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CONCEITOS INICIAIS Adoção é um contrato solene que cria entre duas pessoas relações iguais às que resultariam de filiação legítima ou verdadeira". A definição expressa bem que a adoção é um ato pelo qual uma pessoa passa a considerar como seu, o filho de outra pessoa. CLÓVIS BEVILACQUA, eminente jurista brasileiro, no seu livro "Em defesa do Projeto de Código Civil", escreveu: "... o instituto da adoção, tinha uma alta função social a desempenhar como instituição de beneficência destinada a satisfazer e desenvolver sentimentos afetivos do mais doce matiz, dando filhos a quem não teve a ventura de gerá-los, e desvelo paternais a quem privado deles pela natureza estaria talvez condenado, sem ela a descer pela escada da miséria, e ao abismo dos vícios e dos crimes". e reafirma suas idéias depois de entrar em vigor o Código Civil. "O que é preciso porém salientar é a ação benéfica social e individualmente falando, que a adoção pode exercer na sua fase atual. Dando filhos a quem não os tem por natureza, desenvolve sentimentos afetivos do mais puro quilate e aumenta na sociedade o capital de afeto e de bondade necessário ao seu aperfeiçoamento moral". De acordo com o entendimento da Ilustríssima Professora Maria Helena Diniz, a adoção vem a ser o ato jurídico solene pelo qual, observados os requisitos legais, alguém estabelece, independentemente de qualquer relação de parentesco consanguíneo ou afim, um vínculo fictício de filiação, trazendo para sua família, na condição de filho, pessoa que, geralmente, lhe é estranha. A posição de filho adquirida pelo adotado será definitiva para todos os efeitos legais, tendo em vista que suprime qualquer vínculo com os pais biológicos - salvo em relação à matéria de impedimentos para o casamento, com fulcro no art. 227, §§ 5º e 6º da Constituição Federal - criando verdadeiros laços de parentesco entre o adotado e toda família do adotante. BREVE HISTÓRICO DA ADOÇÃO ATRAVÉS DOS SÉCULOS O Instituto da Adoção é conhecido desde tempos remotos por egípcios, babilônios, assírios, caldeus e hebreus. No Egito, Moisés foi adotado pela filha do Faraó, que lhe deu seu nome, mas, depois de adulto recusou-se ser chamado filho da filha do Faraó. O Código Hamurabi 2.283 - 2.241 AC contém regulamentação minuciosa a respeito da adoção, que foi praticada, amplamente, na Mesopotamia, em Atenas e no Egito. Entre os judeus, Jacob adotou Efraim e Manasses, filho do seu filho José. No Genesis, capítulo 48, versículo 5, sentencia o Patriarca Jacob "os teus filhos, que te nasceram na terra do Egito, antes que eu para aqui viesse a ti no Egito, são meus: Efraim e Manassés serão meus, como Rubens e Simeão. Mas a tua descendência que gerarás depois deles. será tua; segundo o nome de um de seus irmãos serão chamados na sua herança". A maioria dos historiadores declara ser a adoção orginária de uma necessidade religiosa.O direito de adotar era um recurso facultado às famílias a fim de evitar o seu desaparecimento, o que era então considerado como grande desgraça. Na Idade Média a adoção não foi aceita porque os aristocratas não queriam que suas heranças se desviassem da linha parental e a igreja considerava pouco favorável ao instituto do casamento. Em 1789, com a Revolução Francesa, o Instituto da Adoção readquiriu o seu antigo vigor na Constituição Francesa, de 1873. Antes do Código Civil Brasileiro, a adoção era entre nós, regida pelo direito romano, como subsidiário do pátrio. Segundo MONCORVO (1926) a primeira legislação no Brasil referente ao Instituto da Adoção, data de 1693. Referia-se a lei ao desamparo das crianças deserdadas da sorte no Rio de Janeiro, chamadas de expostos, cuja situação era precária e que com freqüência eram encontradas nas ruas. O Governo não dispunha de recursos para ampará-las e muitas eram recolhidas e criadas por famílias caridosas. Em 1738, foi criado o "Sistema de Rodas". Em que havia um empregado para receber as crianças e dar parte ao Magistrado da localidade e este as fazia entregar às amas para criá-las. As amas eram pagas a custa dos rendimentos das Câmaras e dos cabeções das Sisas ou entregando às Misericórdias onde elas existissem; e como medida complementar impunha-se às Santas Casas de Misericórdia a obrigatoriedade de elegerem anualmente o Mordomo dos Expostos, que era um empregado, conforme a lei, a fim de receber as crianças e entregá-las a quem as quizesses adotar. Em 1916 foi aprovado o Código Civil Brasileiro, tendo suas bases no Direito Romano e no Direito Francês. Nele foi estabelecido o Instituto da Adoção - Capítulo V; Em 1957 o código civil de 1916 foi alterado pela Lei 3.133, de 8 de maio.Na legislação anterior o filho adotivo recebia a metade da herança cabível aos filhos legítimos ou reconhecidos; na presente lei, ele foi excluído. Em 1965 um novo dispositivo legal deu um grande impulso na solução de muitos problemas não previstos pela Lei n.º 3.133/57. Trata-se da Lei n.º 4.655, de 2 de junho de 1965, que dispõe sobre a legitimação adotiva. No ano de 1990 com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente, através da Lei n.º 8.069/90, a nova legislação vigente fez com que os processos de adoção se tornassem mais viáveis. A legislação evidência os interesses do adotando (filho) e estabelece como principal objetivo de o processo de adoção assegurar o bem estar deste. O Código Civil Brasileiro de 2002 por meio da Lei nº. 406/2002 trouxe consigo uma evolução significativa quanto a legislação anterior, tendo em visto os requisitos da sociedade quanto o instituto da adoção. O CC reproduz o disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente – Eca, no que diz respeito à adoção. TIPOS DE ADOÇÃO A adoção de crianças e adolescente é regida atualmente pela Lei Nacional da Adoção (Lei n. 12.010, de 3 de agosto de 2009) e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990). De acordo com o ECA, há duas espécies de adoção: unilateral ou conjunta. · A adoção unilateral, por sua vez, está prevista no artigo 41 § 1º do Estatuto da Criança e do Adolescente. Acontece quando alguém adota o filho de seu cônjuge ou companheiro, quando não consta o nome de um dos genitores, ou este tenha perdido o poder familiar, ou, em caso de morte do outro genitor, podendo o cônjuge/companheiro do sobrevivo adotar, formando assim, um novo vínculo familiar e jurídico. Exemplo: Júlia tem um filho (Arthur) fruto de sua relação com Carlos. Ocorre que, Carlos ao saber da gravidez de Júlia, saiu de casa e nunca mais voltou, abandonando sua família. Tempos depois, Júlia se casa com Matheus e este decide adotar Arthur, como se seu filho fosse. · A adoção bilateral é regulamentada pelo artigo nº 42, § 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente, havendo nessa modalidade a obrigatoriedade de que os adotantes sejam casados ou mantenham união estável, com a necessidade de comprovar a estabilidade da família. · Adoção Póstuma: A possibilidade de adoção ainda que o adotante venha a falecer (art. 42, §6º).A adoção pós morte é permitida desde que, em vida, o indivíduo tenha manifestado essa vontade (iniciando o processo de adoção), já a adoção puramente por testamento não é permitida, sendo, no entanto, considerada a declaração de vontade de reconhecimento de alguém como seu filho, para posteriores medidas judiciais, visando a declaração judicial que confirme tal relação jurídica. · Adoção Internacional: É aquela que os adotantes são domiciliados fora do Brasil, independente da nacionalidade brasileira ou estrangeira. · Adoção “intuitu personae” É aquela em que os genitores (pais biológicos) escolhem uma pessoa determinada para adotar o filho. Também chamada de adoção pronta ou adoção dirigida, ela consiste na especificidade do adotante. Uma vez que, na adoção legal os futuros pais devem esperar em uma “fila”, nessa espécie já se sabe ao certo quem adotará e quem será adotado. A legislação brasileira não prevê tal hipótese, sendo necessário o cadastramento dos adotantes para o deferimento do ato (adoção legal), sendo, porém, consideradopara a efetiva adoção a afetividade entre as partes e a adaptação da criança/adolescente no novo lar. Adoção de adultos No caso de adotados com idade acima dos 18 anos, os processos são encaminhados por Varas de Família. Até 2003, no Brasil, a adoção de maiores de 18 anos dava-se por mera escritura pública, registrada em cartório, com a vigência do atual Código Civil, a legislação passou a exigir uma sentença constitutiva. A