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IMPLANTAÇÃO E UTILIZAÇÃO DA PALMA FORRAGEIRA 2022– SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL - ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO CEARÁ - SENAR AR/CE 1ª. Edição – 2022 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610). Fotos Shutterstock Getty Images iStock Márcio Peixoto Informações e contato SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL - ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO CEARÁ - SENAR-AR/CE Avenida Eduardo Girão, no 317 - 1o andar, bairro Jardim América, Fortaleza/CE CEP : 60.410-442 Telefone: (85) 3535-8000 Site: http://faec.org.br/sistema/ Presidente do Conselho Administrativo do Senar José Amilcar de Araújo Silveira Superintendente do SENAR-AR/CE Sérgio Oliveira da Silva Coordenador da Formação Profissional Rural e Promoção Social – FPR/PS Henrique Matias de Paula Neto Equipe técnica Senar Diretora Técnica Ana Kelly Claudio Gonçalves Coordenação de Assistência Técnica e Gerencial – AteG Roberta Sá Gondim Coordenação de Educação Formal – Vago Coordenação Técnica Especial Lauro Torres de Melo Carolina Barroso Machado Eduardo Barroso de Melo Edvaldo Santos Brito Thais Maria da Silva Costa http://faec.org.br/sistema/ Sumário Introdução Módulo 1 – Cultivares da palma forrageira e sua importância Módulo 2 – Escolha, preparo e adubação do solo para o plantio da palma forrageira Módulo 3 – Multiplicação, seleção e manejo na colheita das raquetes da palma forrageira Módulo 4 – Plantio e espaçamento da palma forrageira Módulo 5 – Manejo na produção de palma forrageira de sequeiro e irrigado Módulo 6 – Pragas e doenças da palma forrageira Módulo 7 – Importância e utilização da palma forrageira para alimentação animal Encerramento do curso 04 08 21 33 40 48 61 72 80 Introdução 00 5 Foto: Márcio José Peixoto No curso Implantação e Utilização da Palma Forrageira você vai aprender como cultivar e uti- lizar a palma forrageira para a alimentação do seu rebanho. Mas antes, uma curiosidade: você sabia que a palma forrageira é originária do México e que ninguém sabe muito bem como ela chegou ao Brasil? Pois é, o que se sabe é que antes de 1900, dois grandes empresários da indústria têxtil, Del- miro Gouveia e Herman Lundgren, importaram do México a palma para o Nordeste brasileiro, mas não com a intenção de alimentar o gado, mas sim para tingir os tecidos que eles fabrica- vam em suas indústrias. Isso porque a palma hospeda naturalmente um inseto conhecido como cochonilha e sua fêmea, ao se alimentar da seiva da planta, produz um ácido chamado carmínico que é a substância química de um corante vermelho de alta qualidade, denominado carmim. 6 E como foi que descobriram que essa palma, que a princípio servia apenas para criar cochoni- lhas para tingir tecidos, poderia ser utilizada na alimentação animal? Foi tudo por acaso: um dia, uma vaca comeu a palma e isso despertou o interesse dos criado- res, que passaram a cultivá-la como planta forrageira, permanecendo até hoje com a finalidade de alimentação dos rebanhos, principalmente no período de estiagem. Foto: Márcio José Peixoto Siga com a leitura e entenda mais sobre o processo de fotossíntese da palma forrageira. Vamos começar com a seguinte reflexão: você sabe como e por que a palma forra- geira se adaptou muito bem à região do Semiárido do Nordeste? Essa palma, que pertence à família das cactáceas, tem o metabolismo ácido das crassuláceas, isto é, ela é uma planta CAM. Isso indica que suas células fotossintetizantes possuem a capacidade de fixar gás carbônico no escuro para a realização da fotossíntese. Os estômatos (estruturas que fazem a troca gasosa) dessa planta permanecem fechados durante o dia e ficam abertos durante a noite. 7 Isso indica que a palma forrageira pode retardar a perda de água, o que é vantajoso nas condições de alta intensidade de luz e de falta de água, ambientes em que vive a maioria das plantas CAM. Esse sistema de fotossíntese tem uma característica prática interessante, que é a existência de uma variação na sua acidez ao longo do dia e da noite. Em condições normais de fixação de gás carbônico, no início da madrugada, as ra- quetes estão carregadas de ácidos málicos. Ao longo do dia, a acidez vai diminuindo por causa da absorção da luz, ocorrendo a descarboxilação, que é a quebra da cadeia do ácido, se transformando em energia para o desenvolvimento da planta, chegando ao seu mínimo no final da tarde. Assim, o momento para a colheita da palma pode ser escolhido de acordo com a maior ou menor acidez da forragem. A variação da acidez também pode ser usada para verificar a intensidade do proces- so de fotossíntese, medindo-se o pH interno da palma. Existem atualmente na família cactácea mais de 178 gêneros, com cerca de 2 mil espécies conhecidas. No Brasil, as plantas dos gêneros Opuntia e Nopallea são as mais conhecidas e de extrema importância alimentar e econômica nas zonas áridas e semiáridas. Você vai conhecer mais sobre elas e outras espécies seguindo seus estudos. Avance para o primeiro módulo do curso para aprender mais sobre as cultivares da palma for- rageira e sua importância! Cultivares da palma forrageira e sua importância 01 9 Foto: Márcio José Peixoto Características das cultivares da palma forrageira Você já conheceu uma característica muito importante da palma forrageira, que ajuda em sua adaptação à região do Semiárido. Agora vamos conhecer outras características dessa planta que são fundamentais para o seu desenvolvimento ideal. A palma forrageira se caracteri- za geralmente pela presença de aréolas com pelos e espinhos. Caule suculento com casca verde e falta de folhas copadas. As gemas axilares são represen- tadas como aréolas ovadas, com 2 mm abaixo da superfície da pele e, sob condições adequadas, aparece- rão novos cladódios, flores e raízes a partir do tecido meristemático dessas aréolas. Os órgãos tipo caule, conhecidos como cladódios, costumam ser oblongos, ou seja, seu formato arredondado ou esférico é mais comprido do que largo, com 30 a 40 cm de comprimento, algumas vezes maiores, de 70 a 80 cm, e com 18 a 25 cm de largura. 10 E por que devemos considerá-las para a alimentação animal? Mas agora, vamos aprender mais detalhes sobre cada gênero, para que você identifique qual delas é mais conveniente produzir, de acordo com a sua região e necessidade. Cultivares da palma forrageira Para a escolha do cultivo da palma forrageira, é importante conhecer as características fisioló- gicas e nutricionais de cada cultivar, para evitar frustração no desenvolvimento do palmal. As cultivares trabalhadas no estado do Ceará são: gigante, orelha-de-elefante-mexicana, mi- úda, ipa-sertânia e orelha-de-elefante-africana. Apesar de ser pobre em proteína bruta, pois contém em média 90% de água, a palma forrageira é rica em mucilagem e em resíduo mineral, além de apresentar elevado coe- ficiente de digestibilidade da matéria seca. Todos esses fatores aumentam a absorção dos nutrientes e é por isso que ela deve ser considerada na alimentação dos rebanhos. Atenção! Foto: Márcio José Peixoto Para o desenvolvimento ideal da palma forrageira, é preciso observar os aspectos de temperatura, umidade relativa do ar e solo, além do espaçamento e tratos culturais que são essenciais para uma produção expressiva. Importante! 11 Esses dados você verá a seguir, no próximo subtópico. Desenvolvimento das cultivares Conheça, a seguir, as características dos gêneros de palma forrageira mais cultivados no esta- do do Ceará. Gigante Foto: Márcio José Peixoto A palma-gigante chega a produzir, no primeiro ano de cultivo, uma média de 15 cladódios/plan- ta aptos para utilização no plantio ou alimentação animal. A planta chega a atingir 2 metros de altura se o corte das raquetes for feito quando ela tiver por volta de 4 anos de idade, portanto é recomendado o corte em até 2 anos. Nome do gêneroOpuntia ficus-indica (L.) Mill. Características Pesa cerca de 1,0 a 1,5 kg, apresentando até 50 cm de comprimento. Raquete Forma oval-elíptica ou subovalada. Coloração Verde-fosco Flores Amarelas 12 É uma cultivar tolerante à seca, que apresenta alta produção e está adaptada ao semiárido. Não tolera solos com facilidade de encharcamento e não é resistente à cochonilha-do-car- mim, uma praga que já dizimou vários hectares de palma forrageira na Paraíba e Pernambuco. Pode ser fornecida na base alimentar dos bovinos, ovinos, caprinos, aves caipiras e suínos, no entanto, é um gênero cujo cultivo não se recomenda mais, devido à cochonilha-do-carmim. Orelha-de-elefante-mexicana – Palmepa PB3 A palma-gigante já foi utilizada para hospedar a cochonilha-do-carmim, mas depois da introdução de outros materiais para o tingimento têxtil, a cochonilha foi abandonada nos palmais e se tornou uma das maiores pragas para a palma forrageira – até hoje não existe produto eficaz para o seu controle. A recomendação é substituir por cultivares resistentes à cochonilha-do-carmim, pois essa praga já foi encontrada na região do Cariri cearense. Atenção! Foto: Márcio José Peixoto 13 Foto: Márcio José PeixotoNome do gênero Opuntia spp. Características Planta de porte médio ou grande (de 45 x 30 cm; 35 x 25 cm; 25 x 20 cm), sem uniformidade. Raquete Cladódios ovoides e pilosos (com bastante pelos, os quais são chama- dos de gloquídios), bordos ondulados (recortados) e distribuídos na planta desordenadamente, no sentido do solo. Coloração Verde-cinza Flores Amarelas A orelha-de-elefante-mexicana cresce para as laterais, por isso, no ato do plantio, devemos escolher um espaçamento suficiente para que ela possa crescer dentro do palmal. No primeiro ano, esse gênero chega a produzir uma média de 20 cladódios/planta aptos para o plantio ou alimentação animal, variando cada um deles entre 0,8 e 1,5 kg. Ela é tolerante à seca, apresenta alta produção, está adaptada ao semiárido e não tolera solos com facilidade de encharcamento. Diferente do gênero anterior, a orelha-de-elefante-mexicana é resistente à cochonilha-do-carmim, mas é suscetível à cochonilha-de-escama, praga que não é hospedeira da palma forrageira, mas sim uma oportunista. Pode ser fornecida na base alimentar dos bovinos, ovinos, caprinos, aves caipiras e suínos, sem causar nenhum problema no trato digestivo dos animais. O plantio pode ser sequeiro ou irrigado, dependendo da escolha do produtor. Essa é a cultivar mais recomendada para a implantação no Ceará, graças à sua adapta- ção ao clima e grande produção. Ao colher as raquetes, use luvas, pois os gloquídios (os pelos) podem penetrar na mão e machucar. Importante! Foto: Márcio José Peixoto 14 Miúda – Palmepa PB4 Foto: Márcio José Peixoto Para esta espécie, recomenda-se não deixar passar três anos para realizar a colheita, pois ela tem facilidade de emitir flores, diminuindo assim a produção. No primeiro ano, chega a produ- zir uma média de 20 cladódios/planta aptos para o plantio ou alimentação animal. Nome do gênero Nopalea cochenillifera Salm-Dyck Características Planta de porte pequeno e caule muito ramificado. Raquete Sua raquete pesa entre 0,300 e 0,600 kg, apresenta tamanhos médios e pequenos (30 x 12 cm; 20 x 10 cm; 15 x 10cm), com forma acentua- damente obovada (ápice mais largo que a base). Coloração Verde intenso brilhante Flores Vermelhas, e sua corola permanece meio fechada durante o ciclo. Por ter raquetes menores, facilita o consumo pelo animal. Importante! 15 A cultivar miúda é menos tolerante à seca, exigindo maior umidade do solo, mas também não tolera solos com facilidade de encharcamento. Ela está adaptada ao semiárido e apresenta alta produção, mas devemos evitar solos com alta quantidade de matéria orgânica, pois ela tem faci- lidade para desenvolver a doença podridão mole. Também é resistente à cochonilha-do-carmim. Também pode ser fornecida na base alimentar dos bovinos, ovinos, caprinos, aves caipiras e su- ínos, sem causar nenhum problema no trato digestivo dos animais. O plantio pode ser sequeiro ou irrigado, a depender da escolha do produtor. Ipa-sertânia– Palmepa PB1 Foto: Márcio José Peixoto Assim como a orelha-de-elefante-mexicana, essa cultivar também é recomendada para a implantação no estado do Ceará, considerando a sua adaptação e produção. No en- tanto, observar as características do solo é de fundamental importância para o desen- volvimento do palmal. Atenção! 16 Nome do gênero Nopalea cochenillifera Salm-Dyck Características Planta de porte médio bem conformada. Raquete Os cladódios são elipsoides ou ovoides, lisos, glabros e distribuídos na planta na forma de taça. Apresentam tamanhos grandes e médios (50 x 30 cm; 30 x 20 cm; 20 x 10 cm) e são desuniformes. Coloração Verde-claro Flores Vermelhas e raríssimas. No primeiro ano, chega a produzir uma média de 12 cladódios/planta aptos para o plantio, variando cada um deles entre 0,8 e 1,6 kg; logo, trata-se de uma produção média. A cultivar ipa-sertânia é menos tolerante à seca, exigindo maior umidade do solo, mas também não tole- ra solos com facilidade de encharcamento. Devemos também evitar solos com alta quantidade de matéria orgânica, pois a cultivar tem facilidade de desenvolver a doença da podridão mole. É resistente à cochonilha-do-carmim e está adaptada ao semiárido. Essa cultivar também é conhecida como mão-de-moça, pois não desenvolve espinhos nem gloquídios e suas raquetes são bem lisas. Importante! Essa cultivar também é recomendada para a implantação no estado do Ceará, consi- derando a sua adaptação e produção, embora seu desenvolvimento de brotação seja menor em relação à miúda e à orelha-de-elefante-mexicana. Atenção! 17 Também pode ser fornecida na base alimentar dos bovinos, ovinos, caprinos, aves caipiras e su- ínos, sem causar nenhum problema no trato digestivo dos animais. O plantio pode ser sequeiro ou irrigado, a depender da escolha do produtor. Orelha-de-elefante-africana – Palmepa PB2 Foto: Márcio José Peixoto No primeiro ano, chega a produzir uma média de 12 cladódios/planta aptos para o plantio ou para a alimentação animal, variando cada um deles entre 0,8 e 2 kg. Apresenta uma brotação lenta e raquetes grandes. O corte em sequeiro ocorre com mais de 4 anos de implantação. É um gênero resistente à cochonilha-do-carmim. Nome do gênero Opuntia tuna (L.) Mill Características Planta de porte médio mal conformada Raquete Os cladódios são ovoides, espinhosos nos bordos e distribuídos na planta desordenadamente, no sentido do solo. Apresentam tama- nhos grandes e médios (45 x 35 cm; 40 x 25 cm; 25 x 15 cm) e são desuniformes. Coloração Verde-claro e brilhante Flores Amarelas e raríssimas 18 Diversas universidades e institutos do Nordeste estão realizando pesquisas para au- mentar a produção desse gênero, uma vez que é uma cultivar pouco explorada, devido a facilidade de ter espinhos e apresentar crescimento lento. Importante! A cultivar orelha-de-elefante-africana é tolerante à seca e apresenta uma produção média em comparação às outras cultivares. Está adaptada ao semiárido, não tolera solos com facilidade de encharcamento e é resistente à cochonilha-do-carmim. Assim como os demais gêneros estudados, pode ser fornecida na base alimentar dos bovinos, ovinos, caprinos, aves caipiras e suínos, sem causar nenhum problema no trato digestivo dos animais. O plantio pode ser sequeiro ou irrigado, de- pendendo da escolha do produtor. Composição bromatológica das cultivares A composição químico-bromatológica da palma forrageira tem diferenças entre as cultivares e também varia conforme o estádio vegetativo da planta, dos artículos e da época de colheita do ano. Foto: Márcio José Peixoto artículos Cladódio, raquete. Os artículos mais jovens apresentam menor quantidade percentual de matéria seca. Essa quantidade de teor de matéria seca aumenta com a idade dos artículos. Importante!19 A palma tem pouco valor de proteína e de fibras, por isso não pode ser fornecida aos animais como a única fonte de alimentação, pois não conseguiria atender às necessidades nutricionais do rebanho. Porém, como apresenta alta digestibilidade dos nutrientes na matéria seca, é rica em energia e contém até 90% de água, pode substituir o milho que é dado como ração para o rebanho, em parte ou até em sua totalidade, dependendo da produção do animal. Para saber como equilibrar a dieta animal, observe a tabela a seguir, que apresenta a composição químico-bromatológica das cultivares das palmas forrageiras que conhecemos anteriormente. Fonte: Albuquerque et al., 2009. Conclusão do módulo Você está chegando ao final do primeiro módulo. Antes de prosseguir com seus estudos, refli- ta: qual dos gêneros apresentados você acredita que se adequaria melhor às suas necessida- des? Por quê? No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá? Foto: Márcio José Peixoto Cultivar MS% PB FDN FDA MO Gigante 3,46 8,64 28,56 23,73 76,31 Orelha-de-elefante-mexicana 5,61 9,42 49,22 17,93 77,56 Miúda 4,41 9,54 29,49 18,93 74,05 Ipa-sertânia 4,14 11,60 28,36 17,62 68,47 Orelha-de-elefante-africana 6,96 9,91 42,52 21,21 79,79 20 A cochonilha-do-carmim é uma praga que dizimou a palma forrageira nos estados da Paraíba e de Pernambuco. Por isso, é muito importante observar a resistência do gênero na hora de escolher as cultivares. Sabendo disso, indique a cultivar que não é resistente à cochonilha-do-carmim: a) Ipa-sertânia. b) Gigante. c) Miúda. d) Orelha-de-elefante-mexicana. De agora em diante, aqui na apostila, você irá estudar o segundo módulo do curso! Escolha, preparo e adubação do solo para o plantio da palma forrageira 02 22 Foto: Márcio José Peixoto Escolha e preparo do solo No primeiro módulo do curso, conhecemos algumas características da palma forrageira. Agora, neste segundo, vamos aprender sobre o solo para o plantio da palma forrageira. Como vimos, a palma forrageira apresenta diversos aspectos que fazem com que sua plan- tação seja bem-sucedida na região do Semiárido nordestino, mas quais serão essas caracte- rísticas? As condições edáficas do Semiárido são caracterizadas por solos rasos, pedregosos ou arenosos, com pouca matéria orgânica, porém ricos em minerais solúveis e pH neutro ou próximo de 7. edáficas Características do solo, especialmente físicas e químicas. pH O pH indica se uma substância é neutra, ácida ou básica. Se for igual a 7, a substância é neutra; se for menor, significa que é ácida; e se for maior que 7, é uma substância básica. 23 A palma forrageira é uma cultura relativamente exigente quanto às características físico-químicas do solo. Desde que sejam férteis, para a plantação da palma, podem ser indicadas áreas de textura arenosa à argilosa, sendo, porém mais frequentemente reco- mendados os solos argilo-arenosos. Deve-se evitar o plantio em áreas marginais, pois a palma não tolera terras duras e pedregosas, pobres em nutrientes e salinas. Importante! A raquete da palma forrageira se mantém a poucos centímetros de profundidade em relação à superfície do solo. Quando explorada em regime de cultivo, requer solos de textura leve, preferencialmente os argilo-arenosos ou areno-argilosos, para que alcance um bom desen- volvimento vegetativo e produtivo. Entretanto, desde que se faça a descompactação do solo por meio de mecanização, e se adicione matéria orgânica a ele, outros tipos de solo também podem ser usados. O uso dessa prática vai depender da existência de solos compactados. É uma etapa necessá- ria para o bom desenvolvimento do sistema radicular das raquetes da palma forrageira e da drenagem do solo. O ideal é fazer a aração profunda, ou subsolagem, cruzada, sendo a primei- ra no sentido do declive do terreno. Se necessário, deve-se fazer nova limpeza da área para a retirada de restos de raízes e pedras. Escolha do solo Vamos aprender mais sobre a escolha do solo, a adubação e o preparo para o plantio da palma forrageira? Solo arenoso Solo argiloso 24 Você sabia que, historicamente, a maioria dos produtores escolhia as áreas menos favoráveis da propriedade para cultivar a palma forrageira? Eles acreditavam que a palma não precisava de muitos cuidados por ser uma planta rústica. Mas essa teoria está mudando, e a palma está começando a ser tratada como cultu- ra nobre e de grande importância econômica para o Semiárido. Para que a palma se desenvolva de maneira saudável, é preciso escolher áreas da propriedade com solos de boa qualidade para o plantio. Assim, a cultura se desenvolverá de forma favorável, possibilitando crescimento rápido e maior produtividade. A palma se adapta com facilidade a vários tipos de solo, mas exige necessidades e cuidados que precisam ser considerados! Vamos conhecer alguns desses cuidados? Evite solos que encharquem ou alaguem facilmente, pois a palma não suporta alta umidade do solo, e suas raquetes podem morrer. Procure fazer o plantio em áreas planas ou com pouca declividade. Com isso, evitamos a perda da camada superficial do solo, que é a parte com mais nutrientes, por efeito do escoamento da água das chuvas. Se tivermos esses cuidados, o solo permanece com boa fertilidade por mais tempo. E se não existirem áreas planas? Nesse caso, recomendamos o plantio em curvas de níveis ou “cortando as águas”, pois, com isso, formamos barreiras de contenção. Elas aumentam a capacidade de infiltração do solo, aproveitando melhor a água da chuva e evitando que a camada da superfície seja carregada. Coleta do solo A análise química do solo é um passo indispensável para uma definição mais criteriosa de que e quanto usar para que se possa fornecer uma adubação equilibrada. A adubação equilibrada pode evitar as baixas produtividades e os gastos excessivos com adubos. 25 Antes do plantio, recomenda-se coletar amostra com- posta de solo na camada de 0 cm a 20 cm, tendo em vista que aproximadamente 75% das raízes da palma forrageira se encontram nessa profundidade. Para a coleta do solo, o produtor deve andar fazendo “zigue-zague”; em 1 hectare deve coletar 10 amostras de 1 kg, em seguida misturar todas e retirar apenas 1 kg de solo e encaminhar para o laboratório especializado. Lembrando que, se a área tem manchas de solos diferentes, o produtor deve coletar di- vidindo por mancha de solo. Nesse caso, será enviado para o laboratório amostras equiva- lentes a cada mancha de solo coletada. Na amostra, será identificado o nome do produtor, a mancha de solo, o tamanho da área e a cultura a ser plantada. Preparo da área Escolhido o terreno para o plantio, as operações antes de plantar incluem análises do solo e fertilização, sendo necessária a limpeza deste. Durante a limpeza da área, deve ser feita a retirada da vegetação espontânea, que será encoivarada fora do terreno e deixada para se de- compor naturalmente. Nunca faça queimadas dentro da área, pois o fogo degrada o solo física, química e biologicamente. Essa prática de preparo da área consiste em deixar o local limpo, para maior eficiência do plantio. encoivarada Encoivarar significa juntar os restos da vegetação. Coleta de 0 a 20 cm de profundidade 26 Dependendo da área, as atividades de preparo dizem respeito ao desmatamento ou roço, retirada de restos vegetais e de pedras da superfície. Essa etapa deve ser realizada com antecedência mínima de um a três meses antes do plantio das raquetes. Para ter um melhor desenvolvimento radicular e, consequentemente, um melhor desempenho das plantas, deve-se utilizar técnicas de preparo do solo mais eficientes e apropriadas. A adaptação da área quanto ao desmatamento é igual a que se faz para as demais culturas, ou seja, compreende apenas desmatamento, destocamento e remoção dos materiais. Como se trata de uma cultura permanente cuja áreadeve ser mecanizada, é recomendável evitar áreas com declividades superiores a 5%, com afloramento rochoso ou com excesso de pedras super- ficiais soltas. Uma vez desmatada e destocada, se a área for representada por solos compac- tados, deverá ser arada e gradeada conforme determinam as orientações técnicas, ou seja, o primeiro corte seguindo a declividade do terreno e o segundo, no sentido transversal a este. Características do solo No Nordeste brasileiro, em razão da grande rusticidade, facilidade de desenvolvimento e pro- pagação das mudas, a palma forrageira vem sendo cultivada em condições adversas, nas piores áreas das propriedades, sem o mínimo manejo e tratos culturais necessários a seu desenvolvi- mento. O resultado disso é a baixa produtividade nos plantios. Para a região de interesse do cultivo da palma forrageira, a ocorrência das classes de solos, relacionadas a seguir, serve como indicativo de seu uso e suas características: Argissolos vermelho-amarelos eutróficos (podzólicos vermelho-amarelos equivalentes eutróficos) Classe caracterizada por solos com horizonte B textural, a profundidade deve ser média a profundo, bem drenados, textura média nas camadas superficiais, passando a argilosa em profundidade, moderada susceptibilidade à erosão hídri- ca e fertilidade natural de média a alta. Argissolo Vermelho-Amarelo (SIBCS, 2018) Foto: HarãHayder, CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/ licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons Solo preparado para o plantio da palma forrageira. Foto: Márcio José Peixoto https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0 https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0 27 Prossiga com a leitura e saiba mais sobre os luvissolos crômicos vérticos. Luvissolos crômicos vérticos (brunos não cálcicos vérticos) Classe caracterizada por solos pouco profundos ou rasos, com horizonte B textural pouco es- pesso e com cores avermelhadas, bem a imperfeitamente drenados, com presença de fendas e slickensides na porção inferior do perfil (caráter vértico), existindo áreas onde esse caráter não se manifesta. É bastante frequente a presença de calhaus e matacões cobrindo a superfície do terreno. Ocorrem normalmente em relevo suavemente ondulado e plano. Do ponto de vista químico, são eutróficos e apresentam alta disponibilidade de nutrientes para as plantas. Não obstante, para a utilização agrícola de sequeiro, em virtude da excessiva deficiência hídri- ca regional, foram incluídos na classe 5n, ou seja, na de terras com aptidão regular para pasta- gens naturais. A utilização da prática de irrigação deverá ser bastante cautelosa, pois em muitos locais apre- sentam caráter solódico, ou seja, com 6% a 15% de saturação com sódio trocável nos horizon- tes subsuperficiais. Luvissolo Crômico (SIBCS, 2018) Foto: HarãHayder, CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/ licenses/by-sa/4.0>, via Wikime- dia Commons calhaus São pedaços de rocha dura, pedra solta, pedra rolada, muitas pessoas conhecem como seixo. matacões Chamado popularmente de rochedo, é uma grande massa de rocha saliente em encostas, constituída pelo afloramento de rocha nua. Matacões são grandes blocos arredondados, produzidos pelo proces- so de intemperismo químico. https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0 https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0 28 E agora conheça os neossolos regolíticos eutróficos. Neossolos regolíticos eutróficos (regossolos eutróficos) Classe constituída de solos normalmente arenosos, pouco desenvolvidos, não hidromórficos, com horizontes na sequência A e C, podendo ou não apresentar fragipan logo acima da rocha. São profundos a moderadamente profundos, porosos, moderada a excessivamente drenados. São pouco desenvolvidos, mas apresentam contato lítico em profundidade superior a 50 cm. Em consequência da textura grosseira predominante, esses solos possuem baixa capacidade de troca de cátions e, consequentemente, baixa capacidade de retenção e disponibilidade de água, características que se constituem nas suas principais limitações ao uso agrícola. As correções necessárias ao solo para o plantio da palma forrageira é o que você verá a seguir! Análise do solo, correção e adubação Análise do solo Caso seja constatada a necessidade de correção na análise de solo, faz-se necessária a utili- zação de calcário. A quantidade varia conforme recomendação técnica baseada na análise de solo, para uma melhor absorção dos nutrientes pelas raquetes a serem ofertados nas aduba- ções de plantio e cobertura. Após receber a análise, o produtor deve fazer a interpretação dos resultados, com relação ao pH do solo e dos nutrientes presentes, e então tomar a decisão para corrigir a necessidade para o desenvolvimento da palma. Para isso, é fundamental conhecer a qualidade do solo. Neossolo Regolítico Foto: Márcio José Peixoto 29 Correção do solo A correção e a adubação do solo devem ser baseadas no resultado da análise de solos da área a ser implantado o palmal. A análise de solo é uma ferramenta básica para recomendações de calagem. A aplicação da calagem tem sido reconhecida como uma das principais técnicas na agricultura para controlar a acidez dos solos, reduzir os níveis de Al+3 e atuar como fonte de Ca+2 e Mg+2 para as culturas agrícolas. calagem Calagem é a etapa do preparo do solo para cultivo da palma, na qual se aplica o calcário com os objetivos de elevar os teores de cálcio e magnésio, neutralizando o alumínio (elemento em alta quantidade é tóxico à palma), e corrigir o pH (potencial hidrogeniônico) do solo, que varia em escala de 0 (muito ácido) e 14 (muito alcalino), sendo 7 neutro. Para o plantio da palma, o pH variando de 5,5 a 7,5 demons- tra uma boa adaptação da cultura. Al+3 Alumínio. Ca+2 Cálcio. Mg+2 Magnésio. É importante ressaltar que a calagem deverá ser feita dois meses antes do plantio, para que o calcário tenha produzido a correção pretendida ou a disponibilização de Ca e Mg na quantidade esperada. Mesmo que não seja possível aplicar o calcário com a antece- dência recomendada, apurando-se a necessidade de calagem por meio da análise de solo, deve-se fazer a calagem a qualquer tempo, pois os efeitos benéficos serão alcan- çados no decorrer do desenvolvimento da cultura. Atenção! 30 Quando a dosagem de corretivo recomenda- da for superior a 2 t/ha, a calagem deve ser dividida em duas aplicações: ● a primeira antes da aração; e ● a segunda, após a primeira gradagem. Quando o solo apresentar pH acima de 5, a correção é complementar e o corretivo pode ser aplicado de uma só vez e incorporado. A faixa considerada ideal para o pH na maio- ria das plantas é entre 5,5 e 7 e, para a cultu- ra da palma forrageira, é comum encontrar uma faixa que varia entre 6,3 e 6,7. O produtor pode também realizar uma calagem na cova ou sulco de plantio. O calcário na cova de plantio tem efeito localizado e contribui de forma mais significativa para o crescimento ra- dicular em profundidade. É uma aplicação opcional e não deve ser entendida como substituta da calagem em área total. Sua utilização baseia-se em critérios agronômicos bem consolidados e não deve ser feita sem prévia análise de solo. Adubação de fundação Adubação orgânica na fundação. Foto: Márcio José Peixoto Foto: Tony Oliveira. Sistema CNA/Senar. 31 A adubação na fundação também é conhecida como adubação no plantio, e cor- responde à aplicação de adubos nos sulcos ou nas covas antes ou no momento do plantio da raquete semente. Assim, corrigimos os teores de nutrientes no solo para a exigência da cultura, pro- movendo melhores condições para o crescimento e a produção das plantas. Você sabe como fazer a adubação da palma? Uma dica é evitar que haja o contato direto entre as raquetes e o adubo químico ou orgânico, porque, assim, impedimos que haja perdas por queimaduras ou podridões. Sabemos que, naturalmente, a maioria dos solos do Semiárido possui deficiência em fósforo, que deve ser corrigida na fundação de acordo coma dose recomendada. Orientamos que você realize as adubações químicas, principalmente com nitrogê- nio e potássio no período chuvoso, devido à alta solubilidade e aos riscos de perdas de ambos. Caso você plante a palma forrageira antes das chuvas, a adubação orgânica pode ser feita de forma parcelada, sendo metade no plantio e metade no início do perío- do chuvoso, repetindo a mesma quantidade após cada colheita. A quantidade de adubo orgânico deve variar de 20 a 40 toneladas de esterco, de acordo com a disponibilidade desse material na propriedade e com o número de plantas por área, sendo que, nos plantios mais adensados, sugerimos a utilização de doses maiores. Por exemplo, esse esterco pode ser bovino, caprino ou ovino por ciclo. Alguns autores recomendam que a cada tonelada de matéria verde colhida deve- mos adicionar cem quilogramas de esterco bovino ao palmal. Alertam também sobre a importância da escolha do tipo de adubo orgânico a ser utilizado, uma vez que o esterco caprino tem em média 50% a mais de nitrogênio que o bovino. E se você usar o esterco de galinha, o incremento de nitrogênio é superior a 100%, comparado com o bovino. Adubação de cobertura A adubação de manutenção ou cobertura é aquela que busca repor os nutrientes retirados pela planta e exportados pela produção colhida. Em sistemas de sequeiro, é ideal que a aduba- ção orgânica de cobertura seja feita antes do período chuvoso, em faixa contínua em cada fi- leira, principalmente no primeiro ano, e entre as fileiras da cultura após o segundo ano, devido ao maior alcance das raízes. Para a adubação química, deve-se esperar o início das chuvas. Am- bas as adubações devem ser feitas a uma distância de aproximadamente 30 cm das plantas. 32 Em áreas irrigadas, as adubações com estercos também podem ser feitas de forma contínua abaixo da fita gotejadora para possibilitar maior mineralização e disponibilização dos nutrien- tes às plantas. Pode ser utilizada também a fertirrigação em palma irrigada, conforme a recomendação da análise do solo, que se mostra mais prática. Conclusão do módulo Chegamos ao final do segundo módulo do curso! Aqui, foi possível conhecer as características necessárias dos solos para a plantação da palma forrageira, além da análise e correção do solo para que a plantação obtenha sucesso. Antes de seguir para o módulo 3, que tal exercitar o conhecimento adquirido? Realize a ativida- de adiante e reflita sobre o conteúdo estudado. No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá? Existem diversas características específicas para a escolha do solo para o plantio da pal- ma forrageira. Marque a alternativa que indica o solo ideal para o plantio. a) O solo para o plantio da palma forrageira tem que ser plano, profundo, com ótima dre- nagem e que não tenha alagamento. b) O solo deve ter pedras, ser raso e pobre em nutrientes. c) Após a escolha do solo para a palma forrageira, não precisa realizar adubação. d) A palma deve ser plantada em solos com facilidade de alagamento. Avance na apostila para estudar o Módulo 3. Multiplicação, seleção e manejo na colheita das raquetes da palma forrageira 03 34 Seleção e colheita das raquetes para o plantio As cactáceas se caracterizam geralmente pela presença de aréolas com pelos e espinhos, de onde surgem as brotações e as raízes, um caule suculento, chamado de cladódio, com casca verde e falta de folhas copadas. Os cladódios têm uma forma tipicamente oblonga a espatula- da-oblonga, com 30 a 40 cm de comprimento e algumas vezes maiores (70 a 80 cm) e com 18 a 25 cm de largura. Aréola Raquete Cladódio 35 A produção de raquetes de palma forrageira para o plantio exige qualidade, mas, muitas vezes, o produtor não tem material suficiente para assegurar a qualidade necessária, o que acaba não garantindo um bom desenvolvimento no campo. A partir da dificuldade de obter raquetes-sementes desejadas, principalmente as cultivares resistentes à cochonilha-do-carmim, surgiu a técnica de produção de mudas pela fragmenta- ção das raquetes. Essa é uma alternativa para que o produtor rural possa implantar novas áreas por meio de sementeiras, utilizando mudas de alta qualidade, produzidas a partir de pequenas quantida- des de raquetes. É uma metodologia simples e de baixo custo, desenvolvida para ser aplicada na propriedade rural. Os fracionamentos são implantados no canteiro na posição em pé e são colhidos em 90 dias, deixando na terra 1 cm da base do fragmento, que serve de matrizeiro de multiplicação de raquetes. Escolha das raquetes As matrizes, plantas de onde serão retiradas as raquetes para o plantio, devem ser sadias, livres de pragas, principalmente da cochonilha-de-escama, e doenças, como podridão negra, gomose, podridão da escama seca, podridão-mole, entre outras. É importante que sejam trabalhadas as cultivares resistentes à cochonilha-do-carmim e que apresentem bom desenvol- vimento. Deve-se observar de onde está sendo colhida a raquete e a origem do palmal, se vem de sequeiro, irrigada ou de canteiros. Conheça as características para a escolha das raquetes, logo a seguir. Foto: Márcio José Peixoto. As raquetes devem apresentar tamanho e espessura uniformes, devendo-se evitar aquelas muito novas ou velhas. A melhor idade das plantas para a colheita das raque- tes para plantio é de um ano, mas, geral- mente, raquetes de 2 a 3 anos são usadas. Deve-se coletar preferencialmente da parte central da planta matriz. Foto: Márcio José Peixoto. Para a escolha das raquetes da palma, de- vem ser consideradas as que são vigorosas, viçosas, sem dobras, livres de manchas e da presença de pragas ou doenças, com apro- ximadamente 20 a 30 cm de comprimento. Deve-se evitar raquetes jovens, pois não é possível realizar o fracionamento além da facilidade de apodrecer. 36 Colheita das raquetes para plantio O corte nas plantas matrizes deve ser feito sempre na inserção ou “junta” entre as raquetes, como indicado na imagem. Recomenda-se utilizar faca ou outra ferra- menta bem afiada. Normalmente, a colheita em áreas de palma plantadas em regime de sequeiro observa o manejo adotado, dependendo também do de- senvolvimento da cultura, do tipo de solo e do clima. Em áreas irrigadas, esse período dimi- nui drasticamente, sendo feitas retiradas de raquetes a partir de 8 meses, seja para multi- plicação ou para distribuição aos animais. Apesar de aumentar o custo de produção, de maneira geral, a palma forrageira é colhida ma- nualmente, mas essa é a forma mais viável de retirada das raquetes da planta. Armazenamento das raquetes Após a colheita, as raquetes são armazenadas para que ocorra a cicatrização ou “cura”, uma prática de grande importância para que as raquetes possam perder parte da umidade e o corte feito no momento da colheita seja cicatrizado. Esse procedimento consiste em deixar as raque- tes colhidas um período à sombra, em local coberto e ventilado, preferencialmente espalha- das, sem amontoar, como mostra a imagem a seguir. Caso não seja possível armazená-las em local coberto, deve-se cobrir as raquetes com galhos ou palhadas. Foto: Márcio José Peixoto. Foto: Márcio José Peixoto. 37 Agora que já sabemos como deve ser feito o armazenamento, quanto tempo as raquetes de- vem permanecer armazenadas? O período de “cura” depende de fatores como condições ambientais, quantidade de água presente nas raquetes, se a propagação vai ser com as raquetes inteiras ou fracionadas, assim como a forma como elas serão expostas para curar. Em geral, esse período vai de 8 a 10 dias, que são suficientes para que ocorra a “cura”, sendo essa mais demorada quando utilizadas raquetes fracionadas. Multiplicação das raquetes da palma forrageira Realizar o fracionamento das raquetes Atualmente, realizamos o fracionamento das raquetes de forma manual e, em primeiro lugar, vem a escolha do cladódio.Após o cladódio ser escolhido, devemos seguir algumas etapas do seu fracionamento. Vamos conhecê-las? 1) Verifique se as raquetes estão maduras e sadias. 2) Deixe as raquetes fracionadas em um local ventilado, à sombra, durante 4 ou 5 dias, para cicatrização dos cortes. 3) Após esse período, realize o corte das raquetes usando um equipamento bem afiado. 4) Faça um corte longitudinal e depois cortes transversais, em forma de retângulos, medin- do dois centímetros e meio por cinco centímetros, desde que tenham em média de duas a três gemas em cada fração, e que apresentem aréolas na parte superior e na parte infe- rior do fracionamento. Isso garantirá que terão uma boa brotação e enraizamento. 5) Após esse período, implante os fragmentos no canteiro. Aplicando esta simples técnica, em pouco tempo você terá um plantio saudável e produtivo! Preparar o canteiro para o plantio das raquetes fracionadas Após o período de cicatrização, os fragmentos deverão ser implantados em canteiros ou sacos plásticos para mudas, com um volume em torno de 600 ml a 1 litro de substrato, a depender da disponibilidade do produtor. 38 No caso de canteiros, deve-se utilizar uma medida de 10 metros de comprimento e 1 metro de largura e colocar uma mistura contendo o solo natural mais 25% de ester- co, que pode ser bovino, ovino e/ou caprino. Lembrando que o tamanho do canteiro depende da área, a fim de facilitar a loco- moção. Acima do canteiro deve-se colocar um som- brite de 50% ou 75% a uma altura de 1,5 m do solo para evitar a insolação direta sobre os fragmentos e a mortalidade, pois eles ficam desprotegidos. Plantio das raquetes fracionadas Com o canteiro preparado e os fragmentos cicatrizados, faz-se o plantio com o espaçamento entre os fragmentos de 10 cm, de modo que tenham mil plantas no canteiro. Veja a imagem abaixo, com os fragmentos implantados no canteiro. Foto: Márcio José Peixoto No canteiro, deve-se fazer uma pequena irrigação de 3 em 3 dias, apenas para manter a umida- de do solo. Além disso, é necessário evitar que ocorram o encharcamento e o excesso de água, pois pode apodrecer os fragmentos. A irrigação deve ser iniciada dois dias após o plantio, a água pode ser colocada em regador ou, dependendo do tamanho da área, pode ser colocada com microaspersor invertido. Foto: Márcio José Peixoto. 39 A colheita pode ser realizada a cada 90 dias e as plantas levadas para o local definitivo. O canteiro serve de matriz de multiplicação de raquetes de palma forrageira. Conclusão do módulo Parabéns! Você concluiu o Módulo 3 – Multiplicação, seleção e manejo na colheita das raque- tes da palma forrageira. Aqui, você adquiriu conhecimentos valiosos sobre o plantio da palma forrageira, desde a seleção para a colheita das raquetes, passando pelo armazenamento e o fracionamento, até o preparo dos canteiros para o plantio das raquetes fracionadas e a planta- ção definitiva. Em seguida, você vai estudar o Módulo 4 e aprender sobre a implantação da palma forrageira na alimentação animal. Mas antes de seguir com os estudos vamos exercitar os conhecimentos adquiridos? Realize a atividade e reflita sobre o conteúdo estudado neste módulo. No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá? Na seleção de raquetes da palma forrageira, marque as características ideais que elas devem ter para o plantio. a) As raquetes com doenças e pragas podem ser utilizadas para o plantio da palma forra- geira. b) Na seleção das raquetes para o plantio, qualquer uma está apta para o plantio. c) A planta matriz, de onde serão retiradas as raquetes para o plantio, deve ser sadia, li- vre de pragas e doenças (manchas, perfurações, podridões, “mofos” etc.) e apresentar bom desenvolvimento. d) As raquetes com perfurações e ou manchas devem ser utilizadas para o plantio. Avance na apostila para estudar o Módulo 4! Foto: Márcio José Peixoto. Plantio e espaçamento da palma forrageira 04 41 Foto: Márcio José Peixoto Plantio e espaçamento da palma forrageira No módulo anterior, foi possível conhecer as características referentes à escolha do solo para plantação da palma forrageira, além das formas de plantio das raquetes. No Módulo 4, vamos dar continuidade e saber mais sobre como realizar o plantio da palma forrageira na área sele- cionada. Siga com os estudos e aprenda como fazer o plantio e o espaçamento da palma forrageira. Você sabia que a forma de propagação da palma forrageira mais usada pelo produ- tor é a raquete inteira? Assim, ele pode optar por um dos tipos de plantio: em sulcos ou em covas. Você precisa saber que trabalhos têm sido realizados buscando alternativas de propagação que aumentem a disponibilidade do material que será colocado em campo. A fim de suprir a demanda por raquetes que sejam resistentes à Cochonilha-do-car- mim, assim como reduzir o custo com aquisição. 42 Nos períodos de invernos normais, as plantas que fornecem as mudas permitem que as raquetes permaneçam túrgidas o ano todo. Nesse caso, o plantio deve ocorrer de quinze a trinta dias antes do período chu- voso, porque, assim, assegura-se que as plantas já estejam enraizadas no início do inverno seguinte. Com isso, é possível evitar o apodrecimento e o tombamento dessas plantas, em consequência do impacto das primeiras chuvas, proporcionando um bom desenvol- vimento inicial da plantação. Contudo, em anos nos quais os invernos são escassos, as plantas matrizes atingem, normalmente, estágios críticos de desidratação. Com isso, diminuem sua capacidade de enraizamento no solo seco, e só se deve realizar o plantio quando as raquetes readquirirem um certo teor de umidade e de turgidez. Lembre-se de que, se forem plantadas muito murchas, nessa época do ano, a tendência é que a temperatura alta do solo elimine, definitivamente, a maioria das raquetes plantadas. E então, vai tomar cuidado com a época de plantio? Nada de perder a palma forrageira para a chuva, os fungos e as bactérias, não é mesmo? Tome as precauções necessárias e sucesso! Forma de plantio Para definir o sistema de plantio, deve ser levada em consideração a necessidade do uso da forragem a ser gerada pela palma. Siga e acompanhe os sistemas de plantio de acordo com o uso da forragem. Quando não há palma na propriedade ou, se existe, é insuficiente para atender a deman- da, recomenda-se usar sistemas de plantio adensados com vistas a alcançar uma razoável oferta de massa verde a partir de um ano de idade da cultura. Não há palma na propriedade 43 Quando o objetivo é gerar reservas estratégicas adicionais, prevendo evitar escassez futura, sugere-se adotar sistemas de plantio menos adensados. Nesse caso, embora a densidade populacional por unidade de área seja menor que nos plantios adensados, os resultados finais geralmente são satisfatórios. Graças à possibilidade de um bom manejo dos tratos culturais/fitossanitários e adubação orgânica em cobertura, obtêm-se mate- riais de boa qualidade, além de preservar o meio ambiente. Será reserva estratégica No plantio, a posição do artículo, que é um cladódio, também denominado de “raque- te” ou “folha”, pode ser vertical ou inclinada dentro da cova, com a parte cortada da articulação voltada para o solo e plantada na posição da menor largura do artículo, obedecendo à curva de nível do solo. A palma pode ser plantada em covas ou sulcos, isso depende da disponibilidade de equipa- mentos para a atividade. No plantio em cova, que é mais comum em espaçamento simples, a melhor posição é inclinada, enterrando-se um terço da raquete, com a parte cortada voltada para o solo. Isso favorece um maior contato da raquete com o solo em relação ao plantio na vertical, possibilitando maior enraizamento. Se o produtor optar pelo plantio em sulco, que promove economia de tempo, a posição da raquete pode ser tanto na vertical como inclinada. Plantio das raquetesVamos entender mais como é feito o plantio das raquetes da palma forrageira? O plantio da palma também pode ser mecanizado, plantando as raquetes por meio de uma plantadeira movida por trator. Essa plantadeira é desenvolvida para operar de uma a quatro linhas de plantio, de acordo com a necessidade do produtor, sendo necessário um operador por linha para colocar a palma e um operador para o trator. A distância entre as mudas e entre as linhas é regulável. Pode ser equipada com toldos para o sol e iluminação para trabalho à noite. As rodas fazem os sulcos e as raquetes caem no solo e já ficam enterradas. Vertical Inclinada 44 A produção é de 2.000 a 2.500 raquetes plantadas por hora, dependendo do avan- ço do trator. Atualmente, estudos sobre a indicação de variedades de palmas para regiões espe- cíficas ainda são escassos. No entanto, os registros sobre o cultivo de sequeiro, afirmam que as variedades das palmas miúda e baiana se adaptam e produzem melhor em regiões de maior altitude, enquanto a orelha de elefante mexicana, por ser mais rústica, adapta-se melhor às diferentes regiões do semiárido, pois tem maior resistência a escassez hídrica, menor exigência em insumos e manejo em relação às demais palmas. Existem formas diferentes de plantio para esse cultivo. Vamos conhecê-las? Existe o plantio em curva de nível que ajuda a evitar a translocação do solo e, por consequência, a erosão. Nesse caso, a orientação do plantio das raquetes pode ser no sentido norte/sul ou leste/oeste. Essa orientação da raquete, dentro da cova ou sulco, é de grande importância para evitar que elas queimem durante o plantio. Ah! Evite, também, colocar a face mais larga da palma virada para o Sol quando fizer o plantio antes do início das chuvas, principalmente no sertão. Quando as primeiras chuvas iniciarem e você for realizar o plantio, o sentido da po- sição que as raquetes forem plantadas não vai interferir em seu desenvolvimento. Agora, vamos conhecer o plantio em formato dominó ou baralho. Em plantios adensados, podemos distribuir as raquetes em formato de dominó ou baralho. Mas qual a diferença entre essas formas de plantio? No formato dominó, o plantio possui alinhamento bilateral com uma raquete atrás da outra. Já no formato baralho, o plantio tem a sobreposição dos cladódios. 45 Espaçamento Para escolher o espaçamento no plantio das raquetes, é importante levar em consideração a finalidade do cultivo e a disponibilidade de insumos para uso na área: se é para produção de raquetes-sementes ou para uso como forragem, se será irrigada ou de sequeiro. O espaçamento vai depender do sistema adotado pelo produtor: quando se pretende fazer cortes a cada dois anos e obter maior produção, pode-se optar por plantio em sulcos em espa- çamento adensado, que demandará mais adubação e capinas. Espaçamento simples O espaçamento simples mais utilizado equivale a um estande de até 30 mil plantas por hec- tare. Esse espaçamento facilita o trato cultural e o manejo da cultura, como vistorias periódi- cas para verificar ataques de pragas, doenças, adubação de manutenção, além de permitir o consórcio com algumas culturas. As medidas recomendadas para o plantio em sequeiro no espaçamento simples são 1,8 m x 0,25 m (22 mil plantas por hectare). Espaçamentos mais largos entre as linhas facilitam a colheita e o transporte, podendo também contribuir para reduzir os riscos de incêndio no palmal e controlar erosão em áreas de cultura. Por outro lado, a consorciação da palma com algumas culturas reduz a produção dessa forrageira. No consórcio da palma forrageira com outras culturas deve-se considerar que a palma exige alta captação de luz para favorecer seu desenvolvimento e quando sombreada reduz sua capa- cidade de produção. 1,8 m 0,25 m 0,25 m 46 Espaçamento duplo O plantio adensado equivale a um estande acima de 40 mil raquetes por hectare. O cultivo da palma em espaçamento adensado tem sido mais utilizado recentemente. Nesse espaçamento, os tratos culturais e a colheita são dificultados, aumentando os gastos com mão de obra. As medidas recomendadas para o plantio em sequeiro no espaçamento simples são 1,8 m x 0,25 m (22 mil plantas por hectare). Além desses aspectos, nesse caso, ocorre uma maior quantidade de nutrientes extraídos do solo, sendo necessário um maior cuidado com as adubações. Utilizando espaçamentos mais adensados, pode-se alcançar maiores produções, mas os custos de estabelecimento do palmal são maiores e os tratos culturais ficam mais difíceis, não permitindo consorciação com outras culturas. Conclusão do módulo Chegamos ao final do Módulo 4 – Plantio e espaçamento da palma forrageira. Neste módulo foi possível adquirir conhecimentos valiosos a respeito dos sistemas de plantio da palma forra- geira. No próximo módulo, você vai aprender mais sobre o manejo na produção da palma forrageira em sequeiro e irrigado. Mas antes de seguir, que tal exercitar os conhecimentos estudados neste módulo? Realize a atividade e reflita sobre o conteúdo apresentado. No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá? 0,4 m 0,4 m 2,0 m 0,25 m 0,25 m 47 Sobre o plantio da palma forrageira, marque a resposta que indica a posição correta das raquetes dentro da cova ou sulco. a) A palma pode ser implantada de qualquer maneira e em qualquer solo. b) Para o plantio da palma, a raquete deve ser cortada ao meio e, em seguida, coberta totalmente de terra. c) No plantio da palma, a raquete deve ser colocada deitada dentro da cova ou sulco. d) A palma deve ser plantada na posição vertical ou inclinada, enterrando dois terços da raquete na cova ou sulco. Avance na apostila para estudar o Módulo 5! Manejo na produção de palma forrageira de sequeiro e irrigado 05 49 Até o momento, no curso, você aprendeu as características da palma forrageira, quais as téc- nicas para a seleção e o plantio das raquetes e como fazer o plantio da palma para a produção definitiva. Neste módulo, vamos conhecer as formas de manejo da palma forrageira em se- queiro e irrigada. Manejo da palma forrageira em sequeiro A palma é uma forrageira bem adaptada às condições da região do Semiárido nordestino, suportando grandes períodos de estiagem devido às propriedades fisiológicas, caracterizadas por um processo fotossintético que resulta em grande economia de água, como vimos no pri- meiro módulo do curso. Vamos conhecer as características do Semiárido? As condições climáticas da região do Semiári do nordestino são caracterizadas por perío- dos secos e precipitações pluviométricas variando de 400 a 800 milímetros, irregular- mente distribuídas e concentradas no verão. A temperatura oscila entre 23 °C a 28 °C, com amplitude diária de mais ou menos 10 °C. A luminosidade média é de 2.800 horas de luz ao ano. pluviométricas Relacionado ao estudo da distribuição das chuvas. 50 A cobertura vegetal predominante é a Caatinga constituída por plantas efêmeras, suculentas ou carnosas e lenhosas, geralmente, tolerantes a longos períodos de estiagem. O bom rendimento da palma forrageira está relacionado a áreas com 400 a 800 mm anuais de chuva, umidade relativa acima de 40% e temperatura de 25 °C a 15 °C. Vale ressaltar que umidade relativa baixa e temperaturas noturnas elevadas encontradas em algumas regiões do Semiárido podem justificar as menores produtividades ou até a morte da palma. Portanto, a palma forrageira pode ser produzida em quaisquer municípios do Estado do Ceará. Tratos culturais Você sabia que o manejo cultural da palma forrageira é realizado apenas por meio de capinas, adubação e cuidados fitossanitários? Essas ações variam dependendo do sistema de plantio adotado pelo produtor. Para os plantios com espaçamentos superiores a um metro entre as linhas, geral- mente são feitas duas capinas no primeiro ano e a partir daí, uma capinapor ano. Com relação aos plantios adensados, se o adensamento for apenas na linha, proce- de-se como no caso anterior. No entanto, se o adensamento for total, isto é, entre linhas e entre plantas, quando muito, faz-se as capinas do primeiro ano. Nesse caso, o entrelaçamento da cultura em todos os sentidos, cobrindo a área total, impede quaisquer ações internas. Em plantios tradicionais, recomendamos um roço no final da estação chuvosa. E o trabalhador não deve se esquecer de utilizar sempre todos os equipamentos de proteção individual. Os tratos culturais do palmal, por meio do roço ou das capinas, são essenciais para se obter aumento em torno de 100% na produtividade, desse modo, o roço favore- ce a cobertura do solo, servindo de cobertura morta e melhorando sua qualidade nutricional e estrutural. Como no Brasil não existem produtos registrados para controle de ervas daninhas na cultura da palma, recomendamos a consulta de um engenheiro agrônomo. Não use produtos sem registro para não danificar sua cultura. 51 Colheita Normalmente, no plantio da palma em sequeiro, inicia-se a colheita com cerca de 1,5 a 2 anos, ou mais, dependendo do desenvolvimento da cultura, das condições do solo, do clima e da adubação. Depois da primeira colheita, pode ser feito o corte anual. Quando o plantio e a manutenção são feitos em padrões adequados, é possível iniciar a colheita quando a cultura tem entre 12 e 15 meses. Conheça as maneiras de fazer a colheita convencional. A palma de maneira geral é colhida ma- nualmente, apesar de aumentar o custo de produção, contudo é a maneira mais racional de utilização da palma. As raque- tes são colhidas diariamente e fornecidas aos animais nos cochos. A utilização da palma também pode ser por pastejo, porém, promove muitas per- das por causa da presença dos animais no palmal, por isso, mesmo com o acréscimo de mão de obra o corte manual fica mais viável para o produtor. Essa forma geralmente é usada quando se tratam de plantios muito adensados, antigos ou com sintomas acentuados de doenças. Nesses casos os palmais são totalmente arran- cados e replantados em seguida. Arrancar a planta completa 52 A colheita parcial é o sistema mais comum, em que o produtor realiza o corte na intersec- ção da raquete primária com secundária. Por esse sistema, colhem-se apenas parte aérea copada da planta e deixa-se a raquete “mãe” que está enterrada e a “filha”, ou melhor, a primária para propagação da cultura. Colher apenas parte das raquetes Raquete mãe e filha ou primária. Foto: Márcio José Peixoto Esses procedimentos asseguram a próxima colheita sem a necessidade de replantio, cujo pro- cedimento pode ser repetido várias vezes, necessitando apenas que se proporcionem inter- valos de descanso de um ano entre elas e se promova a manutenção adequada da cultura. Em casos extremos de carência de forragem, não raros, os pequenos produtores fazem colheitas rasas em plantios jovens, em que são colhidas apenas algumas das raquetes mais antigas da plantação. Adubação de manutenção do palmal A palma é uma planta que exige solo de qualidade para ter bom rendimento. O esterco de curral é uma boa fonte de nutrientes, mas muitas vezes desprezado por produtores que des- conhecem o potencial desse adubo orgânico, capaz de duplicar a produtividade de palma por hectare. A falta de conhecimento leva muitos pecuaristas a vender grandes quantidades do adubo orgânico para produtores de outras culturas. Raquetes filhas Raquetes mães 53 Adubação em sequeiro A adubação é um fator determinante na produção de matéria verde, exigindo maior quantida- de quando se trata de plantio de palma adensado. O espaçamento de plantio da palma forra- geira varia de acordo com a fertilidade do solo, quantidade de chuvas, finalidade de explora- ção e com o consórcio a ser utilizado. A adubação química se dá conforme análise de solo e recomenda-se no início do período chu- voso, pois adubação no período seco não tem absorção pela planta, devido à falta de umidade do solo. No plantio de palma de sequeiro o es- terco é colocado entre linhas do palmal logo após a colheita e o início do período chuvoso. Quando começam as chuvas, o esterco já está distribuído. Recomenda-se colocar o esterco a 40 cm das plantas, ou seja, no meio das linhas, pois a palma não suporta umidade elevada e no início das chuvas o esterco fica muito úmido e pode ocorrer o apodrecimento das plantas. A palma possui raízes superficiais de no máximo 30 cm de profundidade e o com- primento pode chegar a 3 m. A adubação pode ser orgânica e/ou mine- ral. Em sequeiro opta-se pela adubação orgânica, podendo ser utilizado esterco bovino e caprino, na quantidade de 10 a 30 t/ha na época do plantio, e a cada ano, no período próximo ao início da estação chuvosa. Dependendo do espaçamento de plantio e nível de fertilidade do solo, nos plantios mais adensados usar 30 t/ha. Foto: Márcio José Peixoto. Foto: Márcio José Peixoto. 54 Manejo da palma forrageira irrigada A utilização da irrigação na cultura da palma é recente, mas sabemos que é de grande impor- tância para o aumento da produção e, bem manejada, oferece uma maior duração ao plantio. Ela faz com que os fatores climáticos limitantes para o pleno desenvolvimento da palma, como as altas temperaturas noturnas e baixa umidade relativa do ar, percam, de certa forma, im- portância, já que a disponibilidade hídrica permitirá um adequado processo fotossintético da planta, fazendo com que ela, a depender da oferta hídrica, funcione como uma planta CAM facultativa, ajustando o seu padrão de captura de gás carbônico. CAM Metabolismo Ácido das Crassuláceas (CAM, do inglês Crassulacean Acid Metabolism) é um dos três tipos (outras vias estão às plantas C3 e C4) possíveis de assimilação do carbono atmosférico (CO2) via fotossíntese, o qual está presente em certas espécies de plantas, especialmente plantas suculentas, como a Opuntia ficus-indica L. As áreas de cultivo de palma forrageira sob irrigação têm ganhado espaço na tentativa de reduzir os riscos de perdas na produção, evitando prejuízos com uma cultura que apresenta elevado custo de implantação e manutenção. Dessa for- ma, a irrigação tem despontado como uma técnica viável e de grande impacto, possibilitando não só ampliar as áreas de abrangência de cultivo da palma forra- geira na região Semiárida, como também maximizar sua produção.Foto: Márcio José Peixoto. 55 Algumas pesquisas já apontam para a capacidade da planta em responder ao uso da irriga- ção, os efeitos nas diferentes espécies e cultivares de palma, bem como as alterações em sua morfogênese e composição bromatológica. Entretanto, pouco se estudou sobre a utilização de diferentes sistemas de irrigação no cultivo da palma forrageira, sendo predominante nas pesquisas o uso do gotejamento superficial em seus campos experimentais. Em pesquisas mais recentes, de forma ainda muito incipien- te, começou-se a utilizar outros sistemas de irrigação no cul- tivo da palma forrageira, como o de aspersão convencional, porém, não sendo objeto de avaliação o comparativo entre sistemas de irrigação. Vários estudos também estão sendo realizados para definição quanto a neces- sidade hídrica da palma forrageira, como a determinação do coeficiente de cultivo da cultura (Kc), bem como o manejo de irrigação a ser adotado, como lâmina de água a ser aplicada e turno de rega (TR). A determinação desses manejos está atrelada às condições edafoclimáticas da região, à necessidade hídrica da cultura, ao sistema de irrigação a ser utilizado e ao tipo de solo onde está sendo cultivado a palma. turno de rega Turno de rega é um termo usado para designar o período (número de dias para realizar a próxima irrigação) em que o solo tem reserva de água suficiente para atender à demanda hídrica das plantas cultiva- das a partir do suprimento natural e da irrigação. 56 A definição do sistema de irrigação está atrelada aotipo de solo, onde está implantado o palmal, como também a quantidade de água a ser colocada por planta dia e o interva- lo da irrigação. Importante! Tratos culturais Que tal conhecer os tratos culturais da palma forrageira em sistema irrigado? Você sabia que o manejo cultural da palma forrageira irrigada não é diferente da palma de sequeiro? Só que a vigilância é bem maior com relação às capinas, adubação e cuidados fitos- sanitários. Como fazer essa vigilância? O plantio da palma irrigada exige mais nos tratos culturais, pois a planta responde muito bem a roço e adubação. Se você usar no plantio o sistema de irrigação por aspersão, haverá uma incidência maior de ervas daninhas entre as linhas e, com isso, aumentará o número de roço, pois a palma quando fica coberta com ervas daninhas reduz o número de brotação. Agora, se você utilizar o plantio com sistema de irrigação por gotejamento, redu- zirá a incidência de ervas daninhas entre as linhas, mas precisará ter um controle maior entre as plantas. O que podemos fazer nos plantios menos adensados? Em plantios menos adensados, podemos realizar, em média, quatro roços por ano, porém vai depender do surgimento das ervas daninhas. Vale ressaltar que, se utilizarmos o espaçamento adensado no plantio, os herbici- das de pré-emergência são eficientes no controle de plantas daninhas sem causar efeitos fitotóxicos na cultura da palma. 57 Lembramos também que no Brasil não existem produtos registrados para controle de ervas daninhas na cultura da palma. Por isso, recomendações nesse sentido só após o registro dos produtos. Colheita A palma forrageira normalmente é colhida manualmente, quando irrigada o corte deve ser realizado anualmente, pois pode entrelaçar entre linhas e impedir a locomoção do produtor. A colheita da palma irrigada segue o mesmo procedimento da palma de sequeiro, porém, reduz-se o período de corte. O sistema mais comum é a colheita parcial, na qual o produ- tor realiza o corte na interseção ou junção da raquete primária com a secundária, ou seja, deixando a raquete “mãe” e “filha”. Assim, aumentando o número de brotação e a vida útil do palmal. Adubação de manutenção do palmal A adubação pode ser orgânica e/ou mineral. Na palma irrigada recomenda-se colocar adubação orgânica na fundação e também entre linhas, pode ser utilizado esterco bovino e caprino, na quantidade de 10 a 30t/ha na época do plantio. Já a adubação mineral, deve ser realizada con- forme a recomendação de manutenção da análise do solo e aplicado em forma líquida, direta- mente no sistema de irrigação, por meio da fertirrigação, sendo uma adubação eficiente. Veja na imagem a seguir um exemplo de adubação de cobertura. Foto: Márcio José Peixoto. Foto: Márcio José Peixoto. 58 Sistemas de irrigação Como vimos, estão sendo realizadas várias pesquisas para trabalhar com palma forrageira irri- gada, tanto para saber qual o melhor método de irrigação, qual a lâmina de água e o turno de rega. Aqui serão apresentados dois métodos, a lâmina média que está sendo aplicada e o turno de rega. Ao pensar em irrigar qualquer cultura é importante conhe- cer as especificidades técnicas dos diferentes sistemas de irrigação existentes, possibilitando assim optar pelo mais adequado à cultura e condições locais. Existem dois termos utilizados para referir-se aos equipamentos de irrigação e, de certa forma, é comum haver entendimentos equivocados entre os dois, são eles: método de irrigação e sistema de irrigação. A escolha do método adequado garantirá o suprimento de água para a cultura com atendimen- to de suas necessidades de forma mais precisa e eficiente, portanto, essa etapa é de funda- mental importância para o sucesso de qualquer projeto irrigado. A escolha inicial do método, e, em seguida, do sistema de irrigação a ser utilizado, depende do conhecimento de algumas variáveis e informações locais, como solo, clima, água, cultura, fa- tores humanos e aspectos econômicos. Já a escolha do sistema de irrigação deve estar apoiada pela análise de viabilidade técnica e econômica do empreendimento, por meio da avaliação detalhada de fatores físicos, agronômicos, sociais e econômicos envolvidos. Método de irrigação Forma como a água pode ser aplicada às culturas. Sistema de irrigação Conjunto de equipamentos e técnicas que proporcionam a aplicação da água. 59 Vamos conhecer agora os diferentes sistemas de irrigação da palma forrageira. Irrigação por aspersão Os sistemas de irrigação por aspersão caracterizam-se pela distribuição da água por meio de gotas sobre a cultura e a superfície do solo na forma de chuva. Quando comparado aos siste- mas superficiais, a aspersão apresenta algumas vantagens, como a possibilidade de distribuir melhor a água sobre a superfície do solo, adaptação a diferentes tipos de solo e topografia e menor uso de mão de obra, inclusive podendo ser utilizado de forma totalmente automatiza- da, com aplicação de fertilizantes e de defensivos via água de irrigação. A irrigação por aspersão na palma forrageira é recomendada em solos mais arenosos, com uma lâmina média diária de 300 ml por planta, sendo aplicado a cada dois dias. Com esse sistema, em uma área de espaçamento duplo de 2,0 m x 0,25 m x 0,25 m, chega-se a 50 mil plantas/ha e uma produção anual média de 380 toneladas de matéria verde. Irrigação localizada Na irrigação localizada, a aplicação de água no solo é feita em uma área restrita, buscando umedecer o entorno das plantas apenas no local explorado pelas raízes. A irrigação por gotejamento constitui um dos principais sistemas de irrigação localizada. Quando bem manejado, esse sistema apresenta alguma vantagem em relação à aspersão, como a economia de água e energia. Isso acontece devido à irrigação ocorrer em uma área restrita do solo, próxima à planta, diminuindo a perda por evaporação e por escoamento su- perficial. Pelo fato também de ser um sistema que opera com baixa vazão e alta frequência de irrigação, ocasiona menores perdas de água por percolação profunda. Os sistemas de irrigação localizada apresentam também como vantagem a redução de pro- blemas fitossanitários, haja vista que a parte aérea da planta não é molhada e, em função de restringir a área irrigada, há menor incidência de ervas espontâneas (daninhas), resultando em menor gasto com mão de obra e/ou defensivos químicos, proporcionando ganho econômico e ambiental. Irrigação por gotejamento A irrigação por gotejamento na palma forrageira é recomendada em solos com características mais argilo-arenoso, com uma lâmina média diária de 280 ml por planta por dia, sendo aplicado a cada quatro dias. Em uma área com o espaçamento duplo de 2,0 m x 0,25 m x 0,25 m, com esse sistema de irrigação, chega-se a 50 mil plantas/ha e uma produção anual média de 420 toneladas de matéria verde. Foto: Márcio José Peixoto. 60 O conhecimento sobre a eficiência de aplicação do sistema de irrigação é de grande importân- cia, sendo esse um dos fatores determinantes para escolha do sistema a ser utilizado. O plan- tio da palma pode ser em linha simples ou dupla, vai depender da escolha do produtor, assim a linha do gotejamento passa ao lado da linha da palma ou ao meio da linha dupla da palma. Conclusão do módulo Parabéns! Você concluiu o Módulo 5 – Manejo na produção de palma forrageira de sequeiro e irrigado. Neste módulo, você aprendeu sobre o manejo, os tratos culturais e as formas de adubação da palma forrageira em sequeiro e irrigada. Também conheceu os diversos sistemas de irrigação da plantação. Para chegar ao módulo 6 e aprender sobre as pragas e doenças da palma forrageira, você deve realizar a atividade a seguir. Vamos lá? No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá? Na seleção de raquetes da palma forrageira, marque as características ideais que elas devem ter para o plantio. a) A colheitada palma deve ser realizada na raquete mãe, assim diminui a brotação. b) A colheita deve ser realizada na interseção ou junção da raquete primária com a secun- dária, ou seja, deixando a raquete “mãe” e “filha”. c) A colheita das raquetes deve ser realizada arrancando a planta por inteiro. d) Na colheita da palma forrageira deve ser cortada a raquete ao meio. Avance na apostila para estudar o Módulo 6! Foto: Márcio José Peixoto. Irrigação por gotejamento em linha simples. Foto: Márcio José Peixoto. Irrigação por gotejamento em linha dupla. Pragas e doenças da palma forrageira 06 62 Na cultura da palma forrageira, as populações de pragas e doenças causam danos diretos e indiretos às plantas. Fatores climáticos ou condições específicas do agroecossistema, além da falta de nutrientes para o desenvolvimento da planta, favorecem o crescimento dessas popula- ções, que passam a causar danos econômicos e necessitam do uso de medidas de controle para serem evitados. É importante identificar e conhecer o estágio do ataque de pragas e doenças, o que pode ser realizado por meio da contagem para a determinação direta do número de insetos sobre as plantas ou de seus danos, ou por meio da utilização de armadilhas. A partir da avaliação será tomada a decisão do método de controle. Diversos insetos podem ocorrer sobre a palma forrageira, como besouros, formigas, gafanho- tos, lagartas, tripes etc., porém aqueles encontrados no Nordeste do Brasil são as cochonilhas- -do-carmim e de escama, conhecidas por escama, piolho ou mofo da palma forrageira. Neste módulo, iremos conhecer os insetos e doenças que ocorrem na palma forrageira, bem como suas características sintomatológicas. 63 Pragas da palma forrageira Cochonilha-do-carmim (Dactylopius opuntiae) Vamos conhecer a história dessa praga? A cochonilha-do-carmim foi importada pelo estado de Pernambuco visando à obtenção do corante carmim (ácido carmínico) e tornou-se uma praga devastadora para a palma forrageira cultivar gigante (Opuntia ficus indica). A desvalorização do preço do ácido carmínico, devido a introdução do corante carmim artificial e a introdução de outra espécie de cochonilha com o intuito de aumentar a produção, foi responsável por abandonos dos palmais pelas famílias produtoras, o que ameaçou a sobrevivência das famílias que dependiam da palma forrageira para alimentação dos rebanhos. Na atualidade, a cochonilha-do-carmim tem causado elevados danos a cultivar gigante, impossibilitando a pecuária bovina, caprina e ovina dos agricultores familiares, destruindo milhares de hectares nos estados de Per- nambuco e Paraíba. Instituições de pesquisa desenvolveram cultivares resistentes à praga e com isso está sendo possível o retorno do plantio da palma forrageira, ainda com apoio do governo aos produtores para aquisição de raquetes. Diagnóstico A seguir, aprenda como fazer o diagnóstico da cochonilha-do-carmim na palma forrageira. A cochonilha-do-carmim é a principal praga da palma forrageira no Semiárido nordes- tino. O inseto é do gênero Dactylopius pertencente à família Dactylopiidae, da ordem Hemiptera e se cria em Opuntia ficus indica. A praga é conhecida internacionalmente como grana cochonilla ou mesmo cochonilha-do-carmim. Atenção! 64 O gênero Dactylopius também ataca a palma nativa, a qual tem espinhos e não é utilizada para alimentação animal por não ser apreciada por eles e também pela dificuldade de colheita, faci- litando ainda mais sua disseminação no Nordeste. Controle Conforme apresentado, em razão da devastação desenfreada da cochonilha-do-carmim na cultivar gigante, recomenda-se: A identificação da presença da cochoni- lha-do-carmim sobre a palma cultivada ou nativa dispersa na Caatinga é fácil, as fêmeas adultas apresentam forma bem peculiar, de corpo pequeno ovalado, com extremidade abdominal arredonda- da, totalmente coberta por cerosidade branca que protege o corpo avermelhado do inseto intumescido de ácido carmíni- co. São sedentárias, quando esmagadas esparramam o conteúdo do corpo, que é vermelho, da cor de sangue, que caracte- riza os representantes do gênero Dactylo- pius. O desenvolvimento pós-embrionário apresenta duração variável de 40-60 dias. Os machos se desenvolvem em casulos de cera branca, aglomerados em forma de penca, de onde saem os adultos, que são formas aladas com um par de asas membranosas semelhantes a de mosqui- tos. A disseminação por recursos próprios é lenta, por se tratar de inseto de hábito estacionário. Os machos, que são alados, vivem somente para fecundar as fêmeas, morrendo logo em seguida. O principal meio de propagação é quando levadas pelo homem sobre as raquetes de uma área para outra, ou pelos pássaros e ani- mais, ou presas acidentalmente na roupa. Cochonilha em palma cultivada Foto: Márcio José Peixoto. Cochinilha em palma nativa Foto: Márcio José Peixoto. 65 Ao primeiro sinal de ocorrência do inseto sobre palma forrageira em áreas onde ele não é desejado (observado pela primeira vez), deve-se de imediato tomar medidas de controle. Essa medida visa erradicar o palmal e substituir a cultivares resistentes à cochonilha-do-carmim. Quando implantar um palmal escolher uma cultivar resistente a cochonilha-do-carmim, assim o produtor terá um plantio isento desse inseto devastador. O plantio deve ser feito corretamente na época indicada, com raquetes sadias sem vestígio de cochonilha e de procedência conhecida para evitar a presença da praga no início da plantação. Na palma nativa, assim que identificar a infestação, isolar a área para impedir que ocorra a disseminação. No Brasil, já existem produtos químicos registrados para o controle da cochonilha, mas têm custo muito elevado e não trazem tanta eficiência no controle. Ressaltamos a importância de consultar um engenheiro agrônomo e também o órgão de defesa de seu estado para auxiliar e orientar no controle da praga. Importante! 66 Cochonilha de escama (Diaspis echinocacti) O inseto do gênero Diaspis pertencente à família Diaspididae, da ordem Hemiptera, foi a prin- cipal praga da palma forrageira no Nordeste antes do aparecimento da cochonilha-do-carmim. Conhecido vulgarmente por escama, piolho ou mofo da palma, que causa danos e prejuízos à cultura. É um inseto cosmopolita que ocorre em cactácea e em outras culturas. A praga infesta as raquetes ou artículos com suas colônias, onde formas jovens e adultas, protegidas por uma escama ou escudo de cera, sugam a seiva para se alimentar, causando inicialmente o dano direto pela ação espoliadora, quando as raquetes começam a apresentar clorose. Em seguida, vem o dano direto, que por se tratar de um inseto picador-sugador, abre orifício por onde penetram microrganismos que causam o apodrecimento e queda das raque- tes e, consequentemente, a morte da planta. Diagnóstico A palma infestada pela cochonilha de escama é facilmente reconhecida pelo aspecto peculiar do aglomerado de escamas do inseto, com coloração marrom-clara, mascarando o verde típico da cactácea. As escamas são removidas por leve atrito com a unha ou um graveto sobre as colô- nias que recobrem as raquetes, que constitui uma forma para confirmar a infestação da praga. A ocorrência da cochonilha de escama sobre a palma forrageira apresenta uma sintoma- tologia típica, formada por escama ou fari- nha cobrindo toda a raquete, a praga fica sugando a seiva da planta e, em seguida, a raquete fica amarela e cai no chão. Controle Quando identificada em uma área de palma deve-se, de imediato, tomar as devidas providên- cias, pois se nenhuma medida de controle for aplicada, o inseto devasta completamente a cul- tura. Algumas medidas reúnem técnicas possíveis de serem aplicadas para controlar e manter a população da praga em nível de equilíbrio, dificultando sua forma de vida e seu crescimento. Para o caso da cochonilha de escama as recomendações são as seguintes: ● O plantio deve ser feito corretamente na época indicada, com raquetessadias sem vestí- gio de cochonilha; quando adquirir as plantas, procure conhecer a procedência. ● Identificar a presença da cochonilha na área cultivada com palma logo no início facilita o controle e a erradicação das plantas infestadas de forma isolada no palmal. ● Proceder capinas, para evitar concorrência de ervas daninhas com a cultura, e adubação clorose Amarelamento ou embranquecimento da planta. Foto: Márcio José Peixoto. 67 de acordo com as quantidades indicadas. A adubação, além de aumentar a produção, induz uma certa resistência da planta ao inseto. ● No controle da cochonilha de escama, pode utilizar o controle biológico, que consiste na utilização dos inimigos naturais da praga – as joaninhas e as vespinhas são, respectiva- mente, predadores e parasitoides – que são liberados no campo onde ela está ocorrendo para se processar o equilíbrio natural. É importante o conhecimento dos inimigos natu- rais da praga para preservação e manutenção deles no campo. ● Os produtos químicos são utilizados, mas devem ser usados com muita cautela para não prejudicar o desenvolvimento dos inimigos naturais, que são mais sensíveis aos defensi- vos agrícolas que a própria praga. No Brasil, ainda não existe produto químico registrado para a cochonilha de escama na cultura da palma. Também deve-se consultar um engenheiro agrônomo e o órgão de defesa de seu estado. Doenças da palma forrageira Apesar de ser nativa de regiões muito quentes e clima seco, a cultura da palma forrageira é afetada por vários patógenos, principalmente os de natureza fúngica, que atacam, prefe- rencialmente, as raquetes ricas em umidade. Diante da importância do cultivo da palma, as publicações sobre doenças são muito limitadas, caracterizando-se pela descrição de problemas fitossanitários resultantes de levantamentos ou assinalamento de doenças na cultura. As doenças da palma têm sido pouco estudadas no Brasil e quase todos os trabalhos descre- vem o assinalamento, sintomatologia e patogenicidade dos agentes causadores. Dentre as doenças descritas no Nordeste, no Ceará, destacam-se as podridões de artículos primários e se- cundários causadas pelos fungos Lasiodiplodia theobromae(podridão negra), Scytalidium lignico- la (podridão seca escamosa), Dothiorella ribis (gomose, podridões de raízes e raquetes da base devido a bactéria) e Pectobacterium carotovorum subespécie Carotovorum (podridão mole). Recomenda-se a solução chamada Querobão em substituição de produtos químicos – receita: 200 g de sabão em barra, 200 g de fumo de corda e 2 colheres de querosene para 20 litros de água. Deve-se dissolver o sabão em água quente, agitando-se constan- temente, deixar o fumo picado dentro d’água por 24 horas para formar uma calda que será misturada ao preparo anterior, por fim, despejar levemente o querosene. patogenicidade Capacidade do agente causador de gerar determinada doença no hospedeiro. 68 Podridão negra É causada pelo fungo Lasiodiplodia theobromae, sendo a doença de maior ocorrência em cul- tivos da palma gigante. Foi relatada em 1961 por A. P. Viegas e, posteriormente, descrita em 1963 em Caruaru (PE), causando severos danos em raquetes-sementes. A raquete infectada pela doença ainda pode ser fornecida aos animais. Diagnóstico Geralmente a podridão ocorre a partir do local de inserção das raquetes primárias, secundárias ou terciárias, sendo no início de cor marrom e, em seguida, torna-se escura devido à produção de estruturas do fungo. É consistente, com abundante exsudação de goma de coloração amarelo leitosa, tornan- do-se, posteriormente, enegrecida. As infecções em raquetes primárias ou secun- dárias promovem o tombamento de partes da planta, causando prejuízos na produção. Controle Não existe um controle específico eficaz para a podridão negra. Algumas dicas para controlar são: ● Na época de plantio, deve-se utilizar raquetes-sementes sadias, bem vigorosas para evi- tar a introdução da doença nas áreas de produção. ● Remoção e destruição das raquetes infectadas no campo; essas raquetes podem ser utili- zadas na alimentação animal, mas não podem ser utilizadas para o plantio. Recomenda-se que sejam queimadas, para evitar a disseminação. ● Pulverização com fungicidas, em intervalos de 15 a 20 dias, no período mais favorável à doença. No Brasil, não existe produto fungicida registrado para a cultura da palma forrageira. Também recomenda-se consultar um engenheiro agrônomo e o órgão de defesa de seu estado. Podridão seca escamosa É uma doença causada pelo fungo Scytalidium lignicola Pes., é a mais frequente nas plantações de palma forrageira. Os danos causados nos cladódios equivalem a uma estimativa que varia- ram de ¼ a ¾ da área das raquetes afetadas. Diagnóstico Geralmente a podridão ocorre a partir do local de inserção das raquetes primárias, secundárias ou terciárias, sendo no início de cor marrom e, em seguida, torna-se escura devido à produção de estruturas do fungo. Foto: Márcio José Peixoto. 69 A “escama” formada é consistente, com abundante exsudação de goma de coloração amarelo leitosa. As infecções em raquetes primárias ou secundárias promovem o tombamento de partes da planta, causando prejuízos na produção. A doença pode ser observada, tanto nas partes laterais e cen- trais quanto nas conexões entre os artículos. Há o desenvolvimento de sintomas constituí- dos por manchas onduladas sobre área com podridão seca, com semelhança de escamas, causado pelo fungo. Em alguns casos a raquete da palma forrageira fica totalmente infestada com uma escama bem densa, com isso impede o desenvolvimento das raquetes superiores. Controle Assim como a podridão negra, não existe um controle específico eficaz contra a podridão seca escamosa. As recomendações para o controle da doença são: ● Na época de plantio, utilizar raquetes-sementes sadias, bem vigorosas, para evitar a introdução da doença nas áreas de produção. ● Remoção e destruição das raquetes infectadas no campo; essas raquetes podem ser utili- zadas na alimentação animal, mas não podem ser utilizadas para o plantio. Recomenda-se que sejam queimadas para evitar a disseminação. Gomose É causada pelo fungo Dothiorella ribis (Fuck.) Sacc. A sobrevivência do fungo ocorre em raque- tes infectadas e restos de cultura. A doença ocorre nos principais países produtores de palma forrageira, como México, Brasil e Itália. No Nordeste do Brasil, tem sido observado com frequ- ência nas áreas implantadas, causando prejuízos na produção. Diagnóstico Nas raquetes, presença de algumas ou várias manchas circulares em forma de cancros, com superfícies rachadas, devido à esporulação do fungo. Exsudação abundante de goma em torno das lesões mais jovens. A camada externa da lesão é de cor marrom-cinza e coriácea. Induz lesões na forma de cancros ressecando as raquetes e provocando o declínio da planta. Foto: Márcio José Peixoto. Foto: Márcio José Peixoto. 70 Controle Também não existe um controle específico eficaz contra a gomose. As recomendações para con- trole são: ● Quando identificar a planta com o sintoma, faça a remoção imediata e realize a queima, além disso, não jogue próximo do campo implantado, evitando a disseminação. ● Pulverização com fungicidas, em intervalo de 15 a 17 dias; essas raquetes podem ser uti- lizadas na alimentação animal, mas não podem ser utilizadas para o plantio. ● Na época de plantio, utilizar raquetes-sementes sadias, bem vigorosas, para evitar a introdução da doença nas áreas de produção. Podridão mole É causada pela bactéria Pectobacterium carotovorum subespécie Carotovorum, tem sido relata- da em vários países produtores de palma forrageira, causando prejuízos acentuados no México e na Itália. No Nordeste do Brasil, foi descrita em 1963, causando podridão mole em raquetes- -sementes dos gêneros Opuntia e Nopallea. A disseminação da bactéria ocorre pelos respingos de chuva, água de irrigação e drenagem superficial, insetos e mudas infectadas.Diagnóstico A bactéria penetra nas raquetes através de ferimentos e aberturas naturais, causando podridão mole de coloração preta que dete- riora rapidamente os tecidos, principalmente em condições de elevada umidade, em seguida a planta tomba. Apresenta odor característico de tecido em fermentação, bastante característico da P. carotovorum. A maior severidade da doença está sempre associada a ferimentos nas raquetes, principalmen- te quando está realizando capinas e/ou roços e excesso de umidade de elevado teor de maté- ria orgânica no solo. Controle Para a podridão mole também não existe controle eficaz específico. As orientações gerais para o controle são: ● Quando identificar a planta com o sintoma, fazer a remoção imediata da planta e realizar a queima; não a jogar próximo do campo implantado e pulverizá-la com bactericidas cúpricos. Foto: Márcio José Peixoto. cúpricos Os cúpricos são constituídos pelos chamados “cobres fixos”, que po- dem ser oxicloreto, hidróxido ou óxido. Esses compostos são insolú- veis ou de baixa solubilidade e não penetram na planta, formando uma camada protetora na superfície, depositada sobre o tecido vegetal. 71 ● Recomenda-se abrir bem a cova onde estava a planta infectada e colocar cal virgem dentro dela e deixar por 30 dias sem manuseio, com isso haverá controle das bactérias presentes. ● Na época de plantio, utilizar raquetes-sementes sadias, bem vigorosas, para evitar a introdução da doença nas áreas de produção. Conclusão do módulo Chegamos ao final do Módulo 6 – Pragas e doenças da palma forrageira. Neste módulo foi pos- sível identificar as principais pragas e doenças que acometem a plantação de palma forrageira, além de técnicas para diagnosticá-las e os métodos de controle para cada uma delas. Esse é um conteúdo que contribui bastante para manter a saúde da produção da palma forrageira e ter uma plantação bem-sucedida. Em seguida, você vai estudar o Módulo 7, último módulo do curso, e aprenderá sobre a impor- tância e a utilização da palma forrageira na alimentação animal. Porém, antes de seguir com os estudos, vamos exercitar os conhecimentos adquiridos? Realize a atividade e reflita sobre o conteúdo estudado neste módulo. No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá? Na cultura da palma forrageira diversas doenças provocam prejuízo econômico. Indique qual das seguintes doenças é provocada por bactéria. a) Presença nas raquetes de algumas ou várias manchas circulares em forma de cancros com superfícies rachadas, devido à esporulação do agente causador. b) A podridão negra ocorre a partir do local de inserção das raquetes primárias, secundá- rias ou terciárias, sendo no início de cor marrom e, em seguida, torna-se escura devido à produção de estruturas do fungo. c) A cochonilha de escama é facilmente reconhecida pelo aspecto peculiar do aglomera- do de escamas do inseto, com coloração marrom-clara, mascarando o verde típico da cactácea. d) A podridão mole de coloração preta deteriora rapidamente os tecidos da raquete, prin- cipalmente em condições de elevada umidade, e, em seguida, a planta tomba, apresen- tando odor característico de tecido em fermentação. Siga com o estudo na apostila e veja o Módulo 7! Importância e utilização da palma forrageira para alimentação animal 07 73 Importância e utilização da palma forrageira A grande limitação da pecuária no Semiárido brasileiro é a falta de forragem na época seca. Os pastos plantados são mais produtivos que os nativos, mas têm o mesmo problema de sazo- nalidade da produção, às vezes até de forma mais grave que os nativos pela menor diversidade de espécies. Como suprimento para a época seca, são plantados capins diversos, nas várzeas e locais mais úmidos, por vezes até com irrigação, e são feitos plantios de palma, geralmente em encostas com solos férteis e em topos do cristalino, para uso como reserva forrageira. A palma forrageira adiciona diversidade à produção de forragem, contribuindo para maior sustentabilidade da pecuária. Na sequência saiba mais sobre a utilização da palma forrageira para alimentação animal. Você sabia que a palma é um alimento de grande importância para os rebanhos? Especialmente em períodos de estiagens prolongadas, pois, além de fornecer um alimento verde, supre grande parte das necessidades de água dos animais na época de escassez. 74 Existe uma variedade de alimentos que podem ser utilizados na alimentação de ruminantes. Entretanto, o valor nutricional e a qualidade dos alimentos são determinados por complexa interação entre os nutrientes ingeridos e a ação dos micro-organismos do trato digestivo, nos processos de digestão, absorção, transporte e utilização de metabólitos, além da própria condição fisiológica do animal. A palma não pode ser fornecida aos animais exclusivamente, pois apresenta limita- ções quanto ao valor proteico e de fibra, não conseguindo atender às necessidades nutricionais do rebanho. Então, é necessário o uso de alimentos volumosos e fontes proteicas. Um fator importante da palma é que, diferentemente de outras forragens, apre- senta uma alta taxa de digestão ruminal, sendo que a matéria seca é degradada extensa e rapidamente, favorecendo maior taxa de passagem e, como consequên- cia, consumo semelhante ao dos concentrados. A palma frequentemente representa a maior parte do alimento fornecido aos ani- mais durante o período de estiagem nas regiões do Semiárido nordestino, o que se justifica porque é rica em água, mucilagem e resíduo mineral; apresenta alto coefi- ciente de digestibilidade da matéria seca; e tem alta produtividade. Qualidade nutricional da palma forrageira A palma forrageira, em regiões do Semiárido, é a base da alimentação dos ruminantes, pois é uma cultura adaptada às condições edafoclimáticas, além de apresentar altas produções de matéria seca por unidades de área. A palma é uma excelente fonte de energia, rica em carboidratos não fibrosos (61,79%) e nu- trientes digestíveis totais (62%), além de mucilagem (composto de açúcares). Porém, a palma apresenta baixos teores de fibra em detergente neutro, em torno de 26%, necessitando sua associação a uma fonte de fibra que apresente alta efetividade. Outras pesquisas encontraram valores de 5,02% para proteína bruta, 10,21% para material mineral e 55,63% para carboidra- tos não fibrosos, apresentando digestibilidade in vitro da matéria seca de 75%. Veja no infográfico outros componentes nutricionais da palma forrageira. 75 Fibra bruta 8% - 13% Cálcio 2% - 3% Fósforo 0,08% - 0,12% Proteína 3% - 6% Digestibilidade de matéria seca 65% - 75% Água 85% - 90% Palma forrageira A palma forrageira apresenta baixo conteúdo de matéria seca, quando comparada à maioria das forrageiras. Esse aspecto compromete o atendimento das necessidades de matéria seca dos animais que recebem exclusivamente palma e, provavelmente, a elevada umidade limita o consumo pelo controle físico por meio do enchimento do rúmen. Portanto, a elevada umidade observada na palma forrageira, independentemente da cultivada, é uma característica impor- tante, tratando-se de região do Semiárido, pois atende grande parte da necessidade de água dos animais, principalmente no período seco do ano. Deve-se equilibrar a dieta baseada em palma forrageira com um material fibroso e um alimento proteico. Atenção! 76 O alto teor de umidade da palma forrageira provoca, geralmente, uma redução na ingestão de água, por suprir parte da necessidade total de líquido dos animais, o que é de suma importân- cia para a região onde essa forrageira é explorada. Ocorre uma redução no consumo de água via bebida e um aumento de consumo de água via dieta com o incremento de palma forrageira na dieta de bovinos, ovinos e caprinos. Normalmente dietas compostas com palma apresentam elevado teor de matéria mineral devido à alta concentraçãode macroelementos minerais que ela contém. A palma é um alimento que possui uma digestibilidade superior à da silagem de milho, porém contém um baixo teor de fibra. Mesmo considerado um alimento de alto valor energético, não deverá ser administrado isoladamente, necessitando complementação proteica e fibrosa. Animais alimentados com quantidades elevadas de palma, comumente, apresentam distúrbios digestivos (diarreia), o que, provavelmente, está associado à baixa quantidade de fibra dessa forrageira. Daí a importância de complementá-la com volumosos ricos em fibra, a exemplo de silagens, fenos e capins secos. Como fornecer Apesar da necessidade de associação da palma forrageira com fontes de fibra efetiva, na prática a forma mais comum de fornecimento para bovinos leiteiros é picada no cocho, sem a mistura de qualquer outro alimento, e o concentrado, quando utilizado, é oferecido no mo- mento da ordenha. No entanto, a melhor maneira de fornecimento deve ser na forma de mistura completa, em que as fontes de fibra (silagens, fenos etc.), concentrados e a palma serão oferecidos juntos, proporcionando consumo adequado de nutrientes, sem comprometer o desempenho e a com- posição do leite. A forma como a palma é processada e fornecida aos animais merece atenção, pois após passada em máquina forrageira apropriada, a palma expõe sua mucila- gem, proporcionando uma aderência aos outros alimentos que compõem a dieta, consequentemente, facilitando o consu- mo, reduzindo a seletividade, inclusive de alimentos pouco palatáveis como o bagaço de cana. Máquina para triturar a palma Foto: Márcio José Peixoto. 77 Com o fornecimento dos alimentos em separado, nem sempre é possível a obtenção de esti- mativa da ingestão real deles, principalmente quando mais de um volume é consumido. Isso decorre da preferência por determinados alimentos, o que torna difícil o cálculo do consumo médio individual e a caracterização da dieta ingerida pelo animal. O fornecimento da ração completa possibilita a alimentação de grande número de animais com dieta homogênea. De maneira oposta, em alguns sistemas de alimentação, como o con- centrado, o alimento rico em carboidrato não fibroso é fornecido separadamente, em uma ou mais porções durante o dia, o que pode acarretar mudanças bruscas no ambiente ruminal ocasionando o aparecimento de distúrbios digestivos, especialmente a acidose e laminite. Alimentação animal A palma é um alimento de excelente palatabili- dade e a quantidade consumida por um bovino é bastante elevada. Um novilho chega a ingerir 40 kg/dia de palma in natura e uma vaca leiteira adul- ta consome até 45 kg/dia. Uma dieta bem balan- ceada sustenta a produção de leite e o produtor pode reduzir outro componente da ração, nesse caso o milho que aumenta o custo de produção. A palma pode ser fornecida picada ou mesmo inteira no cocho aos animais, vai depender do tamanho das raquetes e da espécie animal que está sendo alimentada. Palma triturada Foto: Márcio José Peixoto. Alimentos pobres em fibra, como é o caso da palma forrageira, quando fornecidos em separado e em grandes quantidades podem causar uma série de distúrbios ruminais. Importante! Foto: Márcio José Peixoto. 78 Conclusão do módulo Parabéns! Você concluiu todos os módulos do curso! Neste último módulo, você pôde conhe- cer as características nutricionais da palma forrageira e como ela deve ser utilizada na alimen- tação animal, chegando ao fim de um caminho de conhecimentos acerca dessa planta, desde sua origem, plantação, manejo e cuidados. Atualmente a palma está sendo fornecida a vacas de raças especializadas, nesse caso a Jersey e as vacas mestiças de Holandesa com Gir leiteiro. Os bovinos, caprinos, ovi- nos e aves caipira têm maior aceitabilida- de da palma quando comparada a outros alimentos. Já em aves caipiras de postura pode entrar em até 28% da dieta total, lembrando que para essas aves o único acesso do verde é a palma. Nas espécies caprina e ovina, pesquisas avaliaram o comportamento ingestivo com dietas que continham palma gigante e orelha de elefante em sua formulação, obtendo-se comportamentos ingestivos semelhantes entre as espécies. O fornecimento de palma forrageira a caprinos reduz o consumo de água, me- lhora a qualidade reprodutiva dos animais, sustenta a produção de leite e na engorda ocorre ganho de peso. Foto: Márcio José Peixoto. Foto: Márcio José Peixoto. Foto: Márcio José Peixoto. 79 A seguir, você chegará ao encerramento do curso! Porém, antes de concluir sua jornada pelos conhecimentos sobre a palma forrageira, vamos refletir uma última vez sobre o conteúdo es- tudado neste módulo? Realize a atividade e, depois, siga para o encerramento. No final da apostila, você poderá consultar o gabarito comentado da atividade a seguir. Mas que tal responder antes, sem olhar a resposta correta? Vamos lá? A palma forrageira é uma excelente fonte de alimento para o rebanho. Indique a alter- nativa correta com relação a dieta para uma vaca em lactação. a) A palma forrageira é rica em água, por isso não provoca diarreia nos animais. b) Na dieta de uma vaca em lactação com palma forrageira tem que constar um material fibroso associado para evitar diarreia do animal. c) A palma pode ser fornecida sem um material fibroso. d) A palma forrageira é rica em proteína e, por isso, não precisa de complemento. Siga com a leitura da apostila e veja o encerramento do curso! Encerramento do curso 08 81 A palma forrageira se consolidou no Semiárido nordestino como forrageira estratégica funda- mental nos diversos sistemas de produção pecuário e também como uma planta de enorme potencial produtivo e de múltiplas utilidades, podendo ser usada na alimentação de bovinos, ovinos, caprinos, aves caipiras, assim como na conservação e recuperação de solos, além de uma infinidade de usos. A tecnologia de fracionamento de raquetes para a produção de mudas da palma forrageira, as- sociada a irrigação, tem permitido a expansão das áreas dessa cactácea em regiões dos sertões de baixa altitude, onde ela nunca prosperou anteriormente. A palma frequentemente representa a maior parte do alimento fornecido aos animais durante o período de estiagem nas regiões do Semiárido nordestino, o que é justificado pelas seguin- tes qualidades: ● rica em água, mucilagem e resíduo mineral; ● apresentam alto coeficiente de digestibilidade da matéria seca; ● tem alta produtividade. No curso Implantação e utilização da palma forrageira na alimentação animal, foi possível: ● conhecer as características da palma forra- geira; ● aprender a escolher e preparar o solo para recebê-la; ● dominar a seleção e o manejo da planta. 82 Você também compreendeu aspectos relacionados ao plantio e ao manejo da palma forrageira em sequeiro e irrigação. No final do curso, foram abordadas as pragas e doenças que acome- tem a planta e como utilizá-la na alimentação animal. Veja, a seguir, os gabaritos e as referências bibliográficas usadas para elaborar todo o conteú- do do curso. Esperamos que os conhecimentos adquiridos no curso sejam colocados em prática para que você alcance os melhores resultados no trabalho com a palma forrageira. Módulo 1 Alternativa correta: letra B Comentário: A cultivar gigante é suscetível à cochonilha-do-carmim, praga de difícil controle, pois o inseto é móvel e rapidamente se dissemina, des- truindo todo o palmal. Módulo 2 Alternativa correta: letra A Comentário: A palma não suporta solos que tenham facilidade de alaga- mento, ocasionando o apodrecimento das raquetes. Módulo 3 Alternativa correta: letra C Comentário: A planta matriz deve ser sadia, livre de pragas e doenças, e apresentar bom desenvolvimento. Módulo 4 Alternativa correta: letra D Comentário: O plantio realizado na posição vertical ou inclinada tem maior contato da raquete com o solo e com isso favorece o enraizamento. Módulo 5 Alternativa correta: letra B Comentário: A colheitana junção da primária com a secundária aumenta a brotação e a vida útil do palmal. Módulo 6 Alternativa correta: letra D Comentário: A podridão mole é uma doença bacteriana que provoca a deterioração dos tecidos das raquetes, tem odor característico de fermen- tação e a planta tomba. Módulo 7 Alternativa correta: letra B Comentário: A palma forrageira tem muita água em sua composição e a ingestão de um material fibroso impede que ocorra diarreia. 83 Referências bibliográficas ALBUQUERQUE, I. C.; LOPES, E. B.; SILVA, A. B.; BRITO, C. H.; BATISTA, J. L. Composição broma- tológica de genótipos de palma forrageiras resistentes à cochonilha do carmim. In: CONGRES- SO BRASILEIRO DE PALMA E OUTRAS CACTÁCEAS, 1., 2009, Campina Grande. 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