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A espécie mais invasiva de todas
[...] Em algum momento posterior a 70 mil anos atrás, nossa espécie, 
Homo sapiens, saiu da África para começar sua inexorável propagação por 
todo o globo. Outras espécies de hominídeos tinham se estabelecido na 
Europa e na Ásia, mas apenas nossos ancestrais H. sapiens acabaram con-
seguindo se dispersar para todos os grandes continentes. [...]
Paleoantropólogos debateram por muito tempo como e por que só hu-
manos modernos conseguiram essa surpreendente façanha de propaga-
ção e dominância. Alguns especialistas argumentam que a evolução de 
um cérebro maior, mais sofisticado, permitiu que nossos ancestrais avan-
çassem para novas terras e enfrentassem os desafios desconhecidos que 
encontraram ali. Outros sustentam que uma tecnologia inédita impulsio-
nou a expansão da nossa espécie fora da África ao permitir que humanos 
modernos caçassem presas e liquidassem inimigos com uma eficácia sem 
precedentes. Um terceiro cenário postula que mudanças climáticas en-
fraqueceram as populações de neandertais e outras espécies arcaicas de 
hominídeos que ocupavam os territórios fora da África, permitindo que os 
humanos modernos conquistassem uma posição dominante e assumis-
sem o controle de seus domínios. Mas nenhuma dessas hipóteses oferece 
uma teoria abrangente capaz de explicar plenamente a extensão do al-
cance dos H. sapiens. [...]
Escavações que conduzi ao longo dos últimos 16 anos em Pinnacle 
Point, no litoral austral da África do Sul, somadas a avanços teóricos em 
ciências biológicas e sociais, recentemente me levaram a um cenário 
alternativo para explicar como o H. sapiens conquistou o mundo. Acredi-
to que a diáspora ocorreu quando um novo comportamento social evo-
luiu em nossa espécie: uma propensão geneticamente codificada para 
coope rar com indivíduos não aparentados. O acréscimo dessa tendência 
única às avançadas habilidades cognitivas de nossos ancestrais permi-
tiu que eles se adaptassem agilmente a novos ambientes. Isso também 
fomentou a inovação, dando origem a uma tecnologia revolucionária 
que mudou tudo: armas avançadas de longo alcance. Equipados assim, 
eles partiram da África, prontos para subjugar o mundo inteiro de acor-
do com sua vontade. 
[...]
Força da natureza
Grupos humanos arcaicos, incapazes de se unir e arremessar armas, 
não tinham a menor chance contra essa nova espécie. Cientistas vêm de-
batendo há tempos por que nossos primos neandertais foram extintos. 
Acho que a explicação mais perturbadora também é a mais provável: eles 
eram percebidos como concorrentes e como uma ameaça, e os humanos 
modernos invasores os exterminaram. Foi para isso que evoluíram.
[...]
MAREAN, Curtis W. A espécie mais invasiva de todas. Scientific American Brasil. 
Ano 14 (2015), n. 160. (Adaptado.) São Paulo: Segmento. p. 27-34. 
1. Qual o problema 
científico 
investigado e 
discutido por Curtis 
W. Marean no 
artigo?
2. Quais as principais 
hipóteses citadas 
pelo autor para 
explicar o sucesso 
evolutivo do Homo 
sapiens?
3. Qual é a nova 
hipótese levantada 
por Marean?
4. Em que estudos 
essa nova 
hipótese proposta 
por Marean foi 
baseada?
5. E hoje? Em quais 
circunstâncias os 
indivíduos adotam 
comportamento 
semelhante a 
esse apontado 
por Marean como 
responsável pelo 
sucesso do Homo 
sapiens?
Veja as respostas no 
Manual do Professor.
Interpretar
NÃO ESCREVA NO LIVRO
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A ocupação do continente americano
Como e quando o continente que hoje chamamos de América começou 
a ser ocupado? Essa pergunta ainda gera grandes debates entre os pesqui-
sadores. A teoria mais difundida afirma que os primeiros grupos humanos 
chegaram ao continente há cerca de 13 mil anos, quando a queda da tem-
peratura do planeta criou imensas geleiras que ligavam a Ásia à América, no 
atual estreito de Bering. 
Essa hipótese baseia-se em um vasto conjunto de objetos encontrados 
na cidade de Clóvis, no Novo México, Estados Unidos, na década de 1920. Es-
ses artefatos foram datados de aproximadamente 10 mil anos e pertenciam 
a povos caçadores-coletores. 
Entretanto, outras investigações contestam a ideia de que o estreito de 
Bering tenha sido o único caminho para a ocupação do continente. É nesse 
contexto que destacamos os olhares divergentes de dois pesquisadores bra-
sileiros sobre as origens humanas da América: Walter Neves (1957-) e Niède 
Guidon (1933-).
Na década de 1990, o pesquisador Walter Neves ficou mundialmente co-
nhecido graças às análises que realizou em um crânio humano desenterra-
do, na década de 1970, no sítio arqueológico de Lapa Vermelha, em Minas 
Gerais. Neves e sua equipe descobriram que ele tinha cerca de 11 500 anos e 
era, portanto, mais antigo que a cultura Clóvis. Eles batizaram esse crânio de 
Luzia. De acordo com o resultado das pesquisas de então, Luzia assemelha-
va-se mais aos povos africanos e aos aborígines da Oceania do que aos po-
vos de origem asiática, chamados mongoloides. Essa conclusão, no entanto, 
foi modificada pelos estudos que se seguiram. 
A reconstituição (foto da esquerda) foi feita pelo especialista britânico Richard Neave (1936-) na década de 1990. O crânio de 
Luzia estava exposto no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e acabou sendo consumido pelo fogo no incêndio ocorrido em 2018 
(imagem central), mas sobraram fragmentos nos escombros.
Museu do Homem 
Americano. Disponível 
em: http://fumdham.
org.br/. Acesso em: 
16 mar. 2020.
Acesse o site da 
Fundação Museu do 
Homem Americano 
para conhecer 
melhor o trabalho 
desenvolvido por 
Niède Guidon em São 
Raimundo Nonato, no 
estado do Piauí. 
Saber
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