Prévia do material em texto
www.projetoredacao.com.br
Lista de Redação – Gramática – Morfologia (Estrutura de
Formação de Palavras) – 98 Questões [Médio]
Questão 01)
A gente via Brejeirinha: primeiro, os cabelos, compridos, lisos, louro -
cobre; e, no meio deles, coisicas diminutas: a carinha não-comprida, o
perfilzinho agudo, um narizinho que-carícia. Aos tantos, não parava,
andorinhava, espiava agora – o xixixi e o empapar-se da paisagem – as
pestanas til-til. Porém, disse-se-dizia ela, pouco se vê, pelos entrefios: –
“Tanto chove, que me gela!”
(Guimarães Rosa, “Partida do audaz navegante”, Primeiras estórias)
a) Os diminutivos com que o narrador caracteriza a personagem traduzem
também sua atitude em relação a ela. Identifique essa atitude, explicando-
a brevemente.
b) “Andorinhava” é palavra criada por Guimarães Rosa. Explique o processo
de formação dessa palavra.
Indique resumidamente o sentido dessa palavra no texto.
Questão 02)
Em relação à palavra "bioética" , é possível verificar, em seu processo de
formação, a presença de
a) prefixo (bio) + radical (ética).
b) radical (bio) + radical (ética).
c) radical (bio) + sufixo (-ético).
d) prefixo (bio) + radical (ét-) + sufixo (-ica).
e) radical (bioét) + sufixo (-ica).
Questão 03)
Os atuais simuladores de vôo militares estão em condições não apenas de
exibir uma imagem “realista” da paisagem sobrevoada, mas também de
confrontá-la com a … obtida dos radares.
O termo que preenche adequadamente a lacuna no texto é:
a) iconologia
b) iconoclastia
c) iconografia
d) iconofilia
e) iconolatria
Questão 04)
Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Se nela está minh’alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semidéia,
que, como um acidente em seu sujeito,
assi co a alma minha se conforma,
está no pensamento como idéia:
e o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.
(Camões, ed. A.J. da Costa Pimpão)
O prefixo presente em semidéia tem o mesmo valor semântico do prefixo que
há em:
a) hipotensão.
b) perífrase.
c) anfiteatro.
d) subalterno.
e) hemisfério.
Questão 05)
Assinale a opção que apresenta somente palavras formadas por derivação
parassintética:
a) desvalorização, avistar, resfriado, infelizmente.
b) expropriar, entortar, amanhecer, desalmado, ensurdecer.
c) escolarização, antiinflação, retrospectivo, comilão, corpanzil.
d) desigualdade, endurecer, alfabetizar, abençoar, chuviscar.
e) administração, entretela, contrabalançar, semicondutor, relembrar.
Questão 06)
Independentemente do contexto, palavras da moda vão se instalando assim
à vontade.
Considere as afirmações referentes à palavra sublinhada acima.
I) Compõe-se de um prefixo latino, um radical e um sufixo.
II) O radical é de origem grega.
III) Apresenta apenas um radical e um sufixo formador de advérbio.
Está correto o que se afirma SOMENTE em:
a) I.
b) II.
c) I e II.
d) I e III.
e) II e III.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 07)
As palavras são derivadas por prefixação em:
a) transgênicos e fertilização.
b) benefícios e engenharia.
c) importância e prever.
d) inevitável e sobreviver.
e) humanidade e infertilidade.
Questão 08)
Neste grupo de palavras : ADOÇADA; TREPADEIRA; ENTRETECIDA e
ENCARNADO – temos respectivamente os seguintes processos de
formação de palavras:
a) Prefixação; sufixação; Parassintetismo; Parassintetismo
b) Aglutinação; Parassintetismo; sufixação; prefixação
c) Sufixação; parassintetismo; prefixação; justaposição
d) Aglutinação; Sufixação; Prefixação; Parassintetismo
e) Parassintetismo; Sufixação; Parassintetismo; Parassintetismo
Questão 09)
Os vocábulos aprimorar e encerrar classifica-se, quanto ao processo de
formação de palavras, respectivamente, em:
a) parassíntese / prefixação.
b) parassíntese / parassíntese.
c) prefixação / parassíntese.
d) sufixação / prefixação e sufixação.
e) prefixação e sufixação / prefixação.
Questão 10)
"Em meio da viagem, soprou de súbito rijo nordeste, e o mar, que até então
se conservara plácido e próspero, encapelou-se raivoso. Em três minutos as
ondas esbravejaram já terrivelmente, e a canoa, erguida a grande altura, e
de novo arremessada ao pélago, num estardalhaço de vagas, recebia no
bojo quantidade de água suficiente para metê-la a pique."
(Histórias Brejeiras)
A relação correta, quanto ao processo de formação das palavras, está
presente na opção:
a) "raivoso" _ derivação sufixal
b) "terrivelmente" _ parassíntese
c) "viajar" _ derivação regressiva
d) "maresia" _ prefixação
e) "canoa" _ derivação imprópria
Questão 11)
Na relação entre verbos e substantivos, é comum que, a partir dos primeiros,
formem-se os segundos, com a introdução de sufixos. Isso acontece, por
exemplo, entre BALANCEAR e BALANCEAMENTO, CURTIR e CURTIÇÃO.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Não obstante, entre MANUFATURAR e MANUFATURA , o processo é
diferente. Encontre no texto outro substantivo cuja formação seja semelhante
à de MANUFATURA.
a) Estratégias.
b) Totalidade.
c) Mudanças.
d) Avanço.
e) Despesa.
Questão 12)
Os vocábulos desagradável, desarranjo, desengonço, utilizados no texto III,
apresentam um elemento morfológico comum quanto ao processo de
formação de palavras.
a) Identifique e classifique esse elemento.
b) Explicite a relação entre o significado desse elemento e a caracterização
física do narrador.
Questão 13)
A revista "Veja", referindo-se aos empresários brasileiros, na edição de
02.10.2002, às vésperas das eleições, utilizou o seguinte título para uma
matéria:
"Eles lularam na reta final".
Tomando-se como referência o contexto das eleições, responda:
a) Qual o significado da forma verbal "lularam"?
b) Do ponto de vista gramatical, por meio de que recurso o verbo da frase
foi criado?
Questão 14)
Em "continuará DESATIVADO o canal povo-rainha", a palavra em destaque
é formada com o acréscimo de um prefixo que expressa negação ou
privação, como em:
a) inflação e ingestão.
b) inapto e inábil.
c) amorfo e anfíbio.
d) anáfora e êxodo.
e) reprovar e distender.
Questão 15)
Assinale a ÚNICA alternativa em que o termo em destaque constitui exemplo
de processo de formação de palavras por derivação prefixal.
a) "O luxo continua sendo uma RARIDADE..."
b) "Na nossa sociedade, o luxo é aquilo capaz de ressuscitar uma aura do
sagrado (...) e que REINSCREVE a ritualidade no mundo desencantado."
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
c) "Nas festas primitivas, a diminuição das riquezas de uma tribo (...)
significava assegurar um novo ciclo de vida, um
REJUVENESCIMENTO..."
d) "No entanto, a DESPEITO da sobrevivência das motivações elitistas, tais
motivações não são mais fundadas na ostentação social."
Questão 16)
Assinale a palavra que contém o mesmo prefixo que INESQUECÍVEL.
a) imigrante
b) imagináveis
c) informação
d) irrevogavelmente
e) inteiramente
Questão 17)
O léxico de uma língua é constantemente atualizado em função de mudanças
sociais e de conquistas tecnológicas.
Assinale, respectivamente, o valor do sufixo -agem e -ico em "técnica de
clonAGEM" e "contos da era clônICA".
a) instituição / relação
b) ato / referência
c) semelhança / propriedade
d) ofício / proveniência
e) intensidade / pertinênciaQuestão 18)
O morfema -ada tem mais de um sentido. Assinale a opção em que esse
morfema apresenta o mesmo sentido que tem na palavra engenheirada.
a) freada
b) cajuada
c) caldeirada
d) cervejada
e) aguada
Questão 19)
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Sobre o processo de "verbar palavras", assinale a alternativa correta.
a) O menino, usando as palavras "quando" e "agora", convence o tigre de
que tal processo acaba de ser criado e fará a língua melhorar.
b) Para o menino, o processo amplia o vocabulário, pois cria verbos
paralelos a formas nominais pré-existentes, opinião reforçada pelo uso
de "também".
c) Para o tigre, com o emprego do processo, a língua pode ser estropiada,
mas se torna mais dinâmica.
d) Para o tigre, é uma sorte o processo ter sido descoberto, pois contribuirá
para que a língua recupere sua função de código de comunicação.
e) O tigre e o menino possuem um plano de divulgação do processo que
tornará a língua um empecilho para a intercompreensão.
Questão 20)
Apresentamos, a seguir, considerações sobre o processo de formação de
algumas palavras da língua portuguesa. Assinale a afirmativa INCORRETA:
a) O neologismo "BLOGUEIRA", embora tenha sua base de formação a
partir de um empréstimo lingüístico, segue um padrão morfológico e
ortográfico característico da língua portuguesa.
b) A palavra "BLOGUEIRA" comprova que a apropriação de
estrangeirismos é um mecanismo de empobrecimento do processo de
formação de palavras do português.
c) A exemplo de "BLOGUEIRA", palavras como "FUNQUEIRA" e
"MARQUETEIRA" revelam mudanças, por influência de estrangeirismos,
que contribuem para o enriquecimento do português.
d) O sufixo {-ANTE} em "cadeirANTE" designa uma ação, assim como em
"acompanhANTE", mas sua anexação se dá a radicais de palavras de
classes morfológicas distintas.
e) A formação da palavra "CADEIRANTE", a exemplo do que ocorre em
"FICANTE", "FEIRANTE" e "ESTRESSANTE", atesta um mecanismo
altamente produtivo de construção lexical em português.
Questão 21)
Assinale a alternativa em que todas as palavras apresentam prefixo de
mesmo sentido.
a) esvaziar / evadir / engarrafar
b) amoral / discordância / introverter
c) refazer / reversão / retrair
d) contraponto / antítese / anacrônico
e) intermédio / endovenoso / intramuscular
Questão 22)
Recheio, fruta-do-conde e cruzamento - palavras retiradas do texto -
passaram, respectivamente, pelos seguintes processos de formação:
a) hibridismo, derivação sufixal e composição.
b) derivação prefixal, composição e derivação sufixal.
c) derivação prefixal, hibridismo e derivação sufixal.
d) hibridismo, derivação sufixal e derivação prefixal.
e) derivação sufixal, hibridismo e composição.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 23)
"Pneumotórax", palavra que dá título ao famoso poema de Manuel Bandeira,
é vocábulo constituído de dois radicais gregos (pneum[o]- + -tórax]. Significa
o procedimento médico que consiste na introdução de ar na cavidade pleural,
como forma de tratamento de moléstias pulmonares, particularmente a
tuberculose. Tal enfermidade é referida no diálogo entre médico e paciente,
quando o primeiro explica a seu cliente que ele tem "uma escavação no
pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado". Esta última palavra é formada
com base em um radical: "filtro".
Quanto à formação vocabular, o título do poema e o vocábulo "infiltrado" são
constituídos, respectivamente, por
a) composição, e derivação prefixal e sufixal.
b) derivação prefixal e sufixal, e composição.
c) composição por hibridismo, e composição prefixal e sufixal.
d) simples flexão, e derivação prefixal e sufixal.
e) simples derivação, e composição sufixal e prefixal.
Questão 24)
No final do século XIX e princípio do século XX, muitas palavras francesas
foram incorporadas ao léxico português, dada a influência cultural exercida
pela França em todo o mundo civilizado da época.
Assinale a alternativa que contém apenas palavras de extração francesa.
a) abajur - pôquer - gafe
b) bandó - abajur - pôquer
c) gafe - abajur - cachecol
d) cachecol - chaleira - bandó
e) organdi - cachecol - chaleira
Questão 25)
Observe as seguintes palavras:
"lobisomem"
"linguarudo"
Identifique o processo de formação de cada uma delas, segundo o seu
emprego no texto.
Questão 26)
Releia a sentença de abertura do texto "A diferença":
"O marketing venceu mais uma..."
As palavras marketing, marqueteiro e marquetear são empregadas hoje, com
significativa freqüência, na Língua Portuguesa.
Identifique e descreva os processos de formação responsáveis pela
introdução DE CADA UM DOS TRÊS TERMOS em nossa língua.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 27)
Assinale a alternativa em que a forma ONI- apresenta sentido diferente da
que se encontra em ONIPOTENTE.
a) onírico
b) onívoro
c) onicolor
d) onisciente
e) onipresente
Questão 28)
É comum que, na formação das palavras da língua portuguesa, algumas se
tenham consagrado com prefixo latino e outras se tenham consagrado com
prefixo grego, ambos com o mesmo significado. Isso acontece em qual
alternativa?
a) Ditirambo e exaltação.
b) Progresso e pregresso.
c) Diversidade e desgarrar.
d) Diáfano e tranqüilo.
e) Ambidestro e anfibologia.
Questão 29)
A partir da palavra "vampiro", criaram-se as palavras a seguir, formadas com
o acréscimo de elementos integrantes de outras palavras da língua
portuguesa. Relacione as colunas, atendendo ao sentido conferido às
palavras através desse processo.
1 vampirófobo
2 vampirólogo
3 vampiricida
4 vampirólatra
( ) aquele que mata os vampiros
( ) aquele que teme ou odeia os vampiros
( ) aquele que adora os vampiros
A seqüência correta é
a) 2 - 3 - 1.
b) 3 - 1 - 4.
c) 1 - 2 - 3.
d) 4 - 3 - 1.
e) 3 - 1 - 2.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 30)
Identifique a série em que todas as palavras se iniciam com um prefixo de
sentido idêntico ao do prefixo 'in', em 'incrível'.
a) desembarque; incalculável; ignição
b) indiscreta; imemorável; incoativo
c) irreparável; indexada; incoerente
d) desconhecido; injetável; ateu
e) atípico; inapto; ignoto
Questão 31)
Em: "... é um instinto inelutável, uma força espontânea...", classifique o
processo de formação da palavra INELUTÁVEL:
a) derivação prefixal.
b) composição por justaposição.
c) derivação regressiva.
d) composição por aglutinação.
e) derivação parassintética.
Questão 32)
As palavras INCOMPREENSÍVEL e INFREQÜENTÍSSIMOS possuem o
mesmo prefixo com valor semântico idêntico. Porém, seus sufixos
apresentam funções distintas, uma vez que - (í)vel forma adjetivo a partir de:
a) verbo e -íssimo atribui um valor de grau ao adjetivo.
b) verbo e -íssimo atribui um valor de grau ao substantivo.
c) substantivo e -íssimo atribui um valor de grau ao adjetivo.
d) substantivo e -íssimo forma adjetivo a partir de adjetivo.
e) adjetivo e -íssimo forma adjetivo a partir de verbo.
Questão 33)
Leia os fragmentos a seguir, observando a idéia básica das expressões
maiúsculas; a seguir, unindo um radical que está na árvore com outro que
esteja numa das folhas caídas, crie, para cada item, uma palavra composta
que traduza a mesma idéia básica de cada expressão destacada. Para tanto,
não se preocupe com a obediência às regras de formação de palavras.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
a) "o menino tem PARA A REZA, E EM GERAL PARA TUDO QUANTO DIZ
RESPEITO À RELIGIÃO, UMA AVERSÃO DECIDIDA;"
b) "o pequeno lançou do seu lugar à vizinhaum OLHAR FULMINANTE (...)"
c) "pior do que um inimigo é um MAU AMIGO."
d) "Não tenham medo de mim, que não sou nenhum PAPA-CRIANÇAS"
e) "REMÉDIO AOS MALES"
Questão 34)
No período: "Vim do sertão, fedelhozinho ainda, bestalóide, mas
hipersensível.", há, em fedelhozinho, dois sufixos de ___________, um deles
expressa idéia de _____________; em bestalóide há um sufixo que indica
__________, carregado de conotação depreciativa e, em hipersensível, um
___________ prefixal.
Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas do período.
a) aumentativo, depreciação, aspecto de, superlativo.
b) diminutivo, afetividade, semelhante a, superlativo.
c) diminutivo, depreciação, forma de, aumentativo.
d) diminutivo, afetividade, aspecto de, aumentativo.
e) aumentativo, ironia, semelhante a, aumentativo.
Questão 35)
Na redação de suas cartas, os leitores empregaram palavras formadas com
o auxílio de afixos. Em qual delas há um sufixo que significa "de maneira",
"de modo"?
a) instigante.
b) comportamento.
c) compreensão.
d) rivalidade.
e) infinitamente.
Questão 36)
Indique a palavra resultante do mesmo processo de formação que "término"
a) Fim.
b) Processo.
c) Ganho.
d) Caso.
e) Motivo.
Questão 37)
A opção em que o elemento mórfico destacado está analisado
INCORRETAMENTE é:
a) capacIdade - vogal de ligação.
b) visualIZar - sufixo.
c) existE - desinência número-pessoal.
d) JUIZ - radical.
e) conheçA - desinência modo-temporal.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 38)
Assinale a alternativa INCORRETA, considerando os aspectos lexicais,
morfológicos e semânticos retomados do fragmento que segue:
“Sem querer começava a se afeiçoar àquele cachorro do mato, como ela do
mato/.../ Depois um dia ele vai se embora. Cachorro, vai simbora de uma vez.
Cachorro, pra quê? Garra que a porta está aberta, vai agorinha mesmo, disse
querendo por toda sorte que ele ficasse./.../
De olhos fechados, ela deixou o braço cair. Sentia nas costas da mão a
respiração apressada, a cosquinha dos bigodes, o frio úmido do focinho. O
cachorro agora lambia-lhe a mão. Ela deixava, queria, estava muito bom
antever de olhos fechados aquele cachorrinho. ”
(DOURADO, Autran. Uma vida em segredo, p.103)
a) Os termos sublinhados justificam-se pela marca de afetividade que o
sufixo “ –inho” lhes imprime.
b) O sufixo –inho em “cosquinha” e “agorinha” contraria a preferência na
linguagem culta, mesmo tendo seu uso ratificado por falantes de língua
portuguesa.
c) O verbo “antever” é formado pelo processo de derivação prefixal,
conservando a integridade nocional do termo primitivo que o origina.
d) A variação de registro presente em “vai se embora” e “ vai simbora”
evidencia o hibridismo das vozes - narrador e personagem.
e) A antonímia presente nas formas flexionadas dos verbos “ir” e “ficar” é
responsável pelo efeito contraditório que o discurso permite perceber no
fragmento.
Questão 39)
A alternativa em que um dos vocábulos do texto apresenta um processo de
formação diferente dos demais é:
a) brasileiros - importante - exploração;
b) coincidência - intencional - conexão;
c) enfrentamento - sexual - especialistas;
d) sociedade - geográficas - preocupação;
e) articulação - persistência - miséria.
Questão 40)
Leia o poema de Manuel Bandeira.
Mudança
A alegre, a festiva agitação das panelas e tachos
A inútil zanga dos velhos armários de mogno, solenes,
Achando tudo aquilo uma grande palhaçada...
As xícaras e pires fazendo tlin-tlin-tlin-tlin
As gaiolas dos passarinhos cantando em coro com os
[próprios passarinhos
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Oh! a alegria das coisas com aquela mudança
Para onde? Não importa! Desde que não seja
Este eterno mesmo lugar!
a) Explique o processo de formação das palavras zanga e tlin-tlin-tlin-tlin.
b) Explique o sentido que assume, no contexto, a expressão Desde que, no
penúltimo verso. Redija um período em que ela seja empregada com
sentido diverso ao do poema.
Questão 41)
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
Adaptado de: Carlos Drummond de Andrade. A palavra mágica. Rio de Janeiro:
Recorde, 1998.
Em relação ao texto e o termo ali destacado, assinale o que for correto.
01. Coisamente, assim como a palavra a partir da qual se origina é um
substantivo.
02. Pode-se considerar aceitável para o contexto que ser coisa é menos
particular que ser homem.
04. O uso do sufixo –mente junto à coisa forma um advérbio, embora esse
processo seja típico com adjetivos e não com substantivos como coisa.
08. Após derivar de um substantivo, coisamente figura em uma nova classe
gramatical.
Questão 42)
Leia a seguinte mensagem publicitária, referente a carros, e responda ao
que se pede:
POTÊNCIA, ROBUSTEZ E TRAÇÃO 4WD. PORQUE TEM LUGARES QUE
SÓ COM ESPÍRITO DE AVENTURA VOCÊ NÃO CHEGA.
a) A mensagem está redigida de acordo com a norma padrão da língua
escrita? Se você julga que sim, justifique; se acha que não, reescreva o
texto, adaptando-o à referida norma.
b) Se a palavra “só” fosse excluída do texto, o sentido seria alterado?
Justifique sua resposta.
Questão 43)
Há anos, quando se anunciou que haveria um "Rock in Rio 2", jovens
começaram a circular pela cidade usando camisetas com o símbolo do "Rock
in Rio 1" e uma frase dizendo: "I was". Ou seja: "Eu era". Perguntei-me: por
que "Eu era"? No começo, escapou-me a relação entre a imagem e a
inscrição. Claro que, depois de árduo exercício intelectual, deduzi que a
camiseta queria dizer "Eu fui" ou "Eu estava lá" (no "Rock in Rio 1"), caso em
que o correto em inglês seria "I went" ou "I was there". (...) E viva o verbo tó
bé.
(CASTRO, Ruy. Folha de São Paulo, 03/09/2011)
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
A afirmativa que melhor resume a ideia central do autor no artigo é
a) O uso abusivo de estrangeirismos deve ser combatido porque favorece
a decadência da língua portuguesa.
b) Os empréstimos linguísticos representam um fenômeno legítimo e
enriquecedor da dinâmica do português.
c) A incorporação de neologismos e anglicismos torna o uso da língua
criativo e versátil.
d) Os anglicismos estão longe de ser inofensivos, pois podem prejudicar o
nosso próprio idioma.
e) Estrangeirismos, usados como manifestações de status, podem
representar uma armadilha para quem não os domina.
Questão 44)
“Língua torta: portão menor que porta.”
Observando-se a frase acima, de Millôr Fernandes, pode-se inferir que
a) a forma -ão não necessariamente funciona como sufixo aumentativo,
como no caso da palavra irmão, por exemplo. Sendo assim, porta e
portão são palavras completamente distintas e, portanto, a frase de
Millôr Fernandes não faz sentido.
b) a frase está em sentido denotativo e quer mostrar que, ao não dominar
bem o próprio idioma, o falante mal consegue passar pelo portão da
comunicação e, portanto, menos ainda conseguirá quando a exigência
chegar a interpretações mais complexas.
c) a forma portão, por ter o sufixo aumentativo -ão, indica aumento, ou
seja, uma porta grande. Como existem portões menores que a forma
normal porta, Millôr conclui que, nesse caso, a língua é torta, ou seja,
defeituosa.
d) o humorista faz uma brincadeira com o fato de a linguagem vir de dentro
para fora na comunicação interpessoal. Sendo assim, para que as
palavras entrem no mundo da comunicação, devem passar
primeiramente pelo portão, representado pelos dentes, para só então
entrarem pela porta, representada pela boca, cuja abertura, enquanto
porta, é maior do que a da arcada dentária.
e) o pensador Millôr Fernandes,por trás de uma frase curta e rimada, quer
nos levar a imaginar que, quando não se domina a linguagem, a primeira
barreira, representada pelo termo portão, precisa ser ultrapassada sem
medo, porque, depois dessa entrada dificultosa, todo o resto será mais
fácil, já que é comum as portas se abrirem para aqueles que falam bem.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 45)
Considere o trecho do conto A hora e vez de Augusto Matraga, de Guimarães
Rosa.
– Desonrado, desmerecido, marcado a ferro feito rês, mãe Quitéria, e assim
tão mole, tão sem homência, será que eu posso mesmo entrar no céu?!...
(ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p.385.)
a) Explique o processo de criação da palavra “homência” e os sentidos que
derivam da criação do termo, considerando a situação criada no conto.
b) Discorra sobre como esse uso particular da língua constitui uma estética
da criação em Guimarães Rosa.
Questão 46)
Assinale o item em que o par de prefixos grifados não possua equivalência
de significado:
a) dilema / bienal
b) disenteria / discordar
c) hemisfério / semicírculo
d) sinestesia / companhia
e) endoscopia / ingerir
Questão 47)
Examine a tira.
(Folha de S.Paulo, 14.09.2012)
a) Reescreva a frase “Aposto que ele é uma menção ao vazio atual das
artes plásticas...”, substituindo “Aposto” por “Tenho certeza” e “vazio” por
“situação”, fazendo as alterações que forem necessárias.
b) Nas falas das personagens, há palavras formadas por derivação e por
composição. Transcreva e explique um exemplo de cada um desses
processos de formação.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 48)
Fuleco é o nome escolhido para a mascote da Copa do Mundo da FIFA Brasil
2014.
Indique a opção que corresponde à origem desse nome.
a) É uma aglutinação de futebol mais ecologia.
b) É uma justaposição de futebol mais ecologia.
c) É originária da palavra fuleragem (vadio, calaceiro).
d) É uma sufixação de futebol mais ecologia.
e) É uma prefixação de futebol mais ecologia.
Questão 49)
Os substantivos do texto derivados pelo mesmo processo de formação de
palavras são:
a) juvenilidade e timidez.
b) geração e byroniano.
c) reflexo e imaginários.
d) prematuramente e autobiográfico.
e) saudade e infantil.
Questão 50)
Analise a charge a seguir.
Disponível em:
http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?foffset=
&offset=&ch=Pancho. Acesso em 21/04/2014.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Considerando que “a expressão do grau não é um processo flexional em
português, porque não é um processo obrigatório e coerente, e não
estabelece paradigmas exaustivos e de termos exclusivos entre si”
(CÂMARA JR., 1979, p. 83), ao contrário da flexão de número e de gênero,
assinale a alternativa correta.
a) A noção gramatical de gênero, atribuída a todos os nomes em português,
nunca se altera, independentemente do grau: casa > casinha > casarão,
sala > salinha > salão, mulher > mulherzinha > mulherão.
b) A expressão “concordo em número, gênero e grau” é incoerente, pois o
“grau” não exige concordância: por exemplo, rapaz queridinho (ou
rapazinho querido).
c) Todos os substantivos e adjetivos se flexionam em número e gênero,
sendo o plural marcado pela desinência [-s] e o feminino pela desinência
[-a].
d) A concordância de grau é possível em certas expressões idiomáticas,
como “Ela é linda de morrer” (Ela e lindíssima).
Questão 51)
Considere o slogan “O melhor do Brasil é o brasileiro”.
Das opções abaixo, uma delas contém palavras formadas por sufixo com
sentido semelhante ao da palavra sublinhada na sentença a seguir: “O
mineiro em geral é conhecido pelo uso dos uais.”
a) cartaz, dentista, artista
b) escravidão, papelaria, armário
c) capotaria, amazonense, felicidade
d) cearense, italiano, pernambucano, paraense
e) as opções c e d são corretas
Questão 52)
Dadas as afirmativas abaixo, referentes à obra de Machado de Assis,
I. Dom Casmurro é o relato parcial, impregnado de ciúmes, feito por Bento
Santiago, acerca da possível traição amorosa de Capitu, sua esposa, e
Quincas Borba, seu amigo.
II. Brás Cubas, “autor defunto” de Memórias Póstumas de Brás Cubas, é
um personagem que aparece em mais dois romances de Machado de
Assis, Esaú e Jacó e A pata da Gazela.
III. Memorial de Aires, publicado capítulo a capítulo em jornal, é o romance
com que Machado de Assis dá início ao Realismo brasileiro, em 1881.
IV. Machado de Assis se notabilizou, entre outras coisas, por uma irônica e
implacável análise psicológica de seus personagens.
V. Embora seja considerada a obra inaugural do Realismo brasileiro,
Memórias Póstumas de Brás Cubas é um romance realista atípico uma
vez que o narrador relata sua vida apenas depois de morto.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
É possível dizer que está(ão) correta(s) apenas
a) I, e III.
b) I e IV.
c) I, III e V.
d) II e IV.
e) IV e V.
Questão 53)
Leia o texto a seguir.
“Costumo dizer que os problemas em minha profissão se explicam por meio
de quatro palavras que começam com a letra “d”. O paciente está
despersonalizado, o médico está desprofissionalizado, a assistência médica
está desumanizada e a medicina descaracterizada.”
Lições de uma vida na UTI. Veja, n° 35,
28 ago. 2013. Ed. Abril, edição 2336, ano 46.
Em qual das alternativas a seguir o prefixo –des apresenta o mesmo
significado dos prefixos destacados no texto?
a) Desmembrado
b) Desmoronado
c) Desqualificado
d) Despojado
TEXTO: 1 - Comum à questão: 54
O País do Carnaval
- É... - apoiava Jerônimo enrubescendo.
- E crer... Existem ainda homens inteligentes que crêem. Crer... Acreditar que
um Deus, um ser superior, nos guie e nos dê auxílio... Mas ainda há quem
creia...
- Há...
- Olhe, Jerônimo, dizem que foi Deus quem criou os homens. Eu acho que
foram os homens que criaram Deus. De qualquer modo, homens criados por
Deus ou Deus criado pelos homens, uma e outra obra são indignas de uma
pessoa inteligente.
- E Cristo, Pedro Ticiano?
- Um poeta. Um "blagueur". Um cético. Um diferente da sua época. Cristo
pregou a bondade porque, naquele tempo, se endeusava a maldade. Um
esteta. Amou a Beleza sobre todas as coisas. Fez em plena praça pública
"blagues" admiráveis. A da adúltera, por exemplo. Ele perdoou porque a
mulher era bonita e uma mulher assim tem direito a fazer todas as coisas.
Cristo conseguiu vencer o convencionalismo. Um homem extraordinário.
Mas um deus bem medíocre...
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
- Como?
- Um deus que nunca fez grandes milagres! Contentou-se com multiplicar
pães e curar cegos. Nunca mudou montanhas de lugar, nunca fez descer
sobre a terra nuvens de fogo, nem parou o sol. Cristo tinha, contra si, esta
qualidade: sempre foi mau presti-digitador.
[...]
Jerônimo mudava de assunto.
- Você, Pedro Ticiano, é o homem de espírito mais forte que eu já vi. Com
quase setenta anos, ainda é ateu...
- Ah, não tenho medo do inferno... E, no caso de ele existir, eu me darei bem
lá...
- Você sempre foi meio satânico... É capaz de fundar um jornal oposicionista
no inferno. Voltaire, você e Baudelaire no inferno. Que gozado! Pedro Ticiano
sorria, vendo que Jerônimo não resistia à fascinação da sua palavra. E
gostava de derrubar os sonhos daquele homem medíocre e bom, que tinha
o único defeito de querer intelectualizar-se.
(Jorge Amado. O País do Carnaval. 30• ed. Rio de Janeiro: Record, 1976.)
Rosto & Anti-Rosto
O homem criou
Deus
a quem deu
o lugar de
autor do céu,
do ar, do
mar.
Para si,na Terra
em flor,
criou o amor.
Deus, porém,
pra existir
criaria
algo
a si mesmo
oposto:
Numa concha
acústica,
inventou
a dor.
Lucifez
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Satã
sua antifigura,
seu antirosto.
Hoje Satã
quer levar
o homem
a matar
Deus.
Qual dos 2
o sobre
______
vivente?
(Cassiano Ricardo. Os Sobreviventes. Rio de Janeiro: Livraria Editora José
Olympio, 1971.)
Questão 54)
Tanto os falantes como os escritores podem, por vezes, criar neologismos,
ou seja, palavras novas, que, se aceitas pelos demais usuários, entram em
circulação e se integram ao léxico da língua; caso contrário, se tornam
apenas ocorrências específicas dos textos em que surgiram. O uso de
palavras estrangeiras constitui o chamado neologismo por empréstimo; tais
palavras, pela generalização do uso, também podem se integrar ao léxico do
idioma.
Releia atentamente os dois textos e, em seguida,
a) Localize, na quinta estrofe do poema de Cassiano Ricardo, um
neologismo criado pelo poeta.
b) Explique por que, na terceira fala de Pedro Ticiano, Jorge Amado
destacou com aspas duas palavras.
TEXTO: 2 - Comum à questão: 55
“APELO”
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros
dias, pra dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na
conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no
lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda
veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo
da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo.
Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora
da noite e eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas
as aflições do dia, com a última luz na varanda.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na
salada – o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade. Senhora? Às suas
violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão
na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de
nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas
mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.”
DALTON TREVISAN, “Apelo”, em “O Conto Brasileiro Contemporâneo”
(seleção de textos, introdução e notas bibliográficas por Alfredo Bosi) 2ª ed.,
São Paulo, Cultrix, 1977, p.190.
Questão 55)
O elemento destacado NÃO é vogal temática em:
a) está (L. 1)
b) coalhou (L. 6)
c) beber (L. 10)
d) poupei (L. 17)
e) calço (L. 18)
TEXTO: 3 - Comum à questão: 56
Um viés do bem
Toda vez que trato das desigualdades duráveis do Brasil, recebo
manifestações de uma minoria que se manifesta contra a idéia de que existe
racismo no Brasil e que ele seja a fonte principal das enormes distâncias
sociais que separam os brasileiros na base e no topo da ordem social e de
sua persistência.
Tenho falado muito das duas faces da realidade social brasileira: a
luminosa, marcada por mudanças positivas e avanços inegáveis em nossa
realidade econômica, social e política, e a dolorosa, definida pela persistência
da pobreza, da desigualdade, da corrupção e de outras mazelas. Elas estão
claramente correlacionadas, da seguinte maneira: há limites para o progresso
adicional significativo na redução da pobreza e da desigualdade, se não
houver um claro redirecionamento das ações públicas e privadas. Mais ainda,
se não houver um claro viés racial, a favor dos negros, o combate à pobreza
pode não contribuir para uma redução significativa das desigualdades.
A desigualdade é alta e durável no Brasil porque ela tem cor. A cor
determina uma diferenciação entre brasileiros que se justapõem à
estratificação social, seja por classes, seja por ocupações. Nas classes mais
altas quase não há negros. No proletariado de menor qualificação, os negros
predominam. Os de maior qualificação são majoritariamente brancos. Se,
para simplificar, dividirmos os grupos ocupacionais no Brasil em três, no mais
baixo, estão 19% dos brancos e 30% dos negros. No intermediário se
concentram 49% dos brancos e 59% dos negros. No mais alto, encontram-
se 32% dos brancos e 11% dos negros. Claro, existem muitos brancos muito
pobres, mas são a parcela minoritária. A maioria dos mais pobres é de negros
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
e, principalmente, negras, vítimas de dupla discriminação, pela cor e pelo
gênero.
O que a maioria não reconhece é a existência desse componente
puramente racial da desigualdade. Dentro de cada grupo social ou
ocupacional, os brancos têm, na média, situação bem melhor que os negros.
Nelson do Vale Silva deu os números em um estudo recente. Um trabalhador
manual rural branco tem um salário médio que é o dobro daquele pago a um
trabalhador manual rural negro. Ambos são trabalhadores – manuais – rurais,
mas um é branco e o outro negro. Essa única diferença está associada a uma
distância salarial de 100%.
Sem ação específica para eliminar o racismo não se conseguirá mais do
que melhorar a distribuição de renda entre os brancos, que não é tão
escandalosamente desigual como é entre brancos e negros. As barreiras são
raciais, não são econômicas. Para superá-las não basta aumentar o emprego
e elevar os salários de base de todos. É preciso fazê-lo com viés para eliminar
as diferenças por cor, deixando apenas aquelas ligadas à qualificação e às
aptidões pessoais. Há formas menos conflituosas e mais inteligentes de ação
afirmativa que as cotas.
Nenhuma política econômica pode romper o sutil bloqueio do “perfil
adequado” ao acesso dos negros aos melhores cargos e funções oferecidos
no mercado. Só um viés a favor fará com que um negro ou uma negra, com
igual ou melhor qualificação que seus concorrentes brancos a um cargo de
gerência, não ouça mais a resposta “você se saiu muito bem, mas não tem
exatamente o perfil de que nossa empresa está precisando”.
Fernando Henrique Cardoso fez um gesto inédito da história da
Presidência brasileira: assumiu o reconhecimento coletivo da existência do
racismo no documento que o Brasil apresenta à Conferência Mundial contra
o Racismo. Foi o primeiro passo de uma longa caminhada. Ele ainda pode
dar o próximo, antes de terminar seu governo, adotando iniciativas pioneiras
de ação afirmativa.
(Sérgio Abranches – Revista Veja – 05/09/2001)
Questão 56)
“A cor determina uma diferenciação entre brasileiros que se justapõem à
estratificação social...”
A palavra sublinhada sofreu processo de derivação prefixal. Pode-se afirmar
que todas as palavras abaixo também possuem um prefixo, exceto:
a) concorrentes
b) redirecionamento
c) diferenciação
d) desigualdade
e) inegáveis
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
TEXTO: 4 - Comum à questão: 57
Não é raro ouvirmos que alguém “subiu lá em cima” ou “saiu lá fora”.
Certamente, reconhecemos tais formas como viciosas, e, muitas vezes, elas
se transformam em motivo de riso. No nível culto da língua, são
inadmissíveis. Que pensar de alguém que tenha sofrido uma “hemorragia de
sangue” ou participado de um “plebiscito popular”? A esse tipo de construção
chamamos pleonasmo, palavra grega que significa superabundância.
(Folha de S. Paulo. Pleonasmo: “vício” ou estilo?. Thaís Nicoleti de Camargo).
Questão 57)
As palavras reconhecemos e superabundância
a) são formadas por prefixos de origem grega, significando repetição e
posição superior.
b) são formadaspor prefixos de origem latina, significando repetição e
posição superior.
c) possuem radicais grego e latino significando, respectivamente, domínio e
excesso.
d) não seguem o mesmo processo das palavras regredir e supracitado.
e) ambas são formadas por parassíntese.
TEXTO: 5 - Comum à questão: 58
BOITEMPO
Entardece na roça
de modo diferente.
A sombra vem nos cascos,
no mugido da vaca
separada da cria.
O gado é que anoitece
e na luz que a vidraça
da casa fazendeira
derrama no curral
surge multiplicada
sua estátua de sal,
escultura da noite.
Os chifres delimitam
o sono privativo
de cada rês e tecem
de curva em curva a ilha
do sono universal.
No gado é que dormimos
e nele que acordamos.
Amanhece na roça
de modo diferente.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
A luz chega no leite,
morno esguicho das tetas
e o dia é um pasto azul
que o gado reconquista.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. "Obra Completa". 5. ed. Rio de
Janeiro: Aguilar, 1979.)
Questão 58)
O título de um texto constitui a chave para a descodificação da mensagem,
e a sua interpretação deve ser integrada numa leitura global do texto.
a) Comente o título do texto, a partir das informações apresentadas.
b) Explique por qual processo de formação de palavras Drummond criou
"boitempo".
TEXTO: 6 - Comum à questão: 59
Gostava de jipe, não de automóvel, e dirigia com extrema cautela. Evitava o
centro urbano, e quando tinha de ir até lá, descrevia longas voltas e
terminava a pé, para não se expor ao tráfego desembestado das ruas
principais. Os filhos riam, pondo em dúvida sua capacidade no volante. Mas
todos arrebentavam a máquina, ao usá-la, e ele tinha como pequena glória
nunca ter dado uma batida.
Como pequena glória. Porque as maiores eram as que lhe vinham do sítio.
Possuíra fazenda, agora tinha sítio. E ficava feliz quando o jipe tropicador o
levava para a modesta pasárgada. Esquecendo-se da idade, punha exagero
de moço – trinta anos depois – em capinar, plantar, podar; se chovia, plantava
mentalmente. Orgulhava-se de produzir não só frutas tropicais como
subtropicais. Um cruzamento de espécies, determinando novo sabor, nova
forma ou colorido, era uma festa para ele. O sítio confinava com uma fazenda;
matava saudades do antigo latifúndio ouvindo, à distância, o vozeio dos
vaqueiros, o urro do jumento, pontual como um relógio.
Bacharel? Sim, fizera o curso de Direito, tirara diploma, se necessário
lutava contra empresas poderosas, e vencia, sem ligar muito a isso.
Guardava os livros essenciais ao exercício da profissão, só esses, no
pequeno armário envidraçado. Sua consulta constante era às sementes, à
terra, ao tempo; nem se lembrava mais de que, na mocidade, cultivara as
letras, escrevera poemas em prosa neo-simbolistas, induzira o irmão menor
a seguir o ofício de juntar palavras. Em 1959 bateu um recorde negativo,
escrevendo só quatro cartas, profissionais e concisas.
Anos e anos escoados na cidadezinha natal, entre problemas pequenos
e grandes que nunca se resolviam. [...] Mudou de terra e de vida.
Carlos Drummond de Andrade
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 59)
Anos e anos escoados na cidadezinha natal…
Considere as afirmativas referentes à palavra grifada acima.
I) O radical tem origem grega.
II) Citadino é um adjetivo formado a partir da forma vernácula do mesmo
radical.
III) O sufixo, além de indicar o diminutivo, incorpora um sentido afetivo à
palavra.
Está correto o que se afirma SOMENTE em:
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.
TEXTO: 7 - Comum à questão: 60
BRINCAR COM PALAVRAS - NOS JOGOS VERBAIS, EXERCÍCIOS DE
LITERATURA
1 Você sabe o que é um palíndromo?
2 É uma palavra ou mesmo uma frase que pode ser lida de frente pra trás
e de trás pra frente mantendo o mesmo sentido. Por exemplo, em
português: "amor" e "Roma"; em espanhol: "Anita lava la tina". Ou, então,
a frase latina: "Sator arepo tenet opera rotas", que não só pode ser lida
de trás pra frente, mas pode ser lida na vertical, na horizontal, de baixo
pra cima, de cima pra baixo, girando os olhos em redor deste quadrado:
S A T O R
A R E P O
T E N E T
O P E R A
R O T A S
3 Essa frase latina polivalente foi criada pelo escravo romano Loreius 200
anos antes de Cristo, e tem dois significados: "O lavrador mantém
cuidadosamente a charrua nos sulcos" e/ou "o lavrador sustém
cuidadosamente o mundo em sua órbita". Osman Lins construiu o
romance "Avalovara" (1973) em torno desse palíndromo.
4 Muita gente sabe o que é um caligrama - aqueles textos que existiam
desde a Grécia em que as letras e frases iam desenhando o objeto a que
se referiam - um vaso, um ovo, ou então, como num autor moderno tipo
Apollinaire, as frases do poema se inscrevendo em forma de cavalo ou
na perpendicular imitando o feitio da chuva.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
5 Mas pouca gente sabe o que é um lipograma.
6 Lipo significa tirar, aspirar, esconder. Portanto, um lipograma é um texto
que sofreu a lipoaspiração de uma letra. O autor resolve esconder essa
letra por razões lúdicas. Já o grego Píndaro havia escrito uma ode, sem
a letra "s". Os autores barrocos no século XVII também usavam este tipo
de ocultação, porque estavam envolvidos com o ocultismo, com a cabala
e com a numerologia.
7 Por que estou dizendo essas coisas?
8 Culpa da Internet.
9 Esses jogos verbais que vinham sendo feitos desde as cavernas agora
foram potencializados com a informática. Dizia eu numa entrevista outro
dia que estamos vivendo um paradoxo riquíssimo: a mais avançada
tecnologia eletrônica está resgatando o uso lúdico da linguagem e uma
das mais arcaicas atividades humanas - a poesia. Os poetas, mais que
quaisquer outros escritores, invadiram a Internet. Se em relação às
coisas prosaicas se diz que a vingança vem a cavalo, no caso da poesia
a vingança veio a cabo, galopando eletronicamente. Por isto que toda
vez que um jovem iniciante me procura com a angústia de publicar seu
livro, aconselho-o logo: "Meu filho, abra uma página sua na Internet para
não mais se constranger e se sentir constrangido diante dos editores e
críticos. Estampe seu texto na Internet e deixe rolar".
(ROMANO, Affonso de Sant'Anna. "O Globo", 15/09/1999.)
Questão 60)
Você sabe o que é um palíndromo? (par. 1)
Por que estou dizendo essas coisas? (par. 7)
Observando os parágrafos compreendidos entre as perguntas acima,
identifique:
a) a função da linguagem predominante nesses parágrafos e justifique sua
reposta;
b) o processo de formação de palavras comum aos termos OCULTAÇÃO e
OCULTISMO e explique a diferença de sentido entre eles.
TEXTO: 8 - Comum à questão: 61
Só os roçados da morte
compensam aqui cultivar,
e cultivá-los é fácil:
simples questão de plantar;
não se precisa de limpa,
de adubar nem de regar;
as estiagens e as pragas
fazem-nos mais prosperar,
e dão lucro imediato;
nem é preciso esperar
pela colheita: recebe-se
na hora mesma de semear.
(João Cabral de Melo Neto, MORTE E VIDA SEVERINA)
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 61)
O mesmo processo de formação da palavra destacada em "não se precisa
de LIMPA" ocorre em:
a) "no mesmo VENTRE crescido".
b) "iguais em tudo e na SINA".
c) "jamais o cruzei a NADO" .
d) "na minha longa DESCIDA".
e) "todo o VELHO contagia".
TEXTO: 9 - Comum à questão: 62
OS TRABALHOS DA MÃO
Para a Ecléa
Parece ser próprio do animal simbólico valer-se de uma só parte do seu
organismo para exercer funções diversíssimas. A mão sirva de exemplo.
A mão arranca da terra a raiz e a erva; colhe da árvoreo fruto, descasca-
o, leva-o à boca. A mão apanha o objeto, remove-o, achega-o ao corpo,
lança-o de si. A mão puxa e empurra, junta e espalha, arrocha e afrouxa,
contrai e distende, enrola e desenrola; roça, toca, apalpa, acaricia, belisca,
unha, aperta, esbofeteia, esmurra; depois, massageia o músculo dorido.
A mão tateia com a ponta dos dedos, apalpa e calca com a polpa. Raspa,
arranha, escarva, escarifica e escarafuncha com as unhas. Com o nó dos
dedos, bate.
A mão abre a ferida e a pensa. Eriça o pêlo e o alisa. Entrança e destrança
o cabelo. Enruga e desenruga o papel e o pano. Unge e esconjura, asperge
e exorciza.
Acusa com o index, aplaude com as palmas, protege com a concha. Faz
viver alçando o polegar; baixando-o, manda matar.
Mede com o palmo, sopesa com a palma. Aponta com gestos o eu, o tu,
o ele; o aqui, o aí, o ali; o hoje, o ontem, o amanhã; o pouco, o muito, o mais
ou menos; o um, o dois, o três, os números até dez e seus múltiplos e
quebrados. O não, o nunca, o nada.
É voz do mudo, é voz do surdo, é leitura do cego.(...)
Para perfazer tantíssimas ações basta-lhe uma breve, mas dúctil
anatomia: oito ossinhos no pulso, cinco no metacarpo e os dedos com as
suas falanges, falanginhas e falangetas.
BOSI, Alfredo. O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Editora Cultrix, 1990.
Questão 62)
Lendo o parágrafo VII, podemos observar que a maioria das palavras sofreu
o mesmo processo de derivação. Trata-se da derivação:
a) por sufixação.
b) regressiva.
c) por prefixação.
d) imprópria.
e) por prefixação e sufixação.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
TEXTO: 10 - Comum à questão: 63
Eu te amo
Ah, se já perdemos a noção da hora,
Se juntos já jogamos tudo fora,
Me conta agora como hei de partir...
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios,
Rompi com o mundo, queimei meus navios,
Me diz pra onde é que inda posso ir...
(...)
Se entornaste a nossa sorte pelo chão,
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu...
(...)
Como, se nos amamos como dois pagãos,
Teus seios inda estão nas minhas mãos,
Me explica com que cara eu vou sair...
Não, acho que estás só fazendo de conta,
Te dei meus olhos pra tomares conta,
Agora conta como hei de partir...
(Tom Jobim - Chico Buarque)
Questão 63)
O prefixo assinalado em "DESVARIO" expressa
a) negação.
b) cessação.
c) ação contrária.
d) separação.
e) intensificação.
TEXTO: 11 - Comum à questão: 64
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
...........................................................................................
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito
infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
(Manuel Bandeira, Libertinagem)
Questão 64)
"Pneumotórax", palavra que dá título ao famoso poema de Manuel Bandeira,
é vocábulo constituído de dois radicais gregos (pneum[o]- + -tórax]. Significa
o procedimento médico que consiste na introdução de ar na cavidade pleural,
como forma de tratamento de moléstias pulmonares, particularmente a
tuberculose. Tal enfermidade é referida no diálogo entre médico e paciente,
quando o primeiro explica a seu cliente que ele tem "uma escavação no
pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado". Esta última palavra é formada
com base em um radical: "filtro". Quanto à formação vocabular, o título do
poema e o vocábulo "infiltrado" são constituídos, respectivamente, por
a) composição, e derivação prefixal e sufixal.
b) derivação prefixal e sufixal, e composição.
c) composição por hibridismo, e composição prefixal e sufixal.
d) simples flexão, e derivação prefixal e sufixal.
e) simples derivação, e composição sufixal e prefixal.
TEXTO: 12 - Comum à questão: 65
Os quadrinhos a seguir fazem parte de um material publicado na Folha de S.
Paulo em 17 de agosto de 2005, relativo à crise política brasileira, que teve
início em maio do mesmo ano.
CHICLETE COM BANANA - Angeli
Questão 65)
Na tira de Angeli, observamos um jogo de associações entre a frase-título ‘O
imundo animal’ e a seqüência de imagens.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
a) A frase-título ‘O imundo animal’ nos remete a uma outra frase. Indique-a
e explicite as relações de sentido entre as duas frases, fazendo referência
ao conjunto da tira.
b) A frase-título ‘O imundo animal’ sugere um processo de prefixação.
Explique.
TEXTO: 13 - Comum à questão: 66
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 66)
“Ingerido, o parasita aloja-se discretamente no intestino do apreciador de
peixes crus.” (§ 2)
“[...] e qual seria o tratamento desse vilão?” (§ 4)
As palavras cujos sufixos apresentam a mesma função e significado dos que
aparecem em “apreciador” e “tratamento” são, respectivamente:
a) saudável / incidência.
b) remetente / elaboração.
c) limpeza / esperança.
d) preventivo / formosura.
e) frescor / realismo.
TEXTO: 14 - Comum à questão: 67
TEXTO V
Canção da Moça-Fastasma de Belo Horizonte
Eu sou a Moça-Fastasma
que espera na Rua do Chumbo
o carro da madrugada.
Eu sou branca e longa e fria,
a minha carne é um suspiro
na madrugada da serra.
Eu sou a Moça-Fastasma
O meu nome era Maria,
Maria-Que-Morreu-Antes.
(...)
Morri sem ter tido tempo
de ser vossa, como as outras.
Não me conformo com isso,
e quando as polícias dormem
em mim e fora de mim,
meu espectro itinerante
desce a serra do Curral,
vai olhando as casas novas,
ronda as hortas amorosas
(Rua Cláudio Manuel da Costa),
pára no Abrigo Ceará,
não há abrigo. Um perfume
que não conheço me invade:
é o cheiro do vosso sono
quente, doce, enrodilhado
nos braços das espanholas...
Oh, deixai-me dormir convosco.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
E vai, como não encontro
nenhum dos meus namorados,
que as francesas conquistaram,
e que beberam todo o uísque
existente no Brasil
(agora dormem embriagados),
espreito os carros que passam
com choferes que não suspeitam
da minha brancura e fogem.
Os tímidos guardas-civis,
coitados! um quis me prender.
Abri-lhe os braços... Incrédulo,
me apalpou. Não tinha carne
e por cima do vestido
e por baixo do vestido
era a mesma ausência branca,
um só desespero branco...
Podeis ver: o que era corpo
Foi comido pelo gato.
(...)
ANDRADE, Carlos Drummomd de. Antologia Poética. 16 ed.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, p. 38-39
Questão 67)
O nome da Moça-Fantasma é criado por meio de um processo de formação
de palavras.
a) Que processo é esse?
b) Que informação sobre a circunstância temporal da morte da Moça-
Fantasma o seu nome revela?
TEXTO: 15 - Comum à questão: 68
Texto I
Ética dos advogados e ensino jurídico
Diante da crescente evidência de envolvimento de advogados com
traficantes, é razoável e até necessário que a OAB reveja seus mecanismos
de controle do exercício da profissão. Que acione com mais vigor sua
Comissão de Ética, 5como quer seu presidente, Roberto Busato. Mas serão
essas comissões suficientes? Ou estão elas também aprisionadas pela
armadilha tradicional – a dificuldade estrutural de qualquer corporação em
controlar a si mesma? Dificuldade não exclusiva dos advogados, mas de
qualquercorporação: 10médicos, juízes e políticos, por exemplo.
Aliás, foi justamente a evidência de que as corregedorias judiciais eram
insuficientes para controlar o comportamento ético-disciplinar dos
magistrados que levou o ministro Cézar Peluso, ao defender a
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
constitucionalidade do Conselho 15Nacional de Justiça, a ressaltar: "(...) os
atuais instrumentos orgânicos de controle ético-disciplinar dos juízes, porque
praticamente circunscritos às corregedorias, não são de todo eficientes,
sobretudo nos graus superiores de jurisdição (...)". A tarefa é difícil. Exige
mais do que controles internos 20corporativos.
Nessa perspectiva, surgiu proposta de tornar obrigatória a disciplina Ética
Profissional nas faculdades de Direito. A proposta, aparentemente adequada,
deve ser vista com cuidado. Mais importante do que ensinar ética é praticar
um 25comportamento ético. Isso quer dizer que uma escola de Direito só tem
legitimidade para ensinar ética se tiver antes implantado a prática cotidiana
da ética entre professores, alunos e funcionários. Tiver antes implantado a
educação como prática da ética, parafraseando o grande educador Paulo
30Freyre, quando pregava a educação como prática da liberdade.
Infelizmente, em grande número de faculdades de Direito existem práticas
antiéticas de muitos alunos e até de alguns professores. Práticas que, nesta
crise de perda de indignação do brasileiro, de tão corriqueiras, parecem até
normais. Dou 35exemplo de duas: a cola na prova e o plágio no trabalho de
curso.
Qual a política efetiva que as escolas têm para controlar a cola? Que
punições ou reeducação as escolas têm para o aluno que é pego colando?
No nível institucional, 40provavelmente nenhuma. Tudo fica ao arbítrio do
professor cansado, sem formação didática renovada, mal pago, a dar aula a
um número excessivo de alunos empacotados numa sala, em situação que
a boa didática jamais recomendaria. A ele cabe decidir se o aluno vai perder
a questão, perder a 45prova, ou apenas laisser passer.
Isso é suficiente? Difícil dizer. As estratégias para violação se
sofisticaram. A cola tradicional, olhar e copiar a prova do aluno ao lado,
insinuante, quase provocativa, que se autoconvida, dá lugar a "métodos"
mais sofisticados, celulares 50e outros meios eletrônicos. Tudo facilitado pelo
fato de que a prova pede mais a memorização da doutrina alheia do que o
raciocínio original do aluno.
O plágio em trabalhos escritos está em ascensão. Culpa do Google, da
familiaridade das novas gerações de alunos 55com a tecnologia de busca na
internet, e da facilidade de se atribuir a autoria de um texto. Essa situação é
agravada pelo fato de que os trabalhos de disciplinas e de conclusão de curso
são, sobretudo, pesquisas bibliográficas, estruturadas pelo que o professor
Luciano de Oliveira chama de ideologia 60da "manualização". Assim como a
maioria dos manuais de Direito são apenas uma colagem de autores, textos,
doutrinas e jurisprudência sem necessariamente maior arte, assim também
são os trabalhos de classe e de conclusão de curso. A pesquisa dos alunos
começa e termina nos manuais 65de sempre.
Incluir, pois, um curso de ética profissional no currículo pode nos levar a
um paradoxo. O currículo ensinando ética, e o aluno praticando a antiética,
ao usar a tecnologia para plagiar autores e colar nas provas e trabalhos do
curso. Em outras 70palavras: não vamos resolver o grave problema do
comportamento antiético de alguns advogados tornando obrigatório o ensino
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
de uma nova disciplina – Ética Profissional – num ambiente marcado pela
cola e plágio.
Temos o mesmo problema nas disciplinas de ética 75profissional nos
cursos de formação dos juízes. Não raramente, essas disciplinas se
transformam em discussões filosóficas ou dogmáticas europeizadas.
Raramente se estruturam a partir da análise crítica dos problemas éticos
disciplinares que existem em seus próprios tribunais.
80Soluções existem. Há escolas privadas, no Brasil e no exterior, onde os
alunos assinam, além do contrato de prestação de serviços educacionais
com a faculdade, um código de ética que se obriga a respeitar. Algumas
escolas já têm Conselhos de Ética, nos quais a cola e o plágio são
85discutidos e julgados por alunos, professores e funcionários: as sanções
vão desde a advertência até a expulsão, passando pela perda da bolsa.
Razões pragmáticas favorecem uma postura mais rigorosa. O aluno que
cola pode apresentar um currículo igual ou 90melhor do que aquele que se
esforçou sozinho. Isso é concorrência desleal num mundo em que é cada vez
mais difícil obter emprego. Em algumas escolas, os alunos estão se
conscientizando e contribuindo para o controle ético de seus colegas. Sem
falar que está em jogo o próprio nome e 95reputação da escola – o que
também começa a ser percebido pelos alunos. De uma maneira ou de outra,
o mercado empregador acaba descobrindo quais as escolas que facilitam a
aprovação do aluno e quais as que exigem um comportamento mais ético
profissionalmente.
(Joaquim Falcão. Correio Braziliense, 20/7/06)
Questão 68)
Em antiéticas (L.32), grafou-se corretamente o vocábulo formado com o
prefixo anti-.
Assinale a alternativa em que isso não tenha ocorrido.
a) antiinflamatório
b) anti-marxista
c) anti-higiênico
d) antiaéreo
e) anti-rábica
TEXTO: 16 - Comum à questão: 69
Texto 6
“A velha Totonha de quando em vez batia no engenho. E era um
acontecimento para a meninada. Ela vivia de contar histórias de Trancoso.
Pequenina e toda engelhada, tão leve que uma ventania poderia carregá-la,
andava léguas e léguas a pé, de engenho a engenho, como uma edição viva
das Mil e uma noites. Que talento ela possuía para contar suas histórias, com
jeito admirável de falar em nome de todos os personagens! Sem nenhum
dente na boca, e com uma voz que dava todos os tons às palavras.”
(José Lins do Rego: Menino de Engenho. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007,
p. 79.)
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 69)
Leia e analise as afirmativas abaixo.
I. A expressão de quando em vez remete à idéia de tempo.
II. A palavra que, na linha 4, é uma partícula expletiva, usada apenas para
enfatizar a entonação causada pelo ponto de exclamação.
III. A expressão e com uma voz que dava todos os tons às palavras, indica
que Totonha contava histórias com expressividade.
IV. As palavras meninada e viva sofreram um processo de derivação sufixal
e derivação imprópria, seqüencialmente.
V. Em tão leve que uma ventania poderia carregá-la há idéia de
conseqüência.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas II, III e V são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas I, III, IV e V são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.
TEXTO: 17 - Comum à questão: 70
Os versos seguintes fazem parte do poema “Um chamado João” de Carlos
Drummond de Andrade em homenagem póstuma a João Guimarães Rosa.
Um chamado João
João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
(...)
Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
de precípites prodígios acudindo
a chamado geral?
(...)
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
deve pegar.
(Carlos Drummond de Andrade, em Correio da Manhã, 22/11/1967,
publicado em Rosa, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro:Nova Fronteira, 2001.)
Questão 70)
Na segunda estrofe, há dois processos muito interessantes de associação de
palavras. Em “inenarrável/narrada” encontramos claramente um processo de
derivação. Em “disfarçar/farçar”, temos a sugestão de um processo
semelhante, embora ‘farçar’ não conste dos dicionários modernos.
a) Relacione o significado de ‘inenarrável’ com o processo de sua formação;
e o de ‘farçar’, na relação sugerida no poema, com ‘disfarçar’.
b) Explique como esses processos contribuem na construção dos sentidos
dessa estrofe.
TEXTO: 18 - Comum à questão: 71
TEXTO II
Os sonhos também envelhecem
Os sonhos! Esses companheiros que movem a vida, que vêm de mãos
dadas à existência!
Sonhos que se realizam, sonhos possíveis, impossíveis sonhos, fáceis e
difíceis, alavanca de cada dia. 5Sonhos dormidos, sonhos bem acordados.
Li em algum lugar que os “sonhos são os primeiros passos para as
realizações”. Verdade, porque se realiza o que se pensa, se pensa o que se
sonha. Engatinhamos em pensamento, damos os primeiros passos,
andamos 10rumo à vitória, pelo menos deveria ser assim.
Estava pensando que os sonhos, assim como tudo, ficam velhos. Feio
isso, não é?
Sonhos velhos, velhos sonhos, que se cansaram de sonhar, que
enrugaram a cara, a esperança, a vontade. 15Pergunto-me se os sonhos
ficam velhos ou se erramos nas projeções de realização.
Seguimos com tantos sonhos e vejo que alguns passam do sonho ao
desafio a si mesmo.
Muitas vezes, quando se chega ao pé do sonho, 20quando o temos nas
mãos, não é mais importante, apenas vencemos um desafio, não alcançamos
o sonho bonito, digladiamos com a força de fazer, quer se queira ainda ou
não.
A dialética da vida, essa pressa de mudar tudo, faz 25as óticas mudarem
também. Muitas vezes não percebemos e continuamos a trilhar na mesma
estrada, como se as árvores que a enfeitam não fossem outras, à medida
que se evolui... Como se o tempo não passasse pela metamorfose de dia e
noite, de chuva e sol.
30Continuamos as mesmas velhas pessoas, com os mesmos sonhos.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Os sonhos também envelhecem, mas podem passar pela plástica da
visão ampla e serem novos, novos sonhos, com cara de menino, com cara
de vida, na nossa 35cara de vencedor...
Importante se faz tirar o véu que cobre a jovialidade do sonho, identificar
sua velhice, vê-lo deitado e cansado de ser sonhado, interromper o desafio,
fazer renascer, melhor, moderno e possível...
LAGARES, Jane (adaptado).
Disponível em: http://prosaepoesia.com.br/cronicas/
sonhos_envelhecem.asp.
Acesso em: 12 nov. 2006.
Questão 71)
Tendo em vista os comentários gramaticais, assinale a afirmativa correta.
a) Flexionando-se na primeira pessoa do plural do presente do indicativo a
forma verbal destacada em “que vêm de mãos dadas à existência!” (l. 2)
tem-se: viemos.
b) Assim como “digladiamos” (l. 22), grafam-se com i as palavras impecilho
e cadiado.
c) Em “digladiamos com a força de fazer,” (l. 22) e “continuamos a trilhar na
mesma estrada,” (l. 26), a classe das palavras destacadas é a mesma.
d) No vocábulo “metamorfose” (l. 29) temos dois radicais gregos.
e) O vocábulo “envelhecem” (l. 32) é um exemplo de derivação prefixal e
sufixal.
TEXTO: 19 - Comum às questões: 72, 73
TEXTO II
Jardim da infância
Qualquer vegetal, pássaro, inseto
ou tremor de vento e onda
me tocam mais
que o mais acrílico artefato
5e platinado aço da sala.
Há dois minutos um bem-te-vi pousou
nas grades do terraço, beliscou algo amarelo
e livre se foi marrom para o telhado.
Ah, minhas mesas, móveis, cama.
10Eu não amaria sequer esses livros
se não soubesse da matéria orgânica
condensada em suas páginas.
Periquitos se coçam e piam na gaiola
fazendo amor sobre os poleiros
15entre olhagens que me folham.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Estou comprando esses fascículos com tudo sobre plantas.
Tanto mais eu vivo
mais quero saber de ardísias e bocárnias,
peperônias e gloxínias.
20Não sei como puderam nascer sem mim, em outras terras,
as edelweiss, blue bonnets, tulipas e cerejeiras.
Como pude respirar todo esse tempo
sem a diferença entre hibiscos e gardênias,
confundindo tumbérgias com hipocampos,
25dama-da-noite com dama das camélias,
eu,
desmemoriado cavaleiro da rosa,
sem brincos de princesa,
trombetas e espadas de São Jorge,
30mal sabendo que era na casa de Tia Antonieta
que nasciam as violetas africanas.
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Que país é este? e outros poemas.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.)
TEXTO III
Vila dos confins
Não há bicho mais velhaco do que urubu roceiro, morador em zona de
criação, mal-acostumado pelo daninho vício de comer umbigo de bezerro
recém-parido.
Lá está o peste, de plantão. Refestelado1 que só ele, no galho alto do pé de
angico esquecido no meio do pasto. Passa homem, passa mulher e menino,
passa boi, cavaleiro passa. A gente dobra o corpo, 5deita mão em pedra. O
urubu raciocina: mede o mal-inclinado do passante, calcula o tamanho e o
peso da pedra, adivinha até aonde pode chegar aquele meio quilo de
maldade. Pensa, pensa e repensa ligeiro, e continua pousado do
mesmíssimo jeito. A cabo-verde alça vôo, zunindo, e vai bater no tronco do
pé de angico, dois metros abaixo do alvo: beleza de tinido faz a pedrada, que
o pau é seco, rijo, ocado pelo fogo – por isso mesmo sonoroso também. Há
tipos que respondem com 10fedorento arroto de desprezo. Outros, porém, mal
abrem o bico em um bocejo de pouco caso e repegam no cochilo: soneca
matreira, que estão mas é de olho fechado de mentira, tomando nota de tudo
quanto acontece de importante pela redondeza. A gente grita, xinga,
sapateia, se desespera e berra os mais feios palavrões. Que o quê! Urubu
nem cheirou nem fedeu. E continua quentando sol, vigiando a vaca
chegadinha no amojo2 que, mais hora menos hora, solta a cria ainda boba do
susto 15no rapado jaraguá3 do pastinho-de-bezerro.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
O fazendeiro busca em casa a fogo-central e volta ao pasto, disposto a
acabar com a maldita assombração. Do alto do pau, o urubu pombeia4 a
providência. E, quando o enjerizado aponta na porteira do curral, longe ainda,
mas de espingarda na mão, o urubu galeia5 as juntas das pernas engomadas
de piche, estica as asas de picumã, e demuda de pouso. Comigo não, violão!
De pau-de20fogo não não, Seu Bastião!
Vai-se embora o negro-preto, voando barulhento que nem máquina de trem
de ferro subindo ladeira custosa, fluque-fluque, fluque-fluque. Bicho
excomungado!
(PALMÉRIO, Mário. Vila dos confins. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.)
Vocabulário:
1refestelado – acomodado despreocupadamente
2amojo – disponibilidade de leite para a amamentação
3jaraguá – espécie de capim
4pombeia – observa, espreita
5galeia – sacode, balança
Questão 72)
O emprego das palavras com finalidade artístico-expressiva envolve recursos
variados, dois dos quais estão exemplificados nas formas sublinhadas nas
seguintes passagens dos textos II e III, respectivamente:
entre olhagens que me folham. (l. 15)
subindo ladeira custosa, fluque-fluque, (l. 21 - 22)
Nomeie o recurso lingüístico empregado em cada passagem e descreva o
valor estilístico de cada um.
Questão 73)
Apreendemos o significado de muitas palavras graças a relações que
podemos estabelecer entre elas e outras que já conhecemos, como acontece
com porteira, derivada de porta. Existem em português diferentes recursos
para derivar palavras, e as formas derivadas podem pertencer à mesma
classe ou a uma classe diferente da forma primitiva. As palavras daninho e
bocejo, presentes no texto III, são uma prova disso.
Explique comocada uma destas palavras foi criada morfologicamente a partir
da respectiva forma primitiva.
TEXTO: 20 - Comum à questão: 74
TEXTO I
O desemprego dos idiotas
Uma pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que acaba
de ser divulgada, informa que inúmeros setores da economia estão
desesperados à procura de mão-de-obra qualificada. Não estamos falando
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
aqui de doutores, mas de qualificações simples. Esse é o desemprego dos
idiotas.
É preciso muita idiotice pública (muita mesmo) para chegarmos nessa
situação em que há um imenso número de desempregados, especialmente
jovens, e uma não menos imensa demanda por trabalhadores com um
mínimo de preparo. Além do drama humano dos batalhões de
marginalizados, temos um nada desprezível impacto no crescimento
econômico. Sem contar que, com melhor educação profissional, se
conseguiria distribuir mais a renda.
O desemprego dos idiotas ocorre, entre outros motivos, porque se dá mais
atenção aos cursos superiores tradicionais, os quais, muitas vezes, são de
péssima qualidade e cuja empregabilidade é baixíssima. Isso com estímulo
oficial que dá bolsas a alunos mais pobres para cursarem faculdades
medíocres.
Para reduzir esse problema, bastaria conhecer as vocações econômicas
locais e preparar mão-de-obra para elas, acrescentando ensino
profissionalizante ao ensino regular. Tudo isso pode ser feito com a ajuda dos
recursos de educação à distância. Nada disso é novidade e já temos, no
Brasil, vários casos de sucesso. É muito mais barato um curso superior para
tecnólogo do que a graduação normal. Mas muitos jovens não sabem disso
na hora de prestar o vestibular.
O melhor que se pode fazer pela inclusão de verdade dos jovens é ampliar
a oferta de ensino profissionalizante, transformando as escolas de ensino
médio numa porta de saída ao mercado de trabalho.
Gilberto Dimenstein. Folha Online, 7/10/2007, www.folha.com.br. consulta
23/07/2008.
Questão 74)
Assinale a alternativa cujas palavras são formadas pelo mesmo processo de
formação.
a) Inúmero – idiotice – desprezível.
b) Desprezível – desespero –– emprego.
c) Desemprego – desesperados – demanda.
d) Empregado – idiotice – inúmeros.
e) Desemprego – demanda – preparo.
TEXTO: 21 - Comum à questão: 75
Murilograma a Graciliano Ramos
1
Brabo. Olhofaca. Difícil.
Cacto já se humanizando,
Deriva de um solo sáfaro
Que não junta, antes retira,
Desacontece, desquer.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
2
Funda o estilo à sua imagem:
Na tábua seca do livro
Nenhuma voluta inútil.
Rejeita qualquer lirismo.
Tachando a flor de feroz.
3
Tem desejos amarelos.
Quer amar, o sol ulula,
Leva o homem do deserto
(Graciliano-Fabiano)
Ao limite irrespirável.
Vocabulário:
• sáfaro: agreste
• voluta: ornamento
• ulular: produzir som em tom tristonho
Questão 75)
Assinale a alternativa que contém, respectivamente, a correta análise dos
seguintes termos do poema: brabo, desacontece, lirismo.
a) Regionalismo/derivação prefixal/derivação sufixal.
b) Neologismo/derivação por parassíntese/derivação prefixal.
c) Regionalismo/derivação sufixal/derivação prefixal.
d) Arcaísmo/derivação prefixal/derivação por parassíntese.
e) Regionalismo/derivação sufixal/derivação sufixal.
TEXTO: 22 - Comum à questão: 76
Obamanomics
Na percepção do eleitor americano médio, o candidato democrata,
senador Barack Obama, a ser sacramentado na convenção do Partido
Democrata, que começa amanhã, não navega bem em assuntos
econômicos.
E, no entanto, um dos principais temas dessa campanha deveria ser a
crise econômica em que o país está mergulhado há mais de um ano.
O americano médio se sente duramente atingido no bolso.
O dólar, que ainda é o dólar, símbolo de força e saúde econômica, perde
valor a olhos vistos; a casa própria, um dos sonhos americanos, perde preço
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
no mercado imobiliário; e o salário é corroído por uma inflação de 5,6% ao
ano e pelo aumento do desemprego.
Apesar do seu carisma, Obama não chega a empolgar com sua
plataforma de projetos para a área econômica. Defende aumento de
investimentos públicos, principalmente em infra-estrutura e reformas no
sistema nacional de saúde. Sua proposta de seguro-saúde universal é
voltada para eleitores que não conseguem pagar um plano privado. Nos
Estados Unidos, não há um sistema de atendimento a todos, como no Brasil
onde, mal ou bem, o SUS funciona. Lá, um seguro para família de quatro
pessoas não sai por menos de US$ 400 ao mês. Seu projeto implicaria
custeio anual para o tesouro americano em torno de US$ 50 bilhões a US$
65 bilhões.
As reformas seriam financiadas por aumento de carga tributária dos
americanos que ganham ao ano mais de US$ 250 mil, segmento
especialmente beneficiado pelos pacotes de cortes fiscais aprovados no
governo Bush em 2001 e 2003. Obama não esconde que, em dez anos,
pretende aumentar a arrecadação federal em US$ 800 bilhões.(...)
Apesar de contar com grande apoio dos jovens, Obama começa a perder
espaço no eleitorado, que teme o aprofundamento da crise e o considera
pouco preparado para lidar com os atuais problemas.
Como lembra a revista The Economist, são essas as pessoas que mais
estão sentindo o rigor da crise. “Os americanos cresceram em tempos de
prosperidade. Eleitores jovens não se lembram de uma série de recessão,
desde a última, que ocorreu no início dos anos 90.”
Se continuar no mesmo diapasão, a campanha democrática será incapaz
de tirar proveito da crise, em grande parte criada pelo governo republicano
de George Bush.
E não deixa de ser irônico lembrar que o democrata Bill Clinton venceu o
republicano Bush (pai) em 1992 sob o slogan “É a economia, idiota.”
(O Estado de S.Paulo, 24.08.2008. Adaptado)
Questão 76)
Assinale a alternativa correta sobre o título do texto.
a) Com o título Obamanomics, o autor manifesta confiança irrestrita no
programa do candidato democrata na resolução de problemas ligados à
área econômica, ponto de vista que se confirma no decorrer do texto.
b) No seguinte trecho de Sagarana, de Guimarães Rosa, ocorre palavra
formada pelo mesmo processo da palavra
Obamanomics:
“Mas Nhô Augusto era couro ainda por curtir, e para quem não sai, em
tempo, de cima da linha, até apito de trem é mau agouro. Demais, quando
um tem que pagar o gasto, desembesta até ao fim. E, desse jeito, achou
que não era hora para ponderados pensamentos.”
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
c) A palavra Obamanomics é formada pela junção de dois radicais, processo
que se observa em palavra do trecho seguinte, extraído de Sagarana:
“O Curvelo vale um conto,
Cordisburgo um conto e cem.
Mas as Lages não têm preço,
Porque lá mora meu bem...”
d) De acordo com o título, a proposta de Obama para questões relacionadas
à área econômica condiz com os problemas decorrentes da crise
econômica americana.
e) O título Obamanomics sugere a ênfase dada à economia pelo programa
do candidato, em detrimento de outras áreas.
TEXTO: 23 - Comum à questão: 77
Darwin 200, por Ir. Joaquim Clotet (Reitor da PUC)
1Comemoramos em 2009 o segundo centenário do nascimento de
Charles Robert Darwin. Um 2homem admirado, estudado e até considerado
polêmico por alguns.
3As homenagens, os congressos, as publicações e as exposições serão
inúmeras. Sociedades 4científicas, filosóficas e teológicas, universidades e
museus de história natural têm já programadas as mais 5diversas atividades
sobre a vida e a obra do relevante cientista, nascido em 12 de fevereiro de
1809. A 6Universidade de Cambridge, a título de exemplo, tem programado
parao próximo mês de julho o Darwin 7Festival, um evento científico e cultural
de extrema relevância. Do mesmo modo, o Natural History 8Museum de
Londres já inaugurou a Darwin Exhibition, _________ e altamente
documentada exposição 9sobre o autor.
10Não deixa de chamar a atenção a _____________ universitária do
grande naturalista, observador 11e colecionador. Iniciou os estudos de
medicina na Universidade de Edimburgo. Vale acrescentar que o pai 12dele
era médico. Abandonou essa opção antes de ter concluído o curso. Ingressou
na Universidade de 13Cambridge para estudar artes. Nessa época,
aproximou-se das línguas clássicas, da filosofia, da teologia 14e, por incrível
que pareça, da matemática e da física.
15Nem o mundo das humanidades nem o das ciências divinas configurou,
contudo, sua indiscutível e 16preclara opção intelectual: a observação atenta
e crítica da natureza.
17Duas experiências marcaram definitivamente o futuro do notabilíssimo
cientista: uma viagem e o 18jardim da sua casa.
19A viagem, realizada no Beagle, durou cinco anos e permitiu-lhe
observar, escrever, desenhar e 20colecionar animais e plantas numa longa
singradura. Dois terços dessa viagem passou-os em terra firme. 21Por sinal,
de abril a junho de 1832, esteve no Brasil e alugou uma propriedade na baía
de Botafogo. De 22volta à pátria, comprou uma casa, Down House, a 16
milhas de Londres. O grande jardim nela existente 23foi o seu laboratório. A
leitura dos dados obtidos na viagem, o exame dos espécimes coletados e
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
seus 24experimentos com orquídeas, pombas, baratas e minhocas, entre os
outros muitos por ele realizados, o 25inspiraram à formulação de sua teoria
da seleção natural e prepararam a edição da Origem das Espécies, 261859.
27A vida e a obra do bicentenário autor são ainda hoje objeto de acendrado
estudo, pesquisa e 28debate, atingindo o patamar da transdisciplinaridade.
Esse reconhecimento do valor e significado da sua 29produção contrasta com
a discrição do avisado viajante e do erudito pesquisador, pois ele próprio
afirmava 30que não era especialista em nenhuma disciplina.
31Continuam ainda hoje o estudo e o debate entre criacionismo, ou
doutrina bíblica da criação, e 32evolucionismo, proveniente da seleção
natural. O papa Pio XII, na sua carta encíclica Humani Generis, 331950,
convida e estimula ao aprofundamento de ambas as teorias. A Academia
Pontifícia das Ciências, do 34Vaticano, dedicou ______ extraordinárias ao
tema no passado mês de novembro. Afirmou-se a existência 35de provas que
evidenciam a evolução. Destaca-se, porém, que o ser humano, o homem e a
mulher, não 36são o resultado do caos, mas que foram pensados e amados
pelo Criador. Uma conferência internacional 37sobre a _________ entre a fé
e a teoria da evolução está programada pela mesma entidade para o
38próximo mês de março. Não é em vão que Darwin também estudou teologia
e era homem que amava o 39diálogo.
( Zero Hora - 09 de janeiro de 2009 – texto adaptado)
Questão 77)
Analise as afirmações que são feitas sobre determinadas palavras do texto.
I. Em observador (ref. 10) e colecionador (ref.11), ocorre sufixo nominal.
II. Nas palavras inúmeras (ref. 03) e indiscutível (ref. 15), há prefixo, cujo
significado é o mesmo.
III. Na palavra transdisciplinaridade (ref. 28), o prefixo trans- significa em
torno de.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
TEXTO: 24 - Comum à questão: 78
Os diferentes
Descobriu-se na Oceania, mais precisamente na ilha de Ossevaolep, um
povo primitivo, que anda de cabeça para baixo e tem vida organizada.
É aparentemente um povo feliz, de cabeça muito sólida e mãos
reforçadas. Vendo tudo ao contrário, não perde tempo, entretanto, em refutar
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
a visão normal do mundo. E o que eles dizem com os pés dá a impressão de
serem coisas aladas, cheias de sabedoria.
Uma comissão de cientistas europeus e americanos estuda a linguagem
desses homens e mulheres, não tendo chegado ainda a conclusões
publicáveis. Alguns professores tentaram imitar esses nativos e foram
recolhidos ao hospital da ilha. Os cabecences-para-baixo, como foram
denominados à falta de melhor classificação, têm vida longa e desconhecem
a gripe e a depressão.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa Seleta. Rio
de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. p. 150)
Questão 78)
No texto, identifica-se o povo da ilha de Ossevaolep por um neologismo:
cabecences-para-baixo.
a) Identifique os processos de formação de palavras utilizados para a
criação desse neologismo.
b) Considerando o conhecimento que os observadores têm do povo de
Ossevaolep, responda: por que se afirma, no texto, que o neologismo foi
criado “à falta de melhor classificação”?
TEXTO: 25 - Comum à questão: 79
O Ser nordestino: leituras do Sul
Texto 5
1 Rosa - Então, você mudou muito!
2 Crispim - Mudou todo mundo, não é? Essas
3 coisa, a tal bossa nova. E a minha voz?
4 Rosa - Está doente? Gripado?
5 Crispim - Burrinha! Quero saber se lhe
6 agradam os meus esses, os erres... Agora só
7 falo carioca... Mudei o sotaque!
8 Rosa - (Extasiada) Bonito! Que fala! Todo
9 mundo vai admirar.
CAMPOS, Eduardo. A rosa do Lagamar. In: _______. Três peças
escolhidas. Fortaleza:
Edições UFC, 2007, p. 132-133.
Texto 6
1Quando [Waldir] terminou o curso 2universitário do Paraná, veio cá para
o Norte, 3veio pra perto da sua gente, que ele amava tanto, 4veio apesar de
todas as tentações e convites com 5que lhe acenaram empresas e
organizações do 6Sul. E dentro de pouco tempo se fez conhecer e 7respeitar
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
por sua atuação (…) nos postos que 8ocupou no DNOCS, responsável que
foi por 9grandes obras de açudagem no Ceará (...).
DIAS, Milton. O menino Valdir. In: _______. Entre a boca da noite e a
madrugada.
Fortaleza: Edições UFC, 2007, p. 115-116.
Questão 79)
Assinale a alternativa cujas palavras nela constantes atendem
simultaneamente aos critérios seguintes:
i) palavras formadas pelo mesmo processo derivacional de açudagem;
ii) palavras nas quais os morfemas derivacionais têm a mesma noção
semântica do presente em açudagem.
a) Rataria – antifebril.
b) Adulação – arvoredo.
c) Mulherio – castanhedo.
d) Descrença – anedotário.
e) Armazenamento – nomeação.
TEXTO: 26 - Comum à questão: 80
CONSUMO EXAGERADO PROVOCA INTOXICAÇÃO
A busca por melhorar o desempenho pode trazer mais prejuízos do que
vantagens. É o que acontece quando o uso de suplementos é feito sem
prescrição médica e a ingestão diária dos nutrientes passa dos limites
indicados.
“O consumo excessivo de nutrientes me preocupa tanto quanto a
contaminação. Esses casos são muito mais comuns”, afirma a nutricionista
Suzana Bonumá.
Um dos problemas mais frequentes é a ingestão exagerada de proteínas
e aminoácidos, presentes em fórmulas que prometem aumento da força e
maior definição dos músculos.
“Há um limite máximo de consumo diário. Falamos em um grama por quilo
de peso, para pessoas que não fazem exercício físico nenhum, 1,6 grama
por quilo de peso para aquelas fisicamente ativas e no máximo 1,8 grama
por quilo de peso para atletas de alto rendimento”, diz o educador físico
Jocelito Martins.
Mais do que isso, a proteína deixa de ser benéfica e causa aumento de
peso e sobrecarga hepática.
O excesso de vitaminas causa a chamada hipervitaminose. É quando a
ingestão exagerada de nutrientes passa a ser tóxica ao organismo.
“Atletas não gastam mais vitaminas do que as pessoas sedentárias. Os
polivitamínicos devem servir apenas para complementar falhas na
alimentação, comopara qualquer um”, afirma o médico Turíbio Leite de
Barros.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Os efeitos da hipervitaminose são diferentes para cada tipo de nutriente.
“Uma das consequências é o aparecimento de feridas pelo corpo”, afirma
Martins.
A ingestão de compostos hipercalóricos por pessoas que não têm gasto
energético acima da média resulta em ganho de peso. Barros alerta para o
fato de que muitos suplementos hipercalóricos disponíveis no mercado não
são reconhecidos como tal.
É o caso de fórmulas para enriquecer o leite, usadas para complementar
a alimentação das crianças.
Outro problema, segundo Katiuce Borges, nutricionista especialista em
fisiologia do exercício, é a ingestão excessiva de antioxidantes para
combater o chamado estresse oxidativo, um dos causadores do
envelhecimento precoce. “Atletas têm um nível de estresse oxidativo maior.
Mas o consumo exagerado causa o efeito inverso: aumenta a quantidade de
radicais livres.”
(Folha de São Paulo, 09/09/2010)
Questão 80)
A alternativa em que os vocábulos destacados são formados por processos
diferentes de formação é:
a) excesso – limite;
b) consumo – aumento;
c) diário – melhorar;
d) fisicamente – rendimento;
e) diferentes – nutriente.
TEXTO: 27 - Comum à questão: 81
01 Organizações ambientalistas internacionais afirmam 02 que o Brasil pode
estar perdendo a liderança 03 no movimento ecológico global, depois que 04
a Câmara dos Deputados aprovou, na quarta feira, 05 um novo texto que
altera o Código Florestal Brasileiro.
07 Em entrevista _____ BBC Brasil, representantes 08 da WWF e do
Greenpeace em Londres disseram 09 que o Brasil sempre foi visto como um
dos países 10 mais ativos na promoção de ideias ambientais 11 em fóruns
internacionais, como as reuniões sobre 12 mudanças climáticas da ONU.
Mas, a aprovação 13 do texto do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) pode 14
provocar uma mudança nessa percepção.
15 O texto ainda precisa ser apreciado pela presidente 16 Dilma Rousseff, que
pode vetá-lo na íntegra 17 ou parcialmente. Neste caso, a proposta volta para
18 o Congresso, que pode fazer alterações ou derrubar 19 o veto.
20 Entre os pontos mais polêmicos do parecer de 21 Piau está a questão da
anistia ______ produtores 22 que desmataram florestas nas proximidades de
23 rios. O texto afeta os proprietários de terra que 24 desmataram os 30 metros
das Áreas de Preservação 25 Permanente (...). Eles ficam liberados da
obrigação 26 de recuperar totalmente a área degradada. 27 De acordo com o
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
texto aprovado, (...), os proprietários 28 que infringiram tais regras terão de
replantar 29 apenas 15 metros.
30 É um choque estarem alterando o Código Florestal 31 que protege_____
floresta amazônica. Com 32 a proximidade da Rio+20, isso bota muita
pressão 33 sobre a presidente Dilma Rousseff. Será muito difícil 34 para ela
se apresentar como defensora do 35 ambiente, disse _____ BBC Brasil Sarah
Shoraka, 36 ativista especialista em florestas do Greenpeace.
37 Para a diretora de Florestas da WWF no Reino 38 Unido, Sandra Charity,
a comunidade internacional 39 está 'perplexa' com a votação no Congresso
40 brasileiro.
41 O Brasil tem uma trajetória de país moderno, 42 que sempre esteve na
liderança dos compromissos 43 ambientais, tendo em vista a sua posição na
44 Conferência de Mudanças Climáticas de Copenhague 45 [2009]. O país
sempre esteve na frente e 46 puxando os outros países. A aprovação desse
texto 47 é um retrocesso, disse ela.
48 A representante da WWF ressalvou que o texto 49 foi aprovado no
Congresso, e não pela Presidência, 50 mas que mesmo assim a medida
tende a respingar 51 na imagem do governo e do país como um 52 todo.
http://verde.br.msn.com (Por BBC, BBC Brasil, Atualizado: 26/4/2012)
Questão 81)
Assinale a alternativa em que o elemento mórfico em destaque está
incorretamente analisado.
a) desmataram (Ref.22) - radical
b) aprovação (Ref.46) - prefixo
c) ficam (Ref. 25) - tema
d) afirmam (Ref. 1-2) - desinência número-pessoal
e) provocar (Ref. 14) - vogal temática
TEXTO: 28 - Comum à questão: 82
Cheguei com 21 anos e já estou há 54 em São Paulo. Desde meus
primeiros dias, vivo um problema que existe até hoje e compartilho com todo
mundo. Não dirijo. Ando de táxi, ônibus, metrô e caminho muito. Sou
pedestre e, como tal, conheço a tragédia das calçadas. Quem caminha torce
o pé em buracos, tropeça em desníveis, precisa olhar para baixo o tempo
inteiro. Não há calçadas uniformes, planas, planejadas, cuidadas. Cada dono
constrói seu trecho segundo sua fantasia. Há gosto, bom gosto e muito mau
gosto, breguice, kitsch. A variedade não contribui para uma cidade criativa e
original. Ao contrário, é um mix desordenado de excrescência.
Problemas pequenos? Some aos outros, por exemplo, as agruras de
quem toma ônibus, de quem toma metrô, de manhã ou à tarde. Tente viajar
nos horários de pico. Ah! Aí, sim, se vê por que é uma selva. Algum
coordenador de transportes tentou fazer uma viagem num coletivo cheio, em
dia de calor, janelas fechadas? Algum já viajou esmagado, prensado,
sufocado, o ar faltando aos pulmões?
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Sonho com utopias. A São Paulo ideal teria calçadas largas contendo uma
ciclovia e árvores. E bueiros que deem vazão às águas das chuvas. E um
povo que não varra as folhas para dentro dos bueiros. E que tenha
recipientes para se depositar o lixo. A São Paulo ideal teria prédios de no
máximo oito andares e praças e jardins e parques. E principalmente projetos
e planos diretores que olhassem o futuro, e não o presente imediato e
eleitoreiro. E administradores que olhassem com carinho para a cidade.
(Ignácio de Loyola Brandão. O Estado de S.Paulo, 01.07.2012. Adaptado.)
Questão 82)
Pelo processo de derivação, as palavras sofrem modificações incorporando
diferentes sentidos. Assinale a alternativa em que as palavras em destaque,
nas frases, resultantes do mesmo processo de formação, traduzem,
respectivamente, sentido de admiração e de menosprezo.
a) São Paulo, com todas as oportunidades que oferece, é mesmo uma
cidadona. / Quadrilhas invadem restaurantes e roubam clientes em
ondas de ataque em São Paulo: que cidadezinha violenta!
b) As calçadas nas cidades europeias são planejadíssimas. / Como houve
mudança na administração do bairro, a reforma da praça teve de ser
replanejada.
c) Algum coordenador de transportes tentou fazer uma viagenzinha curta
que seja, num coletivo cheio, em dia de calor? / Moradora da periferia
enfrenta uma rotina diária de mais de cinco horas dentro dos ônibus: é
uma hiperviagem.
d) Ele é um supercoordenador e deveria conhecer os problemas do
trânsito. / A Prefeitura nomeou uma pessoa incompetente para
administrar o trânsito, é um descoordenador.
e) A variedade dos desenhos forma um mix desordenado de excrescência.
/ Que sorte temos nós, nossa cidade é harmoniosa, ordenadíssima!
TEXTO: 29 - Comum à questão: 83
O Vasconcelos quis festejar o exame do filho, com um jantar oferecido aos
senhores examinadores e aos velhos amigos da família.
À noite houve dança. Amâncio convidou os companheiros do ano;
compareceram somente os pobres – os que não tinham em casa também a
sua festa.
O pai, por instâncias de Ângela, fizera-lhe presente de um relógio com a
competente cadeia, tudo de ouro. A avó, que se abalara da fazenda para
assistir ao regozijo do seu querido mimalho, trouxera-lhe de presente um
moleque, o Sabino.
Amâncio, todo cheio de si, a rever-se na sua corrente e a consultar as horas
de vez em quando, foi nesse dia o alvo de mil felicitações, de mil brindes e
de mil abraços.
Alguns amigos do pai profetizavam nele uma glória da pátria e diziam que oJoão Lisboa, o Galvão e outros não tinham tido melhor princípio.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
O Dr. Silveira, homem íntimo da casa e figura conhecida na política da terra,
voltara-se rapidamente para dar atenção a Amâncio, que acabava de
aproximar-se, em silêncio, com o ar presumido de quem tinha consciência
de que toda aquela festa lhe pertencia.
– Então, meu estudante! – disse o jurisconsulto, empinando a cabeça. – Já
escolheu a carreira que deseja seguir?
– Marinha, respondeu Amâncio secamente.
A farda seduzia-o. Nada conhecia “tão bonito” como um oficial de marinha.
À meia-noite foram todos de novo para a mesa. Vasconcelos era muito
rigoroso quando recebia gente em casa; queria que houvesse toda a fartura
de vinhos e comidas. Os brindes reapareceram. Visivelmente orgulhoso, o
anfitrião se superava. Abriram-se garrafas de Moscato d’Asti, Chateau
Yquem e Champagne.
Do meio para o fim da ceia, Amâncio sentiu-se outro.
Ângela abraçou o filho, chorando de comovida.
– Que lhe disse eu?... resmungou delicadamente Silveira ao ouvido dela. –
Este menino promete! Deem-lhe asas e hão de ver... deem-lhe asas!...
Amâncio foi coberto de ovações. Batiam-se no copo, faziam-lhe saúdes. Ele
a todos respondia, rindo e bebendo.
Daí a uma hora recolheram-no à cama da mãe, porque lhe aparecera uma
aflição na boca do estômago; mas vomitou logo e adormeceu depois,
completamente aliviado.
Foi a sua primeira bebedeira.
(Aluísio Azevedo. Casa de pensão. Adaptado.)
Questão 83)
Em rever e secamente, observam-se dois processos de derivação muito
comuns. Os mesmos tipos de formação de palavras se encontram
destacados, respectivamente, na seguinte alternativa:
a) Amâncio convidou os companheiros do ano; compareceram somente
os pobres [...]
b) Os brindes reapareceram. Visivelmente orgulhoso, o anfitrião se
superava.
c) Vasconcelos era muito rigoroso quando recebia gente em casa [...].
d) Alguns amigos do pai profetizavam nele uma glória da pátria [...].
e) O Vasconcelos quis festejar o exame do filho, com um jantar oferecido
aos senhores examinadores [...].
TEXTO: 30 - Comum à questão: 84
Software corrige redações
Por JOHN MARKOFF
The New York Times International Weekly
Em colaboração com Folha de S.Paulo – 15 abr.2013
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
1 Imagine que, ao fazer um exame da faculdade, em vez de você receber
sua nota do professor algumas semanas depois, você possa clicar no botão
"Enviar" ao terminar o teste e receber de volta instantaneamente o resultado,
tendo sua redação avaliada por um programa de computador. Agora imagine
que esse sistema permita que você imediatamente refaça o exame para
tentar melhorar a nota.
2 EdX, uma empresa sem fins lucrativos fundada pela Universidade Harvard
e pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) para oferecer cursos
on-line, lançou esse sistema e vai disponibilizar seu software automatizado
de graça na internet para qualquer instituição que queira usá-lo.
3 O software utiliza inteligência artificial para avaliar as redações e
respostas curtas por escrito, liberando os professores para outras tarefas.
4 Embora os sistemas de notas automáticas para testes de múltipla escolha
estejam disseminados, o uso da tecnologia para dar notas a redações ainda
não recebeu apoio generalizado de educadores e tem muitos críticos.
5 Anant Agarwal, presidente da EdX, previu que o software de notas
instantâneas seria uma ferramenta pedagógica útil, permitindo que os
estudantes façam testes e escrevam redações várias vezes para melhorar a
qualidade de suas respostas. "Os alunos nos dizem que estão aprendendo
muito mais com o 'feedback' instantâneo", disse o doutor Agarwal.
6 Mas os céticos dizem que o sistema automático não se compara a
professores reais.
7 Um antigo crítico, Les Perelman, chamou a atenção várias vezes ao criar
redações absurdas que enganaram o software, fazendo-o dar notas altas.
8 "Minha primeira e maior objeção à pesquisa é que eles não fizeram um
teste estatístico válido comparando o software com avaliadores humanos",
disse Perelman, diretor de redação aposentado e atual pesquisador no MIT.
9 Ele faz parte de um grupo de educadores que circula uma petição contra
o software de avaliação automática. O grupo já coletou quase 2.000
assinaturas.
10 "Vamos encarar a realidade das notas de testes automáticos", diz uma
parte da declaração do grupo. "Os computadores não sabem ler. Eles não
podem medir os fatores essenciais da comunicação escrita eficaz: precisão,
raciocínio, adequação de evidências, bom senso, posicionamento ético,
argumentação convincente, organização significativa, clareza e veracidade,
entre outros."
11 A ferramenta de avaliação EdX exige que professores ou avaliadores
humanos primeiro deem nota a cem redações. Então o sistema usa as
técnicas de aprendizado mecânico para se treinar e ser capaz de dar notas
a qualquer número de redações ou respostas quase instantaneamente.
12 O software vai atribuir uma nota dependendo do sistema de avaliação
criado pelo professor e fornecerá um "feedback" geral, como dizer a um
estudante se uma resposta tratava do assunto certo.
13 O doutor Agarwal acredita que o software se aproxima da capacidade de
avaliação humana. "Há um longo caminho a percorrer no aprendizado
mecânico, mas ele já é bom o suficiente e a vantagem é muito grande", disse.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
"Descobrimos que a qualidade das notas é semelhante à variação
encontrada de instrutor para instrutor."
14 A EdX não é a primeira a usar tecnologia automatizada de avaliação, que
data dos primeiros computadores "mainframe" dos anos 1960. Várias
companhias oferecem programas comerciais para dar notas a respostas em
testes escritos. Em alguns casos, o software é usado como um "segundo
leitor" para verificar a confiabilidade dos avaliadores humanos.
15 A Universidade Stanford, na Califórnia, anunciou recentemente que vai
trabalhar com a EdX para desenvolver um sistema educacional conjunto que
incorporará a tecnologia de avaliação automática.
16 Duas start-ups fundadas recentemente por professores de Stanford para
criar "cursos abertos de massa on-line" (Mooc, na sigla em inglês) também
se dedicam a sistemas de avaliação automática.
17 No ano passado, a Fundação Hewlett patrocinou dois prêmios de US$
100 mil destinados a aperfeiçoar um software que avalia testes de respostas
curtas.
18 Mark D. Shermis, professor da Universidade de Akron, em Ohio,
supervisionou o concurso da Fundação Hewlett.
19 Na opinião dele, a tecnologia – embora imperfeita – tem seu lugar no
ambiente educacional.
20 Com classes cada vez maiores, é impossível para grande parte dos
professores dar aos estudantes um "feedback" significativo sobre tarefas de
redação, segundo Shermis.
21 Além disso, ele notou que os críticos da tecnologia tendem a vir das
melhores universidades americanas.
22 "Muitas vezes, eles vêm de instituições muito prestigiosas, onde o
'feedback' recebido pelos alunos é muito melhor do que uma máquina seria
capaz de dar", disse o doutor Shermis. "Falta a percepção do que acontece
de fato no mundo real."
Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/103891-
softwarecorrige-redacoes.shtml. Acesso em: 17 abr.2013.
Questão 84)
A presença de palavras em inglês é uma constante no texto. O uso de
software e mainframe, por exemplo, se justifica porque
a) essas palavras são marcas do estilo do autor do texto.
b) as palavras estrangeiras são argumentos de autoridade.
c) o tema do texto trata do uso de recursos tecnológicos.
d) essas palavras não têm tradução em língua portuguesa.
e) o tradutor fez a tradução de todas as palavras estrangeiras do texto.
http://www.projetoredacao.com.br/www.projetoredacao.com.br
TEXTO: 31 - Comum à questão: 85
Há calorias que engordam mais
e calorias que engordam menos?
Se você já fez dieta, deve ter ouvido: “o que importa é a quantidade de
calorias ingeridas contra as gastas pelo corpo”. Mas há outros detalhes na
conta. “É diferente ingerir 100 calorias de gorduras e a mesma quantidade
vinda de carboidratos”, diz a nutricionista Alessandra Antunes.
Isso acontece porque nem todas as calorias a mais são absorvidas como
gordura. Parte delas é gasta na transformação dos nutrientes em gorduras.
Se ingerimos um alimento rico em carboidratos, como o pão, ou rico em
proteínas, como a carne, a transformação em gordura é trabalhosa,
demandando energia (calorias), o que faz com que menos calorias estejam
disponíveis para “virar” gordura.
Quando consumimos lipídios, que já são gorduras e estão mais presentes
em alimentos como o chocolate, nosso corpo não precisa gastar tanta
energia em um processo de conversão, fazendo com que mais calorias
sejam absorvidas e estocadas como gordura.
Mesmo assim, não é recomendável privilegiar um só tipo de alimento. “A
melhor opção para a saúde é a dieta balanceada”, diz a nutricionista.
(Galileu, julho de 2013. Adaptado.)
Questão 85)
Observe as passagens:
• a transformação em gordura é trabalhosa (3.º parágrafo)
• menos calorias estejam disponíveis para “virar” gordura. (3.º parágrafo)
• Mesmo assim, não é recomendável privilegiar um só tipo de alimento. (5.º
parágrafo)
É correto afirmar que as palavras trabalhosa, gordura e recomendável
a) são formadas por parassíntese.
b) são formadas por sufixação.
c) exercem a função de objeto direto.
d) são invariáveis em número.
e) exercem a função de sujeito.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
TEXTO: 32 - Comum à questão: 86
Ora nesse tempo Jacinto concebera uma ideia... Este Príncipe concebera a
ideia de que o “homem só é superiormente feliz quando é superiormente
civilizado”. E por homem civilizado o meu camarada entendia aquele que,
robustecendo a sua força pensante com todas as noções adquiridas desde
Aristóteles, e multiplicando a potência corporal dos seus órgãos com todos
os mecanismos inventados desde Teramenes, criador da roda, se torna um
magnífico Adão, quase onipotente, quase onisciente, e apto portanto a
recolher [...] todos os gozos e todos os proveitos que resultam de Saber e
Poder... [...]
Este conceito de Jacinto impressionara os nossos camaradas de cenáculo,
que [...] estavam largamente preparados a acreditar que a felicidade dos
indivíduos, como a das nações, se realiza pelo ilimitado desenvolvimento da
Mecânica e da erudição. Um desses moços [...] reduzira a teoria de Jacinto
[...] a uma forma algébrica:
E durante dias, do Odeon à Sorbona, foi louvada pela mocidade positiva a
Equação Metafísica de Jacinto.
Eça de Queirós, A cidade e as serras.
Questão 86)
Sobre o elemento estrutural “oni”, que forma as palavras do texto
“onipotente” e “onisciente”, só NÃO é correto afirmar:
a) Equivale, quanto ao sentido, ao pronome “todos(as)”, usado de forma
reiterada no texto.
b) Possui sentido contraditório em relação ao advérbio “quase”,
antecedente.
c) Trata-se do prefixo “oni”, que tem o mesmo sentido em ambas as
palavras.
d) Entra na formação de outras palavras da língua portuguesa, como
“onipresente” e “onívoro”.
e) Deve ser entendido em sentido próprio, em “onipotente”, e, em sentido
figurado, em “onisciente”.
TEXTO: 33 - Comum à questão: 87
Os adolescentes e a filosofia
Vladimir Safatle
1 Há poucos anos, o ensino de filosofia tornou-se 2 matéria obrigatória para
os alunos de ensino médio. 3 Uma decisão acertada que leva em conta a 4
necessidade de estudantes adolescentes 5 desenvolverem habilidades
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
críticas, além de 6 compreenderem a complexidade da gênese de 7 conceitos
fundamentais para nossas formas de vida.
8 De fato, a filosofia, tal como a conhecemos 9 hoje, é o discurso que permite
à chamada 10 “experiência do pensamento ocidental” criticar 11 seus próprios
valores morais, estéticos, normas 12 sociais e evidências cognitivas. A
cláusula 13 restritiva relativa ao “ocidente” justifica-se pelo 14 fato de
conhecermos muito pouco a respeito dos 15 sistemas não ocidentais de
pensamento. Temos, em 16 larga medida, uma visão estereotipada de que
eles 17 ainda seriam fortemente vinculados ao pensamento 18 mítico e, por
isso, não teriam algo parecido à nossa 19 razão desencantada, que baseia
seus princípios na 20 confrontação das argumentações a partir da procura 21
do melhor argumento. É provável que, em alguns 22 anos, tenhamos de rever
tal análise.
23 De toda forma, que adolescentes sejam 24 apresentados à filosofia, eis
algo que vale a pena 25 conservar. A adolescência transformou-se entre nós
26 em um momento de revisão profunda do sistema de 27 valores e crenças,
de abertura e de profunda 28 insegurança. Em sociedades com tendências a
29 criticar modelos de autoridade baseados no legado 30 da tradição e na
repetição de experiências passadas, 31 sociedades que incitam os indivíduos
a tomar em 32 seus ombros a responsabilidade pela construção de 33 seus
estilos de vida, inclusive como estratégia para 34 apagar os impasses
propriamente sociais de nossos 35 modelos de conduta e de julgamento, a
adolescência 36 será necessariamente vivenciada de forma mais 37
angustiante. Nesse sentido, o contato com a filosofia 38 encontra um terreno
fértil de questionamento.
39 A avaliação dos livros e dos projetos pedagógicos 40 normalmente
direcionados a nossos alunos revela, 41 no entanto, que deveríamos procurar
outras 42 estratégias de ensino. Nossos livros didáticos e 43 paradidáticos
são, na sua grande maioria, manuais 44 de exposição da história da filosofia
a partir de seus 45 personagens principais. Os melhores se organizam 46 a
partir de temas específicos e do seu 47 desdobramento nos últimos 2 mil anos
(o que, 48 convenhamos, não é pouco tempo). Nos dois casos, 49 alcança-se,
no máximo, uma visão geral da história 50 das ideias. Normalmente muito
bem ilustrada.
51 Melhor seria focar o ensino na leitura dirigida 52 de textos maiores da
tradição filosófica. Um 53 adolescente tem todas as condições de ter uma 54
primeira leitura produtiva de textos como O 55 Banquete ou A República, de
Platão, Discurso 56 Sobre a Origem da Desigualdade, de Rousseau, as 57
Meditações, de Descartes, Além do Bem e do Mal, 58 de Nietzsche, ou
mesmo um texto como O Que É o 59 Esclarecimento?, de Kant, entre tantos
outros. São 60 obras que abrem parte de suas questões diante de 61 uma
primeira leitura dirigida. Eles permitem ainda 62 uma problematização sobre
questões maiores 63 como: o amor, a política, a autoidentidade, a 64 injustiça
social e as aspirações da razão.
65 Nesse sentido, ganharíamos mais se os cursos 66 fossem direcionados,
por um lado, ao aprendizado 67 sistemático da leitura e da interpretação.
Nossos 68 alunos chegam à universidade sem uma real 69 capacidade de
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
compreensão e de problematização 70 de textos. Os cursos de Filosofia
poderiam 71 colaborar em muito para mudar tal realidade.
72 Por outro lado, e sei que isso pode estranhar 73 alguns, ganharíamos muito
se uma parte dos cursos 74 de Filosofia para os adolescentes fosse dedicada
ao 75 ensino da lógica. Nossos alunos chegam às 76 universidades com
dificuldades de escrita e de 77 raciocínio que poderiam ser minoradas se eles
78 tivessem cursos de lógica. Sei que esta é uma das 79 disciplinas de que
nossos alunos de filosofia menos 80 gostam, mas eles ganhariam muito, em
todas as 81 áreas, se tivessem uma formação mais sistemática82 no campo
da lógica e da teoria do conhecimento.
83 Neste momento em que a sociedade brasileira 84 se dá conta da
importância da luta pela qualidade 85 do ensino, deveríamos parar de
desqualificar a 86 capacidade de raciocínio de nossos adolescentes. 87 Eles
merecem conhecer diretamente os textos e as 88 ideias que constituíram
nossa experiência social. 89 Esta seria uma estratégia melhor do que lhes 90
apresentar manuais.
Texto adaptado, disponível em <http://www.cartacapital. com.br/
revista/760/os-adolescentes-e-a-filosofia-9201.html>.
Publicado em 05/08/2013. Acessado em 21/02/2014.
Questão 87)
Assinale a(s) alternativa(s) correta(s) quanto aos aspectos linguísticos do
texto.
01. Nas referências 4 e 53, a palavra “adolescente(s)” foi utilizada como
substantivo nos dois casos.
02. A estrutura “É provável que” (Ref. 21) e o emprego de formas verbais no
presente do subjuntivo (Refs. 21-22) exprimem uma atitude de certeza
do autor do texto a respeito do ensino de filosofia no ensino médio.
04. O modo de organização textual e o emprego de algumas formas verbais
no presente do indicativo caracterizam o texto como conativo.
08. O prefixo -des presente nas palavras “desigualdade” (Ref. 56) e
“desqualificar” (Ref. 85) apresenta, respectivamente, o sentido de “falta,
ausência de” e de “ação contrária”.
16. Em “o ensino de Filosofia tornou-se matéria obrigatória para os alunos
do ensino médio” (Refs. 1-2), a palavra em destaque é uma conjunção
final.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
TEXTO: 34 - Comum à questão: 88
Dieta Já!
O que pode acontecer quando você começa a folhear uma revista O Cruzeiro
bem antiga?
Minhas tias eram todas gordinhas. Minhas vizinhas, as mais novas e as mais
velhinhas. Os homens também eram todos barrigudinhos, meus tios e meus
vizinhos. Comia-se muito brigadeiro, muito cajuzinho, muito canudinho. No
Mercado Central, comia-se muito torresminho, muito salgadinho, bebia-se
muita cervejinha. Tudo isso sem a menor dor na consciência. Só fui me tocar
que havia regime quando Caetano cantou pela primeira vez na televisão
“...bota o café com Suita/eu tomo!”
Foi então que fui procurar saber o que era Suita, e me disseram que era um
adoçante que não deixava ninguém engordar. No país em que fritava-se tudo
com banha de porco e a margarina tinha o nome de Saúde, de repente,
decretaram guerra ao açúcar e a tudo que era imoral e engordava. Da rabada
ao biscoitinho. Da feijoada ao pãozinho.
Folhear revista velha dá nisso. Essa semana estava aqui mergulhado em
meio a um milhão de revistas, quando caiu na minha mão uma O Cruzeiro lá
dos tempos de Getúlio Vargas. Uma reportagem de página inteira cujo título
era a seguinte pergunta: “Você quer engordar?” Levei um susto. Parei, olhei,
comecei a ler. Era uma matéria dizendo que muitas mulheres, devido à vida
agitada daqueles tempos modernos que estavam começando a ter, não
conseguiam engordar. Sim, todas já queriam ser cheinhas, bonitas, gostosas
e poderosas. Enfim, a reportagem de OCruzeiro deixava bem claro: Chega
de ser magrela e feia!
Como nessas reportagens de hoje, sempre acompanhadas de dicas, aquela
revista O Cruzeiro de David Nasser e do Amigo da Onça também dava dicas
para você ir engordando aos poucos, sem estresse e sem fazer muito
esforço. Acompanhe comigo as dicas do “Programa para engordar, a ser
seguido durante as férias” que estavam ali naquela página em preto e branco
daquela que era a maior revista semanal do país. Vamos lá!
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
07h00 – Levante cedo para ter fome à hora do café. Faça exercícios
respiratórios, tome um banho frio e faça alguns servicinhos da casa.
08h30 – Café bem farto, depois um divã (costura ou leitura) até as 11 horas.
11h00 – Saída, passeio a passos lentos.
12h00 – Meia hora de relaxação muscular antes de almoçar.
12h30 – Almoço leve. Mastigue bem, cuidadosamente, não leia, não ouça
rádio.
13h30 – Sesta, repouso até as 17 horas.
17h00 – Duas horas de exercícios fortes ou de esporte (tênis, natação,
caminhada).
19h00 – Meia hora de relaxação antes do jantar.
19h30 – Fantar farto. Em seguida, um pequeno passeio A hora de dormir,
haja o que houver, não deve passar das 21 horas.
21h00 – Dormir.
Confesso que li, reli e não consegui entender direito esse regime para
engordar, receita da revista O Cruzeiro. É nisso que dá ficar folheando
revista velha numa tarde de segundafeira em pleno dois mil e quatorze.
(30/01/2014)
Disponível em: <http://www.cartacapital.com.
br/cultura/dieta-ja-3791.html>. Acesso em: 12 mar. 2014.
Questão 88)
Considerando a composição informacional e discursiva do Texto 2, o uso
recorrente do diminutivo auxilia na
a) apresentação de uma análise objetiva e criteriosa da beleza feminina,
demonstrando uma mudança radical no comportamento social, uma das
funções do gênero de divulgação científica.
b) composição da argumentação e da contra-argumentação do discurso
circulante acerca da obesidade, definindo a natureza argumentativo-
persuasiva do artigo de opinião.
c) marcação explícita da fragilidade daqueles que faziam dieta no passado,
oferecendo recomendações de como proceder à dieta, comum nos
textos instrucionais.
d) atribuição de um aspecto despretensioso, leve, a um tema extraído do
cotidiano imediato, característica fundamental do gênero crônica.
e) caracterização das personagens da trama narrada, construindo a
atmosfera dramática e envolvente do gênero romance.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
TEXTO: 35 - Comum à questão: 89
Comédia Política é atuação mais madura de Leandro Hassum no cinema.
O candidato honesto
Na trama, Hassum vive José Ernesto, um candidato à presidência da
República que se vê no segundo turno das eleições e com larga vantagem
sobre o seu opositor. Sua popularidade é imensa, mas o deputado é tudo o
que o povo não gostaria que seu representante no poder fosse: corrupto e
mentiroso. Tudo parecia perfeito quando, na reta final de sua campanha,
Ernesto recebe um comunicado de que sua avó está à beira da morte e
gostaria de vê-lo uma última vez. O que ele não esperava é que, como último
ato em vida, ela lhe joga uma praga, fazendo-o prometer que nunca mais
mentiria, seja dentro de casa ou na vida política. (...)
Acostumado com um mundo de lavagem de dinheiro, helicópteros e
secretárias sensuais, o deputado se vê como um peixe fora d'água, sem
conseguir ambientar-se novamente ao lado de seus colegas no Palácio.
(...)
No final, o filme nos apresenta uma grande discussão: a culpa de ser
corrupto é apenas do indivíduo ou do sistema como um todo? A tentativa de
Santucci de tratar um tema quente dentro de um longa de humor é bem-
sucedida, apesar de alguns exageros característicos das comédias
brasileiras. E serve como um leve toque para o espectador pensar muito bem
antes de apertar o botão "confirmar" na hora de votar.
ZULIANI, André Disponível em: http://omelete.uol.com.br/cinema/o-candidato-
honesto-critica/#.VDKgIWddWys, Acesso em: 01 out. 2014 (adaptado).
Questão 89)
A palavra “Acostumado”, que aparece no início do segundo parágrafo, é
formada por parassíntese, ou seja, pelo acréscimo simultâneo de prefixo e
sufixo. Com base nessa afirmação, em qual das alternativas há um vocábulo
formado por derivação parassintética?
a) Entristecido
b) Impopularidade
c) Desmilitarização
d) Desmotivado
e) Retestado
TEXTO: 36 - Comum à questão: 90
Economês – A Folha combate o economês, um vício de estilo comum em
jornalismo econômico, como se vê em: A autoridade monetária está
praticando uma política contracionista de redução de juros reais com o
objetivo de tentar contera recessão econômica. Essa longa frase pode ser
http://www.projetoredacao.com.br/
http://omelete.uol.com.br/cinema/o-candidato-%0bhonesto-critica/#.VDKgIWddWys,
http://omelete.uol.com.br/cinema/o-candidato-%0bhonesto-critica/#.VDKgIWddWys,
www.projetoredacao.com.br
substituída por: O governo está baixando os juros para tentar estimular o
crescimento da economia. Todos os termos técnicos e jargões devem ser
evitados ou explicados em linguagem compreensível para qualquer leitor.
MANUAL de Redação da Folha de S. Paulo.
São Paulo: Publifolha, 2010. p. 66. (Adaptado).
Questão 90)
A palavra “economês” constitui um neologismo formado a partir de um
processo de
a) derivação prefixal.
b) composição por aglutinação.
c) derivação sufixal.
d) composição por justaposição.
TEXTO: 37 - Comum à questão: 91
Economês – A Folha combate o economês, um vício de estilo comum em
jornalismo econômico, como se vê no seguinte exemplo: A autoridade
monetária está praticando uma política contracionista de elevação de juros
reais com o objetivo de tentar conter o crescimento dos índices inflacionários.
Todos os termos técnicos e jargões devem ser evitados ou explicados em
linguagem compreensível para qualquer leitor.
MANUAL de Redação da Folha de S. Paulo.
São Paulo: Publifolha, 2010. p. 66. (Adaptado).
Questão 91)
A palavra “economês”, conforme usada no Manual de Redação da Folha de
S. Paulo, constitui um neologismo formado a partir de um processo
morfológico, no qual o sufixo “ês”, que dá origem a um
a) adjetivo, assume o sentido de “sistema idiomático”, tal como ocorre com
o sufixo “ano” nas palavras “peruano” e “nigeriano”.
b) substantivo, assume o sentido de “sistema idiomático”, tal como ocorre
com o sufixo “ano” nas palavras “coreano” e “italiano”.
c) substantivo, assume o sentido de “identidade pátria”, tal como ocorre
com o sufixo “ês” nas palavras “português” e “francês”.
d) adjetivo, assume o sentido de “identidade pátria”, tal como ocorre com o
sufixo “ense” nas palavras “canadense” e “israelense”.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
TEXTO: 38 - Comum à questão: 92
Leia a charge.
(Velati, Folha de S.Paulo, 17.06.2014)
Questão 92)
Na fala do padre, o sentido vai se estabelecendo por meio de pares de
palavras de sentido contrário. Do ponto de vista da formação de palavras e
de sua flexão, explique como se constrói a idéia de oposição nos pares de
palavras: valorização X desvalorização e Pibão X Pibinho.
TEXTO: 39 - Comum à questão: 93
– Hoje é dia de Natal, menino. Eles vão jantar fora, eu também tenho a
minha festa, você vai jantar sozinho.
Alonso inclinou-se. E espiou apreensivo debaixo do fogão. Dois olhinhos
brilharam no escuro. [O cachorro] Biruta ainda estava lá e Alonso suspirou.
Era tão bom quando Biruta resolvia se sentar! Melhor ainda quando dormia.
Tinha então a certeza de que não estava acontecendo nada, era a trégua.
Voltou-se para Leduína.
– O que seu filho vai ganhar?
– Um cavalinho – disse a mulher. A voz suavizou. – Quando ele acordar
amanhã vai encontrar o cavalinho dentro do sapato dele. Vivia me
atormentando que queria um cavalinho, que queria um cavalinho...
Alonso pegou uma batata cozida, morna ainda. Fechou-a nas mãos
arroxeadas.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
– Lá no orfanato, no Natal, apareciam umas moças com uns saquinhos
de balas e roupas. Tinha uma moça que já me conhecia, me dava sempre
dois pacotinhos em lugar de um. Era a madrinha. Um dia ela me deu sapatos,
um casaquinho de malha e uma camisa...
– Por que ela não adotou você?
– Ela disse uma vez que ia me levar, ela disse. Depois não sei por que ela
não apareceu mais, sumiu...
Deixou cair na caçarola a batata já fria. E ficou em silêncio, as mãos
abertas em torno da vasilha. Apertou os olhos. Deles irradiou-se para todo o
rosto uma expressão dura. Dois anos seguidos esperou por ela, pois não
prometera levá-lo? Não prometera? Nem sabia o seu nome, não sabia nada
a seu respeito, era apenas a Madrinha. Inutilmente a procurava entre as
moças que apareciam no fim do ano com os pacotes de presentes.
Inutilmente cantava mais alto do que todos no fim da festa na capela. Ah, se
ela pudesse ouvi-lo!
(Lygia Fagundes Telles, Um coração ardente)
Analise as informações, extraídas e adaptadas da Moderna Gramática
Portuguesa, de Evanildo Bechara, e responda ao solicitado.
Questão 93)
Os substantivos apresentam-se com a sua significação diminuída, auxiliados
por sufixos derivacionais. Além disso, a idéia de pequenez se associa
facilmente à de carinho que transparece nas formas diminutas. Transcreva
do texto um exemplo para cada uma das descrições apresentadas.
TEXTO: 40 - Comum à questão: 94
Nuvens contêm uma quantidade impressionante de água. Mesmo as
pequenas podem reter um volume de 750 km³ de água e, se calcularmos
meio grama de água por metro cúbico, essas minúsculas gotas flutuantes
podem formar verdadeiros lagos voadores.
Imagine a situação de um agricultor que observa, planando sobre os
campos ressecados, nuvens contendo água mais que suficiente para salvar
sua lavoura e deixar um bom saldo, mas que, em vez disso, produzem
apenas algumas gotas antes de desaparecer no horizonte. É essa situação
desesperadora que leva o mundo todo a gastar milhões de dólares todos os
anos tentando controlar a chuva.
Nos Estados Unidos, a tendência de extrair mais umidade do ar vem
aumentando em mais um ano de secas severas. Em boa parte das planícies
centrais e do sudoeste do país, os níveis de chuva, desde 2010, têm
diminuído entre um e dois terços, com impacto direto nos preços do milho,
trigo e soja. A Califórnia, fonte de boa parte das frutas e legumes que
abastecem o país, ainda deve recuperar-se de uma seca que deixou seus
reservatórios com metade da capacidade e áreas sem gelo perigosamente
reduzidas. Em fevereiro, o Serviço Nacional do Clima divulgou que o estado
tem uma chance em mil de se recuperar logo. Produtores de amêndoas
estão preocupados com suas plantações por falta de umidade, e até a água
potável está ameaçada.
(Scientific American Brasil, julho de 2014. Adaptado)
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 94)
No texto, são exemplos de palavras formadas por derivação prefixal e por
derivação sufixal, respectivamente:
a) impressionante e quantidade.
b) quantidade e impacto.
c) perigosamente e controlar.
d) desaparecer e reservatórios.
e) potável e umidade.
TEXTO: 41 - Comum à questão: 95
Texto 1
O MENINO QUE TINHA MEDO DE POESIA
(Pedro Gabriel – Março de 2014)
– Mãe, acho que tem um poema debaixo da minha cama!
Quando menino, a poesia me assustava. Parecia ter dentes afiados,
pernas desajeitadas, mãos opressoras. E nem as mãos da professora mais
dócil conseguiam me acalmar. Não compreendia uma palavra, uma
metáfora, uma rima pobre, rica ou rara. Não entendia nada. Tentava
adivinhar o que o poeta queria dizer com aquela frase entupida de imagens
e sentidos subjetivos. Achava-me incapaz de pertencer àquilo. Não
conseguia mergulhar naquele mundo. Eu, sem saber nadar em versos,
afogava-me na incompreensão de um soneto; ela – a tão sagrada poesia –
não me afagava e me deixava morrer na praia, entre um alexandrino e um
heptassílabo.
Toda vez que eu era obrigado a decorar poesia, sentia vontade de sumir,
de virar um móvel e ficar imóvel até tudo se acabar. Por dentro, sentia azia,
taquicardia, asma espontânea, tremelique e gagueira repentina. Por fora,
fingia que estava tudo bem. Eu sempre escolhia o poema mais curto da lista
que a escola sugeria. Naquele dia, sobrou Pneumotórax, de Manuel
Bandeira, e eu queria ser aquele paciente para não precisar declamá-lo. Eu
queria tossir,repetir sem parar: trinta e três… Trinta e três… Ter uma doença
pequena, uma desculpa qualquer, um atestado médico assinado pelo meu
avô que me deixasse em casa – não a semana toda, mas só o tempo da
aula.
Depois, para a prova de francês, não tive escolha: fui obrigado a decorar
Le dormeur du Val, de Rimbaud. Eu lembro que, antes de ficar em pé de
frente para o meu professor, eu queria que alguém me desse dois tiros no
peito. Queria ser esse soldado e dormir, tranquilo, na paz celestial daquele
vale até que a turma toda esquecesse a minha existência. Ou que a guerra
fosse declarada finda. Ou que eu fosse declamado culpado. A Primeira
Guerra Mundial parecia durar menos do que aqueles 15 minutos de exame.
Minha boca está seca até hoje. Minhas mãos estão molhadas até agora. Só
eu sei o que suei por você, querida Poesia.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Aos 17, a poesia ainda me apavorava. Podia ser o verso mais delicado do
mundo, eu tinha medo. Podia ser o poeta mais simpático da face da Terra,
eu desconfiava. Desconversava, lia outra coisa. Ou não lia nada. Talvez por
não querer entendê-la. Talvez por achar não merecêla. E assim ficava à
mercê da minha rebeldia. Não queria aprender a contar sílabas, queria ser
verso livre. Tolo! Até a liberdade exige teoria!
Se hoje eu pudesse falar com aquele menino, diria-lhe que a poesia não
é nenhum decassílabo de sete cabeças. Que se ela o assusta é porque ela
o deseja. Que se ele sente medo é porque ele precisa dela. Não há mais
monstro debaixo da sua cama. O monstro agora está em você.
– Filho, acho que tem um poema por dentro de quem você ama…
Disponível em: <www.intrinseca.com.br/site/2014/.../o-menino-
que-tinha-medo-de-poesia> . (texto adaptado) Acesso em: 29 Abr 2014
Texto 2
A MULHER QUE NÃO SENTE MEDO DE ABSOLUTAMENTE NADA
(Jeanna Bryner – Dezembro de 2010)
Você gostaria de não sentir medo? Pelo menos uma pessoa no mundo
não tem medo de nada: uma mulher de 44 anos, que até ajudou
pesquisadores a identificarem o local em que vive o fator medo no cérebro
humano.
Os pesquisadores tentaram inúmeras vezes assustar a mulher: casas
mal-assombradas, onde monstros tentaram evocar uma reação de rejeição,
aranhas e cobras, e uma série de filme de terror apenas entreteram a
paciente.
A mulher tem uma doença rara chamada síndrome de Urbach-Wiethe que
destruiu sua amígdala. A amígdala é uma estrutura em forma de amêndoa
situada no fundo do cérebro. Nos últimos 50 anos, estudos mostraram que
ela tem um papel central na geração de respostas de medo em diferentes
animais.
Agora, o estudo envolvendo essa paciente é o primeiro a confirmar que
essa região do cérebro é responsável pelo medo nos seres humanos. A
descoberta pode levar a tratamentos para transtorno de estresse pós-
traumático (TEPT). Tratamentos de psicoterapia que seletivamente
amorteçam a hiperatividade na amígdala podem curar pacientes com TEPT.
Estudos anteriores com a mesma paciente revelaram que ela não
conseguia reconhecer expressões faciais de medo, mas não se sabia se ela
tinha a capacidade de sentir medo. Para descobrir, os pesquisadores deram
vários questionários padronizados à paciente, que sondaram os diferentes
aspectos do medo, desde o medo da morte até o medo de falar em público.
Além disso, durante três meses ela carregou um diário que informatizava
sua emoção, e que, aleatoriamente, pedia-lhe para classificar o seu nível de
medo ao longo do dia. O diário também indicava emoções que ela estava
sentindo em uma lista de 50 itens. Sua pontuação média de medo foi de 0%,
enquanto para outras emoções ela mostrou funcionamento normal.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Em todos os cenários, ela não mostrou nenhum medo. Baseado no seu
passado, os pesquisadores encontraram muitas razões para ela reagir com
medo. Ela própria contou que não gosta de cobras, mas quando entrou em
contato com duas, não sentiu medo. Além disso, já lhe apontaram facas e
armas, ela foi fisicamente abordada por uma mulher duas vezes seu
tamanho, quase morreu em um ato de violência doméstica, e em mais de
uma ocasião foi explicitamente ameaçada de morte.
O que mais se sobressai é que, em muitas destas situações a vida da
paciente estava em perigo, mas seu comportamento foi desprovido de
qualquer senso de desespero ou urgência. E quando ela foi convidada a
lembrar como se sentiu durante as situações, respondeu que não sentiu
medo, mas que se sentia chateada e irritada com o que aconteceu.
Segundo os pesquisadores, sem medo, pode-se dizer que o sofrimento
dela não tem a intensidade profunda e real suportada por outros
sobreviventes de traumas. Essencialmente, devido aos danos na amígdala,
a mulher está imune aos efeitos devastadores do transtorno de estresse pós-
traumático.
Mas há uma desvantagem: ela tem uma incapacidade de detectar e evitar
situações ameaçadoras, o que provavelmente contribuiu para a frequência
com que ela enfrentou riscos.
Os pesquisadores dizem que esse tipo de paciente é muito raro, mas para
entender melhor o fenômeno, seria ótimo estudar mais pessoas com a
condição.
Disponível em<:http://hypescience.com> (texto adaptado de http://
www.livescience.com). Acesso em: 29 Abr 2014
Texto 3
CONSOADA
(Manuel Bandeira)
Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
— Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
Disponível em: <http://www.poesiaspoemaseversos.com.br> Acesso em: 29
Abr 2014.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Texto 4
AUTOSSABOTAGEM: O MEDO DE SER FELIZ
(Raphaela de Campos Mello – Outubro de 2012)
A cada passo dado você sente que a felicidade se afasta alguns metros?
Talvez esteja, inconscientemente, queimando chances de se realizar.
Repense as próprias atitudes para interromper esse ciclo destrutivo.
Por medo dos riscos e das responsabilidades da vida, podemos acabar
inconscientemente com as nossas realizações. Isso se chama
autossabotagem. São atitudes forjadas por uma parte de nós que não nos
vê como merecedoras do sucesso ou que subestima nossa capacidade de
lidar com a vitória.
Pode ser aquela espinha que apareceu no nariz no dia daquele encontro
especial ou da gripe que a pegou na véspera daquela importante reunião.
"Muitos desses comportamentos destrutivos estão quase fora do domínio
da consciência", afirma o psicólogo americano Stanley Rosner, coautor do
livro O Ciclo da Auto- Sabotagem - Por Que Repetimos Atitudes que
Destroem Nossos Relacionamentos e Nos Fazem Sofrer (ed. BestSeller).
"A autonomia, a independência e o sucesso são apavorantes para
algumas pessoas porque indicam que elas não poderão mais argumentar
que suas necessidades precisam ser protegidas", diz o autor.
O filósofo e psicanalista paulista Arthur Meucci, coautor de A Vida Que
Vale a Pena Ser Vivida (ed. Vozes) comenta sobre os ganhos secundários.
"Há jovens que saem de casa para tentar a vida, enquanto outros
permanecem na zona de conforto, porque continuam recebendo atenção dos
pais e se eximem de enfrentar as dificuldades da fase adulta", afirma.
O problema é que, ao fazermos isso, não nos desenvolvemos
plenamente. "Todo mundo busca a felicidade, a questão é ter coragem de
viver, o que significa correr riscos e assumir responsabilidades", diz ele.
Disponível em: <http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/noticias
/autossabotagem-o-medo-deser- feliz.> (Texto adaptado). Acesso em 29
Abr 2014 3
Texto 5
O QUASE
(Sarah Westphal Batista da Silva)
Ainda pior que a convicção do não, e a incerteza do talvez, é a desilusão
de umquase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata
trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase passou ainda
estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances
que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa
maldita mania de viver no outono.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou
melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está
estampada na distância e frieza dos sorrisos na frouxidão dos abraços, na
indiferença dos “Bom Dia” quase que sussurrados. Sobra covardia e falta
coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo
trai.Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor,
mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria
ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não
ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada
um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao
alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente
paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar
a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é
romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o
medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais
horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que
esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive
já morreu.
Disp. em: <www.pensador.uol.com.br>. Acesso em: 29 Abr 2014.
Questão 95)
“Depois, para a prova de francês, não tive escolha...” (texto1; 4º parágrafo)
/ “É o quase que me incomoda...” (texto 5; 1º parágrafo).
Assinale a opção em que as palavras em destaque nos trechos acima foram
formadas, respectivamente, pelos mesmos processos daquelas destacadas
nos trechos a seguir:
a) “Em todos os cenários, ela não mostrou nenhum medo” / “Agora, o
estudo envolvendo essa paciente” (texto 2; 7º parágrafo / texto 2; 4º
parágrafo).
b) “ O nada não ilumina, ...” / “...o amor enlouquece, ...” (texto 5; 2º
parágrafo / texto 5; 2º parágrafo).
c) “Ter uma doença pequena...” / “De nada adianta cercar um coração
vazio ou economizar alma”. (texto 1; 3º parágrafo / texto 5; 3º parágrafo).
d) “Estudos anteriores com a mesma paciente...” / “Ainda pior que a
convicção do não, ...” (texto 2; 5º parágrafo / texto 5; 1º parágrafo).
e) “Desconversava, lia outra coisa.” / “Com cada coisa em seu lugar.”
(texto 1; 5º parágrafo / texto 3; v. 10).
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
TEXTO: 42 - Comum à questão: 96
01 Hoje os conhecimentos se estruturam de 02 modo fragmentado,
separado, 03 compartimentado nas disciplinas. Essa 04 situação impede uma
visão global, uma visão 05 fundamental e uma visão complexa. 06
“Complexidade” vem da palavra latina 07 complexus , que significa a
compreensão dos 08 elementos no seu conjunto.
09 As disciplinas costumam excluir tudo o que 10 se encontra fora do seu
campo de 11 especialização. A literatura, no entanto, é uma 12 área que se
situa na inclusão de todas as 13 dimensões humanas. Nada do humano lhe
é 14 estranho, estrangeiro.
15 A literatura e o teatro são desenvolvidos 16 como meios de expressão,
meios de 17 conhecimento, meios de compreensão da 18 complexidade
humana. Assim, podemos ver o 19 primeiro modo de inclusão da literatura: a
20 inclusão da complexidade humana. E vamos 21 ver ainda outras inclusões:
a inclusão da 22 personalidade humana, a inclusão da 23 subjetividade
humana e, também, muito 24 importante, a inclusão do estrangeiro, do 25
marginalizado, do infeliz, de todos que 26 ignoramos e desprezamos na vida
cotidiana.
27 A inclusão da complexidade humana é 28 necessária porque recebemos
uma visão 29 mutilada do humano. Essa visão, a de homo 30 sapiens , é uma
definição do homem pela 31 razão; de homo faber , do homem como 32
trabalhador; de homo economicus , movido 33 por lucros econômicos. Em
resumo, trata-se 34 de uma visão prosaica, mutilada, que esquece 35 o
principal: a relação do sapiens/demens , da 36 razão com a demência, com
a loucura.
37 Na literatura, encontra-se a inclusão dos 38 problemas humanos mais
terríveis, coisas 39 insuportáveis que nela se tornam suportáveis. 40 Harold
Bloom escreve: “Todas as grandes 41 obras revelam a universalidade
humana 42 através de destinos singulares, de situações 43 singulares, de
épocas singulares”. É essa a 44 razão por que as obras-primas atravessam
45 séculos, sociedades e nações.
46 Agora chegamos à parte mais humana da 47 inclusão: a inclusão do
outro para a 48 compreensão humana. A compreensão nos 49 torna mais
generosos com relação ao outro, e 50 o criminoso não é unicamente mais
visto 51 como criminoso, como o Raskolnikov de 52 Dostoievsky, como o
Padrinho de Copolla.
53 A literatura, o teatro e o cinema são os 54 melhores meios de
compreensão e de 55 inclusão do outro. Mas a compreensão se 56 torna
provisória, esquecemo-nos depois da 57 leitura, da peça e do filme. Então
essa 58 compreensão é que deveria ser introduzida e 59 desenvolvida em
nossa vida pessoal e social, 60 porque serviria para melhorar as relações 61
humanas, para melhorar a vida social.
Adaptado de: MORIN, Edgar. A inclusão: verdade da literatura.
In: RÖSING, Tânia et al. Edgar Morin: religando fronteiras.
Passo Fundo: UPF, 2004. p.13-18
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Questão 96)
Na coluna da esquerda, estão palavras retiradas do texto; na da direita,
descrições relacionadas à formação de palavras.
Associe corretamente a coluna da esquerda à da direita.
( ) complexidade (Refs. 06, 18, 20, 27)
( ) definição (Ref. 30)
( ) insuportáveis (Ref. 39)
( ) obras-primas (Ref. 44)
1. Constituída por composição através de justaposição.
2. Constituída por prefixo com sentido de negação e sufixo formador de
adjetivos a partir de verbos.
3. Constituída por sufixo formador de substantivo a partir de adjetivo.
4. Constituída por sufixo formador de substantivo a partir de verbo.
5. Constituída por aglutinação, tendo em vista a mudança silábica de um
dos elementos do vocábulo.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo,
é
a) 4 – 3 – 2 – 1.
b) 3 – 4 – 2 – 5.
c) 4 – 3 – 1 – 5.
d) 3 – 4 – 2 – 1.
e) 3 – 2 – 1 – 5.
TEXTO: 43 - Comum à questão: 97
Queimada
À fúria da rubra língua
do fogo
na queimada
envolve e lambe
o campinzal
estiolado em focos
fenos
sinal.
É um correr desesperado
de animais silvestres
o que vai, ali, pelo mundo
incendiado e fundo,
talvez,
como o canto da araponga
nos vaos da brisa!
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
Tambores na tempestade
[...]
E os tambores
e os tambores
e os tambores
soando na tempestade,
ao efêmero de sua eterna idade.
[...]
Onde?
Eu vos contemplo
à inércia do que me leva
ao movimento
de naufragar-me
eternamente
na secura de suas águas
mais à frente!
Ó tambores
ruflai
sacudi suas dores!
Eu
que não me sei
não me venho
por ser
busco apenas ser somenos
no viver,
nada mais que isso!
(VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade.
Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 164, 544, 552.)
Questão 97)
Sobre a palavra “somenos”, presente nos versos finais do fragmento do
poema “Tambores na tempestade”, segunda partedo texto, assinale a
alternativa correta:
a) Formada por justaposição, a palavra “somenos” revela a posição de um
quase nada assumida pelo enunciador do texto.
b) Tendo características de verbo no imperativo, a palavra “somenos” é um
veículo pelo qual o enunciador conclama o leitor a refletir sobre as
consequências destruidoras de uma tempestade.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
c) Formada pelo prefixo ‘só-’ e pelo radical ‘menos’, a palavra “somenos”
expressa a minimização do significado da vida para aqueles que dela
são privados.
d) Tendo o ‘-s’ final como marca de plural, a palavra “somenos” contrapõe
o tudo com o nada, o muito com o pouco presentes na dinâmica do
mundo descrita no texto.
TEXTO: 44 - Comum à questão: 98
Muitos anos mais tarde, Ana Terra costumava sentar-se na frente de sua
casa para pensar no passado. E no pensamento como que ouvia o vento de
outros tempos e sentia o tempo passar, escutava vozes, via caras e
lembrava-se de coisas... O ano de 81 trouxera um acontecimento triste para
o velho Maneco: Horácio deixara a fazenda, a contragosto do pai, e fora para
o Rio Pardo, onde se casara com a filha dum tanoeiro e se estabelecera com
uma pequena venda. Em compensação nesse mesmo ano Antônio casou-
se com Eulália Moura, filha dum colono açoriano dos arredores do Rio Pardo,
e trouxe a mulher para a estância, indo ambos viver num puxado que tinham
feito no rancho.
Em 85 uma nuvem de gafanhotos desceu sobre a lavoura deitando a
perder toda a colheita. Em 86, quando Pedrinho se aproximava dos oito
anos, uma peste atacou o gado e um raio matou um dos escravos.
Foi em 86 mesmo ou no ano seguinte que nasceu Rosa, a primeira filha
de Antônio e Eulália? Bom. A verdade era que a criança tinha nascido pouco
mais de um ano após o casamento. Dona Henriqueta cortara-lhe o cordão
umbilical com a mesma tesoura de podar com que separara Pedrinho da
mãe.
E era assim que o tempo se arrastava, o sol nascia e se sumia, a lua
passava por todas as fases, as estações iam e vinham, deixando sua marca
nas árvores, na terra, nas coisas e nas pessoas.
E havia períodos em que Ana perdia a conta dos dias. Mas entre as cenas
que nunca mais lhe saíram da memória estavam as da tarde em que dona
Henriqueta fora para a cama com uma dor aguda no lado direito, ficara se
retorcendo durante horas, vomitando tudo o que engolia, gemendo e suando
de frio.
(Érico Veríssimo. O tempo e o Vento, “O Continente”, 1956)
Questão 98)
Leia o trecho do 1º parágrafo: “Horácio deixara a fazenda, a contragosto do
pai, e fora para o Rio Pardo, onde se casara com a filha dum tanoeiro e se
estabelecera com uma pequena venda. Em compensação nesse mesmo
ano Antônio casou-se com Eulália Moura, filha dum colono açoriano dos
arredores do Rio Pardo, e trouxe a mulher para a estância, indo ambos viver
num puxado que tinham feito no rancho”.
Explique os processos de derivação das palavras destacadas no trecho.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
GABARITO:
1) Gab:
a) O diminutivo indica afetividade, a qual pode ser caracterizada de dupla
forma: de um lado indica a própria afetividade da linguagem infantil; de
outro, indica a afetividade do narrador em relação à personagem.
b) Por sufixação, Guimarães Rosa partiu do substantivo "andorinha" para
criar o neologismo "andorinhar", cujo sentido busca caracterizar os
movimentos irriquietos da personagem, associados aos do pássaro.
2) Gab: B
3) Gab: C
4) Gab: E
5) Gab: B
6) Gab: A
7) Gab: D
8) Gab: E
9) Gab: A
10) Gab: A
11) Gab: D
12) Gab:
a) O elemento morfológico comum presente nos vocábulos "desagradável,
desarranjo, desengonço" é o prefixo "des".
b) O significado do prefixo des (de negação) relaciona-se à caracterização
física do narrador do texto III, que é marcada pelo contrário da harmonia
e da beleza.
13) Gab:
a) A forma verbal "lularam" significa passar para o partido de Lula (atual
Presidente do Brasil), ou seja, apoiar Lula.
b) Seria um neologismo. O recurso usado para se criar esse neologismo é
conhecido com o nome de derivação sufixal: lula + ar = lular.
14) Gab: B
15) Gab: B
16) Gab: D
17) Gab: B
18) Gab: A
19) Gab: B
20) Gab: B
21) Gab: D
22) Gab: B
23) Gab:A
24) Gab: C
25) Gab:
lobisomem: composição por aglutinação
linguarudo: derivação sufixal
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
26) Gab:
- Market + ing = derivação sufixal
- Marquet + eiro = derivação sufixal
- Marquet + ear = derivação sufixal
27) Gab: A
28) Gab: E
29) Gab: B
30) Gab:E
31) Gab:E
32) Gab: A
33) Gab:
a) eclésiafobia (ECLÉSIA: igreja; FOBIA: medo, horror, aversão).
b) oftalmocida ou cidaoftalmo (OFTAMO: olho; CIDA: que mata).
c) cacófilo ou filocaco (CACO: mau; FILO: amigo).
d) pedófago ou fagópedo (PEDO: criança; FAGO: que come).
e) drogapato (DROGA: remédio; PATO: doença)
34) Gab: B
35) Gab: E
36) Gab: C
37) Gab: A
38) Gab: A
39) Gab: E
40) Gab:
a) O termo zanga é formado por redução (zangão, zangar) e tlin-tlin-tlin-tlin
por onomatopeia.
b) No contexto, a conjunção “Desde que” assume sentido de condição. Em
sentido diferente, pode ter valor temporal: “Desde que o visitei, fico
pensando em suas considerações sobre o problema”.
41) Gab: 14
42) Gab:
a) Não está. Reescrita: Potência, robustez e tração 4WD. Porque há
lugares a que só com espírito de aventura você não chega.
Observação: pode se empregar uma vírgula no lugar do ponto-final
entre as frases, e duas outras para isolar o termo “só com espírito de
aventura”.
b) Sim. A presença ou ausência da palavra “só” muda o sentido que se
atribui a “o espírito de aventura”. Com a palavra “só”, o “espírito de
aventura” é visto como algo que contribui, embora apenas ele não seja
suficiente, para se chegar aonde se deseja. Sem ela, ao contrário, o
“espírito de aventura” constitui um impedimento para se chegar aonde
se deseja.
43) Gab: E
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
44) Gab: C
45) Gab:
Conteúdo: Leitura de trecho do conto da obra Sagarana, de Guimarâes
Rosa, para a análise do processo de formação e criação de palavras.
Processos de formação de palavras. Características da estética verbal em
Guimarães Rosa.
a) O lexema “homência” é criado por neologismo, um processo de
derivação. Segundo o Houaiss, o neologismo é
“1. o emprego de palavras novas, derivadas ou formadas de outras já
existentes, na mesma língua ou não; 2. a atribuição de novos sentidos a
palavras já existentes na língua”.
A palavra em questão não está dicionarizada e é derivada a partir do
lexema “homem”. Contudo, seu sentido vai muito além daquele expresso
pela palavra homem. Como não existe sinonímia perfeita, a criação do
novo termo faz aparecer novos sentidos para o termo derivado. Para se
apreender esses novos sentidos, faz-se necessário analisar a ambiência
discursiva na qual surge o neologismo. Em outras palavras, é preciso
considerar que os sentidos nascem a partir das relações ou associações
entre os signos que constituem o texto. Dessa forma, os sentidos da
palavra “homência” opõem-se a “desonrado”, “desmerecido”, “marcado
a ferro feito rês”. Assim, o lexema “homência”, no âmbito do fragmento
apontado, aproxima-se semanticamente de “pessoa honrada, que se
destaca pelo mérito de suas ações e que não se deixa submeter ao
outro”.
b) Uma das características mais marcantes em Guimarães Rosa é a
utilização da linguagem. Rosa não se submete à padronização
linguística estabelecida pela Gramática Normativa. Em relação ao léxico,
ele incorpora em seus contos marcas da linguagem regional, cria novos
termos e recria novossentidos para palavras já existentes na Língua
Portuguesa. Ao criar o termo “homência”, no fragmento anterior, Rosa
coloca o leitor em uma postura ativa diante do texto, já que exige dele a
reconstrução dos sentidos do neologismo. Com isso, para aferir o
sentido de “homência”, será preciso resgatar, ao longo da narrativa, a
imagem do homem sertanejo, que está profundamente ligado ao sertão.
Assim, Rosa, ao criar a palavra “homência”, nesse fragmento, faz surgir
um homem em conflito consigo mesmo, um homem cindido,
caracterizado por dois mundos: o divino e o mundano. Dessa antítese,
surge um homem fortemente marcado pela religiosidade, pela conduta
moral, um homem modalizado por perturbações interiores (em relação à
religião – no âmbito do fragmento). Rosa mostra, pois, um homem
angustiado, marcado por preocupações metafísicas. Com isso, as
questões regionais assumem proporções universais. Como diria Rosa,
“o sertão é dentro da gente”. Rosa, opondo-se àquela literatura que via
o sertanejo de maneira preconceituosa, valoriza a imagem do homem
sertanejo.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
46) Gab: B
47) Gab:
a) Reescrevendo-se a frase, obtém-se: “Tenho certeza de que ele é uma
menção à situação atual das artes plásticas...”. O substantivo “certeza”
rege preposição “de”; o substantivo “menção” rege preposição “a” e,
sendo o termo regido um nome feminino, que pede artigo “a”, obtém-se
“à”.
b) Em “genial”, tem-se adjetivo formado por sufixação a partir do
substantivo “gênio”; em “obra-prima”, há palavra composta por
justaposição.
48) Gab: A
49) Gab: A
50) Gab: B
51) Gab: D
52) Gab: E
53) Gab: C
54) Gab:
a) Lucifez: Lúcifer + verbo fazer no pretérito perfeito.
b) As palavras foram destacadas com aspas por serem estrangeiras.
55) Gab: E
56) Gab: C
57) Gab: B
58) Gab:
a) O título "Boitempo" informa que a trajetória do tempo - manhã, tarde e
noite - não é definida pela trajetória do sol, e sim pela relação do homem
com o gado bovino.
b) "Boitempo" é uma palavra formada por composição por justaposição (boi
+ tempo).
59) Gab: E
60) Gab:
a) Função metalingüística.
Uma dentre as justificativas:
- Os parágrafos explicam os significados das palavras.
- Os parágrafos contêm definição de palavras por outras palavras.
b) Derivações sufixal ou sufixação.
OCULTAÇÃO é o ato de ocultar e OCULTISMO designa crença, doutrina
ou seita.
61) Gab: C
62) Gab: D
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
63) Gab: E
64) Gab: A
65) Gab:
a) "Imundo Animal" remete a "Mundo Animal", famosa série que apresenta
o comportamento dos animais em seu habitat. Em "Imundo Animal" Angeli
faz uma paródia, ironizando o homem público, o político sujo no pior
sentido da palavra.
b) O processo de prefixação pode ser constatado no termo imundo, formado
por i (negação) e mundo (adjetivo, puro, limpo). Pode-se ainda pensar em
que o processo de prefixação refere-se a toda expressão "mundo animal".
O i-"mundo animal" significaria uma negação do mundo animal, ou seja,
uma negação do natural que, no caso, remete ao mundo dos políticos.
66) Gab: B
67) Gab:
a) Composição por justaposição.
b) A Moça-Fantasma morreu precocemente, ou morreu antes de amar o seu
interlocutor.
68) Gab: B
69) Gab: D
70) Gab:
a) Em "inenarrável", o prefixo de negação "in-" confere ao termo uma carga
semântica de algo indizível, de algo que não se pode explicar. O mesmo
acontece com "dis-", em "disfarçar", que na relação de sentido sugerida
no poema, também pode ser entendido com um valor negativo. Desta
forma, no neologismo "farçar", o sentido é de algo que se torna claro, que
pode ser dito, em oposição a "disfarçar".
b) Nessa homenagem póstuma, Drummond faz um exercício de
intertextualidade estilística. "inenarrável" forma-se por derivação prefixal
e sufixal (in(e) + narra + vel), ao passo que "farçar", no contexto, origina-
se de "disfarçar". Se "disfarçar" equivale a tornar oculto, "farçar" relaciona-
se ao que está evidente, claro. Dessa maneira, "farçar" estabelece uma
oposição semântica com "inenarrável", criando-se uma antítese entre
ambas as palavras.
Obs.: o último verso foi transcrito de forma incorreta.
Deve-se ler "de se pegar".
71) Gab: D
72) Gab:
Neologismo.
A troca da primeira sílaba das palavras originais exprime uma confusão de
sensações.
Onomatopéia.
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
O uso de sons e formas repetidos imita o ruído provocado pelo bater das asas
do urubu.
73) Gab:
Daninho é adjetivo criado por derivação sufixal a partir do substantivo dano.
Bocejo é substantivo criado por derivação regressiva a partir do verbo
bocejar.
74) Gab: E
75) Gab: A
76) Gab: C
77) Gab: A
78) Gab:
a) Os processos de formação utilizados foram composição por justaposição
e derivação sufixal.
b) Os observadores criaram um neologismo que não vai além do nível
descritivo superficial porque eles não conseguiram alcançar um
conhecimento aprofundado, conclusivo a respeito do povo de
Ossevaolep.
79) Gab: E
80) Gab: A
81) Gab: B
82) Gab: A
83) Gab: B
84) Gab: C
85) Gab: B
86) Gab: E
87) Gab: 08
88) Gab: D
89) Gab: A
90) Gab: C
91) Gab: B
92) Gab:
No par valorização X desvalorização, a ideia de oposição se constrói por
meio do uso do prefixo de negação. No par Pibão X Pibinho, por meio do uso
de sufixos que indicam o grau aumentativo e o diminutivo, respectivamente.
93) Gab:
Para a ideia de tamanho, tem-se cavalinho; para a ideia de carinho, tem-se
olhinhos.
94) Gab: D
95) Gab: D
96) Gab: D
97) Gab: A
http://www.projetoredacao.com.br/
www.projetoredacao.com.br
98) Gab:
O substantivo “venda” é formado por processo de derivação regressiva do
verbo “vender”. O adjetivo “puxado” está empregado como substantivo, visto
que aparece antecedido do artigo “um”, o que indica um processo de
derivação imprópria.
http://www.projetoredacao.com.br/