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57 a. O que você pensa desta fala de Hermeto Pascoal? Resposta pessoal. b. Qual a relação da fala do músico com a foto apresentada? c. Como essa fala se relaciona com a ideia de improvisação? d. Você já viveu a experiência de fazer algo sem ter planejado? Em que situações isso ocorre em sua vida? Respostas pessoais. e. Hermeto menciona objetos cotidianos como uma panela e uma pasta de guardar livros. O que esses objetos representam para o artista? Qual a relação deles com instrumentos como a flauta e o saxofone? f. E você, já improvisou algo com um objeto cotidiano? Já experimen- tou fazer som com um copo? Respostas pessoais. Ao longo deste capítulo, veremos que a improvisação, em diferentes expressões culturais, leva em conta não só o mo- mento e a inspiração, mas também algumas técnicas e o res- peito às regras determinadas para a sua produção. Durante seus estudos, você será motivado a apreciar e experimentar diferentes formas de improvisar na música e no teatro, explorando recursos como os objetos cotidianos e as expres- sões vocal e corporal. Além disso, verá como a im- provisação pode estar presente nas criações poé- ticas, como os improvisos no rap das batalhas de MC’s e nos desafios de cantoria do repente. As experimentações que você vivenciará com os cole- gas e os repertórios que vocês vão mobilizar, conhecer e ana- lisar neste capítulo serão fundamentais para que organizem, juntos, um grande sarau de improvisos. Você sabe o que é um sarau? Talvez você já tenha participado de algum e nem saiba. Sarau é um encontro organizado para que os participantes compartilhem entre si criações e produções artísticas e culturais diversas, tanto autorais como de outros. Você pode estar se perguntando: “Então, terei que improvi- sar?”. Considerando o tema deste capítulo, seria o ideal, mas também é possível levar uma ou mais produções realizadas ao lon- go deste capítulo. Então, para dar vida ao sarau da turma, você e os colegas poderão explorar as formas de expressão que serão apreciadas e experimentadas aqui, como cenas teatrais criadas a partir de diferentes temas, músicas improvisadas com objetos e recursos vocais, batalhas de rap ou desafios de repente. Essas pro- duções podem tanto ser criadas durante o sarau, mobilizando os aprendizados de improvisação, quanto retomadas a partir das atividades do capítulo. O importante é que, partindo da improvisação, cada um de vocês realize as propostas de produção e se prepare para mostrar o que expressa melhor as suas aprendizagens e os repertórios. Bom trabalho! Neste momento, deixe que os estudantes compartilhem livremente as primeiras impressões que tiveram da fala de Hermeto Pascoal. Na foto, Hermeto Pascoal está tocando uma chaleira em uma apresentação musical. Trata-se de um objeto cotidiano, assim como a panela e a pasta mencionadas na fala. c. Espera-se que os estudantes ava- liem o contexto da fala de Hermeto Pascoal e percebam que ele trata do ato de criação musical improvi- sado. No trecho “Pego essa pasta e faço um som, sem bolar, sem nada e vai acontecendo na hora”, por exemplo, o músico descreve um procedimento do seu fazer artístico ao explorar um objeto cotidiano. Destaque também o trecho “Estou preparado para tudo” e verifique se os estudantes percebem que Hermeto defende a ideia de que é possível fazer música com qual- quer coisa. Incentive os estudantes a compartilhar relatos de situações em que o ato de improvisar costuma acontecer e peça que reflitam sobre o modo como encaram essas situações. Os objetos cotidianos funcionam como instrumentos musicais para o artista. Enquanto a flauta e o saxofone se enquadram como instrumentos convencionais, pode-se dizer que os objetos cotidianos assumem o papel de instrumentos não convencionais. V irin a flo ra /S h u tte rs to ck V1_LINGUAGENS_Faraco_g21Sa_Cap2_054a087_LA.indd 57V1_LINGUAGENS_Faraco_g21Sa_Cap2_054a087_LA.indd 57 02/09/2020 10:3502/09/2020 10:35 58 Improvisa•‹o na mœsica Você já observou um instrumentista tocando? Já teve a impressão de que ele criava a música no momento de sua execução? Respostas pessoais. A música foi, por muitos séculos, transmitida somente pela oralidade e, ainda hoje, essa é uma de suas formas de difusão. Em contextos que não utilizam uma forma de escrita musical, todo conhecimento é passa- do por meio da prática, tocando, interagindo e improvisando. A escrita musical ocidental desenvolveu-se ao longo de vários sécu- los até chegar a uma notação precisa, como as partituras que circulam hoje em dia. No entanto, inicialmente, a escrita musical não pretendia registrar tudo, mas indicar o essencial, cabendo aos músicos comple- mentar com sua personalidade e com improvisação. Para você, o que seria improvisação na música? O que você imagina que um músico pre- cisa saber para poder improvisar? Respostas pessoais. As partituras são representações escritas de música. Na música oci- dental, elas seguem um padrão com notas escritas em folhas pautadas, ou seja, com linhas que guiam a escrita da composição. Observe a seguir a partitura do concerto “A primavera”, do composi- tor italiano Antonio Vivaldi (1678-1741). Perceba como as notas se orga- nizam na pauta. Em contextos como o da música de concerto de tradição europeia, comumente chamada “música clássica”, todo o arranjo musical que ou- vimos está escrito com precisão em sua partitura. Mas, mesmo nesse caso, nem sempre foi assim. Por volta de 1700, a música europeia era feita com muito improviso, apesar de os músicos seguirem uma partitu- ra impressa. Nesse período, que na história das artes é conhecido como Barroco, os músicos realizavam improvisos como um recurso de ornamentação para as composições, acrescentando pequenos grupos de notas rápidas enquanto tocavam. Um dos músicos importantes dessa época é o fran- cês Michel de La Barre (c. 1675-1745), membro da Academia Francesa de Música, retratado no quadro do francês André Bouys (1656-1740). Músicos tocando jazz em rua de Chicago, Estados Unidos, 2018. Fragmento de partitura de “A primavera”, de Antonio Vivaldi, 1723 (concerto para violino em mi maior nº 1). La Barre e outros músicos, de André Bouys, c. 1710 (óleo sobre tela, 160 cm × 127 cm). Galeria Nacional, Londres, Inglaterra. T. J . D ra g o tt a /U n s p la s h P e tr u c c i M u s ic L ib ra ry /i m s lp .o rg A N D R E B O U Y S /F o to a re n a /G a le ri a N a c io n a l, L o n d re s , In g la te rr a . TRILHA DE ARTE Repert—rios e an‡lises NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. Deixe que os estudantes compartilhem suas impressões. É importante ficar atento a falas que demonstrem uma percepção estereotipada da improvisação musical, como se o ato de improvisar fosse fazer “qualquer coisa”. V1_LINGUAGENS_Faraco_g21Sa_Cap2_054a087_LA.indd 58V1_LINGUAGENS_Faraco_g21Sa_Cap2_054a087_LA.indd 58 02/09/2020 10:3502/09/2020 10:35