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Embora sem surpresa, o cobrador coçou a cabeça. Sabia de experiência própria 
que passageiro nenhum quer entrar numa fria. Ficam de camarote, espiando o cir-
co pegar fogo. Teve pois que sair do seu trono, pobre trono de trocador, fazendo a 
difícil ginástica de sempre. Bateu no ombro do rapaz:
— Vamos levantar?
O outro mal olhou para ele, do longe de sua distância espiritual. Insistiu:
— Como é, não levanta?
— Estou bem aqui.
— Eu sei, mas é preciso levantar.
— Levantar pra quê?
— Pra que, não. Por quê. Seu calção está molhado de água do mar.
— Tem certeza que é água do mar?
— Tá na cara.
— Como tá na cara? Analisou?
Forrou-se de paciência para responder:
— Olha, o senhor está de calção de banho, o senhor veio da praia, que água pode 
ser essa que está pingando se não for água do mar? Só se…
— Se o quê?
— Nada.
— Vamos, diz o que pensou.
— Não pensei nada. Digo que o senhor tem de levantar porque seu calção está 
ensopado e vai fazendo uma lagoa aí embaixo.
— E daí?
— Daí, que é proibido.
— Proibido suar?
— Claro que não.
— Pois eu estou suando, sabe? Não posso suar sentado, com esse calorão de 
janeiro? Tenho que suar de pé?
— Nunca vi suar tanto na minha vida. Desculpe, mas a portaria não permite.
— Que portaria?
— Aquela pregada ali, não está vendo? “O passageiro, ainda que com roupa sobre 
as vestes de banho molhadas, somente poderá viajar de pé.”
— Portaria nenhuma diz que o passageiro suado tem que viajar de pé. Papo findo, 
tá bom?
— O senhor está desrespeitando a portaria e eu tenho que convidar o senhor a 
descer do ônibus.
— Eu, descer porque estou suado? Sem essa.
— O ônibus vai parar e eu chamo a polícia.
— A polícia vai me prender porque estou suando?
— Vou botar o senhor pra fora porque é um recalcitrante.
O passageiro pulou, transfigurado:
— O quê? Repita se for capaz.
— Re… calcitrante.
— Te quebro a cara, ouviu? Não admito que ninguém me insulte!
— Eu? Não insultei.
— Insultou, sim. Me chamou de réu. Réu não sei o quê, calcitrante, sei lá o que é 
isso. Retira a expressão, ou lá vai bolacha.
— Mas é a portaria! A portaria é que diz que o recalcitrante 
— Não tenho nada com a portaria. Tenho é com você, seu cretino. Retira já a 
expressão, ou…
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
portaria: documento 
administrativo interno que 
estabelece regras e 
procedimentos. 
recalcitrante: resistente, 
teimoso, desobediente.
13
Observe se os estudantes estão 
compreendendo o texto, se têm algu-
ma dúvida quanto ao vocabulário ou 
ao personagem que fala, na alternân-
cia de vozes no texto.
13
Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido.
010-015_Telaris7_LP_MPU_AVA_PART_PNLD24.indd 13010-015_Telaris7_LP_MPU_AVA_PART_PNLD24.indd 13 8/5/22 1:04 PM8/5/22 1:04 PM
Retira não retira, o ônibus chegou ao meu destino, e eu paro infalivelmente no 
meu destino. 
Fiquei sem saber que consequências físicas e outras teve o emprego da palavra 
“recalcitrante”.
ANDRADE, Carlos Drummond de. De notícias e não-notícias faz-se a crônica. 
Record: Rio de Janeiro, 2004. p. 43.
 8 Identifique no texto os elementos que compõem a narrativa e complete as 
informações:
 a) tipo de narrador 
 b) tempo Um dia indeterminado, no mês de janeiro.
 c) espaço O interior de um ônibus urbano.
 d) personagens 
 9 Agora identifique trechos de diferentes partes do enredo, relacionando as 
colunas. A – 3; B – 1; C – 4; D – 2
(A) Situação inicial
(1) “Estava cansado de advertir passageiros que não 
aprendem como viajar em coletivo. Não aprendem e 
não querem aprender. Tendo comprado passagem por 
65 centavos, acham que compraram o ônibus e podem 
fazer dele casa-da-peste.”
(B) Desenvolvimento
(2) “Retira não retira, o ônibus chegou ao meu destino, e 
eu paro infalivelmente no meu destino. 
Fiquei sem saber que consequências físicas e outras 
teve o emprego da palavra ’recalcitrante’.”
(C) Clímax
(3) “O trocador olhou, viu, não aprovou. Daquele 
passageiro, escanchado placidamente no banco 
lateral, escorria um fio de água que ia compondo, no 
piso do ônibus, a microfigura de uma piscina.”
(D) Desfecho
(4) “— Vou botar o senhor pra fora porque é um 
recalcitrante.
O passageiro pulou, transfigurado:
— O quê? Repita se for capaz.
— Re… calcitrante.
— Te quebro a cara, ouviu? Não admito que ninguém 
me insulte!”
 10 Qual das frases abaixo resume mais adequadamente a ideia 
central do texto? Copie-a no caderno.
 a) O desrespeito a regras atrapalha o convívio, o que piora 
se a isso se associar a ignorância. X
 b) Não é justo que pessoas molhadas sejam discriminadas 
em ônibus.
 c) A palavra recalcitrante representa uma séria ofensa e 
não deveria ser usada para evitar brigas.
 d) O preconceito contra o diferente é um grande mal que 
atinge a sociedade.
Narrador em 1a pessoa (isso fica evidenciado apenas no 
parágrafo final do texto).
O trocador do ônibus, um passageiro molhado e demais passageiros.
NÃO ESCREVA NO LIVRO.
B
ro
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e
c
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S
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tt
e
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to
ck
14
Atividade 8
O objetivo da atividade é avaliar a 
compreensão de textos por meio da 
identificação de aspectos relativos aos 
elementos da narrativa, isto é, à cons-
trução composicional desse gênero tex-
tual. (Referências: BNCC – EF69LP47 / 
SAEB – D7, D10 / PISA – Localização e 
recuperação de informações – Locali-
zação e organização de múltiplas infor-
mações entranhadas no texto.)
Atividade 9
O objetivo da atividade é avaliar a 
compreensão de textos por meio da ha-
bilidade de identificar partes que com-
põem o enredo da narrativa ficcional 
de curta extensão. (Referências: BNCC 
– EF69LP47 / SAEB – D7, D10 / PISA – 
Integração e interpretação – Estabele-
cimento de conexões entre as diversas 
partes do texto e construção de signifi-
cado a partir de algo que não está ex-
plícito no texto.)
Atividade 10
O objetivo da atividade é avaliar a 
compreensão de textos por meio da 
identificação da ideia central do texto li-
terário, demonstrando compreensão glo-
bal. (Referências: BNCC – EF67LP29 / 
SAEB – D6 / PISA – Integração e inter-
pretação – Demonstração pelos leitores 
de uma compreensão mais completa e 
específica daquilo que leram.)
14
Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido.
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