Prévia do material em texto
SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE DE RIBEIRÃO PRETO DEPARTAMENTO DE PLANEJAMENTO EM SAÚDE COORDENADORIA I DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES EM SAÚDE DIVISÃO DE ENFERMAGEM Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular Ribeirão Preto 2022 © 2022 Secretaria Municipal da Saúde Todos os direitos reservados são permitidos a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada à fonte e que não tenha fins comerciais. Venda proibida. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é da equipe responsável pela autoria/elaboração, da Coordenadoria I de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, Divisão de Enfermagem, Gabinete do Secretário da Saúde e Departamento de Planejamento em Saúde. O documento poderá ser acessado na íntegra pelo site da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto no link: https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/portal/dps/coordenadoria-i-de-praticas-integrativas Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular Jane Aparecida Cristina Secretária Municipal da Saúde Adriana Mafra Brienza Secretária Adjunta Dílson Braz da Silva Junior Diretor do Departamento de Planejamento em Saúde Drª. Vanessa Colmanetti Borin Danelutti Diretora do Departamento de Atenção à Saúde das Pessoas Enfª Karina Domingues de Freitas Chefe da Divisão de Enfermagem Equipe Técnica Divisão de Enfermagem Enfª Ana Carolina Teles Flávio Enfª Lauren Suemi Kawata Enfª Lilian Carla de Almeida Enfª Maria de Fátima Paiva Brito Enfª Mariane Fabiani Cicilini Simões Coordenadoria I de Práticas Integrativas e Complementares Coordenação – Drº Júlio José Cunha Equipe Técnica – Enfª Luana Alves de Figueiredo Bianchi Neves Organização: Coordenadoria I de Práticas Integrativas e Complementares Divisão de Enfermagem Departamento de Atenção à Saúde das Pessoas Autoria/Elaboração Drº Júlio José Cunha Enfª Karina Domingues de Freitas Enfª Lauren Suemi Kawata Enfª Luana Alves de Figueiredo Bianchi Neves Enfª Maria de Fátima Paiva Brito Enfª Mariana Bodoni Massocato Machado Grupo de trabalho Enfª Adriana Lima Supervisora UBS José Sampaio e USF Jamil Cury Enfª Ananda Leticia Fuzo Ferreira Equipe técnica CAISCA Enfª Jeniffer Caroline Domingos Sassarolli USF Jardim Marchesi Enfª Livia Modolo Martins Unidade de Saúde da Família Profa. Dra. Célia de Almeida Ferreira - Núcleo 3 Enfª Mirela Modolo Martins do Val Coordenadora da Atenção Básica Colaboração Enfª Tatiana Maria Coelho Veloso Equipe de Consultório de Rua Enfº Ueverton Camargo de Moraes Unidade de Saúda da Família Marincek Apreciação e Revisão Adrielen Aparecida Silva Calixto - Coordenadoria de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas não Transmissíveis da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Ana Paula Raizaro - Coordenadoria da Estratégia de Saúde da Família, da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Andrea Domingues Ribeiro Toneto - Coordenadoria I Procedimento Coletivos e Preventivos em Odontologia da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Daniela de Bortoli Sanches Rossi - Equipe Técnica Coordenadoria de Educação Permanente em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Dílson Braz Da Silva Junior - Diretor do Departamento de Planejamento em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Janaína Boldrini França - Coordenadoria de Assistência Integral à Saúde Da Mulher – Caism da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Karina Domingues De Freitas - Chefe da Divisão De Enfermagem da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Lilian D. Pimenta Nogueira - Coordenadoria de Aleitamento Materno da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Márcia Soares Freitas Da Motta – Médica Pediatra Coordenadoria I da Assistência Integral á Saúde da Criança e Adolescente da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Marcus Vinícius Santos - Coordenadoria de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Maria Tereza Cunha Alves Rios - Nutricionista da Equipe Técnica da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Rute Aparecida Casas Garcia - Coordenadoria de Educação Permanente em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Thatiane Delatorre – Enfermeira da Equipe Técnica do Departamento de Atenção à Saúde das Pessoas da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. Vanessa Colmanetti Borin Danelutti - Diretora do Departamento de Atenção à Saúde das Pessoas da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. AGRADECIMENTOS À Professora Dra. Fernanda Lopes Buiatti de Araújo, por ter colaborado na construção do fluxo de certificação e por ter cedido tão gentilmente a cópia dos Mapas Auriculares da Escola Chinesa e Francesa produzidos pelo IPES – Instituto Paulista de Estudos Sistêmicos, para serem disponibilizados neste Protocolo. ___________________________________________________________ Municipal de Ribeirão Preto, Prefeitura. PROTOCOLO DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES PARA ENFERMAGEM: AURICULOTERAPIA E ACUPUNTURA AURICULAR: Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular/ Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. – 2022. 85 f. : il. color. Protocolos da Coordenadoria I de Práticas Integrativas e Complementares. Departamento de Planejamento em Saúde. Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto. 1. Práticas Integrativas e Complementares. 2. Auriculoterapia. 3. Acupuntura auricular. 4. Enfermagem. I. Título. _______________________________________________________________ LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Pentagrama dos Cinco Elementos na MTC com ciclo de geração e dominação............................................................... 15 Figura 2 – Representação do feto invertido intrauterino projetado no pavilhão auricular...................................................................... 19 Figura 3 – Zonas de inervação da face externa do Pavilhão Auricular.................................................................................... 21 Figura 4 – Estruturas anatômicas da face anterior do pavilhão auricular.................................................................................... 22 Figura 5 – Pontos de Auriculoterapia do Protocolo NADA......................... 52 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Relação da Teoria dos Cinco Elementos com a natureza e o corpo humano............................................................... 16 Quadro 2 – Alterações gerais encontradas na orelha........................... 23 PORTARIAS Portaria GM/MS nº 971/2006 - Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. http://www.crbm1.gov.br/Portaria%20MS%20971%202006.pdf Portarias GM/MS nº 849/2017 – Inclui a Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt0849_28_03_2017.html Portaria GM/MS nº 702/2018 - Altera a Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para incluir novas práticas na Política Nacional de PráticasIntegrativas e Complementares - PNPIC. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2018/prt0702_22_03_2018.html Resolução Cofen 581/2018 - Atualiza, no âmbito do Sistema Cofen/Coren, os procedimentos para Registro de Títulos de Pós – Graduação Lato e Stricto Sensu concedido a Enfermeiros e aprova a lista das especialidades. http://www.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Resolucao-Cofen-no-581-2018- ANEXO-Alterado-Pelas-Decisoes-65-2021-e-120-2021.pdf SIGLAS APS – Atenção Primária a Saúde; CAISCA – Coordenadoria de Assistência Integral à Saúde da Criança e do Adolescente; DORT – Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho; LER – Lesão por esforço repetitivo; MTC – Medicina Tradicional Chinesa; OMS – Organização Mundial de Saúde; PE – Processo de Enfermagem; PICS – Práticas Integrativas e Complementares em Saúde; PNPICS – Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde; RAS – Rede de Apoio Assistencial; SMS – Secretaria Municipal de Saúde; SPM – Síndrome Pré-Menstrual; SUS – Sistema Único de Saúde; TDAH – Transtorno do déficit de Atenção e Hiperatividade; SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO............................................................................................. 13 1.1. FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA..................... 14 1.2. ACUPUNTURA AURICULAR E AURICULOTERAPIA............................... 17 1.3. ANATOMIA DO PAVILHÃO AURICULAR................................................... 20 1.4. EXAME FÍSICO DO PAVILHÃO AURICULAR............................................ 23 1.5. DIAGNÓSTICO AURICULAR...................................................................... 23 1.6. PANORAMA GERAL DA LITERATURA...................................................... 24 2. OBJETIVOS................................................................................................ 27 3. DIRETRIZES E ESTRATÉGIAS................................................................. 28 3.1. FLUXOGRAMA PARA LIBERAÇÃO.......................................................... 28 3.2. LINHAS DE CUIDADO............................................................................... 29 3.3. OFERTA DA ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA............ 29 3.4. NÚMERO DE SESSÕES........................................................................... 30 3.5. DIVULGAÇÃO PARA A EQUIPE, USUÁRIOS E COMUNIDADE............. 30 3.6. DEMANDA ESPONTÂNEA......................................................................... 31 3.7. CONSULTAS PROGRAMADAS................................................................. 31 3.8. GRUPOS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE...................................................... 31 3.9. ATENDIMENTO DOMICILIAR..................................................................... 32 3.10 RETORNOS................................................................................................ 32 4. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA E AS LINHAS DE CUIDADO.................................................................................................... 34 4.1. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE DA CRIANÇA.................................................................................................... 35 4.2. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER..................................................................................................... 40 4.3. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE MENTAL..................................................................................................... 47 4.4. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TABAGISMO......................................................................................... 50 4.5. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA NO TRATAMENTO DA DOR...................................................................................................... 52 5. ROTEIRO PARA PROCESSO DE ENFERMAGEM................................... 58 6. POP - ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA........................ 61 7. POP – LIMPEZA INSTRUMENTAL............................................................ 64 8. REFERÊNCIAS........................................................................................... 66 ANEXO 1.................................................................................................... 79 ANEXO 2.................................................................................................... 80 ANEXO 3.................................................................................................... 81 APÊNDICE 1............................................................................................... 82 APRESENTAÇÃO A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimula a inclusão das Práticas Integrativas e Complementares (PIC) nos sistemas públicos de saúde de todo o Mundo desde a conferência de Alma Ata, em 1978 (OMS,1978), e mais recentemente, temos como importantes marcos políticos e técnicos, a publicação de diversos documentos, dentre os quais merecem destaque o "Traditional Medicine Strategy" 2005-2014" (WHO, 2002) e "Traditional Medicine Strategy 2014-2023" (WHO, 2013). No Brasil, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPICS), constituída a partir da publicação da Portaria GM/MS nº 971/2006, atendeu às diretrizes da OMS, tornando possível mapear, apoiar, incorporar e implementar experiências desenvolvidas na rede pública de saúde dos municípios e estados brasileiros (BRASIL, 2006). Posteriormente, a PNPICS foi ampliada por meio das portarias GM/MS nº 849/2017 e GM/MS nº 702/2018, tornando-se a política de PICS mais abrangente, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS), que se constitui em um dos principais ambientes para a sua aplicação (BRASIL, 2015). Tais diretrizes preconizam também a qualificação dos profissionais em PICS no SUS e o apoio técnico e financeiro necessário para tal, levando em consideração os princípios e diretrizes da educação permanente em saúde (BRASIL, 2015). Em Ribeirão Preto, a partir de 1992, foi implantado o Programa de Fitoterapia e Homeopatia da Secretaria Municipal da Saúde, pioneiro no interior do Estado de São Paulo, sob a coordenação da Enfermeira Aurea Moreti Pires e Equipe Técnica Robinsom Gallão Mesquita (“In Memoriam” 13/10/1917), com apoio do Sasama/Cadais da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Conselho Municipal de Saúde e Entidades Comunitárias, e com o objetivo de oferecer a opção de tratamento de saúde com terapias naturais à população, além da criação do cargo de Coordenador de Fitoterapia e Homeopatia junto à Secretaria Municipal de Saúde, em 1994. Posteriormente, legislou a implantação na rede municipal de saúde da Homeopatia em 1998 (Lei nº 8.106), e da Fitoterapia em 2000 (Lei nº 8.778), a implantação do Ambulatório de Acupuntura "Dr. Marcelo Rosochanski", no Núcleo de Gestão Assistencial - NGA 59, em 1998,e em 2018, a publicação da Lei Complementar nº 2.924, de 07 de dezembro de 2018, que renomeia o Programa de Fitoterapia e Homeopatia para Programa De Práticas Integrativas e Complementares (ProPIC), adequando-o à nomenclatura adotada em nível nacional (RIBEIRÃO PRETO, 2022). Hoje, o município de Ribeirão Preto conta com as seguintes terapias instituídas na rede de saúde: Homeopatia, Medicina Antroposófica, Medicina Tradicional Chinesa (MTC) – Acupuntura, Plantas Medicinais/Fitoterapia; Terapia Comunitária Integrativa; Cromopuntura Técnica SU JOK, Reiki e Terapia Comunitária (RIBEIRÃO PRETO, 2022), e a Coordenadoria I de PICS tem como missão valorizar estas ferramentas para a promoção global do cuidado humano, tendo como ênfase a melhoria das condições de bem-estar físico, mental e social, bem como da qualidadede vida e saúde dos usuários do SUS. Sendo assim, temos o objetivo de incorporar e implementar as PICS no SUS, na perspectiva da prevenção de agravos e da promoção e recuperação da saúde, com ênfase na atenção básica, voltada para o cuidado continuado, humanizado e integral em saúde, bem como contribuir com o aumento da resolutividade dos serviços de saúde, que ocorrem a partir da integração – ao modelo convencional de cuidado – de racionalidades com olhar e atuação mais ampliados, agindo de forma integrada e/ou complementar no diagnóstico, na avaliação e no cuidado, auxiliando na melhora da qualidade de vida das pessoas usuárias do SUS (RIBEIRÃO PRETO, 2022). Atualmente, inicia-se uma nova etapa com a institucionalização das técnicas da auriculoterapia e acupuntura auricular para a Atenção Primária e demais unidades de saúde de atenção secundária, tendo este Protocolo como marco, criado por profissionais de Enfermagem, com formação nesta área, e que já utilizam em seu dia-a-dia esta terapêutica, em seus locais de trabalho. Drº Júlio José Cunha Enfª Luana Alves de Figueiredo Bianchi Neves Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 13 1. INTRODUÇÃO Dos anos 90 à atualidade, o uso das Práticas Integrativas e Complementares (PICS) tem aumentado em proporções mundiais. Este crescimento ocorreu, principalmente, em decorrência do estímulo da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2002, por meio da elaboração de um documento normativo para seus países membros, visando o desenvolvimento e a regulamentação das PICS nos serviços de saúde, além da ampliação do acesso, do uso racional e da avaliação da eficácia e da segurança de tais técnicas (WHO, 2002). No Brasil, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPICS), é hoje uma política abrangente, e suas diretrizes estabelecem o fortalecimento da atenção em PICS no Sistema Único de Saúde (SUS) através do incentivo à inserção dessas práticas em todos os níveis de atenção, especialmente na APS, com desenvolvimento por equipe multiprofissional. Tais diretrizes preconizam também a qualificação dos profissionais em PICS no SUS e o apoio técnico e financeiro necessário para tal, levando em consideração os princípios e diretrizes da educação permanente em saúde (BRASIL, 2015). A Portaria MS nº 971/2006 abrangia 5 práticas (acupuntura, homeopatia, fitoterapia, antroposofia e termalismo). Posteriormente, em 2017, por meio da Portaria nº 849/2017 foram incluídas mais 14 práticas (arteterapia, ayurveda, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, santhala, terapia comunitária integrativa e yoga). No ano seguinte, a Portaria nº 702/2018 incluiu mais 10 práticas (apiterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia e terapia de florais), totalizando, atualmente, 29 práticas. Ao considerar a visão ampliada do processo saúde-doença e a promoção global do cuidado humano, as PICS constituem ferramentas para “ações destinadas a garantir às pessoas e a coletividade condições de bem-estar físico, mental e social, como fatores determinantes e condicionantes da saúde” (BRASIL, 1990; BRASIL, 2006). Elas não substituem a medicina convencional, mas complementam qualquer tratamento para recuperação da saúde e bem-estar. Essas práticas são Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 14 procuradas por diversos segmentos da sociedade e são adotadas por diferentes profissionais (COFEN, 2020). A enfermagem, assim como demais profissionais que compõem a equipe de saúde, precisa visualizar as PICS como um modelo de cuidado a ser ensinado e praticado no ambiente de assistência (MENDES et al.,2019) fortalecendo a RAS (Rede de Atenção à Saúde), haja vista que proporcionam a melhoria da qualidade de vida das pessoas através de práticas que estimulam o bem-estar físico e mental (COFEN, 2020; MENDES et al., 2019). Neste contexto, os enfermeiros são profissionais de destaque na implementação e utilização das PICS, uma vez que os princípios de sua formação são congruentes aos paradigmas desta ciência. Além do mais, possuem respaldo legal para a atuação em serviços públicos e privados (AZEVEDO et al., 2019). Ademais, a Resolução Cofen 581/2018 reconhece a “Enfermagem em Práticas Integrativas e Complementares” como uma especialidade dos enfermeiros, sendo a Acupuntura, que abrange técnicas de puntura sistêmica, auriculoterapia/acupuntura auricular, moxaterapia e ventosas, uma das doze práticas reconhecidas (COFEN, 2018). 1.1 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC) A MTC se desenvolveu com base na filosofia Taoísta, também recebendo influências filosóficas do Budismo e Confucionisno. De acordo com Yamamura (2001), a MTC faz parte do grande tesouro da medicina e farmacopeia da China e baseia-se na observação dos fenômenos que regem a natureza, buscando compreender todos os princípios que a organizam. Com base conceitual Naturalista, considera o homem (microcosmo) como um aspecto da natureza (macrocosmo), dentre milhares de outros e, como tal, regido pelas mesmas leis que comandam o universo (AUTEROCHE, 1992; ZHAO, 2009). Segundo Zhao (2009, p.27), “cada ser humano é um corpo-mente-espírito orgânico unificado”, não podendo isolar uma doença e tratá-la sem entender de que forma ela afeta o restante do corpo. Assim, o paradigma da MTC inclui os conceitos do Yin-Yang, dos Cinco Elementos, Qi e Sangue, e dos Zang-Fu, sendo que para realizar o diagnóstico e tratamento de diversas patologias, é necessário basear-se nestes conceitos. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 15 A teoria do Yin Yang considera o mundo como um todo e que esse todo é o resultado das unidades opostas desses dois princípios, sendo que a reunião dessas duas partes existe em todos os fenômenos e objetos no meio natural, “não havendo Yin sem Yang, nem Yang sem Yin” (AUTEROCHE, 1992). Da mesma forma, Zhao (2009) lembra que o ser humano também é uma combinação de Yin e Yang, ou seja, cada parte do corpo é descrita como predominantemente Yin ou Yang, e a saúde como a capacidade de manter um equilíbrio entre estas duas energias e a doença como um desequilíbrio entre elas. Vale ressaltar que os estados Yin e Yang não são estáticos, mas sim dinâmicos, podendo ser mudados a depender das condições em que se encontram na relação com o meio. A teoria dos Cinco Elementos constitui o segundo pilar da MTC e sustenta que a natureza está constituída por cinco substâncias que representam simbolicamente os elementos Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água. Considera que o universo é formado pelo movimento contínuo e transformação desses cinco elementos, sendo que entre eles, há relações constantes de geração e dominância recíprocas (AUTEROCHE, 1992). Essa teoria explica as características fisiopatológicas dos órgãos internos e dos tecidos do corpo humano, as relações entre eles e as relações entre o corpo e o meio ambiente que são sempre mutantes (Figura 1 e Quadro 1). Figura 1 – Pentagrama dos Cinco Elementos na MTC com ciclo de geração e dominação. Fonte: próprio autor, 2022. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 16 Quadro 1 – Relação da Teoria dos Cinco Elementos com a natureza e o corpo humano. ELEMENTOS MADEIRA FOGO TERRA METAL ÁGUA YIN FÍGADO CORAÇÃO/CS BAÇO/PÂNCREAS PULMÃO RIM YANG VESÍCULA B INT. DELG/ T.A ESTÔMAGO INT. GROSSO BEXIGA SENTIDO VISÃO FALA PALADAR OLFATO AUDIÇÃO NUTRIÇÃO TENDÃO VASO MÚSCULO PELE OSSOS MANIFESTAÇÃOUNHAS FACES LÁBIOS PÊLOS CABELOS LÍQUIDOS LÁGRIMAS SUOR SALIVA MUCO URINA TEMPERAMENTOS RAIVA ALEGRIA PREOCUPAÇÃO TRISTEZA MEDO SABORES AZEDO AMARGO DOCE PICANTE SALGADO SONS GRITO RISO CANTO CHORO GEMIDO CLIMA VENTO CALOR UMIDADE SECO FRIO ESTAÇÕES PRIMAVERA VERÃO INTER OUTONO INVERNO A energia (Qi) e o sangue (Xue) são considerados materiais básicos do organismo. O Qi pode ser definido como a força vital que move e gera a vida, sustentando o corpo, mente, coração e espírito, sendo considerado “a raiz do homem” (ZHAO, 2009; AUTEROCHE, 1992). Ele se apresenta de dois modos: participando na formação dos elementos constitutivos do corpo e permitindo à vida se manifestar; e sendo constituído pela atividade fisiológica dos tecidos orgânicos. O Xue provém da transformação da essência dos alimentos e tem como função nutrir e umedecer os tecidos do corpo, além de servir de base material para a atividade mental (AUTEROCHE, 1992). Desse modo, o Qi é fundamental para a produção de Xue, que, por sua vez, gera o Qi. Assim, o Xue representa a base material (Yin) do Qi enquanto, o Qi (Yang) é a manifestação da atividade do Xue. A relação harmoniosa e constante entre Xue e Qi representa as relações de dependência e complementaridade entre o Yin e Yang (AUTEROCHE, 1992; ZHAO, 2009). O termo ZangFu designa o estudo da atividade fisiológica e das manifestações patológicas do conjunto de órgãos e vísceras do corpo humano, e representa a interconexão entre eles através da dinâmica da circulação energética. Os órgãos Yin são conhecidos como Zang, e as vísceras Yang, como Fu. Cada um dos seis órgãos Zang (Fígado, Coração, Pericárdio, Baço-Pâncreas, Pulmão e Rins) tem vísceras Fu correspondentes (Vesícula Biliar, Intestino Delgado, Triplo Aquecedor, Estômago, Intestino Grosso e Bexiga, respectivamente), e cada par está relacionado segundo a simbologia de um dos cinco elementos, além de manter relações com todos os tecidos, órgão dos sentidos e estados emocionais do corpo humano. Dada à Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 17 interdependência destes sistemas, um padrão de desequilíbrio em determinado órgão ou víscera tem efeito profundo em todos os outros, o que, por fim, pode levar à ocorrência de doenças (AUTEROCHE, 1992; ZHAO, 2009). Ainda que as causas das doenças sejam diversas, segundo Auteroche (1992), para a MTC o ser humano adoece em decorrência dos desequilíbrios entre Yin e Yang que podem ser explicados por dois princípios: 1 - perda da resistência corporal por diminuição da energia vital (Energia Correta), ou 2 - influência de um agente patogênico sobre o organismo (Energia Perversa). A força ou a debilidade o Qi Correto está associada a fatores como constituição física, estado mental, meio externo, alimentação e resistência adquirida por treinamento (AUTEROCHE, 1992), e para a conceituação energética esses fatores podem ser classificados em três fatores: os patogênicos externos (que representam os extremos do clima - vento, calor, umidade, secura, frio), os internos (que se referem primariamente aos excessos das emoções - raiva, alegria, preocupação, melancolia e medo) e aqueles que não são externos nem internos, ou chamados de outras causas (referindo-se primariamente a dieta, fadiga excessiva, venenos, lesões traumáticas, sexualidade, entre outros) (IPES, 2013; SOUZA, 2008). 1.2 ACUPUNTURA AURICULAR E AURICULOTERAPIA A acupuntura auricular e auriculoterapia são técnicas que utilizam pontos no pavilhão auricular para a prevenção e o tratamento de desequilíbrios orgânico- emocionais que podem acarretar em uma doença (GORI e FIRENZUOLI, 2007). Parte do conceito de que o pavilhão auricular é um microssistema, onde uma região do corpo representa todo o organismo, (WANG, 2008) permitindo tratar diferentes tipos de problemas. Esses pontos podem ser estimulados por meio de agulhas, moxabustão, sementes de mostarda, esferas de ouro ou prata, magnetos, dentre outros (OLESON, 2013; SHI-YING et al., 2012). A OMS reconhece a acupuntura auricular e auriculoterapia como uma técnica terapêutica de microssistema que pode favorecer a regulação das funções corporais (WHO, 1990). Na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (BRASIL, 2006), a auriculoterapia é descrita como Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 18 “uma técnica terapêutica que promove a regulação psíquico- orgânica do indivíduo por meio de estímulos nos pontos energéticos localizados na orelha – onde todo o organismo encontra-se representado como um microssistema – por meio de agulhas, esferas de aço, ouro, prata, plástico, ou sementes de mostarda, previamente preparadas para esse fim” (BRASIL, 2006). Ademais, salienta que esta prática, no Brasil, é constituída da fusão das técnicas terapêuticas de origem nas escolas chinesas e francesas (BRASIL, 2006). A literatura aponta o tratamento de enfermidades através de estimulação da orelha nas antigas civilizações, como o Egito, a Índia, a Arábia e a China (GORI, 2007; SOUZA, 2007). Muitos textos chineses atribuem à descoberta da acupuntura auricular para as mesmas fontes que conduziram o desenvolvimento da acupuntura sistêmica, e a acupuntura específica na orelha externa era usada há mais de 4.000 anos para o alívio de várias desordens orgânicas, como aponta “O Nei Ching – Clássico da Medicina Interna do Imperador Amarelo”, além de descrever, em 2.697 a.C, como os ramos profundos dos meridianos convergiam para a orelha, relacionando esse microssistema do corpo humano, com os órgãos e vísceras, os ZangFu, e aos meridianos (ABBATE, 2016; CASADO, 2012; JUNIOR, 1994). Assim, quando algum meridiano tem seu fluxo obstruído no corpo, aparecem pontos dolorosos na orelha, como uma reação do local obstruído. Além disso, as funções dos órgãos e vísceras (ZangFu) descritas na MTC podem ser estimuladas e equilibradas através dos pontos auriculares (ABBATE, 2016; OLESON, 2013). Já a auriculoterapia, desenvolvida pelo médico francês Paul Nogier, na década de 1950, é entendida como um microssistema com áreas reflexas na orelha e propõe que qualquer alteração em um determinado órgão ou parte do corpo poderá ser detectada e tratada pelo pavilhão auricular (OLESON, 2013). A experiência acumulada na prática e a pesquisa em acupuntura auricular e auriculoterapia em países como França, China, Rússia e Alemanha geraram a elaboração de diferentes mapas auriculares e distintas visões sobre sua prática (ABBATE, 2016; GORI e FIRENZUOLI, 2007). Os mapas mais consagrados são os designados como Auriculoterapia de origem francesa, e Auriculoterapia Chinesa, ou Acupuntura Auricular (OLESON, 2013). Nogier (1998) considera que existem mapas auriculares com pontos diferentes, segundo a escola de origem (chinesa ou Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 19 francesa), no entanto, ambas seguem a visualização de um feto invertido no pavilhão auricular com pontos localizados em áreas reflexas do corpo humano (NOGIER, 1998) (Figura 2). Figura 2 – Representação do feto invertido intrauterino projetado no pavilhão auricular. Fonte: Landgen (2008). Assim temos: ⮚ os pontos na área do lóbulo da orelha estão relacionados à cabeça e a face; ⮚ os pontos na área da escafa estão relacionados aos membros superiores; ⮚ os pontos na área da anti-hélice representam o sistema musculoesquelético; no ramo superior da anti-hélice os membros inferiores, e no ramo inferior a região glútea e o ciático; ⮚ os pontos na região da concha representam os órgãos internos sendo que na área da cimba estão os órgãos da região abdominal e na cavidade da cava os órgãos da regiãotorácica; ⮚ os pontos da região da fossa triangular estão relacionados aos órgãos da pelve e genitais internos. Ambos os mapas, formulados por Nogier e os desenvolvidos na China, foram baseados em achados experimentais, não só em postulações teóricas. Pesquisas posteriores conduzidas na Universidade da Califórnia proveram apoio e controle científico às técnicas usadas nos diagnósticos auriculares. Estes métodos são baseados na observação de que quando há deficiência orgânica ou desconforto em certa parte do corpo há um aumento na sensibilidade para palpação e uma Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 20 diminuição da resistência eletrodérmica na pele e na área correspondente do pavilhão auricular (IPES, 2013). Para efeito deste protocolo, seguiremos a recomendação da PNPICS-SUS com utilização das pranchas Chinesa e Francesa para aplicação da técnica (Anexo 1, Anexo 2, Anexo 3). 1.3 ANATOMIA DO PAVILHÃO AURICULAR A orelha é dividida em três partes: externa, média e interna. O pavilhão auricular, em forma de concha, é a parte externa da orelha, sendo dividido em duas faces: a anterior e a posterior. É constituído ainda de uma cartilagem elástica, inervada e vascularizada. O lóbulo da orelha é a única região do pavilhão que não apresenta cartilagem, sendo constituída de tecido adiposo. Está localizado no osso temporal, e sua conexão com o crânio é por meio dos ligamentos e dos músculos auriculares (UFSC, 2016). O pavilhão auricular é irrigado por artérias que procedem da artéria temporal superficial e da artéria auricular posterior, ambas ramos da artéria carótida externa. Os músculos auriculares se dividem em extrínsecos e intrínsecos, os quais conectam a orelha ao crânio e couro cabeludo e movem a orelha como um todo, além de conectarem as diferentes partes da orelha (UFSC, 2016). O pavilhão auricular tem uma complexa e abundante inervação sensorial, sendo três nervos principais: Nervo auricular magno (maior), que supre a maior parte da face anterior e posterior, lóbulo e cauda da hélice; Ramo auricular do nervo vago, que supre ambas as faces da orelha, abrange o ramo da hélice e a concha da orelha, e Ramo auriculotemporal do nervo trigêmeo, que supre a região do trago, anti-hélice , escafa e fossa e parte superior da hélice. Compõem ainda a inervação da orelha: nervo occipital menor, nervo facial e nervo glossofaríngeo (UFSC, 2016). Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 21 Figura 3 - Zonas de inervação da face externa do Pavilhão Auricular Fonte: https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/42176/1/GustavoEVilares.pdf Em relação à estrutura, a face anterior do pavilhão auricular ainda é subdividida em: ⮚ Hélice: margem superior, curva e proeminente da orelha, que começa na cavidade da concha do pavilhão da orelha e segue circundando o pavilhão até encontrar o lóbulo. ⮚ Ramo da Hélice: é o início da formação hélice, situa-se na concha da orelha. ⮚ Tubérculo da Hélice ou Tubérculo de Darwin: É uma proeminência localizada na face póstero-superior da hélice, junto à transição do ramo transverso da hélice com o ramo descendente. Nem todas as orelhas possuem esse acidente anatômico, outras possuem o tubérculo deslocado e algumas dois tubérculos. ⮚ Cauda da Hélice: situa-se na parte terminal da Hélice, que se conecta com o lóbulo da orelha. ⮚ Anti-hélice: Situa-se na saliência longitudinal ascendente mais interna e central da orelha que se divide na parte superior dando origem a 2 ramos: superior e inferior. ⮚ Ramo Superior da Anti-hélice: ramo superior da bifurcação da anti-hélice. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 22 ⮚ Ramo Inferior da Anti-hélice: ramo inferior da bifurcação da anti-hélice. ⮚ Fossa Triangular: Depressão triangular entre o ramo superior e inferior da anti-hélice. ⮚ Escafa: depressão curvilínea entre a Hélice e a Anti-hélice. ⮚ Trago: proeminência localizada sobre o meato acústico externo, em geral é triangular ou arredonda. Sua parte interna é chamada de subtrago. ⮚ Incisura anterior (superior do trago): uma depressão formada pela região anterior e externa da hélice e a margem superior do trago pouco visível, mas facilmente identificável por palpação. ⮚ Antitrago: pequena proeminência triangular de pontas abauladas, localizada abaixo da anti-hélice, oposta ao trago e superior ao lóbulo da orelha. ⮚ Incisura intertrágica: sulco formado entre o trago e o antitrago. ⮚ Lóbulo da orelha: região não cartilaginosa, de tecido adiposo, localizada na parte inferior do pavilhão auricular. ⮚ Concha da orelha: sulco mais profundo e interno localizado entre a anti- hélice, o trago e o antitrago. O ramo da hélice divide a concha em duas partes: uma superior, mais estreita, também chamada de Concha Cimba, e uma parte inferior chamada de Concha Cava. Figura 4: Estruturas anatômicas da face anterior do pavilhão auricular Fonte: ZORZETTO, 2006. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 23 1.4 EXAME FÍSICO DO PAVILHÃO AURICULAR A inspeção deve ser o primeiro passo no exame da orelha. Essa inspeção deve ser efetuada sem qualquer manipulação como lavar ou esticar a orelha a fim de evitar que sejam retiradas as descamações bem como para não modificar a cor da pele. Para o exame completo da orelha é importante analisar a textura e o tamanho dos nódulos e também verificar a sensibilidade à pressão de determinada área com auxílio de um apalpador (YAMAMURA, 2013). As pessoas podem apresentar alterações no pavilhão auricular e não apresentar queixa em relação ao ponto ou área com alteração. Neste caso, associe o método de palpação para investigar melhor. Se o ponto ou região apresentar sensibilidade alterada considere como um indicativo a ser melhor investigado (YAMAMURA, 2013). 1.5 DIAGNÓSTICO AURICULAR Para a MTC os doze meridianos reúnem-se na orelha, e a aurícula é uma das principais zonas onde o Yin e o Yang se inter-relacionam. Quando algum canal é obstruído e a circulação do sangue e Qi perde seu fluxo, aparecem pontos alterados na orelha. Deste modo, as desarmonias dos órgãos e das vísceras podem manifestar-se na orelha e provocar alterações como pápulas, eczemas e mudança de cor, dor, e alteração de potencial em relação à região adjacente (YAMAMURA, 2013). O diagnostico auricular pode ser realizado também com base nas alterações da aurícula, através da inspeção/observação e a palpação do pavilhão auricular, e também nas desarmonias detectadas conforme a teoria dos Cinco Elementos. Quadro 2: Alterações gerais encontradas na orelha MANIFESTAÇÃO ALTERAÇÃO CONDIÇÃO Mudança de coloração Vermelha, roxa Processos Inflamatórios agudos Vermelho claro e brilhante Condição aguda Processos dolorosos Vermelho escuro Condição crônica Branca Condição crônica Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 24 Cinza Possível enfermidade oncológica Castanha escura Condição crônica Mudanças morfológicas Cordões/proeminências (nódulos Ou elevações) Processos crônicos. Obstruções dolorosas e algias Descamação Afecções dermatológicas e Condição aguda Depressões Lesões ulcerativas/cirurgia Mudanças vasculares Angiectasias (dilatação dos vasos Sanguíneos) e Telangiectasias (vasos dilatados – “aranhas Vasculares”) vermelho brilhante Processos inflamatórios Algias Disfunções circulatórias Angiectasias e telangiectasias Vasos azulados Processos crônicos Fonte: Apostila módulo II - Formação em Auriculoterapia paraprofissionais de saúde da Atenção Básica, 2016. 1.6 PANORAMA GERAL DA LITERATURA EM ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTRAPIA A OMS reconhece a auriculoterapia como um microssistema que pode produzir um impacto positivo na regulação das funções corporais e seu efeito terapêutico tem sido pesquisado em diferentes contextos de cuidados à saúde devido a sua praticidade de aplicação, segurança e baixo custo (HOW et al., 2015). Estudos realizados sugerem que o uso da auriculoterapia é uma tecnologia efetiva e segura, pois os efeitos adversos são substancialmente menores quando comparados ao uso de medicamentos (BECKMAN et al., 2021). Ademais, é um método que pode ser usado de forma complementar no acompanhamento tanto de disfunções físicas quanto psicossomáticas (HOU et al., 2015). A partir da década de 1980 intensificou-se a realização de estudos experimentais que buscaram correlacionar estímulos do pavilhão auricular com possíveis mecanismos neurobiológicos de controle da dor e da inflamação (OLESON, 2005). Verificaram-se resultados positivos em estudos com lesões por esforços repetitivos (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) (ARAÚJO et al., 2006); controle da dor em idosos (OLIVEIRA et al., 2011; Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 25 CAVALCANTE et al., 2021); dor pós operatória (HE et al., 2013; MORA et al., 2007) dor relacionada à fratura do quadril (BARKER et al., 2006), lombalgia, (VAS et al., 2014), e dor relacionada ao câncer (YEH et al., 2015). Em um estudo multicêntrico conduzido no contexto da atenção primária à saúde, VAS e col. (2014) avaliaram 265 pacientes com lombalgia ou cervicalgia crônica inespecífica, distribuídos em dois grupos: auriculoterapia verdadeira e auriculoterapia placebo (VAS et al., 2014). Os pacientes do grupo intervenção obtiveram redução da intensidade da dor logo após o término das sessões e 6 meses após a terapia. Além disso, houve melhora no componente físico da qualidade de vida após 6 meses de seguimento. Outros estudos em pacientes com dor lombar crônica mostram resultados promissores na melhora da funcionalidade em paciente idosos (VAS et al., 2014b). Também foi observada que o uso da auriculoterapia tem efeitos positivos no tratamento da dismenorreia (WANG et al., 2009; YEH et al., 2013). YEH e col. (2013) investigaram o efeito da auriculoterapia por acupressão em 113 adolescentes com dismenorreia. Houve uma redução de cerca de 5 pontos na escala visual análoga de dor (VAS) após o tratamento. Já no estudo de WANG e col. (2009), os sintomas menstruais sofreram uma maior redução no grupo que utilizou as sementes de estimulação (WANG et al., 2009). Também foram verificados resultados positivos no uso da auriculoterapia para crianças e adolescentes com obesidade, miopia e transtorno de atenção e hiperatividade (TDAH) (CHA e PARK, 2019; NIELSEN e GEREAU, 2020; GAO et al., 2020; BINESH et al., 2020). A acupressão sobre pontos auriculares e outras formas de auriculoterapia têm sido utilizadas há um longo tempo no tratamento de transtornos relacionados ao abuso de substâncias (DI et al., 2014; MCLELLAN et al., 1993). Em uma revisão sistemática com 7 publicações que avaliaram o uso desta técnica para a cessação do tabagismo, os autores encontraram uma taxa entre 22-30% de cessação do tabagismo ao final do tratamento (DI et al., 2014). Resultados favoráveis também são vistos em publicações de estudos sobre ansiedade (KUREBAYASHI et al., 2017; LIN et al., 2019; PINTO, 2015); tratamento da obesidade (BONIZOL et al., 2016; SCHUKRO, 2014), sintomas de estresse (FIGUEIREDO, 2017; KUREBAYASHI et al., 2014); insônia (LAN et al., 2015; ZHAO Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 26 et al., 2019a; ZHAO et al., 2019b); depressão (SOUZA, 2019), bournout (OLSHAN, 2019), cefaleia crônica (BAXTER, 2019; KRAINSKI, 2021; VERCELINO, 2010), dor por procedimentos odontológicos (DELLOVO, 2019; IUNES, 2015; SILVA, 2018); entre outros. Não se pretende esgotar o assunto, mas sim trazer um panorama geral sobre o tema, bem como as diversas oportunidades terapêuticas para o uso da técnica em diferentes contextos. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 27 2 OBJETIVOS 2.1 Promover a melhoria da qualidade de vida e da saúde da população por meio da técnica da acupuntura auricular e auriculoterapia; 2.2 Implantar a auriculoterapia como ferramenta terapêutica para o cuidado humanizado, seguro, racional, resolutivo e econômico aos usuários dos serviços de saúde de Ribeirão Preto-SP; 2.3 Ampliar a oferta de auriculoterapia como opção terapêutica segura, resolutiva e econômica aos usuários dos serviços de saúde de Ribeirão Preto-SP; 2.4 Nortear a oferta da auriculoterapia nos serviços públicos de saúde de Ribeirão Preto-SP, vinculados à Secretaria Municipal de Saúde, com ênfase na Atenção Primária. 2.5 Colaborar com a formulação, regulamentação e implantação das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde nos serviços de saúde do município de Ribeirão Preto-SP, respaldados na PNPICS. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 28 3 DIRETRIZES E ESTRATÉGIAS 3.1 FLUXOGRAMA PARA LIBERAÇÃO Para desenvolver a acupuntura auricular/auriculoterapia na rede municipal de saúde de Ribeirão Preto, os enfermeiros habilitados devem possuir certificação em acupuntura auricular, auriculoterapia ou acupuntura, e deverão seguir o seguinte fluxo: 1- Enviar Certificado do Curso, via solar, para Coordenadoria I de Práticas Integrativas e Complementares (CooPICS) – SMS. 2- A CooPICS realizará a análise da certificação e encaminhará à Divisão de enfermagem para ciência. 3- Após a validação, o profissional e sua chefia imediata serão comunicados pela CooPICS sobre a liberação do procedimento na rede de saúde, solicitando à Divisão de Informática a liberação de acesso para lançamento do procedimento no Sistema Hygia. Enfermeiros enviam certificado de Curso para CooPICS CooPICS realiza avaliação do certificado e dá ciência à Divisão de Enfermagem Coordenadoria I de PICS comunica o profissional e sua chefia imediata sobre a liberação do procedimento e solicita a liberação do procedimento no Sistema Hygia Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 29 3.2 LINHAS DE CUIDADO A acupuntura auricular/auriculoterapia, como intervenção de enfermagem, será direcionada para as diferentes fases do ciclo vital do indivíduo, e suas indicações para diferentes condições clínicas, de acordo com este protocolo e seguindo-se as linhas de cuidado. Para tal, ressalta-se a importância da anamnese, exame físico e julgamento clínico do Enfermeiro. As linhas de cuidados de que trata este protocolo são: ✔ Saúde da Criança ✔ Saúde da Mulher ✔ Saúde Mental ✔ Saúde do Adulto/Idoso – Dores crônicas e agudas. 3.3 OFERTA DA ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA Para iniciar a oferta de Acupuntura auricular/auriculoterapia no cuidado em enfermagem, faz-se necessário levar em conta a competência cultural do usuário, ou seja, sua compreensão acerca de seu processo saúde-doença, bem como o respeito à autonomia do mesmo em decidir sobre o seu corpo e as opções terapêuticas (ZONTA, 2018). Ao pensar na Acupuntura auricular/auriculoterapia como intervenção de enfermagem complementar e integrativa a outras opções terapêuticas, o profissional fará uso de suas habilidades de comunicação para oferecer a técnica de forma mais adequada e incorporadacomo uma ferramenta de cuidado em saúde a ser cogitada pelo próprio usuário quando o mesmo buscar atendimento. Por exemplo: “A Sra. já ouviu falar, conhece, já fez ou conhece alguém que fez acupuntura auricular/auriculoterapia? O que a Sra. acha dessa técnica? Gostaria de experimentar?” (ZONTA, 2018). Ressalta-se que algumas pessoas podem considerar a técnica ineficaz, mesmo sem nunca tê-la experimentado, ou então entender que ela é contraindicada pela sua religião ou crença (ZONTA, 2018). Nesse sentido, a técnica deverá será ofertada como uma terapia complementar a outras opções terapêuticas, ajudando o usuário a decidir se vai ou Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 30 não optar por ela, explicando seu mecanismo de ação, indicações, efeitos adversos e contraindicações (TESSER et al., 2018). 3.4 NÚMERO DE SESSÕES Sabe-se que o vínculo constitui-se elemento imprescindível para o fortalecimento das relações no âmbito do SUS, contribuindo para o cuidado longitudinal e integral (SANTOS; MIRANDA, 2016). Considerando que a Acupuntura auricular/auriculoterapia possa contribuir para a criação do vínculo entre o profissional-usuário, a dinamicidade do processo saúde-doença, bem como com a propagação do conhecimento popular acerca dos efeitos terapêuticos desta técnica, acredita-se que sua oferta possa influenciar diretamente na procura dos usuários à unidade de saúde, criando um aumento significativo da demanda espontânea e programada. Deste modo, ao optar pela Acupuntura auricular/auriculoterapia como terapia complementar, em conjunto com o usuário, o enfermeiro deve pactuar com o mesmo o número de sessões necessárias para resolução da queixa inicial bem como o acompanhamento da evolução clínica. Com base na literatura científica, o número de sessões pode variar conforme as diferentes fases do ciclo vital, condições clínicas e respostas individuais. Assim, sugerimos que o número de sessões a ser pactuada deve contemplar um mínimo de 04 e, um máximo 12 sessões. 3.5 DIVULGAÇÃO PARA A EQUIPE, USUÁRIOS E COMUNIDADE A Acupuntura auricular/auriculoterapia será divulgada ao usuário e comunidade através dos atendimentos individuais e coletivos, confecção de materiais educativos (folders, cartazes, panfletos, etc) e mídias sociais (aplicativos de comunicação, televisão, rádio, etc). Para a equipe, a Acupuntura auricular/auriculoterapia poderá ser divulgada também através das reuniões de equipe, reuniões administrativas, atividades de Educação Permanente em Saúde e Educação Continuada. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 31 3.6 DEMANDA ESPONTÂNEA Acupuntura auricular/auriculoterapia pode ser oferecida como intervenção de enfermagem aos usuários que procurarem à unidade através da demanda espontânea, seguindo-se os protocolos “Acolhimento da demanda espontânea e direcionamento de fluxo na Atenção Básica“ (RIBEIRÃO PRETO, 2022) e “Acolhimento à demanda espontânea” do Ministério da Saúde (BRASIL, 2013) na perspectiva do acolhimento e acesso avançado. Assim, nos atendimentos direcionados ao Enfermeiro, denominados de Acolhimento (AI), o profissional poderá oferecer a acupuntura auricular/auriculoterapia como intervenção de enfermagem a partir do desenvolvimento Processo de Enfermagem (PE). Os retornos, caso necessário, deverão ser colocados em agenda. 3.7 CONSULTAS PROGRAMADAS A Acupuntura auricular/auriculoterapia poderá ser oferecida como intervenção de enfermagem nas consultas programadas da agenda do Enfermeiro, considerando as linhas de cuidado, e os diferentes tipos de atendimentos realizados pelos profissionais: Consultas Saúde, Saúde da Mulher, Saúde da Criança, Saúde Mental, entre outros, designados pela unidade de saúde e a partir do desenvolvimento do PE. O agendamento poderá ser feito por um profissional de nível superior que está realizando o seguimento do usuário na Unidade ou por fluxo interno entre profissionais de nível superior com formação técnica-científica para realização das PICS. 3.8 GRUPOS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE A acupuntura auricular/auriculoterapia poderá ser ofertada em atendimentos coletivos. A explicação da técnica, o objetivo do tratamento, bem como o fluxo dos retornos e agendamento poderão ser realizados em grupos. A anamnese e aplicação da técnica da acupuntura auricular/auriculoterapia deverá ser realizada Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 32 individualmente, em um local que permita a privacidade para a individualização do tratamento. 3.9 ATENDIMENTO DOMICILIAR A acupuntura auricular/auriculoterapia poderá ser utilizada como intervenção de enfermagem nas rotinas de visitas domiciliares ao usuário-família, em diferentes fases do ciclo vital e condições clínicas, a partir do desenvolvimento da PE. A técnica poderá ser aplicada no domicílio a usuários com dificuldade de locomoção ou de acesso à Unidade. 3.10 RETORNOS Após a realização da PE o usuário poderá ser agendado em consultas de retorno conforme pactuação, com duração de 10-15 minutos, para continuidade do tratamento. No primeiro mês, os retornos devem ser semanais ou em até 10 dias e após, podem ser pactuados quinzenalmente (MORÉ et al., 2018). Importante que o Enfermeiro esteja atento à evolução clínica do usuário, sendo reavaliado em cada atendimento quanto ao seu diagnóstico, quadro clínico, considerando melhoras, pioras ou novos sinais/sintomas (ZONTA, 2018). Estes retornos devem constar na grade de horário do profissional, e as unidades de saúde poderão criar vagas específicas, como por exemplo, “Consulta PICS – CSPICS”, que deverão ser destinadas exclusivamente para o acompanhamento dos usuários em tratamento. A porcentagem de consultas de retorno deverá ser pactuada com a equipe da unidade de saúde, levando-se em consideração a quantidade de usuários cadastrados, as características da população adstrita, a rotina do serviço e a demanda programada, de cunho complementar, não devendo interferir ou ocupar as demais vagas de atendimento e atividades já previstas na agenda do Enfermeiro. Ressalta-se que no caso da utilização da Acupuntura auricular/auriculoterapia nos atendimentos domiciliares, se tratando de usuários acamados e domiciliados, os retornos deverão ser programados de acordo com a rotina de visitas domiciliares do profissional. Nos demais casos, por exemplo: visita Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 33 domiciliar ao binômio mãe-bebê, gestantes, portadores de doenças crônicas, vulnerabilidades sociais, etc., o usuário deverá ser orientado a retornar ao serviço de saúde para continuidade da terapia. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 34 4 ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA E AS LINHAS DE CUIDADO Neste capítulo abordaremos de modo sucinto as principais recomendações para o uso da acupuntura auricular/auriculoterapia em cada linha de cuidado. Recomendamos uma seleção criteriosa dos pontos, de acordo com as questões levantadas com o usuário por meio da anamnese e exame físico, além de priorizar a queixa principal, em caso do usuário apresentar diversas queixas. Importante atentar para o número de pontos, não sendo recomendado mais do que dez em uma única sessão. O tratamento com a acupuntura auricular vai buscar equilibrar o Yin/Yang, bem como os ZangFu, além de reduzir quadros dolorosos e equilibrar as emoções, sendo recomendada ainda, pela teoria da MTC, a avaliação da constituição energética, dos fatores externos e internos, e daschamadas de outras causas (referindo-se primariamente a alimentação, exercícios físicos e trabalho) a que o indivíduo está exposto. Deste modo, os tratamentos serão individualizados. Sabe-se que um mesmo ponto pode ser utilizado em diversos casos, como o ponto Intestino Grosso para tratar tanto constipação como a diarreia; ou ponto do Fígado para tratar tanto amenorreia quanto hipermenorreias, dentre outros. Assim, tem-se para a escolha dos pontos: Fonte: próprio autor, 2022. ANAMNESE OBSERVAÇÃO INSPEÇÃO PALPAÇÃO DOS PONTOS PONTOS REFLEXOS PONTOS COMPLEMENTARES PONTOS ENERGÉTICOS/ ZANGFU Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 35 4.1. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE DA CRIANÇA A Acupuntura auricular/auriculoterapia para crianças e bebês pode ser um tratamento eficaz para muitas condições comuns da infância, podendo trazer benefícios atrelados a uma terapêutica menos invasiva. A técnica é uma excelente aliada, podendo ser utilizada em diversas condições, incluindo no alívio de cólicas e processos da digestão, fortalecimento do sistema imunológico, melhorias do sono, atenuação dos sintomas do início da dentição, transtorno de hiperatividade e déficit de atenção, cefaleias, dores em geral, asma, alergias, febre, constipação e diarreia, enurese noturna, depressão e ansiedade, entre outras. Além disso, também foi verificado que o uso da auriculoterapia para crianças e adolescentes com obesidade, miopia e transtorno de atenção e hiperatividade (TDAH) também é seguro (CHA e PARK, 2019; NIELSEN e GEREAU, 2020; GAO et al., 2020; BINESH et al., 2020) Não existe contra indicação relacionada à idade, podendo ser utilizada desde o nascimento bem como em crianças pré-escolares, pré-adolescentes e adolescentes. Segundo Cline (2003), quanto mais nova a criança, mais suscetível à doença devido à imaturidade relativa dos órgãos e suas funções. Os seus órgãos internos são delicados, o Qi defensivo ainda é fraco, e há insuficiência de Qi e Sangue, além da pele e músculos ainda serem fracos. Como as crianças mostram uma base energética predominantemente Yang, as configurações gerais podem mudar rapidamente e de forma imprevisível. A alimentação inadequada, assim como a exposição a agentes patogênicos podem facilmente perturbar esse equilíbrio delicado do Yin e do Yang. Os problemas comuns e doenças normais da infância em geral surgem de forma muito rápida (SCOTT, 1997). Assim como nos adultos, o número de sessões necessárias varia dependendo da condição da criança e da queixa. Para uma condição temporária como diarreia ou febre, apenas um ou dois tratamentos podem ser necessários. Outros problemas como um transtorno alimentar ou depressão vão exigir mais sessões (SCOTT, 1997). Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 36 Cabe ressaltar que a acupuntura auricular/auriculoterapia entra como prática complementar no acompanhamento destas queixas, sendo necessária uma avaliação multiprofissional, bem como discussão em equipe das condutas. Não exclui a avaliação médica em casos necessários, tão pouco substitui outras terapêuticas em cada caso. Público alvo Recém-nascidos e crianças até 15 anos 11 meses e 29 dias encaminhadas por profissionais de nível superior, ou dentro da rotina de enfermagem para esta faixa etária. As queixas priorizadas em crianças são; Alterações gastrointestinais Os principais órgãos envolvidos nos distúrbios digestivos são Estômago, Intestino Delgado e Intestino Grosso. Queixas abdominais que envolvam esses órgãos podem estar relacionadas com dor ou distensão visceral. No caso de dor, existe o envolvimento do desequilíbrio do Fígado. Por outro lado, queixas relacionadas com dificuldade digestiva, sensação de empachamento e distensão abdominal, estão relacionadas com o Baço. Queixas relacionadas à eliminação envolvem também Intestino Grosso (UFSC, 2016b). Alterações respiratórias As alterações respiratórias em crianças são um grave problema de saúde pública. A imaturidade imunológica, o estado nutricional, a situação socioeconômica, as condições ambientais, bem como a imaturidade do sistema respiratório favorecem a instalação e desenvolvimento de infecções respiratórias nas crianças (VARGAS, 2010). A congestão nasal é um sintoma muito comum, podendo levar a dificuldade na respiração e na alimentação (UFMG, 2014). Uma das causas mais frequentes é a Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 37 inflamação da mucosa e a presença de secreção nasal, na maioria das vezes decorrente de gripes, resfriados ou alergia respiratória (UFMG, 2014). A rinite é a inflamação e ou disfunção da mucosa de revestimento nasal, e é caracterizada por alguns sintomas como: obstrução nasal, rinorréia anterior e posterior, espirros, prurido nasal e hiposmia (SAKANO et al., 2018). A rinossinusite é um processo inflamatório da mucosa que reveste a cavidade nasal e também os seios paranasais e traz consigo repercussões significativas na qualidade de vida de crianças e adultos acometidos por essa doença (SOUZA, 2021). A asma é uma doença crônica e é caracterizada pela inflamação nas vias aéreas inferiores (SOUZA, 2021). Essa inflamação dificulta a passagem do ar e podendo desencadear chiado no peito, sensação de aperto no peito, dispneia e/ou tosse (SOUZA, 2021), e a bronquiolite viral aguda (BVA) é uma das principais infecções respiratórias que acometem os menores de 2 anos e a principal causa de internação de hígidos menores de três meses no mundo (DALL’OLIO, 2021). O principal órgão da respiração é o Pulmão, responsável pela captação do Qi por meio do ar inalado. O Qi captado pelo Pulmão é recebido pelo Rim. No caso de dispneia, esses são os principais órgãos envolvidos. Caso haja tosse produtiva, ou seja, acúmulo de muco, o que caracteriza excesso de umidade, o Baço também deverá ser tratado. O tratamento deve ser fortalecer a energia defensiva dos pulmões (SCOTT, 1997), além de pontos de imunidade e pontos relacionados com a parte que está comprometida, por exemplo, nariz externo, nariz interno, faringe, etc. Alterações do sono O sono é uma função essencial para o desenvolvimento saudável da criança (BUXTON et al., 2015). Durante a infância ocorrem diversas mudanças a nível neuromotor e, portanto, o descanso e a reparação física provenientes do sono são essenciais, exercendo um grande impacto no crescimento e desenvolvimento infantil saudável (SILVA et al., 2018). Nas crianças, problemas de sono podem estar relacionados com hábitos, comportamentos e padrões de sono indesejáveis que, por sua vez, podem impactar de modo negativo diferentes níveis de desenvolvimento infantil, como o cognitivo, o Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 38 escolar, emocional, físico, nas relações familiares ou comportamentais (ALMEIDA, 2021). O sono saudável requer qualidade, duração adequada, ausência de problemas/perturbações do sono e regularidade (ALMEIDA, 2021). Os hábitos de sono saudáveis e rotinas de sono adequadas são ótimos aliados no combate aos problemas de sono na infância (ALMEIDA, 2021). Na MTC as crianças que apresentam sintomas como a dificuldade em dormir, terrores noturnos e sonos curtos, que não são capazes de permanecerem calmas por muito tempo são consideradas crianças com um desequilíbrio entre o yin e o yang em que o yang ganha, claramente, mais peso (ROSSI, 2010). Do ponto de vista terapêutico, a intervenção tem por finalidade o restabelecimento do equilíbrio e a melhoria do sono. Em geral, recomenda-seo uso de pontos com função específica, como ciclo circadiano ou pineal e indutor do sono, por exemplo, com ações neurofisiológicas e no território de inervação do nervo vago como o shenmen, simpático e subcórtex. O ponto do coração e do fígado podem ser utilizados em virtude de sua relação direta com o sono e com as funções cognitivas e emocionais (UFSC, 2020b). Enurese noturna Na população infantil, uma das queixas expostas com alta frequência é a enurese noturna (SILVARES, 2012), caracterizada como a eliminação de urina durante a noite, que produz sofrimento ou prejuízo significativo no funcionamento social, acadêmico ou em outras áreas importantes na vida do indivíduo (FERRARI et al, 2015). A enurese pode ser classificada como primária, nos casos em que a criança nunca obteve o controle da micção, ou secundária, na existência desse controle por pelo menos seis meses (NEVÉUS et al., 2006). As possíveis causas da enurese apontadas pelos estudos são: dificuldade de despertar ao sinal de bexiga cheia, poliúria noturna (falha na liberação do hormônio vasopressina que concentra a urina) e atividade detrusora disfuncional (contrações não inibidas do músculo detrusor da bexiga) (BUTLER; HOLLAND, 2000). Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 39 Na MTC, a enurese noturna relaciona-se geralmente a fraqueza dos rins que, neste caso, é decorrente de fraqueza inata ou de uma desordem do tipo umidade calor hereditária. Além da fraqueza dos rins causada pela própria natureza da criança, fatores como a insegurança, brigas familiares, não adaptação à vida escolar podem contribuir para a instalação e perpetuação da enurese. Desta forma, recomenda-se fortalecer a energia dos rins e da bexiga, SanJiao ou Triplo aquecedor, assim como os pontos relacionados com a parte emocional (SCOTT, 1997). Obesidade A obesidade é uma patologia crônica não transmissível, que pode ter início em qualquer idade, e seu desenvolvimento caracteriza-se como multifatorial, abrangendo fatores genéticos, metabólicos, fisiológicos, sociais, econômicos, psicológicos, naturais, educacionais, dentre outros, podendo ser agravados pelo ambiente (LOPES et al., 2010). Uma das muitas consequências causadas pela obesidade na infância é o surgimento de psicopatologias, incluindo os quadros de ansiedade, depressão, sentimentos de rejeição social e vergonha (MENDES et al., 2019). Além de distúrbios psicológicos, a obesidade está altamente relacionada a diferentes comorbidades que podem vir a aparecer na vida adulta, como hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo II, doenças cardíacas, osteoartrite, entre outros (LOPES et al., 2010). Na MTC, a obesidade pode ser enquadrada como uma variante de “calor” no estômago e intestino, ou deficiência de Qi no baço e estômago, ou, ainda, excesso de umidade/ fleuma (YEH et al., 2017). Recomendamos, assim, a escolha de pontos que favoreçam a função digestiva, o equilíbrio no fluxo do Qi, também o efeito de acalmar a mente, considerando que os quadros emocionais também podem estar envolvidos na compulsão alimentar, reduzindo a ansiedade relacionada aos quadros de obesidade (UFSC, 2020c), assim como pontos específicos de vício, fome e sede. Alterações de humor, comportamento e dificuldade de aprendizado Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 40 A natureza da criança é mais yang do que yin. Pela MTC ela é fogo, no entanto, quando o fogo se torna um entrave ao crescimento saudável da criança, à sua integração social, interferindo na capacidade de relacionamento consigo e com outras crianças e pessoas do seu convívio, dificultando o aprendizado e o desenvolvimento do seu potencial cognitivo, emocional, linguístico, motor, então o seu “fogo” necessita de uma intervenção terapêutica (ROSSI, 2010). “Se as qualidades de calor e fogo prevalecem, elas são suscetíveis de perturbar o coração, agitando e confundindo o Shen (a mente). O yin deficiente corresponde a uma fraqueza de Qi, que é a essência da vida e o motor de funcionamento do shen”; e os sintomas como a impulsividade, a irritabilidade, a falta de autocontrole e a hipercinesia, bem como a memória fraca e a falta de atenção são apontados como sintomas de fraqueza hepática, ou dos rins (ROSSI, 2010). Nestes casos, a acupuntura auricular/auriculoterapia tem como objetivo não só a melhoria das funções cognitivas como a memória e atenção, mas também a regularização do estado emocional da criança e das suas somatizações, acalmando a mente, diminuindo a ansiedade, melhorando a concentração e a atenção, favorecendo a memorização, o foco e o aprendizado. Na acupuntura auricular/auriculoterapia, recomenda-se o uso de pontos do como fígado, coração, Yang Gan 1 e 2, sistema límbico, subcortex, ponto do cérebro, neuroastenia, tireoide, entre outros. 4.2. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE DA MULHER De acordo com a MTC, na mulher há um predomínio de sangue, fazendo com que ela seja mais Yin. Já no homem há um predomínio de energia, tornando-o mais Yang. Clinicamente, a mulher tem a tendência a sentir mais frio do que o homem. Além disso, a produção de leite, fluxo menstrual, a possibilidade de gestar e gerar são funções ligadas ao elemento Yin. Para mais, em predominância do Yin, a psicologia feminina é de maior recolhimento, concentração e menor agressividade. Seguindo ainda a filosofia da MTC, os principais elementos que são relacionados aos ciclos femininos são a água, madeira e terra. O fogo tem importância secundária Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 41 e o metal não possui relevância direta na fisiologia feminina, apesar de todos esses cincos elementos estarem conectados entre si. Dentre as diversas indicações de acupuntura auricular/auriculoterapia, as queixas priorizadas na saúde da mulher são: Síndrome Pré-Menstrual (SPM) Na SPM, identificamos, costumeiramente, um padrão de estação de Qi do Fígado, manifestando sintomas como: depressão, edema, irritabilidade, cefaleia, angústia, aumento de peso, cansaço entre outros (CAMPIGLIA, 2017). Recomendamos a utilização de pontos do fígado, baço-pâncreas, útero e ovários, bem como de outros relacionados ao controle emocional, já que a estagnação de fígado está ligada às emoções. No caso de dores de cabeça de síndrome pré-menstrual é comum sua associação à retenção hídrica característica da atuação hormonal pertinentes à menstruação, recomenda-se, então, o ponto do metabolismo e adrenal. Nos casos de dores e/ou desconfortos relacionados à SPM, recomenda-se que as sessões sejam programadas de três a cinco dias antes da menstruação. Alterações de fluxo menstrual (amenorréias e hipermenorreias) Estas condições seguem por alterações no fluxo energético dos Rins, Baço, Fígado e Útero. Sugere-se, além dos pontos relacionados aos ZangFu, pontos do útero, ovários, endócrinos, e supra-renais/adrenais. Cólicas menstruais A dismenorreia é o nome formal do sintoma conhecido popularmente por cólica menstrual, que pode ser classificada como primária, sendo um sintoma isolado da contratilidade da musculatura do útero, ou secundária, sendo decorrente de uma alteração patológica já instalada como cistos, miomas ou endometriose. Assim como a SPM, as cólicas descrevem estagnação do Qi e, possivelmente, estagnação de sangue (CAMPIGLIA, 2017). Outra causa plausível é a presença de Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 42 frio no útero, ocasionado por exposição prolongada e indevida à umidade e ao frio, podendo ser oriundas de ambiente frio eúmido e/ou ingestão de comidas cruas e geladas. Na acupuntura auricular/auriculoterapia, recomenda-se o uso de pontos do Fígado, do Baço e do Útero, bem como pontos de analgesia. Climatério/Menopausa O climatério não é uma doença, mas sim um período de mudanças da fase reprodutiva para a não reprodutiva, com implicações físicas e hormonais. No período de climatério e menopausa é comum que mulheres apresentem sintomas não agradáveis como irritabilidade, atrofia e secura na pele, principalmente mucosa vaginal, diminuição da libido, ondas de calor, cefaleia, cansaço, insônia, fadiga, depressão, falta de memória, sudorese, palpitações, tontura, dispareunia, prurido vulvar, dores articulares, dores musculares, osteoporose (BRASIL, 2008; CAMPIGLIA, 2018). Na visão da MTC, os sintomas apresentados nesta fase se enquadram como uma deficiência da Essência do Rim em seu aspecto Yin ou Yang, que também pode estar associada a alterações de outros órgãos, levando a síndromes mistas. Os sintomas emocionais que as mulheres descrevem como ansiedade, irritabilidade, preocupação podem ter relação com um excesso de trabalho no decorrer da vida; excesso mental e físico; gestações próximas e muita atividade sexual. Tudo isso estaria relacionado com um esgotamento precoce da essência do rim, devido ao estilo de vida. (GARCIA, 2020; WEILER, 2012). Sendo um período caracterizado principalmente por uma queda da Energia Vital e para evitar os sintomas descritos acima, deve-se utilizar a energia disponível de forma mais tranquila e suave. Ainda, com a escolha adequada dos pontos auriculares, os sintomas relatados pelas mulheres nesta fase são tratados e a qualidade de vida melhora. É importante também orientar práticas que favoreçam a recomposição da vitalidade e diminuam o desgaste natural desta fase, reduzindo ou eliminando os sintomas (CAMPIGLIA, 2017). Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 43 A acupuntura auricular/auriculoterapia será indicada de acordo com as queixas apresentadas pela mulher, recomendando-se o uso de pontos relacionados ao ZangFu, emocionais, analgésicos e hormonais. Alterações da Gestação As alterações gestacionais decorrem das modificações fisiológicas do organismo, que muitas vezes causam desconforto materno, mas que tendem a retornar após o nascimento do bebê. A acupuntura auricular/auriculoterapia bem indicada e realizada adequadamente pode e deve ser usada como ferramenta terapêutica durante a gestação, ajudando a minimizar estes desconfortos, considerando ainda a reduzida opção terapêutica medicamentosa a que as gestantes estão sujeitas (CAMPÍGLIA, 2017). Estudos clínicos indicam que auriculoterapia reduz significativamente a ocorrência e intensidade da náusea e do vômito associados ao uso de medicamentos quimioterápicos, radioterapia, gravidez, intervenções cirúrgicas e em casos de cinetose (EGHBALI et al. 2016; LEE, FRAZIER et al. 2011). Em gestantes, sugere-se o uso de auriculoterapia a partir da 17a semana(MAFETONI, SHIMO, 2016). ● Ansiedade na gestação Na gestação, a ansiedade tornou-se um achado comum devido ao ciclo de vida vivenciado pela mulher, caracterizado como momento de fragilidade emocional, flutuação hormonal e mudanças sociais que influenciam diretamente em sua saúde emocional (ARAÚJO, 2016). Para a MTC, as emoções em excesso causam mudanças importantes no estado energético e são fatores para o adoecimento tanto físico quanto mental. Estudo conduzido por Silva et al, 2020, mostrou que a auriculoterapia é um tratamento eficaz quando utilizado como intervenção visando a diminuição dos níveis de ansiedade nas gestantes atendidas em pré-natal de baixo risco (SILVA, 2020). Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 44 Para o tratamento da ansiedade, pode-se usar pontos do coração, baço, rim, sistema límbico, shenmen, dentre outros. ● Hiperemese gravídica Afeta cerca de 60% a 80% das gestantes, fazendo com que diminua a qualidade de vida e bem-estar da mulher e do embrião/feto (SILVA, 2008). A acupuntura auricular/auriculoterapia é uma prática bastante aliada para tratamento desta patologia, uma vez que não há riscos teratogênicos e abortivos (NEVES, 2018). Para tratamento de enjoos, deve-se tratar o sistema digestivo usando pontos do Baço, Pâncreas e Estômago. Além disso, recomendações alimentares ajudarão no tratamento (CAMPIGLIA, 2017). ● Cefaleias da gestação As cefaleias gestacionais decorrem da vasodilatação e edema cerebral por ação da progesterona, e da diminuição da força coloidosmótica intravascular pela hemodiluição fisiológica da gravidez. Geralmente é mais intensa em mulheres com história prévia de enxaqueca, e pode ser agravada por hipoglicemia, calor e fadiga, e pela ansiedade com a aproximação do parto. Nos quadros de cefaleia, deve-se avaliar a situação energética do fígado e da vesícula biliar, além de pontos analgésicos e relacionados à localização da dor, por exemplo: frontal, parietal, occipital. ● Lombalgia e artralgia gestacional A dor lombar e articular, em diferentes graus, acomete a maioria das gestantes, sendo comuns na gestação. Cerca de 1/3 das gestantes apresenta dor grave, interferindo na vida social e profissional. Tem origem na embebição das articulações sacro-ilíacas, na diminuição da estabilidade articular e no espasmo muscular decorrente de alterações posturais e pela ação da progesterona, além do aumento de peso naturais desta fase. Podem ser induzidas ou agravadas por movimentos bruscos, vícios posturais ou permanência em posições que forçam as articulações. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 45 Vas et al. (2019) investigaram o efeito da acupuntura auricular na dor lombar e/ou dor posterior na cintura pélvica vivenciado por mulheres grávidas, na atenção primária, e concluíram que após 2 semanas de tratamento com acupuntura auricular, associada ao tratamento obstétrico padrão, reduziu-se significativamente a dor lombar e pélvica em mulheres grávidas, melhorando a qualidade de vida e a incapacidade funcional (VAS et al, 2019). Para o tratamento das lombalgias e artralgias, recomenda-se o uso de pontos do baço, rim, pontos relacionados à região de dor e pontos de analgesia. ● Constipação intestinal na gestação A constipação intestinal é um distúrbio funcional caracterizado pela dificuldade rotineira na exoneração dos intestinos pelo prolongado intervalo entre as evacuações ou pela consistência aumentada das fezes. É ocasionada pela hipotonia gastrintestinal devido à ação inibidora da progesterona sobre a contratilidade da fibra muscular lisa, dificultando a peristalse. O retardo na progressão do bolo alimentar pelos intestinos possibilita a maior reabsorção de líquidos, e consequente aumento da consistência das fezes. Pode agravar doença hemorroidária previamente existente. Para o tratamento da constipação, recomenda-se o uso de pontos do baço, rim, intestino grosso, intestino delgado, triplo aquecedor, pulmão, entre outros. ● Edema gestacional Em geral surge no 3º trimestre da gravidez, limitando-se aos membros inferiores e, ocasionalmente, às mãos. Desaparece pela manhã e acentua-se ao longo do dia; e piora com ortostatismo prolongado e deambulação. Deve-se atentar para a possibilidade do edema patológico, associado à hipertensão, sinal importante de pré-eclâmpsia. Além das orientações gerais, recomenda-se o uso de pontos do baço, rim, bexiga, triplo aquecedor, entre outros. ● Hipogalactia Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 46 A hipogalactiaestá muitas vezes associada aos seguintes fatores: fraqueza de constituição, má nutrição e desordens emocionais. Os mamilos estão relacionados ao fígado, enquanto que o seio está relacionado ao estômago. Desta forma, recomenda-se o uso de pontos do fígado, estômago, rim, glândulas mamárias, bem como relacionados ao controle emocional. ● Ingurgitamento mamário O ingurgitamento mamário caracteriza-se pela congestão vascular e/ou linfática, resultando no acúmulo de leite nos alvéolos, podendo ocorrer entre o 3º ao 5º dia após o parto (PERILO, 2019). Pode ser fisiológico (apojadura) ou patológico. O ingurgitamento mamário fisiológico ocorre como processo normal da lactogênese, em que há a retenção de leite nos alvéolos, evoluindo para uma distensão alveolar e compressão dos ductos lactíferos, causando obstrução ao fluxo de leite (PERILO, 2019). Observa-se edema secundário à estase vascular e linfática. Em consequência ao aumento da pressão intraductal, o acúmulo de leite sofre transformação intermolecular e sua consistência torna-se mais viscosa, popularmente nomeado de “leite empedrado” (PERILO, 2019). Já o ingurgitamento mamário patológico é caracterizado pela distensão tecidual excessiva e consequente aumento do tamanho das mamas com presença de dor, hiperemia local, edema mamário e complexo mamilo-areolar enrijecido, podendo estar acompanhada de febre e mal-estar, além de apresentar riscos de evoluir para a inibição da produção de leite materno, mastite, abscesso mamário ou septicemia (PERILO, 2019). Estudo realizado por Maymone et al. (2014) com mulheres no pós-parto imediato em uma maternidade objetivou analisar os efeitos da acupuntura auricular nas complicações da lactação incluindo o ingurgitamento mamário, traumas mamilares, ausência de colostro e baixa produção de leite. Participaram do estudo sete mulheres, das quais seis (n=6) 90% eram primíparas e 80% (n=5) maiores de 21 anos. Durante o período em que ficavam na maternidade, as mulheres recebiam duas sessões de auriculoterapia: a primeira um dia após o parto e a segunda sete dias após. Os pontos utilizados foram: Rim, Shemen, supra-renal para todas as Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 47 mulheres, pois, além de impulsionar energia corporal, estimulam o relaxamento, aliviando tensões. Os demais pontos foram analisados de acordo com a indicação de dor ao apalpador. Foram ainda testados os pontos glândulas mamárias, glândulas endócrinas e analgesia, os mais sensíveis, glândulas mamárias e analgesia. Das sete mulheres participantes do estudo, seis relataram aumento na produção láctea, redução das dores, sensação de relaxamento, apojadura, redução da dor, redução do sangramento, cicatrização das fissuras e melhora do ingurgitamento mamário fisiológico; e somente uma mencionou não ter observado nenhum resultado, entretanto também não apresentou nenhum efeito adverso (MAYMONE et al., 2014). Em revisão de literatura, a Sousa et al. (2012) identificou que a acupuntura auricular apresentou efetiva diminuição dos sintomas do ingurgitamento mamário, destacando como um dos métodos não farmacológicos eficaz para a proteção do aleitamento materno. Assim, recomenda-se o uso dos pontos Rim, Shemen, supra-renal, glândulas mamárias, relaxamento muscular, hipófise, endócrino, dentre outros. 4.3. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE MENTAL No que tange a Saúde Mental, a acupuntura auricular/auriculoterapia tem se mostrado efetiva em estudos que relatam situações de estresse, ansiedade, síndrome do pânico, depressão, burnout e uso abusivo de tabaco, de álcool e outras drogas (KUREBAYASHI et al., 2014, KUREBAYASHI et al., 2017; LIN et al., 2019; OLSHAN, 2019; PINTO, 2015; VIANA, 2009; ZHAO et al., 2019a, ZHAO et al., 2019b; SOUZA, 2019). Ainda que as causas das doenças sejam diversas, segundo Auteroche (1992), para a MTC o ser humano adoece em decorrência dos desequilíbrios entre Yin e Yang, e está associado a fatores como constituição física, estado mental, meio externo, alimentação e resistência adquirida por treinamento (AUTEROCHE, 1992). Em condições normais as emoções não causam doenças, mas são consideradas como fatores patogênicos internos que, quando em excesso ou falta, causam desequilíbrio e podem afetar o funcionamento psíquico, fazendo com que surjam Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 48 inúmeras síndromes energéticas e patologias. As cinco emoções maiores são o medo (rim), a raiva (fígado), a alegria/euforia (coração), a preocupação/obsessão (baço), a tristeza/melancolia (pulmão). O elemento água está relacionado com os rins/bexiga e sua emoção é o medo e a insegurança. O medo é um fator de proteção, porém muito intenso, impede a ação. Pode causar consumo excessivo de Qi, como na síndrome do pânico e, também, afeta o coração e o Shem (mente), causando fobias, diminuição da autoestima, entre outros. A raiva está associada ao fígado, que representa o elemento madeira. Inclui outras emoções como ressentimento, raiva reprimida, irritabilidade, frustração, ira, ódio, indignação e mágoa. Em excesso podem causar estagnação do Qi do fígado ou sangue do fígado acarretando em cefaleia, tontura, zumbido, rigidez de nuca. A depressão de longa duração pode ser associada a estas condições. O elemento fogo está relacionado ao coração, tendo a alegria/felicidade como sua emoção predominante. Em excesso, pode criar o estado de superexcitação que consome o Qi e afeta o coração. As principais manifestações podem ser: palpitações, excitabilidade exagerada, insônia, inquietude e logorreia. A ansiedade está relacionada ao desequilíbrio deste elemento. É um sintoma de uma desarmonia ligada ao Shen, por desequilíbrio de Qi e Xue (sangue) no coração ou em outros órgãos que afetam o coração. A mente fica então desalojada ou obstruída. O elemento terra está relacionado ao Baço/Pâncreas/Estômago e a preocupação é sua emoção predominante. É uma das disfunções emocionais mais comuns em nosso tempo, e seu excesso desequilibra diretamente a transformação e o transporte de energia no nosso corpo, levando à estagnação do Qi. Alguns sinais e sintomas que podem aparecer são: dores musculares gerais, sensação desconfortável no peito, dificuldades de memória e concentração, discreta falta de ar, tensão nos ombros, cansaço excessivo, entre outros. O elemento metal está relacionado ao pulmão/intestino grosso e sua emoção é a tristeza/melancolia. A tristeza permite elaborar as perdas e mudanças de fases da vida; simboliza o recolhimento e o olhar para dentro de si mesmo. Já a tristeza crônica diminui o Qi e pode levar a pessoa à depressão, com queixas de dificuldade de respirar, sensação de desconforto no peito, ou choro reprimido. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 49 Deste modo, o Coração é o principal órgão das emoções, ele abriga a mente (Shen). O Fígado, que armazena a alma etérea, expressa a manifestação Yang do Coração. Ambos costumam estar comprometidos nas principais queixas emocionais. Porém, os demais órgãos também podem estar envolvidos, a exemplo do Baço, relacionado aos pensamentos obsessivos; do Rim, relacionado à falta de vontade e à insegurança; e do Pulmão, nos casos de melancolia. Na prática, a melhor forma de verificar quais órgãos podem estar em desarmonia, é observar também as manifestações físicas do paciente, avaliando quais tecidos estão comprometidos e relacionando esses também ao seu respectivo órgão. População-alvo Poderão ser atendidos usuários com diagnóstico médico e/ou encaminhamento de profissionais de nível superior. As queixas priorizadas na saúde mentalsão: ● Estresse O estresse é um estado de tensão que causa ruptura no equilíbrio do organismo, e que ultrapassa a sua capacidade adaptativa, gerando um estado de tensão fisiológica, e que tem relação direta com as demandas do meio ambiente. ● Ansiedade e Síndrome do Pânico A ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho. É reconhecida como patológica quando exagerada e desproporcional em relação ao estímulo e interfere na qualidade de vida, no conforto emocional ou no desempenho diário do indivíduo. ● Depressão Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 50 A depressão é um transtorno de humor de etiologia multifatorial que afeta as pessoas na sua forma de se relacionar consigo e com o mundo ao seu redor. As alterações e os sintomas variam, sendo que cada indivíduo pode apresentar sinais e sintomas diferentes. ● Síndrome de Bournout A Síndrome de Burnout é consequente a níveis de estresse crônico relacionado ao trabalho, compreendendo uma exaustão emocional e diminuição do sentimento de realização pessoal, ocasionando transtornos mentais que resultam em prejuízos pessoais, organizacionais e familiares. Deste modo, referindo a saúde mental, além de pontos referentes aos desequilíbrios energéticos dos ZangFu, recomendamos alguns pontos comuns utilizados no equilíbrio emocional e nas queixas relacionadas a ela, como: ShenMen; Simpático; Diafragma/Ponto Zero ou Plexo Solar; Sistema Límbico; Yang do Gan 1 e 2; Adrenal; Hipotálamo; Subcórtex; Ponto do Cérebro; Neurastenia; Pineal (ciclo circadiano); Tríade da Ansiedade/Tríade da alegria; Boca, Fome, Sede, Vício. 4.4 ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA NO TRATAMENTO DO TABAGISMO A acupressão sobre pontos auriculares e outras formas de auriculoterapia têm sido utilizadas há um longo tempo no tratamento de transtornos relacionados ao abuso de substâncias (DI, MAY, ZHANG et al. 2014; MCLELLAN et al 1993). Nos últimos anos, pesquisadores têm contribuído com investigações científicas em maior escala, no âmbito da acupuntura sistêmica, quando comparada à auriculoterapia. No entanto, as evidências sobre auriculoterapia, que foram conduzidas com adequado rigor metodológico, mostraram resultados similares à técnica sistêmica, tanto em relação à eficácia clínica quanto às bases neurofisiológicas (NIEMTZOW, OLESON; 2014). Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 51 A associação sem fins lucrativos chamada National Acupuncture Detoxifucation Association (NADA) tornou popular no meio leigo e científico um protocolo de auriculoterapia usado como adjuvante no tratamento da adição a substâncias químicas e esse protocolo é adotado em diversos ensaios clínicos sobre o assunto (CUI, WU, LI, 2013). Na revisão sistemática mais inclusiva publicada até o momento, dentre os 25 ensaios clínicos selecionados, apenas 7 deles avaliaram o uso da Auriculoterapia com acupressão para a cessação do tabagismo (DI, MAY, ZHANG et al. 2014). Ao juntar estudos que utilizaram acupuntura auricular e auriculoterapia por acupressão os autores encontraram uma taxa de cessação do tabagismo entre 22- 30% ao final do tratamento. Essa taxa caiu para 15-18% após três meses e finalmente para 12-14% ao final de 6 meses de acompanhamento. Dentre os pontos escolhidos, ShenMen e Pulmão foram utilizados em todos os artigos de melhor qualidade, portanto, as evidências sugerem que esses pontos devem ser utilizados nos protocolos de auriculoterapia para cessação do tabagismo. Apesar da superioridade demonstrada sobre as intervenções controle, a auriculoterapia não demonstrou superioridade frente ás intervenções comportamentais e também não foi comparada com a terapia de reposição nicotínica ou com outras medidas farmacológicas. Assumindo que exista a efetividade da auriculoterapia nessa situação clínica, a estratégia de tratamento mais efetiva provavelmente é a união das diferentes intervenções disponíveis (UFSC, 2016b). Em um estudo piloto conduzido no Brasil, 30 pacientes foram distribuídos em 2 grupos de tratamento (SILVA, CHAVES, PILLON et al. 2014). Em um dos grupos os pacientes recebiam Auriculoterapia incluindo pontos do Protocolo NADA (National Acupuncture Detoxification Association) além de outros pontos baseados no mapa de auricoluterapia Chinesa. No outro grupo foram utilizados pontos auriculares, porém sem ação esperada para a cessação do tabagismo. Ambos os grupos receberam 2 sessões de tratamento por semana, totalizando 10 sessões. Após 30 dias do término do tratamento foi observada uma redução do número de cigarros diários e na redução do tabagismo quando doente. Contudo, nenhuma cessação do tabagismo foi documentada. Isso reforça o caráter adjuvante da Auriculoterapia nesse contexto. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 52 Também existem outros autores (GONZÁLEZ GARCIA, 1999) que indicam a utilização dos pontos auriculares como boca, vício, tosse, subcórtex e ansiedade. Pontos de Auriculoterapia do Protocolo NADA. 4.5 ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA NO TRATAMENTO DA DOR A dor aguda ou crônica são desordens comuns que afetam um percentual considerado da população brasileira e mundial. A dor crônica é aquela associada a processos patológicos que se prolongam por meses ou anos e, em muitos casos, a dor é a principal queixa, além de causar limitações funcionais. Estudos brasileiros observaram alta prevalência de dor crônica nos indivíduos acima de 60 anos (variando entre 51% e 67%), especialmente dores musculoesqueléticas (47% a 14%) (DELLAROZA, 2007; LIMA et al., 2009). A sua avaliação, na maior parte, é subjetiva, sendo imprescindível não só investigar a intensidade da dor, mas também as consequências na vida das pessoas. Para se tratar a dor crônica, há uma necessidade complexa de uso de medidas farmacológicas e não farmacológicas, e tempo longo, gerando dependência dos serviços de saúde, e mudanças nos aspectos sociais, físicos e emocionais dos indivíduos (MOURA et al., 2019). Assim, há necessidade de investir em terapêuticas que possibilitem a redução no uso de medicações, bem como que sejam de baixo custo e eficazes (MOURA et al., 2019). Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 53 Dentre os recursos terapêuticos para o tratamento e controle da dor aguda ou crônica, a auriculoterapia tem se destacado como um método prático e muito eficaz (ZHAO et al., 2015), que além de promover o alívio de sinais e sintomas, também tem efeitos preventivos e curativos (MOURA et al., 2018). Estudo de revisão realizado por Morais et al., (2020), destaca a utilização da auriculoterapia como terapêutica favorável na queda das pontuações de intensidade de dor, principalmente nos estudos que utilizaram a Escala Visual Analógica (ARAUJO, 2006; MARTIM, 2017). Neste estudo, as evidências apontaram que a auriculoterapia mostrou-se favorável no alívio da sintomatologia (SATOR- KATZENSCHLAGER et al., 2004; YANG et al., 2017; ZHAO et al, 2015), incapacidade física e auxílio nas habilidades físicas e funcionais (SUEN, 2008), melhora na qualidade do sono e aspectos do bem-estar dos indivíduos (SATOR- KATZENSCHLAGER et al, 2004; ZANELATTO, 2013; SUEN, 2008), e na redução do consumo de medicamentos durante o período de tratamento (GARNER et al 2018; HUNTER et al., 2012; SATOR-KATZENSCHLAGER et al., 2003). Buscando resumir alguns dados encontrados na literatura, as principais patologias dolorosas tratadas com auriculoterapiasão: cefaleia, enxaqueca, DORT (Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho), e LER (Lesão por esforço repetitivo), lombalgias e ciatalgias, artrites e artroses, dores em ombros, fibromialgia, dismenorreia e TPM, estas últimas relatadas no capítulo da saúde da mulher. Os pontos Fígado, Baço e Rim são considerados os principais pontos da MTC para o tratamento das disfunções musculoesqueléticas. Respectivamente, são responsáveis por nutrir os tendões, ligamentos e cápsulas articulares; sustentar os músculos e fortalecer os ossos. A disfunção do Fígado costuma provocar dor, rigidez, tensão e contraturas musculares. No caso do Baço, seu desequilíbrio acarreta em sensação de peso, fraqueza, flacidez e fadiga muscular. O desequilíbrio do Rim enfraquece os ossos, causa deformidades, degeneração, fraqueza dos joelhos e arqueamento da coluna (UFSC, 2016b). Assim, nos quadros dolorosos, de modo geral, recomenda-se o uso de pontos como: Shenmen, Simpático, Adrenal, Tálamo e Hipotálamo, associado a região de dor e o ZangFu correspondente. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 54 Cabe ressaltar que se deve observar com atenção as possíveis causas da origem da dor, sendo necessário o diagnóstico diferencial e afastadas causas graves para os quadros relatados. As queixas priorizadas no acompanhamento da dor são: Cefaleias e enxaqueca Os transtornos da cefaléia, incluindo enxaqueca e cefaléia tensional, estão entre os distúrbios universais e incapacitantes mais prevalentes na humanidade (WHO, 2011), sendo o seu tratamento medicamentoso considerado um desafio (GONZALEZ-HERNANDEZ et al., 2018). Elas podem ser separadas em dois grupos segundo sua etiologia: primárias e secundárias. As primárias não apresentam uma origem específica, enquanto as secundárias possuem uma afecção orgânica de origem intracraniana ou sistêmica, incluindo os distúrbios metabólicos, trauma crânio-encefálico, infecções do sistema nervoso central (SNC), acidente vascular encefálico e intoxicação exógena (GHERPELLI, 2002). As cefaleias primárias ainda podem ser divididas em enxaquecas ou cefaleia do tipo tensional com dor de baixa intensidade e frequência variável, ou crônica, com crises praticamente diárias (GHERPELLI, 2002) Estudo evidenciou a obtenção da eficácia média de 85% da melhora na dor dos tratamentos com acupuntura auricular propostos para enxaqueca e cefaleia (SOUZA, 2012 apud SILVÉRIO-LOPES; SEROISKA, 2013). A metodologia de avaliação da escala analógica visual foi utilizada em 75% dos estudos sendo que a metade foi relatada eficácia de 100% na melhora analgésica, e o número de sessões utilizadas nos estudos variou de cinco a 10 sessões com frequência semanal. Cabe ressaltar a importância da avaliação de condições como ansiedade, nervosismo e tensão muscular associadas aos quadros de cefaleia, fazendo-se necessário o seu tratamento conjunto. Assim, é importante diferenciar a região da dor, e o uso de pontos do encéfalo, frontal, occipital e temporal, associando, por exemplo, pontos da ansiedade, do nervosismo, do relaxamento muscular, Yang Gan 1 e 2, entre outros. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 55 Lombalgias e ciatalgias A lombalgia é definida como dor ou desconforto localizado abaixo das costelas e acima da região glútea, sendo uma das queixas músculo esqueléticas mais frequentes no mundo, afetando diretamente a qualidade de vida do indivíduo e o absenteísmo no trabalho (CHOU et al, 2007; COSTA et al, 2009). Os nervos periféricos são alvos constantes de lesões como esmagamento ou compressão, e entre as afecções mais comuns estão às relacionadas ao nervo isquiático, chamada ciatalgia (STAFFORD et al., 2007 citado por GAFFURI et al., 2011), onde o quadro doloroso se irradia da região lombar para as nádegas, descendo para a coxa até a panturrilha. Estudo sobre a ocorrência de lombalgia em países desenvolvidos mostrou taxas de prevalência entre 15% a 30% na população, sendo um fenômeno muito comum entre trabalhadores (NACHEMSON; WADDELL; NORLUND, 2000). Na Atenção Primária à Saúde (APS) a dor lombar está entre os quadros com maior prevalência (LANGONI, 2012), gerando uma grande demanda para o sistema de saúde, tornando-se onerosa tanto para o indivíduo quanto para a sociedade (YEH et al., 2013; YANG et al., 2017). De acordo com o Guia de auriculoterapia para lombalgia baseado em evidências (2020), as conclusões dos estudos analisados quanto à eficácia da auriculoterapia no tratamento ou diminuição de dor lombar, permitem afirmar que a auriculoterapia é uma terapia complementar eficaz no tratamento da dor lombar, podendo ser uma importante ferramenta terapêutica na abordagem multidisciplinar da atenção primária à saúde, inclusive pela sua simplicidade e segurança (USFC, 2020). Recomenda-se, então, os pontos correspondentes a região dolorosa (lombar, sacral, ciático, glúteo, coxa, etc), além de pontos de ação anti-inflamatória, e de relaxamento muscular, a depender do trajeto da dor. Artrites e artrose Artrite reumatoide é uma doença crônica das articulações, caracterizada por uma inflamação provocada por alterações no sistema imune (GOELDNER, 2011). Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 56 A artrose, também chamada de osteoartrite, osteoartrose ou artrite degenerativa, é uma artrite que ocorre por degeneração das cartilagens das articulações, geralmente pelo envelhecimento da mesma. A osteoartrose é uma doença degenerativa, progressiva e sem cura. Com o desgaste das cartilagens, há o aumento do atrito entre os ossos, o que provoca desconforto, dor, inflamações e deformações, dificultando e até impossibilitando movimentos (SILVÉRIO-LOPES; SEROISKA, 2013). Nas artrites e artroses recomenda-se pontos correspondentes à articulação dolorosa, além daqueles já sugeridos de forma geral para os casos de dor. Não há necessidade de ponto de relaxamento muscular. Fibromialgia A fibromialgia (FB) é uma doença crônica, não inflamatória, que causa dor generalizada no sistema musculoesquelético. É caracterizada por pontos de sensibilidade dolorosa, conhecidos como tender points, e até o momento sem cura (MARCHESINI STIVAL et al., 2014). O seu diagnóstico é essencialmente clínico, e a etiologia ainda é desconhecida. Além da dor, pode estar associada com depressão, fadiga, distúrbios no sono ou problemas psicológicos, impactando na qualidade de vida dos indivíduos (PERNAMBUCO et al., 2014). A FB pode ser classificada como primária, quando ocorre sem outra patologia associada, e secundária, quando ocorre simultaneamente com outra doença (WOLFE et al., 1990), e ainda que sem causa definida, alguns fatores influenciam na agudização dos sintomas, como, esforço físico extremo, atividades repetitivas, síndrome das pernas inquietas, irritação do intestino e estresse (MARCHESINI STIVAL et al., 2014). Em estudo realizado por Carmo e Antoniassi, (2018) a auriculoterapia foi eficaz na redução da dor e na melhora da qualidade de vida da amostra estudada, corroborando com estudo de Góis et al. (2005), que mostrou resultado significativo na melhora do quadro álgico de pacientes com FB. Nestes casos, recomenda-se ponto de relaxamento muscular associado com pontos correspondentes à musculatura dolorosa. Como a fibromialgia está associada com sintomas de ansiedade e depressão, sugere-se ainda pontos de como diafragma, sistema límbico, ansiedade, entre outros. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 57 Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho/ lesões por esforços repetitivos (DORT/LER)Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) são definidos como um grupo de doenças ocupacionais (O’NEILL et al., 2003) de difícil tratamento e diagnóstico, caracterizados por distúrbios musculares e tendinosos. São ocasionados pela sobrecarga de um grupo muscular devido ao uso repetitivo e à manutenção de posturas inadequadas (BARBOSA et al., 1997), assim como uma invariabilidade de tarefas que causam pressão mecânica, trabalho muscular estático, choques ou impacto, vibração, frio forte e fatores ocupacionais e psicossociais (BRASIL, 2000). No Brasil é considerada a segunda maior causa de afastamento dos postos de trabalho (BRASIL, 2000). Estudo realizado por Araújo e Lopes, (2009) concluiu que a Auriculoterapia proporciona a melhora da qualidade de vida dos indivíduos acometidos pelos DORT/LER e que este tipo de intervenção é eficaz não só durante o período do tratamento, mas também por um período prolongado de tempo após o término do tratamento (ARAÚJO e LOPES, 2009), corroborando com estudo de Araújo et al, 2006, onde o uso da auriculoterapia mostrou-se eficaz nos casos de DORT/LER, sendo que dois participantes com GRAUS I e II, relataram ao final do tratamento não sentir mais dor, e nos casos de GRAUS III e IV foi obtido uma redução da sintomatologia, frequência, intensidade, localização e número de expressões que caracterizam a dor (ARAÚJO et al, 2006). Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 58 ROTEIRO PARA O PROCESSO DE ENFERMAGEM NA ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA Data da avaliação: _____/_____/_____ Identificação: Hygia:_________________ Nome:______________________________________________ Idade:______ Profissão: _______________________________________________________ Motivo do Atendimento: ___________________________________________ Atendimento de enfermagem: 1 – Histórico Antropometria: ___________________________________________________ Queixas atuais:___________________________________________________ Doenças Pregressas e Atuais: _______________________________________ Uso de medicamentos: ____________________________________________ Sono: __________________________________________________________ Apetite: _________________________________________________________ Diurese: ________________________________________________________ Evacuações: ____________________________________________________ Ciclo menstrual: __________________________________________________ Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 59 2 - Exame Físico: Pontos patológicos na orelha: Diagnóstico auricular:___________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ Pontos utilizados: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________ Possíveis Diagnósticos de Enfermagem Náusea Constipação Intestinal Diarreia Obesidade Estilo de vida sedentário Imagem corporal perturbada Eliminação urinária prejudicada Integridade da pele prejudicada Hipertermia Dor aguda Dor Crônica Mobilidade física prejudicada Baixa autoestima crônica Baixa autoestima situacional Padrão de sono perturbado Desesperança Medo Luto Regulação do humor prejudicada Tristeza crônica Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 60 Ansiedade Padrão de sexualidade ineficaz Auto-mutilação Risco de reação alérgica Produção insuficiente de leite materno Orientações / Intervenções de Enfermagem: ✔ Manter as sementes nos pontos auriculares por sete dias; ✔ Pode ocorrer dor leve no local da inserção das sementes. Neste caso, não retirar as sementes; ✔ Em caso de dor intensa ou prurido intenso, retirar a semente, lavar o local com água e comunicar profissional na próxima consulta; ✔ Estimular os pontos auriculares com a compressão com os dedos, 3 vezes ao dias; ✔ Não secar o pavilhão auricular com fricção com a toalha após o banho; ✔ Manter terapêutica medicamentosa conforme prescrição médica. Avaliação: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Retorno: _______________________________________________________ Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 61 5. PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRONIZADO - ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA 1 OBJETIVO Técnica terapêutica que consiste na estimulação mecânica de pontos específicos do pavilhão auricular para aliviar dores e/ou tratar problemas físicos e psíquicos. Promove a regulação psíquico-orgânica do indivíduo por meio de estímulos nos pontos energéticos localizado na orelha onde todo o organismo se encontra representado como um microssistema. Também estimula as zonas neurorreativas por meio de sementes vegetais, cristais, agulhas, esferas de aço e proporciona reflexologia de uma ação neurofisiológica, sendo regida pelo sistema parassimpático que ocasiona uma liberação de neurotransmissores que vão agir no organismo. 2 CAMPO DE APLICAÇÃO Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Saúde da Família (USF), Centros de Apoio Psicossocial (CAPs) e outras unidades de saúde com profissionais especializados que ofereçam atendimentos no âmbito das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). 3 MATERIAL 3.1 Álcool 70%; 3.2 Algodão; 3.3 Pinça fina para acupuntura auricular/auriculoterapia; 3.4 Fita adesiva microporosa; 3.5 Semente de esférica vegetal (sementes de mostarda); 3.6 Placa para acupuntura auricular/auriculoterapia; 3.7 Apalpador de pressão para acupuntura auricular/auriculoterapia. 3.8 Mapa de localização dos pontos de acupuntura auricular/auriculoterapia 4 PROCEDIMENTO 4.1 Higienizar as mãos conforme procedimento operacional de fricção antisséptica das mãos ou higienização simples das mãos; 4.2 Reunir o material e colocá-lo próximo ao usuário; 4.3 Observar estado geral do usuário (capacidade de cooperar com o procedimento, nível de consciência e sinais vitais); Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 62 4.4 Conferir o nome completo do usuário, data de nascimento, número do prontuário; 4.5 Explicar o procedimento ao usuário e/ou acompanhante; 4.6 Fechar a porta ou colocar biombo para garantir a privacidade do usuário; 4.7 Posicionar o usuário em decúbito dorsal ou sentado em cadeira com a cabeça apoiada; 4.8 Realizar antissepsia do pavilhão auricular com algodão embebido em álcool 70% ou outro material padronizado pela SMS-RP para tal fim; 4.9 Avaliar o pavilhão auricular; 4.10 Oclusão do conduto auditivo com uma pequena bola de algodão seca; 4.11 Identificação dos sintomas e dos respectivos pontos a serem estimulados; 4.12 Usar o apalpador de pressão para demarcar os pontos a serem estimulados; 4.13 Aplicação das sementes esféricas com a fita adesiva microporosa; 4.14 Realizar pressão leve no local para garantir a aderência da fita adesiva microporosa sobre a pele; 4.15 Retirar a bola de algodão do conduto auditivo e desprezá-la no lixo; 4.16 Recolher o material; 4.17 Recompor o ambiente; 4.18 Colocar o cliente em posição confortável; 4.19 Higienizar as mãos. 4.20 Higienizar instrumental conforme POP de Limpezae desinfecção dos instrumentais de acupuntura auricular e auriculoterapia. 5 OBSERVAÇÃO: A acupuntura auricular/auriculoterapia possui algumas contraindicações e deve ser evitada em: pessoas com hipersensibilidade, lesões em pavilhão auricular, alergia a fita adesiva microporosa e sementes vegetais. 6 RESPONSABILIDADE ● Profissionais de nível superior com capacitação técnica em acupuntura auricular/auriculoterapia. 7 REGISTRO Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 63 Registrar o procedimento realizado no sistema Hygia, CIAP A 98 (Medicina preventiva/ Manutenção da Saúde ou outro CIAP que representa os sintomas apresentados pelo paciente: A 01 Dor generalizada, P 01 Sensação de ansiedade/ nervosismo/tensão, entre outros. Deverão ainda ser descritos os pontos auriculares estimulados, programar retorno e avaliar melhora dos sintomas a cada atendimento. Lançar o procedimento 0309050049 – Sessão de Acupuntura auricular/auriculoterapia. DADOS DA VERSÃO ELABORAÇÃO APROVAÇÃO Mirela Modolo Martins Enfermeira. COREN-SP: 138.321 Lívia Modolo Martins Enfermeira. COREN-SP:188.222 Luana Alves de Figueiredo Bianchi Neves Enfermeira. COREN-SP: 204.154 Karina Domingues de Freitas Chefe da Divisão de Enfermagem COREN-SP: Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 64 7. PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRONIZADO - LIMPEZA E DESINFECÇÃO DOS INSTRUMENTAIS DE ACUPUNTURA AURICULAR E AURICULOTERAPIA 1. OBJETIVO Realizar a limpeza e desinfecção dos instrumentais de acupuntura auricular e auriculoterapia (pinça Adson e apalpador de Nogier) após cada utilização. 2. CAMPO DE APLICAÇÃO Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Saúde da Família (USF), Ambulatórios de especialidade, Centro de apoio psicossocial (CAPS), Serviço de Atenção Domiciliar (SAD). 3. MATERIAIS 3.1 Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): gorro, máscara cirúrgica, óculos de proteção, avental impermeável, luvas de procedimento, 3.2 Compressa tipo campo operatório não estéril ou tecido-não-tecido (TNT), 3.3 Frasco borrifador com o produto de limpeza e desinfecção em ação única recomendado/ padronizado pela CCI – SMS. 4. PROCEDIMENTO 4.1 Higienizar as mãos conforme procedimento operacional de fricção antisséptica das mãos ou higienização simples das mãos; 4.2 Vestir EPIs conforme indicação; 4.3 Borrifar o produto padronizado pela CCI-SMS na compressa e friccionar na pinça de Adson e no apalpador de Nogier por 30 segundos; 4.4 Secar; 4.4 Guardar o instrumental em um recipiente limpo e seco com tampa ou em saco plástico; 4.5 Retirar os EPIs e os descartar em local adequado; 4.6 Higienizar as mãos conforme procedimento operacional de fricção antisséptica das mãos ou higienização simples das mãos. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 65 5. OBSERVAÇÕES Este material deve ter seu acondicionamento checado diariamente pelo enfermeiro responsável na unidade de saúde. 6. RESPONSABILIDADE Enfermeiro que tenha liberação para atuar com acupuntura auricular e auriculoterapia na SMS-RP. 7. REGISTRO Registrar a data da limpeza das caixas de acondicionamento em impresso próprio, assinatura e carimbo do enfermeiro responsável. Validade 30 dias. REFERÊNCIAS 1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Orientações para prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde. Brasília: Anvisa, 2009. BRASIL. 2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual de limpeza e desinfecção da ANVISA. Brasília: Anvisa, 2010. 3. RIBEIRÃO PRETO (Cidade). Secretaria Municipal da Saúde. Manual de limpeza, desinfecção e esterilização em unidades de saúde. Ribeirão Preto: SMS, 2006. DADOS DA VERSÃO ELABORAÇÃO APROVAÇÃO Luana Alves de Figueiredo Bianchi Neves Enfermeira. COREN-SP: 204.154 Karina Domingues de Freitas Chefe da Divisão de Enfermagem COREN-SP: 0126266 Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 66 REFERÊNCIAS ABBATE, S. Chinese auricular acupuncture: CRC Press. 2. Ed. Ed. Routledge, 2016. 334p. AUTEROCHE, B.; NAVAILH, P. O diagnóstico na Medicina Chinesa. São Paulo: Editora Andrei, 1992. ARAÚJO, A. P. S.; ZAMPAR, R.; PINTO, S. M. E. Auriculoterapia no tratamento de indivíduos acometidos por distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) / Lesões por esforços repetitivos (LER). Arquivos de Ciências da Saúde UNIPAR, Umuarama, v. 10, n. 1, p. 35-42, 2006. Disponível em: https://revistas.unipar.br/index.php/saude/article/view/140 Acesso em: 01 jun. 2022. ARAÚJO, A. P. S.; LOPES, S.S. Auriculoterapia no tratamento dos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (dort): “uma avaliação retrospectiva”. Encontro Internacional de Produção Científica-Cesumar. 27 a 30 de outubro de 2009. VI EPCC CESUMAR – Centro Universitário de Maringá Maringá – Paraná – Brasil. Disponível em: https://www.unicesumar.edu.br/epcc-2009/wp- content/uploads/sites/77/2016/07/ana_paula_serra_araujo4.pdf Acesso em: 01 jul. 2022. ARAÚJO, W.S.; ROMERO, W.G.; ZANDONADE, E.; AMORIM, M.H. Effects of relaxation on depression levels in women with high-risk pregnancies: a randomised clinical trial. Rev Lat Am Enfermagem; v.24, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/Jz9cMRWQKkDhybHM7ByjzLS/abstract/?lang=en Acesso em: 01 jul. 2022. AZEVEDO, C.; MOURA, C.C.; CORRÊA, H.P.; MATA, L.R.F.; CHAVES, É.C.L.; CHIANCA, T.C.M. Práticas integrativas e complementares no âmbito da enfermagem: aspectos legais e panorama acadêmico-assistencial. Escola Anna Nery. v. 23, n. 2. 2019. DOI: 10.1590/2177-9465-EAN-2018-0389. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/zCtFNpfgPQpQvKHn9jVJpxD/?format=pdf&lang=pt Acesso em: 01 jun. 2022. BARBOSA, E. de B.; BORGES, F. D.; DIAS, L. de P.; FABRIS, G.; FRIGERI, F.; SALMASO, C. Lesões por esforços repetitivos em digitadores do Centro de Processamento de Dados do Banestado, Londrina, Paraná, Brasil. Fisioterapia e Pesquisa, v. 4, n. 2, p. 83-91, 1997. DOI: 10.1590/fpusp.v4i2.76151. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/fpusp/article/view/76151. Acesso em: 20 jul. 2022. BARKER, R.; KOBER, A.; HOERAUF, K. et al. Out-of-hospital auricular acupressure in elder patients with hip fracture: a randomized double-blinded trial. Academic emergency medicine : official journal of the Society for Academic Emergency Medicine. v. 13, n. 1, p. 19-23. 2006. Doi:10.1197/j.aem.2005.07.014.Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16365322/ Acesso em: 01 jun. 2022. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 67 BAXTER, G.D.; BLEAKLEY, C.; MCDONOUGH, S. Clinical effectiveness of laser acupuncture: A systematic review. Journal of acupuncture and meridian studies v. 1, n. 2, p. 65-82, 2008. Doi:10.1016/S2005-2901(09)60026-1Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20633458/ Acesso em: 01 jun. 2022. BECKMAN, K.A.F.; CONCEIÇÃO, M.M.da.; SANTOS, D.M.B.X.; OLIVEIRA, M.A.F.de.; PITTA, A.M.F. Scoping review protocol: auriculotherapy in children and adolescents in the context of Health Care. Research, Society and Development, v. 10, n. 17, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i17.24368. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/24368. Acesso em: 08 jul. 2022. BINESH, M.; DAGHIGHI, M.R.; SHIRAZI, E.; OLESON, T.; HASHEM-DABAGJIAN, F. Comparison of Auricular Therapy with Sham in Children with Attention Deficit/Hyperactivity Disorder: A Randomized Controlled Trial. Journal of alternative and complementary medicine (New York, N.Y.). v. 26, n.6, p. 515-520, 2020. Doi:10.1089/acm.2019.0477. Disponívelem: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32434376/ Acesso em: 08 jul. 2022. BONIZOL, W.L.; SALVI, J.O.; VALIATTI, T.B.; DALCIN, M.F.; Tratamento da obesidade com auriculoterapia: relato de casos. Revista Amazônia Science & Health. v. 4, n. 3, 2016. Doi 10.18606/2318-1419/amazonia.sci.health.v4n3p19-24. Disponível em: http://ojs.unirg.edu.br/index.php/2/article/view/1108/458 Acesso em: 08 jul. 2022. BRASIL. Ministério da Saúde. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990: Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Ministério da Saúde; 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. Brasília: Ministério da Saúde; 2006. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnpic.pdf BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de ações programáticas estratégicas. Manual de atenção à mulher no Climatério/Menopausa. Série Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos – Caderno, n.9. Brasília; 2008. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_atencao_mulher_climaterio.pdf BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Acolhimento à demanda espontânea. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acolhimento_demanda_espontanea_cab 28v1.pdf BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS: atitude de ampliação de acesso. 2a.ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2015. Disponível em: Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 68 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_praticas_integrativas_ complementares_2ed.pdf BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de investigação diagnostico, tratamento e prevenção de lesões por esforços repetitivos LER/ DORT distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Brasília: Ministério da Saúde, 2000. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_ler.pdf CARMO, M. de A. do; ANTONIASSI, D. P. Avaliação da dor e qualidade de vida em mulheres com fibromialgia submetidas ao tratamento de auriculoterapia associada à fisioterapia ou exercícios físicos. R. bras. Qual. Vida, Ponta Grossa, v. 10, n. 1, e7474, jan./mar. 2018. Disponível em: https://periodicos.utfpr.edu.br/rbqv/article/view/7474. Acesso em: 20 jul. 2022. CAMPIGLIA, H. Domínio do Yin. Da fertilidade à Maternidade; a Mulher e suas Fases segundo a Medicina Tradicional Chinesa. 3 ª edição. São Paulo: Editora Ícone, 2017. CAMPIGLIA, H. Psique e Medicina Tradicional Chinesa. 3 ª edição. São Paulo: Editora Ícone, 2018. CASADO, H.; LIRA, T. Auriculoacupuntura: redescobrindo a Acupuntura Auricular e Sistêmica. Editora Nova Presença. Olinda – Pe. 2012. CAVALCANTE, A. S.; GADELHA SILVA, H.; FREITAS, M. C. de. Acupuntura auricular na redução da dor em idosos: revisão integrativa. Research, Society and Development. v. 10, n. 13, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i13.20995. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/20995/18899 Acesso em: 12 jul. 2022. CHA, H.S., PARK, H. Efeitos da acupressão auricular na obesidade em adolescentes. Complementary Therapies in Clinical Practice. v. 35, p. 316-322, 2019. Doi: 10.1016 / j.ctcp.2019.03.014. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1744388118304638 Acesso em: 12 jul. 2022. CUI, C.L.; WU, L.Z.; LI, YJ. Acupuncture for the treatment of drug addiction. Int Rev Neurobiol. 2013;111:235-56. CLINE, K. Massagem Pediátrica Chinesa: Técnicas e Protocolos Para Tratamento de Doenças Infantis e Problemas Crônicos de Saúde. São Paulo, Editora Ground. 2003. 160p. COFEN. Conselho Federal de Enfermagem. PARECER DE COMISSÃO N⁰012/2020/CPICS/COFEN - Registro do Título de Especialização lato sensu em Terapia Vibracional Quântica. Brasília (DF): COFEN; 2020. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/parecer-de-comissao-n%E2%81%B0012-2020-cPICS- cofen_85968.html Acesso em: 15 dec. 2021. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 69 COFEN. Conselho Federal de Enfermagem. RESOLUÇÃO COFEN Nº 0581/2018. Atualiza, no âmbito do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, os procedimentos para Registro de Títulos de Pós – Graduação Lato e Stricto Sensu concedido a Enfermeiros e aprova a lista das especialidades. Brasília (DF): COFEN; 2018. [cited 2018 Dec 21]. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen- no-581-2018_64383.html. Acesso em: 15 dec. 2021. DELLAROZA, M.S.G.; PIMENTA, C.A.M.; MATSUO, T. Prevalência e caracterização da dor crônica em idosos não institucionalizados. Cad. Saúde Pública, v. 23, n.5, p. 1151-1160, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/PSTXrCwVGNq8btwsGQQMJbd/?format=pdf&lang=pt Acesso em: 15 dec. 2021. DELLOVO, A.G.; SOUZA, L.M.A.; DE OLIVEIRA, J.S.; AMORIM, K.S.; GROPPO, F.C. Effects of auriculotherapy and midazolam for anxiety control in patients submitted to third molar extraction. International journal of oral and maxillofacial surgery, v. 48, n. 5, p. 669-674, 2019. DOI: 10.1016/j.ijom.2018.10.014 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30442551/ Acesso em: 15 dec. 2021. DI, Y. M.; MAY, B. H.; ZHANG, A. L.; Zhou, I. W.; Worsnop, C.; Xue, C. C. A meta- analysis of ear-acupuncture, ear-acupressure and auriculotherapy for cigarette smoking cessation. Drug and alcohol dependence. v. 142, p.14-23. 2014. DOI: 10.1016/j.drugalcdep.2014.07.002 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25064021/ Acesso em: 03 jun. 2022. EGHBALI, M.; YEKANINEJAD, M.S.; VARAEI, S.; JALALINIA, S.F.; SAMIMI. M.A.; SA’ATCHI, K. The effect of auricular acupressure on nausea and vomiting caused by chemotherapy among breast cancer patients. Complement Ther Clin Pract. 2016 Aug; 24:189-94. Disponível em: The effect of auricular acupressure on nausea and vomiting caused by chemotherapy among breast cancer patients - ScienceDirect GAO, H.; ZHANG, L.; LIU, J. Auricular acupressure for myopia in children and adolescents: A systematic review. Complement. Ther Clin Pract. v. 38. 2020. DOI: 10.1016/j.ctcp.2019.101067. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31672461/ Acesso em: 03 jun. 2022. GARCIA, E. G. Auriculoterapia. São Paulo: Roca, 2003. p. 87-189. GARCIA, A. M. et al. Auriculoterapia no controle da ansiedade de mulheres menopausadas. Inova Saúde, v. 9, n. 2, p. 43-68, 2020. DOI: https://doi.org/10.18616/inova.v9i2.4043 Disponível em: https://periodicos.unesc.net/ojs/index.php/Inovasaude/article/view/4043/0 Acesso em: 03 jun. 2022. GHERPELLI, J. L. D. Tratamento das cefaleias. Jornal de Pediatria, São Paulo, v. 78, Supl.1, 2002. Goeldner, Isabela et al. Artrite reumatoide: uma visão atual. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial [online]. 2011, v. 47, n. 5 [Acessado 2 Setembro Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 70 2022] , pp. 495-503. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1676- 24442011000500002> GONZALEZ GARCIA, E. Auriculoterapia: Escola Huang Li Chun/ Ernesto González Garcia: [ tradução Ednéa Iara Souza Martins] - São Paulo: Roca, 1999. GONZALEZ-HERNANDEZ, A.; MARICHAL-CANCINO, B. A.; MAASSENVANDENBRINK, A.; VILLALON, C. M. Side effects associated with currentand prospective antimigraine pharmacotherapies. Expert Opin Drug Metab Toxicol. London, v. 14, n. 1, p. 25-41, 2018. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/17425255.2018.1416097 Acesso em: 03 jun. 2022. GORI, L.; FIRENZUOLI, F. Ear acupuncture in European traditional medicine. Evidence-based complementary and alternativemedicine. v. 4, Suppl. 1, p. 13- 16, 2007. DOI: 10.1093/ecam/nem106 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18227925/ Acesso em: 03 jun. 2022. HE, B. J.; TONG, P. J.; LI, J. et al. Auricular acupressure for analgesia in perioperative period of total knee arthroplasty. Pain Med. v.14, n.10, p. 1608-1613. 2013. DOI: 10.1111/pme.12197 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23865512/ Acesso em: 03 jun. 2022. HOU, P.W.; HSU, HC, LIN, YW, et al. The History, Mechanism, and Clinical Application of Auricular Therapy in Traditional Chinese Medicine. Evid Based Complement Alternat Med. 2015. DOI: 10.1155/2015/495684 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26823672/ Acesso em: 03 jun. 2022. HUNTER, R.H.; MCDONOUGH, S.M.; BRADBURY, I.; et al. Exercise and Auricular Acupuncture for Chronic Low-back Pain: a Feasibility Randomized-controlled The Clinical journal of pain, v. 28, n. 3, p. 259–267. 2012. DOI: 10.1097/AJP.0b013e3182274018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21753728/ Acesso em: 03 jun. 2022. IUNES, D.H.; CHAVES, E.D.C.L.; MOURA, C.D.C.; CÔRREA, B.; CARVALHO, L.C.; SILVA, A.M.; DE CARVALHO, E.C. Role of Auriculotherapy in the treatment of temporomandibular disorders with anxiety in university students. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2015, 2015. https://doi.org/10.1155/2015/430143 Disponível em: https://www.hindawi.com/journals/ecam/2015/430143/ Acesso em: 06 jul. 2022. IPES – INSTITUTO PAULISTA DE ESTUDOS SISTÊMICOS. Curso de formação e especialização lato sensu em Acupuntura Sistêmica. Apostila módulo Taoismo e Acupuntura: introdução a filosofia chinesa. Ribeirão Preto. 2013. IPES – INSTITUTO PAULISTA DE ESTUDOS SISTÊMICOS. Curso livre Acupuntura auricular e auriculoterapia. Prancha Chinesa e Prancha Francesa. Ribeirão Preto. 2009. JÚNIOR, D. J. Acupuntura auricular e auriculoterapia. Editora Parma LTDA. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 71 Guarulhos, São Paulo, 1994. KUREBAYASHI, L.F.S.; SILVA, M.J.P. Efficacy of Chinese auriculotherapy for stress in nursing staff: a randomized clinical trial. Revista Latino-Americana de Enfermagem. v. 22, n. 3, p. 371-8. 2014. https://doi.org/10.1590/0104- 1169.3239.2426. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/DZLmMYDdZ8pfTzyDqHjwF3d/?lang=en# Acesso em: 06 jul. 2022. KUREBAYASHI, L. F. S. et al. Auriculotherapy to reduce anxiety and pain in nursing professionals: a randomized clinical trial. Revista Latino Americana de Enfermagem, São Paulo, v. 25, 2017. https://doi.org/10.1590/1518-8345.1761.2843. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/dXT34Ys9QphvTj9NPRhsW3p#ModalArticles Acesso em: 06 jul. 2022. LANDGEN, K. Ear acupuncture: a practical guide. Philadelphia: Churchill Livinsgtone; 2008. LAN, Y.; WU, X.; TAN, H. J.; WU, N.; XING, J. J.; WU, F. S.; ZHANG, L. X.; LIANG, F. R. Auricular acupuncture with seed or pellet attachments for primary insomnia: a systematic review and meta-analysis. Bmc Complementary and Alternative Medicine, v. 15, 2015. DOI: 10.1186/s12906-015-0606-7 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25886561/ Acesso em: 06 jul. 2022. LEE, E.J.; FRAZIER, S.K. The efficacy of acupressure for symptom management: a systematic review. J Pain Symptom Manage. 2011 Oct;42(4):589-603. Disponível: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3154967/ LIMA, M.G.; BARROS, M.B.A.; CÉSAR, C.L.G.; GOLDBAUM, M.; CARANDINA, L.; CICONELLI, R.M. Impact of chronic disease on quality of life among the elderly in the state of São Paulo, Brazil: a population-based study. Rev Panam Salud Pública. v. 25, n. 4, p. 314-321. 2009. DOI: 10.1590/s1020-49892009000400005 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19531319/ Acesso em: 06 jul. 2022. LIN, L.; ZHANG, Y.; QIAN, H.Y.; et al. Auricular acupressure for cancer-related fatigue during lung cancer chemotherapy: a randomised trial. BMJ Supportive & Palliative Care. v. 11, p. 32-39. 2021. DOI:10.1136/ bmjspcare-2019-001937. Disponível em: https://spcare.bmj.com/content/11/1/32 Acesso em: 06 jul. 2022. MARTIN, B.R. Multimodal Care in the management of a patient with chronic tendinopathy of the bíceps femoris: a case report. Journal of Chiropractic Medicine. v.16, n. 2, p. 156-162. 2017. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1556370717300044 Acesso em: 06 jul. 2022. MENDES, D. S.; MORAES, F. S. de.; LIMA, G. de O.; SILVA, P. R. da; CUNHA, T. A.; CROSSETTI, M. da G. O.; RIEGEL, F. Benefícios das práticas integrativas e complementares no cuidado de enfermagem. Journal Health NPEPS, v. 4, n. 1, p. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 72 302–318, 2019. Disponível em: https://periodicos.unemat.br/index.php/jhnpeps/article/view/3452 Acesso em: 08 jul. 2022. MCLELLAN, A. T.; GROSSMAN, D. S.; BLAINE, J. D.; HAVERKOS, H. W. Acupuncture treatment for drug abuse: a technical review. J Subst Abuse Treat. v. 10, n. 6, p. 569-576. 1993. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/0740547293900616 Acesso em: 08 jul. 2022. MORA, B.; IANNUZZI, M.; LANG, T. et al. Auricular acupressure as a treatment for anxiety before extracorporeal shock wave lithotripsy in the elderly. The Journal of urology, v. 178, n. 1, p. 160-164. 2007. DOI: https://doi.org/10.1016/j.juro.2007.03.019 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17499304/ Acesso em: 08 jul. 2022. MARCHESINI STIVAL, R. S. et al. Acupuntura na fibromialgia: um estudo randomizado‐controlado abordando a resposta imediata da dor. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 54, n. 6, p. 431-436, 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbr/v54n6/en_0482-5004-rbr-54-06-0431.pdf Acesso em: 30 jun. 2022. MAYMONE, C. M. et al. Auriculoterapia: tratamento dos transtornos da amamentação. Ciência, Cuidado e Saúde, v. 13, n. 3, p. 577 - 581, 2014. DOI: 10.4025/cienccuidsaude.v13i3.20341. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/ index.php/CiencCuidSaude/article/view/20341/pdf_232. Acesso em: 07 set. 2022. MORAIS, B.X.; ONGARO, J.D.; ALMEIDA, F.O.; LUZ, E.M.F.; GRECO, P.B.T.; MAGNAGO, T.S.B.S. Auriculoterapia e redução da dor musculoesquelética crônica: revisão integrativa. Revista Bras. Enfermagem, v. 73, suppl 6, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2019-0394 Disponível em: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2019-0394 Acesso em: 08 jul. 2022. MORÉ, A.O.O.; TEIXEIRA, J.E.M.; MARTINS, D.F. Formação em auriculoterapia para profissionais de saúde da atenção básica. Módulo IV. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2018. MOURA, C.C.; CHAVES, E.C.L.; CHIANCA, T.C.M.; RUGINSK, S.G.; NOGUEIRA, D.A.; IUNES, D.H. Effects of auricular acunpucture on chonic pain in people with back musculoskeletal disorders: a randomized clinical trial. Rev Esc Enferm USP, v. 53, 2019. doi: https://doi.org/10.1590/s1980-220x2018009003418 Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/MYtKtLDbtRDSn5fHWxBjBCn/?lang=en Acesso em: 08 jul. 2022. MOURA, C.C.; IUNES, D.H.; RUGINSK, S.G.; SOUZA, V.H.S.; ASSIS, B.B.; CHAVES, E.C.L. Action of ear acupuncture in people with chronic pain in the spinal column: a randomized clinical trial. Rev. Latino-Am. Enfermagem. v. 26, 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.2678.3050 Disponível em: Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 73 https://www.scielo.br/j/rlae/a/b6yFZ4vcM54qm735xxc39kH/?lang=pt Acesso em: 08 jul. 2022. NEVES, T. V. Auriculoterapia e gestantes... Há motivos para receio?. Cadernos de Naturologia e Terapias Complementares, v. 7, n. 12, p. 51-54, 2018. DOI: https://doi.org/10.19177/cntc.v7e12201851-54 Disponível em: https://portaldeperiodicos.animaeducacao.com.br/index.php/CNTC/article/view/6424/4149 Acesso em: 08 jul. 2022. NIEMTZOW, R.C.; OLESON, T. Development of auriculotherapy around the world. Med Acupunct [Internet]. v.2, n. 26, p: 74-75, 2014. Disponível em: http://online.liebertpub. com/doi/pdf/10.1089/acu.2014.2622.Acesso em: 15 de Set. 2022 NIELSEN, A.; GEREAU, S.; TICK, H. Risks and Safety of Extended Auricular Therapy: A Review of Reviews and Case Reports of Adverse Events. Pain Med. v. 21, n. 6, p. 1276-1293. 2020. Doi: 10.1093/pm/pnz379 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32430505/ Acesso em: 06 jul. 2022. NOGIER, P. M. F. Noções Práticas de Auriculoterapia, 5ª ed. São Paulo: Ed. Andrei, 1998. OLESON, T.D. Bases neurofisiológicas da acupuntura auricular. In: Stux, G.; Hammerschalg, R. eds. Acupuntura Clínica - Bases Científicas. São Paulo: Manole, 2005. OLESON, T.D. Auriculotherapy manual: Chinese and Western systems of ear acupuncture:Elsevier Health Sciences, 2013. OLIVEIRA, M. M. et al. Controlando a dor: benefícios da acupuntura auricular e auriculoterapia em idosos. Revista Tema, v. 11, n. 16, p. 40-50, 2011. Disponível em: http://revistatema.facisa.edu.br/index.php/revistatema/article/view/79 Acesso em: 06 jul. 2022. OLSHAN-PERLMUTTER, M.; CARTER, K.; MARX, J. Auricular acupressure reduces anxiety and burnout in behavioral healthcare. Applied Nursing Research, v. 49, p. 57-63, 2019. DOI: https://doi.org/10.1016/j.apnr.2019.05.011. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0897189719301703 Acesso em: 06 jul. 2022. O’NEILL M. J. et al. LER/DORT: lesões por esforços repetitivos/distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho: o desafio de vencer. São Paulo: Madras, 2003. p. 19-88. PERILO, T. V. C. Tratado do especialista em cuidado materno-infantil com enfoque em amamentação. Belo Horizonte: Mame Bem, 2019, 426p. PERNAMBUCO, A. P. et al. Fibromialgia: diagnóstico, fisiopatologia e tratamentos. Conexão ciência (Online), v. 9, n. 1, p. 1-19, 2014. Disponível em: Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 74 https://periodicos.uniformg.edu.br:21011/ojs/index.php/conexaociencia/article/view/2 48. Acesso em: 20 jul. 2022 PINTO, P. C. T. Efeito da auriculoterapia na perturbação de ansiedade generalizada - Estudo prospectivo, randomizado, controlado e cego. Dissertação de Candidatura ao Grau de Mestre em Medicina Tradicional Chinesa submetida ao Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Port, 2015. Disponível em: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/87889/2/113825.pdf Acesso em: 06 jul. 2022. RIBEIRÃO PRETO. Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal da Saúde. Protocolo: Acolhimento da demanda espontânea e direcionamento defluxo na atenção primária à saúde / Secretaria Municipal da Saúde. Ribeirão Preto: Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, 2022. 42p. Disponível em: https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/portal/pdf/saude723202205.pdf Acesso em: 06 jul. 2022. ROSSI, E. Acupuncture and tuina for hyperactive children. Journal Of Chinese Medicine, v.94, 9-17, 2010. SCOTT, J. Acupuntura No Tratamento Da Criança. Editora Roca; 1ª edição, 1997. SANTOS, R. C. A.; MIRANDA, F. A. N. Importância do vínculo entre profissional- usuário na Estratégia Saúde da Família. Rev Enferm UFSM, n. 6, v. 3, p. 350-352, 2016. DOI: 10.5902/21797692173133 Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/reufsm/article/view/17313/pdf Acesso em: 06 jul. 2022. SATOR-KATZENSCHLAGER, S.M.; SZELES, J.C.; SCHARBERT, G.; MICHALEK- SAUBERER, A.; KOBER, A.; HEINZE, G.; et al.; Electrical stimulation of auricular acupuncture points is more effective than conventional manual auricular acupuncture in chronic cervical pain: a pilot study. Anesth Analog. v. 97, n. 5, p. 1469-1473, 2003. Doi:10.1213/01.ANE.0000082246.67897.0B Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/14570667/ Acesso em: 06 jul. 2022. SATOR-KATZENSCHLAGER, S.M.; SCHARBERT, G.; KOZEK-LANGENECKER, S.A.; SZELES, J.C.; FINSTER, G.; SCHIESSER, A.W.; et al. The short-and long- term benefit in chronic low back pain through adjuvant electrical versus manual auricular acupuncture. Anesth Analog. v. 98, n. 5, p. 1359-64. 2004. DOI: 10.1213/01.ANE.0000082246.67897.0B Disponível em: https://www.dyansys.com/sites/default/files/anesthesia-acupuncture-back-pain.pdf Acesso em: 06 jul. 2022. SILVA, F.B.; DOS SANTOS LIMA, C.; HOLLAIS, A.W. Avaliação do grau de efetividade da auriculoterapia no controle sintomático do bruxismo. Diálogos Interdisciplinares, v. 7, n. 3, p. 298-310, 2018. Disponível em https://revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/view/544 Acesso em: 06 jul. 2022. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 75 SILVA, R.P.; CHAVES, E.C.L; PILLON, S.C.; SILVA, A.M.; MOREIRA, D.S.; IUNES, D.H.Contribuições da auriculoterapia na cessação do tabagismo: estudo piloto Silva Rev Esc Enferm USP 2014; 48(5):883-90. SHI-YING, J.; CHENG-WAN, J. Manual Prático de Auriculopuntura. 1a ed. São Paulo:Roca, 2012. SILVA, H. L. et al. Efeitos da auriculoterapia na ansiedade de gestantes no pré-natal de baixo risco. Acta Paulista de Enfermagem, v. 33, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.37689/acta-ape/2020AO0016 Acesso em: 28 jul. 2022. SILVÉRIO-LOPES, S.; SEROISKA, M. A. Auriculoterapia para analgesia. In: SILVÉRIOLOPES, S. (Org.). Analgesia por acupuntura. Curitiba: Omnipax, 2013. p. 1-22. Disponível em: https://docplayer.com.br/23620059-Auriculoterapia-para- analgesia-sandra-silverio-lopes-e-mariangela-adriane-seroiska.html Acesso em: 01 jun. 2022 SOUSA, L. et al. Terapêutica não-farmacológica para alívio do ingurgitamento mamário durante a lactação: revisão integrativa da literatura. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 46, p. 472-479, 2012. DOI: https://doi.org/10.1590/S0080-62342012000200028. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/yYcWGVK8xNMtxR5DJfnrpbK/abstract/?lang=pt. Acesso em 07 set. 2022. SOUZA, M. P. Tratado de auriculoterapia. Brasília. 2007. SOUZA, C. D. F. de. A Acupuntura Auricular Chinesa no tratamento da Depressão. 2019. Tese (Doutorado em Enfermagem Psiquiátrica) - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2019. doi:10.11606/T.22.2020.tde-31012020-111959. Acesso em: 2022-07-14. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22131/tde-31012020-111959/pt- br.php Acesso em: 06 jul. 2022. SUEN, L.K.P.; WONG, E.M.C. Longitudinal changes in the disability level of the elders with low back pain after auriculotherapy. Complement Ther Med. v. 16, n.1, p. 28-35. 2008. DOI: 10.1016/j.ctim.2007.09.002 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18346626/ Acesso em: 06 jul. 2022. TESSER, C.D.; NEVES, M.L.; SANTOS, M.C. Formação em auriculoterapia para profissionais de saúde da atenção básica. Módulo I. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2018. UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina. Formação em Auriculoterapia para profissionais de saúde da Atenção Básica. Módulo II - Auriculoterapia segundo a Reflexologia, 2016a. UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina. Formação em Auriculoterapia para profissionais de saúde da Atenção Básica. Módulo III - Auriculoterapia segundo a medicina tradicional chinesa, 2016b. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 76 UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina. Formação em Auriculoterapia para profissionais de saúde da Atenção Básica. Módulo IV - Auriculoterapia segundo a biomedicina, 2016b. UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina. Guia de auriculoterapia para lombalgia baseado em evidências. Relatório do projeto piloto. 2020a. https://auriculoterapia.paginas.ufsc.br/files/2021/01/Guia-lombalgia-04_01_2021.pdf Acesso em: 08jun. 2022. UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina. Guia de auriculoterapia para insônia baseado em evidências. Relatório do projeto piloto. 2020b. https://auriculoterapia.paginas.ufsc.br/files/2020/12/guia-insonia_04-12-20.pdf Acesso em: 06 jun. 2022. UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina. Guia de auriculoterapia para obesidade baseado em evidências. Relatório do projeto piloto. 2020c. https://auriculoterapia.paginas.ufsc.br/files/2020/12/Recomenda%C3%A7%C3%B5e s-Obesidade.pdf Acesso em: 19 jul. 2022. VAS, J.; MODESTO, M.; AGUILAR, I. et al. Efficacy and safety of auriculopressure for primary care patients with chronic non-specific spinal pain: a multicentre randomised controlled trial. Acupunct Med.v. 32, n. 3. p. 227-235. 2014. DOI: 10.1136/acupmed-2013-010507 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24568949/ Acesso em: 06 jul. 2022. VIANA, M. C. São Paulo megacity: pesquisa sobre saúde, bem-estar e estresse: relatório final - pós-doutorado. São Paulo: FAPESP, 2009. Disponível em: https://www.havid.com.br/docs/instituto-brasileiro-de-psquiatria.pdf Acesso em: 06 jul. 2022. WANG, Y. Micro-acupuncture in practice: Elsevier Health Sciences, 2008. WANG, M-C.; HSU, M-C.; CHIEN, L-W. et al. Effects of auricular acupressure on menstrual symptoms and nitric oxide for women with primary dysmenorrhea. J Altern Complement Med. v. 15. n. 3, p. 235-242. 2009. Disponível em: https://www.cochranelibrary.com/central/doi/10.1002/central/CN-00703592/full Acesso em: 06 jul. 2022. WEILER, A. L.; BORBA, C. A. S.; FERREIRA, E. C. P. Auriculoterapia: tratamento do transtorno de ansiedade em mulheres na menopausa e climatério. Pensamento Biocêntrico, v. 18, p. 119-137, 2012. Disponível em: http://www.pensamentobiocentrico.com.br/content/edicoes/18-full.pdf Acesso em: 06 jul. 2022. WHO. World Health Organization. Report of the WorQing Group on Auricular Acupuncture Nomenclature. France, 1990. Disponível em: https://apps.who.int/iris/handle/10665/60870 Acesso em: 06 jul. 2022. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 77 WHO. World Health Organization. Traditional Medicine Strategy 2002 – 2005. Geneva: WHO; 2002. Disponível em: https://apps.who.int/iris/handle/10665/67163 Acesso em: 06 jul. 2022. WHO. World Health Organization. Atlas of headache disorders and resources in the world. Geneva:World Health Organization, 2011. WOLFE, F. et al. The American College of Rheumatology 1990 criteria for the classification of fibromyalgia. Arthritis & Rheumatology, v. 33, n. 2, p. 160-172, 1990. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/art.1780330203/full Acesso em: 20 jul. 2022. YANG, L.H.; DUAN, P.B.; HOU, Q.M.; DU, S.Z.; SUN, J.F.; MEI, S.J. et al. Efficacy of auricular acupressure for chronic low back pain: a systematic review and meta- analysis of randomized controlled trials. Evid Based Complement Alternat Med. p. 1-14. 2017. doi: 10.1155/2017/6383649 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5539928/ Acesso em: 06 jul. 2022. YEH, M-L.; HUNG, Y-L.; CHEN, H-H.; WANG, Y-J. Auricular acupressure for pain relief in adolescents with dysmenorrhea: a placebo-controlled study. J Altern Complement Med. v. 19, n. 4, p. 313-318. 2013. DOI: 10.1089/acm.2011.0665 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23130943/ Acesso em: 06 jul. 2022. YEH, C. H; CHIEN, L-C.; CHIANG, Y. C.; SUEN, L.K. Auricular point acupressure as an adjunctanalgesic treatment for cancer patients: a feasibility study. Pain Manag Nurs. v. 16, n. 3, p. 285-293. 2015. DOI: 10.1016/j.pmn.2014.08.005. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25439120/ Acesso em: 06 jul. 2022. ZHAO, H.J.; TAN, J.Y.; WANG, T.; JIN, L. Auricular therapy for chronic pain management in adults: a synthesis of evidence. Complement Ther Clin Pract. v. 21, n. 2, p. 68-78, 2015. DOI: 10.1016/j.ctcp.2015.03.006. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25921554/ Acesso em: 06 jul. 2022. ZHAO, F.Y.; ZHAO, Y.X.; YAN, H.X.; et al. Auricular acupressure as assistant in primary insomnia management: a randomized single-blind controlled clinical trial. Journal of Acupuncture and Tuina Science, v. 17, n. 1, p. 49–55, 2019a. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/wpr-746366 Acesso em: 06 jul. 2022. ZHAO, H. LI, D.; YANG, Y.; et al. Auricular plaster therapy for comorbid insomnia: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Evidence- Based Complementary and Alternative Medicine: eCAM, v. 2019, 2019b. DOI: https://doi.org/10.1155/2019/7120169 Disponível em: https://www.hindawi.com/journals/ecam/2019/7120169/ Acesso em: 06 jul. 2022. ZANELATTO AP. Avaliação da acupressão auricular na Síndrome do Ombro Doloroso: estudo de caso. Rev Bras Enferm. v. 66, n. 5, p. 694-701, 2013. doi: 10.1590/S0034-71672013000500009 Disponível em: Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 78 https://www.scielo.br/j/reben/a/wgkVrG3VCqstcJrXg8wH8yg/abstract/?lang=pt# Acesso em: 06 jul. 2022. ZONTA, R. Formação em auriculoterapia para profissionais de saúde da atenção básica. Módulo V. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2018. ZORZETTO, Neivo Luiz. Anatomia da orelha. Costa SSD, et al. Otorrinolaringologia-Princípios e Prática. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, p. 26, 2006. Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 79 Anexo I Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 80 Anexo II Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 81 Anexo III Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 82 RECOMENDAÇÕES ADICIONAIS EM SAÚDE DA MULHER Queremos aqui trazer algumas recomendações que são necessárias nos cuidados diários para a saúde da mulher, contribuindo com a manutenção ou recuperação da vitalidade, reduzindo ou eliminando os sintomas de desequilíbrio da saúde da mulher (CAMPIGLIA, 2017): ● não realizar exercícios físicos exaustivos; ● ocupar a mente com atividades criativas e meditação; ● consumo de alimentos nutritivos, em temperatura ambiente, morna ou quente; Em caso de insônia, depressão, irritabilidade, cefaleias e calores: ● Evitar ingestão de álcool; ● Não ingerir alimentos picantes e condimentados; ● Evitar compromissos sociais muitos agitados; ● Realizar exercícios físicos moderados regularmente; ● Respeitar os horários e o ritmo do corpo; ● Procurar não guardar rancor ou mágoa; ● Dançar e escutar música; ● Colocar os sentimentos para fora, se necessário procurar apoio psicológico; ● Procurar, o máximo possível, ingerir alimentos sem agrotóxicos ou hormônios; ● Não comer demais; ● Dormir cedo e evitar estímulos visuais intensos no período da noite; ● Evitar açúcares, alimentos frios ou de sabor muito ácido. ● Evitar: alimentos crus, excesso de saladas, leite e derivados, frituras, alimentos gordurosos e álcool.