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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – CCS DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM ENFERMAGEM NA SAÚDE MENTAL DOCENTES: Dra. MÁRCIA ASTRÊS FERNANDES RELATÓRIO DE VISITA TÉCNICA AO HOSPITAL INTEGRADO DO MOCAMBINHO: redes de atenção psicossocial TERESINA – PI 2018 AMANDA OLIVEIRA DE MENESES ANGELA DOS SANTOS SILVA FERNANDO GABRIEL AIRES NOGUEIRA DO NASCIMENTO MARIANA KELLY SOUSA DA SILVA MAURIELY PAIVA DE ALCÂNTARA E SILVA VICTÓRIA LUCIENY GOMES DA SILVA BARROS WELLINGTON MACEDO LEITE RELATÓRIO DE VISITA TÉCNICA AO HOSPITAL INTEGRADO DO MOCAMBINHO: redes de atenção psicossocial TERESINA – PI 2018 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 4 2 DESENVOLVIMENTO .......................................................................................................... 3 3 DISCUSSÃO E RESULTADOS ............................................................................................. 5 4 CONCLUSÃO .......................................................................................................................... 7 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 8 1 INTRODUÇÃO Os problemas relacionados ao uso e abuso das substâncias psicoativas (SPA) tornaram- se um grave problema de saúde pública. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 205 milhões de pessoas consomem drogas ilícitas no mundo, das quais 25 milhões encontram-se no quadro de dependência. Em geral, os usuários de drogas procuram os serviços especializados em uma fase bastante avançada do consumo e sabe-se que a intervenção em fases iniciais do problema melhora o prognóstico (ABREU et al, 2016). Em situações de urgência decorrentes do consumo indevido de álcool e outras drogas, para os quais os recursos extra hospitalares disponíveis não tenham obtido resolutividade, está previsto o suporte hospitalar à demanda assistencial, por meio de internações de curta duração em hospitais gerais, evitando a internação de usuários de álcool e outras drogas em hospitais psiquiátricos. Estão previstas as implementações de Serviços Hospitalares de Referência para Álcool e outras Drogas (SHRad) para municípios acima de 200.000 habitantes (BRASIL, 2010). No dia vinte e sete (27) de agosto de 2018 foi realizada uma visita técnica ao Hospital do Mocambinho supervisionada pela professora mestre Juliana de Paula, onde os alunos tiveram a oportunidade de conhecer toda a área física do hospital e a área para atenção a pessoas com necessidades de saúde decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, especificamente, bem como se dava o funcionamento da assistência ofertada pelo mesmo. O Hospital do Mocambinho, localizado na zona norte de Teresina, é o Serviço Hospitalar de Referência para Álcool e outras Drogas (SHRad) de Teresina desde 2010. O tratamento é dado de forma multidisciplinar para todos os públicos, sendo de livre demanda, através de lista de espera. O tratamento inicial mínimo é de 12 a 15 dias, após este período, o paciente recebe alta e é encaminhado para acompanhamento nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPs AD), mantendo, assim, o fluxo da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), sempre levando em conta que a vontade do paciente em participar do tratamento é fator importantíssimo. O objetivo deste relatório é o registro das experiências da visita técnica fazendo a ligação do que se viu em campo com o respaldo do que se tem publicado atualmente na literatura, em especial, nas portarias que regem a Rede de Atenção Psicossocial. 3 2 DESENVOLVIMENTO A visita ao Hospital Integrado do Mocambinho ocorreu das 15h às 18h do dia 27 de agosto de 2018, sob acompanhamento da professora Ms. Janaina de Paula e da enfermeira de plantão que nos recepcionou, apresentando, primeiramente, o hospital e sua estrutura física, incluindo sala de curativos, esterilização, raio X, consultório odontológico, posto de enfermagem e enfermarias, assim como também os atendimentos profissionais prestados no mesmo, como acompanhamento com psicólogo, fisioterapeuta, ginecologista, ortopedista, dentista, nutricionista e equipe de enfermagem. A admissão nesse serviço é feita por livre demanda, porém, devido à grande procura, há lista de espera. Uma vez admitido o paciente passa por toda uma avaliação clínica e psicossocial e de acordo com os achados, este é tratado ali mesmo durante sua internação, que durará de doze (12) a quinze (15) dias. Os pacientes que forem admitidos, mas não conseguirem permanecer durante esse período, saindo antes, deverão aguardar um período de seis (6) meses para tentar nova internação. Não há internação contra a vontade do paciente. Logo após, adentramos para a ala do serviço hospitalar de referência para atenção a pessoas com necessidades de saúde decorrentes dependência em álcool e outras drogas e fomos apresentados aos pacientes presentes, seguido de uma discussão e diálogo entre a professora, a enfermeira do serviço em plantão e os acadêmicos, a respeito do atendimento feito no estabelecimento e questionamentos sobre o local, serviços e os pacientes. Durante a visita foi possível observar também o trabalho desenvolvido pelo serviço de nutrição do hospital, no qual a nutricionista de plantão realizou atendimento e avaliação da dieta individual de cada paciente, levando em conta dados antropométricos que são recolhidos no momento da admissão e em momentos posteriores para a avaliação da evolução de cada um e também a aceitação da dieta por cada paciente, levando em conta suas opiniões. Fomos deixados livres para visitar os ambientes frequentados pelos pacientes e pudemos perceber que possuem um local amplo com quartos climatizados, mesas para refeição, bebedouro, área livre com aparelho de televisão, jogos de recreação e livros, e contavam com uma horta, sendo que todas as atividades desenvolvidas dentro do ambiente hospitalar são sob vigilância. Posteriormente, realizou-se uma entrevista com um dos pacientes, abordando questões a respeito do atendimento prestado, da eficiência do método utilizado pelo serviço, bem como suas opiniões acerca do atendimento. 4 Houve por volta das 16h, um momento separado para os pacientes socializarem sob supervisão de duas psicólogas de plantão, onde os pacientes tinham a liberdade de se expressar. Excepcionalmente, havia no dia um voluntário, conhecido das técnicas de enfermagem do serviço, que foi para levar música cantada para os pacientes e isso foi incluído no momento de socialização, pois entre cada música era feita a discussão do que aquela letra representava para eles, intensificando o momento de interação e descontração. Enfim nós agradecemos pela recepcção e acolhimento tanto dos pacientes como dos profissionais no ambiente. 5 3 DISCUSSÃO E RESULTADOS O atendimento prestado no Hospital Integrado do Mocambinho é voltado para os pacientes com transtorno e faz-se exclusivamente para aqueles com necessidades de saúde decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, segundo a portaria N° 3.588, de 21 de dezembro de 2017 (BRASIL, 2017). Os SHRad deverão contemplar em seu projeto técnico atividades de avaliação clínica, psiquiátrica, psicológica e social, realizada por equipe multiprofissional, composta por quatro (4) técnicos por turno diurno e três (3) por turno noturno, um (1) enfermeiro por turno, dois (2) profissionais de saúde mental de nível superior, podendo ser qualquer profissional de nívelsuperior com especialização em saúde mental e um (1) médico, preferencialmente, psiquiatra, devendo ser considerado o estado clínico/psíquico do paciente (BRASIL, 2017; BRASIL 2010). Levando em conta tais dados disponíveis em portaria oficial e levando a comparação para a realidade do hospital visitado, é visto que a equipe multiprofissional é relativamente bem distribuída para a demanda que é de vinte (20) pacientes em sete (7) enfermarias, sendo que o serviço possui duas (2) psicólogas, uma (1) nutricionista, um (1) enfermeiro por plantão, dois (2) técnicos de enfermagem e um (1) psiquiatra 3 vezes por semana para acompanhamento de cada paciente. Percebemos que o serviço hospitalar em questão, cumpre com a portaria que norteia esse tipo de serviço, salvo pela quantidade de profissionais técnicos de enfermagem. Também deve ocorrer o atendimento individual (medicamentoso, psicoterápico), em grupo (psicoterapia, atividades de suporte social) e abordagem familiar (programa de tratamento, alta hospitalar e continuidade do tratamento nos dispositivos extra hospitalares). O funcionamento da rede de atenção psicossocial deve constituir-se, em serviço aberto que forneça atenção contínua às pessoas com necessidades relacionadas ao consumo álcool, crack e outras drogas durante as 24 (vinte e quatro) horas do dia e em todos os dias da semana, inclusive finais de semana e feriados, deve estar capacitado para o atendimento de urgência e emergência psiquiátricas, promover inserção, proteção e suporte de grupo para seus usuários no processo de reabilitação psicossocial, organizar o processo de trabalho do serviço com equipe multiprofissional, sob a ótica da interdisciplinaridade, priorizando espaços coletivos. Estes são alguns dos critérios exigidos na portaria atual e percebemos durante nossa visita que o Hospital do Mocambinho cumpre o que se preconiza. Durante a visita, aproveitamos o tempo para conversar com um dos pacientes a fim de conhecer o serviço sob a ótica de um internado e quais motivos o levaram a optar pela internação, bem como suas opiniões sobre o serviço prestado no estabelecimento. 6 resguardar a identidade do paciente, o identificaremos com “D”. D, 25 anos, relata o uso de crack há dois anos e que está em sua terceira internação, não possui vínculo familiar em Teresina, portanto, quando recebe alta hospitalar, hospeda-se em um albergue e evita sair com os amigos, por medo da má influência que possam exercer sobre ele. Gostaria que o tempo de internação fosse superior a 15 dias. D reclama da falta de recreação no dia a dia resultando em ociosidade dos pacientes e, também, da falta de paciência de alguns profissionais. Em relação à estrutura física mínima do estabelecimento, exige-se que cumpra com as normas sanitárias vigentes e que possuam recepção e espaço para acolhimento inicial/sala de espera, salas para atendimento individual (consultório), sala para atendimento de grupo, espaço para refeições, espaço para convivência, banheiros com chuveiro, espaço para atividades físicas/esportes, no mínimo 10 (dez) e no máximo 20 (vinte) leitos de observação, posto de enfermagem, sala para reuniões da equipe técnica, espaço para atendimento e tratamento de urgências e emergências médicas (BRASIL, 2017). Trazendo a literatura para a realidade do serviço, pudemos constatar que no tocante à estrutura física, o Hospital do Mocambinho também cumpre com as normas estabelecidas nas portarias disponíveis. Sendo importante destacar apenas, que na organização de enfermarias e leitos, não há divisão por gênero, ou seja, os pacientes do sexo feminino e masculino ficam misturados. Os pacientes entre 12 e 18 anos e maiores de 60 anos tem direito à acompanhante durante o período da internação. Os idosos por serem mais dependentes e os adolescentes para respaldo da lei do estatuto da criança e do adolescente. Os demais pacientes podem ser visitados somente aos finais de semana das 16h às 17h, sendo obrigatória a fiscalização pelo segurança de plantão para evitar a entrada de substâncias psicoativas. Levando em consideração a vontade e bem-estar dos pacientes, é visto que há uma certa falta de atividades recreativas com os mesmos, o que torna preocupante e deprimente para a evolução diária dos pacientes. Contam apenas com raras visitas de educadores físicos, rodas de conversa com psicólogas e, principalmente, acadêmicos musicoterapia e terapia comunitária interativa. 7 4 CONCLUSÃO Por meio da visita técnica, foi possível fazer uma comparação de acordo com o embasamento teórico sobre as políticas de atenção psicossocial que fundamentam a assistência em saúde mental que tivemos anteriormente e, observar se o que se vê na literatura é o que se pratica na nossa realidade. Também pudemos compreender, através de relatos do profissional de enfermagem, qual seu papel e os desafios enfrentados pela enfermagem na área da saúde mental e, em específico, no hospital objeto da visita. A elaboração de um relatório de visita foi de suma importância para a fixação do aprendizado, pois ao final da prática, fez-se necessário que o grupo se reunisse para discutir o que foi visto e fazer a comparação do que foi visto com o que é preconizado na literatura. 8 REFERÊNCIAS ABREU, A.M.M.; PARREIRA, P.M.S.D.; SOUZA M.H.N. et al. Perfil do Consumo de Substâncias Psicoativas e Sua Relação com as Características Sociodemográficas: uma contribuição para intervenção breve na atenção primária à saúde, Rio de Janeiro, Brasil. Revista Texto Contexto Enfermagem, v. 25, n. 4, 2016; BRASIL, Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria Nº 148, de 31 de janeiro de 2012. Define as normas de funcionamento e habilitação do Serviço Hospitalar de Referência para atenção a pessoas em com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades de saúde decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas, do componente hospitalar da rede de atenção psicossocial, e institui incentivos financeiros de investimento e de custeio. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2012. _________________________. Portaria Nº 2.842, de 20 de setembro de 2010. Aprova as Normas de Funcionamento e Habilitação dos Serviços Hospitalares de Referência para a Atenção Integral aos Usuários de Álcool e outras Drogas. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2010. _________________________. Portaria Nº 3.588, de 21 de dezembro de 2017. Altera as Portarias de consolidação nº3 e nº6, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre a Rede de Atenção Psicossocial, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2017. _________________________. Portaria Nº 2.842, de 20 de setembro de 2010. Aprova as Normas de Funcionamento e Habilitação dos Serviços Hospitalares de Referência para a Atenção Integral aos Usuários de Álcool e outras Drogas. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2017.