Logo Passei Direto
Buscar

DIÁRIO DE AFETOS SOBRE O FILME A CLASSE OPERÁRIA VAI AO PARAÍSO

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

DIÁRIO DE AFETOS SOBRE O FILME “ A CLASSE OPERÁRIA VAI AO PARAÍSO”
Ao assistir a obra cinematográfica "A Classe Operária Vai ao Paraíso", dirigida por
Elio Petri (1971), fique muito impactada, a obra oferece uma perspectiva clara sobre os
dilemas enfrentados pelos trabalhadores no contexto do capitalismo. O filme retrata a história
de Ludovico Massa, conhecido como Lulu, um operário-padrão que se destaca pelo seu
esforço em cumprir as metas exigidas na fábrica em que trabalha. É angustiante observar
como Lulu vivencia a rotina maçante da fábrica, sem perceber o quão alienado está, condição
que segundo Marx, os trabalhadores se sentem separados e desligados dos produtos que
produzem, torna-se estranho ao ato de trabalhar. Isso acontece porque em vez de realizar o
trabalho como uma expressão livre de sua criatividade e habilidade, o trabalhador é forçado a
vender sua força de trabalho em troca de um salário, separando o trabalhador e sua atividade
laboral que no sistema capitalista é controlada e dirigida pelo empregador.
Além disso, é desconcertante observar a forma como Lulu se vê como mero
instrumento de produção, desprovido de qualquer controle sobre o propósito de seu trabalho,
ele se esforça para atingir as metas de produção impostas pelos seus superiores, sem
questionar o propósito ou o significado do seu trabalho. Lulu é tratado como um instrumento
de produção, cujo valor é medido apenas pela sua capacidade de gerar lucro para a empresa.
Em várias cenas do filme é nítido a falta de compreensão dos trabalhadores sobre o
significado de suas atividades, bem como a imposição de metas de produtividade abusivas,
que contribui para a sensação de despersonalização e perda de identidade dos trabalhadores
dentro do ambiente fabril, ou seja, ele é reduzido a uma mera mercadoria, desconsiderando
sua humanidade e individualidade. Ele não é visto como um ser humano com desejos ou
necessidades próprias, mas sim como um meio para atingir os fins da produção capitalista
(reificação).
Ademais, outra coisa que me gerou profunda inquietação foi à busca incessante de
Lulu por maior produção que o levava a sacrificar sua saúde, sua segurança no trabalho e suas
relações familiares, refletindo a exploração dos trabalhadores em benefício do sistema
capitalista. No entanto, o filme também apresenta momentos de resistência e conscientização
por parte dos trabalhadores. Isso é demonstrado no momento em que Lulu sofre um acidente
Faculdade de Educação
Rua 235, Setor Universitário.
CEP 74605-050 Goiânia - Goiás - Brasil.
Recepção: +55 (62) 3209.6202
de trabalho que tem como consequência a perda de um de seus dedos e começa a questionar o
sistema de exploração. Uma cena intrigante do filme em que isso fica evidente é quando Lulu
conversa com um colega internado ao que parece em um hospital psiquiátrico que, o
questiona se Lulu sabe para que serve a peça que ele produz, Lulu se irrita porque percebe que
não tem idéia de para que serve. Daí em diante ele se envolve na luta dos operários por
melhores condições de trabalho.
Outrossim, uma cena que causa revolta é quando os operários estão se mobilizando
para uma greve e tentam impedir os engenheiros de entrar na fábrica causando muito tumulto,
a polícia é chamada para tentar controlar a multidão enfurecida e Lulu se agarra ao capô do
carro e é arrastado até o interior do pátio da fábrica, em meio a confusão a polícia conseguiu
levar um dos patrões para dentro da fábrica e os trabalhadores são espancados pelos militares.
Essa resistência, embora muitas vezes desorganizada e sem liderança sindical consolidada,
evidencia a busca dos trabalhadores por dignidade e justiça dentro do ambiente laboral. Nesse
sentido, apesar do filme ser da década de 70, a exploração dos trabalhadores a favor do
sistema capitalista continua a ser uma realidade presente, assim como a necessidade de
resistência e busca por melhores condições de trabalho.
Assim, a obra cinematográfica, não apenas nos apresenta um retrato claro dos desafios
enfrentados pelos trabalhadores, mas também nos chama a refletir sobre as injustiças e
desigualdades inerentes ao sistema econômico vigente e a buscar alternativas que promovam
uma maior justiça social e valorização do trabalho humano.
Referências:
PETRI, Elio; PIRRO, Ugo; TUCCI, Ugo. A Classe Operária Vai ao Paraíso (La Classe
Operaia Va in Paradiso, Itália, 1971). (Filme). Direção de Elio Petri, Produção de Ugo Tucci,
Argumento e Roteiro de Elio Petri e Ugo Pirro. Euro International Films, 125 min aprox., cor,
som.
MARX, K. Trabalho estranhado e propriedade privada. In: ____.Manuscritos
econômico-filosóficos. Tradução de Jesus Ranieri. São Paulo: Boitempo, 2004. p. 79-98
Faculdade de Educação
Rua 235, Setor Universitário.
CEP 74605-050 Goiânia - Goiás - Brasil.
Recepção: +55 (62) 3209.6202
RESENDE, A. C. A. Subjetividade em tempos de reificação: um tema para a psicologia
social. Estudos: vida e saúde, Goiânia, v. 28, n. 4, 2001. p. 511-538.
Faculdade de Educação
Rua 235, Setor Universitário.
CEP 74605-050 Goiânia - Goiás - Brasil.
Recepção: +55 (62) 3209.6202

Mais conteúdos dessa disciplina