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CONTROLADORES LÓGICOS PROGRAMÁVEIS AULA 2 Profª Carla Eduarda Orlando de Moraes de Lara 2 CONVERSA INICIAL Nesta etapa, abordaremos mais detalhes sobre os elementos dos controladores lógicos programáveis, focando os módulos de entradas e saídas nas operações lógicas empregando o CLP, além dos temporizadores e contadores. No tópico 1, estudaremos as entradas e saídas digitais em conjunto com os dispositivos utilizados na conexão com esses módulos. Já no tópico 2, analisaremos os módulos de entrada e saídas analógicos que possuem algumas diferenças em relação aos digitais. No tópico 3, discutiremos a respeito das operações lógicas que podemos desenvolver utilizando o CLP, fazendo ainda uma analogia com as portas lógicas da eletrônica digital. Ainda, no tópico 4, apresentaremos os temporizadores, que são elementos fundamentais ao desenvolvimento de programas de instruções que envolvam operações relacionadas a tempo. Por fim, o tópico 5 vai tratar dos contadores que, assim como os temporizadores, permitem contagens de eventos. Estes também são cruciais no controle de processos industriais, pois possibilitam contar ações e/ou eventos para servir de condições ao acionamento ou desativação de outros elementos. TEMA 1 – ENTRADAS E SAÍDAS DIGITAIS E DISPOSITIVOS Antes de abordamos de fato as entradas e saídas digitais, vamos relembrar a função do módulo de entrada e saída. Segundo Prudente (2015), o módulo de entradas e saídas de um CLP é formado por dispositivos cuja função é permitir a comunicação da unidade central do CLP com os dispositivos de campo. Nesse módulo, os dispositivos de campo (sensores e atuadores) são conectados e é realizada a interface deles com a CPU. Usualmente esses módulos são embutidos no CLP (caso seja do tipo compacto) ou ainda plugados ao CLP (se forem do tipo modular) (Petruzella, 2014). Ainda discutindo sobre a função de cada parte do módulo, temos que a unidade de entrada atua sob o sinal de entrada oriundo dos sensores de campo a fim de adequar o nível desses sinais para a CPU do CLP. Já a unidade de saída tem a missão de tratar os sinais emitidos pela CPU antes de enviá-los aos dispositivos conectados a ela, no caso os atuadores (Prudente, 2015). 3 Tanto a unidade de entrada quanto a de saída podem ser capazes de lidar com dois tipos diferentes de sinais chamados de digitais e analógicos. Eles podem ser definidos como: • Digitais – podem assumir apenas dois valores ou estados (como 0/1 e on/off); e • Analógicos – dentro de uma faixa de valores, podem assumir qualquer valor. Neste tópico, vamos focar as entradas e saídas digitais, deixando as analógicas para o próximo. Quando pensamos na comunicação dos elementos de campo com o CLP, um dos maiores desafios é a compatibilidade de níveis energéticos, pois a CPU costuma trabalhar com tensões baixas (0/5 Vcc), já os dispositivos conectados ao CLP são operados por tensões bem maiores. Nesse sentido, a solução encontrada para que níveis mais altos de tensão não danifiquem o CLP é separar eletricamente os dois circuitos por meio de um optoisolador (dispositivo que estudamos anteriormente), que realizará a transmissão do sinal elétrico entre os dois circuitos separados sem danificar nenhum deles. A Figura 1 ilustra a composição do circuito com o optoisolador. Figura 1 – Circuito optoisolador Fonte: elaborada com base em Prudente, 2015. Com o intuito de organizar nossos estudos, vamos dividir este tópico em duas seções: uma abordará o módulo de entrada digital e outra o de saída digital. 1.1 Módulo de entrada digital Os sinais de entrada digitais vão depender do tipo de alimentação do sensor, podendo ser em corrente contínua ou alternada. Independentemente do 4 tipo de tensão do sinal, os níveis podem ser diferentes dos operados na CPU, portanto, o módulo de entrada precisa tratar esse sinal, adequando-o para ser enviado à CPU. Nesse sentido, deve possuir um circuito eletrônico com capacidade de transformar e/ou retificar os sinais, sendo que deve estar posicionado no interior do módulo (Prudente, 2013). Na Figura 2, podemos observar uma representação da conexão de dispositivos de entrada (sensores) ao módulo de entrada digital de um CLP, que pode ser tanto para um dispositivo em corrente contínua quanto alternada. O funcionamento do circuito ocorre mediante a energização do diodo emissor de luz (LED) por parte do sinal de entrada, que passará a emitir um sinal luminoso que será identificado pelo fototransistor receptor. Assim, o fototransistor permitirá a passagem de corrente no circuito ao qual se encontra inserido e transmitirá o sinal para a CPU. Figura 2 – Conexão de dispositivos de entrada ao módulo de entrada do CLP Fonte: elaborada com base em Prudente, 2015. Para que o circuito funcione corretamente, o diodo emissor precisa ser alimentado em tensão contínua; logo, é necessário um circuito interno para transformar, retificar e estabilizar o sinal de tensão conforme discutido por Prudente (2013). Ainda segundo esse mesmo autor, as tensões mais comuns nos módulos de entrada digitais são: • em corrente contínua – 12 ou 24 V, com absorção de corrente baixa entre 10 e 15 mA; • em corrente alternada – 12. 24, 120 ou 220 V, com absorção de corrente variável; 5 • universal – pode trabalhar com sinais tanto em corrente contínua quanto alternada, porém costuma apresentar valores mais altos do que as anteriores (Prudente, 2013). Cada módulo de entrada possui uma quantidade de pontos de conexão, ou seja, cada ponto é considerado uma entrada. Portanto, um CLP cujo módulo de entrada tenha oito entradas poderá ser conectado a oito dispositivos em seu módulo. Conforme vimos anteriormente, as quantidades de entradas e saídas são padronizadas, podendo ser 8, 16, 32, 256 ou mais. Ainda, quanto maior for a quantidade de E/S, maior será o tamanho do CLP. Cada entrada tem um endereço, e quando estamos desenvolvendo o programa de instruções, devemos endereçar a entrada na qual o sensor de interesse está conectado. Isso porque o CLP não saberá identificar o sensor, e sim a alteração da entrada na qual ele está conectado. Existem diferentes tipos de dispositivos que podem ser conectados às entradas digitais de um CLP, e o critério básico deve ser gerar um sinal digital. Entre eles podemos mencionar: • interruptores de posição; • botoeiras; • chaves; • sensores; e • transdutores. 1.2 Módulo de saída digital Quanto ao módulo de saída digital, seu circuito poderá variar conforme as necessidades do dispositivo de campo que será comando por ele; ou seja, é preciso avaliar as características elétricas e funcionais do atuador que será conectado ao módulo. Já vimos que existem diferentes tipos de saídas, as quais empregam componentes eletrônicos distintos. São elas: • saída a relé tanto em AC quanto em DC; • saída a transistor para atuador em DC; e • saída a TRIAC para atuador em AC. 6 Conforme discutido por Prudente (2013), a escolha do tipo de circuito empregado no módulo de saída digital depende de outros fatores, além dos dispositivos que serão comandos. • Corrente absorvida do atuador: em casos em que a corrente absorvida do atuador é mais alta do que a fornecida pelo módulo de saída, será necessário um relé de potência na saída utilizada para ajustar o nível de corrente. • Velocidade de resposta: quando se emprega um circuito com saída a semicondutor, no caso transistor ou TRIAC, é comum obter resposta mais rapidamente do que na saída a relé. • Tensão de alimentação: para saídas a relé, pode-se ligar dispositivos (tanto em CC quanto CA) em qualquer valor de tensão e corrente estabelecidos pelo fabricante. Já para a saída a transistor, é preciso ligar uma tensão contínua que tenha o valor previstopara aquele tipo de módulo. Por fim, na saída a TRIAC, é necessário ligar uma tensão alternada conforme o valor previsto para o módulo. Entre os dispositivos que podem ser conectados aos módulos de saída digitais, podemos citar os contatores, eletroválvulas, lâmpadas e sinalizadores em geral. Porém, quando o atuado possui natureza indutiva, como é o caso das bobinas do contator, é necessária a inserção de um circuito RC junto à saída para protegê-la contra sobretensão. A Figura 3 mostra um circuito cuja saída conta com a proteção RC. Figura 3 – Módulo de saída com proteção RC Fonte: elaborada com base em Prudente, 2015. 7 TEMA 2 – ENTRADAS E SAÍDAS ANALÓGICAS E DISPOSITIVOS Além dos sinais oriundos de variáveis discretas (digitais), a indústria também trabalha com automação de processos que envolvem o tratamento de sinais analógicos que, conforme já vimos, podem assumir diferentes valores dentro de uma faixa. Temperatura, pressão, velocidade etc. são exemplos de variáveis analógicas. Essas variáveis podem ser convertidas em uma grandeza elétrica por meio de dispositivos chamados transdutores, conforme apresentado na Figura 4. Podemos citar como exemplos de transdutores os termopares e o encoder. Figura 4 – Funcionamento do transdutor Fonte: elaborada com base em Prudente, 2015. Os primeiros modelos de CLP não tinham a capacidade de lidar com sinais analógicos e se limitavam às aplicações que envolviam variáveis discretas. Isso fazia com que o CLP fosse empregado apenas no controle parcial de muitas aplicações. Com a evolução das tecnologias, foram agregados aos CLPs módulos de entrada e saída que podiam tratar sinais analógicos. Estamos falando das interfaces discretas e analógicas, o que tornou possível a aplicação do CLP em diversos tipos de controle de processos (Petruzella, 2014). Os sinais analógicos das entradas e saídas típicas estão na faixa de 0 a 20 mA ou então na de 0 a 10 V. O processo de transmissão deles normalmente se inicia com a conversão de uma grandeza analógica por meio de um transdutor em um sinal elétrico analógico, gerando um valor analógico. Esse valor analógico, por sua vez, é convertido em digital pelo módulo de entrada do CLP que, na sequência, o enviará para a CPU, pois somente assim ela poderá processar o sinal. Após o processamento do programa de instruções, a CPU enviará um valor digital ao módulo de saída analógico, que fará a conversão para um valor analógico, enviando assim um sinal analógico ao atuado que está conectado a ele. Para que ocorra o processo de conversão de um sinal analógico em digital 8 e posteriormente de digital para analógico, são empregados dispositivos capazes de fazer essa conversão – no caso, o conversor analógico/digital (A/D). É comum que os módulos de entrada e saída analógicos tenham múltiplos canais, sendo possível conectar diferentes dispositivos ao CLP. Para melhor organização do conteúdo que estamos discutindo, dividiremos o estudo do módulo de entrada e saídas analógico em duas partes, como veremos a seguir. 2.1 Módulo de entrada analógico Os módulos de entrada analógicos possuem um conversor A/D responsável por transformar o sinal oriundo do transdutor em um sinal digital que será enviado para a CPU. Na Figura 5, é apresentado o esquemático de um conversor A/D empregado neste processo. Além disso, a precisão dessa conversão depende do número de bits do conversor. Figura 5 – Princípio de funcionamento de um conversor A/D de 8 bits Fonte: elaborada com base em Prudente, 2015. Segundo Petruzella (2014), os módulos de entrada analógicos podem ser de dois tipos: sensíveis à tensão ou sensíveis à corrente. Nos módulos sensíveis à tensão, esta pode ser unipolar (aceita sinais de entrada variando apenas no sentido positivo, como de 0 a +10 V) ou bipolar (aceita valores entre um máximo negativo e um máximo positivo, como -10 a +10 V). Já os módulos de entrada sensíveis à corrente usualmente operam com dados analógicos na faixa de 4 a 20 mA, porém podem existir modelos que empregam a faixa de -20 a 20 mA. Esses módulos precisam de alimentação, que pode ser fornecida pelo transdutor ou pelo módulo analógico, conforme ilustrado na Figura 6. 9 Figura 6 – Alimentação fornecida pelo sensor e pelo módulo analógico Fonte: Petruzella, 2014. 2.2 Módulo de saída analógico Assim como no módulo de entrada analógico, também é necessário um processo de conversão de sinal. Porém, no módulo de saída analógico é preciso converter um sinal digital proveniente da CPU em um sinal analógico (de tensão ou corrente), que será enviado ao dispositivo de campo analógico (atuador). Para a conversão de um sinal digital em analógico, é empregado um conversor digital/analógico (D/A). Na Figura 7, temos a representação do princípio de funcionamento de um conversor D/A, no caso de 8 bits, que, conforme já estudamos, vai influenciar a precisão do sinal convertido. Figura 7 – Princípio de funcionamento de um conversor D/A de 8 bits Fonte: elaborada com base em Prudente, 2015. 10 Segundo Petruzella (2014), um sinal analógico de saída é aquele que se altera continuamente e varia conforme o controle do programa do CLP. Podemos citar como exemplos de atuadores controlados por módulos de saída analógicos as válvulas de controle, os registradores gráficos, os acionadores eletrônicos e outros tipos que envolvem controle por meio de sinais analógicos, como inversores de frequência, posicionadores rotativos e servomotores CC. Para exemplificarmos o uso dos módulos de entrada e saída analógicos, vamos analisar uma aplicação típica de um sistema que trabalha com eles, conforme ilustrado na Figura 8 e discutido por Petruzella (2014). Nesse sistema, o CLP é responsável por controlar a quantidade de vazão enviada a um tanque de armazenamento pelo ajuste da porcentagem de abertura da válvula, sendo empregada uma saída analógica do CLP para controlar a vazão por meio do controle da abertura da válvula. O sistema vai abrir a válvula em 100% para iniciar o enchimento do tanque e vai diminuindo a vazão conforme o sensor de nível vai identificando um aumento no nível dele. Ao atingir o nível máximo, o CLP receberá informação pelo sensor de nível e desligará a válvula. Figura 8 – Sistema típico de controle de E/S analógico Fonte: Petruzella, 2014. Ao especificar um módulo de E/S analógico, é preciso avaliar os seguintes critérios: • quantidade de canais por módulo; • faixa de tensão/corrente de entrada; 11 • faixa de tensão/corrente de saída; • proteção de entrada; • capacitância e impedância de entrada; e • resolução. Portanto, podemos observar que o projeto de implantação de um CLP em um sistema automatizado precisa considerar diversos aspectos diferentes. É necessário avaliar cada elemento que o forma, seguindo uma lista de critérios. TEMA 3 – OPERAÇÕES LÓGICAS COM CLP As operações lógicas são empregadas em diferentes situações a fim de realizar operações combinacionais entre elementos. Nesse sentido, as lógicas combinacionais conhecidas de outras disciplinas, como a eletrônica digital, podem ser utilizadas na programação de CLPs para condicionar o acionamento de suas saídas. Outra característica importante dessas operações é que, para profissionais que possuem experiência com as portas lógicas de eletrônica, existe uma linguagem de programação que trabalha com blocos funcionais voltados à programação do CLP chamada diagrama de blocos, que estudaremos futuramente junto com as demais linguagens. Neste tópico, vamos abordar as operações lógicas básicas, discutindo suas tabelas-verdades, sua implementação em lógica de contatos, em diagrama ladder (outra linguagem de programação de CLP que estudaremos adiante) e por fim sua representação em diagrama de blocos. Para organizar os estudos, dividimoscada lógica em uma subseção a seguir. 3.1 Lógica OU (OR) A primeira lógica que trataremos é a lógica OU, do inglês OR, que pode ser definida como uma soma lógica binária entre dois ou mais operandos. Esses operandos, também chamados de variáveis, podem ser tanto elementos associados às entradas do CLP quanto às suas saídas. Essa lógica possui como tabela-verdade a representação dada na Tabela 1. Analisando-a, percebemos que a saída S será acionada sempre que pelo menos uma das duas variáveis estiver ativa, ou seja, em nível lógico 1; quando ambas forem acionadas, a saída 12 também será ativada. A única situação em que a saída não será acionada é quando nenhuma das variáveis possuir nível lógico 1. Tabela 1 – Tabela-verdade da lógica OU X Y S = X + Y 0 0 0 1 0 1 0 1 1 1 1 1 Podemos representar a lógica OU por diferentes meios, conforme é possível observa na Figura 9. Figura 9 – Representações para a lógica OU Fonte: elaborada com base em Prudente, 2016. Na Figura 9(a), a lógica OU aparece por meio da representação de contatos, ou seja, ambos os contatos estão associados em paralelo, ao passo que a saída S é dada pelo acionamento de uma lâmpada. Caso qualquer um dos contatos (X ou Y) seja ativado, ou seja, se feche e passe a conduzir corrente elétrica, a lâmpada será energizada, representando a saída S ativada. Outra possibilidade é representar a lógica OU por meio da linguagem ladder, muito parecida com a lógica de contatos, que está representada na Figura 9(b). Podemos notar que há dois contatos normalmente abertos 13 associados em paralelo e responsáveis por acionar a saída S. Caso seja ativado (tanto X quanto Y), o caminho será fechado para a corrente elétrica, acionando S. O equivalente em diagrama de blocos para lógica OU é dado na Figura 9(c), sendo possível observar as entradas X e Y, e a saída S. 3.2 Lógica E (AND) Assim como a lógica OU, a lógica E (do inglês AND) consiste na operação entre duas ou mais variáveis, porém nesse caso é realizada uma operação de produto lógico binário. A Tabela 2 representa as possíveis combinações para uma lógica E que opera duas variáveis, sendo possível perceber que a saída S é dada pelo produto entre as variáveis. Desse modo, a saída S somente terá nível lógico 1 caso ambas as entradas possuam nível lógico 1 também, pois somente nesse caso o produto de ambas as variáveis será 1. Tabela 2 – Tabela-verdade da lógica E X Y S = XY 0 0 0 1 0 0 0 1 0 1 1 1 Agora analisaremos a lógica E em diferentes representações, apresentadas na Figura 10. Sempre que pensamos nessa lógica, temos que ela pode ser implementada pela associação em série de contatos abertos que, ao serem ativados e fecharem, passarão a conduzir corrente e acionarão a saída. 14 Figura 10 – Representações para a lógica E Fonte: elaborada com base em Prudente, 2016. Na Figura 10(a), temos a representação da lógica E implementada por meio de contatos elétricos, sendo a saída S representada por uma lâmpada. Como os contatos abertos representam nível lógico 0, a saída S somente será acionada quando os contatos X e Y estiverem fechados, ou seja, nível lógico 1, simultaneamente. Já a Figura 10(b) se refere à representação da lógica E em linguagem ladder, que consiste em dois contatos normalmente abertos de X e Y associados em série. Eles são responsáveis por acionar a saída S, representada pela bobina no final da linha. Por fim, na Figura 10(c) temos a representação da lógica E por meio de diagrama de blocos, em que é possível observar que se trata de um bloco E com entradas X e Y acionando a saída S. 3.3 Lógica NÃO (NOT) Outra lógica muito empregada no desenvolvimento de programa de instruções para CLPs é a lógica NÃO (do inglês NOT), também conhecida como lógica inversora. Ela consiste em inverter o estado lógico da entrada para a saída, ou seja, quando a entrada X for acionada, a saída deve ser desativada, e quando a entrada X for desativada, a saída deve ser acionada. A tabela-verdade para essa lógica é apresentada na Tabela 3. 15 Tabela 3 – Tabela-verdade da lógica NÃO X S = �̅� 0 1 1 0 Assim como fizemos nas lógicas anteriores, podemos representar a lógica inversora por meio de diagramas que a ilustram conforme a representação adotada, as quais são apresentadas na Figura 11. Figura 11 – Representações para a lógica NÃO Fonte: elaborada com base em Prudente, 2016. Na Figura 11(a), temos a representação a lógica inversora por meio da lógica de contatos, sendo um contato normalmente aberto da variável X associado em série a uma bobina do contator K; além disso, um contato normalmente fechado do contator K é associado em série com a lâmpada que representa a saída S. Quando o contato X está em nível lógico 0, ele permanece fechado, mantendo desenergizada a bobina do contator K; sendo assim, seu contato permanece fechado, mantendo a saída em nível lógico 1. Quando a variável X passa ter nível lógico 1, seu contato se fechará, energizando a bobina de K e abrindo seu contato, portanto, a saída S será desativada. A representação em diagrama ladder para a lógica inversora é dada na Figura 11(b), por meio da qual podemos observar que o funcionamento da lógica é idêntico ao da lógica de comandos, porém empregando a simbologia do ladder. 16 Finalmente, temos na Figura 11(c) a representação em diagrama de blocos da lógica NÃO, caracterizando o bloco inversor, que conta com uma entrada X e uma saída S. O bloco tem como função inverter o valor lógico da entrada X a fim de produzir a saída S. 3.4 Lógica NE (NAN) A lógica NE, do inglês NAN, consiste na associação em série de uma lógica E com uma lógica inversora, ou seja, a saída da lógica será dada pelo inverso da multiplicação lógica binária. A Tabela 4 apresenta as combinações para as variáveis X e Y que produzirão a saída S resultado da lógica NE. Ainda, o resultado para a saída S é correspondente ao inverso do resultado obtido para a lógica E, conforme esperado. Tabela 4 – Tabela-verdade da lógica NE X Y S = 𝐗𝐘̅̅ ̅̅ 0 0 1 1 0 1 0 1 1 1 1 0 A Figura 12 ilustra as simbologias para a lógica NE, empregando as diferentes representações. Figura 12 – Representações para a lógica NE Fonte: elaborada com base em Prudente, 2016. 17 A representação em lógica de contatos é apresentada na Figura 12(a), e na Figura 12(b) podemos verificar a representação dessa lógica em diagrama ladder. Por último, na Figura 12(c), temos a representação em diagrama de blocos, a qual apresenta um bloco NE em que podemos observar que consiste em um bloco E com a saída negada. 3.5 Lógica NOU (NOR) A lógica NOU, do inglês NOR, é formada pela combinação em série das lógicas OU e inversora, respectivamente. A Tabela 5 apresenta a tabela-verdade para essa lógica, sendo possível observar que a saída S consiste no inverso dos resultados obtidos para a lógica OU. Sendo assim, a única possibilidade para que a saída S passe a assumir nível lógico 1 é quando ambas as variáveis (X e Y) estiverem em nível lógico 1. Tabela 5 – Tabela-verdade da lógica NOU X Y S = 𝐗 + 𝐘̅̅ ̅̅ ̅̅ ̅ 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 1 0 Essa lógica pode ser representada em diferentes formas, e nesse contexto temos a Figura 13, na qual são ilustradas as representações em: lógica de contatos (Figura 13(a)), diagrama ladder (Figura 13(b)) e diagrama de blocos (Figura 13(c)). 18 Figura 13 – Representações para a lógica NOU Fonte: elaborada com base em Prudente, 2016. 3.6 Lógica OU exclusivo (OR exclusive) A última lógica que abordaremos é a lógica OU exclusivo, do inglês OR exclusive. Essa operação lógica produz uma saída conforme apresentado na Tabela 6, na qual podemos observar que a saída S consiste na expressão lógica dada por S = XY̅ + X̅Y. Analisando a Tabela6, percebemos que a saída S só é ativada quando apenas uma de qualquer uma das variáveis X ou Y recebe nível lógico alto, ou seja, quando X está em 1 ou quando Y está em 1. Quando X e Y estão simultaneamente em nível lógico 1, a saída permanece em nível lógico 0. Tabela 6 – Tabela-verdade da lógica OU exclusivo X Y S =X�̅� + �̅�Y 0 0 0 1 0 1 0 1 1 1 1 0 A lógica OU exclusiva está representada na Figura 14, na qual são ilustradas as representações em: lógica de contatos (Figura 14(a)), diagrama ladder (Figura 14(b)) e diagrama de blocos (Figura14 (c)). 19 Figura 14 – Representações para a lógica OU exclusivo Fonte: elaborada com base em Prudente, 2016. TEMA 4 – TEMPORIZADORES Quando utilizamos o CLP para controlar processos, é comum a necessidade de submeter as ações a serem executadas a intervalos de tempo ou gerar sinais de comando que possuam duração preestabelecida (Prudente, 2013). Em ambas as situações, o CLP faz uso de instruções de temporização, as quais são implementadas por meio dos temporizadores. Usualmente, estes são inseridos nos programas de instruções desenvolvidos pelo usuário, podendo ser de diferentes tipos. Neste tópico, apresentaremos os três tipos básicos de temporizadores, que podem ser encontrados em praticamente todos os modelos de CLPs disponíveis no mercado. Porém, vale ressaltar que os fabricantes podem criar derivações deles a fim de tornar mais fáceis algumas aplicações. Para conhecer todas as opções de temporizadores que um modelo de CLP oferece, é importante analisar o manual de instruções, pois os fabricantes sempre descrevem os tipos ali. Vamos descrever e analisar o funcionamento dos três tipos básicos de temporizadores: • temporizador com atraso na ligação; 20 • temporizador com atraso no desligamento; e • temporizador com atraso na ligação com memória. Basicamente, qualquer temporizador terá sempre os parâmetros de entrada – no caso, entrada (IN) e tempo predefinido (PT) – e uma saída Q, que será acionada ou desativada conforme o tipo da instrução de temporização. As seções a seguir tratam de cada uma das instruções de temporização mencionadas, discutindo seus elementos, suas funções e suas representações. 4.1 Temporizador com atraso na ligação (TON) O temporizador com atraso na ligação, do inglês on-delay, é comumente conhecido pela sigla TON. Como o próprio nome sugere, atua no atraso de uma ação de ligação, ou seja, quando sua entrada IN é acionada, ele passa a contar o tempo de forma que, ao atingir o valor predefinido PT, aciona a saída Q. Podemos considerar a Figura 15 como uma representação para esse tipo de temporizador, o qual é ilustrado por meio de um bloco funcional, contendo como parâmetros de entrada IN e PT, e na saída, Q e o tempo decorrido ET. Vale reforçar que a simbologia adotada é genérica e empregada para fins de explicação do modelo de temporizador; na literatura sobre os controladores lógicos programáveis, será comum encontrar outras representações, porém sempre com os mesmos princípios. Figura 15 – Representações de um bloco temporizador tipo TON Para entender melhor como ocorre o processo de acionamento da saída Q, temos a Figura 16, que ilustra a relação entre a entrada IN e a saída Q. Analisando tal figura percebemos que quando a entrada IN é acionada por um intervalo de tempo (t) menor que PT, a saída não é acionada; portanto, a saída Q somente será acionada se a entrada IN for acionada por um t maior ou igual a PT. Além disso, assim que a entrada IN for desativada, a saída do temporizador 21 também o será; assim, ele não mantém a saída acionada quando a entrada é desligada. Figura 16 – Relação entre a entrada IN e a saída Q para o TON Fonte: elaborada com base em Zancan, 2011. O TON é empregado sempre que se deseja retardar uma ação de acionamento. Por exemplo, quando se desejar que, ao acionar um botão ou qualquer outro elemento, espere um intervalo de tempo e acione outro elemento, como um atuador do processo. 4.2 Temporizador com atraso no desligamento (TOF) O temporizador com atraso no desligamento, também chamado de temporizador off-delay (TOF), consiste em uma instrução de temporização que atuará na contagem de tempo; porém, tal contagem só começa a partir do momento em que sua entrada IN é desativada, razão por que recebe esse nome. O TOF pode ser representado por meio do bloco apresentado na Figura 17. Figura 17 – Representações de um bloco temporizador tipo TOF 22 Analisando esse bloco, verificamos que ele possui dois parâmetros de entrada (a entrada IN e o tempo predefinido PT), e como saída, Q. É comum em alguns CLPs a apresentação do tempo decorrido em ET. Podemos descrever o funcionamento do bloco TOF como uma função de atraso no desligamento da saída Q a partir do desligamento da entrada IN; ou seja, quando desativamos IN o bloco inicia a contagem de tempo e desliga a saída Q. Podemos concluir que assim que IN é acionada, a saída Q é automaticamente acionada também e só desativada a partir da finalização da contagem de tempo que começa após o desligamento da entrada. Para melhor exemplificar a relação entre a entrada IN e a saída Q, temos a Figura 18, que expressa a relação entre o acionamento e o desligamento desses parâmetros. Figura 18 – Relação entre a entrada IN e a saída Q para o TOF Fonte: elaborada com base em Zancan, 2011. O TOF é aplicado em situações em que se deseja atrasar ações de desligamento, pois, a partir do momento em que sua entrada é desativa, ele inicia a contagem de tempo para desligar a saída. Portanto, qualquer elemento associado à sua saída terá a ação de desligamento retardada. 4.3 Temporizador com atraso na ligação com memória (TONR) O terceiro tipo de temporizador que estudaremos é o com atraso na ligação com memória (TONR). Ele possui um princípio de funcionamento muito parecido com o TON, porém nesse caso existe uma memória que manterá a saída acionada mesmo que a entrada seja desligada. Uma representação para esse temporizador pode ser observada pela Figura 19. 23 Figura 19 – Representação de um bloco temporizador tipo TONR Conforme podemos verificar nessa figura, o TONR possui um parâmetro de entrada adicional – no caso, a entrada R, que serve como um reset para a função de temporização. O funcionamento desse bloco consiste em atrasar uma ação de ligação da saída a partir da contagem de tempo que se inicia quando a entrada IN é acionada. Porém, ele ainda conta com uma memória que armazena o valor da contagem quando a entrada IN é desligada; portanto, a saída Q poderá permanecer acionada mesmo com a entrada passando a ter nível lógico 0. Entretanto, para que possa ser reiniciada a contagem para outro evento, é necessário acionar a entrada R; ou seja, quando é identificada uma variação no sinal da entrada R, a memória do TONR será resetada, portanto, a saída será desligada e poderá ocorrer todo o processo de acionamento da entrada e contagem de tempo. A relação entre a entrada IN, a saída Q e a entrada R, respectivamente, é apresentada na Figura 20. Figura 20 – Relação entre a entrada IN e a saída Q para o TOF 24 Analisando essa figura, verificamos que ao acionar a entrada IN por um intervalo de tempo menor que PT, a saída não será acionada; porém, caso a entrada IN seja mantida acionada por um tempo maior ou igual a PT, a saída Q é acionada e mantida assim menos que IN seja desligada. A saída Q somente é desativada quando identificada uma variação de sinal na entrada R, que faz com que a contagem seja resetada, e a saída Q, desativada. TEMA 5 – CONTADORES Neste último tópico, vamos estudar os diferentes tipos de contadores empregados na programação dos CLPs. Conforme salienta Petruzella (2014), praticamente todos os fabricantes de CLP ofertam instruçõesde contadores em seu agrupamento de funcionalidades. Além disso, uma das aplicações mais comuns diz respeito ao processo de contagem de quantidades de dado item que passam por um determinado ponto do processo ou sistema. Outra característica interessante acerca dos contadores é que eles têm um formato semelhante aos temporizadores, contando com uma entrada que recebe o pulso de contagem a ser analisado pelo CLP, e outra que possibilita resetar a contagem (Prudente, 2016). Ainda, uma diferença substancial entre os contadores e os temporizadores está no fato de que o contador não opera sob pulsos de um relógio interno do CLP, e sim de pulsos externos ou de programas- fontes empregados na contagem (Petruzella, 2014). Os CLPs normalmente trazem duas funções de contagem, o contador crescente e o decrescente, porém alguns fabricantes podem oferecer modelos com derivações destes ou ainda combinações entre as funções de contagem. Podemos dizer que independentemente do modelo, os contadores fazem contagem de eventos de diferentes tipos a partir de um sensor ou um transdutor que vai converter o evento em pulsos elétricos. Além disso, usualmente os contadores são retentivos, ou seja, têm como característica manter o status da contagem quando o processo é desligado, e quando energizado novamente o contador poderá restaurar tal status para o sistema (Petruzella, 2014). Para organizar nossa reflexão, vamos abordar cada um dos tipos de contadores em seções separadas, começando pelo crescente e na sequência discutindo sobre o decrescente. 25 5.1 Contador crescente O contador crescente, também conhecido pela sigla CTU (do seu termo em inglês counter up), é uma instrução de contagem que faz o processo de forma incremental, ou seja, inicia em 0 e vai até o valor pré-ajustado para contagem. Uma representação para o bloco CTU pode ser vista na Figura 21, que apresenta como parâmetros de entrada: a entrada de contagem IN, o reset do contador R e o valor máximo, que é o valor pré-ajustado de contagem. Além disso, como parâmetros de saída, temos a saída Q e o valor atual da contagem dado em CV. Figura 21 – Representação de um bloco contador crescente O funcionamento do bloco CTU consiste em identificar transições em sua entrada IN a cada vez que ocorrer uma mudança no sinal – por exemplo, uma borda de subida ou descida (isso depende do fabricante do CLP, por isso, sempre deve ser verificado cada função no manual) realizando o incremento unitário do valor acumulado até atingir o valor pré-ajustado dado em PV. Assim, o valor de CV inicia em 0 e vai até a quantidade definida em PV; quando o valor de CV se torna igual a PV, o acionamento da saída Q acontece. A saída Q permanece ativada após CV atingir o valor pré-ajustado para a contagem e ao identificar alteração no sinal na entrada IN a contagem continua a ser incrementada, porém sem alterar a saída. Caso seja necessário reiniciar o processo de contagem, é preciso acionar a entrada R, que será responsável por zerar o valor em CV e resetar a contagem. Vale lembrar que, ao acionar a entrada R, a saída do contador é desativada e somente será acionada ao final do novo processo de contagem. Esse tipo de instrução de contagem possui diversas aplicações nos sistemas de automação industrial, principalmente quando é fundamental contar qualquer tipo de evento. 5.2 Contador decrescente 26 Outra opção de instrução de contagem é o contador decrescente, do inglês counter down (CTD). Ele difere do contador CTU pelo princípio de contagem: o CTU faz a contagem crescente, já o CTD realiza o processo de maneira decrescente, ou seja, regressiva. O contador decrescente realizará a contagem de maneira decremental, começando em um valor pré-ajustado e indo até 0. A Figura 22 ilustra uma representação para um bloco contador decrescente, o qual possui praticamente os mesmos parâmetros de entrada do bloco CTU, com exceção da entrada load, em vez do reset. Já os parâmetros de saída são os mesmos, porém o funcionamento do bloco também é diferente. Figura 22 – Representação de um bloco contador decrescente O princípio de funcionamento do contador decrescente consiste em contar de trás para frente, ou seja, cada vez que ocorrer um evento que altere o sinal da entrada IN, o valor de contagem em CV é decrementado até atingir o valor 0. Normalmente, a saída do bloco CTD começa acionada (na maioria dos fabricantes, a instrução CV se inicia com o valor máximo), e quando o processo de contagem é finalizado, ou seja, atinge o valor 0 em CV, ocorre o desligamento da saída do bloco. Porém, isso pode variar de fabricante para fabricante, por isso voltamos a recomendar que seja sempre verificado o funcionamento dos blocos de contagem do modelo de CLP que será utilizado na aplicação, o qual pode ser feito por meio de uma consulta em seu manual. Ao final do processo de contagem, o valor em CV será 0, e em alguns modelos de CLP pode ocorrer o decremento negativo de CV, ou seja, indo a valores menores que zero. Embora isso possa ocorrer, não será possível acionar novamente a saída Q, a não ser que seja reiniciado o processo de contagem; para isso, precisamos carregar novamente o valor pré-ajustado em PV para CV. Essa operação se dá por meio do acionamento da entrada load (LD), que será responsável por carregar novamente o valor de contagem para CV, portanto será 27 possível reiniciar a contagem decremental. Ainda, se o funcionamento do bloco for como descrito anteriormente, a saída Q será acionada novamente. Existe também a possibilidade de combinar os contadores crescente e decrescente, formando um bloco contador crescente-decrescente. Caso o modelo de CLP não conte com uma instrução de contagem em conjunto, pode- se associar os tipos de contadores para formar a função crescente-decrescente. Todavia, existem modelos de CLP com instruções de contagem crescente- decrescente, assim o bloco terá tanto entrada para contagem crescente quanto para decrescente e será possível realizar o processo de contagem crescente e na sequência regressiva, aumentando as possibilidades de aplicações. Por fim, podemos associar contadores de modo que sejam realizados processos de soma ou associar contadores com temporizadores, que também são aplicações comuns nos processos. Embora a maioria dos contadores empregado sejam os crescentes, pode ocorrer a utilização dos blocos CTD também nos processos. FINALIZANDO Nesta etapa, verificamos o funcionamento de diversos elementos que são fundamentais no funcionamento dos controladores lógicos programáveis. Começamos abordando os módulos de entradas e saídas digitais, além dos dispositivos que são conectados a eles. Vimos que esses elementos trabalham com sinais digitais, portanto não precisam de interfaces de conversão A/D, pois a unidade central de processamento do CLP já atua com esse tipo de sinal. Dando continuidade aos módulos de entrada e saída, aprendemos que estes podem ser do tipo analógicos também; nesse caso, os sinais envolvidos são analógicos e demandam um processo de conversão para ser processados pelo CLP. Portanto, existem conversores A/D no módulo de entrada e conversores D/A no módulo de saída, que são responsáveis pela adequação dos sinais lidos dos sensores e dos sinais enviados aos atuadores, respectivamente. Estudamos ainda as operações lógicas que podem ser implementadas com o CLP e que são empregadas no desenvolvimento de programas de instruções para realizar o condicionamento de acionamento ou desligamento de elementos. Em seguida, tratamos dos temporizadores, que podem ser de três tipos basicamente: com atraso na ligação, com atraso no desligamento e com atraso na ligação com memória. Vimos o funcionamento de cada um, analisando 28 a relação entre suas entradas e saídas. Além disso, mencionamos que, dependendodo modelo de CLP, podem ocorrer variações e até mesmo combinações desses modelos com a intenção de facilitar a programação desses dispositivos nas mais diversas aplicações. Por isso, é sempre muito importante consultar o manual fornecido pelo fabricante do CLP a fim de verificarmos as opções para as diversas instruções que o modelo pode conter. Por fim, discutimos sobre os contadores, que, assim como os temporizadores, também realizam processos de contagem. Verificamos que a diferença está no fato de o contador realizar contagem de eventos a partir de variações nos sinais dos elementos externos do CLP, ao passo que os temporizadores realizam contagem de tempo baseadas em relógio interno. Além disso, os contadores podem fazer contagens crescentes (no caso dos contadores CTU) ou decrescentes (caso seja um contador do tipo CTD). Verificamos que há ainda a possibilidade de combinar contadores crescentes e decrescentes, formando uma nova instrução de contagem capaz de realizar ambos os processos. 29 REFERÊNCIAS PETRUZELLA, F. D. Controladores lógicos programáveis. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. PRUDENTE, F. Automação industrial PLC: programação e instalação. Rio de Janeiro: LTC, 2016. _____. Automação industrial PLC: teoria e aplicações: curso básico. Rio de Janeiro: LTC, 2015. ZANCAN, M. D. Controladores programáveis. 3. ed. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; Colégio Técnico Industrial de Santa Maria, 2011.