Prévia do material em texto
MATEMÁTICA
Lógica
LÓGICA
MATEMÁTICA
1ª Edição
JanEiro | 2021
Universidade La Salle Canoas | Av. Victor Barreto, 2288 | Canoas - RS
CEP: 92010-000 | 0800 541 8500 | ead@unilasalle.edu.br
Gestão Universidade
Gestão EaD
Reitor
Vice-Reitor, Pró-Reitor de Pós-grad.,
Pesq. e Extensão e Pró-Reitor de Graduação
Pró-Reitor de Administração
Diretora de Graduação
Diretor de Extensão e Pós-Graduação Lato Sensu
Diretora de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto Sensu
Diretor Administrativo
Diretor de Marketing e Relacionamento
Procuradora Jurídica
Assessor de Assuntos Interinstitucionais e Internacionais
Assessor de Inovação e Empreendedorismo
Chefe de Gabinete
Prof. Dr. Paulo Fossatti - Fsc
Prof. Dr. Cledes Casagrande - Fsc
Vitor Benites
Profª. Dr.ª Cristiele Magalhães Ribeiro
Prof. Me. Márcio Leandro Michel
Profª. Dr.ª Patricia Kayser Vargas Mangan
Patrick Ilan Schenkel Cantanhede
Cleiton Bierhals Decker
Michele Wesp Cardoso
Prof. Dr. José Alberto Miranda
Prof. Dr. Jefferson Marlon Monticelli
Prof. Dr. Renaldo Vieira de Souza
Coordenadora Pedagógica
Coordenador de Produção
Profa. Me. Michele de Matos Kreme
Prof. Dr. Jonas Rodrigues Saraiva
Equipe de Produção EaD
Anderson Cordova Nunes
Arthur Menezes de Jesus
Bruno Giordani Faccio
Daniele Balbinot
Érika Konrath Toldo
Fabio Adriano Teixeira dos Santos
Gabriel Esteves de Castro
Gabriel da Silva Sobrosa
Guilherme P. Rovadoschi
Ingrid Rais da Silva
João Henrique Mattos dos Santos
Jorge Fabiano Mendez
Nathália N. dos Santos
Patrícia Menna Barreto
Sidnei Menezes Martins
Tiago Konrath Araujo
APRESENTAÇÃO
Prezado estudante,
A equipe de gestão da EaD LaSalle sente-se honrada em entregar a
você este material didático. Ele foi produzido com muito cuidado para
que cada Unidade de estudos possa contribuir com seu aprendizado
da maneira mais adequada possível à modalidade que você escolheu
estudar: a modalidade a distância. Temos certeza de que o conteúdo
apresentado será uma excelente base para o seu conhecimento e para
a sua formação. Por isso, indicamos que, conforme as orientações de
seus professores e tutores, você reserve tempo semanalmente para
realizar a leitura detalhada dos textos deste livro, buscando sempre
realizar as atividades com esmero a fim de alcançar o melhor resultado
possível em seus estudos. Destacamos também a importância de
questionar, de participar de todas as atividades propostas no ambiente
virtual e de buscar, para além de todo o conteúdo aqui disponibilizado,
o conhecimento relacionado a esta disciplina que está disponível por
meio de outras bibliografias e por meio da navegação online.
Desejamos a você um excelente módulo e um produtivo ano letivo.
Bons estudos!
Gestão de EaD LaSalle
APRESENTANDO A DISCIPLINA
Lógica
Matemática
Olá!
Seja bem vindo à disciplina de Lógica Matemática! Nela abordaremos
as ferramentas que lhe auxiliarão na resolução de problemas envolvendo
argumentação e raciocínio lógico.
Trata-se de uma disciplina que irá lhe incentivar a compreender e a utilizar
as habilidades lógicas para avaliar e justificar enunciados e teoremas comuns
em matemática e em aplicações na ciência da computação. Ao longo das
unidades os conceitos são apresentados buscando relacionar as definições
matemáticas com a resolução de problemas aplicados.
A disciplina está estruturada em 4 unidades, que descrevemos brevemente
nos parágrafos a seguir.
Na primeira unidade abordaremos os conceitos iniciais da lógica matemática
e a distinção entre a lógica matemática, quantitativa e numérica.
Na segunda, estudaremos as lógicas analítica e crítica e iniciaremos o
estudo de proposições.
Na terceira, trabalharemos as proposições compostas, suas operações e as
relações de implicação e equivalência, muito importantes na demonstração
de teoremas.
Finalmente, a quarta unidade será dedicada às argumentações. Nela
abordaremos as regras de inferência, que podem ser aplicadas com ou sem
o uso de quantificadores.
Esperamos que esse livro lhe ajude na compreensão da relação existente
entre a lógica matemática e seu curso de graduação.
Bons estudos!
Sumário
UNIDADE 1
Introdução à Logica .......................................................................................................................................9
Parte 1: Introdução à Lógica e ao Raciocínio Lógico ............................................................................... 11
Parte 2: Lógica Matemática ........................................................................................................................19
Parte 3: Lógica Quantitativa .......................................................................................................................31
Parte 4: Lógica Numérica ...........................................................................................................................39
UNIDADE 2
Lógicas Analítica, Crítica e Proposições ....................................................................................................49
Parte 1: Lógica Analítica ............................................................................................................................51
Parte 2: Lógica Crítica ................................................................................................................................73
Parte 3: Cálculo Proposicional ...................................................................................................................83
Parte 4: Proposições Simples .....................................................................................................................91
UNIDADE 3
Relações Envolvendo Proposições .............................................................................................................95
Parte 1: Proposições Compostas ................................................................................................................97
Parte 2: Relações de Equivalência e Implicação Lógica .........................................................................101
Parte 3: Propriedades das Equivalências e Implicações Lógicas ...........................................................107
Parte 4: Dedução ......................................................................................................................................113
UNIDADE 4
Argumentação ...........................................................................................................................................121
Parte 1: Indução ........................................................................................................................................123
Parte 2: Sofismas ou Falácias ..................................................................................................................131
Parte 3: Argumentos e Regras de Inferência ...........................................................................................137
Parte 4: Regras de Inferência para Proposições Quantificadas .............................................................145
unidade
1
Introdução à Lógica
Prezado(a) estudante
Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem
foram organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um
conteúdo completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize
as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Desta forma, você com certeza
alcançará os objetivos propostos para essa disciplina.
OBJETIVO GERAL
Definir lógica matemática, sua linguagem e relaciona-la com aplicações.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Introduzir o estudo da lógica matemática.
• Desenvolver a capacidade de solução de problemas matemáticos a
partir da lógica.
• Diferenciar lógica matemática, quantitativa e numérica.
unidade
1
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 1
Introdução à Lógica e
ao Raciocínio Lógico
LÓGICA MATEMÁTICA12
visão geral
Vivemos na Era da Informação. As estações de televisão
a cabo dão notícias locais e mundiais 24 horas por dia.
A Internet fornece acesso a milhões de livros, artigos e
milhares de jornais de todo o mundo. Os Web sites pes-
soais, os Web logs (blogs) e os chat rooms apresentam
comentários instantâneos a respeito dos eventos em todo
o planeta. Frequentemente, descobrimos que, juntamen-
te com a informação, diversas afirmações são apresenta-
das. Por exemplo, suponha que leiamos o seguinte:
Alguns estúdios cinematográficos e diretores independen-
tes de cinema estão lançando seus filmes em DVD, em vez
de colocá-los nos cinemas. Em breve, você será capaz de
assistir à estreia de um filme em sua casa, pagando uma
fração do que custaria caso você fosse a um cinema, com-
prasse ou alugasse o filme. De fato, as vendas de ingressos
nos cinemas americanos vêm caindo de forma contínua
durante os últimos dez anos. Portanto, é de se esperar que
os cinemas irão se tornar obsoletos.
Esse trecho contém uma inferência. Uma inferência, ou
argumento, é um encadeamento de proposições (sentenças que
são ou verdadeiras, ou falsas). As primeiras três proposições do
trecho são premissas; contêm informações com o objetivo de dar
boas razões para se aceitar a conclusão, ou seja, a afirmação de
que os cinemas irão se tornar obsoletos. Nesse trecho há duas
coisas a considerar: a informação dada é verdadeira? Se a infor-
1.1 CONTEÚDO DE VERDADE E
COMPONENTE LÓGICO
1.2 LÓGICA E RELAÇÕES
1.3 ERROS DE CONTEÚDO
DE VERDADE, ERROS DE
COMPONENTE LÓGICO
E A ANÁLISE DE
INFERÊNCIAS
1.4 RACIOCÍNIO,
JULGAMENTO E ANÁLISE
DEDUTIVA
1.5 INFERÊNCIAS DEDUTIVAS E
INDUTIVAS
1.6 INCERTEZA E ANÁLISE
INDUTIVA
11capítulo
13 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Introdução à Lógica e ao Raciocínio Lógico PARTE 130 Lógica
mação for verdadeira, ela oferecerá boas razões para que a conclusão seja
aceita? Essas questões oferecem um vislumbre do papel da lógica, que é
o estudo do raciocínio. A análise lógica revela a extensão da correção do
raciocínio encontrado nas inferências. A lógica fornece as habilidades
necessárias para se identificar as inferências dos outros, colocando uma
pessoa em uma posição que permite a análise coerente e precisa dessas
inferências. O aprendizado das habilidades lógicas irá capacitá-lo a sub-
meter as suas próprias inferências a essa mesma análise, de modo que
possa antecipar objeções e críticas. Este livro introduz as ferramentas da
análise lógica e apresenta aplicações práticas da lógica.
1.1 CONTEÚDO DE VERDADE E COMPONENTE LÓGICO
O nosso interesse inicial no estudo da lógica está em dois modos impor-
tantes de avaliarmos a informação que recebemos durante a nossa inte-
ração consciente com o mundo. Primeiro, o conteúdo de verdade – A
informação é verdadeira ou falsa? Segundo, o componente lógico – Se a
informação for verdadeira, então que poderá se concluir dela? Por exemplo,
se alguém entrar em um quarto e aparentar estar encharcado, podere-
mos concluir que está chovendo lá fora. Esse pensamento muito natural
e quase instantâneo é na realidade o resultado de dois processos. O pri-
meiro é a avaliação da informação visual – a pessoa “aparenta estar mo-
lhada”. O segundo processo, embora complexo, ocorre tão rapidamente
que pode escapar à atenção. A sua complexidade está no notável processo
de se levar uma peça de informação para além de seus limites. A partir
de “uma pessoa molhada”, concluímos que “está chovendo”. De uma peça
de informação, desenvolvemos, ou inferimos, uma consequência. Damo-
nos conta da complexidade apenas quando nos tornamos conscientes do
processo. Então, somos confrontados com o processo seguinte de calcular
e justificar a nossa inferência. Se fizermos para alguém um comentário
de que está chovendo lá fora, essa pessoa poderá nos pedir para explicar
por que pensamos isso. Só então ficaremos conscientes da necessidade
de analisar e justificar a nossa conclusão. Apontar para a pessoa mo-
lhada pode ajudar a justificar a nossa conclusão, mas uma análise mais
profunda levanta a possibilidade de que possamos estar enganados, ou
seja, de que não esteja chovendo. Há certamente outras razões para uma
pessoa estar molhada – ela pode ter sido atingida por balões com água,
pode ter se borrifado com água devido ao calor, pode ter passado entre
os esguichos de água de um gramado, ou o umedecimento deve-se a suor
excessivo etc. De fato, à medida que as explicações para o umedecimento
começam a se empilhar, podemos ir ficando menos confiantes de que
realmente esteja chovendo. Esse exemplo mostra que devemos conside-
rar a nossa interação com o mundo de duas maneiras diferentes: (1) A
informação que recebemos é exata, correta ou verdadeira? (2) Se for ver-
dadeira, então o que poderemos inferir dela; que conclusões resultarão?
Inferência: Um
conjunto de pro-
posições, nas quais
as premissas são
apresentadas como
fundamentação da
conclusão.
Proposição: Um
enunciado que é ou
verdadeiro, ou falso.
Premissa: Uma
proposição (ou
conjunto de propo-
sições) que é dada
como fundamen-
tação para uma
conclusão.
Conclusão: A parte
final de uma infe-
rência; a proposição
que se pretende
obter a partir das
premissas.
Conteúdo de ver-
dade: A verdade ou
falsidade efetiva de
uma proposição e
os métodos de sua
determinação.
Componente lógi-
co: A relação lógica
entre as premissas e
uma conclusão.
LÓGICA MATEMÁTICA 14
C A P Í T U L O 1 • Lógica e Verdade 31
1.2 LÓGICA E RELAÇÕES
A determinação do conteúdo de verdade e do componente lógico de
uma inferência constituem um processo complexo, de modo que erros
podem facilmente ser cometidos. Há duas fontes potenciais de erros
– conteúdo de verdade incorreto e componente lógico incorreto. Embora
improvável, é possível contudo que, no nosso exemplo anterior, estivés-
semos errados em relação à pessoa estar realmente molhada (lembre-se,
dissemos que a pessoa “aparentava” estar encharcada). Se for assim, esse
seria um caso de conteúdo de verdade incorreto. Por outro lado, a nossa
inferência poderia estar errada, pois poderia não estar chovendo. Se for
assim, esse seria um caso de componente lógico incorreto. (É possível
que estejamos errados nos dois casos – conteúdo de verdade incorreto
e componente lógico incorreto.) A primeira fonte de erro, conteúdo de
verdade incorreto, é a mais familiar. Muito da nossa educação formal
é dedicada ao conteúdo de verdade das informações. Entretanto, a se-
gunda fonte de erro, componente lógico incorreto, é mais difícil de ser
reconhecida porque diz respeito à relação entre as proposições e não às
proposições em si. Para isso ser completamente entendido, é necessário
olhar os exemplos que elucidarão as distinções que estamos fazendo.
Suponha que você receba duas peças de informação:
1. Vincent van Gogh nasceu em alguma data durante os anos 1800.
2. Marie Curie nasceu em alguma data durante os anos 1800.
Primeiro, podemos investigar a verdade das proposições. Observe
que a verdade ou falsidade de cada proposição é independente da outra
– isto é, ambas podem ser verdadeiras, ambas podem ser falsas ou uma
pode ser verdadeira e a outra, falsa. Facilmente poderíamos encontrar
evidências a respeito da verdade ou falsidade de cada proposição (con-
sultando uma enciclopédia, um livro de história da ciência, pesquisando
na Internet etc.). O resultado dessa linha de análise seria conhecermos
o conteúdo de verdade; teríamos determinado a verdade ou a falsidade
real de cada proposição. Entretanto, antes de investigar o conteúdo de
verdade, poderíamos examinar as duas proposições como premissas em
potencial. O nosso foco seria então o que poderia ser inferido a partir
delas – O que se concluirá delas se forem verdadeiras? Essa linha de análise
leva-nos à área do componente lógico, cujo foco éa relação entre o par
de duas proposições acima e uma nova proposição, a conclusão, que
poderemos obter do par. Uma possível conclusão é a seguinte:
3. Van Gogh nasceu antes de Marie Curie.
A nossa atenção agora está focada em perguntas diferentes, tais
como “E se as duas primeiras proposições forem verdadeiras?”, “Como
a verdade ou falsidade das duas primeiras proposições relacionam-se
com a verdade ou falsidade da terceira proposição?”, “As duas primeiras
proposições fundamentam a terceira?” e “As duas primeiras proposições
15 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Introdução à Lógica e ao Raciocínio Lógico PARTE 132 Lógica
fornecem boas razões para se aceitar a terceira?”. Essas considerações são
radicalmente diferentes das nossas preocupações com o conteúdo de ver-
dade das duas primeiras proposições. Como agora estamos concentrados
na relação entre as três proposições, a nossa análise tem uma forma com-
pletamente diferente. Uma analogia poderá ajudá-lo a compreender esse
ponto. Quando falamos a respeito da relação entre duas pessoas, podere-
mos pensar se ela é “boa”, “forte”, “de apoio mútuo”, “estremecida”, “muito
fraca” etc. Isso é similar ao que estamos fazendo agora. Isso poderá ser
visto mais claramente se mostrarmos as proposições de modo diferente.
Exemplo 1.1
1. Vincent van Gogh nasceu em alguma data durante os anos
1800.
2. Marie Curie nasceu em alguma data durante os anos 1800.
3. Van Gogh nasceu antes de Marie Curie.
Essa forma de mostrar a informação indica que o objetivo é as duas pri-
meiras proposições serem premissas, ao passo que a proposição abaixo
da linha é a conclusão de uma inferência. Queremos analisar a relação
lógica {R} entre as premissas e a conclusão. Especificamente, queremos
ver se as premissas, quando ambas são verdadeiras, garantem alguma coi-
sa a respeito da conclusão. Se aceitarmos que a informação da primeira
premissa é verdadeira, então seremos informados de que van Gogh nas-
ceu em alguma data entre os anos 1800 e 1899. Se aceitarmos que a in-
formação da segunda premissa é verdadeira, então seremos informados
de que Marie Curie também nasceu em alguma data entre os anos 1800
e 1899. Neste ponto, é importante fazer uma separação entre o conteúdo
de verdade da conclusão e a análise lógica que determina se é possível ou
não obtê-la das premissas, ou seja, uma questão de relação. Isso é crucial
porque nem sempre estamos em condições de determinar o conteúdo
de verdade das proposições. Contudo, podemos desenhar uma linha de
tempo para representar os anos 1800.
18991800
Como não determinamos o conteúdo de verdade dessas premissas, é pelo
menos logicamente possível situar as datas de nascimento de van Gogh e
Curie sobre essa linha de modo tal que a conclusão seja verdadeira.
van Gogh Curie
18991800
Relação lógica:
A conexão lógica
entre premissas e
conclusões.
LÓGICA MATEMÁTICA 16
C A P Í T U L O 1 • Lógica e Verdade 33
Também é logicamente possível situar as datas de nascimento de Van
Gogh e Curie sobre essa linha de modo que a conclusão seja falsa.
Curie van Gogh
18991800
Entretanto, a análise do Exemplo 1.1 revelou que, embora a informação
das premissas seja verdadeira, é logicamente possível que a conclusão
seja tanto verdadeira como falsa. Esse exemplo mostra que podemos de-
terminar a relação lógica entre as proposições sem conhecermos a verda-
de ou falsidade real das proposições envolvidas.
Agora, vamos examinar um par ligeiramente diferente de propo-
sições.
1. Marie Curie nasceu em alguma data durante os anos 1800.
2. Nelson Mandela nasceu em alguma data durante os anos 1900.
Agora estamos interessados na relação que existe entre esse par de pro-
posições e uma nova proposição, uma que podemos derivar como uma
consequência desse par. Uma candidata seria esta proposição:
3. Marie Curie nasceu antes de Nelson Mandela.
Isso nos dá um novo exemplo de análise lógica.
Exemplo 1.2
1. Marie Curie nasceu em alguma data durante os anos 1800.
2. Nelson Mandela nasceu em alguma data durante os anos
1900.
3. Marie Curie nasceu antes de Nelson Mandela.
Como antes, para fins de análise lógica, começaremos admitindo que as
premissas são verdadeiras. Se assim for, a informação dada é: Premissa
1 – Marie Curie nasceu em alguma data entre 1800 e 1899, e Premissa
2 – Nelson Mandela nasceu em alguma data entre 1900 e 1999. No-
vamente podemos desenhar uma linha de tempo para nos ajudar na
análise.
1900
Curie Mandela
19991800
17 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Introdução à Lógica e ao Raciocínio Lógico PARTE 134 Lógica
A data de nascimento de Marie Curie pode ser colocada em qualquer
lugar entre 1800 e 1899. A data de nascimento de Nelson Mandela pode
ser colocada em qualquer lugar entre 1900 e 1999. Agora, se as informa-
ções das premissas forem verdadeiras, então a relação {R} entre essas três
proposições será tal que a conclusão do Exemplo 1.2 também deverá ser
verdadeira. Lembre-se de que essa é apenas uma análise lógica – não es-
tamos afirmando que qualquer uma das proposições seja realmente ver-
dadeira. Mais exatamente, estamos considerando apenas o componente
lógico contido na inferência (e se as premissas forem verdadeiras?). A
nossa análise revelou algo completamente diferente do Exemplo 1.1. Es-
pecificamente, o Exemplo 1.2 mostra que em uma inferência é possível
existir uma relação em que as premissas, se verdadeiras, garantem que a
conclusão seja verdadeira. Assim, a análise lógica é completamente dife-
rente da análise de conteúdo de verdade, que considera apenas qual é o
caso (se as proposições são verdadeiras ou falsas).
Um exemplo final será considerado aqui.
Exemplo 1.3
1. Marie Curie nasceu em alguma data durante os anos 1800.
2. Nelson Mandela nasceu em alguma data durante os anos
1900.
3. Nelson Mandela nasceu antes de Marie Curie.
Como antes, para fins de análise lógica, começaremos aceitando que as
premissas são verdadeiras. Se for assim, a informação dada é a mesma
de antes: Premissa 1 – Marie Curie nasceu em alguma data entre 1800 e
1899. Premissa 2 – Nelson Mandela nasceu em alguma data entre 1900
e 1999. Se as premissas forem aceitas como verdadeiras, então a relação
{R} entre essas três proposições será tal que a conclusão deve ser falsa.
No que diz respeito à questão da relação, a discussão até aqui revelou
que os resultados podem ser diferentes. No Exemplo 1.1, a relação era tal
que, mesmo se as premissas fossem ambas verdadeiras, a conclusão pode-
ria ser tanto verdadeira ou falsa. No Exemplo 1.3, a relação era tal que, se as
premissas fossem ambas verdadeiras, então a conclusão tinha que ser falsa.
Mais importante ainda, no Exemplo 1.2 a relação era tal que, se as premis-
sas fossem ambas verdadeiras, era garantida a verdade da conclusão.
O domínio da análise lógica requer a separação efetiva dos dois ti-
pos de avaliação de informação que examinamos. Como as nossas men-
tes naturalmente processam a informação segundo os dois modos que
discutimos, frequentemente fica confuso quando pela primeira vez ten-
tamos conscientemente manter separados os dois modos. Primeiro, a in-
formação que estou recebendo é exata, correta ou verdadeira? Segundo,
se for verdadeira, então o que eu posso inferir dela – isto é, que conclu-
sões podem ser tiradas? De fato, para a maioria das pessoas, o primeiro
LÓGICA MATEMÁTICA 18 C A P Í T U L O 1 • Lógica e Verdade 35
tipo de avaliação (o conteúdo de verdade) tem prioridade. Se você não
estiver consciente da diferença entre conteúdo de verdade e componente
lógico, então surgirá uma confusão. Podemos ilustrar isso realizando um
pequeno experimento em que você lê uma frase, compreende o seu sig-
nificado, mas não a julga como verdadeira ou falsa. Tentecompreender o
significado da frase sem decidir a respeito de sua veracidade ou falsidade
real. A frase irá se referir ao livro que você está lendo agora. Aqui está a
frase:
O livro que você está lendo agora pesa 1000 quilogramas.
Ao terminar de ler a frase, a maioria das pessoas, se não todas, imediata-
mente sabe que é falsa. A “decisão” de que a frase era falsa ocorre tão ra-
pidamente que as pessoas não conseguem evitá-la. Isso mostra que uma
parte da nossa mente está constantemente analisando a informação em
relação à sua verdade ou falsidade. Isso é importante para a nossa discus-
são precisamente porque devemos reconhecer que as nossas mentes estão
constantemente trabalhando em dois níveis diferentes, e devemos apren-
der a manter separados esses níveis. Para avaliarmos a relação (o compo-
nente lógico) que existe entre as proposições, devemos desconsiderar o
conteúdo de verdade. Temporariamente, devemos ignorar os resultados
de verdade ou falsidade reais – não porque não sejam importantes, mas
simplesmente porque estamos fazendo algo inteiramente diferente.
É possível ter um entendimento claro de como as duas funções dife-
rem examinando como nós processamos outros tipos de informação. Os
sentidos da visão e do olfato são duas funções distintas. Não esperamos que
nossos olhos detectem a fragrância de uma flor, ou que nossos narizes nos
digam qual é a cor da flor. Na verdade, quando as pessoas estão cheirando
algo, algumas vezes elas fecham os olhos para dar a mais alta prioridade ao
sentido de olfato. Bem frequentemente, fechamos os olhos quando quere-
mos nos concentrar para ouvir alguma coisa. De forma semelhante, quan-
do estamos concentrados no componente lógico, devemos aprender a tem-
porariamente “fechar” a nossa capacidade de ver o conteúdo de verdade.
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
1
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 2
Lógica Matemática
LÓGICA MATEMÁTICA 20
Este capítulo trata da arte das explicações e dos argumentos matemáticos. Primei-
ramente, analisarei essa arte em termos de sua história e seu desenvolvimento e,
depois, vamos dar uma olhada mais de perto em algumas das formas mais comuns
de explicações e argumentos matemáticos que caracterizam a noção moderna de pro-
va. Meu objetivo não é ensinar a prova em si – embora peça, aqui e em capítulos pos-
teriores, que você tente fazer uma prova – e proporcionar uma introdução modesta às
habilidades de desenvolvimento e leitura de provas.
Para preparar o terreno, por assim dizer, comecemos com a história curta de uma
sala de aula da educação infantil. A professora Austin-Page vem usando blocos de
montar para ajudar seus alunos a ampliar e desenvolver seu sentido de espaço. Nes-
ta história, ouvimos como a professora pergunta aos alunos o que aprenderam hoje
(ANDREWS, 1999).
José levanta a mão freneticamente, exclamando: “Consigo provar que um triân-
gulo é igual a um quadrado”. A professora pede a ele para contar mais à turma
sobre sua descoberta. José vai para o canto onde estão os blocos e retorna com dois
meios blocos quadrados, dois meios blocos triangulares e um bloco retangular.
“Olha só”, ele diz com orgulho. “Se estes dois [levanta os meios blocos qua-
drados] são os mesmos que este [levanta o bloco retangular],
e estes dois [agora levanta os meios blocos triangulares] são os mesmos que este
[levanta o bloco retangular de novo],
este quadrado tem de ser o mesmo que este triângulo [levanta o meio bloco qua-
drado e o meio bloco triangular]!”
CAP Í TU LO
Explicações e argumentos
matemáticos 1
Wall_Edward_01.indd 17 27/01/14 17:58
21 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Matemática PARTE 218 Edward S. Wall
Embora a maneira de José falar – sua afirmação de que as formas eram “iguais”
– não seja matematicamente correta (por exemplo, as formas não são congruentes),
fico intrigado com a sua explicação e seu uso do termo prova. E se, por exemplo, ele
tivesse dito: “A área deste quadrado é igual à área deste triângulo porque cada um
deles é metade da área do mesmo retângulo maior”, e continuasse com sua demons-
tração? Em que sentido isso pode ser considerado uma prova ou, pelo menos, uma
demonstração convincente?
RACIOCÍNIO E PROVA A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA
A história das explicações e dos argumentos matemáticos é complicada pelo fato de
que aquilo que hoje aceitamos como paradigmático da prova matemática é uma me-
todologia que surgiu por volta de 300 a. C., em grande parte graças aos esforços de
Euclides de Alexandria. No entanto, como indica a Figura 1.1, as civilizações da Índia
e da China produziram muito, em termos de explicações e argumentos matemáticos,
daquilo que Euclides, muito possivelmente, mais tarde codificou em seu Os elementos.
Um exemplo é seu enunciado e suas soluções para o que veio a ser conhecido como
Teorema de Pitágoras (em um triângulo retângulo qualquer, a soma das áreas dos qua-
drados construídos nos catetos é igual à área do quadrado construído na hipotenusa).
À luz de Os elementos, de Euclides, os argumentos e explicações anteriores de-
vem ser considerados demonstrações convincentes.1 Isso porque, como observa José
(1994), há uma diferença essencial entre a prova indiana (upapattis) e a prova grega
(apodeixis). O objetivo de um estudioso indiano era convencer o aluno inteligente da
validade, de forma que uma demonstração visual era uma forma aceitável de argu-
mento. A apodeixis grega, por outro lado, ainda que muitas vezes incluísse uma de-
monstração geométrica, era construída a partir de axiomas selecionados e se baseava
na lógica proposicional. Ambos, argumenta José, empregavam a dedução lógica.
Jund-i-Shapur
(Pérsia)
Toledo
(Espanha)
Córdoba
(Espanha)
Cairo
(Egito)
Bagdá
(Iraque)
Europa
Ocidental Sicília Mundo
helênico
China
Índia
FIGURA 1.1 Desenvolvimento matemático durante a Idade das Trevas.
Fonte: Adaptado de JOSEPH (1991, p. 10).
Wall_Edward_01.indd 18 27/01/14 17:58
LÓGICA MATEMÁTICA 22
Teoria dos Números para Professores do Ensino Fundamental 19
RACIOCÍNIO E PROVA A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA DO
DESENVOLVIMENTO
Como já indiquei, a noção de prova ocorre muito cedo no desenvolvimento de uma
pessoa. José, nosso aluno da educação infantil, certamente apresentou uma demons-
tração convincente – que depende da forma dos blocos, da forma dos quadrados e
da forma do retângulo produzido. A abordagem experimental de José à prova é um
tanto típica do que se vê no currículo do ensino fundamental. Consigo provar que 5
é a solução para
3 1 ? 5 8
experimentando números de 1 a 10. De certa forma, nos primeiros anos, não há neces-
sidade de empregar mais do que um processo de tentativa e erro com reflexão.
Mais ou menos no 3o ano, costuma acontecer uma mudança na eficácia percebida
do método de tentativa e erro. As habilidades de contagem de crianças se desen-
volvem até o ponto onde elas começam a perceber que “os números avançam para
sempre”. Enunciados como:
Um número par mais um número ímpar é igual a um número ímpar
embora demonstráveis para números de tamanho moderado, não o são quando se
trata de números verdadeiramente grandes. Muitas vezes se pede que as crianças
acreditem na estrutura de um sistema que já não podem contar nos dedos.
VARIEDADES DE PROVA
Discutirei, de forma breve, quatro variedades de prova: a prova por exaustão, a prova
por postulados, a prova por indução e a prova por contradição. Essas variedades
diferem em sua estrutura, mas têm pelo menos três coisas em comum. Exigem que
você – a pessoa que faz a prova – tenha observado algum tipo de padrão sistemático
(por exemplo, José observou que dois triângulos e dois quadrados formam um de-
terminado retângulo). Elas demandam que você faça algumtipo de enunciado sobre
o padrão que vê. (Nos anos do ensino fundamental, isso costuma ser chamado de
conjectura, mas afirmações mais fortes incluem proposições, preceitos ou teoremas.) E
exigem que você defenda essa afirmação de forma lógica.
Prova por exaustão
Aqui está um problema (BALL, 1992) que pode ser apresentado em uma sala de aula
do 3o ano (de forma reduzida em uma sala de 2o ano, e aumentada no 4o ano e depois
dela):
Tenho moedas de 1, 5 e 10 centavos no bolso, e pego três delas. Quais seriam as diferentes
quantias que eu poderia ter?
Wall_Edward_01.indd 19 27/01/14 17:58
23 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Matemática PARTE 220 Edward S. Wall
P R O B L E M A 1 . 1
Escreva este problema em uma folha de papel. Feche este livro e experimente, em princípio,
sua própria solução sistemática.
Se você for tentado a pular este passo (ou ignorar qualquer um dos problemas deste livro),
lembre-se de que a matemática é algo que você faz, não é algo sobre o qual você simplesmen-
te reflete. Nisso, é um pouco como a natação. Não é uma boa ideia pular na água profunda
sem primeiro praticar as braçadas sobre as quais já leu tanto.
Uma solução possível (com alguma ajuda do professor para montar as tabelas) pode
assumir a forma mostrada na Figura 1.2. Como você pode ver, há dez soluções para
este problema. Mas isso é tudo? Na verdade, você pode provar que só existem dez?
Quando fiz esta pergunta, os alunos muitas vezes responderam que tentaram
várias combinações, mas que, depois de um tempo, começaram a se repetir. Outros
dizem que eles e seus colegas têm o mesmo número de soluções, de modo que essas
devem ser todas as possíveis. Esse tipo de resposta pode ser um pouco convincente,
mas não é uma prova. Preciso de algum tipo de apresentação padronizada que forne-
ça a base para um argumento convincente. Que tal a Figura 1.3?
Em referência a esta segunda solução, observo que as alternativas são: nenhuma
moeda de 10 centavos, uma moeda de 10 centavos, duas ou três moedas de 10 centa-
vos. Assim, tenho quatro casos,
1. Nenhuma moeda de 10 centavos. Bom, tenho, no máximo, três moedas de 1 centavo.
Então, começando com essas três moedas, troco, passo a passo, cada moeda de 1
centavo por uma de 5, e obtenho exatamente quatro combinações.
2. Uma moeda de 10 centavos. Tenho no máximo duas moedas de 1 centavo. Então,
começando com essas duas moedas de 1 centavo, troco, passo a passo, cada uma
por uma moeda de 5 centavos. Obtenho exatamente três combinações.
3. Duas moedas de 10 centavos. Tenho no máximo uma moeda de 1 centavo. Então,
começando com essa moeda, troco, passo a passo, cada centavo por 5 centavos.
Obtenho exatamente duas combinações.
4. Três moedas de 10 centavos. É apenas uma combinação.
1 centavo
1
15c3
21c21
–
– –
–
–
–
–
–
––
–
–
7c12
12c12
3
11c21
2
1
3c3
2 25c
5 centavos 10 centavos Total
16c
30c
20c1
1 1
FIGURA 1.2 Primeira solução para três moedas.
Fonte: O autor.
Wall_Edward_01.indd 20 27/01/14 17:58
LÓGICA MATEMÁTICA 24
Teoria dos Números para Professores do Ensino Fundamental 21
Assim sendo – e isto é uma típica prova por exaustão – há exatamente dez soluções
para o problema.
Observe que, graças ao padrão, há um sentido em que a minha segunda solução
é esteticamente mais agradável do que a primeira. Além disso, observe que não pre-
ciso especificar combinações, porque a solução para o problema pode ser obtida da
seguinte forma: Comece com o menor valor – apenas moedas de 1 centavo – e, em
seguida, àqueles 3 centavos,
1. Adicione 4 centavos um total de três vezes (7 centavos, 11 centavos, 15 centavos).
2. Adicione 9 centavos para um total de 12 centavos, e a estes 12 centavos, adicione
4 centavos, um total de duas vezes (16 centavos e 20 centavos).
3. Adicione 18 centavos (9 1 9) para um total de 21 centavos, e a estes 21 centavos,
adicione 4 centavos de um total de uma vez (25 centavos).
4. Adicione 27 centavos (9 1 9 1 9) para um total de 30 centavos.
Assim, o número total de soluções é 4 1 3 1 2 1 1 5 10.
P R O B L E M A 1 . 2
a. Na minha solução, explique de onde vêm os 4 centavos e os 9 centavos.
b. Prove que, para quatro moedas, as soluções são: 4, 8, 12, 16, 20, 13, 17, 21, 25, 22,
26, 30, 31, 35 e 40 centavos e, é claro, o número de soluções é exatamente 5 1 4 1 3
1 2 1 1 5 15.
Provas por postulados
Esse tipo de prova – a prova por apode ixis – tende a ser muito mais eficiente do que a
prova por exaustão, porque costuma partir de axiomas, definições, e algum padrão
observado. Se, por exemplo, quisesse ampliar o problema das moedas para números
cada vez maiores de moedas, uma prova por exaustão se tornaria realmente exausti-
va. Embora o problema da moeda se preste a apodeixis, apresentarei duas provas por
postulados de que
Um número par mais um número par é igual a um número par.
1 centavo
3
7c2
11c21
15c3
12c12
1
20c2
1
30c3
2 25c
5 centavos 10 centavos Total
3c
16c
21c2
1
– –
–
–
–
–
–
–
–
–
–
–
11
1
1
FIGURA 1.3 Segunda solução para três moedas.
Fonte: O autor.
Wall_Edward_01.indd 21 27/01/14 17:58
25 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Matemática PARTE 222 Edward S. Wall
A primeira, observei em salas de aula de 3o ano; a segunda é mais típica em cursos de
álgebra para iniciantes.
Ao apresentar uma prova por postulados, preciso avançar logicamente a partir
de alguns fatos conhecidos – geralmente, definições e/ou axiomas – para algum fato
novo. No 3o ano, a definição mais comum de número par é a contagem de um grupo
de objetos no qual cada um tem um parceiro. Por exemplo,
2 1 1 10 (1 1) (1 1) (1 1) (1 1) (1 1)
Uma prova por postulados de 3o ano é mais ou menos assim:
Um número é par se, e apenas se, for um grupo de pares. A soma de dois núme-
ros pares é o mesmo que a combinação dos dois grupos de pares. Mas, então,
você tem um grupo de pares que, por definição, representa um número par.
Aqui está uma prova por postulados simbólica. Mais uma vez, preciso de uma defi-
nição de número par. Um aluno de álgebra iniciante pode dizer que um número é par
se, e apenas se, estiver na forma 2 ? n, onde n é um número inteiro. A prova é mais ou
menos assim:
Você tem dois números pares, 2 ? n e 2 ? m, onde m e n são números inteiros. A
soma deles é
2 ? n 1 2 ? m 5 2 ? (m 1 n)
No entanto, como m 1 n é um número inteiro,2 eu tenho, por definição, que
2 ? (m 1 n) é um número par.
P R O B L E M A 1 . 3
Prove que um número par mais um número ímpar é igual a um número ímpar. Dica: Você tem
uma definição de número par; você precisa de uma definição para número ímpar.
Provas por indução
A linha divisória entre indução matemática e prova por postulados não é muito clara,
porque a primeira requer raciocínio apodíctico (raciocínio com base na prova grega,
apodeixis). No entanto, as provas por indução assumem uma forma especial, e são
especialmente eficazes quando desejamos estabelecer um enunciado que seja verda-
deiro para todos os números inteiros. Portanto, vale a pena destacar essas provas em
uma seção própria. A ideia é a seguinte:
1. Demonstro que o primeiro enunciado P0 de uma sequência infinita de enuncia-
dos é verdadeiro (a propósito, não é necessário começar com 0).
2. A seguir, provo (efetivamente, uma prova por postulados) que, se o enunciado
arbitrário Pn na sequência infinita de enunciados é verdadeiro, como são todos
os enunciados anteriores a esse enunciado arbitrário, a próxima instrução Pn 11
também o é.
Wall_Edward_01.indd 22 27/01/14 17:58
LÓGICA MATEMÁTICA 26
Teoria dos Números para Professores do Ensino Fundamental 23
Se eu puder fazer dessa forma, considerando-se que a minha escolhado enunciado
Pn foi arbitrária, isso deve aplicar-se a todos os enunciados. Pense a respeito. Diga-
mos que haja um primeiro enunciado Pm11 na minha sequência que era falso. Nesse
caso, o enunciado Pm é verdadeiro. No entanto, dado o passo 2 acima, isso leva a uma
contradição.
Examinemos uma prova por indução para esclarecer um pouco a situação. Co-
meço com a seguinte situação:
Tenho um monte de blocos que são vermelhos ou azuis e, usando somente essas
cores, quero construir todas as torres possíveis de altura 4. Quantas torres exis-
tem?
P R O B L E M A 1 . 4
Escreva este problema em um pedaço de papel. Feche este livro e tente a sua própria solução
sistemática.
Se eu listar as torres – em essência, uma prova por exaustão – obtenho, simbolicamen-
te, (V indica um bloco vermelho e A indica um bloco azul) o seguinte:
V V V V V V V V A A A A A A A A
V V V V A A A A V V V V A A A A
V V A A V V A A V V A A V V A A
V A V A V A V A V A V A V A V A
o que indica que existem 16 possibilidades.
Se testasse o problema com torres de altura 5, descobriria 32 possibilidades. Isso
implica que o número de torres de altura N seja 2N. Esta é uma conjectura razoável,
mas preciso prová-la. Uma prova por indução pode ser mais ou menos assim:
Passo 1: Para torres com altura de 1 bloco, tenho apenas o bloco vermelho ou o
bloco azul. Isso significa duas possibilidades ao todo, e 21 5 2. Assim,
minha fórmula funciona para torres de altura 1.
Passo 2: Preciso mostrar se 2n é o número de torres que têm altura n, de modo
que 2n 1 1 seja o número de torres de altura n 1 1. Portanto, imagino
que tenho uma sala cheia de todas as torres (2n torres) de altura n. Para
tornar a altura das torres n 1 1, posso acrescentar um vermelho ou
um azul ao topo de cada uma dessas torres. Digamos que eu acres-
cente um vermelho ao topo de todas as torres. Agora, tenho 2n torres
de altura n 1 1, com um vermelho no topo. Da mesma forma, se eu
acrescentar um azul, terei 2n torres de altura n 1 1, com um azul no
topo. Juntas, essas são todas as minhas torres possíveis que têm altura
de n 1 1 blocos:
azul vermelho
topo topo
2n 1 2n 5 2 ? 2n
5 2n 1 1
como se queria demonstrar.
Wall_Edward_01.indd 23 27/01/14 17:58
27 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Matemática PARTE 224 Edward S. Wall
P R O B L E M A 1 . 5
Apresente uma prova por indução de que, se você puder usar apenas blocos vermelhos, azuis
e verdes, o número de torres possíveis com altura de N blocos será 3N.
Provas por contradição
Uma prova por contradição estabelece a verdade de um enunciado ao pressupor que
é falso e, com base nessa premissa, deduzir uma contradição. Considere a seguinte
história:
Susie vem até a escrivaninha. “Professor Bass”, ela diz, “tenho uma conjectura.
Estivemos falando de números primos. Sabe como é, aqueles números que só são
divisíveis por si mesmos e 1. Como o 19! Fiz uns experimentos. Não acho que
qualquer número entre 1 e 11 seja a diferença de dois números primos.” O profes-
sor Bass pensa um momento e diz: “E 3 menos 2?”. Susie franze a testa: “Pensei
que o senhor tinha dito que não tínhamos que fazer um, mas, de qualquer forma,
eu disse ‘entre 1 e 11’. Então, acho que é este [e aponta o 1]”. O professor sorri e
pergunta: “Isso é outra conjectura?”. Susie sorri e responde: “Ainda não. Preciso
experimentar mais”. O professor diz: “OK. E que tal 5 menos 3?”. Susie franze a
testa e diz: “Eu me esqueci do 2 porque ele é muito estranho. Um primo par! Mas
tenho certeza sobre o resto [ela não parece ter certeza]. Ah, não! Acabo de me dar
conta de que 23 menos 13 é 10! Acho que não é uma boa conjectura”. O professor
sorri. “Talvez devêssemos chamar o resto da turma para ajudar. OK, que tal algo
como... [E ele escreve e diz]:
A questão de Susie
Quais números entre 1 e 11 não são a diferença de dois números primos? Prove
suas respostas.
Então, ele sorri e diz: “Você quer incluir esse negócio do 1?”. Susie ri, “Sim!”.
E, então, o professor Bass acrescenta
A conjectura de Susie
A única situação em que 1 é a diferença entre dois números primos é quando
esses números primos são 2 e 3 (2 menos 1 não conta). Prove sua resposta.
P R O B L E M A 1 . 6
Escreva a questão de Susie e sua conjectura em um pedaço de papel. Feche este livro e tente
suas próprias soluções sistemáticas.
A maioria das crianças (e muitos adultos) que tenta responder à questão de Susie
observa que
5 – 3 5 2 7 – 3 5 4 17 – 11 5 6 13 – 5 5 8 17 – 7 5 10
5 – 2 5 3 7 – 2 5 5 11 – 2 5 9
mas não consegue encontrar dois números primos cuja diferença seja 7. Isso parece
indicar que 7 é, de fato, o único número entre 1 e 11 que não é a diferença de dois
números primos. No entanto, há muitos números primos e, é claro, não podemos
Wall_Edward_01.indd 24 27/01/14 17:58
LÓGICA MATEMÁTICA 28
Teoria dos Números para Professores do Ensino Fundamental 25
experimentar todos. Para solucionar a situação, deixe-me apresentar uma prova por
contradição:
Começo pressupondo o contrário; que há, de fato, dois primos x e y cuja diferen-
ça é 7. Isto é,
x – y 5 7
Observe que isso sugere que
x 5 y 1 7
Agora, 7 é ímpar e tenho dois casos:3
Caso 1: Se y é ímpar, x deve ser par e primo. Isso só é possível se x for 2. No en-
tanto, é claro que x é maior do que 7. Então, y não pode ser ímpar.
Caso 2: Então, y deve ser par. Isto é, y tem de ser 2. Logo, x deve ser 9. No entan-
to, embora seja ímpar, 9 não é primo.
Assim, tenho uma contradição e, portanto, 7 não é a diferença de dois números
primos.
A conjectura de Susie pode ser resolvida de forma semelhante:
Suponha que a conjectura de Susie seja falsa. Há um par de números primos x e
y diferentes de 2 e 3, de modo que
x – y 5 1
Observe que isso implica que
x 5 y 11
Tenho dois casos:
Caso 1: Se y é par, isto é, se y for 2, x é 3. Mas, parti do princípio de que não é esse
o caso.
Caso 2: Então, y tem que ser ímpar. No entanto, considerando-se que um núme-
ro ímpar mais um número ímpar é par, x tem de ser par. Isto é, x tem de
ser 2. Isso implica que y seja 1. Isso, contudo, foi negado no enunciado
da conjectura de Susie.
Portanto, tenho uma contradição, e assim, a conjectura de Susie deve ser verdadeira.
INVESTIGAÇÕES
1. Tenho moedas de 1, 5 e 10 centavos no bolso. Pego três moedas do bolso e dobro
o valor de uma moeda. (a) Quantas quantias diferentes eu poderia ter? (b) Apre-
sente uma prova por exaustão convincente de que você tem todas elas.
2. Você tem dois números inteiros x e y, de modo que 2 , x e 2 , y. Pressuponha
que, para quaisquer três números inteiros a, b (b diferente de zero), z,
Se a , z, logo a ? b , b ? z
Apresente uma prova de postulados convincente de que 4 , x ? y.
Wall_Edward_01.indd 25 27/01/14 17:58
29 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Matemática PARTE 226 Edward S. Wall
3. Ao construir trens com triângulos equiláteros com lados unitários, como segue,
TremCarros
1 1
1
você observa que o perímetro P do trem parece ser dado por
P 5 T 1 2
onde T é o número de triângulos.
Prove, usando indução, que se trata realmente disso.
4. Prove que n2 $ 2n for 2, 3, 4, 5 ... [Dica: Use uma prova por indução.]
5. Prove que não existe um número inteiro maior. [Dica: Use uma prova por contra-
dição.]
NOTAS
1. Isso não significa minimizar sua importância matemática. O trabalho numérico-teórico de Diofanto de
Alexandria pode ser visto, em parte, como uma tentativa de sistematizar a solução para uma série de
antigos problemas de texto.
2. Uma questão matemática importante e legítima é: “Como eu sei que m 1 n é, de fato, um número in-
teiro?” Como indiquei na introdução que poderia fazer, parti desse pressuposto coma finalidade de
apresentação. No entanto, você pode querer examinar mais profundamente.
3. Observe que, neste momento, estou apresentando provas por postulados.
REFERÊNCIAS
ANDREWS, A. G. Solving geometric problems by using unit blocks. Teaching Children Mathematics, v. 6, p.
318-323, 1999.
BALL, D. L. The permutations project: mathematics as a context for learning and teaching. In: FEINMAN-
-NEMSER, S.; FEATHERSTONE, H. (Ed.). Exploring teaching: reinventing an introductory course. New
York: Teachers College, 1992.
JOSEPH, G. G. Different ways of knowing: contrasting styles of argument in Indian and Greek mathematical
traditions. In: ERNEST, P. (Ed.). Mathematics, education and philosophy: an international perspective. Lon-
don: The Falmer, 1994. p. 185-204.
JOSEPH, G. G. The crest of the peacock: non-European roots of mathematics. New York: St. Martin’s, 1991.
Wall_Edward_01.indd 26 27/01/14 17:58
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
1
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 3
Lógica Quantitativa
LÓGICA MATEMÁTICA 32 C A P Í T U L O 7 • A Lógica dos Quantificadores 303
Como não há nenhuma linha em que ambas as premissas são verdadeiras e
a conclusão é falsa, o método da tabela de verdade comprova que essa é uma
inferência válida.
A seguir está uma demonstração da mesma inferência usando a dedução na-
tural:
1. M � P
2. S � M � S � P
3. S � P 1, 2, SH
2. Nenhum M é P
Alguns S são M
Alguns S não são P
3. Nenhum P é M
Todos S são M
Nenhum S é P
4. Alguns M são P
Todos M são S
Alguns S são P
5. Nenhum P é M
Alguns M são S
Alguns S não são P
7.2 INTEGRANDO PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS E
VEROFUNCIONAIS
Considere a seguinte inferência, que contém um tipo de inferência dife-
rente daqueles discutidos em capítulos anteriores:
Todos os vice-presidentes dos Estados Unidos são presidentes do
Senado.
Dick Cheney é vice-presidente dos Estados Unidos.
Dick Cheney é presidente do Senado.
A primeira premissa é uma proposição categórica que pode ser tradu-
zida por “Todos V são P”. A segunda premissa não é uma proposição
categórica, de modo que temos uma inferência que não se encaixa di-
retamente em nossos procedimentos de demonstração anteriores. Em-
bora a inferência seja perfeitamente válida, não temos nenhuma ma-
neira de demonstrá-la. Na verdade, se usarmos as traduções que estão
à nossa disposição, resultará que a inferência é inválida. Por exemplo,
a interpretação booleana da primeira premissa permite-nos traduzi-la
por “V � P”. De acordo com essa interpretação, como V significa “vice-
presidentes dos Estados Unidos” e P significa “presidentes do Senado”,
então o que poderemos fazer quando tratarmos da segunda premissa e
da conclusão? Não podemos traduzir a segunda premissa, “Dick Che-
33 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Quantitativa PARTE 3304 Lógica
ney é vice-presidente dos Estados Unidos”, por V porque não é a mesma
proposição. A conclusão também não pode ser traduzida por P. Se tra-
duzirmos a segunda premissa por D e a conclusão por C, obteremos a
seguinte inferência inválida:
A teoria moderna da lógica, que interpreta proposições como
“Dick Cheney é vice-presidente dos Estados Unidos” permitindo-nos
incorporá-las em um novo sistema de demonstração, é denominada ló-
gica dos quantificadores, ou lógica dos predicados. Esse é o sistema lógico
usado para analisar inferências complexas constituídas de proposições
verofuncionais e categóricas. Esse sistema facilita a integração suave de
resultados categóricos e verofuncionais, oferecendo um modo eficiente
de transpor mais da linguagem natural e permitindo a análise precisa de
proposições e inferências. Por exemplo, na lógica dos quantificadores, a
proposição “Dick Cheney é vice-presidente dos Estados Unidos” é deno-
minada proposição singular – afirmando que uma pessoa em particu-
lar tem uma característica específica. Nessa proposição, o termo sujeito
“Dick Cheney” denota um determinado indivíduo. O termo predicado
“vice-presidente dos Estados Unidos” designa uma característica especí-
fica. É possível que os mesmos termos sujeito e predicado ocorram em
várias proposições singulares. Algumas dessas asserções serão verdadei-
ras e algumas serão falsas. Por exemplo, “Dick Cheney é um democrata”
é uma proposição falsa. Essa proposição contém o mesmo termo sujeito
que a proposição anterior (Dick Cheney), mas
contém um termo predicado (democrata) dife-
rente. A proposição “Tom Cruise é vice-presi-
dente dos Estados Unidos” também é falsa. Essa
proposição contém o mesmo termo predicado
de antes (vice-presidente dos Estados Unidos),
mas contém um termo sujeito (Tom Cruise) di-
ferente. A proposição “Dick Cheney é um repu-
blicano” é verdadeira. Essa proposição contém o
mesmo termo sujeito que a proposição anterior
(Dick Cheney), mas contém um termo predica-
do (republicano) diferente.
Precisamos de uma notação simbólica simples que nos capacite
a fazer a distinção entre os indivíduos e as características que lhes atri-
buímos. Estipularemos que as letras minúsculas de a até w serão usadas
como constantes para designar indivíduos (Dick Cheney, Tom Cruise,
etc.). Por outro lado, as características tomadas como predicados dos
indivíduos serão simbolizadas pelas letras maiúsculas A, B, C, etc. (“... é
Lógica dos quanti-
ficadores: O siste-
ma lógico de quan-
tificação usado para
analisar inferências
complexas consti-
tuídas de proposi-
ções verofuncionais
e categóricas.
Proposição singu-
lar: Uma proposi-
ção afirmando que
um indivíduo em
particular tem ou
não uma caracterís-
tica especificada.
Estratégia
Ao fazer a tradução para símbolos,
assegure-se de que o termo pre-
dicado receba uma letra maiús-
cula (para facilitar, muitas vezes
você pode usar a primeira letra do
termo predicado). Para designar o
indivíduo, sempre escolha uma letra
minúscula, colocando-a após o ter-
mo predicado.
LÓGICA MATEMÁTICA 34 C A P Í T U L O 7 • A Lógica dos Quantificadores 305
um atleta”, “... é solteiro”, “.. é um congressista”). O sistema de símbolos
usado nas proposições singulares coloca primeiro a letra maiúscula, o
símbolo que designa a característica tomada como predicado, seguindo-
se uma letra minúscula, o símbolo que denota o indivíduo. Por exemplo,
se d representar “Dick Cheney” (o indivíduo) e V representar “vice-pre-
sidente dos Estados Unidos” (a característica tomada como predicado),
então a proposição “Dick Cheney é vice-presidente dos Estados Unidos”
poderá ser simbolizada por Vd. A proposição “Dick Cheney é republica-
no” pode ser representada por Rd.
Alguns exemplos de traduções básicas são os seguintes:
Proposições em português Tradução simbólica
Arnold Schwarzenegger é um governador. Ga
Arnold Schwarzenegger é um ator. Aa
O Círculo Polar Ártico não é um local quente. ~ Qa
Nevada é um estado seco. Sn
A pornografia é ilegal. Ip
BIOGRAFIA GOTTLOB FREGE
Gottlob Frege (1848–1925) foi um dos mais
originais e influentes pensadores modernos.
Sua tentativa monumental de reduzir a mate-
mática à lógica reuniu os dois campos para
sempre, permitindo que Frege afirmasse que
a partir de então “todo matemático deve ser
um filósofo e todo filósofo deve ser um mate-
mático”. Uma das convicções fundamentais
de Frege era a natureza a priori da matemáti-
ca e da lógica, a partir da qual os fundamen-
tos de ambos os campos podem ser desenvol-
vidos usando-se apenas a razão. É irônico que o trabalho de Frege
resultou na descoberta de paradoxos lógicos e matemáticos associados
a esse sistema – descobertas que, por sua vez, levaram a ideias revolu-
cionárias sobre os fundamentos da matemática.
Aqui estão apenas alguns dos insights originais de Frege: o desen-
volvimento da lógicados quantificadores, a distinção entre constantes
e variáveis, o uso correto de uma função lógica, e o primeiro esclare-
cimento de sentido e referência. O campo da lógica matemática pode
ter suas origens remetidas ao trabalho pioneiro de Frege e, com isso,
pode-se estabelecer uma conexão direta com o desenvolvimento das
linguagens de computador.
35 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Quantitativa PARTE 3306 Lógica
Proposições mais complexas podem ser traduzidas usando-se os conec-
tivos verofuncionais. Por exemplo:
Proposições em português Tradução simbólica
Carly é uma desenhista de moda ou uma
dançarina.
Mc v Dc
Se Shane é um excelente estudante, então ele é
brilhante.
Es � Bs
Se e apenas se Bill for honesto e leal, ele
conseguirá o emprego.
(Hb • Lb) � Eb
John vencerá o concurso somente se ele não
entrar em pânico.
Cj � ~ Pj
Referência Rápida 7.2 • Uso de símbolos em proposições
singulares
1. a-w � constantes que designam indivíduos.
2. A–Z � características tomadas como predicados de indivíduos.
3. Em proposições singulares, escreve-se primeiro uma letra maiús-
cula, que designa uma característica, seguindo-se uma letra minús-
cula, que designa um indivíduo.
As proposições singu-
lares usam os símbolos
a-w e A-Z.
CONJUNTO DE EXERCÍCIOS 7.2 ���
Traduza as seguintes proposições usando a notação simbólica aprendida nesta
seção:
1. Repolho é um vegetal saudável.
Resposta: Sr
2. Repolho é um alimento que exala um forte aroma quando cozido.
3. Coelhos são animais sexualmente ativos.
4. Sir Lancelot foi um membro da Távola Redonda.
5. Steve McQueen não foi um ganhador de Oscar.
*6. Somente se Joe correr uma milha em menos de quatro minutos ele se
qualificará para a competição.
7. Choverá hoje à noite somente se as nuvens continuarem a aumentar.
8. O Taj Mahal é uma das sete maravilhas do mundo moderno.
9. A torre Eiffel de Las Vegas tem um terço da altura da torre original em
Paris.
LÓGICA MATEMÁTICA 36 C A P Í T U L O 7 • A Lógica dos Quantificadores 307
10. Eu venderei meu carro se e somente se conseguir um bom preço por ele e
puder encontrar algo melhor.
*11. O salmão tem um sabor agradável quando grelhado.
12. Os livros-textos são meus amigos.
13. Os telefones celulares não são produtos universalmente apreciados.
14. Ela passará no exame somente se estiver bem preparada.
15. Somente se estiver aqui às 20 horas ele será admitido.
7.3 QUANTIFICAÇÃO
Foi estipulado que as constantes individuais, que denotam indivíduos, são
designadas por qualquer letra minúscula de a até w. As demais letras mi-
núsculas, x, y e z, tem um uso diferente – são usadas para designar uma va-
riável individual. Essa variável indica onde uma constante particular pode
ser colocada, resultando numa proposição singular. Por exemplo, Vx, My e
Kz usam variáveis individuais. Entretanto, não são exemplos de proposi-
ções, mas sim de funções proposicionais, as quais não são nem verdadeiras
nem falsas, mas podem ter instâncias de substituição verdadeiras e falsas.
Uma instância de substituição é quando uma função proposicional trans-
forma-se em uma proposição, que é ou verdadeira ou falsa. Por exemplo, o
predicado “tem mais de dois metros de altura” pode ser usado para criar a
função proposicional Ax. A variável x pode ser substituída então por uma
constante individual. Por exemplo, se s designar “Shaquille O’Neal”* e d
designar “Dustin Huffman”, então obteremos os seguintes resultados:
As: “Shaquille O’Neal tem mais de dois metros de altura” – Essa
proposição é verdadeira.
Ad: “Dustin Huffman tem mais de dois metros de altura” – Essa
proposição é falsa.
A lógica dos quantificadores pode ser usada quando um termo pre-
dicado ocorre em uma proposição não singular. Por exemplo, as propo-
sições que começam com “Tudo é...”, “Algo é...” ou “Nada é...” são formas
genéricas de proposições. O processo de transformar funções proposicio-
nais em proposições é denominado quantificação. Usaremos o quantifi-
cador universal (x) para afirmar que o termo predicado que vem a seguir
é verdadeiro para todos os elementos. Portanto, (x)Bx é lido como “Dado
qualquer x, B é verdadeiro”. Por exemplo, se fizermos B significar “bom”,
então (x)Bx será lido como “Para todo indivíduo (x), tal indivíduo é bom
(B)”. Usaremos o quantificador existencial �x para afirmar que o termo
predicado que vem a seguir tem no mínimo uma instância de substituição
verdadeira. Portanto, é lido como “Existe um x tal que B é verda-
* N. de T.: Jogador americano de basquetebol.
Constante indivi-
dual: Na lógica dos
predicados, é um
símbolo (designa-
do por qualquer
letra minúscula de
a até w) usado na
notação lógica para
designar um indi-
víduo.
Variável indivi-
dual: Na lógica
dos predicados, é
um símbolo usado
na notação lógica
que funciona como
indicador do local
onde uma constan-
te individual deve
ser colocada (são
usadas as letras mi-
núsculas x, y e z).
Função proposi-
cional: As funções
proposicionais não
são nem verdadei-
ras nem falsas, mas
podem ter instân-
cias de substituição
verdadeiras e falsas.
Instância de subs-
tituição: Quando
uma função propo-
sicional transforma-
se em uma pro-
posição, que é ou
verdadeira ou falsa.
Quantificação:
O processo de
converter funções
proposicionais em
proposições.
Quantificador uni-
versal: Um símbolo
da lógica dos quan-
tificadores (x ou y),
que é colocado à
frente de uma fun-
ção proposicional,
tornando possível
afirmar que o pre-
dicado que vem a
seguir é verdadeiro
para todos os ele-
mentos.
37 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Quantitativa PARTE 3308 Lógica
deiro para ele”. Por exemplo, se fizermos B significar “bom”, então
será lido como “Existe no mínimo um indivíduo (x) que é bom (B)”.
A quantificação universal de uma função proposicional será verda-
deira se e somente se todas as instâncias de substituição possíveis forem
verdadeiras. Por exemplo, se fizermos B significar “bom”, então (x)Bx
será verdadeira somente se toda instância de substituição possível for
verdadeira ou, em outras palavras, somente se tudo for bom. Por ou-
tro lado, a quantificação existencial de uma função proposicional será
verdadeira se e somente se ela tiver, no mínimo, uma instância de subs-
tituição verdadeira. Por exemplo, se fizermos B significar “bom”, então
será verdadeira se no mínimo um indivíduo for bom. Dados
esses requisitos, proposições podem ser derivadas das funções proposi-
cionais de dois modos: (1) por instanciação, a substituição de uma va-
riável individual por uma constante individual, e (2) por generalização,
usando um quantificador universal ou existencial.
Nem todas as proposições são afirmativas, de modo que, nesses
casos, devemos usar o conceito de negação (~) para elaborar as funções
proposicionais apropriadas. Por exemplo, a proposição “Nada é bom”
pode ser reescrita como “Dado qualquer x, ele não é bom”. Isso é tra-
duzido usando-se o quantificador universal para se obter (x) ~ Bx. De
modo similar, a proposição “Algumas coisas não são boas” é traduzida
usando-se o quantificador existencial para se obter .
A letra grega fi (�) pode ser usada para representar qualquer pre-
dicado simples. Dado isso, o que aprendemos poderá ser usado para
criar um quadro de oposições dos quantificadores (Figura 7.1).
FIGURA 7.1 • Quadro
de oposições para pre-
dicados simples.
(x) ~ �x
(�x) ~ �x
(x) �x
(�x) �x
Contraditórias
Os dois conjuntos (pares) de contraditórias permitirão que estipule-
mos quatro relações lógicas importantes entre a quantificação universal e
a existencial. Por exemplo, a proposição é logicamente equivalente
a (a negação doseu membro oposto do par). O inverso tam-
bém é verdadeiro, isto é, é logicamente equivalente a . O
outro par de contraditórias pode ser entendido da mesma forma:
é logicamente equivalente a , ao passo que é logica-
mente equivalente a . A Tabela 7.1 resume esses resultados.
Quantificador exis-
tencial: Na lógica
dos quantificadores,
o símbolo � é usa-
do para afirmar que
qualquer função
proposicional, que
vem imediatamente
após o símbolo,
tem alguma instân-
cia de substituição
verdadeira.
Quantificação
universal: Quando
uma função propo-
sicional será verda-
deira, se e somente
se todas as possíveis
instâncias de substi-
tuição forem verda-
deiras.
Quantificação
existencial: Quan-
do uma função
proposicional será
verdadeira, se e so-
mente se ela tiver,
no mínimo, uma
possível instância
de substituição ver-
dadeira.
Instanciação: Na
lógica dos quanti-
ficadores, a subs-
tituição de uma
variável individual
por uma constante
individual.
Generalização: Na
lógica dos quantifi-
cadores, o processo
pelo qual uma
proposição é criada
a partir de uma fun-
ção proposicional
usando um quanti-
ficador universal ou
existencial.
LÓGICA MATEMÁTICA 38
C A P Í T U L O 7 • A Lógica dos Quantificadores 309
Tabela 7.1 Equivalências lógicas de predicados simples
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
C A P Í T U L O 7 • A Lógica dos Quantificadores 309
Tabela 7.1 Equivalências lógicas de predicados simples
unidade
1
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 4
Lógica Numérica
LÓGICA MATEMÁTICA 40
2.4 Seqüências e Somatórios
Introdução
Seqüências são listas ordenadas de elementos. As seqüências são usadas em matemática dis-
creta de várias maneiras. Elas podem ser usadas para representar soluções de certos problemas
de contagem, como veremos no Capítulo 7. Elas são também uma estrutura de dados importan-
te em ciência da computação. Esta seção contém uma revisão da notação usada para represen-
tar seqüências e somas de termos das seqüências.
Quando os elementos de um conjunto innito podem ser listados, o conjunto é chamado de
contável. Discutiremos nesta seção sobre os conjuntos contáveis e incontáveis. Demonstraremos
que o conjunto dos números racionais é contável, mas o conjunto dos números reais não o é.
2.4 Seqüências e Somatórios 1492-39
41 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Numérica PARTE 4
150 2 / Estruturas Básicas: Conjuntos, Funções, Seqüências e Somatórios
Seqüências
Uma seqüência é uma estrutura discreta usada para representar uma lista ordenada. Por exem-
plo, 1, 2, 3, 5, 8 é uma seqüência com cinco termos e 1, 3, 9, 27, 81 , . . . , 30, . . . é uma seqüên-
cia innita.
DEFINIÇÃO 1 Uma seqüência é uma função de um subconjunto do conjunto dos números inteiros (geralmente
ou do conjunto {0, 1, 2, . . .} ou do conjunto {1, 2, 3, . . .}) para um conjunto S. Usamos a notação
an para indicar a imagem do número inteiro n. Chamamos an de termo da seqüência.
Usamos a notação {an} para descrever a seqüência. (Note que an representa um único termo
da seqüência {an}. Note também que a notação {an} para a seqüência é a mesma para a notação
de um conjunto. Entretanto, o contexto no qual usamos essa notação sempre deixará claro quan-
do estamos trabalhando com conjuntos ou com seqüências. Note que, apesar de termos usado a
letra a na notação para uma seqüência, outras letras ou expressões podem ser usadas, dependendo
da seqüência que considerarmos. Ou seja, a escolha da letra a é arbitrária.)
Descrevemos as seqüências pela listagem de termos da seqüência em ordem crescente de
subscritos.
EXEMPLO 1 Considere a seqüência {an}, em que
a
nn = 1 .
A lista de termos dessa seqüência, começando por a1, ou seja,
a1, a2, a3, a4, . . . ,
começa com
1 1
2
1
3
1
4
, , , ,
DEFINIÇÃO 2 Uma progressão geométrica é uma seqüência na forma
a, ar, ar2, . . . , arn, . . .
em que o termo inicial a e a razão r são números reais.
Lembre-se: Uma progressão geométrica é um análogo discreto de uma função exponencial
f (x) arx.
EXEMPLO 2 As seqüências {bn}, com bn ( 1)n, {cn}, com cn 2·5n e {dn}, com dn 6·(1/3)n são progres-
sões geométricas com termo inicial e razão comum igual a 1 e 1; 2 e 5; e 6 e 1/3, respectiva-
mente, se começarmos com n 0. A lista de termos b0, b1, b2, b3, b4, . . . começa com
1, 1, 1, 1, 1, . . . ;
2-40
LÓGICA MATEMÁTICA 42
a lista de termos c0, c1, c2, c3, c4, . . . começa com
2, 10, 50, 250, 1250, . . . ;
e a lista de termos d0, d1, d2, d3, d4, . . . começa com
6 2 2
3
2
9
2
27
, , , , ,
◄
DEFINIÇÃO 3 Uma progressão aritmética é uma seqüência da forma
a, a d, a 2d, . . . , a nd,. . .
em que o termo inicial a e a diferença (ou razão) d são números reais.
Lembre-se: Uma progressão aritmética é um análogo discreto da função linear f (x) dx a.
EXEMPLO 3 As seqüências {sn}, com sn 1 4n e {tn}, com tn 7 3n são progressões aritméticas com
termos iniciais e diferenças comuns iguais a 1 e 4 e 7 e 3, respectivamente, se começarmos
em n 0. A lista de termos s0, s1, s2, s3, . . . começa com
1, 3, 7, 11, . . . ,
e a lista de termos t0, t1, t2, t3, . . . começa com
7, 4, 1, 2, . . . . ◄
As seqüências na forma a1, a2, . . . , an são geralmente usadas em ciência da computação.
Essas seqüências nitas são também chamadas de cadeias. Esta cadeia é também indicada por
a1a2 . . . an. (Lembre-se que cadeias de bits, que são seqüências nitas de bits, foram introduzidas
na Seção 1.1.) A extensão da cadeia S é o número de termos nessa cadeia. A cadeia vazia, indi-
cada por λ, é a cadeia que não tem termos. A cadeia vazia tem extensão zero.
EXEMPLO 4 A cadeia abcd é uma cadeia de extensão quatro. ◄
Seqüências de Números Inteiros Especiais
Um problema comum em matemática discreta é encontrar uma fórmula ou uma regra para cons-
truir termos de uma seqüência. Às vezes, apenas poucos termos de uma seqüência que resolvem
um problema são conhecidos; o objetivo é também identicar a seqüência. Mesmo que os termos
iniciais de uma seqüência não determinem a seqüência inteira (anal, há innitas seqüências que
começam com o mesmo conjunto nito de termos iniciais), conhecer os primeiros termos pode
ajudar você a montar uma conjectura sobre sua seqüência. Uma vez feita essa conjectura, você
pode tentar vericar se montou uma seqüência correta.
Ao tentar deduzir uma fórmula possível ou regra para os termos de uma seqüência a partir
dos termos iniciais, tente encontrar um padrão desses termos. Você pode também ver se é possí-
vel determinar como um termo pode ser produzido a partir de seu antecedente. Há muitas ques-
tões que você poderia fazer, mas algumas das mais úteis são:
Existem séries com o mesmo valor? Ou seja, o mesmo valor ocorre várias vezes em uma
la?
Existem termos obtidos a partir de termos antecedentes pela adição do mesmo valor ou de
algum valor que depende da posição na seqüência?
Existem termos obtidos a partir de termos antecedentes pela multiplicação de um determi-
nado valor?
2.4 Seqüências e Somatórios 1512-41
43 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Numérica PARTE 4
152 2 / Estruturas Básicas: Conjuntos, Funções, Seqüências e Somatórios
Existem termos obtidos pela combinação, de certa maneira, de termos antecedentes?
Existem ciclos entre os termos?
EXEMPLO 5 Encontre as fórmulas para as seqüências com os seguintes termos: (a) 1, 1/2, 1/4, 1/8, 1/16
(b) 1, 3, 5, 7, 9 (c) 1, 1, 1, 1, 1.
Solução: (a) Identicamos os denominadores de potência 2. A seqüência com an 1/2n,
n 0, 1, 2, . . . é uma possibilidade. Essa seqüência proposta é umaprogressão geométrica com
a 1 e r 1/2.
(b) Notamos que cada termo é obtido pela adição de 2 ao termo anterior. A seqüência com an
2n 1, n 0, 1, 2, . . . é uma possibilidade. Essa seqüência proposta é uma progressão arit-
mética com a 1 e d 2.
(c) Os termos alternam-se entre 1 e 1. A seqüência com an ( 1)n, n 0, 1, 2 . . . é uma
possibilidade. Essa seqüência proposta é uma progressão geométrica com a 1 e r 1. ◄
Os exemplos 6 e 7 mostram como podemos analisar seqüências para descobrir como os ter-
mos são construídos.
EXEMPLO 6 Como podemos construir os termos de uma seqüência se os primeiros 10 termos são 1, 2, 2, 3, 3,
3, 4, 4, 4, 4?
Solução: Note que o número inteiro 1 aparece uma vez, o número inteiro 2 aparece duas vezes, o
número inteiro 3 aparece três vezes e o número inteiro 4 aparece quatro vezes. Um regra razoável
para a construção dessa seqüência é que o número inteiro n aparece exatamente n vezes, então os
próximos cinco termos da seqüência seriam 5, os seguintes seis termos seriam 6, e assim por
diante. A seqüência construída dessa maneira é uma possibilidade. ◄
EXEMPLO 7 Como podemos construir os termos de uma seqüência se os primeiros 10 termos são 5, 11, 17, 23,
29, 35, 41, 47, 53, 59?
Solução: Note que cada um dos 10 primeiros termos dessa seqüência a partir do primeiro é obti-
do pela adição de 6 ao termo subseqüente. (Podemos ver isto conferindo que a diferença entre
dois termos consecutivos é 6.) Conseqüentemente, o n-ésimo termo poderia ser construído come-
çando com 5 e adicionando 6 a ele um total de n 1 vezes; ou seja, é possível que o n-ésimo
termo seja 5 6(n 1) 6n 1. (Essa é uma progressão aritmética com a 5 e d 6.) ◄
Outra técnica útil para encontrar uma regra para a construção de termos de uma seqüência é
comparar os termos de uma seqüência de interesse com os termos de uma seqüência de números
inteiros conhecida, ou seja, os termos de uma progressão aritmética, termos de uma progressão
geométrica, quadrados perfeitos, cubos perfeitos e assim por diante. Os 10 primeiros termos de
algumas seqüências que você deve querer guardar estão dispostos na Tabela 1.
EXEMPLO 8 Conjecture uma fórmula simples para an, se os 10 primeiros termos da seqüência {an} são 1, 7,
25, 79, 241, 727, 2185, 6559, 19681, 59047.
Solução: Para resolver este problema, começamos olhando para a diferença entre dois termos
consecutivos, mas não vemos um padrão. Quando formamos uma razão de termos consecutivos
para vermos se cada termo é um múltiplo do termo anterior, encontramos que essa razão, embora
não uma constante, se aproxima de 3. Então, é razoável suspeitar que os termos dessa seqüência
são construídos com uma fórmula que envolve 3n. Comparando esses termos com os termos cor-
respondentes da seqüência {3n}, percebemos que o n-ésimo termo é 2 menos a potência de 3
correspondente. Vemos que an 3n 2 para 1 ≤ n ≤ 10 e conjeturamos que esta fórmula é man-
tida para todo n. ◄
2-42
Exemplos
Extras
LÓGICA MATEMÁTICA 44
Veremos ao longo deste texto que as seqüências de números inteiros aparecem em uma gran-
de variedade de contextos em matemática discreta. As seqüências que temos ou que serão encon-
tradas incluem a seqüência de números primos (Capítulo 3), o número de maneiras de ordenar n
objetos discretos (Capítulo 5), o número de movimentos necessários para resolver o famoso
quebra-cabeça da Torre de Hanói com n discos (Capítulo 7) e o número de coelhos em uma ilha
depois de n meses (Capítulo 7).
As seqüências de números inteiros aparecem em uma grande variedade de áreas além da
matemática discreta, incluindo biologia, engenharia, química e física, assim como em quebra-
cabeças. Uma grande base de dados com mais de 100 000 seqüências de números inteiros dife-
rentes pode ser encontrada na On-Line Encyclopedia of Integer Sequences. Esta base de dados foi
criada por Neil Sloane na década de 1960. A última versão impressa dessa base foi publicada em
1995 ([SIPI95]); a enciclopédia atual ocuparia mais de 150 volumes do tamanho da edição de
1995. Novas seqüências foram adicionadas regularmente a essa base de dados. Há também um
programa acessível via Internet que você pode usar para encontrar seqüências a partir da enciclo-
pédia que coincidem com os termos iniciais que você possui.
Somatórios
Agora, introduziremos a notação de somatória. Começamos por descrever a notação usada para
expressar a soma dos termos
am, am+1, . . . , an
da seqüência {an}. Usamos a notação
j m
n
j jj m
n
jj n
a a a
=
1
, , ou
para representar
a a am m n1 .
Aqui, a variável j é chamada de índice da somatória, e a escolha da letra j como variável é arbi-
trária; ou seja, poderíamos usar qualquer outra letra, como i ou k. Ou, na notação,
j
n
j
i
n
i
k
n
ka a a
= = =
= = .
m m m
Aqui, o índice da somatória assume todos os números inteiros, começando com seu menor
limite m e terminando com seu maior limite n. A letra maiúscula grega sigma, , é usada
para indicar somatória.
TABELA 1 Algumas Seqüências Usuais.
n-ésimo termo Primeiros 10 termos
n2 1, 4, 9, 16, 25, 36, 49, 64, 81, 100, . . .
n3 1, 8, 27, 64, 125, 216, 343, 512, 729, 1000, . . .
n4 1, 16, 81, 256, 625, 1296, 2401, 4096, 6561, 10000, . . .
2n 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1024, . . .
3n 3, 9, 27, 81, 243, 729, 2187, 6561, 19683, 59049, . . .
n! 1, 2, 6, 24, 120, 720, 5040, 40320, 362880, 3628800, . . .
Links
2.4 Seqüências e Somatórios 1532-43
45 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Numérica PARTE 4
154 2 / Estruturas Básicas: Conjuntos, Funções, Seqüências e Somatórios
As leis usuais da aritmética são aplicadas à somatória. Por exemplo, quando a e b são números
reais, temos
j
n
j j y
n
j j
n
jax by a x b y
=1 =1 =1
( ) = , em que x1, x2, . . . , xn e y1, y2, . . . , yn
são números reais. (Não apresentamos uma demonstração formal desta identidade aqui. Tal de-
monstração pode ser construída usando a indução matemática, um método de demonstração que
introduziremos no Capítulo 4. A demonstração também usa as propriedades comutativas e asso-
ciativas para adição e a propriedade distributiva de multiplicação sobre adição.)
Daremos alguns exemplos de notação de somatória.
EXEMPLO 9 Expresse a soma dos primeiros 100 termos da seqüência {an}, em que an 1/n para n 1,
2, 3,. . . .
Solução: O menor limite para o índice da somatória é 1 e o maior limite é 100. Escrevemos a soma
como
j
j
=1
100 1 .
◄
EXEMPLO 10 Qual o valor de j
j
=1
5 2
?
Solução: Temos
j
j
=1
5
2 2 2 2 2 2= 1 2 3 4 5
= 1 4 9 16 25
= 55. ◄
EXEMPLO 11 Qual o valor de
k
k
=4
8
( 1) ?
Solução: Temos
k
k
=4
8
4 5 6 7 8( 1) = ( 1) ( 1) ( 1) ( 1) ( 1)
= 1 ( 1) 1 ( 1) 1
= 1.. ◄
Links
NEIL SLOANE (Nascido em 1939) Neil Sloane estudou matemática e engenharia elétrica na Universidade de Melbourne,
com uma bolsa de estudos da companhia de telefone do governo australiano. Ele teve muitos trabalhos relacionados com tele-
fonia, como construção de postes telefônicos, em seus trabalhos de férias. Depois de se graduar, ele foi designado para cuidar
das redes de transmissão de telefone de custo mínimo na Austrália. Em 1962, foi para os Estados Unidos e estudou engenharia
elétrica na Cornell University. Sua tese de Ph.D. foi sobre o que chamamos agora de redes neurais.
Ele conseguiu um emprego nos Laboratórios Bell em 1969, trabalhando em muitas áreas, incluindo criação de rede de
transmissão e teoria de codi cação. Atualmente trabalha para os Laboratórios AT&T, saindo dos Laboratórios Bell quando a
AT&T se separou destes em 1996. Um dos seus problemas favoritos é o kissing problem, ou problema do beijo (nome que
ele cunhou), que pergunta quantas esferas podem ser organizadas em n dimensões para que todas elas toquem uma esfera cen-
tral de mesmo tamanho. (Em duas dimensões, a resposta é 6, pois 6 moedaspodem ser colocadas de modo que elas toquem uma moeda central. Em
três dimensões, 12 bolas de bilhar podem ser colocadas para que elas toquem uma bola de bilhar central. Duas bolas de bilhar que se tocam dão um
“beijo”, o que dá sentido à terminologia “kissing problem” e “kissing number”, ou “números de beijos”.) Sloane, junto com Andrew Odlyzko, mostrou
que em 8 e 24 dimensões os números de beijos otimizados são, respectivamente, 240 e 196.560. Os kissing number são conhecidos nas dimensões 1,
2, 3, 8 e 24, mas não em outras dimensões. Os livros de Sloane incluem Sphere Packings, Lattices and Groups, 3. ed., com John Conway; The Theory
of Error-Correcting Codes, com Jessie MacWilliams; The Encyclopedia of Integer Sequences, com Simon Plouffe; e The Rock-Climbing Guide to
New Jersey Crags, com Paul Nick. Este último livro demonstra seu interesse em escalar montanhas rochosas, incluindo mais de 50 sites sobre escala-
da em New Jersey.
Exemplos
Extras
2-44
LÓGICA MATEMÁTICA 46
Às vezes é útil modicar o índice da somatória em uma soma. Isso geralmente é feito quando
dois somatórios devem ser adicionados, mas seus índices da somatória não combinam. Ao avaliar
um índice de soma, é importante fazer as mudanças apropriadas no somatório correspondente.
Isso será ilustrado pelo Exemplo 12.
EXEMPLO 12 Suponha que tenhamos a soma
j
j
=1
5
2
mas queremos o índice da somatória entre 0 e 4 em vez de 1 a 5. Para fazer isso, consideremos
k j 1. Então, o novo índice de soma vai de 0 a 4 e o termo j2 é dado por (k 1)2. Assim,
j k
j k
=1
5
2
=0
4
2= ( 1) .
É fácil vericar que ambas as somas são 1 4 9 16 25 55. ◄
Somas de termos de progressões geométricas são normalmente crescentes (tais somas são
chamadas de séries geométricas). O Teorema 1 nos dá uma fórmula para a soma dos termos de
uma progressão geométrica.
TEOREMA 1 Se a e r são números reais e r 0, então
j
n
j
n
ar
ar a
r
se r
n a se r=0
1
= 1
1
( 1) = 1.
Demonstração: Considere
S ar
j
n
j= .
=0
Para calcular S, primeiro multiplicamos os dois lados da equação por r e então manipulamos a
soma resultante da seguinte forma:
rS r ar
ar
ar
ar
j
n
j
j
n
j
k
n
k
k
n
k
=
=
=
=0
=0
1
=1
1
=0
( )
= ( )
1
1
ar a
S ar a
n
n
substituindo a fórmula da somatória por S
pela propriedade distributiva
alterando o índice da somatória, com k j 1
removendo o termo k n 1 e adicionando o termo k 0
substituindo S pela fórmula da somatória
2.4 Seqüências e Somatórios 1552-45
Exemplos
Extras
47 Introdução à Lógica UNIDADE 1
Lógica Numérica PARTE 4
156 2 / Estruturas Básicas: Conjuntos, Funções, Seqüências e Somatórios
A partir dessas equações, vemos que
r S S (arn+1 a).
Isolando S, mostramos que se r 1, então
S ar a
r
n
=
1
.
1
Se r 1, então a soma certamente é igual a (n 1)a.
EXEMPLO 13 Somatórias duplas aparecem em muitos contextos (como na análise de laços agrupados em pro-
gramas de computador). Um exemplo de somatória dupla é
i j
ij
=1
4
=1
3
.
Para avaliar a dupla soma, primeiro expanda a somatória interna e então continue computando a
somatória externa:
i j i
i
ij i i i
i
=1
4
=1
3
=1
4
=1
4
= ( 2 3 )
= 6
= 6 12 18 24 = 60. ◄
Podemos também usar a notação de somatória para adicionar todos os valores de uma fun-
ção, ou termos de um conjunto indexado, em que o índice da somatória é compatível com todos
os valores do conjunto. Ou seja, escrevemos
s S
f s( )
para representar a soma dos valores de f (s), para todos os membros s de S.
EXEMPLO 14 Qual o valor de s
s
{0,2,4} ?
Solução: Como s
s
{0,2,4} representa a soma de valores de s para todos os membros do con-
junto {0, 2, 4}, temos que
s
s
{0,2,4}
= 0 2 4 = 6. ◄
Certas somas aparecem repetidamente em matemática discreta. Ter um grupo de fórmulas
para tais somas pode ser útil; a Tabela 2 fornece uma pequena relação das fórmulas para as somas
mais freqüentes.
Demonstramos a primeira fórmula dessa tabela no Teorema 1. As próximas três fórmulas nos
dão a soma dos primeiros n números inteiros positivos, a soma de seus quadrados e a soma de seus
cubos. Essas três fórmulas podem ser obtidas de muitas maneiras diferentes (por exemplo, veja os
exercícios 21 e 22 no nal desta seção). Note também que cada uma dessas fórmulas, uma vez co-
nhecidas, pode ser facilmente demonstrada usando a indução matemática, assunto da Seção 4.1. As
últimas duas fórmulas da Tabela envolvem séries innitas e serão discutidas brevemente.
O Exemplo 15 mostra como as fórmulas da Tabela 2 podem ser úteis.
2-46
LÓGICA MATEMÁTICA 48
EXEMPLO 15 Encontre
k
k
=50
100 2 .
Solução: Primeiro note que como
k k k
k k k
=1
100 2
=1
49 2
=50
100 2= , temos que
k k k
k k k
=50
100
2
=1
100
2
=1
49
2= .
Usando a fórmula
k
n
k n n n
=1
2 = ( 1)(2 1)/6 da Tabela 2, vemos que
k
k
=50
100
2 = 100 101 201
6
49 50 99
6
= 338350 40425 = 297925. ◄
ALGUMAS SÉRIES INFINITAS Embora a maioria dos somatórios neste livro seja nita, as
séries innitas são importantes em algumas partes da matemática discreta. As séries innitas são
geralmente estudadas em um curso de cálculo e mesmo a denição dessas séries requer o uso de
cálculo, mas algumas vezes elas aparecem em matemática discreta, pois esta trata de coleções
innitas de elementos discretos. Em particular, em nossos estudos futuros de matemática discre-
ta, encontraremos fórmulas fechadas para as séries innitas nos exemplos 16 e 17 que serão
bastante usuais.
EXEMPLO 16 (Requer cálculo) Considere x como um número real com |x| < 1. Encontre
n
nx
=0
.
Solução: Pelo Teorema 1, com a 1 e r x, vemos que
n
k n
k
x x
x=0
1
= 1
1
. Como |x| < 1,
xk+1 tende a 0 quando k tende ao innito. Temos que
n
n
k
k
x x
x x x
=0
1
= 1
1
= 1
1
= 1
1
.lim ◄
Podemos produzir novas fórmulas de somatória a partir de fórmulas conhecidas por diferen-
ciação ou integração.
TABELA 2 Algumas Fórmulas Para Somatórios Usuais.
Soma Fórmula Fechada
ar a
r
r
n 1
1
1,
k
k
n
=1
n n( 1)
2
k
k
n
2
=1
n n n( 1)(2 1)
6
k
k
n
3
=1
n n2 2( 1)
4
x xk
k
, | |< 1
=0
1
1 x
, , | |< 11
1
kx xk
k
1
(1 )2x
2.4 Seqüências e Somatórios 1572-47
ar rk
k
n
( )0
0
Exemplos
Extras
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
2
Lógicas Analítica,
Crítica e Proposições
Prezado(a) estudante
Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem
foram organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um
conteúdo completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize
as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Desta forma, você com certeza
alcançará os objetivos propostos para essa disciplina.
OBJETIVO GERAL
Definir lógica e crítica e iniciar o estudo de proposições.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Diferenciar lógica analítica e lógica crítica.
• Aplicar as operações de dedução, indução e abdução.
• Reconhecer uma proposição simples.
unidade
2
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 1
Lógica Analítica
LÓGICA MATEMÁTICA 52
visão geral
Uma parte importante da análise lógica de inferências
envolve a elucidação das possíveis condições sob as quais
as proposições individuais que constituem a inferência
podem ser verdadeiras ou falsas. Para demonstrar que
uma inferência é válida ou inválida, você deve compreen-
der os requisitos lógicos das proposições individuais en-
volvidas e ser capaz de analisar a relação lógica entre as
premissas e a conclusão da inferência. O fundamento da
nossa discussão neste capítulo é a lógica das proposições
categóricas.
3.1 PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS
Uma proposição categórica expressa uma relação específica en-
tre classes de objetos. Uma classe é definida como um grupode
objetos que têm algumas características comuns reconhecíveis.
As classes também podem ser referidas como categorias ou con-
juntos. Usaremos S para a classe designada pelo termo sujeito de
uma proposição categórica e P para a classe designada pelo termo
predicado. Toda proposição categórica ou afirma que o termo su-
jeito relaciona-se parcial ou totalmente com o termo predicado,
ou nega que o termo sujeito relaciona-se parcial ou totalmente
com o termo predicado. Em outras palavras, podemos expressar
qualquer uma das seguintes possibilidades em relação a S e P:
3.1 PROPOSIÇÕES
CATEGÓRICAS
3.2 SILOGISMOS
CATEGÓRICOS
33capítulo
53 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Analítica PARTE 1122 Lógica
Todos S são P Nenhum S é P Alguns S são P Alguns S não são P
A primeira proposição categórica, “Todos S são P”, é denominada
proposição universal afirmativa, porque declara que todos os membros
do termo sujeito são membros do termo predicado. Essas declarações são
ou verdadeiras ou falsas, mas isso só pode ser decidido quando os S e os P
são substituídos por termos reais da classe, por exemplo, “Todas as árvores
são decíduas”*. Podemos ver nesse exemplo a asserção de que toda árvo-
re (a classe designada pelo termo sujeito) é decídua (a classe designada
pelo termo predicado). Como sabemos que há, no mínimo, uma classe de
árvores que não é decídua (pinheiros etc.), o conteúdo de verdade dessa
instância particular de uma proposição universal afirmativa é falsa.
* N. de T.: Em biologia, o termo decíduo indica a queda de folhas. No caso, todas as
árvores perdem as folhas.
Proposição ca-
tegórica: Uma
proposição que usa
conjuntos, cate-
gorias, ou grupos
de objetos (reais
ou imaginários)
para substituir as
variáveis em uma
das quatro formas
específicas seguin-
tes – “Todos S são
P”, “Nenhum S é
P”, “Alguns S são
P” e “Alguns S não
são P”.
Classe: Um gru-
po, conjunto ou
coleção de objetos
que têm uma ca-
racterística comum
atribuída a cada
membro.
Termo sujeito: A
classe designada
pelo primeiro termo
de uma proposição
categórica.
Termo predicado:
A classe designada
pelo segundo ter-
mo de uma propo-
sição categórica.
Proposição uni-
versal afirmativa:
A forma de propo-
sição “Todos S são
P”, a qual declara
que todos os mem-
bros do termo sujei-
to são membros do
termo predicado.
BIOGRAFIA ARISTÓTELES
Aristóteles (384 a.C.–322 a.C.) é frequentemen-
te considerado como o criador do estudo da ló-
gica. As suas ideias dominaram o pensamento
ocidental por dois mil anos e os seus escritos in-
fluenciaram todos os aspectos da cultura euro-
peia: metafísica, ética, política, estética e episte-
mologia. Tão dominante eram as ideias de
Aristóteles que todo o pensamento subsequente,
científico e lógico, tinha que estar de acordo
com o seu trabalho.
O sistema de lógica de Aristóteles baseia-se nas relações entre ter-
mos. As proposições categóricas, como “Todos os homens são mortais”,
contêm um termo sujeito (“homens”) e um termo predicado (“mor-
tais”). Isso é um exemplo de uma proposição universal afirmativa. Ela
faz a asserção de que a classe inteira dos homens está incluída na classe
dos seres mortais. Aristóteles queria que a lógica e a ciência se com-
plementassem mutuamente, de modo que não surpreende que a sua
lógica foi desenvolvida, em grande parte, para solidificar o raciocínio
científico. A ciência de Aristóteles baseava-se na ideia de classificação.
O conhecimento científico é obtido por meio da capacidade de classi-
ficar um grupo de objetos como subclasse de uma classe que já é bem
compreendida. Essa disposição científica significava que Aristóteles en-
tendia que ao menos algumas proposições universais assumem que a
classe de objetos que está sendo referida têm membros que realmente
existem. Para analisar algumas inferências, isso requer que o conteúdo
de verdade de certas proposições seja investigado. Entretanto, as ideias
lógicas modernas têm enfatizado a separação entre conteúdo de verda-
de e componente lógico das inferências.
LÓGICA MATEMÁTICA 54 C A P Í T U L O 3 • Proposições Categóricas e Inferências 123
Se substituirmos os termos sujeito e predicado por “árvore” e “de-
cídua” nas três proposições categóricas restantes, obteremos os seguintes
resultados: “Nenhuma árvore é decídua”, “Algumas árvores são decídu-
as” e “Algumas árvores não são decíduas”. A primeira dessas, “Nenhuma
árvore é decídua”, é denominada proposição universal negativa porque
declara que nenhum membro do termo sujeito é membro do termo pre-
dicado. Essa proposição afirma que não existe nem ao menos um mem-
bro de S que seja membro de P. Entretanto, como algumas árvores são
decíduas, o conteúdo de verdade dessa proposição é falso.
O próximo exemplo, “Algumas árvores são decíduas”, é denomina-
do proposição particular afirmativa porque declara que alguns membros
do termo sujeito são membros do termo predicado. Em outras palavras,
essa proposição declara que ao menos um membro de S é membro de
P.* O nosso conhecimento anterior sobre árvores diz-nos que essa pro-
posição é verdadeira.
O exemplo seguinte, “Algumas árvores não são decíduas”, é de-
nominado proposição particular negativa porque declara que alguns
membros do termo sujeito não são membros do termo predicado. Em
outras palavras, essa proposição declara que, no mínimo, um membro
de S não é membro de P.** O nosso conhecimento anterior sobre árvores
diz-nos que essa proposição também é verdadeira.
Quando uma proposição categórica refere-se a objetos, tais como
“pinheiros”, parece ser natural a referência ao conteúdo de verdade da
proposição. Entretanto, considere esta proposição: “Todos os unicórnios
são criaturas de um chifre”. Como interpretaremos o conteúdo de ver-
dade dessa proposição? De um lado, poderíamos dizer que a proposição
é verdadeira por definição (o termo “unicórnio” é definido como sen-
do “uma criatura de um chifre”). Por outro lado, poderíamos dizer que
a proposição é falsa porque não existe nenhum unicórnio. Isso levanta
uma questão importante em relação à interpretação de proposições ca-
tegóricas universais. Diz-se que uma proposição tem importação exis-
tencial quando ela declara a existência de objetos. A partir disso, deve-se
assumir que toda proposição universal tem importação existencial? Se a
resposta for “sim”, então a proposição “Todos os unicórnios são criaturas
de um chifre” será falsa, já que não existe nenhum unicórnio. Se a respos-
ta for “não”, então a proposição “Todos os unicórnios são criaturas de um
chifre” será verdadeira por definição, mesmo que não haja unicórnios.
Assim, é claramente óbvio que algumas proposições categóricas
universais têm importação existencial (“Todas as árvores são decídu-
as”), ao passo que outras não (“Todos os unicórnios são criaturas de um
chifre”). Entretanto, se tivermos que decidir em cada instância se uma
proposição categórica universal individual tem importação existencial,
* N. de T.: Caso particularizado como “Algum S é P”.
** N. de T.: “Algum S não é P.”
Proposição univer-
sal negativa: A for-
ma de proposição
“Nenhum S é P”,
a qual declara que
nenhum dos mem-
bros do termo sujei-
to são membros do
termo predicado.
Proposição parti-
cular afirmativa:
A forma de pro-
posição “Alguns
S são P”, a qual
declara que alguns
(pelo menos um)
dos membros do
termo sujeito são
membros do termo
predicado.
Proposição par-
ticular negativa:
A forma de pro-
posição “Alguns S
não são P”, a qual
declara que alguns
(pelo menos um)
dos membros do
termo sujeito não
são membros do
termo predicado.
Importação exis-
tencial: Em uma
proposição, a asser-
ção da existência de
objetos de algum
tipo.
55 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2Lógica Analítica PARTE 1124 Lógica
então estaremos fazendo análise do conteúdo de verdade ao invés de
análise lógica. Assim, uma proposição que tem a estrutura “Todos S são
P” é entendida como afirmando que “Se alguma coisa for um S, então
também será um P”. Uma proposição que tem a estrutura “Nenhum S
é P” é entendida como afirmando que “Se alguma coisa for um S, então
não será um P”. Essa interpretação coloca de lado a questão do conteúdo
de verdade relacionado com a existência dos objetos referidos pela pro-
posição. Como a frase “Se alguma coisa for um S,” não implica a existên-
cia de membros da classe S, essa interpretação pode ser usada para fazer
diagrama do requisito lógico da proposição. Os diagramas das proposi-
ções categóricas serão discutidos após a próxima seção.
Referência Rápida 3.1 • As quatro proposições categóricas
Todos S são P Universal afirmativa
Nenhum S é P Universal negativa
Alguns S são P Particular afirmativa
Alguns S não são P Particular negativa
Os quatro tipos de
proposições categóricas
incluem duas proposi-
ções universais e duas
proposições particu-
lares.
Traduzindo sentenças ordinárias
em proposições categóricas
No Capítulo 2, vimos que as informações faltantes exigiram que nós
reconstruíssemos as inferências com base em nossa compreensão do
contexto no qual as informações foram apresentadas. De modo similar,
muitas sentenças da linguagem ordinária não espelham a estrutura dos
quatro tipos de proposições categóricas. Esses casos requerem que nós
façamos a reconstrução e a tradução das sentenças nas estruturas que
estivemos usando. As traduções são úteis porque elucidam o significado
e revelam os requisitos lógicos das proposições.
A linguagem ordinária contém um número ilimitado de sentenças
possíveis, de modo que exploraremos apenas umas poucas das ocorrências
mais comuns. Por exemplo, a sentença comum “Todos os tubarões caçam”
pode ser facilmente traduzida pela proposição categórica universal afir-
mativa “Todos os tubarões são caçadores”. A sentença comum “Nenhum
tubarão caça” é traduzida pela proposição categórica universal negativa
“Nenhum tubarão é caçador”. De modo similar, a sentença “Algumas pes-
soas jogam boliche” pode ser traduzida pela proposição categórica parti-
cular afirmativa “Algumas pessoas são jogadoras de boliche”, e “Algumas
pessoas não jogam boliche” pode ser traduzida pela proposição categórica
particular negativa “Algumas pessoas não são jogadoras de boliche”.
A tradução de algumas sentenças da linguagem ordinária requer
uma interpretação da referência que normalmente é feita às classes men-
LÓGICA MATEMÁTICA 56 C A P Í T U L O 3 • Proposições Categóricas e Inferências 125
cionadas. Por exemplo, a sentença “Um golfinho é um mamífero” é me-
lhor traduzida como sendo a proposição universal afirmativa “Todos os
golfinhos são mamíferos”, já que normalmente estamos nos referimos à
classe inteira de golfinhos ao classificá-los como mamíferos. Pela mesma
razão, traduziríamos a sentença “Um golfinho não é um peixe” como
sendo a proposição universal negativa “Nenhum golfinho é peixe”. Por
outro lado, a sentença “Um golfinho vive no aquário local” seria tradu-
zida pela proposição particular afirmativa “Alguns golfinhos vivem no
aquário local”, já que certamente a sentença não está se referindo a todos
os golfinhos. (O uso de “alguns” é apropriado nesta tradução porque seu
uso em proposições categóricas significa “no mínimo um”.)
A sentença “Todo computador é uma máquina complexa” refere-
se a todos os computadores, de modo que é traduzida pela proposição
universal afirmativa “Todos os computadores são máquinas complexas”.
BIOGRAFIA JOHN VENN
Embora muitas pessoas tenham expandido as
ideias da álgebra booleana, talvez a mais útil
dessas expansões é a que começou a ser usada
por John Venn (1834–1923), ao criar o que
veio a se tornar conhecido como diagramas de
Venn. Esses diagramas distinguem-se dos cír-
culos de Euler por alguns poucos e importan-
tes modos de uso. Se quisermos analisar silo-
gismos categóricos usando o sistema de Venn,
sempre começaremos desenhando três círcu-
los sobrepostos de mesmo tamanho. Cada cír-
culo é, então, designado conforme qual dos três termos do silogismo
está sendo representado pelo círculo: o termo sujeito da conclusão, o
termo predicado da conclusão, ou o termo médio, que é o termo que
ocorre apenas nas premissas. Quando usado em análise lógica, as dife-
rentes áreas recebem então anotações para mostrar todas as asserções
possíveis, de inclusão e exclusão de classe, das três proposições categó-
ricas que constituem o silogismo categórico. O sombreamento de uma
área indica que a classe é vazia e é usado nas proposições categóricas
universais. A presença de um “X” indica que a classe não está vazia e ele
é usado nas proposições categóricas particulares. Essas anotações são
usadas com ambas as proposições afirmativas e negativas.
A uniformidade dos diagramas de Venn oferece um método per-
feitamente mecânico para determinar a validade ou invalidade de qual-
quer silogismo categórico. Além disso, os diagramas de Venn são usa-
dos frequentemente em análise matemática para representar a união e
interseção de conjuntos.
57 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Analítica PARTE 1126 Lógica
A mesma tradução é válida para a sentença “Qualquer computador é
uma máquina complexa”. Entretanto, a sentença “Nem todo computa-
dor é caro” deve ser traduzida pela proposição particular negativa “Al-
guns computadores não são caros”, porque é improvável que a sentença
esteja declarando que nenhum computador é caro. Por outro lado, a
sentença “Todo computador não é caro” deve ser traduzida pela pro-
posição universal negativa “Nenhum computador é caro”, porque ela se
refere à classe inteira dos computadores.
Referência Rápida 3.2 • Traduzindo sentenças ordinárias em
proposições categóricas
Sentença ordinária Tradução
Todos os tubarões caçam. Todos os tubarões são caçadores.
Nenhum tubarão caça. Nenhum tubarão é caçador.
Algumas pessoas jogam boliche. Algumas pessoas são jogadoras de
boliche.
Algumas pessoas não jogam
boliche.
Algumas pessoas não são jogadoras
de boliche.
Um golfinho é um mamífero. Todos os golfinhos são mamíferos.
Um golfinho não é um peixe. Nenhum golfinho é peixe.
Um golfinho vive no aquário
local.
Alguns golfinhos vivem no aquário
local.
Qualquer computador é uma
máquina complexa.
Todos os computadores são
máquinas complexas.
Nem todo computador é caro. Alguns computadores não são caros.
Qualquer computador não é caro. Nenhum computador é caro.
Uma sentença ordinária
pode ser traduzida por
uma das quatro pro-
posições categóricas
depois de ser recons-
truída.
Construindo diagramas de proposições categóricas:
os diagramas de Venn
Quando fazemos diagramas para as proposições categóricas, usamos os
diagramas de Venn. Um diagrama de Venn consiste em círculos sobrepos-
tos que designam classes, juntamente com anotações específicas associadas
aos círculos. Como uma proposição categórica contém duas classes, dese-
nharemos dois círculos que se intersecionam e então faremos anotações
nos desenhos dependendo do que é dito na proposição. A estrutura básica
do diagrama de Venn de uma proposição categórica está mostrada abaixo.
1
S P
2 3 4
Diagrama de
Venn: Um diagra-
ma que usa círculos
sobrepostos para
representar propo-
sições categóricas e
para ilustrar a vali-
dade ou invalidade
de uma inferência
categórica.
LÓGICA MATEMÁTICA 58 C A P Í T U L O 3 • Proposições Categóricas e Inferências 127
A Área 1 designa aqueles membros de S que não são membros de P. A
Área 2 designa aqueles membros de S que são membros de P. A Área 3
designa aqueles membros de P que não são membros de S. Finalmente,
na Área4 não há nenhum membro nem de S nem de P.
Todos S são P Os nossos diagramas precisam incluir os requisitos lógi-
cos expressos pelas proposições categóricas. Na proposição “Todos S são
P ”, a palavra “Todos” liga-se diretamente a S e não a P. A proposição está
expressando alguma coisa definitiva sobre S (que todo membro dessa
classe é membro de P), mas deixa em aberto a questão da extensão do
domínio P.
Tendo isso em mente, podemos produzir o diagrama de Venn dessa pro-
posição.
1
S P
2 3 4
Todos S são P
Como a Área 1 designa aqueles membros de S que não são membros de
P, o diagrama deve mostrar que essa área está vazia, que ela não contém
nenhum membro de S. Para mostrar que uma área está vazia, ela é som-
breada. Portanto, o diagrama ilustra aquilo que a proposição expressa:
se qualquer objeto for um membro de S, então ele será um membro de
P. Esse diagrama pode ser usado para ilustrar os requisitos lógicos de
qualquer proposição categórica universal afirmativa.
O diagrama de Venn anterior fornece o mecanismo necessário
para fazer análises simples de inferências. Para demonstrar a validade
ou invalidade, precisamos apenas consultar os diagramas da proposição
envolvida em uma inferência. Por exemplo,
Todos S são P
Todos P são S
Se assumirmos que a premissa é verdadeira, poderemos usar o diagrama
de Venn para representá-la. Então, o diagrama revelará se a premissa fun-
damenta logicamente ou não a conclusão. O diagrama completo revelará
se a conclusão deve ser verdadeira (caso em que teremos demonstrado
que a inferência é válida) ou revelará a possibilidade de uma conclusão
falsa (caso em que teremos demonstrado que a inferência é inválida).
59 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Analítica PARTE 1128 Lógica
Esse método visual de análise capacita-nos a ver a lógica das inferências.
Assim, na inferência anterior, podemos fazer a seguinte pergunta: é pos-
sível que a premissa seja verdadeira e a conclusão falsa? Usando o diagra-
ma anterior da premissa “Todos S são P ”, teremos a resposta.
Premissa: Todos S são P = Verdadeira
Conclusão: Todos P são S = Falsa
Essa figura é tudo de que precisamos para demonstrar que a inferência
é inválida. Tudo que tivemos que mostrar foi a possibilidade de termos
uma premissa verdadeira e uma conclusão falsa, e isso foi feito.
Nenhum S é P O nosso diagrama dessa proposição precisa incluir os
requisitos lógicos expressos pela proposição. A asserção é que nenhum
membro da classe S é membro da classe P. Isso está expresso no seguinte
diagrama de Venn:
1
S P
2 3 4
Nenhum S é P
Como a Área 2 designa aqueles membros de S que são membros de P,
o diagrama deve mostrar que essa área está vazia, de modo que ela está
sombreada. Esse diagrama pode ser usado para ilustrar os requisitos ló-
gicos de qualquer proposição categórica universal negativa.
Novamente, uma inferência simples pode ser construída e analisa-
da usando-se essa estrutura de proposição.
Nenhum S é P
Nenhum P é S
É possível que a premissa seja verdadeira e a conclusão falsa? Acontece
que isso não é possível. O diagrama mostra a única maneira da premissa
ser verdadeira.
Premissa: Nenhum S é P = Verdadeira
Conclusão: Nenhum P é S = Verdadeira
Como o diagrama ilustra, se tornarmos verdadeira a premissa, então
automaticamente também tornaremos verdadeira a conclusão. Como é
impossível tornar verdadeira a premissa dessa inferência e falsa a con-
clusão ao mesmo tempo, demonstramos que essa inferência é válida.
Alguns S são P Nós estipularemos que “alguns” significa no mínimo
um, de modo que a proposição diz que no mínimo um membro de S é
LÓGICA MATEMÁTICA 60 C A P Í T U L O 3 • Proposições Categóricas e Inferências 129
membro de P. Diferentemente das proposições universais, as proposi-
ções categóricas particulares sempre são entendidas como tendo impor-
tação existencial. Portanto, a proposição “Alguns S são P” está na verda-
de dizendo que existe no mínimo um S e que ele é um P. Se for dito que
existe no mínimo um membro em uma classe de objetos, então um X
será colocado dentro do círculo.
1
S P
2 3 4
Alguns S são P
X
Como a Área 2 designa aqueles membros de S que são membros de P, o
diagrama deve mostrar que essa área tem no mínimo um membro. Esse
diagrama pode ser usado para ilustrar os requisitos lógicos de qualquer
proposição categórica particular afirmativa.
Agora, usando essa estrutura de proposição, poderemos analisar
uma inferência simples em relação à validade.
Alguns S são P
Alguns P são S
O diagrama mostra a única maneira da premissa ser verdadeira.
Premissa: Alguns S são P = Verdadeira
Conclusão: Alguns P são S = Verdadeira
Como o diagrama ilustra, se tornarmos verdadeira a premissa, então
automaticamente também tornaremos verdadeira a conclusão. Como,
nessa inferência, é impossível ao mesmo tempo tornar a premissa verda-
deira e a conclusão falsa, demonstramos que essa inferência é válida.
Alguns S não são P Essa estrutura de proposição está fazendo uma de-
claração a respeito da classe de S – que existe no mínimo um membro
de S e que ele não é membro de P. Como vimos antes, se for dito que
existe no mínimo um membro em uma classe de objetos, então um X
será colocado dentro do círculo.
1
S P
2 3 4
Alguns S não são P
X
61 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Analítica PARTE 1130 Lógica
Como a Área 1 designa aqueles membros de S que não são membros de
P, o diagrama deve mostrar que essa área tem no mínimo um membro.
Esse diagrama pode ser usado para ilustrar os requisitos lógicos de qual-
quer proposição categórica particular negativa.
Agora, usando essa estrutura de proposição, poderemos analisar
uma inferência simples em relação à validade.
Alguns S não são P
Alguns P não são S
O diagrama mostra a única maneira da premissa ser verdadeira.
Premissa: Alguns S não são P = Verdadeira
Conclusão: Alguns P não são S = Falsa
Para que a conclusão fosse verdadeira, deveria haver um X na Área 3 do
círculo P. Entretanto, a informação da premissa não nos permite colocar
um X nessa área. Como já mostramos claramente que é possível haver
uma premissa verdadeira e uma conclusão falsa, então demonstramos
que a inferência é inválida.
Vamos trabalhar passo a passo em uma inferência simples, mas
interessante.
Todos S são P
Alguns S são P
Como antes, uma proposição universal afirmativa pode usar o diagrama
de Venn para representar a informação da premissa.
S P
Premissa: Todos S são P = Verdadeira
Conclusão: Alguns S são P = Falsa
A inferência é inválida.
Isso ilustra a importância de se compreender a importação existencial.
As proposições universais são interpretadas como não fazendo nenhu-
ma declaração existencial. É por isso que o diagrama de “Todos S são
P ” e “Nenhum S é P ” usam apenas o sombreamento de áreas. Os dia-
gramas dessas proposições não contêm nenhum X para indicar que um
objeto existe verdadeiramente em uma área dada. Entretanto, proposi-
ções particulares são sempre entendidas como declarando existência (é
por isso que se usa um X para ilustrar que no mínimo um dos objetos
LÓGICA MATEMÁTICA 62
C A P Í T U L O 3 • Proposições Categóricas e Inferências 131
existe realmente). Assim, de fato é verdade que “Todos os unicórnios são
criaturas de um chifre” (por definição), e é falso que “Alguns unicórnios
são criaturas de um chifre”, porque isso afirma que existe no mínimo
um unicórnio. No diagrama anterior, para a conclusão ser verdadeira,
deveria haver um X na área onde S e P se sobrepõem, mas não há ne-
nhum X porque uma premissa universal não nos permite colocar um X
em lugar algum, somente umaproposição particular permite isso. Ao
declarar que essa inferência é inválida, estamos apenas expressando a
possibilidade de uma premissa ser verdadeira e a conclusão ser falsa, o
que é revelado pelo diagrama de Venn.
A Referência Rápida 3.3 mostra os diagramas de Venn das propo-
sições categóricas.
Referência Rápida 3.3 • Os diagramas de Venn são usados
para ilustrar os quatro tipos de proposições categóricas
Todos S são P Nenhum S é P Alguns S são P Alguns S não são P
S P S P S P S P
X X
Os diagramas de Venn
são usados para ilustrar
os quatro tipos de pro-
posições categóricas.
CONJUNTO DE EXERCÍCIOS 3.1
Exercícios 1–20 Traduza as seguintes sentenças para estruturas de proposições
categóricas, estipulando o que S e P representarão em cada caso. A seguir, dese-
nhe diagramas de Venn para representar a lógica de cada proposição.
1. Alguns bonecos de neve são elementos decorativos permanentes de gra-
mados.
Resposta: S = “bonecos de neve”, P = “elementos decorativos permanentes de
gramados”
S P
X
2. Nenhuma sanguessuga é advogado.
3. Alguns apresentadores de notícias da televisão são bons atores.
4. Todas as rosquinhas fazem parte da culinária sem gordura.
5. Todas as pessoas paranormais são impostoras.
134 Lógica
*51. Nenhum S é P
Alguns P não são S
52. Alguns S são P
Todos S são P
53. Alguns S são P
Todos P são S
54. Alguns S são P
Nenhum S é P
55. Alguns S são P
Nenhum P é S
*56. Alguns S são P
Alguns P são S
57. Alguns S são P
Alguns S são P
58. Alguns S são P
Alguns S não são P
59. Alguns S são P
Alguns P não são S
60. Alguns S não são P
Todos S são P
*61. Alguns S não são P
Todos P são S
62. Alguns S não são P
Nenhum S é P
63. Alguns S não são P
Nenhum P é S
64. Alguns S não são P
Alguns S são P
65. Alguns S não são P
Alguns P são S
*66. Alguns S não são P
Alguns S não são P
67. Alguns S não são P
Alguns P não são S
3.2 SILOGISMOS CATEGÓRICOS
Nesta seção, a discussão das proposições categóricas será ampliada para
incluir a análise dos silogismos categóricos. Um silogismo é uma infe-
rência que tem exatamente duas premissas e uma conclusão. Um silogis-
mo categórico é uma inferência construída inteiramente de proposições
Silogismo: Qual-
quer inferência que
tem exatamente
duas premissas e
uma conclusão.
Silogismo cate-
górico: Uma infe-
rência construída
inteiramente de
proposições cate-
góricas.
63 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Analítica PARTE 1C A P Í T U L O 3 • Proposições Categóricas e Inferências 135
categóricas. Se assumirmos que as premissas de uma inferência são ver-
dadeiras, então poderemos usar um diagrama de Venn para represen-
tar uma premissa e, em seguida, acrescentar uma segunda premissa ao
nosso desenho. O diagrama completo revelará se a conclusão deverá ser
verdadeira, caso em que teremos demonstrado que a inferência é válida,
ou revelará a possibilidade de uma conclusão falsa, caso em que teremos
demonstrado que a inferência é inválida. Esse método visual de análise
usando diagramas de Venn capacita-nos a ver a lógica das inferências.
O uso de figuras para revelar a validade ou a invalidade é útil por-
que nos dá algo para ver. Para ilustrar com mais detalhes as questões
lógicas que estamos indagando, será útil mostrar o quanto o conteúdo
de verdade de uma inferência pode ser confuso e desorientador quando
estamos fazendo uma análise de inferência lógica. Por exemplo, conside-
re a inferência do Exemplo 3.1A.
Exemplo 3.1A
Conteúdo de Verdade
Todos os quadrados são triângulos = Falso (F)
Todos os triângulos são retângulos = Falso (F)
Todos os quadrados são retângulos = Verdade (V)
Os conteúdos de verdade dessas proposições estão sendo mostrados
para ajudar a ilustrar como essa informação não nos ajuda a decidir se a
inferência é válida ou inválida, porque a questão lógica é algo completa-
mente diferente. A análise lógica começa vendo que todo silogismo cate-
górico contém exatamente três termos, cada um dos quais é usado duas
vezes. Os dois termos da conclusão são referidos como sendo os termos
sujeito (S) e predicado (P) da inferência. O termo que ocorre apenas nas
premissas é denominado termo médio (M). Com isso, podemos mostrar
a estrutura da inferência fazendo S = “quadrados”, P = “retângulos” e M
= “triângulos”.
Exemplo 3.1B
Estrutura
Todos S são M
Todos M são P
Todos S são P
Como os silogismos categóricos têm três termos, teremos que acrescen-
tar um círculo ao nosso diagrama de Venn básico. O diagrama seguinte
é o modelo para a análise lógica dos silogismos categóricos.
LÓGICA MATEMÁTICA 64136 Lógica
S P
M
Nesse diagrama de Venn, S representa o termo sujeito da conclusão, P, o
termo predicado da conclusão, e M, o termo médio, o qual é encontrado
apenas nas premissas. Como o interesse lógico é a validade, precisamos
ver o que acontece quando tornamos verdadeiras ambas as premissas.
Agora, podemos completar o diagrama de Venn com as anotações apro-
priadas. Começamos desenhando a informação dada na primeira pre-
missa como se ela fosse verdadeira. Ela diz que qualquer área do círculo S
fora de M está vazia, de modo que sombreamos a área correspondente.
S P
M
O próximo passo é marcar o diagrama desenhando a informação da
segunda premissa. Ela diz que qualquer área do círculo M fora de P está
vazia, de modo que, novamente, sombreamos as área correspondente.
S P
M
O diagrama está completo quando contém as informações dadas
nas duas premissas. Para decidir se a inferência é válida ou inválida, verifi-
camos se a conclusão deve ser verdadeira. No nosso exemplo, a conclusão
declara que a classe S está completamente contida na classe P. No diagra-
ma de Venn, isso pode ser verificado, de modo que a inferência é válida.
Vamos analisar uma inferência similar à do Exemplo 3.1A.
65 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Analítica PARTE 1C A P Í T U L O 3 • Proposições Categóricas e Inferências 137
Exemplo 3.2A
Conteúdo de Verdade
Todos os quadrados são triângulos = Falso (F)
Todos os retângulos são triângulos = Falso (F)
Todos os quadrados são retângulos = Verdade (V)
O conteúdo de verdade dessa inferência corresponde ao da infe-
rência do Exemplo 3.1A; isto é, ambas tem premissas falsas e uma con-
clusão verdadeira. Se a validade dependesse disso, poderíamos concluir
que, como a primeira inferência foi válida, então esta também deve ser
válida. Podemos mostrar a estrutura da inferência fazendo S = “quadra-
dos”, P = “retângulos” e M = “triângulos”.
Exemplo 3.2B
Estrutura
Todos S são M
Todos P são M
Todos S são P
Novamente, começamos desenhando a informação dada na primeira pre-
missa como se ela fosse verdadeira. Ela diz que qualquer área do círculo S
fora de M está vazia, de modo que sombreamos a área correspondente.
S P
M
O próximo passo é marcar o diagrama desenhando a informação da
segunda premissa. Ela diz que qualquer área do círculo P fora de M está
vazia, de modo que, novamente, sombreamos a área correspondente.
S P
M
LÓGICA MATEMÁTICA 66138 Lógica
O diagrama estará completo quando contiver as informações dadas nas
duas premissas. Para decidir se a inferência é válida ou inválida, verifi-
camos se a conclusão é verdadeira. A conclusão diz que a classe S está
completamente contida na classe P, mas o diagrama de Venn mostra
claramente que a conclusão é falsa. Portanto, demonstramos que essa
inferência é inválida.
Depois de mostrarmos que uma inferência é inválida, saberemos
que é logicamente possível substituir cada símbolo por alguma coisa e
obter premissas verdadeiras e uma conclusão falsa. Considere as seguin-tes substituições dos símbolos do Exemplo 3.2B – Estrutura: S = “ho-
mens”, P = “mulheres” e M = “seres humanos”.
Exemplo 3.3
Conteúdo de Verdade
Todos os homens são seres humanos = Verdade (V)
Todas as mulheres são seres humanos = Verdade (V)
Todos os homens são mulheres = Falso (F)
Esse exemplo ilustra que, como as inferências inválidas permitem que haja
premissas verdadeiras e uma conclusão falsa, elas não podem garantir que
a verdade será preservada do começo ao fim em uma inferência.
Para mostrar que nós não estamos enganando o leitor, podemos
substituir os símbolos pelas mesmas palavras no Exemplo 3.1B – Es-
trutura (que mostrou ser uma inferência válida). Novamente, S = “ho-
mens”, P = “mulheres” e M = “seres humanos”.
Exemplo 3.4
Conteúdo de Verdade
Todos os homens são seres humanos = Verdade (V)
Todos os seres humanos são mulheres = Falso (F)
Todos os homens são mulheres = Falso (F)
Lembre-se do que a validade garante – se as premissas forem verdadeiras,
então a conclusão não poderá ser falsa.
Para conseguir mais prática, vamos analisar uma outra inferência.
Exemplo 3.5A
Todas as pessoas que dirigem carros compactos são pessoas de
egos bem-ajustados.
67 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Analítica PARTE 1C A P Í T U L O 3 • Proposições Categóricas e Inferências 139
Nenhuma pessoa que deseje ser muito rica é uma pessoa de ego
bem-ajustado.
Nenhuma pessoa que dirige carros compactos é uma pessoa que
deseja ser muito rica.
Se fizermos S = “pessoas que dirigem carros compactos”, P = “pessoas
que desejam ser muito ricas” e M = “pessoas de egos bem-ajustados”,
obteremos a seguinte estrutura de inferência:
Exemplo 3.5B
Estrutura
Todos S são M
Nenhum P é M
Nenhum S é P
Podemos começar a nossa análise tornando verdadeiras ambas as pre-
missas, como se mostra a seguir:
S P
M
Premissa 1: Todos S são M = Verdadeira
Premissa 2: Nenhum P é M = Verdadeira
O diagrama de Venn completo confirma que, se as premissas forem ver-
dadeiras, então a conclusão, “Nenhum S é P ”, será verdadeira. Portanto,
demonstramos que a inferência é válida.
Iremos trabalhar agora passo a passo na análise de mais duas infe-
rências para nos familiarizarmos com o uso das proposições “Alguns S
são P ” e “Alguns S não são P ”. Desta vez, começaremos com a estrutura
da inferência.
Exemplo 3.6
Todos S são M
Alguns M são P
Alguns S são P
LÓGICA MATEMÁTICA 68140 Lógica
Iremos tratar uma premissa de cada vez porque a análise dessa inferên-
cia revelará a necessidade de uma nova técnica para fazer o diagrama
das proposições categóricas particulares. Começaremos desenhando a
informação da primeira premissa como se ela fosse verdadeira.
S P
M
O próximo passo é marcar o diagrama desenhando a informação da
segunda premissa. Essa é uma proposição particular, a qual declara que
existe ao menos um M que é um P. Assim, devemos colocar um X em
algum lugar das áreas onde M e P se sobrepõem. Vamos considerar três
possibilidades, que são denominadas (a), (b) e (c).
(a)
S P
M
X
(b)
S P
M
X
Nas ilustrações (a) e (b), o X representa um objeto que é M e P, como
requerido pela proposição “Alguns M são P ”. Entretanto, em (a), o X
está expressando um objeto que também é um S, ao passo que em (b) o
X está indicando que o objeto não é um S. Embora ambos os diagramas
69 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Analítica PARTE 1C A P Í T U L O 3 • Proposições Categóricas e Inferências 141
representem possibilidades lógicas desde que a segunda premissa seja
verdadeira, os objetos referidos pelos Xs nos dois diagramas não são os
mesmos. De fato, ambas os diagramas “dizem demais”. A informação da
segunda premissa não nos permite escolher uma das possibilidades em
detrimento da outra. Resolveremos esse problema fazendo o diagrama
da segunda premissa como se mostra na ilustração (c).
(c)
S P
M
X
A razão da colocação do X em (c) é que não pode haver mais de um X
para representar o que está sendo expresso por qualquer uma das pro-
posições em particular. Assim, em (c), o X está colocado na linha que
separa as duas áreas nas quais o objeto poderia existir. Essa localização
do X informa-nos que ele pode estar localizado na área mostrada ou
em (a), ou em (b). Entretanto, ele não pode estar em ambas ao mesmo
tempo. A ilustração final (c) mostra a seguinte possibilidade:
Premissa 1: Todos S são M = Verdadeira
Premissa 2: Alguns M são P = Verdadeira
Conclusão: Alguns S são P = Falsa
Como é possível o X referido na premissa 2 existir apenas na área mos-
trada em (b), a análise lógica revela que é possível haver premissas ver-
dadeiras e uma conclusão falsa. Portanto, a inferência é inválida.
O Exemplo 3.7 apresenta a última análise de inferência desta seção.
Exemplo 3.7
Alguns P não são M
Todos S são M
Alguns S não são P
Iremos tratar uma premissa de cada vez porque a análise dessa infe-
rência revelará uma nova estratégia para fazer o diagrama das proposi-
ções categóricas particulares. Começaremos desenhando a informação
dada na primeira premissa, “Alguns P não são M”, como se ela fosse
verdadeira.
LÓGICA MATEMÁTICA 70
142 Lógica
S P
M
X
O próximo passo é marcar o diagrama desenhando a informação dada
na segunda premissa, “Todos S são M ”.
S P
M
X
Como agora uma das áreas possíveis para a colocação do X foi elimina-
da, o X deve ser deslocado para a única possibilidade que restou.
S P
M
X
Para evitar que tenhamos de alterar a localização do X no diagrama,
poderíamos ter começado a análise desenhando a segunda premissa.
Assim, sempre que uma inferência tiver uma pre-
missa particular e uma universal, a estratégia a
ser empregada é sempre fazer primeiro o diagra-
ma da premissa universal. Frequentemente, isso
eliminará a necessidade de se alterar a localização
do X dentro do diagrama de Venn.
Agora, a análise final da inferência pode ser
completada.
Estratégia
Em uma inferência que contém uma
premissa universal e uma premis-
sa particular, sempre faça primei-
ro o diagrama da premissa universal.
71 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Analítica PARTE 1C A P Í T U L O 3 • Proposições Categóricas e Inferências 143
S P
M
X
Premissa 1: Alguns P não são M = Verdadeira
Premissa 2: Todos S são M = Verdadeira
Conclusão: Alguns S não são P = Falsa
O diagrama de Venn completo demonstra que a inferência é inválida,
porque ela revela a possibilidade de premissas verdadeiras e uma con-
clusão falsa.
CONJUNTO DE EXERCÍCIOS 3.2 ���
Exercícios 1–20 (1) Substitua os símbolos para descobrir a estrutura lógica das
inferências categóricas e, então, (2) demonstre que as inferências são ou válidas
ou inválidas. Use o seu conhecimento de proposições categóricas e diagramas
de Venn para ajudar a desenvolver as suas demonstrações.
1. Todos os personagens de desenhos em quadrinhos são criações fictícias.
Algumas criações fictícias são objetos possíveis.
Alguns personagens de desenhos em quadrinhos são objetos possíveis.
Resposta: Inválida
Sejam S = “personagens de desenhos em quadrinhos”, P = “objetos possíveis” e
M = “criações fictícias”. A estrutura da inferência é:
Todos S são M
Alguns M são P
Alguns S são P
S P
M
X
2. Nenhuma estrela de cinema é ganhadora do prêmio Pulitzer.
Nenhum ganhador do prêmio Pulitzer é analfabeto.
Nenhuma estrela de cinema é analfabeta.
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADOESTUDANTE
unidade
2
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 2
Lógica Crítica
LÓGICA MATEMÁTICA 74
Lógica e Verdade
75 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Crítica PARTE 2
visão geral
Vivemos na Era da Informação. As estações de televisão
a cabo dão notícias locais e mundiais 24 horas por dia.
A Internet fornece acesso a milhões de livros, artigos e
milhares de jornais de todo o mundo. Os Web sites pes-
soais, os Web logs (blogs) e os chat rooms apresentam
comentários instantâneos a respeito dos eventos em todo
o planeta. Frequentemente, descobrimos que, juntamen-
te com a informação, diversas afirmações são apresenta-
das. Por exemplo, suponha que leiamos o seguinte:
Alguns estúdios cinematográficos e diretores independen-
tes de cinema estão lançando seus filmes em DVD, em vez
de colocá-los nos cinemas. Em breve, você será capaz de
assistir à estreia de um filme em sua casa, pagando uma
fração do que custaria caso você fosse a um cinema, com-
prasse ou alugasse o filme. De fato, as vendas de ingressos
nos cinemas americanos vêm caindo de forma contínua
durante os últimos dez anos. Portanto, é de se esperar que
os cinemas irão se tornar obsoletos.
Esse trecho contém uma inferência. Uma inferência, ou
argumento, é um encadeamento de proposições (sentenças que
são ou verdadeiras, ou falsas). As primeiras três proposições do
trecho são premissas; contêm informações com o objetivo de dar
boas razões para se aceitar a conclusão, ou seja, a afirmação de
que os cinemas irão se tornar obsoletos. Nesse trecho há duas
coisas a considerar: a informação dada é verdadeira? Se a infor-
1.1 CONTEÚDO DE VERDADE E
COMPONENTE LÓGICO
1.2 LÓGICA E RELAÇÕES
1.3 ERROS DE CONTEÚDO
DE VERDADE, ERROS DE
COMPONENTE LÓGICO
E A ANÁLISE DE
INFERÊNCIAS
1.4 RACIOCÍNIO,
JULGAMENTO E ANÁLISE
DEDUTIVA
1.5 INFERÊNCIAS DEDUTIVAS E
INDUTIVAS
1.6 INCERTEZA E ANÁLISE
INDUTIVA
11capítulo
LÓGICA MATEMÁTICA 7630 Lógica
mação for verdadeira, ela oferecerá boas razões para que a conclusão seja
aceita? Essas questões oferecem um vislumbre do papel da lógica, que é
o estudo do raciocínio. A análise lógica revela a extensão da correção do
raciocínio encontrado nas inferências. A lógica fornece as habilidades
necessárias para se identificar as inferências dos outros, colocando uma
pessoa em uma posição que permite a análise coerente e precisa dessas
inferências. O aprendizado das habilidades lógicas irá capacitá-lo a sub-
meter as suas próprias inferências a essa mesma análise, de modo que
possa antecipar objeções e críticas. Este livro introduz as ferramentas da
análise lógica e apresenta aplicações práticas da lógica.
1.1 CONTEÚDO DE VERDADE E COMPONENTE LÓGICO
O nosso interesse inicial no estudo da lógica está em dois modos impor-
tantes de avaliarmos a informação que recebemos durante a nossa inte-
ração consciente com o mundo. Primeiro, o conteúdo de verdade – A
informação é verdadeira ou falsa? Segundo, o componente lógico – Se a
informação for verdadeira, então que poderá se concluir dela? Por exemplo,
se alguém entrar em um quarto e aparentar estar encharcado, podere-
mos concluir que está chovendo lá fora. Esse pensamento muito natural
e quase instantâneo é na realidade o resultado de dois processos. O pri-
meiro é a avaliação da informação visual – a pessoa “aparenta estar mo-
lhada”. O segundo processo, embora complexo, ocorre tão rapidamente
que pode escapar à atenção. A sua complexidade está no notável processo
de se levar uma peça de informação para além de seus limites. A partir
de “uma pessoa molhada”, concluímos que “está chovendo”. De uma peça
de informação, desenvolvemos, ou inferimos, uma consequência. Damo-
nos conta da complexidade apenas quando nos tornamos conscientes do
processo. Então, somos confrontados com o processo seguinte de calcular
e justificar a nossa inferência. Se fizermos para alguém um comentário
de que está chovendo lá fora, essa pessoa poderá nos pedir para explicar
por que pensamos isso. Só então ficaremos conscientes da necessidade
de analisar e justificar a nossa conclusão. Apontar para a pessoa mo-
lhada pode ajudar a justificar a nossa conclusão, mas uma análise mais
profunda levanta a possibilidade de que possamos estar enganados, ou
seja, de que não esteja chovendo. Há certamente outras razões para uma
pessoa estar molhada – ela pode ter sido atingida por balões com água,
pode ter se borrifado com água devido ao calor, pode ter passado entre
os esguichos de água de um gramado, ou o umedecimento deve-se a suor
excessivo etc. De fato, à medida que as explicações para o umedecimento
começam a se empilhar, podemos ir ficando menos confiantes de que
realmente esteja chovendo. Esse exemplo mostra que devemos conside-
rar a nossa interação com o mundo de duas maneiras diferentes: (1) A
informação que recebemos é exata, correta ou verdadeira? (2) Se for ver-
dadeira, então o que poderemos inferir dela; que conclusões resultarão?
Inferência: Um
conjunto de pro-
posições, nas quais
as premissas são
apresentadas como
fundamentação da
conclusão.
Proposição: Um
enunciado que é ou
verdadeiro, ou falso.
Premissa: Uma
proposição (ou
conjunto de propo-
sições) que é dada
como fundamen-
tação para uma
conclusão.
Conclusão: A parte
final de uma infe-
rência; a proposição
que se pretende
obter a partir das
premissas.
Conteúdo de ver-
dade: A verdade ou
falsidade efetiva de
uma proposição e
os métodos de sua
determinação.
Componente lógi-
co: A relação lógica
entre as premissas e
uma conclusão.
77 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Crítica PARTE 2C A P Í T U L O 1 • Lógica e Verdade 31
1.2 LÓGICA E RELAÇÕES
A determinação do conteúdo de verdade e do componente lógico de
uma inferência constituem um processo complexo, de modo que erros
podem facilmente ser cometidos. Há duas fontes potenciais de erros
– conteúdo de verdade incorreto e componente lógico incorreto. Embora
improvável, é possível contudo que, no nosso exemplo anterior, estivés-
semos errados em relação à pessoa estar realmente molhada (lembre-se,
dissemos que a pessoa “aparentava” estar encharcada). Se for assim, esse
seria um caso de conteúdo de verdade incorreto. Por outro lado, a nossa
inferência poderia estar errada, pois poderia não estar chovendo. Se for
assim, esse seria um caso de componente lógico incorreto. (É possível
que estejamos errados nos dois casos – conteúdo de verdade incorreto
e componente lógico incorreto.) A primeira fonte de erro, conteúdo de
verdade incorreto, é a mais familiar. Muito da nossa educação formal
é dedicada ao conteúdo de verdade das informações. Entretanto, a se-
gunda fonte de erro, componente lógico incorreto, é mais difícil de ser
reconhecida porque diz respeito à relação entre as proposições e não às
proposições em si. Para isso ser completamente entendido, é necessário
olhar os exemplos que elucidarão as distinções que estamos fazendo.
Suponha que você receba duas peças de informação:
1. Vincent van Gogh nasceu em alguma data durante os anos 1800.
2. Marie Curie nasceu em alguma data durante os anos 1800.
Primeiro, podemos investigar a verdade das proposições. Observe
que a verdade ou falsidade de cada proposição é independente da outra
– isto é, ambas podem ser verdadeiras, ambas podem ser falsas ou uma
pode ser verdadeira e a outra, falsa. Facilmente poderíamos encontrar
evidências a respeito da verdade ou falsidade de cada proposição (con-
sultando uma enciclopédia, um livro de história da ciência, pesquisando
na Internet etc.). O resultado dessa linha deanálise seria conhecermos
o conteúdo de verdade; teríamos determinado a verdade ou a falsidade
real de cada proposição. Entretanto, antes de investigar o conteúdo de
verdade, poderíamos examinar as duas proposições como premissas em
potencial. O nosso foco seria então o que poderia ser inferido a partir
delas – O que se concluirá delas se forem verdadeiras? Essa linha de análise
leva-nos à área do componente lógico, cujo foco é a relação entre o par
de duas proposições acima e uma nova proposição, a conclusão, que
poderemos obter do par. Uma possível conclusão é a seguinte:
3. Van Gogh nasceu antes de Marie Curie.
A nossa atenção agora está focada em perguntas diferentes, tais
como “E se as duas primeiras proposições forem verdadeiras?”, “Como
a verdade ou falsidade das duas primeiras proposições relacionam-se
com a verdade ou falsidade da terceira proposição?”, “As duas primeiras
proposições fundamentam a terceira?” e “As duas primeiras proposições
LÓGICA MATEMÁTICA 7832 Lógica
fornecem boas razões para se aceitar a terceira?”. Essas considerações são
radicalmente diferentes das nossas preocupações com o conteúdo de ver-
dade das duas primeiras proposições. Como agora estamos concentrados
na relação entre as três proposições, a nossa análise tem uma forma com-
pletamente diferente. Uma analogia poderá ajudá-lo a compreender esse
ponto. Quando falamos a respeito da relação entre duas pessoas, podere-
mos pensar se ela é “boa”, “forte”, “de apoio mútuo”, “estremecida”, “muito
fraca” etc. Isso é similar ao que estamos fazendo agora. Isso poderá ser
visto mais claramente se mostrarmos as proposições de modo diferente.
Exemplo 1.1
1. Vincent van Gogh nasceu em alguma data durante os anos
1800.
2. Marie Curie nasceu em alguma data durante os anos 1800.
3. Van Gogh nasceu antes de Marie Curie.
Essa forma de mostrar a informação indica que o objetivo é as duas pri-
meiras proposições serem premissas, ao passo que a proposição abaixo
da linha é a conclusão de uma inferência. Queremos analisar a relação
lógica {R} entre as premissas e a conclusão. Especificamente, queremos
ver se as premissas, quando ambas são verdadeiras, garantem alguma coi-
sa a respeito da conclusão. Se aceitarmos que a informação da primeira
premissa é verdadeira, então seremos informados de que van Gogh nas-
ceu em alguma data entre os anos 1800 e 1899. Se aceitarmos que a in-
formação da segunda premissa é verdadeira, então seremos informados
de que Marie Curie também nasceu em alguma data entre os anos 1800
e 1899. Neste ponto, é importante fazer uma separação entre o conteúdo
de verdade da conclusão e a análise lógica que determina se é possível ou
não obtê-la das premissas, ou seja, uma questão de relação. Isso é crucial
porque nem sempre estamos em condições de determinar o conteúdo
de verdade das proposições. Contudo, podemos desenhar uma linha de
tempo para representar os anos 1800.
18991800
Como não determinamos o conteúdo de verdade dessas premissas, é pelo
menos logicamente possível situar as datas de nascimento de van Gogh e
Curie sobre essa linha de modo tal que a conclusão seja verdadeira.
van Gogh Curie
18991800
Relação lógica:
A conexão lógica
entre premissas e
conclusões.
79 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Lógica Crítica PARTE 2C A P Í T U L O 1 • Lógica e Verdade 33
Também é logicamente possível situar as datas de nascimento de Van
Gogh e Curie sobre essa linha de modo que a conclusão seja falsa.
Curie van Gogh
18991800
Entretanto, a análise do Exemplo 1.1 revelou que, embora a informação
das premissas seja verdadeira, é logicamente possível que a conclusão
seja tanto verdadeira como falsa. Esse exemplo mostra que podemos de-
terminar a relação lógica entre as proposições sem conhecermos a verda-
de ou falsidade real das proposições envolvidas.
Agora, vamos examinar um par ligeiramente diferente de propo-
sições.
1. Marie Curie nasceu em alguma data durante os anos 1800.
2. Nelson Mandela nasceu em alguma data durante os anos 1900.
Agora estamos interessados na relação que existe entre esse par de pro-
posições e uma nova proposição, uma que podemos derivar como uma
consequência desse par. Uma candidata seria esta proposição:
3. Marie Curie nasceu antes de Nelson Mandela.
Isso nos dá um novo exemplo de análise lógica.
Exemplo 1.2
1. Marie Curie nasceu em alguma data durante os anos 1800.
2. Nelson Mandela nasceu em alguma data durante os anos
1900.
3. Marie Curie nasceu antes de Nelson Mandela.
Como antes, para fins de análise lógica, começaremos admitindo que as
premissas são verdadeiras. Se assim for, a informação dada é: Premissa
1 – Marie Curie nasceu em alguma data entre 1800 e 1899, e Premissa
2 – Nelson Mandela nasceu em alguma data entre 1900 e 1999. No-
vamente podemos desenhar uma linha de tempo para nos ajudar na
análise.
1900
Curie Mandela
19991800
LÓGICA MATEMÁTICA 8034 Lógica
A data de nascimento de Marie Curie pode ser colocada em qualquer
lugar entre 1800 e 1899. A data de nascimento de Nelson Mandela pode
ser colocada em qualquer lugar entre 1900 e 1999. Agora, se as informa-
ções das premissas forem verdadeiras, então a relação {R} entre essas três
proposições será tal que a conclusão do Exemplo 1.2 também deverá ser
verdadeira. Lembre-se de que essa é apenas uma análise lógica – não es-
tamos afirmando que qualquer uma das proposições seja realmente ver-
dadeira. Mais exatamente, estamos considerando apenas o componente
lógico contido na inferência (e se as premissas forem verdadeiras?). A
nossa análise revelou algo completamente diferente do Exemplo 1.1. Es-
pecificamente, o Exemplo 1.2 mostra que em uma inferência é possível
existir uma relação em que as premissas, se verdadeiras, garantem que a
conclusão seja verdadeira. Assim, a análise lógica é completamente dife-
rente da análise de conteúdo de verdade, que considera apenas qual é o
caso (se as proposições são verdadeiras ou falsas).
Um exemplo final será considerado aqui.
Exemplo 1.3
1. Marie Curie nasceu em alguma data durante os anos 1800.
2. Nelson Mandela nasceu em alguma data durante os anos
1900.
3. Nelson Mandela nasceu antes de Marie Curie.
Como antes, para fins de análise lógica, começaremos aceitando que as
premissas são verdadeiras. Se for assim, a informação dada é a mesma
de antes: Premissa 1 – Marie Curie nasceu em alguma data entre 1800 e
1899. Premissa 2 – Nelson Mandela nasceu em alguma data entre 1900
e 1999. Se as premissas forem aceitas como verdadeiras, então a relação
{R} entre essas três proposições será tal que a conclusão deve ser falsa.
No que diz respeito à questão da relação, a discussão até aqui revelou
que os resultados podem ser diferentes. No Exemplo 1.1, a relação era tal
que, mesmo se as premissas fossem ambas verdadeiras, a conclusão pode-
ria ser tanto verdadeira ou falsa. No Exemplo 1.3, a relação era tal que, se as
premissas fossem ambas verdadeiras, então a conclusão tinha que ser falsa.
Mais importante ainda, no Exemplo 1.2 a relação era tal que, se as premis-
sas fossem ambas verdadeiras, era garantida a verdade da conclusão.
O domínio da análise lógica requer a separação efetiva dos dois ti-
pos de avaliação de informação que examinamos. Como as nossas men-
tes naturalmente processam a informação segundo os dois modos que
discutimos, frequentemente fica confuso quando pela primeira vez ten-
tamos conscientemente manter separados os dois modos. Primeiro, a in-
formação que estou recebendo é exata, correta ou verdadeira? Segundo,
se for verdadeira, então o que eu posso inferir dela – isto é, que conclu-
sões podem ser tiradas? De fato, para a maioria das pessoas, o primeiro
81 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2Lógica Crítica PARTE 2C A P Í T U L O 1 • Lógica e Verdade 35
tipo de avaliação (o conteúdo de verdade) tem prioridade. Se você não
estiver consciente da diferença entre conteúdo de verdade e componente
lógico, então surgirá uma confusão. Podemos ilustrar isso realizando um
pequeno experimento em que você lê uma frase, compreende o seu sig-
nificado, mas não a julga como verdadeira ou falsa. Tente compreender o
significado da frase sem decidir a respeito de sua veracidade ou falsidade
real. A frase irá se referir ao livro que você está lendo agora. Aqui está a
frase:
O livro que você está lendo agora pesa 1000 quilogramas.
Ao terminar de ler a frase, a maioria das pessoas, se não todas, imediata-
mente sabe que é falsa. A “decisão” de que a frase era falsa ocorre tão ra-
pidamente que as pessoas não conseguem evitá-la. Isso mostra que uma
parte da nossa mente está constantemente analisando a informação em
relação à sua verdade ou falsidade. Isso é importante para a nossa discus-
são precisamente porque devemos reconhecer que as nossas mentes estão
constantemente trabalhando em dois níveis diferentes, e devemos apren-
der a manter separados esses níveis. Para avaliarmos a relação (o compo-
nente lógico) que existe entre as proposições, devemos desconsiderar o
conteúdo de verdade. Temporariamente, devemos ignorar os resultados
de verdade ou falsidade reais – não porque não sejam importantes, mas
simplesmente porque estamos fazendo algo inteiramente diferente.
É possível ter um entendimento claro de como as duas funções dife-
rem examinando como nós processamos outros tipos de informação. Os
sentidos da visão e do olfato são duas funções distintas. Não esperamos que
nossos olhos detectem a fragrância de uma flor, ou que nossos narizes nos
digam qual é a cor da flor. Na verdade, quando as pessoas estão cheirando
algo, algumas vezes elas fecham os olhos para dar a mais alta prioridade ao
sentido de olfato. Bem frequentemente, fechamos os olhos quando quere-
mos nos concentrar para ouvir alguma coisa. De forma semelhante, quan-
do estamos concentrados no componente lógico, devemos aprender a tem-
porariamente “fechar” a nossa capacidade de ver o conteúdo de verdade.
CONJUNTO DE EXERCÍCIOS 1.2 ���
Para analisar as relações das inferências seguintes, (1) imagine que todas as pre-
missas são verdadeiras, (2) determine se a conclusão de cada inferência é então
(a) verdadeira, (b) falsa ou (c) tanto verdadeira como falsa, e (3) explique os
seus resultados. (Uma resposta completa para o primeiro exercício em cada con-
junto é dada para que você tenha um modelo a ser seguido. Soluções e explicações
para os exercícios com asteriscos estão no final do livro.)
1. O livro A tem mais de 200 páginas.
O livro B tem mais de 500 páginas.
O livro B tem mais páginas do que o livro A.
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
2
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 3
Cálculo Proposicional
LÓGICA MATEMÁTICA 84
13
As proposições podem ser simples (também chamadas de atômicas, pois não po-
dem ser decompostas em proposições mais simples), ou compostas, utilizando
operadores lógicos, também denominados conetivos.
Proposições simples
A proposição simples não contém qualquer outra proposição como parte inte-
grante de si mesma.
Por exemplo:
• Paulo é médico.
• 2 < 1
• A impressora é um periférico.
DEFINIÇÃO
Proposição é toda oração
declarativa, de sentido
completo, para a qual se
associa apenas um dos
dois atributos: verdadeiro
ou falso.
Proposições compostas
A proposição composta é formada por duas ou mais proposições simples unidas
por conetivos, como “e”, “ou”, “se... então...”, “se, e somente se,” e “não”.
Por exemplo:
• 2 < 1 ou 7 <> 4
• Se Pedro é estudante, então lê livros.
• Pedro é inteligente se, e somente se, estuda.
• O sol é quadrado e a neve é branca.
• O computador não é barato.
Agora é a sua vez!
3. Considerando que a = 4, b = 5 e c = 2, discuta com seu colega qual é o valor lógico resultante (V ou F)
de cada proposição abaixo:
a. a >= c
b. b < a
c. c – (b + a) >= (c * b)
12
Proposições
Uma proposição é uma construção (sentença, frase, pensamento) à qual se pode
atribuir juízo. No caso da lógica matemática, o tipo de juízo é o verdadeiro-falso, ou
seja, o interesse é na “verdade” das proposições. Em informática, o valor lógico (V) é
representado pelo número (1), e o valor lógico (F), pelo número (0).
85 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Cálculo Proposicional PARTE 3
M
at
em
át
ic
a
ap
lic
ad
a
à
in
fo
rm
át
ic
a
14
Operadores lógicos
As variáveis proposicionais são representadas por letras minúsculas para indicar as
proposições simples.
Por exemplo:
p: A taxa de juros é alta.
q: O computador é caro.
Agora, considerando as proposições simples dadas acima, observe no Quadro 1.5
as representações simbólicas das proposições.
Agora é a sua vez!
4. Considerando que a = 4, b = 5 e c = 2, apresente o valor de x. Se (a > b) ou (c < a), então x = b + (a/c),
senão x = 10.
Quadro 1.5 Representações simbólicas das proposições
Proposição Conetivo
Linguagem
simbólica
A taxa de juros não é alta.
O computador não é caro.
negação
~p
~q
A taxa de juros é alta e o computador
é caro.
conjunção p q
A taxa de juros é alta ou o computador
é caro.
disjunção p q
Se a taxa de juros é alta, então o computador
é caro.
condicional p ��q
O computador é caro se, e somente se, a taxa
de juros é alta.
bicondicional q ��p
LÓGICA MATEMÁTICA 86
ca
pí
tu
lo
1
N
oç
õe
s
de
ló
gi
ca
m
at
em
át
ic
a
15
Ordem de precedência dos operadores lógicos
No intuito de reduzir o número de parênteses, simplificando visualmente as fórmu-
las, a seguinte ordem de precedência entre os conetivos é convencionada:
1. Conetivos entre parênteses, dos mais internos para os mais externos
2. Negação (~)
3. Conjunção ( ) e disjunção ( )
4. Condição (�)
5. Bicondição (�)
Tabelas-verdade
Negação
A negação de uma proposição p consiste em negar sua informação. Dessa forma,
caso a proposição p = Marcos é japonês, quando negada (~p, lê-se “não p”) passa a
ser ~p = Marcos não é japonês. Isso indica que, caso a proposição p seja verdadeira,
~p passa a ser falsa e vice-versa, como mostrado na tabela-verdade a seguir.
Seja p uma proposição simples, tem-se que:
p ~p
V F
F V
Conjunção
A conjunção de duas proposições p e q é verdadeira quando o valor lógico da pro-
posição p é verdadeiro e o valor lógico da proposição q também é verdadeiro, ou
seja, V(p) = V(q) = V, e falsa nos demais casos, como mostrado na tabela-verdade
a seguir.
Por exemplo: Para imprimir uma foto, é necessário que se tenha papel especial e
cartucho colorido.
Sejam as proposições simples:
p: Alex tem papel especial.
q: Alex tem cartucho colorido.
p q p q
V V V
V F F
F V F
F F F
87 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Cálculo Proposicional PARTE 3
M
at
em
át
ic
a
ap
lic
ad
a
à
in
fo
rm
át
ic
a
16
Disjunção
A disjunção de duas proposições p e q é falsa quando V(p) = V(q) = F e verdadeira
nos demais casos. Isto é, só será falsa quando ambas forem falsas, como pode ser
observado na tabela-verdade a seguir.
Por exemplo: Para escrever um poema, é necessário que se tenha caneta ou lápis.
Sejam as proposições simples:
p: Alex tem caneta.
q: Alex tem lápis.
p q p q
V V V
V F V
F V V
F F F
Condicional
O condicional de duas proposições p e q é falso quando V(p) = V e V(q) = F, e
verdadeiro nos demais casos. A proposição p é chamada de antecedente e a
proposiçãoq é o consequente do condicional. Isto é, o condicional será falso se
o antecedente for verdadeiro e o consequente falso, como mostrado na tabela-
-verdade a seguir.
Por exemplo: Se navegar na internet, então deverá responder uma pesquisa.
Sejam as proposições simples:
p: Mariana navegou na internet.
q: Mariana respondeu uma pesquisa.
p q p q
V V V
V F F
F V V
F F V
Bicondicional
O bicondicional de duas proposições p e q é verdadeiro quando V(p) = V(q) e falso
quando V(p) <> V(q), como pode ser observado na tabela-verdade a seguir.
Por exemplo: O lucro será máximo se, e somente se, todos os produtos forem ven-
didos.
NO SITE
Não se esqueça de conferir
as respostas das questões
dos quadros “Agora é a sua
vez!” no ambiente virtual de
aprendizagem Tekne.
LÓGICA MATEMÁTICA 88
17
Sejam as proposições simples:
p: A empresa XYZ teve lucro máximo.
q: A empresa XYZ vendeu todos os produtos.
p q p ��q
V V V
V F F
F V F
F F V
Construção de tabelas-verdade
Uma tabela-verdade deve conter todas as combinações possíveis dos valores ló-
gicos das proposições simples componentes. Ou seja, cada proposição simples
pode assumir dois valores lógicos: V e F. Assim, na tabela-verdade da negação
(ilustrada anteriormente), por exemplo, duas linhas são suficientes para expres-
sar os valores lógicos possíveis. No caso de tabelas com duas proposições sim-
ples, são necessárias quatro linhas (BLAUTH, 2013).
APLICAÇÃO
Veja a seguir dois exemplos de como construir uma tabela-verdade.
1. p (~q)
p q ~q p (~q)
V V F V
V F V V
F V F F
F F V V
Observe que:
•
• As duas primeiras colunas expressam as combinações possíveis de p e q.
• A terceira coluna e corresponde à negação de q, ou seja, à fórmula ~q.
• A quarta coluna corresponde à disjunção de p com ~q, ou seja, p ~q.
89 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Cálculo Proposicional PARTE 3
M
at
em
át
ic
a
ap
lic
ad
a
à
in
fo
rm
át
ic
a
18
APLICAÇÃO
2. p (q r) (p q) (p r)
p q r q r p (q r) p q p r (p q) (p r) p (q r) (p q) (p r)
V V V V V V V V V
V V F F V V V V V
V F V F V V V V V
V F F F V V V V V
F V V V V V V V V
F V F F F V F F V
F F V F F F V F V
F F F F F F F F V
p (q r) (p q) (p r) tem três proposições simples. Dessa forma, a tabela-verdade tem 8 (2³)
linhas. Observe que a construção da tabela respeitou a ordem de precedência definida.
Agora é a sua vez!
5. Construa a tabela-verdade de (w t) u.
Tipos de proposições compostas
São tipos de proposições compostas:
• A tautologia: é a proposição composta que, em sua tabela-verdade, resulta
em valores lógicos todos verdadeiros, quaisquer que sejam os valores lógicos
das proposições componentes.
• A contradição: é a proposição composta que, em sua tabela-verdade, resul-
ta em valores lógicos todos falsos, quaisquer que sejam os valores lógicos
das proposições componentes.
• A contingência: é a proposição composta que, em sua tabela-verdade, re-
sulta em valores lógicos verdadeiros e falsos.
LÓGICA MATEMÁTICA 90
19
Implicação
Diz-se que uma proposição p implica uma proposição q (indica-se por p q)
quando o condicional p q for tautologia.
APLICAÇÃO
Verifique se p q p.
Resolução. Tabela-verdade:
p q q p p (q p)
V V V V
V F V V
F V F V
F F V V
Conclusão: p q p, pois o condicional p (q p) é tautologia.
Equivalência
Diz-se que uma proposição p equivale a uma proposição q (indica-se por p q)
quando o bicondicional p q for tautologia.
APLICAÇÃO
Verifique se p q q p:
Resolução. Tabela-verdade:
p q p q q p p q q p
V V V V V
V F F F V
F V F F V
F F V V V
Conclusão: p q q p, pois o bicondicional p q q p é tautologia.
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
2
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 4
Proposições Simples
LÓGICA MATEMÁTICA 92
13
As proposições podem ser simples (também chamadas de atômicas, pois não po-
dem ser decompostas em proposições mais simples), ou compostas, utilizando
operadores lógicos, também denominados conetivos.
Proposições simples
A proposição simples não contém qualquer outra proposição como parte inte-
grante de si mesma.
Por exemplo:
• Paulo é médico.
• 2 < 1
• A impressora é um periférico.
DEFINIÇÃO
Proposição é toda oração
declarativa, de sentido
completo, para a qual se
associa apenas um dos
dois atributos: verdadeiro
ou falso.
Proposições compostas
A proposição composta é formada por duas ou mais proposições simples unidas
por conetivos, como “e”, “ou”, “se... então...”, “se, e somente se,” e “não”.
Por exemplo:
• 2 < 1 ou 7 <> 4
• Se Pedro é estudante, então lê livros.
• Pedro é inteligente se, e somente se, estuda.
• O sol é quadrado e a neve é branca.
• O computador não é barato.
Agora é a sua vez!
3. Considerando que a = 4, b = 5 e c = 2, discuta com seu colega qual é o valor lógico resultante (V ou F)
de cada proposição abaixo:
a. a >= c
b. b < a
c. c – (b + a) >= (c * b)
12
Proposições
Uma proposição é uma construção (sentença, frase, pensamento) à qual se pode
atribuir juízo. No caso da lógica matemática, o tipo de juízo é o verdadeiro-falso, ou
seja, o interesse é na “verdade” das proposições. Em informática, o valor lógico (V) é
representado pelo número (1), e o valor lógico (F), pelo número (0).
93 Lógicas Analítica, Crítica e Proposições UNIDADE 2
Proposições Simples PARTE 4
M
at
em
át
ic
a
ap
lic
ad
a
à
in
fo
rm
át
ic
a
14
Operadores lógicos
As variáveis proposicionais são representadas por letras minúsculas para indicar as
proposições simples.
Por exemplo:
p: A taxa de juros é alta.
q: O computador é caro.
Agora, considerando as proposições simples dadas acima, observe no Quadro 1.5
as representações simbólicas das proposições.
Agora é a sua vez!
4. Considerando que a = 4, b = 5 e c = 2, apresente o valor de x. Se (a > b) ou (c < a), então x = b + (a/c),
senão x = 10.
Quadro 1.5 Representações simbólicas das proposições
Proposição Conetivo
Linguagem
simbólica
A taxa de juros não é alta.
O computador não é caro.
negação
~p
~q
A taxa de juros é alta e o computador
é caro.
conjunção p q
A taxa de juros é alta ou o computador
é caro.
disjunção p q
Se a taxa de juros é alta, então o computador
é caro.
condicional p ��q
O computador é caro se, e somente se, a taxa
de juros é alta.
bicondicional q ��p
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
3
Relações Envolvendo Proposições
Prezado(a) estudante
Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem
foram organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um
conteúdo completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize
as atividades e tire suas dúvidas com os tutores. Desta forma, você com certeza
alcançará os objetivos propostos para essa disciplina.
OBJETIVO GERAL
Definir proposições compostas, as relações entre elas e o processo de
dedução.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Diferenciar proposições simples e compostas.
• Aplicar os conceitos de implicação e equivalência lógica.
• Desenvolver uma demonstração utilizando dedução.
unidade
3
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 1
Proposições Compostas
LÓGICA MATEMÁTICA 98
Lógica e Cálculo Proposicional
Capítulo 4
4.1 INTRODUÇÃO
Muitos algoritmos e demonstrações usam expressões lógicas como:
“SE p ENTÃO q” ou “SE p1 e p2, ENTÃO q1 OU q2”
Logo, é necessário conhecer os casos nos quais essas expressões são VERDADEIRAS ou FALSAS, ou seja, saber
o “valor verdade” de taisexpressões. Discutimos essas questões neste capítulo.†
Também investigamos o valor verdade de afirmações quantificadas, as quais são expressões que empregam os
quantificadores lógicos “para todo” e “existe”.‡
4.2 PROPOSIÇÕES E SENTENÇAS COMPOSTAS
Uma proposição (ou sentença) é uma afirmação declarativa que é verdadeira ou falsa, mas não ambas. Considere,
por exemplo, os seis itens a seguir:
(i) Gelo flutua na água. (iii) 2 + 2 = 4 (v) Aonde você está indo?
(ii) A China é na Europa. (iv) 2 + 2 = 5 (vi) Faça seu tema de casa.
Os quatro primeiros são proposições. Os dois últimos não. Além disso, (i) e (iii) são verdadeiras, mas (ii) e (iv) são
falsas.
Proposições compostas
Muitas proposições são compostas, isto é, formadas por subproposições e vários conectivos discutidos a seguir.
Tais sentanças são chamadas de proposições compostas. Uma proposição é denominada primitiva se não puder ser
decomposta em proposições mais simples, ou seja, se não for composta.
Por exemplo, as proposições acima, de (i) a (iv), são primitivas. Por outro lado, as duas proposições a seguir
são compostas:
“Rosas são vermelhas e violetas são azuis.” e “John é esperto ou ele estuda todas as noites.”
† N. de T.: É importante observar que os autores estão seguindo uma abordagem meramente intuitiva para o cálculo proposi-
cional clássico. Do ponto de vista da lógica matemática, o objetivo do cálculo proposicional não é estabelecer o “valor verdade”
de expressões.
‡ N. de T.: Normalmente o estudo de quantificadores se faz no cálculo de predicados de primeira ordem e não no cálculo pro-
posicional.
Lógica e Cálculo Proposicional
Capítulo 4
4.1 INTRODUÇÃO
Muitos algoritmos e demonstrações usam expressões lógicas como:
“SE p ENTÃO q” ou “SE p1 e p2, ENTÃO q1 OU q2”
Logo, é necessário conhecer os casos nos quais essas expressões são VERDADEIRAS ou FALSAS, ou seja, saber
o “valor verdade” de tais expressões. Discutimos essas questões neste capítulo.†
Também investigamos o valor verdade de afirmações quantificadas, as quais são expressões que empregam os
quantificadores lógicos “para todo” e “existe”.‡
4.2 PROPOSIÇÕES E SENTENÇAS COMPOSTAS
Uma proposição (ou sentença) é uma afirmação declarativa que é verdadeira ou falsa, mas não ambas. Considere,
por exemplo, os seis itens a seguir:
(i) Gelo flutua na água. (iii) 2 + 2 = 4 (v) Aonde você está indo?
(ii) A China é na Europa. (iv) 2 + 2 = 5 (vi) Faça seu tema de casa.
Os quatro primeiros são proposições. Os dois últimos não. Além disso, (i) e (iii) são verdadeiras, mas (ii) e (iv) são
falsas.
Proposições compostas
Muitas proposições são compostas, isto é, formadas por subproposições e vários conectivos discutidos a seguir.
Tais sentanças são chamadas de proposições compostas. Uma proposição é denominada primitiva se não puder ser
decomposta em proposições mais simples, ou seja, se não for composta.
Por exemplo, as proposições acima, de (i) a (iv), são primitivas. Por outro lado, as duas proposições a seguir
são compostas:
“Rosas são vermelhas e violetas são azuis.” e “John é esperto ou ele estuda todas as noites.”
† N. de T.: É importante observar que os autores estão seguindo uma abordagem meramente intuitiva para o cálculo proposi-
cional clássico. Do ponto de vista da lógica matemática, o objetivo do cálculo proposicional não é estabelecer o “valor verdade”
de expressões.
‡ N. de T.: Normalmente o estudo de quantificadores se faz no cálculo de predicados de primeira ordem e não no cálculo pro-
posicional.
MATEMÁTICA DISCRETA70
A propriedade fundamental de uma proposição composta é que seu valor verdade é completamente determi-
nado pelos valores verdade de suas subproposições, junto com a maneira como elas são conectadas para
formar as proposições compostas. A seção a seguir explora alguns desses conectivos.
4.3 OPERAÇÕES LÓGICAS BÁSICAS
Esta seção discute as três operações lógicas básicas de conjunção, disjunção e negação, as quais correspondem,
respectivamente, às palavras “e”, “ou” e “não”.
Conjunção, p ∧ q
Quaisquer duas proposições podem ser combinadas pela palavra “e” para formar uma proposição composta chama-
da de conjunção das proposições originais. Simbolicamente,
p ∧ q
que se lê “p e q”, denota a conjunção de p e q. Como p ∧ q é uma proposição, ela tem um valor verdade que depen-
de apenas dos valores verdade de p e q. Especificamente:
Definição 4.1: Se p e q são verdadeiras, então p ∧ q é verdadeira; caso contrário, p ∧ q é falsa.
O valor verdade de p ∧ q pode ser definido equivalentemente pela tabela na Fig. 4-1(a). Aqui a primeira linha
é uma maneira abreviada de dizer que se p é verdadeira e q é verdadeira, então p ∧ q é verdadeira. A segunda linha
diz que se p é verdadeira e q é falsa, então p ∧ q é falsa. E assim por diante. Observe que há quatro linhas corres-
pondentes às quatro possíveis combinações de V e F para as duas subproposições p e q. Note que p ∧ q é verdadei-
ra apenas quando p e q são ambas verdadeiras.
p e q p ou q não p
Figura 4-1
Exemplo 4.1 Considere as quatro proposições a seguir:
(i) Gelo flutua na água e 2 + 2 = 4. (iii) China é na Europa e 2 + 2 = 4.
(ii) Gelo flutua na água e 2 + 2 = 5. (iv) China é na Europa e 2 + 2 = 5.
Apenas a primeira é verdadeira. As outras são falsas, pois pelo menos uma de suas subproposições é falsa.
Disjunção, p ∨ q
Duas proposições quaisquer podem ser combinadas pela palavra “ou” para formar uma proposição composta cha-
mada de disjunção das proposições originais. Simbolicamente,
p ∨ q
que se lê “p ou q”, denota a disjunção de p e q. O valor verdade de p ∨ q depende apenas dos valores verdade de p
e q como se segue.
99 Relações Envolvendo Proposições UNIDADE 3
Proposições Compostas PARTE 1
MATEMÁTICA DISCRETA70
A propriedade fundamental de uma proposição composta é que seu valor verdade é completamente determi-
nado pelos valores verdade de suas subproposições, junto com a maneira como elas são conectadas para
formar as proposições compostas. A seção a seguir explora alguns desses conectivos.
4.3 OPERAÇÕES LÓGICAS BÁSICAS
Esta seção discute as três operações lógicas básicas de conjunção, disjunção e negação, as quais correspondem,
respectivamente, às palavras “e”, “ou” e “não”.
Conjunção, p ∧ q
Quaisquer duas proposições podem ser combinadas pela palavra “e” para formar uma proposição composta chama-
da de conjunção das proposições originais. Simbolicamente,
p ∧ q
que se lê “p e q”, denota a conjunção de p e q. Como p ∧ q é uma proposição, ela tem um valor verdade que depen-
de apenas dos valores verdade de p e q. Especificamente:
Definição 4.1: Se p e q são verdadeiras, então p ∧ q é verdadeira; caso contrário, p ∧ q é falsa.
O valor verdade de p ∧ q pode ser definido equivalentemente pela tabela na Fig. 4-1(a). Aqui a primeira linha
é uma maneira abreviada de dizer que se p é verdadeira e q é verdadeira, então p ∧ q é verdadeira. A segunda linha
diz que se p é verdadeira e q é falsa, então p ∧ q é falsa. E assim por diante. Observe que há quatro linhas corres-
pondentes às quatro possíveis combinações de V e F para as duas subproposições p e q. Note que p ∧ q é verdadei-
ra apenas quando p e q são ambas verdadeiras.
p e q p ou q não p
Figura 4-1
Exemplo 4.1 Considere as quatro proposições a seguir:
(i) Gelo flutua na água e 2 + 2 = 4. (iii) China é na Europa e 2 + 2 = 4.
(ii) Gelo flutua na água e 2 + 2 = 5. (iv) China é na Europa e 2 + 2 = 5.
Apenas a primeira é verdadeira. As outras são falsas, pois pelo menos uma de suas subproposições é falsa.
Disjunção, p ∨ q
Duas proposições quaisquer podem ser combinadas pela palavra “ou” para formar uma proposição composta cha-
mada de disjunção das proposições originais. Simbolicamente,
p ∨ q
que se lê “p ou q”, denota a disjunção de p e q. O valor verdade de p ∨ q depende apenas dos valores verdade de p
e q como sesegue.
CAPÍTULO 4 • LÓGICA E CÁLCULO PROPOSICIONAL 71
Definição 4.2: Se p e q são falsas, então p ∨ q é falsa; caso contrário, p ∨ q é verdadeira.
O valor verdade de p ∨ q pode ser definido equivalentemente pela tabela na Fig. 4-1(b). Observe que p ∨ q é
falsa apenas no quarto caso, quando p e q são ambas falsas.
Exemplo 4.2 Considere as quatro sentenças a seguir:
(i) Gelo flutua na água ou 2 + 2 = 4. (iii) China é na Europa ou 2 + 2 = 4.
(ii) Gelo flutua na água ou 2 + 2 = 5. (iv) China é na Europa ou 2 + 2 = 5.
Apenas a última sentença (iv) é falsa. As outras são verdadeiras, uma vez que pelo menos uma de suas subsentenças
é verdadeira.
Observação: A palavra “ou” é comumente usada de duas maneiras distintas em português. Às vezes, é empregada
no sentido de “p ou q, ou ambas”, ou seja, pelo menos uma das duas alternativas acontece; e, às vezes, é usada no
sentido de “p ou q, mas não ambas”, isto é, somente uma das alternativas ocorre. Por exemplo, a afirmação “Ele irá
para Harvard ou Yale” utiliza “ou” no último sentido, chamado eventualmente de disjunção exclusiva. A menos que
seja estabelecido o contrário, “ou” deve ser empregado no primeiro sentido. Essa discussão aponta para a precisão
conquistada em nossa linguagem simbólica: p ∨ q é definida por sua tabela verdade e sempre significa “p e/ou q”.
Negação, ¬ p
Dada qualquer sentença p, outra sentença, chamada de negação de p, pode ser formada escrevendo-se “Não é ver-
dade que . . .” ou “É falso que . . .” antes de p ou, se possível, inserindo em p a palavra “não”. Simbolicamente, a
negação de p, que se lê “não p ”, é denotada por
¬ p
O valor verdade de ¬ p depende do valor verdade de p como se segue:
Definição 4.3: Se p é verdadeira, então ¬ p é falsa; e se p é falsa, então ¬ p é verdadeira.
O valor verdade de ¬ p pode ser definido equivalentemente pela tabela da Fig. 4-1(c). Assim, o valor verdade
da negação de p é sempre o oposto do valor verdade de p.
Exemplo 4.3 Considere as seis sentenças a seguir:
(a1) Gelo flutua na água. (a2) É falso que gelo flutua na água. (a3) Gelo não flutua na água.
(b1) 2 + 2 = 5 (b2) É falso que 2 + 2 = 5. (b3) 2 + 2 �= 5
Então, tanto (a2) quanto (a3) são a negação de (a1); e tanto (b2) quanto (b3) são a negação de (b1). Como (a1) é
verdadeira, (a2) e (a3) são falsas; e como (b1) é falsa, (b2) e (b3) são verdadeiras.
Observação: A notação lógica para os conectivos “e”, “ou” e “não” não é completamente padronizada. Por exem-
plo, alguns textos usam:
ou
ou
4.4 PROPOSIÇÕES E TABELAS VERDADE
Seja P( p, q, . . .) uma expressão construída a partir de variáveis lógicas p, q, . . ., que assumem o valor VERDA-
DEIRO (V) OU FALSO (F), e a partir dos conectivos lógicos ∧, ∨ e ¬ (bem como outros discutidos adiante). Tal
expressão é chamada de proposição.
A principal propriedade de uma proposição P( p, q, . . .) é que seu valor verdade depende exclusivamente dos
valores verdade de suas variáveis, ou seja, o valor verdade de uma proposição é determinado, uma vez que o valor
LÓGICA MATEMÁTICA 100
CAPÍTULO 4 • LÓGICA E CÁLCULO PROPOSICIONAL 71
Definição 4.2: Se p e q são falsas, então p ∨ q é falsa; caso contrário, p ∨ q é verdadeira.
O valor verdade de p ∨ q pode ser definido equivalentemente pela tabela na Fig. 4-1(b). Observe que p ∨ q é
falsa apenas no quarto caso, quando p e q são ambas falsas.
Exemplo 4.2 Considere as quatro sentenças a seguir:
(i) Gelo flutua na água ou 2 + 2 = 4. (iii) China é na Europa ou 2 + 2 = 4.
(ii) Gelo flutua na água ou 2 + 2 = 5. (iv) China é na Europa ou 2 + 2 = 5.
Apenas a última sentença (iv) é falsa. As outras são verdadeiras, uma vez que pelo menos uma de suas subsentenças
é verdadeira.
Observação: A palavra “ou” é comumente usada de duas maneiras distintas em português. Às vezes, é empregada
no sentido de “p ou q, ou ambas”, ou seja, pelo menos uma das duas alternativas acontece; e, às vezes, é usada no
sentido de “p ou q, mas não ambas”, isto é, somente uma das alternativas ocorre. Por exemplo, a afirmação “Ele irá
para Harvard ou Yale” utiliza “ou” no último sentido, chamado eventualmente de disjunção exclusiva. A menos que
seja estabelecido o contrário, “ou” deve ser empregado no primeiro sentido. Essa discussão aponta para a precisão
conquistada em nossa linguagem simbólica: p ∨ q é definida por sua tabela verdade e sempre significa “p e/ou q”.
Negação, ¬ p
Dada qualquer sentença p, outra sentença, chamada de negação de p, pode ser formada escrevendo-se “Não é ver-
dade que . . .” ou “É falso que . . .” antes de p ou, se possível, inserindo em p a palavra “não”. Simbolicamente, a
negação de p, que se lê “não p ”, é denotada por
¬ p
O valor verdade de ¬ p depende do valor verdade de p como se segue:
Definição 4.3: Se p é verdadeira, então ¬ p é falsa; e se p é falsa, então ¬ p é verdadeira.
O valor verdade de ¬ p pode ser definido equivalentemente pela tabela da Fig. 4-1(c). Assim, o valor verdade
da negação de p é sempre o oposto do valor verdade de p.
Exemplo 4.3 Considere as seis sentenças a seguir:
(a1) Gelo flutua na água. (a2) É falso que gelo flutua na água. (a3) Gelo não flutua na água.
(b1) 2 + 2 = 5 (b2) É falso que 2 + 2 = 5. (b3) 2 + 2 �= 5
Então, tanto (a2) quanto (a3) são a negação de (a1); e tanto (b2) quanto (b3) são a negação de (b1). Como (a1) é
verdadeira, (a2) e (a3) são falsas; e como (b1) é falsa, (b2) e (b3) são verdadeiras.
Observação: A notação lógica para os conectivos “e”, “ou” e “não” não é completamente padronizada. Por exem-
plo, alguns textos usam:
ou
ou
4.4 PROPOSIÇÕES E TABELAS VERDADE
Seja P( p, q, . . .) uma expressão construída a partir de variáveis lógicas p, q, . . ., que assumem o valor VERDA-
DEIRO (V) OU FALSO (F), e a partir dos conectivos lógicos ∧, ∨ e ¬ (bem como outros discutidos adiante). Tal
expressão é chamada de proposição.
A principal propriedade de uma proposição P( p, q, . . .) é que seu valor verdade depende exclusivamente dos
valores verdade de suas variáveis, ou seja, o valor verdade de uma proposição é determinado, uma vez que o valor
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
3
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 2
Relações de Equivalência
e Implicação Lógica
LÓGICA MATEMÁTICA 102
1.2 Equivalências Proposicionais
Introdução
Um importante tipo de passo usado na argumentação matemática é a substituição de uma propo-
sição por outra com o mesmo valor-verdade. Por esse motivo, métodos que produzem proposi-
ções com o mesmo valor-verdade que uma dada proposição composta são usados largamente na
construção de argumentos matemáticos. Note que vamos usar o termo “proposições compostas”
para nos referir a uma expressão formada a partir de variáveis proposicionais que utilizam opera-
dores lógicos, tais como p q.
Começaremos nossa discussão com a classicação de proposições compostas de acordo com
seus possíveis valores-verdade.
DEFINIÇÃO 1 Uma proposição composta que é sempre verdadeira, qualquer que sejam os valores-verda-
de das proposições que ocorrem nela, é chamada de tautologia. Uma proposição compos-
ta que é sempre falsa, qualquer que seja o valor-verdade das proposições que a compõem,
é chamada de contradição. Uma proposição composta que não é nem tautologia nem con-
tradição é chamada de contingência.
Tautologias e contradições são muito importantes no raciocínio matemático. O Exemplo 1 ilustra
esses tipos de proposições compostas.
1-21 1.2 Equivalências Proposicionais 21
22 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-22
TABELA 2 Leis de De
Morgan.
p q) p q
p q) p q
EXEMPLO 1 Podemos construir exemplos de tautologias e contradições usando apenas uma variável proposi-
cional. Considere a tabela-verdade de p p e p p, mostrada na Tabela 1. Como p p é
sempre verdadeira, é uma tautologia. Como p p é sempre falsa, é uma contradição. ◄
Equivalências Lógicas
Proposições compostas que têm o mesmo valor-verdadeem todos os possíveis casos são chama-
das de logicamente equivalentes. Podemos denir esta noção como se segue.
DEFINIÇÃO 2 As proposições compostas p e q são chamadas de logicamente equivalentes se p ↔ q é uma
tautologia. A notação p ≡ q indica que p e q são logicamente equivalentes.
Lembre-se: O símbolo ≡ não é um conectivo lógico e p ≡ q não é uma proposição composta,
apenas quer dizer que p ↔ q é uma tautologia. O símbolo é usado freqüentemente no lugar de
≡ para indicar equivalências lógicas.
Uma maneira de determinar quando duas proposições compostas são equivalentes é usar a
tabela-verdade. Em particular, as proposições compostas p e q são equivalentes se e somente se
as colunas que fornecem seus valores-verdade são idênticas. O Exemplo 2 ilustra esse método
para estabelecer uma importantíssima e muito usada equivalência lógica: (p q) é o mesmo
que p q. Essa equivalência lógica é uma das duas leis de De Morgan, mostrada na Tabela
2, demonstradas pelo matemático inglês Augustus De Morgan, na metade do século XIX.
EXEMPLO 2 Mostre que (p q) e p q são logicamente equivalentes.
Solução: As tabelas-verdade dessas proposições compostas estão na Tabela 3. Como os valores-
verdade (p q) e p q coincidem para todas as possibilidades de combinações de valo-
res-verdade de p e q, segue-se que (p q) ↔ ( p q) é uma tautologia e, portanto, essas
proposições compostas são logicamente equivalentes. ◄
TABELA 3 Tabelas-Verdade para (p q) e p q.
p q p q (p q) p q p q
V
V
F
F
V
F
V
F
V
V
V
F
F
F
F
V
F
F
V
V
F
V
F
V
F
F
F
V
Demo
Exemplos
Extras
TABELA 1 Exemplos de uma Tautologia e
de uma Contradição.
p p p p p p
V
F
F
V
V
V
F
F
103 Relações Envolvendo Proposições UNIDADE 3
Relações de Equivalência e Implicação Lógica PARTE 2
22 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-22
TABELA 2 Leis de De
Morgan.
p q) p q
p q) p q
EXEMPLO 1 Podemos construir exemplos de tautologias e contradições usando apenas uma variável proposi-
cional. Considere a tabela-verdade de p p e p p, mostrada na Tabela 1. Como p p é
sempre verdadeira, é uma tautologia. Como p p é sempre falsa, é uma contradição. ◄
Equivalências Lógicas
Proposições compostas que têm o mesmo valor-verdade em todos os possíveis casos são chama-
das de logicamente equivalentes. Podemos denir esta noção como se segue.
DEFINIÇÃO 2 As proposições compostas p e q são chamadas de logicamente equivalentes se p ↔ q é uma
tautologia. A notação p ≡ q indica que p e q são logicamente equivalentes.
Lembre-se: O símbolo ≡ não é um conectivo lógico e p ≡ q não é uma proposição composta,
apenas quer dizer que p ↔ q é uma tautologia. O símbolo é usado freqüentemente no lugar de
≡ para indicar equivalências lógicas.
Uma maneira de determinar quando duas proposições compostas são equivalentes é usar a
tabela-verdade. Em particular, as proposições compostas p e q são equivalentes se e somente se
as colunas que fornecem seus valores-verdade são idênticas. O Exemplo 2 ilustra esse método
para estabelecer uma importantíssima e muito usada equivalência lógica: (p q) é o mesmo
que p q. Essa equivalência lógica é uma das duas leis de De Morgan, mostrada na Tabela
2, demonstradas pelo matemático inglês Augustus De Morgan, na metade do século XIX.
EXEMPLO 2 Mostre que (p q) e p q são logicamente equivalentes.
Solução: As tabelas-verdade dessas proposições compostas estão na Tabela 3. Como os valores-
verdade (p q) e p q coincidem para todas as possibilidades de combinações de valo-
res-verdade de p e q, segue-se que (p q) ↔ ( p q) é uma tautologia e, portanto, essas
proposições compostas são logicamente equivalentes. ◄
TABELA 3 Tabelas-Verdade para (p q) e p q.
p q p q (p q) p q p q
V
V
F
F
V
F
V
F
V
V
V
F
F
F
F
V
F
F
V
V
F
V
F
V
F
F
F
V
Demo
Exemplos
Extras
TABELA 1 Exemplos de uma Tautologia e
de uma Contradição.
p p p p p p
V
F
F
V
V
V
F
F
TABELA 4 Tabela-Verdade para p q
e p → q.
p q p p q p → q
V
V
F
F
V
F
V
F
F
F
V
V
V
F
V
V
V
F
V
V
EXEMPLO 3 Mostre que p → q e p q são logicamente equivalentes.
Solução: Construímos a tabela-verdade dessas proposições compostas na Tabela 4. Como os
valores-verdade de p q e p → q são idênticos, eles são logicamente equivalentes. ◄
Vamos agora estabelecer uma equivalência lógica entre duas proposições compostas que
envolvem três variáveis proposicionais diferentes p, q e r. Para usar a tabela-verdade estabelecen-
do essa equivalência lógica, precisamos de oito linhas, uma para cada combinação de valores-
verdade dessas três variáveis. Simbolicamente, nós representamos essas combinações listando os
valores de p, q e r, respectivamente. Essas oito combinações de valores-verdade são VVV, VVF,
VFV, VFF, FVV, FVF, FFV e FFF; usaremos essa ordem quando montarmos as linhas da tabela-
verdade. Note que precisamos do dobro de linhas de que precisávamos quando tínhamos duas
variáveis proposicionais; essa relação continua sendo válida para cada nova variável proposicio-
nal que venha a ser adicionada, então precisaremos de 16 linhas para estabelecer a equivalência
entre duas proposições compostas com quatro variáveis proposicionais, e assim sucessivamente.
Em geral, 2n linhas são necessárias quando temos n variáveis proposicionais.
EXEMPLO 4 Mostre que p (q r) e (p q) (p r) são logicamente equivalentes. Essa é a propriedade
distributiva da disjunção sobre a conjunção.
Solução: Construímos a tabela-verdade para essas duas proposições compostas na Tabela 5.
Como os valores-verdade de p (q r) e (p q) (p r) são iguais, essas proposições são
logicamente equivalentes. ◄
TABELA 5 Uma Demonstração de que p (q r) e (p q) (p r) São Logicamente
Equivalentes.
p q r q r p (q r) p q p r (p q) (p r)
V
V
V
V
F
F
F
F
V
V
F
F
V
V
F
F
V
F
V
F
V
F
V
F
V
F
F
F
V
F
F
F
V
V
V
V
V
F
F
F
V
V
V
V
V
V
F
F
V
V
V
V
V
F
V
F
V
V
V
V
V
F
F
F
1-23 1.2 Equivalências Proposicionais 23
LÓGICA MATEMÁTICA 104
TABELA 4 Tabela-Verdade para p q
e p → q.
p q p p q p → q
V
V
F
F
V
F
V
F
F
F
V
V
V
F
V
V
V
F
V
V
EXEMPLO 3 Mostre que p → q e p q são logicamente equivalentes.
Solução: Construímos a tabela-verdade dessas proposições compostas na Tabela 4. Como os
valores-verdade de p q e p → q são idênticos, eles são logicamente equivalentes. ◄
Vamos agora estabelecer uma equivalência lógica entre duas proposições compostas que
envolvem três variáveis proposicionais diferentes p, q e r. Para usar a tabela-verdade estabelecen-
do essa equivalência lógica, precisamos de oito linhas, uma para cada combinação de valores-
verdade dessas três variáveis. Simbolicamente, nós representamos essas combinações listando os
valores de p, q e r, respectivamente. Essas oito combinações de valores-verdade são VVV, VVF,
VFV, VFF, FVV, FVF, FFV e FFF; usaremos essa ordem quando montarmos as linhas da tabela-
verdade. Note que precisamos do dobro de linhas de que precisávamos quando tínhamos duas
variáveis proposicionais; essa relação continua sendo válida para cada nova variável proposicio-
nal que venha a ser adicionada, então precisaremos de 16 linhas para estabelecer a equivalência
entre duas proposições compostas com quatro variáveis proposicionais, e assim sucessivamente.
Em geral, 2n linhas são necessárias quando temos n variáveis proposicionais.
EXEMPLO 4 Mostre que p (q r) e (p q) (p r) são logicamente equivalentes. Essa é a propriedade
distributiva da disjunção sobre a conjunção.
Solução: Construímos a tabela-verdade para essas duas proposições compostas na Tabela 5.
Como os valores-verdade de p (q r) e (p q) (p r) são iguais, essas proposições são
logicamente equivalentes. ◄
TABELA 5 Uma Demonstração de que p (q r) e (p q) (p r) São Logicamente
Equivalentes.
p q r q r p (q r) p q p r (p q) (p r)
V
V
V
V
F
F
F
F
V
V
F
F
V
V
F
F
V
F
V
F
V
F
V
F
V
F
F
FV
F
F
F
V
V
V
V
V
F
F
F
V
V
V
V
V
V
F
F
V
V
V
V
V
F
V
F
V
V
V
V
V
F
F
F
1-23 1.2 Equivalências Proposicionais 23
1.5 Regras de Inferência
Introdução
Mais adiante, neste capítulo, vamos estudar demonstrações. Demonstrações em matemática são
argumentos válidos que estabelecem a veracidade das sentenças matemáticas. Por um argumen-
to, entendemos uma seqüência de sentenças que terminam com uma conclusão e, por válido, que
uma conclusão, ou a sentença nal do argumento, deve seguir o valor-verdade das sentenças
precedentes, ou premissas, do argumento. Ou seja, um argumento é válido se e somente se for
impossível que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa. Para deduzir novas
sentenças de sentenças que já temos, usamos regras de inferência, as quais são moldes para cons-
trução de argumentos válidos. Regras de inferência são nossas ferramentas básicas para o estabe-
lecimento do valor-verdade das sentenças.
Antes de estudarmos demonstrações matemáticas, vamos olhar para argumentos que envol-
vem apenas proposições compostas. Vamos denir o que signica um argumento ser válido quan-
do envolve proposições compostas. Então, vamos introduzir um conjunto de regras de inferência
de lógica proposicional. Essas regras de inferência são o mais importante ingrediente na produ-
ção de argumentos válidos. Depois de ilustrar como as regras de inferência são utilizadas para
produzir argumentos válidos, vamos descrever algumas formas comuns de raciocínio incorreto,
chamadas de falácias, que nos levam a argumentos inválidos.
Depois de estudar as regras de inferência em lógica proposicional, vamos introduzir regras
de inferência para sentenças quanticadas. Vamos descrever como essas regras de inferência
podem ser utilizadas para produzir argumentos válidos. Essas regras de inferência para sentenças
que envolvem quanticadores universal e existencial representam importante papel em demons-
trações em ciência da computação e matemática, embora elas sejam sempre utilizadas sem serem
explicitamente mencionadas.
Finalmente, vamos mostrar como regras de inferência para sentenças proposicionais e quan-
ticacionais podem ser combinadas. Essas combinações são freqüentemente utilizadas em argu-
mentos complicados.
Argumentos Válidos em Lógica Proposicional
Considere o seguinte argumento que envolve proposições (o qual, por denição, é uma seqüência
de proposições):
“Se você tem uma senha atualizada, então você pode entrar na rede.”
“Você tem uma senha atualizada.”
Portanto,
“Você pode entrar na rede.”
Gostaríamos de determinar quando este argumento é válido. Ou seja, gostaríamos de deter-
minar se a conclusão “Você pode entrar na rede” deve ser verdadeira quando as premissas “Se
você tem uma senha atualizada, então você pode entrar na rede” e “Você tem uma senha atuali-
zada” também forem ambas verdadeiras.
Antes de discutir a validade deste argumento particular, vamos olhar para sua forma. Use p
para representar “Você tem uma senha atualizada” e q para representar “Você pode entrar na
rede”. Então, o argumento tem a forma
p → q
p
q
em que é o símbolo para indicar “portanto”.
1-63 1.5 Regras de Inferência 63
105 Relações Envolvendo Proposições UNIDADE 3
Relações de Equivalência e Implicação Lógica PARTE 2
1.5 Regras de Inferência
Introdução
Mais adiante, neste capítulo, vamos estudar demonstrações. Demonstrações em matemática são
argumentos válidos que estabelecem a veracidade das sentenças matemáticas. Por um argumen-
to, entendemos uma seqüência de sentenças que terminam com uma conclusão e, por válido, que
uma conclusão, ou a sentença nal do argumento, deve seguir o valor-verdade das sentenças
precedentes, ou premissas, do argumento. Ou seja, um argumento é válido se e somente se for
impossível que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa. Para deduzir novas
sentenças de sentenças que já temos, usamos regras de inferência, as quais são moldes para cons-
trução de argumentos válidos. Regras de inferência são nossas ferramentas básicas para o estabe-
lecimento do valor-verdade das sentenças.
Antes de estudarmos demonstrações matemáticas, vamos olhar para argumentos que envol-
vem apenas proposições compostas. Vamos denir o que signica um argumento ser válido quan-
do envolve proposições compostas. Então, vamos introduzir um conjunto de regras de inferência
de lógica proposicional. Essas regras de inferência são o mais importante ingrediente na produ-
ção de argumentos válidos. Depois de ilustrar como as regras de inferência são utilizadas para
produzir argumentos válidos, vamos descrever algumas formas comuns de raciocínio incorreto,
chamadas de falácias, que nos levam a argumentos inválidos.
Depois de estudar as regras de inferência em lógica proposicional, vamos introduzir regras
de inferência para sentenças quanticadas. Vamos descrever como essas regras de inferência
podem ser utilizadas para produzir argumentos válidos. Essas regras de inferência para sentenças
que envolvem quanticadores universal e existencial representam importante papel em demons-
trações em ciência da computação e matemática, embora elas sejam sempre utilizadas sem serem
explicitamente mencionadas.
Finalmente, vamos mostrar como regras de inferência para sentenças proposicionais e quan-
ticacionais podem ser combinadas. Essas combinações são freqüentemente utilizadas em argu-
mentos complicados.
Argumentos Válidos em Lógica Proposicional
Considere o seguinte argumento que envolve proposições (o qual, por denição, é uma seqüência
de proposições):
“Se você tem uma senha atualizada, então você pode entrar na rede.”
“Você tem uma senha atualizada.”
Portanto,
“Você pode entrar na rede.”
Gostaríamos de determinar quando este argumento é válido. Ou seja, gostaríamos de deter-
minar se a conclusão “Você pode entrar na rede” deve ser verdadeira quando as premissas “Se
você tem uma senha atualizada, então você pode entrar na rede” e “Você tem uma senha atuali-
zada” também forem ambas verdadeiras.
Antes de discutir a validade deste argumento particular, vamos olhar para sua forma. Use p
para representar “Você tem uma senha atualizada” e q para representar “Você pode entrar na
rede”. Então, o argumento tem a forma
p → q
p
q
em que é o símbolo para indicar “portanto”.
1-63 1.5 Regras de Inferência 63
64 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-64
Sabemos que se p e q são variáveis proposicionais, a sentença ((p → q) p) → q é uma tau-
tologia (veja o Exercício 10(c) na Seção 1.2). Em particular, quando ambos p → q e p são verda-
deiras, sabemos que q também deve ser. Dizemos que essa é uma forma válida de argumento
porque sempre que todas as suas premissas (todas as sentenças do argumento, a não ser a última,
a conclusão) são verdadeiras, a conclusão também deve ser. Agora suponha que ambas “Se você
tem uma senha atualizada, então você pode entrar na rede” e “Você tem uma senha atualizada”
são sentenças verdadeiras. Quando trocamos p por “Você tem uma senha atualizada” e q por
“Você pode entrar na rede”, segue necessariamente que a conclusão “Você pode entrar na rede” é
verdadeira. Esse argumento é válido porque está na forma válida. Note que sempre que substituir-
mos p e q por proposições em que p → q e p são verdadeiras, então q deve ser verdadeira.
O que acontece quando substituímos p e q nessa forma de argumento por proposições tal que
p e p → q não são ambas verdadeiras? Por exemplo, suponha que p represente “Você tem acesso
à rede” e q represente “Você pode mudar suas notas” e p seja verdadeira, mas p → q seja falsa. O
argumento que obtemos substituindo esses valores de p e q na forma do argumento anterior é:
“Se você tem acesso à rede, então você pode mudar suas notas.”
“Você tem acesso à rede.”
“Você pode mudar suas notas.”
O argumento obtido é um argumento válido,mas, como uma das premissas, chamada de primei-
ra premissa, é falsa, não podemos decidir se a conclusão é verdadeira. (Mas parece que essa
conclusão é falsa.)
Em nossa discussão, para analisar um argumento, substituímos as proposições por variáveis
proposicionais. Isso transforma um argumento em uma forma de argumento. Dizemos que a vali-
dade de um argumento segue a validade da forma do argumento. Resumimos a terminologia utili-
zada para discutir a validade de argumentos com nossa denição dessas noções importantes.
DEFINIÇÃO 1 Um argumento em lógica proposicional é uma seqüência de proposições. Todas, menos a
última das proposições, são chamadas de premissas, e a última é chamada de conclusão. Um
argumento é válido se a veracidade das premissas implica que a conclusão seja verdadeira.
Uma forma de argumento em lógica proposicional é a seqüência de proposições compostas
que envolvem variáveis proposicionais. Uma forma de argumento é válida quaisquer que
sejam as proposições substituídas nas variáveis proposicionais em suas sentenças; a conclu-
são é verdadeira se as premissas forem todas verdadeiras.
Da denição de forma de argumento válida, vemos que uma forma de argumento com premis-
sas p1, p2, p3, ... , pn e conclusão q é válida, quando (p1 p2 ... pn) → q é uma tautologia.
A chave para mostrar que um argumento na lógica proposicional é válido é mostrar que
sua forma de argumento é válida. Conseqüentemente, gostaríamos de ter técnicas para mos-
trar que formas de argumentos são válidas. Vamos agora desenvolver métodos para alcançar
esse objetivo.
Regras de Inferência para Lógica Proposicional
Podemos sempre usar uma tabela-verdade para mostrar que uma forma de argumento é válida.
Fazemos isso mostrando que sempre que as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser
verdadeira também. No entanto, esse pode ser um modo um pouco tedioso. Por exemplo, quando
uma forma de argumento envolve 10 variáveis proposicionais diferentes, usar uma tabela-verda-
de para mostrar que esse argumento é válido requer 210 1.024 linhas diferentes. Felizmente, não
LÓGICA MATEMÁTICA 106
64 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-64
Sabemos que se p e q são variáveis proposicionais, a sentença ((p → q) p) → q é uma tau-
tologia (veja o Exercício 10(c) na Seção 1.2). Em particular, quando ambos p → q e p são verda-
deiras, sabemos que q também deve ser. Dizemos que essa é uma forma válida de argumento
porque sempre que todas as suas premissas (todas as sentenças do argumento, a não ser a última,
a conclusão) são verdadeiras, a conclusão também deve ser. Agora suponha que ambas “Se você
tem uma senha atualizada, então você pode entrar na rede” e “Você tem uma senha atualizada”
são sentenças verdadeiras. Quando trocamos p por “Você tem uma senha atualizada” e q por
“Você pode entrar na rede”, segue necessariamente que a conclusão “Você pode entrar na rede” é
verdadeira. Esse argumento é válido porque está na forma válida. Note que sempre que substituir-
mos p e q por proposições em que p → q e p são verdadeiras, então q deve ser verdadeira.
O que acontece quando substituímos p e q nessa forma de argumento por proposições tal que
p e p → q não são ambas verdadeiras? Por exemplo, suponha que p represente “Você tem acesso
à rede” e q represente “Você pode mudar suas notas” e p seja verdadeira, mas p → q seja falsa. O
argumento que obtemos substituindo esses valores de p e q na forma do argumento anterior é:
“Se você tem acesso à rede, então você pode mudar suas notas.”
“Você tem acesso à rede.”
“Você pode mudar suas notas.”
O argumento obtido é um argumento válido, mas, como uma das premissas, chamada de primei-
ra premissa, é falsa, não podemos decidir se a conclusão é verdadeira. (Mas parece que essa
conclusão é falsa.)
Em nossa discussão, para analisar um argumento, substituímos as proposições por variáveis
proposicionais. Isso transforma um argumento em uma forma de argumento. Dizemos que a vali-
dade de um argumento segue a validade da forma do argumento. Resumimos a terminologia utili-
zada para discutir a validade de argumentos com nossa denição dessas noções importantes.
DEFINIÇÃO 1 Um argumento em lógica proposicional é uma seqüência de proposições. Todas, menos a
última das proposições, são chamadas de premissas, e a última é chamada de conclusão. Um
argumento é válido se a veracidade das premissas implica que a conclusão seja verdadeira.
Uma forma de argumento em lógica proposicional é a seqüência de proposições compostas
que envolvem variáveis proposicionais. Uma forma de argumento é válida quaisquer que
sejam as proposições substituídas nas variáveis proposicionais em suas sentenças; a conclu-
são é verdadeira se as premissas forem todas verdadeiras.
Da denição de forma de argumento válida, vemos que uma forma de argumento com premis-
sas p1, p2, p3, ... , pn e conclusão q é válida, quando (p1 p2 ... pn) → q é uma tautologia.
A chave para mostrar que um argumento na lógica proposicional é válido é mostrar que
sua forma de argumento é válida. Conseqüentemente, gostaríamos de ter técnicas para mos-
trar que formas de argumentos são válidas. Vamos agora desenvolver métodos para alcançar
esse objetivo.
Regras de Inferência para Lógica Proposicional
Podemos sempre usar uma tabela-verdade para mostrar que uma forma de argumento é válida.
Fazemos isso mostrando que sempre que as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser
verdadeira também. No entanto, esse pode ser um modo um pouco tedioso. Por exemplo, quando
uma forma de argumento envolve 10 variáveis proposicionais diferentes, usar uma tabela-verda-
de para mostrar que esse argumento é válido requer 210 1.024 linhas diferentes. Felizmente, não
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
3
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 3
Propriedades das Equivalências
e Implicações Lógicas
LÓGICA MATEMÁTICA 108
24 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-24
TABELA 6 Equivalências Lógicas.
Equivalências Nome
p V p
p F p
Propriedades dos elementos neutros
p V V
p F F
Propriedades de dominação
p p p
p p p
Propriedades idempotentes
( p) p Propriedade da dupla negação
p q q p
p q q p
Propriedades comutativas
(p q) r p (q r)
(p q) r p (q r)
Propriedades associativas
p q r) (p q) (p r)
p q r) (p q) p r)
Propriedades distributivas
(p q) p q
(p q) p q
Leis de De Morgan
p (p q) p
p (p q) p
Propriedades de absorção
p p V
p p F
Propriedades de negação
A Tabela 6 contém algumas equivalências importantes.* Nessas equivalências, V indica uma
proposição composta que é sempre verdadeira, uma tautologia, e F indica uma proposição que é
sempre falsa, uma contradição. Nós também mostramos algumas equivalências importantes que
envolvem condicionais e bicondicionais nas tabelas 7 e 8, respectivamente. Ao leitor será pedido
que verique a veracidade dessas equivalências nos exercícios no nal desta seção.
A propriedade associativa para a disjunção mostra que a expressão p q r é bem denida, no
sentido de que tanto faz qual disjunção é considerada primeiro, ou seja, tanto faz se fazemos primeiro
p q e posteriormente a disjunção deste com r, ou se fazemos primeiro a disjunção de q com r e
depois com p. De maneira análoga, p q r também está bem denida. Estendendo esse racio-
cínio, segue-se que p1 p2 pn e p1 p2 pn também são bem denidas sempre que p1,
p2, pn são proposições. Além disso, note que as leis de De Morgan podem ser estendidas para
(p1 p2 pn) ( p1 p2 pn)
e
(p1 p2 pn) ( p1 p2 pn).
(Métodos para demonstrar essas identidades serão analisados na Seção 4.1.)
* Leitores familiarizados com os conceitos de álgebra booleana vão notar que essas identidades são um caso especial de
identidades que valem para qualquer álgebra booleana. Compare-as com o conjunto de identidades da Tabela 1 da Seção
2.2e com as identidades booleanas da Tabela 5 na Seção 11.1.
109 Relações Envolvendo Proposições UNIDADE 3
Propriedades das Equivalências e Implicações Lógicas PARTE 3
Usando as Leis de De Morgan
As duas equivalências lógicas conhecidas como leis de De Morgan são particularmente impor-
tantes. Elas nos mostram como negar conjunções e como negar disjunções. Em particular, a
equivalência (p q) p q nos diz que a negação de uma disjunção é formada tomando
a conjunção das negações das proposições componentes. Similarmente, (p q) p q
nos diz que a negação de uma conjunção é formada tomando a disjunção das negações das pro-
posições componentes. O Exemplo 5 ilustra o uso das leis de De Morgan.
EXEMPLO 5 Use as leis de De Morgan para expressar as negações de “Miguel tem um celular e um laptop” e
“Rodrigo vai ao concerto ou Carlos vai ao concerto”.
Solução: Seja p “Miguel tem um celular” e q “Miguel tem um laptop”. Então, “Miguel tem um
celular e um laptop” pode ser representado por p q. Contudo, pela primeira lei de De Mor-
gan, (p q) é equivalente a p q. Conseqüentemente, podemos expressar a negação de
nossa proposição original por “Miguel não tem um celular ou não tem um laptop”.
TABELA 7 Equivalências Lógicas
que Envolvem Sentenças
Condicionais.
p → q p q
p → q q → p
p q p → q
p q (p → q)
(p → q) p q
(p → q) (p → r) p → (q r)
(p → r) (q → r) (p q) → r
(p → q) (p → r) p → (q r)
(p → r) (q → r) (p q) → r
TABELA 8 Equivalências Lógicas
que Envolvem Bicondicionais.
p ↔ q (p → q) (q → p)
p ↔ q p ↔ q
p ↔ q (p q) ( p q)
(p ↔ q) p ↔ q
Links
AUGUSTUS DE MORGAN (1806–1871) Augustus De Morgan nasceu na Índia, onde seu pai era coronel no exér-
cito indiano. A família De Morgan mudou-se para a Inglaterra quando ele tinha 7 meses de idade. Ele freqüentou esco-
las particulares, onde desenvolveu um grande interesse por matemática na sua juventude. De Morgan estudou na
Universidade de Trinity, em Cambridge, graduando-se em 1827. Embora pensasse em entrar em medicina ou direito,
De Morgan decidiu seguir carreira em matemática. Ele conquistou uma cadeira na Universidade de College, em Lon-
dres, em 1828, mas demitiu-se quando a faculdade despediu um colega sem apresentar as causas para a demissão.
Entretanto, ele retomou essa cadeira em 1836, quando seu sucessor morreu, permanecendo até 1866.
De Morgan foi um professor notável que dava ênfase aos princípios mais que às técnicas. Entre seus estudantes
estão muitos matemáticos famosos, incluindo Augusta Ada, Condessa de Lovelace, que era colaboradora de Charles
Babbage em seu trabalho com máquinas computacionais (veja a página 27 nas notas biográ cas de Augusta Ada). (De Morgan preveniu a
condessa de que estudar matemática em excesso, poderia interferir em suas habilidades maternais!)
De Morgan foi um escritor extremamente prolí co. Escreveu milhares de artigos para mais de 15 periódicos. Também escreveu livros
teóricos sobre muitos assuntos, incluindo lógica, probabilidade, cálculo e álgebra. Em 1838, ele apresentou o que talvez tenha sido a primei-
ra explicação clara de uma importante técnica de demonstração, conhecida como indução matemática (discutida na Seção 4.1 deste livro),
termo que ele cunhou. Na década de 1840, De Morgan fez contribuições fundamentais ao desenvolvimento da lógica simbólica. Ele criou
notações que o ajudaram a provar equivalências proposicionais, assim como as leis que receberam seu nome. Em 1842, De Morgan apresen-
tou o que talvez tenha sido a primeira de nição precisa de limite e o desenvolvimento de alguns testes de convergência de séries in nitas.
De Morgan interessou-se também pela história da matemática, escrevendo biogra as de Newton e Halley.
Em 1837, De Morgan casou-se com Sophia Frend, que escreveu a biogra a do marido em 1882. A pesquisa, a escrita e o ensino de De
Morgan deixaram pouco tempo para ele se dedicar a sua família e vida social. No entanto, ele cou conhecido pela sua bondade, bom humor
e grande inteligência.
1-25 1.2 Equivalências Proposicionais 25
LÓGICA MATEMÁTICA 110
26 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-26
Seja r “Rodrigo vai ao concerto” e s “Carlos vai ao concerto”. Então, “Rodrigo vai ao con-
certo ou Carlos vai ao concerto” pode ser representado por r s. E, pela segunda lei de De Mor-
gan, temos que (r s) é equivalente a r s. Logo, podemos expressar sua negação por
“Rodrigo não vai ao concerto e Carlos não vai ao concerto”. ◄
Construindo Novas Equivalências Lógicas
As equivalências lógicas na Tabela 6, assim como qualquer outra que seja estabelecida (como as
mostradas nas tabelas 7 e 8), podem ser usadas para construir equivalências lógicas adicionais. A
razão para isso é que uma proposição composta pode ser substituída por outra proposição com-
posta que é logicamente equivalente a essa sem mudar o valor-verdade da proposição original.
Essa técnica é ilustrada nos exemplos 6–8, em que também usamos o fato de que se p e q são
logicamente equivalentes e q e r são logicamente equivalentes, então p e r também são logica-
mente equivalentes (veja o Exercício 56).
EXEMPLO 6 Mostre que (p → q) e p q são logicamente equivalentes.
Solução: Podemos usar uma tabela-verdade para mostrar que essas proposições compostas são
equivalentes (como no Exemplo 4). Inclusive, não deve ser difícil fazer isso. No entanto, quere-
mos ilustrar como usar identidades lógicas que já conhecemos para estabelecer novas identidades
lógicas, isso porque esse método tem uma importância prática para estabelecer equivalências de
proposições compostas com um grande número de variáveis. Então, vamos estabelecer essa equi-
valência desenvolvendo uma série de equivalências lógicas, usando uma das equivalências da
Tabela 6 por vez, começando por (p → q) e terminando com p q. Temos, assim, as equiva-
lências a seguir.
(p → q) ( p q) pelo Exemplo 3
( p) q pela segunda lei de De Morgan
p q pela propriedade da dupla negação ◄
EXEMPLO 7 Mostre que (p ( p q)) e p q são logicamente equivalentes desenvolvendo uma série
de equivalências lógicas.
Solução: Vamos usar uma das equivalências da Tabela 6 por vez, começando por (p ( p q))
e terminando com p q. (Nota: Poderíamos estabelecer essa equivalência facilmente usando
tabelas-verdade.) Assim, temos as equivalências a seguir.
(p ( p q)) p ( p q) pela segunda lei de De Morgan
p [ ( p) q] pela primeira lei de De Morgan
p (p q) pela propriedade da dupla negação
( p p) ( p q) pela segunda propriedade distributiva
F ( p q) pois p p F
( p q) F pela propriedade comutativa para disjunções
p q pela propriedade dos elementos neutros para F
Em conseqüência, (p ( p q)) e p q são logicamente equivalentes. ◄
Exemplos
Extras
111 Relações Envolvendo Proposições UNIDADE 3
Propriedades das Equivalências e Implicações Lógicas PARTE 3
EXEMPLO 1 Suponha que a sentença condicional “Se nevar hoje, então eu vou esquiar” e sua hipótese “Está
nevando hoje” são verdadeiras. Então, por modus ponens, segue que a conclusão do condicional
“Vou esquiar” é verdadeira. ◄
Como mencionado anteriormente, um argumento válido pode nos levar a uma conclusão incor-
reta se uma ou mais de suas premissas são falsas. Ilustramos isso, novamente, no Exemplo 2.
EXEMPLO 2 Determine se o argumento dado aqui é válido e se sua conclusão deve ser verdadeira apenas pela
validade do argumento.
“Se 2 3
2 , então 2
2 3
2
2
. Sabemos que 2 3
2 . Conseqüentemente,
2 2
2 3
2
2 9
4 . ”
Solução: Seja p a proposição “ 2 3
2 ” e q a proposição “ 2 3
2
2
”. As premissas do argumen-
to são p → q e p, e q é a conclusão. Esse argumento é válido, pois é construído de acordo com
modus ponens, uma forma válida de argumento. No entanto, uma de suas premissas, 2 3
2 , é
falsa. Conseqüentemente, nãopodemos deduzir que a conclusão seja verdadeira. Nesse caso,
notamos que a conclusão é falsa, pois 2 9
4 . ◄
A Tabela 1 lista as mais importantes regras de inferência para a lógica proposicional. Os
exercícios 9, 10, 15 e 30 na Seção 1.2 pedem vericações de que essas regras de inferência são
formas válidas de argumento. Agora daremos exemplos de argumentos que usam essas regras de
inferência. Em cada argumento, primeiro usaremos variáveis proposicionais para expressar as
proposições no argumento. Depois, mostraremos que a forma resultante de argumento é uma re-
gra da Tabela 1.
EXEMPLO 3 Diga qual regra de inferência é a base do seguinte argumento: “Está esfriando agora. Portanto,
está esfriando ou chovendo agora”.
1-65 1.5 Regras de Inferência 65
66 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-66
TABELA 1 Regras de Inferência.
Regra de Inferência Tautologia Nome
p
p → q
q
[p (p → q)] → q Modus ponens
q
p → q
p
[ q (p → q)] → p Modus tollens
p → q
q → r
p → r
[(p → q) (q → r)] → (p → r) Silogismo hipotético
p q
p
q
[(p q) p] → q Silogismo disjuntivo
p
p q
p → (p q) Adição
p q
p
(p q) → p Simplicação
p
q
p q
[(p) (q)] → (p q) Conjunção
p q
p r
q r
[(p q) ( p r)] → (q r) Resolução
Solução: Seja p a proposição “Está esfriando agora” e q a proposição “Está chovendo agora”.
Então esse argumento é da forma
p
p q
Esse é um argumento que usa a regra da adição. ◄
EXEMPLO 4 Diga qual regra de inferência é a base do seguinte argumento: “Está esfriando e chovendo agora.
Portanto, está esfriando agora”.
Solução: Seja p a proposição “Está esfriando agora” e q a proposição “Está chovendo agora”.
Então, esse argumento é da forma
p q
p
Esse é um argumento que usa a regra da simplicação. ◄
LÓGICA MATEMÁTICA 112
66 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-66
TABELA 1 Regras de Inferência.
Regra de Inferência Tautologia Nome
p
p → q
q
[p (p → q)] → q Modus ponens
q
p → q
p
[ q (p → q)] → p Modus tollens
p → q
q → r
p → r
[(p → q) (q → r)] → (p → r) Silogismo hipotético
p q
p
q
[(p q) p] → q Silogismo disjuntivo
p
p q
p → (p q) Adição
p q
p
(p q) → p Simplicação
p
q
p q
[(p) (q)] → (p q) Conjunção
p q
p r
q r
[(p q) ( p r)] → (q r) Resolução
Solução: Seja p a proposição “Está esfriando agora” e q a proposição “Está chovendo agora”.
Então esse argumento é da forma
p
p q
Esse é um argumento que usa a regra da adição. ◄
EXEMPLO 4 Diga qual regra de inferência é a base do seguinte argumento: “Está esfriando e chovendo agora.
Portanto, está esfriando agora”.
Solução: Seja p a proposição “Está esfriando agora” e q a proposição “Está chovendo agora”.
Então, esse argumento é da forma
p q
p
Esse é um argumento que usa a regra da simplicação. ◄
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
3
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 4
Dedução
LÓGICA MATEMÁTICA 114
1.6 Introdução a Demonstrações
Introdução
Nesta seção, introduziremos a noção de demonstração e descreveremos métodos para a construção de
demonstrações. Uma demonstração é um argumento válido que estabelece a verdade de uma sentença
matemática. Uma demonstração pode usar as hipóteses do teorema, se existirem, axiomas assumidos
com verdade e teoremas demonstrados anteriormente. Usando esses ingredientes e regras de inferên-
cia, o passo nal da demonstração estabelece a verdade da sentença que está sendo demonstrada.
Em nossa discussão, vamos nos mover de demonstrações formais de teoremas até demons-
trações mais informais. Os argumentos que introduzimos na Seção 1.5 para demonstrar que sen-
tenças que envolvem proposições e sentenças quanticadas são verdadeiras sob demonstrações
formais, se todos os passos são dados, e as regras para cada passo do argumento são também
dadas. No entanto, demonstrações formais de teoremas muito comuns podem ser extremamente
longas e difíceis de fazer. Na prática, as demonstrações dos teoremas feitas por humanos são na
sua maioria demonstrações informais, em que mais de uma regra de inferência pode ser utiliza-
da em cada passo, passos podem ser pulados, axiomas são assumidos e as regras de inferência
utilizadas em cada passo não são explicitamente demonstradas. Demonstrações informais podem
explicar aos humanos por que teoremas são verdadeiros, enquanto computadores só se contentam
quando produzem uma demonstração formal usando sistemas de raciocínio automático.
Os métodos de demonstrações discutidos neste capítulo são importantes não só porque são utili-
zados para demonstrar teoremas, mas também pelas muitas aplicações em ciência da computação.
Essas aplicações incluem vericar se programas de computador são corretos, estabelecendo se siste-
mas de operação são seguros, fazendo inferência em inteligência articial, mostrando que sistemas de
especicações são consistentes, e assim por diante. Conseqüentemente, compreender as técnicas uti-
lizadas em demonstrações é essencial tanto para matemática quanto para ciência da computação.
Alguma Terminologia
Formalmente, um teorema é uma sentença que se pode demonstrar que é verdadeira. Em escrita
matemática, o termo teorema é usualmente reservado para as sentenças que são consideradas com
alguma importância. Teoremas menos importantes são comumente chamados de proposições. (Te-
oremas podem ser também referidos como fatos ou resultados.) Um teorema pode ser uma quan-
ticação universal de uma sentença condicional com uma ou mais premissas e uma conclusão. No
entanto, pode ser outro tipo de sentença lógica, como os exemplos vão mostrar, mais tarde, neste
capítulo. Nós demonstramos que um teorema é verdadeiro com uma demonstração. Uma demons-
tração é um argumento válido que estabelece a verdade de um teorema. As sentenças utilizadas na
demonstração podem incluir axiomas (ou postulados), os quais são sentenças que assumimos ser
verdadeiras (por exemplo, veja Apêndice 1 com axiomas para os números reais), as premissas do
teorema, se existirem, e teoremas previamente provados. Axiomas podem ser descritos usando
termos primitivos que não requerem denição, mas todos os outros termos utilizados em teoremas
e suas demonstrações devem ser denidos. Regras de inferência, juntamente com as denições dos
termos, são utilizadas para chegar a conclusões a partir de outras armações, unindo os passos da
demonstração. Na prática, o passo nal de uma demonstração é usualmente a conclusão do teorema.
No entanto, para esclarecer, vamos freqüentemente retomar a sentença do teorema como o passo
nal de uma demonstração.
Um teorema menos importante que nos ajuda em uma demonstração de outros resultados é cha-
mado de lema (plural lemas ou lemata). Demonstrações complicadas são usualmente mais fáceis de
entender quando elas são demonstradas utilizando-se uma série de lemas, em que cada lema é de-
monstrado individualmente. Um corolário é um teorema que pode ser estabelecido diretamente de um
teorema que já foi demonstrado. Uma conjectura é uma sentença que inicialmente é proposta como
verdadeira, usualmente com base em alguma evidência parcial, um argumento heurístico ou a intuição
de um perito. Quando uma demonstração de uma conjectura é achada, a conjectura se torna um teore-
ma. Muitas vezes são vericadas que conjecturas são falsas, portanto elas não são teoremas.
Links
1-75 1.6 Introdução a Demonstrações 75
115 Relações Envolvendo Proposições UNIDADE 3
Dedução PARTE 476 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-76
Entendendo como Teoremas São Descritos
Antes de introduzir métodos para demonstrar teoremas,precisamos entender como teoremas
matemáticos são expostos. Muitos teoremas dizem que essa propriedade é assegurada para todos
os elementos em um domínio, como os inteiros ou os números reais. Embora as sentenças preci-
sas desses teoremas necessitem da inclusão de um quanticador universal, a convenção em ma-
temática é omiti-la. Por exemplo, a sentença
“Se x > y, em que x e y são números reais positivos, então x2 > y2.”
signica que
“Para todos os números reais positivos x e y, se x > y, então x2 > y2.”
Entretanto, quando teoremas desse tipo são demonstrados, a propriedade da instanciação univer-
sal é freqüentemente usada sem ser explicitamente mencionada. O primeiro passo da demons-
tração usualmente envolve selecionar um elemento geral do domínio. Os passos subseqüentes
mostram que esse elemento tem a propriedade em questão. Finalmente, a generalização universal
implica que o teorema é válido para todos os membros do domínio.
Métodos de Demonstrações de Teoremas
Vamos agora mudar nossa atenção para demonstração de teoremas matemáticos. Demonstrar teore-
mas pode ser difícil. Vamos precisar de toda a munição que tivermos para nos ajudar a demons-
trar resultados diferentes. Vamos, então, introduzir uma bateria de métodos de demonstrações
diferentes. Esses métodos podem se tornar parte de nosso repertório para demonstrar teoremas.
Para demonstrar um teorema da forma x (P (x) → Q (x)), nosso objetivo é mostrar que
P (c) → Q (c) é verdadeira, em que c é um elemento arbitrário do domínio, e então aplicar a ge-
neralização universal. Nesta demonstração, precisamos mostrar que uma sentença condicional é
verdadeira. Por isso, focalizaremos métodos que demonstram que condicionais são verdadeiras.
Lembre-se de que p → q é verdadeira, a menos que p seja verdadeira e q seja falsa. Note que para
a sentença p → q ser demonstrada, é necessário apenas mostrar que q é verdadeira se p é verda-
deira. A seguinte discussão nos dará as técnicas mais comuns para demonstrar sentenças condi-
cionais. Mais tarde vamos discutir métodos para demonstrar outros tipos de sentenças. Nesta
seção e na Seção 1.7, vamos desenvolver um arsenal de muitas técnicas diferentes de demonstra-
ção, que podem ser usadas para demonstrar uma grande variedade de teoremas.
Quando você ler demonstrações, encontrará freqüentemente as palavras “obviamente” ou
“claramente”. Essas palavras indicam que passos foram omitidos e que o autor espera que o leitor
seja capaz de fazê-los. Infelizmente, assumir isso nem sempre é interessante, pois os leitores não
são todos capazes de fazer os passos nesses buracos das demonstrações. Vamos assiduamente
tentar não usar essas palavras e não omitir muitos passos. No entanto, se concluirmos todos os
passos em demonstrações, nossas demonstrações serão com freqüência exaustivamente longas.
Demonstrações Diretas
Uma demonstração direta de uma sentença condicional p → q é construída quando o primeiro
passo é assumir que p é verdadeira; os passos subseqüentes são construídos utilizando-se regras
de inferência, com o passo nal mostrando que q deve ser também verdadeira. Uma demonstra-
ção direta mostra que uma sentença condicional p → q é verdadeira mostrando que p é verdadei-
ra, então q deve ser verdadeira, de modo que a combinação p verdadeira e q falsa nunca ocorre.
Em uma demonstração direta, assumimos que p é verdadeira e usamos axiomas, denições e te-
oremas previamente comprovados, junto com as regras de inferência, para mostrar que q deve ser
também verdadeira. Você verá que demonstrações diretas de muitos resultados são construídas de
Exemplos
Extras
Auto-
avaliação
LÓGICA MATEMÁTICA 116
maneira direta, com uma seqüên cia óbvia de passos que levam da hipótese à conclusão. No en-
tanto, demonstrações diretas algumas vezes requerem insights particulares e podem ser bastante
astuciosas. As primeiras demonstrações diretas que vamos apresentar aqui são bastante óbvias;
mais tarde veremos algumas menos óbvias.
Vamos dar muitos exemplos de demonstrações diretas. Mas, antes de darmos o primeiro
exemplo, precisamos de uma denição.
DEFINIÇÃO 1 O inteiro n é par se existe um inteiro k tal que n 2k, e n é ímpar se existe um inteiro k tal que
n 2k 1. (Note que um inteiro é sempre par ou ímpar e nenhum inteiro é par e ímpar.)
EXEMPLO 1 Dê uma demonstração direta do teorema “Se n é um número inteiro ímpar, então n2 é ímpar”.
Solução: Note que este teorema diz nP((n) → Q(n)), em que P(n) é “n é um inteiro ímpar” e
Q(n) é “n2 é ímpar”. Como dissemos, vamos seguir a convenção matemática usual para demons-
trações, mostrando que P(n) implica Q(n), e não usando explicitamente instanciação universal.
Para começar uma demonstração direta desse teorema, vamos assumir que a hipótese dessa sen-
tença condicional é verdadeira, ou seja, assumimos que n é ímpar. Pela denição de número ímpar,
temos que n 2k 1, em que k é algum inteiro. Queremos demonstrar que n2 é também ímpar.
Podemos elevar ao quadrado ambos os membros da equação n 2k 1 para obter uma nova
equação que expresse n2. Quando zermos isso, teremos n2 (2k 1)2 4k2 4k 1
2(2k 2 2k) 1. Pela denição de inteiro ímpar, concluímos que n2 é ímpar (ele é um a mais que
o dobro de um inteiro). Conseqüentemente, provamos que se n é um número inteiro ímpar, então
n2 é ímpar. ◄
EXEMPLO 2 Dê uma demonstração direta de que se m e n são ambos quadrados perfeitos, então nm tam-
bém é um quadrado perfeito. (Um inteiro a é um quadrado perfeito se existe um inteiro b
tal que a b2.)
Solução: Para produzir uma demonstração direta desse teorema, assumimos que a hipótese dessa
condicional é verdadeira, ou seja, assumimos que m e n são ambos quadrados perfeitos. Pela
denição de quadrado perfeito, segue-se que existem inteiros s e t tal que m s2 e n t2. O ob-
jetivo da demonstração é mostrar que mn também deve ser um quadrado perfeito quando m e n o
são; olhando adiante, vemos como podemos mostrar isto apenas multiplicando as duas equações
m s2 e n t2. Isso mostra que mn s2t2, o que implica que mn (st)2 (usando comutatividade
e associatividade da multiplicação). Pela denição de quadrado perfeito, segue que mn também
é um quadrado perfeito, pois é o quadrado de st, o qual também é um inteiro. Demonstramos que
se m e n são ambos quadrados perfeitos, então mn também é um quadrado perfeito.
Demonstração por Contraposição
Demonstrações diretas vão da hipótese do teorema à sua conclusão. Elas começam com as premis-
sas, continuam com uma seqüência de deduções e com a conclusão. No entanto, vamos ver que
tentar fazer demonstrações diretas freqüentemente não tem um bom nal. Precisamos de outros
métodos para demonstrar teoremas da forma x(P(x) → Q(x)). Demonstrações de teoremas desse
tipo que não são demonstrações diretas, ou seja, que não seguem das hipóteses e terminam com a
conclusão, são chamadas de demonstrações indiretas.
Uma demonstração indireta extremamente usada é conhecida como demonstração por contra-
posição. Demonstrações por contraposição fazem uso do fato de que a sentença condicional
p → q é equivalente a sua contrapositiva, q → p , isto signica que uma sentença condicional
Exemplos
Extras
1-77 1.6 Introdução a Demonstrações 77
117 Relações Envolvendo Proposições UNIDADE 3
Dedução PARTE 478 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-78
p → q pode ser demonstrada mostrando que sua contrapositiva, q→ p, é verdadeira. Em uma
demonstração por contraposição de p → q, vamos tomar q como uma hipótese, e usando
axiomas, denições e teoremas previamente demonstrados, juntamente com regras de inferên-
cia, mostramos que p deve ser verdadeira.Vamos ilustrar demonstração por contraposição
com dois exemplos. Esses exemplos mostram que demonstrações por contraposição podem ser
bem-sucedidas quando nãoé fácil achar demonstrações diretas.
EXEMPLO 3 Demonstre que se n é um inteiro e 3n 2 é ímpar, então n é ímpar.
Solução:Primeiro vamos olhar para uma demonstração direta. Para construir uma demonstração
direta, devemos assumir que 3n 2 é um número ímpar. Isso signica que 3n 2 2k 1 para
algum inteiro k. Podemos usar esse fato para mostrar que n é ímpar? Vemos que 3n 1 2k, mas
não parece ter algum meio direto para concluir que n é ímpar. Como nossa tentativa com demons-
tração direta falhou, vamos tentar uma demonstração por contraposição.
O primeiro passo em uma demonstração por contraposição é assumir que a conclusão da sentença
condicional “Se 3n 2 é ímpar, então n é ímpar” é falsa; assumimos que n é par. Então, pela denição
de número par, n 2k para algum inteiro k. Substituindo 2k em n, chegamos a 3n 2 3(2k) 2
6k 2 2(3k 1). Isso nos diz que 3n 2 é par (pois é um múltiplo de 2), e logo não é ímpar. Isso
é a negação da hipótese do teorema. Como a negação da conclusão da sentença condicional implica
que a hipótese é falsa, a sentença original é verdadeira. Nossa demonstração por contraposição foi
bem-sucedida; demonstramos que se n é um inteiro e 3n 2 é ímpar, então n é ímpar. ◄
EXEMPLO 4 Demonstre que se n ab, em que a e b são inteiros positivos, então a n b n ou .
Solução: Como não há um meio óbvio de mostrar que a n b n ou diretamente da equação
n ab, em que a e b são inteiros positivos, vamos tentar uma demonstração por contraposição.
O primeiro passo nesta demonstração é assumir que a conclusão da condicional “Se n ab,
em que a e b são inteiros positivos, então a n b n ou ” é falsa. Ou seja, assumir que a
sentença ( ) ( )a n b n é falsa. Usando o signicado da disjunção junto com a lei de
De Morgan, vemos que isso implica que ambos a n b n e são falsas. Isso implica que
a n e b n. Podemos multiplicar essas inequações juntas (usando o fato de que se 0 < t e
0 < v, então su < tv) para obter ab n n n. Isso mostra que ab n, o que contradiz a
sentença n ab.
Como a negação da conclusão da condicional implica que a hipótese é falsa, a sentença con-
dicional original é verdadeira. Nossa demonstração por contraposição foi bem-sucedida; de-
monstramos que se n ab, em que a e b são inteiros positivos, então a n b n ou . ◄
DEMONSTRAÇÃO POR VACUIDADE E DEMONSTRAÇÃO POR TRIVIALIZAÇÃO Po-
demos rapidamente demonstrar que uma sentença condicional p → q é verdadeira quando sabe-
mos que p é falsa, pois p → q deve ser verdadeira quando p é falsa. Conseqüentemente, se
pudermos mostrar que p é falsa, então teremos uma demonstração, chamada de demonstração
por vacuidade, da condicional p → q. Demonstrações por vacuidade são empregadas para esta-
belecer casos especiais de teoremas que dizem que uma condicional é verdadeira para todos os
números inteiros positivos [isto é, um teorema do tipo nP(n), em que P(n) é uma função propo-
sicional]. Técnicas de demonstração para esse tipo de teoremas serão discutidas na Seção 4.1.
EXEMPLO 5 Mostre que a proposição P (0) é verdadeira, em que P (n) é “Se n > 1, então n2 > n” e o domínio
consiste todos os inteiros.
Solução: Note que P (0) é “Se 0 > 1, então 02 > 0”. Podemos mostrar P (0) utilizando-se uma
demonstração por vacuidade, pois a hipótese 0 > 1 é falsa. Isso nos diz que P (0) é automa-
ticamente verdadeira. ◄
Exemplos
Extras
LÓGICA MATEMÁTICA 118
Lembre-se: O fato de a conclusão desta sentença condicional, 02 > 0, ser falsa é irrelevante para
o valor-verdade da sentença condicional, pois uma condicional com uma hipótese falsa é direta-
mente verdadeira.
Podemos também demonstrar rapidamente que a condicional p → q é verdadeira se sabemos que
a conclusão q é verdadeira. Mostrar que q é verdadeira faz com que p → q deva ser também verdadei-
ra. Uma demonstração de p → q que usa o fato de que q é verdadeira é chamada de demonstração
por trivialização. Demonstrações por trivialização são freqüentemente usadas e de grande importân-
cia quando demonstramos casos especiais de teoremas (veja a discussão de demonstrações por casos
na Seção 1.7) e em indução matemática, que é uma técnica de demonstração discutida na Seção 4.1.
EXEMPLO 6 Seja P (n) a proposição “Se a e b são inteiros positivos com a ≥ b, então an ≥ bn”, em que o do-
mínio consiste em todos os inteiros. Mostre que P (0) é verdadeira.
Solução: A proposição P (0) é “Se a ≥ b, então a0 ≥ b0”. Como a0 b0 1, a conclusão da con-
dicional é “Se a ≥ b, então a0 ≥ b0” é verdadeira. Portanto, a sentença condicional, que é P (0), é
verdadeira. Este é um exemplo de demonstração por trivialização. Note que a hipótese, a senten-
ça “a ≥ b”, não foi necessária nesta demonstração. ◄
UM POUCO DE ESTRATÉGIA DE DEMONSTRAÇÃO Descrevemos dois importantes méto-
dos para provar teoremas da forma x(P (x) → Q (x)): demonstração direta e demonstração por
contraposição. Também demos exemplos que mostram como cada uma é usada. No entanto, quan-
do você recebe um teorema da forma x(P (x) → Q (x)), que método você deve tentar usar para
demonstrar? Vamos prover algumas regras rápidas aqui; na Seção 1.7 vamos discutir estratégias de
demonstração com mais detalhes. Quando queremos demonstrar uma sentença da forma x (P (x)
→ Q (x)), primeiro devemos avaliar o que parece ser uma demonstração direta para esta sentença.
Comece expandindo as denições da hipótese. Vá raciocinando sobre essas hipóteses, juntamente
com os axiomas e os teoremas demonstrados. Se uma demonstração direta não aparecer em nenhu-
ma situação, tente a mesma coisa com a contraposição. Lembre-se de que em uma demonstração
por contraposição você assume que a conclusão é falsa e usa uma demonstração direta para mostrar
que a hipótese deve ser falsa. Vamos ilustrar essa estratégia nos exemplos 7 e 8. Antes de apresentar
nossos próximos exemplos, precisamos de uma denição.
DEFINIÇÃO 2 O número real r é racional se existem inteiros p e q com q 0, tal que r p/q. Um número
real que não é racional é chamado de irracional.
EXEMPLO 7 Demonstre que a soma de dois números racionais é um racional. (Note que se incluirmos o quan-
ticador implícito aqui, o teorema que queremos demonstrar é “Para todo número real r e todo
real s, se r e s são números racionais, então r s é racional”.)
Solução:Primeiro tentemos uma demonstração direta. Para começar, suponha que r e s são racio-
nais. Da denição de números racionais, segue que existem inteiros p e q, com q 0, tal que
r p/q, e inteiros t e u, com u 0, tal que s t/u. Podemos usar essas informações para mostrar
que r s é racional? O próximo passo é adicionar r p/q e s t/u, para obter
r s p
q
t
u
pu qt
qu
.
Como q 0 e u 0, temos que qu 0. Conseqüentemente, expressamos r s como a razão de
dois inteiros, pu qt e qu, em que qu 0. Isso signica que r s é racional. Demonstramos que
a soma de dois números racionais é racional; nossa tentativa de achar uma demonstração direta
foi bem-sucedida. ◄
Exemplos
Extras
1-79 1.6 Introdução a Demonstrações 79
119 Relações Envolvendo Proposições UNIDADE 3
Dedução PARTE 480 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-80
EXEMPLO 8 Demonstre que se n é um número inteiro e n2 é ímpar, então n é ímpar.
Solução: Primeiro tentaremos uma demonstração direta. Suponha que n é um inteiro e n2 é ímpar.
Então existe um inteiro k, tal que n2 2k 1. Podemos usar essa informação para mostrar que
n é ímpar? Parece que não existe uma saída óbvia para mostrar que n é ímpar, pois, resolvendo a
equação em n, temos n k2 1, que não é interessante de trabalhar.
Como a tentativa de uma demonstração direta não rendeu frutos, tentaremos uma demonstração
por contraposição. Tomaremos como hipótese a sentença n não é ímpar. Como todo inteiro é par ou
ímpar, isso signica que n é par. E isso implica que existe um inteirok, tal que n 2k. Para demons-
trar o teorema, devemos mostrar que essa hipótese implica a conclusão, ou seja, n2 não é ímpar, ou
ainda, que n2 é par. Podemos usar a equação n 2k para determinar isso? Elevando ao quadrado
ambos os membros da equação, obtemos n2 4k 2 2(2k 2), o que implica que n2 é também par,
pois n2 2t, em que t 2k 2. Demonstramos que se n é um número inteiro e n2 é ímpar, então n é
ímpar. Nossa tentativa de encontrar uma demonstração por contraposição foi bem-sucedida. ◄
Demonstração por Contradição
Suponha que queremos demonstrar que uma sentença p é verdadeira. Além disso, suponha que pode-
mos achar uma contradição q tal que p → q é verdadeira. Como q é falsa, mas p → q é verdadei-
ra, podemos concluir que p é falsa, o que signica que p é verdadeira. Como podemos encontrar
uma contradição q que possa nos ajudar a demonstrar que p é verdadeira usando esse raciocínio?
Como a sentença r r é uma contradição qualquer que seja a proposição r, podemos de-
monstrar que p é verdadeira se pudermos mostrar que p → (r r) é verdadeira para alguma
proposição r. Demonstrações desse tipo são chamadas de demonstrações por contradição.
Como uma demonstração por contradição não mostra o resultado diretamente, esse é um outro
tipo de demonstração indireta. Daremos três exemplos de demonstração por contradição. O pri-
meiro é um exemplo de uma aplicação do princípio da casa dos pombos, uma técnica combina-
tória que vamos desenvolver profundamente na Seção 5.2.
EXEMPLO 9 Demonstre que ao menos 4 de 22 dias escolhidos devem cair no mesmo dia da semana.
Solução: Seja p a proposição “Ao menos 4 dos 22 dias escolhidos caem no mesmo dia da semana”.
Suponha que p é verdadeira. Isso signica que no máximo 3 dos 22 dias caem no mesmo dia da
semana. Como existem 7 dias na semana, isso implica que no máximo 21 dias podem ser escolhi-
dos, pois, para cada dia da semana, podem ser escolhidos no máximo 3 dias que coincidem no
mesmo dia da semana. Isso contradiz a hipótese que armava ter 22 dias considerados. Assim, se r
é a sentença que diz que 22 dias foram escolhidos, então temos mostrado que p → (r r).
Conseqüentemente, sabemos que p é verdadeira. Demonstramos que ao menos 4 de 22 dias esco-
lhidos devem cair no mesmo dia da semana. ◄
EXEMPLO 10 Demonstre que 2 é irracional por meio de uma demonstração por contradição.
Solução: Seja p a proposição “ 2 é irracional”. Para começar uma demonstração por contradição,
supomos que p é verdadeira. Note que p é a sentença “Não é o caso que 2 é irracional”, o que
diz que 2 é racional. Vamos demonstrar que, assumindo que p é verdadeira, chegaremos a uma
contradição.
Se 2 é racional, existem inteiros a e b tal que 2 a/b, em que a e b não têm fator comum
(então a fração a/b é irredutível). (Aqui, estamos usando o fato de que todo número racional pode
ser escrito em uma fração irredutível.) Como 2 a/b, quando ambos os membros da equação
são elevados ao quadrado, segue-se que
2 a2/b2.
Exemplos
Extras
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
4
Relações Envolvendo Proposições
Prezado(a) estudante
Estamos começando uma unidade desta disciplina. Os textos que a compõem foram
organizados com cuidado e atenção, para que você tenha contato com um conteúdo
completo e atualizado tanto quanto possível. Leia com dedicação, realize as atividades
e tire suas dúvidas com os tutores. Desta forma, você com certeza alcançará os
objetivos propostos para essa disciplina.
OBJETIVO GERAL
Desenvolver formas diferentes de argumentação na lógica matemática.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Reconhecer quando um teorema pode ser demonstrado por meio da
indução.
• Identificar sofismas ou falácias.
• Verificar a validade de um argumento (com ou sem quantificadores)
utilizando tabelas-verdade ou regras de inferência.
unidade
4
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 1
Indução
LÓGICA MATEMÁTICA 124 Indução e Recursão
Muitas proposições matemáticas armam que uma propriedade é verdadeira para todos os
números inteiros positivos. Alguns exemplos dessas proposições são: para todo número
inteiro positivo n: n! nn, n3 n é divisível por 3; um conjunto com n elementos tem 2n sub-
conjuntos e a soma dos primeiros n números inteiros positivos é n (n 1) / 2. Um dos objetivos
principais deste capítulo, e do livro, é dar ao estudante um entendimento da indução matemática,
que é utilizada para demonstrar resultados desse tipo.
As demonstrações com o uso da indução matemática têm duas partes. Primeiro, elas mos-
tram que a proposição é verdadeira para o número inteiro positivo 1. Segundo, elas mostram que
se a proposição for verdadeira para um número inteiro positivo, então deve ser mantida para o
número inteiro seguinte. A indução matemática baseia-se na regra de inferência, que nos diz que
se P (1) e k (P (k) → P (k 1)) são verdadeiras para o domínio dos números inteiros positivos,
então P (n) é verdadeira. A indução matemática pode ser usada para demonstrar diversos resul-
tados. Entender como ler e construir demonstrações por indução matemática é a chave para
aprender matemática discreta.
Nos capítulos 2 e 3, denimos conjuntos e funções, ou seja, descrevemos os conjuntos listando
seus elementos ou dando propriedades que caracterizassem seus elementos. Fornecemos fórmulas
para os valores das funções. Há outra maneira importante de denir esses objetos, baseando-se em
indução matemática. Para denir as funções, alguns termos iniciais são especicados e uma regra é
dada para encontrar os valores subseqüentes a partir daqueles já conhecidos. Os conjuntos podem
ser denidos listando-se alguns de seus elementos e dando-se regras para a construção de elementos
a partir daqueles já conhecidos como pertencendo ao conjunto. Essas denições, chamadas de defi-
nições recursivas, são usadas pela matemática discreta e pela ciência da computação. Uma vez que
denimos um conjunto recursivamente, podemos usar um método de demonstração chamado de
indução estrutural, ou recursão, para mostrar os resultados sobre esse conjunto.
Quando um procedimento é especíco para a resolução de um problema, ele deve sempre
resolver o problema corretamente. Apenas testar para ver se o resultado obtido para um conjunto
com valores de entrada é correto não mostra se o procedimento trabalha sempre corretamente. A
exatidão de um procedimento apenas pode ser garantida demonstrando-se que ele sempre forne-
ce o resultado correto. A seção nal deste capítulo contém uma introdução sobre as técnicas de
vericação de programas. Esta é uma técnica formal para vericar se um procedimento está
correto. A vericação de programas serve como base para a tentativa de demonstrar de modo
mecânico que os programas estão corretos.
4.1 Indução Matemática
Introdução
Suponha que tenhamos uma escada innita, como mostrada na Figura 1, e queremos saber se
podemos alcançar todos os degraus dessa escada. Sabemos duas coisas:
1. Podemos alcançar o primeiro degrau da escada.
2. Se pudermos alcançar um determinado degrau da escada, então poderemos alcançar o
próximo degrau.
Podemos concluir que nós podemos alcançar todos os degraus? Por (1), sabemos que podemos
alcançar o primeiro degrau da escada. Além disso, como podemos alcançar o primeiro, por (2),
podemos também alcançar o segundo degrau, que é o próximo degrau depois do primeiro. Apli-
cando (2) novamente, como podemos alcançar o segundo degrau, podemos também alcançar o
terceiro. Continuando dessa maneira, podemos mostrar que será possível alcançar o quarto de-
grau, o quinto degrau, e assim por diante. Por exemplo, depois de usar 100 vezes (2), sabemos
4
4.1 Indução
Matemática
4.2 Indução
Completa e
Boa Ordenação
4.3 Denições
Recursivas e
Indução
Estrutural
4.4 Algoritmos
Recursivos
4.5 Exatidão de
Programas
4-1 263
C A P Í T U L O
125 Argumentação UNIDADE 4Indução PARTE 1264 4 / Indução e Recursão
que poderemos alcançar o 101o degrau. Mas podemos concluir que é possível alcançar todos os
degraus dessa escada innita? A resposta é sim, às vezes podemos fazer essa vericação usando
uma importante técnica de demonstração chamada de indução matemática. Ou seja, podemos
mostrar que P (n) é verdadeira para todo número inteiro positivo n, em que P (n) é a proposição
que arma que podemos alcançar o n-ésimo degrau da escada.
A indução matemática é uma técnica de demonstração extremamente importante que pode
utilizada para apresentar declarações desse tipo. Como veremos nesta seção e nas subseqüentes,
a indução matemática é muito usada para demonstrar resultados sobre diversos objetos discretos.
Por exemplo, ela é aplicada para demonstrar resultados sobre complexidade de algoritmos, exa-
tidão de certos tipos de programas, teoremas sobre grafos e árvores, assim como várias identida-
des e inequações.
Nesta seção, descreveremos como a indução matemática pode ser usada e por que é uma
técnica de demonstração válida. É extremamente importante notar que a indução matemática
pode ser utilizada apenas para demonstrar resultados obtidos de outras formas. Ela não é um
instrumento para descobrir fórmulas ou teoremas.
Indução Matemática
Em geral, a indução matemática* pode ser usada para demonstrar proposições que armam que
P (n) é verdadeira para todos os números inteiros positivos n, em que P (n) é uma função propo-
sicional. Uma demonstração por indução matemática tem duas partes, um passo base, em que
mostramos que P (1) é verdadeira, e um passo de indução, em que mostramos que para todos os
números inteiros k, se P (k) for verdadeira, então P (k 1) é verdadeira.
* Infelizmente, usar a terminologia “indução matemática” entra em confronto com a terminologia usada para descrever dife-
rentes tipos de argumentos. Em lógica, o argumento dedutivo usa regras de inferência para construir as conclusões a partir
de premissas, enquanto o argumento indutivo obtém conclusões apenas apoiado, não assegurado, em evidências. As demons-
trações matemáticas, que incluem argumentos que usam a indução matemática, são dedutivas, não indutivas.
4-2
FIGURA 1 Subindo uma Escada Infinita.
Degrau 1
Degrau 2
Degrau 3
Degrau 4
Degrau k + 1
...
...
Degrau k
Podemos alcançar o
primeiro degrau
Podemos alcançar
o degrau k+1
se pudermos
alcançar
o degrau k
Auto-
avaliação
LÓGICA MATEMÁTICA 126 4.1 Indução Matemática 265
PRINCÍPIO DA INDUÇÃO MATEMÁTICA Para demonstrar que P (n) é verdadeira para
todos os números inteiros n, em que P (n) é uma função proposicional, completamos dois
passos:
PASSO BASE: Vericamos que P (1) é verdadeira.
PASSO DE INDUÇÃO: Mostramos que a proposição condicional P (k) → P (k 1) é verda-
deira para todos os números inteiros positivos k.
Para completar o passo de indução de uma demonstração que utiliza o princípio da indução mate-
mática, assumimos que P(k) seja verdadeira para um número inteiro positivo k arbitrário e mos-
tramos, sob hipótese, que P(k 1) deve ser também verdadeira. A hipótese de que P(k) é
verdadeira é chamada de hipótese indutiva. Uma vez completados os dois passos da demonstra-
ção por indução matemática, mostramos que P(n) é verdadeira para todos os números inteiros po-
sitivos, ou seja, evidenciamos que n P (n) é verdadeira onde esta quanticação tem como domínio
o conjunto dos números inteiros positivos. No passo de indução, mostramos que k(P(k) → P(k 1))
é verdadeira onde novamente o domínio é o conjunto dos números inteiros positivos.
Expressa como uma regra de inferência, essa técnica de demonstração pode ser declarada como
[P (1) k (P (k) → P (k 1))] → n P (n),
em que o domínio é o conjunto dos números inteiros positivos. Como a indução matemática é uma
importante técnica, é válido explicar em detalhes os passos de uma demonstração que usa essa
técnica. A primeira coisa que fazemos ao demonstrar que P(n) é verdadeira para todos os números
inteiros positivos n é mostrar que P(1) é verdadeira. Ou seja, devemos evidenciar que a proposição
obtida quando n é substituído por 1 em P(n) é verdadeira. Então, devemos evidenciar que P(k) →
P(k 1) é verdadeira para todos os números inteiros positivos k. Para demonstrar que essa propo-
sição condicional é verdadeira para todo número inteiro positivo k, precisamos evidenciar que
P (k 1) não pode ser falsa quando P(k) é verdadeira. Isso pode ser feito assumindo-se que P(k) é
verdadeira e mostrando que, a partir dessa hipótese, P (k 1) deve também ser verdadeira.
Lembre-se: Em uma demonstração por indução matemática não assumimos que P(k) seja verdadei-
ra para todos os números inteiros positivos! Apenas mostramos que se assumimos que P(k) é verda-
deira, então P(k 1) também é verdadeira. Assim, uma demonstração por indução matemática não
pode ser vista como um caso de usar o que se quer demonstrar, ou um argumento circular.
Quando usamos a indução matemática para demonstrar um teorema, primeiro mostramos que
P (1) é verdadeira. Então, sabemos que P (2) é verdadeira, porque P (1) implica P (2). Assim, sa-
bemos que P (3) é verdadeira, porque P (2) implica P (3). Continuando nessa linha, vemos que
P (n) é verdadeira para todo número inteiro positivo n.
MANEIRAS DE LEMBRAR COMO A INDUÇÃO MATEMÁTICA FUNCIONA Pensar em
uma escada innita e nas regras para alcançar os degraus pode ajudá-lo a lembrar como a indução
matemática funciona. Note que as proposições (1) e (2) para a escada innita são exatamente o
passo base e o de indução, respectivamente, da demonstração de que P (n) é verdadeira para todos
os números inteiros positivos n, em que P (n) é a proposição que arma que podemos alcançar o
n-ésimo degrau da escada. Conseqüentemente, podemos invocar a indução matemática para con-
cluir que podemos alcançar todos os degraus.
4-3
NOTA HISTÓRICA O primeiro uso conhecido da indução matemática é o trabalho do matemático Francesco
Maurolico (1494–1575), no século XVI. Maurolico escreveu exaustivamente sobre os trabalhos de matemáticos
clássicos e fez muitas contribuições em geometria e ótica. Em seu livro, Arithmeticorum Libri Duo, Maurolico
apresentou várias propriedades de números inteiros juntamente com as demonstrações dessas propriedades. Para
demonstrar algumas dessas propriedades, ele desenvolveu o método de indução matemática. Seu primeiro uso da
indução matemática em seu livro foi para demonstrar que a soma dos primeiros n números inteiros positivos e
ímpares é igual a n2.
Links
127 Argumentação UNIDADE 4
Indução PARTE 1266 4 / Indução e Recursão
Além da escada innita, muitas outras ilustrações úteis da indução matemática podem ajudá-lo
a lembrar como esse princípio funciona. Uma delas contém uma la de pessoas, a pessoa um, a pes-
soa dois, e assim por diante. Um segredo é contado à pessoa um e cada pessoa conta o segredo à
próxima da la, se a pessoa anterior ouvi-lo. Considere P(n) como a proposição: a pessoa n sabe o
segredo. Então P(1) é verdadeira, porque o segredo é contado à pessoa um; P(2) é verdadeira, porque
a pessoa um conta o segredo à pessoa dois; P(3) é verdadeira, porque a pessoa dois conta o segredo
à terceira pessoa, e assim por diante. Pelo princípio da indução matemática, cada pessoa da la ouve
o segredo. Isso é ilustrado na Figura 2. (Assumimos que cada pessoa repassa o segredo, sem mudá-
lo, para a próxima pessoa, o que geralmente não é verdade na vida real.)
Outra maneira de ilustrar o princípio da indução matemática é considerar uma la innita de
dominós, marcados a partir de 1, 2, 3, . . . , n, . . . , em que cada dominó está em pé. Considere
P (n) como a proposição: o dominó n caiu. Se o primeiro dominó cair, considerando-se que P (1)
seja verdadeira, e se, sempre que o k-ésimo dominócair, o (k 1)-ésimo dominó também vai
cair, ou seja, se P (k) → P (k 1) for verdadeira para todo número inteiro positivo k —, então
todos os dominós vão cair. Isso é ilustrado na Figura 3.
Exemplos de Demonstrações por Indução Matemática
Muitos teoremas armam que P(n) é verdadeira para todos os números inteiros positivos n, em que
P(n) é uma função proposicional, tal como a proposição de que 1 2 · · · n n (n 1) /2 para
todo número inteiro positivo n ou a proposição n 2n para todos os números inteiros positivos n.
4-4
Pessoa 1Pessoa 2 Pessoa 3
Pessoa 4
Pessoa 5
Pessoa 6
Pessoa 7
Pessoa 8
Pessoa 10
Pessoa 11
Pessoa 12
Pessoa 13
Pessoa 14
Pessoa 15
Pessoa 16
Pessoa 17
Pessoa 18
Pessoa 19
Pessoa 20
Pessoa 21
Pessoa 22
Pessoa 23
Pessoa 26
Pessoa 9
Pessoa 24
Pessoa 25
FIGURA 2 Pessoas Contando Segredos.
FIGURA 3 Ilustrando a Indução Matemática com o Uso de Dominós.
LÓGICA MATEMÁTICA 128
A indução matemática é uma técnica para demonstrar teoremas desse tipo. Em outras palavras, ela
pode ser utilizada para demonstrar proposições na forma n P (n), em que o domínio é o conjunto
dos números inteiros positivos. Pode ser usada também para demonstrar diversos teoremas, sendo
cada um deles uma proposição nessa forma.
Usaremos vários exemplos para ilustrar como os teoremas são demonstrados aplicando-se a
indução matemática. Os teoremas que vamos demonstrar incluem fórmulas de somatório, inequa-
ções, identidades para combinações de conjuntos, resultados de divisibilidade, teoremas sobre al-
goritmos e alguns outros resultados criativos. Nas seções posteriores, vamos empregar a indução
matemática para demonstrar muitos outros tipos de resultados, incluindo exatidão de programas
de computação e algoritmos. Esta pode ser utilizada para demonstrar vários teoremas, não apenas
fórmulas de somatório, inequações e outros tipos de exemplos que ilustramos aqui. Note que há
muitas oportunidades para erro nas demonstrações por indução. Vamos descrever algumas de-
monstrações incorretas por indução matemática no nal desta seção e nos exercícios.
DEMONSTRAÇÃO DE FÓRMULAS DE SOMATÓRIO Comecemos usando a indução mate-
mática para demonstrar muitas fórmulas de somatório diferentes. Como veremos, ela é particu-
larmente apropriada para demonstrar que essas fórmulas são válidas. Entretanto, as fórmulas de
somatório podem ser demonstradas de outras maneiras. Isso não é surpreendente porque existem
normalmente maneiras diferentes para demonstrar um teorema. A maior desvantagem do uso da
indução matemática é que ela não pode ser utilizada para encontrar uma fórmula de somatório,
ou seja, é necessário ter a fórmula antes de começar a prová-la com a indução matemática. Co-
meçamos utilizando-a para demonstrar uma fórmula para a soma dos n menores números inteiros
positivos.
EXEMPLO 1 Mostre que se n for um número inteiro positivo, então
1 2 = ( 1)
2
.n n n
Solução: Considere P (n) como a proposição que arma que a soma dos primeiros n números
inteiros positivos é n (n 1) / 2. Devemos fazer duas coisas para demonstrar que P (n) é verda-
deira para n 1, 2, 3, . . . . Ou seja, precisamos mostrar que P (1) é verdadeira e que a proposição
condicional P (k) implica que P (k 1) é verdadeira para k 1, 2, 3, . . . .
PASSO BASE: P (1) é verdadeira, pois 1 = 1(1 1)
2
.
PASSO DE INDUÇÃO: Para a hipótese indutiva, assumimos que P(k) é verdadeira para um nú-
mero inteiro positivo arbitrário k, ou seja, assumimos que
1 2 = ( 1)
2
.k k k
Considerando essa hipótese, devemos mostrar que P (k 1) é verdadeira, ou seja, que
1 2 ( 1) = ( 1)[( 1) 1]
2
= ( 1)( 2)
2
k k k k k k
também é verdadeira. Quando adicionamos k 1 nos dois lados da equação em P (k), obtemos
1 2 ( 1) = ( 1)
2
( 1)
= ( 1) 2( 1)
2
= ( 1)( 2)
2
k k k k k
k k k
k k .
Links
4-5 4.1 Indução Matemática 267
Exemplos
Extras
LÓGICA MATEMÁTICA 130
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
4
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 2
Sofismas ou Falácias
LÓGICA MATEMÁTICA 132
66 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-66
TABELA 1 Regras de Inferência.
Regra de Inferência Tautologia Nome
p
p → q
q
[p (p → q)] → q Modus ponens
q
p → q
p
[ q (p → q)] → p Modus tollens
p → q
q → r
p → r
[(p → q) (q → r)] → (p → r) Silogismo hipotético
p q
p
q
[(p q) p] → q Silogismo disjuntivo
p
p q
p → (p q) Adição
p q
p
(p q) → p Simplicação
p
q
p q
[(p) (q)] → (p q) Conjunção
p q
p r
q r
[(p q) ( p r)] → (q r) Resolução
Solução: Seja p a proposição “Está esfriando agora” e q a proposição “Está chovendo agora”.
Então esse argumento é da forma
p
p q
Esse é um argumento que usa a regra da adição. ◄
EXEMPLO 4 Diga qual regra de inferência é a base do seguinte argumento: “Está esfriando e chovendo agora.
Portanto, está esfriando agora”.
Solução: Seja p a proposição “Está esfriando agora” e q a proposição “Está chovendo agora”.
Então, esse argumento é da forma
p q
p
Esse é um argumento que usa a regra da simplicação. ◄
133 Argumentação UNIDADE 4
Sofismas ou Falácias PARTE 2
EXEMPLO 5 Diga qual regra de inferência é a base do seguinte argumento:
“Se chover, então não haverá churrasco hoje. Se não houver churrasco hoje, haverá amanhã.
Portanto, se chover hoje, então haverá churrasco amanhã.”
Solução: Seja p a proposição “Está chovendo hoje”, q a proposição “Não terá churrasco hoje” e
r a proposição “Terá churrasco amanhã”. Então esse argumento é da forma
p → q
q → r
p → r
Logo, esse argumento é um silogismo hipotético. ◄
Usando Regras de Inferência para Construir Argumentos
Quando existem muitas premissas, muitas regras de inferência são freqüentemente necessárias
para mostrar que um argumento é válido. Isso é ilustrado nos exemplos 6 e 7, onde os passos do
argumento são dispostos em linhas separadas, com a razão para cada passo explicitamente colo-
cada ao lado. Esses exemplos também mostram como argumentos em português podem ser ana-
lisados por meio de regras de inferência.
EXEMPLO 6 Mostre que as hipóteses “Não está ensolarada esta tarde e está mais frio que ontem”, “Vamos
nadar se estiver ensolarado”, “Se não formos nadar, então vamos fazer um passeio de barco” e
“Se zermos um passeio de barco, então estaremos em casa ao anoitecer” nos levam à conclusão
“Estaremos em casa ao anoitecer”.
Solução: Seja p a proposição “Está ensolarada esta tarde”, q a proposição “Está mais frio que on-
tem”, r a proposição “Vamos nadar”, s a proposição “Vamos fazer um passeio de barco” e t a pro-
posição “Estaremos em casa ao anoitecer”. Então, as hipóteses se tornam p q, r → p, r → s,
e s → t e a conclusão é simplesmente t.
Construímos um argumento para mostrar que nossas hipóteses nos levam à conclusão como
se segue.
Passo Razão
1. p q Hipótese
2. p Simplicação usando (1)
3. r → p Hipótese
4. r Modus tollens usando (2) e (3)
5. r → s Hipótese
6. s Modus ponens usando (4) e (5)
7. s → t Hipótese
8. t Modus ponens usando (6) e (7)
Note que poderíamos ter empregado uma tabela-verdade para mostrar que, sempre que as hipó-
teses são verdadeiras, a conclusão também será. No entanto, como estamos trabalhando com
cinco variáveis proposicionais (p, q, r, s e t ), essa tabela teria 32 linhas. ◄
EXEMPLO 7 Mostre que as hipóteses “Se você me mandar um e-mail, então eu terminarei o programa”,
“Se você não me mandar um e-mail, então vou dormir cedo” e “Se eu dormir cedo, então
Exemplos
Extras
1-67 1.5 Regras de Inferência 67
LÓGICA MATEMÁTICA 134
68 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-68
acordarei sentindo-me bem” nos levam à conclusão “Se eu não terminar o programa, então eu
acordarei sentindo-me bem”.
Solução:Seja p a proposição “Você me manda um e-mail”, q a proposição “Eu terminarei o pro-
grama”, r a proposição “Eu vou dormir cedo” e s a proposição “Eu acordarei sentindo-me bem”.
Então as hipóteses são p → q, p → r e r → s. A conclusão desejada é q → s. Temos de dar
um argumento válido com as hipóteses p → q, p → r e r → s e a conclusão q → s.
Essa forma de argumento mostra que as hipóteses nos levam à conclusão desejada.
Passo Razão
1. p → q Hipótese
2. q → p Contrapositiva de (1)
3. p → r Hipótese
4. q → r Silogismo hipotético usando (2) e (3)
5. r → s Hipótese
6. q → s Silogismo hipotético usando (4) e (5) ◄
Resolução
Programas de computador têm sido desenvolvidos para automatizar a tarefa de raciocinar e for-
necer teoremas. Muitos desses programas fazem uso da regra de inferência conhecida como re-
solução. Essa regra de inferência baseia-se na tautologia
(( p q) ( p r)) → (q r).
(A vericação de que essa sentença é uma tautologia foi pedida no Exercício 30 na Seção 1.2.) A
disjunção nal da regra, q r, é chamada de resolvente. Quando q r na tautologia, obtemos
(p q) ( p q) → q. Além disso, quando r F, obtemos ( p q) ( p) → q (porque q F q),
que é a tautologia na qual está fundamentada a regra do silogismo disjuntivo.
EXEMPLO 8 Use a resolução para mostrar que as hipóteses “Jasmim está esquiando ou não está nevando” e
“Está nevando ou José está jogando futebol” implica que “Jasmim está esquiando ou José está
jogando futebol”.
Solução: Seja p a proposição “Está nevando”, q a proposição “Jasmim está esquiando”, e r a
proposição “José está jogando futebol”. Podemos representar as hipóteses por p q e p r,
respectivamente. Usando resolução, a proposição q r, “Jasmim está esquiando ou José está
jogando futebol”, pode ser concluída. ◄
A resolução tem um importante papel em linguagens de programação fundamentadas nas
regras da lógica, como Prolog (onde as regras de resolução para sentenças quanticadas são apli-
cadas). Além disso, pode ser utilizada para construir sistemas que provêm teoremas automatica-
mente. Para construir demonstrações em lógica proposicional usando resolução como a única
regra de inferência, as hipóteses e a conclusão devem ser expressas como cláusulas, em que uma
cláusula é uma disjunção de variáveis ou das negações dessas variáveis. Podemos substituir uma
sentença em lógica proposicional que não é uma cláusula por uma ou mais sentenças equivalen-
tes que são cláusulas. Por exemplo, suponha que tenhamos uma sentença da forma p (q r).
Como p (q r) (p q) (p r), podemos substituir a sentença p (q r) por duas sentenças
Exemplos
Extras
Links
135 Argumentação UNIDADE 4
Sofismas ou Falácias PARTE 2
p q e p r, cada uma delas sendo uma cláusula. Podemos substituir uma sentença da forma
(p q) por duas sentenças p e q porque a lei de De Morgan nos diz que (p q) p
q. Podemos também substituir uma sentença condicional p → q pela disjunção equivalen-
te p q.
EXEMPLO 9 Mostre que as hipóteses (p q) r e r → s implicam a conclusão p s.
Solução: Podemos reescrever a hipótese (p q) r como duas cláusulas, p r e q r. Podemos
também substituir r → s pela cláusula equivalente r s. Usando as duas cláusulas p r e r s,
podemos usar uma resolução para concluir p r. ◄
Falácias
Muitas falácias comuns aparecem em argumentos incorretos. Essas falácias assemelham-se a
regras de inferência, mas baseiam-se em contingências em vez de tautologias. Isso será discutido
aqui para mostrar a distinção entre um raciocínio correto e um incorreto.
A proposição [(p → q) q] → p não é uma tautologia, pois é falsa quando p é falsa e q é
verdadeira. No entanto, existem muitos argumentos incorretos que tratam isso como uma tauto-
logia. Em outras palavras, eles tratam o argumento com premissas p → q e q e conclusão p como
uma forma válida de argumento, e não é. Esse tipo de raciocínio incorreto é chamado de falácia
da armação da conclusão.
EXEMPLO 10 O seguinte argumento é válido?
Se zer todos os exercícios deste livro, então você terá aprendido matemática discreta. Você
aprendeu matemática discreta.
Portanto, você fez todos os exercícios deste livro.
Solução: Seja p a proposição “Você fez todos os exercícios deste livro”. Seja q a proposição
“Você aprendeu matemática discreta”. Então este argumento é da forma: se p → q e q, então p.
Esse é um exemplo de um argumento incorreto que usa a falácia da armação da conclusão. Pois
é possível você aprender matemática discreta de maneira diferente sem ter de fazer todos os exer-
cícios deste livro. (Você pode aprender matemática discreta lendo, assistindo a palestras, fazendo
muitos, mas não todos os exercícios e assim por diante.) ◄
A proposição [(p → q) p] → q não é uma tautologia, pois é falsa quando p é falsa e q é
verdadeira. Muitos argumentos usam isso incorretamente como se fosse uma regra de inferência.
Esse tipo de raciocínio incorreto é chamado de falácia da negação das hipóteses.
EXEMPLO 11 Sejam p e q as proposições do Exemplo 10. Se a sentença condicional p → q é verdadeira, e
p é verdadeira, é correto concluir que q é verdadeira? Em outras palavras, é correto as-
sumir que você não aprende matemática discreta se você não fizer todos os exercícios do
livro, assumindo que se você resolver todos os problemas do livro, então você terá aprendido
matemática discreta?
Solução: É possível que você aprenda matemática discreta mesmo que você não faça todos os
exercícios do livro. Esse argumento incorreto é da forma p → q e p implica q, que é um
exemplo de falácia da negação das hipóteses. ◄
Links
1-69 1.5 Regras de Inferência 69
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
4
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 3
Argumentos e Regras
de Inferência
LÓGICA MATEMÁTICA 138
1.5 Regras de Inferência
Introdução
Mais adiante, neste capítulo, vamos estudar demonstrações. Demonstrações em matemática são
argumentos válidos que estabelecem a veracidade das sentenças matemáticas. Por um argumen-
to, entendemos uma seqüência de sentenças que terminam com uma conclusão e, por válido, que
uma conclusão, ou a sentença nal do argumento, deve seguir o valor-verdade das sentenças
precedentes, ou premissas, do argumento. Ou seja, um argumento é válido se e somente se for
impossível que todas as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa. Para deduzir novas
sentenças de sentenças que já temos, usamos regras de inferência, as quais são moldes para cons-
trução de argumentos válidos. Regras de inferência são nossas ferramentas básicas para o estabe-
lecimento do valor-verdade das sentenças.
Antes de estudarmos demonstrações matemáticas, vamos olhar para argumentos que envol-
vem apenas proposições compostas. Vamos denir o que signica um argumento ser válido quan-
do envolve proposições compostas. Então, vamos introduzir um conjunto de regras de inferência
de lógica proposicional. Essas regras de inferência são o mais importante ingrediente na produ-
ção de argumentos válidos. Depois de ilustrar como as regras de inferência são utilizadas para
produzir argumentos válidos, vamos descrever algumas formas comuns de raciocínio incorreto,
chamadas de falácias, que nos levam a argumentos inválidos.
Depois de estudar as regras de inferência em lógica proposicional, vamos introduzir regras
de inferência para sentenças quanticadas. Vamos descrever como essas regras de inferência
podem ser utilizadas para produzir argumentos válidos. Essas regras de inferência para sentenças
que envolvem quanticadores universal e existencial representam importante papel em demons-
trações em ciência da computação e matemática, embora elas sejam sempre utilizadas sem serem
explicitamente mencionadas.
Finalmente, vamos mostrarcomo regras de inferência para sentenças proposicionais e quan-
ticacionais podem ser combinadas. Essas combinações são freqüentemente utilizadas em argu-
mentos complicados.
Argumentos Válidos em Lógica Proposicional
Considere o seguinte argumento que envolve proposições (o qual, por denição, é uma seqüência
de proposições):
“Se você tem uma senha atualizada, então você pode entrar na rede.”
“Você tem uma senha atualizada.”
Portanto,
“Você pode entrar na rede.”
Gostaríamos de determinar quando este argumento é válido. Ou seja, gostaríamos de deter-
minar se a conclusão “Você pode entrar na rede” deve ser verdadeira quando as premissas “Se
você tem uma senha atualizada, então você pode entrar na rede” e “Você tem uma senha atuali-
zada” também forem ambas verdadeiras.
Antes de discutir a validade deste argumento particular, vamos olhar para sua forma. Use p
para representar “Você tem uma senha atualizada” e q para representar “Você pode entrar na
rede”. Então, o argumento tem a forma
p → q
p
q
em que é o símbolo para indicar “portanto”.
1-63 1.5 Regras de Inferência 63
139 Argumentação UNIDADE 4
Argumentos e Regras de Inferência PARTE 364 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-64
Sabemos que se p e q são variáveis proposicionais, a sentença ((p → q) p) → q é uma tau-
tologia (veja o Exercício 10(c) na Seção 1.2). Em particular, quando ambos p → q e p são verda-
deiras, sabemos que q também deve ser. Dizemos que essa é uma forma válida de argumento
porque sempre que todas as suas premissas (todas as sentenças do argumento, a não ser a última,
a conclusão) são verdadeiras, a conclusão também deve ser. Agora suponha que ambas “Se você
tem uma senha atualizada, então você pode entrar na rede” e “Você tem uma senha atualizada”
são sentenças verdadeiras. Quando trocamos p por “Você tem uma senha atualizada” e q por
“Você pode entrar na rede”, segue necessariamente que a conclusão “Você pode entrar na rede” é
verdadeira. Esse argumento é válido porque está na forma válida. Note que sempre que substituir-
mos p e q por proposições em que p → q e p são verdadeiras, então q deve ser verdadeira.
O que acontece quando substituímos p e q nessa forma de argumento por proposições tal que
p e p → q não são ambas verdadeiras? Por exemplo, suponha que p represente “Você tem acesso
à rede” e q represente “Você pode mudar suas notas” e p seja verdadeira, mas p → q seja falsa. O
argumento que obtemos substituindo esses valores de p e q na forma do argumento anterior é:
“Se você tem acesso à rede, então você pode mudar suas notas.”
“Você tem acesso à rede.”
“Você pode mudar suas notas.”
O argumento obtido é um argumento válido, mas, como uma das premissas, chamada de primei-
ra premissa, é falsa, não podemos decidir se a conclusão é verdadeira. (Mas parece que essa
conclusão é falsa.)
Em nossa discussão, para analisar um argumento, substituímos as proposições por variáveis
proposicionais. Isso transforma um argumento em uma forma de argumento. Dizemos que a vali-
dade de um argumento segue a validade da forma do argumento. Resumimos a terminologia utili-
zada para discutir a validade de argumentos com nossa denição dessas noções importantes.
DEFINIÇÃO 1 Um argumento em lógica proposicional é uma seqüência de proposições. Todas, menos a
última das proposições, são chamadas de premissas, e a última é chamada de conclusão. Um
argumento é válido se a veracidade das premissas implica que a conclusão seja verdadeira.
Uma forma de argumento em lógica proposicional é a seqüência de proposições compostas
que envolvem variáveis proposicionais. Uma forma de argumento é válida quaisquer que
sejam as proposições substituídas nas variáveis proposicionais em suas sentenças; a conclu-
são é verdadeira se as premissas forem todas verdadeiras.
Da denição de forma de argumento válida, vemos que uma forma de argumento com premis-
sas p1, p2, p3, ... , pn e conclusão q é válida, quando (p1 p2 ... pn) → q é uma tautologia.
A chave para mostrar que um argumento na lógica proposicional é válido é mostrar que
sua forma de argumento é válida. Conseqüentemente, gostaríamos de ter técnicas para mos-
trar que formas de argumentos são válidas. Vamos agora desenvolver métodos para alcançar
esse objetivo.
Regras de Inferência para Lógica Proposicional
Podemos sempre usar uma tabela-verdade para mostrar que uma forma de argumento é válida.
Fazemos isso mostrando que sempre que as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser
verdadeira também. No entanto, esse pode ser um modo um pouco tedioso. Por exemplo, quando
uma forma de argumento envolve 10 variáveis proposicionais diferentes, usar uma tabela-verda-
de para mostrar que esse argumento é válido requer 210 1.024 linhas diferentes. Felizmente, não
LÓGICA MATEMÁTICA 140
precisamos sempre recorrer às tabelas-verdade. Em vez disso, podemos estabelecer a validade de
algumas formas de argumento relativamente simples, chamadas de regras de inferência. Essas
regras de inferência podem ser utilizadas como tijolos para construir formas de argumento váli-
das mais complicadas. Vamos agora introduzir a mais importante das regras de inferência na ló-
gica proposicional.
A tautologia (p (p → q)) → q é a base da regra de inferência chamada de modus ponens,
ou propriedade de destacamento. (Modus ponens, em latim, signica modo que arma.) Essa
tautologia nos leva à seguinte forma de argumento válida, que já foi vista na nossa discussão
sobre argumentos (em que, como antes, o é o símbolo para indicar “portanto”):
p
p → q
q
Usando essa notação, as hipóteses são escritas em colunas, seguidas por uma barra horizontal,
seguida por uma linha que começa com o símbolo “portanto” e termina com a conclusão. Em
particular, modus ponens nos diz que se uma sentença condicional e a hipótese dessa sentença
condicional são verdadeiras, então a conclusão também deve ser verdadeira. O Exemplo 1 ilustra
o uso do modus ponens.
EXEMPLO 1 Suponha que a sentença condicional “Se nevar hoje, então eu vou esquiar” e sua hipótese “Está
nevando hoje” são verdadeiras. Então, por modus ponens, segue que a conclusão do condicional
“Vou esquiar” é verdadeira. ◄
Como mencionado anteriormente, um argumento válido pode nos levar a uma conclusão incor-
reta se uma ou mais de suas premissas são falsas. Ilustramos isso, novamente, no Exemplo 2.
EXEMPLO 2 Determine se o argumento dado aqui é válido e se sua conclusão deve ser verdadeira apenas pela
validade do argumento.
“Se 2 3
2 , então 2
2 3
2
2
. Sabemos que 2 3
2 . Conseqüentemente,
2 2
2 3
2
2 9
4 . ”
Solução: Seja p a proposição “ 2 3
2 ” e q a proposição “ 2 3
2
2
”. As premissas do argumen-
to são p → q e p, e q é a conclusão. Esse argumento é válido, pois é construído de acordo com
modus ponens, uma forma válida de argumento. No entanto, uma de suas premissas, 2 3
2 , é
falsa. Conseqüentemente, não podemos deduzir que a conclusão seja verdadeira. Nesse caso,
notamos que a conclusão é falsa, pois 2 9
4 . ◄
A Tabela 1 lista as mais importantes regras de inferência para a lógica proposicional. Os
exercícios 9, 10, 15 e 30 na Seção 1.2 pedem vericações de que essas regras de inferência são
formas válidas de argumento. Agora daremos exemplos de argumentos que usam essas regras de
inferência. Em cada argumento, primeiro usaremos variáveis proposicionais para expressar as
proposições no argumento. Depois, mostraremos que a forma resultante de argumento é uma re-
gra da Tabela 1.
EXEMPLO 3 Diga qual regra de inferência é a base do seguinte argumento: “Está esfriando agora. Portanto,
está esfriando ou chovendo agora”.
1-65 1.5 Regras de Inferência 65
141 Argumentação UNIDADE 4
Argumentos e Regrasde Inferência PARTE 366 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-66
TABELA 1 Regras de Inferência.
Regra de Inferência Tautologia Nome
p
p → q
q
[p (p → q)] → q Modus ponens
q
p → q
p
[ q (p → q)] → p Modus tollens
p → q
q → r
p → r
[(p → q) (q → r)] → (p → r) Silogismo hipotético
p q
p
q
[(p q) p] → q Silogismo disjuntivo
p
p q
p → (p q) Adição
p q
p
(p q) → p Simplicação
p
q
p q
[(p) (q)] → (p q) Conjunção
p q
p r
q r
[(p q) ( p r)] → (q r) Resolução
Solução: Seja p a proposição “Está esfriando agora” e q a proposição “Está chovendo agora”.
Então esse argumento é da forma
p
p q
Esse é um argumento que usa a regra da adição. ◄
EXEMPLO 4 Diga qual regra de inferência é a base do seguinte argumento: “Está esfriando e chovendo agora.
Portanto, está esfriando agora”.
Solução: Seja p a proposição “Está esfriando agora” e q a proposição “Está chovendo agora”.
Então, esse argumento é da forma
p q
p
Esse é um argumento que usa a regra da simplicação. ◄
LÓGICA MATEMÁTICA 142
EXEMPLO 5 Diga qual regra de inferência é a base do seguinte argumento:
“Se chover, então não haverá churrasco hoje. Se não houver churrasco hoje, haverá amanhã.
Portanto, se chover hoje, então haverá churrasco amanhã.”
Solução: Seja p a proposição “Está chovendo hoje”, q a proposição “Não terá churrasco hoje” e
r a proposição “Terá churrasco amanhã”. Então esse argumento é da forma
p → q
q → r
p → r
Logo, esse argumento é um silogismo hipotético. ◄
Usando Regras de Inferência para Construir Argumentos
Quando existem muitas premissas, muitas regras de inferência são freqüentemente necessárias
para mostrar que um argumento é válido. Isso é ilustrado nos exemplos 6 e 7, onde os passos do
argumento são dispostos em linhas separadas, com a razão para cada passo explicitamente colo-
cada ao lado. Esses exemplos também mostram como argumentos em português podem ser ana-
lisados por meio de regras de inferência.
EXEMPLO 6 Mostre que as hipóteses “Não está ensolarada esta tarde e está mais frio que ontem”, “Vamos
nadar se estiver ensolarado”, “Se não formos nadar, então vamos fazer um passeio de barco” e
“Se zermos um passeio de barco, então estaremos em casa ao anoitecer” nos levam à conclusão
“Estaremos em casa ao anoitecer”.
Solução: Seja p a proposição “Está ensolarada esta tarde”, q a proposição “Está mais frio que on-
tem”, r a proposição “Vamos nadar”, s a proposição “Vamos fazer um passeio de barco” e t a pro-
posição “Estaremos em casa ao anoitecer”. Então, as hipóteses se tornam p q, r → p, r → s,
e s → t e a conclusão é simplesmente t.
Construímos um argumento para mostrar que nossas hipóteses nos levam à conclusão como
se segue.
Passo Razão
1. p q Hipótese
2. p Simplicação usando (1)
3. r → p Hipótese
4. r Modus tollens usando (2) e (3)
5. r → s Hipótese
6. s Modus ponens usando (4) e (5)
7. s → t Hipótese
8. t Modus ponens usando (6) e (7)
Note que poderíamos ter empregado uma tabela-verdade para mostrar que, sempre que as hipó-
teses são verdadeiras, a conclusão também será. No entanto, como estamos trabalhando com
cinco variáveis proposicionais (p, q, r, s e t ), essa tabela teria 32 linhas. ◄
EXEMPLO 7 Mostre que as hipóteses “Se você me mandar um e-mail, então eu terminarei o programa”,
“Se você não me mandar um e-mail, então vou dormir cedo” e “Se eu dormir cedo, então
Exemplos
Extras
1-67 1.5 Regras de Inferência 67
143 Argumentação UNIDADE 4
Argumentos e Regras de Inferência PARTE 368 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-68
acordarei sentindo-me bem” nos levam à conclusão “Se eu não terminar o programa, então eu
acordarei sentindo-me bem”.
Solução: Seja p a proposição “Você me manda um e-mail”, q a proposição “Eu terminarei o pro-
grama”, r a proposição “Eu vou dormir cedo” e s a proposição “Eu acordarei sentindo-me bem”.
Então as hipóteses são p → q, p → r e r → s. A conclusão desejada é q → s. Temos de dar
um argumento válido com as hipóteses p → q, p → r e r → s e a conclusão q → s.
Essa forma de argumento mostra que as hipóteses nos levam à conclusão desejada.
Passo Razão
1. p → q Hipótese
2. q → p Contrapositiva de (1)
3. p → r Hipótese
4. q → r Silogismo hipotético usando (2) e (3)
5. r → s Hipótese
6. q → s Silogismo hipotético usando (4) e (5) ◄
Resolução
Programas de computador têm sido desenvolvidos para automatizar a tarefa de raciocinar e for-
necer teoremas. Muitos desses programas fazem uso da regra de inferência conhecida como re-
solução. Essa regra de inferência baseia-se na tautologia
(( p q) ( p r)) → (q r).
(A vericação de que essa sentença é uma tautologia foi pedida no Exercício 30 na Seção 1.2.) A
disjunção nal da regra, q r, é chamada de resolvente. Quando q r na tautologia, obtemos
(p q) ( p q) → q. Além disso, quando r F, obtemos ( p q) ( p) → q (porque q F q),
que é a tautologia na qual está fundamentada a regra do silogismo disjuntivo.
EXEMPLO 8 Use a resolução para mostrar que as hipóteses “Jasmim está esquiando ou não está nevando” e
“Está nevando ou José está jogando futebol” implica que “Jasmim está esquiando ou José está
jogando futebol”.
Solução: Seja p a proposição “Está nevando”, q a proposição “Jasmim está esquiando”, e r a
proposição “José está jogando futebol”. Podemos representar as hipóteses por p q e p r,
respectivamente. Usando resolução, a proposição q r, “Jasmim está esquiando ou José está
jogando futebol”, pode ser concluída. ◄
A resolução tem um importante papel em linguagens de programação fundamentadas nas
regras da lógica, como Prolog (onde as regras de resolução para sentenças quanticadas são apli-
cadas). Além disso, pode ser utilizada para construir sistemas que provêm teoremas automatica-
mente. Para construir demonstrações em lógica proposicional usando resolução como a única
regra de inferência, as hipóteses e a conclusão devem ser expressas como cláusulas, em que uma
cláusula é uma disjunção de variáveis ou das negações dessas variáveis. Podemos substituir uma
sentença em lógica proposicional que não é uma cláusula por uma ou mais sentenças equivalen-
tes que são cláusulas. Por exemplo, suponha que tenhamos uma sentença da forma p (q r).
Como p (q r) (p q) (p r), podemos substituir a sentença p (q r) por duas sentenças
Exemplos
Extras
Links
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
unidade
4
O conteúdo deste livro é
disponibilizado por SAGAH.
Parte 4
Regras de Inferência para
Proposições Quantificadas
LÓGICA MATEMÁTICA 146
70 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-70
Regras de Inferência para Sentenças Quantificadas
Discutimos regras de inferência para proposições. Vamos agora descrever algumas regras impor-
tantes de inferência para sentenças que envolvem quanticadores. Essas regras de inferência são
usadas extensivamente em argumentos matemáticos, freqüentemente sem menção explícita.
Instanciação universal é a regra de inferência usada para concluir que P (c) é verdadeira, em
que c é um elemento particular do domínio, quando é dada a premissa xP (x). A instanciação
universal é usada quando concluímos da sentença “Todas as mulheres são discretas” que “Maria
é discreta”, em que Maria é um elemento do domínio das mulheres.
Generalização universal é a regra de inferência que diz que xP (x) é verdadeira, dada como
premissa que P (c) é verdadeira para todos os elementos c do domínio. A generalização universal
é usada quando mostramos que x P (x) é verdadeira tomando um elemento arbitrário c do domí-
nio e mostrando que P(c) é verdadeira. O elemento c que selecionamos deve ser um elemento do
domínio arbitrário, e não um especíco. Ou seja, quando concluímos de xP (x) aexistência de
um elemento c no domínio, temos o controle sobre c e não podemos fazer nenhuma outra conclu-
são sobre c que não seja pertencente ao domínio. A generalização universal é usada implicitamen-
te em muitas demonstrações e é raro ser mencionada explicitamente. No entanto, o erro de fazer
conclusões sem garantia sobre um elemento arbitrário c quando a generalização universal é usada
é também comum em raciocínios incorretos.
Instanciação existencial é a regra que nos permite concluir que existe um elemento c no
domínio para o qual P (c) é verdadeira se sabemos que xP (x) é verdadeira. Não podemos sele-
cionar um valor arbitrário de c aqui, mas deve ser um c para o qual P (c) é verdadeira. Usualmen-
te não temos conhecimento sobre qual c é, apenas que ele existe. Como ele existe, podemos lhe
dar um nome (c) e continuar nosso argumento.
Generalização existencial é a regra de inferência que é usada para concluir que xP (x) é verda-
deira quando um elemento particular c com P (c) verdadeira é conhecido. Ou seja, se conhecemos um
elemento c no domínio para o qual P (c) é verdadeira, então sabemos que xP (x) é verdadeira.
Resumimos essas regras de inferência na Tabela 2. Vamos ilustrar como uma dessas regras
de inferência para sentenças quanticadas é usada no Exemplo 12.
EXEMPLO 12 Mostre que as premissas “Todos os alunos da classe de matemática discreta estão tendo um curso
de ciência da computação” e “Maria é uma estudante dessa classe” implica a conclusão “Maria
está freqüentando um curso de ciência da computação”.
TABELA 2 Regras de Inferência para Sentenças Quanticadas.
Regra de Inferência Nome
xP (x)
P (c)
Instanciação universal
P (c) para um c arbitrário
xP (x)
Generalização universal
xP (x)
P (c) para algum elemento c
Instanciação existencial
P (c) para algum elemento c
xP (x)
Generalização existencial
147 Argumentação UNIDADE 4
Regras de Inferência para Proposições Quantificadas PARTE 4
Solução: Seja D (x) a sentença “x está na classe de matemática discreta” e seja C (x) a sentença “x
está freqüentando um curso de ciência da computação.” Então, as premissas são x (D (x) → C (x))
e D (Maria). E a conclusão é C (Maria).
Os seguintes passos podem ser utilizados para estabelecer a conclusão a partir das premissas.
Passo Razão
1. x (D (x) → C (x)) Premissa
2. D (Maria) → C (Maria) Instanciação Universal de (1)
3. D (Maria) Premissa
4. C (Maria) Modus ponens a partir de (2) e (3) ◄
EXEMPLO 13 Mostre que as premissas “Um estudante desta classe não tem lido o livro” e “Todos nesta classe
passaram no primeiro exame” implica a conclusão “Alguém passou no primeiro exame sem ter
lido o livro”.
Solução: Sejam C (x) a sentença “x está nesta classe”, B (x) a sentença “x não tem lido o livro” e
P (x) a sentença “x passou no primeiro exame”. As premissas são x(C (x) B (x)) e x (C (x) →
P (x)). A conclusão é x (P(x) B (x)). Estes passos podem ser utilizados para estabelecer a
conclusão a partir das premissas.
Passo Razão
1. x (C(x) B (x)) Premissa
2. C (a) B (a) Instanciação existencial a partir de (1)
3. C (a) Simplicação a partir de (2)
4. x(C (x) → P (x)) Premissa
5. C (a) → P (a) Instanciação universal a partir de (4)
6. P (a) Modus ponens a partir (3) e (5)
7. B (a) Simplicação a partir de (2)
8. P (a) B (a) Conjunção a partir de (6) e (7)
9. x (P(x) B (x)) Generalização existencial a partir de (8) ◄
Combinando Regras de Inferência para Proposições
e Sentenças Quantificadas
Desenvolvemos regras de inferência para proposições e para sentenças quanticadas. Note que
em nossos argumentos nos exemplos 12 e 13 usamos tanto instanciação universal, uma regra de
inferência para sentenças quanticadas, quanto modus ponens, uma regra de inferência para a
lógica proposicional. Vamos freqüentemente precisar usar essa combinação de regras de inferên-
cia. Como instanciação universal e modus ponens são usadas freqüentemente juntas, essa combi-
nação de regras é costumeiramente chamada de modus ponens universal. Essa regra nos diz que
se x (P (x) → Q (x)) é verdadeira, e se P (a) é verdadeira para algum elemento particular a no
domínio do quanticador universal, então Q (a) deve ser verdadeira. Para ver isso, note que, por
instanciação universal, P (a) → Q (a) é verdadeira. Então, por modus ponens, Q (a) deve também
ser verdadeira. Podemos descrever o modus ponens universal como se segue:
x(P (x) → Q (x))
P (a), em que a é um elemento particular do domínio
Q (a)
O modus ponens universal é comumente usado em argumentos matemáticos. Isso é ilustrado
no Exemplo 14.
EXEMPLO 14 Assuma que “Para todo inteiro positivo n, se n é maior que 4, então n2 é menor que 2n” é verda-
deira. Use o modus ponens universal para mostrar que 1002 < 2100.
Exemplos
Extras
1-71 1.5 Regras de Inferência 71
LÓGICA MATEMÁTICA 148
72 1 / Os Fundamentos: Lógica e Demonstrações 1-72
Solução: Seja P (n) a sentença “n > 4” e Q (n) a sentença “n2 < 2n ”. A sentença “Para todo intei-
ro positivo n, se n é maior que 4, então n2 é menor que 2n” pode ser representada por n(P(n) →
Q (n)), em que o domínio consiste em todos os inteiros positivos. Estamos assumindo que n (P(n)
→ Q(n)) é verdadeira. Note que P (100) é verdadeira, pois 100 > 4. Então segue por modus po-
nens universal que Q (n) é verdadeira, explicitamente 1002 < 2100. ◄
Outra combinação muito utilizada de regra de inferência para lógica com uma regra de infe-
rência para sentenças quanticadas é o modus tollens universal. Modus tollens universal combi-
na a instanciação universal e o modus tollens e pode ser expresso por:
x(P (x) → Q (x))
Q (a), em que a é um elemento particular no domínio
P (a)
Deixamos a vericação do modus tollens universal para o leitor (veja o Exercício 25). O
Exercício 26 desenvolve combinações adicionais de regras de inferência na lógica proposicional
e sentenças quanticadas.
Exercícios
1. Encontre a forma de argumento para o argumento dado e
determine se é válido. Podemos inferir que a conclusão é
verdadeira se as premissas forem verdadeiras?
Se Sócrates é humano, então Sócrates é mortal.
Sócrates é humano.
Sócrates é mortal.
2. Encontre a forma de argumento para o argumento dado e
determine se é válido. Podemos inferir que a conclusão é
verdadeira se as premissas forem verdadeiras?
Se George não tem oito patas, então ele não é um
inseto.
George é um inseto.
George tem oito patas.
3. Qual a regra de inferência usada em cada um dos argumentos
abaixo?
a) Alice é graduada em matemática. Por isso, Alice é
graduada ou em matemática ou em ciência da compu-
tação.
b) Jerry é um graduado em matemática e em ciência da
computação. Por isso, Jerry é um graduado em mate-
mática.
c) Se o dia estiver chuvoso, então a piscina estará fechada.
O dia está chuvoso. Por isso, a piscina está fechada.
d) Se nevar hoje, a universidade estará fechada. A univer-
sidade não está fechada hoje. Por isso, não nevou hoje.
e) Se eu for nadar, então eu carei no sol por muito tempo.
Se eu car no sol por muito tempo, então eu me queima-
rei. Por isso, se eu for nadar, eu me queimarei.
4. Qual a regra de inferência utilizada em cada um dos argu-
mentos a seguir?
a) Cangurus vivem na Austrália e são marsupiais. Por isso,
cangurus são marsupiais.
b) Ou está mais quente que 100 graus hoje ou a poluição é
perigosa. Está menos de 100 graus lá fora hoje. Por isso,
a poluição é perigosa.
c) Linda é uma excelente nadadora. Se Linda é uma
excelente nadadora, então ela pode trabalhar como
salva-vidas. Por isso, Linda pode trabalhar como salva-
vidas.
d) Steve trabalhará em uma indústria de computadores
neste verão. Por isso, neste verão ele trabalhará em uma
indústria de computadores ou ele será um desocupado
na praia.
e) Se eu trabalhar a noite toda nesta tarefa de casa, então
posso resolver todos os exercícios. Se eu resolver todos
os exercícios, eu entenderei o material. Por isso, se eu
trabalharà noite nesta tarefa, então eu entenderei o
material.
5. Use as regras de inferência para mostrar que as hipóteses
“Randy trabalha muito”, “Se Randy trabalha muito, então
ele é um garoto estúpido” e “Se Randy é um garoto estúpido,
então ele não conseguirá o emprego” implicam a conclusão
“Randy não conseguirá o emprego”.
6. Use as regras de inferência para mostrar que as hipóteses
“Se não chove ou não tem neblina, então a competição de
vela acontecerá e a apresentação de salvamento continuará”,
“Se a competição de vela é mantida, então o troféu será
conquistado” e “O troféu não foi conquistado” implicam a
conclusão “Choveu”.
7. Quais regras de inferência são utilizadas no famoso argu-
mento abaixo?
“Todos os homens são mortais. Sócrates é um homem. Por
isso, Sócrates é mortal.”
8. Quais as regras de inferência utilizadas no argumento
abaixo? “Nenhum homem é uma ilha. Manhattan é uma
ilha. Por isso, Manhattan não é um homem.”
ENCERRA AQUI O TRECHO DO LIVRO DISPONIBILIZADO
PELA SAGAH PARA ESTA PARTE DA UNIDADE.
PREZADO ESTUDANTE
Se você encontrar algum problema nesse material, entre em
contato pelo email eadproducao@unilasalle.edu.br. Descreva o
que você encontrou e indique a página.
Lembre-se: a boa educação se faz com a contribuição de todos!
CONTRIBUA COM A QUALIDADE DO SEU CURSO
Av. Victor Barreto, 2288
Canoas - RS
CEP: 92010-000 | 0800 541 8500
ead@unilasalle.edu.br