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Biologia Forense O Uso das Ciências Biológicas na produção da prova forense. II – Entomologia Forense Prof. Helder Marques Helder.hmvs@gmail.com Entomologia é a subdivisão da Biologia que estuda a classe Insecta - Os insetos são o grupo de animais mais diversificado existente na Terra. - Mais de 800 mil espécies descritas. - Dominaram o ambiente terrestre, sendo encontrados em quase todos os ecossistemas do planeta. Essa Irradiação adaptativa resultou na alta diversificação do grupo. 5 mil espécies de Odonata (libélulas) 20 mil de Orthoptera (gafanhotos e grilos) 170 mil de Lepidoptera (borboletas) 120 mil de Diptera (moscas) 82 mil de Hemiptera (percevejos e afídeos) 350 mil de Coleoptera (besouros) 110 mil de Hymenoptera (abelhas, vespas e formigas). Ametábulos Desenvolvimento direto. Ovo – forma imatura (ordem Thysanura, como a traça dos livros) Hemimetábulos Ovo- forma jovem e mudas. (os cupins, os gafanhotos, as cigarras e as baratas.) Ciclo de vida de insetos Ciclo de vida de insetos Holometábulos. Ovo -larva-pupa – adulto (Dipteros- Moscas e mosquitos. Lepdópteros - Borboletas e Mariposas) Insetos são animais Poiquilotérmicos (pecilotérmicos). Assim, a temperatura ambiente influencia diretamente na duração do ciclo de vida dos insetos. Ciclo de vida de insetos O uso forense dos conhecimentos em entomologia Insetos estão presentes quem quase todos os ambientes (inclusive locais de crime). Insetos estão fortemente relacionados à decomposição de cadáveres em ambiente terrestre. A entomologia possui vasto conhecimento sobre o ciclo de vida e a zoogeografia . Os insetos apresentam vasto potencial para a produção da prova. Assim, na prática da Entomologia Forense O objetivo é a resolução de um problema de interesse forense, utilizando os conhecimentos já estabelecidos em entomologia. Tráfico de entorpecentes,: Uma das possibilidades do uso dos conhecimentos entomológicos em investigações criminais é utilizar os dados existentes sobre a distribuição geográfica de uma espécie de insetos associada a drogas apreendidas. Dessa forma, seria possível deduzir as rotas por onde a droga teria passado. Danos em bens imóveis: Insetos podem ser responsáveis por danos materiais em uma grande variedade de casos. Assim, o conhecimento da biologia dos insetos e de sua distribuição geográfica pode ser útil para a apuração dos fatos. Contaminação de materiais e produtos estocados: Vários grupos bem conhecidos de insetos são comensais de produtos estocados. O conhecimento da sua biologia e distribuição geográfica, pode em caso de pendências judiciais, auxiliar na determinação de responsabilidades. Investigação da Morte: Diptera e Coleoptera são ordens que possuem espécies cujas larvas desenvolvem-se em cadáveres animais. O estudo do desenvolvimento das formas larvais encontradas em cadáveres pode ajudar na estimativa do tempo transcorrido desde a morte. Em que problemas de interesse forense os conhecimentos entomológicos podem ser úteis? A Entomologia Forense foi classificada em três subáreas, descritas abaixo (modificado de Lord & Stevesson 1986). 1) Urbana: relativa às ações cíveis envolvendo a presença de insetos em bens culturais, imóveis ou estruturas. Um caso típico seria o do comprador de um imóvel que, pouco tempo depois da compra, descobre que ele se encontra infestado por cupins e responsabiliza o vendedor pelo seu prejuízo. A questão a ser respondida pela Entomologia Forense é o tempo de infestação e se ocorreu antes ou depois da compra. 2) Produtos armazenados: diz respeito à contaminação, em pequena ou grande extensão, de produtos comerciais estocados. O comprador do lote de alimento infestado por insetos pragas pode exigir do vendedor uma compensação pelo prejuízo. O desafio para a Entomologia Forense seria determinar quando ocorreu a infestação. 3) Médico-legal: refere-se a casos de morte violenta (crime contra a pessoa, acidentes de massa, genocídios, etc.). A principal contribuição da Entomologia Forense, nesses casos, é a estimativa do intervalo post-mortem. A decomposição de carcaças animais é um processo espontâneo, mediado por vários grupos de organismos, principalmente bactérias, fungos e insetos. Do ponto de vista ecológico, o cadáver é um microambiente, que será colonizado sucessivamente. - Sucessão Ecológica. Os grupos de insetos frequentemente associados à cadáveres são: Dipteros (moscas) e Coleópteros (besouros). Esses animais vão se alimentar, viver e reproduzir utilizando o cadáver como fonte de abrigo e alimento, estando o papel de cada grupo associado fortemente ao estágio de decomposição cadavérica. Insetos e decomposição cadavérica Estimativas clássicas de IPM 1- Rigidez cadavérica. De inicio a Completa entre 3 a 10 horas 2- Resfriamento do corpo Oscila ao longo das 24 horas 3- Livores Cadavéricos ou Hipóstases Entre 3 a 5 horas 4- Fases da decomposição: - Fase da Coloração: Inicia entre 18 a 24 h e estende-se por todo o corpo, do 3º ao 5º dia - Fase gasosa: Atinge o máximo em 96 h, com o vazamento de gás para a atmosfera . - Fase coliquativa ou de fusão: Inicia na primeira semana e pode durar meses, dependendo das condições do ambiente. - Fase de esqueletização: após a terceira semana ocorre o aparecimento dos ossos, devido à decomposição total dos tecidos externos. A observação dos fenômenos cadavéricos, e sua transformação ao longo do tempo fornece os dados clássicos para a determinação do IPM Observa-se que os métodos clássicos de estimativa de IPM têm uma característica em comum: São muito bons para estimar pequenos intervalos de tempopequenos intervalos de tempo e têm seu erro aumentado quando a morte ocorreu a tempo. Por quê um método entomológico para estimar o IPM?Por quê um método entomológico para estimar o IPM? Observa-se que os métodos clássicos de estimativa de IPM têm uma característica em comum: São muito bons para estimar pequenos intervalos de tempopequenos intervalos de tempo e têm seu erro aumentado quando a morte ocorreu a tempo. Assim, o importantíssimo dado de QUANDOQUANDO a morte ocorreu é pouco preciso em casos onde o cadáver é examinado muitos dias após a morte. O método entomológico tenta fornecer dados “externos” baseado nos conhecimentos da entomologia, para estimar um IPM alto com maior precisão. Estudos da colonização de carcaças animais permitem identificar a sucessão de espécies de insetos que visitam e colonizam a carcaça. Porcos são utilizados como modelo para decomposição devido à sua semelhança com o Homem, em termos de composição de gorduras e massa da carcaça. Fotos de experimento conduzido no campus da UNB em dezembro de 2004 Métodos Entomólogicos de estimativa do IPM. O uso de porcos domésticos como Modelo para estudar a entomofauna cadavérica Dermestidae Sarcophagidae Calliphoridae Coleoptera Entomofauna cadáverica Coleoptera Diptera Obtenção dos dados entomológicos em Local de morte violenta. Objetivos: Identificar as espécies que estão se desenvolvendo no cadáver. Determinar o tempo de desenvolvimento dos organismos desde a oviposição. Informações a ser obtidas: Temperatura de desenvolvimento. Identificação da espécie e dados de sua biologia. Procedimentos: Coleta Criação em laboratório. Imagens do livro: Entomologia Forense, de Janyra Oliveira-Costa ESTUDO DIRIGIDO ENTOMOLOGIA FORENSE Um cadáver masculino foi encontrado nas proximidades de Manaus- AM. O cadáver apresentava avançado estado de decomposição. Foram observadas muitas moscas no entorno do cadáver. Após cuidadosos exames do entorno, não foram encontradas pupas. A temperatura coletada no ambiente foi de 28ºC. Foram coletadas larvas em terceiro estágio e emcaminhadas ao laboratório para crescimento. As 41 larvas que chegaram vivas foram colocadas em meio de cultura apropriado e incubadasem estufa a 28ºC. Após 34h houve o aparecimento de 20 pupas. Após 110:30 foi observada a emersão de apenas 10 adultos. A espécie identificada foi Paralucilia fulvinota. Após consulta à bibliografia foram obtidos os dados da tabela para crescimento da espécie em laboratório, a 28ºC. Determine o IPM Mínimo. ATIVIDADE PRÁTICA: ESTIMATIVA DE IPM POR MÉTODO ENTOMOLÓGICO ESTAGIO TEMPO H:M OVIPOSIÇÃO - ECLOSÃO 18:00 L1 30:30 L2 16:00 L3 118:30 Pupa – adulto 122:30 O massacre de garimpeiros na Reserva indígena do Rio Roosevelt – RO 2004 Em abril de 2004, 26 cadáveres de garimpeiros foram localizados em um ponto de difícil acesso no interior da reserva indígena. O exame de local evidenciou que as pessoas haviam sido mortas simultaneamente, quase todos por golpes de instrumento contundente na cabeça. Os cadáveres estavam em uma região de floresta tropical dentro de um raio de 10 metros. Apesar da proximidade e da simultaneidade das mortes, foram encontrados corpos em diferentes fases de decomposição, desde corpos mumificados àqueles liquefeitos e esqueletizados. A tremenda variação de microclimas é a explicação mais provável para a variedade de estados de putrefação encontrada. Nesse caso as estimativas clássicas de IPM seriam conflitantes. Foram coletadas larvas de terceiro estágio e encaminhadas ao Lab de entomologia da UNB, onde foram cultivadas para identificação da espécie estimativa do GDA. Os dados resultaram em um intervalo de 5,7 dias, desde a morte até a coleta das larvas, sendo compatível com as informações obtidas por testemunhas. Bibliografia recomendada : Entomologia Forense - Quando os insetos são vestígios Janyra Oliveira-Costa. https://plog.com.br/EntomoForense Fim! Slide 1 Slide 2 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 21 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 42 Slide 43