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SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE DE RIBEIRÃO PRETO 
 
DEPARTAMENTO DE PLANEJAMENTO EM SAÚDE 
COORDENADORIA I DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES EM 
SAÚDE 
 
DIVISÃO DE ENFERMAGEM 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: 
Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ribeirão Preto 
2022 
 
 
© 2022 Secretaria Municipal da Saúde 
Todos os direitos reservados são permitidos a reprodução parcial ou total desta obra, desde 
que citada à fonte e que não tenha fins comerciais. Venda proibida. A responsabilidade 
pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é da equipe responsável pela 
autoria/elaboração, da Coordenadoria I de Práticas Integrativas e Complementares em 
Saúde, Divisão de Enfermagem, Gabinete do Secretário da Saúde e Departamento de 
Planejamento em Saúde. O documento poderá ser acessado na íntegra pelo site da 
Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto no link: 
https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/portal/dps/coordenadoria-i-de-praticas-integrativas 
 
 
 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: 
Auriculoterapia e Acupuntura Auricular 
 
 
Jane Aparecida Cristina 
Secretária Municipal da Saúde 
 
Adriana Mafra Brienza 
Secretária Adjunta 
 
Dílson Braz da Silva Junior 
Diretor do Departamento de Planejamento em Saúde 
 
Drª. Vanessa Colmanetti Borin Danelutti 
Diretora do Departamento de Atenção à Saúde das Pessoas 
 
Enfª Karina Domingues de Freitas 
Chefe da Divisão de Enfermagem 
 
Equipe Técnica Divisão de Enfermagem 
Enfª Ana Carolina Teles Flávio 
Enfª Lauren Suemi Kawata 
Enfª Lilian Carla de Almeida 
Enfª Maria de Fátima Paiva Brito 
Enfª Mariane Fabiani Cicilini Simões 
 
Coordenadoria I de Práticas Integrativas e Complementares 
Coordenação – Drº Júlio José Cunha 
Equipe Técnica – Enfª Luana Alves de Figueiredo Bianchi Neves 
 
 
 
Organização: Coordenadoria I de Práticas Integrativas e Complementares 
Divisão de Enfermagem 
Departamento de Atenção à Saúde das Pessoas 
 
Autoria/Elaboração 
Drº Júlio José Cunha 
Enfª Karina Domingues de Freitas 
Enfª Lauren Suemi Kawata 
Enfª Luana Alves de Figueiredo Bianchi Neves 
Enfª Maria de Fátima Paiva Brito 
Enfª Mariana Bodoni Massocato Machado 
 
Grupo de trabalho 
Enfª Adriana Lima 
Supervisora UBS José Sampaio e USF Jamil Cury 
 
Enfª Ananda Leticia Fuzo Ferreira 
Equipe técnica CAISCA 
 
Enfª Jeniffer Caroline Domingos Sassarolli 
USF Jardim Marchesi 
 
Enfª Livia Modolo Martins 
Unidade de Saúde da Família Profa. Dra. Célia de Almeida Ferreira - Núcleo 3 
 
Enfª Mirela Modolo Martins do Val 
Coordenadora da Atenção Básica 
 
Colaboração 
Enfª Tatiana Maria Coelho Veloso 
Equipe de Consultório de Rua 
 
Enfº Ueverton Camargo de Moraes 
Unidade de Saúda da Família Marincek 
 
 
Apreciação e Revisão 
 
Adrielen Aparecida Silva Calixto - Coordenadoria de Atenção às Pessoas com Doenças 
Crônicas não Transmissíveis da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Ana Paula Raizaro - Coordenadoria da Estratégia de Saúde da Família, da Secretaria 
Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Andrea Domingues Ribeiro Toneto - Coordenadoria I Procedimento Coletivos e Preventivos 
em Odontologia da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Daniela de Bortoli Sanches Rossi - Equipe Técnica Coordenadoria de Educação 
Permanente em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Dílson Braz Da Silva Junior - Diretor do Departamento de Planejamento em Saúde da 
Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Janaína Boldrini França - Coordenadoria de Assistência Integral à Saúde Da Mulher – 
Caism da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Karina Domingues De Freitas - Chefe da Divisão De Enfermagem da Secretaria Municipal 
da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Lilian D. Pimenta Nogueira - Coordenadoria de Aleitamento Materno da Secretaria Municipal 
da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Márcia Soares Freitas Da Motta – Médica Pediatra Coordenadoria I da Assistência Integral á 
Saúde da Criança e Adolescente da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Marcus Vinícius Santos - Coordenadoria de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas da 
Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Maria Tereza Cunha Alves Rios - Nutricionista da Equipe Técnica da Secretaria Municipal da 
Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Rute Aparecida Casas Garcia - Coordenadoria de Educação Permanente em Saúde da 
Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Thatiane Delatorre – Enfermeira da Equipe Técnica do Departamento de Atenção à Saúde 
das Pessoas da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
Vanessa Colmanetti Borin Danelutti - Diretora do Departamento de Atenção à Saúde das 
Pessoas da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto – SP. 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
À Professora Dra. Fernanda Lopes Buiatti de Araújo, por ter colaborado na 
construção do fluxo de certificação e por ter cedido tão gentilmente a cópia dos Mapas 
Auriculares da Escola Chinesa e Francesa produzidos pelo IPES – Instituto Paulista de 
Estudos Sistêmicos, para serem disponibilizados neste Protocolo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
___________________________________________________________ 
Municipal de Ribeirão Preto, Prefeitura. 
 
PROTOCOLO DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES PARA 
ENFERMAGEM: AURICULOTERAPIA E ACUPUNTURA AURICULAR: Protocolo de 
Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e Acupuntura 
Auricular/ Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. – 2022. 85 f. : il. color. 
 
 Protocolos da Coordenadoria I de Práticas Integrativas e Complementares. 
Departamento de Planejamento em Saúde. Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão 
Preto. 
1. Práticas Integrativas e Complementares. 2. Auriculoterapia. 3. Acupuntura 
auricular. 4. Enfermagem. I. Título. 
_______________________________________________________________ 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1 – Pentagrama dos Cinco Elementos na MTC com ciclo de 
geração e dominação............................................................... 
 
15 
Figura 2 – Representação do feto invertido intrauterino projetado no 
pavilhão auricular...................................................................... 
 
19 
Figura 3 – Zonas de inervação da face externa do Pavilhão 
Auricular.................................................................................... 
 
21 
Figura 4 – Estruturas anatômicas da face anterior do pavilhão 
auricular.................................................................................... 
 
22 
Figura 5 – Pontos de Auriculoterapia do Protocolo NADA......................... 52 
 
 
 
 
LISTA DE QUADROS 
 
Quadro 1 – Relação da Teoria dos Cinco Elementos com a natureza 
e o corpo humano............................................................... 
 
16 
Quadro 2 – Alterações gerais encontradas na orelha........................... 23 
 
 
 
 
 
 
PORTARIAS 
 
Portaria GM/MS nº 971/2006 - Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e 
Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. 
http://www.crbm1.gov.br/Portaria%20MS%20971%202006.pdf 
 
Portarias GM/MS nº 849/2017 – Inclui a Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança 
Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, 
Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à Política 
Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt0849_28_03_2017.html 
 
Portaria GM/MS nº 702/2018 - Altera a Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 
de setembro de 2017, para incluir novas práticas na Política Nacional de PráticasIntegrativas e Complementares - PNPIC. 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2018/prt0702_22_03_2018.html 
 
Resolução Cofen 581/2018 - Atualiza, no âmbito do Sistema Cofen/Coren, os 
procedimentos para Registro de Títulos de Pós – Graduação Lato e Stricto Sensu 
concedido a Enfermeiros e aprova a lista das especialidades. 
http://www.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2018/07/Resolucao-Cofen-no-581-2018-
ANEXO-Alterado-Pelas-Decisoes-65-2021-e-120-2021.pdf 
 
 
 
 
 
SIGLAS 
 
APS – Atenção Primária a Saúde; 
CAISCA – Coordenadoria de Assistência Integral à Saúde da Criança e do 
Adolescente; 
DORT – Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho; 
LER – Lesão por esforço repetitivo; 
MTC – Medicina Tradicional Chinesa; 
OMS – Organização Mundial de Saúde; 
PE – Processo de Enfermagem; 
PICS – Práticas Integrativas e Complementares em Saúde; 
PNPICS – Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde; 
RAS – Rede de Apoio Assistencial; 
SMS – Secretaria Municipal de Saúde; 
SPM – Síndrome Pré-Menstrual; 
SUS – Sistema Único de Saúde; 
TDAH – Transtorno do déficit de Atenção e Hiperatividade; 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 1. INTRODUÇÃO............................................................................................. 13 
1.1. FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA..................... 14 
1.2. ACUPUNTURA AURICULAR E AURICULOTERAPIA............................... 17 
1.3. ANATOMIA DO PAVILHÃO AURICULAR................................................... 20 
1.4. EXAME FÍSICO DO PAVILHÃO AURICULAR............................................ 23 
1.5. DIAGNÓSTICO AURICULAR...................................................................... 23 
1.6. PANORAMA GERAL DA LITERATURA...................................................... 24 
 2. OBJETIVOS................................................................................................ 27 
 3. DIRETRIZES E ESTRATÉGIAS................................................................. 28 
3.1. FLUXOGRAMA PARA LIBERAÇÃO.......................................................... 28 
3.2. LINHAS DE CUIDADO............................................................................... 29 
3.3. OFERTA DA ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA............ 29 
3.4. NÚMERO DE SESSÕES........................................................................... 30 
3.5. DIVULGAÇÃO PARA A EQUIPE, USUÁRIOS E COMUNIDADE............. 30 
3.6. DEMANDA ESPONTÂNEA......................................................................... 31 
3.7. CONSULTAS PROGRAMADAS................................................................. 31 
3.8. GRUPOS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE...................................................... 31 
3.9. ATENDIMENTO DOMICILIAR..................................................................... 32 
3.10 RETORNOS................................................................................................ 32 
 4. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA E AS LINHAS DE 
CUIDADO.................................................................................................... 
 
34 
4.1. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE DA 
CRIANÇA.................................................................................................... 
 
35 
4.2. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE DA 
MULHER..................................................................................................... 
 
40 
4.3. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE 
MENTAL..................................................................................................... 
 
47 
4.4. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA NO TRATAMENTO 
DO TABAGISMO......................................................................................... 
 
50 
 
 
4.5. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA NO TRATAMENTO 
DA DOR...................................................................................................... 
 
52 
 5. ROTEIRO PARA PROCESSO DE ENFERMAGEM................................... 58 
 6. POP - ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA........................ 61 
 7. POP – LIMPEZA INSTRUMENTAL............................................................ 64 
 8. REFERÊNCIAS........................................................................................... 66 
 ANEXO 1.................................................................................................... 79 
 ANEXO 2.................................................................................................... 80 
 ANEXO 3.................................................................................................... 81 
 APÊNDICE 1............................................................................................... 82 
 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimula a inclusão das Práticas 
Integrativas e Complementares (PIC) nos sistemas públicos de saúde de todo o 
Mundo desde a conferência de Alma Ata, em 1978 (OMS,1978), e mais 
recentemente, temos como importantes marcos políticos e técnicos, a publicação de 
diversos documentos, dentre os quais merecem destaque o "Traditional Medicine 
Strategy" 2005-2014" (WHO, 2002) e "Traditional Medicine Strategy 2014-2023" 
(WHO, 2013). 
No Brasil, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares 
(PNPICS), constituída a partir da publicação da Portaria GM/MS nº 971/2006, 
atendeu às diretrizes da OMS, tornando possível mapear, apoiar, incorporar e 
implementar experiências desenvolvidas na rede pública de saúde dos municípios e 
estados brasileiros (BRASIL, 2006). Posteriormente, a PNPICS foi ampliada por 
meio das portarias GM/MS nº 849/2017 e GM/MS nº 702/2018, tornando-se a 
política de PICS mais abrangente, especialmente na Atenção Primária à Saúde 
(APS), que se constitui em um dos principais ambientes para a sua aplicação 
(BRASIL, 2015). Tais diretrizes preconizam também a qualificação dos profissionais 
em PICS no SUS e o apoio técnico e financeiro necessário para tal, levando em 
consideração os princípios e diretrizes da educação permanente em saúde (BRASIL, 
2015). 
Em Ribeirão Preto, a partir de 1992, foi implantado o Programa de Fitoterapia 
e Homeopatia da Secretaria Municipal da Saúde, pioneiro no interior do Estado de 
São Paulo, sob a coordenação da Enfermeira Aurea Moreti Pires e Equipe Técnica 
Robinsom Gallão Mesquita (“In Memoriam” 13/10/1917), com apoio do 
Sasama/Cadais da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Conselho 
Municipal de Saúde e Entidades Comunitárias, e com o objetivo de oferecer a opção 
de tratamento de saúde com terapias naturais à população, além da criação do 
cargo de Coordenador de Fitoterapia e Homeopatia junto à Secretaria Municipal de 
Saúde, em 1994. Posteriormente, legislou a implantação na rede municipal de saúde 
da Homeopatia em 1998 (Lei nº 8.106), e da Fitoterapia em 2000 (Lei nº 8.778), a 
implantação do Ambulatório de Acupuntura "Dr. Marcelo Rosochanski", no Núcleo de 
Gestão Assistencial - NGA 59, em 1998,e em 2018, a publicação da Lei 
Complementar nº 2.924, de 07 de dezembro de 2018, que renomeia o Programa de 
 
 
 
Fitoterapia e Homeopatia para Programa De Práticas Integrativas e 
Complementares (ProPIC), adequando-o à nomenclatura adotada em nível nacional 
(RIBEIRÃO PRETO, 2022). 
Hoje, o município de Ribeirão Preto conta com as seguintes terapias 
instituídas na rede de saúde: Homeopatia, Medicina Antroposófica, Medicina 
Tradicional Chinesa (MTC) – Acupuntura, Plantas Medicinais/Fitoterapia; Terapia 
Comunitária Integrativa; Cromopuntura Técnica SU JOK, Reiki e Terapia 
Comunitária (RIBEIRÃO PRETO, 2022), e a Coordenadoria I de PICS tem como 
missão valorizar estas ferramentas para a promoção global do cuidado humano, 
tendo como ênfase a melhoria das condições de bem-estar físico, mental e social, 
bem como da qualidadede vida e saúde dos usuários do SUS. 
Sendo assim, temos o objetivo de incorporar e implementar as PICS no SUS, 
na perspectiva da prevenção de agravos e da promoção e recuperação da saúde, 
com ênfase na atenção básica, voltada para o cuidado continuado, humanizado e 
integral em saúde, bem como contribuir com o aumento da resolutividade dos 
serviços de saúde, que ocorrem a partir da integração – ao modelo convencional de 
cuidado – de racionalidades com olhar e atuação mais ampliados, agindo de forma 
integrada e/ou complementar no diagnóstico, na avaliação e no cuidado, auxiliando 
na melhora da qualidade de vida das pessoas usuárias do SUS (RIBEIRÃO PRETO, 
2022). 
Atualmente, inicia-se uma nova etapa com a institucionalização das técnicas 
da auriculoterapia e acupuntura auricular para a Atenção Primária e demais 
unidades de saúde de atenção secundária, tendo este Protocolo como marco, criado 
por profissionais de Enfermagem, com formação nesta área, e que já utilizam em 
seu dia-a-dia esta terapêutica, em seus locais de trabalho. 
 
 
 
Drº Júlio José Cunha 
Enfª Luana Alves de Figueiredo Bianchi Neves 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
13 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Dos anos 90 à atualidade, o uso das Práticas Integrativas e Complementares 
(PICS) tem aumentado em proporções mundiais. Este crescimento ocorreu, 
principalmente, em decorrência do estímulo da Organização Mundial de Saúde 
(OMS), em 2002, por meio da elaboração de um documento normativo para seus 
países membros, visando o desenvolvimento e a regulamentação das PICS nos 
serviços de saúde, além da ampliação do acesso, do uso racional e da avaliação da 
eficácia e da segurança de tais técnicas (WHO, 2002). 
No Brasil, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares 
(PNPICS), é hoje uma política abrangente, e suas diretrizes estabelecem o 
fortalecimento da atenção em PICS no Sistema Único de Saúde (SUS) através do 
incentivo à inserção dessas práticas em todos os níveis de atenção, especialmente 
na APS, com desenvolvimento por equipe multiprofissional. Tais diretrizes 
preconizam também a qualificação dos profissionais em PICS no SUS e o apoio 
técnico e financeiro necessário para tal, levando em consideração os princípios e 
diretrizes da educação permanente em saúde (BRASIL, 2015). 
A Portaria MS nº 971/2006 abrangia 5 práticas (acupuntura, homeopatia, 
fitoterapia, antroposofia e termalismo). Posteriormente, em 2017, por meio da 
Portaria nº 849/2017 foram incluídas mais 14 práticas (arteterapia, ayurveda, 
biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, 
quiropraxia, reflexoterapia, reiki, santhala, terapia comunitária integrativa e yoga). 
No ano seguinte, a Portaria nº 702/2018 incluiu mais 10 práticas (apiterapia, 
aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, 
hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia e terapia de florais), totalizando, 
atualmente, 29 práticas. 
 Ao considerar a visão ampliada do processo saúde-doença e a promoção 
global do cuidado humano, as PICS constituem ferramentas para “ações destinadas 
a garantir às pessoas e a coletividade condições de bem-estar físico, mental e 
social, como fatores determinantes e condicionantes da saúde” (BRASIL, 1990; 
BRASIL, 2006). Elas não substituem a medicina convencional, mas complementam 
qualquer tratamento para recuperação da saúde e bem-estar. Essas práticas são 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
14 
 
procuradas por diversos segmentos da sociedade e são adotadas por diferentes 
profissionais (COFEN, 2020). 
A enfermagem, assim como demais profissionais que compõem a equipe de 
saúde, precisa visualizar as PICS como um modelo de cuidado a ser ensinado e 
praticado no ambiente de assistência (MENDES et al.,2019) fortalecendo a RAS 
(Rede de Atenção à Saúde), haja vista que proporcionam a melhoria da qualidade 
de vida das pessoas através de práticas que estimulam o bem-estar físico e mental 
(COFEN, 2020; MENDES et al., 2019). 
Neste contexto, os enfermeiros são profissionais de destaque na 
implementação e utilização das PICS, uma vez que os princípios de sua formação 
são congruentes aos paradigmas desta ciência. Além do mais, possuem respaldo 
legal para a atuação em serviços públicos e privados (AZEVEDO et al., 2019). 
Ademais, a Resolução Cofen 581/2018 reconhece a “Enfermagem em 
Práticas Integrativas e Complementares” como uma especialidade dos enfermeiros, 
sendo a Acupuntura, que abrange técnicas de puntura sistêmica, 
auriculoterapia/acupuntura auricular, moxaterapia e ventosas, uma das doze práticas 
reconhecidas (COFEN, 2018). 
 
1.1 FUNDAMENTOS DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC) 
 
A MTC se desenvolveu com base na filosofia Taoísta, também recebendo 
influências filosóficas do Budismo e Confucionisno. De acordo com Yamamura 
(2001), a MTC faz parte do grande tesouro da medicina e farmacopeia da China e 
baseia-se na observação dos fenômenos que regem a natureza, buscando 
compreender todos os princípios que a organizam. Com base conceitual Naturalista, 
considera o homem (microcosmo) como um aspecto da natureza (macrocosmo), 
dentre milhares de outros e, como tal, regido pelas mesmas leis que comandam o 
universo (AUTEROCHE, 1992; ZHAO, 2009). Segundo Zhao (2009, p.27), “cada ser 
humano é um corpo-mente-espírito orgânico unificado”, não podendo isolar uma 
doença e tratá-la sem entender de que forma ela afeta o restante do corpo. 
Assim, o paradigma da MTC inclui os conceitos do Yin-Yang, dos Cinco 
Elementos, Qi e Sangue, e dos Zang-Fu, sendo que para realizar o diagnóstico e 
tratamento de diversas patologias, é necessário basear-se nestes conceitos. 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
15 
 
A teoria do Yin Yang considera o mundo como um todo e que esse todo é o 
resultado das unidades opostas desses dois princípios, sendo que a reunião dessas 
duas partes existe em todos os fenômenos e objetos no meio natural, “não havendo 
Yin sem Yang, nem Yang sem Yin” (AUTEROCHE, 1992). Da mesma forma, Zhao 
(2009) lembra que o ser humano também é uma combinação de Yin e Yang, ou 
seja, cada parte do corpo é descrita como predominantemente Yin ou Yang, e a 
saúde como a capacidade de manter um equilíbrio entre estas duas energias e a 
doença como um desequilíbrio entre elas. Vale ressaltar que os estados Yin e Yang 
não são estáticos, mas sim dinâmicos, podendo ser mudados a depender das 
condições em que se encontram na relação com o meio. 
A teoria dos Cinco Elementos constitui o segundo pilar da MTC e sustenta que a 
natureza está constituída por cinco substâncias que representam simbolicamente os 
elementos Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água. Considera que o universo é formado 
pelo movimento contínuo e transformação desses cinco elementos, sendo que entre 
eles, há relações constantes de geração e dominância recíprocas (AUTEROCHE, 
1992). Essa teoria explica as características fisiopatológicas dos órgãos internos e 
dos tecidos do corpo humano, as relações entre eles e as relações entre o corpo e o 
meio ambiente que são sempre mutantes (Figura 1 e Quadro 1). 
 
Figura 1 – Pentagrama dos Cinco Elementos na MTC com ciclo de geração e dominação. 
 
 
Fonte: próprio autor, 2022. 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
16 
 
Quadro 1 – Relação da Teoria dos Cinco Elementos com a natureza e o corpo humano. 
ELEMENTOS MADEIRA FOGO TERRA METAL ÁGUA 
YIN FÍGADO CORAÇÃO/CS BAÇO/PÂNCREAS PULMÃO RIM 
YANG VESÍCULA B INT. DELG/ T.A ESTÔMAGO INT. 
GROSSO 
BEXIGA 
SENTIDO VISÃO FALA PALADAR OLFATO AUDIÇÃO 
NUTRIÇÃO TENDÃO VASO MÚSCULO PELE OSSOS 
MANIFESTAÇÃOUNHAS FACES LÁBIOS PÊLOS CABELOS 
LÍQUIDOS LÁGRIMAS SUOR SALIVA MUCO URINA 
TEMPERAMENTOS RAIVA ALEGRIA PREOCUPAÇÃO TRISTEZA MEDO 
SABORES AZEDO AMARGO DOCE PICANTE SALGADO 
SONS GRITO RISO CANTO CHORO GEMIDO 
CLIMA VENTO CALOR UMIDADE SECO FRIO 
ESTAÇÕES PRIMAVERA VERÃO INTER OUTONO INVERNO 
 
A energia (Qi) e o sangue (Xue) são considerados materiais básicos do 
organismo. O Qi pode ser definido como a força vital que move e gera a vida, 
sustentando o corpo, mente, coração e espírito, sendo considerado “a raiz do 
homem” (ZHAO, 2009; AUTEROCHE, 1992). Ele se apresenta de dois modos: 
participando na formação dos elementos constitutivos do corpo e permitindo à vida 
se manifestar; e sendo constituído pela atividade fisiológica dos tecidos orgânicos. O 
Xue provém da transformação da essência dos alimentos e tem como função nutrir e 
umedecer os tecidos do corpo, além de servir de base material para a atividade 
mental (AUTEROCHE, 1992). 
Desse modo, o Qi é fundamental para a produção de Xue, que, por sua vez, gera 
o Qi. Assim, o Xue representa a base material (Yin) do Qi enquanto, o Qi (Yang) é a 
manifestação da atividade do Xue. A relação harmoniosa e constante entre Xue e Qi 
representa as relações de dependência e complementaridade entre o Yin e Yang 
(AUTEROCHE, 1992; ZHAO, 2009). 
O termo ZangFu designa o estudo da atividade fisiológica e das manifestações 
patológicas do conjunto de órgãos e vísceras do corpo humano, e representa a 
interconexão entre eles através da dinâmica da circulação energética. Os órgãos Yin 
são conhecidos como Zang, e as vísceras Yang, como Fu. Cada um dos seis órgãos 
Zang (Fígado, Coração, Pericárdio, Baço-Pâncreas, Pulmão e Rins) tem vísceras Fu 
correspondentes (Vesícula Biliar, Intestino Delgado, Triplo Aquecedor, Estômago, 
Intestino Grosso e Bexiga, respectivamente), e cada par está relacionado segundo a 
simbologia de um dos cinco elementos, além de manter relações com todos os 
tecidos, órgão dos sentidos e estados emocionais do corpo humano. Dada à 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
17 
 
interdependência destes sistemas, um padrão de desequilíbrio em determinado 
órgão ou víscera tem efeito profundo em todos os outros, o que, por fim, pode levar 
à ocorrência de doenças (AUTEROCHE, 1992; ZHAO, 2009). 
 Ainda que as causas das doenças sejam diversas, segundo Auteroche (1992), 
para a MTC o ser humano adoece em decorrência dos desequilíbrios entre Yin e 
Yang que podem ser explicados por dois princípios: 1 - perda da resistência corporal 
por diminuição da energia vital (Energia Correta), ou 2 - influência de um agente 
patogênico sobre o organismo (Energia Perversa). 
A força ou a debilidade o Qi Correto está associada a fatores como constituição 
física, estado mental, meio externo, alimentação e resistência adquirida por 
treinamento (AUTEROCHE, 1992), e para a conceituação energética esses fatores 
podem ser classificados em três fatores: os patogênicos externos (que representam 
os extremos do clima - vento, calor, umidade, secura, frio), os internos (que se 
referem primariamente aos excessos das emoções - raiva, alegria, preocupação, 
melancolia e medo) e aqueles que não são externos nem internos, ou chamados de 
outras causas (referindo-se primariamente a dieta, fadiga excessiva, venenos, 
lesões traumáticas, sexualidade, entre outros) (IPES, 2013; SOUZA, 2008). 
 
1.2 ACUPUNTURA AURICULAR E AURICULOTERAPIA 
 
A acupuntura auricular e auriculoterapia são técnicas que utilizam pontos no 
pavilhão auricular para a prevenção e o tratamento de desequilíbrios orgânico-
emocionais que podem acarretar em uma doença (GORI e FIRENZUOLI, 2007). 
Parte do conceito de que o pavilhão auricular é um microssistema, onde uma região 
do corpo representa todo o organismo, (WANG, 2008) permitindo tratar diferentes 
tipos de problemas. Esses pontos podem ser estimulados por meio de agulhas, 
moxabustão, sementes de mostarda, esferas de ouro ou prata, magnetos, dentre 
outros (OLESON, 2013; SHI-YING et al., 2012). 
A OMS reconhece a acupuntura auricular e auriculoterapia como uma técnica 
terapêutica de microssistema que pode favorecer a regulação das funções corporais 
(WHO, 1990). 
Na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS 
(BRASIL, 2006), a auriculoterapia é descrita como 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
18 
 
“uma técnica terapêutica que promove a regulação psíquico-
orgânica do indivíduo por meio de estímulos nos pontos 
energéticos localizados na orelha – onde todo o organismo 
encontra-se representado como um microssistema – por meio 
de agulhas, esferas de aço, ouro, prata, plástico, ou sementes 
de mostarda, previamente preparadas para esse fim” (BRASIL, 
2006). 
 
Ademais, salienta que esta prática, no Brasil, é constituída da fusão das 
técnicas terapêuticas de origem nas escolas chinesas e francesas (BRASIL, 2006). 
A literatura aponta o tratamento de enfermidades através de estimulação da 
orelha nas antigas civilizações, como o Egito, a Índia, a Arábia e a China (GORI, 
2007; SOUZA, 2007). Muitos textos chineses atribuem à descoberta da acupuntura 
auricular para as mesmas fontes que conduziram o desenvolvimento da acupuntura 
sistêmica, e a acupuntura específica na orelha externa era usada há mais de 4.000 
anos para o alívio de várias desordens orgânicas, como aponta “O Nei Ching – 
Clássico da Medicina Interna do Imperador Amarelo”, além de descrever, em 2.697 
a.C, como os ramos profundos dos meridianos convergiam para a orelha, 
relacionando esse microssistema do corpo humano, com os órgãos e vísceras, os 
ZangFu, e aos meridianos (ABBATE, 2016; CASADO, 2012; JUNIOR, 1994). 
Assim, quando algum meridiano tem seu fluxo obstruído no corpo, aparecem 
pontos dolorosos na orelha, como uma reação do local obstruído. Além disso, as 
funções dos órgãos e vísceras (ZangFu) descritas na MTC podem ser estimuladas e 
equilibradas através dos pontos auriculares (ABBATE, 2016; OLESON, 2013). 
Já a auriculoterapia, desenvolvida pelo médico francês Paul Nogier, na 
década de 1950, é entendida como um microssistema com áreas reflexas na orelha 
e propõe que qualquer alteração em um determinado órgão ou parte do corpo 
poderá ser detectada e tratada pelo pavilhão auricular (OLESON, 2013). 
A experiência acumulada na prática e a pesquisa em acupuntura auricular e 
auriculoterapia em países como França, China, Rússia e Alemanha geraram a 
elaboração de diferentes mapas auriculares e distintas visões sobre sua prática 
(ABBATE, 2016; GORI e FIRENZUOLI, 2007). Os mapas mais consagrados são os 
designados como Auriculoterapia de origem francesa, e Auriculoterapia Chinesa, ou 
Acupuntura Auricular (OLESON, 2013). Nogier (1998) considera que existem mapas 
auriculares com pontos diferentes, segundo a escola de origem (chinesa ou 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
19 
 
francesa), no entanto, ambas seguem a visualização de um feto invertido no 
pavilhão auricular com pontos localizados em áreas reflexas do corpo humano 
(NOGIER, 1998) (Figura 2). 
 
Figura 2 – Representação do feto invertido intrauterino projetado no pavilhão auricular. 
 
 
Fonte: Landgen (2008). 
 
Assim temos: 
⮚ os pontos na área do lóbulo da orelha estão relacionados à cabeça e a face; 
⮚ os pontos na área da escafa estão relacionados aos membros superiores; 
⮚ os pontos na área da anti-hélice representam o sistema musculoesquelético; 
no ramo superior da anti-hélice os membros inferiores, e no ramo inferior a 
região glútea e o ciático; 
⮚ os pontos na região da concha representam os órgãos internos sendo que na 
área da cimba estão os órgãos da região abdominal e na cavidade da cava os 
órgãos da regiãotorácica; 
⮚ os pontos da região da fossa triangular estão relacionados aos órgãos da 
pelve e genitais internos. 
Ambos os mapas, formulados por Nogier e os desenvolvidos na China, foram 
baseados em achados experimentais, não só em postulações teóricas. Pesquisas 
posteriores conduzidas na Universidade da Califórnia proveram apoio e controle 
científico às técnicas usadas nos diagnósticos auriculares. Estes métodos são 
baseados na observação de que quando há deficiência orgânica ou desconforto em 
certa parte do corpo há um aumento na sensibilidade para palpação e uma 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
20 
 
diminuição da resistência eletrodérmica na pele e na área correspondente do 
pavilhão auricular (IPES, 2013). 
Para efeito deste protocolo, seguiremos a recomendação da PNPICS-SUS 
com utilização das pranchas Chinesa e Francesa para aplicação da técnica (Anexo 
1, Anexo 2, Anexo 3). 
 
1.3 ANATOMIA DO PAVILHÃO AURICULAR 
 
A orelha é dividida em três partes: externa, média e interna. O pavilhão 
auricular, em forma de concha, é a parte externa da orelha, sendo dividido em duas 
faces: a anterior e a posterior. É constituído ainda de uma cartilagem elástica, 
inervada e vascularizada. O lóbulo da orelha é a única região do pavilhão que não 
apresenta cartilagem, sendo constituída de tecido adiposo. Está localizado no osso 
temporal, e sua conexão com o crânio é por meio dos ligamentos e dos músculos 
auriculares (UFSC, 2016). 
O pavilhão auricular é irrigado por artérias que procedem da artéria temporal 
superficial e da artéria auricular posterior, ambas ramos da artéria carótida externa. 
Os músculos auriculares se dividem em extrínsecos e intrínsecos, os quais 
conectam a orelha ao crânio e couro cabeludo e movem a orelha como um todo, 
além de conectarem as diferentes partes da orelha (UFSC, 2016). 
O pavilhão auricular tem uma complexa e abundante inervação sensorial, 
sendo três nervos principais: Nervo auricular magno (maior), que supre a maior parte 
da face anterior e posterior, lóbulo e cauda da hélice; Ramo auricular do nervo vago, 
que supre ambas as faces da orelha, abrange o ramo da hélice e a concha da 
orelha, e Ramo auriculotemporal do nervo trigêmeo, que supre a região do trago, 
anti-hélice , escafa e fossa e parte superior da hélice. Compõem ainda a inervação 
da orelha: nervo occipital menor, nervo facial e nervo glossofaríngeo (UFSC, 2016). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
21 
 
Figura 3 - Zonas de inervação da face externa do Pavilhão Auricular 
 
 
 
Fonte: https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/42176/1/GustavoEVilares.pdf 
 
Em relação à estrutura, a face anterior do pavilhão auricular ainda é 
subdividida em: 
⮚ Hélice: margem superior, curva e proeminente da orelha, que começa na 
cavidade da concha do pavilhão da orelha e segue circundando o pavilhão 
até encontrar o lóbulo. 
⮚ Ramo da Hélice: é o início da formação hélice, situa-se na concha da orelha. 
⮚ Tubérculo da Hélice ou Tubérculo de Darwin: É uma proeminência localizada 
na face póstero-superior da hélice, junto à transição do ramo transverso da 
hélice com o ramo descendente. Nem todas as orelhas possuem esse 
acidente anatômico, outras possuem o tubérculo deslocado e algumas dois 
tubérculos. 
⮚ Cauda da Hélice: situa-se na parte terminal da Hélice, que se conecta com o 
lóbulo da orelha. 
⮚ Anti-hélice: Situa-se na saliência longitudinal ascendente mais interna e 
central da orelha que se divide na parte superior dando origem a 2 ramos: 
superior e inferior. 
⮚ Ramo Superior da Anti-hélice: ramo superior da bifurcação da anti-hélice. 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
22 
 
⮚ Ramo Inferior da Anti-hélice: ramo inferior da bifurcação da anti-hélice. 
⮚ Fossa Triangular: Depressão triangular entre o ramo superior e inferior da 
anti-hélice. 
⮚ Escafa: depressão curvilínea entre a Hélice e a Anti-hélice. 
⮚ Trago: proeminência localizada sobre o meato acústico externo, em geral é 
triangular ou arredonda. Sua parte interna é chamada de subtrago. 
⮚ Incisura anterior (superior do trago): uma depressão formada pela região 
anterior e externa da hélice e a margem superior do trago pouco visível, mas 
facilmente identificável por palpação. 
⮚ Antitrago: pequena proeminência triangular de pontas abauladas, localizada 
abaixo da anti-hélice, oposta ao trago e superior ao lóbulo da orelha. 
⮚ Incisura intertrágica: sulco formado entre o trago e o antitrago. 
⮚ Lóbulo da orelha: região não cartilaginosa, de tecido adiposo, localizada na 
parte inferior do pavilhão auricular. 
⮚ Concha da orelha: sulco mais profundo e interno localizado entre a anti-
hélice, o trago e o antitrago. O ramo da hélice divide a concha em duas 
partes: uma superior, mais estreita, também chamada de Concha Cimba, e 
uma parte inferior chamada de Concha Cava. 
 
Figura 4: Estruturas anatômicas da face anterior do pavilhão auricular 
 
 
Fonte: ZORZETTO, 2006. 
 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
23 
 
1.4 EXAME FÍSICO DO PAVILHÃO AURICULAR 
 
A inspeção deve ser o primeiro passo no exame da orelha. Essa inspeção 
deve ser efetuada sem qualquer manipulação como lavar ou esticar a orelha a fim 
de evitar que sejam retiradas as descamações bem como para não modificar a cor 
da pele. Para o exame completo da orelha é importante analisar a textura e o 
tamanho dos nódulos e também verificar a sensibilidade à pressão de determinada 
área com auxílio de um apalpador (YAMAMURA, 2013). 
As pessoas podem apresentar alterações no pavilhão auricular e não 
apresentar queixa em relação ao ponto ou área com alteração. Neste caso, associe 
o método de palpação para investigar melhor. Se o ponto ou região apresentar 
sensibilidade alterada considere como um indicativo a ser melhor investigado 
(YAMAMURA, 2013). 
 
1.5 DIAGNÓSTICO AURICULAR 
 
Para a MTC os doze meridianos reúnem-se na orelha, e a aurícula é uma das 
principais zonas onde o Yin e o Yang se inter-relacionam. Quando algum canal é 
obstruído e a circulação do sangue e Qi perde seu fluxo, aparecem pontos alterados 
na orelha. Deste modo, as desarmonias dos órgãos e das vísceras podem 
manifestar-se na orelha e provocar alterações como pápulas, eczemas e mudança 
de cor, dor, e alteração de potencial em relação à região adjacente (YAMAMURA, 
2013). 
O diagnostico auricular pode ser realizado também com base nas alterações 
da aurícula, através da inspeção/observação e a palpação do pavilhão auricular, e 
também nas desarmonias detectadas conforme a teoria dos Cinco Elementos. 
 
Quadro 2: Alterações gerais encontradas na orelha 
MANIFESTAÇÃO ALTERAÇÃO CONDIÇÃO 
Mudança de coloração 
Vermelha, roxa 
Processos Inflamatórios 
agudos 
Vermelho claro e brilhante 
Condição aguda 
Processos dolorosos 
Vermelho escuro Condição crônica 
Branca Condição crônica 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
24 
 
Cinza 
Possível enfermidade 
oncológica 
Castanha escura Condição crônica 
Mudanças morfológicas 
Cordões/proeminências (nódulos 
Ou elevações) 
Processos crônicos. 
Obstruções dolorosas e 
algias 
Descamação 
Afecções dermatológicas 
e 
Condição aguda 
Depressões 
Lesões 
ulcerativas/cirurgia 
Mudanças vasculares 
Angiectasias (dilatação dos vasos 
Sanguíneos) e Telangiectasias 
(vasos dilatados – “aranhas 
Vasculares”) 
vermelho brilhante 
Processos inflamatórios 
Algias 
Disfunções circulatórias 
Angiectasias e telangiectasias 
Vasos azulados 
Processos crônicos 
Fonte: Apostila módulo II - Formação em Auriculoterapia paraprofissionais de saúde da Atenção 
Básica, 2016. 
 
1.6 PANORAMA GERAL DA LITERATURA EM ACUPUNTURA 
AURICULAR/AURICULOTRAPIA 
 
A OMS reconhece a auriculoterapia como um microssistema que pode 
produzir um impacto positivo na regulação das funções corporais e seu efeito 
terapêutico tem sido pesquisado em diferentes contextos de cuidados à saúde 
devido a sua praticidade de aplicação, segurança e baixo custo (HOW et al., 2015). 
Estudos realizados sugerem que o uso da auriculoterapia é uma tecnologia efetiva e 
segura, pois os efeitos adversos são substancialmente menores quando 
comparados ao uso de medicamentos (BECKMAN et al., 2021). Ademais, é um 
método que pode ser usado de forma complementar no acompanhamento tanto de 
disfunções físicas quanto psicossomáticas (HOU et al., 2015). 
A partir da década de 1980 intensificou-se a realização de estudos 
experimentais que buscaram correlacionar estímulos do pavilhão auricular com 
possíveis mecanismos neurobiológicos de controle da dor e da inflamação 
(OLESON, 2005). Verificaram-se resultados positivos em estudos com lesões por 
esforços repetitivos (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho 
(DORT) (ARAÚJO et al., 2006); controle da dor em idosos (OLIVEIRA et al., 2011; 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
25 
 
CAVALCANTE et al., 2021); dor pós operatória (HE et al., 2013; MORA et al., 2007) 
dor relacionada à fratura do quadril (BARKER et al., 2006), lombalgia, (VAS et al., 
2014), e dor relacionada ao câncer (YEH et al., 2015). 
Em um estudo multicêntrico conduzido no contexto da atenção primária à 
saúde, VAS e col. (2014) avaliaram 265 pacientes com lombalgia ou cervicalgia 
crônica inespecífica, distribuídos em dois grupos: auriculoterapia verdadeira e 
auriculoterapia placebo (VAS et al., 2014). Os pacientes do grupo intervenção 
obtiveram redução da intensidade da dor logo após o término das sessões e 6 
meses após a terapia. Além disso, houve melhora no componente físico da 
qualidade de vida após 6 meses de seguimento. Outros estudos em pacientes com 
dor lombar crônica mostram resultados promissores na melhora da funcionalidade 
em paciente idosos (VAS et al., 2014b). 
Também foi observada que o uso da auriculoterapia tem efeitos positivos no 
tratamento da dismenorreia (WANG et al., 2009; YEH et al., 2013). YEH e col. 
(2013) investigaram o efeito da auriculoterapia por acupressão em 113 adolescentes 
com dismenorreia. Houve uma redução de cerca de 5 pontos na escala visual 
análoga de dor (VAS) após o tratamento. Já no estudo de WANG e col. (2009), os 
sintomas menstruais sofreram uma maior redução no grupo que utilizou as 
sementes de estimulação (WANG et al., 2009). 
Também foram verificados resultados positivos no uso da auriculoterapia para 
crianças e adolescentes com obesidade, miopia e transtorno de atenção e 
hiperatividade (TDAH) (CHA e PARK, 2019; NIELSEN e GEREAU, 2020; GAO et al., 
2020; BINESH et al., 2020). 
A acupressão sobre pontos auriculares e outras formas de auriculoterapia têm 
sido utilizadas há um longo tempo no tratamento de transtornos relacionados ao 
abuso de substâncias (DI et al., 2014; MCLELLAN et al., 1993). Em uma revisão 
sistemática com 7 publicações que avaliaram o uso desta técnica para a cessação 
do tabagismo, os autores encontraram uma taxa entre 22-30% de cessação do 
tabagismo ao final do tratamento (DI et al., 2014). 
Resultados favoráveis também são vistos em publicações de estudos sobre 
ansiedade (KUREBAYASHI et al., 2017; LIN et al., 2019; PINTO, 2015); tratamento 
da obesidade (BONIZOL et al., 2016; SCHUKRO, 2014), sintomas de estresse 
(FIGUEIREDO, 2017; KUREBAYASHI et al., 2014); insônia (LAN et al., 2015; ZHAO 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
26 
 
et al., 2019a; ZHAO et al., 2019b); depressão (SOUZA, 2019), bournout (OLSHAN, 
2019), cefaleia crônica (BAXTER, 2019; KRAINSKI, 2021; VERCELINO, 2010), dor 
por procedimentos odontológicos (DELLOVO, 2019; IUNES, 2015; SILVA, 2018); 
entre outros. 
Não se pretende esgotar o assunto, mas sim trazer um panorama geral sobre 
o tema, bem como as diversas oportunidades terapêuticas para o uso da técnica em 
diferentes contextos. 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
27 
 
2 OBJETIVOS 
 
2.1 Promover a melhoria da qualidade de vida e da saúde da população por 
meio da técnica da acupuntura auricular e auriculoterapia; 
2.2 Implantar a auriculoterapia como ferramenta terapêutica para o cuidado 
humanizado, seguro, racional, resolutivo e econômico aos usuários dos 
serviços de saúde de Ribeirão Preto-SP; 
2.3 Ampliar a oferta de auriculoterapia como opção terapêutica segura, 
resolutiva e econômica aos usuários dos serviços de saúde de Ribeirão 
Preto-SP; 
2.4 Nortear a oferta da auriculoterapia nos serviços públicos de saúde de 
Ribeirão Preto-SP, vinculados à Secretaria Municipal de Saúde, com 
ênfase na Atenção Primária. 
2.5 Colaborar com a formulação, regulamentação e implantação das Práticas 
Integrativas e Complementares em Saúde nos serviços de saúde do 
município de Ribeirão Preto-SP, respaldados na PNPICS. 
 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
28 
 
3 DIRETRIZES E ESTRATÉGIAS 
 
3.1 FLUXOGRAMA PARA LIBERAÇÃO 
 
Para desenvolver a acupuntura auricular/auriculoterapia na rede municipal de 
saúde de Ribeirão Preto, os enfermeiros habilitados devem possuir certificação em 
acupuntura auricular, auriculoterapia ou acupuntura, e deverão seguir o seguinte 
fluxo: 
1- Enviar Certificado do Curso, via solar, para Coordenadoria I de Práticas 
Integrativas e Complementares (CooPICS) – SMS. 
2- A CooPICS realizará a análise da certificação e encaminhará à Divisão de 
enfermagem para ciência. 
3- Após a validação, o profissional e sua chefia imediata serão comunicados 
pela CooPICS sobre a liberação do procedimento na rede de saúde, 
solicitando à Divisão de Informática a liberação de acesso para 
lançamento do procedimento no Sistema Hygia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Enfermeiros enviam certificado de Curso para 
CooPICS 
CooPICS realiza avaliação do certificado e dá 
ciência à Divisão de Enfermagem 
Coordenadoria I de PICS comunica o profissional e 
sua chefia imediata sobre a liberação do 
procedimento e solicita a liberação do procedimento 
no Sistema Hygia 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
29 
 
3.2 LINHAS DE CUIDADO 
 
A acupuntura auricular/auriculoterapia, como intervenção de enfermagem, 
será direcionada para as diferentes fases do ciclo vital do indivíduo, e suas 
indicações para diferentes condições clínicas, de acordo com este protocolo e 
seguindo-se as linhas de cuidado. Para tal, ressalta-se a importância da anamnese, 
exame físico e julgamento clínico do Enfermeiro. 
As linhas de cuidados de que trata este protocolo são: 
✔ Saúde da Criança 
✔ Saúde da Mulher 
✔ Saúde Mental 
✔ Saúde do Adulto/Idoso – Dores crônicas e agudas. 
 
3.3 OFERTA DA ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA 
 
Para iniciar a oferta de Acupuntura auricular/auriculoterapia no cuidado em 
enfermagem, faz-se necessário levar em conta a competência cultural do usuário, ou 
seja, sua compreensão acerca de seu processo saúde-doença, bem como o respeito 
à autonomia do mesmo em decidir sobre o seu corpo e as opções terapêuticas 
(ZONTA, 2018). 
Ao pensar na Acupuntura auricular/auriculoterapia como intervenção de 
enfermagem complementar e integrativa a outras opções terapêuticas, o profissional 
fará uso de suas habilidades de comunicação para oferecer a técnica de forma mais 
adequada e incorporadacomo uma ferramenta de cuidado em saúde a ser cogitada 
pelo próprio usuário quando o mesmo buscar atendimento. Por exemplo: “A Sra. já 
ouviu falar, conhece, já fez ou conhece alguém que fez acupuntura 
auricular/auriculoterapia? O que a Sra. acha dessa técnica? Gostaria de 
experimentar?” (ZONTA, 2018). Ressalta-se que algumas pessoas podem 
considerar a técnica ineficaz, mesmo sem nunca tê-la experimentado, ou então 
entender que ela é contraindicada pela sua religião ou crença (ZONTA, 2018). 
Nesse sentido, a técnica deverá será ofertada como uma terapia 
complementar a outras opções terapêuticas, ajudando o usuário a decidir se vai ou 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
30 
 
não optar por ela, explicando seu mecanismo de ação, indicações, efeitos adversos 
e contraindicações (TESSER et al., 2018). 
 
3.4 NÚMERO DE SESSÕES 
 
Sabe-se que o vínculo constitui-se elemento imprescindível para o 
fortalecimento das relações no âmbito do SUS, contribuindo para o cuidado 
longitudinal e integral (SANTOS; MIRANDA, 2016). 
Considerando que a Acupuntura auricular/auriculoterapia possa contribuir 
para a criação do vínculo entre o profissional-usuário, a dinamicidade do processo 
saúde-doença, bem como com a propagação do conhecimento popular acerca dos 
efeitos terapêuticos desta técnica, acredita-se que sua oferta possa influenciar 
diretamente na procura dos usuários à unidade de saúde, criando um aumento 
significativo da demanda espontânea e programada. Deste modo, ao optar pela 
Acupuntura auricular/auriculoterapia como terapia complementar, em conjunto com o 
usuário, o enfermeiro deve pactuar com o mesmo o número de sessões necessárias 
para resolução da queixa inicial bem como o acompanhamento da evolução clínica. 
Com base na literatura científica, o número de sessões pode variar conforme 
as diferentes fases do ciclo vital, condições clínicas e respostas individuais. Assim, 
sugerimos que o número de sessões a ser pactuada deve contemplar um mínimo de 
04 e, um máximo 12 sessões. 
 
3.5 DIVULGAÇÃO PARA A EQUIPE, USUÁRIOS E COMUNIDADE 
 
A Acupuntura auricular/auriculoterapia será divulgada ao usuário e 
comunidade através dos atendimentos individuais e coletivos, confecção de 
materiais educativos (folders, cartazes, panfletos, etc) e mídias sociais (aplicativos 
de comunicação, televisão, rádio, etc). Para a equipe, a Acupuntura 
auricular/auriculoterapia poderá ser divulgada também através das reuniões de 
equipe, reuniões administrativas, atividades de Educação Permanente em Saúde e 
Educação Continuada. 
 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
31 
 
3.6 DEMANDA ESPONTÂNEA 
 
Acupuntura auricular/auriculoterapia pode ser oferecida como intervenção de 
enfermagem aos usuários que procurarem à unidade através da demanda 
espontânea, seguindo-se os protocolos “Acolhimento da demanda espontânea e 
direcionamento de fluxo na Atenção Básica“ (RIBEIRÃO PRETO, 2022) e 
“Acolhimento à demanda espontânea” do Ministério da Saúde (BRASIL, 2013) na 
perspectiva do acolhimento e acesso avançado. Assim, nos atendimentos 
direcionados ao Enfermeiro, denominados de Acolhimento (AI), o profissional poderá 
oferecer a acupuntura auricular/auriculoterapia como intervenção de enfermagem a 
partir do desenvolvimento Processo de Enfermagem (PE). Os retornos, caso 
necessário, deverão ser colocados em agenda. 
 
3.7 CONSULTAS PROGRAMADAS 
 
A Acupuntura auricular/auriculoterapia poderá ser oferecida como 
intervenção de enfermagem nas consultas programadas da agenda do Enfermeiro, 
considerando as linhas de cuidado, e os diferentes tipos de atendimentos realizados 
pelos profissionais: Consultas Saúde, Saúde da Mulher, Saúde da Criança, Saúde 
Mental, entre outros, designados pela unidade de saúde e a partir do 
desenvolvimento do PE. 
O agendamento poderá ser feito por um profissional de nível superior que 
está realizando o seguimento do usuário na Unidade ou por fluxo interno entre 
profissionais de nível superior com formação técnica-científica para realização das 
PICS. 
 
3.8 GRUPOS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE 
 
A acupuntura auricular/auriculoterapia poderá ser ofertada em atendimentos 
coletivos. A explicação da técnica, o objetivo do tratamento, bem como o fluxo dos 
retornos e agendamento poderão ser realizados em grupos. A anamnese e 
aplicação da técnica da acupuntura auricular/auriculoterapia deverá ser realizada 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
32 
 
individualmente, em um local que permita a privacidade para a individualização do 
tratamento. 
 
3.9 ATENDIMENTO DOMICILIAR 
 
A acupuntura auricular/auriculoterapia poderá ser utilizada como intervenção 
de enfermagem nas rotinas de visitas domiciliares ao usuário-família, em diferentes 
fases do ciclo vital e condições clínicas, a partir do desenvolvimento da PE. A 
técnica poderá ser aplicada no domicílio a usuários com dificuldade de locomoção 
ou de acesso à Unidade. 
 
3.10 RETORNOS 
 
Após a realização da PE o usuário poderá ser agendado em consultas de 
retorno conforme pactuação, com duração de 10-15 minutos, para continuidade do 
tratamento. No primeiro mês, os retornos devem ser semanais ou em até 10 dias e 
após, podem ser pactuados quinzenalmente (MORÉ et al., 2018). Importante que o 
Enfermeiro esteja atento à evolução clínica do usuário, sendo reavaliado em cada 
atendimento quanto ao seu diagnóstico, quadro clínico, considerando melhoras, 
pioras ou novos sinais/sintomas (ZONTA, 2018). 
Estes retornos devem constar na grade de horário do profissional, e as 
unidades de saúde poderão criar vagas específicas, como por exemplo, “Consulta 
PICS – CSPICS”, que deverão ser destinadas exclusivamente para o 
acompanhamento dos usuários em tratamento. 
A porcentagem de consultas de retorno deverá ser pactuada com a equipe 
da unidade de saúde, levando-se em consideração a quantidade de usuários 
cadastrados, as características da população adstrita, a rotina do serviço e a 
demanda programada, de cunho complementar, não devendo interferir ou ocupar as 
demais vagas de atendimento e atividades já previstas na agenda do Enfermeiro. 
Ressalta-se que no caso da utilização da Acupuntura 
auricular/auriculoterapia nos atendimentos domiciliares, se tratando de usuários 
acamados e domiciliados, os retornos deverão ser programados de acordo com a 
rotina de visitas domiciliares do profissional. Nos demais casos, por exemplo: visita 
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33 
 
domiciliar ao binômio mãe-bebê, gestantes, portadores de doenças crônicas, 
vulnerabilidades sociais, etc., o usuário deverá ser orientado a retornar ao serviço de 
saúde para continuidade da terapia. 
 
 
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34 
 
4 ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA E AS LINHAS DE 
CUIDADO 
 
Neste capítulo abordaremos de modo sucinto as principais recomendações para o 
uso da acupuntura auricular/auriculoterapia em cada linha de cuidado. 
Recomendamos uma seleção criteriosa dos pontos, de acordo com as questões 
levantadas com o usuário por meio da anamnese e exame físico, além de priorizar a 
queixa principal, em caso do usuário apresentar diversas queixas. Importante atentar 
para o número de pontos, não sendo recomendado mais do que dez em uma única 
sessão. 
O tratamento com a acupuntura auricular vai buscar equilibrar o Yin/Yang, bem 
como os ZangFu, além de reduzir quadros dolorosos e equilibrar as emoções, sendo 
recomendada ainda, pela teoria da MTC, a avaliação da constituição energética, dos 
fatores externos e internos, e daschamadas de outras causas (referindo-se 
primariamente a alimentação, exercícios físicos e trabalho) a que o indivíduo está 
exposto. Deste modo, os tratamentos serão individualizados. Sabe-se que um 
mesmo ponto pode ser utilizado em diversos casos, como o ponto Intestino Grosso 
para tratar tanto constipação como a diarreia; ou ponto do Fígado para tratar tanto 
amenorreia quanto hipermenorreias, dentre outros. 
Assim, tem-se para a escolha dos pontos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: próprio autor, 2022. 
 
 
ANAMNESE OBSERVAÇÃO 
INSPEÇÃO 
PALPAÇÃO 
DOS PONTOS 
PONTOS 
REFLEXOS 
PONTOS 
COMPLEMENTARES 
PONTOS 
ENERGÉTICOS/ 
ZANGFU 
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35 
 
4.1. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE DA 
CRIANÇA 
 
A Acupuntura auricular/auriculoterapia para crianças e bebês pode ser um 
tratamento eficaz para muitas condições comuns da infância, podendo trazer 
benefícios atrelados a uma terapêutica menos invasiva. A técnica é uma excelente 
aliada, podendo ser utilizada em diversas condições, incluindo no alívio de cólicas e 
processos da digestão, fortalecimento do sistema imunológico, melhorias do sono, 
atenuação dos sintomas do início da dentição, transtorno de hiperatividade e déficit 
de atenção, cefaleias, dores em geral, asma, alergias, febre, constipação e diarreia, 
enurese noturna, depressão e ansiedade, entre outras. Além disso, também foi 
verificado que o uso da auriculoterapia para crianças e adolescentes com 
obesidade, miopia e transtorno de atenção e hiperatividade (TDAH) também é 
seguro (CHA e PARK, 2019; NIELSEN e GEREAU, 2020; GAO et al., 2020; BINESH 
et al., 2020) 
Não existe contra indicação relacionada à idade, podendo ser utilizada desde 
o nascimento bem como em crianças pré-escolares, pré-adolescentes e 
adolescentes. 
Segundo Cline (2003), quanto mais nova a criança, mais suscetível à doença 
devido à imaturidade relativa dos órgãos e suas funções. Os seus órgãos internos 
são delicados, o Qi defensivo ainda é fraco, e há insuficiência de Qi e Sangue, além 
da pele e músculos ainda serem fracos. Como as crianças mostram uma base 
energética predominantemente Yang, as configurações gerais podem mudar 
rapidamente e de forma imprevisível. A alimentação inadequada, assim como a 
exposição a agentes patogênicos podem facilmente perturbar esse equilíbrio 
delicado do Yin e do Yang. Os problemas comuns e doenças normais da infância em 
geral surgem de forma muito rápida (SCOTT, 1997). 
 Assim como nos adultos, o número de sessões necessárias varia 
dependendo da condição da criança e da queixa. Para uma condição temporária 
como diarreia ou febre, apenas um ou dois tratamentos podem ser necessários. 
Outros problemas como um transtorno alimentar ou depressão vão exigir mais 
sessões (SCOTT, 1997). 
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36 
 
Cabe ressaltar que a acupuntura auricular/auriculoterapia entra como prática 
complementar no acompanhamento destas queixas, sendo necessária uma 
avaliação multiprofissional, bem como discussão em equipe das condutas. Não 
exclui a avaliação médica em casos necessários, tão pouco substitui outras 
terapêuticas em cada caso. 
 
Público alvo 
Recém-nascidos e crianças até 15 anos 11 meses e 29 dias encaminhadas 
por profissionais de nível superior, ou dentro da rotina de enfermagem para esta 
faixa etária. 
 
As queixas priorizadas em crianças são; 
 
 Alterações gastrointestinais 
 
Os principais órgãos envolvidos nos distúrbios digestivos são Estômago, 
Intestino Delgado e Intestino Grosso. Queixas abdominais que envolvam esses 
órgãos podem estar relacionadas com dor ou distensão visceral. No caso de dor, 
existe o envolvimento do desequilíbrio do Fígado. Por outro lado, queixas 
relacionadas com dificuldade digestiva, sensação de empachamento e distensão 
abdominal, estão relacionadas com o Baço. Queixas relacionadas à eliminação 
envolvem também Intestino Grosso (UFSC, 2016b). 
 
 Alterações respiratórias 
 
As alterações respiratórias em crianças são um grave problema de saúde 
pública. A imaturidade imunológica, o estado nutricional, a situação socioeconômica, 
as condições ambientais, bem como a imaturidade do sistema respiratório 
favorecem a instalação e desenvolvimento de infecções respiratórias nas crianças 
(VARGAS, 2010). 
A congestão nasal é um sintoma muito comum, podendo levar a dificuldade na 
respiração e na alimentação (UFMG, 2014). Uma das causas mais frequentes é a 
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37 
 
inflamação da mucosa e a presença de secreção nasal, na maioria das vezes 
decorrente de gripes, resfriados ou alergia respiratória (UFMG, 2014). 
A rinite é a inflamação e ou disfunção da mucosa de revestimento nasal, e é 
caracterizada por alguns sintomas como: obstrução nasal, rinorréia anterior e 
posterior, espirros, prurido nasal e hiposmia (SAKANO et al., 2018). A rinossinusite 
é um processo inflamatório da mucosa que reveste a cavidade nasal e também os 
seios paranasais e traz consigo repercussões significativas na qualidade de vida de 
crianças e adultos acometidos por essa doença (SOUZA, 2021). 
A asma é uma doença crônica e é caracterizada pela inflamação nas vias aéreas 
inferiores (SOUZA, 2021). Essa inflamação dificulta a passagem do ar e podendo 
desencadear chiado no peito, sensação de aperto no peito, dispneia e/ou tosse 
(SOUZA, 2021), e a bronquiolite viral aguda (BVA) é uma das principais infecções 
respiratórias que acometem os menores de 2 anos e a principal causa de internação 
de hígidos menores de três meses no mundo (DALL’OLIO, 2021). 
O principal órgão da respiração é o Pulmão, responsável pela captação do Qi por 
meio do ar inalado. O Qi captado pelo Pulmão é recebido pelo Rim. No caso de 
dispneia, esses são os principais órgãos envolvidos. Caso haja tosse produtiva, ou 
seja, acúmulo de muco, o que caracteriza excesso de umidade, o Baço também 
deverá ser tratado. O tratamento deve ser fortalecer a energia defensiva dos 
pulmões (SCOTT, 1997), além de pontos de imunidade e pontos relacionados com a 
parte que está comprometida, por exemplo, nariz externo, nariz interno, faringe, etc. 
 
 Alterações do sono 
 
O sono é uma função essencial para o desenvolvimento saudável da criança 
(BUXTON et al., 2015). Durante a infância ocorrem diversas mudanças a nível 
neuromotor e, portanto, o descanso e a reparação física provenientes do sono são 
essenciais, exercendo um grande impacto no crescimento e desenvolvimento infantil 
saudável (SILVA et al., 2018). 
Nas crianças, problemas de sono podem estar relacionados com hábitos, 
comportamentos e padrões de sono indesejáveis que, por sua vez, podem impactar 
de modo negativo diferentes níveis de desenvolvimento infantil, como o cognitivo, o 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
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38 
 
escolar, emocional, físico, nas relações familiares ou comportamentais (ALMEIDA, 
2021). 
O sono saudável requer qualidade, duração adequada, ausência de 
problemas/perturbações do sono e regularidade (ALMEIDA, 2021). Os hábitos de 
sono saudáveis e rotinas de sono adequadas são ótimos aliados no combate aos 
problemas de sono na infância (ALMEIDA, 2021). 
Na MTC as crianças que apresentam sintomas como a dificuldade em dormir, 
terrores noturnos e sonos curtos, que não são capazes de permanecerem calmas 
por muito tempo são consideradas crianças com um desequilíbrio entre o yin e o 
yang em que o yang ganha, claramente, mais peso (ROSSI, 2010). Do ponto de 
vista terapêutico, a intervenção tem por finalidade o restabelecimento do equilíbrio e 
a melhoria do sono. Em geral, recomenda-seo uso de pontos com função 
específica, como ciclo circadiano ou pineal e indutor do sono, por exemplo, com 
ações neurofisiológicas e no território de inervação do nervo vago como o shenmen, 
simpático e subcórtex. O ponto do coração e do fígado podem ser utilizados em 
virtude de sua relação direta com o sono e com as funções cognitivas e emocionais 
(UFSC, 2020b). 
 
 Enurese noturna 
 
Na população infantil, uma das queixas expostas com alta frequência é a 
enurese noturna (SILVARES, 2012), caracterizada como a eliminação de urina 
durante a noite, que produz sofrimento ou prejuízo significativo no funcionamento 
social, acadêmico ou em outras áreas importantes na vida do indivíduo (FERRARI et 
al, 2015). 
A enurese pode ser classificada como primária, nos casos em que a criança 
nunca obteve o controle da micção, ou secundária, na existência desse controle por 
pelo menos seis meses (NEVÉUS et al., 2006). 
As possíveis causas da enurese apontadas pelos estudos são: dificuldade de 
despertar ao sinal de bexiga cheia, poliúria noturna (falha na liberação do hormônio 
vasopressina que concentra a urina) e atividade detrusora disfuncional (contrações 
não inibidas do músculo detrusor da bexiga) (BUTLER; HOLLAND, 2000). 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
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39 
 
Na MTC, a enurese noturna relaciona-se geralmente a fraqueza dos rins que, 
neste caso, é decorrente de fraqueza inata ou de uma desordem do tipo umidade 
calor hereditária. Além da fraqueza dos rins causada pela própria natureza da 
criança, fatores como a insegurança, brigas familiares, não adaptação à vida escolar 
podem contribuir para a instalação e perpetuação da enurese. Desta forma, 
recomenda-se fortalecer a energia dos rins e da bexiga, SanJiao ou Triplo 
aquecedor, assim como os pontos relacionados com a parte emocional (SCOTT, 
1997). 
 
 Obesidade 
 
A obesidade é uma patologia crônica não transmissível, que pode ter início em 
qualquer idade, e seu desenvolvimento caracteriza-se como multifatorial, 
abrangendo fatores genéticos, metabólicos, fisiológicos, sociais, econômicos, 
psicológicos, naturais, educacionais, dentre outros, podendo ser agravados pelo 
ambiente (LOPES et al., 2010). 
Uma das muitas consequências causadas pela obesidade na infância é o 
surgimento de psicopatologias, incluindo os quadros de ansiedade, depressão, 
sentimentos de rejeição social e vergonha (MENDES et al., 2019). 
Além de distúrbios psicológicos, a obesidade está altamente relacionada a 
diferentes comorbidades que podem vir a aparecer na vida adulta, como hipertensão 
arterial, diabetes mellitus tipo II, doenças cardíacas, osteoartrite, entre outros 
(LOPES et al., 2010). 
Na MTC, a obesidade pode ser enquadrada como uma variante de “calor” no 
estômago e intestino, ou deficiência de Qi no baço e estômago, ou, ainda, excesso 
de umidade/ fleuma (YEH et al., 2017). Recomendamos, assim, a escolha de pontos 
que favoreçam a função digestiva, o equilíbrio no fluxo do Qi, também o efeito de 
acalmar a mente, considerando que os quadros emocionais também podem estar 
envolvidos na compulsão alimentar, reduzindo a ansiedade relacionada aos quadros 
de obesidade (UFSC, 2020c), assim como pontos específicos de vício, fome e sede. 
 
 Alterações de humor, comportamento e dificuldade de aprendizado 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
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40 
 
A natureza da criança é mais yang do que yin. Pela MTC ela é fogo, no entanto, 
quando o fogo se torna um entrave ao crescimento saudável da criança, à sua 
integração social, interferindo na capacidade de relacionamento consigo e com 
outras crianças e pessoas do seu convívio, dificultando o aprendizado e o 
desenvolvimento do seu potencial cognitivo, emocional, linguístico, motor, então o 
seu “fogo” necessita de uma intervenção terapêutica (ROSSI, 2010). 
“Se as qualidades de calor e fogo prevalecem, elas são suscetíveis de perturbar 
o coração, agitando e confundindo o Shen (a mente). O yin deficiente corresponde a 
uma fraqueza de Qi, que é a essência da vida e o motor de funcionamento do shen”; 
e os sintomas como a impulsividade, a irritabilidade, a falta de autocontrole e a 
hipercinesia, bem como a memória fraca e a falta de atenção são apontados como 
sintomas de fraqueza hepática, ou dos rins (ROSSI, 2010). 
Nestes casos, a acupuntura auricular/auriculoterapia tem como objetivo não só a 
melhoria das funções cognitivas como a memória e atenção, mas também a 
regularização do estado emocional da criança e das suas somatizações, acalmando 
a mente, diminuindo a ansiedade, melhorando a concentração e a atenção, 
favorecendo a memorização, o foco e o aprendizado. 
Na acupuntura auricular/auriculoterapia, recomenda-se o uso de pontos do como 
fígado, coração, Yang Gan 1 e 2, sistema límbico, subcortex, ponto do cérebro, 
neuroastenia, tireoide, entre outros. 
 
4.2. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE DA 
MULHER 
 
De acordo com a MTC, na mulher há um predomínio de sangue, fazendo com que 
ela seja mais Yin. Já no homem há um predomínio de energia, tornando-o mais 
Yang. 
Clinicamente, a mulher tem a tendência a sentir mais frio do que o homem. Além 
disso, a produção de leite, fluxo menstrual, a possibilidade de gestar e gerar são 
funções ligadas ao elemento Yin. Para mais, em predominância do Yin, a psicologia 
feminina é de maior recolhimento, concentração e menor agressividade. 
Seguindo ainda a filosofia da MTC, os principais elementos que são relacionados 
aos ciclos femininos são a água, madeira e terra. O fogo tem importância secundária 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
41 
 
e o metal não possui relevância direta na fisiologia feminina, apesar de todos esses 
cincos elementos estarem conectados entre si. 
Dentre as diversas indicações de acupuntura auricular/auriculoterapia, as 
queixas priorizadas na saúde da mulher são: 
 
 Síndrome Pré-Menstrual (SPM) 
 
Na SPM, identificamos, costumeiramente, um padrão de estação de Qi do 
Fígado, manifestando sintomas como: depressão, edema, irritabilidade, cefaleia, 
angústia, aumento de peso, cansaço entre outros (CAMPIGLIA, 2017). 
Recomendamos a utilização de pontos do fígado, baço-pâncreas, útero e 
ovários, bem como de outros relacionados ao controle emocional, já que a 
estagnação de fígado está ligada às emoções. 
No caso de dores de cabeça de síndrome pré-menstrual é comum sua 
associação à retenção hídrica característica da atuação hormonal pertinentes à 
menstruação, recomenda-se, então, o ponto do metabolismo e adrenal. 
Nos casos de dores e/ou desconfortos relacionados à SPM, recomenda-se que 
as sessões sejam programadas de três a cinco dias antes da menstruação. 
 
 Alterações de fluxo menstrual (amenorréias e hipermenorreias) 
 
Estas condições seguem por alterações no fluxo energético dos Rins, Baço, 
Fígado e Útero. Sugere-se, além dos pontos relacionados aos ZangFu, pontos do 
útero, ovários, endócrinos, e supra-renais/adrenais. 
 
 Cólicas menstruais 
 
A dismenorreia é o nome formal do sintoma conhecido popularmente por cólica 
menstrual, que pode ser classificada como primária, sendo um sintoma isolado da 
contratilidade da musculatura do útero, ou secundária, sendo decorrente de uma 
alteração patológica já instalada como cistos, miomas ou endometriose. 
Assim como a SPM, as cólicas descrevem estagnação do Qi e, possivelmente, 
estagnação de sangue (CAMPIGLIA, 2017). Outra causa plausível é a presença de 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
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42 
 
frio no útero, ocasionado por exposição prolongada e indevida à umidade e ao frio, 
podendo ser oriundas de ambiente frio eúmido e/ou ingestão de comidas cruas e 
geladas. 
Na acupuntura auricular/auriculoterapia, recomenda-se o uso de pontos do 
Fígado, do Baço e do Útero, bem como pontos de analgesia. 
 
 Climatério/Menopausa 
 
O climatério não é uma doença, mas sim um período de mudanças da fase 
reprodutiva para a não reprodutiva, com implicações físicas e hormonais. 
No período de climatério e menopausa é comum que mulheres apresentem 
sintomas não agradáveis como irritabilidade, atrofia e secura na pele, principalmente 
mucosa vaginal, diminuição da libido, ondas de calor, cefaleia, cansaço, insônia, 
fadiga, depressão, falta de memória, sudorese, palpitações, tontura, dispareunia, 
prurido vulvar, dores articulares, dores musculares, osteoporose (BRASIL, 2008; 
CAMPIGLIA, 2018). 
Na visão da MTC, os sintomas apresentados nesta fase se enquadram como 
uma deficiência da Essência do Rim em seu aspecto Yin ou Yang, que também 
pode estar associada a alterações de outros órgãos, levando a síndromes mistas. 
Os sintomas emocionais que as mulheres descrevem como ansiedade, irritabilidade, 
preocupação podem ter relação com um excesso de trabalho no decorrer da vida; 
excesso mental e físico; gestações próximas e muita atividade sexual. Tudo isso 
estaria relacionado com um esgotamento precoce da essência do rim, devido ao 
estilo de vida. (GARCIA, 2020; WEILER, 2012). 
Sendo um período caracterizado principalmente por uma queda da Energia Vital 
e para evitar os sintomas descritos acima, deve-se utilizar a energia disponível de 
forma mais tranquila e suave. Ainda, com a escolha adequada dos pontos 
auriculares, os sintomas relatados pelas mulheres nesta fase são tratados e a 
qualidade de vida melhora. É importante também orientar práticas que favoreçam a 
recomposição da vitalidade e diminuam o desgaste natural desta fase, reduzindo ou 
eliminando os sintomas (CAMPIGLIA, 2017). 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
43 
 
A acupuntura auricular/auriculoterapia será indicada de acordo com as queixas 
apresentadas pela mulher, recomendando-se o uso de pontos relacionados ao 
ZangFu, emocionais, analgésicos e hormonais. 
 
 Alterações da Gestação 
 
As alterações gestacionais decorrem das modificações fisiológicas do 
organismo, que muitas vezes causam desconforto materno, mas que tendem a 
retornar após o nascimento do bebê. A acupuntura auricular/auriculoterapia bem 
indicada e realizada adequadamente pode e deve ser usada como ferramenta 
terapêutica durante a gestação, ajudando a minimizar estes desconfortos, 
considerando ainda a reduzida opção terapêutica medicamentosa a que as 
gestantes estão sujeitas (CAMPÍGLIA, 2017). 
Estudos clínicos indicam que auriculoterapia reduz significativamente a ocorrência e 
intensidade da náusea e do vômito associados ao uso de medicamentos quimioterápicos, 
radioterapia, gravidez, intervenções cirúrgicas e em casos de cinetose (EGHBALI et al. 2016; 
LEE, FRAZIER et al. 2011). 
 Em gestantes, sugere-se o uso de auriculoterapia a partir da 17a semana(MAFETONI, 
SHIMO, 2016). 
 
 
● Ansiedade na gestação 
 
Na gestação, a ansiedade tornou-se um achado comum devido ao ciclo de vida 
vivenciado pela mulher, caracterizado como momento de fragilidade emocional, 
flutuação hormonal e mudanças sociais que influenciam diretamente em sua saúde 
emocional (ARAÚJO, 2016). Para a MTC, as emoções em excesso causam 
mudanças importantes no estado energético e são fatores para o adoecimento tanto 
físico quanto mental. Estudo conduzido por Silva et al, 2020, mostrou que a 
auriculoterapia é um tratamento eficaz quando utilizado como intervenção visando a 
diminuição dos níveis de ansiedade nas gestantes atendidas em pré-natal de baixo 
risco (SILVA, 2020). 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
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44 
 
Para o tratamento da ansiedade, pode-se usar pontos do coração, baço, rim, 
sistema límbico, shenmen, dentre outros. 
 
● Hiperemese gravídica 
 
Afeta cerca de 60% a 80% das gestantes, fazendo com que diminua a qualidade 
de vida e bem-estar da mulher e do embrião/feto (SILVA, 2008). 
A acupuntura auricular/auriculoterapia é uma prática bastante aliada para 
tratamento desta patologia, uma vez que não há riscos teratogênicos e abortivos 
(NEVES, 2018). Para tratamento de enjoos, deve-se tratar o sistema digestivo 
usando pontos do Baço, Pâncreas e Estômago. Além disso, recomendações 
alimentares ajudarão no tratamento (CAMPIGLIA, 2017). 
 
● Cefaleias da gestação 
 
As cefaleias gestacionais decorrem da vasodilatação e edema cerebral por ação 
da progesterona, e da diminuição da força coloidosmótica intravascular pela 
hemodiluição fisiológica da gravidez. Geralmente é mais intensa em mulheres com 
história prévia de enxaqueca, e pode ser agravada por hipoglicemia, calor e fadiga, e 
pela ansiedade com a aproximação do parto. 
Nos quadros de cefaleia, deve-se avaliar a situação energética do fígado e da 
vesícula biliar, além de pontos analgésicos e relacionados à localização da dor, por 
exemplo: frontal, parietal, occipital. 
 
● Lombalgia e artralgia gestacional 
 
A dor lombar e articular, em diferentes graus, acomete a maioria das gestantes, 
sendo comuns na gestação. Cerca de 1/3 das gestantes apresenta dor grave, 
interferindo na vida social e profissional. Tem origem na embebição das articulações 
sacro-ilíacas, na diminuição da estabilidade articular e no espasmo muscular 
decorrente de alterações posturais e pela ação da progesterona, além do aumento 
de peso naturais desta fase. Podem ser induzidas ou agravadas por movimentos 
bruscos, vícios posturais ou permanência em posições que forçam as articulações. 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
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Vas et al. (2019) investigaram o efeito da acupuntura auricular na dor lombar 
e/ou dor posterior na cintura pélvica vivenciado por mulheres grávidas, na atenção 
primária, e concluíram que após 2 semanas de tratamento com acupuntura auricular, 
associada ao tratamento obstétrico padrão, reduziu-se significativamente a dor 
lombar e pélvica em mulheres grávidas, melhorando a qualidade de vida e a 
incapacidade funcional (VAS et al, 2019). 
Para o tratamento das lombalgias e artralgias, recomenda-se o uso de pontos do 
baço, rim, pontos relacionados à região de dor e pontos de analgesia. 
 
● Constipação intestinal na gestação 
 
A constipação intestinal é um distúrbio funcional caracterizado pela dificuldade 
rotineira na exoneração dos intestinos pelo prolongado intervalo entre as 
evacuações ou pela consistência aumentada das fezes. É ocasionada pela hipotonia 
gastrintestinal devido à ação inibidora da progesterona sobre a contratilidade da fibra 
muscular lisa, dificultando a peristalse. O retardo na progressão do bolo alimentar 
pelos intestinos possibilita a maior reabsorção de líquidos, e consequente aumento 
da consistência das fezes. Pode agravar doença hemorroidária previamente 
existente. Para o tratamento da constipação, recomenda-se o uso de pontos do 
baço, rim, intestino grosso, intestino delgado, triplo aquecedor, pulmão, entre outros. 
 
● Edema gestacional 
 
Em geral surge no 3º trimestre da gravidez, limitando-se aos membros inferiores 
e, ocasionalmente, às mãos. Desaparece pela manhã e acentua-se ao longo do dia; 
e piora com ortostatismo prolongado e deambulação. Deve-se atentar para a 
possibilidade do edema patológico, associado à hipertensão, sinal importante de 
pré-eclâmpsia. 
Além das orientações gerais, recomenda-se o uso de pontos do baço, rim, 
bexiga, triplo aquecedor, entre outros. 
 
● Hipogalactia 
 
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46 
 
A hipogalactiaestá muitas vezes associada aos seguintes fatores: fraqueza de 
constituição, má nutrição e desordens emocionais. Os mamilos estão relacionados 
ao fígado, enquanto que o seio está relacionado ao estômago. Desta forma, 
recomenda-se o uso de pontos do fígado, estômago, rim, glândulas mamárias, bem 
como relacionados ao controle emocional. 
 
● Ingurgitamento mamário 
 
O ingurgitamento mamário caracteriza-se pela congestão vascular e/ou linfática, 
resultando no acúmulo de leite nos alvéolos, podendo ocorrer entre o 3º ao 5º dia 
após o parto (PERILO, 2019). Pode ser fisiológico (apojadura) ou patológico. 
O ingurgitamento mamário fisiológico ocorre como processo normal da 
lactogênese, em que há a retenção de leite nos alvéolos, evoluindo para uma 
distensão alveolar e compressão dos ductos lactíferos, causando obstrução ao fluxo 
de leite (PERILO, 2019). Observa-se edema secundário à estase vascular e linfática. 
Em consequência ao aumento da pressão intraductal, o acúmulo de leite sofre 
transformação intermolecular e sua consistência torna-se mais viscosa, 
popularmente nomeado de “leite empedrado” (PERILO, 2019). 
Já o ingurgitamento mamário patológico é caracterizado pela distensão tecidual 
excessiva e consequente aumento do tamanho das mamas com presença de dor, 
hiperemia local, edema mamário e complexo mamilo-areolar enrijecido, podendo 
estar acompanhada de febre e mal-estar, além de apresentar riscos de evoluir para 
a inibição da produção de leite materno, mastite, abscesso mamário ou septicemia 
(PERILO, 2019). 
Estudo realizado por Maymone et al. (2014) com mulheres no pós-parto imediato 
em uma maternidade objetivou analisar os efeitos da acupuntura auricular nas 
complicações da lactação incluindo o ingurgitamento mamário, traumas mamilares, 
ausência de colostro e baixa produção de leite. Participaram do estudo sete 
mulheres, das quais seis (n=6) 90% eram primíparas e 80% (n=5) maiores de 21 
anos. 
Durante o período em que ficavam na maternidade, as mulheres recebiam duas 
sessões de auriculoterapia: a primeira um dia após o parto e a segunda sete dias 
após. Os pontos utilizados foram: Rim, Shemen, supra-renal para todas as 
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47 
 
mulheres, pois, além de impulsionar energia corporal, estimulam o relaxamento, 
aliviando tensões. Os demais pontos foram analisados de acordo com a indicação 
de dor ao apalpador. Foram ainda testados os pontos glândulas mamárias, 
glândulas endócrinas e analgesia, os mais sensíveis, glândulas mamárias e 
analgesia. 
Das sete mulheres participantes do estudo, seis relataram aumento na produção 
láctea, redução das dores, sensação de relaxamento, apojadura, redução da dor, 
redução do sangramento, cicatrização das fissuras e melhora do ingurgitamento 
mamário fisiológico; e somente uma mencionou não ter observado nenhum 
resultado, entretanto também não apresentou nenhum efeito adverso (MAYMONE et 
al., 2014). 
Em revisão de literatura, a Sousa et al. (2012) identificou que a acupuntura 
auricular apresentou efetiva diminuição dos sintomas do ingurgitamento mamário, 
destacando como um dos métodos não farmacológicos eficaz para a proteção do 
aleitamento materno. 
Assim, recomenda-se o uso dos pontos Rim, Shemen, supra-renal, glândulas 
mamárias, relaxamento muscular, hipófise, endócrino, dentre outros. 
 
4.3. ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA EM SAÚDE MENTAL 
 
No que tange a Saúde Mental, a acupuntura auricular/auriculoterapia tem se 
mostrado efetiva em estudos que relatam situações de estresse, ansiedade, 
síndrome do pânico, depressão, burnout e uso abusivo de tabaco, de álcool e outras 
drogas (KUREBAYASHI et al., 2014, KUREBAYASHI et al., 2017; LIN et al., 2019; 
OLSHAN, 2019; PINTO, 2015; VIANA, 2009; ZHAO et al., 2019a, ZHAO et al., 
2019b; SOUZA, 2019). 
Ainda que as causas das doenças sejam diversas, segundo Auteroche (1992), 
para a MTC o ser humano adoece em decorrência dos desequilíbrios entre Yin e 
Yang, e está associado a fatores como constituição física, estado mental, meio 
externo, alimentação e resistência adquirida por treinamento (AUTEROCHE, 1992). 
Em condições normais as emoções não causam doenças, mas são consideradas 
como fatores patogênicos internos que, quando em excesso ou falta, causam 
desequilíbrio e podem afetar o funcionamento psíquico, fazendo com que surjam 
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48 
 
inúmeras síndromes energéticas e patologias. As cinco emoções maiores são 
o medo (rim), a raiva (fígado), a alegria/euforia (coração), a preocupação/obsessão 
(baço), a tristeza/melancolia (pulmão). 
O elemento água está relacionado com os rins/bexiga e sua emoção é o medo e a 
insegurança. O medo é um fator de proteção, porém muito intenso, impede a ação. 
Pode causar consumo excessivo de Qi, como na síndrome do pânico e, também, 
afeta o coração e o Shem (mente), causando fobias, diminuição da autoestima, entre 
outros. 
A raiva está associada ao fígado, que representa o elemento madeira. Inclui 
outras emoções como ressentimento, raiva reprimida, irritabilidade, frustração, ira, 
ódio, indignação e mágoa. Em excesso podem causar estagnação do Qi do fígado 
ou sangue do fígado acarretando em cefaleia, tontura, zumbido, rigidez de nuca. A 
depressão de longa duração pode ser associada a estas condições. 
O elemento fogo está relacionado ao coração, tendo a alegria/felicidade como sua 
emoção predominante. Em excesso, pode criar o estado de superexcitação que 
consome o Qi e afeta o coração. As principais manifestações podem ser: 
palpitações, excitabilidade exagerada, insônia, inquietude e logorreia. A ansiedade 
está relacionada ao desequilíbrio deste elemento. É 
um sintoma de uma desarmonia ligada ao Shen, por desequilíbrio de Qi e Xue 
(sangue) no coração ou em outros órgãos que afetam o coração. A mente fica então 
desalojada ou obstruída. 
O elemento terra está relacionado ao Baço/Pâncreas/Estômago e a preocupação 
é sua emoção predominante. É uma das disfunções emocionais mais comuns em 
nosso tempo, e seu excesso desequilibra diretamente a transformação e o 
transporte de energia no nosso corpo, levando à estagnação do Qi. Alguns sinais e 
sintomas que podem aparecer são: dores musculares gerais, sensação 
desconfortável no peito, dificuldades de memória e concentração, discreta falta de 
ar, tensão nos ombros, cansaço excessivo, entre outros. 
O elemento metal está relacionado ao pulmão/intestino grosso e sua emoção é a 
tristeza/melancolia. A tristeza permite elaborar as perdas e mudanças de fases da 
vida; simboliza o recolhimento e o olhar para dentro de si mesmo. Já a tristeza 
crônica diminui o Qi e pode levar a pessoa à depressão, com queixas de dificuldade 
de respirar, sensação de desconforto no peito, ou choro reprimido. 
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49 
 
Deste modo, o Coração é o principal órgão das emoções, ele abriga a mente 
(Shen). O Fígado, que armazena a alma etérea, expressa a manifestação Yang do 
Coração. Ambos costumam estar comprometidos nas principais queixas emocionais. 
Porém, os demais órgãos também podem estar envolvidos, a exemplo do Baço, 
relacionado aos pensamentos obsessivos; do Rim, relacionado à falta de vontade e 
à insegurança; e do Pulmão, nos casos de melancolia. Na prática, a melhor forma de 
verificar quais órgãos podem estar em desarmonia, é observar também as 
manifestações físicas do paciente, avaliando quais tecidos estão comprometidos e 
relacionando esses também ao seu respectivo órgão. 
 
População-alvo 
Poderão ser atendidos usuários com diagnóstico médico e/ou encaminhamento 
de profissionais de nível superior. 
 
As queixas priorizadas na saúde mentalsão: 
 
● Estresse 
 
O estresse é um estado de tensão que causa ruptura no equilíbrio do organismo, 
e que ultrapassa a sua capacidade adaptativa, gerando um estado de tensão 
fisiológica, e que tem relação direta com as demandas do meio ambiente. 
 
● Ansiedade e Síndrome do Pânico 
 
A ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, 
caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo 
desconhecido ou estranho. É reconhecida como patológica quando exagerada e 
desproporcional em relação ao estímulo e interfere na qualidade de vida, no conforto 
emocional ou no desempenho diário do indivíduo. 
 
● Depressão 
 
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50 
 
A depressão é um transtorno de humor de etiologia multifatorial que afeta as 
pessoas na sua forma de se relacionar consigo e com o mundo ao seu redor. As 
alterações e os sintomas variam, sendo que cada indivíduo pode apresentar sinais e 
sintomas diferentes. 
 
● Síndrome de Bournout 
 
A Síndrome de Burnout é consequente a níveis de estresse crônico relacionado 
ao trabalho, compreendendo uma exaustão emocional e diminuição do sentimento 
de realização pessoal, ocasionando transtornos mentais que resultam em prejuízos 
pessoais, organizacionais e familiares. 
 
Deste modo, referindo a saúde mental, além de pontos referentes aos 
desequilíbrios energéticos dos ZangFu, recomendamos alguns pontos comuns 
utilizados no equilíbrio emocional e nas queixas relacionadas a ela, como: 
ShenMen; Simpático; Diafragma/Ponto Zero ou Plexo Solar; Sistema Límbico; Yang 
do Gan 1 e 2; Adrenal; Hipotálamo; Subcórtex; Ponto do Cérebro; Neurastenia; 
Pineal (ciclo circadiano); Tríade da Ansiedade/Tríade da alegria; Boca, Fome, Sede, 
Vício. 
 
4.4 ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA NO TRATAMENTO DO 
TABAGISMO 
 
A acupressão sobre pontos auriculares e outras formas de auriculoterapia têm 
sido utilizadas há um longo tempo no tratamento de transtornos relacionados ao 
abuso de substâncias (DI, MAY, ZHANG et al. 2014; MCLELLAN et al 1993). 
Nos últimos anos, pesquisadores têm contribuído com investigações científicas 
em maior escala, no âmbito da acupuntura sistêmica, quando comparada à 
auriculoterapia. No entanto, as evidências sobre auriculoterapia, que foram 
conduzidas com adequado rigor metodológico, mostraram resultados similares à 
técnica sistêmica, tanto em relação à eficácia clínica quanto às bases 
neurofisiológicas (NIEMTZOW, OLESON; 2014). 
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51 
 
A associação sem fins lucrativos chamada National Acupuncture Detoxifucation 
Association (NADA) tornou popular no meio leigo e científico um protocolo de 
auriculoterapia usado como adjuvante no tratamento da adição a substâncias 
químicas e esse protocolo é adotado em diversos ensaios clínicos sobre o assunto 
(CUI, WU, LI, 2013). 
Na revisão sistemática mais inclusiva publicada até o momento, dentre os 25 
ensaios clínicos selecionados, apenas 7 deles avaliaram o uso da Auriculoterapia 
com acupressão para a cessação do tabagismo (DI, MAY, ZHANG et al. 2014). 
Ao juntar estudos que utilizaram acupuntura auricular e auriculoterapia por 
acupressão os autores encontraram uma taxa de cessação do tabagismo entre 22-
30% ao final do tratamento. Essa taxa caiu para 15-18% após três meses e 
finalmente para 12-14% ao final de 6 meses de acompanhamento. 
Dentre os pontos escolhidos, ShenMen e Pulmão foram utilizados em todos os 
artigos de melhor qualidade, portanto, as evidências sugerem que esses pontos 
devem ser utilizados nos protocolos de auriculoterapia para cessação do tabagismo. 
Apesar da superioridade demonstrada sobre as intervenções controle, a 
auriculoterapia não demonstrou superioridade frente ás intervenções 
comportamentais e também não foi comparada com a terapia de reposição 
nicotínica ou com outras medidas farmacológicas. Assumindo que exista a 
efetividade da auriculoterapia nessa situação clínica, a estratégia de tratamento mais 
efetiva provavelmente é a união das diferentes intervenções disponíveis (UFSC, 
2016b). 
Em um estudo piloto conduzido no Brasil, 30 pacientes foram distribuídos em 2 
grupos de tratamento (SILVA, CHAVES, PILLON et al. 2014). Em um dos grupos os 
pacientes recebiam Auriculoterapia incluindo pontos do Protocolo NADA (National 
Acupuncture Detoxification Association) além de outros pontos baseados no mapa 
de auricoluterapia Chinesa. No outro grupo foram utilizados pontos auriculares, 
porém sem ação esperada para a cessação do tabagismo. Ambos os grupos 
receberam 2 sessões de tratamento por semana, totalizando 10 sessões. Após 30 
dias do término do tratamento foi observada uma redução do número de cigarros 
diários e na redução do tabagismo quando doente. Contudo, nenhuma cessação do 
tabagismo foi documentada. Isso reforça o caráter adjuvante da Auriculoterapia 
nesse contexto. 
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52 
 
Também existem outros autores (GONZÁLEZ GARCIA, 1999) que indicam a 
utilização dos pontos auriculares como boca, vício, tosse, subcórtex e ansiedade. 
 
Pontos de Auriculoterapia do Protocolo NADA. 
 
4.5 ACUPUNTURA AURICULAR/AURICULOTERAPIA NO TRATAMENTO DA 
DOR 
 
A dor aguda ou crônica são desordens comuns que afetam um percentual 
considerado da população brasileira e mundial. A dor crônica é aquela associada a 
processos patológicos que se prolongam por meses ou anos e, em muitos casos, a 
dor é a principal queixa, além de causar limitações funcionais. 
Estudos brasileiros observaram alta prevalência de dor crônica nos indivíduos 
acima de 60 anos (variando entre 51% e 67%), especialmente dores 
musculoesqueléticas (47% a 14%) (DELLAROZA, 2007; LIMA et al., 2009). A sua 
avaliação, na maior parte, é subjetiva, sendo imprescindível não só investigar a 
intensidade da dor, mas também as consequências na vida das pessoas. 
Para se tratar a dor crônica, há uma necessidade complexa de uso de medidas 
farmacológicas e não farmacológicas, e tempo longo, gerando dependência dos 
serviços de saúde, e mudanças nos aspectos sociais, físicos e emocionais dos 
indivíduos (MOURA et al., 2019). Assim, há necessidade de investir em terapêuticas 
que possibilitem a redução no uso de medicações, bem como que sejam de baixo 
custo e eficazes (MOURA et al., 2019). 
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53 
 
Dentre os recursos terapêuticos para o tratamento e controle da dor aguda ou 
crônica, a auriculoterapia tem se destacado como um método prático e muito eficaz 
(ZHAO et al., 2015), que além de promover o alívio de sinais e sintomas, também 
tem efeitos preventivos e curativos (MOURA et al., 2018). 
Estudo de revisão realizado por Morais et al., (2020), destaca a utilização da 
auriculoterapia como terapêutica favorável na queda das pontuações de intensidade 
de dor, principalmente nos estudos que utilizaram a Escala Visual Analógica 
(ARAUJO, 2006; MARTIM, 2017). Neste estudo, as evidências apontaram que a 
auriculoterapia mostrou-se favorável no alívio da sintomatologia (SATOR-
KATZENSCHLAGER et al., 2004; YANG et al., 2017; ZHAO et al, 2015), 
incapacidade física e auxílio nas habilidades físicas e funcionais (SUEN, 2008), 
melhora na qualidade do sono e aspectos do bem-estar dos indivíduos (SATOR-
KATZENSCHLAGER et al, 2004; ZANELATTO, 2013; SUEN, 2008), e na redução 
do consumo de medicamentos durante o período de tratamento (GARNER et al 
2018; HUNTER et al., 2012; SATOR-KATZENSCHLAGER et al., 2003). 
Buscando resumir alguns dados encontrados na literatura, as principais 
patologias dolorosas tratadas com auriculoterapiasão: cefaleia, enxaqueca, DORT 
(Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho), e LER (Lesão por esforço 
repetitivo), lombalgias e ciatalgias, artrites e artroses, dores em ombros, fibromialgia, 
dismenorreia e TPM, estas últimas relatadas no capítulo da saúde da mulher. 
Os pontos Fígado, Baço e Rim são considerados os principais pontos da MTC 
para o tratamento das disfunções musculoesqueléticas. Respectivamente, são 
responsáveis por nutrir os tendões, ligamentos e cápsulas articulares; sustentar os 
músculos e fortalecer os ossos. A disfunção do Fígado costuma provocar dor, 
rigidez, tensão e contraturas musculares. No caso do Baço, seu desequilíbrio 
acarreta em sensação de peso, fraqueza, flacidez e fadiga muscular. O desequilíbrio 
do Rim enfraquece os ossos, causa deformidades, degeneração, fraqueza dos 
joelhos e arqueamento da coluna (UFSC, 2016b). 
Assim, nos quadros dolorosos, de modo geral, recomenda-se o uso de pontos 
como: Shenmen, Simpático, Adrenal, Tálamo e Hipotálamo, associado a região de 
dor e o ZangFu correspondente. 
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54 
 
Cabe ressaltar que se deve observar com atenção as possíveis causas da 
origem da dor, sendo necessário o diagnóstico diferencial e afastadas causas graves 
para os quadros relatados. 
 
As queixas priorizadas no acompanhamento da dor são: 
 
 Cefaleias e enxaqueca 
 
Os transtornos da cefaléia, incluindo enxaqueca e cefaléia tensional, estão entre 
os distúrbios universais e incapacitantes mais prevalentes na humanidade (WHO, 
2011), sendo o seu tratamento medicamentoso considerado um desafio 
(GONZALEZ-HERNANDEZ et al., 2018). 
Elas podem ser separadas em dois grupos segundo sua etiologia: primárias e 
secundárias. As primárias não apresentam uma origem específica, enquanto as 
secundárias possuem uma afecção orgânica de origem intracraniana ou sistêmica, 
incluindo os distúrbios metabólicos, trauma crânio-encefálico, infecções do sistema 
nervoso central (SNC), acidente vascular encefálico e intoxicação exógena 
(GHERPELLI, 2002). 
As cefaleias primárias ainda podem ser divididas em enxaquecas ou cefaleia do 
tipo tensional com dor de baixa intensidade e frequência variável, ou crônica, com 
crises praticamente diárias (GHERPELLI, 2002) 
Estudo evidenciou a obtenção da eficácia média de 85% da melhora na dor dos 
tratamentos com acupuntura auricular propostos para enxaqueca e cefaleia 
(SOUZA, 2012 apud SILVÉRIO-LOPES; SEROISKA, 2013). A metodologia de 
avaliação da escala analógica visual foi utilizada em 75% dos estudos sendo que a 
metade foi relatada eficácia de 100% na melhora analgésica, e o número de sessões 
utilizadas nos estudos variou de cinco a 10 sessões com frequência semanal. 
Cabe ressaltar a importância da avaliação de condições como ansiedade, 
nervosismo e tensão muscular associadas aos quadros de cefaleia, fazendo-se 
necessário o seu tratamento conjunto. 
Assim, é importante diferenciar a região da dor, e o uso de pontos do encéfalo, 
frontal, occipital e temporal, associando, por exemplo, pontos da ansiedade, do 
nervosismo, do relaxamento muscular, Yang Gan 1 e 2, entre outros. 
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55 
 
 Lombalgias e ciatalgias 
 
A lombalgia é definida como dor ou desconforto localizado abaixo das costelas e 
acima da região glútea, sendo uma das queixas músculo esqueléticas mais 
frequentes no mundo, afetando diretamente a qualidade de vida do indivíduo e o 
absenteísmo no trabalho (CHOU et al, 2007; COSTA et al, 2009). Os nervos 
periféricos são alvos constantes de lesões como esmagamento ou compressão, e 
entre as afecções mais comuns estão às relacionadas ao nervo isquiático, chamada 
ciatalgia (STAFFORD et al., 2007 citado por GAFFURI et al., 2011), onde o quadro 
doloroso se irradia da região lombar para as nádegas, descendo para a coxa até a 
panturrilha. 
Estudo sobre a ocorrência de lombalgia em países desenvolvidos mostrou taxas 
de prevalência entre 15% a 30% na população, sendo um fenômeno muito comum 
entre trabalhadores (NACHEMSON; WADDELL; NORLUND, 2000). 
Na Atenção Primária à Saúde (APS) a dor lombar está entre os quadros com 
maior prevalência (LANGONI, 2012), gerando uma grande demanda para o sistema 
de saúde, tornando-se onerosa tanto para o indivíduo quanto para a sociedade (YEH 
et al., 2013; YANG et al., 2017). 
De acordo com o Guia de auriculoterapia para lombalgia baseado em evidências 
(2020), as conclusões dos estudos analisados quanto à eficácia da auriculoterapia 
no tratamento ou diminuição de dor lombar, permitem afirmar que a auriculoterapia é 
uma terapia complementar eficaz no tratamento da dor lombar, podendo ser uma 
importante ferramenta terapêutica na abordagem multidisciplinar da atenção primária 
à saúde, inclusive pela sua simplicidade e segurança (USFC, 2020). Recomenda-se, 
então, os pontos correspondentes a região dolorosa (lombar, sacral, ciático, glúteo, 
coxa, etc), além de pontos de ação anti-inflamatória, e de relaxamento muscular, a 
depender do trajeto da dor. 
 
 Artrites e artrose 
 
Artrite reumatoide é uma doença crônica das articulações, caracterizada por uma 
inflamação provocada por alterações no sistema imune (GOELDNER, 2011). 
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56 
 
A artrose, também chamada de osteoartrite, osteoartrose ou artrite degenerativa, 
é uma artrite que ocorre por degeneração das cartilagens das articulações, 
geralmente pelo envelhecimento da mesma. A osteoartrose é uma doença 
degenerativa, progressiva e sem cura. Com o desgaste das cartilagens, há o 
aumento do atrito entre os ossos, o que provoca desconforto, dor, inflamações e 
deformações, dificultando e até impossibilitando movimentos (SILVÉRIO-LOPES; 
SEROISKA, 2013). Nas artrites e artroses recomenda-se pontos correspondentes à 
articulação dolorosa, além daqueles já sugeridos de forma geral para os casos de 
dor. Não há necessidade de ponto de relaxamento muscular. 
 
 Fibromialgia 
 
A fibromialgia (FB) é uma doença crônica, não inflamatória, que causa dor 
generalizada no sistema musculoesquelético. É caracterizada por pontos de 
sensibilidade dolorosa, conhecidos como tender points, e até o momento sem cura 
(MARCHESINI STIVAL et al., 2014). O seu diagnóstico é essencialmente clínico, e a 
etiologia ainda é desconhecida. Além da dor, pode estar associada com depressão, 
fadiga, distúrbios no sono ou problemas psicológicos, impactando na qualidade de 
vida dos indivíduos (PERNAMBUCO et al., 2014). 
A FB pode ser classificada como primária, quando ocorre sem outra patologia 
associada, e secundária, quando ocorre simultaneamente com outra doença 
(WOLFE et al., 1990), e ainda que sem causa definida, alguns fatores influenciam na 
agudização dos sintomas, como, esforço físico extremo, atividades repetitivas, 
síndrome das pernas inquietas, irritação do intestino e estresse (MARCHESINI 
STIVAL et al., 2014). 
Em estudo realizado por Carmo e Antoniassi, (2018) a auriculoterapia foi eficaz 
na redução da dor e na melhora da qualidade de vida da amostra estudada, 
corroborando com estudo de Góis et al. (2005), que mostrou resultado significativo 
na melhora do quadro álgico de pacientes com FB. 
Nestes casos, recomenda-se ponto de relaxamento muscular associado com 
pontos correspondentes à musculatura dolorosa. Como a fibromialgia está 
associada com sintomas de ansiedade e depressão, sugere-se ainda pontos de 
como diafragma, sistema límbico, ansiedade, entre outros. 
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57 
 
 Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho/ lesões por 
esforços repetitivos (DORT/LER)Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) são definidos 
como um grupo de doenças ocupacionais (O’NEILL et al., 2003) de difícil tratamento 
e diagnóstico, caracterizados por distúrbios musculares e tendinosos. São 
ocasionados pela sobrecarga de um grupo muscular devido ao uso repetitivo e à 
manutenção de posturas inadequadas (BARBOSA et al., 1997), assim como uma 
invariabilidade de tarefas que causam pressão mecânica, trabalho muscular estático, 
choques ou impacto, vibração, frio forte e fatores ocupacionais e psicossociais 
(BRASIL, 2000). No Brasil é considerada a segunda maior causa de afastamento 
dos postos de trabalho (BRASIL, 2000). 
Estudo realizado por Araújo e Lopes, (2009) concluiu que a Auriculoterapia 
proporciona a melhora da qualidade de vida dos indivíduos acometidos pelos 
DORT/LER e que este tipo de intervenção é eficaz não só durante o período do 
tratamento, mas também por um período prolongado de tempo após o término do 
tratamento (ARAÚJO e LOPES, 2009), corroborando com estudo de Araújo et al, 
2006, onde o uso da auriculoterapia mostrou-se eficaz nos casos de DORT/LER, 
sendo que dois participantes com GRAUS I e II, relataram ao final do tratamento não 
sentir mais dor, e nos casos de GRAUS III e IV foi obtido uma redução da 
sintomatologia, frequência, intensidade, localização e número de expressões que 
caracterizam a dor (ARAÚJO et al, 2006). 
 
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58 
 
ROTEIRO PARA O PROCESSO DE ENFERMAGEM NA ACUPUNTURA 
AURICULAR/AURICULOTERAPIA 
 
Data da avaliação: _____/_____/_____ 
Identificação: 
Hygia:_________________ 
Nome:______________________________________________ Idade:______ 
Profissão: _______________________________________________________ 
Motivo do Atendimento: ___________________________________________ 
 
Atendimento de enfermagem: 
 
1 – Histórico 
Antropometria: ___________________________________________________ 
Queixas atuais:___________________________________________________ 
Doenças Pregressas e Atuais: _______________________________________ 
Uso de medicamentos: ____________________________________________ 
Sono: __________________________________________________________ 
Apetite: _________________________________________________________ 
Diurese: ________________________________________________________ 
Evacuações: ____________________________________________________ 
Ciclo menstrual: __________________________________________________ 
 
 
 
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59 
 
2 - Exame Físico: 
Pontos patológicos na orelha: 
 
Diagnóstico auricular:___________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
 
Pontos utilizados: 
___________________________________________________________________
___________________________________________________________ 
 
Possíveis Diagnósticos de Enfermagem 
Náusea 
Constipação Intestinal 
Diarreia 
Obesidade 
Estilo de vida sedentário 
Imagem corporal perturbada 
Eliminação urinária prejudicada 
Integridade da pele prejudicada 
Hipertermia 
Dor aguda 
Dor Crônica 
Mobilidade física prejudicada 
Baixa autoestima crônica 
Baixa autoestima situacional 
Padrão de sono perturbado 
Desesperança 
Medo 
Luto 
Regulação do humor prejudicada 
Tristeza crônica 
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60 
 
Ansiedade 
Padrão de sexualidade ineficaz 
Auto-mutilação 
Risco de reação alérgica 
Produção insuficiente de leite materno 
 
Orientações / Intervenções de Enfermagem: 
 
✔ Manter as sementes nos pontos auriculares por sete dias; 
✔ Pode ocorrer dor leve no local da inserção das sementes. Neste caso, não 
retirar as sementes; 
✔ Em caso de dor intensa ou prurido intenso, retirar a semente, lavar o local 
com água e comunicar profissional na próxima consulta; 
✔ Estimular os pontos auriculares com a compressão com os dedos, 3 vezes ao 
dias; 
✔ Não secar o pavilhão auricular com fricção com a toalha após o banho; 
✔ Manter terapêutica medicamentosa conforme prescrição médica. 
 
Avaliação: 
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________ 
 
Retorno: _______________________________________________________ 
 
 
 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
61 
 
5. PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRONIZADO - ACUPUNTURA 
AURICULAR/AURICULOTERAPIA 
 
1 OBJETIVO 
Técnica terapêutica que consiste na estimulação mecânica de pontos específicos 
do pavilhão auricular para aliviar dores e/ou tratar problemas físicos e psíquicos. 
Promove a regulação psíquico-orgânica do indivíduo por meio de estímulos nos 
pontos energéticos localizado na orelha onde todo o organismo se encontra 
representado como um microssistema. Também estimula as zonas neurorreativas 
por meio de sementes vegetais, cristais, agulhas, esferas de aço e proporciona 
reflexologia de uma ação neurofisiológica, sendo regida pelo sistema 
parassimpático que ocasiona uma liberação de neurotransmissores que vão agir 
no organismo. 
 
2 CAMPO DE APLICAÇÃO 
Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Saúde da Família (USF), 
Centros de Apoio Psicossocial (CAPs) e outras unidades de saúde com 
profissionais especializados que ofereçam atendimentos no âmbito das Práticas 
Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). 
 
3 MATERIAL 
3.1 Álcool 70%; 
3.2 Algodão; 
3.3 Pinça fina para acupuntura auricular/auriculoterapia; 
3.4 Fita adesiva microporosa; 
3.5 Semente de esférica vegetal (sementes de mostarda); 
3.6 Placa para acupuntura auricular/auriculoterapia; 
3.7 Apalpador de pressão para acupuntura auricular/auriculoterapia. 
3.8 Mapa de localização dos pontos de acupuntura auricular/auriculoterapia 
 
4 PROCEDIMENTO 
4.1 Higienizar as mãos conforme procedimento operacional de fricção 
antisséptica das mãos ou higienização simples das mãos; 
4.2 Reunir o material e colocá-lo próximo ao usuário; 
4.3 Observar estado geral do usuário (capacidade de cooperar com o 
procedimento, nível de consciência e sinais vitais); 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
62 
 
4.4 Conferir o nome completo do usuário, data de nascimento, número do 
prontuário; 
4.5 Explicar o procedimento ao usuário e/ou acompanhante; 
4.6 Fechar a porta ou colocar biombo para garantir a privacidade do usuário; 
4.7 Posicionar o usuário em decúbito dorsal ou sentado em cadeira com a 
cabeça apoiada; 
4.8 Realizar antissepsia do pavilhão auricular com algodão embebido em álcool 
70% ou outro material padronizado pela SMS-RP para tal fim; 
4.9 Avaliar o pavilhão auricular; 
4.10 Oclusão do conduto auditivo com uma pequena bola de algodão seca; 
4.11 Identificação dos sintomas e dos respectivos pontos a serem estimulados; 
4.12 Usar o apalpador de pressão para demarcar os pontos a serem estimulados; 
4.13 Aplicação das sementes esféricas com a fita adesiva microporosa; 
4.14 Realizar pressão leve no local para garantir a aderência da fita adesiva 
microporosa sobre a pele; 
4.15 Retirar a bola de algodão do conduto auditivo e desprezá-la no lixo; 
4.16 Recolher o material; 
4.17 Recompor o ambiente; 
4.18 Colocar o cliente em posição confortável; 
4.19 Higienizar as mãos. 
4.20 Higienizar instrumental conforme POP de Limpezae desinfecção dos 
instrumentais de acupuntura auricular e auriculoterapia. 
 
5 OBSERVAÇÃO: 
A acupuntura auricular/auriculoterapia possui algumas contraindicações e deve 
ser evitada em: pessoas com hipersensibilidade, lesões em pavilhão auricular, 
alergia a fita adesiva microporosa e sementes vegetais. 
 
6 RESPONSABILIDADE 
● Profissionais de nível superior com capacitação técnica em acupuntura 
auricular/auriculoterapia. 
 
7 REGISTRO 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
63 
 
Registrar o procedimento realizado no sistema Hygia, CIAP A 98 (Medicina 
preventiva/ Manutenção da Saúde ou outro CIAP que representa os sintomas 
apresentados pelo paciente: A 01 Dor generalizada, P 01 Sensação de 
ansiedade/ nervosismo/tensão, entre outros. 
Deverão ainda ser descritos os pontos auriculares estimulados, programar retorno 
e avaliar melhora dos sintomas a cada atendimento. 
Lançar o procedimento 0309050049 – Sessão de Acupuntura 
auricular/auriculoterapia. 
 
DADOS DA VERSÃO 
ELABORAÇÃO APROVAÇÃO 
Mirela Modolo Martins 
Enfermeira. COREN-SP: 138.321 
 
Lívia Modolo Martins 
Enfermeira. COREN-SP:188.222 
 
Luana Alves de Figueiredo Bianchi 
Neves 
Enfermeira. COREN-SP: 204.154 
Karina Domingues de Freitas 
Chefe da Divisão de Enfermagem 
COREN-SP: 
 
 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
64 
 
7. PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRONIZADO - LIMPEZA E 
DESINFECÇÃO DOS INSTRUMENTAIS DE ACUPUNTURA AURICULAR E 
AURICULOTERAPIA 
 
1. OBJETIVO 
Realizar a limpeza e desinfecção dos instrumentais de acupuntura auricular e 
auriculoterapia (pinça Adson e apalpador de Nogier) após cada utilização. 
 
2. CAMPO DE APLICAÇÃO 
Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Saúde da Família (USF), 
Ambulatórios de especialidade, Centro de apoio psicossocial (CAPS), Serviço de 
Atenção Domiciliar (SAD). 
 
3. MATERIAIS 
3.1 Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): gorro, máscara cirúrgica, óculos de 
proteção, avental impermeável, luvas de procedimento, 
3.2 Compressa tipo campo operatório não estéril ou tecido-não-tecido (TNT), 
3.3 Frasco borrifador com o produto de limpeza e desinfecção em ação única 
recomendado/ padronizado pela CCI – SMS. 
 
4. PROCEDIMENTO 
4.1 Higienizar as mãos conforme procedimento operacional de fricção antisséptica 
das mãos ou higienização simples das mãos; 
4.2 Vestir EPIs conforme indicação; 
4.3 Borrifar o produto padronizado pela CCI-SMS na compressa e friccionar na 
pinça de Adson e no apalpador de Nogier por 30 segundos; 
4.4 Secar; 
4.4 Guardar o instrumental em um recipiente limpo e seco com tampa ou em saco 
plástico; 
4.5 Retirar os EPIs e os descartar em local adequado; 
4.6 Higienizar as mãos conforme procedimento operacional de fricção antisséptica 
das mãos ou higienização simples das mãos. 
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Acupuntura Auricular 
 
65 
 
 
5. OBSERVAÇÕES 
Este material deve ter seu acondicionamento checado diariamente pelo enfermeiro 
responsável na unidade de saúde. 
 
6. RESPONSABILIDADE 
Enfermeiro que tenha liberação para atuar com acupuntura auricular e 
auriculoterapia na SMS-RP. 
 
7. REGISTRO 
Registrar a data da limpeza das caixas de acondicionamento em impresso próprio, 
assinatura e carimbo do enfermeiro responsável. Validade 30 dias. 
 
REFERÊNCIAS 
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infecções relacionadas à assistência à saúde. Brasília: Anvisa, 2009. BRASIL. 
2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual de limpeza e desinfecção da 
ANVISA. Brasília: Anvisa, 2010. 
3. RIBEIRÃO PRETO (Cidade). Secretaria Municipal da Saúde. Manual de 
limpeza, desinfecção e esterilização em unidades de saúde. Ribeirão Preto: 
SMS, 2006. 
 
DADOS DA VERSÃO 
ELABORAÇÃO APROVAÇÃO 
Luana Alves de Figueiredo Bianchi 
Neves 
Enfermeira. COREN-SP: 204.154 
Karina Domingues de Freitas 
Chefe da Divisão de Enfermagem 
COREN-SP: 0126266 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
66 
 
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Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
78 
 
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Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
79 
 
Anexo I
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
80 
 
Anexo II 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
81 
 
Anexo III 
 
Protocolo de Práticas Integrativas e Complementares para enfermagem: Auriculoterapia e 
Acupuntura Auricular 
 
82 
 
RECOMENDAÇÕES ADICIONAIS EM SAÚDE DA MULHER 
 
Queremos aqui trazer algumas recomendações que são necessárias nos 
cuidados diários para a saúde da mulher, contribuindo com a manutenção ou 
recuperação da vitalidade, reduzindo ou eliminando os sintomas de desequilíbrio da 
saúde da mulher (CAMPIGLIA, 2017): 
● não realizar exercícios físicos exaustivos; 
● ocupar a mente com atividades criativas e meditação; 
● consumo de alimentos nutritivos, em temperatura ambiente, morna ou quente; 
Em caso de insônia, depressão, irritabilidade, cefaleias e calores: 
● Evitar ingestão de álcool; 
● Não ingerir alimentos picantes e condimentados; 
● Evitar compromissos sociais muitos agitados; 
● Realizar exercícios físicos moderados regularmente; 
● Respeitar os horários e o ritmo do corpo; 
● Procurar não guardar rancor ou mágoa; 
● Dançar e escutar música; 
● Colocar os sentimentos para fora, se necessário procurar apoio psicológico; 
● Procurar, o máximo possível, ingerir alimentos sem agrotóxicos ou hormônios; 
● Não comer demais; 
● Dormir cedo e evitar estímulos visuais intensos no período da noite; 
● Evitar açúcares, alimentos frios ou de sabor muito ácido. 
● Evitar: alimentos crus, excesso de saladas, leite e derivados, frituras, 
alimentos gordurosos e álcool.

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