo e comercialização de uma droga pode variar de país para país. 
5.3 Drogas e atuação no SNC 
Quanto à atuação no sistema nervoso central (SNC), as drogas podem 
ser classificadas em depressoras do SNC, quando diminuem drasticamente as 
atividades cerebrais, minimizando a liberação de neurotransmissores, 
caracterizando-se por fazer com que seu usuário se mantenha lento, desligado, 
alheio às atividades rotineiras, tornando-se menos sensível aos estímulos 
externos. São exemplos desse tipo de droga: álcool, inalantes, soníferos, 
ansiolítico, antidepressivos e morfina. O álcool, por exemplo, se liga aos 
receptores do GABA (gamma aminobutírico) e da acetilcolina, importante 
neurotransmissor no estímulo de músculos, em especial o esquelético, 
relacionando-se também à atenção, à excitação, à aprendizagem e à memória, 
bloqueando a ação desta, conforme demonstra a Figura 21. Assim, efeitos como 
tremedeiras, falta de atenção, lentidão de movimentos e da fala e os 
apagamentos são bem explicados. Além disso, a intoxicação pelo álcool leva ao 
acúmulo de células sanguíneas nos capilares, impedindo que os astrócitos 
realizem a conexão de substâncias entre neurônios e sangue, levando à morte 
de ambas, astrócitos e neurônios (Figura 22). 
 
 
 
 
23 
Figura 21 – Atuação do álcool sobre os neurônios e liberação de 
neurotransmissores 
 
Fonte: Joshya/Shutterstock. 
Figura 22 – Ação do álcool sobre o neurônio, astrócitos e capilares sanguíneos 
 
Fonte: Designua/Shutterstock. 
Os antidepressivos atuam estimulando a síntese de serotonina, elevando 
os níveis desse neurotransmissor, que está relacionado ao humor, à emoção, à 
ansiedade, regulando o sono e a alimentação. Por isso os antidepressivos 
causam dependência, pois retiram seus usuários de uma condição depressiva e 
suicida. As drogas estimulantes do SNC, ao contrário das depressoras, 
aumentam a atividade cerebral e a liberação de neurotransmissores, em especial 
a epinefrina (neurotransmissor excitatório que regula o humor e aumenta a 
 
 
24 
frequência cardíaca) e a dopamina (neurotransmissor associado ao mecanismo 
de recompensa do cérebro), regulando sensações prazerosas, fazendo com que 
o usuário sinta-se muito bem, em euforia, provocando reações intensas, como 
sensação de alerta, disposição e resistência, conforme demonstram as figuras 
23 e 24. 
As drogas estimulantes são representadas pela nicotina, cafeína, 
anfetaminas, cocaína, crack e merla. Enfim, as drogas perturbadoras do SNC, 
ou alucinógenas, promovem a distorção das atividades cerebrais, em áreas 
específicas, promovendo alterações dos sentidos, da percepção espaço e tempo 
e alucinações. São representadas pela maconha, haxixe, ecstasy, cogumelo e 
LSD. Pesquisas sugerem que as drogas alucinógenas, como o cogumelo e seu 
psicoativo, a psilocibina, permitem o início de novas conexões cerebrais, que 
originalmente não estabelecem comunicação. A maconha, por exemplo, pode 
afetar as conexões cerebrais do córtex orbitofrontal, relacionado à tomada de 
decisões e às emoções, promovendo mudanças (observadas por ressonância 
magnética) nessa região. 
Figura 23 – Ação da cocaína sobre os neurônios e liberação de dopamina 
 
Fonte: Joshya/Shutterstock. 
 
 
 
25 
Figura 24 – Ação da cocaína sobre a liberação de neurotransmissores na fenda 
sináptica 
 
Fonte: Designua/Shutterstock. 
NA PRÁTICA 
• O tecido nervoso pode ser relacionado a inúmeras doenças. Pesquise 
sobre algumas delas, tais como: epilepsia, esclerose lateral amiotrófica 
(ELA). Mal de Parkinson e a doença de Alzheimer. Descreva suas 
características, diagnóstico e possíveis tratamentos. 
• Qual é a relação entre o tecido nervoso e o vírus da raiva? Explique. 
• A depressão é considerada a doença do século, acometendo milhões de 
pessoas, nas mais variadas idades. Qual é a relação dela com o tecido 
nervoso? Qual é o papel dos medicamentos? 
• Elabore um projeto de conscientização contra o uso de drogas lícitas, 
demonstrandoos danos neurológicos provocados por elas. 
Saiba mais 
Assista ao filme Óleo de Lorenzo e compreenda um pouco mais sobe a 
doença adrenoleucodistrofia. Esquematize as características e sintomas dessa 
doença e a proposta de cura destacadas no filme. 
ÓLEO de Lorenzo. Direção de George Miller. EUA, 1993. 129 min. 
 
 
 
26 
FINALIZANDO 
Nesta aula, cujo objetivo foi compreender a estrutura, funções e 
composição do tecido nervoso, pudemos destacar alguns tópicos importantes, 
conforme resumimos no infográfico a seguir: 
Figura 25 – Resumo 
 
 
 
 
TECIDO 
NERVOSO
FUNÇÕES E 
CARACTE-
RÍSTICAS
NEURÔNIOS 
E CÉLULAS 
DA GLIA
IMPULSO 
NERVOSOMENINGES
DROGAS E 
AÇÃO NO 
SNC
 
 
27 
REFERÊNCIAS 
ABRAHAMSOHN, P. Histologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. 
EDUCAÇÃO INFOCO. Potencial de ação. Educação Infoco, S.d. Disponível 
em: <https://sites.google.com/site/tudoensinomedio/unifei/calendario-1/biologia-
3/reinos/fisiologia-animal/sistema-nervoso/celulas-nervosas/potencial-deacao>. 
Acesso em: 4 set. 2019. 
GARTNER, L. P. Atlas colorido de histologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2018. 
GLEREAN, A.; SIMÕES, M. I. Fundamentos de histologia para estudantes da 
área da saúde. São Paulo: Santos, 2013. 
JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 13. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2018. 
KIERSZEMBAUM, A. L. Histologia e biologia celular: uma introdução à 
patologia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 
LOPES, S.; ROSSO, S. Biologia. v. único. São Paulo: Saraiva, 2005. 
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<https://pt.slideshare.net/clspectro/sistema-nervoso-27900404>. Acesso em: 4 
set. 2019. 
MEDRADO, L. Citologia e histologia humana: fundamentos de morfofisiologia 
celular e tecidual. São Paulo: Érica, 2014. 
ROSS, M. H.; PAWLINA, W. Histologia: texto e atlas. 7. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2018. 
YOUNG, B. et.al. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 5. ed. 
Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. 
 
 
 
	4.4 Meningite

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