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TEMA 3 Populações indígenas e desenvolvimento nacional Os professores de História e de Geografi a são indicados, prioritariamente, para o trabalho deste segmento. Quando os europeus iniciaram o processo de dominação do território que viria a ser o Brasil, man- tiveram as próprias formas de se relacionar com o meio ambiente. Inauguraram a devastação das flo- restas com o corte e a exportação do pau-brasil. Em seguida, passaram a ser acumuladores ávidos de terra para formar grandes plantations, inicialmente para a produção de cana-de-açúcar. Isso significou derrubar florestas e reconfigurar o cenário natural de forma radical. Significou também o uso sistemá- tico de mão de obra de escravizados para lidar com as lavouras. Outras ondas de desenvolvimento foram ainda mais agressivas ao meio ambiente. A mineração, que sustentou a economia do ouro em Minas Ge- rais e em outros pontos do país, promoveu, além da derrubada de florestas, a erosão e o desgaste do solo de modo irreparável. Vimos neste capítulo como as populações indí- genas organizavam suas formas de vida e de produ- ção de alimentos, de modo integrado com a natureza e por meio de um lento manejo da floresta, que aos poucos transformava- -se em grandes pomares. O encontro des- ses dois estilos tão contrastantes de orga- nizar a vida, a produção de bens e a re- lação com o meio ambiente teve um alto custo para as populações indígenas. É difícil estimar a população indígena que vivia aqui no século XVI, mas os nú- meros variam entre 5 milhões e 10 milhões de pessoas. Estima-se que cerca de 90% da população indígena tenha desaparecido no processo de colonização portuguesa. O choque entre esses dois mundos tão diver- sos e suas distintas formas de viver signifi- cou o extermínio sistemático da população indígena. Atualmente, segundo o IBGE, há pouco mais de 800 mil indígenas vivendo no Brasil. E a situação já foi pior, chegando a cerca de 150 mil, na década de 1950. A diminuição populacional é o reflexo de uma série de processos colocados em marcha pelos invasores: a tomada de terras retirou de muitas populações indígenas as condições de sobreviver, e, à medida que fugiam para o interior do território, muitos grupos entravam em confron- to com outras populações indígenas; a convivência com os europeus trouxe doenças para as quais as populações indígenas não tinham imunidade, e esse contato tornou-se uma arma biológica de extermí- nio; dada a voracidade europeia por terras e mão de obra, milhares de indígenas foram escravizados para servir de força de trabalho nas plantations, na mineração e em outras atividades econômicas no território. No mapa a seguir, veja o processo de conquista do território pelos europeus, que se caracterizou pela tomada das terras de populações indígenas e pela devastação ambiental. Utilizamos o termo conquista, e não ocupação, porque esses espaços não estavam vazios, mas povoados por populações originais da América do Sul. A conquista do Brasil por povos não indígenas – séculos XV a XX Fonte: elaborado com base em MELATTI, Julio Cezar. Índios do Brasil. São Paulo: Edusp, 2007. p. 244. 0 495 kmURUGUAI ARGENTINA CHILE PARAGUAI BOLÍVIA PERU COLÔMBIA VENEZUELA SURINAME GUIANA Guiana Francesa (FRA) OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO pricórnio Trópico de Capricórnio 50° O Equador 0° Francesa (FRA) 0° XVI XVII Áreas povoadas nos séculos XVIII XIX XX Limites atuais E ri c s o n G u ilh e rm e L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra 51 V3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap2_040-063.indd 51V3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap2_040-063.indd 51 05/09/2020 11:1505/09/2020 11:15 A conquista do Brasil Em um primeiro momento, entre o século XVI e o final do século XVII, três agen- tes contraditórios estavam presentes no gerenciamento das populações indígenas: a Coroa portuguesa, os colonos e os jesuítas. As populações indígenas eram divididas em “índios mansos” e “índios bravos”. Os “mansos” eram aqueles que não ofereciam perigo aos colonos. De modo geral, eram os Tupi da costa atlântica, os primeiros a terem contato com os europeus. A Coroa portuguesa estabeleceu para esses indígenas uma política específica: a de aldeamento. Com isso, eles eram retirados de suas terras originais e agrupados em aldeias próximas às vilas de colonização. Essas aldeias foram gerenciadas pelos jesuí- tas até 1759, quando estes foram expulsos pela Coroa, como resultado das políticas do Marquês de Pombal (1699-1782). O processo de catequização dos indígenas justificava o “descimento” dessas popu- lações, que consistia em retirá-las de suas terras para confiná-las em aldeias próximas às vilas. Muitos aldeamentos agrupavam populações de diferentes etnias e até mesmo grupos tradicionalmente inimigos, o que gerava tensão nas aldeias. A escravidão indí- gena não era formalmente permitida, mas os administradores coloniais das vilas po- diam requisitar o trabalho dos indígenas por tempo determinado, supostamente pa- gando salários. Durante esse período, ocorreu uma escravidão disfarçada: os serviços eram requisitados, mas os indígenas que os faziam não eram pagos nem reintegrados ao seu povo. O trabalho nas aldeias era obrigatório, o que gerava mão de obra gratuita para os jesuítas e atritos com colonos, que também cobiçavam a servidão indígena. Os grupos considerados “índios bravos” eram aqueles que resistiam, defenden- do seu modo de vida e combatendo os colonos e suas frentes de expansão. Esses grupos podiam ser combatidos, e muito frequentemente isso era feito com apoio e financiamento da Coroa portuguesa e dos poderes coloniais locais. Tropas de com- bate foram formadas para guerrear contra os resistentes, e os indígenas capturados nessas guerras eram escravizados, podendo ser negociados em praça pública. Ou seja, os “índios bravos” eram cativos em potencial, o que estimulou muitas guerras e expedições de apresamento. Leia a seguir um texto que analisa a legislação colonial relativa aos indígenas e depois responda às questões. O Regimento de 24/12/1654, de uma entrada [expedição] a ser feita na Bahia para castigar o gentio bárbaro por suas “insolências”, recomenda “des- baratar”, queimar e destruir totalmente as aldeias inimigas, escravizando a todos e matando a quem de algum modo resistir. Uma carta do governador- -geral do Brasil sobre a assim chamada Guerra dos Bárbaros na capitania do Rio Grande, de 14/03/1688, recomenda a um dos capitães-mores que “dirija a entrada e guerra que há de fazer aos bárbaros como vem entender que possa ser mais ofensiva degolando-os, e seguindo-os até os extinguir, de maneira que fique exemplo desse castigo a todas as mais nações que confederadas com eles não temiam as armas de sua majestade”. Em Alvará de 4/3/1690, relativo a essa mesma guerra, o governador-geral do Brasil recomenda que os inimigos sejam seguidos “até lhes queimarem, e destruírem as aldeias e Reflexões NÃO ESCREVA NO LIVRO Professor, no Manual você encontra orienta- ções sobre estas atividades. gentio bárbaro: não civilizado, selvagem. Neste contexto, o termo refere-se ao indígena. 52 V3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap2_040-063.indd 52V3_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap2_040-063.indd 52 05/09/2020 11:1505/09/2020 11:15