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DIETOTERAPIA E 
EDUCAÇÃO 
ALIMENTAR E 
NUTRICIONAL 
NA 
DESNUTRIÇÃO 
ENERGÉTICO-
PROTÉICA 
NUTRIÇÃO NA INFÂNCIA E 
ADOLESCÊNCIA
CONCEITO
“ A DESNUTRIÇÃO ENERGÉTICO-PROTÉICA (DEP), condicionada 
pela deficiência primária e/ou secundária de energia e proteínas, 
representa uma síndrome carencial que reúne variadas manifestações 
clínicas, antropométricas e metabólicas, em função da intensidade e 
duração da deficiência alimentar, dos fatores patológicos (sobretudo 
infecções agregadas) e fase do desenvolvimento biológico do ser 
humano.” 
Lacerda et al, 2005.
PANORAMA MUNDIAL DA DESNUTRIÇÃO
 A desnutrição corresponde a uma doença de natureza clínico-social multifatorial, cujas raízes se 
encontram na pobreza. Quando ocorre na primeira infância, está associada à maior mortalidade, 
à recorrência de doenças infecciosas, a prejuízos no desenvolvimento psicomotor, ao menor 
aproveitamento escolar e à menor capacidade produtiva na idade adulta. 
 Das 7,6 milhões de mortes anuais entre crianças com menos de 5 anos de idade, 
aproximadamente 35% são devidos a fatores relacionados à nutrição e 4,4% das mortes 
mostraram ser especificamente atribuíveis a desnutrição grave. 
 Estima-se que a desnutrição grave represente cerca de 400.000 mortes infantis a cada ano 
DIAGNÓSTICO E CLASSIFICAÇÃO DA GRAVIDADE
DESNUTRIÇÃO 
ENERGÉTICO-
PROTÉICA 
PRIMÁRIA
Oferta alimentar insuficiente 
em energia e nutrientes
SECUNDÁRIA
Inadequado aproveitamento funcional e 
biológico dos nutrientes disponíveis ou 
elevação do gasto energético,
resultante de doença de base
DIAGNÓSTICO
DEP
ANTROPOMETRIA
P/I
A/I
P/A + IMC/I
CB, CMB
PCT, PCS
HISTÓRIA 
CLÍNICA
Antecedentes de 
saúde
Condições de vida
HISTÓRIA 
NUTRICIONAL
Aleitamento
Alimentação 
Complementar
Apetite
Dieta atual
Preferências
Higiene alimentar
EXAME 
FÍSICO
Distensão 
abdominal
Edema
Massa muscular
Reserva adiposa
Olhos
Pele e mucosas
EXAMES
BIOQUÍMICOS
FORMAS CLÍNICAS
Marasmo
• Acomete com mais 
frequência lactentes jovens.
• A criança apresenta baixa 
atividade, estatura pequena 
para a idade, com membros 
delgados, devido a ̀ atrofia 
muscular e subcutânea, 
desaparecimento da bola de 
Bichat;
• Aspecto envelhecido (fácies 
senil ou simiesca), com 
costelas visíveis e nádegas 
atróficas. 
Kwashiorkor 
• Alterações de pele (lesões 
hipocrômicas ao lado de 
hipercrômicas, com 
descamação), alterações dos 
cabelos (textura, coloração e 
facilidade em se soltar do 
couro cabeludo), 
hepatomegalia (decorrente de 
esteatose), ascite, face de lua 
(edema de face) e/ou 
anasarca. Em geral, acomete 
crianças mais velhas (> 2 
anos) e pode cursar com 
apatia e/ou irritabilidade
Mistas 
(kwashiorkor marasmático)
• O kwashiorkor marasmático 
ocorre quando a criança tem 
todos os sintomas do 
marasmo, porém apresenta 
edema;
• Geralmente, quando 
desaparece o edema com o 
tratamento, pode-se ver que 
elas são portadoras de 
marasmo.
FORMAS CLÍNICAS
Marasmo Kwashiorkor 
Mistas 
(kwashiorkor marasmático)
INTERVENÇÕES PARA RECUPERAÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE
A conduta nas crianças desnutridas vai depender da gravidade e do tipo de desnutrição:
 Crianças com desnutrição grave deverão ser imediatamente encaminhadas para internação devido à 
sua maior susceptibilidade a complicações graves e risco de morte; 
 Crianças com desnutrição primária leve ou moderada deverão ser tratadas pela equipe de saúde; 
 Crianças com ganho de peso insuficiente deverão ser investigadas para identificação de causas e 
tratadas pela equipe de saúde. Havendo evidências da presença de outras doenças, avaliar a 
necessidade de encaminhamento para pediatra/especialista; 
 Crianças com desnutrição secundária ou mista deverão ser avaliadas pelo médico da equipe quanto à 
necessidade de encaminhamento; 
 Mesmo após encaminhamento, todas as crianças deverão continuar sendo acompanhadas pela equipe. 
FASES DO 
TRATAMENTO
“10 PASSOS PARA RECUPERAÇÃO
NUTRICIONAL DA CRIANÇA COM 
DESNUTRIÇÃO GRAVE”
Manual de atendimento da criança com 
desnutrição grave em nível hospitalar / 
Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à 
Saúde, Coordenação Geral da Política de 
Alimentação e Nutrição – Brasília: Ministério 
da Saúde, 2005.
ESQUEMA 
PARA 
TRATAMENTO 
DE UMA 
CRIANÇA COM 
DESNUTRIÇÃO 
GRAVE
TRATAMENTO DA DESNUTRIÇÃO GRAVE
REINICIAR A 
ALIMENTAÇÃO 
CAUTELOSAMENTE E 
PREFERENCIALMENTE 
PELA VIA ORAL
TRATAMENTO DA DESNUTRIÇÃO GRAVE
TRATAMENTO DA DESNUTRIÇÃO GRAVE
META DE INGESTÃO:
calorias na faixa de 150-220 kcal/ Kg 
de peso/dia e um total de proteínas 
na faixa de 4 a 5 g/Kg de peso/dia.
TRATAMENTO DA DESNUTRIÇÃO GRAVE
✓ O peso diário da criança e o registro no 
formulário de ganho de peso diário 
anexado ao prontuário (peso da criança a 
cada manhã, antes que seja alimentada). 
✓ Calcule o ganho de peso médio/Kg de 
peso/dia, no intervalo de uma semana, e 
observe se é bom, moderado ou 
insuficiente. 
✓ Esse cálculo deve ser feito quando a 
criança já se encontra hidratada, sem 
edema e a partir do dia em que começa a 
receber o preparado alimentar inicial –
fase de estabilização. 
TRATAMENTO DA DESNUTRIÇÃO GRAVE
Para que a reabilitação nutricional tenha sucesso é fundamental garantir a estimulação física e sensorial da criança 
porque a desnutrição grave leva ao atraso do desenvolvimento físico e psicosocial. 
A criança com desnutrição grave é considerada recuperada quando seu peso/altura atinge 85- 90% da mediana do 
padrão (–1dp). Isto geralmente ocorre dentro de quatro a oito semanas de internação. Não é recomendado que a 
criança permaneça hospitalizada durante o tempo para completa recuperação, porque existe o risco de infecção 
hospitalar cruzada, A criança pode ter alta antes de sua completa recuperação desde que com a garantia de seu 
acompanhamento nos ambulatórios dos hospitais ou centros de saúde, nos centros de recuperação nutricional, e nas 
visitas domiciliares pela equipe da Estratégia de Saúde da Família.
ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL NA DESNUTRIÇÃO
BARBOSA JM et al, 2013 
DIETA 
HC HP
AUMENTO
DA 
DENSIDADE 
CALÓRICA
ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL NA DESNUTRIÇÃO
 Uso de suplementos x custo x SUS
 Se criança estiver em AM = manter
 Fracionamento da dieta = aumentado
 Volume diminuído, porém com > DC
 Observar tolerância digestiva, pois o aumento da densidade calórica pode ocasionar alterações gastrointestinais em função 
do aumento da osmolaridade
 Cuidados de higiene x risco para diarreia
 Evitar monotonia alimentar 
ATENÇÃO!!!!
O sucesso no tratamento da criança com desnutrição grave não requer 
instalações e equipamentos sofisticados, mas requer pessoal bem capacitado; 
porém, não necessariamente altamente qualificado. 
Requer, essencialmente, que cada criança seja acompanhada por 
alguém próximo a ela, tratada com o cuidado necessário e afeição e 
que cada fase do tratamento seja executada de forma apropriada por 
profissionais de saúde adequadamente capacitados e dedicados. 
Quando isto é feito, o risco de morte pode ser substancialmente reduzido e a 
oportunidade de recuperação completa pode ser, em muito, aumentada.

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