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1. (Fuvest-SP) O pai e a mãe de um par de gêmeos dizigóticos têm tipo sanguíneo AB. Qual a proba- bilidade de ambos os gêmeos terem sangue do tipo AB? Por quê? Resolução O pai e a mãe têm genótipo IAIB. Portanto, a pro- babilidade de gerarem uma criança AB é 1/2. IA IB IA IAIA IAIB IB IAIB IBIB 1/2 ou 50% de sangue AB Como queremos saber a probabilidade de o ca- sal gerar duas crianças gêmeas dizigóticas, re- solvemos o problema como se fosse pedida a probabilidade de obtermos duas crianças nas- cidas em épocas distintas. Portanto, a probabi- lidade de a primeira e a segunda crianças serem AB é 1/2 × 1/2 = 1/4 ou 25%. 2. Uma mulher do grupo A, casada com um homem do grupo A, tem uma criança do grupo O. O ma- rido acusa um indivíduo do grupo AB de ser o pai da criança. Responda: a) A acusação é válida? b) Podemos provar quem é o verdadeiro pai apenas analisando esses grupos de sangue? Resolução a) Veja o esquema abaixo: A IAi ii A IA_ AB IAIB homem acusado de ser o pai Pelo esquema, vemos que a acusação não é válida. O homem AB não pode ser o pai, pois não tem o alelo i, necessário para que um filho seu seja do grupo O. b) Não podemos provar a paternidade apenas com o grupo sanguíneo ABO. A análise dos vários grupos sanguíneos permite apenas provar, em certos casos, que determinado indivíduo não pode ser o pai de uma criança. Como veremos no Capítulo 7, o teste de DNA é o mais indicado para determinar se um in- divíduo é ou não o pai de uma criança, visto que sua confiabilidade pode ser igual ou maior que 99,99%. Transfusões de sangue Uma das principais razões pelas quais o sangue é testado para o tipo sanguíneo é a necessidade de transfusão. A transfusão sanguínea é feita quando um paciente perde muito sangue e seu organismo não é capaz de repor sozinho o que foi perdido. Trans- fusões também podem ser parte do tratamento de algumas doenças. O sangue que será doado para transfusões é se- parado em diversos elementos: concentrado de he- mácias, plasma (por sua vez, separado em vários componentes), concentrado de plaquetas, etc. Cada um poderá ser usado conforme a situação específica: em certos casos de anemia ou hemorragia aguda, por exemplo, há necessidade de transfusão de con- centrado de hemácias. Já o plasma pode ser usado quando há deficiência de múltiplos fatores de coa- gulação e quando não estiverem disponíveis concen- trados comerciais desses fatores (obtidos por técni- cas de engenharia genética). Essas condições devem ser avaliadas pela equipe médica. A transfusão de sangue total, com todos os seus componentes, tem uso muito restrito. Se for necessário, o sangue pode ser reconstituído a partir do concentrado de hemá- cias e do plasma. Antes da transfusão, deve ser observado se o sangue do doador é compatível com o sangue do receptor. É feita a mistura do soro do receptor com as hemácias do doador para investigar a presença de anticorpos contra os antígenos presentes nas hemá- cias deste último. Se o sangue (na forma de concentrado de hemá- cias) de um indivíduo do grupo A ou do grupo AB for doado a um indivíduo do grupo B, as hemácias do doador serão aglutinadas pelas aglutininas anti-A do plasma do receptor. Os aglomerados de hemácias obstruem pequenos vasos sanguíneos e causam problemas circulatórios. Algum tempo depois, essas hemácias são destruídas por glóbulos brancos e li- Exercícios resolvidos Capítulo 348 044_055_U01_C03_Bio_Hoje_vol_3_PNLD2018.indd 48 19/05/16 16:36 beram a hemoglobina e outros produtos no plasma. Com isso, pode ocorrer desde uma pequena reação alérgica até lesões renais graves (causadas pelos produtos liberados) e morte. O mesmo ocorre se um indivíduo do grupo B ou do grupo AB doar sangue a um do grupo A, pois suas hemácias serão aglutina- das pelas aglutininas anti-B do plasma do receptor, ou se um indivíduo do grupo O receber doação de qualquer pessoa de grupo sanguíneo diferente do seu, visto que em seu plasma há tanto aglutinina anti-A como anti-B. A pessoa portadora do tipo de sangue O não tem aglutinogênios A ou B nas hemácias. Por isso, dize- mos que esse grupo é um doador universal, uma vez que seu sangue, na forma de concentrado de hemá- cias (melhor seria falar, portanto, em doador univer- sal de hemácias), pode ser doado para pessoas com sangue A, B, AB ou O. Na prática, as pessoas recebem preferencialmente sangue do mesmo tipo que o seu. As hemácias de sangue tipo O devem ser usadas em pacientes de outro grupo sanguíneo apenas em si- tuações de emergência. De modo semelhante, pessoas do grupo AB, por não terem aglutininas anti-A ou anti-B no plas- ma, aceitam transfusões de hemácias de pessoas com sangue A, B, AB ou O, sendo chamadas receptores universais (ou receptores universais de hemácias). Na resolução de problemas, é costume aceitar que o sangue O é um doador universal e o AB um receptor universal, ficando subentendido que se trata de uma transfusão de hemácias, e não de plas- ma. Veja abaixo o esquema de compatibilidade de grupos sanguíneos para a transfusão de hemácias (figura 3.4). Figura 3.4 Possibilidades de transfusão de hemácias. O sentido das setas indica os possíveis doadores para cada grupo sanguíneo. 3 Sistema Rh de grupos sanguíneos Outro sistema de classificação de grupos sanguí- neos é chamado sistema Rh (iniciais de Rhesus, o gênero de macaco no qual esse antígeno foi desco- berto inicialmente). Cerca de 85% dos seres humanos possuem em suas hemácias o antígeno Rh e são chamadas Rh positivas (Rh1). As que não têm esse antígeno são Rh negativas (Rh2). Embora vários alelos estejam envolvidos na he- rança do fator Rh, para efeito de incompatibilidade de grupos sanguíneos podemos considerar apenas um par de alelos: D (dominante, faz aparecer esse antígeno) e d (recessivo). Ao contrário dos antígenos do sistema ABO, o an- tígeno Rh não é encontrado em bactérias e, a princípio, um indivíduo negativo não possui anticorpos no plas- ma. Em geral, os indivíduos Rh2 produzem anticorpos correspondentes quando recebem hemácias com o antígeno Rh, o que pode ocorrer durante a gravidez, no parto ou em transfusões. Veja o quadro abaixo. Genótipo Grupo Hemácia Plasma DD ou Dd Rh1 Com antígeno Rh Sem anticorpos anti-Rh dd Rh2 Sem antígeno Rh Com anticorpos anti-Rh se recebeu hemácias com antígeno Rh Nas transfusões de hemácias, uma pessoa com fator Rh1 pode receber tanto sangue Rh1 como Rh2, enquanto uma pessoa Rh2 deve receber apenas sangue Rh2. Por isso, o doador universal de hemá- cias deve ser do grupo O e Rh2 e o receptor universal de hemácias deve ser do grupo AB e Rh1 (excepcionalmente, em casos de urgência, é possí- vel transfundir hemácias com fator Rh positivo para pacientes Rh negativos). Quando uma mulher Rh2 tem um filho com um homem Rh1 homozigoto, todos os filhos do casal serão Rh1. Porém, se a mulher é Rh2 e o homem é Rh1 heterozigoto, podem nascer filhos Rh1 e Rh2. Observe o esquema abaixo. Rh2 Rh1 Rh1 Rh1 100% Dd dd DD Rh2 Rh2 Rh1 dd 50% Dd 50%dd Dd A A ABO B AB B O Doador universal (não possui aglutinogênios). Receptor universal (não possui aglutininas). Grupos sanguíneos e polialelia 49 044_055_U01_C03_Bio_Hoje_vol_3_PNLD2018.indd 49 19/05/16 16:36 Para prevenir a eritroblastose fetal, até três dias após o parto da primeira criança Rh1 (ou entre a 28a e a 30a semana de gestação), a mãe Rh– deve receber uma aplicação de anticorpos anti-Rh. Provenientes do plasma de pessoas Rh– sensibilizadas, esses anti- corpos destroem as hemácias Rh1 deixadas pelo fe- to no sangue da mãe, o que impede o desencadea- mento da produção de anticorpos maternos. Com o tempo, esses anticorpos são eliminados.Como o sistema imune da mulher não foi sensibili- zado, ela fica livre para uma nova gravidez. Se, no- vamente, a criança for Rh1, não haverá problema, pois será como se fosse o primeiro filho. No entanto, o tratamento tem de ser repetido para prevenir aci- dentes na gravidez seguinte, pois durante o parto a criança, sendo positiva, pode lançar hemácias com antígenos no sangue materno. Quando a mãe é Rh1 e o filho é Rh–, não há pro- blemas para a mãe, uma vez que a produção de an- ticorpos pela criança só ocorre cerca de seis meses após o nascimento. Sistema MN de grupos sangu’neos Outro sistema sanguíneo é o MN. Entre os vários alelos relacionados a ele, destacam-se LM ou M – que produz o antígeno M – e LN ou N – que produz o antígeno N. Como os alelos implicados no processo são co- dominantes, há três genótipos e três fenótipos: LM LM (antígeno M), grupo M; LN LN (antígeno N), grupo N; LMLN (antígenos M e N), grupo MN. hemácias do feto com antígeno Rh feto Rh1 anticorpos anti-Rh da mãe anticorpos anti-Rh feto Rh1 Il u s tr a ç õ e s : L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra Mulher Rh– (dd) tem um primeiro filho Rh1 (Dd) do homem Rh1; as hemácias do filho induzem a produção de anticorpos anti-Rh pela mãe. Na segunda gravidez, anticorpos da mãe atacam hemácias do filho.Homem Rh1 (DD ou Dd). A eritroblastose fetal (do grego erythron = verme- lho; blastós = germe) ou doença hemolítica do recém- -nascido (DHRN) (do grego haîma = sangue; lysis = destruição) pode ocorrer em filhos de mãe Rh–. Se o filho for Rh–, terá o mesmo padrão da mãe e não ha- verá incompatibilidade entre eles. Se for Rh1, alguns dias antes do nascimento e principalmente durante o parto, uma parte do sangue do feto escapa para o organismo materno, que é estimulado a produzir an- ticorpo anti-Rh. Como essa produção não é imediata, o primeiro filho nascerá livre de problemas (figura 3.5). Entretanto, em uma possível segunda gestação, os anticorpos maternos, já concentrados no sangue, atra- vessam a placenta e podem provocar aglutinação das hemácias do feto, que serão fagocitadas e destruídas. Nesse caso, ao nascer, a criança apresenta anemia e icterícia: a hemoglobina da hemácia destruída é trans- formada em bilirrubina (pigmento amarelo), substân- cia que em quantidade excessiva se deposita nos te- cidos e dá coloração amarelada à pele. Além disso, pode se depositar no cérebro da criança e provocar surdez e deficiência mental. A destruição das hemá- cias do feto e do recém-nascido leva os órgãos produ- tores de sangue a lançar na circulação hemácias ainda jovens – os eritroblastos –, daí o nome da doença. Nos casos mais graves, chega a ocorrer aborto involuntário. Se a criança nascer, poderá ser salva com a troca gradativa de seu sangue por sangue Rh–. As novas hemácias Rh– não serão destruídas e, após algum tempo, quando forem substituídas na- turalmente por hemácias Rh1 da própria criança, os anticorpos anti-Rh que passaram da mãe para a criança já terão sido eliminados. Figura 3.5 Condições para o aparecimento de eritroblastose fetal (os elementos ilustrados não estão na mesma escala; anticorpos são cerca de cem vezes menores que uma célula; cores fantasia). Capítulo 350 044_055_U01_C03_Bio_Hoje_vol_3_PNLD2018.indd 50 19/05/16 16:36