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D
1
A multiplicidade de mundos
“Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus,
de maneira que o visível não foi feito do que se vê”. Hebreus 11:3
 
e acordo com as descobertas científicas, nosso universo é composto
de bilhões de galáxias, que por sua vez, possuem trilhões de
estrelas, das quais, presumivelmente, muitas são rodeadas por
planetas. A pergunta é inevitável: Estamos sós no Universo? Haveria vida
em alguma outra parte além da Terra?
 
De acordo com a Bíblia, o homem não é a única raça a habitar esse imenso
Cosmos. O relato de Jó 38:7 nos dá conta de que a criação da Terra foi
assistida por uma legião de seres vivos, chamados ali por dois nomes:
estrelas da alva e filhos de Deus (Heb.: bene-a-elohim).
 
Esses seres, popularizados pela cultura cristã como anjos, são anteriores ao
homem. Não se tratam apenas de seres espirituais, mas que possuem uma
estrutura física. Suas frequentes aparições nas páginas da Bíblia
comprovam isso. Eles comem, bebem, dormem, e se parecem tanto com
seres humanos, que chegam a ser confundidos com eles.
 
Às vezes também aparecem com vestes resplandecentes, e desaparecem
subitamente. Além disso, deslocam-se no espaço através de meio de
transportes. Se fossem apenas seres espirituais, não precisariam disso.
 
São chamados de anjos por serem portadores de mensagens de Deus aos
homens.
 
A cultura popular os pinta com asas e aureolas, fugindo completamente da
realidade apresentada nas Escrituras.
 
São frequentemente identificados como estrelas, e isso nos fornece uma
pista de sua origem e habitat. 
 
Formam os “exércitos celestiais”.
 
Muitos deles presidem mundos, são potestades nos lugares celestiais
(espaço sideral).
 
Em seu habitat, não se reproduzem. Os mundos em que habitam estão
devidamente preenchidos. Não sabemos ao certo se popularizaram seus
mundos através da procriação, ou se foram criados já em um número
definido.
 
Não estão sujeitos a morte, pois sua natureza está aperfeiçoada. O fato de
serem “espíritos ministradores”, não implica em que eles não tenham
existência física (Hebreus 1:14). O homem também é espírito, entretanto,
possui corpo. Eles, porém, possuem a habilidade de desmaterializar-se.
Seus corpos são compostos de energia sutil, que pode condensar-se, ou
desmaterializar-se, tal como o corpo ressurrecto de Cristo, que embora
pudesse ser tocado, era capaz de atravessar paredes e de comer.
 
Há uma diversidade de seres conhecidos como anjos. Entre eles, os
querubins. Estes aparecem na Bíblia como seres alados, e com aparência
híbrida (parte homem, parte animal). Eles são os protetores planetários,
enquanto os arcanjos são os protetores das nações.
 
Querubins e Serafins são a mesma espécie de ser. Serafim diz respeito ao
ser em si, enquanto Querubim pode referir-se a sua habilidade de
locomoção aérea (Sl.18:10). São também chamados de “vigias”.
 
O termo “anjo” da língua portuguesa tem origem na palavra latina angelu,
que por sua vez se deriva do termo aggelov (aggelos) do grego. Em
hebraico, a palavra traduzida como anjo é K)lm (mal'ak). Esta palavra
ocorre 214 vezes no Antigo Testamento, enquanto aggelos ocorre 188 vezes
no Novo Testamento, sendo que ambas tem o significado de mensageiro,
representante, enviado ou embaixador.
 
A Natureza Angelical
 
De acordo com as Escrituras, os anjos (malakim, plural de malak)
são “espíritos ministradores.”[1] Sua principal função é servir a Deus,
ministrando em favor daqueles que herdam a salvação. Portanto, eles estão
ativamente envolvidos na história humana.
 
O fato de serem espíritos, não os impede de ostentarem corpos materiais. O
homem também é espírito, entretanto, possui um corpo. Eles, porém,
possuem a habilidade de desmaterializar-se, e tornarem-se invisíveis. Seus
corpos são compostos de um tipo de energia sutil, capaz de condensar-se,
ou desmaterializar-se. A evidência disso é que em suas aparições, podiam
tocar e ser tocados, seus corpos eram capazes de processar alimentos
sólidos, tal o corpo de Jesus após Sua ressurreição, já em Seu Corpo
glorificado.[2]
 
De acordo com Jesus, os anjos são seres imortais:
 
"Mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo
vindouro, e a ressurreição dentre os mortos, nem hão de casar, nem
ser dados em casamento; Porque já não podem mais morrer; pois
são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da
ressurreição". Lucas 20:35-36
 
Tal qual o homem, os anjos foram criados para serem imortais. Sua
imortalidade se deve ao fato de serem participantes da natureza divina. Por
isso, são também chamados de “filhos de Deus.”
São seres extremamente poderosos, dotados de poderes sobre-humanos. As
Escrituras testificam que em comparação aos homens, eles são “maiores em
força e poder” (2 Pedro 2:11). Dentro da hierarquia da criação, o homem
foi feito pouco menor do que os anjos (Salmos 8:5). Entretanto Deus coroou
a raça humana de glória e honra, escolhendo-a para ser recipiente de Sua
majestade.
 
Embora possuam grande poder, os anjos não são onipotentes. E a prova
disso é que um dos seus mais proeminentes representantes, Gabriel,
necessitou de reforço em sua batalha contra uma potestade inimiga (ver
Daniel 10:12-13).
 
Tampouco são oniscientes (ver Mateus 24:36), embora possuam
conhecimento bem superior ao do homem.[3] Todavia, Deus escolheu a
humanidade redimida (igreja), como meio pelo qual os anjos deveriam
aprender acerca da multiforme sabedoria de Deus (Ef.3:10). Se fossem
oniscientes, não precisariam aprender mais nada.
 
Como guardiões da humanidade, eles não apenas ministram, mas a
observam atentamente, com o fim de aprender mais e mais acerca do
Criador. Por isso são chamados de Vigilantes (no original, “aqueles que
observam”).[4] Segundo Pedro, há “coisas para as quais até os anjos
desejam atentar” (1 Pedro 1:12).
 
Eles também não possuem o atributo da onipresença. Não obstante, se
deslocam com velocidade, saindo ao socorro daqueles que clamam a Deus.
[5]
 
Geralmente, aparecem como seres de gênero masculino. Nas páginas
sagradas, são frequentemente chamados de varões. Entretanto, em uma
única vez, aparecem como seres de gênero feminino.
 
“Então levantei os olhos, e olhei, e duas mulheres saíram, agitando o
ar com as suas asas, pois tinham asas como as da cegonha, e
levantaram o efa entre a terra e o céu.” Zacarias 5:9
 
Não há, portanto, razão para crermos que os anjos sejam seres assexuados.
 
Quando Jesus diz que seremos como anjos no céu, que não se casam, não
estava afirmando a assexualidade angelical.[6] De fato, em seu habitat, os
anjos não se unem matrimonialmente. Talvez por terem sido criados em um
número já definido (Gênesis 2:1 e Salmos 148:2-5), ou por já terem
alcançado esse número em tempos remotos, e por isso, hoje, já não
necessitem procriar. Mas isso não significa que não possuam algum tipo de
diferenciação sexual.
 
A Criação dos anjos
 
Os anjos foram criados por Deus antes mesmo da criação da Terra e do
homem:
 
"Depois disto o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho,
dizendo: Quem é este que escurece o conselho com palavras sem
conhecimento? Agora cinge os teus lombos, como homem; e
perguntar-te-ei, e tu me ensinarás. Onde estavas tu, quando eu
fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs
as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?
Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua
pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente
cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam? Ou quem encerrou o
mar com portas, quando este rompeu e saiu da madre; Quando eu
pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por faixa? Quando eu
lhe tracei limites, e lhe pus portas e ferrolhos, e disse: Até aqui virás,
e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas?" Jó
38:1-11
 
O habitat angelical
 
Todos concordam que o habitat dos anjos é o céu. Mas o que entendemos
por “céu”? A Bíblia diz que Deus habita no céu dos céus. Em outras
palavras, a habitação divina transcende o universo. Ainda que
percorrêssemoso universo de ponta a ponta, jamais encontraríamos a
morada do Altíssimo. Mas o mesmo não se poderia dizer dos anjos. Os
antigos referiam-se ao firmamento quando falavam do céu.
 
De acordo com as Escrituras, os anjos são em número de “milhões de
milhões” (lit. “trilhões”). Desses, “milhares de milhares” (milhões) o
serviam” enquanto “milhões de milhões assistiam diante dele” (Daniel
7:10; ver também Apocalipse 5:11-12). A impressão que temos é que há um
tipo de escala de turnos entre eles, como acontecia entre os sacerdotes
levíticos, que se alternavam no serviço do tabernáculo. Os que estão em
serviço, ministram aos homens na Terra. E os que simplesmente assistem
diante d’Ele? Onde estarão? Qual seria seu habitat?
 
A
Não há razão para duvidar que esses trilhões de seres estejam espalhados
pelo Universo, nos inúmeros mundos que Deus fez. “Pela fé entendemos
que os mundos foram criados pela palavra de Deus, de maneira que o
visível não foi feito do que se vê” (Hebreus 11:3). Deus não teria criados
tantos mundos em vão.
 
Se admitirmos que tais seres possuam uma existência física, por inferência,
teremos que supor que seu habitat também seja de ordem material.
 
 
 
 
 
 
2
O Concílio dos deuses
ntes de criar o homem, Deus cercou-Se de uma assembleia de seres,
que formaram Sua corte celestial. Esses seres formaram a plateia
que O assistira na criação da Terra e daquele que seria o seu
regente.
 
“Onde estavas tu”, perguntou o Senhor a Jó, “quando eu lançava os
fundamentos da terra? (...) quando as estrelas da alva juntas alegremente
cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam” (Jó 38:4a,7)? A
expressão “filhos de Deus” é traduzida do hebraico Ben Elohim, que é
usada no Antigo Testamento, exclusivamente para referir-se aos
componentes da corte celestial.
 
Esses seres são às vezes chamados de anjos ( mal'akim, no hebraico
e aggelos em grego)[7], e outras vezes de deuses (elohim), e ainda de Vigias
ou Guardiões (yir). Eles participavam ativamente na execução dos
desígnios divinos:
 
“Bendizei ao Senhor, vós anjos seus, poderosos em força, que
cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra! Bendizei
ao Senhor, todos os seus exércitos celestiais, vós, ministros seus, que
executais a sua vontade.” Salmos 103:20-21
 
Portanto, eles jamais podem receber os créditos por alguma de suas obras.
Eles tão somente executam o que o Senhor lhes ordena. Razão pela qual
eles não devem aceitar qualquer tipo de adoração. Quando João recebeu a
visão registrada em Apocalipse, ele prostrou-se aos pés do anjo que se lhe
apresentara, e foi de imediato repreendido: “Olha, não faças isso! Sou
conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras
deste livro. Adora a Deus” (Apocalipse 22:9).
 
Quando enviados a serviço, tais seres são malakim (malak, no singular),
anjos mensageiros de Yahweh. Mas quando assentados na assembléia
divina, são conhecidos como Ben Elohim, literalmente filhos da divindade.
Só recebem a designação de filhos de Deus quando vistos em conjunto,
integrando a corte celestial. Mas individualmente são apenas ministros de
Yahweh. O único que pode ser chamado de Filho de Deus é Jesus Cristo, o
Filho Unigênito de Deus. Os crentes em Jesus são feitos filhos de Deus, por
causa de sua união mística com Ele. Os anjos são chamados filhos de Deus
por causa de sua posição elevada na corte celestial, e não por terem sido
gerados por Deus. Eles foram criados, e não gerados. Isso fica claro em
Hebreus, onde lemos a distinção clara entre Cristo e os anjos.
 
“O Filho é o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua
pessoa, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder.
Havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados,
assentou-se à destra da Majestade nas alturas. Assim ele se tornou
tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente
nome do que o deles. Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu
Filho, eu hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me
será por Filho?” Hebreus 1:3-5
 
Não se pode comparar o Filho Eterno de Deus a qualquer outro ser
angelical. Os anjos O adoram! “Ele é a imagem do Deus
invisível” (Colossenses 1:15a). “Ninguém jamais viu a Deus” (1 João
4:12a). Nem mesmo os anjos.[8] Pois Ele “habita em luz inacessível” (1
Timóteo 6:16). Mas é o Seu Unigênito, “quem o revelou” (João 1:18b).
Através da Encarnação, Deus Se fez visível, tanto aos homens, quanto aos
anjos. Paulo chama isso de o “grande mistério da piedade”: “Aquele que
se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado
aos gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória” (1 Timóteo 3:16).
 
Antes da Encarnação, o Verbo de Deus Se manifestava visivelmente através
do que os teólogos chamam de Teofania. Daí, muitas vezes, encontrarmos a
expressão “Anjo do Senhor” (Ou Malak de Yahweh). Era o único “anjo”
que aceitava ser adorado.[9] Entretanto Deus jamais Se fez anjo. Tratava-se
apenas de uma aparição momentânea. Mas na Encarnação, Deus Se faz
Homem, assumindo não apenas a forma humana, como também a sua
natureza.
 
Yahweh prometera a Moisés no Sinai: “Eu envio um anjo adiante de ti,
para te guardar pelo caminho, e te levar ao lugar que te preparei. Guarda-
te diante dele, e ouve a sua voz. Não te rebeles contra ele; ele não perdoará
a vossa rebeldia, pois nele está o meu nome. Mas se diligentemente ouvires
a sua voz, e fizeres tudo o que eu disser, então serei inimigo dos teus
inimigos, e adversário dos teus adversários. O meu anjo irá adiante de
ti” (Êxodo 23:20-23a).
 
Como podemos verificar neste texto, aquele “anjo” era o próprio Cristo, em
quem estava o nome de Yahweh, e que Se manifestava visivelmente numa
forma angelical. A voz do Anjo de Yahweh era a voz do próprio Deus.
 
E alguns dos filhos de Israel não apenas ouviram a voz do Senhor, como
também O viram de longe. Não em Sua própria glória, mas numa glória
desvanecente.
 
“E viram o Elohim de Israel. Debaixo dos seus pés havia como que
uma calçada de pedra de safira que se parecia com o céu na sua
claridade. Mas Elohim não estendeu a sua mão contra os escolhidos
dos filhos de Israel; eles viram a Elohim, e comeram e
beberam.” Êxodo 24:10-11
 
Nesse texto, podemos identificar Elohim como uma alusão ao Anjo do
Senhor, ou ao conjunto de anjos que se manifestaram no Monte Sinai. O
termo Elohim, muitas vezes é usado para designar os Bene Elohim (Filhos
de Deus/anjos).
 
É preferível crer que os filhos de Israel viram mesmo os Bene Elohim, e não
propriamente o Anjo de Yahweh. Pois Este fora visto unicamente por
Moisés, em outra ocasião, quando Lhe pediu: “Rogo-te que me mostres a
tua glória” (Êxodo 33:18). Ainda sim, Moisés não pôde ver Sua face, mas
tão somente Suas costas. Aquele não era o Deus Pai, mas o Verbo Divino,
que em forma angelical, mostrou-Se a Moisés. A prova disso encontramos
ao avançarmos no texto. “O Senhor desceu numa nuvem e, pondo-se ali
junto a ele, proclamou o nome de Yahweh. Passando o Senhor perante
Moisés, proclamou: Senhor, Senhor Deus misericordioso e compassivo,
tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade” (34:5-6). Não faria
sentido algum o Senhor clamar a Si mesmo. Mas se entendemos que Aquele
era Cristo, o Filho Eterno de Deus, numa Teofania angelical, então tudo se
encaixa perfeitamente.
 
Moisés não apenas viu a glória de Yahweh, mas foi contagiado por ela, de
maneira que os filhos de Israel não podiam fitar seus olhos nele, pois sua
face resplandecia. Reportando-se a esse episódio, Paulo diz que aquela
glória era desvanecente, isto é, passageira (ver 2 Coríntios 3:7). A glória de
Cristo manifesta em forma angelical, era uma glória incompleta. Mas a
glória que Ele recebeu do Pai, após a Sua Encarnação, morte e ressurreição,
é uma glória inexcedível, permanente e incomparável. Ele recebeu do Pai a
glória que tinha “antes que o mundo existisse” (João 17:5b). É essa glória
que Ele promete nos revelar plenamente em Sua Vinda. A glória de Deus só
pode ser plenamente vista “na face de Jesus Cristo” (2 Coríntios4:6b), o
Deus Encarnado.
 
Quando chegarmos à Eternidade, nós não veremos o Pai, o Filho e o
Espírito Santo de maneira distinta. Nós veremos a plenitude de Deus em
Cristo. Nós O veremos tal qual Ele é, de Eternidade em Eternidade. Sua
glória é tamanha, que nem mesmo os Serafins, criaturas mais chegadas ao
Trono, podiam fitar-Lhe a face (Isaías 6). Quando João avistou Sua face, ele
a descreveu “como o sol, quando resplandece na sua força” (Apocalipse
1:16b). Todos os eleitos estão predestinados a desfrutar da mesma visão. E
o que nos possibilitará vê-Lo no esplendor de Sua glória? João
responde: “Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos
semelhantes a ele, porque assim como é, o veremos” (1 João 3:2b). Agora
mesmo, o Espírito da Glória, que segundo Pedro, repousa sobre nós[10], está
nos conduzindo em um processo de transformação, conformando-nos à
imagem de Cristo. Paulo diz que somos transformados de glória em glória
(2 Coríntios 3:18).
 
O Parlamento Divino
 
Os Bene Elohim formam o supremo concílio celestial, uma espécie de
parlamento divino. Micaías o descreve: “Vi o Senhor assentado sobre o seu
trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua mão direita e à sua
esquerda” (1 Reis 22:19b).
 
As hostes celestiais não apenas executam as ordens de Deus, como também
Lhe prestam contas. Isso é verificado em Jó, onde lemos:
 
“Certo dia os Bene Elohim vieram apresentar-se perante o Yahweh, e
veio também Satanás entre eles.” Jó 1:6
 
Fica patente que esses seres não agem com autonomia. Até mesmo Satanás
tinha que comparecer a essas assembleias, para prestar contas do que fazia
sobre a Terra. Satanás não era um intruso na corte celestial. Ele fazia parte
dela. Ele era um dos Bene Elohim.
 
Originalmente, Satanás figurava entre os príncipes do céu. A Bíblia afirma
que ele era um Querubim Ungido. E como tal, estava sob as ordens diretas
do Senhor.
 
Tudo corria bem, até que aquele Querubim (kerub), deixando-se dominar
pela soberba, usurpou o trono de Yahweh.
 
Iniciou-se uma crise na Corte Celestial. Um dos principais Querubins
reclamava o direito de ascender ao Trono do Universo, e governá-lo como
Deus.
 
O Salmista refere-se a esta conspiração angelical, quando escreve:
 
“O Senhor reina (...) O teu trono está firme desde a antiguidade; tu
existes desde a eternidade. Os mares levantaram, ó Deus, os mares
levantaram a sua voz; os mares levantaram as suas ondas. O Senhor
nas alturas é mais poderoso do que o ruído das grandes águas, mas
poderoso do que as grandes ondas do mar.” Salmos 93:1a,2-4
 
O Salmo 89 se reporta ao mesmo episódio, e compara a rebelião de Satanás
às ondas do mar, e o Querubim rebelde a Raabe, o monstro marinho:
 
“Pois quem no céu se pode igualar ao Senhor? Quem é semelhante
ao Senhor entre os Bene Elohim? Deus é tremendamente temido na
assembleia dos santos; grandemente reverenciado por todos os que o
cercam. Ó Senhor, Deus dos Exércitos, quem é forte como tu? Tu és
poderoso, ó Senhor, e a tua fidelidade está ao redor de Ti. Tu
dominas o ímpeto do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as
fazes aquietar. Tu quebrantaste a Raabe como um ferido de morte;
espalhaste os teus inimigos com o teu poderoso braço.” Salmos 89:6-
10
 
Alguns comentaristas bíblicos acreditam que o motivo da revolta de Satanás
foi a criação do homem. Ele não podia admitir que um ser inferior a ele,
deveria ser servido pelos anjos. Em seu raciocínio, era inadmissível que
aquela raça inferior fora escolhida para receber o domínio sobre todas as
obras do Criador. Alguns textos apócrifos apontam para isso. E a própria
Bíblia parece confirmar isso.
 
Em Hebreus lemos que “não foi aos anjos que Deus sujeitou o mundo
vindouro, de que falamos. Mas em certo lugar testificou alguém, dizendo:
Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que
o visites? Fizeste-o um pouco menor do que os anjos, de glória e de honra
o coroaste, e o constituíste sobre as obras de tuas mãos. Todas as coisas lhe
sujeitaste debaixo dos pés” (Hebreus 2:5-8a).
 
Como uma criatura tão pequena, feita de barro, poderia receber tamanha
glória. Talvez fosse essa a reivindicação do Querubim.
 
E o pior de tudo é que o próprio Criador assumiria a natureza humana, e
quando fosse introduzido no mundo como Homem, todos os anjos deveriam
adorá-Lo (Hb.1:6). Nada parecia mais humilhante do que isso.
 
Enquanto os anjos são chamados “labaredas de fogo” (algo que se
extingue), do Deus-Homem se diz: “Ó Deus, o teu trono subsiste pelos
séculos dos séculos” (Hebreus 1:7-8). Com a criação daquela nova raça
(humana), os anjos deixariam de ser os “deuses”, para serem “espíritos
ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a
salvação” (Hebreus 1:14).
 
Em sua rebelião, Raabe, a serpente deslizante, logrou êxito em arrastar
consigo a terça parte das hostes celestiais.
 
É interessante a comparação entre a rebelião promovida por Satanás, e as
ondas furiosas do mar revolto.
 
As “águas” são uma figura de linguagem que representa os mundos
habitados criados por Deus. Em algumas passagens, elas são sinônimo de
“abismo”, e apontam para o espaço sideral. De acordo com Gênesis, as
águas produziram seres viventes antes mesmo que a terra (Gênesis 1:20,24).
Elas representam o ambiente propício e indispensável à vida. O que nos
leva a crer que havia outras formas de vida no Universo, antes mesmo que
houvesse vida na terra. Essas formas de vida eram as hostes celestiais, que
habitavam outros mundos criados por Deus.
 
Logo no início, o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas (abismo).
Em outras palavras, o Espírito Santo envolvia todo o Cosmos, como um
pássaro que choca seus ovos. Tão logo fez a luz, disse Deus: “Haja um
firmamento no meio das águas, e haja separação entre águas e
águas” (Gênesis 1:6). A partir daí, fala-se de “águas que estavam debaixo
do firmamento”, e de “águas que estavam por cima do firmamento” (v.7).
Houve uma separação entre elas. O próprio Deus estabeleceu os seus
limites. “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todos os seus exércitos
celestiais. Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes. Louvai-
o, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus” (Salmos 148:2-4).
Perceba a conexão entre os exércitos celestiais e as águas que estão sobre os
céus.
 
Em Sua resposta à Jó, o Senhor arguiu: “Quem encerrou o mar com portas
(...) quando fiz limites para ele, pondo-lhe portas e ferrolhos, quando eu
disse: Até aqui virás, e não mais adiante; aqui se quebrarão as tuas
orgulhosas ondas” (Jó 38:8a,10-11)?
 
Deus não apenas separou as águas, mas ordenou que elas não se
misturassem. Os seres de outros mundos não deveriam deixar seu
domicílio, para interferir no novo ecossistema que Deus havia acabado de
criar.
 
Eles poderiam assistir, mas não interferir. Era o próprio Deus, em pessoa,
quem cuidaria de Sua nova criatura. Por isso lemos que Deus “passeava no
jardim pela viração do dia”, para conversar com o homem (Gênesis 3:8).
 
Um pouco mais adiante lemos: “E disse Deus: Produzam as águas enxames
de seres viventes (...) Criou, pois, Deus os monstros marinhos, e todos os
seres viventes que se arrastavam (dos quais a serpente é um), os quais as
águas produziram abundantemente segundo as suas espécies” (v.20-21).
Podemos fazer uma leitura literal, ao mesmo tempo em que fazemos uma
leitura figurativa. Uma interpretação não desfaz a outra. Os monstros
marinhos de que o texto fala são uma representação de Satanás e os anjos
que o seguiram. Em algumas passagens ele é chamado de Raabe e Leviatã.
Confira os textos abaixo:
 
“As colunas do céu tremem, e se espantam da sua ameaça. Com a
sua força fendeu o mar; com o seu entendimento abateu a Raabe.
Pelo seu sopro os céus se aclararam; a sua mão trespassou a
serpente veloz. E isto são apenas as orlas dos seus caminhos; quão
pouco é o que temos ouvido dele! Quem entenderia o trovão do seu
poder?” Jó 26:11-14
 
“Todavia, Deus é o meu Rei desde a antigúidade, operando a
salvação no meio da terra. Tu dividiste o mar pelatua força;
quebraste as cabeças dos monstros nas águas. Fizeste em pedaços as
cabeças do Leviatã, e o deste por alimento aos animais do deserto.”
Salmos 74:12-14
 
“Naquele dia o Senhor castigará com a sua espada, a sua grande e
forte espada, o Leviatã, a serpente veloz, e o Leviatã, a serpente
deslizante, e matará o dragão que está no mar.” Isaías 27:1
 
“Desperta, desperta! Veste-te de força, ó braço do Senhor; desperta
como nos dias passados, como nas gerações antigas. Não foste tu
que cortastes em pedaços a Raabe, e trespassastes ao
dragão?” Isaías 51:9
 
Raabe, Leviatã, Dragão, ou simplesmente “a antiga serpente” são
exatamente a mesma coisa. Satanás é o Dragão, o monstro marinho que
agita os mares, e faz levantar as suas ondas contra o Senhor. O mar agitado
representa os anjos ímpios, que aderiram à rebelião do Diabo. Isaías diz
que “os ímpios são como o mar agitado; pois não pode estar quieto, e as
suas águas lançam de si lama e lodo” (Isaías 57:20). O sábio Salomão
afirma que “o princípio da contenda é como o soltar de águas
represadas” (Provérbios 17:14). E Judas, comparando alguns crentes
impostores que haviam adentrado a igreja, com os anjos que se rebelaram,
diz que esses “são ondas furiosas do mar, espumando as suas próprias
sujidades; estrelas errantes, para as quais tem sido eternamente reservada
a escuridão das trevas” (Judas13).
 
O livro de Jó, não obstante seja uma história verídica, também pode ser
visto como uma alegoria para a trama que se desenrola no Universo,
envolvendo Deus, o homem e Satanás. Como quem queria dar uma lição
moral no Querubim rebelde, o Senhor lhe perguntou: “Observaste a meu
servo Jó? Não há ninguém na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto,
que teme a Deus e se desvia do mal” (Jó 1:8). Bastou isso para que Satanás,
atrevidamente, lança-se uma acusação contra Deus: “Acaso não o tens
protegido de todos os lados a ele, a sua casa e a tudo o que tem? A obra
das suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicam na terra. Mas
estende a tua mão, e toca-lhe em tudo o que tem, e ele certamente
blasfemará de ti na tua face!" (Jó 1:10-11). A justiça de Deus foi
questionada, em plena assembleia dos Bene Elohim. Satanás acusou a Deus
de comprar a fidelidade do homem com Sua benesses. Ao mesmo tempo,
Satanás acusou o homem de ser fiel a Deus por interesse. Para que ficasse
provado que Satanás estava errado, e que suas reivindicações eram injustas,
Deus permitiu que ele tentasse a Jó, privando-o de tudo o que o Senhor lhe
dera. O fim dessa história, todos conhecemos. Satanás foi desmascarado, a
justiça divina manteve-se intacta.
 
Algo semelhante aconteceu no início da saga humana, envolvendo Deus, o
Diabo, e o primeiro homem.
 
O Senhor permitiu que aquela serpente entrasse no Jardim do Éden, e
colocasse o homem à prova.
 
As Duas Árvores
 
As Escrituras dizem que havia duas árvores importantes naquele Jardim de
Delícias: a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.
Precisamos estar abertos para o significado simbólico por trás dessas
figuras. Ainda que insistamos numa leitura literal, essa, porém, não nos
impede de enxergar um pouco além da letra. A Árvore da Vida é uma figura
de Cristo. Foi Ele mesmo quem disse: “Eu sou a Videira Verdadeira” (João
15:1). Em outras palavras: Eu sou a verdadeira Árvore da Vida. Não há
outra “árvore da vida” senão Cristo. É ingênuo crer que haja uma árvore
literal no céu, da qual teremos que comer, para termos vida eterna. Cristo, a
sabedoria eterna, é a Árvore da Vida. O sábio Salomão já sabia disso,
quando escreveu: “Bem-aventurado o homem que encontra sabedoria (...)
É árvore da vida para os que a abraçam” (Provérbios 3:13a,18a). João
testifica disso: “Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu
Filho”(1 João 5:11). Era a comunhão que o primeiro homem tinha com
Deus, por meio de Cristo, que lhe garantia a vida eterna. “Ele estava no
princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele
nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos
homens”(João 1:2-4). Era a comunhão com Ele, que possibilitava aos
primeiros pais, desfrutarem a vida eterna. Aquela Árvore da Vida que
estava no centro do Jardim, era ninguém menos que o próprio Cristo. E Ele
mesmo diz: “Da mesma forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por
causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha
causa”(João 6:57).
 
Ora, se a Árvore da Vida é uma figura, temos que concluir que a Árvore do
Conhecimento do Bem e do Mal também o é.
 
O que representaria tal misteriosa árvore?
 
Encontramos uma pista no livro do Profeta Ezequiel. É o Senhor quem
braveja: “A quem és semelhante em glória e em grandeza entre as árvores
do Éden? Todavia descerás com as árvores do Éden às partes inferiores da
terra; no meio dos incircuncisos jazerás com os que foram mortos à
espada. Este é Faraó e toda a sua multidão, diz o Senhor Deus”(Ezequiel
31:18). Nesse mesmo texto lemos: “Formoso o fiz com a multidão dos seus
ramos; todas as árvores do Éden, que estavam no jardim de Deus, tiveram
inveja dele. Portanto assim diz o Senhor Deus: Como se elevou na sua
estatura, e se levantou a sua copa no meio dos espessos ramos, e o seu
coração se exaltou na sua altura, eu o entreguei na mão da mais poderosa
das nações, que lhe deu o tratamento merecido. Pela usa impiedade o
lancei fora” (vs.9-11). Observe quantos paralelos entre essa passagem e
Ezequiel 28. A diferença entre elas é que nessa, Deus usa Faraó como um
tipo de Satanás, enquanto no capítulo 28, ele usa o rei de Tiro. E o texto
prossegue no capítulo 32: “Filho do homem, levanta uma lamentação sobre
Faraó, rei do Egito, e dize-lhe: Eras semelhante a um filho de leão entre as
nações, e tu foste como um dragão nos mares, e ferias os teus rios, e
turbavas as águas com os teus pés, e sujavas os teus rios” (v.2). Fica claro
que Deus está falando de Satanás, o dragão, o Leviatã, a serpente
deslizante.
 
Na passagem que consideramos acima, o Egito, figura de Satanás, é
apresentado como uma das árvores do Éden. Mas não é uma árvore
qualquer. Sua altura e imponência é visível à distância, de maneira que ela
chama a atenção para si.
 
Em Daniel 4, é a Babilônia que é apresentada como uma árvore
frondosa, “que se fazia forte, de maneira que a sua altura chegava até o
céu, e era visível até os confins da terra. A sua folhagem era formosa, e o
seu fruto abundante, e havia nela sustento para todos; debaixo dela os
animais do campo achavam sombra, as aves do céu faziam morada nos
seus ramos, e todos os seres viventes se mantinham dela” (Daniel 4:11-12).
 
Repare que o Egito e a Babilônia são dois reinos, duas nações diferentes,
mas que num certo espaço de tempo, dominaram o mundo.
 
Jesus compara o Reino dos céus “ao grão de mostarda que um homem
tomou e semeou no seu campo. Embora seja a mais pequena de todas as
sementes, contudo, quando cresce, é maior do que as hortaliças, e se
transforma em árvore, de sorte que vêm as aves do céu e se aninham nos
seus ramos”(Mateus 13:31-32).
 
Portanto, podemos inferir que a árvore do bem e do mal representa um
reino. Mas que reino é esse? O reino angelical. Embora Deus houvesse
permitido que os Bene Elohim transitassem na Terra, não era permitido ao
homem estabelecer qualquer relacionamento com eles. Lembre-se que
aquela árvore era do bem e do mal. O que aponta para o fato de que a esta
altura, a corte celestial já estava dividida entre os anjos fiéis a Deus, e os
rebeldes.
 
Deus queria tratar diretamente com o homem, sem a intermediação de
qualquer outra criatura. A Árvore da Vida deveria ser a fonte, não apenas da
vida, mas de todo o conhecimento de que o homem necessitasse. Mas certos
anjos “deixaram o seu domicílio”, e travaram contato com a raça humana.
Em vez de o homem rechaçar a velha serpente, preferiu dar-lhe ouvido.
 
Após ter comido daquele fruto proibido, o homem caiu de sua condição
original, e um abismo se abriu entre ele e seu Criador. A partir daí, os anjos
passaram a transitar livremente pela terra.3
Rebelião nas hostes celestiais
“Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados.” Gênesis 2:1
 
“Então olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos seres viventes, e dos anciãos; e o
número deles era milhões de milhões e milhares de milhares (...) Então ouvi a toda criatura que está
no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e a todas coisas que neles há, dizerem: Ao que está
assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o poder para todo o
sempre.” Apocalipse 5:11,13
 
“Eu continuei olhando, até que forma postos uns tronos, e um Ancião de Deias se assentou. A sua
veste era branca como a neve, e o cabelo da sua cabeça como lã puríssima. O seu trono era de
H
chamas de fogo, com rodas de fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dele. Milhares
de milhares o serviam, e milhões de milhões estavam diante dele.” Daniel 7:9-10a
 
á incontáveis hostes celestiais espalhadas pelo Universo, que com
suas respectivas civilizações, vivem para Deus, servindo-o
incessantemente. Estas formam a “assembleia universal (cósmica)”
(Hebreus 12:23). Cada uma dessas civilizações tem sua representação junto
a Deus; um príncipe angelical, um Querubim. Ao redor do Trono está a
Congregação dos Poderosos (Salmos 89:6-7). É o próprio Deus
quem “preside a grande congregação; julga no meio dos deuses” (Salmos
82:1).
 
Tudo corria bem, até que um desses príncipes resolveu rebelar-se,
convencendo parte dos anjos a participarem de sua conspiração contra o
Senhor. Somente os “anjos eleitos”[11] não tomaram parte dessa rebelião.
 
Helel Ben Ashar[12] foi o Querubim que capitaneou a revolta. Na verdade,
esse não é um nome próprio, mas tão-somente uma designação. Muitos
nomes são dados a esse querubim, entre eles, Samael, Semyaza, e outros.
 
É plausível supor que a designação Helel Ben Ashar seja um nome genérico
que associa Satanás ao seu habitat, assim como a Bíblia se refere várias
vezes à humanidade como “Terra”. “Estrela da Manhã” ou literalmente
“Filho da Alva” pode referir-se a algum astro, que podia ser visto da Terra
durante a alva. Muitos creem tratar-se de Vênus, por sua aparição no
horizonte ao amanhecer.
 
Mas temos razões que demonstraremos a seguir, para crer que se tratava de
outro astro do Sistema Solar, que fora destruído pelo juízo divino.
 
Vejamos o que as Escrituras dizem sobre isso:
 
“Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste
lançado por terra, tu que debilitavas as nações!” Isaías 14:12
 
Repare que o texto é claro ao afirmar que a tal estrela da manhã caiu do céu.
Entretanto, Vênus continua em sua órbita normal. Além de Vênus, outros
planetas surgem durante a Aurora, dependendo de sua posição em relação à
Terra, em algum período do ano. Será que algum planeta de nosso sistema
foi destruído?
 
Entre os planetas Marte e Júpiter há o Cinturão de Asteroides. Muitos
astrônomos creem que esse cinturão seja o resultado da explosão de um
enorme planeta. Se de fato houve ali um planeta, em algum momento, ele
fora avistado da terra como uma estrela matutina. A existência desse
planeta é evidenciada em escritos sumérios e babilônios, que o chamavam
de Tiamat.[13]
 
Aquele planeta era o habitat daquela civilização que rebelou-se contra o seu
Criador, e ainda induziu a terça parte das estrelas do céu a participarem de
sua conspiração.
 
Vejamos o que diz o texto em Apocalipse:
 
“Viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a
lua debaixo dos pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça.
Ela estava grávida e gritava com as dores de parto, sofrendo para
dar à luz.” Apocalipse 12:1-2
 
Antes de abordarmos a rebelião na continuação desta passagem, convém
discorrer sobre a identidade dessa misteriosa mulher. Há muitas
interpretações possíveis, e algumas delas são plausíveis. Essa mulher não é
a Virgem Maria, como insistem os teólogos católicos. Ela, porém, pode
tipificar a igreja de Deus. Entretanto, há uma interpretação mais abrangente
que podemos fazer. Veja que ela está “vestida do sol”. Ela pode representar
o sistema solar. E a coroa de doze estrelas que ela traz em sua cabeça são os
doze astros que orbitavam o sol originalmente. A palavra “planeta”
significa literalmente “estrela errante”. Eram chamados assim por
aparecerem nos céus em pontos diferentes, em vez de aparecerem sempre
nos mesmos pontos, como as estrelas fixas.
 
Temos razões para crer que originalmente, o sistema solar era formado por
doze planetas, e não apenas os que hoje conhecemos.
 
O que houve para que só restassem oito dos planetas originais? (Lembrando
que Plutão foi rebaixado a planeta anão).
 
Vamos continuar nossa investigação. O texto prossegue:
 
“Viu-se também outro sinal no céu: um grande dragão vermelho, que
tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete
diademas. A sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do
céu, e lançou-as sobre a terra.” Apocalipse 12:3-4a
 
Ora, se eram 12 planetas originais, e a cauda do dragão arrastou a terça
parte (4 planetas), isso explicaria porque só restaram 8.
 
Além do Cinturão de Asteroides, há outro Cinturão que fica nas
extremidades do sistema solar, e é conhecido como Cinturão de Kuiper. Se
nossa teoria estiver certa, esse cinturão também é fruto do juízo divino
sobre um planeta rebelde. Esses dois planetas podem ser identificados na
cosmologia bíblica como Raabe (leviatã e Tiamat) e Behemoth. Se o
planeta que havia entre Júpiter e Marte tivesse uma órbita parecida com a
de Plutão, é plausível crer que possa ter ocorrido uma colisão entre esses
dois planetas (Raabe e Behemoth).
 
Sobre Raabe, também conhecida como Leviatã, ou simplesmente como
Serpente, as Escrituras dizem:
 
“As colunas do céu tremem, e se espantam da sua ameaça. Com a
sua força fendeu o mar; com o seu entendimento abateu a Raabe.
Pelo seu sopro os céus se aclararam; a sua mão trespassou a
serpente veloz. E isto são apenas as orlas dos seus caminhos; quão
pouco é o que temos ouvido dele! Quem entenderia o trovão do seu
poder?” Jó 26:11-14
 
“Pois quem no céu se pode igualar ao Senhor? Quem é semelhante
ao Senhor entre os filhos dos poderosos? Deus é tremendo temido na
assembleia dos santos; grandemente reverenciado por todos os que o
cercam (...) Tu quebrantaste a Raabe como um ferido de morte;
espalhaste os teus inimigos com o teu poderoso braço. Teus são os
céus, e tua é a terra.” Salmos 89:6-7,10-11a
 
A expressão “espalhaste os teus inimigos” pode referir-se à destruição
daquele planeta, que se tornou num monte de escombros (asteroides).
 
“Todavia, Deus é o meu Rei desde a antiguidade, operando a
salvação no meio da terra. Tu dividiste o mar pela tua força;
quebraste as cabeças dos monstros nas águas. Fizeste em pedaços as
cabeças do Leviatã, e o deste por alimento aos animais do
deserto.” Salmos 74:12-14
 
“Fizeste em pedaços as cabeças do Leviatã” pode significar a mesma
coisa: a redução daquele planeta a escombros.
 
“Naquele dia o Senhor castigará com a sua espada, a sua grande e
forte espada, o Leviatã, a serpente veloz, e o Leviatã, a serpente
deslizante, e matará o dragão que está no mar.” Isaías 27:1
 
“Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-O, todos os seus exércitos
celestiais. Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes.
Louvai-o, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus.” Salmos
148:2-4
 
É interessante notar que o cinturão de Kiuper é formado por milhões de
pedaços de gelo, e gelo nada mais é do que água em estado sólido. Seriam
essas as “águas que estão sobre os céus”, onde habitava o Leviatã?
 
“Desperta, desperta! Veste-te de força, ó braço do Senhor; desperta
como nos dias passados, como nas gerações antigas. Não foste tu
que cortastes em pedaços a Raabe, e trespassastes ao
dragão?” Isaías 51:9
 
Mais uma vez nos deparamos com a mesma verdade. Raabe foi “cortada
em pedaços”. Nada restou daquele planeta rebelde.
 
Raabe, Leviatã, Dragão, ou simplesmente “a antiga serpente” são
exatamente a mesma coisa.
 
ASaga dos planetas é recapitulada por Israel, e, finalmente, recapitulada
pela Igreja de Cristo. Por isso, as doze estrelas também representam as doze
tribos de Israel, ao mesmo tempo em que podem representar os doze
apóstolos. Assim também, o dragão pode representar o Egito na história de
Israel, Roma na História da Igreja, e o planeta rebelde na História Cósmica.
 
A cauda do dragão pode referir-se à sedução de Satanás, ao arrebanhar a
terça parte das hostes celestiais. Ele as lançou sobre a Terra. O que significa
isso?
 
Satanás conseguiu convencer parte das hostes a deixarem seu domicílio
(seu planeta de origem), em uma expedição à Terra, com o fim de macular a
raça humana, e assim, impedir o nascimento do Messias, que viria a esse
planeta redimir toda a criação afetada pela rebelião. Tal acontecimento
encontrou eco através de Faraó na História de Israel, e de Herodes na
História da Igreja.
 
O texto diz que “o dragão parou diante da mulher que estava prestes a dar
à luz, para que, dando ela à luz, lhe devorasse o filho” (Apocalipse 12:4b).
E de que maneira isso seria possível? Maculando a extirpe humana. Um
plano foi engendrado. Satanás convenceu algumas civilizações a enviarem
representantes a terra para ensinarem ao homens todo tipo de ciência, e
copularem com mulheres, a fim de poluírem o sangue humano, e assim,
inviabilizar a vinda d’Aquele que redimiria o Universo.
 
O que acabamos de apresentar não é fruto da nossa imaginação. Tal fato
está narrado nas Escrituras. Judas fala dos “anjos que não guardaram o seu
principado, mas deixaram a sua própria habitação”(Judas 6). Assim como
Sodoma e Gomorra, esses anjos se prostituíram, indo “após outra
carne” (v.7).
 
De acordo com a narrativa de Gênesis, “como os homens começaram a
multiplicar-se sobre a terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de
Deus (bene-a-Elohim=anjos) que as filhas dos homens eram formosas, e
tomaram para si mulheres de todas as que escolheram (...) Havia naqueles
dias gigantes (Nefilins=seres que caíram) na terra, e também depois (após
o episódio do Dilúvio), quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos
homens, as quais lhes deram filhos. Estes foram valentes, os homens de
renome que houve na antiguidade”(Gênesis 6:1-2,4).
 
Talvez aqueles anjos não soubessem em que estavam se metendo. Mas
serviam ao propósito funesto do Dragão. Seu erro começou quando
deixaram seu domicílio. Satanás deve ter prometido que eles conquistariam
o universo. Que seu destino era dominar toda a criação. Foram seduzidos
pela vaidade de Satanás, que dizia em seu coração:
 
“Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono
(...) Serei semelhante ao Altíssimo.” Isaías 14:13a,14b
 
Satanás não deu ouvidos à advertência do Senhor: “Embora te eleves como
águia, e ponhas o teu ninho entre as estrelas, dali te derrubarei, diz o
Senhor” (Obadias 1:4).
 
Aquele que fora criado para ser o Querubim, o protetor de todas as estrelas
do Sistema Solar, tornou-se o usurpador do Trono Divino.
 
“Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; estavas no
monte santo de Deus (Planeta escolhido por Deus= Terra?), andavas
entre as pedras afogueadas (planetas, estrelas). Perfeito eras nos
teus caminhos (órbita), desde o dia em que foste criado, até que se
achou iniquidade em ti. Na multiplicação do teu comércio se encheu
o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei profanado
fora do monte de Deus, e te farei perecer, ó querubim protetor, entre
pedras afogueadas (planetas). Elevou-se o teu coração por causa da
tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu
resplendor. Por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que
contemplem. Pela multidão das tuas iniquidades, pela injustiça do
teu comércio profanaste os teus santuários. Eu, pois, fiz sair do meio
de ti um fogo que te consumiu, e te tornei em cinza sobre a terra, aos
olhos de todos os que te contemplam. Todos os que te conhecem entre
os povos estão espantados de ti; chegaste a um fim horrível e não
mais existirás.” Ezequiel 28:14-19
 
Quanta informação importante nesta passagem!
 
Satanás era o Guardião do nosso Sistema Solar. Ele tinha trânsito entre as
diversas civilizações planetárias (pedras afogueadas). Aproveitou-se de sua
influência para estabelecer um próspero comércio entre elas. O que um
planeta produzia, era vendido a outro. Mas certamente o principal produto
do seu comércio era o conhecimento. E mais: comercializava-se almas
(Apocalipse 18:13).
 
Quando enviou anjos a Terra, foi para aumentar ainda mais o seu comércio,
e arregimentar mais uma civilização em sua rebelião contra Deus. O castigo
que ele recebeu foi ser derrubado. Seu domicílio foi destruído. Um fogo
saiu de dentro dele e o consumiu. Quando diz que ele chegara a um fim
horrível, e que não mais existiria, está se referindo ao seu habitat, e não
propriamente a ele. Apocalipse concorda com isso, quando afirma que “o
seu lugar não se achou mais nos céus” (Apocalipse 12:8).
 
Houve guerra no céu. Miguel e os seus anjos lutaram heroicamente contra o
Dragão e seus aliados. O seu mundo foi reduzido a nada. E o dragão e seus
comparsas foram lançados na Terra. Não vieram em uma expedição como
anteriormente, mas expulsos de seu domicílio, para o qual jamais retornará
novamente. Jesus testificou esse trágico acontecimento, quando disse: “Eu
vi Satanás, como raio, cair do céu” (Lucas 10:18).
 
Ao chegar a Terra, Satanás teve suas fileiras aumentadas pelos espíritos
daqueles que nasceram da união entre os anjos e as mulheres.
 
Os anjos que coabitaram com elas foram encerrados em prisões no abismo
(espaço interestelar). Mas os seus filhos juraram devoção completa ao
Dragão.
 
Essa prole híbrida foi amaldiçoada por Deus, e destruída no Dilúvio. O
remanescente foi completamente extirpado da Terra através de Davi e seus
valentes.
 
Entretanto, seus espíritos se tornaram os demônios com os quais a raça
humana teria que conviver até o Juízo Final.
 
Ao anunciar o destino horrível da raça híbrida e dos anjos que a
produziram, o Senhor diz: “A descendência dos malignos não será
nomeada para sempre. Preparai a matança para os filhos por causa da
maldade de seus pais, para que não se levantem e possuam a terra, e
encham o mundo de cidades” (Isaías 14:21).
 
Isaías fala sobre os Nefilins, quando diz: “Ó Senhor nosso Deus, outros
senhores têm tido domínio sobre nós, mas, por ti só, nos lembramos do teu
nome. Morrendo eles, não tornarão a viver; falecendo, não ressuscitarão.
Tu os castigaste e destruíste, e apagaste toda a sua memória”(Is.26:13-14).
 
Somente os homens ressuscitarão. Esses seres não são humanos. São
bastardos. São frutos de uma rebelião contra a ordem constituída por Deus.
 
Satanás, agora, é o príncipe das potestades aéreas. Ele está proibido de
colocar seus pés em terra. Ele fora lançado profano fora do mundo de Deus,
e seu lugar são as regiões celestiais, “entre pedras afogueadas.”
 
Entretanto, seus fiéis asseclas, os demônios, filhos dos anjos caídos, são os
seus representantes, trabalhando para destruir a humanidade.
 
Quanto aos anjos que se rebelaram, Deus “os entregou às cadeias da
escuridão, ficando reservados para o juízo”(2 Pedro 2:4).
 
Esses seres caídos estão aprisionados no espaço exterior. Seu domicílio foi
destruído por Deus. Satanás e seus anjos serão soltos quando Deus lhes der
permissão para descer à Terra novamente. Estão proibidos de estabelecer
contato direto com os homens. Por isso, o fazem através dos demônios, seus
mediadores.
 
O planeta em que Satanás e seus anjos viviam foi destruído. Sua órbita era
perfeita, e passava pelos planetas do sistema solar. É disso que Ezequiel
fala: “Andavas entre as pedras afogueadas. Perfeito eras nos teus
caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em
ti” (Ezequiel 28:14b-15).
 
Foi através do sacrifício de Cristo na Cruz, que os principados e as
potestades foram despojados. Antes da Cruz, eles eram os deuses das
nações. Exerciam poderes quase ilimitados sobre os homens. Mas a mortede Cristo, e a Sua ressurreição e ascensão, fez com que tais principados
fossem destronados, e Satanás perdesse definitivamente seu assento na
Corte Celestial, onde acusava os homens dia e noite.
 
Com o despojamento dos príncipes celestiais, uma nova corte foi formada
no Céu. Os justos aperfeiçoados, juntamente com os anjos eleitos, formam
o Novo Céu, a assembleia universal dos santos, a congregação dos
poderosos, a Jerusalém Celestial.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4
Os Nefilins e a misteriosa
origem dos demônios
U
 
ma das passagens mais controversas da Bíblia é Gênesis 6. Mas
creio que ela nos descortina um pouco mais o drama vivido por
nossos primeiros pais. Vejamos o que ela diz:
“Como os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra, e lhes
nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens
eram formosas, e tomaram para si mulheres de todas as que
escolheram. Então disse o Senhor: Não permanecerá o meu Espírito
para sempre com o homem, pois este é mortal; os seus dias serão
cento e vinte anos. Havia naqueles dias gigantes na terra, e também
depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens,
as quais lhes deram filhos. Estes foram valentes, os homens de
renome que houve na Antiguidade.” Gênesis 6:1-4
Repare que tal evento se deu logo no início da saga humana, quando os
homens começaram a se multiplicar. Portanto, não é algo que aconteceu
muito depois da Queda. O Livro dos Jubileus diz que os Anjos Guardiões
vieram nos dias de Jared, cerca de quinhentos anos depois da criação, com o
objetivo de instruir aos homens.[14] Creio que o fato do homem ter optado
pela Árvore do Conhecimento do bem e do mal, deu tal prerrogativa aos
Anjos Guardiões
Embora a morte já fosse uma realidade para os homens, Deus, por
misericórdia, mantinha neles o Seu Espírito, razão pela qual eram tão
longevos.[15] Algo aconteceu que fez com que Deus decidisse limitar a
longevidade humana. O texto diz que “viu o Senhor que a maldade do
homem se multiplicara sobre a terra, e que toda a imaginação dos
pensamentos de seu coração era má continuamente” (v.5). Permitir que o
homem fosse longevo naquela situação, seria quase tão grave quanto
permitir que ele vivesse eternamente no pecado. A raça humana precisava
de um freio.[16] O que ocasionou tamanha maldade? O contato da raça
humana com anjos caídos.
A expressão “filhos de Deus”, traduzida do hebraico Bene ha-Elohim, é
aplicada no Velho Testamento exclusivamente a anjos. Como por exemplo,
no Livro de Jó, quando Deus lhe perguntou: “Onde estavas tu, quando eu
lançava os fundamentos da terra? (...) quando as estrelas da alva juntas
alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus (bene ha-Elohim)
rejubilavam?” (Jó 38:4a,7). Os “filhos de Deus” que rejubilavam enquanto
assistiam à criação da terra eram os anjos. Muitas outras passagens
reforçam essa ideia.
No verso 4 de Gênesis 6 eles são chamados de “gigantes”, que é traduzido
do termo hebraico Nefilim, que significa literalmente “os que caíram”.
Esses anjos receberam a autorização de Deus para conviver com a raça
humana, com o objetivo de ensinar-lhe todo tipo de ciência. Foi a Queda de
primeiro casal que abriu espaço para a atuação desses seres angelicais.
Adão e Eva optaram pelo conhecimento do bem e do mal. Em vez de
confiar em Deus, preferiram dar ouvidos à serpente. O Diabo tornou-se o
príncipe deste mundo, e trouxe para cá toda a sua corte.[17]
O livro de Enoque, que durante muito tempo figurou entre os livros
canônicos[18], e que é citado nas Escrituras na Epístola de Judas, aborda esse
contato entre a raça humana, e raça angelical. De acordo com ele, aqueles
anjos “escolheram cada um uma mulher, e se aproximaram e coabitaram
com elas; ensinaram-lhes a feitiçaria, os encantamentos, e as propriedades
das raízes e das árvores” (7:10). Esses anjos ensinaram aos homens “o
fabrico de espadas, facas, escudos, couraças” (8:1).
Por causa dessa corrupção, disse o Senhor: “Não permanecerá o meu
Espírito para sempre com o homem, pois este é mortal” (Gênesis 6:3a).
A raça humana foi expulsa do paraíso. Perdeu a comunhão com seu
Criador. Preferiu o conhecimento oculto, guardado pelos anjos guardiões, à
vida eterna garantida pela comunhão com a Árvore da Vida. Ela deixou de
ser um ramo da Árvore da Vida, para ser um ramo de uma árvore maligna.
A união entre homens e anjos gerou uma raça caída (Nefilim), que teria que
ser destruída pelo Dilúvio, mas cujos espíritos ainda perambulariam entre
os humanos, até o fim dos tempos. Esses espíritos, resultado da união entre
duas raças distintas, tornaram-se os demônios.
Enoque relata que “os gigantes (Nefilins), que são o preço do comércio do
espírito e da carne, serão chamados, na terra, de maus espíritos e sua
morada será na terra (...) Os espíritos dos gigantes serão como as nuvens
que trazem à terra os flagelos de toda espécie, a peste, a guerra, a fome, e
o desgosto. Não beberão, nem comerão, invisíveis a todos os olhos,
insurgir-se-ão entre os homens e as mulheres, porque receberam nos dias
de destruição e massacre” (14:8a,9-10).
E quanto aos anjos que caíram? Enoque afirma que eram em número de
duzentos (7:7). E o que a Bíblia diz sobre o destino deles? Judas diz que
“aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua
própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas, na escuridão,
para o juízo do grande dia” (Judas 6). Judas diz que, a exemplo dos
moradores de Sodoma e Gomorra, esses anjos se prostituíram, indo “após
outra carne” (v.7). Pedro também relata o destino desses anjos: “Pois se
Deus não poupou os anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no
inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o
juízo” (2 Pedro 2:4).
A convivência dos homens com esses seres provocou uma revolução no
campo das ciências. A raça humana deu um salto extraordinário, em um
curtíssimo espaço de tempo; fato que tem sido comprovado cientificamente.
É desconcertante para os cientistas céticos, admitirem não haver qualquer
explicação plausível para o enorme salto tecnológico dado pela humanidade
há alguns poucos milênios. Grandes descobertas arqueológicas, como os
monumentos megalíticos[19] espalhados pelo mundo afora, comprovam isso.
Sem falar das pirâmides, não apenas no Egito, mas espalhadas pelas
Américas e pela Ásia.
Voltando ao texto de Gênesis 6, lemos que “havia naqueles dias Nefilins na
terra, e também depois, quando os anjos coabitaram com as filhas dos
homens, as quais lhes deram filhos.” A expressão “também depois” pode
ser interpretada de duas maneiras igualmente plausíveis. Pode-se entender
que os Nefilins já conviviam com os humanos antes que as filhas dos
homens lhes dessem filhos. E também se pode inferir que houve incursões
angelicais posteriores ao Dilúvio. Isso explicaria o aparecimento de raças
gigantes na Terra ainda nos dias de Moisés, até os dias de Davi. Ambas as
posições podem estar certas. Embora os primeiros Nefilins que tomaram
mulheres como esposas tenham sido sentenciados por Deus a serem presos
no inferno, aguardando o dia do Juízo, Satanás ainda contava com a terça
parte dos anjos que tomaram parte de sua rebelião. De acordo com Enoque,
foram duzentos os anjos que tomaram para si mulheres. Muito maior
número de anjos Satanás teria ainda a seu dispor.
A prole amaldiçoada, fruto do casamento entre os anjos e as mulheres, foi
condenada a viver como espíritos malignos (demônios), a semente da
serpente, que contenderia com a raça humana, aguardando para ser pisada
por Aquele que seria a “semente da mulher”. Assim como pela “mulher”
veio a descendência amaldiçoada dos anjos caídos, por uma mulher viria o
Filho de Deus para desfazer as obras do Diabo.
É bom frisarmos que nada disso aconteceu sem a permissão de Deus. Por
trás de tudo isso, havia um plano soberano, cujo objetivo seria revelar ao
homem o poder da graça e do amor de Deus.
Ao sentenciar à serpente, Deus declarou: “E porei inimizade entre ti e a
mulher, e entre a tua descendência e o seu descendente; este te ferirá a
cabeça,e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15). Os demônios, frutos
da conjunção entre anjos caídos e mulheres, são a descendência da serpente.
Cristo é o descendente da mulher, que veio para esmagar a cabeça da
serpente, e destronar os seus descendentes.
Os espíritos malignos que hoje ainda se manifestam nos corpos dos
homens, não são de anjos caídos, como muitos imaginam. Até porque, não
há na Bíblia qualquer menção a um anjo que tenha incorporado em alguém.
Os tais espíritos, que conhecemos como demônios, são, na verdade, aqueles
espíritos resultado da relação entre a raça humana e a raça angelical. Eles
são como parasitas, que encostam nas pessoas, para sugar-lhes as energias,
e utilizar-se delas para promover seus intentos destruidores. Estão a serviço
de Satanás, o Querubim rebelde.
É sensato supor que o propósito dos anjos caídos era o de poluir o sangue
humano, impedindo assim que a profecia se cumprisse, e o Descendente da
mulher viesse destruí-los.
Para acabar com a farra dos anjos, de seus filhos gigantes, e dos homens
ímpios, Deus enviou o Dilúvio. A decisão de Deus era destruir de sobre a
face da terra o homem e todos os seres vivos. Entretanto, Sua Palavra não
poderia ser invalidada. E quanto ao Descendente da Mulher? E quanto
Àquele que esmagaria a cabeça da serpente? A linhagem que o traria ao
A
mundo tinha que ser preservada. Teria que ser uma linhagem que não
houvesse se contaminado com os anjos caídos.[20]
Foi em Noé que Deus achou o homem através do qual a linhagem humana
seria preservada. De acordo com o texto sagrado, Noé “achou graça aos
olhos do Senhor”. O fato é que ele era “homem justo e perfeito em suas
gerações, e andava com Deus”, enquanto que a terra inteira “estava
corrompida diante de Deus, e cheia de violência”, pois “todas as pessoas
haviam corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gênesis 6:8-9,11-12).
Ser “perfeito em suas gerações” equivale a ter sua genealogia intacta, sem a
presença da semente maligna.
O título predileto usado por Jesus para referir-Se a Si mesmo era “Filho do
Homem”. Esse título é extraído diretamente do Livro de Enoque, onde o
encontramos com enorme frequência. Ao declarar-Se Filho do Homem,
Jesus estava ressaltando o fato de que Sua humanidade é pura, e Seu sangue
não havia sido contaminado pelos Nefilins.[21] Esta é a razão pela qual as
Escrituras dão tamanha importância à genealogia do Messias. Embora Jesus
seja 100% Deus, em Sua humanidade Ele é 100% homem. Sua humanidade
é tão pura quanto a de Adão, daí Ele ser chamado de “o último Adão.”
 
5
A humanidade nas mãos
dos tutores celestiais
 
ssim como há dois relatos da criação do homem (Gênesis 1:26-30;
2:4-25), é razoável considerar que haja também dois relatos da
Queda. No caso da criação, o primeiro relato é resumido, e o
segundo, mais detalhado. O mesmo se dá com respeito à Queda. O primeiro
relato é alegórico, e o segundo é literal.
 
No primeiro, vemos que foi a mulher que, uma vez seduzida pela serpente,
comeu do fruto que Deus havia proibido. Já no segundo relato, vemos que
os seres angélicos, chamados ali de “filhos de Deus”, se engraçaram com as
filhas dos homens, e as seduziram. Ambos os relatos demonstram um
envolvimento entre o sexo feminino e uma espécie diferente do ser humano,
chamada de “serpente” em Gênesis 3, e de “filhos de Deus” no capítulo 6.
 
Deus proibira o envolvimento da raça humana com aqueles seres celestiais
que deixaram o seu domicílio para transitarem na Terra dos homens. Todo o
conhecimento de que necessitasse, o homem deveria buscar diretamente na
fonte, Cristo, a Árvore da Vida.
 
Mas a curiosidade foi maior. No princípio, apenas um contato amigável,
busca de conhecimento. Comer do fruto da Árvore do Conhecimento do
Bem e do Mal significa exatamente isso: buscar conhecimento fora da
fonte, contatando aqueles seres que Deus proibiu que os humanos
contatassem.
 
Enoque diz que foram eles que ensinaram os homens a fabricar armas, a
extrair metais da terra, a fazer feitiçarias, fabricar cosméticos e etc. De
repente, a humanidade deu um salto tecnológico. Os cientistas não
conseguem entender como esse salto foi possível. Sem mais, nem menos, o
homem deixa as cavernas, e o uso da pedra lascada, e começa a fabricar
armas de metal.
 
Em que pese o fabuloso progresso experimentado pela humanidade, fruto
do contato com a raça celeste, o preço pago foi caríssimo.
 
Mesmo sendo senhor de tudo, o homem tornou-se como escravo.
 
Paulo fala sobre isso aos Gálatas:
 
“Digo que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do
escravo, ainda que seja senhor de tudo. Ele está debaixo de tutores e
curadores até o tempo determinado pelo pai. Assim também nós,
quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão, debaixo
dos rudimentos do mundo (...). Mas, quando não conhecíeis a Deus,
servíeis aos que por natureza não são deuses.” Gálatas 4:1-3,8
 
Durante milênios, a humanidade esteve sob a tutela desses seres. Foram eles
que se aproveitaram da ignorância dos humanos, para se fazerem deuses.
 
Estávamos entregues aos cuidados dos anjos, tanto dos que permaneceram
fiéis a Deus, quanto dos que se rebelaram e se tornaram os ídolos das
nações.
 
Foi por intermédio deles que Deus nos outorgou a Lei (Gálatas 3:19).
Estêvão deixa isso claro em seu caloroso discurso: “Vós, que recebestes a
lei por ordenação de anjos, e não a guardastes” (Atos 7:53).
 
Os anjos fiéis, liderados por Miguel, ficaram responsáveis por Israel. Os
anjos que se amotinaram ficaram responsáveis pelas demais nações,
rateando-as entre eles. Foi assim que surgiram os ídolos das nações.
 
Se tudo se mantivesse como no início, as coisas não se complicariam tanto.
O envolvimento entre os humanos e a raça celeste renderia outro capítulo
na História da saga humana.
 
O envolvimento entre eles não ficou limitado ao plano do conhecimento do
bem e do mal. Gênesis 6 nos revela que houve envolvimento sexual entre as
duas espécies.
 
Embora o texto pareça indicar que o motivo que levou os anjos a se
envolverem sexualmente com as mulheres foi a sua beleza, tenho razões
para supor que o verdadeiro motivo foi tentar macular geneticamente a raça
humana, e assim, impedir o nascimento de Cristo, profetizado em Gênesis
3.
 
“E porei inimizade entre ti a mulher, e entre a tua descendência e o
seu descendente; este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o
calcanhar.” Gênesis 3:15
 
Estas palavras foram proferidas por Deus à serpente. Aqui se prevê o
nascimento de Cristo, e o surgimento de uma descendência maligna,
resultante do envolvimento entre anjos e humanos. Em momento algum
Deus foi pego de surpresa.
 
Para que se cumprisse a profecia, e o propósito divino por trás dela, Deus
permitiu que os anjos se acasalassem com mulheres, e engendrassem uma
raça híbrida, chamada “Nefilim” (Os caídos).
 
Veja o que o texto diz:
 
“Como os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra, e lhes
nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens
eram formosas, e tomaram para si mulheres de todas as que
escolheram (...). Havia naqueles dias gigantes na terra, e também
depois, quando os filhos de Deus conheceram as filhas dos homens,
as quais lhes deram filhos. Estes foram os valentes, os homens de
renome que houve na antiguidade.” Gênesis 6:1-2,4
 
Ainda que os anjos que pecaram houvessem sido seduzidos pelas mulheres,
Satanás aproveitou-se disso em causa própria.
 
O estrago estava feito! A raça humana foi geneticamente maculada. E para
que Cristo fosse o redentor da humanidade, Ele teria que ser 100% Homem,
sem qualquer comprometimento genético.
 
 
 
 
 
 
 
 
E
 
6
Respondendo às objeções sobre a
interferência angelical
na raça humana
 
sse evento bizarro encontra eco nas lendas e mitos da cada cultura
antiga do planeta. Gregos, egípcios, hindus, índios, e praticamente
todos os demais povos contam acerca do envolvimento de seres
humanos com seres celestiais. Flavio Josefo, o grande historiador
judeu do século I, faz paralelos entre o fato bíblico e a mitologia greco-
romana. Otexto de Gênesis diz que os seres híbridos engendrados pelos
anjos “foram valentes, os homens de renome que houve na Antiguidade”
(Gênesis 6:4b). A mitologia não deve ser entendida como mera invenção do
gênio humano. Ela surge no solo fecundo das tradições, das lendas, que
nada mais são do que fatos corrompidos de verdades primitivas. É muito
comum encontrarmos lendas como a de Hércules, fruto do casamento entre
Zeus e uma mulher. Assim como é comum encontrarmos lendas sobre o
dilúvio. Esses são pontos convergentes em todas as tradições religiosas do
mundo.
Em praticamente todas as culturas antigas pode-se encontrar histórias
semelhantes sobre a presença de “deuses”. Entre os egípcios, encontramos
Ísis e Osíris. Entre os povos da Índia e do Tibete, encontramos lendas sobre
a cidade de Shambala e os “Budas” ou “deuses” que teriam trazido ciência e
sabedoria para os seus povos. A intromissão dos Nefilins entre as diversas
culturas da terra explicaria, por exemplo, como a civilização Asteca, Inca e
Maia adquiriu tanto conhecimento nas diversas áreas científicas, sendo
capazes de produzir sofisticados calendários e mapas estelares.
Alguns templos astecas foram dedicados a dois seres que localmente eram
chamados de "deuses" e que teriam vivido num período estimado entre 300
a 900 d.C. De acordo com a lenda contada, estes dois "deuses" - um homem
e uma mulher teriam vindo para Terra com outros deuses e começaram a
ensinar os nativos como eles poderiam construir uma grande civilização.
Estes “deuses” ficaram entre os nativos por um grande período de tempo,
ensinando-os matemática, ciência, astronomia além de outros
conhecimentos. Então, antes que os dois "deuses" retornassem à sua "casa",
um outro grupo de diferentes "deuses" teriam aparecido em cena. Segundo a
lenda, houve um grande conflito entre eles e os dois “deuses” presentes
foram mortos. Enlutados com sua morte, os nativos sepultaram seus
"deuses" mortos na principal pirâmide que eles haviam ajudado a construir.
Esqueletos bizarros, com crânios bem maiores do que o normal, foram
encontrados nessa pirâmide.
Lendas sobre Viracocha, divindade adorada pelos Incas, dizem que os
primeiros seres que ele criou, chamados huari ruma, seriam gigantes, que
vivam na época conhecida como Naupa Pacha (“o tempo dos ancestrais”).
Os indígenas locais afirmam que os naupas viveram muito antes dos incas,
ensinando coisas aos homens e, quando foram embora, “subiram ao céu e
nunca mais voltaram.”
Outro exemplo interessante é dos Sumérios. Sua astronomia era
incrivelmente avançada: seus observatórios obtinham cálculos do ciclo
lunar que diferiam em apenas 0,4 segundos dos cálculos atuais. Na colina
de Kuyundjick, antiga Nínive, foi encontrado um cálculo, cujo resultado
final, em nossa numeração, corresponde a 195.955.200.000.000. Um
número de quinze casas! Enquanto os sofisticados gregos, no apogeu do seu
saber, não passaram do número 10.000, considerando qualquer número a
mais como sendo o "infinito". Na cidade de Nipur, 150 km ao sul de Bagdá,
foi encontrada uma biblioteca sumeriana inteira, contendo cerca de 60.000
placas de barro com inscrições denominadas: cuneiformes. Lâminas de
argila sumérias têm informações precisas sobre os planetas do sistema solar.
O mais impressionante são os dados sobre Plutão (Planeta que só foi
descoberto em 1930!). Eles sabiam o tamanho de Plutão, sua composição
química e orgânica e afirmavam que Plutão era na verdade uma lua de outro
planeta do Sistema Solar que se "desprendeu" e ganhou uma nova órbita
(hipótese que tem sido levantada entre pesquisadores da NASA). Eles
chamavam a Lua de pote de chumbo e diziam que seu núcleo era uma
'cabaça' de ferro. Dados que foram confirmados pela NASA, durante o
programa Apolo. Como tal conhecimento poderia ser possível há 3.000
anos? Os Sumérios alegavam ter recebido tal conhecimento dos “deuses”
que vieram do céu. Segundo eles, esses seres tinham uma expectativa de
vida de 20.000 anos, período completamente incompreensível para os
nossos padrões, e eram homens gigantes. Esses “deuses” misturaram-se
com os humanos, gerando assim novas raças e etnias, conhecidos por eles
como os "filhos dos Deuses". Será tudo isso coincidência?
Como a Igreja Primitiva interpretava Gênesis 6?
A igreja primitiva não tinha qualquer dificuldade em identificar os Bene ha-
Elohim como anjos caídos. Entre os primeiros pais da igreja, podemos citar
Justino, Atenágoras, Cipriano, Eusébio, e entre os judeus, podemos citar
Josefo, o grande historiador, e Philo. Antigas fontes rabínicas, bem como os
tradutores da Septuaginta, eram unânimes nesse ponto de vista.
Ainda no século II, Justino Mártir atribuía toda maldade aos demônios, que
segundo ele, eram os filhos dos anjos que caíram devido à sua cobiça pelas
filhas dos homens. Veja o que ele diz em sua Segunda Apologia:
“Eles (Nefilins) subverterem a raça humana por meio de escritos
mágicos e do medo que nela instilaram, por meio de punições à
humanidade, instruindo os homens no uso de sacrifícios, incenso e
libações das quais precisariam depois de se tornarem escravos de
suas lascivas paixões. Engendraram assassinatos, guerras,
adultérios e todos os tipos de dissipações e todas as espécies de
pecado.”[22]
Em sua obra Legatio, escrita em torno de 170 d.C., Atenágoras apresenta os
anjos que “violaram a sua natureza e a sua missão”, e ainda comenta o
paralelismo entre a verdade das Escrituras, e as versões da Mitologia:
“Os que buscaram mulheres fizeram nascer os chamados gigantes.
Não se surpreenda se um registro parcial sobre eles tiver também
sido feito pelos poetas. A sabedoria mundana e a sabedoria profética
diferem entre si como a verdade da probabilidade – uma é celestial, a
outra é terrena (...) Estes anjos, então, que caíram do céu ocuparam-
se com o ar e a terra e não mais conseguiram elevar-se até os reinos
do céu. As almas dos gigantes são os demônios que vagueiam pelo
mundo. Tanto anjos como demônios produzem movimentos [isto é,
agitações, vibrações] – demônios produzem movimentos similares às
naturezas que receberam, e anjos movimentos similares à luxúria
pela qual foram possuídos.”[23]
Tertuliano (160-230 d.C), muito admirado nos círculos teológicos, afirmou:
“Com relação aos detalhes sobre como os anjos, pela sua própria
vontade, perverteram-se e constituíram então a fonte da raça
corrupta dos demônios, uma raça amaldiçoada por Deus juntamente
com seus originadores e aquele que mencionamos como seu líder. O
registro destes acontecimentos é encontrado na Sagrada
Escritura.”[24]
Tertuliano chega a citar uma prática comum na igreja primitiva, de
renunciar na cerimônia de batismo, a influência dos anjos caídos.[25]
Clemente de Alexandria (150-220) fala acerca dos anjos “que renunciaram
à beleza de Deus em troca da beleza que se desvanece, caindo assim do céu
para a terra.”[26] Na obra conhecida como “As Homilias de Clemente”,
lemos que os anjos “modificaram-se, assumindo a natureza de homens” e
compartilharam a luxúria humana.[27]
Foi Júlio Africano (200-245 d.C., contemporâneo de Orígenes) que
introduziu a teoria de que os “filhos de Deus” seriam os descendentes de
Sete, e as filhas dos homens seriam as descendentes de Caim. Ciro de
Alexandria também repudiou a posição ortodoxa predominante entre seus
contemporâneos. Jerônimo (348-420), Crisóstomo (346-407) também
fizeram coro com a nova teoria. Mas foi Agostinho (354-430) quem
desferiu o golpe definitivo contra a antiga crença, abraçando a teoria de que
os filhos de Deus seriam, de fato, os filhos de Sete. A posição de Agostinho
prevaleceu por toda a Idade Média, até os dias de hoje.
Convém salientar os motivos que levaram Agostinho a abolir a crença de
que os anjos houvessem caído em luxúria com as mulheres. Durante o
tempo de seu ministério, Agostinho teve de enfrentar um grave problema
causado pela grande popularidade dos anjos: As pessoas estavam prestando-
lhes culto, oferecendo-lhes sacrifícios e orações. A situação já estava fora
de controle. Por essa razão, Agostinho procurou reduziros anjos à forma
mais abstrata possível, pregando publicamente:
«Legítimos habitantes das moradas celestes, os espíritos imortais,
felizes pela posse do Criador, eternos por sua eternidade, fortes de
sua verdade e santos por sua graça, tocados de compulsivo amor por
nós, infelizes e mortais, e desejosos de partilhar conosco sua
imortalidade e beatitude, não, querem que sacrifiquemos a eles, mas
Àquele que sabem ser, como nós, o sacrifício [ou seja, Jesus Cristo].
Porque somos com eles uma só Cidade de Deus.»; «Quanto aos
milagres, sejam quais forem, operados pelos anjos ou por qualquer
outro modo, se se destinam a glorificar o culto da religião do
verdadeiro Deus, princípio único da vida bem aventurada, devem ser
atribuídos aos espíritos que nos amam com verdadeira, é preciso
acreditar ser o próprio Deus quem neles e por eles opera.»; «...
Aquele cuja palavra é espírito, inteligência, eternidade, palavra sem
começo e sem fim, palavra ouvida em toda a pureza, não pelos
ouvidos do corpo, mas do espírito, por intermédio de seus ministros,
enviados que gozam de sua verdade imutável, no seio de eterna
beatitude, palavra que lhes comunica de maneira inefável as ordens
que devem transmitir à ordem aparente e sensível, ordens que
executam sem demora e facilmente.»; «Assim, mostram-nos os anjos
fiéis com que sincero amor nos amam; com efeito, não é à sua própria
dominação que querem submeter-nos, mas ao poderio daquele que
são felizes de contemplar, soberana beatitude a que desejam
cheguemos também e de que não se apartam.»[28]
Eis as razões sinceras, porém, equivocadas, que levaram o grande teólogo
do século IV a aderir à teoria da descendência setita.
Vamos analisar cuidadosamente as premissas desta teoria.
De acordo com essa posição, os filhos de Deus são identificados como os
filhos de Sete, pelo fato de esses constituírem a boa linhagem de onde viria
o Messias. Já a descendência de Caim não tinha temor de Deus, e era
conhecida por sua impiedade. Se os filhos de Deus eram os filhos de Sete, e
as filhas dos homens eram as filhas de Caim, como a união entre essas duas
linhagens pôde produzir gigantes? Não conheço qualquer caso de casais
onde o marido é crente e a esposa incrédula que tenha produzido filhos
gigantes, ou mesmo, uma descendência maligna. Pelo contrário. O apóstolo
Paulo diz que “o marido incrédulo é santificado pela mulher, e a mulher
incrédula é santificada pelo marido crente. Doutra sorte os vossos filhos
seriam impuros, mas agora são santos” (1 Coríntios 7:14).
Quanto à alegação de que a linhagem de Sete era uma “linhagem bondosa”
carece de qualquer respaldo bíblico. Se fosse “bondosa” não teria se
envolvido com uma “linhagem perversa”, como a de Caim. Nunca houve,
nem haverá entre os humanos uma linhagem bondosa. O que houve foi uma
“linhagem messiânica”, pela qual veio o Messias. Entretanto, essa
“linhagem” é bem “maldosa”, se quisermos ser honesto com o relato
bíblico. Não é à toa que encontramos a árvore genealógica de Jesus em
Mateus e em Lucas. Em Sua linhagem encontramos de tudo. Desde Judá,
um fornicário (Gênesis 38), passando por Perez, filho ilegítimo, Raabe,
prostituta, Bateseba, adúltera (Mateus 1:1-6), e algumas outras figuras, no
mínimo, controversas.
Embora tenha vindo de uma linhagem de pecadores, Jesus nasceu sem
pecado, pois Seu DNA foi produzido pelo Espírito Santo, no ventre de uma
virgem chamada Maria. De Maria, Deus aproveitou o cromossomo X, puro,
sem a contaminação dos genes angélicos. Do Espírito Santo veio o
cromossomo Y, que gerou o corpo no qual Deus habitou entre nós.
O principal argumento contra o envolvimento sexual entre os anjos e as
mulheres é tirado de uma passagem neo-testamentária, em que Jesus afirma
que no céu todos seremos como os anjos, que não se casam, nem se dão em
casamento. Concluiu-se, daí, que os anjos são seres assexuados, e que,
portanto, não poderiam ter coabitado com as mulheres, nem tampouco lhe
dado filhos.
Mas basta um exame mais acurado do texto (Mateus 22:30), e veremos o
que realmente Jesus quis dizer. Ele disse: “Na ressurreição nem se casam
nem são dados em casamento; serão os anjos de Deus no céu.” Repare o
detalhe “no céu”. De fato, no céu, os anjos são seres espirituais, que não
podem se casar, ou manter qualquer tipo de atividade sexual. Entretanto,
somos informados por Judas que esses anjos “deixaram a sua própria
habitação” (Judas 6). Ao descer à terra, eles assumiram corpos físicos, bem
semelhantes aos dos seres humanos.
 
Bem da verdade, não existe um anjo nas Escrituras que seja assexuado. De
Gênesis a Apocalipse, os anjos se apresentam como “varões.”[29] De acordo
com os relatos bíblicos, os anjos aparecem, na maioria das vezes, como
homens de carne e osso, podendo ser tocados por mãos humanas; comem o
mesmo alimento dos homens, e são capazes de combate físico direto, como
no caso ocorrido com Jacó. O escritor de Hebreus chega a afirmar que
muitos, sem se darem conta, “hospedaram anjos” (Hebreus 12:2).
Em Gênesis 18, encontramos três anjos enviados por Deus a Abraão. Eles,
não apenas foram recebidos com honra pelo patriarca, como também
participaram de um verdadeiro banquete. Bezerro assado, pão, coalhada,
leite, foram algumas das iguarias que “eles comeram” (Gênesis 18:8).
Alguém poderá alegar: Entre comer e ter relações sexuais há uma grande
distância.
De fato, os anjos são espíritos, mas que possuem também uma estrutura
“carnal”. Ainda que seja “outra carne”, conforme lemos em Judas 7. Neste
texto, Judas relata o que aconteceu em “Sodoma e Gomorra, e as cidades
circunvizinhas que, havendo-se prostituído como aqueles (anjos), e ido
após outra carne (a dos anjos), foram postas como exemplo, sofrendo a
pena do fogo eterno” (Judas 7).
Que cidades circunvizinhas eram essas? As que Josué, mais tarde, teve que
destruir. Somos levados a crer que houve outras incursões de anjos caídos
no mundo após o Dilúvio. Segundo Enoque, foram duzentos o números dos
anjos que tiveram relações com as mulheres. Esses foram aprisionados, e
aguardam o dia do Juízo. Entretanto, Satanás seduziu a terça parte das
hostes celestiais. Alguns desses anjos desceram a Terra para dar
continuidade à sua prole maldita, e ao seu intento de impedir a conclusão do
plano de Deus.
Enoque parece fazer alusão a isso no capítulo 85, versos 2 e 4 do seu Livro:
“E ví uma estrela caiu do céu (...) Novamente eu vi em minha visão, e
examinei o céu; então vi muitas estrelas descendo, e projetando-se do
céu para onde a primeira estrela estava.”
Na sequência do texto, Enoque diz, por meio de uma parábola, que tais
“estrelas”, que vieram em uma segunda incursão, foram as responsáveis
pela contaminação de algumas civilizações que habitavam a Terra,
chamadas ali de elefantes, camelos e asnos. Tais povos teriam sido
engendrados por essas criaturas celestiais.
Outra passagem que parece lançar luz sobre esse fato é Deuteronômio 32:8.
Ali, no cântico de Moisés, lemos:
“Quando o Altíssimo repartia as nações, quando espalhava os filhos
de Adão ele fixou fronteiras para os povos, conforme o número dos
filhos de Deus.”[30]
Outra passagem que corrobora com essa está em Deuteronômio 4:19, onde
Moisés adverte o povo de Israel: “E não levantes os teus olhos aos céus e
vejas o sol, e a lua, e as estrelas, todo o exército dos céus, e sejas impelido
a que te inclines perante eles, e sirvas àqueles que o Senhor, teu Deus,
repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus.”
Fica claro que o próprio Deus distribuiu as nações, submetendo-as aos
Anjos Guardiões (Também chamados de Sentinelas ou Vigilantes). Afinal,
Adão havia entregado o mundo a Satanás. Nada mais natural que as nações
fossem repartidas entre seus anjos aliados. E isso foi feito com o
consentimento de Deus. Por isso, cada nação servia a seus próprios deuses.
Baal, Asterote, Dagon e outros ídolos, nada mais eram que seres angelicais,
aos quais as nações foram submetidas. O verso 9, porém, diz: “Mas a parte
do Senhor foi o seu povo, o lote da sua herança foi Jacó.”
Através de Israel, Deus preservariauma linhagem santa, que não se
macularia com a semente dos Nefilins, para trazer ao mundo o Redentor da
Humanidade. Era por isso que os filhos de Israel não podiam se misturar
com os habitantes daquelas nações. Todas elas estavam contaminadas pela
semente maligna.
É provável que aqueles povos já estivessem familiarizados com a visita dos
“deuses”. Foi por isso que os moradores de Sodoma quiseram agarrar à
força os anjos que Deus havia enviado a Ló, para tirá-lo de lá, juntamente
com a sua família. [31] Eles só não podiam supor que aqueles anjos não eram
Nefilins, mas anjos enviados por Deus para trazer juízo àquelas cidades.
Até entre os gregos e romanos contemporâneos dos apóstolos, havia a
crença de que os deuses desciam entre os homens, na semelhança humana.
Em Atos encontramos a curiosa narrativa de um episódio em que as
multidões acreditaram que Paulo e Barnabé eram Júpiter e Mercúrio, deuses
da mitologia romana que os estavam visitando. As multidões clamavam:
“Fizeram-se os deuses semelhantes aos homens, e desceram até nós” (Atos
14:11b). Chegaram a ponto de trazerem touros para serem sacrificados a
eles. Os apóstolos tiveram que reagir energicamente para dissuadi-los:
“Porém, ouvindo isto os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgaram as suas
vestes, e saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que
fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às
mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao
Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há, o qual nos
tempos passados deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos.
Contudo, não deixou de dar testemunho de si mesmo” (vv.14-17a). Repare
que eles chamam os deuses das nações de “vaidade.”
Devemos atentar mais uma vez para o que diz Gênesis 6. O texto diz que
havia Nefilins naqueles dias, e também depois deles. Quando Moisés
escreveu este relato, a Terra estava infestada de gigantes, uma raça híbrida,
fruto da mistura entre anjos e humanos.
Entre as tribos que habitavam Canaã, a Terra Prometida, estavam os
Refains, Emins, Horins, Zanzumins, que eram gigantes. O reino de Ogue,
rei de Basã, era uma verdadeira “terra dos gigantes”. Mais adiante
encontramos Arba, Anaque e seus sete filhos (Anaquins), que também eram
gigantes. Sem nos esquecer de Golias e seus quatro irmãos.
Quando Deus revelou a Abraão que a Terra de Canaã lhe seria dada por
herança, Satanás teve cerca de 400 anos para plantar ali a semente nefasta
dos Nefilins.
Isso nos remete à parábola do joio e do trigo. Jesus conta que “o reino dos
céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo. Mas
enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo, semeou o joio no meio
do trigo e retirou-se” (Mateus 13:24-25). Jesus explica que “o campo é o
mundo, e a boa semente são os filhos do reino. O joio são os filhos do
maligno, e o inimigo que o semeou é o diabo” (v.38).
O destino do joio já está traçado: “Assim como o joio é colhido e queimado
no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do
homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa
pecado, e todos os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de
fogo, onde haverá pranto e ranger de dentes” (vv.40-42). Repare nisso:
Deus eliminará de Seu reino “tudo o que causa pecado” e “todos os que
cometem iniquidade.” Creio que “tudo o que causa pecado” seja uma
alusão aos demônios, aos Nefilins, cujo objetivo é instigar os homens a
pecar. Entretanto, os homens não ficarão impunes. Todos os que cometem
iniquidade desaparecerão.
Na mesma passagem em que Isaías relata a queda do Querubim rebelde,
lemos a sentença lavrada por Deus contra a descendência dos Nefilins: “A
descendência dos malignos não será nomeada para sempre. Preparai a
matança para os filhos por causa dos pais, para que não se levantem e
possuam a terra, e encham o mundo de cidades” (Isaías 14:20b-21). Aquela
prole amaldiçoada tinha que ser exterminada, para que não trouxesse males
ainda maiores à humanidade.
Ao enviar seus doze espias à terra de Canaã, Moisés ordenou que eles
sondassem a população que havia naquela região. Ao retornarem de sua
missão, os espias relataram que viram gigantes na terra (o termo usado em
hebraico é Nefilim).
Quando, finalmente, Israel estava prestes a entrar em Canaã, depois de
perambular pelo deserto por cerca de 40 anos, Josué foi instruído por Deus
a destruir completamente os morados daquelas cidades, não poupando nem
mesmo mulheres e crianças. Satanás semeou ali o seu joio, para impedir
que a semente de Abraão, de onde viria o Messias, se estendesse por toda
aquela região.
O livro de Números relata a presença dos Nefilins em Canaã, muito depois
do Dilúvio. Depois de vagar por 40 anos no deserto, os filhos de Israel
deram uma parada em Cades, que era uma espécie de Oásis no norte do
Sinai. Foi dali que Moisés enviou os doze espiais à Terra Prometida. O
texto diz:
“Quando Moisés os enviou para explorar a terra de Canaã, disse-
lhes: Subi ao Neguebe, e escalai as montanhas. Vede como é a terra,
e o povo que nela habita, se é forte ou fraco, se são poucos ou
muitos. Como é a terra em que habita? É boa ou má? Como são as
cidades em que vivem? São abertas ou fortificadas? Como é o solo?
É fértil ou estéril? Tem matas ou não? Esforçai-vos, e trazei do
produto da terra...” Números 13:17-20
Depois de 40 dias, os espias retornaram com o seguinte relatório:
“Fomos à terra a que nos enviaste. Ela verdadeiramente mana leite e
mel! Este é o seu fruto. Mas o povo que habita nessa terra é
poderoso, e as cidades fortificadas e muito grandes. Também vimos
ali os filhos de Enaque (gigantes).” Números 13:27-28
Quando o povo já demonstrava desânimo com o relatório dos espiais,
Calebe tomou a palavra e disse: “Subamos animosamente, e possuamo-la
em herança, pois certamente prevaleceremos contra ela. Porém os homens
que com ele subiram disseram: Não poderemos atacar aquele povo; é mais
forte do que nós. E diante dos filhos de Israel infamaram a terra que
tinham explorado, dizendo: A terra, pelo meio do qual passamos a espiar, é
terra que devora os seus moradores. Todo o povo que vimos nela são
homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes (pois os
descendentes de Enoque são de raça gigante), e éramos aos nossos
próprios olhos como gafanhotos, e assim também lhes parecíamos”
(Números 13:30-33).
Por causa do receio dos filhos de Israel em enfrentar os Nefilins, toda
aquela geração foi reprovada por Deus, ficando prostrado no deserto, ao
longo de quarenta anos de peregrinação. Daquela geração que saíra do
Egito, somente dois, Josué e Calebe, adentraram a terra prometida.
Quarenta e cinco anos depois deste episódio, quando Calebe recebeu de
Josué a sua parte da herança, teve que enfrentar os Enaquins (Nefilins), e
expulsá-los do monte Hebrom (Josué 14:12-15).
 
A ordem de Deus não poderia ser atenuada. Sua instrução foi clara:
“Ouve, ó Israel! Hoje passarás o Jordão para entrares a possuir
nações maiores e mais fortes do que tu, cidades grandes e muradas
até o céu. O povo é grande e alto, filhos dos Enaquins, que tu
conheces e de quem já ouvistes dizer: Quem poderá enfrentar os
filhos de Enaque? Sabe, porém, hoje, que é o Senhor teu Deus que
passa adiante de ti, como um fogo consumidor. Ele os destruirá e os
derrubará diante de ti, e tu cedo os expulsarás e os desfarás, como o
Senhor te prometeu. Quando o Senhor teu Deus os lançar fora de
diante de ti, não digas em teu coração: Por causa da minha justiça é
que o Senhor me trouxe a esta terra para a possuir. Antes, é pela
impiedade destas nações que o Senhor as expulsa de diante de ti (...)
e para confirmar a palavra que o Senhor teu Deus jurou a teus pais,
Abraão, Isaque e Jacó.” Deuteronômio 9:1-4,5b
Em Deuteronômio, os gigantes Enaquins (descendentes dos Nefilins)
também são conhecidos como Rafains (Deut.2:11). Entre os mais
conhecidos Rafains está o rei Ogue, de Basã. De acordo com
Deuteronômio, a enorme cama de ferro[32] de Ogue ainda podia ser vista em
Rabá (Deuteronômio3:11).
Segundo a Bíblia, tanto os Refains quanto os Enaquins foram exterminados
por Moisés (Josué 12:4-6), Josué (Josué 11:21-22) e Calebe (Josué 15:14;
Juízes 1:20), ainda que restassem alguns desgarrados, que acabaram mortos
por Davi e seus homens (2 Samuel 21:18-22; 1 Crônicas 20:4-8).
Embora os gigantes tenham sido erradicados da Terra, fomos comissionados
por Cristo a expulsar os demônios, na autoridade do Nome de Jesus.
Portanto, a luta continua. Mas a vitória é garantida “pelo sangue do
Cordeiro” e pela palavra de nosso testemunho (Apocalipse 12:11).
Paulo fala que nossa luta não é contra carne nem o sangue, mas contra os
principados, as potestades, os poderes deste mundo tenebroso, contra as
forças espirituais da maldade nas regiões celestes. De Gênesis 6 até os dias
de Davi, o povo escolhido por Deus teve que lutar contra inimigos de carne
e sangue. Aqueles mesmos inimigos estão em guerra contra o povo de Deus
hoje. A diferença é que já não são carne e sangue, mas seres espirituais.
Quando Paulo fala de “poderes deste mundo tenebroso”, está se referindo
aos demônios, que trabalham por trás das estruturas injustas que buscam
cativar os seres humanos. Já “os principados, as potestades, e as forças
espirituais da maldade nas regiões celestes” dizem respeito àqueles anjos
que se rebelaram contra Deus, e hoje atuam sob a orientação do “príncipe
das potestades aéreas”.
 
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7
Noé e os Nefilins desmascarados
O
 
 filme "Noé" [33]tem sido pivô de muitos debates nas redes sociais.
Muitos o acusam de não ser fiel aos relatos bíblicos. Descontando
a licença poética, o filme tem o mérito de levantar questões há
muito ignoradas pela maioria dos cristãos. Dentre elas, a existência
de uma raça angelical que na película é chamada de guardiões. De acordo
com o enredo, tais seres teriam ajudado os homens depois que estes foram
expulsos do paraíso. Como castigo, Deus os teria exilado na terra em forma
de monstros de pedra. É aqui que o enredo esbarra com o relato bíblico,
segundo o qual, os guardiões, também chamados de Bene-Elohim, haviam
se rebelado contra as instruções divinas e se envolvido sexualmente com
mulheres humanas, gerando uma raça híbrida conhecida como os Nefilins.
A primeira medida tomada por Deus para corrigir o erro dos guardiões foi
enviar um Dilúvio ao mundo. Não queremos aqui discutir a abrangência de
tal cataclismo, se foi universal ou local. Mas o fato é que Deus queria
separar uma estirpe pura, que fosse preservada ao longo dos séculos, até
que chegasse a plenitude dos tempos, e o Filho de Deus fosse enviado para
redimir a humanidade.
Antes de enviar o Dilúvio, Deus chamou a Noé, e o ordenou a construir
uma arca. Qual foi o critério pelo qual Deus escolheu justamente a Noé?
Será que ele era perito em tecnologia náutica? Não. Será que ele era um
homem perfeito sob o ponto de visto moral ou mesmo ético? Não. Se fosse,
não teria se embriagado e se exposto ao ridículo, como fez, sendo alvo de
chacota do próprio filho.
Há razões para crermos que os guardiões contaminaram não apenas os seres
humanos, mas também os animais. A serpente do Éden estava, por assim
dizer, se alimentando do pó da terra, comprometendo geneticamente as
criaturas de Deus (Gênesis 3:14). Lembremo-nos que, tanto o homem,
quanto os animais, provém do “pó da terra”, que é uma metáfora para
células, e mais precisamente para genes (Gênesis 1:24; 2:7; Ec.3:18-20).
O texto declara enfaticamente que “a terra, porém, estava corrompida
diante de Deus” (Gênesis 6:11). Por isso Deus anunciou: “Destruirei de
sobre a face da terra o homem que criei, tanto o homem como o animal”
(v.7).
Em meio a esta corrupção (não apenas moral, mas genética), Deus
encontrou Noé que era “homem justo e íntegro em suas gerações”, e ainda
por cima, “andava com Deus” (v.9). O texto original indica claramente que
Noé era puro em sua genealogia. Isto é, ele não havia sido contaminado
pelo gene angélico. Por isso, Deus o escolheu para dar origem à estirpe que
traria Seu Filho ao mundo.
Mesmo com a contaminação da raça humana pelo gene angélico e com a
manipulação genética que resultou no surgimento de raças híbridas de
animais, Deus resolveu não exterminá-los completamente. Além de poupar
a Noé e sua família, Deus também decidiu poupar os animais, mesmo
aqueles que houvessem sido resultado de manipulação genética de tais
seres. Entretanto, Deus ordenou a Noé que de cada animal limpo levasse
sete casais, mas dos animais impuros, apenas um casal (7:2). É a primeira
vez que surge na Bíblia a distinção entre animais limpos e impuros. Quando
a Bíblia relata a criação dos animais, os distribui em várias categorias:
selvagens, domésticos, aves, répteis, peixes. Não encontramos ali a
categoria “impuros”.
De onde surgiu esta discriminação?
Há relatos extrabíblicos que afirmam que os anjos manipularam
geneticamente os animais, criando novas espécies. Creio que tais espécies
foram consideradas impuras por serem resultado de tais manipulações.
Quando Deus outorgou a Lei, proibiu que tais animais fossem consumidos.
E por quê? Porque poderiam, ao longo das gerações, causar algum
comprometimento genético à estirpe pela qual Cristo deveria vir ao mundo.
É por isso que, depois que Cristo veio e cumpriu Sua missão redentora, tais
proibições foram invalidadas.
 
Paulo expressou sua compreensão acerca disso ao declarar: “O fim da Lei é
Cristo” (Romanos 10:4). Em outras palavras, o objetivo da Lei era Cristo.
Tendo Cristo vindo ao mundo, já não haveria necessidade de certas
precauções.
Era necessário que a estirpe pela qual Jesus viria fosse preservada de
qualquer contaminação genética, a fim de que Jesus fosse 100% Homem,
tão puro geneticamente quanto Adão. As leis higiênicas e dietéticas tinham
este objetivo.
Dentre os animais considerados impuros, o que mais chama a atenção é o
porco. É interessante ressaltar a proximidade genética e morfológica entre o
porco e o ser humano. Por isso, são cada vez mais comuns pontes de safena
com tripas de porco, e transplantes de órgãos de porco para humanos.
Não seria o porco um produto de manipulação genética feita pelos
guardiões? Ora, se hoje há raças caninas resultantes de manipulação
genética, por que não seria razoável supor que houvesse raças de animais
resultantes de manipulação por parte de tais seres? Talvez algumas figuras
mitológicas, como o minotauro, metade homem, metade animal, tenham
sido inspiradas nessas experiências.
Flavio Josefo, historiador judeu, conta que nos dias que antecederam a
queda de Jerusalém, uma vaca deu à luz um cordeiro no Templo em plena
festa da Páscoa. A glória de Deus já havia deixado aquele recinto outrora
sagrado, e que agora estava entregue às hordas rebeldes capitaneadas por
Satanás.
Com o Dilúvio, a raça humana teria sido reduzida a um grupo de oito
pessoas, a saber, Noé, sua esposa, seus três filhos e respectivas esposas. Se
o Dilúvio tinha como objetivo exterminar a raça híbrida, de onde teriam
vindo os gigantes que aparecem nas páginas da Bíblia até os dias de Davi?
É plausível acreditar que tenha havido novas incursões angelicais ao
mundo, e, consequentemente, novas experiências genéticas envolvendo
seres humanos.
Depois do episódio que ficou conhecido como Torre de Babel, os homens
foram distribuídos pelo mundo, e se organizaram em nações, e cada uma
delas invocava seus próprios deuses. A invocação a estes deuses deu-lhes
liberdade para que voltassem a transitar entre os homens, e aqui
proliferassem sua semente.
Mais uma vez a humanidade estava sendo contaminada pelo gene maligno.
Babel se tornou num portal para que os Bene-Elohim retornassem a terra.
Foi nesse ínterim que Deus chamou a Abraão.
Abraão representa um novo início. Deus lhe ordena a sair da terra dos
Caldeus, onde florescia a civilização Suméria, para uma terra que ainda lhe
seria mostrada. O patriarca teve que romper com sua família, com sua
herança cultural, e aventurar-se por uma terra desconhecida, e queposteriormente seria dada por herança à sua posteridade.
Sabemos que Sara, mulher do patriarca, era estéril. Como poderia Deus
cumprir o que prometera, se sua esposa era incapaz de conceber?
Acolhendo a ideia de sua própria esposa, Abraão tomou sua escrava Hagar,
para que esta lhe desse um descendente. Porém, Deus não Se agradara de tal
iniciativa. Hagar era egípcia, descendente de Cão, o filho de Noé que fora
amaldiçoado; portanto, sua ascendência não era pura.
Abraão era semita, isto é, descendente de Sem, de quem Deus pretendia
suscitar uma estirpe santa pela qual Seu Filho seria enviado ao mundo.
Abraão já tinha cem anos, e Sara, sua mulher, noventa anos. Além de ter
sido estéril por toda a vida, “Sara havia cessado o costume das mulheres”
(Gênesis 18:11). Ora, se Sara não ovulava mais, como poderia conceber? O
texto sagrado diz que “o Senhor visitou a Sara, como tinha dito, e lhe fez
como havia prometido. Sara concebeu, e deu a Abraão um filho na sua
velhice, ao tempo determinado, de que Deus lhe falara” (Gênesis 21:1-2).
Não foi apenas um milagre feito à distância. O Senhor visitou a Sara!
O escritor de Hebreus diz que Sara “recebeu poder de conceber um filho,
mesmo fora da idade” (Hebreus 11:11). Receber poder de conceber é o
mesmo que receber um óvulo para que fosse fecundado pelo sêmen de
Abraão. De onde veio esse óvulo? Terá sido produzido naturalmente pelos
ovários de Sara? Absolutamente, não! Deus não restaurou seus ovários.
Mas lhe deu “poder” para conceber. O óvulo que fora colocado no ventre de
Sara pode ter sido produzido pelo Espírito Santo e inseminado por Deus.
Sendo assim, Isaque teria sido gerado pelo próprio Espírito Santo!
Evidência bíblica? Em Gálatas 4:28-29, Paulo diz que Isaque “nasceu
segundo o Espírito”.
Em sua concepção, Isaque teve o sêmen humano e o óvulo produzido pelo
Espírito; o inverso de Jesus, que teve o sêmen do Espírito fecundando o
óvulo humano.
Isso não faria de Isaque um ser semelhante a Jesus? Não! Deus estava tão-
somente preparando o caminho genético que culminaria com o invólucro,
isto é, o ventre que hospedaria Jesus por nove meses. 
Foi necessário que Isaque fosse gerado desta maneira, para preparar
geneticamente a estirpe de onde Jesus viria. De Isaque a Jesus foram 42
gerações, isto é: 7 x 6. Sete é o número que representa a divindade,
enquanto seis representa a humanidade. Estas 42 gerações eram necessárias
para que a humanidade fosse preparada para mesclar-se à divindade na
Pessoa de Jesus.
O envolvimento dos guardiões com as humanas não tinha apenas motivação
libidinosa ou romântica, mas era uma estratégia que visava contaminar a
raça humana e impedir que se cumprisse a promessa feita no Éden de que
da semente da mulher viria o que esmagaria a cabeça da serpente.
 
[1] Hebreus 1:14 - "Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a
favor daqueles que hão de herdar a salvação?"
[2] "(1) E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e vendo-
os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra...(3) E porfiou com eles muito, e
vieram com ele, e entraram em sua casa; e fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levedura, e
comeram...(10) Aqueles homens porém estenderam as suas mãos e fizeram entrar a Ló consigo na
casa, e fecharam a porta;" (Gênesis 19:1,3,10)
[3] "Agora vim, para fazer-te entender o que há de acontecer ao teu povo nos derradeiros dias; porque
a visão é ainda para muitos dias". (Daniel 10:14).
"E o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual
tem sete cabeças e dez chifres". (Apocalipse 17:7).
[4] Daniel 4:13, 17, 23
[5] "Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze
legiões de anjos?" (Mateus 26:53)
[6] "Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de
Deus no céu" (Mateus 22:30 ACF).
[7] O termo mal’ak aparece 214 vezes no Antigo Testamento, enquanto aggelo aparece 186 vezes no
Novo Testamento.
[8] Convém salientar que o verso em que Jesus diz que os anjos nos céus sempre veem a face do Pai
(Mt.18:10), poderia ser traduzido como “sempre estão diante” de Sua face. A palavra traduzida como
“veem” é blopo, que pode significar também “estar diante de”.
[9] Um exemplo disso encontramos em Juízes 13.
[10] 1 Pedro 4:14
[11] 1 Timóteo 5:21
[12] Traduzido para o latim como Lúcifer (filho da aurora ou estrela d’alva).
[13] Theia é o nome dado ao planeta que, de acordo com a teoria do Big Splash, colidiu com a Terra
num impacto que deu origem à Lua.
[14] Livro dos Jubileus 4:15
[15] Um exemplo de longevidade é Matusalém que viveu 969 anos. O próprio Adão viveu 930 anos!
[16] Mais tarde Deus estabeleceu que o homem deveria viver em média 70 anos.
[17] A terça parte dos anjos, que participaram da rebelião promovida pelo Querubim Helel ben-shahar
(Lúcifer).
[18] De acordo com Luther Link, «até o século IV, Enoque fazia parte do ainda mal definido cânone»;
«Familiar para os judeus e primeiros cristãos, Enoque foi um texto sagrado autêntico para Judas,
Clemente, Barnabé, Tertuliano e outros primeiros pais» (embora Jerônimo e Orígenes fizessem
ressalvas)
[19] Monumentos megalíticos – Monumentos feitos com grandes pedras, que pesam toneladas. Ainda
é um mistério para a ciência, a maneira como tais pedras foram transportadas. Um exemplo disso são
as famosas estátuas da Ilha de Páscoa, que fica a milhares de quilômetros do continente, no meio do
Oceano Pacífico.
[20] É por ser oriundo de uma linhagem pura, que não fora poluída pela semente dos Nefilins, que
Jesus é chamado “Filho do Homem”.
[21] Uso Nefilins como plural de Nefilim, porém, o termo hebraico nefilim já está no plural.
[22] Mártir, Justino, “The Second Apology”, Writings of Saint Justin Martyr, traduzido por Thomas
B. Falls (N.York: New York Christian Heritage, 1948), p.124.
[23] Atenágoras, “Legatio”, ed. e trad. William R. Schoedel, Oxford Early Christian Texts: Legatio
and De Resurreictione(Oxford: Clarendon Press, 1972(, p.61.
[24] Tertuliano, “Apology”, Apologetical Works, Fathers of the Church, 69 vols. Até esta data
(Washington, D.C.: Catholic University os America PRESS, 1947-), 10 (1950): 69.
[25] Tertuliano, “The Apparel of Women”, Disciplinary, Moral, anda Ascetical Works, Fathers of the
Church, 40:118-20.
[26] Clemente, “The Instrutor”, Ante-Nicene Fathers, 2:274.
[27] The Clementine Homilies, Ante-Nicene Fathers, 8:272-73 
[28] Agostinho, Santo, De Civitate Dei, X.
[29] Ver Apocalipse 21:17; Gálatas 4:14; Atos 1:10; Juízes 13: 3-21; Daniel 9; Gênesis 19:10-15,
Hebreus 13
[30] Há traduções que trazem “filhos de Israel” em vez de “filhos de Deus” (bene ha-Elohim). Está
comprovado através da descoberta de um texto fragmentário entre os Manuscritos do Mar Morto que
continha o Deuteronômio 32:8. composto em escrita do final do período herodiano (fim do século I
a.C. ao início do século 1 d.C.), que as últimas palavras do versículo são claramente bene ha-Elohim
(filhos de Deus = anjos). Esse fragmento é hoje o mais antigo texto hebraico do Deuteronômio 32:8
conhecido. Essa redação foi preservada na Septuaginta Grega, que traduziu como “aggelon theou”
(anjos de Deus).
[31] Convém salientar que esses anjos também comeram de um banquete preparado por Ló. Ver
Gn.19:3
[32] A cama de Ogue tinha cerca de 4m de cumprimento e 2m de largura.[11] Waisbard, Simone,
Tiahuanaco, Ed. Hemus[12] Agostinho, Santo, De Civitate Dei, X.
[33] Noé (em inglês: Noah) é um filme épico norte-americano de 2014, dirigido por Darren
Aronofsky, com Russell Crowe como o personagem título.

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