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Senar-CE_Palma_Forrageira_Apostila (1)

Manual do curso sobre implantação e utilização da palma forrageira: aborda cultivares; preparo e adubação do solo; multiplicação e manejo de raquetes; plantio e espaçamento; manejo em sequeiro e irrigado; pragas e doenças; uso na alimentação animal. Inclui origem e fisiologia CAM.

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IMPLANTAÇÃO E UTILIZAÇÃO 
DA PALMA FORRAGEIRA
2022– SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL -
ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO CEARÁ - SENAR AR/CE
1ª. Edição – 2022 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em
parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610). 
Fotos
Shutterstock
Getty Images
iStock
Márcio Peixoto
 
Informações e contato
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL - 
ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO CEARÁ - SENAR-AR/CE
Avenida Eduardo Girão, no 317 - 1o andar, bairro Jardim 
América, Fortaleza/CE
CEP : 60.410-442
Telefone: (85) 3535-8000
Site: http://faec.org.br/sistema/
Presidente do Conselho Administrativo do Senar
José Amilcar de Araújo Silveira
Superintendente do SENAR-AR/CE
Sérgio Oliveira da Silva
Coordenador da Formação Profissional Rural e Promoção 
Social – FPR/PS 
Henrique Matias de Paula Neto
Equipe técnica Senar
Diretora Técnica 
Ana Kelly Claudio Gonçalves
Coordenação de Assistência Técnica e Gerencial – AteG 
Roberta Sá Gondim
Coordenação de Educação Formal – Vago
Coordenação Técnica Especial
Lauro Torres de Melo
Carolina Barroso Machado
Eduardo Barroso de Melo
Edvaldo Santos Brito
Thais Maria da Silva Costa
http://faec.org.br/sistema/
Sumário
Introdução
Módulo 1 – Cultivares da palma 
forrageira e sua importância
Módulo 2 – Escolha, preparo e 
adubação do solo para o plantio da 
palma forrageira
Módulo 3 – Multiplicação, seleção e 
manejo na colheita das raquetes da 
palma forrageira
Módulo 4 – Plantio e espaçamento da 
palma forrageira
Módulo 5 – Manejo na produção de 
palma forrageira de sequeiro e irrigado
Módulo 6 – Pragas e doenças da palma 
forrageira
Módulo 7 – Importância e utilização 
da palma forrageira para alimentação 
animal
Encerramento do curso
04
08
21
33
40
48
61
72
80
Introdução
00
5
Foto: Márcio José Peixoto
No curso Implantação e Utilização da Palma Forrageira você vai aprender como cultivar e uti-
lizar a palma forrageira para a alimentação do seu rebanho.
Mas antes, uma curiosidade: você sabia que a palma forrageira é originária do México e que 
ninguém sabe muito bem como ela chegou ao Brasil? 
Pois é, o que se sabe é que antes de 1900, dois grandes empresários da indústria têxtil, Del-
miro Gouveia e Herman Lundgren, importaram do México a palma para o Nordeste brasileiro, 
mas não com a intenção de alimentar o gado, mas sim para tingir os tecidos que eles fabrica-
vam em suas indústrias.
Isso porque a palma hospeda naturalmente 
um inseto conhecido como cochonilha e sua 
fêmea, ao se alimentar da seiva da planta, 
produz um ácido chamado carmínico que é a 
substância química de um corante vermelho 
de alta qualidade, denominado carmim.
6
E como foi que descobriram que essa palma, que a princípio servia apenas para criar cochoni-
lhas para tingir tecidos, poderia ser utilizada na alimentação animal? 
Foi tudo por acaso: um dia, uma vaca comeu a palma e isso despertou o interesse dos criado-
res, que passaram a cultivá-la como planta forrageira, permanecendo até hoje com a finalidade 
de alimentação dos rebanhos, principalmente no período de estiagem.
Foto: Márcio José Peixoto
Siga com a leitura e entenda mais sobre o processo de fotossíntese da palma forrageira.
Vamos começar com a seguinte reflexão: você sabe como e por que a palma forra-
geira se adaptou muito bem à região do Semiárido do Nordeste?
Essa palma, que pertence à família das cactáceas, tem o metabolismo ácido das 
crassuláceas, isto é, ela é uma planta CAM.
Isso indica que suas células fotossintetizantes possuem a capacidade de fixar gás 
carbônico no escuro para a realização da fotossíntese.
Os estômatos (estruturas que fazem a troca gasosa) dessa planta permanecem 
fechados durante o dia e ficam abertos durante a noite. 
7
Isso indica que a palma forrageira pode retardar a perda de água, o que é vantajoso 
nas condições de alta intensidade de luz e de falta de água, ambientes em que vive 
a maioria das plantas CAM.
Esse sistema de fotossíntese tem uma característica prática interessante, que é a 
existência de uma variação na sua acidez ao longo do dia e da noite. 
Em condições normais de fixação de gás carbônico, no início da madrugada, as ra-
quetes estão carregadas de ácidos málicos. 
Ao longo do dia, a acidez vai diminuindo por causa da absorção da luz, ocorrendo a 
descarboxilação, que é a quebra da cadeia do ácido, se transformando em energia 
para o desenvolvimento da planta, chegando ao seu mínimo no final da tarde.
Assim, o momento para a colheita da palma pode ser escolhido de acordo com a 
maior ou menor acidez da forragem.
A variação da acidez também pode ser usada para verificar a intensidade do proces-
so de fotossíntese, medindo-se o pH interno da palma.
Existem atualmente na família cactácea mais de 178 gêneros, com cerca de 2 mil 
espécies conhecidas. 
No Brasil, as plantas dos gêneros Opuntia e Nopallea são as mais conhecidas e de 
extrema importância alimentar e econômica nas zonas áridas e semiáridas. 
Você vai conhecer mais sobre elas e outras espécies seguindo seus estudos.
Avance para o primeiro módulo do curso para aprender mais sobre as cultivares da palma for-
rageira e sua importância!
Cultivares da palma 
forrageira e sua 
importância
01
9
Foto: Márcio José Peixoto
Características das cultivares da palma forrageira
Você já conheceu uma característica muito importante da palma forrageira, que ajuda em sua 
adaptação à região do Semiárido. Agora vamos conhecer outras características dessa planta 
que são fundamentais para o seu desenvolvimento ideal.
A palma forrageira se caracteri-
za geralmente pela presença de 
aréolas com pelos e espinhos.
Caule suculento com casca verde 
e falta de folhas copadas.
As gemas axilares são represen-
tadas como aréolas ovadas, com 2 
mm abaixo da superfície da pele e, 
sob condições adequadas, aparece-
rão novos cladódios, flores e raízes 
a partir do tecido meristemático 
dessas aréolas.
Os órgãos tipo caule, conhecidos 
como cladódios, costumam ser 
oblongos, ou seja, seu formato 
arredondado ou esférico é mais 
comprido do que largo, com 30 a 
40 cm de comprimento, algumas 
vezes maiores, de 70 a 80 cm, e 
com 18 a 25 cm de largura.
10
E por que devemos considerá-las para a alimentação animal?
Mas agora, vamos aprender mais detalhes sobre cada gênero, para que você identifique qual 
delas é mais conveniente produzir, de acordo com a sua região e necessidade.
Cultivares da palma 
forrageira
Para a escolha do cultivo da palma forrageira, é 
importante conhecer as características fisioló-
gicas e nutricionais de cada cultivar, para evitar 
frustração no desenvolvimento do palmal.
As cultivares trabalhadas no estado do Ceará 
são: gigante, orelha-de-elefante-mexicana, mi-
úda, ipa-sertânia e orelha-de-elefante-africana.
Apesar de ser pobre em proteína bruta, pois contém em média 90% de água, a palma 
forrageira é rica em mucilagem e em resíduo mineral, além de apresentar elevado coe-
ficiente de digestibilidade da matéria seca. Todos esses fatores aumentam a absorção 
dos nutrientes e é por isso que ela deve ser considerada na alimentação dos rebanhos.
Atenção!
Foto: Márcio José Peixoto
Para o desenvolvimento ideal da palma forrageira, é preciso observar os aspectos de 
temperatura, umidade relativa do ar e solo, além do espaçamento e tratos culturais 
que são essenciais para uma produção expressiva.
Importante!
11
Esses dados você verá a seguir, no próximo subtópico.
Desenvolvimento das cultivares
Conheça, a seguir, as características dos gêneros de palma forrageira mais cultivados no esta-
do do Ceará.
Gigante
Foto: Márcio José Peixoto
A palma-gigante chega a produzir, no primeiro ano de cultivo, uma média de 15 cladódios/plan-
ta aptos para utilização no plantio ou alimentação animal. A planta chega a atingir 2 metros de 
altura se o corte das raquetes for feito quando ela tiver por volta de 4 anos de idade, portanto 
é recomendado o corte em até 2 anos.
Nome do gêneroOpuntia ficus-indica (L.) Mill.
Características Pesa cerca de 1,0 a 1,5 kg, apresentando até 50 cm de comprimento.
Raquete Forma oval-elíptica ou subovalada.
Coloração Verde-fosco
Flores Amarelas
12
É uma cultivar tolerante à seca, que apresenta alta produção e está adaptada ao semiárido. 
Não tolera solos com facilidade de encharcamento e não é resistente à cochonilha-do-car-
mim, uma praga que já dizimou vários hectares de palma forrageira na Paraíba e Pernambuco.
Pode ser fornecida na base alimentar dos bovinos, ovinos, caprinos, aves caipiras e suínos, no 
entanto, é um gênero cujo cultivo não se recomenda mais, devido à cochonilha-do-carmim.
Orelha-de-elefante-mexicana – Palmepa PB3
A palma-gigante já foi utilizada para hospedar a cochonilha-do-carmim, mas depois da 
introdução de outros materiais para o tingimento têxtil, a cochonilha foi abandonada 
nos palmais e se tornou uma das maiores pragas para a palma forrageira – até hoje não 
existe produto eficaz para o seu controle. A recomendação é substituir por cultivares 
resistentes à cochonilha-do-carmim, pois essa praga já foi encontrada na região do 
Cariri cearense.
Atenção!
Foto: Márcio José Peixoto
13
Foto: Márcio José PeixotoNome do gênero Opuntia spp.
Características
Planta de porte médio ou grande (de 45 x 30 cm; 35 x 25 cm; 25 x 20 
cm), sem uniformidade.
Raquete
Cladódios ovoides e pilosos (com bastante pelos, os quais são chama-
dos de gloquídios), bordos ondulados (recortados) e distribuídos na 
planta desordenadamente, no sentido do solo.
Coloração Verde-cinza
Flores Amarelas
A orelha-de-elefante-mexicana cresce para as laterais, por isso, no ato do plantio, devemos 
escolher um espaçamento suficiente para que ela possa crescer dentro do palmal.
No primeiro ano, esse gênero chega a produzir uma média de 20 cladódios/planta aptos para 
o plantio ou alimentação animal, variando cada um deles entre 0,8 e 1,5 kg. Ela é tolerante à 
seca, apresenta alta produção, está adaptada ao semiárido e não tolera solos com facilidade 
de encharcamento. Diferente do gênero anterior, a orelha-de-elefante-mexicana é resistente à 
cochonilha-do-carmim, mas é suscetível à cochonilha-de-escama, praga que não é hospedeira 
da palma forrageira, mas sim uma oportunista.
Pode ser fornecida na base alimentar dos 
bovinos, ovinos, caprinos, aves caipiras e 
suínos, sem causar nenhum problema no 
trato digestivo dos animais. O plantio pode 
ser sequeiro ou irrigado, dependendo da 
escolha do produtor.
Essa é a cultivar mais recomendada para a implantação no Ceará, graças à sua adapta-
ção ao clima e grande produção. Ao colher as raquetes, use luvas, pois os gloquídios (os 
pelos) podem penetrar na mão e machucar.
Importante!
Foto: Márcio José Peixoto
14
Miúda – Palmepa PB4
Foto: Márcio José Peixoto
Para esta espécie, recomenda-se não deixar passar três anos para realizar a colheita, pois ela 
tem facilidade de emitir flores, diminuindo assim a produção. No primeiro ano, chega a produ-
zir uma média de 20 cladódios/planta aptos para o plantio ou alimentação animal.
Nome do gênero Nopalea cochenillifera Salm-Dyck
Características Planta de porte pequeno e caule muito ramificado.
Raquete
Sua raquete pesa entre 0,300 e 0,600 kg, apresenta tamanhos médios 
e pequenos (30 x 12 cm; 20 x 10 cm; 15 x 10cm), com forma acentua-
damente obovada (ápice mais largo que a base).
Coloração Verde intenso brilhante
Flores Vermelhas, e sua corola permanece meio fechada durante o ciclo.
Por ter raquetes menores, facilita o consumo pelo animal.
Importante!
15
A cultivar miúda é menos tolerante à seca, exigindo maior umidade do solo, mas também não 
tolera solos com facilidade de encharcamento. Ela está adaptada ao semiárido e apresenta alta 
produção, mas devemos evitar solos com alta quantidade de matéria orgânica, pois ela tem faci-
lidade para desenvolver a doença podridão mole. Também é resistente à cochonilha-do-carmim.
Também pode ser fornecida na base alimentar dos bovinos, ovinos, caprinos, aves caipiras e su-
ínos, sem causar nenhum problema no trato digestivo dos animais. O plantio pode ser sequeiro 
ou irrigado, a depender da escolha do produtor.
Ipa-sertânia– Palmepa PB1
Foto: Márcio José Peixoto
Assim como a orelha-de-elefante-mexicana, essa cultivar também é recomendada para 
a implantação no estado do Ceará, considerando a sua adaptação e produção. No en-
tanto, observar as características do solo é de fundamental importância para o desen-
volvimento do palmal.
Atenção!
16
Nome do gênero Nopalea cochenillifera Salm-Dyck
Características Planta de porte médio bem conformada.
Raquete
Os cladódios são elipsoides ou ovoides, lisos, glabros e distribuídos 
na planta na forma de taça. Apresentam tamanhos grandes e médios 
(50 x 30 cm; 30 x 20 cm; 20 x 10 cm) e são desuniformes.
Coloração Verde-claro
Flores Vermelhas e raríssimas.
No primeiro ano, chega a produzir uma média de 12 cladódios/planta aptos para o plantio, 
variando cada um deles entre 0,8 e 1,6 kg; logo, trata-se de uma produção média. A cultivar 
ipa-sertânia é menos tolerante à seca, exigindo maior umidade do solo, mas também não tole-
ra solos com facilidade de encharcamento. Devemos também evitar solos com alta quantidade 
de matéria orgânica, pois a cultivar tem facilidade de desenvolver a doença da podridão mole. 
É resistente à cochonilha-do-carmim e está adaptada ao semiárido.
Essa cultivar também é conhecida como mão-de-moça, pois não desenvolve espinhos 
nem gloquídios e suas raquetes são bem lisas.
Importante!
Essa cultivar também é recomendada para a implantação no estado do Ceará, consi-
derando a sua adaptação e produção, embora seu desenvolvimento de brotação seja 
menor em relação à miúda e à orelha-de-elefante-mexicana.
Atenção!
17
Também pode ser fornecida na base alimentar dos bovinos, ovinos, caprinos, aves caipiras e su-
ínos, sem causar nenhum problema no trato digestivo dos animais. O plantio pode ser sequeiro 
ou irrigado, a depender da escolha do produtor.
Orelha-de-elefante-africana – Palmepa PB2
Foto: Márcio José Peixoto
No primeiro ano, chega a produzir uma média de 12 cladódios/planta aptos para o plantio ou 
para a alimentação animal, variando cada um deles entre 0,8 e 2 kg. Apresenta uma brotação 
lenta e raquetes grandes. O corte em sequeiro ocorre com mais de 4 anos de implantação. É 
um gênero resistente à cochonilha-do-carmim.
Nome do gênero Opuntia tuna (L.) Mill
Características Planta de porte médio mal conformada
Raquete
Os cladódios são ovoides, espinhosos nos bordos e distribuídos na 
planta desordenadamente, no sentido do solo. Apresentam tama-
nhos grandes e médios (45 x 35 cm; 40 x 25 cm; 25 x 15 cm) e são 
desuniformes.
Coloração Verde-claro e brilhante
Flores Amarelas e raríssimas
18
Diversas universidades e institutos do Nordeste estão realizando pesquisas para au-
mentar a produção desse gênero, uma vez que é uma cultivar pouco explorada, devido 
a facilidade de ter espinhos e apresentar crescimento lento.
Importante!
A cultivar orelha-de-elefante-africana é tolerante à seca e apresenta uma produção média em 
comparação às outras cultivares. Está adaptada ao semiárido, não tolera solos com facilidade 
de encharcamento e é resistente à cochonilha-do-carmim.
Assim como os demais gêneros estudados, 
pode ser fornecida na base alimentar dos 
bovinos, ovinos, caprinos, aves caipiras e 
suínos, sem causar nenhum problema no 
trato digestivo dos animais.
O plantio pode ser sequeiro ou irrigado, de-
pendendo da escolha do produtor.
Composição bromatológica das cultivares
A composição químico-bromatológica da palma forrageira tem diferenças entre as cultivares e 
também varia conforme o estádio vegetativo da planta, dos artículos e da época de colheita 
do ano.
Foto: Márcio José Peixoto
artículos Cladódio, raquete.
Os artículos mais jovens apresentam menor quantidade percentual de matéria seca. 
Essa quantidade de teor de matéria seca aumenta com a idade dos artículos.
Importante!19
A palma tem pouco valor de proteína e de fibras, por isso não pode ser fornecida aos animais 
como a única fonte de alimentação, pois não conseguiria atender às necessidades nutricionais 
do rebanho.
Porém, como apresenta alta digestibilidade 
dos nutrientes na matéria seca, é rica em 
energia e contém até 90% de água, pode 
substituir o milho que é dado como ração 
para o rebanho, em parte ou até em sua 
totalidade, dependendo da produção do 
animal.
Para saber como equilibrar a dieta animal, observe a tabela a seguir, que apresenta a composição 
químico-bromatológica das cultivares das palmas forrageiras que conhecemos anteriormente.
Fonte: Albuquerque et al., 2009.
Conclusão do módulo
Você está chegando ao final do primeiro módulo. Antes de prosseguir com seus estudos, refli-
ta: qual dos gêneros apresentados você acredita que se adequaria melhor às suas necessida-
des? Por quê?
No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas 
que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá?
Foto: Márcio José Peixoto
Cultivar MS% PB FDN FDA MO
Gigante 3,46 8,64 28,56 23,73 76,31
Orelha-de-elefante-mexicana 5,61 9,42 49,22 17,93 77,56
Miúda 4,41 9,54 29,49 18,93 74,05
Ipa-sertânia 4,14 11,60 28,36 17,62 68,47
Orelha-de-elefante-africana 6,96 9,91 42,52 21,21 79,79
20
A cochonilha-do-carmim é uma praga que dizimou a palma forrageira nos estados da 
Paraíba e de Pernambuco. Por isso, é muito importante observar a resistência do gênero 
na hora de escolher as cultivares. Sabendo disso, indique a cultivar que não é resistente 
à cochonilha-do-carmim:
a) Ipa-sertânia.
b) Gigante.
c) Miúda.
d) Orelha-de-elefante-mexicana.
De agora em diante, aqui na apostila, você irá estudar o segundo módulo do curso!
Escolha, preparo e 
adubação do solo para o 
plantio da palma forrageira
02
22
Foto: Márcio José Peixoto
Escolha e preparo do solo
No primeiro módulo do curso, conhecemos algumas características da palma forrageira. Agora, 
neste segundo, vamos aprender sobre o solo para o plantio da palma forrageira.
Como vimos, a palma forrageira apresenta diversos aspectos que fazem com que sua plan-
tação seja bem-sucedida na região do Semiárido nordestino, mas quais serão essas caracte-
rísticas? As condições edáficas do Semiárido são caracterizadas por solos rasos, pedregosos 
ou arenosos, com pouca matéria orgânica, porém ricos em minerais solúveis e pH neutro ou 
próximo de 7.
edáficas Características do solo, especialmente físicas e químicas.
pH
O pH indica se uma substância é neutra, ácida ou básica. Se for igual 
a 7, a substância é neutra; se for menor, significa que é ácida; e se for 
maior que 7, é uma substância básica.
23
A palma forrageira é uma cultura relativamente exigente quanto às características 
físico-químicas do solo. Desde que sejam férteis, para a plantação da palma, podem ser 
indicadas áreas de textura arenosa à argilosa, sendo, porém mais frequentemente reco-
mendados os solos argilo-arenosos. Deve-se evitar o plantio em áreas marginais, pois a 
palma não tolera terras duras e pedregosas, pobres em nutrientes e salinas.
Importante!
A raquete da palma forrageira se mantém a poucos centímetros de profundidade em relação 
à superfície do solo. Quando explorada em regime de cultivo, requer solos de textura leve, 
preferencialmente os argilo-arenosos ou areno-argilosos, para que alcance um bom desen-
volvimento vegetativo e produtivo. Entretanto, desde que se faça a descompactação do solo 
por meio de mecanização, e se adicione matéria orgânica a ele, outros tipos de solo também 
podem ser usados.
O uso dessa prática vai depender da existência de solos compactados. É uma etapa necessá-
ria para o bom desenvolvimento do sistema radicular das raquetes da palma forrageira e da 
drenagem do solo. O ideal é fazer a aração profunda, ou subsolagem, cruzada, sendo a primei-
ra no sentido do declive do terreno. Se necessário, deve-se fazer nova limpeza da área para a 
retirada de restos de raízes e pedras.
Escolha do solo
Vamos aprender mais sobre a escolha do solo, a adubação e o preparo para o plantio da palma 
forrageira?
Solo arenoso Solo argiloso
24
Você sabia que, historicamente, a maioria dos produtores escolhia as áreas menos 
favoráveis da propriedade para cultivar a palma forrageira?
Eles acreditavam que a palma não precisava de muitos cuidados por ser uma planta 
rústica.
Mas essa teoria está mudando, e a palma está começando a ser tratada como cultu-
ra nobre e de grande importância econômica para o Semiárido.
Para que a palma se desenvolva de maneira saudável, é preciso escolher áreas da 
propriedade com solos de boa qualidade para o plantio.
Assim, a cultura se desenvolverá de forma favorável, possibilitando crescimento 
rápido e maior produtividade.
A palma se adapta com facilidade a vários tipos de solo, mas exige necessidades e 
cuidados que precisam ser considerados!
Vamos conhecer alguns desses cuidados?
Evite solos que encharquem ou alaguem facilmente, pois a palma não suporta alta 
umidade do solo, e suas raquetes podem morrer. 
Procure fazer o plantio em áreas planas ou com pouca declividade. 
Com isso, evitamos a perda da camada superficial do solo, que é a parte com mais 
nutrientes, por efeito do escoamento da água das chuvas.
Se tivermos esses cuidados, o solo permanece com boa fertilidade por mais tempo.
E se não existirem áreas planas? 
Nesse caso, recomendamos o plantio em curvas de níveis ou “cortando as águas”, 
pois, com isso, formamos barreiras de contenção.
Elas aumentam a capacidade de infiltração do solo, aproveitando melhor a água da 
chuva e evitando que a camada da superfície seja carregada.
Coleta do solo
A análise química do solo é um passo indispensável para uma definição mais criteriosa de que 
e quanto usar para que se possa fornecer uma adubação equilibrada. A adubação equilibrada 
pode evitar as baixas produtividades e os gastos excessivos com adubos.
25
Antes do plantio, recomenda-se coletar amostra com-
posta de solo na camada de 0 cm a 20 cm, tendo em 
vista que aproximadamente 75% das raízes da palma 
forrageira se encontram nessa profundidade.
Para a coleta do solo, o produtor deve andar 
fazendo “zigue-zague”; em 1 hectare deve 
coletar 10 amostras de 1 kg, em seguida 
misturar todas e retirar apenas 1 kg de solo e 
encaminhar para o laboratório especializado.
Lembrando que, se a área tem manchas de 
solos diferentes, o produtor deve coletar di-
vidindo por mancha de solo. Nesse caso, será 
enviado para o laboratório amostras equiva-
lentes a cada mancha de solo coletada.
Na amostra, será identificado o nome do produtor, a mancha de solo, o tamanho da área e a 
cultura a ser plantada.
Preparo da área
Escolhido o terreno para o plantio, as operações antes de plantar incluem análises do solo 
e fertilização, sendo necessária a limpeza deste. Durante a limpeza da área, deve ser feita a 
retirada da vegetação espontânea, que será encoivarada fora do terreno e deixada para se de-
compor naturalmente. Nunca faça queimadas dentro da área, pois o fogo degrada o solo física, 
química e biologicamente. Essa prática de preparo da área consiste em deixar o local limpo, 
para maior eficiência do plantio.
encoivarada Encoivarar significa juntar os restos da vegetação.
Coleta de 0 a 20 cm 
de profundidade
26
Dependendo da área, as atividades de 
preparo dizem respeito ao desmatamento 
ou roço, retirada de restos vegetais e de 
pedras da superfície. Essa etapa deve ser 
realizada com antecedência mínima de um 
a três meses antes do plantio das raquetes.
Para ter um melhor desenvolvimento 
radicular e, consequentemente, um melhor 
desempenho das plantas, deve-se utilizar 
técnicas de preparo do solo mais eficientes 
e apropriadas.
A adaptação da área quanto ao desmatamento é igual a que se faz para as demais culturas, ou 
seja, compreende apenas desmatamento, destocamento e remoção dos materiais. Como se 
trata de uma cultura permanente cuja áreadeve ser mecanizada, é recomendável evitar áreas 
com declividades superiores a 5%, com afloramento rochoso ou com excesso de pedras super-
ficiais soltas. Uma vez desmatada e destocada, se a área for representada por solos compac-
tados, deverá ser arada e gradeada conforme determinam as orientações técnicas, ou seja, o 
primeiro corte seguindo a declividade do terreno e o segundo, no sentido transversal a este.
Características do solo
No Nordeste brasileiro, em razão da grande rusticidade, facilidade de desenvolvimento e pro-
pagação das mudas, a palma forrageira vem sendo cultivada em condições adversas, nas piores 
áreas das propriedades, sem o mínimo manejo e tratos culturais necessários a seu desenvolvi-
mento. O resultado disso é a baixa produtividade nos plantios.
Para a região de interesse do cultivo da palma forrageira, a ocorrência das classes de solos, 
relacionadas a seguir, serve como indicativo de seu uso e suas características:
Argissolos vermelho-amarelos eutróficos (podzólicos 
vermelho-amarelos equivalentes eutróficos)
Classe caracterizada por solos com horizonte B textural, a 
profundidade deve ser média a profundo, bem drenados, 
textura média nas camadas superficiais, passando a argilosa 
em profundidade, moderada susceptibilidade à erosão hídri-
ca e fertilidade natural de média a alta.
Argissolo Vermelho-Amarelo (SIBCS, 2018)
Foto: HarãHayder, CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/
licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons
Solo preparado para o plantio da palma forrageira.
Foto: Márcio José Peixoto
https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0
https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0
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Prossiga com a leitura e saiba mais sobre os luvissolos crômicos vérticos.
Luvissolos crômicos vérticos (brunos não cálcicos vérticos)
Classe caracterizada por solos pouco profundos ou rasos, com horizonte B textural pouco es-
pesso e com cores avermelhadas, bem a imperfeitamente drenados, com presença de fendas e 
slickensides na porção inferior do perfil (caráter vértico), existindo áreas onde esse caráter não 
se manifesta.
É bastante frequente a presença de calhaus e matacões cobrindo a superfície do terreno. 
Ocorrem normalmente em relevo suavemente ondulado e plano. Do ponto de vista químico, 
são eutróficos e apresentam alta disponibilidade de nutrientes para as plantas.
Não obstante, para a utilização agrícola de sequeiro, em virtude da excessiva deficiência hídri-
ca regional, foram incluídos na classe 5n, ou seja, na de terras com aptidão regular para pasta-
gens naturais.
A utilização da prática de irrigação deverá ser bastante cautelosa, pois em muitos locais apre-
sentam caráter solódico, ou seja, com 6% a 15% de saturação com sódio trocável nos horizon-
tes subsuperficiais.
Luvissolo Crômico (SIBCS, 2018)
Foto: HarãHayder, CC BY-SA 4.0 
<https://creativecommons.org/
licenses/by-sa/4.0>, via Wikime-
dia Commons
calhaus
São pedaços de rocha dura, pedra solta, pedra rolada, muitas pessoas 
conhecem como seixo.
matacões
Chamado popularmente de rochedo, é uma grande massa de rocha 
saliente em encostas, constituída pelo afloramento de rocha nua.
Matacões são grandes blocos arredondados, produzidos pelo proces-
so de intemperismo químico.
https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0
https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0
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E agora conheça os neossolos regolíticos eutróficos.
Neossolos regolíticos eutróficos (regossolos eutróficos)
Classe constituída de solos normalmente arenosos, pouco desenvolvidos, não hidromórficos, 
com horizontes na sequência A e C, podendo ou não apresentar fragipan logo acima da rocha. 
São profundos a moderadamente profundos, porosos, moderada a excessivamente drenados.
São pouco desenvolvidos, mas apresentam contato lítico em profundidade superior a 50 cm. 
Em consequência da textura grosseira predominante, esses solos possuem baixa capacidade 
de troca de cátions e, consequentemente, baixa capacidade de retenção e disponibilidade de 
água, características que se constituem nas suas principais limitações ao uso agrícola.
As correções necessárias ao solo para o plantio da palma forrageira é o que você verá a seguir!
Análise do solo, correção e adubação
Análise do solo
Caso seja constatada a necessidade de correção na análise de solo, faz-se necessária a utili-
zação de calcário. A quantidade varia conforme recomendação técnica baseada na análise de 
solo, para uma melhor absorção dos nutrientes pelas raquetes a serem ofertados nas aduba-
ções de plantio e cobertura. 
Após receber a análise, o produtor deve fazer a interpretação dos resultados, com relação ao 
pH do solo e dos nutrientes presentes, e então tomar a decisão para corrigir a necessidade 
para o desenvolvimento da palma. Para isso, é fundamental conhecer a qualidade do solo.
Neossolo Regolítico
Foto: Márcio José Peixoto
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Correção do solo
A correção e a adubação do solo devem ser baseadas no resultado da análise de solos da área 
a ser implantado o palmal. A análise de solo é uma ferramenta básica para recomendações de 
calagem.
A aplicação da calagem tem sido reconhecida como uma das principais técnicas na agricultura 
para controlar a acidez dos solos, reduzir os níveis de Al+3 e atuar como fonte de Ca+2 e Mg+2 
para as culturas agrícolas.
calagem
Calagem é a etapa do preparo do solo para cultivo da palma, na qual 
se aplica o calcário com os objetivos de elevar os teores de cálcio e 
magnésio, neutralizando o alumínio (elemento em alta quantidade 
é tóxico à palma), e corrigir o pH (potencial hidrogeniônico) do solo, 
que varia em escala de 0 (muito ácido) e 14 (muito alcalino), sendo 7 
neutro. Para o plantio da palma, o pH variando de 5,5 a 7,5 demons-
tra uma boa adaptação da cultura.
Al+3 Alumínio.
Ca+2 Cálcio.
Mg+2 Magnésio.
É importante ressaltar que a calagem deverá ser feita dois meses antes do plantio, para 
que o calcário tenha produzido a correção pretendida ou a disponibilização de Ca e Mg 
na quantidade esperada. Mesmo que não seja possível aplicar o calcário com a antece-
dência recomendada, apurando-se a necessidade de calagem por meio da análise de 
solo, deve-se fazer a calagem a qualquer tempo, pois os efeitos benéficos serão alcan-
çados no decorrer do desenvolvimento da cultura.
Atenção!
30
Quando a dosagem de corretivo recomenda-
da for superior a 2 t/ha, a calagem deve ser 
dividida em duas aplicações:
 ● a primeira antes da aração; e
 ● a segunda, após a primeira gradagem.
Quando o solo apresentar pH acima de 5, a 
correção é complementar e o corretivo pode 
ser aplicado de uma só vez e incorporado. 
A faixa considerada ideal para o pH na maio-
ria das plantas é entre 5,5 e 7 e, para a cultu-
ra da palma forrageira, é comum encontrar 
uma faixa que varia entre 6,3 e 6,7.
O produtor pode também realizar uma calagem na cova ou sulco de plantio. O calcário na cova 
de plantio tem efeito localizado e contribui de forma mais significativa para o crescimento ra-
dicular em profundidade. É uma aplicação opcional e não deve ser entendida como substituta 
da calagem em área total. Sua utilização baseia-se em critérios agronômicos bem consolidados 
e não deve ser feita sem prévia análise de solo.
Adubação de fundação
Adubação orgânica na fundação.
Foto: Márcio José Peixoto
Foto: Tony Oliveira. Sistema CNA/Senar.
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A adubação na fundação também é conhecida como adubação no plantio, e cor-
responde à aplicação de adubos nos sulcos ou nas covas antes ou no momento do 
plantio da raquete semente.
Assim, corrigimos os teores de nutrientes no solo para a exigência da cultura, pro-
movendo melhores condições para o crescimento e a produção das plantas. 
Você sabe como fazer a adubação da palma? 
Uma dica é evitar que haja o contato direto entre as raquetes e o adubo químico ou 
orgânico, porque, assim, impedimos que haja perdas por queimaduras ou podridões.
Sabemos que, naturalmente, a maioria dos solos do Semiárido possui deficiência em 
fósforo, que deve ser corrigida na fundação de acordo coma dose recomendada. 
Orientamos que você realize as adubações químicas, principalmente com nitrogê-
nio e potássio no período chuvoso, devido à alta solubilidade e aos riscos de perdas 
de ambos.
Caso você plante a palma forrageira antes das chuvas, a adubação orgânica pode 
ser feita de forma parcelada, sendo metade no plantio e metade no início do perío-
do chuvoso, repetindo a mesma quantidade após cada colheita. 
A quantidade de adubo orgânico deve variar de 20 a 40 toneladas de esterco, de 
acordo com a disponibilidade desse material na propriedade e com o número de 
plantas por área, sendo que, nos plantios mais adensados, sugerimos a utilização 
de doses maiores. 
Por exemplo, esse esterco pode ser bovino, caprino ou ovino por ciclo.
Alguns autores recomendam que a cada tonelada de matéria verde colhida deve-
mos adicionar cem quilogramas de esterco bovino ao palmal. 
Alertam também sobre a importância da escolha do tipo de adubo orgânico a ser 
utilizado, uma vez que o esterco caprino tem em média 50% a mais de nitrogênio 
que o bovino. E se você usar o esterco de galinha, o incremento de nitrogênio é 
superior a 100%, comparado com o bovino.
Adubação de cobertura
A adubação de manutenção ou cobertura é aquela que busca repor os nutrientes retirados 
pela planta e exportados pela produção colhida. Em sistemas de sequeiro, é ideal que a aduba-
ção orgânica de cobertura seja feita antes do período chuvoso, em faixa contínua em cada fi-
leira, principalmente no primeiro ano, e entre as fileiras da cultura após o segundo ano, devido 
ao maior alcance das raízes. Para a adubação química, deve-se esperar o início das chuvas. Am-
bas as adubações devem ser feitas a uma distância de aproximadamente 30 cm das plantas.
32
Em áreas irrigadas, as adubações com estercos também podem ser feitas de forma contínua 
abaixo da fita gotejadora para possibilitar maior mineralização e disponibilização dos nutrien-
tes às plantas. Pode ser utilizada também a fertirrigação em palma irrigada, conforme a 
recomendação da análise do solo, que se mostra mais prática.
Conclusão do módulo
Chegamos ao final do segundo módulo do curso! Aqui, foi possível conhecer as características 
necessárias dos solos para a plantação da palma forrageira, além da análise e correção do solo 
para que a plantação obtenha sucesso.
Antes de seguir para o módulo 3, que tal exercitar o conhecimento adquirido? Realize a ativida-
de adiante e reflita sobre o conteúdo estudado.
No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas 
que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá?
Existem diversas características específicas para a escolha do solo para o plantio da pal-
ma forrageira. Marque a alternativa que indica o solo ideal para o plantio.
a) O solo para o plantio da palma forrageira tem que ser plano, profundo, com ótima dre-
nagem e que não tenha alagamento.
b) O solo deve ter pedras, ser raso e pobre em nutrientes.
c) Após a escolha do solo para a palma forrageira, não precisa realizar adubação.
d) A palma deve ser plantada em solos com facilidade de alagamento.
Avance na apostila para estudar o Módulo 3.
Multiplicação, seleção 
e manejo na colheita 
das raquetes da palma 
forrageira
03
34
Seleção e colheita das raquetes para o plantio
As cactáceas se caracterizam geralmente pela presença de aréolas com pelos e espinhos, de 
onde surgem as brotações e as raízes, um caule suculento, chamado de cladódio, com casca 
verde e falta de folhas copadas. Os cladódios têm uma forma tipicamente oblonga a espatula-
da-oblonga, com 30 a 40 cm de comprimento e algumas vezes maiores (70 a 80 cm) e com 18 a 
25 cm de largura.
Aréola
Raquete
Cladódio
35
A produção de raquetes de palma forrageira para o plantio exige qualidade, mas, muitas vezes, 
o produtor não tem material suficiente para assegurar a qualidade necessária, o que acaba não 
garantindo um bom desenvolvimento no campo. 
A partir da dificuldade de obter raquetes-sementes desejadas, principalmente as cultivares 
resistentes à cochonilha-do-carmim, surgiu a técnica de produção de mudas pela fragmenta-
ção das raquetes. 
Essa é uma alternativa para que o produtor rural possa implantar novas áreas por meio de 
sementeiras, utilizando mudas de alta qualidade, produzidas a partir de pequenas quantida-
des de raquetes. É uma metodologia simples e de baixo custo, desenvolvida para ser aplicada 
na propriedade rural. Os fracionamentos são implantados no canteiro na posição em pé e são 
colhidos em 90 dias, deixando na terra 1 cm da base do fragmento, que serve de matrizeiro de 
multiplicação de raquetes.
Escolha das raquetes
As matrizes, plantas de onde serão retiradas as raquetes para o plantio, devem ser sadias, 
livres de pragas, principalmente da cochonilha-de-escama, e doenças, como podridão negra, 
gomose, podridão da escama seca, podridão-mole, entre outras. É importante que sejam 
trabalhadas as cultivares resistentes à cochonilha-do-carmim e que apresentem bom desenvol-
vimento. Deve-se observar de onde está sendo colhida a raquete e a origem do palmal, se vem 
de sequeiro, irrigada ou de canteiros.
Conheça as características para a escolha das raquetes, logo a seguir.
Foto: Márcio José Peixoto.
As raquetes devem apresentar tamanho 
e espessura uniformes, devendo-se evitar 
aquelas muito novas ou velhas. A melhor 
idade das plantas para a colheita das raque-
tes para plantio é de um ano, mas, geral-
mente, raquetes de 2 a 3 anos são usadas. 
Deve-se coletar preferencialmente da parte 
central da planta matriz. 
Foto: Márcio José Peixoto.
Para a escolha das raquetes da palma, de-
vem ser consideradas as que são vigorosas, 
viçosas, sem dobras, livres de manchas e da 
presença de pragas ou doenças, com apro-
ximadamente 20 a 30 cm de comprimento. 
Deve-se evitar raquetes jovens, pois não é 
possível realizar o fracionamento além da 
facilidade de apodrecer.
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Colheita das raquetes para plantio
O corte nas plantas matrizes deve ser feito sempre na inserção ou “junta” entre as raquetes, 
como indicado na imagem. 
Recomenda-se utilizar faca ou outra ferra-
menta bem afiada.
Normalmente, a colheita em áreas de palma 
plantadas em regime de sequeiro observa o 
manejo adotado, dependendo também do de-
senvolvimento da cultura, do tipo de solo e do 
clima. Em áreas irrigadas, esse período dimi-
nui drasticamente, sendo feitas retiradas de 
raquetes a partir de 8 meses, seja para multi-
plicação ou para distribuição aos animais.
Apesar de aumentar o custo de produção, de maneira geral, a palma forrageira é colhida ma-
nualmente, mas essa é a forma mais viável de retirada das raquetes da planta.
Armazenamento das raquetes
Após a colheita, as raquetes são armazenadas para que ocorra a cicatrização ou “cura”, uma 
prática de grande importância para que as raquetes possam perder parte da umidade e o corte 
feito no momento da colheita seja cicatrizado. Esse procedimento consiste em deixar as raque-
tes colhidas um período à sombra, em local coberto e ventilado, preferencialmente espalha-
das, sem amontoar, como mostra a imagem a seguir. Caso não seja possível armazená-las em 
local coberto, deve-se cobrir as raquetes com galhos ou palhadas.
Foto: Márcio José Peixoto.
Foto: Márcio José Peixoto.
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Agora que já sabemos como deve ser feito o armazenamento, quanto tempo as raquetes de-
vem permanecer armazenadas? 
O período de “cura” depende de fatores como condições ambientais, quantidade de água 
presente nas raquetes, se a propagação vai ser com as raquetes inteiras ou fracionadas, assim 
como a forma como elas serão expostas para curar. Em geral, esse período vai de 8 a 10 dias, 
que são suficientes para que ocorra a “cura”, sendo essa mais demorada quando utilizadas 
raquetes fracionadas.
Multiplicação das raquetes da palma forrageira
Realizar o fracionamento das raquetes
Atualmente, realizamos o fracionamento das raquetes de forma manual e, em primeiro lugar, 
vem a escolha do cladódio.Após o cladódio ser escolhido, devemos seguir algumas etapas do seu fracionamento. Vamos 
conhecê-las?
1) Verifique se as raquetes estão maduras e sadias.
2) Deixe as raquetes fracionadas em um local ventilado, à sombra, durante 4 ou 5 dias, para 
cicatrização dos cortes.
3) Após esse período, realize o corte das raquetes usando um equipamento bem afiado.
4) Faça um corte longitudinal e depois cortes transversais, em forma de retângulos, medin-
do dois centímetros e meio por cinco centímetros, desde que tenham em média de duas 
a três gemas em cada fração, e que apresentem aréolas na parte superior e na parte infe-
rior do fracionamento. Isso garantirá que terão uma boa brotação e enraizamento.
5) Após esse período, implante os fragmentos no canteiro.
Aplicando esta simples técnica, em pouco tempo você terá um plantio saudável e produtivo!
Preparar o canteiro para o plantio 
das raquetes fracionadas
Após o período de cicatrização, os fragmentos deverão ser implantados em canteiros ou sacos 
plásticos para mudas, com um volume em torno de 600 ml a 1 litro de substrato, a depender da 
disponibilidade do produtor.
38
No caso de canteiros, deve-se utilizar uma 
medida de 10 metros de comprimento e 1 
metro de largura e colocar uma mistura 
contendo o solo natural mais 25% de ester-
co, que pode ser bovino, ovino e/ou caprino. 
Lembrando que o tamanho do canteiro 
depende da área, a fim de facilitar a loco-
moção. 
Acima do canteiro deve-se colocar um som-
brite de 50% ou 75% a uma altura de 1,5 m 
do solo para evitar a insolação direta sobre 
os fragmentos e a mortalidade, pois eles 
ficam desprotegidos.
Plantio das raquetes fracionadas
Com o canteiro preparado e os fragmentos cicatrizados, faz-se o plantio com o espaçamento 
entre os fragmentos de 10 cm, de modo que tenham mil plantas no canteiro. Veja a imagem 
abaixo, com os fragmentos implantados no canteiro.
Foto: Márcio José Peixoto
No canteiro, deve-se fazer uma pequena irrigação de 3 em 3 dias, apenas para manter a umida-
de do solo. Além disso, é necessário evitar que ocorram o encharcamento e o excesso de água, 
pois pode apodrecer os fragmentos. A irrigação deve ser iniciada dois dias após o plantio, a 
água pode ser colocada em regador ou, dependendo do tamanho da área, pode ser colocada 
com microaspersor invertido.
Foto: Márcio José Peixoto.
39
A colheita pode ser realizada a cada 90 dias e 
as plantas levadas para o local definitivo. O 
canteiro serve de matriz de multiplicação de 
raquetes de palma forrageira.
Conclusão do módulo
Parabéns! Você concluiu o Módulo 3 – Multiplicação, seleção e manejo na colheita das raque-
tes da palma forrageira. Aqui, você adquiriu conhecimentos valiosos sobre o plantio da palma 
forrageira, desde a seleção para a colheita das raquetes, passando pelo armazenamento e o 
fracionamento, até o preparo dos canteiros para o plantio das raquetes fracionadas e a planta-
ção definitiva.
Em seguida, você vai estudar o Módulo 4 e aprender sobre a implantação da palma forrageira 
na alimentação animal. Mas antes de seguir com os estudos vamos exercitar os conhecimentos 
adquiridos? Realize a atividade e reflita sobre o conteúdo estudado neste módulo.
No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas 
que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá?
Na seleção de raquetes da palma forrageira, marque as características ideais que elas 
devem ter para o plantio.
a) As raquetes com doenças e pragas podem ser utilizadas para o plantio da palma forra-
geira.
b) Na seleção das raquetes para o plantio, qualquer uma está apta para o plantio.
c) A planta matriz, de onde serão retiradas as raquetes para o plantio, deve ser sadia, li-
vre de pragas e doenças (manchas, perfurações, podridões, “mofos” etc.) e apresentar 
bom desenvolvimento.
d) As raquetes com perfurações e ou manchas devem ser utilizadas para o plantio.
Avance na apostila para estudar o Módulo 4!
Foto: Márcio José Peixoto.
Plantio e espaçamento da 
palma forrageira
04
41
Foto: Márcio José Peixoto
Plantio e espaçamento da palma forrageira
No módulo anterior, foi possível conhecer as características referentes à escolha do solo para 
plantação da palma forrageira, além das formas de plantio das raquetes. No Módulo 4, vamos 
dar continuidade e saber mais sobre como realizar o plantio da palma forrageira na área sele-
cionada.
Siga com os estudos e aprenda como fazer o plantio e o espaçamento da palma forrageira.
Você sabia que a forma de propagação da palma forrageira mais usada pelo produ-
tor é a raquete inteira?
Assim, ele pode optar por um dos tipos de plantio: em sulcos ou em covas. 
Você precisa saber que trabalhos têm sido realizados buscando alternativas de 
propagação que aumentem a disponibilidade do material que será colocado em 
campo. 
A fim de suprir a demanda por raquetes que sejam resistentes à Cochonilha-do-car-
mim, assim como reduzir o custo com aquisição.
42
Nos períodos de invernos normais, as plantas que fornecem as mudas permitem 
que as raquetes permaneçam túrgidas o ano todo.
Nesse caso, o plantio deve ocorrer de quinze a trinta dias antes do período chu-
voso, porque, assim, assegura-se que as plantas já estejam enraizadas no início do 
inverno seguinte.
Com isso, é possível evitar o apodrecimento e o tombamento dessas plantas, em 
consequência do impacto das primeiras chuvas, proporcionando um bom desenvol-
vimento inicial da plantação.
Contudo, em anos nos quais os invernos são escassos, as plantas matrizes atingem, 
normalmente, estágios críticos de desidratação. 
Com isso, diminuem sua capacidade de enraizamento no solo seco, e só se deve 
realizar o plantio quando as raquetes readquirirem um certo teor de umidade e de 
turgidez.
Lembre-se de que, se forem plantadas muito murchas, nessa época do ano, a 
tendência é que a temperatura alta do solo elimine, definitivamente, a maioria das 
raquetes plantadas.
E então, vai tomar cuidado com a época de plantio?
Nada de perder a palma forrageira para a chuva, os fungos e as bactérias, não é 
mesmo? 
Tome as precauções necessárias e sucesso!
Forma de plantio
Para definir o sistema de plantio, deve ser levada em consideração a necessidade do uso da 
forragem a ser gerada pela palma. Siga e acompanhe os sistemas de plantio de acordo com o 
uso da forragem.
Quando não há palma na propriedade ou, se existe, é insuficiente para atender a deman-
da, recomenda-se usar sistemas de plantio adensados com vistas a alcançar uma razoável 
oferta de massa verde a partir de um ano de idade da cultura.
Não há palma na propriedade
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Quando o objetivo é gerar reservas estratégicas adicionais, prevendo evitar escassez 
futura, sugere-se adotar sistemas de plantio menos adensados. Nesse caso, embora a 
densidade populacional por unidade de área seja menor que nos plantios adensados, os 
resultados finais geralmente são satisfatórios. Graças à possibilidade de um bom manejo 
dos tratos culturais/fitossanitários e adubação orgânica em cobertura, obtêm-se mate-
riais de boa qualidade, além de preservar o meio ambiente.
Será reserva estratégica
No plantio, a posição do artículo, que é um 
cladódio, também denominado de “raque-
te” ou “folha”, pode ser vertical ou inclinada 
dentro da cova, com a parte cortada da 
articulação voltada para o solo e plantada 
na posição da menor largura do artículo, 
obedecendo à curva de nível do solo.
A palma pode ser plantada em covas ou sulcos, isso depende da disponibilidade de equipa-
mentos para a atividade. No plantio em cova, que é mais comum em espaçamento simples, a 
melhor posição é inclinada, enterrando-se um terço da raquete, com a parte cortada voltada 
para o solo. Isso favorece um maior contato da raquete com o solo em relação ao plantio na 
vertical, possibilitando maior enraizamento. Se o produtor optar pelo plantio em sulco, que 
promove economia de tempo, a posição da raquete pode ser tanto na vertical como inclinada.
Plantio das raquetesVamos entender mais como é feito o plantio das raquetes da palma forrageira?
O plantio da palma também pode ser mecanizado, plantando as raquetes por meio 
de uma plantadeira movida por trator. 
Essa plantadeira é desenvolvida para operar de uma a quatro linhas de plantio, de 
acordo com a necessidade do produtor, sendo necessário um operador por linha 
para colocar a palma e um operador para o trator.
A distância entre as mudas e entre as linhas é regulável. Pode ser equipada com 
toldos para o sol e iluminação para trabalho à noite. 
As rodas fazem os sulcos e as raquetes caem no solo e já ficam enterradas. 
Vertical
Inclinada
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A produção é de 2.000 a 2.500 raquetes plantadas por hora, dependendo do avan-
ço do trator.
Atualmente, estudos sobre a indicação de variedades de palmas para regiões espe-
cíficas ainda são escassos. 
No entanto, os registros sobre o cultivo de sequeiro, afirmam que as variedades 
das palmas miúda e baiana se adaptam e produzem melhor em regiões de maior 
altitude, enquanto a orelha de elefante mexicana, por ser mais rústica, adapta-se 
melhor às diferentes regiões do semiárido, pois tem maior resistência a escassez 
hídrica, menor exigência em insumos e manejo em relação às demais palmas.
Existem formas diferentes de plantio para esse cultivo. Vamos conhecê-las?
Existe o plantio em curva de nível que ajuda a evitar a translocação do solo e, por 
consequência, a erosão.
Nesse caso, a orientação do plantio das raquetes pode ser no sentido norte/sul ou 
leste/oeste. 
Essa orientação da raquete, dentro da cova ou sulco, é de grande importância para 
evitar que elas queimem durante o plantio.
Ah! Evite, também, colocar a face mais larga da palma virada para o Sol quando 
fizer o plantio antes do início das chuvas, principalmente no sertão. 
Quando as primeiras chuvas iniciarem e você for realizar o plantio, o sentido da po-
sição que as raquetes forem plantadas não vai interferir em seu desenvolvimento.
Agora, vamos conhecer o plantio em formato dominó ou baralho.
Em plantios adensados, podemos distribuir as raquetes em formato de dominó ou 
baralho. 
Mas qual a diferença entre essas formas de plantio?
No formato dominó, o plantio possui alinhamento bilateral com uma raquete atrás 
da outra.
Já no formato baralho, o plantio tem a sobreposição dos cladódios.
45
Espaçamento
Para escolher o espaçamento no plantio das raquetes, é importante levar em consideração a 
finalidade do cultivo e a disponibilidade de insumos para uso na área: se é para produção de 
raquetes-sementes ou para uso como forragem, se será irrigada ou de sequeiro.
O espaçamento vai depender do sistema adotado pelo produtor: quando se pretende fazer 
cortes a cada dois anos e obter maior produção, pode-se optar por plantio em sulcos em espa-
çamento adensado, que demandará mais adubação e capinas.
Espaçamento simples
O espaçamento simples mais utilizado equivale a um estande de até 30 mil plantas por hec-
tare. Esse espaçamento facilita o trato cultural e o manejo da cultura, como vistorias periódi-
cas para verificar ataques de pragas, doenças, adubação de manutenção, além de permitir o 
consórcio com algumas culturas.
As medidas recomendadas para o plantio em sequeiro no espaçamento simples são 1,8 m x 
0,25 m (22 mil plantas por hectare).
Espaçamentos mais largos entre as linhas facilitam a colheita e o transporte, podendo 
também contribuir para reduzir os riscos de incêndio no palmal e controlar erosão em áreas 
de cultura. Por outro lado, a consorciação da palma com algumas culturas reduz a produção 
dessa forrageira.
No consórcio da palma forrageira com outras culturas deve-se considerar que a palma exige 
alta captação de luz para favorecer seu desenvolvimento e quando sombreada reduz sua capa-
cidade de produção.
1,8 m
0,25 m
0,25 m
46
Espaçamento duplo
O plantio adensado equivale a um estande acima de 40 mil raquetes por hectare. O cultivo da 
palma em espaçamento adensado tem sido mais utilizado recentemente. Nesse espaçamento, 
os tratos culturais e a colheita são dificultados, aumentando os gastos com mão de obra.
As medidas recomendadas para o plantio em sequeiro no espaçamento simples são 1,8 m x 
0,25 m (22 mil plantas por hectare).
Além desses aspectos, nesse caso, ocorre uma maior quantidade de nutrientes extraídos do 
solo, sendo necessário um maior cuidado com as adubações. Utilizando espaçamentos mais 
adensados, pode-se alcançar maiores produções, mas os custos de estabelecimento do 
palmal são maiores e os tratos culturais ficam mais difíceis, não permitindo consorciação com 
outras culturas.
Conclusão do módulo
Chegamos ao final do Módulo 4 – Plantio e espaçamento da palma forrageira. Neste módulo 
foi possível adquirir conhecimentos valiosos a respeito dos sistemas de plantio da palma forra-
geira.
No próximo módulo, você vai aprender mais sobre o manejo na produção da palma forrageira 
em sequeiro e irrigado. Mas antes de seguir, que tal exercitar os conhecimentos estudados 
neste módulo? Realize a atividade e reflita sobre o conteúdo apresentado.
No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas 
que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá?
0,4 m
0,4 m
2,0 m
0,25 m
0,25 m
47
Sobre o plantio da palma forrageira, marque a resposta que indica a posição correta das 
raquetes dentro da cova ou sulco.
a) A palma pode ser implantada de qualquer maneira e em qualquer solo.
b) Para o plantio da palma, a raquete deve ser cortada ao meio e, em seguida, coberta 
totalmente de terra.
c) No plantio da palma, a raquete deve ser colocada deitada dentro da cova ou sulco.
d) A palma deve ser plantada na posição vertical ou inclinada, enterrando dois terços da 
raquete na cova ou sulco.
Avance na apostila para estudar o Módulo 5!
Manejo na produção 
de palma forrageira de 
sequeiro e irrigado
05
49
Até o momento, no curso, você aprendeu as características da palma forrageira, quais as téc-
nicas para a seleção e o plantio das raquetes e como fazer o plantio da palma para a produção 
definitiva. Neste módulo, vamos conhecer as formas de manejo da palma forrageira em se-
queiro e irrigada.
Manejo da palma forrageira em sequeiro
A palma é uma forrageira bem adaptada às condições da região do Semiárido nordestino, 
suportando grandes períodos de estiagem devido às propriedades fisiológicas, caracterizadas 
por um processo fotossintético que resulta em grande economia de água, como vimos no pri-
meiro módulo do curso. Vamos conhecer as características do Semiárido?
As condições climáticas da região do Semiári
do nordestino são caracterizadas por perío-
dos secos e precipitações pluviométricas 
variando de 400 a 800 milímetros, irregular-
mente distribuídas e concentradas no verão. 
A temperatura oscila entre 23 °C a 28 °C, com 
amplitude diária de mais ou menos 10 °C. A 
luminosidade média é de 2.800 horas de luz 
ao ano.
pluviométricas Relacionado ao estudo da distribuição das chuvas.
50
A cobertura vegetal predominante é a Caatinga constituída por plantas efêmeras, suculentas 
ou carnosas e lenhosas, geralmente, tolerantes a longos períodos de estiagem.
O bom rendimento da palma forrageira está relacionado a áreas com 400 a 800 mm anuais 
de chuva, umidade relativa acima de 40% e temperatura de 25 °C a 15 °C. Vale ressaltar que 
umidade relativa baixa e temperaturas noturnas elevadas encontradas em algumas regiões do 
Semiárido podem justificar as menores produtividades ou até a morte da palma. Portanto, a 
palma forrageira pode ser produzida em quaisquer municípios do Estado do Ceará.
Tratos culturais
Você sabia que o manejo cultural da palma forrageira é realizado apenas por meio 
de capinas, adubação e cuidados fitossanitários? 
Essas ações variam dependendo do sistema de plantio adotado pelo produtor. 
Para os plantios com espaçamentos superiores a um metro entre as linhas, geral-
mente são feitas duas capinas no primeiro ano e a partir daí, uma capinapor ano. 
Com relação aos plantios adensados, se o adensamento for apenas na linha, proce-
de-se como no caso anterior.
No entanto, se o adensamento for total, isto é, entre linhas e entre plantas, quando 
muito, faz-se as capinas do primeiro ano. 
Nesse caso, o entrelaçamento da cultura em todos os sentidos, cobrindo a área 
total, impede quaisquer ações internas.
Em plantios tradicionais, recomendamos um roço no final da estação chuvosa. 
E o trabalhador não deve se esquecer de utilizar sempre todos os equipamentos de 
proteção individual.
Os tratos culturais do palmal, por meio do roço ou das capinas, são essenciais para 
se obter aumento em torno de 100% na produtividade, desse modo, o roço favore-
ce a cobertura do solo, servindo de cobertura morta e melhorando sua qualidade 
nutricional e estrutural. 
Como no Brasil não existem produtos registrados para controle de ervas daninhas 
na cultura da palma, recomendamos a consulta de um engenheiro agrônomo.
Não use produtos sem registro para não danificar sua cultura.
51
Colheita
Normalmente, no plantio da palma em sequeiro, inicia-se a colheita com cerca de 1,5 a 2 anos, 
ou mais, dependendo do desenvolvimento da cultura, das condições do solo, do clima e da 
adubação. Depois da primeira colheita, pode ser feito o corte anual.
Quando o plantio e a manutenção são feitos em padrões adequados, é possível iniciar a colheita 
quando a cultura tem entre 12 e 15 meses. Conheça as maneiras de fazer a colheita convencional.
A palma de maneira geral é colhida ma-
nualmente, apesar de aumentar o custo 
de produção, contudo é a maneira mais 
racional de utilização da palma. As raque-
tes são colhidas diariamente e fornecidas 
aos animais nos cochos.
A utilização da palma também pode ser 
por pastejo, porém, promove muitas per-
das por causa da presença dos animais no 
palmal, por isso, mesmo com o acréscimo 
de mão de obra o corte manual fica mais 
viável para o produtor.
Essa forma geralmente é usada quando se tratam de plantios muito adensados, antigos 
ou com sintomas acentuados de doenças. Nesses casos os palmais são totalmente arran-
cados e replantados em seguida.
Arrancar a planta completa
52
A colheita parcial é o sistema mais comum, em que o produtor realiza o corte na intersec-
ção da raquete primária com secundária. Por esse sistema, colhem-se apenas parte aérea 
copada da planta e deixa-se a raquete “mãe” que está enterrada e a “filha”, ou melhor, a 
primária para propagação da cultura.
Colher apenas parte das raquetes
Raquete mãe e filha ou primária.
Foto: Márcio José Peixoto
Esses procedimentos asseguram a próxima colheita sem a necessidade de replantio, cujo pro-
cedimento pode ser repetido várias vezes, necessitando apenas que se proporcionem inter-
valos de descanso de um ano entre elas e se promova a manutenção adequada da cultura. Em 
casos extremos de carência de forragem, não raros, os pequenos produtores fazem colheitas 
rasas em plantios jovens, em que são colhidas apenas algumas das raquetes mais antigas da 
plantação.
Adubação de manutenção do palmal
A palma é uma planta que exige solo de qualidade para ter bom rendimento. O esterco de 
curral é uma boa fonte de nutrientes, mas muitas vezes desprezado por produtores que des-
conhecem o potencial desse adubo orgânico, capaz de duplicar a produtividade de palma por 
hectare. A falta de conhecimento leva muitos pecuaristas a vender grandes quantidades do 
adubo orgânico para produtores de outras culturas.
Raquetes filhas
Raquetes mães
53
Adubação em sequeiro
A adubação é um fator determinante na produção de matéria verde, exigindo maior quantida-
de quando se trata de plantio de palma adensado. O espaçamento de plantio da palma forra-
geira varia de acordo com a fertilidade do solo, quantidade de chuvas, finalidade de explora-
ção e com o consórcio a ser utilizado.
A adubação química se dá conforme análise de solo e recomenda-se no início do período chu-
voso, pois adubação no período seco não tem absorção pela planta, devido à falta de umidade 
do solo.
No plantio de palma de sequeiro o es-
terco é colocado entre linhas do palmal 
logo após a colheita e o início do período 
chuvoso. Quando começam as chuvas, o 
esterco já está distribuído. Recomenda-se 
colocar o esterco a 40 cm das plantas, ou 
seja, no meio das linhas, pois a palma não 
suporta umidade elevada e no início das 
chuvas o esterco fica muito úmido e pode 
ocorrer o apodrecimento das plantas. 
A palma possui raízes superficiais de no 
máximo 30 cm de profundidade e o com-
primento pode chegar a 3 m.
A adubação pode ser orgânica e/ou mine-
ral. Em sequeiro opta-se pela adubação 
orgânica, podendo ser utilizado esterco 
bovino e caprino, na quantidade de 10 a 
30 t/ha na época do plantio, e a cada ano, 
no período próximo ao início da estação 
chuvosa. Dependendo do espaçamento 
de plantio e nível de fertilidade do solo, 
nos plantios mais adensados usar 30 t/ha.
Foto: Márcio José Peixoto.
Foto: Márcio José Peixoto.
54
Manejo da palma forrageira irrigada
A utilização da irrigação na cultura da palma é recente, mas sabemos que é de grande impor-
tância para o aumento da produção e, bem manejada, oferece uma maior duração ao plantio. 
Ela faz com que os fatores climáticos limitantes para o pleno desenvolvimento da palma, como 
as altas temperaturas noturnas e baixa umidade relativa do ar, percam, de certa forma, im-
portância, já que a disponibilidade hídrica permitirá um adequado processo fotossintético da 
planta, fazendo com que ela, a depender da oferta hídrica, funcione como uma planta CAM 
facultativa, ajustando o seu padrão de captura de gás carbônico.
CAM
Metabolismo Ácido das Crassuláceas (CAM, do inglês Crassulacean 
Acid Metabolism) é um dos três tipos (outras vias estão às plantas 
C3 e C4) possíveis de assimilação do carbono atmosférico (CO2) via 
fotossíntese, o qual está presente em certas espécies de plantas, 
especialmente plantas suculentas, como a Opuntia ficus-indica L.
As áreas de cultivo de palma forrageira 
sob irrigação têm ganhado espaço na 
tentativa de reduzir os riscos de perdas 
na produção, evitando prejuízos com uma 
cultura que apresenta elevado custo de 
implantação e manutenção. Dessa for-
ma, a irrigação tem despontado como 
uma técnica viável e de grande impacto, 
possibilitando não só ampliar as áreas de 
abrangência de cultivo da palma forra-
geira na região Semiárida, como também 
maximizar sua produção.Foto: Márcio José Peixoto.
55
Algumas pesquisas já apontam para a capacidade da planta em responder ao uso da irriga-
ção, os efeitos nas diferentes espécies e cultivares de palma, bem como as alterações em sua 
morfogênese e composição bromatológica. Entretanto, pouco se estudou sobre a utilização 
de diferentes sistemas de irrigação no cultivo da palma forrageira, sendo predominante nas 
pesquisas o uso do gotejamento superficial em seus campos experimentais.
Em pesquisas mais recentes, de forma ainda muito incipien-
te, começou-se a utilizar outros sistemas de irrigação no cul-
tivo da palma forrageira, como o de aspersão convencional, 
porém, não sendo objeto de avaliação o comparativo entre 
sistemas de irrigação.
Vários estudos também estão sendo 
realizados para definição quanto a neces-
sidade hídrica da palma forrageira, como 
a determinação do coeficiente de cultivo 
da cultura (Kc), bem como o manejo de 
irrigação a ser adotado, como lâmina de 
água a ser aplicada e turno de rega (TR). 
A determinação desses manejos está 
atrelada às condições edafoclimáticas da 
região, à necessidade hídrica da cultura, 
ao sistema de irrigação a ser utilizado e 
ao tipo de solo onde está sendo cultivado 
a palma.
turno de rega
Turno de rega é um termo usado para designar o período (número de 
dias para realizar a próxima irrigação) em que o solo tem reserva de 
água suficiente para atender à demanda hídrica das plantas cultiva-
das a partir do suprimento natural e da irrigação.
56
A definição do sistema de irrigação está atrelada aotipo de solo, onde está implantado 
o palmal, como também a quantidade de água a ser colocada por planta dia e o interva-
lo da irrigação.
Importante!
Tratos culturais
Que tal conhecer os tratos culturais da palma forrageira em sistema irrigado?
Você sabia que o manejo cultural da palma forrageira irrigada não é diferente da 
palma de sequeiro?
Só que a vigilância é bem maior com relação às capinas, adubação e cuidados fitos-
sanitários.
Como fazer essa vigilância?
O plantio da palma irrigada exige mais nos tratos culturais, pois a planta responde 
muito bem a roço e adubação.
Se você usar no plantio o sistema de irrigação por aspersão, haverá uma incidência 
maior de ervas daninhas entre as linhas e, com isso, aumentará o número de roço, 
pois a palma quando fica coberta com ervas daninhas reduz o número de brotação.
Agora, se você utilizar o plantio com sistema de irrigação por gotejamento, redu-
zirá a incidência de ervas daninhas entre as linhas, mas precisará ter um controle 
maior entre as plantas.
O que podemos fazer nos plantios menos adensados?
Em plantios menos adensados, podemos realizar, em média, quatro roços por ano, 
porém vai depender do surgimento das ervas daninhas.
Vale ressaltar que, se utilizarmos o espaçamento adensado no plantio, os herbici-
das de pré-emergência são eficientes no controle de plantas daninhas sem causar 
efeitos fitotóxicos na cultura da palma.
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Lembramos também que no Brasil não existem produtos registrados para controle 
de ervas daninhas na cultura da palma. 
Por isso, recomendações nesse sentido só após o registro dos produtos.
Colheita
A palma forrageira normalmente é colhida manualmente, quando irrigada o corte deve ser 
realizado anualmente, pois pode entrelaçar entre linhas e impedir a locomoção do produtor.
A colheita da palma irrigada segue o mesmo 
procedimento da palma de sequeiro, porém, 
reduz-se o período de corte. O sistema mais 
comum é a colheita parcial, na qual o produ-
tor realiza o corte na interseção ou junção da 
raquete primária com a secundária, ou seja, 
deixando a raquete “mãe” e “filha”. Assim, 
aumentando o número de brotação e a vida 
útil do palmal.
Adubação de manutenção do palmal
A adubação pode ser orgânica e/ou mineral. Na palma irrigada recomenda-se colocar adubação 
orgânica na fundação e também entre linhas, pode ser utilizado esterco bovino e caprino, na 
quantidade de 10 a 30t/ha na época do plantio. Já a adubação mineral, deve ser realizada con-
forme a recomendação de manutenção da análise do solo e aplicado em forma líquida, direta-
mente no sistema de irrigação, por meio da fertirrigação, sendo uma adubação eficiente. Veja 
na imagem a seguir um exemplo de adubação de cobertura.
Foto: Márcio José Peixoto.
Foto: Márcio José Peixoto.
58
Sistemas de irrigação
Como vimos, estão sendo realizadas várias pesquisas para trabalhar com palma forrageira irri-
gada, tanto para saber qual o melhor método de irrigação, qual a lâmina de água e o turno de 
rega. Aqui serão apresentados dois métodos, a lâmina média que está sendo aplicada e o turno 
de rega.
Ao pensar em irrigar qualquer cultura é importante conhe-
cer as especificidades técnicas dos diferentes sistemas de 
irrigação existentes, possibilitando assim optar pelo mais 
adequado à cultura e condições locais.
Existem dois termos utilizados para referir-se aos equipamentos de irrigação e, de certa forma, 
é comum haver entendimentos equivocados entre os dois, são eles: método de irrigação e 
sistema de irrigação.
A escolha do método adequado garantirá o suprimento de água para a cultura com atendimen-
to de suas necessidades de forma mais precisa e eficiente, portanto, essa etapa é de funda-
mental importância para o sucesso de qualquer projeto irrigado. 
A escolha inicial do método, e, em seguida, do sistema de irrigação a ser utilizado, depende 
do conhecimento de algumas variáveis e informações locais, como solo, clima, água, cultura, fa-
tores humanos e aspectos econômicos. Já a escolha do sistema de irrigação deve estar apoiada 
pela análise de viabilidade técnica e econômica do empreendimento, por meio da avaliação 
detalhada de fatores físicos, agronômicos, sociais e econômicos envolvidos.
Método de irrigação
Forma como a água pode ser 
aplicada às culturas.
Sistema de irrigação
Conjunto de equipamentos e 
técnicas que proporcionam a 
aplicação da água.
59
Vamos conhecer agora os diferentes sistemas de irrigação da palma forrageira.
Irrigação por aspersão
Os sistemas de irrigação por aspersão caracterizam-se pela distribuição da água por meio de 
gotas sobre a cultura e a superfície do solo na forma de chuva. Quando comparado aos siste-
mas superficiais, a aspersão apresenta algumas vantagens, como a possibilidade de distribuir 
melhor a água sobre a superfície do solo, adaptação a diferentes tipos de solo e topografia e 
menor uso de mão de obra, inclusive podendo ser utilizado de forma totalmente automatiza-
da, com aplicação de fertilizantes e de defensivos via água de irrigação.
A irrigação por aspersão na palma forrageira 
é recomendada em solos mais arenosos, com 
uma lâmina média diária de 300 ml por 
planta, sendo aplicado a cada dois dias. Com 
esse sistema, em uma área de espaçamento 
duplo de 2,0 m x 0,25 m x 0,25 m, chega-se a 
50 mil plantas/ha e uma produção anual 
média de 380 toneladas de matéria verde.
Irrigação localizada
Na irrigação localizada, a aplicação de água no solo é feita em uma área restrita, buscando 
umedecer o entorno das plantas apenas no local explorado pelas raízes. 
A irrigação por gotejamento constitui um dos principais sistemas de irrigação localizada. 
Quando bem manejado, esse sistema apresenta alguma vantagem em relação à aspersão, 
como a economia de água e energia. Isso acontece devido à irrigação ocorrer em uma área 
restrita do solo, próxima à planta, diminuindo a perda por evaporação e por escoamento su-
perficial. Pelo fato também de ser um sistema que opera com baixa vazão e alta frequência de 
irrigação, ocasiona menores perdas de água por percolação profunda. 
Os sistemas de irrigação localizada apresentam também como vantagem a redução de pro-
blemas fitossanitários, haja vista que a parte aérea da planta não é molhada e, em função de 
restringir a área irrigada, há menor incidência de ervas espontâneas (daninhas), resultando em 
menor gasto com mão de obra e/ou defensivos químicos, proporcionando ganho econômico e 
ambiental.
Irrigação por gotejamento
A irrigação por gotejamento na palma forrageira é recomendada em solos com características 
mais argilo-arenoso, com uma lâmina média diária de 280 ml por planta por dia, sendo aplicado 
a cada quatro dias. Em uma área com o espaçamento duplo de 2,0 m x 0,25 m x 0,25 m, com 
esse sistema de irrigação, chega-se a 50 mil plantas/ha e uma produção anual média de 420 
toneladas de matéria verde.
Foto: Márcio José Peixoto.
60
O conhecimento sobre a eficiência de aplicação do sistema de irrigação é de grande importân-
cia, sendo esse um dos fatores determinantes para escolha do sistema a ser utilizado. O plan-
tio da palma pode ser em linha simples ou dupla, vai depender da escolha do produtor, assim 
a linha do gotejamento passa ao lado da linha da palma ou ao meio da linha dupla da palma.
Conclusão do módulo
Parabéns! Você concluiu o Módulo 5 – Manejo na produção de palma forrageira de sequeiro 
e irrigado. Neste módulo, você aprendeu sobre o manejo, os tratos culturais e as formas de 
adubação da palma forrageira em sequeiro e irrigada. Também conheceu os diversos sistemas 
de irrigação da plantação.
Para chegar ao módulo 6 e aprender sobre as pragas e doenças da palma forrageira, você deve 
realizar a atividade a seguir. Vamos lá?
No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas 
que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá?
Na seleção de raquetes da palma forrageira, marque as características ideais que elas 
devem ter para o plantio.
a) A colheitada palma deve ser realizada na raquete mãe, assim diminui a brotação.
b) A colheita deve ser realizada na interseção ou junção da raquete primária com a secun-
dária, ou seja, deixando a raquete “mãe” e “filha”.
c) A colheita das raquetes deve ser realizada arrancando a planta por inteiro.
d) Na colheita da palma forrageira deve ser cortada a raquete ao meio.
Avance na apostila para estudar o Módulo 6!
Foto: Márcio José Peixoto.
Irrigação por gotejamento em linha simples.
Foto: Márcio José Peixoto.
Irrigação por gotejamento em linha dupla.
Pragas e doenças
da palma forrageira
06
62
Na cultura da palma forrageira, as populações de pragas e doenças causam danos diretos e 
indiretos às plantas. Fatores climáticos ou condições específicas do agroecossistema, além da 
falta de nutrientes para o desenvolvimento da planta, favorecem o crescimento dessas popula-
ções, que passam a causar danos econômicos e necessitam do uso de medidas de controle para 
serem evitados.
É importante identificar e conhecer o estágio do ataque de pragas e doenças, o que pode ser 
realizado por meio da contagem para a determinação direta do número de insetos sobre as 
plantas ou de seus danos, ou por meio da utilização de armadilhas. A partir da avaliação será 
tomada a decisão do método de controle.
Diversos insetos podem ocorrer sobre a palma forrageira, como besouros, formigas, gafanho-
tos, lagartas, tripes etc., porém aqueles encontrados no Nordeste do Brasil são as cochonilhas-
-do-carmim e de escama, conhecidas por escama, piolho ou mofo da palma forrageira.
Neste módulo, iremos conhecer os insetos e doenças que ocorrem na palma forrageira, bem 
como suas características sintomatológicas.
63
Pragas da palma forrageira
Cochonilha-do-carmim (Dactylopius opuntiae)
Vamos conhecer a história dessa praga? 
A cochonilha-do-carmim foi importada pelo estado de Pernambuco visando à obtenção do 
corante carmim (ácido carmínico) e tornou-se uma praga devastadora para a palma forrageira 
cultivar gigante (Opuntia ficus indica). A desvalorização do preço do ácido carmínico, devido 
a introdução do corante carmim artificial e a introdução de outra espécie de cochonilha com 
o intuito de aumentar a produção, foi responsável por abandonos dos palmais pelas famílias 
produtoras, o que ameaçou a sobrevivência das famílias que dependiam da palma forrageira 
para alimentação dos rebanhos.
Na atualidade, a cochonilha-do-carmim tem 
causado elevados danos a cultivar gigante, 
impossibilitando a pecuária bovina, caprina e 
ovina dos agricultores familiares, destruindo 
milhares de hectares nos estados de Per-
nambuco e Paraíba. Instituições de pesquisa 
desenvolveram cultivares resistentes à praga 
e com isso está sendo possível o retorno do 
plantio da palma forrageira, ainda com apoio 
do governo aos produtores para aquisição de 
raquetes.
Diagnóstico
A seguir, aprenda como fazer o diagnóstico da cochonilha-do-carmim na palma forrageira.
A cochonilha-do-carmim é a principal praga da palma forrageira no Semiárido nordes-
tino. O inseto é do gênero Dactylopius pertencente à família Dactylopiidae, da ordem 
Hemiptera e se cria em Opuntia ficus indica. A praga é conhecida internacionalmente 
como grana cochonilla ou mesmo cochonilha-do-carmim.
Atenção!
64
O gênero Dactylopius também ataca a palma nativa, a qual tem espinhos e não é utilizada para 
alimentação animal por não ser apreciada por eles e também pela dificuldade de colheita, faci-
litando ainda mais sua disseminação no Nordeste.
Controle
Conforme apresentado, em razão da devastação desenfreada da cochonilha-do-carmim na 
cultivar gigante, recomenda-se:
A identificação da presença da cochoni-
lha-do-carmim sobre a palma cultivada 
ou nativa dispersa na Caatinga é fácil, as 
fêmeas adultas apresentam forma bem 
peculiar, de corpo pequeno ovalado, 
com extremidade abdominal arredonda-
da, totalmente coberta por cerosidade 
branca que protege o corpo avermelhado 
do inseto intumescido de ácido carmíni-
co. São sedentárias, quando esmagadas 
esparramam o conteúdo do corpo, que é 
vermelho, da cor de sangue, que caracte-
riza os representantes do gênero Dactylo-
pius. O desenvolvimento pós-embrionário 
apresenta duração variável de 40-60 dias.
Os machos se desenvolvem em casulos 
de cera branca, aglomerados em forma 
de penca, de onde saem os adultos, que 
são formas aladas com um par de asas 
membranosas semelhantes a de mosqui-
tos. A disseminação por recursos próprios 
é lenta, por se tratar de inseto de hábito 
estacionário. Os machos, que são alados, 
vivem somente para fecundar as fêmeas, 
morrendo logo em seguida. O principal 
meio de propagação é quando levadas 
pelo homem sobre as raquetes de uma 
área para outra, ou pelos pássaros e ani-
mais, ou presas acidentalmente na roupa.
Cochonilha em palma cultivada
Foto: Márcio José Peixoto.
Cochinilha em palma nativa
Foto: Márcio José Peixoto.
65
Ao primeiro sinal de ocorrência do inseto sobre palma forrageira em áreas onde ele não é 
desejado (observado pela primeira vez), deve-se de imediato tomar medidas de controle. Essa 
medida visa erradicar o palmal e substituir a cultivares resistentes à cochonilha-do-carmim.
Quando implantar um palmal escolher uma cultivar resistente a cochonilha-do-carmim, assim o 
produtor terá um plantio isento desse inseto devastador.
O plantio deve ser feito corretamente na época indicada, com raquetes sadias sem vestígio de 
cochonilha e de procedência conhecida para evitar a presença da praga no início da plantação.
Na palma nativa, assim que identificar a infestação, isolar a área para impedir que ocorra a 
disseminação.
No Brasil, já existem produtos químicos registrados para o controle da cochonilha, mas têm 
custo muito elevado e não trazem tanta eficiência no controle.
Ressaltamos a importância de consultar um engenheiro agrônomo e também o órgão 
de defesa de seu estado para auxiliar e orientar no controle da praga.
Importante!
66
Cochonilha de escama (Diaspis echinocacti)
O inseto do gênero Diaspis pertencente à família Diaspididae, da ordem Hemiptera, foi a prin-
cipal praga da palma forrageira no Nordeste antes do aparecimento da cochonilha-do-carmim. 
Conhecido vulgarmente por escama, piolho ou mofo da palma, que causa danos e prejuízos à 
cultura. É um inseto cosmopolita que ocorre em cactácea e em outras culturas. 
A praga infesta as raquetes ou artículos com suas colônias, onde formas jovens e adultas, 
protegidas por uma escama ou escudo de cera, sugam a seiva para se alimentar, causando 
inicialmente o dano direto pela ação espoliadora, quando as raquetes começam a apresentar 
clorose. Em seguida, vem o dano direto, que por se tratar de um inseto picador-sugador, abre 
orifício por onde penetram microrganismos que causam o apodrecimento e queda das raque-
tes e, consequentemente, a morte da planta.
Diagnóstico
A palma infestada pela cochonilha de escama é facilmente reconhecida pelo aspecto peculiar 
do aglomerado de escamas do inseto, com coloração marrom-clara, mascarando o verde típico 
da cactácea. As escamas são removidas por leve atrito com a unha ou um graveto sobre as colô-
nias que recobrem as raquetes, que constitui uma forma para confirmar a infestação da praga.
A ocorrência da cochonilha de escama sobre 
a palma forrageira apresenta uma sintoma-
tologia típica, formada por escama ou fari-
nha cobrindo toda a raquete, a praga fica 
sugando a seiva da planta e, em seguida, a 
raquete fica amarela e cai no chão.
Controle
Quando identificada em uma área de palma deve-se, de imediato, tomar as devidas providên-
cias, pois se nenhuma medida de controle for aplicada, o inseto devasta completamente a cul-
tura. Algumas medidas reúnem técnicas possíveis de serem aplicadas para controlar e manter 
a população da praga em nível de equilíbrio, dificultando sua forma de vida e seu crescimento. 
Para o caso da cochonilha de escama as recomendações são as seguintes:
 ● O plantio deve ser feito corretamente na época indicada, com raquetessadias sem vestí-
gio de cochonilha; quando adquirir as plantas, procure conhecer a procedência.
 ● Identificar a presença da cochonilha na área cultivada com palma logo no início facilita o 
controle e a erradicação das plantas infestadas de forma isolada no palmal.
 ● Proceder capinas, para evitar concorrência de ervas daninhas com a cultura, e adubação 
clorose Amarelamento ou embranquecimento da planta.
Foto: Márcio José Peixoto.
67
de acordo com as quantidades indicadas. A adubação, além de aumentar a produção, 
induz uma certa resistência da planta ao inseto.
 ● No controle da cochonilha de escama, pode utilizar o controle biológico, que consiste na 
utilização dos inimigos naturais da praga – as joaninhas e as vespinhas são, respectiva-
mente, predadores e parasitoides – que são liberados no campo onde ela está ocorrendo 
para se processar o equilíbrio natural. É importante o conhecimento dos inimigos natu-
rais da praga para preservação e manutenção deles no campo.
 ● Os produtos químicos são utilizados, mas devem ser usados com muita cautela para não 
prejudicar o desenvolvimento dos inimigos naturais, que são mais sensíveis aos defensi-
vos agrícolas que a própria praga.
No Brasil, ainda não existe produto químico registrado para a cochonilha de escama na cultura da 
palma. Também deve-se consultar um engenheiro agrônomo e o órgão de defesa de seu estado.
Doenças da palma forrageira
Apesar de ser nativa de regiões muito quentes e clima seco, a cultura da palma forrageira 
é afetada por vários patógenos, principalmente os de natureza fúngica, que atacam, prefe-
rencialmente, as raquetes ricas em umidade. Diante da importância do cultivo da palma, as 
publicações sobre doenças são muito limitadas, caracterizando-se pela descrição de problemas 
fitossanitários resultantes de levantamentos ou assinalamento de doenças na cultura.
As doenças da palma têm sido pouco estudadas no Brasil e quase todos os trabalhos descre-
vem o assinalamento, sintomatologia e patogenicidade dos agentes causadores. Dentre as 
doenças descritas no Nordeste, no Ceará, destacam-se as podridões de artículos primários e se-
cundários causadas pelos fungos Lasiodiplodia theobromae(podridão negra), Scytalidium lignico-
la (podridão seca escamosa), Dothiorella ribis (gomose, podridões de raízes e raquetes da base 
devido a bactéria) e Pectobacterium carotovorum subespécie Carotovorum (podridão mole).
Recomenda-se a solução chamada Querobão em substituição de 
produtos químicos – receita: 200 g de sabão em barra, 200 g de 
fumo de corda e 2 colheres de querosene para 20 litros de água. 
Deve-se dissolver o sabão em água quente, agitando-se constan-
temente, deixar o fumo picado dentro d’água por 24 horas para 
formar uma calda que será misturada ao preparo anterior, por 
fim, despejar levemente o querosene.
patogenicidade
Capacidade do agente causador de gerar determinada doença no 
hospedeiro.
68
Podridão negra
É causada pelo fungo Lasiodiplodia theobromae, sendo a doença de maior ocorrência em cul-
tivos da palma gigante. Foi relatada em 1961 por A. P. Viegas e, posteriormente, descrita em 
1963 em Caruaru (PE), causando severos danos em raquetes-sementes. A raquete infectada 
pela doença ainda pode ser fornecida aos animais.
Diagnóstico
Geralmente a podridão ocorre a partir do 
local de inserção das raquetes primárias, 
secundárias ou terciárias, sendo no início de 
cor marrom e, em seguida, torna-se escura 
devido à produção de estruturas do fungo. É 
consistente, com abundante exsudação de 
goma de coloração amarelo leitosa, tornan-
do-se, posteriormente, enegrecida.
As infecções em raquetes primárias ou secun-
dárias promovem o tombamento de partes 
da planta, causando prejuízos na produção.
Controle
Não existe um controle específico eficaz para a podridão negra. Algumas dicas para controlar são:
 ● Na época de plantio, deve-se utilizar raquetes-sementes sadias, bem vigorosas para evi-
tar a introdução da doença nas áreas de produção.
 ● Remoção e destruição das raquetes infectadas no campo; essas raquetes podem ser utili-
zadas na alimentação animal, mas não podem ser utilizadas para o plantio. Recomenda-se 
que sejam queimadas, para evitar a disseminação.
 ● Pulverização com fungicidas, em intervalos de 15 a 20 dias, no período mais favorável à 
doença.
No Brasil, não existe produto fungicida registrado para a cultura da palma forrageira. Também 
recomenda-se consultar um engenheiro agrônomo e o órgão de defesa de seu estado.
Podridão seca escamosa
É uma doença causada pelo fungo Scytalidium lignicola Pes., é a mais frequente nas plantações 
de palma forrageira. Os danos causados nos cladódios equivalem a uma estimativa que varia-
ram de ¼ a ¾ da área das raquetes afetadas.
Diagnóstico
Geralmente a podridão ocorre a partir do local de inserção das raquetes primárias, secundárias 
ou terciárias, sendo no início de cor marrom e, em seguida, torna-se escura devido à produção 
de estruturas do fungo.
Foto: Márcio José Peixoto.
69
A “escama” formada é consistente, com 
abundante exsudação de goma de coloração 
amarelo leitosa. As infecções em raquetes 
primárias ou secundárias promovem o 
tombamento de partes da planta, causando 
prejuízos na produção. A doença pode ser 
observada, tanto nas partes laterais e cen-
trais quanto nas conexões entre os artículos. 
Há o desenvolvimento de sintomas constituí-
dos por manchas onduladas sobre área com 
podridão seca, com semelhança de escamas, 
causado pelo fungo.
Em alguns casos a raquete da palma forrageira fica totalmente infestada com uma escama 
bem densa, com isso impede o desenvolvimento das raquetes superiores.
Controle
Assim como a podridão negra, não existe um controle específico eficaz contra a podridão seca 
escamosa. As recomendações para o controle da doença são:
 ● Na época de plantio, utilizar raquetes-sementes sadias, bem vigorosas, para evitar a 
introdução da doença nas áreas de produção.
 ● Remoção e destruição das raquetes infectadas no campo; essas raquetes podem ser utili-
zadas na alimentação animal, mas não podem ser utilizadas para o plantio. Recomenda-se 
que sejam queimadas para evitar a disseminação.
Gomose
É causada pelo fungo Dothiorella ribis (Fuck.) Sacc. A sobrevivência do fungo ocorre em raque-
tes infectadas e restos de cultura. A doença ocorre nos principais países produtores de palma 
forrageira, como México, Brasil e Itália. No Nordeste do Brasil, tem sido observado com frequ-
ência nas áreas implantadas, causando prejuízos na produção.
Diagnóstico
Nas raquetes, presença de algumas ou várias 
manchas circulares em forma de cancros, com 
superfícies rachadas, devido à esporulação 
do fungo. Exsudação abundante de goma em 
torno das lesões mais jovens. A camada 
externa da lesão é de cor marrom-cinza e 
coriácea. Induz lesões na forma de cancros 
ressecando as raquetes e provocando o 
declínio da planta.
Foto: Márcio José Peixoto.
Foto: Márcio José Peixoto.
70
Controle
Também não existe um controle específico eficaz contra a gomose. As recomendações para con-
trole são:
 ● Quando identificar a planta com o sintoma, faça a remoção imediata e realize a queima, 
além disso, não jogue próximo do campo implantado, evitando a disseminação.
 ● Pulverização com fungicidas, em intervalo de 15 a 17 dias; essas raquetes podem ser uti-
lizadas na alimentação animal, mas não podem ser utilizadas para o plantio.
 ● Na época de plantio, utilizar raquetes-sementes sadias, bem vigorosas, para evitar a 
introdução da doença nas áreas de produção.
Podridão mole
É causada pela bactéria Pectobacterium carotovorum subespécie Carotovorum, tem sido relata-
da em vários países produtores de palma forrageira, causando prejuízos acentuados no México 
e na Itália. No Nordeste do Brasil, foi descrita em 1963, causando podridão mole em raquetes-
-sementes dos gêneros Opuntia e Nopallea. A disseminação da bactéria ocorre pelos respingos 
de chuva, água de irrigação e drenagem superficial, insetos e mudas infectadas.Diagnóstico
A bactéria penetra nas raquetes através de 
ferimentos e aberturas naturais, causando 
podridão mole de coloração preta que dete-
riora rapidamente os tecidos, principalmente 
em condições de elevada umidade, em 
seguida a planta tomba. Apresenta odor 
característico de tecido em fermentação, 
bastante característico da P. carotovorum.
A maior severidade da doença está sempre associada a ferimentos nas raquetes, principalmen-
te quando está realizando capinas e/ou roços e excesso de umidade de elevado teor de maté-
ria orgânica no solo.
Controle
Para a podridão mole também não existe controle eficaz específico. As orientações gerais para 
o controle são:
 ● Quando identificar a planta com o sintoma, fazer a remoção imediata da planta e realizar a 
queima; não a jogar próximo do campo implantado e pulverizá-la com bactericidas cúpricos.
Foto: Márcio José Peixoto.
cúpricos
Os cúpricos são constituídos pelos chamados “cobres fixos”, que po-
dem ser oxicloreto, hidróxido ou óxido. Esses compostos são insolú-
veis ou de baixa solubilidade e não penetram na planta, formando uma 
camada protetora na superfície, depositada sobre o tecido vegetal.
71
 ● Recomenda-se abrir bem a cova onde estava a planta infectada e colocar cal virgem 
dentro dela e deixar por 30 dias sem manuseio, com isso haverá controle das bactérias 
presentes.
 ● Na época de plantio, utilizar raquetes-sementes sadias, bem vigorosas, para evitar a 
introdução da doença nas áreas de produção.
Conclusão do módulo
Chegamos ao final do Módulo 6 – Pragas e doenças da palma forrageira. Neste módulo foi pos-
sível identificar as principais pragas e doenças que acometem a plantação de palma forrageira, 
além de técnicas para diagnosticá-las e os métodos de controle para cada uma delas. Esse é 
um conteúdo que contribui bastante para manter a saúde da produção da palma forrageira e 
ter uma plantação bem-sucedida.
Em seguida, você vai estudar o Módulo 7, último módulo do curso, e aprenderá sobre a impor-
tância e a utilização da palma forrageira na alimentação animal. Porém, antes de seguir com 
os estudos, vamos exercitar os conhecimentos adquiridos? Realize a atividade e reflita sobre o 
conteúdo estudado neste módulo.
No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas 
que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá?
Na cultura da palma forrageira diversas doenças provocam prejuízo econômico. Indique 
qual das seguintes doenças é provocada por bactéria.
a) Presença nas raquetes de algumas ou várias manchas circulares em forma de cancros 
com superfícies rachadas, devido à esporulação do agente causador.
b) A podridão negra ocorre a partir do local de inserção das raquetes primárias, secundá-
rias ou terciárias, sendo no início de cor marrom e, em seguida, torna-se escura devido 
à produção de estruturas do fungo.
c) A cochonilha de escama é facilmente reconhecida pelo aspecto peculiar do aglomera-
do de escamas do inseto, com coloração marrom-clara, mascarando o verde típico da 
cactácea.
d) A podridão mole de coloração preta deteriora rapidamente os tecidos da raquete, prin-
cipalmente em condições de elevada umidade, e, em seguida, a planta tomba, apresen-
tando odor característico de tecido em fermentação.
Siga com o estudo na apostila e veja o Módulo 7!
Importância e utilização 
da palma forrageira para 
alimentação animal
07
73
Importância e utilização da palma forrageira
A grande limitação da pecuária no Semiárido brasileiro é a falta de forragem na época seca. 
Os pastos plantados são mais produtivos que os nativos, mas têm o mesmo problema de sazo-
nalidade da produção, às vezes até de forma mais grave que os nativos pela menor diversidade 
de espécies.
Como suprimento para a época seca, são plantados capins diversos, nas várzeas e locais mais 
úmidos, por vezes até com irrigação, e são feitos plantios de palma, geralmente em encostas 
com solos férteis e em topos do cristalino, para uso como reserva forrageira.
A palma forrageira adiciona diversidade à produção de forragem, contribuindo para maior 
sustentabilidade da pecuária. 
Na sequência saiba mais sobre a utilização da palma forrageira para alimentação animal.
Você sabia que a palma é um alimento de grande importância para os rebanhos? 
Especialmente em períodos de estiagens prolongadas, pois, além de fornecer um 
alimento verde, supre grande parte das necessidades de água dos animais na época 
de escassez.
74
Existe uma variedade de alimentos que podem ser utilizados na alimentação de 
ruminantes.
Entretanto, o valor nutricional e a qualidade dos alimentos são determinados por 
complexa interação entre os nutrientes ingeridos e a ação dos micro-organismos 
do trato digestivo, nos processos de digestão, absorção, transporte e utilização de 
metabólitos, além da própria condição fisiológica do animal.
A palma não pode ser fornecida aos animais exclusivamente, pois apresenta limita-
ções quanto ao valor proteico e de fibra, não conseguindo atender às necessidades 
nutricionais do rebanho.
Então, é necessário o uso de alimentos volumosos e fontes proteicas.
Um fator importante da palma é que, diferentemente de outras forragens, apre-
senta uma alta taxa de digestão ruminal, sendo que a matéria seca é degradada 
extensa e rapidamente, favorecendo maior taxa de passagem e, como consequên-
cia, consumo semelhante ao dos concentrados.
A palma frequentemente representa a maior parte do alimento fornecido aos ani-
mais durante o período de estiagem nas regiões do Semiárido nordestino, o que se 
justifica porque é rica em água, mucilagem e resíduo mineral; apresenta alto coefi-
ciente de digestibilidade da matéria seca; e tem alta produtividade.
Qualidade nutricional da palma forrageira
A palma forrageira, em regiões do Semiárido, é a base da alimentação dos ruminantes, pois é 
uma cultura adaptada às condições edafoclimáticas, além de apresentar altas produções de 
matéria seca por unidades de área.
A palma é uma excelente fonte de energia, rica em carboidratos não fibrosos (61,79%) e nu-
trientes digestíveis totais (62%), além de mucilagem (composto de açúcares). Porém, a palma 
apresenta baixos teores de fibra em detergente neutro, em torno de 26%, necessitando sua 
associação a uma fonte de fibra que apresente alta efetividade. Outras pesquisas encontraram 
valores de 5,02% para proteína bruta, 10,21% para material mineral e 55,63% para carboidra-
tos não fibrosos, apresentando digestibilidade in vitro da matéria seca de 75%.
Veja no infográfico outros componentes nutricionais da palma forrageira.
75
Fibra bruta
8% - 13%
Cálcio
2% - 3%
Fósforo
0,08% - 0,12%
Proteína
3% - 6%
Digestibilidade 
de matéria seca
65% - 75%
Água
85% - 90%
Palma 
forrageira
A palma forrageira apresenta baixo conteúdo de matéria seca, quando comparada à maioria 
das forrageiras. Esse aspecto compromete o atendimento das necessidades de matéria seca 
dos animais que recebem exclusivamente palma e, provavelmente, a elevada umidade limita o 
consumo pelo controle físico por meio do enchimento do rúmen. Portanto, a elevada umidade 
observada na palma forrageira, independentemente da cultivada, é uma característica impor-
tante, tratando-se de região do Semiárido, pois atende grande parte da necessidade de água 
dos animais, principalmente no período seco do ano. 
Deve-se equilibrar a dieta baseada em palma forrageira com um material fibroso e um 
alimento proteico.
Atenção!
76
O alto teor de umidade da palma forrageira provoca, geralmente, uma redução na ingestão de 
água, por suprir parte da necessidade total de líquido dos animais, o que é de suma importân-
cia para a região onde essa forrageira é explorada. Ocorre uma redução no consumo de água 
via bebida e um aumento de consumo de água via dieta com o incremento de palma forrageira 
na dieta de bovinos, ovinos e caprinos.
Normalmente dietas compostas com palma 
apresentam elevado teor de matéria 
mineral devido à alta concentraçãode 
macroelementos minerais que ela contém. 
A palma é um alimento que possui uma 
digestibilidade superior à da silagem de 
milho, porém contém um baixo teor de 
fibra. Mesmo considerado um alimento de 
alto valor energético, não deverá ser 
administrado isoladamente, necessitando 
complementação proteica e fibrosa.
Animais alimentados com quantidades elevadas de palma, comumente, apresentam distúrbios 
digestivos (diarreia), o que, provavelmente, está associado à baixa quantidade de fibra dessa 
forrageira. Daí a importância de complementá-la com volumosos ricos em fibra, a exemplo de 
silagens, fenos e capins secos.
Como fornecer
Apesar da necessidade de associação da palma forrageira com fontes de fibra efetiva, na 
prática a forma mais comum de fornecimento para bovinos leiteiros é picada no cocho, sem a 
mistura de qualquer outro alimento, e o concentrado, quando utilizado, é oferecido no mo-
mento da ordenha. 
No entanto, a melhor maneira de fornecimento deve ser na forma de mistura completa, em 
que as fontes de fibra (silagens, fenos etc.), concentrados e a palma serão oferecidos juntos, 
proporcionando consumo adequado de nutrientes, sem comprometer o desempenho e a com-
posição do leite.
A forma como a palma é processada e 
fornecida aos animais merece atenção, 
pois após passada em máquina forrageira 
apropriada, a palma expõe sua mucila-
gem, proporcionando uma aderência aos 
outros alimentos que compõem a dieta, 
consequentemente, facilitando o consu-
mo, reduzindo a seletividade, inclusive 
de alimentos pouco palatáveis como o 
bagaço de cana.
Máquina para triturar a palma
Foto: Márcio José Peixoto.
77
Com o fornecimento dos alimentos em separado, nem sempre é possível a obtenção de esti-
mativa da ingestão real deles, principalmente quando mais de um volume é consumido. Isso 
decorre da preferência por determinados alimentos, o que torna difícil o cálculo do consumo 
médio individual e a caracterização da dieta ingerida pelo animal.
O fornecimento da ração completa possibilita a alimentação de grande número de animais 
com dieta homogênea. De maneira oposta, em alguns sistemas de alimentação, como o con-
centrado, o alimento rico em carboidrato não fibroso é fornecido separadamente, em uma 
ou mais porções durante o dia, o que pode acarretar mudanças bruscas no ambiente ruminal 
ocasionando o aparecimento de distúrbios digestivos, especialmente a acidose e laminite.
Alimentação animal
A palma é um alimento de excelente palatabili-
dade e a quantidade consumida por um bovino é 
bastante elevada. Um novilho chega a ingerir 40 
kg/dia de palma in natura e uma vaca leiteira adul-
ta consome até 45 kg/dia. Uma dieta bem balan-
ceada sustenta a produção de leite e o produtor 
pode reduzir outro componente da ração, nesse 
caso o milho que aumenta o custo de produção.
A palma pode ser fornecida picada ou 
mesmo inteira no cocho aos animais, vai 
depender do tamanho das raquetes e da 
espécie animal que está sendo alimentada.
Palma triturada
Foto: Márcio José Peixoto.
Alimentos pobres em fibra, como é o caso da palma forrageira, quando fornecidos em 
separado e em grandes quantidades podem causar uma série de distúrbios ruminais.
Importante!
Foto: Márcio José Peixoto.
78
Conclusão do módulo
Parabéns! Você concluiu todos os módulos do curso! Neste último módulo, você pôde conhe-
cer as características nutricionais da palma forrageira e como ela deve ser utilizada na alimen-
tação animal, chegando ao fim de um caminho de conhecimentos acerca dessa planta, desde 
sua origem, plantação, manejo e cuidados.
Atualmente a palma está sendo fornecida 
a vacas de raças especializadas, nesse caso 
a Jersey e as vacas mestiças de Holandesa 
com Gir leiteiro. Os bovinos, caprinos, ovi-
nos e aves caipira têm maior aceitabilida-
de da palma quando comparada a outros 
alimentos.
Já em aves caipiras de postura pode entrar 
em até 28% da dieta total, lembrando que 
para essas aves o único acesso do verde é 
a palma.
Nas espécies caprina e ovina, pesquisas 
avaliaram o comportamento ingestivo 
com dietas que continham palma gigante 
e orelha de elefante em sua formulação, 
obtendo-se comportamentos ingestivos 
semelhantes entre as espécies.
O fornecimento de palma forrageira a 
caprinos reduz o consumo de água, me-
lhora a qualidade reprodutiva dos animais, 
sustenta a produção de leite e na engorda 
ocorre ganho de peso.
Foto: Márcio José Peixoto.
Foto: Márcio José Peixoto.
Foto: Márcio José Peixoto.
79
A seguir, você chegará ao encerramento do curso! Porém, antes de concluir sua jornada pelos 
conhecimentos sobre a palma forrageira, vamos refletir uma última vez sobre o conteúdo es-
tudado neste módulo? Realize a atividade e, depois, siga para o encerramento.
No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas 
que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá?
A palma forrageira é uma excelente fonte de alimento para o rebanho. Indique a alter-
nativa correta com relação a dieta para uma vaca em lactação.
a) A palma forrageira é rica em água, por isso não provoca diarreia nos animais.
b) Na dieta de uma vaca em lactação com palma forrageira tem que constar um material 
fibroso associado para evitar diarreia do animal.
c) A palma pode ser fornecida sem um material fibroso.
d) A palma forrageira é rica em proteína e, por isso, não precisa de complemento.
Siga com a leitura da apostila e veja o encerramento do curso!
Encerramento
do curso
08
81
A palma forrageira se consolidou no Semiárido nordestino como forrageira estratégica funda-
mental nos diversos sistemas de produção pecuário e também como uma planta de enorme 
potencial produtivo e de múltiplas utilidades, podendo ser usada na alimentação de bovinos, 
ovinos, caprinos, aves caipiras, assim como na conservação e recuperação de solos, além de 
uma infinidade de usos.
A tecnologia de fracionamento de raquetes para a produção de mudas da palma forrageira, as-
sociada a irrigação, tem permitido a expansão das áreas dessa cactácea em regiões dos sertões 
de baixa altitude, onde ela nunca prosperou anteriormente.
A palma frequentemente representa a maior parte do alimento fornecido aos animais durante 
o período de estiagem nas regiões do Semiárido nordestino, o que é justificado pelas seguin-
tes qualidades: 
 ● rica em água, mucilagem e resíduo mineral; 
 ● apresentam alto coeficiente de digestibilidade da matéria seca; 
 ● tem alta produtividade.
No curso Implantação e utilização da palma forrageira na alimentação animal, foi possível:
 ● conhecer as características da palma forra-
geira;
 ● aprender a escolher e preparar o solo para 
recebê-la;
 ● dominar a seleção e o manejo da planta.
82
Você também compreendeu aspectos relacionados ao plantio e ao manejo da palma forrageira 
em sequeiro e irrigação. No final do curso, foram abordadas as pragas e doenças que acome-
tem a planta e como utilizá-la na alimentação animal.
Veja, a seguir, os gabaritos e as referências bibliográficas usadas para elaborar todo o conteú-
do do curso.
Esperamos que os conhecimentos adquiridos no curso sejam 
colocados em prática para que você alcance os melhores 
resultados no trabalho com a palma forrageira.
Módulo 1
Alternativa correta: letra B
Comentário: A cultivar gigante é suscetível à cochonilha-do-carmim, praga 
de difícil controle, pois o inseto é móvel e rapidamente se dissemina, des-
truindo todo o palmal.
Módulo 2
Alternativa correta: letra A
Comentário: A palma não suporta solos que tenham facilidade de alaga-
mento, ocasionando o apodrecimento das raquetes.
Módulo 3
Alternativa correta: letra C
Comentário: A planta matriz deve ser sadia, livre de pragas e doenças, e 
apresentar bom desenvolvimento.
Módulo 4
Alternativa correta: letra D
Comentário: O plantio realizado na posição vertical ou inclinada tem maior 
contato da raquete com o solo e com isso favorece o enraizamento.
Módulo 5
Alternativa correta: letra B
Comentário: A colheitana junção da primária com a secundária aumenta a 
brotação e a vida útil do palmal.
Módulo 6
Alternativa correta: letra D
Comentário: A podridão mole é uma doença bacteriana que provoca a 
deterioração dos tecidos das raquetes, tem odor característico de fermen-
tação e a planta tomba.
Módulo 7
Alternativa correta: letra B
Comentário: A palma forrageira tem muita água em sua composição e a 
ingestão de um material fibroso impede que ocorra diarreia.
83
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