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www.projetoredacao.com.br 
Lista de Redação – Gramática – Morfologia (Estrutura de 
Formação de Palavras) – 98 Questões [Médio] 
 
 
Questão 01) 
 A gente via Brejeirinha: primeiro, os cabelos, compridos, lisos, louro - 
cobre; e, no meio deles, coisicas diminutas: a carinha não-comprida, o 
perfilzinho agudo, um narizinho que-carícia. Aos tantos, não parava, 
andorinhava, espiava agora – o xixixi e o empapar-se da paisagem – as 
pestanas til-til. Porém, disse-se-dizia ela, pouco se vê, pelos entrefios: – 
“Tanto chove, que me gela!” 
(Guimarães Rosa, “Partida do audaz navegante”, Primeiras estórias) 
 
a) Os diminutivos com que o narrador caracteriza a personagem traduzem 
também sua atitude em relação a ela. Identifique essa atitude, explicando-
a brevemente. 
b) “Andorinhava” é palavra criada por Guimarães Rosa. Explique o processo 
de formação dessa palavra. 
Indique resumidamente o sentido dessa palavra no texto. 
 
Questão 02) 
Em relação à palavra "bioética" , é possível verificar, em seu processo de 
formação, a presença de 
a) prefixo (bio) + radical (ética). 
b) radical (bio) + radical (ética). 
c) radical (bio) + sufixo (-ético). 
d) prefixo (bio) + radical (ét-) + sufixo (-ica). 
e) radical (bioét) + sufixo (-ica). 
 
Questão 03) 
Os atuais simuladores de vôo militares estão em condições não apenas de 
exibir uma imagem “realista” da paisagem sobrevoada, mas também de 
confrontá-la com a … obtida dos radares. 
O termo que preenche adequadamente a lacuna no texto é: 
a) iconologia 
b) iconoclastia 
c) iconografia 
d) iconofilia 
e) iconolatria 
 
Questão 04) 
 
Transforma-se o amador na cousa amada, 
por virtude do muito imaginar; 
não tenho, logo, mais que desejar, 
pois em mim tenho a parte desejada. 
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 Se nela está minh’alma transformada, 
 que mais deseja o corpo de alcançar? 
 Em si somente pode descansar, 
pois consigo tal alma está liada. 
Mas esta linda e pura semidéia, 
que, como um acidente em seu sujeito, 
assi co a alma minha se conforma, 
 está no pensamento como idéia: 
 e o vivo e puro amor de que sou feito, 
 como a matéria simples busca a forma. 
 
(Camões, ed. A.J. da Costa Pimpão) 
 
O prefixo presente em semidéia tem o mesmo valor semântico do prefixo que 
há em: 
a) hipotensão. 
b) perífrase. 
c) anfiteatro. 
d) subalterno. 
e) hemisfério. 
 
Questão 05) 
Assinale a opção que apresenta somente palavras formadas por derivação 
parassintética: 
a) desvalorização, avistar, resfriado, infelizmente. 
b) expropriar, entortar, amanhecer, desalmado, ensurdecer. 
c) escolarização, antiinflação, retrospectivo, comilão, corpanzil. 
d) desigualdade, endurecer, alfabetizar, abençoar, chuviscar. 
e) administração, entretela, contrabalançar, semicondutor, relembrar. 
 
Questão 06) 
Independentemente do contexto, palavras da moda vão se instalando assim 
à vontade. 
 
Considere as afirmações referentes à palavra sublinhada acima. 
I) Compõe-se de um prefixo latino, um radical e um sufixo. 
II) O radical é de origem grega. 
III) Apresenta apenas um radical e um sufixo formador de advérbio. 
 
Está correto o que se afirma SOMENTE em: 
 
a) I. 
b) II. 
c) I e II. 
d) I e III. 
e) II e III. 
 
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Questão 07) 
As palavras são derivadas por prefixação em: 
a) transgênicos e fertilização. 
b) benefícios e engenharia. 
c) importância e prever. 
d) inevitável e sobreviver. 
e) humanidade e infertilidade. 
 
Questão 08) 
Neste grupo de palavras : ADOÇADA; TREPADEIRA; ENTRETECIDA e 
ENCARNADO – temos respectivamente os seguintes processos de 
formação de palavras: 
a) Prefixação; sufixação; Parassintetismo; Parassintetismo 
b) Aglutinação; Parassintetismo; sufixação; prefixação 
c) Sufixação; parassintetismo; prefixação; justaposição 
d) Aglutinação; Sufixação; Prefixação; Parassintetismo 
e) Parassintetismo; Sufixação; Parassintetismo; Parassintetismo 
 
Questão 09) 
Os vocábulos aprimorar e encerrar classifica-se, quanto ao processo de 
formação de palavras, respectivamente, em: 
a) parassíntese / prefixação. 
b) parassíntese / parassíntese. 
c) prefixação / parassíntese. 
d) sufixação / prefixação e sufixação. 
e) prefixação e sufixação / prefixação. 
 
Questão 10) 
"Em meio da viagem, soprou de súbito rijo nordeste, e o mar, que até então 
se conservara plácido e próspero, encapelou-se raivoso. Em três minutos as 
ondas esbravejaram já terrivelmente, e a canoa, erguida a grande altura, e 
de novo arremessada ao pélago, num estardalhaço de vagas, recebia no 
bojo quantidade de água suficiente para metê-la a pique." 
(Histórias Brejeiras) 
A relação correta, quanto ao processo de formação das palavras, está 
presente na opção: 
a) "raivoso" _ derivação sufixal 
b) "terrivelmente" _ parassíntese 
c) "viajar" _ derivação regressiva 
d) "maresia" _ prefixação 
e) "canoa" _ derivação imprópria 
 
Questão 11) 
 
Na relação entre verbos e substantivos, é comum que, a partir dos primeiros, 
formem-se os segundos, com a introdução de sufixos. Isso acontece, por 
exemplo, entre BALANCEAR e BALANCEAMENTO, CURTIR e CURTIÇÃO. 
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Não obstante, entre MANUFATURAR e MANUFATURA , o processo é 
diferente. Encontre no texto outro substantivo cuja formação seja semelhante 
à de MANUFATURA. 
a) Estratégias. 
b) Totalidade. 
c) Mudanças. 
d) Avanço. 
e) Despesa. 
 
Questão 12) 
Os vocábulos desagradável, desarranjo, desengonço, utilizados no texto III, 
apresentam um elemento morfológico comum quanto ao processo de 
formação de palavras. 
a) Identifique e classifique esse elemento. 
b) Explicite a relação entre o significado desse elemento e a caracterização 
física do narrador. 
 
Questão 13) 
A revista "Veja", referindo-se aos empresários brasileiros, na edição de 
02.10.2002, às vésperas das eleições, utilizou o seguinte título para uma 
matéria: 
 
"Eles lularam na reta final". 
 
Tomando-se como referência o contexto das eleições, responda: 
a) Qual o significado da forma verbal "lularam"? 
b) Do ponto de vista gramatical, por meio de que recurso o verbo da frase 
foi criado? 
 
Questão 14) 
Em "continuará DESATIVADO o canal povo-rainha", a palavra em destaque 
é formada com o acréscimo de um prefixo que expressa negação ou 
privação, como em: 
a) inflação e ingestão. 
b) inapto e inábil. 
c) amorfo e anfíbio. 
d) anáfora e êxodo. 
e) reprovar e distender. 
 
Questão 15) 
Assinale a ÚNICA alternativa em que o termo em destaque constitui exemplo 
de processo de formação de palavras por derivação prefixal. 
 
a) "O luxo continua sendo uma RARIDADE..." 
b) "Na nossa sociedade, o luxo é aquilo capaz de ressuscitar uma aura do 
sagrado (...) e que REINSCREVE a ritualidade no mundo desencantado." 
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c) "Nas festas primitivas, a diminuição das riquezas de uma tribo (...) 
significava assegurar um novo ciclo de vida, um 
REJUVENESCIMENTO..." 
d) "No entanto, a DESPEITO da sobrevivência das motivações elitistas, tais 
motivações não são mais fundadas na ostentação social." 
 
Questão 16) 
Assinale a palavra que contém o mesmo prefixo que INESQUECÍVEL. 
a) imigrante 
b) imagináveis 
c) informação 
d) irrevogavelmente 
e) inteiramente 
 
Questão 17) 
O léxico de uma língua é constantemente atualizado em função de mudanças 
sociais e de conquistas tecnológicas. 
Assinale, respectivamente, o valor do sufixo -agem e -ico em "técnica de 
clonAGEM" e "contos da era clônICA". 
a) instituição / relação 
b) ato / referência 
c) semelhança / propriedade 
d) ofício / proveniência 
e) intensidade / pertinênciaQuestão 18) 
O morfema -ada tem mais de um sentido. Assinale a opção em que esse 
morfema apresenta o mesmo sentido que tem na palavra engenheirada. 
a) freada 
b) cajuada 
c) caldeirada 
d) cervejada 
e) aguada 
Questão 19) 
 
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Sobre o processo de "verbar palavras", assinale a alternativa correta. 
a) O menino, usando as palavras "quando" e "agora", convence o tigre de 
que tal processo acaba de ser criado e fará a língua melhorar. 
b) Para o menino, o processo amplia o vocabulário, pois cria verbos 
paralelos a formas nominais pré-existentes, opinião reforçada pelo uso 
de "também". 
c) Para o tigre, com o emprego do processo, a língua pode ser estropiada, 
mas se torna mais dinâmica. 
d) Para o tigre, é uma sorte o processo ter sido descoberto, pois contribuirá 
para que a língua recupere sua função de código de comunicação. 
e) O tigre e o menino possuem um plano de divulgação do processo que 
tornará a língua um empecilho para a intercompreensão. 
Questão 20) 
Apresentamos, a seguir, considerações sobre o processo de formação de 
algumas palavras da língua portuguesa. Assinale a afirmativa INCORRETA: 
a) O neologismo "BLOGUEIRA", embora tenha sua base de formação a 
partir de um empréstimo lingüístico, segue um padrão morfológico e 
ortográfico característico da língua portuguesa. 
b) A palavra "BLOGUEIRA" comprova que a apropriação de 
estrangeirismos é um mecanismo de empobrecimento do processo de 
formação de palavras do português. 
c) A exemplo de "BLOGUEIRA", palavras como "FUNQUEIRA" e 
"MARQUETEIRA" revelam mudanças, por influência de estrangeirismos, 
que contribuem para o enriquecimento do português. 
d) O sufixo {-ANTE} em "cadeirANTE" designa uma ação, assim como em 
"acompanhANTE", mas sua anexação se dá a radicais de palavras de 
classes morfológicas distintas. 
e) A formação da palavra "CADEIRANTE", a exemplo do que ocorre em 
"FICANTE", "FEIRANTE" e "ESTRESSANTE", atesta um mecanismo 
altamente produtivo de construção lexical em português. 
Questão 21) 
Assinale a alternativa em que todas as palavras apresentam prefixo de 
mesmo sentido. 
a) esvaziar / evadir / engarrafar 
b) amoral / discordância / introverter 
c) refazer / reversão / retrair 
d) contraponto / antítese / anacrônico 
e) intermédio / endovenoso / intramuscular 
 
Questão 22) 
Recheio, fruta-do-conde e cruzamento - palavras retiradas do texto - 
passaram, respectivamente, pelos seguintes processos de formação: 
a) hibridismo, derivação sufixal e composição. 
b) derivação prefixal, composição e derivação sufixal. 
c) derivação prefixal, hibridismo e derivação sufixal. 
d) hibridismo, derivação sufixal e derivação prefixal. 
e) derivação sufixal, hibridismo e composição. 
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Questão 23) 
"Pneumotórax", palavra que dá título ao famoso poema de Manuel Bandeira, 
é vocábulo constituído de dois radicais gregos (pneum[o]- + -tórax]. Significa 
o procedimento médico que consiste na introdução de ar na cavidade pleural, 
como forma de tratamento de moléstias pulmonares, particularmente a 
tuberculose. Tal enfermidade é referida no diálogo entre médico e paciente, 
quando o primeiro explica a seu cliente que ele tem "uma escavação no 
pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado". Esta última palavra é formada 
com base em um radical: "filtro". 
 
Quanto à formação vocabular, o título do poema e o vocábulo "infiltrado" são 
constituídos, respectivamente, por 
a) composição, e derivação prefixal e sufixal. 
b) derivação prefixal e sufixal, e composição. 
c) composição por hibridismo, e composição prefixal e sufixal. 
d) simples flexão, e derivação prefixal e sufixal. 
e) simples derivação, e composição sufixal e prefixal. 
 
Questão 24) 
No final do século XIX e princípio do século XX, muitas palavras francesas 
foram incorporadas ao léxico português, dada a influência cultural exercida 
pela França em todo o mundo civilizado da época. 
Assinale a alternativa que contém apenas palavras de extração francesa. 
a) abajur - pôquer - gafe 
b) bandó - abajur - pôquer 
c) gafe - abajur - cachecol 
d) cachecol - chaleira - bandó 
e) organdi - cachecol - chaleira 
 
Questão 25) 
Observe as seguintes palavras: 
 
"lobisomem" 
"linguarudo" 
 
Identifique o processo de formação de cada uma delas, segundo o seu 
emprego no texto. 
 
Questão 26) 
Releia a sentença de abertura do texto "A diferença": 
 
"O marketing venceu mais uma..." 
 
As palavras marketing, marqueteiro e marquetear são empregadas hoje, com 
significativa freqüência, na Língua Portuguesa. 
Identifique e descreva os processos de formação responsáveis pela 
introdução DE CADA UM DOS TRÊS TERMOS em nossa língua. 
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Questão 27) 
 
Assinale a alternativa em que a forma ONI- apresenta sentido diferente da 
que se encontra em ONIPOTENTE. 
 
a) onírico 
b) onívoro 
c) onicolor 
d) onisciente 
e) onipresente 
 
Questão 28) 
 
É comum que, na formação das palavras da língua portuguesa, algumas se 
tenham consagrado com prefixo latino e outras se tenham consagrado com 
prefixo grego, ambos com o mesmo significado. Isso acontece em qual 
alternativa? 
 
a) Ditirambo e exaltação. 
b) Progresso e pregresso. 
c) Diversidade e desgarrar. 
d) Diáfano e tranqüilo. 
e) Ambidestro e anfibologia. 
 
Questão 29) 
 
A partir da palavra "vampiro", criaram-se as palavras a seguir, formadas com 
o acréscimo de elementos integrantes de outras palavras da língua 
portuguesa. Relacione as colunas, atendendo ao sentido conferido às 
palavras através desse processo. 
 
1 vampirófobo 
2 vampirólogo 
3 vampiricida 
4 vampirólatra 
 
( ) aquele que mata os vampiros 
( ) aquele que teme ou odeia os vampiros 
( ) aquele que adora os vampiros 
 
A seqüência correta é 
a) 2 - 3 - 1. 
b) 3 - 1 - 4. 
c) 1 - 2 - 3. 
d) 4 - 3 - 1. 
e) 3 - 1 - 2. 
 
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Questão 30) 
Identifique a série em que todas as palavras se iniciam com um prefixo de 
sentido idêntico ao do prefixo 'in', em 'incrível'. 
a) desembarque; incalculável; ignição 
b) indiscreta; imemorável; incoativo 
c) irreparável; indexada; incoerente 
d) desconhecido; injetável; ateu 
e) atípico; inapto; ignoto 
 
Questão 31) 
Em: "... é um instinto inelutável, uma força espontânea...", classifique o 
processo de formação da palavra INELUTÁVEL: 
a) derivação prefixal. 
b) composição por justaposição. 
c) derivação regressiva. 
d) composição por aglutinação. 
e) derivação parassintética. 
 
Questão 32) 
As palavras INCOMPREENSÍVEL e INFREQÜENTÍSSIMOS possuem o 
mesmo prefixo com valor semântico idêntico. Porém, seus sufixos 
apresentam funções distintas, uma vez que - (í)vel forma adjetivo a partir de: 
a) verbo e -íssimo atribui um valor de grau ao adjetivo. 
b) verbo e -íssimo atribui um valor de grau ao substantivo. 
c) substantivo e -íssimo atribui um valor de grau ao adjetivo. 
d) substantivo e -íssimo forma adjetivo a partir de adjetivo. 
e) adjetivo e -íssimo forma adjetivo a partir de verbo. 
 
Questão 33) 
Leia os fragmentos a seguir, observando a idéia básica das expressões 
maiúsculas; a seguir, unindo um radical que está na árvore com outro que 
esteja numa das folhas caídas, crie, para cada item, uma palavra composta 
que traduza a mesma idéia básica de cada expressão destacada. Para tanto, 
não se preocupe com a obediência às regras de formação de palavras. 
 
 
 
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a) "o menino tem PARA A REZA, E EM GERAL PARA TUDO QUANTO DIZ 
RESPEITO À RELIGIÃO, UMA AVERSÃO DECIDIDA;" 
b) "o pequeno lançou do seu lugar à vizinhaum OLHAR FULMINANTE (...)" 
c) "pior do que um inimigo é um MAU AMIGO." 
d) "Não tenham medo de mim, que não sou nenhum PAPA-CRIANÇAS" 
e) "REMÉDIO AOS MALES" 
 
Questão 34) 
No período: "Vim do sertão, fedelhozinho ainda, bestalóide, mas 
hipersensível.", há, em fedelhozinho, dois sufixos de ___________, um deles 
expressa idéia de _____________; em bestalóide há um sufixo que indica 
__________, carregado de conotação depreciativa e, em hipersensível, um 
___________ prefixal. 
 
Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas do período. 
a) aumentativo, depreciação, aspecto de, superlativo. 
b) diminutivo, afetividade, semelhante a, superlativo. 
c) diminutivo, depreciação, forma de, aumentativo. 
d) diminutivo, afetividade, aspecto de, aumentativo. 
e) aumentativo, ironia, semelhante a, aumentativo. 
 
Questão 35) 
Na redação de suas cartas, os leitores empregaram palavras formadas com 
o auxílio de afixos. Em qual delas há um sufixo que significa "de maneira", 
"de modo"? 
a) instigante. 
b) comportamento. 
c) compreensão. 
d) rivalidade. 
e) infinitamente. 
 
Questão 36) 
Indique a palavra resultante do mesmo processo de formação que "término" 
a) Fim. 
b) Processo. 
c) Ganho. 
d) Caso. 
e) Motivo. 
 
Questão 37) 
A opção em que o elemento mórfico destacado está analisado 
INCORRETAMENTE é: 
a) capacIdade - vogal de ligação. 
b) visualIZar - sufixo. 
c) existE - desinência número-pessoal. 
d) JUIZ - radical. 
e) conheçA - desinência modo-temporal. 
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Questão 38) 
Assinale a alternativa INCORRETA, considerando os aspectos lexicais, 
morfológicos e semânticos retomados do fragmento que segue: 
“Sem querer começava a se afeiçoar àquele cachorro do mato, como ela do 
mato/.../ Depois um dia ele vai se embora. Cachorro, vai simbora de uma vez. 
Cachorro, pra quê? Garra que a porta está aberta, vai agorinha mesmo, disse 
querendo por toda sorte que ele ficasse./.../ 
De olhos fechados, ela deixou o braço cair. Sentia nas costas da mão a 
respiração apressada, a cosquinha dos bigodes, o frio úmido do focinho. O 
cachorro agora lambia-lhe a mão. Ela deixava, queria, estava muito bom 
antever de olhos fechados aquele cachorrinho. ” 
(DOURADO, Autran. Uma vida em segredo, p.103) 
 
a) Os termos sublinhados justificam-se pela marca de afetividade que o 
sufixo “ –inho” lhes imprime. 
b) O sufixo –inho em “cosquinha” e “agorinha” contraria a preferência na 
linguagem culta, mesmo tendo seu uso ratificado por falantes de língua 
portuguesa. 
c) O verbo “antever” é formado pelo processo de derivação prefixal, 
conservando a integridade nocional do termo primitivo que o origina. 
d) A variação de registro presente em “vai se embora” e “ vai simbora” 
evidencia o hibridismo das vozes - narrador e personagem. 
e) A antonímia presente nas formas flexionadas dos verbos “ir” e “ficar” é 
responsável pelo efeito contraditório que o discurso permite perceber no 
fragmento. 
 
Questão 39) 
A alternativa em que um dos vocábulos do texto apresenta um processo de 
formação diferente dos demais é: 
 
a) brasileiros - importante - exploração; 
b) coincidência - intencional - conexão; 
c) enfrentamento - sexual - especialistas; 
d) sociedade - geográficas - preocupação; 
e) articulação - persistência - miséria. 
 
Questão 40) 
Leia o poema de Manuel Bandeira. 
 
Mudança 
 
A alegre, a festiva agitação das panelas e tachos 
A inútil zanga dos velhos armários de mogno, solenes, 
Achando tudo aquilo uma grande palhaçada... 
As xícaras e pires fazendo tlin-tlin-tlin-tlin 
As gaiolas dos passarinhos cantando em coro com os 
 [próprios passarinhos 
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Oh! a alegria das coisas com aquela mudança 
Para onde? Não importa! Desde que não seja 
Este eterno mesmo lugar! 
 
a) Explique o processo de formação das palavras zanga e tlin-tlin-tlin-tlin. 
b) Explique o sentido que assume, no contexto, a expressão Desde que, no 
penúltimo verso. Redija um período em que ela seja empregada com 
sentido diverso ao do poema. 
Questão 41) 
Já não me convém o título de homem. 
Meu nome novo é coisa. 
Eu sou a coisa, coisamente. 
Adaptado de: Carlos Drummond de Andrade. A palavra mágica. Rio de Janeiro: 
Recorde, 1998. 
 
Em relação ao texto e o termo ali destacado, assinale o que for correto. 
 
01. Coisamente, assim como a palavra a partir da qual se origina é um 
substantivo. 
02. Pode-se considerar aceitável para o contexto que ser coisa é menos 
particular que ser homem. 
04. O uso do sufixo –mente junto à coisa forma um advérbio, embora esse 
processo seja típico com adjetivos e não com substantivos como coisa. 
08. Após derivar de um substantivo, coisamente figura em uma nova classe 
gramatical. 
Questão 42) 
Leia a seguinte mensagem publicitária, referente a carros, e responda ao 
que se pede: 
 
POTÊNCIA, ROBUSTEZ E TRAÇÃO 4WD. PORQUE TEM LUGARES QUE 
SÓ COM ESPÍRITO DE AVENTURA VOCÊ NÃO CHEGA. 
 
a) A mensagem está redigida de acordo com a norma padrão da língua 
escrita? Se você julga que sim, justifique; se acha que não, reescreva o 
texto, adaptando-o à referida norma. 
b) Se a palavra “só” fosse excluída do texto, o sentido seria alterado? 
Justifique sua resposta. 
Questão 43) 
Há anos, quando se anunciou que haveria um "Rock in Rio 2", jovens 
começaram a circular pela cidade usando camisetas com o símbolo do "Rock 
in Rio 1" e uma frase dizendo: "I was". Ou seja: "Eu era". Perguntei-me: por 
que "Eu era"? No começo, escapou-me a relação entre a imagem e a 
inscrição. Claro que, depois de árduo exercício intelectual, deduzi que a 
camiseta queria dizer "Eu fui" ou "Eu estava lá" (no "Rock in Rio 1"), caso em 
que o correto em inglês seria "I went" ou "I was there". (...) E viva o verbo tó 
bé. 
(CASTRO, Ruy. Folha de São Paulo, 03/09/2011) 
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A afirmativa que melhor resume a ideia central do autor no artigo é 
 
a) O uso abusivo de estrangeirismos deve ser combatido porque favorece 
a decadência da língua portuguesa. 
b) Os empréstimos linguísticos representam um fenômeno legítimo e 
enriquecedor da dinâmica do português. 
c) A incorporação de neologismos e anglicismos torna o uso da língua 
criativo e versátil. 
d) Os anglicismos estão longe de ser inofensivos, pois podem prejudicar o 
nosso próprio idioma. 
e) Estrangeirismos, usados como manifestações de status, podem 
representar uma armadilha para quem não os domina. 
 
Questão 44) 
 
“Língua torta: portão menor que porta.” 
 
 
Observando-se a frase acima, de Millôr Fernandes, pode-se inferir que 
 
a) a forma -ão não necessariamente funciona como sufixo aumentativo, 
como no caso da palavra irmão, por exemplo. Sendo assim, porta e 
portão são palavras completamente distintas e, portanto, a frase de 
Millôr Fernandes não faz sentido. 
b) a frase está em sentido denotativo e quer mostrar que, ao não dominar 
bem o próprio idioma, o falante mal consegue passar pelo portão da 
comunicação e, portanto, menos ainda conseguirá quando a exigência 
chegar a interpretações mais complexas. 
c) a forma portão, por ter o sufixo aumentativo -ão, indica aumento, ou 
seja, uma porta grande. Como existem portões menores que a forma 
normal porta, Millôr conclui que, nesse caso, a língua é torta, ou seja, 
defeituosa. 
d) o humorista faz uma brincadeira com o fato de a linguagem vir de dentro 
para fora na comunicação interpessoal. Sendo assim, para que as 
palavras entrem no mundo da comunicação, devem passar 
primeiramente pelo portão, representado pelos dentes, para só então 
entrarem pela porta, representada pela boca, cuja abertura, enquanto 
porta, é maior do que a da arcada dentária. 
e) o pensador Millôr Fernandes,por trás de uma frase curta e rimada, quer 
nos levar a imaginar que, quando não se domina a linguagem, a primeira 
barreira, representada pelo termo portão, precisa ser ultrapassada sem 
medo, porque, depois dessa entrada dificultosa, todo o resto será mais 
fácil, já que é comum as portas se abrirem para aqueles que falam bem. 
 
 
 
 
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Questão 45) 
 
Considere o trecho do conto A hora e vez de Augusto Matraga, de Guimarães 
Rosa. 
– Desonrado, desmerecido, marcado a ferro feito rês, mãe Quitéria, e assim 
tão mole, tão sem homência, será que eu posso mesmo entrar no céu?!... 
 
(ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p.385.) 
 
a) Explique o processo de criação da palavra “homência” e os sentidos que 
derivam da criação do termo, considerando a situação criada no conto. 
b) Discorra sobre como esse uso particular da língua constitui uma estética 
da criação em Guimarães Rosa. 
 
 
Questão 46) 
 
Assinale o item em que o par de prefixos grifados não possua equivalência 
de significado: 
 
a) dilema / bienal 
b) disenteria / discordar 
c) hemisfério / semicírculo 
d) sinestesia / companhia 
e) endoscopia / ingerir 
 
Questão 47) 
 
Examine a tira. 
 
 
 
(Folha de S.Paulo, 14.09.2012) 
 
 
a) Reescreva a frase “Aposto que ele é uma menção ao vazio atual das 
artes plásticas...”, substituindo “Aposto” por “Tenho certeza” e “vazio” por 
“situação”, fazendo as alterações que forem necessárias. 
b) Nas falas das personagens, há palavras formadas por derivação e por 
composição. Transcreva e explique um exemplo de cada um desses 
processos de formação. 
 
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Questão 48) 
 
Fuleco é o nome escolhido para a mascote da Copa do Mundo da FIFA Brasil 
2014. 
 
Indique a opção que corresponde à origem desse nome. 
 
a) É uma aglutinação de futebol mais ecologia. 
b) É uma justaposição de futebol mais ecologia. 
c) É originária da palavra fuleragem (vadio, calaceiro). 
d) É uma sufixação de futebol mais ecologia. 
e) É uma prefixação de futebol mais ecologia. 
 
Questão 49) 
Os substantivos do texto derivados pelo mesmo processo de formação de 
palavras são: 
 
a) juvenilidade e timidez. 
b) geração e byroniano. 
c) reflexo e imaginários. 
d) prematuramente e autobiográfico. 
e) saudade e infantil. 
Questão 50) 
Analise a charge a seguir. 
 
Disponível em: 
http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?foffset= 
&offset=&ch=Pancho. Acesso em 21/04/2014. 
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 Considerando que “a expressão do grau não é um processo flexional em 
português, porque não é um processo obrigatório e coerente, e não 
estabelece paradigmas exaustivos e de termos exclusivos entre si” 
(CÂMARA JR., 1979, p. 83), ao contrário da flexão de número e de gênero, 
assinale a alternativa correta. 
 
a) A noção gramatical de gênero, atribuída a todos os nomes em português, 
nunca se altera, independentemente do grau: casa > casinha > casarão, 
sala > salinha > salão, mulher > mulherzinha > mulherão. 
b) A expressão “concordo em número, gênero e grau” é incoerente, pois o 
“grau” não exige concordância: por exemplo, rapaz queridinho (ou 
rapazinho querido). 
c) Todos os substantivos e adjetivos se flexionam em número e gênero, 
sendo o plural marcado pela desinência [-s] e o feminino pela desinência 
[-a]. 
d) A concordância de grau é possível em certas expressões idiomáticas, 
como “Ela é linda de morrer” (Ela e lindíssima). 
 
Questão 51) 
Considere o slogan “O melhor do Brasil é o brasileiro”. 
 
Das opções abaixo, uma delas contém palavras formadas por sufixo com 
sentido semelhante ao da palavra sublinhada na sentença a seguir: “O 
mineiro em geral é conhecido pelo uso dos uais.” 
 
a) cartaz, dentista, artista 
b) escravidão, papelaria, armário 
c) capotaria, amazonense, felicidade 
d) cearense, italiano, pernambucano, paraense 
e) as opções c e d são corretas 
 
Questão 52) 
Dadas as afirmativas abaixo, referentes à obra de Machado de Assis, 
 
I. Dom Casmurro é o relato parcial, impregnado de ciúmes, feito por Bento 
Santiago, acerca da possível traição amorosa de Capitu, sua esposa, e 
Quincas Borba, seu amigo. 
II. Brás Cubas, “autor defunto” de Memórias Póstumas de Brás Cubas, é 
um personagem que aparece em mais dois romances de Machado de 
Assis, Esaú e Jacó e A pata da Gazela. 
III. Memorial de Aires, publicado capítulo a capítulo em jornal, é o romance 
com que Machado de Assis dá início ao Realismo brasileiro, em 1881. 
IV. Machado de Assis se notabilizou, entre outras coisas, por uma irônica e 
implacável análise psicológica de seus personagens. 
V. Embora seja considerada a obra inaugural do Realismo brasileiro, 
Memórias Póstumas de Brás Cubas é um romance realista atípico uma 
vez que o narrador relata sua vida apenas depois de morto. 
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É possível dizer que está(ão) correta(s) apenas 
 
a) I, e III. 
b) I e IV. 
c) I, III e V. 
d) II e IV. 
e) IV e V. 
 
Questão 53) 
Leia o texto a seguir. 
 
“Costumo dizer que os problemas em minha profissão se explicam por meio 
de quatro palavras que começam com a letra “d”. O paciente está 
despersonalizado, o médico está desprofissionalizado, a assistência médica 
está desumanizada e a medicina descaracterizada.” 
Lições de uma vida na UTI. Veja, n° 35, 
28 ago. 2013. Ed. Abril, edição 2336, ano 46. 
 
Em qual das alternativas a seguir o prefixo –des apresenta o mesmo 
significado dos prefixos destacados no texto? 
 
a) Desmembrado 
b) Desmoronado 
c) Desqualificado 
d) Despojado 
 
TEXTO: 1 - Comum à questão: 54 
 
O País do Carnaval 
 
- É... - apoiava Jerônimo enrubescendo. 
- E crer... Existem ainda homens inteligentes que crêem. Crer... Acreditar que 
um Deus, um ser superior, nos guie e nos dê auxílio... Mas ainda há quem 
creia... 
- Há... 
- Olhe, Jerônimo, dizem que foi Deus quem criou os homens. Eu acho que 
foram os homens que criaram Deus. De qualquer modo, homens criados por 
Deus ou Deus criado pelos homens, uma e outra obra são indignas de uma 
pessoa inteligente. 
- E Cristo, Pedro Ticiano? 
- Um poeta. Um "blagueur". Um cético. Um diferente da sua época. Cristo 
pregou a bondade porque, naquele tempo, se endeusava a maldade. Um 
esteta. Amou a Beleza sobre todas as coisas. Fez em plena praça pública 
"blagues" admiráveis. A da adúltera, por exemplo. Ele perdoou porque a 
mulher era bonita e uma mulher assim tem direito a fazer todas as coisas. 
Cristo conseguiu vencer o convencionalismo. Um homem extraordinário. 
Mas um deus bem medíocre... 
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- Como? 
- Um deus que nunca fez grandes milagres! Contentou-se com multiplicar 
pães e curar cegos. Nunca mudou montanhas de lugar, nunca fez descer 
sobre a terra nuvens de fogo, nem parou o sol. Cristo tinha, contra si, esta 
qualidade: sempre foi mau presti-digitador. 
[...] 
Jerônimo mudava de assunto. 
- Você, Pedro Ticiano, é o homem de espírito mais forte que eu já vi. Com 
quase setenta anos, ainda é ateu... 
- Ah, não tenho medo do inferno... E, no caso de ele existir, eu me darei bem 
lá... 
- Você sempre foi meio satânico... É capaz de fundar um jornal oposicionista 
no inferno. Voltaire, você e Baudelaire no inferno. Que gozado! Pedro Ticiano 
sorria, vendo que Jerônimo não resistia à fascinação da sua palavra. E 
gostava de derrubar os sonhos daquele homem medíocre e bom, que tinha 
o único defeito de querer intelectualizar-se. 
 
 (Jorge Amado. O País do Carnaval. 30• ed. Rio de Janeiro: Record, 1976.) 
 
 
Rosto & Anti-Rosto 
 
O homem criou 
Deus 
a quem deu 
o lugar de 
autor do céu, 
do ar, do 
mar. 
 
Para si,na Terra 
em flor, 
criou o amor. 
 
Deus, porém, 
pra existir 
criaria 
algo 
a si mesmo 
oposto: 
 
Numa concha 
acústica, 
inventou 
a dor. 
Lucifez 
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Satã 
sua antifigura, 
seu antirosto. 
 
Hoje Satã 
quer levar 
o homem 
a matar 
Deus. 
 
Qual dos 2 
o sobre 
______ 
vivente? 
(Cassiano Ricardo. Os Sobreviventes. Rio de Janeiro: Livraria Editora José 
Olympio, 1971.) 
 
 
Questão 54) 
Tanto os falantes como os escritores podem, por vezes, criar neologismos, 
ou seja, palavras novas, que, se aceitas pelos demais usuários, entram em 
circulação e se integram ao léxico da língua; caso contrário, se tornam 
apenas ocorrências específicas dos textos em que surgiram. O uso de 
palavras estrangeiras constitui o chamado neologismo por empréstimo; tais 
palavras, pela generalização do uso, também podem se integrar ao léxico do 
idioma. 
Releia atentamente os dois textos e, em seguida, 
a) Localize, na quinta estrofe do poema de Cassiano Ricardo, um 
neologismo criado pelo poeta. 
b) Explique por que, na terceira fala de Pedro Ticiano, Jorge Amado 
destacou com aspas duas palavras. 
 
TEXTO: 2 - Comum à questão: 55 
 
“APELO” 
 
 Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros 
dias, pra dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na 
conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no 
lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho. 
 Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda 
veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo 
da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. 
Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora 
da noite e eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas 
as aflições do dia, com a última luz na varanda. 
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 E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na 
salada – o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade. Senhora? Às suas 
violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão 
na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de 
nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas 
mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.” 
DALTON TREVISAN, “Apelo”, em “O Conto Brasileiro Contemporâneo” 
(seleção de textos, introdução e notas bibliográficas por Alfredo Bosi) 2ª ed., 
São Paulo, Cultrix, 1977, p.190. 
 
Questão 55) 
O elemento destacado NÃO é vogal temática em: 
a) está (L. 1) 
b) coalhou (L. 6) 
c) beber (L. 10) 
d) poupei (L. 17) 
e) calço (L. 18) 
 
TEXTO: 3 - Comum à questão: 56 
 
Um viés do bem 
 
 Toda vez que trato das desigualdades duráveis do Brasil, recebo 
manifestações de uma minoria que se manifesta contra a idéia de que existe 
racismo no Brasil e que ele seja a fonte principal das enormes distâncias 
sociais que separam os brasileiros na base e no topo da ordem social e de 
sua persistência. 
 Tenho falado muito das duas faces da realidade social brasileira: a 
luminosa, marcada por mudanças positivas e avanços inegáveis em nossa 
realidade econômica, social e política, e a dolorosa, definida pela persistência 
da pobreza, da desigualdade, da corrupção e de outras mazelas. Elas estão 
claramente correlacionadas, da seguinte maneira: há limites para o progresso 
adicional significativo na redução da pobreza e da desigualdade, se não 
houver um claro redirecionamento das ações públicas e privadas. Mais ainda, 
se não houver um claro viés racial, a favor dos negros, o combate à pobreza 
pode não contribuir para uma redução significativa das desigualdades. 
 A desigualdade é alta e durável no Brasil porque ela tem cor. A cor 
determina uma diferenciação entre brasileiros que se justapõem à 
estratificação social, seja por classes, seja por ocupações. Nas classes mais 
altas quase não há negros. No proletariado de menor qualificação, os negros 
predominam. Os de maior qualificação são majoritariamente brancos. Se, 
para simplificar, dividirmos os grupos ocupacionais no Brasil em três, no mais 
baixo, estão 19% dos brancos e 30% dos negros. No intermediário se 
concentram 49% dos brancos e 59% dos negros. No mais alto, encontram-
se 32% dos brancos e 11% dos negros. Claro, existem muitos brancos muito 
pobres, mas são a parcela minoritária. A maioria dos mais pobres é de negros 
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e, principalmente, negras, vítimas de dupla discriminação, pela cor e pelo 
gênero. 
 O que a maioria não reconhece é a existência desse componente 
puramente racial da desigualdade. Dentro de cada grupo social ou 
ocupacional, os brancos têm, na média, situação bem melhor que os negros. 
Nelson do Vale Silva deu os números em um estudo recente. Um trabalhador 
manual rural branco tem um salário médio que é o dobro daquele pago a um 
trabalhador manual rural negro. Ambos são trabalhadores – manuais – rurais, 
mas um é branco e o outro negro. Essa única diferença está associada a uma 
distância salarial de 100%. 
 Sem ação específica para eliminar o racismo não se conseguirá mais do 
que melhorar a distribuição de renda entre os brancos, que não é tão 
escandalosamente desigual como é entre brancos e negros. As barreiras são 
raciais, não são econômicas. Para superá-las não basta aumentar o emprego 
e elevar os salários de base de todos. É preciso fazê-lo com viés para eliminar 
as diferenças por cor, deixando apenas aquelas ligadas à qualificação e às 
aptidões pessoais. Há formas menos conflituosas e mais inteligentes de ação 
afirmativa que as cotas. 
 Nenhuma política econômica pode romper o sutil bloqueio do “perfil 
adequado” ao acesso dos negros aos melhores cargos e funções oferecidos 
no mercado. Só um viés a favor fará com que um negro ou uma negra, com 
igual ou melhor qualificação que seus concorrentes brancos a um cargo de 
gerência, não ouça mais a resposta “você se saiu muito bem, mas não tem 
exatamente o perfil de que nossa empresa está precisando”. 
 Fernando Henrique Cardoso fez um gesto inédito da história da 
Presidência brasileira: assumiu o reconhecimento coletivo da existência do 
racismo no documento que o Brasil apresenta à Conferência Mundial contra 
o Racismo. Foi o primeiro passo de uma longa caminhada. Ele ainda pode 
dar o próximo, antes de terminar seu governo, adotando iniciativas pioneiras 
de ação afirmativa. 
 
(Sérgio Abranches – Revista Veja – 05/09/2001) 
 
 
Questão 56) 
 
“A cor determina uma diferenciação entre brasileiros que se justapõem à 
estratificação social...” 
 
A palavra sublinhada sofreu processo de derivação prefixal. Pode-se afirmar 
que todas as palavras abaixo também possuem um prefixo, exceto: 
a) concorrentes 
b) redirecionamento 
c) diferenciação 
d) desigualdade 
e) inegáveis 
 
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TEXTO: 4 - Comum à questão: 57 
 
 Não é raro ouvirmos que alguém “subiu lá em cima” ou “saiu lá fora”. 
Certamente, reconhecemos tais formas como viciosas, e, muitas vezes, elas 
se transformam em motivo de riso. No nível culto da língua, são 
inadmissíveis. Que pensar de alguém que tenha sofrido uma “hemorragia de 
sangue” ou participado de um “plebiscito popular”? A esse tipo de construção 
chamamos pleonasmo, palavra grega que significa superabundância. 
(Folha de S. Paulo. Pleonasmo: “vício” ou estilo?. Thaís Nicoleti de Camargo). 
 
 
Questão 57) 
 As palavras reconhecemos e superabundância 
a) são formadas por prefixos de origem grega, significando repetição e 
posição superior. 
b) são formadaspor prefixos de origem latina, significando repetição e 
posição superior. 
c) possuem radicais grego e latino significando, respectivamente, domínio e 
excesso. 
d) não seguem o mesmo processo das palavras regredir e supracitado. 
e) ambas são formadas por parassíntese. 
 
TEXTO: 5 - Comum à questão: 58 
 
BOITEMPO 
 
Entardece na roça 
de modo diferente. 
A sombra vem nos cascos, 
no mugido da vaca 
separada da cria. 
O gado é que anoitece 
e na luz que a vidraça 
da casa fazendeira 
derrama no curral 
surge multiplicada 
sua estátua de sal, 
escultura da noite. 
Os chifres delimitam 
o sono privativo 
de cada rês e tecem 
de curva em curva a ilha 
do sono universal. 
No gado é que dormimos 
e nele que acordamos. 
Amanhece na roça 
de modo diferente. 
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A luz chega no leite, 
morno esguicho das tetas 
e o dia é um pasto azul 
que o gado reconquista. 
 (ANDRADE, Carlos Drummond de. "Obra Completa". 5. ed. Rio de 
Janeiro: Aguilar, 1979.) 
 
Questão 58) 
 
 O título de um texto constitui a chave para a descodificação da mensagem, 
e a sua interpretação deve ser integrada numa leitura global do texto. 
 
a) Comente o título do texto, a partir das informações apresentadas. 
b) Explique por qual processo de formação de palavras Drummond criou 
"boitempo". 
 
TEXTO: 6 - Comum à questão: 59 
 
 
Gostava de jipe, não de automóvel, e dirigia com extrema cautela. Evitava o 
centro urbano, e quando tinha de ir até lá, descrevia longas voltas e 
terminava a pé, para não se expor ao tráfego desembestado das ruas 
principais. Os filhos riam, pondo em dúvida sua capacidade no volante. Mas 
todos arrebentavam a máquina, ao usá-la, e ele tinha como pequena glória 
nunca ter dado uma batida. 
 Como pequena glória. Porque as maiores eram as que lhe vinham do sítio. 
Possuíra fazenda, agora tinha sítio. E ficava feliz quando o jipe tropicador o 
levava para a modesta pasárgada. Esquecendo-se da idade, punha exagero 
de moço – trinta anos depois – em capinar, plantar, podar; se chovia, plantava 
mentalmente. Orgulhava-se de produzir não só frutas tropicais como 
subtropicais. Um cruzamento de espécies, determinando novo sabor, nova 
forma ou colorido, era uma festa para ele. O sítio confinava com uma fazenda; 
matava saudades do antigo latifúndio ouvindo, à distância, o vozeio dos 
vaqueiros, o urro do jumento, pontual como um relógio. 
 Bacharel? Sim, fizera o curso de Direito, tirara diploma, se necessário 
lutava contra empresas poderosas, e vencia, sem ligar muito a isso. 
Guardava os livros essenciais ao exercício da profissão, só esses, no 
pequeno armário envidraçado. Sua consulta constante era às sementes, à 
terra, ao tempo; nem se lembrava mais de que, na mocidade, cultivara as 
letras, escrevera poemas em prosa neo-simbolistas, induzira o irmão menor 
a seguir o ofício de juntar palavras. Em 1959 bateu um recorde negativo, 
escrevendo só quatro cartas, profissionais e concisas. 
 Anos e anos escoados na cidadezinha natal, entre problemas pequenos 
e grandes que nunca se resolviam. [...] Mudou de terra e de vida. 
 
Carlos Drummond de Andrade 
 
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Questão 59) 
Anos e anos escoados na cidadezinha natal… 
 
Considere as afirmativas referentes à palavra grifada acima. 
 
I) O radical tem origem grega. 
II) Citadino é um adjetivo formado a partir da forma vernácula do mesmo 
radical. 
III) O sufixo, além de indicar o diminutivo, incorpora um sentido afetivo à 
palavra. 
 
Está correto o que se afirma SOMENTE em: 
a) I. 
b) II. 
c) III. 
d) I e II. 
e) II e III. 
 
TEXTO: 7 - Comum à questão: 60 
 
BRINCAR COM PALAVRAS - NOS JOGOS VERBAIS, EXERCÍCIOS DE 
LITERATURA 
 
1 Você sabe o que é um palíndromo? 
2 É uma palavra ou mesmo uma frase que pode ser lida de frente pra trás 
e de trás pra frente mantendo o mesmo sentido. Por exemplo, em 
português: "amor" e "Roma"; em espanhol: "Anita lava la tina". Ou, então, 
a frase latina: "Sator arepo tenet opera rotas", que não só pode ser lida 
de trás pra frente, mas pode ser lida na vertical, na horizontal, de baixo 
pra cima, de cima pra baixo, girando os olhos em redor deste quadrado: 
 
S A T O R 
A R E P O 
T E N E T 
O P E R A 
R O T A S 
 
3 Essa frase latina polivalente foi criada pelo escravo romano Loreius 200 
anos antes de Cristo, e tem dois significados: "O lavrador mantém 
cuidadosamente a charrua nos sulcos" e/ou "o lavrador sustém 
cuidadosamente o mundo em sua órbita". Osman Lins construiu o 
romance "Avalovara" (1973) em torno desse palíndromo. 
4 Muita gente sabe o que é um caligrama - aqueles textos que existiam 
desde a Grécia em que as letras e frases iam desenhando o objeto a que 
se referiam - um vaso, um ovo, ou então, como num autor moderno tipo 
Apollinaire, as frases do poema se inscrevendo em forma de cavalo ou 
na perpendicular imitando o feitio da chuva. 
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5 Mas pouca gente sabe o que é um lipograma. 
6 Lipo significa tirar, aspirar, esconder. Portanto, um lipograma é um texto 
que sofreu a lipoaspiração de uma letra. O autor resolve esconder essa 
letra por razões lúdicas. Já o grego Píndaro havia escrito uma ode, sem 
a letra "s". Os autores barrocos no século XVII também usavam este tipo 
de ocultação, porque estavam envolvidos com o ocultismo, com a cabala 
e com a numerologia. 
7 Por que estou dizendo essas coisas? 
8 Culpa da Internet. 
9 Esses jogos verbais que vinham sendo feitos desde as cavernas agora 
foram potencializados com a informática. Dizia eu numa entrevista outro 
dia que estamos vivendo um paradoxo riquíssimo: a mais avançada 
tecnologia eletrônica está resgatando o uso lúdico da linguagem e uma 
das mais arcaicas atividades humanas - a poesia. Os poetas, mais que 
quaisquer outros escritores, invadiram a Internet. Se em relação às 
coisas prosaicas se diz que a vingança vem a cavalo, no caso da poesia 
a vingança veio a cabo, galopando eletronicamente. Por isto que toda 
vez que um jovem iniciante me procura com a angústia de publicar seu 
livro, aconselho-o logo: "Meu filho, abra uma página sua na Internet para 
não mais se constranger e se sentir constrangido diante dos editores e 
críticos. Estampe seu texto na Internet e deixe rolar". 
 (ROMANO, Affonso de Sant'Anna. "O Globo", 15/09/1999.) 
Questão 60) 
Você sabe o que é um palíndromo? (par. 1) 
Por que estou dizendo essas coisas? (par. 7) 
Observando os parágrafos compreendidos entre as perguntas acima, 
identifique: 
 
a) a função da linguagem predominante nesses parágrafos e justifique sua 
reposta; 
b) o processo de formação de palavras comum aos termos OCULTAÇÃO e 
OCULTISMO e explique a diferença de sentido entre eles. 
TEXTO: 8 - Comum à questão: 61 
 
Só os roçados da morte 
compensam aqui cultivar, 
e cultivá-los é fácil: 
simples questão de plantar; 
não se precisa de limpa, 
de adubar nem de regar; 
as estiagens e as pragas 
fazem-nos mais prosperar, 
e dão lucro imediato; 
nem é preciso esperar 
pela colheita: recebe-se 
na hora mesma de semear. 
 (João Cabral de Melo Neto, MORTE E VIDA SEVERINA) 
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Questão 61) 
O mesmo processo de formação da palavra destacada em "não se precisa 
de LIMPA" ocorre em: 
a) "no mesmo VENTRE crescido". 
b) "iguais em tudo e na SINA". 
c) "jamais o cruzei a NADO" . 
d) "na minha longa DESCIDA". 
e) "todo o VELHO contagia". 
 
TEXTO: 9 - Comum à questão: 62 
 
OS TRABALHOS DA MÃO 
Para a Ecléa 
 Parece ser próprio do animal simbólico valer-se de uma só parte do seu 
organismo para exercer funções diversíssimas. A mão sirva de exemplo. 
 A mão arranca da terra a raiz e a erva; colhe da árvoreo fruto, descasca-
o, leva-o à boca. A mão apanha o objeto, remove-o, achega-o ao corpo, 
lança-o de si. A mão puxa e empurra, junta e espalha, arrocha e afrouxa, 
contrai e distende, enrola e desenrola; roça, toca, apalpa, acaricia, belisca, 
unha, aperta, esbofeteia, esmurra; depois, massageia o músculo dorido. 
 A mão tateia com a ponta dos dedos, apalpa e calca com a polpa. Raspa, 
arranha, escarva, escarifica e escarafuncha com as unhas. Com o nó dos 
dedos, bate. 
 A mão abre a ferida e a pensa. Eriça o pêlo e o alisa. Entrança e destrança 
o cabelo. Enruga e desenruga o papel e o pano. Unge e esconjura, asperge 
e exorciza. 
 Acusa com o index, aplaude com as palmas, protege com a concha. Faz 
viver alçando o polegar; baixando-o, manda matar. 
 Mede com o palmo, sopesa com a palma. Aponta com gestos o eu, o tu, 
o ele; o aqui, o aí, o ali; o hoje, o ontem, o amanhã; o pouco, o muito, o mais 
ou menos; o um, o dois, o três, os números até dez e seus múltiplos e 
quebrados. O não, o nunca, o nada. 
 É voz do mudo, é voz do surdo, é leitura do cego.(...) 
 Para perfazer tantíssimas ações basta-lhe uma breve, mas dúctil 
anatomia: oito ossinhos no pulso, cinco no metacarpo e os dedos com as 
suas falanges, falanginhas e falangetas. 
BOSI, Alfredo. O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Editora Cultrix, 1990. 
 
Questão 62) 
Lendo o parágrafo VII, podemos observar que a maioria das palavras sofreu 
o mesmo processo de derivação. Trata-se da derivação: 
a) por sufixação. 
b) regressiva. 
c) por prefixação. 
d) imprópria. 
e) por prefixação e sufixação. 
 
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TEXTO: 10 - Comum à questão: 63 
 
Eu te amo 
 
Ah, se já perdemos a noção da hora, 
Se juntos já jogamos tudo fora, 
Me conta agora como hei de partir... 
 
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios, 
Rompi com o mundo, queimei meus navios, 
Me diz pra onde é que inda posso ir... 
 
(...) 
 
Se entornaste a nossa sorte pelo chão, 
Se na bagunça do teu coração 
Meu sangue errou de veia e se perdeu... 
 
(...) 
 
Como, se nos amamos como dois pagãos, 
Teus seios inda estão nas minhas mãos, 
Me explica com que cara eu vou sair... 
 
Não, acho que estás só fazendo de conta, 
Te dei meus olhos pra tomares conta, 
Agora conta como hei de partir... 
(Tom Jobim - Chico Buarque) 
 
Questão 63) 
O prefixo assinalado em "DESVARIO" expressa 
a) negação. 
b) cessação. 
c) ação contrária. 
d) separação. 
e) intensificação. 
 
TEXTO: 11 - Comum à questão: 64 
 
Pneumotórax 
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos. 
A vida inteira que podia ter sido e que não foi. 
Tosse, tosse, tosse. 
Mandou chamar o médico: 
- Diga trinta e três. 
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três... 
- Respire. 
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........................................................................................... 
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito 
infiltrado. 
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? 
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino. 
(Manuel Bandeira, Libertinagem) 
 
Questão 64) 
"Pneumotórax", palavra que dá título ao famoso poema de Manuel Bandeira, 
é vocábulo constituído de dois radicais gregos (pneum[o]- + -tórax]. Significa 
o procedimento médico que consiste na introdução de ar na cavidade pleural, 
como forma de tratamento de moléstias pulmonares, particularmente a 
tuberculose. Tal enfermidade é referida no diálogo entre médico e paciente, 
quando o primeiro explica a seu cliente que ele tem "uma escavação no 
pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado". Esta última palavra é formada 
com base em um radical: "filtro". Quanto à formação vocabular, o título do 
poema e o vocábulo "infiltrado" são constituídos, respectivamente, por 
a) composição, e derivação prefixal e sufixal. 
b) derivação prefixal e sufixal, e composição. 
c) composição por hibridismo, e composição prefixal e sufixal. 
d) simples flexão, e derivação prefixal e sufixal. 
e) simples derivação, e composição sufixal e prefixal. 
 
TEXTO: 12 - Comum à questão: 65 
 
Os quadrinhos a seguir fazem parte de um material publicado na Folha de S. 
Paulo em 17 de agosto de 2005, relativo à crise política brasileira, que teve 
início em maio do mesmo ano. 
CHICLETE COM BANANA - Angeli 
 
 
 
 
 
Questão 65) 
Na tira de Angeli, observamos um jogo de associações entre a frase-título ‘O 
imundo animal’ e a seqüência de imagens. 
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a) A frase-título ‘O imundo animal’ nos remete a uma outra frase. Indique-a 
e explicite as relações de sentido entre as duas frases, fazendo referência 
ao conjunto da tira. 
b) A frase-título ‘O imundo animal’ sugere um processo de prefixação. 
Explique. 
 
 
TEXTO: 13 - Comum à questão: 66 
 
 
 
 
 
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Questão 66) 
“Ingerido, o parasita aloja-se discretamente no intestino do apreciador de 
peixes crus.” (§ 2) 
 “[...] e qual seria o tratamento desse vilão?” (§ 4) 
 
As palavras cujos sufixos apresentam a mesma função e significado dos que 
aparecem em “apreciador” e “tratamento” são, respectivamente: 
a) saudável / incidência. 
b) remetente / elaboração. 
c) limpeza / esperança. 
d) preventivo / formosura. 
e) frescor / realismo. 
 
TEXTO: 14 - Comum à questão: 67 
 
TEXTO V 
Canção da Moça-Fastasma de Belo Horizonte 
 
Eu sou a Moça-Fastasma 
que espera na Rua do Chumbo 
o carro da madrugada. 
Eu sou branca e longa e fria, 
a minha carne é um suspiro 
na madrugada da serra. 
Eu sou a Moça-Fastasma 
O meu nome era Maria, 
Maria-Que-Morreu-Antes. 
 
(...) 
 
Morri sem ter tido tempo 
de ser vossa, como as outras. 
Não me conformo com isso, 
e quando as polícias dormem 
em mim e fora de mim, 
meu espectro itinerante 
desce a serra do Curral, 
vai olhando as casas novas, 
ronda as hortas amorosas 
(Rua Cláudio Manuel da Costa), 
pára no Abrigo Ceará, 
não há abrigo. Um perfume 
que não conheço me invade: 
é o cheiro do vosso sono 
quente, doce, enrodilhado 
nos braços das espanholas... 
Oh, deixai-me dormir convosco. 
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E vai, como não encontro 
nenhum dos meus namorados, 
que as francesas conquistaram, 
e que beberam todo o uísque 
existente no Brasil 
(agora dormem embriagados), 
espreito os carros que passam 
com choferes que não suspeitam 
da minha brancura e fogem. 
Os tímidos guardas-civis, 
coitados! um quis me prender. 
Abri-lhe os braços... Incrédulo, 
me apalpou. Não tinha carne 
e por cima do vestido 
e por baixo do vestido 
era a mesma ausência branca, 
um só desespero branco... 
Podeis ver: o que era corpo 
Foi comido pelo gato. 
(...) 
ANDRADE, Carlos Drummomd de. Antologia Poética. 16 ed. 
Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, p. 38-39 
 
Questão 67) 
O nome da Moça-Fantasma é criado por meio de um processo de formação 
de palavras. 
a) Que processo é esse? 
b) Que informação sobre a circunstância temporal da morte da Moça-
Fantasma o seu nome revela? 
 
TEXTO: 15 - Comum à questão: 68 
 
 Texto I 
 
Ética dos advogados e ensino jurídico 
 
Diante da crescente evidência de envolvimento de advogados com 
traficantes, é razoável e até necessário que a OAB reveja seus mecanismos 
de controle do exercício da profissão. Que acione com mais vigor sua 
Comissão de Ética, 5como quer seu presidente, Roberto Busato. Mas serão 
essas comissões suficientes? Ou estão elas também aprisionadas pela 
armadilha tradicional – a dificuldade estrutural de qualquer corporação em 
controlar a si mesma? Dificuldade não exclusiva dos advogados, mas de 
qualquercorporação: 10médicos, juízes e políticos, por exemplo. 
Aliás, foi justamente a evidência de que as corregedorias judiciais eram 
insuficientes para controlar o comportamento ético-disciplinar dos 
magistrados que levou o ministro Cézar Peluso, ao defender a 
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constitucionalidade do Conselho 15Nacional de Justiça, a ressaltar: "(...) os 
atuais instrumentos orgânicos de controle ético-disciplinar dos juízes, porque 
praticamente circunscritos às corregedorias, não são de todo eficientes, 
sobretudo nos graus superiores de jurisdição (...)". A tarefa é difícil. Exige 
mais do que controles internos 20corporativos. 
Nessa perspectiva, surgiu proposta de tornar obrigatória a disciplina Ética 
Profissional nas faculdades de Direito. A proposta, aparentemente adequada, 
deve ser vista com cuidado. Mais importante do que ensinar ética é praticar 
um 25comportamento ético. Isso quer dizer que uma escola de Direito só tem 
legitimidade para ensinar ética se tiver antes implantado a prática cotidiana 
da ética entre professores, alunos e funcionários. Tiver antes implantado a 
educação como prática da ética, parafraseando o grande educador Paulo 
30Freyre, quando pregava a educação como prática da liberdade. 
Infelizmente, em grande número de faculdades de Direito existem práticas 
antiéticas de muitos alunos e até de alguns professores. Práticas que, nesta 
crise de perda de indignação do brasileiro, de tão corriqueiras, parecem até 
normais. Dou 35exemplo de duas: a cola na prova e o plágio no trabalho de 
curso. 
Qual a política efetiva que as escolas têm para controlar a cola? Que 
punições ou reeducação as escolas têm para o aluno que é pego colando? 
No nível institucional, 40provavelmente nenhuma. Tudo fica ao arbítrio do 
professor cansado, sem formação didática renovada, mal pago, a dar aula a 
um número excessivo de alunos empacotados numa sala, em situação que 
a boa didática jamais recomendaria. A ele cabe decidir se o aluno vai perder 
a questão, perder a 45prova, ou apenas laisser passer. 
Isso é suficiente? Difícil dizer. As estratégias para violação se 
sofisticaram. A cola tradicional, olhar e copiar a prova do aluno ao lado, 
insinuante, quase provocativa, que se autoconvida, dá lugar a "métodos" 
mais sofisticados, celulares 50e outros meios eletrônicos. Tudo facilitado pelo 
fato de que a prova pede mais a memorização da doutrina alheia do que o 
raciocínio original do aluno. 
O plágio em trabalhos escritos está em ascensão. Culpa do Google, da 
familiaridade das novas gerações de alunos 55com a tecnologia de busca na 
internet, e da facilidade de se atribuir a autoria de um texto. Essa situação é 
agravada pelo fato de que os trabalhos de disciplinas e de conclusão de curso 
são, sobretudo, pesquisas bibliográficas, estruturadas pelo que o professor 
Luciano de Oliveira chama de ideologia 60da "manualização". Assim como a 
maioria dos manuais de Direito são apenas uma colagem de autores, textos, 
doutrinas e jurisprudência sem necessariamente maior arte, assim também 
são os trabalhos de classe e de conclusão de curso. A pesquisa dos alunos 
começa e termina nos manuais 65de sempre. 
Incluir, pois, um curso de ética profissional no currículo pode nos levar a 
um paradoxo. O currículo ensinando ética, e o aluno praticando a antiética, 
ao usar a tecnologia para plagiar autores e colar nas provas e trabalhos do 
curso. Em outras 70palavras: não vamos resolver o grave problema do 
comportamento antiético de alguns advogados tornando obrigatório o ensino 
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de uma nova disciplina – Ética Profissional – num ambiente marcado pela 
cola e plágio. 
Temos o mesmo problema nas disciplinas de ética 75profissional nos 
cursos de formação dos juízes. Não raramente, essas disciplinas se 
transformam em discussões filosóficas ou dogmáticas europeizadas. 
Raramente se estruturam a partir da análise crítica dos problemas éticos 
disciplinares que existem em seus próprios tribunais. 
80Soluções existem. Há escolas privadas, no Brasil e no exterior, onde os 
alunos assinam, além do contrato de prestação de serviços educacionais 
com a faculdade, um código de ética que se obriga a respeitar. Algumas 
escolas já têm Conselhos de Ética, nos quais a cola e o plágio são 
85discutidos e julgados por alunos, professores e funcionários: as sanções 
vão desde a advertência até a expulsão, passando pela perda da bolsa. 
Razões pragmáticas favorecem uma postura mais rigorosa. O aluno que 
cola pode apresentar um currículo igual ou 90melhor do que aquele que se 
esforçou sozinho. Isso é concorrência desleal num mundo em que é cada vez 
mais difícil obter emprego. Em algumas escolas, os alunos estão se 
conscientizando e contribuindo para o controle ético de seus colegas. Sem 
falar que está em jogo o próprio nome e 95reputação da escola – o que 
também começa a ser percebido pelos alunos. De uma maneira ou de outra, 
o mercado empregador acaba descobrindo quais as escolas que facilitam a 
aprovação do aluno e quais as que exigem um comportamento mais ético 
profissionalmente. 
(Joaquim Falcão. Correio Braziliense, 20/7/06) 
 
Questão 68) 
Em antiéticas (L.32), grafou-se corretamente o vocábulo formado com o 
prefixo anti-. 
Assinale a alternativa em que isso não tenha ocorrido. 
a) antiinflamatório 
b) anti-marxista 
c) anti-higiênico 
d) antiaéreo 
e) anti-rábica 
 
TEXTO: 16 - Comum à questão: 69 
Texto 6 
 
“A velha Totonha de quando em vez batia no engenho. E era um 
acontecimento para a meninada. Ela vivia de contar histórias de Trancoso. 
Pequenina e toda engelhada, tão leve que uma ventania poderia carregá-la, 
andava léguas e léguas a pé, de engenho a engenho, como uma edição viva 
das Mil e uma noites. Que talento ela possuía para contar suas histórias, com 
jeito admirável de falar em nome de todos os personagens! Sem nenhum 
dente na boca, e com uma voz que dava todos os tons às palavras.” 
(José Lins do Rego: Menino de Engenho. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007, 
p. 79.) 
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Questão 69) 
Leia e analise as afirmativas abaixo. 
 
I. A expressão de quando em vez remete à idéia de tempo. 
II. A palavra que, na linha 4, é uma partícula expletiva, usada apenas para 
enfatizar a entonação causada pelo ponto de exclamação. 
III. A expressão e com uma voz que dava todos os tons às palavras, indica 
que Totonha contava histórias com expressividade. 
IV. As palavras meninada e viva sofreram um processo de derivação sufixal 
e derivação imprópria, seqüencialmente. 
V. Em tão leve que uma ventania poderia carregá-la há idéia de 
conseqüência. 
 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras. 
b) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras. 
c) Somente as afirmativas II, III e V são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas I, III, IV e V são verdadeiras. 
e) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. 
 
TEXTO: 17 - Comum à questão: 70 
 
Os versos seguintes fazem parte do poema “Um chamado João” de Carlos 
Drummond de Andrade em homenagem póstuma a João Guimarães Rosa. 
 
Um chamado João 
 
João era fabulista? 
fabuloso? 
fábula? 
Sertão místico disparando 
no exílio da linguagem comum? 
 
Projetava na gravatinha 
a quinta face das coisas 
inenarrável narrada? 
Um estranho chamado João 
para disfarçar, para farçar 
o que não ousamos compreender? 
(...) 
 
Mágico sem apetrechos, 
civilmente mágico, apelador 
de precípites prodígios acudindo 
a chamado geral? 
(...) 
 
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Ficamos sem saber o que era João 
e se João existiu 
deve pegar. 
(Carlos Drummond de Andrade, em Correio da Manhã, 22/11/1967, 
publicado em Rosa, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro:Nova Fronteira, 2001.) 
 
Questão 70) 
Na segunda estrofe, há dois processos muito interessantes de associação de 
palavras. Em “inenarrável/narrada” encontramos claramente um processo de 
derivação. Em “disfarçar/farçar”, temos a sugestão de um processo 
semelhante, embora ‘farçar’ não conste dos dicionários modernos. 
a) Relacione o significado de ‘inenarrável’ com o processo de sua formação; 
e o de ‘farçar’, na relação sugerida no poema, com ‘disfarçar’. 
b) Explique como esses processos contribuem na construção dos sentidos 
dessa estrofe. 
 
TEXTO: 18 - Comum à questão: 71 
 
TEXTO II 
 
Os sonhos também envelhecem 
 
Os sonhos! Esses companheiros que movem a vida, que vêm de mãos 
dadas à existência! 
Sonhos que se realizam, sonhos possíveis, impossíveis sonhos, fáceis e 
difíceis, alavanca de cada dia. 5Sonhos dormidos, sonhos bem acordados. 
Li em algum lugar que os “sonhos são os primeiros passos para as 
realizações”. Verdade, porque se realiza o que se pensa, se pensa o que se 
sonha. Engatinhamos em pensamento, damos os primeiros passos, 
andamos 10rumo à vitória, pelo menos deveria ser assim. 
Estava pensando que os sonhos, assim como tudo, ficam velhos. Feio 
isso, não é? 
Sonhos velhos, velhos sonhos, que se cansaram de sonhar, que 
enrugaram a cara, a esperança, a vontade. 15Pergunto-me se os sonhos 
ficam velhos ou se erramos nas projeções de realização. 
Seguimos com tantos sonhos e vejo que alguns passam do sonho ao 
desafio a si mesmo. 
Muitas vezes, quando se chega ao pé do sonho, 20quando o temos nas 
mãos, não é mais importante, apenas vencemos um desafio, não alcançamos 
o sonho bonito, digladiamos com a força de fazer, quer se queira ainda ou 
não. 
A dialética da vida, essa pressa de mudar tudo, faz 25as óticas mudarem 
também. Muitas vezes não percebemos e continuamos a trilhar na mesma 
estrada, como se as árvores que a enfeitam não fossem outras, à medida 
que se evolui... Como se o tempo não passasse pela metamorfose de dia e 
noite, de chuva e sol. 
30Continuamos as mesmas velhas pessoas, com os mesmos sonhos. 
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Os sonhos também envelhecem, mas podem passar pela plástica da 
visão ampla e serem novos, novos sonhos, com cara de menino, com cara 
de vida, na nossa 35cara de vencedor... 
Importante se faz tirar o véu que cobre a jovialidade do sonho, identificar 
sua velhice, vê-lo deitado e cansado de ser sonhado, interromper o desafio, 
fazer renascer, melhor, moderno e possível... 
LAGARES, Jane (adaptado). 
Disponível em: http://prosaepoesia.com.br/cronicas/ 
sonhos_envelhecem.asp. 
Acesso em: 12 nov. 2006. 
 
Questão 71) 
Tendo em vista os comentários gramaticais, assinale a afirmativa correta. 
a) Flexionando-se na primeira pessoa do plural do presente do indicativo a 
forma verbal destacada em “que vêm de mãos dadas à existência!” (l. 2) 
tem-se: viemos. 
b) Assim como “digladiamos” (l. 22), grafam-se com i as palavras impecilho 
e cadiado. 
c) Em “digladiamos com a força de fazer,” (l. 22) e “continuamos a trilhar na 
mesma estrada,” (l. 26), a classe das palavras destacadas é a mesma. 
d) No vocábulo “metamorfose” (l. 29) temos dois radicais gregos. 
e) O vocábulo “envelhecem” (l. 32) é um exemplo de derivação prefixal e 
sufixal. 
 
TEXTO: 19 - Comum às questões: 72, 73 
 
TEXTO II 
Jardim da infância 
 
Qualquer vegetal, pássaro, inseto 
ou tremor de vento e onda 
me tocam mais 
que o mais acrílico artefato 
5e platinado aço da sala. 
 
Há dois minutos um bem-te-vi pousou 
nas grades do terraço, beliscou algo amarelo 
e livre se foi marrom para o telhado. 
 
Ah, minhas mesas, móveis, cama. 
10Eu não amaria sequer esses livros 
se não soubesse da matéria orgânica 
 condensada em suas páginas. 
 
Periquitos se coçam e piam na gaiola 
fazendo amor sobre os poleiros 
15entre olhagens que me folham. 
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Estou comprando esses fascículos com tudo sobre plantas. 
Tanto mais eu vivo 
mais quero saber de ardísias e bocárnias, 
peperônias e gloxínias. 
 
20Não sei como puderam nascer sem mim, em outras terras, 
as edelweiss, blue bonnets, tulipas e cerejeiras. 
 
Como pude respirar todo esse tempo 
sem a diferença entre hibiscos e gardênias, 
confundindo tumbérgias com hipocampos, 
25dama-da-noite com dama das camélias, 
eu, 
desmemoriado cavaleiro da rosa, 
sem brincos de princesa, 
trombetas e espadas de São Jorge, 
 
30mal sabendo que era na casa de Tia Antonieta 
que nasciam as violetas africanas. 
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Que país é este? e outros poemas. 
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.) 
 
 
TEXTO III 
 
Vila dos confins 
 
Não há bicho mais velhaco do que urubu roceiro, morador em zona de 
criação, mal-acostumado pelo daninho vício de comer umbigo de bezerro 
recém-parido. 
Lá está o peste, de plantão. Refestelado1 que só ele, no galho alto do pé de 
angico esquecido no meio do pasto. Passa homem, passa mulher e menino, 
passa boi, cavaleiro passa. A gente dobra o corpo, 5deita mão em pedra. O 
urubu raciocina: mede o mal-inclinado do passante, calcula o tamanho e o 
peso da pedra, adivinha até aonde pode chegar aquele meio quilo de 
maldade. Pensa, pensa e repensa ligeiro, e continua pousado do 
mesmíssimo jeito. A cabo-verde alça vôo, zunindo, e vai bater no tronco do 
pé de angico, dois metros abaixo do alvo: beleza de tinido faz a pedrada, que 
o pau é seco, rijo, ocado pelo fogo – por isso mesmo sonoroso também. Há 
tipos que respondem com 10fedorento arroto de desprezo. Outros, porém, mal 
abrem o bico em um bocejo de pouco caso e repegam no cochilo: soneca 
matreira, que estão mas é de olho fechado de mentira, tomando nota de tudo 
quanto acontece de importante pela redondeza. A gente grita, xinga, 
sapateia, se desespera e berra os mais feios palavrões. Que o quê! Urubu 
nem cheirou nem fedeu. E continua quentando sol, vigiando a vaca 
chegadinha no amojo2 que, mais hora menos hora, solta a cria ainda boba do 
susto 15no rapado jaraguá3 do pastinho-de-bezerro. 
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O fazendeiro busca em casa a fogo-central e volta ao pasto, disposto a 
acabar com a maldita assombração. Do alto do pau, o urubu pombeia4 a 
providência. E, quando o enjerizado aponta na porteira do curral, longe ainda, 
mas de espingarda na mão, o urubu galeia5 as juntas das pernas engomadas 
de piche, estica as asas de picumã, e demuda de pouso. Comigo não, violão! 
De pau-de20fogo não não, Seu Bastião! 
Vai-se embora o negro-preto, voando barulhento que nem máquina de trem 
de ferro subindo ladeira custosa, fluque-fluque, fluque-fluque. Bicho 
excomungado! 
(PALMÉRIO, Mário. Vila dos confins. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.) 
 
Vocabulário: 
1refestelado – acomodado despreocupadamente 
2amojo – disponibilidade de leite para a amamentação 
3jaraguá – espécie de capim 
4pombeia – observa, espreita 
5galeia – sacode, balança 
 
Questão 72) 
O emprego das palavras com finalidade artístico-expressiva envolve recursos 
variados, dois dos quais estão exemplificados nas formas sublinhadas nas 
seguintes passagens dos textos II e III, respectivamente: 
entre olhagens que me folham. (l. 15) 
subindo ladeira custosa, fluque-fluque, (l. 21 - 22) 
 
Nomeie o recurso lingüístico empregado em cada passagem e descreva o 
valor estilístico de cada um. 
 
Questão 73) 
Apreendemos o significado de muitas palavras graças a relações que 
podemos estabelecer entre elas e outras que já conhecemos, como acontece 
com porteira, derivada de porta. Existem em português diferentes recursos 
para derivar palavras, e as formas derivadas podem pertencer à mesma 
classe ou a uma classe diferente da forma primitiva. As palavras daninho e 
bocejo, presentes no texto III, são uma prova disso. 
Explique comocada uma destas palavras foi criada morfologicamente a partir 
da respectiva forma primitiva. 
 
TEXTO: 20 - Comum à questão: 74 
 
TEXTO I 
 
O desemprego dos idiotas 
 
Uma pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que acaba 
de ser divulgada, informa que inúmeros setores da economia estão 
desesperados à procura de mão-de-obra qualificada. Não estamos falando 
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aqui de doutores, mas de qualificações simples. Esse é o desemprego dos 
idiotas. 
É preciso muita idiotice pública (muita mesmo) para chegarmos nessa 
situação em que há um imenso número de desempregados, especialmente 
jovens, e uma não menos imensa demanda por trabalhadores com um 
mínimo de preparo. Além do drama humano dos batalhões de 
marginalizados, temos um nada desprezível impacto no crescimento 
econômico. Sem contar que, com melhor educação profissional, se 
conseguiria distribuir mais a renda. 
O desemprego dos idiotas ocorre, entre outros motivos, porque se dá mais 
atenção aos cursos superiores tradicionais, os quais, muitas vezes, são de 
péssima qualidade e cuja empregabilidade é baixíssima. Isso com estímulo 
oficial que dá bolsas a alunos mais pobres para cursarem faculdades 
medíocres. 
Para reduzir esse problema, bastaria conhecer as vocações econômicas 
locais e preparar mão-de-obra para elas, acrescentando ensino 
profissionalizante ao ensino regular. Tudo isso pode ser feito com a ajuda dos 
recursos de educação à distância. Nada disso é novidade e já temos, no 
Brasil, vários casos de sucesso. É muito mais barato um curso superior para 
tecnólogo do que a graduação normal. Mas muitos jovens não sabem disso 
na hora de prestar o vestibular. 
O melhor que se pode fazer pela inclusão de verdade dos jovens é ampliar 
a oferta de ensino profissionalizante, transformando as escolas de ensino 
médio numa porta de saída ao mercado de trabalho. 
Gilberto Dimenstein. Folha Online, 7/10/2007, www.folha.com.br. consulta 
23/07/2008. 
 
Questão 74) 
Assinale a alternativa cujas palavras são formadas pelo mesmo processo de 
formação. 
a) Inúmero – idiotice – desprezível. 
b) Desprezível – desespero –– emprego. 
c) Desemprego – desesperados – demanda. 
d) Empregado – idiotice – inúmeros. 
e) Desemprego – demanda – preparo. 
TEXTO: 21 - Comum à questão: 75 
 
Murilograma a Graciliano Ramos 
 
1 
Brabo. Olhofaca. Difícil. 
Cacto já se humanizando, 
 
Deriva de um solo sáfaro 
Que não junta, antes retira, 
 
Desacontece, desquer. 
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2 
Funda o estilo à sua imagem: 
Na tábua seca do livro 
 
Nenhuma voluta inútil. 
Rejeita qualquer lirismo. 
 
Tachando a flor de feroz. 
 
3 
Tem desejos amarelos. 
Quer amar, o sol ulula, 
 
Leva o homem do deserto 
(Graciliano-Fabiano) 
 
Ao limite irrespirável. 
 
Vocabulário: 
• sáfaro: agreste 
• voluta: ornamento 
• ulular: produzir som em tom tristonho 
 
Questão 75) 
Assinale a alternativa que contém, respectivamente, a correta análise dos 
seguintes termos do poema: brabo, desacontece, lirismo. 
 
a) Regionalismo/derivação prefixal/derivação sufixal. 
b) Neologismo/derivação por parassíntese/derivação prefixal. 
c) Regionalismo/derivação sufixal/derivação prefixal. 
d) Arcaísmo/derivação prefixal/derivação por parassíntese. 
e) Regionalismo/derivação sufixal/derivação sufixal. 
 
TEXTO: 22 - Comum à questão: 76 
 
Obamanomics 
 
Na percepção do eleitor americano médio, o candidato democrata, 
senador Barack Obama, a ser sacramentado na convenção do Partido 
Democrata, que começa amanhã, não navega bem em assuntos 
econômicos. 
E, no entanto, um dos principais temas dessa campanha deveria ser a 
crise econômica em que o país está mergulhado há mais de um ano. 
O americano médio se sente duramente atingido no bolso. 
O dólar, que ainda é o dólar, símbolo de força e saúde econômica, perde 
valor a olhos vistos; a casa própria, um dos sonhos americanos, perde preço 
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no mercado imobiliário; e o salário é corroído por uma inflação de 5,6% ao 
ano e pelo aumento do desemprego. 
Apesar do seu carisma, Obama não chega a empolgar com sua 
plataforma de projetos para a área econômica. Defende aumento de 
investimentos públicos, principalmente em infra-estrutura e reformas no 
sistema nacional de saúde. Sua proposta de seguro-saúde universal é 
voltada para eleitores que não conseguem pagar um plano privado. Nos 
Estados Unidos, não há um sistema de atendimento a todos, como no Brasil 
onde, mal ou bem, o SUS funciona. Lá, um seguro para família de quatro 
pessoas não sai por menos de US$ 400 ao mês. Seu projeto implicaria 
custeio anual para o tesouro americano em torno de US$ 50 bilhões a US$ 
65 bilhões. 
As reformas seriam financiadas por aumento de carga tributária dos 
americanos que ganham ao ano mais de US$ 250 mil, segmento 
especialmente beneficiado pelos pacotes de cortes fiscais aprovados no 
governo Bush em 2001 e 2003. Obama não esconde que, em dez anos, 
pretende aumentar a arrecadação federal em US$ 800 bilhões.(...) 
Apesar de contar com grande apoio dos jovens, Obama começa a perder 
espaço no eleitorado, que teme o aprofundamento da crise e o considera 
pouco preparado para lidar com os atuais problemas. 
Como lembra a revista The Economist, são essas as pessoas que mais 
estão sentindo o rigor da crise. “Os americanos cresceram em tempos de 
prosperidade. Eleitores jovens não se lembram de uma série de recessão, 
desde a última, que ocorreu no início dos anos 90.” 
Se continuar no mesmo diapasão, a campanha democrática será incapaz 
de tirar proveito da crise, em grande parte criada pelo governo republicano 
de George Bush. 
E não deixa de ser irônico lembrar que o democrata Bill Clinton venceu o 
republicano Bush (pai) em 1992 sob o slogan “É a economia, idiota.” 
 
 
(O Estado de S.Paulo, 24.08.2008. Adaptado) 
 
Questão 76) 
 
Assinale a alternativa correta sobre o título do texto. 
 
a) Com o título Obamanomics, o autor manifesta confiança irrestrita no 
programa do candidato democrata na resolução de problemas ligados à 
área econômica, ponto de vista que se confirma no decorrer do texto. 
b) No seguinte trecho de Sagarana, de Guimarães Rosa, ocorre palavra 
formada pelo mesmo processo da palavra 
Obamanomics: 
“Mas Nhô Augusto era couro ainda por curtir, e para quem não sai, em 
tempo, de cima da linha, até apito de trem é mau agouro. Demais, quando 
um tem que pagar o gasto, desembesta até ao fim. E, desse jeito, achou 
que não era hora para ponderados pensamentos.” 
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c) A palavra Obamanomics é formada pela junção de dois radicais, processo 
que se observa em palavra do trecho seguinte, extraído de Sagarana: 
“O Curvelo vale um conto, 
Cordisburgo um conto e cem. 
Mas as Lages não têm preço, 
Porque lá mora meu bem...” 
d) De acordo com o título, a proposta de Obama para questões relacionadas 
à área econômica condiz com os problemas decorrentes da crise 
econômica americana. 
e) O título Obamanomics sugere a ênfase dada à economia pelo programa 
do candidato, em detrimento de outras áreas. 
 
TEXTO: 23 - Comum à questão: 77 
 
Darwin 200, por Ir. Joaquim Clotet (Reitor da PUC) 
 
1Comemoramos em 2009 o segundo centenário do nascimento de 
Charles Robert Darwin. Um 2homem admirado, estudado e até considerado 
polêmico por alguns. 
3As homenagens, os congressos, as publicações e as exposições serão 
inúmeras. Sociedades 4científicas, filosóficas e teológicas, universidades e 
museus de história natural têm já programadas as mais 5diversas atividades 
sobre a vida e a obra do relevante cientista, nascido em 12 de fevereiro de 
1809. A 6Universidade de Cambridge, a título de exemplo, tem programado 
parao próximo mês de julho o Darwin 7Festival, um evento científico e cultural 
de extrema relevância. Do mesmo modo, o Natural History 8Museum de 
Londres já inaugurou a Darwin Exhibition, _________ e altamente 
documentada exposição 9sobre o autor. 
10Não deixa de chamar a atenção a _____________ universitária do 
grande naturalista, observador 11e colecionador. Iniciou os estudos de 
medicina na Universidade de Edimburgo. Vale acrescentar que o pai 12dele 
era médico. Abandonou essa opção antes de ter concluído o curso. Ingressou 
na Universidade de 13Cambridge para estudar artes. Nessa época, 
aproximou-se das línguas clássicas, da filosofia, da teologia 14e, por incrível 
que pareça, da matemática e da física. 
15Nem o mundo das humanidades nem o das ciências divinas configurou, 
contudo, sua indiscutível e 16preclara opção intelectual: a observação atenta 
e crítica da natureza. 
17Duas experiências marcaram definitivamente o futuro do notabilíssimo 
cientista: uma viagem e o 18jardim da sua casa. 
19A viagem, realizada no Beagle, durou cinco anos e permitiu-lhe 
observar, escrever, desenhar e 20colecionar animais e plantas numa longa 
singradura. Dois terços dessa viagem passou-os em terra firme. 21Por sinal, 
de abril a junho de 1832, esteve no Brasil e alugou uma propriedade na baía 
de Botafogo. De 22volta à pátria, comprou uma casa, Down House, a 16 
milhas de Londres. O grande jardim nela existente 23foi o seu laboratório. A 
leitura dos dados obtidos na viagem, o exame dos espécimes coletados e 
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seus 24experimentos com orquídeas, pombas, baratas e minhocas, entre os 
outros muitos por ele realizados, o 25inspiraram à formulação de sua teoria 
da seleção natural e prepararam a edição da Origem das Espécies, 261859. 
27A vida e a obra do bicentenário autor são ainda hoje objeto de acendrado 
estudo, pesquisa e 28debate, atingindo o patamar da transdisciplinaridade. 
Esse reconhecimento do valor e significado da sua 29produção contrasta com 
a discrição do avisado viajante e do erudito pesquisador, pois ele próprio 
afirmava 30que não era especialista em nenhuma disciplina. 
31Continuam ainda hoje o estudo e o debate entre criacionismo, ou 
doutrina bíblica da criação, e 32evolucionismo, proveniente da seleção 
natural. O papa Pio XII, na sua carta encíclica Humani Generis, 331950, 
convida e estimula ao aprofundamento de ambas as teorias. A Academia 
Pontifícia das Ciências, do 34Vaticano, dedicou ______ extraordinárias ao 
tema no passado mês de novembro. Afirmou-se a existência 35de provas que 
evidenciam a evolução. Destaca-se, porém, que o ser humano, o homem e a 
mulher, não 36são o resultado do caos, mas que foram pensados e amados 
pelo Criador. Uma conferência internacional 37sobre a _________ entre a fé 
e a teoria da evolução está programada pela mesma entidade para o 
38próximo mês de março. Não é em vão que Darwin também estudou teologia 
e era homem que amava o 39diálogo. 
( Zero Hora - 09 de janeiro de 2009 – texto adaptado) 
 
Questão 77) 
Analise as afirmações que são feitas sobre determinadas palavras do texto. 
 
I. Em observador (ref. 10) e colecionador (ref.11), ocorre sufixo nominal. 
II. Nas palavras inúmeras (ref. 03) e indiscutível (ref. 15), há prefixo, cujo 
significado é o mesmo. 
III. Na palavra transdisciplinaridade (ref. 28), o prefixo trans- significa em 
torno de. 
 
Quais estão corretas? 
 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III. 
 
TEXTO: 24 - Comum à questão: 78 
 
Os diferentes 
 
Descobriu-se na Oceania, mais precisamente na ilha de Ossevaolep, um 
povo primitivo, que anda de cabeça para baixo e tem vida organizada. 
É aparentemente um povo feliz, de cabeça muito sólida e mãos 
reforçadas. Vendo tudo ao contrário, não perde tempo, entretanto, em refutar 
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a visão normal do mundo. E o que eles dizem com os pés dá a impressão de 
serem coisas aladas, cheias de sabedoria. 
Uma comissão de cientistas europeus e americanos estuda a linguagem 
desses homens e mulheres, não tendo chegado ainda a conclusões 
publicáveis. Alguns professores tentaram imitar esses nativos e foram 
recolhidos ao hospital da ilha. Os cabecences-para-baixo, como foram 
denominados à falta de melhor classificação, têm vida longa e desconhecem 
a gripe e a depressão. 
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa Seleta. Rio 
de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. p. 150) 
 
Questão 78) 
No texto, identifica-se o povo da ilha de Ossevaolep por um neologismo: 
cabecences-para-baixo. 
 
a) Identifique os processos de formação de palavras utilizados para a 
criação desse neologismo. 
b) Considerando o conhecimento que os observadores têm do povo de 
Ossevaolep, responda: por que se afirma, no texto, que o neologismo foi 
criado “à falta de melhor classificação”? 
 
TEXTO: 25 - Comum à questão: 79 
 
O Ser nordestino: leituras do Sul 
 
Texto 5 
 
1 Rosa - Então, você mudou muito! 
2 Crispim - Mudou todo mundo, não é? Essas 
3 coisa, a tal bossa nova. E a minha voz? 
4 Rosa - Está doente? Gripado? 
5 Crispim - Burrinha! Quero saber se lhe 
6 agradam os meus esses, os erres... Agora só 
7 falo carioca... Mudei o sotaque! 
8 Rosa - (Extasiada) Bonito! Que fala! Todo 
9 mundo vai admirar. 
CAMPOS, Eduardo. A rosa do Lagamar. In: _______. Três peças 
escolhidas. Fortaleza: 
Edições UFC, 2007, p. 132-133. 
 
Texto 6 
 
1Quando [Waldir] terminou o curso 2universitário do Paraná, veio cá para 
o Norte, 3veio pra perto da sua gente, que ele amava tanto, 4veio apesar de 
todas as tentações e convites com 5que lhe acenaram empresas e 
organizações do 6Sul. E dentro de pouco tempo se fez conhecer e 7respeitar 
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por sua atuação (…) nos postos que 8ocupou no DNOCS, responsável que 
foi por 9grandes obras de açudagem no Ceará (...). 
DIAS, Milton. O menino Valdir. In: _______. Entre a boca da noite e a 
madrugada. 
Fortaleza: Edições UFC, 2007, p. 115-116. 
 
Questão 79) 
Assinale a alternativa cujas palavras nela constantes atendem 
simultaneamente aos critérios seguintes: 
 
i) palavras formadas pelo mesmo processo derivacional de açudagem; 
ii) palavras nas quais os morfemas derivacionais têm a mesma noção 
semântica do presente em açudagem. 
 
a) Rataria – antifebril. 
b) Adulação – arvoredo. 
c) Mulherio – castanhedo. 
d) Descrença – anedotário. 
e) Armazenamento – nomeação. 
 
TEXTO: 26 - Comum à questão: 80 
 
CONSUMO EXAGERADO PROVOCA INTOXICAÇÃO 
 
A busca por melhorar o desempenho pode trazer mais prejuízos do que 
vantagens. É o que acontece quando o uso de suplementos é feito sem 
prescrição médica e a ingestão diária dos nutrientes passa dos limites 
indicados. 
 “O consumo excessivo de nutrientes me preocupa tanto quanto a 
contaminação. Esses casos são muito mais comuns”, afirma a nutricionista 
Suzana Bonumá. 
 Um dos problemas mais frequentes é a ingestão exagerada de proteínas 
e aminoácidos, presentes em fórmulas que prometem aumento da força e 
maior definição dos músculos. 
 “Há um limite máximo de consumo diário. Falamos em um grama por quilo 
de peso, para pessoas que não fazem exercício físico nenhum, 1,6 grama 
por quilo de peso para aquelas fisicamente ativas e no máximo 1,8 grama 
por quilo de peso para atletas de alto rendimento”, diz o educador físico 
Jocelito Martins. 
 Mais do que isso, a proteína deixa de ser benéfica e causa aumento de 
peso e sobrecarga hepática. 
 O excesso de vitaminas causa a chamada hipervitaminose. É quando a 
ingestão exagerada de nutrientes passa a ser tóxica ao organismo. 
 “Atletas não gastam mais vitaminas do que as pessoas sedentárias. Os 
polivitamínicos devem servir apenas para complementar falhas na 
alimentação, comopara qualquer um”, afirma o médico Turíbio Leite de 
Barros. 
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 Os efeitos da hipervitaminose são diferentes para cada tipo de nutriente. 
“Uma das consequências é o aparecimento de feridas pelo corpo”, afirma 
Martins. 
 A ingestão de compostos hipercalóricos por pessoas que não têm gasto 
energético acima da média resulta em ganho de peso. Barros alerta para o 
fato de que muitos suplementos hipercalóricos disponíveis no mercado não 
são reconhecidos como tal. 
 É o caso de fórmulas para enriquecer o leite, usadas para complementar 
a alimentação das crianças. 
 Outro problema, segundo Katiuce Borges, nutricionista especialista em 
fisiologia do exercício, é a ingestão excessiva de antioxidantes para 
combater o chamado estresse oxidativo, um dos causadores do 
envelhecimento precoce. “Atletas têm um nível de estresse oxidativo maior. 
Mas o consumo exagerado causa o efeito inverso: aumenta a quantidade de 
radicais livres.” 
(Folha de São Paulo, 09/09/2010) 
 
Questão 80) 
A alternativa em que os vocábulos destacados são formados por processos 
diferentes de formação é: 
 
a) excesso – limite; 
b) consumo – aumento; 
c) diário – melhorar; 
d) fisicamente – rendimento; 
e) diferentes – nutriente. 
 
TEXTO: 27 - Comum à questão: 81 
 
01 Organizações ambientalistas internacionais afirmam 02 que o Brasil pode 
estar perdendo a liderança 03 no movimento ecológico global, depois que 04 
a Câmara dos Deputados aprovou, na quarta feira, 05 um novo texto que 
altera o Código Florestal Brasileiro. 
07 Em entrevista _____ BBC Brasil, representantes 08 da WWF e do 
Greenpeace em Londres disseram 09 que o Brasil sempre foi visto como um 
dos países 10 mais ativos na promoção de ideias ambientais 11 em fóruns 
internacionais, como as reuniões sobre 12 mudanças climáticas da ONU. 
Mas, a aprovação 13 do texto do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) pode 14 
provocar uma mudança nessa percepção. 
15 O texto ainda precisa ser apreciado pela presidente 16 Dilma Rousseff, que 
pode vetá-lo na íntegra 17 ou parcialmente. Neste caso, a proposta volta para 
18 o Congresso, que pode fazer alterações ou derrubar 19 o veto. 
20 Entre os pontos mais polêmicos do parecer de 21 Piau está a questão da 
anistia ______ produtores 22 que desmataram florestas nas proximidades de 
23 rios. O texto afeta os proprietários de terra que 24 desmataram os 30 metros 
das Áreas de Preservação 25 Permanente (...). Eles ficam liberados da 
obrigação 26 de recuperar totalmente a área degradada. 27 De acordo com o 
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texto aprovado, (...), os proprietários 28 que infringiram tais regras terão de 
replantar 29 apenas 15 metros. 
30 É um choque estarem alterando o Código Florestal 31 que protege_____ 
floresta amazônica. Com 32 a proximidade da Rio+20, isso bota muita 
pressão 33 sobre a presidente Dilma Rousseff. Será muito difícil 34 para ela 
se apresentar como defensora do 35 ambiente, disse _____ BBC Brasil Sarah 
Shoraka, 36 ativista especialista em florestas do Greenpeace. 
37 Para a diretora de Florestas da WWF no Reino 38 Unido, Sandra Charity, 
a comunidade internacional 39 está 'perplexa' com a votação no Congresso 
40 brasileiro. 
41 O Brasil tem uma trajetória de país moderno, 42 que sempre esteve na 
liderança dos compromissos 43 ambientais, tendo em vista a sua posição na 
44 Conferência de Mudanças Climáticas de Copenhague 45 [2009]. O país 
sempre esteve na frente e 46 puxando os outros países. A aprovação desse 
texto 47 é um retrocesso, disse ela. 
48 A representante da WWF ressalvou que o texto 49 foi aprovado no 
Congresso, e não pela Presidência, 50 mas que mesmo assim a medida 
tende a respingar 51 na imagem do governo e do país como um 52 todo. 
http://verde.br.msn.com (Por BBC, BBC Brasil, Atualizado: 26/4/2012) 
 
Questão 81) 
Assinale a alternativa em que o elemento mórfico em destaque está 
incorretamente analisado. 
 
a) desmataram (Ref.22) - radical 
b) aprovação (Ref.46) - prefixo 
c) ficam (Ref. 25) - tema 
d) afirmam (Ref. 1-2) - desinência número-pessoal 
e) provocar (Ref. 14) - vogal temática 
 
TEXTO: 28 - Comum à questão: 82 
 
Cheguei com 21 anos e já estou há 54 em São Paulo. Desde meus 
primeiros dias, vivo um problema que existe até hoje e compartilho com todo 
mundo. Não dirijo. Ando de táxi, ônibus, metrô e caminho muito. Sou 
pedestre e, como tal, conheço a tragédia das calçadas. Quem caminha torce 
o pé em buracos, tropeça em desníveis, precisa olhar para baixo o tempo 
inteiro. Não há calçadas uniformes, planas, planejadas, cuidadas. Cada dono 
constrói seu trecho segundo sua fantasia. Há gosto, bom gosto e muito mau 
gosto, breguice, kitsch. A variedade não contribui para uma cidade criativa e 
original. Ao contrário, é um mix desordenado de excrescência. 
Problemas pequenos? Some aos outros, por exemplo, as agruras de 
quem toma ônibus, de quem toma metrô, de manhã ou à tarde. Tente viajar 
nos horários de pico. Ah! Aí, sim, se vê por que é uma selva. Algum 
coordenador de transportes tentou fazer uma viagem num coletivo cheio, em 
dia de calor, janelas fechadas? Algum já viajou esmagado, prensado, 
sufocado, o ar faltando aos pulmões? 
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Sonho com utopias. A São Paulo ideal teria calçadas largas contendo uma 
ciclovia e árvores. E bueiros que deem vazão às águas das chuvas. E um 
povo que não varra as folhas para dentro dos bueiros. E que tenha 
recipientes para se depositar o lixo. A São Paulo ideal teria prédios de no 
máximo oito andares e praças e jardins e parques. E principalmente projetos 
e planos diretores que olhassem o futuro, e não o presente imediato e 
eleitoreiro. E administradores que olhassem com carinho para a cidade. 
(Ignácio de Loyola Brandão. O Estado de S.Paulo, 01.07.2012. Adaptado.) 
 
Questão 82) 
Pelo processo de derivação, as palavras sofrem modificações incorporando 
diferentes sentidos. Assinale a alternativa em que as palavras em destaque, 
nas frases, resultantes do mesmo processo de formação, traduzem, 
respectivamente, sentido de admiração e de menosprezo. 
 
a) São Paulo, com todas as oportunidades que oferece, é mesmo uma 
cidadona. / Quadrilhas invadem restaurantes e roubam clientes em 
ondas de ataque em São Paulo: que cidadezinha violenta! 
b) As calçadas nas cidades europeias são planejadíssimas. / Como houve 
mudança na administração do bairro, a reforma da praça teve de ser 
replanejada. 
c) Algum coordenador de transportes tentou fazer uma viagenzinha curta 
que seja, num coletivo cheio, em dia de calor? / Moradora da periferia 
enfrenta uma rotina diária de mais de cinco horas dentro dos ônibus: é 
uma hiperviagem. 
d) Ele é um supercoordenador e deveria conhecer os problemas do 
trânsito. / A Prefeitura nomeou uma pessoa incompetente para 
administrar o trânsito, é um descoordenador. 
e) A variedade dos desenhos forma um mix desordenado de excrescência. 
/ Que sorte temos nós, nossa cidade é harmoniosa, ordenadíssima! 
 
TEXTO: 29 - Comum à questão: 83 
 
O Vasconcelos quis festejar o exame do filho, com um jantar oferecido aos 
senhores examinadores e aos velhos amigos da família. 
À noite houve dança. Amâncio convidou os companheiros do ano; 
compareceram somente os pobres – os que não tinham em casa também a 
sua festa. 
O pai, por instâncias de Ângela, fizera-lhe presente de um relógio com a 
competente cadeia, tudo de ouro. A avó, que se abalara da fazenda para 
assistir ao regozijo do seu querido mimalho, trouxera-lhe de presente um 
moleque, o Sabino. 
Amâncio, todo cheio de si, a rever-se na sua corrente e a consultar as horas 
de vez em quando, foi nesse dia o alvo de mil felicitações, de mil brindes e 
de mil abraços. 
Alguns amigos do pai profetizavam nele uma glória da pátria e diziam que oJoão Lisboa, o Galvão e outros não tinham tido melhor princípio. 
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O Dr. Silveira, homem íntimo da casa e figura conhecida na política da terra, 
voltara-se rapidamente para dar atenção a Amâncio, que acabava de 
aproximar-se, em silêncio, com o ar presumido de quem tinha consciência 
de que toda aquela festa lhe pertencia. 
– Então, meu estudante! – disse o jurisconsulto, empinando a cabeça. – Já 
escolheu a carreira que deseja seguir? 
– Marinha, respondeu Amâncio secamente. 
A farda seduzia-o. Nada conhecia “tão bonito” como um oficial de marinha. 
À meia-noite foram todos de novo para a mesa. Vasconcelos era muito 
rigoroso quando recebia gente em casa; queria que houvesse toda a fartura 
de vinhos e comidas. Os brindes reapareceram. Visivelmente orgulhoso, o 
anfitrião se superava. Abriram-se garrafas de Moscato d’Asti, Chateau 
Yquem e Champagne. 
Do meio para o fim da ceia, Amâncio sentiu-se outro. 
Ângela abraçou o filho, chorando de comovida. 
– Que lhe disse eu?... resmungou delicadamente Silveira ao ouvido dela. – 
Este menino promete! Deem-lhe asas e hão de ver... deem-lhe asas!... 
Amâncio foi coberto de ovações. Batiam-se no copo, faziam-lhe saúdes. Ele 
a todos respondia, rindo e bebendo. 
Daí a uma hora recolheram-no à cama da mãe, porque lhe aparecera uma 
aflição na boca do estômago; mas vomitou logo e adormeceu depois, 
completamente aliviado. 
Foi a sua primeira bebedeira. 
(Aluísio Azevedo. Casa de pensão. Adaptado.) 
 
Questão 83) 
Em rever e secamente, observam-se dois processos de derivação muito 
comuns. Os mesmos tipos de formação de palavras se encontram 
destacados, respectivamente, na seguinte alternativa: 
 
a) Amâncio convidou os companheiros do ano; compareceram somente 
os pobres [...] 
b) Os brindes reapareceram. Visivelmente orgulhoso, o anfitrião se 
superava. 
c) Vasconcelos era muito rigoroso quando recebia gente em casa [...]. 
d) Alguns amigos do pai profetizavam nele uma glória da pátria [...]. 
e) O Vasconcelos quis festejar o exame do filho, com um jantar oferecido 
aos senhores examinadores [...]. 
 
TEXTO: 30 - Comum à questão: 84 
 
Software corrige redações 
Por JOHN MARKOFF 
 
The New York Times International Weekly 
Em colaboração com Folha de S.Paulo – 15 abr.2013 
 
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www.projetoredacao.com.br 
1 Imagine que, ao fazer um exame da faculdade, em vez de você receber 
sua nota do professor algumas semanas depois, você possa clicar no botão 
"Enviar" ao terminar o teste e receber de volta instantaneamente o resultado, 
tendo sua redação avaliada por um programa de computador. Agora imagine 
que esse sistema permita que você imediatamente refaça o exame para 
tentar melhorar a nota. 
2 EdX, uma empresa sem fins lucrativos fundada pela Universidade Harvard 
e pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) para oferecer cursos 
on-line, lançou esse sistema e vai disponibilizar seu software automatizado 
de graça na internet para qualquer instituição que queira usá-lo. 
3 O software utiliza inteligência artificial para avaliar as redações e 
respostas curtas por escrito, liberando os professores para outras tarefas. 
4 Embora os sistemas de notas automáticas para testes de múltipla escolha 
estejam disseminados, o uso da tecnologia para dar notas a redações ainda 
não recebeu apoio generalizado de educadores e tem muitos críticos. 
5 Anant Agarwal, presidente da EdX, previu que o software de notas 
instantâneas seria uma ferramenta pedagógica útil, permitindo que os 
estudantes façam testes e escrevam redações várias vezes para melhorar a 
qualidade de suas respostas. "Os alunos nos dizem que estão aprendendo 
muito mais com o 'feedback' instantâneo", disse o doutor Agarwal. 
6 Mas os céticos dizem que o sistema automático não se compara a 
professores reais. 
7 Um antigo crítico, Les Perelman, chamou a atenção várias vezes ao criar 
redações absurdas que enganaram o software, fazendo-o dar notas altas. 
8 "Minha primeira e maior objeção à pesquisa é que eles não fizeram um 
teste estatístico válido comparando o software com avaliadores humanos", 
disse Perelman, diretor de redação aposentado e atual pesquisador no MIT. 
9 Ele faz parte de um grupo de educadores que circula uma petição contra 
o software de avaliação automática. O grupo já coletou quase 2.000 
assinaturas. 
10 "Vamos encarar a realidade das notas de testes automáticos", diz uma 
parte da declaração do grupo. "Os computadores não sabem ler. Eles não 
podem medir os fatores essenciais da comunicação escrita eficaz: precisão, 
raciocínio, adequação de evidências, bom senso, posicionamento ético, 
argumentação convincente, organização significativa, clareza e veracidade, 
entre outros." 
11 A ferramenta de avaliação EdX exige que professores ou avaliadores 
humanos primeiro deem nota a cem redações. Então o sistema usa as 
técnicas de aprendizado mecânico para se treinar e ser capaz de dar notas 
a qualquer número de redações ou respostas quase instantaneamente. 
12 O software vai atribuir uma nota dependendo do sistema de avaliação 
criado pelo professor e fornecerá um "feedback" geral, como dizer a um 
estudante se uma resposta tratava do assunto certo. 
13 O doutor Agarwal acredita que o software se aproxima da capacidade de 
avaliação humana. "Há um longo caminho a percorrer no aprendizado 
mecânico, mas ele já é bom o suficiente e a vantagem é muito grande", disse. 
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"Descobrimos que a qualidade das notas é semelhante à variação 
encontrada de instrutor para instrutor." 
14 A EdX não é a primeira a usar tecnologia automatizada de avaliação, que 
data dos primeiros computadores "mainframe" dos anos 1960. Várias 
companhias oferecem programas comerciais para dar notas a respostas em 
testes escritos. Em alguns casos, o software é usado como um "segundo 
leitor" para verificar a confiabilidade dos avaliadores humanos. 
15 A Universidade Stanford, na Califórnia, anunciou recentemente que vai 
trabalhar com a EdX para desenvolver um sistema educacional conjunto que 
incorporará a tecnologia de avaliação automática. 
16 Duas start-ups fundadas recentemente por professores de Stanford para 
criar "cursos abertos de massa on-line" (Mooc, na sigla em inglês) também 
se dedicam a sistemas de avaliação automática. 
17 No ano passado, a Fundação Hewlett patrocinou dois prêmios de US$ 
100 mil destinados a aperfeiçoar um software que avalia testes de respostas 
curtas. 
18 Mark D. Shermis, professor da Universidade de Akron, em Ohio, 
supervisionou o concurso da Fundação Hewlett. 
19 Na opinião dele, a tecnologia – embora imperfeita – tem seu lugar no 
ambiente educacional. 
20 Com classes cada vez maiores, é impossível para grande parte dos 
professores dar aos estudantes um "feedback" significativo sobre tarefas de 
redação, segundo Shermis. 
21 Além disso, ele notou que os críticos da tecnologia tendem a vir das 
melhores universidades americanas. 
22 "Muitas vezes, eles vêm de instituições muito prestigiosas, onde o 
'feedback' recebido pelos alunos é muito melhor do que uma máquina seria 
capaz de dar", disse o doutor Shermis. "Falta a percepção do que acontece 
de fato no mundo real." 
 
Disponível em: 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/103891- 
softwarecorrige-redacoes.shtml. Acesso em: 17 abr.2013. 
 
 
Questão 84) 
 
A presença de palavras em inglês é uma constante no texto. O uso de 
software e mainframe, por exemplo, se justifica porque 
 
a) essas palavras são marcas do estilo do autor do texto. 
b) as palavras estrangeiras são argumentos de autoridade. 
c) o tema do texto trata do uso de recursos tecnológicos. 
d) essas palavras não têm tradução em língua portuguesa. 
e) o tradutor fez a tradução de todas as palavras estrangeiras do texto. 
 
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TEXTO: 31 - Comum à questão: 85 
 
 
Há calorias que engordam mais 
e calorias que engordam menos? 
 
Se você já fez dieta, deve ter ouvido: “o que importa é a quantidade de 
calorias ingeridas contra as gastas pelo corpo”. Mas há outros detalhes na 
conta. “É diferente ingerir 100 calorias de gorduras e a mesma quantidade 
vinda de carboidratos”, diz a nutricionista Alessandra Antunes. 
 
Isso acontece porque nem todas as calorias a mais são absorvidas como 
gordura. Parte delas é gasta na transformação dos nutrientes em gorduras. 
 
Se ingerimos um alimento rico em carboidratos, como o pão, ou rico em 
proteínas, como a carne, a transformação em gordura é trabalhosa, 
demandando energia (calorias), o que faz com que menos calorias estejam 
disponíveis para “virar” gordura. 
 
Quando consumimos lipídios, que já são gorduras e estão mais presentes 
em alimentos como o chocolate, nosso corpo não precisa gastar tanta 
energia em um processo de conversão, fazendo com que mais calorias 
sejam absorvidas e estocadas como gordura. 
 
Mesmo assim, não é recomendável privilegiar um só tipo de alimento. “A 
melhor opção para a saúde é a dieta balanceada”, diz a nutricionista. 
 
(Galileu, julho de 2013. Adaptado.) 
 
 
Questão 85) 
 
Observe as passagens: 
 
• a transformação em gordura é trabalhosa (3.º parágrafo) 
• menos calorias estejam disponíveis para “virar” gordura. (3.º parágrafo) 
• Mesmo assim, não é recomendável privilegiar um só tipo de alimento. (5.º 
parágrafo) 
 
É correto afirmar que as palavras trabalhosa, gordura e recomendável 
 
a) são formadas por parassíntese. 
b) são formadas por sufixação. 
c) exercem a função de objeto direto. 
d) são invariáveis em número. 
e) exercem a função de sujeito. 
 
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TEXTO: 32 - Comum à questão: 86 
 
Ora nesse tempo Jacinto concebera uma ideia... Este Príncipe concebera a 
ideia de que o “homem só é superiormente feliz quando é superiormente 
civilizado”. E por homem civilizado o meu camarada entendia aquele que, 
robustecendo a sua força pensante com todas as noções adquiridas desde 
Aristóteles, e multiplicando a potência corporal dos seus órgãos com todos 
os mecanismos inventados desde Teramenes, criador da roda, se torna um 
magnífico Adão, quase onipotente, quase onisciente, e apto portanto a 
recolher [...] todos os gozos e todos os proveitos que resultam de Saber e 
Poder... [...] 
 
Este conceito de Jacinto impressionara os nossos camaradas de cenáculo, 
que [...] estavam largamente preparados a acreditar que a felicidade dos 
indivíduos, como a das nações, se realiza pelo ilimitado desenvolvimento da 
Mecânica e da erudição. Um desses moços [...] reduzira a teoria de Jacinto 
[...] a uma forma algébrica: 
 
E durante dias, do Odeon à Sorbona, foi louvada pela mocidade positiva a 
Equação Metafísica de Jacinto. 
 
Eça de Queirós, A cidade e as serras. 
 
Questão 86) 
Sobre o elemento estrutural “oni”, que forma as palavras do texto 
“onipotente” e “onisciente”, só NÃO é correto afirmar: 
 
a) Equivale, quanto ao sentido, ao pronome “todos(as)”, usado de forma 
reiterada no texto. 
b) Possui sentido contraditório em relação ao advérbio “quase”, 
antecedente. 
c) Trata-se do prefixo “oni”, que tem o mesmo sentido em ambas as 
palavras. 
d) Entra na formação de outras palavras da língua portuguesa, como 
“onipresente” e “onívoro”. 
e) Deve ser entendido em sentido próprio, em “onipotente”, e, em sentido 
figurado, em “onisciente”. 
 
TEXTO: 33 - Comum à questão: 87 
 
Os adolescentes e a filosofia 
Vladimir Safatle 
 
1 Há poucos anos, o ensino de filosofia tornou-se 2 matéria obrigatória para 
os alunos de ensino médio. 3 Uma decisão acertada que leva em conta a 4 
necessidade de estudantes adolescentes 5 desenvolverem habilidades 
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críticas, além de 6 compreenderem a complexidade da gênese de 7 conceitos 
fundamentais para nossas formas de vida. 
8 De fato, a filosofia, tal como a conhecemos 9 hoje, é o discurso que permite 
à chamada 10 “experiência do pensamento ocidental” criticar 11 seus próprios 
valores morais, estéticos, normas 12 sociais e evidências cognitivas. A 
cláusula 13 restritiva relativa ao “ocidente” justifica-se pelo 14 fato de 
conhecermos muito pouco a respeito dos 15 sistemas não ocidentais de 
pensamento. Temos, em 16 larga medida, uma visão estereotipada de que 
eles 17 ainda seriam fortemente vinculados ao pensamento 18 mítico e, por 
isso, não teriam algo parecido à nossa 19 razão desencantada, que baseia 
seus princípios na 20 confrontação das argumentações a partir da procura 21 
do melhor argumento. É provável que, em alguns 22 anos, tenhamos de rever 
tal análise. 
23 De toda forma, que adolescentes sejam 24 apresentados à filosofia, eis 
algo que vale a pena 25 conservar. A adolescência transformou-se entre nós 
26 em um momento de revisão profunda do sistema de 27 valores e crenças, 
de abertura e de profunda 28 insegurança. Em sociedades com tendências a 
29 criticar modelos de autoridade baseados no legado 30 da tradição e na 
repetição de experiências passadas, 31 sociedades que incitam os indivíduos 
a tomar em 32 seus ombros a responsabilidade pela construção de 33 seus 
estilos de vida, inclusive como estratégia para 34 apagar os impasses 
propriamente sociais de nossos 35 modelos de conduta e de julgamento, a 
adolescência 36 será necessariamente vivenciada de forma mais 37 
angustiante. Nesse sentido, o contato com a filosofia 38 encontra um terreno 
fértil de questionamento. 
39 A avaliação dos livros e dos projetos pedagógicos 40 normalmente 
direcionados a nossos alunos revela, 41 no entanto, que deveríamos procurar 
outras 42 estratégias de ensino. Nossos livros didáticos e 43 paradidáticos 
são, na sua grande maioria, manuais 44 de exposição da história da filosofia 
a partir de seus 45 personagens principais. Os melhores se organizam 46 a 
partir de temas específicos e do seu 47 desdobramento nos últimos 2 mil anos 
(o que, 48 convenhamos, não é pouco tempo). Nos dois casos, 49 alcança-se, 
no máximo, uma visão geral da história 50 das ideias. Normalmente muito 
bem ilustrada. 
51 Melhor seria focar o ensino na leitura dirigida 52 de textos maiores da 
tradição filosófica. Um 53 adolescente tem todas as condições de ter uma 54 
primeira leitura produtiva de textos como O 55 Banquete ou A República, de 
Platão, Discurso 56 Sobre a Origem da Desigualdade, de Rousseau, as 57 
Meditações, de Descartes, Além do Bem e do Mal, 58 de Nietzsche, ou 
mesmo um texto como O Que É o 59 Esclarecimento?, de Kant, entre tantos 
outros. São 60 obras que abrem parte de suas questões diante de 61 uma 
primeira leitura dirigida. Eles permitem ainda 62 uma problematização sobre 
questões maiores 63 como: o amor, a política, a autoidentidade, a 64 injustiça 
social e as aspirações da razão. 
65 Nesse sentido, ganharíamos mais se os cursos 66 fossem direcionados, 
por um lado, ao aprendizado 67 sistemático da leitura e da interpretação. 
Nossos 68 alunos chegam à universidade sem uma real 69 capacidade de 
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compreensão e de problematização 70 de textos. Os cursos de Filosofia 
poderiam 71 colaborar em muito para mudar tal realidade. 
72 Por outro lado, e sei que isso pode estranhar 73 alguns, ganharíamos muito 
se uma parte dos cursos 74 de Filosofia para os adolescentes fosse dedicada 
ao 75 ensino da lógica. Nossos alunos chegam às 76 universidades com 
dificuldades de escrita e de 77 raciocínio que poderiam ser minoradas se eles 
78 tivessem cursos de lógica. Sei que esta é uma das 79 disciplinas de que 
nossos alunos de filosofia menos 80 gostam, mas eles ganhariam muito, em 
todas as 81 áreas, se tivessem uma formação mais sistemática82 no campo 
da lógica e da teoria do conhecimento. 
83 Neste momento em que a sociedade brasileira 84 se dá conta da 
importância da luta pela qualidade 85 do ensino, deveríamos parar de 
desqualificar a 86 capacidade de raciocínio de nossos adolescentes. 87 Eles 
merecem conhecer diretamente os textos e as 88 ideias que constituíram 
nossa experiência social. 89 Esta seria uma estratégia melhor do que lhes 90 
apresentar manuais. 
 
Texto adaptado, disponível em <http://www.cartacapital. com.br/ 
revista/760/os-adolescentes-e-a-filosofia-9201.html>. 
Publicado em 05/08/2013. Acessado em 21/02/2014. 
 
 
Questão 87) 
 
Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) quanto aos aspectos linguísticos do 
texto. 
 
01. Nas referências 4 e 53, a palavra “adolescente(s)” foi utilizada como 
substantivo nos dois casos. 
02. A estrutura “É provável que” (Ref. 21) e o emprego de formas verbais no 
presente do subjuntivo (Refs. 21-22) exprimem uma atitude de certeza 
do autor do texto a respeito do ensino de filosofia no ensino médio. 
04. O modo de organização textual e o emprego de algumas formas verbais 
no presente do indicativo caracterizam o texto como conativo. 
08. O prefixo -des presente nas palavras “desigualdade” (Ref. 56) e 
“desqualificar” (Ref. 85) apresenta, respectivamente, o sentido de “falta, 
ausência de” e de “ação contrária”. 
16. Em “o ensino de Filosofia tornou-se matéria obrigatória para os alunos 
do ensino médio” (Refs. 1-2), a palavra em destaque é uma conjunção 
final. 
 
 
 
 
 
 
 
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TEXTO: 34 - Comum à questão: 88 
 
 
 
Dieta Já! 
 
O que pode acontecer quando você começa a folhear uma revista O Cruzeiro 
bem antiga? 
 
Minhas tias eram todas gordinhas. Minhas vizinhas, as mais novas e as mais 
velhinhas. Os homens também eram todos barrigudinhos, meus tios e meus 
vizinhos. Comia-se muito brigadeiro, muito cajuzinho, muito canudinho. No 
Mercado Central, comia-se muito torresminho, muito salgadinho, bebia-se 
muita cervejinha. Tudo isso sem a menor dor na consciência. Só fui me tocar 
que havia regime quando Caetano cantou pela primeira vez na televisão 
“...bota o café com Suita/eu tomo!” 
 
Foi então que fui procurar saber o que era Suita, e me disseram que era um 
adoçante que não deixava ninguém engordar. No país em que fritava-se tudo 
com banha de porco e a margarina tinha o nome de Saúde, de repente, 
decretaram guerra ao açúcar e a tudo que era imoral e engordava. Da rabada 
ao biscoitinho. Da feijoada ao pãozinho. 
 
Folhear revista velha dá nisso. Essa semana estava aqui mergulhado em 
meio a um milhão de revistas, quando caiu na minha mão uma O Cruzeiro lá 
dos tempos de Getúlio Vargas. Uma reportagem de página inteira cujo título 
era a seguinte pergunta: “Você quer engordar?” Levei um susto. Parei, olhei, 
comecei a ler. Era uma matéria dizendo que muitas mulheres, devido à vida 
agitada daqueles tempos modernos que estavam começando a ter, não 
conseguiam engordar. Sim, todas já queriam ser cheinhas, bonitas, gostosas 
e poderosas. Enfim, a reportagem de OCruzeiro deixava bem claro: Chega 
de ser magrela e feia! 
 
Como nessas reportagens de hoje, sempre acompanhadas de dicas, aquela 
revista O Cruzeiro de David Nasser e do Amigo da Onça também dava dicas 
para você ir engordando aos poucos, sem estresse e sem fazer muito 
esforço. Acompanhe comigo as dicas do “Programa para engordar, a ser 
seguido durante as férias” que estavam ali naquela página em preto e branco 
daquela que era a maior revista semanal do país. Vamos lá! 
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07h00 – Levante cedo para ter fome à hora do café. Faça exercícios 
respiratórios, tome um banho frio e faça alguns servicinhos da casa. 
08h30 – Café bem farto, depois um divã (costura ou leitura) até as 11 horas. 
11h00 – Saída, passeio a passos lentos. 
12h00 – Meia hora de relaxação muscular antes de almoçar. 
12h30 – Almoço leve. Mastigue bem, cuidadosamente, não leia, não ouça 
rádio. 
13h30 – Sesta, repouso até as 17 horas. 
17h00 – Duas horas de exercícios fortes ou de esporte (tênis, natação, 
caminhada). 
19h00 – Meia hora de relaxação antes do jantar. 
19h30 – Fantar farto. Em seguida, um pequeno passeio A hora de dormir, 
haja o que houver, não deve passar das 21 horas. 
21h00 – Dormir. 
Confesso que li, reli e não consegui entender direito esse regime para 
engordar, receita da revista O Cruzeiro. É nisso que dá ficar folheando 
revista velha numa tarde de segundafeira em pleno dois mil e quatorze. 
(30/01/2014) 
 
 
Disponível em: <http://www.cartacapital.com. 
br/cultura/dieta-ja-3791.html>. Acesso em: 12 mar. 2014. 
 
 
Questão 88) 
 
Considerando a composição informacional e discursiva do Texto 2, o uso 
recorrente do diminutivo auxilia na 
 
a) apresentação de uma análise objetiva e criteriosa da beleza feminina, 
demonstrando uma mudança radical no comportamento social, uma das 
funções do gênero de divulgação científica. 
b) composição da argumentação e da contra-argumentação do discurso 
circulante acerca da obesidade, definindo a natureza argumentativo-
persuasiva do artigo de opinião. 
c) marcação explícita da fragilidade daqueles que faziam dieta no passado, 
oferecendo recomendações de como proceder à dieta, comum nos 
textos instrucionais. 
d) atribuição de um aspecto despretensioso, leve, a um tema extraído do 
cotidiano imediato, característica fundamental do gênero crônica. 
e) caracterização das personagens da trama narrada, construindo a 
atmosfera dramática e envolvente do gênero romance. 
 
 
 
 
 
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TEXTO: 35 - Comum à questão: 89 
 
Comédia Política é atuação mais madura de Leandro Hassum no cinema. 
 
O candidato honesto 
 
Na trama, Hassum vive José Ernesto, um candidato à presidência da 
República que se vê no segundo turno das eleições e com larga vantagem 
sobre o seu opositor. Sua popularidade é imensa, mas o deputado é tudo o 
que o povo não gostaria que seu representante no poder fosse: corrupto e 
mentiroso. Tudo parecia perfeito quando, na reta final de sua campanha, 
Ernesto recebe um comunicado de que sua avó está à beira da morte e 
gostaria de vê-lo uma última vez. O que ele não esperava é que, como último 
ato em vida, ela lhe joga uma praga, fazendo-o prometer que nunca mais 
mentiria, seja dentro de casa ou na vida política. (...) 
Acostumado com um mundo de lavagem de dinheiro, helicópteros e 
secretárias sensuais, o deputado se vê como um peixe fora d'água, sem 
conseguir ambientar-se novamente ao lado de seus colegas no Palácio. 
(...) 
No final, o filme nos apresenta uma grande discussão: a culpa de ser 
corrupto é apenas do indivíduo ou do sistema como um todo? A tentativa de 
Santucci de tratar um tema quente dentro de um longa de humor é bem-
sucedida, apesar de alguns exageros característicos das comédias 
brasileiras. E serve como um leve toque para o espectador pensar muito bem 
antes de apertar o botão "confirmar" na hora de votar. 
ZULIANI, André Disponível em: http://omelete.uol.com.br/cinema/o-candidato- 
honesto-critica/#.VDKgIWddWys, Acesso em: 01 out. 2014 (adaptado). 
 
Questão 89) 
A palavra “Acostumado”, que aparece no início do segundo parágrafo, é 
formada por parassíntese, ou seja, pelo acréscimo simultâneo de prefixo e 
sufixo. Com base nessa afirmação, em qual das alternativas há um vocábulo 
formado por derivação parassintética? 
 
a) Entristecido 
b) Impopularidade 
c) Desmilitarização 
d) Desmotivado 
e) Retestado 
 
TEXTO: 36 - Comum à questão: 90 
 
 
Economês – A Folha combate o economês, um vício de estilo comum em 
jornalismo econômico, como se vê em: A autoridade monetária está 
praticando uma política contracionista de redução de juros reais com o 
objetivo de tentar contera recessão econômica. Essa longa frase pode ser 
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http://omelete.uol.com.br/cinema/o-candidato-%0bhonesto-critica/#.VDKgIWddWys,
http://omelete.uol.com.br/cinema/o-candidato-%0bhonesto-critica/#.VDKgIWddWys,
 
 
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substituída por: O governo está baixando os juros para tentar estimular o 
crescimento da economia. Todos os termos técnicos e jargões devem ser 
evitados ou explicados em linguagem compreensível para qualquer leitor. 
 
MANUAL de Redação da Folha de S. Paulo. 
São Paulo: Publifolha, 2010. p. 66. (Adaptado). 
 
 
Questão 90) 
 
A palavra “economês” constitui um neologismo formado a partir de um 
processo de 
 
a) derivação prefixal. 
b) composição por aglutinação. 
c) derivação sufixal. 
d) composição por justaposição. 
 
TEXTO: 37 - Comum à questão: 91 
 
 
Economês – A Folha combate o economês, um vício de estilo comum em 
jornalismo econômico, como se vê no seguinte exemplo: A autoridade 
monetária está praticando uma política contracionista de elevação de juros 
reais com o objetivo de tentar conter o crescimento dos índices inflacionários. 
Todos os termos técnicos e jargões devem ser evitados ou explicados em 
linguagem compreensível para qualquer leitor. 
 
MANUAL de Redação da Folha de S. Paulo. 
São Paulo: Publifolha, 2010. p. 66. (Adaptado). 
 
 
Questão 91) 
 
A palavra “economês”, conforme usada no Manual de Redação da Folha de 
S. Paulo, constitui um neologismo formado a partir de um processo 
morfológico, no qual o sufixo “ês”, que dá origem a um 
 
a) adjetivo, assume o sentido de “sistema idiomático”, tal como ocorre com 
o sufixo “ano” nas palavras “peruano” e “nigeriano”. 
b) substantivo, assume o sentido de “sistema idiomático”, tal como ocorre 
com o sufixo “ano” nas palavras “coreano” e “italiano”. 
c) substantivo, assume o sentido de “identidade pátria”, tal como ocorre 
com o sufixo “ês” nas palavras “português” e “francês”. 
d) adjetivo, assume o sentido de “identidade pátria”, tal como ocorre com o 
sufixo “ense” nas palavras “canadense” e “israelense”. 
 
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TEXTO: 38 - Comum à questão: 92 
 
Leia a charge. 
 
 
(Velati, Folha de S.Paulo, 17.06.2014) 
 
Questão 92) 
Na fala do padre, o sentido vai se estabelecendo por meio de pares de 
palavras de sentido contrário. Do ponto de vista da formação de palavras e 
de sua flexão, explique como se constrói a idéia de oposição nos pares de 
palavras: valorização X desvalorização e Pibão X Pibinho. 
 
TEXTO: 39 - Comum à questão: 93 
 
– Hoje é dia de Natal, menino. Eles vão jantar fora, eu também tenho a 
minha festa, você vai jantar sozinho. 
Alonso inclinou-se. E espiou apreensivo debaixo do fogão. Dois olhinhos 
brilharam no escuro. [O cachorro] Biruta ainda estava lá e Alonso suspirou. 
Era tão bom quando Biruta resolvia se sentar! Melhor ainda quando dormia. 
Tinha então a certeza de que não estava acontecendo nada, era a trégua. 
Voltou-se para Leduína. 
– O que seu filho vai ganhar? 
– Um cavalinho – disse a mulher. A voz suavizou. – Quando ele acordar 
amanhã vai encontrar o cavalinho dentro do sapato dele. Vivia me 
atormentando que queria um cavalinho, que queria um cavalinho... 
Alonso pegou uma batata cozida, morna ainda. Fechou-a nas mãos 
arroxeadas. 
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– Lá no orfanato, no Natal, apareciam umas moças com uns saquinhos 
de balas e roupas. Tinha uma moça que já me conhecia, me dava sempre 
dois pacotinhos em lugar de um. Era a madrinha. Um dia ela me deu sapatos, 
um casaquinho de malha e uma camisa... 
– Por que ela não adotou você? 
– Ela disse uma vez que ia me levar, ela disse. Depois não sei por que ela 
não apareceu mais, sumiu... 
Deixou cair na caçarola a batata já fria. E ficou em silêncio, as mãos 
abertas em torno da vasilha. Apertou os olhos. Deles irradiou-se para todo o 
rosto uma expressão dura. Dois anos seguidos esperou por ela, pois não 
prometera levá-lo? Não prometera? Nem sabia o seu nome, não sabia nada 
a seu respeito, era apenas a Madrinha. Inutilmente a procurava entre as 
moças que apareciam no fim do ano com os pacotes de presentes. 
Inutilmente cantava mais alto do que todos no fim da festa na capela. Ah, se 
ela pudesse ouvi-lo! 
(Lygia Fagundes Telles, Um coração ardente) 
 
Analise as informações, extraídas e adaptadas da Moderna Gramática 
Portuguesa, de Evanildo Bechara, e responda ao solicitado. 
Questão 93) 
Os substantivos apresentam-se com a sua significação diminuída, auxiliados 
por sufixos derivacionais. Além disso, a idéia de pequenez se associa 
facilmente à de carinho que transparece nas formas diminutas. Transcreva 
do texto um exemplo para cada uma das descrições apresentadas. 
TEXTO: 40 - Comum à questão: 94 
Nuvens contêm uma quantidade impressionante de água. Mesmo as 
pequenas podem reter um volume de 750 km³ de água e, se calcularmos 
meio grama de água por metro cúbico, essas minúsculas gotas flutuantes 
podem formar verdadeiros lagos voadores. 
Imagine a situação de um agricultor que observa, planando sobre os 
campos ressecados, nuvens contendo água mais que suficiente para salvar 
sua lavoura e deixar um bom saldo, mas que, em vez disso, produzem 
apenas algumas gotas antes de desaparecer no horizonte. É essa situação 
desesperadora que leva o mundo todo a gastar milhões de dólares todos os 
anos tentando controlar a chuva. 
Nos Estados Unidos, a tendência de extrair mais umidade do ar vem 
aumentando em mais um ano de secas severas. Em boa parte das planícies 
centrais e do sudoeste do país, os níveis de chuva, desde 2010, têm 
diminuído entre um e dois terços, com impacto direto nos preços do milho, 
trigo e soja. A Califórnia, fonte de boa parte das frutas e legumes que 
abastecem o país, ainda deve recuperar-se de uma seca que deixou seus 
reservatórios com metade da capacidade e áreas sem gelo perigosamente 
reduzidas. Em fevereiro, o Serviço Nacional do Clima divulgou que o estado 
tem uma chance em mil de se recuperar logo. Produtores de amêndoas 
estão preocupados com suas plantações por falta de umidade, e até a água 
potável está ameaçada. 
(Scientific American Brasil, julho de 2014. Adaptado) 
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Questão 94) 
No texto, são exemplos de palavras formadas por derivação prefixal e por 
derivação sufixal, respectivamente: 
 
a) impressionante e quantidade. 
b) quantidade e impacto. 
c) perigosamente e controlar. 
d) desaparecer e reservatórios. 
e) potável e umidade. 
 
TEXTO: 41 - Comum à questão: 95 
 
Texto 1 
 
O MENINO QUE TINHA MEDO DE POESIA 
(Pedro Gabriel – Março de 2014) 
 
– Mãe, acho que tem um poema debaixo da minha cama! 
Quando menino, a poesia me assustava. Parecia ter dentes afiados, 
pernas desajeitadas, mãos opressoras. E nem as mãos da professora mais 
dócil conseguiam me acalmar. Não compreendia uma palavra, uma 
metáfora, uma rima pobre, rica ou rara. Não entendia nada. Tentava 
adivinhar o que o poeta queria dizer com aquela frase entupida de imagens 
e sentidos subjetivos. Achava-me incapaz de pertencer àquilo. Não 
conseguia mergulhar naquele mundo. Eu, sem saber nadar em versos, 
afogava-me na incompreensão de um soneto; ela – a tão sagrada poesia – 
não me afagava e me deixava morrer na praia, entre um alexandrino e um 
heptassílabo. 
Toda vez que eu era obrigado a decorar poesia, sentia vontade de sumir, 
de virar um móvel e ficar imóvel até tudo se acabar. Por dentro, sentia azia, 
taquicardia, asma espontânea, tremelique e gagueira repentina. Por fora, 
fingia que estava tudo bem. Eu sempre escolhia o poema mais curto da lista 
que a escola sugeria. Naquele dia, sobrou Pneumotórax, de Manuel 
Bandeira, e eu queria ser aquele paciente para não precisar declamá-lo. Eu 
queria tossir,repetir sem parar: trinta e três… Trinta e três… Ter uma doença 
pequena, uma desculpa qualquer, um atestado médico assinado pelo meu 
avô que me deixasse em casa – não a semana toda, mas só o tempo da 
aula. 
Depois, para a prova de francês, não tive escolha: fui obrigado a decorar 
Le dormeur du Val, de Rimbaud. Eu lembro que, antes de ficar em pé de 
frente para o meu professor, eu queria que alguém me desse dois tiros no 
peito. Queria ser esse soldado e dormir, tranquilo, na paz celestial daquele 
vale até que a turma toda esquecesse a minha existência. Ou que a guerra 
fosse declarada finda. Ou que eu fosse declamado culpado. A Primeira 
Guerra Mundial parecia durar menos do que aqueles 15 minutos de exame. 
Minha boca está seca até hoje. Minhas mãos estão molhadas até agora. Só 
eu sei o que suei por você, querida Poesia. 
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Aos 17, a poesia ainda me apavorava. Podia ser o verso mais delicado do 
mundo, eu tinha medo. Podia ser o poeta mais simpático da face da Terra, 
eu desconfiava. Desconversava, lia outra coisa. Ou não lia nada. Talvez por 
não querer entendê-la. Talvez por achar não merecêla. E assim ficava à 
mercê da minha rebeldia. Não queria aprender a contar sílabas, queria ser 
verso livre. Tolo! Até a liberdade exige teoria! 
Se hoje eu pudesse falar com aquele menino, diria-lhe que a poesia não 
é nenhum decassílabo de sete cabeças. Que se ela o assusta é porque ela 
o deseja. Que se ele sente medo é porque ele precisa dela. Não há mais 
monstro debaixo da sua cama. O monstro agora está em você. 
– Filho, acho que tem um poema por dentro de quem você ama… 
Disponível em: <www.intrinseca.com.br/site/2014/.../o-menino- 
que-tinha-medo-de-poesia> . (texto adaptado) Acesso em: 29 Abr 2014 
 
Texto 2 
 
A MULHER QUE NÃO SENTE MEDO DE ABSOLUTAMENTE NADA 
(Jeanna Bryner – Dezembro de 2010) 
 
Você gostaria de não sentir medo? Pelo menos uma pessoa no mundo 
não tem medo de nada: uma mulher de 44 anos, que até ajudou 
pesquisadores a identificarem o local em que vive o fator medo no cérebro 
humano. 
Os pesquisadores tentaram inúmeras vezes assustar a mulher: casas 
mal-assombradas, onde monstros tentaram evocar uma reação de rejeição, 
aranhas e cobras, e uma série de filme de terror apenas entreteram a 
paciente. 
A mulher tem uma doença rara chamada síndrome de Urbach-Wiethe que 
destruiu sua amígdala. A amígdala é uma estrutura em forma de amêndoa 
situada no fundo do cérebro. Nos últimos 50 anos, estudos mostraram que 
ela tem um papel central na geração de respostas de medo em diferentes 
animais. 
Agora, o estudo envolvendo essa paciente é o primeiro a confirmar que 
essa região do cérebro é responsável pelo medo nos seres humanos. A 
descoberta pode levar a tratamentos para transtorno de estresse pós-
traumático (TEPT). Tratamentos de psicoterapia que seletivamente 
amorteçam a hiperatividade na amígdala podem curar pacientes com TEPT. 
Estudos anteriores com a mesma paciente revelaram que ela não 
conseguia reconhecer expressões faciais de medo, mas não se sabia se ela 
tinha a capacidade de sentir medo. Para descobrir, os pesquisadores deram 
vários questionários padronizados à paciente, que sondaram os diferentes 
aspectos do medo, desde o medo da morte até o medo de falar em público. 
Além disso, durante três meses ela carregou um diário que informatizava 
sua emoção, e que, aleatoriamente, pedia-lhe para classificar o seu nível de 
medo ao longo do dia. O diário também indicava emoções que ela estava 
sentindo em uma lista de 50 itens. Sua pontuação média de medo foi de 0%, 
enquanto para outras emoções ela mostrou funcionamento normal. 
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Em todos os cenários, ela não mostrou nenhum medo. Baseado no seu 
passado, os pesquisadores encontraram muitas razões para ela reagir com 
medo. Ela própria contou que não gosta de cobras, mas quando entrou em 
contato com duas, não sentiu medo. Além disso, já lhe apontaram facas e 
armas, ela foi fisicamente abordada por uma mulher duas vezes seu 
tamanho, quase morreu em um ato de violência doméstica, e em mais de 
uma ocasião foi explicitamente ameaçada de morte. 
O que mais se sobressai é que, em muitas destas situações a vida da 
paciente estava em perigo, mas seu comportamento foi desprovido de 
qualquer senso de desespero ou urgência. E quando ela foi convidada a 
lembrar como se sentiu durante as situações, respondeu que não sentiu 
medo, mas que se sentia chateada e irritada com o que aconteceu. 
Segundo os pesquisadores, sem medo, pode-se dizer que o sofrimento 
dela não tem a intensidade profunda e real suportada por outros 
sobreviventes de traumas. Essencialmente, devido aos danos na amígdala, 
a mulher está imune aos efeitos devastadores do transtorno de estresse pós-
traumático. 
Mas há uma desvantagem: ela tem uma incapacidade de detectar e evitar 
situações ameaçadoras, o que provavelmente contribuiu para a frequência 
com que ela enfrentou riscos. 
Os pesquisadores dizem que esse tipo de paciente é muito raro, mas para 
entender melhor o fenômeno, seria ótimo estudar mais pessoas com a 
condição. 
 
Disponível em<:http://hypescience.com> (texto adaptado de http:// 
www.livescience.com). Acesso em: 29 Abr 2014 
 
 
Texto 3 
 
CONSOADA 
(Manuel Bandeira) 
 
Quando a Indesejada das gentes chegar 
(Não sei se dura ou caroável), 
Talvez eu tenha medo. 
Talvez sorria, ou diga: 
— Alô, iniludível! 
O meu dia foi bom, pode a noite descer. 
(A noite com os seus sortilégios.) 
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, 
A mesa posta, 
Com cada coisa em seu lugar. 
 
Disponível em: <http://www.poesiaspoemaseversos.com.br> Acesso em: 29 
Abr 2014. 
 
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Texto 4 
 
AUTOSSABOTAGEM: O MEDO DE SER FELIZ 
(Raphaela de Campos Mello – Outubro de 2012) 
 
A cada passo dado você sente que a felicidade se afasta alguns metros? 
Talvez esteja, inconscientemente, queimando chances de se realizar. 
Repense as próprias atitudes para interromper esse ciclo destrutivo. 
Por medo dos riscos e das responsabilidades da vida, podemos acabar 
inconscientemente com as nossas realizações. Isso se chama 
autossabotagem. São atitudes forjadas por uma parte de nós que não nos 
vê como merecedoras do sucesso ou que subestima nossa capacidade de 
lidar com a vitória. 
Pode ser aquela espinha que apareceu no nariz no dia daquele encontro 
especial ou da gripe que a pegou na véspera daquela importante reunião. 
"Muitos desses comportamentos destrutivos estão quase fora do domínio 
da consciência", afirma o psicólogo americano Stanley Rosner, coautor do 
livro O Ciclo da Auto- Sabotagem - Por Que Repetimos Atitudes que 
Destroem Nossos Relacionamentos e Nos Fazem Sofrer (ed. BestSeller). 
"A autonomia, a independência e o sucesso são apavorantes para 
algumas pessoas porque indicam que elas não poderão mais argumentar 
que suas necessidades precisam ser protegidas", diz o autor. 
O filósofo e psicanalista paulista Arthur Meucci, coautor de A Vida Que 
Vale a Pena Ser Vivida (ed. Vozes) comenta sobre os ganhos secundários. 
"Há jovens que saem de casa para tentar a vida, enquanto outros 
permanecem na zona de conforto, porque continuam recebendo atenção dos 
pais e se eximem de enfrentar as dificuldades da fase adulta", afirma. 
O problema é que, ao fazermos isso, não nos desenvolvemos 
plenamente. "Todo mundo busca a felicidade, a questão é ter coragem de 
viver, o que significa correr riscos e assumir responsabilidades", diz ele. 
Disponível em: <http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/noticias 
/autossabotagem-o-medo-deser- feliz.> (Texto adaptado). Acesso em 29 
Abr 2014 3 
 
Texto 5 
 
O QUASE 
(Sarah Westphal Batista da Silva) 
 
Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão 
de umquase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata 
trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase passou ainda 
estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou. 
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances 
que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa 
maldita mania de viver no outono. 
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Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou 
melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está 
estampada na distância e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na 
indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados. Sobra covardia e falta 
coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo 
trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, 
mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria 
ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não 
ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada 
um traz dentro de si. 
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao 
alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente 
paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar 
a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; 
pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio 
ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é 
romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o 
medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais 
horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que 
esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive 
já morreu. 
 
Disp. em: <www.pensador.uol.com.br>. Acesso em: 29 Abr 2014. 
 
 
Questão 95) 
 
 
“Depois, para a prova de francês, não tive escolha...” (texto1; 4º parágrafo) 
/ “É o quase que me incomoda...” (texto 5; 1º parágrafo). 
 
Assinale a opção em que as palavras em destaque nos trechos acima foram 
formadas, respectivamente, pelos mesmos processos daquelas destacadas 
nos trechos a seguir: 
 
a) “Em todos os cenários, ela não mostrou nenhum medo” / “Agora, o 
estudo envolvendo essa paciente” (texto 2; 7º parágrafo / texto 2; 4º 
parágrafo). 
b) “ O nada não ilumina, ...” / “...o amor enlouquece, ...” (texto 5; 2º 
parágrafo / texto 5; 2º parágrafo). 
c) “Ter uma doença pequena...” / “De nada adianta cercar um coração 
vazio ou economizar alma”. (texto 1; 3º parágrafo / texto 5; 3º parágrafo). 
d) “Estudos anteriores com a mesma paciente...” / “Ainda pior que a 
convicção do não, ...” (texto 2; 5º parágrafo / texto 5; 1º parágrafo). 
e) “Desconversava, lia outra coisa.” / “Com cada coisa em seu lugar.” 
(texto 1; 5º parágrafo / texto 3; v. 10). 
 
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TEXTO: 42 - Comum à questão: 96 
 
01 Hoje os conhecimentos se estruturam de 02 modo fragmentado, 
separado, 03 compartimentado nas disciplinas. Essa 04 situação impede uma 
visão global, uma visão 05 fundamental e uma visão complexa. 06 
“Complexidade” vem da palavra latina 07 complexus , que significa a 
compreensão dos 08 elementos no seu conjunto. 
09 As disciplinas costumam excluir tudo o que 10 se encontra fora do seu 
campo de 11 especialização. A literatura, no entanto, é uma 12 área que se 
situa na inclusão de todas as 13 dimensões humanas. Nada do humano lhe 
é 14 estranho, estrangeiro. 
15 A literatura e o teatro são desenvolvidos 16 como meios de expressão, 
meios de 17 conhecimento, meios de compreensão da 18 complexidade 
humana. Assim, podemos ver o 19 primeiro modo de inclusão da literatura: a 
20 inclusão da complexidade humana. E vamos 21 ver ainda outras inclusões: 
a inclusão da 22 personalidade humana, a inclusão da 23 subjetividade 
humana e, também, muito 24 importante, a inclusão do estrangeiro, do 25 
marginalizado, do infeliz, de todos que 26 ignoramos e desprezamos na vida 
cotidiana. 
27 A inclusão da complexidade humana é 28 necessária porque recebemos 
uma visão 29 mutilada do humano. Essa visão, a de homo 30 sapiens , é uma 
definição do homem pela 31 razão; de homo faber , do homem como 32 
trabalhador; de homo economicus , movido 33 por lucros econômicos. Em 
resumo, trata-se 34 de uma visão prosaica, mutilada, que esquece 35 o 
principal: a relação do sapiens/demens , da 36 razão com a demência, com 
a loucura. 
37 Na literatura, encontra-se a inclusão dos 38 problemas humanos mais 
terríveis, coisas 39 insuportáveis que nela se tornam suportáveis. 40 Harold 
Bloom escreve: “Todas as grandes 41 obras revelam a universalidade 
humana 42 através de destinos singulares, de situações 43 singulares, de 
épocas singulares”. É essa a 44 razão por que as obras-primas atravessam 
45 séculos, sociedades e nações. 
46 Agora chegamos à parte mais humana da 47 inclusão: a inclusão do 
outro para a 48 compreensão humana. A compreensão nos 49 torna mais 
generosos com relação ao outro, e 50 o criminoso não é unicamente mais 
visto 51 como criminoso, como o Raskolnikov de 52 Dostoievsky, como o 
Padrinho de Copolla. 
53 A literatura, o teatro e o cinema são os 54 melhores meios de 
compreensão e de 55 inclusão do outro. Mas a compreensão se 56 torna 
provisória, esquecemo-nos depois da 57 leitura, da peça e do filme. Então 
essa 58 compreensão é que deveria ser introduzida e 59 desenvolvida em 
nossa vida pessoal e social, 60 porque serviria para melhorar as relações 61 
humanas, para melhorar a vida social. 
Adaptado de: MORIN, Edgar. A inclusão: verdade da literatura. 
In: RÖSING, Tânia et al. Edgar Morin: religando fronteiras. 
Passo Fundo: UPF, 2004. p.13-18 
 
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Questão 96) 
Na coluna da esquerda, estão palavras retiradas do texto; na da direita, 
descrições relacionadas à formação de palavras. 
 
Associe corretamente a coluna da esquerda à da direita. 
 
( ) complexidade (Refs. 06, 18, 20, 27) 
( ) definição (Ref. 30) 
( ) insuportáveis (Ref. 39) 
( ) obras-primas (Ref. 44) 
 
1. Constituída por composição através de justaposição. 
2. Constituída por prefixo com sentido de negação e sufixo formador de 
adjetivos a partir de verbos. 
3. Constituída por sufixo formador de substantivo a partir de adjetivo. 
4. Constituída por sufixo formador de substantivo a partir de verbo. 
5. Constituída por aglutinação, tendo em vista a mudança silábica de um 
dos elementos do vocábulo. 
 
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, 
é 
a) 4 – 3 – 2 – 1. 
b) 3 – 4 – 2 – 5. 
c) 4 – 3 – 1 – 5. 
d) 3 – 4 – 2 – 1. 
e) 3 – 2 – 1 – 5. 
 
TEXTO: 43 - Comum à questão: 97 
 
Queimada 
 
À fúria da rubra língua 
do fogo 
na queimada 
envolve e lambe 
o campinzal 
estiolado em focos 
fenos 
sinal. 
É um correr desesperado 
de animais silvestres 
o que vai, ali, pelo mundo 
incendiado e fundo, 
talvez, 
 
como o canto da araponga 
nos vaos da brisa! 
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Tambores na tempestade 
 
[...] 
E os tambores 
e os tambores 
e os tambores 
soando na tempestade, 
ao efêmero de sua eterna idade. 
 
[...] 
Onde? 
Eu vos contemplo 
à inércia do que me leva 
ao movimento 
 
de naufragar-me 
eternamente 
na secura de suas águas 
mais à frente! 
Ó tambores 
ruflai 
sacudi suas dores! 
 
Eu 
que não me sei 
não me venho 
por ser 
busco apenas ser somenos 
no viver, 
 
nada mais que isso! 
(VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. 
Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 164, 544, 552.) 
 
Questão 97) 
 
Sobre a palavra “somenos”, presente nos versos finais do fragmento do 
poema “Tambores na tempestade”, segunda partedo texto, assinale a 
alternativa correta: 
 
a) Formada por justaposição, a palavra “somenos” revela a posição de um 
quase nada assumida pelo enunciador do texto. 
b) Tendo características de verbo no imperativo, a palavra “somenos” é um 
veículo pelo qual o enunciador conclama o leitor a refletir sobre as 
consequências destruidoras de uma tempestade. 
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c) Formada pelo prefixo ‘só-’ e pelo radical ‘menos’, a palavra “somenos” 
expressa a minimização do significado da vida para aqueles que dela 
são privados. 
d) Tendo o ‘-s’ final como marca de plural, a palavra “somenos” contrapõe 
o tudo com o nada, o muito com o pouco presentes na dinâmica do 
mundo descrita no texto. 
 
TEXTO: 44 - Comum à questão: 98 
 
Muitos anos mais tarde, Ana Terra costumava sentar-se na frente de sua 
casa para pensar no passado. E no pensamento como que ouvia o vento de 
outros tempos e sentia o tempo passar, escutava vozes, via caras e 
lembrava-se de coisas... O ano de 81 trouxera um acontecimento triste para 
o velho Maneco: Horácio deixara a fazenda, a contragosto do pai, e fora para 
o Rio Pardo, onde se casara com a filha dum tanoeiro e se estabelecera com 
uma pequena venda. Em compensação nesse mesmo ano Antônio casou-
se com Eulália Moura, filha dum colono açoriano dos arredores do Rio Pardo, 
e trouxe a mulher para a estância, indo ambos viver num puxado que tinham 
feito no rancho. 
Em 85 uma nuvem de gafanhotos desceu sobre a lavoura deitando a 
perder toda a colheita. Em 86, quando Pedrinho se aproximava dos oito 
anos, uma peste atacou o gado e um raio matou um dos escravos. 
Foi em 86 mesmo ou no ano seguinte que nasceu Rosa, a primeira filha 
de Antônio e Eulália? Bom. A verdade era que a criança tinha nascido pouco 
mais de um ano após o casamento. Dona Henriqueta cortara-lhe o cordão 
umbilical com a mesma tesoura de podar com que separara Pedrinho da 
mãe. 
E era assim que o tempo se arrastava, o sol nascia e se sumia, a lua 
passava por todas as fases, as estações iam e vinham, deixando sua marca 
nas árvores, na terra, nas coisas e nas pessoas. 
E havia períodos em que Ana perdia a conta dos dias. Mas entre as cenas 
que nunca mais lhe saíram da memória estavam as da tarde em que dona 
Henriqueta fora para a cama com uma dor aguda no lado direito, ficara se 
retorcendo durante horas, vomitando tudo o que engolia, gemendo e suando 
de frio. 
 
(Érico Veríssimo. O tempo e o Vento, “O Continente”, 1956) 
 
Questão 98) 
Leia o trecho do 1º parágrafo: “Horácio deixara a fazenda, a contragosto do 
pai, e fora para o Rio Pardo, onde se casara com a filha dum tanoeiro e se 
estabelecera com uma pequena venda. Em compensação nesse mesmo 
ano Antônio casou-se com Eulália Moura, filha dum colono açoriano dos 
arredores do Rio Pardo, e trouxe a mulher para a estância, indo ambos viver 
num puxado que tinham feito no rancho”. 
 
Explique os processos de derivação das palavras destacadas no trecho. 
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GABARITO: 
 
1) Gab: 
a) O diminutivo indica afetividade, a qual pode ser caracterizada de dupla 
forma: de um lado indica a própria afetividade da linguagem infantil; de 
outro, indica a afetividade do narrador em relação à personagem. 
b) Por sufixação, Guimarães Rosa partiu do substantivo "andorinha" para 
criar o neologismo "andorinhar", cujo sentido busca caracterizar os 
movimentos irriquietos da personagem, associados aos do pássaro. 
 
2) Gab: B 
 
3) Gab: C 
 
4) Gab: E 
 
5) Gab: B 
 
6) Gab: A 
 
7) Gab: D 
 
8) Gab: E 
 
9) Gab: A 
 
10) Gab: A 
 
11) Gab: D 
12) Gab: 
a) O elemento morfológico comum presente nos vocábulos "desagradável, 
desarranjo, desengonço" é o prefixo "des". 
b) O significado do prefixo des (de negação) relaciona-se à caracterização 
física do narrador do texto III, que é marcada pelo contrário da harmonia 
e da beleza. 
 
13) Gab: 
a) A forma verbal "lularam" significa passar para o partido de Lula (atual 
Presidente do Brasil), ou seja, apoiar Lula. 
b) Seria um neologismo. O recurso usado para se criar esse neologismo é 
conhecido com o nome de derivação sufixal: lula + ar = lular. 
14) Gab: B 
 
15) Gab: B 
 
16) Gab: D 
 
17) Gab: B 
 
18) Gab: A 
 
19) Gab: B 
 
20) Gab: B 
 
21) Gab: D 
 
22) Gab: B 
 
23) Gab:A 
 
24) Gab: C 
 
25) Gab: 
lobisomem: composição por aglutinação 
linguarudo: derivação sufixal 
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26) Gab: 
- Market + ing = derivação sufixal 
- Marquet + eiro = derivação sufixal 
- Marquet + ear = derivação sufixal 
 
27) Gab: A 
 
28) Gab: E 
 
29) Gab: B 
 
30) Gab:E 
 
31) Gab:E 
 
32) Gab: A
33) Gab: 
a) eclésiafobia (ECLÉSIA: igreja; FOBIA: medo, horror, aversão). 
b) oftalmocida ou cidaoftalmo (OFTAMO: olho; CIDA: que mata). 
c) cacófilo ou filocaco (CACO: mau; FILO: amigo). 
d) pedófago ou fagópedo (PEDO: criança; FAGO: que come). 
e) drogapato (DROGA: remédio; PATO: doença) 
 
34) Gab: B 
 
35) Gab: E 
 
36) Gab: C 
 
37) Gab: A 
 
38) Gab: A 
 
39) Gab: E
40) Gab: 
a) O termo zanga é formado por redução (zangão, zangar) e tlin-tlin-tlin-tlin 
por onomatopeia. 
b) No contexto, a conjunção “Desde que” assume sentido de condição. Em 
sentido diferente, pode ter valor temporal: “Desde que o visitei, fico 
pensando em suas considerações sobre o problema”. 
 
41) Gab: 14 
 
42) Gab: 
a) Não está. Reescrita: Potência, robustez e tração 4WD. Porque há 
lugares a que só com espírito de aventura você não chega. 
Observação: pode se empregar uma vírgula no lugar do ponto-final 
entre as frases, e duas outras para isolar o termo “só com espírito de 
aventura”. 
b) Sim. A presença ou ausência da palavra “só” muda o sentido que se 
atribui a “o espírito de aventura”. Com a palavra “só”, o “espírito de 
aventura” é visto como algo que contribui, embora apenas ele não seja 
suficiente, para se chegar aonde se deseja. Sem ela, ao contrário, o 
“espírito de aventura” constitui um impedimento para se chegar aonde 
se deseja. 
 
43) Gab: E 
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44) Gab: C 
45) Gab: 
Conteúdo: Leitura de trecho do conto da obra Sagarana, de Guimarâes 
Rosa, para a análise do processo de formação e criação de palavras. 
Processos de formação de palavras. Características da estética verbal em 
Guimarães Rosa. 
 
a) O lexema “homência” é criado por neologismo, um processo de 
derivação. Segundo o Houaiss, o neologismo é 
“1. o emprego de palavras novas, derivadas ou formadas de outras já 
existentes, na mesma língua ou não; 2. a atribuição de novos sentidos a 
palavras já existentes na língua”. 
A palavra em questão não está dicionarizada e é derivada a partir do 
lexema “homem”. Contudo, seu sentido vai muito além daquele expresso 
pela palavra homem. Como não existe sinonímia perfeita, a criação do 
novo termo faz aparecer novos sentidos para o termo derivado. Para se 
apreender esses novos sentidos, faz-se necessário analisar a ambiência 
discursiva na qual surge o neologismo. Em outras palavras, é preciso 
considerar que os sentidos nascem a partir das relações ou associações 
entre os signos que constituem o texto. Dessa forma, os sentidos da 
palavra “homência” opõem-se a “desonrado”, “desmerecido”, “marcado 
a ferro feito rês”. Assim, o lexema “homência”, no âmbito do fragmento 
apontado, aproxima-se semanticamente de “pessoa honrada, que se 
destaca pelo mérito de suas ações e que não se deixa submeter ao 
outro”. 
b) Uma das características mais marcantes em Guimarães Rosa é a 
utilização da linguagem. Rosa não se submete à padronização 
linguística estabelecida pela Gramática Normativa. Em relação ao léxico, 
ele incorpora em seus contos marcas da linguagem regional, cria novos 
termos e recria novossentidos para palavras já existentes na Língua 
Portuguesa. Ao criar o termo “homência”, no fragmento anterior, Rosa 
coloca o leitor em uma postura ativa diante do texto, já que exige dele a 
reconstrução dos sentidos do neologismo. Com isso, para aferir o 
sentido de “homência”, será preciso resgatar, ao longo da narrativa, a 
imagem do homem sertanejo, que está profundamente ligado ao sertão. 
Assim, Rosa, ao criar a palavra “homência”, nesse fragmento, faz surgir 
um homem em conflito consigo mesmo, um homem cindido, 
caracterizado por dois mundos: o divino e o mundano. Dessa antítese, 
surge um homem fortemente marcado pela religiosidade, pela conduta 
moral, um homem modalizado por perturbações interiores (em relação à 
religião – no âmbito do fragmento). Rosa mostra, pois, um homem 
angustiado, marcado por preocupações metafísicas. Com isso, as 
questões regionais assumem proporções universais. Como diria Rosa, 
“o sertão é dentro da gente”. Rosa, opondo-se àquela literatura que via 
o sertanejo de maneira preconceituosa, valoriza a imagem do homem 
sertanejo. 
 
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46) Gab: B 
 
47) Gab: 
a) Reescrevendo-se a frase, obtém-se: “Tenho certeza de que ele é uma 
menção à situação atual das artes plásticas...”. O substantivo “certeza” 
rege preposição “de”; o substantivo “menção” rege preposição “a” e, 
sendo o termo regido um nome feminino, que pede artigo “a”, obtém-se 
“à”. 
b) Em “genial”, tem-se adjetivo formado por sufixação a partir do 
substantivo “gênio”; em “obra-prima”, há palavra composta por 
justaposição. 
 
48) Gab: A 
 
49) Gab: A 
 
50) Gab: B 
 
51) Gab: D 
 
52) Gab: E 
 
53) Gab: C 
54) Gab: 
a) Lucifez: Lúcifer + verbo fazer no pretérito perfeito. 
b) As palavras foram destacadas com aspas por serem estrangeiras. 
 
55) Gab: E 
 
56) Gab: C 
 
57) Gab: B 
 
58) Gab: 
a) O título "Boitempo" informa que a trajetória do tempo - manhã, tarde e 
noite - não é definida pela trajetória do sol, e sim pela relação do homem 
com o gado bovino. 
b) "Boitempo" é uma palavra formada por composição por justaposição (boi 
+ tempo). 
 
59) Gab: E 
 
60) Gab: 
a) Função metalingüística. 
Uma dentre as justificativas: 
- Os parágrafos explicam os significados das palavras. 
- Os parágrafos contêm definição de palavras por outras palavras. 
 
b) Derivações sufixal ou sufixação. 
OCULTAÇÃO é o ato de ocultar e OCULTISMO designa crença, doutrina 
ou seita. 
 
61) Gab: C 
 
62) Gab: D 
 
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63) Gab: E 
 
64) Gab: A 
65) Gab: 
a) "Imundo Animal" remete a "Mundo Animal", famosa série que apresenta 
o comportamento dos animais em seu habitat. Em "Imundo Animal" Angeli 
faz uma paródia, ironizando o homem público, o político sujo no pior 
sentido da palavra. 
b) O processo de prefixação pode ser constatado no termo imundo, formado 
por i (negação) e mundo (adjetivo, puro, limpo). Pode-se ainda pensar em 
que o processo de prefixação refere-se a toda expressão "mundo animal". 
O i-"mundo animal" significaria uma negação do mundo animal, ou seja, 
uma negação do natural que, no caso, remete ao mundo dos políticos. 
 
66) Gab: B 
 
67) Gab: 
a) Composição por justaposição. 
b) A Moça-Fantasma morreu precocemente, ou morreu antes de amar o seu 
interlocutor. 
 
68) Gab: B 
 
69) Gab: D 
70) Gab: 
a) Em "inenarrável", o prefixo de negação "in-" confere ao termo uma carga 
semântica de algo indizível, de algo que não se pode explicar. O mesmo 
acontece com "dis-", em "disfarçar", que na relação de sentido sugerida 
no poema, também pode ser entendido com um valor negativo. Desta 
forma, no neologismo "farçar", o sentido é de algo que se torna claro, que 
pode ser dito, em oposição a "disfarçar". 
b) Nessa homenagem póstuma, Drummond faz um exercício de 
intertextualidade estilística. "inenarrável" forma-se por derivação prefixal 
e sufixal (in(e) + narra + vel), ao passo que "farçar", no contexto, origina-
se de "disfarçar". Se "disfarçar" equivale a tornar oculto, "farçar" relaciona-
se ao que está evidente, claro. Dessa maneira, "farçar" estabelece uma 
oposição semântica com "inenarrável", criando-se uma antítese entre 
ambas as palavras. 
Obs.: o último verso foi transcrito de forma incorreta. 
Deve-se ler "de se pegar". 
 
71) Gab: D 
 
72) Gab: 
Neologismo. 
A troca da primeira sílaba das palavras originais exprime uma confusão de 
sensações. 
 
Onomatopéia. 
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O uso de sons e formas repetidos imita o ruído provocado pelo bater das asas 
do urubu. 
 
73) Gab: 
Daninho é adjetivo criado por derivação sufixal a partir do substantivo dano. 
Bocejo é substantivo criado por derivação regressiva a partir do verbo 
bocejar. 
 
74) Gab: E 
 
75) Gab: A 
 
76) Gab: C 
 
77) Gab: A 
78) Gab: 
a) Os processos de formação utilizados foram composição por justaposição 
e derivação sufixal. 
b) Os observadores criaram um neologismo que não vai além do nível 
descritivo superficial porque eles não conseguiram alcançar um 
conhecimento aprofundado, conclusivo a respeito do povo de 
Ossevaolep. 
 
79) Gab: E 
 
80) Gab: A 
 
81) Gab: B 
 
82) Gab: A 
 
83) Gab: B 
 
84) Gab: C 
 
85) Gab: B 
 
86) Gab: E 
 
87) Gab: 08 
 
88) Gab: D 
 
89) Gab: A 
 
90) Gab: C 
 
91) Gab: B 
 
92) Gab: 
No par valorização X desvalorização, a ideia de oposição se constrói por 
meio do uso do prefixo de negação. No par Pibão X Pibinho, por meio do uso 
de sufixos que indicam o grau aumentativo e o diminutivo, respectivamente. 
 
93) Gab: 
Para a ideia de tamanho, tem-se cavalinho; para a ideia de carinho, tem-se 
olhinhos. 
 
94) Gab: D 
 
95) Gab: D 
 
96) Gab: D 
 
97) Gab: A 
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98) Gab: 
O substantivo “venda” é formado por processo de derivação regressiva do 
verbo “vender”. O adjetivo “puxado” está empregado como substantivo, visto 
que aparece antecedido do artigo “um”, o que indica um processo de 
derivação imprópria. 
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