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Prof. Enf. Patrícia Gama CONTROLE DE HEMORRAGIAS PRIMEIROS SOCORROS Uma boa oxigenação é essencial para o normal funcionamento do nosso organismo. O transporte do oxigénio é feito pelo sistema circulatório que é composto pelo sangue, coração, artérias, veias e capilares. Por este motivo, quando existe uma saída de sangue de uma forma não controlada, está-se perante uma hemorragia. O que é hemorragia? Hemorragia é a perda se sangue do sistema circulatório, devido à ruptura dos vasos sanguíneos, sendo que a gravidade é medida pela quantidade e rapidez que o sangue é extravasado/perdido. Quando ocorre a perda de sangue, o organismo responde com algumas respostas fisiológicas, mas se a perda for superior a resposta compensatória, diz que o indivíduo encontra-se em choque hipovolêmico; algo muito grave. Porém, caso o indivíduo receba assistência médica imediata, com reposição de volume adequado a perda, esse fato pode ser reversível. CLASSIFICAÇÃO DAS HEMORRAGIAS EM RELAÇÃO À ORIGEM As hemorragias classificam-se em relação ao vaso atingido. Deste modo, existem: Hemorragias arteriais; Hemorragias venosas; Hemorragias capilares. Hemorragias arteriais: Quando o vaso que sangra é uma artéria. Caracteriza-se pela saída de sangue vermelho vivo e às «golfadas», ou seja, num jacto descontínuo, correspondente à contração do coração. Hemorragias venosas: Quando o vaso que sangra é uma veia. Caracteriza-se por uma saída de sangue vermelho escuro em jato contínuo. Hemorragias capilares: Quando são atingidos os vasos capilares. Caracteriza-se por uma saída de sangue em toalha. Normalmente não oferecem perigo. QUADRO CLÍNICO DA HEMORRAGIA Perda de até 15% (750ml) – não causam alterações. Perda maior que 15% e menor que 30% (750 a 1500 ml) – causam estado de choque compensado – sem hipotensão. Perda acima de 30% (maior que 1500 ml) – choque descompensado – com hipotensão. CLASSIFICAÇÃO DAS HEMORRAGIAS EM RELAÇÃO À LOCALIZAÇÃO As hemorragias, à semelhança da classificação da origem, vão também ser classificadas em relação à sua localização, podendo ser: Hemorragias externas; Hemorragias internas. Hemorragias externas As hemorragias externas são de fácil localização, estão relacionadas com feridas e podem ser de origem arterial, venosa ou capilar, dependendo do(s) vaso(s) atingido(s). O controle das hemorragias pode ser obtido através da aplicação das seguintes técnicas: Compressão manual direta; Compressão manual indireta ou à distância; Garrote. SINAIS E SINTOMAS: Agitação; Palidez; Sudorese intensa; Pele Fria; Pulso acelerado (acima de 100 bpm); Hipotensão (Pressão arterial baixa); Astenia (fraqueza), etc. PRIMEIROS SOCORROS Deitar a vítima; Cobrir o ferimento com gaze ou pano limpo; Pressionar o local com firmeza; Se o ferimento for nos membros, elevar o membro ferido, caso seja possível; Caso não haja controle, pressionar diretamente as artérias que nutrem o membro afetado (axilar no MMSS ou femoral no MMII); Em casos de amputação traumática não cessando o quadro hemorrágico após as manobras precedentes, aplicar garroteamento nos pontos de bloqueio próximos ao ponto de amputação; Manter monitoramento dos sinais vitais; Transportar a vítima para o hospital. TÉCNICAS DE CONTROLE DE HEMORRAGIA: O resultado destas técnicas pode ser melhorado, associando às mesmas os seguintes procedimentos: Aplicação de frio; Elevação do membro. a) Compressão manual direta Fazer compressão diretamente sobre a lesão que sangra, utilizar compressas ou um pano limpo para auxiliar. Caso o volume de compressas seja excessivo, retirar a maioria sem remover aquelas que estão em contato direto com a ferida, de forma a evitar que a mesma volte a sangrar. Esta técnica, apesar de eficaz, não deve ser aplicada quando se está perante as seguintes situações: Ferida com objeto empalado; Ferida associada a fraturas. b) Compressão manual indireta ou à distância Esta técnica aplica-se quando não é possível efetuar a compressão manual direta e consiste em fazer compressão num ponto entre o coração e a lesão que sangra. c) Torniquete O torniquete, devido às lesões que provoca, é colocado somente quando todas as outras técnicas de controle de hemorragias falharam ou quando se está perante a destruição de um membro. Este deve ser de tecido não elástico e largo. Quando se recorre ao torniquete, deve registar-se a hora da sua aplicação. **Afrouxe o torniquete entre 5 e 15 minutos. Para se obter resultados mais rápidos podem associar- se às técnicas referidas anteriormente os seguintes procedimentos: • Aplicação de frio – A aplicação de frio vai fazer com que os vasos se contraiam reduzindo a hemorragia. No entanto, a sua aplicação requer cuidados. Por isso deve proceder-se da seguinte forma: – Quando se utilizar gelo, envolvê-lo num pano limpo ou em compressas e depois colocá-lo sobre a lesão; – Fazer aplicações por períodos de tempo não superiores a 10 minutos. • Elevação do membro – Este método consiste em utilizar a força da gravidade para reduzir a pressão de sangue na zona da lesão. Para a sua aplicação verificar se não existem outras lesões que possam ser agravadas. Hemorragias internas As hemorragias internas são de difícil reconhecimento, sendo caracterizadas de duas formas: • Hemorragias internas visíveis; • Hemorragias internas não visíveis. a) Hemorragias internas visíveis: Diz-se que é uma hemorragia interna visível quando o sangue sai por um dos orifícios naturais do corpo (nariz, ouvidos, boca, etc.). b) Hemorragias internas não visíveis: São de difícil reconhecimento, sendo a suspeita com base nos sinais e sintomas que o doente apresenta. SINAIS E SINTOMAS: Pulso rápido; Respiração rápida; Pele pálida, fria; Sudorese; Pupilas dilatadas (midríase); Astenia (fraqueza); Perda de sangue ou fluidos pelo nariz (rinorragia) ou ouvido (otorragia). PRIMEIROS SOCORROS Manter o paciente calmo, deitado com a cabeça de lado; Afrouxar a roupa; Providenciar transporte urgente (Transportar a vítima ao hospital); Não oferecer líquidos e alimentos; Se não houver contra-indicação, elevar os membros inferiores; Verificar vias aéreas, respiração, circulação e sistema nervoso. No caso da hemorragia interna devem ser aplicados, entre outros, os seguintes cuidados: • Não deixar a vítima faça qualquer movimento; • Se o sangue sai pelos ouvidos, neste caso particular, colocar somente uma compressa para embeber; • Aplicar frio sobre a zona da lesão; • Manter o doente quente; • Avaliar os parâmetros vitais. PRIMEIROS SOCORROS Num quadro clínico de hemorragia grave, a vítima apresenta sinais e sintomas de choque hipovolêmico. Assim sendo, devem ser aplicados os seguintes cuidados de emergência: • Proceder ao controle da hemorragia; • Ter em atenção um possível episódio de vômito; • Elevar os membros inferiores; • Manter o doente confortável e aquecido; • Identificar os antecedentes pessoais e a medicação; • Avaliar os parâmetros vitais, se possível; • Ligar para corpo de bombeiros ou SAMU e informar: – Local exato; – Número de telefone de contato; – Descrever o que foi observado e avaliado; – Descrever os cuidados de emergência aplicados; – Respeitar as instruções dadas. • Aguardar pelo socorro, mantendo a vigilância da vítima; • Se a vítima estiver em paragem cardiorrespiratória, iniciar de imediato as manobras de reanimação. SANGRAMENTO NASAL – EPISTAXE É a perda sanguínea pela cavidade nasal, ocorre com relativa frequência, pois como a cavidade nasal é intensamente vascularizada existe muita fragilidade local facilitando a ruptura de vasos. É causada pelo rompimentos dos vasos sangüíneos do nariz ou pela exposição excessiva ao sol ou hipertensão arterial. POSSÍVEIS CAUSAS Deformidadesanatômicas; Inalação de produtos químicos; Inflamação ocasionada por sinusite crônica, rinite alérgica ou irritantes ambientais; Corpos estranhos; Tumores intranasais; Utilização de medicamentos nasais; Cirurgias prévias; Trauma (incluindo assoar o nariz com força excessiva); Fatores sistêmicos como problemas cardíacos, leucemias, etc. PRIMEIROS SOCORROS Aperte as laterais do nariz contra o septo (osso que separa as narinas) por cinco minutos; Mantenha a vítima sentada, com a cabeça levemente inclinada para frente (para evitar que o sangue seja engolido); Não coloque nada nas narinas; Caso a hemorragia não ceda, colocar um tampão de gaze por dentro da narina, ou usar compressa fria sobre o nariz. Se possível usar gelo protegido com pano ou toalha e aplique no local. Avise a vítima para não assoar o nariz quando o sangramento parar, pois o vaso sanguíneo poderá romper novamente. Caso o sangramento persista, procure atendimento médico/hospitalar. REFERÊNCIAS Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro. Fundação Oswaldo Cruz, 2003.