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<p>Aula 07 - Prof. Raphael</p><p>Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação -</p><p>2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>Autor:</p><p>Carlos Roberto, Raphael de</p><p>Oliveira Reis</p><p>07 de Setembro de 2022</p><p>00306390507 - Thiago munekata</p><p>Sumário</p><p>8. As relações no mundo virtual .................................................................................................................... 2</p><p>9. Educação .................................................................................................................................................. 5</p><p>10. Ciência .................................................................................................................................................. 10</p><p>11. Desigualdades Sociais ........................................................................................................................... 13</p><p>A Sociologia de Jessé Souza aplicada à redação ........................................................................................ 20</p><p>Proposta de redação 03: Efeitos das redes sociais ...................................................................................... 22</p><p>Padrão de resposta da 3ª proposta: efeitos das redes sociais ..................................................................... 23</p><p>Modelo de Redação .................................................................................................................................... 23</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>8. AS RELAÇÕES NO MUNDO VIRTUAL</p><p>Uma das ferramentas de maior impacto na formação do que chamamos hoje de sociedade se deu por meio</p><p>da construção de sinais que conseguiam de forma compreensível comunicar outros indivíduos</p><p>acontecimentos, observações ou demais eventos pertinentes. Com o tempo, a evolução desses sinais se</p><p>tornou capaz de aumentar a confiabilidade e a compreensão do conteúdo transmitido.</p><p>O início da formação da linguagem contou com a barreira que desconhecemos hoje: tempo e espaço, no</p><p>qual o receptor da mensagem precisava estar próximo para conseguir decifrar o que foi “dito” pelos gestos</p><p>e sons do emissor.</p><p>Atualmente, as dificuldades com o tempo e com o espaço praticamente não existem mais. É impossível</p><p>pensar e viver na sociedade atual sem as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).</p><p>Antes o que demorava para se comunicar ganha instantaneidade. Para se ter uma ideia, nossa sociedade</p><p>passou ser denominada de “sociedade da informação”. Para dar um exemplo bem concreto de nosso dia a</p><p>dia, temos as redes sociais, WhatsApp, sites, blogs, etc.</p><p>Foi solicitado no concurso do TRE-BA (2017) o tema sobre o uso do smartphone e da</p><p>internet. Se cair algo próximo a essa temática, a banca quer que você disserte sobre as</p><p>vantagens e desvantagens do uso dessas tecnologias.</p><p>Como vantagens podemos mencionar que o uso da internet e de tecnologias associadas a ela facilita o</p><p>encurtamento das distâncias, o acesso à informação e o possível fortalecimento do processo democrático,</p><p>já que umas das características imprescindíveis nas sociedades modernas democráticas é o direito à</p><p>informação e à participação nas decisões. Essas ideias estão de acordo, por exemplo, com as reflexões do</p><p>estudioso da cibercultura Pierre Lévy. O autor mencionado trabalha em seu livro “Cibercultura” a</p><p>importância da “Era da Informação” como meio de democratização do conhecimento e de facilidades na</p><p>comunicação, gerando ambientes integrados e compartilhados.</p><p>Ainda, para Pierre Lévy, a virtualização faz parte da cultura moderna trazendo consigo novas concepções e</p><p>percepções de tempo (desprendimento do aqui e agora) e de espaço (desterritorialização). Dessa forma, o</p><p>virtual usa novos espaços de interação e novas velocidades.</p><p>Ao partir do conceito filosófico de virtual, Pierre Lévy reflete que o virtual não se opõe ao real, mas sim ao</p><p>atual: “virtualidade e atualidade são apenas dois modos diferentes da realidade”. O mundo virtual se</p><p>apresentaria como um conjunto de códigos digitais que se potencializa através de imagens. Dessa forma,</p><p>um texto quando está armazenado na memória de um equipamento ele está em seu estado real de</p><p>virtualidade, porém, quando está na tela, projetado, está no seu estado real - atual.</p><p>Mas nem tudo são mil maravilhas! No que se referem às desvantagens, pode-se observar que muitas</p><p>pessoas em vez de se aproximarem têm se distanciado, vivendo somente no mundo virtual. Angústia,</p><p>estresse, solidão são características frequentes. O emérito pensador Zymunt Bauman, em suas diversas</p><p>obras sobre a Modernidade Líquida, reflete que a internet e as redes sociais geram uma perda da noção de</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>individualidade, desencadeando a ansiedade e um novo padrão de felicidade: o número de curtidas</p><p>recebidas em determinada postagem.</p><p>Nas redes sociais e sites de compartilhamento de vídeos, o cotidiano dos indivíduos adquire cada vez mais</p><p>importância: o que se come, onde está, o que está fazendo, qual é a sua opinião - surgem os famosos</p><p>youtubers! Primeiramente, podemos observar que é uma forma de compartilhar o que não foi absorvido</p><p>pelos grandes portais de comunicação, além de ser uma forma de tornar a vida pública, almejando</p><p>visibilidade social. Boa parte do conteúdo produzido visa, em linhas gerais, reafirmar estes dois efeitos:</p><p>aumentar a estima social por conta da criação de uma imagem distinta e reforçar opiniões que podem</p><p>corroborar ou não com o senso comum, muitas vezes reproduzindo as versões dos veículos tradicionais</p><p>de comunicação.</p><p>Em discussões triviais, a produção de conteúdo nos mais diversos meios de mídias alternativas proporciona</p><p>um debate superficial, reforçando a doxa (mera opinião). Outra consequência é o “efeito bolha”, que</p><p>seleciona por afinidade o que será visto a partir das interações (compartilhamentos, curtidas e comentários).</p><p>Na economia, na política e nas demais esferas, os efeitos de uma informação disseminada</p><p>irresponsavelmente podem ser sentidos imediatamente. Em alguns casos, os efeitos podem ser</p><p>irreversíveis.</p><p>Por ter uma circulação rápida e instantânea, as informações têm gerado um grande impacto na sociedade,</p><p>principalmente aquelas produzidas e reproduzidas nas redes sociais, as quais ganham momentaneamente</p><p>uma aparência de verdade. Isso tem gerado grandes problemas sociais. Certamente, você já ouviu casos de</p><p>que uma mentira disseminada gerou agressões físicas ou até a morte de suspeitos de crimes, quando na</p><p>verdade nada passava de meros boatos. Outro exemplo são os investimentos, pois uma informação</p><p>equivocada ou uma mudança no cenário político pode fazer com que empresas percam ou ganhem muito</p><p>dinheiro.</p><p>Com a instituição de esferas oficiais de divulgação em massa das informações, o jornalismo – seguido de</p><p>suas mais diversas manifestações como o rádio, os jornais impressos, a televisão e os grandes portais – se</p><p>tornou uma forma rápida e acessível aos mais diversos assuntos marcados sempre pelo prisma da</p><p>atualidade.</p><p>Uma das mais agudas características da mídia é transmitir as informações o mais rápido possível, evoluindo</p><p>o assunto de acordo com o desenrolar dos fatos e da análise de especialistas, fazendo com que haja uma</p><p>dependência a esses canais para o acesso do cidadão comum ao conhecimento do que é produzido (veja,</p><p>por exemplo, o caso que envolve a operação Lava Jato – todos os dias há alguma notícia, um</p><p>desdobramento).</p><p>Como o acesso à informação depende de sua qualidade e capacidade de acesso, os grupos com maior</p><p>capital econômico e cultural são os que conseguem meios para acessar e usar de forma mais rápida o que</p><p>está sendo transmitido.</p><p>Outro efeito social a partir</p><p>desse contexto, segundo o psicanalista e sociólogo Gilberto Salgado, é que</p><p>surge um fosso cultural, que separa uma elite de superletrados virtuais de uma camada de pessoas que</p><p>nem letradas foram.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>O poder hegemônico de alguns grupos sobre os meios de comunicação tradicionais (concessão de rádio, TV</p><p>e jornais) mais a relação com interesses políticos e econômicos, faz com que as notícias, as informações não</p><p>sejam nada neutras, muito embora se faça um esforço de imparcialidade. Isso, por quê? Há um fator</p><p>determinante: a audiência. Quanto mais se tem audiência, mais propagandas, logo, mais dinheiro e poder</p><p>de influência se tem. O que queremos dizer que os meios de comunicação não são neutros, têm interesse,</p><p>transmitem determinada ideologia de como pensar, sentir e agir no mundo. Selecionam o conteúdo, fazem</p><p>cortes de edição e usam métodos específicos para ganhar credibilidade, audiência e gerar desejos e</p><p>sentimentos.</p><p>Dessa forma, há um grande otimismo com as mídias alternativas, pois os indivíduos podem se expressar por</p><p>diversos meios. Contudo, ressalto que por mais que blogs, sites e redes sociais tendem a uma</p><p>democratização na participação de debates, muito do que é repercutido advém dos meios de comunicação</p><p>tradicionais. Ademais, o que temos observado é que as pessoas têm confundido opinião, informação e</p><p>conhecimento. Aliado a isso, temos cada vez mais criado ambientes de intolerância, no qual o</p><p>aprofundamento de um assunto e o diálogo ficam em segundo plano.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>9. EDUCAÇÃO</p><p>A sociedade contemporânea, isto é, pós Revolução Francesa e Revolução Industrial, valoriza a educação via</p><p>escola. Na fase de desenvolvimento escolar que perpassa a educação básica obrigatória até os 17 anos, o</p><p>indivíduo passa boa parte do tempo nessa instituição.</p><p>A escola é uma das instituições sociais que está presente em quase todas as partes do mundo e a maioria da</p><p>população tem acesso ao que se chama de educação básica, etapa comum a todas as pessoas e anterior ao</p><p>ensino superior.</p><p>Para alguns pensadores, a escola tem como objetivo qualificar para o mercado de trabalho. Para outros, é</p><p>um espaço de construção do senso crítico e instrumento de transformações individuais e sociais. Outros</p><p>autores defendem que a instittuição escolar contribui com a reprodução social, isto é, a escola está inserida</p><p>num determinado tipo de sociedade e ajuda a conservar as relações sociais de poder.</p><p>As Leis e currículos educacionais no Brasil visam à formação cidadã e à qualificação para o mercado de</p><p>trabalho. Embora os valores e os sistemas educacionais sejam diferentes em cada sociedade, há algumas</p><p>características em comum na educação escolar:</p><p>atende as condições sociais existentes em épocas e culturas diversas;</p><p>é um processo socializador;</p><p>transmissão de geração a geração dos conhecimentos acumulados e legitimados;</p><p>desenvolve habilidades e competências para o exercício da cidadania e inserção no</p><p>mercado de trabalho; e</p><p>a educação tende a ser sinônimo de escola, porém sabemos que o processo educativo</p><p>envolve família, trabalho e outros espaços de socialização.</p><p>Assim como percebe a instituição familiar, Émile Durkheim analisa a escola como promotora da coesão</p><p>social. Para ele, a educação é fato social, ou seja, é composta por:</p><p>generalidade: compartilha valores, regras, comportamentos e sentimentos comuns à</p><p>coletividade. Se pensarmos na educação brasileira atual, espera-se que todos passem</p><p>pela educação básica.</p><p>coercitividade: as maneiras de pensar, sentir e agir na sociedade transmitidas pela</p><p>educação são impostas, portanto, o processo de escolarização não depende das</p><p>consciências individuais. Pais que não matriculam seus filhos na idade escolar de caráter</p><p>obrigatório podem sofrer punições legais.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>exterioridade: a educação por não depender das consciências individuais, é uma</p><p>realidade exterior à consciência individual.</p><p>Os 3 aspectos supracitados compõem o fato social.</p><p>O processo de educar sempre existiu nas sociedades humanas, porque se trata da transmissão de</p><p>conhecimento e cultura acumulados.</p><p>Na Grécia Antiga, os filósofos transmitiam seus conhecimentos em Academias de Ensino, Liceus e na praça</p><p>pública (ágora). Já na Idade Média, a educação era sobretudo nos monastérios e nesse período foram criadas</p><p>as primeiras concepções de universidade.</p><p>Com o passar do tempo, se elaborou sistemas educacionais que extrapolou a esfera doméstica e</p><p>clerical, instituindo o que conhecemos como escola. Seu acesso não era para todos. Somente após a</p><p>Revolução Industrial (consolidação do sistema capitalista, fim do absolutismo, separação de algumas</p><p>funções do Estado e Igreja) a escolarização se estendeu às massas, deixando de ser restrita aos clérigos e às</p><p>famílias da elite.</p><p>O processo de escolarização em massa não foi um movimento ingênuo. Havia a necessidade de formar</p><p>mão de obra para operar as máquinas das indústrias e também contemplar as ideias iluministas de base</p><p>cidadã a todos.</p><p>No final do século XX e início do século XXI, a instituição escolar se consolidou como uma das principais</p><p>instituições sociais, porque além das caracterítiscas que vimos, ela pretende promover a cidadania, a</p><p>inclusão social, a qualificação para o mercado de trabalho, ser base de transformações individuais e</p><p>coletivas. Portanto, uma das questões de reflexão sociológica é se a escola tem cumprido com suas funções</p><p>sociais e propostas.</p><p>A educação pode se apresentar tanto de maneira conservadora como inovadora. Ao mesmo tempo que ela</p><p>contribui com a conservação da ordem social, ela proporciona mudanças. Importante ressaltar que ela é</p><p>uma instituição que está dentro da sociedade, portanto, a educação reflete mudanças políticas, culturais e</p><p>sociais e tenta dar respostas a novas demandas da sociedade.</p><p>Há algumas teorias pedagógicas que pensam a educação no século XX e XXI de maneiras distintas:</p><p>Tecnicista: fundamentada na Teoria do Capital Humano, a qual defende que para</p><p>melhorar a produção econômica é necessário investir na educação como meio para isso.</p><p>Privilegiam uma educação para o mercado de trabalho, cuja transmissão do saber deve</p><p>ser pautada principalmente em disciplinas técnicas (matemática e língua portuguesa).</p><p>Esse modelo foi implementado na Ditadura Civil-Militar (1964-1985) e hoje é a base da</p><p>proposta de reforma do Ensino Médio.</p><p>Crítica: percebe a educação como direito. Os cidadãos têm direito a fruição dos bens</p><p>materiais e culturais, valorizando novos saberes e a cultura popular. É inspirada em</p><p>autores marxistas e podemos dizer que está presente nos currículos educacionais pós</p><p>1985. Um dos principais pensadores dessa corrente é o educador brasileiro Paulo Freire.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Pós-Crítica: é fundamentada nos autores que defendem o multiculturalismo, que</p><p>percebem que a dominação do poder não está somente nas contradições de classe, mas</p><p>também em outras relações, tais como: gênero e “minorias” (igualdade racial e igualdade</p><p>LGBTTI).</p><p>Além dessas teorias pedagógicas, acrescentamos duas tendências sociológicas de pensar a educação:</p><p>Pensamento Funcionalista: fundamentada na teoria de Émile Durkheim,</p><p>identifica a</p><p>educação como fato social e coesão social, cuja função da educação é integradora e</p><p>trasmissora de cultura, valores e normas, a fim de inserir o indíviduo na sociedade e</p><p>garantir estabilidade social.</p><p>Pensamento da Sociologia Crítica: fundamentada na teoria do sociólogo francês Pierre</p><p>Bourdieu (ver o vídeo da aula 00), que interpreta as correlações de forças entre as classes</p><p>sociais e a dominação simbólica, identificando que os sistemas escolares contribuem com</p><p>a reprodução das desigualdades de diferentes tipos.</p><p>Para o pensamento funcionalista, as gerações adultas exercem ações sobre as gerações ainda não</p><p>preparadas para a vida social. Nessa perspectiva, o objetivo da educação é desenvolver nos educandos</p><p>estados físicos, intelectuais e morais desejados pelo meio social do qual as crianças e jovens estão inseridos.</p><p>Na teoria de Pierre Bourdieu, há uma crítica ao ideal de igualdade perseguido pela educação e ao ideal</p><p>de meritocracia (igualdade de oportunidades). Para ele, a educação formal reproduz a si própria e à</p><p>sociedade, reforçando as desigualdades sociais. Como? Visto que há correlações de forças entre as classes</p><p>sociais (classe popular, média e elite), a escola reproduziria os valores da classe dominante (elite econômica</p><p>e cultural), gerando uma violência simbólica, isto é, uma imposição de valores de uma classe sobre a</p><p>outra que para ter o seu efeito precisa ser naturalizado, aceito. Veja um exemplo na área de educação</p><p>através da perspectiva deste autor:</p><p>filhos da elite e da classe média tendem a ter um desempenho escolar melhor do que os</p><p>filhos da classe popular, porque desde cedo (socialização familiar) escutam os seus pais</p><p>falarem corretamente e têm contato com objetos legitimados pela sociedade (livros,</p><p>quadros, esculturas, etc.). A escola cobra extamente o domínio da norma culta e de</p><p>conhecimentos legitimados socialmente, ou seja, esses valores são só reforçados na</p><p>escola. Já os filhos da classe popular, cujos pais em sua maioria possuem baixa</p><p>escolaridade e possuem menos contatos ou nenhum com objetos e experiênciais sociais</p><p>legitimadas, poderão apresentar dificuldades na incorporação desses valores, já que não</p><p>são compartilhados em suas respectivas famílias. Daí se fala em violência simbólica,</p><p>porque se parte do princípio de que esses valores e o estilo de vida da elite e da classe</p><p>média são os melhores e, portanto, são aceitos e reforçados como tais.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Além da violência simbólica, Bourdieu faz uma crítica à Teoria do Capital Humano (cuja fundamentação</p><p>advém do pensamento liberal), o qual defende a meritocracia (para o sucesso escolar ou social depende do</p><p>esforço e da aptidão natural), como se todas as pessoas tivessem as mesmas oportunidades e partissem do</p><p>mesmo ponto de partida.</p><p>Através do seu conceito de capital cultural, Bourdieu mostra que as famílias da elite e da classe média</p><p>transmitem aos seus herdeiros (seus filhos) determinados tipos de capitais reconhecidos socialmente, que</p><p>vão além do capital econômico. Por exemplo, imagina uma família cujos pais têm bons salários, profissões</p><p>reconhecidas na hierarquia social, compram livros e leem para seus filhos na infância, realizam viagens, vão</p><p>a museus e matriculam seus filhos em cursos de línguas... Por outro lado, imagina uma família da classe</p><p>popular, cujos pais são analfabetos, trabalham em profissões que são pouco valorizadas socialmemte e não</p><p>tem condições de proporcionar viagens e não possuem o hábito de ir a museus e exposições.</p><p>Assim, nessa perspectiva sociológica, não basta somente o esforço individual, porque há barreiras</p><p>sociológicas na maioria das vezes invisíveis aos nossos olhos. Como dissemos no início desta aula,</p><p>dependendo das socializações, as oportunidades são bem distintas e o ponto de partida não é igual.</p><p>Esses raciocínios de Bourdieu são uma das explicações para o elevado índice de evasão escolar e o fracasso</p><p>escolar na educação pública, cujo fracasso é introjetado no indivíduo como uma sensação de fracasso</p><p>individual, enquanto na verdade, é social, e a escola reforçaria essa reprodução desigual.</p><p>As reflexões de Bourdieu são incômodas, já que desnaturalizam uma série de práticas sociais e faz pensar e</p><p>questionar a sociedade e suas instituições.</p><p>Outros estudos reconhecem que o contexto socioeconômico é um fator do fracasso escolar nas escolas</p><p>públicas, no entanto, apontam que quando as famílias da classe popular conseguem valorizar a educação</p><p>através de acompanhamento dos pais e suas respectivas cobranças sistematizadas aos seus filhos para que</p><p>estes estudem, respeitem os professores e cumpram com os seus deveres, mesmo sem ter o capital cultural</p><p>legítimo para transmitir, acontece uma aproximação de seus filhos com a experiência escolar. Além disso,</p><p>outro fator responsável pelo sucesso escolar nas escolas públicas, demonstradas em recentes pesquisas, é</p><p>a atuação comprometida e ativa de professores e diretores focado no caráter pedagógico.</p><p>Para além dessas questões, a escola se depara com outras problemáticas da sociedade. Com a competição</p><p>cada vez mais acirrada no capitalismo, as tecnologias passaram a ser essenciais no mundo do trabalho e,</p><p>com isso, as escolas sofrem pessão para introduzí-las em seus métodos didáticos.</p><p>O sociólogo Jurgen Habermas é um crítico dessa instrumentalização que ocorre na sociedade moderna,</p><p>pois para ele o progresso técnico-científico é posto a serviço do sistema, da reprodução do capital e do</p><p>poder, enquanto que o acesso ao conhecimento deveria garantir ao ser humano uma reelaboração do</p><p>próprio conhecimento, a fim de dar sentido à emancipação e à transformação social.</p><p>No Brasil, temos alguns desafios educacionais específicos. Conseguiu-se no Governo Lula (2002-2010) a</p><p>universalização do acesso ao ensino obrigatório, isto é, todos com direito ao acesso à educação. No entanto,</p><p>a permanência e a qualidade do ensino são os principais desafios para as próximas décadas. Somado a</p><p>isso, temos uma luta história para erradicar o analfabetismo (saber ler e escrever bilhetes simples), que</p><p>atinge milhões de brasileiros. Se levarmos em consideração o analfabetsimo funcional (aquelas pessoas que</p><p>têm dificuldades em escrever e interpretar textos), nossos índices são alarmantes – 27% da população).</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Outros desafios são implementar as leis de inclusão social, tal como a do ensino de Cultura Africana e Afro-</p><p>Brasileira e de educação de pessoas com deficiência, além das discussões de gênero. Valorizar os</p><p>professores com salários dignos e de sua importância perante à sociedade têm sido uma busca incessante</p><p>dos trabalhadores da educação.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>10. CIÊNCIA</p><p>Foucault e Deleuze vão analisar o “saber” como poder. Para eles, o “saber-poder” disciplina e controla as</p><p>pessoas e seus comportamentos seja na busca de uma estética corporal ideal ou nas reações emocionais</p><p>desejadas. Nesse sentido, quando um cientista ou uma “autoridade” em determinado assunto afirma algo,</p><p>é muito comum ninguém questionar e simplesmente seguir o que está sendo dito.</p><p>A fala do cientista revela uma enorme credibilidade e, por isso, tem tanto poder. Mas, afinal, o que é ciência?</p><p>Como ela se desenvolveu? Ciência etimologicamente significa conhecimento, isto é, um campo da atividade</p><p>humana que se dedica à construção de um conhecimento sistemático</p><p>e seguro sobre os fenômenos do</p><p>mundo de diversas áreas do saber.</p><p>Na Filosofia, a área que irá investigar o conhecimento (ciência) é a epistemologia, ou seja, como o</p><p>conhecimento é construído, se o método aplicado é válido, se os conceitos utilizados são rigorosos e como</p><p>se pode afirmar o que se sabe, etc.</p><p>Geralmente, o conhecimento serve para tornar o mundo compreensível, proporcionando aos seres</p><p>humanos um maior controle e previsão sobre determinadas situações seja sobre a natureza ou sobre o</p><p>mundo social.</p><p>Um dos elementos centrais do processo de elaboração do conhecimento é o método científico, que significa</p><p>caminho, procedimento. Os métodos variam de área para área, isto é, as ciências humanas, as ciências</p><p>exatas e as ciências naturais empregam métodos diversos para a construção do conhecimento. Porém,</p><p>independentemente do método, há alguns elementos comuns no método científico, a saber:</p><p>Problema Todo artigo acadêmico, trabalho de</p><p>conclusão de curso, dissertação de</p><p>mestrado ou tese de doutorado, começa</p><p>com uma questão que se quer</p><p>aprofundar, que se quer conhecer ou dar</p><p>respostas distintas das que foram</p><p>oferecidas até o momento.</p><p>Hipótese A partir de um levantamento de leituras e</p><p>pesquisas (teoria) acerca da</p><p>problemática (questão) levantada, o</p><p>cientista vai elaborar hipóteses que serão</p><p>verificadas em sua investigação.</p><p>Procedimentos</p><p>Para se certificar se suas hipóteses são</p><p>válidas ou não, o cientista irá empregar</p><p>procedimentos (métodos), os quais</p><p>podem ser quantitativos ou qualitativos</p><p>para esclarecer o problema levantado.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Conclusão Irá realizar suas considerações,</p><p>confirmando ou não as hipóteses</p><p>formuladas.</p><p>Isso mostra que os conhecimentos científicos não são inquestionáveis, pelo contrário, o conhecimento é</p><p>construído a partir de indagações e questionamentos sobre aquilo que já não oferece uma resposta mais</p><p>adequada à realidade.</p><p>Veja, por muitos séculos se acreditou que a Terra fosse o centro do universo, mas com os estudos de</p><p>Copérnico e de Galileu ficou demonstrado que que a Terra movia em torno de seu próprio eixo e ao redor</p><p>do sol.</p><p>Você pode pensar: “então a ciência produz conhecimentos passageiros e a qualquer momento as</p><p>explicações podem mudar”. Bem, é importante explicar que o conhecimento científico não é dogmático,</p><p>muito menos pretende-se chegar a uma verdade absoluta. As explicações para determinado fenômeno</p><p>podem mudar e serem refutadas, reformuladas e corrigidas, mas a ciência cumpre a sua função na medida</p><p>em que fornece explicações dignas de confiança, bem fundamentadas e rigorosas.</p><p>Cabe lembrar que o que chamamos de ciência tem uma História recente, a partir da Idade Moderna,</p><p>principalmente com as investigações de Galileu Galilei (XVII). Nesse momento, há uma separação de ciência</p><p>e filosofia.</p><p>Na Antiguidade, a visão de ciência era querer descobrir as causas primeiras dos fenômenos, enquanto na</p><p>ciência moderna essa pretensão foi deixada de lado. Outra diferença está no uso de métodos para se</p><p>conhecer alguma coisa, lançando mão da matemática e da explicação quantitativa.</p><p>No começo daquilo que ficou denominado de Idade Contemporânea, tivemos a teoria da evolução das</p><p>espécies, que também abalou as concepções daquela época, assim como aconteceu com a teoria</p><p>heliocêntrica.</p><p>Charles Darwin (1809-1882) mostrou que a diversidade biológica de nosso planeta se deve a modificações</p><p>acumuladas ao longo de sucessivas gerações, em um processo evolutivo de seleção natural que culminou</p><p>com o aparecimento do ser humano. Isso chocou as concepções religiosas a respeito da origem do ser</p><p>humano na Terra – aliás, ainda continua repercutindo, porque muitas pessoas acreditam no criacionismo,</p><p>isto é, numa visão religiosa de que Deus criou o mundo e os seres humanos, portanto, não poderíamos ser</p><p>um efeito de um processo biológico natural de modificações de gerações.</p><p>Em resumo, a ciência está em constante modificações, aperfeiçoando os seus métodos e buscando</p><p>explicações fundamentadas e mais seguras para conhecermos a realidade social ou os fenômenos da</p><p>natureza.</p><p>A análise epistemológica contemporânea mostra que a atividade científica tem limites e admite falhas. No</p><p>entanto, ela se mostra diferente do senso comum, porque procura realizar uma análise mais profunda e</p><p>rigorosa em relação aos fatos observáveis. Isto não quer dizer que o conhecimento científico é superior ao</p><p>conhecimento popular, mas sim diferente. Mas não podemos ser ingênuos porque a ciência também não é</p><p>neutra.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Nietzsche (1844-1900) afirmava que o conhecimento era uma forma de dominação, isto é, implica poder. A</p><p>partir disso, os filósofos contemporâneos do século XX como, por exemplo, Foucault e Deleuze, vão</p><p>aprofundar reflexões sobre o “saber-poder”.</p><p>O conhecimento científico está inserido na sociedade e as pesquisas e seus resultados são direcionados por</p><p>financiamentos públicos e privados visando objetivos dos grupos ou de determinadas empresas e</p><p>instituições que detém interesses e poder.</p><p>Nesse mesmo sentido, os pensadores da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, vão criticar a</p><p>racionalidade e o otimismo iluminista perante a possível libertação do conhecimento científico e suas</p><p>tecnologias. Para eles, o conhecimento científico estava vinculado ao capitalismo, uma razão instrumental</p><p>e manipuladora. Isto é, o conhecimento científico estava a trabalho da lógica capitalista em gerar lucro e</p><p>não com a emancipação das pessoas.</p><p>Um exemplo concreto é o uso do conhecimento científico na indústria armamentista, que produziu no</p><p>período da 2ª Guerra Mundial e da Guerra Fria armas capazes de destruir em grandes proporções, além da</p><p>realização monstruosa de testes em seres humanos realizados pelos “cientistas” nazistas.</p><p>Levando em consideração o que dissemos até o momento, não podemos acreditar também que a ciência</p><p>está atrelada somente a aspectos negativos. Sabemos de seus avanços e aperfeiçoamento de instrumentos</p><p>que facilitam o nosso dia a dia, o bem-estar físico e mental, o “encurtamento” das distâncias (transporte e</p><p>comunicação), o acesso à informação, etc. O que queremos chamar atenção é que a ciência não é neutra,</p><p>que também tem interesses.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>11. DESIGUALDADES SOCIAIS</p><p>Usa-se o termo classe para designar muitas coisas, entre elas se uma pessoa tem “classe” (um certo tipo de</p><p>comportamento), um agrupamento de alunos ou até mesmo para categorias profissionais.</p><p>Sociologicamente, o termo classe é empregado para compreender como determinados grupos sociais se</p><p>organizam na sociedade capitalista, como é realizada a distribuição e a apropriação material</p><p>(econômica), o poder político e os bens simbólicos, além das classificações, hierarquias e legitimações da</p><p>estrutura social.</p><p>No sistema capitalista, fatores como a religião, a honra e a hereditariedade perdem força como nas</p><p>sociedades tradicionais organizadas por castas ou estamentos. Duas instituições passam a ser o foco</p><p>principal das pesquisas: o Estado e o Mercado. As classes sociais são o ponto de partida para entender as</p><p>desigualdades que estruturam a sociedade capitalista.</p><p>[Obs.:] autores de tradição liberal não trabalham com a concepção de classes. Para a</p><p>maioria deles, a sociedade não é dividida em classes, só existem os indivíduos. As</p><p>desigualdades sociais são explicadas pelo princípio da meritocracia</p><p>(poder do mérito),</p><p>isto é, o sucesso depende do esforço individual, das habilidades e capacidades de cada</p><p>pessoa. Inclusive, do ponto de vista econômico, as desigualdades são bem-vindas,</p><p>porque fariam com que os indivíduos sem poder aquisitivo se esforçassem para poder</p><p>adquirir bens.</p><p>Há pelo menos 3 principais maneiras de pensar a questão de classes atualmente:</p><p>Posição no processo de produção: é uma visão marxista, na qual irá observar a posição do sujeito histórico</p><p>na produção material de determinada sociedade. No século XIX, Marx identificou duas principais classes: a</p><p>burguesia, detentora dos meios de produção e os operários, que vendiam sua força de trabalho. A partir da</p><p>relação de trabalho operavam-se as desigualdades. Enquanto os empresários ficam ricos nas custas e na</p><p>exploração dos trabalhadores, estes cada vez mais apresentam condições precárias de existência.</p><p>Atualmente, devido às complexidades sociais, autores marxistas contemporâneos vão identificar outras</p><p>classes e frações de classes intermediárias entre a burguesia e o proletariado, mas sem perder as noções de</p><p>exploração e de domínio da classe dominante.</p><p>Capacidade de Consumo: esta é uma divisão mais usual na economia, de fundamentação liberal. Na</p><p>verdade, não se poderia dizer aqui "classe”, e sim estrato - uma reunião de indivíduos que tem semelhanças</p><p>no poder de consumo, isto é, o critério é a renda. Portanto, a sociedade é dividida em estratos sociais: A, B,</p><p>C, D ou E de acordo com sua capacidade de consumo.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>==d3351==</p><p>Distribuição de capitais: há uma preocupação de perceber a sociedade além do posicionamento dos</p><p>indivíduos no processo de produção e de seu poder de consumo (renda). Procura-se analisar como as classes</p><p>se reproduzem economicamente, culturalmente e socialmente. O principal autor dessa abordagem é o</p><p>sociólogo francês Pierre Bourdieu. Para ele, as desigualdades sociais na sociedade moderna capitalista são</p><p>geradas pela herança cultural, ou seja, transmissão cultural das famílias para os seus herdeiros. Não</p><p>despreza o capital econômico, já que este tem uma associação com o capital cultural. Dividiu a sociedade</p><p>em 3 principais classes: superior (podendo ser econômica e/ou cultural), média ou pequena burguesia e</p><p>classe popular. Na distribuição dos capitais, a elite (classe superior) e a classe média possuiriam um acúmulo</p><p>de capitais (econômicos, culturais, sociais e simbólicos) que transmitidos a seus herdeiros reproduzem o</p><p>sistema de classes.</p><p>Podemos perceber que a análise da estratificação de uma sociedade depende do ponto de partida do</p><p>pesquisador e do critério adotado. Por outro lado, podemos chegar a algumas conclusões sobre as</p><p>sociedades modernas e suas desigualdades:</p><p>A apropriação da riqueza gerada numa determinada sociedade é dada economicamente</p><p>pela apropriação de propriedades (terras, imóveis) e de renda (salário, aluguéis,</p><p>investimentos em títulos).</p><p>Participação nas decisões políticas, manifestando-se pelo maior ou menor poder que os</p><p>grupos sociais têm de decidir ou forçar decisões.</p><p>Na apropriação dos bens simbólicos, que se expressa no acesso à educação e aos bens</p><p>culturais (museu, livro, teatro, viagens).</p><p>Ao comparar a sociedade capitalista com os demais modos de produção, de fato, a liberdade e a mobilidade</p><p>social são existentes, no entanto, não são tão amplas como pode parecer. As barreiras sociais são mais</p><p>dissimuladas e “invisíveis” na convivência social. Um exemplo é o casamento.</p><p>O casamento tanto no sistema de castas como no sistema de estamentos só se pode realizar dentro do</p><p>próprio grupo (endogamia). Na sociedade capitalista, embora o casamento de membros de classes distintas</p><p>possa acontecer de maneira mais frequente (exogamia) sem ter uma condenação social explícita ou uma</p><p>norma proibitiva, os membros das classes sociais continuam casando entre si, na grande maioria dos</p><p>matrimônios. Isso se dá pelo capital social, isto é, membros de determinada classe interage, frequenta</p><p>espaços e compartilha visões de pensar, sentir e agir no mundo com membros de sua classe, além de ser</p><p>uma estratégia para as classes da elite e da classe média, porque reproduzem-se economicamente e</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>culturalmente, além de que seus estilos de vida são mantidos. A tendência é de união entre os semelhantes</p><p>de uma classe, o que pode ser visto no casal que, em sua maioria, possuem o mesmo grau de escolaridade,</p><p>de renda, de estilo de vida.</p><p>Se nas sociedades organizadas em castas ou em estamentos os indivíduos nascem desiguais e assim</p><p>permanecem por toda a sua vida, na sociedade capitalista a ideia é de que exista a ascensão do indivíduo,</p><p>que teoricamente pode ascender através dos estudos, do trabalho e do empreendedorismo.</p><p>Os autores de perspectiva liberal vão defender que o sistema capitalista é o mais justo (Frederick Hayek,</p><p>Von Mises, Kingsley Davis, Wilbert Moore, etc.). As desigualdades materiais não são necessariamente</p><p>negativas para eles, pois as desigualdades podem ser positivas para a sociedade, porque na busca do</p><p>interesse pessoal motiva os indivíduos a inovarem e a criarem novas alternativas, portanto, a sociedade</p><p>como um todo se beneficiaria dessas invenções tecnológicas e confortos produzidos pelo sistema</p><p>capitalista. Além disso, segundo essa perspectiva, o capitalismo proporciona liberdade e a igualdade</p><p>formal (perante as leis) - a busca da igualdade material se dá através de cada um (interesse e esforço</p><p>pessoal). Uma frase célebre é de que “os capitalistas de hoje foram os trabalhadores de ontem” e que neste</p><p>sistema as pessoas têm as mesmas oportunidades, bastando o seu esforço pessoal, seu mérito, para</p><p>aproveitar as oportunidades. Criticam as políticas que propõem igualdade de condições materiais, porque</p><p>elas levam os indivíduos a não lutarem por melhores condições, reduzindo a competição entre eles.</p><p>Defendem a igualde formal (perante a lei) e não material.</p><p>Já autores da perspectiva marxista e da sociologia crítica compreende esse sistema como injusto, já que</p><p>promove a exclusão social e gera a pobreza da maioria da população, para que poucos usufruam das</p><p>riquezas produzidas pela sociedade.</p><p>Outra forma de analisar as desigualdades de riqueza, prestígio e poder, foi pensada por Max Weber.</p><p>Inclusive, é a partir dele que Bourdieu vai desenvolver parte de sua teoria.</p><p>Weber distinguia 3 dimensões: a econômica (posses e rendas que a pessoa ou o grupo social possui), a social</p><p>(prestígio que as pessoas ou os grupos sociais têm em sua profissão ou no estilo de vida) e a política (poder</p><p>que as pessoas ou os grupos sociais detêm nas relações de dominação).</p><p>Ao partir dessas 3 dimensões, Weber vai analisar que muitas pessoas podem ter riqueza, mas não têm</p><p>prestígio ou posição social de dominação. Outras já podem ter poder político, mas não possuem riqueza</p><p>correspondente à sua dominação. E ainda outras pessoas podem ter prestígio, mas não têm nem riqueza e</p><p>nem poder.</p><p>Dessa forma, a hierarquia social pode ser concebida através de fatores econômicos, de prestígio e de</p><p>poder político. Para ele, classe é um conjunto de sujeitos semelhantes que compartilha as mesmas</p><p>oportunidades de acesso aos bens, a posição social e a um destino comum. Diferente de Marx, Weber vai</p><p>defender que as disputas (lutas de classe) por poder, por prestígio e bens econômicos acontecem</p><p>também dentro do interior de uma mesma classe. Nessa perspectiva, as lutas de classe não é o “motor da</p><p>história”, isto é, aquilo que movimenta os acontecimentos e que transformaria a sociedade capitalista numa</p><p>outra sociedade mais igualitária (socialista e depois</p><p>comunista). Para Weber, essas disputas de classe</p><p>manifestam a manutenção do poder, da renda ou do prestígio em uma situação histórica específica.</p><p>A partir dessas considerações de diversas concepções, é importante olharmos para a nossa realidade do</p><p>século XXI. É fato que as tecnologias nos trazem muitas comodidades e que inovações têm sido cada vez</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>mais presentes no nosso dia a dia, tanto para atender a racionalidade produtiva (produzir mais com</p><p>qualidade e a custos menores, gerando maior lucratividade), bem como contribuir nas tarefas do cotidiano.</p><p>Contudo, as desigualdades que deveriam diminuir, aumentam cada dia mais – a maior parte da riqueza</p><p>mundial está sob domínio e concentrada no 1% de pessoas mais ricas da sociedade.</p><p>Ao iniciar o século XXI, 800 milhões de pessoas, das quais 300 milhões de crianças, são vítimas de fome</p><p>crônica. A falta de nutrição adequada mata milhares de crianças todos os dias – o continente Africano é o</p><p>mais afetado. Detalhe: os recursos alimentícios produzidos no mundo são suficientes para que ninguém</p><p>passe fome.</p><p>Outro dado é o aumento do desemprego no mundo, afetando cada vez mais as famílias. Enquanto os países</p><p>mais ricos apresentam uma renda per capita maior, em muitos países, a população vive abaixo da linha de</p><p>pobreza.</p><p>É comum empresas multinacionais de países desenvolvidos economicamente implantarem seu polo</p><p>produtivo em países pobres, onde a remuneração é menor e o uso de recursos naturais não têm uma</p><p>legislação protetiva e sustentável (um exemplo é a instalação da empresa Nike na China). Outro exemplo é</p><p>o uso de países pobres para depositar lixões eletrônicos, no quais as empresas pagam para descartar os</p><p>“restos” tecnológicos (como a Apple faz em países africanos).</p><p>Outro tipo de desigualdade manifestada no sistema capitalista é a de gênero. No relatório de 2005,</p><p>produzido pela ONU, constatou-se que:</p><p>- metade da população feminina não tem emprego, contra 30% da população masculina;</p><p>- quase 2/3 dos analfabetos adultos no mundo são mulheres;</p><p>- mesmo com escolaridade igual ou superior ao dos homens, as mulheres ganham salários</p><p>menores no mesmo emprego;</p><p>- uma em cada três mulheres no mundo é ou será vítima de algum tipo de violência,</p><p>prioritariamente sexual. 50% dessas violências são cometidas contra meninas de até 15</p><p>anos.</p><p>No que tange as desigualdades sociais no Brasil elas se instalam desde a chegada dos colonizadores</p><p>portugueses. Os nativos (índios) eram vistos pelos europeus como inferiores, inclusive foram considerados</p><p>sem alma pela Igreja Católica.</p><p>Os índios foram obrigados realizar trabalhos compulsórios nas minas de minério e na agricultura,</p><p>totalmente diferente da concepção e da relação que tinha com a natureza, do tempo de trabalho e da</p><p>característica de produzir aquilo que é necessário – subsistência. Com isso, foram considerados indolentes</p><p>e preguiçosos, preconceitos esses que ainda vigoram no “imaginário” de boa parte da sociedade brasileira</p><p>Com a introdução do trabalho escravo negro, milhares de africanos foram retirados de sua terra de origem</p><p>para enfrentar condições terríveis de trabalho e de vida no Brasil. Eram trazidos pelos navios denominados</p><p>“tumbeiros”, no qual as condições precárias faziam com que muitos morressem na travessia do Oceano</p><p>Atlântico.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Ao chegarem no Brasil, os escravos eram separados de suas relações familiares e eram vendidos para</p><p>diversas regiões e fazendas. Eram considerados objetos e seres que não tinham alma, portanto, seus donos</p><p>podiam fazer o que quisessem com os seus “objetos”. Foram colocados em situações extremas de trabalho</p><p>(média de 16 a 18 horas de trabalho diário), compartilhavam junto com outros escravos (na maioria das</p><p>vezes de outra etnia, portanto, a comunicação entre eles era dificultada), os espaços sem privacidade e de</p><p>aglomeração nas senzalas, além de sofrer torturas físicas e psicológicas.</p><p>O sistema escravocrata no Brasil durou quase 4 séculos, e seus reflexos ainda permanecem em nossa</p><p>sociedade. Até hoje seus descendentes sofrem discriminação e preconceitos por simplesmente serem</p><p>negros. Após abolição, não houve um projeto de integração dos negros na sociedade, sendo que esses</p><p>ficaram alijados da cidadania, sem acesso à educação e ocupando profissões subalternas nos empregos que</p><p>existem.</p><p>Havia escravidão entre os próprios negros do Continente Africano?</p><p>Sim, no entanto, era bem diferente da escravidão “atlântica” e não era em todos os países</p><p>do continente africano. Os escravos em alguns países do continente africano eram os</p><p>prisioneiros de guerra e pertenciam como membro, a nova família que viria a pertencer,</p><p>tendo os mesmos direitos. A existência de um certo tipo de escravidão na África não</p><p>justifica as atrocidades da escravidão atlântica.</p><p>Em meados do século XIX, com o início da proibição internacional de comercialização de escravos, e nas</p><p>primeiras décadas do século XX, com a dificuldade de comprar escravos para a lavoura, foi introduzida a</p><p>mão de obra imigrante, a priori, nas fazendas de café. Aqui chegaram com a esperança de reconstruir uma</p><p>nova vida com seus familiares, porém, ao chegarem encontraram uma realidade bem diferente: condições</p><p>servis e na maioria dos casos nem remuneração recebiam. Os trabalhos dos imigrantes eram trocados por</p><p>comida, casa e outros pagamentos em espécie.</p><p>Com o processo de urbanização e industrialização no Brasil, nas primeiras décadas do século XX, e</p><p>principalmente nas décadas de 40 e 50, as novas oportunidades de trabalho nas fábricas foi absorvendo</p><p>parte da mão de obra e gerando a necessidade de outros profissionais. A divisão social do trabalho fez com</p><p>que surgissem novos postos, tais como: comerciantes, bancários, trabalhadores da construção civil,</p><p>entregadores, empregados domésticos, vendedores, profissionais liberais, etc.</p><p>Na década de 50 do século XX, houve uma mudança significativa no Brasil, pois agora a maioria de sua</p><p>população não estava mais no campo, e sim nas grandes cidades. No entanto, nem toda força de trabalho</p><p>foi absorvida pela indústria e pelos setores urbanos, o que constituiu uma massa de desempregados.</p><p>Atualmente, nossa realidade não é diferente. De época em época ouvimos a palavra “crise econômica”, que</p><p>é cíclica no sistema capitalista, e com isso milhões de pessoas ficam desempregadas, muitas delas sem</p><p>qualificação e acesso à educação. Isso se traduz em miséria e pobreza para a maioria de nossa população,</p><p>sendo cada vez mais difícil encontrar soluções para superar essa situação.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>O Brasil é considerado um dos países mais desiguais do mundo. Além das desigualdades de classe, há</p><p>as desigualdades entre homens e mulheres (gênero) e de brancos e negros (raciais). Isso gera</p><p>consequências como condições precárias de saúde, de habitação, de educação, de segurança, etc. Mesmo</p><p>com os avanços tecnológicos, com a produção agrícola e industrial em alta, os bens (a riqueza)</p><p>produzidos pela sociedade não são distribuídos de modo que beneficiem a maioria dos brasileiros.</p><p>As explicações para entender e explicar a pobreza no Brasil começaram no final do século XIX, tendo como</p><p>justificativa de que o brasileiro era preguiçoso, indolente, supersticioso e ignorante, porque a natureza tudo</p><p>lhe oferecia, portanto, não gostava de trabalhar. Outros autores defendiam que o atraso brasileiro estava</p><p>na mestiçagem e no seu passado escravocrata.</p><p>Assim, surgiram as teorias racistas e deterministas que</p><p>pretendiam explicar o destino do Brasil e propunham o “embranquecimento” da população.</p><p>Na década de 40 do século XX, surge uma nova explicação para as desigualdades sociais no Brasil a partir</p><p>de reflexões de autores considerados marxistas: o latifúndio (concentração de terras), a monocultura (a</p><p>produção principal de um único produto agrícola e visando à exportação) e o subdesenvolvimento</p><p>econômico seriam os fatores da desnutrição e da fome das classes populares, as quais no passado foram</p><p>alvos da exploração colonial no mundo pré-capitalista. Nessa perspectiva, somente através de uma reforma</p><p>agrária e da educação se poderia resolver o problema da fome.</p><p>Na década de 50, a relação entre desigualdades e questões raciais voltaram à agenda pública. Era um debate</p><p>em perspectiva crítica principalmente com a obra de Gilberto Freyre, “Casa Grande e Senzala”. Os estudos</p><p>procuravam criticar o mito da democracia racial brasileira, mostrando que os ex-escravos foram</p><p>integrados de forma precária, criando-se uma desigualdade constitutiva da situação que seus</p><p>descendentes vivem até hoje. Os principais sociólogos que pesquisaram essa temática nesse período</p><p>foram Florestan Fernandes (A Integração do Negro nas Sociedades de Classe), Octávio Ianni (Metamorfose</p><p>do escravo) e Fernando Henrique Cardoso (Capitalismo e escravidão no Brasil meridional).</p><p>O pesquisador Carlos Hasenbalg em seu livro “Discriminação e Desigualdades Raciais no</p><p>Brasil” (1979), mostra as disparidades entre os grupos de cor (brancos, negros e pardos).</p><p>Abaixo, destaco alguns aspectos de sua pesquisa e convido você a ler a entrevista de</p><p>Antônio Guimarães com Hasenbalg.</p><p>- Os não brancos – negros e pardos – estão concentrados nas regiões Norte e Nordeste,</p><p>enquanto os brancos estão concentrados na região sudeste e sul, onde há um polo</p><p>industrial mais desenvolvido.</p><p>- O rendimento dos não-brancos é aproximadamente a metade da dos brancos.</p><p>- Uma cultura racista está permeada de estereótipos e representações negativas de</p><p>grupos minoritários (negros, mestiços, nordestinos, bolivianos etc.). Esses estereótipos</p><p>culturais tendem a se autoconfirmar e acabam limitando as aspirações e as motivações,</p><p>nesse caso, das pessoas não-brancas.</p><p>- Práticas discriminatórias e estereótipos se reforçam mutuamente e levam a que muitos</p><p>negros e mestiços regulem suas aspirações de acordo com o que é culturalmente imposto</p><p>como o “lugar apropriado” para os não-brancos.</p><p>- As pesquisas sobre educação indicam que crianças não-brancas completam menos anos</p><p>de estudo do que as brancas, mesmo quando se consideram crianças de mesma origem</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>social ou renda familiar per capita. As disparidades no acesso, permanência e finalização</p><p>do ensino médio e superior são ainda mais acentuadas.</p><p>- Estudos indicam que negros e pardos estão expostos a diversas práticas discriminatórias</p><p>no mercado de trabalho.</p><p>Na década de 60 tivemos estudos que procuraram analisar como ocorreu a formação do empresariado</p><p>nacional, das classes médias, do operariado industrial e do trabalhador rural, e como esses também</p><p>participavam do processo de mudanças econômicas e políticas.</p><p>Já em 1970 e 1980, a preocupação das pesquisas eram analisar os movimentos sociais e os sindicatos, para</p><p>saber como os trabalhadores se organizavam em busca de fazer valer os seus direitos e de conquistar outros.</p><p>Em 1990, questões relacionadas ao emprego e as condições de vida dos trabalhadores e pobres da cidade</p><p>passaram a ser quantificados através de pesquisas: o interesse é saber quantas pessoas estão empregadas</p><p>ou desempregadas, a relação entre mercado formal e informal, a estratégia de sobrevivência das famílias</p><p>de baixa renda, mensurar a pobreza e estabelecer a linha de pobreza.</p><p>A partir de indicadores realizados por institutos e pesquisas como, por exemplo, Pesquisa Nacional por</p><p>Amostra de Domicílios (PNAD), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa</p><p>Econômica Aplicada (IPEA), Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), há uma reunião de informações e</p><p>dados, cujo objetivo é perceber a realidade social e interferir nela a partir de políticas públicas para</p><p>solucionar ou amenizar problemas sociais. É a partir dessas informações que os governos criaram, por</p><p>exemplo, o Programa Fome Zero e o Bolsa Família.</p><p>A definição de linha de pobreza é tênue e não encontra consenso entre pesquisadores e institutos. O Banco</p><p>Mundial definiu em 1990 que a linha de pobreza é de menos de 1 dólar por dia. Aqui, no Brasil, a definição</p><p>de extrema pobreza adotada pelo Governo Federal é de rendimento mensal por pessoa abaixo de R$ 70,00.</p><p>Portanto, quando representantes do Governo Lula (2002-2010) dizem que 30 milhões de pessoas saíram da</p><p>extrema pobreza, quer dizer que passaram a ter uma renda maior do que R$ 70,00 mensais. Isso mostra</p><p>duas coisas pelos menos: 1) a nossa desigualdade social é brutal e 2) uma pergunta que não quer calar:</p><p>alguém consegue viver com R$ 70,00 mensalmente? Ou ainda, alguém consegue viver dignamente com o</p><p>salário mínimo?</p><p>Alguns dados para pensarmos:</p><p>PNAD de 2007: 54 milhões de pessoas (34,5%) em condições de moradia inadequadas. 7 milhões estão</p><p>concentradas em “favelas” ou áreas subnormais, onde a infraestrutura de saneamento, coleta de lixo, rede</p><p>de iluminação e outros serviços públicos estão ausentes.</p><p>IPEA 2006: 49,7% da população se consideram brancos e 49,5% negros (é válido lembrar que isso depende</p><p>da autodeclaração), o que quer dizer que provavelmente temos muito mais negros do que brancos. Como</p><p>vimos na pesquisa de Carlos Hasenbalg, os brancos possuem maior tempo de escolaridade do que</p><p>comparado aos não-brancos e a proporcionalidade vai aumentando à medida em que se avança o nível</p><p>escolar.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>A SOCIOLOGIA DE JESSÉ SOUZA APLICADA À REDAÇÃO</p><p>Jessé Souza tem despontado no Brasil como um dos mais importantes sociólogos deste início de século</p><p>(XXI). É formado em direito pela Universidade de Brasília, com mestrado e doutorado em Sociologia. Fez o</p><p>seu pós-doutoramento na New School for social reserch.</p><p>Uma de suas principais influências teóricas é o sociólogo francês Pierre Bourdieu e o filósofo canadense</p><p>Charles Taylor.</p><p>De 2005 a 2008 empreendeu pesquisa sociológica empírica em todo o Brasil, que resultou numa nova</p><p>percepção da realidade brasileira, dividida em 4 categorias de classe principais: “a ralé”, “os batalhadores”,</p><p>“a classe média tradicional” e “os ricos”.</p><p>Assim como Bourdieu, o conceito de classe não é definido pela capacidade de consumo (corte liberal) ou</p><p>pela posição na produção (perspectiva marxista), isto é, o critério de renda não é o fator mais importante</p><p>para definir classe. Aqui, os elementos espaço social, campo, hierarquia social, distribuição dos capitais</p><p>(econômico, cultural, simbólico, escolar, político, etc.) são importantes para definir e entender as classes</p><p>sociais.</p><p>É a transmissão cultural familiar (algo mais invisível, pouco perceptível no dia a dia) que garante os</p><p>privilégios de classe e coloca em xeque a ideia de igualdade de oportunidades e de meritocracia,</p><p>sustentáculos da sociedade capitalista democrática, defendida por teorias de fundamentação liberal como,</p><p>por exemplo, a Teoria do Capital Humano.</p><p>Na pesquisa de Jessé, a “ralé” são aquelas pessoas que estão abaixo da linha de dignidade, cuja principal</p><p>característica laboral são os serviços braçais, pesados, musculares. Essas pessoas que totalizam 1/3 da</p><p>população brasileira não têm a valorização, o reconhecimento e o respeito da coletividade.</p><p>Desde a família</p><p>não recebem estímulos para se dar bem na escola. São os principais usuários do ensino público e do sistema</p><p>único de saúde que, por sinal, são bem precários em nosso país. Nessa perspectiva, não precisa ser um gênio</p><p>para concluir que a “ralé brasileira” vive em condições de subcidadania e que precisam da proteção do</p><p>Estado para lhes garantir o mínimo de dignidade humana.</p><p>Diferente dos filhos da classe média tradicional, os filhos da ralé não desenvolvem em sua socialização</p><p>familiar o capital cultural legítimo e reconhecido pela escola e pelo mercado de trabalho. Capacidades como</p><p>concentração, autoestima e disciplina, bem como garantia de tempo livre para os estudos, investimento na</p><p>educação (matrícula nas melhores escolas), afetividade com bens culturais legítimos (livros, idiomas,</p><p>museus, viagens, etc.), aspiração à ascensão social, inculcação desde tenra idade da norma culta da língua,</p><p>capacidade de planejamento são alguns exemplos de transmissão – invisível – da herança familiar da classe</p><p>média tradicional aos seus “herdeiros” (seus filhos).</p><p>Já a Nova Classe de Batalhadores (conceito cunhado por Jessé para criticar o que seria a Nova Classe Média</p><p>– “nova classe C”) são pessoas que fazem parte da camada popular conjuntamente com as pessoas da ralé,</p><p>mas com o diferencial que conseguiram melhorar sua renda e, por conseguinte, o poder de consumo.</p><p>Contudo, também não desenvolveram e consolidaram o capital cultural legítimo exigido pelas duas</p><p>principais instituições das sociedades democráticas modernas: o Estado e o Mercado.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Políticas de transferência de renda, economia aquecida (microcrédito), incentivo ao empreendedorismo</p><p>individual, extremo esforço pessoal, sacrifício familiar favoreceram o surgimento dessa nova classe, que</p><p>passou a trabalhar em 2 ou até 3 empregos (muito comum os famosos “bicos”), totalizando jornadas</p><p>exaustivas de 12 a 16 horas diárias de trabalho. Passaram a adotar uma estratégia de investir o orçamento</p><p>familiar na educação de seus filhos visando à possibilidade de ascensão social.</p><p>Por meio de ações governamentais, lograram chegar nas universidades e escolas técnicas (estimulados</p><p>também por políticas afirmativas). Outro fator, segundo Jessé, está associado ao pentecostalismo (religião</p><p>da maioria dos batalhadores), a qual enfatiza que as pessoas são filhos de Deus, isto é, que essas pessoas</p><p>“valem alguma coisa”, engendrando autoestima e o estímulo de que por meio do trabalho a pessoa pode</p><p>vencer na vida. Isso também gera autodisciplina para o trabalho.</p><p>Diferente de outros países como Alemanha, E.U.A, França, Canadá, Jessé vai dizer que o que diferencia o</p><p>Brasil deles não é a corrupção como muitos são levados a crer, porque lá há também relações de favores, de</p><p>corrupção tanto do Estado como do Mercado, mas sim a democratização do capital cultural legítimo, e de</p><p>que aqui nós aceitamos milhões de pessoas numa linha de subcidadania sem nos incomodar.</p><p>Dessa forma, na teoria de Jessé Souza, a democratização do capital cultural é o grande desafio no Brasil,</p><p>porque ele é concentrado, enquanto em outros países como os supracitados, ele é mais democratizado.</p><p>Jessé propõe o debate de ideias e pretende mostrar aquilo que é “invisível” em nosso cotidiano,</p><p>desmascarando a violência simbólica e o discurso “ético”, pautado na meritocracia e na igualdade de</p><p>oportunidades. Mostra que é preciso ir mais fundo para entender as desigualdades sociais, além da</p><p>necessidade de reformas sociais mais profundas.</p><p>Portanto, caro aluno, se o tema de sua redação tiver relação direta ou indireta com estruturas de</p><p>desigualdades ou de dominação, você pode usar essas reflexões do sociólogo Jessé Souza, bem como as de</p><p>Pierre Bourdieu, para estruturar seus argumentos.</p><p>Ademais, apontar a necessidade de democratizar o capital cultural no desenvolvimento argumentativo ou</p><p>em sua conclusão, pode ser um bom caminho.</p><p>Algumas obras do sociólogo Jessé Souza:</p><p>Os batalhadores brasileiros: nova classe média ou nova classe trabalhadora?</p><p>A ralé brasileira: quem é e como vive.</p><p>A invisibilidade da desigualdade brasileira.</p><p>A construção social da subcidadania.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>PROPOSTA DE REDAÇÃO 03: EFEITOS DAS REDES SOCIAIS</p><p>Faça a sua redação seguindo as exigências da tipologia do gênero dissertativo-argumentativo, obedecendo</p><p>as etapas clássicas de uma redação e capriche na fundamentação.</p><p>Texto I</p><p>Fake news é um tema que tem sido cada vez mais debatido, especialmente no mundo do jornalismo. De</p><p>acordo com o jornal britânico The Telegraph, fake news são notícias falsas que podem existir por cinco</p><p>motivos: com o intuito de enganar o leitor; como uma tomada acidental de partido que leva a uma mentira;</p><p>com algum objetivo escondido do público, motivado por interesses; com a propagação acidental de fatos</p><p>enganosos; ou com a intenção de fazer piada e gerar humor. Embora alguns especialistas, como o jornalista</p><p>Sérgio Dávila, afirmem que notícias falsas sempre tenham existido, é certo que sua disseminação nunca foi</p><p>tão intensa quanto é hoje, com as redes sociais.</p><p>De acordo com Diego Iraheta, redator-chefe do Huffington Post no Brasil, as redes sociais e o universo</p><p>informacional do século XXI facilitam o escoamento das notícias enganosas de uma maneira extremamente</p><p>rápida e eficiente. Assim, com a propagação de reportagens tendenciosas e mentirosas crescendo cada vez</p><p>mais, a democracia é ameaçada, uma vez que o acesso à informação é um direito do cidadão.</p><p>Fábio Zanini, editor da seção “Poder” da Folha de S.Paulo comenta o porquê de as fake news terem ganhado</p><p>importância nos últimos tempos. “Isso foi exacerbado, na minha avaliação, por dois motivos que, na</p><p>verdade, caminham juntos: primeiro, as redes sociais, que democratizaram muito a geração de informação,</p><p>o que é uma coisa positiva até certo ponto; e o segundo motivo é uma crescente polarização política em</p><p>todo o mundo”, disse.</p><p>(Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br/pos-verdade/o-impacto-das-fake-news-no-dia-dia-</p><p>do-jornalismo/ - Acesso em: 22 ago. 2018).</p><p>Texto II</p><p>Com compra de seguidores é possível criar uma "celebridade" com R$ 8 mil</p><p>A internet está cheia de celebridades, que usam a influência sobre seguidores para lançar tendências e</p><p>promover produtos, mas alguns, na sede pela fama virtual, podem acelerar esse processo. Um relatório</p><p>produzido pela empresa de segurança Trend Micro mostra que, com US$ 2.600, cerca de R$ 8.200, é</p><p>possível comprar 300 mil seguidores e enganar os algoritmos de redes sociais. [...] Outro ponto abordado</p><p>[...] foi o impacto [das redes sociais] no processo decisório, "de eleições, acordos comerciais e referendos</p><p>até decisões financeiras pessoais".</p><p>Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/com-compra-de-seguidores-possivel-</p><p>criar-uma-celebridade-com-8-mil-21603422 Acesso em 29 junho 2017 (fragmentado)</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Texto III</p><p>Dependência</p><p>A dependência pelo celular, especialmente o aplicativo WhasApp, é algo que pode gerar transtornos</p><p>mentais. É fundamental que os pais saibam limitar esse tempo gasto na internet. Sem contar que as crianças</p><p>e adolescentes acabam por não se desenvolver, socialmente.</p><p>Disponível em: https://www.welivesecurity.com/br/2018/06/29/entenda-como-superexposicao-em-redes-</p><p>sociais-pode-trazer-problemas/</p><p>PADRÃO DE RESPOSTA DA 3ª PROPOSTA: EFEITOS DAS REDES</p><p>SOCIAIS</p><p>O candidato</p><p>possui vários caminhos para mostrar os efeitos das redes sociais. De qualquer forma, são</p><p>necessário aprofundar pelo menos dois efeitos concretos.</p><p>MODELO DE REDAÇÃO</p><p>De acordo com o sociólogo espanhol Manuel Castells, a contemporaneidade pode ser</p><p>considerada a “Era Digital”, período em que as novas tecnologias de informação e</p><p>comunicação se tornam essenciais para a vida social e para o trabalho. Nesse contexto, a</p><p>população tende a utilizá-la para vários objetivos, inclusive para buscar popularidade.</p><p>Contudo, a exposição excessiva nas redes pode desencadear graves problemas.</p><p>A princípio, é lícito afirmar que as pessoas têm tomado as redes sociais como espaço para</p><p>construir uma espécie de “público” para suas vidas. Nesse sentido, o filósofo Guy Debord</p><p>afirma que a humanidade desenvolveu a “sociedade do espetáculo”, na medida em que a</p><p>tentativa de tornar cada aspecto da existência algo digno de ser exibido se estabelece</p><p>solidamente com a tendência a produzir postagens com as ações do dia a dia.</p><p>No entanto, esse comportamento pode causar diversos danos, tanto materiais quanto</p><p>psicológicos. Isso ocorre, pois a revelação da localização e da rotina pessoal pode dar</p><p>informações a criminosos, os quais passam a ter dados importantes para planejar delitos.</p><p>Ademais, a sensação de que é necessário postar sobre tudo o que se faz pode gerar</p><p>ansiedade e distúrbios psíquicos aos usuários.</p><p>Destarte, o uso das redes sociais pode causar prejuízos caso seja feito sem controle e sem</p><p>reflexão, sobretudo se pautado na necessidade de expor todos os aspectos da vida como</p><p>se fossem espetáculos para agradar a audiência. Assim, cumpre aos usuários cautela e</p><p>ponderação no uso dessas ferramentas para aproveitar somente as vantagens da Era</p><p>Digital.</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p><p>Carlos Roberto, Raphael de Oliveira Reis</p><p>Aula 07 - Prof. Raphael Reis</p><p>IFBA (Técnico Administrativo) Redação - 2022 (Pós-Edital) Sem Correção</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>86510500306390507 - Thiago munekata</p>

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