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A COMUNICAÇÃO ESCRITA NO 
ENSINO DE LÍNGUAS 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Michelle Cruvinel Buzani 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, vamos estudar a relação estabelecida entre texto e leitor, 
avaliando como ela se estabelece para que ocorra a comunicação de 
mensagens. Também faz parte dos nossos estudos, nesta primeira aula, a 
importância da leitura e a sua evolução ao longo do tempo. Temos ainda por 
objetivo entender melhor os elementos de um texto, ou seja, o que faz com que 
uma mensagem seja considerada um texto. Vamos, por fim, analisar a 
organização de textos em língua inglesa e os diferentes gêneros textuais e tipos 
textuais. 
Vamos começar! 
TEMA 1 – O TEXTO E O LEITOR 
Todo texto precisa de um leitor, e para que exista leitor, precisamos de 
um texto. Isso quer dizer que existe uma interação íntima entre leitor e texto, a 
partir do momento em que uma mensagem é transmitida por linguagem, sendo 
interpretada por um usuário dessa linguagem. 
Mas como acontece a relação entre texto e leitor? Segundo a teoria da 
comunicação, como define o modelo comunicativo de Roman Jakobson 
(Bonamin, 2017, p. 2), em uma situação de comunicação, os seguintes 
elementos devem estar presentes: 
Emissor – aquele que emite a mensagem, seja uma pessoa, grupo ou 
instituição. 
Receptor – aquele para quem é direcionada a mensagem. 
Código – conjunto de sinais elaborados seguindo certas regras em que 
cada elemento tem relação com os demais sinais. É a maneira como a 
mensagem é organizada, podendo ser língua oral ou escrita, gestos, 
sons etc., e o mais importante é que esse código seja entendido tanto 
pelo emissor como pelo receptor para que seja eficaz. 
Mensagem – é o conteúdo das informações, o objeto da comunicação. 
Canal – por onde a mensagem é transmitida. O canal de comunicação 
garante a conexão entre o emissor e o receptor, seja por meio físico ou 
virtual, e desde que a mensagem seja circulada entre as partes. 
Referente – é o conteúdo, as circunstâncias de espaço e tempo em 
que o emissor está situado ou o universo textual em que a mensagem 
está escrita. 
Por essa explicação, entendemos que todo leitor é um receptor e que 
todo texto é uma mensagem que faz uso de um código (a linguagem), que deve 
ser mutuamente compreendido pelo emissor e pelo leitor. Qualquer quebra 
 
 
3 
nessa cadeia de relações faz com que o texto não seja compreendido pelo leitor, 
de modo que a comunicação não acontece de forma eficaz. 
É importante definir que saber ler não garante que sejamos leitores. Quem 
sabe ler entende a junção das letras na formação de palavras, que por sua vez 
formam sentenças. O leitor, nas palavras de Bonamin (2017, p. 3), é mais do que 
um decodificador: “É aquele que questiona, pensa sobre o que leu, busca mais 
informações, muda de opinião, elabora ideias, ou seja, toma para si a 
responsabilidade de construir o conhecimento que adquire por meio da leitura.” 
A escrita e a leitura são tão importantes que você talvez se lembre de 
tentar ler todos os registros escritos ao seu redor (placas, fachadas de 
comércios, rótulos etc.) quando começou a ler e escrever. Somos 
instantaneamente seduzidos por esse universo de novas interpretações, que se 
abre quando iniciamos o processo de alfabetização. No entanto, não produzimos 
apenas textos de compreensão imediata, como os mencionados anteriormente. 
É necessário ainda saber interpretar textos em que o sujeito se projeta. Afinal, 
nas palavras de Fernandes e Paula (2012, p. 20), “escrever é tecer um texto, 
articulando frases, mas é também elaborar discursos formulando enunciados”. 
A importância da escrita vai além de simplesmente passar documentos 
adiante por gerações. Assim, é importante considerar a escrita para além do 
caráter formativo do texto, que não deixa de ser importante, mas é necessário 
entender a produção escrita como produção de enunciados subjetivos e com 
intencionalidades distintas, como estabelecem Fernandes e Paula (2012, p. 
29): “Ao abordarmos o ato de escrever como um fazer marcado pela 
subjetividade, compreendemos essa produção dotada de ideologia e 
intencionalidade." 
No próximo tópico, vamos entender um pouco mais sobre a evolução da 
escrita na sociedade letrada. 
TEMA 2 – IMPORTÂNCIA DA ESCRITA E DA LEITURA NA EVOLUÇÃO 
HUMANA 
Certamente, uma das principais ferramentas usadas pelo ser humano é a 
linguagem. Por meio dela, são criadas outras ferramentas, com a transmissão 
de ideias e mensagens, contendo os mais variados conteúdos. Foi por meio da 
linguagem que o ser humano alcançou territórios que seriam inabitados pela 
espécie, caso a linguagem não estivesse presente. Imagine como seria difícil (se 
 
 
4 
não, impossível) que um grupo de seres humanos saísse de um território e 
chegasse a outro, utilizando-se de barcos ou outros meios de transporte, caso 
não existisse uma linguagem independente da decodificação de expressões 
faciais ou gestos. Seria muito pouco provável que o comandante de uma 
embarcação conseguisse se comunicar com os demais tripulantes, uma vez que 
ele precisa olhar adiante, de modo que não pode manter contato visual com os 
demais tripulantes o tempo todo. A não ser pelo uso de uma linguagem parecida 
com a que temos hoje, essa embarcação muito provavelmente não chegaria ao 
seu destino de forma bem-sucedida. 
Posteriormente ao surgimento da linguagem, o uso de alfabetos que 
organizam mensagens em palavras e frases fundamentou a documentação de 
importantes conteúdos, desde livros religiosos a tratados comerciais, como 
apontam Fernandes e Paula (2012, p. 18): “Além das questões comerciais, 
aspectos culturais e religiosos devem ser considerados, a exemplo do que ocorre 
com a fé islâmica, que teve na escrita seu maior fator de disseminação.” 
Como vimos até aqui, através da escrita, podemos perpetuar crenças, 
mitos e documentos históricos. Podemos ainda desenvolver registros subjetivos 
em que o escritor se imprime no texto. Nessa perspectiva, o ato de escrever não 
é apenas a junção de letras em palavras, palavras em frases e frases em 
parágrafos. 
Como já estudamos, escrevemos quando temos algo a dizer, 
intencionalidade que pode ir muito além de uma mera sinalização de algo em 
uma placa ou um registro em um documento comercial. Por meio da escrita 
expressamos opiniões, como fazemos, por exemplo, em mídias variadas após a 
leitura de um determinado conteúdo. Você, com certeza, já escreveu um 
comentário em um website, defendendo o seu ponto de vista após ler uma 
notícia. Essa interação por meio de registros de opiniões acontece por meio da 
escrita. Podemos manifestar o nosso ponto de vista oralmente – e, com certeza, 
o fazemos –, mas ele não estaria registrado para o acesso de outros leitores. 
Em suma, a linguagem e a escrita possibilitam não apenas que textos 
objetivos sejam transmitidos ao leitor, mas também que textos subjetivos tenham 
alcance, recebendo um registro, da mesma forma que os textos objetivos. 
 
 
 
5 
TEMA 3 – O QUE FAZ UM TEXTO SER UM TEXTO? 
Estudamos nos tópicos anteriores que há uma íntima relação entre texto 
e leitor, e que um texto pode ser tanto objetivo como subjetivo, valendo-se o 
escritor de suas intencionalidades para a escrita. Também discutimos que a 
interpretação de um texto vai muito além da compreensão do código utilizado 
pelo escritor. Mas o que, afinal, é um texto? Um texto pode ser oral ou precisa 
necessariamente ser escrito? Textos são sempre registros formais? 
Vamos considerar os estudos de Ingedor Koch, Ângela Kleiman e Halliday 
e Hassan, estudiosos da linguagem. Vejamos um resumo de como os autores 
definem “texto” (Bonamin, 2017, p. 51): 
Ingedor Koch - texto é a manifestação verbal que engloba a seleção 
de elementos linguísticos e a organização desses elementos durante a 
atividade verbal, criando assim a interação entre os parceiros, não 
apenas nos conteúdos, masem linha com as práticas socioculturais. 
Ângela Kleiman -: o texto é considerado uma unidade semântica, em 
que vários elementos se unem pelo vocabulário, sintaxe, significado e 
estrutura. 
Halliday e Hassan - texto denota linguagem funcional, seja ela oral ou 
escrita, com significados a serem expressos e repetidos de forma 
constante, com diferentes códigos (sons ou símbolos). É uma unidade 
semântica. 
A partir dessa elucidação, podemos ver que um texto não precisa ser 
apenas um registro escrito, pois pode ser antes uma conversa, uma canção ou 
qualquer outra forma de expressão oral. Segundo Bonamin (2017, p. 53), para 
que exista uma conexão entre emissor e receptor, é importante que o texto conte 
com os seguintes aspectos: 
Organização textual coesa e coerente - organização dos elementos 
linguísticos de forma tal que sejam entendidos corretamente, 
permitindo o ato da comunicação. 
Estrutura adequada - significa estruturar e organizar a mensagem 
apropriada aos diferentes gêneros textuais. 
Nível de linguagem (registro), resultado de contextos sociais 
específicos – possivelmente o tipo de linguagem informal utilizada em 
um bilhete será muito diferente da linguagem de um memorando ou 
ofício, que costuma ser mais formal. Nas duas formas, as partes do 
discurso adequam o vocabulário e o significado alinhados ao diferentes 
contexto e interlocutores. 
Desse modo, podemos dizer que o texto é uma manifestação verbal (oral 
ou escrita) que conta com: organização, para que haja entendimento; estrutura 
apropriada, para que seja reconhecido como parte de um gênero textual; e 
registro adequado ao contexto dos interlocutores. 
 
 
6 
Nós, professores, quando ensinamos a escrita, às vezes nos deparamos 
com textos produzidos por nossos alunos que carecem de um ou mais desses 
elementos constituintes. É de extrema importância evidenciar aos alunos que 
nesses casos o texto não cumprirá com a intencionalidade do emissor/escritor, 
por não ser compreendido efetivamente pelo receptor/leitor. A falta de 
compreensão pode ser parcial, gerando um entendimento incompleto do texto, 
ou má interpretação; ou ainda ser total, quando o leitor não consegue, de modo 
algum, chegar ao que o emissor tinha como objetivo. 
Vamos analisar como a falta desses elementos responsáveis por 
caracterizar um texto pode impactar a sua compreensão. Imagine o seguinte 
texto: “Fui ao mercado mais longe de casa. No entanto que perdi uma hora do 
meu dia para ir e voltar.” O uso de “no entanto” causa estranhamento na 
compreensão da mensagem, uma vez que é um elemento de coesão que 
estabelece contraste de informações. O emissor do texto tinha por objetivo 
estabelecer uma relação de consequência entre o fato de ter ido a um mercado 
distante e a perda de duas horas para cumprir a tarefa. Aqui, seria apropriado o 
uso de “tanto que”, elemento que estabeleceria a relação de consequência 
apropriada. 
Pense agora em uma pessoa que esteja argumentando contra uma 
medida política. Após evidenciar as razões do seu posicionamento, o emissor 
defende um argumento usado em defesa da ideia, em relação à qual se opõe, 
sem explicar que se trata de um contra-argumento aos seus pontos. Veja este 
exemplo: “Eu não concordo com a medida de aumento de impostos porque já 
temos muito a pagar e não vemos o retorno dos impostos pagos em forma de 
benefícios à população. É interessante criar mais impostos, eles aumentam 
divisas.” O interlocutor, muito provavelmente, ficaria confuso, pois o 
posicionamento do emissor parece incoerente, afinal a frase “É interessante criar 
mais impostos, eles aumentam divisas” vai de encontro com o que havia sido 
dito anteriormente. Para evitar o estranhamento, poderíamos nos expressar da 
seguinte forma: “Eu não concordo com a medida de aumento de impostos, 
porque já temos muito a pagar e não vemos o retorno dos impostos pagos em 
forma de benefícios à população. Por mais que alguns digam que é interessante 
criar mais impostos, pois eles aumentam divisas.” A partir do uso de “por mais 
que alguns digam que”, fica claro para o interlocutor que a frase seguinte não é 
a opinião de quem fala, mas um contra-argumento. 
 
 
7 
Podemos também pensar na seguinte situação: o funcionário de uma 
empresa precisa escrever um breve e-mail para a sua equipe, agendando uma 
reunião. A equipe seria tomada de estranhamento se, ao invés de um texto 
enxuto, todos recebessem um texto argumentativo de duas páginas. Nesse 
caso, a falha estaria na estrutura do texto. Ainda pensando em estrutura, pode 
acontecer o contrário: um candidato ao vestibular de uma universidade precisa 
escrever um texto argumentativo. O corretor da prova certamente estranharia ao 
ler um texto que se assemelhasse a uma mensagem instantânea de aplicativos 
para celulares. 
Um outro exemplo: em uma roda de amigos, um dos emissores faz uso 
de expressões e vocabulário extremamente formais. É bem provável que os 
colegas ali presentes estranhassem o comportamento do emissor. Ele poderia 
até virar até motivo de piada por parte dos demais, que se perguntariam: “Mas 
por que ele está falando tão formalmente entre amigos?” Aqui temos, 
claramente, um problema de registro. 
Em conclusão, após examinar os elementos que constituem um texto, 
com possíveis quebras na relação escritor/leitor, oriundas da ausência dos 
mesmos elementos, fica claro que um texto não é um amontoado de palavras 
escritas ou ditas aleatoriamente. Ao escrever, devemos ter intencionalidade, 
considerando um receptor claro, para que as nossas escolhas ajudem o texto a 
ser interpretado com efetividade. 
TEMA 4 – OS DESAFIOS DO TEXTO ESCRITO 
Talvez você já tenha passado pela experiência de estar à frente de uma 
folha em branco que precisa ser preenchida, não apenas por palavras, mas por 
um texto. Essa experiência também é parte da vivência dos nossos alunos, que 
muitas vezes se queixam quando precisam escrever um texto que foge às 
estruturas às quais estão habituados. Nossa intenção aqui não é rotular que a 
tecnologia tem impactos negativos à escrita, mas hoje, com certeza, estamos 
muito mais habituados a produzir textos suscintos, que exprimem quase que de 
imediato o que esperamos de nosso interlocutor. 
Não seria um problema, se nas situações por que passamos apenas essa 
estrutura de texto fosse suficiente, mas vivemos inúmeras situações em que 
precisamos escrever textos mais complexos, como e-mails, textos 
argumentativos, artigos etc. Como professores, precisamos estar cientes de que, 
 
 
8 
muito provavelmente, nossos alunos estarão muito mais familiarizados com 
textos menos complexos, e que assim parte do nosso trabalho como professores 
é prepará-los para escrever textos com maior grau de complexidade. 
Ao preparar os alunos para o ato de escrever, reduzimos o abismo que 
alguns enxergam quando comparam fala e escrita. Não é incomum que os 
alunos que se queixem por não conseguirem produzir de forma escrita com a 
mesma facilidade e eficácia que produzem na forma oral. Ressaltamos o 
conceito de “preparar” os nossos alunos a escrever, afinal um texto escrito não 
é simplesmente uma transcrição de um texto oral. “Essas características 
peculiares aos textos escritos, contudo, não são aprendidas naturalmente [...]. 
Fazem-se necessárias aulas dedicadas à produção de textos” (Fernandes; 
Paula, 2012, p. 130-131). 
No trabalho do professor de língua estrangeira, pode surgir o seguinte 
questionamento: “Por que ensinar meu aluno a escrever em língua estrangeira 
quando o contexto da Educação Básica pressupõe habilidades e saberes 
relacionados muito mais ao inglês instrumental?” Se consideramos um contexto 
mais amplo, o aluno às vezes deverá escrever em língua estrangeira. Assim, é 
pouco profissional ignorar a sua ansiedade quando esse momento chega. 
Fernandes e Paula (2012, p. 133) listam outros bons motivos para preparar os 
nossos alunos a escrever emlíngua estrangeira, entre os quais destacamos: 
“para poder responder a questões das provas escritas, muito comuns em cursos 
de língua estrangeira; [...] para estarem aptos a estudar em países onde a língua-
alvo seja a primeira língua; e para poderem trabalhar em empresas 
estrangeiras”. 
Essas são apenas algumas das inúmeras razões que podemos elencar 
como justificativas para preparar os alunos na escrita em língua estrangeira. Em 
um mundo cada vez mais globalizado (por mais que esse termo já soe 
ultrapassado), o jovem estudante estará cercado de oportunidades que 
demandam a capacidade de escrever em língua estrangeira. 
É importante que o professor saiba diferenciar texto oral e texto escrito, 
estando apto a salientar essas diferenças para os seus alunos. De acordo com 
Fernandes e Paula (2012, p. 134), observamos as seguintes diferenças entre 
texto oral e texto escrito: 
• Texto oral: é efêmero; apresenta características prosódicas e 
paralinguísticas; pouquíssimo tempo entre a elaboração da mensagem e 
 
 
9 
a produção; apresenta repetições; apresenta frases mais curtas e de 
estrutura simplificada; faz uso de vocabulário mais coloquial; não exige o 
uso da forma culta; pode ser recapitulado e moldado caso o interlocutor 
não compreenda a mensagem; a ênfase é a construção de 
relacionamentos. 
• Texto escrito: é permanente; não existem características prosódicas nem 
paralinguísticas; há mais tempo entre a elaboração e a produção da 
mensagem; menor frequência de repetição em relação aos textos orais; 
uso de frases mais longas e complexas; uso de vocabulário mais formal; 
exige a utilização de forma culta; precisa ser claro, para minimizar 
possíveis dificuldades de interpretação do leitor; ênfase nas práticas de 
registrar de informações, completar tarefas e desenvolver ideias e 
argumentos. 
Tais diferenças não se aplicam apenas a textos de língua estrangeira, mas 
são as mesmas quando analisamos textos de língua materna: “O conhecimento 
dessas características pode ser muito útil para um professor de produção de 
textos, seja em língua materna, seja em língua estrangeira” (Fernandes; 
Paula, 2012, p. 134, grifos do original) 
TEMA 5 – GÊNEROS TEXTUAIS E TIPOS DE TEXTOS 
Como anteriormente, textos podem ser orais ou escritos. Agora vamos 
entender o conceito de gênero textual, que se aplica tanto à modalidade oral 
quanto à escrita. 
Bakhtin (1997, p. 290, citado por Bonamin, 2017, p. 88) descreve: 
A utilização da língua efetua-se em forma de enunciados (orais e 
escritos), concretos e únicos, que emanam dos integrantes duma ou 
doutra esfera de atividade humana. O enunciado reflete as condições 
específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas [...] cada 
esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis 
de enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso. 
Textos de um mesmo gênero devem compartilhar de um mesmo objetivo 
comunicativo, de uma comunidade discursiva, de uma estruturação e de um 
registro (escolha de vocabulário e estruturas gramaticais e estilísticas). 
Em resumo, para que um texto faça parte de um determinado gênero, ele 
precisa ser reconhecido pela comunidade discursiva que o irá interpretar. Vamos 
tomar como exemplo uma receita culinária, que é um gênero textual. O objetivo 
 
 
10 
comunicativo de uma receita é instruir sobre o preparo de um prato. A 
comunidade discursiva que irá fazer uso desse gênero textual compreende 
cozinheiros, chefes de cozinha e qualquer outra pessoa que queira preparar 
pratos. Para cumprir esse objetivo comunicativo, e para que a comunidade 
discursiva reconheça o texto como uma receita, são feitas escolhas, como: 
explicitar ingredientes e modo de preparo (estruturação); usar imperativos, como 
“adicione”, “bata” etc.; usar unidades de peso ou medida, como “quilos”, 
“colheres” etc. (registro). Respeitadas essas características, comuns a todas as 
receitas, o texto é de fácil compreensão para o leitor. 
Até aqui, definimos o que são gêneros textuais. Porém, um gênero textual 
pode ser composto de vários tipos de texto. Entramos agora na definição de 
tipologia textual. Segundo Bonamin (2017, p. 91), o termo é empregado para, 
nas palavras de Marcuschi (2002) “designar uma espécie de sequência 
teoricamente definida pela natureza linguística de sua composição – aspectos 
lexicais, sintáticos, tempos verbais, relação, lógica”. 
Vejamos os tipos de texto mais comuns: 
• Descrição: este tipo textual descreve pessoas, lugares, objetos ou 
situação, com clareza e riqueza de detalhes. Para isso, faz amplo uso de 
adjetivos. 
• Narração: conta fatos reais ou fictícios, com personagens em um certo 
tempo e lugar. 
• Dissertação/argumentação: apresentação de opiniões e 
posicionamentos pessoais, por meio da argumentação. Tais textos tem 
por objetivo fazer refletir, explicar, avaliar e conceituar. 
• Exposição: textos que expõe dados, informações, teorias ou conceitos. 
Diferem de textos argumentativos por não trazerem a opinião ou o 
posicionamento do autor. 
• Injunção: são textos que buscam provocar uma ação por parte do 
interlocutor. Como trabalham com instruções e conselhos, é comum, 
nesse tipo de texto, que seja usado o modo imperativo. 
• Conversacional: para alguns autores, este tipo de texto tem uma função 
dialógica simples. Perguntas retóricas fazem parte desse tipo textual. 
É importante salientar que a definição de gêneros textuais leva em conta 
características externas à linguagem. Devemos evidenciar para os nossos 
 
 
11 
alunos que os gêneros textuais podem ser compreendidos em domínios 
discursivos, responsáveis por produzir o contexto da comunicação. Tais 
domínios discursivos nos dizem como devemos estruturar a nossa mensagem, 
para que ela seja claramente entendida pelo interlocutor. Nas palavras de Drey 
(2015, p. 2): “em situações semelhantes, escrevemos textos com características 
semelhantes, que podemos chamar de gêneros de textos, conhecidos de e 
reconhecidos por todos, e que, por isso mesmo, facilitam a comunicação: a 
conversa em família, a negociação no mercado ou o discurso amoroso.” 
Podemos entender como “domínio discursivo” um conjunto de práticas 
comunicativas em determinado contexto. 
Vamos tomar como exemplo o contexto de “conversa em família” citado 
no excerto de Drey. Muito provavelmente, nesse contexto seríamos mais 
informais, demonstrando afeto. Teríamos, ainda, abertura para expressar 
reações negativas com relação ao que um familiar propõe na conversa. Esses 
elementos formam o domínio discursivo da situação “conversa em família”, que 
se caracteriza por certas escolhas de vocabulário e estrutura. Imagine que, à 
mesa de um almoço em família, uma pessoa faça uso de pronomes de 
tratamento como vossa excelência, vossa senhoria. Seria no mínimo curioso, 
uma vez que tais pronomes não se aplicam ao domínio discursivo em questão. 
É importante também perceber que os gêneros textuais são compostos 
por vários tipos textuais. Isso fica claro quando analisamos, por exemplo, um 
texto do gênero e-mail. Vejamos1: 
Dear all, 
As we agreed in our last meeting, the changes in the workplace will be: 
all desks aligned; one chair to the staff member and two chairs to 
clients; computer screens in a position where you can show it to your 
client if need be. Please, follow these rules as of Monday next week 
and make sure your workspace is as organised as possible. 
Best regards, 
Mark Sullivan 
Head of HR 
Neste texto, temos o tipo textual descritivo, pois o autor descreve como 
deve ser a nova organização do espaço de trabalho. Ele também o injuntivo, pois 
 
1 Queridos colegas, como concordamos em nossa última reunião, as mudanças no local de 
trabalho serão: todas as mesas alinhadas; uma cadeira para o membro da equipe e duas 
cadeiras para clientes; monitores de computadores em posição em que seja possível mostrá-lo 
ao seu clientese necessário. Por favor, sigam estas regras a partir de segunda-feira da próxima 
semana e certifiquem-se que seu local de trabalho esteja o mais organizado possível. 
Atenciosamente, Mark Sullivan, Chefe de RH. 
 
 
12 
solicita-se que a equipe siga as regras a partir de determinada data, para 
assegurar a organização do espaço. 
Vamos analisar o gênero e-mail em mais detalhes em aulas futuras. 
Porém, até aqui, você já sabe que esse gênero, como todos os outros, pode ser 
composto por mais de um tipo textual. 
NA PRÁTICA 
 É muito comum, ao iniciar uma aula sobre escrita e leitura, nos 
depararmos com alunos pouco interessados, por entenderem que os textos são 
apenas registros escritos e muito extensos. É importante mostrar para os nossos 
alunos que os textos também são expressões orais. Além disso, um texto 
eficiente deve ser compreendido pelo receptor da mensagem, seja o interlocutor 
de uma conversa ou o leitor de um registro escrito. 
Muitas vezes, as produções textuais de alguns alunos não correspondem 
ao gênero textual desejado, o que causa quebra na cadeia comunicativa. 
Precisamos estar preparados para mostrar a esse aluno o que causou o 
problema, considerando os motivos pelos quais o texto foi mal compreendido. 
Vamos tomar como exemplo um aluno que, em uma atividade de sala de 
aula, deveria escrever um e-mail solicitando uma informação. Ao acessar a 
atividade do aluno para correção, o professor nota que o campo de corpo do e-
mail está vazio. Ao analisar o campo “assunto”, o professor vê o texto que 
deveria ter sido escrito no corpo do e-mail. Para o aluno, um jovem muito 
habituado a mensagens instantâneas e de estrutura simples, pode não haver 
problema, afinal a mensagem está ali, apenas em outro campo. Cabe ao 
professor mostrar que, em uma situação real, esse e-mail sequer seria lido. 
Além disso, ao corrigir uma redação (que se caracteriza pela presença do 
tipo textual argumentativo), às vezes notamos apenas características de um 
outro tipo textual, como o descritivo. Nesse caso, o aluno passa o texto todo 
descrevendo uma situação, ao invés de expressar um posicionamento por meio 
de argumentos. 
É nosso dever como professores evidenciar para o aluno que aquele texto 
não está dentro do esperado, apontando caminhos de reescrita. Para praticar, 
analise os e-mails mais recentes que você tem em sua caixa de mensagens. 
Identifique os tipos textuais presentes. Converse com seus colegas e veja se 
eles têm as mesmas percepções que você. Justifique as suas percepções. Por 
 
 
13 
exemplo, se vocês concordarem que em um determinado e-mail existe a 
presença do tipo textual injuntivo, ressalte o trecho do e-mail que apresenta esse 
tipo, e quais foram os motivos que levaram o autor a fazer aquela escolha. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, estudamos a importância de estabelecer efetivamente a 
relação entre texto e leitor. Falamos sobre os elementos necessários para que 
exista comunicação: emissor, receptor, código, canal, mensagem e referente. 
Caso falte qualquer um desses elementos, não há comunicação de ideias 
através da linguagem. Vimos ainda que, para ser um leitor, não basta saiba unir 
letras para formar palavras, e palavras para formar frases. A leitura demanda um 
posicionamento ativo. Ao ler, o leitor questiona, forma opiniões, tira conclusões. 
Nesta aula também estudamos a importância da leitura e da escrita em 
nossa evolução. Falamos um pouco sobre o modo como a linguagem foi 
importante para alcançar territórios e evoluir como espécie inteligente. 
Estudamos como o surgimento de alfabetos possibilitou o registro, na forma 
escrita, do que antes era apenas transmitido de forma oral. Graças a esse 
avanço da linguagem, registros orais foram transformados em registros 
permanentes, eternizando o que antes era apenas oralizado. Sem os alfabetos, 
não teríamos acesso a documentos comerciais, religiosos e históricos, tão 
importantes para entendermos a nossa evolução. 
Estudamos ainda elementos necessários para que um texto se constitua 
como um texto, e não apenas um amontoado de palavras. Nessa perspectiva, 
para que um texto seja funcional, precisamos de elementos de coesão e 
coerência, estrutura e nível apropriado de linguagem ou registro. Sem isso, 
palavras e frases em sequência podem não exprimir a mensagem desejada. 
Perdemos, então, a intencionalidade inicial para a produção textual. 
A seguir, tematizamos os desafios do texto escrito, analisando a 
importância, como professores, de preparar nossos alunos para a atividade da 
escrita em língua estrangeira. Neste tópico, apontamos alguns bons motivos 
para trabalhar a escrita em língua estrangeira, elucidando algumas dificuldades 
pelas quais o aluno pode passar quando tem de produzir um texto escrito. Pelo 
fato de não serem apenas uma transcrição do texto oral, textos escritos podem 
ser trabalhosos, tanto em língua materna quanto em língua estrangeira. Assim, 
é importante praticar a escrita em língua estrangeira em sala de aula. 
 
 
14 
Por último, analisamos o que são gêneros textuais e tipos textuais, 
sublinhando a importância de saber as suas características, para a produção de 
textos efetivos, e que se prestem a finalidades específicas. 
Esperamos que os conceitos trabalhos (texto, leitor, gêneros textuais e 
tipos textuais) tenham ficado claros. Sobretudo, nosso desejo é colocar em 
evidência a importância de ensinar escrita em língua estrangeira, para que o 
aluno domine ferramentas que o ajudem a desenvolver as competências e 
habilidades necessárias em um mundo globalizado. 
Nos vemos na próxima aula! 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
BONAMIN, M. M. C. Oficina de textos em inglês. São Paulo: Pearson, 2017. 
DREY, R. F. Inglês: prática de leitura e escrita. Porto Alegre: Penso, 2015. 
FERNANDES, A. C.; PAULA, A. B. Compreensão e produção de textos em 
língua materna e língua estrangeira. Curitiba: InterSaberes, 2012.

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